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<p>história da poesia visual brasileira SS Sesc</p><p>história da poesia visual brasileira no acervo do Arquivo Paulo Bruscky de 30 de maio a 8 de setembro de 2019</p><p>2</p><p>linguagem e subversão A linguagem que utilizamos para a comunicação, seja ela a falada, a escrita ou a imagética, define um certo mundo social e, portanto, está in- vestida de grande poder. Esta autoridade não emana somente das catego- rias existentes para classificar objetos, pessoas ou definir papéis sociais. discurso é o meio utilizado por grupos hegemônicos para interagir com a opinião pública e, ao mesmo tempo, tentar administrá-la nos mais diversos campos e momentos históricos. É o que leva o pensador francês Roland Barthes a afirmar que só trapaceando a língua é que podemos conhecê-la fora do poder. No universo da escrita, onde o que pode ser formulado está, em algu- ma medida, condicionado a um sistema que atravessa lugares, falas e significados, cabem formas de resistência. A poesia visual, por exemplo, desafia alguns desses confinamentos. As obras aqui reunidas permitem caminhar por um panorama de experimentos que, habitando o interior da linguagem e do Brasil sob a ditadura militar, assumem características de contrapoder. Nesse modelo de produção cultural, ganha destaque a tentativa de responder, simultaneamente, ao cenário político e à renova- ção de um campo artístico. Se a linguagem constitui e organiza as sociedades, questioná-la é interro- gar o próprio contexto social. Por esse movimento, a poesia de vanguar- da se lança, de forma visual, num esforço de expandir as maneiras de se comunicar, abrindo fissuras à sua volta que mostram realidades escondidas, coibidas ou inventadas. É nessa subversão que repousa sua força estética. Rememorar iniciativas poéticas experimentais e suas ressonâncias nos campos literário, da performance e da arte contemporânea pode contri- buir para entendimentos renovados acerca das potências da arte. Para o Sesc, trata-se de uma oportunidade de, junto ao público, aproveitar o encontro entre produção poética e vivência política para reimaginar o mundo a partir da linguagem. Sesc São Paulo 3</p><p>Adolfo Montejo Navas - Affonso Ávila - Alex Hamburguer - Alexandre Da Costa - Almandrade - Aloísio Magalhães - Álvaro de Sá - Anchieta Fernan- des - Anselmo Santos - Antônio Girão Barroso - Aquiles Branco - Ariel Tacla - Armando Freitas Filho - Arnaldo Antunes - Arnaldo Tobias - Ascenso Fer- reira - Augusto de Campos - Avelino de Araújo - Benedito Monteiro - Bosco Lopes - Caetano Veloso - Carlos Ávila - Carlos Rodrigues Brandão - Carlos Valero - Cassiano Ricardo - Celina A. Neves - César Pereira - Chacal - Chico Dantas - Clarival do Prado Valladares - Cláudio Goulart - Constança Lucas Dailor Varela - Décio Pignatari - Delmo Montenegro - Edgard Braga - Eduardo Kac - Erthos Albino de Souza - Falves Silva - Fernando Ferreira Gullar - Flavio Pons - Flora Holderbaum - Franco Terranova - Frei João do Rosário - Gabriel Borba - Gastão de Holanda - Giorgio Moscati - Glauco Mattoso - Gregório de Matos - Guilherme Mansur - Haroldo de Campos - Hayle Gadelha Henry Corrêa de Araújo - Hugo Mund Júnior Hugo Pontes - Humberto - Ivan Maurício - J. Cândido - J. Medeiros - João Carlos Sampaio - Joaquim Branco - Joaquim Cardozo - Jobson Figueirêdo Jomard Muniz de Britto - Jorge De Lima - Jorge Fernandes - José Alci- des Pinto - José Cláudio - José Lino Grunewald - José Paulo Paes - José Rufino - Júlio Mendonça - Kátia Mesel - Leila Miccolis - Lenora de Barros - León Ferrari - Lívio Tragtenberg - Luís - Luís A. de Figueiredo - Luis Aranha R. de Oliveira - Luiz Rabelo - Luiz Sacilotto - Lula Côrtes - Lula Wa- nderley - Manuel Bandeira - Márcio Almeida (MG) - Márcio Sampaio - Mar- coni Notaro - Marcus Vinicius de Andrade - Mário Chamie - Maurizio Prati Maynand Sobral - Moacy Cirne - Neide Sá - Neoclair J. Coelho - Oswald de Andrade - Overdose Literária - Viagens Sonoras S.A. - Fahlstrom - J. Ribeiro - Paulo Bruscky - Paulo Miranda - Pedro Henrique Saraiva Leão - Pedro Lyra - Pedro Osmar - Pedro Xisto - Philadelpho Menezes - Raíza Bruscky - Raquel Stolf - Ricardo Aleixo - Roberto Magalhães - Roberto T. Ghiotto - Ronaldo Azeredo - Ronaldo Periassu - Ronaldo Werneck - Sa- maral - Sebastião Nunes - Silva Freire - Sílvio Roberto de Oliveira - Silvio Spada - Silvio Zamboni - Sonia Fontanezi - Stela - Tadeu Jungle - Tchelo D'Barros - Torquato Neto - Unhandeijara Lisboa - Vânia Lucila Valerio - Vera Salamanca - Vicente do Rego Monteiro - W. A. Coutinho Waldemar Cordeiro - Walter Carvalho - Walter Franco - Walter Silveira - Willy Corrêa de Oliveira - Willys de Castro - Wlademir Dias-Pino - Xico Chaves - Yone Giacometti Fonseca - Ypiranga Filho - Yuri Bruscky - Zezo</p><p>história da poesia visual brasileira Poemas Experiências Semana de Arte Vicente do Rego Vicente do Rego Vicente do Rego pré-concretos acrósticas de Frei Moderna Monteiro publica no Monteiro começa a Monteiro publica de Gregório de João do Rosário jornal Fronteiras as publicar poemas livro Poemas de Matos primeiras poesias visuais e caligramas com o primeiro foto-plásticas do poema tipográfico alagoano Jorge de feito no Brasil, o Lima Poema 100% Nacional Vicente do Rego Dias-Pino Dias-Pino Vicente do Rego Vicente do Rego Dias-Pino Monteiro transmite funda o Intensivismo realiza o livro-poema Monteiro edita o livro Monteiro edita e realiza o livro-poema no Recife, pela rádio A Ave Concretion circula os seus Solida o seu poema primeiros poemas Litanies à la France postais Combattante Surge movimento Exposição de Poesia É criado o movimento o Poema/Processo é Cordeiro e Tem início no Brasil a da Poesia Concreta Concreta realizada da Poesia-Práxis lançado Giorgio Moscati produção de em Fortaleza/CE simultaneamente no iniciam pesquisas de videoarte Rio de Janeiro/RJ e arte em computador e videopoemas em Natal/RN A Poesia Marginal Waldemar Cordeiro Exposição Primeira transmissão Surgem os Poemas circula através de organiza a exposição Internacional de Arte de fax art realizada Holográficos publicações Arteônica de arte e Correio realizada no no Brasil, entre Paulo realizados por alternativas poesia por Brasil, organizada por Bruscky, no Recife, e Lunazzi, computador Paulo Bruscky Roberto Eduardo Kac e e Ypiranga Filho, em São Paulo CattaPreta no Recife Paulo Bruscky Linha do tempo da Poesia Visual Brasileira, 2016 5</p><p>trans/versos históricos da poesia visual brasileira Paulo Bruscky e Yuri Bruscky (curadores) seu caráter estruturado e estruturante num âmbito mais amplo das práticas literárias e culturais. A práxis adotada no processo curatorial desta mostra Esta exposição representa a culminância de um per- não se restringe ao desvelamento (pretensamente) curso criativo/investigativo amparado nas poéticas totalizante dos fenômenos culturais, de modo a experimentais emergentes no cenário artístico e conhecê-los e catalogá-los em nichos estanques; literário brasileiro, cujos trabalhos têm como norte enceta também um tangenciamento reflexivo de tais o cruzamento entre linguagens e suportes tecnológi- processos, colocando em perspectiva as particulari- cos os mais diversos, e cuja verve criativa subverte dades da sua constituição, tendo como pano de fun- sentidos/morfologias hegemônicos, de maneira a do o cenário cultural/literário e político brasileiro. desarticular os modos naturalizados de criação e fruição poética. itinerário do qual resultou a exposição História da Poesia Visual Brasileira foi construído levando-se A abordagem proposta vai de encontro às reduções em conta um plano de ação que abarcasse a articu- simplistas que tipificam e qualificam as poéticas con- lação de eixos históricos/conceituais, que dessem temporâneas a partir de um referencial de hierarqui- conta de situar histórica e esteticamente as verves zação entre a produção tida como popular (deposi- criativas desses poetas e artistas, tendo como ponto tório de passado ou tradições museificadas) e aquela de partida um conjunto de precursores, iniciado que (pretensamente) representa um hermetismo com o poema pré-concreto de Gregório de Matos incapaz de dialogar com o campo cultural contempo- (Salvador/BA, 23 de dezembro de 1636 Recife/PE, râneo em si. Com esta pesquisa, pretende-se questio- 26 de novembro de 1696); as composições acrósticas nar a forma como determinadas vertentes e autores de Frei João do Rosário (Recife/PE, 1726 Recife/ são "discursivamente apadrinhados" por construções PE, 1761), datadas de 1753; continuando com a obra significantes hegemônicas, que falam "de" e "em nome de Sounsândrade 9 de julho de 1833 de" tais grupos, conformando um quadro de silencia- São Luís/MA, 20 de abril de 1902). mento e restrição das potências comunicativas desse "outro" tutelado, suprimindo o rastro da sua trajetória No início do século XX, registramos os caligramas do e embotando o agenciamento de sujeitos em disputa poeta piauiense Da Costa e Silva, nos seus livros San- pela capacidade de se expressar e construir significa- gue (Recife, 1908) e Zodíaco (Rio de Janeiro, 1916), e dos à sua experiência mas também ao mundo da o poema carimbo Miramar, de Oswald de Andrade. vida socialmente compartilhado. No seu Livro de Poemas, de 1927, o natalense Jorge Fernandes publica "Rede", em que a palavra suspen- Deste modo, corroboramos com um aporte histo- sa aparece em forma de rede. poeta pernambuca- riográfico da poesia visual/experimental brasileira, no Vicente do Rêgo Monteiro lança, em 1941, o seu que suscite questões sobre a sua constituição e o livro Poemas de Bolso, onde consta o "Poema 100% 6</p><p>Nacional", provavelmente o primeiro poema tipo/ com as tendências construtivas das artes plásticas, gráfico brasileiro, e, em 1952, lançou o livro "Concré- o recurso à tridimensionalidade e à disposição espa- tion", antecipando-se ao Concretismo. Monteiro, cial dos poemas-objetos, o uso criativo de elementos que foi o primeiro tradutor de Mallarmé no Brasil, tipográficos que marcou o surgimento da Poesia publicou no Jornal "Fronteiras" (editado por ele), Concreta, publicizada oficialmente em 1956, durante ano VII n° 4 e 5 abril/maio de 1938, e na sua Revis- a Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de ta Renovação (Recife, 1941), as primeiras colagens, Arte Moderna de São Paulo. Participaram da mostra denominadas por ele de do os poetas Wlademir Dias-Pino, Ronaldo Azeredo, alagoano Jorge de Lima. De 1952 a 1968, ele também Ferreira Gullar, Augusto de Campos, Décio Pignatari publica e veicula, pioneiramente, uma série de "Po- e Haroldo de Campos os três últimos, fundadores emas Postais", com trabalhos seus e de outros poetas do grupo Noigandres, surgido em 1952, e bastante brasileiros e estrangeiros com os quais mantinha atuante tanto na esfera poética quanto na crítica contato naquele período. Destacamos também as literária. É pertinente destacar o lançamento, em investigações poéticas realizadas por Hermes Fontes, 1953, do pioneiro "Manifesto para a poesia concreta", Carlos Drummond de Andrade (com seu poema escrito em 1953, por Öyvind e publicado Isso É Aquilo), Benedito Monteiro, João Cabral de na revista Odyssée 2-3. 