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<p>Características clínicas e direção do tratamento</p><p>Prof.ª Rafaela Ferreira de Souza Gomes</p><p>Descrição</p><p>Características teóricas e metodológicas da Psicanálise para orientação</p><p>da direção do tratamento na prática clínica.</p><p>Propósito</p><p>Conhecer as características da clínica psicanalítica e seus principais</p><p>pressupostos é fundamental para instrumentalizar o profissional na</p><p>prática de escuta e condução do tratamento, seja em um contexto</p><p>clínico ou institucional.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Função diagnóstica</p><p>Analisar a especificidade e a função diagnóstica em Psicanálise, bem</p><p>como sua articulação com o conceito de transferência.</p><p>Módulo 2</p><p>Estruturas clínicas: neurose,</p><p>psicose e perversão</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 1/51</p><p>Distinguir as estruturas clínicas de modo a realizar o diagnóstico</p><p>diferencial entre neurose, psicose e perversão.</p><p>Módulo 3</p><p>Tipos clínicos da neurose e da</p><p>psicose</p><p>Reconhecer os diferentes tipos clínicos da neurose e da psicose para</p><p>o manejo na prática clínica em Psicanálise.</p><p>Módulo 4</p><p>Manejo das formações do</p><p>inconsciente</p><p>Identificar as formações do inconsciente e a maneira de abordar cada</p><p>uma delas.</p><p>Introdução</p><p>A Psicanálise é considerada uma teoria e práxis independente,</p><p>mas que mantém um diálogo importante com a Psicologia e</p><p>outros campos de saber. Desde a sua criação ela sempre possuiu</p><p>um caráter fortemente clínico, isto é, a escuta dos casos</p><p>instigava a uma compreensão teórica e à construção de uma</p><p>metodologia que respondesse às questões apresentadas pelos</p><p>pacientes. Com o intuito de demonstrar sua articulação teórica e</p><p>clínica, além de possibilitar a aplicação da teoria na atuação em</p><p>Psicologia, apresentaremos também as principais características</p><p>da clínica psicanalítica.</p><p>Para isso, abordaremos a função das primeiras entrevistas e a</p><p>compreensão diagnóstica em Psicanálise, diferenciando-a do</p><p>diagnóstico em Medicina. Identificaremos as três estruturas em</p><p>Psicanálise – neurose, psicose e perversão –, para, em seguida,</p><p>abordarmos os tipos clínicos em cada uma delas.</p><p></p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 2/51</p><p>Por fim, introduziremos as formações do inconsciente – ato</p><p>falho, sonho, lembranças encobridoras e chiste – para propor o</p><p>manejo de cada uma delas sob transferência.</p><p>1 - Função diagnóstica</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a especi�cidade e a</p><p>função diagnóstica em Psicanálise, bem como sua articulação com o</p><p>conceito de transferência.</p><p>Diagnóstico e Psicanálise</p><p>A clínica psicanalítica se dirige a um sujeito dividido por uma falta que</p><p>lhe é constitutiva, pois ele é atravessado pela castração simbólica que</p><p>limita seu acesso a uma satisfação completa. Mas para adentrarmos na</p><p>especificidade do diagnóstico diferencial em Psicanálise, é preciso</p><p>tomarmos como ponto de partida a noção de realidade psíquica, que é a</p><p>verdade inconsciente constituída por conteúdos recalcados, fantasias,</p><p>pulsões e todo o material psíquico não acessível à consciência.</p><p>Desde Freud, a Psicanálise afirma e confirma, por meio da escuta</p><p>clínica, que toda a relação do sujeito com o mundo se dá a partir de sua</p><p>realidade psíquica. Assim, é preciso diferenciar o que é a realidade do</p><p>mundo que está externo ao sujeito, a chamada realidade factual, e a</p><p>realidade tal como apreendida por cada um em sua experiência única.</p><p>Dessa experiência que está dada desde o nascimento, e até mesmo</p><p>antes dele pelas construções linguageiras que esse novo ser recebe dos</p><p>outros que o cercam, vai se formando um psiquismo complexo com</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 3/51</p><p>inscrições inconscientes e que constituem, traço a traço, a memória e a</p><p>singularidade de cada sujeito.</p><p>Em A interpretação dos sonhos, Freud afirma que o inconsciente é a</p><p>realidade psíquica e que em sua natureza interior é desconhecido tal</p><p>como o mundo externo. Todo o conhecimento do inconsciente é</p><p>incompleto pelos dados de consciência, ou seja, mesmo que os</p><p>elementos inconscientes se manifestem, sua percepção e compreensão</p><p>é sempre limitada pela consciência. De igual modo, o mundo externo é</p><p>sempre parcialmente assimilado ou compreendido, pois dependemos</p><p>das comunicações de sentido. A hipótese do inconsciente coloca em</p><p>jogo uma negatividade, pois não se trata do sujeito que sabe sobre si e</p><p>está no controle de suas ações, mas sim o fato de que a verdade que ele</p><p>porta lhe escapa ao sentido.</p><p>Pensar o diagnóstico na clínica psicanalítica é, antes</p><p>de tudo, ouvir as descontinuidades do discurso</p><p>consciente pelas quais o inconsciente se apresenta.</p><p>Uma escuta que se dirige ao inconsciente está atenta ao não manifesto</p><p>da comunicação e aos tropeços da fala. Ela é baseada na realidade</p><p>psíquica desse sujeito, que repete na análise e com o analista o seu</p><p>modo de relação com o outro e com o mundo. É com esse olhar que a</p><p>compreensão diagnóstica se constrói.</p><p>A Psicanálise, diferentemente das ciências empíricas, não pode tomar o</p><p>fenômeno como ponto de ancoragem para a compreensão do caso e</p><p>definição diagnóstica. Ao ouvir as histéricas e esboçar uma proposição</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 4/51</p><p>teórica que respondesse sobre os sintomas delas, Freud se apoiava nos</p><p>relatos que traziam cenas de sedução vividas por elas na infância.</p><p>Representação de 1893 de uma mulher com histeria.</p><p>Conforme ele avançava na elaboração clínica e teórica da neurose,</p><p>passou a compreender que a realidade dessas experiências eram</p><p>fantasias que correspondiam aos conteúdos inconscientes, logo, diziam</p><p>respeito a uma realidade psíquica.</p><p>Embora a neurose tivesse em sua etiologia questões da sexualidade, o</p><p>abuso infantil não era sua causa nem mesmo um fato. Segue-se uma</p><p>longa e densa construção de Freud, ao longo de sua obra, que inclui a</p><p>sexualidade infantil e demais conceitos como fantasia, recalque,</p><p>pulsões e seus destinos. Então, o que interessava saber sobre o sintoma</p><p>e como identificar se um paciente candidato à análise poderia ser de</p><p>fato submetido ao novo método criado por Freud?</p><p>Quando cria a Psicanálise, Freud a descreve como sendo um método de</p><p>tratamento das afecções neuróticas e de investigação dos processos</p><p>inconscientes, além de ser uma teoria geral do psiquismo. Desde o</p><p>início, o interesse era a compreensão da histeria como enfermidade que</p><p>desafiava a Medicina da época. Isso nos esclarece que a Psicanálise, tal</p><p>como pensada em seus primórdios, era uma teoria e um método</p><p>voltados à neurose. Assim, a função diagnóstica para Freud era, antes</p><p>de tudo, de um diagnóstico diferencial entre neurose e psicose.</p><p>Freud se apoiava na experiência com a histeria, cujos sintomas já eram</p><p>bem conhecidos. O corpo da histérica com suas afetações manifestava</p><p>pelo sintoma a realização de um desejo inconsciente e conflituoso. Por</p><p>isso, Freud formulou que o sintoma é um substituto que visa satisfazer a</p><p>pulsão que não poderia encontrar esse destino de outra forma.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 5/51</p><p>Sala de atendimento e o divã de Freud.</p><p>Além desses elementos baseados numa espécie de fenomenologia que</p><p>precisava ser decifrada, cabia compreender de que modo cada sujeito</p><p>se relacionava com o analista e como respondia à castração simbólica,</p><p>como organizava suas defesas e em quais pontos de seu</p><p>desenvolvimento se fixava. Ao propor três formas discursivas de lidar</p><p>com esses elementos, Freud inaugura uma nosografia própria da</p><p>Psicanálise, que chegou a ter uma grande relevância para a Psiquiatria</p><p>até ser gradativamente retirada dos</p><p>uma reunião de elementos em uma pessoa, objeto ou situação. De</p><p>acordo com a primeira teoria sobre os sonhos, eles são regidos</p><p>pelo princípio do prazer, ou seja, pelo processo primário.</p><p>Questão 2</p><p>No texto Sobre a psicopatologia da vida cotidiana (1901), Freud</p><p>reuniu uma série de experiências que podem ser tomadas como</p><p>irrelevantes, mas que portam um significado quando se busca sua</p><p>compreensão. Dentre elas, descreveu o ato falho e demonstrou que</p><p>ele pode ocorrer de diferentes formas, tais como o lapso verbal, o</p><p>lapso de leitura, o lapso de memória etc. O que caracteriza um ato</p><p>falho e qual a sua relação com a vida subjetiva?</p><p>B</p><p>os sonhos sofrem deformações oriundas dos</p><p>processos defensivos, são elas a condensação e o</p><p>deslocamento.</p><p>C</p><p>o desejo aparece no sonho como um enigma e deve</p><p>ser decifrado pelo analista com o uso da técnica</p><p>hipnótica.</p><p>D</p><p>no deslocamento vários elementos de diferentes</p><p>fontes são reunidos em uma única pessoa ou</p><p>situação. Já na condensação, há uma substituição</p><p>de uma pessoa ou coisa para outro que tem algum</p><p>traço comum.</p><p>E</p><p>os sonhos representam a realização de um desejo</p><p>perverso que não pode se realizar na realidade.</p><p>A</p><p>O ato falho é uma formação pré-consciente e, por</p><p>isso, seu sentido pode ser de fácil compreensão,</p><p>basta interpretar seu sentido manifesto.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 47/51</p><p>Parabéns! A alternativa E está correta.</p><p>O ato falho é uma formação do inconsciente que não tem um</p><p>sentido tão claro. Ele nem sempre é percebido pelo sujeito e, nesse</p><p>caso, cabe ao analista assinalá-lo ao paciente. Freud discute se há</p><p>uma intenção no ato falho e conclui que sim, mas é no sentido da</p><p>conciliação das forças opostas, uma vez que algo quer se revelar e,</p><p>ao mesmo tempo, não pode devido à problemática do conflito. O</p><p>ato falho é uma forma de lapso verbal que se expressa como</p><p>equívoco da linguagem.