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<p>teatro da juventude SIP Governo do Estado de São Paulo Secretaria da Cultura Ano 3 - Número 17 - Abril de 1998</p><p>Teatro da Juventude SIP Governo do Estado de São Paulo Secretaria da Cultura Teatro da Juventude - 3</p><p>SP Secretaria de Estado da Cultura Governo do Estado de São Paulo Mário Covas Secretário de Estado da Cultura: Marcos Mendonça Assessoria de Artes Cênicas: Analy Alvarez Esta revista foi recriada em agosto de 1995, por iniciativa de Carlos Meceni e apoio dos demais membros da Comissão de Teatro do Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, composta na época por: Afonso Gentil Analy Alvarez Efrén Colombani Luiz Amorim Vera Nunes Zecarlos de Andrade Teatro da Juventude Ano 3 número 17 Abril de 1998 Editora: Erné Vaz Fregni Revisão: Jônatas Junqueira de Mello Produção: Glória Barbosa dos Santos Editoração eletrônica: Peter Kompier Impressão: Imprensa Oficial do Estado S.A. Imesp Tiragem: 10 mil exemplares Distribuição: gratuita a estabelecimentos de ensino e entidades culturais, da capital e do interior, mediante solicitação por escrito à Comissão de Teatro. A revista Teatro da Juventude é uma publicação bimestral de peças e textos sobre artes cênicas destinada a jovens atores e encenadores. As matérias assinadas não refletem, necessariamente, a opinião da revista. Capa: Flávio Império (in memoriam) Comissão de Teatro Rua 51, 3° andar Praça Júlio Prestes São Paulo SP CEP 01028-907 4 Teatro da Juventude</p><p>EDITORIAL "Não se pode ensinar coisa alguma a alguém; pode-se auxiliar a descobrir por si mesmo", dizia Galileu. Acredito, portanto, ser esta a função da cultura e da educação, e é nesse caminho que trilha a TEATRO DA JUVENTUDE. Nesta edição, a revista traz quatro textos, dois dos quais voltados para momentos históricos. São eles Pedro e Domilila, de Ênio Gonçalves; e Uma Rosa para Hitler, de Roberto Vignati e Greghi Filho. Embora os contextos, como não poderia deixar de ser, sejam até opostos, ambos tratam dos amores de líderes políticos. Com isto, autores conseguiram atenuar e imprimir uma agradável leveza às temáticas sérias, frutos de extensas pesquisas. Pedro e Domitila é uma comédia, e Uma Rosa para Hitler, um drama. Em comum, induzir a reflexão e "auxiliar jovem a descobrir por si mesmo". Quanto ao terceiro texto, namoro, de Miranda Costa, apresenta cotidiano de três adolescentes e, como tal, garante a empatia do público. Divertida, fez enorme sucesso quando montada em diversas capitais brasileiras. texto para crianças, Uma viagem ao faz de conta, é de autoria do conteituado e premiado autor de peças infanto- juvenis Walter Quaglia, que dispensa comentários. A seção "Depoimentos" desta vez tem endereço certo. Está dirigida aos grupos, entidades, associações etc., e ensina como fazer leituras dramatizadas de textos teatrais. Quem assina depoimento é Annita Malufe, presidente da Sociedade Lítero Dramática Gastão Tojeiro, fundada em 1992 e que notabilizou-se pelas leituras públicas de peças que vêm realizando deste então. Reconhecida pelo serviço prestado à dramaturgia brasileira, a Sociedade mereceu os prêmios Shell, APCA e Aplauso. A seção "Livros" traz a "Breve História do Teatro Ocidental", de Marcelo Staionof. Editada pela Livraria Cena Brasileira, uma apostila de linguagem simples voltada para alunos de primeiro e segundo grau e, em especial, a estudantes de artes cênicas. Até a próxima. Erné Vaz Fregni Teatro da Juventude 5</p><p>CARTAS PARABÉNS À TEATRO DA JUVENTUDE em nossa biblioteca não podem permanecer com uma pessoa por mais de Venho por meio desta, cumprimentar uma semana. Espero a compreensão (...), toda a equipe de produção da revista somos um grupo em uma cidade onde Teatro da Juventude, parabenizando-a não se tem local adequado para pelo ótimo desempenho na publicação apresentação (...), faltam-nos recursos, bimestral de peças e textos sobre artes patrocínio e apoio da Prefeitura cênicas. Quero agradecer apoio que a Municipal (...). Mesmo assim, nos restam revista tem nos dado, pois a grande forças e, se Deus quiser, vamos superar dificuldade que tinhamos em pesquisa foi esses conflitos e prêmio de superada, desde 0 momento em que primeiro lugar no Cultural tivemos contato com a revista. Ela tem Paulista (...) nos ajudado muito na montagem de nossas peças teatrais. Em junho de 1966 Luis Fernando P. Tavares fomos à Biblioteca Tobias Rodrigues de Grupo Caleidoscópio nossa cidade, à procura de livros que SP continham peças teatrais e a bibliotecária nos suas revistas. No mesmo ano, participamos do SOLICITAÇÃO DE REVISTAS Cultural Paulista, de 5 a 8 de agosto, na Casa de Cultura "Altino Matinez". Foi Vimos solicitar a especial gentileza de um sucesso. Na fase regional ganhamos enviar-nos exemplares dos livros prêmio de melhor figurino, fomos TEATRO DA JUVENTUDE, que indicados para melhor cenário e serão de grande valia para nossos cursos Christiane da Silva ficou com prêmio (livres) de dramaturgia. Outrossim, de melhor atriz (...). Ficamos em informamos que estamos patrocinando segundo lugar na classificação geral (...). a instalação de uma escola de teatro Baseado nesse sucesso, resolvi escrever à (ensino profissionalizante), cujo processo produção, para solicitar exemplares de está em fase adiantada na Delegacia sua revista, porque as que se encontram Regional de Ensino; tal escola 6 Teatro da Juventude</p><p>funcionará nos moldes das atuais escolas constitui, desde a antiguidade clássica de formação de atores (EAD, grega, meio importante de formação e Macunaima, Célia Helena etc.) e informação cultural. Entendemos ser de contaremos no ensino com professores grande importância para este trabalho a gabaritados e portadores das coleção TEATRO DA JUVENTUDE especificações legais. Atenciosamente, que traz, além de informações teóricas, textos de literatura dramática para todas Aristides de O. Campos presidente as idades de forma simples e objetiva, Piracena Soc. Piracicabana facilitando assim a compreensão de um de Cultura e Lazer público não muito experimentado na Piracicaba SP área teatral e, a montagem por grupos amadores. Vimos, por meio desta, solicitar a doação das publicações que integram esta coleção. Venho por meio desta solicitar recebimento da TEATRO DA Clayton Edson Campos diretor do JUVENTUDE, uma maravilhosa grupo Cai Fora Que é Hora da Bóia publicação de grande importância para Jales - SP trabalho da Companhia de Teatro da qual faço parte. A Cia Aturarte é Sou professora da rede de ensino composta por um grupo de jovens atores particular na cidade de São Paulo, em que está montanto a peça "A História de Taboão da Serra, e venho mui Tião Bolero", de Hugo Possolo (...), um respeitosamente fazer pedido dos livros dos textos apresentados por essa revista TEATRO DA JUVENTUDE que Gostaria de aproveitar a muito servirão para uso em artes cênicas oportunidade para pedir as edições na escola onde leciono. passadas. (...) Irei buscar as edições. Grata pela atenção. Deise Rodrigues da Silva professora São Paulo SP Renata Bernardis Cia. Aturarte Sou professora de e inglês de São Paulo SP a série e de grau. na FUNDHAS Fundação de atendimento grupo de teatro "Cai Fora Que é à Criança e ao Adolescente Prof. Hélio Hora da Bóia" vem desenvolvendo Augusto de Souza Unidade Dom Bosco, trabalho "O Teatro e a Educação", com jovens de 14 a 17 anos, no bairro direcionado às escolas da rede pública e Campo dos em São José dos privada, com objetivo de proporcionar Campos. Apesar da faixa etária, alguns alunos 0 contato com esta forma de alunos estão bastante defasados na escola manifestação artística, única e e muitas vezes preciso retornar aos que contém elementos de, praticamente, conteúdos de 1a. a série. Gostaria de todas as outras artes e, sem dúvida, receber alguns exemplares da revista Teatro da Juventude 7</p><p>TEATRO DA JUVENTUDE para Resp. : Veja indicação no final da trabalhar com os alunos durante esse ano revista e nos envie as informações letivo. necessárias. Vanya arinho Conrado professora São José dos Campos SP AUTORIZAÇÃO PARA MONTAGEM Tive meu trabalho publicado na revista Sirvo-me da presente para solicitar a TEATRO DA JUVENTUDE, na obtenção da autorização do texto de edição 14, mas 0 exemplar fica na João Falcão "O pequenino Grão de minha escola. Gostaria de ter um Areia". Em 1988 conheci a montagem exemplar para mim. Por favor, envie um de um grupo de Rio Branco, no Acre. exemplar da TEATRO DA Na ocasião estava Waldir Ramos que em JUVENTUDE No. 14. Obrigada! 89/90 fez a montagem em São Paulo da qual participei. Hoje moro em Ilha Rita Marta Mozetti autora Comprida, localizada no Vale do Ribeira, região mais pobre do Estado de Em primeiro lugar, gostaria de São Paulo. Desenvolvo um trabalho parabenizar a todos por essa teatral com crianças de 7 a 14 anos no revista que, com certeza, ajuda muito a "Projeto Brasil Criança que todos nós que nos interessamos por teatro. atende 100 crianças carentes. Este Faço parte de um grupo teatral e estamos Projeto é do Governo Federal em com 15 pessoas. (...) muito parceria com Município, representado de receber a revista TEATRO DA pela Secretaria da Criança, Família e JUVENTUDE, que nos seria muito útil Bem-Estar Social. Projeto não tem (...). Abraço a todos. condições de pagar ônus, mas terá a maior honra de poder montar este texto Jaldir Santos Fagundes lúdico, que engrandecerá nossas Grupo Teatral Santa Clara crianças. E como tenho a referência das Ermelino Matarazzo SP duas montagens, acredito poder fazer um trabalho digno. Informo ainda que as Gostaria de saber como adquirir a apresentações não serão comerciais, serão revista TEATRO DA JUVENTUDE. apresentadas nas cidades vizinhas, que Na nossa escola ministramos aulas de também participam do Projeto Brasil teatro e temos a necessidade de adquirir Criança (...) a revista como material de apoio e consulta para nossos professores. Katita Robattini Ilha Comprida SP Maria Cristina Fernandes Costa Orientadora Educacional Resp. : Katita, leia "Aviso Objetivo Júnior Importante", publicado na última Jacarei SP página da TEATRO DA 8 Teatro da Juventude</p><p>JUVENTUDE, sobre encenação das Sidônia Rossa peças publicadas. Creche Padre Dino Agostini São Manoel - SP FLORES E ESPINHOS Ronivaldo Moura Prefeitura M. de Pontalinda Nem tudo foram flores no ano que Pontalinda - SP passou. Mas se espinhos houve, foi como incentivo que os recebemos. E ao nosso Souzani Angelo Carli saldo positivo de alegrias, se junta a Pastoral da Juventude satisfação maior de havermos contado, Dois Vizinhos - PR como sempre, com a colaboração incondicional dos prezados amigos. Para Lázaro Constant Minguzzi vocês, nossa grata retribuição e um EEPG Leopoldo Paviotti proveitoso ano novo. Monte Mor - SP Grupos Teatrais Atos & Cenasl Francisco Cesar Cestari Faz & Conta Centro Cultural "Nilson Prado Telles" Casa da Cultura Prof. "Maria Bove Dois Córregos - SP Coneglian" Waldir Silva Colégio "Mater Amabilis" SOLICITAÇÕES DA TEATRO DA Guarulhos SP JUVENTUDE PELO PREENCHIMENTO DA FICHA PUBLICADA NO FINAL DA Luiz Carlos Laranjeiras REVISTA Teatro Impasse de Mágica São Paulo - SP Renato Marcelo Jacob Espaço Cultural Star (E. C. U. S) Carlos Domingues Santo - São Paulo N.E.E. T. Casa Nossa São Paulo SP Sandro Ilídio da Silva Fundhas Unidade Dom Bosco Waldires Bruno São José dos Campos - SP Serviço Social do Comércio - SESC Santos - SP Alberto Emiliano T.E. G. Teatro Experimental de Guilherme Sester Araújo Guaranésia - Guaranésia MG São Paulo - SP Wagner Heinick Denise Miranda Grupo Teatral Força Local Grêmio Estudantil "Paulo Freire" Juquiá SP EEPSG "Keizo Ishiara" Teatro da Juventude 9</p><p>Selma Macedo Jeferson M. da Silva Grupo Miscelânea Teatral Apocalipse no Palco por Jesus Altinópolis - SP Salto de Pirapora - SP Silvana Flávia Rossi Cervi Biblioteca Municipal "Dr. Carlos de Rezende Enout" São Joaquim da Barra - SP ESCREVA PARA CARTAS A seção Cartas é um canal direto entre você e a Teatro da Juventude. Comunique-se - por carta ou fax - enviando sugestões, dúvidas, opiniões, críticas e informações. MUDOU ENDEREÇO, AGORA É: Secretaria do Estado da Cultura Revista Teatro da Juventude RUA 51, 3° andar Praça Júlio Prestes São Paulo - SP CEP 01028-907</p><p>SUMÁRIO Depoimento Como fazer leituras dramatizadas de textos