Prévia do material em texto
<p>Disciplina |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 1</p><p>DISCIPLINA</p><p>INTRODUÇÃO À INVESTIGAÇÃO E</p><p>PERÍCIA CRIMINAL</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Sumário</p><p>www.cenes.com.br | 2</p><p>Sumário</p><p>Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 2</p><p>1 Introdução à Ciência Forense -------------------------------------------------------------------- 3</p><p>1.1 Obrigatoriedade dos Exames Periciais ---------------------------------------------------------------------- 8</p><p>1.2 Princípios da Ciência Forense ---------------------------------------------------------------------------------- 8</p><p>2 Cadeia de Custódia --------------------------------------------------------------------------------- 14</p><p>2.1 Local do Crime --------------------------------------------------------------------------------------------------- 22</p><p>2.2 As Dificultades Enfrentadas para a Implantação dos Procedimentos ---------------------------- 25</p><p>3 Legislação Aplicada -------------------------------------------------------------------------------- 29</p><p>4 A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal -------------------------------------- 48</p><p>5 Referências ------------------------------------------------------------------------------------------- 57</p><p>Este documento possui recursos de interatividade através da navegação por</p><p>marcadores.</p><p>Acesse a barra de marcadores do seu leitor de PDF e navegue de maneira RÁPIDA e</p><p>DESCOMPLICADA pelo conteúdo.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 3</p><p>1 Introdução à Ciência Forense</p><p>A ciência forense desempenha um papel fundamental na busca pela verdade e</p><p>na resolução de casos em âmbito legal. A interdisciplinaridade é uma característica</p><p>essencial dessa área, onde disciplinas como física, biologia, química e matemática</p><p>convergem para fornecer conhecimentos e subsídios que auxiliam a justiça criminal e</p><p>civil. Essa abordagem multidisciplinar permite uma análise mais aprofundada dos</p><p>vestígios e uma compreensão mais ampla dos caminhos a serem seguidos na</p><p>investigação.</p><p>As técnicas utilizadas nas diversas disciplinas da ciência forense possibilitam a</p><p>análise detalhada dos vestígios encontrados durante a investigação. Evidências como</p><p>sangue, sêmen, cabelo, tecidos e até mesmo obras de arte e documentos podem ser</p><p>submetidas a análises nos laboratórios criminais por técnicos especializados. Além</p><p>disso, testes de autenticidade, análises de combustíveis e exames de DNA são apenas</p><p>alguns exemplos das ferramentas disponíveis para a elucidação dos casos.</p><p>Os profissionais envolvidos nesse processo são designados como peritos</p><p>forenses e têm a função de procurar e analisar provas, bem como compartilhar</p><p>conhecimentos no campo da investigação criminalística e ciência forense. A perícia,</p><p>por sua vez, é um processo de exame realizado por esses especialistas legalmente</p><p>habilitados, cujo objetivo é verificar e esclarecer fatos relevantes, buscando determinar</p><p>suas causas motivações.</p><p>Existem diversos tipos de perícias, cada uma com sua finalidade específica</p><p>relacionada a determinadas situações. Podemos citar a perícia criminal, ambiental, de</p><p>engenharia, tecnológica, médica, entre outras. Embora algumas sejam mais</p><p>conhecidas do que outras, como as perícias criminal e médica, todas desempenham</p><p>um papel importante em diferentes contextos. A perícia médica, por exemplo, pode</p><p>ser solicitada em casos de afastamento de emprego ou avaliação de danos físicos.</p><p>Dentro do campo do Direito, a perícia pode ter o status de prova, sendo realizada</p><p>por peritos qualificados tecnicamente para analisar fatos juridicamente relevantes</p><p>para o caso em questão. Esses peritos podem ser nomeados por um juiz ou</p><p>selecionados por meio de concursos públicos para exercer essa função crucial, dando</p><p>origem ao que chamamos de prova pericial.</p><p>Em suma, a ciência forense, por meio da perícia, desempenha um papel essencial</p><p>na investigação e na resolução de casos em âmbito legal. A interdisciplinaridade, as</p><p>técnicas especializadas, os peritos qualificados e a importância da prova pericial</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 4</p><p>contribuem para a busca da verdade, a promoção da justiça e a confiabilidade do</p><p>sistema jurídico. A lei 12030/2009, ao abordar requisitos para o exercício da função de</p><p>perito oficial, busca assegurar que esses profissionais possam desempenhar seu</p><p>trabalho de forma imparcial, independente e competente, contribuindo para um</p><p>sistema de justiça mais robusto e confiável.</p><p>Tipos de Peritos</p><p>A atuação dos peritos é fundamental no contexto forense, pois cada</p><p>especialidade traz consigo um conjunto único de conhecimentos e habilidades. Nesta</p><p>análise, vamos explorar os diferentes tipos de peritos, levando em consideração suas</p><p>especialidades e a importância prática de cada um no processo de investigação.</p><p>Compreender as particularidades de cada área de expertise nos permite reconhecer a</p><p>relevância desses profissionais na busca pela verdade e na obtenção de provas</p><p>consistentes.</p><p>Perito em informática</p><p>A perícia em informática desempenha papel fundamental na solução de crimes</p><p>que utilizam a internet, entre outros recursos informatizados. Todo trabalho é feito</p><p>com base em exames minuciosos, que vão desde análises em local de crime na</p><p>internet e mídias de armazenamento até rastreamento de mensagens eletrônicas,</p><p>identificação e localização de internautas e sites ilegais. Tais peritos atuam</p><p>frequentemente em investigações que envolvem exploração sexual de menores na</p><p>internet e fraude contra instituições financeiras.</p><p>Perito contábil e financeiro</p><p>A repressão aos crimes financeiros é foco de atuação da perícia contábil e</p><p>financeira. Os crimes dessa natureza consistem em todo delito, sem o uso de violência,</p><p>danoso à sociedade e que tenha como objetivo final a obtenção de lucro. Os exames</p><p>financeiros analisam extratos e documentos provenientes de quebra de sigilo bancário</p><p>e fiscal, com o objetivo de verificar possíveis incompatibilidades entre a movimentação</p><p>financeira e as declarações do imposto de renda e evolução patrimonial incompatível.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 5</p><p>Perito em documentos</p><p>As perícias documentocópicas estão presentes frequentemente nas atuações</p><p>policiais, principalmente no combate à fraude documental, muito utilizada nos crimes</p><p>contra o sistema financeiro nacional. Os peritos da área buscam, por meio de exames,</p><p>comparações e análises científicas em documentos, esclarecer a autenticidade do</p><p>material recolhido, revelando os processos e os métodos utilizados nas falsificações</p><p>de papéis e assinaturas. Um dos ramos mais requisitados é a grafoscopia, técnica</p><p>utilizada para estabelecer a autenticidade ou a autoria de textos escritos à mão. Entre</p><p>os materiais analisados pelos peritos está qualquer documento impresso que seja</p><p>objeto de investigação policial ou criminal: passaportes, títulos da dívida pública,</p><p>carteiras de habilitação, cédulas de identidade, carteiras profissionais, selos, papel-</p><p>moeda, vistos, certidões e formulários, entre outros.</p><p>Perito audiovisual e em eletrônica</p><p>Grampos telefônicos, clonagem de cartões de crédito, centrais de telefonia</p><p>clandestina, rádios piratas e provedores de internet ilegais. Estes são alguns dos</p><p>delitos que, frequentemente, exigem a atividade pericial em audiovisuais e eletrônicos</p><p>do departamento da polícia federal. Os peritos realizam exames que visam identificar</p><p>a “autenticidade”</p><p>tenham valor probatório e</p><p>possam ser utilizadas adequadamente no processo penal.</p><p>Portanto, a cadeia de custódia desempenha um papel fundamental na busca pela</p><p>verdade dos fatos e na garantia de um processo penal justo e transparente. Ao</p><p>assegurar a autenticidade e a confiabilidade das provas, ela fortalece a credibilidade</p><p>do sistema de justiça e contribui para a tomada de decisões judiciais fundamentadas.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 29</p><p>3 Legislação Aplicada</p><p>Segundo os autores Luiz Dorea, Victor Stumvoll e Victor Quintela, a perícia</p><p>criminal tem sido utilizada ao longo da história da humanidade. Já na antiga Roma, o</p><p>Imperador César aplicou o método de "exame do local" ao investigar um caso de</p><p>homicídio. Esse método consistia em examinar o quarto onde o crime ocorreu em</p><p>busca de sinais de violência.</p><p>Atualmente, a perícia criminal é comum em cenas de crime, com a presença de</p><p>peritos oficiais para realizar o exame do local. No Brasil, os peritos podem fazer parte</p><p>da polícia, como na Polícia Federal e algumas Polícias Civis, ou atuarem em institutos</p><p>autônomos, como o Instituto de Criminalística no Paraná e o Instituto Geral de Perícias</p><p>em Santa Catarina.</p><p>De acordo com Luiz Fernando Manzano, a perícia é um meio de prova técnica ou</p><p>científica que tem como objetivo obter conhecimento relevante para esclarecer o fato</p><p>em questão. O perito realiza um procedimento técnico sobre a pessoa ou coisa, e sua</p><p>conclusão é expressa em um laudo que busca influenciar a convicção racional do juiz</p><p>no processo de valoração da prova. A perícia passa por fases de admissão e assunção,</p><p>que compõem o procedimento probatório.</p><p>A perícia criminal é atualmente um importante meio de prova utilizado para</p><p>auxiliar o órgão julgador em sua decisão. Ao longo dos últimos séculos, a perícia</p><p>criminal evoluiu em consonância com a evolução da sociedade, por meio de estudos</p><p>constantes e necessários. A figura do perito também sofreu mudanças, passando de</p><p>um instrumento do juiz para um órgão útil às partes antes de chegar ao juiz.</p><p>A história da perícia criminal demonstra essa evolução ao longo dos séculos.</p><p>Diversos marcos históricos foram mencionados, desde o século XVI até os dias atuais,</p><p>como o estudo de ferimentos por arma de fogo, o surgimento da Medicina Legal, a</p><p>observação das impressões digitais, os estudos em balística, a criação da fotografia</p><p>criminal, a identificação judicial e o retrato falado. Esses avanços contribuíram para a</p><p>formação da Criminalística como ciência aplicada na área forense.</p><p>Atualmente, a perícia criminal abrange diversas áreas de atuação e está</p><p>diretamente ligada à polícia. Ela é realizada no local onde o crime ocorreu ou</p><p>supostamente ocorreu, buscando por vestígios, indícios e provas. A prova obtida por</p><p>meio da perícia tem o objetivo de comprovar a verdade de uma alegação e elucidar a</p><p>prática de uma infração penal e sua autoria durante o processo criminal ou inquérito</p><p>policial.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 30</p><p>O princípio do devido processo legal está expresso no artigo 5º, inciso LIV da</p><p>Constituição Federal (CF), que estabelece que "ninguém será privado da liberdade ou</p><p>de seus bens sem o devido processo legal" (BRASIL, 1988). Essa garantia tem como</p><p>finalidade proteger o direito do cidadão de ter acesso ao Poder Judiciário. Além disso,</p><p>esse direito é positivado em várias normas internacionais, como a Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos (DUDH) no artigo 9, a Convenção Americana sobre</p><p>Direitos Humanos (CADH) nos artigos 7 e 8, e o Pacto Internacional sobre Direitos</p><p>Civis e Políticos (PIDCP) no artigo 9.</p><p>Para responsabilizar o indivíduo criminoso e exercer o poder de punição do</p><p>Estado, é necessário realizar a persecução penal, pois a imposição de uma pena só</p><p>pode ocorrer dentro do devido processo legal (LOPES JR apud SCRAMIN).</p><p>Conforme Vera Kaiser Sanches Kerr (apud SCRAMIN), "sentenças justas exigem</p><p>provas capazes de refletir a realidade mais próxima dos fatos, ou seja, a verdade</p><p>possível sobre o ocorrido, resultado de um processo que não busca a verdade a</p><p>qualquer custo, mas que respeita as garantias do acusado e as regras do devido</p><p>processo".</p><p>O exercício do direito de punir do Estado é adequado somente quando</p><p>respeitado o devido processo legal, que inclui o contraditório. No Brasil, a persecução</p><p>penal é composta por duas fases: a fase pré-processual, que engloba a investigação</p><p>criminal, e a fase processual, que ocorre em âmbito judicial.</p><p>Na fase pré-processual, ocorre a investigação criminal por meio do inquérito</p><p>policial, conduzido pela autoridade policial competente. Essa etapa visa reunir os</p><p>elementos necessários para a apuração das infrações penais e sua autoria, conforme</p><p>estabelecido pelo artigo 4º do Código de Processo Penal (CPP). Durante esse</p><p>processo, busca-se a prova da materialidade do delito e a identificação do autor,</p><p>visando a subsequente responsabilização.</p><p>Já na fase processual, ocorre a ação penal, que tem natureza judicial. Nessa etapa,</p><p>o juiz deve formar sua convicção sobre a materialidade dos fatos e a autoria do crime</p><p>com base na prova produzida. As provas são essenciais no devido processo penal, e o</p><p>Estado tem o poder e o dever de averiguar todas as circunstâncias e fatos relacionados</p><p>ao delito. Conforme Norberto Avena (2022), a prova consiste no conjunto de</p><p>elementos produzidos pelas partes ou determinados pelo juiz, visando a formação do</p><p>convencimento sobre atos, fatos e circunstâncias.</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>corrimento do processo onde o estado apura infrações penais</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 31</p><p>O objetivo da produção da prova é auxiliar o juiz a formar sua convicção sobre a</p><p>veracidade das alegações das partes em juízo. A livre apreciação da prova produzida</p><p>em contraditório judicial, conforme o artigo 155 do Código de Processo Civil (CPC), é</p><p>fundamental para que o juiz forme sua convicção. O Código de Processo Penal</p><p>disciplina os meios específicos de prova, ou seja, os elementos trazidos ao processo</p><p>que têm a capacidade de orientar o juiz na busca pela verdade dos fatos. De acordo</p><p>com o Código, os elementos de prova incluem a perícia, os indícios, entre outros</p><p>(NUCCI, 2022).</p><p>Existem diferentes categorias de perícias criminais, como exames em locais de</p><p>crimes contra a vida, crimes contra o patrimônio, revelação de impressões digitais,</p><p>acidentes de trânsito, identificação de veículos automotores, engenharia forense,</p><p>balística forense, documentoscopia forense, informática forense, fonética forense,</p><p>DNA forense, toxicologia forense, entre outras.</p><p>De acordo com Fernando Capez, o termo "perícia" deriva do latim "peritia" e</p><p>refere-se a um meio de prova que consiste em um exame elaborado por uma pessoa</p><p>com formação e conhecimentos técnicos específicos, a fim de esclarecer os fatos</p><p>necessários ao desfecho do caso. Isso significa que a perícia é um exame técnico</p><p>utilizado de acordo com a necessidade de cada situação. Luiz Fernando Manzano</p><p>destaca que a prova pericial se diferencia das demais por se basear em um princípio</p><p>científico aplicado por meio de técnicas adequadas, cujo conhecimento, em geral,</p><p>escapa aos profissionais do Direito, mas é essencial para a apuração dos fatos e a</p><p>resolução do caso.</p><p>Aury Lopes Jr. (apud VARGAS e KRIEGER), por sua vez, ressalta que a prova pericial</p><p>não pode ser considerada absoluta. Ela apenas demonstra um grau, maior ou menor,</p><p>de probabilidade em relação a um aspecto do delito,</p><p>que não deve ser confundido</p><p>com a prova de toda a complexidade que envolve o fato. Por exemplo, um exame de</p><p>DNA que compara o material genético do réu com os vestígios encontrados no corpo</p><p>da vítima apenas indica que o material coletado pertence ao réu, mas ainda há uma</p><p>distância considerável até provar que o réu cometeu o ato violento que resultou na</p><p>morte da vítima. Nesse sentido, é necessário recorrer a outros meios probatórios para</p><p>percorrer essa distância e estabelecer a verdade dos fatos.</p><p>O Art. 159 do Código de Processo Penal estabelece regras importantes sobre o</p><p>exame de corpo de delito e outras perícias no contexto da perícia criminal. Segundo</p><p>esse dispositivo legal, tais exames devem ser realizados por perito oficial, ou seja, por</p><p>profissionais habilitados, portadores de diploma de curso superior e vinculados ao</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>PENAL, NÃO CIVIL!!</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>Código de Processo Penal.</p><p>Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>§ 1o Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>§ 2o Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>§ 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>§ 4o O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>§ 5o Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia: (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>§ 6o Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>§ 7o Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 32</p><p>órgão competente. Essa exigência tem como objetivo garantir que as perícias sejam</p><p>conduzidas por especialistas qualificados, assegurando a confiabilidade e a precisão</p><p>dos resultados periciais.</p><p>No entanto, caso não haja disponibilidade de perito oficial, o § 1o do mesmo</p><p>artigo prevê que o exame de corpo de delito poderá ser realizado por duas pessoas</p><p>idôneas, portadoras de diploma de curso superior, preferencialmente na área</p><p>relacionada ao tipo de exame em questão. Essa medida visa assegurar a competência</p><p>técnica dos profissionais envolvidos na perícia, mesmo que não sejam peritos oficiais,</p><p>buscando manter a qualidade e a confiabilidade dos resultados.</p><p>Os peritos não oficiais, como mencionado no § 2o, devem prestar um</p><p>compromisso de desempenhar o encargo com diligência e fidelidade. Essa exigência</p><p>é fundamental para garantir a imparcialidade e a responsabilidade no exercício das</p><p>funções periciais, mesmo que não sejam peritos oficiais. A imparcialidade é um</p><p>princípio essencial na perícia criminal, assegurando que os resultados sejam baseados</p><p>em fatos e evidências, sem influências ou interesses particulares.