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<p>ACESSE AQUI ESTE</p><p>MATERIAL DIGITAL!</p><p>BRUNO ROMERO</p><p>INVESTIGAÇÃO</p><p>POLICIAL,</p><p>INTELIGÊNCIA E</p><p>CONTRAINTELIGÊNCIA</p><p>APLICADA NA</p><p>SEGURANÇA PÚBLICA</p><p>Coordenador(a) de Conteúdo</p><p>Gerson Faustino Rosa</p><p>Projeto Gráfico e Capa</p><p>Arthur Cantareli Silva</p><p>Editoração</p><p>Ellen Jeane Versari</p><p>Design Educacional</p><p>Ávila Tobias</p><p>Revisão Textual</p><p>Cristina Maria Costa Wecker</p><p>Ilustração</p><p>André Azevedo, Bruno Pardinho e</p><p>Eduardo Aparecido Alves</p><p>Fotos</p><p>Shutterstock e Envato</p><p>Impresso por:</p><p>Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722.</p><p>Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).</p><p>Núcleo de Educação a Distância. ROMERO, Bruno.</p><p>Investigação Policial, Inteligência e Contrainteligência Aplicada na</p><p>Segurança Pública / Bruno Romero. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024.</p><p>192 p.</p><p>ISBN papel 978-65-6137-488-0</p><p>ISBN digital 978-65-6137-489-7</p><p>1. Investigação 2. Policial 3. Segurança 4. EaD. I. Título.</p><p>CDD - 363.25</p><p>EXPEDIENTE</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>N964</p><p>03506838</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/20897</p><p>RECURSOS DE IMERSÃO</p><p>Utilizado para temas, assuntos ou con-</p><p>ceitos avançados, levando ao aprofun-</p><p>damento do que está sendo trabalhado</p><p>naquele momento do texto.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Uma dose extra de</p><p>conhecimento é sempre</p><p>bem-vinda. Aqui você</p><p>terá indicações de filmes</p><p>que se conectam com o</p><p>tema do conteúdo.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>Uma dose extra de</p><p>conhecimento é sempre</p><p>bem-vinda. Aqui você terá</p><p>indicações de livros que</p><p>agregarão muito na sua</p><p>vida profissional.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVRO</p><p>Utilizado para desmistificar pontos</p><p>que possam gerar confusão sobre o</p><p>tema. Após o texto trazer a explicação,</p><p>essa interlocução pode trazer pontos</p><p>adicionais que contribuam para que</p><p>o estudante não fique com dúvidas</p><p>sobre o tema.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Este item corresponde a uma proposta</p><p>de reflexão que pode ser apresentada por</p><p>meio de uma frase, um trecho breve ou</p><p>uma pergunta.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Utilizado para aprofundar o</p><p>conhecimento em conteúdos</p><p>relevantes utilizando uma lingua-</p><p>gem audiovisual.</p><p>EM FOCO</p><p>Utilizado para agregar um conteúdo</p><p>externo.</p><p>EU INDICO</p><p>Professores especialistas e con-</p><p>vidados, ampliando as discus-</p><p>sões sobre os temas por meio de</p><p>fantásticos podcasts.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>PRODUTOS AUDIOVISUAIS</p><p>Os elementos abaixo possuem recursos</p><p>audiovisuais. Recursos de mídia dispo-</p><p>níveis no conteúdo digital do ambiente</p><p>virtual de aprendizagem.</p><p>4</p><p>135U N I D A D E 3</p><p>ÉTICA E RESPONSABILIDADE NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL . . . . . . . . . . . . . . . .136</p><p>INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .152</p><p>CONTRAINTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .174</p><p>7U N I D A D E 1</p><p>INTRODUÇÃO À INVESTIGAÇÃO CRIMINAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8</p><p>METODOLOGIA E ESTRUTURA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL . . . . . . . . . . . . . . . .32</p><p>ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE PROVAS PERICIAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .54</p><p>73U N I D A D E 2</p><p>PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL . . . . . . . . . . . . . . .74</p><p>FERRAMENTAS E TÁTICAS DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . .94</p><p>O PAPEL DO PERITO NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .112</p><p>5</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1</p><p>MINHAS METAS</p><p>INTRODUÇÃO À INVESTIGAÇÃO</p><p>CRIMINAL</p><p>Identificar os fundamentos e explorar a história da investigação criminal.</p><p>Distinguir métodos de investigação científica e criminal.</p><p>Entender o escopo e tipos de crimes na investigação criminal.</p><p>Avaliar o impacto da tecnologia na investigação criminal.</p><p>Desenvolver compreensão ética e legal na investigação criminal.</p><p>Aplicar teorias em situações práticas de investigação criminal.</p><p>Compreender a importância da investigação criminal para a sociedade.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1</p><p>8</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Bem-vindo ao início da fascinante jornada pelo mundo da investigação criminal,</p><p>um campo que está no epicentro da segurança pública e da justiça. Este material</p><p>foi cuidadosamente estruturado para fornecer uma compreensão abrangente</p><p>e detalhada dos vários aspectos que compõem este campo dinâmico e essen-</p><p>cial. Este tema que se inicia é a porta de entrada para este universo complexo</p><p>e intrigante e você será introduzido aos conceitos fundamentais que formam</p><p>a base dessa área.</p><p>Nossa realidade, longe do ideal, está permeada por ocorrências que desafiam</p><p>a ordem e a segurança. Frequentemente, enfrentamos situações que exigem re-</p><p>solução e compreensão. Imagine, por exemplo, um cenário onde um indivíduo</p><p>comete um homicídio contra outro. Como analisar esse evento? Que tipos de</p><p>pistas podem ser reunidas na cena e para onde devem ser encaminhadas? Como</p><p>determinar a responsabilidade do suposto infrator? Quais passos seguir para</p><p>concluir uma investigação?</p><p>A resolução dessa problemática vai além do restabelecimento da ordem; ela é</p><p>crucial para a prevenção de futuros incidentes e para a construção de um sistema</p><p>de segurança mais robusto e resiliente. Profissionais capacitados para enfrentar</p><p>tais desafios são indispensáveis, não só para resolver crimes específicos, mas para</p><p>fortalecer a estrutura de segurança como um todo.</p><p>Na prática, você poderá se deparar com situações que exigem a análise crítica</p><p>de evidências digitais, o desenvolvimento de estratégias de contrainteligência ou</p><p>a coordenação de operações complexas de vigilância. Por exemplo, ao investigar</p><p>um caso de tráfico de drogas, você poderá utilizar ferramentas digitais para ras-</p><p>trear atividades ilícitas e identificar os perpetradores, aplicando conhecimentos</p><p>adquiridos em inteligência e investigação.</p><p>Refletir sobre esses temas é vital para entender o papel e a responsabilidade</p><p>do profissional de segurança pública na sociedade moderna. Você será desafia-</p><p>do a considerar como as técnicas de investigação podem ser aplicadas efetiva-</p><p>mente em diferentes cenários e como a ética e a legalidade se entrelaçam com</p><p>as práticas criminais.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>O caso Isabella Nardoni é um dos mais emblemáticos crimes brasileiros, ocorrido</p><p>em 2008. Isabella, de cinco anos, foi jogada do sexto andar do Edifício London, em</p><p>São Paulo, na noite de 29 de março daquele ano. Seu pai, Alexandre Nardoni, e</p><p>sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram condenados pelo crime. Inicialmente,</p><p>Alexandre alegou que um assaltante havia jogado a menina, mas investigações</p><p>posteriores contradisseram essa versão. Você sabe quais formas de investigações</p><p>foram utilizadas pelas polícia para solucionar o crime? Como foi a dinâmica do fato?</p><p>Isso tudo você poderá encontrar clicando no link a seguir: https://g1.globo.com/</p><p>Noticias/SaoPaulo/0,,MUL386739-5605,00-VEJA+A+CRONOLOGIA+DO+CASO+IS</p><p>ABELLA.html.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>HISTÓRIA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Imagine que uma sofisticada rede de crimes cibernéticos afete uma cidade in-</p><p>teira, comprometendo a segurança de dados e gerando uma atmosfera de caos e</p><p>incerteza. Como analisamos esse evento? Que pistas podem ser coletadas e como</p><p>essas informações conduzem à responsabilização do suspeito ou à defesa de um</p><p>acusado que clama inocência? Cada detalhe e cada evidência tornam-se uma</p><p>peça crucial no complexo quebra-cabeça dessa área investigativa.</p><p>Convidamos você a mergulhar no podcast Panorama da investigação criminal,</p><p>uma jornada educativa em que falaremos sobre a investigação criminal e seu pa-</p><p>norama, um recurso enriquecedor que abre as portas para o intrigante mundo das</p><p>investigações criminais.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>1</p><p>1</p><p>Esse cenário destaca os desafios contemporâneos enfrentados por profissionais</p><p>da área de segurança. É crucial compreender que, embora inteligência e</p><p>investigação</p><p>dos moradores e possíveis testemunhas. Essas informações poderiam ofere-</p><p>cer insights valiosos sobre atividades suspeitas ou indivíduos desconhecidos</p><p>vistos na área.</p><p>Com esses dados em mãos, você passaria a uma análise detalhada da</p><p>cena do crime, solicitando a presença do perito para colher impressões digi-</p><p>tais, marcas de sapatos e quaisquer outros indícios que o autor do crime possa</p><p>ter deixado para trás.</p><p>Além disso, a revisão de gravações de vigilância das proximidades se torna-</p><p>ria um aspecto crucial, assim como a coleta de amostras para análises forenses,</p><p>como DNA, que poderiam ser fundamentais na identificação do autor do crime.</p><p>Por fim, a manutenção de uma comunicação aberta e eficaz com a comuni-</p><p>dade seria essencial, não apenas para manter a confiança pública, mas também</p><p>para potencialmente coletar mais informações.</p><p>4</p><p>8</p><p>Com todas as evidências e informações coletadas, você poderia proceder à</p><p>análise e à síntese desses dados, formando uma narrativa coerente dos eventos</p><p>e identificando suspeitos.</p><p>No início, apresentamos a teoria por trás da investigação criminal, explorando</p><p>os diferentes tipos de crimes, as metodologias de investigação e a importância da</p><p>ética e da justiça no processo. Isso estabeleceu uma base sólida de conhecimento.</p><p>Ao longo do curso, essas teorias foram progressivamente contextualizadas</p><p>em cenários práticos, como o desafio de resolver um roubo em um bairro resi-</p><p>dencial com poucas pistas. Essa abordagem prática ilustra a realidade do traba-</p><p>lho de um investigador, em que as situações raramente são claras e as soluções</p><p>nem sempre são óbvias.</p><p>No mercado de trabalho atual, as habilidades que você desenvolveu aqui são</p><p>mais valiosas do que nunca. A investigação criminal está evoluindo rapidamente</p><p>devido aos avanços na tecnologia e às mudanças sociais. Profissionais capazes de</p><p>combinar conhecimento teórico com aplicação prática são essenciais.</p><p>Ao encerrarmos este tema, é meu desejo que ele tenha oferecido uma visão</p><p>completa e aplicável dos vários elementos que formam este campo vital para</p><p>a segurança pública. Espero que as discussões, exemplos e exercícios práticos</p><p>tenham enriquecido seu entendimento e preparado você para contribuir efeti-</p><p>vamente na área da investigação.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>9</p><p>1. “A conduta é sempre composta. Obter vantagem indevida induzindo ou mantendo alguém</p><p>em erro. Significa conseguir um benefício ou um lucro ilícito em razão do engano provoca-</p><p>do na vítima. Esta colabora com o agente sem perceber que está se despojando de seus</p><p>pertences. Induzir quer dizer incutir ou persuadir e manter significa fazer permanecer ou</p><p>conservar. Portanto, a obtenção da vantagem indevida deve-se ao fato de o agente con-</p><p>duzir o ofendido ao engano ou quando deixa que a vítima permaneça na situação de erro</p><p>na qual se envolveu sozinha. É possível que o autor do estelionato provoque a situação</p><p>de engano ou apenas dela se aproveite. De qualquer modo, comete a conduta proibida”</p><p>(NUCCI, 2017, p. 969).</p><p>Considerando os tipos de estelionato mais comuns, incluindo tanto os tradicionais quanto os</p><p>digitais, assinale a alternativa que apresenta corretamente a definição de um destes golpes.</p><p>a) Golpe do bilhete: o estelionatário convence a vítima a comprar um bilhete de loteria</p><p>falso, alegando ser um bilhete premiado que ele não pode resgatar e, assim, obtém</p><p>vantagem financeira.</p><p>b) Golpe do paco: consiste na venda de produtos eletrônicos com defeito ou falsificados</p><p>em sites de e-commerce, lucrando com a diferença entre o valor real e o valor de venda.</p><p>c) Central de vagas de emprego: envolve um estelionatário se passando por policial e exi-</p><p>gindo pagamento para evitar uma suposta prisão, aproveitando-se do medo da vítima.</p><p>d) Araras: este termo se refere a golpes relacionados à indústria da moda e do entreteni-</p><p>mento. Os criminosos prometem à vítima uma carreira de modelo ou artista, solicitando</p><p>pagamentos antecipados para supostos testes, portfólios fotográficos ou cursos. No final,</p><p>não há retorno sobre o investimento feito pela vítima.</p><p>e) Investimentos: trata-se de um golpe em que o criminoso oferece a oportunidade de</p><p>investir em projetos de caridade falsos, prometendo altos retornos financeiros.</p><p>2. A sequência, chamada por eles de Método M.U.M.A., prevê uma ordem lógica de obten-</p><p>ção de informações que, quando bem exercida, pode conduzir à apuração do caso, com a</p><p>configuração de materialidade e da autoria</p><p>Considerando a descrição do Método M.U.M.A. como uma sequência lógica para a obtenção</p><p>de informações em investigações criminais, assinale a alternativa que descreve corretamente</p><p>o significado da sigla.</p><p>I - M.U.M.A. significa Mecânica dos fatos, Últimos passos da vítima, Motivação do crime,</p><p>Autoria do crime, representando as fases-chave de uma investigação criminal.</p><p>II - M.U.M.A. é a abreviação de Método Único de Mapeamento e Análise, usado para estru-</p><p>turar investigações.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>5</p><p>1</p><p>III - M.U.M.A. significa Movimento, Última visão, Motivação e Ação, representando as etapas</p><p>de uma investigação criminal.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. “O modelo real de investigação de homicídios observado nas delegacias brasileiras come-</p><p>ça a apresentar problemas já em sua fase preliminar, com a relativa demora das equipes</p><p>policiais para chegar aos locais de crime após serem acionadas. Essa chegada tardia au-</p><p>mentaria o período do “imponderável” na investigação dos homicídios, que é o intervalo</p><p>temporal existente entre o cometimento do crime e a chegada da primeira equipe de</p><p>policiais ao local. Mesmo quando a polícia chega rapidamente à cena do crime, existiriam</p><p>graves problemas no isolamento e na preservação dos locais de homicídio. O estudo apon-</p><p>ta que a imensa maioria das cenas de crime não é adequadamente delimitada, isolada e</p><p>preservada, prejudicando sensivelmente a precisão e a eficácia dos trabalhos periciais”</p><p>(BRASIL, 2014, p. 27).</p><p>Considerando o texto, escolha a alternativa que melhor representa os problemas enfrentados</p><p>na investigação de homicídios no Brasil.</p><p>a) A demora das equipes policiais em chegar aos locais de homicídio não tem impacto</p><p>significativo na investigação, já que as evidências permanecem intactas.</p><p>b) A chegada tardia da polícia ao local do crime aumenta o período do “imponderável”,</p><p>comprometendo a integridade das evidências e a eficácia da investigação.</p><p>c) O isolamento e a preservação adequados dos locais de homicídio são geralmente bem</p><p>realizados, garantindo a precisão dos trabalhos periciais.</p><p>d) Mesmo com a chegada rápida da polícia, a maioria das cenas de crime não é adequada-</p><p>mente isolada e preservada, prejudicando a precisão dos trabalhos periciais.</p><p>e) A chegada imediata da polícia aos locais de homicídio é o único fator necessário para</p><p>garantir a eficácia da investigação criminal</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>5</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 2 .848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Rio de Janeiro, RJ: Pre-</p><p>sidência da República, 1940. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/</p><p>del2848compilado.htm. Acesso em: 4 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Caderno temático de referência: investigação criminal de homicídios. Brasília, DF: Mi-</p><p>nistério da Justiça, Secretaria Nacional de Segurança Pública – Senasp, 2014. Disponível em:</p><p>https://www.mpce.mp.br/wp-content/uploads/2016/03/Investiga%C3%A7%C3%A3o-Crimi-</p><p>nal-de-Homic%C3%ADdios-2014.pdf. Acesso em: 4 abr. 2024.</p><p>MINGARDI, G.; FIGUEIREDO, I. S. A investigação de homicídios: construção de um modelo. Bra-</p><p>sília, DF: Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Segurança Pública, 2009. Coleção Segu-</p><p>rança com Cidadania. v. 3, p. 173-204. Disponível em: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/</p><p>sua-seguranca/seguranca-publica/analise-e-pesquisa/download/estudos/sjcvolume3/in-</p><p>vestigacao_homicidios_construcao_modelo.pdf. Acesso em: 26 dez. 2023.</p><p>NUCCI, G. de S. Código penal comentado. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2017.</p><p>5</p><p>1</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm</p><p>https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/analise-e-pesquisa/download/estudos/sjcvolume3/investigacao_homicidios_construcao_modelo.pdf</p><p>https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/analise-e-pesquisa/download/estudos/sjcvolume3/investigacao_homicidios_construcao_modelo.pdf</p><p>https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/analise-e-pesquisa/download/estudos/sjcvolume3/investigacao_homicidios_construcao_modelo.pdf</p><p>https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/analise-e-pesquisa/download/estudos/sjcvolume3/investigacao_homicidios_construcao_modelo.pdf</p><p>1. Alternativa A.</p><p>A (Correta): esta alternativa corresponde à definição de estelionato apresentada no texto, pois</p><p>envolve induzir a vítima a erro (vendendo um bilhete de loteria falso como se fosse legítimo)</p><p>para obter vantagem financeira.</p><p>B (Incorreta): o Golpe do paco, conforme descrito, envolve uma encenação com um pacote</p><p>de dinheiro falso, não uma venda de produtos eletrônicos.</p><p>C (Incorreta): a Central de vagas de emprego é um golpe que envolve falsas agências de</p><p>emprego, não um estelionatário se passando por policial.</p><p>D (Incorreta): o termo Araras refere-se a golpes na indústria da moda e do entretenimento,</p><p>não a esquemas de viagens</p><p>E (Incorreta): o Golpe de investimentos mencionado na alternativa E se refere a oportunidades</p><p>de investimentos falsos em áreas como o mercado financeiro, não a projetos de caridade</p><p>2. Alternativa A.</p><p>M.U.M.A. significa “Mecânica dos fatos, Últimos passos da vítima, Motivação do crime, Autoria</p><p>do crime”, representando as fases-chave de uma investigação criminal.</p><p>3. Alternativa B.</p><p>A) Incorreta, pois alega que a demora das equipes policiais em chegar aos locais de homicí-</p><p>dio não impacta a investigação, o que é contrário ao indicado no texto. O texto enfatiza que</p><p>essa demora aumenta o período do “imponderável”, durante o qual as evidências podem</p><p>ser alteradas ou perdidas, comprometendo a eficácia da investigação.</p><p>B) Correta, pois reflete o problema mencionado no texto de que a chegada tardia da polícia ao</p><p>local do crime aumenta o período do “imponderável”, afetando negativamente a integridade</p><p>das evidências e a eficácia da investigação. Esta alternativa capta diretamente a questão</p><p>central do impacto negativo da demora na resposta policial.</p><p>C) Incorreta, pois contradiz a informação do texto, que aponta que a maioria das cenas de</p><p>crime não é adequadamente isolada e preservada. O texto destaca que a falha na preserva-</p><p>ção e no isolamento adequados das cenas de crime é um problema comum que prejudica</p><p>a precisão dos trabalhos periciais.</p><p>D) Incorreta, pois embora aponte um problema real mencionado no texto, não é a melhor</p><p>resposta quando comparada à alternativa B. A alternativa B é mais abrangente e reflete mais</p><p>diretamente o principal problema mencionado no texto base.</p><p>E) Incorreta, pois simplifica demais os requisitos para uma investigação criminal eficaz. O texto</p><p>sugere que, além da chegada rápida, outros aspectos críticos como o isolamento e a pre-</p><p>servação adequada da cena do crime são essenciais para garantir a eficácia da investigação.</p><p>GABARITO</p><p>5</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE PROVAS</p><p>PERICIAIS</p><p>Identificar abordagens e técnicas desses crimes.</p><p>Praticar coleta e preservação de evidências.</p><p>Dominar métodos de investigação 5W2H e PDCA.</p><p>Compreender técnicas utilizadas por perícias.</p><p>Examinar diferentes provas possíveis e suas classificações.</p><p>Aperfeiçoar habilidades em preservação de cenas de crime.</p><p>Desenvolver análise crítica de provas periciais.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3</p><p>5</p><p>4</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Chegamos ao tema Análise e Avaliação de Provas Periciais,</p><p>o qual você desvendará provas e entenderá a complexidade do processo</p><p>de investigação criminal.</p><p>Para compreender adequadamente a dinâmica da Análise e Avaliação de Pro-</p><p>vas Periciais, é essencial distinguir inicialmente as diferenças entre um fato, uma</p><p>prova, um vestígio e um elemento informativo. É importante entender a classifica-</p><p>ção das provas, que inclui tanto as categorias nomeadas quanto as não nomeadas</p><p>e examinar exemplos práticos das principais provas e seus aspectos práticos.</p><p>Diante da crescente influência da tecnologia e da abordagem multidisciplinar</p><p>na análise e avaliação de provas periciais, pergunto para você, estudante, como</p><p>conciliar a inovação tecnológica com a preservação da ética e a garantia da efi-</p><p>cácia nas investigações criminais?</p><p>Imagine que, durante uma investigação criminal, são encontrados vestígios</p><p>em uma cena de crime que demandam análise avançada, incluindo reconheci-</p><p>mento facial e análise de impressões digitais. A utilização dessas técnicas tecnoló-</p><p>gicas pode ser crucial para identificar suspeitos e esclarecer os fatos. No entanto,</p><p>surge o desafio ético de garantir a integridade e a legalidade na coleta e análise</p><p>dessas provas, evitando práticas invasivas ou questionáveis.</p><p>Nesse contexto, as técnicas 5W2H e PDCA entram em cena, oferecendo um</p><p>plano estruturado para a execução de operações investigativas. Você, ao com-</p><p>preender e aplicar essas metodologias, poderá planejar de forma eficaz a inte-</p><p>gração das tecnologias avançadas no processo, considerando as etapas de coleta,</p><p>análise, interpretação e apresentação das provas.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Desde antigamente, a tecnologia utilizada em investigações criminais tem avançado</p><p>significativamente em seu aprimoramento e exatidão. Com isso em mente, que</p><p>tal recordar alguns dos casos mais emblemáticos que envolveram investigações</p><p>e análises periciais detalhadas? Para explorar esses casos notáveis e entender</p><p>melhor o impacto desses avanços tecnológicos na solução de crimes, você pode</p><p>acessar mais informações clicando no link a seguir: https://blog.supremotv.com.</p><p>br/tres-casos-em-que-a-pericia-foi-fundamental-para-a-solucao-de-crimes/.</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>Convidamos você a mergulhar no podcast Provas e perícias criminais, uma jornada</p><p>educativa. Aqui, falaremos dos tipos de investigação criminal, complementando o</p><p>conhecimento teórico deste tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo</p><p>digital do ambiente virtual de aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>MEIOS DE PROVAS E SUAS PARTICULARIDADES</p><p>Estudante, antes de nos aprofundarmos no estudo de um tema, é crucial com-</p><p>preender sua essência. Para começar, exploraremos o Código de Processo Penal,</p><p>comumente abreviado como CPP. Esse código estabelece e regulamenta os proce-</p><p>dimentos formais para a aplicação do Direito Penal. No Título VII, em particular,</p><p>encontramos a seção dedicada às provas no processo penal, abrangendo do Art.</p><p>155 ao Art. 250 (BRASIL, 1941).</p><p>Esse Título detalha diversas formas de obtenção de provas e as técnicas para</p><p>registrá-las adequadamente, garantindo que o processo seja formalizado e tenha</p><p>validade jurídica.</p><p>As provas são categorizadas em dois tipos principais: as nominadas e as</p><p>típicas, que são previstas em lei e possuem um procedimento e rito específicos</p><p>para sua produção, incluindo provas testemunhais, periciais, documentais, entre</p><p>outras; e as inominadas ou atípicas, que, embora não estejam expressamente</p><p>previstas em lei, podem ser autorizadas pelo juiz, desde que respeitem os limites</p><p>éticos e legais. Exemplos disso são a gravação ambiental, a prova emprestada e a</p><p>prova indiciária (NUCCI, 2017).</p><p>Para facilitar o estudo, a seguir, apresentarei um quadro resumindo os prin-</p><p>cipais meios de produção de prova e suas fundamentações legais.</p><p>5</p><p>1</p><p>MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL</p><p>Exame pericial Art. 158 do CPP</p><p>Interrogatório Art. 6º, III e Art. 185 do CPP</p><p>Busca e apreensão Art. 240 do CPP</p><p>Interceptação telefônica Art. 5º, XII, da CF e Lei nº 9.296/1996</p><p>Confissão Art. 197 do CPP</p><p>Reconhecimento de pessoas Art. 226 do CPP</p><p>Acareação</p><p>Art. 229, do CPP</p><p>Testemunho Art. 203, do CPP</p><p>Quadro 1 – Principais meios de produção de prova e suas fundamentações legais</p><p>Fonte: o autor.</p><p>Ainda, no que tange às provas, no contexto investigativo, é essencial que o agen-</p><p>te tenha o conhecimento das diferenças entre fato, prova, vestígio e elemento</p><p>informativo.</p><p>Fato: refere-se a um evento ou ocorrência concreta. Por exemplo, um assalto a uma</p><p>joalheria é um fato (LOPES JR, 2020).</p><p>Prova: são elementos usados para demonstrar a verdade de um fato no processo. Por</p><p>exemplo, o vídeo de vigilância da joalheria que mostra o assalto acontecendo (LOPES</p><p>JR, 2020).</p><p>Vestígio: vão traços ou sinais deixados pelo ocorrer de um fato. Por exemplo, as</p><p>impressões digitais deixadas no local do assalto à joalheria (LOPES JR, 2020).</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>Elemento informativo: informações preliminares que ajudam a guiar a investigação, mas</p><p>que ainda não têm o status formal de prova. Por exemplo, uma testemunha afirmando ter</p><p>visto uma pessoa suspeita perto da joalheria antes do assalto (LOPES JR, 2020).</p><p>Quando tratamos de conteúdo probatório, a figura do perito criminal é vital nas</p><p>investigações criminais, envolvendo a análise minuciosa de cenas de crime, coleta</p><p>e exame de evidências físicas. Utilizando técnicas e tecnologias avançadas, os pe-</p><p>ritos são capazes de identificar, preservar e interpretar provas materiais, como im-</p><p>pressões digitais, DNA, substâncias químicas e traços balísticos (NUCCI, 2017).</p><p>Esses profissionais altamente qualificados preparam laudos técnicos com</p><p>informações objetivas e imparciais, cruciais para o processo judicial. Além</p><p>disso, as perícias realizadas por peritos oficiais</p><p>possuem fé pública, o que assegura a confiabilidade</p><p>e a autenticidade dos resultados, até que se prove o</p><p>contrário. Essa fé pública é essencial para a integridade</p><p>dos laudos periciais, reforçando a confiança no</p><p>sistema judiciário por meio de análises rigorosas</p><p>e objetivas (NUCCI, 2017).</p><p>No que diz respeito especificamente à prova pericial, destaco as principais a</p><p>seguir. São elas: exame de lesões corporais, exame necroscópico, exame de con-</p><p>fronto balístico, exame de prestabilidade de arma de fogo, exame toxicológico,</p><p>exame datiloscópico, perícia de reconhecimento facial, entre outros. Essas provas</p><p>oferecem análises técnicas e detalhadas que auxiliam na elucidação de casos e na</p><p>administração da justiça.</p><p>CSI</p><p>A série CSI explora a investigação criminal utilizando Ciência</p><p>Forense, com foco na análise de DNA. Cada episódio mostra</p><p>investigadores usando tecnologia avançada para resolver cri-</p><p>mes, destacando o impacto da ciência na justiça criminal. As-</p><p>sim, indico a série para aprofundar e internalizar conhecimen-</p><p>tos aqui aprendidos.</p><p>INDICAÇÃO DE SÉRIE</p><p>Os peritos são</p><p>capazes de</p><p>identificar, preservar</p><p>e interpretar provas</p><p>materiais</p><p>5</p><p>8</p><p>O exame de lesões corporais é importante, por</p><p>exemplo, para avaliar as marcas de agressão em uma</p><p>vítima de assalto, ajudando a determinar a gravidade do</p><p>ataque (BRASIL, 2012).</p><p>Já o exame necroscópico, ou autópsia, é fundamental</p><p>para casos como a suspeita de envenenamento,</p><p>determinando a causa exata da morte. Em crimes</p><p>envolvendo armas de fogo, o exame de confronto</p><p>balístico permite relacionar uma bala encontrada na</p><p>cena com uma arma específica, enquanto o exame de</p><p>prestabilidade verifica se a arma encontrada está em</p><p>funcionamento (BRASIL, 2012).</p><p>O exame toxicológico é usado para detectar a</p><p>presença de drogas ou venenos, por exemplo, em vítimas</p><p>suspeitas de overdose. O exame datiloscópico é crucial</p><p>na identificação de suspeitos, comparando impressões</p><p>digitais encontradas no local com as de possíveis</p><p>envolvidos. Já a perícia de reconhecimento facial pode</p><p>ser usada para identificar uma pessoa a partir de imagens</p><p>de vigilância (BRASIL, 2012).</p><p>Na perícia datiloscópica, analisa-se as impressões</p><p>digitais, ou seja, as marcas deixadas pelas pontas dos</p><p>dedos, esse método baseia-se em características únicas</p><p>e inalteráveis presentes nas cristas papilares dos dedos</p><p>das mãos, caracterizadas por padrões únicos de cristas</p><p>e sulcos, tornando-se uma ferramenta fundamental</p><p>para a identificação civil e criminal. Diferentemente da</p><p>quiroscopia, que analisa as impressões palmares, ou seja,</p><p>as marcas deixadas pela palma das mãos (BRASIL, 2012).</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>A seguir, apresento os conceitos fundamentais desta ciência para facilitar a</p><p>compreensão abrangente do tema.</p><p>Perenidade, imutabilidade, variabilidade e inimitabilidade: são os qua-</p><p>tro postulados fundamentais da papiloscopia. A perenidade refere-se ao fato de</p><p>que as impressões digitais surgem no sexto mês de vida intrauterina e permane-</p><p>cem até a decomposição após a morte. A imutabilidade indica que os padrões das</p><p>impressões digitais não mudam naturalmente ao longo da vida. A variabilidade</p><p>diz respeito à singularidade de cada impressão digital, mesmo entre gêmeos idên-</p><p>ticos. A inimitabilidade significa que é impossível reproduzir exatamente uma</p><p>impressão digital de outra pessoa (SENNA, 2014).</p><p>Sistema Vucetich: é um dos sistemas mais utilizados para classificação de</p><p>impressões digitais, criado por Juan Vucetich. Esse sistema classifica as impres-</p><p>sões digitais com base em sua morfologia em quatro tipos fundamentais, com</p><p>diversas subclassificações (SENNA, 2014).</p><p>Automated Fingerprint Identification System (AFIS): em português,</p><p>AFIS é a sigla para Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais.</p><p>Esse é um sistema informatizado utilizado para comparar digitais coletadas com</p><p>um vasto banco de dados de impressões digitais armazenadas. O AFIS aumentou</p><p>significativamente a eficiência e rapidez na identificação de pessoas, sendo crucial</p><p>em investigações criminais (SENNA, 2014).</p><p>Quão importante foi a implementação do Sistema AFIS na investigação criminal? O</p><p>impacto desse sistema vai além da resolução de casos criminais. Ele tem um pro-</p><p>fundo significado humanitário, pois permite que famílias que perderam seus entes</p><p>em circunstâncias trágicas obtenham respostas e, com isso, um fechamento para</p><p>seu luto. A possibilidade de identificar alguém que foi dado como morto sem iden-</p><p>tificação resolve casos pendentes e oferece um consolo necessário para aqueles</p><p>que permaneceram esperançosos ou em busca de respostas.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Os componentes de uma impressão digital são basicamente constituídos pelas</p><p>cristas papilares e sulcos interpapilares, que formam os padrões únicos em cada</p><p>digital, esses componentes são formados por várias estruturas e substâncias da pele.</p><p>1</p><p>1</p><p>Para enfatizar a relevância prática do tema e sua clareza na compreensão,</p><p>procedo com a explicação e o detalhamento das duas estruturas mencionadas.</p><p>O objetivo desta explanação é não apenas enriquecer o entendimento teórico,</p><p>mas também ilustrar a aplicação efetiva e a visualização desses conceitos em</p><p>situações práticas.</p><p>Cristas papilares: são as elevações encontradas na superfície da pele das pon-</p><p>tas dos dedos. Essas cristas são formadas por células da epiderme (a camada</p><p>mais externa da pele) e são visíveis a olho nu. Elas são responsáveis por criar</p><p>os padrões distintos que vemos em uma impressão digital, como arcos, laçadas</p><p>e espirais (SENNA, 2014).</p><p>Sulcos interpapilares: são os espaços entre as cristas papilares. Os sulcos in-</p><p>terpapilares ajudam a definir o padrão único de cada impressão digital, comple-</p><p>mentando as cristas (SENNA, 2014).</p><p>Por fim, no que tange ao procedimento pericial de reconhecimento facial, tendo</p><p>em conta sua evolução constante e tecnologia empregada, cabe detalhar tal pro-</p><p>cedimento (SENNA, 2014).</p><p>Há um grupo americano, chamado Facial Identification Scientific Working</p><p>Group (FISWG), ou melhor, Grupo de Trabalho Científico de Identificação Facial.</p><p>Essa entidade se dedica ao desenvolvimento de padrões consensuais, dire-</p><p>trizes e melhores práticas no campo das comparações de características faciais</p><p>humanas baseadas em imagens. Seu trabalho inclui a oferta de recomendações</p><p>estratégicas</p><p>para atividades de pesquisa e desenvolvimento.</p><p>Além disso, contribui para o avanço do estado da ciência de forma ética,</p><p>assegurando que os novos métodos e descobertas se alinhem com princípios</p><p>morais e responsáveis.</p><p>O trabalho desenvolvido por eles, disponível ao domínio público por nome</p><p>“FISIWG”, serve como referência para diversos governos em questões de segu-</p><p>rança. O documento divide a face humana em 19 componentes faciais, cada um</p><p>com dois a três níveis de detalhe</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>Agora que obtivemos uma compreensão abrangente sobre o tema de pro-</p><p>vas, é essencial entender como planejar tarefas que demandem investiga-</p><p>ção. Essa é uma habilidade necessária que você, estudante, enfrentará em sua</p><p>trajetória profissional.</p><p>De maneira geral, as tarefas são atividades que uma pessoa ou um grupo</p><p>precisa executar para avançar em um projeto maior.</p><p>Portanto, em cada área profissional, as organizações são capazes de delinear</p><p>planos com tarefas específicas para seus colaboradores, e a área de investigação</p><p>não é exceção.</p><p>Entre as inúmeras metodologias de planejamento disponíveis, duas se desta-</p><p>cam e serão o foco de nosso estudo: as estratégias 5W2H e PDCA.</p><p>Metodologia 5W1H</p><p>O 5W2H é uma ferramenta de gestão que foi desenvolvida para sanar problemas</p><p>que ocorrem nos processos metodológicos das empresas, ela funciona como uma</p><p>checklist de atividades bem claras e definidas que devem ser realizadas em um</p><p>projeto (PONTES et al., 2018).</p><p>5W2H são as iniciais de sete perguntas a serem respondidas, a fim de que</p><p>sejam descortinadas quaisquer dúvidas acerca do que deve ser feito. 5W e 2H são</p><p>iniciais de perguntas em inglês. Os quais significam, “O quê”, “Por quê”, “Onde”,</p><p>“Quando”, “Quem”, “Como” e “Quanto custa”.</p><p>What (O quê): a primeira etapa é definir claramente o foco da investigação. Por</p><p>exemplo: investigar uma série de roubos que ocorreram na área comercial da</p><p>cidade nas últimas duas semanas. Essa etapa estabelece o escopo da investigação.</p><p>Why (Por quê): esta parte explica a importância da investigação. Por exemplo:</p><p>para identificar e prender os responsáveis, prevenindo mais crimes e garantindo</p><p>a segurança pública. Compreender o “por quê” ajuda a manter a equipe motivada</p><p>e focada nos objetivos finais.</p><p>Where (Onde): identifica o local ou locais onde a investigação ocorrerá.</p><p>No exemplo dos roubos, onde, poderia ser: na área comercial da cidade,</p><p>incluindo todas as lojas e estabelecimentos afetados. Isso ajuda a delimitar</p><p>a área de investigação.</p><p>1</p><p>1</p><p>When (Quando): define o cronograma da investigação. Exemplo: iniciar a in-</p><p>vestigação imediatamente, com o objetivo de identificar suspeitos dentro de um</p><p>mês. Ter um cronograma claro ajuda a equipe a trabalhar de forma eficiente e</p><p>sob pressão de tempo.</p><p>Who (Quem): esta etapa designa as responsabilidades. Por exemplo: a equipe</p><p>de detetives será responsável pela investigação no terreno, enquanto os analistas</p><p>de dados trabalharão na análise de padrões dos roubos. A atribuição de tarefas</p><p>garante que todos saibam o que se espera deles.</p><p>How (Como): descreve o método ou procedimento para a investigação. Exem-</p><p>plo: usar câmeras de vigilância, entrevistar testemunhas, coletar e analisar provas</p><p>forenses e cruzar informações com bancos de dados criminais. Isso fornece um</p><p>plano de ação detalhado.</p><p>How Much (Quanto custa): estima os custos envolvidos na investigação. Por</p><p>exemplo: orçamento estimado em R$ 50.000 para recursos, horas extras e equi-</p><p>pamentos. Ter uma noção clara dos custos ajuda no planejamento financeiro e</p><p>na alocação de recursos.</p><p>Metodologia PDCA</p><p>A metodologia PDCA, quando aplicada em uma investigação criminal, oferece</p><p>uma abordagem dinâmica e cíclica, que é essencial para lidar com as incertezas</p><p>e complexidades inerentes a esse tipo de trabalho. Consideraremos como as qua-</p><p>tro fases – Plan, Do, Check, Act – se entrelaçam numa situação de investigação</p><p>(PONTES et al., 2018).</p><p>Na fase de Planejamento, a equipe de investigação define seus objetivos e</p><p>formula uma estratégia detalhada. Por exemplo, ao investigar uma série de furtos</p><p>em uma comunidade, a equipe estabelece metas claras, como identificar e cap-</p><p>turar os responsáveis. Eles planejarão suas táticas, incluindo vigilância, análise</p><p>de câmeras de segurança e entrevistas com testemunhas, além de determinar os</p><p>recursos necessários, como pessoal, equipamentos e tempo.</p><p>Em seguida, na fase de Execução, a equipe implementa o plano. Isso envolve</p><p>realizar as patrulhas, analisar as gravações de segurança, coletar provas e conduzir</p><p>entrevistas. Aqui, a teoria se transforma em prática e as estratégias planejadas são</p><p>testadas no campo.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>A fase de Verificação é onde a equipe avalia os resultados das ações imple-</p><p>mentadas. Eles revisam as evidências coletadas, a eficácia das táticas de vigilância</p><p>e a qualidade das informações obtidas. Esee é um momento crítico, pois a equipe</p><p>avalia se está no caminho certo para alcançar seus objetivos.</p><p>Por fim, na fase de Ação, a equipe faz ajustes com base no que foi aprendido.</p><p>Se eles descobrirem, por exemplo, que os furtos ocorrem predominantemente</p><p>em áreas não cobertas pelas câmeras, podem decidir ajustar as rotas de patrulha</p><p>e instalar câmeras adicionais. Se os resultados forem positivos, essas estratégias</p><p>podem ser padronizadas e aplicadas em futuras investigações.</p><p>Esse ciclo contínuo de planejamento, execução, verificação e ação permite que</p><p>a equipe de investigação se adapte e responda eficazmente à natureza em cons-</p><p>tante mudança do crime. Ao invés de seguir um plano rígido, o PDCA incentiva</p><p>a flexibilidade e a aprendizagem contínua, tornando-o ideal para o complexo e</p><p>imprevisível mundo da investigação criminal.</p><p>Suponhamos que a polícia está investigando uma série de furtos em uma comuni-</p><p>dade. Na fase de planejamento, a equipe define o objetivo de identificar e prender</p><p>os responsáveis, planeja realizar patrulhas noturnas e analisar as gravações de câ-</p><p>meras de segurança.</p><p>Durante a execução, as patrulhas são realizadas e as câmeras são analisadas. Na</p><p>fase de verificação, a equipe percebe que os furtos ocorrem em áreas não cober-</p><p>tas pelas câmeras. Com essa informação, na fase de ação, a equipe decide ajustar</p><p>as rotas de patrulha e instalar câmeras adicionais nessas áreas.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Em resumo, enquanto o 5W2H é excelente para planejar e executar tarefas es-</p><p>pecíficas com clareza e detalhe, o PDCA é mais adequado para processos que</p><p>precisam de revisão e melhoria contínua ao longo do tempo, essa diferenciação</p><p>pode ser visualizada na tabela a seguir:</p><p>1</p><p>4</p><p>ASPECTO 5W2H PDCA</p><p>FOCO</p><p>Planejamento e execução</p><p>de tarefas específicas</p><p>Melhoria contínua de processos</p><p>ABORDAGEM</p><p>Descritiva e direta, com um</p><p>plano detalhado</p><p>Ciclística e iterativa, focada em</p><p>adaptação e aprendizado</p><p>ETAPAS</p><p>O quê; Por quê; Onde;</p><p>Quando; Quem; Como;</p><p>Quanto Custa</p><p>Planejar, executar, verificar e</p><p>agir</p><p>FLEXIBILIDADE</p><p>Mais estático, focado na</p><p>execução do plano</p><p>Mais adaptável, projetado para</p><p>ciclos contínuos de melhoria</p><p>APLICAÇÃO</p><p>Ideal para planejar e imple-</p><p>mentar uma tarefa específi-</p><p>ca de investigação</p><p>Ideal para melhorar processos</p><p>contínuos de investigação e</p><p>adaptar estratégias</p><p>Quadro 2 – Quadro de diferenciação entre as metodologias 5W2H e PDCA</p><p>Fonte: o autor.</p><p>Não basta apenas possuirmos métodos bem definidos e estratégias investigativas</p><p>eficazes, é fundamental que, antes de tudo, racionalizamos de forma crítica e ética</p><p>a sua produção.</p><p>Por exemplo, é importante destacar que, em algumas situações, pode haver</p><p>tentativas de elaborar métodos de investigação que envolvam ações ilegais e an-</p><p>tiéticas, como a tortura. É fundamental ressaltar que tais abordagens não apenas</p><p>violam princípios morais fundamentais, mas também contrariam as leis e normas</p><p>que regem práticas investigativas legítimas.