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<p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Eduardo Corsino Descrição o Sistema Único de Saúde (SUS) e sua relação com os medicamentos por meio da Política Nacional de Assistência Farmacêutica e da Política Nacional de Medicamentos. Propósito As políticas nacionais de Assistência Farmacêutica e a de Medicamentos são essenciais para a materialização da integralidade das diretrizes e dos princípios do SUS, e compreendê-las é indispensável para a atuação do farmacêutico no sistema de saúde. Preparação Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos um dicionário de Termos Técnicos em Saúde para entender termos específicos da área. Como sugestão, existe o glossário do Ministério da Saúde na Internet. Objetivos Módulo 1 Sistema Único de Saúde 1/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Reconhecer o Sistema Único de Saúde. Módulo 2 Diretrizes do Sistema Único de Saúde e a Assistência Farmacêutica Descrever as diretrizes do SUS e os Componentes da Assistência Farmacêutica. Módulo 3 Política Nacional de Medicamentos (PNM): definições e aplicações Descrever a Política Nacional de Medicamentos. Introdução o Sistema Único de Saúde (SUS) é um sistema de saúde pública complexo, abrangendo desde atendimentos simples como educação em saúde até cirurgias e tratamentos avançados como transplantes de órgãos. Esses serviços são oferecidos para toda a população do País de forma gratuita. Neste conteúdo, abordaremos as principais diretrizes do SUS e a abrangência dos serviços oferecidos pelo sistema de saúde brasileiro. 2/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos SUS Nacional de Saúde 1 Sistema Único de Saúde Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer 0 Sistema Único de Saúde. o Sistema Único de Saúde (SUS) é um grande sistema de saúde gratuito, atendendo a toda a população brasileira e oferecendo todos os tipos de serviços para suprir as necessidades de saúde dos cidadãos. A criação do SUS proporcionou mudanças em relação às ações de saúde pública oferecidas pelo Estado brasileiro, de forma que todos os indivíduos no território brasileiro podem acessar o sistema e receber seus serviços, aspecto que o caracteriza como sistema universal. Além disso, o sistema se caracteriza pela integralidade, ou seja, todas as necessidades de saúde da população devem ser atendidas pelo sistema. Essas e outras diretrizes, que dão norteamentos e organização ao SUS, serão abordadas ao longo deste conteúdo. Sistema Único De Saúde (SUS) SUS Sistema Único de Saúde A Constituição Federal vigente foi promulgada em 1988. Nela, foi estabelecida a criação do nosso sistema de saúde atual, conhecido como SUS. A Constituição prevê um sistema gratuito, de acesso aberto a toda a população e que atenda a todas as suas necessidades de saúde. Os atendimentos são divididos em: Atenção básica 3/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Como atendimentos ambulatoriais. Atenção de média complexidade Como as internações hospitalares. Atenção de alta complexidade Como os transplantes. Dessa forma, criou-se um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. Apesar de sua grandiosidade, o sistema de saúde brasileiro ainda enfrenta diversas dificuldades e desafios, cabendo ao governo e à sociedade civil, ou seja, nós mesmos, superar os problemas de gestão e subfinanciamento a fim de tornar o SUS uma realidade para a sociedade brasileira conforme o que está previsto na Constituição Federal. Você sabia que o SUS vai muito além de hospitais, clínicas, postos de saúde e estratégia de saúde da família, com realização de consultas, exames e internações? Muita gente não sabe, mas o SUS também participa de outras atividades como prevenção e promoção da saúde, ensino e pesquisa, desenvolvimento e produção de produtos para a saúde, além das vigilâncias em saúde. Se o SUS realmente atua em tudo isso, onde podemos encontrar essas atividades? As ações de prevenção em saúde podem ser facilmente identificadas no programa de vacinação, considerado um dos melhores do mundo. Mas também são notadas, por exemplo, tanto em campanhas de distribuição de preservativos durante o carnaval como na distribuição de medicamentos para a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV. Já as ações de promoção da saúde, muitas vezes, não são reconhecidas ou associadas com o sistema de saúde pela população. Por exemplo, as academias da saúde nas praças públicas em diversos municípios do País também são promovidas pelo SUS. Também são exemplos de promoção da saúde: 1. Campanhas para a redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito. 2. Prevenção da violência e o estímulo à cultura da paz. 3. Promoção do desenvolvimento sustentável. Saiba mais Outros exemplos de ações e programas de promoção da saúde do SUS que podem ser citados: 4/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Banco de Leite Humano. Cartão Nacional de Saúde. Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS). Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Doação de sangue. Força Nacional do SUS (FN-SUS). Plano de Expansão da Radioterapia no SUS (PER/SUS). Programa Saúde Bucal. o SUS também desenvolve ensino e pesquisa de qualidade, tendo diversas instituições voltadas para esse fim, como o Instituto e a Fiocruz, sendo esta última considerada a maior instituição de pesquisa da América Latina. Além de instituições de pesquisa ligadas ao Ministério da Saúde, o SUS também fomenta e incentiva o ensino e a pesquisa nas universidades com o Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), promovendo o desenvolvimento científico e tecnológico. Castelo da Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz. 5/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Prédio histórico do Instituto Butantan, hoje funciona como biblioteca, centro de memória e laboratórios de pesquisa. 0 programa já ultrapassou mais de 2.600 projetos desenvolvidos em mais de 290 instituições de pesquisa pelo o SUS também atua no desenvolvimento e produção de produtos para a saúde, e provavelmente você já deve ter utilizado alguns deles. Medicamentos, vacinas, kits diagnósticos são exemplos de produtos desenvolvidos e produzidos pelo SUS principalmente em instituições como Farmanguinhos e Biomanguinhos na Fiocruz, no Rio de Janeiro; Butantã, em São Paulo; e Lafepe, em Pernambuco. Por fim, as vigilâncias em saúde também marcam a presença do SUS em diversas áreas e locais que extrapolam os serviços de saúde. A vigilância epidemiológica, por exemplo, é responsável por notificar os diversos casos de uma doença e investigar casos de surtos, epidemias e pandemias como atuou em relação aos casos suspeitos de ebola no Brasil, em 2014, e mais recentemente com a pandemia de covid-19. Ações de controle e gestão de resíduos, bem como as ações de prevenção de agravos em saúde nos ambientes de trabalho são desempenhadas pela vigilância em saúde ambiental. Já a vigilância sanitária, além de fiscalizar serviços de saúde, também atua na fiscalização de farmácias, supermercados, restaurantes, estabelecimentos de estética ou qualquer outra atividade que possa interferir na saúde humana. Além disso, atua em fronteiras, portos e aeroportos fiscalizando e prevenindo a entrada de agentes causadores de doenças no nosso território. Sim! Tudo isso é promovido pelo SUS! E como era antes do SUS? 6/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Para que você entenda como chegamos ao sistema de saúde atual, observe o panorama histórico da saúde no Brasil apresentado a seguir. 1923 Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP) Primórdio da Previdência Social brasileira. Dava direito à assistência em saúde aos trabalhadores de uma determinada empresa que contribuia com parte de seu salário. 1932 Criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAP) Considerado uma evolução do modelo anterior, o IAP se caracterizava por contribuições unificadas oriundas de parte dos salários de categorias profissionais. A partir dele, houve uma maior acentuação da atenção médica aos trabalhadores que contribuíam. 1965 Criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) Resultou da unificação de todos os IAP, em que houve uma consolidação do componente assistencial, principalmente com pagamentos dos serviços assistenciais privados, mas ainda apenas para trabalhadores com carteira assinada. 