Prévia do material em texto
<p>INSTALAÇÕES PREDIAIS</p><p>AULA 1</p><p>Profª Elizabet Zenni</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Neste material, vamos estudar sobre o tema Instalações prediais pela</p><p>perspectiva do design de interiores, que é mais simplificado que a abordagem</p><p>feita por arquitetos e engenheiros, mas não menos importante.</p><p>O termo “Instalações prediais” envolve todos os subsistemas integrados</p><p>a uma edificação, de forma que os ambientes internos e externos atendam</p><p>adequadamente ao usuário, como sistemas elétrico, hidrossanitários (água e</p><p>esgoto), de telefonia, cabeamento de internet e tv, de gás, de som, imagem e</p><p>segurança etc.</p><p>Assim, os conteúdos abordados em Instalações prediais serão</p><p>multidisciplinares, pois vamos adentrar em temas da engenharia civil, elétrica e</p><p>hidráulica, além da arquitetura.</p><p>Nosso objetivo é que você se aproprie de cada tema exposto, lendo os</p><p>conteúdos e indicações de informação complementar e realizando as atividades</p><p>propostas em Trocando Ideias e Na Prática, para que, ao final deste estudo,</p><p>tenha adquirido as habilidades necessárias à profissão de designer de interiores,</p><p>no quesito Instalações prediais.</p><p>No intuito de melhor entender cada assunto, os conteúdos serão divididos</p><p>em cinco tópicos:</p><p>1. Atuação do designer de interiores em instalações prediais;</p><p>2. Normas técnicas;</p><p>3. Conceitos gerais sobre edificações;</p><p>4. Conceitos gerais de técnicas construtivas de edificações;</p><p>5. Construção e alterações em paredes e elementos estruturais de uma</p><p>edificação.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Todos nós utilizamos, em nosso cotidiano, ambientes internos e externos</p><p>adjacentes (como garagens, churrasqueiras, gazebos) para a execução de</p><p>nossas atividades diárias, sejam elas para lazer, estudo, trabalho etc.</p><p>3</p><p>Ao usufruirmos desses espaços, desejamos que eles atendam nossas</p><p>necessidades de “uso” do ambiente, que é a integração das nossas</p><p>necessidades físicas, cognitivas, emocionais e socioculturais.</p><p>Exemplificando, imagine você usando uma cozinha e precisar ligar, ao</p><p>mesmo tempo (conforme a receita do prato culinário que está preparando), uma</p><p>batedeira, um liquidificador e uma chaleira elétrica, mas só tem uma tomada</p><p>disponível, perto da bancada. Você vai buscar um plug triplo – o famoso</p><p>benjamim – e conecta todos os eletros. Como é muita potência elétrica sendo</p><p>consumida, o plug esquenta demais e começa a derreter, possibilitando um</p><p>curto-circuito nas instalações elétricas.</p><p>Com receio de uma sobrecarga elétrica e eventual queima dos motores</p><p>dos eletrodomésticos, você desconecta a batedeira do plug, mas queima os</p><p>dedos.</p><p>No final dessa triste experiência, você ficou com os dedos queimados e</p><p>frustrado, pois não concluiu a receita. Em resumo, o ambiente não atendeu sua</p><p>necessidade física quanto à segurança e promoveu um desconforto emocional.</p><p>De quem é a culpa pelo incidente? Você pode comentar, com razão, de</p><p>que não deveria ter usado o benjamim, pois sabia dos riscos. Mas, dentro do</p><p>contexto “produto ambiente”, a responsabilidade é da pessoa que planejou</p><p>apenas uma tomada elétrica na bancada da cozinha, pois não visualizou a</p><p>possibilidade de o usuário precisar de mais tomadas elétricas para cozinhar.</p><p>Para que situações semelhantes não aconteçam com os usuários dos</p><p>teus projetos de interiores, este estudo irá fornecer informações importantes</p><p>sobre como planejar os espaços.</p><p>TEMA 1 – ATUAÇÃO DO DESIGNER DE INTERIORES EM INSTALAÇÕES</p><p>PREDIAIS</p><p>As dúvidas sobre as divisões de atividades a serem exercidas pelos</p><p>arquitetos, engenheiros e designers de interiores é algo constante. Na atuação</p><p>da área de design de interiores é fundamental saber a relação entre essas</p><p>profissões pois, não raro, dependem uma da outra.</p><p>No caso da arquitetura, o objetivo geral é dar forma e função a uma</p><p>construção (para uso residencial, comercial ou institucional) ou intervenção</p><p>urbana, elevar algo a partir de uma superfície a ser construída. A engenharia civil</p><p>4</p><p>também pode dar forma e função, mas a prioridade da profissão é a estruturação</p><p>funcional das edificações e das instalações prediais.</p><p>Os designers de interiores trabalham com a personalização ou</p><p>customização de ambientes internos e externos integrados às necessidades do</p><p>cliente e/ou usuário, tanto na perspectiva individual quanto</p><p>coletiva/comercial/institucional.</p><p>Neste link (Acesso em: 10 maio 2022) você poderá ler a Lei n.</p><p>13.369, de 12 de dezembro de 2016, que regulamenta a profissão do designer</p><p>de interiores. Durante a leitura, pedimos sua atenção para as competências da</p><p>profissão. Perceba que atividades como elaboração de projetos arquitetônico e</p><p>complementares (projeto elétrico, hidrossanitários, de tubulação de gás etc.),</p><p>bem como a responsabilidade técnica pela execução desses projetos, não são</p><p>competências do designer de interiores, mas de outros profissionais técnicos</p><p>habilitados, apesar de fazerem parte da personalização do ambiente.