</p><p>Esse pensamento crítico é essencial para garantir a eticidade da conduta in-</p><p>vestigativa e o respeito às leis e regulamentos criminais. Além disso, a validação</p><p>ética e</p><p>legal de todo o processo investigativo assegura sua aceitação em um con-</p><p>texto processual penal.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>Isso é crucial, pois investigações que empregam métodos questionáveis po-</p><p>dem ser invalidadas em tribunal, resultando na inutilização das provas obtidas</p><p>e, consequentemente, na dificuldade ou impossibilidade de condenar o infrator.</p><p>Além da observância à lei, a ética na investigação protege os direitos e a dig-</p><p>nidade dos envolvidos, garantindo que a busca pela verdade não se sobreponha</p><p>aos direitos fundamentais do ser humano.</p><p>Portanto, é vital que as instituições responsáveis pela investigação criminal</p><p>invistam na formação contínua dos seus profissionais, enfatizando a importân-</p><p>cia da ética, da integridade e do respeito aos direitos humanos, assim como das</p><p>consequências legais e morais de práticas investigativas inadequadas. Dessa for-</p><p>ma, contribuímos para um sistema de justiça mais justo, eficaz e respeitoso dos</p><p>princípios democráticos fundamentais.</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Encerramos este tema sobre Análise e Avaliação de Provas Periciais. Ao longo do</p><p>estudo, exploramos o Código de Processo Penal, focando nas provas no Processo</p><p>Penal, enriquecendo nosso entendimento teórico e fornecendo conhecimentos</p><p>práticos para aplicação real.</p><p>Aprendemos a diferenciar fato, prova, vestígio e elemento informativo, essen-</p><p>ciais para construir casos sólidos e conduzir investigações eficazes. Reconhece-</p><p>mos a importância e precisão do trabalho do perito criminal para a justiça. Ex-</p><p>ploramos várias provas periciais, como exames de lesões corporais, necroscopia,</p><p>perícia de reconhecimento facial e papiloscopia, ressaltando seus princípios. O</p><p>Sistema AFIS mostrou a evolução tecnológica na investigação criminal.</p><p>1</p><p>1</p><p>Este tema não foi apenas sobre aprender conceitos e técnicas, foi também uma</p><p>jornada para entender o impacto significativo dessas práticas no mundo real. O</p><p>conhecimento adquirido aqui prepara você para enfrentar os desafios da investi-</p><p>gação criminal no dia a dia, capacitando-o a tomar decisões informadas e éticas.</p><p>À medida que encerramos este tema, espero que as discussões, os cenários e</p><p>os exemplos práticos tenham proporcionado um aprendizado rico e profundo.</p><p>Que eles sirvam como uma base sólida para você, enquanto avança na sua car-</p><p>reira na área da segurança, seja no setor público ou privado. Esse conhecimento</p><p>é vital, não só para a resolução de crimes, mas também para a manutenção da</p><p>confiança e integridade no sistema de justiça.</p><p>Estudante, leve consigo a compreensão de que cada aspecto do processo penal</p><p>tem sua relevância e que, juntos, formam a espinha dorsal de uma investigação</p><p>eficaz e justa.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1. No Brasil, a expressão “investigação policial” é utilizada na área jurídica como sinônimo</p><p>de “inquérito policial”, mas, na prática, com ele não se confunde. Com efeito, muitas infor-</p><p>mações e dados colhidos durante a investigação não irão para o bojo do inquérito; só irão</p><p>aqueles elementos que forem julgados úteis para a prova da materialidade e autoria do</p><p>crime investigado (ROCHA, 1998).</p><p>Fonte: ROCHA, L. C. Investigação policial: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 1998.</p><p>Considerando as distinções entre prova, elemento informativo e vestígio na investigação</p><p>criminal, assinale a alternativa correta quanto às definições desses termos:</p><p>a) Prova, elemento informativo e vestígio são termos intercambiáveis na investigação cri-</p><p>minal, todos com igual relevância e função.</p><p>b) Provas são informações preliminares na investigação, enquanto vestígios são elementos</p><p>concretos usados para demonstrar a veracidade de um fato.</p><p>c) Elementos informativos são traços ou sinais deixados em um local de crime, diferindo</p><p>dos vestígios que são usados para formar juízo inicial sobre o caso.</p><p>d) Vestígios referem-se a traços físicos deixados em uma cena de crime, enquanto provas</p><p>são elementos usados para demonstrar a verdade de um fato no processo, e elementos</p><p>informativos são dados preliminares que guiam a investigação</p><p>e) Elementos informativos e vestígios são categorias de provas, não havendo distinção</p><p>significativa entre eles no contexto de uma investigação criminal.</p><p>2. Durante a investigação criminal, conforme dispõe da Lei nº 12.830/2013, caberá à autori-</p><p>dade policial a requisição de perícia, informações, documentos e dados que interessam à</p><p>apuração dos fatos, assegurando a discricionariedade necessária para a boa consecução</p><p>de suas atividades e o sucesso da perscrutação criminal (BONFIM, 2019).</p><p>Fonte: BONFIM, E. M. Curso de processo penal. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>Diante do fragmento do texto, assinale a alternativa correta quanto às provas durante a</p><p>investigação criminal.</p><p>I - Provas são elementos concretos usados no processo jurídico para estabelecer a verdade</p><p>de um fato ou ato, fundamentais para a conclusão do inquérito.</p><p>II - Vestígios são traços ou sinais físicos deixados em uma cena de crime, essenciais para a</p><p>reconstrução dos eventos.</p><p>III - Elementos informativos são dados preliminares que orientam a investigação, mas não</p><p>têm o mesmo status formal que as provas no contexto jurídico.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>8</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. Dispõe o Art. 158 do Código de Processo Penal:</p><p>“Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito,</p><p>direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado” (BRASIL, 1941).</p><p>Fonte: BRASIL. Decreto-Lei nº 3689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal.</p><p>Rio de Janeiro, RJ: Presidência da República, 1941. Disponível em: https://www.planalto.gov.</p><p>br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>De acordo com o Art. 158 do Código de Processo Penal, qual é a relação entre o exame</p><p>de corpo de delito e a confissão do acusado em casos de infrações que deixam vestígios?</p><p>a) A confissão do acusado elimina a necessidade do exame de corpo de delito.</p><p>b) O exame de corpo de delito é opcional quando há vestígios da infração.</p><p>c) A confissão do acusado pode substituir o exame de corpo de delito se for reforçada por</p><p>outras evidências.</p><p>d) O exame de corpo de delito é indispensável e não pode ser substituído pela confissão</p><p>do acusado.</p><p>e) O exame de corpo de delito é necessário apenas em crimes graves.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BONFIM, E. M. Curso de processo penal. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 3689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Rio de Ja-</p><p>neiro, RJ: Presidência da República, 1941. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 16 jan. 2024.</p><p>BRASIL. Manual de orientação de quesitos da perícia criminal. Brasília, DF: Departamento de</p><p>Polícia Federal; Instituto Nacional de Criminalística; Diretoria Técnico-Científica, 2012. Disponível</p><p>em: https://www.mpce.mp.br/wp-content/uploads/2016/03/Manual-de-orienta%C3%A7%-</p><p>C3%A3o-de-quesitos-da-per%C3%ADcia-criminal.pdf. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>LOPES JR, A. Direito processual penal. 17. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2020.</p><p>NUCCI, G. de S. Código penal comentado. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2017.</p><p>PONTES, W. L. et al. Mecanismos para implantação do planejamento estratégico na polícia mi-</p><p>litar do Maranhão. In: VII SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE GESTÃO DE PROJETOS, INOVAÇÃO</p><p>E SUSTENTABILIDADE, 7., 2018, Maranhão. Anais [...]. São Paulo: Singep, 2018. Disponível em:</p><p>https://www.singep.org.br/7singep/resultado/282.pdf. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>ROCHA, L. C. Investigação policial: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 1998.</p><p>SENNA, C. M. G. Papiloscopia como método de identificação humana: uma contribuição à in-</p><p>vestigação criminal. Palhoça:</p><p>Universidade do Sul de Santa Catarina, 2014. Disponível em: https://</p><p>repositorio.animaeducacao.com.br/bitstreams/4e15a074-d411-445b-a2eb-43f2029d3797/do-</p><p>wnload. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>1</p><p>1</p><p>1. Alternativa D. A alternativa correta é a D, pois vestígios são entendidos como traços físicos</p><p>ou sinais deixados em uma cena de crime, que podem ser cruciais para a reconstrução dos</p><p>eventos. As provas, por outro lado, são elementos concretos utilizados no processo jurídico</p><p>para demonstrar a veracidade de um fato ou ato, sendo fundamentais para a conclusão do</p><p>inquérito. Já os elementos informativos servem como informações preliminares que auxiliam</p><p>na orientação da investigação, mas não possuem o mesmo status formal que as provas no</p><p>contexto jurídico. Cada um desses componentes desempenha um papel distinto e comple-</p><p>mentar na investigação criminal.</p><p>2. Alternativa E. A alternativa correta é a E, pois todas as afirmações são verdadeiras e refletem</p><p>a importância e o papel distintos de provas, vestígios e elementos informativos na investi-</p><p>gação criminal</p><p>3. Alternativa D. A alternativa correta é a D, pois o Art. 158 do Código de Processo Penal esta-</p><p>belece claramente que, em casos de infrações que deixam vestígios, o exame de corpo de</p><p>delito é indispensável e não pode ser substituído pela confissão do acusado.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>UNIDADE 2</p><p>MINHAS METAS</p><p>PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA</p><p>INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Compreender o Modelo Estratégico de Lykke Jr. na investigação criminal.</p><p>Desenvolver habilidades analíticas para abordar casos criminais complexos.</p><p>Reconhecer e abordar questões éticas na prática da investigação criminal.</p><p>Integrar tecnologias avançadas, como inteligência artificial, no processo de investigação.</p><p>Aprimorar habilidades de comunicação, incluindo a criação de rapport e técnicas de</p><p>entrevistas.</p><p>Adquirir a capacidade de adaptar estratégias a diferentes cenários de investigação.</p><p>Promover valores éticos, integridade e respeito pelos direitos humanos na segurança</p><p>pública.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4</p><p>1</p><p>4</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Bem-vindo a um tema decisivo na sua jornada de formação: o Planejamento</p><p>Estratégico na Investigação Criminal.</p><p>Neste tema, você mergulhará na intersecção entre a teoria estratégica e a</p><p>prática investigativa, uma combinação que forma a base para resolver casos com-</p><p>plexos e enigmáticos.</p><p>Iniciamos nossa jornada explorando um cenário hipotético: uma cidade en-</p><p>frentando uma série de crimes e as pistas se apresentam de forma escassas e os</p><p>métodos dos criminosos parecem não seguir um padrão definido. Este cenário,</p><p>longe de ser apenas uma situação hipotética, reflete os desafios reais enfrentados</p><p>por profissionais da segurança pública. Para enfrentar tais desafios, a abordagem</p><p>estratégica se torna uma ferramenta indispensável o qual garante a melhor alo-</p><p>cação de recursos financeiros, humano e intelectual.</p><p>Neste tema, você aprenderá a utilizar modelos estratégicos, como o de Lykke</p><p>Jr., para criar planos de investigações sólidos. Esse conhecimento não é apenas</p><p>teórico, ele é vital para conectar os pontos e antecipar os movimentos dos infrato-</p><p>res, elementos cruciais para solucionar casos complexos. Resolver esses crimes vai</p><p>além da justiça imediata, é fundamental para restaurar a segurança e a confiança</p><p>da comunidade, alimenta o processo de formulação de políticas públicas, forne-</p><p>cendo informações valiosas para melhorar a prevenção, a detecção e a resposta</p><p>ao crime, em benefício da comunidade como um todo.</p><p>À medida que você se aprofundar neste tema, você será desafiado a pensar</p><p>criticamente e a adaptar estratégias a diferentes cenários de investigação. Por</p><p>exemplo, ao se deparar com um caso fictício de fraude financeira, você aplicará</p><p>essas técnicas para desvendar padrões ocultos e prever as próximas ações do</p><p>infrator com base em possibilidades identificadas pelo padrão de atitudes do</p><p>autor do crime. Assim, essas possibilidades nada mais são do que caminhos pos-</p><p>síveis em que o infrator poderia percorrer para lograr êxito na atitude criminosa.</p><p>Além da habilidade técnica, este módulo enfatiza a importância da ética e</p><p>da responsabilidade na coleta e análise de provas. Você será encorajado a refletir</p><p>sobre o impacto de suas decisões investigativas, ponderando como equilibrar a</p><p>eficácia investigativa com o respeito aos direitos humanos e à legislação vigente.</p><p>Essa reflexão é crucial para formar profissionais íntegros e conscientes, prepara-</p><p>dos para os desafios multifacetados no campo da segurança pública.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Ao final deste capítulo, o objetivo é que você não apenas compreenda o pla-</p><p>nejamento estratégico como uma ferramenta técnica, mas também reconheça</p><p>seu papel significativo e sua responsabilidade como futuro profissional na área</p><p>de segurança pública. Este é o início de uma jornada empolgante que o preparará</p><p>para ser um contribuidor eficaz e consciente no campo da segurança pública.</p><p>Temos o prazer de convidá-lo para explorar o nosso podcast intitulado Investigação</p><p>criminal: estratégias e táticas. Nesta jornada, abordaremos diversos aspectos das</p><p>investigações criminais, enriquecendo o seu conhecimento teórico sobre o tema.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Confira a história de Liana Friedenbach, uma adolescente que mente para os pais em</p><p>uma tentativa de passar o final de semana viajando com o namorado. Champinha,</p><p>menor de idade na época, e seu grupo transformam a viagem romântica em um</p><p>verdadeiro terror. Provavelmente, você já ouviu falar desse caso, mas pode conferir</p><p>essa história com mais detalhes clicando no link a seguir: https://www.youtube.</p><p>com/watch?v=bimt-Lqfzkk&ab_channel=Opera%C3%A7%C3%A3oPolicial.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>PANORAMA ESTRATÉGICO INVESTIGATIVO</p><p>Na complexa e desafiadora área da segurança pública, a investigação criminal</p><p>desempenha um papel vital. As técnicas e estratégias empregadas na solução de</p><p>crimes são essenciais, não apenas para a aplicação da justiça, mas também para</p><p>a manutenção da ordem e a proteção da sociedade. Nesse cenário, a estratégia na</p><p>1</p><p>1</p><p>investigação criminal assume uma importância singular, agindo como a espinha</p><p>dorsal de uma abordagem para desvendar e solucionar crimes.</p><p>Imagine um cenário em que uma série de assaltos sofisticados a bancos ocorre</p><p>em uma grande cidade. Cada roubo é executado com precisão, restando poucas</p><p>evidências do crime e nenhum padrão delitivo óbvio. A equipe de investigação</p><p>se depara com um dilema estratégico: deveriam concentrar todos os seus</p><p>recursos imediatamente na tentativa de identificar os perpetradores ou seria</p><p>mais prudente desenvolver um planejamento de ação estratégico, considerando</p><p>várias abordagens e possibilidades?</p><p>Esse exemplo ilustra a complexidade e a importância da tomada de decisão</p><p>estratégica em investigações criminais. A escolha feita aqui pode influenciar</p><p>significativamente o sucesso ou fracasso da resolução do caso. Refletiremos sobre</p><p>esta questão e suas implicações ao longo deste tema.</p><p>A concepção de uma estratégia eficaz na investigação criminal engloba várias</p><p>fases críticas e se beneficia de diferentes metodologias e escolas de estratégia,</p><p>como as escolas de design, planejamento, posicionamento, empreendedorismo,</p><p>cognitiva, entre outras. O primeiro passo envolve uma análise minuciosa do</p><p>delito, levando em conta o contexto, os envolvidos e os meios disponíveis. Em</p><p>seguida, é fundamental estabelecer prioridades claras e objetivos específicos. O</p><p>desenvolvimento de um plano de ação implica na definição de tarefas concretas,</p><p>distribuição de recursos e estipulação de prazos. O monitoramento constante do</p><p>progresso e a capacidade de realizar ajustes conforme necessário são elementos-</p><p>chave neste processo.</p><p>Exemplos históricos demonstram a importância de uma abordagem</p><p>estratégica bem planejada. A captura do Unabomber, Ted Kaczynski, é um caso</p><p>emblemático, a análise</p><p>de padrões de comportamento e perfis psicológicos, aliada</p><p>à colaboração interagencial, foi decisiva. Por outro lado, o caso de Richard Jewell</p><p>durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, ressalta os perigos de estratégias</p><p>mal planejadas e precipitadas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Manhunt: Unabomber</p><p>Manhunt: Unabomber conta a história da caça ao homem-</p><p>bomba na série mais mortal da história. O agente do FBI, Jim</p><p>Fitzgerald, pioneiro no uso da linguística forense para identificar</p><p>e capturar o Unabomber, Ted Kaczynski, enfrentou uma batalha</p><p>difícil contra ele e a burocracia da Força-Tarefa Unabomb.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>A investigação criminal é um campo que se baseia em uma série de conceitos fun-</p><p>damentais além das técnicas de coleta de provas. Estes incluem o entendimento</p><p>do Direito Penal e Processual, essencial para assegurar a legalidade e justiça nas</p><p>investigações. Além disso, a psicologia do crime é crucial para compreender as</p><p>motivações e padrões comportamentais dos criminosos. Também há a análise</p><p>forense, que abrange a coleta e a interpretação de evidências físicas e digitais,</p><p>sendo vital para estabelecer conexões entre suspeitos e delitos.</p><p>No cerne da investigação criminal, encontra-se o interrogatório, uma etapa</p><p>formal em que o investigador realiza questionamentos a indivíduos relacionados</p><p>ao caso. Esses podem incluir suspeitos, testemunhas, vítimas, informantes, cola-</p><p>boradores, entre outros, com o objetivo de obter informações relevantes para o</p><p>progresso da investigação. Esse processo é cuidadosamente regulamentado para</p><p>proteger os direitos do interrogado, como o direito ao silêncio e à assistência</p><p>jurídica, conforme as leis penais e processuais do Brasil que, nesse caso, encon-</p><p>tram-se no Código de Processo Penal, do Art. 185 ao 196. O objetivo? Desvendar</p><p>informações cruciais para o esclarecimento do crime.</p><p>Há duas abordagens distintas no interrogatório: a confrontacional (coerci-</p><p>tiva) e a não confrontacional (não coercitiva). Na abordagem confrontacional,</p><p>o interrogador pode adotar um estilo mais direto e</p><p>assertivo, muitas vezes sob críticas devido aos riscos</p><p>éticos e à possibilidade de extrair confissões falsas.</p><p>Em contrapartida, a abordagem não confrontacional</p><p>preza pela coleta de informações de forma amigável</p><p>e sem pressão, fomentando um diálogo cooperativo,</p><p>Interrogatórios</p><p>podem enfrentar</p><p>barreiras de</p><p>comunicação, tanto</p><p>linguísticas quanto</p><p>psicológicas .</p><p>1</p><p>8</p><p>que permite ao entrevistador compreender as perspectivas e motivações do en-</p><p>trevistado (CECCONELLO; STEIN, 2023).</p><p>Porém, interrogatórios podem enfrentar barreiras de comunicação, tanto</p><p>linguísticas quanto psicológicas. O entrevistador precisa estar atento a esses obs-</p><p>táculos, abordando-os de maneira sensível e eficaz.</p><p>Um elemento crucial nas entrevistas é o impacto do tempo sobre as memórias</p><p>dos entrevistados. Com o passar do tempo, as lembranças podem sofrer altera-</p><p>ções, tornando-se menos precisas ou confiáveis (CECCONELLO; STEIN, 2023).</p><p>Esse fenômeno é importante porque pode afetar significativamente a vera-</p><p>cidade e a integridade das informações coletadas. Portanto, é essencial que os</p><p>entrevistadores reconheçam e considerem essa variável ao avaliar e interpretar as</p><p>memórias e relatos obtidos, mantendo uma postura crítica e consciente quanto à</p><p>possível evolução ou degradação das lembranças ao longo do tempo (CECCO-</p><p>NELLO; STEIN, 2023).</p><p>Agora que discutimos alguns aspectos do interrogatório, exploraremos o</p><p>Modelo Estratégico de Arthur F. Lykke Jr., que facilita a tomada de decisões estra-</p><p>tégicas e a utilização eficaz dos recursos, além de garantir que os objetivos sejam</p><p>claramente definidos e as estratégias adequadamente escolhidas. Antes disso, no</p><p>entanto, conheceremos quem foi ele.</p><p>MODELO ESTRATÉGICO DE ARTHUR F. LYKKE JR</p><p>Nos finais dos anos 1980, Arthur F. Lykke Jr. introduziu um conceito que se tor-</p><p>naria um marco no pensamento estratégico: o modelo Ends, Ways and Means</p><p>(Fins, Modos e Meios). Esse modelo propõe que uma estratégia eficaz deve equi-</p><p>librar claramente esses três elementos: os objetivos a serem alcançados (Fins),</p><p>os métodos e planos para alcançá-los (Modos) e os recursos disponíveis para</p><p>executar esses planos (Meios) (CERAMI; HOLCOMB, 2001).</p><p>Há também a figura do esforço investigativo, o qual consiste em como se deve</p><p>guiar as condutas e atitudes do investigador diante do cenário que o encontra. O</p><p>fator risco, por sua vez, representa a variável de os fins, modos e meios estarem</p><p>em desarmonia com o esforço investigativo (CERAMI; HOLCOMB, 2001).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>O modelo de Lykke Jr. ganhou ampla aceitação e foi aplicado em diversos</p><p>contextos, indo além do militar, incluindo gestão de negócios, políticas públicas</p><p>e investigação criminal. Sua abordagem simplificada, porém, profundamente</p><p>eficaz, na estruturação do planejamento estratégico, tornou-se um pilar na edu-</p><p>cação do War College e influenciou várias gerações de estrategistas e pensadores</p><p>(CERAMI; HOLCOMB, 2001).</p><p>Para melhor ilustrar, confira a seguir uma figura representativa desse</p><p>Modelo Estratégico.</p><p>Figura 1 – Modelo Estratégico de Lykke Jr.</p><p>Fonte: adaptada de Barbosa (2010).</p><p>Descrição da Imagem: a figura é composta por três pernas de suporte e um bloco sobre elas. As pernas são</p><p>rotuladas com as palavras “Objetivos”, “Táticas” e “Meios”. Elas estão balanceando um bloco retangular que está</p><p>assentado sobre elas. No bloco, estão as palavras “Esforço Investigativo” escritas em duas linhas. À direita do</p><p>bloco e das pernas, há uma seta fina apontando para a direita com a palavra “Risco” ao lado dela. A representação</p><p>sugere que o “Esforço Investigativo” é sustentado pelos três pilares estratégicos e está associado a um certo</p><p>nível de risco, indicado pela seta. Fim da descrição.</p><p>Agora, imagine que uma cidade está enfrentando uma série de roubos a resi-</p><p>dências. A polícia está sob pressão para resolver esses casos e prevenir futuros</p><p>incidentes. Aplicaremos o Modelo Estratégico de Lykke Jr., explicado por Barbosa</p><p>(2010) a esta situação.</p><p>8</p><p>1</p><p>Fins (Objetivos): “o objetivo da investigação criminal, como é cediço, é solver a situa-</p><p>ção-problema do crime praticado, vale dizer, do crime posto in concreto no tecido</p><p>social, apontando a sua materialidade, lato sensu, sua existência, autoria e circunstân-</p><p>cias. Este é o objetivo macro do esforço investigativo que é alcançado na medida em</p><p>que objetivos intermediários outros são atingidos formando o mosaico das peças que</p><p>consubstanciam o conjunto da verdade material que traduz a realidade fática em que o</p><p>delito sob escrutínio está inserido” (BARBOSA, 2010, p. 28).</p><p>Meios (Recursos): para atingir esses objetivos, a investigação conta com uma equipe</p><p>policial qualificada, equipamentos de investigação de última geração, tecnologia avan-</p><p>çada de vigilância e acesso a extensivas bases de dados criminais. “Os órgãos respon-</p><p>sáveis pela persecução criminal pré-processual devem ser providos com os recursos</p><p>necessários para atingirem seus objetivos” (BARBOSA, 2010, p. 51).</p><p>Modos (Métodos): a estratégia de investigação incorpora um patrulhamento mais</p><p>intenso nas áreas mais afetadas pelos roubos, combinado com uma análise forense</p><p>rigorosa das cenas dos crimes. “Em veras, há várias formas de se alcançar um objetivo.</p><p>Tais opções metodológicas conduzem invariavelmente ao fim proposto, com ressalvas</p><p>às táticas que vem à tona por intermédio de uma apreciação empírica e amadora do</p><p>problema a ser enfrentado estrategicamente” (BARBOSA, 2010, p. 29).</p><p>Partindo do contexto introdutório sobre o modelo de Lykke Jr., podemos ampliar</p><p>nossa discussão ao explorar estratégias de pesquisa associadas a esse modelo.</p><p>Lembrando que Lykke Jr. desenvolveu um framework, ou melhor, uma ferramen-</p><p>ta que tem aplicações versáteis em diversas áreas, incluindo pesquisa científica,</p><p>psicologia, ciências sociais e muito mais.</p><p>INTEGRAÇÃO DE TECNOLOGIAS EMERGENTES NA</p><p>INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>A integração de tecnologias emergentes</p><p>na investigação criminal está revolucio-</p><p>nando a forma como as agências de segurança operam. Uma das inovações mais</p><p>significativas é o uso da inteligência artificial e da análise de big data para prever</p><p>e prevenir crimes antes mesmo que eles ocorram.</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Um exemplo notável dessa aplicação tecnológica vem da China, onde sis-</p><p>temas avançados de vigilância e IA, chamados de Integrated Joint Operations</p><p>Platform (IJOP), são utilizados para identificar potenciais criminosos com base</p><p>em padrões de comportamento e outros indicadores. Essa abordagem proativa</p><p>na prevenção do crime envolve o monitoramento em larga escala e a análise</p><p>de dados coletados por meio de câmeras de vigilância, reconhecimento facial e</p><p>outras fontes de dados.</p><p>Na reportagem do jornal ShareAmerica, é apresentado a inteligência artificial de</p><p>prevenção de crimes chamada Integrated Joint Operations Platform (IJOP), desen-</p><p>volvida pelo governo chinês para prever padrões de comportamento e prevenir</p><p>futuros delitos antes mesmo de acontecer. Entretanto, tal tecnologia pode ser usa-</p><p>da com outras finalidades, conforme você pode conferir acessando a reportagem</p><p>pelo link a seguir:</p><p>https://share.america.gov/pt-br/relatorio-china-usa-big-data-visando-identificar-</p><p>-uigures-passiveis-de-detencao/.</p><p>EU INDICO</p><p>Essas tecnologias oferecem novas possibilidades para melhorar a segurança e a</p><p>eficiência das investigações, mas também levantam questões importantes sobre</p><p>privacidade, ética e a precisão dos algoritmos usados.</p><p>O exemplo chinês nos mostra o potencial dessas ferramentas, mas também</p><p>destaca a necessidade de equilibrar a inovação tecnológica com os direitos indi-</p><p>viduais e a responsabilidade legal.</p><p>A integração de tecnologias emergentes na previsão e prevenção de crimes,</p><p>como o sistema chinês, representa um avanço significativo na segurança pública.</p><p>No entanto, é crucial fazer uma análise ética cuidadosa, especialmente em relação</p><p>aos impactos nas liberdades individuais e em grupos minoritários.</p><p>Se os dados usados para treinar esses sistemas refletirem disparidades histó-</p><p>ricas ou sociais, existe o risco de vigilância desproporcional e acusações injustas</p><p>contra grupos minoritários, perpetuando estereótipos e agravando desigualdades</p><p>sociais. Portanto, é essencial que o desenvolvimento e a implementação dessas tec-</p><p>nologias sejam realizados de forma consciente, garantindo que sejam livres de viés.</p><p>8</p><p>1</p><p>Potencializando investigação: integração de inteligência</p><p>artificial e tecnologias avançadas</p><p>Outra questão ética crítica é a privacidade e a autonomia individuais. O uso</p><p>extensivo de vigilância, incluindo o reconhecimento facial e o monitoramento</p><p>em larga escala, pode facilmente ultrapassar os limites entre garantir a seguran-</p><p>ça pública e invadir a privacidade pessoal. Isso pode levar a uma sociedade de</p><p>vigilância, comprometendo a autonomia individual.</p><p>A transparência na coleta e uso de dados, bem como o consenti-</p><p>mento informado dos cidadãos são aspectos essenciais para equilibrar</p><p>segurança e privacidade.</p><p>Para abordar essas preocupações éticas, é importante implementar regula-</p><p>mentações sólidas e sistemas de controle. As leis devem ser adaptadas para en-</p><p>frentar os desafios trazidos por essas novas tecnologias, garantindo que sejam</p><p>usadas de forma justa e ética, com supervisão adequada e mecanismos de pres-</p><p>tação de contas para evitar abusos.</p><p>Além disso, é fundamental estabelecer um diálogo aberto e contínuo entre</p><p>desenvolvedores de tecnologia, o sistema de justiça, defensores dos direitos civis</p><p>e o público em geral. A participação pública na discussão sobre como essas tec-</p><p>nologias devem ser utilizadas pode ajudar a garantir que sejam empregadas de</p><p>maneira que respeite os direitos e liberdades individuais, contribuindo simulta-</p><p>neamente para a segurança pública.</p><p>Por fim, a educação e a conscientização sobre as implicações éticas dessas</p><p>tecnologias são cruciais. Profissionais de segurança pública, legisladores e a co-</p><p>munidade devem estar cientes dos potenciais riscos e benefícios. A formação</p><p>contínua em ética da tecnologia para os envolvidos pode garantir uma aplicação</p><p>mais consciente e responsável dessas ferramentas.</p><p>Veja a reportagem a seguir sobre o uso dessas tecnologias de inteligência artificial,</p><p>essa a ferramenta foi utilizada nos Jogos Olímpicos da França: https://olhardigital.</p><p>com.br/2023/12/19/seguranca/franca-testa-vigilancia-por-ia-antes-dos-jogos-</p><p>-olimpicos/.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>A tecnologia de Inteligência Artificial (IA) pode ser integrada eficazmente</p><p>ao Modelo Estratégico de Lykke Jr. na investigação criminal, otimizando os ele-</p><p>mentos de Fins, Meios e Modos.</p><p>A seguir, exploraremos um exemplo hipotético para ilustrar essa integração.</p><p>Contexto: em uma metrópole com crescente problema de tráfico de drogas, a</p><p>polícia enfrenta desafios significativos devido à complexidade das redes de trá-</p><p>fico e à limitação de recursos humanos e tecnológicos. As autoridades decidem</p><p>implementar uma estratégia inovadora utilizando Inteligência Artificial (IA) para</p><p>combater eficazmente o tráfico.</p><p>Fins (Objetivos): o objetivo principal é desmantelar as redes de tráfico de dro-</p><p>gas, reduzindo a criminalidade associada e aumentando a segurança pública.</p><p>Isso inclui a identificação e prisão de traficantes-chave, a interrupção das rotas</p><p>de fornecimento e a diminuição da disponibilidade de drogas ilegais na cidade.</p><p>Meios (Recursos): aqui, cabe maior detalhamento por conta de suas caracte-</p><p>rísticas intrínsecas:</p><p>1. Equipe especializada</p><p>A formação e a manutenção de uma equipe especializada requerem investi-</p><p>mentos substanciais em treinamento e salários. Esses custos são cruciais para</p><p>garantir que o pessoal tenha as habilidades e o conhecimento necessários para</p><p>operar e interpretar os resultados fornecidos pela tecnologia de IA. Apesar do</p><p>alto custo inicial, a expertise dessa equipe é fundamental para o sucesso das</p><p>operações de investigação.</p><p>2. Tecnologia avançada de IA para análise de dados</p><p>A aquisição de softwares de IA especializados representa um investimento sig-</p><p>nificativo. Além do custo inicial de compra, há despesas contínuas com manu-</p><p>tenção, atualizações e, possivelmente, treinamento para os usuários. Esses custos</p><p>podem ser justificados pela capacidade da IA de processar e analisar rapidamente</p><p>enormes volumes de dados, uma tarefa impossível de ser realizada manualmente</p><p>com a mesma eficiência.</p><p>8</p><p>4</p><p>3. Equipamentos de vigilância e monitoramento</p><p>A compra e a instalação de equipamentos modernos de vigilância, como câmeras</p><p>de alta definição e sistemas de monitoramento exigem um investimento consi-</p><p>derável. No entanto, esses equipamentos são vitais para a coleta de evidências</p><p>visuais e o monitoramento em tempo real, elementos essenciais no combate ao</p><p>tráfico de drogas.</p><p>4. Acesso a bancos de dados nacionais e internacionais</p><p>Embora o acesso a bancos de dados extensivos ofereça uma riqueza de in-</p><p>formações úteis, ele vem com custos associados a licenças de acesso e</p><p>integração de sistemas.</p><p>Modos (Métodos): os Modos, ou métodos, de operação podem ser bastante</p><p>diversificados e inovadores. A seguir, exploraremos uma variedade de modos</p><p>que podem ser implementados neste contexto:</p><p>1. Análise preditiva</p><p>A IA pode ser utilizada para realizar análises preditivas, antecipando possíveis</p><p>movimentos dos traficantes com base em padrões de dados históricos. Isso inclui</p><p>prever locais de transações de drogas e rotas de transporte potenciais.</p><p>2. Reconhecimento de comportamento suspeito</p><p>Softwares de IA podem analisar imagens de vigilância em tempo real para iden-</p><p>tificar comportamentos suspeitos, como encontros frequentes em locais especí-</p><p>ficos ou atividades incomuns em horários estranhos.</p><p>3. Monitoramento de redes sociais e comunicações</p><p>A IA pode ser empregada para monitorar redes sociais e outras formas de comu-</p><p>nicação digital para identificar linguagem codificada ou padrões de comunicação</p><p>que possam indicar atividades de tráfico.</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>4. Análise de transações financeiras</p><p>Utilizando IA, é possível monitorar e analisar transações financeiras para identifi-</p><p>car fluxos de dinheiro suspeitos relacionados ao tráfico de drogas, como grandes</p><p>depósitos ou transferências não convencionais.</p><p>5. Integração de dados de múltiplas fontes</p><p>A IA pode ser usada para integrar e analisar dados provenientes de diversas</p><p>fontes, incluindo registros policiais, bases de dados criminais, relatórios de inte-</p><p>ligência e informações de vigilância.</p><p>6. Colaboração interagências</p><p>O uso da IA facilita a colaboração entre diferentes agências de segurança e in-</p><p>teligência, permitindo a partilha eficiente de informações e a coordenação de</p><p>esforços conjuntos.</p><p>7. Modelagem e simulação de cenários</p><p>A IA também pode ser utilizada para modelar e simular diferentes cenários de</p><p>intervenção, ajudando as autoridades a planejarem operações e a anteciparem</p><p>possíveis resultados.</p><p>8. Análise forense digital</p><p>Em casos em que dispositivos digitais são apreendidos, a IA pode acelerar a</p><p>análise forense, identificando rapidamente informações críticas armazenadas</p><p>nesses dispositivos.</p><p>Cada um desses modos, quando integrado ao Modelo Estratégico de Lykke</p><p>Jr., amplia a capacidade das autoridades de responder de forma mais eficaz</p><p>ao crime organizado. Uma vez que os gestores atuaram com estratégia na</p><p>aplicação de seus recursos.</p><p>Assim, essa abordagem multifacetada não apenas aumenta a eficiência das</p><p>investigações, mas também permite uma utilização mais estratégica dos recursos</p><p>disponíveis, alinhando-se aos objetivos estabelecidos e maximizando as chances</p><p>de sucesso nas operações de combate ao tráfico ou contra qualquer crime.</p><p>8</p><p>1</p><p>Os Meios referem-se aos recursos disponíveis para a realização de uma tarefa ou</p><p>objetivo. Exemplos incluem pessoas, orçamento, infraestrutura, entre outros (CE-</p><p>RAMI; HOLCOMB, 2001).</p><p>Os Modos são as estratégias ou métodos utilizados para alcançar os objetivos es-</p><p>tabelecidos, empregando os recursos disponíveis. Exemplos disso são a análises</p><p>de dados, o monitoramento de comunicações e a realização de campanhas, entre</p><p>outros (CERAMI; HOLCOMB, 2001).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Compreendendo a complexidade e o dinamismo da investigação criminal, este</p><p>capítulo se aproxima de seu fecho, integrando conceitos-chave do Modelo Es-</p><p>tratégico de Lykke Jr. com uma reflexão ética profunda.</p><p>Poe meio desse modelo, enfatizamos a importância de Fins bem definidos,</p><p>Meios eficientes e Modos estratégicos, que são essenciais no contexto da segu-</p><p>rança pública e da justiça criminal.</p><p>No entanto, o sucesso nas investigações criminais não se baseia unicamente</p><p>na implementação de estratégias e tecnologias. É crucial que haja um equilíbrio</p><p>harmonioso entre esses elementos e uma reflexão ética rigorosa. A integração de</p><p>tecnologias avançadas, como a Inteligência Artificial, dentro deste modelo, ilustra</p><p>a necessidade de uma abordagem estratégica que alinhe inovação tecnológica</p><p>com princípios éticos e legais.</p><p>Ao encerrar este tema, destaco que as práticas investigativas, mesmo quando</p><p>apoiadas por modelos estratégicos e inovações tecnológicas, devem sempre res-</p><p>peitar os direitos humanos fundamentais e aderir às normativas legais. Investiga-</p><p>ções que se desviam desses princípios podem levar a resultados inadmissíveis em</p><p>um contexto jurídico, além de violarem a dignidade e os direitos dos envolvidos.</p><p>Assim, a formação contínua em ética, integridade e respeito aos direitos hu-</p><p>manos é vital para todos os profissionais envolvidos na segurança pública. Esse</p><p>compromisso com a ética e a justiça contribui para um sistema de justiça mais</p><p>eficaz e respeitador dos princípios democráticos.</p><p>Portanto, ao avançarmos neste campo, devemos constantemente buscar um</p><p>equilíbrio entre a eficácia operacional e a adesão aos valores éticos e morais, ga-</p><p>rantindo que o caminho para a justiça seja sempre percorrido com integridade</p><p>e respeito pelo ser humano.</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Ao encerrarmos este tema de aprendizagem, deparamo-nos com o desafio de</p><p>unir as teorias discutidas às práticas que se desdobram no campo da segurança</p><p>pública. Esta etapa é fundamental para uma transição bem-sucedida dos estudos</p><p>acadêmicos para o mercado de trabalho, em que teorias são testadas e habilidades</p><p>são aprimoradas em situações reais.</p><p>Nossa jornada didática revelou a intrincada tapeçaria da segurança pública,</p><p>cada fio teórico é entrelaçado com a prática cotidiana. O aprendizado aqui não</p><p>é apenas sobre conceitos abstratos, é sobre como esses conceitos se manifestam</p><p>no mundo real. Imagine, por exemplo, a análise estratégica necessária para so-</p><p>lucionar uma série de crimes complexos em uma metrópole. Aqui, a teoria da</p><p>investigação criminal se torna a ferramenta com a qual você desvendará mistérios</p><p>e contribuirá para a justiça.</p><p>O mercado de trabalho contemporâneo para os profissionais de segurança</p><p>pública está repleto de desafios e oportunidades. As habilidades e o conheci-</p><p>mento que você adquiriu são mais relevantes do que nunca. Em um ambiente</p><p>que valoriza a adaptabilidade e a inovação, a capacidade de aplicar teorias em</p><p>cenários práticos é uma competência indispensável.</p><p>Além disso, você descobrirá que a segurança pública é uma área em constante</p><p>evolução, impulsionada tanto pela mudança social quanto pelo avanço tecnológi-</p><p>co. A adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial na investigação</p><p>criminal, exemplifica essa evolução. Contudo, a inovação vem acompanhada de</p><p>novas responsabilidades éticas e o equilíbrio entre eficácia e direitos fundamen-</p><p>tais se torna um tema central.</p><p>8</p><p>8</p><p>1. “A atividade investigativa tem como pressuposto a escolha da estratégia da investigação</p><p>por quem a conduz, cuja decorrência é a escolha dos meios, formas, fins e oportunidades</p><p>adequadas de desencadear as diligências investigativas ou deixar de realizá-las. Esse poder</p><p>é reconhecido à unanimidade pela doutrina do direito processual penal, o que demonstra</p><p>que é um imperativo lógico na condução da investigação” (GOMES; SCLIAR, 2008, on-line).</p><p>Fonte: GOMES, L. F.; SCLIAR, F. Investigação preliminar, polícia judiciária e autonomia. Jus-</p><p>brasil, [s. l.], out. 2008. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/noticias/investigacao-</p><p>-preliminar-policia-judiciaria-e-autonomia-luiz-flavio-gomes-e-fabio-scliar/147325. Acesso</p><p>em: 5 abr. 2024.</p><p>No contexto da segurança pública e da investigação criminal, por que a estratégia na inves-</p><p>tigação é considerada vital?</p><p>a) Porque a estratégia na investigação criminal é essencial apenas para a aplicação da</p><p>justiça.</p><p>b) Porque a estratégia na investigação criminal ajuda a manter a ordem, mas não tem im-</p><p>pacto na proteção da sociedade.</p><p>c) Porque a estratégia na investigação criminal desempenha um papel crucial tanto na</p><p>aplicação da justiça quanto na manutenção da ordem e na proteção.</p><p>d) Porque a estratégia na investigação criminal é relevante apenas para a proteção da</p><p>sociedade, não afetando a aplicação da justiça.</p><p>e) Porque a estratégia na investigação criminal não tem importância significativa em ne-</p><p>nhum aspecto da segurança pública.</p><p>2. Uma abordagem gerencial investigativa é o que se há de perseguir para viabilizar uma</p><p>investigação criminal capaz de alcançar as respostas da situação-problema (crime). Assim,</p><p>mesmo envidando todos os esforços analíticos, operacionais e metodológicos em suporte</p><p>a uma ação investigativa, se o investigador não souber administrar a sua investigação, esta</p><p>até poderá alcançar o resultado que se pretende (objetivo), mas o fará de forma muito mais</p><p>dispendiosa, com muito mais desgaste de meios, inclusive humanos (BARBOSA, 2010).</p><p>Fonte: BARBOSA, A. M. Ciclo do esforço investigativo criminal.</p><p>Revista Brasileira de Ciências</p><p>Policiais, Brasília, v. 1, n. 1, p. 153-179, 2010. Disponível em: https://periodicos.pf.gov.br/index.</p><p>php/RBCP/article/view/32/10. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>8</p><p>9</p><p>Com base no texto e nos conceitos do Modelo Estratégico de Lykke Jr., assinale a alternativa</p><p>correta:</p><p>I - No contexto da investigação criminal, os “Meios” se referem aos recursos disponíveis,</p><p>como pessoas, orçamento e infraestrutura.</p><p>II - O modelo estratégico Ends, Ways and Means, proposto por Arthur F. Lykke Jr., é ampla-</p><p>mente aplicado em diversos contextos, incluindo a investigação criminal.