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<p>João Vitor Aguera Silveira - R.A 7453999</p><p>APS – Direito Constitucional</p><p>Atividade Prática Supervisionada</p><p>Tema: Decisão a respeito das Imunidades Parlamentares</p><p>São Paulo</p><p>2021</p><p>II</p><p>Decisão a respeito das Imunidades Parlamentares</p><p>Diferentemente do que muitos supõe, o foro por prerrogativa objetiva garantir o</p><p>exercício e independência de alguns cargos e funções, ou seja, o possuidor desses cargos se</p><p>dispõe a ter sua investigação, processo e julgamento realizados por um órgão judicial prefixado,</p><p>diversamente da população em geral.</p><p>O foro privilegiado, como também é conhecido, está vigente na legislação nacional</p><p>desde a primeira Constituição brasileira (Constituição brasileira de 1824), onde era previsto que</p><p>os ministros, entre outros cargos, seriam julgados pelo respectivo Supremo Tribunal de Justiça.</p><p>Após quase dois séculos, os casos em que temos a aplicação do foro por prerrogativas</p><p>aumentaram, gradualmente, até atingirmos o previsto na Constituição da República Federativa</p><p>do Brasil de 1988, onde o foro privilegiado contempla os parlamentares, magistrados, chefes</p><p>do executivo, entre outros. Ainda, o artigo 105, I, a, da Constituição Federal brasileira de 1988,</p><p>dispõe que: “nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes</p><p>e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do</p><p>Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos</p><p>Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros</p><p>dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que</p><p>oficiem perante tribunais” [1].</p><p>Na Ação Penal 937, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deliberou que a</p><p>prerrogativa de foro se limita aos crimes cometidos no exercício do cargo e em razão dele, ou</p><p>seja, que a restrição do foro privilegiado apenas aos crimes realizados durante a função do cargo</p><p>ou em razão dele, e ainda que a jurisdição do Supremo Tribunal Federal se mantém caso tenha</p><p>ocorrido o encerramento da instrução processual. Essa decisão foi realizada devido aos</p><p>problemas provindos da alteração de condições em que estava o agente processado, já que</p><p>constantemente havia alterações de foro, pois um indivíduo que respondia criminalmente em</p><p>primeira ou segunda instancia, uma vez que fosse diplomado, o seu julgamento passava para a</p><p>seara do Supremo Tribunal Federal. Devido a este fato que ocorreram tais modificações no</p><p>entendimento STF.</p><p>III</p><p>Em relação às imunidades parlamentares, é sabido que os membros do parlamento</p><p>estadual, federal e municipal possuem a prerrogativa funcional em consonância com o seu</p><p>devido âmbito, sendo essas atribuições regidas pelo artigo 53 da Constituição Federal brasileira</p><p>de 1988, e ainda, classificadas em categorias de imunidade. Entre as categorias pertinentes aos</p><p>senadores e deputados, temos: a imunidade probatória, prerrogativa testemunhal, imunidade</p><p>formal, imunidade material, imunidade processual, imunidade prisional e, o já citado, foro por</p><p>prerrogativa.</p><p>Assim, os deputados estaduais, detém seu “foro privilegiado” em conformidade com o</p><p>disposto nas respectivas Constituições Estaduais, essa imunidade é alicerçada no princípio da</p><p>simetria. Tal prerrogativa foi firmada após a apreciação, realizada pelo Supremo Tribunal</p><p>Federal, da Ação Direta de Inconstitucionalidade número 5526 do Distrito Federal (ADI</p><p>5526/DF) a qual, nos termos dos artigos 312 e 319 do Código de Processo Penal brasileiro [2],</p><p>consolidou que execução das medidas impostas a parlamentares, deve ser deliberada pela sua</p><p>respectiva Casa Legislativa, em até vinte e quatro horas. Dessa forma, podemos estabelecer</p><p>que, nestes casos onde as medidas cautelares impostas por magistrados impedirem o exercício</p><p>regular do cargo, essas devem ser ratificadas pelo legislativo em sua respectiva esfera, tratando-</p><p>se dos deputados estaduais, após a deliberação de tais medidas, as mesmas devem ir para</p><p>votação nas Assembleias Legislativas dos respectivos estados.</p><p>Já os deputados federais, dispõe do foro por prerrogativa no Supremo Tribunal Federal,</p><p>mediante a ocorrência de crime durante o exercício do cargo ou em razão dele, ainda, há a</p><p>possibilidade da aplicação de uma deliberação cautelar de afastamento do deputado federal,</p><p>baseando-se também o artigo 319 do Código de Processo Penal brasileiro, o qual prevê as</p><p>medidas cautelares diversas da prisão, e quem definirá essa suspensão é o próprio Supremo</p><p>Tribunal Federal. Entretanto, após a deliberação contida na citada ADI 5526/DF, no caso de</p><p>impedimento do exercício regular do cargo, a Câmara dos Deputados terá a autoridade para</p><p>preterir a tal medida estabelecida pelo STF.</p><p>Por fim, os vereadores municipais, via de regra, não detêm o “foro privilegiado” pelo</p><p>cargo, dessa forma, pelo fato da Constituição Federal brasileira não prever essa prerrogativa, o</p><p>magistrado da primeira instância é competente para realizar a análise do caso, e decidir se</p><p>realmente ocorreu o delito. Além disso, o magistrado também terá competência para julgar o</p><p>IV</p><p>respectivo afastamento do cargo, não havendo a necessidade da corroboração por parte das</p><p>casas legislativas competentes.