</p><p>Considerações �nais</p><p>O diagnóstico em Psicanálise é concluído a partir de uma investigação</p><p>clínica que privilegia o lugar da escuta. Como vimos, é tomando a</p><p>realidade psíquica como ponto de partida que o analista obtém os</p><p>elementos necessários à compreensão diagnóstica e os define nas</p><p>entrevistas iniciais, o que implica no direcionamento da atenção aos</p><p>elementos inconscientes. Lacan propõe um retorno a Freud, pois alguns</p><p>B</p><p>São vários os tipos de atos falhos: esquecimentos</p><p>de nomes, risos imotivados, tiradas espirituosas,</p><p>troca de palavras, entre outros.</p><p>C</p><p>Há uma intencionalidade no ato falho, pois ela diz</p><p>respeito ao conteúdo que foi recalcado e que insiste</p><p>em se realizar. Por meio do lapso, o superego realiza</p><p>suas pulsões.</p><p>D</p><p>Nos lapsos que possuem valor de ato falho há um</p><p>elemento central, a culpa pela expressão de uma</p><p>verdade. Assim, deixar escapar é uma forma de lidar</p><p>com esse sentimento de uma maneira que parece</p><p>desimplicar o ego.</p><p>E</p><p>O ato falho é uma forma de lapso verbal que pode</p><p>ser descrito como erro ou equívoco ao enunciar uma</p><p>palavra ou frase. Nele há uma verdade inconsciente</p><p>que o sujeito inicialmente acha estranha ou nega.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 48/51</p><p>elementos importantes são acrescentados ao que atualmente se</p><p>compreende como diagnóstico na clínica psicanalítica. Assim, a função</p><p>diagnóstica diz respeito à compreensão do sujeito em sua</p><p>discursividade, e o objetivo é a delimitação do sintoma que pode ser</p><p>analisável ou não. Dessa forma, vimos que o diagnóstico tem um</p><p>objetivo e alcance estritamente clínico ao apontar o caminho para a</p><p>direção do tratamento.</p><p>Em seguida, apresentamos as estruturas clínicas, que não são maneiras</p><p>estanques de sofrimento psíquico, e lembramos que Freud identificou</p><p>formas de defesa psíquica como modos de resposta ao complexo de</p><p>Édipo e à castração. Depois disso, explicamos as três estruturas</p><p>clínicas: neurose, psicose e perversão.</p><p>Por último, destacamos que existe algo por trás dos conteúdos</p><p>manifestos e evidentes, revelando o que de fato importa. As formas de</p><p>manifestação do inconsciente ocorrem a partir de deformações que</p><p>atendem às exigências do processo primário que organiza a vida</p><p>psíquica, além de ser regido pelo princípio do prazer. O analista deve</p><p>estar atento para que possa manejar essas formações.</p><p>Podcast</p><p>Para encerrar, ouça detalhes sobre a especificidade e a função</p><p>diagnóstica em Psicanálise e sua articulação ao conceito de</p><p>transferência.</p><p></p><p>Explore +</p><p>Leia o artigo A (dis)função do diagnóstico: uma leitura psicanalítica</p><p>sobre o DSM. Nele, os autores Mariana Fernandes, Beatriz Silva e</p><p>Rogério Barros discutem a função diagnóstica e as contribuições</p><p>psicanalíticas para uma leitura crítica do DSM-V.</p><p>Assista ao filme El perfumista (2006), de Tom Tykwer, e entenda um</p><p>pouco mais sobre o funcionamento psíquico do perverso e sua</p><p>tendência ao fetiche.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 49/51</p><p>Leia o artigo Estabilização e psicose ordinária: usos do sintoma na</p><p>clínica contemporânea, de Rogério Barros e Giovana Santos. Nele, os</p><p>autores tratam das contribuições lacanianas para uma clínica</p><p>psicanalítica com psicóticos.</p><p>Leia o artigo Sobre a lembrança: uma abordagem psicanalítica dos</p><p>limites estruturais da memória, de Angélica Bastos, que trata das</p><p>lembranças e do limite próprio à estrutura, fazendo com que nem tudo</p><p>possa ser rememorado. O texto faz um bom contraponto às formações</p><p>do inconsciente.</p><p>Referências</p><p>ANSERMET, F. Clínica da origem: a criança entre a Medicina e a</p><p>Psicanálise. Rio de Janeiro: Contracapa, 2003.</p><p>FREUD, S. A interpretação dos sonhos [1899]. In: Edição eletrônica</p><p>brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Lembranças encobridoras [1899]. In: Edição eletrônica</p><p>brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Além do princípio do prazer [1920]. In: Edição eletrônica</p><p>brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. As neuropsicoses de defesa [1894]. In: Edição eletrônica</p><p>brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Carta 52 [1896]. In: Edição eletrônica brasileira das obras</p><p>completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Inibição, sintoma e angústia [1926]. In: Edição eletrônica</p><p>brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Notas sobre um caso de neurose obsessiva [1909]. In: Edição</p><p>eletrônica brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Sobre o início do tratamento [1913]. In: Edição eletrônica</p><p>brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade [1905]. In: Edição</p><p>eletrônica brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. A dissolução do complexo de Édipo [1924]. In: Edição</p><p>eletrônica brasileira das obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p><p>FREUD, S. Sobre a psicopatologia da vida cotidiana [1901]. In: Edição</p><p>eletrônica brasileira das obras completas. Porto Alegre: L&PM, 2018.</p><p>LACAN, J. A direção do tratamento e os princípios de seu poder</p><p>[1958c]. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 591-652.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 50/51</p><p>LACAN, J. De uma questão preliminar a todo tratamento possível da</p><p>psicose. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.</p><p>LACAN, J. Observação sobre o relatório de Daniel Lagache: Psicanálise</p><p>e estrutura da personalidade. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.</p><p>LACAN, J. Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise. In:</p><p>Seminário 11. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.</p><p>QUINET, A. As 4 + 1 condições da análise. 12. ed. Rio de Janeiro: Zahar,</p><p>2009.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 51/51</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>manuais diagnósticos.</p><p>As estruturas clínicas – neurose, psicose e perversão – estão</p><p>relacionadas aos mecanismos de defesa descritos por Freud ao longo</p><p>da sua obra, defesas essas que se manifestam frente à realidade da</p><p>castração. Trata-se de organizações psíquicas que são respostas do</p><p>sujeito ao complexo de Édipo e à castração.</p><p>Estruturas clínicas</p><p>A forma como cada sujeito se constitui, segundo Freud.</p><p>Relembrando</p><p>Édipo é um mito orientador em Psicanálise que trata dos lugares dados</p><p>ao pai e à mãe, sendo que esses últimos são funções exercidas na</p><p>relação com a criança. A castração é o limite dado a um acesso</p><p>completo à mãe, a barra simbólica que se interpõe entre a mãe e a</p><p>criança, separando ambas para que, dessa operação, a criança possa se</p><p>constituir como sujeito dividido para o qual há uma falta. Essa falta fica</p><p>como efeito dessa perda que a castração impõe. É justamente porque</p><p>algo lhe falta e não se completa que o sujeito se orienta pelo desejo,</p><p>buscando reencontrar algo que está perdido em definitivo. O que se</p><p>perdeu é uma face do objeto de amor que garantia, mesmo que</p><p>imaginariamente, uma satisfação completa.</p><p>Freud abordou formas de defesa psíquica frente à angústia que a</p><p>castração mobiliza, isto é, maneiras de lidar com a realidade faltosa e</p><p>para a qual não há uma possibilidade de preenchimento no campo dos</p><p>sentidos. As defesas são respostas subjetivas àquilo que é impossível</p><p>de assimilar, ou seja, a castração.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 6/51</p><p>Na neurose, o sujeito recalca os elementos de angústia que não</p><p>podem ser elaborados. No recalque, o elemento ou cena que</p><p>provoca conflito e mal-estar no sujeito é lançado ao inconsciente,</p><p>logo, é esquecido. No entanto, o afeto ligado ao recalcado</p><p>permanece solto no psiquismo. O sintoma, segundo Freud, faz</p><p>uma espécie de conciliação de interesses entre as instâncias</p><p>psíquicas, pois ele manifesta o conteúdo recalcado de uma</p><p>forma transformada e enigmática para a consciência.</p><p>Na psicose há uma foraclusão (o mesmo que rejeição) da</p><p>castração como forma defensiva, o que significa que o psicótico</p><p>continua na relação simbolizada com o Outro, que opera para ele</p><p>a função materna. Ele exclui a lógica faltosa que a castração</p><p>coloca em cena e recria a realidade por meio da construção</p><p>delirante.</p><p>Na perversão há um desmentido da castração (também</p><p>traduzido como recusa) ou uma renegação, que é uma dupla</p><p>negação, ou ainda uma desautorização – desautoriza a</p><p>experiência ao não integrar o ocorrido na relação com o Outro,</p><p>com a lei e com a falta. Nesse caso, há uma divisão entre o</p><p>saber e o fazer: eu sei da realidade da castração e do limite que</p><p>ela coloca em jogo, mas me comporto como se ela não existisse.</p><p>Diagnóstico diferencial na</p><p>Psicanálise</p><p>Confira, agora, uma reflexão acerca da importância da realidade factual,</p><p>realidade psíquica e o inconsciente no diagnóstico psicanalítico,</p><p>destacando diferenças entre Freud e Lacan.</p><p>Neurose </p><p>Psicose </p><p>Perversão </p><p></p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 7/51</p><p>Noção de estrutura em</p><p>Lacan</p><p>O ensino de Lacan propõe um retorno aos textos freudianos e avança</p><p>alguns pontos de compreensão em Psicanálise.</p><p>Uma das fortes influências da Psicanálise lacaniana é o estruturalismo</p><p>de Saussure. Nessa proposição teórica, a língua é considerada uma</p><p>estrutura formada por uma rede de elementos e cada um desses</p><p>elementos tem um valor e uma função. Lacan irá formular que o</p><p>inconsciente se estrutura como linguagem. Os elementos que compõem</p><p>o inconsciente se organizam em uma cadeia significante formada por</p><p>cada experiência significativa que deixa uma espécie de inscrição</p><p>inconsciente. Do estruturalismo ele colhe os termos “significante” e</p><p>“significado” para explicar a organização da linguagem em sua</p><p>manifestação discursiva.