</p><p>III - A integração de tecnologias de inteligência artificial na investigação criminal levanta</p><p>questões éticas relacionadas à privacidade e aos direitos individuais.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. Fins, modos e meios devem ser mantidos em equilíbrio. Se o objetivo for pertinente e bem</p><p>definido, mas não se tem ideia de como atingi-lo, o objetivo nada mais é do que uma qui-</p><p>mera (BARBOSA, 2010).</p><p>Fonte: BARBOSA, A. M. Ciclo do esforço investigativo criminal. Revista Brasileira de Ciências</p><p>Policiais, Brasília, v. 1, n. 1, p. 153-179, 2010. Disponível em: https://periodicos.pf.gov.br/index.</p><p>php/RBCP/article/view/32/10. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>a) O equilíbrio entre fins, modos e meios é dispensável quando o objetivo está bem definido.</p><p>b) Se o objetivo é pertinente, a falta de clareza sobre como atingi-lo não é relevante.</p><p>c) O equilíbrio entre fins, modos e meios é fundamental, mesmo com um objetivo bem</p><p>definido</p><p>d) Objetivos bem definidos sempre levam a resultados práticos, independentemente dos</p><p>meios disponíveis.</p><p>e) Uma quimera é um termo que se refere a um resultado altamente provável quando os</p><p>meios são inadequados.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>9</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BARBOSA, A. M. Ciclo do esforço investigativo criminal. Revista Brasileira de Ciências Policiais,</p><p>Brasília, v. 1, n. 1, p. 153-179, 2010. Disponível em: https://periodicos.pf.gov.br/index.php/RBCP/</p><p>article/view/32/10. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 3689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Rio de Ja-</p><p>neiro, RJ: Presidência da República, 1941. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>CECCONELLO, W. W.; STEIN, L. M. (coord.). Manual de entrevista investigativa para a polícia</p><p>judiciária. Goiânia: Alta Performance, 2023. Disponível em: https://cogjus.com/wp-content/</p><p>uploads/2024/01/Manual-de-Entrevista-Investigativa-CogJus.pdf. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>CERAMI, J. R.; HOLCOMB, J. F. U.S. Army War College Guide to Strategy. Estados Unidos: USA-</p><p>WC Press, 2001. Disponível em: https://press.armywarcollege.edu/cgi/viewcontent.cgi?arti-</p><p>cle=1118&context=monographs. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>GOMES, L. F.; SCLIAR, F. Investigação preliminar, polícia judiciária e autonomia. Jusbrasil, [s. l.],</p><p>out. 2008. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/noticias/investigacao-preliminar-poli-</p><p>cia-judiciaria-e-autonomia-luiz-flavio-gomes-e-fabio-scliar/147325. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>9</p><p>1</p><p>1. Alternativa C. A alternativa correta é a C, porque a estratégia na investigação criminal desem-</p><p>penha um papel crucial tanto na aplicação da justiça quanto na manutenção da ordem e na</p><p>proteção da sociedade. Ela é essencial para desvendar e solucionar crimes, o que contribui</p><p>para a aplicação da justiça, ao mesmo tempo em que ajuda a manter a ordem pública e a</p><p>proteger a sociedade de ameaças criminais.</p><p>2. Alternativa E.</p><p>I. Correta. No contexto da investigação criminal, os “Meios” se referem aos recursos dispo-</p><p>níveis, como pessoas, orçamento e infraestrutura.</p><p>II. Correta. O modelo estratégico Ends, Ways and Means, proposto por Arthur F. Lykke Jr., é</p><p>amplamente aplicado em diversos contextos, incluindo a investigação criminal.</p><p>III. Correta. A afirmação III está correta. A integração de tecnologias de inteligência artificial</p><p>na investigação criminal levanta questões éticas relacionadas à privacidade e aos direitos</p><p>individuais.</p><p>3. Alternativa C. A alternativa correta é a C, uma vez que o texto enfatiza a importância do equi-</p><p>líbrio entre fins, modos e meios, mesmo quando se tem um objetivo bem definido. As demais</p><p>alternativas são incorretas, pois não refletem a mensagem do texto, que sugere que a falta</p><p>de clareza sobre como atingir um objetivo torna-o uma quimera e destaca a necessidade</p><p>desse equilíbrio para alcançar resultados práticos.</p><p>GABARITO</p><p>9</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>9</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>FERRAMENTAS E TÁTICAS DE</p><p>INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Compreender o Ciclo do Esforço Investigativo Criminal.</p><p>Entender a importância da cadeia de custódia.</p><p>Desenvolver habilidades analíticas e dedutivas.</p><p>Aplicação de ferramentas e metodologias investigativas.</p><p>Explorar a dinâmica entre vítima e crime.</p><p>Integrar conhecimento teórico e prático.</p><p>Desenvolver consciência ética e social.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5</p><p>9</p><p>4</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Iniciamos nossa exploração na disciplina com o tema Ferramentas e Táti-</p><p>cas de Investigação Criminal. Esta introdução é projetada para fornecer uma</p><p>compreensão básica das metodologias e práticas fundamentais no campo das</p><p>investigações criminais.</p><p>Considere uma situação hipotética em que um investigador enfrenta um caso</p><p>de cibercrime, em que um ataque virtual a uma instituição financeira levou a</p><p>perdas significativas. Este cenário serve como uma introdução ao tipo de desafios</p><p>que um profissional em segurança pública pode encontrar. Aqui, a importância</p><p>de uma abordagem metódica e estratégica é imediatamente evidente, destacando</p><p>a necessidade de habilidades analíticas aguçadas e uma resposta rápida e eficiente.</p><p>O sucesso na resolução de tal caso tem implicações de longo alcance, es-</p><p>tendendo-se para além da justiça no incidente específico. Ele contribui para</p><p>a confiança na capacidade das instituições de segurança pública em pro-</p><p>teger contra e responder a crimes complexos. Ao mesmo tempo, enfatiza</p><p>a necessidade contínua de adaptação e aprendizado diante das mudanças</p><p>tecnológicas e táticas criminais.</p><p>Ao longo do seu estudo, você terá a oportunidade de explorar várias ferra-</p><p>mentas e táticas de investigação. Por exemplo, ao aplicar a técnica 5W2H, você</p><p>aprenderá a mapear todos os aspectos do caso: quem está envolvido? O que</p><p>aconteceu? Quando e onde ocorreu? Por que e como isso aconteceu? Como resol-</p><p>vê-lo? Complementarmente, o ciclo PDCA – “Plan, Do, Check, Act” – proporcio-</p><p>nará uma estrutura robusta para planejar e revisar cada passo de sua investigação.</p><p>Este tema busca ir além do ensino de métodos e estratégias, ele visa cultivar</p><p>uma compreensão do papel significativo e da responsabilidade que um agente</p><p>de segurança carrega. Como suas decisões impactam a justiça e a segurança da</p><p>comunidade? Como se adaptar às inovações tecnológicas e às transformações</p><p>sociais que influenciam a investigação criminal?</p><p>Ao final deste módulo, o objetivo é que você tenha uma compreensão sólida</p><p>das ferramentas e táticas de investigação criminal e uma apreciação do contexto</p><p>ético e social em que essas habilidades são aplicadas. Este é o início de uma jorna-</p><p>da que o preparará para ser um profissional eficaz e um contribuinte consciente</p><p>para a segurança pública.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Temos o prazer de convidá-lo para ouvir o podcast Peritos em ação: desvendando</p><p>crimes. Neste momento, mergulharemos nos diferentes métodos de investigação</p><p>criminal, oferecendo uma ampliação do seu conhecimento teórico sobre o tema.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você já imaginou um dispositivo que pode ver através das paredes, identificando</p><p>se há adultos, crianças ou animais do outro lado? Essa tecnologia, que parece</p><p>saída de um filme de ficção científica, é, agora, uma realidade graças à inovação</p><p>da Camero-Tech, uma empresa israelense na vanguarda</p><p>sejam conceitos distintos, ambos são fundamentais no contexto atual.</p><p>A investigação se concentra em métodos tradicionais de análise e solução</p><p>de casos, enquanto a inteligência envolve a utilização de tecnologias emergentes</p><p>e táticas sofisticadas. Juntos, esses dois elementos formam uma abordagem</p><p>complementar essencial para a eficácia na segurança moderna.</p><p>Atualmente, as instituições de segurança contam com modernos recursos</p><p>para acesso a diversas fontes de informações, como também métodos integrados</p><p>de investigação com outras instituições, mas nem sempre foi assim!</p><p>A história da investigação criminal é tão antiga quanto a própria história</p><p>do crime. Contudo, sua evolução para uma disciplina mais científica é um</p><p>desenvolvimento relativamente recente. Inicialmente, as sociedades lidavam com</p><p>crimes de maneiras variadas, muitas vezes sem um embasamento científico ou</p><p>um sistema jurídico consolidado. Isso levava a julgamentos e métodos que não</p><p>necessariamente refletem a justiça ou a verdade.</p><p>Em relação às consequências jurídicas do crime, a pena representa o mal imposto</p><p>ao indivíduo que transgride as normas estabelecidas. Historicamente, a pena como</p><p>vingança privada é considerada uma das formas mais antigas de punição.</p><p>As punições iniciais eram aplicadas mais como uma forma de retaliação</p><p>do que como uma medida proporcional ao crime cometido. Esse enfoque na</p><p>vingança pessoal refletia menos a gravidade do ato criminoso e mais o desejo de</p><p>retribuição (GOMES NETO, 2000).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Por outro lado, Shecaira e Corrêa Junior (2002) observam que a prática de</p><p>privar a liberdade como sanção penal é distinta das antigas prisões destina-</p><p>das à custódia e à contenção. Nas civilizações da Grécia e Roma Antiga, por</p><p>exemplo, a privação de liberdade não era empregada como forma de punição</p><p>(SHECAIRA; CORRÊA JUNIOR, 2002).</p><p>Na Idade Média, a pena continuou sendo aplicada em formas extremamente</p><p>severas. Contudo, foi durante a Idade Moderna que a implementação da pena</p><p>privativa de liberdade começou a substituir a pena de morte, numa tentativa de</p><p>enfrentar a crise da ineficácia da pena capital em reduzir a criminalidade.</p><p>Com o passar do tempo e a descentralização do poder da elite da socieda-</p><p>de, passaram a existir grupos com interesse na sistemática de leis e ordens para</p><p>garantir direitos aos cidadãos, no tocante à área criminal, pode-se destacar a</p><p>criação da Polícia Metropolitana de Londres em 1829, sob Sir Robert Peel, o qual</p><p>foi um marco importante no início da investigação criminal. Eles não apenas</p><p>patrulhavam as ruas, mas também começaram a assumir a responsabilidade</p><p>pelas investigações.</p><p>No século XIX, com o aumento da urbanização e a consequente ascensão do</p><p>crime urbano, surgiu a necessidade de métodos mais eficazes de investigação po-</p><p>licial. Alphonse Bertillon desenvolveu um sistema de identificação de criminosos</p><p>por meio de medidas corporais, enquanto Francis Galton estudou as impressões</p><p>digitais, estabelecendo sua unicidade e imutabilidade. Esses métodos marcaram</p><p>o início da Ciência Forense.</p><p>No século XX, a investigação criminal foi marcada por avanços significativos,</p><p>com destaque para as contribuições de Edmond Locard. Ele formulou o princípio</p><p>da observação, encapsulado na máxima de que “todo contato deixa um rastro”.</p><p>Esse conceito ressalta que qualquer pessoa ou objeto que entra em uma cena de</p><p>crime inevitavelmente deixa algo para trás e leva algo consigo ao partir, conhe-</p><p>cido como o princípio da Troca de Locard. Essa ideia revolucionária de Locard</p><p>lançou as bases para modernas técnicas forenses, enfatizando a importância de</p><p>vestígios minuciosos em cenas criminais (MAIA, 2012).</p><p>Por fim, a década de 1980 testemunhou um salto quântico com a introdução</p><p>do DNA forense por Alec Jeffreys, revolucionando a forma como as evidências</p><p>são coletadas e analisadas globalmente. No Brasil, essa inovação começou a ser</p><p>implementada em meados da década de 1990, marcando uma transformação</p><p>significativa na investigação criminal brasileira.</p><p>1</p><p>1</p><p>MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E CRIMINAL</p><p>A adoção do DNA forense no país não apenas aprimorou a precisão na iden-</p><p>tificação de suspeitos, mas também se tornou uma ferramenta fundamental na</p><p>resolução de casos anteriormente insolúveis. Esse avanço representou um marco</p><p>importante na modernização das técnicas investigativas brasileiras, alinhando o</p><p>Brasil com as práticas forenses internacionais.</p><p>No programa da Globo News, é apresentada uma série de informações sobre o</p><p>DNA, abrangendo desde a sua descoberta até a análise de sua estrutura. O pro-</p><p>grama também discute a relevância do DNA para o futuro da sociedade, explo-</p><p>rando como este conhecimento científico fundamental pode influenciar diversas</p><p>áreas, desde a medicina até a investigação criminal: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=C5x073iElaA&ab_channel=HanadiAlSaqqaf.</p><p>EU INDICO</p><p>Percebemos que muitas pessoas contribuíram para chegar no nível de tecnologia</p><p>atual e de métodos existente hoje em dia, isso foi possível não só pelo estudo da</p><p>investigação criminal, mas também pela investigação científica.</p><p>A pesquisa científica e a investigação criminal, embora compartilhem al-</p><p>gumas técnicas metodológicas, têm objetivos e contextos fundamentalmente</p><p>diferentes. Esse processo é intrinsecamente voltado para a exploração sistemática</p><p>e metódica de fenômenos, com o objetivo de gerar novos conhecimentos e com-</p><p>preensões que podem ser aplicados de forma mais ampla em diversos campos.</p><p>Como exemplos de métodos científicos, temos os principais, listados a seguir:</p><p>MÉTODO INDUTIVO</p><p>este método parte “do particular e coloca a generalização como um produto posterior</p><p>do trabalho de coleta de dados particulares” (YEE; KUROKAWA; FERREIRA, 2018, p. 39).</p><p>Assim, “a generalização não deve ser buscada, mas constatada a partir da observação</p><p>de casos concretos suficientemente confirmadores dessa realidade”</p><p>(YEE; KUROKAWA; FERREIRA, 2018, p. 39).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>MÉTODO DEDUTIVO</p><p>“é o método que parte do geral e, a seguir, desce ao particular. Parte de princípios</p><p>reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis para chegar a conclusões de maneira</p><p>puramente formal, isto é, baseada unicamente na lógica”</p><p>(YEE; KUROKAWA; FERREIRA, 2018, p. 46).</p><p>MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO</p><p>combina elementos dos métodos indutivo e dedutivo. Inicia-se com premissas maiores</p><p>e premissas menores, como o exemplo:</p><p>• “todo homem é mortal. (premissa maior)</p><p>• Geraldo é um homem. (premissa menor)</p><p>Logo, Geraldo é mortal. (conclusão)” (YEE; KUROKAWA; FERREIRA, 2018, p. 47).</p><p>Existem diversos métodos de pesquisa e análise utilizados em várias áreas do</p><p>conhecimento. Entre eles estão o método dialético, que explora a interação de</p><p>opostos para alcançar uma síntese; o histórico, que analisa eventos no contexto de</p><p>seu desenvolvimento ao longo do tempo; o comparativo, que contrapõe diferentes</p><p>casos ou situações para destacar semelhanças e diferenças; o monográfico, focado</p><p>em um estudo detalhado de um único caso ou aspecto; o estatístico, que utiliza</p><p>dados numéricos para identificar padrões e correlações; o tipológico, baseado</p><p>na classificação e análise de tipos; o funcionalista, que examina como diferentes</p><p>partes de um sistema contribuem para seu funcionamento como um todo; o</p><p>estruturalista, que busca entender as estruturas subjacentes que determinam</p><p>como algo funciona.</p><p>Por outro lado, a investigação criminal tem um foco mais direto e pragmático</p><p>Ela é dedicada à descoberta de fatos e evidências em situações que são</p><p>frequentemente imprevisíveis e complexas, como cenas de crime e emergências.</p><p>A investigação criminal é uma combinação de arte e ciência, exigindo não</p><p>apenas rigor técnico e metodológico, mas também intuição, criatividade e</p><p>capacidade de adaptação rápida a novas informações e</p><p>circunstâncias. Os agentes trabalham frequentemente</p><p>sob pressão, lidando com a necessidade imediata de</p><p>resolver casos, encontrar responsáveis por delitos e</p><p>fornecer respostas</p><p>da tecnologia militar.</p><p>Você pode conferir mais detalhes dessa tecnologia no link a seguir: https://</p><p>www.mundoconectado.com.br/ciencia/dispositivo-militar-israelense-permite-</p><p>ver-atraves-de-paredes/#:~:text=A%20Camero%2DTech%2C%20empresa%20</p><p>israelense,do%20outro%20lado%20de%20paredes.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>O CICLO DO ESFORÇO INVESTIGATIVO</p><p>Neste tema, nosso foco será entender o Ciclo do Esforço Investigativo Criminal,</p><p>um elemento crucial na investigação criminal. Esse ciclo abrange todas as fases</p><p>de uma investigação, desde o momento em que um crime é identificado até a</p><p>conclusão do caso. Compreender cada etapa deste ciclo é essencial para garantir</p><p>que a investigação seja conduzida de maneira eficiente, sistemática e justa.</p><p>Ao explorarmos as etapas individuais do ciclo, obteremos uma visão clara</p><p>do processo investigativo como um todo. Essa abordagem estruturada é fun-</p><p>damental para a formação de investigadores capazes de conduzir investigações</p><p>completas e eficazes. Prepare-se para um estudo detalhado que o equipará com</p><p>conhecimentos essenciais para a prática efetiva da investigação criminal.</p><p>9</p><p>1</p><p>Antes de compreender as ferramentas e táticas da investigação criminal, é</p><p>necessário primeiro compreendermos o ciclo do esforço investigativo, então,</p><p>vamos descobrir?</p><p>O Ciclo do Esforço Investigativo Criminal é um processo meticulosamente</p><p>estruturado que cobre todas as fases de uma investigação criminal. Esse ciclo é</p><p>fundamental para assegurar que a investigação seja conduzida de maneira efi-</p><p>ciente, sistemática e, sobretudo, justa. A seguir, exploraremos cada uma das etapas</p><p>desse ciclo (BARBOSA, 2010).</p><p>1. Coleta de evidências: após a identificação do crime, a etapa seguinte é</p><p>a coleta de vestígios. Essa fase envolve a preservação cuidadosa da cena do cri-</p><p>me, a coleta de provas físicas e digitais, a obtenção de registros como vídeos de</p><p>vigilância e o levantamento de depoimentos de testemunhas e suspeitos. É cru-</p><p>cial encontrar um equilíbrio entre agir rapidamente e manter a meticulosidade,</p><p>para garantir que as evidências sejam coletadas sem contaminação ou perda</p><p>(BARBOSA, 2010).</p><p>Você sabe a diferença entre vestígios e indícios?</p><p>Vestígio: é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhi-</p><p>do, que se relaciona à infração penal (BRASIL,1941)</p><p>Indícios: é a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato,</p><p>autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias</p><p>(BRASIL, 1941).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>2. Análise de evidências: após a coleta, as evidências são minuciosamente ana-</p><p>lisadas para extrair informações cruciais. Essa análise pode envolver exames fo-</p><p>renses, avaliação de padrões de dados e interpretação de contextos específicos.</p><p>Essa fase é vital para formar uma compreensão clara do ocorrido, discernindo</p><p>como e por que o crime foi cometido (BARBOSA, 2010).</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>3. Desenvolvimento de teorias e hipóteses: baseando-se nas evidências e</p><p>análises realizadas, os investigadores desenvolvem teorias e hipóteses sobre a na-</p><p>tureza do crime e possíveis suspeitos. Essa etapa requer um raciocínio dedutivo e</p><p>inferencial aguçado, com as hipóteses sendo constantemente ajustadas conforme</p><p>surgem novas informações (BARBOSA, 2010).</p><p>4. Perseguição e captura: esta fase é dedicada à identificação, localização</p><p>e, quando necessário, captura de suspeitos. Envolve uma série de táticas ope-</p><p>racionais, como vigilância e emissão de mandados de busca e prisão, sempre</p><p>conduzidas dentro dos limites legais e éticos (BARBOSA, 2010).</p><p>5. Preparação para o processo legal: com a detenção de um suspeito, a</p><p>investigação se volta para a materialidade das provas com a finalidade de emba-</p><p>sar o processo criminal. Isso inclui a organização cuidadosa das evidências e a</p><p>observância da cadeia de custódia (BARBOSA, 2010).</p><p>6. Revisão e aprendizado: a conclusão do caso não é o fim do ciclo in-</p><p>vestigativo. Uma revisão detalhada do processo é realizada, permitindo que os</p><p>investigadores aprendam com as experiências, identifiquem áreas de melhoria e</p><p>ajustem as práticas para futuras investigações (BARBOSA, 2010).</p><p>Você sabe o que é cadeia de custódia?</p><p>A cadeia de custódia é um processo usado para manter e documentar a cronolo-</p><p>gia do manuseio, transporte, armazenamento e preservação de evidências físicas</p><p>ou digitais. Esse procedimento é crucial em contextos legais e investigativos para</p><p>garantir a integridade e a autenticidade das provas.</p><p>Por meio da cadeia de custódia, é possível rastrear cada pessoa que manuseou a</p><p>evidência, bem como registrar qualquer alteração ou transferência, desde a coleta</p><p>até sua apresentação em tribunal.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Cada fase do Ciclo do Esforço Investigativo Criminal é interdependente e vi-</p><p>tal para o sucesso global da investigação. Qualquer falha em uma das etapas</p><p>pode comprometer o caso inteiro. Assim, é imperativo que os investigadores</p><p>atuem de forma meticulosa, ética e sistemática, assegurando justiça e eficácia</p><p>em todo o processo.</p><p>9</p><p>8</p><p>Na prática, esse ciclo investigativo pode ser exemplificado a seguir:</p><p>Imagine um cenário de roubo em uma joalheria em que o processo inves-</p><p>tigativo se desenrola de maneira fluida e dinâmica, cobrindo todos os ciclos do</p><p>esforço investigativo criminal. O crime é descoberto na parte da manhã, quando</p><p>um segurança nota a porta da joalheria arrombada e imediatamente notifica a</p><p>polícia. Rapidamente, a equipe policial chega ao local e dá início às investigações.</p><p>Na cena do crime, os peritos iniciam a coleta de evidências. Eles procuram</p><p>por impressões digitais, analisam as imagens de câmeras de segurança e tomam</p><p>depoimentos de testemunhas. Com atenção aos detalhes, observam a disposição</p><p>dos itens remexidos e recolhem fragmentos de algo suspeito. Paralelamente, as</p><p>impressões digitais são enviadas para análise forense e as imagens das câmeras</p><p>são examinadas meticulosamente.</p><p>A análise das evidências revela um suspeito potencial, alguém já conhecido</p><p>por crimes semelhantes. Seguindo essa pista, os investigadores verificaram o álibi</p><p>do suspeito e descobriram mais provas que o conectam ao crime, como registros</p><p>de vendas de itens da joalheria. Com base nesses indícios, a polícia conseguiria</p><p>solicitar a expedição de um mandado de prisão.</p><p>O suspeito foi localizado e detido. Durante o interrogatório, ele fornece mais</p><p>detalhes que corroboram as evidências contra ele. Sob custódia, o procedimento</p><p>criminal dá início a uma nova etapa, o qual o promotor de justiça dará andamen-</p><p>to no processo criminal, para, assim, o caso ir a julgamento.</p><p>Após o julgamento e a subsequente condenação, a equipe se dedica a uma</p><p>revisão crítica do caso. Discutem os pontos fortes e os desafios enfrentados, iden-</p><p>tificando áreas para melhoria, como a implementação de tecnologias mais avan-</p><p>çadas na análise de evidências. Essa avaliação final é fundamental para aprimorar</p><p>as práticas investigativas em casos futuros, visando uma abordagem cada vez</p><p>mais eficaz e justa na resolução de crimes.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Seven – Os Sete Crimes Capitais</p><p>Dirigido por David Fincher e lançado em 1995, Seven – Os Sete</p><p>Crimes Capitais (título original: Se7en), é um thriller policial que</p><p>segue dois detetives, interpretados por Brad Pitt e Morgan</p><p>Freeman, enquanto investigam uma série de assassinatos</p><p>brutais que seguem os sete pecados capitais. O filme aborda</p><p>a coleta de evidências, análise de provas, desenvolvimento de</p><p>teorias e hipóteses, perseguição de suspeitos e a preparação</p><p>para o processo legal.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>Agora que temos uma visão abrangente sobre o tema, é fundamental explorar-</p><p>mos as ferramentas de ação investigativa. Nesse contexto do roubo na joalheria,</p><p>daremos um enfoque especial ao 5W2H e ao PDCA, duas metodologias cruciais</p><p>no processo de investigação.</p><p>Métodos investigativos 5W1H E PDCA – crime e vítima</p><p>O método 5W2H, uma ferramenta de planejamento estratégico, foi emprega-</p><p>do para esclarecer e organizar as etapas</p><p>necessárias na resolução do caso. Esse</p><p>método baseia-se em responder a sete perguntas fundamentais: Quem (Who),</p><p>O que (What), Quando (When), Onde (Where), Por que (Why), Como (How)</p><p>e Qual o custo (How much). Utilizado principalmente na fase inicial, o 5W2H</p><p>ajudou a definir o escopo da investigação, garantindo que cada aspecto fosse</p><p>meticulosamente considerado (PONTES et al., 2018).</p><p>Paralelamente, o ciclo PDCA, um modelo de gestão de qualidade iterativo,</p><p>foi utilizado para controlar e aprimorar o processo investigativo. Esse ciclo contí-</p><p>nuo consiste em quatro etapas: Planejamento (Plan), Execução (Do), Verificação</p><p>(Check) e Ação (Act). Com ele, a equipe pôde implementar mudanças de forma</p><p>controlada, testando soluções em pequena escala e refinando-as com base nos</p><p>resultados (OLIVEIRA; SILVA; BRANDÃO, 2022).</p><p>A combinação do 5W2H com o PDCA oferece uma abordagem poderosa.</p><p>O 5W2H forneceu uma compreensão clara do incidente, permitindo</p><p>aos investigadores identificarem todas as variáveis relevantes do roubo</p><p>(OLIVEIRA; SILVA; BRANDÃO, 2022).</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Por sua vez, o PDCA possibilitou a implementação e a melhoria contí-</p><p>nua das estratégias de investigação. O 5W2H foi crucial para estruturar o</p><p>problema e definir o plano de ação, enquanto o PDCA foi aplicado em toda</p><p>a investigação, gerenciando e adaptando a estratégia conforme necessário</p><p>(OLIVEIRA; SILVA; BRANDÃO, 2022).</p><p>Na prática, após a coleta e análise inicial das evidências, a equipe de investiga-</p><p>ção utiliza o 5W2H para estruturar a próxima etapa. Eles respondem às pergun-</p><p>tas-chave, determinando quem estava envolvido, o que exatamente aconteceu,</p><p>quando e onde ocorreu o crime, por que foi cometido e como foi realizado. Esse</p><p>processo permite definir claramente o perfil do suspeito, entender a natureza do</p><p>crime, estabelecer o cronograma dos eventos, mapear a cena do crime, avaliar</p><p>os motivos potenciais e planejar a captura e a acusação do suspeito (OLIVEIRA;</p><p>SILVA; BRANDÃO, 2022).</p><p>A seguir, analisaremos como cada elemento do 5W2H foi utilizado, criando</p><p>um contexto para cada pergunta:</p><p>QUEM (WHO)</p><p>a primeira pergunta abordada foi: “quem está envolvido?” Os peritos papiloscópicos</p><p>começam a analisar as imagens das câmeras de segurança e as impressões digitais</p><p>encontradas na cena do crime para identificar os suspeitos. Eles também entrevistaram</p><p>funcionários e testemunhas para saber se havia suspeitos conhecidos ou pessoas com</p><p>comportamento suspeito na área.</p><p>O QUE (WHAT)</p><p>“o que exatamente aconteceu?” Essa pergunta focou em determinar a natureza do</p><p>crime. Os investigadores examinaram quais itens foram roubados, avaliaram o valor do</p><p>prejuízo e determinaram o método de entrada dos criminosos na loja. Eles também</p><p>procuraram entender se o roubo foi planejado ou oportunista.</p><p>QUANDO (WHEN)</p><p>“quando ocorreu o crime?” Os investigadores precisaram estabelecer o cronograma</p><p>do incidente. Isso envolveu verificar as gravações das câmeras de segurança para</p><p>determinar o horário exato do roubo e se ele aconteceu durante o dia ou à noite, o que</p><p>poderia sugerir diferentes modos de operação.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>ONDE (WHERE)</p><p>“onde ocorreu o crime?” Além de se concentrarem na joalheria, os investigadores</p><p>examinaram os arredores para possíveis rotas de fuga ou áreas onde os criminosos</p><p>poderiam ter se preparado ou descartado itens roubados. Eles também analisaram se a</p><p>localização da joalheria poderia ter influenciado a escolha dos criminosos.</p><p>POR QUE (WHY)</p><p>“por que o crime foi cometido?” Esta é a questão mais desafiadora, que tenta entender</p><p>a motivação por trás do crime. Os investigadores consideraram várias hipóteses, desde</p><p>um roubo oportunista até um ato premeditado por alguém com conhecimento</p><p>interno da joalheria.</p><p>COMO (HOW)</p><p>“como foi realizado o crime?” Os investigadores examinaram a técnica usada para</p><p>entrar na joalheria, o tipo de ferramentas utilizadas e como os criminosos conseguiram</p><p>evitar a detecção durante e após o crime. Isso incluiu a análise de padrões de compor-</p><p>tamento, métodos de evasão e a execução do roubo em si.</p><p>QUANTO CUSTA (HOW MUCH)</p><p>“qual o custo do crime?” Essa pergunta ajudou a avaliar o valor total dos itens roubados</p><p>e o impacto financeiro para a joalheria. Isso foi importante tanto para a joalheria quanto</p><p>para entender a magnitude do crime e possivelmente determinar se os criminosos</p><p>tinham um comprador específico para os itens roubados.</p><p>Em paralelo, o ciclo PDCA foi empregado para gerenciar e melhorar o processo</p><p>investigativo. Durante a fase de Planejamento, a equipe delineou um plano</p><p>detalhado de ação. Seguiu-se a fase de Execução, onde o plano foi colocado</p><p>em prática, resultando na captura do suspeito e no início da preparação</p><p>para o julgamento.</p><p>A fase de Verificação envolveu a revisão contínua das evidências e da</p><p>estratégia de acusação. Finalmente, na fase de Ação, foram feitos ajustes conforme</p><p>necessário, especialmente diante do surgimento de novas evidências.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>A utilização dessas ferramentas de planejamento revelou-se fundamental</p><p>para a eficácia da investigação. O 5W2H proporcionou uma compreensão</p><p>integral do crime, enquanto o PDCA assegurou uma abordagem dinâmica e</p><p>adaptável ao longo do processo investigativo. A combinação dessas ferramentas,</p><p>aliada ao rigor e dedicação da equipe, culminou na resolução bem-sucedida do</p><p>caso, demonstrando práticas exemplares em investigação criminal.</p><p>Classificações sobre o conceito de vítima</p><p>Você sabia que, dependendo da vítima, a linha de investigação deve ser planejada</p><p>considerando essas peculiaridades?</p><p>É importante ressaltar a existência de várias classificações sobre o conceito</p><p>de vítima. Cada uma delas enfoca aspectos distintos das circunstâncias em que</p><p>as vítimas podem se encontrar, seja em situações criminais ou sociais.</p><p>Essas classificações são essenciais para uma melhor compreensão da diversi-</p><p>dade de contextos em que uma pessoa ou entidade pode ser considerada vítima,</p><p>variando conforme o contexto moral, jurídico, psicossocial e biológico.</p><p>A análise das vítimas sob essas diversas perspectivas é fundamental para in-</p><p>formar políticas públicas, intervenções sociais e estratégias legais, visando prote-</p><p>ger e apoiar aqueles que foram afetados por crimes e outras formas de vitimiza-</p><p>ção. A seguir, você encontrará as duas principais classificações de tipos de vítimas.</p><p>1. Classificação de Mendelsohn: mecanismos situacionais e</p><p>mecanismos relacionais</p><p>■ Mecanismos situacionais:</p><p>a) Vítima que colabora: refere-se a uma vítima que coopera de alguma forma</p><p>com o criminoso. Exemplo: uma pessoa que fornece informações sobre</p><p>um plano de crime para o perpetrador (RIBEIRO, 2001).</p><p>b) Vítima que não colabora: envolve uma vítima que não coopera ou não</p><p>ajuda o criminoso de nenhuma maneira. Exemplo: alguém que se recusa</p><p>a dar dinheiro a um assaltante (RIBEIRO, 2001).</p><p>c) Vítima por ignorância: é a vítima que não tem conhecimento da ilegali-</p><p>dade da ação que está ocorrendo. Exemplo: uma pessoa que compra um</p><p>item roubado sem saber que é produto de um crime (RIBEIRO, 2001).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>d) Vítima que pratica o crime: envolve a vítima que se envolve diretamente</p><p>na prática do crime. Exemplo: alguém que, sob coação, participa de um</p><p>assalto (RIBEIRO, 2001).</p><p>e) Vítima em cuja conduta está a origem do delito: refere-se à vítima cujas</p><p>ações de alguma forma contribuem para o crime. Exemplo: uma pessoa</p><p>que provoca uma briga, levando a uma agressão (RIBEIRO, 2001).</p><p>f) Vítima que resulta de consenso: é a vítima que resulta de um acordo entre</p><p>as partes envolvidas. Exemplo: um caso de violência doméstica em que</p><p>ambos os parceiros concordam com a agressão mútua (RIBEIRO, 2001).</p><p>g) Vítima que resulta de uma coincidência: envolve a vítima que se encontra</p><p>no lugar errado na hora errada, sem contribuir ativamente para o crime.</p><p>Exemplo: alguém que é atingido por uma bala perdida durante um tiro-</p><p>teio na rua (RIBEIRO, 2001).</p><p>■ Mecanismos relacionais:</p><p>a) Vítima de crimes: refere-se à</p><p>vítima comum de crimes que não possui</p><p>conexão direta com o criminoso além da situação criminosa em si. Exem-</p><p>plo: uma pessoa que é assaltada por um estranho na rua (RIBEIRO, 2001).</p><p>b) Vítima de si mesma, suicídio, autoacusações, autopunições: são vítimas</p><p>que, de alguma forma, causam danos a si mesmas, muitas vezes, devido</p><p>a problemas psicológicos. Exemplo: alguém que se automutila devido a</p><p>problemas emocionais (RIBEIRO, 2001).</p><p>2. Classificação de Jiménez de Asúa:</p><p>■ Vítima indiferente: refere-se à vítima que é atacada por um criminoso que</p><p>escolhe aleatoriamente suas vítimas. Por exemplo: alguém que é vítima de</p><p>um assalto por simples sorteio do criminoso (RIBEIRO, 2001).</p><p>■ Vítima ex crime determinante passional por ciúmes: envolve a vítima</p><p>que resistiu ao crime, obstaculizando-o, muitas vezes, devido a motivos</p><p>passionais, como ciúmes. Por exemplo: uma pessoa que tenta impedir um</p><p>ato criminoso motivado por sentimentos de ciúmes (RIBEIRO, 2001).</p><p>■ Vítima coadjuvante: refere-se à vítima que, de alguma forma, ajuda o</p><p>criminoso, consciente ou inconscientemente. Por exemplo, alguém que,</p><p>mesmo sem intenção, facilita a ação do criminoso, como deixar uma</p><p>porta destrancada sem saber que isso permitirá o acesso ao invasor</p><p>(RIBEIRO, 2001).</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>A compreensão dos diferentes tipos de vítimas desempenha um papel funda-</p><p>mental na investigação de crimes, pois fornece insights valiosos sobre as circuns-</p><p>tâncias e motivações por trás dos atos criminosos. Cada classificação de vítima,</p><p>como a proposta por Jiménez de Asúa e Mendelsohn, oferece uma perspectiva</p><p>única sobre a dinâmica entre a vítima e o crime, permitindo que os investigadores</p><p>tomem decisões informadas durante o processo de investigação.</p><p>Um exemplo notável é a classificação de Jiménez de Asúa, que categoriza as</p><p>vítimas com base em sua interação com o criminoso. Esta abordagem divide as</p><p>vítimas em diferentes tipos, cada um com características distintas.</p><p>Primeiramente, existe a vítima indiferente, que é aquela atacada por um</p><p>criminoso que escolhe suas vítimas de maneira aleatória. Essa categorização é</p><p>crucial, pois pode direcionar os investigadores a procurar evidências de um ata-</p><p>que aleatório. Além disso, motiva a coleta de dados demográficos amplos, que</p><p>podem ser fundamentais para identificar um possível serial killer.</p><p>Por outro lado, a identificação de uma vítima que colabora ou vítima que</p><p>não colabora pode fornecer insights valiosos sobre a natureza do relacionamen-</p><p>to entre a vítima e o criminoso. Essa análise conduz a perguntas relevantes sobre</p><p>possíveis cumplicidades ou envolvimentos anteriores.</p><p>Ademais, a noção de vítima por ignorância destaca um aspecto crucial: a</p><p>importância de considerar o conhecimento da vítima sobre a ilegalidade da ação.</p><p>Entender essa dinâmica pode ser decisivo em investigações criminais.</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>É crucial refletirmos sobre a interconexão da teoria e prática e como esses</p><p>conhecimentos se relacionam ao ambiente profissional que os futuros profissio-</p><p>nais em segurança pública enfrentarão.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Neste tema, você foi introduzido a uma variedade de ferramentas e táticas</p><p>usadas na investigação criminal, incluindo métodos investigativos e ciclos de</p><p>esforço investigativo, assim como ferramentas de planejamento estratégico, como</p><p>5W2H e PDCA. Essas ferramentas são essenciais para estruturar e gerenciar</p><p>investigações de forma eficiente e eficaz, garantindo que todas as variáveis sejam</p><p>consideradas e que os esforços sejam sistematicamente guiados.</p><p>No ambiente profissional, a aplicação prática dessas teorias e técnicas é vital.</p><p>Por exemplo, imagine que você seja designado para investigar um caso de fraude</p><p>cibernética em uma grande corporação. Utilizar a abordagem 5W2H para definir</p><p>claramente os objetivos da investigação, identificar os recursos necessários, e es-</p><p>tabelecer um cronograma de ação será crucial. Da mesma forma, aplicar o ciclo</p><p>PDCA permitirá que você planeje a investigação, execute as ações planejadas,</p><p>verifique os resultados e atue de maneira corretiva conforme necessário.</p><p>Além disso, no mercado de trabalho atual, a demanda por profissionais capa-</p><p>zes de integrar conhecimentos teóricos e práticos em investigações é crescente.</p><p>As organizações buscam indivíduos que possam não apenas aplicar técnicas de</p><p>investigação eficientes, mas também adaptá-las às necessidades em constante</p><p>mudança do cenário da segurança pública.</p><p>Como futuro tecnólogo em segurança pública, você encontrará um ambiente</p><p>que valoriza a flexibilidade, a inovação e a capacidade de aplicar teorias e técnicas</p><p>em cenários reais e complexos. Sua formação, portanto, não se limita a absorver</p><p>conhecimentos, ela é sobre aprender a aplicá-los de forma criativa e responsável</p><p>em um mundo que está em constante transformação.</p><p>Ao concluir este tema, espero que você tenha adquirido uma compreensão</p><p>abrangente e prática dos diversos elementos que compõem a investigação crimi-</p><p>nal e que esteja preparado para enfrentar os desafios e oportunidades no campo</p><p>da segurança pública. Lembre-se, sua jornada de aprendizado não termina aqui.</p><p>Ela é um processo contínuo, em que, a cada dia, novos desafios e oportunidades</p><p>de aprendizado surgirão e sua habilidade de aplicar o que aprendeu de maneira</p><p>ética e eficiente será crucial para seu sucesso profissional e para o avanço da</p><p>segurança pública no Brasil.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. O investigador, nesse sentido, reconstrói a história do fato criminoso e esta reconstrução há</p><p>de ser realizada com racionalidade, sem máculas emocionais. É claro que o investigador,</p><p>ser humano que é, é produto de sua própria história e, por conseguinte, forjado por emo-</p><p>ções, valores, experiências dos mais diversos matizes. Todavia, o seu mister exige que sua</p><p>atuação se dê de forma arredada do eixo da percepção subjetiva, por vezes influenciada</p><p>por sentimentos de vindita ou piedade, da vítima ou da testemunha, em relação aos fatos</p><p>sob exame. Aqui, cabe a máxima popular que ensina que nem tudo é o que parece ser.</p><p>Assim, o ofício que chega ao investigador de um órgão público comunicando a prática de</p><p>um delito pode estar maculado por interesses corporativos e/ou políticos (BARBOSA, 2010).</p><p>Fonte: BARBOSA, A. M. Ciclo do esforço investigativo criminal. Revista Brasileira de Ciên-</p><p>cias Policiais, Brasília, v. 1, n. 1, p. 153-179, 2010. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/</p><p>bitstream/1/7784/1/RBCP_N1_P153-179.pdf. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>Escolha a opção que melhor descreve a abordagem necessária para um investigador criminal</p><p>durante a reconstrução de um fato criminoso, conforme discutido no texto.</p><p>a) O investigador deve confiar, principalmente, em suas emoções e intuições pessoais para</p><p>guiar a investigação.</p><p>b) A análise dos fatos deve ser realizada com uma perspectiva subjetiva, priorizando as</p><p>emoções das vítimas e testemunhas.</p><p>c) É essencial que o investigador mantenha uma abordagem racional, evitando influências</p><p>emocionais e subjetivas na análise dos fatos.</p><p>d) A investigação deve ser conduzida com base em interesses corporativos e políticos para</p><p>garantir resultados eficazes.</p><p>e) O investigador deve focar exclusivamente em evidências digitais, ignorando aspectos</p><p>emocionais e testemunhos verbais.</p><p>2. O PDCA é um método de gerenciamento de processos ou de sistemas. É o caminho para</p><p>se atingirem as metas atribuídas. O PDCA, que significa Plan (Planejar), Do (Executar), Check</p><p>(Verificar) e Act (Agir), oferece uma estrutura sistemática para melhorias contínuas em qual-</p><p>quer processo. Na investigação criminal, este método pode ser adaptado para otimizar a</p><p>solução de casos. Analise as seguintes afirmativas relacionadas à aplicação do PDCA em</p><p>investigações criminais (ANDRADE, 2003).</p><p>Fonte: ANDRADE, F.</p><p>F. de. O método de melhorias PDCA. 2003. 169 f. Tese (Mestrado em</p><p>Engenharia) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível</p><p>em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-04092003-150859/publico/disser-</p><p>tacao_FABIOFA.pdf. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>I - Na fase “Plan” (Planejar), a equipe de investigação estabelece hipóteses, define estraté-</p><p>gias e planeja a coleta de evidências.</p><p>II - Durante a fase “Do” (Executar), a equipe implementa o plano, coletando evidências e</p><p>seguindo as pistas estabelecidas na fase de planejamento.</p><p>III - Na fase “Check” (Verificar), os resultados obtidos são comparados com as hipóteses</p><p>iniciais, ajustando a estratégia conforme necessário.