</p><p>No § 3o, o legislador concedeu a faculdade ao Ministério Público, ao assistente</p><p>de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado de formular quesitos e indicar</p><p>assistente técnico. Essa possibilidade permite que as partes envolvidas no processo</p><p>participem ativamente da perícia, apresentando questionamentos específicos e</p><p>contando com a assessoria de um especialista de confiança. Essa participação</p><p>contribui para a transparência e a pluralidade de perspectivas na realização da perícia,</p><p>assegurando que todos os aspectos relevantes sejam considerados.</p><p>O § 4o estabelece que o assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo</p><p>juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais. Essa</p><p>disposição garante que o assistente técnico possa contribuir de maneira</p><p>fundamentada, utilizando os resultados e as informações obtidas pelos peritos oficiais</p><p>como base para suas análises. Além disso, a intimação das partes sobre a admissão</p><p>do assistente técnico reforça a transparência do processo e garante que todas as</p><p>partes estejam cientes da participação desse profissional na perícia.</p><p>O § 5o permite que as partes solicitem a oitiva dos peritos para esclarecimentos</p><p>ou respostas a quesitos, desde que sejam encaminhados com antecedência mínima</p><p>de 10 dias. Isso possibilita um diálogo direto entre as partes e os peritos, permitindo</p><p>esclarecer pontos relevantes, solicitar informações complementares e obter respostas</p><p>embasadas.</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>Possui características para tal</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>de forma minuciosa</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>possibilidade</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>o autor da queixa-crime</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>ato de ouvir</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 33</p><p>Além disso, é viável indicar assistentes técnicos para apresentar pareceres ou</p><p>serem inquiridos em audiência, conforme estabelecido no § 5o. Essa medida amplia a</p><p>possibilidade de análise e discussão das questões periciais, permitindo que</p><p>especialistas designados pelas partes ofereçam suas contribuições e opiniões</p><p>fundamentadas. A participação dos assistentes técnicos enriquece o debate</p><p>processual, trazendo diferentes perspectivas e conhecimentos especializados para a</p><p>análise dos elementos periciais.</p><p>Quanto ao material probatório, o § 6o estabelece que, mediante requerimento</p><p>das partes, ele será disponibilizado no ambiente do órgão oficial para exame pelos</p><p>assistentes, desde que seja possível sua conservação. Isso significa que as partes</p><p>envolvidas no processo têm o direito de ter acesso ao material probatório utilizado na</p><p>perícia, permitindo que os assistentes técnicos analisem e examinem esses elementos,</p><p>contribuindo com suas considerações e conclusões. Essa medida busca assegurar a</p><p>igualdade de condições entre as partes, possibilitando uma análise ampla e</p><p>consistente das provas periciais.</p><p>Por fim, o § 7o prevê que em perícias complexas que envolvam múltiplas áreas</p><p>de conhecimento especializado, poderá haver a atuação de mais de um perito oficial,</p><p>assim como a indicação de mais de um assistente técnico pela parte. Essa disposição</p><p>reconhece</p><p>a necessidade de uma abordagem multidisciplinar e especializada em casos</p><p>que demandem conhecimentos específicos de diferentes áreas. Dessa forma, é</p><p>possível garantir uma análise mais abrangente e precisa dos elementos periciais,</p><p>considerando os diversos aspectos técnicos envolvidos.</p><p>No contexto doutrinário, diversos autores destacam a importância dessas</p><p>disposições legais. Por exemplo, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar afirmam</p><p>que a possibilidade de indicação de assistente técnico e formulação de quesitos pelas</p><p>partes garantem a paridade de armas e a ampla defesa, permitindo que as partes</p><p>influenciem o processo pericial e apresentem suas contribuições técnicas.</p><p>Aury Lopes Jr., por sua vez, ressalta que a atuação do assistente técnico é</p><p>essencial para contrapor o laudo oficial, assegurando um debate técnico-científico</p><p>mais aprofundado. Ele destaca que a figura do assistente técnico tem um papel</p><p>fundamental na garantia do contraditório e da ampla defesa, permitindo que as partes</p><p>tenham a oportunidade de apresentar suas visões e contestar o laudo pericial,</p><p>contribuindo para a busca da verdade processual.</p><p>Essas disposições legais e as contribuições doutrinárias mencionadas reforçam a</p><p>importância da perícia criminal no sistema de justiça, buscando garantir a qualidade,</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 34</p><p>a imparcialidade e a transparência dos exames periciais. Ao permitir a participação das</p><p>partes, a indicação de assistentes técnicos e a formulação de quesitos, o processo</p><p>pericial se torna mais completo, contribuindo para uma análise mais precisa e</p><p>embasada dos elementos probatórios.</p><p>O Art. 160 estabelece a importância da responsabilidade dos peritos na</p><p>elaboração do laudo pericial, exigindo que eles descrevam minuciosamente tudo o</p><p>que foi examinado e respondam aos quesitos formulados. Essa exigência visa garantir</p><p>a precisão e a minúcia na documentação dos resultados obtidos durante a perícia.</p><p>Nesse sentido, Luiz Flávio Gomes e Alice Bianchini destacam que o objetivo do laudo</p><p>pericial é "registrar de forma técnica, científica e imparcial os elementos que possam</p><p>auxiliar na compreensão dos fatos e subsidiar a decisão judicial" (GOMES; BIANCHINI,</p><p>2017, p. 359).</p><p>O Parágrafo único do Art. 160 estabelece o prazo máximo de 10 dias para a</p><p>elaboração do laudo pericial. Segundo Tourinho Filho, esse prazo visa conciliar a</p><p>celeridade processual com a qualidade e a profundidade da análise realizada pelos</p><p>peritos, evitando demoras excessivas que possam prejudicar a instrução processual</p><p>(TOURINHO FILHO, 2020, p. 407). No entanto, em casos excepcionais, é possível</p><p>prorrogar esse prazo mediante requerimento dos peritos. Essa flexibilidade leva em</p><p>consideração a complexidade da perícia ou outros fatores relevantes que possam</p><p>interferir na conclusão do laudo pericial.</p><p>O Art. 161 estabelece que o exame de corpo de delito pode ser realizado em</p><p>qualquer dia e a qualquer hora. Essa disposição, segundo Capez, busca garantir a</p><p>efetividade das perícias, permitindo que elas sejam realizadas imediatamente após a</p><p>ocorrência do fato, sem restrições de horários ou dias específicos que possam</p><p>comprometer a coleta de elementos probatórios (CAPEZ, 2019, p. 229). Essa</p><p>flexibilidade é fundamental para preservar a integridade e a autenticidade das provas</p><p>periciais.</p><p>O Art. 162 trata da autópsia, estabelecendo que ela deve ser realizada pelo menos</p><p>seis horas após o óbito, exceto em casos em que os peritos, com base em evidências</p><p>dos sinais de morte, julgarem que é possível realizá-la antes desse prazo. Segundo</p><p>Mirabete, o intervalo de tempo mínimo é necessário para que se possam observar os</p><p>sinais característicos de morte, garantindo a segurança e a precisão do exame</p><p>cadavérico (MIRABETE, 2019, p. 446). A exceção permite que, em situações evidentes,</p><p>como casos de morte por enforcamento, a autópsia seja feita antecipadamente. Além</p><p>disso, o Parágrafo único estabelece que nos casos de morte violenta em que não haja</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>"Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados.</p><p>Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos."</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>Art. 162. A autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto.</p><p>Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante.</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 35</p><p>infração penal a ser apurada ou quando as lesões externas permitirem determinar a</p><p>causa da morte sem a necessidade de exame interno, é suficiente realizar apenas o</p><p>exame externo do cadáver. Nesses casos, a simplificação do procedimento evita</p><p>procedimentos invasivos desnecessários, conforme apontado por Hungria (HUNGRIA,</p><p>2021, p. 372).</p><p>O Art. 163 trata da exumação para exame cadavérico, estabelecendo os</p><p>procedimentos a serem seguidos nesse contexto. Conforme o dispositivo, a</p><p>autoridade competente deve providenciar a realização da diligência de exumação em</p><p>um dia e hora previamente marcados. Durante a diligência, deve ser lavrado um auto</p><p>circunstanciado, que documenta todas as informações relevantes relacionadas à</p><p>exumação.</p><p>O Parágrafo único desse artigo aborda a responsabilidade do administrador do</p><p>cemitério na indicação do local da sepultura. Segundo Nucci, o administrador do</p><p>cemitério, ao indicar o local da sepultura, contribui para o correto andamento do</p><p>procedimento, garantindo a precisão na identificação do cadáver (NUCCI, 2018, p.</p><p>497). O não cumprimento dessa obrigação pode implicar em desobediência por parte</p><p>do administrador do cemitério.</p><p>Caso haja recusa por parte do administrador do cemitério em indicar o local da</p><p>sepultura ou se não houver uma pessoa responsável por essa indicação, a autoridade</p><p>competente deve realizar as pesquisas necessárias para localizar a sepultura. Esse</p><p>aspecto é importante para assegurar a devida identificação do cadáver e garantir que</p><p>a exumação seja realizada no local correto.</p><p>Todos os detalhes e informações relevantes relacionadas à exumação devem ser</p><p>registrados no auto circunstanciado, que é o documento oficial que descreve</p><p>minuciosamente o procedimento, incluindo os motivos da exumação, a data, a hora e</p><p>quaisquer outras circunstâncias relevantes. Esse registro detalhado é fundamental</p><p>para preservar a integridade do processo e fornecer um registro completo e preciso</p><p>da exumação.</p><p>Em suma, o Art. 163 e seu Parágrafo único estabelecem as diretrizes e os</p><p>procedimentos a serem seguidos no caso de exumação para exame cadavérico. Essas</p><p>disposições legais visam garantir a correta identificação do local da sepultura, bem</p><p>como a adequada documentação e registro de todas as informações relacionadas à</p><p>exumação, contribuindo para a transparência, a confiabilidade e a legalidade do</p><p>processo pericial.</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>registrado/escrito</p><p>DEBORA</p><p>Comentário do texto</p><p>documento</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 36</p><p>O Art. 164 estabelece a obrigatoriedade de fotografar os cadáveres na posição</p><p>em que foram encontrados, bem como registrar, na medida</p><p>do possível, todas as</p><p>lesões externas e vestígios deixados no local do crime. Essa determinação visa</p><p>preservar e documentar fielmente a cena do crime, fornecendo evidências visuais</p><p>importantes para a investigação e a análise pericial. Nesse sentido, Nucci ressalta que</p><p>"a fotografia permite uma fixação dos elementos visíveis, que podem se alterar ou</p><p>desaparecer com o tempo" (NUCCI, 2018, p. 501).</p><p>O Art. 165 dispõe que os peritos devem juntar ao laudo do exame, quando</p><p>possível, provas fotográficas, esquemas ou desenhos que representem as lesões</p><p>encontradas no cadáver. Essa prática visa complementar a descrição textual com</p><p>registros visuais, proporcionando uma documentação mais precisa e detalhada das</p><p>lesões. Segundo Capez, "a fotografia é um importante meio de registro e prova dos</p><p>vestígios do delito" (CAPEZ, 2020, p. 382).</p><p>O Art. 166 trata do reconhecimento de cadáveres exumados quando há dúvida</p><p>sobre sua identidade. Nesses casos, o Instituto de Identificação e Estatística ou</p><p>repartição congênere é responsável pelo reconhecimento, seja por meio de inquirição</p><p>de testemunhas ou outros meios. De acordo com Greco Filho, "o reconhecimento do</p><p>cadáver visa estabelecer sua identidade e é essencial para a investigação" (GRECO</p><p>FILHO, 2019, p. 661). O auto de reconhecimento e identidade deve descrever</p><p>minuciosamente o cadáver, com todos os sinais e indicações relevantes.</p><p>O Parágrafo único do Art. 166 estabelece que, em qualquer caso, devem ser</p><p>arrecadados e autenticados todos os objetos encontrados que possam ser úteis para</p><p>a identificação do cadáver. Essa medida tem o objetivo de preservar e catalogar os</p><p>objetos relacionados ao cadáver, que podem fornecer informações relevantes para a</p><p>investigação e a identificação da vítima.</p><p>O Art. 167 prevê que, na impossibilidade de realizar o exame de corpo de delito</p><p>devido ao desaparecimento dos vestígios, a prova testemunhal pode suprir essa falta.</p><p>Nesses casos, a palavra das testemunhas é utilizada como meio de comprovação dos</p><p>fatos ocorridos. No entanto, a prova testemunhal deve ser avaliada com cautela,</p><p>considerando sua subjetividade e possíveis limitações.</p><p>O Art. 168 estabelece que, em caso de lesões corporais, se o primeiro exame</p><p>pericial for incompleto, é possível realizar um exame complementar por determinação</p><p>da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público,</p><p>do ofendido, do acusado ou de seu defensor. Os peritos, no exame complementar,</p><p>devem ter em mãos o auto de corpo de delito para suprir eventuais deficiências ou</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>DEBORA</p><p>Sublinhado</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 37</p><p>retificá-lo. Segundo Greco Filho, "o exame complementar tem por finalidade suprir</p><p>lacunas, corrigir erros e completar informações que não foram adequadamente</p><p>observadas ou registradas no primeiro exame" (GRECO FILHO, 2019, p. 674). O Art.</p><p>168, em seu Parágrafo 1º, ressalta a importância de os peritos utilizarem o auto de</p><p>corpo de delito no exame complementar, a fim de suprir deficiências ou retificar</p><p>informações. Isso garante a integridade e a consistência das provas periciais,</p><p>assegurando uma avaliação mais precisa e completa das lesões corporais.</p><p>Além disso, o Art. 168 também traz uma disposição específica para os casos em</p><p>que o exame tem como finalidade precisar a classificação do delito no art. 129, § 1º, I,</p><p>do Código Penal. Nesses casos, o exame complementar deve ser realizado assim que</p><p>decorrer o prazo de 30 dias, contado a partir da data do crime. Essa determinação visa</p><p>garantir a agilidade na realização do exame, especialmente nos casos em que a</p><p>classificação do delito é uma informação crucial para o prosseguimento do processo.</p><p>Cabe ressaltar que, na ausência do exame complementar, a prova testemunhal</p><p>pode suprir essa falta, conforme estabelecido pelo Parágrafo 3º do Art. 168. No</p><p>entanto, é importante considerar que a prova testemunhal possui suas limitações,</p><p>especialmente no que diz respeito à precisão e à objetividade em comparação com a</p><p>prova pericial. Nesse sentido, Nucci afirma que "a prova testemunhal, por ser humana</p><p>e, portanto, imperfeita, pode deixar margens a questionamentos" (NUCCI, 2018, p.</p><p>629). Portanto, a preferência é sempre pela realização do exame complementar para</p><p>garantir uma base técnica sólida na análise das lesões corporais.</p><p>Por fim, o Art. 169 estabelece a necessidade de preservação do local da infração</p><p>até a chegada dos peritos. A autoridade competente deve tomar medidas imediatas</p><p>para evitar a alteração do estado das coisas, a fim de que os peritos possam realizar</p><p>suas investigações e instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas</p><p>elucidativos. Essa preservação do local é essencial para a análise forense e permite</p><p>que os peritos tenham acesso a informações relevantes para a reconstrução dos fatos.</p><p>A discussão das alterações do estado das coisas no laudo pericial, como determinado</p><p>pelo Parágrafo único do Art. 169, contribui para a compreensão da dinâmica dos</p><p>eventos e fornece subsídios para a tomada de decisões no processo judicial.</p><p>Em suma, os dispositivos legais mencionados são fundamentais para orientar os</p><p>procedimentos periciais, garantindo a precisão, a integridade e a efetividade das</p><p>análises realizadas. Eles visam assegurar que as perícias sejam conduzidas de forma</p><p>detalhada, preservando evidências, utilizando recursos visuais, suprindo lacunas</p><p>quando necessário e preservando a integridade das provas.</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 38</p><p>Essas disposições têm respaldo doutrinário e são fundamentais para o bom</p><p>desenvolvimento das perícias e dos procedimentos forenses. Diversos autores e</p><p>estudiosos do Direito Penal e Processual Penal destacam a importância desses</p><p>dispositivos legais na busca pela efetividade da justiça e na produção de provas</p><p>robustas e confiáveis.</p><p>No que diz respeito ao Art. 164, que determina a fotografia dos cadáveres na</p><p>posição em que são encontrados, bem como o registro das lesões externas e vestígios</p><p>deixados no local do crime, a doutrina reconhece sua relevância para a preservação e</p><p>a documentação adequada das evidências. Capez ressalta que "a fotografia constitui</p><p>um valioso auxílio na investigação criminal, pois documenta, sem distorções, a</p><p>realidade dos fatos" (CAPEZ, 2020, p. 388). A fotografia é considerada um meio</p><p>objetivo e imparcial de registro, fornecendo uma representação visual fiel das</p><p>circunstâncias do crime e auxiliando na formação de convicção do juiz e do júri.</p><p>O Art. 165, que prevê a utilização de provas fotográficas, esquemas ou desenhos</p><p>para representar as lesões encontradas no cadáver, também é respaldado pela</p><p>doutrina. Essas representações visuais têm o propósito de complementar a descrição</p><p>verbal e proporcionar uma melhor compreensão das lesões pelos profissionais</p><p>envolvidos no processo, bem como pelos juízes e jurados. Nesse sentido, Nucci</p><p>destaca que "a fotografia, desenhos ou esquemas complementam o laudo,</p><p>oferecendo informações complementares que facilitam a compreensão dos fatos"</p><p>(NUCCI, 2018, p. 502).</p><p>No que se refere ao Art. 166, que trata do reconhecimento de cadáveres</p><p>exumados, a doutrina reconhece a importância desse procedimento para a</p><p>identificação e a elucidação dos casos. Greco Filho enfatiza que "o reconhecimento do</p><p>cadáver é de suma importância para fins de investigação e de responsabilização</p><p>criminal" (GRECO FILHO, 2019, p. 661). O envolvimento do Instituto de Identificação e</p><p>Estatística ou de repartições congêneres e a descrição detalhada do cadáver,</p><p>juntamente com a inquirição de testemunhas, contribuem</p><p>para a certeza quanto à</p><p>identidade da vítima e para o devido encaminhamento do processo criminal.