1954. Melo Neto e Ascenso Ferreira, entre outros. Em 1960, Joaquim Cardozo (PE) publica poemas visuais no Salientamos, ainda, a participação de poetas nordes- seu livro Signo Estrelado e, logo depois, surgem os tinos desde o início do movimento, como é o caso de poemas colagens/espaciais de César Leal. Clarival do Prado Valladares (BA), Pedro Xisto (PE) e Edgard Braga (AL); além do Grupo Concretista Figura singular do experimentalismo gráfico/literá- do Ceará, com a participação de José Alcides Pinto, rio brasileiro, Wlademir Dias-Pino criou, em 1948, Antonio Girão Barroso e Pedro Henrique Saraiva junto a outros poetas de Cuiabá, o movimento do In- Leão que, em 1957 e 1959, realizaram duas exposições tensivismo (signatário da transgressão à linearidade de Poesia Concreta em Fortaleza. No final da década da codificação alfabética e da superposição de rotas de 50, o poeta pernambucano Manuel Bandeira não e sentidos para a fruição poética). No mesmo ano, só apoiou o movimento concretista, como realizou publica o poema-gráfico Dia da Cidade (1948), em poemas concretos. que as estruturas dispostas em um quadro diagramá- tico mantêm uma relação de duplicidade umas com Surgida em 1961, a Poesia Práxis, criada em São as outras, na medida em que, embora necessárias Paulo por Mário Chamie, e à qual se vincularam ao conjunto, nenhuma delas implica na vinculação Cassiano Ricardo, Yone Giannetti Fonseca, Armando inequívoca das demais estruturas, uma vez que Freitas Filho, Carlos Rodrigues Brandão e outros, pôs cada uma dessas "frações de sentidos" tem traços e em perspectiva a composição de estruturas verbais modos específicos de Nas décadas sub- relacionadas à fruição poética. A criação literária era sequentes, Dias-Pino pautou sua obra pela radica- percebida pelos adeptos do movimento a partir do lidade dos seus experimentos gráficos/conceituais seu aspecto relacional/comunicativo e à demarcação desde a elaboração/realização do livro-poema A da experiência poética, enquanto fenômeno histori- Ave (1948-1956), ao projeto de Solida (1956-1962) camente situado. A experimentação formal desen- e à elaboração da Enciclopédia Visual Brasileira, volvida por tais poetas era concebida como uma iniciada nos anos 70. possibilidade de alargar, a um só tempo, as potências expressivas da poesia e o estoque de conhecimentos As vertentes literárias experimentais brasileiras, a partir dos quais os sujeitos se relacionam com emergentes, de forma mais articulada e coletiva, os objetos da cultura, ressaltando um dialogismo desde meados dos anos 50, caracterizaram-se pela construtivo na fruição poética e a sua vinculação às radicalidade com que encamparam um processo de práticas sociais. ressignificação e ruptura com os elementos formais e procedimentais tradicionalmente vinculados à movimento do Poema/Processo, ativo entre 1967 criação poética e ao circuito literário de então. e 1972, surgido simultaneamente no Rio de Janeiro e intenso diálogo e o entrecruzamento com outras em Natal, articulado por Wlademir Dias-Pino, Moacy linguagens artísticas resultaram em trabalhos Cirne, Álvaro de Sá, Neide Sá, Anchieta Fernandes, híbridos. São exemplos, neste sentido, a interseção Falves Silva, Nei Leandro de Castro e outros, também 7</p><p>reverberou em Pernambuco, com os inovadores Desde as suas origens, em meados dos anos 60, a trabalhos em carimbo de José Claudio; o pioneiro produção ligada à Poesia Marginal tem circulado pôster/poema de Paulo Bruscky e Arnaldo Tobias, através de publicações independentes e intervenções conforme notícia publicada no Diário de Pernambu- públicas, a exemplo dos poemas de Xico Chaves, nos dias 13 e 22/11/1969; e os espaços de veicu- Samaral, Chacal, Torquato Neto, Glauco Mattoso, lação e difusão criados no início da década de 1970 Marconi Notaro, Eduardo Kac (com o coletivo Gang por Alberto Cunha Melo, no Suplemento Cultural e o Movimento de Arte Pornô) e de editoras inde- do Jornal do Commercio; Ivan Maurício, na coluna pendentes, como as Edições Pirata, de Pernambuco Nova/Mente, do Diário da Noite; Paulo Bruscky, no (ligada ao grupo independente do Recife e enca- Jornal da Cidade; e Jobson Figueiredo, no Diário de beçada por Jaci Bezerra), etc. Sem a necessidade Pernambuco. Em 1970, dois lançamentos marcaram de um grande estofo comercial para possibilitar a o início da década: o Poema/Pão, com dois metros, articulação de um canal de troca de publicações, no de autoria de Ivan Maurício, que foi devorado no Re- circuito da poesia marginal tanto os editores quanto cife, no dia do seu lançamento; e os Poemas Postais os leitores dos diversos panfletos, fanzines e demais do poeta cearense Pedro Lyra. impressos prescindem das contingências da produ- ção literária comercialmente planejada. o questionamento da concepção linear do processo comunicativo enfatizado pelos poetas ligados ao Entre os anos 70 e 90, parte considerável da produ- movimento salienta o caráter dinâmico da fruição ção experimental brasileira circulou através da rede poética, arregimentada pela articulação dialética internacional de Arte Correio, tanto em exposições das instâncias de produção, circulação, distribuição/ (como a Exposição Internacional de Arte Correio, consumo e re/criação artística - como na prática organizada por Paulo Bruscky e Ypiranga Filho no amplamente difundida da realização de versões a Recife, em 1975), como em envelopes, postais, selos partir de poemas-matrizes, isto é, poemas expandidos de artista, publicações, etc. No Brasil, a rede de arte do seu contexto original e reapresentados/cocriados correio contou com a substancial participação de através da intervenção de terceiros. A ênfase no artistas nordestinos, a exemplo de Avelino de Araújo caráter aberto do poema semiótico, sua articulação (RN), Almandrade (BA), Pedro Osmar (PB), May- estrutural e a participação ativa do leitor, através nand Sobral (CE), J. Medeiros (RN), Bené Fonteles da abertura às possibilidades de reconfiguração da (CE) e outros que trabalham com poemas visuais/ forma-matriz, são traços fundamentais do Poema/ experimentais/multimeios, como o pernambucano Processo. A visualidade, a espacialidade e a multis- Jomard Muniz de Britto. sensorialidade do poema não são apenas elementos expressivos subordinados a uma base semântica No que diz respeito à criação poética em suportes verbal o que lhes daria status de componente tecnológicos, é interessante observar o quão liga- constituído por uma exterioridade demarcadora dos estão estes novos modos de criação poética e da sua cisão do "fazer-em-si" da poesia. Ao contrá- as transformações técnicas operadas nos meios de rio, ela é elemento constituinte, que manifesta o produção, registro, circulação e processamento de caráter processual da experiência poética, mediada fluxos de comunicação na modernidade. A expansão por uma compreensão ampla do seu instrumentário das redes telemáticas teve um papel extremamente formal e suas dinâmicas estruturantes. relevante neste sentido, ao intensificar a fluidez e a constância do intercâmbio de ideias, opiniões e É interessante perceber as estratégias de ação intro- informações. Assim é o caso da Poesia Computacio- duzidas por esses circuitos de experimentação literá- nal, com o pioneirismo de Waldemar Cordeiro, Sílvio ria, levando em conta as relações estabelecidas entre Roberto de Oliveira e Sílvio Zamboni, e os Holopoe- os seus partícipes e as estruturas e instituições que mas de Eduardo Kac. constituem o campo da cultura. A quebra de uma base convencional de criação pode acarretar uma Os trabalhos Poesia Sonora exploram a ambiguidade série de Embora não de todo impeditivas, da linguagem oral, o potencial estético/comunicati- estas adversidades impõem obstáculos à produção e de expressões fonéticas, as relações entre signos, circulação das suas obras. Daí a importância da arti- códigos linguísticos e expressões vocais, assim como culação de redes de intercâmbio e a opção por meios as particularidades da a partir do seu registro de publicação de baixo custo. fonográfico. A pesquisa em torno das relações entre 8</p><p>práticas enunciativas, representações gráficas e usos Heloísa Muniz Benedetti, Maria José Chagas e criativos da linguagem é evidente nas partituras Judas Tadeu dos Mártires, entre outros. de verbalização elaboradas de Willys de Castro na ocasião do primeiro recital de poesia concreta do material decorrente do trabalho investigativo País, em 1957, no Teatro Brasileiro de Comédia (São desta mostra não tem caráter totalizante - isto é, Paulo/SP), do qual participaram Augusto de Cam- não esgota a miríade de inflexões possíveis não abar- pos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Ronaldo cadas pelo delineamento proposto. A problemática Azeredo, Ferreira Gullar, José Lino Grünewald e em torno das demarcações historiográficas da poesia Reynaldo Jardim. experimental brasileira não pode ser encerrada em termos causais unidirecionais, ou de silenciamentos Duas grandes mostras de poesia sonora e áudio/ oportunos que atendem, antes, à necessidade de rádio arte aconteceram no Recife, em 1978 e 1979, hipertrofiar a relevância de determinadas vertentes, com as edições do International Ra(u)dio Art Show, em detrimento de outras. Reitera-se, de tal maneira, realizadas durante o I e II Festival de Inverno da a necessidade de escrutinar as contingências que dão Universidade Católica de Pernambuco, que contaram lastro à reflexividade e à problematização de certa com a participação de cerca de 50 artistas, como grandiosidade inelutável com que os setores hege- Jomard Muniz de Britto, Luiz Guardia Neto, J. Medei- mônicos no campo literário chancelam a narrativa ros, Roberto Sandoval e Paulo Bruscky, co-organiza- histórico-institucional dos seus pares. dor do evento. Também no final dos anos 1970 foram lançadas duas importantes revistas-coletâneas em Se a criação poética é atravessada por outros fita cassete: Balalaica (1979) e Artery IV (1980), edi- campos de mediação complexos, é necessária uma tadas em São Paulo/SP pelo Studio OM & Nomuque abordagem que se debruce sobre os usos e práticas Edições, com colaborações de Carlos Valero. Omar significativas encampadas pelos sujeitos a partir do Khouri, Augusto de Campos, Caetano Veloso, Walter consumo de bens simbólicos. A abordagem contex- Franco, Willy Corrêa de Oliveira e outros; os Sone- tualizada dos processos de produção, mediação e mas de Alex Hamburguer e as investigações sonoras/ apropriação das formas simbólicas em primeiro multimídia de Philadelpho Menezes, Ricardo Aleixo, plano a inserção destas em contextos sociais espe- Raquel Stolf, Yuri Bruscky, Flora Holderbaum, etc. cíficos, que as balizam e são por elas modificados. Materializados socialmente, estes referenciais são A poesia visual/experimental, surgida no Brasil percebidos e re/apropriados, por indivíduos em circunstâncias diferenciadas, valendo-se de recursos desde a década de 40 através de Vicente do Rego particulares para depreender o sentido imbuído em Monteiro, destacou-se por meio da obra de auto- uma dada expressão. res como Hugo Mund Jr., Arnaldo Tobias, Hayle Gadelha, Lenora de Barros, Delmo Montenegro, Nesta irrevogabilidade contextual movimentam- Raíza Bruscky, Celina Neves, Tchello D'Barros, -se sujeitos providos de referenciais simbólicos e Aquiles Adolfo Montejo Navas, Ricardo colocações sociais diversificadas, que os proveem Aleixo, Erthos Albino de Souza, W. A. Coutinho, com níveis distintos de empoderamento, a partir Vera Salamanca, J. Medeiros, Unhandeijara Lisboa, do qual mediam suas relações com o seu entorno e Constança Lucas e Almandrade e muitos outros, se afirmam diante dele. É na História e a partir assim como pela articulação de grupos como o To- dela que nos movemos. tem, formado em 1961 na cidade de Cataguases/MG, a partir do encontro dos poetas Joaquim Branco, Dedicamos esta exposição a Vicente do Rego Ronaldo Werneck, P. J. Ribeiro, Carlos Sérgio Bit- Monteiro e a Wlademir Dias-Pino, reinventores da tencourt, Aquiles Branco e Plínio Guilherme Filho, PaLarva e duas figuras centrais do experimenta- cujas atividades estenderam-se ao longo dos anos lismo brasileiro. 