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. A ética e a responsabilidade são fundamentais para assegurar que a justiça seja feita de</p><p>maneira imparcial e respeitosa. Isso inclui a adesão estrita a protocolos legais, o respeito</p><p>pelos direitos humanos e pela dignidade das vítimas, testemunhas e suspeitos, bem como</p><p>a integridade no manuseio e análise de evidências. A conduta ética na investigação criminal</p><p>não só fortalece o sistema de justiça, mas também garante a confiança da sociedade nas</p><p>instituições encarregadas de aplicar a lei.</p><p>Considerando a importância da ética e da responsabilidade na investigação criminal, como</p><p>descrito no texto-base, escolha a opção que melhor representa uma prática alinhada a</p><p>esses princípios.</p><p>a) Ignorar as declarações de testemunhas que pareçam pouco confiáveis, priorizando evi-</p><p>dências físicas.</p><p>b) Usar todos os meios necessários, incluindo pressão psicológica, para obter confissões.</p><p>c) Garantir a integridade da cadeia de custódia das evidências coletadas durante a inves-</p><p>tigação.</p><p>d) Conduzir a investigação com base em preconceitos pessoais sobre os suspeitos.</p><p>e) Manipular evidências para assegurar a condenação de um suspeito que parece culpado.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRADE, F. F. de. O método de melhorias PDCA. 2003. 169 f. Tese (Mestrado em Engenharia)</p><p>– Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://</p><p>teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-04092003-150859/publico/dissertacao_FABIOFA.</p><p>pdf. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>BARBOSA, A. M. Ciclo do esforço investigativo criminal. Revista Brasileira de Ciências Policiais,</p><p>Brasília, v. 1, n. 1, p. 153-179, 2010. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/7784/1/</p><p>RBCP_N1_P153-179.pdf. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 3689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Rio de Ja-</p><p>neiro, RJ: Presidência da República, 1941. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>OLIVEIRA, S. M. de; SILVA, C. T. da; BRANDÃO, E. M. Ciclo PDCA. Florianópolis: Fluminense, 2022.</p><p>Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/716521/2/Ciclo%20PDCA.pdf.</p><p>Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>RIBEIRO, L. R. P. Vitimologia. Revista de Direito Penal, n. 7, abr./maio 2001. Disponível: https://</p><p>www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_</p><p>servicos_produtos/bibli_boletim/bibli_bol_2006/RDP_07_30.pdf. Acesso: 8 abr. 2024.</p><p>PONTES, W. L. et al. Mecanismos para implantação do planejamento estratégico na Polícia mili-</p><p>tar do Maranhão. VII SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE GESTÃO DE PROJETOS, INOVAÇÃO E SUS-</p><p>TENTABILIDADE, 7., 2018. Anais [...]. São Paulo: Singep, 2018. Disponível em: https://www.singep.</p><p>org.br/7singep/resultado/282.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024.</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>1. Alternativa C. O texto-base destaca a necessidade de os investigadores criminais adotarem</p><p>uma abordagem racional e objetiva na reconstrução dos fatos, mantendo-se distantes de</p><p>suas percepções subjetivas e influências emocionais. Essa postura é fundamental para</p><p>garantir a imparcialidade e a eficácia da investigação, evitando que sentimentos pessoais,</p><p>como vindita ou piedade interfiram no julgamento dos fatos. Além disso, é importante estar</p><p>atento às possíveis influências externas, como interesses corporativos ou políticos, que</p><p>podem comprometer a integridade da investigação</p><p>2. Alternativa E. O método PDCA é uma ferramenta eficaz de gerenciamento de processos que</p><p>pode ser aplicada na investigação criminal para melhorar a eficiência e eficácia das operações.</p><p>Na afirmativa I, “Na fase ‘Plan’ (Planejar), a equipe de investigação estabelece hipóteses,</p><p>define estratégias e planeja a coleta de evidências”, descreve corretamente a primeira etapa</p><p>do PDCA. Nessa fase, a equipe define o escopo da investigação, estabelece os objetivos e</p><p>planeja as ações a serem tomadas.</p><p>A afirmativa II, “Durante a fase ‘Do’ (Executar), a equipe implementa o plano, coletando</p><p>evidências e seguindo as pistas estabelecidas na fase de planejamento”, é uma descrição</p><p>precisa da fase de execução do PDCA. Aqui, a equipe coloca em prática o plano desenvolvido,</p><p>realizando a coleta de evidências e outras atividades investigativas.</p><p>Na afirmativa III, “Na fase ‘Check’ (Verificar), os resultados obtidos são comparados às hi-</p><p>póteses iniciais, ajustando a estratégia conforme necessário”, captura a essência da etapa</p><p>de verificação do PDCA. Essa etapa envolve a análise dos resultados da fase de execução,</p><p>comparando-os às expectativas iniciais e fazendo ajustes conforme necessário.</p><p>3. Alternativa C. Garantir a integridade da cadeia de custódia das evidências é um aspecto</p><p>fundamental da ética e da responsabilidade em investigações criminais. Isso assegura que</p><p>as evidências sejam manuseadas e analisadas de maneira imparcial e precisa, mantendo</p><p>a confiabilidade do processo investigativo. As alternativas A, B, D e E são incorretas, pois</p><p>representam práticas antiéticas e irresponsáveis que violam os direitos dos envolvidos,</p><p>comprometem a integridade da investigação e contrariam os princípios de justiça imparcial</p><p>e respeito aos direitos humanos.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>O PAPEL DO PERITO NA</p><p>INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Identificar abordagens e técnicas em perícia criminal.</p><p>Praticar coleta e preservação de evidências.</p><p>Compreender o que é cadeia de cústodia.</p><p>Compreender técnicas utilizadas por perícias.</p><p>Examinar diferentes provas possíveis e suas classificações.</p><p>Aperfeiçoar habilidades em preservação de cenas de crime.</p><p>Desenvolver análise crítica de provas periciais.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Bem-vindo ao mundo da perícia criminal. Aqui, você aprenderá que cada de-</p><p>talhe tem o poder de desvendar crimes e trazer luz à justiça. O papel do perito é</p><p>crucial nesse cenário, funcionando como auxílio na investigação criminal e com</p><p>a finalidade de auxiliar esse procedimento para materializar provas.</p><p>Imagine-se em uma cena de crime. Cada vestígio, seja um fragmento de vidro</p><p>ou uma impressão digital, carrega consigo uma história silenciosa, clamando por</p><p>ser contada. Aqui, entra em cena a perícia criminal, uma dança precisa entre</p><p>técnica, ética e responsabilidade. A habilidade do perito não se restringe à análise</p><p>desses elementos, estende-se à manutenção meticulosa da cadeia de custódia,</p><p>função essa que os policiais também são encarregados.</p><p>A cadeia de custódia é um pilar fundamental. Ela assegura que as evidências</p><p>coletadas na cena do crime sejam preservadas e documentadas meticulosamente,</p><p>garantindo sua integridade desde o momento da coleta até a sua apresentação</p><p>em juízo. Esse processo é vital para que as provas sejam admissíveis e confiáveis</p><p>em tribunal e qualquer falha pode comprometer seriamente a justiça do caso.</p><p>Além disso, a resolução de casos criminais por meio da perícia tem um im-</p><p>pacto profundo na sociedade. Ela não apenas ajuda a solucionar crimes especí-</p><p>ficos, mas também fortalece a confiança pública no sistema de justiça. A perícia</p><p>criminal, portanto, transcende a simples análise técnica, desempenhando um</p><p>papel crucial na manutenção</p><p>da ordem e na prevenção de injustiças.</p><p>Durante seu estudo, você se familiarizará com as normas brasileiras sobre</p><p>perícias e aprenderá como a cadeia de custódia é mantida e por que é tão crucial</p><p>para o processo de justiça criminal. Cada detalhe, desde a forma como as evi-</p><p>dências são coletadas até como são analisadas e armazenadas, é parte integrante</p><p>do seu papel como perito.</p><p>Entendendo a importância da cadeia de custódia na preservação da inte-</p><p>gridade das provas, seu aprendizado vai além da teoria. Ao enfrentar desafios</p><p>práticos, como analisar evidências de um crime cibernético ou interpretar da-</p><p>dos de um laboratório forense, você aplicará não apenas seus conhecimentos</p><p>técnicos, mas também sua compreensão da cadeia de custódia. Esses casos são</p><p>oportunidades valiosas para praticar a preservação da integridade das provas,</p><p>uma habilidade indispensável em sua carreira.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Temos o prazer de convidá-lo para ouvir o podcast Operações policiais: técnicas</p><p>avançadas de investigação criminal. Neste momento, mergulharemos no mundo</p><p>da perícia criminal, oferecendo uma ampliação do seu conhecimento teórico</p><p>sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente</p><p>virtual de aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você recorda-se do trágico incidente em Santa Catarina, que resultou na morte de</p><p>quatro jovens dentro de um automóvel BMW? Análises preliminares dos peritos</p><p>indicam que um vazamento atípico de gás no sistema de escapamento do veículo</p><p>pode ter sido a causa. A suspeita é que esse vazamento tenha levado à acumulação</p><p>de monóxido de carbono no interior do carro, resultando na intoxicação fatal das</p><p>vítimas. Interessantemente, foi observado que o sistema de escapamento havia</p><p>passado por modificações customizadas, visando intensificar o som do motor. Mais</p><p>detalhes sobre esse caso podem ser encontrados aqui:</p><p>https://www.nsctotal.com.br/noticias/customizacao-que-levou-a-morte-</p><p>de-jovens-em-bmw-aconteceu-6-meses-antes-da-tragedia#:~:text=A%20</p><p>per%C3%ADcia%20identificou%20um%20total,atmosfera%20t%C3%B3xica%20</p><p>dentro%20do%20ve%C3%ADculo%E2%80%9D.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>O PAPEL DA PERÍCIA</p><p>Hoje, discutiremos a crucial função pericial, essencial na formação de uma sen-</p><p>tença condenatória, na formulação de denúncias e no processo de indiciamento.</p><p>A perícia atua na oficialização das evidências dentro de um processo, sendo um</p><p>alicerce na construção da verdade jurídica.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>É fundamental destacar que, embora a perícia desempenhe um papel vital</p><p>em diversas áreas do conhecimento, nosso foco atual está na esfera criminal.</p><p>Nesse contexto, o inquérito policial é a fase preliminar que antecede o processo</p><p>penal. Seu principal objetivo é coletar provas para</p><p>estabelecer a autoria e a materialidade do crime</p><p>investigado. Concluídas as investigações, cabe ao</p><p>Ministério Público, na qualidade de guardião da lei,</p><p>decidir pela apresentação ou não de uma denúncia</p><p>(NUCCI, 2017).</p><p>Uma vez apresentada a denúncia, inicia-se o processo penal. Nessa fase, o</p><p>Ministério Público formula suas acusações contra o réu, enquanto a defesa se</p><p>encarrega de contestar essas alegações. Nesse embate jurídico, o magistrado</p><p>é responsável por avaliar os fatos e proferir uma sentença, que representa a</p><p>decisão final do caso.</p><p>Nesse momento, adentraremos no Código de Processo Penal (CPP), que</p><p>dispõe o seguinte em seu Art. 155:</p><p>“ Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da pro-</p><p>va produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar</p><p>sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos</p><p>na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e</p><p>antecipadas (BRASIL, 1941).</p><p>Sem dúvida, essa é a norma mais importante quando se trata de provas. Ao des-</p><p>membrar o artigo, podemos observar as seguintes partes:</p><p>1. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em</p><p>contraditório judicial</p><p>Aqui, quer dizer que esse artigo inaugura o sistema da livre apreciação da prova</p><p>que é adotado no Brasil. Ainda, existe o sistema da prova tarifada, que é uti-</p><p>lizado em alguns países, e o sistema da prova legal, que é empregado em ou-</p><p>tros. Por fim, o sistema da livre apreciação da prova, o qual é adotado no Brasil</p><p>(MASCHIO et al., 2020).</p><p>O inquérito policial</p><p>é a fase preliminar</p><p>que antecede o</p><p>processo penal</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>No sistema da prova tarifada, cada tipo de prova possui um valor específico</p><p>e predeterminado pela lei. Essa rigidez significa que o poder discricionário do</p><p>juiz na avaliação de provas é limitado, pois deve aderir ao valor que a lei atribui a</p><p>cada tipo de evidência, independentemente do contexto ou da natureza específica</p><p>do caso (MASCHIO et al., 2020).</p><p>Por outro lado, o sistema da prova legal, ainda mais restritivo em alguns as-</p><p>pectos, não apenas define o valor de cada tipo de prova, mas também estabelece</p><p>regras estritas sobre quais provas são admissíveis. Aqui, a lei dita explicitamente</p><p>o grau de importância ou a relevância de diferentes tipos de provas, limitando a</p><p>liberdade do juiz em sua apreciação (MASCHIO et al., 2020).</p><p>Enquanto o sistema da livre apreciação da prova favorece uma análise mais</p><p>detalhada e contextualizada das evidências, adequando-se às particularidades</p><p>de cada caso, os sistemas de prova tarifada e legal priorizam a uniformidade e a</p><p>conformidade com as diretrizes legais pré-estabelecidas (MASCHIO et al., 2020).</p><p>2. Não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos</p><p>informativos colhidos na investigação</p><p>Ao especificar que o juiz não pode basear sua decisão exclusivamente nos ele-</p><p>mentos informativos colhidos na investigação, o texto legal enfatiza a necessidade</p><p>de uma análise mais ampla e aprofundada das provas durante o processo judicial</p><p>(MASCHIO et al., 2020).</p><p>Esses elementos informativos geralmente incluem dados preliminares, como</p><p>depoimentos iniciais, relatórios de investigação e outras informações coletadas na</p><p>fase de investigação, que podem não ter sido submetidos ao contraditório ou ao</p><p>exame mais rigoroso que ocorre durante o julgamento (MASCHIO et al., 2020).</p><p>Essa disposição assegura que o processo de julgamento não se baseie unica-</p><p>mente em informações que podem ser incompletas, não verificadas ou poten-</p><p>cialmente tendenciosas (MASCHIO et al., 2020).</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>O que é elemento informativo?</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Elementos informativos são informações ou indícios que o juiz obtém du-</p><p>rante uma investigação ou processo, mas que ainda não foram devidamente</p><p>confirmados ou validados como provas. São dados preliminares que podem</p><p>sugerir a existência de um fato, mas ainda não têm o status de evidência defi-</p><p>nitiva. Eles podem incluir depoimentos de testemunhas, relatórios prelimina-</p><p>res de peritos, denúncias anônimas, entre outros. O juiz não pode basear sua</p><p>decisão exclusivamente nesses elementos, pois eles podem ser imprecisos ou</p><p>não confiáveis por si só.</p><p>Agora que você compreende o conceito de elemento informativo, consegue</p><p>diferenciá-lo de maneira clara de um vestígio e de uma prova?</p><p>Vestígio: são evidências físicas, como impressões digitais, amostras de DNA,</p><p>objetos, marcas etc., relacionadas a um crime. São geralmente considerados pro-</p><p>vas quando devidamente coletados, preservados, respeitando a cadeia de custó-</p><p>dia e apresentados em juízo (MASCHIO et al., 2020).</p><p>Indício: é uma informação ou circunstância que aponta para a possibilidade</p><p>de um fato ser verdadeiro, mas que, por si só, não é suficiente para comprovar esse</p><p>fato. Indícios são inferências ou suspeitas baseadas em certos fatos conhecidos</p><p>que sugerem a existência de outros fatos. Eles são mais fracos do que as provas,</p><p>pois não são conclusivos, mas podem ser usados para apoiar outras evidências</p><p>ou hipóteses (NUCCI, 2017).</p><p>Evidência: é um termo mais amplo que inclui qualquer coisa usada para de-</p><p>monstrar a verdade de uma afirmação. No contexto jurídico, as evidências podem</p><p>ser indícios, provas ou vestígios.</p><p>Elas são elementos que servem para convencer o</p><p>juiz da existência ou inexistência de um fato. A evidência pode ser forte ou fraca</p><p>e pode variar em sua capacidade de suportar uma conclusão (NUCCI, 2017).</p><p>Prova: trata-se da evidência apresentada em um processo judicial, como</p><p>testemunhos, documentos, perícias, testes científicos, que ajuda a estabelecer ou</p><p>refutar fatos. As provas podem ser testemunhais, documentais, periciais, testes</p><p>científicos, entre outras. Diferentemente dos elementos informativos, as provas</p><p>têm maior peso e são mais confiáveis, pois passaram pelo crivo da análise e do</p><p>contraditório (MASCHIO et al., 2020).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>3. Ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas</p><p>Provas cautelares: são provas que visam preservar evidências antes que pos-</p><p>sam ser destruídas, alteradas ou perdidas. Por exemplo, um juiz pode autorizar</p><p>a busca e apreensão de documentos em uma investigação criminal para garantir</p><p>que as evidências relevantes não sejam destruídas (MASCHIO et al., 2020).</p><p>Provas não repetíveis: refere-se a provas que não podem ser reproduzidas</p><p>ou recriadas posteriormente no processo legal. Por exemplo, testemunhas de um</p><p>acidente de trânsito podem fornecer informações cruciais sobre o que aconteceu,</p><p>essas declarações são consideradas "não repetíveis", porque não podem ser refei-</p><p>tas no futuro exatamente da mesma maneira (MASCHIO et al., 2020).</p><p>Provas antecipadas: são provas que são coletadas antes do início formal de</p><p>um processo judicial. Isso pode acontecer quando há preocupações de que as</p><p>testemunhas ou evidências possam se tornar indisponíveis no futuro ou quando é</p><p>necessário proteger a integridade da prova. Um exemplo seria tomar o depoimen-</p><p>to de uma testemunha idosa que está doente, para garantir que seu testemunho</p><p>seja registrado antes que ela fique incapacitada (MASCHIO et al., 2020).</p><p>INQUÉRITO POLICIAL E PROCESSO PENAL</p><p>Considerando uma perspectiva ampla, a perícia se mostra essencial em dois</p><p>momentos distintos no contexto jurídico: durante o inquérito policial e durante</p><p>o processo penal, sendo importante ressaltar que seu uso é mais frequente no</p><p>primeiro momento, ou seja, durante o inquérito (NUCCI, 2017).</p><p>No âmbito do inquérito policial, a perícia assume um papel crucial na coleta</p><p>e análise de evidências, sendo fundamental para esclarecer os fatos e estabelecer</p><p>uma base concreta para a investigação.</p><p>Essa fase envolve exames detalhados em cenas de crimes, análises de provas</p><p>materiais, como armas ou drogas e a verificação de documentos e registros po-</p><p>tencialmente relevantes para o caso.</p><p>Nesse estágio inicial, a perícia fornece suporte essencial às autoridades, au-</p><p>xiliando na tomada de decisões críticas sobre a potencial acusação de suspeitos</p><p>por meio das provas coletadas.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>À medida que o caso avança para o processo penal, a atuação da perícia</p><p>continua a ser de suma importância, embora sua frequência possa ser menor em</p><p>comparação com o inquérito.</p><p>Durante essa fase, a perícia é frequentemente convocada para fortalecer as</p><p>provas apresentadas pelas partes envolvidas, seja para contestar ou corroborar</p><p>argumentos no tribunal. Isso inclui a elaboração e apresentação de laudos</p><p>periciais, que fornecem ao juiz elementos objetivos e técnicos essenciais para</p><p>a tomada de decisão.</p><p>Assim, a perícia se estabelece como um elemento-chave em ambos os está-</p><p>gios, influenciando significativamente o curso e o resultado das investigações e</p><p>processos penais.</p><p>O Art. 156 do CPP, está exposto a seguir:</p><p>“ Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo,</p><p>porém, facultado ao juiz de ofício.</p><p>I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção</p><p>antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, obser-</p><p>vando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida;</p><p>(BRASIL, 1941).</p><p>[...]</p><p>Em termos processuais, antes do início da ação penal, ocorre o inquérito po-</p><p>licial. Essa etapa é crucial para a coleta inicial de provas e informações sobre o</p><p>crime. O Ministério Público, que desempenha o papel de acusador, é responsá-</p><p>vel por elaborar a denúncia com base nas evidências e informações coletadas</p><p>durante o inquérito.</p><p>É importante destacar que, embora o inquérito policial seja fundamental</p><p>para estabelecer os fundamentos do caso, as informações nele coletadas não são</p><p>utilizadas exclusivamente para condenar alguém, ou seja, o juiz não pode basear</p><p>a condenação apenas nos fatos formalizados durante o inquérito. O processo</p><p>penal, que se inicia com a apresentação da denúncia pelo Ministério Público, é o</p><p>momento em que as provas são analisadas e debatidas mais aprofundadamente,</p><p>levando à decisão final do juiz (NUCCI, 2017).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>TÉCNICAS UTILIZADAS NA PERÍCIA</p><p>Na dinâmica do processo jurídico, o perito desempenha um papel fundamental:</p><p>é ele o responsável por materializar as provas e conferir-lhes a forma legal exigida</p><p>pela legislação. O perito é um profissional com conhecimento técnico e especia-</p><p>lizado, geralmente designado para atuar em investigações e processos judiciais.</p><p>Sua função é analisar evidências por meio de sua expertise em áreas específicas,</p><p>como medicina legal, engenharia, contabilidade, entre outras (NUCCI, 2017).</p><p>O trabalho consiste em analisar as evidências de maneira técnica e científica,</p><p>transformando-as em provas concretas que possam ser utilizadas no decorrer do</p><p>processo judicial.</p><p>Suas principais atribuições incluem a realização de exames e análises técnicas</p><p>em evidências, a elaboração de laudos periciais detalhados e o fornecimento de</p><p>depoimentos em juízo quando necessário. Eles são responsáveis por traduzir</p><p>aspectos técnicos complexos em informações compreensíveis, que possam ser</p><p>utilizadas no contexto jurídico.</p><p>Essa materialização das provas pelo perito não se limita apenas a torná-las</p><p>tangíveis, mas também a assegurar que estejam em conformidade com os padrões</p><p>e procedimentos legais estabelecidos. Desta forma, o trabalho pericial é essencial</p><p>para que as evidências coletadas durante a investigação possam ser adequada-</p><p>mente avaliadas e utilizadas pelos operadores do Direito, tanto na fase de inqué-</p><p>rito policial quanto no processo penal subsequente (MASCHIO et al., 2020).</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Os peritos devem cumprir rigorosas responsabilidades éticas e legais.</p><p>Isso envolve manter a integridade e a confiabilidade das informações, asse-</p><p>gurando a precisão de seus relatórios e testemunhos. Além disso, devem se-</p><p>guir os procedimentos legais estabelecidos e manter a confidencialidade das</p><p>informações tratadas.</p><p>Ainda, a imparcialidade e a objetividade são fundamentais nas análises pe-</p><p>riciais. Os peritos devem evitar qualquer viés ou influência externa que possa</p><p>comprometer a veracidade de suas análises. Suas conclusões devem se basear</p><p>unicamente nas evidências e conhecimentos técnicos, contribuindo para a justiça</p><p>e a precisão no processo de tomada de decisões jurídicas.</p><p>A atuação do perito é fundamental na intersecção entre a coleta de evidências</p><p>e a sua subsequente apresentação no âmbito jurídico. Esse profissional garante</p><p>que as provas coletadas sejam não apenas válidas e confiáveis, mas também acei-</p><p>táveis sob a ótica legal.</p><p>Para serem consideradas lícitas, as provas devem estar em conformidade</p><p>com os padrões estabelecidos pela legislação. As provas ilícitas, em contraste,</p><p>são aquelas obtidas em violação aos princípios legais, sendo inadmissíveis em</p><p>um processo judicial.</p><p>Este conceito é reforçado pelo Art. 157 do Código de Processo Penal, que</p><p>estabelece a inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. A seguir,</p><p>detalho o conteúdo deste artigo:</p><p>“ Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do pro-</p><p>cesso, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a</p><p>normas constitucionais ou legais.</p><p>§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo</p><p>quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras,</p><p>ou quando as derivadas puderem</p><p>ser obtidas por uma fonte inde-</p><p>pendente das primeiras.</p><p>§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, se-</p><p>guindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação</p><p>ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da</p><p>prova (BRASIL, 1941).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>O Art. 157 do CPP estabelece uma diretriz fundamental para a integridade do sis-</p><p>tema jurídico, ao declarar a inadmissibilidade de provas ilícitas. Essas provas são</p><p>definidas como aquelas obtidas em violação às normas constitucionais ou legais.</p><p>A importância desse artigo se destaca ao incorporar no ordenamento jurídico</p><p>brasileiro a teoria dos "frutos da árvore envenenada". Segundo essa teoria, não</p><p>apenas as provas obtidas de forma ilícita são inadmissíveis, mas também quais-</p><p>quer provas subsequentemente derivadas dessas provas ilícitas.</p><p>O § 1º do Art. 157 expande essa concepção, ao estipular que provas consi-</p><p>deradas derivadas de provas ilícitas também são inadmissíveis, exceto em duas</p><p>situações específicas. A primeira exceção ocorre quando não se pode comprovar</p><p>um nexo causal entre as provas ilícitas e as provas derivadas. A segunda exceção</p><p>se dá quando as provas derivadas poderiam ser obtidas por uma fonte indepen-</p><p>dente das provas ilícitas originais.</p><p>O § 2º do Art. 157 do CPP complementa a teoria dos "frutos da árvore en-</p><p>venenada", introduzida no Brasil, ao definir o conceito de "fonte independente".</p><p>De acordo com esse artigo, uma fonte independente é aquela que, seguindo</p><p>os trâmites e procedimentos habituais de investigação ou instrução criminal, é</p><p>capaz de conduzir ao fato objeto da prova de maneira autônoma, ou seja, sem</p><p>depender das provas ilícitas. Esse conceito traz a distinção entre as diferentes</p><p>categorias de provas no processo legal.</p><p>Em consonância com essa teoria, o mesmo artigo estabelece uma diferencia-</p><p>ção entre provas ilegais, ilegítimas e ilícitas, categorias fundamentais no âmbito</p><p>do direito processual, vejamos a seguir.</p><p>PROVAS ILEGAIS E PROVAS ILÍCITAS</p><p>As provas ilegais são caracterizadas pela obtenção em desacordo às normas</p><p>legais, enquanto as provas ilegítimas são aquelas adquiridas por métodos que,</p><p>embora não violem diretamente a lei, são considerados antiéticos ou inaceitáveis.</p><p>Por outro lado, as provas ilícitas representam um subconjunto específico</p><p>das provas ilegais, sendo definidas como aquelas obtidas em violação direta a</p><p>normas constitucionais ou legais.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Essa distinção determina a validade e a admissibilidade das provas em pro-</p><p>cessos legais, assegurando o respeito aos direitos fundamentais dos indivíduos e</p><p>a justiça do processo legal.</p><p>Em continuidade, adentrando ao tema da cadeia de custódia, o Art. 158 re-</p><p>mete a seguinte normativa:</p><p>“ Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o</p><p>exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo</p><p>a confissão do acusado.</p><p>Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de cor-</p><p>po de delito quando se tratar de crime que envolva.</p><p>I - violência doméstica e familiar contra mulher;</p><p>II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com de-</p><p>ficiência (BRASIL, 1941).</p><p>O artigo enfatiza a necessidade imprescindível do exame de corpo de delito, seja</p><p>ele direto ou indireto, para a comprovação de um crime. Essa exigência serve</p><p>para garantir a objetividade e a precisão na coleta de evidências.</p><p>O exame de corpo de delito direto refere-se à avaliação realizada diretamente</p><p>sobre os vestígios físicos deixados pela infração, como ferimentos em uma vítima</p><p>de agressão (MASCHIO et al., 2020).</p><p>Já o exame indireto é aplicado quando não é possível examinar direta-</p><p>mente os vestígios, podendo ser realizado por meio de fotografias, relatórios</p><p>médicos ou outros registros que documentem as consequências da infração</p><p>(MASCHIO et al., 2020).</p><p>Um aspecto crucial desse artigo é que ele estabelece que a confissão do acu-</p><p>sado, por si só, não é suficiente para substituir a necessidade do exame de corpo</p><p>de delito. Isso significa que, mesmo que o acusado confesse a prática do delito, é</p><p>imperativo que haja um exame pericial para comprovar a ocorrência do crime e</p><p>a extensão dos danos ou lesões causadas.</p><p>Essa disposição é fundamental para assegurar um processo justo, evitando</p><p>condenações baseadas exclusivamente em confissões, que podem ser fruto de</p><p>coação ou outras circunstâncias questionáveis.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Além disso, o parágrafo único do artigo dá prioridade à realização do exame</p><p>de corpo de delito em casos específicos, como crimes de violência doméstica e</p><p>familiar contra mulheres, violência contra crianças, adolescentes, idosos ou pes-</p><p>soas com deficiência. Isso reflete a preocupação do legislador em proteger grupos</p><p>vulneráveis e garantir uma resposta rápida e efetiva nessas situações.</p><p>A confissão por si só pode embasar uma condenação?</p><p>Descubra mais sobre o papel da confissão no sistema jurídico e se ela é suficiente</p><p>para embasar uma condenação. O artigo explora a definição da confissão, suas</p><p>características e como o valor dela é avaliado no contexto do processo criminal.</p><p>Você pode conferir clicando no link a seguir: https://www.jusbrasil.com.br/arti-</p><p>gos/a-confissao-por-si-so-pode-embasar-uma-condenacao/568641074.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>CADEIA DE CÚSTODIA</p><p>Abordando um dos aspectos mais significativos na esfera pericial, chegamos à</p><p>questão da cadeia de custódia. Esse conceito é definido e regulamentado pelos</p><p>Arts.158-A e 158-B do CPP.</p><p>Cadeia de custódia, conceito introduzido pelo</p><p>Art. 158-A do CPP, refere-se ao processo meticuloso</p><p>pelo qual a evidência física é coletada, preservada,</p><p>transportada e armazenada, desde o local do crime</p><p>até sua apresentação em tribunal. O objetivo é</p><p>rastrear a posse e o manuseio desse vestígio desde o momento de sua coleta até</p><p>o seu descarte final.</p><p>A seguir, vejamos os detalhes desses dispositivos legais e sua relevância no</p><p>contexto processual penal:</p><p>“ Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos</p><p>os procedimentos utilizados para manter e documentar a histó-</p><p>ria cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de</p><p>O objetivo é</p><p>rastrear a posse e</p><p>o manuseio desse</p><p>vestígio</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reco-</p><p>nhecimento até o descarte.</p><p>§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do</p><p>local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos</p><p>quais seja detectada a existência de vestígio.</p><p>§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como de</p><p>potencial interesse para a produção da prova pericial fica respon-</p><p>sável por sua preservação.</p><p>§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente,</p><p>constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal</p><p>(BRASIL, 1941).</p><p>O primeiro parágrafo estabelece que a cadeia de custódia começa com a pre-</p><p>servação do local do crime ou com os procedimentos policiais ou periciais que</p><p>detectam a existência de um vestígio. Por exemplo, quando a polícia chega ao</p><p>local de um crime e isola a área para evitar a contaminação de evidências, eles</p><p>estão iniciando a cadeia de custódia (LOPES JR, 2020).</p><p>O segundo parágrafo coloca a responsabilidade pela preservação do vestígio</p><p>no agente público que o identifica como potencialmente relevante para a prova</p><p>pericial. Isso significa que se um policial encontrar uma arma na cena do crime,</p><p>é sua responsabilidade garantir que essa evidência seja mantida intacta até que</p><p>possa ser devidamente processada (LOPES JR, 2020).</p><p>Por fim, o terceiro parágrafo define o que constitui um vestígio, abrangendo</p><p>qualquer objeto ou material, visível ou latente, relacionado à infração penal. Isso</p><p>pode incluir desde impressões digitais, que são vestígios latentes, até itens mais</p><p>óbvios, como um pedaço de roupa rasgada ou uma arma (LOPES JR, 2020).</p><p>Com as definições gerais e conceitos pertinentes já esclarecidos, estamos,</p><p>agora, adequadamente equipados para adentrar nas etapas detalhadas da ca-</p><p>deia de custódia.</p><p>Esse conhecimento nos proporciona a base necessária para</p><p>compreender integralmente o processo e sua importância no contexto do</p><p>sistema de justiça penal.</p><p>A cadeia de custódia compreende o rastreamento dos vestígios conforme</p><p>segue os incisos extraídos do CPP em seu Art.158-B:</p><p>“ I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de poten-</p><p>cial interesse para a produção da prova pericial;</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, deven-</p><p>do isolar e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado</p><p>aos vestígios e local de crime;</p><p>III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra</p><p>no local de crime ou no corpo de delito, e a sua posição na área de</p><p>exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui,</p><p>sendo indispensável a sua descrição no laudo pericial produzido</p><p>pelo perito responsável pelo atendimento;</p><p>IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise</p><p>pericial, respeitando suas características e natureza;</p><p>V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestí-</p><p>gio coletado é embalado de forma individualizada, de acordo com</p><p>suas características físicas, químicas e biológicas, para posterior</p><p>análise, com anotação da data, hora e nome de quem realizou a</p><p>coleta e o acondicionamento;</p><p>VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro,</p><p>utilizando as condições adequadas (embalagens, veículos, tempera-</p><p>tura, entre outras), de modo a garantir a manutenção de suas carac-</p><p>terísticas originais, bem como o controle de sua posse;</p><p>VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio,</p><p>que deve ser documentado com, no mínimo, informações referen-</p><p>tes ao número de procedimento e unidade de polícia judiciária re-</p><p>lacionada, local de origem, nome de quem transportou o vestígio,</p><p>código de rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio, pro-</p><p>tocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu;</p><p>VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestí-</p><p>gio de acordo com a metodologia adequada às suas características</p><p>biológicas, físicas e químicas, a fim de se obter o resultado desejado,</p><p>que deverá ser formalizado em laudo produzido por perito;</p><p>IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em con-</p><p>dições adequadas, do material a ser processado, guardado para</p><p>realização de contraperícia, descartado ou transportado, com vin-</p><p>culação ao número do laudo correspondente;</p><p>X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respei-</p><p>tando a legislação vigente e, quando pertinente, mediante autoriza-</p><p>ção judicial (BRASIL, 1941).</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Esses dez passos são cruciais para determinar a condenação ou absolvição de</p><p>um indivíduo, cuja culpabilidade é conhecida. Um erro em qualquer uma dessas</p><p>etapas pode resultar na invalidação da prova.</p><p>Para ilustrar de forma prática, desenvolveremos um cenário hipotético que</p><p>exemplifica esses passos em detalhes.</p><p>Em uma investigação de um crime violento, os investigadores chegam à</p><p>cena e imediatamente identificam uma faca manchada de sangue como uma</p><p>evidência-chave (reconhecimento). Para preservar o local, a área ao redor da</p><p>faca é isolada, evitando que qualquer pessoa altere o estado das coisas (isola-</p><p>mento). Um perito detalhou meticulosamente a posição e condição da faca,</p><p>utilizando fotografias e filmagens para documentar a cena antes de qualquer</p><p>interferência (fixação).</p><p>Seguindo os procedimentos, a faca é cuidadosamente coletada, assegurando</p><p>que as características, como impressões digitais e traços de sangue, sejam manti-</p><p>das intactas (coleta). A faca é, então, acondicionada em um recipiente apropria-</p><p>do, com a data, a hora e o nome do responsável pela coleta claramente anotados</p><p>(acondicionamento). O próximo passo é o transporte da faca para o laboratório</p><p>forense, onde é realizada a análise. Esse transporte é feito sob condições que</p><p>garantem a preservação das características originais da evidência (transporte).</p><p>Na chegada ao laboratório, ocorre o recebimento formal da faca, com a docu-</p><p>mentação de informações essenciais, como o número do procedimento e o nome</p><p>da pessoa que a transportou (recebimento). A análise pericial é realizada, a faca</p><p>é examinada para identificar possíveis vestígios de DNA ou outras evidências que</p><p>possam ajudar a esclarecer o crime (processamento).</p><p>Após a análise, a faca é armazenada em condições adequadas para preservar a</p><p>integridade das evidências, caso seja necessária uma contraprova ou para referên-</p><p>cia em etapas futuras do processo judicial (armazenamento). Por fim, uma vez</p><p>concluída a investigação e o processo judicial e não havendo mais necessidade de</p><p>manter a faca como evidência, ela é descartada de acordo com os procedimentos</p><p>legais e, quando aplicável, mediante autorização judicial (descarte).</p><p>As nuances da lei, particularmente no que diz respeito à coleta e à análise de</p><p>provas, são vitais para assegurar a justiça e a equidade no sistema jurídico.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Espero que as informações apresentadas aqui tenham proporcionado uma</p><p>compreensão mais profunda desses conceitos e que o conhecimento adquirido</p><p>sirva como um recurso valioso em seus estudos ou práticas futuras.</p><p>Agradeço sua atenção e dedicação ao acompanhar este tema e desejo sucesso</p><p>contínuo em sua jornada pelo fascinante mundo pericial.</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você. Re-</p><p>cursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-</p><p>dizagem .</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Ao nos aproximarmos do encerramento deste tema de aprendizagem, devemos</p><p>estabelecer a ponte entre a teoria e a prática, focando especificamente na prepa-</p><p>ração dos estudantes para o mercado de trabalho na área de segurança pública.</p><p>Essa parte do conteúdo serve para consolidar e aplicar o conhecimento adquiri-</p><p>do, conectando-o às realidades profissionais futuras.</p><p>O papel do perito na investigação criminal, conforme estudado, é funda-</p><p>mental para garantir a efetividade dos aspectos legais de prova. No âmbito pro-</p><p>fissional, os peritos são frequentemente confrontados com desafios complexos,</p><p>exigindo não apenas um profundo conhecimento técnico, mas também a capa-</p><p>cidade de aplicar esse conhecimento em contextos variados e, muitas vezes, sob</p><p>pressão intensa. A ética e a precisão são primordiais, pois o trabalho do perito</p><p>pode ter impactos significativos no resultado de processos judiciais.</p><p>Neste tema, refletiremos sobre como as habilidades e os conhecimentos ad-</p><p>quiridos neste curso podem ser aplicados no ambiente de trabalho. Por exemplo,</p><p>a compreensão das normas brasileiras sobre perícias e da cadeia de custódia são</p><p>essenciais para manter a integridade das provas coletadas.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>A habilidade de interpretar e comunicar resultados periciais de forma clara</p><p>e precisa é vital na colaboração com outros profissionais de segurança pública,</p><p>como investigadores e advogados.</p><p>A constante evolução tecnológica também atinge o mercado pericial e os</p><p>profissionais devem estar preparados para se adaptar a essas mudanças, man-</p><p>tendo-se atualizados sobre as últimas tendências e desenvolvimentos no campo.</p><p>Além disso, a capacidade de trabalhar de forma interdisciplinar, integrando</p><p>conhecimentos de áreas, como a criminologia, a psicologia e a tecnologia da</p><p>informação é cada vez mais valorizada.</p><p>Por fim, espero que vocês se sintam capacitados não apenas com um conhe-</p><p>cimento teórico sólido, mas também com as habilidades práticas necessárias</p><p>para enfrentar os desafios reais no campo da investigação criminal. A jornada</p><p>de aprendizagem pode ter terminado, mas o caminho para se tornar um perito</p><p>eficaz e ético na segurança pública é contínuo e sempre evolutivo.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>1. O vocábulo prova origina-se do latim, probatio, que emana do verbo probare, com o signi-</p><p>ficado de demonstrar, reconhecer, formar juízo de. “Entende-se,</p><p>assim, no sentido jurídico,</p><p>a demonstração que se faz, pelos meios legais, da existência ou veracidade de um fato</p><p>material ou de um ato jurídico, em virtude da qual se conclui por sua existência ou se afirma</p><p>a certeza a respeito da existência do fato ou do ato demonstrado” (SILVA, 1967, p. 1253).</p><p>Analisando o fragmento de texto de Silva (1967), é possível inferir que a palavra "prova" tem</p><p>sua origem etimológica no latim e, no contexto jurídico, refere-se:</p><p>a) À capacidade de influenciar um juízo legal sem necessidade de evidências concretas.</p><p>b) A um procedimento formalizado para contestar decisões judiciais prévias.</p><p>c) À demonstração, por meios legais, da existência ou veracidade de um fato material ou</p><p>ato jurídico.</p><p>d) A uma técnica de argumentação baseada exclusivamente em aspectos teóricos</p><p>e) A um método de persuasão informal utilizado em debates jurídicos</p><p>2. “Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em con-</p><p>traditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos</p><p>informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e</p><p>antecipadas” (BRASIL, 1941).</p><p>Sobre o tema anterior, assinale a alternativa correta:</p><p>I - O juiz possui autonomia para formar sua convicção com base na análise das provas</p><p>apresentadas durante o contraditório judicial, sem a obrigatoriedade de se ater somente</p><p>às informações obtidas na fase de investigação.