7/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos 1977 Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) Importante órgão governamental que prestava assistência médica para os trabalhadores e ainda era caracterizado pela marcante compra de serviços assistenciais privados. 1982 Programa de Ações Integradas de Saúde (PAIS) Priorizava a atenção primária, idealizada como a "porta de entrada" do sistema de saúde. Essa característica se manteve até os dias de hoje. 1986 VIII Conferência Nacional de Saúde Conferência que teve uma grande participação da população. Nela, foram estabelecidos os conceitos de direito universal à saúde, e não apenas aos trabalhadores, e a saúde como um dever do Estado brasileiro. 1987 Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde (SUDS) Previam universalização e equidade na saúde; integralidade dos cuidados; descentralização e implementação de distritos 8/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos sanitários. São considerados o embrião do SUS. 1988 Constituição Cidadã Estabeleceu a saúde como direito de todos e dever do Estado. Definiu o financiamento do Sistema de Saúde e estabeleceu que as ações governamentais devem ser submetidas a órgãos colegiados como os Conselhos de Saúde. 1990 Criação do Sistema Único de Saúde (SUS) Promulgação da Lei Orgânica do SUS, a Lei n° 8.080, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços. Além da Lei n° 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS. Estrutura organizacional do SUS o SUS é composto pelo Ministério da Saúde e pelas Secretarias de Saúde dos estados e municípios, onde ambos os órgãos compartilham responsabilidades. Além desses, os órgãos colegiados também são parte integrante do SUS, e alguns deles contam com participação da sociedade civil. Veja a seguir o que cabe a cada um dos órgãos que compõem o SUS. Ministério da Saúde (MS) 9/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos É o gestor nacional do SUS e tem o papel de formular, normatizar, fiscalizar, monitorar e avaliar as diversas políticas e ações em conjunto com o Conselho Nacional de Saúde, que é uma instância colegiada com participação da sociedade civil. Além disso, participa da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) na pactuação do Plano Nacional de Saúde. Outros órgãos também fazem parte do MS - como a Fiocruz, a Funasa, a Anvisa, a ANS, a Hemobrás, o Inca, o Into e oito hospitais federais, que se localizam principalmente no Rio de Janeiro. Secretaria Estadual de Saúde (SES) As Secretarias de Estado participam da elaboração das políticas e ações de saúde, além de oferecer apoio aos municípios em parceria com o Conselho Estadual de Saúde, bem como participam da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) na promoção e elaboração do plano estadual de saúde. Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Trata-se da instância mais descentralizada do SUS e mais próxima da população. É responsável por planejar, organizar, controlar, avaliar e executar as ações e serviços de saúde em conjunto com o Conselho Municipal de Saúde e com a esfera estadual na aprovação e implantação do plano municipal de saúde. Conselhos de Saúde Há Conselhos de Saúde em todos os entes federativos (União, estado e municípios), e estes são instâncias permanentes e deliberativas, são órgãos colegiados, com representação do governo, prestadores de serviço (serviços privados prestados ao SUS), profissionais de saúde e usuários. Sua função está na formulação de estratégias, bem como no controle da execução da política de saúde em seus respectivos entes federativos. 10/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Ainda se incluem os aspectos econômicos e financeiros, com base nos quais as decisões são homologadas pelo chefe do Poder Executivo em cada esfera do governo. Órgãos colegiados São os conselhos, as comissões e os comitês integrantes da estrutura do Estado com função essencial na condução e no aprimoramento das diversas políticas públicas. A composição dos Conselhos segue a regra de representatividade, organizando-se da seguinte forma: 50% 25% 25% Representantes do Representantes Representantes Governo, dos dos trabalhadores dos usuários serviços privados da saúde conveniados e dos sem fins lucrativos Além desses, existem outros conselhos e comissões, como os seguintes: Comissão Intergestores Bipartite (CIB) É na instância da CIB que ocorrem a negociação e pactuação entre os governos estadual e municipais, quanto às questões operacionais do SUS. Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) É uma instância representativa dos secretários estaduais e do Distrito Federal na CIT para discussão de questões de importância para a saúde. 11/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) É uma instância que representa os entes federativos municipais na CIT para discussão de assuntos relevantes para a saúde. Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) São as instâncias que representam os municípios em âmbito estadual no tratamento de assuntos referentes à saúde; entretanto, devem ser atrelados institucionalmente ao Conasems, conforme a disposição de seus estatutos. Comissão Intergestores Tripartite (CIT) Instância em que ocorrem as negociações e pactuações entre os governos federal, estadual e municipal, em relação aos aspectos operacionais do SUS. Responsabilidades dos entes federativos com 0 SUS União A administração federal do SUS é feita pelo Ministério da Saúde. Por meio do MS, o governo federal a rede pública de saúde, sendo o principal fomentador do aporte financeiro. É comum que o MS financie a metade dos gastos em saúde pública em todo o território nacional, ficando a cargo dos estados e municípios o financiamento da outra metade. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde a elaboração de políticas nacionais de saúde, entretanto não cabe a ele as ações. Para este fim, são realizadas parcerias com estados, municípios, ONGs, fundações, empresas etc. Ao MS cabe ainda o planejamento, a elaboração de normas, a avaliação e a utilização de instrumentos de controle do SUS. Estados e Distrito Federal A administração estadual e do DF da saúde deve dispor de recursos próprios, inclusive para os municípios, além de repassar 12/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos os recursos disponibilizados pela União. Os estados e o DF devem ser parceiros da União na aplicação de políticas nacionais de saúde, mas também devem implementar suas próprias políticas. Cabe aos estados e ao DF também o planejamento e a coordenação do SUS dentro dos estados, conforme a normatização federal. Municípios Esses entes federativos têm a responsabilidade da execução de ações e serviços de saúde dentro de seus territórios. o gestor municipal contribui com as ações e políticas de saúde nacional e estadual, executa os recursos oriundos dos entes federativos, bem como os seus próprios. Cabe aos municípios coordenar e planejar o SUS em seus territórios. Regras do SUS Você sabia que o SUS tem regras que são conhecidas como Princípios e Diretrizes do SUS? Sim, o SUS tem regras que afirmam os direitos do povo brasileiro, conquistados de forma democrática. Essas regras são chamadas de princípios e diretrizes e determinam o funcionamento e organização do sistema de saúde. Você sabe qual é a diferença entre os princípios e as diretrizes? Princípios São juízos fundamentais, que devem ser aplicados como alicerce de um sistema de conceitos para a materialização de uma realidade. Diretrizes São orientações, guias, rumos, que norteiam, definem e/ou regulamentam um determinado caminho a se seguir. Os princípios e diretrizes do SUS estão fundamentados na legislação vigente, tais como: Constituição Federal de 1988. Lei Federal 8.080 de 1990. Saiba mais Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes 13/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos e dá outras providências. (Lei Federal 8.080 de 1990) Lei federal 8.142 de 1990. Saiba mais Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. (Lei federal 8.142 de 1990) Você sabe quais são os princípios do SUS? Resposta Com base na Constituição Federal de 1988, podemos identificar três elementos de base cognitiva, de idealização e filosófica entendidos como princípios do SUS, são eles: 1. Universalidade; 2. Equidade; 3. Integralidade. o princípio da universalidade tem base na Constituição Federal, que determina que "saúde é direito de todos e dever do Estado". Em outras palavras, saúde pode ser entendida como um direito de todas as pessoas, e não um serviço que se tem acesso por meio de pagamentos de qualquer natureza. Assim, todos os brasileiros têm direito à saúde, diferentemente do que se verificava antes do SUS, quando na prática somente os trabalhadores com carteira assinada tinham acesso ao serviço de saúde. Já quando se fala de equidade, estamos falando em desfazer iniquidades históricas, sociais e econômicas que geram desigualdades no acesso, na produção e na gestão da saúde. o fato é que a equidade difere da igualdade, por ser uma forma de tratar desigualmente o desigual. A universalidade é o meio de se atender às necessidades individuais e da coletividade, de forma a diminuir a iniquidade. Equidade É uma forma de se adaptar uma regra existente a uma situação específica, a fim de se alcançar a justiça. Iniquidade Qualidade do que é contrário à moral, à religião, à justiça, à igualdade. Está associada à maldade, opondo-se à equidade. Não podemos esquecer que, segundo a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, 0 que significa que todos são iguais no direito à saúde. 