teatrais 12 Annita Malufe - Sociedade Lítero Dramática Gastão Tojeiro Livros Breve História do Teatro Ocidental 15 Marcelo Saionof Textos Infantil Viagem ao faz de conta 17 Walter Quaglia Adolescente / Adulto Namoro 37 Miranda Costa Uma Rosa para Hitler 57 Roberto Vignati e Greghi Filho Pedro e Domitila 83 Ênio Gonçalves Teatro da Juventude - 11</p><p>DEPOIMENTO COMO FAZER LEITURAS DRAMATIZADAS DE TEXTOS TEATRAIS Annita Malufe - Sociedade Lítero Dramática Gastão Tojeiro* Quem já assistiu a uma leitura pontos mais importantes para um bom dramática de um texto certamente resultado do evento: teve a impressão de que sua realização é muito simples. No entanto, Seleção de textos - Tudo começa para que seja uma boa leitura, e pela seleção dos textos. Devem ser realmente transmita a intenção do teatrais e de qualidade. Textos texto, atraia público e produza um literários jamais produzem boas debate posterior, é preciso que seja leituras. Os temas devem oferecer muito bem organizada. uma estrutura dramática e, de preferência, apresentar temáticas que Nós, da Sociedade Lítero Dramática interessem à comunidade. Caso sejam Gastão Tojeiro, vimos realizando leituras selecionados textos para um ciclo de de peças continuamente há seis anos, leituras, é muito interessante mesclar todas as segundas-feiras, às 20h30, e peças de autores consagrados com hoje estamos no Ciclo de textos inéditos, nacionais e para poder traçar inéditos de autores nacionais. parâmetros comparativos. elo entre elas deve ser a qualidade. A Podemos dizer, portanto, que nos Sociedade Lítero Dramática Gastão profissionalizamos na promoção dessas Tojeiro, além das leituras de textos leituras. Tanto que, em reconhecimento inéditos de autores nacionais, ao nosso trabalho, em 1994, periodicamente tem realizado ciclos recebemos os prêmios Shell, APCA e específicos, como de clássicos da Aplauso, e constantemente somos dramaturgia moderna universal. convidados para realizar leituras Atualmente, estamos promovendo dramáticas fora da capital paulista. ciclo "A comédia através dos tempos", que até final do ano, nas últimas Aos grupos, entidades e associações segundas-feiras do mês, estaremos que desejam realizar leituras lendo os autores mais representativos dramáticas, tentaremos passar no gênero, a fim de estudar e discutir 12 Teatro da Juventude</p><p>a comédia universal e seus grandes compreensão do texto, as rubricas comediógrafos. devem ser selecionadas para não interromper ritmo da peça. Rubricas Cronograma Se for realizado um excessivas comprometem ciclo de leituras, é importante traçar desenvolvimento do texto. É preciso um um cronograma, sejam elas perfeito equilíbrio. apresentadas durante uma semana, um mês etc. Nossos ciclos de leituras, Ritmo Leituras devem ser ágeis, mais por exemplo, têm transcorrido de ágeis que a representação porque março a dezembro com cronograma não tem movimento. para, no mínimo, seis meses de leituras. Objetos cênicos Devem ser evitados Direção A escolha do diretor deve objetos nas mãos dos atores porque, ser muito cuidadosa porque dirigir como eles estão segurando texto, leituras é muito diferente de dirigir estes atrapalham. montagens. A leitura exige do diretor uma atenção especial para que possa Luz e som - Uma leitura pode passar, apenas por palavras e poucos perfeitamente ser realizada sem efeitos gestos, a intenção do autor. Já de luz e som. Em nossas apresentações aconteceu de bons diretores, os efeitos de luz são bem simples, acostumados com efeitos especiais e limitando-se a poucos refletores, e montagens exuberantes, som é obtido por um gravador com atrapalharem-se quando na direção amplificadores. de uma leitura pública. Nas leituras, muitas vezes as rubricas e algumas Programa - Quando a leitura é sutis adaptações são imprescindíveis pública, um programinha simples feito para a compreensão do texto. em computador, em preto e branco, interessante por registrar evento. Elenco Os atores não têm que ser Costumamos colocar a ficha técnica selecionados necessariamente pelo da peça e um "curriculum" resumido tipo físico porque importante não é do autor. que se vê, mas sim que se ouve. É quase um processo de radionovelas, Leitura propriamente dita Antes de em que as emoções são passadas iniciar a leitura, ideal é fazer uma apenas pela VOZ. Leituras, portanto, apresentação do autor, do diretor e requerem ensaios. Somente atores do elenco. Se autor é conhecido, muito experientes conseguem captar fazer uma exposição sobre seus texto e transmitir essa emoção numa trabalhos, falar sobre período no primeira leitura. Os demais devem qual a peça foi escrita, qual sua ensaiar, pontuar as pausas, as importância histórica e respirações etc. comprometimento social, onde foi apresentada anteriormente e outras Rubricas - Apesar de extremamente informações consideradas importantes na leitura e auxiliarem na interessantes e enriquecedoras. Teatro da Juventude 13</p><p>Debates - Após a leitura, debates àqueles que desejarem organizar são importantes, principalmente leituras ou ciclos de leituras de textos quando texto é inédito, porque teatrais. Maiores informações podem apontam as falhas e oferecem ao ser obtidas pela revista ou às autor a oportunidade de melhorá-lo. segundas-feiras, a partir das 20h30, no Nossa experiência demonstrou que Café Teatro Sandro Polloni, no Teatro debate enriquece universo do autor Maria Della Costa (rua Paim, 72 Bela e dos participantes. Muitos dos autores, Vista.Tel. : 256-9115), onde estamos ao perceberem falhas dos textos, realizando as leituras. E, se você ainda acabaram por reescrevê-los, e peças não nos conhece, sinta-se nosso medianas tornaram-se peças boas convidado e seja bem-vindo! Toda que inclusive foram montadas e segunda, estamos lá! obtiveram sucesso comercial. Se autor for consagrado, debate é útil para colocar em discussão a obra, sua importância e que ele deseja *Anitta Malufe é presidente da Sociedade Lítero Dramática Gastão Tojeiro, fundada em transmitir. 1992. No decorrer desses anos, realizou mais de 150 leituras públicas de peças inéditas de Para finalizar, queremos informar aos autores nacionais, recebeu os prêmios Shell, grupos, entidades, associações que a APCA e Aplauso, e produziu, no projeto "3 em Sociedade Lítero Dramática Gastão Cena", três peças selecionadas nas leituras: "O Ovo do "Você tem medo do Tojeiro está à disposição para ridículo, Clark Gable?" e "Na Toca da orientação e envio de monitores Raposa." 14 Teatro da Juventude</p><p>LIVROS BREVE HISTÓRIA DO TEATRO OCIDENTAL Breve História do Teatro Ocidental, de de fácil compreensão. Numa Marcelo Staionof, Editora Cena viagem através dos tempos, com Brasileira, 65 págs. Apostila dirigida enfoque sobre as artes cênicas, a alunos de primeiro e segundo texto nos leva pela história da grau e, especialmente, estudante humanidade e, em nove de artes cênicas, texto faz parte capítulos consegue mostrar um da Coleção Ensaio Geral que, de panorama geral do teatro acordo com a editora, "tem por ocidental. Inicia com objetivo surgimento do contribuir teatro e, depois para fazer de passar pelo teatral em Teatro Grego, Marcelo Staionof nosso país, Teatro Medieval, seja no HISTÓRIA DO Commedia palco ou no Dell'Arte, ensino". TEATRO OCIDENTAL Renascimento, autor, Teatro PARTE 1 DOS GREGOS A STANISLAVSKI Marcelo Elisabetano, Staionof, é Classicismo professor de Francês, história do Romantismo e teatro na Realismo, Fábrica - conclui com Escola de mestre dos Teatro e no mestres, Ce de Stanislavski. Em Artes do cada época, SENAC/SP./ A uma parada obra, para mostrar portanto é COLEÇÃO seus costumes e ENSAIO bem seus GERAL 2 didática e dramaturgos, tem uma com pinceladas linguagem sobre seu perfil e simples e história de vida. Teatro da Juventude 15</p><p>Trechos do livro "Com Renascimetno, duelo já não se estabeleceria mais entre "Téspis, jovem natural de na teatro religioso e teatro profano, mas Ática, é considerado criador do sim entre teatro erudito (literário) e Teatro, quando, audaciosamente se teatro popular (improviso)." fez passar pelo próprio Dioniso durante um de seus festejos." "O traje típico do Arlequim consistia, originalmente, numa roupa comum "Sendo teatro um ato religioso, tal de criado, com remendos de várias qual sacerdotes do culto de cores." Dioniso, atores deviam ter seus seu corpo totalmente coberto (somente "Várias são as versões sobre as mãos ficavam visíveis), para que motivo que teria levado seu totalmente anulado." Shakespeare a Londres. (...) arranjou emprego na Companhia de lorde "A Ésquilo, primeiro dos três grandes Chamberlain, a princípio como trágicos gregos, atribui-se, segundo guardador de cavalos, depois Aristóteles, mérito de ter incluído em como copista de textos, refundidor, cena segundo ator (até então ator ator e, por fim, dramaturgo. dialogava com coro e consigo mesmo trocando as máscaras)." "Para Shakespeare, a chave da vida é a afirmação da "Aristófanes foi principal individualidade: homem luta representante da Comédia Grega, contra homem e não contra único que tempo permitiu a leitura destino." de suas peças (...). Com Aristófanes plano da comédia elevou-se; "Comenta-se que sonho de embora sua linguagem fosse, às Moliére era de escrever vezes, indecente, soube aliá-la à tragédias". poesia e, principalmente, com uma crítica autêntica e construtiva." "O austríaco August Strindberg, permanece na galeria dos grandes "Mais para profano que para nomes da dramaturgia mundial, religioso, a Sotie era uma sátira onde mas não pelos ideais naturalistas, todos seus personagens eram que ele mesmo acabou por loucos e, portanto, podiam dizer abandonar, mas sim pela qualidade verdades não religiosas." de suas peças." "Enquanto espetáculos litúrgicos "Coube a ele, Stanislavski, sistematizar eram representados pelos padres, conhecimentos intuitivos de atores profissionais viagavam pelas grandes atores que captaram no an feiras e estradas, longe dos olhos que se pretendia do novo estilo, da Igreja, fazendo suas em especial atores italianos encenações sobre carroções." Tomaso Salvini e Eleonora Duse". 16 Teatro da Juventude</p><p>Infantil Viagem ao faz de conta Walter Quaglia Teatro da Juventude - 17</p><p>VIAGEM AO FAZ DE CONTA Walter Quaglia PERSONAGENS Juca Purpeta Florisbela Folhisberto Princesinha Chico Alfinete 1° ATO correm para pegá-lo, chegam Quintal da casa de Juca com juntos e brigam para ver quem algumas árvores, flores e uma fica com ele). Puxa! que é isso? pequena casa com chaminé. Onde já se viu? Será que vocês Juca está sentado num banco lendo não sabem brincar juntos? um livro, tendo a seu lado seu PURPETA (Latindo e gesticulando): Au cachorro, Purpeta, e sua gata, au Os três estão de costas para (Fui eu que primeiro). público. Sem que Juca perceba, a JUCA: Florisbela, ele diz que pegou gata e cachorro se hostilizam. primeiro. Quando Juca olha, eles ficam quietos. (Estende a mão para ela, que ficou Finalmente Florisbela dá um empurrão com pedaço de pau). em Purpeta que revida puxando FLORISBELA: Miau! (Imagine) Miau rabo da gata. (não) miau miau (fui eu). FLORISBELA: JUCA: Bem, como eu não vi, não dou (Colocando-se, assim como Purpeta, razão pra ninguém. E já que em posição de briga). vocês vivem sempre brigando... PURPETA: Au, (Reparte pau em dois) cada JUCA: Outra vez? Parem com isso! Se um agora vai buscar sua metade. vocês não brigarem eu arrumo Esta aqui é do Purpeta e esta da uma brincadeira para nós três. Tá Florisbela. legal? (Purpeta e Florisbela (Atira as duas metades, dois correm relaxam-se). Vou atirar esse para mesmo pedaço e vão pedaço de pau e vocês me começar a briga anterior quando trazem, que tal? Então lá vai. Juca interrompe). (Atira pau, Purpeta e Florisbela JUCA: Qual! Não adianta, vocês não Teatro da Juventude 19</p><p>aprendem mesmo! Purpeta, a sua FLORISBELA: Hum?... não sei. Mas a mãe metade é aquela. dele, brigava com meu pai. (Purpeta acabrunhado vai buscar a PURPETA: Era a sua mãe que brigava outra metade). com meu pai. Não, quero dizer, FLORISBELA (Com an de vitória): Miau. era seu pai que brigava com a PURPETA: Au au (Ela fica minha me provocando). FLORISBELA: Brigava porque gato e (Juca olha para OS dois, que se cachorro sempre brigaram. Hum! acalmam.) (Mostra a língua.) JUCA: Nessa situação não podemos JUCA: Não é possível! Eles sempre