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<p>Vitória M F da Silva</p><p>a.C.</p><p>387</p><p>335 -</p><p>d.C.</p><p>1604 -</p><p>1605 -</p><p>1636</p><p>1637</p><p>1690</p><p>1774</p><p>1793</p><p>1802</p><p>1808</p><p>1834</p><p>1848</p><p>1859 -</p><p>Platão, que acreditava em ideias inatas, sugere que o cérebro é</p><p>o lugar dos processos mentais.</p><p>Aristóteles, que negava a existência de ideias inatas, sugere</p><p>que o coração é o lugar dos processos mentais.</p><p>Johannes Kepler descreve a imagem invertida na retina.</p><p>Francis Bacon publica The Proficiency and Advancement of</p><p>Learning.</p><p>É fundada a Harvard College.</p><p>René Descartes, filósofo e matemático francês que propôs a</p><p>interação mente-corpo e a doutrina das ideias inatas, publica</p><p>Discurso do Método.</p><p>|ohn Locke, filósofo britânico que rejeitou a noção de ideias</p><p>inatas de Descartes e insistiu em que a mente, no nascimento,</p><p>é uma tabula rasa, publica An Essay Concerning Human</p><p>Understanding, que enfatiza o empirismo em detrimento da</p><p>especulação.</p><p>Franz Mesmer, médico austríaco, realiza sua primeira suposta</p><p>cura por meio do “ magnetismo animal” (posteriormente</p><p>denominado mesmerismo e hipnose). Em 1777, foi impedido de</p><p>praticar a medicina em Viena.</p><p>1’hllippe Pinei liberta das correntes os primeiros pacientes,</p><p>vítimas de doença mental, no asilo de Bicêtre, na França, e</p><p>defende um tratamento mais humano para os doentes mentais.</p><p>lhomas Young publica na Inglaterra A Theory of Color Vision</p><p>(sua teoria seria posteriormente chamada teoria tricromática).</p><p>Franz Joseph Gall, médico alemão, descreve a frenologia, a</p><p>crença de que 0 formato do crânio de uma pessoa revela</p><p>faculdades mentais e traços de caráter.</p><p>Ernst Heinrich Weber publica The Sense ofTouch, no qual</p><p>discute a diferença mínima percebida (DMP) e o que hoje</p><p>denominamos Lei de Weber.</p><p>Phineas Gage sofre dano cerebral grave quando uma barra de</p><p>ferro lhe perfurou acidentalmente seu cérebro, deixando</p><p>intactos seu intelecto e sua memória, mas alterando sua</p><p>personalidade.</p><p>Charles Darwin publica Sobre a Origem das Espécies por Meio</p><p>da Seleção Natural, em que sintetiza muitas obras anteriores</p><p>sobre a teoria da evolução, incluindo a de Herbert Spencer, que</p><p>cunhou a expressão “ sobrevivência do mais apto” .</p><p>Paul Broca, médico francês, descobre uma área no lobo frontal</p><p>esquerdo do cérebro (hoje chamada área de Broca), que é</p><p>fundamental para a produção da linguagem falada.</p><p>1869</p><p>1874 -</p><p>1878</p><p>1879 -</p><p>1883</p><p>1885 -</p><p>1886</p><p>1889</p><p>1890</p><p>1891</p><p>1892</p><p>1893</p><p>1894</p><p>1896</p><p>1898</p><p>Francis Galton, primo de Charles Darwin, publica Hereditary</p><p>Genius, em que alega que a inteligência é herdada. Em 1876,</p><p>cunhou a expressão “ natureza e criação” (cultura) para</p><p>corresponder a “ hereditariedade e ambiente” .</p><p>Carl Wernicke, neurologista e psiquiatra alemão, mostra que</p><p>lesão em uma área específica do lobo temporal esquerdo (hoje</p><p>denominada área de Wernicke) rompe a capacidade de</p><p>compreensão ou de produção da linguagem falada ou escrita.</p><p>G. Stanley Hall recebe 0 primeiro título de doutorado baseado</p><p>em pesquisa psicológica, concedido nos Estados Unidos, pelo</p><p>Departamento de Filosofia da Harvard University.</p><p>Wilhelm Wundt estabelece na Universidade de Leipzig,</p><p>Alemanha, 0 primeiro laboratório de Psicologia, que se tornou</p><p>uma Meca para estudantes de psicologia de todo 0 mundo.</p><p>G. Stanley Hall, discípulo de Wilhelm Wundt, estabelece o</p><p>primeiro laboratório formal de Psicologia nos EUA, na Johns</p><p>Hopkins University.</p><p>Hermann Ebbinghaus publica On Memory, em que sintetiza sua</p><p>ampla pesquisa sobre aprendizagem e memória, incluindo a</p><p>“ curva de esquecimento” .</p><p>Joseph Jastrow recebe 0 primeiro título de Doutor em Psicologia</p><p>dos Estados Unidos, concedido pelo Departamento de</p><p>Psicologia da John Hopkins University.</p><p>Alfred Binet e Henri Beaunis instalam, na Sorbonne, 0 primeiro</p><p>laboratório de Psicologia da França; realiza-se em Paris o</p><p>primeiro Congresso Internacional de Psicologia.</p><p>William James, filósofo e psicólogo da Universidade de Harvard,</p><p>publica The Principies of Psychology, descrevendo a psicologia</p><p>como “ a ciência da vida mental” .</p><p>James Mark Baldwin estabelece, na University of Toronto, o</p><p>primeiro laboratório de Psicologia do Commonwealth britânico.</p><p>G. Stanley Hall lidera a fundação da American Psychological</p><p>Association (APA) e torna-se seu primeiro presidente.</p><p>Mary Whiton Calkins (na foto) e Christine Ladd-Franklin são as</p><p>primeiras mulheres eleitas para 0 quadro de membros da APA.</p><p>Margaret Floy Washburn torna-se a primeira mulher a receber 0</p><p>grau de doutorado em Psicologia (Cornell University).</p><p>Em função do gênero, Mary Whiton Calkins tem sua admissão</p><p>recusada para a candidatura ao doutorado por Harvard, apesar</p><p>da afirmação de Hugo Münsterberg de que ela era a melhor</p><p>aluna que ele tivera.</p><p>John Dewey publica “ The Reflex Arc Concept in Psychology” ,</p><p>ajudando a formalizar a escola de psicologia denominada</p><p>funcionalismo.</p><p>Em “Animal Intelligence” , Edward L. Thorndike, da Columbia</p><p>University, descreve seus experimentos de aprendizagem com</p><p>gatos em “ caixas-problema” . Em 1905, propõe a “ lei do efeito” .</p><p>Sigmund Freud publica A Interpretação dos Sonhos, sua</p><p>principal obra teórica em psicanálise.</p><p>por Charles L. Brewer, Furman University</p><p>1905</p><p>1913</p><p>1914</p><p>1920</p><p>1921</p><p>1923</p><p>1924</p><p>1927</p><p>1929</p><p>1931</p><p>Dez fundadores estabelecem a Sociedade Britânica de</p><p>Psicologia.</p><p>Mary Whiton Calkins torna-se a primeira mulher a assumir a</p><p>presidência da APA.</p><p>Ivan Petrovich Pavlov começa a publicar estudos sobre</p><p>condicionamento em animais.</p><p>Alfred Binet e Théodore Simon produzem o primeiro teste de</p><p>inteligência para avaliar as habilidades e o progresso</p><p>acadêmico de crianças escolares parisienses.</p><p>John B. Watson descreve os princípios gerais do behaviorismo</p><p>em um artigo intitulado “ Psychology as the Behaviorist Views</p><p>It” , na Psychological Review.</p><p>Durante a Primeira Guerra Mundial, Robert Yerkes e seus</p><p>assistentes desenvolvem um teste de inteligência de aplicação</p><p>em grupo para avaliação do pessoal das forças armadas norte-</p><p>americanas, o que aumenta a aceitação pública da testagem</p><p>psicológica nos EUA.</p><p>Leta Stetter Hollingworth publica o clássico The Psychology of</p><p>Subnormal Children. Em 1921, seu nome é citado na American</p><p>Men of Science, devido à pesquisa por ela empreendida sobre</p><p>psicologia da mulher.</p><p>Francis Cecil Sumner recebe 0 grau de Doutor em Psicologia</p><p>pela Universidade de Clark, tornando-se 0 primeiro afro-</p><p>americano a obter doutorado em psicologia.</p><p>John B. Watson e Rosalie Rayner relatam terem condicionado</p><p>uma reação de medo em uma criança chamada de 0 “ Pequeno</p><p>Albert” .</p><p>Hermann Rorschach, um psiquiatra suíço, apresenta 0 teste</p><p>Rorschach das manchas de tinta.</p><p>O psicólogo do desenvolvimento, Jean Piaget, publica The</p><p>Language and Thought ofthe Child.</p><p>Mary Cover Jones relata uma reação de medo recondicionada</p><p>em uma criança (Peter), precursora da dessensibilização</p><p>sistemática desenvolvida por Joseph Wolpe.</p><p>Anna Freud publica Introduction to the Technique of Child</p><p>Analysis, em que discute a psicanálise no tratamento de crianças.</p><p>Wolfgang Kõhler publica Gestalt Psychology, que critica 0</p><p>behaviorismo e sublinha os elementos essenciais da posição e</p><p>enfoque da Gestalt.</p><p>Nos Estados Unidos, Margaret Floy Washburn torna-se a primeira</p><p>psicóloga (e a segunda cientista do sexo feminino em qualquer</p><p>disciplina) eleita para a U.S. National Academy of Sciences.</p><p>Em The Wisdom ofthe Body, Walter B. Cannon cunha o termo</p><p>homeostase, discute a resposta de luta e fuga e identifica</p><p>alterações hormonais associadas ao estresse.</p><p>1935 -</p><p>1936</p><p>1938</p><p>1939</p><p>1943</p><p>1905</p><p>1946</p><p>1948</p><p>Inez Beverly Prosser torna-se a primeira mulher afro-americana</p><p>a receber grau de doutorado em psicologia de uma instituição</p><p>americana (Ph.D., Universidade de Cincinnati).</p><p>Christiana Morgan e Henry Murray apresentam o Teste de</p><p>Apercepção Temática para evocar fantasias de pessoas que</p><p>estavam se submetendo a psicanálise.</p><p>Egas Moniz, médico português, publica um trabalho sobre a</p><p>primeira lobotomia frontal feita em humanos.</p><p>B. F. Skinner publica The Behaviorof Organisms, que descreve</p><p>o condicionamento operante</p>
<p>que se mostraram tão dis­</p><p>postos a compartilhar seu tempo e talento para me ajudar a</p><p>relatar suas pesquisas com precisão, e aos 191 professores</p><p>que dedicaram seu tempo para responder nossa pesquisa ini­</p><p>cial de coleta de informações. Também sou grato pela con­</p><p>tribuição minuciosa de três estudantes de Rick Maddigan</p><p>(Memorial University), Charles Collier, Alex Penney e Megan</p><p>Freake.</p><p>Agradeço também aos colegas que contribuíram com crí­</p><p>ticas, correções e ideias criativas relacionadas ao conteúdo,</p><p>à pedagogia e ao formato desta nova edição e seus pacotes de</p><p>suplementos. Por seu conhecimento e estímulo, e pela doa­</p><p>ção de seu tempo ao ensino da psicologia, agradeço aos revi­</p><p>sores e consultores listados a seguir.</p><p>Richard Alexander,</p><p>Muskegon Community College</p><p>Carol Anderson,</p><p>Bellevue Community College</p><p>Aaron Ashly,</p><p>Weber State University</p><p>John Baker,</p><p>University o f Wisconsin,</p><p>Stephens Point</p><p>Dave Baskind,</p><p>Delta College</p><p>Beth Lanes Battinelli,</p><p>Union County College</p><p>Alan Beauchamp,</p><p>Northern Michigan University</p><p>Brooke Bennett,</p><p>Florida State University</p><p>Sylvia Beyer,</p><p>University of Wisconsin, Parkside</p><p>Patrícia Bishop,</p><p>Cleveland State Community</p><p>College</p><p>James Bodle,</p><p>College ofM ount Saint Joseph</p><p>Linda Bradford,</p><p>Community College o f Aurora</p><p>Steve Brasel,</p><p>Moody Bible Institute</p><p>June Breninger,</p><p>Cascade College</p><p>Tom Brothen,</p><p>University o f Minnesota</p><p>Eric L. Bruns,</p><p>Campbellsville University</p><p>David Campell,</p><p>Humboldt State University</p><p>LeeAnn Cardaciotto,</p><p>La Salle University</p><p>Jill Carlivati,</p><p>George Washington University</p><p>Kenneth Carter,</p><p>Oxford College</p><p>Lorelei Carvajal,</p><p>Triton College</p><p>Sarah Caverly,</p><p>George Mason University</p><p>Clara Cheng,</p><p>American University</p><p>Jennifer Cina,</p><p>Barnard College</p><p>Virgil Davis,</p><p>Ashland Community and</p><p>Technical College</p><p>Joyce C. Day,</p><p>Naugatuck Valley Community</p><p>College</p><p>Dawn Delaney,</p><p>Madison Area Technical College</p><p>G. William Domhoff,</p><p>University o f Califórnia, Santa</p><p>Cruz</p><p>Darlene Earley-Hereford,</p><p>Southern Union State</p><p>Community College, Opelika</p><p>Kimberly Fairchild,</p><p>Rutgers University, Livingston</p><p>Pam Fergus,</p><p>Inver Hills Community College</p><p>Christopher J. Ferguson,</p><p>Texas A&M International</p><p>University</p><p>Faith Florer,</p><p>New York University</p><p>Jocelyn Folk,</p><p>Kent State University</p><p>Patrícia Foster,</p><p>Austin Community College,</p><p>Northridge</p><p>Lauren Fowler,</p><p>Weber State University</p><p>Daniel J. Fox,</p><p>Sam Houston State University</p><p>Ron Friedman,</p><p>Rochester University</p><p>Stan Friedman,</p><p>Southwest Texas State</p><p>University</p><p>Sandra Geer,</p><p>Northeastern University</p><p>Sandra Gibbs,</p><p>Muskegon Community College</p><p>Bryan Gibson,</p><p>Central Michigan University</p><p>Carl Granrud,</p><p>University o f Northern</p><p>Colorado</p><p>Laura Gruntmeir,</p><p>Redlands Community College</p><p>R. Mark Hamilton,</p><p>Chippewa Valley Technical</p><p>College</p><p>Lora Harpster,</p><p>Salt Lake Community College</p><p>Susan Harris-Mitchell,</p><p>College ofDuPage</p><p>Lesley Hathorn,</p><p>University o f Nevada, Las</p><p>Vegas</p><p>Paul Hillock,</p><p>Algonquin College</p><p>Herman Huber,</p><p>College o f Saint Elizabeth</p><p>Linda Jackson,</p><p>Michigan State University</p><p>Andrew Johnson,</p><p>Park University</p><p>Deanna Julka,</p><p>University ofPortland</p><p>Regina Kakhnovets,</p><p>Alfred University</p><p>Paul Kasenow,</p><p>Henderson Community College</p><p>Teresa King,</p><p>Bridgewater State College</p><p>Kristina Klassen,</p><p>North Idaho College</p><p>Chris Koch,</p><p>George Fox University</p><p>Daniel Kretchman,</p><p>University ofRhode Island,</p><p>F^ovidence</p><p>Jean Kubek,</p><p>New York City College o f</p><p>Technology, CUNY</p><p>Priya Lalvani,</p><p>William Patterson University</p><p>Claudia Lampman,</p><p>University ofAlaska,</p><p>Anchorage</p><p>Deb LeBlanc,</p><p>Bay Mills Community College</p><p>Don Lucas,</p><p>Northwest Vista College</p><p>Angelina MacKewn,</p><p>University ofTennessee,</p><p>Martin</p><p>Marion Mason,</p><p>Bloomsburg University o f</p><p>Pennsylvania</p><p>Sal Massa,</p><p>Marist College</p><p>Christopher May,</p><p>Carroll College</p><p>Paul Mazeroff,</p><p>McDaniel College</p><p>Donna McEwen,</p><p>Friends University</p><p>Brian Meier,</p><p>Gettysburg College</p><p>Michelle Merwin,</p><p>University ofTennessee,</p><p>Martin</p><p>Dinah Meyer,</p><p>Muskingum College</p><p>Antoinette Miller,</p><p>Clayton State University</p><p>Robin Morgan,</p><p>Indiana University, Southeast</p><p>Jeffrey Nicholas,</p><p>Bridgewater State College</p><p>Dan Patanella,</p><p>John Jay College o f Criminal</p><p>Justice, CUNY</p><p>Shirley Pavone,</p><p>Sacred Heart University</p><p>Andrew Peck,</p><p>Penn State University</p><p>Tom Peterson,</p><p>Grand View College</p><p>Brady Phelps,</p><p>South Dakota State University</p><p>Michelle Pilati,</p><p>Rio Hondo College</p><p>Ron Ponsford,</p><p>North Nazarene University</p><p>Diane Quartarolo,</p><p>Sierra College</p><p>Sharon Rief,</p><p>Logan View High School, and</p><p>Northeast Community College</p><p>Alan Roberts,</p><p>Indiana University,</p><p>Bloomington</p><p>June Rosenberg,</p><p>Lyndon State College</p><p>Nicole Rossi,</p><p>Augusta State University</p><p>Wade Rowatt,</p><p>Baylor University</p><p>Michelle Ryder,</p><p>Ashland University</p><p>Patrick Saxe,</p><p>SUNY, New Paltz</p><p>Sherry Schnake,</p><p>Saint Mary-of-the-Woods</p><p>College</p><p>Cindy Selby,</p><p>Califórnia State University,</p><p>Chico</p><p>Dennis Shaffer,</p><p>Ohio State University</p><p>Mark Sibicky,</p><p>Marietta College</p><p>Randy Simonson,</p><p>College o f Southern Idaho</p><p>David B. Simpson,</p><p>Valparaiso College</p><p>David D. Simpson,</p><p>Carroll College</p><p>Jeff Skowronek,</p><p>University o f Tampa</p><p>Todd Smith,</p><p>Lake Superior State University</p><p>Bettina Spencer,</p><p>Saint Mary's College</p><p>0 ’Ann Steere,</p><p>College ofDuPage</p><p>Barry Stennett,</p><p>Gainesville State College</p><p>Bruce Stevenson,</p><p>North Island College</p><p>Colleen Stevenson,</p><p>Muskingum College</p><p>Jaine Strauss,</p><p>Macalester College</p><p>Cynthia Symons,</p><p>Houghton College</p><p>Rachelle Tannenbaum,</p><p>Anne Arundel Community</p><p>College</p><p>Sarah Ting,</p><p>Cerritos College</p><p>Barbara Van Horn,</p><p>Indian River Community</p><p>College</p><p>Michael Verro,</p><p>Empire State College, SUNY</p><p>Craig Vickio,</p><p>Bowling Green State University</p><p>Denise Vinograde,</p><p>LaGuardia Community</p><p>College, CUNY</p><p>Joan Warmbold,</p><p>Oakton Community College</p><p>Eric Weiser,</p><p>Curry College</p><p>Diane Wille,</p><p>Indiana University Southeast</p><p>Paul Young,</p><p>Houghton College</p><p>Na Worth Publishers, muitas pessoas tiveram papel impor­</p><p>tante na criação desta nona edição.</p><p>Embora a coleta de informações nunca termine, o plane­</p><p>jamento formal começou quando a equipe de autores-edito-</p><p>res se reuniu para um retiro de dois dias em junho de 2007.</p><p>Essa reunião animada e criativa incluiu John Brink, Martin</p><p>Bolt, Thomas Ludwig, Richard Straub e eu, da equipe autoral,</p><p>além de minhas assistentes Kathryn Brownson e Sara Neevel.</p><p>Juntaram-se a nós os executivos da Worth Publishers Tom</p><p>Scotty, Elizabeth Widdicombe e Catherine Woods; os edito­</p><p>res Christine Brune, Kevin Feyen, Nancy Fleming, Tracey</p><p>Kuehn, Betty Probert e Peter Twickler; o diretor de arte Babs</p><p>Reingold; e os promotores de vendas e marketing Kate Nurre,</p><p>Tom Kling, Guy Geraghty, Sandy Manly, Amy Shefferd, Rich</p><p>Rosenlof e Brendan Baruth. As sugestões e o brainstorm</p><p>durante esse encontro deu origem, entre outras coisas, à nova</p><p>pedagogia desta edição e à revisão completa do Capítulo 3,</p><p>A Consciência e a Mente de Duas Vias.</p><p>Christine Brune, redatora chefe durante as últimas sete</p><p>edições, é uma profissional maravilhosa. Ela oferece a mis­</p><p>tura certa de incentivo, cautela, atenção aos detalhes e pai­</p><p>xão pela excelência. Um autor não poderia querer mais.</p><p>A preparadora de originais Nancy Fleming é uma daquelas</p><p>colaboradoras raras, que possui o dom tanto para “pensar</p><p>grande” sobre um capítulo - e com uma grande afinidade</p><p>espiritual comigo - quanto para aplicar toques sensíveis e</p><p>graciosos a cada linha.</p><p>O editor sênior de aquisições na área da Psicologia, Editor</p><p>Kevin Feyen, tornou-se um valioso líder de equipe, graças a</p><p>sua dedicação, criatividade e sensibilidade. A editora Cathe­</p><p>rine Woods ajudou a elaborar e a executar o planejamento</p><p>para este texto e seus suplementos. Catherine também foi de</p><p>uma firmeza valiosa durante as incontáveis decisões que</p><p>tomamos ao longo do caminho. Peter Twickler coordenou o</p><p>imenso pacote de suplementos desta edição. Betty Probert</p><p>editou e produziu com eficiência os suplementos impressos</p><p>e, no processo, auxiliou nos ajustes finais de todo o livro.</p><p>Lorraine Klimowich, com a ajuda de Greg Bennetts, forneceu</p><p>um suporte inestimável na instrução e na organização das</p><p>inúmeras revisões, dos contatos com os professores e de todas</p><p>as atividades diárias relacionadas ao desenvolvimento e à</p><p>produção do livro. Lee Mahler-McKevitt fez um trabalho</p><p>esplêndido na diagramação</p>
<p>de cada página. Bianca Mosca-</p><p>telli e Donna Ranieri trabalharam juntas para posicionar a</p><p>miríade de fotos.</p><p>O editor de gerenciamento associado Tracey Kuehn mos­</p><p>trou tenacidade, comprometimento e grande organização ao</p><p>liderar a talentosa equipe de produção artística e coordenar</p><p>o tráfego editorial durante todo o processo de produção. A</p><p>gerente de produção Sarah Segai cumpriu magistralmente o</p><p>apertado cronograma editorial e Babs Reingold com habili­</p><p>dade gerenciou a criação do novo e belíssimo projeto gráfico</p><p>e do programa de arte. A gerente de produção Stacey Alexan-</p><p>der junto com o editor de produção de suplementos Jenny</p><p>Chiu fizerem excelente trabalho na produção de diversos</p><p>suplementos.</p><p>Para alcançar nosso objetivo de apoio ao ensino da psico­</p><p>logia, esse pacote de ensino não precisava apenas ter um</p><p>autor, ser revisado, editado e produzido, mas também estar</p><p>disponível para os professores de psicologia. Pelo tremendo</p><p>sucesso em realizar essa tarefa, a equipe autoral é grata à</p><p>equipe dos profissionais de venda e marketing da Worth Publi-</p><p>sher. Somos especialmente gratos à gerente de marketing exe­</p><p>cutivo Kate Nurre, à gerente de marketing Amy Shefferd e ao</p><p>consultor nacional das áreas de economia e psicologia nacio­</p><p>nais Tom Kling, tanto por seus esforços incansáveis para infor­</p><p>mar aos colegas professores do nosso empenho em ajudá-los</p><p>no ensino, quanto pelo prazer de com eles trabalhar.</p><p>Na Hope College, os membros da equipe de apoio para</p><p>esta edição incluem Kathryn Brownson, que pesquisou inú-</p><p>meras informações, revisou centenas de páginas. Kathryn</p><p>tonou-se uma conselheira brilhante e sensível em muitas</p><p>questões, e Sara Neevel tornou-se nossa copidesque high-tech,</p><p>por excelência. Laura Myers atualizou, com citações das pági­</p><p>nas, todas as tabelas de referências cruzadas.</p><p>Uma vez mais, reconheço com gratidão a influência e a</p><p>assistência editorial de meu auxiliar de redação, o poeta Jack</p><p>Ridl, cuja influência se materializa na cadência da leitura que</p><p>você ouvirá nas páginas que se seguem. Ele, mais do que nin­</p><p>guém, cultivou meu prazer de brincar com o idioma e me</p><p>ensinou a apurar a escrita como um artesão que matiza sua</p><p>arte.</p><p>Após ouvir inúmeras pessoas afirmarem que os suplemen­</p><p>tos deste livro elevaram sua docência a um novo patamar,</p><p>penso em como sou afortunado por fazer parte de uma equipe</p><p>comprometida com os mais altos padrões de profissionalismo,</p><p>na qual todos fizeram seus trabalhos a tempo. Por seus notá­</p><p>veis talentos, pelas longas horas de dedicação e por sua ami­</p><p>zade, agradeço a Martin Bolt, John Brink, Thomas Ludwig e</p><p>Richard Straub.</p><p>Finalmente, estendo minha gratidão aos muitos estudan­</p><p>tes e professores que escreveram para oferecer sugestões ou</p><p>apenas palavras de incentivo. É para eles e para aqueles pres­</p><p>tes a começar seus estudos de psicologia, que eu fiz o melhor</p><p>que pude para apresentar essa área que amo.</p><p>O dia em que este livro foi para a gráfica foi aquele em que</p><p>eu comecei a reunir informações e ideias para a décima edi­</p><p>ção. Novamente, sua contribuição influenciará o modo como</p><p>ele continuará a evoluir. Então, por favor, compartilhe</p><p>conosco seus pensamentos.</p><p>V</p><p>Hope College</p><p>Holland, Michigan 49422-9000 USA</p><p>davidmyers.com</p><p>Encarte em Cores</p><p>As páginas que se seguem contêm um conjunto selecionado de figuras que reproduzem, em cores,</p><p>ilustrações dos seguintes capítulos:</p><p>Capítulo 2 A Biologia da Mente</p><p>Capítulo 4 A Natureza, a Cultura e a Diversidade Humana</p><p>Capítulo 5 O Desenvolvimento ao Longo do Ciclo da Vida</p><p>Capítulo 6 Sensação e Percepção</p><p>Capítulo 7 Aprendizagem</p><p>Capítulo 9 Pensamento e Linguagem</p><p>Capítulo 10 Inteligência</p><p>Capítulo 11 Motivação e Trabalho</p><p>Capítulo 12 Emoção, Estresse e Saúde</p><p>Capítulo 14 Transtornos Psicológicos</p><p>Corpo caloso:</p><p>fibras axonais conectando</p><p>os dois hemisférios</p><p>cerebrais</p><p>Tálamo: ----------------------</p><p>repassa mensagens entre</p><p>os centros inferiores do</p><p>cérebro e o córtex cerebral</p><p>Córtex cerebral:</p><p>centro de controle final</p><p>e de processamento de</p><p>informações</p><p>Córtex cerebral</p><p>Hemisfério</p><p>esquerdo</p><p>Amígdala:</p><p>ligada à</p><p>emoção</p><p>Hipocampo:</p><p>ligado à</p><p>memória</p><p>Hipotálamo: -------------------</p><p>controla funções de</p><p>manutenção como a</p><p>alimentação; ajuda a governar</p><p>o sistema endócrino; ligado</p><p>às emoções e à recompensa</p><p>Hipófise: -----------------------</p><p>glândula endõcrina mestra</p><p>Formação reticular: -----------</p><p>auxilia o controle da ativação</p><p>Bulbo:----------- -------------</p><p>controla a frequência</p><p>cardíaca e a respiração</p><p>Medula espinhal: -------------</p><p>via para as fibras neurais</p><p>que vão e vêm do cérebro;</p><p>controla reflexos simples</p><p>Sistema límbico Tronco encefálico</p><p>Cerebelo:---------------------------</p><p>coordena os movimentos</p><p>voluntários e o equilíbrio e dá</p><p>suporte à memória dos mesmos</p><p>Hemisfério</p><p>direito</p><p>> FIGURA 2 .20</p><p>Estruturas cerebrais e suas funções</p><p>Rato</p><p>Gato</p><p>Areas motoras</p><p>Áreas sensoriais</p><p>Áreas de associação</p><p>Chimpanzé</p><p>>- FIGURA 2.25</p><p>Áreas do córtex em quatro mamíferos Animais mais inteligentes têm áreas de associação ou "não compromissadas" maiores no córtex. Essas</p><p>vastas áreas do cérebro são responsáveis por integrar e atuar sobre informações recebidas e processadas por áreas sensoriais.</p><p>Humano</p><p>> FIGURA 4.5</p><p>Um cérebro treinado Uma atividade bem aprendida de bater com o dedo ativa mais</p><p>neurônios do córtex motor (área laranja, à direita) do que no mesmo cérebro antes do</p><p>treinamento (à esquerda). (De Kami et al., 1998.)</p><p>Capítulo 5 O Desenvolvimento ao Longo do Ciclo da Vida</p><p>> FIGURA 5.28</p><p>Prevendo o mal de Alzheimer Durante um teste de memória, imagens</p><p>de ressonância magnética (RM) dos cérebros de indivíduos com risco de</p><p>desenvolver o mal de Alzheimer (à esquerda) revelaram atividade mais</p><p>intensa (amarelo, seguido de laranja e vermelho), quando comparados a</p><p>cérebros normais (à direita). Uma vez que tomografias cerebrais e os testes</p><p>genéticos permitem identificar quem tende a sofrer de Alzheimer, você</p><p>gostaria de ser testado? Em que idade?</p><p>> FIGURA 6.4</p><p>O espectro de energia eletromagnética Este</p><p>espectro estende-se de raios gama, curtos como</p><p>o diâmetro de um átomo, a ondas de rádio de</p><p>mais de 1,5 quilômetro. A estreita faixa de</p><p>comprimentos de onda visível ao olho humano</p><p>(mostrada ampliada) estende-se das ondas mais</p><p>curtas, de luz azul-violeta, às mais longas, de luz</p><p>vermelha.</p><p>Comprimento de onda curto = frequência alta</p><p>(cores azuladas)</p><p>Grande amplitude</p><p>(cores brilhantes)</p><p>\Z '</p><p>Comprimento de onda longo = frequência baixa</p><p>(cores avermelhadas)</p><p>Pequena amplitude</p><p>(cores opacas)</p><p>(a) (b)</p><p>>- FIGURA 6.5</p><p>As propriedades físicas das ondas (a) As ondas variam em comprimento (a distância entre picos</p><p>sucessivos). A frequência, o número de comprimentos de onda completos que podem passar por um</p><p>ponto em um dado momento, depende do comprimento de onda. Quanto mais curto for o comprimento</p><p>de onda, mais alta a frequência, (b) As ondas também variam em amplitude (a altura do pico à parte</p><p>mais inferior). A amplitude da onda determina a intensidade das cores.</p><p>Raios l«K>tX Raios 1 Raios Radar Faixas de Circuitos</p><p>gama ultra­</p><p>violeta |</p><p>infraver­</p><p>melhos</p><p>(ransmis>âo CA</p><p>1 0 ’ 10 10 ; 10' 10’ 10' 10; 10’ 10 " 10” 10" 1C</p><p>Comprimentos de onda em nanômetros (bilionésimos de metro)</p><p>Part* do rvpcctro viifvel</p><p>a o * humanos</p><p>Faces ■ Cadeiras > F IG U R A 6.10</p><p>O cérebro avisador Olhar para faces, casas e cadeiras ativa</p><p>Casas Casas e cadeiras áreas diferentes neste cérebro cujo lado direito estamos vendo.</p><p>Cor Movimento Forma Profundidade</p><p>> F IG U R A 6.11</p><p>Processamento paralelo Estudos de</p><p>pacientes com lesões cerebrais sugerem que o</p><p>cérebro delega o trabalho de processar a cor,</p><p>o movimento, a forma e a profundidade a</p><p>áreas diferentes. Após desmembrar uma cena,</p><p>como o cérebro integra essas subdimensões</p><p>formando a imagem percebida? A resposta a</p><p>esta pergunta é o Santo Graal das pesquisas</p><p>sobre a visão.</p><p>m m 4</p><p>k l</p><p>£ v</p><p>> F IG U R A 6.13</p><p>Visão de cores deficiente Pessoas que sofrem de deficiência</p><p>de vermelho-verde têm dificuldade de perceber o número dentro</p><p>do</p>
<p>desenho.</p><p>> FIGURA 6.14</p><p>Efeito de pós-imagem Olhe para o centro da bandeira durante um minuto e</p><p>depois desvie os olhos para o ponto no espaço branco ao lado. O que você vê?</p><p>(Após exaurir a resposta neural ao preto, ao verde e ao amarelo, você deve ver as</p><p>cores oponentes.) Olhe para uma parede branca e observe como a bandeira</p><p>cresce com a distância de projeção!</p><p>Luz e sombra Objetos próximos refletem mais luz em nossos olhos.</p><p>Assim, dados dois objetos idênticos, o mais escuro parece mais</p><p>distante. A sombra também produz um sentido de profundidade</p><p>condizente com nossa pressuposição de que a luz vem de cima.</p><p>Inverta a ilustração abaixo e o orifício na fileira inferior se transformará</p><p>em uma protuberância.</p><p>>- FIGURA 6.33</p><p>Indicadores monoculares de profundidade</p><p>1</p><p>\</p><p>/</p><p>I</p><p>► FIGURA 6.37</p><p>A interação entre tamanho percebido e</p><p>distância (a) Os indicadores monoculares de distância</p><p>(como a perspectiva linear e a altura relativa) fazem o</p><p>monstro perseguidor parecer maior que o perseguido. Mas</p><p>não é. (b) Esse truque visual, chamado ilusão de Ponzo, é</p><p>baseado no mesmo princípio mostrado no caso dos</p><p>monstros fugitivos. As duas tarjas vermelhas geram</p><p>imagens de tamanhos idênticos em nossas retinas. A</p><p>experiência, porém, nos diz que um objeto mais distante</p><p>só pode criar uma imagem de mesmo tamanho que a de</p><p>um mais próximo se for de fato maior. Como resultado,</p><p>percebemos como maior a tarja que parece mais longe.</p><p>> FIGURA 6 .4 0</p><p>A cor depende do contexto Acredite ou não, os três discos azuis</p><p>são idênticos em cor.</p><p>Capítulo 7 Aprendizagem</p><p>> FIGURA 7.8</p><p>Romântico vermelho Em uma série de experimentos que controlavam outros</p><p>fatores (como o brilho da imagem), homens (mas não mulheres) acharam</p><p>mulheres mais atraentes e sexualmente desejáveis quando emolduradas em</p><p>vermelho (Elliot e Niesta, 2008).</p><p>A</p><p>B</p><p>> FIGURA 9.10</p><p>Linguagem e percepção Emre Õzgen (2004) relata que, quando as pessoas veem blocos</p><p>de cores igualmente diferentes, elas percebem aquelas com nomes diferentes como mais</p><p>diferentes. Assim, o "verde" e o "azul" no contraste A podem aparentar serem mais</p><p>diferentes do que os dois azuis similarmente diferentes no contraste B.</p><p>Capítulo 10 Inteligência</p><p>> FIGURA 10.2</p><p>A substancial substância cinzenta Uma visão frontal do cérebro</p><p>mostra algumas das áreas onde a substância cinzenta está</p><p>concentrada em pessoas que obtiveram escores altos de inteligência,</p><p>e onde o g pode, portanto, estar concentrado. (Fonte: Haier et al.,</p><p>2004.)</p><p>> FIGURA 11.4</p><p>O hipotálamo Como vimos no Capítulo 2, o hipotálamo (na cor</p><p>vermelha) realiza diversas funções de manutenção corporal, incluindo</p><p>o controle da fome. Os vasos sanguíneos alimentam o hipotálamo,</p><p>permitindo que ele responda à química atual do sangue, assim como</p><p>às informações neurais sobre o estado do corpo.</p><p>Capítulo 12 Emoção, Estresse e Saúde</p><p>> * 1</p><p>« í</p><p>i * M</p><p>líi?o l f *</p><p>l * f I</p><p>ê * H :</p><p>i í !I</p><p>>• FIGURA 12.17</p><p>A amígdala - a chave neural para a aprendizagem do medo Fibras</p><p>nervosas que saem desses nós de tecido neural, localizados em cada</p><p>lado do centro do cérebro, transmitem mensagens que controlam</p><p>frequência cardíaca, suor, hormônios do estresse, atenção e outras</p><p>engrenagens que são acionadas em situações ameaçadoras.</p><p>Estado deprimido</p><p>(17 de maio)</p><p>>- FIGURA 14.3</p><p>Um cérebro obsessivo-compulsivo O neurocientista Stefan Ursu</p><p>e seus colegas (2003) utilizaram imagens de ressonância magnética</p><p>funcional (RMf) para comparar os cérebros de indivíduos com e sem</p><p>TOC quando envolvidos em uma tarefa cognitiva desafiadora. As</p><p>imagens mostram atividade elevada no córtex cingulado anterior, na</p><p>área frontal do cérebro daqueles com TOC.</p><p>Estado maníaco</p><p>(18 de maio)</p><p>Estado deprimido</p><p>(27 de maio)</p><p>► FIGURA 14.6</p><p>Os altos e baixos do transtorno bipolar Imagens</p><p>PET mostram que o consumo de energia do cérebro</p><p>sobe e desce com as mudanças emocionais do</p><p>paciente. As áreas em vermelho são onde o órgão</p><p>consome glicose rapidamente.</p><p>&> *</p><p>Normal Homicida</p><p>> FIGURA 14.11</p><p>Mentes assassinas Estas imagens de PET da parte superior do</p><p>cérebro ilustram a ativação reduzida (menos vermelho e amarelo) no</p><p>córtex frontal de um homicida — uma área cerebral que ajuda a frear</p><p>o comportamento impulsivo e agressivo. (De Raine, 1999.)</p><p>r ^</p><p>prÓLoqo</p><p>A História da</p><p>Psicologia</p><p>0</p><p>astrônomo Owen Gingerich (2006),</p><p>de Harvard, informa que existem mais</p><p>de 100 bilhões de galáxias. Apenas</p><p>uma delas, a nossa própria e relativa­</p><p>mente minúscula Via Láctea, tem</p><p>cerca de 200 bilhões de estrelas, muitas das</p><p>quais, como o nosso Sol, são cercadas por</p><p>planetas. Na escala do espaço sideral, somos</p><p>menos do que um único grão de areia das</p><p>praias de todos os oceanos, e nosso tempo de</p><p>vida eqüivale a um nanossegundo.</p><p>Ainda assim, não há nada mais impressio­</p><p>nantemente inspirador e envolvente do que o</p><p>nosso próprio espaço interno. Nosso cérebro,</p><p>acrescenta Gingerich, “é disparado o mais</p><p>complexo objeto físico por nós conhecido em</p><p>todo o cosmos” (p. 29). Nossa consciência - a</p><p>mente surgindo, de alguma forma, da matéria</p><p>- continua a ser um mistério profundo. Nosso</p><p>pensamento, emoções e ações (e a interação</p><p>com os pensamentos, emoções e ações dos</p><p>demais) é algo que nos fascina. O espaço side­</p><p>ral nos deixa atordoados por sua enormidade,</p><p>mas o espaço interior nos encanta. Entra em</p><p>ação a ciência psicológica.</p><p>Para as pessoas cuja exposição à psicologia</p><p>se dá através dos livros populares, revistas,</p><p>TV e pela Internet, os psicólogos são pessoas</p><p>que analisam a personalidade, dão conselhos</p><p>e orientam a educação das crianças. É isso</p><p>mesmo que eles fazem? Sim, e muito mais.</p><p>Considere algumas questões da psicologia</p><p>sobre as quais volta e meia você:</p><p>• Você já se viu reagindo a alguma coisa</p><p>do mesmo jeito que um de seus pais</p><p>biológicos faria - talvez de uma forma</p><p>que você jurava que jamais faria - e</p><p>então se perguntou quanto de sua</p><p>personalidade você herdou? Até que</p><p>ponto as diferenças na personalidade das</p><p>pessoas são predispostas pelos nossos</p><p>genes? Até que ponto o são pelos</p><p>ambientes doméstico e social?</p><p>• Você já se preocupou sobre como agir</p><p>em meio a pessoas de cultura, raça ou</p><p>gênero diferentes? Como membros da</p><p>família humana, de que modos nos</p><p>assemelhamos? Como nos diferenciamos?</p><p>• Você já acordou de um pesadelo e, com</p><p>grande alívio, ficou questionando por</p><p>que teria tido um sonho tão louco? Com</p><p>que frequência, e por que, sonhamos?</p><p>• Você já brincou de “Achou!” com um</p><p>bebê de 6 meses e ficou imaginando por</p><p>que, para o bebê, o jogo é tão divertido?</p><p>O bebê reage como se você tivesse</p><p>O QUE É PSICOLOGIA?</p><p>As Raízes da Psicologia</p><p>A Ciência Psicológica</p><p>se Desenvolve</p><p>A PSICOLOGIA</p><p>CONTEMPORÂNEA</p><p>A Principal Questão</p><p>da Psicologia</p><p>O s Três Principais Níveis de</p><p>Análise da Psicologia</p><p>Subáreas da Psicologia</p><p>Em Foco: Dicas para</p><p>Estudar Psicologia</p><p>Fiz um esforço</p><p>incessante para não</p><p>ridicularizar, não</p><p>lam entar e não</p><p>desdenhar as ações</p><p>humanas, mas para</p><p>entendê-las.”</p><p>Benedito Espinosa,</p><p>Tratado Político, 1677</p><p>Um sorriso é um sorriso em</p><p>qualquer lugar do mundo. Ao</p><p>longo de todo o livro, você verá</p><p>exemplos não só de nossa</p><p>diversidade cultural e de gênero, mas</p><p>também das semelhanças que</p><p>definem a natureza humana</p><p>compartilhada por todos. Nas diversas</p><p>culturas, as pessoas sorriem em</p><p>momentos e frequência diferentes</p><p>mas um sorriso naturalmente alegre</p><p>significa a mesma coisa em qualquer</p><p>lugar do mundo.</p><p>I</p><p>realmente desaparecido quando você fica alguns</p><p>segundos atrás da porta e reaparece do nada depois. O</p><p>que, de fato, os bebês percebem e pensam?</p><p>• Você já se perguntou sobre o que leva alguém ao sucesso</p><p>acadêmico e profissional? Será que algumas pessoas</p><p>simplesmente nascem mais inteligentes? Será que apenas</p><p>a inteligência explica por que algumas pessoas ficam mais</p><p>ricas, pensam com mais criatividade ou se relacionam com</p><p>mais sensibilidade?</p><p>• Você já ficou deprimido ou ansioso e imaginou se</p><p>voltaria a se sentir “normal”? O que desencadeia nosso</p><p>bom e nosso mau humor?</p><p>Tais perguntas oferecem</p>
<p>os grãos para o moinho da psi­</p><p>cologia, porque a psicologia é uma ciência que busca res­</p><p>ponder a todos os tipos de questões sobre todos nós: como</p><p>e por que pensamos, sentimos e agimos da maneira como</p><p>fazemos.</p><p>O que É Psicologia?</p><p>As Raízes da Psicoiogia</p><p>CERTA VEZ, EM UM PLANETA neste canto do universo, sur­</p><p>giram as pessoas. Pouco tempo depois, essas criaturas ficaram</p><p>muito interessadas nelas próprias e umas nas outras. Elas se</p><p>perguntavam: "Quem somos? O que produz os nossos pensa­</p><p>mentos? Nossos sentimentos? Nossas ações? E como entendemos</p><p>e lidamos com os que estão à nossa volta?"</p><p>O Nascimento da Ciência Psicológica</p><p>1: Quando e como surgiu a ciência psicológica?</p><p>• Para auxiliar em seu aprendizado ativo,</p><p>periodicamente apresentarei objetivos de</p><p>aprendizagem. Eles serão esboçados como</p><p>perguntas a serem respondidas à medida que</p><p>você lê.</p><p>Ser humano é ser curioso sobre si mesmo e sobre o mundo</p><p>ao redor. Antes de 300 a.C., o naturalista e filósofo grego</p><p>Aristóteles teorizou sobre o processo de aprendizagem e</p><p>memória, motivação e emoção, percepção e personalidade.</p><p>Hoje em dia, achamos graça de algumas de suas suposições,</p><p>como a de que sentimos sono após uma refeição devido ao</p><p>calor e gases que se juntam em torno da fonte de nossa per­</p><p>sonalidade, o coração. Mas reconhecemos que Aristóteles fez</p><p>as perguntas certas.</p><p>Os pensamentos dos filósofos sobre o pensamento pros­</p><p>seguiram até o nascimento da psicologia como a conhece­</p><p>mos agora, em um dia de dezembro de 1879, em uma pequena</p><p>sala no terceiro andar da Universidade de Leipzig, na Alema­</p><p>nha. Ali, dois jovens auxiliavam Wilhelm Wundt, um aus­</p><p>tero professor de meia-idade, a criar um aparato experimen­</p><p>tal. Seu aparelho media o intervalo de tempo que as pessoas</p><p>levavam para pressionar um botão de telégrafo após ouvirem</p><p>uma bola bater numa plataforma (Hunt, 1993). Curiosa­</p><p>mente, as pessoas respondiam em cerca de um décimo de</p><p>segundo quando solicitadas a pressionar o botão assim que</p><p>o som ocorria - e em cerca de dois décimos quando solici­</p><p>tadas a pressionar o botão logo que tomassem consciência</p><p>de ter percebido o som. (Estar consciente da própria cons­</p><p>ciência leva um pouco mais de tempo.) Wundt pretendia</p><p>medir “os átomos da mente” - os processos mentais mais</p><p>rápidos e simples. E assim teve início o que muitos conside­</p><p>ram o primeiro experimento da psicologia, com o surgimento</p><p>do primeiro laboratório de psicologia, cuja equipe era com­</p><p>posta por Wundt e pelos primeiros estudantes graduados em</p><p>psicologia.</p><p>As fontes de informações são citadas entre</p><p>parênteses, com o nome e a data. Cada citação pode</p><p>ser encontrada nas Referências, no final do livro, com</p><p>a documentação completa que segue o estilo da</p><p>Associação Americana de Psicologia (APA -</p><p>American Psychological Association). •</p><p>Em pouco tempo, essa nova ciência da psicologia organi-</p><p>zou-se em diferentes correntes, ou escolas de pensamento,</p><p>cada uma promovida por pensadores pioneiros. Essas primei­</p><p>ras escolas incluíam o estruturalismo e o funcionalismo, des­</p><p>critos aqui, e três outras escolas descritas em capítulos mais</p><p>à frente: a psicologia da Gestalt (Capítulo 6), o behaviorismo</p><p>(Capítulo 7) e a psicanálise (Capítulo 13).</p><p>Pensando sobre a Estrutura da Mente</p><p>Logo após se tornar Ph.D., em 1892, Edward Bradford Titche­</p><p>ner, discípulo de Wundt, ingressou no corpo docente da Cor-</p><p>nell University e lançou o estruturalism o. Assim como físi­</p><p>cos e químicos discerniam a estrutura da matéria, Titchener</p><p>almejava descobrir os elementos estruturais da mente. Seu</p><p>método era engajar pessoas em introspecção autorreflexiva</p><p>(olhar para dentro de si mesmas), treinando-as para relatar</p><p>os elementos de suas experiências enquanto olhavam para</p><p>uma rosa, ouviam um metrônomo, sentiam um cheiro ou</p><p>saboreavam uma substância. Quais eram as suas sensações</p><p>imediatas, suas imagens, seus sentimentos? E como essas</p><p>sensações se relacionavam entre si? Titchener compartilhava</p><p>com o ensaísta inglês C. S. Lewis o ponto de vista de que</p><p>“existe uma coisa, e só uma coisa em todo o universo sobre</p><p>a qual sabemos mais do que podemos aprender por meio da</p><p>observação externa”. Essa coisa, disse Lewis, somos nós mes­</p><p>mos. “Nós temos, por assim dizer, informações privilegia­</p><p>das*" (1960, pp. 18-19).</p><p>c Por todo o livro, os conceitos mais importantes</p><p>aparecem em negrito. À medida que você for</p><p>estudando, encontrará esses termos com suas</p><p>definições próximo à margem e no Glossário ao final</p><p>do livro.</p><p>Lamentavelmente, introspecção requeria pessoas inteli­</p><p>gentes com habilidades verbais. E também se mostrou em</p><p>parte não confiável, com seus resultados variando de pessoa</p><p>para pessoa e de experiência para experiência. Além disso,</p><p>com frequência, simplesmente não sabemos por que senti­</p><p>mos o que sentimos e por que fazemos o que fazemos. Estu­</p><p>dos recentes indicam que as pessoas em suas lembranças cos­</p><p>tumam errar. É o que ocorre com autorrelato de alguém sobre</p><p>o que o levou a ajudar ou ferir outra pessoa (Myers, 2002).</p><p>À medida que ocorria o declínio da introspecção, o mesmo</p><p>sucedia ao estruturalismo.</p><p>*lnside informations: a expressão traduzida perde o duplo significado de</p><p>interno e privilegiado. (N.R.)</p><p>Pensando sobre as Funções da Mente</p><p>I 'Você não conhece a própria mente."</p><p>Janathan Swift,</p><p>A C onversação Polida, 173B</p><p>contrário daqueles que esperam compor a estrutura da</p><p>r.ente a partir de simples elementos - o que seria muito pare-</p><p>:?do com tentar compreender o funcionamento de um carro</p><p>íxaminando suas peças soltas o filósofo e psicólogo William</p><p>im es achou mais proveitoso levar em consideração as fun-</p><p>;c<s de nossos pensamentos e nossos sentimentos. Perceber</p><p>-■ odores é o que faz o nariz; pensar é o que faz o cérebro.</p><p>V.as por que o nariz e o cérebro fazem essas coisas? Sob a</p><p>irSuência do teórico evolucionista Charles Darwin, James</p><p>rcesumiu que o pensamento, assim como o olfato, se desen-</p><p>H -.eu porque era adaptativo - contribuiu para a sobrevivên-</p><p>.i de nossos ancestrais. A consciência tem uma função. Ela</p><p>i r: possibilita refletir sobre o nosso passado, nos ajustarmos</p><p>l- circunstâncias presentes e planejar nosso futuro. Como</p><p>funcionalista, James incentivou a exploração das emoções,</p><p>K j lembranças, da força de vontade, dos hábitos e dos fluxos</p><p>st consciência momento a momento de modo pragmático.</p><p>o estru tu ra lism o fo i uma das prim eiras escolas da</p><p>psico log ia e usou a in trospecção para exp lo rar os</p><p>e lem entos estrutura is da m ente humana.</p><p>o func iona lism o fo i uma escola da psico log ia vo ltada</p><p>para o func ionam ento de nossos processos m entais e</p><p>com portam enta is - com o eles perm item nossa</p><p>adaptação, sobrevivência e crescim ento.</p><p>O maior legado de James, no entanto, não veio do seu</p><p>laboratório, mas de seus ensinamentos em Harvard e de seus</p><p>escritos. Quando não estava incomodado por problemas de</p><p>5aúde e depressão, James era um homem espirituoso, alegre</p><p>e sociável, que certa vez lembrou: “a primeira conferência</p><p>sobre psicologia a que assisti foi a primeira que eu fiz”.</p><p>Durante uma de suas animadas conferências, um estudante</p><p>interrompeu e pediu-lhe que falasse a sério (Hunt, 1993).</p><p>Segundo relatos, foi um dos primeiros professores norte-ame-</p><p>ricanos a solicitar que os alunos avaliassem seus ensinamen­</p><p>tos no fim do curso. Amava seus alunos, sua família e o</p><p>mundo das ideias, mas estava cansado das tarefas repetitivas,</p><p>tais como revisão de texto. “Não me mande revisões!”, disse</p><p>certa vez a um editor. “Eu as devolverei sem abrir e nunca</p><p>mais falarei com você” (Hunt, 1993, p. 145).</p><p>James mostrou a mesma coragem em 1890, quando - igno­</p><p>rando as objeções do reitor de Harvard - admitiu Mary Calkins</p><p>em seu seminário de pós-graduação (Scarborough & Furu-,</p><p>moto, 1987). (Naquela época, as mulheres não tinham sequer</p><p>o direito de votar.) Quando Calkins entrou, os outros estu­</p><p>dantes, todos homens, abandonaram o curso. Então James</p><p>deu aula particular para ela. Posteriormente, ela atingiu todos</p><p>os requisitos para um Ph.D. em</p>
<p>Harvard, com média supe­</p><p>rior a todos os estudantes do sexo masculino nos exames eli­</p><p>minatórios. Lamentavelmente, Harvard negou a ela o título</p><p>acadêmico que merecera, oferecendo-lhe em troca um diploma</p><p>da Radcliffe College, sua escola coligada de graduação, des­</p><p>tinada às mulheres. Calkins resistiu ao tratamento desigual</p><p>e recusou o diploma. (Mais de um século depois, psicólogos</p><p>e estudantes de psicologia fariam um lobby para que Harvard</p><p>outorgasse o título póstumo de Ph.D. que ela mereceu [Femi-</p><p>nist Psychologist, 2002]). Não obstante, Calkins tornou-se</p><p>uma notável pesquisadora no campo da rrlemória e a primeira</p><p>mulher a presidir a American Psychological Association</p><p>(APA), em 1905.</p><p>Quando Harvard negou a Calkins o primeiro Ph.D. em</p><p>psicologia concedido a uma mulher, a honra ficou para Mar-</p><p>garet Floy Washburn, que mais tarde escreveu um livro</p><p>influente, The Animal Mind (A Mente Animal), e tornou-se</p><p>a segunda mulher a presidir a APA, em 1921. Embora a tese</p><p>de Washburn tenha sido o primeiro estudo estrangeiro que</p><p>Wundt publicou em seu periódico, o fato de ser mulher sig­</p><p>nificava que ela fora impedida de participar da organização</p><p>de psicólogos experimentais fundada por Titchener, seu pró­</p><p>prio orientador (Johnson, 1997). (Que mundo diferente do</p><p>passado recente - 1996 a 2009 - , em que as mulheres rece­</p><p>beram dois terços ou mais dos novos títulos de Ph.D. em psi­</p><p>cologia e foram seis dos treze presidentes eleitos da Associa­</p><p>tion for Psichological Science. No Canadá e na Europa, tam­</p><p>bém, os doutorados mais recentes em psicologia foram con­</p><p>quistados por mulheres.)</p><p>A influência de James foi ainda além, com dezenas de seus</p><p>artigos sendo bem aceitos, o que fez o editor Henry Holt ofe-</p><p>recer-lhe um contrato para a publicação de um livro didático</p><p>sobre a nova ciência da psicologia. James aceitou e começou</p><p>o trabalho em 1878, com um pedido de desculpas por solici­</p><p>tar dois anos para terminar o livro. O trabalho mostrou ser</p><p>uma tarefa inesperadamente árdua, que lhe custou 12 anos.</p><p>(Por que isso não me surpreende?) Mais de um século depois,</p><p>as pessoas ainda leem seu Principies o f Psychology (Princípios</p><p>de Psicologia) e ficam maravilhadas com o brilhantismo e a</p><p>elegância com que James apresentou a psicologia ao público</p><p>instruído.</p><p>A Ciência Psicológica se Desenvolve</p><p>2 : Como a psicologia tem-se desenvolvido</p><p>dos anos 1920 até hoje?</p><p>A então recém-criada ciência da psicologia se desenvolveu a</p><p>partir de campos mais estabelecidos da filosofia e da biologia.</p><p>Wundt era tanto filósofo como fisiologista. James era um</p><p>filósofo norte-americano. Ivan Pavlov, pioneiro no estudo da</p><p>aprendizagem, era um fisiologista russo. Sigmund Freud, que</p><p>desenvolveu uma influente teoria da personalidade, era um</p><p>Sigmund Freud As controvertidas ideias desse famoso teórico e</p><p>terapeuta influenciaram a autocompreensão humana.</p><p>médico austríaco. Jean Piaget, o observador de crianças mais</p><p>influente do século passado, era um biólogo suíço. Essa lista</p><p>de psicólogos pioneiros - os “Magalhães da mente”, como</p><p>Morton Hunt (1993) os chamou - ilustra as origens da psi­</p><p>cologia em muitas disciplinas e países.</p><p>O resto da história da psicologia - o tema deste livro - se</p><p>desenvolve ao longo de muitos níveis. Com atividades que vão</p><p>desde o estudo da atividade da célula nervosa até o estudo de</p><p>conflitos internacionais, a psicologia não é fácil de definir.</p><p>Nos primórdios da psicologia, Wundt e Titchener focali­</p><p>zaram sensações internas, imagens, e sentimentos. James</p><p>também engajou-se no exame introspectivo do fluxo de cons­</p><p>ciência e de emoção. Freud enfatizou como as respostas emo­</p><p>cionais às experiências da infância e os nossos processos de</p><p>pensamento inconscientes afetam nosso comportamento.</p><p>Por isso, até a década de 1920, a psicologia era definida como</p><p>“a ciência da vida mental”.</p><p>Da década de 1920 à de 1960, os psicólogos norte-america­</p><p>nos, inicialmente guiados pelo pomposo e provocador John B.</p><p>Watson e mais tarde pelo igualmente provocador B. F. Skinner,</p><p>abandonaram a introspecção e redefiniram a psicologia como</p><p>“o estudo científico do comportamento observável”. Afinal,</p><p>disseram esses behavioristas, a ciência está radicada na obser­</p><p>vação. Não se pode observar uma sensação, um sentimento ou</p><p>um pensamento, mas pode-se observar e registrar o comporta­</p><p>mento das pessoas enquanto elas respondem a diferentes situ­</p><p>ações. (Mais sobre esses psicólogos no Capítulo 7.)</p><p>A psicologia hum anista voltou-se contra a psicologia</p><p>freudiana e o behaviorismo. Os pioneiros Carl Rogers e</p><p>Abraham Maslow consideravam demasiado mecanicista o</p><p>foco do behaviorismo nos comportamentos aprendidos. Em</p><p>vez de se concentrarem nos significados das memórias da</p><p>infância, como faria um psicanalista, os psicólogos huma­</p><p>nistas enfatizavam a importância das influências do ambiente</p><p>atual sobre nosso potencial de crescimento e a importância</p><p>de se atender às nossas necessidades de amor e aceitação.</p><p>(Mais sobre isso no Capítulo 13.)</p><p>behaviorismo é a visão de que a psicologia (1) deve ser</p><p>uma ciência objetiva que (2) estuda o comportamento</p><p>sem referências aos processos mentais. A maioria dos</p><p>psicólogos atuais concorda com (1) mas não com (2).</p><p>psicologia humanista é uma perspectiva</p><p>historicamente significativa que enfatizou o potencial de</p><p>crescimento de pessoas saudáveis e o potencial do</p><p>indivíduo para o crescimento pessoal.</p><p>neurociência cognitiva é o estudo interdisciplinar das</p><p>atividades do cérebro vinculadas à cognição (incluindo</p><p>a percepção, o pensamento, a memória e a linguagem).</p><p>Na década de 1960, surgiu outro movimento quando a</p><p>psicologia começou a retomar seu interesse inicial pelos pro­</p><p>cessos mentais. Essa revolução cognitiva defendia ideias desen­</p><p>volvidas por psicólogos anteriores, tais como a importância</p><p>de como nossa mente processa e retém as informações. Mas</p><p>a psicologia cognitiva e, mais recentemente, a neurociência</p><p>cognitiva (o estudo da atividade cerebral vinculada à ativi­</p><p>dade mental) ampliou essas ideias para a exploração cientí­</p><p>fica das maneiras como as informações são percebidas, pro­</p><p>cessadas e lembradas. Essa abordagem foi especialmente bené­</p><p>fica para ajudar a desenvolver novas maneiras de compreen­</p><p>der e tratar transtornos como a depressão, conforme veremos</p><p>nos Capítulos 14 e 15.</p><p>Para englobar a preocupação da psicologia com o compor­</p><p>tamento observável e com os pensamentos internos e senti­</p><p>mentos, atualmente definimos a psicologia como a ciência</p><p>do comportamento e dos processos mentais.</p><p>Vamos esclarecer essa definição. Comportamento é qualquer</p><p>coisa que um organismo faz - qualquer ação que podemos</p><p>observar e registrar. Gritar, sorrir, piscar, suar, falar e respon­</p><p>der a um questionário são todos comportamentos observáveis.</p><p>Processos mentais são as experiências internas e subjetivas que</p><p>inferimos a partir do comportamento - sensações, percepções,</p><p>sonhos, pensamentos, crenças e sentimentos.</p><p>A palavra-chave na definição de psicologia é ciência. A psi- /</p><p>cologia, como enfatizarei ao longo de todo este livro, é mais</p><p>um modo de fazer e responder perguntas do que um conjunto</p><p>de descobertas. Meu objetivo neste livro, portanto, não é sim­</p><p>plesmente relatar os resultados, mas também mostrar como os</p><p>psicólogos jogam seu jogo. Você verá como os pesquisadores</p><p>avaliam ideias e opiniões conflitantes. E aprenderá como todos</p><p>nós, cientistas ou simples curiosos, podemos pensar com mais</p><p>sagacidade ao descrever e explicar os eventos de nossa vida.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> Pergunte a Si Mesmo</p><p>Como você acha que a psicologia pode mudar se mais</p><p>pessoas de países não ocidentais contribuírem com suas</p><p>ideias para a área?</p><p>> T este a S í M esmo 1</p><p>Que evento definiu a fundação da psicologia científica?</p><p>As respostas às questões “Teste a Si Mesmo" podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B, no final do livro.</p><p>• As seções “Antes de Prosseguir...” aparecerão no</p><p>final de cada seção principal do texto. As questões</p><p>"Pergunte a Si Mesmo” ajudarão a tornar o material</p><p>mais significativo</p>