14/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Por outro lado, também não podemos esquecer que as diversas regiões do país são desiguais economicamente, como também há populações, grupos étnicos, parcelas da sociedade que são culturalmente diferentes entre si. o fato é que, na prática, pelas características socioeconômicas e demográficas da população brasileira, o acesso à saúde não se dá de forma igualitária. Por tudo isso, o conceito de equidade é necessário para que todos possam usufruir de seu direito à saúde. Agente Popular de Saúde Quanto ao princípio da integralidade, é preciso primeiramente entendermos seus diferentes sentidos. De acordo com o conceito ampliado de saúde, o princípio da integralidade corresponde ao fato de que todo cidadão tem direito de receber atendimento para todas as suas necessidades de saúde, que passam pelas necessidades da saúde preventiva, bem como as de atenção à saúde. Mas para muito além das necessidades de prevenção e tratamento, a Integralidade deve todo o conceito de saúde e proven aos indivíduos recursos para o atendimento das necessidades promovidas pelos determinantes sociais da saúde (DSS). Conceito ampliado de saúde Em uma abordagem mais abrangente, a saúde é o resultado das condições alimentares, de moradia, de educação, da renda, interação com o meio com o trabalho, o transporte, empregabilidade, o lazer, a liberdade, o acesso e a posse da terra, além do acesso aos serviços de saúde. Expressa-se num argumento histórico de determinada sociedade e num dado período de seu desenvolvimento, adquirida pela população em suas lutas cotidianas. Determinantes sociais da saúde (DSS) Compreende-se como DSS as causas sociais, econômicas, culturais, psicológicas e comportamentais que pronunciam o surgimento de problemas de saúde e seus fatores de risco numa população. Os princípios do SUS na vida real 15/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Neste vídeo, o especialista Eduardo Corsino destacará exemplos reais que retratam a aplicação dos princípios do SUS. Vamos lá! Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. 16/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A Lei 8.080/1990, conhecida como Lei Orgânica do SUS, determina uma série de regras, conhecidas como Princípios e Diretrizes do SUS. Essas regras tentam dar ao Sistema um sentido doutrinário e organizativo que deve ser seguido pelos gestores em saúde nas três esferas de governo. Uma dessas diretrizes, descentraliza a gestão do SUS das mãos unicamente dos governantes, de forma que as decisões são compartilhadas com instâncias representativas. Essa diretriz é denominada de: A Participação da comunidade. B Hierarquização e descentralização. C Equidade. D Igualdade. E Integralidade. Parabéns! A alternativa A está correta. A participação da comunidade no SUS, é uma diretriz garantida e regulamentada pela Lei Federal 8.142/1990. Essa participação acontece a partir de instâncias representativas, num sentido de proporcionar a participação da sociedade como fonte de acompanhamento e controle. Questão 2 o SUS é o sistema de saúde brasileiro. Trata-se de um sistema público e gratuito, em que toda a população tem direito de acesso, incluindo os indivíduos estrangeiros em nosso território. Além de 17/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos abranger uma imensa quantidade de pessoas, o SUS também dispõe de uma gama de procedimentos de atenção, promoção e prevenção em saúde. Devido ao volume de pessoas e procedimentos, o SUS é considerado um dos sistemas de saúde públicos mais complexos do mundo. Para gerir tudo isso, ele apresenta uma estrutura organizacional de gestão composta por: Ministério da Saúde, Secretarias de Estado de A Saúde, Secretarias Municipais de Saúde e Conselhos de Saúde. Ministério da Saúde, Secretarias de Estado de Saúde B e Secretarias Municipais de Saúde. Ministério da Saúde, Secretarias Municipais de C Saúde e Conselhos de Saúde. Ministério da Saúde, Secretarias de Estado de Saúde D e Conselhos de Saúde. Ministério da Saúde, Secretarias de Estado de Saúde, Secretarias Municipais de Saúde, Conselhos E de Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar e Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Parabéns! A alternativa A está correta. A composição de gestores do SUS é constituída pelo Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde dos Estados e Municípios, e estes apresentam responsabilidades compartilhadas. Ainda compõem essa gestão os órgãos colegiados, representados pelos Conselhos de Saúde, de forma a garantir a participação da sociedade civil nessa gestão. 18/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos 2 - Diretrizes do Sistema Único de Saúde e a Assistência Farmacêutica Ao final deste módulo, você será capaz de descrever as diretrizes do SUS e os Componentes da Assistência Farmacêutica. o SUS é gerido pelo governo e fornece uma diversidade de serviços de saúde gratuitos para toda a população brasileira, incluindo residentes estrangeiros. sistema obedece a uma forma específica de implementar suas políticas, a qual é norteada pelas diretrizes previstas na Constituição Federal. Principais diretrizes do SUS Ao analisarmos as legislações do SUS, podemos perceber três diretrizes que precisam se relacionar com os princípios do SUS: 1. Descentralização. 2. Regionalização e hierarquização. 3. Participação da comunidade. Atenção! É importante entender que é devido às diretrizes, que os princípios do SUS têm sustentação. É por meio delas que os objetivos do sistema de saúde podem ser alcançados. Agora, vamos entender um pouco mais sobre a descentralização. Os legisladores, na hora da elaboração dessa diretriz, tiveram como objetivo o fortalecimento do pacto federativo, de modo que a organização do SUS seguiu a lógica das ações a serem realizadas na esfera federativa mais próxima das pessoas que necessitam da ação do Estado para a resolução de seus problemas de saúde. Assim, o SUS apresenta uma certa descentralização de suas ações no âmbito político, administrativo e de serviços, favorecendo a chegada das ações de saúde aonde as pessoas realmente vivem, ou seja, seus municípios. 19/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos A diretriz da regionalização e hierarquização diz respeito ao caráter organizativo do SUS, dando uma direção para suas ações. A lógica ainda é: quanto mais próximo da população, mais fácil é para o Sistema identificar as necessidades de saúde da população e realizar as ações necessárias. Quando se fala de regionalização, deve ser pensado o território. Diferentemente do território geopolítico, o território de saúde não leva em consideração as fronteiras geográficas, mas sim as características do perfil populacional, as características epidemiológicas, as condições de vida e o suporte social, para nortear as ações e os serviços de saúde naquele território, que muitas vezes ultrapassa os limites do município. Assim, são necessárias pactuações intermunicipais para o estabelecimento da rede, entrando em cena instâncias intergestoras como a CIB. Na hierarquização, por sua vez, tem-se a idealização de ações entre os entes federativos, que seguem de forma hierarquizada uma direção única. A hierarquização é concebida no contexto da complexidade das ações, orientando cada uma delas e criando um fluxo necessário para o funcionamento da rede, sempre com o objetivo da integralidade. A imagem a seguir apresenta a hierarquização do SUS: 20/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Atenção terciária/ alta complexidade Governo Federal Atenção secundária/ Governo média complexidade Estadual Atenção primária/ Governo atenção básica Municipal Hierarquização do SUS A participação da população também é uma diretriz do SUS que se relaciona com a organização e operacionalização do sistema. A regulamentação dessa participação é dada pela Lei Federal n° 8.142/1990, que determina as instâncias de participação da comunidade. Essa Lei formaliza e institucionaliza a participação da sociedade como dispositivo permanente de acompanhamento e controle. Cada esfera de governo apresenta uma instância colegiada com a participação social: o Conselho Nacional de Saúde, na esfera federal. Os Conselhos Estaduais, nas esferas estaduais de Saúde. Os Conselhos Municipais de Saúde, nas esferas municipais. Esses conselhos se reúnem permanentemente para fins deliberativos e de fiscalização das ações e políticas de saúde tanto nos aspectos financeiros quanto nos aspectos administrativos. o SUS ainda apresenta outras diversas diretrizes que você pode verificar a seguir: 1. Autonomia das pessoas, que deve ser preservada para se garantir a integridade física e moral. 