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04- Direito Tributário e Empresarial

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<p>ACESSE AQUI ESTE</p><p>MATERIAL DIGITAL!</p><p>TAINÁ VELOSO</p><p>DIREITO</p><p>TRIBUTÁRIO</p><p>E EMPRESARIAL</p><p>Coordenador(a) de Conteúdo</p><p>Daniele de Lourdes Curto da Costa</p><p>Projeto Gráfico e Capa</p><p>Arthur Cantareli Silva</p><p>Editoração</p><p>Silvielly dos Santos</p><p>Design Educacional</p><p>Rossana Giani</p><p>Curadoria</p><p>Ávila Tobias</p><p>Revisão Textual</p><p>Carla C. Farinha</p><p>Ilustração</p><p>André Azevedo</p><p>Fotos</p><p>Shutterstock</p><p>Impresso por:</p><p>Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722.</p><p>Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).</p><p>EXPEDIENTE</p><p>Núcleo de Educação a Distância. VELOSO, Tainá.</p><p>Direito Tributário e Empresarial / Tainá Veloso. - Florianópolis, SC:</p><p>Arqué, 2023.</p><p>236 p.</p><p>ISBN papel 978-65-6083-159-9</p><p>ISBN digital 978-65-6083-155-1</p><p>1. Direito 2. Tributo 3. EaD. I. Título.</p><p>CDD - 341.39</p><p>N964</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>DIR98</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/20897</p><p>RECURSOS DE IMERSÃO</p><p>Utilizado para temas, assuntos</p><p>ou conceitos avançados, levando</p><p>ao aprofundamento do que</p><p>está sendo trabalhado naquele</p><p>momento do texto.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Utilizado para aprofundar o</p><p>conhecimento em conteúdos</p><p>relevantes utilizando uma</p><p>linguagem audiovisual.</p><p>Disponibilizado por meio de QR-</p><p>code.</p><p>Professores especialistas e</p><p>convidados, ampliando as</p><p>discussões sobre os temas</p><p>por meio de fantásticos</p><p>podcasts.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>Utilizado para agregar</p><p>um conteúdo externo.</p><p>Utilizando o QR-code você</p><p>poderá acessar links de</p><p>vídeos, artigos, sites, etc.</p><p>Acrescentando muito</p><p>aprendizado em toda a sua trajetória.</p><p>EU INDICO</p><p>Este item corresponde a uma</p><p>proposta de reflexão que pode</p><p>ser apresentada por meio de uma</p><p>frase, um trecho breve ou uma</p><p>pergunta.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Utilizado para desmistificar</p><p>pontos que possam gerar</p><p>confusão sobre o tema. Após o</p><p>texto trazer a explicação, essa</p><p>interlocução pode trazer pontos</p><p>adicionais que contribuam para</p><p>que o estudante não fique com</p><p>dúvidas sobre o tema.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Uma dose extra de</p><p>conhecimento é sempre</p><p>bem-vinda. Aqui você terá</p><p>indicações de filmes que se</p><p>conectam com o tema do</p><p>conteúdo.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>Uma dose extra de</p><p>conhecimento é sempre</p><p>bem-vinda. Aqui você terá</p><p>indicações de livros que</p><p>agregarão muito na sua vida</p><p>profissional.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVROEM FOCO</p><p>157</p><p>7</p><p>73</p><p>4</p><p>157U N I D A D E 3</p><p>CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL 158</p><p>SOCIEDADES EMPRESÁRIAS E ANÔNIMAS 180</p><p>TÍTULOS DE CRÉDITOS, RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA 210</p><p>7U N I D A D E 1</p><p>CONCEITO DE DIREITO TRIBUTÁRIO 8</p><p>SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL 26</p><p>VIGÊNCIA, INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 50</p><p>73 U N I D A D E 2</p><p>ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA: CONCEITOS E CLASSIFICAÇÃO DE TRIBUTOS 74</p><p>COMPETÊNCIA, LIMITAÇÃO E OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA 102</p><p>RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA 126</p><p>5</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1</p><p>MINHAS METAS</p><p>CONCEITO DE DIREITO TRIBUTÁRIO</p><p>Apresentar a diferença entre Direito Público e Direito Privado.</p><p>Demonstrar o papel do Direito Tributário enquanto ramo de Direito Público.</p><p>Apresentar a diferença entre o Direito Financeiro e o Direito Tributário.</p><p>Definir Direito Tributário.</p><p>Apresentar as categorias de “tributo”.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1</p><p>8</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Você sabia que o termo tributo se origina da expressão, em latim, tributum,</p><p>que significa “repartir entre as tribos”? Os tributos, inicialmente, tratavam-se</p><p>de presentes oferecidos a líderes e chefes, seja pela bravura, seja por questões de</p><p>cunho religioso e outras crenças.</p><p>A partir de certo momento na História, os tributos passaram a ser uma espécie</p><p>de arrecadação dos povos vencedores de guerras em relação aos povos vencidos.</p><p>Por sua vez, na Idade Média, os tributos passaram a ser cobrados como obrigações</p><p>dos servos para seus senhores, com base na entrega das colheitas e outros bens.</p><p>Conforme a sociedade foi se desenvolvendo na era Contemporânea, o Estado</p><p>passou a necessitar, cada vez mais, de recursos para suprir as necessidades básicas</p><p>da população, e a entrega de bens passou a ser substituída pela tributação em</p><p>moeda, em razão da maior facilidade de circulação e troca.</p><p>Atualmente, o tributo revela-se como relevante instrumento de poder do Es-</p><p>tado, pela transferência de recursos da população para suprir os gastos públicos.</p><p>Em razão de sua relevância socioeconômica, os tributos estão presentes, pratica-</p><p>mente, em todas as relações sociais. Por exemplo, os tributos estão presentes na</p><p>compra que você faz no mercadinho próximo à sua casa, no falecimento de uma</p><p>pessoa, na contratação de um funcionário, na sua educação ou de seus filhos etc.</p><p>Assim, a compreensão sobre todo o processo de nascimento do tributo bem</p><p>como sua cobrança e fiscalização ultrapassa uma mera necessidade acadêmica ou</p><p>profissional de conhecimento técnico sobre o assunto, pois as relações tributárias</p><p>estão presentes na sua vida cotidiana.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Vamos relembrar a razão pela qual os tributos foram criados? Acesse o artigo</p><p>“Uma breve história dos impostos”.</p><p>https://abrir.link/CdQ5p</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO</p><p>O vocábulo “direito” pode ter diferentes acepções. Assim, a princípio, é funda-</p><p>mental estabelecermos qual delas está sendo utilizada quando estou me referindo</p><p>nesta obra ao Direito Público, Privado, Tributário etc.</p><p>Para Montoro (2014), as significações de “direito” subdividem-se em cinco</p><p>categorias:</p><p>■ norma: “direito” à lei, à regra social obrigatória.</p><p>■ faculdade: “direito” significa o poder, a prerrogativa que o Estado tem</p><p>de criar leis.</p><p>■ justo: “direito” significa o que é devido por justiça.</p><p>■ ciência: “direito” significa a ciência do direito.</p><p>■ fato social: “direito” é considerado um fenômeno da vida coletiva. Ao</p><p>lado dos fatos econômicos, artísticos, culturais, esportivos etc., o direito,</p><p>também, é um fato social.</p><p>A acepção adotada nesta obra refere-se ao direito enquanto ciência e, sob tal</p><p>perspectiva, a doutrina, também, realiza uma subdivisão em campos distin-</p><p>tos. A subdivisão mais tradicional é aquela que diferencia o direito entre dois</p><p>campos: o público e o privado.</p><p>Como assevera Montoro (2014), o direito tem por escopo ordenar a vida social, a</p><p>qual contempla duas espécies de relações:</p><p>a) Relações em que a própria sociedade, representada pelo Estado, é parte.</p><p>b) Relações dos participantes entre si.</p><p>1</p><p>1</p><p>Nesse contexto, nas relações sociais em que o Estado atua como parte, há regu-</p><p>lação pelo Direito Público, enquanto as relações entre particulares são reguladas</p><p>pelo Direito Privado.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você sabe responder qual é a diferença entre os ramos de Direito Público e</p><p>Direito Privado?</p><p>Nas relações em que prevalecem as regras de Direito Privado, há preponderância</p><p>de interesses individuais e, portanto, maior liberdade quanto à manifestação de</p><p>vontade e formas contratuais.</p><p>Podemos dizer que, em regra, há igualdade entre as partes. Sendo assim, a</p><p>doutrina, sobre o tema, costuma apontar que as relações que imperam na esfera</p><p>privada são horizontais, pois as partes estão em posição de igualdade.</p><p>Por sua vez, nas relações de Direito Público, é diferente, pois, nesse ramo,</p><p>imperam dois princípios fundamentais: a supremacia do interesse público</p><p>sobre o interesse privado e a indisponibilidade do interesse público.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Tendo em vista a supremacia do interesse público, os entes federativos (União,</p><p>Estados, Municípios e Distrito Federal) possuem algumas prerrogativas em suas</p><p>relações com particulares.</p><p>Veja que, nesse caso, as relações não são horizontais, mas, sim, verticais.</p><p>Código Tributário Nacional,</p><p>que o conteúdo e o alcance dos decretos se restringem aos das leis em função das</p><p>quais sejam expedidos. O dispositivo corrobora o princípio da legalidade tributá-</p><p>ria (e a regra do art. 97, do CTN) para assegurar que os decretos não extrapolem</p><p>as disposições das leis ordinárias ou complementares que venham a regular.</p><p>Tratados e convenções internacionais</p><p>Os tratados e as convenções internacionais passam por três estágios de apro-</p><p>vação, até poderem surtir efeitos na legislação nacional. Após a assinatura do</p><p>Tratado, pelo Presidente da República, ele deverá ser ratificado, pelo Poder Le-</p><p>gislativo, por meio de Decreto Legislativo. O último estágio, que é a incorporação</p><p>do ato internacional à legislação brasileira, dá-se, contudo, pela sua promulga-</p><p>ção por meio de decreto do Executivo, que torna público seu texto e determina</p><p>sua execução. De acordo com o art. 98, do CTN, no que diz respeito à seara</p><p>tributária, os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a</p><p>legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha.</p><p>TRIBUTO LIMITAÇÃO BASE CONSTITUCIONAL</p><p>ITCMD</p><p>Alíquotas máximas — limita-</p><p>ção obrigatória</p><p>Art. 155, § 1º</p><p>ICMS</p><p>Alíquotas internas mínimas</p><p>e alíquotas máximas para</p><p>resolver conflitos — limita-</p><p>ção facultativa</p><p>Art. 155, § 2º, V</p><p>ICMS</p><p>Alíquotas interestaduais e</p><p>nas exportações — limitação</p><p>obrigatória</p><p>Art. 155, § 2º, IV</p><p>Quadro 1 - Alíquotas limitadas pelo Senado / Fonte: a autora.</p><p>5</p><p>1</p><p>Normas complementares</p><p>O art. 100, do Código Tributário Nacional, trata das normas complementares</p><p>às leis, aos tratados e às convenções internacionais bem como dos decretos. A</p><p>observância das normas complementares afasta penalidades, cobrança de ju-</p><p>ros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. De</p><p>acordo com o dispositivo, são elas:</p><p>■ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas: é o</p><p>caso das Portarias, Instruções Normativas, Normas de Serviço etc., que</p><p>são normalmente expedidas pelas autoridades fazendárias para porme-</p><p>norizar e/ou detalhar a forma de cumprimento das obrigações tributárias.</p><p>A rigor, os referidos atos normativos devem obedecer aos limites esta-</p><p>belecidos pelas leis que pretendem regulamentar. Entretanto, em clara</p><p>afronta ao princípio da legalidade, muitas vezes, o Fisco elabora normas</p><p>que extrapolam os limites da lei, causando diversas discussões (inclusive,</p><p>judiciais) com os contribuintes.</p><p>■ Decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administra-</p><p>tiva a que a lei atribua eficácia normativa: nesse caso, estamos falando</p><p>de decisões proferidas no curso do contencioso administrativo (processo</p><p>administrativo) que possuem efeitos erga omnes (efeito vinculante).</p><p>■ Práticas reiteradas observadas pelas autoridades administrativas</p><p>(praxe administrativa): tal hipótese refere-se aos usos e costumes no</p><p>âmbito da Administração em relação a determinados fatos e às respectivas</p><p>normas aplicáveis. É o caso, por exemplo, de uma reiterada forma de in-</p><p>terpretação sobre um dispositivo legal, a tal ponto que o contribuinte, ao</p><p>adotar aquele entendimento, crê estar agindo de acordo com a legislação.</p><p>Acesse o link da Receita Federal do Brasil para encontrar os</p><p>acordos internacionais vigentes em matéria tributária.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>■ Convênios que celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e</p><p>os Municípios: existem convênios celebrados para facilitar a arrecada-</p><p>ção e fiscalização (como para permuta de informações e instituição de</p><p>obrigações acessórias).</p><p>Existem, também, Convênios celebrados pelos Estados e Distrito Federal, no en-</p><p>tanto, para instituir benefícios fiscais de ICMS no âmbito do Conselho Nacional de</p><p>Política Fazendária (CONFAZ). Isso porque a legislação exige que os Estados apro-</p><p>vem, em conjunto, incentivos fiscais de ICMS, sendo vedada qualquer instituição</p><p>de benefício fiscal de forma unilateral. Na prática, diversos Estados oferecem bene-</p><p>fícios fiscais para atrair investimentos para o respectivo território, sem respeitar os</p><p>convênios. Tal prática é denominada “guerra fiscal”. Nesse último caso, a doutrina</p><p>entende que o convênio terá a mesma natureza de uma lei em sentido estrito.</p><p>Agora, observe a Figura 2:</p><p>Normas</p><p>Complementares</p><p>Atos normativos</p><p>administrativos</p><p>Práticas reiteradas</p><p>da Administração</p><p>Decisões</p><p>administrativas</p><p>com força</p><p>normativa</p><p>Convênios</p><p>Se o contri-</p><p>buinte cumpre</p><p>essas normas</p><p>há exclusão de</p><p>penalidades,</p><p>juros demora e</p><p>a atualização</p><p>Figura 2 - Normas complementares / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura apresenta uma composição de figuras quadriláteras em que cada uma contém</p><p>um tipo de norma complementar da legislação tributária (atos normativos administrativos, convênios, práticas</p><p>reiteradas da Administração e decisões administrativas com força normativa). Do lado direito dessas figuras,</p><p>está escrito “Se o contribuinte cumpre essas normas, há exclusão de penalidades, juros de mora e atualização”.</p><p>5</p><p>8</p><p>VIGÊNCIA E APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA</p><p>Vigência da Legislação Tributária</p><p>O Código Tributário Nacional disciplina, em seus arts. 101 a 104, as regras sobre</p><p>vigência da legislação tributária, ao passo que, nos arts. 105 e 106, trata da res-</p><p>pectiva aplicação. Como esclarece Alexandre (2016), quando uma lei completa</p><p>todo o seu ciclo de formação, presume-se que já seja válida. Uma lei será válida</p><p>quando seu processo de produção e formação houver observado os requisitos</p><p>previstos na Constituição Federal.</p><p>Para que a lei publicada obrigue seus destinatários a cumpri-la, no entanto, é</p><p>necessário que esteja em vigor. O autor esclarece ainda que a lei, quando válida,</p><p>estará vigente quando terminar seu ciclo de produção, foi publicada, e já atingiu</p><p>o prazo determinado pelo legislador para possuir força e atingir seus objetivos.</p><p>O art. 101, do Código Tributário Nacional, determina que a vigência da</p><p>legislação tributária, no espaço e no tempo, será aquela aplicável às normas</p><p>jurídicas em geral, salvo os casos específicos que estão previstos no próximo</p><p>Código Tributário Nacional.</p><p>No que diz respeito à vigência espacial da legislação tributária, as normas</p><p>expedidas por um ente só possuem vigência dentro do seu respectivo território.</p><p>Entretanto o art. 102, do Código Tributário Nacional, prevê duas exceções:</p><p>■ Extraterritorialidade prevista em convênio de cooperação: Alexan-</p><p>dre (2016) cita o exemplo de Municípios integrantes da região metropo-</p><p>litana de São Paulo, prevendo a fiscalização conjunta do ISS devido pelos</p><p>prestadores de serviço a cada um desses Municípios. Tais Municípios</p><p>poderiam celebrar um convênio para possibilitar a atuação conjunta, pre-</p><p>vendo procedimentos de fiscalização a serem estipulados na legislação do</p><p>Município de São Paulo.</p><p>■ Extraterritorialidade prevista em norma geral nacional: podemos</p><p>citar, como exemplo, os casos das normas nacionais do ICMS e ISS, edi-</p><p>tadas pela União, com aplicação nos Estados e Municípios. Com relação à</p><p>vigência temporal da legislação tributária, em regra, a vigência ocorrerá de</p><p>acordo com o estipulado no próprio texto legal. Caso não haja disposição</p><p>expressa, deve ser observado o prazo de 45 dias após a data de publicação</p><p>(vacatio legis) para o início da vigência.</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>O Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966), entretanto, possui regras dife-</p><p>renciadas no art. 103 para determinados casos:</p><p>b) Os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas en-</p><p>tram em vigor na data da sua publicação.</p><p>c) As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição adminis-</p><p>trativa, a que a lei atribua eficácia normativa, quanto a seus efeitos</p><p>normativos, entram em vigor 30 dias após a data da sua publicação.</p><p>d) Os convênios, que, entre si, celebrem a União, os Estados, o Distrito</p><p>Federal e os Municípios, entram em vigor na data neles prevista.</p><p>Aplicação da Legislação Tributária</p><p>O art. 105, do Código Tributário Nacional,</p><p>trata do princípio da irretroatividade</p><p>tributária, o qual determina que a legislação tributária se aplica, imediatamen-</p><p>te, aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim, entendidos aqueles cuja</p><p>ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa.</p><p>Assim, a legislação tributária se aplica aos fatos futuros, que são aqueles que</p><p>ainda não aconteceram, mas também se aplica aos que já tiverem iniciado (pen-</p><p>dentes). Portanto, a nova legislação tributária não se aplicará aos fatos já consu-</p><p>mados, exceto nos casos previstos no art. 106.</p><p>Vacatio legis significa vacância da lei, isto é, o período entre a data da publi-</p><p>cação de uma lei e o início de sua vigência.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Mas o que seriam fatos pendentes?</p><p>1</p><p>1</p><p>Os fatos pendentes são aqueles que já iniciaram, mas não se consumaram. É o</p><p>caso do imposto de renda, cujo fato gerador estará consumado somente no final</p><p>do ano-calendário.</p><p>De acordo com as exceções do art. 106, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito:</p><p>c) Quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de pena-</p><p>lidade à infração dos dispositivos interpretados.</p><p>d) Tratando-se de ato não definitivamente julgado:</p><p>■ Quando deixe de defini-lo como infração.</p><p>■ Quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação</p><p>ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado</p><p>em falta de pagamento de tributo.</p><p>■ Quando lhe cominem penalidade menos severa que a prevista na lei vi-</p><p>gente ao tempo da sua prática.</p><p>Por ato não definitivamente julgado entende-se que, mesmo encerrada a fase</p><p>administrativa e ajuizada a execução fiscal, enquanto não for finalizada, ainda,</p><p>não há julgamento definitivo, sendo possível a aplicação de nova legislação mais</p><p>benéfica ao contribuinte. Resumidamente, podemos dizer que, para fatos gerados</p><p>em andamento, a aplicação da legislação tributária é imediata (Figura 3), ao passo</p><p>que, para fatos geradores passados, somente sob determinadas circunstâncias é</p><p>que a norma tributária poderá retroagir.</p><p>Como exemplo, cito o caso de uma empresa que foi autuada, em 2023, por uma</p><p>infração cometida em 2020. Em 2020, a multa aplicável ao fato era de 30%,</p><p>porém, em 2022, a multa foi reduzida para 20%. Com base no art. 106, caso a</p><p>autoridade administrativa aplique a multa de 30%, o contribuinte poderá exigir</p><p>que a penalidade seja aquela reduzida (20%), pois, no caso, houve combinação de</p><p>penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática do ato.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO</p><p>TRIBUTÁRIA</p><p>O art. 108 e seguintes do Código Tributário Nacional regulam as questões de</p><p>interpretação e integração das normas tributárias. Enquanto as questões de inter-</p><p>pretação relacionam-se com o entendimento sobre o alcance das normas tribu-</p><p>tárias, as questões de integração dizem respeito aos meios jurídicos para preen-</p><p>cher lacunas eventualmente existentes na legislação (quando não há disposição</p><p>específica aplicável ao caso). Filio-me ao entendimento de que a integração está</p><p>compreendida na esfera da interpretação, enquadrando-se como segunda etapa</p><p>do processo interpretativo.</p><p>Muito embora o art. 4º, da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro (BRASIL,</p><p>1942), discipline expressamente que, quando a lei for omissa, o juiz decidirá o</p><p>caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de Direito, o</p><p>fato é que, em matéria tributária, deve-se observar regra específica inserida no</p><p>art. 108, do Código Tributário Nacional.</p><p>De acordo com o art. 108, na ausência de disposição expressa, a autoridade</p><p>competente (sendo ela autoridade administrativa ou judicial) para aplicar a le-</p><p>gislação tributária utilizará, sucessivamente, a analogia, os princípios gerais de</p><p>Direito Tributário, os princípios gerais de Direito Público e a equidade.</p><p>Fatos geradores em andamento aplicação imediata</p><p>não se aplicaFatos geradores passados</p><p>Norma interpretativa</p><p>Norma que deixe de</p><p>considerar o ato como</p><p>infração ou reduza a</p><p>penalidade, enquanto</p><p>não houver julgamento</p><p>definitivo</p><p>Exceções</p><p>Figura 3 - Aplicação da legislação tributária / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura é composta por uma figura retangular subdividida em quatro partes para demons-</p><p>trar a partir de quando ocorrem os efeitos da legislação tributária para fatos geradores em andamento e passados,</p><p>com duas flechas ao lado direito com as execuções da irretroatividade da norma.</p><p>1</p><p>1</p><p>ANALOGIA</p><p>É o principal método de integração da legislação tributária, consistindo na técni-</p><p>ca em que há utilização de uma norma jurídica aplicável a um caso semelhante. A</p><p>analogia não deve ser confundida com interpretação extensiva, caso em que se</p><p>trabalha dentro dos limites que a lei originariamente pretendeu estabelecer, ain-</p><p>da que não o tenha feito de modo taxativo e inequívoco. A utilização da analogia</p><p>não poderá resultar em exigência de tributo não previsto em lei, em respeito ao</p><p>princípio da legalidade.</p><p>PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO</p><p>Tais princípios contemplam os princípios tributários já estudados, tais como princípio</p><p>da legalidade, anterioridade, isonomia, capacidade contributiva, irretroatividade etc.</p><p>PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PÚBLICO</p><p>São princípios, normalmente, estudados no âmbito do Direito Administrativo</p><p>e Constitucional. Referem-se, por exemplo, à supremacia do interesse público</p><p>sobre o privado, a razoabilidade e a proporcionalidade, à indisponibilidade do</p><p>interesse público sobre o privado etc.</p><p>EQUIDADE</p><p>Paulsen (2017), ao referir-se à obra de Aliomar Baleeiro, esclarece que a equidade</p><p>considera as circunstâncias peculiares de cada caso, sendo que a norma geral</p><p>poderia acarretar solução não pretendida pelo legislador. Assim, a equidade é uma</p><p>técnica que busca atribuir uma solução mais justa para o caso concreto. A utilização</p><p>da equidade não pode resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.</p><p>Diante do exposto anteriormente, verifica-se que as técnicas, para fins de in-</p><p>tegração da legislação tributária, embora tenham que ser utilizadas de forma</p><p>sucessiva, guardam certo grau de discricionariedade no que se refere à forma de</p><p>sua utilização. Ressalta-se que a regra do art. 108 não menciona a utilização de</p><p>princípios do direito privado.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>Os princípios gerais de direito privado, no entanto, serão utilizados para pesquisa</p><p>da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, seus conceitos e suas</p><p>formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários, nos termos do</p><p>art. 109, do CTN. Sendo assim, conforme esclarece Machado Segundo (2018),</p><p>nos casos em que a lei tributária se utiliza de conceitos previstos no Direito Pri-</p><p>vado (como o conceito de herdeiro), sua utilização e/ou interpretação deve se dar</p><p>tal como no âmbito privado, no caso, de acordo com a definição do Código Civil.</p><p>Nesse sentido, Mazza (2018) assevera que o Direito Tributário representa “um</p><p>ramo de sobreposição”, pois as normas sobre criação, arrecadação e fiscalização</p><p>de tributos incidem sobre realidades previamente normatizadas na esfera priva-</p><p>da, de modo a não criar suas próprias realidades por já aproveitar conceitos já</p><p>instituídos em outros ramos.</p><p>Um bom exemplo é a Súmula Vinculante nº 31, do STF (BRASIL, 2010), que dis-</p><p>põe que é inconstitucional a incidência do ISS sobre operações de locação de bens</p><p>móveis. A Súmula Vinculante citada foi prolatada pelo STF pois a legislação do ISS</p><p>pretendeu tributar a locação (que, pela legislação civil, é uma obrigação de dar)</p><p>como obrigação de fazer (serviço). Assim o fazendo, acabou esvaziando a definição</p><p>desse instituto previsto na legislação de Direito Privado (art. 565, do Código Civil).</p><p>No que diz respeito às regras de interpretação propriamente ditas, ressaltamos</p><p>que ao Direito Tributário, também, aplicam-se as regras da hermenêutica jurídica</p><p>(aplicáveis a todos os ramos do Direito). Entretanto o Código Tributário Nacio-</p><p>nal</p><p>trata de algumas regras específicas que devem ser observadas no tocante à</p><p>legislação tributária.</p><p>Maximiliano (1957) leciona que a hermenêutica jurídica tem por objeto o estudo</p><p>e a sistematização dos processos aplicáveis do direito, para determinar o senti-</p><p>do e o alcance das expressões de direito.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>1</p><p>4</p><p>Nos termos do art. 111, do Código Tributário Nacional, deve ser interpretada</p><p>literalmente a legislação tributária que trata de suspensão ou exclusão do crédito</p><p>tributário, outorga de isenção e dispensa do cumprimento de obrigações tribu-</p><p>tárias acessórias, conforme demonstrado na Figura 4, a seguir.</p><p>ASSUNTOS QUE DEVEM SER INTERPRETADOS LITERALMENTE</p><p>Suspensão do crédito</p><p>tributário</p><p>artigo 151, CTN</p><p>Exclusão do crédito</p><p>tributário</p><p>artigo 175, CTN</p><p>Outorga de</p><p>isenção</p><p>Dispensão do</p><p>cumprimento de</p><p>obrigação acessória</p><p>Nos termos do art. 112, do Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966), a lei</p><p>tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da ma-</p><p>neira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do</p><p>fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão</p><p>dos seus efeitos, autoria, imputabilidade, ou punibilidade e natureza da pena-</p><p>lidade aplicável, ou à sua graduação. Conforme entendimento jurisprudencial</p><p>majoritário, a regra é válida tão somente se houver dúvida quanto à penalidade</p><p>aplicável, isto é, não é possível a escolha de penalidade quando esta estiver ine-</p><p>quivocamente determinada.</p><p>Tal como na esfera do Direito Penal, o Código Tributário Nacional prevê a</p><p>aplicação de uma interpretação benigna (mais favorável) em caso de infrações</p><p>em favor da pessoa acusada. Mas, em relação à legislação que trata dos aspectos</p><p>Figura 4 - Hipóteses de interpretação literal / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura apresenta um retângulo com quatro colunas, as quais indicam assuntos que devem</p><p>ser interpretados literalmente. Da esquerda para a direita, na primeira coluna, está escrito “suspensão do crédito</p><p>tributário - artigo 151, CTN”; na segunda coluna, “exclusão do crédito tributário - artigo 175, CTN”; na terceira</p><p>coluna, “outorga de isenção”; e, na última coluna, está escrito “dispensão do cumprimento de obrigação acessória”.</p><p>Para exemplificar uma hipótese de interpretação literal, cito um caso analisado</p><p>pelo Superior Tribunal de Justiça sobre aplicação de um incentivo fiscal de PIS/</p><p>COFINS (BRASIL, 2015) para produtos de farinha de trigo. No caso, o tribunal en-</p><p>tendeu que o benefício destina- se, de forma individualizada, à farinha de trigo, e</p><p>não a seus derivados ou subprodutos, tal como a farinha de rosca, por ter de ser</p><p>aplicada a interpretação literal.