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 8/51</p><p>Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981).</p><p>Podemos compreender “estrutura” em Lacan de duas formas:</p><p>Primeira</p><p>É a estrutura de linguagem propriamente dita.</p><p>Segunda</p><p>Está relacionada aos mecanismos de defesa descritos por Freud.</p><p>Essa noção de estrutura fala de uma espécie de organização subjetiva e</p><p>de como elas se sustentam e se caracterizam. Essas estruturas não são</p><p>tipologias fixas e estanques, mas formas de organização do sujeito em</p><p>sua relação com a falta constitucional. De acordo com Lacan ([1960a]</p><p>1998, p. 655), “a estrutura é uma máquina original que coloca em cena o</p><p>sujeito”, o que quer dizer que denota uma divisão subjetiva.</p><p>É preciso diferenciar o diagnóstico em Psicanálise da noção diagnóstica</p><p>em Psiquiatria, pois não se trata de universalizar o sintoma para fixá-lo</p><p>em uma descrição, mas de compreender a forma de organização</p><p>sintomática a fim de manejá-la na transferência. Lacan propôs um</p><p>psiquismo organizado em três registros – real, simbólico e imaginário.</p><p>Esses registros estão amarrados por um nó, com pontos que se</p><p>entrecruzam.</p><p>Nessa forma de nó, se um elo se desfaz, os</p><p>demais registros também se desenlaçam.</p><p>A partir dessa construção, é possível pensar as estruturas clínicas de</p><p>uma maneira que não é fixa. Para a Psicanálise, há uma estrutura que,</p><p>encontrando o sujeito em sua singularidade, demarca algo sempre</p><p>único. Assim, há vários tipos de neuróticos, de psicóticos e de</p><p>perversos, cada um deles com sua marca e sua história.</p><p>Entrevistas iniciais e sua</p><p>função diagnóstica</p><p>Nos textos freudianos dedicados à técnica da Psicanálise há uma</p><p>indicação do uso de um tempo preliminar ao início da análise. Freud</p><p>sugere o uso de uma ou duas semanas de atendimento para uma</p><p>espécie de investigação do caso. Ao final desse tempo, o analista</p><p>decide aceitar ou não o paciente para dar curso a uma Psicanálise</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 9/51</p><p>propriamente dita. Embora não seja o principal da recomendação aqui</p><p>referida, vale ressaltar que Freud atendia diariamente seus pacientes.</p><p>Portanto, essa delimitação temporal que aparece em seu texto não</p><p>caberia em um formato de atendimento que se dê uma vez por semana.</p><p>Além disso, não é o tempo cronológico que importa, pois há casos em</p><p>que a entrada em análise é bastante demorada e isso não diminui o</p><p>alcance do método, uma vez que os efeitos da fala endereçada são</p><p>experimentados desde os primeiros encontros com o analista.</p><p>No texto Sobre o início do tratamento (1913), há duas razões para</p><p>justificar o tratamento de ensaio:</p><p></p><p>Esse procedimento permite ao analista conhecer o caso para, assim,</p><p>avaliar se é recomendado iniciar um tratamento psicanalítico.</p><p></p><p>Outro motivo é o esclarecimento diagnóstico. Esse tempo inicial é, ele</p><p>próprio, o início do tratamento, portanto, deve se conformar às regras da</p><p>Psicanálise, nos adverte Freud.</p><p>As recomendações para os praticantes da Psicanálise, tais como a</p><p>sugestão de um tempo de entrevistas iniciais, foram reunidas em um</p><p>apanhado de artigos conhecidos como “textos técnicos”. Mas embora</p><p>sejam assim denominados, eles são, antes de tudo, assinalamentos</p><p>muito precisos para a prática clínica e possuem um caráter ético. Afinal,</p><p>não se pretendia criar uma metodologia rígida para que os novos</p><p>psicanalistas a seguissem com rigor. O que estava em jogo era um</p><p>cuidado na compreensão do caso visando à direção do tratamento.</p><p>O diagnóstico diferencial entre neurose e psicose é muito relevante para</p><p>que o analista saiba se conduzir no manejo da transferência e também</p><p>para que verifique se o candidato à análise irá se beneficiar do</p><p>tratamento. Cabe ressaltar que existem casos de estruturas psicóticas</p><p>que preservam um funcionamento sem os sintomas característicos.</p><p>Na</p><p>Psicanálise podemos utilizar os termos “pré-psicose” ou “psicose não</p><p>desencadeada” para nomear esses casos. Trata-se de pacientes que</p><p>podem entrar em crise caso sejam submetidos a um manejo incorreto.</p><p>Lacan ([1958] 1998) propõe o termo “entrevistas preliminares” para</p><p>nomear o tratamento de ensaio. O uso do termo indica um tempo de</p><p>trabalho psíquico anterior à entrada em análise. Fica esclarecido, com</p><p>isso, que mesmo nas entrevistas os principais elementos da análise</p><p>estão presentes e que o paciente está em trabalho de associação e</p><p>elaboração. Esse trabalho psíquico também está colocado na</p><p>construção de uma demanda de análise. Entre a queixa inicial (que</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 10/51</p><p>marca a chegada do paciente ao analista) e a formulação de uma</p><p>demanda de análise (na qual o sujeito se implica com seu sintoma) há</p><p>um tempo de trabalho associativo e efeitos de retificação subjetiva.</p><p>O que diferencia a queixa da demanda?</p><p>A queixa é o relato inicial do paciente no qual se apresenta ao</p><p>analista com sua forma de padecimento. Nesse momento,</p><p>raramente há uma pergunta sobre sua implicação no sofrimento</p><p>ou questão apresentada. O analista interroga essa forma de</p><p>apresentação discursiva e, aos poucos, aquilo que era apenas</p><p>uma queixa ganha valor de enigma.</p><p>O paciente quer então saber sobre seu padecimento e dirige essa</p><p>demanda de saber ao analista. Seu sintoma se torna motivo de</p><p>investigação e ele quer compreendê-lo, podendo inclusive</p><p>percebê-lo como sendo parte de si. Ele está implicado em sua</p><p>forma de mal-estar. Nessa construção há um elemento</p><p>importante que se esclarece, que é a relação transferencial. Ela</p><p>aparece como suposição de saber do analista, que se torna um</p><p>sujeito que supostamente sabe sobre o paciente algo que ele</p><p>próprio ignora sobre si mesmo. Essa forma de enlace</p><p>Queixa </p><p>Demanda </p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 11/51</p><p>transferencial, que esclarece a demanda de análise, delimita o</p><p>final de um tempo de entrevistas e a entrada em análise.</p><p>Para o analista, as entrevistas iniciais são marcadas por dois tempos:</p><p>tempo de compreender e tempo de concluir. O analista deve reunir todos</p><p>os elementos necessários para compreender o diagnóstico diferencial</p><p>entre neurose e psicose. Em um segundo momento, deve concluir por</p><p>dar continuidade ao tratamento.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 12/51</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A delimitação de um diagnóstico em Psicanálise tem uma função</p><p>estritamente clínica. Diferencia-se da compreensão diagnóstica em</p><p>Medicina por tratar do singular em cada caso e por não ter</p><p>intenções curativas. O diagnóstico diferencial é aquele em que se</p><p>esclarece a estrutura daquele que busca o tratamento psicanalítico.</p><p>A partir de quais elementos clínicos se estabelece o diagnóstico</p><p>diferencial?</p><p>A</p><p>Para compreender o diagnóstico em Psicanálise, é</p><p>preciso tomar como ponto de partida a noção de</p><p>realidade psíquica, e esta é constituída por uma</p><p>lógica inconsciente.</p><p>B</p><p>O diagnóstico diferencial em Psicanálise é feito nas</p><p>entrevistas iniciais, antes mesmo que se esclareça a</p><p>relação do sujeito no laço transferencial.</p><p>C</p><p>Um dos elementos fundamentais para a</p><p>compreensão diagnóstica em Psicanálise é o modo</p><p>como cada sujeito se orienta no que diz respeito ao</p><p>trauma do nascimento, sendo este o primeiro corte</p><p>simbólico que inaugura a relação do ser com a falta</p><p>constitucional.</p><p>D</p><p>Nas entrevistas iniciais, o paciente se apresenta ao</p><p>analista com uma queixa inicial e algumas</p><p>características dessa queixa podem dar sinais do</p><p>tipo de estrutura clínica. Um exemplo é quando o</p><p>sujeito se apresenta como uma vítima das</p><p>circunstâncias. Nesse caso, é possível que seja um</p><p>perverso.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 13/51</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>O diagnóstico em Psicanálise tem uma função fortemente clínica</p><p>porque visa à compreensão da estrutura para manejá-la na</p><p>transferência. A noção de realidade psíquica, que, como esclareceu</p><p>Freud, é a realidade inconsciente, é o ponto de partida para que o</p><p>analista oriente sua escuta aos elementos não ditos ou para a</p><p>natureza dos relatos que o paciente apresenta. A realidade dos</p><p>fatos, a chamada realidade factual, não esclarece a estrutura, mas</p><p>sim a maneira como o sujeito se orienta na relação transferencial,</p><p>como lida com a castração, como estabelece seus nexos</p><p>associativos e quais defesas utiliza.</p><p>Questão 2</p><p>Freud propôs um “tratamento de ensaio” antes de dar início a uma</p><p>Psicanálise propriamente dita. Esse tempo inicial é fundamental</p><p>para que o analista possa compreender o caso. Lacan chamou esse</p><p>mesmo período de “entrevistas preliminares” e demonstrou sua</p><p>relevância clínica na direção do tratamento. Dentre as funções</p><p>desse tempo de ensaio está o estabelecimento do diagnóstico</p><p>diferencial. Sobre essa função podemos afirmar que</p><p>E</p><p>As estruturas clínicas – neurose, psicose e</p><p>perversão – estão relacionadas aos mecanismos de</p><p>defesa utilizados para lidar com os elementos</p><p>fóbicos da relação do sujeito com o mundo externo</p><p>que o ameaça.</p><p>A</p><p>o tratamento de ensaio visa dar elementos para que</p><p>o analista esclareça a estrutura clínica. Caso o</p><p>paciente possua uma estrutura psicótica, ele deverá</p><p>ser encaminhado ao psiquiatra e não é</p><p>recomendável dar continuidade com o método</p><p>psicanalítico.</p><p>B</p><p>uma das funções das entrevistas preliminares é a</p><p>delimitação de um sintoma analisável. Essa função</p><p>diagnóstica visa esclarecer a dinâmica da</p><p>transferência na neurose.