continuar. Vocês parecem gato e brigaram, mas agora vocês vão cachorro... Bem, vocês são, mas parar. mesmo assim deveriam se PURPETA: Mas como? entender. Por que estão sempre JUCA: É querer. Vocês me ajudam? brigando? PURPETA: Eu ajudo. PURPETA/FLOR: (Gesto de interrogação FLORISBELA: Eu também. Mas acho que sem resposta.) não tem jeito. JUCA: Tem que ter uma explicação! JUCA: Vamos dar um jeito. Li neste livro (Purpeta e Florisbela começam a latir e que existe pomo da concórdia. miar de maneira absurda.) PURPETA: Pomo da concórdia? JUCA: Não adianta! Não consigo JUCA: Pomo é maçã. Pomo da entender esses dois. Se ao menos concórdia é maçã de se dar falassem como eu!?...Isso! Se eu bem, a maçã da amizade. fizer de conta que vocês falam, FLORISBELA: E pra que serve essa tal talvez consiga entender. (Os dois maçã? concordam.) Então faz de conta JUCA: Aqui explica tudo, vou ler. (Abre que bichos falam. Purpeta, por livro e "E inimigos que que é que vocês brigam? comessem pomo da concórdia PURPETA: Au, au... se tornariam bons amigos". Isto é, FLORISBELA: É pra falar como gente, aqueles que brigam, ficarão seu bobo. amigos comendo a maçã da PURPETA: Está vendo? Ela vive me amizade. provocando, é por isso que nós PURPETA: É. Mas onde podemos brigamos. encontrar a tal maçã? FLORISBELA: Ah! Que mentiroso... Quem JUCA: Aqui também diz: quem sabe é que puxou meu rabo? onde estão essas coisas é "seu PURPETA: Eu puxei, porque... Folhisberto Sabitudo". JUCA: Parem, por favor. Vocês falam FLORISBELA: Isso é bobagem. Você está para resolver problema ou para lendo um livro sobre "O mundo do discutir! faz de conta", portanto tudo é PURPETA/FLOR: Desculpe. mentira. PURPETA: Pra dizer a verdade não sei JUCA: Vocês já falam, não falam. Se por que a gente briga. mundo é do faz de conta nós JUCA: E você, Florisbela? vamos até lá. 20 Teatro da Juventude</p><p>PURPETA: Para procurar seu PURPETA: E a chaminé da casa outra Sabitudo? parte bem viável. JUCA: E achar a maçã da amizade. DOIS: Veja bem que com vontade FLORISBELA: É, muito bonito. Mas como pouco a pouco ou quase quase se vai até esse mundo? vê-se agora à nossa frente um foguete JUCA: Deve ter um jeito.. Vocês vão me até que usável. ajudar, não vão? FLORISBELA: Faltam ainda as (Purpeta e Florisbela se entreolham). para indicar a FLORISBELA: Vamos! Acho que vamos. procedência. PURPETA: Claro! PURPETA: Do veículo que vai viajar às JUCA: Ótimo. Então vejamos... terras novas aqui estão as bandeirolas, Queremos in ao mundo do faz-de- excelência. conta, mas nós moramos aqui JUCA: E assim está pronto foguete que é a Terra... Então, mundo do para seguir nossa rota, faz-de-conta deve ser um planeta. buscando a maçã da concórdia PURPETA: Isso mesmo, é um planeta! sabemos ninguém nos derrota. JUCA: Se é um planeta, precisamos de TODOS: (Bis da última estrofe.) um foguete. FLORISBELA: Que beleza! FLORISBELA: E onde vamos achar um PURPETA: Fui eu que tive a idéia da foguete? chaminé. JUCA: Podemos fazer um! FLORISBELA: É, mas a bandeirinha é PURPETA: De que jeito? minha idéia. E é muito mais bonita JUCA: Nós não vamos a um planeta que a sua chaminé. faz-de-conta? JUCA: Isso não tem importância. que PURPETA/FLOR: Vamos! interessa é que foguete está JUCA: Então podemos fazer um pronto. Eu sou comandante foguete faz de conta! (tomando ares) e não admito FLORISBELA: É, mas como se faz esse brigas na minha tripulação. Se foguete? querem subir no foguete tem que JUCA: Podemos começar com meu ser disciplinados. Concordam? carrinho (Traz um carrinho.) Essa é FLORISBELA: Eu sou a a estrutura.. Vamos! Pensem. Que JUCA: Certo. Eu sou comandante e mais? piloto. (Música da construção do foguete.) PURPETA: E eu que sou? JUCA: Para viajar no espaço JUCA: Você é a propulsão. É preciso um avião. PURPETA: E que é a propulsão? PURPETA: E pra fazê-lo a fogo e aço JUCA: Você vai atrás empurrando. muito tempo não se encontra. PURPETA: Ah! FLORISBELA: melhor é darmos asas FLORISBELA: Passageiros queiram tomar à nossa imaginação. seu lugares. (Juca senta à frente, TODOS: E teremos um foguete a gata atrás e Purpeta de costas feito assim ao faz-de-conta. para ela com pés no chão JUCA: carrinho pode ser para empurrar perfeitamente uma base. Passageiros queiram apertar Teatro da Juventude 21</p><p>cintos, vai ser dada a partida. Vamos JUCA: Atenção! Dez, nove, três, Rumo ao faz-de-conta dois, um, fogo! (O carrinho sai Breve andando) Rumo ao mundo do faz de Rumo ao faz-de-conta conta! Vamos. (Música Rumo ao Faz-de-conta) (No transcorrer da música anterior TODOS: Se todos procurassem quintal da casa de Juca transforma-se pomo da concórdia no céu estrelado. Acima das nuvens, seria maravilha onde tudo flutua, foguete surge num na Terra se viver. plano superior; como que JUCA: Já pensou se a lua é perto FLORISBELA: Veja quantas estrelinhas! e num pulo eu lá chegar PURPETA: Onde? e ter lá quintal bem grande FLORISBELA (Apontando a platéia): Ali! bem bacana pra eu brincar. Não está vendo? PURPETA: E um OSSO de um tamanho PURPETA: É mesmo! Tem estrelinhas e que chega a nem ter fim estrelonas. tão grande e tão gostoso JUCA: E astros também. todinho só pra mim. FLORISBELA: Tem astros pais e astros JUCA/PURPETA: Comece Florisbela filhos. falar que a vez é sua PURPETA: Olha! Aquele é tão que você faria pequeninho... deve ser um satélite. se a gente fosse à Lua? FLORISBELA: É tudo tão lindo. FLORISBELA: Que tenha muito leite JUCA: Olha a lua! laranjas num pomar. PURPETA: Puxa, como é grande.. JUCA/PURPETA: Doces, balas! Sorvetes! FLORISBELA: Mas é 49 vezes menor do e num telhado ao luar. que a Terra. JUCA: Mas não se esqueçam nunca JUCA: Imagine! homem já esteve lá. que a maior missão PURPETA: Já pisou na lua. é pomo da concórdia FLORISBELA: Pra mim ainda é dos que nós vamos trazer. namorados. TODOS: Pra nunca mais haver briga (Nesse ínterim entra pelo outro lado do pra nunca mais haver briga proscênio seu Folhisberto Sabitudo. nunca mais haver briga entre nós. Ele também flutua, escreve num TODOS: (Bis da última estrofe.) grande livro e de vez em quando olha TODOS: Vamos rumo ao faz-de-conta por um binóculo para a platéia, depois, vamos viajando pelo espaço. volta a escrever.) JUCA: Olha os astros. JUCA: Chi! Há uma coisa estranha no FLORISBELA: A estrelinha! caminho. PURPETA: Tá caindo. PURPETA: Que é? Parece... JUCA: Mas que lindo! JUCA: Parece um homem! TODOS: Vamos rumo ao faz-de-conta PURPETA: Será que é Deus? vamos, vamos bem depressa FLORISBELA: Não! Deus está no céu de temos certeza de chegar breve verdade. E este céu é do faz-de- rumo ao faz de conta conta. 22 Teatro da Juventude</p><p>PURPETA: Ah! Mas quem será então? mais perto da Terra para observar. JUCA: Vamos parar. Talvez ele possa JUCA: E depois tomar nota. nos ensinar caminho. FOLHISBERTO: Exatamente. (Descem do foguete e rodeiam PURPETA: Então senhor sabe tudo Folhisberto com curiosidade. Este nem mesmo? sequer OS nota e continua no seu jogo FOLHISBERTO: Sei. de olhar pelo binóculo e escrever.) JUCA: A gente queria saber onde está FLORISBELA: Cavalheiro! senhor pomo da concórdia. saberia... FOLHISBERTO: Pomo da concórdia? JUCA: Por favor, cavalheiro. Eu queria Ah... dessas coisas eu não tenho saber... mais notícias. Concórdia... Não sei JUCA (Como não é notado aumenta de nada. É preciso trabalhar. Com tom): Cavalheiro! Por favor! licença. PURPETA: Moço! (Volta a olhar para a platéia, através os TRÊS: Moço! Cavalheiro! do binóculo, e a escrever). FOLHISBERTO: Agora não posso. Estou JUCA: Mas estava escrito no meu livro muito ocupado, muito ocupado. que.. JUCA: Só queria saber se senhor FLORISBELA: Por favor, seu Sabitudo, conhece seu Folhisberto ajude Juca. Sabitudo. PURPETA: É, veja se descobre nesse FOLHISBERTO: Folhisberto livrão tal pomo da concórdia. Saber. Ah? Vocês querem uma FLORISBELA: Juca está procurando informação? Eu estou sempre pomo da concórdia para dar a disposto a dizer qualquer coisa. esse aí, para ver se ele melhora. Qual é mesmo a informação que Ele vive me provocando. desejam? PURPETA: Mentira. É você que precisa JUCA: Queria saber onde posso da maçã, é por sua culpa... encontrar seu Folhisberto FLORISBELA: Minha culpa? Ah, que Sabitudo. mentiroso, seu petulante, seu... FOLHISBERTO: Folhisberto Sabitudo... JUCA: Olha, se vocês querem brigar, (Procura no livro.) Folhisberto, briguem. Eu volto para a Terra folha, folhi, f., f., fa, folha, Folhisberto. agora mesmo. Está aqui Folhisberto PURPETA: Não faça isso! Sabitudo.. sou eu mesmo. FLORISBELA: Por favor, Juca! JUCA: senhor mesmo! JUCA: Eu queria achar a maçã da PURPETA: senhor, ah, ah... amizade, mas seu Sabitudo não FOLHISBERTO: Exatamente. sabe nada. Acho que é melhor JUCA: Muito prazer. (Tom.) Mas voltar. senhor não morava no mundo do FLORISBELA: E se você insistisse mais um faz-de-conta? pouquinho com ele? FOLHISBERTO: Morava. Mas mudei, JUCA: Devo insistir, Purpeta? mudei. PURPETA: É melhor, assim nós podemos FLORISBELA: Por quê? brincar de foguete mais um FOLHISBERTO: É que eu quero estar pouquinho. Teatro da Juventude - 23</p><p>JUCA: Ah! Então é só por isso que você esqueça. veio procurar a maçã? (Os três sobem desanimados no PURPETA: Bem. Não... Eu também foguete, dão meia-volta e se afastam.) quero comê-la.. dizer... FOLHISBERTO: Ei! Esperem! Quero comer a maçã para ficar JUCA: que foi? amigo da Florisbela. FOLHISBERTO: Me lembrei. JUCA: Está bem. Então vou tentar outra PURPETA: vez. (Dirigindo-se à Folhisberto.) FOLHISBERTO: Me lembrei onde está Magnífico Sr. Folhisberto mapa, ou melhor, com quem está! (Folhisberto olha pavoneando-se.) JUCA: Então fala! Sua excelência não podia fazer FOLHISBERTO: Eu não joguei fora não... uma forcinha para lembrar onde Dei mapa para a princezinha está pomo da concórdia? das bolas de gás. FOLHISBERTO: Não adianta menino. Só PURPETA: Das bolas de gás? sei aquilo que eu tomo nota e JUCA: E onde podemos encontrar essa essas notas da amizade eram tão princesa? antigas... E como ninguém se FOLHISBERTO: Ora, no Reino das interessava por elas... acabei Bexigas. jogando fora. No momento só me FLORISBELA: Reino das Bexigas!?! Onde interesso pelo que tem lá na Terra fica? (Olha no binóculo.) Ah, ah, tem PURPETA: Tá vendo como você não tanta briga, tanta confusão e por sabe nada? isso todos se interessam. Dizem até FLORISBELA: E você sabe? que esse negócio de JUCA: Deixem ele falar! (Olha novamente.) Ah! Agora é FOLHISBERTO: Fica lá onde eu morava cada um por si. Que tapeação antigamente, no mundo do faz- formidável. de-conta. (Toma nota.) PURPETA: Oba! Vamos embora. JUCA: Quer dizer que as notícias da FLORISBELA: Apressadinho, nós nem amizade... agradecemos. FOLHISBERTO: Joguei, joguei fora. JUCA: Obrigado seu Sabitudo! FLORISBELA: E não lembra onde jogou? FLORISBELA: Obrigado seu Sabitudo, FOLHISBERTO: (Recordando, feliz e muito obrigado por tudo! Eram notícias boas PURPETA: Felicidades! aquelas... E tinha inclusive um (Eles sobem no foguete e partem, mapa de onde se encontra distanciando-se de Folhisberto). pomo da concórdia... Ah, meus FOLHISBERTO (Melancólico): segredinhos... Onde deixei não Felicidade? Amizade? Seria bom... lembro. Não adianta. mas na Terra querem briga, JUCA: Então, pessoal vamos continuar guerra... Amizade? Seria bom... procurando. Até logo. como seria bom... seria bom... FOLHISBERTO: Ah...você até que trouxe (Música - Se eu pegasse uma aqui uma briguinha interessante, estrelinha) deixe-me anotar antes que JUCA: Se eu pegasse uma estrelinha 24 Teatro da Juventude</p><p>pra levar pro meu quintal PURPETA Florisbela): Você sabe se será que faria falta não vejo tantas cá no céu. JUCA: Bem, Purpeta, acho que PURPETA: Com fio de uma cauda marciano tem em Marte. de um cometa que passar PURPETA: Mas então se em Marte tem posso misturar aqui marciano, aqui tem bexigano? meu rabinho vai brilhar. FLORISBELA (Assustada): É... eu vi um FLORISBELA: E anel que tem Saturno bexigano de vinte perninhas ali pediria emprestado atrás. botaria no meu dedo PURPETA: Onde? com carinho e com cuidado. FLORISBELA: Em cima de cada quatro PURPETA/JUCA: E as gatinhas dos perninhas ele tinha três cabeças. vizinhos nunca viram coisa assim. Enquanto uma mostra a língua a FLORISBELA: Todas elas com inveja outra fez miiii. olhariam prá mim. PURPETA: Onde, onde? Aiiii! PURPETA/JUCA: Que bonita essa JUCA: Não seja bobo, é invenção