<p>para sua própria vida (e, portanto,</p><p>mais fácil de ser lembrado). Se você for capaz de</p><p>responder às questões "Teste a Si Mesmo”, que</p><p>revisam os pontos principais da seção anterior,</p><p>estará de fato pronto para avançar! Você pode</p><p>conferir suas respostas às questões “Teste a Si</p><p>Mesmo” no Apêndice B, no final do livro.</p><p>A Psicologia Contemporânea</p><p>ASSIM COMO SEUS PIONEIROS, OS PSICÓLOGOS DE</p><p>HOJE são cidadãos de diversos países. A União Internacional</p><p>da Ciência Psicológica conta com 69 países membros, da</p><p>Albânia ao Zimbábue. Em quase todos os lugares, o quadro</p><p>de associados em sociedades de psicologia está se multipli­</p><p>cando - de 4.183 membros e afiliados da American Psycho­</p><p>logical Association em 1945 para cerca de 150.000 atual­</p><p>mente, com crescimento rápido similar na British Psycholo­</p><p>gical Society (Sociedade Britânica de Psicologia) (de 1.100</p><p>para 45.000). Na China, o primeiro departamento universi­</p><p>tário de psicologia foi criado em 1978; em 2008, eram 200</p><p>(Tversky, 2008). Em todo o mundo, cerca de 500.000 pes­</p><p>soas se graduaram em psicologia, e 130.000 delas pertencem</p><p>a organizações de psicologia europeias (Tikkanen, 2001).</p><p>Além disso, graças a publicações e congressos internacionais,</p><p>reuniões conjuntas e à Internet, colaboração e comunicação</p><p>atravessam as fronteiras como nunca antes. “Estamos cami­</p><p>nhando rapidamente em direção a um único mundo da ciên­</p><p>cia da psicologia”, disse Robert Bjork (2000). A psicologia</p><p>está crescendo e se globalizando.</p><p>Os psicólogos ao redor do mundo estão debatendo ques­</p><p>tões de longa data, vendo o comportamento a partir de dife­</p><p>rentes perspectivas, possibilitadas pelas subáreas nas quais</p><p>lecionam, trabalham e realizam pesquisas.</p><p>A Principal Questão da Psicologia</p><p>3 : Qual é a principal questão histórica da psicologia?</p><p>Em sua curta história, a psicologia se viu às voltas com algu­</p><p>mas questões que serão retomadas ao longo de todo este livro.</p><p>A principal e mais persistente, entretanto, (e o assunto do</p><p>Capítulo 4) é a questão da natureza/cultura* - a contro­</p><p>vérsia sobre as contribuições relativas da biologia e da experiência.</p><p>As origens desse debate são antigas. Será que nossos traços</p><p>humanos se desenvolvem por intermédio da experiência, ou</p><p>já nascemos com eles? O filósofo grego Platão (428-348 a.C.)</p><p>achava que o caráter e a inteligência eram predominantemente</p><p>herdados e que certas ideias também são inatas. Aristóteles</p><p>(384-322 a.C.) contrapunha-se, afirmando que não havia</p><p>nada na mente que não tivesse vindo primeiro do mundo</p><p>exterior por meio dos sentidos. No século XVII, os filósofos</p><p>europeus reacenderam o debate. John Locke rejeitou a noção</p><p>de ideias inatas, sugerindo que a mente é uma folha em branco</p><p>sobre a qual se escrevem as experiências. René Descartes dis­</p><p>cordou, acreditando que algumas ideias são inatas.</p><p>Dois séculos mais tarde, os conceitos de Descartes ganharam</p><p>o apoio de um naturalista curioso. Em 1831, um estudante não</p><p>muito aplicado, mas ardente colecionador de besouros, molus­</p><p>cos e conchas, zarpou a caminho do que se revelou ser uma jor­</p><p>nada histórica ao redor do mundo. Esse viajante de 22 anos era</p><p>Charles Darwin e durante algum tempo avaliou as incríveis</p><p>variações de espécies por ele encontradas, incluindo tartarugas</p><p>em uma ilha que diferiam das de outras ilhas da região. Sua</p><p>obra A origem das espécies, de 1859, explicava essa diversidade</p><p>de vida propondo o processo evolucionário de seleção natural:</p><p>a partir das variações aleatórias nos organismos, acreditava ele,</p><p>a natureza seleciona os traços que melhor capacitam um orga­</p><p>nismo a sobreviver e se reproduzir em um determinado ambiente.</p><p>O princípio de Darwin da seleção natural - “a melhor e mais</p><p>simples ideia que alguém já teve”, segundo o filósofo Daniel</p><p>Dennett (1996) - ainda persiste entre nós quase 150 anos depois</p><p>como um princípio organizador da biologia. A evolução tam­</p><p>bém se tornou um importante princípio para a psicologia do</p><p>século XXI. Isso certamente teria agradado a Darwin, pois ele</p><p>acreditava que sua teoria explicava não só as estruturas animais</p><p>(tais como a pelagem branca do urso-polar), mas também os</p><p>comportamentos animais (tais como as expressões emocionais</p><p>associadas ao desejo e à raiva humanos).</p><p>O debate natureza/cultura traça uma linha desde o passado</p><p>distante dos gregos até o nosso tempo. Os psicólogos de hoje</p><p>dão prosseguimento ao debate perguntando, por exemplo:</p><p>• Quais são as semelhanças (resultantes de nossa biologia</p><p>e história evolutiva em comum) e diferenças</p><p>(resultantes de nossos ambientes diferentes) entre os</p><p>humanos?</p><p>• As diferenças de gênero são biologicamente predispostas</p><p>ou socialmente construídas?</p><p>• A gramática das crianças é em grande parte inata ou</p><p>formada pela experiência?</p><p>• Como as diferenças em inteligência e personalidade são</p><p>influenciadas pela hereditariedade e pelo meio ambiente?</p><p>• Os comportamentos sexuais são “empurrados” pela</p><p>biologia interna ou “puxados” pelos incentivos externos?</p><p>• Devemos tratar os transtornos psicológicos - depressão,</p><p>por exemplo - como um transtorno do cérebro, um</p><p>transtorno do pensamento ou ambos?</p><p>a psicologia é a ciência do comportamento e dos</p><p>processos mentais.</p><p>a questão da natureza/cultura é uma antiga</p><p>controvérsia sobre as contribuições relativas dos genes</p><p>e da experiência para o desenvolvimento dos traços</p><p>psicológicos e dos comportamentos. A ciência atual vê</p><p>os traços e os comportamentos surgindo da interação</p><p>entre a natureza e a cultura.</p><p>a seleção natural é o princípio de que, entre a gama de</p><p>variações de traços herdados, aqueles que contribuem</p><p>para a reprodução e sobrevivência têm maiores chances</p><p>de ser transmitidos para as gerações posteriores.</p><p>Esse debate continua. Contudo, veremos reiteradamente</p><p>que na ciência contemporânea a tensão entre a natureza e a</p><p>cultura se dissolve: a cultura (o adquirido) trabalha sobre o que</p><p>a natureza (o inato) oferece. Nossa espécie é biologicamente</p><p>dotada de uma enorme capacidade de aprendizagem e de</p><p>adaptação. Além do mais, todo evento psicológico (cada pen­</p><p>samento, cada emoção) é simultaneamente um evento bio­</p><p>lógico. Portanto, a depressão pode ser as duas coisas: um</p><p>transtorno do pensamento e um transtorno do cérebro.</p><p>Os Três Principais Níveis de</p><p>Análise da Psicologia</p><p>4 : Quais são os níveis de análise da psicologia</p><p>e as perspectivas a eles relacionadas?</p><p>Cada um de nós é um sistema complexo que é parte de um</p><p>sistema social ainda maior. Mas cada um de nós também é</p><p>composto de sistemas menores, tais como sistema nervoso e</p><p>órgãos corporais, os quais, por sua vez, são compostos por</p><p>sistemas ainda menores - células, moléculas e átomos.</p><p>Esses sistemas diversos sugerem diferentes níveis de aná­</p><p>lise, os quais oferecem visões complementares. É como expli­</p><p>car o motivo pelo qual os ursos-pardos hibernam. É porque a</p><p>hibernação auxiliou seus antepassados a sobreviver e se repro­</p><p>duzir? Por que sua fisiologia interna os leva a fazer isso? Por­</p><p>que o ambiente frio dificulta a coleta de alimento durante o</p><p>inverno? Todas essas perspectivas são complementares, pois</p><p>“tudo está relacionado a tudo o mais” (Brewer, 1996). Juntos,</p><p>os diferentes níveis de análise formam uma abordagem biop­</p><p>sicossocial integrada, que considera as influências dos fato­</p><p>res biológicos, psicológicos e socioculturais (FIGURA 1).</p><p>Cada nível possibilita um excelente ponto de observação</p><p>do comportamento, ainda que, isoladamente, cada um deles</p><p>seja incompleto. Assim como as diversas disciplinas acadê­</p><p>micas, as diversas perspectivas da psicologia fazem diferentes</p><p>perguntas e possuem seus próprios limites. Uma perspectiva</p><p>pode enfatizar o nível biológico, ou psicológico ou sociocul-</p><p>tural, em detrimento do outro, mas as diferentes visões, des­</p><p>critas na TABELA 1 são complementares. Considere, por</p><p>exemplo, como cada uma vislumbra a raiva.</p><p>níveis de análise os diferentes pontos de vista</p><p>--------------------------- complementares, incluindo as perspectivas biológica,</p><p>* 0 trocadilho nature » nurture desaparece na tradução</p>
<p>para o português. psicológica e sociocultural, para analisar um fenômeno</p><p>(N.R.) determinado.</p><p>Influências biológicas:</p><p>• seleção natural de traços aaaptativos</p><p>• predisposições genética</p><p>respondendo ao ambiente</p><p>• mecanismos cerebrais</p><p>• influências hormonais</p><p>influências psicológicas:</p><p>• medos aprendidos e outras expectativas</p><p>aprendidas</p><p>• respostas emocionais</p><p>• processamento cognitivo e</p><p>interpretações perceptuais</p><p>Comportamento</p><p>ou processo mental</p><p>í</p><p>Influências socioculturais:</p><p>• presença de outras pessoas</p><p>• expectativas culturais, sociais e familiares</p><p>• influências de pares e de outros grupos</p><p>• modelos impostos (como na mídia)</p><p>► F IG U R A 1</p><p>Abordagem Biopsicossocial Esse ponto de vista integrado incorpora vários níveis de análise e oferece um quadro mais completo de qualquer</p><p>comportamento ou processo mental determinados.</p><p>abordagem biopsicossocial uma abordagem integrada</p><p>que incorpora os níveis de análise biológico, psicológico</p><p>e sociocultural.</p><p>Alguém trabalhando a partir de uma perspectiva da</p><p>neurociência pode estudar os circuitos cerebrais que</p><p>causam o “rubor na face” e o “calor no pescoço”.</p><p>Alguém trabalhando a partir de uma perspectiva</p><p>evolucionista pode analisar como a raiva facilitou a</p><p>sobrevivência dos genes de nossos ancestrais.</p><p>« Alguém trabalhando a partir de uma perspectiva genético-</p><p>behaviorista pode estudar como a hereditariedade e a</p><p>experiência influenciam nossas diferenças de</p><p>temperamento.</p><p>• Alguém trabalhando a partir de uma perspectiva</p><p>psicodinâmica pode encarar um acesso de raiva como um</p><p>a maneira de extravasar a hostilidade inconsciente.</p><p>• Alguém trabalhando a partir de uma perspectiva</p><p>behaviorista pode tentar estabelecer quais são os estímulos</p><p>externos que deflagram as reações de raiva ou agressivas.</p><p>P e r s p e c t iv a s A t u a is d a P s ic o l o g ia</p><p>Perspectiva Foco Exemplos de questões</p><p>Neurociência Como o corpo e o cérebro ativam as emoções,</p><p>as memórias e as experiências sensoriais</p><p>Como as mensagens são transmitidas dentro do corpo? Como</p><p>a química do sangue está ligada ao humor e às motivações?</p><p>Evolucionismo Como a seleção natural dos traços promoveu</p><p>a sobrevivência dos genes</p><p>Como a evolução influencia as tendências de comportamento?</p><p>Genética comportamental Até que ponto os genes e o ambiente</p><p>influenciam nossas diferenças individuais</p><p>Até que ponto os traços psicológicos, como inteligência,</p><p>personalidade, orientação sexual e vulnerabilidade à depressão,</p><p>podem ser atribuídos aos nossos genes? E ao ambiente?</p><p>Psicodinâmica Como o comportamento surge dos fatores e</p><p>conflitos inconscientes</p><p>Como os traços e transtornos da personalidade de uma pessoa</p><p>podem ser explicados em termos de fatores sexuais e</p><p>agressivos ou como efeitos disfarçados de desejos não</p><p>realizados e traumas da infância?</p><p>Behaviorismo Como aprendemos a partir de respostas</p><p>observáveis</p><p>Como aprendemos a temer objetos ou situações específicos?</p><p>Qual a maneira mais eficaz de alterar nosso comportamento,</p><p>digamos, para emagrecer ou parar de fumar?</p><p>Cognitiva Como codificamos, processamos,</p><p>armazenamos e recuperamos informações</p><p>Como usamos as informações para lembrar? Raciocinar?</p><p>Resolver problemas?</p><p>Sociocultural Como o comportamento e o pensamento</p><p>variam diante das situações e culturas</p><p>Como nos assemelhamos enquanto membros de uma única</p><p>família humana? Enquanto produtos de diferentes contextos</p><p>ambientais, como nos diferenciamos?</p><p>• Alguém trabalhando a partir de uma perspectiva cognitiva</p><p>pode estudar como a nossa interpretação de uma situação</p><p>afeta nossa raiva e como a raiva afeta nosso pensamento.</p><p>• Alguém trabalhando a partir de uma perspectiva</p><p>sociocultural pode explorar como as expressões da raiva</p><p>variam nos diferentes contextos culturais.</p><p>Lembre-se de que: como a percepção bidimensional de um</p><p>objeto tridimensional, cada uma das perspectivas da psico­</p><p>logia tem sua utilidade. Mas cada uma, por si só, é incapaz</p><p>de revelar o quadro completo.</p><p>Portanto, é preciso ter em mente os limites da psicologia.</p><p>Não se pode esperar respostas para as questões fundamen­</p><p>tais, como as feitas pelo romancista russo Leon Tolstoi (1904):</p><p>“Por que viver? Por que fazer qualquer coisa? Existe alguma</p><p>finalidade na vida que a morte inevitável que nos aguarda</p><p>não vá desfazer e destruir?” Em vez disso, considere que a</p><p>psicologia nos ajuda a compreender por que as pessoas pen­</p><p>sam, sentem e agem da maneira como o fazem. Assim, você</p><p>vai perceber que o estudo da psicologia é fascinante e útil.</p><p>Subáreas da Psicologia</p><p>5 : Quais são as principais subáreas da psicologia?</p><p>Ao imaginar um químico no trabalho, você provavelmente</p><p>visualizaria um cientista de jaleco branco cercado de recipien­</p><p>tes de vidro e equipamentos de alta tecnologia. Imagine um</p><p>psicólogo no trabalho e você estaria certo se pensasse em</p><p>• um cientista de jaleco branco investigando o cérebro de</p><p>um rato.</p><p>• um pesquisador da inteligência avaliando a rapidez com</p><p>que uma criança perde o interesse (desvia o olhar) por</p><p>uma fotografia que lhe é familiar.</p><p>• um executivo avaliando um novo programa de</p><p>treinamento sobre “estilos de vida saudáveis” para</p><p>empregados.</p><p>• alguém ao teclado de um computador analisando dados</p><p>sobre se o temperamento dos adolescentes adotados se</p><p>parece mais com o temperamento de seus pais adotivos</p><p>ou com o de seus pais biológicos.</p><p>• um terapeuta ouvindo atentamente os pensamentos de</p><p>um cliente deprimido.</p><p>• um viajante visitando outra cultura para coletar dados</p><p>sobre as variações dos valores e dos comportamentos</p><p>humanos.</p><p>• um professor ou escritor compartilhando as glórias da</p><p>psicologia com outras pessoas.</p><p>O conjunto de subáreas do que denominamos psicologia</p><p>apresenta menos unidade do que a maioria das ciências. Mas</p><p>há uma compensação: a psicologia é um campo de encontro</p><p>de diferentes disciplinas. “A psicologia é um ponto central</p><p>da disciplina científica”, afirma o presidente da Association</p><p>for Psychological Science John Cacioppo (2007). É, portanto,</p><p>o lugar perfeito para aqueles que têm amplos interesses. Em</p><p>suas diversas atividades, que vão desde experimentação bio­</p><p>lógica até comparações culturais, a tribo de psicologia é unida</p><p>por uma questão comum: descrever e explicar o comporta­</p><p>mento e a mente subjacente a ele.</p><p>Alguns psicólogos realizam a pesquisa básica, que cons­</p><p>trói a base do conhecimento da psicologia. Nas páginas a</p><p>seguir, vamos encontrar uma ampla variedade de tais pesqui­</p><p>sadores; incluindo</p><p>• Psicobiologistas explorando os elos entre o cérebro e a</p><p>mente.</p><p>• Psicólogos do desenvolvimento estudando nossas</p><p>habilidades mutáveis desde o útero até o túmulo.</p><p>• Psicólogos cognitivos fazendo experiências sobre o modo</p><p>como percebemos, pensamos e resolvemos problemas.</p><p>• Psicólogos que estudam a personalidade investigando</p><p>nossos traços persistentes.</p><p>• Psicólogos sociais explorando como nos vemos e</p><p>afetamos mutuamente.</p><p>Esses psicólogos também podem conduzir pesquisas apli­</p><p>cadas que abordam problemas práticos. Assim fazem outros</p><p>psicólogos, incluindo os psicólogos industriais/organizacionais,</p><p>que usam conceitos e métodos da psicologia em locais de tra­</p><p>balho para ajudar organizações e companhias a selecionar e</p><p>treinar os empregados, elevar o moral e a produtividade, criar</p><p>produtos e implementar sistemas.</p><p>Embora a maioria dos livros didáticos de psicologia foque</p><p>a ciência psicológica, a psicologia também é uma profissão</p><p>de ajuda e se dedica a questões práticas tais como ter um</p><p>casamento feliz, superar a ansiedade ou a depressão e criar</p><p>filhos saudáveis. O que a psicologia faz de melhor enquanto</p><p>ciência é basear essas intervenções em evidências eficazes. Os</p><p>Psicólogos de aconselhamento ajudam as pessoas a lidar</p><p>com os desafios e com as crises (incluindo questões acadê­</p><p>micas, vocacionais e conjugais) e a melhorar seu funciona­</p><p>mento social e pessoal. Os psicólogos clínicos avaliam e</p><p>tratam transtornos mentais, emocionais e comportamentais</p><p>(APA, 2003). Tanto os psicólogos de aconselhamento quanto</p><p>os clínicos aplicam e interpretam testes,</p>
<p>aconselham e apli­</p><p>cam terapia e, algumas às vezes, também realizam pesquisa</p><p>básica e aplicada. Por sua vez, os psiquiatras, que com fre­</p><p>quência aplicam psicoterapia, são médicos e têm licença para</p><p>prescrever medicamentos e, de outra maneira, tratar as cau­</p><p>sas físicas dos transtornos psicológicos. (Nos EUA, alguns</p><p>psicólogos clínicos estão fazendo lobby para terem o mesmo</p><p>direito de prescrever medicamentos ligados à saúde mental,</p><p>e em 2002 e 2004, os estados do Novo México e de Louisiana</p><p>tornaram-se os primeiros a conceder esse direito a psicólogos</p><p>especialmente treinados e licenciados.)</p><p>• Quer aprender mais? Consulte o Apêndice A,</p><p>Carreiras na Psicologia, no final do livro para obter</p><p>mais informações sobre as subáreas da psicologia e</p><p>para aprender sobre as diversas opções interessantes</p><p>disponíveis a bacharéis, mestres e doutores em</p><p>psicologia. •</p><p>“Uma vez expandida para as dimensões de uma ideia</p><p>mais ampla, [a mente] jam ais retorna ao seu tamanho</p><p>original."</p><p>Oliver Wendell Holrnes, 1B09-1B94</p><p>pesquisa básica é a ciência pura que visa aumentar a</p><p>base do conhecimento científico.</p><p>pesquisa aplicada é o estudo científico que visa</p><p>solucionar problemas práticos.</p><p>aconselhamento psicológico é um ramo da psicologia</p><p>que ajuda as pessoas com problemas na vida (muitas</p><p>vezes relacionados a escola, trabalho ou casamento)</p><p>para que obtenham um maior bem-estar.</p><p>psicologia clínica é um ramo da psicologia que</p><p>estuda, avalia e trata pessoas com transtornos</p><p>psicológicos.</p><p>psiquiatria é um ramo da medicina que lida com os</p><p>transtornos psicológicos; é praticada por médicos que</p><p>por vezes provêm tratamento médico (prescrevendo</p><p>drogas, por exemplo) assim como terapia psicológica.</p><p>Com as perspectivas variando do biológico ao social, em</p><p>locais que variam do laboratório à clínica, a psicologia se</p><p>relaciona a muitos campos do saber, indo desde a matemá­</p><p>tica, a biologia e a sociologia até a filosofia. E, cada vez mais,</p><p>as descobertas e os métodos da psicologia auxiliam outras</p><p>disciplinas. Os psicólogos ensinam em escolas de medicina,</p><p>de direito e em seminários teológicos, e trabalham em hos­</p><p>pitais, fábricas e escritórios. Eles se empenham em estudos</p><p>interdisciplinares, tais como a psico-história (a análise psi­</p><p>cológica dos personagens históricos), a psicolinguística (o</p><p>estudo da linguagem e do pensamento) e a psicocerâmica (o</p><p>estudo dos excêntricos).1</p><p>A psicologia também influencia a cultura moderna. O</p><p>conhecimento nos transforma. Aprender sobre o sistema solar</p><p>e sobre a teoria dos germes das doenças altera o modo como</p><p>as pessoas pensam e agem. Aprender as descobertas da psi­</p><p>cologia também muda as pessoas: elas não julgam tanto os</p><p>transtornos psicológicos como falhas morais, tratáveis com</p><p>1 Confissão: Escrevi a última parte dessa frase no dia 1“ de abril.</p><p>punições e ostracismo. Cada vez menos consideram e tratam</p><p>as mulheres como seres mentalmente inferiores aos homens.</p><p>Praticamente não veem e nem criam as crianças como ani­</p><p>mais ignorantes e obstinados que precisam ser domesticados.</p><p>“Em cada caso”, observa Morton Hunt (1990, p. 206), “o</p><p>conhecimento modificou atitudes e, por meio delas, o com­</p><p>portamento.” Quando se toma consciência das ideias bem</p><p>pesquisadas da psicologia - sobre como o corpo e a mente se</p><p>conectam, como a mente de uma criança se desenvolve, como</p><p>construímos nossas percepções, como recordamos (e recor­</p><p>damos erroneamente) nossas experiências, como as pessoas</p><p>são diferentes (e parecidas) em todo o mundo . a mente</p><p>pode nunca mais ser a mesma.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> Pergunte a Si Mesmo</p><p>Quando você se inscreveu nesse curso, o que achava que era</p><p>a psicologia?</p><p>> Teste a Si Mesmo 2</p><p>Quais são os principais níveis de análise da psicologia?</p><p>Respostas às questões “Teste a Si Mesmo” podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B no final do livro.</p><p>Dicas para Estudar Psicologia</p><p>6: Como os princípios da psicologia podem</p><p>ajudar você em seus estudos?</p><p>O investim ento que você está fazendo ao estudar psicologia</p><p>deve enriquecer sua vida e am pliar sua visão. Embora muitas</p><p>questões s ign ifica tivas da vida estejam além da psicologia,</p><p>algumas m uito im portantes são esclarecidas até pelo prim eiro</p><p>curso de psicologia. Por m eio de trabalhosas pesquisas, os</p><p>psicólogos adqu iriram insights do cérebro e da mente, dos</p><p>sonhos e da m emória, da depressão e da alegria. Mesmo as</p><p>questões não respondidas podem nos enriquecer, ao renova­</p><p>rem nosso senso de m istério sobre "coisas m uito m aravilho­</p><p>sas” que ainda estão po r ser com preend idas po r nós. Seu</p><p>estudo da psicologia pode ajudar você a aprender como fazer</p><p>e responder perguntas im portantes - com o pensar c r it ic a ­</p><p>m ente enquanto avalia ideias e afirm ativas concorrentes.</p><p>Ter sua vida enriquecida e sua visão ampliada (e conseguir</p><p>boas notas) requer aplicação nos estudos. Como você verá no</p><p>Capítulo 8, para dom inar informações você precisará processá-</p><p>las ativamente. Sua m ente não é com o seu estômago, que é</p><p>preenchido passivamente; ela se parece mais com um músculo</p><p>que fica mais fo rte com exercícios. Experim entos incontáveis</p><p>revelam que as pessoas aprendem e recordam m elhor as maté­</p><p>rias quando as colocam em suas próprias palavras, repassam-</p><p>nas e depois as releem e as repassam novamente.</p><p>O m é tod o de es tudo SQ 3 R in co rp o ra esses p rinc íp ios</p><p>(Robinson, 1970). SQ3R é uma sigla em inglês para c inco eta­</p><p>pas: Survey (Pesquisar), Question (P ergun ta r), R ea d (Ler),</p><p>Rehearse (Repassar), Review (Revisar).</p><p>Para estudar um capítulo, prim eiro pesquise, adotando uma</p><p>perspectiva geral. Percorra os títu los e observe com o o capí­</p><p>tu lo é organizado.</p><p>A o se preparar para ler cada seção, use o títu lo ou ob je tivo</p><p>de aprendizagem para elaborar uma pergunta para você res­</p><p>ponder. Para esta seção, você pode te r se perguntado, “Como</p><p>posso dom inar de maneira efic iente e efetiva as inform ações</p><p>deste livro?” .</p><p>Depois, leia, p rocurando a tivam en te a resposta. A cada</p><p>seção de estudos, leia apenas o tan to que você é capaz de</p><p>absorver sem se cansar (norm alm ente uma única seção p rin ­</p><p>cipal). Leia ativa e criticam ente. Faça perguntas. Faça anota­</p><p>ções. Reflita sobre as implicações: de que m odo o que você</p><p>leu se re laciona com sua própria vida? Será que desafia ou</p><p>apoia suas suposições? As evidências são convincentes?</p><p>Após ler toda a seção, repasse, com suas próprias palavras,</p><p>aquilo que você leu. Teste seu conhecim ento procurando res­</p><p>ponder sua pergunta, repassando aquilo que consegue lem ­</p><p>brar e depois vo ltando a consulta r o que não lembrou.</p><p>Por fim , reveja: leia as notas que você fez, novam ente com</p><p>uma visão geral sobre a organ ização do cap ítu lo e rap ida­</p><p>m ente reveja o capítu lo por inteiro.</p><p>Pesquisar, perguntar, ler, repassar, revisar. O rganizei este</p><p>liv ro em capítu los para fac ilita r o uso do sistema de estudo</p><p>SQ3R. Cada capítu lo começa com um resumo que ajuda em</p><p>sua pesquisa. Os títu los e questões do ob je tivo de aprendiza­</p><p>gem sugerem temas e conceitos que devem ser considerados</p><p>durante sua leitura. O m aterial é organ izado em seções com</p><p>tam anhos viáveis para a leitura. Ao final de cada seção, há um</p><p>boxe com o títu lo "Antes de Prosseguir...” com questões "Per­</p><p>gunte a Si Mesmo” e “Teste a Si Mesmo” que ajudam a repas­</p><p>sar o que você sabe. A Revisão do capítu lo responde às ques­</p><p>tões do ob je tivo de aprendizagem , e a lista de term os-chave</p><p>ajuda a con fe rir seu dom ín io sobre os conceitos mais im por­</p><p>tantes. Pesquisar, perguntar, ler...</p><p>C inco outras dicas podem auxiliar um pouco mais a sua</p><p>aprendizagem :</p><p>Distribua seu tem po de estudo. Uma das descobertas mais</p><p>antigas da psicologia é que a prática espaçada é m elhor para</p><p>( C o n t in u a )</p><p>a fixação do aprendizado do que a prática concentrada. Você</p><p>recordará m elhor a m atéria se d iv id ir o seu tem po em vários</p><p>períodos de estudo - ta lvez uma hora por dia, seis dias por</p><p>semana - em vez de estudar um dia in te iro sem</p>
<p>parar. Por</p><p>exem plo, em vez de ten ta r ler o cap ítu lo in te iro de uma só</p><p>vez, leia apenas uma das seções do capítu lo e depois vá fazer</p><p>ou tra coisa.</p><p>Espaçar suas sessões de estudo requer uma abordagem</p><p>d isc ip linada para ge renc iar seu tem po . (R ichard O. S traub</p><p>exp lica o gerenc iam ento do te m p o no Guia de Estudo que</p><p>acom panha este tex to .)</p><p>Aprenda a pensar criticamente. Quer você esteja lendo ou</p><p>assistindo a uma aula, observe as pressuposições e valores</p><p>das pessoas. Que perspectiva ou tendências estão por trás de</p><p>um argum ento? Avalie as evidências. É anedótico? Corre la­</p><p>cionai? Experim ental? Avalie as conclusões. Existem exp lica­</p><p>ções alternativas?</p><p>Em sala de aula, ouça ativamente. Ouça as ideias p rinc i­</p><p>pais e subideias de uma exposição. Escreva-as. Faça pergun­</p><p>tas du ran te e depo is da aula. Na aula, assim com o em seu</p><p>estudo particular, processe as inform ações ativam ente, para</p><p>com preender e reter melhor. Como o psicólogo W illiam James</p><p>advertiu há um século: "Não há recepção sem reação, nem</p><p>impressão sem... expressão."</p><p>Repita o processo exaustivamente. A psicologia nos diz</p><p>que a repetição melhora a retenção. É com um superestim ar­</p><p>mos o nosso conhecim ento. Você pode entender um capítu lo</p><p>enquanto o lê, mas, ao dedicar um tem po extra para relê-lo,</p><p>para testar a si mesmo e rever o que acha que sabe, en ten­</p><p>derá m elhor a m atéria e reterá o seu novo conhecim ento por</p><p>mais tem po.</p><p>Use a inteligência para fazer suas provas. Se a prova contém</p><p>questões de múltipla escolha e uma dissertativa, faça primeiro a</p><p>dissertativa. Leia a questão atentamente, percebendo exatamente</p><p>o que o professor está pedindo. No verso da página, faça a lápis</p><p>uma lista dos pontos relevantes e organize-os. Antes de escre­</p><p>ver, ponha a dissertação de lado e trabalhe nas questões de múl­</p><p>tipla escolha. (Enquanto faz isso, continue a pensar na questão</p><p>dissertativa. Às vezes as questões objetivas trazem à mente pen­</p><p>samentos pertinentes.) Depois, releia a questão dissertativa, rea­</p><p>valie sua resposta e comece a escrever. Quando terminar, revise</p><p>seu trabalho para eliminar erros gramaticais e ortográficos que</p><p>o façam parecer menos competente do que é. Ao ler as questões</p><p>de múltipla escolha, não se confunda tentando imaginar o que</p><p>pode estar certo em cada uma. Em vez disso, tente responder à</p><p>questão como se fosse um preenchimento de lacunas. Primeiro,</p><p>cubra as respostas, lembre-se do que você sabe e com plete a</p><p>sentença mentalmente. Depois leia as respostas e encontre a</p><p>alternativa que melhor corresponde à sua resposta.</p><p>À m edida que fo r estudando psicologia, você aprenderá</p><p>m uito mais do que técnicas de estudo efetivas. A psicologia</p><p>aprofunda nosso entendim ento sobre com o nós humanos per­</p><p>cebem os, pensamos, sentim os e agim os. Ao fazer isso, ela</p><p>enriquece nossas vidas e am plia nossa com preensão. Com</p><p>este livro, espero estar ajudando a orien tá -lo para esse fim.</p><p>Como disse o professor Charles Eliot há cem anos: "Os livros</p><p>são os am igos mais qu ie tos e mais constantes, e os mais</p><p>pacientes professores.’’</p><p>SQ3R é um m étodo de estudo que incorpora cinco etapas:</p><p>Survey (Pesquisar), Question (Perguntar), Read (Ler), Rehe-</p><p>arse (Repassar), Review (Revisar).</p><p>r e v i s ã o d o c a p í t u l o : A História da Psicologia</p><p>1: Quando e como surgiu a ciência psicológica?</p><p>A ciência psicológica teve seu início moderno com o</p><p>primeiro laboratório psicológico, fundado em 1879 pelo</p><p>filósofo e fisiologista alemão Wilhelm Wundt, e com os</p><p>trabalhos posteriores de outros acadêmicos de diversas</p><p>outras disciplinas e de diferentes países.</p><p>2 : Como a psicologia tem-se desenvolvido dos anos</p><p>1920 até hoje?</p><p>Começou como uma “ciência da vida mental”. Na década</p><p>de 1920, a psicologia evoluiu, como o “estudo científico do</p><p>comportamento observável”. Após a redescoberta da mente,</p><p>desde a década de 1960, a psicologia foi predominantemente</p><p>definida como a ciência do comportamento e dos processos</p><p>mentais.</p><p>A Psicologia Contem porânea</p><p>3 : Qual é a principal questão histórica da psicologia?</p><p>A principal e mais persistente questão da psicologia refere-</p><p>se às contribuições relativas e inter-relações entre as</p><p>influências da natureza (genes) e da cultura (todas as</p><p>demais influências, da concepção até a morte). A ciência</p><p>atual enfatiza a interação dos genes e das experiências em</p><p>ambientes específicos.</p><p>4: Quais são os níveis de análise da psicologia e as</p><p>perspectivas a eles relacionadas?</p><p>A abordagem biopsicossocial integra as informações nos</p><p>níveis de análise biológico, psicológico e sociocultural. Os</p><p>psicólogos estudam os comportamentos humanos e os</p><p>processos mentais de diferentes perspectivas, (incluindo</p><p>neurociências, psicologia evolucionista, genética</p><p>comportamental, perspectivas psicodinâmicas,</p><p>comportamentais cognitivas e socioculturais).</p><p>5 : Quais são as principais subáreas da psicologia?</p><p>As subáreas da psicologia abrangem a pesquisa básica</p><p>(muitas vezes realizada por psicólogos do desenvolvimento,</p><p>cognitivos, da personalidade e sociais e ligados à biologia),</p><p>pesquisa aplicada (algumas vezes realizada por psicólogos do</p><p>trabalho e/ou organizacionais), e ciência clínica e</p><p>aplicações (o trabalho de aconselhamento psicológico e de</p><p>psicólogos clínicos). Os psicólogos clínicos estudam, avaliam</p><p>e tratam (pela psicoterapia) pessoas com transtornos</p><p>psicológicos. Os psiquiatras também estudam, avaliam e</p><p>tratam pessoas com transtornos, mas na condição de</p><p>médicos, podem prescrever drogas, além da prática</p><p>psicoterapêutica.</p><p>6 : Como os princípios psicológicos podem ajudar você</p><p>em seus estudos?</p><p>Uma pesquisa demonstrou que o aprendizado e a memória</p><p>são melhorados pelo estudo ativo. O método de estudo</p><p>SQ3R - survey (pesquisar), question (perguntar), read (ler),</p><p>rehearse (repassar) e review (revisar) - aplica os princípios</p><p>surgidos dessa pesquisa.</p><p>Termos e Conceitos para Lembrar</p><p>estruturalismo questão da natureza/cultura : pesquisa aplicada</p><p>funcionalismo seleção natural : aconselhamento psicológico</p><p>behaviorismo níveis de análise : psicologia clínica</p><p>psicologia humanista abordagem biopsicossocial : psiquiatria</p><p>neurociência cognitiva pesquisa básica i SQ3R</p><p>psicologia</p><p>CapÍTULO 1</p><p>Pensando</p><p>Criticamente com a</p><p>Ciência Psicológica</p><p>Na esperança de satisfazer a curiosidade</p><p>sobre as pessoas em geral e de reme­</p><p>diar os próprios infortúnios, milhões</p><p>de pessoas recorrem à “psicologia".</p><p>Elas ouvem programas de aconselha­</p><p>mento no rádio, leem artigos sobre poderes</p><p>mediúnicos, participam de seminários que</p><p>ensinam a parar de fumar por meio da hip­</p><p>nose e devoram livros de autoajuda que abor­</p><p>dam o significado dos sonhos, o caminho</p><p>para o êxtase amoroso e as origens da felici­</p><p>dade pessoal.</p><p>Outras, intrigadas com as alegações da ver­</p><p>dade psicológica, questionam: Será que o vín­</p><p>culo entre mães e bebês acontece nas primei­</p><p>ras horas depois do nascimento? Devemos</p><p>confiar nas lembranças de abuso sexual na</p><p>infância que são “recuperadas” na idade</p><p>adulta - e processar o suposto agressor? Os</p><p>primogênitos são mais propensos ao êxito? A</p><p>caligrafia oferece pistas sobre a personali­</p><p>dade? A psicoterapia cura?</p><p>Diante desses questionamentos, como</p><p>podemos separar opiniões sem fundamento</p><p>de conclusões criteriosas? Como usar a psico­</p><p>logia da melhor form a para entender por que as</p><p>pessoas pensam, sentem e agem do modo como</p><p>o fazem?</p><p>A Necessidade da</p><p>Ciência Psicológica</p><p>1: Por que as respostas oriundas de</p><p>um enfoque científico são mais</p><p>confiáveis do que as baseadas</p><p>na intuição e no senso comum?</p><p>ALGUMAS PESSOAS AFIRMAM que a psico­</p><p>logia simplesmente documenta e reveste em</p><p>jargão aquilo que as pessoas já sabem: “Então</p><p>o que há de novo - você é pago para usar</p><p>métodos extravagantes com o intuito de pro­</p><p>var o que minha avó já sabia?” Outras acre­</p><p>ditam na intuição humana: “Lá no fundo de</p><p>cada um de nós, há um conhecimento ins­</p><p>tintivo, baseado no coração, que representa</p><p>para nós - caso permitamos - o guia mais</p><p>confiável”, afirm ou</p>
<p>o príncipe Charles</p><p>(2000). “Sei que não há provas que demons­</p><p>trem que a pena de morte tenha um efeito</p><p>dissuasor”, teria dito George W. Bush (1999)</p><p>quando foi governador do Texas, “mas eu</p><p>simplesmente sinto, no meu íntimo, que isso</p><p>é verdade.” “Costumo agir conforme minha</p><p>intuição, confio nos meus instintos”, disse o</p><p>ex-presidente ao explicar para Bob Woodward</p><p>(2002) sua decisão de iniciar a guerra do Ira­</p><p>que.</p><p>Não falta companhia para o príncipe</p><p>Charles nem para o ex-presidente Bush. Uma</p><p>longa lista de livros populares de psicologia</p><p>estimula as pessoas na direção da “adminis­</p><p>tração intuitiva”, “negociação intuitiva”,</p><p>“cura intuitiva” e muito mais. Atualmente,</p><p>a ciência psicológica de fato documenta uma</p><p>vasta mente intuitiva. Como veremos, nosso</p><p>pensamento, memória e atitudes funcionam</p><p>em dois níveis, consciente e inconsciente,</p><p>com a maior parte funcionando automatica­</p><p>mente, nos bastidores. Como um Jumbo, voa­</p><p>mos a maior parte do tempo no piloto auto­</p><p>mático.</p><p>Assim, será inteligente darmos ouvido à</p><p>nossa sabedoria interna, simplesmente con­</p><p>fiar na nossa “força interior”? Ou deveríamos</p><p>submeter nossos impulsos intuitivos com</p><p>mais frequência ao escrutínio cético?</p><p>Isso parece ser o mais certo. A intuição é</p><p>importante, mas muitas vezes subestimamos</p><p>seus perigos. Minha intuição geográfica me</p><p>diz que o Reno fica a leste de Los Angeles, que</p><p>A NECESSIDADE DA</p><p>CIÊNCIA PSICOLÓGICA</p><p>Será que Sabemos Tudo</p><p>de Antemão? O Viés</p><p>Retrospectivo</p><p>Confiança Excessiva</p><p>A Atitude Científica</p><p>O Pensamento Crítico</p><p>C O M O OS PSICÓLOGOS</p><p>FORMULAM PERGUNTAS</p><p>E RESPOSTAS?</p><p>O Método Científico</p><p>Descrição</p><p>Correlação</p><p>Experimentação</p><p>RACIOCÍNIO ESTATÍSTICO</p><p>NO DIA A DIA</p><p>A Descrição dos Dados</p><p>Fazendo Inferências</p><p>PERGUNTAS FREQÜENTES</p><p>SOBRE PSICOLOGIA</p><p>Roma fica ao sul de Nova York e que Atlanta fica a leste de</p><p>Detroit. Mas estou errado, errado e errado.</p><p>“Aquele que conüa no próprio coração é um tolo."</p><p>Provérbios. 28:26</p><p>"Nossa vida ê voltada para o futuro, mas o entendimento</p><p>vem do passada."</p><p>Seren Kierkegaard. filósofo. 1813-1855</p><p>“Tudo parece ser um lugar-comum, depois de explicado."</p><p>Dr. Watson para Sherlock Holmes</p><p>viés retrospectivo é a tendência a acreditar, após</p><p>conhecer o desfecho de uma situação, que aquilo</p><p>poderia ter sido previsto. (Também conhecido como o</p><p>fenômeno do “ eu já sabia” )</p><p>Os capítulos à frente mostrarão experimentos que indi­</p><p>cam a tendência das pessoas em superestimar suas capacida­</p><p>des de detectar mentiras com precisão, a exatidão de suas</p><p>lembranças de fatos dos quais foram testemunhas oculares,</p><p>a capacidade de avaliar entrevistados, previsões de riscos e</p><p>seus talentos financeiros na escolha de ações. “O princípio</p><p>número 1”, segundo Richard Feynman (1997), “é que você</p><p>não deve enganar a si mesmo - e você é a pessoa mais fácil</p><p>de ser enganada.”</p><p>De fato, observou Madeleine L’Engle, “O intelecto nu é</p><p>um instrumento extraordinariamente impreciso” (1973).</p><p>Dois fenômenos - o viés retrospectivo e os julgamentos super-</p><p>confiantes - ilustram por que não podemos confiar unica­</p><p>mente na intuição e no senso comum.</p><p>Será que Sabemos Tudo de</p><p>Antemão? O Viés Retrospectivo</p><p>É muito fácil parecer astuto quando se desenha o centro do</p><p>alvo depois de a flecha ter sido disparada. Após a primeira</p><p>torre do World Trade Center ter sido atingida no dia 11 de</p><p>setembro de 2001, os comentaristas disseram que a segunda</p><p>torre tinha que ter sido imediatamente evacuada (só mais</p><p>tarde ficou óbvio que não fora um acidente). Depois de a</p><p>ocupação do Iraque pelos EUA resultar numa guerra civil em</p><p>vez de conduzir a uma pacífica democracia, os comentaristas</p><p>afirmaram que aquele resultado era inevitável. Antes de a</p><p>invasão ser lançada, esses resultados não tinham nada de</p><p>óbvio: ao votarem autorizando a invasão, a maioria dos sena­</p><p>dores dos EUA não antecipou o caos que pareceria tão previ­</p><p>sível em retrospectiva. Descobrir que algo aconteceu faz com</p><p>que o acontecimento pareça inevitável, uma tendência que</p><p>chamamos de viés retrospectivo (também conhecida como</p><p>o fenômeno do “eu já sabia!".</p><p>É fácil demonstrar esse fenômeno: apresente à metade dos</p><p>membros de um grupo alguma suposta descoberta psicoló­</p><p>gica e à outra metade um resultado oposto. Diga ao primeiro</p><p>grupo: “Os psicólogos descobriram que a separação enfra­</p><p>quece a atração romântica. Como diz o ditado, ‘longe dos</p><p>olhos, longe do coração’.” Peça a eles que imaginem por que</p><p>isso pode ser verdade. A maioria das pessoas irá considerar</p><p>essa descoberta verdadeira e não surpreendente.</p><p>Diga ao segundo grupo o oposto: “Os psicólogos descobri­</p><p>ram que a separação fortalece a atração romântica. Como diz</p><p>o ditado, ‘só damos valor a algo quando o perdemos’.” Os par­</p><p>ticipantes também considerarão esse resultado fácil de explicar</p><p>e a maioria concordará que se trata de senso comum, nada</p><p>surpreendente. Obviamente, há um problema quando uma</p><p>suposta descoberta e seu oposto parecem senso comum.</p><p>Tais erros em nossas lembranças e explicações mostram por</p><p>que precisamos da pesquisa psicológica. As vezes, simplesmente</p><p>perguntar às pessoas como e por que elas sentiram ou agiram</p><p>de determinada maneira pode levar a uma afirmação falsa -</p><p>não porque o senso comum esteja em geral errado, mas porque</p><p>descreve o que aconteceu com mais facilidade do que o que está</p><p>por vir. Como o médico Neills Bohr supostamente disse: "Pre­</p><p>visões são muito difíceis, especialmente sobre o futuro.”</p><p>O viés retrospectivo é um fenômeno disseminado. Cerca</p><p>de 100 estudos o observaram em diversos países, tanto entre</p><p>crianças quanto em adultos (Blank et al., 2007). Mesmo</p><p>assim, a intuição da vovó é sempre certa. Como disse Yogi</p><p>Berra certa vez: “Você pode perceber muito observando.”</p><p>(Temos outras pérolas para agradecer a Berra, tais como:</p><p>“Ninguém nunca vem aqui - é muito cheio" e “Se as pessoas</p><p>não querem ir ao campo de beisebol, ninguém vai impedi-</p><p>las”.) Como somos todos observadores do comportamento,</p><p>seria uma surpresa se muitas das descobertas da psicologia</p><p>não tivessem sido previstas. Muitas pessoas acreditam que o</p><p>amor traz felicidade, e estão certas (nós temos o que o Capí­</p><p>tulo 11 chama de uma profunda “necessidade de pertencer”).</p><p>De fato, como observam Daniel Gilbert, Brett Pelham e Dou­</p><p>glas Krull (2003), “as boas ideias da psicologia geralmente</p><p>são estranhamente familiares, e no momento em que nos</p><p>deparamos com elas sentimos a certeza de que já estivemos</p><p>muito próximos de pensar a mesma coisa e simplesmente</p><p>não nos ocorreu escrever”. Boas ideias são como boas inven­</p><p>ções, uma vez criadas, parecem óbvias. (Por que levou tanto</p><p>tempo para que alguém inventasse as malas com rodinhas,</p><p>ou os adesivos Post-It®?)</p><p>Algumas vezes, porém, a intuição da vovó, informada por</p><p>incontáveis observações casuais, se engana. Em capítulos mais</p><p>adiante, veremos como a pesquisa reverteu ideias populares</p><p>- de que a familiaridade leva ao desprezo, de que os sonhos</p><p>predizem o futuro e de que as reações emocionais coincidem</p><p>com o período menstruai. (Consulte também a TABELA 1.1.)</p><p>Veremos também como ela nos surpreendeu com descober­</p><p>tas sobre os mensageiros químicos do cérebro controlando</p><p>nosso humor e nossas memórias, sobre as habilidades dos</p><p>animais e sobre os efeitos do estresse em nossa capacidade</p><p>de lutar contra a doença.</p><p>Soluções de anagramas divertidos de Wordsmith.org:</p><p>Elvis = lives (Elvis = vive)</p><p>Dormitory = dirty room (dormitório = quarto sujo)</p><p>Slot machines = cash lost in ’em (caça-níqueis =</p><p>grana perdida neles)</p><p>“Não gostamos do som deles. Grupos com guitarras estão</p><p>com os dias contados."</p><p>Decca Records, ao recusar um contrato de</p><p>gravação com os Beatles em 1962</p><p>TABELA 1.1</p><p>V e r d a d e ir o o u F a l s o ?</p><p>As pesquisas psicológicas discutidas nos próximos capítulos confirmam ou refutam cada uma dessas afirmações (adaptadas parcialmente de</p><p>Fumham et al., 2003). Você pode predizer quais dessas ideias populares foram confirmadas e quais foram refutadas? (Confira suas respostas</p><p>no final da tabela.)</p><p>1. Se quiser ensinar</p>
<p>em animais.</p><p>Louis L. Thurstone publica Primary Mental Abiiities, em que</p><p>propõe sete dessas habilidades.</p><p>Ugo Cerletti e Lucino Bini fazem uso do tratamento com</p><p>eletrochoque em um paciente humano.</p><p>David Wechsler publica o teste de inteligência Wechsler-</p><p>Bellevue, precursor da Escala Wechsler de Inteligência para</p><p>Crianças (WISC) e da Escala Wechsler de Inteligência para</p><p>Adultos (WAIS).</p><p>Mamie Phipps Clark (na foto) recebe grau de Mestre da Howard</p><p>University. A pesquisa para sua tese, “ The Development of</p><p>Consciousness of Self in Negro Preschool Children” , foi</p><p>ampliada em colaboração com Kenneth B. Clark, e o trabalho</p><p>dos dois foi citado em 1954 na decisão da Suprema Corte</p><p>americana pelo fim da segregação racial nas escolas públicas.</p><p>Edward Alexander Bott, ajuda a fundar a Canadian Psychological</p><p>Association. Ele torna-se 0 primeiro presidente em 1940.</p><p>A Segunda Guerra Mundial proporciona muitas oportunidades</p><p>para que os psicólogos aumentem a popularidade e a influência</p><p>da psicologia, especialmente em áreas aplicadas.</p><p>0 psicólogo Starke Hathaway e 0 médico J. Charnley McKinley</p><p>publicam 0 Inventário Multifásico de Personalidade de</p><p>Minnesota (MMPI).</p><p>Karen Horney, que criticou a teoria freudiana do</p><p>desenvolvimento sexual da mulher, publica Our InnerConflicts.</p><p>Benjamin Spock publica a primeira edição de The Commonsense</p><p>Book ofBabyand Child Care; 0 livro influenciará a educação das</p><p>crianças na América do Norte por várias décadas.</p><p>Alfred Kinsey e colegas publicam Sexual Behavior in the Human</p><p>Male e, em 1953, Sexual Behavior in the Human Female.</p><p>B. F. Skinner publica Walden Two, romance que retrata uma</p><p>comunidade utópica baseada no reforço positivo, tornando-se</p><p>0 paradigma da aplicação de princípios psicológicos na vida em</p><p>comunidade.</p><p>Ernest R. Hilgard publica Theories of Learning, leitura</p><p>obrigatória para várias gerações de estudantes de Psicologia</p><p>na América do Norte.</p><p>Raymond B. Cattell publica 0 Questionário dos Dezesseis</p><p>Fatores da Personalidade (16 FP).</p><p>Continua</p><p>1 9 4 9 -</p><p>1950</p><p>{T 9 5 1</p><p>1952</p><p>1953 H</p><p>1954 -</p><p>1956</p><p>0 psicólogo canadense Donald O. Hebb publica The Organization of</p><p>Behavior: A Neuropsychological Theory, em que descreve uma nova</p><p>e influente conceitualização do funcionamento do sistema nervoso.</p><p>Solomon Asch publica estudos sobre os efeitos de conformidade</p><p>nos julgamentos sobre o comprimento da linha.</p><p>Em Childhood and Society, Erik Erikson esboça suas fases do</p><p>desenvolvimento psicossocial.</p><p>Carl Rogers publica Client-Centered Therapy.</p><p>A Associação Americana de Psiquiatria publica 0 Diagnostic and</p><p>Statistical Manual of Mental Disorders, um livro influente que será</p><p>atualizado periodicamente.</p><p>Eugene Aserinski e Nathaniel Kleitman descrevem os movimentos</p><p>oculares rápidos (REM) que ocorrem durante o sono.</p><p>Janet Taylor publica a “ Manifest Anxiety Scale” no Journal of</p><p>Abnormal Psychology.</p><p>Abraham Maslow publica Motivation and Personality, em que</p><p>propõe uma hierarquia de motivos, que vão das necessidades</p><p>fisiológicas à autorrealização. (Mais tarde, Maslow atualizou a</p><p>hierarquia incluindo as necessidades de transcendência pessoal.)</p><p>James Olds e Peter Milner, neuropsicólogos da McGilI University,</p><p>descrevem efeitos recompensadores da estimulação elétrica no</p><p>hipotálamo de ratos.</p><p>Gordon Allport publica The Nature ofPrejudice.</p><p>George Miller publica, na Psychological Review, um artigo intitulado</p><p>“ The Magical Number Seven, Plus or Minus Two: Some Limits on Our</p><p>Capacity for Processing Information” , no qual cunha 0 termo chunk</p><p>(aglomerado) para os pesquisadores da memória.</p><p>Robert Sears, Eleanor Maccoby e Harry Levin publicam Patterns of</p><p>Child Rearing.</p><p>Charles Ferster e B. F. Skinner publicam Schedules ofReinforcement.</p><p>Noam Chomsky publica uma revisão crítica de Verbal Behavior, de B.</p><p>F. Skinner, no periódico intitulado Language.</p><p>Eleanor Gibson e Richard Walk publicam “ The Visual C liff” , em que</p><p>relatam pesquisas por eles empreendidas sobre percepção em</p><p>profundidade dos bebês.</p><p>Harry Harlow publica um artigo intitulado “ The Nature of Love” ,</p><p>descrevendo seu trabalho sobre apego em macacos.</p><p>Lloyd Peterson e Margaret Peterson publicam um artigo no/ournal</p><p>of Experimental Psychology, “ Short-Term Retention of Individual</p><p>Verbal Items” , que ressalta a importância da reiteração na memória.</p><p>John Thibaut e Harold Kelley publicam The Social Psychology of</p><p>Groups.</p><p>George Sperling publica “ The Information Available in Brief Visual</p><p>Presentations” .</p><p>1962</p><p>1967</p><p>1968</p><p>Georg von Békésy recebe o Prêmio Nobel pela pesquisa sobre a</p><p>fisiologia da audição.</p><p>David McClelland publica The Achieving Society.</p><p>jerome Kagan e Howard Moss publicam Birth to Maturity.</p><p>Stanley Schachter e Jerome Singer publicam descobertas que</p><p>apoiam a teoria dos dois fatores da emoção.</p><p>Albert Ellis publica Reason and Emotion in Psychotherapy, um</p><p>marco no desenvolvimento da terapia racional-emotiva (RET).</p><p>Raymond B. Cattell distingue a diferença entre inteligência fluida e</p><p>inteligência cristalizada.</p><p>Stanley Milgram publica “ Behavioral Study of Obedience” , no</p><p>Journal of Abnormal and Social Psychology.</p><p>O pesquisador canadense Ronald Melzack e o pesquisador britânico</p><p>Patrick Wall propõem a teoria do portão de controle da dor.</p><p>“ Social Facilitation” , artigo de Robert Zajonc, é publicado na revista</p><p>Science.</p><p>Nancy Bayley torna-se a primeira mulher a receber o Distinguished</p><p>Scientific Contribution Award, da American Psychological</p><p>Association.</p><p>Jerome Bruner e colegas, do Centro de Estudos Cognitivos da</p><p>Universidade de Harvard, publicam Studies in Cognitive Growth.</p><p>William Masters e Virginia Johnson (na foto) publicam resultados de</p><p>sua pesquisa em Human Sexual Responses.</p><p>Allen Gardner e Beatrix Gardner começam a treinar uma chimpanzé</p><p>(Washoe) na Linguagem Americana de Sinais, na Universidade de</p><p>Nevada, em Reno. Washoe morre em 2007.</p><p>John Garcia (na foto) e Robert Koelling publicam um estudo sobre</p><p>aversão a sabores em ratos.</p><p>David M. Green e John A. Swets publicam Signal Detection Theory</p><p>and Psychophysics.</p><p>Julian Rotter publica pesquisa sobre locus de controle.</p><p>Ulric Neisser publica Cognitive Psychology, que ajuda a orientar a</p><p>psicologia, afastando-a do behaviorismo e direcionando-a aos</p><p>processos cognitivos.</p><p>Martin Seligman e Steven Mnier publicam os resultados de sua</p><p>pesquisa com "desamparo aprendido” em cães.</p><p>Richard Atkinson e Richard Schiffrin publicam seu influente modelo</p><p>de memória de três estágios em The Psychology of Learning and</p><p>Motivation.</p><p>Neal E. Miller publica um artigo na revista Science, descrevendo 0</p><p>condicionamento instrumental de respostas autônomas, que</p><p>estimula a pesquisa sobre blofeedback.</p><p>Albert Bandura publica Principies of Bthavlor Modification.</p><p>George Miller publica “ Psycholoiy #s .1 Mimiis ol Promoting Human</p><p>Welfare” , seu discurso de posse no presidência da APA, no qual</p><p>enfatiza a importância da “ ext.... . c dn npllrnçgo da psicologia” .</p><p>1 9 7 2 -</p><p>1973</p><p>1976</p><p>1978 -</p><p>Kenneth B. Clark é o primeiro afro-americano a assumir a</p><p>presidência da American Psychological Association.</p><p>Albert Bandura publica Social Learning Theory.</p><p>Allan Paivio publica Imageryand Verbal Processes.</p><p>B. F. Skinner publica Beyond Freedom and Dignity.</p><p>Elliot Aronson publica The Social Animal.</p><p>Fergus Craik e Robert Lockhart publicam “ Leveis of Processing: A</p><p>Framework for Memory Research” , no Journal of Verbal Learning</p><p>and Verbal Behavior.</p><p>Robert Rescorla e Allan Wagner publicam seu modelo associativo</p><p>do condicionamento pavloviano.</p><p>Sob a liderança de Derald Sue e Stanley Sue, é fundada a Asian-</p><p>American Psychological Association.</p><p>Os etologistas Karl von Frisch, Konrad Lorenz e Nikolaas</p><p>Tinbergen recebem o Prêmio Nobel, pela pesquisa sobre</p><p>comportamento animal.</p><p>A Divisão 2 da American Psychological Association publica o</p><p>primeiro número de seu periódico, Teaching of Psychology,</p><p>tendo Robert S. Daniel como editor.</p><p>Eleanor Maccoby (na foto) e Carol Jacklin publicam The</p><p>Psychology ofSex Differences.</p><p>O biólogo Edward O. Wilson publica Sociobiology,</p>