</p><p>No que concerne ao Art. 167, que estabelece que a prova testemunhal pode</p><p>suprir a falta do exame de corpo de delito quando os vestígios tenham desaparecido,</p><p>a doutrina reconhece sua importância na busca pela verdade real. No entanto, é</p><p>importante ressaltar que a prova testemunhal possui suas limitações e deve ser</p><p>avaliada cuidadosamente. Para Nucci, "a prova testemunhal, embora não goze da</p><p>mesma precisão do exame de corpo de delito, não pode ser desprezada, devendo ser</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 39</p><p>valorada pelo julgador à luz das circunstâncias do caso concreto" (NUCCI, 2018, p.</p><p>629).</p><p>O Art. 170 estabelece que, nas perícias de laboratório, os peritos devem guardar</p><p>material suficiente para a eventualidade de uma nova perícia. Essa medida tem como</p><p>objetivo assegurar a disponibilidade de evidências para futuras análises ou</p><p>contestações. Além disso, o dispositivo prevê que, sempre que conveniente, os laudos</p><p>periciais devem ser ilustrados com provas fotográficas, microfotográficas, desenhos</p><p>ou esquemas. Essas representações visuais auxiliam na compreensão dos resultados</p><p>da perícia e na transmissão das informações de forma clara e objetiva.</p><p>No Art. 171, que trata de crimes cometidos com destruição ou rompimento de</p><p>obstáculo, bem como por meio de escalada, os peritos são responsáveis por descrever</p><p>os vestígios e indicar os instrumentos, meios e época presumida em que o fato foi</p><p>praticado. Essa determinação busca fornecer elementos que auxiliem na reconstrução</p><p>do crime e na identificação dos métodos utilizados pelo autor. Segundo Capez, "os</p><p>peritos, com base em conhecimentos técnicos, devem indicar como se procedeu a</p><p>subtração e as características dos instrumentos utilizados" (CAPEZ, 2020, p. 390). Essas</p><p>informações são relevantes para a investigação e podem contribuir para a</p><p>identificação e a responsabilização do autor do delito.</p><p>O Art. 172 prevê a avaliação de coisas destruídas, deterioradas ou que sejam</p><p>produto do crime, quando necessário. Caso a avaliação direta não seja possível, os</p><p>peritos utilizarão os elementos existentes nos autos e realizarão diligências para</p><p>realizar a avaliação. Essa disposição busca quantificar os danos causados e determinar</p><p>o valor dos bens afetados pelo crime. De acordo com Greco Filho, "a avaliação é</p><p>essencial para a fixação do valor pecuniário do dano sofrido, sendo relevante para a</p><p>individualização da pena" (GRECO FILHO, 2019, p. 685). A avaliação é importante para</p><p>subsidiar a determinação das consequências penais e patrimoniais do crime.</p><p>No Art. 173, referente a incêndios, os peritos têm a responsabilidade de verificar</p><p>a causa do incêndio, o local em que ele teve início, o perigo resultante para a vida ou</p><p>o patrimônio, a extensão dos danos e seu valor, bem como outras circunstâncias</p><p>relevantes para esclarecer o fato. A análise desses elementos contribui para a</p><p>elucidação das circunstâncias que envolveram o incêndio e pode auxiliar na</p><p>identificação de possíveis responsáveis. Capez destaca que "a perícia é imprescindível</p><p>para a apuração do crime de incêndio, pois permitirá conhecer suas causas e</p><p>circunstâncias, além de evidenciar as consequências do evento" (CAPEZ, 2020, p. 391).</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 40</p><p>A investigação minuciosa do incêndio é essencial para a justa responsabilização dos</p><p>envolvidos e para a prevenção de futuros incidentes.</p><p>Por fim, o Art. 174 trata do exame para o reconhecimento de escritos por</p><p>comparação de letra. Segundo o Art. 174, no exame para o reconhecimento de escritos</p><p>por comparação de letra, são estabelecidos os seguintes procedimentos:</p><p>• A pessoa a quem se atribua ou possa atribuir o escrito será intimada</p><p>para o ato, se for encontrada. Essa intimação tem o objetivo de garantir a</p><p>participação da pessoa envolvida no processo de reconhecimento,</p><p>permitindo que ela possa se manifestar e esclarecer qualquer dúvida.</p><p>• Para a comparação de letras, poderão ser utilizados quaisquer</p><p>documentos que a pessoa reconheça como sendo de seu punho ou que</p><p>já tenham sido judicialmente reconhecidos como tal, desde que não haja</p><p>dúvidas sobre sua autenticidade. Essa medida visa utilizar amostras de</p><p>escritos conhecidos para estabelecer um parâmetro de comparação com</p><p>o documento em análise.</p><p>• Quando necessário, a autoridade poderá requisitar documentos</p><p>existentes em arquivos ou estabelecimentos públicos para o exame. Caso</p><p>não seja possível retirá-los desses locais, a diligência será realizada no</p><p>próprio local, garantindo a análise dos documentos relevantes para o</p><p>processo de reconhecimento.</p><p>• Caso não haja escritos suficientes para a comparação ou se os</p><p>escritos apresentados forem insuficientes, a autoridade determinará que</p><p>a pessoa escreva o que lhe for ditado. Se a pessoa estiver ausente, mas</p><p>em um local conhecido, essa diligência poderá ser realizada por meio de</p><p>precatória, em que serão consignadas as palavras que a pessoa será</p><p>intimada a escrever.</p><p>Esses procedimentos têm como objetivo estabelecer critérios claros e garantir a</p><p>efetividade do processo de reconhecimento de escritos. A comparação de letras é uma</p><p>importante técnica pericial utilizada para identificar a autoria de documentos e</p><p>desempenha um papel fundamental na investigação de crimes e na apuração da</p><p>verdade dos fatos.</p><p>De acordo com Borges (2020), "o exame de grafoscopia permite ao perito</p><p>constatar, por meio de um exame comparativo, a autenticidade ou não de uma</p><p>assinatura ou escrita, contribuindo para a elucidação de fatos e a comprovação da</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 41</p><p>autoria de documentos" (BORGES, 2020, p. 143). A perícia grafoscópica é uma técnica</p><p>reconhecida e utilizada no campo da criminalística para auxiliar na produção de provas</p><p>e na investigação de crimes.</p><p>Portanto, o Art. 174 estabelece os procedimentos a serem seguidos no exame</p><p>para o reconhecimento de escritos por comparação de letra, buscando garantir a</p><p>participação das partes envolvidas, o uso de documentos válidos para a comparação,</p><p>a requisição de documentos quando necessário e a realização da diligência adequada</p><p>quando a pessoa não estiver presente. Essas medidas visam assegurar a confiabilidade</p><p>e a precisão dos resultados do exame de grafoscopia e contribuir para a produção de</p><p>provas robustas no processo criminal.</p><p>O Art. 175 estabelece que os instrumentos utilizados na prática da infração serão</p><p>sujeitos a exame, a fim de verificar sua natureza e eficiência. Essa disposição visa</p><p>permitir a análise dos objetos e instrumentos utilizados no cometimento do crime,</p><p>possibilitando a identificação de características relevantes para a investigação.</p><p>Segundo Capez (2017), "a perícia em instrumentos utilizados na prática de infrações é</p><p>de fundamental importância para determinar a natureza e a eficiência desses objetos"</p><p>(CAPEZ, 2017, p. 489). Dessa forma, o exame pericial dos instrumentos contribui para</p><p>a elucidação dos fatos e a produção de provas no processo criminal.</p><p>O Art. 176 determina que tanto a autoridade quanto as partes envolvidas no</p><p>processo poderão formular quesitos até o momento da diligência. Essa disposição</p><p>assegura o direito das partes de apresentarem questionamentos específicos aos</p><p>peritos, buscando esclarecer pontos relevantes para a apuração dos fatos. Segundo</p><p>Delmanto et al. (2018), "os quesitos formulados pelas partes são instrumentos</p><p>indispensáveis para direcionar a atuação dos peritos, permitindo que sejam</p><p>respondidos aspectos cruciais para a instrução processual" (DELMANTO et al., 2018,</p><p>p. 270). Dessa forma, os quesitos desempenham um papel fundamental no processo</p><p>pericial, orientando a análise dos peritos e garantindo a</p><p>participação ativa das partes</p><p>interessadas.</p><p>O Art. 177 trata do exame por precatória, que ocorre quando a diligência pericial</p><p>precisa ser realizada em uma comarca diferente daquela em que tramita o processo.</p><p>Nesse caso, a nomeação dos peritos será feita no juízo deprecado, ou seja, no local</p><p>onde a diligência será realizada. No entanto, caso haja acordo entre as partes em uma</p><p>ação privada, a nomeação dos peritos poderá ser feita pelo juiz deprecante, ou seja,</p><p>no local de origem do processo. Essa disposição busca facilitar o processo de</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 42</p><p>nomeação dos peritos quando a diligência ocorre em uma comarca diferente daquela</p><p>em que o processo tramita.</p><p>O Art. 178 estabelece que, no caso do Art. 159, em que o exame é realizado por</p><p>perito oficial, a autoridade requisitará o exame ao diretor da repartição competente,</p><p>anexando ao processo o laudo assinado pelos peritos. Essa determinação visa</p><p>assegurar que o resultado do exame pericial seja devidamente registrado e integrado</p><p>ao processo, fornecendo elementos fundamentais para a tomada de decisões judiciais.</p><p>O Art. 179 dispõe que, no caso do § 1o do Art. 159, em que o exame é realizado</p><p>por duas pessoas idôneas, o escrivão lavrará o auto respectivo, que será assinado</p><p>pelos peritos e, caso esteja presente durante o exame, também pela autoridade. Essa</p><p>medida busca garantir que o procedimento seja devidamente documentado,</p><p>registrando as declarações e respostas dos peritos, bem como a presença da</p><p>autoridade quando aplicável.</p><p>O Parágrafo único do Art. 179 estabelece que, no caso do Art. 160, Parágrafo</p><p>único, o laudo pericial, que poderá ser datilografado, será subscrito e rubricado em</p><p>todas as suas folhas pelos peritos. Essa disposição tem o objetivo de garantir a</p><p>autenticidade e a integridade do laudo, assegurando que todas as páginas sejam</p><p>devidamente assinadas pelos peritos responsáveis pelo seu conteúdo. Essa medida</p><p>reforça a validade e a confiabilidade do laudo pericial como meio de prova nos</p><p>processos criminais.</p><p>Segundo Capez (2017), a assinatura e a rubrica em todas as folhas do laudo</p><p>pericial são importantes para evitar a possibilidade de manipulação ou adulteração</p><p>posterior do documento. Além disso, essa exigência evidencia o compromisso dos</p><p>peritos com a fidedignidade e a precisão das informações contidas no laudo. Dessa</p><p>forma, ao assinar e rubricar todas as páginas do laudo, os peritos assumem a</p><p>responsabilidade sobre o seu conteúdo e garantem a sua autenticidade.</p><p>Essa disposição também tem como finalidade facilitar a identificação de</p><p>eventuais alterações ou substituições de páginas do laudo, uma vez que qualquer</p><p>modificação indevida seria imediatamente perceptível. Assim, a assinatura e a rubrica</p><p>em todas as folhas do laudo pericial contribuem para preservar a integridade e a</p><p>confiabilidade do documento ao longo do processo judicial.</p><p>Portanto, o Parágrafo único do Art. 179 reforça a importância da assinatura e da</p><p>rubrica em todas as folhas do laudo pericial como medida de segurança e validade do</p><p>documento, assegurando a autenticidade e a integridade das informações</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 43</p><p>apresentadas pelos peritos. Essa exigência fortalece a confiabilidade e a credibilidade</p><p>do laudo como meio de prova no âmbito do processo criminal.</p><p>O Art. 181 estabelece que, em caso de inobservância de formalidades, omissões,</p><p>obscuridades ou contradições no laudo pericial, a autoridade judiciária deverá</p><p>determinar a supressão das formalidades faltantes, a complementação ou o</p><p>esclarecimento do laudo. Essa disposição visa garantir que o laudo pericial seja</p><p>completo, claro e preciso, de modo a fornecer informações relevantes e confiáveis</p><p>para a elucidação dos fatos em questão. A redação desse artigo foi dada pela Lei nº</p><p>8.862, de 28.3.1994, com o intuito de aprimorar os procedimentos periciais.</p><p>Segundo Nucci (2016), a determinação de suprir formalidades ou complementar</p><p>o laudo pericial é fundamental para assegurar a sua validade e confiabilidade como</p><p>meio de prova. Dessa forma, a autoridade judiciária tem a responsabilidade de garantir</p><p>que o laudo cumpra os requisitos legais e ofereça informações completas e</p><p>esclarecedoras.</p><p>O Parágrafo único do Art. 181 prevê que a autoridade judiciária também pode</p><p>ordenar a realização de um novo exame por outros peritos, caso julgue conveniente.</p><p>Essa possibilidade decorre da necessidade de obter informações adicionais ou</p><p>esclarecer aspectos relevantes para a compreensão dos fatos em questão. A decisão</p><p>de realizar um novo exame pericial é baseada na discricionariedade da autoridade</p><p>judiciária, que busca garantir a efetividade da prova pericial.</p><p>O Art. 182 estabelece que o juiz não fica adstrito ao laudo pericial, ou seja, não</p><p>está obrigado a aceitá-lo integralmente. O juiz tem o poder de avaliar o laudo pericial,</p><p>podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo total ou parcialmente, de acordo com sua convicção</p><p>fundamentada. Essa prerrogativa do juiz permite que ele exerça seu papel de</p><p>garantidor do devido processo legal e da justiça, avaliando a pertinência e a</p><p>consistência das informações trazidas pelo laudo pericial.</p><p>O Art. 183 estabelece que nos crimes em que não couber ação pública, ou seja,</p><p>nos casos em que a ação penal depende de iniciativa privada, devem ser observadas</p><p>as disposições do art. 19 do Código de Processo Penal. O artigo 19 trata das hipóteses</p><p>em que a ação penal depende de representação do ofendido ou de seu representante</p><p>legal, ou seja, a iniciativa para a persecução penal é exclusivamente da vítima ou de</p><p>seu representante legal.</p><p>O Art. 184 estabelece que, exceto nos casos de exame de corpo de delito, o juiz</p><p>ou a autoridade policial poderão negar a realização da perícia requerida pelas partes</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 44</p><p>quando considerarem que ela não é necessária para esclarecer a verdade dos fatos.</p><p>Essa disposição visa evitar a realização de perícias desnecessárias, que não</p><p>contribuiriam efetivamente para o esclarecimento dos fatos ou para a tomada de</p><p>decisão judicial. A negativa de perícia requerida pelas partes está embasada na</p><p>discricionariedade da autoridade judiciária, que deve avaliar a pertinência e a</p><p>necessidade da perícia em cada caso específico. O objetivo é evitar a realização de</p><p>perícias meramente protelatórias ou que não tragam elementos relevantes para a</p><p>compreensão dos fatos.</p><p>Essa prerrogativa da autoridade judiciária é importante para garantir a eficiência</p><p>e a racionalidade do processo penal, evitando-se a sobrecarga de perícias</p><p>desnecessárias e otimizando os recursos disponíveis. Como destaca Capez (2019), a</p><p>autoridade judiciária deve exercer o controle sobre as perícias requeridas, verificando</p><p>se elas são pertinentes, relevantes e efetivas para o deslinde da causa.</p><p>No entanto, é fundamental que a negativa de realização da perícia seja</p><p>devidamente fundamentada, demonstrando os motivos pelos quais a perícia não é</p><p>necessária ou útil para a elucidação dos fatos. A decisão deve ser pautada em critérios</p><p>jurídicos e técnicos, levando em consideração as peculiaridades do caso e a finalidade</p><p>da perícia.</p><p>É importante ressaltar que a negativa de perícia requerida pelas partes não</p><p>significa que a prova pericial seja dispensável em todas as situações. Pelo contrário, a</p><p>perícia é um meio de prova de grande relevância, que pode trazer elementos</p><p>concretos e especializados para a formação da convicção do juiz.</p><p>De acordo com Tourinho Filho (2020), a negativa da perícia deve ser uma medida</p><p>excepcional, adotada apenas quando a sua realização for manifestamente</p><p>desnecessária ou quando outras provas já tenham esclarecido suficientemente os</p><p>fatos em questão. O autor destaca que a supressão da perícia deve</p><p>ser bem</p><p>fundamentada, a fim de evitar a violação do princípio da ampla defesa e do</p><p>contraditório.</p><p>Assim, a negativa de perícia requerida pelas partes é uma prerrogativa da</p><p>autoridade judiciária, que deve ser exercida com responsabilidade e observância dos</p><p>princípios do processo penal. Cabe ao juiz ou à autoridade policial avaliar a pertinência</p><p>e a necessidade da perícia, sempre fundamentando suas decisões de forma a garantir</p><p>a justiça e a efetividade do processo penal.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 45</p><p>Outros dispositivos também dispõem sobre a perícia criminal. O Art. 6º do</p><p>Código de Processo Penal (CPP) estabelece uma série de providências que a</p><p>autoridade policial deve adotar logo que tiver conhecimento da prática da infração</p><p>penal. Essas medidas têm como objetivo preservar o local do crime, apreender objetos</p><p>relacionados ao fato, colher provas, ouvir o ofendido e o indiciado, realizar</p><p>reconhecimentos, determinar exames periciais, entre outras ações relevantes para a</p><p>investigação criminal.</p><p>No inciso I, é estabelecido que a autoridade policial deve dirigir-se</p><p>imediatamente ao local da infração, garantindo que as coisas não sejam alteradas ou</p><p>destruídas antes da chegada dos peritos criminais. Essa medida é crucial para a</p><p>preservação das evidências e para a realização de uma perícia eficiente.</p><p>O inciso II prevê que a autoridade policial deve apreender os objetos que tenham</p><p>relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais. Essa apreensão visa garantir</p><p>a preservação das provas e a sua posterior utilização no processo penal.</p><p>O inciso III determina que a autoridade policial deve colher todas as provas que</p><p>contribuam para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias. Isso inclui a coleta de</p><p>depoimentos, documentos, imagens, entre outros elementos de prova relevantes para</p><p>a investigação.</p><p>Nos incisos IV e V, é estabelecido que a autoridade policial deve ouvir o ofendido</p><p>e o indiciado. Esses depoimentos são importantes para o levantamento de</p><p>informações sobre o ocorrido, a identificação de possíveis suspeitos e a obtenção de</p><p>relatos que possam corroborar ou refutar outras provas.