1970, com a publicação do suplemento homônimo e adesão de poetas como Márcia Carrano; o Grupo VIX, surgido em 1963, em Minas Gerais, e composto pelos poetas Waldemar de Oliveira, Márcio Vicente Silveira Santos, Hugo Pontes e Márcio Almeida os dois último integraram também o grupo Frente, do qual participaram Maria Célia Rocha Nicácio, 9</p><p>50 anos de pesquisa e resistência ARQUIVO PAULO BRUSCKY Paulo Bruscky e Yuri Bruscky (curadores) Todos os materiais que integram a exposição His- tória da Poesia Visual Brasileira provêm do acervo do Arquivo Paulo Bruscky, coleção pertencente ao artista multimídia pernambucano Paulo Bruscky. Referência internacional para pesquisadores em arte contemporânea, o arquivo é o maior acervo de arte e multimeios da América Latina, e um dos maiores do mundo. Constituído ao longo de cinco décadas de pesquisa, contém aproximadamente 70 mil itens, entre trabalhos, publicações, documentos, corres- pondências, de aproximadamente 1.000 artistas de 52 países, abrangendo as mais importantes vanguar- das do século XX, como futurismo, dadaísmo, pop art, grupos Cobra, Gutai e Fluxus (Cage, Friedman, Maciunas, Paik, Ono, Beuys, etc.), arte conceitual, vídeo arte, arte correio, áudio arte, poesia experi- mental, e artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Flávio de Carvalho. o Arquivo integrou a Bienal de São Paulo, tendo sido remontado integralmente no pavilhão expositivo, objeto de artigos nas publica- DA ções estadunidenses Leonardo e Art journal. VISUAL o Bruscky Arquivo cedeu, por empréstimo, mate- riais para instituições como o Itaú Cultural, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Pau- lo MAC/USP, Casa França-Brasil, Instituto Tomie Ohtake e Bienal do Mercosul. Em 2019, Paulo Brus- cky apresentou o Bruscky Arquivo no FM Centro por l'Arte Contemporanea (Milão, Itália), com o seminá- rio "O Arquivo como Obra de Arte Arte Correio e Artistas Italianos", a convite da instituição. Cartaz de Raíza Bruscky para a edição da exposição História da Poesia Visual Brasileira org.: Paulo Bruscky, Yuri Bruscky e Raíza Bruscky; curadoria: Paulo Bruscky e Yuri Bruscky Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife, 2016 10</p><p>utopias da linguagem (anotações práticas) Adolfo Montejo Navas (curador) parâmetros coletivos do acervo brusckyano com suas inevitáveis escolhas e transversais orientações como se fosse o único que conta neste "Eu nem sequer sou poeta: vejo." repertório eclético e heterodoxo, com suas dedica- Alberto Caeiro ções generosas a movimentos e obras, tantas vezes desatendidos de um maior reconhecimento e leitura "A língua é um olho." crítica quando se fazem balanços históricos desta dis- Wallace Stevens ciplina imagética, verdadeiro limiar entre o texto e a visualidade. Longe, assim, de uma leitura unidirecio- nal, de um repasso temporal arquetípico, pacificado, o I. Outra sinalítica que importa nesta História da poesia visual brasileira intitulada à consciência de forma ambiciosa pela História da Poesia Visual Brasileira é uma sua novidade de abrangente registro o que se de- mostra que reluta a considerar a lírica dos signos ex- senha, portanto, é uma renovada atenção a um maior pandida, como algo já contado ou, pior, categorizado. número de poéticas, signos, gestos, às polaridades e Trata-se de uma exposição-mapa de caráter inclusi- desvios de uma história, que promete assim alguns e abrangente, de uma produção tão significativa deslocamentos na hierarquia cultural estabelecida. no Brasil. Longe, portanto, de uma coleção histórica que se comporta conforme um modelo interpretativo De alguma maneira, esta história sui generis mexe ou imperativo de narração, de relato que poderia no repertório desta produção entre-linguagens e se não abrigar, além das superfícies explicitadas como abre para outras conexões ou relações. Abre-se a mainstreams obrigatórios, algumas outras zonas mais pontos cardeais (a mais setas). Pois a História espectrais menos dilatadas, obras-sombras, e nós à sempre pode recomeçar outra vez, talvez porque ela espera de outro desfeito mais heterogêneo, ou seja, nunca nasce uma única vez e pode "recomeçar uma na possibilidade de poder almejar outro corpus desta vez após outra" (segundo o espírito de Aby Warburg, lírica intersemiótica e imagética, no fundo, avessa a que Georges Didi-Huberman defende: "Arriscamos ficar como canônica. isto: o discurso histórico não 'nasce nunca. Sempre recomeça"). Nestas circunstâncias, fica evidente que Consequentemente, não são importantes aqui só os a convencional dissimetria entre algumas poéticas e reconhecimentos fica implodida, sempre a favor de outra constelação crítica que equilibra aportações, 1. Diga-se de passagem, como contextos e História. Os momentos e situações desta Duas instâncias que talvez a natureza da mostra ilustra funcionem não só como con- história pediam um roteiro com novas estações líricas. o lado bifronte que a poética trapeso como forma de viver brusckyana mantém em ten- o contemporâneo com a cons- Neste sentido, são reveladores dois aspectos simbóli- são, mas sem contra-indica- ciência de suas sombras, do cos: em primeiro lugar, que os dois artistas e poetas ções, o olhar para o presente passado, como aponta Giorgio e para as novas experiências Agamben (O que é ser con- homenageados sejam quase outsiders - ainda que rupturistas de linguagem e o Chapecó, Santa de culto da cultura brasileira, concretamente, olhar para a memória que a Catarina, 2009). das artes visuais: o primeiro, por ordem de aparição cultura do arquivo promove. biográfica, Vicente do Rego Monteiro, pintor e mul- 11</p><p>tiartista, além de poeta, que, devido ao seu itinerário tivada por criadores de todos os tipos de linguagem. Recife-Paris como aconteceu com Cícero Dias Fica cada vez mais evidente que a própria liberdade e não teve que pagar o pedágio cultural que as me- dispersão linguística e geográfica do movimento icô- trópoles carioca e paulistana poderiam impor, ainda nico-verbal talvez tenha se superposto à sua riqueza mais numa época menos desterritorializada que a de caminhos explorados. nossa. segundo homenageado, Wlademir Dias-Pi- no, em plena atividade até seu falecimento no ano Como exposição de poesia ampliada, que aponta passado com 91 anos depois de décadas à margem para além do bidimensional, dos registros costumei- e agora em certo processo de sacramentalização ros do poético, contemplam-se diversas práticas de justifica o valor crítico e contextualizador da mostra, linguagem além de suas ordens normativas, ou seja, sobretudo quando se acompanham ambas homena- atendem-se às indagações exploratórias da materiali- gens no mesmo espaço das aventuras concretistas, dade textual-visual-sonora que, renovam a identidade sempre tão emblemáticas (aqui ampliando-se o da escritura e da leitura ao mesmo tempo (criação e reconhecimento, desde os promoto- recepção). Operações oblíquas que estranham e des- res Noigandres, até poetas mais laterais como Pedro viam o consenso garantido do mundo, de suas Xisto ou Edgard Braga, por exemplo, de quem há ticas pacificadas. Imagens-dissenso, portanto. Des- uma rara e valiosa representação bibliográfica). limites linguísticos que tratam dos ruídos, do entre, da fresta, das fraturas entre linguagem e realidade. E Uma outra consideração emblemática é o segmento nesta mobilidade crítica tantas vezes metalinguística, que poderia chamar-se fundacional ou de levanta- a poesia chamada de experimental "faz pulsar a per- mento histórico, e que permite abrir ainda mais as gunta em torno das possíveis ordens de sentido (e, por coordenadas genealógicas daquela escrita que testa tabela, em torno à invenção de mundos), suscetíveis seus limites, com a inclusão de exemplos-sementes de imaginar-se ou ativar-se quando desembaralham de Gregório de Matos, Frei João do Rosário e as ordens normalizadas da drade, com obras pioneiras na visualidade entre os séculos XVII a XIX. Como também corrobora a pre- Seja através de algumas vertentes do objeto, se ins- sença de Oswald de Andrade, Joaquim Cardozo ou crevem exemplos em algumas vitrines, obras que sub- Jorge de Lima, aportando uma melhor compreensão vertem a página, a planaridade, como os livros-objeto deste corpus meio século depois tão desenvolvido. ou de artista, ou seja, através de exemplos tridimen- sionais em paredes (objetos tecnológicos, luminosos Já o amplo espaço dedicado ao poema ou simples espelhos) ou dentro de um móvel com razão poética da vanguarda mais rupturista e impura numerosas configurações objetuais, um micromundo do Brasil na época - ocupando espaço significativo, de propostas em pequena escala que anunciam outra produz uma nova configuração histórica do leitmotiv vertente importante desta lírica aberta ao poético, da mostra, um páthos diferente. E sua presença é no- que também sabe reduzir a escala maximalista ou vidade (se excetua-se a seleção incluída na recente ordenada das coisas, que expande o poético para a mostra de Wlademir Dias-Pino, como um aparte de pergunta-invenção da poiesis, superando o âmbito ordem por ter afinação com a produção da poesia como regulação versicular. Assim aconte- do Nordeste, tão significativa neste movimento. ce a sua vez no outro horizonte representado pelos Fabes Silva, J. Medeiros, José Claudio, Almandra- singulares experimentos de poesia sonora outra de... o mesmo Paulo Bruscky, entre tantos outros, frente de experimentação em que poetas, músicos e são alguns dos nomes destacados com produção à artistas convergem ou os filmes ou vídeo-poemas, vista. E é importante enfatizar aqui, de novo, como de imagens em processo de animação e movimento, este movimento abre as portas ao campo para uma sempre apontando para a matriz da poiesis como fonte pesquisa visual-sígnica sem precedentes no Brasil, à geradora de linguagem, de cosmovisão de mundo. Em medida em que nas suas experiências entram signos todos os casos, senhas e poéticas de contraescritura. e imagens de todo tipo, produz-se uma arte combina- tória de aspectos narrativos de comic, onomatopeias, II. A escrita da imagem e vice-versa sinalizações diversas, carimbos, códigos, ícones, foto- grafia, gráfica, tipografia, Xerox, caligrafia, quase um Se há um ponto de partida atávico e imemorial, ele é pandemonium sígnico, que se afinava com o melhor a divisão da imagem e a escrita, como dois regis- da poesia experimental internacional da época, cul- tros essencialmente diferentes que têm sua própria 12</p><p>história; mas também reconhece-se como relevante tica, ou a tida como intermídia, indica os caminhos a antecipação da audição, do som, previamente ao próximos de vídeo, computação e tecnologia de sentido da visão. De fato, nesta arqueologia dos sen- nossos dias. Universo do qual também há, nesta his- tidos do Homo sapiens, que tanto explicita a biografia tória, uma mostra representativa de video-poemas do cérebro e o desenvolvimento das suas conexões cujas interfaces criam outra forma de poiesis, como neurais, toda a história da poesia visual-experimen- poesia em movimento. tal também tem se atrelado às experiências sonoras, correspondendo a um pre-estágio e pós-estágio de Segundo o pensamento de Vilém Flusser anali- linguagem ao mesmo tempo. Daí a significativa pre- sado conforme Rodrigo Duarte "o primeiro [o sença de mais de uma vintena de experiências aqui código utilizado pelas imagens] é o mais antigo e se antologadas, que vinculam o som e o ruído à palavra, carateriza pelas informações estarem nele dispostas à partitura da música, ou a