<p>um hábito duradouro, recompense o comportamento desejado todas as vezes e não apenas de forma intermitente</p><p>(consulte o Capítulo 7).</p><p>2. Pacientes que tiveram os cérebros divididos cirurgicamente ao meio sobrevivem e funcionam quase que da mesma maneira do que antes</p><p>da cirurgia (consulte o Capítulo 2).</p><p>3. Experiências traumáticas, como abuso sexual ou ter sobrevivido ao Holocausto, são normalmente "reprimidas" na memória (consulte o</p><p>Capítulo 8).</p><p>4. A maioria das crianças que sofreram abuso não pratica o abuso quanao adultas (consulte o Capítulo 5).</p><p>5. A maioria das crianças reconhece o próprio reflexo num espelho ao final do primeiro ano de vida (consulte o Capítulo 5).</p><p>6. Gêmeos adotados normalmente não desenvolvem personalidade semelhantes, mesmo sendo criados pelos mesmos pais (consulte o</p><p>Capítulo 4).</p><p>7. O medo de objetos inofensivos, como flores, é tão fácil de ser adquirido quanto o medo de objetos potencialmente perigosos, como</p><p>cobras (consulte o Capítulo 12).</p><p>8. Testes de detecção de mentiras frequentemente mentem (consulte o Capítulo 12).</p><p>9. A maioria de nós usa apenas 10% de nosso cérebro (consulte o Capítulo 2).</p><p>10. O cérebro se mantém ativo durante o sono (consulte o Capítulo 3).</p><p>A 01 'd 6 7\ 8 'd L 'A 9 'd S ‘A fr 'd '£ 'A l d L :sBjsods3y</p><p>“No futuro, os computadores não pesarão m ais do que</p><p>1,5 t."</p><p>Popular M echanics, 1949</p><p>"□ telefone pode ser apropriado para nossos primos</p><p>am ericanos, mas não aqui, pois temos um suprimento</p><p>adequado de mensageiros."</p><p>Grupo de especialistas britânicos</p><p>avaliando a invenção do telefone</p><p>“Eles não acertariam um elefante a essa distância."</p><p>General John Sedgwick, pouco antes de ser morto</p><p>durante uma batalha da Guerra Civil dos EUA, 18E4</p><p>"0 cientista... deve ser livre para fazer qualquer</p><p>pergunta, duvidar de qualquer afirm ativa, buscar</p><p>alguma evidência e corrigir qualquer erro."</p><p>J. Robert Oppenheimer, fisico, Life, 10 de outubro de 1949</p><p>Confiança Excessiva</p><p>Nós humanos tendemos a ser excessivamente confiantes.</p><p>Como explica o Capítulo 9, tendemos a achar que sabemos</p><p>mais do que de fato sabemos. Perguntados se temos certeza</p><p>de nossas respostas às perguntas factuais (Boston fica ao</p><p>norte ou ao sul de Paris?), tendemos a ser mais confiantes</p><p>do que corretos.1 Ou considere estes três anagramas que</p><p>Richard Goranson (1978) solicitou às pessoas que ordenas­</p><p>sem:</p><p>WREAT -> WATER</p><p>ETRYN - ENTRY</p><p>GRABE - BARGE</p><p>Quantos segundos você acha que levaria para decifrar cada</p><p>um deles?*</p><p>Após saberem a resposta, o viés retrospectivo faz com que</p><p>ela pareça óbvia - de tal forma que as pessoas se tornam</p><p>excessivamente confiantes. As pessoas acreditam que seriam</p><p>capazes de chegar à solução em apenas 10 segundos, quando</p><p>na verdade, em média, são necessários 3 minutos, o tempo</p><p>de que você mesmo provavelmente precisaria diante de um</p><p>anagrama sem solução, como TCHACOA. (Veja a resposta à</p><p>direita no pé da página seguinte.)</p><p>'Boston fica ao sul de Paris.</p><p>*Em português, os anagramas poderiam ser: LOMHO —> MOLHO;</p><p>A RNET^ ENTRA; RABCO -> BARCO. (N.T.)</p><p>Será que somos melhores ao prever nosso comportamento</p><p>social? Para descobrir, Robert Vallone e seus associados</p><p>(1990) pediram estudantes que previssem no início do ano</p><p>letivo se iriam abandonar algum curso, votar na próxima</p><p>eleição, telefonar para os pais mais de duas vezes ao mês e</p><p>assim por diante. Na média, os estudantes estavam 84%</p><p>confiantes em relação a essas previsões. Testes posteriores</p><p>sobre seus reais comportamentos mostraram, porém, que</p><p>acertaram apenas 71% das vezes. Mesmo quando se sentiam</p><p>100% seguros, suas previsões apresentavam uma margem de</p><p>erro de 15%.</p><p>Isso não acontece só com estudantes. Durante doze anos,</p><p>o psicólogo Philip Tetlock (1998), da Ohio State University,</p><p>coletou mais de 27.000 previsões de especialistas sobre even­</p><p>tos mundiais, tais como o futuro da África do Sul ou se Que­</p><p>bec se separaria do Canadá. Seus repetidos achados: as pre­</p><p>visões, sobre as quais os especialistas apresentavam 80% de</p><p>confiança em média, estavam certas em menos de 40% das</p><p>vezes. Mesmo assim, aqueles que erraram insistiram em sua</p><p>assertividade observando que as previsões estavam “quase</p><p>certas”. “Os separatistas da província canadense de Quebec</p><p>quase ganharam o referendo secessionista."</p><p>Lembre-se de que: O viés retrospectivo e o excesso de con­</p><p>fiança muitas vezes nos levam a superestimar nossa intuição.</p><p>Mas o questionamento científico pode nos ajudar a filtrar a</p><p>realidade da ilusão.</p><p>A Atitude Científica</p><p>2 : Quais são os três principais</p><p>componentes da atitude científica?</p><p>Subjacente a toda ciência existe raram ente uma curiosi­</p><p>dade obstinada, uma paixão para explorar e entender sem</p><p>enganar ou ser enganado. Algumas questões ( “Existe vida</p><p>depois da morte?”) estão além da ciência; para respondê-las</p><p>é necessário um pouco de fé. Já a resposta para muitas outras</p><p>( “Algumas pessoas podem demonstrar percepção extrassen-</p><p>sorial?”) podem ser testadas. Não importa o quanto uma</p><p>ideia possa parecer louca ou sensata, a pergunta que o pen­</p><p>samento crítico faz é: isso funciona? Quando submetidas a</p><p>teste, suas previsões podem ser confirmadas?</p><p>A abordagem científica tem uma longa história. Até Moi­</p><p>sés a utilizou. Como o senhor avalia alguém que se autopro-</p><p>clama profeta? A resposta dele: Submeta o profeta a um teste.</p><p>Se o evento previsto “não acontecer ou se provar verdadeiro”,</p><p>tanto pior para o profeta (Deuteronômio 18:22). Ao permitir</p><p>que os fatos falassem por si, Moisés utilizou o que chamamos</p><p>hoje de abordagem empírica. O mágico James Randi usa a</p><p>mesma abordagem quando testa aqueles que afirmam ver</p><p>auras em torno do corpo das pessoas:</p><p>Randi: Você está vendo uma aura ao redor de minha</p><p>cabeça?</p><p>Vidente: Sim, vejo.</p><p>Randi: Você ainda pode ver a aura se eu colocar esta</p><p>revista na frente do meu rosto?</p><p>Vidente: Claro.</p><p>Randi: Então, se eu ficar atrás de um muro pouco mais</p><p>alto do que eu, você poderia identificar minha</p><p>localização por meio da aura visível acima da</p><p>minha cabeça, certo?</p><p>Randi me disse que nenhum vidente concordou em fazer esse</p><p>teste básico.</p><p>“0 cético é aquele que está disposto a questionar</p><p>qualquer alegação de verdade, exigindo clareza na</p><p>definição, lógica consistente e evidências adequadas."</p><p>Paul Kurtz, filósofo, The Skeptical Inquirer, 1994</p><p>Às vezes, algumas ideias aparentemente disparatadas</p><p>encontram apoio quando submetidas a tais escrutínios.</p><p>Durante o século XVIII, os cientistas zombaram da noção de</p><p>que os meteoros tinham origem extraterrestre. Quando dois</p><p>cientistas de Yale ousaram se desviar da opinião convencio­</p><p>nal, Thomas Jefferson zombou: “Cavalheiros, eu prefiro acre­</p><p>ditar que esses dois professores ianques mentiriam a acredi­</p><p>tar que pedras caem do céu.” Às vezes, a investigação cientí­</p><p>fica transforma o que não tem valor em algo com mérito.</p><p>Com frequência, a ciência vira o depósito de lixo da socie­</p><p>dade, onde são lançadas as ideias aparentemente disparata­</p><p>das, empilhando-se sobre suposições prévias, como o moto-</p><p>contínuo, curas milagrosas do câncer e as viagens fora do</p><p>corpo em séculos passados. As “verdades" de hoje às vezes se</p><p>transformam nas falácias de amanhã. Separar a realidade da</p><p>fantasia, o que tem sentido do que não tem sentido, entre­</p><p>tanto, requer uma atitude científica: ser cético sem ser cínico,</p><p>aberto sem ser ingênuo.</p><p>“Para acreditar com certeza”, diz um provérbio polonês,</p><p>“devemos começar duvidando.” Como cientistas, os psicólo­</p><p>gos encaram o mundo do comportamento com ceticismo</p><p>curioso, fazendo insistentemente duas perguntas: O que isso</p><p>quer dizer? Como é que se sabe?</p><p>Quando idéias competem, testes com rigor cético podem</p><p>revelar as que melhor correspondem aos fatos. O comporta­</p><p>mento dos pais determina a orientação sexual dos filhos? Os</p><p>astrólogos podem prever seu futuro com base na posição dos</p><p>planetas no dia do seu nascimento? Como você verá, subme­</p><p>ter tais alegações a teste levou muitos psicólogos a duvidar</p><p>delas.</p><p>Pôr uma atitude científica em prática requer não apenas</p><p>ceticismo, mas também</p>
<p>humildade - a consciência de nossa</p><p>própria vulnerabilidade ao erro e a abertura para surpresas e</p><p>novas perspectivas. Em última análise, o que importa não é</p><p>a minha opinião ou a sua, mas as verdades que a natureza</p><p>revela em resposta a nossas perguntas. Se as pessoas ou os</p><p>outros animais não se comportam como nossas ideias pre­</p><p>viram, então pior para nossas ideias. Essa é a atitude de humil­</p><p>dade expressa em um dos motes iniciais da psicologia: “O</p><p>rato sempre tem razão.”</p><p>Os historiadores da ciência nos dizem que essas atitudes</p><p>de curiosidade, ceticismo e humildade ajudaram a tornar a</p><p>ciência moderna possível. Muitos de seus fundadores,</p><p>incluindo Copérnico e Newton, eram pessoas cujas convic­</p><p>ções religiosas os tornaram humildes diante da natureza e</p><p>céticos diante da autoridade meramente humana (Hooykaas,</p><p>1972; Merton, 1938). Algumas pessoas de nossos dias pro­</p><p>fundamente religiosas podem considerar a ciência, incluindo</p><p>a ciência psicológica, uma ameaça. No entanto, como observa</p><p>o sociólogo Rodney Stark (2003a,b), a revolução científica</p><p>foi liderada predominantemente por pessoas profundamente</p><p>religiosas cujas ações seguiam o princípio de que, “para amar</p><p>e honrar a Deus, é necessário apreciar plenamente as mara­</p><p>vilhas de Sua criação”.</p><p>• Solução do anagrama na página anterior:</p><p>CHACOTA. •</p><p>Certamente, os cientistas, como qualquer pessoa, podem ter</p><p>grandes egos e se agarrar às suas preconcepções. Todos nós</p><p>vemos a natureza pelas lentes de nossas ideias preconcebidas.</p><p>Porém, o ideal que une os psicólogos a todos os cientistas é</p><p>o escrutínio curioso, cético e humilde em relação a ideias</p><p>competidoras. Como uma comunidade, os cientistas confe­</p><p>rem e reconferem as descobertas e as conclusões uns dos</p><p>outros.</p><p>"Minha mais profunda crença é de que, se existe um deus</p><p>de alguma forma parecido com o que tradicionalm ente</p><p>se acredita, nossa curiosidade e inteligência vieram dele.</p><p>Seriamos ingratos por essas dádivas... se suprim íssem os</p><p>nossa paixão pela exploração do universo e de nós</p><p>mesmos."</p><p>Carl Sagan, 0 R om ance da Ciência, 1989</p><p>"A verdadeira finalidade do método científico é</p><p>assegurar que a Natureza não nos enganou levando-nos</p><p>a achar que sabíam os alguma coisa quando, na verdade,</p><p>éramos ignorantes."</p><p>Robert M. Pirsig, 0 Zen e a Arte de C onsertar M otocicletas, 1974</p><p>O Pensamento Crítico</p><p>A atitude científica nos prepara para pensar com mais inte­</p><p>ligência. O pensamento inteligente, chamado pensam ento</p><p>crítico, examina suposições, distingue valores escondidos,</p><p>avalia evidências e pondera conclusões. Seja lendo uma notí­</p><p>cia ou ouvindo uma conversa, os pensadores críticos fazem</p><p>perguntas. Assim como os cientistas, questionam: Como eles</p><p>sabem disso? Qual a agenda de interesses dessa pessoa? A</p><p>conclusão é baseada em casos isolados e intuições ou em</p><p>alguma evidência? Essa evidência justifica uma conclusão de</p><p>causa e efeito? Que explicações alternativas são possíveis?</p><p>A investigação crítica na psicologia tem estado aberta a</p><p>descobertas surpreendentes? A resposta, como ilustram os</p><p>capítulos seguintes, é simplesmente sim. Acredite ou não...</p><p>• grandes perdas de tecido cerebral na primeira infância</p><p>possuem efeitos mínimos a longo prazo (veja o</p><p>Capítulo 2).</p><p>• com dias, os recém-nascidos podem reconhecer o cheiro</p><p>e a voz da mãe (veja o Capítulo 5).</p><p>• danos cerebrais podem deixar uma pessoa em condições</p><p>de aprender novas habilidades, ainda que não consciente</p><p>desse aprendizado (veja o Capítulo 8).</p><p>• grupos diversos - homens e mulheres, velhos e jovens,</p><p>ricos e pessoas de classe média, incapacitados ou não -</p><p>relatam níveis aproximados de felicidade pessoal (veja o</p><p>Capítulo 12).</p><p>• a terapia eletroconvulsiva (aplicação de choque elétrico</p><p>no cérebro) é frequentemente eficaz como tratamento</p><p>para a depressão grave (veja o Capítulo 15).</p><p>E será que a investigação crítica tem desmascarado as supo­</p><p>sições populares de modo convincente? A resposta, como os</p><p>capítulos seguintes também ilustram, novamente é sim. As</p><p>evidências indicam que...</p><p>• os sonâmbulos não estão vivenciando seus sonhos (veja</p><p>o Capítulo 3).</p><p>• nossas experiências passadas não estão todas registradas</p><p>literalmente em nosso cérebro; com estimulação do</p><p>cérebro ou hipnose, uma pessoa não pode simplesmente</p><p>“voltar a fita” e reviver memórias reprimidas ou há</p><p>muito enterradas (veja o Capítulo 8).</p><p>• a maioria das pessoas não sofre de baixa autoestima de</p><p>maneira não realista, e a autoestima elevada não é</p><p>sempre boa (veja o Capítulo 13).</p><p>• geralmente, os opostos não se atraem (veja o</p><p>Capítulo 16).</p><p>Em cada uma dessas instâncias, e em outras, o que se des­</p><p>cobriu não corresponde à crença geral.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> Pergunte a Si Mesmo</p><p>Como o pensamento crítico nos ajuda a avaliar as</p><p>interpretações dos sonhos das pessoas ou suas alegações de</p><p>que são capazes de se comunicar com os mortos?</p><p>> Teste a Si Mesmo 1</p><p>O que é a atitude científica, e por que ela é importante para o</p><p>pensamento crítico?</p><p>A s respostas para as questões Teste a Si Mesmo podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B, no final do livro.</p><p>Como os Psicólogos Formulam</p><p>Perguntas e Respostas?</p><p>OS PSICÓLOGOS ARMAM SUA ATITUDE científica com o</p><p>método científico. A psicologia científica avalia ideias compe­</p><p>tidoras com observação cuidadosa e análise rigorosa. Em seu</p><p>esforço para descrever e explicar a natureza humana, ela</p><p>recebe bem a intuição e as teorias que soem plausíveis. E sub­</p><p>mete tudo a testes. Se uma teoria funciona - se os dados</p><p>apoiam as previsões -, tanto melhor para a teoria. Se as pre­</p><p>visões fracassam, a teoria será reavaliada ou rejeitada.</p><p>O Método Científico</p><p>3 : Como as teorias promovem o</p><p>avanço da ciência psicológica?</p><p>No dia a dia, tendemos a usar o termo teoria para signifi­</p><p>car “simples intuição”. Na ciência, entretanto, a teoria está</p><p>ligada à observação. Uma teoria científica explica por meio</p><p>de um conjunto de princípios integrados que organiza as</p><p>observações e prevê comportamentos e eventos. Ao organizar</p><p>fatos isolados, a teoria simplifica a realidade. Existem muitos</p><p>fatos sobre o comportamento, de modo que é difícil lembrar</p><p>de todos. Ao reunir os fatos e ligá-los a princípios profundos,</p><p>a teoria oferece um resumo útil. Quando ligamos os pontos</p><p>observados, podemos descobrir um quadro coerente.</p><p>Uma boa teoria sobre depressão, por exemplo, ajuda-nos a</p><p>organizar incontáveis observações a respeito da depressão em</p><p>uma lista sucinta de princípios. Digamos que observamos de</p><p>forma repetida que as pessoas com depressão descrevem seu</p><p>passado, presente e futuro em termos sombrios. Podemos então</p><p>confirmar, rejeitar</p><p>ou revisar</p><p>(3) Pesquisa e observações</p><p>Exemplo: Administrar testes de</p><p>autoestima e depressão. Ver se</p><p>um escore baixo em um deles</p><p>prediz um escore alto no outro.</p><p>(1) Teorias</p><p>Exemplo: Baixa autoestima</p><p>alimenta a depressão</p><p>leva a</p><p>leva a</p><p>(2) Hipóteses</p><p>Exemplo: Pessoas com</p><p>baixa autoestima obtêm</p><p>escores mais altos na</p><p>escala de depressão.</p><p>► FIGURA 1.1</p><p>O método científico Um processo autocorretivo de fazer perguntas e observar as respostas da natureza.</p><p>teorizar que a depressão se apoia na baixa autoestima. Até aqui</p><p>tudo bem: o princípio da nossa autoestima claramente resume</p><p>uma longa lista de fatos sobre pessoas com depressão.</p><p>Porém, não importa 0 quanto uma teoria possa parecer</p><p>razoável - e a baixa autoestima parece ser uma explicação</p><p>razoável para a depressão devemos submetê-la a teste. Uma</p><p>boa teoria produz predições testáveis, chamadas hipóteses.</p><p>Ao nos possibilitar testar e rejeitar ou revisar a teoria, tais</p><p>predições orientam-se para a pesquisa. Elas especificam que</p><p>resultados irão sustentar a teoria e que resultados irão refutá-</p><p>la. Para verificar nossa teoria da autoestima sobre depressão,</p><p>podemos avaliar a autoestima das pessoas solicitando-as que</p><p>respondam a enunciados tais como “Eu tenho boas ideias”</p><p>e “Sou uma companhia divertida”. Poderíamos ver então se,</p><p>como hipotetizamos, as pessoas que apresentaram as mais</p><p>pobres autoimagens também obtiveram escores</p>
<p>elevados em</p><p>uma escala de depressão (FIGURA 1 .1 ).</p><p>Ao testar nossa teoria, devemos estar cientes de que ela</p><p>pode favorecer observações subjetivas tendenciosas. Tendo</p><p>teorizado que a depressão brota da baixa autoestima, pode­</p><p>mos enxergar aquilo que esperamos. Podemos perceber os</p><p>comentários neutros das pessoas deprimidas como autode-</p><p>preciativos. A premência para enxergar aquilo que corres­</p><p>ponde às nossas expectativas é uma tentação sempre presente,</p><p>dentro e fora do laboratório. De acordo com o Comitê Bipar-</p><p>tidário de Inteligência do Senado dos EUA (2004), as expec­</p><p>tativas preconcebidas de que o Iraque tinha armas de destrui­</p><p>ção em massa levou os analistas de inteligência a interpretar</p><p>observações ambíguas de maneira errônea de modo a confir­</p><p>mar a teoria, e essa conclusão direcionada por essa teoria</p><p>resultou na invasão preventiva do Iraque pelos EUA.</p><p>Como checagem de suas tendenciosidades, os psicólogos</p><p>relatam suas pesquisas com definições operacionais preci­</p><p>sas dos procedimentos e conceitos. Fome, por exemplo, pode</p><p>ser definida como “horas sem se alimentar”, generosidade,</p><p>como “contribuição em dinheiro”. Esse cuidado na formu­</p><p>lação dos enunciados pretende permitir a outros replicar</p><p>(repetir) as observações originais. Se outros pesquisadores</p><p>recriarem um estudo com participantes e materiais diferen­</p><p>tes e alcançarem resultados similares, então nossa confiança</p><p>na confiabilidade dos achados cresce. O primeiro estudo sobre</p><p>o viés retrospectivo despertou a curiosidade dos psicólogos.</p><p>Agora, depois de muitas replicações bem-sucedidas com pes­</p><p>soas e perguntas diferentes, nós nos sentimos seguros sobre</p><p>o poder desse fenômeno.</p><p>pensamento crítico pensamento que não aceita</p><p>argumentos e conclusões cegamente. Em vez disso,</p><p>examina as suposições, revela valores ocultos, avalia</p><p>evidências e conclusões.</p><p>teoria uma explicação que usa um conjunto integrado</p><p>de princípios que organiza observações e prediz</p><p>comportamentos ou eventos.</p><p>hipótese uma predição testável, muitas vezes</p><p>implicadas por uma teoria.</p><p>definição operacional um enunciado dos</p><p>procedimentos (operações) usadas para definir variáveis</p><p>de pesquisa. Por exemplo, a inteligência humana pode</p><p>ser definida operacionalmente como aquilo que mede</p><p>um teste de inteligência.</p><p>replicação repetir a essência de um estudo de</p><p>pesquisa, normalmente com participantes diferentes em</p><p>situações diferentes, para ver se a descoberta básica se</p><p>aplica a outros participantes e circunstâncias.</p><p>• Boas teorias são explicadas:</p><p>1. pela organização e vinculação com fatos</p><p>observados.</p><p>2. por hipóteses implicadas que oferecem predições</p><p>testáveis e, algumas vezes, aplicações práticas. *</p><p>No final, nossa teoria será útil se (1) organizar efetivamente</p><p>uma série de observações e autorrelatos e (2) implicar predi­</p><p>ções claras que qualquer um possa usar para testar a teoria</p><p>ou para derivar aplicações práticas. (Se elevarmos a autoes­</p><p>tima das pessoas, a depressão delas se dissipará?) No final, é</p><p>bem provável que nossa pesquisa resulte em uma teoria revi­</p><p>sada (como a do Capítulo 14 deste livro) que organize e pre­</p><p>diga melhor 0 que nós conhecemos a respeito da depressão.</p><p>i</p><p>O caso do chimpanzé que conversava Nos estudos de caso com</p><p>chimpanzés, os psicólogos questionaram se a linguagem era</p><p>exclusividade humana. Aqui, Nim Chimpsky faz o gesto para abraço</p><p>quando seu treinador, o psicólogo Herbert Terrace, mostra o boneco</p><p>do Ênio para ele. Mas Nim está de fato usando a linguagem? Vamos</p><p>pesquisar essa questão no Capítulo 9.</p><p>Como veremos a seguir, podemos testar nossas hipóteses</p><p>e refinar nossas teorias usando métodos descritivos (que des­</p><p>crevem comportamentos, muitas vezes com o uso de estudos</p><p>de caso, pesquisas ou observações naturalistas), métodos cor-</p><p>relacionais (que associam diferentes fatores) e métodos expe­</p><p>rimentais (que manipulam os fatores para descobrir seus efei­</p><p>tos). Para pensar criticamente sobre as considerações que os</p><p>leigos fazem a respeito de afirmações da psicologia, precisa­</p><p>mos reconhecer esses métodos e saber que conclusões eles</p><p>permitem.</p><p>Descrição</p><p>4 : Como os psicólogos observam e</p><p>descrevem o comportamento?</p><p>O ponto de partida de qualquer ciência é a descrição. Na vida</p><p>cotidiana, todos nós observamos e descrevemos as pessoas,</p><p>quase sempre chegando a conclusões sobre o porquê de elas</p><p>se comportarem do modo como o fazem. Os psicólogos pro­</p><p>fissionais fazem o mesmo, só que de forma mais objetiva e</p><p>sistemática.</p><p>O Estudo de Caso</p><p>Entre os métodos de pesquisa mais antigos, o estudo de caso</p><p>examina um indivíduo em profundidade na esperança de reve­</p><p>lar coisas verdadeiras para todos nós. Alguns exemplos: muito</p><p>do conhecimento inicial sobre o cérebro, foi decorrente de</p><p>estudos de casos, de indivíduos que sofreram uma perda par­</p><p>ticular após a ocorrência de lesão em região específica do cére­</p><p>bro. Jean Piaget nos ensinou sobre o pensamento infantil após</p><p>observar e questionar cuidadosamente apenas poucas crian­</p><p>ças. Estudos envolvendo somente poucos chimpanzés revela­</p><p>ram sua capacidade para a compreensão e para a linguagem.</p><p>Estudos de caso intensivos, às vezes, são muito reveladores.</p><p>Os estudos de casos muitas vezes sugerem direções para</p><p>estudos subsequentes, e nos mostram o que pode acontecer.</p><p>Mas os casos individuais podem nos levar a erros se o indi-</p><p>víduo em questão for atípico. Informações não representati­</p><p>vas podem nos levar a julgamentos errados e a falsas conclu­</p><p>sões. De fato, sempre que um pesquisador relata uma desco­</p><p>berta ( “Fumantes morrem mais cedo: 95% dos homens acima</p><p>de 85 anos não são fumantes”), alguém certamente ofere­</p><p>cerá um caso contraditório ( “Bom, eu tenho um tio que</p><p>fumava dois maços por dia e viveu até os 89 anos”). Histó­</p><p>rias dramáticas e experiências pessoais (e até exemplos de</p><p>casos psicológicos) chamam a atenção e são mais fáceis de</p><p>ser lembrados. Qual das seguintes afirmações você considera</p><p>mais fácil de lembrar? (1) “Em um estudo com 1.300 relatos</p><p>de sonhos sobre o seqüestro de uma criança, apenas 5% vis­</p><p>lumbraram corretamente a criança como morta (Murray &</p><p>Wheeler, 1937).” (2) “Conheço um homem que sonhou que</p><p>sua irmã estava num acidente de carro e, dois dias depois,</p><p>ela morreu numa batida de frente!” Os números podem ser</p><p>impessoais, mas o plural de caso extraordinário não é evidên­</p><p>cia. Como disse o psicólogo Gordon Allport (1954, p. 9):</p><p>“Dê-nos um dedal cheio de fatos [dramáticos] e logo parti­</p><p>remos para generalizações tão grandes quanto um barril.”</p><p>Lembre-se de que: Casos individuais podem sugerir ideias</p><p>frutíferas. O que é verdadeiro em nós pode ser vislumbrado</p><p>em qualquer um. Mas, para distinguir as verdades gerais que</p><p>cobrem os casos individuais, devemos responder às pergun­</p><p>tas com outros métodos de pesquisa.</p><p>"Bem, meu caro", disse Miss Marple, "a natureza hum ana</p><p>é muito sem elhante em todos os lugares, e, é claro,</p><p>podemos observá-la mais de perto em uma cidade</p><p>pequena."</p><p>Agatha Christie, 0 Clube das Terças-Feiras, 1933</p><p>O Levantamento (Survey)</p><p>estudo de caso é uma técnica de observação por</p><p>intermédio da qual uma pessoa é estudada em</p><p>profundidade na esperança de se descobrirem</p><p>princípios universais.</p><p>survey (levantamento) é uma técnica para averiguar</p><p>os autorrelatos sobre atitudes ou comportamentos de</p><p>um grupo particular, normalmente dirigindo questões a</p><p>uma amostra representativa de um grupo, selecionada</p><p>aleatoriamente.</p><p>O método de levantamento examina muitos casos com menor</p><p>profundidade. Um levantamento solicita às pessoas que rela­</p><p>tem seu comportamento ou opiniões. Perguntas sobre tudo,</p><p>desde práticas sexuais ate opiniões políticas, são feitas ao</p><p>público. As pesquisas de Harris e Gallup revelaram que 72%</p><p>dos norte-americanos acham que há muita violência na tele­</p><p>visão, 89% são favoráveis à igualdade de oportunidades de tra­</p><p>balho para homossexuais, 89% dizem que enfrentam situações</p><p>muito estressantes e 96% gostariam de mudar algum detalhe</p><p>na aparência. Na Inglaterra, sete em cada dez pessoas entre os</p><p>18 e os 29</p>
<p>anos apoiam o casamento entre homossexuais; entre</p><p>as com mais de 50 anos, cerca do mesmo percentual é contra</p><p>(um hiato entre as gerações encontrado em muitos países oci­</p><p>dentais). Mas fazer perguntas é complicado, e as respostas</p><p>muitas vezes dependem de como as perguntas são elaboradas</p><p>e de como é feita a escolha dos entrevistados.</p><p>Efeitos das Palavras Mesmo mudanças sutis na ordem</p><p>ou na formulação das perguntas podem produzir grandes</p><p>efeitos. Anúncios de cigarro ou pornográficos devem ser per­</p><p>mitidos na televisão? As pessoas estão muito mais propensas</p><p>a aprovar a “não permissão” do que a “proibição” ou a “cen­</p><p>sura” deles. Em uma pesquisa nacional, só 27% dos norte-</p><p>americanos aprovaram a “censura do governo” à violência e</p><p>ao sexo na mídia, embora 66% tenham aprovado “mais res­</p><p>trições ao que é mostrado na televisão” (Lacayo, 1995). Do</p><p>mesmo modo, as pessoas aprovam muito mais uma “ajuda</p><p>aos necessitados” do que ao “bem-estar social”, uma “ação</p><p>afirmativa” a um “tratamento preferencial” e “multiplicado­</p><p>res de renda” a “impostos”. Como a formulação das pergun­</p><p>tas é uma questão muito delicada, os pensadores críticos pre­</p><p>cisam refletir sobre como o estilo de uma pergunta pode afe­</p><p>tar as opiniões expressas pelas pessoas a ela submetidas.</p><p>Am ostragem A leatória Podemos descrever a experiência</p><p>humana a partir de casos memoráveis e da experiência pes­</p><p>soal. Mas, para um quadro preciso das experiências e atitudes</p><p>de toda a população, só há um recurso a ser usado: a amos­</p><p>tra representativa.</p><p>À medida que fazemos generalizações a partir das amostras</p><p>que observamos, podemos estender esse ponto para o pensa­</p><p>mento cotidiano, em especial quando se trata de casos reais.</p><p>Dados (a) um resumo estatístico da avaliação dos alunos feita</p><p>por um professor e (b) os comentários enérgicos de dois estu­</p><p>dantes enraivecidos, a impressão que um administrador terá do</p><p>professor pode ser influenciada tanto pelos dois estudantes insa­</p><p>tisfeitos quanto pelas muitas avaliações favoráveis no resumo</p><p>estatístico. A tentação de generalizar a partir de alguns poucos</p><p>casos reais, mas não representativos, é quase irresistível.</p><p>Lembre-se de que: A melhor base para a generalização surge</p><p>das amostras representativas dos casos.</p><p>Mas como você obtém uma amostra representativa - diga­</p><p>mos, de estudantes de sua faculdade ou da universidade? Como</p><p>você poderia escolher um grupo que represente toda a popu­</p><p>lação de estudantes, o grupo como um todo que você deseja</p><p>estudar e descrever? Normalmente, escolhemos uma amos­</p><p>tra aleatória, em que cada pessoa dentro do grupo total tem</p><p>a mesma chance de participar. Isso significa que você não pre­</p><p>cisa enviar um questionário para cada estudante. (As pessoas</p><p>conscienciosas que o responderiam não seriam uma amostra</p><p>aleatória.) Em vez disso, você pode numerar os nomes da lista</p><p>geral de estudantes e usar um gerador de números aleatórios</p><p>para escolher os participantes de seu levantamento. Grandes</p><p>amostras representativas são melhores do que as pequenas,</p><p>mas uma pequena amostra representativa de 100 é melhor</p><p>que uma amostra não representativa de 500.</p><p>Com amostras muito grandes, as estimativas</p><p>tornam-se bastante confiáveis. Estima-se que o E</p><p>representa 12,7% das letras escritas em inglês. O E,</p><p>na verdade, ocupa 12,3% das 925.141 letras presentes</p><p>em M oby Dick, de Melville, 12,4% das 586.747 letras</p><p>de Um Conto de Duas Cidades, de Dickens, e 12,1%</p><p>das 3.901.021 letras presentes em 12 das obras de</p><p>Mark Twain (.Chance News, 1997).</p><p>As pesquisas políticas escolhem as amostras de eleitores exa­</p><p>tamente dessa maneira. Com apenas 1.500 eleitores escolhidos</p><p>aleatoriamente, de todas as regiões de um país, podem obter um</p><p>retrato instantâneo surpreendentemente preciso da opinião</p><p>nacional. Sem as amostras aleatórias, as grandes amostras -</p><p>incluindo as coletadas por ligações telefônicas e por pesquisas</p><p>de TV ou via Web - podem gerar resultados enganadores.</p><p>Lembre-se de que: Antes de aceitar os achados dos levanta­</p><p>mentos, pense criticamente: considere a amostra. Não se</p><p>pode compensar uma amostra não representativa simples­</p><p>mente acrescentando mais gente.</p><p>Observação Naturalista</p><p>Um terceiro método descritivo registra o comportamento no</p><p>ambiente natural. Essas observações naturalistas variam</p><p>desde olhar sociedades de chimpanzés na selva até a reali­</p><p>zação de gravações de vídeos não intrusivas (e posteriormente</p><p>analisadas sistematicamente) de interações entre pais e filhos</p><p>em diferentes culturas ao registro dos padrões das escolhas</p><p>pelos estudantes dos lugares onde se sentar nos refeitórios</p><p>das escolas multirraciais.</p><p>Assim como os métodos de estudo de caso e de levanta­</p><p>mento (survey), a observação naturalista não explica o com­</p><p>portamento. Ela o descreve. No entanto, as descrições podem</p><p>ser reveladoras. Há algum tempo, por exemplo, achávamos</p><p>que só os humanos usavam ferramentas. Então, a observação</p><p>naturalista revelou que, às vezes, os chimpanzés inserem uma</p><p>vareta no cupinzeiro, retirando e comendo os cupins que</p><p>saem presos nela. Tais observações naturalistas pavimenta­</p><p>ram o caminho para estudos posteriores sobre o pensamento,</p><p>a linguagem e a emoção de nossos companheiros animais.</p><p>“As observações, feitas no habitat natural, ajudaram a mos­</p><p>trar que as sociedades e os comportamentos dos animais são</p><p>muito mais complexos do que previamente se imaginava”,</p><p>lembra a observadora de chimpanzés Jane Goodall (1998).</p><p>Por exemplo, os chimpanzés e os babuínos foram observados</p><p>usando a dissimulação. Os psicólogos Andrew W hiten e</p><p>Richard Byrne (1988) viram repetidas vezes um jovem babu­</p><p>íno fingindo ter sido atacado como tática para fazer sua mãe</p><p>afastar o outro babuíno para longe de sua comida. Além disso,</p><p>quanto mais desenvolvido o cérebro de uma espécie de pri­</p><p>mata, maiores as probabilidades de que os animais apresen­</p><p>tem comportamentos de dissimulação (Byrne & Corp,</p><p>2004).</p><p>As observações naturalistas também revelam o comporta­</p><p>mento humano. Eis aqui três descobertas que você provavel­</p><p>mente vai apreciar.</p><p>• Uma descoberta engraçada. Nós, humanos, rimos com</p><p>frequência 30 vezes maior em situações sociais do que</p><p>em situações solitárias. (Você já percebeu como é raro</p><p>rir quando está sozinho?) E, quando rimos, 17 músculos</p><p>esticam nossa boca e apertam nossos olhos, e emitimos</p><p>uma série de sons vocálicos de 75 milissegundos com</p><p>intervalos de um quinto de segundo entre cada um</p><p>(Provine, 2001).</p><p>• Estudantes tagarelas. O que de fato os estudantes de</p><p>introdução à psicologia estão falando e fazendo no dia a</p><p>dia? Para descobrir, Matthias Mehl e James Pennebaker</p><p>(2003) equiparam 52 alunos da Universidade do Texas</p><p>com gravadores ativados eletronicamente presos aos</p><p>cintos. Durante quatro dias, os gravadores capturaram</p><p>30 segundos da vida diurna dos estudantes a cada 12,5</p><p>minutos, o que permitiu aos pesquisadores ouvir mais</p><p>de 10.000 trechos de meio minuto ao final do estudo.</p><p>Que percentagem desses trechos você acha que os</p><p>estudantes ocuparam conversando com outras pessoas?</p><p>E qual o percentual gasto no teclado do computador? As</p><p>respostas: 28 e 9 por cento. (Que porcentagem de suas</p><p>horas acordado você acha que gasta nessas atividades?)</p><p>• Cultura, clima e o ritmo de vida. A observação naturalista</p><p>também permitiu a Robert Levine e Ara Norenzayan</p><p>(1999) comparar o ritmo de vida em 31 países. (Sua</p><p>definição operacional de ritmo de vida incluía a</p><p>velocidade do caminhar, a velocidade com que os</p><p>carteiros completavam solicitações comuns e a precisão</p><p>dos relógios públicos.) Sua conclusão: a vida tem o</p><p>ritmo mais rápido no Japão e na Europa Ocidental, e</p><p>um ritmo mais lento em países de menor</p><p>desenvolvimento econômico. As pessoas em climas</p><p>mais frios também tendem a viver num ritmo mais</p><p>rápido (e têm maior tendência a morrer por doenças</p><p>cardíacas).</p><p>A observação naturalista permite obter instantâneos inte­</p><p>ressantes da vida diária, mas isso é feito sem o controle de</p><p>todos os fatores que podem influenciar o comportamento.</p><p>Uma coisa é observar</p>
<p>o ritmo de vida em vários lugares, outra</p><p>é compreender o que faz com que algumas pessoas caminhem</p><p>mais rapidamente do que outras. Ainda assim, a observação</p><p>naturalista, como os levantamentos, podem fornecer dados</p><p>para a pesquisa correlacionai, nosso próximo tópico.</p><p>população são todos os casos de um grupo que está</p><p>sendo estudado, do qual as amostras podem ser</p><p>retiradas. (.Observação: A não ser para estudos de</p><p>abrangência nacional, o conceito não se refere a toda a</p><p>população de um país.)</p><p>amostra aleatória é uma amostra que representa</p><p>corretamente uma população porque todos os membros</p><p>têm uma chance igual de Inclusão.</p><p>observação naturalista é a observação e o registro do</p><p>comportamento em situações que ocorrem</p><p>naturalmente, sem tentativas de manipular e controlar a</p><p>situação.</p><p>correlação é uma medida da extensão em relação à</p><p>qual dois fatores variam juntos e, assim, do quão bem</p><p>um fator prediz o outro.</p><p>coeficiente de correlação é um índice estatístico da</p><p>relação entre duas coisas (de -1 a +1).</p><p>gráficos de dispersão mostram graficamente os</p><p>aglomerados de pontos, e cada um representa o valor</p><p>de duas variáveis. A inclinação dos pontos sugere a</p><p>direção da relação entre as duas variáveis. O grau de</p><p>dispersão sugere a força da correlação (pouca dispersão</p><p>indica alta correlação).</p><p>Correlação</p><p>5 : 0 que são correlações positivas e negativas,</p><p>e por que elas permitem a predição mas</p><p>não as explicações de causa e efeito?</p><p>Descrever o comportamento é o primeiro passo na direção</p><p>de poder predizê-lo. Os levantamentos e as observações natu­</p><p>ralistas muitas vezes revelam que um traço ou comportamento</p><p>se relaciona com outro. Quando isso ocorre, dizemos que</p><p>houve uma correlação. Uma medida estatística (o coefi­</p><p>ciente de correlação) nos ajuda a estabelecer a proximidade</p><p>com que dois elementos variam juntos e portanto até que</p><p>ponto um prediz o outro. Saber o quanto os escores dos tes­</p><p>tes de aptidão se correlacionam com o sucesso escolar nos</p><p>mostra como os escores predizem o sucesso escolar.</p><p>Por todo este livro, perguntaremos várias vezes sobre o</p><p>quão fortemente duas coisas estão relacionadas. Por exem­</p><p>plo: até que ponto existe relação entre os escores de persona­</p><p>lidade de gêmeos idênticos? Até que ponto os resultados dos</p><p>testes de inteligência predizem o desempenho? Até que ponto</p><p>o estresse se relaciona com a doença?</p><p>A FIGURA 1 .2 contém três gráficos de pontos de dis­</p><p>persão, que ilustram o intervalo de possíveis correlações que</p><p>variam de perfeita positiva a perfeita negativa. (Correlações</p><p>perfeitas raramente ocorrem no “mundo real”.) Cada ponto</p><p>no gráfico de dispersão representa o valor de dispersão de</p><p>duas variáveis. Uma correlação é positiva quando dois con­</p><p>juntos de escores, tais como altura e peso, tendem a subir ou</p><p>a descer juntos. Dizer que uma correlação é “negativa” nada</p><p>tem a ver com sua força ou fraqueza, mas sim que dois ele­</p><p>mentos se relacionam inversamente (um grupo de escores</p><p>sobe enquanto o outro desce). À medida que a escovação dos</p><p>dentes sobe a partir de zero, decresce a quantidade de cáries.</p><p>Uma correlação fraca, indicando pouca ou nenhuma relação,</p><p>é aquela que tem um coeficiente próximo de zero.</p><p>Aqui estão quatro novos relatórios de pesquisa correlacio­</p><p>nai, alguns resultantes de levantamentos ou de observações</p><p>naturais. Você consegue identificar quais informam as que são</p><p>correlações positivas e quais as que são negativas? (Confira as</p><p>respostas na página seguinte, logo abaixo da Tabela 1.2.)</p><p>1. Quanto mais as crianças pequenas assistem à TV, menos</p><p>elas leem (Kaiser, 2003).</p><p>2 . Quanto mais conteúdo sexual os adolescentes veem na</p><p>TV, mais propensos ficam a fazer sexo (Collins et al.,</p><p>2004).</p><p>B. Quanto mais tempo as crianças forem amamentadas no</p><p>peito, melhores serão seus resultados acadêmicos mais</p><p>tarde (Horwood & Fergusson, 1998).</p><p>4. Quanto maior a frequência com que os adolescentes toma­</p><p>rem café da manhã, menor a sua massa corporal (Timlin</p><p>et al., 2008).</p><p>As estatísticas podem nos ajudar a ver o que, a olho nu, às</p><p>vezes, poderíamos deixar escapar. Para demonstrar isso a si</p><p>mesmo, experimente um projeto imaginário. Perguntando a</p><p>si mesmo se homens altos são mais ou menos calmos, você</p><p>reúne dois conjuntos de escores: altura dos homens e tempe­</p><p>ramento dos homens. Você mede a altura de 20 homens e</p><p>• « • *</p><p>• • ■</p><p>Correlação positiva perfeita (+i,oo) Sem relação (o,oo) Correlação negativa perfeita ( - 1,00)</p><p>> FIGURA 1.2</p><p>Gráficos de dispersão de dados mostrando padrões de correlação As correlações podem variar de +1,00 (escores de uma medida</p><p>aumentam em proporção direta a escores de outra) a —1,00 (escores de uma medida diminuem na exata proporção em que os escores de outra</p><p>sobem).</p><p>TABELA 1.2</p><p>A l t u r a e T e m p e r a m e n t o d e 2 0 H o m e n s</p><p>Sujeito</p><p>Altura em</p><p>Polegadas Temperamento</p><p>1 80 75</p><p>2 63 66</p><p>3 61 60</p><p>4 79 90</p><p>5 74 60</p><p>6 69 42</p><p>7 62 42</p><p>8 75 60</p><p>9 77 81</p><p>10 60 39</p><p>11 64 48</p><p>12 76 69</p><p>13 71 72</p><p>14 66 57</p><p>15 73 63</p><p>16 70 75</p><p>17 63 30</p><p>18 71 57</p><p>19 68 84</p><p>20 70 39</p><p>BAIJeBeU ‘BAjJISOd £</p><p>‘BAHjsod z ‘eAj)e6su ( tjouejue eu|6ed ep</p><p>0}ueuieu0pe|3jj03 sp seojssnb se sejsodsatf</p><p>solicita que outra pessoa avalie o temperamento deles (de zero</p><p>para extremamente calmo a 100 para altamente reativo).</p><p>Com todos os dados relevantes (TABELA 1 .2 ) bem à sua</p><p>frente, será que você pode dizer se há (1) uma correlação posi­</p><p>tiva entre altura e temperamento reativo, (2) muito pouca ou</p><p>nenhuma correlação ou (3) uma correlação negativa?</p><p>Comparando as colunas na Tabela 1.2, a maioria das pes­</p><p>soas detecta muito pouca relação entre altura e temperamento.</p><p>Na verdade, a correlação nesse exemplo imaginário é mode­</p><p>radamente positiva, +0,63, como podemos ver se exibirmos os</p><p>dados como uma dispersão de pontos. Na FIGURA 1.3 , indo</p><p>da esquerda para a direita, a inclinação ascendente e ovalada</p><p>do grupo de pontos mostra que nossos dois grupos imaginá­</p><p>rios de escores (altura e reatividade) tendem a subir juntos.</p><p>Se não conseguimos ver a relação quando os dados são</p><p>apresentados de forma tão sistemática como na Tabela 1.2,</p><p>que chance teremos de a notarmos no dia a dia? Para vermos</p><p>o que está bem à nossa frente, às vezes precisamos de ilumi­</p><p>nação estatística. Podemos ver com facilidade evidências de</p><p>discriminação de gênero quando recebemos informações esta­</p><p>tisticamente resumidas sobre níveis de empregos, antiguidade</p><p>no cargo, desempenho, gênero e salário. Mas, com frequência,</p><p>não percebemos a discriminação quando as mesmas infor­</p><p>mações chegam até nós aos poucos, caso a caso (Twiss et al.,</p><p>1989).</p><p>Lembre-se de que: O coeficiente de correlação nos ajuda a</p><p>ver o mundo mais claramente ao revelar a verdadeira exten­</p><p>são da relação entre dois elementos.</p><p>Correlação e Causação</p><p>As correlações nos ajudam a fazer predições. A baixa autoes­</p><p>tima correlaciona-se com (e, portanto, prediz) a depressão.</p><p>(Essa correlação pode ser indicada por um coeficiente de cor­</p><p>relação ou apenas pela descoberta de que pessoas com um</p><p>escore na metade inferior de uma escala de autoestima apre­</p><p>sentam uma alta taxa de depressão.) Assim, a baixa autoes­</p><p>tima causa depressão? Se, com base na evidência correlacio­</p><p>nai, você supuser que sim, não estará sozinho. Entre os erros</p><p>de pensamento mais irresistíveis presentes tanto em pessoas</p><p>leigas quanto em psicólogos está o de assumir que a correla-</p><p>Escores de</p><p>temperamento</p><p>95</p><p>90</p><p>85</p><p>80</p><p>75</p><p>70</p><p>65</p><p>60</p><p>55</p><p>50</p><p>45</p><p>40</p><p>35</p><p>30</p><p>25</p><p>55 60 65 70 75 80</p><p>Altura em polegadas</p><p>85</p><p>► FIGURA 1.3</p><p>Gráfico de dispersão de dados para altura e temperamento Esta exibição de dados de 20 pessoas imaginárias (cada uma representada</p><p>por um pon</p><p>bem inferior a +1,0.</p><p>(i)</p><p>Baixa autoestima</p><p>(2)</p><p>Depressão</p><p>(3)</p><p>Eventos</p><p>angustiantes ou</p><p>predisposição</p><p>biológica</p><p>pode causar</p><p>Depressão</p><p>ou</p><p>pode causar</p><p>ou</p><p>pode causar</p><p>Baixa autoestima</p><p>Baixa autoestima</p><p>Depressão</p><p>> FIGURA 1.4</p><p>Três possíveis relações de causa e efeito As pessoas com baixa</p><p>autoestima são mais propensas a relatar depressão do que aquelas</p><p>com autoestima mais elevada.</p>
<p>Uma das explicações possíveis para</p><p>essa correlação negativa é que uma autoimagem ruim cause</p><p>sentimentos depressivos. Mas, como o diagrama indica, outras</p><p>relações de causa e efeito são possíveis.</p><p>ção prova a causação. Mas não importa quão forte seja a rela­</p><p>ção, ela não prova coisa alguma!</p><p>Como as opções 2 e 3 da FIGURA 1 .4 mostram, conse­</p><p>guiríamos a mesma correlação entre baixa autoestima e depres­</p><p>são se a depressão fizesse com que as pessoas se desvalorizas­</p><p>sem, ou se um terceiro fator - como a hereditariedade ou a</p><p>química cerebral - causasse tanto a baixa autoestima quanto</p><p>a depressão. Entre os homens, a duração do casamento cor­</p><p>relaciona-se positivamente com a perda de cabelos - porque</p><p>ambas estão associadas a um terceiro fator, a idade.</p><p>Esse ponto é tão importante - tão básico para se pensar a psi­</p><p>cologia de maneira mais inteligente - que merece mais um exem­</p><p>plo, de um levantamento com 12.000 adolescentes. O estudo</p><p>encontrou que quanto mais os adolescentes se sentem amados</p><p>por seus pais, menores as chances de apresentarem comporta­</p><p>mentos nocivos - como sexo precoce, fumo, abuso de álcool e</p><p>de drogas e manifestações de violência (Resnick et al., 1997).</p><p>“Os adultos exercem um efeito poderoso sobre o comportamento</p><p>de seus filhos até a época do ensino médio”, proclamou a Asso­</p><p>ciated Press (AP) relatando a história desse achado. Mas essa</p><p>correlação não vem embutida em seta de causa e efeito. Em</p><p>outras palavras (e aumente o volume aqui), associação não prova</p><p>causação.2 Portanto, a matéria da Associated Press poderia ter</p><p>dito: “Adolescentes bem-comportados sentem o amor e a apro­</p><p>vação de seus pais; adolescentes sem limites pensam com mais</p><p>frequência que seus pais são controladores idiotas.”</p><p>Lembre-se de que: A correlação indica a possibilidade de uma</p><p>relação de causa e efeito, mas ela não prova a causação. Saber que</p><p>dois eventos estão correlacionados não nos diz nada sobre suas</p><p>causas. Lembre-se desse princípio e você estará mais bem infor­</p><p>mado quando ler e ouvir notícias sobre descobertas científicas.</p><p>Um estudo relatado no B ritish M edicai Journa l</p><p>descobriu que jovens que se identificam com a</p><p>subcultura gótica tentam se ferir ou cometer suicídio</p><p>com mais frequência do que outras pessoas da</p><p>mesma idade (Young et al., 2 006 ). Será que você</p><p>consegue imaginar múltiplas explicações possíveis</p><p>para essa associação?</p><p>Correlações Ilusórias</p><p>6 : O que são correlações nusórias?</p><p>Os coeficientes de correlação tornam visíveis as relações que</p><p>do contrário não perceberíamos. Também coíbem que “veja­</p><p>mos” relações que de fato não existem. Uma correlação per­</p><p>cebida mas não existente é uma correlação ilusória. Quando</p><p>acreditamos que há uma relação entre dois elementos, tende­</p><p>mos a perceber e a lembrar de casos ilustrativos que confirmem</p><p>nossa crença (Trolier & Hamilton, 1986).</p><p>Um escritor do New York Times relatou um amplo</p><p>levantamento mostrando que adolescentes cujos pais</p><p>fumavam tinham 50% mais propensão a relatar terem</p><p>praticado sexo do que filhos de não fumantes”. Ele</p><p>concluiu (e você concordaria?) que a pesquisa indicava</p><p>um efeito causai: “para reduzir as chances de seus</p><p>filhos se tornarem sexualmente ativos precocemente,</p><p>os pais deveriam deixar de fumar” (0 ’Neil, 2002).</p><p>Por sermos suscetíveis a eventos dramáticos ou incomuns,</p><p>tendemos especialmente a perceber e lembrar da ocorrência</p><p>de dois eventos desse tipo seqüencialmente - como a premo­</p><p>nição de um telefonema improvável seguida da ligação.</p><p>Quando o telefonema não ocorre após a premonição, tende­</p><p>mos menos a notar ou lembrar desse não evento. As corre­</p><p>lações ilusórias ajudam a explicar muitas crenças supersti­</p><p>ciosas, tais como a presunção de que aumenta a probabilidade</p><p>de conceber quando casais inférteis adotam uma criança</p><p>(Gilovich, 1991). Aqueles que concebem depois de adotar</p><p>chamam mais a nossa atenção. E ficamos menos inclinados</p><p>a perceber aqueles que adotaram e nunca conceberam, ou</p><p>aqueles que concebem sem adotarem. Em outras palavras, as</p><p>correlações ilusórias ocorrem quando superestimamos a</p><p>célula superior à esquerda da FIGURA 1 .5 , ignorando as</p><p>informações igualmente essenciais nas outras células.</p><p>Tais pensamentos ilusórios ajudam a explicar por que,</p><p>durante tantos anos, as pessoas acreditaram (e ainda acredi­</p><p>tam) que o açúcar faz as crianças ficarem hiperativas, que ficar</p><p>Concebem</p><p>evidência</p><p>confirmadora</p><p>evidência não</p><p>confirmadora</p><p>Não concebem</p><p>evidência não</p><p>confirmadora</p><p>evidência</p><p>confirmadora</p><p>2Como muitas associações são apresentadas como correlações, o famoso</p><p>principio formulado é o de que “correlação não prova causação”. Isso e</p><p>verdade, mas também vale para associações verificadas por outras esta­</p><p>tísticas não experimentais (Hatfield et al., 2006).</p><p>Adotam</p><p>Não</p><p>adotam</p><p>>- FIGURA 1.5</p><p>Correlação ilusória cotidiana Muitas pessoas acreditam que casais</p><p>inférteis tornam-se mais propensos a conceber um filho após adotarem</p><p>um bebê. Essa crença surge do fato de sua atenção ser despertada por</p><p>tais casos. Os muitos casais que adotam sem conceber, ou que</p><p>concebem sem adotar, chamam menos atenção. Para determinar se de</p><p>fato existe uma correlação entre adoção e concepção, precisamos dos</p><p>dados descritos nas quatro células desta figura. (De Gilovich, 1991.)</p><p>molhado e com frio faz com que se pegue um resfriado e que</p><p>a mudança de tempo provoca dores articulares. Parece que</p><p>temos a tendência a detectar padrões, quer existam ou não.</p><p>correlação ilusória a percepção da existência de uma</p><p>relação onde não existe uma.</p><p>Lembre-se de que: Quando vemos coincidências aleatórias,</p><p>podemos justamente esquecer o fato de que são aleatórias e</p><p>percebê-las como correlacionadas. Assim, podemos facil­</p><p>mente nos enganar enxergando o que não existe.</p><p>pares de coroas seguidos por pares de caras. Nas jogadas de</p><p>30 a 38, tive uma “mão ruim”, com apenas uma cara em oito</p><p>jogadas. Mas minha sorte reverteu imediatamente com uma</p><p>“mão boa” - sete caras nas nove jogadas seguintes.</p><p>Esse tipo de tendência se repete com a frequência que se</p><p>poderia esperar dos lances aleatórios, nos arremessos e acer­</p><p>tos do basquete, nas escolhas de ações de fundos mútuos</p><p>(Gilovich et al., 1985; Malkiel, 1989, 1995; Myers, 2002).</p><p>Muitas vezes, elas não se parecem com seqüências aleatórias</p><p>e, por isso, recebem interpretações supervalorizadas (“Quando</p><p>é o seu dia de sorte, nada te segura!).</p><p>Percebendo Ordem em Eventos Aleatórios</p><p>Em nosso anseio natural por dar sentido ao mundo - o que</p><p>o poeta Wallace Stevens chamou de nossa “fúria ordena-</p><p>dora” - , procuramos por organização até mesmo em dados</p><p>aleatórios. E eis um curioso fato da vida: normalmente encon­</p><p>tramos, pois as seqüências aleatórias com frequência não pare­</p><p>cem aleatórias. Considere um lance aleatório de moedas: se</p><p>alguém lançar uma moeda seis vezes, qual das seguintes</p><p>seqüências de caras (A) e coroas (B) seria a mais provável:</p><p>AAABBB ou ABBABA ou AAAAAA?</p><p>Daniel Kahneman e Amos Tversky (1972) descobriram</p><p>que a maioria das pessoas acreditava que ABBABA era a</p><p>seqüência aleatória mais provável. Na verdade, todas são</p><p>igualmente prováveis (ou, se poderia dizer, igualmente impro­</p><p>váveis). Uma mão de bridge ou de pôquer com cartas de 10</p><p>a ás, todas de copas, pareceria extraordinário; na verdade,</p><p>isso não seria mais ou menos provável do que qualquer outra</p><p>mão de cartas (FIGURA 1 .6 ).</p><p>Em seqüências aleatórias reais, padrões e séries aparentes</p><p>(como dígitos repetidos) ocorrem com mais frequência do</p><p>que as pessoas esperam. Para demonstrar esse fenômeno para</p><p>mim mesmo (assim como você também pode fazê-lo), joguei</p><p>uma moeda 51 vezes e obtive os seguintes resultados:</p><p>1. A 10. B 19. A 28. B 37. B 46. A</p><p>2. B 11. B 20. A 29. A 38. B 47. A</p><p>3. B 12. A 21. B 30. B 39. A 48. B</p><p>4. B 13. A 22. B 31. B 40. B 49. B</p><p>5. A 14. B 23. A 32. B 41. A 50. B</p><p>6. A 15. B 24. B 33. B 42. A 51. B</p><p>7. A 16. A 25. B 34. B 43. A</p><p>8. B 17. B 26. B 35. B 44. A</p><p>9. B 18. B 27. A 36. A 45. B</p><p>Observando a seqüência, os padrões se revelam: as joga-</p><p>das de 10 a 22 resultaram</p>
<p>em um padrão quase perfeito de</p><p>Í I *</p><p>* 4*1</p><p>► F I G U R A 1.6</p><p>Duas seqüências aleatórias As chances de você receber essas</p><p>cartas são rigorosamente as mesmas: 1 em 2.598.960.</p><p>No dia 11 de março de 1998, Ernie e Lynn Carey, de</p><p>Utah, ganharam três netos quando três de suas filhas</p><p>deram à luz - no mesmo dia (Los Angeles Times,</p><p>1998). •</p><p>“Um dia realm ente incomum será aquele em que nada de</p><p>incomum acontecer."</p><p>Persi Diaconis, estatístico (2002)</p><p>O que explica esses padrões de séries? Será que eu estava</p><p>exercendo algum tipo de controle paranormal sobre minha</p><p>moeda? Deixei para trás minha onda de azar e entrei numa</p><p>maré de sorte? Tais explicações não são necessárias, pois esses</p><p>são os tipos de padrões encontrados em quaisquer dados ale­</p><p>atórios. Comparando cada jogada com a seguinte, 24 das 50</p><p>comparações produzem um resultado diferente - exatamente</p><p>o tipo de resultado esperado quando se joga cara ou coroa -</p><p>50% de chance para cada lado. Apesar dos padrões aparentes</p><p>nesses lances, o resultado de uma jogada não oferece nenhuma</p><p>pista sobre o resultado da jogada seguinte.</p><p>No entanto, alguns acontecimentos parecem tão extraor­</p><p>dinários que relutamos em conceber uma explicação simples­</p><p>mente casual (como no caso do jogo de cara ou coroa). Em</p><p>tais casos, os estatísticos são com frequência menos logrados.</p><p>Quando Evelyn Marie Adams ganhou na loteria de Newjer-</p><p>sey pela segunda vez, os jornais publicaram que a chance de</p><p>seu feito era de 1 em 17 trilhões. Bizarro? Na verdade, 1 em</p><p>17 trilhões é a chance de que uma determinada pessoa que</p><p>compra um único bilhete para duas loterias de New Jersey</p><p>ganhe ambas as vezes. Mas os estatísticos Stephen Samuels</p><p>e George McCabe (1989) relatam que, devido aos milhões</p><p>de pessoas que compram bilhetes de loteria nos Estados Uni­</p><p>dos, era “praticamente um fato certo” que algum dia, em</p><p>algum lugar, alguém tirasse a sorte grande duas vezes. De</p><p>fato, dizem os companheiros estatísticos Persi Diaconis e Fre-</p><p>derick Mosteller (1989), “com uma amostra grande o bas­</p><p>tante, qualquer coisa extravagante pode acontecer”. “Estra­</p><p>nho mesmo será o dia em que nada incomum acontecer”,</p><p>acrescenta Diaconis (2002). Um evento que acontece apenas</p><p>para uma pessoa numa população de 1 bilhão a cada dia</p><p>ocorre cerca de seis vezes por dia, 2000 vezes por ano.</p><p>Experimentação</p><p>7 : Como os experimentos, fortalecidos</p><p>pela designação aleatória, esclarecem</p><p>as relações de causa e efeito?</p><p>Felizes são aqueles “que conseguiram perceber as causas das</p><p>coisas”, observou o poeta romano Virgílio. Para isolar a causa</p><p>e o efeito, os psicólogos podem controlar outros fatores esta­</p><p>tisticamente. Por exemplo, muitos estudos indicaram que</p><p>bebês que são amamentados no peito materno crescem com</p><p>uma inteligência um tanto maior do que aqueles amamenta­</p><p>dos com leite de vaca (Angelsen et al., 2001; Mortensen et</p><p>al., 2002; Quinn et al., 2001). Também descobriram que crian­</p><p>ças britânicas alimentadas com leite materno tendiam com</p><p>mais frequência a ascender socialmente do que aquelas ali­</p><p>mentadas com mamadeira (Martin et al., 2007). Mas a noção</p><p>de que “o peito é melhor” para os resultados de inteligência</p><p>sofre uma diminuição quando os pesquisadores comparam as</p><p>crianças da mesma família amamentadas no peito aos irmãos</p><p>amamentados por mamadeira (Der et al., 2006).</p><p>Mas isso significa que mães mais inteligentes (que nos</p><p>países modernos amamentam no peito com mais frequência)</p><p>têm filhos mais inteligentes? Ou, como supõem alguns pes­</p><p>quisadores, os nutrientes do leite materno contribuem para</p><p>o desenvolvimento do cérebro? Para ajudar a responder a</p><p>essas perguntas, os pesquisadores “controlaram” (remo­</p><p>vendo-lhes diferenças estatisticamente) alguns outros fato­</p><p>res, tais como idade da mãe, educação e renda. E encontra­</p><p>ram que, durante a fase de nutrição infantil, o leite da mãe</p><p>relaciona-se de maneira discreta, mas positivamente, com a</p><p>inteligência posterior.</p><p>A pesquisa correlacionai não é capaz de controlar todos</p><p>os fatores possíveis. Mas os pesquisadores podem isolar causa</p><p>e efeito através de um experimento. Os experimentos per­</p><p>mitem que um pesquisador ponha em foco os efeitos possí­</p><p>veis de um ou mais fatores ao (1) manipular os fatores de inte­</p><p>resse e (2) manter os outros fatores constantes ( “controlando-</p><p>os"). Com a autorização dos pais, uma equipe de pesquisa</p><p>britânica decidiu fazer um experimento usando 424 bebês</p><p>prematuros designados aleatoriamente para receberem leite</p><p>em pó padrão de alimentação para bebês e outros para rece­</p><p>berem leite materno doado (Lucas et al., 1992). Nos testes</p><p>de inteligência aos 8 anos de idade, as crianças alimentadas</p><p>com leite materno obtiveram pontuações bem mais altas do</p><p>que seus companheiros alimentados com a fórmula.</p><p>Designação Aleatória</p><p>É claro que nenhum experimento único é conclusivo. Mas,</p><p>pela designação aleatória dos bebês para um grupo de ali­</p><p>mentação ou para o outro, os pesquisadores conseguiram</p><p>manter constantes todos os fatores, exceto a nutrição. Isso</p><p>eliminou explicações alternativas e apoiou a conclusão de</p><p>que o aleitamento materno é melhor para o desenvolvimento</p><p>da inteligência (ao menos para bebês prematuros).</p><p>Se um comportamento muda (como o desempenho num</p><p>teste) quando variamos um fator experimental (como a nutri­</p><p>ção infantil), então inferimos que o fator está tendo um</p><p>efeito. Lembre-se de que: Diferentemente dos estudos correla-</p><p>cionais, que revelam relações que ocorrem de forma natural,</p><p>um experimento manipula um fator para determinar seu</p><p>efeito.</p><p>Considere também como podemos avaliar uma interven­</p><p>ção terapêutica. Nossa tendência de buscar novos remédios</p><p>quando estamos doentes ou emocionalmente abatidos pode</p><p>produzir falsos testemunhos. Quando nossa saúde ou emo­</p><p>ção volta ao normal, atribuímos o restabelecimento a algo</p><p>que fizemos. Se depois de três dias de resfriado começamos a</p><p>tomar comprimidos de vitamina C e sentimos os sintomas</p><p>do resfriado diminuírem, podemos atribuir a melhora aos</p><p>comprimidos e não ao recuo natural da doença. Se, após</p><p>quase sermos reprovados numa prova, ouvirmos um CD subli­</p><p>minar de “aprendizagem acelerada” e, numa prova seguinte,</p><p>melhorarmos nosso rendimento, poderemos dar crédito ao</p><p>CD em vez de concluirmos que nosso desempenho voltou a</p><p>sua média. No século XVIII, a sangria parecia eficaz. Às vezes,</p><p>as pessoas melhoravam depois do tratamento; quando não</p><p>melhoravam, o médico concluía que a doença estava muito</p><p>avançada para ser revertida. (Claro que, atualmente, sabemos</p><p>que a sangria, por via de regra, é um tratamento ruim.) Assim,</p><p>quer um remédio seja ou não eficaz, é provável que seus usu­</p><p>ários entusiastas o endossem. Para descobrir se ele é de fato</p><p>eficaz, devemos usar a experimentação.</p><p>E é exatamente assim que novos tratamentos medicinais</p><p>e novos métodos de psicoterapia são avaliados por investiga­</p><p>dores (Capítulo 15). Os participantes desses estudos são dis­</p><p>tribuídos aleatoriamente para os grupos de pesquisa e, mui­</p><p>tas vezes, são cegos (não informados) sobre qual tratamento</p><p>estão recebendo, se é que estão mesmo. Um grupo recebe o</p><p>tratamento (como uma medicação ou outra terapia). O outro</p><p>recebe um pseudotratamento - um placebo inerte (pode ser</p><p>um comprimido sem substâncias medicamentosas). Se o</p><p>estudo adota um procedimento duplo-cego, nem os par­</p><p>ticipantes nem os pesquisadores assistentes que coletam os</p><p>dados saberão que grupo está recebendo o tratamento. Em</p><p>tais estudos, os pesquisadores podem checar os efeitos reais</p><p>de um tratamento independentemente da crença do poder</p><p>curativo e do entusiasmo da equipe sobre seu potencial cura­</p><p>tivo. O simples fato de achar que está recebendo um trata­</p><p>mento pode levar a pessoa a se sentir mais animada, relaxar</p><p>o corpo e aliviar os sintomas. Esse efeito placebo é bem</p><p>documentado na redução das dores, da depressão e da ansie­</p><p>dade (Kirsch & Sapirstein, 1998). E quanto mais caro for o</p><p>placebo, mais “real” nos parece - um falso comprimido de</p><p>R$ 2,50 funciona melhor do que outro que custa 10 centa­</p>
