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<p>ERGONOMIA</p><p>APLICADA</p><p>Dulce América de Souza</p><p>Normas técnicas: espaços</p><p>planejados para pessoas</p><p>com deficiência</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir pessoas com deficiência e as suas necessidades.</p><p> Identificar as normas que regem a acessibilidade universal.</p><p> Aplicar as regras de acessibilidade universal no desenho de edificações</p><p>e de mobiliários.</p><p>Introdução</p><p>Projetar para todos é um desafio para os arquitetos e urbanistas. A acessi-</p><p>bilidade universal não é apenas uma premissa legal, mas, acima de tudo, é</p><p>um posicionamento contra a segregação de grande parte da população</p><p>mundial. Os direitos humanos assegurados às pessoas com deficiência</p><p>requerem a contrapartida da elaboração de edifícios inclusivos. Por isso,</p><p>o estudo das deficiências mais frequentes — e as respectivas restrições</p><p>espaciais por elas causadas — é um conhecimento importante para</p><p>nossas atribuições profissionais.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar as classificações das deficiências e</p><p>as condições do meio ambiente que podem agravar as dificuldades</p><p>dos indivíduos acometidos por alguma dessas disfunções fisiológicas.</p><p>O caminho para a acessibilidade universal acompanha legislações e</p><p>normas técnicas para edifícios e espaços públicos ao ar livre e recebe</p><p>um importante aporte dos princípios do desenho universal. Assim, você</p><p>também vai identificar as normas que regem a acessibilidade universal e,</p><p>por fim, vai verificar as ferramentas projetuais que auxiliam na concepção</p><p>de projetos arquitetônicos integralmente inclusivos.</p><p>Deficiências e restrições espaciais</p><p>em um mundo de obstáculos</p><p>Segundo a Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANI-</p><p>ZATION, 2001, apud DISCHINGER; ELY; PIARDI, 2012, p. 16):</p><p>A incapacidade não é um atributo da pessoa, mas um conjunto complexo de</p><p>condições, muitas das quais criadas pelo meio ambiente social. Consequen-</p><p>temente a solução do problema requer ação social e é de responsabilidade</p><p>coletiva da sociedade fazer as modificações necessárias para a participação</p><p>plena de pessoas com deficiências em todas as áreas da vida social. A questão</p><p>é, pois, atitudinal ou ideológica quanto às mudanças sociais, enquanto que no</p><p>nível político é uma questão de direitos humanos.</p><p>Embora o significado final da arquitetura seja servir aos interesses do</p><p>habitat dos seres humanos, os planejamentos urbanos e projetos arquitetônicos</p><p>têm evoluído ao longo dos tempos, mas de maneira mais lenta do que a tec-</p><p>nologia. As contradições inevitáveis se situam na idealização do ser humano,</p><p>considerando que, se as cidades fossem concebidas para todos os indivíduos,</p><p>não ocorreria a segregação de grande parcela da população, que tem dificul-</p><p>dade para utilizar ambientes e equipamentos projetados pelos arquitetos e</p><p>urbanistas, conforme apontam Neufert (2013) e Cambiaghi e Mauch (2017).</p><p>O termo deficiência é adotado para designar o problema específico de uma</p><p>disfunção no nível fisiológico do indivíduo (por exemplo, cegueira, surdez,</p><p>paralisia). Por sua vez, o termo restrição está associado às dificuldades re-</p><p>sultantes da relação entre as condições dos indivíduos e as características do</p><p>meio ambiente na realização de atividades. Dischinger (2012, p. 16) esclarece:</p><p>É, no entanto, importante notar que a presença de uma deficiência não impli-</p><p>ca, necessariamente, incapacidade. Uma pessoa com baixa visão, apesar da</p><p>deficiência visual, pode ler utilizando lentes especiais. Por outro lado, qual-</p><p>quer pessoa pode em algum momento ser incapaz de realizar uma atividade</p><p>devido a fatores ambientais, culturais ou socioeconômicos. Exemplos dessas</p><p>situações podem ser: subir uma ladeira muito íngreme para um idoso ou uma</p><p>mulher grávida; não compreender o idioma em placas informativas urbanas</p><p>para um turista estrangeiro; não poder ler instruções num terminal bancário</p><p>para pessoas iletradas; ou não poder deslocar-se por não ter dinheiro para</p><p>pagar uma passagem de ônibus.</p><p>Partindo das definições mencionadas, podemos citar o exemplo de uma</p><p>pessoa com catarata, que tem comprometimento visual e está incluída nos</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência2</p><p>indivíduos com deficiência visual. As dificuldades advindas da sua condição</p><p>são evidenciadas no meio ambiente: ela não distingue com nitidez os ele-</p><p>mentos físicos do espaço — como desníveis ou mudança de planos — e não</p><p>reconhece a fisionomia de uma pessoa a uma determinada distância. Então,</p><p>as condições do meio ambiente podem agravar essas dificuldades, gerando</p><p>restrições (Figura 1).</p><p>Figura 1. Visão normal e visão com catarata.</p><p>Fonte: Adaptada de Ben Hur (2018).</p><p>A restrição de mobilidade abrange as deficiências físicas, mas não se</p><p>limita a elas. A idade (avançada ou reduzida), o estado de saúde e as carac-</p><p>terísticas antropométricas (altura e peso) dos indivíduos podem desencadear</p><p>necessidades especiais para atividades desejadas: receber informações,</p><p>acessar e manusear equipamentos e mobiliários, deslocar-se, adentrar em</p><p>veículos, etc. Devemos lembrar também que há possíveis alterações nas</p><p>dimensões e posições corporais ocasionadas por patologias. Segundo Dor-</p><p>neles (2014, p. 60), “[...] uma pessoa com artrose pode ter dificuldades em</p><p>movimentar seus braços, diminuindo seu alcance”.