</p><p>II - As provas cautelares, não repetíveis e antecipadas constituem exceções à regra de que</p><p>o juiz não pode fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos</p><p>colhidos na investigação.</p><p>III - No processo penal, é permitido ao juiz fundamentar sua decisão unicamente com base</p><p>em elementos informativos colhidos na fase de investigação, sem considerar as provas</p><p>produzidas em contraditório judicial.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>3. O inquérito policial funda-se da seguinte maneira: constitui o conjunto de atividades de-</p><p>senvolvidas concatenadamente por órgãos do Estado, a partir de uma notícia-crime, com</p><p>caráter prévio e de natureza preparatória com relação ao Processo Penal e que pretende</p><p>averiguar a autoria e as circunstâncias de um fato aparentemente delituoso, com o fim de</p><p>justificar o processo ou não processo.</p><p>Com base no texto fornecido sobre o inquérito policial e seus conhecimentos gerais sobre</p><p>o tema, assinale a alternativa correta:</p><p>a) O inquérito policial é a última fase do processo penal, onde o juiz analisa e debate as</p><p>provas antes da decisão final.</p><p>b) Durante o inquérito policial, o Ministério Público desempenha o papel de defensor, ga-</p><p>rantindo a justiça para o acusado.</p><p>c) As informações coletadas no inquérito policial são suficientes e exclusivas para a con-</p><p>denação de um indivíduo em um processo penal.</p><p>d) O perito, com seu conhecimento técnico especializado, é responsável por analisar as</p><p>evidências e materializá-las conforme a legislação exige.</p><p>e) O processo penal inicia-se após a decisão final do juiz, com a análise das provas coletadas</p><p>no inquérito policial</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 3689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Rio de Ja-</p><p>neiro, RJ: Presidência da República, 1941. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>LOPES JR, A. Direito processual penal. 17. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2020.</p><p>MASCHIO, F. P. et al. Meios de obtenção e produção de provas. Indaial: Uniasselvi, 2020. Dispo-</p><p>nível em: https://www.uniasselvi.com.br/extranet/layout/request/trilha/materiais/livro/livro.</p><p>php?codigo=236824. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>NUCCI, G. de S. Código penal comentado. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2017.</p><p>SILVA O. J. de P. e. Vocabulário jurídico. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. Forense, 1967. v. 3, p. 1.253.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. Alternativa C. Reflete diretamente o conceito apresentado no texto-base de Silva (1967). Ela</p><p>captura a essência do termo "prova" no contexto jurídico, como sendo a demonstração, por</p><p>meio de meios legais, da existência ou veracidade de um fato ou ato jurídico. Isso está em</p><p>consonância com a definição fornecida no texto, em que "prova" é entendida como a evidência</p><p>ou a certeza sobre a ocorrência de um fato ou ação dentro do âmbito legal.</p><p>2. Alternativa D. A afirmativa I é correta, pois reflete adequadamente o Art. 155 do Código de</p><p>Processo Penal, destacando a autonomia do juiz em formar sua convicção a partir das provas</p><p>apresentadas durante o processo, sem se restringir às informações da investigação. A afirma-</p><p>tiva II também está correta ao reconhecer as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas</p><p>como exceções à regra geral, permitindo que o juiz as utilize exclusivamente na sua decisão.</p><p>Já a afirmativa III é incorreta, pois contradiz o princípio estabelecido no artigo, que desa-</p><p>conselha o juiz a fundamentar sua decisão somente em elementos da fase de investigação</p><p>3. Alternativa D. O perito, com seu conhecimento técnico especializado, é responsável por ana-</p><p>lisar as evidências e materializá-las conforme a legislação exige. Essa alternativa é a correta,</p><p>porque condiz exatamente com a descrição do papel do perito no texto-base. O perito é</p><p>apresentado como um profissional de conhecimento técnico e especializado, essencial no</p><p>processo jurídico para análise e materialização das provas de acordo com os requisitos legais.</p><p>As outras opções são incorretas, pois: a) confunde o inquérito policial com a fase final do</p><p>processo penal; b) atribui erroneamente ao Ministério Público o papel de defensor, quando</p><p>na verdade ele é o acusador; c) sugere de forma equivocada que as informações do inquérito</p><p>policial são exclusivas para condenação, o que contradiz a afirmação do texto de que o juiz</p><p>não pode se basear apenas nesses elementos para a condenação; e) apresenta um enten-</p><p>dimento errado sobre a sequência do processo penal, iniciando-o após a decisão do juiz,</p><p>quando na verdade ele começa com a apresentação da denúncia pelo Ministério Público.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>UNIDADE 3</p><p>MINHAS METAS</p><p>ÉTICA E RESPONSABILIDADE NA</p><p>INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Entender a ética na investigação criminal.</p><p>Analisar dilemas éticos em cenários de investigação.</p><p>Refletir sobre o impacto das decisões investigativas no contexto social e legal.</p><p>Discutir a intersecção entre ética, direitos humanos e práticas investigativas.</p><p>Examinar a ética na tomada de decisões.</p><p>Desenvolver competências para a resolução de dilemas éticos.</p><p>Compreender o papel da ética na construção da confiança pública.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Bem-vindo à sua jornada de descobertas e aprendizados no mundo da Ética e</p><p>Responsabilidade na Investigação Criminal. Este primeiro passo é crucial para</p><p>moldar a maneira como você, como futuro profissional, abordará os dilemas e</p><p>os desafios inerentes a esta área vital.</p><p>Estando no epicentro de uma investigação intrigante, você, como</p><p>responsável, enfrenta um dilema ético significativo: apresentar um suspeito que,</p><p>intuitivamente, parece ser o culpado ou aderir estritamente aos princípios do</p><p>sistema de justiça.</p><p>Essa situação torna-se ainda mais delicada ao perceber que a única maneira</p><p>de comprovar a culpabilidade dessa pessoa seria por meio de métodos que trans-</p><p>gridam as normativas legais vigentes. A escolha que se apresenta não é apenas</p><p>sobre resolver o caso, mas também sobre manter a integridade do processo legal</p><p>e a confiança no sistema de justiça.</p><p>A maneira como esse dilema é resolvido é de suma importância. Ela não</p><p>apenas determina o desfecho do caso, mas também reflete na integridade do</p><p>processo legal e na confiança do público nas instituições de segurança. Uma</p><p>investigação conduzida eticamente não apenas assegura justiça ao caso em</p><p>questão, mas também reforça a base para um sistema de segurança público</p><p>mais confiável e respeitado.</p><p>Durante sua atuação profissional, você enfrentará cenários semelhantes, seja</p><p>analisando evidências ou interrogando pessoas. Essas situações práticas irão de-</p><p>safiá-lo a ponderar cuidadosamente sobre cada ação, equilibrando a necessidade</p><p>de resolver crimes com a obrigação de manter procedimentos justos e éticos.</p><p>Por fim, este tema visa incitar uma reflexão profunda sobre o impacto de suas</p><p>escolhas e ações. Como profissional de segurança pública, suas decisões irão além</p><p>da solução de casos, elas moldarão a percepção da justiça e da ética na sociedade.</p><p>Estar consciente das implicações morais e sociais de seu trabalho é fundamental</p><p>para o desenvolvimento de uma prática investigativa que seja não apenas eficaz,</p><p>mas também justa e responsável.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Ao final deste tema, você terá não só uma compreensão da importância da</p><p>ética e da responsabilidade na investigação criminal, mas também estará mais</p><p>preparado para enfrentar os complexos desafios éticos e morais que emergem no</p><p>campo da segurança pública, desempenhando um papel crucial na promoção de</p><p>um sistema de justiça mais íntegro e confiável.</p><p>Temos o prazer de convidá-lo para ouvir o podcast Princípios de justiça: navegando</p><p>com ética na investigação criminal. Neste momento, mergulharemos nos diferen-</p><p>tes métodos de investigação criminal, oferecendo uma ampliação do seu conhe-</p><p>cimento teórico sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital</p><p>do ambiente virtual de aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Estamos constantemente diante de escolhas que testam nossos valores e</p><p>princípios morais. Como você reagiria em situações extremas que exigem decisões</p><p>rápidas e impactantes? Já ouviu falar do dilema do trem desgovernado, em que</p><p>uma escolha pode salvar vidas às custas de outras? Você poderá conferir um</p><p>vídeo sobre escolhas morais e éticas no link a seguir: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=xrlng4DTN38&ab_channel=MegaCurioso.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>ÉTICA E INVESTIGAÇÃO</p><p>A ética na investigação criminal, como um constructo em constante evolução,</p><p>reflete as mudanças sociais, legais e morais ao longo da história. Esse segmento</p><p>busca explorar essa trajetória, revelando como as práticas e normas éticas se</p><p>transformaram e como influenciaram o curso da justiça.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>Nos primórdios das investigações criminais, as práticas adotadas eram ele-</p><p>mentares e frequentemente marcadas pela influência de superstições e uma</p><p>abordagem autoritária. A jornada em busca da verdade era, em muitos casos,</p><p>encoberta por técnicas de questionamento duvidosas, nas quais as confissões</p><p>eram extraídas por meio de métodos que, sob a ótica contemporânea, seriam</p><p>considerados tanto antiéticos quanto ilegais (KOERNER, 2016).</p><p>Contudo, com o despontar do Iluminismo e a ascensão do Racionalismo</p><p>científico, iniciou-se um movimento progressivo em direção a estratégias de in-</p><p>vestigação que privilegiassem o raciocínio lógico e respeitassem a dignidade</p><p>humana (KOERNER, 2016).</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Qual o conceito de ética? Como você poderia definir defini-la?</p><p>Ética é o ramo da filosofia que se ocupa com o estudo dos princípios morais que</p><p>governam o comportamento humano e as ações dentro de uma sociedade. Ela</p><p>busca compreender e estabelecer o que é bom para o indivíduo e para o grupo,</p><p>determinando padrões de conduta aceitáveis e corretos (CORRÊA, 2016).</p><p>A ética envolve a análise crítica de valores e normas sociais, questionando e</p><p>definindo conceitos de certo e errado, justo e injusto, virtude e vício. No contexto</p><p>profissional, a ética se refere ao conjunto de normas e valores que orientam a</p><p>conduta dos profissionais em sua área de atuação, assegurando a integridade e a</p><p>responsabilidade em suas práticas (CALDEIRA, 2009).</p><p>Os valores éticos essenciais, como justiça, integridade, honestidade, bene-</p><p>volência, respeito, autodisciplina, e outros, são construídos ao longo do desen-</p><p>volvimento humano, moldados pelas interações com a família, amigos e na</p><p>escola (CALDEIRA, 2009).</p><p>Para o policial, esses valores e princípios éticos são cruciais para a resolu-</p><p>ção de dilemas diários, fornecendo a base para julgamentos corretos em situa-</p><p>ções de conflito de valores. Esses princípios são desenvolvidos tanto por meio</p><p>da formação teórica, quanto pela prática e experiência adquiridas ao longo da</p><p>carreira (RODRIGUES, 2011).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>A ética, uma disciplina vital da filosofia tradicional, desperta grande interesse</p><p>tanto na sociedade quanto na polícia. Diariamente, os policiais enfrentam pro-</p><p>blemas que exigem soluções não apenas no âmbito pessoal, cujas decisões podem</p><p>afetar a sua vida e a imagem da instituição, mas também no âmbito público, em</p><p>que atuam como representantes do Estado e suas decisões impactam indivíduos</p><p>ou a coletividade (TALILLE, 2006).</p><p>A ética, como estudo teleológico, foca nas finalidades das ações humanas.</p><p>Seu objetivo é auxiliar no julgamento e orientar comportamentos para alcançar</p><p>o bem. De forma ampla, ela busca determinar o que é certo ou errado, bom ou</p><p>mau, permitido ou proibido, analisando se uma ação é ética com base nos valores</p><p>e normas aceitos pela sociedade. Nesse contexto, surgem os códigos de ética pro-</p><p>fissional, que sistematizam princípios orientadores para profissionais, delineando</p><p>um caminho ético na prática policial (RODRIGUES, 2011).</p><p>Qual a diferença de ética e moral?</p><p>Ética: é o estudo dos princípios que orientam o comportamento humano, focando</p><p>na análise do que é certo ou errado. É mais teórica e aplicada em um contexto</p><p>geral ou profissional (TALILLE, 2006).</p><p>Moral: refere-se ao conjunto de regras e valores que um indivíduo segue em sua</p><p>vida pessoal. É mais prática e baseada em crenças pessoais, culturais e sociais.</p><p>podem ser diferentes das normas éticas estabelecidas por um grupo ou socieda-</p><p>de (TALILLE, 2006).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Imaginemos um cenário em que um investigador</p><p>conta com um informante dentro de uma organização</p><p>criminosa. O informante, embora forneça informações</p><p>valiosas, está envolvido em atividades ilegais menores</p><p>para manter sua cobertura. Esse cenário coloca o</p><p>investigador em um dilema ético complexo: até que</p><p>ponto ele pode tolerar as ações ilegais do informante em</p><p>nome de um bem maior? Esta situação abre um debate</p><p>profundo sobre a ética na manutenção da legalidade e</p><p>na obtenção de informações vitais.</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>Ética a Nicômaco</p><p>Ética a Nicômaco é uma das obras fundamentais de Aristó-</p><p>teles, é um tratado profundo sobre ética e moralidade que</p><p>tem influenciado o pensamento ocidental por séculos. Escrito</p><p>no século IV a.C., este texto é considerado um dos primeiros</p><p>e mais importantes trabalhos dedicados ao estudo da ética</p><p>como uma ciência. A obra é estruturada em dez livros e abor-</p><p>da uma variedade de temas relacionados à moralidade e ao</p><p>comportamento humano.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVRO</p><p>No contexto da Operação Lava Jato no Brasil, um exemplo paradigmático na</p><p>arena da ética criminal, revela-se a complexidade das decisões éticas sob a pres-</p><p>são da corrupção em grande escala. Essa operação, ao expor uma extensa rede</p><p>de corrupção, lança luz sobre o desafio crítico de gerenciar pressões públicas e</p><p>políticas enquanto se mantém fiel aos princípios éticos. Nessa conjuntura, a ex-</p><p>ploração dos limites éticos nas estratégias de investigação torna-se uma avenida</p><p>de análise profunda, destacando a dificuldade de preservar a integridade em</p><p>ambientes desafiadores.</p><p>As decisões tomadas pelos investigadores têm o poder não apenas de influen-</p><p>ciar os resultados individuais dos casos, mas também de moldar a confiança da</p><p>sociedade no sistema de justiça como um todo. Quando a investigação é condu-</p><p>zida de maneira ética, transparente e justa, ela reforça a fé pública na justiça. Por</p><p>outro lado, casos de má conduta investigativa, como manipulação de evidências</p><p>ou tratamento injusto de suspeitos podem levar a uma desconfiança generalizada</p><p>e a um sentimento de alienação entre o público e as autoridades judiciais.</p><p>à sociedade e ao sistema jurídico.</p><p>A investigação</p><p>criminal tem um</p><p>foco mais direto e</p><p>pragmático .</p><p>1</p><p>4</p><p>Nesse processo, a investigação criminal envolve diversas práticas, como a</p><p>coleta e análise de evidências físicas e digitais, entrevistas com testemunhas e</p><p>suspeitos e reconstrução de eventos. Essas tarefas exigem uma compreensão</p><p>profunda dos princípios de investigação, bem como um conhecimento atualizado</p><p>das técnicas e tecnologias disponíveis.</p><p>Além disso, a investigação criminal não é apenas uma questão de</p><p>aplicar procedimentos técnicos, ela também envolve considerações éticas</p><p>e legais significativas.</p><p>Os responsáveis pela investigação devem garantir que suas ações respeitem</p><p>os direitos dos envolvidos e estejam em conformidade com as leis. Esse equilíbrio</p><p>entre eficácia na solução de crimes e respeito aos princípios éticos e legais é crucial</p><p>para a integridade do sistema de justiça criminal.</p><p>A seguir, você encontrará um quadro com as principais diferenças entre a</p><p>pesquisa científica e a investigação criminal:</p><p>PESQUISA CIENTÍFICA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Expansão do conhecimento humano.</p><p>Descoberta de fatos e evidências em</p><p>casos criminais.</p><p>Formulação e teste de hipóteses em</p><p>ambientes controlados.</p><p>Análise de situações imprevisíveis e</p><p>complexas, como cenas de crime.</p><p>Objetivo de gerar conhecimentos aplicá-</p><p>veis de forma ampla.</p><p>Objetivo de resolver casos e fornecer</p><p>respostas jurídicas e sociais.</p><p>Processo sistemático e metódico. Combinação de técnicas e intuição.</p><p>Foco em explorar fenômenos naturais ou</p><p>sociais.</p><p>Foco na solução de crimes e aplicação</p><p>da lei.</p><p>Quadro 1 – Diferenças entre a pesquisa científica e a investigação criminal</p><p>Fonte: o autor.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Zodiac</p><p>O filme Zodíaco, de 2007, é uma obra cinematográfica que</p><p>mergulha profundamente na história real do serial killer que</p><p>aterrorizou São Francisco. Com uma narrativa envolvente e</p><p>uma recriação meticulosa dos eventos, o filme oferece aos</p><p>espectadores uma visão detalhada da investigação e dos</p><p>esforços das autoridades para capturar o assassino do Zodíaco.</p><p>Ao retratar os desafios e as complexidades envolvidos na</p><p>busca pelo criminoso, o filme proporciona uma experiência</p><p>intensa para os amantes de suspense e mistério.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>Agora que você sabe as diferenças entre investigação científica e investigação</p><p>criminal, conversaremos sobre os tipos de investigações existentes.</p><p>TIPOS DE INVESTIGAÇÕES E SEU IMPACTO NA TECNOLOGIA</p><p>DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Há inúmeros tipos de investigação, para cada crime, podemos estabelecer</p><p>uma maneira de investigar. Apenas no código penal, há mais de 200 crimes,</p><p>sem contar a legislação especial que possui suas próprias leis e vários tipos</p><p>incriminadores estabelecidos.</p><p>Podemos estabelecer como regra geral que a investigação criminal geral-</p><p>mente inclui, como procedimento padrão, a oitiva, isto é, a coleta de declarações</p><p>da vítima, do suposto autor e de testemunhas acerca dos fatos sob investigação.</p><p>Nos casos em que ocorrem lesões, torna-se necessário um laudo denominado</p><p>corpo de delito. Esse laudo atesta, de maneira afirmativa ou negativa, a existência</p><p>da lesão. Vídeos e fotos comprovando o fato narrado são sempre decisivos na</p><p>indicação de culpa ao autor.</p><p>1</p><p>1</p><p>Você sabia que existe diferença entre verdade real, verdade para a investigação e</p><p>verdade para a inteligência?</p><p>Verdade real: esta é uma busca pela realidade dos fatos como eles efetivamente</p><p>ocorreram, buscando-se descobrir o que de fato aconteceu por meio de provas,</p><p>testemunhos e investigações detalhadas.</p><p>Verdade para a investigação: não é necessariamente a verdade absoluta dos fa-</p><p>tos (verdade real), mas sim a mais provável ou plausível explicação dos eventos</p><p>baseada em evidências disponíveis.</p><p>Verdade para a inteligência: foca na antecipação de ameaças, na compreensão</p><p>de intenções e capacidades adversárias e na tomada de decisões sob incerteza.</p><p>Não é tanto sobre estabelecer um relato factual definitivo dos eventos, mas sobre</p><p>entender contextos, identificar padrões e prever comportamentos.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Além disso, todas as investigações criminais compartilham de fundamentos</p><p>básicos que devem ser sempre observados! Descobriremos as duas principais?</p><p>1. Busca pela verdade: o objetivo primordial da investigação criminal é</p><p>descobrir a verdade sobre um incidente ou crime. Não se resume em</p><p>obter evidências para indicar um suspeito qualquer, mas sim em obter</p><p>a materialidade da verdade. Ela se baseia na imparcialidade e análise</p><p>crítica em que os agentes devem evitar preconceitos e basear suas con-</p><p>clusões estritamente nas evidências coletadas.</p><p>A verdade, muitas vezes, emerge da combinação de diversas evidências, exigin-</p><p>do a habilidade dos investigadores de integrar informações de múltiplas fontes.</p><p>Nesse processo, a aplicação de métodos científicos, especialmente em análises</p><p>forenses, assegura que as conclusões sejam fundamentadas em princípios cien-</p><p>tíficos rigorosos e não em especulações.</p><p>Além disso, a busca pela verdade requer corroboração e confirmação das</p><p>evidências por meio de fontes variadas, reforçando a precisão das conclusões. A</p><p>transparência e a documentação detalhada de todo o processo investigativo são</p><p>vitais, permitindo a revisão e validação das etapas e das conclusões alcançadas.</p><p>Esse registro transparente também assegura que a investigação seja conduzida</p><p>respeitando os limites da lei, o que inclui a garantia dos direitos de suspeitos,</p><p>testemunhas e vítimas e a adesão a práticas legais e éticas.</p><p>2. Preservação da cadeia de custódia: esse conceito crucial refere-se ao</p><p>meticuloso processo de registrar a posse, transferência e localização de</p><p>evidências, desde a sua descoberta até a apresentação em tribunal. A</p><p>integridade desta cadeia, mantida de forma clara e ininterrupta, é vital</p><p>para assegurar a admissibilidade das evidências em juízo.</p><p>O processo inicia com a coleta minuciosa no local do crime, aqui, cada passo é cuida-</p><p>dosamente documentado. Essa documentação inclui detalhes sobre quem manuseou</p><p>as evidências e em que momentos. É fundamental a garantia de um armazenamento</p><p>seguro e a continuidade dessa documentação ao longo da análise forense.</p><p>1</p><p>8</p><p>As etapas da cadeia de custódia estão previstas no Código de Processo Penal</p><p>e são delineadas como: Reconhecimento (Art. 158-B, I), isolamento (Art. 158-B,</p><p>II), fixação (Art. 158-B, III), coleta (Art. 158-B, IV), acondicionamento (Art. 158-</p><p>B, V), transporte (Art. 158-B, VI), recebimento (Art. 158-B, VII), processamento</p><p>(Art. 158-B, VIII), armazenamento (Art. 158-B, IX) e, por fim, o descarte (Art.</p><p>158-B, X) (BRASIL, 1941). Cada fase é crucial e deve ser executada com rigor,</p><p>garantindo a confiabilidade e a integridade das evidências coletadas. Caso ela não</p><p>seja respeitada, é pacificado nos tribunais superiores que a prova é considerada</p><p>ilícita, conforme segue:</p><p>“ A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que o insti-</p><p>tuto da quebra da cadeia de custódia diz respeito à idoneidade do</p><p>caminho que deve ser percorrido pela prova até sua análise pelo</p><p>magistrado, sendo certo que qualquer interferência durante o trâ-</p><p>mite processual pode resultar na sua imprestabilidade. Tem como</p><p>objetivo garantir a todos os acusados o devido processo legal e os</p><p>recursos a ele inerentes, como a ampla defesa, o contraditório e</p><p>principalmente o direito à prova lícita (BRASIL, 2020).</p><p>Atualmente, a integração da tecnologia nas investigações criminais tornou-se um</p><p>componente fundamental, transformando profundamente as técnicas e a eficá-</p><p>cia com que os crimes são solucionados. Embora métodos tradicionais, como a</p><p>utilização de informantes e a aplicação de deduções lógicas, continuem sendo</p><p>essenciais, a incorporação de avanços tecnológicos ampliou significativamente</p><p>o escopo e a eficiência das investigações</p><p>Com o advento de sistemas de informação interconectados, as agências de</p><p>aplicação da lei possuem acesso a uma vasta gama de dados e recursos</p><p>Um exemplo palpável dessa dinâmica pode ser observado em casos históricos</p><p>de injustiça. Um estudo de caso relevante é o do grupo conhecido como Central</p><p>Park Five, em Nova York. Cinco adolescentes foram erroneamente condenados</p><p>por um crime violento na década de 1980, uma condenação baseada em gran-</p><p>de parte em coerção e preconceito racial. Esse caso, posteriormente anulado,</p><p>evidenciou não apenas as falhas no sistema de justiça, mas também o impacto</p><p>duradouro na comunidade, alimentando desconfianças raciais e sociais.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Você sabia que a injustiça pode marcar vidas e sociedades inteiras? O caso dos O</p><p>cinco do Central Park é um exemplo chocante. Cinco adolescentes foram injusta-</p><p>mente condenados em um dos mais notórios erros judiciais dos EUA, refletindo</p><p>questões profundas de coerção e preconceito racial. Descubra mais sobre esse</p><p>caso intrigante e suas repercussões duradouras clicando no link a seguir: https://</p><p>1001crimes.com.br/assassinato/os-cinco-do-central-park/.</p><p>EU INDICO</p><p>Outro aspecto a considerar é o papel da mídia na formação da opinião pública</p><p>sobre casos criminais. A cobertura mediática pode tanto informar quanto distor-</p><p>cer a percepção pública das investigações. A exposição sensacionalista de casos</p><p>pode levar a julgamentos precipitados e pressão pública, o que, por sua vez, pode</p><p>afetar o curso das investigações.</p><p>Além disso, a maneira como as investigações lidam com grupos vulneráveis,</p><p>como minorias étnicas ou econômicas, também tem um impacto significativo.</p><p>Práticas discriminatórias ou desproporcionais podem agravar as desigualdades</p><p>sociais e a desconfiança com relação às autoridades.</p><p>Tropa de Elite</p><p>O filme Tropa de Elite (2007) é uma obra cinematográfica que</p><p>explora a ética no contexto de operações policiais em favelas,</p><p>abordando temas, como violência, corrupção e dilemas morais</p><p>enfrentados pelos policiais.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>Perspectivas éticas</p><p>No universo multifacetado da ética criminal, uma perspectiva verdadeiramente</p><p>enriquecedora emerge ao considerarmos as abordagens globais. Ao redor do</p><p>mundo, cada sistema judicial reflete uma tapeçaria única de valores culturais,</p><p>históricos e legais que moldam suas práticas éticas. Essa diversidade oferece uma</p><p>oportunidade incomparável de compreender e respeitar a pluralidade das nor-</p><p>mas éticas na investigação criminal (CORRÊA, 2016).</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>Nos Estados Unidos, por exemplo, a investigação criminal é frequentemente</p><p>influenciada por um forte sistema de garantias legais destinadas a proteger</p><p>os direitos dos indivíduos. Práticas, como o Mirandamento, que assegura</p><p>o direito ao silêncio e à assistência jurídica, destacam um compromisso</p><p>com a ética processual.</p><p>O Aviso de Miranda, frequentemente referido como o Silêncio de Miranda, é co-</p><p>nhecido nos Estados Unidos como Miranda Rights, constitui um princípio jurídico</p><p>essencial que assegura ao acusado o direito fundamental de permanecer em si-</p><p>lêncio. Esse direito é um mecanismo de defesa contra a autoincriminação, res-</p><p>soando com o princípio nemo tenetur se detegere, que traduz a ideia de que nin-</p><p>guém deve ser obrigado a fornecer provas contra si próprio.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>A implementação de tecnologias modernas, como drones e sistemas de monito-</p><p>ramento por satélite complementa o conhecimento local, aumentando a eficácia</p><p>na detecção do garimpo ilegal. A combinação desses métodos modernos com</p><p>o conhecimento tradicional indígena forma uma estratégia robusta que pode</p><p>melhorar significativamente as operações de segurança na região.</p><p>No entanto, a comunicação eficaz e o respeito mútuo entre as forças de se-</p><p>gurança e as comunidades indígenas são fundamentais para o sucesso dessa</p><p>abordagem. A formação de equipes mistas de vigilância, em que membros das</p><p>comunidades indígenas trabalham lado a lado com as forças de segurança, pode</p><p>ajudar a superar as barreiras culturais e linguísticas, criando um ambiente de</p><p>confiança e cooperação.</p><p>Essa abordagem não apenas combate eficazmente o garimpo ilegal, mas tam-</p><p>bém ressalta a importância de respeitar os direitos humanos e a sustentabilidade</p><p>ambiental. Serve como um exemplo para outras regiões do mundo, mostran-</p><p>do como a segurança pública pode operar de maneira eficiente e respeitosa em</p><p>colaboração com comunidades indígenas, promovendo, ao mesmo tempo, a</p><p>conservação ambiental e os direitos indígenas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Como a colaboração entre a inteligência de segurança pública e as comunidades</p><p>indígenas na Amazônia pode ser um modelo para enfrentar desafios ambientais</p><p>e sociais globais? Reflita sobre a importância de integrar conhecimentos tradicio-</p><p>nais e tecnologias modernas na proteção dos direitos humanos e na preservação</p><p>ambiental.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Essas diferenças internacionais em práticas éticas são vitais para entender como</p><p>a justiça é percebida e administrada globalmente. Ao explorar essas diversas</p><p>abordagens, podemos aprender lições valiosas sobre a importância de adaptar as</p><p>práticas éticas às realidades culturais e históricas específicas de cada sociedade.</p><p>Essa compreensão é fundamental para qualquer profissional da área de segurança</p><p>pública que aspire a uma prática ética verdadeiramente informada e responsiva.</p><p>Em última análise, a ética, quando vista por meio de uma lente global, en-</p><p>sina-nos que não existe uma abordagem única. O respeito pelas diferenças cul-</p><p>turais e sistemas legais e a disposição para aprender com eles é essencial para a</p><p>construção de práticas investigativas que sejam não apenas eficazes, mas também</p><p>profundamente enraizadas nos princípios de justiça e equidade.</p><p>Ética e vergonha na cara!</p><p>Ética e vergonha na cara! É uma obra provocativa e instigante</p><p>de Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho, que mergulha</p><p>nas profundezas da ética e da moralidade na sociedade brasi-</p><p>leira contemporânea. O livro aborda comportamentos comuns</p><p>e aparentemente inofensivos, como jogar lixo no chão, colar em</p><p>provas ou oferecer dinheiro para obter vantagens e os analisa</p><p>sob a lente da ética.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVRO</p><p>1</p><p>4</p><p>4</p><p>A adoção de uma abordagem ética rigorosa não é apenas uma necessidade legal e</p><p>moral, mas também um alicerce para a construção da confiança pública nas ins-</p><p>tituições. Além disso, é imperativo que profissionais da área estejam preparados</p><p>para navegar neste terreno complexo, equilibrando a eficácia investigativa com</p><p>a adesão intransigente a princípios éticos.</p><p>Nesse contexto, a formação e a prática contínua em ética profissional se</p><p>tornam ainda mais relevantes. Essas atividades permitem que os profissionais</p><p>explorem dilemas éticos complexos, desenvolvendo habilidades críticas de</p><p>julgamento e reflexão.</p><p>Além disso, é vital que os profissionais de segurança pública estejam cientes</p><p>de que suas ações têm consequências que vão além dos casos que eles investigam.</p><p>A ética, portanto, não é apenas um conjunto de regras a serem seguidas, mas um</p><p>compromisso contínuo com a justiça, a integridade e a dignidade humana.</p><p>ATUAÇÃO DO AGENTE DE SEGURANÇA FRENTE A ÉTICA</p><p>SOCIAL</p><p>A atuação policial, fundamental para manter a ordem e a segurança pública,</p><p>navega em um terreno repleto de desafios éticos. A atuação policial,</p><p>fundamental para manter a ordem e a segurança pública, navega em um terreno</p><p>repleto de desafios éticos.</p><p>O primeiro ponto a considerar é a aplicação da força. Enquanto a lei permite</p><p>um certo grau de força para manter a ordem e proteger a sociedade, os agentes</p><p>de segurança devem constantemente avaliar a proporcionalidade de suas ações.</p><p>O uso excessivo de força, mesmo em situações de alto estresse, pode levar a vio-</p><p>lações dos direitos humanos e de leis (CORRÊA, 2016).</p><p>A manipulação de evidências, a coerção durante os interrogatórios ou a injus-</p><p>tiça na condução das investigações são práticas claramente antiéticas e ilegais, que</p><p>comprometem a integridade do sistema de justiça. A conduta ética exige que os</p><p>policiais busquem a verdade, mantendo-se imparciais e justos, independentemen-</p><p>te das pressões</p><p>externas ou de suas próprias crenças pessoais (CORRÊA, 2016).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>A ética policial também abrange a interação com a comunidade. Respeitar a di-</p><p>versidade cultural, evitar preconceitos e discriminações e trabalhar para construir</p><p>relações de confiança com os cidadãos são componentes fundamentais da atuação</p><p>desses agentes. A polícia deve servir e proteger a comunidade de forma equitativa,</p><p>garantindo que todos sejam tratados com justiça e respeito (CORRÊA, 2016).</p><p>Além disso, o dilema entre seguir estritamente a lei e fazer o que parece mo-</p><p>ralmente correto em uma situação específica pode ser uma fonte de conflito ético.</p><p>Por exemplo, em situações que envolvam vulnerabilidade social ou problemas</p><p>de saúde mental, a resposta policial deve ser guiada não apenas pelas normas</p><p>legais, mas também por considerações éticas e humanitárias (CORRÊA, 2016).</p><p>Por fim, é fundamental ressaltar que a jornada na busca pela ética e res-</p><p>ponsabilidade na investigação criminal é contínua e sempre desafiadora. Os</p><p>profissionais devem estar preparados para se adaptar e responder às mudanças,</p><p>mantendo-se fiéis aos princípios éticos que governam sua profissão. Ao fazer isso,</p><p>eles não apenas resolvem crimes e promovem a justiça, mas também contribuem</p><p>para uma sociedade mais justa e equitativa.</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Conforme nos aproximamos da conclusão deste tema, é crucial reconhecer como</p><p>a teoria estudada se entrelaça com as práticas vigentes no ambiente profissional de</p><p>segurança pública. Nesta etapa, fazemos a transição do aprendizado acadêmico</p><p>para a aplicação real no campo de trabalho, onde os desafios são palpáveis e as</p><p>decisões têm consequências significativas.</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>No mercado de trabalho atual, os profissionais de investigação enfrentam</p><p>um cenário peculiar, a exigência de precisão e ética na condução das investi-</p><p>gações é acompanhada por um ritmo acelerado de inovações tecnológicas</p><p>e mudanças sociais.</p><p>As perspectivas de carreira se expandem para além das agências de aplicação</p><p>da lei, abrangendo setores corporativos e organizações internacionais, onde a</p><p>demanda por especialistas capazes de integrar conhecimentos jurídicos, técnicos</p><p>e éticos é crescente.</p><p>A era digital, com sua vasta gama de dados e ferramentas analíticas, apresenta</p><p>oportunidades e desafios únicos para o profissional de investigação criminal. A</p><p>capacidade de utilizar eficazmente tecnologias avançadas, respeitando, ao mesmo</p><p>tempo, as regulamentações de privacidade e os direitos dos indivíduos, torna-se</p><p>uma habilidade inestimável.</p><p>Além disso, a interdisciplinaridade é uma competência-chave na atualidade.</p><p>A integração de conhecimentos de áreas, como psicologia, sociologia e ciência</p><p>de dados é crucial para a construção de uma visão holística das investigações,</p><p>permitindo uma análise mais abrangente e precisa dos casos.</p><p>Este tema não é um fim, mas um ponto de partida para uma jornada de apren-</p><p>dizado contínuo e desenvolvimento profissional. Como futuros profissionais da</p><p>área, vocês estarão na vanguarda da segurança pública, moldando a forma como</p><p>a justiça é percebida e aplicada na sociedade. A ética e a responsabilidade serão</p><p>seus guias constantes, assegurando que a verdade e a justiça sejam sempre os</p><p>alicerces de suas ações.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>1. A missão de um agente da segurança pública num país é proteger a sociedade e o patri-</p><p>mônio público de atos nocivos dos infratores das leis e fomentadores da desordem. Para</p><p>executar sua missão, esse agente é orientado a conter a ameaça à ordem estabelecida</p><p>e, para isso, a utilizar os meios mais apropriados para atingir tais objetivos. Diante dessa</p><p>atribuição, que é inerente à sua função, esse agente considera legítimo, no processo de</p><p>combate, usar todos os meios necessários para que o problema seja, definitivamente, eli-</p><p>minado (CORRÊA, 2016).</p><p>Considerando o texto de Rosália do Socorro da Silva Corrêa (2016) sobre ética e responsa-</p><p>bilidade no desempenho policial, identifique qual das seguintes ações policiais é incorreta</p><p>em termos éticos, levando em conta o princípio de “usar todos os meios necessários para</p><p>que o problema seja, definitivamente, eliminado”.</p><p>a) Um policial utiliza técnicas de negociação e controle de conflitos para desarmar um</p><p>suspeito agitado, evitando o uso de força excessiva.</p><p>b) Um policial faz uso de força física proporcional e necessária para conter um indivíduo</p><p>claramente perigoso e armado, protegendo a segurança pública.</p><p>c) Um policial decide usar força letal em uma situação em que o suspeito não apresenta</p><p>ameaça iminente.</p><p>d) Um policial realiza abordagens baseadas no respeito aos direitos humanos e na lei,</p><p>mesmo em situações de alta tensão.</p><p>e) Um policial, ao investigar um caso, assegura que todas as ações e decisões sejam toma-</p><p>das com total transparência e de acordo com os procedimentos legais estabelecidos.</p><p>2. No Brasil, especificamente com relação à Polícia Federal, verifica-se que não há ainda uma</p><p>condensação dos preceitos éticos e normas deontológicas norteadoras da conduta do</p><p>policial no desempenho de suas funções, principalmente no que se refere à investigação</p><p>policial dos crimes de sua alçada (RODRIGUES, 2011).</p><p>Com base no contexto brasileiro e a falta de um conjunto consolidado de preceitos éticos</p><p>e normas deontológicas, especialmente em investigações criminais, avalie as seguintes</p><p>afirmativas sobre a conduta ética policial.</p><p>I - Práticas como o uso excessivo de força em interrogatórios e a manipulação de evidências</p><p>são aceitáveis na ausência de um código de ética formalizado.</p><p>II - A implementação de um código de ética explícito poderia ajudar na padronização das</p><p>condutas, reduzindo a incidência de comportamentos não éticos.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>4</p><p>8</p><p>III - Mesmo na ausência de um código de ética formal, os policiais são obrigados a seguir</p><p>princípios éticos universais e as leis vigentes em suas ações e decisões</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. O profissionalismo leva à responsabilidade. O policial está em permanente contato com o</p><p>mal e com a miséria humana, fomentadora do crime, da violência física e moral que fustigam</p><p>a sociedade. Não é por esta razão que será investido do direito de desrespeitar a dignidade</p><p>natural do ser humano. O policial deve pautar suas ações com o devido equilíbrio, encontrar</p><p>o meio termo, a justa medida para não desenvolver sentimentos de aversão, desilusão,</p><p>impotência, fatalismo e desencanto na sociedade, a ponto de contrapor-se aos aspectos</p><p>da suprema dignidade da pessoa humana (RODRIGUES, 2011).</p><p>Analise as seguintes situações hipotéticas de conduta policial e determine quais são éticas,</p><p>levando em consideração a necessidade de equilíbrio e respeito à dignidade humana no</p><p>exercício das funções policiais:</p><p>a) Um policial decide usar força excessiva durante uma prisão para intimidar o suspeito,</p><p>acreditando que isso evitará futuros crimes.</p><p>b) Um policial, ao investigar um caso, trata todos os envolvidos com respeito e imparciali-</p><p>dade, mantendo a integridade da investigação.</p><p>c) Um policial manipula evidências para garantir a condenação de um suspeito que ele</p><p>acredita ser culpado, visando a “justiça” a qualquer custo.</p><p>d) Um policial fornece informações confidenciais a terceiros para beneficiar um amigo,</p><p>justificando seu ato como um favor pessoal.</p><p>e) Um policial demonstra compaixão e oferece assistência a uma vítima de crime, mas</p><p>excede seus limites profissionais ao se envolver pessoalmente no caso.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>4</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CALDEIRA, F. M. A Evolução histórica, filosófica e teórica da pena. Revista da EMERJ, Rio de Ja-</p><p>neiro, v. 12, n. 45, p. 255-272, 2009. Disponível em: https://www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_on-</p><p>line/edicoes/revista45/Revista45_255.pdf. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>CORRÊA, R. do S. da S. O limite entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade no</p><p>desempenho policial militar nos centros urbanos. Perspectivas, São Paulo, v. 47, n. 1, p. 161-192,</p><p>2016. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/perspectivas/article/view/5795. Acesso</p><p>em: 8 abr. 2024.</p><p>KOERNER, A. Punição, disciplina e pensamento penal no Brasil do século XIX. Lua Nova, São</p><p>Paulo, v. 1, n. 68, p. 205-242, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ln/a/7cmSNSzCTfp-</p><p>gkDC4xWwr3vQ/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>RODRIGUES, R. M. Ética policial. Segurança Pública e Cidadania, Brasília, v. 4, n. 2, p. 13-41,</p><p>2011. Disponível em: https://periodicos.pf.gov.br/index.php/RSPC/article/view/111. Acesso em:</p><p>8 abr. 2024.</p><p>TALILLE, Y. de la. Moral e ética: dimensões intelectuais e afetivas. São Paulo: Artmede, 2006.</p><p>Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/361301/mod_folder/content/0/</p><p>cap.1_moral%20e%20%C3%A9tica.pdf?forcedownload=1. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>1. Alternativa C.</p><p>A alternativa A é incorreta porque representa uma conduta ética, em que o policial emprega</p><p>técnicas de negociação e controle de conflitos.</p><p>A alternativa B é incorreta, pois ilustra o uso proporcional e necessário da força, alinhado à</p><p>ética policial.</p><p>A alternativa C é correta, pois o uso de força letal sem ameaça iminente contradiz os princípios</p><p>de ética, proporcionalidade e necessidade.</p><p>A alternativa D é incorreta, pois descreve uma prática policial ética e respeitosa aos direitos</p><p>humanos e à lei.