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<p>Revista Diálogos Interdisciplinares</p><p>2018 vol. 7 n° 3 - ISSN 2317-3793</p><p>AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: O CONTEXTO DA CIRURGIA BARIÁTRICA,</p><p>VASECTOMIA E LAQUEADURA</p><p>Renan Gomes Lara1</p><p>“O psicólogo atua identificando as condições psíquicas</p><p>do paciente e cria estratégias de apoio relacionadas à</p><p>demanda do paciente” (CANHETH; CRUZ, 2018, p.</p><p>18).</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O presente trabalho tem como tema a avaliação psicológica no contexto da cirurgia de</p><p>laqueadura, vasectomia e bariátrica. Nesse aspecto, busca compreender a atuação do psicólogo</p><p>clínico que atende à demanda, possibilitando o estudo detalhado dos aspectos emocionais, que os</p><p>procedimentos cirúrgicos causam ao indivíduo durante o pré e pós-operatório.</p><p>Nessa perspectiva, construiu-se questões que nortearam esse estudo: Quais são os</p><p>instrumentos utilizados para à construção da bateria de testes da avaliação psicológica? Avaliar os</p><p>resultados encontrados pelos testes, e o que os procedimentos cirúrgicos causam no comportamento</p><p>do paciente?</p><p>Quando se fala em avaliação psicológica, é fundamental compreender que será estabelecida</p><p>a relação interpessoal psicólogo / cliente, visando esclarecer determinadas questões relacionadas a</p><p>personalidade do indivíduo. Daí a importância de investigar os aspectos do comportamento que</p><p>podem influenciar os resultados apresentados durante as sessões do psicodiagnóstico.</p><p>Vários são os autores que expõem a luz do conhecimento as técnicas avaliativas feita pelo</p><p>psicólogo através da entrevista, observação clínica, dinâmica (individual / grupal), entre outras,</p><p>dando os subsídios para a coleta de dados, e possível avaliação da personalidade, dessa forma deve</p><p>seguir o rigor ético, técnico e científico das condições psicológicas trazidas pelo cliente ao setting</p><p>psicoterapêutico.</p><p>De acordo com Machado e Morona (2007, p. 17) é correto afirmar que:</p><p>A Avaliação Psicológica tem se desenvolvido na direção de uma extrema complexidade. Os</p><p>desavisados talvez não percebam, porém, as dimensões que a Avaliação Psicológica atinge</p><p>vão além da simplicidade de aplicar testes ou fazer entrevistas com determinado objetivo.</p><p>Também a dimensão relacional é importantíssima, pois nos informa a respeito de</p><p>mecanismos transferenciais e contra-transferenciais que sempre estão presentes no</p><p>momento da avaliação. [...] O desenvolvimento da percepção mais acurada de si mesmo e</p><p>do cliente somente pode ser mais real e menos fantasioso através de um exercício constante</p><p>1 Graduação em Psicologia pela Faculdade Unigran Capital (2017), participou do Projeto Posso Ajudar, na Prefeitura</p><p>Municipal de Campo Grande (2016), estagiou na Secretaria Municipal de Saúde Pública - SESAU (2016-2017),</p><p>Unidade de Pronto Atendimento - UPA (2017), possui formação no curso de capacitação em Avaliação Psicológica para</p><p>o contexto de Cirurgia Bariátrica, Laqueadura e Vasectomia (2016), Colunista, atuando em parcerias com palestras e</p><p>workshop presenciais. Tem experiência na área da Psicologia, com ênfase em Clínica Ampliada. E-mail:</p><p>reenamportales@gmail.com.</p><p>55</p><p>de auto percepção e autocrítica que, muitas vezes, é acompanhado de um processo</p><p>psicoterapêutico.</p><p>Nesse sentido, o objetivo deste estudo, é identificar os aspectos psíquicos que</p><p>interferem a avaliação psicológica no contexto da cirurgia de vasectomia, laqueadura e</p><p>bariátrica, tal como, ressaltar a importância dos instrumentos psicológicos utilizados no</p><p>processo do psicodiagnóstico, objetivando a identificação de possíveis quadros patológicos.</p><p>Para alcançar os objetivos propostos, utilizou-se a revisão de literatura descritiva, a</p><p>fim de conceituar a avaliação psicológica clínica, através de materiais já publicados em</p><p>artigos científicos divulgados no meio eletrônico. O desenvolvimento do texto abrangem as</p><p>ideias e concepções de autores referência como: Almeida (2004), Araújo (2004), Buck (2003),</p><p>Cunha (2007), Machado e Morona (2007), Marcolino (2004), Matos (2010), Silva (2010),</p><p>Souza (2010).