<p>vos (Waber et al., 2008). Para saber se uma terapia é de fato</p><p>eficaz, os pesquisadores precisam controlar um possível efeito</p><p>placebo.</p><p>O procedimento duplo-cego é uma forma de criar um</p><p>grupo experim ental, em que as pessoas recebem o trata­</p><p>mento, e um grupo de controle contrastante, que não recebe</p><p>o tratamento. Ao distribuir aleatoriamente as pessoas nessas</p><p>condições, os pesquisadores podem ter certeza de que os dois</p><p>grupos são praticamente idênticos. A designação aleatória</p><p>iguala mais ou menos os dois grupos em idade, atitude e qual­</p><p>quer outra característica. Com a designação aleatória, como</p><p>ocorreu com os bebês no experimento do leite materno, pode­</p><p>mos concluir que quaisquer diferenças posteriores entre as</p><p>pessoas nas condições experimental e de controle provavel­</p><p>mente resultarão do tratamento.</p><p>experimento é um método de pesquisa no qual um</p><p>investigador manipula um ou mais fatores (variáveis</p><p>independentes) para observar o efeito sobre algum</p><p>comportamento ou processo mental (as variáveis</p><p>dependentes). Pela designação aleatória dos</p><p>participantes, os experimentadores buscam controlar</p><p>outros fatores relevantes.</p><p>designação aleatória designar os participantes nos</p><p>grupos experimental e de controle ao acaso é um modo</p><p>de minimizar as diferenças preexistentes entre os</p><p>membros designados para os diferentes grupos.</p><p>procedimento duplo-cego é um procedimento</p><p>experimental no qual tanto os participantes da pesquisa</p><p>quanto a equipe de pesquisadores são ignorantes</p><p>(cegos) sobre se os participantes receberam tratamento</p><p>ou placebo. Normalmente usado em estudos de</p><p>avaliação de medicamentos.</p><p>efeito placebo [do latim, “eu devo agradar”) são</p><p>resultados experimentais causados unicamente pelas</p><p>expectativas; qualquer efeito sobre o comportamento</p><p>causado pela administração de uma substância ou</p><p>condição inerte, com o receptor pressupondo tratar-se</p><p>de um agente ativo.</p><p>grupo experimental em um experimento, é o grupo</p><p>exposto ao tratamento, ou seja, a uma versão da</p><p>variável independente.</p><p>grupo de controle em um experimento, é o grupo que</p><p>não é exposto ao tratamento; contrasta com o grupo</p><p>experimental e serve de comparação para avaliar o</p><p>efeito do tratamento.</p><p>variável independente é o fator experimental que é</p><p>manipulado; é a variável cujo efeito está sendo</p><p>estudado.</p><p>variável dependente é o fator resultante; é a variável</p><p>que pode sofrer alterações em resposta a manipulações</p><p>da variável independente.</p><p>Variáveis Independente e Dependente</p><p>Eis aqui um exemplo ainda mais potente: o Viagra foi apro­</p><p>vado para uso depois de 21 testes clínicos, incluindo um</p><p>experimento em que os pesquisadores distribuíram aleato­</p><p>riamente 329 homens com disfunção erétil para a condição</p><p>experimental (os que tomaram Viagra) e para a condição de</p><p>controle (os que tomaram placebo). Esse foi um procedi­</p><p>mento duplo-cego - nem os homens nem a pessoa que minis­</p><p>trava os comprimidos sabiam que remédio os participantes</p><p>estavam recebendo. O resultado: em doses máximas, 69%</p><p>das tentativas de relações sexuais com a ajuda do Viagra foram</p><p>bem-sucedidas, em comparação com os 22% dos homens que</p><p>receberam o placebo (Goldstein et al., 1998). O Viagra fun­</p><p>cionou.</p><p>Esse experimento simples manipulou apenas um fator: a</p><p>dosagem do medicamento (zero vs. dose máxima). Chama­</p><p>mos esse fator experimental de variável independente por­</p><p>que podemos variá-lo independentemente de outros fatores,</p><p>tais como a idade dos homens, o peso e a personalidade (con­</p><p>trolados pela designação aleatória). Os experimentos exami­</p><p>nam o efeito de uma ou mais variáveis independentes sobre</p><p>algum comportamento mensurável, chamado variável</p><p>dependente porque ela pode variar dependendo do que acon­</p><p>tece durante o experimento. Ambas as variáveis recebem defi­</p><p>nições operacionais precisas, que especificam os procedimentos</p><p>que manipulam a variável independente (a dosagem precisa</p><p>do remédio e o tempo nesse estudo) ou que medem a variá­</p><p>vel dependente (as perguntas que avaliaram as respostas dos</p><p>homens). Essas definições respondem à pergunta “O que você</p><p>quer dizer?” com um nível de precisão que possibilita que</p><p>outros repitam o estudo. (Veja a FIGURA 1 .7 sobre o deli-</p><p>neamento do experimento do leite materno.)</p><p>Vamos fazer uma pausa e verificar sua compreensão com</p><p>um experimento psicologico simples. Para testar o efeito da</p><p>percepção de etnicidade sobre disponibilidade de uma casa</p><p>para aluguel, Adrian Carpusor e William Loges (2006) envia­</p><p>ram e-mails com textos idênticos para 1115 proprietários na</p><p>área de Los Angeles. Os pesquisadores alteraram a conotação</p><p>étnica dos nomes dos remetentes e mediram o percentual de</p><p>respostas positivas (convites para visitar o imóvel pessoal­</p><p>mente). “Patrick McDougall”, “Said Al-Rahman” e “Tyrell</p><p>Jackson” receberam, respectivamente, 89 por cento, 66 por</p><p>cento e 56 por cento de convite. Nesse experimento, qual foi</p><p>a variável independente? E a dependente?3</p><p>Os experimentos também podem nos ajudar a avaliar pro­</p><p>gramas sociais. Os programas educativos voltados para a pri­</p><p>meira infância de crianças pobres aumentam suas chances</p><p>de sucesso? Quais são os efeitos das diferentes campanhas</p><p>antitabagismo? A educação sexual nas escolas reduz a gravi­</p><p>dez na adolescência? Para responder a essas perguntas, pode­</p><p>mos empregar experimentos: se uma intervenção é bem-vinda</p><p>mas os recursos são escassos, poderíamos usar uma loteria</p><p>para distribuir aleatoriamente algumas pessoas (ou regiões)</p><p>para experimentar o novo programa e outras pessoas para a</p><p>condição de controle. Se mais tarde os dois grupos diferirem,</p><p>o efeito da intervenção será confirmado (Passell, 1993).</p><p>Observe a distinção entre a amostragem aleatória</p><p>nos levantamentos, abordada anteriormente, e as</p><p>designações aleatórias nos experimentos (descritas</p><p>na Figura 1.7). A am ostragem a leatória nos ajuda a</p><p>generalizar para uma população maior. A designação</p><p>aleatória controla influências externas, o que nos</p><p>ajuda a inferir a causa e o efeito.</p><p>Vamos recapitular. Uma variável é qualquer fator que pode</p><p>variar (nutrição de bebês, inteligência, exposição à TV - qual­</p><p>quer coisa dentro dos limites do que é viável e ético). Expe­</p><p>rimentos visam manipular uma variável independente, medir</p><p>a variável dependente e controlar todas as outras variáveis. Um</p><p>experimento tem pelo menos dois grupos diferentes: um grupo</p><p>experimental e outro de comparação, ou grupo de controle. A</p><p>designação aleatória equipara os grupos antes de quaisquer</p><p>efeitos no tratamento. Desse modo, um experimento testa o</p><p>efeito de pelo menos uma variável independente (a que é</p><p>manipulada) sobre pelo menos uma variável dependente (o</p><p>3A variável independente, que os pesquisadores manipularam, foram os</p><p>nomes relacionados à etnia. A variável dependente, que eles mediram,</p><p>foi a taxa de respostas positivas.</p><p>Designação aleatória</p><p>(controle de outras</p><p>variáveis, como</p><p>inteligência dos pais</p><p>e ambiente)</p><p>Variável Variável</p><p>Grupo independente dependente</p><p>Controle</p><p>Experimental Leite materno</p><p>Leite em pó</p><p>Escore de</p><p>inteligência,</p><p>8 anos</p><p>Escore de</p><p>inteligência,</p><p>8 anos</p><p>> F I G U R A 1.7</p><p>Experimentação Para discernir a causação, os psicólogos podem designar aleatoriamente alguns participantes para um grupo experimental e</p><p>outros para um grupo de controle. A medida da variável dependente (escore de inteligência na infância avançada) determinará o efeito da</p><p>variável independente (tipo de leite).</p><p>TABELA 1.3</p><p>C o m p a r a n d o M é t o d o s d e P e s q u is a</p><p>Método de</p><p>Pesquisa Propósito Básico Como É Conduzido</p><p>O que É</p><p>Manipulado Fraquezas</p><p>Descritivo Observar e registrar</p><p>comportamentos</p><p>Conduzir estudos de casos,</p><p>levantamentos (surveys) ou</p><p>observações naturalistas</p><p>Nada Sem controle das variáveis; casos</p><p>únicos podem ser enganadores</p><p>Correlacionai Detectar relações que</p><p>ocorrem naturalmente;</p><p>avaliar quão bem uma</p><p>variável prediz a outra</p><p>Computar associações</p><p>estatísticas, algumas vezes</p><p>entre as respostas dos</p><p>levantamentos</p><p>Nada Não especifica causa e efeito</p><p>Experimental</p>
<p>Explorar causa e efeito Manipular um ou mais fatores;</p><p>utiliza a designação aleatória</p><p>A(s) variável(is)</p><p>independente(s)</p><p>Às vezes inviável; os resultados</p><p>podem não ser generalizados para</p><p>outros contextos; não é ético</p><p>manipular certas variáveis</p><p>resultado que medimos). A TABELA 1 .3 compara as carac­</p><p>terísticas dos métodos de pesquisa em psicologia.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> P e r g u n te a S i M esm o</p><p>Se você se tornasse um pesquisador em psicologia, que</p><p>questões gostaria de explorar através de experimentos?</p><p>> T e ste a S i M e sm o 2</p><p>Por que, ao testar um novo remédio para a pressão arterial,</p><p>aprenderíamos mais sobre sua eficácia se déssemos o remédio</p><p>à metade dos participantes em um grupo de 1.000 do que se</p><p>o déssemos a todos os 1.000 participantes?</p><p>Respostas para as questões Teste a Si Mesmo podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B, no final do livro.</p><p>Raciocínio Estatístico no Dia a Dia</p><p>NAS PESQUISAS DESCRITIVA, CORRELACIONAL e experi­</p><p>mental, as estatísticas são ferramentas que nos ajudam a ver</p><p>e interpretar o que pode escapar a um olhar sem uso de ins­</p><p>trumentos. Mas um entendimento estatístico pode favorecer</p><p>outras pessoas além dos pesquisadores. Faz parte da educação</p><p>atual ser capaz de aplicar princípios estatísticos simples em</p><p>raciocínios cotidianos. Ninguém precisa decorar fórmulas</p><p>complicadas para pensar com mais clareza e de maneira mais</p><p>crítica sobre os dados.</p><p>Estimativas feitas na base do palpite com frequência inter­</p><p>pretam mal a realidade e desorientam o público. Alguém</p><p>menciona um número redondo e avantajado, outros fazem</p><p>eco dele e, logo depois, o número redondo e avantajado se</p><p>torna uma informação pública errada. Alguns exemplos:</p><p>• 10% das pessoas são homossexuais. Ou serão 2% ou 3%,</p><p>como sugerido por vários levantamentos (surveys) feitos</p><p>nos EUA (Capítulo 11)?</p><p>• Normalmente, usamos apenas 10% de nosso cérebro. Ou</p><p>será que usamos quase 100%? (Capítulo 2)</p><p>• O cérebro humano tem 100 bilhões de células nervosas. Ou</p><p>serão cerca de 40 bilhões, como sugere a extrapolação a</p><p>partir da contagem de amostras (Capítulo 2)?</p><p>Lembre-se de: Duvidar dos números redondos e avantaja-</p><p>dos não documentados. Em vez de engolir estimativas feitas</p><p>na base do palpite, use o pensamento mais inteligente, apli­</p><p>cando princípios estatísticos simples ao raciocínio coti­</p><p>diano.</p><p>moda são os escores mais freqüentes em uma</p><p>distribuição.</p><p>média é a média aritmética de uma distribuição obtida</p><p>pela soma dos escores e dividida pelo número de</p><p>escores.</p><p>mediana é o escore médio de uma distribuição;</p><p>metade dos escores fica acima da mediana e metade</p><p>abaixo dela.</p><p>amplitude é a diferença entre o escore mais alto e o</p><p>mais baixo em uma distribuição.</p><p>desvio-padrão é a medida computada de quantos os</p><p>escores variam em relação ao escore médio.</p><p>A Descrição dos Dados</p><p>8 : Como podemos descrever dados com</p><p>medidas da tendência central e variação?</p><p>Uma vez que os pesquisadores tenham coletado seus dados,</p><p>a primeira tarefa é organizá-los de uma maneira que faça</p><p>sentido. Um modo de fazer isso é converter os dados em um</p><p>gráfico de barras simples, como na FIGURA 1.8 , que demons­</p><p>tra a distribuição de caminhões de diferentes marcas ainda</p><p>rodando depois de uma década. Ao ler gráficos estatísticos</p><p>como esse, tome cuidado. É fácil criar um gráfico para fazer</p><p>que uma diferença pareça grande (FIGURA 1.8a) ou pequena</p><p>(FIGURA 1 .8 b ). O segredo reside em como você valora a</p><p>escala vertical (eixo Y).</p><p>Lembre-se de: Pensar de maneira inteligente. Diante de grá­</p><p>ficos nas revistas ou na televisão, leia os valores da escala e</p><p>seu intervalo.</p><p>Medidas de Tendência Central</p><p>O próximo passo é resumir os dados usando alguma medida</p><p>de tendência central, um escore único que representa um con­</p><p>junto completo de escores. A medida mais simples é chamada</p><p>Percentual 100°/o</p><p>ainda em</p><p>funcionamento</p><p>após 10 anos 99</p><p>98</p><p>97</p><p>96</p><p>95</p><p>Percentual</p><p>ainda em</p><p>funcionamento</p><p>após 10 anos</p><p>I</p><p>Nossa M arca M arca Marca</p><p>m arca X Y Z</p><p>Marca do caminhão</p><p>(a)</p><p>100%</p><p>90</p><p>80</p><p>70</p><p>60</p><p>50</p><p>40</p><p>30</p><p>20</p><p>10</p><p>0</p><p>Nossa M arca M arca Marca</p><p>m arca X Y Z</p><p>Marca do caminhão</p><p>(b)</p><p>>• FIGURA 1.8</p><p>Leia o rótulo da escala Um fabricante americano de caminhões apresentou um gráfico (a) - listando nomes de marcas verdadeiros - para</p><p>sugerir a durabilidade muito maior de seus caminhões. Observe, no entanto, como a diferença aparente diminui quando a escala vertical é</p><p>modificada (gráfico b).</p><p>moda, o registro que ocorre com mais frequência. A mais</p><p>comumente relatada é a média, ou média aritmética - a soma</p><p>total de todos os escores dividida pelo número de escores. Em</p><p>uma autoestrada dividida, a mediana é o meio. O mesmo</p><p>vale para os dados: a m ediana é o valor que divide a amostra</p><p>ao meio - equivalente ao percentil 50. Se você arrumar todos</p><p>os escores em ordem do maior para o menor, uma metade</p><p>ficará acima da mediana e a outra ficará abaixo dela.</p><p>As medidas de tendência central resumem os dados orde­</p><p>nadamente. Mas considere o que acontece à média quando</p><p>uma distribuição é assimétrica ou enviesada. Com dados</p><p>sobre renda, por exemplo, a moda, a mediana e a média fre­</p><p>quentemente contam histórias diferentes (FIGURA 1 .9 ) .</p><p>Isso acontece porque a média é afetada por poucos escores</p><p>extremos. Quando o cofundador da Microsoft, Bill Gates,</p><p>senta em um barzinho aconchegante, o cliente médio do</p><p>bar (média) se torna instantaneamente um bilionário. Mas</p><p>a riqueza mediana dos clientes permanece inalterada. Enten­</p><p>dendo isso, você pode ver como um jornal britânico pôde</p><p>publicar com exatidão a manchete: “62% Têm Renda Abaixo</p><p>da Média” (Waterhouse, 1993). Como a metade inferior dos</p><p>britânicos que possuem renda recebe apenas um quarto do</p><p>bolo da renda nacional, a maior parte do povo britânico,</p><p>como a maioria das pessoas em todo lugar, recebe menos</p><p>do que a média. Nos Estados Unidos, os republicanos ten­</p><p>dem a alardear o sólido crescimento da economia desde</p><p>2000 usando a renda média; os democratas lamentam o</p><p>crescimento tímido da economia a partir da renda mediana</p><p>(Paulos, 2006). Média e mediana contam histórias verda­</p><p>deiras diferentes.</p><p>Lembre-se de: Observar sempre qual medida de tendência</p><p>central é relatada. Depois, se a medida for uma média, con-</p><p>_•</p><p>30 40 50 bO 70 80 90 100 950</p><p>h -</p><p>1420</p><p>Moda</p><p>Uma família</p><p>Mediana</p><p>140</p><p>t</p><p>Média</p><p>Renda por família em milhares de dólares</p><p>>- FIGURA 1.9</p><p>Uma distribuição enviesada Esta representação gráfica da distribuição de renda em uma cidade pequena ilustra as três medidas de tendência central -</p><p>moda, mediana e média. Observe como apenas algumas rendas elevadas tornam a média - o ponto de apoio que equilibra as rendas acima e abaixo -</p><p>enganosamente alta.</p><p>sidere se alguns poucos escores atípicos poderiam estar dis­</p><p>torcendo-a.</p><p>A pessoa média possui um ovário e um testículo.</p><p>Medidas de Variação</p><p>Saber o valor de uma medida de tendência central apropriada</p><p>pode nos dizer muito.</p><p>Mas o número por si só omite outras informações. Ajuda</p><p>a saber alguma coisa sobre a quantidade de variação nos dados</p><p>- o grau de semelhança ou de diferença entre os escores. As</p><p>médias derivadas de escores com baixa variabilidade são mais</p><p>confiáveis do que as médias baseadas em escores com elevada</p><p>variabilidade. Considere um jogador de basquete que marcou</p><p>entre 13 e 17 pontos em cada um de seus primeiros 10 jogos</p><p>em uma temporada. Sabendo disso, ficaríamos mais confian­</p><p>tes de que ele marcaria aproximadamente 15</p><p>pontos em seu próximo jogo do que se a mar­</p><p>cação de seus escores tivesse variado de 5 a</p><p>25 pontos.</p><p>A am plitude dos escores - o intervalo</p><p>entre o escore mais baixo e o escore mais alto</p><p>em uma série de dados - oferece apenas uma</p><p>estimativa bruta da variação porque um par</p><p>de escores extremos em um grupo que de</p><p>maneira contrária seria uniforme, como as</p><p>rendas de US$950.000 e U S$1.420.000 na</p><p>Figura 1.12, irá criar uma variação ilusoria-</p><p>mente grande.</p><p>A medida mais útil para avaliar quanto os</p><p>escores se afastam uns dos outros é a do des-</p><p>vio-padrão. Ele avalia</p>
<p>melhor se os escores</p><p>estão próximos ou dispersos, porque usa</p><p>informações de cada escore (TABELA 1 .4 ).</p><p>O cômputo reúne informação sobre o quanto</p><p>os escores individuais diferem da média. Se</p><p>a sua faculdade ou universidade atrai estu­</p><p>dantes com certo nível de capacidade, os</p><p>escores de suas inteligências terão um des-</p><p>Número</p><p>de escores</p><p>vio-padrão pequeno comparado com o encontrado em uma</p><p>população comunitária mais diversa de fora de sua facul­</p><p>dade.</p><p>Você pode compreender o significado do desvio-padrão se</p><p>considerar como os escores são distribuídos na natureza.</p><p>Grandes números de dados - alturas, pesos, escores de inte­</p><p>ligência, graus (mas não renda) - muitas vezes formam uma</p><p>distribuição simétrica em forma de sino. A maioria dos casos</p><p>cai na média, e apenas alguns caem próximo de cada um dos</p><p>extremos. Essa distribuição em forma de sino é tão típica que</p><p>chamamos a curva que forma de curva normal.</p><p>Como mostra a FIGURA 1.10 , uma propriedade bastante</p><p>útil da curva normal é que cerca de 68 por cento dos casos</p><p>caem dentro de um desvio-padrão de cada lado da média.</p><p>Cerca de 95 por cento dos casos caem dentro de dois desvios</p><p>padrões. Assim, o Capítulo 10 observa que cerca de 68 por</p><p>cento das pessoas que realizam um teste de inteligência têm</p><p>Cerca de 9 5 % de</p><p>todas as pessoas</p><p>caem dentro dos</p><p>30 pontos em</p><p>relação a 100</p><p>Sessenta e oito por cento</p><p>dos escores das pessoas</p><p>ficam dentro ae 15 pontos</p><p>acima ou abaixo ae 100</p><p>0 ,1%</p><p>J s L 145*.</p><p>95% V</p><p>0,1%</p><p>55 70 85 100 115 130 145</p><p>Escore de inteligência de Wechsler</p><p>>• FIGURA 1.10</p><p>A curva normal Os escores nos testes de aptidão tendem a formar uma curva</p><p>normal, em forma de sino. Por exemplo, a escala de inteligência Wechsler para adultos</p><p>tende ao escore médio de 100.</p><p>O D esvio-P adrão É M uito M ais I nformativo que a M édia So zin h a</p><p>Observe que os escores de teste na Classe A e na Classe B têm a mesma média (80), mas desvios-padrão muito diferentes, o que nos informa</p><p>mais sobre o real desempenho dos estudantes de cada turma.</p><p>Escores de Teste da Turma A Escores de Teste da Turma B</p><p>Escore Desvio da Média Desvio Quadrado Escore Desvio da Média Desvio Quadrado</p><p>72 -8 64 60 -20 400</p><p>74 -6 36 60 -20 400</p><p>77 -3 9 70 -1 0 100</p><p>79 - 1 1 70 -1 0 100</p><p>82 +2 4 90 + 10 100</p><p>84 +4 16 90 + 10 100</p><p>85 +5 25 100 +20 400</p><p>87 +7 49 100 +20 400</p><p>Total = 640</p><p>Média = 640 - 8 = 80</p><p>Desvio padrão =*</p><p>Soma dos (desvios)2 204</p><p>V Número de escores 8</p><p>Soma dos (desvios)2 = 204 Total = 640</p><p>Média = 640 ■+■ 8 = 80</p><p>Desvio padrão =</p><p>Soma dos (desvios)2</p><p>1 Número de escores</p><p>Soma dos (desvios)2 = 2000</p><p>escores dentro de ± 15 pontos de 100. Cerca de 95 por cento</p><p>ficarão dentro de ± 30 pontos.</p><p>curva normal (distribuição norma!) é uma curva</p><p>simétrica em formato de sino que descreve a distribuição</p><p>de diversos tipos de dados; a maioria dos escores cai</p><p>próximo à média (68 por cento caem dentro de um</p><p>desvio-padrão da média) e cada vez menos caem mais</p><p>próximos dos extremos.</p><p>Fazendo Inferências</p><p>9 : Que princípios podem guiar as generalizações</p><p>feitas a partir de amostras e decidir se</p><p>as diferenças são significativas?</p><p>Dados contêm “ruídos”. O escore médio de um grupo (bebês</p><p>alimentados com leite materno) poderia diferir do escore</p><p>médio em outro grupo (bebês alimentados com leite em pó)</p><p>não devido a uma diferença real, mas pela flutuação fruto do</p><p>acaso entre as pessoas da amostra. Que confiança podemos</p><p>ter, então, de inferir corretamente que a diferença observada</p><p>estima acuradamente a diferença real? Para orientação, pode­</p><p>mos questionar o grau de confiabilidade e de significância</p><p>das diferenças.</p><p>significância estatística é uma afirmação estatística</p><p>sobre a probabilidade de um resultado ter sido obtido</p><p>pelo acaso.</p><p>Quando uma Diferença</p><p>Observada É Confiável?</p><p>Ao decidir quando é seguro generalizar a partir de uma amos­</p><p>tra, devemos manter três princípios em mente.</p><p>1. Amostras representativas são melhores do que amos­</p><p>tras tendenciosas. A melhor base para generalização não</p><p>parte dos casos memoráveis e excepcionais encontrados</p><p>nos extremos, mas de uma amostra representativa de</p><p>casos. Nenhuma pesquisa envolve uma amostra repre­</p><p>sentativa de toda a população humana. Portanto, vale a</p><p>pena ter em mente de qual população a amostra foi extra­</p><p>ída para o estudo.</p><p>2 . Observações menos variáveis são mais confiáveis do</p><p>que as mais variáveis. Como notamos no exemplo do</p><p>jogador de basquetebol cujos escores foram uniformes,</p><p>uma média é mais confiável quando vem de escores com</p><p>baixa variabilidade.</p><p>3. Mais casos são m elhores do que poucos casos. Um</p><p>estudante ansioso, prestes a entrar para a universidade,</p><p>visita dois campi universitários em dias diferentes. No pri­</p><p>meiro, o estudante assiste a duas aulas aleatoriamente e</p><p>descobre que os dois professores são bem-humorados e</p><p>engajados. No outro campus, os dois professores que for­</p><p>mam a amostra pareciam entediados e pouco inspirados.</p><p>Voltando para casa, o estudante (descontando a pequena</p><p>amostra de apenas dois professores de cada instituição)</p><p>conta aos amigos sobre os “ótimos professores” da primeira</p><p>universidade e sobre os “chatos” da segunda. Novamente,</p><p>sabemos disso, mas ignoramos: médias baseadas em um</p><p>número maior de casos são mais confiáveis (menor variabi­</p><p>lidade) do que médias baseadas em apenas alguns casos.</p><p>Lembre-se: Não se impressione muito com alguns casos</p><p>isolados. Generalizações baseadas em poucos casos não repre­</p><p>sentativos não são confiáveis.</p><p>Quando uma Diferença É Significativa?</p><p>Os testes estatísticos também nos ajudam a determinar se as</p><p>diferenças são significantes. Aqui está a lógica subjacente:</p><p>quando as médias de duas amostras são medidas confiáveis</p><p>de suas respectivas populações (como quando cada uma é</p><p>baseada em muitas observações que têm pequena variabili­</p><p>dade), então a diferença entre elas provavelmente é confiável</p><p>também. (Exemplo: quanto menor a variabilidade dos esco­</p><p>res da agressão em homens e mulheres, maior será nossa</p><p>confiança de que qualquer diferença observada seja confiá­</p><p>vel.) Mas quando a diferença entre as médias das amostras é</p><p>grande, temos uma confiança ainda maior de que a diferença</p><p>entre elas reflete uma diferença real em suas populações.</p><p>Para resumir, quando as médias das amostras são confiá­</p><p>veis e a diferença entre elas é relativamente grande, dizemos</p><p>que a diferença tem significância estatística. Isso significa</p><p>que a diferença que observamos provavelmente não se deve</p><p>a variação casual entre as amostras.</p><p>Os psicólogos são conservadores ao julgar a significância</p><p>estatística. São como os júris que presumem inocência até</p><p>que a culpa seja provada. Para a maioria dos psicólogos, prova</p><p>com um grau de certeza razoável quer dizer não dar muito</p><p>valor a uma descoberta cuja chance de ocorrer por acaso é</p><p>menor do que 5% (um critério arbitrário).</p><p>Ao ler sobre pesquisas, você deve se lembrar que, diante</p><p>de amostras grandes ou homogêneas o bastante, a diferença</p><p>entre elas pode ser “significativa estatisticamente” e ainda</p><p>assim ter pouco significado prático. Por exemplo, as compa­</p><p>rações dos escores obtidos em testes de inteligência entre</p><p>centenas de milhares de indivíduos primogênitos e não pri­</p><p>mogênitos indicam que há uma tendência altamente signi­</p><p>ficativa de o primogênito de uma família obter uma média</p><p>de escores mais elevada do que seus irmãos (Kristensen C.</p><p>Bjerbedal, 2007; Zajonc & Markus, 1975). Mas, como os</p><p>escores diferem em apenas um a três pontos, a diferença tem</p><p>pouca importância prática. Tais descobertas fizeram com que</p><p>alguns psicólogos defendessem alternativas aos testes de sig­</p><p>nificância (Hunter, 1997). Melhor, dizem eles, seria adotar</p><p>outros meios para expressar o tamanho do efeito da descoberta</p><p>- sua magnitude e confiabilidade.</p><p>Lembre-se de que: A significância estatística indica a proba­</p><p>bilidade de um resultado acontecer por acaso. Mas isso não</p><p>diz absolutamente nada sobre a importância do resultado.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>>• Pergunte a Si Mesmo</p><p>Encontre um gráfico num anúncio de alguma</p>
<p>um polêmico</p><p>precursor da psicologia evolucionista.</p><p>Sandra Wood Scarr e Richard A. Weinberg publicam “ IQTest</p><p>Performance of Black Children Adopted by White Families” , em</p><p>American Psychologist.</p><p>O psicólogo Herbert A. Simon, da Carnegie-Mellon University,</p><p>ganha o Prêmio Nobel por sua pesquisa pioneira sobre</p><p>simulações em computador sobre pensamento humano e</p><p>solução de problemas.</p><p>James J. Gibson publica The Ecological Approach to Visual</p><p>Perception.</p><p>Elizabeth Loftus publica Eyewitness Testimony.</p><p>Elten Langer torna-se a primeira mulher a obter a estabilidade</p><p>plena (Tenure) no Departamento de Psicologia da Universidade</p><p>de Harvard.</p><p>David Hubel e Torsten Wiesel recebem o Prêmio Nobel pela</p><p>pesquisa sobre registros de células específicas que identificaram</p><p>células detectoras de traços no córtex visual.</p><p>Roger Sperry recebe o Prêmio Nobel pela pesquisa sobre</p><p>pacientes com cérebro dividido.</p><p>O paleontólogo Stephen Jay Gould publica The Mismeasure of</p><p>Man, destacando o debate relativo à determinação biológica da</p><p>inteligência.</p><p>1974</p><p>1975</p><p>1979</p><p>1981</p><p>1984 -</p><p>1 9 8 4 -</p><p>1 9 8 7 -</p><p>1988 -</p><p>1990 -</p><p>1991 -</p><p>1 9 9 2 -</p><p>1993 -</p><p>1996 -</p><p>2002 -</p><p>A American Psychological Association cria a Divisão 44 (Society</p><p>for the Psychological Study of Lesbian and Gay Issues).</p><p>Robert Sternberg publica Intelligence Applied, em que propõe a</p><p>teoria triárquica da inteligência humana.</p><p>Elizabeth Scarborough e Laurel Furumoto (na foto) publicam Untold</p><p>Lives: The First Generatiori of American Women Psychologists.</p><p>É lançada a fluoxetina (Prozac) como tratamento da depressão.</p><p>Wilbert J. McKeachie, da Universidade de Michigan, recebe o</p><p>primeiro American Psychological Association Award for</p><p>Distinguished Career Contributions to Education and Training in</p><p>Psychology.</p><p>É fundada a American Psychological Society. Seu nome é alterado</p><p>para Association of Psychological Science, em 2006.</p><p>Por promover a compreensão e 0 tratamento da psicopatologia,</p><p>incluindo contribuições essenciais para 0 desenvolvimento da</p><p>terapia cognitiva, 0 psiquiatra Aaron Beck recebe 0 American</p><p>Psychological Association’s Distinguished Scientific Award for</p><p>the Applications of Psychology.</p><p>B. F. Skinner recebe da American Psychological Association a</p><p>primeira Menção Honrosa por Destacadas Contribuições</p><p>Vitalícias à Psicologia, e faz seu último discurso público, “ Can</p><p>Psychology Be a Science of Mind?” (Morreu poucos dias depois,</p><p>aos 86 anos.)</p><p>Martin Seligman publica Learned Optimism, que prenuncia 0</p><p>movimento da “ psicologia positiva” .</p><p>Foi criado 0 Teachers of Psychology in Secondary Schools</p><p>(TOPSS), como parte da American Psychological Association.</p><p>Nos EUA, cerca de 3.000 alunos de ensino médio submeteram-se</p><p>ao primeiro Advanced Placement Examination (AP) em</p><p>Psicologia, na esperança de conseguirem dispensa do curso de</p><p>introdrução à Psicologia em nível pós-ensino médio.</p><p>Ao assumir a reitoria da Universidade da Pensilvânia, a psicóloga</p><p>Judith Rodin tornou-se a primeira mulher a ocupar tal cargo em</p><p>um estabelecimento da Ivy League.</p><p>Em Frames ofMind, Howard Gardner delineia sua teoria das</p><p>inteligências múltiplas.</p><p>Dorothy Cantor é a primeira presidente da APA com um título</p><p>Psy.D.</p><p>O Novo México torna-se 0 primeiro estado norte-americano a</p><p>permitir que psicólogos clínicos qualificados possam prescrever</p><p>determinados medicamentos.</p><p>O psicólogo Daniel Kahneman, da Universidade de Princeton,</p><p>recebe o Prêmio Nobel pela pesquisa sobre tomada de decisões.</p><p>A Conferência Nacional da APA sobre Ensino Básico de Psicologia</p><p>é realizada na Universidade de Puget Sound, presidida por Diane</p><p>Halpern.</p><p>A Terceira Conferência Internacional sobre 0 Ensino da Psicologia</p><p>6 rpnll/ndn em São Petersburgo, na Rússia.</p><p>Psicologia</p><p>*</p><p>j À&</p><p>f S iS T E ,;? IN T EG R A D O DE B I3 LI0 ÍEC A S</p><p>P s i c o l o q i a</p><p>N O N A E D I Ç Ã O —/</p><p>David G. Myers</p><p>Hope College</p><p>Holland, Michigan</p><p>Tradução</p><p>Daniel Argolo Estill</p><p>Heitor M. Corrêa</p><p>Revisão Técnica</p><p>Angela Donato Oliva</p><p>Doutora em Psicologia na área de Psicologia Escolar e do D esenvolvim ento H um ano pela Universidade</p><p>de São Paulo (USP).</p><p>Professora do Instituto de Psicologia e do Program a de Pós-Graduação em Psicologia Social da</p><p>Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).</p><p>Professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</p><p>O autor e a editora empenharam-se para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos as detentores dos direitos</p><p>autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondo-se a possíveis acertos caso. inadvernda^iente. a identifica­</p><p>ção de algum deles tenha sido omitida.</p><p>Não é responsabilidade da editora nem do autor a ocorrência de eventuais perdas ou danos a pessoas ou bens que tenham</p><p>origem no uso desta publicação.</p><p>Apesar dos melhores esforços do autor, dos tradutores, da editora e dos revisores, é inevitável que suriam erros no texto.</p><p>Assim, são bem-vindas as comunicações de usuários sobre correções ou sugestões referentes ao conteúdo ou ao nível</p><p>pedagógico que auxiliem o aprimoramento de edições futuras. Os comentários dos leitores podem ser encaminhados à</p><p>LTC — Livros Técnicos e Científicos Editora pelo e-mail ltc@grupogen.com.br.</p><p>Publicado originalmente nos Estados Unidos por</p><p>WORTH PUBLISHERS, New York</p><p>Copyright © 2010 by WORTH PUBLISHERS.</p><p>Todos os direitos reservados.</p><p>Direitos exclusivos para a língua portuguesa</p><p>Copyright © 2012 by</p><p>LTC — Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda.</p><p>Uma editora integrante do GEN | Grupo Editorial Nacional</p><p>Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer</p><p>formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na internet ou outros), sem per­</p><p>missão expressa da editora.</p><p>Travessa do Ouvidor, 11</p><p>Rio de Janeiro, RJ - CEP 20040-040</p><p>Tels.: 21-3543-0770 / 11-5080-0770</p><p>Fax:21-3543-0896</p><p>ltc@grupogen.com.br</p><p>www.ltceditora.com.br</p><p>Capa: Diretor de Arte e Design de Capa: Babs Reingold</p><p>Reprodução da Pintura da Capa: The Palm, 1926 (óleo sobre tela), de Pierre Bonnard (1867-1947)</p><p>© Phillips Collection, Washington DC, USA/Lauros/Giraudon/The Bridgeman Art Library</p><p>Editoração eletrônica: S9DÍagrama DçãO</p><p>CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE</p><p>SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ</p><p>Myers, David G.</p><p>Piscologia / David G. Myers ; tradução Daniel Argolo Estill, Heitor M. Corrêa ;</p><p>revisão técnica Angela Donato Oliva. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : LTC,</p><p>2015.</p><p>i l . ; 28 cm</p><p>Tradução de: Psychology, 9th ed.</p><p>Inclui índice</p><p>ISBN 978-85-216-2037-2</p><p>1. Psicologia. 2. Psicologia - Livros didáticos. I. Título.</p><p>PSYCHOLOGY, NINTH EDITION</p><p>First published in the United States by</p><p>WORTH PUBLISHERS, New York</p><p>Copyright © 2010 by WORTH PUBLISHERS.</p><p>Ali rights reserved.</p><p>R E G . : _____</p><p>CLAS. : .</p><p>PHA.:_____</p><p>M995p</p><p>CDD: 150</p><p>CDU: 159.9</p><p>mailto:ltc@grupogen.com.br</p><p>mailto:ltc@grupogen.com.br</p><p>http://www.ltceditora.com.br</p><p>Para Tom Kling, Bill Davis,</p><p>Rory Baruth e Greg Fallath,</p><p>com gratidão por sua amizade e apoio ao longo de nove edições.</p><p>Sobre o autor</p><p>David Myers é Ph.D. em Psicologia pela University of</p><p>lowa. Desenvolveu sua carreira no Hope College</p><p>em Michigan, onde ministrou dezenas de cursos de</p><p>introdução à psicologia. É comum seus alunos o convida­</p><p>rem para ser paraninfo de turma, tendo sido eleito por</p><p>eles "professor emérito".</p><p>Os artigos científicos de Myers foram publicados com</p><p>o apoio financeiro da National Science Foundation em</p><p>mais de vinte publicações científicas, incluindo Science,</p><p>American Scientist, Psychological Science e American</p><p>Psychologist. Escreveu artigos acadêmicos e livros-textos</p><p>de introdução à psicologia e à psicologia social. Myers</p><p>também se preocupa em escrever textos de psicologia</p><p>direcionados ao público em geral, os quais figuram em</p><p>mais de trinta periódicos, abrangendo de Today's Educa-</p><p>tion a Scientific American. Para este mesmo segmento</p><p>escreveu cinco livros, entre os quais The Pursuit o f Hap-</p><p>piness e Intuition: Its Powers</p>
<p>revista popular.</p><p>De que modo o anunciante usou a estatística (ou abusou</p><p>dela) para transmitir sua mensagem?</p><p>>• Teste a Si Mesm o 3</p><p>Considere uma questão proposta por Christopher jepson,</p><p>David Krantz e Richard Nisbett ( 1983) aos estudantes do curso</p><p>de introdução à psicologia da Universidade de Michigan:</p><p>A secretaria da Universidade de Michigan descobriu que</p><p>aproximadamente 100 estudantes de ciências humanas e naturais</p><p>normalmente obtinham notas máximas no final do primeiro</p><p>período de universidade. No entanto, apenas cerca de 10 a 15</p><p>estudantes se formavam com notas máximas. Que explicação</p><p>você acha mais provável para o fato de haver mais notas máximas</p><p>depois de um período do que no final da graduação?</p><p>Respostas para as questões Teste a Si Mesmo podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B. no final do livro.</p><p>Perguntas Freqüentes</p><p>sobre Psicologia</p><p>FIZEMOS UMA REFLEXÃO SOBRE como uma abordagem</p><p>científica pode restringir os vieses. Vimos como os estudos</p><p>de casos, os levantamentos e as observações naturalistas nos</p><p>ajudam a descrever o comportamento. Também aprendemos</p><p>que os estudos correlacionais avaliam a associação entre dois</p><p>fatores, o que indica quão bem um prediz o outro. Examina­</p><p>mos a lógica subjacente aos experimentos, que usa condições</p><p>de controle e designação aleatória de sujeitos para isolar os</p><p>efeitos de uma variável independente sobre uma variável</p><p>dependente. E consideramos como as ferramentas estatísti­</p><p>cas podem ajudar a perceber e interpretar o mundo ao nosso</p><p>redor.</p><p>Ainda assim, mesmo sabendo tudo isso, você talvez ainda</p><p>possa estar encarando a psicologia com um misto de curio­</p><p>sidade e apreensão. Então, antes de nos aprofundarmos,</p><p>vamos nos dedicar a algumas perguntas freqüentes.</p><p>10: Os experimentos de laboratório</p><p>ajudam a entender o dia a dia?</p><p>Diante das pesquisas psicológicas, você já se perguntou se o</p><p>comportamento das pessoas no laboratório prediria seus com­</p><p>portamentos na vida real? Por exemplo, detectar o lampejo</p><p>de uma fraca luz vermelha em uma sala escura tem algo útil</p><p>a dizer sobre voar de avião à noite? Após assistir a um filme</p><p>violento de sexo explícito, o aumento da disposição de um</p><p>homem excitado para apertar botões que, ele pensa que pro­</p><p>duzirão um choque elétrico em uma mulher informa real­</p><p>mente alguma coisa sobre a pornografia violenta tornar os</p><p>homens mais propensos a maltratar mulheres?</p><p>Antes de responder, leve em consideração o seguinte: o</p><p>pesquisador tem a intenção de que o ambiente de laboratório</p><p>seja uma realidade simplificada - um ambiente onde caracte­</p><p>rísticas importantes da vida cotidiana possam ser simuladas</p><p>e controladas. Assim como um túnel de vento possibilita que</p><p>um engenheiro recrie o fluxo de ar sob condições controladas,</p><p>um experimento de laboratório permite a um psicólogo recriar</p><p>forças psicológicas sob condições controladas.</p><p>O objetivo de um experimento não é recriar os compor­</p><p>tamentos exatos da vida cotidiana, mas testar princípios teó­</p><p>ricos (Mook, 1983). Nos estudos sobre agressão, decidir sobre</p><p>pressionar um botão que causa um choque pode não ser a</p><p>mesma coisa que dar um tapa no rosto de alguém, mas o</p><p>princípio é o mesmo. São os princípios resultantes - não as des­</p><p>cobertas específicas - que ajudam a explicar os comportamentos</p><p>cotidianos.</p><p>Quando os psicólogos aplicam a pesquisa sobre agressão</p><p>feita em laboratório à violência real, estão aplicando princí­</p><p>pios teóricos do comportamento agressivo, princípios que</p><p>têm sido aprimorados por meio de muitos experimentos. Do</p><p>mesmo modo, são os princípios do sistema visual, desenvol­</p><p>vidos a partir de experimentos e condições artificiais (como</p><p>olhar para uma luz vermelha no escuro), que aplicamos a</p><p>comportamentos mais complexos, como voar à noite. E mui­</p><p>tas investigações mostram que os princípios originados em</p><p>laboratório normalmente se estendem ao mundo cotidiano</p><p>(Anderson et al., 1999).</p><p>Lembre-se de que: As preocupações dos psicólogos estão</p><p>menos voltadas para os comportamentos particulares do que</p><p>para princípios gerais que ajudam a explicar muitos compor­</p><p>tamentos.</p><p>cultura são os comportamentos, ideias, atitudes e</p><p>tradições duradouros de um grupo de pessoas que são</p><p>transmitidos de uma geração para a seguinte.</p><p>11: O comportamento depende da</p><p>cultura e do gênero da pessoa?</p><p>O que estudos psicológicos feitos em um tempo e lugar, quase</p><p>sempre com norte-americanos ou europeus brancos, real­</p><p>mente nos dizem sobre as pessoas em geral? Como veremos</p><p>repetidas vezes, a cultura - ideias e comportamentos com­</p><p>partilhados que uma geração passa à seguinte - faz diferença.</p><p>Nossa cultura modela nosso comportamento. Influencia nos­</p><p>sos padrões de prontidão e franqueza, nossas atitudes em</p><p>relação ao sexo antes do casamento e às diferentes formas do</p><p>corpo, nossas tendências para sermos formais ou informais,</p><p>nossa inclinação a fazer contato visual, a distância que fica­</p><p>mos uns dos outros ao conversar e muito, muito mais. Cien­</p><p>tes de tais diferenças, podemos restringir nossa pressuposição</p><p>de que os outros irão pensar e agir da mesma maneira que</p><p>nós agimos e pensamos. Devido à crescente mistura entre as</p><p>culturas, nossa necessidade de tal consciência é premente.</p><p>Também é verdade, no entanto, que nossa herança bioló­</p><p>gica compartilhada nos une como uma família humana uni­</p><p>versal. Os mesmos processos subjacentes norteiam as pessoas</p><p>em todos os lugares:</p><p>• Pessoas com diagnóstico de dislexia, um transtorno de</p><p>leitura, exibem a mesma disfunção cerebral, quer sejam</p><p>italianos, franceses ou britânicos (Paulesu et al., 2001).</p><p>• As variações do idioma podem impedir a comunicação</p><p>entre as culturas. Apesar disso todas as linguagem</p><p>compartilham princípios profundos de gramática, e as</p><p>pessoas de hemisférios opostos podem se comunicar</p><p>com um sorriso ou um franzir de cenho.</p><p>• Os sentimentos de solidão variam entre as pessoas de</p><p>culturas diferentes. Mas através das culturas a solidão é</p><p>ampliada pela timidez, pela baixa autoestima e por não</p><p>ser casado(a) (Jones et al., 1985; Rockach et al., 2002).</p><p>Somos únicos em determinados aspectos como todo</p><p>mundo, como alguns outros e como ninguém mais. Estudar</p><p>pessoas de todas as raças e culturas nos ajuda a discernir nos­</p><p>sas semelhanças e diferenças, nosso parentesco humano e</p><p>nossa diversidade.</p><p>Você verá neste livro que as questões de gênero também</p><p>importam. Os pesquisadores relatam diferenças de gênero no</p><p>que sonhamos, em como expressamos e detectamos emoções e</p><p>em nosso risco para a dependência de álcool, depressão e trans­</p><p>tornos alimentares. As diferenças de gênero são fascinantes, e</p><p>estudá-las é potencialmente benéfico. Por exemplo, muitos pes­</p><p>quisadores acreditam que as mulheres entabulam conversações</p><p>com mais facilidade para construir relacionamentos; os homens</p><p>normalmente falam para dar informação e conselho (Tannen,</p><p>1990). Conhecer essa diferença pode nos ajudar a prevenir con­</p><p>flitos e mal-entendidos nos relacionamentos diários.</p><p>É importante lembrar, no entanto, que tanto psicológica</p><p>quanto biologicamente homens e mulheres são muito simi­</p><p>lares. Machos ou fêmeas, aprendemos a andar aproximada­</p><p>mente com a mesma idade. Experimentamos as mesmas sen­</p><p>sações de luz e som. Compartilhamos os mesmos sentimen­</p><p>tos de fome, desejo e medo. Exibimos inteligência e bem-estar</p><p>em geral de maneira similar.</p><p>Lembre-se: Mesmo quando atitudes e comportamentos</p><p>específicos variam conforme o gênero ou entre as culturas,</p><p>como muitas vezes ocorre, o processo subjacente é essencial­</p><p>mente o mesmo.</p><p>"Todas as pessoas são iguais; apenas seus hábitos se</p><p>modificam."</p><p>Confúcio, 551-479 a.C.</p><p>12: Por que os psicólogos estudam os animais,</p><p>e é ético fazer experimentos com animais?</p><p>Muitos psicólogos estudam os animais porque os acham fas­</p><p>cinantes. Querem compreender como as diferentes espécies</p><p>aprendem, pensam e se comportam. Os psicólogos também</p><p>estudam os animais para aprender sobre as pessoas, reali­</p><p>zando experimentos que são permitidos apenas com eles. A</p><p>fisiologia humana se parece com a de muitos animais.</p>
<p>Nós</p><p>humanos não somos parecidos com os animais; nós somos</p><p>animais. Por esse motivo, os experimentos com animais</p><p>podem levar a tratamentos para doenças humanas - insulina</p><p>para diabetes, vacinas para prevenir a pólio e a raiva, trans­</p><p>plantes para substituir órgãos doentes.</p><p>"Gs ratos são muito parecidos com os humanos, a não ser</p><p>pelo fato de não serem estúpidos o suficiente para</p><p>com prar bilhetes de loteria."</p><p>Dave Barry, 2 de julho de 2002</p><p>Similarmente, os mesmos processos pelos quais os huma­</p><p>nos veem, exibem emoções e se tornam obesos estão presen­</p><p>tes em ratos e macacos. Para descobrir mais sobre os funda­</p><p>mentos da aprendizagem humana, os pesquisadores estudam</p><p>inclusive as lesmas marinhas. Para entender como uma</p><p>máquina de combustão funciona, seria melhor estudar o</p><p>motor de um cortador de grama do que o de um Mercedes.</p><p>Assim como os motores das Mercedes, o sistema nervoso dos</p><p>humanos é complexo. Mas é exatamente a simplicidade do</p><p>sistema nervoso da lesma marinha que torna tão revelador</p><p>o mecanismo neural da aprendizagem.</p><p>Se compartilhamos importantes similaridades com outros</p><p>animais, não deveríamos respeitá-los? “Não podemos defen­</p><p>der nosso trabalho científico com animais com base nas simi­</p><p>laridades entre eles e nós e depois defendê-lo moralmente</p><p>com base nas diferenças”, observou Roger Ulrich (1991). O</p><p>movimento de proteção aos animais contesta seu uso em</p><p>pesquisas psicológicas, biológicas e médicas. Os pesquisado­</p><p>res nos lembram que os animais usados em pesquisa no</p><p>mundo a cada ano representam apenas uma fração de 1%</p><p>dos bilhões de animais mortos anualmente para servir de ali­</p><p>mento. E anualmente, para cada cão e gato usado em expe­</p><p>riências e sob os cuidados dos regulamentos de proteção, 50</p><p>outros são mortos nos abrigos de animais construídos por</p><p>humanos (Goodwin & Morrison, 1999).</p><p>Algumas organizações de proteção aos animais defendem</p><p>a observação naturalista dos animais em vez da manipulação</p><p>experimental em laboratório. Muitos pesquisadores de ani­</p><p>mais afirmam que não se trata de uma questão do bem con­</p><p>tra o mal, mas de compaixão pelos animais versus compaixão</p><p>pelas pessoas. Quantos de nós teríamos atacado os experi­</p><p>mentos de Pasteur sobre a raiva, que causaram sofrimento a</p><p>alguns cães, mas que resultaram em uma vacina que salvou</p><p>milhões de pessoas (e de cães) de uma morte agonizante? E</p><p>será que nós realmente gostaríamos de ter nos privado da</p><p>pesquisa com animais que levou a métodos eficazes para ensi­</p><p>nar crianças com transtornos mentais, para entender o enve­</p><p>lhecimento, para amenizar o medo e a depressão? As respos­</p><p>tas a essa questão variam conforme a cultura. Nas pesquisas</p><p>de levantamento do Instituto Gallup no Canadá e nos Esta­</p><p>dos Unidos, cerca de 60% dos adultos consideram os testes</p><p>médicos com animais “moralmente aceitáveis”. Na Ingla­</p><p>terra, apenas 37% concordam (Mason, 2003).</p><p>Desses debates acalorados, duas questões emergem. A ques­</p><p>tão básica é se é correto colocar o bem-estar dos humanos</p><p>acima do dos animais. Nos experimentos sobre estresse e</p><p>câncer, é correto que camundongos adquiram tumores na</p><p>esperança de que as pessoas possam não os desenvolver?</p><p>Macacos devem ser expostos a um vírus semelhante ao HIV</p><p>na busca por uma vacina contra a AIDS? Será que o uso, e o</p><p>consumo, que fazemos dos animais é tão natural quanto o</p><p>comportamento dos carnívoros - falcões, gatos e baleias? Os</p><p>defensores de experimentos em animais argumentam que</p><p>qualquer um que tenha comido um hambúrguer, usado um</p><p>sapato de couro, tolerado caça ou pesca ou apoiado a exter-</p><p>minação de insetos que destroem colheitas ou transmitem</p><p>doenças já concordaram que, sim, às vezes é permitido sacri­</p><p>ficar animais para o bem-estar dos seres humanos.</p><p>"Por favor, não esqueçam de nós, que sofremos de</p><p>doenças ou deficiências incuráveis e que esperamos por</p><p>uma cura através de pesquisas que requerem o uso de</p><p>animais."</p><p>Eennis Feeney, psicólogo, (19B7)</p><p>Scott Plous (1993) observa, no entanto, que nossa com­</p><p>paixão pelos animais varia, assim como nossa compaixão</p><p>pelas pessoas, baseada na percepção das semelhanças delas</p><p>(ou deles) conosco. Como explica o Capítulo 16, nós nos</p><p>sentimos mais atraídos, oferecemos mais ajuda e agimos com</p><p>menos agressividade em relação àqueles com quem nos pare­</p><p>cemos mais. Da mesma forma, privilegiamos os animais de</p><p>acordo com seus traços em comum conosco. Assim, os pri­</p><p>matas e os animais de estimação estão em primeiro lugar.</p><p>(Os ocidentais criam ou caçam martas e raposas por suas</p><p>peles, mas não cães e gatos.) Outros mamíferos ocupam o</p><p>segundo lugar na escala de privilégio, seguidos por pássaros,</p><p>peixes e répteis em terceiro lugar, com os insetos em último.</p><p>Ao decidir que animais possuem direitos, cada um de nós</p><p>traça o próprio limite em algum ponto da escala do reino</p><p>animal.</p><p>“Acredito que impedir, m utilar ou com plicar</p><p>desnecessariam ente as pesquisas que podem trazer</p><p>alívio para o sofrimento humano e anim al seja</p><p>profundamente desumano, cruel e imoral.'' “ü justo conhece as necessidades de seus animais."</p><p>Neal Millei, psicólogo, 1983 Provérbios, 12:10</p><p>Se priorizamos a vida humana, a prioridade dada ao bem-</p><p>estar dos animais nas pesquisas vem em segundo lugar. Que</p><p>salvaguardas deveriam proteger os animais? A maioria dos</p><p>pesquisadores hoje em dia sente-se eticamente obrigada a</p><p>melhorar o bem-estar dos animais em cativeiro e a protegê-</p><p>los de sofrimentos desnecessários. Em um levantamento com</p><p>pesquisadores de animais, 98% ou mais apoiam as regula­</p><p>mentações governamentais na proteção de primatas, cães e</p><p>gatos, e 74% apoiam regulamentações para que cuidados</p><p>humanos sejam destinados a ratos e camundongos (Plous &</p><p>Herzog, 2000). Muitas associações profissionais e fundações</p><p>já contam com diretrizes nesse sentido. Por exemplo, as nor­</p><p>mas da British Psychological Society exigem o alojamento de</p><p>animais em condições de vida razoavelmente naturais, em</p><p>comparação com os animais domésticos (Lea, 2000). As nor­</p><p>mas da American Psychological Association (2002) determi­</p><p>nam que o “conforto, a saúde e o tratamento humano” sejam</p><p>assegurados aos animais, e que "infecções, doenças e dor” lhes</p><p>sejam minimizadas. Os cuidados humanos também levam a</p><p>uma ciência mais efetiva, porque a dor e o estresse distorcem</p><p>os comportamentos dos animais durante os experimentos.</p><p>"A grandeza de uma nação pode ser julgada pela m aneira</p><p>como seus anim ais são tratados."</p><p>Mahatma Gandhi, 1869-1948</p><p>(1993), e por psicólogos de várias partes do mundo (Pettifor,</p><p>2004), obrigam os investigadores a (1) obter consentimento,</p><p>informado*, dos participantes em potencial para os experi­</p><p>mentos, (2) proteger os participantes de danos e desconfor-</p><p>tos, (3) tratar confidencialmente as informações sobre os indi­</p><p>víduos participantes e (4) explicar inteiramente a pesquisa</p><p>posteriormente. Além disso, a maioria das universidades hoje</p><p>em dia filtra os pedidos de pesquisa por meio de um Comitê</p><p>de ética que salvaguarda o bem-estar de cada participante.</p><p>O ideal é que o pesquisador seja suficientemente informa­</p><p>tivo e que considere que os participantes devem sair da pes­</p><p>quisa se sentindo tão bem como quando entraram. Melhor</p><p>ainda, devem se sentir recompensados por terem aprendido</p><p>alguma coisa. Se tratados com respeito, a maioria dos parti­</p><p>cipantes aprecia ou aceita o envolvimento (Epley & Huff,</p><p>1998; Kimmel, 1998). Na verdade, segundo dizem os defen­</p><p>sores da psicologia, os professores causam uma ansiedade</p><p>muito maior ao aplicarem seus testes do que os pesquisado­</p><p>res em experimentos típicos.</p><p>Muitas pesquisas, no entanto, ocorrem fora dos laborató­</p><p>rios das universidades, em lugares onde pode não haver comi­</p><p>tês de ética. Por exemplo, lojas de varejo fazem rotineiramente</p><p>pesquisas de levantamento com pessoas, fotografam seus</p><p>comportamentos de compras, rastreiam seus padrões de com­</p><p>pra e testam a eficácia da propaganda. Curiosamente, tais</p><p>pesquisas atraem menos atenção do que a pesquisa científica</p><p>feita para aprimorar a compreensão humana.</p><p>Os próprios</p>