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>materiais do tributo (fato gerador, alíquota, base de cálculo, sujeito passivo),</p><p>não pode haver a utilização de interpretação mais favorável, pois, com base no</p><p>princípio da legalidade, para tais fins, há de ser observada a regra que efetiva-</p><p>mente se amolda ao caso.</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Na vida cotidiana do mundo tributário, o profissional se depara com diversas</p><p>normas tributárias de difícil interpretação. Muitas vezes, a dificuldade é tão gran-</p><p>de que os contribuintes não possuem outra alternativa que não seja ingressar com</p><p>uma ação judicial para pedir o esclarecimento quanto ao alcance e à aplicação da</p><p>norma ou, até mesmo, perguntar ao próprio Fisco qual o entendimento do órgão</p><p>sobre determinada matéria, por meio de consultas formais.</p><p>As discussões, em sua grande maioria, tratam do início da vigência e do</p><p>alcance das normas. Por isso, o conhecimento sobre as regras vistas neste tema</p><p>de aprendizagem é relevante para a correta compreensão da legislação tributária.</p><p>Imagine o caso de um contribuinte importador que pretende importar uma máqui-</p><p>na cara que não tem similar no Brasil. Existe um regime para redução da alíquota</p><p>do Imposto de Importação, denominado ex-tarifário, que contempla uma redução</p><p>provisória da alíquota aplicável a bens de capital (BK) e/ou bens de informática e</p><p>telecomunicações (BIT) na Tarifa Externa Comum do Mercosul nas hipóteses em</p><p>que não há produção nacional. Esse regime permite que o contribuinte economize,</p><p>significativamente, nos custos da importação de máquinas e equipamentos para</p><p>sua produção. Para obter a concessão de regime, é necessário realizar um pedido</p><p>ao Governo de acordo com a legislação respectiva, sendo que, em regra, o pedido</p><p>de concessão do regime ex-tarifário é feito em data bem anterior à importação e o</p><p>pedido é deferido apenas depois que a operação de importação foi concluída.</p><p>Tendo em vista a demora na análise do pleito, é possível que o bem importado</p><p>chegue ao país sem que a concessão do regime tenha sido deferida pelo órgão</p><p>competente. O que fazer nesse caso?</p><p>O Fisco, certamente, exigirá o pagamento do Imposto de Importação com a</p><p>alíquota majorada mesmo que o regime seja deferido posteriormente, pois</p><p>parte do pressuposto que o direito à importação pela alíquota reduzida somente</p><p>1</p><p>1</p><p>surge a partir da edição do ato normativo que autoriza a concessão do regime,</p><p>por não haver direito à retroatividade da lei. Nesse caso, o regime ex-tarifário</p><p>acaba sendo inócuo.</p><p>Ocorre que o Decreto nº 6.759/2009 (BRASIL, 2009) prevê que caberá res-</p><p>tituição total ou parcial do imposto pago indevidamente, no caso de verificação</p><p>de que o contribuinte, à época do fato gerador, já preenchia as condições e os</p><p>requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial,</p><p>como é o caso do regime de ex-tarifário.</p><p>A redução de alíquota é aplicável, desde que, na época da conclusão da ope-</p><p>ração, estejam presentes os requisitos necessários para a concessão do benefício,</p><p>mesmo que ainda esteja pendente de análise no órgão competente. A doutrina</p><p>entende que o ato normativo publicado com a concessão do benefício tem apenas</p><p>efeito meramente declaratório, isto é, apenas declara uma situação de fato ocor-</p><p>rida antes mesmo da sua edição, de modo que seus efeitos se estendem à data da</p><p>ocorrência do fato gerador.</p><p>Veja que, nesse caso, em um primeiro momento, pode parecer que se trata de</p><p>retroatividade do ato normativo concessivo do benefício. Mas, na verdade, não</p><p>é. O benefício somente não seria aplicável caso o contribuinte realizasse o pleito</p><p>em momento posterior à importação do bem.</p><p>O caso do exemplo retrata como o conhecimento sobre aplicação, vigência</p><p>e interpretação da legislação tributária é fator decisivo para atuação de um bom</p><p>profissional na área tributária.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. As resoluções tratam, principalmente, de matérias de competência privativa da Câ-</p><p>mara dos Deputados (art. 51, da Constituição Federal) e do Senado Federal (art. 52, da</p><p>Constituição Federal), sendo que os respectivos Regimentos Internos determinam as</p><p>regras sobre o processo legislativo.</p><p>I - As resoluções do Senado podem limitar alíquotas de ITCMD.</p><p>II - As resoluções do Senado podem limitar alíquotas de ICMS.</p><p>III - As resoluções do Senado podem limitar alíquotas de IPI.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>2. Sobre a vigência da lei tributária, não é correto afirmar que:</p><p>a) Para que a lei publicada obrigue seus destinatários a cumpri-la, é necessário que</p><p>esteja em vigor.</p><p>b) No que diz respeito à vigência espacial da legislação tributária, as normas expedidas</p><p>por um ente possuem vigência dentro de todo o território nacional.</p><p>c) O art. 101, do Código Tributário Nacional, determina que a vigência da legislação tri-</p><p>butária, no espaço e no tempo, será aquela aplicável às normas jurídicas em geral,</p><p>salvo os casos específicos que estão previstos no próximo Código Tributário Nacional.</p><p>d) Com relação à vigência temporal da legislação tributária, em regra, a vigência ocorrerá</p><p>de acordo com o estipulado no próprio texto legal. Caso não haja disposição expressa,</p><p>deve ser observado o prazo de 45 dias após a data de publicação</p><p>(vacatio legis) para</p><p>o início da vigência.</p><p>e) Existem exceções à regra da vigência espacial.</p><p>1</p><p>8</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>3. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação</p><p>proposta entre elas:</p><p>I. A legislação tributária prevê critérios para integração quando houver lei omissa.</p><p>PORQUE</p><p>II. Não é importante regular os casos de omissão da lei.</p><p>A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:</p><p>a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.</p><p>b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.</p><p>c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.</p><p>d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.</p><p>e) As asserções I e II são falsas.</p><p>1</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALEXANDRE, R. Direito tributário esquematizado. 10. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo:</p><p>Forense, 2016.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 4.657, 4 de setembro de 1942. Lei de Introdução às normas do</p><p>Direito Brasileiro. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del4657.</p><p>htm. Acesso em: 18 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 5.172, 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e</p><p>institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível</p><p>em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso em: 18 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto nº 6.759, 5 de fevereiro de 2009. Regulamenta a administração das ati-</p><p>vidades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio ex-</p><p>terior. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/</p><p>d6759.htm. Acesso em: 18 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante n° 31. É inconstitucional a incidên-</p><p>cia do imposto sobre serviços de qualquer natureza - ISS sobre operações de locação de</p><p>bens móveis. DJE de 17 fev. 2010. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/su-</p><p>mariosumulas.asp?base=26&sumula=1286. Acesso em: 27 jul. 2023.</p><p>BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n° 1.410.259/PR (2013/0343590-9).</p><p>Relator: Ministro Humberto Martins. 1 out. 2015. Superior Tribunal de Justiça. Disponível</p><p>em: https://processo.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumero-</p><p>Registro&termo=201303435909&totalRegistrosPorPagina=40&aplicacao=processos.ea.</p><p>Acesso em: 18 ago. 2023.</p><p>LENZA, P. Direito constitucional esquematizado. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>MACHADO, H. de B. Curso de Direito Tributário. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.</p><p>MACHADO S, H. de B. Manual de direito tributário. 10. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo:</p><p>Atlas, 2018.</p><p>MAZZA, A. Manual de Direito Tributário. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.</p><p>MAXIMILIANO, C. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 6. ed. São Paulo: Freitas Bastos, 1957.</p><p>PAULSEN, L. Curso de direito tributário completo. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>1</p><p>1</p><p>1. C. As alíquotas do IPI são alteradas por ato do Poder Executivo.</p><p>2. B. No que diz respeito à vigência espacial da legislação tributária, as normas expedidas</p><p>por um ente só possuem vigência dentro do seu respectivo território.</p><p>3. C. A legislação tributária prevê critérios para integração quando houver lei omissa justa-</p><p>mente por ser necessária a regulação dos casos de omissão.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>UNIDADE 2</p><p>MINHAS METAS</p><p>ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA:</p><p>CONCEITOS E CLASSIFICAÇÃO</p><p>DE TRIBUTOS</p><p>Apresentar os aspectos formais da cobrança de tributos.</p><p>Apontar as regras sobre o procedimento fiscalizatório.</p><p>Demonstrar as regras sobre constituição e sistematização da dívida.</p><p>Conceituar certidões negativas e apontar sua importância.</p><p>Definir o que é tributo.</p><p>Enumerar os tipos de tributos de acordo com a doutrina e jurisprudência.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4</p><p>1</p><p>4</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Além das regras previstas no Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966) sobre</p><p>tributos e suas relações jurídicas, esse diploma normativo traz uma parte es-</p><p>pecialmente dedicada para tratar das regras sobre os órgãos e agentes públicos</p><p>responsáveis pelas atividades da Administração Tributária.</p><p>Mas você sabe dizer quais atividades estão relacionadas à tributação?</p><p>A tributação compreende as atividades de instituição, arrecadação e fiscalização</p><p>de tributos. Assim, as regras da Administração Tributária estão intrinsecamente</p><p>ligadas à operacionalização da atividade de fiscalização e arrecadação.</p><p>Em seu Título IV, o Código Tributário Nacional trata das regras formais da</p><p>Administração Tributária. Para tanto, subdivide o assunto em três capítulos dis-</p><p>tintos: regras sobre fiscalização, dívida ativa e certidões negativas.</p><p>Conforme elucida Alexandre (2017), primeiramente, o Título aborda a “Fis-</p><p>calização”, que é a atividade estatal que tem por objetivo estimular o cumprimento</p><p>espontâneo das obrigações tributárias por intermédio da identificação e punição</p><p>daqueles que não as cumprem. Trata-se da atividade mais importante, pois é desta</p><p>atividade que o Estado extrai recursos para realizar suas atividades fins.</p><p>Em um segundo momento, o Título passa a detalhar sobre as providências</p><p>a serem adotadas contra aqueles que deixaram de cumprir o que deviam, no ca-</p><p>pítulo sobre “Dívida Ativa”. Por fim, como forma de beneficiar os contribuintes</p><p>que pagam seus tributos adequadamente, o Código Tributário Nacional passa</p><p>a tratar das “Certidões Negativas”, que são documentos que atestam a prova da</p><p>regularidade fiscal, possibilitando a participação em licitações ou obtenção de</p><p>empréstimos e financiamentos.</p><p>Além das Certidões Negativas, é possível a obtenção de Certidões Positivas</p><p>com Efeito de negativa, as coisas possuem o mesmo efeito prático das certidões</p><p>negativas, mas são obtidas mediante a ocorrência de certas circunstâncias (exis-</p><p>tência de débito parcelado, durante o prazo de defesa na esfera administrativa</p><p>etc.), conforme podemos observar na Figura 1:</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Como ensina Carvalho (2005), no campo tributário, por haver íntima relação de</p><p>direitos fundamentais dos contribuintes (direito de propriedade e de liberdade),</p><p>as normas que tratam da atividade administrativa são especialmente rígidas, de</p><p>modo que nenhum ato pode ser praticado sem autorização expressa da lei, e o</p><p>funcionário público possui liberdade de ação para inovar com relação às medidas</p><p>legalmente possíveis.</p><p>A partir da compreensão das regras da Administração Tributária, você</p><p>está preparado para conhecer quais são os tipos de tributos existentes de</p><p>acordo com a doutrina e jurisprudência majoritária?</p><p>O entendimento sobre as características de cada tipo tributário o preparará</p><p>para entender os aspectos práticos dos principais tributos atualmente exigidos.</p><p>A</p><p>D</p><p>M</p><p>IN</p><p>IS</p><p>T</p><p>R</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>T</p><p>R</p><p>IB</p><p>U</p><p>TÁ</p><p>R</p><p>IA</p><p>Fiscalização</p><p>Dívida Ativa</p><p>Certidões Negativas</p><p>Figura 1 - Administração Tributária / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura apresenta quatro figuras retangulares, sendo que uma delas está na posição</p><p>horizontal, com os assuntos que integram o tema “Administração Tributária”, isto é, Fiscalização, Dívida Ativa e</p><p>Certidões Negativas.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda da abrangência da legislação tributária? O termo legis-</p><p>lação é empregado no mesmo sentido da lei em sentido amplo, isto é, além das</p><p>leis em sentido restrito, os tratados e as convenções internacionais bem como</p><p>os decretos e as normas complementares. Nos termos do art. 96, do CTN, a</p><p>“legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções inter-</p><p>nacionais bem como os decretos e as normas complementares que versem, no</p><p>todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.</p><p>1</p><p>1</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA</p><p>No Título IV, do CTN, o legislador preocupou-se em disciplinar os aspectos for-</p><p>mais da cobrança de tributos, disciplinando regras sobre procedimento fiscalizató-</p><p>rio, constituição e sistematização da dívida ativa e obtenção de certidões negativas.</p><p>Fiscalização</p><p>Inicialmente,</p><p>o tema referente à Fiscalização trata dos poderes da Administração</p><p>Pública em matéria de fiscalização tributária. Ressalta-se que, a despeito do que</p><p>dispuser a legislação tributária aplicável sobre a competência e os poderes de</p><p>fiscalização, tais prerrogativas da Administração Pública aplicam-se, inclusive,</p><p>às pessoas imunes ou isentas.</p><p>Conforme previsto no art. 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, é</p><p>facultado à administração tributária, respeitados os direitos individuais e os req-</p><p>uisitos legais, identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômi-</p><p>cas do contribuinte. Em linha com a permissão constitucional, o art. 195, do</p><p>Código Tributário Nacional, dispõe que não há aplicação, quaisquer disposições</p><p>legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, ar-</p><p>quivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes</p><p>industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Para se garantir a máxima eficácia e efetividade da norma, sua interpretação</p><p>deve se dar conforme a Constituição, de forma que não devem ser considerados</p><p>legítimos eventuais exageros por parte do Fisco.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Existem, entretanto, limites, razão pela qual as atribuições fiscalizatórias devem</p><p>ser disciplinadas em lei que não desrespeite direitos individuais, como a invio-</p><p>labilidade de domicílio ou inviolabilidade de correspondência.</p><p>O Supremo Tribunal Federal, inclusive, possui uma súmula que trata do</p><p>assunto. Uma súmula representa o resumo da jurisprudência pacífica de um</p><p>tribunal, isto é, o entendimento daquele tribunal sobre determinado tema.</p><p>Segundo Machado (2018), ao atribuir à Administração Tributária a possibilidade de</p><p>identificação do patrimônio, dos rendimentos e das atividades econômicas, a Con-</p><p>stituição Federal legitimou o poder de fiscalizar, transformando-o em competência.</p><p>Na súmula nº 439 (BRASIL, 1964), a Corte Suprema possui posicionamento no</p><p>sentido de que estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer</p><p>livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação.</p><p>Sendo assim, a autoridade administrativa não poderá desviar-se da finalidade</p><p>de seu procedimento (fiscalização tributária) para analisar e buscar informações</p><p>sobre outros assuntos de caráter sigiloso do sujeito passivo.</p><p>Vale destacar que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal bem</p><p>como os comprovantes dos lançamentos neles efetuados devem ser conservados</p><p>até que ocorra a respectiva prescrição dos créditos tributários, que é o prazo para</p><p>o Fisco cobrar os tributos devidos.</p><p>Para que os poderes das autoridades administrativas possam ser levados</p><p>a efeito, o art. 200, do Código Tributário Nacional, permite a requisição de</p><p>auxílio da força pública quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício</p><p>de suas funções, ou quando necessário à efetivação de medida fiscalizatória.</p><p>É o caso, por exemplo, da apreensão de uma mercadoria desacompanhada de</p><p>documento fiscal transportada clandestinamente. É importante lembrar que</p><p>tal permissão deve ser exercida em consonância com as garantias e os direitos</p><p>constitucionais do contribuinte.</p><p>1</p><p>8</p><p>Além disso, os procedimentos fiscalizatórios, quando iniciados, devem ser regis-</p><p>trados pela autoridade administrativa conforme dispuser a legislação aplicável,</p><p>com a previsão do prazo de conclusão.</p><p>Como era de se esperar para fins de garantia da eficácia do procedimento fisca-</p><p>lizatório, o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 197, o poder assegurado</p><p>às autoridades fiscais para requisitar de determinadas pessoas informações de que</p><p>disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros. A norma</p><p>somente afasta tal poder em caso de o informante ser legalmente obrigado a ob-</p><p>servar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão.</p><p>O embaraço à fiscalização é uma conduta ilícita, caracterizada pela negativa</p><p>não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a</p><p>escrituração das atividades do contribuinte bem como pelo não fornecimento</p><p>de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade,</p><p>próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a</p><p>requisição do auxílio da força pública.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Depreende-se, do inciso VII, do art. 197, que a lista ali indicada possui caráter</p><p>exemplificativo, já que se submetem a tal poder quaisquer outras entidades</p><p>ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério,</p><p>atividade ou profissão.</p><p>Com relação ao sigilo das informações a que tenha acesso a autoridade ad-</p><p>ministrativa no exercício de suas funções, sem prejuízo do disposto na legislação</p><p>criminal, é vedada a divulgação de informação obtida em razão do ofício sobre</p><p>a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre</p><p>a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. Ressalta-se que aqui não</p><p>estamos tratando de informações meramente cadastrais, além do que é legítima</p><p>a divulgação de informações relativas a representações fiscais para fins penais,</p><p>inscrições da Dívida Ativa e informações sobre moratória e parcelamento.</p><p>Um ponto que merece atenção é o fato de, não obstante as informações ora men-</p><p>cionadas serem sigilosas, poderá haver permuta de informações entre a Fazenda</p><p>Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, em caráter</p><p>geral ou específico, por lei ou convênio. Inclusive, a Fazenda Pública da União, na</p><p>forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar infor-</p><p>mações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização</p><p>de tributos. Como exemplo prático dessa situação, podemos citar o Convênio</p><p>ICMS nº 134/16, que dispõe sobre o fornecimento de informações prestadas por</p><p>instituições e intermediadores financeiros e de pagamento, o qual foi alterado pelo</p><p>Convênio ICMS nº 166, em 2022, para incluir, nas regras de fornecimento de infor-</p><p>mações prestadas pelas instituições financeiras e de pagamentos, as transações</p><p>eletrônicas do Sistema de Pagamento Instantâneo (PIX), de forma que todas as</p><p>operações recebidas nessa modalidade deverão ter lastro em documento fiscal,</p><p>devendo as informações inerentes às transações realizadas via PIX serem repas-</p><p>sadas de forma retroativa desde janeiro de 2022.</p><p>Também, podemos citar o caso de contribuintes que preenchem suas declarações</p><p>de Imposto de Renda, por exemplo, informando doações sem terem recolhido</p><p>o devido ITCMD (imposto que incide sobre doações e heranças). Nesses casos,</p><p>a Receita Federal do Brasil pode informar os dados das declarações ao Fisco</p><p>Estadual para que ele realize o lançamento de ofício do imposto.</p><p>Além disso, não será configurada como quebra do referido sigilo as transfe-</p><p>rências das informações em caso de requisição de autoridade judiciária e solicita-</p><p>8</p><p>1</p><p>ções de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde</p><p>que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão</p><p>ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se</p><p>refere a informação, por prática de infração administrativa.</p><p>Dívida ativa</p><p>A dívida ativa corresponde a um cadastro da autoridade fiscal que contempla</p><p>os créditos tributários não pagos.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Mas por que os tributos não pagos recebem a denominação de “dívida ativa”?</p><p>Para tanto, o termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade</p><p>competente, deve conter obrigatoriamente: o nome do devedor e, sendo caso, o</p><p>dos corresponsáveis bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência</p><p>de um e de outros; a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora</p><p>acrescidos; a origem e a natureza do crédito, mencionada, especificamente, a</p><p>disposição da lei em que seja fundado; a data em que foi inscrita, sendo, no caso,</p><p>o número do processo</p><p>administrativo de que se originar o crédito; e a indicação</p><p>do livro e da folha da inscrição.</p><p>Ainda que a omissão/incorreção desses requisitos sejam causas de nulidade</p><p>da inscrição e do respectivo processo de cobrança, ela poderá ser sanada até a</p><p>decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvi-</p><p>Como esclarece Alexandre (2017), a dívida do sujeito passivo é um ativo, que, após</p><p>o cumprimento de determinados requisitos, poderá ser objeto de execução ju-</p><p>dicial. O principal objetivo da inscrição de um crédito tributário em dívida ativa é</p><p>viabilizar a extração do título executivo, que servirá de base para a execução fiscal</p><p>a ser ajuizada pelo Estado na busca da satisfação do seu direito.</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>do ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente</p><p>poderá versar sobre a parte modificada.</p><p>Por fim, convém esclarecer que a dívida ativa regularmente inscrita goza da</p><p>presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova pré-constituída. Tal pre-</p><p>sunção é relativa, pois, se o contribuinte fizer prova em sentido contrário, poderá</p><p>desconstituir o lançamento e afastar a cobrança.</p><p>Conforme esclarece Amaro (2006), lançamento é um procedimento</p><p>administrativo necessário para que o sujeito ativo (o Fisco) possa exercitar</p><p>atos de cobrança do tributo, primeiro, administrativamente e, depois (caso a</p><p>cobrança administrativa não surta efeitos), por meio de ação judicial (execução</p><p>fiscal).</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Certidões negativas</p><p>As certidões negativas correspondem a documentos emitidos pelo Fisco para</p><p>documentar a inexistência de débitos tributários em aberto do contribuinte. A</p><p>jurisprudência, também, tem entendido ser válida a inclusão do descumprimento</p><p>de obrigações acessórias nas certidões.</p><p>Caso o contribuinte possua débitos, mas que estejam em curso de cobrança</p><p>executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja</p><p>suspensa, ele poderá emitir uma “certidão positiva com efeitos de negativa”, a</p><p>qual possui os mesmos efeitos de uma certidão negativa.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você sabia que as certidões negativas são documentos exigidos para a empre-</p><p>sa poder participar de licitações, contratar financiamentos etc.?</p><p>8</p><p>1</p><p>Sendo assim, as certidões negativas podem ser exigidas pela lei como prova da</p><p>quitação de determinado tributo, devendo ser fornecida no prazo de dez dias da</p><p>data da entrada do requerimento na repartição. Na prática, atualmente, grande</p><p>parte das certidões são expedidas automaticamente de forma eletrônica se o con-</p><p>tribuinte não possuir débitos em aberto.</p><p>Como medida de urgência, o art. 207, do Código Tributário Nacional (BRA-</p><p>SIL, 1966), autoriza a dispensa da prova de quitação de tributos, ou o seu supri-</p><p>mento, quando se tratar de prática de ato indispensável para evitar a caducida-</p><p>de de direito, respondendo, porém, todos os participantes no ato pelo tributo</p><p>porventura devido, juros de mora e penalidades cabíveis, exceto as relativas a</p><p>infrações cuja responsabilidade seja pessoal ao infrator. É o caso, por exemplo,</p><p>da apresentação de uma certidão em processo licitatório, sob o infortúnio da</p><p>inviabilidade sistêmica de emissões de certidões pelo Fisco.</p><p>Por fim, ressalta-se a responsabilização pessoal do funcionário em caso de</p><p>certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fa-</p><p>zenda Pública, além da responsabilidade criminal e funcional que no caso couber.</p><p>O Tribunal de Contas da União preparou um guia de aprimora-</p><p>mento da gestão tributária municipal. Acesse para conhecer</p><p>aspectos práticos de melhoria da Administração Tributária.</p><p>EU INDICO</p><p>Além disso, há um curso gratuito sobre Educação Fiscal - Es-</p><p>tado e Tributação, promovido pela Escola de Administração</p><p>Fazendária (ESAF) em parceria com o Programa da União Eu-</p><p>ropeia (EUROSOCIAL). Para conhecer, acesse.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>CONCEITO DE TRIBUTO</p><p>Nos termos do art. 146, III, alínea a, da Constituição Federal, a definição de</p><p>tributo deve ser tratada em lei complementar. Sendo assim, o Código Tributário</p><p>Nacional dispõe expressamente, em seu art. 3º, sobre a definição de tributo.</p><p>Vale ressaltar que, embora o Código Tributário Nacional seja formalmente</p><p>uma lei ordinária (BRASIL, 1966), foi recepcionado pela Constituição de 1988</p><p>com o status de lei complementar.</p><p>De acordo com o art. 3°, do Código Tributário Nacional, “tributo é toda</p><p>prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa expri-</p><p>mir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante</p><p>atividade administrativa plenamente vinculada” (BRASIL, 1966, on-line).</p><p>Vejamos a Figura 2, a seguir, com as principais características dos tributos.</p><p>TRIBUTO</p><p>Prestação</p><p>Pecuniária</p><p>Prestação</p><p>Compulsória</p><p>Não é</p><p>sanção de</p><p>ato ilícito</p><p>Prestação</p><p>instituída</p><p>em lei</p><p>Cobrança</p><p>por atividade</p><p>administrativa</p><p>vinculada</p><p>Figura 2 - Definição de tributo / Fonte: a autora</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por cinco quadrados interligados a um quadrado principal. No</p><p>quadrado, ao centro, está escrito “Tributo”. Dentro do quadrado na parte superior, está escrito “Prestação Pecu-</p><p>niária”; dentro do quadrado da direita, “Prestação Compulsória”; dentro do quadrado da parte inferior direita, “Não</p><p>é sanção de ato ilícito”; dentro do quadrado da parte inferior esquerda, “Prestação instituída em lei”; e, dentro</p><p>do quadrado da esquerda, está escrito “Cobrança por atividade administrativa vinculada”. Estes são todos os</p><p>requisitos para a existência de um tributo.</p><p>8</p><p>4</p><p>Tributo é toda prestação pecuniária compulsória</p><p>O tributo é uma prestação por ser decorrência de uma</p><p>relação obrigacional entre o sujeito ativo e o passivo</p><p>(contribuinte). Essa prestação é pecuniária porque não</p><p>há que se falar em pagamento de tributo com bens (in</p><p>natura) ou com trabalho/serviço (in labore).</p><p>Nos termos do art. 156, inciso XI, do Código Tributário Nacional, é possível a uti-</p><p>lização da dação em pagamento em bens imóveis, na forma e nas condições es-</p><p>tabelecidas em lei, para extinguir o crédito tributário. Atualmente, há uma lei que</p><p>prevê tal hipótese para tributos federais.</p><p>Com relação ao fato de ser prestação pecuniária compulsória, ressalta-se que o tri-</p><p>buto é uma receita derivada do Estado, cobrado em razão de seu poder de império.