</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>Avaliação Psicológica é o processo flexível, não padronizado, que tem o objetivo de</p><p>chegar a uma determinação conclusão, sustentada através da coleta de dados da entrevista</p><p>inicial, buscando responder as questões psicológicas, com a análise detalhada do</p><p>comportamento individual ou grupal, esclarecendo assim determinada demanda psíquica. A</p><p>partir da integração das informações, será possível redigir ou entregar os resultados</p><p>apresentados pelo cliente (MACHADO; MORONA, 2007).</p><p>A entrevista clínica é fundamental para a construção da relação interpessoal entre</p><p>terapeuta e cliente, através da comunicação e da troca do diálogo, se faz entender o conceito</p><p>de encontro “entre dois sujeitos”, baseado na ética profissional, no respeito a singularidade do</p><p>outro. A conceituação clássica da entrevista psicológica, é descrita por Almeida (2004, p. 37),</p><p>Uma entrevista, na prática, antes de poder ser considerada uma técnica, repetindo,</p><p>deve ser vista como um contato social entre duas ou mais pessoas. O sucesso da</p><p>entrevista dependerá, portanto, da qualidade geral de um bom contato social, sobre o</p><p>qual se apoiam as técnicas clínicas específicas. Desse modo, a execução da técnica é</p><p>influenciada pelas habilidades interpessoais do entrevistador.</p><p>Machado e Morona (2007) ressalta que todas as técnicas são importantes no processo</p><p>e conhecimento do outro, não esquecendo jamais, que a Avaliação Psicológica requer o</p><p>planejamento adequado, a execução cuidadosa dos testes, como também a integração dos</p><p>resultados obtidos através da análise multifatorial do comportamento.</p><p>56</p><p>Uma das técnicas avaliativas da personalidade é a observação que o psicólogo exerce</p><p>no setting terapêutico, investigando os pontos principais do comportamento que o cliente</p><p>traspõe ao avaliador, assim o clínico direciona a uma correta construção e aplicação da bateria</p><p>de teste, avaliando sempre as funções psíquicas apresentadas no decorrer das sessões. A</p><p>avaliação deve seguir a qualidade técnica científica a fim de proporcionar o contato com o</p><p>mundo interno do indivíduo (ALMEIDA, 2004).</p><p>Durante a aplicação dos instrumentos psicológicos é fundamental o profissional</p><p>observar as características do comportamento do avaliado (ou o grupo de avaliados), segue as</p><p>recomendações que serão direcionadas, isto é, as condições físicas (medicações, estado de</p><p>cansaço, problemas visuais, auditivos, entre outros), condições psicológicas (problemas</p><p>situacionais, alterações comportamentais, etc.), assim é necessário sempre identificar as</p><p>possíveis situações ambientais que influenciam negativamente, a qualidade e o desempenho</p><p>do cliente (MACHADO; MORONA, 2007).</p><p>Almeida (2004), ressalta os objetivos principais da avaliação psicológica através da</p><p>regra prática da condução, e aplicação correta do teste, como o ponto fundamental que está</p><p>atrelada a escuta qualificada durante o processo avaliativo do indivíduo, que posteriormente</p><p>contribui no estudo de caso à demanda inicial. O psicólogo nesse aspecto lança mão de uma</p><p>série de recursos e técnicas que promovem o clima psicológico de segurança e respeito à</p><p>individualidade, atribuindo a investigação completa das características da identidade,</p><p>subjetividade que são os traços da personalidade.</p><p>Segundo a publicação de Araújo (2004, p. 03) apud Murray (1938), afirmar que:</p><p>[..] Para Murray, o passado ou a história do indivíduo, o seu presente e o meio são</p><p>igualmente importantes como determinantes da personalidade. Além disso, ele</p><p>elaborou um esquema de conceitos motivacionais que foi amplamente usado pelos</p><p>estudiosos de personalidade. Sua teoria também dá ênfase aos aspectos fisiológicos</p><p>associados aos processos psicológicos [...].