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<p>Aprendizagem Motora:</p><p>Fatores Posteriores à</p><p>Prática</p><p>Carolina Cunha Seidel</p><p>Aprendizagem Motora:</p><p>Condições de Prática</p><p>2</p><p>Introdução</p><p>Aqui, neste conteúdo partimos das noções de desenvolvimento humano, entendendo</p><p>desenvolvimento motor, suas características, mecanismos de produção e</p><p>aprendizagem.</p><p>Em seguida, estudamos os fatores da execução do movimento, entendendo-o de</p><p>forma ampla, desde seus fatores prévios, execuções práticas e fatores posteriores.</p><p>Neste conteúdo, nos dedicaremos ao estudo dos fatores posteriores à prática, que</p><p>interferem diretamente na execução e no planejamento e replanejamento, uma vez que</p><p>estes três momentos acontecem de forma totalmente articulada e interdependente.</p><p>Desejamos a você bons estudos e que os conteúdos aqui estudados tragam</p><p>importantes conhecimentos para sua formação.</p><p>Objetivos da Aprendizagem</p><p>Ao final deste conteúdo, esperamos que você seja capaz de:</p><p>• conhecer o conceito de feedback;</p><p>• compreender como o feedback interfere nos processos de</p><p>aprendizagem motora.</p><p>3</p><p>O que é feedback?</p><p>Iniciaremos nossos estudos sobre fatores posteriores à prática motora definindo</p><p>que tantos estes, quanto os fatores precedentes e a prática de fato, devem estar</p><p>relacionados e acontecendo cíclica e articuladamente, não devendo ser vistos ou</p><p>entendidos como conceitos isolados.</p><p>Assim sendo, temos, conforme podemos observar na figura a seguir, tanto os fatores</p><p>prévios quanto os posteriores são de fundamental importância para uma boa prática,</p><p>devendo estar relacionados e em dialogo, com ajustes e reformulações sempre</p><p>que necessário.</p><p>Figura 1 – Figura 1: Articulação entre pré e pós prática motora</p><p>Prática</p><p>motora</p><p>Fatores</p><p>posteriores à</p><p>prática</p><p>Fatores</p><p>anteriores</p><p>à prática</p><p>motora</p><p>Fonte: Elaborada pela autora (2020).</p><p>Em nossos estudos a respeito dos fatores posteriores, como aqui proposto,</p><p>conheceremos o que é feedback.</p><p>Partindo de sua definição geral, temos:</p><p>4</p><p>“Modificações feitas em um sistema, comportamento ou programa,</p><p>causadas pelas respostas à ação deste sistema, comportamento</p><p>ou programa”. (Dicionário Michaelis)</p><p>“Informação que o emissor obtém da reação do receptor à sua</p><p>mensagem, e que serve para avaliar os resultados da transmissão”</p><p>(Dicionário Houaiss)</p><p>“Controle de um sistema por meio da reintrodução, nesse sistema,</p><p>dos resultados de sua ação”. (Dicionário Larousse)</p><p>Saiba mais</p><p>Partindo das definições genéricas apresentadas em importantes dicionários da</p><p>língua portuguesa, temos feedback, termo em inglês com a tradução literal sendo</p><p>“comentários”, com definições mais amplas e conceituais.</p><p>Figura 2 – Feedback.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Como ponto em comum, temos que feedback se consiste em uma ação executada a</p><p>partir da informação sobre certo resultado obtido.</p><p>Aplicada à área do movimento, temos Cunha (2003), que realiza uma importante</p><p>revisão da literatura quanto ao termo, buscando se aproximar de tal definição:</p><p>5</p><p>McGOWN (1991), entende por feedback a informação que se obtém após</p><p>uma resposta, e é geralmente vista como a mais importante variável</p><p>que determina a aprendizagem, logo a seguir à prática propriamente</p><p>dita. Segundo GODINHO, MENDES e BARREIROS feedback é o retorno</p><p>de informação que permite ao sistema avaliar o quanto foi cumprido</p><p>os objetivos, é uma condição obrigatória para ocorrer aprendizagem.