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<p>©Fabricio Bittencourt da Cruz</p><p>©João Irineu de Resende Miranda</p><p>Uma nova forma de falar sobre Metodologia da Pesquisa</p><p>Reload Produtora e Editora Ltda</p><p>Ponta Grossa, Paraná</p><p>editorareload@gmail.com</p><p>Todos os direitos reservados.</p><p>CONSELHO EDITORIAL</p><p>Alexandre Morais da Rosa - Santa Catarina</p><p>Antonio César Bochenek - Paraná</p><p>Carlos Augusto Daniel Neto - São Paulo</p><p>Carlos Renato Cunha - Paraná</p><p>Décio Franco David - Paraná</p><p>Laura Brito - Minas Gerais</p><p>Luciano Bernart - Paraná</p><p>Luma Cavaleiro de Macêdo Scaff - Pará</p><p>Marco Aurélio Serau Jr. - Paraná</p><p>Marcos Catalan - Rio Grande do Sul</p><p>Rene Sampar - Santa Catarina</p><p>Sandra Negri - Mato Grosso</p><p>Thereza Couto - Ceará</p><p>Thereza Nahas - São Paulo</p><p>Valter Lobato - Minas Gerais</p><p>Zilda Mara Consalter - Paraná</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Você está diante de algo novo.</p><p>Tudo aqui foi pensado em detalhes para proporcionar a você uma experiência de</p><p>aprendizado inovadora.</p><p>Abandonamos em definitivo o ensino da metodologia focado apenas em regras e</p><p>mais regras.</p><p>Porque compartilhamos com você o poder do propósito.</p><p>Você vai perceber logo no início que a escrita é leve e descontraída.</p><p>Porque acreditamos que a metodologia não precisa ser chata.</p><p>Bom proveito!</p><p>1. O que significa escrever uma monografia</p><p>2. Uma questão de princípio</p><p>3. Reforçando o propósito</p><p>4. Unir, Juntar e Amarrar</p><p>5. Encontre seu Ikigai</p><p>6. Por onde seguir?</p><p>7. A importância do cronograma</p><p>8. Projeto: primeiros passos</p><p>9. Projeto: o problema de pesquisa</p><p>10. Projeto: objetivo geral</p><p>11. Projeto: objetivos específicos</p><p>12. Projeto extenso ou curto?</p><p>13. A vantagem de projetar</p><p>14. Métodos e técnicas no projeto</p><p>15. Técnicas de pesquisa</p><p>16. Universo e amostra</p><p>17. Documentos de área</p><p>18. Fontes primárias e secundárias</p><p>19. O processo de pesquisa</p><p>20. Fontes de pesquisa</p><p>Conheça o Fabrício</p><p>Conheça o João Irineu</p><p>1. O QUE SIGNIFICA</p><p>ESCREVER UMA</p><p>MONOGRAFIA</p><p>Trabalhos de conclusão de curso costumam ser os principais</p><p>responsáveis pela não conclusão de cursos de pós-graduação lato-</p><p>sensu.</p><p>Muitos estudantes têm um verdadeiro bloqueio para escrever e</p><p>costumam ver o processo de redação como uma atividade difícil e</p><p>desagradável, como se fosse um sacrifício a ser feito.</p><p>MAS NÃO PRECISA SER ASSIM.</p><p>A metodologia da pesquisa possui essa imagem negativa por dois</p><p>motivos.</p><p>Em primeiro lugar porque existe uma ênfase errônea, um verdadeiro</p><p>reducionismo do ato de escrever ao atendimento das normas</p><p>bibliográficas para a formatação do trabalho.</p><p>Em segundo lugar, porque existe uma tendência de se pensar o</p><p>trabalho a ser feito como uma peça paralela à individualidade, aos</p><p>gostos e aos objetivos do estudante.</p><p>Metodologia da pesquisa não é nada disso!</p><p>Nosso objetivo é despertar a criatividade inerente a quem estuda e</p><p>quer se aprofundar em uma área de conhecimento, catalisando seus</p><p>resultados a partir do pensamento científico.</p><p>Por isso, escrever sua monografia é muito mais do que preparar um</p><p>texto para ficar guardado na estante.</p><p>Escrever uma monografia é você conseguir pôr o seu pensamento</p><p>no papel e ninguém dizer que é fake news.</p><p>Escrever uma monografia é você saber o que está dizendo e porque</p><p>está dizendo.</p><p>Escrever uma monografia é mostrar o resultado da sua pesquisa.</p><p>Escrever uma monografia é mostrar para o mundo quem você é.</p><p>VAMOS COMEÇAR?</p><p>2. UMA QUESTÃO DE</p><p>PRINCÍPIO</p><p>Nós vamos emprestar de Ronald Dworkin o título de um livro no qual</p><p>ele justifica toda a ideia do sistema jurídico, com uma importante</p><p>discussão envolvendo os temas do movimento dos direitos civis nos</p><p>Estados Unidos: "Uma questão de princípio”.</p><p>Assim, como para Dworkin a interpretação sistemática dos direitos</p><p>se realiza a partir dos princípios, o processo de escrita da</p><p>monografia se realiza a partir da identificação do propósito de cada</p><p>um.</p><p>Então, são duas as perguntas que você tem que fazer pra si</p><p>mesmo:</p><p>Por que estou escrevendo uma</p><p>monografia?</p><p>Por que estou escrevendo esse tema</p><p>agora?</p><p>Então, por onde começar? A resposta é simples:</p><p>COMECE ACHANDO O SEU</p><p>PROPÓSITO EM ESCREVER A</p><p>MONOGRAFIA.</p><p>Não significa que você vai achar de uma vez por todas o tema, ou</p><p>que você vai delinear já a monografia, mas você tem que entender o</p><p>porquê você está escrevendo e o que você quer escrever.</p><p>Mas, como que eu faço isso?</p><p>OUVINDO A SI MESMO.</p><p>Inúmeras vezes alunos dizem “Professor, eu não tenho ideia</p><p>nenhuma pra fazer um artigo, eu não tenho ideia nenhuma pra fazer</p><p>o meu trabalho de conclusão”.</p><p>E daí eles começam conversar sobre o tema e de repente estão</p><p>tendo insights e apresentando posicionamentos…</p><p>ESSE JÁ É O INÍCIO DO PROCESSO</p><p>DE ESCRITA DE UMA MONOGRAFIA.</p><p>Existe sempre uma área do conhecimento que nos apaixona, nos</p><p>motiva e que, quando pensamos nela nos deixa perplexos, nos traz</p><p>inquietações e perguntas.</p><p>E o nosso tema deve nascer justamente dessa inquietação.</p><p>Olha só como foi o início da caminhada acadêmica do João Irineu:</p><p>Eu tinha acabado de concluir o mestrado, tinha dedicação e</p><p>foco na carreira acadêmica. Por isso optei por concorrer</p><p>imediatamente ao Curso de Doutorado, e, naquele momento,</p><p>meu principal desafio foi o mesmo que estamos falando agora:</p><p>a escolha do tema.</p><p>O texto que se escreve em um doutorado é uma tese, que</p><p>pressupõe uma efetiva contribuição para o Estado da Arte, ou</p><p>seja, algo novo.</p><p>Na Universidade em que apliquei existia um item exclusivo no</p><p>Projeto para a defesa da contribuição que a sua pesquisa traria</p><p>o pensamento da área. Eu precisei buscar algo original.</p><p>E como é difícil, no início da vida acadêmica, você se sentir</p><p>seguro pra entregar alguma coisa. Quanto mais eu estudava</p><p>mais eu percebia que precisava estudar, eu ficava pensando no</p><p>que tinha lido por horas a fio e tinha a impressão de que estava</p><p>sempre atrasado em minhas leituras e, de repente, eu tinha que</p><p>pôr no papel um Projeto de Pesquisa com essas</p><p>características…</p><p>Eu me lembro que eu fiquei meses pensando nisso, e pensava,</p><p>estudava, e pensava, estudava... até que um belo dia eu estava</p><p>naquelas viagens de ônibus, vocês sabem, aquelas</p><p>famigeradas viagens de ônibus que a gente pega o ônibus, tipo,</p><p>23h15 da noite, com a proposta que você vá dormindo durante</p><p>toda a viagem.</p><p>Mas o fato é que quase ninguém dorme direito. A turma toma o</p><p>remédio pra enjoo, conta carneirinhos e ainda assim</p><p>dificilmente consegue dormir, porque a hora que você pega no</p><p>sono vem um buraco na estrada. Ou então o ônibus faz uma</p><p>parada.</p><p>Eu estava em uma viagem dessas, pensando no meu tema,</p><p>sem caneta nem papel, nem qualquer compromisso.</p><p>Daí, de repente, no meio de uma noite muito mal dormida, lá</p><p>por 5h30da manhã, quase chegando no meu destino veio o</p><p>tema da minha tese.</p><p>Esse tema, não apenas garantiu o meu doutorado, mas</p><p>também acabou por guiar muitos dos passos que eu dei na vida</p><p>depois.</p><p>Então, anote isto:</p><p>QUANDO VOCÊ FOR ESCREVER</p><p>PROCURE ALGO QUE VALHA A</p><p>PENA SER ESCRITO.</p><p>Algo no qual a sua voz vai ser ouvida e você acredite que seja um</p><p>tema digno, de que você se faça ouvido.</p><p>Algo que possa expressar mais do que conhecimento acadêmico,</p><p>também as suas ideias pessoais, a sua personalidade, aquilo que</p><p>você efetivamente quer dizer.</p><p>Porque vai ser um dos poucos momentos da sua vida, no qual ao</p><p>invés de likes você vai encontrar leitores interessados no que você</p><p>tem a dizer e ao invés de poucos segundos de visualização, você</p><p>vai ser ouvido por horas e muitas vezes vai deixar uma contribuição</p><p>que vai durar muitos anos.</p><p>Nossa dica essencial é:</p><p>ENCONTRE O SEU PROPÓSITO,</p><p>ENCONTRE O QUE VOCÊ QUER</p><p>DIZER, ENCONTRE ONDE VOCÊ</p><p>GOSTARIA QUE A SUA VOZ FOSSE</p><p>OUVIDA.</p><p>3. REFORÇANDO O</p><p>PROPÓSITO</p><p>O passo fundamental em qualquer pesquisa, em qualquer trabalho</p><p>de conclusão de curso é a escolha do tema.</p><p>E a escolha do tema nos remete a encontrarmos o nosso propósito:</p><p>O que você deseja através do seu</p><p>tema?</p><p>Podemos ter momentos de indecisão em todos as etapas da</p><p>carreira acadêmica, principalmente quando escrever um trabalho de</p><p>conclusão de curso é um compromisso.</p><p>Viagens, caminhadas, meditação e atividades nas quais tenhamos a</p><p>oportunidade de ouvir nossa voz interior podem ser oportunidades</p><p>muito ricas onde</p><p>atuação de magistrados</p><p>por ramo de justiça e grau de jurisdição ,entre vários outras</p><p>informações relevantes para quem quer compreender o Poder</p><p>Judiciário brasileiro.</p><p>E cada pesquisador, tendo por base esse documento de área, tem a</p><p>possibilidade de criar percepções a partir desses dados.</p><p>A nossa dica para você:</p><p>EXISTEM VÁRIOS DOCUMENTOS</p><p>INTERESSANTES ALÉM DE</p><p>ACÓRDÃOS.</p><p>18. FONTES PRIMÁRIAS E</p><p>SECUNDÁRIAS</p><p>Nós centralizamos neste curso a pesquisa bibliográfica e a pesquisa</p><p>documental como técnicas privilegiadas no campo do direito e para</p><p>o propósito de confecção de uma monografia.</p><p>Por isso nós precisamos compreender um critério de</p><p>hierarquização para estabelecer o que deve ser lido em primeiro</p><p>lugar e o que deve ser lido com maior atenção e aquilo que, talvez,</p><p>possa ser lido apenas em determinados aspectos ou em</p><p>determinadas partes.</p><p>Porque, hoje em dia, em direito, vamos combinar, é praticamente</p><p>impossível você cobrir tudo que foi escrito sobre um tema de</p><p>interesse.</p><p>Imagine se você se propuser, como diriam os antigos manuais de</p><p>metodologia, a conhecer todo estado da arte sobre um tema.</p><p>Você passaria 10, 15 anos fazendo leituras e provavelmente não</p><p>conseguiria abarcar todo o conhecimento que produzido.</p><p>O que é preciso fazer?</p><p>NÓS PRECISAMOS TER FOCO.</p><p>PRIORIZAR.</p><p>Para isso é fundamental nós separarmos a chamada fonte primária</p><p>das fontes secundárias.</p><p>O que são fontes primárias?</p><p>As fontes primárias são os documentos ou os livros que tratam</p><p>diretamente do tema que você está estudando.</p><p>As fontes primárias devem ser conhecidas com integralidade.</p><p>Por exemplo, se você estiver trabalhando com o conceito de</p><p>sociedade de risco na obra de Ulrich Beck, qual será a sua fonte</p><p>primária?</p><p>A obra "A sociedade de risco" de Ulrich Beck.</p><p>Então você terá de ler ela inteira para aprofundar seu</p><p>conhecimento sobre essa obra.</p><p>Na vida acadêmica, se você for trabalhar em grau de mestrado,</p><p>doutorado ou pós-doutorado, é imprescindível que você conheça a</p><p>fonte primária inclusive no idioma original.</p><p>Se ele escreveu em alemão e você vai falar sobre “A sociedade de</p><p>risco” de Ulrich Beck, ao escrever uma dissertação de mestrado</p><p>sobre esse tema é fundamental que você o faça com base na</p><p>língua em que ele escreveu.</p><p>Em uma monografia, bem como em outras obras de caráter</p><p>profissionalizante, você pode adotar traduções e outros</p><p>subterfúgios, mas conhecer com profundidade o seu tema é</p><p>indispensável.</p><p>Se a sua pesquisa é documental e você vai estudar, por exemplo,</p><p>um artigo, um instituto jurídico positivado, sua fonte primária é a lei.</p><p>Trabalhar com leis como fonte primária é uma boa escolha porque</p><p>você consegue delimitar bem seu objeto de pesquisa.</p><p>Mas não é tão simples quanto parece, porque você terá que</p><p>interpretar a sua fonte primária.</p><p>Você precisará trabalhar com a lei da maneira como ela está posta e</p><p>também com o processo legislativo dessa lei e com as revisões</p><p>que ela sofreu.</p><p>A FONTE PRIMÁRIA DEVE SER</p><p>CONHECIDA PROFUNDAMENTE.</p><p>São poucas as pessoas que estudam os debates parlamentares,</p><p>estudam a dialética do processo parlamentar ou até mesmo da</p><p>deliberação presidencial por ocasião da sanção e veto.</p><p>Esse estudo pode ser um enorme diferencial em sua monografia.</p><p>Que tal alguns exemplos?</p><p>Um super tema a ser explorado, por exemplo, é a Lei de Migração,</p><p>publicada em 2017.</p><p>Olha só o que podemos encontrar na análise dessa fonte primária.</p><p>Um debate interessantíssimo no Congresso Nacional com</p><p>preocupações envolvendo segurança de fronteiras por um lado e, de</p><p>outro, o livre trânsito de migrantes e visitantes no território nacional.</p><p>Se você analisar esses debates parlamentares, olha a riqueza que</p><p>você traz para o seu trabalho!</p><p>Que tal entender as razões do veto do Presidente da República,</p><p>abrangendo 20 artigos do Projeto de Lei de Migração?</p><p>Essa quantidade de 20 artigos vetados é significativa. O que será</p><p>que estava acontecendo à época? Quais são as razões desses</p><p>vetos?