oralidade e o pensamento sobre uma superfície, enquanto no código unidimen- sonoro como universos mais coincidentes que oposi- sional a disposição das informações, assim como sua tores. Retomando, assim, não só o caráter abrangen- decodificação, se dá linearmente e a partir de uma te que tem toda fundação de linguagem quanto a sua direção determinada". É importante observar como sinergia e Ars Combinatoria. a poesia visual encontra-se numa deriva desta po- laridade anunciada, na medida em que- apesar do A eliminação da dissociação dos sentidos e dos re- uso da palavra, caso do ênfase metamôrfico dos poe- gistros, tão promovida sempre pela poesia visual por tas concretos reelabora outra relação destes dois extenso, pela instauração de sua praxe e recepção "códigos fundantes" culturais (segundo a terminolo- novas, recebe na via da poesia sonora outra camada gia de V. Flusser); o que se reconhece como escrita ou vertente, um código tridimensional a sumar-se ao é a imagem textual, a imagem que a maioria das utilizado pelas imagens (bidimensional) ou a escrita vezes não tem começo nem fim - cujo paradigma (unidimensional). Não em vão, o cruzamento da po- estratégico é fugir do curso linear. esia fonética, sonora, com a poesia visual, performá- Esta falta de direção obrigatória, de narrativa, evidencia sobretudo a possibilidade de outra leitura mais aberta, em que o espaço se manifesta por cima 2. Além da mostra retrospecti- Rio) / Escola do Olhar, Rio de da temporalidade, pois as cenas e situações apresen- va no MAR, do Rio de Janeiro, Janeiro, 21 de maio de 2016. tadas vivem outro sentimento do tempo: "Para as Poema-infinito (2016), foi convidado para a seguinte 6. Folder Poéticas oblicuas, pessoas que são programadas através de imagens, Bienal de São Paulo (2017), Modos de contraescritura y o tempo flui no mundo como os olhos passeiam depois de mais de 30 anos de torsiones fonéticas em al poe- nas imagens: ele diacroniza, ele ordena as coisas sua primeira participação. sía experimental (1956-2016), ao modo de e o próprio teórico tche- Fundación OSDE, Buenos Ai- coslovaco, não duvida em associar à concepção 3. Só também recentemente res, 2016. explicitou-se a possibilidade circular do tempo que as sociedades primitivas de visionar esta produção, e 7. Rodrigo Duarte, "Imagem e tinham, o senso de magia em suas relações com a nunca com nome próprio, pois escrita no confronto entre ide- Natureza e entre si. se inscreve como um segmen- ologia e emancipação", em Va- to dentro da atual mostra de ria aesthetica, Relicário, Belo Resulta interessante, pois, que o curso da poesia Wlademir Dias-Pino no MAR, Horizonte, 2014, p.61 anteriormente citada, e, an- visual, desde seu começo nas primeiras vanguardas teriormente, uma seleção se 8. Vilém Flusser (Medienkul- do século XX, tenha retornado a uma escrita da ima- contemplou na mostra Rio tur), citado por Rodrigo Duar- gem, ou seja, tenha desenhado o retorno da escrita experimental (El poema y la te, op. cit., p.61 para as imagens, onde os elementos, signos, apontam acción), na Fundação Botín, Santander (2012) de cuja rea- 9. E resulta inevitável não mais para uma constelação de sentido que para uma lização também participei. associar a história do surgi- direção Regresso ainda mais significativo, mento das escritas no Oriente sabendo que a escrita primeira, que provém do uni- 4. Coleção Neide de Sá, Rio de Médio, caso da Mesopotámia verso das imagens, revela-se pictográfica (no Oriente Janeiro. ou Egipto, à condição de locais Médio e no terceiro milênio a.C.), com hieróglifos, bélicos que a História contem- 5. Algumas aproximações car- porânea concede a estas cultu- alfabetos, códigos9. Assim como resulta operativo co- dinais a W. Dias-Pino, pales- ras locar-se no contexto em que vivemos, desde o último tra, MAR (Museu de Arte do terço do século XX até hoje, já numa época de uma 13</p><p>visualidade geral, social, que coloca em atualidade Por outra parte, a consideração de Mário Perniola, certo litígio ao redor da fé ou potência das imagens, de vivermos ao mesmo tempo idolatria e iconoclas- leia-se também o concurso enfrentado entre a idola- tia, descansa no fato de que "a hiper-realidade é uma tria e a iconoclastia. imagem demasiado alucinada para ser de fato real, e a hipervisão é uma realidade visual demasiado Esta contraposição entre a adoração ou o culto pelas cotidiana para ser de fato profética. Hiper-realidade imagens iconofilia e a sua desmitificação ou e hipervisão assemelham-se, porque têm a preten- destruição agora supera as estações históricas de são de ser algo mais do que imagens, de representar outrora, vividas em vários momentos como turning uma substância presente ou futura, um points da cultura: à diatribe de Platão sobre o poder No ponto górdio da visualidade de- maligno das imagens também se soma a Bíblia (o rivado desta observação aludida, a poesia visual a episódio de Moisés com as Tábuas da Lei). A ilusão e arte se coloca em outra consciência de linguagem, mentira das imagens-ídolos, como mimese defici- de uso dos signos e das imagens que não é iludido ou tária de uma verdade, sempre foi insuficiente para ingênuo, por saber reconhecer sua própria condição quem teve a realidade como domínio e território da de simulacro, de verdadeira ficção linguística (e não racionalidade. Não se trata só do grau de mentira ou imagens em estreita relação de contiguidade com os inexatitude, quanto também do do problema objetos do mundo). de assistir à outra "nomeação", cuja mediação era possível pela consciência mágico-imagética. É sobre Entretanto, a situação em que a poesia visual am- esta aposta da linguagem imagética, e em consequên- pliada coloca-se é bifronte. Já que ela está inscrita na cia disto, que se posicionaram as diversas religiões visualidade reinante da época, como peça ou fruto (fosse com limitações ou proibições taxativas, fosse imagético e, ao mesmo tempo, precisa ser contra-es- o catolicismo, o protestantismo, o Islã ou a cultura tética como ainda parte da arte pretende: é uma judaica, por exemplo). o lugar sagrado ou profano iconoclastia poética numa época de idolatria visual. que ocupará a escrita, as palavras ou as imagens, À época da sublevação dos signos e semânticas - será um divisor de águas nas civilizações. das vanguardas as quais se associou comumente a poesia visual de forma conceitual segue agora Evidência de nossa complexa época é que agora outro tempo mais funcional, que favorece uma maior estamos em outro estágio da visualidade, no qual a apreensão de códigos e registros, mas talvez não idolatria e a iconoclastia, paradoxalmente, se con- outra compreensão das coisas (leia-se no sentido fundem. De fato, por diferentes caminhos asseve- de estabelecer um imaginário livre em troca de um ram-se pronunciamentos desta irônica situação. o subserviente, disciplinado, político). ponto neurálgico em nossa cultura estriba no grau de adoração de imagens falsas (eidola) ou mor- Tendo, então, a alteridade como referente prioritá- tas que se exige compartilhar ou consumir, nesse rio, não é tão fácil discernir linguagens e contextos, consumo de "imagens preferentemente como falsos meios e mediatizações. o processo de visualidade artifícios técnicos para poder ignorar tanto melhor imparável geral, particular, universal - re-si- sua pobreza semântica", como aponta Hans Belting. tua o lugar das imagens como preferencial, como a Segundo o historiador alemão, "a idolatria que sus- matéria-prima da época. Daí que o sentido antro- citam é sua mais segura proteção contra o perigo de pológico da imagem venha ganhando interesse em que olhemos através Este através ou entre nosso tempo, até superando as coordenadas da arte (a fissura entre a linguagem e a realidade) faz parte (estaríamos falando de uma ampliação e predomínio da poesia visual mais instigante, mais viva, esteja da cultura visual que incorpora numerosos campos no espaço bidimensional de uma página, um objeto imagéticos, até chegar também aos meros limites tridimensional ou de outra natureza. Ainda mais da aparência como valor, do que não é nem imagem quando a distância do real e sua crescente ficciona- com perspectiva simbólica e, sim, de mero consumo lidade ou a pobreza semântica dos signos instru- ou entretenimento). mentalizados augura que "a idolatria se transforma, neste sentido, numa iconoclastia com o signo mo- Além disso, outro fator a considerar, sem dúvida, é dificado". Iconoclastia ilustrada, diz Belting, "já que a própria contextualização da poesia visual hoje em sabemos que as imagens estão vazias, desfrutamos dia, já que há duas circunstâncias que afetam a seu da ficção com que espaço de outrora. Talvez porque faça parte de uma 14</p><p>conquista estética realizada, como tantas aventuras o dilema de ser um tipo de escrita imagética ou ou- rupturistas na arte que vingaram a sua integração. tro, sempre está no mantenimento de sua ambigui- Por um lado, existe o desenvolvimento do design e da dade, numa quota insubornável de enigma ou, então, visualidade aplicada em publicidade e propaganda, de representar uma mercadoria cultural que esteja a a imagem dos meios de comunicação, num crescen- bem com os poderes semânticos constituídos, o sta- do exponencial, em que muitos gestos de criação tus quo da visualidade. A conversão das imagens em visual (gráficos, visuais, em movimento) atrelam seu mercadorias arrasta-se de meados do século XX até sentido a alguma ordem rentável ou instrumental seu ápice atual. E faz parte de uma situação compro- (ativando o lucro da imagem). (Há uma vitrine espe- metida o fato de que, "a ideologia contemporânea en- cifica neste panorama expositivo que apresenta este contra-se exatamente numa espécie de encruzilhada vai-vem de influências, de territórios). Por outro, as entre a imagem e a escrita, na qual aquela usurpa a artes plásticas vêm se manifestando cada vez mais mensagem específica do texto, chegando mesmo a neste campo da poesia-poiesis, da textualidade visu- como aponta R. al, da escrita como incorporação e imagem, também como uma apropriação de território. Esta captura da imagética sobre a textualidade, pre- cisamente, tem uma vertente excepcional na poesia o espaço da poesia visual, do livro de artista ou visual, na medida em que se reconhece, abertamen- livro-objeto, do poema-objeto, do poema como te, que não se pratica um domínio (ou absorção da objeto plausível de qualquer suporte, desse inquieto escrita pelas imagens), senão que se estabelece uma trabalhar com signos escritos, textualidades, vem dialética de afinidades nas cesuras das linguagens se incrementando desde o movimento conceitual (de tal forma que não há aquelas correspondên- sempre um paralelismo epocal à arte conceitual cias da mera ilustração e pre-texto entre os signos e do processo com as aventuras da poesia visual e ex- escritos e os visuais, tão pródigos nos meios de perimental de tal forma que agora muitas obras massa e comunicação). Sinônimo de obra aberta e de artistas estão inseridas nessa indefinição linguís- não imperativa, e longe da condição de ser mero co- tica de gênero, que permite oferecer poesia visual mentário ou subproduto visual, a escrita imagética fora do conhecido âmbito como só dela. Estaríamos responde a uma necessidade de liberação ontoló- falando, não só da procura de situações de poesia gica através de composições estéticas insubmissas nos trabalhos de arte, quanto da incorporação da que estão longe de predizer ou anunciar de ante- obra como escrita, obras-escritura. (lembre-se aqui, mão seu destino de sentido. oportunamente, da consideração de T. W. Adorno de que "as obras de arte são linguagem só enquanto A ampliação desta vertente nas artes plásticas supera a anterior confluência de poetas e artistas; o texto, a palavra como imagem e maté- ria em numerosas hibridações faz parte de nossa época, também como eco das aportações da poesia visual e 10. Hans Belting, "La idola- 13. T.W. Adorno,Teoria estéti- tria hoy", em Iconoclastia, ca, Ed. 70, Lisboa, 1970. la ambivalencia da mirada, (Carlos A. Otero, ed.), La 14. A lista é infinita. Alguns oficina de arte y ediciones, nomes dessa fronteira: Walter- Madri, 2012, p. 91. cio Caldas, Alexandre Dacos- ta, Jochen Gerz, Rogelio López 11. "La idolatria hoy", op. cit., Blanco, Jaume Plensa, Marcel p. 92. Broodthaers, Barbara Kruger, Jenny Holzer, por exemplo. 