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<p>C OLE ÇÃ O O DIÁRIO DE UM B ANANA</p><p>1. O Di ári o d e um Banana</p><p>2 . O R odri c k É T erríve l</p><p>3 . A Ú l tima Go t a</p><p>4 . U m Di a d e C ã o</p><p>5 . A V erd a d e N u a e Cru a</p><p>6 . T irem-me D a qui!</p><p>7. O E mp l a s tro</p><p>8 . Ora Bo l a s!</p><p>9. A ss im V ai s L onge</p><p>1 0 . D ant e s É qu e E ra!</p><p>11. T u d o o u N a d a</p><p>12 . Põe-t e a M il ha s!</p><p>13 . V ai T u d o A bai x o</p><p>14 . DE -MO -LI- ÇÃ O</p><p>15 . Ba t er no F und o</p><p>16 . A rra s a ou Ba z a!</p><p>1 7. F rau d a X ei a</p><p>OUTRO S LIVRO S D A C OLE ÇÃ O</p><p>A prend e I ng l ê s com o Di ári o d e um Banana 1, 2 , 3 e 4</p><p>O Di ári o d e um Banana ... e o M eu</p><p>O Di ári o d e um Banana 1: E di çã o E spe ci al T oqu e d o Qu eij o</p><p>O Di ári o d e um Banana : A gend a E s co l ar : S o bre viver a M ai s um A no</p><p>Jeff Kinney</p><p>18</p><p>Edição em formato digital: novembro de 2023</p><p>O DIÁRIO DE UM BANANA 18: FRITAR A PIPOCA</p><p>Título original: Diary of a Wimpy Kid: No Brainer</p><p>T exto e ilustrações: Jeff Kinney © 2023, Wimpy Kid, Inc.</p><p>O DIÁRIO DE UM BANANA ®, DIARY OF A WIMPY KID®, WIMPY KID™</p><p>e a figura de Greg Heffley™ são marcas registadas de Wimpy Kid, Inc.</p><p>Capa: Jeff Kinney, Pamela Notarantonio e Lora Grisafi</p><p>Publicado por Amulet Books, uma chancela de ABRAMS, em 2023, Nova Iorque, E.U.A.</p><p>T odos os direitos reservados.</p><p>© desta edição:</p><p>2023, Penguin Random House Grupo Editorial, Unipessoal, Lda.</p><p>Booksmile é uma chancela de</p><p>Penguin Random House Grupo Editorial</p><p>Rua Alexandre Herculano, 50, 3.º, 1250-011 Lisboa, Portugal</p><p>correio@penguinrandomhouse.com</p><p>Penguin Random House Grupo Editorial apoia a proteção do copyright .</p><p>Este livro não pode ser reproduzido, no todo ou em parte, por qualquer processo mecânico,</p><p>fotográfico, eletrónico ou por meio de gravação, nem ser introduzido numa base de dados,</p><p>difundido ou de qualquer forma copiado para uso público ou privado, além do uso legal</p><p>como breve citação em artigos e críticas, sem a prévia autorização por escrito do editor.</p><p>Edição: Susana Paiva</p><p>Coordenação Editorial: Catarina Magalhães</p><p>T radução: Dulce Afonso</p><p>Revisão: Manuel Laranjeira</p><p>ISBN: 978-989-623-585-7</p><p>Composição digital: ACATIA</p><p>www.penguinlivros.pt</p><p>Twitter: @PenguinLivros</p><p>Facebook: penguinkidspt</p><p>Instagram: penguinkidspt</p><p>mailto:correio@penguinrandomhouse.com</p><p>https://www.penguinlivros.pt/</p><p>https://twitter.com/penguinlivrosPT</p><p>https://www.facebook.com/penguinkidspt</p><p>https://www.instagram.com/penguinkidspt/</p><p>P ARA O MA TT</p><p>ABRIL</p><p>S e g u n d a - f e i r a</p><p>Dizem que o cérebro humano é um supercompu ta dor</p><p>incrível, capaz de um monte de coisas inacred itáve is.</p><p>Mas se isso é verdade, então não percebo mesmo</p><p>porque é que o meu me põe constantemente em</p><p>situações idiotas.</p><p>Isto enerva-me um bocado, porque, se pensarmos</p><p>bem, a única tarefa do cérebro é ser intelig e nte.</p><p>E</p><p>M</p><p>P</p><p>U</p><p>R</p><p>R</p><p>A</p><p>E</p><p>M</p><p>P</p><p>U</p><p>R</p><p>R</p><p>A</p><p>T</p><p>R</p><p>E</p><p>M E</p><p>A</p><p>I</p><p>!</p><p>A</p><p>I</p><p>!</p><p>8</p><p>Acho que a culpa também é minha, por ench er o</p><p>cérebro de tralha sem importância, como códigos</p><p>para fazer batota nos videojogos ou músicas d e</p><p>séries de televisão antigas. E por isso, ago ra não</p><p>tenho espaço para aquilo que realmente interessa.</p><p>O proble ma do cérebro é que tem uma limitação de</p><p>espaço no seu interior, e po rtanto , a certa altura,</p><p>deixamos de ter capacidade de armazenamento. E acho</p><p>que as pesso as mais velhas têm dificuldade em aprender</p><p>coisas no vas po rque o s se us cérebro s já estão cheios.</p><p>CHAMAM-SE «REDES SOCIAIS»!</p><p>E SE QUISERES «GOST AR» DE</p><p>ALGUMA COISA É SÓ CARREGAR</p><p>NESTE CORAÇÃOZINHO!</p><p>B A H !</p><p>9</p><p>Qualquer dia, inventam uma forma de acrescentar</p><p>memória. E quando isso finalmente acontecer,</p><p>vou comprar o maior pacote de memória que p uder</p><p>pagar.</p><p>Até lá, ando a tentar selecionar o melhor possív e l</p><p>aquilo que meto no cérebro. E sempre que algu ém</p><p>está a falar sobre alguma coisa que não pre ciso de</p><p>saber, bloqueio a informação.</p><p>E ENTÃO A SRA. O’MALLEY DISSE QUE NÃO</p><p>FOI ELA QUE ME CHAMOU MENTIR OSA. E ENTÃO</p><p>EU PERGUNTEI-LHE PORQUE ANDA V A ELA A FALAR</p><p>NAS MINHAS COST AS COM A SRA. FERGUSON!</p><p>LA LA LA, NÃO TE</p><p>CONSIGO OUVIR!</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G A</p><p>INCREMENTO</p><p>DO</p><p>CÉREBRO</p><p>2*5 TB</p><p>10</p><p>Q u a n d o s e é c r i a n ç a , é n a e s c o l a q u e m a i s s e</p><p>u s a o c é r e b r o . E m u i t a d a c a p a c i d a d e d o n o s s o</p><p>c é r e b r o v a i p a r a m e m o r i z a r c o i s a s i n ú t e i s , c o m o o s</p><p>n o m e s d e v i c e - p r e s i d e n t e s e a s l e t r a s d e c a n ç õ e s</p><p>i n f a n t i s .</p><p>O grande problema é que o nosso cérebro es tá no</p><p>interior da nossa cabeça, e temos de o levar p ara</p><p>todo o lado. Espero que um dia consigam mu dar</p><p>isso, porque aí a escola vai passar a ser uma coi sa</p><p>muito diferente.</p><p>SE TU ESTÁS FELIZ,</p><p>BA TE P ALMAS</p><p>SE TU ESTÁS FELIZ,</p><p>BA TE P ALMAS</p><p>11</p><p>Ia ser brutal se o nosso cérebro pudesse fic ar na</p><p>escola a aprender, enquanto íamos fazer as coi sas</p><p>de que gostamos mesmo, como jogar Laser T ag</p><p>com os amigos ou passar tempo no salão de jogos.</p><p>Depois, podíamos ir buscar o cérebro no fim d o dia</p><p>e trocar umas ideias com ele.</p><p>Até ver, parece que temos de nos conformar com</p><p>a situação atual, em que o nosso corpo e o nosso</p><p>cérebro têm de estar juntos no mesmo sítio.</p><p>E quando somos crianças, isso significa pass ar</p><p>uma enorme parte do tempo na escola.</p><p>O problema é mesmo o tempo que lá passamo s.</p><p>ENTÃO,</p><p>O QUE APRENDESTE</p><p>HOJE NA ESCOLA?</p><p>NADA!</p><p>FAIXA</p><p>DE</p><p>RECOLHA</p><p>12</p><p>Estamos cerca de sete horas na escola, mas duvido</p><p>que passemos mais de vinte minutos por dia a</p><p>aprender a sério. Isto acontece porque a maior</p><p>parte do nosso tempo é passado com coisas qu e não</p><p>têm nada que ver com educação.</p><p>Hoje, no quinto tempo, aprendemos zero da</p><p>matéria de História, porque apareceu uma ab e lha na</p><p>sala. E claro que isso acabou com qualquer hip ótese</p><p>de se fazer algo de produtivo.</p><p>Só queria que , quando co me çam as aulas, se deixassem</p><p>de disparates para pormos logo mãos à obra.</p><p>SO</p><p>PR</p><p>A</p><p>TRABALHO</p><p>DE</p><p>CASA</p><p>LER OS CAPÍTUL OS</p><p>13</p><p>Porque assim podíamos despachar a parte da</p><p>aprendizagem e ir embora à hora de almoço. Mas</p><p>parece-me que eles gostam de esticar as coisas e</p><p>manter - nos lá tanto tempo quanto possível.</p><p>A única razão pela qual inventaram a escola f oi</p><p>mesmo porque, antigamente, as crianças fazi am</p><p>imensos disparates em casa enquanto os pais</p><p>estavam no trabalho.</p><p>Então, criaram este sistema com livros e cacifos</p><p>e Álgebra e Educação Física só para manter as</p><p>crianças ocupadas durante algumas horas por d ia.</p><p>T</p><p>C</p><p>H A</p><p>C</p><p>C</p><p>B</p><p>O</p><p>I N</p><p>G</p><p>14</p><p>Andamos na escola dos 3 aos 18 anos. E depois</p><p>de termos estudado tudo, temos de arranjar um</p><p>emprego e trabalhar até sermos velhos. Dep ois,</p><p>quando finalmente acabamos de fazer tudo isso, já</p><p>estamos demasiado cansados para nos diverti rmos.</p><p>Se quisessem mesmo, provavelmente conseguir iam</p><p>ensinar-nos tudo o que precisamos de saber até</p><p>termos 5 ou 6 anos de idade. Mas se calhar os p ai s</p><p>não querem ter de competir com os próprios filhos</p><p>pelos empregos mais bem pagos.</p><p>NA TUREZAS</p><p>MORT AS</p><p>PARABÉNS, FINALIST AS!</p><p>G U I A</p><p>15</p><p>É po r isso que no s ensinam um bocadinho de cada vez,</p><p>para não sabermos muito demasiado depressa. E às</p><p>vezes ensinam-nos coisas que não podemos</p><p>USAR</p><p>.</p><p>É o que tem aco nte cido na minha e scola ultimamente.</p><p>Acabei de ter três meses de Latim co m um professo r</p><p>chamado Leyton, e era a minha disciplina favo rita.</p><p>Mas aco ntece que ele não sabia nada de Latim e</p><p>esteve o te mpo todo a e nsinar-no s co isas se m sentido .</p><p>Quando a escola descobriu que o professor L e yton</p><p>era uma fraude, despediu-o. Portanto, agora tu do</p><p>o que tenho para mostrar do trabalho dos ú lti mos</p><p>três meses é que sei pedir um hambúrguer nu ma</p><p>língua que nem sequer existe.</p><p>pessoas já</p><p>não conseguiam meter nas suas garagens.</p><p>Outras arrendaram as salas para fazer trab alho</p><p>remoto, e assim não têm de se deslocar à c idade</p><p>todos os dias. E outras tantas até utilizam as</p><p>salas para criarem os seus próprios negócios.</p><p>131</p><p>Uma das minhas vizinhas, a Sra. J ackso n, arre ndo u a</p><p>nossa sala de Econo mia Doméstica e usa os fo rno s para</p><p>faze r do ces. Agora, todas as manhãs, há uma fila de</p><p>pesso as à espera de comprar o s seus queque s de mirtilo s.</p><p>Infelizmente, a minha sala de Ciências é do outro</p><p>lado do recreio das salas da ala C, e às vezes o</p><p>cheiro das coisas que ela faz torna-se demasi ado</p><p>intenso. Hoje ela fez rosquinhas de manteiga no</p><p>meio de um teste surpresa e toda a gente na mi nha</p><p>turma ficou de cabeça perdida.</p><p>C</p><p>H</p><p>E</p><p>E</p><p>E</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>A R F A ,</p><p>A R F A !</p><p>132</p><p>Por falar em distrações, alguém transfo rmo u uma</p><p>das salas num e stúdio de io ga e a minha mãe tem lá</p><p>aulas. Mas não há miúdo nenhum que queira ver a</p><p>própria mãe com roupa de ioga, especialme nte a meio</p><p>de um dia de aulas.</p><p>Não são só os cheiros e as vistas que andam a</p><p>causar - nos problemas. São também os</p><p>SONS</p><p>.</p><p>Há uma banda ro ck de tipos de meia-idade qu e</p><p>ensaia todos os dias numa das salas de aula d a ala</p><p>C, e são totalmente horríveis. E há ainda um</p><p>ladrar constante que ecoa através dos tubos d e</p><p>ventilação durante todo o dia.</p><p>O L Á ,</p><p>Q U E R I D O !</p><p>133</p><p>Ainda pensei que alguém usava uma das salas co mo canil,</p><p>ou algo do género, mas na verdade é a esqu adra da</p><p>polícia que usa a nossa antiga sala de Artes para</p><p>treinar os seus cães de ataque.</p><p>A única boa notícia é que uma das arrendatá rias</p><p>conseguiu ganhar controlo sobre a sala onde estão</p><p>as abelhas, e agora vende velas de cera de abelha e</p><p>bálsamo labial no centro comercial.</p><p>R</p><p>O</p><p>S</p><p>N</p><p>A</p><p>M</p><p>O</p><p>R</p><p>D</p><p>E</p><p>134</p><p>Não po sso dizer que não este ja co nte nte por a esco la</p><p>ter encontrado uma nova forma de fazer dinheiro, mas</p><p>esta solução é má para nós, alunos. T o das as no ssas</p><p>aulas tiveram de ser concentradas nas outras d uas</p><p>alas, e andamos apinhados.</p><p>Além disso , agora temos de partilhar o refeitório co m</p><p>os arre ndatários, o que se to rna um bocado esquisito .</p><p>Mas a escola não arrenda apenas as nossas sala s de</p><p>aula. Às quintas à noite também arrenda o ginásio</p><p>para os jogos de basquetebol da escola secund ária.</p><p>E sempre que há um jogo de basquetebol, o públi co</p><p>deixa o ginásio cheio de lixo e somos nós que temos</p><p>de o limpar no dia seguinte.</p><p>135</p><p>Embora haja uma regra que proíbe comida n o</p><p>ginásio, as pessoas que vão a estes jogos de</p><p>basquetebol não querem saber. Portanto, há sempre</p><p>embalagens de batatas fritas e cachorros - qu e ntes</p><p>meio comidos por baixo das bancadas.</p><p>Alguns miúdos até andam à cata de restos p ara</p><p>depois os venderem no refeitório. E acreditem ou</p><p>não, as pessoas são capazes de dar bom dinheiro</p><p>por comida que já esteve no chão.</p><p>s a l g a d o s</p><p>n a c h o s</p><p>m i s t u r a</p><p>p a s s a s</p><p>d o c e s</p><p>136</p><p>E a escola também arrenda o ginásio aos fin s de</p><p>semana. Só sei isto porque a minha paróquia tem</p><p>usado o ginásio para os serviços religiosos enqu anto</p><p>os banco s corrido s da igreja estão a se r substituído s.</p><p>Mas não me pare ce muito co rreto ter e ste s serviço s no</p><p>mesmo lugar onde temos Educação Física durante a</p><p>semana. Porque, quando lá esto u, só consigo pensar em</p><p>tudo o</p><p>RESTO</p><p>que aconte ceu no ginásio essa se mana.</p><p>G</p><p>L</p><p>U</p><p>P</p><p>!</p><p>R</p><p>A</p><p>S</p><p>G</p><p>A</p><p>137</p><p>Sábado</p><p>T odos os anos, a Associação de Pais faz um leilão</p><p>para angariar dinheiro para a escola, mas es te ano</p><p>quiseram fazer uma coisa maior do que nunca, para</p><p>juntar o máximo de dinheiro possível.</p><p>Pediram aos alunos para se voluntariarem para ajudar</p><p>no evento. E como a minha mãe é a secretá ria d a</p><p>A. P.</p><p>, vi-me envolvido no acontecimento.</p><p>O leilão da</p><p>A. P.</p><p>é um evento muito chique, então</p><p>eu tive de vestir uma roupa fina. O meu trab alho</p><p>foi circular toda a noite com um tabuleiro che io</p><p>salgadinhos.</p><p>138</p><p>Para ser sincero, foi um bocado embaraçoso esta r</p><p>perto dos meus pais enquanto eles se divertiam com</p><p>os amigos. Mas a verdade é que as pessoas da i dad e</p><p>dos meus pais não têm muitas ocasiões para saírem,</p><p>então acho que no fundo estavam só felizes p or se</p><p>poderem soltar.</p><p>A noite dividiu-se em duas partes. Na prime ira</p><p>parte houve um leilão silencioso, em que há pré mios</p><p>diferentes e cestos de presentes que se podem</p><p>ganhar fazendo a oferta mais alta.</p><p>A maneira de o fazer é escrevendo num papel o</p><p>valor que se está disposto a pagar.</p><p>L E I L Ã O A . P .</p><p>139</p><p>Eu e stava co m esperança de que o s meus pais</p><p>apo stasse m e m algo fixe , co mo uma se mana num resort</p><p>de esqui durante o Natal ou uma mota de água.</p><p>Mas a minha mãe só coloco u uma o fe rta numa ce sta de</p><p>pro duto s de be m-estar e, co mo fo i a única a fazê-lo,</p><p>ganho u-a.</p><p>C E S T A B E M - E S T A R</p><p>Ó L</p><p>E O S</p><p>E S S E N</p><p>L A V A N D A</p><p>R E S O R T</p><p>D E E S Q U I</p><p>A D E</p><p>Á G U A</p><p>140</p><p>Muitas empresas locais deram produtos de boa</p><p>qualidade para o leilão silencioso. A Churras cos d a</p><p>Baía ofereceu um grelhador de jardim novinh o e os</p><p>Escuteiros ofereceram um cesto com meia dúz ia d e</p><p>canecas de piquenique para chocolate quente.</p><p>Mas parece que algumas empresas aproveitaram p ara</p><p>despachar produtos que já não conseguem vender.</p><p>T ambém tenho a certeza de que algumas e mpresas fazem</p><p>a me sma o ferta todos o s ano s, porque o s Estúdios</p><p>Crawford o fe receram um re trato de família, co mo no</p><p>ano passado. Eu só sei isto po rque, por acaso, o ano</p><p>passado foi a minha família que o</p><p>GANHOU</p><p>.</p><p>O F E R E C I D O P O R</p><p>J . T .</p><p>A R T I G O S D E</p><p>C A N A L I Z A Ç Ã O</p><p>C</p><p>o</p><p>n</p><p>j</p><p>u n t</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>V</p><p>a</p><p>l v</p><p>u l a s</p><p>d</p><p>e</p><p>C</p><p>a</p><p>s</p><p>a</p><p>d</p><p>e b</p><p>a</p><p>n</p><p>h</p><p>o</p><p>141</p><p>Quando a mãe nos contou que íamos fazer u m</p><p>retrato de família fiquei um bocado chateado, já que</p><p>isso significava vestir roupa chique a um sába do.</p><p>Mas na verdade foi bem pior do que isso.</p><p>Pensei que íamos tirar uma fotografia rápida e qu e</p><p>poderia aproveitar o resto do meu fim de sem ana</p><p>descansado. Mas era uma</p><p>PINTURA</p><p>, o que</p><p>significou que tivemos de ir lá cinco vezes.</p><p>A meio da primeira sessão, o Manny já não</p><p>conseguia estar sentado quieto, e a pintora tev e</p><p>de recomeçar essa parte várias vezes. Mas com o</p><p>Rodrick foi ainda pior, porque ele nem apareceu</p><p>para as sessões seguintes.</p><p>142</p><p>Então, a artista teve de pintar o Rodrick de</p><p>memória, e é por isso que o quadro está na nossa</p><p>cave e não pendurado por cima da lareira na sala .</p><p>Eu não queria ter de repetir</p><p>ESSE</p><p>pesade lo e,</p><p>portanto, este ano escrevi um nome inventado na</p><p>folha das ofertas, para me certificar de que a nossa</p><p>família não podia mesmo ganhar.</p><p>R E T R A T O D E F A M Í L I A</p><p>143</p><p>A se gunda parte da no ite fo i o le ilão ao vivo , para o qual</p><p>foi contratado um leiloe iro profissional, para levar as</p><p>pesso as a apo starem numa série de prémio s especiais.</p><p>E como os pais que riam to dos superar-se uns ao s outro s,</p><p>subindo as suas ofertas, as co isas desco ntro laram-se .</p><p>O primeiro prémio do le ilão ao vivo era a hipótese</p><p>de um dos alunos ir para a escola num carro de</p><p>bombe iro s. T oda a ge nte pareceu muito entusiasmada,</p><p>e o s pais começaram a subir as ofertas lo go desde</p><p>o início.</p><p>Eu até fique i admirado po r voltarem a ofe recer essa</p><p>hipótese de po is do que aco nteceu o ano passado.</p><p>C A R R O D E</p><p>B O M B E I R O S</p><p>144</p><p>Os pais da Lily Stubman ofe rece ram mais do que</p><p>toda a gente e ela ganhou uma bo le ia num carro de</p><p>bombeiros para a escola. E acho que até foi divertido.