</p><p>[...]MARTENIUK (1986) define o feedback como sendo uma resposta</p><p>produzida pelo movimento realizado, obtendo informações cinéticas e</p><p>cinemáticas do mesmo. SCHMIDT (1993) afirma que feedback é qualquer</p><p>tipo de informação sensorial sobre o movimento, não exclusivamente</p><p>com referência a erros. (CUNHA, 2003, p. 1)</p><p>Figura 3 – Feedback é o retorno realizado após a execução</p><p>de determinada tarefa.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Como podemos observar, entendido como importante recurso de aprendizagem, o</p><p>feedback é um retorno informativo obtido após a execução do movimento, onde se</p><p>avalia o cumprimento ou não dos objetivos traçados.</p><p>6</p><p>Para saber mais sobre feedback na aprendizagem moto-</p><p>ra, recomendamos a leitura do artigo “Estrutura de prática</p><p>e frequência de feedback extrínseco na aprendizagem de</p><p>habilidades motoras”.</p><p>Saiba mais</p><p>Tempo antes e após o fornecimento de feedback</p><p>Muitos são os fatores que influenciam na eficiência e eficácia do feedback e,</p><p>consequentemente, na melhoria do desempenho.</p><p>Quanto ao tempo e frequência no fornecimento do feedback, tempos melhores</p><p>resultados quando estes possuem frequência reduzida, com um intervalo mínimo</p><p>entre a execução do movimento, retorno e nova execução.</p><p>Isso quer dizer que entre o término da execução da habilidade e o fornecimento do</p><p>feedback, o executor aprendiz deve ter um tempo de elaboração de sua auto percepção,</p><p>como veremos com maior profundidade nos tópicos que seguirão.</p><p>Da mesma forma deve haver um tempo de intervalo entre o feedback e uma nova</p><p>execução, de forma que as informações sejam absorvidas, elaboradas e aplicadas na</p><p>performance.</p><p>Assim, temos:</p><p>7</p><p>Execução do</p><p>movimento</p><p>Fornecimento</p><p>de feedback</p><p>Elaboração das</p><p>informações</p><p>recebidas</p><p>Tempo de auto</p><p>percepção</p><p>Figura 4 – Tempo antes e depois do feedback.</p><p>Fonte: Elaborada pela autora (2020).</p><p>No mesmo sentido, temos a complexidade da tarefa diretamente</p><p>relacionada ao tempo de intervalo adequado, sendo tarefas mais</p><p>elaboradas demandantes de maior tempo entre o feedback e</p><p>uma nova execução. Este tempo deve ser suficiente para que</p><p>as informações recebidas pelo aprendiz sejam absorvidas e</p><p>elaboradas, de modo que este se prepare de maneira adequada</p><p>para uma nova realização, não devendo ser interrompido neste</p><p>intervalo com nenhuma outra atividade ou tarefa secundária.</p><p>Atenção</p><p>8</p><p>Figura 5 – Feedback deve respeitar intervalo para ser fornecido.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Devemos ter em vista que o feedback se consiste num dos instrumentos mais</p><p>importantes para aprendizagem desenvolvimento e melhoria de uma apresentação,</p><p>mas caso seja usada de forma errônea, pode se tornar prejudicial, inclusive inibindo</p><p>importantes processos internos do aprendiz.</p><p>O trabalho desenvolvido por Ana Célia Diniz, intitulado “Efeitos</p><p>do feedback extrínseco na aprendizagem de uma habilidade</p><p>motora nova no futebol” colabora muito com o entendimento</p><p>da temática desenvolvida nets tópico. Acesse o link e conheça!