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<p>AO JUÍZO DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL DA COMARCA DE ....</p><p>Processo nº...</p><p>APELADO...., já qualificado nos autos da reintegração de posse que lhe move APELANTE...., já qualificada, vem tempestivamente apresentar</p><p>CONTRARRAZÕES</p><p>à apelação interposta, requerendo, desde logo, na forma das razões em anexo e ultimados os trâmites procedimentais de estilo, a remessa dos autos ao Egrégio Tribunal de Justiça e, ao cabo, o não provimento do recurso.</p><p>Nestes termos,</p><p>Espera deferimento.</p><p>Cidade....,..... de outubro de 2020.</p><p>ADVOGADO......</p><p>OAB/RJ....</p><p>TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESTADO Z</p><p>Apelante: ......</p><p>Apelado: .......</p><p>CONTRARRAZÕES À APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal,</p><p>Colenda Câmara:</p><p>I- DA SÍNTESE DA DEMANDA:</p><p>A apelação tem o fito de reformar a r. sentença de fls. que julgou improcedentes os pedidos autorais.</p><p>Não merece ser acolhida a apelação interposta pela parte apelante, como se demonstrará a seguir:</p><p>II - DA NECESSÁRIA MANUTENÇÃO DA R. SENTENÇA E IMPROVIMENTO DO APELO DA PARTE AUTORA:</p><p>Data venia, não merece acolhimento a apelação interposta pela autora, como se demonstrará sem dificuldade.</p><p>Impõe-se a integral manutenção da irretocável sentença do juízo a quo que bem analisou a matéria suscitada nos presentes autos e pelos seus jurídicos fundamentos, julgou improcedente veiculados na inicial.</p><p>Torna-se visível que o recurso em questão não passa de tentativa do recorrente em protelar o cumprimento da condenação imposta. Não há amparo legal às suas pretensões. Não há o que reformar.</p><p>Os infundados pedidos veiculados em sua inicial/contestação, por seus próprios e jurídicos fundamentos, são, agora, com o mesmo desamparo, reiterados via recurso, não merecem guarida.</p><p>No mais, as razões do recurso não apresentam qualquer fato novo ou diverso dos deduzidos no processo que venham a modificar o entendimento deste Egrégio Tribunal.</p><p>Tudo o mais que ficou dito no recurso, não passa de uma tentativa de oferecer, agora a essa instância, uma versão dos fatos de maneira fantasiosa e distorcida, como melhor convém às infundadas pretensões, o que, certamente, também merecerá o repúdio dessa E. Câmara.</p><p>Em apertada síntese, a apelante alega que há contradição sobre a natureza da ação, mas como é possível verificar a autora/apelante ingressou com reintegração de posse, e posteriormente emendou a inicial e apresentou uma ação de imissão na posse.</p><p>Ocorre que o juízo a quo não recebeu a emenda, e ato seguinte designou audiência de justificação. Não tendo a autora impugnado pela via recursal adequada, consuma-se a preclusão temporal, sendo de rigor desconsiderada a emenda posterior a estabilização da demanda.</p><p>Merece se destacado ainda que são duas inicias com alegações distintas para a mesma causa. Isso porque na reintegração de posse alega a existência de um suposto contrato de comodato para que a ré cuidasse da genitora da autora que havia sofrido um AVC nos idos de 2008.</p><p>Na imissão na posse, apresentada como emenda, não recebida pelo juízo, alegou que cedeu o imóvel a título de comodato sem qualquer contraprestação. Nessa nova versão não existia mais a genitora com AVC, que justificou o suposto comodato.</p><p>Estranhamente, o tal contrato de comodato, teria sido celebrado em 2008 posteriormente ao legítimo exercício da posse pela ré, que data dos idos do ano de 1989, conforme farta documentação. Tendo o suposto esbulho sido praticado quando notificou a apelada, em 19/12/2012.</p><p>Para comprovar a posse sobre o bem imóvel a apelante juntou contrato de compra e venda dos direitos possessórios lavrado no cartório de notas em 06/01/2012.</p><p>Apesar de toda narrativa fantasiosa e desprovida de verossimilhança da apelante, os apelados demonstraram que eram possuidores do imóvel desde os idos de 1989, quando o adquiriram do Senhor X.</p><p>Cumpre observar ainda que em sua narrativa a apelante, omitiu a existência do Senhor X, sua participação na relação jurídica, tendo inclusive a apelada guardado fatura de consumo da concessionária de água por longos anos no nome deste, conforme fl.