</p><p>Mas no caminho para a escola, co meço u um incêndio</p><p>a sério num restaurante qualquer da baixa, e</p><p>os</p><p>bombe iro s tiveram de ir a corre r co mbatê-lo. Portanto,</p><p>a Lily Stubman acabo u po r aparecer nas no tícias e acho</p><p>que ainda está traumatizada com a expe riência.</p><p>T</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>N</p><p>Ó</p><p>Ó</p><p>-</p><p>N</p><p>I</p><p>I</p><p>F</p><p>L</p><p>U</p><p>U</p><p>S H</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>145</p><p>O prémio seguinte do leilão era igual ao do carro</p><p>de bombeiros, só que com um carro da polícia. Os</p><p>pais do Ricky Fisher ganharam-no pelo segund o ano</p><p>consecutivo, pelo que me parece que eles quer em já</p><p>treiná-lo para o que vai ser o seu futuro.</p><p>O prémio seguinte era um Almo ço co m a Biblio te cária,</p><p>e a pro fessora Masie conse guiu que o fe rece ssem um</p><p>bom dinhe iro por e le, po rque é muito popular.</p><p>146</p><p>Mas se calhar podiam ter evitado oferecer a seguir</p><p>um Almoço com o Auxiliar, porque o tipo que</p><p>escolheram passa a vida a gritar connosco.</p><p>Ninguém estava disposto a fazer uma oferta, e o</p><p>ambiente ficou um bocado tenso durante um b ocado.</p><p>A certa altura, o Sr. Gupta resolveu oferec e r três</p><p>dólares, só para desbloquear.</p><p>EI!</p><p>P</p><p>A</p><p>S</p><p>S</p><p>O</p><p>147</p><p>Depois de terminado, o leiloeiro anunciou o pré mio</p><p>seguinte, que era um dos professores ir a nossa casa</p><p>fazer biscates.</p><p>Fiquei admirado por o s professo res concordarem com</p><p>isso , porque aposto que o último sítio onde de ve m que rer</p><p>estar num fim de semana é em casa de uma família</p><p>qualque r a arranjar-lhes a caixa do corre io ou assim.</p><p>E foi exatamente isso que aconteceu quando os me us</p><p>pais ganharam este prémio, há uns anos.</p><p>É difícil para mim imaginar que os professore s têm</p><p>vida própria, e é sempre um pouco estranho qu ando</p><p>os encontramos fora da escola.</p><p>148</p><p>Sou sempre apanhado de surpresa, especialmente</p><p>quando acontece em sítios onde não estou à espera.</p><p>O prémio seguinte foi um que existe há anos, qu e é</p><p>fazer com que o diretor da escola beije um leitãoz inho.</p><p>A diretora Mancy costumava fazê-lo numa palestra</p><p>e os alunos ficavam completamente doidos.</p><p>B</p><p>E</p><p>I</p><p>J</p><p>O</p><p>J Á F I Z E S T E</p><p>A S L E I T U R A S</p><p>D A S F É R I A S ,</p><p>G R E G ?</p><p>149</p><p>O leiloe iro deu início às apo stas e os pais começaram a</p><p>faze r ofertas cada vez mais altas. Mas e ntão o direto r</p><p>Bottoms subiu ao palco e disse que não o conseguiria</p><p>fazer porque é alérgico a «animais de quint a».</p><p>Ou e stava a dizer a verdade ou é só o tipo de pe sso a</p><p>que não está muito inte ressada e m be ijar po rcos.</p><p>T oda a gente passou rapidamente à frente d aqu ilo</p><p>porque estava muito entusiasmada com o último</p><p>prémio do leilão, que era Ser Diretor por Um Di a.</p><p>É a oportunidade de um aluno, durante umas horas,</p><p>assumir o lugar do diretor no seu gabinete, faz er os</p><p>anúncios matinais e fingir que é ele quem mand a.</p><p>150</p><p>É um prémio um bocado parvo, na minha opinião,</p><p>po rque o vencedor não te m de facto um poder</p><p>verdadeiro. Mas acho que to do s os pais gostam que o</p><p>seu filho se sinta especial, po r isso, assim que o leiloeiro</p><p>deu início às ofe rtas, as coisas ficaram um po uco loucas.</p><p>Reparei que a minha mãe levantou o seu marcad or .</p><p>Primeiro, pensei que ela estava só a encoraja r os</p><p>outros pais a elevarem as suas ofertas para o valor</p><p>final ser maior, mas depois apercebi-me de que ela</p><p>estava mesmo a tentar</p><p>GANHAR</p><p>.</p><p>SER DIRETOR</p><p>P O R U M</p><p>DIA</p><p>151</p><p>O valor co ntinuou a subir cada ve z mais e as pesso as</p><p>fo ram desistindo. Mas sempre que alguém levantava</p><p>o se u marcador, a mãe le vantava o</p><p>DELA</p><p>. E mesmo</p><p>quando o pai te ntou impe di-la, a mãe não deixou.</p><p>Finalmente, as coisas ficaram reduzidas a duas</p><p>pessoas, a mãe e a Sra. O’Malley, e entre ela s já</p><p>há uma história prévia.</p><p>Foram concorrentes na eleição para secretári a da</p><p>A. P.</p><p>e, depois de a mãe ganhar, a Sra. O’ Malley</p><p>acusou-a de ter espalhado boatos para lhe r oubar a</p><p>eleição, o que a mãe negou. Portanto, esta gu erra</p><p>era uma coisa</p><p>PESSOAL</p><p>para elas. E não aj udou</p><p>que a multidão começasse a apoiá-las.</p><p>152</p><p>Acho que nem a mãe nem a Sra. O’Malley estav am</p><p>muito preocupadas com o prémio do Ser Diretor p or</p><p>Um Dia. Cada uma só queria ter a certeza de qu e a</p><p>OUTRA</p><p>não ganhava.</p><p>A certa altura, a Sra. O’Malley caiu em si e d e sistiu</p><p>da competição, o que significa que a oferta ma is</p><p>alta foi a da mãe. E pela forma como reagiu , até</p><p>parecia que tinha ganhado o Euromilhões.</p><p>Não sei quanto foi a oferta final da mãe, e p ara</p><p>dizer a verdade, nem sequer</p><p>QUER O</p><p>saber. Mas</p><p>quer-me parecer que este ano, cá em casa, vai</p><p>haver be m menos pre sentes de Natal debaixo da árvo re.</p><p>V</p><p>I</p><p>V</p><p>A</p><p>A</p><p>A</p><p>A</p><p>! !</p><p>SER DIRETOR</p><p>P O R U M</p><p>DIA</p><p>153</p><p>Segunda-feira</p><p>Hoje de manhã, implo rei à mãe que não me obrigasse</p><p>a ir para a escola. Mas ela respo ndeu que o Se r</p><p>Diretor po r Um Dia lhe tinha custado uma fo rtuna e</p><p>teria de vale r a pena. Até me fez vestir uma camisa e</p><p>uma gravata, para a co isa parecer «o ficial».</p><p>Fui para a esco la e apresentei-me diretamente na</p><p>receção da e ntrada. Achei que o diretor Bo tto ms me</p><p>ia dar os anúncio s matinais para le r e, provave lmente,</p><p>eu andaria atrás dele durante algumas horas. Mas</p><p>quando chegue i ao seu gabinete, ele parecia abo rrecido</p><p>po r eu estar uns minutos atrasado .</p><p>154</p><p>O diretor Bottoms deu-me um crachá e um molho</p><p>de chaves que disse que me dariam acesso a qu alqu er</p><p>sala da escola.</p><p>Depois, desejou-me boa sorte e desapareceu, o que</p><p>significa que eu fiquei por minha conta.</p><p>V</p><p>R</p><p>R</p><p>R</p><p>U</p><p>M</p><p>I</p><p>U</p><p>U</p><p>U</p><p>-</p><p>P</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>!</p><p>DIRETOR</p><p>155</p><p>Fiquei com o gabinete do diretor só para mim , o que</p><p>até foi bastante porreiro. E pensei que se estar</p><p>ao comando era assim, me habituaria facilmente</p><p>àquela vida.</p><p>Mas o sossego não durou muito. Três minuto s dep ois</p><p>de ter dado o toque de entrada, a secretária da</p><p>escola entrou com um monte de papéis e disse -me</p><p>que eu precisava de analisar o correio do dia.</p><p>A A A H H !</p><p>P</p><p>L</p><p>O</p><p>F</p><p>D I R E T O R</p><p>156</p><p>Era tudo contas e orçamentos para arranjo s e</p><p>uma série de coisas secantes que eu nem sequer</p><p>compreendia. Mas antes mesmo de eu chegar a meio</p><p>de abrir todos os envelopes, a secretária tr ouxe -me</p><p>alguns cheques para eu assinar.</p><p>Nem sei se é legal um miúdo da minha idade</p><p>assinar um cheque, mas achei que aquelas pessoas</p><p>provavelmente precisavam de ser pagas e, por isso,</p><p>lá escrevi o meu nome em todos os cheques.</p><p>A meio deste processo, fui</p><p>NO V AMENTE</p><p>interrompido. Desta vez, a secretária disse qu e</p><p>havia um problema na casa de banho dos rap azes na</p><p>ala B e que eu tinha de ir lá resolvê-lo.</p><p>P A G A R À</p><p>O R D E M D E</p><p>F I M :</p><p>D A T A</p><p>8 de maio</p><p>P a i s a g í s t i c a C r y a n</p><p>M i l d u z e n t o s e q u a r e n t a e o i t o d ó l a r e s</p><p>a d u b o</p><p>1 2 4 8 , 0 0</p><p>157</p><p>Um idiota qualquer tinha arrancado um lavat ório</p><p>da parede e eu quase que apostava que tinha si do o</p><p>Marty Vinson. Por isso, o cano estava reben ta do e</p><p>estava a inundar a casa de banho.</p><p>Fui à procura dos funcionário s para reso lve rem o</p><p>problema, mas eles disseram que trabalho s de canalização</p><p>não faziam parte do seu contrato e que não po diam</p><p>ajudar.</p><p>F</p><p>L</p><p>U</p><p>U</p><p>S</p><p>H</p><p>158</p><p>Por essa altura, a inundação já estava a ficar</p><p>fora de controlo e já havia água no chão do</p><p>corredor da ala B. Um monte de miúdos tinh a ido</p><p>buscar tabuleiros de almoço ao refeitório e an dav am</p><p>completamente doidos a deslizar.</p><p>Percebi que ia demorar séculos até que os</p><p>canalizadores chegassem à escola, por isso vo ltei aos</p><p>funcionários e tentei entrar em acordo com eles.</p><p>Disse-lhes que se arranjassem a fuga na casa d e</p><p>banho, podiam tirar a sexta-feira de folga. M as</p><p>acho que eles perceberam que eu estava realmente</p><p>aflito e então forçaram a barra.</p><p>U</p><p>A</p><p>A</p><p>U</p><p>!</p><p>E</p><p>M</p><p>P</p><p>U</p><p>R</p><p>R A</p><p>159</p><p>Os funcionários apresentaram uma lista enor me</p><p>de exigências, como melhor seguro dentário,</p><p>pausas</p><p>mais longas e a possibilidade de trabalharem</p><p>remotamente às segundas e às quartas-feiras.</p><p>Embora eu não soubesse se, tecnicamente, tinha</p><p>autoridade para concordar com aquelas coisas tod as,</p><p>achei que se não o fizesse, quando chegássemos ao</p><p>fim do dia, toda a ala B estaria debaixo de águ a.</p><p>Depois de a situação estar controlada, eu só qu eria</p><p>regressar ao meu gabinete e estar sossegado até à</p><p>hora de almoço.</p><p>Mas quando lá cheguei, tive uma surpresa, p or qu e</p><p>havia um grupo de miúdos à minha espera ju nto à</p><p>porta.</p><p>A</p><p>P</p><p>E R</p><p>T</p><p>A</p><p>A</p><p>P</p><p>E R</p><p>T</p><p>A</p><p>160</p><p>Eram alguns dos maiores rufias do meu ano. Os seu s</p><p>professores tinham-nos mandado para o gab inete</p><p>do diretor, o que significava que agora eu ti nha de</p><p>lidar com eles.</p><p>Só que eu sabia que não podia ser muito duro com</p><p>aqueles miúdos porque no dia seguinte ia ter de</p><p>conviver com eles quando já</p><p>NÃO</p><p>fosse diretor.</p><p>Portanto, fiz um discurso motivacional e pedi-lhes que ,</p><p>para a próxima, tentassem comportar-se me lhor.</p><p>T</p><p>A</p><p>P</p><p>T</p><p>A</p><p>P</p><p>C</p><p>H</p><p>U P</p><p>A</p><p>D I R E T O R</p><p>161</p><p>Não os quis deixar ir sem antes oferecer um chupa -</p><p>- chupa a cada um, para os manter do meu la do,</p><p>mas isso revelou-se um grande erro. Porque a ssim</p><p>que se espalhou a notícia de que o diretor estav a a</p><p>dar guloseimas a quem se portava mal, criou-se u m</p><p>grande burburinho.</p><p>Ago ra, de repe nte, to dos o s alunos faziam asne iras</p><p>nas aulas para sere m e nviados ao gabinete do dire tor.</p><p>E não eram só os habituais malcomportado s.</p><p>Na verdade, até aconteceu com o Alex Aruda,</p><p>o miúdo mais inteligente da minha turma. E pelos</p><p>vistos, também grande apreciador de chupa-chu pas.</p><p>T</p><p>R</p><p>Á</p><p>Á</p><p>Á</p><p>S</p><p>!</p><p>162</p><p>Quando finalmente acabei de lidar com os miúd os</p><p>malcomportados, tive de lidar também com o s</p><p>BONS</p><p>. E como era a primeira vez que qualq uer um</p><p>destes alunos era enviado ao gabinete do dir etor,</p><p>alguns pareciam um pouco stressados por estar ali .</p><p>Mas eu não tinha tempo de lidar com toda aqu ela</p><p>gente porque a secretária me disse que eu já estava</p><p>atrasado para a reunião semanal com os pro fessores</p><p>da escola, na sala de reuniões.</p><p>D I R E T O R</p><p>T</p><p>R</p><p>E</p><p>M E</p><p>T</p><p>R</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>R</p><p>O</p><p>I</p><p>R</p><p>O</p><p>I</p><p>163</p><p>Quando lá cheguei, percebi pelas caras de t odos</p><p>os presentes que não ia ser um momento fác il.</p><p>E não me enganei.</p><p>Assim que me se nte i, o s pro fe sso res lançaram-se nas</p><p>suas queixas, que abarcavam tudo , desde a quantidade</p><p>de marcado res a que tinham dire ito até ao facto de</p><p>o s miúdos do Clube Asas D’Ouro usarem a sua sala.</p><p>Passado po uco te mpo, já to da a gente falava ao mesmo</p><p>tempo e eu nem sequer percebia quem dizia o quê.</p><p>164</p><p>Então, inventei uma regra. Agarrei num agraf ador</p><p>e disse aos professores que quando alguém q uisesse</p><p>falar tinha de ter o agrafador na mão. E isso</p><p>funcionou durante algum tempo.</p><p>A professora Lackey reclamou que os profes sor es</p><p>deviam poder e stacio nar os seus carros mais perto da</p><p>entrada da e scola, o que me parece u bastante razoáve l.</p><p>Mas depois ela continuou a falar sem parar e concluí</p><p>que, se calhar, devia estabelecer um limite de temp o</p><p>para cada pessoa ter o agrafador na mão.</p><p>Antes de eu poder anunciar a nova regra, o professo r</p><p>Ball arrancou o agrafador à professora Lackey para</p><p>poder falar sobre os</p><p>SEUS</p><p>assuntos.</p><p>165</p><p>E como ele tem dois metros de altura, ningué m</p><p>podia fazer grande coisa acerca disso.</p><p>Aco nte ce que a pro fe sso ra O’Harris anda co m um</p><p>agrafador em miniatura na carteira, po r isso pe gou ne le</p><p>e começou a queixar-se de que o s professo res de viam ter</p><p>direito a leite gratuito no refeitório . Embo ra to dos</p><p>parecessem conco rdar com ela, ninguém gosto u que</p><p>conto rnasse as regras co m um agrafador não o ficial.</p><p>166</p><p>Os professores tentaram tirar-lho e, de rep e nte,</p><p>o professor T upa acabou com o agrafador em</p><p>miniatura agarrado a uma orelha. Tivemos de</p><p>interromper a reunião para ele ir à enfermaria.</p><p>Decidi que a ideia do agrafador não estava a funcionar</p><p>e tentei uma abordagem diferente. A nova prop osta</p><p>era que, quem quisesse falar, tinha de levantar a</p><p>mão e aguardar pela sua vez, uma regra que os</p><p>professores pareceram compreender.</p><p>A</p><p>A</p><p>A</p><p>A R</p><p>G</p><p>H</p><p>!</p><p>O O H !</p><p>O O H !</p><p>A L Ô ! E U !</p><p>E E E U !</p><p>167</p><p>Dei a palavra à professo ra Shelburn, que tem uma disputa</p><p>com a professo ra Pritchard acerca de um computado r.</p><p>A e scola co mprou um po rtátil novo para substituir um</p><p>que se avariou e entrego u-o à profe sso ra Pritchard.</p><p>Mas a professo ra Shelburn achou que, como trabalha</p><p>na esco la há mais tempo, era e la que o me recia.</p><p>Começaram as duas a lutar pelo portátil em f re nte</p><p>a toda a gente e tiveram mesmo de ser separadas.</p><p>Achei que ambas tinham uma boa razão para</p><p>reclamar o portátil, mas não consegui encon trar</p><p>uma solução que satisfizesse as duas.</p><p>Então, lembrei-me de uma história da cateq uese</p><p>sobre um rei muito sábio que teve de lidar com um</p><p>problema muito semelhante.</p><p>168</p><p>Disse às duas professoras que podiam dividir o</p><p>portátil ao meio e cada uma ficava com metad e .</p><p>Achei que uma delas iria desistir do computador e</p><p>deixar simplesmente que a outra ficasse com ele,</p><p>porque metade de um portátil não serve para nada.</p><p>Mas parece que subestimei o quanto estas du as</p><p>professoras não queriam que a outra ganhasse,</p><p>porque elas partiram mesmo o portátil ao mei o e</p><p>cada uma ficou co m uma metade.</p><p>Quando a reunião acabou, eu precisava</p><p>MESMO</p><p>de</p><p>um intervalo, mas ainda não estava despach ado.</p><p>C</p><p>R</p><p>A</p><p>C</p><p>169</p><p>Alguns dos arrendatários da ala C estavam</p><p>à minha espera à porta do gabinete e eu nem</p><p>imaginava o que me esperava.</p><p>Parece que alguns do s cães da po lícia se tinham atirado</p><p>a uma fornada do s bolinhos de aveia e passas da</p><p>S r a. J ac ks o n, e e la que r ia que a p o líc ia p agas s e o s p r e juízo s .</p><p>Mas a polícia dizia que a Sra. Jackson tinha si do</p><p>negligente ao deixar a porta da sua sala abe rta e,</p><p>uma vez que as passas são tóxicas para os cães,</p><p>queria que ela pagasse a conta do veterinário.</p><p>E,</p><p>NESTE</p><p>assunto, eu nem sabia por onde começar.</p><p>Felizmente, não tive de decidir nada naquele</p><p>momento, porque se ouviu a voz do subdiretor Roy</p><p>nos altifalantes a convocar toda a gente pa ra uma</p><p>reunião especial que ia realizar-se no ginásio .</p><p>D I R E T O R</p><p>170</p><p>Eu não fazia ideia do tema da reunião, e</p><p>sinceramente</p><p>NEM</p><p>queria saber, desde que não</p><p>tivesse de fazer absolutamente nada. Mas afi nal</p><p>não ia ter sorte com isso.</p><p>Quando vi o palco do ginásio, percebi porque e sta va</p><p>o diretor Bottoms ansioso por fugir da escola hoje.</p><p>T entei dar meia-volta e regressar ao meu ga binete,</p><p>mas já havia uma muralha de estudantes a bloqu e ar -</p><p>- me o caminho. Não havia mesmo forma de escap ar</p><p>àquilo.</p><p>BEIJA-ME,</p><p>DIRETOR!</p><p>171</p><p>E se alguma vez tiveram curio sidade so bre como é beijar</p><p>um porquinho, digo-vos que não é assim tão mau .</p><p>T enho a certeza de que ainda me faltavam u mas</p><p>horas de trabalho, mas por aquela altura já ti nha</p><p>tido a minha dose de mandar em tudo.</p><p>Por isso, deixei um recado na mesa da secretári a da</p><p>escola e autorizei-me a sair um pouco mais cedo.</p><p>DO G ABINETE DO D IRETOR</p><p>B</p><p>E</p><p>I</p><p>J</p><p>O</p><p>D</p><p>e</p><p>s</p><p>p</p><p>e c o</p><p>m</p><p>e</p><p>.</p><p>172</p><p>T erça-feira</p><p>Depois de ser Diretor por Um Dia, fiquei ba sta nte</p><p>feliz por voltar a ser apenas um aluno normal</p><p>durante o resto do ano. Mas quando cheguei à</p><p>escola hoje de manhã, descobri que as coisas e stão</p><p>prestes a mudar para</p><p>TODA A GENTE</p><p>.</p><p>O jornal da escola sai todas as terças-feiras e,</p><p>embora seja gratuito, nunca me dou ao trab alho de</p><p>arranjar um exemplar. Mas desta vez percebi qu e</p><p>eles tinham encontrado um grande furo.</p><p>e x t r a !