dela. gatinha que nos interessa agora é até parece uma rainha. encontrar a Princesa. TODOS: Vamos rumo ao faz-de-conta, PURPETA: Eu... eu com mêdo... Vamos, vamos viajando JUCA: Seja mais corajoso Purpeta. Vamos já está chegando Precisamos é achar a Princesa... Vamos já está chegando. Mas onde? (Aos poucos espaço vai se PURPETA: Não sei. transformando no Reino das Bexigas. É FLORISBELA: Não sabe. um lugar estranho, lindo e colorido. JUCA: Se não sabemos, precisamos céu tem duas luas perdidas no procurar. Acho melhor cada um horizonte, atrás de montanhas de outro prum lado, eu procuro lá embaixo, planeta. À frente existem várias árvores Purpeta ali e você por aqui. de bolas, das quais destacam-se uma Tudo bem? onde está a bexiga principal, mãe de PURPETA: Falou! todas. Num dos lados um amontoado FLORISBELA: Tudo bem. (Juca sai.) Um de bexigas que se confunde com cachorrão tão grande e tão outras soltas e voando; de tempos em medroso, seja como eu uma tempos esvoaçam bolinhas de sabão.) gatinha corajosa. FLORISBELA: Quantas bexigas! De todas PURPETA: Não me provoca, não me a cores e tamanhos! provoca. PURPETA: Olhe! Uma árvore de (Purpeta procura à esquerda, saindo bexigas! às vezes. Florisbela frivolamente por JUCA: Nunca pensei que houvesse um todo palco. Os dois sem se verem lugar assim. anteriormente dão cara a cara.) FLORISBELA: Que lindo! PURPETA: PURPETA: Será que aqui tem FLORISBELA: Mi, mi, miau marciano? (Desmaia.) FLORISBELA: Ri, ri, ri, ri. PURPETA: Fala alguma coisa, por favor. Teatro da Juventude 25</p><p>Florisbela! Levanta! Fala alguma vocês não eram vocês. coisa... Florisbela. PURPETA: Que nós não éramos nós? JUCA (Entrando): que foi? Viram Que engraçado. alguma coisa? JUCA: Não estou entendendo! PURPETA: Eu não vi nada. PRINCESINHA: Eu pensei que era JUCA: E ela? Chico Alfinete. PURPETA: Desmaiou de susto. PURPETA/FLOR: Chico Alfinete! JUCA: Florisbela, Florisbela. JUCA: Quem é esse indivíduo? FLORISBELA: PRINCESINHA: Ele é meio homem, meio JUCA: Você não tinha mais que alfinete e passa tempo todo inventar, vamos levante-se. estourando minhas bexigas. (Enquanto Juca tenta levantar a gata, FLORISBELA: Que loucura! Purpeta vê um monte de bexigas e JUCA: Mas se ele sempre estoura começa a tremer.) bexigas, como é que ainda tem PURPETA: mon... mon... tantas por JUCA: quê? PRINCESINHA: É que eu planto e elas PURPETA: monte está tremendo! nascem outra vez. (Juca puxa dois para um canto, FLORISBELA: Nascem? desmaia novamente. Do PURPETA: Como laranjas? monte de bexigas que se desfaz, surge PRINCESINHA: Isso mesmo... Aquela uma figura pequena e estranha. bexiga grande ali (Mostra a Música da Princesinha.) bexiga que se destaca das PRINCESINHA: demais) dá sementes e quando que será? Chico Alfinete estoura todas eu que será? começo a plantar novamente. Que aconteceu ali. FLORISBELA: Quer dizer que essa ele Por que será? nunca estourou? Que tanta gente apareceu aqui PRINCESINHA: Nunca. Quem são vocês? JUCA: Por quê? Quem são vocês? PRINCESINHA: Acho que é para eu Quem são vocês? ficar plantando sempre. JUCA: Ah! PURPETA: Para depois ele estourar? FLORISBELA (Acordando): Oh! PRINCESINHA: Eu acho que eu não sei. JUCA: FLORISBELA: Esse estourador de bexigas PRINCESINHA: Sou a princesa das bolas precisa de uma lição. de gás. PURPETA: Pode deixar que eu vou JUCA: Eu sou Juca, essa é Florisbela, e tomar providências. esse é Purpeta. JUCA: É claro que vamos tomar PRINCESINHA: Muito prazer. providências. Mas primeiro a PURPETA: Por que você estava Princesa deve saber por que escondida? estamos aqui. FLORISBELA: Estava com medo de PURPETA: Pois é Princesa, nós estamos alguém? aqui PRINCESINHA: É que eu pensei que JUCA: Por que Purpeta? 26 Teatro da Juventude</p><p>PURPETA: Porque... Ah! Eu não sei. Esta oportunidade é que não me JUCA: Você sabe, Florisbela? escapa FLORISBELA: Princesa é que Purpeta... Armei uma cilada pra essa turma JUCA: É que Purpeta e a Florisbela importante brigam sempre... quer dizer, lá na Que procura a princesinha e um certo Terra eles brigavam sempre. mapa. Agora até que estão CHICO ALFINETE: Que bobinhos... Eles (Os dois se querem mapa e ele está aqui comportam bem como pousando (Procura numa sacola que trouxe para uma foto, Juca vira rosto e consigo.) Mapa do pomo da eles brigam.) Por isso eu vim aqui concórdia. Agora sim negócio buscar mapa do pomo da está mais para meu concórdia. seu Folhisberto lado... Eu já estava mesmo meio Sabitudo disse que deu de cansado de estourar bexigas... presente para você. Mas para não perder hábito PRINCESINHA: Deu sim. E mapa está (Espeta bexigas que estouram.) guardado junto com a minha Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó. Agora é coleção de segredinhos da só esconder mapa. (Dirigindo-se felicidade. Podemos ir buscá-lo para a bexiga principal). Neste agora mesmo. lugar ninguém vai achá-la. JUCA: De verdade?! Escondendo mapa dentro PRINCESINHA: É claro! Venham comigo. desta bexiga sumirei com ele PURPETA: É muito longe? para sempre, hi, hi, hi. É claro, a PRINCESINHA: Não, é ali na minha Princesinha nunca vai estourar casa. esta bexiga (Enfia, ou finge que JUCA: Vamos Florisbela! enfia mapa na bexiga, estoura FLORISBELA: Já estou indo. mais umas bexigas.), hi, hi, hi, ho, (Saem todos. Entra Chico Alfinete que ho, ho. Ah! Agora Chico Alfinete... observa indo embora e fala consigo JUCA (De fora): Olha Chico Alfinete! mesmo. Entrada do Chico Alfinete.) PRINCESINHA (De fora): Ele roubou CHICO ALFINETE: Da minha vida inteira meus segredinhos! a finalidade JUCA (De fora): Pega ladrão! Purpeta! É estourar bexigas neste reino tão vazio Florisbela! Ação! É a única maneira de até nesta idade (Purpeta e Florisbela entram e correm A gente se ocupar e não ser um vadio atrás de Chico, que se diverte com Passei a meninice e a mocidade eles, escapando facilmente. Todos Alfinetando as bolas que aparecem saem pela direita. Chico passa nos canteiros correndo para a esquerda, logo após Parece que é tolice, até que é entram pela direita Juca e a maldade Princesinha.) Mas sempre acabo com esses jardins JUCA: Pra onde ele foi! Ele sumiu? Mas inteiros veja estrago que ele fez!... Eu soube da chegada de gente Calma princesa, bandido fugiu, visitante mas a gente pega. Teatro da Juventude 27</p><p>PRINCESINHA: Além de estourar minhas você viu? Quando eu chamei bexigas, agora deu para roubar Purpeta e a Florisbela que foi meus segredinhos! É... ele que aconteceu? Hein? que foi mesmo podia ter feito aquele que ele teve medo! estrago na minha casa FLORISBELA (Entra chorando): Mi, mi, JUCA: Ele deixou a casa de pernas pro Mi, mi, ar, mas não fique triste, nós ainda JUCA: que foi Florisbela? lhe daremos uma boa lição! Eu PRINCESINHA: Chico Alfinete te prometo, você vai ver! espetou? PRINCESINHA: Mas ele é muito mais FLORISBELA: Mi, mi, forte e muito mau, é impossível... JUCA: Diga que aconteceu, foi JUCA: A gente querendo, nada é Chico Alfinete? impossível. Espere para ver como a FLORISBELA: Não, mi, mi... gente dá um jeito. PRINCESINHA: que foi então? CHICO ALFINETE (Entra e agarra Juca FLORISBELA: Mi, mi, foi Purpeta que de surpresa): Ah! Ele vai dar um me mordeu, mi, mi, jeito, não se incomode! JUCA: Purpeta, Purpeta, venha JUCA: Me larga. Me larga, seu traiçoeiro (Purpeta entra acabrunhado.) de uma figa. Você mordeu a Florisbela? CHICO ALFINETE (Tapando-lhe a boca): PURPETA: Não, não fui eu não. Que é que você tem que se meter FLORISBELA: Quem foi então seu na minha vida? mentiroso? JUCA (Livrando a cabeça): Seu papa- JUCA: Diga a verdade. bexigas, seu ladrão! Me solta! PURPETA: Mordi, mordi.. mas foi porque Purpe... ela me CHICO ALFINETE (Tapando-lhe a boca): FLORISBELA: É nada, você mordeu Cala a boca. primeiro. PRINCESINHA: Já não chega que PURPETA: Você me chamou de você fez roubando meus pulguento! segredinhos? JUCA: Chega! Chico Alfinete CHICO ALFINETE: Roubei mesmo e você roubou os segredinhos, estragou nunca mais vai achar! (Juca lhe toda a casa da Princesinha, me morde a mão.) Aiii! atacou e vocês pensam em JUCA: Florisbela, Purpeta, corram! brigar? Purpeta! PRINCESINHA: Florisbela? CHICO ALFINETE (Livrando-se de Juca FLORISBELA: Hum? olha com receio se não chegam PRINCESINHA: Quando você levou OS demais): Vai embora daqui aquele susto e desmaiou, quem menino, e não me amola mais. foi que cuidou de você? Vocês nunca terão segredinhos. FLORISBELA: O... Purpeta. (Sai.) PRINCESINHA: É porque no fundo ele PRINCESINHA: Você está machucado, gosta de você. Juca? FLORISBELA (Fazendo beicinho): Hum? JUCA: Tudo bem, não foi nada. Mas JUCA: Ei vocês três, sabem de uma 28 - Teatro da Juventude</p><p>coisa? Eu descobri que Chico pedaço pro Chico Alfinete tem medo de nós quando E nunca mais vai ter briga entre nós. estamos juntos. Princesa, você viu... (3 vezes.) quando chamei Purpeta e Florisbela, que é que ele fez? Ahn? Que é que ele fez? Fugiu! 2° ATO Fugiu! Se realmente a união faz a (Mesmo cenário. À noite, todos força, nossa união vencerá dormem. Entra Chico Alfinete pé ante bandido! pé.) PRINCESINHA: Isso mesmo! Precisamos CHICO ALFINETE: Não sabia que essa estar unidos! parada ia ser tão dura. Com esses JUCA: Vamos, dêem as mãos. quatro juntos nada posso fazer... (Música A união faz a força.) nada posso?.. Ha, ha, posso JUCA: Um por todos, todos por um! quebrar essa união e depois é só PRINCESINHA: Como já disse pegar um por um. E para separá- JUCA: A união faz a força. los nada melhor do que começar PRINCESINHA: Faremos isso também com uma briguinha entre os dois PURPETA: Um por todos, todos por um briguentos. teremos muito poder. (Chico coloca a mão de Florisbela no FLORISBELA: A união faz a força rabo do cachorro, puxa rabo, dá um juntos iremos vencer. tapa em Florisbela e sai correndo.) TODOS: mapa na mão do Chico PURPETA: Auuuu. Alfinete é um perigo mortal, façamos FLORISBELA: Miiiiiii! (Em posição um plano, sigamos em frente e tudo dá bem no final PURPETA: Você puxou meu rabo! Um por todos, todos por um, como já (Puxa rabo da gata.) disse alguém, a união faz a força FLORISBELA: Miii, aquele tapa não fica faremos isso também assim, ouviu? Um por todos, todos por um teremos (Dá-lhe um tapa.) muito poder a união faz a força juntos PURPETA: Auuu, ah, é pra dar tapa é? iremos vencer (Dá-lhe um tapa e a briga vai Nós temos do lado uma amiguinha aumentando, com vários latidos e que é bela e muito leal, nós somos soldados em busca da paz e Chico JUCA (Acordando): que é isso? Vão vai se dar mal parar... (Entra na briga para Um por todos, todos por um, como já separar.) Em mim, Parem!... disse a união faz a força Pensei que vocês tinham faremos isso também melhorado, mas olha Um por todos, todos por um, teremos PURPETA: Eu não tive culpa, foi ela... muito poder, a união faz a força juntos FLORISBELA: Mentiroso! Foi você que iremos vencer Teremos mapa do amor e do bem PURPETA: Eu? Eu não sua... sua... sua... ainda que no infinito pegamos JUCA: Não quero saber de nada! pomo, depois repartimos e sobra um Vocês não tomam jeito mesmo! Teatro da Juventude 29</p><p>PRINCESINHA: Que pena! A gente palavra Purpeta? Eu acredito na estava tão unido.. sua. JUCA: Só quero saber quem começou. PURPETA: Também acredito em você. PURPETA: Foi ela. FLORISBELA: Mas se eu não puxei seu FLORISBELA: Foi ele. rabo e nem você me deu JUCA: Chega! Não adianta mais primeiro tapa... explicar! Vocês dois estão sempre PURPETA: Só pode ter sido... estragando tudo! E já que não FLORISBELA: Chico Alfinete! podem ajudar, vocês vão ficar PURPETA: Como fomos bobos! aqui. Só eu e a princesinha vamos FLORISBELA: Mas se foi... Ele ainda deve ter que procurar Chico Alfinete estar por aqui. Purpeta, eu acho e pegar mapa. Sem ele não que eu tenho medo. podemos achar a maçã. PURPETA: Coragem Florisbela! Co, CO, FLORISBELA: Mas princesa... coragem. Precisamos cuidar das PRINCESINHA: Não fiquem tristes, essa bexigas. (Tom.) Venha cá seu zanga é passageira. Até é bom homem mau, você vai ver como que vocês fiquem aqui, podem é boa a minha dentadura. Você conversar... me fez brigar com a Florisbela e FLORISBELA: Humm. deixou Juca zangado. Não PURPETA: Vocês vão até à casa dele? tenho medo, ouviu? Venha cá. JUCA: Vamos. (Entra Chico Alfinete e tenta PRINCESINHA: Tomem conta das Florisbela.) minhas bexigas. FLORISBELA: Purpeta, me ajude! (Saem Juca e a princesinha.) (Purpeta