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 14/51</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>As entrevistas iniciais possuem três funções principais: a função</p><p>sintomal, que visa trabalhar a queixa inicial na delimitação de um</p><p>sintoma analisável; a função transferencial, cujo objetivo é ligar o</p><p>paciente ao tratamento e ao analista; e a função diagnóstica. No</p><p>que se refere a essa última função, sua importância diz respeito à</p><p>direção do tratamento em Psicanálise. Alguns elementos são</p><p>balizadores para que se compreenda a estrutura do candidato à</p><p>análise: o enlace transferencial, as defesas estabelecidas e a</p><p>maneira como o desejo se orienta. A partir dos dados clínicos que o</p><p>analista vai recolhendo, ele pode formular o diagnóstico diferencial</p><p>entre neurose, psicose ou perversão.</p><p>C</p><p>uma das funções das entrevistas preliminares é o</p><p>estabelecimento do diagnóstico diferencial entre</p><p>neurose, psicose e perversão.</p><p>D</p><p>o diagnóstico diferencial entre neurose e psicose é</p><p>muito relevante para que o analista saiba se</p><p>conduzir no manejo da transferência. Na psicose, há</p><p>um rompimento com a realidade e, por isso, o</p><p>analista deverá apostar no trabalho de elaboração</p><p>que o confronte com a realidade faltosa que a</p><p>castração expõe.</p><p>E</p><p>para o analista, as entrevistas iniciais são marcadas</p><p>por dois tempos: um tempo de compreender a</p><p>transferência e o tempo de concluir o diagnóstico</p><p>diferencial.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 15/51</p><p>2 - Estruturas clínicas: neurose, psicose e</p><p>perversão</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir as estruturas</p><p>clínicas de modo a realizar o diagnóstico diferencial entre neurose,</p><p>psicose e perversão.</p><p>Defesas psíquicas em Freud</p><p>Freud se interessava por compreender a etiologia da neurose, e mais</p><p>precisamente da histeria. No</p><p>percurso de sua investigação clínica e na</p><p>elaboração teórica da Psicanálise, ele descreveu formas de defesa</p><p>psíquica que os pacientes usavam para lidar com a castração. Nos</p><p>primeiros textos em que a noção de defesa psíquica aparece, eles falam</p><p>de um enlace entre inconsciente e o eu, no qual este último faz uso de</p><p>defesas que podem servir como resistência ao tratamento psicanalítico.</p><p>Isso ocorre, segundo Freud, porque a associação livre desvela</p><p>elementos inconscientes conflituosos para o sujeito, de modo que ele</p><p>cria barreiras que possam afastar essa possibilidade. É nesse sentido</p><p>que funciona uma resistência, uma vez que a Psicanálise coloca em</p><p>cena um saber inconsciente que é recusado pelo sujeito. Lembrando</p><p>que o uso dos recursos defensivos nem sempre é percebido pelo</p><p>paciente.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 16/51</p><p>Sigmund Freud (1856 – 1939).</p><p>Entre as defesas psíquicas estão:</p><p>Recalque</p><p>É a partir do esclarecimento da relação do sujeito com a</p><p>castração que se pode propor a estrutura clínica em Freud.</p><p>Descreveremos, portanto, algumas dessas defesas do eu,</p><p>começando pelo recalque. Este é o principal modo defensivo</p><p>na obra de Freud – uma estratégia psíquica em que alguma</p><p>cena, lembrança ou um desejo não permitido é esquecido</p><p>como se houvesse uma perda da ideia associada ou mesmo</p><p>uma perda da memória em si. O conteúdo é esquecido por se</p><p>tornar inconsciente. Essa defesa é central na teoria</p><p>psicanalítica, porque a noção de sintoma também se liga a ela.</p><p>Veremos isso mais adiante.</p><p>Negação</p><p>Já na negação, a defesa consiste em negar a realidade exterior,</p><p>substituindo-a por outra. Em outras palavras, trata-se da</p><p>possibilidade de negar partes da realidade que não são</p><p>agradáveis por meio da fantasia, ou fazendo algum tipo de</p><p>cisão na qual se recusa parte da realidade. Freud trabalha a</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 17/51</p><p>perda da realidade na neurose e na psicose. Se na neurose a</p><p>fantasia é um recurso para recompor a lacuna de uma</p><p>realidade negada, na psicose há um rompimento irremediável</p><p>com a realidade, e a construção delirante seria, então, uma</p><p>tentativa de reconstrução dessa relação com a realidade.</p><p>Quando tratarmos os tipos clínicos das estruturas,</p><p>aprofundaremos a noção de fantasia e delírio.</p><p>Regressão</p><p>Outra modalidade defensiva muito presente, principalmente na</p><p>clínica com crianças, é a regressão. Nela, o ego recua para uma</p><p>fase ou estágio anterior. A infantilização no adulto é uma forma</p><p>de regressão e, na criança, um exemplo é o retorno da enurese</p><p>noturna em idades nas quais já existe um controle da micção.</p><p>Sublimação</p><p>A sublimação é outra defesa importante, pois nela há um</p><p>redirecionamento da libido para outra forma de satisfação que</p><p>seja tolerada pelo ego. A produção artística pode ser uma</p><p>forma sublimada de expressão da libido. Existem outras</p><p>defesas do ego, e iremos retornar a elas quando formos falar</p><p>dos tipos clínicos. Cabe salientar que o reconhecimento das</p><p>estratégias defensivas por parte do analista é essencial para o</p><p>manejo do caso clínico.</p><p>Sintoma</p><p>No início de suas elaborações teóricas, Freud via o sintoma como uma</p><p>quebra na harmonia da vida orgânica e subjetiva. Essa concepção</p><p>denota o viés da formação médica de Freud. O uso da hipnose visava o</p><p>acesso das lembranças recalcadas, já que nelas ele acreditava poder</p><p>localizar a causa do sofrimento psíquico e, assim, chegar à cura. Mas</p><p>essa técnica logo cede lugar à associação livre e a teoria da sedução</p><p>infantil das histéricas é, então, abandonada. Ainda assim, o sintoma</p><p>mantém esse lugar de sofrimento como sendo o efeito de algo que está</p><p>em sua origem e que é responsável pela perturbação do funcionamento</p><p>psíquico.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 18/51</p><p>Sessão Hipnótica (1887), por Richard Bergh.</p><p>Em 1920, Freud publica o texto Além do princípio do prazer e nele</p><p>introduz o conceito de pulsão de morte. Se, antes, o destino da pulsão</p><p>era a satisfação e o psiquismo era regido pelo princípio do prazer, agora</p><p>há que se considerar uma força pulsional de destruição. A noção de</p><p>sintoma também precisa ser pensada para além da decifração dos</p><p>significados, de modo a incluir a repetição desprazerosa. Nesse sentido,</p><p>não se trata de eliminar o sintoma para recuperar a homeostase</p><p>psíquica.</p><p>Resumindo</p><p>Podemos afirmar duas faces do sintoma após 1920. A primeira delas o</p><p>encara como efeito de uma formação substitutiva que visa à realização</p><p>do desejo recalcado e, portanto, o objetivo da análise é sua decifração.</p><p>Já a outra face enxerga o sintoma como satisfação pulsional, no sentido</p><p>da compulsão de repetição que visa à satisfação desprazerosa e</p><p>funciona como resistência ao tratamento.</p><p>Em Inibições, sintomas e ansiedade, Freud ([1926] 1996) apresenta o</p><p>sintoma como sendo "o verdadeiro substituto e derivativo do impulso</p><p>reprimido”. Para Lacan, não seria o caso de o analista tentar recompor</p><p>ou revelar ao sujeito o significado do conteúdo recalcado que retorna</p><p>por meio do sintoma, até porque isso não seria possível ou eficaz. Em</p><p>vez disso, caberia ao sujeito construir sua verdade num processo</p><p>analítico.</p><p>Estruturas clínicas</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 19/51</p><p>Desde a Carta 52, texto de Freud que propõe a primeira teoria do</p><p>aparelho psíquico, fica evidenciada uma forte relação entre a clínica</p><p>psicanalítica e a busca de uma nosografia. Como nomear os sintomas</p><p>presentes na clínica? Como compreender sua causalidade e como tratá-</p><p>los? Essas são indagações que guiam Freud na construção de uma</p><p>teoria e um método de tratamento. Abordaremos mais detidamente as</p><p>estruturas clínicas, mas, antes, retomaremos as duas operações</p><p>estruturais para o advento do sujeito dividido pela linguagem. Estamos</p><p>falando do complexo de Édipo e da castração.</p><p>Em Freud, vemos a função paterna como sendo aquela que opera a</p><p>castração simbólica marcando a saída do complexo de Édipo. Ele se</p><p>baseia na história mítica de Édipo para demonstrar que há um</p><p>movimento estruturante na infância. Trata-se da relação da criança com</p><p>os semelhantes que exercem as funções materna e paterna para ela e</p><p>os arranjos relacionais e simbólicos que daí decorrem. No Édipo, a</p><p>criança toma sua mãe como objeto de amor e teme, em sua fantasia, o</p><p>ataque paterno, uma vez que este representa a interdição entre ela e a</p><p>mãe.</p><p>A saída do complexo de Édipo se dá a partir da interdição operada pela</p><p>figura paterna. É por meio da castração que a criança entende que não</p><p>terá acesso a todo o seu desejo e que ele pode se realizar apenas</p><p>parcialmente.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 20/51</p><p>Édipo e a Esfinge, pintura de Gustave Moreau (1864).</p><p>Introduzir o tema do Édipo e da castração nos dá o caminho para</p><p>apresentarmos as especificidades de cada estrutura clínica, que, na</p><p>verdade, são formas discursivas de resposta à castração, ou seja,</p><p>maneiras de negar a castração no Outro.</p><p>Neurose</p><p>A neurose é a estrutura clínica sobre a qual Freud se debruçou mais</p><p>profundamente, isso porque sua clínica com a histeria, que marca a</p><p>criação da Psicanálise, o convoca a pensar uma teoria que pudesse</p><p>responder ao sintoma desse tipo de neurose. Nessa estrutura, o</p><p>complexo de Édipo é, como afirma Freud, vítima de uma espécie de</p><p>naufrágio equivalente à amnésia histérica. O neurótico esquece o que se</p><p>passou na infância, ou conserva poucas memórias dela. O</p><p>esquecimento desse período leva consigo os dados de lembrança</p><p>relativos ao Édipo, no entanto, ele se faz</p><p>presente por meio do sintoma.