12. Mário Perniola, Pensando o ritual: sexualidade, morte, 15. Rodrigo Duarte, op.cit. p.67. mundo, Studio Nobel, São Pau- lo, 2000, p. 133. 15</p><p>precursores 1. 2. 23. AO DESEMBARGADOR BELCHIOR DA CUNHA BROCHADO POR SUAS ALTAS exanimis -acet sub hac orbes Rex olim memorabile mund bsque pari exemplo >lcides virtute stupenda Dou pruden nobre, huma afá zumine retrice lapsis to, te, no, vel, zorma et virtutis Zutrix, Re cien benig e aplausí ad solium pacisque quiet singular ra inflexi subpeditans dominabitur astrics 189 co, ro vel Magnifi precla incompará Do mun grave Ju do is vel ngemat -oannes mbres Admira goza o aplauso olysipo officiossi obrutus orbis Po a trabalho tan et terrí stipuletur quis ssitat merica >manter is to ão vel Zecnon zutum Da pron execuç sempre incansá Zolit Zobiscum Zunc Voss fa Senhor sej notór est a ma a ia mpicedia mpodon L no cli onde nunc chega o d coupremus. Ond de Ere só se tem bo 190 ia - 1753 e Para qu gar tal, tanta energ Po de tod est terr é gentil is a a a ia Da ma remot sej um alegr 3. d a e 1. Aloisio Magalhães 5. Jorge de Lima Aventura da Linha, 1957 Poesias Foto-plásticas, 1941 2. Frei João do Rosário 6. Joaquim Cardoso Composições Acrósticas, 1753 Poesias Completas, 1979 3. Gregório de Matos 7. Oswald de Andrade Poemas pré-concretos Miramar, 1924</p><p>4. 5. SAPOS Enfunando os papos, Urra sapo-boi: Saem da penumbra, "Meu pai foi rei" Aos pulos, os sapos. "Foi!" A luz os deslumbra. "Não foi!" "Foi!" "Não foi!". Em ronco que aterra, Berra sapo-boi: Brada em um assomo "Meu pai foi à guerra!" O sapo-tanoeiro: "Não foi!" "Foi!" "A grande arte é como "Não foi!". Lavor de Joalheiro". O sapo-tanoeiro, Ou bem de estatuário. Parnasiano aguado, Tudo quanto é belo, Diz: - "Meu cancioneiro Tudo quanto é vário, bem martelado. Canta no martelo." Vede como primo Outros, sapos-pipas Em comer os hiatos! (Um mal em si cabe), Que arte! E nunca rimo Falam pelas tripas: Os termos cognatos. "Sei!" "Não sabe!" "Sabe!". meu verso é bom Frumento sem joio. Longe dessa grita, Faço rimas com Lá onde mais densa Consoantes de apoio. A noite infinita Verte a sombra imensa; Vai por anos Que lhes dei a norma: Lá, fugido ao mundo, Reduzi sem danos Sem glória, sem fé, A formas a forma. No perau profundo E solitário, é Clame a saparia Em críticas céticas: Que soluças tu, Não há mais poesia, Transido de frio, Mas há artes poéticas..." Sapo cururu Da beira do rio 7. 109 6. Poema AMAR AMAR AMAR AMAR divita do MAR AMARAL 17</p><p>POEMA 100 % vicente do rego monteiro NACIONAL "O absurdo é o senso comum dos artistas, dos poetas e dos loucos e a 'verdade' é o senso comum dos sectários." Vicente do Rego Monteiro Este texto não é para o genial artista plástico Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), que também foi cenógra- fo, fabricante de aguardente, corredor de automóveis, professor e cineasta. É, sim, ao brilhante tipógrafo/poeta/tradutor que foi tão desco- 123456 nhecido e injustiçado pelo público brasileiro, apesar de consagrado na França, onde obteve prêmios, o Mandat dês Poètes (1955) e o Prix Apollinaire (1960), além de ser incluído no Livre d'Or da poesia francesa - editado por Pierre Seghers, o mais importante editor da poesia 12345678 da França - em 1969 e citado por Bachelard em La Poètique de L'Espace. Foi o primeiro tradutor de Mallar- mé no Brasil, publicando um número especial da sua revista Renovação, em 1952, dedicado ao poeta francês. Autor de dezenove obras literárias, Vicente praticou inúmeras atividades. Em 1938, dirigiu a Imprensa 1234567890 Oficial do Estado de Pernambuco, onde fez primo- rosas edições. Ainda na década de 40, publicou seus poemas visuais. Em 1941, edita seu livro Poemas de Bolso, onde consta o Poema 100% Nacional, o primeiro poema tipográfico editado no Brasil. Em 1952, lançou o seu livro de poemas Concrétion, antecipando-se ao 1234567890 movimento da poesia concreta; e de 1956 a 1968 editou e circulou os poemas postais, com poesias suas e de outros poetas, em ações pioneiras de arte correio. De 1966 a 1968, exerceu o cargo de professor contratado do Instituto Central de Arte da Universidade de Brasí- lia, assumindo também a direção da Gráfica Piloto. No 1234567890 ano de 1968, retornou ao Recife para exercer o cargo de professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco. Em 2017, na ocasião da adição de algumas de minhas obras à coleção do MNAM-CCI/Centre Georges Pom- pidou, um diálogo entre o meu trabalho e o de Vicente PARA foi apresentado em uma das salas do caminho histórico do museu, integrando o percurso L'oeil Écoute, com curadoria de Catherine David. Foram expostos cerca de 20 itens de Vicente pertencentes ao Arquivo Paulo HOJE Bruscky, como publicações, poesia sonora, álbuns, efemérides e objetos, Paulo Bruscky 18</p><p>Edson Regis LISBOA, 1956 LISBOA, 1956 LISBOA. on caligramas originals Caligramas de un a Exemplar N*4 a Ernani Regis Reeife 1961 case, LE MAELSTROM essernes et chanté l'amour, la et les la mort, et les guerres Vicente do Rego Monteiro car chaque vers le d'un Poema 100% Nacional, 1941. M qui pour nous nos et C'est maintenant J'en connais qui Considerado por Paulo Bruscky de ces Mea Culpa como o primeiro poema tipográfico qu'en de de bougres de impresso no Brasil. Integra o livro Le de la au "Poemas de Bolso" - Editora aux mêmes les grandes Renovação, Recife, 1941 La les de Et please, Álbum Lisboa, 1961 O'BRADY Poema postal, 1955 19</p><p>Monteiro TANK LIBERTÉ Este 124/150 Tant que de Tracteur Art N'est guère nom Guerre Typographic De tanks Bruscky Edições Recife 1996 RAISON SOCIALE Cet exemplaire PARADIS-FOLIES 83 de par Vincent Monteiro a composé et Blues mé par sur sa presse A mi bras, à l'occasion du Premier Morphine Congrès International de de Paris. limité à 150 Fine emplaires de 1 Vicente do Rego Monteiro Cartomancie Parune force commune 7 durant a aplu Tour évolue Garde-toi carreau Mauvais courbe pas l'echine la roue de Fortune Mauvais conte Ne crains pas certains mots Ces de Chine N'affelent que les Tune BRACADABR RACADAB ACADA CAD A A 7 7 V Rego Monteiro Cartomancie Tire épingle du jeu attention elle pique restes-tu hesitant? Facteur D'autant plus que devant viguer duborg Vicente do Rego Monteiro les yeux Ne prends pas pour un Scribe sage Se dresse carte de Samson Vers Concrétion, edição - Bruscky Sois Hercule aux pieds Je porte un message d de amoun Edições, Recife, 1996 Cequi mal Finit bien dans la chanson 9 Cartomancie, 1999 - edição 7 V comemorativa do centenário de Vicente do Rego Monteiro</p><p>wlademir dias-pino 3 GRÁFICOS SOBREPOSTOS DE A AVE Sobre o próprio Wlademir Dias-Pino, além de sua cidade (1948), um fluxo textual-visual que supera o participação indicadora nas vitrines do poema-pro- âmbito das páginas isoladas, convertendo-se num cesso (com destaque para o livro-poema de colagens espaço construído por extenso, arquitetonicamente da época, Brasil meia meia (1967)), incluem-se - melhor, topologicamente - de tal forma que os também cartazes de sua primeira participação na versos e os cursores geométricos se continuam uns Bienal de São Paulo ou de seu trabalho de design, aos outros; são, em suma, ambos, conexões pelas os 6 volumes publicados nos anos 90 da infinita que passa a energia lírica elétrica de forma gráfica e, Enciclopédia Visual; o antecessor dela, o chama- ao mesmo tempo, versicular (ainda, as duas coisas do livro dos Logotipos (1974) ou o livro de artista, em associação e convergência: versos-linhas que se Numéricos (1964/1975) (assim como há uma janela permutam por linhas-versos). de texto complementar a estas linhas). Destaque também para a dinâmica expansiva de dia da Adolfo Montejo Navas 21</p><p>LADEMIR DIAS VIRGULA Editor WLADEMIR DIAS-PINO RIO - BRASIL Editor CORCUNDAS UMA NOVIDADE NECESSARIA 51 Direções 52 e 2 o mercado editorial assistirá no 53 ximo mês de novembro a uma arrojada que, I 2 a cargo do Grupo editor projetará em volume 54 a Obra-em-processo de Dias Trata-se 10) A ave versões da publicação de trabalhos ao longo de 35/56 vinte anos (40/68) de pesquisa e invenção para Solida e versões a poesia vivificada hoje nas antologias es 57 Por ser trabalho executado dentro de 12) Estimativa de uma sequência didática, cuidamos de a coleção apta atender rigor 58 tico e as experimentações gráficas do poeta A publi- 13) cação da Obra-em-processo de Wlademir Dias Pino é 59 oportuna e necessária para que se conheça a evolução 14) Poemas para amar do pensamento do Brasil, justamente porque mais que outros soube dis 15) cutir e (porque não dizer) modificar o 61 da arte E esta publicação 16) justamente agora, quando Wlademir Dias Pino não mais precisa de usar palavra para dizer e comunicar 17) Elementos Perfurações projeto de edição inclui todos os 64 18) Colagens CRONOLOGIA RELATIVA Bienal 66 20) Brasil meia-meia e A lados Expo Poema/Processo A máquina que ri 62/68 também 21) Meta código 2) do mundo Para iniciarmos a de 21 caixas Geometria do Perfil livro-poema A AVE que requer Os uma preocupação gráfica que até então não temos tido nas nossas publicações E al reside tanto o A cidade A máquina de mudar pensamento editorial. como a ho menagem pioneirismo do poeta Dias 4) Poemas E nos orgulhamos de ser. 5) Alto Editores e Livraria Rua da 41 sbl. 203 Rio de Janeiro - Guanabara * pelo Reembolso Postal 22</p><p>UM COMETA CAIU NO CORAÇÃO DA AMERICA XIV de Paulo XIV bienal de >ão Paulo QUEM OLHA RESPONSAVEL PELO QUE VE Wlademir Dias-Pino Os Corcundas, 1939 Vírgula, 1972 Impresso da Simões Editores e Livraria Ltda., 1968 Cartazes XIV Bienal de São Paulo, 1977 23</p><p>S o L I D A Wlademir Dias-Pino e Álvaro de Sá Solida, versão de 1968 Wlademir Dias-Pino Solida, 1962</p><p>25</p><p>grade velocidade da ang do de de que que non - de que - - - colam Maria de name Wlademir Dias-Pino Dia da Cidade, 1948 26</p><p>de pedra and de branco visit and de simples and das como and geometria para de come que gages less - digital you des des de mas de in crinas de - que - - the se has entro que das que da de the que que que anda de que que que 27</p><p>PROGRAMA UNESTADO A UNIVERSIDADE NAS CIDADES VIVA ESSA DIRETAMENTE EM CEU DE AZUIS INTEIROS COMO QUEM SUSTENTA UM SIM NO AR o NACIONAL UTILIZADO DENTRO DE CONDIÇÕES QUE ASSEGURE o SEU MEIO GARANTIR o ACESSO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS E CUL TURAIS Wlademir Dias-Pino Monotipias, década de 1970 Paulo Bruscky, Wlademir Dias-Pino e Adolfo Montejo Navas. Rio de Janeiro, 2018 28</p><p>com seu sistema de produção aberta, levou a página a outra dimensão - perto do tridimensional - assim como à certa diluição da autoria no magma joaquim branco da linguagem. Assim como a independência e SOL ecleticismo de seus colaboradores no Rio de Janeiro DADO e no Nordeste (com Natal como polo importante), BRASIL 79 sobretudo, mas também Minas Gerais, abrigou um mail art inventário quase infinito de propostas intersemióti- cas, em que