</p><p>A Organização Mundial da Saúde (2008) utiliza o termo restrição para</p><p>designar a relação entre as características de um meio físico e social e as</p><p>condições de um indivíduo na realização de atividades. Para a arquitetura</p><p>3Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>e urbanismo, é fundamental o conhecimento das relações conflitantes entre</p><p>as habilidades e/ou dificuldades dos usuários e o espaço; por isso, o termo</p><p>restrição é adequado. Ao compreendermos as restrições que os ambientes</p><p>podem gerar nas pessoas, abrimos possibilidades para pensar espaços que</p><p>não ofereçam barreiras e facilitem as atividades. Na nossa abordagem, o</p><p>termo restrição significa dizer que um ambiente está inadequado para atender</p><p>às necessidades de uma pessoa, com ou sem deficiência, na realização das</p><p>atividades desejadas em sua vida.</p><p>O termo deficiência física tem sido utilizado no Brasil para identificar todos</p><p>os tipos de deficiência, em particular na adaptação dos sistemas de transpor-</p><p>tes, nos quais se adotou o ícone do usuário com cadeira de rodas (BRASIL,</p><p>2006a). A imagem pontual do cadeirante comprometeu uma abordagem mais</p><p>abrangente do problema de exclusão nos espaços públicos, pois desconsiderou</p><p>os demais tipos de deficiência existentes.</p><p>O documento publicado em 2001 pela OMS, o International Classification of Functioning,</p><p>Disability and Health, traduzido no Brasil como Classificação Internacional de Funcionali-</p><p>dade, Incapacidade e Saúde (CIF), proporciona uma linguagem unificada e padronizada</p><p>sobre a saúde e os estados relacionados a ela.</p><p>Os termos funcionalidade e incapacidade são utilizados na CIF para des-</p><p>crever o que uma pessoa pode ou não fazer a partir de uma determinada</p><p>condição de saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2001, documento</p><p>on-line, grifos nossos).</p><p>Funcionalidade é um termo genérico para as funções do corpo, estruturas do</p><p>corpo, atividades e participação. Ele indica os aspectos positivos da interação</p><p>entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e seus fatores contextuais</p><p>(fatores ambientais e pessoais).</p><p>Incapacidade é um termo genérico para deficiências, limitações de atividade</p><p>e restrições de participação. Ele indica os aspectos negativos da interação</p><p>entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e seus fatores contextuais</p><p>(fatores ambientais e pessoais).</p><p>A CIF define também os fatores ambientais que constituem o am-</p><p>biente físico, social e de atitudes em que as pessoas vivem e conduzem</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência4</p><p>suas vidas. Eles incluem o papel do meio ambiente no estado funcional da</p><p>saúde dos indivíduos, atuando como barreiras ou como facilitadores no</p><p>desempenho das atividades</p><p>e na participação social (WORLD HEALTH</p><p>ORGANIZATION, 2001, documento on-line, grifos nossos).</p><p>Facilitadores são fatores ambientais que, por meio da sua ausência ou</p><p>presença, melhoram a funcionalidade e reduzem a incapacidade de uma</p><p>pessoa. Esses incluem aspectos como um ambiente físico acessível, dispo-</p><p>nibilidade de tecnologia de assistência apropriada, atitudes positivas das</p><p>pessoas em relação à incapacidade, bem como serviços, sistemas políticos</p><p>que visam aumentar o envolvimento de todas as pessoas com uma condição</p><p>de saúde em todas as áreas da vida. A ausência de um fator também pode</p><p>ser facilitador; por exemplo, a ausência de estigma ou de atitudes nega-</p><p>tivas. Os facilitadores podem impedir que uma deficiência ou limitação</p><p>de atividade transforme-se em uma restrição de participação, já que o</p><p>desempenho real de uma ação é aumentado, apesar do problema da pessoa</p><p>relacionado à capacidade.</p><p>Barreiras são fatores ambientais que, por meio da sua ausência ou presença,</p><p>limitam a funcionalidade e provocam a incapacidade. Esses incluem aspectos</p><p>como um ambiente físico inacessível, falta de tecnologia de assistência apro-</p><p>priada, atitudes negativas das pessoas em relação à incapacidade, bem como</p><p>serviços, sistemas e políticas inexistentes ou que dificultam o envolvimento</p><p>de todas as pessoas com uma condição de saúde em todas as áreas da vida.</p><p>(CIF, 2008, p. 244, grifos nossos)</p><p>O conceito geral dos componentes da CIF (WORLD HEALTH ORGA-</p><p>NIZATION, 2001) é exemplificado pela Figura 2. O modelo descreve o fun-</p><p>cionamento do corpo do indivíduo e a sua interação com o meio ambiente.</p><p>Figura 2. Conceito geral dos componentes da CIF.</p><p>Fonte: Adaptada de Benvegnú (2009).</p><p>5Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>A classificação das deficiências provocadas por doenças ou anomalias é</p><p>muito complexa. Interessa, aqui, compreender a natureza dos problemas fisio-</p><p>lógicos humanos, para relacioná-los com os fatores ambientais e, se possível,</p><p>reverter situações que conduzem à exclusão espacial. Adotamos, portanto, as</p><p>definições de Dischinger (2012), acrescidas dos estudos de Dorneles (2014),</p><p>Benvegnú (2009), Ely, Dorneles e Papaleo (2008), Siaulys (2006), Bruno</p><p>(2006), Damázio (2007) e Godói (2006), para sintetizar as deficiências que se</p><p>relacionam com as habilidades funcionais humanas. São elas: físico-motoras,</p><p>sensoriais, cognitivas e múltiplas.