</p><p>Perceba como a fonte primária, neste caso a Lei de Migração, é</p><p>decorrente de várias deliberações e decisões importantes no</p><p>Congresso Nacional e na Presidência da República.</p><p>Note que quando você trabalha nesse sentido você tem a</p><p>possibilidade de entrar em outras esferas, além do próprio Direito.</p><p>Por exemplo, existe um debate muito grande na Ciência Política</p><p>sobre a diferença entre nação e povo.</p><p>Esse debate vem da análise dos debates parlamentares durante a</p><p>primeira Constituição da história, que é a Constituição francesa de</p><p>1791.</p><p>João Irineu: Um outro exemplo bem interessante ocorreu quando</p><p>do bicentenário da Declaração de Independência dos Estados</p><p>Unidos.</p><p>Tivemos um debate na Universidade de São Paulo em que foi</p><p>convidado o Samuel Huntington para debater com dois professores</p><p>da USP: José Eduardo Faria e Tércio Sampaio Ferraz Júnior.</p><p>Graças às notas que eram tomadas no Congresso da Filadélfia e</p><p>depois no Congresso norte-americano, eles perceberam que o</p><p>conceito de propriedade, relativo ao direito à propriedade nos</p><p>Estados Unidos, sofreu cinco alterações em 200 anos.</p><p>Ou seja, embora a Constituição americana não tenha sido alterada,</p><p>os conceitos nela existentes se transformaram de acordo com as</p><p>transformações sociais de cada época.</p><p>E isso você vai encontrar aonde? Nas atas dos debates.</p><p>E o que são as fontes secundárias?</p><p>FONTE SECUNDÁRIA É TUDO O QUE</p><p>FALA SOBRE A FONTE PRIMÁRIA.</p><p>Então por exemplo, nós temos uma lei e temos um livro</p><p>"Comentários a lei tal”.</p><p>Esse livro é uma fonte secundária.</p><p>E o debate sobre o direito à propriedade nos Estados Unidos da</p><p>declaração de independência dos Estados Unidos?</p><p>É fonte secundária.</p><p>Então o que você tem que conhecer</p><p>profundamente?</p><p>A FONTE PRIMÁRIA.</p><p>Se você está falando de um autor, você tem que conhecer a obra</p><p>dele com profundidade, você tem que ver os debates que foram</p><p>feitos sobre aquela obra com profundidade.</p><p>Se você está falando de um documento você tem que conhecer a</p><p>gênese desse documento e o contexto que nele se insere com</p><p>profundidade.</p><p>AS FONTES SECUNDÁRIAS VÊM A</p><p>SER AS OBRAS QUE FALAM SOBRE</p><p>ESSE AUTOR OU SOBRE ESSE</p><p>DOCUMENTO.</p><p>Você não tem a obrigação de esgotar o estudo das fontes</p><p>secundárias, ainda que seja necessário conhecer as balizas dessas</p><p>fontes, ou seja, aquilo que de mais relevante existe nesse nível de</p><p>informação.</p><p>Já a fonte primária você tem que conhecer com profundidade e</p><p>esgotá-la.</p><p>Esta abordagem sobre a fonte secundária nos leva</p><p>automaticamente à doutrina e às vezes até a articulistas ou pessoas</p><p>que falam a respeito da lei, aquele objeto de estudo que</p><p>normalmente é a nossa fonte primária.</p><p>A jurisprudência é fonte primária ou</p><p>secundária?</p><p>A JURISPRUDÊNCIA PODE SER</p><p>TANTO FONTE PRIMÁRIA QUANTO</p><p>FONTE SECUNDÁRIA.</p><p>A jurisprudência é uma fonte primária riquíssima.</p><p>Os julgados do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de</p><p>Justiça, dos Tribunais de Justiça podem trazer posições que vão</p><p>influenciar não apenas a doutrina como a prática jurídica.</p><p>Neste aspecto a jurisprudência é uma fonte primária.</p><p>Agora, se estamos estudando a lei e quisermos conhecer a maneira</p><p>como ela vem sendo interpretada, a jurisprudência torna-se uma</p><p>fonte secundária.</p><p>Figurando a jurisprudência como fonte secundária nós não somos</p><p>obrigados a conhecer todos os acórdãos que tratam sobre nossa</p><p>fonte primária.</p><p>Podemos eleger os julgamentos mais importantes ou os que</p><p>formaram a jurisprudência majoritária.</p><p>Agora que sabemos a diferença entre fonte primária e fonte</p><p>secundária, nós queremos passar para você algumas dicas sobre o</p><p>processo de pesquisa dessas fontes.</p><p>19. O PROCESSO DE</p><p>PESQUISA</p><p>Nós vamos começar este capítulo com uma dica literária. O livro</p><p>chama-se "O nome da rosa" e o autor é o italiano Umberto Eco.</p><p>Umberto Eco combinou uma carreira acadêmica no qual ele tem</p><p>estudos muito interessantes sobre semiótica, linguagem dos sinais,</p><p>obras literárias abertas que são de muita valia atualmente.</p><p>Também teve uma carreira como novelista, ficcionista, que trouxe</p><p>uma erudição ao mundo dos best-sellers.</p><p>"O nome da rosa" foi seu livro de estreia e até hoje é considerado</p><p>uma de suas melhores</p><p>obras.</p><p>Sugerimos a você a leitura, especialmente porque nós do Direito</p><p>temos uma ligação muito forte com a Filosofia.</p><p>A centralidade de “O nome da rosa” está em torno da figura do livro,</p><p>que naquele momento era escrito e copiado à mão.</p><p>Durante séculos a base do conhecimento jurídico foi a mídia</p><p>impressa assim como a base de todo conhecimento.</p><p>Umberto Eco é importante para este curso porque ele foi um dos</p><p>primeiros pensadores a imaginar como seria a pesquisa num mundo</p><p>onde nós não precisaríamos mais nos deslocar fisicamente para ter</p><p>acesso ao conhecimento, mas o conhecimento estaria disponível</p><p>para nós através da internet.</p><p>Umberto Eco, entre outras coisas, vai falar numa tese de livre-</p><p>docência apresentada em 2006, que atualmente para o pesquisador</p><p>o fundamental não é mais ter o acesso ao conhecimento em si,</p><p>mas saber quais as perguntas terá de encaminhar no processo de</p><p>obtenção do conhecimento.</p><p>Para você saber alguma coisa antigamente, você dependia do</p><p>acesso físico a professores, a bibliotecas, a livros ou outras mídias</p><p>impressas como revistas e demais periódicos.</p><p>Hoje em dia você acessa qualquer obra à distância, através de um</p><p>pequeno smartphone que está na palma da sua mão.</p><p>Nós temos uma oferta de conhecimento muito superior a qualquer</p><p>outro momento na história da humanidade.</p><p>SOMENTE O ACESSO AO</p><p>CONHECIMENTO NÃO BASTA.</p><p>Por isso obter o conhecimento é muito mais uma questão de</p><p>saber as perguntas a formular do que uma questão de acesso a</p><p>este ou àquele conteúdo.</p><p>O que é fundamental para nós?</p><p>Fazer a pergunta para ter a palavra-chave.</p><p>O nome só já entrega: palavra-chave.</p><p>Nós sempre tivemos palavras-chave, mas a gente nunca dá muita</p><p>bola para isso na verdade.</p><p>Principalmente no Direito, onde geralmente nós vamos atrás dos</p><p>nomes dos autores.</p><p>A palavra-chave é fundamental.</p><p>A PALAVRA-CHAVE É A AVÓ DA</p><p>HASHTAG.</p><p>Ela também é avó daquele @ que usamos antes do nome da</p><p>pessoa nas redes sociais.</p><p>A palavra-chave é a origem de todos os outros indexadores de</p><p>conteúdo.</p><p>O que é preciso então para fazer o</p><p>processo de pesquisa?</p><p>Você precisa lembrar o que quer, ou seja, qual é a sua hipótese,</p><p>qual o seu objetivo geral e quais são os seus objetivos</p><p>específicos.</p><p>VOCÊ RETIRA AS PALAVRAS-CHAVE</p><p>DESSES TRÊS ELEMENTOS:</p><p>HIPÓTESE, OBJETIVO GERAL E</p><p>OBJETIVOS ESPECÍFICOS.</p><p>Você seleciona as palavras-chave e as utiliza como indexadores</p><p>nas suas bases de pesquisa.</p><p>Por falar em indexação, veja o que acontece no Instagram por</p><p>exemplo.</p><p>Hoje se você faz um vídeo para o Instagram, uma das coisas mais</p><p>importantes que você tem que fazer é criar as hashtags adequadas</p><p>para que o seu conteúdo possa ser encontrado.</p><p>Vejamos como acontece essa indexação no Direito, especialmente</p><p>quando envolve jurisprudência.</p><p>Vamos tomar como exemplo o Supremo Tribunal Federal. No site do</p><p>STF, ali na aba “jurisprudência", há um campo específico para</p><p>digitação.</p><p>Assim como no Google, nós temos a possibilidade de fazer a</p><p>pesquisa por palavras individuais ou por grupos de palavras entre</p><p>aspas.</p><p>Cada palavra individual é considerada pelos sistema de busca como</p><p>uma TAG. Neste caso o sistema vai procurar, nas bases indexadas</p><p>de jurisprudência todas as decisões do STF que contenham aquela</p><p>palavra.</p><p>Cada grupo de palavras entre aspas é considerado pelo sistema</p><p>como uma única TAG. Neste caso o sistema vai procurar as</p><p>decisões do STF que contenham aquela expressão entre aspas.</p><p>Existem também outras variáveis que valem a pena você usar em</p><p>sua pesquisa no STF, como a opção na qual você usa, por exemplo:</p><p>liberdade ADJ imprensa.</p><p>Quando você usa esse comando ADJ na pesquisa do STF o</p><p>sistema vai procurar os julgados que mais aproximam aquelas as</p><p>palavras liberdade e imprensa.</p><p>Independentemente dos critérios de pesquisa e das TAGS</p><p>utilizadas, os resultados basicamente serão as ementas de</p><p>decisões do STF.</p><p>Aqui precisamos chamar a sua atenção.</p><p>A EMENTA CONTÉM AS</p><p>INFORMAÇÕES INDEXADAS DE UMA</p><p>DECISÃO.</p><p>Então, se você usará alguma decisão de jurisprudência como fonte</p><p>primária, o estudo do inteiro teor do julgamento é imprescindível.</p><p>A DIFERENÇA ENTRE EMENTA E</p><p>INTEIRO TEOR É COMO A</p><p>DIFERENÇA ENTRE GOOGLE E</p><p>DEEP WEB.</p><p>O Google nos fornece respostas com base em informações</p><p>indexadas.</p><p>A mesma coisa acontece quando pesquisamos jurisprudência por</p><p>palavras-chave (ou TAGS) nos sites dos tribunais.</p><p>Para conhecer a fundo uma decisão de jurisprudência você precisa</p><p>ir além da ementa.</p><p>Para conhecer a fundo uma decisão como fonte primária você</p><p>precisa estudar o inteiro teor do julgado.</p><p>Você deve mergulhar como se tivesse indo além do Google, para</p><p>encontrar no todas as discussões que foram travadas na questão</p><p>jurídica, envolvendo os votos que formaram maioria e os votos que</p><p>foram vencidos.</p><p>Na indexação da ementa normalmente não encontramos os</p><p>argumentos de quem foi vencido.</p><p>A EMENTA ESTÁ EM ÁGUAS RASAS</p><p>E O INTEIRO TEOR EM ÁGUAS</p><p>PROFUNDAS.</p><p>Temos mais uma dica para você!</p><p>Tem sido comum encontrarmos em trabalhos acadêmicos a</p><p>referência a Informativos do STF como jurisprudência.</p><p>INFORMATIVO DO STF NÃO É</p><p>JURISPRUDÊNCIA.</p><p>O informativo, como o próprio nome diz, é uma espécie de jornal</p><p>semanal que informa a respeito dos principais acontecimentos no</p><p>Supremo.</p><p>20. FONTES DE PESQUISA</p><p>Além da própria pesquisa no Supremo Tribunal Federal, que é</p><p>fundamental na área jurídica, nós podemos realizar outras</p><p>estratégias de pesquisa que vão nos entregar material atualizado,</p><p>de qualidade e em abundância.</p><p>Nós no Direito temos aquela ideia de que precisamos comprar livros</p><p>para fazer a pesquisa e muitas vezes reduzimos a pesquisa a uma</p><p>dimensão econômica.</p><p>Na pesquisa acadêmica, em geral os artigos são mais importantes</p><p>do que os livros.</p><p>Por que os artigos científicos são mais</p><p>importantes?</p><p>Porque os livros vão estabelecer um conhecimento já</p><p>consolidado, graças às características processo editorial</p><p>envolvendo tempo, investimento e distribuição por parte das</p><p>editoras.</p><p>Se você está trabalhando na vanguarda, ou seja, você está</p><p>produzindo conhecimento, é interessante que você conheça</p><p>também o que está disponível nos artigos das revistas.</p><p>Os artigos científicos também são</p><p>mais importantes na pesquisa em</p><p>Direito?</p><p>Ainda não porque existem livros que são verdadeiros repositórios</p><p>de conhecimento e que vêm sendo atualizadas continuamente.</p><p>Temos grandes autores no Direito. Alguns são verdadeiros marcos</p><p>epistemológicos, são balizas para você entender um tema.</p><p>Mas é legítimo, do ponto de vista do processo de pesquisa, você</p><p>buscar os artigos em paralelo aos livros.</p><p>Onde podemos encontrar esses</p><p>artigos?</p><p>Existem vários portais e ferramentas de busca, tanto pagos</p><p>quanto gratuitos.</p><p>Vamos sugerir aqui apenas algumas bases gratuitas.</p><p>A primeira base seria a Scielo, um portal da América Latina que não</p><p>tem muitas obras estritamente jurídicas, mas diversos artigos sobre</p><p>temas jurídicos do ponto de vista da sociologia e das ciências</p><p>humanas em geral.</p><p>Então, se você estiver em busca de um levantamento histórico</p><p>sobre determinado assunto, ou em busca de uma perspectiva</p><p>sociológica, a Scielo é uma base muito interessante.</p><p>Você pode encontrar obras completas na Biblioteca Digital de Teses</p><p>e Dissertações.</p><p>A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações é o repositório de</p><p>todas as teses e dissertações e de grande parte das monografias</p><p>de conclusão de curso das principais instituições de pesquisa do</p><p>Brasil.</p><p>São dezenas de milhares de documentos disponíveis para acesso</p><p>integral e gratuito.</p><p>Tanto na Scielo quanto na BDTD você pode pesquisar através de</p><p>palavras-chave que sejam relevantes para o seu trabalho.</p><p>Teses de doutorado geralmente trazem perspectivas autorais.</p><p>Então, se você estiver em busca do estado da arte é mais</p><p>interessante buscar dissertações de mestrado, que geralmente têm</p><p>um maior compromisso de mapeamento de estado da arte.</p><p>Como filtrar as informações?