</p><p>Tributo é uma prestação instituída em lei</p><p>Você já viu que o art. 97, do Código Tributário Nacional, determina que a institui-</p><p>ção de tributos deve ser por lei. Tal obrigatoriedade foi consagrada pelo art. 150, da</p><p>Constituição Federal, o qual dispõe que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito</p><p>Federal e aos Municípios exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça.</p><p>Atualmente, a instituição de tributo somente pode ser levada a efeito com</p><p>base em lei ordinária (ou medida provisória) ou lei complementar, nos casos em</p><p>que a Constituição Federal exigir.</p><p>Nesse sentido, Paulsen (2017) ressalta que as receitas patrimoniais relativas</p><p>ao uso ou à exploração de bens públicos em caráter privado (taxa de ocupação</p><p>de terreno de marinha e compensação financeira pela exploração de recursos</p><p>minerais) não se caracterizam como tributárias, pois não há compulsoriedade</p><p>na constituição do vínculo.</p><p>No que diz respeito às multas tributárias, embora não sejam tributos, o</p><p>art. 97, do Código Tributário Nacional, também prescreve a exigência de sua</p><p>instituição por lei.</p><p>Tributo é uma</p><p>prestação por ser</p><p>decorrência de uma</p><p>relação obrigacional</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Tributo não é sanção de ato ilícito</p><p>Conforme dispõe o art. 3º, do Código Tributário Nacional, um ato ilícito não</p><p>pode ser o fato gerador de um tributo, isto é, a hipótese material de um tributo</p><p>não pode revestir-se de ato ilícito. Contudo, se o fato gerador existente estiver</p><p>vinculado (ainda que indiretamente) a um fato ilícito, poderá ser considerado</p><p>realizado de qualquer maneira.</p><p>Nesse contexto, podemos dizer que as multas tributárias, embora se</p><p>sub-</p><p>metam à legislação tributária, não são, substancialmente, caracterizadas como</p><p>tributo, porque decorrem de uma infração legal. As penalidades pecuniárias,</p><p>embora constituam prestações pecuniárias compulsórias, não têm natureza tri-</p><p>butária, mas são receitas imputadas ao sujeito passivo que descumpriu deveres</p><p>fiscais legalmente previstos.</p><p>O art. 118, do Código Tributário Nacional, prevê o princípio pecunia non</p><p>olet (“o dinheiro não tem cheiro”), segundo o qual a hipótese de incidência</p><p>deve ser aferida abstraindo-se a licitude ou ilicitude do fato. Segundo o art.</p><p>118, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade</p><p>jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou</p><p>terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos e dos efeitos</p><p>dos fatos efetivamente ocorridos.</p><p>Exemplificando, se o fato gerador do IR é “auferir renda”, ainda que a renda</p><p>do contribuinte seja decorrente de atividades ilícitas (tráfico de drogas por exem-</p><p>plo), ocorrerá o fato gerador do imposto. Afinal, tal medida é necessária para</p><p>assegurar-se a justiça fiscal à medida que seria injusto tributar os que, legalmente,</p><p>exercem suas atividades e não tributar aqueles que assim não o fazem.</p><p>A cobrança do tributo ocorre por atividade plenamente</p><p>vinculada</p><p>O art. 142, do Código Tributário Nacional, prevê que o crédito tributário deve ser</p><p>constituído, de forma vinculada e obrigatória, pela autoridade administrativa no</p><p>lançamento. O conceito de ato administrativo vinculado é estudado com detalhes</p><p>pelo Direito Administrativo. Nesses casos, a autoridade não possui qualquer</p><p>margem de liberdade, isto é, deve agir conforme todos os ditames da lei sem a</p><p>utilização de critérios de oportunidade ou conveniência (discricionariedade).</p><p>8</p><p>1</p><p>Para você conhecer a quantidade de tributos arrecadados,</p><p>você pode consultar o site do Impostômetro, o qual considera</p><p>todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo a</p><p>título de tributos: impostos, taxas e contribuições, incluindo as</p><p>multas, os juros e a correção monetária.</p><p>EU INDICO</p><p>CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS</p><p>A doutrina e a jurisprudência já divergiram no passado (e ainda prevalecem</p><p>alguns debates) sobre as espécies tributárias existentes. Entretanto, atualmente,</p><p>há um entendimento que prevalece, admitindo a existência de cinco espécies</p><p>tributárias distintas. Tal entendimento é denominado teoria pentapartida (pois</p><p>prevê cinco espécies), a qual contempla os seguintes tributos: impostos, taxas,</p><p>contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais.</p><p>Impostos</p><p>Os impostos são considerados tributos não vinculados, eis que não são cobrados</p><p>em razão de uma atividade estatal específica em relação ao contribuinte (como é</p><p>o caso das taxas), conforme art. 16, do Código Tributário Nacional.</p><p>Como já visto, alguns impostos possuem características extrafiscais, mas a</p><p>função precípua da instituição de tributos dessa natureza é a arrecadação de</p><p>receitas para que o Estado possa custear os serviços prestados à população em</p><p>geral. Inclusive, conforme se depreende do art. 167, inciso IV, da Constituição</p><p>Federal, é vedada a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa,</p><p>ressalvadas a repartição constitucional de receitas dos impostos, a destinação de</p><p>recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desen-</p><p>volvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária</p><p>e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita</p><p>(princípio na não vinculação). Assim, tanto a cobrança como a destinação da</p><p>receita de impostos são, a rigor, não vinculadas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>https://impostometro.com.br/</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Como explica Paulsen (2017), os impostos incidem necessariamente sobre reve-</p><p>lações de riqueza do contribuinte, recaindo sobre bases econômicas relacionadas,</p><p>exclusivamente, aos contribuintes, como a aquisição de renda, a circulação de</p><p>mercadorias e a propriedade predial e territorial urbana.</p><p>A Constituição Federal (BRASIL, 1988) prevê, expressamente, a competência</p><p>dos entes políticos para a instituição de impostos:</p><p>Agora você já sabe que não faz sentido revoltar-se com as condições das estradas</p><p>porque você paga seu IPVA em dia, pois a arrecadação do IPVA não tem como</p><p>destinação específica os gastos públicos com estradas, mas, sim, custear despe-</p><p>sas estatais em geral.</p><p>IMPOSTOS FEDERAIS</p><p>Imposto de importação (II), imposto de exportação (IE), imposto sobre produtos</p><p>industrializados (IPI), imposto de renda e proventos de qualquer natureza (IR), im-</p><p>posto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores</p><p>mobiliários (IOF), imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), imposto sobre</p><p>grandes fortunas (IGF), Impostos Residuais e Imposto Extraordinário de Guerra.</p><p>IMPOSTOS ESTADUAIS</p><p>Imposto sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos</p><p>(ITCMD), impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre</p><p>prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comu-</p><p>nicação (ICMS) e imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA).</p><p>IMPOSTOS MUNICIPAIS</p><p>Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU), imposto sobre a</p><p>transmissão “intervivos”, a qualquer título, por ato oneroso (ITBI) e imposto sobre</p><p>serviços (ISS).</p><p>8</p><p>8</p><p>Importante destacar que a Constituição Federal não cria por si só tributos,</p><p>mas atribui a respectiva competência para que os entes políticos o façam</p><p>mediante leis próprias.</p><p>IMPOSTOS DA UNIÃO</p><p>(LEI ORDINÁRIA OU MP)</p><p>IMPOSTOS DA UNIÃO</p><p>(LEI COMPLEMENTAR</p><p>IMPOSTOS</p><p>ESTADUAIS</p><p>IMPOSTOS</p><p>MUNICIPAIS</p><p>II</p><p>IE</p><p>IR</p><p>IPI</p><p>IOF</p><p>ITR</p><p>Impostos Extraordinários</p><p>IGF — Imposto de com-</p><p>petência residual (e</p><p>contribuições residuais)</p><p>ITCMD</p><p>IPVA</p><p>ICMS</p><p>ITBI</p><p>IPTU</p><p>ISS</p><p>Existem projetos de lei complementar (PLC) em andamento para fins de insti-</p><p>tuição do IGF, mas, até o momento, não houve avanço na matéria.</p><p>Taxas</p><p>Nos termos do art. 145, inciso II, da Constituição Federal, a taxa é um tributo</p><p>cobrado pelo exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial,</p><p>de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos</p><p>à sua disposição.</p><p>Enquanto a taxa de serviços pode ser cobrada, ainda que não haja fruição</p><p>efetiva do serviço público, a taxa de polícia depende do efetivo exercício da ativi-</p><p>dade da Administração, de modo que não há que se falar em taxa de polícia pelo</p><p>Quadro 1 - Impostos previstos na Constituição Federal / Fonte: a autora.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você sabia que, até o momento, a União não criou o imposto sobre grandes</p><p>fortunas?</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>exercício potencial dessa função administrativa. É exatamente nesse ponto em</p><p>que reside a grande diferença entre taxas e impostos, uma vez que as taxas são</p><p>tributos vinculados (contraprestacionais), já que são cobradas quando o Estado</p><p>exerce o poder de polícia ou presta serviços públicos específicos e indivisíveis.</p><p>O conceito de poder de polícia está previsto no art. 78, do Código Tributário Na-</p><p>cional. Considera-se poder de polícia a atividade da Administração Pública que,</p><p>limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato</p><p>ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança,</p><p>à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao</p><p>exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização</p><p>do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos</p><p>direitos individuais ou coletivos. Um exemplo é a taxa de licença de publicidade</p><p>para estabelecimentos comerciais.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Com relação ao tema, o Supremo Tribunal Federal editou duas súmulas vincu-</p><p>lantes (SV). A SV nº 19 (BRASIL, 2009) aduz que a taxa cobrada exclusivamente</p><p>em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de</p><p>lixo ou resíduos</p><p>provenientes de imóveis é constitucional, isto é, a Corte Suprema</p><p>entende que o serviço de coleta de lixo é específico e divisível.</p><p>Por sua vez, a SV nº 41 (BRASIL, 2015) expõe o entendimento da Corte</p><p>Suprema de que o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado me-</p><p>diante taxa, já que se trata de um serviço uti universi, isto é, que não é específico</p><p>e divisível. Entretanto o texto constitucional foi alterado para incluir o art. 149-A,</p><p>o qual autoriza os Municípios a instituir contribuição para o custeio do serviço</p><p>de iluminação pública (COSIP).</p><p>Destaca-se que não se deve confundir as taxas (que são tributos) com as tari-</p><p>fas/preços públicos, sendo esses últimos, normalmente, decorrentes da iniciativa</p><p>privada, em razão da concessão para prestação de um serviço público, como a</p><p>cobrança de pedágios pelas concessionárias de rodovias.</p><p>As taxas são compulsórias, apresentando como fato gerador o exercício do</p><p>poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público especí-</p><p>fico e divisível, sendo que, se o serviço estiver à disposição, ainda que o contri-</p><p>buinte não o utilize, estará sujeito à exação.</p><p>9</p><p>1</p><p>Contribuições de melhoria</p><p>A contribuição de melhoria é um tributo vinculado (contraprestacional), co-</p><p>brado em razão de valorização imobiliária decorrente de obra pública. Tal tributo</p><p>é cobrado no intuito de ressarcir a Administração Pública dos gastos (totais ou</p><p>parciais) com a realização de obra de caráter público, razão pela qual o sujeito</p><p>ativo não pode cobrar além do valor gasto com a obra.</p><p>De acordo com a Constituição Federal, a contribuição de melhoria é cobrada</p><p>em razão de obras públicas, ao passo que, nos termos do art. 81, do Código Tri-</p><p>butário Nacional, o tributo é instituído para fazer face ao custo de obras públicas</p><p>que decorram valorização imobiliária. Por sua vez, o Decreto-Lei nº 195/67, o</p><p>qual foi recepcionado em nosso ordenamento jurídico como norma geral da</p><p>contribuição de melhoria, disciplina que o fato gerador é o acréscimo do valor</p><p>do imóvel localizado nas áreas beneficiadas, direta ou indiretamente, por obras</p><p>públicas. Como se vê, o fato gerador da contribuição de melhoria não é a mera</p><p>realização da obra, mas, sim, a valorização imobiliária dela decorrente.</p><p>Tendo em vista que a Constituição Federal não faz exigência expressa de lei</p><p>complementar para regular as contribuições de melhoria, tais tributos podem</p><p>ser criados por lei ordinária. Mas, ainda que a lei instituidora do tributo seja</p><p>antecedente, o fato gerador (e, portanto, o lançamento) deve ocorrer após a</p><p>conclusão da obra mediante a comprovação da valorização imobiliária. Tra-</p><p>ta-se de um tributo de competência comum, eis que qualquer um dos entes</p><p>políticos (União, Estados, DF e Municípios) pode ser sujeito ativo instituindo</p><p>a contribuição de melhoria.</p><p>No que diz respeito ao sujeito passivo, o art. 8º. do referido Decreto-Lei.</p><p>dispõe que é o proprietário do imóvel ao tempo do seu lançamento, e essa res-</p><p>ponsabilidade se transmite aos adquirentes e sucessores, a qualquer título, do</p><p>domínio do imóvel. De acordo com a doutrina majoritária, o sujeito passivo é o</p><p>proprietário, titular do domínio útil ou possuidor do imóvel. No que diz respeito</p><p>ao valor devido pela contribuição de melhoria, decorre da combinação de</p><p>dois limites, quais sejam: o total (despesa total realizada) e o individual (acrésci-</p><p>mo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado).</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Empréstimos compulsórios</p><p>Os empréstimos compulsórios são tributos regulados pelo art. 148, da Cons-</p><p>tituição Federal, e art. 15, do Código Tributário Nacional. Tal tributo somente</p><p>pode ser instituído pela União, mediante lei complementar, em duas situações</p><p>distintas: para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade</p><p>pública, de guerra externa ou sua iminência e no caso de investimento público</p><p>de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Na primeira situação, não é</p><p>necessária a observância do princípio da anterioridade.</p><p>Ressalta-se que o art. 15, inciso III, do Código Tributário Nacional, prevê uma</p><p>terceira hipótese de situação que ensejaria a cobrança de empréstimo compulsó-</p><p>rio, qual seja: a conjuntura que exija a absorção temporária de poder aquisitivo.</p><p>Entretanto, por não haver tal previsão na Constituição Federal, entende-se que o</p><p>inciso não foi recepcionado pelo ordenamento atual. Mesmo assim, o Governo</p><p>Federal fez uso de empréstimo compulsório para garantir a liquidez da economia</p><p>em 1990 (Plano Collor), bloqueando saldos de cadernetas de poupança.</p><p>Sendo assim, todas as despesas realizadas para a execução da obra devem ser</p><p>rateadas entre os contribuintes, sendo que o rateio atribuído não deve ultrapas-</p><p>sar o valor da valorização imobiliária daquele imóvel. O limite total será aplicado</p><p>levando-se em conta o montante pago por todos os imóveis localizados na área</p><p>de influência da obra.</p><p>9</p><p>1</p><p>Verifica-se que os empréstimos compulsórios são tributos de arrecadação vin-</p><p>culada à medida que a aplicação dos recursos deve ser vinculada à despesa que</p><p>fundamentou sua instituição. Mas, com relação à vinculação da arrecadação,</p><p>não quer dizer que estamos diante de um tributo vinculado, pois, para assim</p><p>ser considerado, há de ser analisado se o fato gerador eventualmente previsto</p><p>pelo legislador teria caráter contraprestacional. A lei que instituir o empréstimo</p><p>compulsório e seu respectivo fato gerador deve fixar o prazo do empréstimo e as</p><p>condições de seu resgate.</p><p>Contribuições especiais</p><p>Dentre as espécies tributárias, as contribuições especiais são aquelas que mais</p><p>suscitam debates. Em resumo, podemos dizer que a principal característica das</p><p>contribuições especiais é o fato de tais tributos possuírem finalidades determi-</p><p>nadas (tributo finalístico). De acordo com o art. 149, da Constituição Federal,</p><p>a União é competente para instituir contribuições sociais, de intervenção no</p><p>domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas,</p><p>como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas.</p><p>Contribuições sociais</p><p>Podemos classificar como contribuições sociais aquelas previstas no art. 195,</p><p>da Constituição Federal, a contribuição para o salário educação prevista no art.</p><p>212, parágrafo quinto, e as contribuições para os serviços sociais autônomos. As</p><p>últimas são aquelas notoriamente conhecidas como “Sistema S” (SESI, SENAI</p><p>etc.), que são vinculadas às pessoas jurídicas de direito privado que realizam</p><p>atividades de interesse público.</p><p>Nesse contexto, tais entidades estariam legitimadas a serem destinatárias da</p><p>arrecadação das contribuições conforme art. 240, da Constituição Federal, con-</p><p>figurando um exemplo de parafiscalidade.</p><p>Encontram-se, nesse rol de contribuições sociais, o PIS (Programa de Integra-</p><p>ção Social) e a Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social),</p><p>que incidem sobre o faturamento das empresas e importações, e a CSLL (Con-</p><p>tribuição Social sobre o Lucro Líquido), que incide sobre o lucro das empresas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE)</p><p>A instituição das CIDEs se presta para fins de intervenção na economia pela</p><p>destinação da arrecadação à determinada atividade. No caso da Lei nº 10.168/00</p><p>(BRASIL, 2000), houve a instituição de contribuição de intervenção de domínio</p><p>econômico para financiar o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Em-</p><p>presa para o Apoio à Inovação e dá outras providências, mediante sua destinação</p><p>ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A</p><p>CIDE (denominada CIDE-Royalties) é devida pela pessoa jurídica detentora de</p><p>licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos bem como aquela</p><p>signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com</p><p>residentes ou domiciliados no exterior.</p><p>Por sua vez, a CIDE-Combustíveis, prevista no próprio texto constitucional</p><p>(art. 177, parágrafo quarto), destina-se ao pagamento</p><p>de subsídios a preços ou</p><p>transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de</p><p>petróleo, financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do</p><p>petróleo e do gás e financiamento de programas de infraestrutura de transportes.</p><p>Contribuições de interesse das categorias profissionais ou</p><p>econômicas</p><p>Tais contribuições, também denominadas, por parte da doutrina, “contribuições</p><p>corporativas”, são criadas pela União com o fim de geração de recursos para ati-</p><p>vidades de interesses de instituições representativas ou fiscalizatórias de catego-</p><p>rias profissionais ou econômicas, como é o caso da contribuição sindical fixada</p><p>A parafiscalidade está relacionada à cobrança de contribuições parafiscais,</p><p>que são aquelas cuja arrecadação é destinada ao custeio de atividades em pa-</p><p>ralelo ao Estado, isto é, atividades exercidas por entidades privadas, mas volta-</p><p>das a programas sociais e de interesse público. Como exemplo, podemos citar</p><p>o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Sistema S (SESI,</p><p>SENAI, SENAC, SESC etc.), salário-educação, entre outros.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>9</p><p>4</p><p>em lei e aquelas destinadas aos conselhos de fiscalização de profissões (CREA,</p><p>CRC, CRM, CRECI etc.). Vale mencionar que. conforme já decidido pelo Poder</p><p>Judiciário. a anuidade paga à OAB possui caráter sui generis, de modo que não</p><p>pode ser caracterizada como tributo.</p><p>A contribuição especial prevista no art. 149, parágrafo</p><p>primeiro</p><p>Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir contribuição,</p><p>cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime pre-</p><p>videnciário de que trata o art. 40. da Constituição Federal, cuja alíquota não será</p><p>inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União.</p><p>Contribuição para custeio da iluminação pública:</p><p>contribuição do art. 149-A</p><p>Como já visto, as taxas devem ser instituídas para a cobrança de serviços públi-</p><p>cos específicos e divisíveis ou em razão do exercício do Poder de Polícia, razão</p><p>pela qual o STF editou a Súmula Vinculante nº 41, que veda a instituição de taxa</p><p>para o serviço de iluminação pública, por tratar-se de serviço universal. Sendo</p><p>assim, a Emenda Constitucional nº 39, de 2002 (Brasil, 2002), incluiu, no texto</p><p>constitucional, a possibilidade de os Municípios e o Distrito Federal instituírem</p><p>contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública, podendo a cobran-</p><p>ça ser realizada na fatura de consumo de energia elétrica.</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Os profissionais militantes da área tributária ou empresarial, de modo geral, li-</p><p>dam, quase que diariamente, com situações práticas envolvendo regras relativas</p><p>à Administração Tributária.</p><p>Imagine uma simples empresa metalúrgica de pequeno porte que venha a</p><p>ser alvo de uma operação de fiscalização de diversas empresas do setor, em que</p><p>o Fiscal responsável resolva solicitar diversos documentos comerciais sigilosos</p><p>das empresas que nada têm relação com o tributo fiscalizado.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Por falta de conhecimento ou assessoramento de um bom profissional, po-</p><p>rém, a empresa não se defende do auto de infração fiscal lavrado com diversas</p><p>ilegalidades durante o curso do processo fiscalizatório. A inércia culmina na</p><p>inscrição em dívida ativa da dívida, justamente no período em que a empresa</p><p>está necessitando de um empréstimo bancário para conseguir estabilizar sua</p><p>situação financeira, mas fica impedida de conseguir, pois não é possível a emis-</p><p>são da certidão negativa.</p><p>Na situação apresentada, a falta de conhecimento sobre as regras de Adminis-</p><p>tração Tributária fez com que a empresa perpetuasse uma grave situação financeira.</p><p>Já a conceituação de tributo e delimitação das respectivas espécies, tam-</p><p>bém, possui implicações práticas relevantes, inclusive, na vida de uma pessoa</p><p>comum, como no caso (que não é raro) em que o Fisco tenta cobrar como</p><p>tributo algo que não é.</p><p>Para exemplificar, cito o caso ocorrido na cidade em que resido (Ubatuba-SP),</p><p>onde a Prefeitura tentou cobrar uma taxa em função do acesso e da permanência</p><p>na cidade de veículos de transporte turístico, como ônibus (“taxa de turismo”),</p><p>micro-ônibus e vans, instituída por decreto.</p><p>Ocorre que a referida taxa possui as características de uma obrigação tri-</p><p>butária por se tratar de taxa cobrada em razão do exercício do poder de polícia</p><p>(de forma que não poderia ter sido instituído por decreto) e fere o princípio da</p><p>restrição ao tráfego intermunicipal. Assim, a Associação Brasileira dos Fretadores</p><p>Colaborativos ingressou com uma ação judicial para discutir a Lei n° 3.723/2014</p><p>e Decretos nº 7707/2021 e nº 7826/2022, normas do município de Ubatuba.</p><p>Por superveniência da Lei Complementar Municipal nº 26/2022, que revogou</p><p>expressamente a norma impugnada, a ação perdeu o objeto.</p><p>9</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. A dívida ativa corresponde a um cadastro da autoridade fiscal que contempla os cré-</p><p>ditos tributários não pagos.</p><p>I - O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, deve</p><p>conter obrigatoriamente: o nome do devedor e, sendo caso, o dos corresponsáveis</p><p>bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; a</p><p>quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos; a origem e a</p><p>natureza do crédito, mencionada, especificamente, a disposição da lei em que seja</p><p>fundado; a data em que foi inscrita; sendo caso, o número do processo administrativo</p><p>de que se originar o crédito; e a indicação do livro e da folha da inscrição.</p><p>II - A dívida ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o</p><p>efeito de prova pré-constituída</p><p>III - A presunção de certeza e liquidez da dívida ativa é absoluta.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>2. No Brasil, atualmente, adota-se a teoria pentapartida para fins de classificação</p><p>dos tributos.</p><p>I - De acordo com a teoria pentapartida, existem cinco espécies tributárias.</p><p>II - De acordo com a teoria pentapartida, os impostos são espécies tributárias.</p><p>III - De acordo com a teoria pentapartida, as contribuições especiais são espécies tributárias.</p><p>IV - De acordo com a teoria pentapartida, as taxas não são espécies tributárias.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) II e IV, apenas.</p><p>c) III e IV, apenas.</p><p>d) I, II e III, apenas.</p><p>e) I, II, III e IV.</p><p>9</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>3. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação</p><p>proposta entre elas:</p><p>I - As taxas são tributos vinculados.</p><p>PORQUE</p><p>II - A taxa de serviços pode ser cobrada ainda que não haja fruição efetiva do serviço público.</p><p>A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:</p><p>a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.</p><p>b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.</p><p>c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.</p><p>d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.</p><p>e) As asserções I e II são falsas.</p><p>9</p><p>8</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALEXANDRE, R. Direito tributário. 11. ed. rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2017.</p><p>AMARO, L. Direito tributário brasileiro. 12. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2006.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula n° 439. Estão sujeitos à fiscalização tributária ou</p><p>previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investiga-</p><p>ção. DJ de 12 out. 1964. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumu-</p><p>las.asp?base=30&sumula=4293. Acesso em: 21 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional</p><p>e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível</p><p>em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso em: 21 ago. 2023.</p><p>BRASIL [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil</p><p>de 1988.</p><p>Brasília, DF: Presidência da República, [2022].</p><p>BRASIL. Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. Institui contribuição de intervenção</p><p>de domínio econômico destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação Universida-</p><p>de-Empresa para o Apoio à Inovação e dá outras providências. Disponível em: http://www.</p><p>planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10168.htm. Acesso em: 21 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Emenda Constitucional nº 39, de 19 de dezembro de 2002. Acrescenta o art.</p><p>149-A à Constituição Federal (Instituindo contribuição para custeio do serviço de iluminação</p><p>pública nos Municípios e no Distrito Federal). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc39.htm. Acesso em: 21 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante n° 19. A taxa cobrada exclusiva-</p><p>mente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de</p><p>lixo ou resíduos provenientes de imóveis não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.</p><p>DJE de 10 nov. 2009. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumulas.</p><p>asp?base=26&sumula=1248. Acesso em: 21 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante n° 41. O serviço de iluminação pú-</p><p>blica não pode ser remunerado mediante taxa. DJE de 20 mar. 2015. Disponível em: https://</p><p>portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumulas.asp?base=26&sumula=2218#:~:text=O%20</p><p>servi%C3%A7o%20de%20ilumina%C3%A7%C3%A3o%20p%C3%BAblica%20n%C3%A3o%20</p><p>pode%20ser%20remunerado%20mediante%20taxa.&text=I%20%E2%80%94%20Lei%20</p><p>que%20restringe%20os,do%20servi%C3%A7o%20de%20ilumina%C3%A7%C3%A3o%20p%-</p><p>C3%BAblica. Acesso em: 21 ago. 2023.</p><p>CARVALHO, P. de B. Curso de Direito Tributário. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.</p><p>MACHADO S, H. de B. Manual de direito tributário. 10. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo:</p><p>Atlas, 2018.</p><p>PAULSEN, L. Curso de direito tributário completo. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>9</p><p>9</p><p>1. C. A presunção é relativa, pois o contribuinte pode fazer prova em sentido contrário, po-</p><p>dendo desconstituir o lançamento e afastar a cobrança.</p><p>2. D. As taxas são espécies tributárias.