</p><p>Deficiências físico-motoras, restrições</p><p>e orientações espaciais</p><p>As defi ciências físico-motoras alteram a capacidade de motricidade geral do</p><p>indivíduo, acarretam difi culdades ou até incapacidade para a realização de</p><p>movimentos. Pode haver alteração total ou parcial de uma ou mais partes do</p><p>corpo, prejudicando principalmente os movimentos dos membros superiores</p><p>e inferiores. Normalmente há necessidade de utilização de equipamentos</p><p>assistivos como cadeira de rodas, andadores, muletas, aparelhos ortopédicos</p><p>ou próteses, conforme lecionam Benvegnú (2009) e Dischinger (2012).</p><p>As restrições físico-motoras ocorrem quando o ambiente ou seus equi-</p><p>pamentos impedem ou dificultam a realização de tarefas que exigem força</p><p>física, coordenação motora, precisão ou mobilidade. Segundo Ely, Dorneles e</p><p>Papaleo (2008) e Dischinger (2012), cadeirantes, isto é, pessoas que possuem</p><p>deficiências nos membros inferiores, podem estar restritas a:</p><p> transpor obstáculos com diferença de níveis;</p><p> subir rampas que não estejam adequadas à Norma;</p><p> alcançar equipamentos com alturas superiores à extensão do seu braço</p><p>enquanto sentadas;</p><p> aproximar-se de equipamentos que não possuam previsão de espaço</p><p>de aproximação para cadeira de rodas.</p><p>Porque as suas mãos estão ocupadas, usuários de muletas têm dificul-</p><p>dade para:</p><p> utilizar escadas com grande número de degraus sem patamares para</p><p>descanso;</p><p> locomover-se rapidamente na travessia de vias;</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência6</p><p> sentar-se em áreas de estar sem prejudicar a circulação com as muletas;</p><p> acionar botões ou comandos de equipamentos (como bebedouros), pois</p><p>as mãos estão ocupadas com as muletas.</p><p>As pessoas sem uma mão ou um braço têm dificuldades de coordenação</p><p>motora fina, limitação de força nos membros superiores e problemas no</p><p>acionamento de botões ou comandos de equipamentos. Também os indivíduos</p><p>carregando volumes ou sacolas nas mãos têm dificuldade para abrir portas</p><p>cujas maçanetas não são de alavanca, conforme apontam Ely, Dorneles e</p><p>Papaleo (2008).</p><p>Para reduzir as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência</p><p>físico-motoras — além da aplicação integral do previsto na ABNT NBR</p><p>9050:2020(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,</p><p>2015) — algumas orientações espaciais são propostas por Dischinger (2012,</p><p>p. 18-19):</p><p> prever espaço suficiente para aproximação e uso de espaços e</p><p>equipamentos;</p><p> eliminar desníveis verticais ao longo de percursos ou ambientes;</p><p> prover suportes para apoio (corrimãos);</p><p> criar superfícies uniformes com inclinação leve ou inexistente,</p><p>com pisos de boa aderência, antiderrapantes, e que não provoquem</p><p>trepidação;</p><p> observar dimensões mínimas adequadas para o deslocamento (ASSO-</p><p>CIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2020);</p><p> para vencer desníveis verticais, devem ser criados percursos alternativos</p><p>utilizando rampas ou elevadores, e nos percursos longos deve haver</p><p>locais de repouso;</p><p> equipamentos e mobiliário devem ser acessíveis também na posição</p><p>sentada, tais como telefones públicos, balcões de atendimento, lavatórios,</p><p>etc., devendo-se atentar ao desenho, ao layout e à altura destes;</p><p> informações e avisos devem estar no nível do olho de pessoas mais</p><p>baixas e com cadeira de rodas;</p><p> priorizar operações com apenas uma mão ou mesmo com o cotovelo,</p><p>por exemplo, na abertura de portas, por meio de maçanetas em forma</p><p>de alavanca e com dimensões adequadas;</p><p> acionamento de dispositivos, como torneiras, com o pé, por sistema</p><p>ótico ou por pressão.</p><p>7Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Deficiências sensoriais, restrições e orientações espaciais</p><p>As defi ciências sensoriais dizem respeito à ausência ou à perda signifi cativa na</p><p>capacidade dos sistemas de percepção do indivíduo para obter e organizar as</p><p>informações ambientais. Essas perdas geram difi culdades no uso dos espaços</p><p>e comprometem a participação social do indivíduo em diferentes atividades,</p><p>conforme apontam Ely, Dorneles e Papaleo (2008) e Dischinger, Ely e Piardi</p><p>(2012). Dischinger (2012) adota a seguinte classifi cação para as defi ciências</p><p>sensoriais: sistema de orientação, sistema háptico, sistema visual, sistema</p><p>auditivo e sistema paladar–olfato.</p><p>As restrições sensoriais ocorrem quando as características dos ambientes</p><p>ou de seus elementos dificultam a percepção das informações pelos sistemas</p><p>sensoriais. As pessoas com deficiência visual possuem dificuldades em se</p><p>locomover com segurança em espaços com amplas dimensões, identificar</p><p>mobiliário e obstáculos no caminho e perceber informações adicionais, como</p><p>placas e totens com informações visuais apenas, conforme lecionam Ely,</p><p>Dorneles e Papaleo (2008).