</p><p>Vamos dizer que você usou palavras-chave relevantes para sua</p><p>pesquisa na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações.</p><p>E digamos que como resultado vieram centenas de trabalhos.</p><p>FAÇA A CATEGORIZAÇÃO DE</p><p>ADERÊNCIA</p><p>COM SEU TEMA PELOS</p><p>RESUMOS.</p><p>Leia os resumos das teses e das dissertações e realize uma prévia</p><p>categorização, selecionando os trabalhos com maior aderência à</p><p>sua pesquisa.</p><p>Em um segundo momento, abra os arquivos em .pdf dos trabalhos</p><p>selecionados e</p><p>OLHE PRINCIPALMENTE OS</p><p>ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS E AS</p><p>REFERÊNCIAS.</p><p>O que é interessante buscar nos</p><p>elementos pré-textuais?</p><p>O sumário e a lista de siglas.</p><p>Pelo sumário você saberá se terá de ler o trabalho inteiro ou</p><p>apenas um ou dois capítulos.</p><p>Afinal, pode ser que a dissertação ou a tese siga por um caminho</p><p>pouco interessante para sua pesquisa, mas, apesar disso, o</p><p>trabalho ter um capítulo ou outro capítulo de interesse.</p><p>A lista de siglas uma guia para encontrar informações relevantes e</p><p>confiáveis.</p><p>Quando você procura na internet essas siglas, geralmente elas são</p><p>referentes a órgãos públicos, organizações internacionais e ONGs</p><p>que produzem documentos de área.</p><p>O que esses documentos de área nos</p><p>entregam?</p><p>Eles nos entregam as características sociológicas que têm</p><p>correlação com o nosso tema jurídico.</p><p>Se você estiver estudando sobre direito previdenciário, por exemplo,</p><p>e perceber siglas de institutos da área econômica, visite os websites</p><p>das instituições para encontrar documentos de área interessantes</p><p>para contextualizar o estudo.</p><p>O que é interessante buscar nas</p><p>referências?</p><p>Nas referências você vai encontrar os autores utilizados por uma</p><p>pessoa que já pesquisou na sua área.</p><p>FUNCIONA COMO UMA TROCA DE</p><p>FIGURINHA VIRTUAL.</p><p>Você verá quais autores são realmente relevantes. Isso mesmo</p><p>antes de ler esses autores.</p><p>Acontece assim porque quando você analisa as referências de</p><p>várias teses ou dissertações você notará a repetição de alguns</p><p>autores.</p><p>Não por acaso você saberá que algumas pessoas e algumas obras</p><p>são verdadeiras balizas na área em que está pesquisando.</p><p>VENDO AS DIFERENTES</p><p>REFERÊNCIAS VOCÊ ENTENDE AS</p><p>BALIZAS DO ESTADO DA ARTE.</p><p>Temos mais algumas dicas para você!</p><p>O site da BDTD também nos oferece alguns filtros de pesquisa</p><p>super interessantes.</p><p>Esses filtros vão contar para você, por exemplo, qual o docente que</p><p>mais orientou obras em determinado tema.</p><p>Esse professor pode ser acessado via e-mail, geralmente disponível</p><p>na própria BDTD.</p><p>Você pode mandar um e-mail, apresentar-se e contar que está</p><p>fazendo uma pesquisa, pedindo alguma sugestão ou perguntando</p><p>se ele poderia compartilhar o acesso a determinadas obras.</p><p>Esse tipo de contato geralmente é motivo de grata satisfação para</p><p>quem produz cientificamente.</p><p>PESQUISADORES PRODUZEM PARA</p><p>SEREM LIDOS.</p><p>O pesquisador entenderá como parte da missão lhe ajudar a</p><p>desenvolver sua pesquisa.</p><p>Além disso, muitos pesquisadores são líderes de grupos de</p><p>pesquisa.</p><p>Você pode acessar o Diretório de Grupos de pesquisa do CNPQ</p><p>e digitar o nome de alguma pessoa relevante nos resultados de</p><p>busca no site da BDTD.</p><p>Provavelmente essa pessoa será líder em um grupo de pesquisa.</p><p>Ou ao menos integrante de um GT.</p><p>Fabrício, por exemplo, lidera o MindTheGap e João Irineu o GPDI.</p><p>Ambos os grupos estão cadastrados no Diretório de Grupos de</p><p>pesquisa do CNPQ.</p><p>Analisando os Grupos de Pesquisa você verá inclusive as pessoas</p><p>que estão pesquisando temas correlatos ao seu.</p><p>VOCÊ PODE ENTRAR EM CONTATO</p><p>COM ESSAS PESSOAS.</p><p>No site da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações você também</p><p>pode ver quem são os professores que mais orientam na área de</p><p>sua pesquisa.</p><p>Vá até os programas de pós-graduação, usando o filtro específico,</p><p>selecionando o programa que tem publicado teses e dissertações</p><p>com maior aderência à sua pesquisa.</p><p>Então, vá até o site desse programa e encontre a revista desse</p><p>programa.</p><p>Esse periódico vai lhe entregar artigos e mais informações sobre</p><p>seu tema de interesse.</p><p>O Google Acadêmico não pode ficar</p><p>de fora!</p><p>Vá até o Google Acadêmico e use as palavras-chave relevantes</p><p>para sua pesquisa.</p><p>O Google Acadêmico tem algumas ferramentas interessantes como</p><p>"citado por" e "todas as versões”.</p><p>Clicando em "citado por” podemos ver quem citou o artigo. Às vezes</p><p>quem citou também é interessante para nossa pesquisa. Podemos</p><p>clicar nesse autor e assim por diante.</p><p>MUITAS VEZES É POSSÍVEL VER</p><p>UMA BIBLIOGRAFIA SIGNIFICATIVA</p><p>A PARTIR DE DUAS OU TRÊS</p><p>OBRAS.</p><p>Clicar em “todas as versões” também é interessante para garantir</p><p>que estamos lendo a versão mais atual de um texto científico.</p><p>O Google Acadêmico também fornece o quantitativo de citações.</p><p>Quanto mais uma pessoa é citada, quanto mais quantitativamente</p><p>essa pessoa aparece no Google Acadêmico, maior a chance de ela</p><p>fazer parte de uma área importante dentro do estado da arte.</p><p>Mais uma dica!</p><p>O TEMPO DO LIVRO FÍSICO COMO</p><p>ÚNICA FONTE DE CONHECIMENTO</p><p>JÁ PASSOU.</p><p>Hoje em dia temos acesso a grandes conteúdos no YouTube, temos</p><p>acesso a grandes conteúdos por podcasts, temos acesso a imagens</p><p>e filmes nas bases de dados fora do YouTube.</p><p>USE E ABUSE DESSAS FONTES!</p><p>Uma palestra do autor sobre o livro que ele escreveu é uma fonte</p><p>riquíssima. Não importa que está no YouTube.</p><p>Não tenha preconceito se a informação veio pelo YouTube ou por</p><p>uma editora tradicional.</p><p>O QUE IMPORTA É O CONTEÚDO!</p><p>A última dica é sobre redes sociais</p><p>acadêmicas.</p><p>Existem redes sociais acadêmicas, como a Research Gate e a</p><p>academia.edu.</p><p>Nessas redes, digitando as palavras-chave relevantes para sua</p><p>pesquisa, você poderá contactar pesquisadores do mundo</p><p>inteiro com os mesmos interesses e que postam lá artigos para</p><p>discussão.</p><p>FINALIZAMOS COM O DESEJO DE</p><p>SUCESSO EM SUA JORNADA!</p><p>CONHEÇA O FABRÍCIO</p><p>Fabrício Bittencourt da Cruz é Juiz Federal e</p><p>professor de graduação, mestrado e doutorado</p><p>na UEPG.</p><p>Doutor pela Faculdade de Direito da USP.</p><p>Membro fundador do International Institute for</p><p>Justice Excellence.</p><p>Foi Secretário-Geral do CNJ e Magistrado</p><p>Instrutor no STF.</p><p>TEDx Speaker no tema A Nova Arte de Ensino.</p><p>Profere palestras sobre Inovação em Direito,</p><p>destacando-se as atuações em Londres, Lisboa,</p><p>Haia e Washington.</p><p>Líder do Projeto MindTheGap Inovação em</p><p>Direito.</p><p>Fabrício também explora possibilidades na arte de ensinar por meio do uso de</p><p>novas tecnologias.</p><p>A questão principal na Nova Arte de Ensino é:</p><p>Podemos educar diferente na era da Revolução 4.0?</p><p>CONHEÇA O JOÃO IRINEU</p><p>João Irineu de Resende Miranda é Professor de</p><p>graduação, mestrado e doutorado na UEPG.</p><p>Doutor pela Faculdade de Direito da USP.</p><p>MBA Internacional em Gestão Estratégica da</p><p>Inovação pela PUC/PR- Senai - Université de</p><p>Technologie de Compiegnè (França).</p><p>Foi Chefe da Procuradoria e Diretor de Inovação</p><p>da Universidade Estadual de Ponta Grossa.</p><p>Atualmente é Coordenador do Programa de</p><p>Pós-graduação em Ciências Sociais Aplicadas</p><p>da UEPG (Mestrado e Doutorado).</p><p>Líder do GPDI - Grupo de Pesquisa em Direito e</p><p>Inovação.</p><p>Estuda a relação entre identidade, cultura e mindset inovador.</p><p>1. O que significa escrever uma monografia</p><p>2. Uma questão de princípio</p><p>3. Reforçando o propósito</p><p>4. Unir, Juntar e Amarrar</p><p>5. Encontre seu Ikigai</p><p>6. Por onde seguir?</p><p>7. A importância do cronograma</p><p>8. Projeto: primeiros passos</p><p>9. Projeto: o problema de pesquisa</p><p>10. Projeto: objetivo geral</p><p>11. Projeto: objetivos específicos</p><p>12. Projeto extenso ou curto?</p><p>13. A vantagem de projetar</p><p>14. Métodos e técnicas no projeto</p><p>15. Técnicas de pesquisa</p><p>16. Universo e amostra</p><p>17. Documentos de área</p><p>18. Fontes primárias e secundárias</p><p>19. O processo de pesquisa</p><p>20. Fontes de pesquisa</p><p>Conheça o Fabrício</p><p>Conheça o João Irineu</p><p>podemos ter os famosos insights.</p><p>Mas, mesmo a partir destes momentos, em que parece que temos</p><p>uma maior acuidade mental, não devemos nos pressionar em busca</p><p>de um tema definitivo.</p><p>O IMPORTANTE É ANOTAR AS</p><p>IDEIAS.</p><p>Pode ser em um caderno ou numa pasta do seu computador. Seu</p><p>tema poderá surgir dessas anotações.</p><p>Veja como o Fabrício encontrou o tema da dissertação de mestrado:</p><p>Eu estava, como qualquer acadêmico, naquela naquela</p><p>obrigação de encontrar um tema.</p><p>Acontece muito isso, se você está em um curso de pós-</p><p>graduação, mestrado e doutorado.</p><p>Você já entra no curso com esse compromisso e passa por</p><p>aqueles momentos momentos de angústia por ainda não ter um</p><p>tema.</p><p>Então o que eu fazia?</p><p>Durante o mestrado eu viajava muito porque morava em Ponta</p><p>Grossa, no Estado do Paraná, e ia para as aulas em Curitiba.</p><p>O momento da viagem é muito rico justamente pra termos os</p><p>famosos insights.</p><p>Como foram vários os insights, eu costumava ter uma agenda e</p><p>ficava escrevendo ali numa folha específica os temas que eu</p><p>desejava escrever.</p><p>Eu anotei 13 temas que na minha opinião levariam a uma boa</p><p>dissertação.</p><p>E o curioso é que escrevi sobre um décimo quarto tema, um</p><p>tema que não esteve na minha agenda, não esteve nas</p><p>anotações.</p><p>Mas em um momento muito específico da minha vida ele</p><p>resplandeceu, ele apareceu, ele brilhou como sendo o caminho</p><p>mais adequado pra mim.</p><p>Brilhou especialmente na comparação com todos aqueles que</p><p>estavam nas minhas anotações.</p><p>ANOTE SEUS INSIGHTS.</p><p>4. UNIR, JUNTAR E AMARRAR</p><p>Unir, juntar e amarrar é a gente colocar em um propósito que, às</p><p>vezes, é de uma tarefa só, como um monografia de conclusão de</p><p>curso, outras possíveis resultantes, maximizando o aproveitamento</p><p>do tempo e da energia empregada.</p><p>Então se você está fazendo seu TCC nós sugerimos que você</p><p>pense também um pouco além da entrega do texto e da</p><p>apresentação em banca.</p><p>Quem sabe você escolhe o seu tema já vinculando o TCC a um</p><p>melhor posicionamento profissional?</p><p>Quem sabe você está em busca do seu tema justamente para se</p><p>colocar numa posição de destaque no meio acadêmico?</p><p>Talvez você esteja fazendo o seu TCC rumo a um processo seletivo</p><p>de um mestrado, por exemplo.</p><p>Talvez você queira fazer um TCC de um tema novo o suficiente para</p><p>gerar um artigo científico, ter a publicação em um periódico</p><p>especializado e assim por diante.</p><p>Veja que nós estamos te entregando agora uma ferramenta que se</p><p>une, se junta e se agrega ao tema,</p><p>UMA FERRAMENTA DE UM</p><p>PROPÓSITO QUE TRANSCENDE A</p><p>SUA BANCA DE APRESENTAÇÃO DE</p><p>TCC.</p><p>Não se esqueça: um TCC não precisa ser um fim em si mesmo.</p><p>É muito pouco, considerando a energia que você emprega em uma</p><p>pesquisa, simplesmente apresentá-lo para uma banca de três</p><p>pessoas, ou às vezes até duas, e de repente ninguém nunca mais</p><p>ouvir falar nesse trabalho, você não leva à publicação, ele não te</p><p>agrega valor profissional, enfim…</p><p>Claro, ele serve pra uma defesa de banca, ele tem o propósito</p><p>endógeno na sua especialização, especialmente na sua</p><p>especialização, mas ele não carrega além disso.</p><p>Então a nossa grande dica pra você no unir, juntar e amarrar é esta</p><p>aqui:</p><p>AGREGUE PROPÓSITOS EXTERNOS</p><p>AO PRÓPRIO TCC.</p><p>Vamos exemplificar. Digamos que você vá escrever um TCC sobre</p><p>"Medidas Provisórias”.</p><p>Quando estudar medidas provisórias você fará uma revisão</p><p>bibliográfica para evidenciar que estudou o tema e apresentará um</p><p>TCC com o seu texto.</p><p>Só que uma pesquisa rica, uma pesquisa na qual você emprega</p><p>bastante tempo e é uma pesquisa que pode lhe entregar outras</p><p>resultantes.</p><p>Você pode, por exemplo, montar uma aula sobre medidas</p><p>provisórias e de repente se colocar numa circunstância já de</p><p>docência na pós-graduação.</p><p>Você também pode montar uma palestra com slides, gráficos e</p><p>tudo mais que criou na pesquisa para o seu TCC justamente para</p><p>poder falar sobre aquele tema para públicos maiores.</p><p>Posso também fazer vídeo de YouTube num canal específico sobre</p><p>o seu campo de atuação e começar a falar para outros públicos</p><p>sobre medida provisória.</p><p>Você posso pegar aquele mesmo texto do TCC e publicá-lo como</p><p>artigo científico.</p><p>Então essas são apenas algumas possibilidades de você juntar, unir</p><p>e amarrar. Em essência:</p><p>PENSE EM VÁRIOS OUTROS</p><p>BENEFÍCIOS QUE VÃO ALÉM DA</p><p>DEFESA DO SEU TCC.