2. Igualdade, de forma a não haver qualquer tipo de discriminação e privilégios. 3. Direito à informação, as pessoas devem ser informadas de sua saúde. 4. Divulgação de informações, sobre os serviços oferecidos e seus potenciais. 5. Utilização da epidemiologia no estabelecimento de estratégias, políticas e alocação de recursos. 21/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos 6. Integração em nível executivo das ações entre saúde, meio ambiente e saneamento básico. 7. Conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos, formação de rede entre os entes federativos e disponibilização compartilhada dos recursos. 8. Resolução dos serviços, conseguir resolver os problemas de saúde em todos os níveis de complexidade. 9. Evitar duplicidade, organizar o sistema de forma a não ofertar serviços Carta dos direitos dos usuários do SUS A Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde é um documento que explica à população os direitos que ela possui na hora de receber um atendimento de saúde. Nela, estão descritos seis princípios básicos de cidadania com intuito de assegurar à população um acesso digno no sistema público e no privado. Veja a seguir os princípios da Carta: Todas as pessoas têm direito, nos sistemas de saúde, a um acesso ordenado e organizado; Todas as pessoas têm direito a uma terapia adequada e efetiva para sua necessidade de saúde. Todas as pessoas têm direito de serem acolhidas e de ter um atendimento humanizado e sem nenhuma discriminação. Todas as pessoas têm direito a serem atendidas, tendo respeitados a sua pessoa, bem como os seus valores e direitos. Toda pessoa também é responsável em colaborar para que seu tratamento seja adequado. Toda pessoa tem direito a que seus gestores da saúde mantenham comprometimento com os princípios anteriores. Exemplo da vida real 22/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Regiões de Saúde e Redes de Atenção à Saúde Santo LITORAL SUL MÉDIO PARAIBA CENTRO SUL SERRANA LITORÂNEA NORTE Minas Gerais NOROESTE São Paulo Oceano Atlântico Governo do Estado do Rio de Janeiro, Boletim Epidemiológico e Ambiental, 2014. As Regiões de Saúde são territórios contínuos constituídos por grupos de municípios com objetivo de integrar a organização, o planejamento e a execução das políticas, ações e serviços de saúde e são utilizadas para a transferência de recursos entre os entes federativos. Essas regiões precisam realizar ações de atenção básica, atenção psicossocial, vigilância à saúde, urgência-emergência, atenção ambulatorial especializada e hospitalar. Uma ou mais regiões de saúde podem formar a Rede de Atenção à Saúde, que é um grupo de ações e serviços de saúde articulados com característica de complexidade crescente, objetivando garantir a integralidade da assistência à saúde, por meio do referenciamento do usuário na rede regional e/ou interestadual, de acordo com a pactuação nas Comissões Intergestores. As Redes de Atenção à Saúde são configurações organizativas de ações e serviços de saúde, de diferentes níveis de complexidade de atendimento, ordenadas para atender à população de forma a lhe garantir a integralidade de serviços. Você pode perceben essa rede funcionando quando se depara com veículos de transportes de pacientes de cidades vizinhas, acessando os serviços de saúde da sua cidade, ou pacientes da sua cidade acessando serviços de outras cidades que compõem a sua rede (pacientes de Maricá utilizando a rede de saúde de Niterói ou vice-versa). Comentário Isso acontece porque nem todos os municípios possuem todos os serviços de saúde que a população residente precisa. Assim, por meio da pactuação de redes, um município disponibiliza sua capacidade instalada de atendimento para os residentes em cidades que compõem a rede. Em troca, a população dessas cidades acessa os serviços de outro município. Dessa forma, a população não fica desassistida e é garantida a ela a integralidade das ações em saúde. 23/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Direito à assistência farmacêutica (AF) o artigo 6° da Lei n° 8.080/1990 determina a inclusão de ações no âmbito de atuação do SUS, tais como: Ações de vigilância sanitária. Ações de vigilância epidemiológica. Ações em Saúde do Trabalhador. Assistência terapêutica integral, inclusive a farmacêutica. Dessa forma, os gestores do SUS tiveram de desenvolver ações e políticas que pudessem pôr em prática o que foi determinado pela Lei Orgânica do SUS. Para que se materializasse, a Assistência Farmacêutica passou a ser vista como uma política pública. Assim sendo, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) publicou a Resolução n° 338/2004, que estabelece a Assistência Farmacêutica como política norteadora de políticas setoriais, das quais podemos citar a Política de Medicamentos, de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Industrial e a de Formação de Recursos Humanos, e estas podem envolver tanto o setor público como o privado. A Assistência Farmacêutica nessa política tem uma concepção abrangente, multiprofissional e intersetorial, objetivando a organização das atividades relacionadas ao medicamento em todas as suas dimensões, principalmente com relação ao paciente e à comunidade, visando à promoção da saúde. Saiba mais 24/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos o CNS publicou a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF) em 2004, corroborando a ideia da assistência farmacêutica como parte do cuidado à saúde, e o medicamento sendo o insumo essencial, entretanto utilizado de forma racional. Esse arcabouço legal exemplifica a importância da Assistência Farmacêutica no SUS. Em atendimento a essa política, o Ministério da Saúde (MS) promove o acesso aos medicamentos e seu uso racional como ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde. Podemos dizer que a Assistência Farmacêutica no SUS estabelece três significados importantes: 1. Política pública norteadora. 2. Conjunto de ações envolvendo a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, além da sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, de forma a garantir a qualidade dos produtos e serviços. 3. Incorpora a Atenção Farmacêutica, que é um modelo de prática farmacêutica que visa à otimização da farmacoterapia. A estrutura da Assistência Farmacêutica no SUS passou a ser considerada uma estratégia no sentido de aumentar e qualificar o acesso da população aos medicamentos essenciais. Nesse sentido, a Lei Federal n° 13.021/2014 estabeleceu a assistência farmacêutica obrigatória (presença do farmacêutico) nas farmácias de qualquer natureza, incluindo as públicas. A referida Lei também estabeleceu que a Assistência Farmacêutica configura um conjunto de processos relacionados ao medicamento e ao profissional farmacêutico, nos diversos níveis de atenção e de complexidades do SUS. Componentes da Assistência Farmacêutica no SUS A Assistência Farmacêutica no SUS foi dividida em três componentes principais: Alto custo Componentes da Assistência Farmacêutica Outros: Oncológicos, Hospitalares Farmácia Básico Estratégico Popular. 