</p><p>e x t r a !</p><p>173</p><p>De acordo com a primeira página, o governo está a</p><p>planear fechar a nossa</p><p>escola. E a única for ma de</p><p>a manter aberta é conseguirmos subir as nos sas</p><p>notas no teste global da próxima semana.</p><p>Só que a avaliar pelo que se tem passado este ano,</p><p>não me parece que haja muitas hipóteses de</p><p>ISSO</p><p>vir a acontecer.</p><p>Be m sei que e sta notícia é uma co isa em grande , mas</p><p>o no sso jornal da escola é sempre super dramático</p><p>nas manche tes, e desta ve z não fo i dife rente.</p><p>O G r i t o d o E s t u d a n t e</p><p>Escola f ec ha da se a s no t a s nã o subir em</p><p>O FIM ESTÁ</p><p>P R Ó X I M O</p><p>1 74</p><p>Ao que parece, o diretor Bottoms até já sabia</p><p>disto há algum tempo, mas provavelmente não qu is</p><p>lançar o pânico antes de fazermos o teste g lobal.</p><p>E o jornal da escola só descobriu toda esta históri a</p><p>porque têm um espião na receção central.</p><p>Este jornalista, que se chama Freddie Larki n, tem</p><p>andado a fingir ferimentos durante as últim as duas</p><p>semanas para poder ir mais vezes à enfermari a, qu e</p><p>é mesmo ao lado da sala de reuniões. E ning uém se</p><p>apercebeu do que ele andava a tramar.</p><p>E N F E R M A R I A</p><p>A</p><p>N</p><p>O T</p><p>A</p><p>A</p><p>N</p><p>O</p><p>T</p><p>A</p><p>175</p><p>T eria sido bem melhor se a própria escola nos tivesse</p><p>informado destas notícias, porque agora está tu do</p><p>em pânico. E ninguém sabe o que vai ser de nós se</p><p>a escola fechar</p><p>MESMO</p><p>.</p><p>O artigo dizia que se o governo fechar a nossa</p><p>escola, vão separar-nos a todos e enviar-nos para</p><p>duas escolas diferentes em vilas vizinhas.</p><p>Uma das escolas é a Fulson T ech, que só abri u o</p><p>ano passado e parece ser superfixe. Na verdad e,</p><p>ouvi alguns rumores sobre</p><p>COMO</p><p>essa escola é fixe.</p><p>O Albert Sandy diz que a ementa de almoço d e les</p><p>foi criada por um chef famoso e que até têm um</p><p>grelhador de carne no próprio refeitório.</p><p>176</p><p>T ambém têm um massagista para ajudar os alu nos</p><p>a reduzir o stress e uma sala com câmaras de sono</p><p>onde os alunos podem fazer uma pausa.</p><p>As suas palestras também são de alto nível. No</p><p>ano passado, tiveram lá um piloto de Fórmula Um e</p><p>uma equipa de astronautas que vão a Marte, o qu e,</p><p>comparativamente, acaba por pôr a nossa pa lestra</p><p>da re vista Répteis do Randy num canto.</p><p>A A A A H !</p><p>177</p><p>Então, se formos para a Fulson T ech, ficamos bem</p><p>entregues. É com a</p><p>OUTRA</p><p>esco la que to da a ge nte</p><p>está preocupada, porque é a Escola de Slacksville.</p><p>O edifício de Slacksville é mais antigo do que o</p><p>nosso e não tem ar condicionado. Nem seque r pode m</p><p>abrir as janelas para arejar as salas quando o</p><p>tempo está quente porque a escola deles fica mesmo</p><p>ao lado do aterro.</p><p>Não são só os alunos que estão preocupado s com o</p><p>que lhes vai acontecer. São os professores t amb ém.</p><p>Eles sabem que se a escola fechar podem perd er os</p><p>seus empregos.</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>N A</p><p>A R F A</p><p>A R F A</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>N A</p><p>L</p><p>I</p><p>M</p><p>P</p><p>A</p><p>L</p><p>I</p><p>M</p><p>P</p><p>A</p><p>178</p><p>Portanto, por esta altura, a professora Pri tchard</p><p>já tinha desistido completamente de ensinar</p><p>Geometria para tentar planear o seu futuro.</p><p>O resto do pessoal também já começou a procu rar.</p><p>O nosso auxiliar mais recente até colocou no qu ad ro</p><p>dos avisos uma nota para ver se consegue ar ranjar</p><p>qualquer coisa para fazer, caso tudo vá à v ida.</p><p>OFERT AS</p><p>DE EMPREGOS</p><p>DISPONÍVEL P ARA BISCA TES</p><p>limpezas domésticas</p><p>pequenas reparações</p><p>mecânicas</p><p>passear cães</p><p>179</p><p>Quinta-feira</p><p>Ontem recebi excelentes notícias. O jornal da escola</p><p>arranjou maneira de descobrir os alunos que v ão</p><p>para cada uma das escolas, caso a nossa feche,</p><p>e penduraram a lista no quadro dos avisos na entrada.</p><p>E fico feliz por anunciar que se nós fecharmos,</p><p>eu irei para a Fulson T ech.</p><p>Pensei que o método que a escola utilizaria para nos</p><p>dividir seria enviar para um lado os miúdos cuj os</p><p>apelidos começassem entre</p><p>A-M</p><p>e para o outro</p><p>lado aqueles que tinham nomes entre</p><p>N-Z</p><p>. Mas</p><p>se calhar quiseram ser mais justos e então</p><p>separaram os nomes alternadamente.</p><p>180</p><p>Foi uma sorte para mim, mas a sorte já não f oi</p><p>tanta para a Jenna Healy e o Alfonso Hendri cks.</p><p>Infe lizmente, o no me do Ro wley não caiu do lado</p><p>certo , o que significa que ele vai para Slacksville .</p><p>E mesmo depo is de eu lhe dize r que lhe traria as sobras</p><p>dos grelhado s do refe itório da Fulso n T ech todos</p><p>o s dias, ele não parece u ficar muito mais animado .</p><p>O Rowley está muito stressado, e como ele meta de</p><p>dos miúdos da minha escola. A sua única esperança,</p><p>por esta altura, é que a escola se saia bem no teste</p><p>global e que o governo decida não nos fechar.</p><p>181</p><p>Os pais de alguns miúdos co ntrataram explicadores</p><p>para os ajudarem, e os pais do Rowle y arranjaram-lhe</p><p>um explicado r diferente para cada disciplina. E isso ,</p><p>para mim, é uma grande seca, porque significa que ele</p><p>não te m nenhum tempo livre para no s dive rtirmos.</p><p>Mas acho que os pais do Rowle y e xageraram um bocado</p><p>com esta ce na das explicações. Até lhe arranjaram</p><p>um profe ssor de Educação Física, e tenho quase a</p><p>certeza de que nada disso vai sair no teste.</p><p>T</p><p>A</p><p>P</p><p>P</p><p>R</p><p>R</p><p>I</p><p>I</p><p>!</p><p>T</p><p>A</p><p>P</p><p>T</p><p>A</p><p>P</p><p>182</p><p>Sexta-feira</p><p>As coisas estão a mudar tão rápido na esco la qu e</p><p>mal consigo acompanhar.</p><p>Alguns pais decidiram de sligar-se do proce sso e mandar</p><p>os filho s para o ensino privado. Não po sso dizer que</p><p>tenha ficado triste po r ver o Marty Vinson ir-se embora.</p><p>Os pais do Danny T ang também decidiram tirá-lo da</p><p>esco la, o que significa que te nho o cacifo todo para mim.</p><p>183</p><p>Mas depois aconteceu uma coisa que veio causar uma</p><p>confusão gigante. Os pais do Alex Aruda d ecidiram</p><p>que não queriam esperar e inscreveram-no num</p><p>colégio interno do outro lado da cidade. E como</p><p>ele tinha um dos primeiros nomes do alfabeto, a sua</p><p>saída teve um efeito de dominó em toda a lista.</p><p>A g o r a , t o d o s o s m i ú d o s q u e i r i a m p a r a S l a c k s v i l l e</p><p>p a s s a m a i r p a r a a F u l s o n T e c h e t o d o s o s</p><p>q u e i r i a m p a r a a F u l s o n T e c h p a s s a m a i r p a r a</p><p>S l a c k s v i l l e . E t o d a a g e n t e f i c o u a s a b e r d i s t o</p><p>q u a n d o o j o r n a l d a e s c o l a a f i x o u u m a n o v a l i s t a n o</p><p>q u a d r o d o s a v i s o s .</p><p>Ficou tudo virado do avesso e todos os miúdo s na</p><p>minha situação se sentiram atirados borda fora.</p><p>184</p><p>Mas todo s os</p><p>OUTR OS</p><p>ficaram nas nuvens. E não</p><p>era de mau tom se miúdos como a J enna He aly e o Alfo nso</p><p>Hendricks tivesse m um po uco mais de co nside ração e</p><p>não come mo rassem lo ucamente ao pé de nós.</p><p>Um grupo de alunos tentou convencer uma m iúda</p><p>chamada Eva Aaronson a desistir e a ir par a uma</p><p>escola privada, porque, se ela o fizesse, a lista</p><p>voltaria à sua forma inicial.</p><p>Mas ela e stá mesmo ansio sa por experimentar aquelas</p><p>câmaras de sono, porque não mudou de ideias, nem</p><p>depo is de lhe oferece rmo s os nosso s snacks.</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>B</p><p>AT</p><p>A</p><p>185</p><p>No caminho da escola para casa, o Rowley disse</p><p>que me traria as sobras dos grelhados da es cola</p><p>nova todos os dias. Eu sei que ele só queria animar -</p><p>- me, mas, por alguma razão, aquilo irritou-m e</p><p>solenemente.</p><p>T ente i que os pais me tirasse m da escola e me inscre vessem</p><p>noutra qualquer co mo a Fulson T ech. Mas mesmo depois</p><p>de eu o s elucidar sobre todas as vantagens, eles</p><p>continuaram a dizer que a esco la privada era muito cara.</p><p>CÂ M A R A</p><p>DE S ONO</p><p>186</p><p>Segunda-feira</p><p>Concluí que a única hipótese que tinha de alt e rar</p><p>a situação era dar o meu melhor no teste global e</p><p>esperar que todos os outros fizessem a</p><p>SUA</p><p>parte.</p><p>Por isso, este fim de semana agarrei-me aos li vros.</p><p>O problema é que não é fácil pormo-nos a par de</p><p>um ano inteiro de aulas. E eu nem sequer sa bia por</p><p>onde começar.</p><p>T e n t e i f a z e r a l g u m a s p e q u e n a s p a u s a s a q u i</p><p>e a l i ,</p><p>p a r a m e m a n t e r m o t i v a d o . M a s a c h o q u e</p><p>m e d e i x e i l e v a r p o r q u e a c a b e i p o r p a s s a r m a i s</p><p>t e m p o a l e r r o m a n c e s d o q u e a l e r o s l i v r o s d a</p><p>e s c o l a .</p><p>187</p><p>Percebi que a minha estratégia não estava a</p><p>funcionar e decidi tentar uma abordagem diferente.</p><p>Achei que se me rodeasse dos meus livros da escola,</p><p>poderia talvez, de alguma forma, absorver t oda a</p><p>sua informação para dentro do meu cérebro.</p><p>Mas parece-me que não funcio nou lá muito bem, po rque</p><p>hoje, quando acordei, não me sentia mais es perto.</p><p>A acrescentar a isto, a tinta usada nalguns destes</p><p>livros deve ser realmente barata, porque hoje</p><p>de manhã acordei com a tabela periódica intei ra</p><p>gravada na bochecha.</p><p>188</p><p>Percebe-se bem que há muitos miúdos nervoso s com o</p><p>teste global de amanhã porque muitos deles and am</p><p>a fazer todo o tipo loucuras para terem sorte.</p><p>Alguns têm trazido ferraduras de cavalo e outro s</p><p>amule to s da so rte para a e scola. E o Ricky Fishe r te m</p><p>andado a vender bugigangas que jura que farão subir</p><p>a nota de Matemática e m pelo menos vinte po r cento.</p><p>Há miúdos que pensam que têm mais sorte se só</p><p>pisarem os azulejos verme lhos do chão da e sco la, mas</p><p>outro s dizem que os vermelhos são os que dão</p><p>AZAR</p><p>.</p><p>E isto te m criado algumas situações perigosas.</p><p>P</p><p>U</p><p>M B</p><p>A</p><p>189</p><p>T enho muita pena de um miúdo a quem to da a gente</p><p>chama Sortudo . Pe lo que ouvi dizer, e le quase fo i</p><p>atingido por um relâmpago quando estava a jogar</p><p>golfe com o pai, e foi assim que ganhou esta alcunha.</p><p>T oda a gente diz que se se esfregar a cabeç a do</p><p>Sortudo, a sorte dele passa para</p><p>NÓS</p><p>. Por isso,</p><p>não param de lhe tocar. Ele já tem uma pe la da no</p><p>alto da cabeça e, para seu bem, só espero qu e não</p><p>seja definitivo.</p><p>C</p><p>A</p><p>B</p><p>R</p><p>U M</p><p>190</p><p>Algumas pesso as estão tão de sesperadas para ter</p><p>boa no ta neste teste que até já se viraram para a</p><p>estátua do Larry Mack. Têm deixado ve las e diversas</p><p>o fere ndas junto ao s seus sapato s, na esperança de</p><p>que isso, de alguma fo rma, venha a ajudar.</p><p>Mas a escola disse que aquilo podia causar um</p><p>incêndio e hoje limparam tudo o que lá estav a.</p><p>Cá para mim, se estávamos a contar com os pés</p><p>do Larry Mack para nos salvar amanhã, en tão as</p><p>coisas estão ainda mais difíceis.</p><p>F</p><p>L</p><p>U</p><p>U</p><p>S</p><p>H</p><p>191</p><p>T erça-feira</p><p>Hoje foi o dia do grande teste global, que e sta va</p><p>marcado para começar às 8h30 e terminar ao meio -</p><p>- dia. E embora tenha dado o meu melhor pa ra me</p><p>preparar, eu sentia-me bastante nervoso porqu e</p><p>nunca fui muito bom a safar-me nos testes.</p><p>O problema é que me distraio facilmente. Se algu ém</p><p>na sala estiver a sussurrar ou a mastigar pa sti lha,</p><p>desconcentro-me imediatamente. E como met ade dos</p><p>miúdos da minha turma não queriam saber da s suas</p><p>notas nesta coisa, hoje havia bem mais distrações</p><p>do que habitualmente.</p><p>J</p><p>O</p><p>G</p><p>A</p><p>192</p><p>Se tive sse pensado nisso antes, teria trazido uns</p><p>auriculares ou o utra co isa qualquer que blo queasse o</p><p>so m. O único miúdo na sala que conse guiu conce ntrar -</p><p>- se foi o So rtudo, po rque estava a usar um capacete</p><p>para e vitar que as pe sso as lhe to cassem na cabeça.</p><p>Senti-me um pouco melhor por ver que o Sortudo</p><p>também estava a tentar sair-se bem no teste porque</p><p>ele é bastante esperto e, po r isso , achei que ia ajudar a</p><p>subir a média das nossas notas. T ambém sabia que não</p><p>po díamos contar com o Andre w Huck para nos ajudar.</p><p>Mas o proble ma maio r e ram os miúdos que estavam</p><p>destinado s a ir para a Fulson T e ch, porque me aperce bi</p><p>de que nem sequer iam</p><p>TENT AR</p><p>sair-se bem no te ste .</p><p>E</p><p>S</p><p>C</p><p>R</p><p>E</p><p>V</p><p>E</p><p>E</p><p>S</p><p>C</p><p>R</p><p>E</p><p>V</p><p>E</p><p>P</p><p>L</p><p>O</p><p>P</p><p>C</p><p>H</p><p>E</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>C</p><p>H</p><p>E</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>193</p><p>Na verdade, suspeitei que eles estavam a ten ta r</p><p>ter maus resultados de</p><p>PR OPÓSITO</p><p>. E q uand o</p><p>espreitei para a folha de respostas da Jenna</p><p>Healy, confirmei essa suspeita.</p><p>N O M E</p><p>194</p><p>Decidi que a única coisa que podia fazer era</p><p>esforçar-me ao máximo e esperar pelo melhor. Mas</p><p>o próprio teste era praticamente impossível, e até</p><p>parecia que quem tinha escrito as perguntas não</p><p>queria que ninguém fosse bem-sucedido.</p><p>No fim de contas, nada disso interessou. Passad o</p><p>meia-hora de estarmos no teste, entrou uma abelha</p><p>na sala, na qual só eu é que reparei.</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>P o r f a v o r , e s c o l h e a s m e l h o r e s r e s p o s t a s p a r a</p><p>a q u e s t ã o a c i m a .</p><p>1</p><p>1 e 3</p><p>1 e 2 m a s n ã o 4</p><p>T o d a s a s a n t e r i o r e s</p><p>N e n h u m a d a s a n t e r i o r e s</p><p>195</p><p>Mas a essa abelha solitária seguiu-se, um minu to</p><p>depois, um</p><p>ENXAME</p><p>inteiro, e tivemos de evacuar</p><p>a sala.</p><p>Parece que a cobra que tinha fugido da pale stra e ntro u</p><p>na sala da ala C que estava arrendada pela p olícia,</p><p>e os cães ficaram completamente descontrolad os.</p><p>Por isso, deitaram a porta da sala abaixo.</p><p>L</p><p>A</p><p>D</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>A</p><p>D</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>A</p><p>D</p><p>R A</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>L</p><p>I</p><p>Z</p><p>A</p><p>196</p><p>A apicultora ficou curiosa com toda a confusão qu e</p><p>se ouvia no corredor e abriu a porta da sua sala ,</p><p>o que foi um erro tremendo.</p><p>As abelhas voaram para dentro das nossas s ala s de</p><p>aula e tivemos de sair para o parque de estacionamento</p><p>enquanto os bombeiros resolviam a situação. Esta</p><p>foi uma daquelas ocasiões em que seria útil ter mai s</p><p>do que uma enfermeira na escola.</p><p>E</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>L</p><p>H A</p><p>L</p><p>A</p><p>D</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>A</p><p>D</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>A D</p><p>R</p><p>A</p><p>197</p><p>Segunda-feira</p><p>Já saíram as notas da nossa esco la no teste glo bal e</p><p>vamo s só dizer que não foram grande coisa. Ninguém</p><p>passou da se cção de Matemática, e parece que o</p><p>governo não nos dá uma segunda o portunidade só</p><p>porque as nossas salas fo ram invadidas por abelhas.</p><p>Isso significa que a no ssa esco la encerro u o ficialme nte</p><p>na sexta-fe ira, e o jornal marcou a o casião com uma</p><p>última e dição especial. Apesar de e u nunca me ter</p><p>divertido muito naque le lugar, fo i um dia triste.</p><p>O G r i t o d o E s t u d a n t e</p><p>Escola F ec ha P or t as p ar a Sem pr e</p><p>A C A B O U</p><p>198</p><p>Mas nem toda a gente ficou destroçada com o</p><p>encerramento. Os miúdos que iam para a Fulson T ech</p><p>estavam super entusiasmados e a professora L ackey</p><p>estava em pulgas para partir num cruzeiro.</p><p>Mas a pessoa que parecia</p><p>MAIS</p><p>entusiasmada era o</p><p>diretor Bottoms. E agora que penso nisso, ele já</p><p>se teria despedido há algum tempo.</p><p>I U U -</p><p>P I I I ! ! !</p><p>SAÍDA</p><p>R</p><p>O</p><p>L</p><p>A</p><p>R</p><p>O</p><p>L</p><p>A</p><p>199</p><p>Hoje comecei a minha nova vida como aluno da Escola</p><p>de Slacksville. Mas se todos os dias forem co mo o d e</p><p>hoje, entrei num caminho bem duro.</p><p>Primeiro, tive de levantar-me uma hora mais cedo para</p><p>poder apanhar o auto carro, pe lo que ainda estava</p><p>bastante escuro. E é um bocado deprimente e star</p><p>numa paragem do auto carro quando ainda se vê a lua.</p><p>Mas foi sempre a piorar. Como sou o único mi údo do</p><p>bairro que vai para aquela e scola, não conseguiram incluir -</p><p>- me no auto carro escolar. Por isso, tiveram de mandar</p><p>alguém buscar-me de pro pósito para me levar à esco la.</p><p>P A R A G E M</p><p>C olei r a</p><p>Am i g a</p><p>C u i d a d o s a</p><p>A n i m a i s d e</p><p>E s t i m a ç ã o</p><p>200</p><p>E embora eu até goste de cães, sou o tipo d e</p><p>pessoa de precisa do seu próprio espaço de m anhã.</p><p>T ente i co nvencer-me de que não era assim tão mau. Mas</p><p>isso fo i ante s de um dos empre gado s ter dado banho</p><p>a um São Bernardo eno rme e e le se ter sacudido.</p><p>A R F A</p><p>A R F A</p><p>A</p><p>A</p><p>R</p><p>G</p><p>H</p><p>!