</p><p>A alternativa E é incorreta, pois mostra uma conduta policial ética, com ações e decisões</p><p>baseadas na transparência e legalidade.</p><p>2. Alternativa C.</p><p>A afirmativa I é incorreta, pois práticas, como o uso excessivo de força e a manipulação de</p><p>evidências são fundamentalmente antiéticas e ilegais, independentemente da existência de</p><p>um código de ética formalizado.</p><p>A afirmativa II é correta, pois a criação de um código de ética explícito pode contribuir para a</p><p>padronização das condutas e ajudar na redução de comportamentos não éticos, promovendo</p><p>práticas mais transparentes e responsáveis.</p><p>A afirmativa III é correta, pois mesmo na ausência de um código de ética específico, os</p><p>policiais são obrigados a aderir a princípios éticos universais e às leis em vigor, que guiam</p><p>suas ações e decisões.</p><p>3. Alternativa C.</p><p>A alternativa A é incorreta, porque o uso de força excessiva por um policial para intimidar um</p><p>suspeito é antiético e viola a dignidade humana.</p><p>A alternativa B é correta, porque representa uma conduta ética ideal, em que o policial trata</p><p>todos os envolvidos com respeito e imparcialidade, mantendo a integridade da investigação.</p><p>A alternativa C é incorreta, pois manipular evidências para assegurar a condenação de</p><p>alguém, mesmo que acreditando na culpa do suspeito, é antiético e compromete a justiça.</p><p>A alternativa D é incorreta, pois o fornecimento de informações confidenciais para benefício</p><p>pessoal viola os princípios éticos da confidencialidade e integridade.</p><p>A alternativa E é incorreta, pois, embora demonstre compaixão, o envolvimento pessoal exces-</p><p>sivo de um policial em um caso compromete a objetividade e a profissionalidade necessárias.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA</p><p>PÚBLICA</p><p>Compreender a história e a evolução da inteligência de segurança pública.</p><p>Analisar a estrutura e funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN).</p><p>Explorar as diferentes modalidades de operações de inteligência.</p><p>Entender o papel da inteligência na tomada de decisões estratégicas.</p><p>Avaliar o impacto das novas tecnologias na inteligência de segurança pública.</p><p>Examinar o equilíbrio entre segurança, privacidade e direitos civis.</p><p>Desenvolver competências analíticas e estratégicas.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Bem-vindo ao fascinante mundo da Inteligência de Segurança Pública, um</p><p>domínio em que a coleta e análise de informações transformam-se em ações</p><p>cruciais para a manutenção da ordem e proteção da sociedade. Esta introdu-</p><p>ção é o seu primeiro passo para compreender os meandros e a complexidade</p><p>desta área essencial.</p><p>Imagine uma situação em que uma cidade enfrenta uma crescente onda de</p><p>crimes organizados. Você é desafiado a compreender as dinâmicas por trás desses</p><p>eventos. Como a coleta de informações adequadas pode ajudar a prever e preve-</p><p>nir tais crimes? Como o conhecimento produzido a partir dessas informações</p><p>pode ser utilizado para desenvolver estratégias eficazes de segurança?</p><p>A importância de compreender e resolver essas questões vai além do simples</p><p>ato de prevenir o crime. Trata-se de criar um ambiente mais seguro e harmonioso</p><p>para a sociedade, estabelecendo uma confiança duradoura nas instituições res-</p><p>ponsáveis pela segurança pública. As habilidades e os conhecimentos adquiridos</p><p>neste campo têm o poder não apenas de resolver desafios imediatos, mas também</p><p>de influenciar positivamente a vida das pessoas e o bem-estar da comunidade.</p><p>Ao longo de sua jornada educacional, você será exposto a cenários práticos,</p><p>onde aprenderá a aplicar técnicas de coleta de informações e análise de dados</p><p>em situações do mundo real. Por exemplo, ao investigar um caso de tráfico de</p><p>drogas, a habilidade de analisar padrões de comunicação ou movimentos finan-</p><p>ceiros pode ser crucial para desmantelar uma rede criminosa. Essas experiências</p><p>práticas não só aprimoram sua perícia técnica, mas também desenvolvem sua</p><p>capacidade de pensar estrategicamente e agir de forma ética.</p><p>Refletir sobre essas questões é um aspecto integral de sua formação. Você</p><p>será instigado a ponderar sobre o impacto de suas análises e ações, conside-</p><p>rando como elas afetam os indivíduos e a comunidade como um todo. Este é</p><p>um convite para explorar o equilíbrio entre segurança e privacidade, entre</p><p>ação e responsabilidade, preparando-o para os desafios de inteligência que</p><p>encontrará em sua carreira.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Ao final deste módulo, você não apenas terá um entendimento inicial sobre</p><p>os princípios da inteligência de segurança pública, mas também terá começado</p><p>a desenvolver uma perspectiva crítica e ética necessária para se destacar nesse</p><p>campo. Este é apenas o começo de uma jornada emocionante e gratificante, em</p><p>que você se tornará um agente-chave para fortalecer a segurança e a integridade</p><p>de nossa sociedade.</p><p>Temos o prazer de convidá-lo para ouvir o podcast Estratégias e métodos da</p><p>inteligência de segurança pública. Neste momento, mergulharemos nas diferentes</p><p>estratégias e métodos da inteligência de segurança pública, oferecendo uma</p><p>ampliação do seu conhecimento teórico sobre o tema. Recursos de mídia</p><p>disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Descubra como é a rotina de um espião brasileiro que trabalha com informações</p><p>sigilosas na matéria do Domingo Espetacular. Você pode conferir mais detalhes</p><p>sobre esse assunto acessando o link a seguir: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=wSX2L1Mrwag&ab_channel=DomingoEspetacular.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>A ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA</p><p>A atividade de inteligência, um gênero abrangente no campo da segurança e es-</p><p>tratégia, compreende uma série de práticas e técnicas destinadas à coleta, à análise</p><p>e à utilização de dados e informações para a tomada de decisões informadas.</p><p>Dentro desse espectro, encontram-se dois ramos distintos e complementares:</p><p>inteligência e contrainteligência.</p><p>1</p><p>5</p><p>4</p><p>Enquanto a inteligência foca na obtenção e</p><p>análise de informações relevantes, muitas vezes de</p><p>fontes externas, para prever e preparar-se para ações</p><p>de adversários, a contrainteligência está voltada à</p><p>proteção dessas informações, impedindo que sejam</p><p>acessadas ou manipuladas por entidades hostis.</p><p>Juntas, essas duas vertentes formam um ciclo contínuo e dinâmico de proteção</p><p>e informação, essencial para a manutenção da segurança</p><p>nacional e institucional</p><p>(HENDEN; SARTOR; SPAREMBERGER, 2023).</p><p>A atividade de inteligência tem sido um elemento fundamental na história</p><p>da humanidade, refletindo a incessante busca por dados, informações e</p><p>conhecimento desde os primórdios das civilizações. Essa busca, impulsionada</p><p>pela necessidade de sobrevivência, segurança e gestão de relações de poder, é</p><p>intrínseca ao desenvolvimento humano (BRASIL, 2016a).</p><p>O termo “inteligência”, conforme utilizado neste contexto, vai além da mera</p><p>capacidade intelectual do ser humano. Ele se refere a um conjunto de informações</p><p>e dados que, quando coletados, processados e analisados, transformam-se em</p><p>insights valiosos para a sociedade. Estes, por sua vez, tornam-se cruciais para</p><p>os tomadores de decisão, fornecendo uma base sólida para ações estratégicas</p><p>e decisões informadas em diversos âmbitos da vida em sociedade (HENDEN;</p><p>SARTOR; SPAREMBERGER, 2023).</p><p>Inteligência de Segurança Pública: teoria e prática</p><p>no controle da criminalidade</p><p>No livro Inteligência de segurança pública: teoria e prática no</p><p>controle da criminalidade, os autores oferecem uma análise</p><p>detalhada e multidisciplinar sobre a aplicação dos serviços de</p><p>inteligência na segurança pública do Brasil. Com uma aborda-</p><p>gem que integra diferentes perspectivas e conhecimentos, o</p><p>livro se propõe a lançar luz sobre práticas contemporâneas e os</p><p>desafios enfrentados no campo da inteligência de segurança,</p><p>contribuindo significativamente para o debate e a compreen-</p><p>são do tema.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVRO</p><p>A inteligência</p><p>foca na obtenção</p><p>e análise de</p><p>informações</p><p>relevantes</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>O conceito de inteligência ganhou ampla notoriedade e reconhecimento pú-</p><p>blico após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Uni-</p><p>dos. Desde então, essa atividade tem atraído crescente atenção de instituições</p><p>públicas e da mídia.</p><p>Entretanto, a popularização do termo “inteligência” também levou a uma</p><p>aplicação imprecisa e, por vezes, errônea em diversas situações e contextos es-</p><p>pecíficos. Essa utilização inadequada pode desvirtuar seu significado original,</p><p>resultando em uma série de implicações. Consequentemente, conceitos funda-</p><p>mentais associados à inteligência são frequentemente negligenciados ou relega-</p><p>dos a um plano secundário, enfraquecendo a compreensão e a aplicação correta</p><p>deste termo crucial (SIEDSCHLAG; CRUZ, 2014).</p><p>O soldado que não existiu</p><p>O soldado que não existiu (2021) é um filme sobre a Segunda</p><p>Guerra Mundial em que explora o estudo de caso em</p><p>inteligência e estratégia. Agentes britânicos enganaram os</p><p>nazistas com um falso soldado, esse filme ilustra a essência da</p><p>inteligência de segurança pública: usar informações e táticas</p><p>criativas para influenciar eventos críticos.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>No Brasil, a formação da Inteligência de Estado ganhou contornos significativos</p><p>durante o Período Republicano, particularmente a partir de 1927, sob o governo</p><p>de Washington Luís. Foi neste cenário que surgiu o Conselho de Defesa Nacional</p><p>(CDN), estabelecido pelo Decreto nº 17.999/1927. O CDN desempenhou um pa-</p><p>pel crucial tanto em períodos democráticos quanto em fases de exceção, adaptan-</p><p>do suas atribuições conforme as mudanças no regime político (ROCHA, 2007).</p><p>A evolução do serviço de inteligência no Brasil iniciou-se sob a administração</p><p>de Washington Luís em 1927, marcada pela fundação do Conselho de Defesa</p><p>Nacional (CDN), um órgão civil federal com o propósito exclusivo de gerar e</p><p>avaliar informações para a segurança do Estado (ROCHA, 2007).</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>No entanto, foi durante o governo de Eurico Gaspar</p><p>Dutra, em 1946, que o aparato de inteligência brasileiro</p><p>obteve uma base legal firme com o estabelecimento do</p><p>Serviço Federal de Informações e Contrainformação</p><p>(SFCI), delineando-se, assim, como uma entidade</p><p>legalmente reconhecida (ROCHA, 2007).</p><p>O Serviço Federal de Informações e Contrain-</p><p>formações (SFICI), estabelecido anteriormente, foi</p><p>posteriormente integrado ao Serviço Nacional de</p><p>Informações (SNI), criado pela Lei nº 4.341/1964.</p><p>O SNI foi instituído com o objetivo de supervisionar</p><p>e coordenar as atividades de informações e</p><p>contrainformações, tanto no Brasil quanto no exterior.</p><p>Durante o Período Militar, essa fase representou um</p><p>momento crítico para a inteligência brasileira, pois o</p><p>governo demandava um serviço de inteligência com</p><p>prerrogativas semelhantes às de uma força policial.</p><p>Essa época, resultou em graves consequências</p><p>para a atividade de inteligência no país, cujos efeitos</p><p>ainda são sentidos e debatidos na atualidade. Este</p><p>capítulo da história da inteligência brasileira revela</p><p>a complexidade e os desafios enfrentados em um</p><p>contexto de regime autoritário e continua a influenciar</p><p>a percepção e a prática da inteligência no Brasil</p><p>moderno (SIEDSCHLAG; CRUZ, 2014).</p><p>O Serviço Nacional de Informações (SNI), uma</p><p>agência ativa durante o Regime Militar no Brasil, teve</p><p>suas atividades encerradas em 15 de março de 1990,</p><p>pelo primeiro governo eleito após a transição para o</p><p>Regime Democrático. Esse ato foi parte de um esforço</p><p>para renovar as práticas governamentais e realinhar</p><p>o país com valores democráticos e de respeito aos</p><p>direitos humanos, marcando um afastamento das</p><p>abordagens adotadas no período anterior.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>A desativação do SNI representou um ponto de virada importante na trajetó-</p><p>ria dos serviços de inteligência no Brasil, sinalizando uma mudança significativa</p><p>em direção a práticas mais transparentes e alinhadas com os princípios demo-</p><p>cráticos. Esse movimento abriu caminho para uma reorganização dos serviços</p><p>de inteligência do país, visando adaptá-los às necessidades e aos valores de uma</p><p>sociedade comprometida com a democracia.</p><p>Atualmente, o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), estabelecido pela</p><p>Lei nº 9.883/1999, tem como propósito integrar o planejamento e a execução</p><p>das atividades de inteligência no Brasil. Esse sistema abrange aproximadamente</p><p>48 órgãos federais e visa facilitar a troca de informações e conhecimentos de</p><p>inteligência entre eles. O Sisbin reúne ministérios e instituições federais de áreas</p><p>diversas, incluindo segurança, forças armadas, saúde, transportes, telecomuni-</p><p>cações, fazenda e meio ambiente.</p><p>A coordenação do Sisbin fica a cargo da Agência Brasileira de Inteligência</p><p>(ABIN), que está vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidên-</p><p>cia da República. Essa estrutura demonstra a amplitude do sistema, envolvendo</p><p>agências de inteligência de vários órgãos governamentais, o que confere ampla</p><p>capilaridade e eficiência às suas ações. A Abin, como órgão central do Sisbin,</p><p>desempenha um papel crucial na consolidação das informações coletadas por</p><p>essas diversas entidades, garantindo uma abordagem coordenada e eficaz para</p><p>a inteligência nacional.</p><p>Na forma da lei, a Abin é órgão da Presidência da República, conforme</p><p>podemos extrair da Lei nº 9.883 de 7 de dezembro de 1999:</p><p>“ Art. 3° - Fica criada a Agência Brasileira de Inteligência – ABIN,</p><p>órgão da Presidência da República, que, na posição de órgão cen-</p><p>tral do Sistema Brasileiro de Inteligência, terá a seu cargo planejar,</p><p>executar, coordenar, supervisionar e controlar as atividades de inte-</p><p>ligência do País, obedecidas à política e às diretrizes superiormente</p><p>traçadas nos termos desta lei.</p><p>Parágrafo único. As atividades de inteligência serão desenvolvidas,</p><p>no que se refere aos limites de sua extensão e ao uso de técnicas e</p><p>meios sigilosos, com irrestrita observância dos direitos e garantias</p><p>individuais, fidelidade às instituições e aos princípios éticos que</p><p>regem os interesses e a segurança do Estado (BRASIL, 1999).</p><p>1</p><p>5</p><p>8</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>Sistema de Inteligência de</p><p>Defesa (SINDE)</p><p>Sistema de Inteligência da</p><p>Marinha (SIMAR)</p><p>Sistema de Inteligência do</p><p>Exército (SIEx)</p><p>Sistema de Inteligência da</p><p>Aeronáutica (SINTAER)</p><p>Figura 2 – Subsistemas Integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) / Fonte: o autor.</p><p>A Estratégia Nacional de</p><p>Inteligência (ENINT), publicada em 15 de dezembro</p><p>de 2017, representa um documento fundamental de orientação estratégica, de-</p><p>rivado da Política Nacional de Inteligência (PNI) estabelecida pelo Decreto nº</p><p>8.793/2016 (BRASIL, 2016b). Esse documento crucial serve como um marco na</p><p>definição das diretrizes e prioridades para a inteligência brasileira, orientando a</p><p>ação dos órgãos envolvidos nesse setor.</p><p>Além disso, complementando o arcabouço normativo do Sistema Brasileiro</p><p>de Inteligência, o Plano Nacional de Inteligência (PLANINT) foi publicado no</p><p>Diário Oficial da União, em maio de 2018.</p><p>O Planint estabelece as ações estratégicas específicas para a inteligência bra-</p><p>sileira e detalha os desafios, objetivos e ações a serem adotados pelos órgãos inte-</p><p>grantes do sistema. Este plano é essencial para garantir que as atividades de inteli-</p><p>gência estejam alinhadas às necessidades nacionais e às políticas governamentais.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Adicionalmente, desde 2007, o Brasil possui a Doutrina Nacional de Inte-</p><p>ligência de Segurança Pública (DNISP). Essa doutrina fornece a base teórica e</p><p>metodológica para a regulamentação e padronização da atividade de Inteligência</p><p>de Segurança Pública (ISP) dentro do Subsistema de Inteligência de Segurança</p><p>Pública (SISP). Com o objetivo de alcançar uma unidade de entendimento e</p><p>uniformidade de procedimentos entre os órgãos integrantes, a DNISP é vital para</p><p>a eficiência e eficácia da inteligência em segurança pública. Devido à constante</p><p>evolução no campo da Inteligência de Segurança Pública, a DNISP é regularmen-</p><p>te atualizada, refletindo as mudanças e os novos desafios enfrentados nessa área.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Afinal, o que de fato é inteligência?</p><p>A resposta para essa pergunta pode ser encontrada na Lei nº 9.883/1999:</p><p>“ Art. 1º Fica instituído o Sistema Brasileiro de Inteligência, que in-</p><p>tegra as ações de planejamento e execução das atividades de inteli-</p><p>gência do País, com a finalidade de fornecer subsídios ao Presidente</p><p>da República nos assuntos de interesse nacional.</p><p>§ 2º Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-se como inteli-</p><p>gência a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação</p><p>de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e</p><p>situações de imediata ou potencial influência sobre o processo de-</p><p>cisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança</p><p>da sociedade e do Estado (BRASIL, 1999).</p><p>Diante do contexto apresentado, fica evidente a importância crucial da atividade</p><p>de inteligência para o desenvolvimento e manutenção do Estado Democrático de</p><p>Direito no Brasil. A inteligência robusta é um pilar fundamental para a segurança</p><p>nacional, quando conduzida de maneira responsável, legal, a tomada de decisões</p><p>informadas e a proteção dos interesses do país.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Essa realidade não é exclusiva do Brasil, países economicamente desenvolvi-</p><p>dos e com democracias consolidadas também reconhecem e investem em ser-</p><p>viços de inteligência eficazes e eticamente orientados. Esses serviços são vitais</p><p>para a salvaguarda da soberania nacional, a prevenção de ameaças e a promoção</p><p>do bem-estar coletivo, desempenhando um papel indispensável na estrutura de</p><p>governança e na preservação dos valores democráticos.</p><p>Ainda, temos o conceito de contrainteligência, que foca na proteção de</p><p>informações sensíveis e na prevenção de operações de espionagem por adversá-</p><p>rios ou concorrentes. Inclui atividades, como a identificação e a neutralização de</p><p>espiões, a segurança de comunicações e dados e a contraespionagem. Seu objetivo</p><p>é salvaguardar segredos e ativos críticos, impedindo que informações valiosas</p><p>caiam nas mãos de oponentes.</p><p>TIPOS DE INTELIGÊNCIA</p><p>Agora, apresentaremos os cinco principais tipos de inteligência:</p><p>INTELIGÊNCIA DE IMAGENS (IMINT – IMAGERY INTELLIGENCE)</p><p>é a prática de coletar informações por meio de imagens. Isso inclui imagens de satélite,</p><p>fotografias aéreas e outras formas visuais de reconhecimento. Imint é usado para</p><p>identificar e avaliar instalações estrangeiras, movimentos de tropas e outros aspectos</p><p>geográficos de interesse. Contém o registro de imagem de pessoas, lugares e aconte-</p><p>cimentos.</p><p>INTELIGÊNCIA DE SINAIS (SIGINT – SIGNALS INTELLIGENCE)</p><p>envolve a interceptação de sinais, que são transmitidos por cabeamentos ou por sinal</p><p>de wireless. É um método sistemático que procura analisar os sinais oriundos das emis-</p><p>sões eletromagnéticas, decorrentes de rádio e telefonia, com o objetivo de produzir</p><p>informações numa operação de inteligência e/ou policial. É usado para coletar dados</p><p>sobre as capacidades, ações e intenções de adversários.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>INTELIGÊNCIA DE ESPECTRO (MASINT E ELINT – MEASUREMENT AND SIGNATURE</p><p>INTELLIGENCE)</p><p>refere-se à coleta de informações por meio da análise de assinaturas físicas, como</p><p>radiação, som e outras emissões de alvos. Elint (um subconjunto de Sigint), por sua</p><p>vez, foca na coleta de dados de sistemas eletrônicos, como radares ou dispositivos de</p><p>comunicação.</p><p>INTELIGÊNCIA DE FONTES HUMANAS (HUMINT – HUMAN INTELLIGENCE)</p><p>é a coleta de informações por meio de fontes humanas. Isso pode envolver agentes de</p><p>inteligência que realizam operações de campo, interrogações, entrevistas com infor-</p><p>mantes e outras formas de contato humano direto.</p><p>INTELIGÊNCIA DE FONTES ABERTAS (OSINT – OPEN SOURCE INTELLIGENCE)</p><p>é a prática de coletar informações de fontes publicamente disponíveis, como jornais,</p><p>revistas, relatórios públicos, vídeos na internet, transmissões de rádio e mais. É uma</p><p>forma crescente de inteligência devido à vasta quantidade de informações disponíveis</p><p>publicamente na era digital.</p><p>A atividade de inteligência é estabelecida como um serviço essencial ao interesse</p><p>público, aderindo estritamente aos princípios constitucionais de moralidade,</p><p>impessoalidade, eficiência e legalidade.</p><p>De maneira particular, essa atividade enfatiza a importância da obser-</p><p>vância ética, respeitando integralmente os direitos e garantias individuais e</p><p>sociais. Essa abordagem é fundamental para assegurar o suporte e a preser-</p><p>vação do Estado Democrático de Direito, garantindo que as operações de in-</p><p>teligência sejam conduzidas de maneira responsável e alinhada aos valores</p><p>fundamentais da sociedade.</p><p>O controle externo das atividades de inteligência no Brasil é efetivado pela</p><p>Comissão de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI). Essa comissão é</p><p>constituída por seis membros, divididos igualmente entre três deputados fede-</p><p>rais e três senadores. Adicionalmente, participam também os presidentes das</p><p>Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados</p><p>e do Senado Federal, conforme estabelecido no parágrafo 1º do Art. 6º da Lei nº</p><p>9.883/1999 (GONÇALVES, 2010).</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>No que se refere ao controle externo da atividade investigativa, a Constituição</p><p>Federal do Brasil de 1988 atribuiu ao Ministério Público essa responsabilidade.</p><p>Especificamente, o Art. 129, inciso VII, da Constituição consagra como função</p><p>institucional do Ministério Público o controle externo da atividade policial. Essa</p><p>disposição constitucional assegura uma supervisão independente e eficaz das</p><p>operações policiais, reforçando os mecanismos de transparência no âmbito da</p><p>segurança pública (GONÇALVES, 2010).</p><p>A utilização dos serviços de inteligência no inquérito policial</p><p>No livro A utilização dos serviços de inteligência no inquérito po-</p><p>licial, o autor procura demonstrar a possibilidade de utilização</p><p>dos serviços de inteligência policial no tocante ao auxílio à re-</p><p>solução de crimes e no consequente aumento da efetividade</p><p>em matéria de segurança pública, bem como analisar de que</p><p>forma tais documentos podem ser utilizados no processo pe-</p><p>nal, perquirindo sobre a possibilidade da utilização de agentes</p><p>de inteligência nas investigações criminais.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVRO</p><p>As ações e operações de inteligência são fundamentais para a aquisição de dados</p><p>e informações que normalmente estão inacessíveis ou protegidos</p><p>por medidas</p><p>de segurança rigorosas. Esses elementos são cruciais para alimentar a análise e a</p><p>produção de conhecimento.</p><p>Dessa forma, essas ações constituem um conjunto de atividades espe-</p><p>cializadas de coleta e busca de informações de interesse da agência de inteli-</p><p>gência, realizadas sob circunstâncias que envolvem alta segurança e riscos</p><p>consideráveis, exigindo planejamento detalhado, dedicação concentrada e a</p><p>utilização de técnicas, materiais e pessoal especializado. Entre as operações de</p><p>inteligência, destacam-se:</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Operações Exploratórias Operações Sistemáticas Planejamento de Operações</p><p>Estas são operações de</p><p>inteligência destinadas</p><p>a atender necessidades</p><p>imediatas de obtenção</p><p>de dados específicos</p><p>sobre um alvo ou</p><p>situação pontual.</p><p>Elas buscam</p><p>informações precisas</p><p>em um curto período</p><p>de tempo, como, por</p><p>exemplo, o</p><p>reconhecimento</p><p>operacional de uma área</p><p>ou a cobertura de um</p><p>evento específico.</p><p>Este tipo de operação</p><p>visa à coleta contínua</p><p>de dados sobre um fato</p><p>ou situação que requer</p><p>monitoramento</p><p>constante. São</p><p>comumente usadas</p><p>para acompanhar</p><p>sistematicamente as</p><p>atividades de indivíduos,</p><p>organizações ou locais,</p><p>como o rastreamento de</p><p>facções criminosas, a</p><p>neutralização de suas</p><p>ações e a identificação</p><p>de seus membros,</p><p>métodos e futuras</p><p>atividades.</p><p>O planejamento é uma</p><p>etapa crítica que inclui</p><p>um estudo detalhado da</p><p>situação para preparar a</p><p>operação de inteligência.</p><p>Ele abrange a coleta de</p><p>todos os dados</p><p>relevantes, como o</p><p>ambiente operacional</p><p>e o perfil do alvo,</p><p>necessários para</p><p>estruturar a operação de</p><p>inteligência. O plano de</p><p>condução da operação é</p><p>conhecido como Plano</p><p>de Operações de</p><p>Inteligência de</p><p>Segurança Pública (ISP)</p><p>e engloba as fases de</p><p>controle, coordenação,</p><p>avaliação, orientação e</p><p>segurança.</p><p>Figura 3 – Operações de inteligência / Fonte: o autor.</p><p>Uma parcela significativa dos dados e informações necessários para a ativida-</p><p>de de Inteligência de Segurança Pública (ISP) pode ser encontrada em fontes</p><p>abertas. No entanto, para garantir sua autenticidade, é essencial corroborá-los</p><p>com outras fontes.</p><p>Os dados considerados “negados”, ou seja, aqueles protegidos por medidas de</p><p>segurança, assumem uma importância particular e representam um diferencial</p><p>na produção de conhecimento. A obtenção desses dados requer ações especia-</p><p>lizadas e técnicas específicas. Entre as operações de inteligência voltadas para</p><p>esses dados, destacam-se as operações exploratórias e sistemáticas (LEAL, 2016).</p><p>As fontes fechadas, por outro lado, são caracterizadas por dados que são pro-</p><p>tegidos ou negados. Dados protegidos são aqueles que exigem credenciamento</p><p>específico para acesso, enquanto os dados negados requerem operações de busca</p><p>especializadas para sua obtenção (LEAL, 2016).</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>O acesso a informações em fontes fechadas geralmente necessita de autori-</p><p>zações especiais, pois esses dados são de natureza restrita e limitados a entidades</p><p>públicas e/ou privadas. Assim, a aquisição de dados e conhecimentos de fontes</p><p>fechadas envolve um processo mais complexo, frequentemente marcado por</p><p>barreiras e necessidades de permissões específicas (LEAL, 2016).</p><p>Em conclusão, a atividade de inteligência, em suas diversas formas e ope-</p><p>rações, constitui um pilar essencial na salvaguarda da segurança nacional e na</p><p>eficiência da gestão pública e privada. Por meio da coleta e análise de dados de</p><p>fontes abertas e fechadas, as agências de inteligência desempenham um papel</p><p>crucial na prevenção de ameaças, no planejamento estratégico e na tomada de</p><p>decisões informadas. As operações exploratórias e sistemáticas, com o meticu-</p><p>loso planejamento de operações, garantem a continuidade do monitoramento e</p><p>a adaptação às mudanças dinâmicas do cenário global.</p><p>A inteligência, portanto, não é apenas uma ferramenta de defesa e segurança,</p><p>mas também um meio de promover a estabilidade e o progresso dentro do qua-</p><p>dro do Estado Democrático de Direito. À medida que o mundo enfrenta desafios</p><p>cada vez mais complexos, desde ameaças cibernéticas até crises geopolíticas, a</p><p>importância da inteligência se amplifica, exigindo não apenas a coleta de infor-</p><p>mações, mas também uma análise criteriosa e uma aplicação ética e responsável.</p><p>A evolução contínua das técnicas de inteligência e a adaptação às novas rea-</p><p>lidades garantem que esta atividade permaneça relevante e eficaz. No entanto, é</p><p>crucial que essa evolução seja acompanhada por uma governança sólida, trans-</p><p>parência e respeito pelos direitos fundamentais.</p><p>Ainda, há a inteligência policial penal que é uma atividade especializada</p><p>na produção e proteção de conhecimentos relevantes para a segurança públi-</p><p>ca, abrangendo a inteligência da policial militar, judiciária, bombeiro militar e</p><p>rodoviária. A adoção da Doutrina Nacional de Inteligência Penitenciária (DNI-</p><p>PEN), em 2013, marcou um esforço para padronizar procedimentos e orientar o</p><p>funcionamento dos órgãos de inteligência prisional no país (MOREIRA, 2022).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Assim, a inteligência pode continuar a ser uma força vital para a proteção,</p><p>o desenvolvimento e o bem-estar da nação e de seus cidadãos. Este capítulo da</p><p>inteligência brasileira, rica em história e em constante transformação, reflete um</p><p>compromisso com a excelência, a inovação e a integridade, fundamentais para</p><p>enfrentar os desafios do presente e do futuro.</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Neste ponto crucial da nossa jornada educativa, é importante destacar que o es-</p><p>tudo e a prática da inteligência de segurança pública são marcados pela constante</p><p>necessidade de inovação e adaptação. À medida que novos desafios emergem,</p><p>os profissionais especializados em inteligência e segurança pública se preparam</p><p>para um campo profissional que é tanto dinâmico quanto desafiador. O sucesso</p><p>aqui excede a mera posse de conhecimento técnico, ele requer um entendimento</p><p>aprofundado das repercussões éticas e sociais de cada decisão tomada.</p><p>O mercado de trabalho para especialistas nesta área está em expansão, movi-</p><p>do pela necessidade de abordagens inovadoras em resposta a ameaças cada vez</p><p>mais complexas. Há um vasto leque de oportunidades para esses profissionais,</p><p>abrangendo desde agências governamentais até organizações privadas e entida-</p><p>des sem fins lucrativos. Nesse ambiente multifacetado, o especialista não apenas</p><p>aplica o conhecimento técnico adquirido, mas também desenvolve soluções es-</p><p>tratégicas e criativas para enfrentar problemas intrincados.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>A integração de novas tecnologias, como a análise avançada de dados e a</p><p>inteligência artificial, está reformulando o campo da segurança pública. Essas</p><p>ferramentas modernas abrem caminho para métodos inovadores de coleta e</p><p>análise de informações, mas trazem também novos desafios éticos, especial-</p><p>mente no que se refere ao equilíbrio entre eficácia operacional e respeito aos</p><p>direitos individuais.</p><p>Imagine, por exemplo, ser designado para uma operação de inteligência que</p><p>visa desmantelar uma rede criminosa transnacional. Nesse cenário, a habilidade</p><p>de integrar diversas fontes de dados, analisar padrões complexos e formular con-</p><p>clusões claras é essencial. Mais do que conhecimento técnico, essa tarefa exige</p><p>habilidades interpessoais para trabalhar em equipe e sensibilidade para navegar</p><p>em dilemas éticos e legais.</p><p>Portanto, à medida que avançamos, é vital considerar como as competências</p><p>adquiridas se aplicam a situações reais e complexas, preparando você para uma</p><p>trajetória profissional gratificante e de impacto no setor de segurança pública.</p><p>As experiências e aprendizados aqui adquiridos são mais do que fundamentos</p><p>teóricos, são a base para se tornar um profissional capaz, responsável e inovador</p><p>na área de inteligência e segurança</p><p>pública.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. Notadamente após a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil passou a contar com</p><p>um capítulo dedicado à segurança pública. Nesse aspecto, a Carta Política do país asse-</p><p>verou que a segurança pública objetiva a preservação da ordem pública e a incolumidade</p><p>das pessoas e do patrimônio. Assim, no bojo do texto constitucional, Art. 144, estão defini-</p><p>dos, em linhas gerais, o objetivo colocado para o sistema de segurança pública do país e a</p><p>atribuição/função de cada instituição dentro desse sistema: a segurança pública, dever do</p><p>Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública</p><p>e da incolumidade das pessoas e do patrimônio (HENDEN; SARTOR; SPAREMBERGER, 2023).</p><p>Com base no texto-base e nos conhecimentos sobre inteligência em segurança pública,</p><p>assinale a alternativa correta que representa um dos principais desafios da inteligência de</p><p>segurança pública no Brasil:</p><p>a) Priorização do uso de força física em detrimento de estratégias de inteligência.</p><p>b) Falta de integração entre as diferentes agências de segurança pública.</p><p>c) Enfoque exclusivo em questões internacionais de segurança, negligenciando o cenário</p><p>nacional.</p><p>d) Ausência de legislação que regule as atividades de inteligência em segurança pública.</p><p>e) Concentração de recursos em áreas urbanas, ignorando as áreas rurais.</p><p>2. A atividade de inteligência de segurança pública, como instrumento útil à realização do</p><p>mandamento constitucional da preservação da ordem pública e da polícia ostensiva, re-</p><p>quer uma análise acurada do ordenamento jurídico pátrio. Existem marcos normativos que</p><p>organizam e definem a atividade de inteligência de segurança pública. Os documentos</p><p>normativos, gerados a partir do plano federal, buscam integrar e organizar as diversas</p><p>agências de inteligência de segurança pública, incluindo aquelas que existem nas Polícias</p><p>Militares (HENDEN; SARTOR; SPAREMBERGER, 2023).</p><p>Considerando o texto-base e os conhecimentos sobre inteligência em segurança, analise</p><p>as sentenças a seguir:</p><p>I - A atividade de inteligência de segurança pública é estritamente limitada à ação policial</p><p>ostensiva.</p><p>II - A inteligência de segurança pública não se relaciona à análise de informações para prever</p><p>e prevenir ameaças à ordem pública.</p><p>III - Os marcos normativos nacionais visam integrar as diversas agências de inteligência,</p><p>incluindo as Polícias Militares, para efetivar a segurança pública.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. Para os efeitos de aplicação desta lei, entende-se como inteligência a atividade que objetiva</p><p>a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional</p><p>sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório</p><p>e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado</p><p>(BRASIL, 1999).</p><p>Considerando as disposições da Lei nº 9.883/1999 e a definição de inteligência apresentada</p><p>no texto-base, identifique a alternativa que descreve corretamente um aspecto específico</p><p>ou uma implicação desta definição na prática da inteligência de segurança pública no Brasil:</p><p>a) A inteligência de segurança pública, conforme definida, exclui explicitamente a coope-</p><p>ração internacional em sua operacionalização.</p><p>b) A análise de informações no contexto da inteligência de segurança pública é limitada a</p><p>dados públicos e não abrange informações classificadas.</p><p>c) A atividade de inteligência inclui a obtenção de informações de fontes abertas e fechadas</p><p>e sua análise pode influenciar tanto a política interna quanto a externa do Brasil.</p><p>d) A definição de inteligência de segurança pública na lei implica uma restrição ao com-</p><p>partilhamento de informações entre diferentes órgãos governamentais.</p><p>e) A lei estabelece que a atividade de inteligência deve se concentrar unicamente em</p><p>questões de segurança nacional, excluindo questões de segurança pública.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Decreto nº 17.999, de 29 de novembro de 1927. Providencia sobre o Conselho da Defesa</p><p>Nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Rio de Janeiro, p. 25512, 3 dez. 1927.</p><p>BRASIL. Lei nº 4 .341, de 13 de junho de 1964. Cria o Serviço Nacional de Informações. Brasília,</p><p>DF: Presidência da República, 1964. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/</p><p>L4341.htm. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília,</p><p>DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://planalto.gov.br/ccivil_03/constitui-</p><p>cao/constituicao.htm. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Lei nº 9 .883, de 7 de dezembro de 1999. Institui o Sistema Brasileiro de Inteligência, cria</p><p>a Agência Brasileira de Inteligência – ABIN, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da</p><p>República, 1999. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9883.htm#:~:tex-</p><p>t=LEI%20No%209.883%2C%20DE,Art. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Portaria nº 2, de 12 de janeiro de 2016. Aprova a Doutrina Nacional de Inteligência de</p><p>Segurança Pública, 4ª edição, de acordo com as deliberações do Conselho Especial do SISP.</p><p>Brasília, DF Ministério da Justiça e Segurança Pública, 2016a. Disponível em: https://dspace.mj.</p><p>gov.br/bitstream/1/5811/2/PRT_SENASP_2016_2.html. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Decreto nº 8 .793, de 29 de junho de 2016. Fixa a Política Nacional de Inteligência. Brasí-</p><p>lia, DF: Presidência da República, 2016b. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_</p><p>ato2015-2018/2016/decreto/d8793.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%208.793%2C%20</p><p>DE%2029,que%20lhe%20confere%20o%20art. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Portaria nº 40 GSI/PR, de 3 de maio de 2018. que estabeleceu o Plano Nacional de</p><p>Inteligência. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, p. 18, 5 maio 2018.</p><p>GONÇALVES, J. B. Quem vigia os vigilantes? O controle da atividade de inteligência no brasil e</p><p>o papel do poder legislativo. Revista de Informação Legislativa, Brasília, v. 187, n. 47, p. 125-136,</p><p>jul. 2010. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/ril/edicoes/47/187/ril_v47_n187_p125.</p><p>pdf. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>HENDEN, P. D.; SARTOR, S. de M.; SPAREMBERGER, R. F. L. A atividade de inteligência de se-</p><p>gurança pública: a instrumentalidade constitucional relacionada ao conceito da preservação</p><p>da ordem pública e da polícia ostensiva. Revista Brasileira de Ciências Policiais, Brasília, v. 14,</p><p>n. 12, p. 56-90, 2023. Disponível em: https://periodicoshom.pf.gov.br/index.php/RBCP/article/</p><p>download/1010/781/6176. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>LEAL, E. O. Técnicas avançadas de investigação. 2016. 87 f. Monografia (Especialização em</p><p>Inteligência Policial e Análise Criminal) – Associação Internacional para Estudos de Segurança</p><p>e Inteligência, Centro Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte, 2016. Disponível em: https://</p><p>www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_</p><p>servicos_produtos/BibliotecaDigital/Publicacoes_MP/Todas_publicacoes/Evandro-Ornelas-</p><p>-Leal-TCC.pdf. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>MOREIRA, R. Pires. A relevância da inteligência policial penal na segurança pública brasileira.</p><p>Rbep, Brasília, v. 3, n. 2, p. 65-84, jul. 2022. Disponível em: https://rbepdepen.depen.gov.br/index.</p><p>php/RBEP/article/download/517/355. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>ROCHA, A. B. S. da. Atividade de inteligência. Revista Jurídica do Ministério Público, João Pes-</p><p>soa, v. 1, n. 1, p. 173-186, jul. 2007. Disponível em: https://revistajuridica.mppb.mp.br/revista/arti-</p><p>cle/view/29/29. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>SIEDSCHLAG, R. G.; CRUZ, T. M. F. da. O papel da atividade de inteligência de segurança pública</p><p>no monitoramento dos movimentos sociais para a preservação da ordem pública. Revista Or-</p><p>dem Pública e Defesa Social, Florianópolis, v. 7, n. 1, p. 201-220, jan. 2014. Disponível em: https://</p><p>rop.emnuvens.com.br/rop/article/download/74/73.</p><p>Acesso em: 9 abr. 2014.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. Alternativa B. Esse aspecto é fundamental na eficácia da inteligência de segurança pública,</p><p>pois a falta de coordenação e cooperação entre as diversas agências pode levar a redun-</p><p>dâncias, lacunas de informação e ineficiências operacionais. A integração efetiva permite</p><p>melhor compartilhamento de informações, recursos e estratégias, melhorando, assim, a</p><p>capacidade de prevenir e responder a ameaças à segurança pública. As demais opções,</p><p>embora possam representar desafios em contextos específicos, não refletem com preci-</p><p>são os principais desafios contemporâneos da inteligência de segurança pública no Brasil,</p><p>conforme descrito no texto-base e na literatura relevante.</p><p>2. Alternativa B. Afirmativa I: esta afirmativa é incorreta. A atividade de inteligência de segu-</p><p>rança pública não é estritamente limitada à ação policial ostensiva. Ela abrange uma ampla</p><p>gama de atividades, incluindo, mas não se limitando à coleta, à análise e à disseminação</p><p>de informações relevantes para a prevenção de crimes e ameaças à segurança pública.</p><p>A inteligência de segurança pública é, portanto, um campo mais amplo que transcende a</p><p>mera ação policial visível.</p><p>Afirmativa II: esta afirmativa também é incorreta. Contrariamente ao que é afirmado, a inte-</p><p>ligência de segurança pública está intrinsecamente relacionada à análise de informações.</p><p>Seu propósito central é coletar e analisar dados para prever e prevenir ameaças à ordem</p><p>pública. Essa capacidade de análise e antecipação é fundamental para a eficácia das ope-</p><p>rações de segurança pública.</p><p>Afirmativa III: esta afirmativa é correta. Conforme indicado no texto-base, os marcos norma-</p><p>tivos nacionais realmente visam integrar as diversas agências de inteligência de segurança</p><p>pública, incluindo as Polícias Militares. Essa integração tem o objetivo de otimizar a eficácia</p><p>da segurança pública por meio de um esforço coordenado e colaborativo entre as diferentes</p><p>agências.