<p>animais são beneficiados por esse tipo de pes­</p><p>quisa. Uma equipe de psicólogos pesquisadores de Ohio men­</p><p>surou os níveis de hormônio do estresse em amostras de milhões</p><p>de cães levados a cada ano a abrigos para animais. Eles desen­</p><p>volveram métodos de lidar com eles e afagá-los que reduziram</p><p>o estresse e facilitaram suas transições para lares adotivos (Tuber</p><p>et al., 1999). Em Nova York, os animais antes ociosos e apáti­</p><p>cos do Zoológico do Bronx estão agora escapando do tédio,</p><p>esforçando-se para conseguir seus alimentos como fariam na</p><p>selva (Stewart, 2002). Outros estudos têm ajudado a melhorar</p><p>o cuidado e o manejo dos animais em seus habitat naturais. Ao</p><p>revelar nosso parentesco comportamental com os animais e a</p><p>inteligência extraordinária dos chimpanzés, gorilas e outros</p><p>animais, os experimentos também levaram a maior empatia</p><p>por eles e a aumento de sua proteção. Na melhor das hipóte­</p><p>ses, uma psicologia preocupada com os humanos e sensível às</p><p>necessidades dos animais atende ao bem-estar de ambos.</p><p>14: Estará a psicologia livre de</p><p>julgamentos de valor?</p><p>A psicologia definitivamente não está livre de valores. Os</p><p>valores afetam o que estudamos, como estudamos e como</p><p>interpretamos os resultados. Os valores dos pesquisadores</p><p>influenciam na escolha dos tópicos a serem pesquisados.</p><p>Devemos investigar a produtividade do trabalhador ou o</p><p>moral do trabalhador? A discriminação sexual ou as diferen­</p><p>ças de gêneros? A conformidade ou a independência? Os</p><p>valores podem até mesmo colorir os “fatos”. Como observa­</p><p>mos antes, nossa preconcepção pode envisar nossas observa­</p><p>ções e interpretações; às vezes, vemos o que queremos ou</p><p>esperamos ver (FIGURA 1 .11 ).</p><p>*Atualmente usa-se Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. (N.R.)</p><p>13: É ético conduzir experimentos com pessoas?</p><p>Se a imagem de pesquisadores aplicando supostos choques</p><p>elétricos lhe parece perturbadora, provavelmente você se sen­</p><p>tirá melhor ao saber que na maioria das pesquisas psicológi­</p><p>cas, especialmente aquelas com participantes humanos, luzes</p><p>piscando, flashes de palavras e interações sociais prazerosas</p><p>são mais comuns.</p><p>Algumas vezes, porém, os pesquisadores temporariamente</p><p>provocam estresse ou enganam as pessoas, mas apenas quando</p><p>acreditam ser essencial para justificar um fim, tal como enten­</p><p>der e controlar um comportamento violento ou estudar as varia­</p><p>ções de humor. Tais experimentos não funcionariam se os par­</p><p>ticipantes soubessem de antemão tudo o que há para saber</p><p>sobre o experimento. Procurando colaborar, os participantes</p><p>poderiam tentar confirmar as predições dos pesquisadores.</p><p>Os princípios éticos desenvolvidos pela American Psycho­</p><p>logical Association (1992) e pela British Psychological Society</p><p>> FIGURA 1.11</p><p>O que você vê? As pessoas interpretam informações ambíguas de</p><p>modo a se ajustarem às suas preconcepções. Você vê um pato ou um</p><p>coelho? Antes de mostrar esta imagem aos amigos, pergunte a eles se</p><p>veem um pato deitado de costas (ou um coelho na grama). (De</p><p>Shepard, 1990.)</p><p>Até mesmo as palavras que usamos para descrever alguma</p><p>coisa podem refletir nossos valores. Os atos sexuais que uma</p><p>pessoa não pratica são “perversões” ou “variações sexuais”?</p><p>Tanto na psicologia como fora dela, os rótulos descrevem e</p><p>avaliam. O mesmo ocorre nas conversas do dia a dia. A “rigi­</p><p>dez” de uma pessoa é a “consistência” de outra. A“fé” de uma</p><p>é o "fanatismo” de outra. Rotular alguém como "firme” ou</p><p>"teimoso”, “cuidadoso” ou “obsessivo”, “discreto” ou “reser­</p><p>vado” revela nossos sentimentos.</p><p>“Sem sombra de dúvida, é impossível abordar qualquer</p><p>problema humano com uma mente livre de</p><p>preconcepções.”</p><p>Simone de Beauvoir, D segunda sexo, 1953</p><p>As aplicações populares da psicologia também contêm</p><p>valores ocultos. Se você delegar a orientação "profissional”</p><p>sobre como viver - como criar os filhos, como obter autor­</p><p>realização, o que fazer com seus sentimentos sexuais, como</p><p>progredir no trabalho -, está aceitando conselhos carregados</p><p>de valores. A ciência do comportamento e dos processos men­</p><p>tais pode certamente nos ajudar a alcançar nossos objetivos,</p><p>mas não pode decidir quais devem ser esses objetivos.</p><p>Se algumas pessoas veem a psicologia meramente como</p><p>senso comum, outras têm uma preocupação diferente - a de</p><p>que ela está ficando perigosamente poderosa. Será o fato de</p><p>a astronomia ser a ciência mais antiga e a psicologia, a mais</p><p>nova um mero acaso? Para algumas pessoas, explorar o uni­</p><p>verso externo parece ser muito mais seguro do que investigar</p><p>nosso próprio universo interno. E se perguntam: será que a</p><p>psicologia poderia ser usada para manipular as pessoas?</p><p>O conhecimento, como todas as formas de poder, pode ser</p><p>usado para o bem ou para o mal. A energia nuclear é usada</p><p>para iluminar as cidades - e para demoli-las. O poder de per­</p><p>suasão é usado para educar pessoas - e para enganá-las.</p><p>Embora a psicologia tenha, de fato, o poder de enganar, seu</p><p>propósito é esclarecer. Todos os dias, os psicólogos pesquisam</p><p>meios de aprimorar a aprendizagem, a criatividade e a com­</p><p>paixão. A psicologia se faz presente em muitos de nossos gran­</p><p>des problemas do mundo - guerra, superpopulação, precon­</p><p>ceito, crises familiares, crime -, todos envolvendo atitudes e</p><p>comportamentos. E também se faz presente em nossos anseios</p><p>mais profundos - de alimento, de amor, de felicidade. A psi­</p><p>cologia pode não lidar com todas as grandes questões da vida,</p><p>mas está presente em algumas das mais importantes.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> Pergunte a Si Mesmo</p><p>Você mesmo já se fez uma ou mais dessas perguntas? Você</p><p>tem outras questões ou preocupações sobre a psicologia?</p><p>>- Teste a Si Mesm o 4</p><p>Como os seres humanos e os animais são protegidos quando</p><p>participam como sujeito de pesquisas?</p><p>As respostas às questões Teste a Si Mesmo podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B. no final do livro.</p><p>r e v i s ã o d o c a p í t u l o : Pensando Criticam ente com a Ciência Psicológica</p><p>A Necessidade da Ciência Psicológica</p><p>1 : Por que as respostas oriundas de um enfoque</p><p>científico são mais confiáveis do que as baseadas na</p><p>intuição e no senso comum?</p><p>Apesar de o senso comum muitas vezes nos atender muito</p><p>bem, temos uma forte tendência ao fenômeno do “viés</p><p>retrospectivo" (hindsight bias) (também conhecido com o</p><p>fenômeno do “eu já sabia”), a tendência a acreditar, após</p><p>sermos informados sobre algum desfecho, de que teríamos</p><p>previsto aquilo. Também costumamos ser superconfiantes</p><p>em nossos julgamentos cotidianos, graças, em parte, à</p><p>tendência de buscar informações que os confirmam. Apesar</p><p>de limitada às questões passíveis de testes, a investigação</p><p>científica pode nos ajudar a discernir o que é realidade e o</p><p>que é ilusão, e restringir a tendenciosidade de nossa</p><p>intuição desassistida.</p><p>2 : Quais são os três principais componentes da atitude</p><p>científica?</p><p>Os três componentes da atitude científica são (1) uma</p><p>curiosidade ávida para (2) escrutinar ceticamente ideias que</p><p>competem entre si e (3) uma mente aberta e humilde diante</p><p>da natureza. Essa atitude direciona a vida diária como o</p><p>pensamento crítico, que examina pressuposições, identifica</p><p>valores ocultos, considera evidências e avalia resultados.</p><p>Submeter as ideias, mesmo as mais loucas, a testes nos ajuda</p><p>a distinguir o que faz sentido do que é absurdo.</p><p>Como os Psicólogos Formulam Perguntas e</p><p>Respostas?</p><p>3 : Como as teorias promovem o avanço da ciência</p><p>psicológica?</p><p>As teorias psicológicas organizam as observações e</p><p>estabelecem hipóteses preditivas. Após construir definições</p><p>operacionais precisas de seus procedimentos, os</p><p>pesquisadores testam suas hipóteses, validam e refinam a</p><p>teoria, e, algumas vezes, sugerem aplicações práticas. Se</p><p>outros pesquisadores puderem replicar o estudo com</p><p>resultados similares, podemos então depositar maior</p><p>confiança na conclusão.</p><p>4: Como os psicólogos observam e descrevem o</p><p>com portam ento?</p><p>Os psicólogos observam e descrevem os comportamentos</p><p>usando estudos de casos individuais, levantamentos</p><p>(surveys) realizados em amostras</p>
<p>aleatórias de uma</p><p>população, e observações naturalistas. Ao generalizar a partir</p><p>das observações, lembre-se de que amostras representativas</p><p>são guias melhores do que narrativas pitorescas.</p><p>5 : O que são correlações positivas e negativas, e por que</p><p>elas permitem a predição mas não as explicações de</p><p>causa e efeito?</p><p>Os gráficos de dispersão nos ajudam a perceber correlações.</p><p>Uma correlação positiva (variando de 0 a +1,00) indica em</p><p>que medida dois fatores aumentam juntos. Em uma</p><p>correlação negativa (variando de 0 a -1,00), um item</p><p>aumenta enquanto outro diminui. Uma associação</p><p>(algumas vezes definida como coeficiente de correlação)</p><p>indica a possibilidade de uma relação de causa e efeito, mas</p><p>não prova a direção da influência, ou se um terceiro fator</p><p>subjacente pode explicar a correlação.</p><p>6 : 0 que são correlações ilusórias?</p><p>Correlações ilusórias são eventos aleatórios que observamos</p><p>e erroneamente supomos que estão relacionados. Padrões</p><p>ou seqüências ocorrem naturalmente em conjuntos de</p><p>dados aleatórios, mas tendemos a interpretar esses padrões</p><p>como conexões significativas, talvez em uma tentativa de</p><p>dar sentido ao mundo que nos cerca.</p><p>7 : Como os experim entos, fortalecidos pela designação</p><p>aleatória, esclarecem as relações de causa e efeito?</p><p>Para descobrir relações de causa e efeito, os psicólogos</p><p>conduzem experimentos, manipulando um ou mais fatores</p><p>de interesse e controlando outros fatores. Designação</p><p>aleatória minimiza as diferenças preexistentes entre o grupo</p><p>experimental (exposto ao tratamento) e o grupo de controle</p><p>(que recebe placebo ou uma versão diferente do</p><p>tratamento). A variável independente é o fator manipulado</p><p>para ter seu efeito estudado. A variável dependente é o fator</p><p>medido para que se descubra alguma alteração que ocorra</p><p>em resposta a essas manipulações. Os estudos podem</p><p>adotar um procedimento duplo-cego para evitar o efeito</p><p>placebo e vieses do pesquisador.</p><p>Raciocínio Estatístico no Dia a Dia</p><p>8 : Como podemos descrever dados com medidas da</p><p>tendência central e variação?</p><p>As três medidas de tendência central são a mediana (o</p><p>escore do meio de um grupo de dados), a moda (o escore</p><p>mais freqüente) e a média (a média aritmética). As medidas</p><p>de variação nos informam o grau de similaridade ou</p><p>diferença entre os dados. A amplitude descreve a diferença</p><p>entre os escores mais altos e mais baixos. A medida mais</p><p>útil, o desvio padrão, mostra o quanto os escores variam em</p><p>torno da média, ou do escore médio. A curva normal é uma</p><p>curva em formato de sino que descreve a distribuição de</p><p>diversos tipos de dados.</p><p>9 : Que princípios podem guiar as generalizações feitas a</p><p>partir de am ostras e decidir se as diferenças são</p><p>significativas?</p><p>Existem três princípios dos quais vale a pena lembrar: (1)</p><p>Amostras representativas são melhores do que amostras</p><p>tendenciosas. (2) Observações menos variáveis são mais</p><p>confiáveis do que aquelas com maior variação. (3) Em</p><p>número maior de casos é preferível a poucos.</p><p>Quando as médias de duas amostras são medidas</p><p>igualmente confiáveis de suas populações, e a diferença</p><p>entre elas é relativamente grande, podemos presumir que o</p><p>resultado é significante estatisticamente - que não ocorre</p><p>apenas ao acaso.</p><p>Perguntas Freqüentes sobre Psicologia</p><p>10: Os experim entos de laboratório ajudam a entender o</p><p>dia a dia?</p><p>Ao criar intencionalmente um ambiente artificial</p><p>controlado em laboratório, os pesquisadores pretendem</p><p>testar princípios teóricos. Esses princípios gerais ajudam a</p><p>explicar os comportamentos do dia a dia.</p><p>1 1 : 0 comportamento depende da cultura e do gênero</p><p>da pessoa?</p><p>As atitudes e comportamentos variam entre as culturas,</p><p>mas os princípios básicos variam bem menos devido ao</p><p>( C o n t in u a )</p><p>nosso parentesco humano. Apesar de as diferenças de</p><p>gênero tenderem a chamar a atenção, é importante lembrar</p><p>que nossas semelhanças de gênero são maiores.</p><p>1 2 : Por que os psicólogos estudam os animais, e é ético</p><p>fazer experimentos com animais?</p><p>Alguns psicólogos têm um maior interesse pelo</p><p>comportamento animal. Outros estudam os animais para</p><p>melhor compreender os processos fisiológicos e psicológicos</p><p>compartilhados pelos humanos. Segundo diretrizes éticas e</p><p>legais, os animais utilizados nos experimentos raramente</p><p>são submetidos a dor. Ainda assim, grupos de defesa dos</p><p>direitos dos animais levantam uma questão importante:</p><p>mesmo se levar alívio ao sofrimento humano, justifica-se o</p><p>sofrimento temporário de um animal?</p><p>1 3 : É ético conduzir experimentos com pessoas?</p><p>Os pesquisadores podem provocar estresse ou enganar as</p><p>pessoas temporariamente para aprender algo importante. Os</p><p>padrões éticos profissionais oferecem diretrizes relativas ao</p><p>tratamento de participantes tanto humanos quanto animais.</p><p>1 4 : Estará a psicologia livre de julgamentos de valor?</p><p>Os valores dos psicólogos influenciam suas escolhas de</p><p>tópicos de pesquisa, suas teorias e observações, seus rótulos</p><p>para os comportamentos e sua orientação profissional. As</p><p>aplicações dos princípios da psicologia têm sido usadas,</p><p>predominantemente, em prol da humanidade.</p><p>Termos e Conceitos para Lembrar</p><p>viés retrospectivo correlação variável dependente</p><p>pensamento crítico coeficiente de correlação moda</p><p>teoria gráfico de dispersão meaia</p><p>hipótese correlação ilusória mediana</p><p>definição operacional experimento amplitude</p><p>replicação designação aleatória desvio-padrão</p><p>estudo de caso procedimento duplo-cego curva normal</p><p>levantamento (survey) efeito placebo significância estatística</p><p>população grupo experimental cultura</p><p>amostra aleatória grupo de controle</p><p>observação naturalista variável independente</p><p>CapÍTULO 2 I</p><p>A Biologia da Mente</p><p>N</p><p>enhum princípio é mais central para</p><p>a psicologia atual, e para este livro, do</p><p>que o seguinte: tudo o que é psicológico</p><p>ésimultaneamente biológico. Cada ideia,</p><p>cada humor, cada anseio seu é um</p><p>acontecimento biológico. Você ama, ri e chora</p><p>com o corpo. Sem seu corpo - seus genes, seu</p><p>cérebro, sua aparência - você não é absolu­</p><p>tamente ninguém. Embora achemos conve­</p><p>niente falar separadamente de influências</p><p>biológicas e psicológicas sobre o comporta­</p><p>mento, é preciso lembrar: pensar, sentir ou</p><p>agir sem um corpo seria como correr sem</p><p>pernas.</p><p>A ciência atual está atrelada às mais incrí­</p><p>veis partes do nosso corpo - o cérebro, os sis­</p><p>temas neurais que o compõem e suas instru­</p><p>ções genéticas. O mais recente desafio do</p><p>cérebro? Entender a si mesmo. Como ele se</p><p>organiza e se comunica consigo mesmo?</p><p>Como a hereditariedade e a experiência jun­</p><p>tas o ativam? Como ele processa a informa­</p><p>ção de que necessitamos para arremessar uma</p><p>bola de basquete? Para apreciar as notas de</p><p>um guitarrista? Para lembrar do nosso pri­</p><p>meiro beijo?</p><p>Nossa compreensão de como o cérebro dá</p><p>origem à mente já percorreu um longo cami­</p><p>nho. O filósofo da Grécia antiga Platão loca­</p><p>lizou de maneira correta a mente na cabeça</p><p>esférica - sua ideia de forma perfeita. Seu dis­</p><p>cípulo, Aristóteles, acreditava que a mente</p><p>ficava no coração, que bombeia calor e vita­</p><p>lidade para o corpo. O coração continua</p><p>sendo nosso símbolo do amor, mas a ciência</p><p>há muito ultrapassou a filosofia nessa ques­</p><p>tão. Você se apaixona com o cérebro, e não</p><p>com o coração.</p><p>Evoluímos muito desde o início do século</p><p>XIX, quando o médico alemão Franz Gall</p><p>inventou a frenologia, uma teoria popular,</p><p>porém malfadada, segundo a qual saliências</p><p>no crânio poderiam revelar nossas habilida­</p><p>des m entais e nossos traços de caráter</p><p>(FIGURA 2 .1 ). Em determinado momento,</p><p>a Grã-Bretanha chegou a ter 29 sociedades</p><p>frenológicas, e os frenologistas viajavam pela</p><p>América do Norte oferecendo leituras crania­</p><p>nas (Hunt, 1993). Usando um nome falso,</p><p>o humorista Mark Twain pôs um famoso fre-</p><p>nologista à prova. “Ele encontrou uma cavi­</p><p>dade [e] me deixou perplexo ao dizer que ela</p><p>representava a total ausência do senso de</p><p>humor!” Três meses depois, Twain submeteu-</p><p>se a uma nova leitura, desta vez se identifi­</p><p>cando. Agora “a cavidade havia desaparecido,</p><p>e em seu lugar estava...</p>
<p>a mais soberba sali­</p><p>ência de humor que ele já encontrara em toda</p><p>sua experiência de vida!” (Lopez, 2002). No</p><p>entanto, a frenologia corretamente trouxe o</p><p>foco da atenção para a ideia de que várias</p><p>regiões do cérebro têm funções particulares.</p><p>Você e eu gozamos de um privilégio que</p><p>Gall não tinha. Vivemos em uma época em</p><p>que descobertas sobre a interação da nossa</p><p>biologia e dos nossos processos mentais e</p><p>comportamentais estão ocorrendo em um</p><p>ritmo alucinante. Em pouco mais de um</p><p>século, pesquisadores buscando entender a</p><p>biologia da mente descobriram que:</p><p>• o corpo é composto por células;</p><p>• entre elas estão as células nervosas, que</p><p>conduzem eletricidade e “falam” umas</p><p>com as outras enviando mensagens</p><p>químicas através de um minúsculo</p><p>espaço que as separa;</p><p>• sistemas cerebrais específicos exercem</p><p>funções específicas (embora não aquelas</p><p>que Gall supôs);</p><p>COMUNICAÇÃO NEURAL</p><p>Neurônios</p><p>Como os Neurônios</p><p>se Comunicam</p><p>Como os Neurotransmissores</p><p>nos Influenciam</p><p>O SISTEMA NERVOSO</p><p>O Sistema Nervoso Periférico</p><p>O Sistema Nervoso Central</p><p>O SISTEMA ENDÓCRINO</p><p>O CÉREBRO</p><p>As Ferramentas da</p><p>Descoberta: Examinando</p><p>Nossa Cabeça</p><p>Estruturas Primitivas</p><p>do Cérebro</p><p>O Córtex Cerebral</p><p>Nosso Cérebro Dividido</p><p>Diferenças entre os Lados</p><p>do Cérebro Intacto</p><p>► FIGURA 2.1</p><p>Uma teoria ruim da</p><p>cabeça Apesar da aceitação</p><p>inicial das especulações de Franz</p><p>Gall, saliências no crânio não nos</p><p>dizem nada sobre as funções</p><p>subjacentes do cérebro.</p><p>Entretanto, algumas de suas</p><p>suposições permaneceram</p><p>verdadeiras. Diferentes partes do</p><p>cérebro de fato controlam</p><p>diferentes aspectos do</p><p>comportamento, como você verá</p><p>ao longo deste capítulo.</p><p>• integramos informações processadas nesses diferentes</p><p>sistemas cerebrais para construir nossa experiência de</p><p>visões e sons, significados e memórias, dor e paixão;</p><p>• nosso cérebro adaptativo é ativado por nossa</p><p>experiência.</p><p>Ao estudar as ligações entre atividade biológica e fenôme­</p><p>nos psicológicos, biopsicólogos continuam a expandir a</p><p>nossa compreensão do sono e dos sonhos, da depressão e da</p><p>esquizofrenia, da fome e do sexo, do estresse e da doença.</p><p>Constatamos também que cada um de nos é um sistema</p><p>composto por subsistemas, por sua vez compostos por sub-</p><p>sistemas ainda menores. Minúsculas células organizam-se</p><p>para formar os órgãos do corpo como o estômago, o coração</p><p>e o cérebro. Já estes formam sistemas maiores para a diges­</p><p>tão, a circulação e o processamento de informações, sistemas</p><p>estes que fazem parte de outro ainda maior - o indivíduo,</p><p>que por sua vez é parte de uma família, de uma cultura e de</p><p>uma comunidade. Portanto, somos sistemas biopsicossociais,</p><p>e, para entendermos nosso comportamento, precisamos estu­</p><p>dar como esses sistemas biológicos, psicológicos e sociocul­</p><p>turais funcionam e interagem.</p><p>Neste livro, começamos dos níveis mais simples e evoluí­</p><p>mos de baixo para cima - das células nervosas até o cérebro,</p><p>neste capítulo, até as influências ambientais e culturais que</p><p>interagem com nossa biologia nos capítulos seguintes. Tam­</p><p>bém trabalharemos de cima para baixo, ao considerarmos</p><p>como nosso pensamento e nossas emoções influenciam o</p><p>cérebro e a saúde. Em todos os níveis, psicólogos examinam</p><p>como processamos informações - como as assimilamos, como</p><p>as organizamos, interpretamos e armazenamos e como as</p><p>usamos.</p><p>O sistema de informações do corpo responsável por todas</p><p>essas tarefas é constituído por bilhões de células interconec-</p><p>tadas chamadas neurônios. Para nos aprofundarmos no</p><p>conhecimento de nossos pensamentos e ações, memórias e</p><p>humores, primeiro devemos entender como os neurônios</p><p>funcionam e se comunicam.</p><p>“Se eu estivesse na faculdade hoje em dia, acho que não</p><p>resistiria a estudar neurociência."</p><p>Tom Wolfe, escritor, 20D4</p><p>Comunicação Neural</p><p>PARA OS CIENTISTAS, É UM PRESENTE da natureza o fato de</p><p>os sistemas de informação dos seres humanos e de outros ani­</p><p>mais operarem de maneira semelhante - tão semelhante, na</p><p>verdade, que não se poderia fazer distinção entre pequenas</p><p>amostras de tecido cerebral de um homem e de um macaco.</p><p>Tais semelhanças permitem aos pesquisadores estudar animais</p><p>relativamente simples, como lulas e lesmas do mar, para des­</p><p>cobrir como nossos sistemas neurais operam. Isso lhes permite</p><p>estudar os cérebros de outros mamíferos para entender a orga­</p><p>nização do nosso. Carros são diferentes, mas todos têm motor,</p><p>acelerador, volante e freios. Um marciano poderia estudar qual­</p><p>quer um deles e compreender os princípios operacionais. Da</p><p>mesma forma, os animais são diferentes, mas ainda assim seus</p><p>sistemas nervosos operam de maneira semelhante. Embora o</p><p>cérebro humano seja mais complexo que o de um rato, ambos</p><p>seguem os mesmos princípios.</p><p>b iop s ico log ia um ram o da psico log ia que tra ta das</p><p>ligações entre a b io log ia e o com portam ento . (A lguns</p><p>b iops icó logos au to in titu lam -se neurocientistas</p><p>comportamentais, neuropsicólogos, geneticistas do</p><p>comportamento, psicólogos fisiológicos ou</p><p>ps icob ió logos.)</p><p>Neurônios</p><p>1: O que são neurônios, e como eles transmitem</p><p>informações?</p><p>O complexo sistema de informações neurais do nosso corpo</p><p>desenvolveu-se a partir de algo bem mais simples. Seus blo­</p><p>cos de construção são os neurônios, ou células nervosas. Os</p><p>neurônios sensoriais transportam mensagens dos tecidos</p><p>e órgãos sensoriais do corpo para o cérebro e a medula espi­</p><p>nhal, para processamento. O cérebro e a medula espinhal</p><p>então enviam instruções para os tecidos do corpo por inter­</p><p>médio dos neurônios motores. Da entrada sensorial à saída</p><p>motora, a informação é processada no sistema de comuni­</p><p>cação interno do cérebro por meio dos seus interneurônios.</p><p>Nossa complexidade reside majoritariamente nos sistemas</p><p>interneuronais. O sistema nervoso tem alguns milhões de</p><p>neurônios sensoriais, outros milhões de neurônios motores</p><p>e bilhões e bilhões de interneurônios. Todos são variações</p><p>sobre o mesmo tema (FIGURA 2 .2 ). Cada um deles consiste</p><p>em um corpo celular e suas fibras ramificadas. As densas fibras</p><p>dendríticas recebem informações e as conduzem até o corpo</p><p>celular. De lá, o axônio da célula passa a mensagem para</p><p>outros neurônios, músculos ou glândulas. Axônios falam.</p><p>Dendritos escutam.</p><p>Ao contrário dos curtos dendritos, os axônios às vezes são</p><p>bastante longos, projetando-se vários metros através do corpo.</p><p>Um neurônio motor transportando ordens para um músculo</p><p>da perna, por exemplo, com seu corpo celular e seu axônio,</p><p>corresponde em escala aproximadamente a uma bola de bas­</p><p>quete presa a uma corda de 6 quilômetros. Assim como a fia­</p><p>ção elétrica doméstica é isolada, uma camada de tecido gor­</p><p>duroso, chamada bainha de mielina, isola os axônios de</p><p>alguns neurônios e ajuda a acelerar seus impulsos. Com a</p><p>estabilização da mielina, por volta dos 25 anos, crescem a</p><p>eficiência neural, o julgamento e o autocontrole (Fields,</p><p>2008). Se a bainha de mielina se degenera, o resultado é a</p><p>esclerose múltipla: a comunicação com os músculos desace­</p><p>lera, levando à perda de controle sobre eles.</p><p>Dependendo do tipo de fibra, um impulso neural viaja a</p><p>velocidades que variam de morosos 3 quilômetros por hora</p><p>a exorbitantes 300 quilômetros por hora ou mais. Porém,</p><p>mesmo essa velocidade máxima é 3 milhões de vezes menor</p><p>que a da eletricidade atravessando um fio. Medimos a ativi­</p><p>dade cerebral em milissegundos (milésimos de segundo) e a</p><p>de um computador em nanossegundos (bilionésimos de</p><p>segundo). Portanto, ao contrário das reações quase instan­</p><p>tâneas de um computador de alta velocidade, a sua reação a</p><p>um evento repentino, como uma criança atirando-se na frente</p><p>do seu carro, pode levar um quarto de segundo ou mais. Seu</p><p>cérebro é amplamente mais complexo que um computador,</p><p>porém mais lento ao executar respostas simples.</p><p>Os neurônios transmitem mensagens quando estimulados</p><p>por sinais dos nossos sentidos ou quando acionados por sinais</p><p>químicos de neurônios vizinhos. Nessas ocasiões, um neu­</p><p>rônio dispara um impulso, chamado potencial de ação -</p><p>uma rápida</p>
<p>carga elétrica que atravessa o axônio.</p><p>n e u rô n io uma cé lu la nervosa; o b lo co de construção</p><p>básico do sistema nervoso.</p><p>neurônios sensoriais neurônios que transportam</p><p>informações vindas dos receptores sensoriais para o</p><p>cérebro e a medula espinhal.</p><p>neurônios motores neurônios que transportam</p><p>informações do cérebro e da medula espinhal para os</p><p>músculos e as glândulas.</p><p>interneurônios neurônios do cérebro e da medula</p><p>espinhal que se comunicam internamente e atuam entre</p><p>as entradas sensoriais e as saídas motoras.</p><p>dendrito as extensões densas e ramificadas do</p><p>neurônio que recebem mensagens e conduzem impulsos</p><p>em direção ao corpo celular.</p><p>axônio a extensão do neurônio, terminada em fibras</p><p>ramificadas, através das quais as mensagens passam</p><p>para outros neurônios ou para músculos ou glândulas.</p><p>bainha de mielina uma camada segmentada de tecido</p><p>gorduroso que envolve as fibras de vários neurônios;</p><p>possibilita a transmissão de impulsos neurais a uma</p><p>velocidade muito maior, já que o impulso salta de um</p><p>nodo para o seguinte.</p><p>potencial de ação um impulso neural; uma rápida</p><p>carga elétrica que atravessa um axônio.</p><p>Os neurônios, como as baterias, geram eletricidade a par­</p><p>tir de fenômenos químicos. O processo da química à eletri­</p><p>cidade envolve a troca de íons, átomos com carga elétrica. O</p><p>líquido no interior de um axônio em repouso tem um excesso</p><p>de íons com carga negativa, enquanto o líquido no exterior</p><p>da membrana axonal tem mais íons com carga positiva. Esse</p><p>estado de exterior positivo/interior negativo é chamado de</p><p>potencial de repouso. Como um estabelecimento estreitamente</p><p>vigiado, a superfície do axônio é bastante seletiva quando se</p><p>trata de permitir a entrada de algo. Dizemos que ela é seleti­</p><p>vamente permeável. Por exemplo, um axônio em repouso pos­</p><p>sui portões que bloqueiam íons positivos de sódio.</p><p>Quando um neurônio dispara, no entanto, os parâmetros</p><p>de segurança se modificam: a primeira parte do axônio abre</p><p>seus portões, como se destampasse um bueiro, e os íons posi­</p><p>tivos de sódio jorram através da membrana (FIGURA 2 .3 ) .</p><p>Isso despolariza aquela porção do axônio, fazendo com que</p><p>seu canal subsequente se abra, e depois o seguinte, num efeito</p><p>dominó, um derrubando o outro. Durante um período de</p><p>repouso (o período refratário, como o flash de uma câmera</p><p>pausando para recarregar), o neurônio bombeia os íons posi­</p><p>tivos de sódio para fora novamente. Então ele pode disparar</p><p>mais uma vez. (Em neurônios mielinizados, como na Figura</p><p>2.2, o potencial de ação ganha velocidade pulando de uma</p><p>“salsicha” de mielina para a seguinte.) Espantamo-nos ao</p><p>imaginarmos esse processo eletroquímico se repetindo 100</p><p>ou até 1.000 vezes por segundo. Porém, essa é apenas a pri­</p><p>meira de muitas surpresas.</p><p>"Eu canto □ corpo elétrico."</p><p>Walt Whitman, "Children of Adam" (1855)</p><p>“0 que um neurônio diz a outro neurônio é sim plesmente</p><p>o quanto ele está ativado."</p><p>Francis Crick, The A ston ishing H ypothesis, 1994</p><p>Cada neurônio é por si só um dispositivo tomador de deci­</p><p>sões em miniatura que realiza cálculos complexos ao receber</p><p>sinais de centenas, até milhares, de outros neurônios. A maio­</p><p>ria desses sinais é excitatória, como se pisassem no acelerador</p><p>do neurônio. Outros são inibitórios, como se puxassem o</p><p>freio. Se a diferença entre os sinais excitatórios e os inibitó­</p><p>rios exceder uma intensidade mínima, ou lim iar, os sinais</p><p>combinados desencadeiam um potencial de ação. (Pense da</p><p>seguinte forma: se os baladeiros excitatórios tiverem mais</p><p>votos que os estraga-prazeres inibitórios, a festa vai aconte­</p><p>cer.) O potencial de ação atravessa então o axônio, que se</p><p>ramifica em junções com centenas ou milhares de outros</p><p>neurônios e com os músculos e as glândulas do corpo.</p><p>Aumentar o nível de estimulação acima do limiar, porém,</p><p>não aumentará a intensidade do impulso neural. A reação</p><p>do neurônio é uma resposta tudo ou nada: como uma arma,</p><p>ou o neurônio dispara ou não. Como então detectamos a</p><p>intensidade de um estímulo? Como distinguimos um toque</p><p>suave de um abraço apertado? Um estímulo forte - um tapa</p><p>no lugar de um toque - pode fazer mais neurônios dispara­</p><p>rem, e com mais frequência. Entretanto, esse estímulo não</p><p>afeta a força ou a velocidade do potencial de ação. Apertar o</p><p>gatilho com mais força não fará a bala se projetar mais rapi­</p><p>damente.</p><p>>- FIGURA 2.2</p><p>Um neurônio motor</p><p>Dendritos</p><p>(recebem</p><p>mensagens de</p><p>outras células)</p><p>Ramificações terminais do axônio</p><p>(formam junções com outras células)</p><p>Axônio</p><p>(passa mensagens</p><p>do corpo celular para</p><p>outros neurônios,</p><p>músculos ou</p><p>glândulas)</p><p>Corpo celular</p><p>(o centro de apoio</p><p>à vida da célula)</p><p>Bainha de mielina</p><p>(cobre o axônio de</p><p>alguns neurônios e</p><p>ajuda a acelerar a</p><p>velocidade dos</p><p>impulsos neurais)</p><p>Impulso neural (potencial de ação)</p><p>(sinal elétrico viajando</p><p>através do axônio)</p><p>2. Essa despolarização produz outro potencial</p><p>de ação um pouco além ao longo do axônio. Os</p><p>portões nessa área vizinha agora estão abertos,</p><p>e átomos de sódio carregados penetram aí.</p><p>Enquanto isso, uma bomba na membrana</p><p>celular (a bomba de sódio-potássio) transporta</p><p>os íons de sódio de volta para fora da célula.</p><p>3. Enquanto o potencial de ação</p><p>prossegue velozmente através do</p><p>axônio, a primeira seção está agora</p><p>completamente recarregada.</p><p>í. A estimulação neuronal causa uma</p><p>breve alteração na carga elétrica. Se</p><p>forte o bastante, ela produz</p><p>despolarização e um potencial de ação.</p><p>DireçSo ao impulso neural: rumo aos terminais ao axônio</p><p>> FIGURA 2.3</p><p>Potencial de ação</p><p>Como os Neurônios se Comunicam</p><p>com as outras?</p><p>Os neurônios entrelaçam-se de maneira tão intricada que</p><p>mesmo com um microscópio seria difícil ver onde um ter­</p><p>mina e outro começa. Cientistas já acreditaram que o axônio</p><p>de uma célula se fundia com os dendritos de outra, numa</p><p>trama ininterrupta, até o fisiologista britânico Sir Charles</p><p>Sherrington (1857-1952) perceber que os impulsos neurais</p><p>levavam um tempo inesperadamente longo para percorrer</p><p>uma via neural. Inferindo que devia haver uma ligeira inter­</p><p>rupção na transmissão, Sherrington chamou o ponto de</p><p>encontro entre dois neurônios de sinapse.</p><p>Sabemos hoje que a porção terminal do axônio de um neu­</p><p>rônio na verdade está separada do neurônio receptor por um</p><p>espaço sináptico (ou fenda sináptica) de menos de um milio­</p><p>nésimo de polegada de extensão. O anatomista espanhol San­</p><p>tiago Ramón y Cajal (1852-1934) ficou maravilhado com</p><p>essas quase uniões de neurônios, chamando-as de "beijos</p><p>protoplasmáticos”. “Como damas elegantes jogando beijos</p><p>ao ar para não borrar a maquiagem, dendritos e axônios não</p><p>se tocam por completo”, observa a poetisa Diane Ackerman</p><p>(2004). Como os neurônios executam esse beijo protoplas-</p><p>mático, enviando informações através do diminuto espaço</p><p>sináptico? A resposta é uma das importantes descobertas cien­</p><p>tíficas da nossa era.</p><p>Quando um potencial de ação alcança os botões terminais</p><p>de um axônio, provoca a liberação de mensageiros químicos,</p><p>chamados neurotransmissores (FIGURA 2 .4 ). Em 1/10.000</p><p>de segundo, as moléculas neurotransmissoras atravessam o</p><p>espaço sináptico e se unem a sítios receptores no neurônio</p><p>que recebe a informaç��o - com a mesma precisão com que</p><p>uma chave entra na fechadura. Por um instante, o neuro­</p><p>transmissor desbloqueia minúsculos canais no sítio receptor,</p><p>e átomos eletricamente carregados adentram, excitando ou</p><p>inibindo a propensão do neurônio para o disparo. Em seguida,</p><p>num processo chamado recaptação, o neurônio liberador</p><p>reabsorve os neurotransmissores excedentes.</p><p>lim iar o nível de estimulação necessário para disparar</p><p>um impulso neural.</p><p>sinapse a junção entre a ponta do axônio do neurônio</p><p>liberador e o dendrito ou corpo celular do neurônio</p><p>receptor. O pequeno espaço nessa junção é chamado de</p><p>espaço sináptico ou fenda sináptica.</p><p>neurotransmissores mensageiros químicos que</p><p>atravessam os espaços sinápticos entre neurônios.</p><p>Quando liberados pelo neurônio, os neurotransmissores</p><p>viajam pela sinapse e se unem a sítios receptores no</p>
<p>neurônio receptor, influenciando assim a geração de um</p><p>impulso neural por parte desse neurônio.</p><p>recaptação a reabsorção de um neurotransmissor pelo</p><p>neurônio liberador.</p><p>“Toda informação processada no cérebro envolve</p><p>neurônios ‘conversando' uns com os outros em sinapses."</p><p>Solomon H. Snyder, neurocientista (1904]</p><p>1. Impulsos elétricos (potenciais de ação) viajam</p><p>pelo axônio de um neurônio até alcançar uma</p><p>minúscula junção conhecida como sinapse.</p><p>Neurônio remetente</p><p>Poten dl</p><p>Sinapse</p><p>Neurônio</p><p>destinatário</p><p>Neurônio</p><p>remetente</p><p>Recaptação</p><p>Fenda sináptica</p><p>transmissor</p><p>2. Quando um potencial de</p><p>ação alcança o terminal de</p><p>um axônio, estimula a</p><p>liberação de moléculas</p><p>neurotransmissoras. Essas</p><p>moléculas cruzam a fenda</p><p>sináptica e se ligam a</p><p>receptores no neurônio</p><p>seguinte. Isso possibilita que</p><p>átomos eletricamente</p><p>carregados entrem nesse</p><p>neurônio, favorecendo ou</p><p>inibindo um novo potencial</p><p>de ação.</p><p>3. O neurônio normalmente</p><p>reabsorve as moléculas</p><p>neurotransmissoras excedentes,</p><p>um processo chamado recaptação.</p><p>Terminal</p><p>do axônio</p><p>Sítios receptoresfK^</p><p>neurônios de destino</p><p>> FIGURA 2.4</p><p>Como os neurônios se comunicam</p><p>Como os Neurotransmissores</p><p>nos Influenciam</p><p>3 : Como os neurotransmissores influenciam</p><p>o comportamento, e como as drogas e</p><p>outras substâncias químicas afetam a</p><p>neurotransmissão?</p><p>Em sua busca pela compreensão da comunicação neural, pes­</p><p>quisadores descobriram dezenas de neurotransmissores dife­</p><p>rentes e quase o mesmo número de novas perguntas: há cer­</p><p>tos neurotransmissores encontrados apenas em áreas espe­</p><p>cíficas? Como eles afetam nossos humores, nossas memórias</p><p>e nossas habilidades mentais? Podemos potencializar ou dimi­</p><p>nuir esses efeitos por meio de drogas ou dieta?</p><p>"No que diz respeito ao cérebro, se você quiser ver ação,</p><p>siga os neurotransm issores.”</p><p>Floyd Bloom, neurocientista (1993)</p><p>Em capítulos adiante examinaremos as influências dos</p><p>neurotransmissores na depressão e na euforia, na fome e no</p><p>pensamento, nos vícios e na terapia. Por ora, vejamos como</p><p>eles influenciam nossos movimentos e nossas emoções. Uma</p><p>via específica no cérebro pode utilizar apenas um ou dois</p><p>neurotransmissores (FIGURA 2 .5 ), e alguns neurotransmis­</p><p>sores em particular podem causar efeitos específicos no com­</p><p>portamento e nas emoções. (A TABELA 2 .1 traz alguns exem­</p><p>plos.) A acetilcolina (ACh) é um dos neurotransmissores</p><p>mais estudados. Além do seu papel na aprendizagem e na</p><p>memória, e a mensageira em todas as junções entre um neu­</p><p>rônio motor e um músculo esquelético. Quando ela é libe­</p><p>rada para os receptores das nossas células musculares, o mús­</p><p>culo se contrai. Se a transmissão da ACh é bloqueada, como</p><p>ocorre durante alguns tipos de anestesia, os músculos não</p><p>conseguem se contrair e a pessoa fica paralisada.</p><p>Candace Pert e Solomon Snyder (1973) fizeram uma</p><p>empolgante descoberta sobre neurotransmissores ao ligarem</p><p>um traçador radioativo à morfina, revelando onde ela atuava</p><p>no cérebro dos animais. A morfina, uma droga opioide que</p><p>melhora o humor e alivia a dor, ligou-se a receptores em áreas</p><p>relacionadas às sensações de humor e de dor. Mas por que o</p><p>cérebro haveria de possuir esses “receptores para opioides”?</p><p>Por que haveria de ter uma fechadura química, a não ser que</p><p>tivesse também uma chave natural para abri-la?</p><p>Os pesquisadores logo confirmaram que o cérebro produz</p><p>seus próprios opioides naturais. Nosso corpo libera diversos</p><p>tipos de moléculas neurotransmissoras semelhantes à mor­</p><p>Vias dopaminérgicas Vias serotoninérgicas</p><p>► FIGURA 2.5</p><p>Vias dos neurotransmissores Cada um dos</p><p>diferentes mensageiros químicos do cérebro</p><p>opera em trajetórias estabelecidas, como as da</p><p>serotonina e da dopamina mostradas aqui</p><p>(Carter, 1998).</p><p>A lguns N eurotransmissores e S uas Funções</p><p>Neurotransmissor Função Exemplos de disfunções</p><p>Acetilcolina (ACh) Habilita a ação muscular, a aprendizagem e a</p><p>memória.</p><p>Na doença de Alzheimer, os neurônios produtores de ACh se</p><p>deterioram.</p><p>Dopamina Influencia o movimento, a aprendizagem, a</p><p>atenção e as emoções.</p><p>0 excesso de atividade do receptor de dopamina está ligado à</p><p>esquizofrenia. Carente de dopamina, o cérebro produz os</p><p>tremores e a mobilidade reduzida da doença de Parkinson.</p><p>Serotonina Afeta o humor, a fome, o sono e a ativação. Baixa quantidade ligada à depressão. 0 Prozac e alguns outros</p><p>antidepressivos elevam os níveis de serotonina.</p><p>Norepinefrina Auxilia o controle da vigilância e da ativação. A baixa quantidade pode deprimir o humor.</p><p>GABA (ácido</p><p>gama-aminobutírico)</p><p>Um importante neurotransmissor inibitório. Baixa quantidade ligada a convulsões, tremores e insônia.</p><p>Glutamato Um importante neurotransmissor excitatório;</p><p>relacionado à memória.</p><p>Em excesso, pode superestimular o cérebro, produzindo</p><p>enxaquecas ou convulsões (razão pela qual algumas pessoas</p><p>evitam o GMS, glutamato monossódico, na comida).</p><p>fina em resposta à dor e a exercícios vigorosos. Essas endor­</p><p>finas (contração de endógena [produzida dentro] e morfina),</p><p>como as chamamos hoje em dia, ajudam a explicar sensações</p><p>prazerosas como o “barato dos corredores”, os efeitos anal­</p><p>gésicos da acupuntura e a indiferença à dor em algumas pes­</p><p>soas gravemente feridas. Porém, mais uma vez, novas desco­</p><p>bertas levaram a novas indagações.</p><p>Como Drogas e Outros Agentes</p><p>Químicos Alteram a Neurotransmissão</p><p>Se realmente as endorfinas atenuam a dor e elevam o humor,</p><p>por que não inundar o cérebro de opioides artificiais, inten­</p><p>sificando assim sua própria “química do bem-estar”? Um</p><p>problema é que, quando inundado com substâncias opioides</p><p>como a heroína e a morfina, o cérebro pode parar de produ­</p><p>zir seus opioides naturais. Quando a droga for retirada, ele</p><p>pode ficar privado de qualquer forma de opioides, causando</p><p>intenso desconforto. Por suprimir a própria produção de neu­</p><p>rotransmissores do corpo, a natureza cobra um preço.</p><p>Do médico Lewis Thomas, sobre as endorfinas: “Aí está,</p><p>um ato de piedade biologicam ente universal. Não posso</p><p>explicá-lo, exceto por dizer que o teria apoiado caso</p><p>tivesse estado por perto no princípio, como membro de</p><p>um comitê de planejamento."</p><p>The Youngest Science, 19B3</p><p>Drogas e outros agentes químicos afetam a química cere­</p><p>bral nas sinapses, muitas vezes amplificando ou bloqueando</p><p>a atividade de um neurotransmissor. Uma molécula agonista</p><p>pode ser suficientemente parecida com um neurotransmissor</p><p>para mimetizar seus efeitos (FIGURA 2 .6b ) ou pode blo­</p><p>quear a recaptação do neurotransmissor. Algumas drogas</p><p>opioides, por exemplo, produzem um “barato” temporário</p><p>amplificando sensações normais de excitação ou prazer. Não</p><p>tão prazerosos são os efeitos do veneno da viúva-negra, que</p><p>inunda as sinapses com ACh. O resultado? Violentas contra­</p><p>ções musculares, convulsões e possivelmente a morte.</p><p>Molécula neurotransmissora</p><p>Vesículas</p><p>contendo</p><p>neurotrans</p><p>missores</p><p>Fenda</p><p>sináptica</p><p>Neurônio</p><p>remetente</p><p>Potencial</p><p>de ação</p><p>Sítios</p><p>receptores</p><p>Molécula</p><p>neurotrans­</p><p>missora</p><p>Neurônio destinatário</p><p>Neurotransmissores carregam uma mensagem</p><p>de um neurônio através de uma sinapse para</p><p>sítios receptores em outro neurônio.</p><p>Esta molécula</p><p>neurotransmissora encaixa-se</p><p>no sítio receptor do neurônio</p><p>de destino como uma chave se</p><p>encaixa em uma fechadura.</p><p>Membrana</p><p>celular receptora</p><p>Sítio receptor no</p><p>neurônio destinatário</p><p>Esta molécula agonista excita.</p><p>Sua estrutura é suficientemente</p><p>semelhante à da molécula</p><p>neurotransmissora para</p><p>mimetizar seus efeitos no</p><p>neurônio de destino. A morfina,</p><p>por exemplo, mimetiza a ação</p><p>das endorfinas.</p><p>Esta molécula antagonista inibe.</p><p>Possui estrutura semelhante o</p><p>bastante ao neurotransmissor</p><p>para ocupar seu sítio receptor e</p><p>bloquear sua ação, mas não</p><p>semelhante o suficiente para</p><p>simular o receptor.</p><p>Envenenamento por curare</p><p>paralisa suas vítimas bloqueando</p><p>seus receptores de ACh envolvidos</p><p>no movimento muscular.</p><p>Agonista</p><p>mimetiza o</p><p>neurotransmissor</p><p>Antagonista</p><p>bloqueia o</p><p>neurotransmissor</p><p>> FIGURA 2.6</p><p>Agonistas e antagonistas</p><p>endorfinas “morfina interior” - neurotransmissores</p>
<p>naturais, semelhantes a opioides, ligados ao controle da</p><p>dor e ao prazer.</p><p>As antagonistas bloqueiam o funcionamento do neuro­</p><p>transmissor. A botulina, substância venenosa que pode se</p><p>formar em alimentos inapropriadamente enlatados, causa</p><p>paralisia por bloquear a liberação de ACh. (Pequenas injeções</p><p>de botulina - Botox - suavizam rugas por paralisar os mús­</p><p>culos faciais subjacentes.) Outras moléculas antagonistas são</p><p>suficientemente parecidas com o neurotransmissor natural</p><p>para ocupar seu sítio receptor e bloquear seu efeito, como</p><p>mostra a Figura 2.6c, mas não para estimular o receptor (mais</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> Pergunte a Si Mesmo</p><p>Você se lembra de alguma ocasião em que a resposta da</p><p>endorfina pode tê-lo protegido de uma dor extrema?</p><p>> Teste a Sí Mesmo 1</p><p>Como os neurônios se comunicam uns com os outros?</p><p>As respostas para as questões "Teste a Si Mesmo" podem ser encontradas</p><p>no Apêndice B. no final do livro.</p><p>ou menos como uma moeda estrangeira que entra numa</p><p>máquina de refrigerantes ou de doces, mas não a faz funcio­</p><p>nar). O curare, um veneno aplicado por certas tribos indíge­</p><p>nas sul-americanas nas pontas de lanças de caça, ocupa e</p><p>bloqueia sítios receptores de ACh, impedindo o neurotrans­</p><p>missor de chegar aos músculos. Atingido por uma dessas lan­</p><p>ças, um animal fica paralisado.</p><p>O Sistema Nervoso</p><p>4 : Quais as funções das principais divisões do</p><p>sistema nervoso?</p><p>VIVER É ASSIMILAR INFORMAÇÕES DO mundo e dos teci­</p><p>dos corporais, tomar decisões e devolver informações e ordens</p><p>aos tecidos. Tudo isso ocorre graças à veloz rede de comuni­</p><p>cações eletroquímicas do nosso corpo, o sistema nervoso</p><p>(FIGURA 2 .7 ) . O cérebro e a medula espinhal formam o</p><p>sistema nervoso central (SNC), que se comunica com os</p><p>receptores sensoriais, os músculos e as glândulas do corpo</p><p>por meio do sistema nervoso periférico (SNP).</p><p>Os neurônios são os blocos de construção do sistema ner­</p><p>voso. As informações do SNP viajam através dos axônios agru­</p><p>pados em cabos elétricos que conhecemos como nervos. O</p><p>nervo óptico, por exemplo, agrupa um milhão de fibras axonais</p><p>Sistema nervoso periférico</p><p>Sistema</p><p>nervoso</p><p>Sistema nervoso central</p><p>Periférico</p><p>Central (cérebro</p><p>e medula</p><p>espinhal)</p><p>Autônomo icontrola a Somático (controla os</p><p>ação autorregulada dos movimentos</p><p>órgãos internos e das voluntários dos</p><p>glândulas) músculos esqueléticos)</p><p>íV]</p><p>r</p><p>Simpático</p><p>(ativação)</p><p>Parassimpático</p><p>(relaxamento)</p><p>> FIGURA 2.7</p><p>As divisões funcionais do sistema nervoso humano</p><p>em um único cabo, que transporta as mensagens que cada olho</p><p>envia ao cérebro (Mason e Kandel, 1991). Como já vimos, as</p><p>informações viajam pelo sistema nervoso por meio de neurô­</p><p>nios sensoriais, neurônios motores e interneurônios.</p><p>O Sistema Nervoso Periférico</p><p>Nosso sistema nervoso periférico tem dois componentes -</p><p>somático e autônomo. O sistema nervoso somático possi­</p><p>bilita o controle voluntário dos músculos esqueléticos. Ao</p><p>chegar ao final desta página, seu sistema nervoso somático</p><p>irá relatar ao cérebro o estado atual dos seus músculos esque­</p><p>léticos; o cérebro, por sua vez, enviará instruções de volta,</p><p>fazendo com que sua mão vire a página.</p><p>O sistema nervoso autônom o controla as glândulas e</p><p>os músculos dos nossos órgãos internos, influenciando fun­</p><p>ções como a atividade glandular, a frequência cardíaca e a</p><p>digestão. Como um piloto automático, esse sistema pode ser</p><p>dirigido de forma consciente, mas em geral opera por conta</p><p>própria (autonomamente).</p><p>sistema nervoso a veloz rede e le troquím ica de</p><p>com unicação do corpo, que consiste em todas as células</p><p>nervosas dos sistemas nervosos pe rifé rico e central.</p><p>sistem a nervoso centra l (SNC) o cérebro e a m edula</p><p>espinhal.</p><p>sistem a nervoso pe rifé rico (SNP) os neurônios</p><p>sensoriais e m otores que conectam o sistema nervoso</p><p>centra l (SNC) ao resto do corpo.</p><p>nervos axônios agrupados que form am “ cabos”</p><p>neurais conectando o sistema nervoso centra l aos</p><p>músculos, às glândulas e aos órgãos sensoriais.</p><p>sistem a nervoso som ático a d iv isão do sistema</p><p>nervoso pe rifé rico que con tro la os m úsculos</p><p>esqueléticos do corpo. Também cham ado de sistema</p><p>nervoso esquelético.</p><p>sistem a nervoso au tônom o a parte do sistema nervoso</p><p>pe rifé rico que con tro la as g lândulas e os músculos dos</p><p>órgãos in ternos (com o o coração). Sua d ivisão sim pática</p><p>ativa; sua d iv isão parassim pática acalma.</p><p>sistem a nervoso s im pá tico a d iv isão do sistema</p><p>nervoso au tônom o que ativa o corpo, m ob ilizando sua</p><p>energia em situações estressantes.</p><p>O sistema nervoso autônomo serve a duas importantes</p><p>funções básicas (FIGURA 2 .8 ) . O sistema nervoso sim­</p><p>pático ativa e gasta energia. Se algo nos alarma, enfurece ou</p><p>desafia, o sistema nervoso simpático acelera a frequência car­</p><p>díaca, eleva a pressão sanguínea, retarda a digestão, aumenta</p><p>o nível de açúcar no sangue e resfria o corpo por meio da</p><p>transpiração, deixando-nos alertas e prontos para a ação.</p><p>Quando o estresse diminui, o sistema nervoso parassim­</p><p>pático produz efeitos opostos. Ele conserva energia enquanto</p><p>nos acalma baixando a frequência cardíaca, o nível de açúcar</p><p>no sangue e assim por diante. Em situações cotidianas, os</p><p>sistemas nervosos simpático e parassimpático trabalham jun­</p><p>tos para manter nossa estabilidade interna.</p><p>O Sistema Nervoso Central</p><p>Da simplicidade da “conversa” entre os neurônios emerge a</p><p>complexidade do cérebro e da medula espinhal que compõem</p><p>o sistema nervoso central.</p><p>É o cérebro que possibilita nossa humanidade - nosso pen­</p><p>sar, sentir e agir. Dezenas de bilhões de neurônios, cada um</p><p>se comunicando com outros milhares de neurônios, produ­</p><p>zem um diagrama de conexões sempre em mudança que deixa</p><p>para trás mesmo um potente computador. Com cerca de 40</p><p>bilhões de neurônios, cada um fazendo contato com cerca de</p><p>10 mil outros neurônios, chegamos talvez a 400 trilhões de</p><p>sinapses - locais onde os neurônios se encontram e saúdam</p><p>seus vizinhos (de Courten-Myers, 2005). Um pedacinho do</p><p>seu cérebro do tamanho de um grão de areia contém cerca</p><p>SISTEMA NERVOSO</p><p>SIMPÁTICO</p><p>(ativação)</p><p>Cérebro</p><p>SISTEMA NERVOSO</p><p>PARASSIMPÁTICO</p><p>(relaxamento)</p><p>Dilata</p><p>a pupila</p><p>Coração</p><p>Estômago</p><p>41</p><p>2</p><p>Acelera</p><p>a frequência</p><p>cardíaca</p><p>• V</p><p>Pâncreas</p><p>Fígado</p><p>Glândula</p><p>suprarrenal</p><p>Rim</p><p>Relaxa</p><p>a bexiga</p><p>Contrai</p><p>a pupila</p><p>Inibe a</p><p>digestão I</p><p>Estimula a</p><p>liberação da</p><p>glicose pelo</p><p>fígado</p><p>Estimula a</p><p>secreção de</p><p>epinefrina e</p><p>norepinefrina</p><p>Estimula a</p><p>ejaculação</p><p>no homem</p><p>4</p><p>B .</p><p>Desacelera</p><p>a frequência</p><p>cardíaca</p><p>»•</p><p>Estimula a</p><p>digestão</p><p>I TEstimula a</p><p>vesícula biliar</p><p>Contrai</p><p>a bexiga</p><p>Permite que o</p><p>sangue flua para</p><p>os órgãos sexuais</p><p>>- FIGURA 2.8</p><p>As funções duais do sistema nervoso</p><p>autônomo O sistema nervoso autônomo</p><p>controla as funções internas mais</p><p>autônomas (ou autorreguladoras). Sua</p><p>divisão simpática ativa e gasta energia. Já</p><p>a parassimpática acalma e conserva</p><p>energia, permitindo uma atividade de</p><p>manutenção rotineira. Por exemplo, a</p><p>estimulação simpática acelera a frequência</p><p>cardíaca, ao passo que a estimulação</p><p>parassimpática a desacelera.</p><p>de 100 mil neurônios e 1 bilhão de sinapses “falantes” (Rama­</p><p>chandran e Blakeslee, 1998).</p><p>Stephen Colbert: "Como o cérebro funciona? Em cinco</p><p>palavras ou menos."</p><p>Steven Pinker: “Células cerebrais disparam seguindo</p><p>padrões."</p><p>The Colbert Report, 8 de fevereiro de 2007</p><p>Os neurônios do cérebro reúnem-se em grupos de traba­</p><p>lho chamados redes neurais. Para entendermos o porquê, Ste­</p><p>phen Kosslyn e Olivier Koenig (1992, p. 12) nos convidam</p><p>a “pensar sobre por que as cidades existem; por que as pes­</p><p>soas não se distribuem de forma mais homogênea nas zonas</p><p>rurais?” Como pessoas que se relacionam com outras pes­</p><p>soas, os neurônios se relacionam com neurônios próximos</p><p>com os quais possam fazer conexões curtas e rápidas. Como</p><p>mostra a FIGURA 2 .9 , as células em cada camada de uma</p><p>rede neural se conectam com várias outras na camada</p><p>seguinte. As respostas fortalecem as conexões, proporcio­</p><p>nando aprendizado. Aprender a tocar violino, por exemplo,</p>