</p><p>Saiba mais</p><p>Frequência de feedback</p><p>A frequência na ocorrência do feedback deve ser modulada de acordo com o</p><p>desempenho do executor do movimento. Em executores iniciantes, a ocorrência do</p><p>feedback deve ser maior, porém, ao observarmos a melhoria do desempenho, esta</p><p>frequência deve ser diminuída gradativamente.</p><p>9</p><p>Vamos conhecer os tipos de feedback e entender quais são suas frequências.</p><p>Acompanhe:</p><p>Intríseco</p><p>Extríseco</p><p>Conhecimento dos resultados</p><p>Conhecimento do</p><p>desempenho</p><p>Consequência natural da</p><p>execução do movimento, não</p><p>necessita de</p><p>aparelhos ou métodos</p><p>Percebidos através dos orgãos</p><p>sensoriais e propioceptivos,</p><p>como</p><p>visão, audição e tato.</p><p>FEEDBACK</p><p>Figura 6 – Tipos de feedback.</p><p>Fonte: Elaborada pela autora (2020).</p><p>Assim, temos durante a realização do movimento a produção da percepção do</p><p>mesmo pelo executante, obtida por meio sensorial, chamada de feedback intrínseco.</p><p>Ou seja, esta percepção está acontecendo a todo momento durante a execução da</p><p>ação e posteriormente a ela, pelo praticante.</p><p>Já o feedback extrínseco, também conhecido como aprimorado ou aumentado, fornece</p><p>ao executor do movimento informações sobre seus resultados e desempenhos.</p><p>Vamos entender melhor como o feedback extrínseco se estrutura.</p><p>1. Conhecimento de resultado – CR:</p><p>Informação obtida verbalmente sobre o sucesso na realização da ação motora.</p><p>2. Conhecimento de desempenho descritivo – CD descritivo:</p><p>Informação sobre a qualidade do movimento, com foco na ocorrência de erros.</p><p>10</p><p>3. Conhecimento de desempenho prescritivo – CD</p><p>prescritivo:</p><p>Informação sobre a qualidade do movimento, com foco na correção dos erros</p><p>apresentados. Traz informações</p><p>sobre o que deve ser feito para correção de</p><p>aspectos específicos do movimento.</p><p>Importante salientar que o feedback extrínseco não deve ser fornecido logo após</p><p>o término da execução, de forma instantânea, uma vez que pode prejudicar a</p><p>aprendizagem.</p><p>Observe as finalidades deste formato de feedback, de acordo com Cunha (2003):</p><p>produz motivação, elevando o</p><p>esforço ou participação</p><p>MOTIVAÇÃO</p><p>INFORMAÇÃO informa sobre erros</p><p>para correção</p><p>PUNIÇÃO</p><p>REFORÇO</p><p>motiva a repetição da ação</p><p>intenciona a supressão</p><p>de uma ação</p><p>FUNÇÕES DO</p><p>FEEDBACK</p><p>Figura 7 – Funções do feedback.</p><p>Fonte: Elaborada pela autora (2020).</p><p>Os resultados mostraram que aumentando-se o número de</p><p>tentativas do conjunto, ou seja, diminuindo-se a frequência com</p><p>que o CR é fornecido, durante a fase de aquisição, uma piora no</p><p>desempenho era observada. Entretanto, tais condições produziam</p><p>um melhor resultado quando o desempenho era medido em lestes</p><p>de retenção e de transferência. (CHIVIACOWSKY; TANI, 1993, p. 17)</p><p>Saiba mais</p><p>11</p><p>Assim, o feedback extrínseco deverá ser fornecido com frequência adequada em</p><p>momentos que não interfira ou entre em conflito com o feedback intrínseco do</p><p>aprendiz, pois isto poderá atrapalhar sua capacidade de detectar e corrigir erros.</p><p>Figura 8 – Feedback e execução do movimento.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Para entender melhor como funcionam os tipos de feedback e</p><p>quando cada um deve ocorrer, acesso o artigo de M. Brandão et</p><p>al., intitulado “Classificações para o feedback e qualificação de sua</p><p>utilização no ensino esportivo”.