</p><p>O inciso VI prevê que a autoridade policial pode realizar reconhecimentos de</p><p>pessoas e coisas, assim como acareações, quando necessário. Essas medidas visam</p><p>esclarecer fatos e identificar envolvidos no crime.</p><p>No inciso VII, é determinado que a autoridade policial deve, se for o caso,</p><p>proceder ao exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias que sejam</p><p>necessárias para a elucidação do fato. Essas perícias podem ser fundamentais para a</p><p>comprovação de elementos do crime, como lesões, causa de morte, análise de</p><p>materiais, entre outros aspectos relevantes.</p><p>O inciso VIII estabelece que a autoridade policial deve ordenar a identificação do</p><p>indiciado pelo processo datiloscópico, quando possível, e fazer juntar aos autos sua</p><p>folha de antecedentes. Essa medida visa a identificação correta do indivíduo e a</p><p>obtenção de informações sobre sua ficha criminal.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 46</p><p>No inciso IX, é determinado que a autoridade policial deve averiguar a vida</p><p>pregressa do indiciado, analisando aspectos individuais, familiares, sociais, sua</p><p>condição econômica e seu comportamento antes, durante e após o crime. Essa análise</p><p>contribui para a compreensão do perfil do indiciado e sua possível relação com o</p><p>delito.</p><p>Por fim, o inciso X do Art. 6º do CPP determina que a autoridade policial deve</p><p>colher informações sobre a existência de filhos do indiciado, suas idades e se possuem</p><p>alguma deficiência, bem como o nome e o contato de um eventual responsável pelos</p><p>cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.</p><p>Essa disposição tem como objetivo conhecer a situação dos filhos do indiciado,</p><p>especialmente no que diz respeito à sua vulnerabilidade e necessidades especiais. É</p><p>uma preocupação com a proteção dos direitos e bem-estar das crianças, assegurando</p><p>que medidas adequadas possam ser tomadas para garantir sua segurança e cuidado</p><p>durante o processo criminal.</p><p>Segundo Capez (2017), essa informação é relevante porque permite que a</p><p>autoridade policial e o sistema de justiça possam adotar medidas de proteção para os</p><p>filhos do indiciado, como ações socioeducativas, encaminhamento para programas de</p><p>assistência e acompanhamento por órgãos responsáveis pela proteção da infância. O</p><p>autor destaca a importância de evitar que os filhos sejam prejudicados pelas</p><p>consequências do processo criminal enfrentado pelos pais.</p><p>Portanto, o objetivo desse dispositivo é garantir que as autoridades tenham</p><p>conhecimento da situação dos filhos do indiciado e possam tomar medidas</p><p>apropriadas para assegurar seu bem-estar durante a investigação e o processo penal,</p><p>atendendo aos princípios da proteção integral e do superior interesse da criança.</p><p>É importante ressaltar que a proteção dos direitos da criança é um tema relevante</p><p>na doutrina e nas normas internacionais. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)</p><p>também estabelece a obrigação de proteger os direitos das crianças e assegurar seu</p><p>desenvolvimento saudável em todas as circunstâncias, inclusive durante processos</p><p>criminais envolvendo seus pais ou responsáveis legais.</p><p>Nesse sentido, a preocupação com a situação dos filhos do indiciado e a coleta</p><p>de informações sobre sua existência e necessidades especiais estão em conformidade</p><p>com a legislação nacional e internacional de proteção dos direitos da criança,</p><p>buscando evitar que sejam prejudicados pelo processo penal em curso.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Legislação Aplicada</p><p>www.cenes.com.br | 47</p><p>A legislação aplicada à perícia criminal é fundamental para estabelecer os</p><p>procedimentos, direitos e obrigações relacionados a essa importante atividade. Os</p><p>dispositivos legais que tratam da perícia criminal conferem segurança jurídica,</p><p>garantindo que as perícias sejam realizadas de forma técnica, imparcial e em</p><p>conformidade com os princípios do devido processo legal.</p><p>Ao analisar detalhadamente os dispositivos legais relacionados à perícia criminal,</p><p>é possível perceber a preocupação em assegurar a qualificação dos peritos, a</p><p>elaboração minuciosa dos laudos, a participação das partes interessadas, a</p><p>preservação de vestígios e evidências, o esclarecimento da verdade dos fatos e a</p><p>proteção dos direitos dos envolvidos no processo criminal.</p><p>A legislação também prevê a possibilidade de complementação dos exames</p><p>periciais, a utilização de tecnologias e recursos visuais para ilustrar os laudos, bem</p><p>como a proteção dos interesses das crianças envolvidas nos casos criminais. Essas</p><p>disposições refletem a evolução do sistema jurídico, buscando adequar-se às</p><p>demandas e aos avanços da perícia criminal moderna.</p><p>A doutrina, por sua vez, desempenha um papel fundamental na interpretação e</p><p>no aprofundamento dos dispositivos legais aplicados à perícia criminal. Diversos</p><p>autores, como Greco Filho e Capez, contribuem para uma compreensão mais</p><p>abrangente dos princípios, direitos e deveres relacionados à atividade pericial,</p><p>fornecendo embasamento teórico e técnico para a aplicação correta das normas</p><p>legais.</p><p>É importante ressaltar que a legislação aplicada à perícia criminal é dinâmica e</p><p>passível de atualizações, visando aprimorar a qualidade das investigações e garantir a</p><p>justiça no sistema penal. Portanto, é fundamental que os profissionais da área, como</p><p>peritos, agentes da autoridade policial e operadores do direito, estejam sempre</p><p>atualizados e atentos às mudanças legislativas e doutrinárias, a fim de exercerem suas</p><p>funções de maneira eficiente e em conformidade com os preceitos legais.</p><p>Em suma, a legislação aplicada à perícia criminal desempenha um papel crucial</p><p>na garantia da efetividade das investigações, na proteção dos direitos</p><p>das partes</p><p>envolvidas e na busca pela verdade dos fatos. Através dessas normas, busca-se</p><p>assegurar a idoneidade, a imparcialidade e a técnica nos procedimentos periciais,</p><p>contribuindo para a justiça e a segurança jurídica no sistema penal.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 48</p><p>4 A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>No desempenho da função pericial, os profissionais podem enfrentar diferentes</p><p>dilemas morais que requeiram a necessidade de discussão ética, em profundidade tal</p><p>que possa gerar possíveis diretrizes para o exercício profissional.</p><p>A perícia se concretiza por meio da elaboração de um laudo escrito, que se baseia</p><p>no material examinado. Assim que uma autoridade policial, judiciária, militar ou</p><p>administrativa toma conhecimento de uma infração penal, é necessário solicitar as</p><p>perícias pertinentes, que têm como objetivo instruir o devido processo para que o juiz</p><p>possa formar sua convicção por meio da livre apreciação da prova.</p><p>Os peritos são indivíduos qualificados ou experientes em determinados assuntos,</p><p>responsáveis por esclarecer fatos de interesse da Justiça. O magistrado, por sua vez,</p><p>forma sua convicção com base nos elementos probatórios disponíveis. Nesse</p><p>contexto, a perícia assume especial importância devido à sua natureza científica,</p><p>imparcial e objetiva.</p><p>Portanto, não se pode permitir que o perito atue de forma irresponsável, ilícita</p><p>ou eticamente condenável. A aceitação passiva de medidas policiais, representando o</p><p>Estado, sem justificativa ou consentimento da sociedade, tem sido substituída pela</p><p>exigência de que o periciado compreenda as razões e o propósito do procedimento.</p><p>Essa nova abordagem inclui até mesmo o direito e a motivação do periciado em exigir</p><p>reparação por eventuais danos, caso ocorra violação dos deveres éticos ou</p><p>profissionais.</p><p>Nesse contexto, é importante considerar que o perito criminal lida</p><p>constantemente com pessoas vulneráveis, uma vez que trabalha exclusivamente com</p><p>indivíduos em situação de privação ou sofrimento. Isso cria uma relação de</p><p>desigualdade, especialmente do ponto de vista emocional. Além disso, sendo um</p><p>policial, o perito pode despertar temor na população, dependendo da percepção de</p><p>cada um, o que aumenta sua responsabilidade no cuidado ao lidar com essas pessoas.</p><p>O perito criminal possui um compromisso técnico com a investigação policial, mas seu</p><p>compromisso social é fundamental para que seja considerado um verdadeiro</p><p>profissional do ponto de vista ético.</p><p>Diante desse contexto, o objetivo deste estudo é verificar a existência de</p><p>diretrizes éticas atualmente adotadas pelos peritos criminais e examiná-las para gerar</p><p>reflexões bioéticas.</p><p>DEBORA</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 49</p><p>Enfoque Bioético</p><p>As regras deontológicas de conduta incluem deveres, como o dever de</p><p>informação, e fazem parte da responsabilidade ética do perito durante o exercício</p><p>profissional. Em certos casos, o dever de informar de forma clara é um requisito prévio</p><p>para o consentimento e a legitimidade do ato pericial. Dessa forma, o princípio da</p><p>autonomia é respeitado, reconhecendo o direito de cada indivíduo ser o autor de seu</p><p>próprio destino e de escolher o caminho que lhe convém, independentemente dos</p><p>motivos que o levem a submeter seus pertences ou residência a uma perícia. Além</p><p>disso, outros deveres profissionais se somam, os quais, quando contrapostos, se</p><p>tornam direitos da sociedade, como a abstenção de abusos, a vigilância, o cuidado e</p><p>a atenção.</p><p>No entanto, apesar da importância da ética deontológica, ela parece ser</p><p>insuficiente para aprofundar reflexões éticas sobre posturas profissionais, uma vez que</p><p>se pressupõe que seja atendida simplesmente obedecendo aos códigos. No entanto,</p><p>ser eticamente bom vai além disso, pois simplesmente seguir códigos éticos pode ser</p><p>uma medida puramente protocolar. Verdadeiras reflexões éticas podem chegar ao</p><p>ponto de incomodar algumas pessoas, pois as tiram de uma postura automática em</p><p>seu exercício profissional. No entanto, esse esforço é fundamental para alcançar um</p><p>trabalho verdadeiramente valorizado e reconhecido como útil para a sociedade.</p><p>Um sistema de Justiça imparcial, equitativo e previsível é um pré-requisito</p><p>universal para o reconhecimento de seu valor pela sociedade. As jurisdições estão</p><p>cada vez mais reconhecendo o papel limitado que confissões e testemunhos</p><p>desempenham, o que aumenta progressivamente a importância das ciências forenses</p><p>nos tribunais. Todo esforço deve se voltar para estabelecer uma postura eticamente</p><p>boa, pois isso constitui um dos pilares fundamentais de todo o trabalho. É necessário</p><p>definir claramente o que pode ser considerado uma violação ética e desenvolver</p><p>métodos transparentes e previsíveis de investigação de alegações desse tipo de</p><p>violação.</p><p>A teoria dos quatro princípios de Beauchamp e Childress, apesar de sua</p><p>importância histórica no campo da bioética, é insuficiente para lidar com os grandes</p><p>problemas cotidianos enfrentados pelas pessoas pobres dos países periféricos. Isso</p><p>torna necessária uma ampliação e um fortalecimento da base teórica de sustentação.</p><p>Na prática pericial criminal, é evidente a insuficiência desses princípios para orientar a</p><p>ação ética, uma vez que o perito criminal trabalha com pessoas eminentemente</p><p>vulneráveis. Em circunstâncias bastante assimétricas, o principialismo e seu</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 50</p><p>mecanismo regulador principal, o consentimento, mostram-se instrumentos frágeis</p><p>para garantir a ética na ação pericial.</p><p>Com a homologação da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos</p><p>da UNESCO, alguns bioeticistas latino-americanos incorporaram outros referenciais</p><p>teóricos e práticos à bioética. Entre eles, podem ser citados os direitos humanos, a</p><p>dignidade humana, a responsabilidade, a vulnerabilidade, a integridade, a privacidade,</p><p>a confidencialidade, a igualdade pela via da equidade, a não discriminação, a não</p><p>estigmatização, a solidariedade, a tolerância, a prudência, a prevenção, a precaução e</p><p>a proteção dos mais frágeis e vulneráveis.</p><p>A vulnerabilidade e a bioética de proteção são aspectos importantes a serem</p><p>considerados. A bioética de proteção foi desenvolvida para lidar com conflitos morais</p><p>relacionados à saúde e à qualidade de vida de indivíduos e populações que não têm</p><p>seus direitos devidamente contemplados. Ela busca proteger aqueles que, devido às</p><p>suas condições de vida e/ou saúde, tornam-se vulneráveis ou fragilizados,</p><p>impossibilitados de alcançar seu pleno potencial devido à falta de garantia das</p><p>políticas públicas. Portanto, a bioética de proteção deve ser cada vez mais participativa</p><p>nos processos sociais, defendendo a proteção dos vulneráveis e o estabelecimento de</p><p>práticas e instituições com caráter terapêutico ou protetor, inclusive no âmbito das</p><p>instituições policiais.</p><p>A vulnerabilidade é uma característica intrínseca dos seres humanos e demanda</p><p>requisitos bioéticos de proteção e respeito por seus direitos, a fim de alcançar a justiça</p><p>social. Ela vai além da redução da autonomia, pois está relacionada a uma</p><p>desigualdade entre os indivíduos ou entre um indivíduo ou grupo de indivíduos e a</p><p>sociedade em que estão inseridos. A vulnerabilidade pode ter um caráter relacional e</p><p>deve ser reconhecida e protegida, garantindo que todos os seres humanos tenham a</p><p>oportunidade de viver com dignidade e realizar seus projetos de vida. Assim, a</p><p>proteção é um princípio ético essencial para cuidar da vulnerabilidade humana.</p><p>Além disso, o respeito é fundamental no ambiente profissional, pois constitui</p><p>uma condição essencial para adotar um comportamento ético adequado.</p><p>O respeito</p><p>deve ser central e primordial, nunca subordinado a qualquer outra finalidade, e deve</p><p>ser dado a todas as pessoas, reconhecendo sua humanidade e tratando-as como fins</p><p>em si mesmas. O respeito é uma atitude que está relacionada ao tratamento justo e</p><p>igualitário, sendo um componente essencial das percepções de equidade. A proteção</p><p>é necessária para que uma carreira profissional esteja inserida no campo da ética e</p><p>para garantir que os vulneráveis tenham a possibilidade de viver com dignidade e</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 51</p><p>realizar seus projetos de vida.</p><p>A justiça também desempenha um papel fundamental na ética pericial. Durante</p><p>muito tempo, o princípio da autonomia recebeu uma ênfase desproporcional,</p><p>relegando o princípio da justiça a um papel secundário na teoria principialista. No</p><p>entanto, ao longo da última década, houve um reconhecimento crescente da</p><p>importância do princípio da justiça na bioética, especialmente diante de questões</p><p>sociopolíticas e das disparidades regionais. A justiça distributiva, que envolve a</p><p>distribuição equitativa e apropriada dos bens e recursos na sociedade, passou a ser</p><p>considerada um componente essencial para alcançar uma sociedade justa e igualitária.</p><p>A proteção, que tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade geral, deve ser</p><p>disponibilizada a todos os cidadãos com base no princípio da justiça. Nenhum Estado</p><p>pode justificar sua soberania política e legal sobre seus cidadãos sem ser capaz de</p><p>proporcionar um mínimo de segurança contra agressões externas e cuidar da</p><p>criminalidade interna. Além disso, uma sociedade e suas relações devem seguir o</p><p>princípio da justiça, garantindo a distribuição igualitária dos valores sociais, a menos</p><p>que a equidade exija uma distribuição desigual em benefício de todos, especialmente</p><p>dos mais necessitados. Isso é frequentemente observado na atuação das instituições</p><p>policiais, onde há a necessidade de agir em prol do bem-estar da sociedade.</p><p>A proteção é fundamental para que uma carreira profissional esteja inserida no</p><p>campo ético e para garantir que os vulneráveis tenham a possibilidade de viver com</p><p>dignidade e realizar seus projetos de vida de forma compartilhada com os demais.</p><p>Cabe ao Estado e suas instituições a missão de garantir os direitos individuais,</p><p>protegendo-os contra violações. Portanto, a proteção da vulnerabilidade de todos os</p><p>cidadãos é um princípio essencial, e alguns argumentam que é a única ação legítima</p><p>do Estado.</p><p>Assim, a justiça e a proteção são elementos centrais na ética pericial. É necessário</p><p>estabelecer métodos transparentes e previsíveis de investigação de alegações de</p><p>violações éticas, garantindo que os direitos sejam protegidos e a justiça seja</p><p>alcançada. A ampliação dos referenciais teóricos e práticos da bioética, incorporando</p><p>princípios como os direitos humanos, a dignidade humana, a responsabilidade e a</p><p>solidariedade, possibilita uma abordagem mais abrangente e contextualizada dos</p><p>dilemas morais enfrentados na prática pericial criminal.</p><p>Além disso, o Código de Ética da Perícia Oficial de Natureza Criminal institui o</p><p>que segue:</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 52</p><p>Art. 1º O Código de Ética e Conduta enuncia os fundamentos</p><p>éticos e relaciona os direitos, deveres e proibições a serem</p><p>considerados no âmbito da Perícia Oficial de Natureza Criminal.</p><p>Art. 2º A conduta ética dos agentes públicos da Perícia Oficial de</p><p>Natureza Criminal reger-se-á pelo Código de Ética Profissional do</p><p>Servidor Público Civil do Poder Executivo Estadual de sua lotação</p><p>e por este código, sem prejuízo das normas disciplinares</p><p>aplicáveis.</p><p>Ainda:</p><p>Art. 4º - Para os fins deste código, considera-se Ética e Conduta</p><p>como sendo o conjunto de normas a serem seguidas pelos</p><p>agentes públicos no exercício de seu trabalho e fora dele.</p><p>A prática do exercício das atividades pela qual o agente público pauta sua</p><p>conduta é fundamentada em princípios éticos estabelecidos nos dispositivos legais do</p><p>Art. 5º do Código de Ética da Perícia Oficial de Natureza Criminal. Esses princípios</p><p>orientam o comportamento do agente público, garantindo um exercício profissional</p><p>ético e responsável.