25/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Componentes principais da Assistência Farmacêutica no SUS. Dessa forma, é possível a destinação de recursos e a organização da participação dos entes federativos em cada componente. A gestão e o financiamento da Assistência Farmacêutica no SUS seguem a diretriz da descentralização, de forma que sua organização e hierarquização seguem o esquema a seguir: Ministério União da Saúde Secretarias de Estado Estado Estado de Saúde Secretarias Município Município Municipais de Saúde Município Descentralização e hierarquização do SUS. Cada ente federativo possui sua própria responsabilidade quanto ao financiamento e às ações da Assistência Farmacêutica. A Portaria n° 176/1999 do Ministério da Saúde é considerada o marco da organização, e o modelo de gestão para os componentes da atenção básica - que tem o objetivo de adquirir medicamentos e insumos da Assistência Farmacêutica pode ser baseado na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) para as doenças mais comuns no País ou na área de programas de saúde específicos. Essa portaria estabelece as condições para qualificar os municípios e estados ao incentivo à Assistência Farmacêutica Básica, além de definir os valores a serem aportados. Veja a seguir a organização e o modelo de gestão para os componentes básicos: Responsabilidades das três esferas de governo Financiar. Adquirir. Distribuir. Dispensar. Financiamento e transferência de recursos o financiamento pode ser centralizado no estado ou descentralizado nos municípios, de forma total ou parcial, para cada ente. Também pode haver a transferência de recursos do estado para os municípios. Condições para qualificação 26/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Não habilitado. Ter a gestão plena da Atenção Básica e do sistema. Planos estaduais e municipais da AF Os planos podem ser operacionalizados e financiados pelos entes. Os entes definem o elenco de medicamentos a serem distribuídos nos respectivos planos. Quando falamos de Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica, estamos falando dos medicamentos para garantir o acesso equitativo a medicamentos e insumos, para prevenir, diagnosticar, tratar e controlar as doenças com perfil endêmico, ou de importância epidemiológica, com consequências socioeconômicas ou as observadas em populações vulneráveis. Esses medicamentos podem ser acessados nos centros de referência ou nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) municipais. A seguir, você pode verificar as patologias atendidas pelos medicamentos do Componente Estratégico: Populações vulneráveis São grupos populacionais fragilizados quanto à garantia de seus direitos. Referem-se a uma questão multidimensional, que abarca um conjunto de fragilidades, como a social, econômica, ambiental, entre outras. Controle da tuberculose. DST/AIDS. Endemias focais. Sangue e hemoderivados. Alimentação e nutrição. Controle do tabagismo. Influenza. Saúde da criança. Doenças hematológicas. 27/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Vacinas e soros. Imunoglobulinas. Ainda falando de componentes estratégicos, as ações dos entes federativos são compartilhadas da seguinte forma: Ministério da Saúde (MS) Elabora os protocolos de tratamento; realiza o planejamento e a programação dos medicamentos; realiza o financiamento; realiza a aquisição centralizada e distribui os medicamentos aos estados e/ou aos municípios. Secretarias Estaduais de Saúde (SES) Realizam a programação para a sua população; armazenam os medicamentos recebidos do MS e distribuem às regionais ou aos municípios. Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Realiza a programação para a sua população; armazena os medicamentos recebidos da SES; distribui às unidades de saúde e realiza a dispensação. Agora, um outro componente da Assistência Farmacêutica é o Componente Especializado. Nesse âmbito, busca-se garantir o acesso aos medicamentos, com foco na integralidade do tratamento, e as linhas de cuidado são definidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) pelo Ministério da Saúde. Os medicamentos desse componente são divididos em três grupos, obedecendo aos seguintes critérios: 28/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos 1. Complexidade da doença. 2. Garantia de integralidade do tratamento da doença na linha de cuidado. 3. Manutenção do equilíbrio financeiro entre as esferas de gestão. A seguir, podemos ver as responsabilidades para o fornecimento de medicamentos em cada esfera de governo para o Componente Especializado da Assistência Farmacêutica: Grupo 1 - União Fornecer medicamentos em casos de: - Maior complexidade da doença; - Refratariedade ou intolerância aos medicamentos de e escolha; III - Elevado impacto financeiro; IV - Medicamento incluído em ação de desenvolvimento produtivo do complexo industrial da saúde. Grupo 2 - Estados Fornecer medicamentos em casos de: - Menor complexidade em relação ao grupo 1; - Refratariedade ou intolerância aos medicamentos de escolha. Grupo 3 - Municípios Fornecer medicamentos em casos de: - Medicamentos contidos na RENAME e indicados nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas; - Primeira linha de cuidado. Atenção! 29/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos É importante ressaltar que a introdução, a exclusão ou até mesmo a redução da cobertura desses medicamentos só ocorre com a decisão do MS, assessorado pela CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS). Você deve estar se perguntando: como oriento o meu paciente ou a equipe de saúde para que se possa adquirir um medicamento do Componente Especializado? Veja a seguir o fluxo que deve ser seguido para a liberação de um medicamento nesse âmbito: 1 Solicitação -Documento de identidade e de endereço; - Laudo médico, exames e prescrição; - Documentos exigidos nos PCDT. 2 Avaliação Todos os documentos devem ser avaliados conforme a Portaria n° 1.554/13 do MS. 3 Autorização Deverá ser efetivada depois do deferimento da requisição. 4 Dispensação - Somente poderá ser efetivada após autorização; - Processamento no sistema do SUS. 5 - Renovação - grupos 2 - Laudo médico, exames e prescrição médica; - Documento para monitoramento fornecido pelo PCDT. A dispensação dos medicamentos dos Componentes Especializados se dá por meio das unidades dispensadoras, credenciadas pelo gestor 30/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos estadual. Para um paciente se cadastrar é preciso seguir com a apresentação dos documentos estabelecidos na Portaria 1.554/2013 do MS, os documentos exigidos em cada PCDT e estar de acordo com as regulamentações de cada estado. o paciente, ou seu representante legalmente habilitado, deve comparecer a uma unidade de dispensação com os seguintes documentos: Cópia do documento de identidade; Cópia do CPF; Cópia de comprovante de residência; Cópia do Cartão Nacional de Saúde; Exames exigidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, conforme a doença e o medicamento; Receita médica utilizando a Denominação Comum Brasileira (DCB) ou, na sua falta, a Denominação Comum Internacional (DCI); Relatório médico com o CID 10; Laudo de solicitação, avaliação e autorização de medicamentos (LME); Termo de Esclarecimento e Responsabilidade (TER) assinado pelo médico e pelo usuário ou seu responsável, conforme a doença e o medicamento; Termo de autorização. 31/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos DECLARAÇÃO AUTORIZADORA Eu, RG autorizo, de acordo com o preconizado na Portaria de Consolidação n° 02/MS, de 28 de setembro de 2017, que regulamenta o Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, os representantes abaixo relacionados a me representarem na Farmácia do Componente Especializado para formalização da solicitação de medicamentos, renovação da continuidade de tratamento e retirada de REPRESENTANTE 1 Nome Completo: RG: Endereço completo: REPRESENTANTE 2 Nome Completo: RG: Endereço completo: Tel.: REPRESENTANTE 3 Nome Completo: RG: Endereço completo: Tel.: Data / / Assinatura Adicionar endereço e contatos no rodapé Modelo de COMPONENTE ESPECIALIZADO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA LAUDO DE AVALIAÇÃO E AUTORIZAÇÃO DE MEDICAMENTO(S) SOLICITAÇÃO DE MEDICAMENTO(S) CAMPOS DE PREENCHIMENTO EXCLUSIVO PELO MÉDICO SOLICITANTE CNES* 2 do estabelecimento de saúde solicitante Nome completo do Paciente* kg Nome da do Paciente* Altura do Quantidade manualment mês mês mês mês mês mês 1 2 3 4 5 6 Diagnóstico 12 Paciente realizou tratamento ou está em tratamento da NÃO SIM Relatar 13 Atestado de A solicitação do medicamento deverá ser realizada pelo fica dispensada obrigatoriedade da presença fisica do paciente considerado incapaz de acordo com os artigos do Código o paciente considerado incapaz? SIM Indicar nome do responsável pelo paciente o qual poderá realizar solicitação do medicamento Nome responsável 14 Nome do médico Assinatura carimbo do Número do Cartão Nacional de Saúde (CNS) do médico solicitante* 16 Data da 18 CAMPOS ABAIXO PREENCHIDOS POR*: do paciente Responsável (descrito no item 13) solicitante informar name e CPF informado pelo paciente ou 20 Telefone(s) para contato do paciente D Preta Informar Parda informação 21 do documento do paciente 23 Assinatura do responsável pelo eletrônico do paciente Modelo do Laudo de solicitação, avaliação e autorização de medicamentos (LME). 