se coloca entre dois.) FLORISBELA: Viu que aconteceu por PURPETA: Deixa comigo, Flor, não sua culpa? precisa ter medo. PURPETA: Não tive culpa. Juro que não CHICO ALFINETE: Então vocês não tem comecei essa briga. Por que é medo de mim, não é? Você vai que eu iria fazer isso? apanhar tanto que suas pulgas FLORISBELA: Você é ruim pra mim, não ficarão amestradas! Vou pegar gosta de mim... essa gatinha e fazer um PURPETA: Eu gosto de você, Flor. tamborim! FLORISBELA: Você me chamou de Flor? PURPETA: Não chegue perto dela, PURPETA: Chamei. senão te mordo inteirinho! FLORISBELA: Chama outra vez. CHICO ALFINETE: Ha, ha, eu sou alfinete. PURPETA: Flor! Experimenta morder ferro para FLORISBELA: Ah, Purpeta, que bom. ver como lhe caem dentes. PURPETA: Você acredita em mim? (Chico tenta pegar a gata, Purpeta FLORISBELA: Acredito. lança-se contra ele mas é atingido e PURPETA: Eu fiquei muito aborrecido desmaia.) porque você puxou meu rabo. FLORISBELA: Purpeta! (Corre para FLORISBELA: Não puxei socorrer Purpeta no Não se PURPETA: Verdade? aproxime! Fora! (Tom.) Purpeta? FLORISBELA: Você duvida da minha que foram fazer com você? 30 Teatro da Juventude</p><p>CHICO ALFINETE: Ué! Você não gosta PURPETA: Eles correm perigo. Chico dele! Que história é essa? pode estar atrás deles. FLORISBELA: Acorda Purpeta. Mi, mi, FLORISBELA: Juca! miau. Purpeta! PURPETA: Olha! Estão vindo! CHICO ALFINETE: Não entendo mais (Entram a princesa e Juca.) nada. (Aproximando-se da gata.) JUCA: Então ele esteve aqui? Me diga uma coisa... PRINCESINHA: Machucou alguém? FLORISBELA (Repelindo-o): Não chegue FLORISBELA: Chico queria me pegar, perto. Juca! mas Purpeta me salvou. (Música Perseguição da Gata.) JUCA: Muito bem Purpeta, estou CHICO ALFINETE: Comigo ninguém orgulhoso de você. pode, olhe aqui eu sou de morte, essa PURPETA: Obrigado... mas é que... é gata não me arranha, esse cachorro que a Flor merece. não me morde. PRINCESINHA: Que bom! Fizeram as Eu por cima, papai aqui é bamba, pazes! com latido de um cachorro eu FLORISBELA: Foi Chico Alfinete que componho até um samba provocou, nós não queríamos Pego essa gata, faço dela um brigar. tamborim, vou passar a noite inteira JUCA: Vamos atrás dele! Depressa! batucando assim assim. FLORISBELA: Mas ele é muito forte, é de (Sai Chico Alfinete.) ferro! FLORISBELA: Foi embora Purpeta, foi PRINCESINHA: Agora estamos unidos. embora... Purpeta... Ah meu Deus! PURPETA: Será que a gente consegue Purpeta, levanta... (Não consegue agarrá-lo, Juca... reanimá-lo.) Será que ele está JUCA: Precisamos de um truque, com morto? Ai, ai, miauu, acorda inteligência Purpeta. bandido. PURPETA: Florisbela! PRINCESINHA: Você tem razão. FLORISBELA: Purpeta! Que bom! Que Devemos pensar. bom que você está vivo... Está FLORISBELA (Recompondo-se): machucado? Está doendo Precisamos de uma arma, não é? alguma coisa? PURPETA: Isso mesmo! Mas que arma? PURPETA: Não, não estou não. E JUCA: Já sei. Já sei, um imã! Chico Alfinete? Onde está aquele PURPETA/FLOR: bandido? Ele te machucou? JUCA: Com um a gente agarra FLORISBELA: Estou bem... mas acho que ele! Um bem grande. ele vai voltar. PRINCESINHA: Lógico! Porque ele sendo PURPETA: Precisamos avisar outros! de ferro... FLORISBELA: Vamos gritar! PURPETA: Vai grudar no imã! DOIS: Juca! Princesinha! Juca! FLORISBELA: Mas onde vamos PURPETA: Voltem depressa! encontrar um gigante? FLORISBELA: Chico Alfinete esteve JUCA: Não fizemos um foguete faz-de- aqui! conta? Agora faremos um DOIS: Juca! Princesinha! faz-de-conta. Teatro da Juventude 31</p><p>PRINCESINHA: Tenho um pedaço de TODOS: encantado imantado ferro, falta imantá-lo. demais JUCA: Serve! Vamos buscar! demais imantado imou (Saem Juca e a Princesinha.) imou imantado demais PURPETA: Precisamos achar um jeito de demais encantado ficou imantá-lo... Nós descansaremos FLORISBELA: Mas para isso nós quando encontrarmos mapa precisamos de força. Chico está fora do jogo PURPETA: Não podemos imantá-lo porque a nossa turma é fogo sem força. E muito viajaremos FLORISBELA: que faremos? seguindo caminhos do mapa PURPETA: Já sei! (Cochicha no ouvido Chico está fora do jogo porque a de Florisbela.) nossa turma é fogo! (Juca e a Princesinha entram trazendo TODOS:Chico Alfinete não pode mais 0 pedaço de ferro em forma de conosco! PURPETA/FLOR: Podemos imantá-lo com Chico Alfinete não pode mais a força da nossa união! conosco! JUCA: Isso mesmo! PRINCESINHA: Chico Alfinete! PRINCESINHA: Então, vamos lá. TODOS: Você não pode mais conosco. (Todos dão-se as mãos formando uma (Continuam cantando. Entra Chico roda em volta do Cantam. Música com um enorme porrete.) Imantação do CHICO ALFINETE: Não posso? Vocês vão encantado imantado demais ver. demais imantado imou (Todos se espalham, Chico tenta imou imantado demais golpear alguns.) demais encantado ficou CHICO ALFINETE (Correndo atrás deles): Fazendo de conta que tudo é Não posso! Não posso? verdade JUCA: Juntos! Todos juntos! Brincando de roda nos dando a mão (Se unem ao redor do vamos assim vencendo a maldade CHICO ALFINETE: Agora vocês vão ver. e seremos felizes então (Chico lança-se sobre eles. Todos se Se muitas cidades formam um Estado afastam e ele fica preso no se muitos estados foram a Nação CHICO ALFINETE: que é isso? Socorro! vamos fazer um encantado Socorro! Sabotagem! Soltem-me. com a força da nossa união Isso é uma armadilha, soltem-me! JUCA: Esperem. Temos que esconder JUCA: Isso é um feito com a força para que ele não desconfie. da nossa união! Assim pegamos mais depressa. PURPETA/FLOR: Não soltamos. PRINCESINHA: É mesmo! Vamos CHICO ALFINETE: Deixe-me.. camuflá-lo com bexigas. Solta, Me larguem, eu PURPETA/FLOR: Ótimo! prometo ser bonzinho! (Juca e demais trazem bexigas e PRINCESINHA: Só soltamos se você escondem disser onde escondeu mapa. FLORISBELA: Adiante! CHICO ALFINETE: Então me soltem que 32 Teatro da Juventude</p><p>depois eu conto. PRINCESINHA (Pausa): É sem JUCA: Conte primeiro. mapa... PURPETA: É, conte primeiro. FLORISBELA: FLORISBELA: Se não contar, lhe jogo um PRINCESINHA (Contendo-se): Isso que balde d'água e você vai você fez não altera nada, ouviu? enferrujar todinho. Juca, vocês podem pegar CHICO ALFINETE: Não! Não jogue que mapa. Pode estourar minha eu Mesmo porque, quando bexiga vocês souberem onde está JUCA: Não, vamos mapa, não poderão pegá-lo. fazer isso! JUCA: Deixe de histórias, fale logo. PRINCESINHA: Pode estourar. Só peço CHICO ALFINETE: Histórias... Vocês vão que seja um de vocês, e não eu, ver, ninguém me vence. não tenho coragem. JUCA: Vamos com isso! PURPETA: De jeito nenhum, sem essa CHICO ALFINETE: Pois não. mapa está bexiga você nunca mais vai dentro daquela bexiga. poder plantar outras. E como PRINCESINHA: Da bexiga que dá é que vai ser? Acabará sua sementes?! plantação... E eu sou culpado CHICO ALFINETE: Exatamente. de tudo isso? (Pausa geral, todos ficam desolados.) FLORISBELA: Não, Purpeta, a culpa FLORISBELA: Você você você é um também é minha. monstro! (Enquanto isso a Princesinha PURPETA: Deixa estar jacaré! resolutamente estoura a bexiga, JUCA: Puxa! Procuramos tanto por esse outros tentam impedi-la.) mapa e agora que ele está aí JUCA: Não. Não faça isso! pertinho não podemos pegá-lo. PURPETA: Princesinha! CHICO ALFINETE: Não disse que FLORISBELA: Não! ninguém me vence? Hi, hi, hi... Se CHICO ALFINETE (Atônito): Ela estourou vocês estourarem a bexiga a mesmo! princesinha nunca mais poderá PRINCESINHA: mapa está aqui! plantar outras. JUCA: Você não devia. JUCA: Cale a boca, seu bicho ruim. PRINCESINHA: Já está feito. CHICO ALFINETE: E sabem que mais? FLORISBELA: Você sacrificou sua Se vocês não acharem mapa plantação por nós. da maçã, nunca mais poderão PURPETA: E se sacrificou também. sair daqui PRINCESINHA: Não me arrependo. FLORISBELA: Quer dizer.. JUCA: Mas, que você vai fazer CHICO ALFINETE: Que sem mapa não agora? vão achar caminho de volta. PURPETA: Podia ir com a gente FLORISBELA (Choramingando): Eu procurar pomo da concórdia. quero voltar pra casa... JUCA/FLOR: Isso mesmo! JUCA: Isso é mentira... FLORISBELA: Venha conosco. CHICO ALFINETE: Pergunta pra ela, JUCA: Já temos mapa, agora é fácil pergunta. achar a maçã. E depois você vai Teatro da Juventude 33</p><p>para a Terra com a gente e fica vou ter mais que fazer... morando lá. JUCA: Tanto melhor, assim você ficará PRINCESINHA: Não sei... Sempre vivi sendo bom. aqui. Será que não vou CHICO ALFINETE: Sozinho me estranhar? aborrecer. Princesinha fique JUCA: Talvez um pouco, no início, mas comigo. logo você se acostuma. PRINCESINHA: Você nunca quis ser me PURPETA: Vamos. amigo... FLORISBELA: Por favor! JUCA: Pois agora, fique aí sozinho. PRINCESINHA: Queria ir... Mas no (O foguete sai andando. Atrás, sendo foguete que vocês vieram só puxado por uma cordinha, vai a cabem três pessoas. Princesinha segurando balões.) PURPETA: Fico aqui e você vai. CHICO ALFINETE: Não quero ficar JUCA: Posso fazer duas levar sozinho. Por favor não me deixem. todo mundo. Esperem.. Esperem. FLORISBELA: Tenho uma idéia buaaá. Se você fosse dependurada nos (O reino da bexiga dissolve-se balões de gás? Ainda restam transformando-se no espaço. alguns. A gente ia te puxando! Rumo ao Faz-de-conta.) JUCA: Ótimo. Acho que assim dá certo. TODOS: Vamos rumo ao faz-de-conta PURPETA: Vamos, não custa tentar. vamos viajando pelo espaço (Pegam algumas bexigas de gás e (Falado.) dão para a Princesinha.) JUCA: Quantos astros! PRINCESINHA: Está bem, então eu vou... PURPETA: Olha a lua! (Tentando se suspender nas PRINCESINHA: A estrelinha tá caindo! bexigas.) Engraçado, como é JUCA: Mas que lindo! bom, nunca tinha pensado em TODOS: Vamos rumo ao faz-de-conta fazer isso com as bexigas. vamos, vamos bem depressa Podemos ir embora. temos certeza de chegar em JUCA: Agora mesmo. Atenção, breve embarcar. temos certeza de chegar em FLORISBELA (Prá Purpeta): Deixe que breve agora eu posso ser a propulsão. rumo ao faz-de-conta. PURPETA: Obrigado. Mas não quero JUCA: Atenção. mapa diz que que você trabalhe. Eu sou mais devemos virar à direita. forte, posso empurrar facilmente. (Entra pelo outro lado Sr. Folhisberto FLORISBELA: Já que é assim... (Sobe na posição anterior.) Podemos dar a FLORISBELA: Olha lá. Seu Sabitudo! partida. PURPETA: Nossa, como ele está (Juca solta Chico Alfinete e sobe no mudado. foguete.) JUCA: Sr. Sabitudo! Viemos agradecer. CHICO ALFINETE: Não me deixem aqui (Todos cercam Folhisberto, que está sozinho... Se eu estourar essas olhando de luneta para a platéia e bexigas vai acabar tudo... não escrevendo no livro com rapidez 34 Teatro da Juventude</p><p>espantosa.) e a bela Princesinha PRINCESINHA: senhor não se lembra vai com a gente de uma de mim? Pra não haver discórdia FLORISBELA: Eu não brigo mais com vamos inda viajar Purpeta. Seu Sabitudo... e pomo da concórdia PURPETA: Seu Sabitudo! Ele não está logo vamos encontrar ouvindo... Só vão ficar prá trás FLORISBELA: Sr. Folhisberto! Sabitudo e Alfinete JUCA: Estamos aqui de volta. que nunca vão ter paz Encontramos mapa!... A e nem cabem no foguete concórdia. Encontramos a Pra não haver discórdia vamos indo viajar PURPETA: Nada. e pomo da concórdia JUCA: Já sei! Sr. Folhisberto, precisamos logo vamos encontrar de uma informação Encontrando a tal maçã PRINCESINHA: ninguém mais há de brigar JUCA (Lendo livro de Folhisberto): A. (Continua só música de fundo "Rumo assalto a mão armada, b... bateu ao faz-de-conta".) no irmão, C... caiu do 13° andar, JUCA: mapa diz que devemos parar d... destruiu um avião, e... extorsão, na outra ponta do céu. f... fugiu de casa, g... guerra dos 6 FLORISBELA: Estamos quase dias, guerra segunda... guerra chegando... falta um tantinho. primeira... Pronto, chegamos. PRINCESINHA: Pobrezinho. PURPETA: Vamos descer. FLORISBELA: Pirou de pedra. (Juca segue as indicações do mapa JUCA: Magnífico Sr. Folhisberto. Sua onde todos estão olhando.) excelência tem que nos ouvir... JUCA: Agora três passos para trás. Um, Achamos a concórdia. dois, três. Meia volta à esquerda. PURPETA: Não adianta, ele parece Cinco passos para a frente. muito ocupado. (Todos seguem. Dão cinco passos PRINCESINHA: Por favor, escute! ainda prestando atenção no mapa. FLOR/PURPETA: Seu Folhisberto. espaço se transforma no mesmo Achamos a con-cór-dia! cenário do início.) JUCA: Não adianta, ele não quer nos JUCA: Um, dois, três, quatro, cinco. ver, não