</p><p>3. B. As taxas são tributos vinculados porque possuem caráter contraprestacional.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>COMPETÊNCIA, LIMITAÇÃO E</p><p>OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA</p><p>Definir o que é competência tributária.</p><p>Classificar os tipos de competência tributária.</p><p>Demonstrar como surge a competência tributária.</p><p>Apresentar as principais características da obrigação tributária.</p><p>Diferenciar competência tributária e capacidade tributária passiva.</p><p>Indicar os principais conflitos de competência tributária.</p><p>Apontar os casos de responsabilidade tributária.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>O tributo é o mais relevante instrumento de poder do Estado para suprir os</p><p>principais gastos públicos (saúde, educação, segurança etc.). É pela transferência</p><p>de recursos das pessoas (físicas) e de outras entidades, como as empresas, que o</p><p>Estado consegue manter sua máquina operando.</p><p>Assim, temos, de um lado, a função social do tributo, que está intrinsecamen-</p><p>te vinculada à garantia do bem comum, pela manutenção do Estado, isto é, pela</p><p>arrecadação para fins de promoção da melhoria do desenvolvimento socioeco-</p><p>nômico do país. Mas, por outro lado, temos necessidade de limitação ao poder de</p><p>tributar e imposição de regras para a criação e cobrança de tributos, evitando-se</p><p>que os contribuintes tenham seus recursos necessários ceifados, inclusive, para</p><p>sua própria sobrevivência. Afinal, tanto as necessidades dos contribuintes como</p><p>as do Estado tendem a ser cada vez maiores.</p><p>Nesse contexto, se, hoje, algum parente ou amigo próximo, que possui uma</p><p>empresa que presta serviços em diversos municípios, questionasse você sobre</p><p>qual o município que pode cobrar tributo sobre o serviço prestado ou sobre quem</p><p>deve pagar o tributo, você saberia responder?</p><p>Assim, para atuação prática na área tributária, é preciso compreender quem</p><p>está apto para criar e/ou cobrar determinado tributo e o que pode ser exigido</p><p>do contribuinte. Tais perguntas são esclarecidas pelas regras de competência,</p><p>responsabilidade tributária e obrigação tributária.</p><p>O tema da responsabilidade tributária é de alta relevância na prática tributária.</p><p>Não deixe de acessar o podcast que preparei sobre substituição tributária.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA</p><p>A competência tributária é a aptidão atribuída pela Constituição Federal (BRA-</p><p>SIL, 1988) aos entes políticos para instituir, arrecadar, fiscalizar e executar leis</p><p>referentes a tributos.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda dos assuntos que são tratados nas regras de Administração</p><p>Tributária do Código Tributário Nacional? Acesse o estudo tributário do Ministério</p><p>da Fazenda sobre a Visão Geral do Sistema e Administração Tributária.</p><p>A Administração Pública Direta compreende pessoas jurídicas que são dotadas</p><p>de autonomia política, denominadas entidades políticas, ou entes federados: Un-</p><p>ião, Estados, Distrito Federal e Municípios. Tais entes são dotados de competên-</p><p>cias legislativas e administrativas determinadas na própria Constituição Federal.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>A Constituição Federal não institui tributos, mas atribui aos entes políticos a</p><p>possibilidade de os criar mediante lei. Conforme leciona Machado Segundo</p><p>(2018), a competência tributária é o poder de tributar reconhecido, delimita-</p><p>do e, eventualmente, dividido em seu exercício por normas constitucionais.</p><p>Em Estados que adotam a estrutura federal, em que há uma divisão vertical</p><p>no exercício do poder entre um ente central e entes periféricos, a compe-</p><p>tência tributária decorre não apenas da apontada limitação, mas também</p><p>da divisão do exercício do poder de criar tributos entre os entes federativos.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>No Brasil, adota-se tal modelo, cujo texto constitucional atribui competência para</p><p>instituir tributos à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. A</p><p>doutrina aponta as seguintes características da competência tributária:</p><p>e) A competência tributária é indelegável</p><p>Conforme mencionado, a competência abrange a possibilidade de instituição,</p><p>arrecadação e fiscalização de tributos. No que diz respeito à possibilidade de</p><p>instituição de tributos, dizemos que a competência tributária é efetivamente in-</p><p>delegável, de modo que o ente tributante não pode conferir a qualquer outro</p><p>a prerrogativa de instituição de um tributo, cuja competência lhe esteja deter-</p><p>minada pela Constituição Federal. Entretanto o art. 7º, do Código Tributário</p><p>Nacional, determina que as funções de arrecadação e fiscalização (e execução de</p><p>leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária) de tributos</p><p>podem ser delegadas a uma outra pessoa jurídica de Direito Público.</p><p>A doutrina diferencia competência tributária e capacidade tributária ativa.</p><p>Segundo Alexandre (2017), em sentido estrito, a competência tributária é política e</p><p>se refere à possibilidade de editar lei instituindo o tributo, definindo seus elementos</p><p>essenciais. Por sua vez, a capacidade ativa decorre da competência tributária, mas</p><p>possui natureza administrativa, referindo-se às funções de arrecadar ou fiscalizar</p><p>tributos, ou de executar leis, serviços, atos etc. Assim, em sentido amplo, a com-</p><p>petência é a soma de quatro atribuições (instituir, arrecadar, fiscalizar e executar</p><p>leis, serviços, atos ou decisões administrativas) relativas ao tributo.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Assim, dizemos que a capacidade tributária ativa é delegável, enquanto que</p><p>a prerrogativa da instituição de tributos é indelegável. A delegação da ca-</p><p>pacidade tributária ativa pode ser revogada a qualquer tempo, por ato unilateral</p><p>da pessoa jurídica de Direito Público que a tenha conferido.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>f) A competência tributária é incaducável/imprescritível e irrenunciável</p><p>A imprescritibilidade</p><p>Em</p><p>decorrência, se, por um lado, há prerrogativas para os entes federativos, por ou-</p><p>tro, a indisponibilidade do interesse público acarreta determinadas restrições</p><p>impostas à atuação do Estado.</p><p>Por exemplo, diferentemente de você ou de uma empresa comum, os entes</p><p>federativos não podem fazer compras onde e quando quiserem nem contratar</p><p>qualquer pessoa para trabalhar. Os entes federativos necessitam realizar um pro-</p><p>cedimento formal, chamado licitação, para aquisição de bens e realizar concurso</p><p>público para a contratação de servidores. Outro exemplo que ilustra bem essa</p><p>verticalidade nas relações de Direito Público acontece quando particulares estão</p><p>discutindo, em um processo judicial, contraentes federativos. Nesse caso, os entes</p><p>federativos possuem prazos muito maiores para defender-se.</p><p>Caro estudante, conheça as principais diferenças nas relações de Direito Pú-</p><p>blico e Direito Privado, no Quadro 1:</p><p>DIREITO PÚBLICO DIREITO PRIVADO</p><p>Há supremacia do interesse público</p><p>sobre o privado e indisponibilidade do</p><p>interesse público.</p><p>Há, em regra, livre manifestação de</p><p>vontade, liberdade contratual e igualdade</p><p>entre as partes.</p><p>Prevalecem relações verticais Prevalecem relações horizontais.</p><p>Quadro 1 - Principais diferenças nas relações de Direito Público e Privado / Fonte: a autora.</p><p>A doutrina majoritária de Direito Administrativo esclarece que o princípio da su-</p><p>premacia do interesse público deve ser manifestado tendo em vista a posição de</p><p>superioridade do poder público nas relações jurídicas mantidas com os particu-</p><p>lares, o que é justificado pela prevalência dos interesses coletivos sobre aqueles</p><p>individuais. Já o princípio da indisponibilidade do interesse público é justificado pelo</p><p>fato de o poder público dever resguardar os interesses da sociedade e não gozar de</p><p>livre disposição dos bens que administra, pois o titular desses bens é o povo.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>1</p><p>1</p><p>ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO E O DIREITO</p><p>TRIBUTÁRIO</p><p>A atividade financeira do Estado compreende o conjunto de ações desempenha-</p><p>das para obter recursos e a respectiva realização de gastos para a execução de</p><p>necessidades públicas. Assim, a doutrina aponta que a atividade financeira do</p><p>Estado possui três elementos indissociáveis: o orçamento público, (que delimita)</p><p>as receitas e as despesas, as condições de obtenção de receita e as condições do</p><p>gasto do dinheiro público.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Por que o Estado necessita de recursos financeiros?</p><p>É dever do Estado assegurar o bem comum e, para atingir tal objetivo, necessita</p><p>obter recursos financeiros. Os recursos podem ser obtidos de duas formas distintas.</p><p>A primeira delas refere-se à obtenção de receitas públicas originárias. Nesse caso,</p><p>o Estado relaciona-se, de forma horizontal, com particulares, pois obtém receitas</p><p>pela utilização do seu próprio patrimônio (é o caso, por exemplo, de uma locação</p><p>entre o Estado e um particular), ou explora, diretamente, a atividade econômica.</p><p>Ressalta-se que a exploração direta de atividade econômica pelo Estado so-</p><p>mente é possível nos casos previstos, expressamente, na Constituição Federal</p><p>(BRASIL, 1988), sendo permitida tão somente quando necessária aos imperati-</p><p>vos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo.</p><p>De outro lado, existem as receitas públicas derivadas, situação na qual o Es-</p><p>tado relaciona-se, de forma vertical, com os particulares. Para Piscitelli (2015), as</p><p>receitas originárias são aquelas resultantes das atividades do Estado como agente</p><p>particular e, portanto, estão submetidas ao direito privado, havendo uma relação</p><p>horizontal que se estabelece entre Estado e particular. Como exemplo, é possível</p><p>citar as receitas provenientes de contratos, exploração do patrimônio do Estado,</p><p>por meio de vias públicas, e prestação de serviços públicos por concessionários.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Oliveira e Horvath (2001) definem as receitas originárias como aquelas obtidas</p><p>pelo próprio patrimônio do Estado e de seus bens e de empresas comerciais ou</p><p>industriais, sem se valer do poder de império sobre os cidadãos para arrecadá-</p><p>-las, ao passo que as receitas derivadas são obtidas pelo Estado valendo-se do</p><p>seu poder de autoridade.</p><p>Por sua vez, as receitas derivadas, conforme ensina Piscitelli (2015), são aque-</p><p>las cuja origem está no poder de imposição do Estado em face do particular,</p><p>havendo uma relação de subordinação entre o Estado e o particular, na qual</p><p>esse último é obrigado a entregar recursos ao Estado. Os tributos constituem um</p><p>clássico exemplo de receitas derivadas.</p><p>Para fins didáticos, podemos, então, dividir a atividade financeira do Estado em</p><p>dois aspectos. O primeiro trata da arrecadação e fiscalização de tributos/multas e o</p><p>outro se refere à forma como o Estado controla/gerencia suas receitas e seus gastos.</p><p>O primeiro aspecto diz respeito ao Direito Tributário, enquanto as ques-</p><p>tões de controle e gerenciamento de receitas e gastos são objeto de estudo do</p><p>Direito Financeiro.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Mas qual é, então, a função dos tributos?</p><p>Conforme apontado anteriormente, o principal objetivo dos tributos sempre foi</p><p>o de arrecadar recursos financeiros para o Estado. Mas, no mundo moderno,</p><p>Machado Segundo (2006) explica que o tributo, também, é muito utilizado com o</p><p>objetivo de interferir na economia privada, para estimular atividades, setores eco-</p><p>nômicos ou regiões e desestimular o consumo de certos bens. Assim, podemos</p><p>dizer que, atualmente, dificilmente, um tributo é utilizado tão somente para fins</p><p>arrecadatórios, de modo que, quanto ao objetivo, os tributos subdividem-se em:</p><p>a) fiscais: quando o principal objetivo é a arrecadação de recursos finan-</p><p>ceiros para o Estado. Ressalta-se que todo o tributo terá, ao menos, par-</p><p>cialmente, a função fiscal.</p><p>b) extrafiscais: quando o principal objetivo é a interferência do Estado na</p><p>economia, extrapolando a mera função arrecadatória. O tributo é cobra-</p><p>1</p><p>4</p><p>do para fins de estimular ou desestimular certos comportamentos e/ou</p><p>influenciar o mercado de alguma forma.</p><p>Podemos citar, por exemplo, o Imposto de Importação, que pode ter suas alíquo-</p><p>tas elevadas para desestimular importações de determinados produtos, fomen-</p><p>tando aquisições nacionais.</p><p>a) parafiscais: quando o principal objetivo é a arrecadação de recursos</p><p>para o custeio de atividades que, em princípio, não são próprias do</p><p>Estado. Podemos citar, como exemplo, as contribuições ao Instituto</p><p>Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Sistema S</p><p>(SESI, SENAI, SENAC, SESC etc.).</p><p>Para Machado Segundo (2018), o Direito Financeiro é composto por normas que</p><p>disciplinam a forma como são obtidos, geridos e aplicados os recursos necessári-</p><p>os ao funcionamento da máquina estatal (receitas, orçamento, despesas etc.), já</p><p>o conjunto de normas que trata da obtenção de receitas tributárias vincula-se ao</p><p>Direito Tributário.</p><p>O Direito Financeiro é o ramo do Direito que tem por objeto a parte da atividade</p><p>financeira do Estado referente ao orçamento público e gerenciamento de receitas</p><p>e gastos. Para definir Direito Tributário, citamos a lição de Carvalho (2000), que</p><p>define esse ramo didaticamente autônomo do direito como aquele integrado</p><p>pelo conjunto de proposições jurídico-normativas que correspondam, direta</p><p>ou indiretamente, à instituição, à arrecadação e à fiscalização de tributos. Em</p><p>suma, podemos dizer, então, que o Direito Tributário é um ramo autônomo do</p><p>Direito Público que contempla as normas que tratam da instituição (criação),</p><p>arrecadação e fiscalização de tributos. Observe a Figura 1:</p><p>Figura 1 - Características do Direito Tributário / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura apresenta uma equação em que a criação, somada à arrecadação e à fiscalização,</p><p>t1taliza o direito tributário.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>CATEGORIA DE TRIBUTOS</p><p>Além do conceito de Direito Tributário propriamente dito, para melhor com-</p><p>preensão da matéria e dos temas que serão estudados, é fundamental a com-</p><p>preensão sobre as categorias</p><p>da competência tributária diz respeito ao fato de ela não</p><p>deixar de existir caso o ente não venha a exercê-la durante certo período. Podemos</p><p>citar, como exemplo, o imposto sobre grandes fortunas, previsto no art. 153, inciso</p><p>VII, que nunca foi instituído pela União (mas poderá ser instituído no futuro).</p><p>COMPETÊNCIA</p><p>TRIBUTÁRIA</p><p>INSTITUIÇÕES DE</p><p>TRIBUTO - INDELEGÁVEL 01</p><p>02</p><p>ARRECADAÇÃO</p><p>DE TRIBUTOS</p><p>FISCALIZAÇÃO -</p><p>DELEGÁVEL</p><p>03</p><p>EXECUÇÃO DE LEIS,</p><p>SERVIÇOS, ATOS E DECISÕES</p><p>ADMINISTRATIVAS</p><p>- DELEGÁVEL</p><p>Por que será que o imposto sobre grandes fortunas nunca foi criado?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>g) A competência tributária é facultativa</p><p>A doutrina não é uníssona ao tratar do tema. Porém prevalece o entendimento de</p><p>que a competência tributária é uma faculdade constitucional, de modo que cada</p><p>ente político tem a prerrogativa de decidir se irá exercê-la ou não. Tal faculdade</p><p>foi atenuada após o advento da Lei Complementar nº 101/2000 (BRASIL, 2000),</p><p>que prevê, em seu art. 11, que constituem requisitos essenciais da responsabili-</p><p>dade na gestão fiscal a instituição, a previsão e a efetiva arrecadação de todos os</p><p>tributos da competência constitucional do ente da Federação, sendo que é vedada</p><p>a realização de transferências voluntárias para o ente que não observar a regra em</p><p>relação aos impostos. As competências tributárias são classificadas pela doutrina</p><p>em privativa, comum e residual.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Em caso de conflito de competências, o art. 146, inciso I, da Constituição Federal,</p><p>prevê que deve ser disposto por lei complementar de caráter nacional, já que não</p><p>seria viável deixar que os próprios entes tributantes resolvessem tais conflitos</p><p>com sua legislação interna.</p><p>COMPETÊNCIA PRIVATIVA</p><p>Segundo Paulsen (2017), a competência privativa é aquela atribuída a um ente</p><p>político de forma específica, como a competência atribuída pela Constituição Federal</p><p>à União, para o imposto sobre produtos industrializados, aos Estados, para os</p><p>impostos sobre circulação de mercadorias, e aos municípios, para os impostos sobre</p><p>serviços de qualquer natureza, visto que o ICMS, também, abrange alguns serviços.</p><p>COMPETÊNCIA COMUM</p><p>Já a competência comum é aquela atribuída aos entes políticos em geral (União,</p><p>Estados, Distrito Federal e Municípios), como a de instituir taxas pela prestação</p><p>de serviços específicos e divisíveis ou pelo exercício do poder de polícia, ou mes-</p><p>mo de instituir contribuições de melhoria pelas obras que realizarem.</p><p>COMPETÊNCIA RESIDUAL</p><p>É atribuída à União para a instituição de tributos sobre bases econômicas distintas</p><p>daquelas já estabelecidas no texto constitucional, como o caso do art. 154, inciso</p><p>I, da Constituição Federal, que permite à União a instituição de outros impostos</p><p>além daqueles que discrimina em seus arts. 153, 155 e 156, e o que ocorre com as</p><p>contribuições de seguridade social do art. 195, § 4º. Para ser exercida, a competên-</p><p>cia deve ocorrer com base em lei complementar, o imposto ou a contribuição deve</p><p>ser não-cumulativo e não pode haver fato gerador ou base de cálculo próprios dos</p><p>impostos ou contribuições discriminados na Constituição Federal.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Com relação aos conflitos de competência, é importante destacar a lição de Car-</p><p>razza (2012), ao esclarecer que, em matéria tributária, dá-se o bis in idem quando</p><p>o mesmo fato jurídico é tributado duas ou mais vezes, pela mesma pessoa política,</p><p>e bitributação quando o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou</p><p>mais pessoas políticas.</p><p>A rigor, não há vedação constitucional sobre a prática do bis in idem. Ao</p><p>contrário, a própria Constituição Federal prevê situações que possibilitam tal</p><p>situação, como é o caso da incidência do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Ju-</p><p>rídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), que incidem sobre o</p><p>lucro, bem como o caso do PIS e da COFINS, que incidem sobre o faturamento.</p><p>Existem, entretanto, casos em que mais de um ente político pretende tributar o</p><p>mesmo fato gerador, o que caracteriza invasão de competência tributária. A bitributa-</p><p>ção não é admitida em nosso ordenamento, como quando dois municípios distintos</p><p>exigem o Imposto sobre Serviços (ISS) relativo à mesma prestação de serviços.</p><p>OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA</p><p>No Direito Civil, a obrigação é o vínculo de direito pelo qual um sujeito passivo se</p><p>propõe a entregar, fazer ou não fazer alguma coisa (objeto da relação), de modo</p><p>que todo direito corresponderá, como contrapartida, a um dever, que tem por</p><p>objeto uma prestação (realização de algo).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Nos termos do art. 113, do Código Tributário Na-</p><p>cional (BRASIL, 1966), a obrigação tributária sub-</p><p>divide-se em principal ou acessória. A obrigação</p><p>principal é aquela que surge com a ocorrência do</p><p>fato gerador e tem por objeto o pagamento de tri-</p><p>buto ou penalidade pecuniária e extingue-se junto ao crédito dela decorrente.</p><p>Assim, a obrigação principal é o pagamento do tributo e seus respectivos acrés-</p><p>cimos (multa moratória e juros) e o pagamento de multas punitivas.</p><p>Obrigação principal</p><p>é aquela que surge</p><p>com a ocorrência do</p><p>fato gerador</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>Embora a legislação caracterize o pagamento da penalidade pecuniária (multa</p><p>punitiva pelo descumprimento da legislação) como obrigação principal, o art.</p><p>3º, do Código Tributário Nacional, disciplina que o tributo não pode constituir</p><p>sanção de ato ilícito, de modo que a multa tributária não é tributo, mas a obriga-</p><p>ção de pagá-la tem natureza tributária.</p><p>Por sua vez, a obrigação acessória é aquela que tem</p><p>por objeto prestações, positivas ou negativas, previstas</p><p>no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tri-</p><p>butos. Caso não haja seu cumprimento, será converti-</p><p>da em obrigação principal relativamente à penalidade</p><p>pecuniária. Em outras palavras, as obrigações acessórias são deveres instrumentais</p><p>dos contribuintes para facilitar e viabilizar a arrecadação e fiscalização de tributos.</p><p>Como exemplo, apontamos a obrigação de os contribuintes do Imposto de</p><p>Renda estarem obrigados a entregar a respectiva declaração. Não basta o mero</p><p>pagamento do imposto (obrigação principal), pois o contribuinte, também, tem</p><p>o dever instrumental (uma obrigação de fazer) de entregar a declaração.</p><p>Caso, por algum motivo, entretanto, o contribuinte não tenha que pagar um</p><p>tributo (por imunidade, isenção etc.), não significa que necessariamente estará</p><p>desobrigado do cumprimento da obrigação acessória, já que a obrigação aces-</p><p>sória independe da obrigação principal. Se, por exemplo, um contribuinte</p><p>possui isenção do ICMS, ele não está desobrigado da emissão da nota fiscal,</p><p>entrega dos livros fiscais etc. Sendo assim, verificamos que, na esfera tributária, a</p><p>obrigação pode operar-se de três formas, quais sejam: obrigação de pagar tributo</p><p>ou multa (obrigação de dar), obrigação de realizar prestações (obrigação de fazer)</p><p>ou obrigação de não realizar alguma atividade (obrigação de não fazer).</p><p>A obrigação</p><p>acessória é aquela</p><p>que tem por objeto</p><p>prestações</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Mas como nasce a obrigação tributária? A obrigação tributária surge com a</p><p>ocorrência do fato gerador. Nos termos do art. 114, do Código Tributário Nacion-</p><p>al (BRASIL, 1966), o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em</p><p>lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>A doutrina majoritária denomina a “situação definida em lei como necessária</p><p>e suficiente” para a ocorrência do fato gerador, como “hipótese de incidência”.</p><p>A razão de ser dessa terminologia é justamente porque a previsão normativa</p><p>da situação que dá ensejo à cobrança do tributo é abstrata até a sua ocorrência,</p><p>tratando-se, portanto, de uma “hipótese”. Com a ocorrência efetiva da hipótese</p><p>prevista, nasce o fato gerador e, a partir de então, a obrigação tributária.</p><p>Ressalta-se que o termo “hipótese de incidência” é equivalente ao termo “re-</p><p>gra-matriz de incidência”. O primeiro é utilizado pela doutrina majoritária e foi</p><p>disseminado por Geraldo Ataliba (ATALIBA,</p><p>2021), sendo que o segundo (mais</p><p>recente) decorre da obra de Paulo de Barros Carvalho (CARVALHO, 2000).</p><p>APROFUNDANDO</p><p>No que diz respeito à obrigação acessória, o art. 115, do Código Tributário Na-</p><p>cional (BRASIL, 1966), disciplina que seu fato gerador é qualquer situação que,</p><p>na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não</p><p>configure obrigação principal. Então, a necessidade de declarar o imposto de</p><p>renda, emitir a Nota Fiscal etc. são obrigações acessórias.</p><p>Neste ponto, vale destacar que o nascimento da obrigação principal sempre</p><p>dependerá de lei em sentido estrito, conforme exigência do art. 114 e o princí-</p><p>pio da legalidade tributária. Mas, para as obrigações tributárias acessórias, uma</p><p>lei não é imprescindível. O art. 115, do Código Tributário Nacional (BRASIL,</p><p>1966), exige tão somente uma previsão na “legislação aplicável”, razão pela qual</p><p>a imposição de obrigação acessória prescinde de lei em sentido estrito (podendo</p><p>ocorrer por decreto, instrução normativa etc.).</p><p>Existem meios lícitos e ilícitos de o contribuinte fugir da obrigação tributária.</p><p>Utilizando-se a lição de Alexandre (2017), quando o contribuinte usa de meios</p><p>lícitos para fugir da tributação ou torná-la menos onerosa, a doutrina majoritária</p><p>utiliza o termo elisão fiscal. Já nos casos em que o contribuinte se utiliza de meios</p><p>ilícitos para escapar da tributação, denomina-se evasão fiscal.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Segundo o autor, porém, existem casos em que o comportamento do contribuinte</p><p>não é propriamente ilícito, mas a prática de determinado ato é feita de forma artificio-</p><p>sa, para ter como consequência isenção, não incidência ou incidência menos oneroso</p><p>do tributo. Nesses casos, alguns denominam de elusão fiscal, ou elisão ineficaz.</p><p>A elisão fiscal é a conduta consistente na prática de ato ou celebração de negócio</p><p>legalmente enquadrado em hipótese visada pelo sujeito passivo, importando</p><p>isenção, não incidência ou incidência menos onerosa do tributo.</p><p>Em regra, a elisão ocorre em momento anterior àquele em que, normalmente,</p><p>verificar-se-ia o fato gerador, razão pela qual corresponde aos casos de planeja-</p><p>mento tributário. Por outro lado, a evasão fiscal é uma conduta ilícita em que o</p><p>contribuinte, normalmente, após a ocorrência do fato gerador, pratica atos que</p><p>visam ocultar o nascimento da obrigação tributária</p><p>pela autoridade fiscal. Assim, a doutrina afirma que a</p><p>evasão sempre é posterior ao fato gerador do tributo,</p><p>pois busca-se esconder um fato que já ocorreu.</p><p>Evasão sempre é</p><p>posterior ao fato</p><p>gerador do tributo</p><p>A Lavanderia</p><p>Sinopse: O filme A Lavanderia, dirigido por Steven Soder-</p><p>bergh, de 2019, aborda a questão da criação de empre-</p><p>sas offshores (nome comum dado às empresas e contas</p><p>bancárias abertas em territórios onde há menor tributação</p><p>para fins lícitos). Essas empresas, também, são chamadas</p><p>de sociedade extraterritorial ou empresa extraterritorial, para</p><p>fins de sonegação de tributos, tratando de um típico caso</p><p>de evasão fiscal. O filme é baseado em fatos reais e explora</p><p>a criação de empresas de fachadas (envolvendo, inclusive,</p><p>empresa brasileira) criadas para evitar legalmente o pa-</p><p>gamento de tributos (elisão fiscal), para fins de sonegação</p><p>(evasão fiscal). O filme retrata ainda a prisão de um contador</p><p>que está envolvido nos crimes fiscais.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA</p><p>O sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa obrigada ao pagamen-</p><p>to de tributo ou penalidade pecuniária. O sujeito passivo pode ser caracterizado</p><p>como contribuinte, se tiver relação pessoal e direta com a situação que constitua o</p><p>respectivo fato gerador, ou como responsável, nas situações em que, sem revestir</p><p>a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.</p><p>Por exemplo, ao receber o salário, o funcionário é o contribuinte do Imposto</p><p>de Renda. Entretanto a empresa empregadora tem o dever de fazer o “desconto”</p><p>do Imposto de Renda sobre o valor do salário e repassar para o Fisco. Nesse</p><p>último caso, ocorre um caso de responsabilidade, pois o “patrão” não é contri-</p><p>buinte do imposto sobre o salário do funcionário, mas tem a obrigação de fazer</p><p>a retenção por exigência legal.</p><p>Nesse sentido, o art. 128, do Código Tributário Nacional, autoriza que a lei</p><p>atribua, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira</p><p>pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a respon-</p><p>sabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cum-</p><p>primento total ou parcial da referida obrigação.</p><p>Por sua vez, conforme categorização do Código Tributário Nacional, a res-</p><p>ponsabilidade tributária é dividida em responsabilidade dos sucessores, de tercei-</p><p>ros e por infrações. A doutrina majoritária aponta dois tipos de responsabilidade:</p><p>a responsabilidade por transferência e a responsabilidade por substituição. Na</p><p>responsabilidade por transferência, o responsável passa a figurar como sujeito</p><p>passivo no mesmo momento da ocorrência do fato gerador, enquanto, na res-</p><p>ponsabilidade por substituição, a figura do responsável somente surge após a</p><p>ocorrência do fato gerador.