</p><p>Na audição reduzida, as dificuldades diversas do indivíduo não impedem que</p><p>ele compreenda a fala humana e consiga expressar-se oralmente, com ou sem</p><p>a ajuda de aparelhos. Quando há perda total de audição em um dos ouvidos, a</p><p>orientação espacial é afetada devido à impossibilidade de localizar a origem dos</p><p>eventos sonoros. Para as pessoas surdas, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é</p><p>preferencial, porém, alguns indivíduos podem adquirir a linguagem oral, conforme</p><p>aponta Dischinger (2012). Pessoas com deficiência no sistema de orientação/</p><p>equilíbrio têm comprometimento de todas as atividades sensoriais, podendo</p><p>significar desde a perda da capacidade de equilíbrio (tontura, vertigens) até a</p><p>dificuldade de orientar-se espacialmente, pois não conseguem distinguir direções.</p><p>Para minimizar as restrições decorrentes das deficiências sensoriais, as</p><p>premissas</p><p>superam as questões apenas de mobilidade, uma vez que a recepção</p><p>das informações de qualquer natureza pode ser prejudicada. As normas da</p><p>Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) regulamentam os requisitos</p><p>de acessibilidade, com enfoque especial às deficiências visuais, e, portanto,</p><p>devem ser atendidas. Além do disposto nas Normas, recomenda-se, segundo</p><p>Dischinger (2012, p. 20):</p><p> criar ambientes e espaços bem organizados e de fácil legibilidade</p><p>espacial;</p><p> prever superfícies niveladas;</p><p> garantir a presença de apoios (corrimãos);</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência8</p><p> implantar sistemas de monitoramento remoto (aparelhos que auxiliam</p><p>na orientação geográfica, agendas eletrônicas, etc.);</p><p> adotar a grande variedade dos equipamentos de tecnologias assistivas dis-</p><p>poníveis (decodificação de legendas, linguagens alternativas por meio de</p><p>pictogramas, versores de linguagem pictórica e/ou escrita para oral, etc.);</p><p> utilizar as linguagens LIBRAS e braile;</p><p> utilizar sinalização visual e sonora;</p><p> instalar sistema de incêndio com sinalização luminosa;</p><p> instalar sistema de alarme luminoso.</p><p>Deficiências cognitivas, restrições e orientações espaciais</p><p>As defi ciências cognitivas se referem às difi culdades para compreender e tratar</p><p>as informações recebidas (atividades mentais), podendo afetar os processos</p><p>de aprendizado e aplicação de conhecimento e a comunicação linguística e</p><p>interpessoal. Também conhecida como defi ciência mental/intelectual, pode</p><p>comprometer as habilidades de raciocínio, memória e concentração. Conse-</p><p>quentemente, o indivíduo pode apresentar difi culdades de concentração, de</p><p>convívio social e para resolução de problemas, o que implica na dependência</p><p>de outras pessoas, no caso de defi ciência mais acentuada, conforme apontam</p><p>Benvegnú (2009) e Dischinger (2012).</p><p>As restrições cognitivas ocorrem quando o espaço e suas características</p><p>dificultam ou impedem o tratamento das informações disponíveis ou o desen-</p><p>volvimento de relações interpessoais e tomadas de decisão. No caso de alguns</p><p>níveis de autismo, por exemplo, há indivíduos que possuem dificuldades na</p><p>compreensão de informações ou que não conseguem associar símbolos às</p><p>informações, segundo Ely, Dorneles e Papaleo (2008) e Dischinger (2012).</p><p>Para projetar ambientes que incluam as pessoas com deficiências cogni-</p><p>tivas, devemos atender às determinações das Normas e atentar para alguns</p><p>aspectos referentes à segurança e à compreensão espacial, conforme recomenda</p><p>Dischinger (2012):</p><p> priorizar a presença de dispositivos de segurança;</p><p> evitar ambientes muito complexos e com poluição visual;</p><p> propiciar apelo visual e contraste de cores, evitando monotonia e repetição;</p><p> fornecer mensagens ou informações por meio de suportes distintos</p><p>(escrita, visual, auditiva);</p><p> prover iluminação adequada evitando pisca-pisca de luzes de 10-50 Hz</p><p>(causa desconforto visual e pode desencadear convulsões).</p><p>9Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Deficiências múltiplas, restrições e orientações espaciais</p><p>As defi ciências múltiplas são aquelas em que o indivíduo apresenta mais de um</p><p>tipo de defi ciência. Conforme exemplifi ca Dischinger (2012, p. 22), “[...] uma</p><p>pessoa com lesão cerebral congênita pode possuir uma defi ciência cognitiva</p><p>associada a uma defi ciência sensorial (baixa-visão) e físico-motora (difi culdade</p><p>de coordenação de movimentos)”. Deve-se considerar que, mesmo o indivíduo</p><p>não possuindo defi ciências múltiplas, a ocorrência de uma defi ciência acarreta</p><p>alterações em outras estruturas ou funções corpóreas.</p><p>As restrições múltiplas ocorrem em diversos níveis; no caso das crianças,</p><p>elas precisam ser encorajadas a locomover-se, realizar atividades e brincar. Um</p><p>tipo especial de deficiência múltipla é a surdo-cegueira, quando um indivíduo</p><p>possui diferentes graus de deficiências auditiva e visual associadas. Estas</p><p>comprometem tanto a sua comunicação social e o seu aprendizado quanto a sua</p><p>orientação espacial e a sua percepção geral da informação do meio ambiente</p><p>físico, conforme apontam Dischinger (2012) e Godói (2006).