</p><p>5. ENCONTRE SEU IKIGAI</p><p>Os japoneses têm um conceito muito interessante chamado Ikegai.</p><p>Esse termo é melhor representado por um desenho onde nós temos</p><p>círculos que se tangenciam e representam aspectos da nossa</p><p>personalidade.</p><p>Quando você consegue harmonizar essas facetas da sua</p><p>personalidade você tem o teu ikigai.</p><p>O trabalho de conclusão de curso pode ser um momento de</p><p>concretização do seu ikigai.</p><p>PROCURE UM TEMA QUE VOCÊ</p><p>GOSTE, NUMA ÁREA NA QUAL VOCÊ</p><p>SEJA BOM E, PRINCIPALMENTE, NUM</p><p>SETOR ONDE EXISTA A DEMANDA</p><p>PARA ESSE TEMA.</p><p>E com isso nós podemos fechar a primeira grande pergunta que nós</p><p>temos quando vamos escrever uma monografia.</p><p>Por onde começar?</p><p>Comece achando o seu propósito com a monografia. Esse propósito</p><p>tem a ver com a possibilidade não apenas de você fazer aquilo que</p><p>você quer, mas também aquilo que é útil para a sociedade</p><p>combinando com aquilo que você é bom.</p><p>FICA A DICA!</p><p>6. POR ONDE SEGUIR?</p><p>Para respondermos a essa pergunta precisamos lembrar que uma</p><p>monografia não se escreve solta no ar.</p><p>O trabalho sempre se dá em um contexto de um curso de</p><p>especialização ou, se for uma dissertação, você vai ter um programa</p><p>de pós-graduação, da mesma forma uma tese, um MBA, daí por</p><p>diante.</p><p>O contexto envolve demandas, prazos e metas.</p><p>Afinal, dificilmente escrevemos sozinhos um trabalho de conclusão</p><p>de curso.</p><p>E o seu primeiro demandante, a pessoa para quem você vai enviar</p><p>o resultado de sua pesquisa, em primeiro lugar é o seu orientador.</p><p>Sobre o docente que aceitou lhe guiar no processo de pesquisa e</p><p>redação o Fabrício tem algo para nos contar.</p><p>São duas histórias convergentes.</p><p>A primeira delas foi quando trabalhava no Conselho Nacional</p><p>de Justiça como Secretário Geral e lá eu tive uma visão muito</p><p>aberta de todo o Sistema de Justiça do Brasil, mas também eu</p><p>conheci pessoas incríveis pelo Brasil inteiro em âmbitos</p><p>científico, acadêmico e profissional.</p><p>E uma dessas pessoas é o André Gomma de Azevedo. Somos</p><p>grandes amigos inclusive.</p><p>André tem expertise em solução pacífica de controvérsias, um</p><p>expert extremamente demandado nessa área.</p><p>Logo percebi o porquê.</p><p>Além de um talento indiscutível, a gente percebe no currículo</p><p>dele a centralidade de temas como conciliação, mediação e</p><p>autocomposição.</p><p>São temas intimamente ligados à solução de conflitos.</p><p>Não é por acaso que André figura como professor nessa área</p><p>em uma das mais renomadas universidades americanas.</p><p>Isso significa que ele é especialista na solução de conflitos e</p><p>tornou-se referência nesse campo de atuação.</p><p>Conhecer a jornada do André me fez perceber que eu</p><p>precisava, como professor, acadêmico e cientista, escolher um</p><p>propósito, escolher um caminho a seguir que pudesse me</p><p>fortalecer no campo escolhido.</p><p>A outra história na verdade é um aprendizado que tive com o</p><p>meu filho Lucca.</p><p>Olhar crianças e conviver com crianças é incrível porque você</p><p>às vezes aprende o óbvio de uma maneira leve e direta ao</p><p>ponto.</p><p>Nós estávamos numa loja de conveniência em um posto de</p><p>combustíveis quando eu perguntei pra ele:</p><p>- Lucca, você quer chiclete ou bala?</p><p>Ele olhou pra mim e disse:</p><p>- Eu quero os dois!</p><p>Essa lição é muito preciosa porque a gente percebe que toda</p><p>escolha pressupõe perda.</p><p>Você escolher um caminho significa que você recusa todos os</p><p>outros caminhos possíveis.</p><p>Na minha vida acadêmica até então eu não tinha percebido que</p><p>eu seguia por vários caminhos sem um horizonte definido a</p><p>atingir, sem uma rota principal, como se eu estivesse perdido</p><p>em minha produção científica.</p><p>A partir de então eu decidi trabalhar com inovação em</p><p>Direito.</p><p>Essa é minha rota. Essa é minha busca.</p><p>Hoje em dia, quando alunos e alunas me procuram para</p><p>orientação, a primeira pergunta que eu me faço é: será que</p><p>esse tema tem a ver com a minha busca como professor?</p><p>Será que eu tenho condições de</p><p>orientar essa pessoa fora da</p><p>minha busca, depois de tantos anos trabalhando com inovação,</p><p>com visual law, com design thinking, com mudanças no sistema</p><p>de justiça?</p><p>Dificilmente eu posso orientar alguém, por exemplo, em direito</p><p>privado ou de repente orientar alguém em direito administrativo</p><p>atualmente.</p><p>Claro que são temas que fazem parte da nossa formação em</p><p>Direito, mas não integram a minha busca.</p><p>TODA ESCOLHA RESULTA NA</p><p>ELIMINAÇÃO DE OUTROS</p><p>CAMINHOS.</p><p>Então, escolher o seu tema também passa por você entender um</p><p>pouco mais das pessoas que estão disponíveis para orientação.</p><p>A dica que nós passamos para vocês é a seguinte:</p><p>CONVERSE COM OS PROFESSORES</p><p>E BUSQUE OUVIR OS INSIGHTS</p><p>DELES.</p><p>Afinal, são pessoas que já trilharam um caminho mais longo e</p><p>podem ter uma visão mais ampla e mais abrangente daquilo que</p><p>gera valor científico.</p><p>Às vezes você tá pensando em um tema que já foi muito tratado,</p><p>num tema que não gera muita relevância hoje, e na perspectiva de</p><p>uma professora ou de um professor isso fica muito mais evidente.</p><p>Outra dica:</p><p>BUSQUE APROXIMAR SEU TEMA</p><p>DAS LINHAS DE PESQUISA DE</p><p>QUEM ESTÁ DISPONÍVEL PARA LHE</p><p>ORIENTAR.</p><p>Quem sabe se a partir daí surge uma bela e duradoura parceria</p><p>acadêmica?</p><p>Olha só a dica do João Irineu:</p><p>Muitos orientandos pedem auxílio para os orientadores na</p><p>solução de problemas corriqueiros.</p><p>É muito comum receber mensagens como, "Não tô achando</p><p>determinado assunto com essas palavras-chave", ou ainda “A</p><p>plataforma do INPI está mesmo fora do ar?”.</p><p>A não ser que você já tenha uma proximidade pré-estabelecida,</p><p>tais questões não são da alçada do orientador.</p><p>Na verdade, quando você escolhe um orientador você está</p><p>solicitando para entrar na sua linha de pesquisa, engajando-se</p><p>dentro do projeto acadêmico dele.</p><p>Por isso, quanto mais você busca contribuir com o propósito do</p><p>seu orientador, mais ele vai te dar oportunidades, disponibilizar</p><p>contatos e dar dicas importantes no seu caminho.</p><p>ANOTE ESTA DICA!</p><p>7. A IMPORTÂNCIA DO</p><p>CRONOGRAMA</p><p>Antigamente dizia-se que tempo é dinheiro. Hoje em dia não é bem</p><p>assim.</p><p>Nós estamos trabalhando dentro das nossas casas; nós estamos</p><p>trabalhando enquanto nós dirigimos; nós estamos trabalhando</p><p>muitas vezes mais do que aquilo que antigamente imaginava-se</p><p>como a jornada de trabalho.</p><p>SE HOJE EM DIA EXISTE ALGO MAIS</p><p>VALIOSO QUE DINHEIRO É O NOSSO</p><p>TEMPO.</p><p>Por isso, mais do que nunca, a gestão do tempo é fundamental</p><p>para quem se dedica a um projeto a longo prazo, como uma</p><p>monografia jurídica.</p><p>E isso nos leva ao cronograma do projeto de pesquisa.</p><p>O que é mais importante no projeto?</p><p>O MAIS IMPORTANTE PARA O</p><p>PROJETO É O CRONOGRAMA.</p><p>Lembra aquela tabela clássica onde você colocava aleatoriamente</p><p>o passo a passo?</p><p>Mais ou menos assim: Capítulo 1, Capítulo 2… e daí você pensava</p><p>"Ah, vou por três x na primeira linha, pular uma coluna, colocar</p><p>outros três x na sequência e daí estabelecer este lindo cronograma</p><p>para configurar o meu projeto”.</p><p>LINDO MAS COMPLETAMENTE</p><p>INÚTIL.</p><p>Se você não dar atenção ao seu cronograma de maneira</p><p>responsável e coerente com seus objetivos, propósitos e</p><p>compromissos, você vai ter dificuldades no caminho.</p><p>Olha só o que aconteceu com o Fabrício na graduação.</p><p>Assim como o João eu também terminei meu doutorado em</p><p>Direito, mas demorei muito pra perceber a magia de um</p><p>cronograma vem feito.</p><p>Eu fiz o meu TCC da graduação em duas semanas e posso</p><p>dizer pra você que ficou péssimo. Tão ruim que eu tirei 7,8,</p><p>além de ter me custado muita energia, muito choro e muita</p><p>angústia.</p><p>Depois veio aquele mais-do-mesmo na especialização.</p><p>Quando eu fiz uma especialização em Direito eu já estudava</p><p>para concursos públicos e a minha vida era muito complexa de</p><p>modo que eu tinha até uma desculpa pra deixar o TCC ao final,</p><p>uma desculpa mental, uma desculpa que eu inventava para</p><p>mim mesmo a fim de postergar cada vez mais o TCC da</p><p>especialização.</p><p>Dito e feito. Fiz ele com muita pressa, com noites e noites mal</p><p>dormidas.</p><p>O resultado em nota foi bom, mas o que eu passei para</p><p>entregar aquele trabalho eu não desejo pra ninguém.</p><p>No mestrado não foi muito diferente.</p><p>Na dissertação de mestrado as coisas melhoraram um pouco,</p><p>mas eu usei um tempo muito condensado ao final para</p><p>pesquisar, para escrever e para entregar o texto.</p><p>O resultado em banca foi muito bom. A nota foi 10, mas, de</p><p>novo, tudo o que eu passei pra entregar daquela forma o</p><p>trabalho foi muito difícil.</p><p>É uma experiência intensa. desejo que você não passe por ela.</p><p>Desejamos que você passe pela experiência que Fabrício teve</p><p>quando escreveu a tese de doutorado.</p><p>Ali eu já tinha me tornado um Fabrício mais amadurecido por</p><p>todas as experiências anteriores de fazer as coisas em cima da</p><p>hora e de não ter respeitado o cronograma.</p><p>E essa experiência surgiu quando comecei a observar meu pai</p><p>escrevendo a tese de doutorado.</p><p>Ele sentava o computador dele no escritório por volta das 8h30.</p><p>Ele ficava ali lidando com tese, livros e pesquisa até por volta</p><p>das 10h30.</p><p>Depois ele desligava o computador e ia fazer outras coisas.</p><p>Dizia ele:</p><p>- Agora eu vou fazer outras coisas, vou caminhar, vou passear,</p><p>vou fazer qualquer coisa que não seja relacionada com a tese.</p><p>Ele repetia essa rotina de segunda a sexta. No final de semana</p><p>ele não lidava com a tese de jeito nenhum.</p><p>Um belo dia eu perguntei:</p><p>- Pai, por que você tá fazendo assim?</p><p>E veio a lição:</p><p>- Qualquer trabalho de conclusão de curso resulta da dedicação</p><p>de certo tempo ao objetivo. Eu vou dedicar mais ou menos 360</p><p>horas à minha tese; dividi essas 360 horas nos dias úteis dos</p><p>meses que estipulei no meu cronograma. Vou encerrar a tese</p><p>de maneira tranquila.</p><p>Dito e feito! Funcionou muito bem pra ele.</p><p>Apliquei essa lição e pude sentir as vantagens disso na</p><p>confecção de minha tese de doutorado.</p><p>SE VOCÊ RESPEITAR O</p><p>CRONOGRAMA, NADA EM SEU</p><p>PROJETO SERÁ URGENTE.</p><p>E, como sabemos, quando uma atitude se torna urgente significa</p><p>que ela vai trazer estresse, vai trazer problemas e, em muitos casos,</p><p>as coisas acabam fugindo do nosso controle.</p><p>Problemas sempre acontecem. Mas quando estamos em situação</p><p>de urgência não há muito como resolver.</p><p>Se você deixar pra imprimir seu TCC no último dia do prazo para</p><p>protocolo isso será urgente. Já pensou se dá se dá algum problema</p><p>com a impressão?</p><p>Não estamos dizendo a você que seu cronograma será estático ou</p><p>que não alterações não sejam viáveis. Claro que haverá alterações.</p><p>Isso faz parte da vida.</p><p>Nós estamos te entregando esta dica:</p><p>NÃO DEIXE QUE AS ENTREGAS EM</p><p>SUA PESQUISA SE TORNEM</p><p>URGENTES.</p><p>Não estamos inventando nada novo. A gente simplesmente está</p><p>retomando a experiência das pessoas sábias que vieram antes do</p><p>que nós e que conseguiram não apenas concluir seus trabalhos,</p><p>mas principalmente ter uma vida boa, porque afinal de contas, como</p><p>já dizia o poeta "Não há caminho, se faz o caminho ao caminhar”.</p><p>Como aplicar isso no dia a dia?</p><p>Primeiro, esqueça que você vai fazer só uma tabela.</p><p>O CRONOGRAMA TEM QUE FAZER</p><p>PARTE DA SUA AGENDA.</p><p>Sua primeira atitude ao organizar um cronograma é fixar um termo</p><p>inicial e um termo final.</p><p>Mas por quanto tempo?</p><p>Tem um grande autor chamado Umberto Eco que combinou a</p><p>carreira de romancista com a carreira de acadêmico e ele tem um</p><p>livro, lançado nos anos 70 na Itália, e até hoje um clássico na</p><p>metodologia.</p><p>Como era um escritor falando sobre metodologia, o livro é uma</p><p>delícia de ler.</p><p>O livro se chama "Como se faz uma tese", e o Umberto Eco enfrenta</p><p>essa pergunta. Quanto tempo?</p><p>Lá nos anos 70, quando ele o escreveu o livro, disse o seguinte:</p><p>"Nunca menos de seis meses, nunca mais do que três anos”.</p><p>Por quê? Porque se vivia em um outro momento tecnológico, com</p><p>regras diferentes sobre duração de cursos. Na verdade o que vale</p><p>muito para nós hoje em dia é o que ele fala no final do capítulo:</p><p>Quando você for organizar o seu cronograma ele</p><p>NÃO PODE SER NEM TÃO CURTO</p><p>QUE VOCÊ NÃO CONSIGA</p><p>CONCLUIR AS TAREFAS E NEM TÃO</p><p>LONGO QUE VOCÊ PERCA O</p><p>INTERESSE NAQUILO QUE VOCÊ</p><p>ESTÁ DESENVOLVENDO.</p><p>Então a grande sacada aqui é você desenvolver a unidade básica.</p><p>O que basicamente estará</p><p>no seu</p><p>cronograma?</p><p>PRIMEIRO: PROSPECÇÃO.</p><p>É a pior coisa do mundo quando você já leu tudo daí de repente</p><p>vem alguém e diz "Olha tem esse autor aqui que é citado e é</p><p>importante" e você nunca ouviu falar dele.