</p><p>No dia a dia profissional, o designer de interiores de interiores pode ser</p><p>contratado em diversas situações “temporais”, relacionadas à edificação, como:</p><p>• Projeto arquitetônico em desenvolvimento – nesta situação, arquiteto e/ou</p><p>engenheiro e designer de interiores trabalham de forma colaborativa</p><p>ainda na fase de concepção da edificação. Ou seja, todas as questões</p><p>referentes a interiores da edificação já são planejadas concomitantemente</p><p>com os projetos arquitetônicos e, posteriormente, com os projetos</p><p>complementares de engenharia (projetos estruturais, hidráulico, elétrico</p><p>etc.);</p><p>• Projeto arquitetônico completamente elaborado, mas os projetos de</p><p>engenharia não foram feitos – nesta situação, o designer de interiores</p><p>elabora os interiores dos ambientes e passa à equipe de engenharia as</p><p>necessidades referentes às instalações prediais, para que elas sejam</p><p>contempladas nos projetos complementares;</p><p>• Projetos arquitetônicos e complementares totalmente elaborados – neste</p><p>caso, o designer de interiores elabora os interiores dos ambientes e, se</p><p>necessário, passa à equipe de engenharia para as adaptações que</p><p>precisam ser feitas nos projetos complementares, antes da execução;</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13369.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13369.htm</p><p>5</p><p>• Edificação em construção – as ações do designer de interiores em</p><p>adaptações de instalações prediais em obras (edificações em construção)</p><p>dependem de vários fatores, como: a) o status da construção (no início;</p><p>instalações prediais todas prontas; terminando a obra); b) o grau de</p><p>“necessidade” da adaptação (se é possível resolver depois, com</p><p>mobiliário sob medida; se é indispensável etc.); c) o valor do investimento</p><p>para a adaptação (refazer projeto complementar; mais horas de mão de</p><p>obra; custo dos materiais); d) se há tempo para fazer as adaptações; entre</p><p>outros. Em qualquer situação, a decisão final sobre a realização ou não</p><p>das adaptações de instalações prediais deve ser decidida em conjunto</p><p>com o cliente contratante;</p><p>• Edificação pronta – as ações do designer de interiores em adaptações de</p><p>instalações prediais em edificações prontas devem ser pontuadas pelas</p><p>mesmas considerações descritas no item, anterior, a partir do item B.</p><p>Considerando as situações anteriores, podemos dizer que o designer</p><p>pode, no que diz respeito a instalações prediais, ser ativo – ele elabora as</p><p>informações mínimas necessárias para o arquiteto e/ou engenheiro realizar os</p><p>projetos complementares (situações 1 e 2); ou reativo – ele solicita adaptações</p><p>(nos projetos) e/ou reformas na edificação (situações 3, 4 e 5).</p><p>Em todos os casos, se para atender às necessidades do cliente e/ou</p><p>usuário for indicado a adaptação e/ou reforma de instalações prediais, o designer</p><p>deve elaborar esquemas técnicos para orientação dos</p><p>profissionais envolvidos</p><p>(arquiteto, engenheiro, mestre de obras, eletricista etc.).</p><p>Esquemas técnicos são desenhos técnicos (plantas baixas, cortes,</p><p>elevações, detalhes, perspectivas orientativas) e listas de produtos elaborados</p><p>pelo designer de interiores, com informações sobre instalações prediais, seja de</p><p>forma ativa ou reativa. Considerando que o designer de interiores não tem a</p><p>habilidade técnica para desenvolver os respectivos projetos técnicos</p><p>(arquitetônicos e/ou complementares) para a adaptação e/ou reforma na</p><p>edificação, ele repassa ao arquiteto e/ou engenheiro os esquemas técnicos, que</p><p>serão analisados e, se aprovados, serão implementados em projetos e na</p><p>edificação.</p><p>A imagem a seguir é um exemplo de esquema técnico para adaptação de</p><p>tomadas elétricas, em edificação pronta. Veja a legenda, com as informações:</p><p>há pontos elétricos que serão mantidos, outros serão demolidos (retiradas de</p><p>6</p><p>uso) e outros serão novos, colocados em locais que irão atender às</p><p>necessidades de uso dos ambientes.</p><p>Figura 1 – Esquema técnico para reforma de pontos elétricos</p><p>Fonte: Zenni, 2022.</p><p>Talvez você se questione: por que ter conhecimento de uma parte dos</p><p>conteúdos relacionados a Instalações prediais se a responsabilidade por</p><p>projetos técnicos nessa área é de engenheiros e arquitetos?</p><p>É essa a questão-chave: o designer de interiores necessita ter</p><p>conhecimento básico de um conjunto de informações que envolvem uma</p><p>edificação, em especial, na parte de instalações prediais, aplicando-o</p><p>corretamente na elaboração de esquemas técnicos, seja em questões técnicas</p><p>como as de representação gráfica (desenho).</p><p>Assim, o arquiteto ou engenheiro que for realizar o projeto técnico, a partir</p><p>do esquema técnico elaborado pelo designer de interiores, não encontrará erros</p><p>ou situações ambíguas, que poderão dificultar ou até inviabilizar o referido</p><p>projeto.</p><p>7</p><p>Para você, acompanhar e se aprofundar nos assuntos a serem</p><p>apresentados no decorrer deste estudo lhe proporcionará a capacidade técnica</p><p>adequada em sua prática profissional.</p><p>TEMA 2 – NORMAS TÉCNICAS</p><p>De maneira geral, norma técnica é um documento que estabelece regras</p><p>para a realização de uma atividade ou ação. Existem normas técnicas de caráter</p><p>organizacional (por exemplo, como a empresa X vai atender às reclamações de</p><p>clientes), de caráter regional (por exemplo, como o Estado de São Paulo vai</p><p>distribuir os alimentos para escolas), de caráter nacional (como as elaboradas</p><p>por instituições especializadas) e de caráter internacional.