a heterodoxia visual, imagético-verbal, resultava inabarcável, híbrida em todos os sentidos. Carimbos, imagens de toda procedência, incorpora- ção fotográfica, de desenhos, linguagem da mídia, SS do comic (poemics), tipografias, iconografias de todo tipo... falava mais de uma caixa de pandora imagética de grafias que de um movimento regulado por carac- S S terísticas estritas. Em suma, um raio de ação artístico, que ainda sur- preende pela liberdade visual-experimental. A alta dose de visualidade atingida, autônoma tantas vezes dos termos verbais, sempre permitiu considerar o movimento entre a poesia (visual) e as artes plás- ticas, como uma vertente semiótica plástica. E que o movimento do poema-processo faça em 2017, cin- quenta anos de sua irrupção, e até agora não tenha recebido uma exposição monográfica e independente no Brasil à altura de seu valor histórico, justifica que ganhe uma das vitrines expositivas e converta-se numa parte paradigmática desta história da poesia visual brasileira. Adolfo Montejo Navas Caixa 850 PE Joaquim Branco ARTE/VERSO/PODER BRANCO Arte/Verso/Poder, 1979 29</p><p>Visualidade: MOACY CIRNE Será inaugurada na próxima terça-feira Uma Nova Leitura (dia 18). em Buenos Aires, a EXPO/INTER- NACIONAL DE NOVISSIMA POESIA/69 uma promoção do Instituto Torcuato Di Tel- la/Centro de Artes Por vários moti- vos entre da importância do Institu- Roberto Pontual to Di Tella, que recentemente uma Mostra Internacional das Estórias em e XI de nhos expressivo mareo não Por volta de entre Warhol Alguns dos mais famosos poetas e artistas dos grupos e das prece de vanguarda estarão presentes com seus e pessons mais ou mas e objetos: Mirella Bentivoglio (Itália) no propósito de romper com como Dennis Williams (Estados Jean-Fran- sistemas do ero da no de cois Bory Stephem Scobie (Cana listas me como se Hans Clavin (Holanda), Niikuni ventivos e na de novas tivéssemos Jiri Valoch de de hoje esta- Hamilton Finlay Carl Weissper rem em completo de um grupo que Edgardo Antonio Vigo (Argen de eu Dias-Pino (Brasil). que de movimento No boletim informativo 1. da Exposi a quase totalidade dos que cons- constitut veto tavam como nos não do lia-se: "Receberá a Argentina um de do em de 196 nho da atual nova visão poética e poderá ver por se assinava de as últimas experimentações que reali além de um que o valor zam neste Pretende-se com isto desen chamado Carlos Mas pelo menos não é o cadear a a revolução necessária ao bem Sua a da como capaz da exigen- resultados respondendo is necessidades vitais e com um refere à sintese cas de para a permanente de e caráter recusa de em Uma poesia para e outra para Venezuela, vimento na são as duas características fundamentals em como retor. concretismo e neoc se dividem Não se trata nado a uma poesta convencional e dis- de desen artes de música, e sim a definiti explicar ésse correspondent deliberado caminho para trás a que uma nova va utilização de elementos do outros de se minados e que aumentam a possibilidade de de uma de seus todo Brasil, o tr de possas textos teóricos projetos (1969) Além do grupo paulista da poesia concre entre Inclusive o Vatemago, de de tudo pode 1961 conjunto de pesqui- da o Brasil fará representar com o ma/processo: Neide Sá de ou de tra no pelo Alvaro de Julio Plaza An do movimento express selmo Santos Joaquim Branco, Fer respectivas de ticipante do nando Almeida (Minas Ge Há multa do Livro do José Luis Serafini (Espirito La de Reynaldo Jardim, do Livro da tiu diversas prop ra Lemos (Rio Grande do Hugo Mune Criação, de Lygia all dos não-obje- no livro Jr. José Jobson Figueire LOS verbals de Gullar e do Dailor no o judis- Fernandes, Frederico Marcos, Nei Leandro de de em projeto - do de variados Marcos Silva, Falves Silva e Moacy em transparentes VIVER DA GE linguagem individual e con NELLY NOVAES COELHO da alguns tentaram resolver o impasse poesia aderindo ao ultrapassar aspecto. e ao todos procurando primeiro as "Um de deficiências equaciona com lucidez todo que esse João progresso Cabral teriais do tiveram limitou-se em conta consumar aos ma- Ramirez colocamos uma primeira Com essa afirmação do poeta qual verdadeiro vital de a ganica sem cuidar da sua contraparte or Como discerni-lo por entre as Variadas nossa quisas Desse não essas poéticas do últimos anos? haveria manifes em do no que dia respeito plano à da cons- fun- apenas uma profusão de valentes? ainda Haveria um ritmo ou estaria ritmos na Para vida do homem moderno" (Anais, sua 312) sanar essa dentro falta poesia de daquele de que e marcou vida do homem entre Haveria a realmente D apenas uma de nova aponta, como uma adequação João Cabral ARTE NOTICIAS 27/7/68 NO com textos de certos cional entre poema e meios de mais ra que de afirmaram ou se iniciaram poetas na de massa. (Nesse veja-se sua própria de tiva de criar para comunicação revelará ritmo essencial claramente eira ritmo da nova do poesia (1) da 1954/1955) com o auto de Natal Morte e essencialidade substituir contemplar que fazer mar "No plano dos tipos tudo da poesia da imediatamente de poetas que SÁBADOS E DOMINGOS DE JULHO made poema "moderno" esse hibrido foi o cha- nólogo interior e de discurso de praça, do de mo certas significativas (2) uma de sentir fusão "linguagem desta cio intimo de e de de de diario OCAL PAVILHAO JAPONES (CEAT) PARQUE DO FLAMENGO experimentalista em funda vimento te linear sem estrutura discursiva ou meira quase da transformação pessoa sempre usado na pri- PROMOÇÃO DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS qualquer indiferentemente entre especia de para lo leva a que pretenda Em mensagem consequencia que o seu de autor fim le "geração de 60' o de (3) e lanca en terem ponderem fixado tipos de poemas capazes de não se uma revalori as exigências ta da vida humana a o PRÓXIMA PROGRAMAÇÃO limitado a um Algo está para tipo de com madeira e do as leitor condições de 27 SABADO crianças: Maria horas do Aulas Carmo de pintura, Dileny desenho, Campos, gravura Angelo e livre Aquino, João Carlos em Goldberg Pedro mais diversas que sejam as posturas ser não pode o poema condições a que este dos em vários elementos dessa to funcional exige do leitor um por não comum do poema de sua o leitor moderno não tem a humano para se acima das esforce contingencias sobre barro, Wanda para da (Tiro ao Alvo, Roleta e Flor da Paz): Trabalho de pela qual prolongam de certa ma estetizante da de de defrontar-se com a poesia nos atos ocasião que encontramos sintetizada 45" que pratica durante a sua rotina diaria" normais (Anais 10 Geraldo HORAS Escosteguy, Jorge Sirito e Paulo Martins. Marly de ao falar de caminhos seguidos por seus compa da denominador comum no Melo panorama a interpretação do que de João de temos na aguda 15 HORAS em fazer do poético inevitavelmente daquele momento (e de rma encantatoria de distrair ou poema arre real e tentar e hoje o evidente persiste abismo em re- ainda que DIA 16 HORAS DOMINGO 9 horas Aulas para aprender de conhecer que não preseinde significa de de da de parava interesse (e separa) da poema e devido que falta se 16 HORAS Hélio público matéria para o do sentimental grande em se destina pura de do uma lei favor modo discernimos Pape Duarte Galpão da Ciência. de áreas na produção poesia da chamada três amplas como conhecimento da de da a chamada Antônio Manoel Urnas Quentes Doesia que tenta linguagem incorpo (caracterizada poesia rimentalista pela evidente) pesquisa verbal cunho poesia participante Manoel Moreno Miniaturas. de Pelé (Portela), Santa Tereza, sem que Samy Passistas-ritmistas Bulau, Nilza, Manga, e sambistas: Mosquito Vinicius, e Nininha (Mangueira), Maquario Mirin (Vila Isabel), Damásio, Mattar Roupas e diversidade a produção da de-mundo nosso Examinemos está prenunciando a notar que nela verso daquele por nossa Ou EXPERIMENTALISTA Arte Pública, com a presença de artistas e criticos de arte. da de 30" Narcisa (Salgueiro) e com com tivas mente desse por ouvirem João ou que simples por atenderem as novas tir que no ar. a de momento (e mais intensamente par</p><p>Are you In a blessing of the Who born In the name of the dan In the next room would turn back and So loud Lo my own To the hidden land That can hear the womb But the loud sun Opening and the dark run Christens TRIBUNA DO NORTE NATAL 12 DE JANEIRO DE 1969 Over the ghost and the dropped son The sky. Behind the wall thin as a wren's bone In the birth bloody room unknown Am found. To the burn and turn of time let him And the heart print of Scald me and drown Bows no baptism Me in his world's wound. But dark alone His lightning answers Blessing on Cry. My voice burns in his The wild Now am lost in the Child The sun roars at the pray 1968 a Equipe Pro "Vision and Prayer e de Dylan Thomas (1914-1953) de process de da Albert Skira Editeur que de Artes Cléncias da Universi 1969 apropriado de Rico, um livro CABANNE Pierre, de to de com o de re. au em um objetos de Sam- tions Paris, Ano de Intensiva Cult Inventou antes palo de de em CAMPOS Augusto de anos o Mercado de In revista São Pa dominante, como um poema de mobilidade fev. 1955 da Pa ado de importar pelo de um breves Finnegans Conselho E para a inventivos livrox de Cultura de São Paulo, 1962 da per- cum livro Teoria da Poesia déle o que com Explos tural" e extrema para a equipe do que, decretaram que quiser as de Todos "rótulos" movimentaram conferência do INL fomos citados como a no de Rubens Gerchman não-objetos de cultural e da nova geração de Dantas objetivo Gullar e Osmar Dillon, em linha dense 1968 e tiveram as (que denses tempo dos o de da de uma nova Rio, "frantes Brasil) como seus de Campos) - a de for da de a nando de Castro da realidade palpável cada E.E. 10 Poen programedores o movimento do for de Luis Sanderson de Nei Leandro me cansou a novos rotina do que per numa posição de lucidez da atual de Documentação do no Rio de Janeiro (Explo na postas teóricas de de os Educação e Escola Superior de Industrial e em Natal certa pelo de con- em no que de Augusto de 02 no 11 de dezembro de 1967 "ação cultural" sem pretenções formado pelos verbal com de Carimbos do Catálogo gibis, de mortalidade e a história do do e que constituem CO- para situam de dos centros das pesquisas contrastes de e Pro um de como guagem e como nos polivolumes de Rio do Nor um em as 1971 de Mary Vietra uma H em 1968 seguintes do de quatro publicações su de que entre inúmeros integrador de tempo e em Revista, Rio. 22, de apenas distribuir Brasil: e cartas por semana, a de processo em 10 branco x as possibilidades de novos conjuntos de Janeiro - Explo. Nacional do cess, Rio Grande do Norte contatos perma Suplemento Dominic Moacy Cirne, que cortes oferecern em nal do Brasil, Rio. 27 fev. 196 retório Nacional de Belas Artes) Rio com grupos de vanguarda em todo o Brasil. sendo QUALIDADE VERSI pelo de de muito é essência de brin- Explo/Processo (Galeria Varanda) - Olinda a as duas "frentes de nea da tridimen- 10 Em poetas novos introsa Durante um a equipe quedos de e pela (Museu de Arte papel do melhor de formas do ram-se em Recife (José poucos poemas, mas todo Se no livro-poema de Elen ativa de palavra Nacional - II Exposição Nacional de Poesia de Van Jobson Cataguases (MG) Branco de Para vanguarda não (Festival de - Ouro Adolfo Brasília (Hugo Mund pode introduzir novas reuniu e planos de papel em emergindo e so de Arte Pública promovida taleza José Pinto) Belo Hori lingu corte corte São Paulo, e trabalhos do temporalidade, a pelo Diario de - Rio. (Henry Campina Gran- da literatura, Jan. 1967 Processo: Konkrete Setembro (Teatro de (Walter Carvalho Guy linguagem de le além de outros artistas ticas congratu