</p><p>Saiba mais</p><p>Feedback sumário e médio</p><p>Como vimos, se o feedback é fornecido de forma muito frequente ou sem respeito ao</p><p>tempo necessário entre a execução da tarefa e a prontidão para recebê-lo, podemos</p><p>obter um efeito inverso ao desejado.</p><p>12</p><p>Figura 9 – Excesso de feedback pode causar dependência do aprendiz.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Assim sendo e para não criar dependência do aprendiz, que muitas vezes só consegue</p><p>evoluir em suas execuções com o fornecimento muito frequente de retornos e</p><p>informações sobre seu desempenho, podemos utilizar o feedback diminuído.</p><p>Diferentemente do feedback sumário, neste caso, temos uma diminuição da quantidade</p><p>de informação, de forma que o ganho de habilidade diminui a frequência do feedback</p><p>em até 50%.</p><p>A faixa de precisão é uma outra forma de regulação, onde se estabelece uma faixa</p><p>de desempenho e o feedback só é fornecido quando a execução contempla erros</p><p>fora desta faixa, para mais ou para menos. Neste caso, tanto a quantidade quanto a</p><p>direção dos erros são informados.</p><p>O feedback médio também representa uma maneira de equalizar esta necessidade,</p><p>sendo apresentado ao executante informações somente ao final de uma série de</p><p>repetições.</p><p>No caso do feedback médio, as informações sobre o desempenho não são precisas</p><p>e localizadas, mas sim uma média dos escores obtidos numa quantidade de</p><p>tentativas realizadas.</p><p>13</p><p>Excelente 750 - 850</p><p>Bom 700 - 749</p><p>Fraco 550 - 649</p><p>Ruim 350 - 549</p><p>CATEGORIA PONTUAÇÃO</p><p>Médio 650 - 699</p><p>Figura 10 – No feedback médio, são fornecidas informações sobre</p><p>a média dos escores obtidos numa série de execuções.</p><p>Fonte: Adaptada de Flickr (2017).</p><p>Vamos conhecer as principais características do feedback realizado de forma a não</p><p>causar dependência no aprendiz.</p><p>1. Feedback diminuído:</p><p>realizado de forma inversamente proporcional ao ganho de habilidade. Ou seja,</p><p>quanto mais habilidoso é o executor, menos a quantidade de feedback, podendo</p><p>chegar a reduções de até 50%.</p><p>2. Feedback pautado na faixa de precisão:</p><p>neste formato é estabelecida uma faixa de precisão, ou seja, critérios mínimos</p><p>e máximos de habilidade na execução do movimento. O executor só recebe</p><p>feedback quando sua execução está fora desta faixa, para mais ou para menos.</p><p>3. Feedback médio:</p><p>o executor recebe como feedback um resultado médio de suas habilidades</p><p>apresentadas numa série de tentativas. Ou seja, um escore médio obtido em</p><p>diversas execuções, sem especificações.</p><p>Todas estas são formas de feedback diminuído, que visam o favorecimento da</p><p>aprendizagem sem dependência, já que várias tentativas e execuções são realizadas</p><p>antes que se obtenham novas informações ou instruções, tornando a ação</p><p>mais estável.</p><p>14</p><p>Figura 11 – Feedback diminuído leva a ação mais estável.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Tal formato favorece a busca por feedbacks intrínsecos, uma vez que os feedbacks</p><p>extrínsecos estão indisponíveis, fortalecendo suas referências internas e autonomia</p><p>na detecção e correção de erros.</p><p>Faixa de feedback</p><p>De acordo com os estudos realizados em nosso conteúdo, podemos afirmar que os</p><p>estudos sobre a aprendizagem motora nos permitem intervenções que diminuam as</p><p>discrepâncias entre planejamento e resultado.