</p><p>Normas técnicas internacionais são documentos produzidos por um órgão</p><p>oficial e não governamental internacional, sem fins lucrativos, chamada</p><p>International Organization for Standardization - ISO (em português, Organização</p><p>Internacional para Padronização).</p><p>As Normas ISO têm como objetivo facilitar e intercambiar as relações</p><p>comerciais, produtivas e tecnológicas entre países, a partir de determinadas</p><p>padronizações em produtos e serviços, que possam garantir a competição</p><p>econômica, em equidade técnica e funcional.</p><p>As atividades da ISO iniciaram no ano de 1947, em Genebra, na Suíça,</p><p>ao se formar um comitê técnico com pessoas experientes em diversos campos</p><p>de atuação da indústria, do comercio, áreas acadêmicas e tecnológicas etc. A</p><p>sua utilização é na fabricação e comercialização de produtos, serviços e</p><p>materiais, bem como produção intelectual.</p><p>Em cada país associado, a ISO (a associação não é obrigatória) tem um</p><p>órgão representante, que no Brasil é Associação Brasileira de Normas Técnicas</p><p>(ABNT), que responde pela elaboração de Normas Técnicas em caráter</p><p>nacional.</p><p>A ABNT faz a análise e a aprovação das normas a serem criadas ou</p><p>revisadas, a partir da solicitação de uma pessoa ou entidade. Depois, o processo</p><p>é redirecionado para um comitê técnico ou comitê de estudo, constituído por</p><p>especialistas no tema em questão, sendo aberta a participação de qualquer</p><p>pessoa interessada no assunto. Após o consenso de todos os envolvidos, gera-</p><p>se um projeto de norma, seguindo uma sequência de etapas até a homologação.</p><p>8</p><p>A homologação de um Documento Técnico ABNT é o ato de validação,</p><p>por parte da direção da ABNT, do trabalho executado, desde a</p><p>elaboração do documento pela Comissão de Estudo responsável,</p><p>passando pelo processo de Consulta Nacional, até a aprovação do</p><p>documento final.</p><p>Durante todo o processo de elaboração de uma Norma Brasileira, a</p><p>ABNT busca constantemente o envolvimento de todas as partes</p><p>interessadas. Quanto mais ampla a participação, mais benefícios a</p><p>normalização trará para a sociedade como um todo. (ABNT, 2021).</p><p>Normalmente, o atendimento das orientações de uma Norma Técnica não</p><p>é obrigatório, apenas orientativo. Mas, em determinadas áreas específicas, uma</p><p>ou várias normas técnicas são de aplicação compulsiva, pois estão amparadas</p><p>por Leis, Decretos e outros documentos institucionais governamentais, como os</p><p>elaborados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto</p><p>Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Conselho Regional</p><p>de Engenharia e Agronomia (Crea) etc.</p><p>Como exemplo, podemos citar a Norma Técnica NBR 9050/2020, que</p><p>“estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quanto ao</p><p>projeto, construção, instalação e adaptação do meio urbano e rural, e de</p><p>edificações às condições de acessibilidade” (ABNT, 2021), sendo obrigatória sua</p><p>aplicação em ambientes comerciais, institucionais e de saúde.</p><p>Mesmo em casos de não obrigatoriedade no atendimento das Normas</p><p>Técnicas ISO e ABNT, a sua utilização traz benefícios:</p><p>• Padronização – a padronização está presente em vários âmbitos:</p><p>padronização no processo de elaboração e apresentação da norma</p><p>técnica, padronização em processos que são temas da norma,</p><p>padronização em linguagem, seja verbal ou visual (desenhos, símbolos</p><p>etc.), padronização em ensaios técnicos de segurança etc. Os objetivos</p><p>gerais de padronização são, em geral, facilitar a compreensão da norma</p><p>por semelhança cognitiva (é mais “fácil” ler a segunda norma do que a</p><p>primeira que se tem contato); e promover a correta comunicação entre os</p><p>envolvidos;</p><p>• Prevenir problemas – atender as especificações e orientações da norma</p><p>técnica (a priori, a norma detém o conhecimento técnico da área em</p><p>questão) garante que não haverá problemas e erros na fabricação e</p><p>utilização do produto, serviço ou ambiente ou no entendimento da</p><p>informação. Como exemplo, podemos citar o uso de piso antiderrapante</p><p>em áreas molháveis;</p><p>9</p><p>• Segurança e meio ambiente – a conformidade técnica (fazer o que a</p><p>norma orienta) assegura sua utilização correta, proporcionando</p><p>segurança ao usuário e evitando desperdícios dos recursos naturais.