XIV Outubro Processo (Centro de Comunica- de um sistema cultura L'Arte Moderna, Fasciculo 118 Sociais do Nordeste) - PROCESSO EM POLEMICA vem a lume milhares de sem de não Dezembro - Volunte do e da - todo movimento cultural o dois o gráfico 30 de 9 participaram de as cesso causou e a impreasa durante 1968 a uma revolução AÇÃO DE 60 do durante o poema/pro de publicar e Edu- enquanto isso a revista cesso o nos meios de ardo Portela (Jornal do Brasil, 6/4/68): "Podemos sem as gação de massa, já a impor uma lógica para representantes do um ano de at consumo, Aproximadamente 100 so, podemos mesmo recusar a com a cesso de e de cutros ticas páginas e video-tapes aré pequenas com que recusam as demais verdades, repetição de 0 a no movimento van que é êsse de teórica e or nicação coletiva guarda cultural do Inclusive, do da E essa convite para participar com trabalhos da "Disco- mais merecedora quando no lu o tees do "som pois não pretendem sar de pela radicolidade, preferirem ad se torner peça da massificação irracional em que o Jomard Muniz de Brito do Para a equipe/pro realidade que a realidade tornou (in segundo posição da equipe/processo Recife, 21/4/68): a arte/processo convites para participar das já hoje ninguém duvida da tão bem comportados (até de que fulcro nodal da mesmo embriagados por poética não a necessidade de a poesia trar livrar-se de seu ACAO das e mares) vem os consumidores da Poesia de Vangua do oferecer sistema aos de valores da vida po mas sim a necessidade de mudança the de diversão e digestão (sobretudo de Grande. diferença basica entre arte, funcionários do alto nive! e de mais altas remunera- Processo (Belo homens ideais mais atendam mais ao ser que ao queo e "ação cultural" uma Den- Por outro Indo o poetas e criticos I Exposicion palmente, fazer Um tro "ação cultural" promover debates, happe- exterior sucitou uma série de promovida pelo sapato, indiscriminado plano de mesmo é muito mais importante do que publicar um existem publicados na Inglaterra (LCA mais importante centro de versos poetas falecidos e n. 177) e Argentina Cero, 26). e que além Nesse momento, a poesia poderá vamente dizer alguma ao homem e ser por explicam os Uma explo municações e perma ele de arte erótica no Francesinha Social Clube (julho). o DOS LITERATOS de misica experime Poi Mas enquanto essa mentalidade instala, enquanto novo estágio da "Os es Latina. Dessa não se no preciso pela propos- de vanguarda de todo o II arte em geral será criada em dos espantou aos tradicionalistas de- mais diversas campo da arte (alimentada pelos Dorian Jorge (Dia de Aires está e arte de enfretenimento artes plásticas Diario de apenas pelos valores do later. do produto transitorio (embora portante e consumível que deverá receber os 26/7/68 FREDERICO MORAIS dados que qualq de onde tissimo (quando não mais POEMA NO na programação <Arte ATO pois, compreensivel em COLETIVO impossibilitado de se satisfazer com ideais do fer pelo sist uma apresentação do grupo no ção direta do e 15,30 horas exi- moderna) certa no cuja atuação já re- bição de poemas-filmes. Finalmen- tinta, letras e cordas). guerra, o poeta tenha percute vários Estados brasileiros e tam- às 16 horas, poetas debaterão com mundo refugiando-se bém no exterior. A apresentação terá início público o Entre outras, Dias Pino (labirintos de papel, etc.), ou na Não condições para 14,30 horas com música eletrônica e con- de Dias de disco, seguindo-se, às 15 a realização (labirinto, poemas com jornais). Santos, Moacir Cirne, Ney Lean- individual com a consciência exposição de obras com participa- Márcio Sampaio (poemas com bolas de pin- dro, Henry de Araújo, exacerbado" que apontava em 1954 poeta mode gue-pongues, Neide (poemas com tubos Nunes, Pedro Bertolino, Hugo Mund Jr. no mais como seus explicam o Daila Varela. bem da expressão a intenção de Por bem da expressão critico de estruturas tém e sua relação com o processo que está sendo inaugurado, com tódas as CONTRA-ESTILO ser ratificado pela possibilidade de novas. e cada nova processos informacionais novos, o expe- tam probabilidades que resul. do poema que gasta conforme suas proba- E' importante salientar a transitiva de dizer determinadas Escrever de ser para tal pc nas minadas classes de pessoas: ma/processo distinglie-se artes plásticas Contra o poema único, e a partir de vidade para esse por direções de (Embora tima análise - seja essa uma questão dada matriz todo consumidor-/par- uma bilidades vão sendo exploradas e que en- dária para nós, pois considerá.lo ou não ticipante poderá construir novas e diferentes velhece quando é sobrepujado por outro poema dar-se em é dizer culares. versões, de acordo com as suas opções parti- que o admita e exceda de Não se quem puder ou interess poderá implicar julgamentos subjetivos e trata de um combate e granito ao nantes em relação à realidade atual da arte.) verbal, mas de exploração planificada das Essa afirmação feita por Cab vinte anos para No lemos o processo (leitura o objeto único - e para tornar e que terá a mesma importância arte a mais pro- possibilidades encerradas outros signos e não a estrutura (leitura A crise da é simplesmen- da produção de nossa to, aqui (tanto na poesia a funcionalidade mais im- de um novo dizer, que volta portante do que a funcionalidade Pa. cional do Publicando-se o projeto crise da palavra (no poema) Cir. que deverá projeto de um processo mais o estilo estraté- tureza transitiva da atividade poet de investigação do Interessa grau de informação que ela con- triangular. circular, retangular etc. ou não Interessa se determinada estrutura no de de soluções) E sendo uma posição radi- o poema gráfico, em si, ver. de possibilidades fará dentro vanguarda poema/ com matéria verbal que cial de versões processo, hoje, oferece total jovens</p><p>pressão. in JORNAL DE LETRAS DE 1969 OFF peratura info processo de dois moment CABRAL: a compro anchieta fernandes do da lo primeiro A Literatura é Importante do projeto/o THAT IS THE b ato de QUESTION ação de te/consumido objeto/beleza a ser contemplado ou obje- física do obj ENTREVISTA A J. MÁRIO LIMA to/função a ser manipulado eis a poesia/conceito abstrato ou poema/fisi- ro/surdo par calidade eis a questão. perfumado para palad Ao entrar para Academia se sente com carreira ul- ou encerrada? o combate apocaliptico dos movimentos ais da expre ume nem Não entrando nem tipo "semana de arte no Bra- seu papel so tira a idéia m muito velho. Tenho 49 anos neste momen- sil, ou na de cada vez da Academia, mas há pessoas que entraram terminou voltando ao degrau sem rativo/conter de forma que eu sou mais por que as massas consumidoras tomassem consciência possiveis problemas es- pradores que seja nem aposentadoria E simplesmente um arte". como se entrado uma sociedade li- tético-sociais a serem hoje a que me vá fazer escrever melhor pauta de conduta é outra. tem-se que pro- por caminhos de aberturas à agora, me vá fazer escrever mais ou menos, nem que me não de escrever ou me provoque outra onda de não no tema, mas participação entrada para Academia não posso dizer se é no sentido de excitar o consumidor ao uso cursos lógico is no men fui eleito por e o tista plástico ativo de sua pelo contato dire- vista é que, pelo menos para mim. não foi dificil rário, um ma to e re-criador com o material. e não ape- Agora, pelo que eu lendo a história nas dentro do ludismo in-significante. res poemas outras tiveram dificuldades para nela em a outras não Particularmente, no entador das tomemos o exemplo de uma técnica in- que não posso Me can- artista não m formacional limpa como é poema/pro- ne elegeram Foi um resultado meto e cesso, no desde o ras de agir. eendo multo bem o que zado com a desde a primeira em 1967. Como escritor pertence a alguma geração? consumo se faz através do ato consciente a taxa de a uma geração eu penso que você pertence não simplesmente pela gratuidade da lei- ependa de você. Se se compreende geração como ou uso to/processo orientação literária não pertence uma o no poema/processo. a geração no sentido de abraham mo ato dinámico do consumidor. a situação inados pontos, como qualquer ser social tem é que devem em que colocar o a realidade com as pessoas que nasceram na pondo em possibilitada pela matriz. Porque pessoas que nasceram mais ou menos guagens ma época condicionadas mesmos lo treinamen o objeto/poema: primeiro passo para a adicionado pelas daquelas pessoas de re-encont pesquisa de situações abertas, onde em como ou um pouco antes ou um prio se dá como signo e criar a supe considero de porque a gern- valendo como se esta um grupo de escri- Ouvi pois me mandaram recortes, En- onde cada objeto a complementariedade cução do de todos os nunca fix parte de Agora. tretanto, não sei de Rasgar livros para mim é de outro objeto. onde os vazios de um ob- mo fundame 5. no sentido que um grupo de escritores tiro Poderiam ter rasgado meu retrato ou nome, mas jeto abrem-se ao encaixe de peças de ou- uso dos cine ou a publicar livros ao redor de 1945, depois da guer- acho que têm o direito de rasgar pois todo mundo tem o tro objeto por sua vez. já exige uma duto direito de não gostar do que não gosta de dizer certa destrutividade inicial de algumas par- cico do núm sr. tomou conhecimento que seus livros encalha- te do que não Entretanto, eu acho que o livro é um tes começadas na estocagem e assim. obra de arte to tão respeitável que idéia de rasgar livros não me é muito formando-se um movimento mar- Eu não rasgo livros por pior que sejam por ter koviano ao do manipulatório, do ins- o modo Não sabia fato, pois segundo me consta. tem de o na do Autor na Editôra amor especial pelo objeto livro. trumental. a verdadeira As Poesias Completas que foram ano e ser Que acha do movimento do Poema "tendo em mãos o projeto de um obje- se prete/consur as edições da Antologia Poética e das Comple- Não Entretanto, o movimento to/poema, consumidor/participante (que tica da idéia que nenhum livro men. tenha do poesia praxis, o grupo de Minas Gerais, de Tendência, e o de aquéle que se apropria da idéia con- cer sentido não acredito que ela em crise A cada Vereda, bem como grupos do Nordeste, são tida no processo) opta. de com a usado; e gente nova fazendo um mos Há desde o Rio Grande do Norte, Pernambuco, sua preferência (de infor- é descer ta vê como meus livros se livros todo um movimento muito importante e creio que a macional) ou as suas possibilidades (finan- cutindo na ine que não acontece com os de Carlos Drum- sia tem que se renovar através Para criar técnicas): construindo objetos com ssiano, Guilherme de Almeida, Manoel e to- cadeamento ou inovar, temos que partir de determinados pontos de e as formas e variantes do projeto, ou ver- poetas bem melhores do que Se há tamanho in- se êsses pontos de vista estão certos ou é a obra que visuais gráficas do projeto, ou versões la poesia não deve haver o que acontece é que essa é a in for criada a partir que irá dizer. No caso dos Concretis- ambientais, situações nascidas do arecem cada com uma orientação no sentido tas e de Praxis, eu acho que fizeram coisas muito interes- (da nordestese, da equipe do rio grande do de ver poesia a partir poesia que faz, o que santes, de forma que os pontos de vista estão certos. do por norte). sendo que as versões "não são do de inteiramente de forma que aquêle que balidades en não quer dizer que ou que poesia brasileira deva conteúdo do mas de de um daquele modo sempre lugar para que a poesia possa se ex- veis, valor um processo. caso é mais importan- ela que êle está em Mas a poesia não é de pandir Quando digo que os concretistas e e todos numerosas te a expressão