</p><p>Os critérios para projetos de ambientes voltados às deficiências múltiplas</p><p>devem atender aos requisitos necessários para a solução dos problemas de</p><p>forma integrada, buscando evitar conflitos. As orientações espaciais para as</p><p>deficiências físico-motoras, sensoriais e cognitivas são válidas.</p><p>Legislação internacional e nacional: o caminho</p><p>para a acessibilidade universal</p><p>As legislações internacional e nacional estabelecem diretrizes com força</p><p>de lei para a inclusão das pessoas com defi ciência e determinam requisitos</p><p>para promover a equiparação de oportunidades no meio ambiente. Em 13 de</p><p>dezembro de 2006, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas</p><p>(ONU) adotou a resolução que estabeleceu a Convenção dos Direitos das</p><p>Pessoas com Defi ciência, cujo propósito “[...] é o de promover, proteger e</p><p>assegurar o desfrute pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liber-</p><p>dades fundamentais por parte de todas as pessoas com defi ciência e promover</p><p>o respeito pela sua inerente dignidade” (BRASIL, 2008b, documento on-line).</p><p>Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas</p><p>com Deficiência, adotada pela ONU, bem como o seu Protocolo Facultativo.</p><p>O documento obteve equivalência de emenda constitucional e é assim</p><p>intitulado: Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência:</p><p>protocolo facultativo à convenção sobre os direitos das pessoas com</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência10</p><p>deficiência. Ele envolve o Decreto Legislativo nº. 186, de 09 de julho de</p><p>2008, e o Decreto nº. 6.949, de 25 de agosto de 2009 (BRASIL, 2011). No</p><p>art. 4º, “Obrigações Gerais”, a Convenção determina que os Estados Partes</p><p>se comprometam a:</p><p>[...] f) Realizar ou promover a pesquisa e o desenvolvimento de produtos,</p><p>serviços, equipamentos e instalações com desenho universal, conforme de-</p><p>finidos no Artigo 2 da presente Convenção, que exijam o mínimo possível</p><p>de adaptação e cujo custo seja o mínimo possível, destinados a atender às</p><p>necessidades específicas de pessoas com deficiência, a promover sua dispo-</p><p>nibilidade e seu uso e a promover o desenho universal quando da elaboração</p><p>de normas e diretrizes (BRASIL, 2011, documento on-line)</p><p>O desenho universal é definido no art. 2º, “Definições”, da referida Con-</p><p>venção como:</p><p>[...] a concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados,</p><p>na maior medida possível, por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação</p><p>ou projeto específico. O “desenho universal” não excluirá as ajudas técnicas</p><p>para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessárias</p><p>(BRASIL, 2011, documento on-line).</p><p>A busca pela acessibilidade universal é expressa na legislação e nos demais</p><p>documentos que balizam a concepção de projetos arquitetônicos, hoje com</p><p>obrigatoriedade de inclusão das pessoas com deficiência. Nos Cadernos do</p><p>Programa Brasil Acessível — Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana</p><p>(2006), uma das ações previstas é a difusão do conceito de desenho universal</p><p>no planejamento de sistemas de transportes e equipamentos públicos. A Lei</p><p>nº. 13.146, de 6 de julho de 2015, chamada de Lei Brasileira da Inclusão (LBI),</p><p>art. 3º, II, retoma a definição de desenho universal nos termos das demais</p><p>legislações (BRASIL, 2015).</p><p>A atual Constituição Brasileira determina o tratamento igualitário que deve</p><p>ser atribuído a todas as pessoas, bem como igual proteção à Lei. Do mesmo</p><p>modo, no ordenamento jurídico brasileiro, há leis, decretos e normas abordando</p><p>a inclusão — a Lei Federal nº. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, o Decreto nº.</p><p>5.296, de 2 de dezembro de 2004, e a ABNT NBR 9050:2015 — que estabelecem</p><p>os critérios básicos para a promoção da acessibilidade como garantia dos direitos</p><p>das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, além de pessoas</p><p>idosas, obesas, mulheres grávidas e</p><p>outras (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE</p><p>NORMAS TÉCNICAS, 2015; BRASIL, 2000; BRASIL, 2004; BRASIL,</p><p>2020)</p><p>11Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>No Brasil, a ABNT NBR 9050:2020 — Acessibilidade a edificações, mobiliá-</p><p>rio, espaços e equipamentos urbanos — representa um avanço em prol da inclusão</p><p>social, pois apresenta parâmetros técnicos de projeto que garantem o mínimo de</p><p>condições de acesso às pessoas com deficiência para (ASSOCIAÇÃO</p><p>BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2020). Contudo, a promoção de</p><p>espaços inclusivos extrapola a garantia de condições mínimas estabelecidas na</p><p>Norma.</p><p>Os estudos voltados à acessibilidade universal instituídos pelo desenho</p><p>universal proporcionam ferramentas adicionais aos arquitetos para que se possa</p><p>desenhar, ou projetar, para todas as pessoas. O conjunto de estudos e pesquisas</p><p>já realizados nos fornece conhecimentos das demandas específicas dentro da</p><p>diversidade humana, de forma a atendermos às necessidades específicas de</p><p>todos os usuários sem evidenciar as diferentes necessidades de cada pessoa.