</p><p>Figura 12 – Estratégias para melhoria de resultados.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>15</p><p>Tal procedimento é facilitado pelo uso das informações obtidas em uma execução,</p><p>que podem ter diferentes formatos.</p><p>1. Feedback verbal:</p><p>uma dos recursos mais utilizados é o verbal, onde instruções e considerações</p><p>sobre o movimento são realizadas. Um ponto a ser observado é a objetividade e</p><p>clareza da informação, que deve ser transmitida sem sobrecarga, com o mínimo</p><p>de palavras possível.</p><p>2. Feedback visual:</p><p>realizado através de modelos ou recursos audiovisuais, com o intuito de fornecer</p><p>parâmetros ao executor. Entende-se que através da observação dos movimentos,</p><p>o executor pode extrair informações valiosas sobre especificidades do</p><p>movimento, bem como corrigir erros ou aperfeiçoar aspectos da apresentação.</p><p>Esta faixa de amplitude é considerada uma estratégia de feedback diminuído, que tem</p><p>a intenção de gerar consistência no movimento.</p><p>Assim, temos a faixa de amplitude definida como ferramenta que</p><p>visa controlar o fornecimento de feedback. Esta faixa, conforme</p><p>vimos, é uma faixa de tolerância ao erro referente à determinada</p><p>meta estipulada anteriormente. Assim, o feedback só é fornecido</p><p>quando o desempenho está além desta faixa.</p><p>Atenção</p><p>16</p><p>Figura 13 – Com o uso da faixa de amplitude, nem sempre há</p><p>fornecimento de feedback.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Estudos sobre o tema comprovaram, segundo Ugrinowitsch, Cruz e Ugrinowitsch</p><p>(2018), que o estabelecimento desta faixa de amplitude ocasiona resultados melhores</p><p>do que fornecer dados sobre o desempenho obtido em todas as tentativas.</p><p>Este tipo de estudo prioriza a validade ecológica da tarefa, que aproxima</p><p>a tarefa experimental das tarefas diárias, mas como a faixa estipulada</p><p>é em valores absolutos relacionados ao desempenho da tarefa, dificulta</p><p>a comparação dos resultados com outros estudos. Outros estudos</p><p>estipularam porcentagens de erro em relação à meta da tarefa como faixa</p><p>de amplitude, e testaram os efeitos de diferentes amplitudes de faixa de</p><p>CR. (UGRINOWITSCH; CRUZ; UGRINOWITSCH, 2018, p. 156)</p><p>De acordo com os autores, o plano motor deve ser mantido caso o desempenho esteja</p><p>dentro da faixa de amplitude, não sendo fornecidas informações quantitativas sobre o</p><p>desempenho, uma vez que a repetição de um plano estabelecido torna o desempenho</p><p>mais consistente.</p><p>17</p><p>Acesse o link para ler o estudo citado anteriormente.</p><p>Saiba mais</p><p>Feedback autocontrolado</p><p>Ao iniciar a aprendizagem motora, a necessidade em obter informações externas que</p><p>regulem sua ação é alta, uma vez que ele não desenvolveu um repertório que forneça</p><p>informações sobre como corrigir erros, nem ao menos como detectá-los.</p><p>No início, o aprendiz não é capaz de visualizar com facilidade os</p><p>objetivos finais da consecução de determinados movimentos, nem</p><p>desenvolveu critérios pessoais para um bom feedback intrínseco.</p><p>Ainda assim, jamais deve ser privado do tempo necessário de</p><p>auto percepção, o que é fundamental para sua aprendizagem.</p><p>Gradualmente, com o decorrer da prática, mecanismos de detecção</p><p>de erros são desenvolvidos pelo aprendiz, bem como habilidades</p><p>que propiciem a correção destes erros, tornando-o</p><p>mais autônomo</p><p>e independente do feedback extrínseco.