</p><p>S</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>F</p><p>L</p><p>U</p><p>S</p><p>H</p><p>201</p><p>Se quere m saber a minha opinião , o primeiro dia de aulas</p><p>numa e sc o la no va já é difíc il se m c he irarmo s a c ã o mo lhado .</p><p>Ainda pensei que houvesse algum tipo de boas- vindas</p><p>oficiais</p><p>para os novos alunos, mas parece-me qu e</p><p>ninguém sequer sabia que íamos para lá. De certa</p><p>forma, até fico contente por não nos terem liga do</p><p>muito porque, mesmo assim, ainda recebi uns olhare s</p><p>de lado quando passei pelo corredor.</p><p>G L U P .</p><p>C O LE IR A</p><p>A M I G A</p><p>C u i d a d o s a</p><p>A n i m a i s d e</p><p>E s t i m a ç ã o</p><p>E S C O L A</p><p>S L A C K S V I L L E</p><p>V</p><p>R</p><p>U</p><p>U U</p><p>M</p><p>202</p><p>Pelo menos, fui suficie ntemente espe rto para não te r</p><p>levado nada que represe ntasse a minha antiga esco la.</p><p>O Andrew Huck levo u uma camiso la do s Salte ado res e</p><p>mais valia ter aparecido com um alvo nas co stas.</p><p>Ninguém nos deu um horário, por isso, quan do</p><p>deu o toque, entrei na sala mais próxima, ond e o</p><p>professor de Inglês estava a ler um livro ilustrad o</p><p>que era para um nível bem abaixo do nosso.</p><p>A</p><p>R</p><p>G</p><p>H</p><p>!</p><p>!</p><p>!</p><p>R</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>E</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>d i z</p><p>203</p><p>Foi então que me apercebi de que a qualidade d a</p><p>educação nesta escola era ainda inferior à da escola</p><p>de onde eu vinha.</p><p>Em Ge ografia, usavam livro s que tinham pe lo menos</p><p>vinte ano s. Em Geo metria, e stavam a t r a s a d o s n a</p><p>matéria, po rque ainda estavam a aprender c o i s a s q u e</p><p>demos há</p><p>IMENSO</p><p>tempo.</p><p>Em Ciências, tinham o mesmo tipo de equipamento</p><p>que na no ssa e scola. Mas tenho quase a certeza de que</p><p>os miúdos só queimavam coisas para se divert irem.</p><p>Q U A D R A D O T R I Â N G U L O</p><p>C Í R C U L O</p><p>204</p><p>No entanto, essas não eram as únicas coisas um</p><p>bocado estranhas. Em Educação Física, usa vam</p><p>bolas de softbol para o jogo do mata. O Pr ato do</p><p>Dia no refeitório era um pastel de peixe frito entre</p><p>duas fatias de piza. E a palestra escolar, embora</p><p>fosse um bom entretenimento, não me parec e u ter</p><p>nenhum real valor educativo.</p><p>Portanto, estou a tentar não me habituar m uito a</p><p>este sítio. Porque, baseado nas minhas exper iências</p><p>do primeiro dia, quase posso apostar que Slack sville</p><p>vai ser a próxima escola a fechar.</p><p>205</p><p>Sexta-feira</p><p>A parte boa de estar num sítio onde as expetati vas</p><p>são mais baixas é que temos uma oportunidad e de</p><p>brilhar. E sem querer gabar-me, tenho quas e a</p><p>certeza de que sou um dos miúdos mais esper tos da</p><p>minha nova escola.</p><p>Os o utros também já começaram a reparar. Ouvi um</p><p>dos miúdos a perguntar a outro quando tempo faltava</p><p>para acabar a aula, e re spo ndi-lhe. Ambos ficaram</p><p>espantado s por e u saber ver as horas.</p><p>O C T Á G O N</p><p>206</p><p>A notícia espalhou-se e agora, na escola, to da a</p><p>gente me chama Senhor do T empo. Não sei se devia</p><p>sentir-me muito orgulhoso por saber ver as horas,</p><p>mas acho que, quando somos o miúdo novo, a ce itamos</p><p>o que nos aparece.</p><p>Foi então que a minha fama atingiu todo um outro</p><p>nível. Estávamos a fazer bolinhos de caramelo em</p><p>Economia Doméstica e, quando fui ao frigoríf ico v er</p><p>que outros ingredientes havia lá, apercebi-m e de</p><p>que podia cozinhar algo que me garantiria a nota</p><p>máxima naquela disciplina.</p><p>M</p><p>A S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>A Ç Ú C A R</p><p>207</p><p>E foi assim que o s cacho rros-de-caramelo che garam à</p><p>Escola de Slacksville. E ainda que me te nha sentido um</p><p>pouco mal por te r divulgado a receita secre ta da minha</p><p>antiga e scola, achei que isso já não inte ressava muito.</p><p>A cena do relógio tornou-me popular, mas o s</p><p>cachorros-de-caramelo fizeram-me</p><p>FAMOSO</p><p>.</p><p>E agora, assim de repente, ganhei um</p><p>MONTE</p><p>de novos amigos no refeitório.</p><p>D</p><p>E</p><p>V</p><p>O</p><p>R</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>V</p><p>O</p><p>R</p><p>A</p><p>T</p><p>C</p><p>H A</p><p>C</p><p>208</p><p>A melhor parte foi quando comecei a ter alg umas</p><p>admiradoras femininas, o que nunca tinha aconteci do</p><p>na minha antiga escola.</p><p>Reparei que duas miúdas e stavam a sussurrar sobre</p><p>mim no corre do r e de po is uma, chamada So phie, veio</p><p>ter comigo e fez-me uma pe rgunta. E embo ra eu</p><p>tenha percebido que a pe rgunta era só uma de sculpa</p><p>para falar comigo, não me impo rtei nada co m isso.</p><p>P O D E S V E R A S</p><p>H O R A S N O</p><p>M E U R E L Ó G I O ?</p><p>209</p><p>A partir daí, as coisas avançaram muito dep ressa.</p><p>Durante o resto da se mana, eu e a Sophie almoçámos</p><p>juntos, e quando ela me deu a mão no corre dor,</p><p>tornou-se oficial.</p><p>Mas apesar de eu gostar muito daquilo que se tem</p><p>passado na escola, a verdade é que não sign ifica</p><p>nada até termos um encontro a sério no cinema</p><p>ou algo parecido. Porque já estamos a ficar sem</p><p>assuntos para conversar ao almoço, e não se</p><p>conseguem comer assim tantos cachorros-de-caramelo.</p><p>M</p><p>O</p><p>R</p><p>D</p><p>E</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>T R</p><p>I</p><p>N</p><p>C</p><p>A</p><p>210</p><p>Sábado</p><p>Consegui ganhar coragem para convidar a S op hie</p><p>para sairmos juntos e ela disse que sim. Mas como</p><p>ainda nenhum de nós sabe conduzir, tivemos de</p><p>pedir aos nossos pais para nos levarem.</p><p>Eu não que ria me smo que fo sse m o s meus pais porque</p><p>tenho a certeza de que iam e nve rgonhar-me</p><p>totalmente em frente de uma miúda. Então, a Sophie</p><p>pe diu ao pai para nos levar ao cine ma e ele disse que sim.</p><p>Fiquei à espera em frente à minha casa e qu ando vi</p><p>um carro aproximar-se, percebi que deviam ser eles.</p><p>Só de dar uma olhadela ao belo carro, perce bi qu e a</p><p>família deve ter montes de dinheiro.</p><p>211</p><p>Reparei na matrícula do carro antes de ver qu em</p><p>estava a conduzi-lo. E foi aí que percebi que nu nca</p><p>tinha perguntado à Sophie o seu apelido.</p><p>A Sophie nunca referiu que o seu pai era o L arry</p><p>Mack Junior e, se o tivesse feito, eu provavelmente</p><p>não teria tido coragem de a convidar para sai r.</p><p>Mas agora aqui estava ele, à porta da minha casa.</p><p>E ele também não parecia muito entusiasmad o.</p><p>P O D E S E N T R A R</p><p>L Á P A R A T R Á S .</p><p>F E V</p><p>212</p><p>Acontece que a Sophie não disse ao pai onde é qu e</p><p>eu vivia quando lhe pediu para nos levar, e talv ez</p><p>o tenha feito de propósito. Porque pela for ma</p><p>como ele estava a comportar-se, não parecia muito</p><p>contente por estar num bairro do outro lado d a</p><p>linha férrea.</p><p>Eu nunca tinha estado com ninguém tão fa moso</p><p>como o Larry Mack Junior, por isso estava um</p><p>pouco nervoso. T entei falar com ele sobre assuntos</p><p>de carros, mas provavelmente fiz figura de p arvo.</p><p>T E M P N E U S</p><p>T O D O - O - T E R R E N O</p><p>N E S T E A U T O M Ó V E L ?</p><p>G L U P</p><p>213</p><p>Q u a n d o c h e g á m o s a o c i n e m a , e l e f e z q u e s t ã o d e</p><p>e n t r a r c o n n o s c o . E f i q u e i s e m p e r c e b e r s e e l e</p><p>q u e r i a m e s m o v e r o f i l m e o u s e s ó q u e r i a e s t a r d e</p><p>o l h o e m n ó s .</p><p>Depois do filme, fomos a um sítio que vende</p><p>hambúrgueres e batidos. Eu ainda tive esperança d e</p><p>que ele esperasse por nós no carro, mas ele também</p><p>foi atrás de nós lá para</p><p>DENTR O</p><p>.</p><p>COF COF</p><p>214</p><p>Assim que nos sentámo s, o Larry Mack J unior</p><p>come ço u a apertar co migo . Que ria sabe r com que tipo</p><p>de amigo s é que eu ando, e e m que trabalhavam os</p><p>meus pais, e até que tipo de carro é que e le s têm.</p><p>Era bastante óbvio que ele achava que uma pesso a</p><p>como eu não e ra suficiente mente boa para a sua filha.</p><p>Felizmente, tive uma trégua quando o empre ga do</p><p>veio à mesa entregar-nos as ementas. Mas a ind a</p><p>demorei um segundo a reconhecê-lo.</p><p>I K S A A T U P P O ,</p><p>G R E G O R I O ?</p><p>215</p><p>Era o meu antigo professor de Latim, o prof e ssor</p><p>Leyton. Fique i surpreendido por vê-lo a trabalhar ali,</p><p>ma s sen t i-me con t en t e por en con t ra r uma cara con hecida .</p><p>Co me çámos a conversar e lembrei-me ime diatame nte de</p><p>todo o meu Latim. Depois de um bo cado de co nversa</p><p>de circunstância, enco mende i-lhe três hambúrgue res e</p><p>três batidos de chocolate , o que pare ceu impressionar</p><p>verdade irame nte o pai da Sophie.</p><p>D e r e p e n t e , o L a r r y M a c k J u n i o r c o m e ç o u a a g i r</p><p>d e f o r m a c o m p l e t a m e n t e d i f e r e n t e c o m i g o . A g o r a</p><p>q u e r i a s a b e r q u e t i p</p><p>o d e a l u n o e u e r a e s e t i n h a</p><p>O U T R O S</p><p>t a l e n t o s q u e p u d e s s e p a r t i l h a r c o m</p><p>e l e .</p><p>T R O S O A M B U R A G R O S</p><p>Y S H A K O M U C C A S S I</p><p>B I E N !</p><p>216</p><p>A Sophie disse ao pai que eu conseguia ver as hor as</p><p>num relógio verdadeiro, o que, infelizmente, não</p><p>pareceu impressioná-lo tanto como aos meus cole ga s</p><p>de turma da Escola de Slacksville.</p><p>A seguir, ela disse-lhe que eu tinha inventad o</p><p>os cachorros-de-caramelo, e isso,</p><p>SIM,</p><p>pareceu</p><p>impressioná-lo. Durante o resto da noite, falámos</p><p>sobre o que é preciso para gerir um negócio de sucesso.</p><p>Não que ro e star a pôr a carro ça à frente do s bois,</p><p>mas se as coisas e ntre mim e a Sophie corre rem bem,</p><p>o me u futuro po de rá ser to talmente dife rente. E</p><p>eu até e staria disposto a mudar o meu apelido se isso</p><p>fosse pre ciso para se r incluído no negócio da família.</p><p>D I Z C ’ O S</p><p>M A C K S</p><p>T E</p><p>M A N D A R A M !</p><p>217</p><p>JUNHO</p><p>Segunda-feira</p><p>Mudou muita coisa desde o meu último encontro com a</p><p>Sophie, e nada do que aconteceu foi bom para mim.</p><p>O Larry Mack Junior decidiu que a razão de e u ser</p><p>um miúdo tão brilhante era a educação que eu ti nha</p><p>recebido na Escola Larry Mack. Portanto, doou</p><p>uma montanha de dinheiro para ela poder reabri r,</p><p>mas desta vez com um nome novo.</p><p>O G r i t o d o E s t u d a n t e</p><p>Milioná r io Sal v a Escola Encer r a d a</p><p>S A L V A !</p><p>ESCOLA</p><p>LARR Y MA CK JUNIOR</p><p>218</p><p>Ele até renovou a estátua do pátio principal para</p><p>assinalar a inauguração.</p><p>Apesar de a reabertura da escola ter custado</p><p>uma fortuna ao Larry Mack J unio r, ele re cupe rou</p><p>imediatamente o seu dinheiro . Isto porque , quando</p><p>se iniciou a renovação da ala C, o s trabalhadore s das</p><p>o bras descobriram sacos de dinhe iro nas paredes.</p><p>219</p><p>Quando a escola reabriu, eu e todos os alunos</p><p>enviados para a Slacksville e para a Fulson T ech</p><p>tivemos de voltar. E nem toda a gente ficou</p><p>contente com a notícia.</p><p>Na verdade, acho que a maioria estava</p><p>FELIZ</p><p>nas</p><p>novas escolas. Então, de repente, transformei-me</p><p>no vilão por ter feito com que reabrissem a nossa</p><p>escola.</p><p>P A R V O !</p><p>E</p><p>M</p><p>P</p><p>U</p><p>R</p><p>R</p><p>A</p><p>220</p><p>A Sophie não quer namorar à distância, por i sso,</p><p>quando eu mudei de escola, ela acabou comigo. Mas</p><p>fiquei a pensar que, se calhar, nesse assunto até</p><p>saí beneficiado.</p><p>No entanto, continuo a ver o pai dela quase todos</p><p>os dias. Acho que o inspirei a regressar à escola e a</p><p>terminar o ensino oficial, por isso ele agora está em</p><p>metade das minhas aulas.</p><p>O O H !</p><p>O O O O H !</p><p>Querido Greg,</p><p>Esta hacabado.</p><p>221</p><p>E ele deve ter influên cia na escola, porque conse gu iu</p><p>que voltassem a contratar o professor Leyton.</p><p>Só que o Larry Mack Junior não está na esco la a</p><p>tempo inteiro porque continua a ter um concessio nário</p><p>para ge rir. E pe lo s vistos o negócio vai melhor do</p><p>que nunca com a pro moção que estão a faze r.</p><p>O O S H N O P</p><p>S O C R A</p><p>T O N A S I ?</p><p>O K K A T O I ,</p><p>M E S P O L E Y T O N I !</p><p>C</p><p>A</p><p>C H O R R O S - DE - C A R</p><p>A</p><p>M E L</p><p>O</p><p>G</p><p>R</p><p>Á</p><p>T</p><p>I S</p><p>N A C O M P R A D E U M V E Í C U L O N O V O</p><p>222</p><p>Por falar nisso, agora a vila de Slacksville r ecla ma</p><p>que foram</p><p>ELES</p><p>que inventaram os cachorros- de -</p><p>- caramelo, e até puseram um cartaz novo.</p><p>Na verdade, Slacksville re gisto u a pate nte da re ceita,</p><p>o que significa que já não podemo s vende r cachorros -</p><p>- de-caramelo no nosso refeitório. Ultimamente,</p><p>a nossa escola tem tentado criar novas varie dad es</p><p>alimentares, mas até agora nada pegou.</p><p>B O L A S D E</p><p>M A I O N E S E</p><p>P</p><p>L</p><p>O</p><p>P</p><p>Slacksville</p><p>B e m - v i n d o s a</p><p>Ber ço dos</p><p>cachorr os- de -</p><p>- caramelo!</p><p>223</p><p>Quando a escola reabriu, tentaram que o diretor</p><p>Bottoms voltasse para terminar o ano letivo.</p><p>Mas pelo que ouvi dizer, ele comprou uma cas a nas</p><p>Caraíbas e está a desfrutar da sua nova vid a.</p><p>Portanto, foi contratado um substituto até enco ntrarem</p><p>alguém permanente. Se acabarem por co ntratar</p><p>este tipo, fico se riame nte pre ocupado co m o futuro</p><p>da minha educação.</p><p>D I R E T O R</p><p>F</p><p>F</p><p>F F</p><p>F</p><p>A GR ADE CIMENT O S</p><p>O bri g ado a t odo s o s biblio t ecário s pela s ua dedicação em li g ar em</p><p>as crianças ao s livr o s, o que v ai ajudar a moldá-las nas pessoas em</p><p>que vir ão a t ornar - se . M ais do que n unca, o seu tr abalho é vit al e</p><p>m uit o apr eciado por t odo s o s a ut or es que já escr e v er am um livr o .</p><p>O bri g ado à minha m ulher , J ulie , pelo seu amor e apoio . O bri g ado à</p><p>J ess Br allier por me t er ajudado a c omeçar c omo a ut or . E obri g ado</p><p>ao C harlie K ochman por ser um par c eir o f an t ás tic o nes t a viag em.</p><p>O bri g ado a M ar y O ’M ar a e S t e v e R oman por f az er em des t e</p><p>livr o o melhor que ele podia ser . O bri g ado a t odo s na Abr ams,</p><p>especialmen t e a M ar y M cA v ene y , Andr e w Smith, E lisa Gonzale z,</p><p>P amela N o t ar an t onio , L or a Grisafi, H allie P a er son, M elanie C han g ,</p><p>K im La uber , A lison Gerv ais, E rin V ande v eer e Bor ana Gr ek u. U m</p><p>obri g ado especial a M ichael J ac ob s por t odo o seu apoio ao lon g o</p><p>do s ano s, e m uit as f elicidades par a as a v en tur as que se se guem!</p><p>O bri g ado à equipa de O Di ári o d e um Banana — Anna C esar y ,</p><p>V anessa J edr ej, Shaelyn Germain e C olleen R e g an — por f az er em</p><p>do tr abalho al g o t ão div er tido !</p><p>O bri g ado à mar a vilho sa equipa da An U nlik ely S t or y e a R ich Carr ,</p><p>Andr e a L uc e y , P a ul Senno , S ylvie R abine a u e K eith F leer .</p><p>O bri g ado a t odo s na D isne y , especialmen t e a R oland P oinde x t er ,</p><p>M ichael M us g r a v e , K a thr yn J ones, R alph M iler a e V anessa M orrison.</p><p>SOBRE O A UT OR</p><p>J e ff K inne y é um a ut or bes tseller do N e w Y ork T ime s e seis v e z es</p><p>v enc edor do N ick elodeon K ids ’ C hoic e A w ar d par a Livr o P r e f erido .</p><p>F oi nome ado pela r e vis t a T ime c omo uma das «100 P essoas M ais</p><p>I nfluen t es do M undo». P assou a inf ância na z ona de W ashin gt on</p><p>D . C. e , mais t ar de , m udou- se par a N o v a I n gla t err a, onde ele e a s ua</p><p>f amília t êm uma livr aria chamada An U nlik ely S t or y (U ma H is t ória</p><p>I mpr o v á v el).</p><p>O Diário de um Banana 18: Fritar a Pipoca</p><p>Abril</p><p>Maio</p><p>Junho</p><p>Agradecimentos</p><p>E S K A T U S O</p><p>N O M U R S K O ?</p><p>IMSO</p><p>GREGORIO!</p><p>L A T A N I A</p><p>16</p><p>O professor Leyton não é o único a ensinar -nos</p><p>coisas que não servem para nada. Este é o ú lti mo</p><p>ano que a professora Lackey nos dá Geogra fia.</p><p>Por isso, os únicos países que ela nos ensina nas</p><p>aulas são aqueles que planeia visitar com o mari do</p><p>depois de se reformar.</p><p>No últ imo trabalho tivemos de pesquisar as companhi as</p><p>de cruzeiros com os melhores planos de refeições.</p><p>B A H A M A S</p><p>S U P E R</p><p>C R U Z E I R O S</p><p>P R E M I U M</p><p>C R U Z E I R O S</p><p>R E A L E Z A</p><p>I L H A S</p><p>M Á G I C A S</p><p>B E B I D A S</p><p>G R Á T I S</p><p>M E S A</p><p>D E</p><p>S O B R E M E S A S</p><p>M E S A</p><p>D E</p><p>S A L A D A S</p><p>M E N U</p><p>S E M</p><p>G L Ú T E N</p><p>17</p><p>Alguns dos nossos professores já nem quere m saber</p><p>se nos ensinam ou não alguma coisa. A professora</p><p>Pritchard devia ensinar-nos Geometria, mas</p><p>aproveita o quadro interativo da sala para a</p><p>ajudarmos a escolher o seu próximo cão.</p><p>Há pro fe sso res que dão o se u melho r, mas nós nem</p><p>se mpre lhe s facilitamo s a vida. O professo r Rask</p><p>tento u ensinar-nos Ciências da fo rma habitual durante</p><p>metade do ano, mas ninguém parecia inte ressado .</p><p>18</p><p>Então, passou a ensinar-nos coisas nojentas.</p><p>E embora isso tenha tornado a disciplina mu ito</p><p>mais interessante, não me parece que nenhuma d a</p><p>informação que estamos a aprender nos vá aj udar</p><p>a entrar numa boa universidade mais tarde.