</p><p>Neste item, temos como exemplo o uso de cantos arredondados em</p><p>móveis infantis;</p><p>• Conformidade – estar “conforme” normas técnicas (desenvolvidas de</p><p>acordo com as necessidades de cada área especifica) garante, entre</p><p>outros, a equidade em produtos e serviços “concorrentes”, o que gera um</p><p>“padrão” de valor monetário adequado;</p><p>• Confiabilidade – o produto, serviço e/ou ambiente é produzido conforme</p><p>informações desenvolvidas por pessoas capacitadas nas áreas</p><p>específicas, o que determina confiança na sua utilização;</p><p>• Linguagem técnica universal – todos os habilitados em suas áreas</p><p>profissionais saberão ler, interpretar, usar e compartilhar as informações</p><p>contidas nos documentos técnicos, indiferentemente do país que reside</p><p>ou do idioma que fala ou escreve, pois a linguagem compartilhada será</p><p>técnica;</p><p>• Intercambialidade – poder compartilhar entre quaisquer países</p><p>interessados, indiferente de saber falar ou escrever o idioma local, a</p><p>leitura e interpretação são representadas de forma universal;</p><p>• Acesso a todos os interessados – qualquer pessoa pode utilizar as</p><p>normas ou serviços disponíveis pela ABNT. Porém, para que a entidade</p><p>tenha recursos financeiros para novas edições de normas técnicas, há</p><p>taxa de acesso às informações, com exceção de normas relacionadas à</p><p>acessibilidade;</p><p>• Economia global – em casos de comercialização de produtos</p><p>importados, o país importador pode obrigar, por Lei, que o produto a ser</p><p>importado siga as normas ISO (se o país for participante do sistema ISO)</p><p>ou as internas ou ambas;</p><p>Para garantir qualidade e assegurar a conformidade nas futuras</p><p>edificações do Brasil, o Comitê da Construção Civil, com ajuda da ABNT, tem</p><p>como prioridade a criação e a atualização de normas técnicas desse setor. As</p><p>principais Normas Técnicas para instalações prediais – edificações, são:</p><p>10</p><p>• ABNT NBR 15.575-1:2013 – Edificações Habitacionais – Desempenho –</p><p>Requisitos Gerais;</p><p>• ABNT NBR 15.575-2:2013 – Edificações Habitacionais – Desempenho –</p><p>Requisitos para os Sistemas Estruturais;</p><p>• ABNT NBR 7191:1982 – Execução de desenhos para obras de concreto</p><p>simples ou armado;</p><p>• ABNT NBR 7808:1983 – Símbolos gráficos para projetos de estruturas;</p><p>• ABNT NBR 6118:2014 – Elementos Estruturais;</p><p>• ABNT NBR 15.575-6:2013 – Edificações Habitacionais – Desempenho –</p><p>Sistemas Hidrossanitários;</p><p>• ABNT NBR 1353/1995 – Elaboração de projetos de</p><p>edificações/arquitetura;</p><p>• ABNT NBR 7191:1982 – Elementos estruturais;</p><p>• ABNT NBR 5410:1989 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão;</p><p>• ABNT NBR 5444:1989 – Símbolos gráficos para instalações elétricas</p><p>prediais;</p><p>• ABNT NBR 5626:1998 – Instalação Predial de água fria;</p><p>• ABNT NBR 12209:2011 – Elaboração de projetos hidráulico-sanitários de</p><p>estações de tratamento de esgotos sanitários;</p><p>• ABNT NBR 8160:1999 – Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto</p><p>e execução;</p><p>• ABNT NBR 6492:1994 – Representação de projetos de arquitetura;</p><p>• ABNT NBR 6493:1994 – Emprego de cores para identificação de</p><p>tubulações – Procedimento;</p><p>• ABNT NBR 13532:1995 – Elaboração de projetos de obras de</p><p>engenharia/arquitetura;</p><p>• ABNT NBR 16.280:2015 – Reforma em Edificações;</p><p>• ABNT NBR 14037:2014 – Utilizada para criação e atualização de</p><p>manuais, de operação, de uso e de manutenção de uma edificação;</p><p>11</p><p>• ABNT NBR 16516:2016 – Esta norma é sobre a terminologia utilizada nos</p><p>serviços de design, a linguagem universal dentro do serviço de design;</p><p>• ABNT NBR 16585:2017 – Esta norma é sobre as diretrizes para boas</p><p>práticas nos serviços de design.</p><p>Naturalmente que, durante a atividade profissional, o designer de</p><p>interiores conheça melhor uma norma técnica a outra. Também é importante</p><p>destacar que as normas técnicas podem ser canceladas ou substituídas, sendo</p><p>válidas consultas periódicas à ABNT, para verificação.</p><p>TEMA 3 – CONCEITOS GERAIS SOBRE EDIFICAÇÕES</p><p>Segundo o Dicionário Online de Português, edificação é: 1) ação,</p><p>desenvolvimento ou efeito de edificar (construir); 2) construção ou quaisquer</p><p>obras arquitetônicas de grande porte; edifício, casa, prédio etc. (DICIO, 2022).</p><p>É importante apontar que uma edificação pode apresentar uma forma</p><p>mais horizontal que vertical (como casas térreas) ou o inverso (com prédios de</p><p>vários andares) e sua construção envolve diversas aplicabilidades de materiais</p><p>para estruturar e separar um ou vários ambientes.</p><p>3.1 Tipos de edificações</p><p>Podemos classificar as edificações por meio de uma gama de opções,</p><p>como pela ocupação/uso (residencial unifamiliar, residencial multifamiliar,</p><p>serviço de hospedagem, comercial, serviço profissional etc.), pelas</p><p>características construtivas (se é de madeira, alvenaria, mista etc.) ou pela</p><p>altura.</p><p>Na sequência, iremos observar alguns desenhos com o intuito de</p><p>diferenciar tipos de edificações classificadas por altura (considerando o ponto</p><p>mais alto da edificação).</p><p>12</p><p>Figura 2 – Desenhos residências: tipo 1, tipo 2 e tipo 3</p><p>Fonte: Zenni, 2022.</p><p>• Tipo 1: residência térrea, construção horizontal, com um pavimento</p><p>(andar), podendo ser isolada ou em condomínio;</p><p>• Tipo 2: sobrado, construção vertical, com dois ou mais pavimentos</p><p>(andares), podendo ser isolada, geminada ou em condomínio;</p><p>• Tipo 3: apartamento, construção vertical com mais de dois pavimentos</p><p>(andares), um conjunto multifamiliar de residências em um edifício com</p><p>uma ou várias residências distribuídas por andar.</p><p>13</p><p>Figura 3 – Desenho de edifício</p><p>Fonte: Zenni, 2022.</p><p>14</p><p>Figura 4 – Desenho de condomínio de frente para rua com cinco sobrados</p><p>geminados</p><p>Fonte: Zenni, 2022.