</p><p>Atenção</p><p>18</p><p>Figura 14 – Feedback autocontrolado.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2020).</p><p>Este processo de auto regulação, em que o executor da ação busca o feedback</p><p>extrínseco apenas quando sente necessidade, não estando condicionado a ele, é</p><p>denominado feedback autocontrolado. Neste processo, o aprendiz deixa de ser</p><p>dependente das informações sobre seus resultados e desempenho, passando a estar</p><p>cada vez mais dependente de si mesmo.</p><p>Leia o artigo “Efeitos do "feedback" autocontrolado na aprendizagem</p><p>do lançamento da bola da ginástica rítmica” e entenda mais sobre</p><p>feedback autocontrolado”.</p><p>Saiba mais</p><p>19</p><p>Conclusão</p><p>Neste conteúdo de aprendizagem encerramos nossos estudos, entendendo como</p><p>acontece o aprendizado motor, e quais os mecanismo de produção do movimento.</p><p>Em seguida, discutimos quais as condições precedentes à prática motora, como esta</p><p>prática acontece e encerramos com os fatores posteriores, tema deste conteúdo de</p><p>aprendizagem.</p><p>Aqui, conhecemos o feedback e todas as questões relacionadas a ele, como formatos,</p><p>tempos, características, entre outros, entendendo como as informações sobre</p><p>determinado desempenho motor podem colaborar com o aperfeiçoamento do mesmo</p><p>se fornecidas de maneira adequada.</p><p>Esperamos ter contribuído para seu percurso formativo.</p><p>Até a próxima!</p><p>20</p><p>Referências</p><p>CHIVIACOWSKY, S.; TANI, G. Efeitos da frequência do conhecimento de resultados na</p><p>aprendizagem de uma habilidade motora em crianças. Revista Paulista de Educação</p><p>Física, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 45-57, jan./jun. 1993.</p><p>COCA U. A. A; CRUZ, M. P.; UGRINOWITSCH, H. Faixa de amplitude de feedback aumenta</p><p>a consistência do desempenho de habilidades motoras. ConScientiae Saúde, v. 17, n.</p><p>2, p. 155-163, 2018.</p><p>CUNHA, F. A. Feedback como instrumento pedagógico em aulas de educação física.</p><p>EFDEPortes Revista Digital, Buenos Aires, año 9, n. 66, nov. 2003.</p><p>DINIZ, A. C. Efeito da frequência de feedback e conhecimento de performance em</p><p>uma habilidade motora simples. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em</p><p>Educação Física) – Centro de Educação Física e Esporte, Universidade Estadual de</p><p>Londrina, Londrina, 2012.</p><p>LEMOS, A. et al. Efeitos do "feedback" autocontrolado na aprendizagem do lançamento</p><p>da bola da ginástica rítmica. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São</p><p>Paulo, v. 27, n. 3, p. 485-92, jul./set. 2003.</p><p>TERTULIANO, I. W. et al. Estrutura de prática e freqüência de “feedback” extrínseco na</p><p>aprendizagem de habilidades motoras. Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v. 22, n.</p><p>2, p. 103-18, abr./jun. 2008.</p><p>UGRINOWITSCH, H.; BENDA, R. N. Contribuições da aprendizagem motora: a prática</p><p>na intervenção em Educação Física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte,</p><p>São Paulo, v. 25, n. esp., p. 25-35, dez. 2011.</p><p>UGRINOWITSCH, H.; COCA U. A. A. O efeito do estabelecimento de metas no</p><p>treinamento esportivo. In: GARCIA, E. S.; LEMOS, K. L. M. (org.). Temas Atuais VIII em</p><p>Educação Física e Esportes. Belo Horizonte: Health, 2003. p. 61-72.</p><p>UGRINOWITSCH, H. et al. Efeitos de faixas de amplitude de CP na aprendizagem do</p><p>saque tipo tênis do voleibol. Motriz, Rio Claro, v. 17 n. 1, p. 82-92, jan./mar. 2011</p>