</p><p>Acessibilidade universal: um conceito</p><p>a ser alcançado</p><p>O desenho universal é a proposta metodológica que apoia tecnicamente o</p><p>processo de projetar para alcançar a acessibilidade universal. O projeto para</p><p>todos, ou desenho universal, deve ser o princípio fundamental para qualifi</p><p>car ambientes desde o início de um projeto. O desenho universal apresenta</p><p>sete princípios que devem ser considerados ao se pensar em soluções para</p><p>ambien-tes, produtos e serviços, conforme apontam Cambiaghi e Mauch</p><p>(2017, p. 144): 1. Uso Equitativo: o design é útil às pessoas com habilidade diversas;</p><p>2. Uso Flexível: o design considera ampla diversidade de habilidades e pre-</p><p>ferências individuais;</p><p>3. Uso simples e intuitivo: o uso do design é de fácil entendimento sem depender</p><p>da experiência, habilidade ou nível de concentração do usuário;</p><p>4. Informação perceptível: o design comunica com eficácia as informações</p><p>necessárias ao uso, independente de condições ambientais ou da habilidade</p><p>sensorial do usuário;</p><p>5. Tolerância ao erro: o design deve prever e minimizar consequências ad-</p><p>versas de ações acidentais;</p><p>6. Pouco esforço físico: o design deve ser usado com o máximo de conforto</p><p>e o mínimo de fadiga;</p><p>7. Tamanho e espaço para aproximação e uso: o design deve fornecer tamanho</p><p>e espaço para utilização considerando diversos portes de usuários, posturas</p><p>e formas de mobilidade.</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência12</p><p>O desafio iminente dos arquitetos é alcançar, nos seus projetos, a aces-</p><p>sibilidade universal. Para orientar as metodologias projetuais desde a sua</p><p>concepção, Dischinger (2012) classificou os componentes de acessibilidade</p><p>espacial em quatro categorias: orientação espacial, comunicação, deslocamento</p><p>e uso. Além de atender integralmente ao disposto na ABNT NBR 9050:2020,</p><p>os projetos arquitetônicos podem apropriar-se desses componentes para adotar</p><p>soluções de desenho universal que permitam a acessibilidade para todos.</p><p>Orientação espacial</p><p>Segundo Dischinger (2012, p. 29): “[...] as condições de orientação es-</p><p>pacial são determinadas pelas características ambientais que permitem</p><p>aos indivíduos reconhecer a identidade e as funções dos espaços e defi nir</p><p>estratégias para seu deslocamento e uso”. O Quadro 1 apresenta diretrizes</p><p>de projeto para criar ambientes seguros e sem barreiras, observando o</p><p>quesito orientação espacial.</p><p>Imagens Orientação espacial</p><p>Piso tátil As pessoas com deficiência visual têm</p><p>dificuldades para perceber onde começa</p><p>e onde termina uma escada ou mesmo</p><p>uma rampa; assim, é fundamental que</p><p>exista sinalização tátil de alerta no piso.</p><p>Do mesmo modo, em espaços amplos,</p><p>é necessário utilizar a sinalização tátil</p><p>direcional, indicando o caminho a</p><p>ser percorrido, bem como placas de</p><p>sinalização.</p><p>As escadas também podem ser obstáculos</p><p>nas circulações horizontais para as</p><p>pessoas com deficiência visual ou mesmo</p><p>para pessoas distraídas; assim, torna-se</p><p>importante a presença de algum tipo</p><p>de elemento que delimite a projeção da</p><p>escada.</p><p>Escada com projeção no piso</p><p>Quadro 1. Recomendações projetuais</p><p>(Continua)</p><p>13Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Comunicação</p><p>Conforme Dischinger (2012, p. 30):</p><p>[...] as condições de comunicação em um ambiente dizem respeito às possibi-</p><p>lidades de troca de informações interpessoais, ou troca de informações pela</p><p>utilização de equipamentos de tecnologia assistiva, que permitam o acesso,</p><p>a compreensão e participação nas atividades existentes.</p><p>O Quadro 2 sugere orientações para projetar buscando a máxima comunica-</p><p>bilidade dos ambientes.</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Orientação espacial</p><p>Contraste cromático para portas As diferenciações cromáticas e de texturas</p><p>são elementos auxiliares que devem ser</p><p>considerados no projeto arquitetônico</p><p>como parâmetros importantes para a</p><p>orientação e o deslocamento de pessoas</p><p>com deficiência visual. As cores e a</p><p>iluminação são elementos complementares</p><p>para melhor percepção dos espaços.</p><p>Deve-se evitar ofuscamento, produção de</p><p>fadiga ocular e mudanças bruscas de luz</p><p>entre os diversos espaços. A iluminação</p><p>interior deve ser adequada ao exterior,</p><p>dispondo de níveis de iluminação diurna</p><p>maior que a noturna, e, de igual modo,</p><p>nas áreas próximas aos acessos e, em</p><p>particular, nas saídas de emergência.</p><p>A porta, a maçaneta, o piso, a parede e os</p><p>equipamentos de um sanitário devem ser</p><p>cromaticamente contrastados com seus</p><p>respectivos entornos, de forma a facilitar</p><p>a visualização por uma pessoa com baixa</p><p>visão, conforme leciona Benvegnú (2009).</p><p>Informações táteis</p><p>Quadro 1. Recomendações projetuais</p><p>(Continuação)</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência14</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Comunicação</p><p>Identificação de percursos É importante identificar e hierarquizar os</p><p>percursos e trajetos existentes a partir de</p><p>características arquitetônicas e dos suportes</p><p>informativos, como as saídas de emergência,</p><p>as circulações verticais e outros.