</p><p>3.2 Divisões dos espaços internos de uma edificação</p><p>As funções que serão exercidas em uma edificação definirão a divisão dos</p><p>espações internos e os espaços externos agregados a ela, conforme a</p><p>necessidade em cada ambiente projetado.</p><p>Durante a elaboração do projeto arquitetônico da edificação, o engenheiro</p><p>ou arquiteto também deverá considerar a orientação solar para definir a</p><p>localização ideal de cada ambiente, conforme as necessidades de luz natural ou</p><p>artificial, ventilação natural ou forçada, porque influencia a durabilidade do que</p><p>estará dentro e no conforto ambiental do usuário.</p><p>Saiba mais</p><p>Você pode ler mais detalhes sobre orientação solar aqui:</p><p>. Acesso em:</p><p>10 maio 2022.</p><p>Considerando que, conforme a região brasileira, os nomes de alguns</p><p>ambientes podem ser diferentes, apresentamos, a seguir, uma lista de</p><p>ambientes internos residenciais, para que possamos padronizar nossa</p><p>comunicação:</p><p>15</p><p>• Hall – o primeiro local de contato com a área interna da moradia, que</p><p>alguém da parte interna recepciona, podendo permitir a entrada para os</p><p>demais ambientes ou não;</p><p>• Sala de Estar/TV – local apropriado para socializar e/ou descansar,</p><p>podendo ouvir música, assistir TV ou conversar sentado em um sofá, uma</p><p>poltrona ou uma cadeira;</p><p>• Lavabo – local com uma pia e um vaso sanitário, para uso higiênico;</p><p>• Cozinha – local para armazenar, lavar e preparar alimentos e objetos de</p><p>uso alimentício;</p><p>• Sala de jantar – espaço destinado a reunir pessoas e consumir alimentos</p><p>de forma individual ou coletiva, qualquer tipo de refeição durante os</p><p>horários de café da manhã, lanche da tarde ou jantar, qualquer tipo de</p><p>refeição durante o dia, preferencialmente à mesa com cadeiras</p><p>apropriadas para a quantidade de pessoas que irá participar;</p><p>• Área de serviço – local apropriado para lavar, secar e passar roupas,</p><p>lavar calçados etc.</p><p>• Despensa – local reservado para armazenar alimentos;</p><p>• Corredor – área de circulação e união entre cômodos, ou seja, serve para</p><p>unir ambientes e fazer passagem entre eles;</p><p>• Escada – serve para ligar ambientes que estão entre um andar e outro de</p><p>uma edificação, indiferente da quantidade de andares, para se chegar até</p><p>os superiores andares tem que possuir escada, a formação dessa escada</p><p>é por meio de degraus que ao somar alcance o piso superior de forma de</p><p>a não ocorrer acidentes no percurso da subida;</p><p>• Banheiro social – local para uso de necessidades fisiológicas e</p><p>higienização corporal, reservado principalmente para visitas;</p><p>• Quarto de solteiro – ambiente para uma pessoa dormir em uma cama de</p><p>solteiro;</p><p>• Quarto de casal – ambiente para duas pessoas dormir em uma cama de</p><p>casal;</p><p>16</p><p>• Quarto com suíte – ambiente para duas pessoas dormir em uma cama</p><p>de casal, com um banheiro reservado ao uso exclusivamente do casal;</p><p>• Closet – local para armazenar roupas, calçados, acessórios para uso da</p><p>vestimenta e malas;</p><p>• Demi suíte – um banheiro integrado a dois quartos.</p><p>TEMA 4 – CONCEITOS GERAIS DE TÉCNICAS CONSTRUTIVAS DE</p><p>EDIFICAÇÕES</p><p>As técnicas construtivas de edificações envolvem desde a fundação até o</p><p>seu fechamento, podendo ser uma laje ou um telhado.</p><p>Construir uma casa ou qualquer outro tipo de edificação deixou de ser</p><p>apenas da forma convencional pelo empilhamento de tijolos cerâmicos e</p><p>concretos. A escolha errada</p><p>do sistema construtivo pode encarecer ou atrasar</p><p>uma obra, ou até mesmo danos humanos e materiais, de falta de estruturação</p><p>adequada.</p><p>A seguir, vamos conhecer algumas técnicas construtivas existentes na</p><p>construção civil brasileira.</p><p>4.1. Alvenaria convencional</p><p>A alvenaria convencional é um sistema construtivo mais utilizado em</p><p>obras de edificações no Brasil, também conhecida como alvenaria não</p><p>estruturada.</p><p>É um tipo de alvenaria que depende de outros tipos de técnicas</p><p>construtivas para servir de estrutura, como a colocação de vigas e pilares em</p><p>concreto armado, obtendo-se, assim, a sustentação necessária. Esse tipo de</p><p>parede tem a função de dividir ambientes. Essas paredes são construídas,</p><p>normalmente com de tijolos cerâmicos.</p><p>Esse tipo de construção permite a retirada de paredes ou aberturas de</p><p>portas e janelas sem comprometer a estrutura da edificação, bem como a</p><p>relocação de pontos elétricos, hidráulicos, de telefonia etc.</p><p>17</p><p>Figura 5 – Residência: processo construtivo em alvenaria convencional</p><p>Créditos: Piman Khrutmuang/Adobe Stock.</p><p>Figura 6 – Parede: processo construtivo em alvenaria convencional</p><p>Créditos: H_Ko/Adobe Stock.</p><p>4.2 Alvenaria estrutural</p><p>A alvenaria estrutural é um sistema construtivo que tem a função de dividir</p><p>ambientes e servir de estrutura, não depende da colocação de vigas ou pilares</p><p>para obter estruturação.</p><p>Por si própria, esse tipo de sistema estrutura a sequência da construção,</p><p>mas sua aplicação depende de matérias-primas apropriadas para estruturar:</p><p>tijolos cerâmicos ou tijolos de concretos estruturais, e para edificações com mais</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/200773072/piman-khrutmuang?load_type=author&prev_url=detail</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/209048417/h-ko?load_type=author&prev_url=detail</p><p>18</p><p>de quatro andares, utilizam-se barras de aço em conjunto com os blocos</p><p>estruturais.