</p><p>Exemplo</p><p>No caso O homem dos ratos (1909), um neurótico obsessivo apresenta a</p><p>seguinte questão: “se eu vejo uma mulher nua, meu pai deve morrer”. O</p><p>recalque da representação do desejo da morte do pai retorna de forma</p><p>simbólica na construção do sintoma. O pai, como rival na trama edípica,</p><p>deve morrer para dar acesso à mãe. Contudo, essa ideia intolerável é</p><p>recalcada. Seu retorno, por meio do sintoma obsessivo, demonstra a</p><p>função paterna como operador da castração.</p><p>Para Lacan, é na travessia do complexo de Édipo que se articulam as</p><p>questões fundamentais do sujeito: sua relação com o sexo, com a</p><p>morte, com a procriação e com a paternidade/maternidade. Nela se</p><p>inscreve um significante estruturante que o autor chamou de o Nome-</p><p>do-Pai. A castração expõe uma impossibilidade de simbolizar, por isso é</p><p>preciso que o sujeito se defenda. Na neurose, o mecanismo de defesa</p><p>utilizado como forma de negação da castração é o recalque. Nele, há</p><p>uma negação e, por consequência, um apagamento, o que torna a</p><p>experiência esquecida, mas ela é preservada no inconsciente. O que é</p><p>negado no campo simbólico retorna no próprio símbolo sob a forma de</p><p>sintoma.</p><p>Nome-do-Pai</p><p>Segundo Freud, os complexos de Édipo e de castração são fatores</p><p>decisivos para se pensar a entrada do sujeito no “mundo” do desejo, da lei e</p><p>da cultura. Lacan proporcionou uma nova leitura do Édipo freudiano ao</p><p>pluralizar o Nome-do-Pai e trazer à discussão os modos singulares da</p><p>presença da função paterna, pluralizada em diversos nomes. Lacan</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 21/51</p><p>demonstra que a castração não é uma operação edípica, mas é, antes de</p><p>tudo, uma operação de inscrição da linguagem.</p><p>Psicose</p><p>Na psicose também há uma negação da castração, mas o que é negado</p><p>retorna no real. O real em Lacan é tomado como um registro psíquico,</p><p>mas além dele há outros dois: o simbólico e o imaginário.</p><p>O que está no real é algo que não se ordena na cadeia</p><p>significante, isto é, algo que não se pode simbolizar.</p><p>Nos termos de Freud, seria aquilo que não pode ser</p><p>elaborado.</p><p>A forma de negação na psicose é a foraclusão. A palavra deriva de um</p><p>termo jurídico francês, forclusion, que remete a algo que ficou de fora do</p><p>processo, por assim dizer. Na psicose, o termo foracluído é o</p><p>significante Nome-do-Pai. Para o sujeito, esse retorno é vivido como</p><p>externo a ele, podendo mesmo ter um sentido de intrusão. Uma das</p><p>formas desse retorno é o automatismo mental, cuja forma sintomática</p><p>bastante conhecida é a alucinação. A construção delirante na psicose é</p><p>uma tentativa de recompor a relação do sujeito com a realidade, de</p><p>modo a dar um sentido possível às vivências estranhas.</p><p>No texto Sobre o início do tratamento (1913), Freud enfatiza a</p><p>importância do diagnóstico diferencial entre neurose e psicose. Ele</p><p>afirma que, para o psicanalista, é fundamental o discernimento</p><p>diagnóstico.</p><p>Atenção!</p><p>Quando o paciente não é acometido de uma neurose e possui uma</p><p>estrutura psicótica, o psicanalista não pode sustentar sua promessa de</p><p>cura do sintoma. Por isso é preciso evitar um erro diagnóstico.</p><p>Freud segue apontando que haveria uma perda econômica do paciente</p><p>com o tratamento e sem que ele obtivesse êxito ao final de tudo. Além</p><p>disso, a Psicanálise, ainda uma teoria e um método de tratamento</p><p>emergente, poderia ser desacreditada. Mas há também um motivo</p><p>estritamente clínico para o cuidado com a compreensão diagnóstica:</p><p>um paciente psicótico não pode ser tomado como neurótico. Se isso</p><p>ocorrer, ele poderá entrar em crise.</p><p>Outro elemento importante na diferenciação dessas estruturas é a</p><p>relação com o saber colocado no jogo transferencial. Na neurose, há</p><p>uma suposição do saber do analista, ou seja, ele sabe sobre o sintoma</p><p>do neurótico. Já na psicose, há uma atribuição de saber, pontos de</p><p>certeza e antecipação de saber.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 22/51</p><p>Perversão</p><p>Em Freud, a perversão foi revisitada ao longo de seus escritos, com</p><p>acréscimos e novas considerações. Nela, a defesa psíquica utilizada</p><p>frente à castração é a renegação ou denegação. A perversão é uma</p><p>renegação da castração e uma fixação na sexualidade infantil. Nessa</p><p>estrutura, o sujeito sabe da realidade da castração, portanto, há uma</p><p>inscrição da função paterna como representante da lei simbólica, mas</p><p>ele a nega.</p><p>Em termos lacanianos, podemos dizer que na perversão há uma</p><p>inscrição da castração no simbólico e, em seguida, uma recusa dela, um</p><p>desmentido. Nessa estrutura, o que se nega é a diferença sexual, pois o</p><p>perverso nega a falta do falo materno – ela não tem pênis. Na infância, é</p><p>comum esse estranhamento.</p><p>Freud descreveu algumas fases do desenvolvimento infantil, dentre elas</p><p>a fase fálica. Nessa fase, a criança estranha a ausência do pênis.</p><p>icone1</p><p>Menino</p><p>Supõe que a mãe também tem pênis e, quando descobre que ela não</p><p>tem, supõe que poderá lhe crescer um.</p><p>icone2</p><p>Menina</p><p>Crê que o dela ainda não cresceu, mas que poderá ter um.</p><p>Ambas são formas de fantasiar e isso aparecerá de diferentes maneiras</p><p>no discurso da criança, porém, contendo essa mesma impossibilidade</p><p>de assimilar a diferença sexual. Na perversão, essa denegação da</p><p>verdade exposta pela operação da castração é levada à vida adulta.</p><p>A perversão se estrutura a partir desse ponto de fixação na fase fálica. O</p><p>perverso desloca a libido para uma outra coisa – parte do corpo ou</p><p>objeto. Ele torna essa parte o objeto fálico, ou seja, torna esse objeto</p><p>revestido de certo poder e mobiliza sua energia sexual para ele. É uma</p><p>forma de prazer que não está no encontro sexual, mas sim na fixação a</p><p>esse objeto. Dessa forma, partes do corpo ou objetos não genitais</p><p>ganham valor de genital.</p><p>Exemplo</p><p>Freud trabalhou um caso em que o brilho do nariz no outro era o traço</p><p>fetichista. A fixação do prazer no ver o ato sexual de outra pessoa</p><p>(voyerismo), ou ser visto em contexto sexual (exibicionismo), também</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 23/51</p><p>são formas de organização de um desejo perverso. Assim, podemos</p><p>afirmar que o sintoma do perverso é o fetiche.</p><p>As três estruturas psíquicas</p><p>Veja agora as diferentes estruturas, neurose, psicose e perversão e suas</p><p>implicações com o complexo de castração.</p><p></p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 24/51</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Freud enfatiza a importância do diagnóstico diferencial entre</p><p>neurose e psicose. A Psicanálise foi criada, antes de tudo, a partir</p><p>da clínica da histeria, que é um tipo clínico da neurose. Sobre a</p><p>importância do diagnóstico diferencial entre neurose e psicose, é</p><p>correto afirmar que</p><p>A</p><p>na neurose o psicanalista não pode se comprometer</p><p>com a cura sintomática porque o sujeito está</p><p>aderido à sua forma de padecimento.</p><p>B</p><p>um paciente de estrutura psicótica não pode ser</p><p>tratado por referência à castração. Tomá-lo como</p><p>neurótico é um erro que pode favorecer a abertura</p><p>de uma crise psicótica.</p><p>C</p><p>ao enfatizar a importância do diagnostico</p><p>diferencial, Freud se preocupava apenas com a</p><p>reputação da Psicanálise. Ele temia que a nova</p><p>ciência fosse desacreditada.</p><p>D</p><p>a diferença de manejo na neurose e na psicose é</p><p>sutil. Na neurose, o analista enfatiza os conteúdos</p><p>recalcados da infância e, na psicose, ele insere o</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 25/51</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>Freud criou a Psicanálise a partir da clínica da histeria, que é um</p><p>tipo</p><p>de neurose. Ele demonstra a importância de compreender se o</p><p>caso em questão é de uma neurose ou de uma psicose, e aponta</p><p>algumas razões para isso. Uma delas é não desperdiçar o tempo e</p><p>os recursos financeiros dos pacientes, pois, para ele, o psicótico</p><p>não se beneficiaria do método. Além disso, a Psicanálise, ainda em</p><p>seu início, precisava mostrar que era efetiva para o tratamento das</p><p>afecções psíquicas. Depreendemos também, ao longo de sua obra,</p><p>outra razão para esse cuidado com o diagnóstico. O manejo do</p><p>paciente psicótico é outro. Tentar inseri-lo na lógica da falta, na qual</p><p>esse limite passa a ser trabalhado e compreendido, como se faz</p><p>com o neurótico, é contraindicado, pois poderá favorecer a abertura</p><p>do quadro psicótico em pacientes que possuem a estrutura, mas</p><p>ainda não desencadearam os sintomas típicos.</p><p>Questão 2</p><p>Sobre a estrutura perversa, pode-se dizer que com pouca frequência</p><p>a encontramos na clínica psicanalítica. Uma hipótese é de que isso</p><p>ocorra por sua forma de defesa frente à castração. Sobre essa</p><p>estrutura clínica é correto afirmar que</p><p>paciente na lógica da castração. Portanto, a função</p><p>diagnóstica é relativa à condução do tratamento.</p><p>E</p><p>para Freud, o diagnóstico tem como principal função</p><p>saber se o psicótico é orientado pelo complexo de</p><p>Édipo. Sendo confirmada essa referência, o sujeito</p><p>pode ser submetido a uma Psicanálise.</p><p>A</p><p>na perversão, a defesa frente à castração é o</p><p>recalque, e nele o sujeito lança para o inconsciente</p><p>os elementos que mobilizam angústia.</p><p>B</p><p>na perversão não há inscrição do Nome-do-pai, o</p><p>que significa que não há internalização da lei</p><p>simbólica.</p><p>C</p><p>o perverso desloca a libido oriunda de uma pulsão</p><p>que não pode se realizar para uma produção</p><p>artística, e esse mecanismo defensivo é chamado</p><p>de sublimação.