</p><p>O primeiro princípio destaca a importância da dignidade, do decoro, do zelo, da</p><p>probidade, do respeito à hierarquia, da dedicação, da cortesia, da assiduidade, da</p><p>presteza e da disciplina. Isso significa que o agente público deve agir de forma digna,</p><p>respeitosa, honesta, comprometida, cortês, assídua e disciplinada em suas atividades.</p><p>O segundo princípio refere-se à legalidade, impessoalidade, moralidade,</p><p>publicidade, eficiência e interesse público. Esses princípios garantem que o agente</p><p>público atue de acordo com a lei, sem favorecimentos pessoais, buscando agir de</p><p>forma ética, transparente, eficiente e em benefício do interesse público.</p><p>O terceiro princípio enfatiza a importância de uma conduta honesta, digna e</p><p>cidadã por parte do agente público. Isso significa que ele deve agir de maneira íntegra,</p><p>digna e voltada para o bem-estar da sociedade como um todo.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 53</p><p>O quarto princípio destaca a responsabilidade e competência do agente público</p><p>no cumprimento de seus compromissos profissionais. Ele deve utilizar técnicas</p><p>adequadas, garantindo resultados propostos, qualidade satisfatória nos serviços e</p><p>produtos, e observando a segurança tanto pessoal quanto dos procedimentos.</p><p>O último princípio aborda o relacionamento honesto e justo entre os</p><p>profissionais, gestores, ordenadores, destinatários, beneficiários e colaboradores dos</p><p>serviços. Isso implica tratar todos com igualdade e lealdade, promovendo um</p><p>ambiente de respeito mútuo e cooperação.</p><p>Além disso, o Art. 6º define a prática do exercício das atividades do agente</p><p>público da Perícia Oficial de Natureza Criminal. Essa prática busca a verdade real,</p><p>baseando-se em metodologias e preceitos técnicos e científicos para auxiliar a justiça.</p><p>Também tem como objetivo promover a segurança e o bem-estar social da</p><p>humanidade.</p><p>A atividade pericial criminal é fundamentada na construção de conhecimentos</p><p>técnicos e científicos, bem como na utilização de tecnologias, visando a eficiência,</p><p>eficácia e qualidade do exercício profissional. Além disso, busca-se o desenvolvimento</p><p>sustentável e a preservação da incolumidade das pessoas, de seus bens e valores.</p><p>É importante ressaltar que a atuação da Perícia Oficial de Natureza Criminal é</p><p>exclusiva dos profissionais qualificados e está voltada para as atribuições conferidas a</p><p>eles. O interesse na segurança desses profissionais é tanto individual quanto coletivo.</p><p>Dessa forma, os dispositivos legais estabelecem diretrizes éticas para o agente</p><p>público, orientando sua conduta no exercício de suas atividades. O cumprimento</p><p>desses princípios éticos é fundamental para garantir um serviço público de qualidade,</p><p>baseado na transparência, eficiência, justiça e respeito. Quando os agentes públicos</p><p>seguem essas diretrizes, eles contribuem para a construção de uma sociedade mais</p><p>justa e igualitária, fortalecendo a confiança dos cidadãos nas instituições.</p><p>A ênfase na dignidade, no decoro e no respeito à hierarquia reforça a importância</p><p>de uma conduta ética e profissional, valorizando a integridade e a postura adequada</p><p>no exercício das atividades públicas. O zelo, a probidade e a assiduidade demonstram</p><p>o compromisso do agente público em desempenhar suas funções de forma</p><p>responsável e dedicada.</p><p>A legalidade e a impessoalidade asseguram que as ações dos agentes públicos</p><p>estejam em conformidade com a lei e que não haja favorecimentos ou discriminações</p><p>indevidas. Já a moralidade e a publicidade garantem</p><p>que suas condutas sejam</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 54</p><p>pautadas em princípios éticos e que haja transparência nas suas ações perante a</p><p>sociedade.</p><p>A busca pela eficiência e pelo interesse público destaca a importância de um</p><p>serviço público eficaz, que atenda às necessidades da população de forma eficiente e</p><p>priorize o bem comum. Isso implica em agir de maneira responsável, competente e</p><p>comprometida, cumprindo os compromissos profissionais de forma satisfatória e</p><p>garantindo a qualidade dos serviços e produtos oferecidos.</p><p>Além disso, o relacionamento honesto e justo entre os profissionais e com os</p><p>diversos atores envolvidos nos serviços públicos fortalece a cooperação, a igualdade</p><p>e a lealdade entre os colegas de trabalho, gestores, destinatários e beneficiários dos</p><p>serviços. Isso contribui para um ambiente de trabalho saudável e para a construção</p><p>de relações de confiança e respeito mútuo.</p><p>No caso específico da Perícia Oficial de Natureza Criminal, a busca da verdade</p><p>real com base em metodologias técnicas e científicas tem o propósito de auxiliar a</p><p>justiça e garantir uma atuação imparcial e fundamentada em evidências. A promoção</p><p>da segurança e bem-estar social reflete o compromisso desses profissionais em</p><p>contribuir para a proteção da sociedade e a prevenção da criminalidade.</p><p>A construção de conhecimentos técnicos e científicos, aliada ao desenvolvimento</p><p>de tecnologias, permite aprimorar a eficiência e a qualidade do trabalho pericial. Ao</p><p>mesmo tempo, é necessário considerar os princípios do desenvolvimento sustentável,</p><p>buscando preservar o meio ambiente e a incolumidade das pessoas, seus bens e</p><p>valores.</p><p>A exclusividade das atribuições conferidas aos profissionais qualificados na</p><p>Perícia Oficial de Natureza Criminal visa garantir a segurança individual e coletiva, bem</p><p>como a qualidade e confiabilidade dos serviços prestados. Essa exclusividade destaca</p><p>a importância da expertise e do conhecimento técnico necessário para desempenhar</p><p>adequadamente as funções periciais.</p><p>Portanto, o cumprimento desses princípios éticos, tanto nos serviços públicos em</p><p>geral quanto na Perícia Oficial de Natureza Criminal, é essencial para garantir uma</p><p>atuação responsável, transparente e eficaz dos agentes públicos. Ao aderirem a essas</p><p>diretrizes, os profissionais contribuem para o fortalecimento das instituições públicas,</p><p>promovem a confiança da sociedade e asseguram um serviço de qualidade em prol</p><p>do interesse público.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 55</p><p>Ao seguir princípios como dignidade, decoro, probidade e respeito à hierarquia,</p><p>os agentes públicos demonstram uma postura ética e exemplar no desempenho de</p><p>suas funções. Esses valores fundamentais refletem o compromisso em agir com</p><p>integridade, honradez e consideração, reforçando a importância de uma conduta</p><p>adequada e respeitosa no ambiente profissional.</p><p>A adesão aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,</p><p>eficiência e interesse público garante que as ações dos agentes públicos sejam</p><p>pautadas pela lei, sem favorecimentos pessoais, buscando sempre o bem comum e a</p><p>satisfação das necessidades da sociedade. Esses princípios também asseguram a</p><p>transparência nas decisões e ações, bem como a busca pela eficiência e pelos</p><p>melhores resultados no exercício das atividades públicas.</p><p>A conduta honesta, digna e cidadã, juntamente com o cumprimento responsável</p><p>e competente dos compromissos profissionais, reforça a importância de agir com</p><p>integridade, cumprindo com as obrigações profissionais de forma ética e eficaz. Isso</p><p>envolve o uso de técnicas apropriadas, assegurando a qualidade dos serviços e</p><p>produtos oferecidos, bem como a segurança tanto do agente público quanto dos</p><p>procedimentos adotados.</p><p>Além disso, o relacionamento honesto e justo entre os profissionais, gestores,</p><p>destinatários, beneficiários e colaboradores dos serviços públicos é essencial para</p><p>fortalecer a cooperação, a igualdade e a lealdade no ambiente de trabalho. Essa</p><p>postura ética contribui para a construção de relações saudáveis e de confiança,</p><p>promovendo um ambiente colaborativo e respeitoso entre todos os envolvidos.</p><p>Na Perícia Oficial de Natureza Criminal, especificamente, o foco na busca da</p><p>verdade real, o uso de metodologias técnicas e científicas e a promoção da segurança</p><p>e bem-estar social destacam a relevância dessa atividade para o sistema de justiça. A</p><p>perícia busca embasar suas conclusões de forma imparcial e objetiva, auxiliando na</p><p>busca da verdade e na tomada de decisões judiciais fundamentadas.</p><p>Em síntese, o cumprimento dos princípios éticos estabelecidos nos dispositivos</p><p>legais é fundamental para garantir um serviço público de qualidade, baseado na</p><p>transparência, eficiência, justiça e respeito. Esses princípios são a base para uma</p><p>atuação responsável, comprometida e ética dos agentes públicos, contribuindo para</p><p>o fortalecimento das instituições e o bem-estar da sociedade como um todo.</p><p>Além disso, o código também aborda os direitos, deveres e proibições no</p><p>exercício da função do perito criminal. No que diz respeito aos direitos coletivos</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>www.cenes.com.br | 56</p><p>universais inerentes aos agentes públicos, o código reconhece que as perícias oficiais</p><p>de natureza criminal devem ser realizadas exclusivamente por Peritos Oficiais de</p><p>Natureza Criminal. Essa atuação é legalmente reconhecida, garantindo a exclusividade</p><p>na custódia de vestígios e a representação institucional por Peritos Oficiais de</p><p>Natureza Criminal de carreira. Além disso, os peritos têm o direito de livre associação</p><p>e organização em corporações profissionais, associações de classe e entidade sindical.</p><p>No que se refere aos direitos dos servidores que trabalham na Perícia Oficial de</p><p>Natureza Criminal, o código estabelece uma série de garantias. Os servidores têm o</p><p>direito de receber treinamento adequado, tanto para atividades fins quanto para</p><p>atividades meio, que é elaborado pela Academia de Ciências Forenses e homologado</p><p>pela Direção Geral do órgão da Perícia Oficial de Natureza Criminal. Eles também têm</p><p>o direito de participar de eventos científicos relacionados à perícia oficial de natureza</p><p>criminal, além de receber todos os insumos necessários para realizar um trabalho</p><p>digno e de qualidade técnica. Os servidores têm o direito de contar com</p><p>Equipamentos de Segurança Individual ou Coletivo, bem como ter seu bem-estar,</p><p>saúde mental e saúde física assegurados pela administração da Perícia Oficial de</p><p>Natureza Criminal. Outros direitos incluem o respeito às limitações físicas,</p><p>diversidades culturais, condições de trabalho dignas, estruturas adequadas e seguras,</p><p>preservação da integridade física, mental e moral, veículos em bom estado de</p><p>conservação e em conformidade com as normas de segurança, entre outros aspectos.</p><p>O código também estabelece uma lista de deveres que devem ser cumpridos</p><p>pelos agentes públicos que trabalham na Perícia Oficial de Natureza Criminal. Esses</p><p>deveres incluem a formação de uma consciência profissional, a responsabilidade pelos</p><p>atos praticados, a atuação com imparcialidade e impessoalidade, a adequação da</p><p>expressão técnica às normas vigentes, a atualização sobre as normas que</p><p>regulamentam as atividades do órgão, a participação em cursos de capacitação, a</p><p>cooperação para o progresso em geral, o resguardo do sigilo profissional, a</p><p>colaboração com as autoridades constituídas, entre outros. Os agentes públicos</p><p>também têm o dever de respeitar os direitos humanos e trabalhistas, bem como</p><p>contribuir para a valorização e qualidade de vida dos servidores.</p><p>Quanto às proibições, o código estabelece uma série de condutas vedadas</p><p>de imagens estáticas, gravações em áudio e vídeo. O objetivo é</p><p>apurar se não há montagens, trucagens, supressões e outras alterações de caráter</p><p>fraudulento. Eles também realizam exames para a verificação do locutor e</p><p>reconhecimento facial.</p><p>Perito em química forense</p><p>A análise, a caracterização e o desenvolvimento de novas metodologias de</p><p>exames em drogas, fármacos (medicamentos), agrotóxicos, alimentos, tintas,</p><p>documentos, bebidas, combustíveis, em diferentes formas de apresentação. Os peritos</p><p>criminais em laboratório realizam exames no material solicitado, a fim de identificar</p><p>as substâncias presentes, sua quantidade, seu princípio ativo, além da prerrogativa</p><p>legal, que tange à parte técnica, ou seja, à licitude da substância.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 6</p><p>Peritos em engenharia</p><p>São eles os responsáveis por analisar se uma rede de esgoto foi toda construída,</p><p>o custo de mercado da escola no interior do estado, se a venda de um imóvel foi</p><p>abaixo do valor de mercado ou a causa do rompimento de uma barragem. A área de</p><p>perícias em engenharia tem, em seu histórico, casos de grande diversidade, tais como</p><p>desvio de verbas em obras públicas, avaliações de imóveis urbanos e rurais, acidentes</p><p>aéreos e até mesmo análises em obras de arte.</p><p>Peritos em meio ambiente</p><p>Os peritos criminais das áreas de atuação da criminalística ambiental trabalham</p><p>na realização de exames e produção de laudos periciais em crimes que envolvem</p><p>fauna, flora, poluição, extração mineral e invasão de áreas protegidas. Incluem, ainda,</p><p>exames em sítios arqueológicos e de patrimônio natural, caracterizar e avaliar danos</p><p>ambientais em áreas alteradas, identificar organismos vivos, classificar minerais e</p><p>avaliar o impacto ao meio ambiente decorrente da intervenção sobre esses</p><p>organismos ou minerais.</p><p>Peritos em genética forense</p><p>As perícias em genética forense realizam análises de identificação genética em</p><p>humanos, animais e vegetais. Nos exames com dna humano, a perícia identifica a</p><p>origem do material biológico questionado deixado no local de crime. Em caso de</p><p>exame de vínculo genético, o objetivo, em geral, é a identificação de restos mortais,</p><p>principalmente ossadas ou corpos carbonizados. Qualquer tipo de material biológico</p><p>humano, como sangue, sêmen, saliva, tecido epitelial, entre outros, são passíveis de</p><p>exame.</p><p>Peritos em balística</p><p>Os peritos em balística forense são responsáveis por confirmar a prova da</p><p>ocorrência de um crime que tenha como objeto principal uma arma de fogo. O</p><p>trabalho consiste na identificação de armas e revelação de caracteres de registro que</p><p>foram adulterados e suprimidos pelos criminosos. Além disso, são realizados exames</p><p>mais completos em armas, munições, entre outros elementos, à procura de provas</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 7</p><p>materiais.</p><p>Peritos em locais de crime</p><p>O local de crime é fotografado e analisado e é feita a coleta de todos os vestígios</p><p>necessários, que, posteriormente, são submetidos a análises em laboratório. O</p><p>trabalho de perícias em locais de crimes é realizado pelos peritos criminais que</p><p>atendem as ocorrências em locais que envolvam os mais diversos tipos de crimes, tais</p><p>como incêndios, acidentes de trânsito, crimes contra o patrimônio, entre outros. O</p><p>maior número de ocorrências acontece nos estados. O inc, por sua vez, destaca-se no</p><p>atendimento aos grandes desastres e às ameaças de bombas, recorrentes na capital</p><p>federal.</p><p>Peritos em veículos</p><p>Em diversas ocorrências criminais, existe a ligação direta ou indireta com um</p><p>veículo e, em muitas delas, os veículos envolvidos apresentam uma série de vestígios,</p><p>cujo processamento pode demandar a atuação de peritos criminais, buscando por</p><p>alterações e pela identificação de compartimentos preparados com o fim de ocultar</p><p>itens ou mercadorias ilícitas.</p><p>O perito criminal está a serviço da justiça, especializado em encontrar ou</p><p>proporcionar a chamada prova técnica ou prova pericial, mediante a análise científica</p><p>de vestígios produzidos e deixados na prática de delitos. Os peritos criminais de local</p><p>de crime realizam a análise da cena de crime, identificando, registrando, coletando,</p><p>interpretando e armazenando vestígios, e são responsáveis por estabelecer a dinâmica</p><p>e a autoria dos delitos e realizar a materialização da prova que será utilizada durante</p><p>o processo penal.</p><p>O perito legista é um perito oficial auxiliar do juiz que emite sua opinião técnica</p><p>sobre os vestígios intrínsecos da violência, isto é, sobre os vestígios no corpo humano</p><p>que denunciam se houve crime, suicídio ou acidente. No dia a dia do profissional, as</p><p>atividades mais rotineiras são: exames periciais no vivo, no morto, como autópsias e</p><p>exumações, além de identificação médico-legal e colheita de material biológico.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>instituto nacional de criminalística</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 8</p><p>1.1 Obrigatoriedade dos Exames Periciais</p><p>O artigo 158 do Código de Processo Penal (CPP) determina o seguinte:</p><p>Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o</p><p>exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-</p><p>lo a confissão do acusado.</p><p>Essa determinação está em consonância com o artigo 564, III, alínea "b", do</p><p>mesmo Código, que considera a falta do exame de corpo de delito uma nulidade</p><p>processual, exceto nos casos previstos no artigo 167. Este último prevê a possibilidade</p><p>de suprir a falta do exame quando os vestígios tenham desaparecido, utilizando-se da</p><p>prova testemunhal.</p><p>Essa conjunção de dispositivos legais estabelece claramente a regra da</p><p>necessidade da perícia para identificar os sinais visíveis deixados pela infração penal.</p><p>A falta desse exame acarreta nulidade no processo, exceto quando justificada pela</p><p>ausência de vestígios, caso em que a prova testemunhal pode suprir essa lacuna.</p><p>Vale ressaltar que, devido à liberdade conferida ao juiz na avaliação das provas,</p><p>e considerando que todas têm o mesmo valor, qualquer outra prova, exceto a</p><p>confissão isolada, pode suprir a ausência da perícia quando os vestígios</p><p>desaparecerem. Isso inclui provas documentais, como fotografias, ou até mesmo o</p><p>depoimento da vítima.</p><p>A confissão isolada foi excepcionada nesse contexto, pois é uma prova de valor</p><p>relativo, que requer confirmação por outros meios de prova. O artigo 197 do CPP</p><p>estabelece que a confissão deve ser avaliada pelos mesmos critérios aplicados aos</p><p>outros elementos probatórios, confrontando-a com as demais provas do processo</p><p>para verificar sua compatibilidade ou concordância. Em resumo, em relação à</p><p>confissão, pode-se afirmar que sua utilização como prova está condicionada à livre</p><p>convicção do juiz, que deve confrontá-la com os demais elementos de convicção</p><p>presentes no processo para verificar se corroboram a confissão feita judicialmente.