</p><p>Esse tipo de construção não permite a retirada de paredes ou aberturas</p><p>de portas e janelas, pois pode comprometer a estrutura da edificação, bem como</p><p>não permite a relocação de pontos elétricos, hidráulicos, de telefonia etc., sem</p><p>análise prévia do engenheiro estrutural da edificação.</p><p>Figura 7 – Residência: processo construtivo em alvenaria estrutural</p><p>Créditos: Chakkarin Krajangklang/Shutterstock.</p><p>19</p><p>Figura 8 – Residência: processo construtivo em alvenaria estrutural</p><p>Créditos: Luis Soquetti/Adobe Stock.</p><p>4.3 Estrutura (parede, piso, teto) de concreto pré-moldado</p><p>O sistema construtivo da estrutura de concreto pré-moldado é feito no</p><p>próprio canteiro da obra, in loco, pela montagem de formas metálicas, ou de</p><p>madeira e/ou plásticas, encaixadas e parafusadas entre elas.</p><p>Após a montagem das formas, é preenchido dentro de seus vãos o</p><p>concreto. Após um determinado tempo (que varia conforme vários fatores</p><p>ambientais e tecnológicos), a estrutura em concreto estará formada, poderá</p><p>então retirar as formas e reutilizá-las. Lembrando-se de que a parte da armação</p><p>estrutural (as grades metálicas), da hidráulica e da elétrica, são feitas antes da</p><p>montagem das formas (ou seja, não é possível fazer alterações depois).</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/207510389/luis-soquetti?load_type=author&prev_url=detail</p><p>20</p><p>Figura 9 – Sistema construtivo concreto pré-moldado</p><p>Créditos: Oksana Melnikova/Shutterstock.</p><p>Figura 10 – Sala – piso, parede e teto: concreto pré-moldado</p><p>Créditos: Onzon/Shutterstock.</p><p>21</p><p>4.4 Estruturas de concreto pré-fabricado</p><p>O sistema construtivo da estrutura de concreto pré-fabricado é o mesmo</p><p>do pré-moldado, porém é executado fora da obra, dentro de uma fábrica</p><p>especializada nesse tipo de produto, com maquinários e equipamentos,</p><p>submetidos às exigências de verificação da qualidade e estabilidade do produto.</p><p>O processo de montagens das placas é executado na obra por meio de</p><p>encaixe entre as placas. A alteração de paredes, aberturas de portas e janelas</p><p>ou alterações da localização dos pontos elétricos e hidráulicos depende das</p><p>características do projeto das chapas de pré-moldado.</p><p>Figura 11 – Estrutura de concreto pré-fabricado</p><p>Créditos: AVChd/Shutterstock.</p><p>Figura 12 – Estrutura de concreto pré-fabricado</p><p>Créditos: Denis Bukhlaev/Shutterstock.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/g/AVChd/video</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/g/Denis+Bukhlaev/video</p><p>22</p><p>4.5 Estrutura steel frame</p><p>O sistema construtivo steel frame é composto por estruturas (colunas,</p><p>vigas, lajes e telhado) de perfis de aço galvanizado usando como fechamento</p><p>em paredes, piso e teto, placas cimentícias, de painel OSB estrutural, de PVC,</p><p>de drywall (paredes internas), entre outras opções. Importante destacar que a</p><p>fundação da edificação em steel frame faz uso do concreto armado.</p><p>Esse tipo de construção permite, com facilidade, a retirada de paredes ou</p><p>aberturas de portas e janelas, pois não compromete a estrutura da edificação,</p><p>bem como permite a relocação de pontos elétricos, hidráulicos, de telefonia etc.</p><p>Figura 13 – Processo construtivo steel frame</p><p>Créditos: Arturo/Adobe Stock.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/209577718/arturo?load_type=author&prev_url=detail</p><p>23</p><p>Figura 14 – Processo construtivo steel frame</p><p>Créditos: Arturo/Adobe Stock.</p><p>4.6 Estrutura wood frame</p><p>Wood frame é um sistema construtivo estruturado por meio da utilização</p><p>de travessas em madeiras maciças, o fechamento das paredes e tetos é feito</p><p>com o uso de placas de OSB, que depois são revestidas com madeira, papel de</p><p>parede etc.</p><p>Esse tipo de construção permite a retirada de paredes ou aberturas de</p><p>portas e janelas, pois não compromete a estrutura da edificação, bem como</p><p>permite a relocação de pontos elétricos, hidráulicos, de telefonia etc.,</p><p>dependendo do tipo de acabamento utilizado.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/209577718/arturo?load_type=author&prev_url=detail</p><p>24</p><p>Figura 15 – Processo construtivo em wood frame</p><p>Créditos: Ungvar/Shutterstock.</p><p>Figura 16 – Residência – processo construtivo em wood frame</p><p>Créditos: Ungvar/Shutterstock.</p><p>4.7 Containers</p><p>O sistema construtivo de um container surgiu para meio de transporte</p><p>portuário, pela resistência dos materiais-base que são o aço ou alumínio. Após</p><p>seu término de uso nos sistemas portuários, é deixado parado, como um lixo</p><p>dentro dos próprios portos ou em estacionamentos de portos.</p><p>25</p><p>Por ser uma técnica construtiva limpa, rápida e muito resistente, de forma</p><p>sustentável, surgiu o propósito de reutilização desse produto transformando-o</p><p>em uma matéria-prima reutilizável na construção de residências, escritórios, ou</p><p>outros diversos tipos de comércios.</p><p>Figura 17 – Container</p><p>Créditos: Zuperia/Shutterstock.</p><p>Figura 18 – Escritório: sistema construtivo com containers</p><p>Créditos: P11irom/Shutterstock.