</p><p>A sinalização tem por objetivo informar sobre</p><p>as demandas reais dos usuários; por isso, deve-</p><p>-se evitar o excesso de informação. Os fatores</p><p>que intervém na percepção dependem do</p><p>receptor, do meio e da própria sinalização (o</p><p>emissor). Em relação ao receptor: os receptores</p><p>dispõem de diferentes níveis de percepção</p><p>nos diversos órgãos sensoriais. A percepção</p><p>visual tem de levar em conta a altura de visão</p><p>do receptor em função de sua altura e posição</p><p>em pé ou sentada, assim como o ângulo de</p><p>visão. Em relação ao meio: a boa percepção</p><p>auditiva depende de condições ambientais</p><p>que permitam o uso de mensagens audíveis</p><p>que superem o ruído do ambiente.</p><p>A iluminação deverá evitar reflexos sobre a</p><p>sinalização, sendo realizada preferencialmente</p><p>de forma indireta. Quando a luz for direta,</p><p>deve se situar atrás da sinalização.</p><p>Os painéis com informações gráficas devem</p><p>ser postos perpendicularmente ao desloca-</p><p>mento, de tal forma que não fiquem ocul-</p><p>tos por obstáculos como portas abertas e</p><p>mobiliários.</p><p>Em relação à sinalização: as informações</p><p>essenciais no mobiliário e nos espaços devem</p><p>ser sinalizadas de forma visual, tática e sonora.</p><p>As informações orais devem ser emitidas com</p><p>respectivos textos escritos e linguagem de</p><p>sinais para atender as pessoas com deficiência</p><p>auditiva, conforme leciona Benvegnú (2009).</p><p>Demarcação de vaga para</p><p>pessoas com deficiência</p><p>Painéis de informação à altura</p><p>dos olhos</p><p>Sinalização visual de segurança</p><p>Quadro 2. Recomendações projetuais</p><p>15Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Deslocamento</p><p>Segundo Dischinger (2012, p. 30), “[...] as condições de deslocamento em</p><p>ambientes edifi cados referem-se à possibilidade de qualquer pessoa poder</p><p>movimentar-se ao longo de percursos horizontais e verticais (saguões, escadas,</p><p>corredores, rampas, elevadores) de forma independente, segura e confortá-</p><p>vel, sem interrupções e livre de barreiras físicas para atingir os ambientes</p><p>que deseja”. O Quadro 3 expõe ferramentas projetuais a fi m de garantir um</p><p>deslocamento acessível e seguro a todos os usuários.</p><p>Imagens Deslocamento</p><p>Alternativas para circulação</p><p>vertical</p><p>As pessoas com mobilidade reduzida encon-</p><p>tram dificuldades para se deslocar entre um</p><p>nível e outro da edificação. A capacidade funcio-</p><p>nal entre esse grupo de pessoas é variável; por</p><p>isso, é importante estabelecer meios de acesso</p><p>alternativos, como rampa, escada e elevador.</p><p>Quando o acesso entre um pavimento e outro</p><p>só pode ser realizado por meio de uma escada,</p><p>faz-se necessário acoplar um equipamento</p><p>eletromecânico para o deslocamento de pes-</p><p>soas em cadeira de rodas — por exemplo, uma</p><p>plataforma elevatória acoplada à escada.</p><p>Quando existir uma rampa prévia a uma</p><p>porta, deverá existir um espaço que permita à</p><p>pessoa usuária de cadeira de rodas aproximar-</p><p>-se, abrir e fechar a porta de forma segura.</p><p>Deverá existir desde o acesso principal um iti-</p><p>nerário acessível que permita o deslocamento</p><p>entre os diferentes espaços dentro de um</p><p>edifício. A pavimentação tem de ser antiderra-</p><p>pante, sem desníveis, sem excesso de brilho e</p><p>firmemente fixada.</p><p>Cadeira elevatória para</p><p>deslocamento</p><p>Quadro 3. Recomendações projetuais</p><p>(Continua)</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência16</p><p>Uso</p><p>Conforme Dischinger (2012, p. 32), “[...] as condições de uso dos espaços e dos</p><p>equipamentos referem-se à possibilidade efetiva de participação e realização</p><p>de atividades por todas as pessoas”. O Quadro 4 traz recomendações de projeto</p><p>para o uso efetivo de espaços e equipamentos.</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Deslocamento</p><p>Portas automáticas Quando existem mecanismos com</p><p>acionamento eletrônico — por exemplo,</p><p>uma porta eletrônica com abertura por</p><p>meio de sensor e temporizador —, é</p><p>necessário que eles atendam aos tempos</p><p>para deslocamento de diferentes pessoas,</p><p>como crianças, idosos, pessoas com</p><p>deficiência, entre outras.</p><p>Todos os degraus de uma escada devem</p><p>ter sinalização visual na borda do piso;</p><p>deve-se evitar revestir o piso das escadas</p><p>com revestimentos lisos ou que causam</p><p>ofuscamento visual, conforme aponta</p><p>Benvegnú (2009).</p><p>Sinalização visual nos degraus</p><p>Quadro 3. Recomendações projetuais</p><p>(Continuação)</p><p>17Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Uso</p><p>Sanitários acessíveis O dimensionamento dos espaços relativos à</p><p>circulação horizontal tem de levar em conta</p><p>a diferença na velocidade de deslocamento</p><p>entre os diferentes usuários.</p><p>O desenho dos espaços e do mobiliário deve</p><p>considerar as diferenças dimensionais de</p><p>forma a atender aos alcances visuais e manu-</p><p>ais de diversos usuários.</p><p>A abertura das portas deve ter uma largura</p><p>de passagem que permita o uso por parte de</p><p>pessoas cadeirantes. O sistema de fechadura</p><p>deve ser de fácil acionamento e manipulação</p><p>para pessoas com problemas de mobilidade</p><p>das mãos.</p><p>Recomenda-se, por exemplo, que o ferrolho</p><p>da porta de um boxe sanitário informe a dis-</p><p>ponibilidade de uso desde o exterior e tenha</p><p>possibilidade de desbloqueio de ambos os</p><p>lados, para emergências.