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 26/51</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Na perversão, o tipo de defesa utilizada é a renegação, também</p><p>chamada de denegação. Nela, o sujeito nega a realidade da</p><p>castração, desmentindo-a. Se na neurose ocorre o recalque com</p><p>seu posterior retorno pelo sintoma, na perversão a castração é</p><p>negada e o sujeito se comporta como se não se orientasse por uma</p><p>lógica que implica nele e no outro um limite próprio à estrutura. O</p><p>perverso não visa ao encontro sexual, mas sim uma satisfação com</p><p>objeto parcial. Isso ocorre pelo fetiche no qual um objeto ou</p><p>situação adquire valor fálico, ou seja, é investido libidinalmente</p><p>como se fosse o próprio órgão sexual.</p><p>3 - Tipos clínicos da neurose e da psicose</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os diferentes</p><p>tipos clínicos da neurose e da psicose para o manejo na prática clínica</p><p>em Psicanálise.</p><p>Neuroses</p><p>D</p><p>na perversão, a defesa utilizada é a denegação da</p><p>castração. O sujeito tem a referência à lei que a</p><p>castração opera, porém a nega e se porta como se</p><p>não a reconhecesse.</p><p>E</p><p>o perverso despreza a mãe por ela não possuir o</p><p>pênis, que é um representante fálico. Na sua lógica,</p><p>todos deveriam ter pênis.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 27/51</p><p>Histeria</p><p>A histeria era um enigma na época de Freud. Parte da comunidade</p><p>científica a tratava como uma espécie de encenação e, a outra parte,</p><p>propunha o tratamento. Entretanto, mesmo nesse caso faltava à</p><p>Medicina elementos para que pudesse reunir os sintomas histéricos</p><p>numa nosologia própria. A partir da prática clínica com as histéricas,</p><p>Freud começa a perceber que os sintomas são códigos simbólicos que</p><p>possuíam alguma mensagem a ser decifrada, o que poderia revelar sua</p><p>causalidade.</p><p>A posição de Freud desloca a questão da histeria, pois</p><p>havia um sofrimento psíquico em jogo. Ele a</p><p>compreende como uma doença psíquica bem definida,</p><p>de modo que exigia uma etiologia específica e a</p><p>proposição de uma técnica própria de tratamento.</p><p>O corpo estava em cena. Freud propõe que as regiões corporais</p><p>afetadas tinham uma excitabilidade, ou seja, funcionavam como zonas</p><p>erotizadas. Mas como se dava essa relação? Ouvindo diversos relatos</p><p>de abuso sexual na infância, ele propôs que os sintomas derivavam de</p><p>uma vivência traumática, mas acabou abandonando essa teoria após</p><p>compreender que estava lidando com uma realidade psíquica. Freud</p><p>formula, então, que o sintoma histérico é determinado de maneira</p><p>inconsciente, que o conteúdo esquecido era manifestado por intermédio</p><p>da afetação de um órgão, o qual possuía algum sentido simbólico no</p><p>caso em questão.</p><p>Outra resposta para a histeria é a presença de um conflito entre as</p><p>pulsões do Id, que insistem em se realizar, e o repúdio do superego</p><p>(instância moral do psiquismo). O ego entra, então, como um mediador</p><p>desse conflito.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 28/51</p><p>O aparelho psíquico na segunda tópica freudiana.</p><p>A ideia intolerável é recalcada e essa energia libidinal retorna para se</p><p>realizar parcialmente por meio do sintoma. Em A interpretação dos</p><p>sonhos (1900), Freud dá destaque ao conflito inconsciente na</p><p>constituição da histeria.</p><p>Vejamos, agora, a diferença entre os sintomas da conversão histérica</p><p>(converte o recalcado no corpo) e a somatização:</p><p>Os sintomas na histeria clássica eram chamados de conversivos,</p><p>isto é, aquilo que falava por meio do corpo histérico era a</p><p>verdade inconsciente. Em outras palavras, ocorria o que</p><p>chamamos de retorno do recalcado na forma de sintoma</p><p>corporal. Com o tratamento pela palavra, a Psicanálise opera</p><p>uma reversão do sintoma conversivo mediante o trabalho de</p><p>lembrança e ressignificação.</p><p>Na somatização não há atribuição de sentido, ou há uma</p><p>narrativa pobre acerca do que afeta o corpo. O sujeito não</p><p>Conversão histérica </p><p>Somatização </p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 29/51</p><p>associa, o sintoma não porta um enigma e funciona como uma</p><p>marca psíquica que não pode ser simbolizada.</p><p>Há uma corrente na atualidade que questiona o uso da histeria, tal como</p><p>postulada por Freud, por não ser comum encontrarmos mais sintomas</p><p>clássicos como as paralisias, contraturas etc.</p><p>Haveria histeria atualmente ou outras formas</p><p>de manifestação do sofrimento psíquico?</p><p>Desde Freud isso já era anunciado, e com Lacan compreendemos ainda</p><p>mais claramente que o ser é constituído por linguagem e que cada</p><p>tempo histórico possui sua forma discursiva. Sendo assim, há</p><p>interferências da cultura e da época na produção de sintomas. Um</p><p>exemplo disso é a própria histeria de conversão: o corpo encenava o</p><p>sintoma numa época em que as mulheres não encontravam espaço</p><p>para serem ouvidas, quando sua sexualidade era negada socialmente.</p><p>Desse modo, não precisamos abandonar a noção de estrutura, mas</p><p>compreendê-las nos nossos dias em quadros somatoformes, nas</p><p>depressões, na personalidade teatral ou histriônica, e também nos</p><p>transtornos dissociativos, narcísicos e alimentares.</p><p>Neurose obsessiva</p><p>Na neurose obsessiva, a defesa usada frente à castração também é o</p><p>recalque, mas a forma de organização sintomática é outra. O obsessivo</p><p>faz uma substituição da ideia original causadora de conflito por outra,</p><p>de sentido banal. Outra diferença importante que Freud ([1894] 1986)</p><p>ressaltou é que:</p><p>Na neurose</p><p>obsessiva</p><p>A ideia a ser recalcada é</p><p>de uma experiência que</p><p>causou prazer, mas não</p><p>deveria, por ser algo</p><p>proibido.</p><p>Na histeria</p><p>A hipótese de sua causa</p><p>é de uma experiência</p><p>desprazerosa e passiva</p><p>na infância.</p><p>Todas as recordações e reprovações das experiências sexuais infantis</p><p>só adentram a consciência com deformações, justamente para que</p><p>continuem ocultas na memória do sujeito, pois, de outra maneira,</p><p>haveria culpa e angústia. O ego do obsessivo defende-se</p><p>dessa</p><p>possibilidade de confronto com a formação de sintomas, que são</p><p>formas preventivas na luta contra as representações que deveriam se</p><p></p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 30/51</p><p>manter inconscientes. Freud também demonstrou que os atos dos</p><p>obsessivos são comparáveis aos atos de uma vida religiosa, cujos</p><p>cerimoniais possuem uma importância. O cerimonial do obsessivo se</p><p>refere aos gestos e restrições colocados em prática em diferentes áreas</p><p>da vida.</p><p>Podemos resumir a neurose obsessiva como a doença da culpa, que</p><p>opera como medida preventiva, uma divisão ao separar a ideia do afeto.</p><p>A diferença dos tipos clínicos está na localização, no destino do afeto.</p><p>icone3</p><p>Na histeria</p><p>O destino é o corpo.</p><p>icone4</p><p>Na obsessão</p><p>É no pensamento, por meio de uma ideia substitutiva</p><p>O pensamento é julgado como se fosse um desejo. Na neurose</p><p>obsessiva, o desejo é orientado pelo impossível, algo inacessível,</p><p>portanto, um desejo não realizado. A culpa presente nesse tipo clínico</p><p>deriva de uma covardia moral frente ao desejo, ou seja, o obsessivo se</p><p>culpa por recuar frente ao seu desejo.</p><p>O transtorno obsessivo compulsivo é um diagnóstico atual e que está</p><p>mais claramente relacionado ao tipo clínico descrito por Freud. Existem</p><p>quadros de personalidade obsessiva nos quais as obsessões e rituais</p><p>não chegam a atrapalhar o funcionamento ou a vida da pessoa. Por</p><p>outro lado, existe o TOC propriamente dito, no qual persistem ideias</p><p>obsessivas, compulsões e rituais que afetam grandemente a vida e as</p><p>relações.</p><p>Comentário</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 31/51</p><p>Vale lembrar que a nosografia psicanalítica não é mais utilizada para</p><p>tratar de transtornos mentais no campo psiquiátrico, no entanto, vários</p><p>quadros possuem sintomas que podem apontar para uma estrutura</p><p>neurótica obsessiva. É preciso tomar a noção de estrutura com cuidado,</p><p>pois sua interpretação é para ser feita no contexto do atendimento sob</p><p>transferência.</p><p>Fobias</p><p>Na solução para o conflito psíquico, o mecanismo da fobia é a</p><p>substituição do recalcado por um objeto fóbico. O conflito psíquico leva</p><p>o sujeito a um estado de angústia no qual a saída encontrada é a troca</p><p>do conteúdo conflituoso por um objeto que possa ser evitado. Sendo</p><p>assim, o sujeito substitui o objeto e conserva o afeto. Nesse</p><p>deslocamento, a angústia pode ser controlada mediante a evitação</p><p>porque, dessa vez, a causa do sofrimento é externa. Não é possível fugir</p><p>daquilo que faz parte da constituição psíquica, mas se a angústia e o</p><p>medo estão deslocados para algo que está fora, será possível evitar o</p><p>confronto.</p><p>Podemos descrever o tipo clínico fóbico por portar um medo que</p><p>persiste e que, na maioria das vezes, não possui uma justificativa</p><p>racional, mesmo assim provoca no sujeito todas as reações</p><p>psicológicas e físicas como se ele estivesse diante de um risco real.</p><p>Com isso, podemos destacar dois elementos principais:</p><p>O medo</p><p>A evitação</p><p>A ansiedade que a fobia desperta é incoerente com o perigo temido,</p><p>isso quando de fato há algum perigo.</p><p>As fobias estão presentes em crianças, quando elas estão lidando com</p><p>temas centrais, tais como questões que tocam a sensação de</p><p>pertencimento ao meio familiar, as identificações, a diferença sexual e a</p><p>morte.</p><p>Exemplo</p><p>Um caso paradigmático apresentado por Freud foi o do menino Hans,</p><p>pois podemos encontrar nele os elementos centrais da fobia. A angústia</p><p>da castração o faz temer o pai, o qual também é muito amado pelo</p><p>menino. Ele resolve esse conflito deslocando o afeto (medo) para um</p><p>objeto externo: o cavalo. A fobia por cavalos o faz evitar o contato com</p><p>esses animais (evitação fóbica). A solução para o sintoma vem por meio</p><p>da análise, na qual vai sendo construída uma travessia da fantasia</p><p>ligada ao complexo de Édipo e à castração.