</p><p>Araújo (2004) o esquema de conceito motivacional de teórico Murray, contribuiu</p><p>significativamente a ciência psicológica, no que diz respeito à</p><p>representação de algumas</p><p>atividades do processo psíquico do homem, como o esforço, o desejo, a vontade, que são</p><p>fatores e estudo do comportamento humano, buscando relacionar a outros aspectos da</p><p>motivação, e da resiliência características individuais da personalidade, fatores que objetivou</p><p>a mensuração, por meio da construção de inventários fatoriais.</p><p>“O Inventário Fatorial de Personalidade (IFP-II) é um instrumento, elaborado por</p><p>Pasquali e col. em 1997, fundamentada por Edwards Personal Preference Schedule (EPPS),</p><p>57</p><p>desenvolvido por Allen L. Edwards em 1953, e revisto em 1959” (ARAÚJO, 2004, p. 05).</p><p>Tem objetivo de investigação da personalidade e de natureza verbal, contribuindo para a</p><p>investigação clínico feita pelos psicólogos, baseada nas 13 necessidades ou motivos</p><p>psicológicos como a assistência, intracepção, afago, autonomia, deferência, afiliação,</p><p>dominância, desempenho, exibição, agressão, ordem, persistência e mudança. A adaptação do</p><p>teste por Pasquali (1997), não ficou restrito à simples tradução do material original, mas</p><p>abrange a uma série de modificações, corroborando na ampliação do estudo, com base e,</p><p>traçar o perfil da personalidade.</p><p>De acordo com a publicação de Caires (2016, p. 141), é correto afirmar que:</p><p>O Inventário Fatorial de Personalidade II (IFP-II) é um inventário de personalidade</p><p>auto aplicativo desenvolvido para avaliar características de personalidade ou</p><p>necessidades básicas de uma pessoa ou um grupo. O IFP-II é composto por 100 itens</p><p>que o participante responde utilizando as afirmativas de uma escala do tipo Likert,</p><p>que varia de 1 (nada característico) até 7 (totalmente característico).</p><p>A utilização das técnicas projetivas também contribuem grandemente à área clínica.</p><p>Segundo Buck (2003) o teste da Casa, Árvore, Pessoa (H-T-P), é utilizado por mais de 50</p><p>anos no contexto clínico, buscando obter informações do comportamento individual em</p><p>determinados ambientes, sendo assim, a técnica consiste em estimular a projeção da</p><p>personalidade, ressaltando, os possíveis conflitos dentro do setting terapêutico, permitindo a</p><p>avaliação e a identificação estabelecida pelo desenho, tal como, a amostra do comportamento</p><p>que é acessada pelo psicólogo. O diagnóstico apresentado pelo teste projetivo (H-T-P), tem</p><p>uma grande importância para a compreensão de possíveis conflitos internos, que trazem a</p><p>problemática do caso relatado.</p><p>O procedimento e aplicação do teste H-T-P, deve ser face a face com o cliente, a</p><p>intervenção será iniciada pelo psicólogo e ao final trará a complementação de perguntas</p><p>referentes ao desenho feito, colaborando, para descrever os fenômenos apresentados.</p><p>Segundo Cunha et al. (2007) o simbolismo que os desenhos apresentam, é essencial para</p><p>considerar as áreas mais amplas da personalidade investigadas por esses três conceitos (casa,</p><p>árvore, pessoa), que ressaltam as características do comportamento.</p><p>A análise do desenho em primeiro lugar, busca a identificação da impressão geral</p><p>desenhada representado pelos personagens, a significação simbólica para o indivíduo, através</p><p>dos temas importantes da sua vida passada, isto é, associam os aspectos profundos da</p><p>personalidade construída ao longo do tempo, de modo muito pessoal comunicando-se pela</p><p>impressão transmitida dos conteúdos projetados (CUNHA et al., 2007).