</p><p>Por isso primeiro você dedica suas atitudes para a prospecção.</p><p>A prospecção é a essência da sua pesquisa. Você pesquisa na</p><p>internet, pode ir às bibliotecas, centros de pesquisa.</p><p>Você deve reservar turnos e dias para isso.</p><p>Coloque em uma agenda e projete as datas.</p><p>Mas como projetar isso?</p><p>Veja quanto tempo demora uma pesquisa sobre palavras-chave nas</p><p>bases de pesquisa e programar certo tempo a partir de sua</p><p>experiência inicial.</p><p>O mesmo vale a partir da sua experiência, por exemplo, de uma</p><p>tarde na biblioteca. Quanto rende uma tarde sua pesquisando na</p><p>biblioteca?</p><p>Projetar a partir da experimentação pessoal é a chave. Cada</p><p>pessoa tem seu ritmo. Então aqui vale muito o autoconhecimento,</p><p>ok?</p><p>Então você vai estabelecer o seu prazo global para a prospecção e</p><p>colocar os dias na sua agenda.</p><p>SEGUNDO: LEITURA E SÍNTESE.</p><p>Neste momento você vai efetivamente ler as obras e sintetizar seus</p><p>conteúdos.</p><p>Quanto tempo vai demorar?</p><p>Compreenda a sua unidade básica de tempo para ler antes de fazer</p><p>a projeção global para esta fase.</p><p>Novamente: cada pessoa tem seu ritmo e é fundamental você</p><p>conhecer o seu ritmo de leitura.</p><p>Olha só a dica do João Irineu.</p><p>Isso é uma coisa que eu instruo os meus orientandos a fazer:</p><p>cronometre.</p><p>Na verdade, esse é um variante do conhece-te a ti mesmo.</p><p>Quanto tempo eu vou demorar pra ler esse artigo? E se ele for</p><p>em inglês? E se ele for de um autor que escreve de uma forma</p><p>mais rebuscada, quanto tempo?</p><p>Quantas páginas por hora de fichamento?</p><p>Faça primeiro! Faça um, faça dois e daí você tira uma unidade</p><p>e a partir daí você vai ter a base para entender quanto tempo</p><p>você vai investir na leitura.</p><p>Como você já fez a prospecção do material para ser lido, você</p><p>focará naquilo que efetivamente vai ler e anotará o tempo global na</p><p>sua agenda.</p><p>TERCEIRO: ESCRITA.</p><p>Agora sim, no terceiro momento, tudo está pronto para que o</p><p>processo de escrita seja realizado.</p><p>E no momento da escrita valem as mesmas estratégias, apenas</p><p>com uma variação.</p><p>Geralmente a primeira parte que você escrever será a mais</p><p>demorada, especialmente se você nunca escreveu dessa forma.</p><p>Planeje apenas a escrita do primeiro capítulo a ser entregue e</p><p>estabeleça um prazo máximo.</p><p>Na sequência dos outros capítulos provavelmente seu ritmo de</p><p>escrita será mais rápido e você poderá planejar os próximos</p><p>capítulos de uma forma mais acertada.</p><p>Mais alguma dica?</p><p>Quando for montar seu cronograma veja quando tem feriado, veja</p><p>os prazos que você tem a cumprir e não tenha preguiça de montar</p><p>em detalhes semana a semana.</p><p>ATENÇÃO AOS DETALHES FARÁ</p><p>TODA A DIFERENÇA EM SEU</p><p>CRONOGRAMA.</p><p>Finalizamos com um conselho que te dará fôlego e ânimo para</p><p>continuar em sua jornada rumo à apresentação do seu trabalho de</p><p>conclusão de curso.</p><p>Vá a um lugar legal, coloque um fone de ouvido, tenha bons</p><p>momentos de pesquisa, leitura e escrita.</p><p>VOCÊ NÃO PRECISA QUEBRAR</p><p>PEDRA ENQUANTO ESCREVE, VOCÊ</p><p>NÃO PRECISA SE PENITENCIAR</p><p>ENQUANTO ESTUDA, VOCÊ NÃO</p><p>PRECISA SOFRER ENQUANTO VOCÊ</p><p>PESQUISA.</p><p>Crie um ambiente que você goste, crie um gatilho para que seu</p><p>hábito se torne permanente, para que sua jornada seja agradável.</p><p>Pensa, por exemplo, no que que você vai fazer sempre depois que</p><p>terminar suas atividades de pesquisa.</p><p>Pensa num ambiente, em uma música que você curta ouvir ou em</p><p>alguém que você gosta para compartilhar o momento.</p><p>8. PROJETO: PRIMEIROS</p><p>PASSOS</p><p>Até agora nós analisamos dois passos essenciais. Primeiro, por</p><p>onde eu começo? Eu começo achando o meu propósito. Segundo,</p><p>como eu me organizo? Eu me organizo com o meu cronograma.</p><p>Vamos agora para o terceiro passo: a confecção do Projeto de</p><p>Pesquisa.</p><p>O Projeto é o documento que apresenta os elementos fundamentais</p><p>que serão desenvolvidos na pesquisa.</p><p>Seu objetivo é estruturar as ações daquele que o executa,</p><p>conferindo-lhes um sentido. Por isso a importância de nossa</p><p>próxima pergunta:</p><p>Como eu faço o projeto?</p><p>EM PRIMEIRO LUGAR É PRECISO</p><p>DELIMITAR O TEMA.</p><p>Costuma-se dizer que isso significa metade do projeto.</p><p>Muitas vezes, quando atuamos como orientadores, recebemos os</p><p>alunos já com um tema. Mas o tema quase nunca está delimitado.</p><p>Nós vamos mostrar para você como isso acontece na prática a partir</p><p>de um diálogo fictício entre o aluno Fabrício e o Professor João</p><p>Irineu.</p><p>Olha só!</p><p>Professor João Irineu: Vamos imaginar então o aluno que já achou</p><p>seu propósito, vai falar com o orientador que ele escolheu e já tem</p><p>ali o seu cronograma organizado, sabendo quanto ele dispõe de</p><p>tempo para executar o seu projeto.</p><p>Aluno Fabrício: Então professor João Irineu, eu estou muito</p><p>honrado em ser seu orientando. Estou entusiasmado e já sei</p><p>exatamente o tema que eu quero e queria validar com o professor a</p><p>minha escolha.</p><p>Eu gosto muito de direitos fundamentais e quero escrever sobre</p><p>aquele escândalo da Cambridge Analytica lá no Reino Unido.</p><p>Aquele grande vazamento de dados e utilização desses dados</p><p>envolvendo aspectos muito profundos sobre as pessoas na internet,</p><p>nas relações sociais e também o desrespeito total a direitos</p><p>fundamentais.</p><p>É sobre isso o que eu quero escrever, professor.</p><p>Professor João Irineu: Cambridge Analytica é um tema riquíssimo.</p><p>Daria para escrever, quem sabe umas duas ou três teses, quase</p><p>que você conseguiria fazer todo um Programa Pós-Graduação,</p><p>quase uma Linha de Programa de Pós em cima de um tema tão</p><p>rico.</p><p>Se formos manter esse tema da maneira como ele está, gente do</p><p>céu, vamos ter muita dificuldade em levantar dados porque</p><p>temos coisas muito diferentes para serem pesquisadas.</p><p>Primeiro, pergunto para você Fabrício: o que te interessa</p><p>efetivamente quando você vai estudar a Cambridge Analytica?</p><p>A questão do vazamento de dados, como que o vazamento de</p><p>dados ocorreu, quais foram os dados, se existiram ilicitudes ou não</p><p>nesse vazamento de dados?</p><p>Ou seria a questão da ciência política e relações internacionais, ou</p><p>seja, as relações entre Rússia, Estados Unidos, países da União</p><p>Europeia, países fora da União Europeia e a maneira como essas</p><p>relações internacionais se processaram a partir desse caso?</p><p>Ou ainda, a questão dos direitos fundamentais? Qual direito</p><p>fundamental?</p><p>O direito à privacidade, o direito à liberdade de expressão, o direito</p><p>à igualdade formal, no que diz respeito ao acesso às informações, o</p><p>direito a você ter a autonomia de seus dados, que é um princípio da</p><p>LGPD?</p><p>Direitos humanos ou Ciência Política?</p><p>Cada um desses temas, dessas linhas: relações internacionais,</p><p>proteção de dados, direitos fundamentais comportaria ainda</p><p>delimitação de duas ou três monografias no que diz respeito à</p><p>matéria.</p><p>Mas eu devolvo a pergunta para o nosso aluno virtual, né, o que</p><p>exatamente você gostaria de fazer em relação a isso Fabrício?</p><p>Aluno Fabrício: Entendi, professor. Agora eu percebi que o tema da</p><p>maneira como eu estava pensando ele era, além de muito aberto,</p><p>impraticável para o meu momento atual.</p><p>Até porque tenho muitas outras atividades na minha vida cotidiana</p><p>e, realmente, pelo cronograma aqui de 8 meses que eu dimensionei</p><p>para o TCC, eu não teria condições de fazer.</p><p>Percebi pela sua fala que precisamos enxugar esse tema.</p><p>Delimitar melhor. Preciso se mais específico.</p><p>Vamos tirar, professor, o protagonismo do escândalo da Cambridge</p><p>Analytica e vamos dar o protagonismo para direitos fundamentais.</p><p>Também percebi na sua fala, professor João Irineu, que eu não devo</p><p>falar sobre todos os direitos fundamentais ou sobre a teoria geral</p><p>dos direitos fundamentais.</p><p>Percebi que posso selecionar apenas um direito fundamental. Vai</p><p>ser então o direito à intimidade.</p><p>Estou preocupado demais com o dilema entre a proteção à</p><p>intimidade e o uso dos dados a nosso respeito na internet sem o</p><p>nosso consentimento e se o nosso conhecimento.</p><p>Então é isso, a minha preocupação é exatamente essa. Bem</p><p>específico, professor: Direito à intimidade e uso de dados da</p><p>pessoa sem o consentimento dela.</p><p>Acho que agora eu poderia usar o caso da Cambridge Analytica só</p><p>como um pequeno exemplo no meu trabalho, uma nota de rodapé</p><p>talvez, mas não como o grande protagonista.</p><p>Professor João Irineu: Muito bem, mas aí ainda vai caber uma</p><p>segunda delimitação, pelo menos.</p><p>Veja bem: a União Europeia só regulamentou a questão do direito à</p><p>intimidade através da proteção de dados em 2018 e a Lei Geral de</p><p>Proteção de Dados ainda está praticamente em fase de efetivação</p><p>na nossa sociedade.</p><p>Então quando nós estamos falando, aqui em 2021, de um escândalo</p><p>que ocorreu entre os anos de 2014 e 2016, quando que nós vamos</p><p>estudar o direito à intimidade?</p><p>A gente vai estudar segundo o ordenamento daquela época, os</p><p>problemas que foram levantados naquela época para ver se as leis</p><p>atuais atenderam?</p><p>A gente vai estudar a atualidade para saber o estado da arte ou a</p><p>gente vai estudar especificamente, por exemplo, na eleição</p><p>americana que terminou em 2020?</p><p>Então uma segunda delimitação possível seria a delimitação</p><p>temporal.</p><p>Aluno Fabrício: agora eu também percebo que não vale a pena</p><p>fazer análise de um case estrangeiro para o meu objetivo, que é a</p><p>questão do direito à intimidade e uso de dados aqui no Brasil.</p><p>E aí com essa sua dica sobre a Lei Geral de Proteção de Dados,</p><p>que é super recente, eu posso ter um objeto muito mais</p><p>específico e muito mais atual.</p><p>Isso significa que o meu trabalho também pode ser desejável por</p><p>uma eventual publicação!</p><p>Professor, então meu tema é a LGPD como instrumento de</p><p>proteção à intimidade no uso de dados das pessoas na internet.</p><p>Professor João Irineu: Isso é muito bom, mas será que a gente</p><p>acharia isso na prática? Será que nós não conseguiremos achar</p><p>um caso, um julgado, um entendimento jurisprudencial?</p><p>Aluno Fabrício: Olha, eu posso procurar, até porque não deve ter</p><p>uma jurisprudência tão intensa com relação ao tema que é recente.</p><p>Eu posso então buscar a visão dos tribunais brasileiros nesse</p><p>aspecto.</p><p>Nós teríamos um corte metodológico de busca de jurisprudência</p><p>nacional a respeito da aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados</p><p>e em relação ao direito à intimidade.</p><p>Seria mais ou menos isso, professor?</p><p>Professor João Irineu: Sim! Levando-se em conta que nós ainda</p><p>temos pouca jurisprudência nessa área.</p><p>Se fosse, por exemplo, um tema que tem uma jurisprudência mais</p><p>caudalosa talvez seria interessante escolher um determinado</p><p>período para a pesquisa ou até mesmo algum caso icônico,</p><p>paradigmático em relação ao tema. Afinal,</p><p>A PRINCIPAL VIRTUDE EM UM TEMA</p><p>É A DELIMITAÇÃO.</p><p>Quanto mais ele for delimitado melhor você vai desenvolver o seu</p><p>projeto. Umberto Eco dizia que não existe tese delimitada demais,</p><p>existe sempre tese muito ampla.</p><p>Vamos para outro exemplo!</p><p>Aluno Fabrício: Então Professor João Irineu, eu gosto muito de</p><p>Direito Previdenciário e eu gostaria muito de estudar... na verdade</p><p>eu tenho certeza que a Emenda Constitucional 103 é</p><p>inconstitucional e pretendo mostrar isso.</p><p>Portanto, o meu tema envolve a comprovação da</p><p>inconstitucionalidade da EC 103 que, no meu modo de entender as</p><p>coisas, aniquilou muitos direitos previdenciários dos cidadãos.</p><p>Professor João Irineu: Aí nós temos um problema inicial, porque</p><p>se queremos afirmar algo sobre um tema antes de o estudar</p><p>profundamente é melhor escrever um artigo de opinião, destinado a</p><p>um jornal, ou a uma revista, ou ainda um fórum de debates para que</p><p>possamos expressar a nossa opinião.</p><p>Esse é um problema muito comum entre os alunos de Direito,</p><p>porque nós profissionais do Direito temos aquela visão da justiça,</p><p>estamos sempre muito comprometidos com isso, mas nem sempre</p><p>aquilo que nós imaginamos que é a resposta vai se confirmar</p><p>depois.</p><p>Então veja bem: às vezes os alunos chegam para mim com um</p><p>tema sem ter uma pergunta; já chegam com respostas prontas:</p><p>”Eu quero comprovar a inconstitucionalidade”.</p><p>Mas o certo é nós perguntarmos se aquele projeto de lei, se aquela</p><p>emenda constitucional, se aquele julgado é legal, é constitucional, é</p><p>lícito ou se aquele julgado se encontra de acordo com o estado da</p><p>arte.</p><p>Isso nos leva para o segundo momento de nossa pergunta, logo</p><p>após a delimitação do tema: a definição do problema da pesquisa.