do material usado até mes- ou é a soma de as A poetas de Vanguarda interessantes, não quero dizer que a mo do que a funcionalidade do poema pois vai registrar todos anuêles que trouxeram algu- poesia ser feita ela desta maneira. Acho (wladimir dias pino). vinil, ferte- de Estes são realmente os que que que podem fazer uma boa obra seguindo aquêles princi- conhecimento que foram rasgados papel kraft tudo é material devem seguir êsses Importante é a obra e não a ser experimentalmente desvendado: em (projeto de o movimento de vanguarda brasileiro? os sua expressão/objeto como objeto de ex- comprar: ecorte do Jornal de Letras, o de Janeiro, 1969 ecorte da Tribuna Literária, rapora MG, 1971 ecosne, Recife, 1967</p><p>é que a sua tem- transparente nas verde. seja encontrada no azul e amarela: que ocorre em fabricar (ou mandar fabricar) uma mol- da atividade pragmática: dura para espélho com comutadores e tomadas para luzes também ver- + quan azuis e amarelas: do processo no material pe- ue percebe/concebe a idéia colocar em baixo de cada tomada as palavras revolução, tu- do-azul e quando a d. de cada vez. uma das o material faz o intérpre- res a do ligando se envolver na expressão comutador que melhor indique a manei- to (frio/calor para o ra-de-ver do espectador (maneira de ver- para a sono- se a si concretizando fisicamente a o significado (abstrato-psicológico) das pa- ara o lavras ar são os vetores sensori- que então se define em e. pronunciar a palavra em voz para cial: despersonifica o assumir o significante sonoro: le que o a fazer f. o consumidor pode comprar mais objetos únicos para uso deco- com novas variações de privilegiados com- mexer com a "obra de g. pode colocar mais comutadores e no- vas h. pode lazer versões visuais de- o poema é produto senhando (para uso de impressão a um resultado dos dis- is do literato: o ar- um personagem que se olhe em espelhos às um simples ope- reeneiro pode fazer melho- i. pode usar vários espelhos de uma só que o versificador publicado vez. fazendo nascer com o pisca-pisca das tecnologia já ponteiro ori- luzes nos comutadores uma situação glo- variedades de situações, e o balizante: o espectador tem um momento ais cria obras, propõe manei- de revolução, médo espectador deve ser mobili- e achar que tudo está azul. própria mobilização do objeto. de qualquer obje- é a taxa de informação de cultural" preconizada es. contra éste pano de fundo ser formadas novas conhecimentos de lin- a arte dia a dia o ópio da pequena trazidas tona pe- burguesia. as galerias vendem quadros to da é aqui on- res e redundantes para um público amos o valor operacional de a literatura num país onde mais de cinquenta ação da necessidade pela exe- por cento do povo é analfabeto - serve : físico e uso ativo nas para a "deleite espiritual" próprios cinco sentidos do literatos de mentalidade portanto ntal à percepção das só uma arte nova sempre desencadeando no- o sentidos em si um pro- processos pode atender hoje em se o crescimento ma- mos de sem cair no musco- ero de participantes de uma transformou. em nosso tem- de participação (walter PROCESSO NO CECOSNE/ haver condições de recepção: PROCESSO NO CECOSNE/ que PROCESSO NO CECOSNE/ é atingida quando o nidor se dispõe à dias dailor varela contida na obra. fazer nas falves da de objeto fazer éle ser alvaro de hago frederico funcionar como informa- marcos george smith hora: márcio joel henry in- nunes anchieta fernandes ompreensão pública o desen- nei leandro marcus vinicius alexis de sua gurgel sanderson negreiros guy joseph neide de josé formação do o térmo informação interpreta- erto eco: "valor de equipro- tre muitos elementos ue é tanto maior quanto mais as escolhas 0-0-0-0 ESPECTADOR um e de papel 33</p><p>grupo do do do que de o arto du que por por sua apoio a ur- o de 1960 de de No1 Castro Podro de at Gurgel de 9 de Poema/Processo em Abril de 1968 no Museu de Arte Moderna da Bahia NACIONAL - - PROJETO tante é que seja funcional e, não como de sumida um combate rigido gratuito ao signo verbal 1. critico de todo processo um procedimento o poema por de exploração das turns sempre procedimento do-se de signos (não-ver- variações de tações para sua born que as processo relação que dentro do processo: do que não existe entre compo do conforme probabilidades vão sendo explo- que visam a internacional de uma dada radas que se quando do to de invenções do por que admita evita estilo poema diante de operar diversos tratamento de manipulando-as dink continuo (conjunto de (mudança que vivualização da probabilidades função trabalhar apresenta certa unidade) /consumo dande máxima do pro- transformações modança de qualquer de estrutura, poesta que é pro de não que produto passa atingindo resposta uma social que 6 processo movimento ou assim seja descoberta da realidade processo a participação cristiva estrutura de de fundamental condição de processo pretendendo ser universal não poema processo é uma posição do processo é que que interessa coleti- mas pelo da poesia de é sentido da into processo do pela anterior que posterior que the sucede é que diferencia processor informacionais do estrutural unde todos pode ou não 34</p><p>ez PROCESSO 1 PONTO 2 05 A DITADURA FUNDAÇÃO AUGUSTO DAILOR VARELA BABEL Bosco Lopes ao lado Dailor Varela Exposição Nacional de Babel, 1974 Poema/Processo, 1968 Marcus Vinicius de Andrade acima Idolatrina, 1968 Ponto 1, 1967 Bosco Lopes Ponto 2, 1968 Projeto/Zero, 1973 Processo 1, 1969 35</p><p>NO/TA c o I A Recife, 70 ARNO SEX Paulo Bruscky Moacy Cirne Álvaro de Sá Poema/Processo, 1969 Poema para picotar, 1973 Alfabismo, 1967 Poema/Processo, 1970, coleção Unhandeijara Lisboa Arnaldo Tobias Centre Pompidou Sexo, 1972 Poema/Processo, déc. 60 Poema/Processo Liquidificação, José Alcides Pinto 1971, coleção Centre Pompidou Planêtas Visuais, 1957 36</p><p>/ 1957 processo genial e múltiplo artista José Cláudio é um elo importante no início do Movimento do Poema/Proces- so, e manteve ainda uma destacada participação no exterior, tomando parte em exposições e publicações na Argentina, Uruguai, México e Estados Unidos, entre outros. Seu pioneirismo é importantíssimo não só no Poema/Processo, como na Poesia Visual e na Arte do Carimbo (Rubber Stamp Art). Em 1979, como Coordenador de Artes Plásticas do II Festival de Inverno da Universidade Católica de Pernambuco, convidei o holandês Aart Van Barneveld, que realizou uma palestra e trouxe para o Festival uma importante exposição internacional de trabalhos com carimbos. À época, ele mantinha a Stempelplaats, primeira galeria e editora da Europa especializada em trabalhos de arte abcdefgh com carimbos. Ao ver os trabalhos e livros de artista de José Cláudio, pertencentes ao meu Arquivo, ficou impressionado com o pioneirismo e proficuidade da sua produção. Paulo Bruscky rstuvwxyz Livro de carimbos julho/68 P : W E R T Y U 0 A S F G H J K C : Z B N M ? ARNALDO TOBIAS (TAIMBE de PE José Cláudio Livro de carimbos 3, 1968 37</p><p>falves silva o poeta e as signific/ações Falves Silva Importante poeta de Natal/RN, Falves Silva tem uma profícua e instigante atuação nas vanguardas anti/literárias do Brasil e do exterior: do Poema/ Processo (1967) à Poesia Visual, via Arte Correio. Toda a sua produção é uma obraberta: desenhos, ELEMENTOS DA colagens, histórias em quadrinhos, cinema, publi/ cidade, tipo/grafia, xero/grafia e etecetera poesia. Falves coloca tudo em um liquidificador, na rotação máxima, e sorve os sentidos poemáticos de uma eterna arte em trânsito. Paulo Bruscky Falves Silva INTER SIGNOS LIBERE 38</p><p>Falves Silva CARIMBO ROJETO P 6 OEMA-PROCESSO P R FALVES SILVA Falves Silva Elementos da Semiótica, 1982 Intersignos, 1984 Carimbo, 1982 Projeto 6: Poema/Processo, 1975 39</p><p>neide sá o percurso criativo e participativo Uma das criadoras do Poema/Processo, em 1967, NEIDE DIAS DE SA Neide Sá tem uma participação também significativa LIVRO POEMA no Movimento da Arte Correio e da Poesia Visual, BOOK POEM com uma produção importante e diversificada em materiais e suportes: filme super-8, livro de artista, objetos e situAções. Seus trabalhos e textos teóricos foram publicados em diversos livros e revistas espe- cializadas do Brasil e do exterior Paulo Bruscky 40</p><p>All Neide Sá ao lado Livro Poema, década de 1970 acima Livro Poema, 1978</p><p>7 9 10 11 12 4 5 2 3 NEIDE DIAS DE SA momento 1967 neide sa Neide Sá Problemática das Direções de Leitura, 1968 Momento, 1967 Livro Poema, década de 1970 42</p><p>poesia concreta Augusto de Campos e Júlio Plaza Caixa Preta, 1975</p><p>poesia planetária a revolução concreta amostragem vai e vem e e ruasolruarua vem e vai cala ouro beba coca cola proto I babe cola ouro E L OCI beba coca cala babe cola caco VVVEL I para caco E L C I D ouro cala falo cola V E L I D A clara cloaca mais mois menos mais menos mais ou menos sem mais nem frase acima menos menos 44</p><p>FEDERA LRES NOTE UNITED STATES OF AMERICA PRIVATE 2 B 2 B 1 2 2 Cr$isto é a solução fala falha bôca louca Omar Khouri (org.) Álbum coletivo Poesia Planetária - A Revolução Concreta, 1986. Participantes: Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Ronaldo Azeredo, José Lino Grünewald, Pedro Xisto e Edgard Braga Décio Pignatari CrSisto é a solução, 1984 Antônio Girão Barroso Poema Boca, s/d, final déc. 1950 Augusto de Campos Anticéu, 1984 45</p><p>ONOMATOPOEMAS NOMATOPOEMAS OMATOPOEMAS PEDRO HENRIQUE MATOPOEMAS GERALDO IESUINO DA COSTA ATOPOEMAS TOPOEMAS modernismo OPOEMAS & TRI POEMAS concretismo OEMAS no ceará EMAS MAS VIA AS S Hayle Gadelha AUGUSTO DE CAMPOS DÉCIO PIGNATARI HAROLDO DE CAMPOS o CARROSSEL AUTO DO POSSESSO Rei Menos Reino DO THE AUGUSTO DE CAMPOS JULIO PLAZA DECIOP POEMOBILES brasiliense Antonio Girão Barroso Hayle Gadelha Haroldo de Campos Modernismo & Concretismo no Onomatopoemas, 1978 Auto do Possesso, 1950 Ceará, 1978 Augusto de Campos Augusto de Campos e Julio Plaza Pedro Henrique Saraiva Leão e Rei Menos o Reino, 1951 Poemobiles, 1968 Geraldo Jesuíno da Costa Fora do Com/um, 1996 Décio Pignatari Décio Pignatari Carrossel, 1950 Exercício Findo, 1968</p><p>pedro xisto e edgard braga haikais & haikais & haikais & f i n i t concretos concretos concretos haikais & haikais & haikais & concretos concretos concretos haikais & haikais & haikais & concretos concretos concretos haikais & haikais & haikais & concretos concretos concretos haikais & haikais & haikais & concretos concretos concretos haikais & haikais & haikais & concretos concretos concretos haikais & haikais & concretos concretos haikais & haikais & pedro concretos concretos xisto haikais & haikais & concretos concretos Outra relevância é o espaço outorgado para Pedro P Xisto e Edgard Braga, os quais, participando da proposta concretista com frequentes colaborações na revista Invenção, por exemplo, mostram uma autonomia de poética digna de menção no contexto da época. Seja com as caligrafias (livro Tatuagens, 1976), geometrizações de palavras ou o trabalho de signos-desenhos-carimbos de Braga, seja com edições eminentemente plásticas (caso de Algo, 1971, edição cuja capa já divide a palavra em algo mais com a metade de sua visualidade) ou o acasalamento da brevidade oriental e a metamorfose concretista de Xisto, sua indagação visual das vogais ou o uso de um magma escritural galático, de enxame verbal. Adolfo Montejo Navas Pedro Xisto haikais & concretos, 1960 47</p><p>PEDRO XISTO POESIA EM S I T u A 1960 o partículas eo Pedro Xisto Partículas, 1984 Poesia em situação, 1960 ieaou, 1966 48</p><p>edgard braga P DEDALD DADOS Edgard Braga Algo, 1971 Tatuagens, 1976 49</p>

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