</p><p>58</p><p>O psicólogo é o profissional atuante no campo da saúde mental, que tem a capacidade</p><p>insuperável de compreender o cliente de maneira holística. Machado et al. (2008) ressalta que</p><p>o teste das Pirâmides Coloridas de PFISTER, é o instrumento que utiliza o estudo da forma e</p><p>das cores. Ou seja, a avaliação psicológica será baseada entre a relação das cores e o estado</p><p>emocional do paciente, assim o diagnóstico procura identificar as características da dinâmica</p><p>emocional, e das habilidades cognitivas, dentre outros aspectos do comportamento,</p><p>contribuindo para a análise detalhada do comportamento, durante a fase do pré-operatória da</p><p>cirurgia de redução de estômago (bariátrica).</p><p>O procedimento cirúrgico têm sido grande aliado a redução de peso, como também na</p><p>melhora das inúmeras comorbidades associadas ao paciente obeso, entretanto, pouco se é</p><p>discutida as alterações do comportamento alimentar, que podem vir a trazer complicações</p><p>futuras no pós-operatório, comprometendo, com o resultado final da operação. O ato de comer</p><p>está relacionado a possíveis estímulos internos e externos, considerando os múltiplos fatores</p><p>biopsicossociais. Nestes aspectos, a ingestão alimentar transcende a questão nutritiva</p><p>agregando motivações ocultas relacionadas às vivências conflituosas que independem da</p><p>fome (MACHADO et al., 2008).</p><p>Silva (2012), afirma que a representação das cores presente no teste de Pfister, refere-</p><p>se a dinâmica afetiva e o estado emocional, desse modo, à análise dos resultados encontrados</p><p>identifica a capacidade do indivíduo em manter o contato afetivo, atribuindo como o principal</p><p>indicador das habilidades cognitivas que estão relacionadas ao meio ambiente. A psicologia</p><p>estuda os indicadores do comportamento através do psicodiagnóstico.</p><p>As cores atingem o estado fisiológico, por meio dos estímulos, sem que haja, a</p><p>participação da esfera cognitiva, ocorrendo o não reconhecimento da forma no processo</p><p>intelectual do indivíduo, tal pouco, a sua distinção. Os resultados da interpretação das cores</p><p>encontrada no Pfister, objetiva a chegar a um significado psicológico mensurado através do</p><p>grau de intensidade da estimulação, levando ao diagnóstico psíquico que pode apresentar um</p><p>quadro psicopatológico (SILVA, 2012).</p><p>O impacto causado pela cirurgia da redução do estômago (bariátrica), provoca uma</p><p>mudança imensa na vida do paciente, assim como, o processo da recuperação na fase do pós-</p><p>operatório, são pouco descritas pela literatura científica. A equipe multiprofissional deve</p><p>esclarecer a nova rotina de alimentação, que deve ser seguida restritamente pelo recém-</p><p>59</p><p>operado, adequando assim aos novos hábitos, visando integrar a mudança comportamental</p><p>que ocasionou o distúrbio da obesidade (MACHADO et al., 2008).</p><p>O processo da avaliação psicológica abrangem inúmeras possibilidades, através da</p><p>utilização de diferentes instrumentos avaliativos, tais como: a entrevista, a dinâmica, a</p><p>observação clínica, os testes projetivos, psicométricos, entre outros. Compreender a</p><p>necessidade do cliente é fundamental, a fim de atingir os objetivos solicitados à demanda</p><p>inicial, que são exigidos para os procedimentos cirúrgicos da laqueadura, vasectomia e</p><p>bariátrica (MACHADO; MORONA, 2007).</p><p>No contexto avaliativo para as cirurgias de esterilização masculina (Vasectomia), ou</p><p>ligadura tubária (Laqueadura), exigem do psicólogo a compreensão dos objetivos a serem</p><p>traçados durante a avaliação psicológica, portanto, deve coletar informação através da</p><p>comunicação estabelecida como o cliente. O profissional deve estar atento a outras formas de</p><p>comunicação além da verbal.</p><p>De acordo com a publicação de Machado e Morona (2007, p. 17), afirma que:</p><p>Avaliar nunca é simples, nem rápido, nem fácil. A respeito da dimensão técnica, o</p><p>psicólogo necessita ter, antes de qualquer coisa, um vasto conhecimento em relação</p><p>às técnicas que pretende utilizar, assim como uma possibilidade de crítica consciente</p><p>em relação aos instrumentos de avaliação que utiliza (testes, dinâmicas de grupo,</p><p>observação, entrevista e outros). Aprendemos mecanicamente na faculdade como</p><p>aplicar diversas técnicas, mas não experienciamos a integração dos dados obtidos, a</p><p>análise acurada dos mesmos, o levantamento de hipóteses a partir dos dados</p><p>coletados, a dinâmica, afinal, que sempre estará presente em um processo de</p><p>avaliação. Sempre, por melhor que tenha sido a formação do psicólogo,</p><p>ele deve</p><p>buscar cursos de pós-formação para aperfeiçoar os seus conhecimentos.