</p><p>26</p><p>4.8 Estrutura em drywall</p><p>O sistema construtivo das estruturas em drywall é construído por meio de</p><p>placas de gesso acartonado e parafusados sobre estruturas de perfis metálicos</p><p>galvanizados, também chamado de sistema seco, por não usar nada líquido em</p><p>suas técnicas construtivas. É usado para a parte interior das edificações, não</p><p>sendo indicado para paredes externas nem como elemento estrutural (é</p><p>necessária uma estrutura de concreto armado, steel frame ou outros, para</p><p>manter a edificação fisicamente estável e segura).</p><p>Esse tipo de construção permite, com facilidade, a retirada de paredes ou</p><p>aberturas de portas e janelas, pois não compromete a estrutura da edificação,</p><p>bem como permite a relocação de pontos elétricos, hidráulicos, de telefonia etc.</p><p>Figura 19 – Residência: estruturas em drywall</p><p>Créditos: 1jaimages/Adobe Stock.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/203147344/1jaimages?load_type=author&prev_url=detail</p><p>27</p><p>Figura 20 – Residência: estruturas em drywall</p><p>Créditos: bilanol/Adobe</p><p>Stock.</p><p>4.9 PVC1 concreto</p><p>O sistema construtivo de PVC concreto é um sistema de modulação sob</p><p>medida conforme o projeto cuja industrialização é feita por meio de uma indústria</p><p>especializada nesses perfis.</p><p>O sistema de montagem desses perfis é executado no próprio canteiro de</p><p>obras, em que os perfis são encaixados entre si, as paredes moduladas (em</p><p>PCV) são vazadas na parte interna (oca), e após a formação dos ambientes, a</p><p>parte vazada é preenchida com concreto e aço estrutural, para estruturação</p><p>dessas paredes.</p><p>Saiba mais</p><p>É possível ver mais detalhes do funcionamento do sistema construtivo</p><p>PVC concreto do link: .</p><p>Acesso em: 10 maio 2022.</p><p>1 PVC = policloreto de vinila.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/206108071/bilanol?load_type=author&prev_url=detail</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=QCtGDVWNm34</p><p>28</p><p>TEMA 5 – CONSTRUÇÃO E ALTERAÇÕES EM PAREDES E ELEMENTOS</p><p>ESTRUTURAIS DE UMA EDIFICAÇÃO</p><p>A construção e as alterações de paredes e elementos estruturais de uma</p><p>edificação não fazem parte do sistemas de Instalações prediais, mas foram</p><p>inseridos neste estudo com um objetivo didático: assim como designers de</p><p>interiores podem ser ações ativas ou reativas em sistemas elétricos,</p><p>hidrossanitários, de som e imagem etc., também é comum que, em alguns</p><p>projetos de interiores, seja necessária a adequação da edificação (em paredes,</p><p>portas e janelas, ampliação da área construída etc.) para o melhor uso, do</p><p>espaço interno e externo adjacente e/ou complementar.</p><p>A estratégia do designer, nessa situação, é a mesma: ele elabora</p><p>esquemas técnicos das alterações e repassa ao arquiteto e/ou engenheiro</p><p>responsável pelo projeto arquitetônico e/ou reforma, para análise. Se a proposta</p><p>de alteração (ou construção) for aprovada, as adequações serão feitas nos</p><p>projetos técnicos e, se necessário, em documentação em órgãos do governo.</p><p>A seguir, apresentamos um exemplo de esquema técnico referente a</p><p>alterações (reforma) em paredes de apartamento pronto.</p><p>Figura 21 – Detalhe de esquema técnico de alterações de paredes</p><p>Fonte: Miranda, acervo pessoal.</p><p>29</p><p>Perceba que há, no desenho anterior (que é uma parte da planta baixa),</p><p>uma simbologia estabelecida pelo designer de interiores: as paredes existentes</p><p>que não serão alteradas estão com preenchimento cinza-claro, as linhas</p><p>tracejadas são paredes a demolir e as “paredes” novas têm preenchimento cinza,</p><p>com textura em linhas inclinadas cinzas-escuras. Essa simbologia é definida pelo</p><p>designer, que pode ou não seguir as orientações de normas técnicas da</p><p>engenharia e/ou arquitetura, e deve ser colocada com o esquema técnico,</p><p>conforme figura a seguir.</p><p>Figura 22 – Legenda com simbologia de alteração de paredes</p><p>Fonte: Miranda, acervo pessoal.</p><p>Ainda sobre a questão de abertura/fechamento de portas e janelas,</p><p>lembre-se de sempre passar as informações completas e indicadas (seja com</p><p>símbolos ou legendas específicas) para os vãos:</p><p>a) para portas, indicamos a largura X altura do vão (que já deve contemplar</p><p>o tipo de caixilho da porta): por exemplo, indicação de vão de 86 x 216</p><p>cm, para uma porta de 80 de largura, considerando caixilhos de madeira</p><p>de aproximadamente 2 cm (espessura da madeira) mais espaço para a</p><p>espuma expansível;</p><p>b) Para janelas, indicamos largura X altura da janela/peitoril:</p><p>150 x 100</p><p>90</p><p>sendo 150 cm a largura da janela, 100 cm a altura da janela, e 90 cm o</p><p>peitoril (distância do piso até o início da janela), considerando esquadria de</p><p>alumínio.</p><p>Algumas dicas vindas da experiência:</p><p>30</p><p>• Caso, no momento da elaboração do esquema técnico ainda não esteja</p><p>definido o tipo de caixilho para porta e esquadria para janelas, você pode</p><p>deixar a medida final e indicar no esquema técnico: medida geral –</p><p>confirmar medida de construção conforme caixilho/esquadria a ser</p><p>definido/comprado pelo cliente;</p><p>• Em reformas de ambientes prontos, é normal que que seja necessário</p><p>retirar revestimento de piso, parede, forros, portas e caixilhos, louças,</p><p>metais sanitários etc. Em situações assim, você pode usar a mesma ideia</p><p>da planta de demolição/retirada de paredes para fazer esquemas</p><p>técnicos/plantas com indicações de retirada de outros materiais;</p><p>• Apesar de não ser aconselhável fazer alterações na estrutura de</p><p>sustentação de uma edificação (vigas, pilares, lajes, paredes estruturais</p><p>etc.), mudanças nesses elementos não são impossíveis de se realizar.