</p><p>1.2 Princípios da Ciência Forense</p><p>A criminalística é uma disciplina que se desenvolveu ao longo do tempo, como</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>processo feito de forma incorreta, causando prejuízo a uma das partes</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Comentário</p><p>aos</p><p>agentes públicos da Perícia Oficial de Natureza Criminal. É proibido auferir vantagens</p><p>ilícitas, quebrar o sigilo profissional, negligenciar ou procrastinar intencionalmente o</p><p>cumprimento dos deveres, usar de privilégios abusivos, prestar atos de má-fé,</p><p>promover o nepotismo, entre outras condutas.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Referências</p><p>www.cenes.com.br | 57</p><p>Também é proibido desrespeitar os direitos humanos, agir de forma prejudicial</p><p>à saúde e ao meio ambiente, quebrar normas de segurança e saúde do trabalho,</p><p>praticar assédio, divulgar informações sigilosas sem autorização, fazer uso indevido</p><p>de recursos públicos, entre outras condutas prejudiciais. Os agentes públicos da</p><p>Perícia Oficial de Natureza Criminal não podem agir de maneira negligente,</p><p>imprudente ou imperita, nem participar de atividades que possam causar danos</p><p>sociais e ambientais. É importante ressaltar que o cumprimento dessas proibições é</p><p>essencial para garantir a integridade, ética e qualidade dos serviços prestados pela</p><p>Perícia Oficial de Natureza Criminal.</p><p>Em resumo, o código estabelece os princípios éticos que norteiam a conduta dos</p><p>agentes públicos da Perícia Oficial de Natureza Criminal, reconhecendo seus direitos,</p><p>estabelecendo seus deveres e proibindo condutas prejudiciais. Essas disposições</p><p>visam garantir a transparência, eficiência, imparcialidade e qualidade do trabalho</p><p>realizado pelos peritos criminais, assegurando a confiança da sociedade nos serviços</p><p>prestados e promovendo a justiça, a cidadania e o respeito aos direitos humanos. É</p><p>fundamental que os peritos criminais atuem de forma responsável, ética e</p><p>comprometida, cumprindo os princípios e diretrizes estabelecidos no código, a fim de</p><p>garantir a excelência na realização das perícias e contribuir para a segurança e bem-</p><p>estar da sociedade como um todo.</p><p>5 Referências</p><p>AVENA, Norberto. Processo penal. 9. ed. São Paulo: Editora Forense, 2022.</p><p>BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988.</p><p>BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-Lei nº 3.689 de 03 de outubro de 1941.</p><p>CAPEZ, Fernando. Curso de processo penal. 23. ed. – São Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>CHEMELLO. E. Ciência forense: impressões digitais. Química Virtual, 2006.</p><p>NUCCI, Guilherme De Souza. Manual de Processo Penal e Execução Penal. 11. ed. Rio</p><p>de Janeiro: Editora Forense, 2022.</p><p>PRIBERAM. Dicionário.</p><p>MAIA, Francisco Silvio. Criminalística Geral. Fortaleza, CE. 2012.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Referências</p><p>www.cenes.com.br | 58</p><p>MACHADO, Michelle Moreira. Importância da Cadeia de Custódia para Prova Pericial</p><p>Revista Criminalística e Medicina Legal, v.1, n.2, p.8-12, 2017.</p><p>BRASIL. Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Portaria nº 82,</p><p>de 16 de julho de 2014. Estabelece as diretrizes sobre os procedimentos a serem</p><p>observados no tocante à cadeia de custódia de vestígios. Diário Oficial da União,</p><p>Brasília, 16 de julho de 2014.</p><p>BRASIL. Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Diagnóstico</p><p>da Perícia Criminal no Brasil. Brasília, 2013.</p><p>NÚNCIO, Willian. A Cadeia de Custódia em Perícia Forense Digital. São Paulo, SP: AFD</p><p>– Academia de Forense Digital, 2023.</p><p>SCRAMIN, Ariane do Carmo Lins Carvalho. A Cadeia de Custódia e Prova Criminal:</p><p>Impactos do Pacote Anticrime. São Paulo: Universidade São Judas, 2022.</p><p>MALLMITH, Décio de Moura. Local de Crime. Porto Alegre, RS: Instituto Geral de</p><p>Perícias - Departamento de Criminalística, 2007.</p><p>VARGAS, Jean Pierre Sardá e KRIEGER, Jorge Roberto. A Perícia Criminal em Face da</p><p>Legislação. Revista Eletrônica de Iniciação Científica. Itajaí, Centro de Ciências Sociais</p><p>e Jurídicas da UNIVALI. v. 5, n.1, p. 382-396, 2014.</p><p>FILHO, Paulo Enio Garcia da Costa e FILHO, Elias Abdalla. Diretrizes Éticas na Prática</p><p>Pericial Criminal. Revista Bioética, 2010.</p><p>BRASIL. Código de Ética do Perito Oficial. Brasília, DF: 2022.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Referências</p><p>www.cenes.com.br | 59</p><p>Sumário</p><p>1 Introdução à Ciência Forense</p><p>1.1 Obrigatoriedade dos Exames Periciais</p><p>1.2 Princípios da Ciência Forense</p><p>2 Cadeia de Custódia</p><p>2.1 Local do Crime</p><p>2.2 As Dificultades Enfrentadas para a Implantação dos Procedimentos</p><p>3 Legislação Aplicada</p><p>4 A Ética e a Conduta Profissional do Perito Criminal</p><p>5 Referências</p><p>do texto</p><p>não há hierarquia de provas, logo, com confissão a decisão do juiz deve ser suplementada</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>não é valida sob tortura ou réu incapaz (doença mental)</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 9</p><p>resposta à necessidade de investigar e solucionar crimes de forma científica e objetiva.</p><p>A criação e o estabelecimento dos princípios científicos na criminalística surgiram em</p><p>um contexto histórico-social marcado pela evolução da ciência, pelas demandas</p><p>crescentes do sistema de justiça criminal e pela busca por métodos mais confiáveis e</p><p>precisos na investigação de crimes.</p><p>No final do século XIX e início do século XX, a criminalística começou a se</p><p>consolidar como uma disciplina científica independente, com bases sólidas nos</p><p>campos da química, física, biologia e outras áreas relacionadas. Foi nesse período que</p><p>surgiram os pioneiros da criminalística, como Edmond Locard, considerado o pai da</p><p>disciplina.</p><p>No contexto dessa época, a sociedade vivenciava mudanças significativas. O</p><p>aumento da urbanização, o avanço da industrialização e o surgimento de novas</p><p>tecnologias resultaram em um aumento da criminalidade e na necessidade de</p><p>métodos mais eficientes de investigação. Além disso, a busca por justiça e a</p><p>necessidade de garantir a imparcialidade e a validade das provas perante os tribunais</p><p>também impulsionaram o desenvolvimento da criminalística como uma ciência</p><p>forense.</p><p>Diante desses desafios e demandas, os princípios científicos foram estabelecidos</p><p>como diretrizes fundamentais para orientar a prática dos peritos e investigadores.</p><p>Esses princípios foram desenvolvidos com base na observação e no estudo sistemático</p><p>das evidências físicas presentes nas cenas de crime, bem como nas leis e teorias</p><p>científicas existentes na época.</p><p>Os princípios científicos da criminalística têm como objetivo fornecer um</p><p>arcabouço conceitual e metodológico para a coleta, análise, interpretação e</p><p>documentação das provas materiais. Eles foram formulados com base na</p><p>compreensão de que os vestígios deixados pelos agentes físicos, químicos ou</p><p>biológicos em uma cena de crime são fundamentais para a elucidação dos eventos</p><p>ocorridos.</p><p>Esses princípios não apenas garantem a qualidade e a confiabilidade das</p><p>conclusões periciais, mas também visam assegurar a imparcialidade, a transparência e</p><p>a validade científica das provas apresentadas no sistema de justiça criminal. Com o</p><p>avanço da ciência e da tecnologia, esses princípios continuam a evoluir,</p><p>acompanhando os desenvolvimentos e as inovações no campo da criminalística. Eles</p><p>desempenham um papel fundamental na busca pela verdade, na proteção dos direitos</p><p>individuais e na busca por uma justiça mais precisa e equitativa.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>média 1990</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 10</p><p>No ambiente em que surgiu, no cultivo de sua etiologia científica e no</p><p>atendimento a seus bem definidos objetivos, a Criminalística edificou-se como uma</p><p>das ciências da prova material, firmando-se através dos seguintes princípios:</p><p>Princípio do Uso</p><p>Os fatos apurados pela Criminalística são produzidos por agentes físicos,</p><p>químicos ou biológicos. O princípio do Uso estabelece que os fatos analisados pela</p><p>Criminalística são resultado da interação de agentes físicos, químicos ou biológicos.</p><p>Esses agentes podem deixar vestígios e evidências em uma cena de crime, como</p><p>impressões digitais, manchas de sangue, fibras de tecido, entre outros. Através da</p><p>análise desses vestígios, os peritos podem reconstruir os eventos e identificar os</p><p>agentes responsáveis.</p><p>Princípio da Produção</p><p>Sobreditos agentes agem produzindo vestígios indicativos de suas ocorrências,</p><p>com uma grande variedade de naturezas, morfologias e estruturas. O Princípio da</p><p>Produção estabelece que os agentes responsáveis pela ocorrência deixam vestígios</p><p>que são indicativos de suas ações. Esses vestígios podem apresentar uma ampla</p><p>variedade de naturezas, morfologias e estruturas, o que exige uma análise cuidadosa</p><p>e especializada por parte dos peritos. Através da identificação e interpretação desses</p><p>vestígios, é possível reconstruir a dinâmica do crime.</p><p>Princípio do Intercâmbio</p><p>Os objetos ou materiais, ao interagirem, permutam características ainda que</p><p>microscópicas. O Princípio do Intercâmbio enfatiza que, quando objetos ou materiais</p><p>interagem, ocorre uma troca de características, mesmo que microscópicas. Isso</p><p>significa que, durante a perpetração de um crime, é provável que ocorra transferência</p><p>de vestígios entre o agente do crime, a vítima e o ambiente. Essa transferência de</p><p>vestígios é de suma importância para a identificação e associação dos envolvidos.</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>vestigio: marcas ou fatos (pegadas, digitais, dna)</p><p>evidências: vestigio após analisado e comprovado ter relação ao crime</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 11</p><p>Princípio da Correspondência de Características</p><p>A ação dos agentes mecânicos reproduz morfologias caracterizadas pelas</p><p>naturezas e modos de atuação dos agentes. O Princípio da Correspondência de</p><p>Características estabelece que a ação dos agentes mecânicos, como ferramentas</p><p>utilizadas no crime, produz morfologias características que podem ser associadas às</p><p>naturezas e modos de atuação desses agentes. Por exemplo, uma marca de</p><p>ferramenta de arrombamento pode revelar informações sobre o tipo de ferramenta</p><p>utilizada e a técnica empregada no arrombamento.</p><p>Princípio da Reconstrução</p><p>A aplicação de leis, teorias científicas e conhecimentos tecnológicos sobre a</p><p>complexão dos vestígios remanescentes estabelecem os nexos causais entre as várias</p><p>etapas da ocorrência, culminando na reconstrução do evento.</p><p>O Princípio da Reconstrução destaca que a criminalística utiliza leis, teorias</p><p>científicas e conhecimentos tecnológicos para analisar a complexidade dos vestígios</p><p>remanescentes de uma ocorrência. Através da análise e interpretação desses vestígios,</p><p>os peritos buscam estabelecer os nexos causais entre as diferentes etapas do crime,</p><p>com o objetivo de reconstruir o evento em sua sequência lógica. A reconstrução dos</p><p>eventos pode ajudar a determinar a dinâmica do crime, a identificação dos envolvidos</p><p>e a compreensão dos motivos que levaram à sua ocorrência.</p><p>Princípio da Certeza</p><p>Sendo os princípios técnicos e científicos que presidem os fatos criminalísticos</p><p>inalteráveis e suficientemente comprovados, atestam a certeza das conclusões</p><p>periciais.</p><p>O Princípio da Certeza ressalta que os princípios técnicos e científicos que regem</p><p>a análise criminalística são inalteráveis e fundamentados em evidências sólidas. Ao</p><p>aplicar esses princípios, os peritos buscam obter resultados confiáveis e conclusões</p><p>periciais embasadas. Através de métodos científicos rigorosos, a análise dos vestígios</p><p>e a interpretação dos resultados proporcionam um nível de certeza adequado para</p><p>subsidiar o processo investigativo e o sistema de justiça.</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>ex: forma de penetração de uma arma de fogo</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 12</p><p>Princípio da Probabilidade</p><p>Em todos os estudos da prova pericial, prepondera a descoberta no</p><p>desconhecido de um número de características que corresponda à característica</p><p>do</p><p>conhecido. Pela existência destas características comuns, o perito conclui que o</p><p>conhecido e o desconhecido possuem origens comuns devido à impossibilidade de</p><p>ocorrências independentes deste conjunto de características.</p><p>O Princípio da Probabilidade destaca que, ao analisar as provas periciais, é</p><p>fundamental buscar características comuns entre o desconhecido e o conhecido.</p><p>Quando são encontradas características em comum, o perito conclui que essas origens</p><p>possuem uma conexão comum, devido à improbabilidade de ocorrências</p><p>independentes compartilharem exatamente essas características específicas. Através</p><p>da probabilidade estatística e da análise cuidadosa das evidências, o perito pode</p><p>inferir relações de causa e efeito, contribuindo para a elucidação do crime.</p><p>Além dos princípios mencionados, existem outros princípios fundamentais da</p><p>perícia criminalística, relacionados à observação, análise, interpretação, descrição e</p><p>documentação da prova.</p><p>Princípio da Observação</p><p>Todo contato deixa uma marca (Edmond Locard). O Princípio da Observação,</p><p>proposto por Edmond Locard, enfatiza que todo contato deixa uma marca. Durante a</p><p>investigação, o princípio da observação destaca a importância de examinar</p><p>minuciosamente a cena do crime e todos os elementos presentes nela. Cada contato</p><p>entre os envolvidos e o ambiente deixa vestígios, sejam eles visíveis a olho nu ou</p><p>microscópicos. Os peritos treinados são responsáveis por identificar e coletar essas</p><p>evidências, que podem incluir impressões digitais, fibras de tecido, cabelos, amostras</p><p>biológicas, entre outros vestígios. Através da observação cuidadosa, os peritos podem</p><p>reunir informações cruciais que ajudarão na reconstrução dos eventos e na</p><p>identificação dos possíveis suspeitos.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Introdução à Ciência Forense</p><p>www.cenes.com.br | 13</p><p>Princípio da Análise</p><p>A análise pericial deve sempre seguir o método científico. O Princípio da Análise</p><p>destaca a importância de aplicar o método científico na análise de evidências e</p><p>vestígios. Os peritos realizam uma análise sistemática e objetiva, utilizando técnicas</p><p>científicas e equipamentos especializados para examinar os vestígios coletados. Essa</p><p>análise abrange diversas disciplinas forenses, como balística, serologia, toxicologia,</p><p>análise de documentos, entre outras. Ao seguir o método científico, os peritos</p><p>garantem a confiabilidade e a validade dos resultados obtidos, contribuindo para a</p><p>solidez das conclusões periciais.</p><p>Princípio da Interpretação</p><p>Dois objetos podem ser indistinguíveis, mas nunca idênticos. O Princípio da</p><p>Interpretação ressalta que, embora dois objetos possam ser semelhantes, eles nunca</p><p>são idênticos. Os peritos consideram as características específicas de cada vestígio e</p><p>objeto examinado, levando em conta a variabilidade natural existente. Através da</p><p>interpretação cuidadosa, eles buscam identificar semelhanças e diferenças</p><p>significativas que podem auxiliar na associação de evidências a indivíduos, armas,</p><p>veículos ou locais específicos. A interpretação é um processo crucial na análise</p><p>criminalística, permitindo que os peritos cheguem a conclusões fundamentadas e</p><p>confiáveis.</p><p>Princípio da Descrição</p><p>O resultado de um exame pericial é constante com relação ao tempo e deve ser</p><p>exposto em linguagem ética e juridicamente perfeita.</p><p>O Princípio da Descrição destaca a importância de descrever de forma precisa e</p><p>detalhada os resultados de um exame pericial. Essas descrições devem ser</p><p>consistentes ao longo do tempo, ou seja, se outro perito realizar o mesmo exame com</p><p>base nas informações fornecidas, ele deverá chegar a conclusões semelhantes. Além</p><p>disso, é fundamental que a descrição seja redigida em linguagem clara, ética e</p><p>juridicamente adequada, de modo a facilitar a compreensão por parte dos</p><p>investigadores, dos profissionais do direito e do sistema de justiça como um todo.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>etapas do método cientifico: observação, questionamento, formulação de hipotese, realização de experimento, aceitação ou rejeição de hipoteses, conclusão.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>- comportamento do projetil</p><p>- soro sanguineo (anticorpos e antigenos)</p><p>- efeito das substancias em seres vivos</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>posso ter duas plantas da mesma espécie, com genes diferentes (não se aplica, pois podem ser clones)</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 14</p><p>Princípio da Documentação</p><p>Toda amostra deve ser documentada, desde seu nascimento na cena do crime</p><p>até sua análise e descrição final, de forma a se estabelecer um histórico completo e</p><p>fiel de sua origem.</p><p>O Princípio da Documentação destaca a importância de registrar e documentar</p><p>todas as etapas relacionadas a uma amostra, desde o momento em que é coletada na</p><p>cena do crime até sua análise e descrição final. Essa documentação abrangente é</p><p>fundamental para estabelecer um histórico completo e confiável da origem da</p><p>amostra. Ela inclui informações detalhadas, como data, local, hora e condições em que</p><p>a amostra foi coletada, bem como os procedimentos realizados durante sua</p><p>manipulação, transporte, armazenamento e análise laboratorial.</p><p>Ao documentar todo o processo de manuseio da amostra, os peritos garantem</p><p>a rastreabilidade e a integridade das evidências. Essas informações são fundamentais</p><p>para garantir a cadeia de custódia adequada, ou seja, o registro e o controle rigorosos</p><p>dos responsáveis pelo manuseio da amostra ao longo do tempo. A documentação</p><p>cuidadosa também permite que outros peritos e profissionais do sistema de justiça</p><p>compreendam e avaliem de forma precisa os resultados e as conclusões periciais</p><p>apresentados.