quer nos ouvir. Vamos (Param defronte a uma macieira do embora. quintal da casa de Juca.) (Sobem no foguete e prosseguem. JUCA: Agora mapa diz que é Folhisberto sai. Música Pra não haver olhar para cima e se verá pomo discórdia.) da concórdia. Pra não haver discórdia (Erguem a cabeça lentamente.) vamos indo viajar e pomo da PRINCESINHA: Vejam! Ali está! concórdia logo vamos encontrar PURPETA: Ora! Mas essa maçã... E no foguete agora FLORISBELA: Estamos no quintal da somos quatro em vez de três nossa casa! Teatro da Juventude 35</p><p>JUCA: É mesmo. Esse é nosso quintal. JUCA: Nós nunca a esqueceremos. Imagine só! E procuramos a PRINCESINHA: Também nunca maçã por todo universo. esquecerei vocês. Um dia voltarei... FLORISBELA: E ela aqui tão pertinho de (Fecha pano lentamente à medida que a luz morre e a princesinha se PRINCESINHA: Agora é apanhá-la e afasta para alto.) cada um de vocês come um JUCA: Até Adeus. pedaço. Vão ficar amigos para PRINCESINHA: Até lá! sempre. (A cortina abre.) (Vai apanhar.) MÚSICA FINAL PURPETA/FLOR: Espere! Estamos aqui de volta cá no nosso PURPETA: Acho que não precisamos... quintal e pomo aqui estava afinal FLORISBELA: Já somos amigos, não Andamos por tanto tempo todo precisamos mais dessa maçã. universo JUCA: Tem certeza? Eu vi e a maçã encantada estava (Purpeta olha para Florisbela.) aqui PURPETA: Claro, né Flor? Não é preciso bem longe pra FLORISBELA: É Purpeta. Não precisamos encontrar a paz, é você ter força de mais. vontade PRINCESINHA: Sendo assim é melhor Pensando desta maneira logo você deixar a maçã no lugar. Alguém desfaz todas as consequências da pode precisar. Ou melhor... eu já maldade sei quem precisa e vou levar Foi tão boa a viagem muito nela agora mesmo. Talvez com pomo aproveitamos da concórdia... E os nossos problemas encontraram FLORISBELA: E nós... solução JUCA: Nós ficamos sem você? E quem não quis vir conosco se quiser PRINCESINHA (Já segurando ainda estamos prontos para recebê-los balões): Vocês não precisam mais abraçá-lo e dar-lhe a mão de mim e nem da maçã. Estamos aqui de volta cá no nosso JUCA: Por favor, fique! quintal e pomo aqui estava afinal (A princesinha se afasta lentamente.) Andamos por tanto tempo PRINCESINHA: Não posso. Todo universo eu vi e a maçã PURPETA: Princesa! encantada estava aqui. FIM 36 Teatro da Juventude</p><p>Adolescente/ Adulto Namoro Miranda Costa Teatro da Juventude - 37</p><p>NAMORO Miranda Costa PERSONAGENS: Simone Estela Margarida Donzela Mensageiro Cigana Barqueiro Princesa Apaixonada Quando chega a hora, a história da ESTELA e MARGARIDA: Manhê, Simone puberdade e da adolescência comprou pente de OSSO dela acontece com qualquer pessoa, em com troco daquela vez que a qualquer lugar. Estela, Margarida e gente foi sozinha comprar Simone estão prontas para dormir-de calcinha. pijama de flanela, se estiver fazendo (A mãe não está em cena e, sim, lá frio; de camisola, se for verão. para dentro, em algum lugar da casa.) SIMONE: Estela! Margarida!! Estela!!! SIMONE: Manhê, Estela e Margarida Margarida!!!! todo dia matam a última aula e ESTELA: Não sou surda. vão passear no shopping. MARGARIDA: Nem eu. ESTELA: Manhê, ela mentiu: falou pra SIMONE: Meu pente não está no lugar. você que perdeu troco. ESTELA: Você está querendo dizer com SIMONE: Eu conto que aconteceu isso que... ontem, heim?... SIMONE: Pegaram meu pente limpo, ESTELA: Simone, não provoca usaram e largaram sujo, jogado SIMONE: Vocês estão revoltadas embaixo da cama. porque meu namorado me liga. MARGARIDA: Está acusando alguém? MARGARIDA: Coitada! SIMONE: Só pode ter sido uma das SIMONE: Vocês é que ficam ligando duas. sem parar pra ver se eles estão MARGARIDA: E que você vai fazer? em casa ou não. ESTELA (Apostando): Vai chamar MARGARIDA: Simone, você não tem nada com isso. SIMONE: Vou arranhar vocês duas. SIMONE: Pra que namorado? Teatro da Juventude 39</p><p>namorado não liga.. dizer que fiquei com troco. MARGARIDA: namorado é meu. Sendo que meu pente, as duas Namoro do jeito que eu quiser. também usam. ESTELA: Margarida, eu vou enforcar MARGARIDA: É diferente. essa menina! SIMONE: Diferente é galinha com SIMONE: Meu namorado me liga toda dente. (Ao telefone.) Macarrão, hora... você não quer vir aqui dar um MARGARIDA: Manhê, além de jeito nessas chatas? Ah, vem, vai... mentirosa, Simone é ladra: ela ESTELA: Fala pra trazer violão. roubou dinheiro. MARGARIDA: E pizza. SIMONE: Manhê, ontem, Estela, SIMONE: Não Ele está de moto, Margarida, Prego e Caveira foram carro está quebrado. assistir a filme de sacanagem. ESTELA: Então, nada feito! Tem trabalho moço é que não deixou porque, pra fazer, queridinha. nesses lugares, não entra SIMONE: Você está falando igual MARGARIDA: A gente trabalha, ESTELA e MARGARIDA: Chega!!! enquanto você namora? Nada SIMONE: E chega, também, de mexer feito! em minhas coisas!!!! SIMONE: Então, passa amanhã na Toca telefone. Simone é mais escola... Na entrada... rápida e atende primeiro. MARGARIDA: Vai matar aula de novo? ESTELA e MARGARIDA: Quem é? ESTELA: Já está pendurada por falta. SIMONE: Macarrão! SIMONE: Eu sei me cuidar. MARGARIDA: Dá um tempo, namorar ESTELA: Mas se acontecer alguma também enjoa. coisa, a bronca vem por cima das SIMONE: Briga com seu namorado. (Estela liga som, no maior volume.) SIMONE: Eu quero morar sozinha! Vou SIMONE: Abaixa som! fugir de casa. (Ao telefone.) ESTELA: Não!!! Macarrão, vamos casar? SIMONE: Vou chamar a polícia. MARGARIDA: Sério? Vou ser madrinha! ESTELA: Eu falo que você é louca, que ESTELA: Coloca Tchan pra tocar na fugiu de hospício. igreja. (Parodiando Tchan.) SIMONE: Manhê, vizinho está dizendo "Nunca se viu noivinha igual: véu, que vem hoje, de novo, reclamar grinalda e balanço legal." com pai por causa do som. SIMONE (ao telefone): Macarrão, fala (Consegue silêncio.) (Ao telefone.) mais alto! Passa aqui... ESTELA e MARGARIDA: "Oh! que ESTELA: Fala pra trazer Prego. casamento, casamento da MARGARIDA: Caveira, também. pesada!!!" ESTELA: Fala que tem cerveja na SIMONE (ao telefone): Grita, Macarrão! geladeira. ESTELA e MARGARIDA: "Casamento MARGARIDA: E dá pra roubar uma que, por mim, lá no fim vai dar em garrafa de vinho. nada." SIMONE: E ainda têm coragem de SIMONE (ao telefone): As duas! Não 40 Teatro da Juventude</p><p>conseguem me deixar em paz. MARGARIDA (traduzindo a depressão ESTELA: Pergunta quando ele vai da Simone): Pronto, vai começar!. cumprir que prometeu e me ESTELA (complementando a ensinar a dirigir? explicação): É capaz de ficar MARGARIDA: E vai ou não vai levar a meia hora assim. gente pra ver show de travesti? SIMONE: Como é que eu vou? Como é SIMONE: Macarrão, não dá pra que eu vou? Como é que eu conversar, agora. Passa lá, vou? amanhã. Outro... (Estela e ESTELA: É igual prisão de ventre. Margarida interferindo na SIMONE: Merda!!! conversa.) Bem gostoso... (Estela e ESTELA: Não falei? Margarida gemendo.) Mais dois... MARGARIDA: E, agora, senhoras e (Estela e Margarida, escandalosas.) senhores, vem, aí: diarréia (Simone desliga e grita psicológica. assim mesmo: de repente. SIMONE: Tenho culpa de ter seio Aparentemente não há motivo para pequeno/grande? É alguma tal comportamento.) vantagem ter seio grande/ ESTELA (traduzindo grito de Simone): pequeno, é? Sabe que seria Apavorada. melhor? Eu andar com seio de MARGARIDA (complementando a fora com todo mundo olhando e explicação): Diante do maior morrendo de vontade de passar dilema de quase todas as creminho. mulheres. ESTELA: Bobagem sua! Iria ser a maior SIMONE: Eu vou de ou sem confusão. ESTELA: Aonde? MARGARIDA: Os caras brigando uns SIMONE: Encontrar Macarrão, amanhã. contra outros por causa de MARGARIDA: Sem marca tudo, ciúme. todo mundo olha. ESTELA: E você acha que iriam ficar SIMONE: Mas eu não tenho legal. nessa de passar creminho? Parece que pessoal aqui de (Simone, em estado de choque.) casa queria que eu nascesse ESTELA (traduzindo estado de homem. choque de Simone): Olha ESTELA: Aí, você não teria cueca próprio sexo e fica, ainda, mais decente pra sair com a apavorada. namorada nova. MARGARIDA(complementando a SIMONE: Que inferno! Não tenho explicação): Está como que pra sair amanhã com meu diante de fatalidade, quase namorado. tragédia. ESTELA: Promete que lava? Empresto SIMONE: E se eu ficar menstruada? Essa meu, de rendinha. semana meu seio está enorme. SIMONE: número é maior/menor; vai Justo amanhã? Não! que eu ficar faltando/sobrando seio. faço? Como é que eu vou? ESTELA: Modess. (E cai em depressão.) SIMONE: E se Macarrão quiser passar a Teatro da Juventude 41</p><p>mão? sempre fala que vai e nunca vai. ESTELA: Não deixa. MARGARIDA: É que sinto medo, na SIMONE: Você conhece Macarrão: hora de entrar. adora ver cabelinhos. SIMONE: É, medo vale a pena. E depois, ESTELA: É você dizer não. lá dentro, você sabe: medo SIMONE: E se eu não resistir? passa... Vamos? ESTELA: Aí, vira Macarrão com catchup. Dessa vez, vão ao porão como SIMONE (ombros jogados para a frente, quem visita algum lugar, no costas curvas... uma figura em passado. Se fosse possível guardar cena): E se amanhã eu andasse tempo, essa possibilidade seria assim, pra esconder? porão, neste momento. MARGARIDA: Esconder quê? SIMONE: Vocês se lembram da última SIMONE: Meu não está vez? legal. Como é que eu vou? Como MARGARIDA: E, hoje, que será que é que eu vou?!!! vai acontecer? MARGARIDA: Pára, menina! Vai ESTELA: Deixa pintar. É mais mágico. começar de novo? SIMONE: Sinto frio na barriga toda vez SIMONE: Acho que estou passando que vai começar. mal. Está doendo lá dentro. ESTELA: Vamos fazer assim: a gente Vontade de fazer xixi... Não! É abre baú; que pintar, pintou! E tensão pré-menstrual. entram, no porão escuro. MARGARIDA: Respira... MARGARIDA (grita, arrepiada até ESTELA: Solta ar... último fio de cabelo) MARGARIDA: Aperta barriga... ESTELA e SIMONE (arrepiadas, ESTELA: Relaxa... também): Que foi? SIMONE: Essas coisas acontecem MARGARIDA: Uma barata! (E foge.) comigo. Por que sempre eu? Correndo, esbarram no baú MARGARIDA: Mas é vítima, mesmo. mistério maior do porão - cheio Coitada! de panos, roupas velhas, fantasias, SIMONE: Então, responde: como é que máscaras, bonecas, perucas... eu vou? Abrem a tampa do baú, com ESTELA: Acho melhor você nem ir... cuidado de quem desenterra SIMONE: Quê?!!! Vestem aquelas ESTELA: Compra amanhã e deixa coisas e, de repente, não são mais pra sair com ele outro elas... SIMONE: Não fala mais comigo! Não MARGARIDA (narrando): Era uma vez, fala mais comigo, está legal?! uma linda moça, linda donzela... (E corre atrás de Estela em firme SIMONE (pegando a deixa): Eu vou ser intenção de matá-la.) a Donzela. ESTELA (providencial): Vamos brincar MARGARIDA (entusiasmando-se): que no porão?!!! vivia nas escadarias de um SIMONE (perde, instantaneamente, a castelo. A linda Donzela espera disposição de esquartejar Estela e amor acontecer em sua vida. topa a brincadeira): A gente Enquanto espera, borda, em lindo 42 Teatro da Juventude</p><p>véu, as letras do alfabeto. Uma beleza... delas é a inicial daquele que, um DONZELA: Oh! desgraçada que sou, de dia, chegará. tanto esperar, morrerei. DONZELA (borda e canta): Fiapo de MENSAGEIRO: .meu amo e senhor lua no céu e dois amantes... não pode com a luz do dia e não ESTELA (sentindo-se como Mensageiro, nem mesmo, a de porque colocou chapéu na braseiros ou lampiões. cabeça): senhora, é tanta DONZELA: Credo! E que jeito tem, vossa beleza, que confunde até então? mesmo beija-flor! MARGARIDA (vindo de trás", DONZELA (afetada): Que lindo! cansada de esperar): Fala da (Encantada com 0 clima.) Que Cigana pra eu poder entrar. forma bonita de dizer as coisas! ESTELA: Já vai. (De Mensageiro.) à Quem sois? feira, amanhã de manhã, MENSAGEIRO: Simples mensageiro de procurar a barraca da Cigana, a origem plebéia, indigno de vendedora de ilusões. Ela tem merecer um sorriso de tão formosa cera especial trazida do Oriente. criatura. Cumpro ordens de meu Com a cera, fazer velas amo e senhor e ele pede, mui pequeninas; velas pequeninas gentilmente, para ser recebido muito agradariam a meu amo e por vós. senhor. DONZELA: Oh!... (E se a caminho.) (Já sonhando com esse seu DONZELA: Espera! Qual nome de seu MENSAGEIRO: Então, qual resposta amo e senhor? levarei a meu amo e senhor? MENSAGEIRO: Macarrão, senhora de (E suspira.) luz tão pura. DONZELA (lânguida): Diga-lhe