</p><p>Quem me dera não saber metade das coisas qu e</p><p>aprendi nas aulas do professor Rask. Porque d e sde</p><p>que vimo s um vídeo sobre o s parasitas microscópico s que</p><p>vivem na nossa pe le , não co nsigo parar de me co çar.</p><p>R</p><p>A</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>Ç</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>Ç</p><p>A</p><p>A C I Ê N C I A P O R T R Á S D O S</p><p>M E T A N O</p><p>O X I G É N I O</p><p>H I D R O G É N I O</p><p>C O</p><p>2</p><p>N I T R O G É N I O</p><p>PUNS</p><p>V E L O C I D A D E</p><p>19</p><p>Neste momento, já nem sequer temos professora</p><p>de Álgebra. A professora Kwan foi de licença de</p><p>maternidade em outubro e nunca mais arranjaram</p><p>um substituto para as aulas dela.</p><p>Então , no quarto te mpo, e nfiam-nos na sala dos</p><p>computado res e ligam-nos a um site de jo gos de</p><p>Matemática patro cinado por uma e mpresa de guloseimas.</p><p>M A TE M Á TICA</p><p>G</p><p>U</p><p>L</p><p>O</p><p>S</p><p>O</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>A</p><p>S</p><p>!</p><p>Qu an ta s Gom a s</p><p>F r utad a s Gulo sólic a s a ind a</p><p>c abem n a boc a do Bill y</p><p>an t e s de ele r eben tar ?</p><p>d a s</p><p>20</p><p>Ago ra, o s alunos do meu ano precisam de gulo seimas</p><p>para aprender Matemática e, no mês passado , quando</p><p>fizemo s um teste global, alguns levaram paco tes de</p><p>gomas e de pastilhas para os ajudar a fazer as contas.</p><p>Provavelmente, eu teria feito um teste muito melhor</p><p>se não estivesse sentado atrás de um miúdo qu e</p><p>comeu um frasco inteiro de Gulosólicas.</p><p>Mas não foi só a parte da Matemática que f oi</p><p>difícil.</p><p>N</p><p>H</p><p>A</p><p>M</p><p>!</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>A</p><p>B</p><p>A N</p><p>A</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>N</p><p>A</p><p>21</p><p>A parte de leitura tinha um monte de texto s e a de</p><p>Ciências tinha perguntas sobre coisas de que nunca</p><p>falámos nas aulas. E não havia uma única pergu nta</p><p>acerca de puns ou arrotos.</p><p>Por isso, quando chegaram os resultados dos nossos</p><p>testes, não foi uma surpresa que as nossas notas</p><p>fossem as mais baixas da cidade. Na verdade ,</p><p>as notas eram tão más que até saímos nas notíci as.</p><p>Muitos pais ficaram bastante pe rturbados, incluindo</p><p>o s meus. E penso que o secre tário de estado fo i</p><p>pressio nado a fazer mudanças, porque despediu a</p><p>dire to ra, a profe ssora Mancy, e pe diu ao antigo diretor,</p><p>o pro fe ssor Botto ms, para regre ssar da reforma.</p><p>NOT AS DOS TESTES</p><p>DESPENHAM-SE</p><p>RESUL T ADOS CAEM A PIQUE</p><p>22</p><p>Por acaso, fiquei surpre endido po r o pro fessor</p><p>Bottoms ter aceitado re gre ssar, porque se gundo</p><p>conto u o me u irmão Rodrick, quando ele se re fo rmo u,</p><p>há uns anos, saiu co m grande alarido.</p><p>Mas tenho esperança de que ele consiga dar a v olta</p><p>às coisas. Porque olhando para aquilo que aprend i</p><p>até agora, o único emprego que vou conseguir</p><p>desempenhar é o de um professor de Latim tosco.</p><p>L A T A N I A</p><p>I U U P I</p><p>V I V A !</p><p>HAMBURAGR O!</p><p>23</p><p>Sexta-feira</p><p>O diretor Bottoms só tomou posse há uns dias,</p><p>mas já fez grandes mudanças. T odas as discipli nas</p><p>que não ensinam coisas que saem nos testes globai s</p><p>foram abolidas.</p><p>O que é uma chatice, porque em Economia Case ira</p><p>estávamo s a aprender a faze r Bo linhos de Chocolate .</p><p>Nas disciplinas que não foram abolidas, como</p><p>Ciências, as coisas tornaram-se bastante mai s</p><p>sérias. O professor Rask já não nos ensina che iros</p><p>corporais e outras coisas assim, mas isso não qu er</p><p>dizer que não continue a ensinar coisas nojen ta s.</p><p>Porque, esta semana, anunciou que vamos inic iar o</p><p>capítulo da dissecação em ténias.</p><p>CHEIRINHO!</p><p>F A R I N H A</p><p>24</p><p>Felizmente, não havia ténias para todos, e em v ez</p><p>de ténias, eu e o meu colega Tyler Geary ti vemos</p><p>de trabalhar com umas massas do refeitório. Só qu e</p><p>o Tyler leva isto da ciência muito a sério, e qu em</p><p>nos visse nunca diria que estávamos só a dissecar</p><p>restos de massa.</p><p>Quem sabe se o Tyler não virá a ser um cirurgi ão</p><p>quando crescer? Só espero não ir parar à su a mesa</p><p>de operações, porque saberei exatamente onde é qu e</p><p>ele aprendeu a operar.</p><p>BISTURI!</p><p>A A R G H ! ! !</p><p>GREG? GREG</p><p>HEFFLEY?</p><p>25</p><p>T oda a gente acha que aprender ciência é m uito</p><p>bom, mas nunca falam na outra face da moed a. Já</p><p>vi um monte de filmes onde os cientistas perdem a</p><p>cabeça e tentam conquistar o mundo. Mas nu nca</p><p>se vê nenhum filme onde os maus da fita são</p><p>veterinários ou jardineiros loucos.</p><p>Por isso, no que diz respeito à ciência, acho que quanto</p><p>menos soube rmo s, melhor. Porque a última coisa que</p><p>quero é ser o tipo que está a fazer expe riências e ,</p><p>sem querer, abre um portal para o reino do de mónio.</p><p>G</p><p>R</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>I</p><p>T O</p><p>S</p><p>!</p><p>26</p><p>O Tyler Geary diz que se algum dia chegarm os a</p><p>operar ténias verdadeiras, vai tentar ressus citar</p><p>uma ligando-a a elétrodos. É exatamente este ti po</p><p>de coisas que me preocupa.</p><p>Acho que não devíamos andar por aí a tentar</p><p>trazer os mortos de volta à vida. Além de ser</p><p>errado, poderá ser bastante estranho.</p><p>Por e xemplo, eu tenho remorsos po r não ter mandado</p><p>um cartão de agradecimento à minha tia - avó Reba</p><p>quando ela, há uns anos, me e nviou dinheiro como</p><p>prese nte de aniversário . Não sei o que lhe iria dize r</p><p>se ela agora de re pe nte voltasse a aparecer.</p><p>DESCULP A, NÃO</p><p>ARRANJEI SEL OS!</p><p>X Ô Ô Ô !</p><p>27</p><p>Quando eu mo rrer, espe ro que não tentem</p><p>TRAZER-</p><p>-ME</p><p>de volta à vida. Po rque se isso significar ter de</p><p>tomar co nta do s meus bis-bis-bisneto s, e ntão pre firo</p><p>que me de ixem descansar e m paz.</p><p>Provavelmente, não preciso de me preocupar com qu e</p><p>alguém da minha turma faça uma grande des coberta</p><p>científica, porque , para isso , é preciso o equipame nto</p><p>certo . E a minha e scola nem sequer co nsegue comprar</p><p>boas proteções oculares para todos os alunos , então</p><p>há quem traga de casa o seu próprio materi al.</p><p>VOL T AMOS QUANDO</p><p>O FILME ACABAR</p><p>28</p><p>Co ntudo , o labo ratório de ciências não é o único</p><p>lugar da escola que não tem o equipamento necessário.</p><p>Faltam teclas a metade dos portáteis da sal a de</p><p>computadores. E a semana passada tive má nota</p><p>no teste de História porque usei um computad or qu e</p><p>não tinha nenhuma vogal.</p><p>A área escolar em que temos mais falta de m aterial</p><p>é a biblioteca, porque muitas das prateleiras estão</p><p>vazias. Mas não foi sempre assim.</p><p>Em setembro, tínhamos uma bibliotecária nov a,</p><p>a professora Masie, que criou uma secção de banda</p><p>desenhada e a encheu de livros comprados po r si.</p><p>G r g H f f l y</p><p>H s t r G r l</p><p>P r m d s d n t g d d</p><p>H mlhrs d ns, nc-s n ntg gt cnstrc d</p><p>strtrs mgnfcs. s mtrs sds frm r</p><p>pdr.</p><p>0%</p><p>29</p><p>Os livros mais populares eram de</p><p>uma coleção</p><p>chamada Comando Crocodilo e por mais exemplares</p><p>que comprasse, a professora Masie não cons egu ia</p><p>ter nenhum nas prateleiras. E se quiséssemos</p><p>requisitar um exemplar, tínhamos de pôr o n osso</p><p>nome numa lista gigante.</p><p>POR</p><p>MATTY SHUB</p><p>LOUCURA</p><p>TOTAL!</p><p>VISÃO DE TÚNEL</p><p>30</p><p>Mas parece que um dos pais não gostou da forma</p><p>como o Comando Crocodilo estava desenhado e f ez</p><p>uma reclamação.</p><p>As regras dizem que se houver um pai a queix ar-se</p><p>de um livro, este tem de ser retirado da bibli ote ca.</p><p>Mas a professora Masie arranjou uma forma de</p><p>poder manter os livros nas prateleiras.</p><p>Pegou num marcador e desenhou calças no Comand o</p><p>Crocodilo, o que pareceu tranquilizar o pai qu e se</p><p>tinha queixado.</p><p>Formulário de Reclamação da Biblioteca</p><p>N o m e d o L i v r o :</p><p>A u t o r :</p><p>R a z ã o d a r e c l a m a ç ã o :</p><p>Comando Crocodilo:</p><p>Visa o de T u nel</p><p>M</p><p>atty</p><p>S</p><p>hub</p><p>o crocodilo na o</p><p>tem calc as vestidas</p><p>31</p><p>Mas então surgiu outro problema. Alguns miú dos</p><p>tinham em casa alguns exemplares não censur ados do</p><p>Comando Crocodilo e trouxeram-nos para a escola.</p><p>E quando o diretor Bottoms ficou a saber di sso,</p><p>confiscou-os.</p><p>C h i ç a ! E s t a</p><p>m e l g a n ã o</p><p>d e s i s t e !</p><p>D o u - t e c a b o d o s o s s o s ,</p><p>m e u !</p><p>I s t o e s t á a</p><p>f i c a r m u i t o</p><p>a g i t a d o !</p><p>P</p><p>U</p><p>M</p><p>B</p><p>A</p><p>VISÃO DE TÚNEL</p><p>32</p><p>Foi então que a escola começou a revistar as nossas</p><p>mochilas de manhã, à procura de livros do Comando</p><p>Crocodilo, e passámos a demorar mais quinze minu tos</p><p>a passar pela entrada.</p><p>Mas os miúdos são espertos, e alguns invent aram</p><p>formas criativas de levar os livros para a esc ola.</p><p>VERIFICAÇÃO DE</p><p>SEG URANÇA</p><p>P O R F A V O R , P O N H A</p><p>A M O C H I L A N A M E S A</p><p>E</p><p>N</p><p>F</p><p>I</p><p>A</p><p>COMANDO</p><p>CROCODILO</p><p>VISÃO DE TÚNEL</p><p>POR MATTY SHUB</p><p>VISÃO DE TÚNEL</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>N</p><p>A</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>N</p><p>A</p><p>33</p><p>Mas as reclamações devem ser contagiosas po rqu e</p><p>alguns pais notaram, de repente, que havia u m</p><p>monte de livros na biblioteca que mostravam animai s</p><p>SEM</p><p>roupa, e a professora Masie tinha de passar</p><p>o tempo a lidar com</p><p>ESSE</p><p>assunto.</p><p>A certa altura, a professora Masie desistiu e pôs</p><p>todos os livros censurados numa sala das tra seiras.</p><p>Se quiséssemos lê-los, tínhamos de levar uma</p><p>autorização escrita dos nossos pais.</p><p>34</p><p>Passado um tempo, havia mais livros na secção d e</p><p>banidos do que na própria biblioteca, por isso a</p><p>escola teve de escrever a todos os pais a pedi r-lhes</p><p>que doassem livros seus.</p><p>Essa foi a desculpa perfeita para toda a ge nte se</p><p>livrar dos livros que já não queria.</p><p>FRIGORÍFICO</p><p>KULICK</p><p>MOD</p><p>EL</p><p>O XX9-42.3</p><p>L</p><p>Í</p><p>N</p><p>G</p><p>U</p><p>A</p><p>G</p><p>E</p><p>S</p><p>T</p><p>U</p><p>A</p><p>L</p><p>Z</p><p>O</p><p>N A</p><p>S U</p><p>L</p><p>L</p><p>I</p><p>S</p><p>TA</p><p>T</p><p>E L</p><p>E F</p><p>Ó</p><p>N</p><p>I</p><p>C</p><p>A</p><p>E</p><p>N</p><p>S I</p><p>N</p><p>E</p><p>COGUMELOS</p><p>FABULOSOS</p><p>LIVRO DE</p><p>INSTRUÇÕES</p><p>A</p><p>O S</p><p>E</p><p>U G</p><p>A</p><p>T</p><p>O</p><p>35</p><p>A meu ver, a história de banir livros acabou por</p><p>ter o efeito contrário. Muita gente doou ro mance s</p><p>e o seu conteúdo é bastante mais inapropria do do</p><p>que o que quer que haja no Comando Crocod ilo.</p><p>A mãe diz que esse tipo de livros não são</p><p>verdadeira literatura, mas eu acho que desde qu e a</p><p>pessoa esteja a ler, já é uma coisa boa.</p><p>VentosdDeej</p><p>36</p><p>Quarta-feira</p><p>O diretor Bottoms quer motivar os alunos a terem</p><p>melhores notas, por isso, a semana passada, criou</p><p>um programa chamado Clube Asas D’Ouro, qu e é</p><p>semelhante aos programas de milhas das comp anhias</p><p>aéreas. A ideia base é que quanto melhores alu nos</p><p>formos, mais recompensas ganhamos.</p><p>Os miúdos que estão no Clube Asas D’Ouro têm todo</p><p>o tipo de vantagens, como lugare s preferenciais nas</p><p>salas de aula, com mais espaço para as pe rnas.</p><p>M</p><p>E</p><p>X</p><p>E</p><p>M</p><p>E</p><p>X E</p><p>C</p><p>L</p><p>U</p><p>B</p><p>E</p><p>A</p><p>S</p><p>A S</p><p>D</p><p>’</p><p>O</p><p>U</p><p>R</p><p>O</p><p>37</p><p>Mas nem toda a gente ficou muito contente com</p><p>isso, porque agora há quem tenha menos espaço.</p><p>Em Geometria, a sala já não era muito gra nde,</p><p>e para arranjar mais espaço para os Asas D’ Ouro,</p><p>tiveram de remover uma fila inteira.</p><p>Isso significa que alunos como e u, que se se ntavam na</p><p>última fila, se ntam-se no aquecedo r. E aquilo aquece</p><p>tanto que se e stivermo s quieto s muito tempo, o no sso</p><p>rabo pode começar a arder. Po r isso, tenho de mudar</p><p>de uma náde ga para a outra de ve z em quando .</p><p>QUENTE</p><p>QUENTE!</p><p>38</p><p>Mas não é só do espaço a mais para as per nas qu e</p><p>nós temos inveja. Os Asas D ’ O u r o recebem s nacks</p><p>e bebidas durante as aulas, e estão proibidos d e os</p><p>partilharem connosco.</p><p>Quando não estão nas aulas, os Asas D’Ou ro</p><p>também podem usar a sala dos professores. M as ouvi</p><p>dizer que os professores não acharam muita piad a a</p><p>essa parte do programa.</p><p>G</p><p>O</p><p>L</p><p>E</p><p>A</p><p>M</p><p>E</p><p>N</p><p>D</p><p>O</p><p>I</p><p>N</p><p>S</p><p>39</p><p>Não me chateia que esses miúdos usem a sala dos</p><p>professores, mas tenho inveja que usem a casa d e</p><p>banho deles. Ouvi dizer que é individual e eu p rezo</p><p>muito a minha privacidade quando vo u à casa de banho.</p><p>Os Asas D ’ O u r o até t êm uma entrada separad a</p><p>para quando chegam à escola, e não têm de p assar</p><p>pela segurança.</p><p>A</p><p>B</p><p>A N</p><p>A</p><p>A</p><p>B</p><p>A N</p><p>A</p><p>EU CÁ NÃO ENTRA V A</p><p>ALI DURANTE UM</p><p>BOCADO.</p><p>R A I O - X</p><p>F AIXA RÁPID A</p><p>40</p><p>A acre scentar a tudo isto , o s Asas D ’ O u r o também</p><p>podem sair da esco la antes de toda a gente.</p><p>E mesmo sendo só cinco minuto s antes, já lhes dá</p><p>tempo para ganhare m um bo m avanço so bre o s bullie s .</p><p>T o d a a g e n t e q u e r f a z e r p a r t e d o s A s a s D ’ O u r o ,</p><p>m a s n ã o é f á c i l e n t r a r . É p r e c i s o t e r n o t a</p><p>m á x i m a a t o d a s a s d i s c i p l i n a s e h á p o u c o s m i ú d o s</p><p>i n t e l i g e n t e s o s u f i c i e n t e p a r a c o n s e g u i r e m e s s e</p><p>b r i l h a r e t e .</p><p>Alguns têm feito batota para tentar ter melhores</p><p>notas. E também têm inventado formas muito</p><p>imaginativas para o conseguir.</p><p>41</p><p>Em Geometria, o Adam Katz escreveu uma série</p><p>de equações na parte de trás do rótulo da sua</p><p>garrafa de água, para poder copiar durant e o</p><p>teste. E até se podia ter safado, se não t ivesse</p><p>agido de forma tão óbvia.</p><p>Em Ciências, o Damon Fell fez mesmo um braço</p><p>falso, que pôs em cima da secretária durant e o</p><p>teste. Enquanto isso, procurava as resposta s</p><p>no telemóvel que tinha na mão,</p><p>DEBAIXO</p><p>da</p><p>secretária. Só foi apanhado porque recebeu uma</p><p>notificação a meio do teste.</p><p>T</p><p>L</p><p>I</p><p>M</p><p>!</p><p>42</p><p>Alguns colegas até se juntam para copiar. Em</p><p>História, um grupo de miúdas escreveu o nome das</p><p>batalhas mais importantes da Guerra Civil n a nuca,</p><p>e depois só tinham de afastar o cabelo durante o</p><p>teste para as outras verem.</p><p>E em Inglês, um grupo de miúdos criou um sistema</p><p>louco de comunicarem as respostas uns aos outros</p><p>usando código morse com a ponta das canetas,</p><p>mas ninguém me deixou fazer parte do esquema.</p><p>E</p><p>S</p><p>C</p><p>R</p><p>E</p><p>V</p><p>E</p><p>C</p><p>L</p><p>A</p><p>C</p><p>K</p><p>E</p><p>S</p><p>C</p><p>R</p><p>E</p><p>V</p><p>E</p><p>C</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L</p><p>A</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L I</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>K</p><p>C</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>K</p><p>43</p><p>O copianço tornou-se um problema tão grand e qu e</p><p>hoje houve reunião geral na escola para resolvê-lo.</p><p>Convidaram um tipo chamado Clarence Cluster que foi</p><p>lá dizer que tinha co meçado a copiar na escola básica</p><p>e que isso lhe tinha arruinado a vida toda. E acho que</p><p>aquela co nfissão acabo u por abalar me smo alguns miúdo s.</p><p>Mas e u tenho 9 0 % de ce rteza de que o nome de ste</p><p>tipo nem seque r era Clare nce Cluster e que ele e ra só</p><p>um ator contratado pe la e scola para no s assustar.</p><p>44</p><p>Até porque ele era igualzinho a uma das</p><p>personagens de um jantar com peça de teatro a qu e</p><p>a minha família assistiu durante o verão.</p><p>Se a escola que ria mesmo co nvencer-nos de que a</p><p>desonestidade po de arruinar-nos a vida, deviam</p><p>ter convidado para uma palestra o primeiro diretor</p><p>desta</p><p>escola, o Larry Mack. Mas provavelme nte não</p><p>puderam fazê-lo po rque ele ainda está na prisão .</p><p>Se o nome Larry Mack vos parece familiar, é porque</p><p>a família dele tem um concessionário enorme de</p><p>compra e venda de automóveis.</p><p>BEM-VINDOS!</p><p>BEM-VINDOS!</p><p>45</p><p>E ele ainda aparece num monte de cartazes qu e</p><p>ninguém se preocupou em retirar.</p><p>Mas o Larry Mack não começou logo no neg ócio dos</p><p>automóveis. Foi diretor da escola durante de z anos e</p><p>depois, quando ficou famoso à conta do seu negócio,</p><p>batizaram a escola com o seu nome.</p><p>Diz c’o</p><p>LARRY</p><p>te</p><p>mandou!</p><p>E S C O L A L A R R Y M A C K</p><p>46</p><p>Ele era tão popular que até fizeram uma estátu a</p><p>sua, que foi colocada no pátio da frente da escola.