<p>forma conexões neurais. Neurônios que disparam juntos ati­</p><p>vam-se juntos.</p><p>A medula espinhal é uma via expressa que conecta o sis­</p><p>tema nervoso periférico ao cérebro. Fibras neurais ascenden­</p><p>tes enviam informações sensoriais, e fibras descendentes</p><p>devolvem informações de controle motor. As vias neurais que</p><p>governam os reflexos, nossas respostas automáticas aos estí­</p><p>mulos, ilustram o trabalho da medula espinhal. Uma via sim­</p><p>ples de reflexo espinhal é composta por um único neurônio</p><p>sensorial e um único neurônio motor. Estes frequentemente</p><p>se comunicam através de um interneurônio. O reflexo pate-</p><p>lar, por exemplo, envolve uma dessas vias simples. Um corpo</p><p>sem cabeça, se estimulado, poderia fazê-lo.</p><p>Outra via como essa habilita o reflexo da dor (FIGURA</p><p>2 .1 0 ). Quando seu dedo toca uma chama, a atividade neu­</p><p>ral despertada pelo calor viaja através dos neurônios senso­</p><p>riais até os interneurônios na sua medula espinhal. Estes res­</p><p>pondem ativando neurônios motores que vão até os múscu­</p><p>los do seu braço. Como a simples via do reflexo da dor per­</p><p>corre a medula espinhal e volta, você recolhe a mão antes que</p><p>seu cérebro receba e reaja à informação que provoca a sen­</p><p>sação de dor. Isso explica por que parece que sua mão se reco­</p><p>lhe não por sua vontade, mas por conta própria.</p><p>Neurônios no cérebro conectam-se</p><p>uns aos outros, formando redes</p><p>>- F IG U R A 2 .9</p><p>Uma rede neural simplificada:</p><p>aprendendo a tocar violino Neurônios</p><p>relacionam-se com neurônios próximos.</p><p>Codificada nessas redes de neurônios inter-</p><p>relacionados está sua própria identidade estável</p><p>(como músico, atleta, amigo dedicado) - seu</p><p>senso de si mesmo que se estende através dos</p><p>anos.</p><p>Entradas</p><p>(lições, treinos, ~</p><p>aulas magnas,</p><p>festas com</p><p>músicas, tempo ”</p><p>passado com</p><p>amigos que</p><p>gostam de</p><p>música)</p><p>Saídas</p><p>(bela</p><p>música!)</p><p>0 cérebro aprende modificando certas conexões em resposta à</p><p>retroalimentação (desenvolvimento de habilidades específicas)</p><p>í. Neste simples reflexo de retirada da mão, a</p><p>informação é carregada dos receptores cutâneos ao</p><p>longo de um neurônio sensorial até a medula espinhal</p><p>(como mostrado pela seta preta). Daí é passada via</p><p>interneurônios para os neurônios motores, que levam</p><p>aos músculos da mão e do braço (seta cinza).</p><p>Neurônio sensorial</p><p>(informação recebida)</p><p>Cérebro</p><p>Interneurônio</p><p>Músculo</p><p>Receptores</p><p>cutâneos</p><p>► F IG U R A 2.10</p><p>Um reflexo simples</p><p>2. Como este reflexo envolve apenas a</p><p>medula espinhal, a mão se afasta da</p><p>chama da vela antes mesmo de a</p><p>informação acerca do evento alcançar o</p><p>cérebro, causando a experiência de dor.</p><p>Medula espinhal</p><p>Neurônio motor</p><p>(informação enviada)</p><p>sistema nervoso parassimpático a divisão do sistema</p><p>nervoso autônomo que acalma o corpo, conservando sua</p><p>energia.</p><p>reflexo uma resposta simples e automática a estímulos</p><p>sensoriais, como a o reflexo patelar.</p><p>“Se o sistem a nervoso for cortado entre o cérebro e</p><p>outras partes, as experiências dessas outras partes</p><p>serão inexistentes para a mente. □ olho ficará cego; o</p><p>ouvido, surdo; a mão, insensível e sem movimento."</p><p>William James, Princípios de Psicologia, 1890</p><p>Informações entram e saem do cérebro por intermédio da</p><p>medula espinhal. Se a parte superior dela fosse afetada, você</p><p>não sentiria dor dali para baixo. Tampouco sentiria prazer.</p><p>Com o cérebro literalmente sem contato com o corpo, você</p><p>perderia todas as sensações e o movimento voluntário em</p><p>regiões que tivessem conexões sensoriais e motoras com a</p><p>medula espinhal abaixo do ponto lesionado. Você apresen­</p><p>taria o reflexo patelar sem sentir o toque. Quando o centro</p><p>cerebral que refreia as ereções é afetado, homens paralisados</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> Pergunte a Si Mesm o</p><p>Você se surpreende com a forma do nosso sistema nervoso -</p><p>com suas fendas sinápticas atravessadas por moléculas que</p><p>atuam como mensageiras químicas num instante</p><p>imperceptivelmente breve? Ou teria projetado a si mesmo de</p><p>maneira diferente?</p><p>> Teste a Si Mesm o 2</p><p>Como as informações fluem através do seu sistema nervoso</p><p>quando você pega um garfo? Você pode resumir esse</p><p>processo?</p><p>As respostas às questões “Teste a Si Mesmo" podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B, no final do livro.</p><p>abaixo da cintura podem ser capazes de tê-las (um reflexo</p><p>simples) se seus genitais forem estimulados (Goldstein,</p><p>2000). Mulheres com paralisia semelhante podem responder</p><p>com lubrificação vaginal. Porém, dependendo do ponto e da</p><p>extensão da lesão na medula espinhal, eles podem não reagir</p><p>genitalmente a imagens eróticas e não ter sensações genitais</p><p>(Kennedy e Over, 1990; Sipski e Alexander, 1999). Para pro­</p><p>duzir dor ou prazer corporais, a informação sensorial deve</p><p>alcançar o cérebro.</p><p>O Sistema Endócrino</p><p>5 : Como o sistema endócrino - o sistema de</p><p>informação mais lento do corpo - transmite</p><p>suas mensagens?</p><p>ATÉ AQUI ENFOCAMOS O VELOZ sistema eletroquímico</p><p>de informações do corpo. Interconectado ao sistema nervoso</p><p>está um segundo sistema de comunicação, o sistema endó­</p><p>crino (FIG U R A 2.il). Suas glândulas secretam outra forma</p><p>de mensageiros químicos, os horm ônios, que viajam pela</p><p>corrente sanguínea e afetam outros tecidos, incluindo o cere-</p><p>bro. Quando eles atuam sobre o cérebro, influenciam nosso</p><p>interesse em sexo, alimento e agressividade.</p><p>sistema endócrino o sistema "lento” de comunicação</p><p>química do corpo; um conjunto de glândulas que</p><p>secretam hormônios na corrente sanguínea.</p><p>hormônios mensageiros químicos fabricados pelas</p><p>glândulas endócrinas, os quais viajam pela corrente</p><p>sanguínea e afetam outros tecidos.</p><p>Alguns hormônios são quimicamente idênticos aos neu­</p><p>rotransmissores (aqueles mensageiros químicos que se</p><p>difundem através de uma sinapse e excitam ou inibem um</p><p>neurônio adjacente). Os sistemas endócrino e nervoso são</p><p>portanto parentes próximos: ambos produzem moléculas</p><p>que atuam sobre receptores em outro local. Porém, como</p><p>muitos parentes, eles também têm diferenças. O veloz sis­</p><p>tema nervoso dispara mensagens dos olhos para o cérebro</p><p>e daí para a mão numa fração de segundo. Mensagens endó­</p><p>crinas arrastam-se pela corrente sanguínea, levando vários</p><p>segundos ou mais para viajar da glândula até o tecido-alvo.</p><p>Se a comunicação do sistema nervoso envia mensagens como</p><p>um serviço de e-mail, o sistema endócrino é o correio tra­</p><p>dicional do corpo. Mas, às vezes, devagar se vai longe. Men­</p><p>sagens endócrinas tendem a durar mais que os efeitos de</p><p>mensagens neurais. Isso ajuda a explicar por que sentimen­</p><p>tos tristes podem perdurar, muitas vezes depois que paramos</p><p>de pensar naquilo que nos incomodou. Demora algum</p><p>tempo até “esfriarmos a cabeça”. Em momentos de perigo,</p><p>por exemplo, o sistema nervoso autônomo ordena às glân­</p><p>dulas suprarrenais, localizadas acima dos rins, que libe­</p><p>rem epinefrina e norepinefrina (também chamadas adrenalina</p><p>e noradrenalina). Esses hormônios aumentam a frequência</p><p>cardíaca, a pressão sanguínea e o nível de açúcar no sangue,</p><p>fornecendo-nos uma onda de energia. Quando a emergên­</p><p>cia passa, os hormônios - e o sentimento de agitação - per­</p><p>duram por um tempo. Os hormônios do sistema endócrino</p><p>influenciam muitos aspectos de nossas vidas - o cresci­</p><p>mento, a reprodução, o metabolismo, o humor . traba­</p><p>lhando com o sistema nervoso para manter tudo em equi­</p><p>líbrio enquanto reagimos ao estresse, ao esforço e aos nos­</p><p>sos próprios pensamentos.</p><p>glândulas suprarrenais um par de glândulas</p><p>endócrinas que estão localizadas sobre os rins e</p><p>secretam hormônios (epinefrina e norepinefrina) que</p><p>ajudam a estimular o corpo em momentos de estresse.</p><p>hipófise a glândula mais influente do sistema</p><p>endócrino. Sob a influência do hipotálamo, a hipófise</p><p>regula o crescimento e controla outras glândulas</p><p>endócrinas.</p><p>Hipotálamo</p><p>(região cerebral que</p><p>controla a hipófise)</p><p>Tireoide</p><p>(afeta o metabolismo,</p><p>entre outras coisas)</p><p>Glândulas</p><p>suprarrenais</p><p>(parte interna ajuda</p><p>a disparar a resposta</p><p>de “ luta ou fuga”)</p><p>Testículo</p><p>(secreta hormônios</p><p>sexuais masculinos)</p><p>Hipófise</p><p>(secreta vários hormônios</p><p>diferentes, alguns dos quais</p>
<p>afetam outras glândulas)</p><p>Paratireoides</p><p>(ajudam a regular o nível</p><p>de cálcio no sangue)</p><p>Pâncreas</p><p>(regula o nível de</p><p>açúcar no sangue)</p><p>Ovário</p><p>(secreta hormônios</p><p>sexuais femininos)</p><p>>- FIGURA 2.11</p><p>O sistema endócrino</p><p>A glândula endócrina mais influente é a hipófise, uma</p><p>estrutura do tamanho de uma ervilha localizada no centro do</p><p>cérebro, onde é controlada por uma área adjacente, o hipo­</p><p>tálamo (sobre o qual em breve você lerá mais). A hipófise (ou</p><p>pituitária) libera hormônios que influenciam o crescimento,</p><p>e suas secreções também influenciam a liberação de hormô­</p><p>nios por outras glândulas endócrinas. A hipófise é, portanto,</p><p>uma espécie de glândula-mestra (cujo próprio mestre é o hipo­</p><p>tálamo). Por exemplo, sob a influência do cérebro, a hipófise</p><p>ativa suas glândulas sexuais a liberar hormônios sexuais. Estes,</p><p>por sua vez, influenciam seu cérebro e seu comportamento.</p><p>Esse sistema de retroalimentação (cérebro -» hipófise -></p><p>outras glândulas -> hormônios —> cérebro) revela a íntima</p><p>conexão entre os sistemas nervoso e endócrino. O primeiro</p><p>dirige as secreções endócrinas, que depois irão afetá-lo. Con­</p><p>duzindo e coordenando toda essa orquestra eletroquímica</p><p>está o maestro a que chamamos cérebro.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>>- Pergunte a Si Mesm o</p><p>Você se lembra de já ter sentido um prolongado período de</p><p>desconforto após algum evento especialmente estressante?</p><p>Quanto tempo duraram essas sensações?</p><p>> Teste a Si M esm o 3</p><p>Por que a hipófise é chamada de “glândula-mestra”?</p><p>As respostas às questões "Teste a Si Mesmo” podem ser encontradas no</p><p>Apêndice B, no final do livro.</p><p>O Cérebro</p><p>EM UM RECIPIENTE EM EXIBIÇÃO NO DEPARTAMENTO</p><p>de Psicologia da Cornell University repousa o bem-preservado</p><p>cérebro de Edward Bradford Titchener, um grande psicólogo</p><p>experimental e defensor do estudo da consciência da virada</p><p>do século XX. Imagine-se contemplando aquela massa rugosa</p><p>de tecido cinzento, perguntando-se se de algum modo Titche­</p><p>ner ainda está ali.1</p><p>Você pode responder que, sem a vibração viva da atividade</p><p>eletroquímica, não pode haver nada de Titchener em seu cére­</p><p>bro preservado. Considere então um experimento com o qual</p><p>o curioso psicólogo poderia ter sonhado. Imagine que momen­</p><p>tos antes de sua morte alguém removesse o cérebro de Titche­</p><p>ner de seu corpo e o mantivesse vivo boiando em um tanque</p><p>de líquido cerebral enquanto o alimentasse com sangue enri­</p><p>quecido. Titchener ainda estaria ali? Em seguida, imagine que</p><p>alguém transplantasse o cérebro ainda vivo para o corpo de</p><p>uma pessoa com graves danos cerebrais. Para que casa o</p><p>paciente retornaria ao receber alta?</p><p>O fato de imaginarmos tais indagações ilustra o quanto</p><p>estamos convencidos de vivermos “em algum lugar acima do</p><p>pescoço” (Fodor, 1999). E por uma boa razão: o cérebro capa­</p><p>cita a mente - a visão, a audição, o olfato, os sentimentos,</p><p>as lembranças, o pensamento, a fala, os sonhos. O cérebro é</p><p>o que a poetisa Diane Ackerman (2004, p. 3) chama de</p><p>“aquele brilhante amontoado de ser... aquela fábrica de</p><p>sonhos... aquela multidão de neurônios dando todas as car­</p><p>tas... aquele inconstante local do prazer”.</p><p>1Broca’s Brain (1979), de Carl Sagan, inspirou esta questão.</p><p>Ademais, é o cérebro que faz uma análise autorreflexiva.</p><p>Quando pensamos sobre o cérebro, estamos pensando com o</p><p>cérebro - disparando incontáveis milhões de sinapses e libe­</p><p>rando bilhões de moléculas neurotransmissoras. O efeito dos</p><p>hormônios em experiências como o amor nos faz lembrar que</p><p>não teríamos a mesma mente se fôssemos cérebros sem corpo.</p><p>Cérebro + corpo = mente. Entretanto, dizem os neurocientis-</p><p>tas, a mente é o que o cérebro faz. Se todos os seus órgãos fossem</p><p>transplantados, você ainda seria em grande parte a mesma</p><p>pessoa, a não ser, como disse o psicólogo Jonathan Haidt, que</p><p>um desses órgãos fosse o cérebro. Mas precisamente onde e</p><p>como as funções mentais estão ligadas ao cérebro? Vejamos</p><p>primeiro como os cientistas exploram tais questões.</p><p>“Eu sou um cérebro, Watson. 0 resto de mim é um mero</p><p>apêndice."</p><p>Sherlock Holmes, em “The Adventure o f the</p><p>Mazarin Stone", de Arthur Conan Doyle</p><p>As Ferramentas da Descoberta:</p><p>Examinando Nossa Cabeça</p><p>6 : Como os neurocientistas estudam as conexões</p><p>do cérebro com o comportamento e a mente?</p><p>Durante séculos, não tivemos ferramentas poderosas mas sua­</p><p>ves o suficiente para explorar o cérebro humano vivo. Observa­</p><p>ções clínicas revelavam algumas conexões entre cérebro e mente.</p><p>Médicos notaram, por exemplo, que danos a um lado do cére­</p><p>bro muitas vezes causavam torpor ou paralisia no lado oposto</p><p>do corpo, sugerindo que o lado direito deste está conectado ao</p><p>lado esquerdo daquele, e vice-versa. Outros notaram que danos</p><p>à parte posterior do cérebro prejudicavam a visão, e danos à</p><p>parte frontal esquerda produziam dificuldades na fala. Gradu­</p><p>almente, esses primeiros exploradores mapeavam o cérebro.</p><p>Agora, muitos anos depois, todo o processo de mapea­</p><p>mento do cérebro mudou. O mais incrível órgão conhecido</p><p>no universo está sendo testado e mapeado por uma nova</p><p>geração de cartógrafos neurais. Seja por interesse da ciência</p><p>ou da medicina, eles podem lesionar (destruir) seletivamente</p><p>pequenos aglomerados de células cerebrais normais ou defei­</p><p>tuosas, sem riscos ao tecido em volta delas. Tais estudos reve­</p><p>laram, por exemplo, que danos a uma área do hipotálamo no</p><p>cérebro de um rato reduzem a quantidade de comida consu­</p><p>mida por ele, levando-o à inanição, a menos que alimentado</p><p>à força. Danos a outra área produzem superalimentação.</p><p>Os cientistas de hoje também podem estimular elétrica,</p><p>química ou magneticamente várias partes do cérebro e obser­</p><p>var os efeitos; espionar as mensagens de neurônios indivi­</p><p>duais e espreitar a conversa de bilhões deles; e ver represen­</p><p>tações coloridas do consumo de energia do cérebro em ativi­</p><p>dade. Essas técnicas de penetração nos pensamentos e senti­</p><p>mentos do cérebro fazem pela psicologia o que o microscópio</p><p>fez pela biologia e o telescópio pela astronomia. Vamos dar</p><p>uma olhada em algumas delas e ver como os neurocientistas</p><p>estudam o funcionamento do cérebro.</p><p>Registrando a Atividade Elétrica do Cérebro</p><p>Agora mesmo, sua atividade mental está emitindo sinais elé­</p><p>tricos, metabólicos e magnéticos reveladores que permitiriam</p><p>aos neurocientistas observar seu cérebro trabalhando. As</p><p>extremidades dos microeletrodos modernos são tão pequenas</p><p>que conseguem detectar o pulso elétrico em um único neu­</p><p>rônio. Por exemplo, podemos hoje detectar exatamente para</p><p>onde vai a informação no cérebro de um gato quando alguém</p><p>toca seus bigodes.</p><p>A atividade elétrica dos bilhões de neurônios do cérebro</p><p>atravessa sua superfície em ondas regulares. Um eletroen-</p><p>cefalograma (EEG) é uma leitura amplificada dessas ondas.</p><p>Estudar um EEG da atividade cerebral é como estudar o motor</p><p>de um carro escutando seu ronco. Ao se apresentar um estí­</p><p>mulo repetidamente e remover por meio de um computador</p><p>a atividade cerebral não relacionada a ele, pode-se identificar</p><p>a onda evocada por esse estímulo (FIGURA 2 .1 2 ).</p><p>lesão destruição de tecido. Uma lesão cerebral é uma</p><p>destruição de tecido do cérebro causada natural ou</p><p>experimentalmente.</p><p>eletroencefalograma (EEG) um registro amplificado</p><p>das ondas da atividade elétrica que atravessam a</p><p>superfície do cérebro. Essas ondas são mensuradas por</p><p>eletrodos colocados no couro cabeludo.</p><p>Técnicas de Neuroimagem</p><p>“Você deve olhar não apenas para as pessoas, mas também</p><p>dentro delas”, aconselhou Lord Chesterfield em uma carta</p><p>escrita a seu filho em 1746. Novas janelas para o cérebro pro­</p><p>porcionam-nos esse superpoder de ver dentro do órgão vivo.</p><p>Uma dessas ferramentas, a PET (tomografia por emissão</p><p>de pósitrons), descreve a atividade do cérebro mostrando o</p><p>consumo de seu combustível químico, glicose. Neurônios</p><p>ativos são ávidos por glicose. Após a pessoa receber uma dose</p><p>de glicose temporariamente radioativa, a PET localiza a radio­</p><p>atividade, detectando assim aonde vai esse “alimento para o</p><p>pensamento”. De forma semelhante à de</p>
<p>and Perils.</p><p>David Myers presidiu a Comissão de Relações Huma­</p><p>nas de sua cidade, participou da fundação de um bem-</p><p>sucedido centro de assistência a famílias carentes e fez</p><p>palestras para centenas de grupos acadêmicos e comu­</p><p>nitários. Valendo-se de sua experiência, também escreveu</p><p>artigos e um livro {A Quiet World) sobre perda auditiva e</p><p>é defensor de uma transformação na tecnologia de assis­</p><p>tência auditiva nos Estados Unidos (para detalhes, acesse</p><p>o site hearingloop.org).</p><p>A rotina diária de Myers inclui irde biadeta ao trabalho</p><p>e jogar basquete. David e Canol Wyers cna^ar • dois filhos</p><p>e uma filha.</p><p>fU</p><p><53</p><p>O</p><p>o</p><p>- f U</p><p>E</p><p>= 3</p><p>o n</p><p>1 PRÓLOGO</p><p>A H istória da Psicologia</p><p>11 CAPÍTULO 1</p><p>Pensando C riticam en te com a C iência</p><p>Psico lóg ica</p><p>35 CAPÍTULO 2</p><p>A B io log ia da Mente</p><p>65 CAPÍTULO 3</p><p>A Consciência e a Mente de Duas Vias</p><p>C Two- Track M in d )</p><p>101 CAPÍTULO 4</p><p>A Natureza, a Cultura e a D ivers idade Humana</p><p>130 CAPÍTULO 5</p><p>O D esenvo lv im en to ao Longo do C iclo da V ida</p><p>173 CAPÍTULO 6</p><p>Sensação e Percepção</p><p>221 CAPÍTULO 7</p><p>A prend iza gem</p><p>249 CAPÍTULO 8</p><p>M em ória</p><p>281 CAPÍTULO 9</p><p>Pensam ento e L inguagem</p><p>307 CAPÍTULO 10</p><p>In te ligênc ia</p><p>336 CAPÍTULO 11</p><p>M otivação e T rabalho</p><p>377 CAPÍTULO 12</p><p>Em oção, Estresse e Saúde</p><p>421 CAPÍTULO 13</p><p>Personalidade</p><p>449 CAPÍTULO 14</p><p>Transto rnos P sico lóg icos</p><p>483 CAPÍTULO 15</p><p>Terapia</p><p>509 CAPÍTULO 16</p><p>Psicologia Social</p><p>549 APÊNDICE A</p><p>Carreiras em Psicologia</p><p>557 APÊNDICE B</p><p>Respostas às Q uestões “ Teste a Si M esm o”</p><p>565 GLOSSÁRIO</p><p>579 REFERÊNCIAS</p><p>661 ÍNDICE</p><p>o</p><p>E</p><p>= 5</p><p>i n</p><p>Prefácio xiii</p><p>1</p><p>P R ÓLOGO</p><p>A História da Psicologia</p><p>O que E Psicologia? 2</p><p>As Raízes da Psicologia 2</p><p>A Ciência Psicológica se Desenvolve 3</p><p>A Psicologia Contem porânea 4</p><p>A Principal Questão da Psicologia 5</p><p>Os Três Principais Níveis de Análise da Psicologia</p><p>Subáreas da Psicologia 7</p><p>EM FOCO: Dicas para Estudar Psicologia 8</p><p>11</p><p>C A P Í T U L O 1</p><p>Pensando Criticamente com a Ciência</p><p>Psicológica</p><p>A Necessidade da Ciência Psicológica 11</p><p>Será que Sabemos Tudo de Antem ão? O Viés Retrospectivo 12</p><p>Confiança Excessiva 13</p><p>A A titu d e C ientífica 14</p><p>O Pensamento Crítico 15</p><p>Com o os Psicólogos Form ulam Perguntas e Respostas?</p><p>15</p><p>O M étodo C ientífico 15</p><p>Descrição 17</p><p>Correlação 19</p><p>Experim entação 22</p><p>Raciocínio Estatístico no Dia a Dia 25</p><p>A Descrição dos Dados 25</p><p>Fazendo Inferências 28</p><p>Perguntas Freqüentes sobre Psicologia 29</p><p>35</p><p>C A P Í T U L O 2</p><p>A Biologia da Mente</p><p>Com unicação Neural 36</p><p>Neurônios 36</p><p>Com o os Neurônios se Com unicam 38</p><p>Com o os Neurotransm issores nos Influenciam 39</p><p>O Sistema Nervoso 41</p><p>O Sistema Nervoso Periférico 42</p><p>O Sistema Nervoso Central 42</p><p>O Sistema Endócrino 45</p><p>O Cérebro 46</p><p>As Ferramentas da Descoberta: Examinaroc*<</p><p>Estruturas Prim itivas do Cérebro 47</p><p>O Córtex Cerebral 51</p><p>Nosso Cérebro D iv id ido 57</p><p>Diferenças entre os Lados do Cérebro In tacto 60</p><p>65</p><p>C A P Í T U L O 3</p><p>A Consciência e a Mente de Duas Vias</p><p>(Two-Track Mind)</p><p>O Cérebro e a Consciência 66</p><p>Neurociência Cognitiva 66</p><p>Processamento Dual (Dual Processing ) 67</p><p>Sono e Sonhos 70</p><p>Ritmos B io lógicos e Sono 70</p><p>Por que Dorm im os? 74</p><p>D istúrbios do Sono 77</p><p>Sonhos 79</p><p>Hipnose 82</p><p>Fatos e Mitos 82</p><p>Explicando o Estado H ipnótico 84</p><p>Drogas e Consciência 86</p><p>Dependência e A dicção 86</p><p>Drogas Psicoativas 87</p><p>influências sobre o Uso de Drogas 94</p><p>Experiências de Quase M orte 97</p><p>101</p><p>C A P Í T U L O 4</p><p>A Natureza, a Cultura e a Diversidade</p><p>Humana</p><p>Genética Com portam ental: Predizendo Diferenças</p><p>Individuais 101</p><p>Genes: Nossos Códigos para a Vida 102</p><p>Estudos sobre Gêmeos e A doção 103</p><p>Tem peram ento e Hereditariedade 106</p><p>Herdabilidade 107</p><p>in teração G ene-Am biente 108</p><p>A Nova Fronteira: Genética M olecular 108</p><p>Psicologia Evolucionista: Com preendendo a Natureza</p><p>Humana 109</p><p>Seleção Natural e Adaptação 109</p><p>O Sucesso Evolutivo Ajuda a Explicar as Semelhanças 110</p><p>Uma Explicação Evolucionista da Sexualidade Humana 111</p><p>Pais e Pares 113</p><p>Os Pais e as Experiências Iniciais 113</p><p>Influência dos Pares 115</p><p>Influências Culturais 116</p><p>Variação entre as Culturas 116</p><p>Variação ao Longo do Tem po 117</p><p>A Cultura e o S e lf 117</p><p>A Cultura e a Criação de Crianças 119</p><p>Semelhanças de Desenvolvim ento entre Grupos 120</p><p>Desenvolvim ento de Gênero 120</p><p>Semelhanças e Diferenças entre Gêneros 120</p><p>A Natureza de Gênero 123</p><p>A Criação de Gênero 124</p><p>Reflexões sobre a Natureza e a Cultura 125</p><p>130</p><p>C A P Í T U L O 5</p><p>O Desenvolvimento ao Longo do Ciclo da</p><p>Vida</p><p>Desenvolvim ento Pré-Natal e o Recém -Nascido 130</p><p>Concepção 130</p><p>Desenvolvim ento Pré-Natal 131</p><p>O Recém-Nascido Com petente 132</p><p>Primeira e Segunda Infâncias 133</p><p>D esenvolvim ento Físico 133</p><p>Desenvolvim ento C ogn itivo 135</p><p>A Teoria de Piaget e o Pensamento A tua l 137</p><p>EM FOCO: A utism o e “ Cegueira Mental" 141</p><p>Desenvolvim ento Social 143</p><p>Adolescência 149</p><p>Desenvolvim ento Físico 150</p><p>Desenvolvim ento C ogn itivo 151</p><p>Desenvolvim ento Social 153</p><p>Idade A du lta Em ergente 156</p><p>Idade Adulta 156</p><p>Desenvolvim ento Físico 157</p><p>Desenvolvim ento C ogn itivo 161</p><p>Desenvolvim ento Social 164</p><p>Reflexões sobre Dois Aspectos Significativos do</p><p>Desenvolvim ento 168</p><p>Continuidade e Estágios 168</p><p>Estabilidade e Mudança 169</p><p>173</p><p>C A P Í T U L O 6</p><p>Sensação e Percepção</p><p>Assimilando o Mundo: Alguns Princípios Básicos 174</p><p>Limiares 174</p><p>A daptação Sensorial 177</p><p>Visão 178</p><p>A Entrada do Estímulo: Energia Luminosa 178</p><p>O Olho 179</p><p>Processamento de inform ações Visuais 182</p><p>Visão de Cores 184</p><p>Audição 186</p><p>A Entrada do Estímulo: Ondas Sonoras 186</p><p>O O uvido 186</p><p>Perda A ud itiva e Cultura Surda 189</p><p>EM FOCO: V ivendo em um Mundo Silencioso 190</p><p>Outros Sentidos Im portantes 191</p><p>Tato 191</p><p>Dor 192</p><p>Paladar 195</p><p>O lfa to 197</p><p>Organização Perceptiva 199</p><p>Percepção de Forma 200</p><p>Percepção de Profundidade 201</p><p>Percepção de M ovim ento 202</p><p>Constância Perceptiva 204</p><p>In terpretação Perceptiva 207</p><p>Privação Sensorial e Visão Restaurada 207</p><p>A daptação Perceptiva 208</p><p>Conjunto Perceptivo 208</p><p>Percepção e o Fator Humano 212</p><p>Existe Percepção Extrassensorial? 214</p><p>Alegações de PES 214</p><p>Premonições ou Suposições? 214</p><p>S ubm etendo a PES a Verificação Experim ental 215</p><p>221</p><p>C A P Í T U L O 7</p><p>Aprendizagem</p><p>Com o Aprendemos? 221</p><p>Condicionam ento Clássico 223</p><p>Os Experim entos de Pavlov 223</p><p>Estendendo a Compreensão de Pavlov 227</p><p>O Legado de Pavlov 229</p><p>EM FOCO: O Trauma com o Cond icionam ento Clássico 231</p><p>Condicionam ento Operante 232</p><p>Os Experim entos de Skinner 232</p><p>Estendendo a Compreensão de Skinner 237</p><p>O Legado de Skinner 238</p><p>EM FOCO: Treinando Nossos Parceiros 240</p><p>C ontrastando o C ondicionam ento Clássico e o O perante 240</p><p>Aprendendo por Observação 241</p><p>Espelhos no Cérebro 241</p><p>Os Experim entos de Bandura 243</p><p>Aplicações da Aprend izagem por Observação 243</p><p>249</p><p>C A P Í T U L 0 8</p><p>Memória</p><p>O Fenôm eno da Mem ória 249</p><p>Estudando a Memória: Modelos de Processamento de</p><p>Inform ação 2 5 0</p><p>Codificação: A Entrada de Inform ação 251</p><p>Com o Codificam os 251</p><p>O que Codificam os 253</p><p>Arm azenam ento: Retenção de Inform ação 256</p><p>Memória Sensorial 257</p><p>Memória de T raba lho/de Curto Prazo 257</p><p>Memória de Longo Prazo 258</p><p>Arm azenando Memórias no Cérebro 258</p><p>Recuperação: Acessando a Inform ação 263</p><p>Pistas de Recuperação 264</p><p>Esquecimento 266</p><p>Falha na Codificação 267</p><p>Declínio do A rm azenam ento 268</p><p>Falha na Recuperação 268</p><p>EM FOCO: Recuperando Senhas 270</p><p>Construção da Mem ória 272</p><p>Inform ação Enganosa e Efeitos da Imaginação 272</p><p>Amnésia da Fonte 273</p><p>Distinção entre Memórias Verdadeiras e Falsas 273</p><p>Recordação do Testem unho Ocular de Crianças 275</p><p>Memórias de Abuso: Reprim idas ou Construídas? 275</p><p>A prim orando a Mem ória 277</p><p>281</p><p>C A P Í T U L O 9</p><p>Pensamento e Linguagem</p><p>Pensamento 281</p><p>Conceitos 281</p><p>Solução de Problemas 282</p><p>Tomada de Decisões e Julgam entos 285</p><p>PENSANDO CRITICAMENTE SOBRE: O Fator Medo - Será que</p><p>Tememos as Coisas Certas? 288</p><p>Linguagem 291</p><p>Estrutura da Linguagem 292</p><p>Desenvolvim ento da Linguagem 292</p><p>O Cérebro e a Linguagem 296</p><p>Pensam ento e Linguagem 298</p><p>A Linguagem Influencia o Pensamento 298</p><p>Pensamento em Imagens 299</p><p>Pensamento</p>
<p>um radar meteo­</p><p>rológico exibindo a atividade pluvial, os “pontos ativos” da</p><p>PET mostram quais áreas do cérebro se tornam mais ativas</p><p>enquanto a pessoa realiza cálculos matemáticos, observa ima­</p><p>gens de rostos ou sonha acordada.</p><p>Na ressonância m agnética (RM ), a cabeça é colocada</p><p>em um poderoso campo magnético, que alinha os átomos</p><p>em movimento ao redor das moléculas cerebrais. Em seguida</p><p>um pulso de ondas de rádio desorienta momentaneamente</p><p>os átomos. Quando eles retornam a sua órbita normal, libe­</p><p>ram sinais que fornecem um retrato detalhado dos tecidos</p><p>•</p><p>I</p><p>I</p><p>a</p><p>> FIGURA 2.12</p><p>Um eletroencefalógrafo fornecendo traçados amplificados das</p><p>ondas de atividade elétrica no cérebro Aqui ele está exibindo a</p><p>atividade cerebral desta menina de 4 anos que sofre de epilepsia.</p><p>>- FIGURA 2.13</p><p>Imagens de RM de um indivíduo saudável (esquerda) e de</p><p>uma pessoa com esquizofrenia (direita) Repare na extensa</p><p>região repleta de líquido na imagem da direita.</p><p>moles do cérebro. (A RM também é usada para examinar</p><p>outras partes do corpo.) A RM já revelou uma área neural</p><p>maior do que a média no hemisfério esquerdo de músicos</p><p>que apresentam ouvido absoluto (Schlaug et al., 1995). Reve­</p><p>laram também extensas áreas repletas de líquido nos cérebros</p><p>de alguns pacientes com esquizofrenia, um transtorno psi­</p><p>cológico incapacitante (FIGURA 2 .1 3 ).</p><p>Uma aplicação especial da RM - a RMf (RM funcional)</p><p>- pode revelar o funcionamento do cérebro, bem como sua</p><p>estrutura. Aonde o cérebro estiver especialmente ativo, o san­</p><p>gue vai. Comparando imagens de RM tomadas em um inter­</p><p>valo de menos de um segundo, pesquisadores podem observar</p><p>o cérebro “acender” (com o aumento do fluxo de sangue oxi­</p><p>genado) enquanto uma pessoa desempenha diferentes funções</p><p>mentais. Quando ela contempla uma cena, por exemplo, o</p><p>aparelho de RMf detecta o fluxo de sangue para a parte poste­</p><p>rior do cérebro, que processa a informação visual (ver Figura</p><p>2.23). Essas fotografias da atividade dinâmica do cérebro for­</p><p>necem novas ideias sobre como o cérebro divide seu trabalho.</p><p>Aprender sobre as neurociências atualmente é como estu­</p><p>dar a geografia do mundo no tempo em que Fernão de Maga­</p><p>lhães explorava os mares. Esta é verdadeiramente a era de</p><p>ouro da ciência cerebral.</p><p>Estruturas Primitivas do Cérebro</p><p>7 : Quais são as funções das importantes</p><p>estruturas inferiores do cérebro?</p><p>Se você pudesse abrir o crânio e olhar lá dentro, a primeira</p><p>coisa a ser notada seria o tamanho do cérebro. Em dinossau­</p><p>ros, o cérebro representa 1/100.000 avos do peso do corpo;</p><p>em baleias, 1/10.000 avos; em elefantes, 1/600 avos; em</p><p>humanos, 1/45 avos. Parece que um princípio está emer­</p><p>gindo. Mas continue a leitura. Em ratos, o cérebro corres­</p><p>ponde a 1/40 avos do peso corporal, e em saguis, a 1/25 avos.</p><p>Portanto, há exceções à regra de que a proporção do peso do</p><p>cérebro para o do corpo fornece uma pista sobre a inteligên­</p><p>cia de uma espécie.</p><p>Indicadores das capacidades de um animal vêm de suas</p><p>estruturas cerebrais. Em animais primitivos, como os tuba­</p><p>rões, um cérebro não muito complexo regula primordialmente</p><p>funções básicas de sobrevivência: respiração, repouso e ali­</p><p>mentação. Em mamíferos inferiores, como os roedores, um</p><p>cérebro mais complexo possibilita emoções e uma memória</p><p>mais desenvolvida. Em mamíferos mais avançados, como os</p><p>Tálamo</p><p>Formação</p><p>reticutar</p><p>Ponte</p><p>Bulbo</p><p>Tronco</p><p>encefálico</p><p>> FIGURA 2.14</p><p>O tronco encefálico e o tálamo O tronco encefálico, incluindo a ponte e o bulbo, é uma extensão da medula espinhal. O tálamo está anexado</p><p>ao topo do tronco encefálico. A formação reticular atravessa ambas as estruturas.</p><p>humanos, um cérebro que processa mais informações per­</p><p>mite também a antecipação de eventos e resultados.</p><p>Essa crescente complexidade nasce de novos sistemas cere­</p><p>brais formados acima dos antigos, assim como a paisagem</p><p>terrestre cobre o velho com o novo. Cavando, descobrimos</p><p>os resquícios fósseis do passado - componentes do tronco</p><p>encefálico atuando em nós de forma semelhante à que faziam</p><p>em nossos ancestrais distantes. Vamos começar com a base</p><p>do cérebro e evoluir até os sistemas mais novos.</p><p>PET (tom ografia por emissão de pósitrons) uma</p><p>exibição visual da atividade cerebral que detecta aonde</p><p>uma forma radioativa de glicose vai enquanto o cérebro</p><p>desempenha uma determinada tarefa.</p><p>RM (ressonância magnética) uma técnica que utiliza</p><p>campos magnéticos e ondas de rádio para produzir</p><p>imagens do tecido mole geradas por computador.</p><p>Imagens de RM mostram a anatomia do cérebro.</p><p>RMf (RM funcional) técnica usada para revelar o fluxo</p><p>sanguíneo e, assim, a atividade cerebral comparando</p><p>sucessivas imagens de RM. Essas imagens mostram a</p><p>função cerebral.</p><p>tronco encefálico a parte mais prim itiva e o núcleo</p><p>central do cérebro, que começa onde a medula espinhal</p><p>se dilata ao entrar no crânio; o tronco encefálico é</p><p>responsável por funções automáticas de sobrevivência.</p><p>bulbo a base do tronco encefálico; controla a</p><p>frequência cardíaca e a respiração.</p><p>formação reticular rede de nervos no tronco</p><p>encefálico que desempenha um importante papel no</p><p>controle da ativação.</p><p>O Tronco Encefálico</p><p>A mais antiga e recôndita região do cérebro é o tronco ence­</p><p>fálico. Ele começa onde a medula espinhal se dilata leve­</p><p>mente após penetrar o crânio. Essa leve dilatação é o bulbo</p><p>(FIGURA 2 .1 4 ) . Aqui residem os controles da frequência</p><p>cardíaca e da respiração. Logo acima do bulbo localiza-se a</p><p>ponte, que auxilia a coordenação dos movimentos. Se o tronco</p><p>encefálico de um gato for cortado do resto do cérebro acima</p><p>dele, o animal continuará vivo e respirando - e poderá até</p><p>correr, escalar e se lamber (Klemm, 1990). Mas separe-o das</p><p>regiões superiores, e o gato não irá correr ou escalar volun­</p><p>tariamente para arranjar comida.</p><p>O tronco encefálico é um ponto de cruzamento, onde a</p><p>maioria dos nervos que entram e saem de cada lado do cére­</p><p>bro se conecta ao lado oposto do corpo. Esse entrecruzamento</p><p>peculiar é apenas uma das muitas surpresas do cérebro.</p><p>Dentro do tronco encefálico, entre os ouvidos, está situada</p><p>a form ação reticular, que, como o nome indica, consiste</p><p>em uma rede de neurônios em forma de dedo que se estende</p><p>da medula espinhal até o tálamo. À medida que a entrada</p><p>sensorial da espinha medular viaja até o tálamo, parte dela</p><p>se ramifica para a formação reticular, que filtra os estímulos</p><p>aferentes e transmite importantes informações a outras áreas</p><p>do cérebro.</p><p>Em 1949, Giuseppe Moruzzi e Horace Magoun descobri­</p><p>ram que, ao se estimular eletricamente a formação reticular</p><p>de um gato adormecido, ele ficava alerta quase instantanea­</p><p>mente. Quando Magoun separou a formação reticular de um</p><p>gato das regiões superiores do cérebro, sem danificar as vias</p><p>sensoriais vizinhas, o efeito foi igualmente drástico: o gato</p><p>entrou em um estado de coma do qual nunca despertou.</p><p>Magoun podia bater palmas ao lado do ouvido do animal,</p><p>até beliscá-lo; ainda assim, nada de resposta. A conclusão? A</p><p>formação reticular está relacionada à ativação.</p><p>O Tálamo</p><p>Localizado no topo do tronco encefálico encontra-se o tálamo</p><p>(FIGURA 2 .1 4 ). Esse unido par de estruturas ovaladas atua</p><p>como o painel de comando sensorial do cérebro. Ele recebe</p><p>informações de todos os sentidos exceto o olfato e as enca­</p><p>Cerebelo</p><p>Medula espinhal</p><p>>• FIGURA 2.15</p><p>O órgão cerebral da agilidade Pendurado</p><p>na parte posterior do cérebro, o cerebelo</p><p>coordena nossos movimentos voluntários,</p><p>como quando David Beckham direciona a</p><p>bola de maneira precisa.</p><p>minha para as regiões superiores do cérebro que lidam com</p><p>a visão, a audição, o paladar e o tato. Pense que o tálamo está</p><p>para a entrada sensorial como Londres está para o sistema</p><p>ferroviário da Inglaterra: um centro por onde o tráfego passa</p><p>em direção a vários destinos. O tálamo também recebe algu­</p><p>mas respostas da parte superior do cérebro, que depois dire­</p><p>ciona para o bulbo e para o cerebelo.</p><p>tálamo o painel de comando sensorial do cérebro,</p><p>localizado acima do tronco encefálico; direciona</p><p>mensagens</p>
<p>para as áreas sensoriais receptoras no córtex</p><p>e transmite respostas para o cerebelo e para o bulbo.</p><p>cerebelo o “pequeno cérebro” localizado na parte</p><p>posterior do tronco encefálico; suas funções incluem o</p><p>processamento da entrada sensorial e a coordenação</p><p>dos movimentos e do equilíbrio.</p><p>O Cerebelo</p><p>Estendendo-se da parte posterior do tronco encefálico existe</p><p>uma estrutura do tamanho de uma bola de beisebol, o cere­</p><p>belo, cujo nome significa “pequeno cérebro”, devido à apa­</p><p>rência de seus dois lados enrugados (FIGURA 2 .1 5 ). Como</p><p>você verá no Capítulo 8, o cerebelo possibilita um tipo de</p><p>aprendizagem não verbal e a memória. Ele nos ajuda calcular</p><p>o tempo, modular nossas emoções e discriminar sons e tex­</p><p>turas (Bower e Parsons, 2003). Também coordena os movi­</p><p>mentos voluntários. Quando o craque David Beckham chuta</p><p>uma bola para o fundo da rede com perfeita precisão de</p><p>tempo, dê algum crédito ao cerebelo dele. Se você sofresse</p><p>uma lesão no cerebelo, passaria a ter dificuldade em andar,</p><p>manter o equilíbrio ou dar mãos cumprimentando. Seus</p><p>movimentos se tornariam desajeitados e exagerados. Sob</p><p>influência do álcool no cerebelo, os passos podem ficar des-</p><p>coordenados, como muitos motoristas aprenderam ao serem</p><p>parados e submetidos a um teste na estrada.</p><p>"A consciência é uma pequena parte daquilo que o</p><p>cérebro faz.”</p><p>Jcseph LeDoux, neurocientista, em “Mastery cf Emcticms", 2005</p><p>Nota: Todas essas funções do cérebro primitivo ocorrem</p><p>sem o menor esforço consciente. Isso ilustra outro de nossos</p><p>temas recorrentes: o cérebro processa a maior parte das infor­</p><p>mações sem que tenhamos conhecimento. Temos consciência</p><p>dos resultados de seu trabalho (digamos, nossa experiência</p><p>visual atual), mas não de como construímos a imagem visual.</p><p>Da mesma forma, estejamos dormindo ou acordados, nosso</p><p>tronco encefálico administra suas funções de sustentação da</p><p>vida, deixando as regiões mais novas livres para pensar, falar,</p><p>sonhar ou saborear uma memória.</p><p>O Sistema Límbico</p><p>Na fronteira ( “limbos”) entre as partes mais primitivas do</p><p>cérebro e os hemisférios cerebrais - os dois lados do órgão -</p><p>encontra-se o sistem a lím bico (FIGURA 2 .1 6 ). Veremos</p><p>no Capítulo 8 como um de seus componentes, o hipocampo,</p><p>processa a memória. (Se um animal ou ser humano perde o</p><p>hipocampo devido a uma cirurgia ou uma lesão, ele se torna</p><p>incapaz de processar novas memórias de fatos e episódios.)</p><p>Por ora, vamos dar uma olhada nas ligações do sistema lím­</p><p>bico com as emoções (como o medo e a raiva) e as motiva­</p><p>ções básicas (como a fome e o desejo sexual).</p><p>AmíSdala Hipocampo</p><p>>• FIGURA 2.16</p><p>O sistema límbico Este sistema neural situa-se entre as partes mais</p><p>primitivas do cérebro e seus hemisférios. Seu hipotálamo controla a</p><p>glândula vizinha, a hipófise.</p><p>3e</p><p>1</p><p>II2 3</p><p>l i</p><p>> FIGURA 2.17</p><p>A amígdala</p><p>A Amígdala No sistema límbico, dois agrupamentos neu­</p><p>rais do tamanho de caroços de feijão, chamados de amígdala,</p><p>influenciam a agressividade e o medo (FIGURA 2 .1 7 ). Em</p><p>1939, o psicólogo Heinrich Klüver e o neurocirurgião Paul</p><p>Bucy lesionaram cirurgicamente a parte do cérebro de um</p><p>macaco-rhesus que incluía a amígdala. O resultado? O nor­</p><p>malmente mal-humorado primata tornou-se a mais doce das</p><p>criaturas. Podiam cutucá-lo, beliscá-lo, fazer praticamente</p><p>tudo o que em circunstâncias normais provocaria uma reação</p><p>feroz e ainda assim o animal mantinha-se imperturbável. Em</p><p>estudos posteriores com outros animais silvestres, como o</p><p>lince, o carcaju e o rato silvestre, pesquisadores notaram os</p><p>mesmos efeitos. Então, o que aconteceria se estimulássemos</p><p>eletricamente a amígdala de um animal doméstico normal­</p><p>mente plácido, como um gato? Faça-o em um ponto e ele se</p><p>preparará para o ataque, sibilando com o dorso arqueado, as</p><p>pupilas dilatadas, o pelo eriçado. Mova levemente o eletrodo</p><p>dentro da amígdala, ponha o gato numa gaiola com um</p><p>pequeno camundongo e o felino se encolherá aterrorizado.</p><p>Esses experimentos confirmam o papel da amígdala na</p><p>raiva e no medo, incluindo a percepção dessas emoções e o</p><p>processamento de memórias emocionais (Anderson e Phelps,</p><p>2000; Poremba e Gabriel, 2001). Ainda assim, devemos ter</p><p>cuidado. O cérebro não é organizado exatamente em estru­</p><p>turas que correspondam às nossas categorias de comporta­</p><p>mento. A agressividade e o medo envolvem atividade neural</p><p>em diversos níveis cerebrais. Mesmo dentro do sistema lím­</p><p>bico, estimular outras estruturas que não a amígdala pode</p><p>evocar um comportamento desse tipo. Se você recarregar a</p><p>bateria do seu carro, conseguirá ativar o motor. Ainda assim,</p><p>a bateria é simplesmente um elo de um sistema integrado</p><p>que faz um carro funcionar.</p><p>sistema límbico sistema neural (incluindo o</p><p>hipocampo, a amígdala e o hipotálam o) localizado</p><p>abaixo dos hemisférios cerebrais; associado a emoções</p><p>e pulsões.</p><p>amígdala dois agrupamentos neurais do tamanho de</p><p>caroços de feijão no sistema límbico; estrutura ligada à</p><p>emoção.</p><p>O Hipotálamo Logo abaixo (hipo) do tálamo encontra-se</p><p>o hipotálamo (FIGURA 2 .1 8 ), um importante elo na cadeia</p><p>de comando que governa a manutenção corporal. Alguns</p><p>agrupamentos neurais no hipotálamo influenciam a fome;</p><p>outros regulam a sede, a temperatura do corpo e o compor­</p><p>tamento sexual.</p><p>O hipotálamo tanto monitora a química do sangue como</p><p>recebe ordens de outras partes do cérebro. Por exemplo, pen­</p><p>sar em sexo (no córtex cerebral) pode estimular seu hipo­</p><p>tálamo a secretar hormônios. Estes por sua vez ativam a “glân-</p><p>dula-mestra” adjacente, a hipófise (ver Figura 2 .1 6 ), para</p><p>influenciar hormônios liberados por outras glândulas. (Mais</p><p>uma vez, presenciamos a interação entre os sistemas nervoso</p><p>e endócrino: o cérebro influencia o sistema endócrino, que</p><p>por sua vez influencia o cérebro.)</p><p>Uma notável descoberta a respeito do hipotálamo ilustra</p><p>como ocorre p progresso na ciência - quando investigadores</p><p>curiosos e de mente aberta fazem uma observação inesperada.</p><p>Dois jovens neuropsicólogos da McGill University, James Olds</p><p>e Peter Milner (1954), tentavam implantar um eletrodo na</p><p>formação reticular de um rato quando cometeram um erro</p><p>magnífico: incorretamente puseram o eletrodo em uma região</p><p>que mais tarde descobriram pertencer ao hipotálamo do roe­</p><p>dor (Olds, 1975). Curiosamente, como se buscasse mais esti­</p><p>mulação, o rato voltava diversas vezes ao local onde havia</p><p>sido estimulado pelo eletrodo mal colocado. Ao descobrirem</p><p>o equívoco, Olds e Milner atentamente perceberam que</p><p>haviam se deparado com um centro cerebral que fornece uma</p><p>recompensa prazerosa.</p><p>Agressão como estado do cérebro Dorso arqueado e pelo</p><p>eriçado, este gato ameaçador está pronto para atacar. A estimulação</p><p>elétrica da amígdala de um gato provoca reações como a mostrada</p><p>aqui, sugerindo seu papel em emoções como a raiva. Qual divisão do</p><p>sistema nervoso autônomo é ativada por esse estímulo?</p><p>ODjiedwis osoajsu eujajsis op oiaoi jod opeipxg euss ojeã o</p><p>► FIGURA 2.18</p><p>O hipotálamo Esta pequena mas importante estrutura, indicada</p><p>pela seta nesta imagem de ressonância magnética, ajuda a manter</p><p>estável o ambiente interno do corpo.</p><p>Alavanca de \</p><p>estimulação Grade eletrificada</p><p>>• FIGURA 2.19</p><p>Rato com eletrodo implantado Com um eletrodo implantado em</p><p>um centro de recompensa de seu hipotálamo, o rato prontamente</p><p>atravessa uma grade eletrificada, aceitando os dolorosos choques, para</p><p>pressionar uma alavanca que envia impulsos elétricos a esse centro.</p><p>Em uma meticulosa série de experimentos, Olds (1958)</p><p>localizou outros “centros de prazer”, como os chamou. (O</p><p>que os ratos realmente experimentam só eles sabem, e não</p><p>irão nos contar. Em vez de atribuir sentimentos humanos a</p><p>ratos, os cientistas de hoje se referem a centros de recompensa,</p><p>não “centros de prazer”.) Quando possibilitados a pressionar</p><p>alavancas para ativar seu próprio estímulo nessas áreas, os</p><p>animais às vezes o faziam em um ritmo impressionante - che­</p><p>gando a sete mil vezes por hora até caírem exaustos. Além</p><p>disso, para alcançar esse estímulo, eles chegavam a cruzar</p>
<p>um piso eletrificado que nem um rato faminto o faria para</p><p>conseguir alimento (FIGURA 2 .1 9 ).</p><p>Centros de recompensa semelhantes no hipotálamo ou</p><p>próximos a ele foram descobertos mais tarde em muitas outras</p><p>espécies, incluindo peixinhos-dourados, golfinhos e macacos.</p><p>Na verdade, pesquisas com animais revelaram tanto um sis­</p><p>tema geral de recompensa que ativa a liberação do neuro­</p><p>transmissor dopamina como centros específicos associados</p><p>aos prazeres da comida, da bebida e do sexo. Os animais, ao</p><p>que parece, vêm equipados com sistemas embutidos que</p><p>recompensam atividades essenciais à sobrevivência.</p><p>"Se estivesse projetando um robô para adentrar o futuro</p><p>e sobreviver...você o program aria de forma que o</p><p>comportamento que assegu rasse a sobrevivência do</p><p>indivíduo ou da espécie - como o sexo e a alim entação -</p><p>fosse naturalm ente reforçador."</p><p>Candace Pert [1986]</p><p>Os cientistas encontraram novas maneiras de usar a esti­</p><p>mulação límbica para controlar as ações dos animais. Utili­</p><p>zando a estimulação cerebral para recompensar ratos por vira­</p><p>rem à esquerda ou à direita, SanjivTalwar e seus colaboradores</p><p>(2002) treinaram ratos antes mantidos em cativeiro para cir­</p><p>cular em ambientes naturais. Pressionando botões em um lap-</p><p>top, os pesquisadores podiam induzir o rato - que carregava</p><p>um receptor, uma fonte de energia e uma câmera de vídeo pre­</p><p>sos ao dorso - a virar quando ordenado, escalar árvores, correr</p><p>pelos galhos, virar e descer de volta. Esse trabalho sugere apli­</p><p>cações futuras em operações de busca e salvamento.</p><p>hipotálamo uma estrutura neural que repousa abaixo</p><p>(hipo ) do tálamo; dirige diversas atividades de</p><p>manutenção (o comer, o beber, a temperatura corporal),</p><p>ajuda a governar o sistema endócrino por meio da</p><p>hipófise e está ligado à emoção e à recompensa.</p><p>Nós humanos também temos centros límbicos para o pra­</p><p>zer? Certamente. Para acalmar pacientes violentos, um neuro-</p><p>cirurgião implantou eletrodos em tais áreas. Pacientes estimu­</p><p>lados relataram um prazer moderado; no entanto, ao contrário</p><p>dos ratos de Olds, não foram levados a um estado de frenesi</p><p>(Deutsch, 1972; Hooper e Teresi, 1986). Alguns cientistas acre­</p><p>ditam que transtornos ligados à dependência química, como</p><p>alcoolismo, abuso de drogas e compulsão alimentar, podem</p><p>derivar de uma síndrome de deficiência da recompensa - uma defi­</p><p>ciência de origem genética dos sistemas naturais do cérebro res­</p><p>ponsáveis pelo prazer e pelo bem-estar que leva as pessoas a</p><p>ansiar por qualquer coisa que lhes forneça aquele prazer ausente</p><p>ou alivie sentimentos negativos (Blum et al., 1996).</p><p>A FIGURA 2 .2 0 localiza as áreas do cérebro discutidas</p><p>neste capítulo, incluindo o córtex cerebral, nosso próximo</p><p>tópico.</p><p>O Córtex Cerebral</p><p>8 : A que funções servem as várias regiões do</p><p>córtex cerebral?</p><p>As redes do cérebro primitivo sustentam funções vitais bási­</p><p>cas e habilitam a memória, as emoções e os impulsos básicos.</p><p>Já as mais recentes encontradas no telencéfalo - os dois gran­</p><p>des hemisférios que contribuem com 85% do peso do cérebro</p><p>- formam equipes de trabalho especializadas que capacitam</p><p>a percepção, o pensamento e a fala. Cobrindo esses hemis­</p><p>férios, como a casca de uma árvore, está o córtex cerebral,</p><p>uma camada de superfície fina composta por células neurais</p><p>interconectadas. É a coroa dos processos mentais do seu cére­</p><p>bro, o centro supremo de controle e de processamento de</p><p>informações do seu corpo.</p><p>• As pessoas que primeiro dissecaram e classificaram</p><p>o cérebro usaram a língua dos acadêmicos - latim e</p><p>grego. Suas palavras eram na verdade tentativas de</p><p>descrição gráfica: por exemplo, córtex significa</p><p>“casca”, cerebelo é “pequeno cérebro”, e tálamo,</p><p>“câmara interna”. •</p><p>À medida que avançamos na escala evolutiva da vida ani­</p><p>mal, o córtex cerebral se expande, rígidos controles genéticos</p><p>se afrouxam e a adaptabilidade do organismo aumenta. Rãs e</p><p>outros anfíbios com córtex pequeno operam extensivamente</p><p>segundo instruções genéticas pré-programadas. O córtex maior</p><p>dos mamíferos oferece oportunidades mais amplas de apren­</p><p>dizagem e de pensamento, permitindo-lhes ser mais adaptá­</p><p>veis. Aquilo que nos distingue como humanos provém princi­</p><p>palmente das complexas funções do nosso córtex cerebral.</p><p>córtex cerebral a intricada malha de células neurais</p><p>interconectadas que cobre os hemisférios cerebrais; o</p><p>centro supremo de controle e de processamento de</p><p>informações do corpo.</p><p>células gliais (da glia) células do sistema nervoso que</p><p>auxiliam, nutrem e protegem os neurônios.</p><p>lobos frontais porção do córtex cerebral situada logo</p><p>atrás da testa; relacionados aos movimentos da fala e</p><p>dos músculos e à elaboração de planos e de</p><p>julgamentos.</p><p>Amígdala:</p><p>ligada à</p><p>emoção</p><p>. — 4</p><p>Hipocampo:</p><p>ligado à</p><p>memória</p><p>Hemisfério</p><p>direito</p><p>\</p><p><• » \</p><p>Córtex cerebral:</p><p>centro de controle final</p><p>e de processamento de</p><p>informaçõesHemisfério</p><p>esquerdo</p><p>X</p><p>Medula espinhal: ---------</p><p>via para as fibras neurais</p><p>que vão e vêm do cérebro;</p><p>controla reflexos simples</p><p>formação reticuiar:</p><p>auxilia o controle da ativaçao</p><p>Bulbo: ---------—</p><p>controla a frequência</p><p>cardíaca e a respiração</p><p>Corpo caloso:</p><p>fibras axonais conectando</p><p>os dois hemisférios</p><p>cerebrais</p><p>Tálamo:----------------------</p><p>repassa mensagens entre</p><p>os centros inferiores do</p><p>cérebro e o córtex cerebral</p><p>Hipotálamo:------- -----------</p><p>controla funções de</p><p>manutenção como a</p><p>alimentação; ajuda a governar</p><p>o sistema endócrino; ligado</p><p>às emoções e à recompensa</p><p>Hipófise:---------------------</p><p>glândula endócrina mestra</p><p>Córtex cerebral Sistema límbico '3 Tronco encefálico</p><p>Cerebelo:-----------------------------</p><p>coordena os movimentos</p><p>voluntários e o equilíbrio e dá</p><p>suporte à memória dos mesmos</p><p>> FIGURA 2 .20</p><p>Estruturas cerebrais e suas funções (A reprodução colorida desta figura encontra-se no Encarte em Cores.)</p><p>lobos parietais porção do córtex cerebral que se</p><p>encontra na parte superior da cabeça e se estende para</p><p>a parte posterior; recebe entradas sensoriais de tato e</p><p>de posicionamento do corpo.</p><p>lobos occipitais porção do córtex cerebral existente</p><p>na parte posterior da cabeça; inclui áreas que recebem</p><p>informações dos campos visuais.</p><p>lobos temporais porção do córtex cerebral situada</p><p>aproximadamente acima dos ouvidos; inclui as áreas</p><p>auditivas, cada uma recebendo informações</p><p>principalmente do ouvido oposto.</p><p>Estrutura do Córtex</p><p>Se você abrisse um crânio humano, deixando o cérebro</p><p>exposto, veria um órgão rugoso, com uma forma parecida</p><p>com o interior de uma noz gigante. Sem essas rugosidades,</p><p>um córtex cerebral liso precisaria do triplo da área - aproxi­</p><p>madamente a de uma imensa pizza. Os hemisférios inflados</p><p>esquerdo e direito do cérebro são preenchidos principalmente</p><p>por axônios que conectam o córtex a outras regiões encefá-</p><p>licas. O córtex cerebral - aquela camada de superfície fina</p><p>- contém cerca de 20 a 23 bilhões de células nervosas e 300</p><p>trilhões de conexões sinápticas (de Courten-Myers, 2005).</p><p>Ser humano é uma questão de controlar os nervos.</p><p>Nove vezes mais abundantes são as aranhosas células</p><p>gliais (“células de cola”), que auxiliam esses bilhões de célu­</p><p>las nervosas. Os neurônios são como abelhas-rainhas; sozi­</p><p>nhos não conseguem se alimentar nem se revestir. As células</p><p>gliais são abelhas-operárias. Fornecem nutrientes, isolam a</p><p>mielina, guiam as conexões neurais e fazem uma limpeza nos</p><p>íons e nos neurotransmissores. Também podem exercer um</p><p>papel na aprendizagem e no pensamento. “Conversando”</p><p>com os neurônios elas podem participar da transmissão de</p><p>informações e da memória (Miller, 2005).</p><p>Avançando na escala evolutiva da vida animal, a propor­</p><p>ção de células gliais para neurônios aumenta. Uma recente</p><p>análise post mortem do cérebro de Einstein não encontrou</p><p>neurônios mais abundantes ou maiores que o normal, mas</p><p>revelou uma concentração de células gliais muito maior do</p><p>que na cabeça de um Albert qualquer (Fields, 2004).</p><p>Voltando a considerar o córtex como um todo, cada hemis­</p><p>fério é dividido em quatro lobos, subdivisões geográficas</p>
<p>sepa­</p><p>radas por fissuras, ou sulcos (FIGURA 2 .2 1 ). Começando na</p><p>parte anterior do cérebro e avançando pela parte superior, estão</p><p>os lobos frontais (atrás da sua testa), os lobos parietais</p><p>(posteriormente) e os lobos occipitais (na parte de trás da</p><p>sua cabeça). Invertendo a direção e seguindo em frente, logo</p><p>acima dos seus ouvidos, encontram-se os lobos temporais.</p><p>Cada um dos quatro lobos desempenha uma série de funções,</p><p>e muitas delas requerem a interação de vários lobos.</p><p>Funções do Córtex</p><p>Há mais de um século, autópsias de pessoas com paralisia</p><p>parcial ou com perda da fala revelaram danos nas áreas cor-</p><p>ticais. Porém, a crueza dessas evidências não convenceu os</p><p>pesquisadores de que partes específicas do córtex exerciam</p><p>funções complexas específicas. Afinal, se o controle da fala e</p><p>dos movimentos estivesse espalhado pelo córtex, lesões em</p><p>praticamente qualquer área produziriam o mesmo efeito. Uma</p><p>televisão com o cabo de alimentação cortado pararia de fun­</p><p>O cérebro tem hemisférios</p><p>esquerdo e direito</p><p>> FIGURA 2.21</p><p>O córtex e suas subdivisões básicas</p><p>cionar, mas estaríamos nos enganando se “localizássemos”</p><p>a imagem no cabo.</p><p>Funções Motoras Os cientistas tiveram mais sorte em</p><p>localizar funções cerebrais mais simples. Por exemplo, em</p><p>1870, quando os médicos alemães Gustav Fritsch e Eduard</p><p>Hitzig aplicaram estímulos elétricos leves a partes do córtex</p><p>de um cão, fizeram uma importante descoberta: podiam pro­</p><p>vocar movimentos em certas áreas do corpo do animal. Os</p><p>efeitos foram seletivos: os estímulos suscitavam movimentos</p><p>apenas quando aplicados a uma região arqueada na parte</p><p>posterior do lobo frontal, indo aproximadamente de ouvido</p><p>a ouvido através do topo do cérebro. Além disso, a estimula­</p><p>ção de partes dessa região no ihemisfério esquerdo ou no</p><p>direito provocava movimentos de áreas específicas do corpo</p><p>no lado oposto. Fritsch e Hitzig haviam descoberto aquilo que</p><p>hoje chamamos de córtex m otor (FIGURA 2 .2 2 ) .</p><p>córtex motor uma área na parte posterior dos lobos</p><p>frontais que controla os movimentos voluntários.</p><p>• D em onstração: Tente mover sua mão direita de</p><p>forma circular, como se estivesse polindo uma mesa.</p><p>Em seguida faça o mesmo movimento com o pé</p><p>direito de maneira sincronizada. Agora inverta o</p><p>movimento do pé (mas não o da mão). Difícil, não?</p><p>Mas fica mais fácil se você tentar mover o pé</p><p>esquerdo em oposição à mão direita. Os membros</p><p>esquerdos e direitos são controlados por lados</p><p>opostos do cérebro. Assim, suas atividades opostas</p><p>interferem menos umas nas outras.</p><p>Mapeando o Córtex Motor Para sorte dos neurocirurgiões</p><p>e de seus pacientes, o cérebro não tem receptores sensoriais.</p><p>Cientes disso, Otfrid Foerster e Wilder Penfield conseguiram</p><p>mapear o córtex motor em centenas de pacientes totalmente</p><p>despertos estimulando diferentes áreas corticais e observando</p><p>as respostas corporais. Eles descobriram que as áreas do corpo</p><p>que requeriam controle preciso, como os dedos e a boca, ocu­</p><p>pavam a maior quantidade de espaço cortical.</p><p>O neurocientista espanhol José Delgado demonstrou repe­</p><p>tidas vezes a mecânica do comportamento motor. Em um</p><p>paciente humano, ele estimulou um ponto no córtex motor</p><p>esquerdo que o fazia cerrar o punho direito. Instado a man­</p><p>ter os dedos abertos durante a próxima estimulação, o</p><p>paciente, cujos dedos se fecharam apesar de todos os seus</p><p>esforços, comentou: “Eu acho, doutor, que a sua eletricidade</p><p>é maior que a minha vontade” (Delgado, 1969, p. 114).</p><p>Mais recentemente, os cientistas conseguiram prever o</p><p>movimento do braço de um macaco com um décimo de</p><p>segundo de antecedência - medindo repetidamente a ativi­</p><p>dade do córtex motor que precedia movimentos específicos</p><p>do braço (Gibbs, 1996). Tais descobertas, creem alguns pes­</p><p>quisadores, abriram as portas para uma nova geração de pró­</p><p>teses (substitutos artificiais de partes do corpo).</p><p>Próteses Neurais Vasculhando o cérebro de forma seme­</p><p>lhante, poderíamos tornar alguém - talvez uma pessoa com</p><p>paralisia - capaz de mover um membro robótico ou coman­</p><p>dar um cursor para escrever um e-mail ou navegar na inter­</p><p>net? Para encontrar a resposta, pesquisadores do cérebro da</p><p>Brown University implantaram 100 minúsculos eletrodos de</p><p>registro nos córtices motores de três macacos (Nicolelis e</p><p>Chapin, 2002; Serruya et al., 2002). Conforme os macacos</p><p>usavam uma alavanca para deslocar um cursor seguindo um</p><p>alvo vermelho móvel (para obter recompensas), os cientistas</p><p>comparavam os sinais cerebrais com os movimentos dos bra­</p><p>ços. Então programaram um computador para monitorar os</p><p>sinais e operar a alavanca sem a ajuda do macaco. Bastava</p><p>um dos macacos pensar em se mover e a máquina leitora de</p><p>mentes movia o cursor quase com a mesma proficiência com</p><p>que o animal em busca da recompensa o fizera. Em um expe­</p><p>rimento de acompanhamento (follow -up ), dois macacos</p><p>foram treinados para controlar um braço robótico que podia</p><p>alcançar e agarrar alimentos (Velliste et al., 2008).</p><p>Pesquisas também registraram mensagens não dos neurô­</p><p>nios motores que controlam diretamente o braço de um</p><p>macaco, mas de uma área cerebral relacionada ao planeja­</p><p>mento e à intenção (Musallam et al., 2004). Enquanto os</p><p>animais esperavam por uma pista que lhes dissesse para esten­</p><p>der o braço em direção a um ponto (para obter um suco como</p><p>recompensa) que piscara na tela em um de até oito locais,</p><p>um programa de computador registrava a atividade nessa área</p><p>de planejamento-intenção. Comparando essa atividade neu­</p><p>ral com o subsequente apontar do macaco, os pesquisadores</p><p>que liam sua mente podiam programar um cursor para se</p><p>deslocar em resposta ao pensamento do primata. Macaco</p><p>pensa, computador faz.</p><p>A mente domina a matéria Guiados</p><p>por um minúsculo implante cerebral de</p><p>100 eletrodos, macacos aprenderam a</p><p>controlar um braço mecânico que pode</p><p>agarrar petiscos e botá-los na boca</p><p>(Velliste et al., 2008). Grades de</p><p>eletrodos implantáveis não são ainda</p><p>permanentemente efetivas, mas tais</p><p>pesquisas aumentam a esperança de</p><p>que pessoas com membros paralisados</p><p>possam um dia ser capazes de usar seus</p><p>próprios sinais cerebrais para controlar</p><p>computadores e próteses robóticas.</p><p>T( -</p><p>r ifi -</p><p>■ A</p><p>Maxilar</p><p>Saída: Córtex motor</p><p>(Seção do hemisfério</p><p>esquerdo controla o lado</p><p>direito do corpo)</p><p>Tronco Quadril</p><p>loelho</p><p>Punho Braço</p><p>Dedos . r / j s ' \ . 1 Tornozelo</p><p>Lábios</p><p>Mão</p><p>Dedos</p><p>Polegar</p><p>Entrada: Córtex sensorial</p><p>(Seção do hemisfério</p><p>esquerdo recebe informações</p><p>do lado direito do corpo)</p><p>Tronco Quadril</p><p>Pescoço</p><p>Braço</p><p>loelho</p><p>Perna</p><p>I Dedos</p><p>dos pés</p><p>GenitaisRosto</p><p>Olho</p><p>Nariz</p><p>R o s t o</p><p>Lábios</p><p>Dentes</p><p>Gengivas</p><p>Maxilar</p><p>Língua</p><p>Polegar</p><p>Pescoço</p><p>Sobrancelha</p><p>Olho .</p><p>Dedos</p><p>dos pés</p><p>> FIGURA 2.22</p><p>Tecido do hemisfério esquerdo dedicado a cada parte do corpo no córtex motor e no córtex sensorial Como você pode ver nesta</p><p>clássica porém inexata representação, a quantidade de córtex dedicada a uma parte do corpo não é proporcional ao tamanho dela. Em vez disso,</p><p>o cérebro dedica mais tecido a áreas sensíveis e que requeiram controle preciso. Assim, os dedos têm uma maior representação no córtex do que</p><p>o braço.</p><p>Se essa técnica funciona com áreas motoras do cérebro, por</p><p>que não usá-la para capturar palavras que uma pessoa pode</p><p>pensar, mas não dizer (por exemplo, após um AVC) ? O neuro-</p><p>cientista Richard Andersen (2004,2005), da Cal Tech, especula</p><p>que os pesquisadores poderiam implantar eletrodos em áreas</p><p>ligadas à fala, “pedir ao paciente que pensasse em palavras dife­</p><p>rentes e observar como as células disparariam de formas dife­</p><p>rentes. Assim se construiria um banco de dados, e então, quando</p><p>ele pensasse em uma palavra, os sinais seriam comparados com</p><p>o banco de dados, sendo assim possível predizer as palavras em</p><p>que ele estivesse pensando. Então pegaríamos esse resultado e</p><p>o conectaríamos a um sintetizador de voz. Isso seria idêntico ao</p><p>que estamos fazendo com o controle motor”.</p><p>Em 2004, a Food and Drug Administration dos Estados</p><p>Unidos aprovou o primeiro teste clínico</p>