</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>POR TRANSFERÊNCIA</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>POR SUBSTITUIÇÃO</p><p>Por sucessão</p><p>Por solidariedade</p><p>De terceiros</p><p>Para frente ou progressiva</p><p>Para trás ou regressiva</p><p>Quadro 1 - Tipos de responsabilidade tributária / Fonte: a autora.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>a) Sucessão imobiliária</p><p>De acordo com o art.130, do Código Tributário Nacional,</p><p>“ Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja</p><p>a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem</p><p>assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais</p><p>bens, ou a contribuições de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos</p><p>respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de</p><p>sua quitação (BRASIL, 1966, on-line).</p><p>Trata-se de uma obrigação cuja natureza jurídica é propter rem, já que sub-ro-</p><p>gam-se na pessoa dos respectivos adquirentes. Em outras palavras, as obrigações</p><p>propter rem tem como característica “acompanhar” o imóvel independentemente</p><p>quem venha a ser o dono.</p><p>A aludida regra se aplica, por exemplo, ao IPTU, ITR, taxa de lixo e contribui-</p><p>ções de melhoria. Nesses casos, regra geral, o adquirente do bem passa a figurar</p><p>como responsável pelo crédito tributário originado no passado e para os fatos</p><p>geradores futuros. Mas existem duas exceções:</p><p>I - Se constar no título de transferência de propriedade a prova da quitação</p><p>dos tributos, eis que, nesse caso, o adquirente assume como premissa o</p><p>fato de que não existiam débitos no momento da aquisição.</p><p>II - Se houver arrematação em hasta pública (arrematação em processo de</p><p>execução), a sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço. Sendo assim,</p><p>em caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação do crédito</p><p>tributário, decorrente de impostos cujo fato gerador seja a propriedade</p><p>do imóvel, ocorre sobre o respectivo preço, que por eles responde.</p><p>Regra geral, portanto, os aludidos créditos tributários passam a ser garantidos</p><p>pelo referido preço da arrematação, recebendo o adquirente o imóvel desonerado</p><p>dos ônus tributários devidos até a data da realização da hasta pública.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>b) Sucessão mobiliária</p><p>O caso previsto no art. 131, inciso I, do Código Tributário Nacional, trata da</p><p>responsabilidade do adquirente ou remitente de bens móveis, que passa a ser</p><p>pessoalmente responsável.</p><p>A remição é um instituto que ocorria quando o cônjuge, o ascendente ou o</p><p>descendente resgatava bens que tinham sido levados à hasta pública.</p><p>Atualmente, é o próprio executado que pode remir a execução, pagando ou</p><p>consignando a importância atualizada da dívida, acrescida de juros, custas e</p><p>honorários advocatícios, conforme prevê o art. 826, do Código de Processo Civil</p><p>(BRASIL, 2015).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>c) Sucessão causa mortis</p><p>De acordo com a legislação civil, a partir da morte do de cujus</p><p>(pessoa falecida), é</p><p>aberta a sucessão para transferência do patrimônio aos herdeiros/sucessores. Isto</p><p>é, a sucessão inicia a partir da morte, fazendo nascer a substituição do falecido por</p><p>seus sucessores a título universal nas relações jurídicas em que aquele figurava.</p><p>Ocorre que a formalização desse processo de transferência se dá com o pro-</p><p>cesso de inventário (ou arrolamento) e consequente partilha dos bens. Sendo</p><p>assim, o art. 131, do Código Tributário Nacional, regula que são pessoalmente</p><p>responsáveis (BRASIL, 1966):</p><p>I - O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos</p><p>pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada essa respon-</p><p>sabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação.</p><p>II - O espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura</p><p>da sucessão.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>Sendo assim, entre a abertura da sucessão e a conclusão da partilha de bens, a</p><p>responsabilidade pelos tributos (e multas moratórias) devidos pelo de cujus, até</p><p>a data de sua morte, é do espólio (conjunto de bens, direitos e obrigações deixa-</p><p>dos pelo de cujus). A responsabilidade dos sucessores é limitada ao montante do</p><p>quinhão do legado ou da meação.</p><p>Portanto, os créditos tributários existentes com o falecimento devem ser pa-</p><p>gos pelo espólio e, permanecendo créditos em aberto após a partilha, os suces-</p><p>sores devem fazer o pagamento na condição de responsáveis, até o montante que</p><p>receberem na sucessão.</p><p>Contribuinte: De cujos</p><p>Responsáveis: Espólio</p><p>Sucessores</p><p>Abertura da</p><p>sucessão</p><p>Contribuinte: Espólio</p><p>Responsáveis:</p><p>Sucessores</p><p>Partilha</p><p>Contribuinte: Sucessores</p><p>d) Sucessão empresarial</p><p>Conforme o art. 132, do Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966, on-line):</p><p>“ Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão,</p><p>transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável</p><p>pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de</p><p>direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.</p><p>Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção</p><p>de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respec-</p><p>tiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu</p><p>espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual.</p><p>Figura 1 - Responsabilidade na Sucessão causa mortis / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura representa uma linha contínua, com duas intersecções temporais, sendo a pri-</p><p>meira relativa à abertura da sucessão, e a segunda à partilha, identificando a responsabilidade no tempo caso</p><p>de sucessão causa mortis.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Ressalta-se que o instituto da cisão somente passou a ser disciplinado após o</p><p>advento do Código Tributário Nacional, razão pela qual vem sendo adotado</p><p>o entendimento majoritário, que se aplica a responsabilidade solidária entre a</p><p>empresa cindida que continuar a existir (cisão parcial) e aqueles que receberem</p><p>parte do patrimônio. Caso haja cisão total (a empresa originária deixa de existir),</p><p>as empresas que receberem o patrimônio passam a ser as responsáveis.</p><p>Com relação às multas punitivas, muito embora exista entendimento no sen-</p><p>tido de que, por serem elas decorrentes de sanção por ato ilícito, não seria possível</p><p>outra pessoa assumi-las a título de sucessão, o fato é que a doutrina e jurispru-</p><p>dência predominante entendem que, na sucessão empresarial, a responsabilidade</p><p>da sucessora abarca as multas moratórias e punitivas.</p><p>e) Sucessão comercial</p><p>A sucessão comercial diz respeito à responsabilidade do adquirente de fundo</p><p>de comércio ou estabelecimento comercial conforme prescreve o art. 133, do</p><p>Código Tributário Nacional. Nos termos da regra geral do referido dispositivo,</p><p>a pessoa física ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, fundo de</p><p>comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a</p><p>respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome</p><p>individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento ad-</p><p>quirido, devidos até à data do ato.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você sabe o que é fundo de comércio? Você já viu aquelas placas “passa-se o</p><p>ponto”? O fundo de comércio é justamente, para Coelho (2016), o estabelecimento</p><p>empresarial, é a reunião dos bens necessários ao desenvolvimento da atividade</p><p>econômica, sendo o fundo de comércio a reunião de bens de variada natureza,</p><p>como as mercadorias, as máquinas, as instalações, a tecnologia, o prédio etc., em</p><p>função do exercício de uma atividade. Ele agrega a esse conjunto de bens uma</p><p>organização racional que importará em aumento do seu valor enquanto.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>O adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial responde inte-</p><p>gralmente, se o vendedor do fundo de comércio ou estabelecimento não explorar</p><p>mais qualquer atividade comercial, industrial ou profissional. O adquirente será</p><p>responsável subsidiário com o alienante, se este permanecer explorando ou iniciar</p><p>nova exploração comercial/industrial/profissional, dentro de seis meses a contar</p><p>da data da alienação. No último caso (responsabilidade subsidiária), o adquirente</p><p>somente será responsável quando a cobrança do vendedor for infrutífera.</p><p>É importante ressaltar que a responsabilidade ora tratada não ocorre nos</p><p>casos em que há mera instalação de uma empresa em um imóvel antes habitado</p><p>por outra, já que, nesse caso, não estaremos diante de uma alienação de fundo</p><p>de comércio ou estabelecimento.</p><p>O art. 133 prevê exceção à regra quando o caso seja de alienação judicial em</p><p>processo de falência ou recuperação judicial. Afinal, se não fosse afastada essa</p><p>regra em caso de empresa falida (ou prestes a falir), dificilmente, haveria inte-</p><p>ressados na recuperação.</p><p>Vale ressaltar que o legislador, também, preocupou-se com casos de eventuais</p><p>fraudes que pudessem ocorrer no âmbito dos processos de falência ou recupera-</p><p>ção judicial. Isto é, o § 2º, do art. 132, do Código Tributário Nacional, mantém a</p><p>regra da sucessão empresarial quando o adquirente for:</p><p>“ I - sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou socie-</p><p>dade controlada pelo devedor falido ou em recuperação judicial;</p><p>II - parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, con-</p><p>sanguíneo ou afim, do devedor falido ou em recuperação judicial</p><p>ou de qualquer de seus sócios;</p><p>III - identificado como agente do falido ou do devedor em recu-</p><p>peração judicial com o objetivo de fraudar a sucessão tributária</p><p>(BRASIL, 1966, on-line).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>a) Casos de responsabilidade do art. 134</p><p>Nos termos do caput do art. 134, as pessoas ali elencadas respondem solidaria-</p><p>mente quando houver impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação</p><p>principal pelo contribuinte e intervierem (inclusive, por suas omissões) nos atos.</p><p>Sendo assim, a responsabilidade somente pode ser levada a efeito se o terceiro</p><p>participar do fato gerador, assistindo o contribuinte ou atuando em seu nome.</p><p>Com relação à responsabilidade de terceiros, o Código Tributário Nacional trata do</p><p>tema em duas seções distintas, no capítulo referente à responsabilidade tributária:</p><p>na seção III, intitulada “responsabilidade de terceiros” (arts. 134 e 135) e na seção</p><p>IV (art. 136 ao art. 138), intitulada “responsabilidade por infrações”. Entretanto o art.</p><p>124. do Código Tributário Nacional. prevê uma regra geral de solidariedade para</p><p>aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador</p><p>da obrigação principal ou para os casos em que haja expressa previsão legal.</p><p>A solidariedade ocorre quando houver pluralidade de devedores e o credor</p><p>poder cobrar o total da dívida de todos ou apenas do que achar que tem mais</p><p>probabilidade de quitá-la. Assim, todos os devedores são responsáveis pela to-</p><p>talidade da obrigação.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Com relação às multas, a responsabilidade somente é aplicável para os casos</p><p>das multas moratórias. Depreende-se do dispositivo que se trata, na verdade, de</p><p>responsabilidade</p><p>subsidiária (e não solidária) à medida que um dos requisitos</p><p>previstos no art. 134, do CTN (BRASIL, 1966), é justamente a impossibilidade</p><p>de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte. Vejamos os con-</p><p>tribuintes e respectivos responsáveis:</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>OS PAIS</p><p>Respondem pelos tributos devidos por seus filhos menores.</p><p>OS TUTORES E CURADORES</p><p>Respondem pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados.</p><p>OS ADMINISTRADORES DE BENS DE TERCEIROS</p><p>Respondem pelos tributos devidos por estes.</p><p>O INVENTARIANTE</p><p>Responde pelos tributos devidos pelo espólio.</p><p>O SÍNDICO E O COMISSÁRIO</p><p>Respondem pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário: ad-</p><p>aptando-se essa regra para os dias atuais, com a vigência da Lei nº 11.101/2005,</p><p>a responsabilidade é do administrador judicial pelos tributos devidos pela massa</p><p>falida ou pela empresa em processo de recuperação judicial.</p><p>OS TABELIÃES, ESCRIVÃES E DEMAIS SERVENTUÁRIOS DE OFÍCIO</p><p>Respondem pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante</p><p>eles, em razão do seu ofício.</p><p>OS SÓCIOS</p><p>Respondem por tributos no caso de liquidação de sociedade de pessoas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>b) Casos de responsabilidade do artigo 135</p><p>O art. 135, do CTN (BRASIL, 1966), aponta os terceiros que são pessoalmente</p><p>responsáveis no caso de atos praticados com excesso de poderes ou infração de</p><p>lei, contrato social ou estatutos. O rol de responsáveis, além das mesmas pessoas</p><p>tratadas no art. 134, do CTN, também, abrange os mandatários, prepostos e em-</p><p>pregados bem como diretores, gerentes ou representantes de empresas. Conforme</p><p>leciona Machado Segundo (2018), as pessoas indicadas no art. 134, do CTN, em</p><p>regra, respondem subsidiariamente. Mas, quando agirem dolosamente, em contra-</p><p>riedade à lei, ao contrato ou aos estatutos, sua responsabilidade passa a ser pessoal.</p><p>c) Casos de responsabilidade dos arts. 136 e 137, do CTN</p><p>De acordo com o art. 136, do Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966), regra</p><p>geral, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da inten-</p><p>ção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos</p><p>do ato. Isso implica dizer que a responsabilidade tributária por infrações é objeti-</p><p>va, eis que independe da existência de dolo ou culpa na prática do respectivo ato</p><p>Nas situações previstas no art. 137, do CTN (BRASIL, 1966), a punição aplica-se</p><p>diretamente ao agente, de forma que a pessoa jurídica permanece enquadrada</p><p>na condição de sujeito passivo do tributo, mas não da multa. Vejamos os casos</p><p>de responsabilidade pessoal do agente:</p><p>“ I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou con-</p><p>travenções, salvo quando praticadas no exercício regular de admi-</p><p>nistração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento</p><p>de ordem expressa emitida por quem de direito;</p><p>II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agen-</p><p>te seja elementar: trata-se dos casos em que na própria definição da</p><p>infração há uma finalidade especial;</p><p>III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de</p><p>dolo específico:</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem</p><p>respondem;</p><p>b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus man-</p><p>dantes, preponentes ou empregadores;</p><p>c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de</p><p>direito privado, contra estas (BRASIL, 1966, on-line).</p><p>Como se vê, o último caso refere-se àquelas pessoas que praticam determinada</p><p>infração tributária com a finalidade específica (dolo específico) de prejudicar as</p><p>pessoas ou empresas que deveriam apoiar/suportar/assistir.</p><p>Assista agora ao conteúdo referente a sua aula.</p><p>Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>As regras sobre a competência tributária levam os militantes da área tributária a</p><p>compreender de quem um tributo pode ser cobrado e até quais os riscos envol-</p><p>vidos em operações comerciais em relação à responsabilidade pelo pagamento.</p><p>Como foi visto, a obrigação tributária vai além da mera obrigação de pagar</p><p>um tributo, devendo haver cautela para o correto cumprimento de outras obri-</p><p>gações que são impostas, isto é, as obrigações acessórias. Agora, você sabe que</p><p>a não entrega de informações ou arquivos ao Fisco acarretará o pagamento de</p><p>multas que serão cobradas como tributos.</p><p>Tal cobrança pode, inclusive, se dar de pessoas que não praticaram o fato ge-</p><p>rador, como é o caso de herdeiros, compradores de imóveis e empresas, diretores</p><p>de empresas, entre outros, nos estudados casos de responsabilidade tributária.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. São características da competência tributária, segundo a doutrina majoritária:</p><p>a) Competência tributária é delegável, imprescritível, irrenunciável e facultativa.</p><p>b) Competência tributária é indelegável, imprescritível, irrenunciável e facultativa</p><p>c) Competência tributária é indelegável, prescritível, irrenunciável e facultativa.</p><p>d) Competência tributária é indelegável, imprescritível, renunciável e facultativa.</p><p>e) Competência tributária é delegável, prescritível, irrenunciável e facultativa.</p><p>2. Nos termos do art. 113, do Código Tributário Nacional, a obrigação tributária subdivi-</p><p>de-se em principal ou acessória.</p><p>Analise as afirmativas a seguir.</p><p>I - A obrigação principal é aquela que surge com a ocorrência do fato gerador e tem</p><p>por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se junto ao</p><p>crédito dela decorrente.</p><p>II - A obrigação principal é o pagamento do tributo e seus respectivos acréscimos (multa</p><p>moratória e juros) e o pagamento de multas punitivas.</p><p>III - O tributo pode constituir sanção de ato ilícito.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>3. Com relação à obrigação tributária, não é correto dizer que:</p><p>a) A obrigação principal é aquela que surge com a ocorrência do fato gerador e tem</p><p>por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se junto ao</p><p>crédito dela decorrente.</p><p>b) A obrigação acessória é aquela que tem por objeto prestações, positivas ou negativas,</p><p>previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.</p><p>c) Caso, por algum motivo, o contribuinte não tenha que pagar um tributo por enqua-</p><p>drar-se em uma isenção, não significa que necessariamente estará desobrigado do</p><p>cumprimento da obrigação acessória.</p><p>d) A obrigação de os contribuintes do Imposto de Renda estarem obrigados a entregar</p><p>a respectiva declaração é um exemplo de obrigação principal.</p><p>e) Na esfera tributária, a obrigação pode operar-se de três formas, quais sejam: obrigação</p><p>de pagar tributo ou multa (obrigação de dar), obrigação de realizar prestações (obriga-</p><p>ção de fazer) ou obrigação de não realizar alguma atividade (obrigação de não fazer).</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALEXANDRE, R. Direito tributário. 11. ed. rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2017.</p><p>ATALIBA, G. Hipótese de incidência tributária. 6.ed. São Paulo: Malheiros, 2021.</p><p>BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Código Tributário Nacional. Dispõe</p><p>sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis</p><p>à União, Estados e Municípios. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/</p><p>l5172compilado.htm. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasí-</p><p>lia, DF: Presidência da República, [2022].</p><p>BRASIL. Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças</p><p>públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível</p><p>em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível em:</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 22</p><p>set. 2023.</p><p>CARRAZZA, R. A. Curso de Direito Constitucional</p><p>Tributário. 29. ed. rev., atual. e ampl.</p><p>São Paulo: Malheiros, 2012.</p><p>CARVALHO, P. de B. Curso de Direito Tributário. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000.</p><p>COELHO, F. U. Manual de Direito Comercial. 28. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista</p><p>dos Tribunais, 2016.</p><p>MACHADO SEGUNDO, H. de B. Manual de direito tributário. 10. ed. rev., atual. e ampl. São</p><p>Paulo: Atlas, 2018.</p><p>PALSEN, L. Curso de direito tributário completo. 8.ed. São Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>1. B. A competência tributária é indelegável, imprescritível, irrenunciável e facultativa</p><p>2. C. De acordo com o art. 3º, do Código Tributário Nacional, o tributo não pode constituir</p><p>sanção de ato ilícito, de modo que a multa tributária não é tributo, mas a obrigação de</p><p>pagá-la tem natureza tributária.</p><p>3. D. A obrigação de entregar a declaração é um dever instrumental, configurando-se como</p><p>obrigação acessória.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>MINHAS METAS</p><p>RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA</p><p>Demonstrar como ocorre o nascimento de um tributo.</p><p>Classificar os aspectos/critérios da hipótese de incidência.</p><p>Conceituar lançamento tributário.</p><p>Especificar as principais regras do lançamento tributário.</p><p>Diferenciar aspectos formais e aspectos materiais do lançamento tributário.</p><p>Apresentar como o crédito tributário é constituído.</p><p>Enumerar as hipóteses de suspensão, exclusão e extinção do crédito tributário.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>No seu dia a dia, você recebe salário, ganha dinheiro com outras fontes de renda,</p><p>recebe presentes ou dinheiro de familiares, faz compras, contrata serviços, adqui-</p><p>re bens, e assim por diante. O fato é que, desde o nascimento até o falecimento de</p><p>uma pessoa (física ou jurídica), realizamos ações ou práticas que são de algum</p><p>modo tributadas. Os tributos estão presentes na vida social, nas relações de traba-</p><p>lho, nas relações comerciais, de consumo, de compra e de venda e praticamente,</p><p>em todas as demais.</p><p>Segundo um artigo da Agência Brasil (2023), em 2022, os brasileiros pagaram</p><p>R$ 2.890.489.835.290,32, de acordo com o Impostômetro. O montante corres-</p><p>ponde à soma do valor arrecadado pelos governos federal, estadual e municipal.</p><p>Nesse contexto, você já parou para pensar quanto da sua vida é impactada pela</p><p>tributação? Quem são as pessoas responsáveis pelo pagamento dos tributos pre-</p><p>sentes na sua vida? Quando e como podem ser cobrados? Quais as consequências</p><p>do não pagamento? O fato gerador tributário e o lançamento tributário são jus-</p><p>tamente os temas sobre os quais recaem a maior parte das discussões e dúvidas</p><p>no dia a dia dos profissionais da área.</p><p>É importante você conhecer quais são os privilégios e as garantias do crédito</p><p>tributário. Não deixe de acessar o podcast que preparei sobre o tema.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda sobre a definição de obrigações</p><p>tributárias acessórias? Acesse o artigo do CRC/SC</p><p>(Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina)</p><p>sobre as principais obrigações acessórias.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>NASCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E ASPECTOS DA</p><p>HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA</p><p>Você viu que a obrigação tributária se subdivide em principal ou acessória, sendo</p><p>a obrigação principal aquela que surge com a ocorrência do fato gerador e tem</p><p>por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Por sua vez, a obri-</p><p>gação acessória é aquela que tem por objeto prestações, positivas ou negativas,</p><p>previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.</p><p>A doutrina não é uníssona na conceituação do fato gerador tributário. A maior</p><p>parte da doutrina entende que a definição adotada no Código Tributário Nacional</p><p>do fato gerador, isto é, “situação definida em lei como necessária e suficiente” para</p><p>a ocorrência do fato gerador, trata-se, na verdade, da “hipótese de incidência”.</p><p>A adoção da terminologia “hipótese de incidência” ocorre porque há previsão</p><p>normativa da situação que dá ensejo à cobrança do tributo de forma abstrata até a</p><p>sua ocorrência, tratando-se, portanto, de uma “hipótese”. Com a ocorrência efetiva</p><p>da hipótese prevista nasce o fato gerador e, a partir de então, a obrigação tributária.</p><p>Uma definição bastante plausível sobre o tema na sua atualidade é aquela</p><p>apontada por Paulsen (2017), ao dizer que a lei, ao instituir determinado tributo,</p><p>estabelece a sua hipótese de incidência, que é a previsão abstrata da situação a</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>que atribui o efeito jurídico de gerar a obrigação de pagar. Tal previsão abstrata</p><p>(hipótese de incidência) é diferente da sua concretização no plano fático (fato</p><p>gerador). Enquanto a hipótese de incidência integra o antecedente ou pressupos-</p><p>to da norma tributária impositiva, o fato gerador seria a própria situação, que,</p><p>se ocorrida, atrai a incidência da norma. O grande problema é que, no próprio</p><p>Código Tributário Nacional, a hipótese de incidência é tratada por fato gerador.</p><p>Uma denominação de grande relevância atualmente é aquela adotada por Paulo</p><p>de Barros Carvalho, que trata da “regra-matriz de incidência”. Para Carvalho (2005),</p><p>no que diz respeito às relações jurídicas tributárias, no conjunto de prescrições</p><p>normativas do Direito Tributário, existem dois tipos de relação: as de substância</p><p>patrimonial e os vínculos, que fazem irromper meros deveres administrativos. As</p><p>relações de substância patrimonial estão previstas no núcleo da norma e definem</p><p>o fenômeno da incidência, que é a regra-matriz. Por sua vez, os deveres instru-</p><p>mentais, ou formais, que tornam possível a operatividade da instituição tributária</p><p>estão circumpostos à regra-matriz.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Assim, podemos dizer que a hipótese de incidência é o que está abstratamente</p><p>descrito nA norma, que, ao ocorrer no mundo fático dá luz ao fato gerador. A</p><p>partir de então, surge a obrigação tributária, seja ela principal, seja acessória.</p><p>previsão abstrata</p><p>normativa da</p><p>incidência</p><p>1</p><p>HI</p><p>2</p><p>ocorrência da</p><p>situação necessária</p><p>e suficiente</p><p>FG</p><p>3</p><p>NASCIMENTO</p><p>DA OT</p><p>surge o sujeito</p><p>ativo e passivo</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Vale destacar que a norma instituidora de um tributo não apenas define a hipóte-</p><p>se de incidência, ao que Paulo de Barros (2005) denomina antecedente da norma,</p><p>mas também prescreve a obrigação decorrente, que é o consequente da norma.</p><p>Assim, a norma tributária impositiva é composta por essas duas par-</p><p>tes, antecedente, ou hipótese, e consequente, ou prescrição. O Antecedente ou</p><p>hipótese subdivide-se em:</p><p>a) Aspecto material (o que — fato gerador).</p><p>b) Aspecto espacial (onde — território em que a ocorrência do fato implica</p><p>o surgimento da obrigação tributária).</p><p>c) Aspecto temporal (quando — momento em que se deve considerar ocor-</p><p>rido o fato gerador).</p><p>Por sua vez, o consequente, ou prescrição, subdivide-se em:</p><p>d) Aspecto pessoal (quem — sujeitos ativo e passivo da relação jurídica tri-</p><p>butária).</p><p>e) Aspecto quantitativo (quanto — critérios estabelecidos para cálculo do</p><p>montante devido, a saber, base de cálculo e alíquota).</p><p>Tais “aspectos”, ou “elementos”, da norma tributária impositiva são todos integran-</p><p>tes de uma mesma norma, sendo partes indissociáveis de um todo único.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Aspecto material o que é</p><p>Aspecto espacial onde</p><p>Aspecto temporal quando</p><p>ANTECEDENTE</p><p>OU HIPOTESE</p><p>Aspecto pessoal quem</p><p>Aspecto quantitativo quando</p><p>CONSEQUENTE</p><p>OU PRESCRIÇÃO</p><p>Vejamos cada um desses aspectos:</p><p>a) Aspecto material: determinação do fato gerador, ou seja, do evento ou</p><p>da situação que dá ensejo ao dever de pagar o tributo. É, por exemplo,</p><p>para o Imposto de Renda, o ato de auferir renda; para o ISS, o ato de</p><p>prestar serviços, e assim por diante.</p><p>b) Aspecto temporal: determinação do momento em que se considera ocor-</p><p>rido o fato gerador. Se o fato gerador for instantâneo, o surgimento ocorre</p><p>imediatamente, ao passo que, se for complessivo/complexo, o legislador</p><p>deve definir qual o momento jurídico que será o marco do fato gerador.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Segundo Alexandre (2017),</p><p>os fatos geradores instantâneos são aqueles que ocor-</p><p>rem num momento preciso da linha do tempo, dando ensejo ao surgimento, em</p><p>cada caso de ocorrência, de uma nova obrigação tributária, como é o caso do im-</p><p>posto de importação. Já os complexivos são fatos geradores compostos de diver-</p><p>sos eventos que devem ser considerados de maneira global, dentro de determi-</p><p>nado período de tempo legalmente definido, como é o caso do imposto de renda.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Com relação ao aspecto temporal, o art. 116, do Código Tributário Nacional</p><p>(BRASIL, 1966), determina que, regra geral, considera-se ocorrido o fato gerador</p><p>e existentes os seus efeitos:</p><p>a) Situação de fato — desde o momento em que se verifiquem as circuns-</p><p>tâncias materiais necessárias que produza os efeitos que normalmente</p><p>lhe são próprios.