</p><p>Mas depois de ter inaugurado o seu quinto concessionário ,</p><p>alguns jo rnalistas co meçaram a investigar, te ntando</p><p>descob rir on de t in ha el e a rra n ja do o din heiro pa ra começ a r</p><p>o seu ne gócio. Faze ndo algum trabalho de de te tive,</p><p>perceberam que ele tinha ro ubado a esco la durante</p><p>anos. Naque la altura, foi um escândalo eno rme .</p><p>F I M D A</p><p>L I N H A P A R A</p><p>E X - D I R E T O R</p><p>O J ornal Diário</p><p>47</p><p>Daquilo que ouvi, a polícia prendeu-o no seu</p><p>concessionário, mesmo a meio de uma venda.</p><p>Depois disso , a e scola re tiro u a e státua o u, pe lo</p><p>menos, a parte dela que represe ntava o Larry Mack.</p><p>A única pro va de que e le alguma ve z e steve ali são o s</p><p>se us sapato s, que não conseguiram tirar do pedestal.</p><p>Diz c’o LARRY te mandou!</p><p>48</p><p>No entanto, nunca mudaram o nome da escola.</p><p>Acho que é porque algumas pessoas gostam de estar</p><p>ligadas a al guém famoso, mesmo que essa pes soa seja</p><p>famosa por ter feito uma coisa horrível.</p><p>Seria de acreditar que as pessoas da minha vi la</p><p>sentissem vergonha de ter o nome de um esc roque</p><p>na sua escola, mas ninguém parece muito inco modad o</p><p>com isso. Até a mascote da escola, o Saltea dor,</p><p>foi inspirada no Larry Mack.</p><p>B OR A , S AL T E AD O R E S!</p><p>BO</p><p>R</p><p>O</p><p>U</p><p>B</p><p>A</p><p>A</p><p>B</p><p>O</p><p>L</p><p>A</p><p>!</p><p>49</p><p>Mas o facto de ter acabado na prisão não impediu</p><p>o Larry Mack de continuar a fazer dinheiro .</p><p>Escreveu uma auto biografia que parece que ve ndeu um</p><p>monte de exemplares. Se i que a minha esco la compro u</p><p>pe lo me no s cinquenta porque o cupam duas prate leiras</p><p>inteiras na secção Larry Mack na biblioteca.</p><p>O GUIA</p><p>Como T</p><p>er Sucesso na</p><p>Vida e nos Negócios</p><p>50</p><p>Um miúdo chamado Albe rt Sandy, que costuma se ntar - se</p><p>ao pé de mim durante o almo ço, disse que ele só uso u</p><p>MET ADE</p><p>do dinheiro que roubou para começar o</p><p>negócio, e que enterrou o resto debaixo da escola.</p><p>Isto entusiasmou toda a gente e houve quem</p><p>começasse a trazer ferramentas de casa para</p><p>tentar encontrar o tesouro secreto do Larr y Mack.</p><p>C</p><p>L</p><p>O</p><p>N</p><p>C</p><p>C</p><p>R</p><p>A</p><p>C</p><p>C</p><p>R</p><p>A</p><p>C</p><p>T</p><p>U</p><p>N</p><p>G</p><p>T</p><p>U</p><p>N</p><p>G</p><p>51</p><p>A semana passada, um miúdo chamado Danny T ang</p><p>pensou que o dinheiro poderia estar e scondido dentro</p><p>das</p><p>P AREDES</p><p>. Por isso, abriu um buraco na parede</p><p>por trás do seu cacifo, para ver o que encontrava.</p><p>Infelizmente para mim, o cacifo do Danny é</p><p>do outro lado do</p><p>MEU</p><p>e agora não há nada a</p><p>separá - los.</p><p>52</p><p>Para piorar as coisas, outros miúdos perceberam qu e</p><p>o buraco entre os nossos cacifos era um bom atalho</p><p>entre a ala A e a ala B da escola. Agora, semp re</p><p>que abro o meu cacifo nos intervalos das aulas há</p><p>uma fila de gente à espera para passar.</p><p>O Danny decidiu que podia fazer algum dinhei ro</p><p>com a situação e começou a cobrar aos colegas para</p><p>utilizarem o atalho através do seu cacifo. Bem,</p><p>isso deu a outros miúdos a ideia de criarem os seus</p><p>PRÓPRIOS</p><p>atalhos.</p><p>T</p><p>C</p><p>H A</p><p>C</p><p>B</p><p>O N</p><p>C</p><p>53</p><p>Mas nem todos os cacifos têm um cacifo do o utro</p><p>lado da parede. E o Christian McKay descobri u da</p><p>pior maneira que o seu cacifo partilhava a pa rede</p><p>com a casa de banho privada do diretor.</p><p>Depois disso, o diretor Bottoms disse «Basta! »,</p><p>e agora estamos proibidos de levar qualquer ti po</p><p>de ferramenta de construção para a escola,</p><p>o que significa que todas as manhãs demoramos o</p><p>DOBR O</p><p>do tempo a passar pela segurança.</p><p>B</p><p>O</p><p>N</p><p>C</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>N</p><p>A</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>N</p><p>A</p><p>54</p><p>Sexta-feira</p><p>Acontece que o diretor Bottoms estava apenas a</p><p>começar no que diz respeito a regras, porque agora</p><p>há mais um</p><p>MONTE</p><p>delas.</p><p>A última regra é que, se estivermos nos corredor es</p><p>durante o tempo das aulas, temos de ter um p asse.</p><p>E até consigo perceber o porquê desta mudança d o</p><p>diretor Bottoms porque, às vezes, parece qu e há</p><p>mais alunos nos corredores do que nas salas de au la .</p><p>Mas assim que o diretor Bottoms criou esta nov a</p><p>regra, os miúdos começaram a fazer os seus</p><p>PRÓPRIOS</p><p>passes, e os vigilantes dos corredor es</p><p>não conseguiam distinguir os que eram verdad e iros</p><p>dos que eram falsos.</p><p>P</p><p>ASSE</p><p>P</p><p>ASSE</p><p>P</p><p>ASSE</p><p>55</p><p>Então o diretor Bottoms criou uma nova regra</p><p>em que cada professor tinha de ter o seu próp rio</p><p>passe, que os alunos não conseguissem falsificar.</p><p>Agora, o passe da pro fessora Lefrere é um dicionário</p><p>Francês-Inglês e o passe do professor Ball é uma</p><p>sapatilha de basquetebol usada, tamanho 44 .</p><p>O passe do professo r Rask é um esque leto humano</p><p>completo, que temos de prende r ao pulso co m e lástico s.</p><p>A</p><p>R</p><p>G</p><p>H</p><p>L A B O R A T Ó R I O</p><p>D E</p><p>C I Ê N C I A S</p><p>56</p><p>Eu já decidi que não vale a pena pedir ao</p><p>professor Rask para ir à casa de banho durante</p><p>as suas aulas porque toda a experiência é demasi ado</p><p>embaraçosa.</p><p>E por falar em casa de banho, também há u ma</p><p>nova regra sobre quanto tempo podemos estar lá</p><p>dentro.</p><p>Parece que os professores se queixaram de qu e os</p><p>alunos ficavam demasiado tempo na casa de b anho,</p><p>por isso a nova regra é que temos de entrar e sai r</p><p>lá de dentro em menos de um minuto. Até fi zeram</p><p>uma reunião especial para nos explicarem como te r</p><p>tudo despachado em sessenta segundos.</p><p>57</p><p>Uma coisa é fazer uma regra, outra é garanti r qu e</p><p>a cumprem. A escola nomeou uma série de miúdos</p><p>para serem vigilantes de casa de banho e de u-lhes</p><p>apitos e cronómetros e tudo.</p><p>Mas todos os vigilantes acabaram por se dem itir,</p><p>porque as pessoas não gostam de ser apress adas</p><p>quando estão a tentar fazer as suas necessid ades.</p><p>P</p><p>R</p><p>R I</p><p>I</p><p>I</p><p>F A Z O Q U E</p><p>P R E C I S A S</p><p>L A V A A S</p><p>M Ã O S</p><p>V A I E M B O R A</p><p>58</p><p>Depois de desaparecem os vigilantes, os miúdos</p><p>passaram a ficar na casa de banho mais tempo d o</p><p>que nunca. O Chris Kodiak, cujo pai é barb eiro,</p><p>até começou um negócio na casa de banho da ala A .</p><p>A e scola acabou por tirar o s e spe lhos de</p><p>TODAS</p><p>as</p><p>casas de banho para ver se nos despachávamo s mais</p><p>depressa. E agora tenho de co nfiar no me u melhor</p><p>amigo Rowley para me dizer se te nho algo no nariz.</p><p>VERIFICA</p><p>MACACOS!</p><p>B</p><p>Z</p><p>Z</p><p>Z</p><p>59</p><p>Não se i como é na casa de banho das raparigas,</p><p>mas a dos rapazes é um zoo comple to. A mim pare ce -</p><p>- me que isso aco nte ce por se r o único sítio de to da a</p><p>escola que não é vigiado por adulto s.</p><p>Mas de vez em quando um dos professores ap arece</p><p>de surpresa e manda-nos a todos parar com a</p><p>coboiada.</p><p>S</p><p>P</p><p>L</p><p>A</p><p>A</p><p>S</p><p>H</p><p>EI! P AREM COM</p><p>EST A REBALDARIA!</p><p>60</p><p>Mas na ala B só há professo ras, po r isso os rapaze s</p><p>sabem que podem fazer as maluqueiras todas na casa</p><p>de banho que não virá ninguém mandá-los parar co m</p><p>a confusão. E aquilo fica realme nte tão desco ntro lado</p><p>que e u só lá vo u quando é me smo urgente.</p><p>Há pouco tempo, aquilo estava tão fora de controlo</p><p>que a professora Lackey entrou para acabar com a</p><p>confusão. Mas como teve de usar uma venda para</p><p>ter a certeza de que não violava a privacida de de</p><p>nenhum aluno, ninguém ficou em sarilhos.</p><p>Depois disso , as coisas ficaram pior que nunca lá dentro .</p><p>61</p><p>Na quarta-feira, o Justin Murdock foi chamad o</p><p>ao gabinete</p><p>do diretor por ter escrito na pa re de</p><p>da casa de banho com um marcador. E na qu inta -</p><p>- feira, o Jorge Cantos arranjou sarilhos por se ter</p><p>pendurado numa porta, deixando-a toda dobrad a.</p><p>O Justin e o Jorge ficaram de castigo, e to do o</p><p>pessoal ficou paranoico porque acharam que havia um</p><p>bufo no meio deles.</p><p>C</p><p>R</p><p>A</p><p>C</p><p>C</p><p>62</p><p>No entanto, acabaram por descobrir como foram</p><p>apanhados.</p><p>Há um dispensado r metálico de papel na casa de banho</p><p>da ala B e, se e stive rmo s no corre do r, conseguimo s</p><p>ver o que se passa lá dentro olhando para o re flexo</p><p>no metal. E foi assim que as pro fe ssoras apanharam</p><p>o Justin e o Jo rge a fazerem asneiras.</p><p>O problema é que o reflexo é baço, por isso , ainda</p><p>que as professoras consigam ve r</p><p>MAIS</p><p>OU</p><p>MENOS</p><p>o que se passa na casa de banho, a visão não é</p><p>perfeita. E foi assim que eu fui parar ao gabi nete</p><p>do diretor por algo que nem sequer fiz.</p><p>AHA!</p><p>RAP AZES</p><p>63</p><p>O diretor Bottoms disse-me que uma professora f e z</p><p>queixa de mim por ter partido o manípulo do u rinol.</p><p>E tenho a certeza de que o miúdo que o par ti u foi</p><p>o Marty Vinson porque o ouvi a gabar-se disso no</p><p>refeitório.</p><p>Mas eu não ia denunciar o Marty Vinso n porque ele</p><p>é o tipo de pe ssoa que pode tornar a nossa vida num</p><p>inferno. Portanto , deixei-me ficar ali se ntado enquanto</p><p>o diretor Bo tto ms me massacrava por ser um vândalo.</p><p>S</p><p>P</p><p>L</p><p>A</p><p>S</p><p>H</p><p>64</p><p>O diretor Bottoms fez-me preencher um for mulário</p><p>de autoavaliação, outra das suas novas políti cas.</p><p>Só posso dizer que espero que isto não acab e no</p><p>meu registo pessoal porque já lá tenho mau material</p><p>que chegue e não preciso de mais.</p><p>E S C O L A L A R R Y M A C K</p><p>F o r m u l á r i o d e A u t o a v a l i a ç ã o</p><p>T i p o d e i n f r a ç ã o :</p><p>C o m o a c o n t e c e u ?</p><p>C o m o s e s e n t i r a m o s s e u s c o l e g a s d e t u r m a ?</p><p>C o m o p o d e s e v i t a r e s t e c o m p o r t a m e n t o</p><p>n o f u t u r o ?</p><p>partir o manípulo do urinol</p><p>não faço ide ia</p><p>Eles acharam bastante</p><p>hilariante</p><p>p u x a r o m a n í p u l o m a i s s u a v e m e n t e</p><p>65</p><p>Quinta-feira</p><p>Acho que o diretor Bottoms foi longe demais com as</p><p>novas regras, porque os alunos estão a começa r a</p><p>ripostar. Não por causa dos passes nem das regras</p><p>da casa de banho. Po r causa do s cacho rro s-de-caramelo.</p><p>Se nunca ouviram falar de cachorros-de-caramelo é</p><p>porque só existem na minha escola. Isto acontece</p><p>porque fomos nós que os inventámos.</p><p>Na verdade , fo ram inventado s por acaso . O ano</p><p>passado , a esco la te nto u dispo nibilizar re fe ições mais</p><p>saudáve is ao almoço e substituiu as salsichas de carne</p><p>dos cachorro s-quentes po r outras de to fu. E digamo s</p><p>que não foram um grande sucesso entre os aluno s.</p><p>B</p><p>L H</p><p>E</p><p>C</p><p>!</p><p>66</p><p>A escola ficou com centenas de cachorros de tof u</p><p>que ninguém queria, e planeou deitá-los fora .</p><p>Mas quando uma das senhoras do refeitório, a S ra.</p><p>Podsner, foi deitá-los no lixo, uma das salsichas</p><p>de tofu caiu num tacho onde estava a ser fe ito</p><p>caramelo quente para o bar de gelados daquele d ia.</p><p>Como ficou curiosa, a Sra. Podsner provou a salsi cha</p><p>de tofu coberta de caramelo. E quando o fez,</p><p>percebeu que tinha acabado de inventar to do um novo</p><p>conce ito alimentar.</p><p>P L</p><p>O</p><p>P</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>S</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>67</p><p>Uns dias depois, os cachorros-de-caramelo es ta vam</p><p>oficialmente na ementa. E a partir do momento em</p><p>que foram postos à venda, foram um êxito t otal.</p><p>Na verdade, eram tão populares que os miúdos</p><p>que almoçavam nos dois primeiros turnos comp ravam</p><p>todos os cachorros-de-caramelo e depois revend iam -</p><p>- nos mais caros aos miúdos que vinham almoçar a</p><p>seguir. O Ricky Fisher fez um dinheirão com isso.</p><p>A Q U I !</p><p>C A</p><p>C</p><p>H</p><p>O</p><p>R R O S</p><p>-</p><p>D</p><p>E</p><p>-</p><p>C</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>M</p><p>E</p><p>L</p><p>O</p><p>68</p><p>As vendas do refeitório subiram 60 % e a escola</p><p>até fez uma reunião geral onde a Sra. Pods ner</p><p>recebeu o merecido reconhecimento.</p><p>Ago ra até temos as Sextas do Cacho rro-de-Carame lo,</p><p>em que na compra de dois recebemos um grátis.</p><p>E temos acesso a todos os tipos de coberturas,</p><p>como pepitas coloridas ou gomas em miniatura .</p><p>O B R I G A D A , S r a . P o d s n e r !</p><p>E</p><p>N</p><p>F</p><p>I</p><p>A</p><p>69</p><p>A escola até organizou um Festival de Outono d o</p><p>Cachorro-de-Caramelo, onde havia todo o tipo de</p><p>atividades sobre o tema para toda a família.</p><p>Eu e o Rowley entrámos no concurso da tor re</p><p>de salsichas de caramelo, mas quando ela chegou</p><p>a 1,20 m de altura, colapsou.</p><p>PA L H AÇ O</p><p>DE C A R A MEL O</p><p>A</p><p>T</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>70</p><p>Algumas escolas próximas ouviram falar nos n ossos</p><p>cachorros-de-caramelo e tentaram criar os seus</p><p>próprios. Mas parece que usaram salsichas de carne</p><p>e não era a mesma coisa.</p><p>Alguns alunos de Slackville chegaram mesmo a invadir a</p><p>nossa escola num do mingo à noite para roubarem a nossa</p><p>re ceita secre ta. Mas, fe lizmente, a Sra. Po dsner e stava</p><p>a faze r uma noitada para pre parar os cacho rros - de -</p><p>- carame lo dessa semana, e apanhou-o s em flagrante .</p><p>71</p><p>Os cacho rro s-de -c arame lo to rnaram-se tão impo rtante s</p><p>na nossa escola que até substituímo s a nossa antiga</p><p>mascote po r uma chamada Caramelo. E ago ra as</p><p>o utras esco las odeiam vir jogar basque te bol connosco.</p><p>T oda a gente adora os cachorros-de-caramelo.</p><p>Portanto, conseguem imaginar o choque que foi</p><p>chegar à escola na segunda-feira e descobrir qu e os</p><p>cachorros-de-caramelo tinham sido cancelados .</p><p>A</p><p>P</p><p>E</p><p>R</p><p>T</p><p>A</p><p>LAMENT AMOS,</p><p>NÃO HÁ</p><p>CACHORR OS -</p><p>- DE - CARAMEL O</p><p>72</p><p>O diretor Bottoms foi o responsável pela de cisão.</p><p>A escola contratou uma empresa para ajudar a</p><p>perceber porque tinham caído tanto os nossos</p><p>resultados escolares e esta concluiu que a raiz d o</p><p>problema eram os cachorros-de-caramelo.</p><p>Pa rece q ue a s ida s à en ferma ria su b ira m est ron dosa men t e</p><p>desde que os cachorros-de-caramelo aparecer am,</p><p>e os alunos andavam a faltar a demasiadas a ulas.</p><p>E N F E R M A R I A</p><p>C O N S U M O D E</p><p>C A C H O R R O S - D E -</p><p>- C A R A M E L O</p><p>R E S U L T A D O S</p><p>E S C O L A R E S</p><p>73</p><p>Pessoalmente, nunca fiquei maldisposto por c ome r</p><p>um cachorro-de-caramelo, mas confesso que, quando</p><p>como mais do que um, não me sinto no meu melhor.</p><p>E muitos miúdos habituaram-se a dormir uma soneca</p><p>depois do almoço, especialmente nas Sextas do</p><p>Cachorro-de-Caramelo.</p><p>Ainda que toda a gente saiba que os cachorr os</p><p>não são lá muito bons para a saúde, foi um choque</p><p>quando foram banidos. E na segunda-feira os alu nos</p><p>organizaram uma marcha de pro testo contra a decisão.</p><p>R</p><p>O</p><p>N</p><p>C</p><p>A</p><p>C</p><p>a</p><p>c</p><p>h</p><p>o</p><p>r</p><p>r o</p><p>s d</p><p>e</p><p>V</p><p>o l</p><p>t a</p><p>!</p><p>74</p><p>O diretor Bottoms tentou acalmar as coisas</p><p>introduzindo um novo «prato fixe» no menu, e as</p><p>Sextas do Cachorro-de-Caramelo foram substi tu íd as</p><p>pelas Segundas do Macarrão.</p><p>A escola até pendurou cartazes nos corredores p ara</p><p>tentar entusiasmar o pessoal.</p><p>Quem e st a</p><p>’</p><p>pr on to p a r a</p><p>S</p><p>e</p><p>g u n</p><p>d</p><p>a</p><p>s</p><p>M</p><p>a</p><p>c</p><p>a</p><p>r</p><p>r a</p><p>~</p><p>o</p><p>?</p><p>EU!</p><p>as</p><p>do</p><p>75</p><p>Mas servir macarrão a um monte de adolescentes</p><p>zangados era estar mesmo a pedi-las.</p><p>As co isas ficaram tão desco ntroladas que o diretor</p><p>Bo tto ms te ve de reunir com a asso ciação de estudantes</p><p>para tentar chegar a uma solução co njunta.</p><p>Ele disse que reautorizaria os cachorro s-de-caramelo</p><p>se cada aluno ape nas co messe um por dia. Mas a</p><p>associação de e studante s respondeu que isso era</p><p>demasiado duro e que o limite devia se r do is por pessoa.</p><p>A</p><p>T</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>S</p><p>P</p><p>L</p><p>A</p><p>S</p><p>H</p><p>P</p><p>L</p><p>O</p><p>P</p><p>E</p><p>S</p><p>C</p><p>O</p><p>R</p><p>R</p><p>E</p><p>G</p><p>A</p><p>76</p><p>Portanto, chegaram a um meio-termo e concordaram</p><p>em um cachorro e meio por pessoa, por dia. E apesar</p><p>de ninguém ter ficado ficado completamente</p><p>satisfeito, pareceu um bom compromisso.</p><p>E se estão</p><p>a pensar no que acontece a todas as</p><p>metades que sobram, a Sra. Podsner criou um nov o</p><p>prato pela segunda vez em seis meses. O que só</p><p>pode ser um recorde.</p><p>A</p><p>P</p><p>E</p><p>R</p><p>T</p><p>A</p><p>H Á</p><p>A Q U I !</p><p>P</p><p>A</p><p>L</p><p>I T</p><p>O</p><p>S</p><p>D</p><p>E</p><p>N</p><p>O</p><p>V</p><p>O</p><p>C A R A M</p><p>E</p><p>L</p><p>O</p><p>77</p><p>Sexta-feira</p><p>Uma das razões pela qual os miúdos da minh a e scola</p><p>não levam os estudos muito a sério é a falta de</p><p>figuras de modelo.