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<p>Uso da vírgula - Parte 1</p><p>Videoaula</p><p>Introdução</p><p>Os sinais de pausa são organizadores do texto escrito. Além de sinalizarem um possível silêncio momentâneo, eles delimitam o espaço entre as palavras e separam as ideias.</p><p>( , ) Vamos por partes, primeiro a vírgula:</p><p>De forma geral, nem sempre a vírgula corresponde a uma pausa real na fala, como é o caso de “Não, senhor”; “Sim, senhor”.</p><p>Isso significa que vírgula não tem a ver com respiração exatamente...</p><p>Vírgulas servem para DESLOCAR ou ISOLAR ideias na escrita.</p><p>O que isso significa?</p><p>Na prática, a vírgula sinaliza a quebra de uma sequência de palavras e indica a informação principal e as informações secundárias.</p><p>Veja:</p><p>"Você, com certeza, já sabe usar a crase."</p><p>A informação principal é: "Você já sabe usar a crase."</p><p>A informação secundária é: "com certeza" (que indica a convicção pessoal de quem fala)</p><p>» É possível fazer alguns deslocamentos com essa expressão secundária:</p><p>"Com certeza, você já sabe usar a crase."</p><p>"Você já sabe usar a crase, com certeza."</p><p>» A vírgula está servindo também para isolar as duas ideias:</p><p>I. Você sabe usar a crase.</p><p>II. Eu tenho certeza disso.</p><p>» Agora, perceba a diferença, quando não há vírgula:</p><p>"Você já sabe usar a crase com certeza."</p><p>» Neste caso, só existe uma ideia:</p><p>I. Você sabe usar a crase do jeito certo. ("com certeza" ganha sentido de "com segurança, com confiança")</p><p>Vírgula é a pausa curta que separa e organiza as partes da frase para não confundir o leitor.</p><p>10 casos mais comuns de uso da vírgula:</p><p>1. Isolar uma forma de tratamento, um vocativo:</p><p>"Prezado senhor, pague suas contas."</p><p>"Pague suas contas, prezado senhor."</p><p>Neste caso, a vírgula impede a confusão entre vocativo e sujeito.</p><p>2. Isolar uma explicação de um termo anterior:</p><p>"Foi o Clóvis, professor de filosofia, que falou aquilo."</p><p>A expressão está isolada, porque ela interrompe um raciocínio para explicar um detalhe importante.</p><p>3. Isolar expressões que indicam circunstâncias:</p><p>"Naquele mesmo dia, eu fui sozinho."(circunstância de tempo)</p><p>Perceba outros deslocamentos possíveis:</p><p>"Eu, naquele mesmo dia, fui sozinho."</p><p>"Eu fui sozinho, naquele mesmo dia." (neste caso, quando a expressão aparece no final da frase, a vírgula é opcional).</p><p>4. Isolar termos de uma enumeração:</p><p>"Pessoas interessantes, interessadas, dedicadas e decididas merecem toda a nossa atenção."</p><p>Esse é o uso que todo mundo acerta!</p><p>5. Isolar os locais nos cabeçalhos:</p><p>"Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2022." (Todo mundo lá! 😜)</p><p>Nesse caso, a gente decorou muito rápido! Geralmente, nos primeiros anos de estudos, é obrigatório fazer o registro formal do cabeçalho do caderno. Lembra disso?!</p><p>6. Isolar palavras e expressões explicativas e conclusivas, como: por exemplo, isto é, digo, assim, ou melhor, então, ou seja.</p><p>"Eu penso diferente, isto é, não concordo com você."</p><p>Mais um exemplo de uso da vírgula que não pode passar despercebido. Essas expressões devem aparecer sempre isoladas.</p><p>[CONTUNUA NA PRÓXIMA AULA - PARTE 2]</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.</p><p>NEVES, Luiz E. C. Uma gramática simpática. 1. ed. - Rio de Janeiro: Lexikon, 2019.</p><p>REIS, Benedicta A. C. Manual compacto de gramática da língua portuguesa. 1. ed. São Paulo: Rideel, 2010.</p><p>Aula 11</p><p>Uso da vírgula - Parte 2</p><p>Videoaula</p><p>10 casos mais comuns de uso da vírgula (continuação)</p><p>7. Separar orações que compartilham o mesmo sujeito em uma frase:</p><p>"O atleta venceu o campeonato, foi ao pódio, ergueu o troféu e soube que seria desclassificado por dopagem."</p><p>Perceba que o sujeito "O atleta" realizou uma sequência de ações: "venceu", "foi", "ergueu". Tudo em sequência. Fique atento também ao fato de que a presença da palavra "e" substitui a vírgula antes do último elemento.</p><p>8. Antes das palavras: mas, senão, nem, que, pois, porque. E, das expressões "ou..., ou...", "ora... , ora..." e "quer... , quer..."</p><p>"Ou você não me conhece, ou está de brincadeira."</p><p>"Pode até ser verdade, mas não é sempre assim..."</p><p>Este caso é daqueles que muita gente erra na hora de colocar a vírgula. Isso acontece, porque não se trata de uma "respiração" na fala, mas da separação de duas ideias que se relacionam na mesma frase.</p><p>9. Antes da palavra "e", quando acontece a mudança do sujeito:</p><p>"Nós fomos de bicicleta, e eu cai."</p><p>"Ninguém perguntou nada, e todos queriam saber..."</p><p>Esse é o único caso em que a gente pode usar vírgula antes da conjunção "e". Não tem jeito, tem que prestar muita atenção e saber identificar quem são os sujeitos dos verbos.</p><p>10. Indicar a ausência de uma palavra que deve ser subentendida:</p><p>"Gosto de filmes de ação; você, de comédias."</p><p>O nome científico disso é ELIPSE. Perceba que depois do pronome "você" fica subentendido o verbo "gosta", que já havia sido mencionado. A vírgula sinaliza a elipse deste verbo.</p><p>Quando não usar a vírgula:</p><p>Atenção aos verbos!</p><p>1. Não se pode separar os verbos dos sujeitos!</p><p>"Aquelas pessoas incríveis moram em sua cidade!"</p><p>Veja bem: o verbo é "moram". Para descobrir o sujeito, bastaria perguntarmos "Quem moram?". A resposta: "Aquelas pessoas incríveis". Por isso, não podemos colocar vírgula antes deste verbo e separar o sujeito.</p><p>2. Não coloque vírgula depois de verbos que precisam de complementos!</p><p>"Ele disse que você chegaria atrasado."</p><p>O verbo "disse" exige um complemento. Afinal, quem diz, diz alguma coisa. Por isso, não podemos colocar a vírgula depois desses verbos.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.</p><p>NEVES, Luiz E. C. Uma gramática simpática. 1. ed. - Rio de Janeiro: Lexikon, 2019.</p><p>REIS, Benedicta A. C. Manual compacto de gramática da lÃngua portuguesa. 1. ed. São Paulo: Rideel, 2010.</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p><p>image3.png</p>