</p><p>b) Situação jurídica — desde o momento em que esteja definitivamente</p><p>constituída, nos termos de direito aplicável. É o caso, principalmente,</p><p>dos institutos previstos no Direito Civil, como a definição do momento</p><p>em que se reputa efetivada a propriedade, a doação etc.</p><p>No caso de negócios jurídicos condicionais, há de ser observada a regra prevista</p><p>no art. 117, do Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966):</p><p>I - Os atos ou negócios jurídicos condicionados a uma condição suspensiva</p><p>reputam-se perfeitos e acabados desde o momento de seu implemento. É</p><p>o caso de uma doação de uma pessoa a outra sob a condição dessa pes-</p><p>soa graduar-se em Direito, de modo que somente a partir da graduação</p><p>é que a doação surtirá efeitos para fins tributários.</p><p>II - Os atos ou negócios jurídicos condicionados a uma condição resolutória</p><p>reputam-se perfeitos e acabados desde o momento da prática do ato ou</p><p>da celebração do negócio. Se, por exemplo, a doação fosse oferecida a</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>pessoa, desde que ela não deixe de exercer a profissão de advogado, os</p><p>efeitos tributários ocorrem desde o momento da doação em si e deixariam</p><p>de fazer efeito caso a condição resolutória seja realizada. No exemplo, a</p><p>doação seria revertida caso o donatário deixe de atuar como advogado.</p><p>c) Aspecto pessoal — determinação do polo passivo e ativo, isto é, de quem é</p><p>o devedor do tributo. De acordo com o art. 121, do Código Tributário Na-</p><p>cional (BRASIL, 1966, on-line), o “sujeito passivo da obrigação principal</p><p>é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária”.</p><p>O sujeito passivo será considerado:</p><p>I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situa-</p><p>ção que constitua o respectivo fato gerador;</p><p>II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuin-</p><p>te, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei (BRASIL,</p><p>1966, on-line).</p><p>Já o sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que</p><p>constituam o seu objeto. Caso os particulares celebrem qualquer tipo de negociação</p><p>relativa à responsabilidade pelo pagamento de tributos, ela não pode ser oposta à</p><p>Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações</p><p>tributárias correspondentes. Essa situação é muito comum no caso do IPTU.</p><p>Normalmente, nos contratos de locação, o contrato prevê que o locatário tem a</p><p>obrigação de recolher o IPTU. Mas, para fins da legislação tributária, o proprietário</p><p>(locador) é o efetivo contribuinte e, sobre ele, é que recairá eventuais cobranças caso</p><p>o locatário deixe de pagar o imposto. Além disso, o Código Tributário Nacional</p><p>(BRASIL, 1966), ao tratar da solidariedade passiva (eis que não existe solidariedade</p><p>ativa em matéria tributária), disciplina que existem dois tipos:</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>I - Solidariedade de fato — pessoas que tenham interesse comum na situa-</p><p>ção que constitua o fato gerador da obrigação principal.</p><p>II - Solidariedade de direito — as pessoas expressamente designadas por lei.</p><p>Vale ressaltar que a solidariedade tributária não comporta benefício de ordem,</p><p>isto é, não se busca, primeiramente, a satisfação de seu crédito contra o devedor</p><p>principal para, somente depois, cobrar do devedor solidário. O sujeito ativo pode</p><p>acionar ambos simultaneamente ou somente um deles (BRASIL, 1966).</p><p>Com relação aos efeitos da solidariedade, regra geral, temos que:</p><p>I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais;</p><p>II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados,</p><p>salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso,</p><p>a solidariedade quanto aos demais pelo saldo;</p><p>III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obri-</p><p>gados, favorece ou prejudica aos demais (BRASIL, 1966, on-line).</p><p>a) Aspecto espacial — determinação de onde ocorre o fato gerador (deli-</p><p>mitação geográfica da ocorrência do fato gerador). Sua importância é</p><p>evidente na determinação do sujeito ativo, como exemplificado de forma</p><p>relevante no caso do Imposto sobre Serviços (ISS).</p><p>b) Aspecto quantitativo — determinação de quanto o contribuinte deve pa-</p><p>gar ao Fisco (alíquotas e base de cálculo).</p><p>É importante destacar que a base de cálculo é o valor sobre o qual um imposto</p><p>é calculado e as alíquotas ad rem são baseadas em medidas físicas específicas,</p><p>enquanto as alíquotas ad valorem são baseadas no valor monetário da</p><p>transação ou do bem.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>O livro de Geraldo Ataliba, Hipótese de Incidência Tributária, da Ed-</p><p>itora Malheiros, é um dos mais renomados sobre o tema por ser o</p><p>autor precursor da proposta de correspondência da hipótese de</p><p>incidência tributária à descrição legal hipotética do tributo.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVRO</p><p>CRÉDITO TRIBUTÁRIO E LANÇAMENTO</p><p>Nós vimos que, a partir da ocorrência da “situação definida em lei como necessá-</p><p>ria e suficiente” (hipótese de incidência), nasce o fato gerador e, a partir de então,</p><p>a obrigação tributária. Nesse momento, nasce a obrigação tributária e, portanto,</p><p>já há uma relação jurídica entre o sujeito passivo e o sujeito ativo.</p><p>É necessário, no entanto, que haja um procedimento formal que delimite</p><p>os aspectos materiais da obrigação tributária, que são o montante efetivamente</p><p>devido (alíquota e base de cálculo) e a sujeição passiva, para, a partir de então,</p><p>essa obrigação passar a ser líquida e exigível (configuração do crédito tributário).</p><p>Tal procedimento formal é o “lançamento tributário” e, conforme definição</p><p>prevista no art. 142, do Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966), trata-se de</p><p>procedimento privativo da autoridade administrativa para constituição do crédito</p><p>tributário com o escopo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação</p><p>correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo</p><p>devido bem como identificar o sujeito passivo e a eventual aplicação da penalidade.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Segundo a lição de Machado Segundo (2018), o crédito tributário é o nome que se</p><p>dá à formalização da obrigação tributária (dever de pagar o tributo ou a penalidade</p><p>pecuniária), depois que ela é tornada líquida, certa e exigível pelo lançamento.</p><p>Assim, é o lançamento que transforma a obrigação tributária, ainda ilíquida, incerta</p><p>e não exigível, em crédito tributário, autônomo enquanto realidade formal, mas</p><p>substancialmente decorrente da obrigação que lhe deu origem.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Ressalta-se que, por se tratar de ato vinculado da autoridade administrativa, não</p><p>há que se falar em discricionariedade quanto ao lançamento, mas, sim, em dever</p><p>de lançar, ou, até mesmo, sua realização pelo Poder Judiciário, cabendo a este</p><p>tão somente eventual comando judicial determinando a anulação ou correção</p><p>do lançamento.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Qual é a natureza jurídica do lançamento tributário?</p><p>Boa parte da doutrina sustenta que o lançamento possui natureza jurídica dú-</p><p>plice, eis que constitui o crédito tributário (natureza constitutiva) e declara a</p><p>obrigação tributária (natureza declaratória). Em outras palavras, considerando</p><p>que a obrigação tributária já nasce a partir do fato gerador, o lançamento tem</p><p>mera finalidade para declará-la, ao passo que, com relação ao crédito tributário,</p><p>enquanto o lançamento</p><p>não for efetivado, não há que se falar em sua existência</p><p>(o sujeito ativo não pode cobrar o valor do tributo).</p><p>No que tange à legislação aplicável ao lançamento, o art. 144, do Código</p><p>Tributário Nacional (BRASIL, 1966), traz duas situações distintas:</p><p>a) Aspectos materiais do lançamento — com relação ao aspecto quantita-</p><p>tivo (alíquota e base de cálculo) e pessoal, aplica-se a legislação vigente</p><p>na data da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente mo-</p><p>dificada ou revogada.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>b) Aspectos formais do lançamento — com relação à apuração ou aos pro-</p><p>cessos de fiscalização bem como à ampliação dos poderes de investigação</p><p>das autoridades administrativas, aplica-se a legislação que, ainda que pos-</p><p>teriormente à ocorrência do fato gerador, tenha instituído novos critérios.</p><p>Assim, para os aspectos referentes à forma de constituição do crédito</p><p>propriamente dita e procedimentos do lançamento, aplica-se a legislação</p><p>do momento em que ele estiver sendo realizado.</p><p>Aspectos Materiais:</p><p>quanto e quem</p><p>Aspectos formais:</p><p>fiscalização e poderes</p><p>de investigação.</p><p>Figura 1 - Aspectos do lançamento tributário / Fonte: o autor</p><p>Descrição da Imagem: a figura apresenta dois quadrantes, sendo que o da esquerda contém os aspectos</p><p>materiais do lançamento tributário, contendo as expressões “quanto e quem”, e o da direita contém os</p><p>aspectos formais, contendo as expressões “fiscalização e poderes de investigação”. Fim da descrição.</p><p>No que diz respeito à efetivação do lançamento,</p><p>em regra, sua ocorrência se dá com o ato admi-</p><p>nistrativo de declaração formal da ocorrência do</p><p>fato gerador devidamente notificado ao sujeito</p><p>passivo, de modo que, sem notificação, não há</p><p>lançamento. Uma importante exceção a essa re-</p><p>gra refere-se ao IPTU, tendo em vista que, no entendimento da jurisprudência</p><p>majoritária, o contribuinte do IPTU é notificado do lançamento pelo envio do</p><p>carnê ao seu endereço. Mas, em regra, é a partir da notificação que o lançamento</p><p>é considerado definitivo. No entanto o art. 145 arrola as exceções, ou seja, os casos</p><p>em que o lançamento pode ser alterado:</p><p>A partir da</p><p>notificação que</p><p>o lançamento</p><p>é considerado</p><p>definitivo</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>a) Impugnação do sujeito passivo</p><p>Tendo em vista que a Constituição Federal assegura o direito ao contraditório</p><p>e ampla defesa, caso o sujeito passivo não concorde, integral ou parcialmente,</p><p>com o lançamento, poderá apresentar suas razões no prazo legal. Se, por um lado,</p><p>a autoridade julgadora pode cancelar, total ou parcialmente, o lançamento, por</p><p>outro, também pode agravar a situação do contribuinte.</p><p>b) Recurso de ofício/remessa necessária/reexame necessário</p><p>A rigor, em casos onde já há decisão (administrativa ou judicial) contrária à</p><p>Fazenda Pública, há obrigatoriedade de remessa à instância superior para ree-</p><p>xame da matéria. Mas não são todos os casos que são submetidos ao reexame</p><p>necessário, já que há, normalmente, um valor mínimo envolvido para que o</p><p>instituto seja aplicado.</p><p>c) Iniciativa de ofício da autoridade administrativa</p><p>Tendo em vista o princípio da autotutela (mais profundamente, estudado em</p><p>Direito Administrativo), a Administração pode (e deve) anular seus próprios</p><p>atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais. Sendo assim, ainda que não</p><p>haja provocação do contribuinte, a autoridade administrativa deve corrigir/rever</p><p>o lançamento nos casos previstos no art. 149, do CTN, enquanto não houver</p><p>ocorrido o prazo decadencial.</p><p>Tendo em vista que analisamos as principais características do lançamento, pas-</p><p>saremos a estudar suas modalidades.</p><p>1. Lançamento de ofício ou direto</p><p>O lançamento de ofício ou direto é realizado pelo próprio Fisco, sem a</p><p>participação direta ou com pouca participação do sujeito passivo. Os casos</p><p>sujeitos ao lançamento de ofício estão previstos no art. 149, do Código Tribu-</p><p>tário Nacional (BRASIL, 1966):</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>a) Por determinação legal.</p><p>b) Quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e</p><p>na forma da legislação tributária.</p><p>c) Quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração</p><p>nos termos do item anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da le-</p><p>gislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade</p><p>administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a</p><p>juízo daquela autoridade.</p><p>d) Quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemen-</p><p>to definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória.</p><p>e) Quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legal-</p><p>mente obrigada, quando o contribuinte realizar o lançamento por ho-</p><p>mologação.</p><p>f) Quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro</p><p>legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária.</p><p>g) Quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício da-</p><p>quele, agiu com dolo, fraude ou simulação</p><p>h) Quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por oca-</p><p>sião do lançamento anterior.</p><p>i) Quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou</p><p>falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma</p><p>autoridade, de ato ou formalidade especial.</p><p>Os dois tributos que você, com certeza, já conhece e que se enquadram nessa</p><p>modalidade de lançamento são o IPTU e o IPVA.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Uma parte minoritária da doutrina classifica a hipótese de lançamento prevista no</p><p>art. 148, do Código Tributário Nacional (denominada lançamento por arbitramento),</p><p>como uma modalidade independente. No entanto adoto a corrente majoritária, se-</p><p>gundo a qual, o lançamento por arbitramento consiste em uma hipótese de lança-</p><p>mento de ofício. O dispositivo prevê que:</p><p>Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração,</p><p>o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autor-</p><p>idade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou</p><p>preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações</p><p>ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo</p><p>sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em</p><p>caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial</p><p>(Brasil, 1966, on-line).</p><p>Como se vê, tal hipótese é utilizada pela administração a fim de se aferir bases</p><p>de tributação mais razoáveis nos casos em que as informações prestadas sejam</p><p>inconsistentes ou inexistentes.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>2. Lançamento por declaração ou misto</p><p>De acordo com o art. 147, o lançamento por declaração é aquele realizado</p><p>com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro,</p><p>na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações</p><p>sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, como é o caso do ITCMD.</p><p>Nesse tipo de lançamento, a declaração apresentada pelo sujeito passivo tem o</p><p>escopo de fornecer os elementos fáticos necessários para a constituição do cré-</p><p>dito, que será realizado pela autoridade administrativa.</p><p>3. Lançamento por homologação</p><p>Esse é o tipo de lançamento que você mais encontrará na prática atualmente.</p><p>No lançamento por homologação, o sujeito passivo verifica a ocorrência do fato</p><p>gerador, calcula o valor do tributo e o recolhe, sem participação direta do fisco.</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>Conforme definição do art. 150, do Código Tributário Nacional, trata-se dos</p><p>casos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento</p><p>sem prévio exame da autoridade administrativa, operando-se pelo ato em que</p><p>a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo</p><p>obrigado, expressamente a homologa.</p><p>Com a homologação, a autoridade administrativa manifesta sua concordân-</p><p>cia com os critérios adotados pelo sujeito passivo, extinguindo o crédito tributário</p><p>definitivamente. Durante o prazo decadencial, a autoridade administrativa pode</p><p>não concordar com o valor antecipado e lançar de ofício o que entender correto.</p><p>Vale ressaltar que,</p><p>nessa situação, também, será aplicada uma multa.</p><p>Na prática, regra geral, a homologação ocorre tacitamente, de modo que não</p><p>realizando lançamento de ofício no prazo decadencial, considerando homologa-</p><p>do o lançamento. Com relação ao prazo decadencial para homologação, dispõe o</p><p>art. 150, § 4º, do CTN, que é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador,</p><p>salvo em caso de dolo, fraude ou simulação. O ponto que merece atenção é o fato</p><p>de que, além da regra específica de decadência para os tributos por homologação</p><p>prevista no art. 150, também, existe uma regra geral prevista no art. 173 que trata</p><p>de decadência como uma modalidade de extinção do crédito tributário.</p><p>Decadência é o prazo para a autoridade administrativa realizar o lançamento.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Nos termos do art. 173, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributá-</p><p>rio extingue-se após cinco anos a contar (i) do primeiro dia do exercício seguinte</p><p>àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou (ii) da data em que se</p><p>tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento</p><p>anteriormente efetuado.</p><p>Sendo assim, temos a regra geral, segundo a qual, o prazo deve ser contado</p><p>a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento po-</p><p>deria ter sido efetuado (1º de janeiro após o fato gerador) e a regra especial dos</p><p>tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cuja contagem inicia-se com a</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>ocorrência do fato gerador. Por conta da existência de duas regras sobre a mesma</p><p>questão, a questão do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento</p><p>por homologação suscita diversos debates na doutrina e na jurisprudência.</p><p>O entendimento mais aplicável, hoje, é o de que o prazo, em caso de antecipa-</p><p>ção do pagamento, é de cinco anos a contar do fato gerador, mas, se o contribuinte</p><p>tiver agido com dolo, fraude ou dissimulação, ou não pagar, o prazo de cinco anos</p><p>é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento</p><p>poderia ter sido efetuado (1º de janeiro após o fato gerador).</p><p>SUSPENSÃO, EXCLUSÃO E EXTINÇÃO DO CRÉDITO</p><p>TRIBUTÁRIO</p><p>O art. 141, do Código Tributário Nacional, prevê que o crédito tributário regularmen-</p><p>te constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa</p><p>ou excluída, nos casos previstos no próprio Código, os quais passaremos a analisar.</p><p>1. Suspensão do crédito tributário</p><p>Como já dito, após a constituição do crédito, a obrigação tributária torna-se</p><p>líquida e exigível, de modo que, em caso de descumprimento pelo sujeito pas-</p><p>sivo, o sujeito ativo pode utilizar os atos executivos necessários para efetivar a</p><p>cobrança do seu crédito.</p><p>Em caso de ocorrência das hipóteses previstas no art. 151, do Código Tributá-</p><p>rio Nacional (e tão somente nessas hipóteses, já que o rol é taxativo), no entanto, o</p><p>Fisco deve paralisar o andamento desses atos de cobrança, ao que denominamos</p><p>hipóteses de “suspensão do crédito tributário”.</p><p>Caso o crédito ainda não tenha sido devidamente constituído, o entendimen-</p><p>to que prevalece na jurisprudência é o de que a autoridade administrativa pode</p><p>prosseguir com o lançamento sem, contudo, promover-se a cobrança, afinal, o</p><p>prazo decadencial não pode ser interrompido ou suspenso, devendo o lança-</p><p>mento ser realizado para assegurar que o Fisco não perca o direito de constituir</p><p>o crédito tributário.</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>Ressalta-se que, embora o crédito esteja com sua exigibilidade suspensa, o sujeito</p><p>passivo não estará dispensado do cumprimento das obrigações acessórias que</p><p>lhe sejam impostas.</p><p>Vejamos cada uma das hipóteses de suspensão do crédito tributário.</p><p>a) Moratória e parcelamento</p><p>A moratória diz respeito à dilação do prazo para pagamento do tributo, po-</p><p>dendo ser concedida de forma geral ou individual, ocorrendo, nesse último caso,</p><p>por despacho da autoridade administrativa, desde que haja autorização legal.</p><p>Um caso prático que ficou bastante popular ocorreu logo após o início da</p><p>pandemia, pois o Fisco concedeu moratória no pagamento de alguns tributos,</p><p>tais como os devidos pelas empresas do Simples Nacional.</p><p>Vale esclarecer que, enquanto a moratória é uma medida excepcional (em</p><p>casos fortuitos e/ou de força maior que dificultem o adimplemento da obrigação</p><p>tributária), o parcelamento tem o escopo de facilitar a recuperação de créditos</p><p>tributários mediante a redução da inadimplência.</p><p>Diante desse contexto, se o sujeito passivo se enquadrar nas condições da lei</p><p>do parcelamento editada pelo sujeito ativo, regra geral, não haverá afastamento</p><p>de juros e multa. É importante ressaltar que, nos últimos anos, têm surgido</p><p>diversas modalidades de parcelamento e acordos que contemplam a redução de</p><p>multas e juros e, em alguns casos, até mesmo, a diminuição do valor principal,</p><p>como ocorre no Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal (PRLF), aplicável</p><p>a determinados contribuintes.</p><p>Para os casos de devedor em recuperação judicial, deve haver uma outra lei</p><p>específica para tratar das condições. Caso o ente tributante não edite tal lei, a lei</p><p>geral de parcelamento do ente da Federação será aplicada ao devedor em recu-</p><p>peração judicial, não podendo, nesse caso, ser o prazo de parcelamento inferior</p><p>ao concedido pela lei federal específica.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>b) Depósito do montante integral</p><p>O depósito do montante integral devido ao Fisco é uma opção do contribuin-</p><p>te servindo para suspender a exigibilidade do crédito (na esfera judicial) e, por-</p><p>tanto, evitando que o Fisco prossiga com os atos de cobrança (execução fiscal, por</p><p>exemplo) ou para evitar a fluência dos juros moratórios na esfera administrativa.</p><p>Conforme jurisprudência predominante, o depósito deve ser integral (com</p><p>multa e juros) e em dinheiro. Se, ao final da discussão, o depositante sai vitorioso,</p><p>receberá de volta o depósito com correção monetária, mas, se não for, o depósito</p><p>será convertido em renda do sujeito ativo, extinguindo o crédito tributário.</p><p>c) Reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tri-</p><p>butário administrativo</p><p>A Constituição Federal assegura o contraditório e ampla defesa (e os respec-</p><p>tivos recursos) na esfera judicial e administrativa, de modo que, em caso de não</p><p>concordância com o lançamento realizado, o contribuinte poderá questioná-lo.</p><p>A propositura da impugnação ao lançamento ou outro recurso administrativo</p><p>impede o Fisco de promover qualquer ato de cobrança enquanto não encerrado</p><p>o processo administrativo, razão pela qual podemos dizer que toda reclamação/</p><p>recurso administrativo possui efeito suspensivo.</p><p>d) Concessão de liminar em mandado de segurança</p><p>Nos termos do art. 5º, LXIX, da Constituição Federal, o mandado de</p><p>segurança será concedido para proteger direito líquido e certo, não amparado</p><p>por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou</p><p>abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício</p><p>de atribuições do Poder Público. Ao regular o mandado de segurança, a Lei nº</p><p>12.016/09 determina que o juiz deve suspender o ato que deu motivo ao pedido,</p><p>quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a</p><p>ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida.</p><p>1</p><p>4</p><p>4</p><p>Assim, a medida liminar concedida em mandado de segurança tem o escopo de</p><p>assegurar o resultado prático almejado pelo processo, suspendendo a exigibili-</p><p>dade do crédito tributário.</p><p>e) Concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies</p><p>de ação judicial</p><p>Existem situações em que não é possível impetrar mandado de segurança</p><p>para assegurar o direito do contribuinte, seja pela falta dos pressupostos cons-</p><p>titucionais (liquidez e certeza do direito), seja por outros motivos (como perda</p><p>do prazo). Assim, o contribuinte tem que se socorrer de outras medidas judiciais</p><p>para satisfação do direito.</p><p>Segundo o atual Código de Processo Civil, a tutela de urgência será concedida</p><p>quando houver elementos que evidenciem a probabilidade</p><p>do direito e o perigo</p><p>de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Nestes casos, a medida liminar</p><p>concedida, também, suspenderá a exigibilidade do crédito tributário.</p><p>2. Exclusão do crédito tributário</p><p>O art. 175, do Código Tributário Nacional, indica as únicas duas hipóteses de</p><p>exclusão do crédito tributário, quais sejam: a isenção e a anistia. Nesses casos, não é</p><p>possível constituir o crédito tributário, ainda que haja a ocorrência do fato gerador</p><p>(e consequente nascimento da obrigação tributária). Em outras palavras, nessas</p><p>duas hipóteses, a autoridade administrativa não pode efetuar o lançamento, razão</p><p>pela qual a obrigação não se torna líquida/exigível e, portanto, passível de cobrança.</p><p>Enquanto a isenção refere-se à impossibilidade de constituição do crédito</p><p>tributário referente ao tributo em si, a anistia refere-se à penalidade pecuniária.</p><p>Ressalta-se que, mesmo não havendo o lançamento da obrigação principal, o</p><p>contribuinte não está dispensado do cumprimento das obrigações acessórias a ela</p><p>vinculadas. Assim, se, por exemplo, determinada empresa goza de uma isenção</p><p>de ICMS na venda de mercadorias, não estará dispensada de emitir o documento</p><p>fiscal ou escriturar os livros fiscais. Vejamos as principais características de cada</p><p>uma das duas hipóteses de exclusão do crédito tributário.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>a) Isenção</p><p>A doutrina e a jurisprudência não são uníssonas com relação à natureza jurí-</p><p>dica da isenção. Para parte da doutrina e jurisprudência, a isenção é uma hipótese</p><p>de exclusão do campo de incidência tributária, enquanto, para outra parte, é uma</p><p>dispensa de pagamento do tributo. A segunda corrente tem prevalecido à medida</p><p>que, mesmo havendo isenção, o contribuinte não é dispensado do cumprimento</p><p>das obrigações acessórias.</p><p>Carrazza (2012) explica que não devemos confundir os incentivos fiscais</p><p>com as isenções tributárias. Estas são, apenas, um dos meios de concedê-los. Os</p><p>incentivos fiscais estão no campo da extrafiscalidade, que, como ensina Geraldo</p><p>Ataliba, é o emprego dos instrumentos tributários para fins não fiscais, visando</p><p>condicionar comportamentos.</p><p>b) Anistia</p><p>Considerando que a anistia se refere à impossibilidade de constituição do cré-</p><p>dito tributário de penalidade pecuniária, o art. 180, do Código Tributário Nacional,</p><p>disciplina que o benefício abrange tão somente as infrações cometidas anterior-</p><p>mente à vigência da lei que a concede, não se aplicando a crimes ou contravenções</p><p>bem como aos atos praticados com dolo, conluio, fraude ou simulação.</p><p>3. Extinção do crédito tributário</p><p>Parte da doutrina sustenta que as causas de extinção do crédito tribu-</p><p>tário previstas no art. 156, do Código Tributário Nacional, são meramente</p><p>exemplificativas. Portanto, aderimos ao entendimento de que as hipóteses ali</p><p>indicadas são taxativas.</p><p>a) Pagamento</p><p>A primeira hipótese de extinção do crédito tributário é aquela que, normal-</p><p>mente, ocorre após a constituição do crédito tributário, isto é, o efetivo pagamento.</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>b) Compensação</p><p>Ao definir compensação, o art. 368, do Código Civil, disciplina que, se duas</p><p>pessoas forem, ao mesmo tempo, credor e devedor uma da outra, as duas obriga-</p><p>ções extinguem-se, até onde se compensarem. No Código Tributário Nacional,</p><p>a questão está disciplinada nos arts. 170 e 170-A.</p><p>Conforme prevê o art. 170, a compensação e seus requisitos devem estar</p><p>previstos em lei para ser levada a efeito viabilizando a compensação de créditos</p><p>tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito pas-</p><p>sivo contra a Fazenda pública. Isso significa que, por exemplo, um crédito pode</p><p>surgir quando há um pagamento em excesso, resultando no reconhecimento de</p><p>um indébito tributário.</p><p>c) Transação</p><p>De acordo com o Código Civil, a transação refere-se às concessões mútuas entre</p><p>interessados, para prevenir ou terminar litígios. Em matéria tributária, a questão</p><p>encontra-se disciplinada no art. 171, do Código Tributário Nacional, o qual prevê</p><p>que, mediante lei, podem ser estabelecidas condições entre o sujeito ativo e o passivo</p><p>da obrigação tributária para celebrar transação que, mediante concessões mútuas,</p><p>importe em determinação de litígio que resulte na extinção de crédito tributário.