</p><p>A pesso a mais famosa que andou na nossa esco la fo i o</p><p>Larry Mack, que foi parar à prisão. E a</p><p>SEG UNDA</p><p>pessoa mais famosa é o seu filho, Larry Mack</p><p>Junior, que abandonou a escola para tomar c onta do</p><p>negócio da família quando o seu pai foi preso.</p><p>Mas duvido que ele esteja arrependido de não te r</p><p>acabado os estudos, porque, a julgar pelos seu s</p><p>anúncios, até está a sair-se muito bem.</p><p>N Ã O Q U E I M E S</p><p>O T E U P A P E L</p><p>E M N I N H A R I A S !</p><p>78</p><p>A sua família também pare ce estar toda bem na vida.</p><p>O Larry Mack J unio r te m uma data de filhos e usa-os</p><p>nos se us anúncios de televisão. E as pesso as adoram o</p><p>seu filho mais novo, o Larry Mack J unior J unio r.</p><p>Na verdade, tenho um bocado de pena do miúdo,</p><p>porque, com aquele nome, a sua única opção na vida</p><p>é tomar conta do negócio de carros quando o p ai</p><p>decidir reformar-se. O que quer que faça até lá</p><p>não interessa muito.</p><p>Acho uma loucura que os nossos pais decidam o nosso</p><p>nome mesmo antes de nós nascermos, já que d e pois</p><p>temos de ficar a vida toda agarrados a ele.</p><p>P I I I</p><p>P I I I !</p><p>79</p><p>A mim parece-me que devíamos conhecer a pessoa</p><p>antes de escolher um nome que funcione.</p><p>Em algumas culturas, espera-se um ano antes d e</p><p>decidir o nome definitivo das crianças. O que ai nda</p><p>assim não me parece tempo suficiente.</p><p>Porque se os meus pais tivessem escolhido o m eu nome</p><p>quando eu fiz um ano, teria acabado com um nome</p><p>bastante terrível.</p><p>Noutras culturas, deixam as crianças esco lher o s seus</p><p>PRÓ PRIOS</p><p>nomes quando já têm idade. Mas</p><p>também não me parece que isso seja uma grande ideia.</p><p>D E V Í A M O S</p><p>C H A M A R - L H E</p><p>G R E G B A R T O L O M E U</p><p>C O C O N A F R A L D A !</p><p>80</p><p>Porque se deixare m os miúdos da minha idade esco lhe rem</p><p>os seus próprios nomes, o mais certo é usarem os</p><p>nicknames dos videojogos como nome definitiv o.</p><p>Algumas pessoas mudam legalmente de nome, mas</p><p>não vejo porque havemos de passar por tod a</p><p>essa chatice. É que aposto que a minha famíl ia i a</p><p>continuar a tratar-me pelo meu nome antigo.</p><p>J Á T E</p><p>D I S S E Q U E É</p><p>« T E C N O L A S E R » !</p><p>Q U E R E S</p><p>M A I S P Ã O</p><p>D E A L H O ,</p><p>G R E G ?</p><p>Batatainofensiva_196 T intadeChoco Pédebolor_1989</p><p>81</p><p>Às vezes, pergunto-me se seria uma pessoa</p><p>completamente diferente se me tivessem dado u m</p><p>nome um bocadinho mais fixe.</p><p>Ou talvez o nosso nome não tenha nada que ve r co m</p><p>aquilo e m que nos to rnamos. Porque há uma miúda na</p><p>minha escola cujo nome é Anjo e isso não parece ter</p><p>feito grande dife rença no caso dela.</p><p>NOVO CAMPEÃO!</p><p>Brock Fortalhaço</p><p>Antes, o apelido das pessoas era basicamente</p><p>o nome da sua profissão. E embora assim fo sse</p><p>bastante simples, também devia tornar tudo ma is</p><p>difícil quando alguém queria mudar de trabalh o.</p><p>Hoje em dia, podemos ser o que quisermos, e eu</p><p>tenho grandes planos para vir a ter muito s ucesso e</p><p>reconhecimento.</p><p>O Q U E O F A Z C R E R Q U E</p><p>A G U E N T A E S T E T I P O D E</p><p>T R A B A L H O , S E N H O R A R T E S Ã O ?</p><p>C O N S T R U Ç Õ E S</p><p>P E S A D A S</p><p>D E C O M E D O R E S D E</p><p>5</p><p>.</p><p>o</p><p>C O N C U R S O A N U A L</p><p>C A M P E</p><p>83</p><p>Mas mesmo que eu fique famoso , vou ter muito cuidado</p><p>com a forma como o me u nome vai se r usado. Po rque a</p><p>última coisa que quero é que e le seja utilizado e m algo</p><p>que dê cabo da minha re putação .</p><p>Se eu fosse o Larry Mack Junior, não ia qu ere r</p><p>o meu sobrenome numa das piores escolas da cidade,</p><p>porque isso não pode ser bom para a reputação d o</p><p>concessionário, de certeza absoluta.</p><p>O mais incrível é que se o Larry Mack J unio r</p><p>devo lvesse uma parte do dinhe iro que o seu pai ro ubou</p><p>à e scola, podia ajudar-nos a dar a volta às coisas.</p><p>P</p><p>A</p><p>L</p><p>M</p><p>A S</p><p>P</p><p>A</p><p>L</p><p>M</p><p>A S</p><p>P</p><p>A L</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>L</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>EST A ÇÃ O DE TRA T AMENTO</p><p>DE ESGOTOS GREG HEFFLEY</p><p>84</p><p>Mas uma vez que a família se mudou de cá há</p><p>bastante tempo, é provável que o Larry Ma ck</p><p>Junior nunca mais tenha pensado na escola qu e tem</p><p>o nome do seu pai.</p><p>O v e r ã o p a s s a d o , o g o v e r n o d e c i d i u c o n s t r u i r u m</p><p>n o v o e s t á d i o d e b a s e b o l e , p a r a o p a g a r , t e v e</p><p>d e t i r a r d i n h e i r o a o s b o m b e i r o s , à b i b l i o t e c a e</p><p>à s e s c o l a s . E m u i t a g e n t e f o i p r o t e s t a r p a r a a</p><p>f r e n t e d o e s t á d i o p o r c a u s a d e s t e s c o r t e s n o s</p><p>o r ç a m e n t o s .</p><p>E</p><p>S</p><p>T</p><p>Á</p><p>D</p><p>I O</p><p>N</p><p>Ã</p><p>O</p><p>!</p><p>85</p><p>A pior parte é que, como a nossa escola teve</p><p>resultados tão maus nos testes globais, foi a qu ela</p><p>a que tiraram mais dinheiro. Portanto, parece qu e</p><p>agora vamos ter de fazer mais com menos.</p><p>O diretor Bottoms criou todo o tipo de novas</p><p>regras para ajudar a escola a poupar dinheiro,</p><p>começando por limitar a quantidade de mater iais qu e</p><p>cada aluno pode usar por semana.</p><p>Antigamente, quando precisávamos de agrafar algo</p><p>ou de usar clips, bastava pegar da secretár ia do</p><p>professor. Mas agora, cada aluno só tem dir eito</p><p>a dezanove agrafos e seis clips por semestre, mais</p><p>quatro passagens com o tubo da cola.</p><p>P a s s a g e n s</p><p>d e c o l a</p><p>C l i p s</p><p>A g r a f o s</p><p>86</p><p>Se precisarmos de mais do que isso, temos de traz e r</p><p>os materiais de casa. E o Ricky Fisher tem-se</p><p>aproveitado da situação porque a mãe dele trabalha</p><p>numa loja de material de escritório e ele con se gu e</p><p>descontos nos produtos.</p><p>Os aluno s não são o s únicos que têm me no s materiais</p><p>com que trabalhar. Cada pro fesso r só rece be um</p><p>marcado r po r se mana e , por isso, têm de os faze r</p><p>durar. Às ve zes, acho que a pro fesso ra de História</p><p>salta partes importantes só para po upar o marcador.</p><p>H I S T Ó R I A U N I V E R S A L</p><p>87</p><p>Quando alguma coisa se estraga na sala de a ula,</p><p>já ninguém se preocupa em arranjá-la. A s emana</p><p>passada, o afia-lápis estragou-se em Geomet ria,</p><p>e toda a gente teve de afiar os lápis com os dentes</p><p>para poder fazer o teste.</p><p>Ultimamente, o pessoal começou a dar os lápi s à</p><p>Ruby Bird e a</p><p>PEDIR-LHE</p><p>para os afiar. Ainda</p><p>não percebi muito bem como é que ela o faz.</p><p>Mas os materiais das aulas são só a ponta d o</p><p>icebergue, porque a escola está a tomar todo o tipo</p><p>de medidas para fazer o dinheiro esticar.</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>R</p><p>Ó</p><p>I</p><p>R</p><p>Ó</p><p>I</p><p>G</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>G</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>88</p><p>No início desta semana, a escola começou a d e sli gar</p><p>o aquecimento depois do almoço. E quando chegamos</p><p>ao fim da tarde, é bom que nos tenhamos le mbrado</p><p>de trazer o casaco do cacifo.</p><p>A única aula onde não congelamos é na de C iências,</p><p>e isso é porque temos acendido os bicos de Bu nse n</p><p>para nos mantermos quentes. Mas continuo</p><p>preocupado porque só temos gás suficiente p ara</p><p>mais uma semana ou duas.</p><p>T</p><p>R</p><p>E M</p><p>E</p><p>T</p><p>R</p><p>E M</p><p>E</p><p>A E M</p><p>AT É P O R</p><p>C O M</p><p>P R E P O S I Ç Õ E S</p><p>89</p><p>A escola também tem andado a economizar na</p><p>eletricidade. Para poupar dinheiro, desligara m as</p><p>luzes do teto na ala C, e à conta disso consegu imos</p><p>perceber quem são os miúdos que têm lá os s e us</p><p>cacifos, porque são os que entram nas aulas com as</p><p>pupilas dilatadas.</p><p>A única miúda que não parece ralar-se com a s lu zes</p><p>apagadas da ala C é a Evelyn Trimble, mas toda a</p><p>gente diz que ela provavelmente é uma vamp ira.</p><p>F</p><p>S</p><p>S</p><p>S</p><p>S</p><p>!</p><p>G</p><p>R</p><p>I</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>!</p><p>!</p><p>!</p><p>90</p><p>Outra fo rma que a esco la encontrou</p><p>para poupar algum</p><p>dinheiro foi cancelar o contrato com a empresa de</p><p>controlo de pragas. Portanto , agora, a acresce ntar a</p><p>tudo o resto , temos de lidar com baratas tão grandes</p><p>que as conseguimos ouvir a andar pela sala.</p><p>Ao princípio , se mpre que algum miúdo via uma barata,</p><p>pisava-a. Mas o s professore s de testavam po rque e ra</p><p>crue l e também porque de ixava o chão imundo .</p><p>A nova regra é que, quando vemos um bicho no chão,</p><p>temos de lhe pôr um copo em cima. E, em alguma s</p><p>aulas, temos meia dúzia de copos a andar pe lo chão</p><p>da sala.</p><p>P</p><p>A</p><p>S</p><p>S O</p><p>P</p><p>A</p><p>S</p><p>S O</p><p>P</p><p>A</p><p>S S</p><p>O</p><p>L</p><p>A</p><p>R</p><p>G</p><p>A</p><p>91</p><p>Normalmente, um dos funcionários recolhe tod os</p><p>os copos ao fim do dia e liberta os bichos lá f ora.</p><p>Mas parece que na quarta-feira o funcionári o</p><p>encarregado de recolher os copos ficou doent e,</p><p>e a equipa de limpeza apanhou um valente susto.</p><p>No entanto, as baratas não são o único ins eto a</p><p>dar problemas. Algumas abelhas conseguiram entrar</p><p>numa das salas da ala C e a direção acabou p or</p><p>decidir deixá-las ficar.</p><p>G</p><p>R</p><p>I</p><p>T</p><p>O</p><p>S !</p><p>92</p><p>Os insetos são irritantes mas, quanto a mim, os</p><p>R OEDORES</p><p>é que são o verdadeiro problema.</p><p>Desde que a escola cancelou o controlo de pr aga s,</p><p>tem havido ratos dentro dos nossos cacifos e , pior,</p><p>dentro das nossas lancheiras.</p><p>A situação é tão má que a escola teve de</p><p>implementar a regra de que toda a gente que traz</p><p>almoço o deve deixar na receção. Mas depois</p><p>acabamos por passar metade da hora de alm oço só</p><p>a tentar perceber qual é o nosso saco de pa pel.</p><p>C</p><p>H</p><p>E</p><p>I R</p><p>A</p><p>C</p><p>H</p><p>E</p><p>I R</p><p>A</p><p>93</p><p>O pior é que os miúdos que almoçam nos primei ros</p><p>turnos começaram a assaltar os nossos sacos e a</p><p>levar a nossa comida. E às vezes até trocam o qu e</p><p>não querem dos</p><p>SEUS</p><p>sacos pelas nossas co isas,</p><p>e foi assim eu acabei com um pickle em vez da minha</p><p>bolacha de chocolate.</p><p>Fartei-me de que as pessoas me roubassem a comida</p><p>e por isso decidi fazer qualquer coisa. Esta semana,</p><p>comecei a levar para a escola a lancheira</p><p>do Manny, que tem um cadeado.</p><p>P L</p><p>A</p><p>F</p><p>C</p><p>O</p><p>M</p><p>I</p><p>L</p><p>Õ</p><p>E</p><p>S</p><p>OS</p><p>94</p><p>Uns miúdos que almoçam mesmo antes de nós</p><p>ficaram curiosos com o conteúdo da minha lancheira</p><p>e tentaram abri-la à força. Mas acho que aqu e la s</p><p>caixas de metal são feitas para aguentar uma</p><p>verdadeira tareia, porque eles não chegaram p erto</p><p>de a abrir por mais que tivessem tentado.</p><p>T ambém não fez muita diferença. O meu lan che</p><p>desse dia era um saco de batatas fritas de cebola</p><p>com molho agridoce mas quando finalmente abri</p><p>a lancheira, as batatas estavam reduzidas a p ó.</p><p>P</p><p>U</p><p>M</p><p>B</p><p>A</p><p>95</p><p>Eu cá só queria que a escola conseguisse arr anjar</p><p>dinheiro para o controlo de pragas, porque, ao</p><p>tentarem resolver o problema sozinhos, criaram u ma</p><p>situação bastante perigosa.</p><p>A escola colocou armadilhas para ratos por tod o o</p><p>lado, e temos de ter imenso cuidado com os sítios</p><p>onde pomos as mãos, especialmente na bibliot eca.</p><p>Parece-me que a escola continua a tentar pou par</p><p>dinheiro em tudo o que pode. E a última coisa em</p><p>que começaram a cortar foi nas palestras.</p><p>Costumavam apostar imenso em palestras. No outono</p><p>passado, vieram três escritores diferentes e</p><p>também o ilustrador do Comando Crocodilo.</p><p>A</p><p>A</p><p>I</p><p>I</p><p>I I</p><p>I</p><p>!</p><p>T</p><p>R</p><p>Á</p><p>S</p><p>R O M A N C E</p><p>P O E S I A</p><p>96</p><p>Umas semanas depois disso, um tratador de animais</p><p>do zo ológico tro uxe -no s um monte de animais exótico s,</p><p>como pinguins e um croco dilo co m três metros.</p><p>E m fe ve re iro , tive mo s uma pale stra na qual um c ie ntista</p><p>com uma bata branca e óculo s de laboratório fe z uma</p><p>série de e xpe riências fixes no palco. E apesar de</p><p>parecere m perigo sas, fo ram me smo muito fixes.</p><p>Acontece que a escola já não tem dinheiro p ara</p><p>esse tipo de coisas, e agora as nossas palestras não</p><p>têm nada de entusiasmante.</p><p>F</p><p>L</p><p>U</p><p>U</p><p>U</p><p>S</p><p>H</p><p>97</p><p>A semana passada, tivemos uma palestra chamada</p><p>«Presidentes Vivos», e m que cada um fazia um discurso</p><p>sobre o seu tempo de pre sidência. Mas foi o mesmo ato r</p><p>que fez os papéis todos e te nho quase a ce rte za de</p><p>que era o mesmo que representou o Clarence Cluster.</p><p>E te ria sido melhor se não o tivessem deixado almo çar</p><p>no refe itório a se guir, porque, do meu po nto de</p><p>vista, acabou por estragar um pouco a magia da co isa.</p><p>D O I S P A L I T O S</p><p>D E C A R A M E L O ,</p><p>P O R F A V O R !</p><p>98</p><p>Na terça-feira, tivemos uma palestra que de u</p><p>que falar, mas pelas piores razões. O Randy,</p><p>da revista Répteis do Randy , deixou fugir u ma das</p><p>suas cobras, o que instaurou o pânico no gin ásio.</p><p>A boa notícia é que a cobra fo i vista no dia se guinte</p><p>num c o rre do r da e sc o la. M as ac ho que ninguém vai avisar</p><p>o Randy, porque aquela co isa está a dar conta do</p><p>nosso pro ble ma dos roedore s comple tamente so zinha.</p><p>G</p><p>R</p><p>I</p><p>T</p><p>O</p><p>S</p><p>!</p><p>!</p><p>!</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>L I</p><p>Z</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>L I</p><p>Z</p><p>A</p><p>99</p><p>Quinta-feira</p><p>T oda e sta questão finance ira está a to rnar-se muito</p><p>séria e o s pro fesso res co meçaram a ir-se embo ra.</p><p>Parece que estava previsto que a equipa de professore s</p><p>fosse aumentada nesta primavera. Mas quando o</p><p>professor Bottoms lhes disse que o aumento não ia</p><p>acontecer, alguns deles despediram-se na hora.</p><p>Então , de repente, de ixei de ter pro fe sso ra</p><p>de História. Por isso, a escola nomeou o Leonard Burry</p><p>para no s ensinar, uma ve z que e le reprovo u duas</p><p>vezes e este é o terceiro ano que tem e sta disciplina.</p><p>R</p><p>e v</p><p>o</p><p>l</p><p>u</p><p>c</p><p>,</p><p>a</p><p>o</p><p>I</p><p>n</p><p>d u</p><p>s</p><p>t</p><p>r</p><p>i</p><p>a</p><p>l</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>e</p><p>,</p><p>o</p><p>u</p><p>n</p><p>a</p><p>I</p><p>n</p><p>g</p><p>l</p><p>a t e r</p><p>r</p><p>a</p><p>a s p e</p><p>s</p><p>s</p><p>o</p><p>a</p><p>s</p><p>m</p><p>u d a</p><p>r</p><p>a</p><p>m</p><p>s</p><p>e</p><p>p a r a a c i d a d e</p><p>100</p><p>O professo r Frum também se despediu, o que significa</p><p>que agora a professo ra Lackey é a única professo ra</p><p>de Geografia do nosso ano. Portanto, a escola</p><p>derrubou a parede que divide as salas para qu e e la</p><p>consiga ensinar o dobro dos alunos ao mesmo tempo.</p><p>Mas mesmo de po is de alguns professo res te rem saído</p><p>por iniciativa própria, a e scola ainda fez mais corte s</p><p>no pessoal. Passaram a pro fe sso ra Masie de ho rário</p><p>a tempo inteiro para ape nas três dias por semana,</p><p>e mandaram e mbo ra uma das duas enfe rmeiras.</p><p>A U M E N T O D A P O P U L A Ç Ã O</p><p>E U R O P A</p><p>M U N D O</p><p>101</p><p>A no va re gra é que só po de mo s ir à enfermaria se</p><p>for para qualquer co isa urgente, tipo uma emergência</p><p>médica. E todas as salas têm um cartaz ao lado da</p><p>porta para avaliarmo s se a no ssa situação o justifica.</p><p>A meu ver, a nova orientação é razoável porqu e</p><p>tenho a certeza de que alguns miúdos só iam à</p><p>enfermaria para poderem sair das aulas.</p><p>P r e c i s a s m e s m o</p><p>d e i r à e n f e r m a r i a ?</p><p>Por favor, não saias da aula se tiveres:</p><p>n a r i z a p i n g a r</p><p>u n h a p a r t i d a</p><p>c o r t e d e p a p e l</p><p>b o l h a s</p><p>b o r b u l h a s</p><p>s o l u ç o s</p><p>P A R A !</p><p>102</p><p>Outros miúdos usavam a enfermeira como uma</p><p>psicóloga grátis. Ouvi dizer que o David Sne ed</p><p>usava as visitas à enfermaria para falar sobr e o se u</p><p>medo de supervulcões subterrâneos.</p><p>Agora, todos os profe ssores têm de tratar pequenas</p><p>ocorrências médicas na sala de aula, o que r ouba</p><p>imenso tempo ao seu verdadeiro trabalho. Ontem,</p><p>a professora Pritchard passou a aula toda a pôr</p><p>pensos rápidos em alunos que se cortaram a fazer</p><p>aviões de papel quando ela saiu uns minutos.</p><p>A</p><p>P</p><p>E</p><p>R</p><p>T</p><p>A</p><p>103</p><p>Mas os profe ssore s não são médicos, e não me agrada</p><p>nada a ide ia de alguém que não é qualificado me</p><p>tratar da saúde. Por isso , quando fique i com uma lasca</p><p>de madeira no rabo por fazer abdo minais no chão do</p><p>ginásio, esperei até che gar a casa para tratar disso.</p><p>As pessoas mais afetadas por todos estes cortes</p><p>orçamentais fo ram o s funcionários da manutenção da</p><p>esco la, cuja equipa foi reduzida de dez para três pessoas.