</p><p>A comunicação não verbal apresentada durante a avaliação é intensa e rica,</p><p>complementa a exposição oral, por exemplo, a organização espacial, a localização, os gestos,</p><p>os olhares, fornecem ao psicólogo dados que podem ser mensurados através da aplicação dos</p><p>testes psicológicos, sendo assim, compreender a dinâmica funcional do comportamento</p><p>agregam aos aspectos relacionado a sentimento de medo, insegurança, impaciência, ansiedade</p><p>(MACHADO; MORONA, 2007).</p><p>Marcolino (2004) ressalta que as informações prestadas pelo psicólogo, é muito</p><p>importante no caso da cirurgia de esterilização masculina / feminina, pois tratar-se de um</p><p>método cirúrgico de efeito permanente. Nesse sentido, o setting terapêutico deve representar o</p><p>espaço de comunicação que será estabelecida a relação interpessoal promovendo a escuta</p><p>qualificada e acolhida huamnizada.</p><p>O procedimento de esterilização cirúrgica pode provocar o elevado grau de estresse.</p><p>Entendida por Matos (2010) como o conjunto de fatores físicos, psicológicos e sociais do</p><p>60</p><p>organismo, e exigem a adaptação do evento, que caracteriza a uma situação importante na</p><p>vida tornando-se positiva ou negativa. As reações provocadas pela cirurgia, causam inúmeras</p><p>reações psicológicas; esse fato pode influenciar o comportamento ou a condição emocional</p><p>durante o procedimento pré e pós-cirúrgico.</p><p>Durante a tomada de decisão o organismo produz o hormônio da adrenalina, dando</p><p>ânimo, vigor e energia para paciente, é está relacionada com o comportamento ansioso que</p><p>causam os fatores da interferência ao procedimento cirúrgico da vasectomia / laqueadura.</p><p>Segundo Matos (2010) o fator de estresse é capaz de atingir o nível de consciência humana,</p><p>causando reações emocionais no pré-operatório. Esse fator o psicólogo deve investigar nível</p><p>do sintoma de estresse, por meio da utilização do Inventário de Sintomas de Stress para</p><p>Adultos de LIPP (ISSL), que avalia as três fase de alerta, resistência e exaustão.</p><p>Souza (2010) explana que durante a década de 90, o uso do método da vasectomia era</p><p>utilizado como prevenção de epididimite (inflamação testicular), tornando-se comum em</p><p>cirurgia da próstata. No atual cenário da clínica psicológica, a vasectomia ainda provoca a</p><p>sensação difusa, desagradável de apreensão e ansiedade, por vezes acompanhada de sintomas</p><p>autonômicos, como à cefaleia, perspiração, palpitação, entre outros. De acordo com Gomes e</p><p>Oliveira (2013), analisando o nível apresentado pelo paciente, deve-se compreender como um</p><p>sinal de alerta que pode interferir na capacita de tomar decisões, e em lidar com a ameaça</p><p>interna ou externa da função adaptativa.</p><p>A esterilização feminina é definida como o método anticoncepcional eficaz e seguro,</p><p>sendo assim, o mais procurado por mulheres de todo o mundo, conhecida também como</p><p>laqueadura tubária. Este método tem como mecanismo de ação a obstrução do lúmen tubário</p><p>impedindo, a migração dos espermatozoides em direção ao óvulo, fazendo com que a</p><p>fecundação não ocorra, sem qualquer ação sobre hormônios (MAGALHÃES et al., 2014,</p><p>p.55).</p><p>As cirurgias de esterilização masculina / feminina exigem do psicólogo, a elaboração</p><p>conhecida como a bateria de testes que tem o intuito de avaliar de maneira integral o paciente.</p><p>Desse forma, a utilização das Escalas Beck torna-se o recurso indispensável, para a</p><p>compreensão dos aspectos psicológicos em ambos os casos. Para Gomes e Oliveira (2013) O</p><p>Inventário de Depressão – BDI, é um questionário de auto relato que avalia os episódios</p><p>depressivos e severos, amplamente usado tanto em pesquisa científica, como no ambiente</p><p>clínico terapêutico.