</p><p>d) Remissão</p><p>Como já mencionado, quando tratamos das hipóteses de exclusão do cré-</p><p>dito tributário, a isenção refere-se à impossibilidade de constituição do crédito</p><p>tributário referente ao tributo em si, ao passo que a anistia se refere à penalidade</p><p>pecuniária. Assim, caso o crédito tributário ainda não esteja devidamente consti-</p><p>tuído, será utilizada a isenção para afastar o tributo e a anistia para afastar a multa.</p><p>Por sua vez, a remissão refere-se ao mecanismo de perdoar a necessidade de</p><p>pagamento dos créditos tributários já constituídos. Na prática, as leis instituidoras</p><p>da remissão afastam a necessidade de pagamento do tributo e das corresponden-</p><p>tes multas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>e) Decadência, pagamento antecipado e a homologação do lançamento</p><p>Como já analisado em nosso estudo sobre o lançamento, ainda que, a partir</p><p>do surgimento da obrigação tributária, já exista uma relação jurídica entre o su-</p><p>jeito passivo e o sujeito ativo, é necessário que haja um procedimento formal que</p><p>delimite os aspectos materiais da obrigação para materializar o crédito tributário,</p><p>ao que denominamos lançamento.</p><p>Enquanto o prazo para a autoridade administrativa realizar o lançamento</p><p>é denominado de decadência, o prazo para o ajuizamento da execução fiscal</p><p>(cobrança do crédito tributário) é chamado de prescrição. Em outras palavras, a</p><p>partir do lançamento que torne o crédito tributário definitivo, não haverá mais</p><p>período decadencial, passando a correr o prazo prescricional.</p><p>f) Prescrição</p><p>Conforme previsão do art. 174, do Código Tributário Nacional, a ação para a co-</p><p>brança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua consti-</p><p>tuição definitiva. Assim, caso o sujeito passivo não realize o pagamento nem tampouco</p><p>discuta o débito (impugnação), ou, ainda, após a finalização de processo administrativo</p><p>sobre o débito em que o sujeito passivo seja perdedor, a autoridade administrativa deve</p><p>propor a correspondente execução fiscal antes do esgotamento desse prazo.</p><p>Ressalta-se que existem situações em que o prazo efetivo acaba sendo muito</p><p>maior que os cinco anos previstos na regra geral, eis que a legislação prevê os ca-</p><p>sos de interrupção e suspensão. Nos casos de interrupção, o prazo é integralmente</p><p>devolvido a quem seria prejudicado pela sua consumação, ao passo que, nos casos</p><p>de suspensão, o prazo, quando retomado, continua a correr do mesmo ponto.</p><p>g) Conversão de depósito em renda</p><p>Conforme mencionado em nosso estudo sobre a hipótese de suspensão da</p><p>exigibilidade do crédito tributário com base no depósito do montante integral</p><p>devido ao Fisco, o sujeito passivo poderá utilizá-lo para suspender a exigibili-</p><p>dade do crédito (na esfera judicial), evitando que o Fisco prossiga com os atos</p><p>de cobrança (execução fiscal por exemplo) ou para evitar a fluência dos juros</p><p>moratórios na esfera administrativa.</p><p>1</p><p>4</p><p>8</p><p>Em ambas as esferas, caso o sujeito passivo não seja vitorioso, o valor deposita-</p><p>do será convertido em renda da Fazenda Pública (sujeito ativo), extinguindo o</p><p>crédito tributário.</p><p>h) Consignação em pagamento</p><p>A ação de consignação em pagamento é a ação judicial cabível nos casos ar-</p><p>rolados no art. 164, do Código Tributário Nacional. Nesse tipo de ação, o sujeito</p><p>passivo poderá realizar um depósito judicial em consignação nos seguintes casos:</p><p>I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento</p><p>de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação</p><p>acessória;</p><p>II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências</p><p>administrativas sem fundamento legal;</p><p>III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito pú-</p><p>blico, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador (BRASIL,</p><p>1966, on-line).</p><p>O último</p><p>caso é o que, na prática, acarreta esse tipo de ação. Não é incomum,</p><p>por exemplo, que o ISS de um prestador de serviços seja exigido pelo Fisco do</p><p>Município de sua sede e por aquele do local da prestação de serviços. Nesse caso,</p><p>o sujeito passivo poderá, então, depositar em consignação o valor que entende</p><p>devido, razão pela qual a consignação só pode versar sobre o crédito que o con-</p><p>signante se propõe a pagar.</p><p>i) Decisão administrativa irreformável</p><p>Com a efetivação do lançamento, o sujeito passivo pode apresentar sua defesa</p><p>e seus recursos a ela inerentes para garantir a anulação do lançamento e, conse-</p><p>quentemente, extinguir o crédito tributário. Caso o sujeito passivo seja vitorioso</p><p>na esfera administrativa por motivos formais do lançamento, como já visto, ha-</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>verá devolução do prazo decadencial para a autoridade administrativa realizar</p><p>o lançamento novamente. Mas, em caso de anulação do lançamento por vícios</p><p>materiais (por exemplo, inexistência do fato gerador, sujeito passivo incorreto</p><p>etc.), o crédito tributário será definitivamente terminado.</p><p>j) Decisão judicial passada em julgado</p><p>Nos termos do art. 5º, XXXVI, da CF/88, a lei não prejudicará a coisa julga-</p><p>da. Em outras palavras, se a decisão judicial transitada em julgado (situação na</p><p>qual não é mais cabível qualquer recurso, sendo a decisão imutável, regra geral, a</p><p>partir de então) é favorável ao sujeito passivo, o crédito tributário estará extinto.</p><p>k) A dação em pagamento em bens imóveis</p><p>A dação em pagamento é o oferecimento de bens para extinguir um crédito</p><p>tributário. A hipótese de dação em pagamento admitida pelo CTN restringe-se</p><p>aos casos para os quais haja lei regulamentadora e trate-se de bem imóvel. Res-</p><p>salta-se que, atualmente, somente há lei autorizativa do assunto para quitação de</p><p>créditos da União (Lei nº 13.259/2016).</p><p>Assista agora ao conteúdo referente a sua aula.</p><p>EM FOCO</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Caro estudante, você pôde perceber, ao longo do texto, como as questões relativas</p><p>ao lançamento tributário estão vivas no seu dia a dia? Por exemplo, ainda que</p><p>não atue diretamente na área tributária, você, com certeza, já pagou ou conhece</p><p>alguém que paga o Imposto de Renda e o IPVA.</p><p>No caso do Imposto de Renda, o aspecto material é a aquisição de renda ou</p><p>provento de qualquer natureza e, no que diz respeito ao aspecto pessoal, você</p><p>sabe que quem tem que pagar é quem recebeu a renda.</p><p>Com relação ao aspecto quantitativo, certamente, você, também, já ouviu</p><p>falar que existe uma tabela progressiva com alíquotas aplicável de acordo com</p><p>o valor da renda. Já no que diz respeito ao tipo de lançamento tributário, você,</p><p>certamente, sabe que, todo ano, as pessoas obrigadas devem apresentar a decla-</p><p>ração do Imposto de renda, de modo que quem pratica o lançamento tributário</p><p>é o próprio contribuinte (lançamento por homologação), pois é ele próprio quem</p><p>calcula o valor do tributo e o recolhe, sem participação direta do Fisco. Então,</p><p>quando você faz a sua declaração de imposto de renda, você, mesmo, está fazendo</p><p>o “lançamento” do imposto devido.</p><p>Já no caso do IPVA, é o próprio Fisco que realiza o lançamento tributário</p><p>(lançamento de ofício) desse imposto, cujo aspecto espacial ocorre dentro de</p><p>um Estado, estando, no aspecto pessoal presente, o proprietário de um veículo</p><p>automotor, sujeito no aspecto quantitativo ao pagamento de uma alíquota sobre</p><p>o valor do veículo (base de cálculo).</p><p>Por fim, após o lançamento, estando o crédito tributário finalmente cons-</p><p>tituído, com o devido pagamento, ele será extinto. Mas, no ano seguinte, tudo</p><p>começará novamente, não é mesmo?!</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>1. Segundo a doutrina, a norma instituidora de um tributo não apenas define a hipótese de</p><p>incidência (antecedente da norma), mas também prescreve a obrigação decorrente (con-</p><p>sequente da norma).</p><p>Qual das alternativas a seguir corresponde aos aspectos Antecedente ou Hipótese:</p><p>a) Aspecto pessoal e quantitativo.</p><p>b) Aspecto material, espacial e temporal.</p><p>c) Aspecto material e pessoal.</p><p>d) Aspecto quantitativo e pessoal.</p><p>e) Aspecto espacial, pessoal e quantitativo.</p><p>2. Os “aspectos”, ou “elementos”, da norma tributária impositiva são todos integrantes de uma</p><p>mesma norma, sendo partes indissociáveis de um todo único.</p><p>Analise as afirmativas a seguir:</p><p>I - Segundo a doutrina majoritária, a hipótese de incidência é o que está abstratamente</p><p>descrito na norma, que, ao ocorrer no mundo fático, dá luz ao fato gerador.</p><p>II - Segundo a teoria da regra matriz de incidência, a norma instituidora de um tributo não</p><p>apenas define a hipótese de incidência, mas também prescreve a obrigação decorrente</p><p>(consequente da norma).</p><p>III - A norma tributária é composta apenas de uma parte, a antecedente.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>3. Com relação ao aspecto pessoal da norma tributária, não podemos dizer que:</p><p>a) O sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo</p><p>ou penalidade pecuniária.</p><p>b) O sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que cons-</p><p>tituam o seu objeto.</p><p>c) O sujeito passivo será considerado: (i) contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta</p><p>com a situação que constitua o respectivo fato gerador, e (ii) responsável, quando, sem</p><p>revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.</p><p>d) Não existe solidariedade passiva no âmbito tributário.</p><p>e) A solidariedade tributária não comporta benefício de ordem, isto é, não se busca, primei-</p><p>ramente, a satisfação de seu crédito contra o devedor principal para, somente depois,</p><p>cobrar do devedor solidário.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AGÊNCIA BRASIL. Impostos pagos por brasileiros em 2022 passam de R$ 2,8 trilhões. 4</p><p>jan. 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2023-01/im-</p><p>postos-pagos-por-brasileiros-em-2022-passam-de-r-28-trilhoes. Acesso em: 25 set. 2023.</p><p>ALEXANDRE, R. Direito tributário. 11. ed. rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2017.</p><p>BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacio-</p><p>nal e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios.</p><p>Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso</p><p>em: 25 set. 2023.</p><p>CARRAZZA, R. A. Curso de Direito Constitucional Tributário. 29. ed. rev., atual. e ampl. São</p><p>Paulo: Malheiros, 2012.</p><p>CARVALHO, P. de B. Curso de Direito Tributário. 17. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2005.</p><p>MACHADO SEGUNDO, H. de B. Manual de Direito Tributário. 10. ed. rev., atual. e ampl. São</p><p>Paulo: Atlas, 2018.</p><p>PALSEN, L. Curso de Direito Tributário Completo. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>1</p><p>5</p><p>4</p><p>1. B. A norma tributária impositiva é composta por duas partes, antecedente, ou hipótese,</p><p>e consequente, ou prescrição. O Antecedente, ou hipótese, subdivide-se em aspecto</p><p>material, aspecto espacial e aspecto temporal.</p><p>2. C. A norma tributária impositiva é composta por duas partes, antecedente, ou hipótese,</p><p>e consequente, ou prescrição.</p><p>3. D. O Código Tributário Nacional, ao tratar da solidariedade passiva, disciplina que exis-</p><p>tem dois tipos: solidariedade de fato ( para pessoas que tenham interesse comum na</p><p>situação que constitua o fato gerador da obrigação principal) e solidariedade de direito</p><p>(pessoas expressamente designadas por lei).</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>5</p><p>5</p><p>UNIDADE 3</p><p>MINHAS METAS</p><p>CONCEITO DE DIREITO</p><p>EMPRESARIAL</p><p>Definir Direito Empresarial.</p><p>Enumerar os princípios do direito empresarial.</p><p>Apresentar a teoria da empresa.</p><p>Demonstrar os conceitos elementares aplicados no Direito Empresarial.</p><p>Apresentar as fontes de direito empresarial.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7</p><p>1</p><p>5</p><p>8</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Prezado estudante, você já se questionou sobre a complexidade das situações</p><p>que ocorrem toda vez que você adentra uma loja, supermercado,</p><p>de tributos.</p><p>As categorias mais relevantes, para a compreensão do Direito Tributário e</p><p>Sistema Tributário Brasileiro, são as seguintes:</p><p>Quanto à espécie tributária: os tributos são agrupados em cinco espécies dis-</p><p>tintas, sendo elas: impostos, taxas, contribuição de melhoria, empréstimos com-</p><p>pulsórios e contribuições especiais.</p><p>Quanto à competência: os tributos são agrupados conforme a competência</p><p>do ente tributante para sua instituição (federal, estadual, municipal ou distrital).</p><p>Veja o Quadro 2:</p><p>TRIBUTO COBRADO</p><p>PELA UNIÃO</p><p>TRIBUTO CO-</p><p>BRADO PELOS</p><p>ESTADOS</p><p>TRIBUTO CO-</p><p>BRADO PELOS</p><p>MUNICÍPIOS</p><p>TRIBUTO COBRA-</p><p>DO PELO DISTRI-</p><p>TO FEDERAL</p><p>Competência federal</p><p>Impostos federais: II,</p><p>IE, IPI, IR, IOF, ITR, IGF,</p><p>Impostos Residuais e</p><p>Imposto Extraordinário</p><p>de Guerra.</p><p>Taxas</p><p>Contribuição de Me-</p><p>lhoria</p><p>Empréstimos Compul-</p><p>sórios</p><p>Contribuições especiais</p><p>Competência</p><p>estadual</p><p>Impostos es-</p><p>taduais: IPVA,</p><p>ITCMD e ICMS</p><p>Taxas</p><p>Contribuição de</p><p>Melhoria</p><p>Competência</p><p>municipal</p><p>Impostos muni-</p><p>cipais: ISS, IPTU</p><p>e ITBI</p><p>Taxas</p><p>Contribuição de</p><p>Melhoria</p><p>Competência</p><p>distrital</p><p>Tributos de</p><p>competência dos</p><p>Estados + Tributos</p><p>de competências</p><p>dos Municípios</p><p>Quadro 2 - Categoria de tributos quanto à competência / Fonte: a autora.</p><p>Quanto à vinculação: os tributos podem ser classificados em vinculados ou des-</p><p>vinculados, conforme haja uma vinculação (dependência) de uma atividade estatal.</p><p>Por exemplo, as taxas podem ser cobradas em caso de prestação de serviço público</p><p>específico e divisível, como é o caso da coleta de lixo. Já no caso de tributos não vin-</p><p>1</p><p>1</p><p>culados, como é o caso dos impostos, sua cobrança não depende de uma atividade</p><p>estatal realizada para o contribuinte ou, mesmo, da destinação de sua arrecadação.</p><p>Inclusive, o art. 16, do CTN (BRASIL, 1966), ao definir “imposto”, prescreve que se</p><p>trata de um tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente</p><p>de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.</p><p>Quanto ao impacto financeiro: a classificação considera a repercussão econô-</p><p>mico-financeira do tributo, podendo ser direta ou indireta. No caso dos tributos</p><p>diretos, há uma relação direta entre a cobrança e a renda do contribuinte, de for-</p><p>ma que a mesma pessoa obrigada ao pagamento do tributo suporta, efetivamente,</p><p>o seu ônus econômico. Nesse caso, dizemos que o contribuinte de direito (aquele</p><p>que tem que recolher o tributo) é, também, o contribuinte de fato (quem arca</p><p>com o ônus). Por outro lado, no caso dos tributos indiretos, o ônus financeiro</p><p>do tributo é passado para os consumidores no preço. Assim, há a figura de um</p><p>contribuinte de direito (que é obrigado ao pagamento) e a figura daquele que</p><p>suporta, efetivamente, o ônus financeiro (contribuinte de fato). O exemplo mais</p><p>comum é o ICMS, que incide em toda a cadeia produtiva e deve, portanto, ser</p><p>recolhido por todos os integrantes (industriais, atacadistas e varejistas). O valor</p><p>do ICMS acaba sendo repassado no preço do produto de modo que, no fim das</p><p>contas, quem arca, economicamente, com o valor é o consumidor final.</p><p>Quanto ao objeto: os tributos podem ser reais ou pessoais. Os reais são aqueles</p><p>que incidem sobre coisas ou fatos (por exemplo, o IPTU), ao passo que os tributos</p><p>pessoais incidem considerando-se certas características do contribuinte.</p><p>Quanto à cumulatividade: os tributos podem ser cumulativos ou não cumu-</p><p>lativos. Os cumulativos são aqueles que incidem na cadeia econômica de forma</p><p>sucessiva, sem a aplicação de qualquer instituto que possa reduzir seus efeitos.</p><p>Já nos tributos não cumulativos, existem mecanismos de compensação da carga</p><p>tributária incidente entre a operação anterior da cadeia e a posterior, evitando-se</p><p>os efeitos da tributação em cascata. Por exemplo, no caso do ICMS, o imposto</p><p>que foi cobrado quando uma loja comprou produtos para revender, pode ser</p><p>abatido do imposto que é devido quando a mesma loja revende a mercadoria</p><p>para o consumidor final.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Quanto à seletividade: os tributos podem ser seletivos ou não seletivos. Os tribu-</p><p>tos seletivos são graduados de acordo com a relevância do produto. O destaque para</p><p>essa categoria é o IPI (tributo seletivo), que possui altas alíquotas para perfumes</p><p>e cigarros e baixa (ou nenhuma) carga tributária para produtos socialmente rele-</p><p>vantes (como é o caso de produtos da cesta básica). Para os tributos não seletivos,</p><p>a carga tributária é a mesma, independentemente do produto/bem tributado.</p><p>Quanto à progressividade: os tributos podem ser progressivos ou não pro-</p><p>gressivos. Os tributos progressivos possuem aumento/diminuição de suas alí-</p><p>quotas de acordo com a capacidade econômica do contribuinte. No caso do IR,</p><p>por exemplo, quanto maior a renda, maior será a alíquota aplicável. Segundo</p><p>Paulsen (2017), a técnica da progressividade dimensiona o montante devido</p><p>de um tributo mediante a aplicação de uma escala de alíquotas a outra escala</p><p>correlata, fundada, normalmente, na maior ou menor revelação de capacidade</p><p>contributiva. Assim, com a utilização de alíquotas progressivas é possível fazer</p><p>com que aqueles que revelam maior capacidade para contribuir o façam em grau</p><p>mais elevado que os demais, não apenas proporcionalmente a sua maior riqueza,</p><p>mas suportando maior carga. No caso dos tributos não progressivos, a tributa-</p><p>ção é a mesma, independentemente da capacidade econômica do contribuinte.</p><p>Nesse caso, há penalização daqueles que detêm menor capacidade contributiva.</p><p>Conforme elucida Clasen (2014), quando o sistema tributário assume um ca-</p><p>ráter regressivo, torna-se um problema para o desenvolvimento social, pois há</p><p>impulsionamento da concentração de renda e riqueza, em vez da distribuição.</p><p>Robin Hood,</p><p>Sinopse: O filme Robin Hood, dirigido por Ridley Scott,</p><p>de 2010, reconta a história da lenda folclórica britâni-</p><p>ca de Robin Hood, um fora-da-lei que “rouba dos ricos</p><p>para dar aos pobres”. O filme retrata o poder ilimitado</p><p>da época que os reis possuíam para cobrar tributos.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>1</p><p>8</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>No decorrer da leitura deste tema de aprendizagem, você deve ter percebido</p><p>como o Direito Tributário está muito mais presente em sua vida do que você</p><p>havia imaginado. As questões de Direito Tributário não interessam somente a</p><p>empresários, contadores ou advogados.</p><p>Por exemplo, você ou qualquer pessoa da sua família, todo ano, deve juntar a</p><p>documentação necessária e providenciar a declaração do imposto sobre a renda</p><p>da pessoa física. Isso porque o Estado instituiu o imposto de renda para arrecadar</p><p>e ter recursos para pagar seus gastos.</p><p>A declaração desse imposto é um documento que foi criado justamente para</p><p>facilitar a fiscalização e garantir a mais acurada arrecadação. Assim, todas as re-</p><p>gras e dúvidas que estão relacionadas à entrega desse documento são esclarecidas</p><p>no âmbito do Direito Tributário e Contabilidade Tributária.</p><p>Outra situação bastante recorrente é o aumento repentino de tributos na</p><p>importação de produtos, normalmente, porque a indústria nacional está sendo</p><p>lesada (pelos produtos chineses, por exemplo). Nesse caso, o aumento do Im-</p><p>posto de Importação é feito pelo Estado para favorecer os produtos nacionais,</p><p>situação na qual estamos diante de um tributo sendo utilizado como instrumento</p><p>de intervenção na economia, isto é, com fins extrafiscais.</p><p>Inclusive, conforme será visto posteriormente, a legislação prevê uma limi-</p><p>tação para proteger o contribuinte de um imediato aumento de carga tributária,</p><p>à medida que determina um período mínimo entre a publicação de uma lei</p><p>que cria ou aumenta um tributo e os efeitos de tal instituição/majoração. Tal</p><p>limitação (princípio da anterioridade), entretanto, possui exceções, como é o</p><p>caso do II (Imposto de Importação).</p><p>Você consegue enumerar razões para a importância da cobrança de tributos</p><p>para a sociedade?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 1</p><p>Já na época da pandemia, ocorreu o oposto, pois diversos produtos tiveram a</p><p>tributação, repentinamente,</p><p>escritório ou,</p><p>mesmo, quando adquire um sorvete ou uma refeição de um dos food trucks?</p><p>Todas essas circunstâncias são reguladas por normas próprias.</p><p>Quando você pondera sobre as empresas X ou Y, está, realmente, consideran-</p><p>do a própria entidade empresarial ou o indivíduo empreendedor por trás dela?</p><p>Será que uma empresa ou um empresário tem liberdade irrestrita para se envolver</p><p>em qualquer tipo de atividade? Se você é um colaborador dentro de uma empresa,</p><p>seja trabalhando no ambiente físico da organização, seja operando remotamente</p><p>com clientes e produtos, está imerso diariamente em um ecossistema empresarial.</p><p>Mas por que toda essa estrutura é necessária? Qual é o propósito subjacente a</p><p>toda essa gama de elementos?</p><p>A sua jornada de aprendizado explorará, profundamente, essas indagações e</p><p>revelará que o Direito Empresarial exerce uma influência muito mais significativa</p><p>em sua rotina do que possivelmente tenha considerado até agora.</p><p>Quem será que pode ser empresário? É importante você conhecer quem</p><p>detém os requisitos para se tornar empresário. Não deixe de acessar o pod-</p><p>cast que preparei sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteú-</p><p>do digital do ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda quem é o sujeito passivo da obrigação tributária? O sujeito</p><p>passivo pode ser considerado um contribuinte, quando tenha relação pessoal e</p><p>direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, ou responsável,</p><p>quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de</p><p>disposição expressa de lei. Esse sujeito pode ser tanto pessoa física, na grande</p><p>parte dos casos, quanto pessoa jurídica, com destaque para as empresas, que</p><p>são responsáveis pelo pagamento da maior parte dos tributos.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>ORIGEM DO DIREITO EMPRESARIAL</p><p>Segundo Teixeira (2018), o Direito Comercial pode ser dividido em três fases:</p><p>1ª Dos usos e costumes - fase subjetiva, que se iniciou na Antiguidade</p><p>e se consolidou na Idade Média até 1807, ano da edição do Código</p><p>Comercial francês.</p><p>2º Da teoria dos atos de comércio - fase objetiva, de 1807 até 1942, ano</p><p>marcado pela edição do Código Civil italiano.</p><p>3º Da teoria da empresa - fase subjetiva moderna, a partir de 1942 até</p><p>o presente.</p><p>Por sua vez, Chagas (2020) subdivide o Direito Empresarial em quatro fases his-</p><p>tóricas, conforme se depreende do quadro a seguir:</p><p>FASES HISTÓRICAS DO DIREITO EMPRESARIAL:</p><p>Primitiva:</p><p>antiguidade</p><p>– A troca era a versão original do comércio, a qual evoluiu para</p><p>a modalidade de compra e venda e intermediação, decorrente</p><p>do surgimento da moeda.</p><p>Subjetiva</p><p>– O direito comercial dessa fase era criado por corporações de</p><p>ofício, as quais. por terem uma estrutura corporativa e clas-</p><p>sista, tiveram a força política e a econômica necessárias ao</p><p>estabelecimento de regras próprias para os comerciantes.</p><p>– Comerciante era quem estava matriculado em uma corpora-</p><p>ção de oficio.</p><p>Objetiva</p><p>– Transformou-se em um ramo do direito aplicável a determi-</p><p>nados atos, não a determinadas pessoas. Tais atos estariam</p><p>elencados em legislação comercial e quem fizesse de sua pro-</p><p>fissão o exercício deles seria alcançado pelo direito comercial.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Subjetiva,</p><p>moderna ou</p><p>empresarial</p><p>– O direito empresarial incide na atividade tida como econômica.</p><p>O objeto do direito é estável, a atividade (empresa). Todavia,</p><p>apesar de incidir sobre a empresa (objeto), os reflexos jurídicos</p><p>dos negócios recairão sobre os sujeitos titulares das empresas</p><p>(empresários e sociedades empresárias).</p><p>Quadro 1 - Fases históricas do Direito Empresarial / Fonte: adaptado de Chagas (2020).</p><p>No que diz respeito à fase moderna, como ensina Coelho (2016), em 1942,</p><p>surgiu, na Itália, um novo sistema de regulação das atividades econômicas dos</p><p>particulares. Nessa época, o Direito Comercial passou a abranger, também, ati-</p><p>vidades de prestação de serviços e ligadas à terra, sendo o novo sistema chamado</p><p>de teoria da empresa. O Direito Comercial deixou de cuidar das atividades de</p><p>mercancia e passou a disciplinar uma forma específica de produzir ou circular</p><p>bens ou serviços, a forma empresarial.</p><p>A teoria da empresa surgiu no momento em que o mundo estava em guerra, e</p><p>a Itália era governada pelo fascista Mussolini. Na teoria marxista, o proletaria-</p><p>do toma o poder do Estado, expropriando das mãos da burguesia os bens de</p><p>produção, para pôr fim às classes sociais (e, em seguida, ao próprio Estado),</p><p>reorganizando-se as relações de produção.</p><p>Por sua vez, no fascismo, a luta de classes termina em harmonização patroci-</p><p>nada pelo Estado nacional, de modo que a burguesia e o proletariado superam</p><p>seus antagonismos, unindo-se em torno dos objetivos da nação, seguindo o</p><p>líder. De acordo com a ideologia fascista, a empresa simboliza a organização</p><p>em que se harmonizam as classes em conflito. Posteriormente, a teoria da em-</p><p>presa desvencilhou-se da ideologia fascista e sobreviveu à redemocratização</p><p>da Itália.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Idade Média Teoria dos Atos do</p><p>Comércio</p><p>Teoria da Empresa</p><p>Fase Subjetiva</p><p>moderna</p><p>O que importa é a</p><p>atividade em</p><p>exercício</p><p>O que importa é o</p><p>objeto da atividade</p><p>Código Comercial</p><p>do Brasil - 1850</p><p>Fase Objetiva</p><p>Fase de Usos e</p><p>Costumes</p><p>Fase Subjetiva</p><p>Corporação de</p><p>ofícios</p><p>1808</p><p>Código Comercial</p><p>Francês</p><p>1942</p><p>Código Civil</p><p>Italiano</p><p>Figura 1 - Resumo das fases do direito comercial e empresarial / Fonte: o autor.</p><p>Descrição da Imagem: a figura representa um resumo com as três principais fases do Direito Comercial até o</p><p>Direito Empresarial. Fim da descrição.</p><p>No que diz respeito aos fatos históricos que marcaram o Brasil, segundo a lição de</p><p>Ramos (2016), antes da edição do Código Comercial de 1850, não havia uma le-</p><p>gislação própria, sendo aplicadas as leis de Portugal, as chamadas Ordenações do</p><p>Reino (Ordenações Filipinas, Ordenações Manuelinas e Ordenações Afonsinas).</p><p>Após a vinda de D. João VI ao Brasil, com a abertura dos portos às nações</p><p>amigas, houve fomento do comércio na colônia, dando luz à criação da Real</p><p>Junta de Comércio, Agricultura, Fábrica e Navegação, a qual tinha, dentre seus</p><p>objetivos, a criação do direito comercial brasileiro.</p><p>Em 1832, foi criada uma comissão específica para o assunto, de forma que,</p><p>em 1834, foi apresentado ao Congresso o projeto de lei do Código Comercial</p><p>(Lei nº 556), promulgado em 15 de junho de 1850, o qual adotou a teoria francesa</p><p>dos atos de comércio.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>O Código Comercial definia como comerciante aquele que exercia a mercancia</p><p>de forma habitual, como sua profissão. Embora o próprio Código não tenha dito o</p><p>que considerava mercancia (atos de comércio), o Regulamento nº 737, também,</p><p>de 1850, considerava mercancia a compra e venda ou troca de efeitos móveis</p><p>ou semoventes para os vender por grosso ou a retalho, na mesma espécie ou</p><p>manufaturados, ou para alugar o seu uso; as operações de câmbio, banco e</p><p>corretagem; as empresas de fábricas; de comissões; de depósito; de expedição,</p><p>consignação, e transporte de mercadorias; de espetáculos públicos; os seguros,</p><p>fretamentos, riscos e quaisquer contratos relativos ao comércio marítimo; e a</p><p>armação e expedição de navios. Embora, em 1875, o Regulamento nº 737 tenha</p><p>sido revogado, sua definição dos atos de comércio continuou sendo levada em</p><p>conta para a definição das relações jurídicas abrangidas pelo direito comercial.