</p><p>3. Alternativa C. A Lei nº 9.883/1999 estabelece que a inteligência de segurança pública não se</p><p>restringe a fontes de informações abertas, englobando também informações classificadas.</p><p>A análise dessas informações pode afetar tanto políticas internas quanto externas, refletindo</p><p>a complexidade e o amplo escopo da inteligência de segurança pública. As alternativas A,</p><p>B, D e E são incorretas, porque distorcem ou limitam indevidamente a definição e o escopo</p><p>da inteligência conforme estabelecido pela lei. A alternativa A ignora a possibilidade de</p><p>cooperação internacional, a B subestima a variedade de fontes de informações utilizadas,</p><p>a D presume uma restrição inexistente no compartilhamento de informações e a E limita</p><p>indevidamente o foco da inteligência à segurança nacional.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>CONTRAINTELIGÊNCIA DE</p><p>SEGURANÇA PÚBLICA</p><p>Compreender os fundamentos da contrainteligência.</p><p>Desenvolver estratégias de contrainteligência para segurança interna.</p><p>Aplicar conhecimentos em cenários práticos.</p><p>Integrar conhecimento teórico e prático.</p><p>Analisar o papel histórico da contrainteligência.</p><p>Compreender a política de segurança institucional.</p><p>Participação em atividades interativas e reflexivas.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Bem-vindo ao campo da Contrainteligência de Segurança Pública, este tema</p><p>inicial é sua porta de entrada para explorar as facetas fundamentais da contrain-</p><p>teligência, um aspecto crucial na salvaguarda da sociedade.</p><p>Imagine uma situação em que a infraestrutura crítica nacional está sob amea-</p><p>ça de um ataque de origem desconhecida. Esse cenário exige uma resposta rápida</p><p>e eficaz, baseada em conhecimentos aprofundados de segurança orgânica.</p><p>Como você, enquanto futuro profissional, pode fortalecer as defesas dessa</p><p>infraestrutura para prevenir tais ataques? A resposta não se limita à aplicação de</p><p>tecnologias avançadas, ela envolve também a compreensão do comportamento</p><p>humano e das táticas de ameaças potenciais.</p><p>A segurança ativa é outro componente vital que você descobrirá. Ela se refere</p><p>à habilidade de antecipar e mitigar ameaças antes que se materializem. Imagine</p><p>estar encarregado de uma operação para desmantelar uma rede de espionagem</p><p>que visa comprometer dados governamentais sensíveis. Como você implemen-</p><p>taria estratégias proativas para neutralizar essa ameaça? Este tema proporcionará</p><p>insights valiosos sobre como identificar e contrariar táticas adversárias, equili-</p><p>brando vigilância e ação decisiva.</p><p>Além disso, a segurança de assuntos internos desempenha um papel crucial</p><p>na manutenção da integridade das forças de segurança. Imagine-se responsá-</p><p>vel por investigar um caso de corrupção dentro de uma agência de segurança.</p><p>Como você garantiria que as operações internas sejam conduzidas com ética e</p><p>transparência? Esse aspecto da sua formação irá equipá-lo com as competências</p><p>necessárias para supervisionar e assegurar a conduta apropriada dentro das or-</p><p>ganizações de segurança.</p><p>Ao longo deste tema, você será desafiado a aplicar esses conceitos em cená-</p><p>rios práticos, preparando-o para enfrentar e resolver problemas complexos no</p><p>campo da segurança pública. Cada situação será uma oportunidade para desen-</p><p>volver habilidades críticas, desde a análise estratégica até a implementação de</p><p>soluções práticas e éticas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>Este percurso inicial é essencial para o seu desenvolvimento profissional,</p><p>pois fornece a base sobre a qual você construirá uma carreira sólida e impac-</p><p>tante. Ao final, você estará mais preparado para enfrentar os desafios dinâmi-</p><p>cos da segurança pública, contribuindo significativamente para a proteção e</p><p>bem-estar da sociedade.</p><p>Temos o prazer de convidá-lo para ouvir o podcast Fundamentos da</p><p>contrainteligência na segurança pública. Neste momento, mergulharemos nas</p><p>diferentes estratégias e métodos da contrainteligência de segurança pública,</p><p>oferecendo uma ampliação do seu conhecimento teórico sobre o tema. Recursos</p><p>de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Entenda o papel crucial da Inteligência Policial, que é diferente do conceito de</p><p>Inteligência de Segurança Pública na prevenção e resposta aos ataques em</p><p>escolas no Brasil nesta análise aprofundada da Revista Canal Ciências Criminais.</p><p>O artigo aborda a preocupante tendência de ataques em instituições educacionais</p><p>brasileiras, destacando a urgência de medidas eficazes de prevenção e resposta.</p><p>Entre os fatores contribuintes para essa crescente ameaça, encontram-se a</p><p>insatisfação estudantil, a falta de controle sobre os alunos, práticas de bullying/</p><p>cyberbullying e a idolatria de criminosos. A investigação detalha a importância</p><p>da inteligência policial, aliada a investigações cibernéticas, no combate a esse</p><p>fenômeno. Exemplificando com casos recentes e oferecendo uma perspectiva</p><p>sobre possíveis soluções, este artigo é essencial para quem busca compreender</p><p>as dinâmicas e os desafios na segurança das escolas. Acesse o artigo completo,</p><p>intitulado Inteligência policial como mecanismo de prevenção e resposta aos</p><p>ataques nas escolas, no link a seguir: https://canalcienciascriminais.com.br/</p><p>inteligencia-policial-prevencao-escolas/.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>ATIVIDADE DE CONTRAINTELIGÊNCIA</p><p>A contrainteligência, um componente vital da segurança e da estratégia, desem-</p><p>penha um papel fundamental na proteção de informações sigilosas e na neutra-</p><p>lização de ameaças adversárias. Trabalhando em conjunto com a inteligência,</p><p>a contrainteligência forma um sistema integrado e essencial para a defesa da</p><p>segurança nacional e institucional (MELO, 2023).</p><p>A contrainteligência é um setor especializado na geração de informações para</p><p>salvaguardar tanto a atividade de inteligência quanto a integridade da instituição</p><p>à qual está vinculada. Seu objetivo principal é proteger e neutralizar quaisquer</p><p>ações adversas, independentemente da natureza que possam representar</p><p>ameaças</p><p>à segurança e ao funcionamento eficaz da organização (MELO, 2023).</p><p>Em sentido amplo, a Inteligência de Segurança Pública (ISP) é um processo</p><p>contínuo e sistemático de ações especializadas em nível estratégico, visando ad-</p><p>quirir dados e avaliar situações externas que representem ameaças, explícitas ou</p><p>ocultas, que possam comprometer os interesses estratégicos da organização. Dela</p><p>podemos extrair os conceitos de inteligência e contrainteligência.</p><p>A contrainteligência inclui a identificação, avaliação e neutralização de</p><p>espionagem por serviços de inteligência ou outras entidades, a proteção de</p><p>conhecimentos científicos e tecnológicos confidenciais e informações neces-</p><p>sárias para prevenir e reprimir delitos ou assuntos relacionados à segurança</p><p>pública e defesa social.</p><p>No cerne da ISP, está a geração e proteção de conhecimentos, especialmente</p><p>em relação ao suporte à tomada de decisões e assistência às Instituições de Segu-</p><p>rança Pública. O acesso não autorizado a informações sensíveis sempre foi uma</p><p>grande preocupação, com técnicas desenvolvidas para sua obtenção e neutra-</p><p>lização, transformadas em medidas de segurança e contramedidas. Prevenção</p><p>adequada pode impedir infrações antes de acontecerem.</p><p>As abordagens de medidas e contramedidas são adotadas por várias insti-</p><p>tuições de segurança, visando proteger contra o crime organizado e prevenir</p><p>vazamentos de informações. Essas ações cobrem aspectos tangíveis e intangíveis,</p><p>como capital intelectual e credibilidade pública.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>Ainda, este ramo especializado concentra-se em salvaguardar dados críticos,</p><p>protegendo-os contra o acesso e manipulação por agentes hostis. Por meio de</p><p>uma variedade de práticas e técnicas, desde a segurança cibernética até a con-</p><p>traespionagem, a contrainteligência busca não apenas preservar a integridade e</p><p>a confidencialidade das informações, mas também compreender e mitigar pos-</p><p>síveis ameaças. Esse aspecto da segurança tem raízes históricas, remontando aos</p><p>primórdios das civilizações, quando a preservação de segredos era essencial para</p><p>a sobrevivência e manutenção do poder (ANGELIM, 2017).</p><p>No mundo contemporâneo, cujas informações são um ativo valioso e fre-</p><p>quentemente vulnerável, a contrainteligência é mais importante do que nunca.</p><p>Ela emprega uma abordagem sofisticada e estratégica, adaptando-se continua-</p><p>mente às táticas e às técnicas dos adversários para garantir a eficácia das ope-</p><p>rações de inteligência. A proteção e a análise de dados e informações sigilosos</p><p>não são apenas atividades técnicas, mas também estratégicas, fornecendo aos</p><p>tomadores de decisão a segurança necessária para agir de forma informada e</p><p>estratégica em diversos contextos sociais e institucionais (ANGELIM, 2017).</p><p>A seguir, observamos a transição do amplo espectro da atividade de inteligên-</p><p>cia para o foco mais específico da contrainteligência, que é um ramo da atividade</p><p>de inteligência, destacando como este último se enquadra e se especializa dentro</p><p>do campo mais vasto de atuação.</p><p>ATIVIDADE DE</p><p>INTELIGÊNCIA</p><p>INTELIGÊNCIA</p><p>CONTRAINTELIGÊNCIA</p><p>Figura 1 – Panorama geral da atividade de inteligência / Fonte: o autor.</p><p>Descrição da Imagem: a figura é composta por um diagrama simplista com três caixas de bordas arredondadas</p><p>conectadas por linhas. No lado esquerdo, há uma caixa maior com o rótulo “Atividade de Inteligência”. À direita,</p><p>existem duas caixas menores e alinhadas horizontalmente; a superior está rotulada “Inteligência” e a inferior</p><p>“Contrainteligência”. Duas linhas partem da caixa da esquerda indicando uma relação ou fluxo em direção a cada</p><p>uma das caixas da direita. Fim da descrição.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>Uma parte da mitologia narra que a inteligência tem suas raízes em Argus,</p><p>um príncipe da Argólida por volta de 690 a.C, outros consideram que seu sur-</p><p>gimento está na Bíblia, no primeiro testamento. Argus superou a supremacia de</p><p>Micenas e, em vida, desenvolveu múltiplas formas de proteger suas mensagens.</p><p>Argus estabeleceu também uma rede eficiente de espionagem, o que conferiu a</p><p>ele a reputação de precursor da inteligência (BRAGA, 1998).</p><p>Após sua morte, ele foi elevado ao status de semideus. Existem várias histórias</p><p>sobre sua existência após a morte. Muitos termos relacionados à inteligência,</p><p>como arguto, argúcia, argumento e arguir derivam do seu nome (BRAGA, 1998).</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Qual é o papel vital da contrainteligência na geração de informações para</p><p>aconselhamento de administradores públicos, em particular, entidades policiais,</p><p>no combate a ameaças específicas?</p><p>A principal função da contrainteligência é gerar conhecimento e realizar ações</p><p>focadas na defesa de dados, informações, infraestruturas essenciais (como co-</p><p>municações, transportes e tecnologia da informação) e outros ativos críticos e</p><p>confidenciais que são de interesse nacional e social (ANGELIM, 2017).</p><p>A contrainteligência, sendo um segmento da inteligência dedicado à prote-</p><p>ção de suas próprias operações e da organização a que serve, tem o objetivo de</p><p>preservar informações secretas, bem como identificar e contrariar ameaças de</p><p>entidades ou indivíduos. Ela se estrutura por meio de políticas, normas, medidas</p><p>e procedimentos de segurança institucional (ANGELIM, 2017).</p><p>Nas atividades de contrainteligência na segurança pública, a ênfase é na</p><p>proteção de informações cruciais para a tomada de decisões, planejamen-</p><p>to e implementação de políticas de segurança e ações relacionadas. A Inteli-</p><p>gência de Segurança Pública (ISP) envolve a produção e salvaguarda de da-</p><p>dos, sendo responsabilidade do Estado a preservação de informações de seu</p><p>interesse (ANGELIM, 2017).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>O desempenho eficaz da inteligência requer o uso de metodologias e técnicas</p><p>específicas para a geração de conhecimento, evitando ações baseadas apenas na</p><p>intuição ou procedimentos sem fundamentação racional.</p><p>As técnicas de contrainteligência, originadas no contexto militar e estatal, são</p><p>amplamente utilizadas para neutralizar espionagem. A contrainteligência militar</p><p>abrange aspectos, como Contrainteligência Humana (C-HUMINT), Contrain-</p><p>teligência de Sinais (C-SIGINT) e Contrainteligência de Imagens (C-IMINT),</p><p>atuando contra coletas de inteligência externas (ANGELIM, 2017).</p><p>A força da contrainteligência, em colaboração com outros recursos de inteli-</p><p>gência, deve ser capaz de detectar e analisar ameaças à segurança em operações,</p><p>pessoal e material (ANGELIM, 2017).</p><p>“ Art. 1º O Subsistema de Inteligência de Segurança Pública – SISP,</p><p>que compõe o Sistema Brasileiro de Inteligência – SISBIN, consti-</p><p>tuído de rede própria e responsável pelo processo de coordenação</p><p>e integração das atividades de inteligência de segurança pública no</p><p>âmbito do território nacional, tem por objetivo fornecer subsídios</p><p>informacionais aos respectivos governos para a tomada de decisões</p><p>no campo da segurança pública, mediante a obtenção, análise e dis-</p><p>seminação da informação útil e salvaguarda da informação contra</p><p>acessos não autorizados.</p><p>II - Contrainteligência: é a atividade que objetiva salvaguardar da-</p><p>dos e conhecimentos sigilosos e identificar e neutralizar ações ad-</p><p>versas de qualquer natureza que constituam ameaça à salvaguarda</p><p>de dados, informações e conhecimentos de interesse da segurança</p><p>da sociedade e do Estado, bem como das áreas e dos meios que os</p><p>retenham ou em que transitem; (BRASIL, 2009).</p><p>De acordo com a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública</p><p>(DNISP), de 2016, a contrainteligência é descrita como uma especialização</p><p>dentro do campo da inteligência de segurança pública. Sua função primária é as-</p><p>segurar a proteção das atividades de inteligência e da organização a que pertence.</p><p>Isso é alcançado por meio da geração e da implementação de conhecimen-</p><p>tos e medidas focadas na proteção de informações e dados confidenciais. Além</p><p>disso, a contrainteligência é responsável por identificar e neutralizar ameaças de</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>qualquer tipo que possam comprometer a</p><p>segurança dessas informações ou da</p><p>instituição (MELO, 2019).</p><p>Essa tática permite não apenas o acesso a informações críticas, mas também</p><p>a possibilidade de disseminar desinformação entre os inimigos. Ele sugere a uti-</p><p>lização de espiões locais e infiltrados para coletar dados e a criação de informa-</p><p>ções enganosas para confundir o adversário. Sun Tzu (2008) também aborda</p><p>a ideia de manipular espiões inimigos ativos para que atuem de acordo com</p><p>seus planos (MELO, 2019).</p><p>Durante a Segunda Guerra Mundial, a contrainteligência emergiu como</p><p>um elemento crucial, com as nações em conflito empenhadas em desenvolver</p><p>sistemas para salvaguardar suas informações e instituições. A captura de comu-</p><p>nicações era uma ameaça significativa, podendo afetar estratégias, segurança</p><p>operacional e até a soberania nacional (BRUNO, 2017).</p><p>Um marco importante desse período foi o avanço na criptografia, uma prática</p><p>que, embora antiga, ganhou destaque devido à necessidade de proteger um volu-</p><p>me crescente de informações. O Exército Alemão criou o dispositivo “Enigma”,</p><p>notável por suas combinações quase inumeráveis e difícil decifração. Em respos-</p><p>ta, os Aliados, com destaque para o trabalho de Alan Turing, desenvolveram a</p><p>“Enigma Bomb”, um avanço decisivo que desempenhou um papel fundamental</p><p>na vitória Aliada, demonstrando a grande importância da informação e da con-</p><p>trainteligência em contextos de guerra (BRUNO, 2017)</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>Na Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (BRASIL, 2016),</p><p>podemos destacar três conceitos relevantes na área da contrainteligência, con-</p><p>forme se expõe a seguir:</p><p>DESINFORMAÇÃO</p><p>envolve a disseminação intencional de informações falsas com um objetivo e direcio-</p><p>namento específicos. Essas informações são inseridas no sistema de comunicação do</p><p>público-alvo, muitas vezes aproveitando-se de estereótipos e preconceitos culturais.</p><p>Geralmente, visa influenciar indivíduos nos extremos do espectro político ou social, que</p><p>tendem a ter menor grau de ceticismo e são mais suscetíveis a serem influenciados por</p><p>fontes menos confiáveis.</p><p>FALSA INFORMAÇÃO</p><p>caracterizada por interpretações ou dados incorretos, frequentemente resultantes de</p><p>equívocos ou desinformação. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando agentes infiltra-</p><p>dos coletam informações baseadas em fontes imprecisas, como reportagens jornalísti-</p><p>cas erradas, sem que haja manipulação intencional por parte dos órgãos de segurança</p><p>pública. A responsabilidade de avaliar a autenticidade e precisão de tais informações re-</p><p>cai sobre o agente que as recebe, sendo parte fundamental do processo de inteligência.</p><p>DECEPÇÃO</p><p>é um conjunto de estratégias usadas para induzir o adversário ao erro. Essa abordagem</p><p>inclui fingir incapacidade quando se é capaz e inatividade quando ativo, além de dis-</p><p>torcer a percepção de proximidade e distância. Ao oferecer uma isca, cria-se desordem</p><p>para confundir e derrotar o inimigo. A ideia é evitar confronto direto em áreas de força</p><p>do adversário, irritando-o e induzindo-o ao erro. Essencialmente, a decepção visa mani-</p><p>pular as informações que o adversário recebe, desorientando-o e levando-o a acreditar</p><p>em falsas percepções sobre as capacidades, situações e limitações do enganador</p><p>(BRASIL, 2016).</p><p>No dinâmico e desafiador contexto da segurança pública, a contrainteligência</p><p>desempenha um papel crucial, abrangendo diversas vertentes essenciais para a</p><p>proteção da sociedade.</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>Nesse contexto, são estabelecidos diversos aspectos que compõem a base da</p><p>contrainteligência, cada um com sua importância e foco específico. Esses aspec-</p><p>tos você poderá conferir a seguir:</p><p>SEGURANÇA ORGÂNICA (SEGOR)</p><p>este aspecto refere-se à estrutura de segurança inerente à própria organização. En-</p><p>volve a implementação de políticas, procedimentos e práticas destinadas a prevenir a</p><p>infiltração de ameaças internas e externas. A Segor garante que todos os componentes</p><p>da segurança pública operem de maneira coesa e eficaz (MELO, 2023).</p><p>SEGURANÇA ATIVA (SEGAT)</p><p>diferentemente das outras formas, que são mais defensivas, a Segat é proativa. Envolve</p><p>ações e estratégias para antecipar, identificar e neutralizar ameaças antes que elas se</p><p>materializem. Inclui a inteligência, a vigilância e a realização de operações destinadas a</p><p>desmantelar ou desencorajar atividades hostis contra a segurança pública (MELO, 2023).</p><p>SEGURANÇA DE ASSUNTOS INTERNOS (SAI)</p><p>compreende um conjunto de estratégias voltadas à geração de informações desti-</p><p>nadas a auxiliar as atividades de correição das instituições públicas. Essas ações são</p><p>direcionadas especificamente para o apoio às corregedorias, embora não desempe-</p><p>nhem necessariamente sua função principal. O objetivo é fornecer suporte com relação</p><p>às informações relacionadas aos recursos humanos da instituição, além de contribuir</p><p>para a proteção da imagem institucional, desempenhando um papel significativo nesse</p><p>contexto (MELO, 2023).</p><p>Certamente, o campo da contrainteligência é vasto e multifacetado, exigindo uma</p><p>abordagem contínua de aprendizado e adaptação. Entender a complexidade desse</p><p>campo envolve mais do que apenas manter-se atualizado com as mais recentes</p><p>práticas e tecnologias, é também sobre compreender como a contrainteligência se</p><p>entrelaça e se complementa com a inteligência. Essas duas áreas, embora distintas</p><p>em seus métodos e objetivos, trabalham de forma sinérgica para fornecer uma</p><p>segurança abrangente e eficaz.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>No segmento final deste percurso educacional, enfocamos a transposição da teo-</p><p>ria para a prática, integrando os conhecimentos adquiridos ao ambiente profis-</p><p>sional futuro e a você, estudante. Nesse estágio, as teorias aprendidas se mesclam</p><p>com aplicações práticas, evidenciando a relevância real do aprendizado.</p><p>O campo da contrainteligência, caracterizado por sua dinâmica constante</p><p>de evolução, apresenta desafios variados que demandam dos profissionais de</p><p>segurança pública não apenas um aprofundamento teórico, mas também uma</p><p>habilidade aguçada para implementar essas teorias em situações reais e frequen-</p><p>temente imprevisíveis. Assim, entender as sutilezas da segurança orgânica, segu-</p><p>rança ativa e segurança de assuntos internos é essencial.</p><p>Considere, por exemplo, um cenário mais concreto e cotidiano, nele, você</p><p>é designado para reforçar a segurança em um evento público de grande porte,</p><p>como um desfile ou uma celebração nacional. Nesse contexto, a aplicação prática</p><p>de seus conhecimentos em contrainteligência é crucial. Você empregaria estraté-</p><p>gias de vigilância avançada e análise de comportamento de multidões para iden-</p><p>tificar potenciais ameaças, como atividades suspeitas ou indivíduos que possam</p><p>representar um risco à segurança.</p><p>Além disso, as habilidades de contrainteligência permitem que você esteja</p><p>preparado para implementar medidas de segurança ativa, antecipando e pre-</p><p>venindo ameaças potenciais antes que elas se manifestem. Isso é especialmente</p><p>relevante em um contexto de segurança pública moderna em que a antecipação</p><p>e a resposta rápida a ameaças são cruciais.</p><p>1</p><p>8</p><p>4</p><p>A segurança pública contemporânea também exige uma compreensão abran-</p><p>gente e interdisciplinar. Portanto, a capacidade de integrar conhecimentos de</p><p>áreas diversas, como tecnologia da informação, psicologia e sociologia é funda-</p><p>mental. Essa abordagem holística capacita os profissionais de contrainteligência</p><p>a não apenas reagir às ameaças, mas também a antecipá-las, adaptando-se con-</p><p>tinuamente às novas realidades do campo.</p><p>Ao concluirmos este tema, esperamos que ele tenha fornecido uma visão clara</p><p>e aplicável dos diversos aspectos que compõem este campo vital para a segurança</p><p>pública. A jornada de aprendizado pode ter chegado ao seu fim, mas o caminho</p><p>para se tornar um especialista eficaz, ético e inovador na</p><p>que fa-</p><p>cilitam desde a identificação rápida de suspeitos até a reconstrução precisa de</p><p>eventos criminosos. Ferramentas, como reconhecimento facial, análise de DNA,</p><p>e sistemas de vigilância avançados tornaram-se indispensáveis na moderna prá-</p><p>tica investigativa, proporcionando insights que antes eram inacessíveis.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Além disso, a tecnologia tem um papel crucial no combate a crimes ciber-</p><p>néticos, que representam uma ameaça crescente na era digital. A habilidade de</p><p>rastrear e analisar atividades digitais é um aspecto essencial na investigação de</p><p>uma ampla gama de delitos, desde fraudes financeiras até casos de terrorismo.</p><p>A combinação da tecnologia com a expertise policial não só contribui para um</p><p>aumento nos índices de resolução de crimes, mas também melhora a qualidade</p><p>das investigações. Ela permite uma abordagem mais abrangente e detalhada, ga-</p><p>rantindo que as investigações sejam conduzidas com maior precisão e eficiência.</p><p>COMPREENSÃO ÉTICA E LEGAL NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Veremos agora, que além das diferenças técnicas, as metodologias empregadas</p><p>na investigação criminal e na pesquisa científica também são guiadas por</p><p>considerações éticas fundamentais. Na investigação criminal, a ética envolve</p><p>garantir que as evidências sejam coletadas e analisadas de maneira justa e</p><p>imparcial, respeitando os direitos dos envolvidos, incluindo vítimas, suspeitos e</p><p>testemunhas. Isso implica em uma responsabilidade significativa: as conclusões</p><p>e ações decorrentes da investigação podem afetar diretamente a vida das pessoas</p><p>e a justiça do sistema legal.</p><p>Por outro lado, na pesquisa científica, a ética se concentra na honestidade</p><p>e integridade na condução de experimentos e na apresentação de resultados.</p><p>Isso inclui a necessidade de transparência na metodologia, evitando vieses e ga-</p><p>rantindo que os participantes do estudo deem seu consentimento informado,</p><p>especialmente em pesquisas que envolvem seres humanos.</p><p>Essas considerações éticas não são apenas normas reguladoras, mas funda-</p><p>mentos que sustentam a confiança pública tanto na justiça criminal quanto na</p><p>integridade científica. Em ambos os campos, o respeito pelos princípios éticos</p><p>é essencial para assegurar que os resultados obtidos sejam não apenas válidos,</p><p>mas também justos e respeitáveis. Portanto, ao adotar metodologias em qual-</p><p>quer uma dessas áreas, é crucial manter uma reflexão ética constante, garan-</p><p>tindo que os métodos escolhidos estejam alinhados com os mais altos padrões</p><p>de justiça e integridade.</p><p>1</p><p>1</p><p>A reflexão ética é um componente crucial na formação de profissionais</p><p>de segurança e na condução de pesquisas científicas. Consideremos, por</p><p>exemplo, a ética na utilização de animais em laboratórios para experimentos</p><p>científicos. Embora possam contribuir significativamente para o avanço da</p><p>ciência, é essencial ponderar sobre os aspectos éticos envolvidos.</p><p>Na esfera da investigação criminal, surge um questionamento ético crucial</p><p>sobre o uso de métodos ilícitos, como a tortura, para extrair informações</p><p>ou confissões.</p><p>Apesar de, superficialmente, parecer um caminho efetivo para obtenção</p><p>de resultados, essas práticas contrariam profundamente os princípios éticos</p><p>e morais, além de violar a legalidade. Tais métodos não só comprometem</p><p>a integridade do processo investigativo, como também desafiam os valores</p><p>fundamentais de justiça e direitos humanos.</p><p>Como profissionais de segurança, devemos refletir sobre o limite que</p><p>nossa atuação é válida, não só do ponto de vista jurídico, mas do ponto de</p><p>vista ético e moral, pois nem tudo que é imoral é ilegal e nem tudo que é</p><p>ilegal é imoral.</p><p>Por exemplo, o jogo do bicho é considerado uma contravenção penal, ou</p><p>seja, ele é ilegal, entretanto não há uma repressão social contra as pessoas que</p><p>apostam nele. Já o incestos, por exemplo, não é considerado crime, entretanto</p><p>é considerado algo imoral.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você compreende como a investigação criminal e a investigação científica</p><p>desempenham papéis fundamentais na sociedade? Pode explicar de que maneira</p><p>essas duas áreas se interligam e contribuem para a manutenção da ordem, justiça</p><p>e avanço do conhecimento?</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Você sabe a diferença entre crime e contravenção penal?</p><p>Um crime é uma infração mais grave, definida por ações ou omissões que violem</p><p>leis e são puníveis com penas mais severas, como reclusão ou detenção. Os crimes</p><p>são considerados ofensas sérias à ordem pública ou aos direitos individuais e estão</p><p>tipificados no Código Penal. Exemplos incluem o roubo, o homicídio e o estupro.</p><p>Contravenções penais, por outro lado, são infrações menos graves, puníveis com</p><p>penas mais leves, como multa ou prisão simples. São atos que violam a ordem</p><p>pública ou a paz social, mas com menor potencial ofensivo comparado aos crimes.</p><p>Estão previstas na Lei das Contravenções Penais, Decreto-Lei n° 3688/1941, e in-</p><p>cluem atos como perturbação do sossego e jogo do bicho.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>A aplicação de métodos científicos rigorosos na análise de evidências coleta-</p><p>das em cenas de crime demonstra essa sinergia. A Ciência Forense permite que</p><p>evidências sejam analisadas de maneira mais precisa e confiável, resultando em</p><p>investigações criminais mais eficazes e justas.</p><p>A Ciência Forense é um campo interdisciplinar, integra disciplinas como</p><p>Física, Biologia, Química e Matemática, visando apoiar investigações no âmbito</p><p>da justiça civil e criminal. Nesse espectro, a Química Forense se destaca por seu</p><p>papel crucial e seu mérito significativo na análise e interpretação de evidências</p><p>materiais (MAIA, 2012).</p><p>Ao concluir nossa jornada pelo universo da investigação criminal e da Ciên-</p><p>cia Forense, ressaltamos a importância dessa integração para o avanço da justiça</p><p>e da segurança pública. A fusão entre teoria e prática, demonstrada ao longo</p><p>deste tema, preparará você, futuro profissional, para desenvolver o raciocínio</p><p>adequado para enfrentar os desafios do campo com um olhar crítico e inovador.</p><p>As habilidades e conhecimentos adquiridos aqui não são apenas teóricos, mas</p><p>ferramentas práticas essenciais para a atuação eficaz no ambiente profissional.</p><p>Seja na resolução de crimes complexos ou na aplicação de estratégias</p><p>de inteligência e contrainteligência, você está, agora, equipado para fazer a</p><p>diferença real na sociedade.</p><p>1</p><p>1</p><p>Levando consigo a consciência da importância ética e a responsabilidade</p><p>moral em sua atuação, está pronto para contribuir significativamente para a cons-</p><p>trução de um sistema de segurança mais justo, eficiente e humanizado.</p><p>Estudante, quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem .</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>À medida que nos aproximamos da conclusão deste tema, é essencial refletir</p><p>sobre como a teoria e a prática se entrelaçam, preparando você para o dinâmico</p><p>ambiente profissional que o aguarda.</p><p>O mercado de trabalho para profissionais da segurança está em cons-</p><p>tante evolução, com uma demanda crescente por indivíduos que não apenas</p><p>compreendam os métodos tradicionais de investigação do setor público, mas</p><p>que também estejam aptos a integrar novas tecnologias e abordagens inova-</p><p>doras. As perspectivas de carreira são amplas, variando desde posições em</p><p>agências de aplicação da lei até oportunidades em corporações privadas e</p><p>organizações internacionais.</p><p>Toda empresa deve preocupar-se com sua segurança. Atualmente, essa preo-</p><p>cupação não se limita apenas às instalações físicas, como o controle de acesso e</p><p>o uso de reconhecimento facial para prevenir possíveis problemas. A segurança</p><p>digital também é crucial, considerando os inúmeros métodos e formas existentes</p><p>para o furto de dados corporativos.</p><p>Portanto, a constante atualização e capacitação são essenciais para o profis-</p><p>sional de segurança privada, dada a diversidade de áreas e métodos</p><p>área de contrainteli-</p><p>gência de segurança pública é um processo contínuo e em constante evolução.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>5</p><p>1. A atividade de inteligência e contrainteligência é dotada de autonomia, possui objetivos</p><p>bem definidos, estruturas específicas, planos de implementação minuciosos e um enfoque</p><p>na proteção dos Direitos Fundamentais, no Estado Democrático de Direito e em todos os</p><p>princípios que sustentam a República Federativa brasileira (HUNDZINSKI, 2023).</p><p>Considerando as definições e funções da inteligência e contrainteligência no contexto da</p><p>segurança pública, avalie as seguintes afirmações e indique a alternativa correta:</p><p>a) Inteligência e contrainteligência são sinônimos, ambos focados exclusivamente na coleta</p><p>de informações sobre atividades criminosas.</p><p>b) A inteligência se concentra na coleta e análise de informações para prevenir ameaças,</p><p>enquanto a contrainteligência visa identificar e neutralizar espionagem ou atividades</p><p>subversivas contra a segurança nacional.</p><p>c) Contrainteligência é um termo que se refere à disseminação de informações falsas,</p><p>enquanto inteligência diz respeito apenas à coleta de dados.</p><p>d) Ambas as atividades, inteligência e contrainteligência, não estão alinhadas aos princípios</p><p>do Estado Democrático de Direito e aos Direitos Fundamentais.</p><p>e) A inteligência policial não possui autonomia e é uma subdivisão menor dentro das es-</p><p>tratégias de contrainteligência.</p><p>2. É relevante destacar que, além da atividade de inteligência, há a contrainteligência, que visa</p><p>salvaguardar informações sensíveis contra ameaças internas ou externas. A compreensão</p><p>das distinções entre essas duas áreas é crucial para todos os profissionais de segurança</p><p>pública, mesmo aqueles que não atuam diretamente na inteligência, uma vez que essas</p><p>atividades exercem influência significativa em todas as operações policiais que buscam</p><p>manter ou restaurar a ordem pública, afetando, assim, toda a coletividade (HUNDZINSKI,</p><p>2023).</p><p>Considerando as complexidades e distinções entre a inteligência e a contrainteligência no</p><p>contexto da segurança pública, analise as afirmações a seguir:</p><p>I - A inteligência, embora centrada na coleta de informações, também desempenha um</p><p>papel ativo na criação de cenários prospectivos, enquanto a contrainteligência é restrita</p><p>à proteção de informações, sem envolvimento em estratégias preventivas.</p><p>II - Enquanto a inteligência busca compreender e antecipar ameaças de segurança públi-</p><p>ca, a contrainteligência opera na identificação e neutralização de ameaças específicas</p><p>à integridade das operações de inteligência, incluindo a gestão de riscos associados à</p><p>infiltração e espionagem interna e externa.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>III - A contrainteligência não interage com a inteligência em termos de compartilhamento</p><p>de informações, pois suas funções e objetivos são totalmente distintos e separados.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. Conforme a Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999, à qual institui o Sistema Brasileiro de</p><p>Inteligência (SISBIN), cria a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e dá outras providên-</p><p>cias, regulamentada pelo Decreto nº 4.376, de 13 de setembro de 2002, que dispõe sobre a</p><p>organização e o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), no Art. 3º do</p><p>referido Decreto, tem-se como a atividade que objetiva prevenir, detectar, obstruir e neu-</p><p>tralizar a inteligência adversa e ações de qualquer natureza que constituam ameaça à sal-</p><p>vaguarda de dados, informações e conhecimentos de interesse da sociedade e do Estado,</p><p>bem como das áreas e dos meios que os retenham ou que transitem (BRASIL, 1999, 2002).</p><p>O texto-base, conforme descrito na Lei nº 9.883/1999 e no Decreto nº 4.376/2002, faz refe-</p><p>rência a qual tipo de atividade dentro do contexto da segurança pública brasileira?</p><p>a) Atividades de inteligência focadas em coleta e análise de informações para segurança</p><p>nacional.</p><p>b) Atividades de segurança pública geral, sem foco específico em inteligência ou contrain-</p><p>teligência.</p><p>c) Atividades de contrainteligência voltadas para prevenir, detectar, obstruir e neutralizar</p><p>inteligência adversa e proteger dados e informações.</p><p>d) Atividades operacionais de campo realizadas por agentes de segurança pública.</p><p>e) Atividades de gerenciamento de crises e resposta a emergências nacionais.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANGELIM, P. S. L. Contrainteligência de segurança pública: técnicas de falsa informação,</p><p>desinformação e decepção. 2017. 44 f. Monografia (Especialização em Inteligência Policial e</p><p>Análise Criminal) – Universidade Estadual da Paraíba, João Pessoa, 2017. Disponível em: ht-</p><p>tps://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/16729/1/PDF%20-%20Paulo%20S%-</p><p>C3%A9rgio%20Lopes%20Angelim.pdf. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRAGA, P. L. de A. O papel da atividade de inteligência em uma sociedade democrática. Rio</p><p>de Janeiro: Divisão de Assuntos de Inteligência/ESG, 1998.</p><p>BRASIL. Lei nº 9 .883, de 7 de dezembro de 1999. Institui o Sistema Brasileiro de Inteligência, cria</p><p>a Agência Brasileira de Inteligência – ABIN, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da</p><p>República, 1999. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9883.htm#:~:tex-</p><p>t=LEI%20No%209.883%2C%20DE,Art. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Decreto nº 4 .376, de 13 de setembro de 2002. Dispõe sobre a organização e o funcio-</p><p>namento do Sistema Brasileiro de Inteligência, instituído pela Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de</p><p>1999, e dá outras providências. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 2002. Disponível em: https://</p><p>www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2002/decreto-4376-13-setembro-2002-476380-publi-</p><p>cacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Resolução Senasp nº 1, de 15 de julho de 2009. Regulamenta o Subsistema de In-</p><p>teligência de Segurança Pública – SISP, e dá outras providências. Brasília, DF: Normas Brasil,</p><p>2009. Disponível em: https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-1-2009_111521.html.</p><p>Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Portaria nº 2, de 12 de janeiro de 2016. Aprova a Doutrina Nacional de Inteligência de</p><p>Segurança Pública, 4ª edição, de acordo com as deliberações do Conselho Especial do SISP.</p><p>Brasília, DF: Ministério da Justiça e Segurança Pública, 2016. Disponível em: https://dspace.mj.</p><p>gov.br/bitstream/1/5811/2/PRT_SENASP_2016_2.html. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRUNO, O. M. Criptografia: arma de guerra a pilar da sociedade moderna. São Paulo: Jornal da</p><p>USP, 2017.</p><p>HUNDZINSKI, B. O. R. Inteligência e contrainteligência policial. Recima21 – Revista Científica</p><p>Multidisciplinar, Curitiba, v. 4, n. 10, out. 2023. Disponível em: https://recima21.com.br/index.</p><p>php/recima21/article/view/4256/2989. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>MELO, F. P. de. A contrainteligência como instrumento de proteção das instituições policiais ju-</p><p>diciárias. Escola Superior de Polícia, Curitiba, v. 2, n. 1, p. 1-22, ago. 2019. Disponível em: https://</p><p>www.escola.pc.pr.gov.br/sites/espc/arquivos_restritos/files/documento/2020-05/artigo_8_</p><p>felipe_melo.pdf. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>1</p><p>8</p><p>8</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>MELO, F. P de. Gestão de dados e informações: o compartilhamento do conhecimento entre as</p><p>unidades de inteligência de segurança pública. Curitiba: Juruá, 2023.</p><p>TZU, S. A arte da guerra: os 13 capítulos. Tradução de Cândida de Sampaio Bastos. São Paulo:</p><p>DPL, 2008.</p><p>1</p><p>8</p><p>9</p><p>1. Alternativa B. Inteligência e contrainteligência, embora complementares, possuem objetivos</p><p>distintos. A inteligência está mais focada na coleta e análise de informações para antecipar</p><p>e prevenir ameaças à segurança. Já a contrainteligência lida com a identificação e a neu-</p><p>tralização de espionagem ou outras atividades subversivas que possam comprometer a</p><p>segurança nacional. A alternativa A é incorreta, porque inteligência e contrainteligência não</p><p>são sinônimos e têm focos diferentes. A alternativa C é incorreta, pois contrainteligência não</p><p>se refere apenas à disseminação de informações falsas,</p><p>mas sim à proteção contraespiona-</p><p>gem. A alternativa D é incorreta, pois ambas as atividades estão alinhadas aos princípios do</p><p>Estado Democrático de Direito. Por fim, a alternativa E é incorreta, pois a inteligência policial</p><p>possui sua própria autonomia e não é apenas uma subdivisão da contrainteligência.</p><p>2. Alternativa B. A afirmativa I é incorreta, pois a contrainteligência não é meramente restrita à</p><p>proteção de informações, mas também participa ativamente na identificação de ameaças</p><p>e na formulação de estratégias preventivas. A afirmativa II é correta, pois capta adequada-</p><p>mente a interação entre inteligência e contrainteligência, em que a inteligência foca em</p><p>antecipar ameaças de segurança, enquanto a contrainteligência lida com a proteção das</p><p>operações de inteligência, gerenciando riscos de infiltração e espionagem. A afirmativa III</p><p>é incorreta, pois a inteligência e a contrainteligência frequentemente compartilham infor-</p><p>mações e colaboram, dado que seus objetivos estão interligados, apesar de distintos em</p><p>natureza. As alternativas A, C, D e E são incorretas por conterem afirmações que não refletem</p><p>completamente a complexidade e as inter-relações entre a inteligência e a contrainteligência</p><p>na segurança pública.</p><p>3. Alternativa C. O texto-base faz referência às atividades de contrainteligência, conforme es-</p><p>tabelecido na Lei nº 9.883/1999 e no Decreto nº 4.376/2002. Essas atividades são definidas</p><p>como esforços para prevenir, detectar, obstruir e neutralizar ações de inteligência adversa</p><p>e proteger dados, informações e conhecimentos cruciais para a sociedade e o Estado. As</p><p>demais alternativas são incorretas porque não descrevem especificamente as atividades</p><p>de contrainteligência. A alternativa A descreve atividades de inteligência, enquanto as al-</p><p>ternativas B, D e E referem-se a outros aspectos da segurança pública que não são o foco</p><p>principal do texto-base</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>unidade 1</p><p>INTRODUÇÃO À INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>METODOLOGIA E ESTRUTURA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE PROVAS PERICIAIS</p><p>unidade 2</p><p>PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>FERRAMENTAS E TÁTICAS DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>O PAPEL DO PERITO NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>unidade 3</p><p>ÉTICA E RESPONSABILIDADE NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA</p><p>CONTRAINTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA</p><p>_Hlk163205083</p><p>_Hlk163205083</p><p>Button 28:</p><p>Forms - Uniasselvi:</p><p>disponíveis</p><p>no setor. É imprescindível estar sempre a par das últimas tendências, técnicas e</p><p>tecnologias emergentes para atuar com eficácia e precisão.