32/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Componentes da Assistência Farmacêutica no SUS Neste vídeo, o especialista Eduardo Corsino deve destacar os Componentes da Assistência Farmacêutica no SUS, com ênfase na contribuição e importância do profissional nesse âmbito. Vamos lá! Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. 33/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A Política Nacional de Assistência Farmacêutica, conhecida como PNAF, tem um papel fundamental na garantia do cuidado integral à saúde no SUS. o Conselho Nacional de Saúde publicou essa política em 2004, no sentido de nortear políticas setoriais na área de medicamentos para o SUS. Um desses norteamentos é a divisão da Assistência Farmacêutica em componentes, que orienta a organização e o financiamento das ações nessa área, por parte dos gestores, nas três esferas de governos. Como são divididos os principais componentes da Assistência Farmacêutica? A Básico, médio e superior. B Básico, estratégico e especializado. C Geral, especializado e superior. D Estratégico, especializado e de alto custo. E De baixo custo, médio custo e alto custo. Parabéns! A alternativa B está correta. A Assistência Farmacêutica apresenta três componentes principais divididos em componente básico, componente estratégico e 34/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos componente especializado, que têm a finalidade de ampliar o acesso aos medicamentos nas três esferas de governo. Questão 2 Podemos dizer que o SUS apresenta regras, e entre elas temos as Diretrizes, que são orientações, guias, rumos, que norteiam, definem e/ou regulamentam um determinado caminho que o sistema de saúde deve seguir. Algumas dessas diretrizes se relacionam com os princípios do SUS de forma a dá-los sustentação. Entre as diretrizes do SUS, podemos dizer que as que sustentam seus princípios são: Descentralização; regionalização; hierarquização e A participação da comunidade. Descentralização; autonomia das pessoas; B hierarquização e participação da comunidade. regionalização; igualdade e C participação da comunidade. Descentralização; direito à informação; D hierarquização e participação da comunidade. Descentralização; regionalização; divulgação de E informações e participação da comunidade. Parabéns! A alternativa A está correta. Os princípios do SUS são valores fundamentais, que dão alicerce para a materialização do sistema. Porém, para que eles se sustentem, precisam dos princípios de descentralização, regionalização, hierarquização e participação da comunidade. 35/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos 3 Política Nacional de Medicamentos (PNM): definições e aplicações Ao final deste módulo, você será capaz de descrever a Política Nacional de Medicamentos. A Política Nacional de Medicamentos faz parte da Política Nacional de Saúde como elemento essencial, sendo fundamental para garantir a melhoria das condições da assistência à saúde das pessoas. A Lei n° 8.080/90 determina em seu artigo 6° a formulação da política de medicamentos como campo de atuação do SUS. o objetivo principal é o de assegurar a segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos, necessárias para a promoção do uso racional e o acesso da sociedade aos considerados essenciais. A Política de Medicamentos, regulamentada pela Portaria 3.916/1998, teve o objetivo de reorientar o modelo de Assistência Farmacêutica no Ela possui como base os princípios e as diretrizes do SUS e determina, para a sua implementação, a reorganização de planos, programas e atividades específicas nas três esferas de governo. A PNM consolida metas do Plano de Governo, agrega os esforços para a consolidação do SUS, além de colaborar com o desenvolvimento social do País. Ela guia a implementação das ações e metas prioritárias determinadas pelo Ministério da Saúde. Assim, podemos dizer que essa política: 1. Abrange diretrizes e determina prioridades relacionadas à legislação; 36/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos 2. Acrescenta a regulamentação para a inspeção, o controle e a garantia da qualidade, a seleção, a aquisição e a distribuição; 3. o uso racional de medicamentos; 4. desenvolvimento de recursos humanos, além do desenvolvimento científico e tecnológico. Alguns conceitos que norteiam a PNM A PNM foi instituída no sentido de dar completude às ações de saúde previstas no SUS. Ela foi elaborada tendo como referência as Diretrizes e Princípios do SUS, dispostos na Lei n° 8.080/1990. Além disso, a construção da Política Nacional de Medicamentos baseou-se em um referencial teórico de conceitos, que foram utilizados como alicerces, conferindo-lhe sustentação. Você verá a seguir uma discussão dos principais conceitos que envolvem a Política de Medicamentos brasileira. Acesso o acesso pode ser entendido como a liberdade e a capacidade de alcançar alguma coisa ou dela se utilizar. Quando se trata de medicamentos, o acesso vem acrescido da ideia de obter de forma adequada, com finalidade específica, na dose correta, por período adequado, com utilização racional e resultando em resolução das ações em saúde. o conceito de acesso pode ser considerado bastante complexo e se distingue entre diferentes autores na literatura. De uma forma geral, podemos dizer que o acesso aos medicamentos representa a adequação da relação entre os usuários e o sistema de saúde, além de implicar a garantia do ingresso das pessoas ao sistema de saúde, com obtenção desses produtos sem nenhum impedimento físico, financeiro ou de qualquer outra natureza. Comentário 37/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Não basta apenas que os usuários dos serviços de saúde tenham uma prescrição. Outros fatores também interferem no acesso aos medicamentos. Veja a seguir alguns exemplos desses fatores: Disponibilidade Uma reportagem, da versão eletrônica do Diário Gaúcho, em 29/09/2021, tinha em seu título a seguinte informação: "Pacientes com problemas renais relatam falta de medicamento em farmácias do SUS em Porto Alegre" Nesse caso, a indisponibilidade se deu devido ao medicamento injetável sacarato de hidróxido férrico, que é utilizado em pacientes nefropatas em uso de hemodiálise, não estar sendo dispensado em algumas unidades farmacêuticas do SUS, e segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o desabastecimento ocorreu por falta de empresas fornecedoras do produto no Estado. Um outro exemplo de falta de disponibilidade foi relatado na reportagem do Portal G1, em 20/09/2021, com a seguinte informação: "Ipen suspende produção de insumos para tratamento de câncer por tempo indefinido; já há registros de falta de remédios" Nesse caso, a falta de disponibilidade se deu por motivos de falta de recursos, que deveriam ser disponibilizados pelo governo federal para a produção do medicamento. As unidades hospitalares começaram, então, a cancelar os tratamentos devido ao desabastecimento. Como você pode perceber, o acesso aos medicamentos foi prejudicado, o que se desdobra, consequentemente, na não obtenção do cuidado integral à saúde, ficando, assim, em desacordo com o princípio do SUS da integralidade. Acessibilidade geográfica Outro fator que afeta o acesso aos medicamentos é a região geográfica na qual os serviços e medicamentos são disponibilizados. É notório que a grande extensão territorial brasileira, bem como as diferenças de viabilidade de locomoção da população e a localização de determinados serviços e dispensação de medicamentos, dificulta que a população consiga obter os medicamentos que precisa. 