</p><p>Além disso, a documentação adequada é essencial para a transparência e a</p><p>prestação de contas no processo investigativo. Ela facilita a comunicação entre os</p><p>diferentes profissionais envolvidos na investigação, bem como a apresentação das</p><p>evidências perante os tribunais. Através da documentação completa e precisa, os</p><p>peritos contribuem para a confiabilidade e a admissibilidade das provas periciais no</p><p>sistema de justiça, fortalecendo a busca pela verdade e a garantia dos direitos</p><p>individuais.</p><p>2 Cadeia de Custódia</p><p>A análise minuciosa da cena do crime desempenha um papel crucial na</p><p>identificação de vestígios que possam ter relevância probatória durante a</p><p>investigação.</p><p>A fim de que esses vestígios sejam aceitos como evidências no processo, é</p><p>fundamental que sejam coletados de forma legal. A cadeia de custódia consiste em</p><p>um conjunto de procedimentos empregados para garantir a rastreabilidade e</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>rosana dizia que se você morrer, alguém precisa saber exatamente o que vc estava fazendo e onde parou na pesquisa, de forma a dar continuidade ;)</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 15</p><p>confiabilidade de um vestígio, iniciando-se com a preservação do local do crime e</p><p>abrangendo todas as etapas, desde a coleta até o transporte e o recebimento do</p><p>vestígio.</p><p>Existem diversos desafios relacionados à implementação dos procedimentos da</p><p>cadeia de custódia, tais como falhas na preservação e isolamento adequados do local</p><p>do crime, ausência ou não cumprimento dos procedimentos estabelecidos, bem como</p><p>a falta de centros de custódia ou a precariedade dos mesmos.</p><p>A ausência ou falhas na cadeia de custódia podem resultar na perda de valor das</p><p>provas periciais, prejudicando, assim, a investigação de um crime.</p><p>Vestígios são todos os elementos, como objetos, corpos, materiais, etc., que</p><p>possam</p><p>estar relacionados ao crime ou ao criminoso e que possam ajudar na</p><p>resolução do crime e na determinação da autoria. Após a análise dos peritos, os</p><p>vestígios que possuem conexão com o incidente investigado se tornam evidências ou</p><p>indícios.</p><p>Para que essas evidências sejam aceitas como provas no processo, os vestígios</p><p>devem ser coletados seguindo princípios e procedimentos estabelecidos. É necessário</p><p>fazer anotações e fotografias para identificá-los e/ou descrevê-los detalhadamente,</p><p>incluindo o local da coleta.</p><p>Nesse contexto, a cadeia de custódia desempenha um papel fundamental na</p><p>garantia da autenticidade e integridade da prova pericial. A documentação (por meio</p><p>de anotações, fotografias, vídeos, medições, etc.) na cena do crime estabelece o ponto</p><p>de partida para a cadeia de custódia, e deve ser preservada para demonstrar cada</p><p>etapa, assegurando o rastreamento da evidência desde o local do crime até o tribunal.</p><p>Conforme artigo 158-A, CPP:</p><p>Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos</p><p>os procedimentos utilizados para manter e documentar a história</p><p>cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de</p><p>crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu</p><p>reconhecimento até o descarte.</p><p>§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do</p><p>local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos</p><p>quais seja detectada a existência de vestígio.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>evidencia teve confirmação do fato, indicio leva a indução de outras circunstancias</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 16</p><p>§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como de</p><p>potencial interesse para a produção da prova pericial fica</p><p>responsável por sua preservação.</p><p>§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente,</p><p>constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal.</p><p>A cadeia de custódia deve ser seguida desde as etapas iniciais, como a coleta,</p><p>garantindo o devido processo legal. Caso ocorram falhas, a perícia oficial pode ser</p><p>totalmente ou parcialmente invalidada.</p><p>A garantia do devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a</p><p>inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos são assegurados pela</p><p>Constituição Federal. Essas garantias individuais devem orientar tanto a legislação</p><p>quanto o comportamento dos sujeitos processuais em relação à prova (BORRI apud</p><p>SCRAMIN).</p><p>A prova pericial, também conhecida como prova material, é aquela realizada pela</p><p>perícia oficial de natureza criminal, conforme estabelecido pelo artigo 159 do CPP.</p><p>Nos crimes em que há vestígios passíveis de constatação e registro, é obrigatória a</p><p>realização do exame de corpo de delito. Sua não produção pode acarretar nulidade,</p><p>conforme previsto no artigo 564, III, b, do Código de Processo Penal.</p><p>O artigo 158 do CPP estabelece que o exame de corpo de delito é indispensável</p><p>sempre que a infração deixar vestígios, não podendo ser suprido pela confissão do</p><p>acusado. Após o reconhecimento de algum vestígio encontrado no local do delito ou</p><p>em vítima relacionada a ele, que seja potencialmente relevante para a produção de</p><p>prova pericial, é necessário isolá-lo para preservar o ambiente e evitar a alteração do</p><p>estado das coisas.</p><p>Ademais, a cadeia de custódia tem início no local do crime ou incidente e é</p><p>fundamental que haja o máximo de cuidado ao manusear os objetos, para que as</p><p>potenciais evidências coletadas não percam seu valor probatório em juízo.</p><p>O manuseio e a manipulação das evidências digitais devem seguir rigorosos</p><p>procedimentos conforme estabelecido nos artigos 158-A até 158-F do Código de</p><p>Processo Penal, introduzidos pelo Pacote Anticrime - Lei 13.964/2019.</p><p>O artigo 158-B descreve as etapas da cadeia de custódia, iniciando com o</p><p>reconhecimento dos elementos de potencial interesse para a prova pericial.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>quem define o potencial?</p><p>Notebook</p><p>Comentário do texto</p><p>Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de vestígio. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial fica responsável por sua preservação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas seguintes etapas: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, respeitando suas características e natureza; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas, químicas e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome de quem realizou a coleta e o acondicionamento; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo a garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de sua posse; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio, protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim de se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido por perito; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas, do material a ser processado, guardado para realização de contraperícia, descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a legislação vigente e, quando pertinente,</p><p>mediante autorização judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por perito oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo quando for necessária a realização de exames complementares. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 1º Todos vestígios coletados no decurso do inquérito ou processo devem ser tratados como descrito nesta Lei, ficando órgão central de perícia oficial de natureza criminal responsável por detalhar a forma do seu cumprimento. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígio será determinado pela natureza do material. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio durante o transporte. (Incluído pela</p><p>Notebook</p><p>Nota</p><p>Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio durante o transporte. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas características, impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço para registro de informações sobre seu conteúdo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise e, motivadamente, por pessoa autorizada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de acompanhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local, a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser vinculada diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local para conferência, recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando a seleção, a classificação e a distribuição de materiais, devendo ser um espaço seguro e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do vestígio. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a eles se relacionam. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado deverão ser identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser registradas, consignando-se a identificação do responsável pela tramitação, a destinação, a data e horário da ação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central de custódia, devendo nela permanecer. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condições de armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou judiciária determinar as condições de depósito do referido material em local diverso, mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de natureza criminal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 17</p><p>Em seguida, destaca o isolamento do ambiente para evitar alterações nas coisas</p><p>e preservar os vestígios. A fixação é mencionada como a descrição detalhada do</p><p>vestígio no local de crime, com possibilidade de ilustração por meio de fotografias,</p><p>filmagens ou croqui. A coleta é o ato de recolher o vestígio para análise pericial,</p><p>respeitando suas características e natureza. O acondicionamento se refere à</p><p>embalagem individualizada dos vestígios, levando em consideração suas</p><p>propriedades físicas, químicas e biológicas. O transporte envolve a transferência do</p><p>vestígio para outro local, garantindo suas características originais e controle de posse.</p><p>O recebimento é o ato formal de transferência da posse do vestígio, documentado</p><p>com informações relevantes. O processamento é o exame pericial propriamente dito,</p><p>manipulando o vestígio de acordo com sua natureza para obter o resultado desejado.</p><p>O armazenamento refere-se à guarda adequada do matérial, com vinculação ao</p><p>número do laudo correspondente. Por fim, o descarte é o procedimento de liberação</p><p>do vestígio, observando a legislação e, quando necessário, autorização judicial.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>esboço ou rascunho</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 18</p><p>Em continuidade, o artigo 158-C estabelece que a coleta dos vestígios deve ser</p><p>preferencialmente realizada por perito oficial, mesmo quando forem necessários</p><p>exames complementares. O órgão central de perícia oficial de natureza criminal é</p><p>responsável por detalhar a forma de cumprimento dos procedimentos descritos nesta</p><p>lei.</p><p>Já o artigo 158-D trata do recipiente utilizado para o acondicionamento do</p><p>vestígio, destacando que a escolha deve considerar a natureza do material. Os</p><p>recipientes devem ser selados com lacres numerados individualmente para garantir a</p><p>inviolabilidade e a idoneidade do vestígio durante o transporte. O recipiente deve</p><p>individualizar o vestígio, preservar suas características, evitar contaminação e</p><p>vazamento, ter resistência adequada e espaço para registro de informações sobre seu</p><p>conteúdo. Somente o perito responsável ou pessoa autorizada podem abrir o</p><p>recipiente, e cada rompimento de lacre deve ser registrado na ficha de</p><p>acompanhamento do vestígio. O lacre rompido deve ser acondicionado no interior do</p><p>novo recipiente.</p><p>Esses artigos, presentes na Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), estabelecem</p><p>diretrizes claras para as etapas da cadeia de custódia, desde o reconhecimento até o</p><p>descarte dos vestígios. Eles visam garantir a preservação, integridade e rastreabilidade</p><p>das evidências, bem como a transparência e confiabilidade da prova pericial. O</p><p>cumprimento adequado desses procedimentos é essencial para a admissibilidade das</p><p>evidências em juízo e para um processo justo e equitativo.</p><p>Ainda, merece também destaque o artigo 158-F, CPP:</p><p>Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser</p><p>devolvido à central de custódia, devendo nela permanecer.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 19</p><p>Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou</p><p>condições de armazenar determinado material, deverá a</p><p>autoridade policial ou judiciária determinar as condições de</p><p>depósito do referido material em local diverso, mediante</p><p>requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de</p><p>natureza criminal.</p><p>A falta de uma cadeia de custódia documentada, que inclua documentação,</p><p>identificação, catalogação e prova de manuseio das evidências, pode levar à</p><p>questionamento da integridade e confiabilidade das mesmas perante</p><p>o juiz, tornando-</p><p>as passíveis de nulidade. Nesses casos, ocorre a ausência da cadeia de custódia.</p><p>Ao adotar os procedimentos descritos no Código de Processo Penal para uma</p><p>cadeia de custódia adequada, também estamos garantindo que a mesma prova</p><p>coletada no local do crime seja a mesma que será analisada pela perícia, tornando-a</p><p>aceitável como prova técnica em um tribunal. Caso contrário, a prova pode ser</p><p>desconsiderada, retirada do processo ou até mesmo considerada nula se houver</p><p>ausência de cadeia de custódia.</p><p>Um exemplo clássico que ilustra a importância da cadeia de custódia é o caso de</p><p>O.J. Simpson, ex-jogador de futebol americano dos Estados Unidos. Mesmo diante de</p><p>evidências que apontavam seu envolvimento em um duplo homicídio, a defesa</p><p>conseguiu obter sua absolvição devido à inadequada preservação do local do crime e</p><p>aos procedimentos incorretos na coleta de vestígios, revelando falhas na cadeia de</p><p>custódia.</p><p>O Departamento Nacional de Justiça dos Estados Unidos desenvolveu um guia</p><p>chamado "Crime Scene Investigation" (CSI), destinado a todos os profissionais que</p><p>atuam na cena do crime, desde o isolamento e preservação do local até a análise</p><p>científica dos vestígios. Esse guia estabelece os procedimentos a serem seguidos pelos</p><p>profissionais em suas respectivas áreas de atuação. No entanto, a vasta extensão</p><p>territorial, a disponibilidade de recursos e o nível de formação/conhecimento variam</p><p>entre jurisdições, o que dificulta a padronização dos procedimentos.</p><p>Segundo a revista brasileira de criminalística (2020, p.135), a quebra da cadeia de</p><p>custódia ocorre quando a evidência possui uma cadeia de custódia documentada</p><p>seguindo os padrões, mas em algum momento ocorre uma interrupção no registro da</p><p>cadeia de custódia, ou o hash encontrado não condiz com o hash previamente</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>codigo de arquivo que identifica um bloco de dados e garant sua segurança</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 20</p><p>computado na coleta. Falhas na cadeia de custódia podem desqualificar e retirar</p><p>evidências de processos cíveis ou criminais. Um simples detalhe pode comprometer</p><p>todo o trabalho realizado ou modificar radicalmente o rumo de um processo. A quebra</p><p>da cadeia de custódia implica na ilicitude da prova e o juiz deve reconhecer essa</p><p>ilicitude e determinar a retirada dos autos. Além disso, é necessário que o juiz se</p><p>pronuncie sobre a extensão da ilicitude em relação a possíveis provas derivadas.</p><p>A quebra na cadeia de custódia pode levar à ilicitude da prova, resultando na</p><p>retirada da mesma dos autos e na perda de todo o trabalho realizado pela perícia ou</p><p>pelos agentes de polícia. Isso ocorre porque a prova fica totalmente questionável, e o</p><p>juiz precisa de certezas, não de dúvidas.</p><p>No contexto das evidências digitais, que podem ser armazenadas tanto em</p><p>mídias físicas quanto na nuvem, os procedimentos devem ser rigorosos. Conforme</p><p>destacado por Parodi (apud NÚNCIO) em seu artigo intitulado "A cadeia de custódia</p><p>da prova digital à luz da lei 13.964/2019" na Revista Consultor Jurídico, é necessário</p><p>demonstrar que a evidência não foi modificada desde a coleta ou aquisição, ou</p><p>fornecer fundamentos e ações documentadas caso alterações inevitáveis tenham sido</p><p>feitas. No caso de mídias e arquivos, essa demonstração pode ser feita a qualquer</p><p>momento, comparando o código hash calculado no momento da identificação inicial</p><p>da evidência com o código hash da evidência no momento da verificação, sendo</p><p>essencial que ambos sejam idênticos.</p><p>Parodi (apud NÚNCIO) também destaca que é bastante comum encontrar</p><p>situações em que os procedimentos e cuidados mencionados acima são</p><p>completamente ou parcialmente ignorados pelas autoridades responsáveis,</p><p>especialmente durante a fase investigativa.</p><p>Observamos, portanto, que a importância da cadeia de custódia em provas</p><p>digitais muitas vezes é minimizada, mesmo com a recente normatização nos artigos</p><p>158-A até 158-F do Código de Processo Penal, introduzidos pela Lei 13.964/2019 do</p><p>Pacote Anticrime.</p><p>Portanto, reforço a extrema relevância da preservação do material apreendido no</p><p>local do crime, especialmente quando se trata de evidências digitais, que são frágeis</p><p>e voláteis. É necessário ter o máximo de cuidado para evitar qualquer alteração,</p><p>modificação ou acesso direto a uma evidência digital.</p><p>Quando um disco rígido de um notebook ou qualquer outra mídia digital é</p><p>apreendido e os dados contidos nessa mídia são de fundamental importância para</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>obtidas de forma licita mas são derivadas de informação ilicita</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 21</p><p>apresentar uma denúncia ao Ministério Público, é crucial preservar a prova digital da</p><p>mesma forma que qualquer outra prova dentro de um processo.