<p>de prótese neural com</p><p>humanos paralisados (Pollack, 2004, 2006). O primeiro</p><p>paciente, um homem de 25 anos, foi capaz de controlar uma</p><p>televisão, desenhar formas em uma tela de computador e jogar</p><p>videogame mentalmente - tudo graças a um chip do tamanho</p><p>de uma aspirina com 100 microeletrodos que registrava a ati­</p><p>vidade em seu córtex motor (Hochberg et al., 2006).</p><p>Funções Sensoriais Se o córtex motor envia mensagens</p><p>para o corpo, onde o córtex recebe as mensagens que che­</p><p>gam? Penfield também identificou a área cortical especiali­</p><p>zada em receber informações dos sentidos táteis e do movi­</p><p>mento de partes do corpo. Essa área à frente dos lobos parie-</p><p>tais, paralela e imediatamente atrás do córtex motor, hoje é</p><p>chamada de córtex sensorial (FIGURA 2 .2 2 ) . Se estimu­</p><p>larmos um ponto na parte superior desse tecido, a pessoa</p><p>pode afirmar ter sido tocada no ombro; estimulando-se um</p><p>ponto lateral, a pessoa pode sentir algo no rosto.</p><p>córtex sensorial área à frente dos lobos parietals que</p><p>registra e processa as sensações de tato e de</p><p>movimento do corpo.</p><p>Quanto mais sensível a região do corpo, maior a área do</p><p>córtex sensorial dèdicada a ela (FIGURA 2 .2 2 ) . Seus lábios</p><p>supersensíveis projetam-se para uma área cerebral maior do</p><p>que a dos dedos do pé, o que é uma das razões pelas quais</p><p>nos beijamos com os lábios em vez de nos tocarmos com os</p><p>pés. Ratos têm uma grande área do cérebro dedicada às sen­</p><p>sações de seus bigodes, e corujas, às sensações auditivas.</p><p>Cientistas identificaram áreas adicionais onde o córtex</p><p>recebe informações de outros sentidos que não o tato. Neste</p><p>momento, você está recebendo informações no córtex visual</p><p>em seus lobos occipitais, bem na parte posterior do seu cérebro</p><p>(FIGURAS 2 .2 3 e 2 .2 4 ) . Uma pancada muito forte nessa</p><p>região o deixaria cego. Se ela for estimulada, você poderá ver</p><p>flashes de luz ou traços coloridos. (De certo modo, nós temos</p><p>olhos atrás da cabeça!) Dos seus lobos occipitais, a informação</p><p>visual segue para outras áreas especializadas em tarefas como</p><p>identificar palavras, detectar emoções e reconhecer rostos.</p><p>Qualquer som que você ouça é processado por seu córtex</p><p>auditivo nos lobos temporais (FIGURA 2 .2 4 ) . (Se você pen­</p><p>sar em seu punho cerrado como o cérebro e o puser à sua</p><p>frente, o polegar corresponderia aproximadamente a um dos</p><p>lobos temporais.) A maior parte dessa informação auditiva</p><p>atravessa um circuito que vai de um ouvido até a área recep­</p><p>tora acima do ouvido oposto. Se estimulado aí, você pode</p><p>ouvir um som. Imagens de RM de pessoas com esquizofrenia</p><p>revelam áreas auditivas em atividade nos lobos temporais</p><p>durante alucinações (Lennox et al., 1999). Até o ruído fan­</p><p>tasma sentido por pessoas com perda auditiva - escutado em</p><p>um dos ouvidos - é associado a atividade no lobo temporal</p><p>no lado oposto do cérebro (Muhlnickel, 1998).</p><p>>- FIGURA 2.23</p><p>Novas tecnologias mostram o cérebro em ação Esta imagem de</p><p>RMf (RM funcional) mostra a ativação do córtex visual nos lobos occipitais</p><p>(representação destacada pela seta e a área tracejada do aumento do</p><p>fluxo sanguíneo) enquanto um participante de uma pesquisa olha para</p><p>uma foto. Quando a pessoa para de olhar, a região instantaneamente</p><p>se acalma.</p><p>Áreas de Associação Até aqui, apontamos pequenas áreas</p><p>do córtex que ou recebem informações sensoriais ou direcionam</p><p>respostas musculares. Em humanos, isso deixa três quartos da</p><p>fina e rugosa camada que é o córtex cerebral não comprometidos</p><p>com a atividade sensorial ou muscular. Então, o que ocorre nessa</p><p>vasta região do cérebro? Os neurônios nessas áreas de associa­</p><p>ção (as áreas cor de pêssego na FIGURA 2 .2 5 ) integram infor­</p><p>mações. Elas ligam informações sensoriais a memórias arma­</p><p>zenadas - uma parte muito importante do pensamento.</p><p>áreas de associação áreas do córtex cerebral não</p><p>envolvidas nas funções motoras ou sensoriais primárias;</p><p>em vez disso, estão envolvidas em funções mentais mais</p><p>elevadas como a aprendizagem, as lembranças, o</p><p>pensamento e a fala.</p><p>Testar eletricamente as áreas de associação não provoca</p><p>nenhuma resposta observável. Portanto, diferentemente das</p><p>áreas sensoriais e motoras, as funções das áreas de associação</p><p>não podem ser mapeadas com precisão. Esse silêncio levou àquilo</p><p>> FIGURA 2.24</p><p>O córtex visual e o córtex auditivo O córtex visual dos lobos</p><p>occipitais na parte posterior do seu cérebro recebe insumo de seus olhos.</p><p>O córtex auditivo fica nos lobos temporais, acima dos ouvidos, dos quais</p><p>recebe informações.</p><p>Rato</p><p>Gato</p><p>Áreas motoras</p><p>Áreas sensoriais</p><p>Áreas de associação</p><p>Chimpanzé</p><p>Humano</p><p>> FIGURA 2.25</p><p>Áreas do córtex em quatro mamíferos Animais mais inteligentes têm áreas de associação ou "não compromissadas" maiores no córtex. Essas</p><p>vastas áreas do cérebro são responsáveis por integrar e atuar sobre informações recebidas e processadas por áreas sensoriais. (A reprodução colorida</p><p>desta figura encontra-se no Encarte em cores.)</p><p>que Donald McBurney (1996, p. 44) chama de “uma das ervas</p><p>daninhas mais resistentes no jardim da psicologia": a alegação</p><p>de que normalmente só usamos 10% de nossos cérebros. (Se</p><p>fosse verdade, isso não implicaria 90% de chance de que uma</p><p>bala atirada no seu cérebro atingisse uma área não utilizada?)</p><p>Animais cirurgicamente lesionados e humanos com danos cere­</p><p>brais são testemunhas de que as áreas de associação não estão</p><p>adormecidas. Ao contrário, elas interpretam, integram e atuam</p><p>nas informações processadas pelas áreas sensoriais.</p><p>Áreas de associação são encontradas em todos os quatro</p><p>lobos. Nos frontais, elas possibilitam o julgamento, o plane­</p><p>jamento e o processamento de novas memórias. Pessoas que</p><p>sofreram danos nos lobos frontais podem ter memória intacta,</p><p>alto desempenho em testes de inteligência e grande habili­</p><p>dade para assar um bolo. No entanto, seriam incapazes de</p><p>planejar começar a assar um bolo para uma festa de aniver­</p><p>sário (Huey et al., 2006).</p><p>Danos ao lobo frontal também podem alterar a personalidade,</p><p>removendo as inibições da pessoa. Consideremos o clássico caso</p><p>do operário de ferrovia Phineas Gage. Em uma tarde de 1848,</p><p>Gage, então com 25 anos, estava preenchendo uma rocha com</p><p>> FIGURA 2.26</p><p>Phineas Gage revisto Usando medidas do crânio de Gage (que foi</p><p>guardado como registro médico) e técnicas modernas de</p><p>neuroimagem, a pesquisadora Hanna Damasio e seus colegas (1994)</p><p>reconstruíram a provável trajetória do vergalhão através de seu cérebro.</p><p>pólvora usando um vergalhão de ferro. Uma faísca incendiou a</p><p>pólvora, arremessando o vergalhão, que atravessou sua face</p><p>esquerda e chegou ao topo do seu crânio, deixando os lobos</p><p>frontais gravemente danificados (FIGURA 2 .26). Para assombro</p><p>geral, ele imediatamente conseguiu se sentar e falar e, depois</p><p>que a ferida cicatrizou, voltou a trabalhar. Mas o Phineas Gage</p><p>afável e de fala mansa tornara-se irritável, profano e desonesto.</p><p>Embora suas habilidades mentais e memórias estivessem intactas,</p><p>sua personalidade não estava. Aquela pessoa, disseram seus ami­</p><p>gos, “não era mais Gage". Ele enfim perdeu o emprego e acabou</p><p>ganhando a vida como atração em parques de diversões.</p><p>Com os lobos frontais destruídos, a bússola moral de Gage</p><p>se desconectou de seu comportamento. Deficiências morais</p><p>semelhantes apareceram em estudos mais recentes de pessoas</p><p>com danos nos lobos frontais. Elas não apenas podem ser</p><p>tornar mais desinibidas (sem os lobos frontais para refrear</p><p>seus impulsos), como seu julgamento moral parece não ser</p><p>refreado por emoções normais. Você seria a favor de atirar</p><p>uma pessoa na frente de um vagão de carga desgovernado</p><p>para salvar outras cinco? A maioria das pessoas não seria,</p><p>mas aquelas com danos em uma área do cérebro atrás dos</p><p>olhos muitas vezes são (Koenigs et al., 2007).</p><p>As áreas de associação também exercem outras funções</p><p>mentais. Nos lobos parietais, dos quais algumas partes eram</p><p>grandes e tinham formas atípicas no cérebro de peso normal</p><p>de Einstein, elas habilitam o raciocínio matemático e espa­</p><p>cial (Witelson et al., 1999). Uma</p>
<p>área no lado inferior do</p><p>lobo temporal esquerdo possibilita o reconhecimento de ros­</p><p>tos. Se um AVC ou uma lesão na cabeça destruísse essa área</p><p>do seu cérebro, você ainda seria capaz de descrever feições</p><p>faciais e de reconhecer o sexo e a idade aproximada de alguém,</p><p>porém seria estranhamente incapaz de identificar a pessoa</p><p>como, digamos, Antônio Fagundes, ou até sua avó.</p><p>Para informações sobre como distintas redes</p><p>neurais em seu cérebro se coordenam para habilitar</p><p>a linguagem, veja o Capítulo 9.</p><p>Entretanto, devemos nos precaver de usar figuras de pon­</p><p>tos ativos do cérebro e criar uma nova frenologia que localize</p><p>funções complexas em áreas cerebrais precisas (Uttal, 2001).</p><p>Funções mentais complexas não residem em nenhum lugar</p><p>específico. Não há um ponto no pequeno córtex de associa­</p><p>ção de um rato que, quando danificado, elimine a habilidade</p><p>de aprender ou de se lembrar de um labirinto. Memória, lin­</p><p>guagem e atenção resultam da atividade sincronizada entre</p><p>distintas áreas cerebrais (Knight, 2007).</p><p>A Plasticidade do Cérebro</p><p>9 : Até que ponto um cérebro lesionado pode se</p><p>reorganizar?</p><p>Nossos cérebros são esculpidos não apenas por nossos genes,</p><p>mas também por nossas experiências. Imagens de RM mos­</p><p>tram que pianistas bem-treinados têm uma área cortical audi­</p><p>tiva dedicada à codificação de sons de piano maior do que o</p><p>normal (Bavelier et al., 2000; Pantev et al., 1998). No Capí­</p><p>tulo 4, focalizaremos mais como a experiência molda o cére­</p><p>bro, mas por ora, vamos nos voltar para evidências de estu­</p><p>dos da plasticidade desse órgão, sua habilidade para se modi­</p><p>ficar após alguns tipos de lesão.</p><p>p las tic idade a habilidade do cérebro de mudar,</p><p>especia lm ente durante a infância, reorganizando-se</p><p>após uma lesão ou constru indo novas vias baseadas na</p><p>experiência.</p><p>Ao contrário da pele cortada, neurônios seccionados nor­</p><p>malmente não se regeneram (se sua medula espinhal se rom­</p><p>pesse, você provavelmente ficaria paralisado para sempre). E</p><p>algumas funções cerebrais muito específicas parecem pré-</p><p>designadas para determinadas áreas. Um recém-nascido que</p><p>sofreu danos às áreas de reconhecimento facial nos dois lobos</p><p>temporais nunca recobrou uma capacidade normal de reco­</p><p>nhecer rostos (Farah et al., 2000). Mas temos boas notícias:</p><p>alguns tecidos neurais podem se reorganizar em resposta a</p><p>lesões. Isso acontece em todos nós, quando o cérebro faz repa­</p><p>ros após pequenos contratempos.</p><p>Nossos cérebros têm maior plasticidade quando somos</p><p>pequenos (Kolb, 1989). A terapia por contenção induzida tem</p><p>como objetivo reconectar o cérebro restringindo um membro</p><p>em pleno funcionamento e forçando o uso da “mão ruim”</p><p>ou da perna não cooperativa. Gradualmente, a terapia repro­</p><p>grama o cérebro, aprimorando a destreza de uma criança com</p><p>danos cerebrais ou até de um adulto vítima de um AVC (Taub,</p><p>2004). Um desses, um cirurgião na casa dos 50 anos, foi</p><p>posto para trabalhar limpando mesas, com a mão e o braço</p><p>bons restringidos. Lentamente, o braço prejudicado recupe­</p><p>rou suas habilidades. À medida que as funções danificadas</p><p>migravam para outras regiões do cérebro, ele aprendia a escre­</p><p>ver de novo e até a jogar tênis (Doidge, 2007).</p><p>A plasticidade do cérebro é uma boa notícia para os cegos</p><p>ou surdos. Essas duas deficiências deixam áreas não utiliza­</p><p>das disponíveis para outros usos (Amedi et al., 2005). Se um</p><p>cego usa um dedo para ler em braile, a área dedicada a esse</p><p>dedo se expande à medida que o sentido do tato invade o cór­</p><p>tex visual que normalmente ajuda as pessoas a enxergar (Bari-</p><p>naga, 1992a; Sadato et al., 1996). Se você "desativar” tem­</p><p>porariamente o córtex visual com estimulação magnética,</p><p>um cego de longa data cometerá mais erros em uma tarefa</p><p>de linguagem (Amedi et al., 2004). Em pessoas surdas cuja</p><p>língua materna é a de sinais, a área dos lobos temporais nor­</p><p>malmente dedicada à audição espera em vão por estimulação.</p><p>Enfim, ela busca outros sinais para processar, como os do</p><p>sistema visual. Isso ajuda a explicar por que alguns estudos</p><p>descobrem que pessoas surdas têm uma visão periférica mais</p><p>aprimorada (Bosworth e Dobkins, 1999).</p><p>A plasticidade é especialmente evidente após lesões sérias.</p><p>Se um tumor de crescimento lento no hemisfério esquerdo</p><p>afeta a linguagem, o direito pode compensá-lo (Thiel et al.,</p><p>2006). Se a pessoa perder um dedo, o córtex sensorial que</p><p>recebia informações dele começará a receber as dos dedos adja­</p><p>centes, que então se tornam mais sensíveis (Fox, 1984). Dedos</p><p>perdidos também estão presentes em outro misterioso fenô­</p><p>meno. Como mostra a Figura 2.22, a mão está entre as regiões</p><p>do rosto e do braço no córtex sensorial. Ao tocar o braço de</p><p>uma pessoa cuja mão tinha sido amputada, V.S. Ramachan­</p><p>dran descobriu que ela captava as sensações não apenas na</p><p>área tocada, mas também nos dedos inexistentes ( “fantas­</p><p>mas”). Fibras sensoriais que terminavam em áreas adjacentes</p><p>haviam invadido a área cerebral deixada vaga pela mão.</p><p>Note, também, que a região dos dedos do pé é adjacente</p><p>aos genitais. Então, qual você acha que era a experiência de</p><p>relação sexual de outro paciente de Ramachandran cuja parte</p><p>inferior da perna havia sido amputada? “Para dizer a verdade,</p><p>eu tenho orgasmos no pé. E lá eles são muito maiores do que</p><p>antes, porque não estão mais confinados aos meus genitais”</p><p>(Ramachandran e Blakeslee, 1998, p. 36).</p><p>neurogênese a form ação de novos neurônios.</p><p>Embora a modificação do cérebro frequentemente ocorra</p><p>em forma de reorganização, evidências sugerem que, ao con­</p><p>trário de crenças sustentadas durante muito tempo, camun-</p><p>dongos e humanos adultos podem também gerar novas célu­</p><p>las cerebrais (Jessberger et al., 2008). Cérebros de macacos</p><p>ilustram a neurogênese pela formação de milhares de novos</p><p>neurônios a cada dia. Esses neurônios recém-criados originam-</p><p>se no fundo do cérebro e podem depois migrar para outros</p><p>locais e estabelecer conexões com neurônios vizinhos (Gould,</p><p>2007). Células-tronco mestras que podem se desenvolver em</p><p>qualquer tipo de célula cerebral também foram descobertas</p><p>em embriões humanos. Se produzidas em massa em um labo­</p><p>ratório e injetadas em um cérebro danificado, poderiam as</p><p>células-tronco neurais substituir células cerebrais perdidas?</p><p>Será que um dia seremos capazes de reconstruir cérebros lesio-</p><p>nados assim como replantamos gramados destruídos? Pode­</p><p>riam novas drogas incitar a produção de novas células nervo­</p><p>sas? Fique ligado. Atualmente as empresas de biotecnologia</p><p>estão trabalhando duro nessas possibilidades (Gage, 2003).</p><p>Enquanto isso, todos podemos nos beneficiar de outros pro­</p><p>motores naturais da neurogênese, como exercícios, sono e</p><p>ambientes não estressantes, mas estimulantes (Iso et al., 2007;</p><p>Pereira et al., 2007; Stranahan et al., 2006).</p><p>Nosso Cérebro Dividido</p><p>10: O que cérebros divididos revelam a respeito</p><p>das funções de nossos dois hemisférios</p><p>cerebrais?</p><p>Durante mais de um século, evidências clínicas mostraram</p><p>que os dois lados do cérebro servem a diferentes funções. Essa</p><p>especialização hemisférica (ou lateralidade) torna-se aparente</p><p>após um dano cerebral. Acidentes, AVCs e tumores no hemis­</p><p>fério esquerdo podem prejudicar a leitura, a escrita, a fala, o</p><p>raciocínio aritmético e a compreensão. Lesões semelhantes</p><p>no hemisfério direito raramente têm efeitos tão drásticos.</p><p>Por volta de 1960, muitos interpretavam essas diferenças</p><p>como provas de que o hemisfério esquerdo é o “dominante”</p><p>ou “mais importante”, e seu silencioso companheiro à direita</p><p>é o “subordinado” ou “secundário”. Posteriormente pesqui­</p><p>sadores descobriram que o “secundário” hemisfério direito</p><p>não era tão limitado, no fim das contas. O caso dessa desco­</p><p>berta é um capítulo fascinante da história da psicologia.</p><p>Dividindo o Cérebro</p><p>Em 1961, dois neurocirurgiões de Los Angeles, Philip Vogel</p><p>e Joseph Bogen, especularam que ataques epiléticos de grande</p><p>> FIGURA 2.27</p><p>O corpo caloso Este grande conjunto de fibras</p><p>neurais conecta os dois hemisférios cerebrais. Para</p><p>fotografar a metade de cérebro mostrada</p>
<p>à esquerda,</p><p>um cirurgião separou os hemisférios fazendo um corte</p><p>através do corpo caloso e das regiões inferiores. Na</p><p>vista à direita, o tecido cerebral foi cortado para expor</p><p>o corpo caloso e os feixes de fibras que saem dele.</p><p>intensidade eram causados pela amplificação de uma ativi­</p><p>dade cerebral anormal ricocheteando entre os dois hemisfé­</p><p>rios. Se fosse assim, imaginaram, poderiam eles dar fim a essa</p><p>partida de tênis biológica seccionando o corpo caloso</p><p>(FIGURA 2 .2 7 ) , o amplo conjunto de fibras axonais que</p><p>conecta os hemisférios e carrega mensagens entre eles?</p><p>corpo caloso o grande conjunto de fibras neurais que</p><p>conecta os dois hemisférios cerebrais e carrega</p><p>mensagens entre eles.</p><p>Vogel e Bogen sabiam que os psicólogos Roger Sperry,</p><p>Ronald Myers e Michael Gazzaniga haviam dividido os cére­</p><p>bros de gatos e de macacos dessa maneira, sem seqüelas gra­</p><p>ves. Então os cirurgiões fizeram a operação. O resultado? Os</p><p>ataques foram simplesmente eliminados. Além disso, os</p><p>pacientes com esses cérebros divididos (split brains) con­</p><p>tinuaram surpreendentemente normais, sua personalidade e</p><p>seu intelecto quase não tendo sido afetados. Ao acordar da</p><p>cirurgia, um deles até brincou dizendo que estava com uma</p><p>“dor de cabeça de rachar” (Gazzaniga, 1967).</p><p>cérebro dividido (sp /it brain) uma condição resultante</p><p>de cirurgia que isola os dois hemisférios do cérebro ao</p><p>cortar as fibras (principalmente as do corpo caloso) que</p><p>os conectam.</p><p>Os estudos de pessoas com cérebros divididos feitos por</p><p>Sperry e Gazzaniga proporcionam uma chave para o enten­</p><p>dimento das funções complementares dos dois hemisférios.</p><p>Como explica a FIGURA 2 .2 8 , a natureza peculiar da nossa</p><p>instalação visual possibilitou aos pesquisadores enviar infor­</p><p>mações ao hemisfério esquerdo ou direito de um paciente.</p><p>Quando a pessoa olhava para um ponto, eles disparavam um</p><p>estímulo à esquerda ou à direita. Eles poderiam fazer isso com</p><p>você, mas no seu cérebro intacto o hemisfério que recebesse</p><p>a informação instantaneamente a passaria a seu parceiro do</p><p>outro lado. Isso não acontece em pacientes submetidos à</p><p>cirurgia de separação do cérebro. Os cabos telefônicos res­</p><p>ponsáveis por transmitir mensagens de um hemisfério para</p><p>o outro - o corpo caloso - foram seccionados. Isso permitiu</p><p>aos pesquisadores interrogar cada um deles separadamente.</p><p>Em um experimento anterior, Gazzaniga (1967) pediu aos</p><p>pacientes que olhassem para um ponto em uma tela onde</p><p>projetou a palavra COR AÇÃO* (FIGURA 2 .2 9 ) . Assim,</p><p>* Originalmente, em inglês, HE-ART. (N.T.)</p><p>Campo visual Campo visual</p><p>esquerdo direito</p><p>Area visual do Corpo Area visual do</p><p>hemisfério caloso hemisfério</p><p>esquerdo direito</p><p>> FIGURA 2.28</p><p>A via expressa da informação do olho ao cérebro A informação</p><p>do lado esquerdo do seu campo de visão vai para o hemisfério direito,</p><p>e a do lado direito vai para o hemisfério esquerdo, que geralmente</p><p>controla a fala. (Note, porém, que cada olho recebe informações</p><p>sensoriais de ambos os lados do campo visual.) Dados recebidos por</p><p>qualquer um dos hemisférios são rapidamente transmitidos para o</p><p>outro através do corpo caloso. Em uma pessoa com o corpo caloso</p><p>seccionado, esse compartilhamento de informações não acontece.</p><p>Corpo caloso</p><p>“ Que palavra você viu?” ou “Aponte com sua nrão esquerda a</p><p>palavra que você viu.”</p><p>(c)</p><p>> FIGURA 2.29</p><p>Testando o cérebro dividido Quando um</p><p>experimentador lança a palavra CORAÇÃO no campo</p><p>visual, uma mulher com o cérebro dividido declara ter</p><p>visto a porção da palavra transmitida para seu</p><p>hemisfério esquerdo. No entanto, se solicitada a</p><p>indicar com a mão esquerda o que viu, ela aponta a</p><p>porção da palavra transmitida para o hemisfério</p><p>direito. (Fonte: Gazzaniga, 1983.)</p><p>“ Olhe para o ponto.”</p><p>(a)</p><p>Duas palavras separadas por um ponto</p><p>são momentaneamente projetadas.</p><p>(b)</p><p>COR aparecia no campo visual esquerdo (que transmite para</p><p>o hemisfério direito) e AÇÃO, no campo visual direito (que</p><p>transmite para o hemisfério esquerdo). Quando pergunta­</p><p>dos, os pacientes disseram ter visto AÇAO. Mas quando soli­</p><p>citado que apontassem a palavra, eles se surpreenderam</p><p>quando suas mãos esquerdas (controladas pelo hemisfério</p><p>direito) apontaram COR. Ao ter a oportunidade de se expres­</p><p>sar, cada hemisfério relatou o que viu. O hemisfério direito</p><p>(no controle da mão esquerda) sabia por intuição aquilo que</p><p>não podia relatar verbalmente.</p><p>Quando a imagem de uma colher foi direcionada ao hemis­</p><p>fério direito, os pacientes não foram capazes de dizer o que</p><p>haviam visualizado. Mas, quando solicitados a identificar o</p><p>que haviam visualizado sentindo uma coleção de objetos</p><p>escondidos com a mão esquerda, eles prontamente escolhe­</p><p>ram a colher. Se o experimentador dissesse “C erto!”, o</p><p>paciente poderia replicar: “O quê? Certo? Como eu poderia</p><p>escolher o objeto certo se não sei o que vi?” Aqui, evidente­</p><p>mente, é o hemisfério esquerdo que está falando, admirado</p><p>com o que o hemisfério direito não verbal sabe.</p><p>Algumas pessoas que passaram por cirurgia de separação</p><p>do cérebro ficaram durante algum tempo incomodadas com</p><p>a desregrada independência de sua mão esquerda, que podia</p><p>desabotoar uma camisa enquanto a direita a abotoava, ou</p><p>botar as compras de volta na prateleira depois que a mão</p><p>direita as pusera no carrinho. Era como se cada hemisfério</p><p>pensasse: “Tenho meia mente para vestir minha camisa verde</p><p>(azul) hoje.” Realmente, afirmou Sperry (1964), a cirurgia</p><p>de separação do cérebro deixa as pessoas “com duas mentes</p><p>separadas”. Com um cérebro dividido, ambos os hemisfé­</p><p>rios conseguem compreender e seguir uma instrução para</p><p>copiar - simultaneamente - figuras diferentes com as mãos</p><p>esquerda e direita (Franz et al., 2000). (Lendo esses relatos,</p><p>fico fantasiando uma pessoa se divertindo com um solitário</p><p>jogo de “pedra, papel e tesoura” - a mão esquerda contra a</p><p>direita.)</p><p>Quando as “duas mentes” estão em desacordo, o hemis­</p><p>fério esquerdo faz uma ginástica mental para racionalizar as</p><p>reações que não entende. Se um paciente segue uma ordem</p><p>mandada ao hemisfério direito (“Caminhe”), algo estranho</p><p>acontece. Sem ter ciência da ordem, o hemisfério esquerdo</p><p>não sabe por que a pessoa começou a andar. Ainda assim,</p><p>quando questionada, ela não diz “Não sei”. Em vez disso, o</p><p>esclarecedor hemisfério esquerdo improvisa: “Vou entrar na</p><p>casa para pegar um refrigerante.” Assim, Michael Gazzaniga</p><p>(1988), que considera esses pacientes “as pessoas mais fas­</p><p>cinantes do mundo”, conclui que o consciente hemisfério</p><p>esquerdo é um intérprete ou assessor de imprensa que ins­</p><p>tantaneamente constrói teorias para explicar nosso compor­</p><p>tamento.</p><p>Esses estudos revelam que o hemisfério esquerdo se torna</p><p>mais ativo quando a pessoa pensa cuidadosamente antes de</p><p>tomar uma decisão (Rogers, 2003). Quando o lado esquerdo,</p><p>racional, está em atividade, as pessoas descartam informações</p><p>discordantes com mais frequência (Drake, 1993). O hemisfé­</p><p>rio direito entende ordens simples, percebe objetos com faci­</p><p>lidade e fica mais empenhado quando respostas rápidas e intui­</p><p>tivas são necessárias. Também supera o esquerdo em copiar</p><p>desenhos e reconhecer rostos. O hemisfério direito está trei­</p><p>nado em perceber emoções e representá-las pelo lado esquerdo</p><p>>- FIGURA 2 .30</p><p>Qual deles está mais feliz? Olhe para o centro de um dos rostos,</p><p>depois para o do outro. Algum deles parece mais feliz? A maioria das</p><p>pessoas diz que é o da direita. Alguns pesquisadores creem que isso</p><p>se deve a que o hemisfério direito, bem-treinado em processar</p><p>emoções, recebe informações do lado esquerdo de cada rosto</p><p>(ao olhar para o centro dele).</p><p>do rosto, mais expressivo (FIGURA 2 .3 0 ). Lesões nesse hemis­</p><p>fério, portanto, causam mais prejuízo ao processamento de</p><p>emoções e à conduta social (Tranel et al., 2002).</p><p>Os órgãos do corpo são em sua maioria pares - os rins, os</p><p>pulmões, os seios - e exercem funções idênticas, proporcio­</p><p>nando um sistema de reserva caso um dos lados falhe. Isso</p><p>não acontece com as duas metades do cérebro, que podem</p><p>simultaneamente</p>
<p>exercer funções diferentes com mínimo</p><p>acréscimo de esforço. O resultado é uma dupla biologica­</p><p>mente diversa, porém inteligente, cada lado aparentando ter</p><p>sua própria mente.</p><p>Pergunta: Se lançarmos uma luz vermelha sobre o</p><p>hemisfério direito de uma pessoa com o cérebro</p><p>dividido e uma luz verde sobre seu hemisfério</p><p>esquerdo, cada um observaria a respectiva cor? A</p><p>pessoa perceberia que as cores eram diferentes? O</p><p>que eia declararia verbalmente ter visto?</p><p>■apjSA 'ogN ’UJ!S :e]sodsa{j</p><p>Diferenças entre os Lados</p><p>do Cérebro Intacto</p><p>Então, e quanto aos mais de 99,99% de nós que não temos</p><p>o cérebro dividido? Os nossos dois hemisferios também rea­</p><p>lizam funções distintas? Vários diferentes tipos de estudos</p><p>indicam que sim.</p><p>Quando uma pessoa desempenha uma tarefa perceptiva,</p><p>por exemplo, as ondas cerebrais, o fluxo sanguíneo e o con­</p><p>sumo de glicose revelam um aumento de atividade no hemis­</p><p>fério direito. Quando a pessoa fala ou faz um cálculo, a ati­</p><p>vidade cresce no hemisfério esquerdo.</p><p>Uma demonstração radical da especialização hemisférica</p><p>ocorre antes de alguns tipos de cirurgia cerebral. Para verifi­</p><p>car a localização de centros de linguagem, o cirurgião injeta</p><p>um sedativo na artéria do pescoço que fornece sangue para</p><p>o hemisfério esquerdo. Antes da injeção, o paciente está dei­</p><p>tado, com os braços para o ar, conversando com o médico.</p><p>Você provavelmente consegue prever o que acontece quando</p><p>a droga flui para dentro da artéria em direção ao hemisfério</p><p>esquerdo: em segundos, o braço direito cai, flácido. Geral­</p><p>mente a pessoa também fica sem fala até o efeito passar.</p><p>Quando a droga entra na artéria em direção ao hemisfério</p><p>direito, o braço esquerdo cai amolecido, mas o paciente ainda</p><p>consegue falar.</p><p>Qual hemisfério você supõe que possibilita a linguagem</p><p>de sinais entre surdos? O direito, devido a sua superioridade</p><p>visuoespacial? Ou o esquerdo, que tipicamente processa a</p><p>linguagem? Estudos revelam que, assim como pessoas ouvin­</p><p>tes costumam usar o hemisfério esquerdo para processar sons,</p><p>pessoas surdas usam o mesmo hemisfério para processar</p><p>sinais (Corina et al., 1992; Hickok et al., 2001). Um AVC no</p><p>hemisfério esquerdo de um surdo interferiria em sua capaci­</p><p>dade de sinalização, bem como na fala de um ouvinte. A</p><p>mesma área cerebral está envolvida de forma semelhante</p><p>tanto na produção do discurso oral como na do discurso de</p><p>sinais (Corina, 1998). Para o cérebro, linguagem é lingua­</p><p>gem, seja por fala ou por sinais. (Para saber mais sobre como</p><p>o cérebro habilita a linguagem, ver Capítulo 9.)</p><p>Embora o hemisfério esquerdo esteja apto a realizar inter­</p><p>pretações rápidas e literais da linguagem, o direito sobressai</p><p>em fazer inferências (Beeman e Chiarello, 1998; Bowden e</p><p>Beeman, 1998; Mason e Just, 2004). Pré-ativado com a pala­</p><p>vra pé, o hemisfério esquerdo apresentará especial rapidez em</p><p>reconhecer a palavra intimamente associada calcanhar. Mas</p><p>se pré-ativado com pé, choro e vidro, o direito reconhecerá</p><p>com maior velocidade uma palavra que tenha uma relação</p><p>distante com as três (corte). E se receber um problema de</p><p>reflexão - “Que palavra combina com bota, verão e solo?” -,</p><p>ele reconhecerá a solução mais rapidamente que o esquerdo</p><p>- acampamento. Como explicou um paciente depois de um</p><p>AVC no hemisfério direito: “Eu entendo as palavras, mas</p><p>estou perdendo as entrelinhas.”</p><p>O hemisfério direito também nos ajuda a moderar nossa</p><p>fala para tornar claro o significado - como quando dizemos</p><p>“A encomenda chegará amanhã, senhora” em vez de “A enco­</p><p>menda chegará amanhã, sem hora*” (Heller, 1990).</p><p>O hemisfério direito parece também ajudar a orquestrar</p><p>nosso senso de eu. Pessoas que sofreram paralisia parcial às</p><p>vezes àegam de forma obstinada sua deficiência - estranha­</p><p>mente alegando poder mexer um membro paralisado - se o</p><p>dano tiver acometido o hemisfério direito (Berti et al., 2005).</p><p>Com uma lesão no lado direito do cérebro, alguns pacientes</p><p>têm dificuldade em perceber quem as outras pessoas são em</p><p>relação a eles mesmos, como no caso do homem que confun­</p><p>diu seus cuidadores com sua família (Feinberg e Keenan, 2005).</p><p>Outros não conseguem se reconhecer no espelho, ou atribuem</p><p>um membro a outra pessoa (“este é o braço do meu marido”).</p><p>O poder do hemisfério direito transpareceu em um experi­</p><p>mento no qual pessoas com cérebros normais visualizavam</p><p>uma série de imagens de rostos de colaboradores que progres­</p><p>sivamente se transformavam nos rostos delas mesmas. No</p><p>momento em que elas se reconheciam nas imagens, partes do</p><p>lado direito do cérebro exibiam uma súbita atividade. Porém,</p><p>quando um estímulo magnético interrompia a atividade nor­</p><p>mal desse lado, elas apresentavam dificuldade em se reconhe­</p><p>cer nas fotos transformadas (Uddin et al., 2005, 2006).</p><p>Simplesmente olhando para os dois hemisférios, tão pare­</p><p>cidos a olho nu, quem poderia supor que eles contribuem de</p><p>maneira tão singular para a harmonia do todo? Ainda assim,</p><p>uma variedade de observações - de pessoas com cérebros divi­</p><p>didos e de pessoas com cérebros normais - converge maravi­</p><p>lhosamente, restando pouca dúvida de que temos cérebros</p><p>unificados com partes especializadas.</p><p>*N o original em inglês, respectivamente: “W hat’s that in the road</p><p>ahead?” e “W hat’s that in the road, a head?” (N.T.)</p><p>Organização Cerebral e Lateralidade</p><p>11: Como a lateralidade se relaciona com a</p><p>organização cerebral?</p><p>Quase 90% de nós são predominantemente destros (Leask e</p><p>Beaton, 2007; Medland et al., 2004; Peter et al., 2006). Cerca</p><p>de 10% (um pouco mais entre homens, um pouco menos</p><p>entre mulheres) são canhotos. (Um pequeno número de pes­</p><p>soas escreve com a mão direita e arremessa uma bola com a</p><p>esquerda, ou vice-versa.) Quase todos os destros (96%) pro­</p><p>cessam a fala primordialmente no hemisfério esquerdo, que</p><p>tende a ser o hemisfério um pouco maior (Hopkins, 2006).</p><p>Canhotos são mais diversificados. Sete em cada dez proces­</p><p>sam a fala no hemisfério esquerdo, como os destros. O resto</p><p>processa a linguagem no direito ou em ambos.</p><p>A maioria das pessoas também chuta com o pé</p><p>direito, olha através do microscópio com o olho</p><p>direito e (já reparou?) beijam direito - com a cabeça</p><p>inclinada para a direita (Güntürkün, 2003).</p><p>A Lateralidade É Herdada? A julgar pelas gravuras nas</p><p>cavernas, pelas ferramentas e pelos ossos das mãos e dos bra­</p><p>ços do homem pré-histórico, essa guinada para a direita ocor­</p><p>reu há muito tempo (Corballis, 1989; Steele, 2000). Os des­</p><p>tros prevalecem em todas as culturas humanas. Além disso,</p><p>a tendência aparece antes do impacto da cultura. Observa­</p><p>ções de ultrassonografias de fetos sugando o dedo polegar</p><p>revelam que 9 entre 10 sugam o da mão direita (Hepper et</p><p>al., 1990, 2004). Esse viés para a mão direita é peculiar aos</p><p>humanos e aos primatas mais próximos a nós: chimpanzés</p><p>e bonobos (Hopkins, 2006). Outros dividem-se de forma</p><p>mais equilibrada entre destros e canhotos.</p><p>Ao observar 150 bebês humanos durante os primeiros dois</p><p>dias após o nascimento, George Michel (1981) descobriu que</p><p>I</p><p>I</p><p>k</p><p>O mais raro dos jogadores de beisebol: um arremessador</p><p>ambidestro Usando uma luva com dois polegares, o arremessador</p><p>Pat Venditte, do time da Creighton University, aqui mostrado em um</p><p>jogo de 2008, arremessou para batedores destros com a mão direita,</p><p>depois mudando para a esquerda quando os rebatedores eram</p><p>canhotos. Após um rebatedor ambidestro trocar de lado na base,</p><p>Venditte mudou o braço de arremesso, levando o batedor a trocar</p><p>novamente, e assim por diante. Os juizes enfim acabaram com a</p><p>brincadeira aplicando uma regra pouco conhecida: o arremessador</p><p>deve declarar qual braço usará antes de arremessar a primeira bola</p><p>para o batedor (Schwarz, 2007).</p><p>dois terços constantemente preferiam dormir com a cabeça</p><p>virada para o lado direito. Quando voltou a estudar uma</p><p>amostra desses bebês aos 5 meses de idade, quase todos os</p><p>“com a cabeça para a direita” pegavam objetos com a mão</p><p>direita, e quase todos os “com a cabeça para a esquerda” pega­</p><p>vam com a mão esquerda. Tais descobertas,</p>
<p>junto com a pre­</p><p>valência universal dos destros, indicam que ou os genes ou</p><p>fatores pré-natais influenciam a lateralidade.</p><p>Evidência que desafia uma explicação genética da</p><p>lateralidade: ela é um dos poucos traços que gêmeos</p><p>geneticamente idênticos não têm especial</p><p>propensão a compartilhar (Halpern e Coren, 1990).</p><p>Então, Está Certo Ser Canhoto? A julgar por nossas</p><p>conversas cotidianas, ser canhoto não está certo. “Acordar</p><p>com o pé esquerdo” não é muito melhor do que ser “gaúche”</p><p>(palavra francesa para "esquerdo”). Em contrapartida, o des­</p><p>tro costuma fazer as coisas “direito”.</p><p>Os canhotos são mais numerosos que o normal entre pes­</p><p>soas com disfunções de leitura, alergias e enxaquecas (Ges­</p><p>chwind e Behan, 1984). Mas no Irã, onde os estudantes infor­</p><p>mam com que mão escrevem quando prestam o exame para</p><p>entrar na universidade, os canhotos superam os destros em</p><p>todas as matérias (Noroozian et al., 2003). Ser canhoto tam­</p><p>bém é mais comum entre músicos, matemáticos, jogadores</p><p>profissionais de beisebol e de críquete, arquitetos e artistas,</p><p>incluindo luminares como Michelangelo, Leonardo da Vinci</p><p>e Picasso.2 Embora canhotos tenham de tolerar cotoveladas</p><p>à mesa do jantar, escrivaninhas para destros e tesouras incon­</p><p>venientes, os prós e os contras de usar a mão esquerda são</p><p>mais ou menos iguais.</p><p>* * *</p><p>Vislumbramos a verdade do princípio que norteou este capí­</p><p>tulo: tudo o que é psicológico é simultaneamente biológico.</p><p>O capítulo enfatizou como nossos pensamentos, sentimentos</p><p>e ações emergem do especializado porém integrado cérebro.</p><p>Nos capítulos subsequentes, exploraremos com mais profun­</p><p>didade a importância da revolução biológica na psicologia.</p><p>Da frenologia do século XIX à neurociência dos dias atuais,</p><p>percorremos um longo caminho. No entanto, o desconhe­</p><p>cido ainda é muito maior do que aquilo que conhecemos.</p><p>Podemos descrever o cérebro. Podemos aprender as funções</p><p>de suas partes. Podemos estudar como essas partes se comu­</p><p>nicam. Mas como extraímos a mente da carne? Como o zum-</p><p>zum-zum eletroquímico envolto em um monte de tecidos do</p><p>tamanho de uma cabeça de alface dá origem à euforia, a uma</p><p>ideia criativa ou àquela memória da vovó?</p><p>Assim como o gás e o ar podem originar algo diferente - o</p><p>fogo -, Roger Sperry acreditava que o complexo cérebro humano</p><p>pode gerar algo diferente: a consciência. A mente, argumentou</p><p>ele, emerge da dança de íons do cérebro, ainda que não se possa</p><p>reduzi-la a isso. Células não podem ser plenamente explicadas</p><p>pelas ações de átomos, tampouco mentes pela atividade de</p><p>células. A psicologia tem suas raízes na biologia, que está enrai­</p><p>zada na química, por sua vez arraigada na física. Não obstante,</p><p>a psicologia é mais do que física aplicada. Como nos lembra</p><p>2Fatores estratégicos explicam a percentagem acima do normal de canho­</p><p>tos no esporte. Por exemplo, é vantajoso para um time de futebol ter</p><p>jogadores canhotos no lado esquerdo do campo (Wood e Aggleton, 1989).</p><p>No golfe, entretanto, nenhum canhoto havia vencido o torneio de Mas­</p><p>ters até o canadense Mike Weir o conseguir em 2003.</p><p>> FIGURA 2.31</p><p>Mente e cérebro como um sistema holístico Na visão de Roger</p><p>Sperry, o cérebro cria e controla a mente emergente, que por sua vez</p><p>influencia o cérebro. (Se pensar intensamente em morder um limão,</p><p>você pode salivar.)</p><p>Jerome Kagan (1998), o significado do Discurso de Gettysburg</p><p>não se reduz à atividade neural. O amor sexual é mais do que</p><p>sangue fluindo para os genitais. Moralidade e responsabilidade</p><p>tornam-se possíveis quando entendemos a mente como um</p><p>“sistema holístico”, afirmou Sperry (1992) (FIGURA 2 .3 1 ).</p><p>Não somos meros robôs tagarelas.</p><p>A mente buscando compreender o cérebro - esse é sem</p><p>dúvida um dos desafios finais da ciência. E sempre o será.</p><p>Parafraseando o cosmólogo John Barrow, um cérebro simples</p><p>o bastante para ser compreendido é simples demais para pro­</p><p>duzir uma mente capaz de compreendê-lo.</p><p>ANTES DE PROSSEGUIR...</p><p>> Pergunte a Si Mesm o</p><p>Como você se sentiria com dois hemisférios cerebrais</p><p>separados, ambos os quais controlassem seus pensamentos e</p><p>suas ações, mas apenas um dominasse sua consciência e sua</p><p>fala? Como isso afetaria seu senso de eu, como uma pessoa</p><p>indivisível?</p><p>> Teste a Si M esm o 4</p><p>Em que região do cérebro uma lesão teria maior probabilidade</p><p>de prejudicar sua capacidade de pular corda? E sua</p><p>capacidade de experimentar sabores e sons? Em que região do</p><p>cérebro uma lesão poderia deixá-lo em coma? Sem a</p><p>respiração e a frequência cardíaca essenciais à vida?</p><p>As respostas para as questões "Teste a Si Mesmo” podem ser encontradas</p><p>no Apêndice B, no final do livro.</p><p>r e v i s ã o d o c a p í t u l o : A Biologia da M ente</p><p>Comunicação Neural</p><p>1: O que são neurônios, e como eles transmitem</p><p>informações?</p><p>Os neurônios são os componentes elementares do sistema</p><p>nervoso, o veloz sistema de informações eletroquímicas do</p><p>corpo. Os neurônios sensoriais carregam informações vindas</p><p>de receptores sensoriais para o cérebro e a medula espinhal,</p><p>e os neurônios motores carregam informações do cérebro e</p><p>da medula espinhal para os músculos e as glândulas. Os</p><p>interneurônios comunicam-se no âmbito do cérebro e da</p><p>medula espinhal e entre os neurônios sensoriais e motores.</p><p>Um neurônio envia sinais através de seus axônios e os</p><p>recebe mediante seus ramificados dendritos. Se os sinais</p><p>combinados forem fortes o bastante, o neurônio dispara,</p><p>transmitindo um impulso elétrico (o potencial de ação) pelo</p><p>axônio por meio de um processo que vai da química à</p><p>eletricidade. A reação do neurônio é um processo de tudo</p><p>ou nada.</p><p>2 : Como as células nervosas se comunicam umas com</p><p>as outras?</p><p>Quando os potenciais de ação chegam ao fim do axônio (os</p><p>terminais axonais), eles estimulam a liberação de</p><p>neurotransmissores. Esses mensageiros químicos</p><p>transportam uma mensagem do neurônio remetente</p><p>através de uma sinapse até sítios receptores no neurônio</p><p>destinatário. Depois o remetente, em um processo</p><p>chamado recaptação, absorve normalmente as moléculas</p><p>neurotransmissoras excedentes no espaço sináptico. O</p><p>destinatário, se os sinais daquele e de outros neurônios</p><p>forem fortes o bastante, gera seu próprio potencial de ação</p><p>e repassa a mensagem para outras células.</p><p>3 : Como os neurotransmissores influenciam o</p><p>comportamento, e como as drogas e outras substâncias</p><p>químicas afetam a neurotransmissão?</p><p>Cada neurotransmissor viaja por uma via designada no</p><p>cérebro e tem um efeito particular no comportamento e</p><p>nas emoções. A acetilcolina afeta a ação dos músculos, a</p><p>aprendizagem e a memória. As endorfinas são opioides</p><p>naturais liberados em resposta à dor e ao exercício. As</p><p>drogas e outras substâncias químicas afetam a</p><p>comunicação na sinapse. As agonistas causam excitação</p><p>mimetizando determinados neurotransmissores ou</p><p>bloqueando sua recaptação. As antagonistas inibem a</p><p>liberação de um determinado neurotransmissor ou</p><p>bloqueiam seu efeito.</p><p>O Sistema Nervoso</p><p>4 : Quais as funções das principais divisões do sistema</p><p>nervoso?</p><p>Uma divisão maior do sistema nervoso é o sistema nervoso</p><p>central (SNC), o cérebro e a medula espinhal. A outra é o</p><p>sistema nervoso periférico (SNP), que conecta o SNC ao</p><p>resto do corpo por intermédio de nervos. O sistema nervoso</p><p>periférico tem duas divisões principais. O sistema nervoso</p><p>somático possibilita o controle voluntário dos músculos</p><p>esqueléticos. O sistema nervoso autônomo, mediante suas</p><p>divisões simpática e parassimpático, controla músculos e</p><p>glândulas involuntários. Os neurônios agrupam-se em</p><p>redes de trabalho.</p><p>O Sistema Endócrino</p><p>5 : Como o sistema endócrino - o sistema de informação</p><p>mais lento do corpo - transmite suas mensagens?</p><p>O sistema endócrino é um conjunto de glândulas que</p><p>secretam hormônios na corrente sanguínea, por onde</p><p>viajam através do corpo e afetam outros tecidos, incluindo</p><p>o cérebro. A glândula mestra do sistema endócrino, a</p><p>hipófise, influencia a liberação de hormônios por outras</p><p>glândulas. Em um intricado sistema de retroalimentação, o</p><p>hipotálamo presente</p>
<p>no cérebro influencia a hipófise, que</p><p>influencia outras glândulas, que liberam hormônios, que</p><p>por sua vez influenciam o cérebro.</p><p>O Cérebro</p><p>6 : Como os neurocientistas estudam as conexões do</p><p>cérebro com o comportamento e a mente?</p><p>Observações clínicas e lesões revelam os efeitos gerais dos</p><p>danos cerebrais. Imagens de RM hoje revelam estruturas do</p><p>cérebro, e registros de EEG, PET e RMf (RM funcional)</p><p>revelam sua atividade.</p><p>7 : Quais são as funções das importantes estruturas</p><p>inferiores do cérebro?</p><p>O tronco encefálico é a parte mais primitiva do cérebro e é</p><p>responsável pelas funções automáticas de sobrevivência. Seus</p><p>componentes são o bulbo (que controla o batimento cardíaco</p><p>e a respiração), a ponte (que auxilia a coordenação dos</p><p>movimentos) e a formação reticular (que afeta a ativação). O</p><p>tálamo, o painel de comando sensorial do cérebro, repousa</p><p>acima do tronco encefálico. O cerebelo, fixado à parte</p><p>posterior do tronco encefálico, coordena os movimentos</p><p>musculares e ajuda a processar informações sensoriais.</p><p>O sistema límbico está ligado às emoções, à memória e às</p><p>pulsões. Seus centros neurais incluem a amígdala</p><p>(envolvida nas respostas de agressividade e de medo) e o</p><p>hipotálamo (envolvido em várias funções de manutenção</p><p>corporal, recompensas prazerosas e controle do sistema</p><p>hormonal). A hipófise (a "glândula mestra”) controla o</p><p>hipotálamo estimulando-o a acionar a liberação de</p><p>hormônios. O hipocampo processa a memória.</p><p>8 : A que funções servem as várias regiões do córtex</p><p>cerebral?</p><p>Em cada hemisfério o córtex cerebral tem quatro lobos, o</p><p>frontal, o parietal, o occipital e o temporal. Cada um exerce</p><p>diversas funções e interage com outras áreas do córtex. O</p><p>córtex motor controla os movimentos voluntários. O córtex</p><p>sensorial registra e processa as sensações do corpo. As partes</p><p>do corpo que requerem controle preciso (no córtex motor)</p><p>ou aquelas especialmente sensíveis (no córtex sensorial)</p><p>ocupam a maior quantidade de espaço. A maior parte do</p><p>córtex - a porção majoritária de cada um dos quatro lobos -</p><p>é dedicada a áreas de associação descomprometidas, que</p><p>integram informações envolvidas no aprendizado, na</p><p>memória, no pensamento e em outras funções de alto nível.</p><p>9 : Até que ponto um cérebro lesionado pode se</p><p>reorganizar?</p><p>Se um hemisfério sofrer um dano no princípio da vida, o</p><p>outro tomará para si muitas de suas funções. Essa plasticidade</p><p>diminui em fases posteriores. Algumas áreas cerebrais são</p><p>capazes de realizar neurogênese (formar novos neurônios).</p><p>(Continua)</p><p>10: 0 que cérebros divididos revelam a respeito das</p><p>funções de nossos dois hemisférios cerebrais?</p><p>Pesquisas sobre cérebros divididos (experimentos com</p><p>pacientes com o corpo caloso seccionado) confirmam que</p><p>na maioria das pessoas o hemisfério esquerdo é o mais</p><p>verbal e que o direito sobressai em percepção visual e</p><p>reconhecimento de emoções. Estudos com indivíduos</p><p>saudáveis com cérebros intactos confirmam que cada</p><p>hemisfério rende contribuições únicas para o</p><p>funcionamento integrado do órgão.</p><p>11: Como a lateralidade se relaciona com a organização</p><p>cerebral?</p><p>Cerca de 10% de nós são canhotos. Quase todos os destros</p><p>processam a fala no hemisfério esquerdo, assim como mais</p><p>da metade dos canhotos.</p><p>Termos e Conceitos para Lembrar</p><p>biopsicologia sistema nervoso somático tálamo</p><p>neurônio sistema nervoso autônomo cerebelo</p><p>neurônios sensoriais sistema nervoso simpático sistema límbico</p><p>neurônios motores sistema nervoso parassimpático amígdala</p><p>interneurônios reflexo hipotálamo</p><p>dendrito sistema endócrino córtex cerebral</p><p>axônio hormônios células gliais (da glia)</p><p>bainha de mielina glândulas suprarrenais lobos frontais</p><p>potencial de ação hipófise lobos parietais</p><p>limiar lesão lobos occipitais</p><p>sinapse eletroencefalograma (EEG) lobos temporais</p><p>neurotransmissores PET (tomografia por emissão de córtex motor</p><p>recaptação pósitrons) córtex sensorial</p><p>endorfinas RM (ressonância magnética) áreas de associação</p><p>sistema nervoso RMf (ressonância magnética plasticidade</p><p>sistema nervoso central (SNC) funcional) neurogênese</p><p>sistema nervoso periférico (SNP) tronco encefálico corpo caloso</p><p>nervos bulbo</p><p>formação reticular</p><p>cérebro dividido</p><p>f CapÍTULO 3 j</p><p>A Consciência e a</p><p>Mente de Duas Vias</p><p>( T w o - T r a c k M in d )</p><p>A consciência tem algo de engraçado. Ela</p><p>nos oferece experiências estranhas,</p><p>como quando adormecemos ou des­</p><p>pertamos de um sonho, e às vezes nos</p><p>deixa a indagar quem de fato está no</p><p>controle. Depois de me pôr sob influência do</p><p>óxido nitroso, meu dentista me manda virar</p><p>a cabeça para a esquerda. Minha mente cons­</p><p>ciente resiste: “De jeito nenhum”, digo em</p><p>silêncio. “Você não pode ficar me dando</p><p>ordens!” Em seguida minha cabeça robótica,</p><p>ignorando minha consciência, se dobra docil­</p><p>mente ao controle do dentista.</p><p>Durante meus jogos de basquete vesperti­</p><p>nos com os amigos, às vezes sinto uma ligeira</p><p>irritação quando meu corpo passa a bola ao</p><p>mesmo tempo em que minha consciência diz:</p><p>“Não, pare, seu burro! Peter vai interceptar!”</p><p>Infelizmente, o corpo completa o passe sozi­</p><p>nho. Em outras ocasiões, observa o psicólogo</p><p>Daniel Wegner (2002) em Illusion ofC ons-</p><p>cious Will (A Ilusão da Vontade Consciente),</p><p>acredita-se que a consciência está contro­</p><p>lando as ações, quando não está. Em um</p><p>experimento, pessoas controlavam um mouse</p><p>de computador junto com um companheiro</p><p>(que era na verdade o cúmplice do experi­</p><p>mentador). Mesmo quando este fazia o mouse</p><p>parar em um local predeterminado, os parti­</p><p>cipantes tinham a percepção de que eles é que</p><p>o haviam feito parar ali.</p><p>Há também aquelas vezes em que a consciên­</p><p>cia parece se dividir. Ao ler Green Eggs and Ham</p><p>(Ovos Verdes e Presunto), do escritor infantil</p><p>norte-americano Dr. Seuss, para um de meus</p><p>alunos da pré-escola pela enésima vez, minha</p><p>boca, condescendente, podia pronunciar as</p><p>palavras enquanto minha mente vagava por</p><p>algum outro lugar. E se alguém entrar em meu</p><p>escritório enquanto estou digitando esta frase,</p><p>não haverá problema. Meus dedos podem com­</p><p>pletá-la enquanto inicio uma conversa.</p><p>Seria minha experiência dental induzida</p><p>pela droga análoga à que as pessoas têm com</p><p>outras drogas psicoativas (substâncias que</p><p>alteram o humor e a percepção)? E minha</p><p>obediência automática ao dentista como as</p><p>respostas de pacientes à hipnose? Ou uma</p><p>cisão na consciência, como as que acontecem</p><p>quando nossa mente se desvia enquanto</p><p>lemos ou digitamos, explica o comporta­</p><p>mento de um indivíduo sob hipnose? E</p><p>durante o sono, quando e por que ocorrem</p><p>aquelas estranhas experiências oníricas?</p><p>Mas comecemos pelo começo: o que é</p><p>consciência? Toda ciência tem conceitos tão</p><p>fundamentais que é quase impossível defini-</p><p>los. Biólogos concordam quanto ao que é vivo,</p><p>mas não precisamente quanto ao que é a vida.</p><p>Na física, matéria e energia fogem a uma defi­</p><p>nição simples. Para os psicólogos, a consciên­</p><p>cia é, da mesma forma, um conceito funda­</p><p>mental, ainda que escorregadio.</p><p>Em seu princípio, a psicologia era “a des­</p><p>crição e a explicação dos estados de consciên­</p><p>cia” (Ladd, 1887). No entanto, durante a pri­</p><p>meira metade do século XX, a dificuldade de</p><p>estudar cientificamente a consciência levou</p><p>muitos psicólogos - incluindo os da emer­</p><p>gente escola do behaviorismo (Capítulo 7) - a</p><p>se voltar para as observações diretas do com­</p><p>portamento. Já na década de 1960, a psico­</p><p>logia havia praticamente perdido a consciên­</p><p>cia e se autodefinia como “a ciência do com­</p><p>portamento”. A consciência foi comparada</p><p>ao velocímetro de um carro: “Não faz o carro</p><p>andar, apenas reflete o que está acontecendo”</p><p>(Seligman, 1991, p. 24).</p><p>Após 1960, os conceitos mentais começa­</p><p>ram a reaparecer. Avanços na neurociência</p><p>tornaram possível relacionar a atividade cere­</p><p>bral ao sono, aos sonhos e a outros estados</p><p>mentais. Pesquisadores passaram a estudar</p><p>as alterações da consciência pela hipnose e</p><p>O CÉREBRO EA</p><p>CONSCIÊNCIA</p><p>Neurociência Cognitiva</p><p>Processamento Dual</p><p>( Dual Processing)</p><p>SONO E SONHOS</p><p>Ritmos Biológicos e Sono</p><p>Porque Dormimos?</p><p>Distúrbios do Sono</p>
