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<p>Eduarda Cavalheiro Carpes</p><p>Franciele Maria Cunha Bittencourt</p><p>Valquira Bezerra de Menezes</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>As infecções hospitalares são associadas a infecções adquiridas em unidades de saúde.</p><p>Essas infecções são denominadas infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS),</p><p>considerando o contexto ampliado dos cuidados, que abrange hospitais, ambulatórios, hospital-dia,</p><p>assistência domiciliar e clínicas. O conceito abrange infecções adquiridas em diversos ambientes</p><p>de prestação de cuidados à saúde que não estavam presentes ou em incubação no momento da</p><p>admissão do paciente.</p><p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera as IRAS um problema de saúde</p><p>pública, demandando respostas eficazes e imediatas para seu controle. Essas infecções são</p><p>classificadas como eventos adversos, e sua prevenção é uma prioridade em termos de segurança.</p><p>Estima-se que, nos últimos anos, 7% dos pacientes em países desenvolvidos adquiriram pelo</p><p>menos uma IRAS, enquanto em países em desenvolvimento essa taxa pode chegar a 10%. As</p><p>IRAS são um dos eventos adversos mais frequentes nos ambientes de cuidados à saúde, com</p><p>consequências significativas na qualidade de vida dos pacientes.</p><p>2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA</p><p>As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são definidas pela Organização</p><p>Mundial da Saúde (OMS) como aquelas adquiridas pelo paciente durante sua permanência em</p><p>hospitais ou outros serviços de saúde, que não estavam presentes ou em fase de incubação no</p><p>momento da admissão (World Health Organization [WHO], 2016). Em alguns casos, essas</p><p>infecções são classificadas como eventos adversos (EA), pois podem ocorrer devido a</p><p>procedimentos diagnósticos ou terapêuticos realizados por profissionais de saúde em ambientes</p><p>hospitalares, ambulatoriais ou domiciliares (Gil et al., 2018).</p><p>De acordo com a OMS, aproximadamente 1,4 milhões de pessoas contraem infecções</p><p>anualmente. Na Europa, cerca de 6,8% dos pacientes hospitalizados adquirem ao menos uma</p><p>IMPLEMENTAÇÃO DE PRECAUÇÃO DE</p><p>CONTATOS</p><p>2</p><p>infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS). Em países em desenvolvimento, o risco é até</p><p>quatro vezes maior (Silva et al., 2018). Estima-se que, em países desenvolvidos, a cada 100</p><p>pacientes hospitalizados, pelo menos sete contrairão uma IRAS, enquanto em países em</p><p>desenvolvimento, esse número aumenta para dez (Castro & Rodrigues, 2019).</p><p>Como a maioria das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são complicações</p><p>consideradas preveníveis e frequentemente associadas à resistência bacteriana em unidades de</p><p>cuidados aos pacientes, a adoção de estratégias voltadas para precauções e isolamento de</p><p>patógenos pode reduzir significativamente as taxas de infecção. Essas medidas atuam como uma</p><p>barreira, prevenindo a transmissão de microrganismos entre pacientes, seja de forma direta ou</p><p>indireta (Melo, 2019; Faro, 2016).</p><p>Para prevenir a transmissão de infecções durante o atendimento aos pacientes e proteger os</p><p>profissionais de saúde contra riscos ocupacionais, foram estabelecidas as chamadas medidas de</p><p>precaução universais. Estas incluem tanto as precauções padrão (PP) quanto as precauções</p><p>especiais, que se dividem em três categorias: precauções de contato, para aerossóis e para gotículas</p><p>(Centers for Disease Control and Prevention [CDC], 2016; Castro & Rodrigues, 2019).</p><p>http://antigo.anvisa.gov.br/documents/33852/450443/precaucoes_contato.pdf</p><p>As precauções padrão constituem um conjunto de práticas preventivas recomendadas para o</p><p>cuidado de todos os pacientes, independentemente da suspeita ou confirmação de infecção. Entre</p><p>essas práticas estão a higienização das mãos, o uso adequado de equipamentos de proteção</p><p>individual (EPI) e o manejo seguro de materiais perfurocortantes. As precauções especiais são</p><p>aplicadas quando as precauções padrão não são suficientes para interromper as vias de transmissão</p><p>de um agente infeccioso (Faria et al., 2019; Porto & Marziale, 2016; Castro & Rodrigues, 2019).</p><p>3</p><p>3. METODOLOGIA</p><p>Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa de literatura, utilizando artigos</p><p>indexados nas seguintes bases de dados: Base de Dados em Enfermagem (BDENF), Literatura</p><p>Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and</p><p>Retrieval System Online (MEDLINE), Public Medline (PUBMED) e Scientific Electronic Library</p><p>Online (SCIELO).</p><p>A pesquisa foi conduzida com base em cinco etapas metodológicas, conforme o</p><p>referencial teórico de Whittemore e Knafl (2005): 1) Identificação do tema e definição da questão</p><p>de pesquisa; 2) Busca de artigos nas bases de dados e definição dos critérios de inclusão e</p><p>exclusão; 3) Avaliação dos resultados da pesquisa; 4) Análise e interpretação dos dados; 5)</p><p>Apresentação de uma síntese dos artigos selecionados.