38/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Dica Não podemos esquecer, ainda, que as condições socioeconômicas de diversos brasileiros também se tornam fator impeditivo de acessibilidade para a obtenção de seus medicamentos. Um exemplo de dificuldade de acessibilidade geográfica pode ser visto a seguir: "Bauruenses com câncer precisam viajar até Jaú para fazer radioterapia" Esse é o título de uma reportagem do portal de notícias JCNET, publicada em 24/03/2021. Nessa reportagem, é retratada a dificuldade que a população de Bauru, no Estado de São Paulo, estava enfrentando para conseguir o tratamento de radioterapia, devido à falta de disponibilidade do tratamento em sua cidade. Mais uma vez, observamos a dificuldade de acesso ao tratamento. Aceitabilidade do produto Considerada um fator importante que influencia o acesso aos medicamentos, a aceitabilidade do produto tem relação com a aceitação da população a um determinado medicamento e às características do produto. Exemplo Um caso bastante emblemático é o comportamento da população em relação ao tratamento precoce da covid-19 e à sua prevenção. Observamos em determinados grupos de pessoas diferentes comportamentos que afetam o acesso, tanto no sentido de ampliá-lo quanto no sentido de rejeitá-lo. Um exemplo de aceitabilidade que impediu o acesso para alguns grupos da população foi a rejeição da vacinação para covid-19 devido às características de procedência do produto. Por outro lado, verificou-se uma crescente busca por hidroxicloroquina e ivermectina, fazendo com que a ANVISA alterasse a normatização para a aquisição desses medicamentos, de modo que eles passaram a ser considerados medicamentos controlados na tentativa de inibir o acesso. Veja a seguir alguns exemplos da vida real sobre aceitabilidade e acesso: "Pessoas rejeitam CoronaVac e confundem cronograma em São Paulo após dia de suspensão" Esse é o título de uma reportagem do portal de notícias UOL, em 23/06/2021, que retrata a rejeição de algumas pessoas à vacina, por ter 39/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos uma origem chinesa. Já a reportagem do dia 24/07/2020, do portal Agência Brasil, retrata a tentativa da ANVISA de frear o acesso indiscriminado de medicamentos para tratamento sem comprovação científica da covid, conforme demonstra o título a seguir: "Anvisa proíbe venda sem receita de cloroquina e ivermectina" Capacidade aquisitiva Esse fator impacta o acesso direto da população aos medicamentos, mas também do próprio sistema de saúde em adquiri-los, pois está relacionado com o preço dos produtos versus a capacidade de pagamento. Podemos perceber a implicação desse fator principalmente em populações de classes com poder aquisitivo mais baixo, nas quais a inflação nos preços dos medicamentos se pronuncia de forma mais acentuada. Dois exemplos podem ser verificados nas reportagens a seguir: "Remédios ficam 9,22% mais caros em Fortaleza na pandemia, maior alta do País" Reportagem do Diário do Nordeste, em 24/05/2021, que retrata a dinâmica dos preços inflacionários e seu impacto na população de baixa renda. "Com dificuldade em conseguir medicamentos de alto custo, pacientes entram na Justiça" Reportagem do portal de notícias G1, em 18/06/2021, retratando a dificuldade de acesso aos medicamentos pela população de Jundiaí, no estado de São Paulo, devido aos altos preços dos produtos. Qualidade do produto A qualidade dos medicamentos é um fator que perpassa todos os outros fatores que afetam o acesso a esses produtos. Comentário Obviamente a população percebe a qualidade dos medicamentos principalmente quando seus efeitos não são pronunciados. Essa percepção faz com que as pessoas deixem de usar o medicamento e busquem novas alternativas. 40/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos A obtenção de um medicamento de qualidade, no entanto, pode influenciar na capacidade de acesso das pessoas ao produto, já que estão atrelados à qualidade, muitas vezes, maior preço do produto, distribuição em determinadas regiões do País e menor disponibilidade deles nos serviços de saúde. Assim, para se garantir a qualidade dos medicamentos nos serviços de saúde, a presença do farmacêutico é indispensável, uma vez que esse profissional é o único com capacidade técnica e legal para realizar a seleção e aquisição de medicamentos com garantia de suas Política pública o termo "políticas públicas" trata de um conceito recente e bastante amplo na área da Ciência Política. Estudos acadêmicos norte-americano e europeu analisaram o papel do Estado no que se refere ao impacto de suas instituições administrativas na vida das pessoas. Assim, foi verificado que as políticas públicas são as ações políticas e governamentais que adequam a relação entre o Estado e a sociedade. A relação entre Estado e sociedade acaba por pronunciar diversas demandas sociais. Entretanto, nem todas as demandas se transformam em políticas públicas. Para que isso aconteça, é necessário que ocorram diversas etapas no processo da efetivação de uma dessas políticas. Você pode conferir no fluxo a seguir as etapas do processo de construção de uma política pública. 1 - Identificação do problema Há um olhar técnico do governo, sobre uma demanda social para identificar o problema. 2 Agenda São debatidos os itens que precisam ser trabalhados com urgência. 41/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos 3 Formulação São elaboradas diversas alternativas para que os gestores públicos possam identificar as soluções possíveis. 4 - Tomada de decisão É definida a solução a ser adotada. 5 - Implementação A política pública torna-se realidade. 6 - Monitoramento É verificada a eficácia, eficiência e efetividade da política. 7 Avaliação São realizadas análises para identificação de novos problemas e necessidades de ajustes na política. SUS Cartão Nacional de Saúde do PREFEITURA DE PAULO Cartão Nacional de Saúde do SUS. 42/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos As políticas públicas, de uma forma mais abrangente, são atravessadas pelas áreas da Economia, Administração, do Direito e das Ciências Sociais. Elas se materializam em políticas econômicas, políticas externas (relações exteriores), políticas administrativas e diversas outras como sendo uma ação do Estado. Constantemente, as políticas públicas mais percebidas pela população são as políticas sociais, normalmente arranjadas em políticas públicas setoriais. A exemplo disso temos a Política Nacional de Saúde, a Política Nacional de Educação, a Política Nacional de Saneamento Básico, a Política Nacional de Medicamentos, entre outras. As políticas públicas são elaboradas para o benefício de toda a população. Isso se dá devido à solidificação da democracia, na qual a responsabilidade do governante é proporcionar o bem-estar da sociedade. Essas políticas são ações e programas realizados pelo Estado para viabilizar os direitos previstos na Constituição Federal e em outras leis. E foi a partir do conceito de política pública que, para atingir a integralidade das ações em saúde, elaborou-se a Política Nacional de Medicamentos. Justificativa Assegurar que as pessoas tenham acesso ao medicamento, de forma a garantir os princípios de equidade e justiça social, é um desafio. Promover o uso racional do medicamento, ofertando medicamentos seguros, eficazes e com qualidade é uma tarefa árdua para qualquer gestor público Isso muito se deve ao grande volume de atendimentos no Sistema Único de Saúde, mudanças no perfil epidemiológico, prevalência de doenças degenerativas, elevação da morbimortalidade devido à violência, além da incidência de doenças emergentes e reemergentes. envelhecimento da sociedade brasileira também gera novas demandas em saúde. Para dar cabo, de maneira resolutiva, aos diversos problemas de saúde apresentados ao SUS, na maioria das vezes o medicamento se apresenta como a única escolha terapêutica capaz de resolver as necessidades de saúde dos usuários do sistema. Dito isso, é inegável a grande demanda por medicamentos no SUS. o crescimento populacional também atua como um fator de influência no consumo de medicamentos, acarretando num maior custo social. Reflexão 43/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Observa-se, ainda, uma grande quantidade de prescrições médicas com indicação de medicamentos não constantes na lista de medicamentos essenciais do SUS, como também uma forte cultura de automedicação e uso irracional de medicamentos na sociedade que, além de aumentarem a demanda por medicamentos, contribuem para novos agravos à saúde, decorrentes do uso inadequado, gerando ainda mais Toda essa demanda por medicamentos no País tem colocado o Brasil entre os maiores consumidores de medicamento no mundo. Diante desse cenário, não é raro se verificar ações