<p>e Linguagem dos Animais 301</p><p>O que Pensam os Animais? 301</p><p>Os Anim ais Exibem Linguagem? 302</p><p>O Caso dos Macacos 302</p><p>EM FOCO: Mãos que Falam 303</p><p>307</p><p>C A P Í T U L O 10</p><p>Inteligência</p><p>O que É Inteligência? 307</p><p>A Inteligência É uma Habilidade Geral ou Diversas Habilidades</p><p>Específicas? 308</p><p>Inteligência e C riativ idade 311</p><p>Inteligência Emocional 312</p><p>A Inteligência É N euro log icam ente Mensurável? 313</p><p>Avaliando a Inteligência 315</p><p>As Origens dos Testes de Inteligência 315</p><p>Testes M odernos de Habilidades Mentais 317</p><p>Princípios da Construção de Testes 318</p><p>A Dinâmica da Inteligência 320</p><p>Estabilidade ou Mudança? 320</p><p>Extrem os da Inteligência 322</p><p>Influências Genéticas e Am bientais sobre a</p><p>Inteligência 324</p><p>Estudos sobre Gêmeos e A doção 324</p><p>Herdabilidade 326</p><p>Influências Am bienta is 326</p><p>Diferenças Grupais em Escores de Testes de Inteligência 327</p><p>A Questão do Viés 331</p><p>336</p><p>C A P Í T U L O 11</p><p>Motivação e Trabalho</p><p>Conceitos Motivacionais 337</p><p>Instintos e Psicologia Evolucionista 337</p><p>Drives e Incentivos 337</p><p>Excitação Ó tim a 337</p><p>Uma Hierarquia de M otivos 338</p><p>Fom e 339</p><p>A Fisiologia da Fome 339</p><p>A Psicologia da Fome 342</p><p>O besidade e Contro le do Peso 345</p><p>EM FOCO: A dm in istrando a Cintura 351</p><p>Motivação Sexual 352</p><p>A Fisiologia do Sexo 353</p><p>A Psicologia do Sexo 355</p><p>Sexualidade na Adolescência 356</p><p>O rientação Sexual 357</p><p>Sexo e Valores Humanos 363</p><p>A Necessidade de Pertencim ento 363</p><p>Motivação no Trabalho 365</p><p>EM FOCO: Psicologia l/O no Trabalho 366</p><p>Psicologia de Recursos Humanos 367</p><p>EM FOCO: Descobrindo Seus Pontos Fortes 368</p><p>Psicologia O rganizacional: M otivando a Realização 370</p><p>EM FOCO: Fazendo Bem ao se Fazer o Bem: “ O Grande</p><p>E xperim ento” 371</p><p>377</p><p>C A P Í T U L O 12</p><p>Emoção, Estresse e Saúde</p><p>Teorias da Emoção 377</p><p>Emoção Corporificada 379</p><p>Emoções e o Sistema Nervoso A u tônom o 379</p><p>Semelhanças Fisiológicas entre Emoções Específicas 380</p><p>Diferenças F isiológicas entre Emoções Específicas 381</p><p>Cognição e Emoção 382</p><p>PENSANDO CRITICAMENTE SOBRE: Detecção de Mentiras</p><p>382</p><p>Emoção Expressada 386</p><p>D etectando a Emoção 386</p><p>Gênero, Emoção e C om portam ento Não Verbal 387</p><p>Cultura e Expressão Emocional 388</p><p>Os Efeitos das Expressões Faciais 390</p><p>Emoções Experienciadas 391</p><p>Medo 392</p><p>Raiva 393</p><p>Felicidade 394</p><p>EM FOCO: Com o Ser Mais Feliz 399</p><p>Estresse e Saúde 401</p><p>Estresse e Doença 401</p><p>Estresse e o Coração 40 4</p><p>Estresse e Suscetibilidade a Doenças 406</p><p>Prom ovendo a Saúde 4 0 9</p><p>E nfrentando o Estresse 40 9</p><p>EM FOCO: Os Animais de Estimação Também São</p><p>Am igos 411</p><p>A dm in is trando o Estresse 412</p><p>PENSANDO CRITICAMENTE SOBRE: Medicina A lte rnativa e</p><p>C om plem entar 416</p><p>EM FOCO: A Resposta de Relaxamento 417</p><p>421</p><p>CA P Í T U L O 13</p><p>Personalidade</p><p>A Perspectiva Psicanalítica 422</p><p>Explorando o Inconsciente 422</p><p>Os Teóricos Neofreudianos e Psicodinâmicos 425</p><p>A valiando os Processos Inconscientes 426</p><p>A valiando a Perspectiva Psicanalítica 427</p><p>A Perspectiva Humanista 429</p><p>Abraham Maslow e a Pessoa Autorrealizada 430</p><p>Carl Rogers e a Perspectiva Centrada na Pessoa 430</p><p>A valiando o Self 431</p><p>A valiando a Perspectiva Humanista 431</p><p>A Perspectiva do Traço 431</p><p>Explorando os Traços 432</p><p>A valiando os Traços 433</p><p>Os Cinco Grandes Fatores 433</p><p>A valiando a Perspectiva do Traço 434</p><p>PENSANDO CRITICAMENTE SOBRE: Como Ser um A stró logo</p><p>ou Q uirom ante de "Sucesso" 435</p><p>A Perspectiva Social-Cognitiva 438</p><p>Influências Recíprocas 438</p><p>Contro le Pessoal 439</p><p>EM FOCO: Rumo a uma Psicologia Mais Positiva 441</p><p>Avaliando o C om portam ento em Situações 442</p><p>Avaliando a Perspectiva Social-Cognitiva 443</p><p>Explorando o Self 4 4 3</p><p>Os Benefícios da A utoestim a 444</p><p>Viés em P roveito Próprio (Self-Serving Bias') 444</p><p>449</p><p>C A P Í T U L O 14</p><p>Transtornos Psicológicos</p><p>Perspectivas sobre os Transtornos Psicológicos 4 4 9</p><p>Defin indo os Transtornos Psicológicos 450</p><p>Com preendendo os Transtornos Psicológicos 450</p><p>PENSANDO CRITICAMENTE SOBRE: TDAH - Energia Elevada</p><p>Normal ou Transtorno Genuíno? 451</p><p>Classificando os Transtornos Psicológicos 452</p><p>EM FOCO: O "anti-DSM": Um Manual D iagnóstico das Forças</p><p>Humanas 453</p><p>Rotulando os Transtornos Psicológicos 454</p><p>PENSANDO CRITICAMENTE SOBRE: Insanidade e</p><p>Responsabilidade 455</p><p>Transtornos de Ansiedade 456</p><p>Transtorno de Ansiedade Generalizada 456</p><p>T ranstorno do Pânico 457</p><p>Fobias 457</p><p>Transtorno Obsessivo-Com pulsivo 457</p><p>T ranstorno de Estresse Pós-Traum ático 458</p><p>Com preendendo os Transtornos de Ansiedade 459</p><p>Transtornos Som atoform es 461</p><p>Transtornos Dissociativos 4 6 2</p><p>Transtorno D issociativo de Identidade 462</p><p>C om preendendo o Transtorno D issociativo de</p><p>Identidade 462</p><p>Transtornos de Hum or 463</p><p>Transtorno Depressivo Maior 463</p><p>Transtorno B ipolar 464</p><p>C om preendendo os Transtornos de Hum or 465</p><p>EM FOCO: Suicídio 468</p><p>Esquizofrenia 471</p><p>Sintomas da Esquizofrenia 471</p><p>Início e Desenvolvim ento da Esquizofrenia 472</p><p>Com preendendo a Esquizofrenia 473</p><p>Transtornos de Personalidade 476</p><p>Transtorno de Personalidade Antissocia l 476</p><p>Com preendendo o Transtorno de Personalidade</p><p>Antissocia l 476</p><p>Taxas de Transtornos Psicológicos 478</p><p>483</p><p>C A P Í T U L O 15</p><p>Terapia</p><p>As Terapias Psicológicas 483</p><p>Psicanálise 483</p><p>Terapias Humanistas 486</p><p>Terapias C om portam entais 487</p><p>Terapias Cognitivas 489</p><p>Terapias de Grupo e de Família 491</p><p>Avaliando as Psicoterapias 492</p><p>A Psicoterapia É Efetiva? 493</p><p>PENSANDO CRITICAMENTE SOBRE: "R egred indo” do</p><p>Incom um para o Usual 494</p><p>A E fetiv idade Relativa das Diferentes Terapias 495</p><p>Avaliando as Terapias A lternativas 496</p><p>Semelhanças entre as Psicoterapias 497</p><p>EM FOCO: Guia do Consum idor para Psicoterapeutas 498</p><p>Cultura e Valores na Psicoterapia 499</p><p>As Terapias Biomédicas 4 9 9</p><p>Farm acoterapias 499</p><p>Estimulação Cerebral 502</p><p>Psicocirurgia 505</p><p>Mudança Terapêutica no Estilo de Vida 505</p><p>Prevenindo Transtornos Psicológicos 5 0 6</p><p>509</p><p>C A P Í T U L O 16</p><p>Psicologia Social</p><p>Pensamento Social 5 0 9</p><p>A tribu ição de C om portam ento a Pessoas ou Situações 509</p><p>A titudes e Ações 511</p><p>EM FOCO: Prisão de Abu Ghraib: Uma “S ituação Geradora de</p><p>A troc idades”? 513</p><p>Influência Social 515</p><p>C onform idade e O bediência 515</p><p>Influência do Grupo 519</p><p>O Poder dos Indivíduos 522</p><p>Relações Sociais 523</p><p>Preconceito 523</p><p>EM FOCO: Preconceito A u tom ático 524</p><p>Agressão 528</p><p>EM FOCO: Paralelos entre os Efeitos do Fum o e os Efeitos da</p><p>V io lência na Mídia 533</p><p>A tração 534</p><p>EM FOCO: Nam oro On-line e Sp ee d Dating (Encontros-</p><p>re lâm pago) 535</p><p>A ltru ísm o 539</p><p>C onflito e Pacificação 542</p><p>549</p><p>A P Ê N D I C E A</p><p>Carreiras em Psicologia</p><p>Preparando-se para uma Carreira em Psicologia 549</p><p>O Bacharelado 549</p><p>Níveis de Pós-Graduação 550</p><p>Subáreas da Psicologia 552</p><p>Preparando-se Desde Cedo para a Pós-Graduação em</p><p>Psicologia 555</p><p>Para Mais Inform ações 556</p><p>557</p><p>A P Ê N D I C E B</p><p>Respostas às Questões “Teste a Si Mesmo”</p><p>Glossário 565</p><p>Referências 579</p><p>índice 661</p><p>u</p><p>■ 0 3</p><p>CL></p><p>Q_</p><p>A cada nova edição, vejo-me percorrendo um caminho familiar.</p><p>Assim que recebo o primeiro exemplar da editora, sinto-me ali­</p><p>viado após meses de intenso esforço, e entusiasmado, certo de que</p><p>essa edição é a melhor de todas. Não demora muito, no entanto, novas</p><p>pesquisas surgem para aprimorar os conceitos contidos nessa edição. À</p><p>medida que professores e estudantes colaborativos enviam sugestões</p><p>de melhorias, e as resenhas críticas e resultados das pesquisas se avo­</p><p>lumam, começo a duvidar dessa suposta perfeição. Os escaninhos onde</p><p>guardo cada capítulo vão ficando abarrotados de materiais novos, na</p><p>mesma proporção que cresce meu desejo de preparar uma nova edi­</p><p>ção. No momento em que a nova versão está pronta para sair, sinto</p><p>calafrios ao imaginar que as pessoas ainda utilizam a edição antiga</p><p>que outrora parecera tão perfeita!</p><p>Essa nova nona edição de Psicologia não é exceção, está muito melhor</p><p>do que as anteriores! Estou satisfeito por disponibilizar as seguintes</p><p>mudanças:</p><p>• cerca de 1300 novas citações de pesquisas representando as mais</p><p>fantásticas e importantes descobertas em nossa área,</p><p>• mudanças na organização baseada</p>
<p>Sonhos</p><p>HIPNOSE</p><p>Fatos e Mitos</p><p>Explicando o Estado Hipnótico</p><p>DROGAS E CONSCIÊNCIA</p><p>Dependência e Adicção</p><p>Drogas Psicoativas</p><p>Influências sobre o</p><p>Uso de Drogas</p><p>EXPERIÊNCIAS DE</p><p>QUASE MORTE</p><p>“Nem [□ psicólogo] Steve</p><p>Pinker nem eu podemos</p><p>explicar a consciência</p><p>subjetiva humana... Nós</p><p>não a compreendemos."</p><p>Richard Eawkins, biólogo</p><p>evolucionista (1999)</p><p>“A psicologia deve</p><p>descartar toda</p><p>referência à</p><p>consciência."</p><p>John B. Watson,</p><p>behaviorista (1913)</p><p>Alguns estados</p><p>ocorrem</p><p>espontaneamente</p><p>Devaneios Sonolência Sonhos</p><p>Alguns são</p><p>provocados</p><p>fisiologicamente</p><p>Alucinações Orgasmo Carência de alimento</p><p>ou de oxigênio</p><p>Alguns são</p><p>provocados Privação sensorial Hipnose Meditação</p><p>psicologicamente</p><p>> FIGURA 3.1</p><p>Estados de consciência Além da percepção normal, desperta, a consciência chega até nós em estados alterados, incluindo devaneios, sono,</p><p>meditação e alucinação provocada por drogas.</p><p>pelas drogas. Psicólogos de todas as vertentes afirmavam a</p><p>importância da cognição, ou processos mentais. A psicologia</p><p>estava recuperando a consciência.</p><p>Para a maioria dos psicólogos atuais, consciência é nossa</p><p>percepção de nós mesmos e do ambiente à nossa volta. Nosso</p><p>foco de percepção nos permite reunir informações de varia­</p><p>das fontes ao refletirmos sobre o passado e planejarmos o</p><p>futuro. E mantém nossa atenção concentrada quando apren­</p><p>demos um conceito ou comportamento complexo - digamos,</p><p>dirigir um carro -, tornando-nos cientes do veículo e do trá­</p><p>fego. Com a prática, dirigir deixa de exigir atenção exclusiva,</p><p>liberando-nos para direcioná-la a outros pontos. Ao longo</p><p>de um dia, uma semana, um mês, transitamos entre vários</p><p>estados de consciência, incluindo o sono, a vigília e vários esta­</p><p>dos alterados (FIGURA 3 .1 ).</p><p>O Cérebro e a Consciência</p><p>1: O que e o "processamento dual" (dual</p><p>processing) que está sendo revelado pela</p><p>neurociência cognitiva atual?</p><p>NA CIÊNCIA ATUAL, UMA DAS METAS perseguidas com</p><p>mais afinco pelos pesquisadores é a compreensão da biologia</p><p>da consciência. Psicólogos evolucionistas especulam que a</p><p>consciência deve oferecer uma vantagem reprodutiva (Barash,</p><p>2006). Talvez ela nos auxilie a agir em favor de nossos inte­</p><p>resses de longo prazo (ponderando sobre as conseqüências)</p><p>em vez de buscar meros prazeres imediatos e evitar a dor. Ou</p><p>quem sabe promova nossa sobrevivência antevendo a impres­</p><p>são que os outros têm de nós e ajudando-nos a ler suas men­</p><p>tes. ( “Ele parece muito irritado! E melhor eu correr!”) Mesmo</p><p>assim, isso nos traz o chamado “problema difícil” ( “hard pro­</p><p>blem’ ): como as células cerebrais tagarelando umas com as</p><p>outras criam nossa percepção do sabor de um taco, de uma</p><p>dor de dente, do sentimento de pavor?</p><p>consciência nosso dar-se conta de nós mesmos e do</p><p>ambiente à nossa volta.</p><p>Neurociência Cognitiva</p><p>A ciência supõe, nas palavras do neurocientista Marvin</p><p>Minsky (1986, p. 287), que “a mente é o que o cérebro faz”.</p><p>Só não sabemos como ele o faz. Mesmo com todas as subs­</p><p>tâncias químicas, os chips de computador e a energia do</p><p>mundo, ainda não fazemos ideia de como fabricar um robô</p><p>consciente. No entanto, a atual neurociência cognitiva - o</p><p>estudo interdisciplinar da atividade cerebral ligada a nossos</p><p>processos mentais - está dando o primeiro pequeno passo ao</p><p>relacionar estados cerebrais específicos a experiências cons­</p><p>cientes. Sabemos, por exemplo, que a parte superior do tronco</p><p>encefálico contribui para a consciência porque algumas crian-</p><p>cas nascidas sem córtex cerebral exibem sinais de consciência</p><p>(Merker, 2007).</p><p>Outra espantosa demonstração da presença de algum nível</p><p>de consciência apareceu em imagens do cérebro de uma</p><p>paciente incomunicável - uma mulher de 23 anos que sofrerá</p><p>um acidente automobilístico e não demonstrava sinais apa­</p><p>rentes de consciência (Owen et al., 2006). Quando os médi­</p><p>cos pediram-lhe que imaginasse jogar tênis ou andar por sua</p><p>casa, imagens de RMf revelaram atividade cerebral como a</p><p>de voluntários saudáveis. Enquanto ela imaginava jogar tênis,</p><p>por exemplo, uma área responsável pelo controle dos movi­</p><p>mentos dos braços e das pernas tornou-se ativa (FIGURA</p><p>3 .2 ). Mesmo em um corpo sem movimento, concluíram os</p><p>{</p><p>%</p><p>f</p><p>I|</p><p>*</p><p>í</p><p>1</p><p>a</p><p>|</p><p>1</p><p>J</p><p>> FIGURA 3.2</p><p>Prova de consciência? Solicitada a se imaginar jogando tênis ou</p><p>circuiando por sua casa, uma paciente com o cérebro em estado</p><p>vegetativo (no alto) exibiu atividade cerebral semelhante à de uma</p><p>pessoa saudável (abaixo). Embora o caso possa ser uma exceção,</p><p>pesquisadores questionam se tais imagens de RMf possibilitariam</p><p>uma "conversa" com pacientes incomunicáveis, instruindo-os, por</p><p>exemplo, a responder sim a uma pergunta imaginando jogar tênis e</p><p>não imaginando andar pela casa.</p><p>Paciente</p><p>Voluntários Saudáveis</p><p>I .</p><p>V l ' * '■ - 1m h . s _ a m</p><p>Imaginação de Tênis Imaginação de Circulação Espacial</p><p>pesquisadores, o cérebro - e a mente - pode ainda estar</p><p>ativo.</p><p>No entanto, a maioria dos neurocientistas cognitivos está</p><p>explorando e mapeando as funções conscientes do córtex. Com</p><p>base em seus padrões de ativação cortical, eles podem agora,</p><p>com certas limitações, ler sua mente. São capazes, por exem­</p><p>plo, de dizer qual de 10 objetos semelhantes (martelo, fura-</p><p>deira e assim por diante) você está visualizando (Shinkareva</p><p>et al., 2008). Apesar desses avanços, ainda há grande discor­</p><p>dância. Um grupo de pesquisa teoriza que experiências cons­</p><p>cientes surgem de circuitos neuronais específicos que dispa­</p><p>ram de maneira específica. Outro crê que elas são produzidas</p><p>pela atividade sincronizada de todo o cérebro (Koch e Gre-</p><p>enfield, 2007). Como o cérebro produz a mente permanece</p><p>um mistério.</p><p>Processamento Dual (Dual Processing)</p><p>Muitas descobertas da neurociência cognitiva nos falam de</p><p>uma determinada região do cérebro que se torna ativa com</p><p>uma experiência consciente particular. Muitas pessoas con­</p><p>sideram tais achados interessantes, mas não tão impressio­</p><p>nantes. (Se tudo o que é psicológico é simultaneamente bio­</p><p>lógico, então nossas ideias, emoções e espiritualidade devem</p><p>todas, de algum modo, ter uma forma concreta.) O que é</p><p>impressionante para muitos de nós é a crescente evidência</p><p>de que temos, por assim dizer, duas mentes, cada uma apoiada</p><p>por seu próprio equipamento neural.</p><p>Em qualquer momento, você e eu estamos cientes de pouco</p><p>mais do que é exibido na tela de nossa consciência. No</p><p>entanto, uma das maiores ideias da neurociência cognitiva</p><p>recente é a de que grande parte do trabalho do nosso cérebro</p><p>ocorre nos bastidores, fora do alcance de nossa visão. Vimos</p><p>isso no Capítulo 2, quando discutimos o “cérebro esquerdo”,</p><p>consciente, e o “cérebro direito”, mais intuitivo, revelados</p><p>pelos estudos de pacientes com cérebro dividido. Capítulos</p><p>posteriores explorarão o funcionamento da nossa mente</p><p>oculta em pesquisas sobre a pré-ativação (o priming) incons­</p><p>ciente, as memórias consciente (explícita) e inconsciente</p><p>(implícita), o preconceito consciente versus o automático e o</p><p>processamento oculto que possibilita reflexões repentinas e</p><p>momentos criativos. A percepção, a memória, o pensamento,</p><p>a linguagem e as atitudes, todos operam em dois níveis - uma</p><p>“estrada principal” consciente, deliberada, e uma “via sub­</p><p>terrânea” inconsciente, automática. Os pesquisadores atuais</p><p>dão a isso o nome processam ento dual. Sabemos mais do</p><p>que imaginamos saber.</p><p>neurociência cognitiva o estudo interdisciplinar da</p><p>atividade cerebral ligada à cognição (incluindo a</p><p>percepção, o pensamento, a memória e a linguagem).</p><p>processamento dual (.dual processing) o princípio de</p><p>que a informação é frequentemente processada de</p><p>maneira simultânea em vias separadas, consciente e</p><p>inconsciente.</p><p>A Mente de Duas Vias ( The Two-Track M ind)</p><p>Um caso científico ilustra os dois níveis da mente. Às vezes</p><p>o pensamento crítico apoiado pela ciência confirma crenças</p><p>amplamente aceitas. Em outras, porém, como demonstra esta</p><p>história, a ciência é mais estranha que a ficção científica.</p><p>Durante minhas passagens pela University of St. Andrews,</p>
<p>em alterações na área (por exem­</p><p>plo, na profunda revisão do capítulo sobre consciência, que agora</p><p>segue o capítulo sobre neurociência e se chama “A Consciência e a</p><p>Mente de Duas Vias”, com a finalidade de fazer uma reflexão sobre</p><p>os temas do processamento dual e da neurociência cognitiva),</p><p>• redação mais sintonizada com inúmeras pequenas e grandes melho­</p><p>rias na maneira como os conceitos são apresentados, feitas a partir</p><p>das sugestões e ideias criativas de centenas de contribuições de pro­</p><p>fessores e estudantes, e pelos meus editores de longa data,</p><p>• um elaborado novo projeto gráfico e uma nova pedagogia objeti­</p><p>vando um ensino mais efetivo,</p><p>• melhoria contínua na abrangência de questões ligadas à diversidade</p><p>de gênero e cultural,</p><p>• diante da demanda popular, menos capítulos: os 18 capítulos ante­</p><p>riores transformaram-se em 16 capítulos aprimorados.</p><p>Sou fascinado pela psicologia atual, com seus estudos neurocientíficos</p><p>sobre nossos humores e memórias, o alcance de nosso inconsciente</p><p>adaptativo e pela força modeladora do contexto social e cultural. A psi­</p><p>cologia científica está cada vez mais sintonizada com os efeitos relativos</p><p>da natureza e da cultura, com a diversidade de gêneros e de culturas,</p><p>com o nosso processamento consciente e inconsciente e com a biologia</p><p>subjacente ao nosso comportamento. (Veja as TABELAS 1 e 2).</p><p>Agradeço o privilégio de contribuir para o ensino dessa disciplina</p><p>que amplia as mentes de tantos estudantes, em tantos países e em</p><p>idiomas diferentes. Ser o encarregado pelo discernimento e pela trans­</p><p>missão de ideias da psicologia é, ao mesmo tempo, uma emocionante</p><p>honra e uma grande responsabilidade.</p><p>Os milhares de professores e milhões de estudantes por todo o</p><p>mundo que estudaram com este livro contribuíram imensamente para</p><p>seu desenvolvimento. Boa parte das contribuições ocorreu espontane­</p><p>amente, por meio de cartas e de conversas. Para esta edição, contamos</p><p>também com o envolvimento formal de mais de 300 pesquisadores e</p><p>professores de psicologia, junto com diversos estudantes, em nosso</p><p>esforço para reunir informações precisas e atualizadas sobre a área da</p><p>psicologia e o seu conteúdo, as pedagogias e as necessidades suple­</p><p>mentares de professores e de estudantes de cursos introdutórios. Con­</p><p>tinuaremos a contar com o feedback à medida que avançamos, para as</p><p>edições futuras, visando criar um livro e um pacote de suplementos</p><p>ainda melhores.</p><p>t a b e l a l Psicologia Evolucionária e G enética Comportamental</p><p>Adicionalm ente à cobertura encontrada no Capítulo 4, a</p><p>perspectiva evolucionária é abordada nos seguintes capítulos:</p><p>Adic ionalm ente à cobertura encontrada no Capítulo 4, a</p><p>genética comportamental é abordada nos seguintes capítulos:</p><p>Adaptação perceptual, cap. 6</p><p>Adaptação sensorial, cap. 6</p><p>Amor, cap. 5</p><p>Atração, cap. 16</p><p>Audição, cap. 6</p><p>Consciência, cap. 3</p><p>Darwin, Charles, caps. 1 elO</p><p>Depressão, cap. 15</p><p>Detecção de traços, cap. 6</p><p>Emoção, caps. 9 e 12</p><p>Envelhecimento, cap. 5</p><p>Exercício, cap. 12</p><p>Fome e preferências do paladar,</p><p>cap. 11</p><p>Habilidade de detecção de</p><p>emoções, cap. 10</p><p>Instintos, cap. 11</p><p>Inteligência, cap. 10</p><p>Linguagem, cap. 9</p><p>Matemática e habilidade</p><p>espacial, cap. 10</p><p>Medo, caps. 9 e 12</p><p>Menopausa, cap. 5</p><p>Necessidade de pertencer,</p><p>cap. 11</p><p>Obesidade, cap. 11</p><p>Olfato, cap. 6</p><p>Orientação sexual, cap. 11</p><p>Paladar, cap. 6</p><p>Perspectiva evolucionária,</p><p>definição, cap. Prólogo</p><p>Predisposição biológica no</p><p>aprendizado, cap. 7</p><p>Preferências de acasalamento,</p><p>cap. 4</p><p>Puberdade, início da, cap. 5</p><p>Sensação, cap. 6</p><p>Sexualidade, caps. 4 e 11</p><p>Sono, cap. 3</p><p>Superconfiança, cap. 9</p><p>Teoria da detecção dos sinais,</p><p>cap. 6</p><p>Transtorno de ansiedade, cap. 14</p><p>Tronco cerebral, cap. 2</p><p>abordagem biopsicossocial,</p><p>cap. 14</p><p>Abuso, transmissão</p><p>intergeracional do, cap. 7</p><p>Agressão, cap. 16</p><p>Amor romântico, cap. 5</p><p>Aprendizagem, cap. 7</p><p>Dependência de drogas, cap.3</p><p>Desenvolvimento motor, cap. 5</p><p>Emoção e cognição, cap. 12</p><p>esquizofrenia, cap. 14</p><p>Estímulos e incentivos, cap. 11</p><p>Estresse, personalidade e</p><p>doença, cap. 12</p><p>Felicidade, cap. 12</p><p>Fome e preferências do paladar,</p><p>cap. 11</p><p>Inteligência, caps. 9 e 10</p><p>Linguagem, cap. 9</p><p>Medo, cap. 12</p><p>Memória, cap. 8</p><p>Obesidade e controle do peso,</p><p>cap. 11</p><p>Olfato, cap. 6</p><p>Orientação sexual, cap. 11</p><p>Percepção de profundidade,</p><p>cap. 6</p><p>Percepção, cap. 6</p><p>Sexualidade, cap. 11</p><p>Terapias biomédicas, cap. 16</p><p>Traços de personalidade, cap. 13</p><p>Traços, cap. 10</p><p>Transtornos de alimentação,</p><p>cap. 11</p><p>transtornos de ansiedade,</p><p>cap. 14</p><p>transtornos de humor, cap. 14</p><p>transtornos de personalidade,</p><p>cap. 14</p><p>Transtornos psicológicos: TDAH,</p><p>cap. 14</p><p>Uso de drogas, cap. 3</p><p>TABELA 2 NEUROCIÊNCIA</p><p>Adicionalm ente à cobertura encontrada no Capítulo 2, a neurociência é tra tada tam bém nos seguintes capítulos:</p><p>Agressão, cap. 16</p><p>Alucinações e:</p><p>Alucinógenos, cap. 3</p><p>experiências de quase morte,</p><p>cap. 3</p><p>sono, cap. 3</p><p>Aprendizagem do medo,</p><p>cap. 14</p><p>Atividade cerebral e:</p><p>demência e Alzheimer, caps. 5</p><p>e 8</p><p>doença, cap. 6</p><p>emoção, caps. 5, 6, 8 e 12</p><p>envelhecimento, caps. 5 e 8</p><p>sonhos, cap. 3</p><p>sono, cap. 3</p><p>Autismo, cap. 5</p><p>Biofeedback, cap. 12</p><p>Consciência, cap. 2</p><p>Dependência de drogas, cap. 3</p><p>Desenvolvimento do cérebro:</p><p>Adolescência, cap. 5</p><p>diferenciação sexual no útero,</p><p>cap. 4</p><p>experiência e, cap. 4</p><p>primeira infância e infância,</p><p>cap. 5</p><p>Dor, cap. 6</p><p>dor do membro fantasma, cap. 6</p><p>Emoção e cognição, cap. 12</p><p>Esquizofrenia e anormalidades</p><p>cerebrais, cap. 14</p><p>Fome, cap. 11</p><p>Hormônios e:</p><p>abuso, cap. 5</p><p>controle do peso, cap. 11</p><p>desenvolvimento, caps. 4 e 5</p><p>emoção, cap. 12</p><p>estresse, cap. 12</p><p>memória, cap. 8</p><p>sexo, caps. 4, 5, 11 e 12</p><p>Insight, cap. 9</p><p>Inteligência, cap. 10</p><p>Linguagem animal, cap. 9</p><p>Linguagem, cap. 9</p><p>aprendizagem estatística,</p><p>cap. 9</p><p>Memória:</p><p>armazenamento físico da,</p><p>cap.8</p><p>sono, cap. 8</p><p>Neurônios espelho, cap. 7</p><p>Neurotransmissores e:</p><p>abuso infantil, cap. 5</p><p>depressão, cap. 14</p><p>drogas, cap. 3</p><p>esquizofrenia, cap. 14</p><p>exercício, cap. 12</p><p>narcolepsia, cap. 3</p><p>terapia biomédica:</p><p>depressão, caps. 14 e 15</p><p>ECT, cap. 15</p><p>esquizofrenia, caps. 14 e 15</p><p>psicocirurgia, cap. 15</p><p>transtorno obsessivo-</p><p>compulsivo, cap. 15</p><p>transtorno obsessivo-</p><p>compulsivo, cap. 15</p><p>transtornos de ansiedade, caps.</p><p>14 e 15</p><p>Orientação sexual, cap. 11</p><p>Percepção:</p><p>dano cerebral e, cap. 6</p><p>detecção de características,</p><p>cap. 6</p><p>processamento de informações</p><p>visuais, cap. 6</p><p>transdução, cap. 4</p><p>visão colorida, cap. 6</p><p>Perspectiva da neurociência,</p><p>definição, cap. Prólogo</p><p>Processamento paralelo vs.</p><p>Serial, cap. 6</p><p>Sensação:</p><p>adaptação sensória, cap. 6</p><p>audição, cap. 6</p><p>olfato, cap. 6</p><p>paladar, cap. 6</p><p>posição e movimento corporal,</p><p>cap. 6</p><p>surdez, cap. 6</p><p>tato, cap. 6</p><p>Síndrome alcoólica fetal e</p><p>anormalidades cerebrais, cap. 5</p><p>Sono:</p><p>memória e, cap. 3</p><p>recuperação durante, cap. 3</p><p>Transtornos de personalidade</p><p>antissocial, cap. 8</p><p>O que Continua e o que É Novo?</p><p>Em todas as nove edições, minha visão geral para Psicologia</p><p>não se alterou: combinar o rigor científico com uma ampla pers­</p><p>pectiva humana em um livro que envolva a mente e o coração.</p><p>Meu objetivo foi criar uma introdução sobre o que há de mais</p><p>atual na psicologia, escrita com sensibilidade para atender às</p><p>necessidades e aos interesses dos estudantes. Minha aspira­</p><p>ção é ajudar os estudantes a compreender e apreciar a mara­</p><p>vilha dos fenômenos mais importantes em suas vidas. Tam­</p><p>bém almejo transmitir o espírito inquiridor com o qual os</p><p>psicólogos praticam a psicologia. O estudo da psicologia, creio,</p><p>aprimora nossas habilidades de restringir a intuição usando</p><p>o pensamento crítico, o raciocínio sentencioso usando a com­</p><p>paixão e a ilusão usando a compreensão.</p><p>Assim como Thoreau, acredito que "qualquer coisa viva</p><p>pode ser expressa de maneira fácil e natural pela linguagem</p><p>popular”, e, portanto, procuro ensinar o saber psicológico</p><p>usando um estilo preciso, em narrativas cheias de vida. Escre­</p><p>vendo solitariamente, espero poder contar a história da psi­</p><p>cologia de uma maneira calorosamente pessoal</p>
<p>e, ao mesmo</p><p>tempo, rigorosamente científica. Adoro estabelecer conexões</p><p>entre a psicologia e outros domínios, como literatura, filoso­</p><p>fia, história, esportes, religião, política e cultura popular.</p><p>Igualmente sou fascinado por provocar o pensamento, brin­</p><p>car com as palavras e dar boas risadas.</p><p>Oito princípios norteadores</p><p>Apesar de todas as estimulantes alterações, essa nova edição</p><p>preserva igualmente o discurso de suas predecessoras, assim</p><p>como boa parte do conteúdo e da organização. As metas tam­</p><p>bém são as mesmas, os princípios norteadores, que deram</p><p>vida às oito edições anteriores:</p><p>1. Exemplificar o processo da pesquisa. Empenhei-me</p><p>para mostrar aos estudantes tanto o resultado da pesquisa,</p><p>quanto o modo como o processo da pesquisa funciona.</p><p>O livro, do princípio ao fim, tenta estimular a curiosidade</p><p>do leitor, convidando-o a imaginar a si mesmo como um</p><p>participante de experimentos clássicos. Vários capítulos</p><p>apresentam histórias de pesquisas como mistérios que são</p><p>progressivamente desvendados, à medida que as pistas,</p><p>uma após outra, vão sendo reveladas. (Veja, por exemplo,</p><p>a história da pesquisa sobre o processamento da lingua­</p><p>gem no cérebro, no Capítulo 9, Seção 8.)</p><p>2. Ensinar o pensamento crítico. Ao apresentar a pesquisa</p><p>como um trabalho intelectual de detetive, exemplifiquei</p><p>um cenário mental analítico e investigativo. Quer esteja</p><p>estudando desenvolvimento, cognição ou estatística, o</p><p>estudante vai se envolver e perceber as recompensas do</p><p>pensamento crítico. Além disso, vai descobrir como uma</p><p>abordagem empírica pode ajudá-lo a avaliar ideias e ale­</p><p>gações contrastantes para fenômenos amplamente divul­</p><p>gados - variando de persuasão subliminar, PES a terapias</p><p>alternativas, tais como astrologia, regressão hipnótica,</p><p>memórias reprimidas e recuperadas.</p><p>3. Pôr os fatos a serviço dos conceitos. Minha intenção</p><p>não é encher as gavetas do arquivo intelectual dos estu­</p><p>dantes com fatos, mas revelar os principais conceitos da</p><p>psicologia - ensinar os estudantes a pensar e oferecer</p><p>ideias psicológicas sobre as quais valha a pena refletir. Em</p><p>cada capítulo, enfatizei os conceitos que espero que os</p><p>estudantes carreguem consigo por muito tempo após o</p><p>término do curso. Sempre procurei seguir a máxima de</p><p>Albert Einstein de que “tudo deve ser feito do modo mais</p><p>simples possível, mas não simplista”. As perguntas “Teste</p><p>a Si Mesmo” presentes ao final de cada uma das seções</p><p>principais reforçam a mensagem de que os ensinamentos</p><p>daquela seção devem ser incorporados à vida.</p><p>4 . Estar o mais atualizado possível. Poucas coisas dimi­</p><p>nuem o interesse dos estudantes tão rapidamente quanto</p><p>a sensação de que estão lendo notícias velhas. Ao mesmo</p><p>tempo em que apresento conceitos e estudos clássicos da</p><p>psicologia, também exponho os progressos recentes mais</p><p>importantes. Mais de 600 referências nesta edição são de</p><p>2007 ou 2008.</p><p>5. Integrar princípios e aplicações. Por todo o livro - em</p><p>relatos, relatos de casos e propostas de situações hipoté­</p><p>ticas , relacionei as descobertas da pesquisa básica às</p><p>suas aplicações e implicações. Nas situações em que a</p><p>psicologia pode iluminar as questões humanas prementes</p><p>- sejam elas referentes a racismo ou a sexismo, saúde e</p><p>felicidade ou violência e guerra . não hesitei em acender</p><p>sua luz. Questões “Pergunte a Si Mesmo” no final de cada</p><p>uma das seções principais estimulam os estudantes a apli­</p><p>car os conceitos às suas próprias vidas, e ajudam a deixar</p><p>o material mais significativo e memorável.</p><p>6. M elhorar a compreensão por meio da continuidade.</p><p>Muitos capítulos possuem uma questão ou tema signifi-</p><p>cante que liga os subtópicos, formando um fio que amarra</p><p>os capítulos. O capítulo sobre Aprendizagem transmite a</p><p>ideia de que os pensadores audaciosos podem funcionar</p><p>como pioneiros intelectuais. O capítulo sobre Pensamento</p><p>e Linguagem levanta a questão da racionalidade e da irra­</p><p>cionalidade humanas. O capítulo sobre Transtornos Psi­</p><p>cológicos transmite a empatia pelas vidas atribuladas e a</p><p>compreensão delas. A “uniformidade de um trabalho”,</p><p>observa Edward Gibbon, “denota a mão de um único</p><p>artista”. Em razão de o livro ter um único autor, outras</p><p>linhas, como as da neurociência cognitiva, do processa­</p><p>mento dual e da diversidade cultural e de gêneros, entre­</p><p>meiam todo o texto, e os estudantes ouvem um discurso</p><p>consistente.</p><p>7. Reforçar o aprendizado a cada etapa. Exemplos do</p><p>cotidiano e perguntas retóricas incentivam os estudantes</p><p>a processar ativamente o material fornecido. Os concei­</p><p>tos apresentados no início são aplicados frequentemente</p><p>e, dessa forma, reforçados em capítulos posteriores. Por</p><p>exemplo, no Capítulo 3, os estudantes aprendem que boa</p><p>parte do nosso processamento de informações ocorre fora</p><p>de nossa consciência. Os capítulos seguintes reforçam</p><p>esse conceito. Questões de aprendizagem, autotestes, defi­</p><p>nições de verbetes entremeadas ao texto, um glossário ao</p><p>final do livro e listas de termos-chave no fim dos capítu­</p><p>los ajudam os estudantes a dominar conceitos importan­</p><p>tes.</p><p>8. Transmitir respeito pela unidade e diversidade huma­</p><p>nas. Especificamente no Capítulo 4, Natureza, Cultura e</p><p>Diversidade Humana, mas também em todo o livro, os</p><p>leitores verão a evidência de nosso parentesco humano</p><p>- nossa herança biológica compartilhada, nossos meca­</p><p>nismos comuns de ver e aprender, de sentir fome e emo­</p><p>ções, de amar e odiar. Também entenderão melhor as</p><p>dimensões de nossa diversidade - nossa diversidade indi­</p><p>vidual no desenvolvimento e nas aptidões, no tempera­</p><p>mento e na personalidade, nos transtornos e na saúde; e</p><p>nossa diversidade cultural nas atitudes e nos estilos expres­</p><p>sivos, na criação das crianças, no cuidado com os idosos</p><p>e nas prioridades da vida.</p><p>Melhoria Contínua da Cobertura da</p><p>Diversidade Cultural e de Gênero</p><p>Esta edição apresenta uma perspectiva transcultural ainda mais</p><p>completa da psicologia (TABELA 3) - refletida nas descober­</p><p>tas das pesquisas e nos textos e fotos usados como exemplos.</p><p>A cobertura da psicologia de homens e mulheres é completa­</p><p>mente integrada (veja a TABELA 4). Além disso, trabalho para</p><p>oferecer uma psicologia de base mundial que possa ser lida por</p><p>estudantes de qualquer país. Assim, continuamente, faço inves­</p><p>tigações globais em busca de descobertas de pesquisas, textos e</p><p>fotos usados como exemplos, consciente de que os leitores</p><p>podem estar em Melbourne, Sheffield, Vancouver ou Nairobi.</p><p>Os exemplos europeus e norte-americanos são facilmente</p><p>encontrados, uma vez que moro regularmente nos Estados Uni­</p><p>dos, mantenho contato com amigos e colegas do Canadá, sou</p><p>assinante de diversas publicações europeias e, em alguns perí­</p><p>odos, moro no Reino Unido. Esta edição, por exemplo, apre­</p><p>senta 61 exemplos explicitamente canadenses e 151 britânicos,</p><p>além de 72 menções da Austrália e da Nova Zelândia. Somos</p><p>todos cidadãos de um mundo que está encolhendo, graças ao</p><p>aumento da migração e da crescente economia global. Logo,</p><p>os estudantes norte-americanos também se beneficiam das</p><p>informações e dos exemplos que ajudam a internacionalizar</p><p>sua consciência mundial. Se a psicologia procura explicar o</p><p>comportamento humano (não só americano, canadense ou aus­</p><p>traliano), quanto mais amplo o escopo dos estudos apresenta­</p><p>dos, mais precisa será a nossa representação da população mun­</p><p>dial. Meu objetivo é expor todos os estudantes ao mundo além</p><p>de nossa própria cultura, e continuo a agradecer as contribui­</p><p>ções e sugestões feitas por todos os leitores.</p><p>A discussão sobre a relevância da diversidade cultural e de</p><p>gênero tem início na primeira página do primeiro capítulo e</p><p>continua por todo o texto. O Capítulo 4, Natureza, Cultura</p><p>e Diversidade Humana, apresenta uma abordagem direcio­</p><p>nada que encoraja os estudantes a apreciar as diferenças cul­</p><p>turais e de gênero, assim como as semelhanças, e considerar</p><p>a interação com a natureza e a cultura.</p><p>Ênfase nos Níveis Biológico, Psicológico, e</p><p>Sociocultural da Abordagem Analítica em</p><p>Psicologia</p><p>A nona edição de Psicologia explora</p>
<p>as influências biológicas,</p><p>psicológicas e socioculturais em nosso comportamento. Uma</p><p>parte significativa do Prólogo apresenta a abordagem dos</p><p>níveis de análise, estabelecendo as bases para os capítulos</p><p>T A B E L A 3 CULTURA E EXPERIÊNCIA MULTICULTURAL</p><p>Do Prólogo a o Capítulo 16, a c o D e r tu r a d o tem a cultura e experiência multicultural p o d e s e r e n c o n t r a d a n o s s e g u in te s c a p í tu lo s :</p><p>Psicanálise, cap. 15</p><p>Psicoterapia:</p><p>Administração participativa,</p><p>cap. 11</p><p>Agressão, cap. 16</p><p>AIDS, caps. 9 e 12</p><p>Aprendizado por observação:</p><p>assistir televisão, cap. 5</p><p>televisão e agressão, cap. 7</p><p>Atração sexual, cap. 4</p><p>Atratividade, caps. 4 e 16</p><p>Autoestima, cap. 12</p><p>Casamento, cap. 5</p><p>Categorização, cap. 9</p><p>Choque cultural, caps. 4, 12 e 13</p><p>Conformidade, cap. 16</p><p>Controle do peso, cap. 11</p><p>Cultura da surdez, caps. 2, 6 e 9</p><p>Cultura e o eu, cap. 4</p><p>Deixando o ninho, cap. 5</p><p>Depressão, cap. 14</p><p>Desenvolvimento:</p><p>adolescência, cap. 5</p><p>apego, cap. 5</p><p>criação dos filhos, cap. 4</p><p>desenvolvimento cognitivo,</p><p>cap. 5</p><p>desenvolvimento moral, cap. 5</p><p>desenvolvimento social, cap. 5</p><p>semelhanças do</p><p>desenvolvimento, cap. 5</p><p>Dieta, cap. 11</p><p>Diversidade humana/parentesco,</p><p>caps. 1 e 4</p><p>Drogas, efeito psicológico das,</p><p>cap. 3</p><p>Efeito Flynn, cap. 10</p><p>Efeitos comportamentais da</p><p>cultura, caps. 1 e 4</p><p>Efeitos do contexto cultural,</p><p>cap. 6</p><p>Egoísmo tendencioso, cap. 13</p><p>Emoção:</p><p>experiência, cap. 12</p><p>expressão, cap. 12</p><p>habilidade de detecção de</p><p>emoções, cap. 12</p><p>Espaço pessoal, cap. 4</p><p>Estilos de administração, cap. 11</p><p>Estresse:</p><p>ajuste a uma nova cultura,</p><p>cap. 12</p><p>pobreza e desigualdade/</p><p>expectativa de vida, cap. 12</p><p>racismo e, cap. 12</p><p>Ética na pesquisa com animais,</p><p>cap. 1</p><p>Expectativa de vida, cap. 5</p><p>Felicidade, cap. 12</p><p>Fluxo, cap. 11</p><p>Fome, cap. 11</p><p>Gênero:</p><p>conectividade social, cap. 5</p><p>papéis, cap. 4</p><p>História da psicologia, cap.</p><p>Drólogo</p><p>Homossexualidade, visões sobre,</p><p>cap. Prólogo</p><p>Ideal de corpo, cap. 11</p><p>Individualismo/coletivismo, cap. 4</p><p>Inteligência, cap. 10</p><p>viés, cap. 10</p><p>Linguagem, caps. 4 e 9</p><p>Luto, expressão do, cap. 5</p><p>Meditação, cap. 13</p><p>Medo, cap. 9</p><p>Memória, codificação, cap. 8</p><p>Menopausa, cap. 5</p><p>Necessidade de pertencimento,</p><p>cap. 11</p><p>Normas culturais, cap. 4</p><p>Obesidade, cap. 11</p><p>Orientação sexual, cap. 11</p><p>Parapsicologia, cap. 6</p><p>Percepções do inimigo, cap. 16</p><p>Personalidade, cap. 16</p><p>Perspectiva sociocultural, cap.</p><p>Prólogo</p><p>Pessoas com deficiências, cap. 12</p><p>População idosa, cap. 5</p><p>Práticas de punição corporal,</p><p>cap. 7</p><p>Preconceito, cap. 16</p><p>Preferências de acasalamento,</p><p>cap. 4</p><p>Preferências de paladar, cap. 11</p><p>Protótipos de preconceitos,</p><p>cap. 9</p><p>cultura e valores na, cap. 15</p><p>DRMO, treinamento, cap. 15</p><p>Puberdade e independência</p><p>adulta, cap. 5</p><p>Raiva, cap. 12</p><p>Relacionamentos familiares e</p><p>com colegas, cap. 5</p><p>Relógio social, cap. 5</p><p>Risco médico, cap. 10</p><p>Ritmo da vida, caps. 1 e 4</p><p>Satisfação com a vida, cap. 12</p><p>Sexualidade adolescente, cap. 11</p><p>Suicídio, cap. 14</p><p>Taxa de doença mental, cap. 14</p><p>Teste de viés, cap. 10</p><p>Transtornos psicológicos:</p><p>esquizofrenia, cap. 14</p><p>susto, cap. 14</p><p>taijin-kyofusho, cap. 14</p><p>transtorno alimentar, caps. 11 e</p><p>14</p><p>transtorno de personalidade</p><p>antissocial, cap. 14</p><p>transtorno de personalidade</p><p>dissociativa, cap. 14</p><p>Uso de maconha e álcool, cap. 7</p><p>Viés retrospectivo, cap. 1</p><p>Veja também o Capítulo 16,</p><p>Psicologia Social</p><p>A cobertura da psicologia de homens e mulheres pode ser encontrada nos seguintes capítulos:</p><p>Abuso sexual, caps. 4, 5 e 12</p><p>Agressão, cap. 16</p><p>Agressão sexual, cap. 3</p><p>Álcool e adição, cap. 3</p><p>Álcool, uso, cap. 3</p><p>Amor romântico, cap. 16</p><p>Atração, cap. 16</p><p>Atração sexual, cap. 4</p><p>Autismo, cap. 5</p><p>Casamento, caps. 5 e 12</p><p>Cérebro condicionado pelo</p><p>gênero, cap. 4 e 11</p><p>Conectividade social, cap. 12</p><p>Conteúdo dos sonhos, cap. 3</p><p>Crise da meia-idade, cap. 5</p><p>Cuidados paternos, caps. 5 e 11</p><p>Depressão, cap. 12 e 14</p><p>Dieta, cap. 11</p><p>Discriminação pelo peso, cap. 11</p><p>Doença cardíaca, cap. 12</p><p>Drogas e adição, cap. 3</p><p>Efeitos comportamentais do</p><p>gênero, cap. 1</p><p>Esquizofrenia, cap. 14</p><p>Estereótipos, cap. 6</p><p>Estresse, cap. 12</p><p>abuso sexual e, cap. 12</p><p>no casamento, cap. 12</p><p>resposta, cap. 12</p><p>Estupro, caps. 7, 8 e 16</p><p>Expectativa de vida, caps. 5 e 12</p><p>Expressão emocional, cap. 12</p><p>Fantasias sexuais, cap. 11</p><p>Felicidade, cap. 12</p><p>Fumo, cap. 5</p><p>Gênero e criação dos filhos,</p><p>caps. 4 e 11</p><p>Habilidade de detecção de</p><p>emoções, caps. 10 e 12</p><p>HIV, vulnerabilidade ao, cap. 12</p><p>Hormônios e:</p><p>Agressão, cap. 16</p><p>Comportamento sexual, cap. 11</p><p>Desenvolvimento sexual, caps.</p><p>4 e 5</p><p>Imagem corporal, cap. 11</p><p>Inteligência, cap. 10</p><p>viés, cap. 10</p><p>Luto, cap. 5</p><p>Maturação, cap. 5</p><p>Menarca, cap. 5</p><p>Menopausa, cap. 5</p><p>Mudanças no desenvolvimento</p><p>físico, cap. 5</p><p>Mulheres e trabalho, cap. 5</p><p>Mulheres na psicologia, cap.</p><p>Prólogo</p><p>Namoro, cap. 16</p><p>Ninho vazio, cap. 5</p><p>Obesidade, cap. 11</p><p>Opiniões de Freud, cap. 13</p><p>Orientação sexual, cap. 11</p><p>Papéis dos gêneros, cap. 4</p><p>Pornografia, caps. 11 e 16</p><p>Preconceito, caps. 9 e 16</p><p>Preconceito de gênero, cap. 16</p><p>Pronome genérico "ele", cap. 9</p><p>Receber ajuda, cap. 16</p><p>Religiosidade, cap. 12</p><p>Sentido do olfato, cap. 5</p><p>Sexo/gênero, biologia, cap. 4</p><p>Sexualidade, cap. 4 e 11</p><p>Síndrome de Savant, cap. 10</p><p>Sistema imunológico, cap. 12</p><p>Sono, cap. 3</p><p>Sono REM, excitação sexual no,</p><p>cap. 3</p><p>Suicídio, cap. 14</p><p>TDAH, cap. 14</p><p>Transtornos de alimentação,</p><p>cap. 11</p><p>Transtornos psicológicos, taxas</p><p>de, cap. 14</p><p>Transtornos sexuais, cap. 11</p><p>Veja também o Capítulo 16,</p><p>Psicologia Social</p><p>seguintes, e as figuras inspiradas nos níveis de análise nos</p><p>diversos capítulos ajudam os estudantes a compreender os</p><p>conceitos dentro do contexto biopsicossocial.</p><p>Maior Sensibilidade à Perspectiva Clínica</p><p>Com a preciosa orientação de colegas de psicologia clínica,</p><p>tornei-me mais consciente em relação à perspectiva clínica</p><p>para diversos conceitos de nossa área, o que sensibilizou e</p><p>aprimorou os capítulos Personalidade, Transtornos Psicoló­</p><p>gicos e Terapia, entre outros. Por exemplo, abordo as estra­</p><p>tégias de enfrentamento concentradas nos problemas e nas</p><p>emoções no capítulo sobre Emoção, Estresse e Saúde; no capí­</p><p>tulo sobre Inteligência, descrevo como os psicólogos usam os</p><p>testes de inteligência em situações clínicas.</p><p>Forte Ênfase no Pensamento Crítico</p><p>Meu objetivo neste livro é apresentar aos estudantes o pensa­</p><p>mento crítico. Novas Questões de Aprendizagem no início de</p><p>cada seção principal e nas seções “Antes de Prosseguir...” no</p><p>final, estimulam a leitura crítica a fim de fomentar a compre­</p><p>ensão de conceitos importantes. Esta nona edição também</p><p>inclui as oportunidades a seguir para que os estudantes apren­</p><p>dam ou coloquem em prática suas habilidades de reflexão.</p><p>• O Capítulo 1, Pensando Criticamente com a Ciência</p><p>Psicológica, apresenta os estudantes aos métodos de</p><p>pesquisa da psicologia, enfatizando as falácias de nossa</p><p>intuição do dia a dia e do senso comum, e, portanto,</p><p>mostrando a necessidade da ciência psicológica. O</p><p>pensamento crítico é apresentado como um termo-</p><p>chave neste capítulo (Seção 2). A discussão sobre o</p><p>Raciocínio Estatístico estimula os estudantes a “se</p><p>concentrar em pensar de maneira mais inteligente</p><p>aplicando princípios estatísticos simples ao raciocínio</p><p>cotidiano” (Seção 7).</p><p>• Boxes “Pensando Criticamente sobre..." estão presentes</p><p>por todo o livro, modelando uma abordagem crítica para</p><p>os estudantes, relacionada a algumas questões centrais</p><p>da psicologia. Por exemplo, veja o boxe atualizado</p><p>“Pensando Criticamente Sobre: O Fator Medo - Será</p><p>que Tememos as Coisas Certas?” (Capítulo 9).</p><p>• As histórias em estilo de romance policial que permeiam</p><p>o livro e estimulam os estudantes a refletir sobre</p><p>questões-chave da pesquisa em psicologia.</p><p>• “Tente isso" e “Pense nisso" são discussões que mantêm</p><p>os estudantes envolvidos no estudo de cada capítulo.</p><p>• Exames críticos da psicologia popular despertam o</p><p>interesse e oferecem lições importantes para a reflexão</p><p>sobre assuntos cotidianos.</p><p>Veja a TABELA</p>
<p>5 para visualizar uma lista completa da</p><p>cobertura do texto sobre os tópicos relacionados ao pensa­</p><p>m ento crítico e os boxes Pensando Criticam ente Sobre.</p><p>Ensino de Excelência e Recursos de Aprendizagem</p><p>Nossos suplementos e recursos de mídia são reconhecidos</p><p>pela qualidade, abundância e conectividade. O pacote dispo­</p><p>nível para a nona edição de Psicologia eleva o nível ainda mais</p><p>com o PsychPortal, que inclui um eBook interativo, uma suíte</p><p>de componentes interativos, o poderoso Online Study Cen-</p><p>ter, o Student Video Tool Kit for Introductory Psychology, e</p><p>o Scientific American News Feed.*</p><p>*Estes recursos estão disponíveis apenas para a edição norte-americana</p><p>do livro. (N.E.)</p><p>A cobertura do pensamento crítico e histórias profundas sobre os processos de pesquisa científica pode ser encontrada nos</p><p>seguintes capítulos:</p><p>Boxes Pensando Criticamente</p><p>Sobre...:</p><p>O Fator Medo - Será que</p><p>Tememos as Coisas Certas?,</p><p>ca p. 9</p><p>Detecção de Mentiras, cap. 12</p><p>Medicina Alternativa e</p><p>Complementar, cap. 12</p><p>Como ser um Astrólogo ou</p><p>Quiromante de "Sucesso",</p><p>cap. 13</p><p>TDAH - Energia Elevada Normal</p><p>ou Transtorno Genuíno?,</p><p>cap. 14</p><p>Insanidade e Responsabilidade,</p><p>cap. 14</p><p>"Regredindo" do Incomum para</p><p>o Usual, cap. 15</p><p>Exames Críticos da Psicologia</p><p>Popular:</p><p>Percebendo Ordem em Eventos</p><p>Aleatórios, cap. 1</p><p>Usamos apenas 10% de nosso</p><p>cérebro?, cap. 2</p><p>A hipnose pode aprimorar as</p><p>lembranças? Coagir à ação? Ser</p><p>terapêutica? Aliviar a dor?,</p><p>cap. 3</p><p>O conceito de "adição" foi</p><p>ampliado demais?, cap. 3</p><p>Experiências de quase morte,</p><p>cap. 3</p><p>Crítica à perspectiva</p><p>evolucionária, cap. 4</p><p>Que crédito (ou culpa) os pais</p><p>merecem?, cap. 4</p><p>Restrição sensorial, cap. 6</p><p>Existe percepção</p><p>extrassensorial?, cap. 6</p><p>Os animais exibem linguagem?,</p><p>cap. 9</p><p>O exercício aeróbico é</p><p>terapêutico?, cap. 12</p><p>Espiritualidade e comunidades</p><p>religiosas, cap. 12</p><p>Qual a validade do teste de</p><p>Rorschach?, cap. 13</p><p>O recalque é um mito?, cap. 13</p><p>Freud é digno de crédito?,</p><p>cap. 13</p><p>Transtorno de estresse pós-</p><p>traumático, cap. 14</p><p>A psicoterapia funciona?, cap. 15</p><p>Avaliando as Terapias</p><p>Alternativas, cap. 15</p><p>Os videogames ensinam ou</p><p>liberam a violência?, cap. 16</p><p>Pensando Criticamente com a</p><p>Psicologia Científica:</p><p>Os limites da intuição e do senso</p><p>comum, cap. 1</p><p>A atitude científica, cap. 1</p><p>"Pensamento crítico" como</p><p>termo-chave, cap. 1</p><p>O método científico, cap. 1</p><p>Correlação e causação, cap. 1</p><p>Correlações ilusórias, cap. 1</p><p>Exploração de causa e efeito,</p><p>cap. 1</p><p>Designação aleatória, cap. 1</p><p>Variáveis independente e</p><p>dependente, cap. 1</p><p>Raciocínio estatístico, cap. 1</p><p>Descrição de dados, cap. 1</p><p>Fazendo inferências, cap. 1</p><p>Histórias científicas de detetive:</p><p>O leite materno é melhor do que</p><p>a fórmula?, cap. 1, Seção 7</p><p>Nosso cérebro dividido, cap. 2,</p><p>Seção 10</p><p>Por que dormimos?, cap. 3,</p><p>Seção 4</p><p>Por que sonhamos?, cap. 3,</p><p>Seção 9</p><p>A hipnose é uma extensão da</p><p>consciência normal ou um</p><p>estado alterado?, cap. 3,</p><p>Seção 11</p><p>Estudos sobre Gêmeos e</p><p>Adoção, cap. 4, Seção 1</p><p>Como a mente de uma criança</p><p>se desenvolve, cap. 5, Seção 4</p><p>Envelhecimento e inteligência,</p><p>cap. 5, Seção 15</p><p>Processamento paralelo, cap. 6,</p><p>Seção 6</p><p>Como enxergamos em cores?,</p><p>cap. 6, Seção 7</p><p>Como armazenamos memórias</p><p>em nossos cérebros?, cap. 8,</p><p>Seção 6</p><p>Como as memórias são</p><p>construídas?, cap. 8, Seção 10</p><p>Os animais exibem linguagem?,</p><p>cap. 9, Seção 11</p><p>Por que sentimos fome?, cap. 11,</p><p>Seção 2</p><p>O que determina a orientação</p><p>sexual?, cap. 11, Seção 10</p><p>A busca da felicidade: quem é feliz,</p><p>e por quê?, cap. 12, Seção 10</p><p>Por que, e para quem, o estresse</p><p>favorece as doenças cardíacas?,</p><p>cap. 12, Seção 13</p><p>Como e por que o suporte social</p><p>está vinculado à saúde?, cap.</p><p>12, Seção 15</p><p>Autoestima versus egoísmo</p><p>tendencioso, cap. 13, Seção 17</p><p>O que provoca os transtornos de</p><p>humor?, cap. 14, Seção 10</p><p>Infecções virais pré-natais</p><p>aumentam o risco de</p><p>esquizofrenia?, cap. 14,</p><p>Seção 12</p><p>A psicoterapia é efetiva?, cap. 15,</p><p>Seção 6</p><p>Por que as pessoas não</p><p>conseguem prestar ajuda nas</p><p>emergências?, cap. 16, Seção 14</p><p>Metas e Resultados de Ensino da APA para</p><p>Especialização em Psicologia</p><p>Em março de 2002, uma força-tarefa da American Psycho­</p><p>logical Association (APA) criou um conjunto de metas e resul­</p><p>tados de aprendizagem para estudantes de Psicologia nos cur­</p><p>sos universitários com duração de quatro anos (www.apa.</p><p>org/ed/pcue/).</p><p>Os departamentos de psicologia de diversas faculdades</p><p>passaram a adotar essas metas e resultados para ajudar a esta­</p><p>belecer seus próprios parâmetros de referências.</p><p>Alguns professores têm grande preocupação em saber se</p><p>um determinado texto voltado para um curso introdutório</p><p>pode ajudar os estudantes a obter uma boa base e atingir essas</p><p>metas, por isso, reforço que a nona edição de Psicologia pode</p><p>ajudar em muito seu departamento a atingir essas metas.</p><p>Totalmente Atualizado</p><p>Apesar da continuidade geral, há mudanças em cada página.</p><p>Houve atualizações por todo o livro e cerca de 1300 novas</p><p>referências abrangendo cerca de 30% da bibliografia! A psi­</p><p>cologia é uma área em desenvolvimento e esta nova edição</p><p>reflete uma boa parte desses avanços fascinantes.</p><p>Dezesseis Capítulos Otimizados</p><p>Meus colegas de ensino repetidamente solicitaram menos</p><p>capítulos e um tamanho bem menor para facilitar o ajuste</p><p>do livro aos seus cursos. Reorganizei os capítulos, combi­</p><p>nando Sensação com Percepção, Estresse e Saúde com Emo­</p><p>ção para reduzir o total de capítulos para dezesseis. Também</p><p>trabalhei dedicadamente na redução do tamanho, com fre­</p><p>quência eliminando exemplos de pesquisas repetitivos (algu­</p><p>mas vezes é bem difícil escolher dentre as várias e incríveis</p><p>opções!) e na revisão da redação para que o texto ficasse mais</p><p>enxuto e claro.</p><p>A Consciência e a Mente de Duas Vias</p><p>Esse capítulo profundamente revisado contém agora ques­</p><p>tões de neurociência cognitiva e de processamento dual,</p><p>fixando ambos os temas de maneira mais consistente como</p><p>ideias centrais da psicologia. Para ajudar os estudantes a</p><p>estabelecer as conexões com a neurociência (Capítulo 2),</p><p>este é agora o Capítulo 3. Ele antecipa as novas evidências</p><p>da enormidade de nosso processamento de informações auto­</p><p>mático e não visível, incluindo nossas memórias e atitudes</p><p>implícitas.</p><p>http://www.apa</p><p>PREFÁCIO xix</p><p>Um Programa Pedagógico Revisado e</p><p>Completamente Reavaliado</p><p>Esta edição inclui os novos auxílios de estudos a seguir.</p><p>• Questões Numeradas estabelecem os objetivos de</p><p>aprendizagem para cada seção significativa de texto</p><p>(cerca de 10 a 15 por capítulo) e direciona a leitura do</p><p>estudante.</p><p>• Recursos "Antes de Prosseguir...”, ao final de cada seção</p><p>principal de texto, incluem questões do tipo Pergunte a</p><p>Si Mesmo, que encorajam os estudantes a aplicar novos</p><p>conceitos às suas próprias experiências, e perguntas do</p><p>tipo Teste a Si Mesmo (com respostas no Apêndice B)</p><p>que avaliam o domínio do estudante sobre o tema e</p><p>estimulam o pensamento em uma perspectiva mais</p><p>ampla.</p><p>• Seções de Revisão no Final do Capítulo repetem as</p><p>Questões Numeradas com um resumo narrativo seguido</p><p>de uma lista de Termos e Conceitos para Lembrar.</p><p>Programação Visual Nova e Estimulante</p><p>Trabalhamos com o máximo de cuidado ao lado de artistas</p><p>talentosos para criar novas artes anatômicas e “pessoas” ao</p><p>longo de todo o texto. O resultado é pedagogicamente mais</p><p>eficiente e visualmente mais estimulante.</p><p>Em Reconhecim ento</p><p>Se é verdade que “todo aquele que anda com sábios se torna</p><p>sábio”, então tornei-me mais sábio por toda a sabedoria e</p><p>conselhos recebidos dos meus colegas. Com a ajuda de várias</p><p>centenas de consultores e revisores durante a última década,</p><p>este se tornou um livro melhor e mais apurado do que seria</p><p>se escrito por um único autor (este autor, pelo menos). Como</p><p>meus editores e eu mesmo sempre nos lembramos, todos jun­</p><p>tos somos mais inteligentes do que qualquer um de nós.</p><p>Minha dívida de gratidão estende-se a cada professor uni­</p><p>versitário cuja influência reconheci nas oito edições anterio­</p><p>res, aos inumeráveis pesquisadores</p>

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