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 32/51</p><p>Na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos</p><p>mentais (DSM-V), as fobias são colocadas dentro da categoria dos</p><p>transtornos de ansiedade e são divididas em:</p><p>Fobia social;</p><p>Agorafobia;</p><p>Fobias específicas.</p><p>A gravidade está no nível de ansiedade que a fobia mobiliza e na</p><p>proporção de afetação que produz na vida do sujeito. Por exemplo:</p><p>icone5</p><p>O�diofobia</p><p>Um medo de cobras</p><p>pode ser controlado, já</p><p>que o objeto fóbico não</p><p>é encontrado nas</p><p>cidades.</p><p>icone</p><p>Claustrofobia</p><p>A fobia de ambientes</p><p>fechados limita muito a</p><p>vida do sujeito, pois ele</p><p>passa a evitar</p><p>elevadores, túneis, entre</p><p>outras situações e</p><p>ambientes.</p><p>Luto</p><p>O luto não é um tipo clínico, mas sim uma reação à perda. No entanto, o</p><p>estamos apresentando dentro da estrutura neurótica por se tratar de um</p><p>estado que exige trabalho de elaboração e que tem por referência a</p><p>castração. Outra razão é porque frequentemente um estado de luto é</p><p>confundido com depressão. Para Freud (1917), o luto é a reação à perda</p><p>de um ente querido, de algo ou de um ideal que tenha ocupado um lugar</p><p>muito particular nos afetos e representações do enlutado. A reação à</p><p>perda é manifestada por um desânimo profundamente penoso, por um</p><p>desinteresse pelo mundo externo, pela dificuldade de estabelecer novos</p><p>laços afetivos e pela inibição das atividades.</p><p></p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 33/51</p><p>O tempo de duração desse estado de luto varia de sujeito para sujeito,</p><p>além de também sofrer outras interferências, tais como o tipo de vínculo</p><p>em jogo ou a forma como a perda se deu. Durante esse estado, ocorre</p><p>uma internalização do objeto perdido pelo eu no primeiro momento e,</p><p>posteriormente, uma retirada da libido desse objeto. Nesse segundo</p><p>momento, a libido é retirada do eu e retorna à realidade, mas essa</p><p>passagem só é possível pelo trabalho psíquico de elaboração que busca</p><p>significar e ultrapassar a perda do objeto.</p><p>Freud enfatiza que o retorno da libido à realidade vai</p><p>sendo executado aos poucos, de forma sofrida e com</p><p>muito dispêndio de energia psíquica.</p><p>Psicose</p><p>Paranoia</p><p>Na paranoia, ocorre uma confusão alucinatória na qual o eu recusa a</p><p>representação e o afeto envolvidos no conflito gerador de angústia. O</p><p>mecanismo de defesa é poderoso porque consegue rechaçar por</p><p>completo a representação intolerável. Sobre esse mecanismo, Freud</p><p>afirma que o ego rompe com a representação, mas esta última</p><p>permanece inseparável do fragmento da realidade. Quando o ego obtém</p><p>esse resultado, ele também se desliga total ou parcialmente da</p><p>realidade.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 34/51</p><p>A alucinação, como sintoma mais característico dos quadros psicóticos,</p><p>é um retorno da representação incompatível com o ego e do fragmento</p><p>de realidade negado. Nesse caso, o retorno não é simbólico ou</p><p>reconhecido como parte do sujeito, mas algo que vem de fora, um</p><p>estranho que não reconheço como meu e que me ameaça. Na paranoia</p><p>há sempre um perigo à espreita, pois o sujeito teme que algo venha de</p><p>fora para o aniquilar. As vivências estranhas como os fenômenos</p><p>alucinatórios ganham uma tentativa de sentido por meio da construção</p><p>delirante.</p><p>Em termos de diagnósticos atuais, podemos destacar o transtorno de</p><p>personalidade paranoide e os quadros delirantes de conteúdo</p><p>paranoide.</p><p>Em comum entre eles estão as principais</p><p>características do tipo paranoide: pessoas com uma</p><p>desconfiança constante e uma suspeita persistente</p><p>sobre os outros.</p><p>Essa desconfiança aparece das seguintes formas:</p><p>Suspeita sem justificativa de ser explorado ou enganado;</p><p>Dúvida da confiabilidade de amigos e outras pessoas de seu</p><p>vínculo;</p><p>Temor</p><p>que suas informações sejam usadas contra si;</p><p>Ciúmes injustificáveis;</p><p>Além da interpretação errônea da realidade em muitas ocasiões e</p><p>contextos.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 35/51</p><p>Atenção!</p><p>Em quadros mais graves, como na esquizofrenia de base paranoide, os</p><p>sintomas envolvem alucinações auditivas de vozes que ofendem ou</p><p>ameaçam o sujeito, além de ocorrerem também alterações do</p><p>comportamento e dos hábitos, culminando em isolamento social. Os</p><p>fenômenos da linguagem estão presentes e o sintoma mais importante</p><p>é a sistematização de um delírio de conteúdo persecutório que</p><p>recomponha a ligação perdida com a realidade, servindo de resposta</p><p>para as vivências estranhas.</p><p>Esquizofrenia</p><p>A esquizofrenia é considerada um transtorno psiquiátrico que reúne um</p><p>conjunto de sinais e sintomas graves. Dentre eles, podemos destacar as</p><p>alterações no pensamento, nas emoções e no comportamento. Cada</p><p>tipo de esquizofrenia tem suas características e pode se apresentar em</p><p>uma fase determinada da vida. Ela pode afetar mais homens ou</p><p>mulheres, dependendo do tipo. Os principais sintomas do transtorno</p><p>são:</p><p>Delírios;</p><p>Alucinações;</p><p>Alterações motoras e da vivência corporal;</p><p>Ocorrendo também alterações da linguagem, como neologismos;</p><p>Fenômenos de eco na fala etc.</p><p>Vamos destacar aqui alguns tipos de esquizofrenia:</p><p>Paranoide</p><p>Predominam os delírios persecutórios e as alucinações,</p><p>principalmente as alucinações auditivas, sendo também comum</p><p>alterações do comportamento, tais como agitação e inquietação.</p><p>Catatônica</p><p>Apresenta como principal sintoma o estado catatônico, que se</p><p>caracteriza por movimentos lentificados ou mesmo uma paralisia</p><p>completa, o que faz com que o sujeito possa permanecer na</p><p>mesma posição por horas ou dias. É um tipo mais raro de</p><p>esquizofrenia.</p><p>Hebefrênica</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 36/51</p><p>O pensamento se encontra desorganizado, havendo falas sem</p><p>sentido e fora do contexto. Ocorrem também a presença de</p><p>sintomas negativos, que são aqueles que promovem um</p><p>desligamento do sujeito com o mundo, destacando-se o</p><p>embotamento afetivo e intelectual, o desinteresse e o isolamento</p><p>social.</p><p>As psicoses segundo a</p><p>Psicanálise</p><p>Veja agora os diferentes tipos clínicos da psicose para o manejo na</p><p>prática clínica em Psicanálise.</p><p></p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 37/51</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A estrutura psicótica possui algumas formas de apresentação</p><p>sintomática, dentre elas, a paranoia. Sobre esse tipo clínico,</p><p>podemos dizer que a falta de confiança nos outros e as ideias de</p><p>perseguição são traços presentes de personalidade. Assinale a</p><p>alternativa que apresenta um pouco mais sobre esse quadro.</p><p>A</p><p>Na confusão alucinatória da paranoia, o ego rechaça</p><p>por completo a representação e o afeto que se</p><p>ligam ao conflito intolerável. O que dele retorna é</p><p>tomado como vindo de fora, não é reconhecido</p><p>como sendo do sujeito.</p><p>B</p><p>Na paranoia, o ego rompe apenas com parte da</p><p>realidade, e a fantasia tenta recompor o que foi</p><p>perdido.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 38/51</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>Na paranoia acontece uma confusão alucinatória na qual o eu</p><p>recusa o afeto e a representação de uma experiência dolorosa ou</p><p>incômoda. O mecanismo de defesa é poderoso o suficiente para</p><p>eliminar qualquer vestígio do que foi recusado e, quando retorna, o</p><p>faz fora do ego, portanto, sem que o sujeito reconheça como seu.</p><p>Nesse retorno, se organiza um sintoma alucinatório e, na tentativa</p><p>de refazer a ligação com a realidade, o paranoico constrói um</p><p>delírio que tem características persecutórias.</p><p>Questão 2</p><p>A neurose utiliza como principal defesa psíquica o recalque. Nesse</p><p>mecanismo de defesa, há uma separação entre ideia e afeto. A ideia</p><p>recalcada retorna como sintoma e seu destino é o corpo. Nas</p><p>afetações psicossomáticas também o corpo está em evidência.</p><p>Sobre essas duas formas de apresentação de sintoma, marque a</p><p>alternativa correta.</p><p>C A alucinação na paranoia advém do conteúdo</p><p>parcialmente negado da realidade. Normalmente,</p><p>seu conteúdo é visual e se liga a delírios de</p><p>grandeza.</p><p>D</p><p>Quando o ego rechaça o conteúdo conflitivo, há uma</p><p>perda total ou parcial da realidade. O que retorna do</p><p>conteúdo conflitivo recai sobre o simbólico e</p><p>participa da formação sintomática.</p><p>E</p><p>Os fenômenos alucinatórios na paranoia são</p><p>explicados pela construção fantasiosa do sujeito, e</p><p>seu conteúdo quase sempre envolve o narcisismo</p><p>primário.</p><p>A</p><p>Na conversão, o sintoma corporal não tem um</p><p>sentido que possa ser decifrado, ao passo que na</p><p>somatização há um simbolismo relativo ao</p><p>recalcado.</p><p>B</p><p>Conversões motoras como incapacidade de levantar</p><p>ou se sentar, tiques motores ou na fala e afetações</p><p>sensoriais são sintomas típicos dos fenômenos</p><p>psicossomáticos.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 39/51</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>A histeria clássica e os fenômenos psicossomáticos da atualidade</p><p>portam algo em comum, pois há um corpo que padece. No entanto,</p><p>o que está em jogo em cada uma dessas formas sintomáticas é</p><p>distinto. Na conversão histérica, uma parte do corpo ou um órgão</p><p>aparece afetado por uma energia libidinal, que porta uma verdade</p><p>ainda inconsciente para o paciente. Já nos sintomas ligados à</p><p>psicossomática, os efeitos no corpo são pouco dialetizáveis e não</p><p>há significação possível.</p><p>4 - Manejo das formações do inconsciente</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as formações do</p><p>inconsciente e a maneira de abordar cada uma delas.