</p><p>É comum que pessoas leigas no assunto tenham a concepção errônea de que</p><p>copiar e colar arquivos (Ctrl+C + Ctrl+V) ou acessar diretamente a evidência na</p><p>tentativa de produzir provas estejam fornecendo evidências legais para um caso ou</p><p>ação contra alguém. No entanto, aqueles que pensam dessa forma estão equivocados,</p><p>pois existem procedimentos, normas e métodos científicos adequados e aceitos pela</p><p>comunidade científica para a identificação, coleta, aquisição e preservação da prova</p><p>digital, de modo que possa ter valor probatório em juízo, ou seja, ser admissível em</p><p>um tribunal.</p><p>Um caso ainda mais grave é a ausência completa da cadeia de custódia, ou seja,</p><p>quando a evidência coletada não possui nenhuma identificação ou registro de seu</p><p>percurso, como quem a coletou, quem a possuía, guardava ou utilizava. Ou seja, não</p><p>há nenhum registro do manuseio da evidência, o que levanta dúvidas sobre sua</p><p>integridade e confiabilidade em juízo, tornando-a passível de nulidade.</p><p>Como podemos observar, o tema da cadeia de custódia é de extrema</p><p>importância, e sua relevância merece destaque e cuidado por parte de todas as</p><p>instituições públicas ou privadas que atuam na área de perícia, uma vez que a força</p><p>probatória ou confiabilidade da prova depende disso para que seja admissível em um</p><p>tribunal, garantindo um julgamento justo, embasado em fundamentos técnicos e</p><p>científicos, para que o magistrado possa tomar uma decisão segura, seja de</p><p>condenação ou absolvição.</p><p>Portanto, reforço a ideia de que, ao preservar a cadeia de custódia, é possível</p><p>garantir a confiabilidade e a transparência na produção da prova pericial, assegurando</p><p>a integridade do processo. A cadeia de custódia desempenha um papel fundamental</p><p>na admissibilidade das evidências digitais em um tribunal, proporcionando um</p><p>ambiente justo e imparcial para a tomada de decisões judiciais.</p><p>É essencial que todas as instituições públicas ou privadas envolvidas na área de</p><p>perícia reconheçam a importância da cadeia de custódia e implementem os</p><p>procedimentos adequados para sua manutenção. Isso inclui treinamento e</p><p>capacitação dos profissionais envolvidos, além da criação de políticas e diretrizes</p><p>claras para o correto manuseio, coleta, armazenamento e preservação das evidências</p><p>digitais.</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 22</p><p>A negligência ou desconhecimento em relação à cadeia de custódia pode</p><p>comprometer a validade e a admissibilidade das provas digitais, levando à sua</p><p>desqualificação e, consequentemente, ao enfraquecimento do processo judicial.</p><p>Portanto, é fundamental que sejam tomadas medidas para garantir a implementação</p><p>adequada e a conformidade com os procedimentos estabelecidos.</p><p>Por fim, destaco que a cadeia de custódia é um pilar essencial para a efetividade</p><p>da justiça no contexto das evidências digitais. Sua correta aplicação assegura a</p><p>confiabilidade das provas, fortalece a credibilidade do sistema jurídico e contribui</p><p>para</p><p>a busca da verdade material em cada caso. Portanto, todos os envolvidos devem se</p><p>comprometer com a preservação adequada da cadeia de custódia, a fim de garantir</p><p>um processo justo e equitativo.</p><p>2.1 Local do Crime</p><p>Podemos entender como "local de crime" a área onde ocorreu um evento</p><p>criminoso. Para fins didáticos, dividimos o local de crime em duas partes: o corpo de</p><p>delito e os vestígios.</p><p>Originalmente, de acordo com o Código de Processo Penal de 1941, a expressão</p><p>se referia apenas ao corpo humano. No entanto, do ponto de vista técnico-pericial</p><p>atual, o corpo de delito é compreendido como qualquer elemento material</p><p>relacionado a um crime e que pode ser examinado pericialmente. É a representação</p><p>física do delito.</p><p>O corpo de delito é o elemento central do local de crime, ao redor do qual os</p><p>vestígios gravitam e para o qual as evidências convergem. É o elemento que</p><p>desencadeia a perícia e o motivo fundamental de sua realização. Em resumo, o corpo</p><p>de delito é o objeto que, se removido da cena do crime, descaracterizaria</p><p>completamente a ocorrência, podendo até torná-la inexistente em alguns casos.</p><p>Os vestígios são marcas, objetos ou sinais sensíveis que podem estar</p><p>relacionados ao fato investigado. A existência de vestígios pressupõe a presença de</p><p>um agente causador (que os provocou ou contribuiu para sua existência) e de um</p><p>suporte adequado (local onde o vestígio se manifestou). No contexto da Criminalística,</p><p>um vestígio se torna uma evidência quando, após análise pelos peritos, se mostra</p><p>diretamente relacionado ao delito investigado. As evidências são, portanto, os</p><p>vestígios depurados pelos peritos.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 23</p><p>É importante observar que as evidências são elementos exclusivamente materiais</p><p>e, portanto, de natureza puramente objetiva, uma vez que derivam dos vestígios. O</p><p>termo "indício" é definido explicitamente pelo artigo 239 do Código de Processo Penal</p><p>como "a circunstância conhecida e comprovada que, tendo relação com o fato,</p><p>autoriza, por indução, concluir a existência de outra ou outras circunstâncias".</p><p>Num primeiro momento, a definição dada pelo artigo 239 do CPP pode parecer</p><p>sinônima do conceito de evidência. No entanto, a expressão "indício" é utilizada na</p><p>fase processual, ou seja, em um momento posterior à perícia, o que significa que</p><p>carrega consigo, além dos elementos materiais tratados pela perícia, aspectos de</p><p>natureza subjetiva próprios da esfera da polícia judiciária. Enquanto o vestígio indica</p><p>a direção, o indício aponta para algo específico.</p><p>Podemos dividir o local de crime em três partes espaciais: local imediato, local</p><p>mediato e local relacionado.</p><p>• Local imediato: Refere-se à área abrangida pelo corpo de delito e</p><p>seu entorno, onde a maioria dos vestígios materiais relacionados ao crime</p><p>estão concentrados. Geralmente, é nesse local que os peritos encontram</p><p>os elementos essenciais para esclarecer os fatos.</p><p>• Local mediato: É a região adjacente ao local imediato, ou seja, uma</p><p>área próxima e geograficamente ligada a ele, que pode conter vestígios</p><p>relacionados à perícia em andamento.</p><p>• Local relacionado: É qualquer lugar sem uma conexão geográfica</p><p>direta com o local do crime, mas que pode conter vestígios ou</p><p>informações relevantes para o contexto do exame pericial. Por exemplo,</p><p>consideremos um acidente de trânsito em que um veículo da marca "x"</p><p>atropela e mata um indivíduo "y", deixando marcas de frenagem na via.</p><p>Se o veículo for encontrado posteriormente em uma cidade distante, esse</p><p>local seria considerado como relacionado, uma vez que não tem uma</p><p>ligação geográfica direta com o local do acidente.</p><p>Além disso, de acordo com o artigo 158 do Código de Processo Penal, a perícia</p><p>é indispensável quando houver vestígios, não podendo ser suprida pela confissão do</p><p>acusado. A análise preliminar da existência de vestígios ou evidências que justifiquem</p><p>a realização da perícia deve ser feita de forma criteriosa, baseada no conhecimento de</p><p>Criminalística.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 24</p><p>O primeiro policial que chega ao local deve verificar se realmente ocorreu o crime</p><p>relatado. Para isso, ele deve adentrar no local e se dirigir ao corpo de delito. A entrada</p><p>no local imediato ou mediato deve ser feita pelo ponto de acesso mais próximo, de</p><p>forma que a trajetória até o corpo de delito seja uma linha reta. Após constatar o</p><p>delito, o policial deve retornar à periferia do local, seguindo o mesmo percurso que o</p><p>levou ao corpo de delito, mas no sentido contrário. Essa rota deve ser memorizada</p><p>pelo policial, pois posteriormente ela será comunicada aos peritos. Durante a</p><p>averiguação, nenhum item deve ser removido de sua posição original quando o crime</p><p>foi configurado.</p><p>Existem exceções a esses procedimentos, como no caso de socorro à vítima, para</p><p>verificar o fato (como forçar janelas e portas), para evitar perigos maiores (como em</p><p>acidentes de trânsito, de acordo com a Lei 5970/73) e para permitir o trabalho dos</p><p>bombeiros no salvamento e combate a incêndios.</p><p>Após constatar a ocorrência, o policial deve comunicá-la à autoridade</p><p>competente para as devidas providências. No entanto, sua responsabilidade ainda não</p><p>termina. Ele deve tomar as primeiras medidas para isolar o local de crime, a fim de</p><p>preservar os vestígios ali presentes. Ninguém deve ser autorizado a entrar na cena do</p><p>crime, e o policial deve aguardar a chegada de outros policiais para substituí-lo nessa</p><p>tarefa. É importante ressaltar que a responsabilidade dos policiais pela preservação</p><p>dos vestígios se estende até a chegada da autoridade policial.</p><p>Esses procedimentos estão estabelecidos no Código de Processo Penal (CPP) e</p><p>devem ser seguidos rigorosamente. Conforme o artigo 6º, incisos I e II do CPP:</p><p>Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal,</p><p>a autoridade policial deverá:</p><p>I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o</p><p>estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos</p><p>criminais.</p><p>II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após</p><p>liberados pelos peritos criminais.</p><p>III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do</p><p>fato e suas circunstâncias;</p><p>[...]</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 25</p><p>VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de</p><p>delito e a quaisquer outras perícias;</p><p>[...]</p><p>Portanto, a autoridade policial, ao constatar a existência do crime, deve isolar a</p><p>área e preservar os vestígios no local do crime, garantindo que os peritos possam</p><p>examinar todas as evidências presentes. Caso os procedimentos não sejam seguidos</p><p>adequadamente pelos policiais, os peritos devem cumprir o artigo 169 do CPP e seu</p><p>parágrafo único, evitando futuras responsabilizações pelas autoridades judiciárias.</p><p>A presença dos peritos no local do crime não substitui as ações da autoridade</p><p>policial. Além dos procedimentos de isolamento da cena do crime e impedimento de</p><p>acesso de pessoas não autorizadas, é responsabilidade da autoridade policial garantir</p><p>a segurança dos peritos e sua equipe, possibilitando a conclusão do trabalho pericial.</p><p>Os trabalhos periciais no local do crime são encerrados quando o perito esgota</p><p>todas as possibilidades de exame e está satisfeito com os resultados. Nesse momento,</p><p>ele autoriza a Autoridade Policial a remover a interdição do local do crime. No</p><p>entanto,</p><p>a Autoridade Policial pode optar por manter o local isolado se for necessário para os</p><p>trabalhos preliminares de investigação.</p><p>Após a perícia, os peritos elaboram um documento que contém todas as</p><p>informações relevantes ao evento, incluindo, se possível, suas conclusões. Esse</p><p>documento pode ser um laudo, um levantamento ou uma simples informação técnica</p><p>ou administrativa, que é apresentada à autoridade solicitante.</p><p>Embora exista um procedimento padrão definido em lei, na prática sua</p><p>implementação pode ser desafiadora devido às diversas limitações e carências nos</p><p>órgãos de segurança e ao caos social presente no país.</p><p>2.2 As Dificultades Enfrentadas para a Implantação dos Procedimentos</p><p>A cadeia de custódia tem sido reconhecida como um elo fraco nas investigações</p><p>criminais, e o valor das evidências pode ser perdido se os procedimentos não forem</p><p>adequadamente estabelecidos. Frequentemente, alguns aspectos relacionados à</p><p>cadeia de custódia passam despercebidos ou são descumpridos pelos profissionais de</p><p>segurança pública envolvidos, seja por desinteresse ou falta de conhecimento sobre</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Nota</p><p>autoridade ir logo ao local do crime para que o mesmo não se altere</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 26</p><p>o assunto.</p><p>Os policiais responsáveis pelo isolamento e preservação do local do crime,</p><p>conhecidos como "first responders", desempenham um papel extremamente</p><p>importante na cena do crime, mas muitas vezes desconhecem procedimentos básicos</p><p>para evitar a perda, destruição ou contaminação de vestígios materiais. Oferecer</p><p>treinamento adequado para capacitar esses profissionais é fundamental. Segundo</p><p>Marinho (apud MACHADO), muitas vezes os peritos criminais não exigem a</p><p>preservação adequada do local do crime, o que contribui para a falta de compreensão</p><p>sobre a importância da preservação por parte dos policiais.</p><p>Falhas nos procedimentos da cadeia de custódia também são detectadas entre</p><p>os profissionais forenses. Apesar da existência do Pacote Anticrime, que padroniza os</p><p>procedimentos de custódia pericial, muitas unidades de perícia no Brasil ainda não a</p><p>implementaram, resultando em diferentes procedimentos mesmo entre peritos de</p><p>uma mesma instituição.</p><p>A padronização dos procedimentos é importante para garantir a realização</p><p>correta de exames e permitir que diferentes profissionais alcancem os mesmos</p><p>resultados. Muller (apud MACHADO) relata que, na Polícia Federal, ainda falta uma</p><p>normatização dos processos e princípios reguladores da cadeia de custódia dos</p><p>vestígios papilares, mesmo com os recentes esforços de organização e modernização</p><p>da instituição. O autor descreve também a falta de padronização para o</p><p>armazenamento das imagens fotográficas, embora sejam feitas por equipamentos</p><p>modernos e eficientes.</p><p>Arias (apud MACHADO) realizou um estudo na América Latina sobre a cadeia de</p><p>custódia na legislação penal, e constatou que, dos quinze países analisados, apenas</p><p>oito possuíam regulação da cadeia de custódia dos elementos de prova, mostrando a</p><p>necessidade de criar um corpo único de lei para evitar a fragmentação jurídica</p><p>existente.</p><p>De acordo com Carvalho (apud MACHADO), é necessário empenho e</p><p>investimento público para a correta aplicação e manutenção da cadeia de custódia.</p><p>Embora os trâmites relacionados à cadeia de custódia sejam frequentemente</p><p>descumpridos, seja por negligência ou desconhecimento, a exigência atual de ações</p><p>integradas e maior eficiência na prestação de serviços certamente impulsionará</p><p>maiores investimentos em busca da melhoria da qualidade do serviço prestado. O</p><p>autor também aponta a necessidade de mudanças nos protocolos de obtenção de</p><p>prova pericial, não apenas nas fases iniciais da investigação, mas também nas fases</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 27</p><p>posteriores.</p><p>Outro aspecto relevante é que muitas unidades de perícia ainda fazem parte da</p><p>Polícia Civil, e a falta de padronização dos exames aumenta o poder discricionário do</p><p>perito, levantando questionamentos sobre a neutralidade científica dos exames</p><p>periciais.</p><p>Conforme demonstrado pela pesquisa de Cunha em 2012 (apud MACHADO),</p><p>várias unidades de perícia enfrentam dificuldades relacionadas à precariedade de</p><p>materiais e procedimentos para implementar a cadeia de custódia, exigindo aquisição</p><p>e/ou construção de instalações adequadas e com segurança apropriada, além de</p><p>aquisição de equipamentos e sistemas informatizados para o controle do fluxo de</p><p>vestígios. A pesquisa também revela que, entre as unidades da federação pesquisadas,</p><p>apenas o Distrito Federal e o Rio Grande do Norte afirmaram possuir uma unidade</p><p>central própria para o armazenamento de vestígios.</p><p>Foi relatado inclusive que, em alguns estados, os vestígios não são lacrados</p><p>quando coletados nos locais de crime e que não há um local seguro para o</p><p>armazenamento desses vestígios. A maioria das unidades de Criminalística e Medicina</p><p>Legal pesquisadas não possui um sistema que monitore a custódia dos vestígios.</p><p>Apesar das dificuldades, a Lei do Pacote Anticrime definiu o seguinte:</p><p>Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma</p><p>central de custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e</p><p>sua gestão deve ser vinculada diretamente ao órgão central de</p><p>perícia oficial de natureza criminal.</p><p>§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de</p><p>protocolo, com local para conferência, recepção, devolução de</p><p>materiais e documentos, possibilitando a seleção, a classificação e</p><p>a distribuição de materiais, devendo ser um espaço seguro e</p><p>apresentar condições ambientais que não interfiram nas</p><p>características do vestígio.</p><p>§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão</p><p>ser protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência</p><p>no inquérito que a eles se relacionam.</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Sublinhado</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Notebook</p><p>Realce</p><p>Introdução à Investigação e Perícia Criminal |</p><p>Cadeia de Custódia</p><p>www.cenes.com.br | 28</p><p>§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado</p><p>deverão ser identificadas e deverão ser registradas a data e a hora</p><p>do acesso.</p><p>§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as</p><p>ações deverão ser registradas, consignando-se a identificação do</p><p>responsável pela tramitação, a destinação, a data e horário da</p><p>ação.</p><p>Conforme afirmado por Marinho (apud MACHADO), o avanço tecnológico exige</p><p>que as organizações responsáveis pela produção da prova pericial se adaptem a uma</p><p>nova forma de funcionamento, o que inclui a implementação de um programa de</p><p>custódia. Para Lopes (apud MACHADO), o sucesso desse programa está relacionado à</p><p>inclusão das diretrizes da instituição, pois depende do comprometimento e apoio para</p><p>a continuidade do processo.</p><p>A cadeia de custódia envolve uma série de etapas, desde o reconhecimento dos</p><p>vestígios até o descarte adequado. Cada etapa desempenha um papel crucial na</p><p>garantia da integridade e da autenticidade das provas coletadas. O isolamento</p><p>adequado do ambiente, a descrição detalhada dos vestígios, a coleta precisa, o</p><p>acondicionamento adequado, o transporte controlado, o recebimento formal, o</p><p>processamento pericial, o armazenamento correto e o descarte autorizado são etapas</p><p>essenciais para assegurar a confiabilidade da prova ao longo de todo o processo.</p><p>Ao seguir rigorosamente os procedimentos estabelecidos, a cadeia de custódia</p><p>garante que as evidências sejam tratadas de maneira cuidadosa e que sua integridade</p><p>seja preservada, evitando qualquer possibilidade de manipulação, adulteração ou</p><p>contaminação. Isso é fundamental para que as provas</p>