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Este campo dinâmico exige não apenas um sólido conhecimento teórico, mas</p><p>também a habilidade de aplicar esse conhecimento de maneira prática e adapta-</p><p>tiva, respondendo às necessidades em constante evolução da segurança privada</p><p>e ao cenário de ameaças em mudança. Assim, a formação contínua é um pilar</p><p>fundamental para o sucesso e a excelência profissional no âmbito da segurança.</p><p>A teoria fornecerá o esqueleto sobre o qual a prática se constrói, oferecen-</p><p>do uma estrutura para aplicar conhecimentos em situações reais. No entanto, o</p><p>verdadeiro teste de sua aprendizagem ocorre no cotidiano e, para isso, criaremos</p><p>uma situação prática.</p><p>Você é um especialista em segurança recém-contratado por uma grande em-</p><p>presa que recentemente enfrentou um significativo roubo interno. Documentos</p><p>confidenciais e equipamentos de alto valor foram furtados e há suspeitas de que</p><p>um ou mais funcionários possam estar envolvidos. Sua tarefa é liderar a investi-</p><p>gação para identificar os responsáveis e recuperar os itens roubados.</p><p>Quais seriam os primeiros passos que você, como especialista em segurança,</p><p>tomaria para iniciar a investigação? Como você garantiria que a investigação seja</p><p>conduzida de maneira ética e eficiente, mantendo a confidencialidade e minimi-</p><p>zando o impacto no moral dos funcionários?</p><p>Para concluir este tema, espero que ele tenha proporcionado uma compreen-</p><p>são abrangente e prática dos diversos aspectos que compõem esta área essencial</p><p>para a segurança pública.</p><p>Lembre-se sempre de que o aprendizado é um processo contínuo e que a</p><p>busca pela verdade e a integridade é o alicerce para uma carreira de sucesso e</p><p>impacto no mundo da segurança.</p><p>1</p><p>4</p><p>1. No Brasil, a expressão “investigação policial” é utilizada na área jurídica como sinônimo</p><p>de “inquérito policial”, mas, na prática, com ele não se confunde. Com efeito, muitas infor-</p><p>mações e dados colhidos durante a investigação não irão para o bojo do inquérito, só irão</p><p>aqueles elementos que forem julgados úteis para a prova da materialidade e autoria do</p><p>crime investigado (ROCHA, 1998).</p><p>Fonte: ROCHA, L. C. Investigação policial: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 1998.</p><p>Identifique a alternativa que descreve corretamente a relação entre investigação criminal e</p><p>inquérito policial no Brasil:</p><p>a) A investigação criminal e o inquérito policial são termos que se referem ao mesmo pro-</p><p>cesso, sem diferenças significativas entre eles.</p><p>b) O inquérito policial é uma fase inicial da investigação criminal, nela, são coletadas as</p><p>primeiras evidências do crime</p><p>c) A investigação criminal é um processo amplo e abrangente que inclui, mas não se limita,</p><p>o inquérito policial.</p><p>d) A investigação criminal ocorre somente após a conclusão do inquérito policial e é focada</p><p>na aplicação das leis.</p><p>e) O inquérito policial é parte da investigação criminal e inclui todas as informações e dados</p><p>coletados durante a investigação.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>5</p><p>2. A investigação, a despeito dos diversos objetos aos quais é aplicada e da consequente</p><p>diversidade de suas técnicas específicas, possui uma estrutura ou padrão comum. A partir</p><p>dessa definição, podemos identificar a estrutura fundamental de toda e qualquer inves-</p><p>tigação, no que há de comum entre elas, para depois distinguir o que há de particular na</p><p>investigação científica e na investigação criminal (PEREIRA, 2010).</p><p>Fonte: PEREIRA, E. da S. Investigação criminal: uma abordagem jurídico-científica. Revista</p><p>Brasileira de Ciências Policiais, Brasília, v. 1, n. 1, p. 213-242, jun. 2010. Disponível em: https://</p><p>periodicos.pf.gov.br/index.php/RBCP/article/download/35/12/89. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>Baseando-se no texto, identifique quais das afirmativas a seguir estão corretas sobre a na-</p><p>tureza da investigação, seja ela científica ou criminal.</p><p>I - A investigação criminal e a investigação científica são completamente distintas e não</p><p>compartilham nenhuma estrutura ou padrão comum.</p><p>II - Todas as investigações, independentemente de seu tipo, seguem um padrão ou estrutura</p><p>comum que facilita a análise e a compreensão dos fatos.</p><p>III - Após identificar a estrutura comum, é possível distinguir elementos específicos que di-</p><p>ferenciam a investigação científica da criminal.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas</p><p>e) I, II e III.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>3. Podemos dizer que a investigação criminal é uma pesquisa – com certas peculiaridades</p><p>relativas à verdade e ao método – que se especifica por seu objeto, o crime. De forma</p><p>mais apurada, diríamos que é um conjunto de pesquisas de naturezas diversas, o que é</p><p>bastante evidente considerando os diversos fatores da investigação criminal. Contudo,</p><p>menos evidente, é que todas essas pesquisas na investigação criminal são administradas</p><p>estrategicamente, com tomada de decisões sobre que ato de investigação deve ser reali-</p><p>zado e em que ordem (PEREIRA, 2010).</p><p>Fonte: PEREIRA, E. da S. Investigação criminal: uma abordagem jurídico-científica. Revista</p><p>Brasileira de Ciências Policiais, Brasília, v. 1, n. 1, p. 213-242, jun. 2010. Disponível em: https://</p><p>periodicos.pf.gov.br/index.php/RBCP/article/download/35/12/89. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>De acordo com a descrição fornecida sobre investigação criminal, qual das seguintes opções</p><p>melhor representa a complexidade e metodologia desse processo?</p><p>a) A investigação criminal é primariamente um exercício legalista, focando na aplicação</p><p>direta de leis e regulamentos sem a necessidade de uma abordagem investigativa mul-</p><p>tifacetada.</p><p>b) A investigação criminal é caracterizada por uma abordagem linear e unidimensional, cada</p><p>caso é tratado de maneira idêntica, seguindo um protocolo rígido e invariável.</p><p>c) A investigação criminal é uma prática essencialmente reativa, iniciada apenas após a</p><p>ocorrência do crime, com pouco ou nenhum espaço para a proatividade ou prevenção.</p><p>d) A investigação criminal envolve um conjunto complexo de pesquisas de naturezas diver-</p><p>sas, administradas de forma estratégica, com decisões cuidadosas sobre a sequência e</p><p>natureza dos atos investigativos.</p><p>e) A investigação criminal é um processo automatizado, a maior parte das decisões e aná-</p><p>lises é realizada por sistemas computacionais avançados, com intervenção humana</p><p>mínima.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 3689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Rio de Ja-</p><p>neiro, RJ: Presidência da República, 1941. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 16 jan. 2024.</p><p>BRASIL. Superior Tribunal de Justiça . Agravo Regimental no Habeas Corpus nº 615 .321/PR.</p><p>Agravo regimental no habeas corpus. Quebra da cadeia de Custódia. Não ocorrência. Laudo</p><p>pericial realizado. Materialidade do delito demonstrada. Ausência de novos argumentos. Deci-</p><p>são mantida por seus próprios fundamentos. Prematuro trancamento da ação penal. Agravo re-</p><p>gimental desprovido. Agravante: Kassyon Weslley Aguiar Pereira. Agravado: Ministério Público</p><p>Federal e Ministério Público do Estado do Paraná. Impetrado: Tribunal de Justiça do Estado do</p><p>Paraná. Relator: Ministro Ribeiro Dantas, 3 de novembro de 2020. Disponível em: https://www.jus-</p><p>brasil.com.br/jurisprudencia/stj/1206232293/inteiro-teor-1206232306. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>SHECAIRA, S. S.; CORREA JUNIOR, A. Teoria da pena: finalidades, direito positivo, jurisprudência</p><p>e outros estudos de ciência criminal. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002.</p><p>GOMES NETO, P. R. A prisão e o sistema penitenciário: uma visão histórica. Canoas: Ulbra, 2000.</p><p>MAIA, F. S. Criminalística geral. In: MAIA, F. S. Criminalística. Fortaleza: Biblioteca de Segu-</p><p>rança, 2012. p. 1-23. Disponível em: https://www.bibliotecadeseguranca.com.br/wp-content/</p><p>uploads/2019/07/criminalistica-geral.pdf. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>PEREIRA,</p><p>E. da S. Investigação criminal: uma abordagem jurídico-científica. Revista Brasileira de</p><p>Ciências Policiais, Brasília, v. 1, n. 1, p. 213-242, jun. 2010. Disponível em: https://periodicos.pf.gov.</p><p>br/index.php/RBCP/article/download/35/12/89. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>ROCHA, L. C. Investigação policial: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 1998.</p><p>YEE, C. L.; KUROKAWA, F. A.; FERREIRA, S. L. Métodos científicos. São Paulo: USP, 2018. Dispo-</p><p>nível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4372538/mod_resource/content/6/mod-</p><p>03-metodos_cientificos_PCC3110_2018.pdf. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>1</p><p>8</p><p>1. Alternativa C.</p><p>a) Errada. A investigação criminal e o inquérito policial não são sinônimos. A investigação</p><p>criminal é um processo mais abrangente de coleta de informações, enquanto o inquérito</p><p>policial é uma etapa formal dentro desse processo.</p><p>b) Errada. O inquérito policial não é necessariamente uma fase inicial, mas uma parte formal</p><p>da investigação criminal, onde são documentadas as evidências essenciais para o caso. A</p><p>investigação criminal pode começar antes do inquérito policial e continuar após sua abertura.</p><p>c) Correta. Esta alternativa reflete corretamente a relação entre a investigação criminal e o</p><p>inquérito policial. A investigação criminal é um processo mais amplo que pode incluir várias</p><p>atividades, das quais o inquérito policial é apenas uma parte.</p><p>d) Errada. A investigação criminal não ocorre apenas após a conclusão do inquérito policial,</p><p>ela engloba o inquérito policial e pode continuar durante e após sua conclusão. Além disso, a</p><p>investigação criminal não é focada apenas na aplicação das leis, mas na coleta de evidências</p><p>e informações sobre o crime.</p><p>e) Errada. O inquérito policial é uma parte estruturada da investigação criminal, mas não inclui</p><p>todas as informações e dados coletados. Muitas informações obtidas durante a investigação</p><p>criminal podem não ser incluídas no inquérito, pois este foca em elementos essenciais para</p><p>provar a materialidade e autoria do crime.</p><p>2. Alternativa C.</p><p>I (Incorreta). Esta afirmativa é incorreta, pois contradiz o texto-base, que sugere que existe uma</p><p>estrutura comum entre diferentes tipos de investigação, incluindo as científicas e criminais.</p><p>II (Correta). Esta afirmativa está correta, pois reflete o conceito apresentado no texto de que</p><p>existe um padrão ou estrutura comum subjacente a todos os tipos de investigação.</p><p>II (Correta). Esta afirmativa está correta e complementa a primeira, indicando que, após re-</p><p>conhecer a estrutura comum, é possível identificar as particularidades que diferenciam os</p><p>tipos de investigação, como a científica e a criminal.</p><p>3. Alternativa D.</p><p>a) Errada. Esta opção simplifica excessivamente a investigação criminal, ignorando a comple-</p><p>xidade e a necessidade de uma abordagem investigativa multifacetada, conforme indicado</p><p>no texto.</p><p>b) Errada. O texto sugere que a investigação criminal é diversificada e adaptável, contrariando</p><p>a ideia de um processo linear e unidimensional com protocolos rígidos.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>9</p><p>c) Errada. Embora a investigação criminal comumente comece após a ocorrência de um</p><p>crime, a afirmação de que ela é exclusivamente reativa e desprovida de proatividade é muito</p><p>restritiva e não reflete a complexidade do processo descrito no texto.</p><p>d) Correta. Esta alternativa capta a essência do texto, destacando a complexidade, a diver-</p><p>sidade e a gestão estratégica envolvida na investigação criminal.</p><p>e) Errada. O texto não menciona a automação como um componente principal da investigação</p><p>criminal e a sugestão de uma intervenção humana mínima contradiz a ênfase na tomada de</p><p>decisões estratégicas e na diversidade das pesquisas.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>METODOLOGIA E ESTRUTURA DA</p><p>INVESTIGAÇÃO CRIMINAL</p><p>Compreender as etapas da investigação criminal.</p><p>Analisar investigações em crimes contra a vida.</p><p>Estudar investigações de crimes virtuais.</p><p>Examinar abordagens e técnicas desses crimes</p><p>Descobrir os principais crimes e suas modalidades.</p><p>Desenvolver habilidades em entrevistas e interrogatórios.</p><p>Identificar desafios e inovações na investigação criminal.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Bem-vindo ao tema Metodologia e Estrutura da Investigação Criminal. Este tema</p><p>é essencial para aprofundar seu conhecimento nas complexidades e nuances</p><p>da investigação, preparando você para enfrentar desafios reais e multifacetados</p><p>neste campo vital.</p><p>Imagine uma situação comum em investigações criminais: um caso de roubo</p><p>em um bairro residencial. O crime deixou poucas pistas visíveis e os moradores</p><p>estão apreensivos. Como investigador, você é encarregado de conduzir essa in-</p><p>vestigação. Esse cenário reflete uma situação realista e desafiadora, testando sua</p><p>capacidade de aplicar metodologias de investigação em um contexto prático.</p><p>A resolução eficaz desse caso é crucial, não apenas para restaurar a sensação</p><p>de segurança na comunidade, mas também para estabelecer a confiança no sis-</p><p>tema de justiça. Além disso, a forma como essa investigação é conduzida pode</p><p>definir padrões para casos futuros, impactando diretamente a percepção pública</p><p>sobre a eficiência e a ética das autoridades investigativas.</p><p>Este tema não se trata apenas de aprender técnicas e processos, é também</p><p>sobre compreender o impacto e a importância do seu papel como investigador</p><p>no contexto mais amplo da sociedade. Por meio de exemplos práticos e cenários</p><p>desafiadores, você terá a oportunidade de experimentar, refletir e crescer como</p><p>profissional, preparando-se para orientar e conscientizar a sociedade dos crimes</p><p>os quais elas estão expostas.</p><p>Por fim, discutiremos os desafios contemporâneos e as inovações na inves-</p><p>tigação criminal. Compreenderemos como o campo está evoluindo diante das</p><p>novas tecnologias e mudanças sociais, preparando você para enfrentar e adap-</p><p>tar-se às novas realidades da investigação criminal.</p><p>A seguir, focaremos em análises específicas de diferentes tipos de crimes.</p><p>Investigaremos casos contra a vida, como homicídios, desvendando as parti-</p><p>cularidades e desafios dessas investigações. Também vamos nos aprofundar no</p><p>mundo cada vez mais relevante dos crimes cibernéticos, entendendo como a</p><p>tecnologia moderna transformou a natureza da criminalidade e, consequente-</p><p>mente, das investigações.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Além disso, examinaremos as estratégias utilizadas nesses crimes, destacando</p><p>abordagens e técnicas específicas para esses tipos de delitos.</p><p>Este tema não se limita ao aprendizado teórico, ele é uma jornada prática e</p><p>interativa para aprimorar suas habilidades e entender profundamente a dinâmica</p><p>da investigação criminal. Juntos, exploraremos e desenvolveremos as competên-</p><p>cias necessárias para se destacar neste campo fascinante, capacitando você a fazer</p><p>uma contribuição significativa para a segurança e justiça em nossa sociedade.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>A investigação criminal, uma etapa essencial na sequência de um delito, exige</p><p>uma compreensão aprofundada do conceito de crime. Crime, em sua essência, é</p><p>definido como uma ação ou omissão que viola uma norma jurídica, resultando em</p><p>danos à sociedade ou a indivíduos. Para ser considerado um crime, a conduta deve</p><p>estar claramente estipulada na legislação e ser passível de penalidade, resultando</p><p>em uma sanção penal.</p><p>É importante incluir também as investigações preliminares, que ocorrem antes de</p><p>se confirmar a natureza criminosa de um fato. Essas investigações são cruciais para</p><p>determinar se houve ou não um crime, guiando o processo para a aplicação de</p><p>medidas legais adequadas. Elas formam a base para decidir se uma investigação</p><p>completa é necessária e ajudam a esclarecer os contornos do incidente em</p><p>questão.</p><p>A principal lei que detalha essas ações ou omissões é o Código Penal. Você pode</p><p>consultá-lo através deste link a seguir: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto-lei/del2848compilado.htm.</p><p>Nele, os crimes são categorizados baseando-se na natureza do ato e seu impacto.</p><p>Portanto, conhecer as normas penais é de fundamental importância para se</p><p>caracterizar uma conduta criminosa e justificar a instauração de um inquérito</p><p>policial que guiará uma investigação criminal sobre a conduta de determinado</p><p>indivíduo.</p><p>1</p><p>4</p><p>Convidamos você a mergulhar no podcast Tipos de investigações criminais, uma</p><p>jornada educativa, nele, falaremos sobre os tipos de investigação criminal, com-</p><p>plementando o conhecimento teórico deste tema. Recursos de mídia disponíveis</p><p>no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem .</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>DESCUBRA SEU POTENCIAL</p><p>A JORNADA INVESTIGATIVA</p><p>Existem dois tipos principais de investigações que são fundamentais para a elu-</p><p>cidação de crimes: a investigação preliminar e a investigação de segmento.</p><p>Conforme Mingardi e Figueiredo (2009), cada uma dessas fases desempenha um</p><p>papel crucial no processo de descobrir a verdade por trás de um crime, seguin-</p><p>do metodologias e objetivos específicos que se complementam para formar um</p><p>quadro completo da investigação.</p><p>Eles explicam que a investigação preliminar é o primeiro passo no processo</p><p>investigativo, iniciando-se imediatamente após o descobrimento de um crime,</p><p>especialmente em locais de morte. Nessa fase, a atenção está voltada ao exame</p><p>detalhado do local do crime. O investigador utiliza o método da recognição</p><p>visuográfica, que é essencial para a criação de um relatório pormenorizado do</p><p>evento criminoso. Este relatório é fundamental, pois captura os detalhes do lo-</p><p>cal do crime, podendo incluir aspectos como a posição da vítima, evidências</p><p>materiais, marcas e outros indícios relevantes. A qualidade dessa investigação é</p><p>crucial, pois ela estabelece a base para todas as etapas subsequentes do processo</p><p>de investigação (MINGARDI; FIGUEIREDO, 2009).</p><p>Após a conclusão da investigação preliminar, inicia-se a investigação de seg-</p><p>mento. Essa fase é caracterizada pela expansão da investigação para além do local</p><p>do crime, baseando-se nos indícios e provas obtidas anteriormente. A investiga-</p><p>ção de segmento envolve processos mais abrangentes, como análise cartorária e</p><p>inteligência policial (MINGARDI; FIGUEIREDO, 2009).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>É nesta etapa que a investigação ganha profundidade, com a análise de</p><p>informações contextuais e a busca por conexões mais amplas que possam levar</p><p>à resolução do crime. O sucesso desta fase depende fortemente da eficácia da</p><p>investigação preliminar, pois utiliza as fundações estabelecidas para construir</p><p>um entendimento mais completo do caso.</p><p>A seguir, você encontra um quadro comparativo a esses dois tipos</p><p>de investigação:</p><p>ASPECTOS</p><p>INVESTIGAÇÃO</p><p>PRELIMINAR</p><p>INVESTIGAÇÃO</p><p>DE SEGMENTO</p><p>Exemplo de atuação Local de morte Investigações posteriores</p><p>Entrevistas e</p><p>testemunhos</p><p>Entrevistar os policiais e</p><p>testemunhas.</p><p>Oitiva de familiares</p><p>da vítima e de outras</p><p>testemunhas</p><p>Foco principal</p><p>Evidenciar a dinâmica</p><p>dos fatos, motivação,</p><p>suspeitos e rota de fuga</p><p>Aplicação do Método</p><p>M.U.M.A. (Mecânica dos</p><p>fatos; Últimos passos</p><p>da vítima; Motivação;</p><p>Autoria)</p><p>Procedimentos técnicos</p><p>Requisição de</p><p>papiloscopia.</p><p>Acompanhar a perícia</p><p>criminal</p><p>Requisição de</p><p>papiloscopia e perícia</p><p>criminal</p><p>Perícia e evidências</p><p>Descrição e identificação</p><p>da vítima. Recognição</p><p>visuográfica (fotos</p><p>do local, vítima,</p><p>objetos relacionados,</p><p>instrumento do crime)</p><p>Busca por outras</p><p>câmeras de vigilância.</p><p>Consulta aos canais de</p><p>Denúncia (181).</p><p>Estudos dos laudos</p><p>periciais</p><p>1</p><p>1</p><p>Documentação e registro</p><p>Registrar a existência de</p><p>câmeras.</p><p>Liberação do local e</p><p>conduções à delegacia.</p><p>Registro de boletim de</p><p>ocorrência</p><p>Relatório de investigação</p><p>de segmento</p><p>Ofício solicitando</p><p>imagens de câmeras</p><p>Quadro 1 – Tipos de Investigação / Fonte: o autor.</p><p>Tendo como base esse conhecimento, iniciaremos a jornada pelos tipos de cri-</p><p>mes, suas técnicas e a mecânica de funcionamento, para isso, primeiramente</p><p>abordaremos os crimes contra a vida</p><p>Crimes contra a vida</p><p>Ao explorar o conceito de crimes contra a vida, é comum que o homicídio seja</p><p>o primeiro a vir à mente, mas o escopo desses delitos é, de fato, mais amplo. De</p><p>acordo com o Código Penal (BRASIL, 1940), são considerados crimes contra a</p><p>vida o homicídio, o infanticídio, o aborto e o induzimento, instigação ou auxílio</p><p>ao suicídio. Cada um desses crimes tem características específicas, mas todos com-</p><p>partilham a gravidade de afetar diretamente o bem mais precioso: a vida humana.</p><p>Agora, você pode se perguntar sobre a lesão corporal e seu lugar nessa</p><p>classificação. Enquanto os crimes contra a vida são focados em atos que</p><p>podem resultar na morte, a lesão corporal, que está sob o capítulo “Das Lesões</p><p>Corporais” dentro do grupo “Dos Crimes Contra a Pessoa”, aborda danos físicos</p><p>ou psicológicos que não chegam a ser fatais. Essa diferenciação é crucial para</p><p>entender como o Direito Penal classifica e trata diferentes tipos de ofensas ao</p><p>bem-estar e à integridade dos indivíduos.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Você sabe a diferença entre um crime doloso e um crime culposo?</p><p>Na esfera da investigação criminal, é crucial diferenciar crime doloso e culposo,</p><p>especialmente em casos de homicídio. O crime doloso ocorre quando há a in-</p><p>tenção de cometer o ato, como um homicídio premeditado, nesse caso, o infrator</p><p>planeja e executa a ação com o objetivo de causar a morte. Já o crime culposo é</p><p>caracterizado pela falta de intenção de matar, mas com negligência, imprudência</p><p>ou imperícia. Um exemplo é um acidente de trânsito fatal causado por excesso</p><p>de velocidade, em que o motorista não tinha a intenção de matar, mas sua ação</p><p>irresponsável resultou em morte.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Conforme o Código Penal (1940), o homicídio pode ser classificado em</p><p>simples e qualificado. Essa diferenciação impacta diretamente na determi-</p><p>nação da pena e reflete a complexidade das motivações e contextos nos quais</p><p>um homicídio pode ocorrer.</p><p>Homicídio simples: esta forma do crime, definida no Art. 121 do Código</p><p>Penal, é caracterizada pela intenção de matar sem a presença de circunstâncias</p><p>que agravam o ato, ou seja, o homicídio simples é o ato de tirar a vida de outra</p><p>pessoa, sem fatores adicionais que possam intensificar a sua gravidade. A pena</p><p>para homicídio simples é menor comparada à do qualificado, refletindo a</p><p>ausência de agravantes.</p><p>Por outro lado, o homicídio qualificado, também detalhado nos parágrafos</p><p>do Art. 121 do Código Penal, ocorre quando o crime é cometido sob circunstâncias</p><p>que evidenciam maior gravidade, como motivo torpe, uso de meio cruel ou</p><p>impossibilidade de defesa da vítima.</p><p>Esses agravantes, que variam em natureza e impacto, elevam a seriedade</p><p>do crime e, consequentemente, resultam em penas mais severas. O homicídio</p><p>qualificado é reconhecido pela presença dessas circunstâncias específicas,</p><p>demonstrando um nível de premeditação ou crueldade maior do que o</p><p>encontrado no homicídio simples.</p><p>1</p><p>8</p><p>Nesse contexto, conforme orienta o caderno temático de investigação crimi-</p><p>nal de homicídio, do Ministério da Justiça, o principal método de investigação,</p><p>seja ela preliminar ou de segmento, é o M.U.M.A., que é uma técnica mnemônica</p><p>usada em investigações, especialmente em contextos de crimes de homicídio,</p><p>para organizar e sistematizar a apuração de dados (BRASIL, 2014.)</p><p>Cada letra do acrônimo representa um aspecto-chave da investigação:</p><p>M – Mecânica dos fatos: refere-se ao exame detalhado de como o crime aconte-</p><p>ceu. Isso inclui a análise da cena do crime, a natureza das evidências encontradas</p><p>e a sequência dos eventos. O objetivo é compreender o modus operandi e todas</p><p>as circunstâncias relacionadas ao incidente.</p><p>U – Últimos passos da vítima: esta etapa envolve traçar e entender as atividades</p><p>e movimentos da vítima antes do crime. Isso pode incluir onde a vítima esteve,</p><p>com quem interagiu e quaisquer eventos relevantes que possam ter ocorrido. Essas</p><p>informações podem fornecer pistas cruciais sobre o motivo e o possível suspeito.</p><p>M – Motivação do crime: investigar</p><p>a motivação por trás do crime é funda-</p><p>mental para entender o porquê de ter acontecido. Isso pode envolver examinar</p><p>as relações pessoais da vítima, disputas, rivalidades ou quaisquer outros fatores</p><p>que possam ter levado ao crime. Entender a motivação pode ajudar a direcionar</p><p>a investigação para o ou os suspeito mais prováveis.</p><p>A – Autoria do crime: a última etapa é determinar quem cometeu o crime.</p><p>Isso envolve analisar todas as evidências coletadas, incluindo digitais, DNA,</p><p>testemunhas oculares, vídeos de vigilância, entre outros, para identificar</p><p>e localizar o autor.</p><p>Já no método dos círculos concêntricos, toma-se a vítima como centro de vá-</p><p>rios círculos, de modo que em cada círculo é colocada uma relação à vítima em</p><p>determinados fatores, como relações familiares, relações afetivas, relações profis-</p><p>sionais etc. Assim a vítima é investigada em todas suas relações (BRASIL, 2014).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Figura 1 – Representação do método dos círculos concêntricos</p><p>Fonte: o autor.</p><p>Descrição da Imagem: a figura representa uma cena de um homicídio, a proximidade das figuras humanas</p><p>aos círculos concêntricos indica o grau de relação com a vítima. A figura central, destacada em laranja, é a</p><p>vítima e os ícones em preto representam indivíduos em diferentes graus de proximidade ou conexão com a</p><p>vítima. A disposição sugere que aqueles que estão nos círculos mais próximos têm uma relação mais direta</p><p>ou significativa com a vítima, implicando em suspeitos principais ou testemunhas-chave, enquanto aqueles</p><p>mais distantes podem ser menos envolvidos ou conhecedores do incidente. Fim da descrição.</p><p>A motivação de um homicídio pode estar em algum desses círculos de relação</p><p>da vítima e, assim, pode-se chegar à autoria do crime. É fundamental destacar</p><p>que, no contexto das metodologias de investigação criminal, os diversos métodos</p><p>empregados são complementares e não excludentes.</p><p>Cada técnica ou abordagem contribui com uma perspectiva única e valiosa</p><p>e a eficácia máxima é alcançada quando utilizadas em conjunto.</p><p>4</p><p>1</p><p>Crimes virtuais</p><p>Na era da tecnologia e da internet, os termos “crime cibernético” e “crime virtual”</p><p>são frequentemente usados, mas é importante entender suas diferenças. Ambos</p><p>ocorrem no ambiente digital, mas se distinguem pela natureza e pelo escopo</p><p>de suas ações.</p><p>Crime cibernético: esta categoria é mais específica e se refere a delitos que en-</p><p>volvem computadores, sistemas de rede ou infraestruturas de informação. Esses</p><p>crimes são caracterizados por ataques diretos a sistemas digitais, como invasão</p><p>de sistemas (hacking), disseminação de vírus e malwares, ataques de negação de</p><p>serviço (DDoS) e espionagem digital. O objetivo aqui é, muitas vezes, danificar,</p><p>alterar ou obter acesso não autorizado a dados e sistemas informatizados.</p><p>Crime virtual: por outro lado, o crime virtual tem um espectro mais amplo.</p><p>Ele abrange qualquer atividade criminosa realizada pela internet, mas que não</p><p>necessariamente envolve um ataque direto a sistemas ou redes. Isso inclui fraudes</p><p>on-line, estelionato, cyberbullying, crimes contra a honra (como calúnia e difa-</p><p>mação on-line), e crimes relacionados a conteúdo ilegal distribuído via internet,</p><p>como a pornografia infantil. O crime virtual pode ocorrer em plataformas como</p><p>redes sociais, sites de comércio eletrônico, e-mails e mensageiros instantâneos.</p><p>Enquanto os crimes cibernéticos são mais técnicos e focados na infraestrutura</p><p>de TI, os crimes virtuais podem ser considerados mais amplos em termos de</p><p>métodos e plataformas utilizadas. Dentro dessa categoria mais ampla, o este-</p><p>lionato emerge como um dos delitos de maior incidência e que causa grande</p><p>impacto na sociedade.</p><p>No Código Penal brasileiro, o delito de estelionato é rigorosamente delineado</p><p>no Art. 171. Este dispositivo legal descreve a conduta criminosa da seguinte forma:</p><p>“ Art. 171 – Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em pre-</p><p>juízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante</p><p>artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento (BRASIL, 1940).</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Nesse contexto, é crescente a incidência de criminosos que se valem</p><p>desta conduta na esfera virtual para consumar tais vantagens ilícitas. Eles</p><p>perpetram o engano, mantendo a vítima sob ilusão, por meio de métodos</p><p>sofisticados e dissimulados.</p><p>A seguir, exploraremos as diversas modalidades deste delito, aprofundando</p><p>nosso entendimento sobre suas distintas facetas. As modalidades podem ser</p><p>divididas em convencionais e digitais. Iniciaremos com a exploração de algumas</p><p>modalidades convencionais:</p><p>Golpe do bilhete: nesta modalidade, o estelionatário aborda a vítima alegando</p><p>possuir um bilhete de loteria premiado, mas por algum motivo (geralmente uma</p><p>história convincente sobre não poder resgatá-lo pessoalmente), precisa vendê-lo.</p><p>A vítima, acreditando na chance de obter um grande prêmio por um valor menor,</p><p>compra o bilhete, que na verdade é falso ou sem valor.</p><p>Golpe do paco: este golpe envolve uma encenação em que o criminoso “encon-</p><p>tra” um pacote de dinheiro na presença da vítima. Um cúmplice, agindo como</p><p>um transeunte, sugere dividir o dinheiro, mas para isso, a vítima precisa fazer um</p><p>depósito ou “mostrar” uma quantia como garantia. Após receberem o dinheiro</p><p>da vítima, os golpistas desaparecem com o valor entregue.</p><p>Central de vagas de emprego: neste caso, os estelionatários criam falsas agên-</p><p>cias de emprego. Eles prometem vagas atrativas ou garantia de emprego, exigindo</p><p>pagamento antecipado por serviços, como treinamento, inscrição ou material</p><p>didático. Após o pagamento, a vaga prometida não existe ou a agência desaparece.</p><p>Araras: este termo se refere a golpes relacionados à indústria da moda e do entre-</p><p>tenimento. Os criminosos prometem à vítima uma carreira de modelo ou artista,</p><p>solicitando pagamentos antecipados para supostos testes, portfólios fotográficos</p><p>ou cursos. No final, não há retorno sobre o investimento feito pela vítima.</p><p>4</p><p>1</p><p>Investimentos: o golpe de investimento envolve o estelionatário apresentando</p><p>oportunidades de investimentos com retornos altos e rápidos, geralmente em</p><p>áreas, como o mercado financeiro, imobiliário ou negócios inovadores. Esses</p><p>investimentos são, na realidade, inexistentes ou fraudulentos e o dinheiro inves-</p><p>tido pela vítima é perdido.</p><p>Apesar das diferenças específicas entre as modalidades de golpes, existem carac-</p><p>terísticas comuns que se destacam e que são importantes para entender a natureza</p><p>desse tipo de crime. A seguir, apresento as quatro características que o estelionato</p><p>virtual possui em comum com suas modalidades, que será apresentada logo após.</p><p>1 . ALTA INCIDÊNCIA</p><p>a facilidade de criar perfis e sites falsos na internet amplia as oportunidades para os</p><p>estelionatários, resultando em um aumento significativo de vítimas, muitas delas des-</p><p>conhecem os riscos de transações on-line.</p><p>2 . ELABORAÇÃO DOS GOLPES</p><p>os criminosos empregam técnicas sofisticadas, incluindo a criação de sites muito simi-</p><p>lares aos legítimos e comunicações que imitam as de empresas reais, tornando difícil</p><p>para os usuários identificarem e evitar essas fraudes.</p><p>3 . USO DE CONTAS CORRENTES DE LARANJAS</p><p>para dificultar o rastreamento e a recuperação dos valores, os criminosos frequente-</p><p>mente utilizam contas em nome de terceiros, abertas com documentos falsificados ou</p><p>obtidos ilegalmente.</p><p>4 . CADASTROS TELEFÔNICOS E E-MAILS FALSOS</p><p>a criação de uma grande quantidade de contas telefônicas e e-mails falsos é uma</p><p>prática comum, usada tanto para a comunicação com as vítimas quanto para criar</p><p>perfis fraudulentos em plataformas on-line, complicando o trabalho de identificação e</p><p>rastreio por parte das autoridades.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Essas características demonstram a sofisticação e o alcance desses golpes,</p><p>permitindo aos criminosos operarem com um nível de anonimato e mobilidade</p><p>que complica significativamente os esforços de combate e prevenção.</p><p>Com a habilidade de mascarar</p><p>suas identidades e localizações, os estelio-</p><p>natários conseguem escapar facilmente do radar das autoridades, tornando-se</p><p>adversários formidáveis no mundo digital. Essa habilidade de se ocultar e de</p><p>manipular a informação é o que torna o estelionato digital particularmente de-</p><p>safiador e perigoso.</p><p>Conforme Nucci (2017), há características comuns do estelionato digital,</p><p>vemos algumas de suas modalidades que são aplicadas no cotidiano, seguindo</p><p>de uma explicação da dinâmica da fraude.</p><p>Sites e perfis falsos de e-commerce: os criminosos criam sites ou perfis falsos</p><p>em plataformas de comércio eletrônico que imitam lojas on-line legítimas. Eles</p><p>anunciam produtos a preços muito atraentes para atrair vítimas. Após o paga-</p><p>mento, o produto nunca é entregue e o site ou perfil desaparece, deixando a vítima</p><p>sem o produto e sem o dinheiro (NUCCI, 2017.)</p><p>Golpe OLX e Mercado Livre: ocorre em plataformas de venda e compra como</p><p>OLX ou Mercado Livre. Os criminosos se passam por compradores interessados</p><p>e entram em contato com vendedores. Eles fingem realizar o pagamento do pro-</p><p>duto, muitas vezes enviando comprovantes bancários falsos, e solicitam o envio</p><p>do item. O vendedor envia o produto, mas o pagamento nunca é efetivamente</p><p>realizado (NUCCI, 2017).</p><p>Clonagem de WhatsApp: os autores conseguem clonar a conta do WhatsApp</p><p>de uma pessoa, geralmente por meio de engenharia social para obter o código de</p><p>verificação. Uma vez com acesso à conta, eles se passam pela vítima e solicitam</p><p>dinheiro aos contatos, alegando alguma emergência. As vítimas, pensando que</p><p>estão ajudando um amigo ou familiar, acabam transferindo dinheiro para os</p><p>golpistas (NUCCI, 2017).</p><p>4</p><p>4</p><p>Sextorsão: este golpe envolve a criação de perfis falsos em redes sociais ou</p><p>aplicativos de mensagens por criminosos, que iniciam conversas de cunho</p><p>íntimo com as vítimas. Após obterem fotos ou vídeos íntimos, os criminosos</p><p>ameaçam divulgar esse material caso não recebam uma quantia, extorquindo</p><p>as vítimas (NUCCI, 2017).</p><p>Na luta contra o estelionato digital, a cooperação da vítima e das empresas</p><p>privadas é crucial. As vítimas desempenham um papel fundamental ao reportar</p><p>prontamente os crimes, fornecer detalhes importantes e colaborar com as inves-</p><p>tigações. Essa ação imediata não só aumenta as chances de rastrear os criminosos</p><p>e recuperar perdas, mas também ajuda a prevenir que outras pessoas se tornem</p><p>vítimas dos mesmos golpes.</p><p>Da mesma forma, as empresas privadas, especialmente as que operam em</p><p>plataformas digitais e de comércio eletrônico, têm a responsabilidade de imple-</p><p>mentar medidas de segurança robustas e monitorar atividades suspeitas. A ado-</p><p>ção de tecnologias avançadas para detectar e alertar sobre atividades fraudulentas</p><p>pode ser um grande passo na prevenção de fraudes. Além disso, a colaboração</p><p>dessas empresas com as autoridades, fornecendo dados e informações relevantes</p><p>quando necessário, é vital para o sucesso das investigações.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Crimes contra o patrimônio</p><p>Ao introduzir o conceito de crime contra o patrimônio, adentramos em uma</p><p>área do Direito Penal que trata de delitos envolvendo a subtração ou danos a bens</p><p>materiais de outras pessoas.</p><p>Esses crimes são variados, mas dois dos mais comuns são furto e roubo, cada</p><p>um com características distintas. O furto é caracterizado pela subtração de bens</p><p>sem o uso de violência ou ameaça contra a vítima, enquanto o roubo envolve</p><p>exatamente o uso de violência ou ameaça para subtrair algo de alguém.</p><p>É importante destacar que, entre os bens frequentemente alvo de crimes</p><p>contra o patrimônio, o furto de celulares sobressai como extremamente comum</p><p>e lucrativo. Essa prevalência se deve ao alto valor agregado desses dispositivos e</p><p>à facilidade com que podem ser comercializados.</p><p>A alta incidência de furtos de celulares não só reflete a demanda do mer-</p><p>cado negro por esses aparelhos, mas também a percepção dos criminosos de</p><p>que há uma oportunidade relativamente fácil de obter lucro rápido por meio</p><p>de sua venda ilegal.</p><p>Além disso, é relevante mencionar que, apesar da gravidade e impacto social</p><p>desses crimes, a pena para o furto, conforme o Código Penal brasileiro, é consi-</p><p>derada branda, com previsão de reclusão de um a quatro anos, além de multa, o</p><p>que pode contribuir para a perpetuação dessa prática delituosa.</p><p>Uma das estratégias mais comuns para combater os crimes de furto de celulares</p><p>é o bloqueio do IMEI do aparelho pela Agência Nacional de Telecomunicações</p><p>(ANATEL). Esse procedimento ajuda a reduzir a atratividade dos celulares</p><p>roubados no mercado negro, pois um dispositivo bloqueado perde seu</p><p>valor de revenda.</p><p>Além disso, a partir de 2024, o governo federal lançou o aplicativo Celular</p><p>Seguro, que permite aos cidadãos bloquearem seus aparelhos de forma mais</p><p>rápida e eficiente, contribuindo ainda mais para a diminuição do furto de celu-</p><p>lares. Você pode conferir esse serviço no link a seguir: https://www.gov.br/pt-br/</p><p>apps/celular-seguro-br.</p><p>4</p><p>1</p><p>O que é o IMEI e qual sua função?</p><p>Identificação Internacional de Equipamento Móvel, ou IMEI, é um código numérico</p><p>composto por 15 dígitos que desempenha um papel crucial na identificação de</p><p>aparelhos celulares. Sua função principal é vincular um determinado aparelho à li-</p><p>nha telefônica nele inserida, tornando cada celular único e facilmente identificável.</p><p>Para identificar o IMEI de um aparelho, existem várias opções.</p><p>Geralmente, ele pode ser encontrado na caixa original do aparelho, na nota fiscal</p><p>de compra, ou de uma maneira mais prática, pode ser acessado diretamente no</p><p>dispositivo digitando o código *#06# no teclado de chamada, o que fará o núme-</p><p>ro do IMEI ser exibido automaticamente na tela do celular. Essa identificação é</p><p>extremamente útil, especialmente em casos de roubo ou furto, pois permite que</p><p>o aparelho seja rastreado e bloqueado, reduzindo, assim, a sua utilidade e valor</p><p>para os criminosos.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Além disso, essa abordagem de bloqueio do IMEI também funciona como uma</p><p>ferramenta dissuasiva, pois diminui as chances de lucro para os criminosos. Ao tor-</p><p>nar os celulares roubados menos valiosos, espera-se desencorajar os furtos futuros.</p><p>Por fim, essa medida, combinada com a conscientização pública sobre a im-</p><p>portância de registrar o IMEI e reportar roubos ou furtos às autoridades com-</p><p>petentes, é um passo fundamental na luta contra esse tipo de crime contra o</p><p>patrimônio e ajuda a prevenir outros crimes decorrentes.</p><p>Com a conclusão desta etapa fundamental de aprendizado, você está prestes</p><p>a embarcar em uma jornada cheia de novos desafios como futuro profissional. A</p><p>abrangência e profundidade do conhecimento adquirido aqui são os alicerces que</p><p>vão embasar o desenvolvimento de um raciocínio lúcido e adaptável, essencial</p><p>para enfrentar qualquer situação no campo da investigação criminal.</p><p>Munido com essas ferramentas teóricas e práticas, você está agora mais pre-</p><p>parado do que nunca para navegar pelos complexos cenários deste empolgante</p><p>campo profissional, contribuindo de forma significativa para a justiça e a segu-</p><p>rança em nossa sociedade.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Estudante quer saber mais informações a respeito do que discutimos ao longo</p><p>deste tema de aprendizagem? Acesse a videoaula que preparamos para você.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de</p><p>aprendizagem</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>No início deste tema de aprendizagem, fomos apresentados ao desafio de imagi-</p><p>nar uma situação de roubo em um bairro residencial, onde o crime deixou poucas</p><p>pistas e os moradores ficaram apreensivos.</p><p>Como profissional encarregado do caso, sua linha de investigação poderia</p><p>começar assegurando e preservando o local do crime, uma medida crucial para</p><p>evitar a contaminação ou a perda de evidências. Estabelecendo um períme-</p><p>tro e controlando o acesso, você criaria um ambiente propício para a análise</p><p>cuidadosa da cena.</p><p>Paralelamente à segurança do local, seria vital coletar depoimentos iniciais</p>