</p><p>A parte pior é que os funcionários que foram despedidos</p><p>fo ram substituídos por uma máquina que limpa o chão .</p><p>A</p><p>U</p><p>T</p><p>C</p><p>H</p><p>!</p><p>T T R R R</p><p>104</p><p>A e scola co mprou um robô em segunda mão a uma</p><p>merce aria da zona. Ao princípio, o s miúdo s se ntiam - se</p><p>intimidados ao passar por uma máquina se m rosto ,</p><p>pelo que a esco la lhe colo u uns o lhos arregalado s,</p><p>para fazê-la pare cer um pouco mais humana. Mas cá</p><p>para mim, aquilo torna-a ainda mais esquisita.</p><p>E não sei se é assim uma grande ideia ter uma</p><p>máquina que limpa tudo por nós. É que agora tod a</p><p>a gente se limita a atirar o lixo para o chão,</p><p>porque sabem que o robô vem e apanha.</p><p>T T R R R</p><p>A</p><p>T</p><p>I</p><p>R</p><p>A</p><p>105</p><p>Além disso, não são só os alunos. Os professore s</p><p>têm aproveitado ao máximo terem um robô d e</p><p>limpeza na escola, e tenho quase a certeza d e qu e a</p><p>professora Lackey até tem trazido lixo de casa.</p><p>T ambém me parece que foi um erro pôr olhos no</p><p>robô, porque agora ele acha que é uma pess oa a</p><p>sério. Ultimamente, tem fugido do seu traba lho</p><p>para assistir às aulas. E podia jurar que ontem ele</p><p>estava a copiar por mim no teste de Ciência s.</p><p>S</p><p>A</p><p>C O</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>106</p><p>Só espero que aquela coisa não se to rne e spe rta</p><p>DEMAIS.</p><p>Porque não seria nada bom se agora as</p><p>máquinas co meçassem a ficar com os empregos.</p><p>Mas o robô não é o único fornecedor de tra balho</p><p>gratuito que a escola arranjou. T ambém consegu iram</p><p>que a prisão local nos fize sse mobiliário. E não</p><p>é que esteja a queixar-me, mas as pernas de trás</p><p>da minha cadeira em Geografia têm à vonta de</p><p>menos 15 centímetros do que as da frente.</p><p>L</p><p>I</p><p>M</p><p>P</p><p>A</p><p>L</p><p>I</p><p>M</p><p>P</p><p>A</p><p>D I R E T O R</p><p>107</p><p>Alguns dos presidiários escrevem os seus nomes</p><p>nas mobílias que fazem. E um tipo chamado Ju stin</p><p>gravou uma nota na minha mesa que me deixa tri ste</p><p>de cada vez que a leio.</p><p>Às vezes, até fazem desenhos na mobília. E algu ém</p><p>desenhou todo um plano de fuga na parte da</p><p>frente da secretária do professor Rask, e dep ois a</p><p>escola teve de a mandar pintar.</p><p>T O R R E D E V I G I A</p><p>B L O C O D E C E L A S</p><p>V E D A Ç Ã O</p><p>S A L A D E</p><p>C O N V Í V I O</p><p>C</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>Q</p><p>U</p><p>I</p><p>P</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>a</p><p>m</p><p>i</p><p>n</p><p>h</p><p>a</p><p>m</p><p>a</p><p>e</p><p>p</p><p>a</p><p>r</p><p>a</p><p>m</p><p>e</p><p>l i</p><p>g</p><p>a</p><p>r ,</p><p>p</p><p>o</p><p>r f</p><p>a</p><p>v</p><p>o r</p><p>.</p><p>108</p><p>M A I O</p><p>Quarta-feira</p><p>A escola chegou à conclusão de que as medidas</p><p>para poupar dinheiro não chegam, e agora and a</p><p>à procura de formas de</p><p>GANHAR</p><p>dinheiro. E a</p><p>primeira ideia do diretor Bottoms foi o Clube Asas</p><p>D’Ouro de Platina.</p><p>O níve l Platina é igual ao nível no rmal do Clube A s a s</p><p>D ’ O u r o , mas a grande dife rença é que não é pre ciso</p><p>ter bo as notas para se ser membro. Só te mo s de</p><p>estar disposto s a largar mensalmente 12,9 9 dólares.</p><p>C</p><p>L</p><p>U</p><p>B</p><p>E</p><p>A</p><p>S</p><p>A</p><p>S</p><p>D</p><p>’</p><p>O</p><p>U</p><p>R</p><p>O</p><p>P</p><p>L</p><p>A</p><p>T I</p><p>N</p><p>A</p><p>109</p><p>Ou temos de ter</p><p>P AIS</p><p>dispostos a pagarem essa</p><p>mensalidade. O Stephen Birch tem sorte porqu e os</p><p>pais ganham pipas de massa com o seu negóc io de</p><p>construção, já que, com as notas que ele tem, não</p><p>tinha qualquer hipótese de entrar no clube.</p><p>Eu tentei convencer os</p><p>MEUS</p><p>pais a inscrev e rem -</p><p>- me no nível Platina, mas quando a mãe diss e qu e eu</p><p>podia ficar no clube Platina se desistisse do clu be de</p><p>videojogos, mudei imediatamente de ideias.</p><p>B AT AT A S</p><p>FRIT AS</p><p>D</p><p>O</p><p>C</p><p>E</p><p>S</p><p>2 m</p><p>110</p><p>Mas estou a começar a duvidar da minha deci são,</p><p>porque as vantagens do nível Platina são ba sta nte</p><p>melhores que as do nível normal, a começar p elos</p><p>assentos especiais.</p><p>O diretor Bottoms tem um irmão que é dono de uma</p><p>loja de móveis usados e que lhe vendeu um mo nte de</p><p>cadeirões reclináveis em pele por uma ninharia.</p><p>Os cadeirões reclinam até à posição de deitado,</p><p>o que torna a situação muito pouco confortáv el</p><p>para quem está sentado atrás deles, especia lmente</p><p>durante os testes.</p><p>Os miúdos do nível Platina também re cebem gulo seimas</p><p>das melhore s, como pipo cas e barras de choco late .</p><p>A A H H !</p><p>111</p><p>Aposto que agora os Asas D’Ouro do nível normal se</p><p>sentem enga nados com os seus saquinhos de amendoins.</p><p>Os Asas D’Ouro Platina nem sequer têm de i r às</p><p>aulas, se não lhes apetecer. Cada um recebe u m</p><p>Passe Platina especial que lhes permite ir aon de</p><p>quiserem, quando quiserem.</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>P</p><p>A</p><p>SSE</p><p>PL</p><p>A</p><p>TIN</p><p>A</p><p>C</p><p>L</p><p>U</p><p>B</p><p>E</p><p>A</p><p>S</p><p>A S</p><p>D</p><p>’</p><p>O</p><p>U</p><p>R</p><p>O</p><p>P</p><p>L</p><p>A</p><p>T</p><p>I</p><p>N</p><p>A</p><p>112</p><p>Além disso, po dem utilizar o Passe Platina para</p><p>todo o tipo de situações, co mo passar à frente na</p><p>fila do almo ço, o que é uma chatice para o re sto.</p><p>Até têm uma áre a especial Platina no refeitório</p><p>para almo çarem, co m to alhas de pano e talheres</p><p>de metal, em vez de plástico . E e sta semana até</p><p>começo u um serviço de mesa nessa área especial,</p><p>para que esse s miúdos não precisem de se le vantar</p><p>quando querem encher de no vo os co po s.</p><p>RESER V ADO</p><p>P A R A</p><p>M E M B R O S</p><p>P L A T I N A</p><p>113</p><p>O nível Platina do Clube Asas D’Ouro també m tem</p><p>causado sérios ressentimentos nos professore s.</p><p>Os miúdos Platina queixam-se bastante mais d o que</p><p>os outros, e ontem uma das minhas aulas estev e</p><p>parada durante vinte minutos porque a Marl ene</p><p>Cindrich fez uma fita enorme por causa da vi sta da</p><p>janela no lugar onde estava.</p><p>A acrescentar a isto, os miúdos Platina estão</p><p>sempre com muito calor ou com muito frio, e agora</p><p>os professores até têm de ter mantinhas nas salas.</p><p>P</p><p>L</p><p>O</p><p>P</p><p>114</p><p>A coisa que mais tem enervado os professores é qu e,</p><p>com todos os novos membros do Clube Asas D ’Ouro,</p><p>a sala deles está cada vez mais cheia de alunos. Por</p><p>isso, agora os professores têm de usar a sala dos</p><p>funcionários quando querem fazer um intervalo.</p><p>Mas o nível Platina do Clube Asas D’Ouro n ão é a</p><p>única forma em como a escola está a tentar faz e r</p><p>dinheiro. T ambém andam a tentar arranjar patro cínios.</p><p>Um patro cínio é quando uma empresa paga um mo nte</p><p>de dinheiro para ter o se u logótipo o u produto na</p><p>esco la. Desde que o diretor Bottoms deu luz verde a</p><p>estes negócios, a publicidade está em to do o lado .</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>115</p><p>Q u a n d o a t r a v e s s a m o s q u a l q u e r u m d o s c o r r e d o r e s</p><p>d a n o s s a e s c o l a , s e n t i m o - n o s n a b a i x a d e N o v a</p><p>I o r q u e .</p><p>Há anúncios em todas as superfícies, incluindo nos</p><p>bebedouros, patrocinados por uma companhia d e</p><p>refrigerantes que pagou muito dinheiro para os usar.</p><p>A</p><p>´</p><p>G U A D E</p><p>N A S C E N T E</p><p>M I N E R A L</p><p>NÃO PREFERIAS</p><p>EST AR A BEBER</p><p>AQUA RIO</p><p>DA CIDADE</p><p>116</p><p>Até no</p><p>CHÃO</p><p>há anúncios. E desde que o s Gelado s</p><p>Três Andare s come çaram a pôr auto colantes no chão</p><p>dos co rredo res, os alunos têm saído mais cedo da</p><p>escola para ir co mprar ge lados.</p><p>Acho que não há um único sítio onde</p><p>NÃO</p><p>tenham</p><p>colocado um anúncio. O último lugar onde os puse ram</p><p>foi no lado de dentro dos nossos cacifos.</p><p>Pelo cheiro</p><p>alguém devi</p><p>utiliza</p><p>Brisa</p><p>F r es ca</p><p>117</p><p>A Mercearia Olho-de-Boi até pagou para pô r</p><p>autocolantes nos nossos urinóis, o que até m e deixou</p><p>contente, porque agora o chão das casas de banho</p><p>dos rapazes está bastante menos pegajoso.</p><p>As empresas que estive re m dispostas a pagar mais</p><p>po de m patro cinar</p><p>SALAS</p><p>inte iras e, po r isso ,</p><p>a no ssa sala de Inglês chama-se ago ra o Centro</p><p>Dicionário Davidso n, e a sala de Ge ografia to rno u -</p><p>- se no Centro Agência de Viagens Ilhas Distantes.</p><p>Mercearia</p><p>Olho-de-Boi</p><p>A CER T A A Q UI P ARA</p><p>MELHORES PREÇOS!</p><p>118</p><p>A sala de Informática é patrocinada por uma</p><p>empresa que faz videojogos e que ultrapassou tod os</p><p>os limites com a sua publicidade.</p><p>A e mpresa do ou computado res no vo s co m um do s se us</p><p>jo gos mais po pulare s já instalado , e ntão ago ra a e scola</p><p>pode e squece</p><p>r a ide ia de os alunos faze rem alguma co isa.</p><p>T</p><p>R</p><p>Á</p><p>S</p><p>Z</p><p>Á</p><p>S</p><p>Estás a Entrar</p><p>no</p><p>Centro de</p><p>Informática</p><p>Portal de</p><p>Murlak</p><p>119</p><p>Por falar em patrocínios, uma empresa que co nfe ciona</p><p>pijamas patrocinou a sala dos professores e enche u -</p><p>- a de roupões e chinelos. Por isso, os miúdos d o</p><p>Clube Asas D’Ouro já nem se dão ao trabalho d e ir</p><p>às aulas.</p><p>Mas não é preciso gastar uma fortuna para</p><p>conseguir ter um anúncio na nossa escola, po rqu e há</p><p>montes de pequenas oportunidades de patrocíni o.</p><p>Agora, até os nossos agrafadores têm anún cios.</p><p>M A G O A D O ?</p><p>O J o h n n y D . t r a t a d i s s o !</p><p>S aladosP rof e sse s</p><p>patr ocinada por</p><p>C o nf o r t o e L az er</p><p>G</p><p>O</p><p>L</p><p>E</p><p>120</p><p>Eu duvido muito que todos estes patrocínios</p><p>sejam boas ideias. Algumas revistas pagaram p ara</p><p>colocarem anúncios seus no meio dos nossos liv ros de</p><p>Ciências, e, cá para mim, a escola devia ser ma is</p><p>seletiva sobre o tipo de empresas de quem recebe</p><p>dinheiro.</p><p>Algumas empresas até assinaram contratos de</p><p>exclusividade para terem os seus produtos na escola.</p><p>T</p><p>R OCIST AS</p><p>DA</p><p>C</p><p>IÊN CIA</p><p>R E V I S T A</p><p>TE O RIA D A</p><p>TER RA PL A N A</p><p>N OVO</p><p>NÚMERO</p><p>121</p><p>Agora, todas as máqu inas estão cheias de lanche s de</p><p>uma empresa que só faz batatas fritas pican tes.</p><p>As Batatas Fritas Tremenda Pica de vem ter pago mesmo</p><p>muito dinheiro para serem o fornecedor exclusi vo dos</p><p>nossos aperitivos salgados, porque, como parte do</p><p>acordo, ninguém pode ter batatas fritas de ou tra</p><p>marca na escola. Por isso, se alguém for apanhad o</p><p>com uma marca diferente, não vai comê-las de certez a.</p><p>E</p><p>S</p><p>M</p><p>A</p><p>G</p><p>A</p><p>E</p><p>S</p><p>M</p><p>A</p><p>G</p><p>A</p><p>C</p><p>R</p><p>U</p><p>N</p><p>C</p><p>H</p><p>B ATATA S</p><p>FRIT AS</p><p>TREMEND A P IC A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B AT AT A S</p><p>T R E M E N D A</p><p>PIC</p><p>A</p><p>T R E M E N D A</p><p>B</p><p>A</p><p>T A</p><p>T A</p><p>S</p><p>122</p><p>T ambém fazem publicidade ao produto no programa</p><p>televisivo de notícias que a esco la passa de manhã em</p><p>todas as salas. E quase que sinto pe na do s alunos</p><p>apresentadore s que têm de fingir que gostam daquilo .</p><p>Mas não é só o programa da manhã. As B ata ta s</p><p>Fritas Tremenda Pica também patrocinam o j ornal</p><p>da escola, e nos dias que correm é difícil disti ngu ir</p><p>o que é um anúncio do que é uma notícia ver dad eira.</p><p>NHAM!</p><p>O Grit o do E s tud ant e</p><p>Pr o v a do: Ba t at a s F r it a s</p><p>T r emend a Pica A ument a m</p><p>a P op ular ida d e</p><p>A n t e s i m p o p u l a r : o f a l h a d o</p><p>T h o m a s M a y f e w e s t á a g o r a</p><p>n o s p í n c a r o s</p><p>U m n o v o e s t u d o v e i o m o s t r a r q u e o</p><p>c o n s u m o d e B a t a t a s F r i t a s T r e m e n d a</p><p>P i c a e s t á f o r t e m e n t e l i g a d o a o n í v e l d e</p><p>p o p u l a r i d a d e e s c o l a r , c o m u m a c o r r e l a ç ã o</p><p>p o s i t i v a e n t r e a s e m b a l a g e n s c o n s u m i d a s</p><p>e a a c e i t a ç ã o d o e s t u d a n t e e n t r e o s s e u s</p><p>p a r e s .</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>T</p><p>I</p><p>G</p><p>A</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>T R E M E N D A</p><p>123</p><p>Dá a se nsação de que não há limite s para o que a esco la</p><p>está disposta a vende r. Uma empre sa de canalização</p><p>comprou o s dire ito s sobre o ginásio e , apare nte me nte ,</p><p>fizeram muitas co nce ssões co m e sse contrato.</p><p>O seu logo está no centro do chão do ginási o e nos</p><p>equipamentos que temos de usar em Educaçã o Física.</p><p>A empresa de canalização até substituiu o C aramelo</p><p>pela sua própria mascote, que não é nada pop ular</p><p>entre os alunos.</p><p>« T Ó</p><p>C L I S M O »</p><p>124</p><p>T odos estes patro cínios são pouco quando co mparado s</p><p>com aque le que a e sco la tem promo vido mais, que é</p><p>o direito de dar no me à própria e scola. A e scola</p><p>acredita que alguma grande empresa quererá pagar</p><p>uma fortuna para ter o seu no me no e difício principal.</p><p>Até puseram um anún cio no jornal local para tenta r</p><p>encontrar um interessado.</p><p>Mas parece que não há muitas empresas dispostas</p><p>a terem o seu nome ligado a uma escola sem grand e</p><p>reputação porque, depois de ter zero oferta s,</p><p>o diretor Bottoms teve de baixar o valor que esta va</p><p>a pedir.</p><p>O S E U N O M E A Q U I !</p><p>Imagine o nome da sua empresa estampado</p><p>no nosso edifício em letras de 60 centímetros!</p><p>Vam os R eba tizar a N ossa Esco la!</p><p>Con ta cte o Diretor Bottoms ain da h oje!</p><p>125</p><p>E alguém fez uma ofe rta para re batizar a nossa</p><p>esco la. Mas não foi uma empresa, foi uma</p><p>VILA</p><p>.</p><p>A oferta veio de Slacksville, que é nossa viz inha.</p><p>E há</p><p>ANOS</p><p>que andamos em guerra com a qu ela</p><p>gente.</p><p>Eles ainda estão furiosos por termos conve ncido</p><p>o go verno a pôr um aterro do lado deles da fronteira.</p><p>Po r isso, tentaram vingar-se de nós instalando uma</p><p>turbina eólica no meio do aterro para soprar o cheiro</p><p>do lixo para o</p><p>NOSSO</p><p>lado . Mas as turbinas eólicas</p><p>não funcio nam como vento inhas gigantes, portanto,</p><p>desperdiçaram aque le dinhe iro to do para nada.</p><p>126</p><p>Nós voltámos a provocá-los pondo um cartaz</p><p>mesmo na fronteira entre as nossas duas vilas.</p><p>E parece que, depois disso, os valores imobil iários</p><p>em Slacksville baixaram cerca de 30 %.</p><p>Po rtanto , ago ra a ide ia brilhante de Slacksville é</p><p>rebatizar a nossa e scola. Mas apesar de e le s estarem</p><p>disposto s a pagar, o dire tor decidiu re jeitar a oferta.</p><p>E S C O L A L A R R Y M A C K</p><p>F o r m u l á r i o d e M u d a n ç a d e N o m e</p><p>N o m e p r o p o s t o :</p><p>E</p><p>s</p><p>c</p><p>o</p><p>l</p><p>a</p><p>V</p><p>i</p><p>v</p><p>a</p><p>S</p><p>l</p><p>a</p><p>c</p><p>k s</p><p>v</p><p>i</p><p>l</p><p>l</p><p>e</p><p>!</p><p>Slacksville!</p><p>Pelo menos n ão vi vemos em</p><p>127</p><p>Então, a escola decidiu baixar</p><p>DE NO VO</p><p>o valor</p><p>pedido, e encontrou finalmente um interessad o:</p><p>a empresa de controlo de pragas que a escola tinha</p><p>despedido há umas semanas.</p><p>O dono da empresa até veio à escola para faze r a</p><p>oferta pessoalmente.</p><p>E ainda que ninguém esteja feliz por o novo nome</p><p>da nossa escola vir a ser Escola</p><p>1 - 800 - MA T A -</p><p>- BICHO,</p><p>toda a gente parece concordar</p><p>que é melhor do que o nome que Slackville queri a.</p><p>1-800-MA T A-BICHO</p><p>128</p><p>A empresa e a escola organizaram uma grande</p><p>conferência de imprensa para anunciar o aco rdo, e</p><p>todas as estações de televisão locais vieram assistir.</p><p>Mas a e mpresa devia, provavelmente, ter e sperado</p><p>para fazer o anúncio</p><p>DEPOIS</p><p>de o s seus funcio nário s</p><p>se tere m livrado das pragas da esco la. Porque duvido</p><p>que a conferência tenha sido bo a para o negócio .</p><p>1-800</p><p>M</p><p>AT</p><p>A</p><p>BICHO</p><p>ESCOLA REBA TIZAD A</p><p>DIRETO</p><p>NOTÍCIA S</p><p>R</p><p>A</p><p>S</p><p>T E</p><p>J</p><p>A</p><p>R A</p><p>S</p><p>T</p><p>E</p><p>J</p><p>A</p><p>N O T Í C I A S</p><p>129</p><p>Sexta-feira</p><p>Parece que há uma série de pais que não estão muito</p><p>satisfeito s co m o novo nome da escola e que também</p><p>não gostam nada que nós estejamo s expo stos a</p><p>tanta publicidade. E, portanto, info rmaram o direto r</p><p>Bo tto ms numa reunião co m a Asso ciação de Pais.</p><p>Agora o diretor Bottoms tem um novo esquema</p><p>para angariar dinheiro, e isso já veio criar a lgu mas</p><p>grandes mudanças na escola.</p><p>AL A C</p><p>FECHADA AOS</p><p>ALUNOS</p><p>130</p><p>A escola apercebeu-se de que podia fazer mui to</p><p>dinheiro arrendando as nossas salas de aula a</p><p>pessoas que precisam de espaço. Portanto, a gora a</p><p>ala C está cheia de adultos que usam as nossas salas</p><p>de aula para os fins mais diversos.</p><p>Alguns arrendaram salas para armazenament o, qu e</p><p>agora estão cheias de caixotes que as</p>