</p><p>Porém, envolvem laudos técnicos da situação atual, projetos de reformas,</p><p>responsável técnico e equipe de reforma capacitados, além de uso e/ou</p><p>construção de outros elementos de sustentação, em outros locais</p><p>adequados, o que pode tornar o processo oneroso.</p><p>O fundamental, em qualquer projeto e/ou esquema técnico de interiores,</p><p>é a comunicação: todos os envolvidos, designer, cliente, arquiteto, engenheiro,</p><p>equipe de construção/reforma etc., devem compreender, perfeitamente, o que</p><p>deve ser feito. Para isso, não poupe informações, mesmo as mais simples e</p><p>óbvias, em vários documentos: projetos e esquemas técnicos, perspectivas</p><p>técnicas ou ilustrativas, memorial descritivo, e-mails etc.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Reforçando a aprendizagem sobre o conteúdo de técnicas construtivas,</p><p>propomos a seguinte ação:</p><p>• Observe as obras de edificações no seu bairro ou região;</p><p>• Descreva quais tipos de obras estão sendo executadas, exemplos: um</p><p>prédio comercial, um residencial, um conjunto residencial ou comercial,</p><p>casas ou sobrados etc.;</p><p>• Tire fotos da fachada frontal dessa(s) obra(s);</p><p>31</p><p>• Verifique o tipo de processo construtivo da edificação;</p><p>• Faça um resumo e compartilhe com uma pessoa próxima.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Para melhor compreender as informações já estudadas, vamos fazer o</p><p>levantamento dimensional da cozinha da sua residência.</p><p>Etapas:</p><p>a. Faça o levantamento dimensional da cozinha, usando uma trena ou</p><p>similar, anotando as medidas das paredes, posição e medidas dos móveis</p><p>e eletros “fixos” (geladeira, fogão etc.), posição e medidas de portas e</p><p>janelas, localização de tomadas elétricas e de gás. Esse desenho deve</p><p>ser feito tipo planta baixa, como croqui (a mão livre), sem escala. Depois,</p><p>faça o desenho técnico da planta baixa da cozinha, com o layout dos</p><p>móveis e eletros fixos e tomadas.</p><p>b. Verifique as informações técnicas dos eletrodomésticos utilizados, sejam</p><p>eles “fixos” (geladeira, fogão etc.) ou “portáteis” (liquidificador, batedeira</p><p>etc.), como voltagem, potência, tipo de plug etc.</p><p>c. Agora, pesquise: conforme a sua experiência e das pessoas que residem</p><p>com você, como está a relação dos pontos de tomada com os eletros? Os</p><p>pontos estão no local adequado? São suficientes? Como seria o ideal?</p><p>d. Guarde essas informações, pois serão usadas posteriormente.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta etapa, iniciamos nossos estudos sobre Instalações prediais. Pela</p><p>perspectiva do design de interiores comentamos a essência das diferenças entre</p><p>as profissões de design de interiores arquitetura e engenharia.</p><p>Na sequência, conhecemos um pouco sobre Normas Técnicas e sua</p><p>importância para a produção de produtos, serviços e processos, em questões</p><p>referentes à padronização, comunicação, equidade técnica e comercial, bem</p><p>como segurança e confiabilidade.</p><p>Continuamos esclarecendo informações sobre edificação e tipos de</p><p>classificação, bem como detalhando as principais diferenças sobre sistemas</p><p>construtivos.</p><p>32</p><p>Por fim, focamos os estudos na prática profissional referente à elaboração</p><p>de esquemas técnicos para alterações em edificações.</p><p>33</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Normas técnicas.</p><p>Disponível em . Acesso em:</p><p>17 nov. 2021.</p><p>CHING, F. D. K. Dicionário visual de arquitetura. 3. ed. São Paulo: Martins</p><p>Fontes. 2003.</p><p>DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS (DICIO). Edificação.</p><p>Disponível em:</p><p>. Acesso em: 10 maio 2022.</p><p>GOVERNO DO BRASIL. Lei n. 13.369, 12 dez. 2016. Disponível em:</p><p>.</p><p>Acesso em: 10 maio 2022.</p><p>GURGEL, M. Projetando espaços: Guia de Arquitetura de Interiores para áreas.</p><p>São Paulo: Senac, 2005.</p><p>HIGGINS, I. Planejar espaços para o Design de Interiores. Tradução de</p><p>Alexandre Salvaterra. São Paulo: Gustavo Gili, 2015.</p><p>INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. Normas</p><p>técnicas. Disponível em: . Acesso em: 110</p><p>maio 2022.</p><p>MONTENEGRO, G. Desenho arquitetônico. 4. ed. São Paulo: Blucher, 2001.</p><p>NEUFERT, E. Arte de projetar em Arquitetura. 17. ed. Barcelona: Gili, 2004.</p><p>NETTO, C. C. Desenho arquitetônico e design de interiores. 1. ed. São Paulo:</p><p>Érica, 2014.</p><p>SALGADO, J. C. P. Técnicas e práticas construtivas para edificações. 1. ed.</p><p>São Paulo: Érica, 2009.</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.369-2016?OpenDocument</p><p>Conversa inicial</p><p>Contextualizando</p><p>Trocando ideias</p><p>Na prática</p><p>FINALIZANDO</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>GURGEL, M. Projetando espaços: Guia de Arquitetura de Interiores para áreas. São Paulo: Senac, 2005.</p>