que sim. (E sai.) Que espero. Sou aquela que DONZELA: "M".. sempre esperou, não sabendo a CIGANA (apregoando): Atenção! As quem esperava, mas sabendo maiores maravilhas da Terra... que chegaria dia de saber DONZELA: A senhora é a Cigana? que não estava sabendo CIGANA: Depende. Se vens atrás de sabendo que não sabia... pedras que traduzam a luz do Sol, MARGARIDA (aproveita que as então eu sou Cigana. Mas, se é palavras de Donzela confundiram por causa de felicidade, ou de Simone): Estou a fim de fazer uma alguma tristeza que possa estar cigana. Será que cabe na morando no canto de teus lábios, história? então eu sou Bruxa. ESTELA: Claro! Que a Cigana surja lá DONZELA: Venho buscar cera do de trás para aumentar clima. (E, Oriente. Velas pequeninas muito voltando a ser Mensageiro....) agradariam a meu amo e senhor. Porém... CIGANA: Claro, minha pombinha. DONZELA: Porém? Levarás a cera se me trouxeres, MENSAGEIRO: Porém, senhora de rara em troca, três lágrimas de amor Teatro da Juventude 43</p><p>de princesa apaixonada. (Recolhe a lágrima e a guarda DONZELA: Mas onde vou encontrar n'alma.) uma princesa apaixonada PRINCESA APAIXONADA: Queria tanto chorando lágrimas de amor? poder vê-lo, nem que fosse uma CIGANA: Na beira do lago. única vez. (E sai.) DONZELA: Princesa, preciso ainda de ESTELA (usando alguma coisa do baú): uma última de tuas lágrimas. Eu vou fazer Barqueiro. PRINCESA APAIXONADA: Ajuda-me? DONZELA: Barqueiro! Barqueiro, leva- Leva-me aos Infernos. me em torno do lago? (Na (Donzela concorda.) barca.) Será que eu vou BARQUEIRO: Primeiro, dinheiro. conseguir encontrar alguma PRINCESA APAIXONADA: Toma, princesa apaixonada chorando Barqueiro. lágrimas de amor? BARQUEIRO: Então, vamos partir. BARQUEIRO: Pode ser, pode ser... DONZELA: Pra onde? DONZELA: Preciso de três... (Ouve-se BARQUEIRO: Em frente. Logo grito de dor de Princesa encontraremos curso de um rio Apaixonada, que é a Margarida, e esse rio é diferente, nele não se já com outra coisa tirada de vai contra a corrente. dentro do baú.) Estás ouvindo? DONZELA: E pra eu voltar? BARQUEIRO: Pode ser!... BARQUEIRO: As águas param; deixam DONZELA: É ela. de rolar. E a volta se faz em lapso PRINCESA APAIXONADA de tempo, em contratempo de Dói, dói, está vida. doendo demais! Dói, lá dentro de DONZELA: Tenho medo. mim. BARQUEIRO: Em frente. São águas (E chora a primeira lágrima.) amargas, lodosas e borbulhantes. DONZELA: Princesa, dá pra mim essa São as lágrimas dos povos, lágrima de amor? Se é que sangue dos delirantes. choras por amor. DONZELA: Tenho medo. (Recolhe a lágrima e a guarda no BARQUEIRO: Em frente. Vê! margens, coração.) vagam as almas dos mortos sem PRINCESA APAIXONADA: Choro por chão. Escuta! (E se ouve amor, porque amo amor lamento da multidão que impossível. padece.) Durante cem anos DONZELA: Quem ele é? assim ficarão. PRINCESA APAIXONADA: Rei dos DONZELA: Tenho medo. Infernos. BARQUEIRO: Em frente. Olha! Álamos... DONZELA: Mas quem vai aos Infernos salgueiros... Sente! Cheiro de não pode voltar. carne humana queimando a (Princesa Apaixonada chora a eternidade inteira. Em frente! segunda lágrima.) PRINCESA APAIXONADA: Chegamos. DONZELA: Princesa, dá pra mim essa Onde está meu amor? lágrima de amor? Serviçal do Inferno 44 Teatro da Juventude</p><p>(Que é Estela já pegou outra coisa ESTELA: Vai, junta tudo! Anda! de dentro do baú.) MÃE (em play-back): Benhê, você viu PRINCESA APAIXONADA: Onde estás, se a porta da cozinha está Rei dos Infernos? (Tentando aberta? A luz dos fundos está negociar com Serviçal.) Eu amo acesa. demais! Sem ele, não quero viver. (As três disparam para dentro da Dou em troca, deixa casa.) seguinte.) que Donzela volte. Serviçal do SIMONE: Estou com cara de Cinderela? Inferno (Sujeito Vou MARGARIDA: De Bela Adormecida. levá-la, Princesa, à presença do Acorda! Senhor. (Indicando, por exemplo, SIMONE: Sonhei com um manequim.) Rei dos Encantado. (Quase sem voz.) Ele Infernos! me deu cada beijo! PRINCESA APAIXONADA (tocando a MARGARIDA (profundamente pele do Rei dos Infernos): Tão preocupada): E... tudo bem? quente... SIMONE: Meio perturbada. Serviçal do Inferno MARGARIDA: Não é pra menos. É amor. SIMONE: Um "gato"! Você não acredita. PRINCESA APAIXONADA (abraçando-se Passou a noite me arranhando. corpo): Tão frio! MARGARIDA: Ui! Serviçal do Inferno (Um arrepio percorreu seu corpo.) Amor é assim, nos dias de hoje. SIMONE: Fala verdade: não é sonho (Princesa Apaixonada chora a terceira pra se ficar na cama dia lágrima.) inteiro? DONZELA: Princesa, dá pra mim essa MARGARIDA: Nem me fale. lágrima de amor? (Recolhe a SIMONE: Não está muito cedo? lágrima e a guarda pelo resto da MARGARIDA: Passou da hora. vida) Agora posso embora. SIMONE: Ainda vou me depilar. Adeus, Princesa! (E entra na MARGARIDA: Não dá! barca.) SIMONE: Não dá pra eu in peluda. Vai começar a viagem de volta MARGARIDA: Vai chegar atrasada. mas... barulho de carro entrando SIMONE: Ai, quero férias! na garagem. (E grita, como se estivesse acabando MARGARIDA: Simone, Estela, é pai e a mãe? MARGARIDA (acostumada aos Barulho de chaves. exageros de Simone): Que foi? SIMONE: Chegaram. SIMONE: Apareceu espinha em meu ESTELA: E agora? queixo. MARGARIDA: Não é melhor eles MARGARIDA: E precisa gritar desse pegarem a gente aqui? jeito? ESTELA: Não, corre! Guarda tudo!!! SIMONE: É praga! Juro que é, só pode! MÃE (em play-back): Querido, vê se as MARGARIDA: E a vizinhança tem de meninas estão no quarto.. saber? MARGARIDA: Ai, ai, ai! São eles, mesmo. SIMONE: Olha! Estou horrorosa! Teatro da Juventude 45</p><p>Macarrão vai olhar em minha ESTELA: Não, muito forte. cara e nem vai querer ficar SIMONE: Cabelo preso? comigo. ESTELA: Solto. MARGARIDA: Se cutucar, inflama. MARGARIDA: Preso! Aí, você pode ESTELA: Espremer é pior, que marca pra soltar depois. sempre. SIMONE: E perfume? SIMONE: Essas coisas acontecem MARGARIDA: Só desodorante. comigo. Só comigo! ESTELA (com frasco na mão): Ai, esse MARGARIDA: E você? Não vai sair desodorante é uma desse bidê? porta da escola: a dura realidade.) ESTELA: Ainda, não. ESTELA: Tem prova final de Matemática. MARGARIDA: Faz mais de quinze SIMONE, ESTELA e MARGARIDA minutos que você está Você (confidenciando à assistência): gosta dessa agüinha lhe fazendo A gente não estudou nada! cosquinha, heim? SIMONE: Essas coisas acontecem ESTELA: Tão comigo. Só comigo! (Seu corpo dança; sua voz...) ESTELA e MARGARIDA: MARGARIDA: Acho que, por dia, você ESTELA: Prova final me dá diarréia. passa cinco horas sentada nesse MARGARIDA (mesma coisa que técnico preparando seu time, ESTELA: É tão gostoso.. minutos antes de decisão de (Seu corpo, todo movimento; sua voz...) campeonato): Tem de ter calma... MARGARIDA: Eles conversam. Ela ESTELA: E se me der frio na barriga? chama bidê de Bilu-bilu, pode? MARGARIDA (sem a mesma segurança ESTELA: Você fala, mas bem que gosta. anterior): Encarar a prova como MARGARIDA: Não fico cinco horas. se ela fosse coisa natural... ESTELA: Mas, quando fica... (E engole ESTELA: Costuma me dar tremedeira. ar.) Faz maior escândalo... (E, MARGARIDA (perdendo tom mais ar.) Aaah!.. Acho que vou profissional): Sofrer por morrer... (E é como se corpo antecipação não adianta. borbulhasse e subisse tudo pela ESTELA: E se me der branco? voz...) MARGARIDA: Você sabe! Eu sei que (Margarida e Simone estão sem você sabe. Na hora, você tem de palavras) lembrar! SIMONE (mal-refeita da experiência ESTELA: Falar é fácil! Vai lembrar, quero anterior): Que batom eu passo? ver! MARGARIDA: vermelho! MARGARIDA: na cabeça que ESTELA: Não, um mais claro. você vai passar, que você passa. SIMONE: É melhor brilho? ESTELA: Eu vou passar, eu vou passar, ESTELA: Não, normal. eu vou passar... MARGARIDA: Eu gosto de boca bem SIMONE: que eu falo pra Macarrão? brilhante. MARGARIDA: Fala pra esperar. É caso SIMONE: E na cara, heim? de vida ou morte. MARGARIDA: Realça sobrancelha. SIMONE: Ele vai acabar achando que 46 Teatro da Juventude</p><p>sou cheia de drama. tempo pra reaprender tudo. Eu ESTELA: Eu queria inventar a Pílula do cresci - a única pessoa que notou Saber pra acabar com escola e foi professor. MARGARIDA (tirando Estela de suas SIMONE: Ótima idéia! recordações): Vamos mudar de ESTELA: Pra que passar horas e horas escola? estudando? ESTELA: Nem pensar! A gente tem de SIMONE: É muita prova, muita lição, passar de ano pra poder viajar muita pesquisa. sozinha nas férias. ESTELA: Era tomar uma pílula e MARGARIDA: Tem prova final de pronto. Ciências. MARGARIDA (prática): Vamos fazer ESTELA: Qual matéria? seguinte: entro na classe e dou MARGARIDA: Corpo Humano: um jeito de jogar as questões pela Crescimento e Desenvolvimento. janela. professor.) "A semente ESTELA: Eu fico no pátio, pego a prova germina e se transforma, frondosa, e me escondo no banheiro. (Para do mesmo jeito que papai planta Simone, que já ia saindo.) Você a sementinha em me encontra lá. A gente sobe ESTELA: Igual ao cara que dá Ciências: com a prova resolvida. completamente fora da (Simone sai.) MARGARIDA: Tem de ser rápida porque MARGARIDA: "E, nove meses depois, cara não deixa entrar atrasada. nasce neném fruto de amor (E sai.) dos dois." (Termina a ESTELA (prestando 0 seguinte representação.) Pode? depoimento ao público): ESTELA: Não pode, mesmo. Sinceramente? A partir da quinta MARGARIDA (mudando de assunto): série do primeiro grau, é horrível. Você sabia que Daniela está Um cara entra em sala dando grávida? matéria, sai dando matéria e não ESTELA: E vai se casar. está nem aí com que outro MARGARIDA: Sabe que ela me está dando. (Um aviãozinho de perguntou: "Pode ficar grávida papel atravessa a cena.) A na primeira relação?" Aí, eu prova... (Indicou barbarizei: "Acho que depois (Desmancha 0 Dá que se fizer dezoito anos". uma olhada, por alto, nas ESTELA (fazendo uma Daniela questões.) Não existe assunto "retardada"): "Mas só fica interessante. Aí, de repente, eu grávida se transar quando estiver não agüento e faço zona, mesmo. menstruada, né?" (A própria Eu cresci: meu corpo todo mudou Estela responde.) "Acho que parece que ninguém percebe quando a gente está menstruada e, ainda por cima, ficam me nem pode transar, senão enchendo de coisa que não me sangue volta pra cabeça." cabe agora. Estou precisando de MARGARIDA (a brincadeira pega Teatro da Juventude 47</p><p>fogo): "Mesmo se tomar pílula no uma caixinha pras dia?" ESTELA (eclarecedora): Se uma gasta ESTELA: "A gente toma pílula no dia mais, está tirando dinheiro de que transa ou no dia seguinte?" outra. MARGARIDA: Agora, falando sério: MARGARIDA (para Simone): É seu você vai se casar virgem? direito, dentro da divisão, ir ao ESTELA: Nem sei se vou me casar. cinema duas vezes por mês. VOZ (em off): E, atenção, senhoras e ESTELA: Pagou a de Macarrão, uma. senhores! Reproduzimos, aqui, Mais a sua, duas. Cinema, agora, resumo das principais direções mês que vem. Abra olho! Sua que dramaturgo poderia ter grana está seguido para desenvolvimento SIMONE: Seria tão bom ter meu próprio dessa história: 1) Simone poderia dinheiro e fazer com ele que eu ter fugido sem deixar vestígio ou bem entendesse. bilhetes, não tendo sido nunca MARGARIDA: Nem me fale. mais encontrada, nem por seus SIMONE: "Eles" fazem de tudo pra familiares nem pela polícia; 2) Ser gente gastar: é loja de CD ao encontrada no quarto do referido lado de lanchonete com mil Macarrão, já em estado de coma fotografias de sorvetes. devido a doses abusivas de todas MARGARIDA: Cobertura de chocolate... as drogas imagináveis LSD, ESTELA: Marshmellow... maconha, cocaína, ópio, morfina, MARGARIDA: Caramelo... heroína, clorofórmio, éter, álcool, ESTELA: Pedacinhos de amendoim... açúcar, cafeína, nicotina e SIMONE: Comprei CD dos Vikings... alcatrão e internada, com ESTELA: Então, você gastou mais do urgência, na UTI, do Hospital das que podia! Clínicas. SIMONE: Não comi! Estou morrendo de (Simone entra quieta e calada.) fome. E, este mês, não vou mais ESTELA: A Simone voltou! (E corre ao andar de ônibus. seu encontro.) MARGARIDA: Nem tomar refrigerante (Estela e Margarida, na maior na hora do lanche. expectativa: querem saber tudo que ESTELA: É água, no bebedouro. E, olhe aconteceu.) lá! SIMONE: A gente foi ao cinema, pronto. SIMONE: Não consigo me entender ESTELA e MARGARIDA: Só isso? com esse negócio de grana ESTELA: Conta, vai. controlada. Quero trabalhar! SIMONE: Vou avisar de uma vez, pra Fazer alguma coisa e ganhar não dar problema mais tarde. pelo que eu fizer. Não quero mais Macarrão estava duro. ouvir: "Você é que leva vida boa, MARGARIDA (vem, de público, explicar não precisa trabalhar!" certos detalhes de sua vida ESTELA: "Você não sabe quanto custa financeira): Lá em casa, a mãe ganhar esse dinheiro!" calcula, mais ou menos, quanto MARGARIDA: "Você acha que é só cada uma de nós gasta e faz pedir e dinheiro aparece!" 