</p><p>Com a definição do tema, foi formulada a seguinte questão norteadora: “Implementação</p><p>de Precaução de Contatos”.</p><p>4. RESULTADOS E DISCUSSÕES</p><p>Após a análise dos estudos incluídos na revisão integrativa, observou-se que, de maneira</p><p>geral, a adesão às medidas de precaução, tanto padrão quanto de contato, permanece abaixo do</p><p>esperado, com índices variando de médios a baixos. Além disso, há um elevado índice de uso</p><p>inadequado de EPIs quando necessário. Com base nesses dados, os estudos identificaram possíveis</p><p>razões para as taxas abaixo da média e sugeriram estratégias para melhorá-las (Porto & Marziale,</p><p>2016; Moralejo et al., 2018; Faria et al., 2019; Barros et al., 2019).</p><p>De modo geral, os resultados indicam que uma das principais causas da disseminação de</p><p>infecções relacionadas à assistência à saúde é a baixa adesão às medidas básicas de precaução,</p><p>especialmente a higienização das mãos. Os profissionais de saúde desempenham um papel</p><p>fundamental na transmissão desses microrganismos (Faro, 2016; Siegel et al., 2019).</p><p>Na Nigéria, um estudo com 80 profissionais revelou que, embora 80,3% dos</p><p>participantes soubessem que as mãos são o principal veículo de transmissão de infecções, 32,5%</p><p>apresentavam práticas ineficazes de higienização das mãos, e apenas 51,2% utilizavam luvas novas</p><p>antes de examinar outros pacientes (Adegboye et al., 2018).</p><p>Diante do papel crucial dos profissionais de saúde na disseminação de microrganismos,</p><p>4</p><p>destaca-se a importância da gestão hospitalar em implementar estratégias educacionais contínuas e</p><p>permanentes nos serviços de Terapia Intensiva. Além disso, é fundamental incentivar a</p><p>participação ativa dos trabalhadores, com o objetivo de reduzir a exposição ocupacional, minimizar</p><p>a ocorrência de acidentes de trabalho e garantir a segurança tanto dos profissionais quanto dos</p><p>pacientes.</p><p>A principal limitação desta revisão foi a escassez de publicações encontradas, especialmente</p><p>aquelas focadas nas medidas de precaução de contato. Contudo, as evid��ncias levantadas podem</p><p>contribuir para discussões sobre o tema e apoiar o desenvolvimento de futuras pesquisas voltadas à</p><p>adesão às medidas de precaução padrão e de contato no cuidado de pacientes críticos, que poderão</p><p>corroborar ou contestar os achados deste estudo.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Adegboye, M. B., Zakari, S., Ahmed, B. A., & Olufemi, G. H. (2018). Knowledge, awareness and</p><p>practice of infection control by health care workers in the intensive care units of a tertiary hospital</p><p>in Nigeria. African health sciences, 18(1), 72–78. https://doi.org/10.4314/ahs.v18i1.11.</p><p>Centers for Disease Control and Prevention. (2016). Guide to infection prevention for outpatient</p><p>settings: minimum expectations for safe care.</p><p>https://www.cdc.gov/infectioncontrol/pdf/outpatient/guide.pdf</p><p>Castro, A. F., & Rodrigues, M. C. S. (2019). Auditoria de práticas de precauções-padrão e contato</p><p>em Unidade de Terapia Intensiva. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 53, e3508.</p><p>https://doi.org/10.1590/s1980-220x2018018603508.</p><p>Faria, L. B. G., Santos, C. T. B., Faustino, A. M., Oliveira, L. M. A. C., & Cruz, K. C. T. (2019).</p><p>Conhecimento e adesão do enfermeiro às precauções padrão em unidades críticas. Texto &</p><p>Contexto - Enfermagem, 28, e20180144. https://doi.org/10.1590/1980-265x-tce-2018-0144.</p><p>Faro, A. R. M. C. (2016). Avaliação do Conhecimento de Enfermagem em Terapia Intensiva</p><p>Quanto às Medidas de Precaução Padrão e Biossegurança em Hospitais Públicos na Amazônia</p><p>Ocidental Brasileira [Monografia de MBA, Instituto Nacional de Ensino Superior e Pesquisa].</p><p>Gil, A. C., Bordignon, A. P. P., Castro, E. A. R., Castro, S. T., Rafael, R. M. R., & Pereira, J. A. A.</p><p>(2018). Avaliação microbiológica de superfícies em terapia intensiva: reflexões sobre as estratégias</p><p>preventivas de infecções nosocomiais. Revista Enfermagem UERJ, 26, e26388.</p><p>https://doi.org/10.12957/reuerj.2018.26388.</p><p>Melo, M. S. (2019). Ações para a prevenção e controle da resistência bacteriana em hospitais de</p><p>https://doi.org/10.4314/ahs.v18i1.11</p><p>https://www.cdc.gov/infectioncontrol/pdf/outpatient/guide.pdf</p><p>https://doi.org/10.1590/s1980-220x2018018603508</p><p>https://doi.org/10.1590/1980-265x-tce-2018-0144</p><p>https://doi.org/10.12957/reuerj.2018.26388</p><p>5</p><p>grande porte de Minas Gerais [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais].</p><p>Repositório Institucional da UFMG. http://hdl.handle.net/1843/31014.</p><p>Porto, J. S., & Marziale, M. H. P. (2016). Motivos e consequências da baixa adesão às precauções</p><p>padrão pela equipe de enfermagem. Revista Gaúcha de Enfermagem, 37(2), e57395.</p><p>https://doi.org/10.1590/1983-1447.2016.02.57395.</p><p>http://hdl.handle.net/1843/31014</p><p>https://doi.org/10.1590/1983-1447.2016.02.57395</p>