</p><p>Assim, podemos observar que a única imunidade concedida aos vereadores municipais,</p><p>é a que está em seu formato material, a qual prevê que o legislador possui liberdade para se</p><p>manifestar a respeito dos seus locais de exercício, ou mesmo fora deles. A imunidade</p><p>apresentada é regida pelo artigo 53 da Constituição Federal Brasileira de 1988, o qual dispõe:</p><p>“Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,</p><p>palavras e votos”, e também em seu artigo 29, VIII, que prevê a “inviolabilidade dos Vereadores</p><p>por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município”</p><p>[3]. Por conseguinte, podemos observar que o afastamento dos vereadores municipais não</p><p>dependem da corroboração de suas respectivas casas legislativas. Nesse sentido, temos um</p><p>trecho do Recurso Extraordinário número 464935 do Rio de Janeiro, cujo relator fora o ministro</p><p>Cezar Peluso, o qual enuncia: “(...) Não afronta a Constituição da República, a norma de</p><p>Constituição estadual que, disciplinando competência originária do Tribunal de Justiça, lhe</p><p>atribui para processar e julgar vereador(...)” [4].</p><p>Portanto, ocorre a viabilidade do afastamento cautelar dos legisladores, uma vez que</p><p>seja contemplada a eventual corroboração da respectiva casa legislativa, sempre sendo</p><p>observado o magistrado competente para realizar a análise da matéria. Nesse prisma, temos que</p><p>a imunidade parlamentar concedida a esses legisladores é consolidada de mais de uma maneira,</p><p>mantendo assim a proteção de sua liberdade de expressão, uma vez que em sua função se faz</p><p>necessário discutir, criticar e deliberar, dessa forma o parlamentar garante os plenos exercícios</p><p>de seu cargo. Porém não há brechas nesses dispositivos legais que acabem por facilitar a recusa</p><p>do afastamento de um legislador, mesmo havendo a possibilidade da sustação do processo pela</p><p>casa pertencente (apenas nos casos dos deputados), caso ocorra o prosseguimento e seja</p><p>constatada a obrigação de consonância com o juízo competente, essa providência não se faz</p><p>apenas legítima, mas também necessária para a resolução da investigação.</p><p>V</p><p>Referências Bibliográficas:</p><p>[1] BRASIL. Constituição Federal brasileira de 1988, art. 105, I, a. Disponível em:</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.03.2021/art_105_.asp</p><p>[2] BRASIL. Código de Processo Penal brasileiro de 1941, arts. 312 e 319. Disponíveis,</p><p>respectivamente, em:</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10652044/artigo-312-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-</p><p>outubro-de-1941 e https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10651224/artigo-319-do-decreto-lei-n-</p><p>3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>[3] BRASIL. Constituição Federal brasileira de 1988, art. 53. Disponível em:</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.03.2021/art_53_.asp</p><p>[4] STF. 2ª Turma. RE 464935, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 03/06/2008. Disponível em:</p><p>https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/2918638/recurso-extraordinario-re-464935-rj</p><p>Fontes:</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumarioSumulas.asp?sumula=2035</p><p>https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/08/05/mutacao-constitucional-nas-regras-</p><p>foro-por-prerrogativa-de-funcao-uma-analise-axiologica-julgamento-da-acao-penal-937-pelo-stf/</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumarioSumulas.asp?sumula=1588</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigobd.asp?item=%20708</p><p>https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2018/12/18/decisao-stf-sobre-prerrogativa-de-</p><p>foro-e-suas-decorrencias-implicitas/</p><p>https://blog.grancursosonline.com.br/imunidade-formal-deputados-senadores/</p><p>https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/O-foro-por-prerrogativa-de-</p><p>funcao-e-as-restricoes-a-sua-aplicacao-no-STJ.aspx</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.03.2021/art_105_.asp</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10652044/artigo-312-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10652044/artigo-312-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10651224/artigo-319-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10651224/artigo-319-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.03.2021/art_53_.asp</p><p>https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/2918638/recurso-extraordinario-re-464935-rj</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumarioSumulas.asp?sumula=2035</p><p>https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/08/05/mutacao-constitucional-nas-regras-foro-por-prerrogativa-de-funcao-uma-analise-axiologica-julgamento-da-acao-penal-937-pelo-stf/</p><p>https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/08/05/mutacao-constitucional-nas-regras-foro-por-prerrogativa-de-funcao-uma-analise-axiologica-julgamento-da-acao-penal-937-pelo-stf/</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumarioSumulas.asp?sumula=1588</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigobd.asp?item=%20708</p><p>https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2018/12/18/decisao-stf-sobre-prerrogativa-de-foro-e-suas-decorrencias-implicitas/</p><p>https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2018/12/18/decisao-stf-sobre-prerrogativa-de-foro-e-suas-decorrencias-implicitas/</p><p>https://blog.grancursosonline.com.br/imunidade-formal-deputados-senadores/</p><p>https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/O-foro-por-prerrogativa-de-funcao-e-as-restricoes-a-sua-aplicacao-no-STJ.aspx</p><p>https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/O-foro-por-prerrogativa-de-funcao-e-as-restricoes-a-sua-aplicacao-no-STJ.aspx</p>