</p><p>Comprovou ainda, a legitimidade da posse exercida com a juntada dos comprovantes de pagamento das prestações pela aquisição do imóvel conforme cheques emitidos em favor do Senhor X, com pagamentos em 15/02/1990, 16/07/1991, 22/02/1991, sendo os valores pagos compatíveis com a prestação de um imóvel naquela época, fl.</p><p>Tendo demonstrado nos autos que após a aquisição da posse, levaram a efeito benfeitorias e acessões, estabelecendo a escola Y, o que se comprova com faturas de água e energia emitidas desde os idos de 1990.</p><p>A alegação de celebração de contrato de comodato com a parte autora, mostrou-se completamente inverídica, pois os apelados sequer conheciam a apelante. Não havia qualquer relação jurídica anterior entre os apelados e a apelante.</p><p>Quanto a alegada comprovação de propriedade pela autora, não se mostra relevante para a reforma da sentença, considerando se tratar de uma ação de reintegração de posse, não tendo a apelante demonstrado que exercia a posse sobre o imóvel, ou que a posse exercida pela apelada era ilegítima.</p><p>Como sabido, nas ações possessórias discute-se apenas sobre a posse, ou seja, sobre ius possessionis, dispensando a caracterização da propriedade para o seu regular conhecimento, nos termos do artigo 1210, § 2º do Código Civil, sendo a ação petitória o meio adequado para tutelar os direitos reais, tal qual a propriedade.</p><p>Caso a parte autora tivesse comprovado a propriedade do bem imóvel objeto do litígio, mas inexistindo prova da posse anterior ao esbulho alegado, tem-se por descabida a conversão da ação reintegratória em imissão de posse. Isto porque o artigo 920 do Código de Processo Civil, que, ao tratar da fungibilidade dos interditos possessórios, não contemplou a ação de imissão de posse, eis que de natureza petitória.</p><p>Inobstante, ainda que a apelante demonstre a propriedade do imóvel objeto do litígio, esta não faz presumir o exercício da posse. Como dito alhures, a posse é requisito essencial a propositura da ação de reintegração de posse, devendo ser efetivamente comprovado o seu exercício anterior ao esbulho.</p><p>Por outro lado, resta incontroverso nos autos que os apelantes exercem há mais de 30 (trinta) anos a posse pacífica do bem imóvel, em decorrência de contrato de compra e venda celebrado com o Senhor X, não existindo prova nos autos de que os apelados tenham perpetrado qualquer ato esbulhatório, ou seja, que tenha adquirido a posse do imóvel através ato ilícito.</p><p>Tanto que, demonstraram através de farta documentação que por longos anos exerceram atividade empresária na área da educação com a escola Y, de notório reconhecimento na cidade, não podendo agora, 30 (trinta) anos depois a apelante alegar que houve esbulho possessório.</p><p>Em sua decisão o juízo de 1ª instância justificou a improcedência do pedido sob o fundamento de que a parte autora/apelante não logrou demonstrar suficientemente o fato constitutivo do direito invocado. Isso porque além de não demonstrar a existência de propriedade registral do endereço sub judice - visto que não coincidente com a certidão imobiliária de fls., não apresentou elementos de prova acerca do efetivo exercício de posse sobre o local nem de transmissão de mera posse direta para a parte ré, via comodato.</p><p>Inconformado com a sentença o recorrente pretende com seu recurso modificar a decisão, sem apresentar nenhum fato novo que seja digno de apreciação e tenta agora na fase recursal apresentar argumentos que em nada são capazes de modificar a sentença proferida.</p><p>Impõe-se, portanto, a manutenção da sentença e a improcedência do pedido reintegratório, porquanto não preenchidos os requisitos elencados no artigo 927, incisos I e IV, do Código de Processo Civil.</p><p>III - DA CONCLUSÃO</p><p>Pelo exposto, requer a essa E. Câmara se digne a negar provimento ao apelo da autora, mantendo a r. sentença de fls., negando provimento ao recurso interposto pela autora, como de direito, bem como requer a majoração dos honorários de sucumbência arbitrados.</p><p>Nestes termos,</p><p>Espera deferimento.</p><p>Cidade....,..... de outubro</p><p>de 2020.</p><p>ADVOGADO......</p><p>OAB/RJ....</p>

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