desordenadas, por parte dos gestores públicos, em relação à assistência farmacêutica, com consequentes episódios de desabastecimento. Tudo isso envolve questões de falta de acesso, uso irracional de medicamentos e desarticulação político-administrativa. Fica clara, assim, a necessidade de implementação de uma política de medicamento que contribua com a articulação das ações de saúde envolvendo os medicamentos, com garantia de acesso e uso Diretrizes da PNM As diretrizes da PNM foram estabelecidas no sentido de organizar as ações dos gestores do SUS para a garantia do acesso aos medicamentos seguros, eficazes e de qualidade. Assim, esses gestores devem pautar suas ações nas seguintes diretrizes: Adoção de relação de medicamentos essenciais Os medicamentos essenciais são aqueles considerados básicos e indispensáveis para atender à maioria das necessidades de saúde da população. Eles devem estar sempre disponíveis no sistema na sua forma apropriada. Os medicamentos essenciais compõem a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, que serve como base para o direcionamento da produção, do desenvolvimento e da pesquisa desses produtos no País. Os estados e municípios também formulam suas listas com base na lista do ente federativo hierarquicamente acima, levando em consideração seus perfis epidemiológicos. 44/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos MINISTÉRIO DA SAÚDE Relação Nacional de Medicamentos Essenciais 2020 VENDA PROIBIDA Brasília DF 2019 Capa do Essas listas devem ser constantemente atualizadas de dois em dois anos. Agora, fique ligado no exemplo dessa diretriz na prática: A revista IstoÉDinheiro publicou em 26/09/2021 a seguinte reportagem: "Procuradoria vai à Justiça para regularizar fornecimento de imunoglobulina no SUS" A imunoglobina é um medicamento usado em pacientes com imunodeficiência e em pacientes com infecções bacterianas e virais graves, incluindo o coronavírus. Esse medicamento faz parte da lista de medicamentos essenciais e deve estar sempre disponível para a população no SUS. Sua não observância pode acarretar ações do Ministério Público, com consequentes responsabilizações dos culpados pela falta. Você como um futuro farmacêutico(a) deve se preocupar com situações como essa, pois a aquisição de medicamentos é uma atribuição desse profissional. Regulamentação sanitária de medicamentos 45/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos A regulamentação de medicamentos é uma atribuição do gestor federal do SUS, por meio da ANVISA, que é a responsável por conceder registros de medicamentos, autorizações sanitárias e até mesmo restringir a circulação e eliminar a comercialização de medicamentos no território nacional com base em dados da Como isso pode contribuir com a política de medicamentos no SUS? Você pode entender melhor a relação da regulação sanitária com o propósito da PNM de fornecer medicamentos seguros, eficazes e de qualidade. Assim, a regulamentação sanitária contribui para que a população seja protegida de medicamentos que possam trazer danos graves à saúde. A seguir, você pode conferir um exemplo da proteção que a regulação sanitária traz à população: "Anvisa proíbe venda de mais dois tipos de anti- inflamatórios" Esse é o título de uma reportagem do portal G1, publicada em 03/10/2008. Nessa reportagem, são relatados a proibição da venda e o cancelamento do registro dos medicamentos Prexige 400mg e Arcoxia 120mg, devido aos riscos de sua utilização serem maiores que os benefícios à saúde. Dessa forma, o SUS passou a não fornecer mais esses medicamentos, bem como eles deixaram de fazer parte das listas de medicamentos essenciais. Reorientação da Assistência Farmacêutica (AF) A Assistência Farmacêutica foi reorientada pela PNM de forma a promover um modelo que não dificulte a aquisição e a distribuição dos medicamentos, bem como fomente o seu acesso. A Política Nacional de Medicamentos também preconiza que a AF seja fundamentada: Na descentralização da gestão; Na promoção do uso racional; 46/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Na eficácia da distribuição; Na redução dos preços dos produtos. Ainda nessa diretriz, também são estipuladas: A adoção do ciclo da Assistência Farmacêutica (seleção, programação, aquisição, armazenamento e distribuição, controle da qualidade e utilização - nesta compreendida a prescrição e a dispensação); A adoção de critérios epidemiológicos; A coparticipação e viabilização de financiamento; A articulação intergestores. Essa diretriz da PNM atribui ao profissional farmacêutico uma participação fundamental no SUS, uma vez que é atribuição desse profissional a participação em todas as fases do ciclo da Assistência Farmacêutica. Isso promoveu uma grande demanda por farmacêuticos nos serviços de saúde pública, bem como em instâncias ditas mais centrais, como as Secretarias e Superintendências de Assistência Farmacêutica nas esferas de gestão do SUS. Você pode conferir essa demanda no exemplo demonstrado a seguir: "Todas as UBSs de Betim terão farmácias até 0 fim do ano" Esse é o título de uma reportagem do site o Tempo Betim, em 14/10/2021. A reportagem relata a estratégia do gestor para ampliar o acesso aos medicamentos, com o aumento do número de farmácias. Consequentemente, mais postos de trabalho para farmacêuticos são disponibilizados. Promoção do uso racional de medicamentos 47/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Essa diretriz estabelece a mudança nos currículos de formação dos profissionais de saúde, principalmente prescritores e dispensadores de medicamentos, com a inclusão dos conceitos de uso racional de medicamentos. Além disso, a orientação para a promoção do medicamento genérico e regulamentação da propaganda de medicamentos também são alvos dessa diretriz. Desenvolvimento científico e tecnológico Essa diretriz preconiza a articulação intersetorial e interministerial para a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico em relação aos medicamentos, principalmente aqueles constantes na lista de medicamentos essenciais e os que tiverem como base a fauna e a flora brasileira. Ainda faz parte dessa diretriz a revisão permanente da farmacopeia brasileira pelo Ministério da Saúde. FARMACOPEA BRASILEIRA Nacional de Capa da Farmacopeia Promoção da produção de medicamentos Essa diretriz preconiza a articulação e o fomento para a produção de medicamentos constantes na bem como o fortalecimento dos laboratórios oficiais. 48/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos Garantia da segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos Nessa diretriz, observa-se a intenção da PNM de fortalecer os sistemas de fiscalização e controle, por meio das fiscalizações sanitárias, bem como o fortalecimento e reconhecimento da Rede Brasileira de Laboratórios Analítico-Certificadores em Saúde (REBLAS). Desenvolvimento e capacitação de recursos humanos Essa diretriz preconiza articulação interministerial, com principal atuação do MS na oferta adequada e oportuna de qualificação de profissionais atuantes na esfera do SUS. Essa e as demais diretrizes apresentadas formam o grupo de prioridades que conformam as bases para se alcançar o propósito da PNM, assim como a efetiva implementação dessa política. As diretrizes da PNM Neste vídeo, o especialista discutirá o acesso aos medicamentos à luz da PNM. Vamos lá! Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0 Prioridades Além das diretrizes, a PNM também determina um conjunto de prioridades a serem adotadas pelos gestores de saúde nas três esferas federativas. Você pode conferir as prioridades da PNM na tabela a seguir: 49/57</p><p>03/09/24, 14:05 Sistema Único de Saúde e Política Nacional de Medicamentos PRIORIDADES DA PNM Prioridades Ações Coordenação realizada pelo Ministério da Saúde, com participação da Secretaria de Vigilância Sanitária e Secretaria de Revisão permanente Assistência à Saúde, além dos da RENAME gestores atuais e municipais, responsáveis pela implementação desta Política e de instituições científicas que atuam na área de medicamentos. Assistência Descentralização e financiamento Farmacêutica fundo a fundo. Campanhas educativas; registro e uso de medicamentos genéricos; Promoção do uso Formulário Terapêutico Nacional; racional de Farmacoepidemiologia e medicamentos Recursos humanos. Organização das atividades de Reestruturação da área de vigilância vigilância sanitária de sanitária. medicamentos Quadro: Prioridades da PNM. Elaborado por: Eduardo Corsino. 50/57</p>