</p><p>61</p><p>No entanto, a Escala de Ideação Suicida de Beck (BSI), também tem a sua</p><p>contribuição na avaliar psicológica, buscando analisar a presença de um possível</p><p>comportamento suicida, pensamentos distorcidos ou auto destrutivos contra a própria vida,</p><p>assim apresenta os diversos graus e intensidades emocionais. O presente instrumento</p><p>contribui para a identificação de sentimentos relacionados a crença de que não vale a pena</p><p>viver (GOMES; OLIVEIRA, 2013).</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Diante do presente estudo, conclui-se que o psicólogo clínico atende a uma grande</p><p>demanda de clientes em seu consultório, procurando pela avaliação psicológica em diferentes</p><p>contextos, como é o caso do procedimento cirúrgico de laqueadura, vasectomia e redução do</p><p>estômago (bariátrica), fazendo-o integrar a equipe multiprofissional.</p><p>O Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos (SATEPSI), contribui na pesquisa</p><p>norteadora da escolha dos instrumentos favoráveis que irá compor a bateria de aplicação dos</p><p>testes, seguindo a qualidade técnica e rigor científico. O ato de avaliar não é simples, muito</p><p>menos rápido e fácil, exigindo do psicólogo a precisão da técnica, escolha da dinâmica,</p><p>entrevista e observação.</p><p>O objetivo geral da pesquisa foi identificar os aspectos psicológicos que interferem na</p><p>avaliação para o contexto cirúrgico, ressaltando, a importância dos instrumentos utilizados</p><p>durante o processo do psicodiagnóstico, objetivando a identificação de possíveis quadros</p><p>psicopatológicos, e da estrutura psíquica da personalidade, que molda o comportamento</p><p>humano.</p><p>Neste aspecto, os resultados apresentados pelos testes (IFP-II, H-T-P, PFISTER),</p><p>ressaltam a identificação dos fatores da personalidade, atribuindo as necessidades afetivas de</p><p>organização, controle e oposição do comportamento durante os eventos importantes da vida;</p><p>já o segundo caracteriza a projeção dos conteúdos internos psíquicos e conflitantes do cliente</p><p>que são expressados pelo desenho; o último teste verifica a dinâmica afetiva emocional e a</p><p>habilidade cognitiva do indivíduo, que será submetido a cirurgia bariátrica. No entanto, o</p><p>Teste ISSL identificou um elevado grau de estresse do comportamento, para a realização das</p><p>cirurgias de laqueadura / vasectomia; já as Escalas de Beck identificam os aspectos</p><p>psicológicos da depressão, e do comportamento suicida que interfere a capacidade emocional,</p><p>influenciando o resultado final da emissão do laudo psicológico.</p><p>62</p><p>O impacto causado pelas cirurgias demonstram a mudança significativa no</p><p>comportamento e no estilo de vida do paciente, sendo assim, o processo de recuperação do</p><p>pós-cirúrgico exige o suporte da equipe multiprofissional. A realização dos procedimentos</p><p>invasivos necessitam de um amplo campo de investigação por parte do psicólogo, buscando</p><p>identificar os pensamentos distorcidos, que venham a atrapalhar o pós-operatório, através do</p><p>estudo detalhado do comportamento passado do indivíduo, poderemos compreender o</p><p>correlator do comportamento futuro.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, N. V. A entrevista psicológica como um processo dinâmico e criativo. PSIC –</p><p>Revista de psicologia da Vettor Editora, Vol. 5, nº 1, 2004, pp. 34 – 39. Disponível em: http://</p><p>pepsic.bvsalud.org/pdf/psic/v5n1/v5n1a05.pdf Acesso em: 10 de Outubro de 2016.</p><p>ARAÚJO, R. M. Análise da estrutura fatorial do Inventário Fatorial de Personalidade –</p><p>IFP. Univ. Ci. Saúde, Brasília, v.2, n. 1, p.1 – 151, jan./jun. 2004. Disponível em:</p><p>http://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/index.php/cienciasaude/article/viewFile/</p><p>519/340 Acesso em: 21 de Outubro de 2016.</p><p>BUCK, J. N. 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