48 Teatro da Juventude</p><p>SIMONE: Quando não jogam nasceu bigode. dinheiro em cima da mesa no ESTELA: Existe mulher que tem barba. maior mau humor. SIMONE: Aí, é problema de hormônio; MARGARIDA (revelando alguns tem cura. detalhes de sua vida profissional): MARGARIDA: É, mas quero ver arrumar A gente já tentou trabalhar na namorado com fama de Mulher firma do pai. Não deu certo. Barbada. ESTELA (esclarecedora): Ele paga SIMONE (acaba contando tudo): Ele pouco e fala que estamos falou que sou desengonçada. investindo no que é da gente Que, quando eu ando, às vezes mesmo. meu corpo vai pra frente, às vezes (Estela e Margarida não se deixam vai pra (Vamos assistir a outra enganar: Simone não está legal.) crise.) Por que essas coisas só ESTELA e MARGARIDA: Conta, vai. acontecem comigo? Só comigo? SIMONE (cedendo): Estou quase do ESTELA (levando Simone pelo braço): tamanho de Macarrão. Ele falou Melhor ir pra casa. que, neste mês, cresci dez SIMONE (engolindo ar): Que, quando a gente ESTELA e MARGARIDA: Que foi? se conheceu, eu batia aqui nele. SIMONE: É Macarrão, ali no boteco? (E mostra a altura do ombro.) Está ESTELA e MARGARIDA: É. se sentindo meio mal comigo. SIMONE: Cachorro!!! (E vai ver melhor.) ESTELA: Fala que é assim mesmo. Mês que vem é a vez dele crescer. ESTELA e MARGARIDA: Que foi? SIMONE: Mas qual será meu tamanho, SIMONE: É a galinha da Dorotéia que no final, quando eu parar de está com ele? crescer? Vocês sentem que a mão ESTELA e MARGARIDA: É. ficou maior? SIMONE: Pra mim, ele ESTELA: Eu sinto. fala pra eu não esses MARGARIDA: Eu, Meu nariz é que lugares. Mas ele pode?! está enorme na ESTELA: Homem é assim mesmo. ESTELA: Dá sensação de não saber MARGARIDA: Homem é tudo igual. segurar as coisas. SIMONE: Homem é um mistério. Eu vou MARGARIDA: Fico horas no espelho lá. apertando nariz pra ver se ele ESTELA e MARGARIDA: diminui. não! SIMONE: E se eu crescer demais, igual ESTELA: Vão lhe chamar de galinha. girafa? MARGARIDA: Você vai ficar com fama ESTELA: Melhor do que tampinha pro de puta. resto da vida. ESTELA: Ele vai dizer que você fica no MARGARIDA: Só não quero é ficar pé dele. gorda, cheia de pneu e MARGARIDA: Ele vai dar uma de barriguda. gostoso. ESTELA: Nem magra, sem bunda. SIMONE: Não estou nem Quero MARGARIDA: Eu já sonhei que me saber que história é essa. Teatro da Juventude 49</p><p>(E vai.) que preparar tudo: alugar salão, ESTELA e MARGARIDA: Pronto! Estamos tirar alvará na prefeitura, nós duas aqui sozinhas outra vez. encomendar comes e bebes e ESTELA: Simone está ficando doida. contratar a luz. MARGARIDA (musical): E Estela está ESTELA: E grana pra tudo isto? louquinha pra ficar também. SIMONE: A gente vai cobrar ingresso. A ESTELA: Pelo menos, ela fica sabendo, renda paga as despesas e lucro logo, que história é essa. a gente divide. Só que, fora isso, MARGARIDA: Vamos lá... dez por cento são meus porque ESTELA: Qual é a de Macarrão? eu tive a idéia. MARGARIDA (para Musical): MARGARIDA: E se der prejuízo? Estela... SIMONE: Ó, duas coisas: primeiro, tudo ESTELA: quê, Margarida?! é risco; e, segundo, quem não MARGARIDA: Por que a gente não vai tiver coragem na vida, acaba também? enfiada em escritório. ESTELA (inventando desculpa): Porque (Em casa.) Prego e Caveira não estão lá. ESTELA, MARGARIDA e SIMONE: Mãe, MARGARIDA (debochando): Ah, sei... cheguei. SIMONE (voltando): Tudo bem. SIMONE: Macarrão marcou a festa pra ESTELA e MARGARIDA: Tudo bem, sábado. quê? ESTELA: Mas é semana de prova final. SIMONE: Ele está esperando Prego e MARGARIDA: E a gente tem de passar. Caveira pra combinar um SIMONE: A gente tem de fazer a festa, negócio com eles. ganhar muita grana, passar de ESTELA (arrastando Margarida para ano e viajar. boteco): Então, vamos! ESTELA: E como é que vai ser? SIMONE: Vamos SIMONE: Falar da festa pra todo embora. mundo. ESTELA: Nada feito! Você namora dia MARGARIDA: Criar ar de mistério em inteiro. torno dela. MARGARIDA: E a gente, queridinha? ESTELA: Espalhar pras menininhas que SIMONE: Eu tenho uma coisa pra vai homem bonito. combinar com vocês que vai ser MARGARIDA: E, pros garotos, que vai ter legal pra nós seis. mulher pelada dançando em ESTELA e MARGARIDA: cima de barril de cerveja. SIMONE: No caminho, eu explico. SIMONE: Vamos brincar de festa no (No caminho.) porão? SIMONE (caminhando): Combinei, com MARGARIDA: Eu tenho medo, na hora Macarrão, de fazer uma festa. Ele, de entrar. Prego e Caveira vão tocar e vai SIMONE: Depois, passa. ter de pagar pra entrar. ESTELA (para Simone): Lembra da ESTELA e MARGARIDA: Oba! Festa!!! última vez? (Como se fosse SIMONE: quê? SIMONE: Enquanto eles ensaiam, temos ESTELA: Você inventou "A história das 50 Teatro da Juventude</p><p>três lágrimas de amor". guarda-se. SIMONE: Foi mesmo! E hoje eu chorei DONZELA: Mesmo que a vontade me três vezes. mande rasgar, quebrar, romper?. ESTELA e MARGARIDA: Quais? LUA: Quando eu estiver minguando, SIMONE: Quando vi espinha em meu guarda-se. Mas, quando eu estiver queixo. engordando, cada vez mais ESTELA e MARGARIDA: Uma! inteira no céu, vai corre risco! SIMONE: Quando Macarrão falou que (Música celestial, luz em resistência e sou desengonçada. milhares de estrelas no firmamento...) ESTELA e MARGARIDA: Duas!! (Manhã seguinte.) SIMONE: Quando vi a galinha da SIMONE (despejando): Sonhei com Dorotéia com ele, naquele Macarrão e ele não parou de boteco. repetir que sou desengonçada. ESTELA e MARGARIDA: Três!!! Por que essas coisas (Olhares cúmplices e... dessa vez, vão acontecem comigo? Só comigo? ao porão como quem vai à Fonte de MARGARIDA: Vai começar?!!! Sabedoria. Se houvesse lugar sagrado ESTELA (providencial): Tem prova hoje. onde fosse revelado segredo do SIMONE: Isola. mundo, esse lugar seria porão, neste ESTELA: Português e Geografia. momento.) MARGARIDA: Aí, acaba, né? MARGARIDA: Vou fazer a Cigana, de ESTELA: Acho que novo... SIMONE: E não tinha ginecologista, ESTELA (viajando): Era uma vez, uma hoje? Cigana que ficava olhando ESTELA: Tinha, Tem. E é daqui a mar, contando ondas... pouco. SIMONE: Deixa eu fazer a Donzela? SIMONE: A gente tem de preparar as ESTELA: Tudo bem. Eu vou ser a Lua. coisas para a festa. (Algo mudou no ar, na luz...) ESTELA: A mãe estava dizendo que DONZELA: que é saudade? pai não quer deixar a gente CIGANA (cantarolando): "Saudade, viajar sozinha nas férias. palavra triste quando se perde SIMONE: Coitado! Ele prometeu. (Como um grande amor". se já estivesse cara-a-cara com DONZELA: que é carinho? pai.) Se passar de ano, a gente CIGANA: É pouquinho de amor. Mas viaja de qualquer jeito. há muita coisa que a gente não ESTELA: Ele falou assim: "Todos quer e destino quis. acompanhamos os programas DONZELA: Cigana, que eu faço? familiares. É norma da casa." CIGANA: Vai perguntar à Lua. MARGARIDA: Ele não está aceitando DONZELA: Como é a Lua? que a gente cresceu. CIGANA: A Lua é aquela de negro, SIMONE: Claro, não quer reconhecer com seu colar de estrelas, lá no que está ficando velho. MARGARIDA: Quer saber? Nunca DONZELA: Lua, ó Lua, que eu faço? vamos deixar de ser criança pra LUA: Quando eu estiver minguando, ele. Teatro da Juventude 51</p><p>ESTELA: pai era ótimo, quando a Margarida sai. Estela e Simone, mais gente era pequena. constrangidas ainda. MARGARIDA: Quanto a pai de ESTELA e SIMONE: E adolescente, ele não está com MARGARIDA: Foi legal! nada. ESTELA e SIMONE: que você SIMONE (pronta para a discussão com perguntou e que ele 0 pai): Quero ver se a gente viaja respondeu? ou não viaja. MARGARIDA: Perguntei se eu ficasse MARGARIDA: Imagina quando ele grávida, que ele faria em meu descobrir que, com lucro da lugar. Ele falou que, no caso de festa, não vamos precisar de gravidez, ela seria indesejada. grana dele pra viajar. Que é como se fosse acidente; SIMONE: Só de pensar na sensação de não coisa que a gente tivesse liberdade... planejado. Que, no momento da ESTELA: Deu vontade de gritar!! relação, que eu e Caveira (Corre e se senta no feliz da estaríamos buscando é prazer e vida.) não sermos pais. Que não MARGARIDA: Menina, isso é hora de se estamos preparados e que não masturbar? temos condições de criar filho. ESTELA: Espera... (E engole ar.) Quase... Então, ele acha que tem de saber mais ar.) Eu prevenir pra não ter de abortar. corpo borbulha e sobe tudo para (Estela e Simone, atônitas.) a cabeça.) No ginecologista. MARGARIDA: Sua vez, Simone. (Simone não ouviu.) MARGARIDA e SIMONE: E ESTELA e MARGARIDA: Sua vez, Simone! ESTELA (voltando da consulta): Tudo (Simone sai.) Estela e Margarida, bem. no auge do constrangimento. MARGARIDA e SIMONE: que você ESTELA e MARGARIDA: E perguntou e que ele SIMONE: Pedi pra ele me receitar pílula respondeu? anticoncepcional. ESTELA: Que não pode usar a mesma e Margarida caem das camisinha mais de uma vez. Que, nuvens.) quando a gente está menstruada, SIMONE: Primeiro, ele queria falar com não está fértil; então, se transar, pai, mãe, avô, avó, tio ... Depois se raramente, fica grávida. Que não convenceu de que não haveria há lógica em se dizer que mulher problema. de canela fina/grossa é boa de ESTELA e MARGARIDA (recuperadas): E cama. E que, pelo tamanho da pra gente? boca, não dá pra saber SIMONE: Voltem Tudo é questão de tamanho da xoxota. saber conversar. (Margarida e Simone, atordoadas.) (Estela e Margarida não perdem um ESTELA: Sua vez, Margarida. instante: invadem a sala do doutor.) (Margarida não ouviu.) (Na prefeitura. Tentando tirar licença ESTELA e SIMONE: Sua vez, Margarida! para uma festa.) 52 Teatro da Juventude</p><p>FUNCIONÁRIA ASQUEROSA FUNCIONÁRIA ASQUEROSA: (colocando brinco na orelha (não olha para Simone): Você é "de esquerda): Não é aqui. menor". SIMONE (sem entender): A outra moça SIMONE: Sou. disse que era. FUNCIONÁRIO ASQUEROSO: Treze? FUNCIONÁRIA ASQUEROSA (ajeitando SIMONE: Quatorze! cabelo para deixar visível FUNCIONÁRIO ASQUEROSO brinco): Aqui, a gente faz pra (continua sem olhar para menos de cem pessoas. Simone): Vai cobrar ingresso, não SIMONE (tentando argumentar): Lá, a é? Você sendo "de menor", não outra moça disse que não dão sei, não. pra uma festa SIMONE: Que tem a ver? FUNCIONÁRIA ASQUEROSA (colocando FUNCIONÁRIO ASQUEROSO brinco na orelha direita): É uma (programado, sem nunca ter festa só? pensado no que repete): Pessoas, SIMONE: antes de dezesseis anos, estão FUNCIONÁRIA ASQUEROSA (ajeitando impedidas de comprar, vender, ser esse último brinco entre as sócio, estabelecer comércio, mechas do cabelo): E mandou indústria, casar, votar e conduzir você pra cá? veículos motorizados. SIMONE: Foi. SIMONE: Isso é idiotice! Jovem não é FUNCIONÁRIA ASQUEROSA: Vamos lá débil mental! pro fundo. FUNCIONÁRIO ASQUEROSO (até agora, (E entram em portas, atravessam não olhou para Simone): É a lei, corredores - dezenas de salas vazias. não é? A pessoa de até dezesseis FUNCIONÁRIA ASQUEROSA: Olha, anos é considerada cara que entende de alguma absolutamente incapaz, não coisa aqui dentro trabalha podendo responder por seus atos. naquela sala. Mas ele chega SIMONE: Que eu faço? depois das quatro. FUNCIONÁRIO ASQUEROSO: Faz a festa. SIMONE: Sei. Se aparecer algum fiscal, chama FUNCIONÁRIA ASQUEROSA: num canto e solta uma Normalmente, ele sai pra tomar cervejinha que dá tudo certo. cafezinho e volta lá pelas cinco. SIMONE: Pra requerer policiamento na SIMONE (incrédula): Sei. porta, preciso de Alvará da FUNCIONÁRIA ASQUEROSA: Um horário Prefeitura. bom de você voltar é cinco e FUNCIONÁRIO ASQUEROSO (sem jamais ter olhado pra Simone): É a SIMONE (sentindo-se perfeita idiota): mesma coisa. Vá ao batalhão e Obrigada. pergunte ao soldado que estiver FUNCIONÁRIA ASQUEROSA: de folga se ele quer trabalhar pra expediente é só até às seis. Não você. Ele vai. Você dá algum por esqueça, heim? fora. (E sai.) (E sai.) Teatro da Juventude 53</p>

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