</p><p>9. PROJETO: O PROBLEMA DE</p><p>PESQUISA</p><p>Em Filosofia, mais importante do que as respostas são as</p><p>perguntas.</p><p>Isso também é válido na pesquisa e, mais válido ainda, na pesquisa</p><p>jurídica.</p><p>O que faz com que o nosso trabalho vá integrar o estado da arte</p><p>sobre uma matéria, vá ser discutido, lido, conhecido e reconhecido</p><p>pelos nossos colegas é a pergunta que nós formulamos.</p><p>A PERGUNTA CONSTITUI O</p><p>PROBLEMA DE PESQUISA.</p><p>Todo tema delimitado precisa ter um problema, precisa ter uma</p><p>pergunta para cuja resposta nós vamos sair em busca.</p><p>Podemos pressupor que determinada lei é inconstitucional, que</p><p>determinado fato foi importante ou que determinado posicionamento</p><p>jurisprudencial deva ser reformado pelos posicionamentos</p><p>seguintes.</p><p>Mas não temos certeza disso.</p><p>Uma coisa que o João Irineu sempre fala para os alunos é o</p><p>seguinte:</p><p>Olha, você pode sim escolher um tema bem delimitado e um</p><p>tema que seja polêmico, difícil, até mesmo político, mas você</p><p>tem que assumir um compromisso comigo, seu orientador.</p><p>Qualquer que seja o resultado dessa pesquisa nós vamos</p><p>publicar, mesmo que a sua hipótese não seja comprovada.</p><p>A seriedade é o fundamento da pesquisa acadêmica e, juntamente</p><p>com o método, torna a pesquisa, em última análise, científica.</p><p>Então o que vem a ser o problema?</p><p>O problema é aquela pergunta que está no âmago do tema ao qual</p><p>você está pesquisando.</p><p>Experimente compreender as várias faces do problema quando</p><p>você trata de um tema.</p><p>Falávamos sobre o caso da Cambridge Analytica, lembra?</p><p>Qual é o posicionamento da Cambridge Analytica sobre o assunto?</p><p>Qual foi o posicionamento daqueles que se defenderam dizendo que</p><p>não estavam fazendo nada de errado?</p><p>Muitas vezes, dando atenção a mais de uma perspectiva você</p><p>encontra a grande pergunta, a grande dúvida que existe e que</p><p>merece ser pesquisada.</p><p>Muitas vezes quando nós vamos estudar um entendimento</p><p>jurisprudencial nós nos detemos apenas no acórdão ou às vezes no</p><p>voto do relator.</p><p>Leia o voto divergente, leia os seus posicionamentos, muitas</p><p>vezes, é num voto divergente, é num posicionamento minoritário</p><p>que você vai encontrar lacunas, obscuridades ou contradições que</p><p>merecem um estudo mais aprofundado.</p><p>Assim como um tema bem delimitado, o problema da pesquisa é</p><p>fundamental.</p><p>O TEMA BEM DELIMITADO É O</p><p>CÉREBRO DO SEU PROJETO, MAS O</p><p>CORAÇÃO É A PERGUNTA, A</p><p>INQUIETUDE QUE O ACOMPANHA.</p><p>Uma vez formulada essa inquietude você, obviamente, vai ter uma</p><p>resposta provisória para ela.</p><p>ESSA RESPOSTA PROVISÓRIA</p><p>CHAMA-SE HIPÓTESE DE</p><p>TRABALHO.</p><p>Assim, como podem existir teses alternativas você pode ter, às</p><p>vezes, mais do que uma hipótese ou variáveis dessa hipótese,</p><p>possíveis respostas. Mas você certamente terá ao menos uma</p><p>resposta provisória.</p><p>É possível ter um tema e um problema</p><p>sem hipótese?</p><p>Olha, é possível, mas sua tarefa de pesquisa será mais difícil se</p><p>você não antecipar aqueles elementos que constarão na tua</p><p>hipótese.</p><p>Mas o que é a hipótese afinal?</p><p>HIPÓTESE É A SUA RESPOSTA</p><p>PROVISÓRIA.</p><p>Imagine que você tá explicando para o seu pai, para a sua mãe,</p><p>para o seu irmão, para alguém que não é da área jurídica, o que é o</p><p>seu trabalho na mesa no almoço de domingo e alguém pergunta</p><p>para você "Mas meu filho, sobre o que você tá estudando?”</p><p>você precisa responder isso em uma frase ou duas porque senão o</p><p>pessoal já vai prestar atenção na macarronada e te deixar falando</p><p>sozinho.</p><p>Você precisa ser sucinto.</p><p>Como você vai fazer isso?</p><p>TEMA DELIMITADO!</p><p>Muito bem, mas daí vem aquele teu irmão e diz "Tá, esse tema é</p><p>muito legal, mas para que serve?”</p><p>E a sua irmã pergunta "Por que você tá estudando isso daí?”</p><p>Nessa hora, o que você vai apresentar?</p><p>O PROBLEMA!</p><p>Com um problema bem apresentado a mesa inteira vai estar</p><p>interessada. Até seu irmão adolescente mais novo e a sobrinha</p><p>criança terão algo a dizer sobre seu projeto.</p><p>Fabrício tem um relato de experiência super interessante</p><p>sobre isto.</p><p>É o relato de uma orientação em um curso de Pós-graduação em</p><p>Direito Previdenciário.</p><p>Meu orientando queria estudar a questão jurídica das pessoas</p><p>que vão morar nos Estados Unidos depois de terem contribuído</p><p>por alguns anos para a previdência social no Brasil.</p><p>Por que ele queria estudar sobre isso? Porque ele queria</p><p>estudar um tratado internacional específico dos dois países,</p><p>Brasil e Estados Unidos, sobre essa questão.</p><p>E aí a hipótese dele era... ele veio com aquela linguagem toda</p><p>rebuscada e tradicional do Direito: três linhas para explicar o</p><p>tema, explicar o problema.</p><p>Falei "Precisamos evoluir isto aqui” e dei a seguinte dica para</p><p>ele:</p><p>”Olha, pensa nessa pergunta como se fosse um tweet, como se</p><p>fosse uma frase de no máximo 140 caracteres ou que caiba na</p><p>descrição do teu perfil do Instagram.</p><p>O problema de pesquisa ficou assim:</p><p>"Migrei para os Estados Unidos e agora, como fica a minha</p><p>previdência?"</p><p>OBJETIVIDADE E CLAREZA SÃO</p><p>ESSENCIAIS.</p><p>Você tem que entregar em três, quatro linhas no máximo. Uma</p><p>frase, algumas expressões e pronto!</p><p>Melhor se for em uma frase.</p><p>Winston Churchil tinha essa sacada. E olha que ele foi Prêmio</p><p>Nobel. Ele dizia "Das frases, a mais curta. Das palavras, a mais</p><p>simples”.</p><p>No projeto você tem que ser direto, você tem que ter clareza para,</p><p>naquele momento de maior dúvida, quando você estiver na</p><p>execução e tudo parecer confuso, você olhar para o projeto e</p><p>lembrar do que se propôs a fazer.</p><p>E com o problema é a mesma coisa. Se você conseguir resolver,</p><p>sintetizar ele em uma pergunta, você está com a faca e o queijo na</p><p>mão.</p><p>Você vai naturalmente balizar a sua pesquisa e isso vai facilitar</p><p>demais a sua vida.</p><p>PORQUE VOCÊ VAI FACILMENTE</p><p>ENCONTRAR HIPÓTESES.</p><p>Veja o problema de pesquisa do orientando do Fabrício: Migrei para</p><p>os Estados Unidos, e agora?</p><p>Precisará fazer uma ação judicial? Deverá tomar alguma medida</p><p>administrativa? Tem tratado internacional sobre o assunto?</p><p>As respostas provisórias a essas perguntas constituem as suas</p><p>hipóteses de trabalho.</p><p>O precisará ser feito na pesquisa?</p><p>AS RESPOSTAS PROVISÓRIAS</p><p>PRECISARÃO SER TESTADAS.</p><p>Veja então que a hipótese é a semente, o embrião daquilo que vai</p><p>ser a sua contribuição ao estado da arte no tema escolhido.</p><p>Porque muito tempo depois será registrado assim: “O pesquisador</p><p>XXXXXX diz que quando você migra para os Estados Unidos é</p><p>necessário você cumprir o artigo 15 do tratado x, que dispõe a</p><p>obrigação de y, z e β”.</p><p>É hora de fazermos um link com algo que já conversamos aqui, que</p><p>é a questão do propósito.</p><p>A intenção de produzir cientificamente sobre o problema jurídico das</p><p>pessoas que vão morar nos Estados Unidos depois de terem</p><p>contribuído por alguns anos para a previdência social no Brasil</p><p>decorre de um propósito muito maior que a obtenção do título de</p><p>pós-graduação.</p><p>Tornando-se referência científica nesse tema da aposentadoria de</p><p>quem vai para os Estados Unidos - se vai aproveitar ou não as</p><p>contribuições previdenciárias que foram realizadas no Brasil - o</p><p>acadêmico pode eventualmente prestar assessoria a</p><p>tantas e tantas pessoas que migram para os Estados Unidos.</p><p>E essa assessoria pode abranger inclusive o planejamento</p><p>previdenciário e o aconselhamento jurídico antes de a pessoa</p><p>efetivamente migrar. Para que possa decidir se realmente vale ou</p><p>não a pena do ponto de vista previdenciário.</p><p>E veja como isso é importante inclusive socialmente. A pessoa</p><p>imigra muitas vezes para proporcionar uma vida melhor à própria</p><p>família e pode acontecer de voltar quase com a mão na frente e</p><p>outra atrás.</p><p>NOTE COMO É IMPACTANTE</p><p>ESCREVER COM PROPÓSITO,</p><p>ENTREGANDO ALGO BOM PARA A</p><p>COMUNIDADE.</p><p>10. PROJETO: OBJETIVO</p><p>GERAL</p><p>Já que identificamos a hipótese é hora de conversarmos sobre o</p><p>objetivo geral.</p><p>Mas o que é o objetivo geral?</p><p>OBJETIVO GERAL É A</p><p>COMPROVAÇÃO DA HIPÓTESE.</p><p>Veja como está tudo encadeado:</p><p>-primeiro você delimita o tema;</p><p>-no tema você encontra o problema de pesquisa;</p><p>-no problema você busca resposta provisória;</p><p>-e da resposta provisória surge o objetivo geral.</p><p>Perceba a relação direta entre objetivo geral e resposta provisória.</p><p>Isso ocorre porque</p><p>O OBJETIVO GERAL SURGE DA</p><p>NECESSIDADE DE COMPROVAR SE</p><p>A RESPOSTA PROVISÓRIA ESTÁ</p><p>CERTA OU ERRADA.</p><p>Lembra do aluno do Fabrício na pós em Direito Previdenciário?</p><p>O tema envolvia a análise jurídica do direito à aposentadoria de</p><p>brasileiros que migram para os Estados Unidos.</p><p>O problema de pesquisa era: “Migrei para os estados Unidos. E</p><p>agora, como fica minha aposentadoria?”</p><p>Algumas perguntas surgiram nesse problema: Precisará fazer uma</p><p>ação judicial? Deverá tomar alguma medida administrativa? Tem</p><p>tratado internacional sobre o assunto?</p><p>As respostas provisórias a essas perguntas foram as hipóteses</p><p>de trabalho.</p><p>Neste caso surgiram três objetivos gerais: comprovar se as três</p><p>repostas provisórias estavam ou não corretas.</p><p>11. PROJETO: OBJETIVOS</p><p>ESPECÍFICOS</p><p>Do objetivo geral nós extraímos os objetivos específicos, que se</p><p>relacionam com as variáveis da hipótese.</p><p>Vamos continuar com o exemplo do aluno da pós-graduação em</p><p>Direito Previdenciário.</p><p>Ele tem três perguntas, três respostas provisórias e três objetivos</p><p>gerais.</p><p>Para simplificar nossa conversa vamos ficar apenas com uma</p><p>pergunta e, consequentemente, uma resposta provisória e um</p><p>objetivo geral.</p><p>A pergunta: Tem tratado internacional sobre o assunto?</p><p>A resposta provisória: sim, existe tratado internacional sobre o</p><p>assunto.</p><p>O objetivo geral: analisar como o tratado internacional versa sobre</p><p>a aposentadoria de brasileiros que migram para os Estados Unidos</p><p>depois de terem contribuído para a previdência no Brasil.</p><p>Essa análise evidentemente focará em diversos detalhes do</p><p>tratado, gerando variáveis importantes que também serão</p><p>estudadas.</p><p>O OBJETIVO GERAL PRECISA SER</p><p>DESDOBRADO</p><p>para que consigamos entender a situação previdenciária do</p><p>migrante para os Estados Unidos.</p><p>É necessário entender primeiro o que é um tratado internacional</p><p>de direito privado em questão previdenciária. Esse é um objetivo</p><p>específico.</p><p>Segundo, como a legalidade da condição do imigrante influencia</p><p>os os direitos previdenciários. Outro objetivo específico.</p><p>Terceiro objetivo específico: a natureza dos regimes</p><p>previdenciários existentes no Brasil e nos Estados Unidos.</p><p>Percebe que do objetivo geral teremos aqui três objetivos</p><p>específicos?</p><p>Mas o que são os objetivos</p><p>específicos?</p><p>OBJETIVOS ESPECÍFICOS SÃO</p><p>DESDOBRAMENTOS DO OBJETIVO</p><p>GERAL.</p><p>Os objetivos específicos acabarão se tornando os capítulos ou</p><p>itens importantes na estrutura de sua monografia.</p><p>12. PROJETO EXTENSO OU</p><p>CURTO?</p><p>Tem uma pergunta super recorrente que quase todo mundo faz no</p><p>início do processo de orientação.</p><p>O projeto de pesquisa precisa ser</p><p>longo?</p><p>Não! O projeto de pesquisa pode se de uma página e meia e ter</p><p>tudo que precisa.</p><p>O IMPORTANTE NÃO É A EXTENSÃO</p><p>DO PROJETO, MAS SEU CONTEÚDO.</p><p>Seu projeto precisa ter um tema bem delimitado, um problema</p><p>instigante, uma hipótese plausível, um objetivo geral para</p><p>comprovar essa hipótese e os objetivos específicos derivados</p><p>dessa hipótese.</p><p>Com tudo isso bem pensado desde o início você terá confeccionado</p><p>o coração do seu projeto de pesquisa.</p><p>13. A VANTAGEM DE</p><p>PROJETAR</p><p>Existe um enorme benefício em você projetar algo que vai fazer e</p><p>pouca gente percebe isto.</p><p>Quando projetamos o que faremos e, especialmente, como faremos,</p><p>limpamos de nosso radar tudo que não faremos.</p><p>É um processo de escolha. Quanto mais específico melhor. Na</p><p>especificidade a gente elimina tudo aquilo que, de propósito, não</p><p>será feito.</p><p>O PROJETO, MAIS DO QUE UM</p><p>COMPROMISSO A SEGUIR, É UMA</p><p>LIBERTAÇÃO EM RELAÇÃO A</p><p>TODAS AQUELAS COISAS QUE</p><p>VOCÊ NÃO FARÁ.</p><p>O projeto é algo totalmente libertador.</p><p>Você tem uma programação, tem um cronograma, tem objetivo geral</p><p>e objetivos específicos e pronto!</p><p>VOCÊ TEM UM CAMINHO MUITO</p><p>PRECISO A SEGUIR.</p><p>Vamos fazer uma metáfora com subida em montanha.</p><p>Quando você vai fazer trekking, por exemplo, você tem várias trilhas</p><p>que já estão pré-determinadas. Muitas delas bem sinalizadas</p><p>inclusive.</p><p>Você pode escolher</p><p>qualquer uma dessas trilhas, mas também pode</p><p>decidir fazer seu próprio caminho montanha acima.