</p><p>C</p><p>Os sintomas conversivos, que caracteristicamente</p><p>afetavam um órgão ou parte do corpo, portavam</p><p>uma memória simbólica que precisava ser decifrada</p><p>em análise.</p><p>D</p><p>A Psicanálise propõe um tratamento pela palavra e,</p><p>dessa forma, ocorre uma reversão do sintoma</p><p>psicossomático por meio do trabalho de lembrança</p><p>e ressignificação.</p><p>E</p><p>Na conversão histérica, não há simbolismo nos</p><p>sintomas. A afetação do corpo não tem valor de</p><p>enigma e, assim, falamos em uma impossibilidade</p><p>de elaboração.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 40/51</p><p>Sonhos</p><p>O sonho é regido pelo processo primário que visa ao prazer. Tendo por</p><p>base essa elaboração, Freud propôs que os sonhos são formas de</p><p>realização do desejo. Eles sofrem deformações dos mecanismos</p><p>psíquicos de deslocamento e condensação:</p><p>No deslocamento há a transferência de um afeto dirigido a uma</p><p>situação ou pessoa para outro, ou seja, algo ou alguém que</p><p>representa outra coisa ou outra pessoa.</p><p>Na condensação ocorre uma espécie de reunião, de forma</p><p>fusionada, de vários elementos que portam a verdade</p><p>inconsciente em um elemento que parece banal ou sem</p><p>importância.</p><p>Para Freud, é por meio da interpretação dos sonhos que podemos ter</p><p>acesso à compreensão dos sintomas, dos mitos que nos orientam, das</p><p>religiões etc., isto é, de tudo que se apresente como expressão do</p><p>desejo humano. Os sonhos são compostos por resíduos e impressões</p><p>de dias anteriores, por conteúdos recalcados e elementos infantis</p><p>ligados ao desejo. Na interpretação dos sonhos não se pode tomá-los</p><p>por inteiro ou propor uma leitura sem que haja uma livre associação por</p><p>parte do sujeito. O analista deve solicitar que seu paciente fale</p><p>livremente do sonho, relatando cada detalhe lembrado, mesmo que</p><p>pareça irrelevante.</p><p>Os sonhos são formados por conteúdos</p><p>fragmentados e sofrem muitas</p><p>deformações devido ao deslocamento e à condensação, de modo que</p><p>qualquer interpretação imediata ou que tente abarcar o todo do sonho</p><p>relatado é no mínimo imprudente. Como enigma, o sonho deve ser</p><p>decifrado e o papel do analista é acompanhar o paciente nessa</p><p>investigação.</p><p>Deslocamento </p><p>Condensação </p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 41/51</p><p>Ele prestará sua atenção flutuante aos elementos que podem ser</p><p>desconsiderados ou tratados como sem importância, indicando para o</p><p>paciente que ali pode haver um sentido oculto. Além disso, poderá</p><p>propor construções que estejam relacionadas ao que vem sendo</p><p>trabalhado na análise.</p><p>A principal tese de Freud acerca dos sonhos é</p><p>que eles portam a verdade relativa ao desejo.</p><p>Contudo, a ocorrência de sonhos de angústia cujos conteúdos traziam</p><p>uma dimensão traumática levou à proposição de que há no sonhar algo</p><p>que está além do prazer. Esse foi um dos elementos clínicos que</p><p>levaram Freud à proposição de outro princípio que rege o psiquismo: o</p><p>princípio de morte. Esse conceito foi introduzido no texto Além do</p><p>princípio do prazer (1920) e é fundamental para a compreensão de</p><p>algumas manifestações que encontramos na clínica, como as vivências</p><p>pós-traumáticas, as toxicomanias, as crises de ansiedade que resultam</p><p>em um ataque de pânico, entre outros. São manifestações sintomáticas</p><p>que colocam em curso uma repetição desprazerosa que lança o sujeito</p><p>em muita angústia.</p><p>Atos falhos</p><p>Freud descreveu alguns tipos de atos falhos:</p><p>Lapso verbal;</p><p>Lapso de leitura;</p><p>Lapso de audição;</p><p>Lapso de memória;</p><p>Extravio de objeto;</p><p>Perda de objeto;</p><p>Alguns equívocos.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 42/51</p><p>Esses fenômenos, diferentemente dos lapsos causados por alguma</p><p>perda de ordem cognitiva, têm um caráter temporário e podem mesmo</p><p>ser considerados banais. Em Psicopatologia da vida cotidiana, o autor</p><p>reuniu esses fenômenos que, embora tomados como banais, portam um</p><p>sentido ou uma intencionalidade que diz mais do que sua aparência</p><p>demonstra, isto é, eles possuem uma dimensão inconsciente que pode</p><p>se esclarecer na análise.</p><p>Os lapsos verbais ganharam mais atenção por serem muito comuns na</p><p>clínica psicanalítica, além de serem considerados por Freud como os</p><p>mais apropriados para a investigação da Psicanálise. Os atos falhos</p><p>podem ser descritos, na sua forma de lapso verbal, como sendo uma</p><p>espécie de erro ou equívoco ao enunciar uma determinada palavra ou</p><p>frase. O sujeito estranha o que foi dito e afirma não ser isso o que</p><p>intencionava dizer.</p><p>Comentário</p><p>Muitas vezes esse tipo de lapso da linguagem não é notado pelo falante,</p><p>mas ao perceber o ocorrido, o sujeito reage com surpresa, perplexidade</p><p>e muitas vezes até com irritação, como se tivesse sido mostrado, à</p><p>revelia de sua intenção, algo que desejava manter oculto.</p><p>Freud buscou fazer uma equivalência entre sentido, significado e</p><p>intenção nos atos falhos, demonstrando, com isso, que se trata mais do</p><p>que uma irrupção abrupta do inconsciente. Para ele, o confronto de duas</p><p>intenções diferentes permite que uma dada palavra ou expressão seja</p><p>dita mesmo sem que haja uma intenção consciente do falante. Isso nos</p><p>esclarece que há uma intencionalidade em jogo, mesmo que não seja</p><p>compreendida ou reconhecida pelo sujeito.</p><p>O ato falho porta uma verdade inconsciente</p><p>que precisa ser decifrada.</p><p>No manejo dessa formação do inconsciente, é importante que o analista</p><p>pontue o equívoco caso o paciente não o perceba, e mesmo diante da</p><p>insistência deste em dizer que não foi nada, o encoraje a alguma</p><p>associação. Em determinados casos, o analista pode propor uma</p><p>interpretação com base nos elementos que já possui da análise ou da</p><p>sequência de falas que antecederam o ato falho. Aqui é importante dizer</p><p>que a intervenção do analista deve ser sempre mínima e bem calculada.</p><p>Afinal, a associação deve ser do paciente.</p><p>Os atos falhos</p><p></p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 43/51</p><p>Entenda agora, por meio de exemplos, os diferentes tipos de atos falhos,</p><p>suas características, implicações e a verdade inconsciente e</p><p>intencionalidade.</p><p>Lembranças encobridoras</p><p>De acordo com Freud, a lembrança encobridora é um tipo de recordação</p><p>muito vívida, com nitidez e riqueza de detalhes, mas que não possui</p><p>grande significado. Ela geralmente está relacionada à infância. A tese</p><p>elaborada por ele é de que a finalidade desse tipo de lembrança é</p><p>encobrir outra cena que possui relevância por se ligar às fantasias e</p><p>experiências sexuais infantis ou outras representações que sejam</p><p>traumáticas para o sujeito.</p><p>É comum que a pessoa relate as cores, os cheiros ou</p><p>demais detalhes como se tratasse de uma ocorrência</p><p>em que todos os elementos da experiência recordada</p><p>estivessem intactos na memória.</p><p>Isso despertou a atenção de Freud por não ser comum, uma vez que a</p><p>recordação e o esquecimento são faces de uma mesma moeda, de</p><p>modo que dificilmente algo lembrado preserva tantos detalhes.</p><p>Quais os processos que estão envolvidos nesse tipo de formação do</p><p>inconsciente? A tese é de que existem duas forças opostas em curso:</p><p>uma que impele a lembrança de uma experiência importante, e outra</p><p>força contrária a essa rememoração, que opera como resistência. Essas</p><p>forças não se anulam e, em vez disso, entram em conciliação. Ocorre o</p><p>seguinte:</p><p> O que fica registrado como imagem mnêmica não é</p><p>a experiência relevante em si, mas sim outro</p><p>elemento psíquico associado ao conteúdo que deve</p><p>ser esquecido e, nesse sentido, a resistência vence</p><p>o duelo de forças.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 44/51</p><p>O analista, conhecendo esse tipo específico de lembrança, estará</p><p>advertido de que ela pode revelar um conteúdo bem menos banal do</p><p>que aparenta e deverá propor ao paciente que investigue mais o que</p><p>está além do dito ou da imagem que essa lembrança apresenta.</p><p> O resultado desse processo é que se produz outra</p><p>imagem mnêmica no lugar daquela que não pode</p><p>ser recordada.</p><p> Como os elementos da experiência que suscitaram</p><p>objeção foram os elementos importantes, a</p><p>lembrança encobridora perde a relevância que a</p><p>original possuía.</p><p> Assim, é bastante provável que a lembrança</p><p>substituta passe a ter um caráter quase trivial, sem</p><p>valor simbólico.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 45/51</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A proposição do inconsciente por Freud recoloca a pergunta sobre</p><p>o que é a verdade. Se o pensamento científico que o antecede é a</p><p>aposta na racionalidade, o que vem com o conceito do inconsciente</p><p>é a verdade como sendo relativa à vida psíquica. O sonho é uma</p><p>formação do inconsciente e demonstra bem como as leis que</p><p>regem o psiquismo são outras. Sobre os sonhos, é correto afirmar</p><p>que</p><p>A</p><p>o sonho é regido pelo processo secundário e</p><p>demonstra bem o duelo entre pulsão de</p><p>autoconservação e pulsão de morte.</p><p>08/08/2024, 15:01 Características clínicas e direção do tratamento</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/05006/index.html?brand=estacio# 46/51</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>Para Freud, os sonhos representam a realização do desejo, e é</p><p>preciso encontrar as pistas desse desejo por meio da interpretação</p><p>do sonho. Após a introdução do conceito de pulsão de morte, ele</p><p>elabora também uma dimensão traumática nos sonhos de</p><p>angústia. A vida onírica sofre deformações, pois, no deslocamento,</p><p>há uma substituição de um pelo outro. Já na condensação, ocorre</p>

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