</p><p>O interior dos espaços para higiene sanitária</p><p>deve atender a um círculo de 1,50 m livre de</p><p>obstáculos, que possibilita espaço para aber-</p><p>tura e fechamento da porta, como também</p><p>possibilita área de manobra, aproximação e</p><p>uso dos equipamentos por uma pessoa em</p><p>cadeira de rodas.</p><p>Quando necessário permitir a permanência</p><p>da iluminação nos ambientes, recomenda-</p><p>-se utilizar sensores de presença em vez dos</p><p>usuais mecanismos com temporizador.</p><p>De modo geral, os mecanismos de controle</p><p>ambiental, como os interruptores elétricos, têm</p><p>de estar dispostos de forma a permitir o fácil</p><p>manuseio e o alcance das pessoas cadeirantes.</p><p>Deve-se evitar os interruptores com botão</p><p>giratório, que dificultam o manuseio para as</p><p>pessoas com limitações nos membros superio-</p><p>res, conforme leciona Benvegnú (2009).</p><p>Aproximação para o uso</p><p>Sistema de fechadura</p><p>de fácil acionamento</p><p>Cadeira para obesos</p><p>Quadro 4. Recomendações projetuais</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência18</p><p>As orientações para alcançarmos a acessibilidade universal em projetos são</p><p>um aporte ao cumprimento obrigatório das leis, normas e códigos nas respectivas</p><p>áreas de jurisdição relativas à segurança e acessibilidade. Estratégias adicionais</p><p>das normas técnicas e ideias inovadoras poderão ser aceitas por meio de avaliação</p><p>e aprovação de usuários e peritos, conforme apontam Cambiaghi e Mauch (2007).</p><p>A acessibilidade universal é um objetivo que deve permear a concepção</p><p>de todos os edifícios, ambientes e espaços públicos. Conforme expusemos,</p><p>muitas pessoas com deficiência se encontram dependentes de outras pessoas</p><p>para realizar inúmeras tarefas no dia a dia. O arcabouço legal e normativo,</p><p>associado aos princípios do desenho universal, são importantes instrumentos</p><p>para alavancar os processos de participação social dos indivíduos, em condição</p><p>de igualdade, bem como para adotarmos boas práticas em arquitetura e design.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade e edificações, mo-</p><p>biliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 205 fev.</p><p>2022</p><p>BEN HUR. Catarata: recupere sua visão e volte a apreciar a beleza da vida. Revista Saúde.</p><p>nº. 12, jun. 2018. Disponível em: . Acesso em: 05 fev.</p><p>2022</p><p>BENVEGNÚ, E. M. Acessibilidade espacial: requisito para uma escola inclusiva. 2009.</p><p>Dissertação (mestrado) — Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo,</p><p>Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, 2009.</p><p>BRASIL. Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência (2007): protocolo facul-</p><p>tativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Decreto legislativo</p><p>nº. 186, de 9 de julho de 2008, Decreto nº. 6.949, de 25 de agosto de 2009. 4. ed., rev.</p><p>e atual. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos, 2011. Disponível em: https://</p><p>sisapidoso.icict.fiocruz.br/sites/sisapidoso.icict.fiocruz.br/files/</p><p>convencaopessoascomdeficiencia.pdf>. Acesso em 05 fev. 2022.</p><p>BRASIL. Decreto nº. 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº. 10.048, de</p><p>8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica,</p><p>e nº. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios</p><p>básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou</p><p>com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF,</p><p>2 dez. 2004 Disponível em: Acesso em 05 fev. 2022</p><p>19Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>BRASIL. Lei nº. 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e</p><p>critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de</p><p>deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da</p><p>União, Brasília, DF, 20 dez. 2000. Disponível em: 19 dez. 2000. Disponível em : Acesso em 05 fev. 2022</p><p>BRASIL. Lei nº. 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa</p><p>com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, DF,</p><p>6 jul. 2015. Disponível em: Acesso em 05 fev. 2022</p><p>BRASIL. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Transportes e da Mobilidade</p><p>Urbana. Cadernos do Programa Brasil Acessível. Caderno 1. Coleção Brasil Acessível. Bra-</p><p>sília, 2006a. v. 1. Disponível em:</p><p>id/276/titulo/atendimento-adequado-as-pessoas-com-deficiencia-e-restricoes-de--</p><p>mobilidade#prettyPhoto>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>BRUNO, M. M. G. Educação infantil: saberes e práticas da inclusão. Dificuldades de</p><p>comunicação sinalização: deficiência visual. Brasília: MEC/Secretaria de Educação</p><p>Especial, 2006.</p><p>CAMBIAGHI, S. S.; MAUCH, L. H. S. Moradia acessível para a independência de pessoas</p><p>com deficiência. Inclusão Social, v. 10, n. 2, jan./jun. 2017. Disponível em: . Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>DAMÁZIO, M. F. M. Atendimento educacional especializado: pessoa com surdez. Brasília:</p><p>MEC/Secretaria de Educação Especial, 2007.</p><p>DISCHINGER, M.; ELY, V. H. M. B.; PIARDI, S. M. D. G. Promovendo a acessibilidade espacial</p><p>nos edifícios públicos: programa de acessibilidade às pessoas com deficiência ou mo-</p><p>bilidade reduzida nas edificações de uso público. 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