</p><p>Quando sua escolha é não respeitar trilhas você pode passar por</p><p>maus bocados.</p><p>Pode correr perigo, perder-se na montanha. Mesmo que nada disso</p><p>aconteça você terá muitas dúvidas no caminho. Melhor para a</p><p>direita ou pra a esquerda? Chegarei lá em cima durante o dia?</p><p>Encontrarei água no caminho?</p><p>Vale a pena seguir pelas trilhas</p><p>demarcadas?</p><p>Com certeza! Se você está numa montanha siga as trilhas pré-</p><p>determinadas. Por que?</p><p>Porque várias pessoas antes de você, antes de nós, conheceram e</p><p>compreenderam a montanha, seus segredos, suas belezas e seus</p><p>riscos, estabelecendo as trilhas, os melhores caminhos.</p><p>MÉTODO É A TRILHA A SER</p><p>SEGUIDA.</p><p>O que nós estamos te entregando? A trilha, o caminho seguro e</p><p>testado. Ainda temos muito a conversar, mas já podemos te dizer</p><p>que finalizamos os detalhes sobre o coração do projeto de</p><p>pesquisa.</p><p>14. MÉTODOS E TÉCNICAS NO</p><p>PROJETO</p><p>Para responder à pergunta “Como organizar o projeto”? nós já</p><p>apresentamos para você o coração do projeto, ou seja, o tema</p><p>delimitado, o problema, a hipótese, o objetivo geral e os objetivos</p><p>específicos.</p><p>Mas um projeto de pesquisa também terá dois outros elementos</p><p>muito importantes.</p><p>O primeiro envolve método e técnica de pesquisa. O segundo</p><p>elemento é o referencial teórico.</p><p>Nós vamos tratar do referencial teórico dentro da ideia do próprio</p><p>processo de pesquisa.</p><p>Agora nós queremos conversar com você sobre método e técnica</p><p>de pesquisa.</p><p>Vamos começar pelo método?</p><p>O método da pesquisa tem tudo a ver com o caminho a ser</p><p>seguido.</p><p>É O MÉTODO QUE TORNA A SUA</p><p>PESQUISA CIENTÍFICA.</p><p>É o método que vai fazer com que a sua opinião não possa ser</p><p>classificada apenas como uma opinião.</p><p>É o método que vai fazer com que o conhecimento que você produz</p><p>seja recebido como conhecimento e não como fake news.</p><p>É o método que vai lhe tornar um sujeito pensante que entende e</p><p>compreende do que está falando e fala com autoridade sobre o</p><p>assunto.</p><p>Por isso é importante que nós mantenhamos o nosso foco e</p><p>executemos a nossa pesquisa de acordo com o método bem</p><p>definido, além de uma técnica de pesquisa bem definida.</p><p>O João Irineu vai fazer um relato de experiência para nós sobre</p><p>método.</p><p>Bom, para falar de método eu vou lembrar lá de 25 anos atrás,</p><p>quando eu estava estudando Filosofia do Direito eu aprendi na</p><p>obra homônima de Miguel Reale algo chamado</p><p>Ontognoseologia.</p><p>Miguel Reale traz o radical do grego e daí ele vai trabalhar em</p><p>sua obra a Ontologia e Gnosiologia, que vem do grego, e que</p><p>tem um nome complicado.</p><p>Mas basicamente seria a Teoria do Conhecimento, do ponto</p><p>de vista filosófico, a partir de dois pólos: o sujeito que conhece</p><p>e o objeto que é passível de ser conhecido.</p><p>Você pode me perguntar “Por que você tá falando disso?”.</p><p>Porque quando a gente pesquisa nós estamos buscando</p><p>conhecimento, nós vamos atrás de dados e informações para</p><p>obter conhecimento.</p><p>Filosoficamente, a Teoria do Conhecimento pode ser entendida</p><p>como ontognoseologia, que nada mais é do que:</p><p>1) teoria do sujeito que conhece, ou seja, o que que é possível</p><p>que nós venhamos a conhecer e o que está fora da nossa</p><p>capacidade de compreensão e</p><p>2) a teoria do objeto, ou seja, o que que pode ser conhecido?</p><p>Em que medida isso pode ser conhecido?</p><p>Quando a gente sai da figura do sujeito e entra na figura do</p><p>objeto a gente vai perceber que esse objeto se relaciona com</p><p>outros e a partir daí o método fica muito fácil de entender.</p><p>Lembra que o tema é delimitado?</p><p>O TEMA É UM OBJETO DELIMITADO.</p><p>E nós estudamos os caminhos para poder conhecer a respeito</p><p>desse objeto.</p><p>OS CAMINHOS SÃO OS MÉTODOS.</p><p>que tornam possível a obtenção, através da, de um tipo de</p><p>conhecimento conhecido muito peculiar: o conhecimento</p><p>científico.</p><p>Existem algumas formas básicas de trilhar o caminho e executar o</p><p>método sobre o objeto delimitado.</p><p>E quais são elas?</p><p>Pensa no objeto como uma unidade em um conjunto de outros</p><p>objetos semelhantes.</p><p>E imagina que todas essas unidades do conjunto obedecem às</p><p>mesmas leis, às mesmas regras de organização nas relações entre</p><p>si.</p><p>Então, a partir do método e de uma técnica adequada você vai</p><p>estudar o objeto de forma que, a partir da análise de suas</p><p>características e relações com outros objetos similares, você</p><p>possa identificar quais são as regras que dispõem sobre o</p><p>relacionamento entre esses objetos.</p><p>Ou, ainda, você pode estudar as regras gerais do conjunto para</p><p>entender como seriam as particularidades de um objeto</p><p>determinado dentro desse conjunto.</p><p>Na primeira situação você parte do</p><p>PARTICULAR PARA O GERAL.</p><p>Na segunda você parte do</p><p>GERAL PARA O PARTICULAR.</p><p>Mas, tanto faz, se formos do geral para o particular ou vice-versa,</p><p>em ambos os métodos está-se supondo que o local onde os objetos</p><p>estão pode ser entendido como um conjunto organizado</p><p>composto por determinados tipos de unidade.</p><p>Percebe como nós podemos olhar o conjunto para entender a</p><p>unidade, buscando na perspectiva macro a percepção a respeito do</p><p>micro?</p><p>Ou podemos ir a fundo na percepção de um objeto único e estender</p><p>essa conclusão para outros objetos?</p><p>Essa discussão está na origem histórica e filosófica do pensamento</p><p>científico.</p><p>João Irineu vai explicar isso para nós.</p><p>No Renascimento, lá no final da Idade Média, nós tivemos um</p><p>grande ganho na Filosofia: a ideia de que os objetos do</p><p>conhecimento podem ser sintetizados em conceitos.</p><p>Antes não tínhamos conceitos. Se você for analisar as obras de</p><p>Aristóteles ou de Platão, você vai ler páginas e páginas</p><p>percebendo que Platão não chega e diz "Gente, o Estado é</p><p>conceituado como…”, enumerando as características e seu</p><p>lugar em determinada classificação.</p><p>É bem diferente da forma como temas hoje.</p><p>A primeira vez que você vai ver conceito de Estado é em “O</p><p>Príncipe”. Maquiavel traz o primeiro conceito de Estado da</p><p>história.</p><p>O Renascimento contribuiu com a Teoria do Conhecimento com</p><p>a ideia da síntese, a partir do momento que ele traz para nós o</p><p>conceito e delimita os objetos de pesquisa.</p><p>A partir daí o raciocínio, o desenvolvimento do ser humano</p><p>começou a querer entender o mundo sem necessariamente</p><p>uma narrativa, uma explicação divina ou mitológica relacionada</p><p>à natureza.</p><p>E para isso o homem criou um conceito chamado sistema.</p><p>O que é o sistema, gente?</p><p>O SISTEMA, BASICAMENTE, PODE</p><p>SER A SUA GAVETA DE MEIAS.</p><p>Fabrício: Como assim, João?</p><p>João Irineu: Pense na sua gaveta de meias… Abra… Ela é</p><p>bagunçada ou é arrumada?</p><p>Fabrício: Olha, depende da oportunidade. Quando ela está recém</p><p>arrumada ela está perfeita, mas em pouco tempo ela fica toda</p><p>bagunçada.</p><p>João Irineu: É, eu tenho um problema sério que é a minha gaveta</p><p>de gravatas, até porque eu quase não uso mais. Ela está sempre</p><p>meio bagunçada. Você organiza a gaveta, Fabrício?</p><p>Fabrício: Olha, depende. Se for uma gaveta com camisetas eu</p><p>organizo, mas a de meias ela fica completamente desorganizada.</p><p>Quanto à gaveta de gravatas a Fernanda, minha esposa, me deu</p><p>uma caixa de acrílico que facilitou muito a minha vida.</p><p>Essa caixa tem várias separações para as gravatas ficarem</p><p>enroladas e organizadas lado a lado.</p><p>João Irineu: E quando você foi organizar as gravatas ali, depois</p><p>que ela te deu esses nichos, você estabeleceu algum critério?</p><p>Organizou as gravatas por cor ou você fez randômico?</p><p>Fabrício: Olha, não foi randômico, por incrível que pareça...</p><p>interessante você falar sobre isso. Elas estão sistematizadas por</p><p>cores.</p><p>Professor João: Então pense quando você for organizar a sua</p><p>gaveta de meias. De vez em quando eu organizo as minhas.</p><p>Eu tenho duas meias de futebol, daí o meu filho chega e diz: "Pai,</p><p>vamos jogar bola?”. Então eu vou até a gaveta penso: "Tenho que</p><p>arrumar essa gaveta de novo… Onde é que eu pus a bendita meia</p><p>do Palmeiras?"</p><p>Então o que eu faço? De tempos em tempos eu separo as meias</p><p>por cores e finalidade. Coloco as meias sociais de um lado, as de</p><p>inverno do outro, meias brancas para um lado, coloridas para o</p><p>outro e assim por diante.</p><p>A mesma coisa a gravata, não é? Você põe as gravatas vermelhas</p><p>aqui, as pretas</p><p>do outro lado e você organiza dentro do nicho,</p><p>quando você faz isso além de arrumar, ou organizar, você está</p><p>sistematizando sua gaveta de meias ou gravatas!</p><p>Como assim?</p><p>SISTEMA É UM CONJUNTO</p><p>ORGANIZADO DE ELEMENTOS.</p><p>Presta atenção no termo “organizado”. Quando você coloca suas</p><p>meias ou gravatas de qualquer jeito na gaveta você tem um</p><p>conjunto.</p><p>Quando você estabelece, como o Fabrício, uma regra de</p><p>pertinência, estabelecendo que gravatas fora de um determinado</p><p>padrão serão passadas adiante, quando você estabelece critérios</p><p>de organização, você tem um conjunto organizado, um sistema.</p><p>Fabrício: Mas João, pensando nisso, algo interessante que a gente</p><p>tira daí também é que toda vez que nós temos um sistema nós</p><p>temos uma lógica empregada para aquele sistema, uma</p><p>justificativa.</p><p>Por exemplo, eu nas minhas gravatas. Tenho uma lógica</p><p>minimalista: "Esta super estampada aqui não tem a ver comigo;</p><p>portanto, na lógica de minimalismo essa gravata é um elemento</p><p>estranho e, portanto, ela tem que ser retirada”.</p><p>Seria mais ou menos nessa linha também?</p><p>João Irineu: Isso! Veja Fabrício, daqui a pouco chega o Natal, vai</p><p>que a gente faz o amigo secreto… Então conte para mim que tipo</p><p>de gravata que você gosta?</p><p>Fabrício: Olha, eu gosto de gravatas que não tenham estampas.</p><p>Também gosto de gravatas que não sejam aquelas muito largas de</p><p>antigamente. Então eu gosto de gravatas sem estampas, gravatas</p><p>mais estreitas e preferencialmente gravatas de um tom mais escuro.</p><p>João Irineu: Pessoal, quando vocês forem dar um presente para o</p><p>professor Fabrício vocês já estão sabendo.</p><p>Se eu estou estudando uma gravata e eu quero saber qual gravata</p><p>seria lícita para o sistema “gaveta de gravatas'' do professor</p><p>Fabrício, eu estou fazendo o quê?</p><p>Eu estou fazendo um método chamado o método indutivo, ou seja,</p><p>eu estou</p><p>PARTINDO DO ESPECÍFICO E</p><p>SEGUINDO PARA O GERAL.</p><p>Por exemplo, se eu vejo uma gravata lisa e slim, da cor grafite,</p><p>posso dizer “Esta gravata está apta a fazer parte da gaveta do</p><p>Fabrício”.</p><p>ESTE É O MÉTODO INDUTIVO.</p><p>Mas para saber quantas gravatas existem na gaveta, se existe</p><p>algum desequilíbrio nesse sistema, como excesso de gravatas</p><p>pretas, eu poderia, por exemplo, contar as gravatas, estabelecer as</p><p>proporções e, com base nisso, afirmar que a cor predominante da</p><p>gaveta é cinza.</p><p>Aí eu tenho o método dedutivo.</p><p>Mas note que é o mesmo conceito de sistema. Apenas</p><p>invertemos o ponto de vista,</p><p>ESTUDANDO O TODO PARA</p><p>ENTENDER O PARTICULAR.</p><p>Agora, se focarmos na ação da esposa do Fabrício, dando uma</p><p>estrutura para a gaveta de gravatas com nichos específicos, o que</p><p>vamos notar?</p><p>Cada gravata terá um espaço específico. Além disso, nenhuma</p><p>gravata deverá ficar fora dessa estrutura.</p><p>Ela fez um ordenamento na gaveta, com regras específicas de</p><p>estrutura.</p><p>Se fossem normas jurídicas, cada nicho daqueles poderia ser</p><p>entendido como um espaço de competência normativa.</p><p>E se eu pesquisar, por exemplo, quantas gravatas vermelhas,</p><p>pretas, azuis o Fabrício tem, vou entender, dentro dessas regras de</p><p>estrutura, como é formado o ordenamento a partir de uma</p><p>perspectiva estática, estrutural.</p><p>Fabrício: Deixa eu te fazer uma pergunta agora, falando do ponto</p><p>de vista do Direito, onde nós trabalhamos com a noção de Sistema</p><p>Jurídico.</p><p>Sistema jurídico é uma estrutura na linha do que você fala João.</p><p>Essa estrutura tem por pressuposto a supremacia da Constituição.</p><p>Então se eu quero, por exemplo, escrever sobre a</p><p>inconstitucionalidade de uma de uma lei previdenciária, por</p><p>exemplo, eu preciso primeiro falar sobre a estrutura?</p><p>João Irineu: Exatamente! Se você tomar o Direito Positivo como</p><p>uma ordem jurídica, você vai pressupor a estrutura para conhecer</p><p>seus objetos de estudo.</p><p>Por exemplo, eu vou falar sobre a inconstitucionalidade de uma</p><p>determinada lei ou medida provisória, o que eu devo fazer?</p><p>Eu vou pegar aquele elemento em específico, aquele objeto do</p><p>conhecimento em específico e vou ver se ele está de acordo com os</p><p>princípios constitucionais, que podem ser materiais ou estruturais,</p><p>conforme minha preocupação seja estabelecer a pertinência da</p><p>norma em relação ao sistema ou a sua relação com as outras</p><p>normas. Assim,</p><p>O SISTEMA PODE SER ENTENDIDO</p><p>COMO UM ORDENAMENTO</p><p>especialmente se você for pensar na nossa dogmática jurídica a</p><p>partir da pirâmide de Hans Kelsen. Mas</p><p>O SISTEMA TAMBÉM PODE SER</p><p>ENTENDIDO COMO UM ORGANISMO.</p><p>Fabrício: Como assim? Sistema como um organismo?</p><p>João Irineu: Você não tem sistema nervoso? Não tem sistema</p><p>digestivo? O nosso corpo não é organizado a partir de sistemas?</p><p>Pega o conceito de sistema nervoso. É o conjunto de órgãos que</p><p>tem por finalidade transmitir as sensações ao corpo.</p><p>O conceito de sistema digestivo: conjunto de órgãos que tem por</p><p>finalidade a retirada dos nutrientes dos alimentos.</p><p>Então, o que isso significa?</p><p>SISTEMA É UM CONJUNTO</p><p>DEFINIDO POR SUA FINALIDADE.</p><p>Este tipo de sistema chama-se organismo.</p><p>Às vezes, na técnica jurídica, você vai buscar um determinado</p><p>princípio constitucional como uma finalidade, a exemplo de uma</p><p>norma programática.</p><p>Outras vezes você vai trabalhar com sistema jurídico enquanto</p><p>ordenamento.</p><p>Mas é sempre uma questão de princípio.</p><p>15. TÉCNICAS DE PESQUISA</p><p>Existem diversos métodos de pesquisa, principalmente nas</p><p>Ciências Sociais aplicadas, inclusive alguns que podem ser</p><p>utilizados do Direito, mais especificamente na sociologia jurídica,</p><p>como o método dialético, por exemplo.</p><p>Para as finalidades deste curso nós vamos trabalhar principalmente</p><p>com estes dois caminhos:</p><p>-método dedutivo, partindo do geral para o particular; e</p><p>-método indutivo, partindo do particular e daí pressupondo o</p><p>geral.</p><p>MÉTODO É O CAMINHO DO</p><p>CONHECIMENTO.</p><p>O método é caminho que você vai trilhar. Envolve sua jornada de</p><p>pesquisa.</p><p>TÉCNICA É O INSTRUMENTO.</p><p>Técnica é o instrumento que você vai usar para chegar nesse</p><p>conhecimento.</p><p>Se eu estudo uma célula preciso de um microscópio.</p><p>Se eu estudo uma estrela vou precisar de um telescópio.</p><p>Se eu estudar uma reação química vou precisar de tubos de ensaio,</p><p>lâminas de vidro e daí por diante.</p><p>Se método é o caminho, a técnica é o veículo que nos conduz por</p><p>esse caminho.</p><p>VOCÊ PODE USAR VÁRIAS</p><p>TÉCNICAS PARA EXECUTAR SEU</p><p>MÉTODO.</p><p>Assim como para ir de um lugar a outro na cidade você poder usar</p><p>carro, bicicleta ou moto, também dispõe de várias técnicas para</p><p>executar o método, ou seja, percorrer o caminho.</p><p>Geralmente, no Direito, usamos a técnica de pesquisa</p><p>bibliográfica ou a técnica de pesquisa documental.</p><p>E no Direito, qual é a ferramenta</p><p>privilegiada?</p><p>Hoje em dia são as mídias e, historicamente, os livros e as</p><p>revistas.</p><p>A técnica mais utilizada no direito é a pesquisa bibliográfica, em</p><p>algum grau já combinada com a pesquisa documental.</p><p>João Irineu: Se eu quero discutir, por exemplo, o benefício de</p><p>prestação continuada numa perspectiva de evolução do instituto</p><p>desde a sua proposição, eu vou trabalhar principalmente com o</p><p>que? Com livros.</p><p>Vou trabalhar principalmente com autores que dirão qual é a</p><p>natureza do benefício de prestação continuada e vão localizar esse</p><p>benefício dentro do sistema previdenciário.</p><p>Autores que vão falar da raiz constitucional, das diferentes leis que</p><p>previram o benefício, das normativas específicas na legislação, além</p><p>de autores que vão trazer dados da realidade.</p><p>GERALMENTE QUANDO</p><p>ESTUDAMOS INSTITUTOS</p><p>JURÍDICOS SOB PERSPECTIVA</p><p>DOUTRINÁRIA, A TÉCNICA DE</p><p>PESQUISA É BIBLIOGRÁFICA.</p><p>E quando a doutrina não nos fornece</p><p>as fontes necessárias para a</p><p>pesquisa?</p><p>Isso acontece quando o tema que estamos discutindo é inusitado ou</p><p>que vem sendo tratado de maneira inusitada.</p><p>João Irineu: Nesse caso, a pesquisa documental pode se</p><p>apresentar como meio privilegiado de se levantar os dados</p><p>primários sobre determinado assunto e organizar esses dados.</p><p>Nessa técnica o Fabrício vai fazer um relato de experiência para</p><p>nós.</p><p>Fabrício: Essa experiência é decorrente da construção da minha</p><p>tese de doutorado. O meu projeto de pesquisa era sobre medidas</p><p>provisórias.</p><p>O pano de fundo nesse tema envolve Teoria do Estado e estudo das</p><p>relações de poder</p><p>e quando a gente para pra pensar isso nós</p><p>percebemos que relações de poder são estudadas desde a Grécia</p><p>antiga.</p><p>Como eu precisava ter algo inédito na tese de doutorado, teria de</p><p>fazer algo diferenciado nesse campo, especificamente em relação</p><p>às medidas provisórias.</p><p>E aí João, qual foi a sacada? Percebi que não existiam muitas</p><p>pessoas que falavam sobre a realidade da medida provisória na</p><p>prática.</p><p>Então toda a tese foi estruturada a partir da comparação entre</p><p>teorias (doutrinas) e realidades (dados).</p><p>Comparei os conceitos que a doutrina e os livros me traziam a</p><p>respeito da medida provisória com o estudo da dados reais sobre a</p><p>medida provisória.</p><p>Como consegui os dados?</p><p>Coletando documentos no site da Presidência da República.</p><p>Cada medida provisória consistia em um documento de interesse</p><p>para criação de estatísticas sobre números de edições, quantitativos</p><p>por dada um de nossos Presidentes da República e sobre os temas</p><p>envolvidos.</p><p>Coletando documentos nos sites do Senado Federal e da</p><p>câmara dos Deputados.</p><p>Nesses sites eu também encontrei documentos com dados</p><p>importantes, gerando informações relevantes para compreender a</p><p>medida provisória na prática.</p><p>O que eu busquei?</p><p>A quantidade de dias que as pautas do Senado e da Câmara</p><p>ficaram trancadas por medidas provisórias pendentes de</p><p>deliberação.</p><p>A quantidade de medidas provisórias convertidas em lei, alteradas e</p><p>rejeitadas em determinado período</p><p>Todos esses dados compilados viabilizaram a organização de</p><p>informações em tabelas e gráficos que permitiram comparar a</p><p>realidade institucional da medida provisória com o seu conceito na</p><p>doutrina e na jurisprudência.</p><p>O que pude comprovar a partir da pesquisa documental?</p><p>A realidade no caso da medida provisória é muitíssimo mais forte</p><p>do que a expectativa da doutrina com relação a esse instituto.</p><p>Provei, com base em pesquisa documental documentos, que a</p><p>medida provisória se adaptou ao uso que se fez dela.</p><p>João Irineu: O relato do Fabrício abre uma ótima oportunidade para</p><p>falarmos sobre dois tipos de pesquisa documental.</p><p>Dois tipos de pesquisa documental?</p><p>A primeira é a forma de documentação indireta.</p><p>Quando o Fabrício estuda as medidas provisórias ele está</p><p>analisando documentos produzidos por outras pessoas.</p><p>O trabalho dele foi sistematizar os dados disponíveis nesses</p><p>documentos e gerar o conhecimento que ele entregou para nós na</p><p>tese de doutorado.</p><p>NA DOCUMENTAÇÃO INDIRETA O</p><p>PESQUISADOR ANALISA</p><p>DOCUMENTOS FEITOS POR OUTRAS</p><p>PESSOAS.</p><p>Existe uma outra forma de pesquisa que é a documentação direta.</p><p>A DOCUMENTAÇÃO DIRETA</p><p>OCORRE QUANDO O PESQUISADOR</p><p>ORIGINA O DOCUMENTO.</p><p>Quando você está trabalhando em biologia, por exemplo, e vê um</p><p>passarinho que você não achou em catálogo nenhum.</p><p>Daí você vai lá, tira foto, levanta todas as características e cataloga</p><p>uma nova espécie.</p><p>VOCÊ ESTÁ DOCUMENTANDO A</p><p>EXISTÊNCIA DAQUELA ESPÉCIE.</p><p>Quando você pesquisa determinado fenômeno social que esteja</p><p>acontecendo naquele momento, levantando dados, através das</p><p>manifestações de rua ou por meio de entrevistas, você está gerando</p><p>um documento.</p><p>Essas seriam duas forma de se realizar a técnica de pesquisa</p><p>chamada documentação direta, ou seja, quando você extrai da</p><p>natureza ou da sociedade aquele fato, aquele contexto e reduz isso</p><p>a um documento.</p><p>Fabrício: João, aproveitando o contexto da sua fala sobre</p><p>documentação direta, lembro que muitos alunos nossos,</p><p>especialmente no campo do Mestrado e do Doutorado em Ciências</p><p>Sociais Aplicadas, trabalham muito bem com a realização de</p><p>entrevistas.</p><p>É viável a utilização de entrevistas no</p><p>Direito?</p><p>João Irineu: Quando eu quero trabalhar sobre a percepção dos</p><p>idosos sobre a natureza do benefício de prestação continuada, por</p><p>exemplo, ou quando eu quero trabalhar sobre a percepção do</p><p>usuário a respeito do procedimento de obtenção de um determinado</p><p>benefício em geral, como que eu vou descobrir essa percepção?</p><p>NÃO TEM OUTRA FORMA: É</p><p>PERGUNTANDO PARA ELES.</p><p>Precisarei usar alguns refinamentos que não são normais para nós</p><p>do ponto de vista jurídico.</p><p>Posso usar um questionário, por exemplo, através do Google</p><p>Forms.</p><p>O QUESTIONÁRIO É UM TIPO DE</p><p>DOCUMENTAÇÃO DIRETA</p><p>na qual não temos contato direto e pessoal com o seus</p><p>entrevistados. Afinal, nós estabelecemos perguntas gerais e eles</p><p>respondem através do questionário.</p><p>Posso fazer entrevistas, que também são tipos de documentação</p><p>direta.</p><p>A entrevista pressupõe o “entre-vista”.</p><p>A ENTREVISTA PRESSUPÕE</p><p>CONEXÃO PESSOAL.</p><p>E essa conexão pessoal pode ser, inclusive, online.</p><p>A mais comum é a entrevista semiestruturada.</p><p>Na entrevista semiestruturada você pega os objetivos específicos</p><p>do seu projeto e transforma em perguntas.</p><p>Então você faz as perguntas e ao final da entrevista você deixa um</p><p>espaço para que a pessoa se manifeste e apresente insights,</p><p>percepções e conhecimentos que você não perguntou.</p><p>Essa é uma forma válida no campo do direito, principalmente</p><p>quando você quiser trabalhar com efetividade de política pública,</p><p>eficácia de norma ou quando você quiser levantar a percepção da</p><p>sociedade sobre algum instituto.</p><p>16. UNIVERSO E AMOSTRA</p><p>A palavra universo e a palavra amostra definem aquilo que nós</p><p>vamos fazer na nossa pesquisa documental, por exemplo.</p><p>Caso você pretenda fazer uma pesquisa documental indireta ou</p><p>uma pesquisa gerando documentação direta, mantenha o foco na</p><p>especificidade da amostragem.</p><p>A falta de especificidade gera universos consideravelmente amplos</p><p>a ser conhecidos, estudados, analisados e organizados.</p><p>Fabrício: Deixa eu te dar um exemplo.</p><p>O universo integral de pesquisa de medidas provisórias por ocasião</p><p>da minha tese de doutorado envolvia a análise de dois períodos: de</p><p>1988 a 2011 e de 2011 a 2015.</p><p>No primeiro existiam mais de 14.000 medidas provisórias editadas e</p><p>no segundo, por uma alteração legislativa importante, existiam cerca</p><p>de 700 medidas provisórias.</p><p>Então eu fiz o corte metodológico envolvendo análise documental</p><p>de todas as medidas provisórias do segundo período.</p><p>Fiz assim porque pretendia analisar todo o universo de 700</p><p>medidas provisórias.</p><p>Caso optasse pelo primeiro período dificilmente analisaria todo o</p><p>universo das 14.000 medidas provisórias. Teria que trabalhar com</p><p>amostragens.</p><p>PRATICIDADE E VIABILIDADE SÃO</p><p>CRITÉRIOS ESSENCIAIS NA</p><p>ESCOLHA DO UNIVERSOS DE</p><p>PESQUISA.</p><p>João Irineu: É muito importante que você tenha isto em mente: se</p><p>determinada técnica vai gerar trabalho muito grande pela frente,</p><p>mude a técnica.</p><p>Você pode não mudar o tema, o objeto, mas</p><p>SEJA PRAGMÁTICO QUANTO À</p><p>TÉCNICA.</p><p>Se, por conta do N amostral (quantidade na amostragem para a</p><p>confiabilidade dos resultados em relação a determinado universo)</p><p>você tiver que entrevistar 500 pessoas, talvez seja o caso de não</p><p>usar a entrevista como técnica em sua pesquisa.</p><p>17. DOCUMENTOS DE ÁREA</p><p>O Censo do IBGE é um documento de área. Relatórios do IPEA são</p><p>documentos de área. Relatórios do Ministério da Justiça, são</p><p>documentos de área.</p><p>Documentos produzidos por ONGs muitas vezes também são</p><p>documentos de área.</p><p>O que são os documentos de área?</p><p>São documentos continentes de pesquisas feitas com metodologias</p><p>próprias, que te fornecem informações confiáveis e que vão</p><p>proporcionar conhecimento a partir da sua interpretação.</p><p>Eles enriquecem o trabalho porque normalmente evidenciam um</p><p>contexto social de maneira estruturada e fundamentada, ao qual</p><p>você pode se reportar com segurança.</p><p>Então, quando você for, por exemplo, localizar o seu instituto jurídico</p><p>na sociedade, principalmente na hora de justificar as tuas escolhas,</p><p>sempre utilize os documentos de área, a exemplo do Relatório</p><p>Justiça em Números do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).</p><p>O Relatório Justiça em Números é produzido e publicado pelo CNJ</p><p>todos os anos há mais de uma década.</p><p>Esse documento de área é gratuito e está disponível no site do CNJ,</p><p>inclusive, toda a série histórica dos relatórios já publicados.</p><p>Como o próprio nome sugere, ele contém detalhes sobre os</p><p>quantitativos de processos no Brasil, o tempo médio dos processos</p><p>por classe processual, os quantitativos de</p>