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Outros dispositivos legais, também, tratavam da definição dos atos de comércio,</p><p>tais como as operações com letras de câmbio e notas promissórias, nos termos</p><p>do art. 57, do Decreto nº 2.044/1908, e as operações realizadas por sociedades</p><p>anônimas, nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei nº 6.404/1976.</p><p>Como dito, nosso Código Comercial de 1850 tinha forte influência da teo-</p><p>ria dos atos de comércio. Entretanto havia forte dissonância entre a teoria dos</p><p>atos de comércio e a realidade disciplinada pelo Direito Comercial, pois havia</p><p>tratamento</p><p>desigual para a prestação de serviços, negociação de imóveis e ati-</p><p>vidades rurais.</p><p>Durante um quarto de século, como não havia inovação legislativa, a doutrina</p><p>comercialista passou a adotar a teoria da empresa, de forma que, até mesmo, a</p><p>jurisprudência começou a respaldar-se desconsiderando o conceito de atos de</p><p>comércio, ainda que fosse esse o que vigorava no Código Comercial.</p><p>Como apontado por Coelho (2016), a jurisprudência chegou a conceder para</p><p>pecuaristas a concordata, decretaram a falência de negociantes de imóveis, asse-</p><p>guraram a renovação compulsória do contrato de aluguel em favor de prestadores</p><p>de serviço, aplicando para outras atividades o critério da empresarialidade. Além</p><p>disso, as principais leis de interesse do direito comercial passaram a se inspirar no</p><p>novo sistema italiano, e não mais no francês, como no caso do Código de Defesa</p><p>do Consumidor de 1990, a Lei de Locação Predial Urbana de 1991 e a Lei do</p><p>Registro de Empresas de 1994.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Mesmo antes da entrada em vigor do novo Código Civil, o direito pátrio já havia</p><p>incorporado na doutrina, jurisprudência em algumas leis esparsas, a teoria de</p><p>empresa, que veremos mais a seguir.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Após o advento do Código Civil de 2002 e a revogação de parte do Código Co-</p><p>mercial de 1850, no Brasil, passou-se a utilizar o termo “Direito Empresarial”, e</p><p>não mais “Direito Comercial”.</p><p>O Direito Empresarial é, na verdade, a mesma coisa que Direito Comercial, mas</p><p>o primeiro é mais amplo, pois abrange todo exercício profissional de atividade</p><p>econômica organizada para produção ou circulação de bens ou de serviços, ex-</p><p>ceto intelectual.</p><p>Por que será que o Direito Comercial, inicialmente, somente alcançava aqueles</p><p>comerciantes que compravam para depois revender?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Em suma, o Direito Empresarial é um ramo autônomo do Direito Privado que</p><p>disciplina o exercício de atividade econômica organizada. Por fim, vale apontar a</p><p>lição de Teixeira (2018), que esclarece que o Direito Empresarial é mais dinâmico</p><p>do que o Direito Civil, pois é criativo e mutante, eis que, na vida civil, contrata-se</p><p>poucas vezes e se pensa muito antes de realizar algo, enquanto, na vida mercantil,</p><p>contrata-se reiteradamente, várias vezes.</p><p>TEORIA DA EMPRESA</p><p>Inicialmente, o Direito Comercial surgiu para regulamentar as atividades mer-</p><p>cantis, sendo adotada a Teoria dos Atos do Comércio de origem francesa, com</p><p>base na Codificação napoleônica que segregou Direito Civil e Direito Comercial,</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>isto é, interesses da nobreza fundiária (propriedade privada) em relação aos in-</p><p>teresses da burguesia (riqueza mobiliária).</p><p>Foram surgindo, entretanto, atividades sem enquadramento nos atos de co-</p><p>mércio, definições legais que não se amoldam a uma realidade dinâmica da ati-</p><p>vidade mercantil, como era o caso de atos praticados entre duas partes, em que</p><p>apenas uma delas é comerciante (como a venda a consumidor final).</p><p>Mesmo assim, essa teoria foi adotada por quase todas as codificações ociden-</p><p>tais do século XIX, inclusive, pelo Código Comercial brasileiro de 1850, o qual</p><p>definiu comerciante como aquele que exercia a mercancia de forma habitual,</p><p>como sua profissão.</p><p>A partir do novo Código Civil da Itália (1942), o qual promoveu a unifica-</p><p>ção formal do Direito Privado, passou-se a adotar uma teoria, segundo a qual, o</p><p>Direito Comercial não se restringia a regular as relações jurídicas em que ocorra</p><p>a prática de determinado ato definido em lei. Qualquer atividade exercida em-</p><p>presarialmente se submeteria ao Direito Empresarial.</p><p>O Código Civil italiano de 1942 baseava-se no estudo do jurista italiano Al-</p><p>berto Asquini (1996), o qual defendia que a empresa deveria ser vista como um</p><p>fenômeno econômico poliédrico, com quatro perfis distintos:</p><p>Perfil subjetivo - A empresa seria uma pessoa (física ou jurídica), ou seja, o em-</p><p>presário.</p><p>Perfil funcional - A empresa seria uma particular força em movimento, que é a ati-</p><p>vidade empresarial dirigida a determinado escopo produtivo, ou seja, uma atividade</p><p>econômica organizada.</p><p>Perfil objetivo (ou patrimonial) - A empresa seria um conjunto de bens afeta-</p><p>dos ao exercício da atividade econômica desempenhada, ou seja, o estabeleci-</p><p>mento empresarial.</p><p>Perfil corporativo - A empresa seria uma comunidade laboral, uma instituição que</p><p>reúne o empresário e seus auxiliares ou colaboradores, ou seja, um núcleo social</p><p>organizado em função de um fim econômico comum. Tal perfil encontra-se ultrapas-</p><p>sado à medida que se sustentava a partir da ideologia fascista que predominava na</p><p>Itália quando da edição do Código Civil de 1942.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>É comum usarmos a expressão “empresa” com sentidos distintos, de forma tec-</p><p>nicamente equivocada. Por exemplo, quem contrata funcionários não é uma</p><p>empresa, mas, sim, o empresário (perfil subjetivo), e, quando uma empresa é</p><p>“vendida”, normalmente, o que foi vendido é o estabelecimento empresarial</p><p>(perfil objetivo).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>A partir da adoção da teoria da empresa, com fulcro no entendimento sobre o</p><p>perfil poliédrico, o fenômeno econômico empresa passou a ser visto como um</p><p>organismo econômico em que há articulação dos fatores de produção (nature-</p><p>za, trabalho, capital e tecnologia) para que sejam atendidas as necessidades do</p><p>mercado (produção e circulação de bens e serviços). É justamente em torno da</p><p>atividade econômica organizada (a empresa) que gravitam os demais conceitos</p><p>fundamentais do direito empresarial que serão estudados.</p><p>Nosso Código Civil de 2002 possui, em seu Livro II, Título I, uma parte que</p><p>trata especificamente do “Direito de Empresa”. A partir do advento desse diploma</p><p>normativo, desapareceu a figura do comerciante.</p><p>Como o Código Civil de 2002 adotou a teoria da empresa, ficando superado</p><p>o critério ultrapassado do Código Comercial de 1850, que definia o comerciante</p><p>como aquele que pratica habitualmente atos de comércio, restaram obsoletas as</p><p>definições de comerciante e atos de comércio, que são substituídas pela figura</p><p>do empresário e da empresa.</p><p>O Código Civil, entretanto, não define diretamente o conceito de empresa,</p><p>mas estabelece o conceito de empresário em seu art. 966, prevendo que empre-</p><p>sário é quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a</p><p>produção ou a circulação de bens ou de serviços (BRASIL, 2002). Veja que a</p><p>empresa é algo abstrato, ao passo que quem exerce a empresa é o empresário, pois</p><p>é ele o sujeito de direito, que pode ser pessoa física ou pessoa jurídica.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Atividade econômica</p><p>(intuito lucrativo)</p><p>Organizada</p><p>(habitual/profissional</p><p>–Fatores de produção:</p><p>capital, insumo, MO</p><p>e tecnologia)</p><p>Para produção e</p><p>circulação de bens</p><p>e serviços</p><p>PRINCÍPIOS DO DIREITO EMPRESARIAL</p><p>Ao tratar dos princípios do Direito Empresarial, Ramos (2016) explica que, nes-</p><p>se ramo do direito, encontram-se regras jurídicas especiais para a disciplina do</p><p>mercado, razão pela qual é fundamental que tais regras, em função de sua es-</p><p>pecialidade, estejam assentadas em uma principiologia própria, que destaque</p><p>a imprescindibilidade da empresa como instrumento para o desenvolvimento</p><p>econômico e social das sociedades contemporâneas, as quais são as bases do ca-</p><p>pitalismo. Para o autor, os princípios são a livre-iniciativa, a propriedade privada,</p><p>a autonomia da vontade e a valorização do trabalho humano.</p><p>Por sua vez, Chagas (2020) aponta como princípios do Direito empresarial</p><p>a função social da empresa, a preservação da empresa, a livre-iniciativa, a livre</p><p>concorrência e a boa-fé objetiva. Passaremos a analisar os princípios enumerados</p><p>pelos dois autores.</p><p>a) Livre-iniciativa</p><p>A livre-iniciativa é um dos fundamentos da ordem econômica prevista no art. 1º,</p><p>IV, da Constituição Federal. Para Coelho (2016), o princípio da livre-iniciativa se</p><p>desdobra em quatro condições fundamentais para o funcionamento eficiente do</p><p>modo de produção capitalista: (i) imprescindibilidade da empresa privada para</p><p>que a sociedade tenha</p><p>acesso aos bens e serviços de que necessita para sobreviver;</p><p>(ii) busca do lucro como principal motivação dos empresários; (iii) necessidade</p><p>jurídica de proteção do investimento privado; e (iv) reconhecimento da empresa</p><p>privada como polo gerador de empregos e de riquezas para a sociedade.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Por que a livre iniciativa é tão importante para o capitalismo?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Para Coelho (2016), é pressuposto jurídico do regime jurídico-comercial uma</p><p>Constituição que adote os princípios do liberalismo, ou de uma vertente neoli-</p><p>beral, no regramento da ordem econômica, pois, para esse autor, sem um regime</p><p>econômico de livre-iniciativa, de livre-competição, não há direito comercial.</p><p>b) Livre concorrência</p><p>A livre concorrência, também, está expressamente prevista como princípio cons-</p><p>titucional da ordem econômica brasileira, no art. 170, da Constituição Federal.</p><p>Assim, todos podem livremente concorrer, com lealdade, no mercado, visando</p><p>a produção, a circulação e o consumo de bens e serviços.</p><p>No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) tem a missão</p><p>de assegurar a liberdade de mercado. É o CADE que, por exemplo, analisa a</p><p>compra de grandes empresas por outras, para evitar concentrações econômi-</p><p>cas prejudiciais.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>c) Garantia e defesa da propriedade privada</p><p>A propriedade privada, também, está prevista no art. 170, da Constituição Fe-</p><p>deral, como princípio constitucional da ordem econômica, formando, junto à</p><p>livre-iniciativa e livre concorrência, a tríade que dá sustentação ao direito em-</p><p>presarial, conforme aponta Ramos (2016).</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>d) Preservação da empresa</p><p>A doutrina aponta que é necessário garantir a função social da empresa por conta</p><p>do interesse social em sua preservação. Afinal, a circulação de bens e serviços é</p><p>importante para a sociedade como um todo, pois movimenta a economia do país,</p><p>gerando emprego e renda. Portanto, é imprescindível para a sociedade garantir</p><p>a preservação da empresa.</p><p>Um exemplo desse princípio é a Lei de Falências e Recuperação (Lei nº</p><p>11.101/2005), que traz dispositivos para viabilizar e preservar a continuidade</p><p>do negócio. De toda forma, em determinadas situações, é necessário que ativi-</p><p>dades empresariais sejam encerradas e, nesses casos, o impedimento da falência</p><p>do empresário ou da sociedade empresária seria contrária à ordem espontânea</p><p>do mercado.</p><p>FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL</p><p>As fontes do Direito são as bases de onde nascem as regras jurídicas, para que o</p><p>operador do direito possa utilizá-las. Como aponta a melhor doutrina, no Direito</p><p>Empresarial, as fontes subdividem-se em primárias e secundárias.</p><p>As fontes primárias (ou diretas) são as leis em geral e, no caso, aquelas com</p><p>cunho empresarial, como é o caso da Constituição Federal, do Código Civil, da</p><p>lei sobre falências, do título de créditos e do Código Comercial (a parte não re-</p><p>vogada, que trata de direito marítimo). A doutrina, também, inclui os contratos</p><p>como Direito Empresarial, eis que, desde que respeitadas as normas de ordem</p><p>pública, o contrato faz lei entre as partes (pacta sunt servanda).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>A expressão pacta sunt servanda origina-se do latim e significa que pactos de-</p><p>vem ser respeitados, ou acordos devem ser cumpridos. Na prática, a expressão</p><p>é utilizada para representar um princípio não-escrito da teoria dos contratos, o</p><p>qual determina que aquilo que foi contratado entre as partes tem força de lei</p><p>para elas.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Já no rol das fontes secundárias (ou indiretas), incluem-se os princípios gerais</p><p>do direito, a analogia, a equidade e, principalmente, os usos e costumes. Como</p><p>o próprio nome diz, as fontes secundárias não são as principais, possuindo apli-</p><p>cação subsidiária.</p><p>Você sabia que, no passado, os usos e costumes eram a principal fonte do Di-</p><p>reito Empresarial? Como leciona Teixeira (2018), os usos e costumes empresar-</p><p>iais são “práticas continuadas” de determinados atos realizados por agentes</p><p>econômicos, aceitas por empresários como regras positivadas e obrigatórias.</p><p>São aplicados quando a lei (empresarial e civil) não possui normas expressas</p><p>para regular o assunto. Como exemplo, temos a emissão e o pagamento de</p><p>boletos bancários, que é uma prática corriqueira.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Em suma, o operador do Direito, primeiramente, aplica as fontes primárias e, so-</p><p>mente quando não forem suficientes ao caso, é que utilizará as fontes secundárias.</p><p>CONCEITOS ELEMENTARES DO DIREITO EMPRESARIAL</p><p>Atualmente, é o Código Civil de 2002 que dispõe sobre as regras básicas do Di-</p><p>reito Empresarial, sendo que existem leis específicas sobre determinados temas,</p><p>como propriedade industrial, sociedades por ações e direito falimentar. No Có-</p><p>digo Civil, podemos encontrar as regras gerais do Direito Empresarial, no Título</p><p>I, do Livro II, da Parte Especial, denominado Direito de Empresa.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>O empresário</p><p>Como já dito, o Código Civil não define, diretamente, o conceito de empresa,</p><p>mas estabelece o conceito de empresário, em seu art. 966: Empresário é” quem</p><p>exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a</p><p>circulação de bens ou de serviços” (BRASIL, 2002, on-line).</p><p>Depreende-se do conceito de empresário estabelecido no art. 966, do Código</p><p>Civil, que os elementos indispensáveis para sua existência são: exercer profis-</p><p>sionalmente; atividade econômica organizada; para produção ou circulação de</p><p>bens ou de serviços.</p><p>l) Exercer profissionalmente - Somente será empresário aquele que exer-</p><p>cer determinada atividade econômica de forma profissional, ou seja, que</p><p>fizer do exercício daquela atividade a sua profissão habitual.</p><p>m) Atividade econômica organizada - Atividade exercida com intuito</p><p>lucrativo, de forma que o empresário assume os riscos técnicos e eco-</p><p>nômicos da atividade. Já a organização da atividade está relacionada à</p><p>articulação dos fatores de produção (capital, mão de obra, insumos e</p><p>tecnologia).</p><p>n) Para produção ou circulação de bens ou de serviços - A organização</p><p>dos fatores de produção tem como finalidade produzir bens, vender ou</p><p>prestar serviços.</p><p>Veja que, ao conceituar empresário como aquele que exerce profissionalmente</p><p>atividade econômica organizada, o Código Civil não está limitando tal atividade</p><p>apenas à pessoa física (ou pessoa natural) que explora atividade econômica, pois</p><p>é possível que a atividade possa ser explorada por pessoa jurídica.</p><p>Nesse contexto, o empresário pode ser um empresário individual (pessoa</p><p>física que exerce profissionalmente atividade econômica organizada) ou uma</p><p>sociedade empresária (pessoa jurídica constituída como sociedade cujo objeto</p><p>social é a exploração de alguma atividade econômica organizada).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Em uma sociedade empresária, seus sócios não são empresários. É a própria so-</p><p>ciedade o empresário. O termo “empresário” é o gênero, do qual são espécies o</p><p>empresário individual (pessoa física) e a sociedade empresária (pessoa jurídica).</p><p>APROFUNDANDO</p><p>No caso de uma sociedade empresária, por se tratar de uma pessoa jurídica, pos-</p><p>sui patrimônio próprio, que não se confunde com o patrimônio dos sócios que</p><p>a integram, de forma que os bens particulares dos sócios, em regra, não podem</p><p>ser atingidos em razão de dívidas da sociedade.</p><p>Por sua vez, no caso do empresário individual, não há tal separação</p><p>patrimonial, pois ele responde com todos os seus bens pelo risco do empreen-</p><p>dimento. Como explica Ramos (2016), a responsabilidade dos sócios de uma</p><p>sociedade empresária é subsidiária (pois, primeiro, devem ser executados os bens</p><p>da própria sociedade), enquanto a responsabilidade do empresário individual é</p><p>direta. Assim, a responsabilidade do empresário individual é direta e ilimitada, ao</p><p>passo que a responsabilidade do sócio de uma sociedade empresária é subsidiária</p><p>(seus bens só podem ser executados após a execução dos bens sociais) e pode ser</p><p>limitada, a depender do tipo societário.</p><p>Existem agentes</p><p>econômicos que não são considerados empresários pelo</p><p>Código Civil, como é o caso dos profissionais intelectuais, profissionais liberais</p><p>(como advogados, contadores, médicos, dentistas), a sociedade simples, quem</p><p>exerce atividade rural, e a sociedade cooperativa.</p><p>Independentemente da espécie de empresário, isto é, seja empresário indivi-</p><p>dual, seja sociedade empresária, deve haver inscrição na Junta Comercial antes</p><p>de iniciar a atividade, sob pena de começar a exercer a empresa irregularmente,</p><p>conforme previsto no art. 967, do Código Civil.</p><p>Ainda que o registro na Junta Comercial seja uma exigência legal imposta</p><p>para todo e qualquer empresário individual ou sociedade empresária, entretanto,</p><p>não é requisito para a caracterização do empresário e sua consequente sub-</p><p>missão ao regime jurídico empresarial. Assim, se o empresário individual ou a</p><p>sociedade empresária não se registrar na Junta Comercial antes do início de suas</p><p>atividades, tal fato não tem o condão de afastar o regime jurídico empresarial.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Nome empresarial</p><p>Tal como no nosso caso, enquanto pessoas naturais que possuem um nome civil</p><p>para ser identificados nas relações em nossa sociedade, os empresários, também,</p><p>devem possuir um nome, que consiste na expressão que os identifica nas relações</p><p>jurídicas realizadas no exercício da atividade empresarial.</p><p>O nome empresarial é aquele sob o qual o empresário individual, a Sociedade</p><p>Limitada Unipessoal (SLU) ou as demais sociedades empresárias exercem suas</p><p>atividades e se obrigam nos atos a elas pertinentes.</p><p>O nome empresarial possui função dúplice, quais sejam: uma função subjetiva,</p><p>para identificar o sujeito de direitos da atividade empresarial, e outra objetiva, para</p><p>lhe assegurar sua reputação.</p><p>O nome empresarial não se confunde com outros elementos de identificação do</p><p>empresário, como é o caso da marca, o nome de fantasia etc.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Nos termos do art. 1.155, do Código Civil, “considera-se nome empresarial a</p><p>firma ou a denominação adotada, de conformidade com este Capítulo, para o</p><p>exercício de empresa” (BRASIL, 2002, on-line). Assim, existem dois tipos de</p><p>nome empresarial: a firma e a denominação.</p><p>A firma, que pode ser individual ou social, é formada por um nome civil. Se</p><p>for uma firma individual, será o nome do próprio empresário ou de um ou mais</p><p>sócios, no caso de firma social. O núcleo da firma é um nome civil também,</p><p>podendo conter um indicativo do ramo de atividade (como Fulano da Silva Trei-</p><p>namentos). Ela é obrigatória para o empresário individual.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Por sua vez, a denominação pode ser usada por certas sociedades ou pela SLU</p><p>e ser formada por qualquer elemento fantasia e indicação do objeto social (ramo</p><p>de atividade). A firma é usada, em regra, pelos empresários individuais e pelas</p><p>sociedades em que existam sócios de responsabilidade ilimitada (sociedade em</p><p>nome coletivo, sociedade em comandita simples e sociedade em comandita por</p><p>ações), ao passo que a denominação é usada, em regra, pelas sociedades em que</p><p>todos os sócios respondem de forma limitada (sociedade limitada e sociedade</p><p>anônima).</p><p>NOME</p><p>EMPRESARIAL</p><p>Firma</p><p>Empresário individual� Sociedade</p><p>em nome coletivo e� Sociedade</p><p>em comandita simples.</p><p>Denominação</p><p>Sociedade anônima</p><p>Firma ou denominação</p><p>Sociedade Limitada e Sociedade</p><p>em� comandita por ações</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>Estabelecimento empresarial</p><p>O estabelecimento empresarial é vulgarmente reconhecido como aquele local</p><p>em que o empresário exerce sua atividade empresarial. Entretanto o sentido ju-</p><p>rídico de estabelecimento empresarial abrange a totalidade de bens, materiais e</p><p>imateriais, utilizados na exploração de determinada atividade.</p><p>Nos termos do art. 1.142, do Código Civil, considera-se estabelecimento todo</p><p>complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por</p><p>sociedade empresária. O estabelecimento não se confunde com o local onde se</p><p>exerce a atividade empresarial, que poderá ser físico ou virtual.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>Inclusive, o Código Civil prevê que, quando o local onde se exerce a atividade</p><p>empresarial for virtual, o endereço informado para fins de registro poderá ser,</p><p>conforme o caso, o endereço do empresário individual ou o de um dos sócios</p><p>da sociedade empresária.</p><p>Depreende-se do Código Civil que o local físico (o “ponto”) é apenas um dos</p><p>elementos que compõem o estabelecimento empresarial, junto a outros bens</p><p>materiais (máquinas, equipamentos etc.) e, até mesmo, bens imateriais (como</p><p>marcas e patentes).</p><p>Assim, o estabelecimento empresarial não é:</p><p>a) Empresa, pois esta é uma atividade.</p><p>b) Empresário, pois essa é uma pessoa física ou jurídica que explora ativi-</p><p>dade empresarial, sendo titular dos direitos e das obrigações.</p><p>Em suma, o estabelecimento empresarial é o complexo de bens usado pelo em-</p><p>presário no exercício da atividade econômica, representando a projeção patri-</p><p>monial da empresa mediante a qual o empresário atua.</p><p>Para saber como abrir uma empresa no Brasil, você pode con-</p><p>sultar o site do Governo Federal.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/22666</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Caro estudante! Você deve ter percebido o quanto os conceitos de Direito Em-</p><p>presarial estão presentes na sua vida profissional ou pessoal. Afinal, quem nunca</p><p>trabalhou em uma “empresa”, consumiu produtos dela ou mesmo abriu uma?</p><p>O correto entendimento sobre os conceitos de Direito Empresarial propicia</p><p>para aqueles que atuam na área da administração de empresas, contábil, área</p><p>financeira ou, até mesmo, jurídica uma visão sistêmica da atividade empresarial</p><p>e de seus requisitos e suas limitações.</p><p>Além disso, há forte entrelaçamento entre o Direito Tributário e os muitos</p><p>conceitos e institutos do Direito Empresarial para fins de aplicação da legislação</p><p>tributária, no que diz respeito à abertura e ao fechamento de empresas e em re-</p><p>lação às entidades que podem ser consideradas contribuintes de tributos.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. Na fase moderna do Direito Empresarial, surgiu, na Itália, um novo sistema de regulação</p><p>das atividades econômicas dos particulares. Nessa época, o Direito Comercial passou</p><p>a abranger, também, atividades de prestação de serviços e ligadas à terra.</p><p>Sobre isso, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I - O Direito Comercial deixou de cuidar das atividades de mercancia e passou a disciplinar</p><p>uma forma específica de produzir ou circular bens ou serviços.</p><p>II - Essa fase foi, inicialmente, influenciada pela doutrina fascista.</p><p>III - De acordo com a ideologia fascista, a empresa simboliza a organização em que se</p><p>harmonizam as classes em conflito.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>2. Qual teoria do direito empresarial tinha influência sobre o Código Comercial do Brasil</p><p>de 1850?</p><p>a) Teoria dos usos e costumes.</p><p>b) Teoria das corporações de ofício.</p><p>c) Teoria dos atos de comércio.</p><p>d) Teoria objetiva.</p><p>e) Teoria da empresa.</p><p>3. Qual teoria do direito empresarial foi adotada pelo Código Civil de 2002?</p><p>a) Teoria dos usos e costumes.</p><p>b) Teoria das corporações de ofício.</p><p>c) Teoria dos atos de comércio.</p><p>d) Teoria objetiva.</p><p>e) Teoria da empresa.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASQUINI, A. Perfis da empresa. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e</p><p>Financeiro, v. 35, n. 104, p. 109-126, out./dez. 1996.</p><p>BRASIL. Lei nº 556, de 25 de junho de 1850. Código Comercial. Disponível em: https://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim556.htm. Acesso em: 26 set. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto nº 737, de 25 de novembro de 1850. Determina a ordem do Juizo no</p><p>Processo Commercial. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/histo-</p><p>ricos/dim/dim0737.htm. Acesso em: 26 set. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto nº 2.044, de 31 de dezembro de 1908. Define a letra de cambio e a nota</p><p>promissoria e regula as operações cambiaes. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/decreto/historicos/dpl/dpl2044-1908.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%20</p><p>2.044%2C%20DE%2031,e%20regula%20as%20opera%C3%A7%C3%B5es%20cambiaes.</p><p>Acesso em: 26 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.</p><p>Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 26</p><p>set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em:</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 26 set.</p><p>2023.</p><p>CHAGAS, E. E. das. Direito empresarial esquematizado. 7. ed. São Paulo: Saraiva Educa-</p><p>ção, 2020.</p><p>COELHO. F. U. Manual de Direito Comercial: direito de empresa. 28. ed. São Paulo: Re-</p><p>vista dos Tribunais, 2016.</p><p>RAMOS, A. L. S. C. Direito empresarial esquematizado. 6. ed. rev., atual. e ampl. Rio de</p><p>Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2016.</p><p>TEIXEIRA. T. Direito empresarial sistematizado. 7. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>1. Opção E. Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>2. Opção C. O Código Comercial adotava a teoria francesa dos atos do comércio.</p><p>3. Opção E. O Código Civil adota a teoria da empresa.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>MINHAS METAS</p><p>SOCIEDADES EMPRESÁRIAS</p><p>E ANÔNIMAS</p><p>Definir o que são sociedades.</p><p>Enumerar quais os tipos societários.</p><p>Apresentar os princípios das sociedades personificadas.</p><p>Classificar as sociedades personificadas.</p><p>Demonstrar as principais características das sociedades limitadas.</p><p>Demonstrar as principais características das sociedades anônimas.</p><p>Apresentar a importância dos tipos societários no dia a dia das empresas.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Caro estudante, você sabia que, em 2022, o Brasil registrou a abertura de</p><p>3.838.063 novas empresas e houve o fechamento de 1.695.763, segundo dados</p><p>do Mapa de Empresas, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, In-</p><p>dústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com o Serviço Federal de</p><p>Processamento de Dados (Serpro)?</p><p>Além disso, sabemos que existem, em nosso país, diversas sociedades “de fato”</p><p>que são empreendimentos realizados por mais de um indivíduo, sem a devida</p><p>formalização. Esses negócios fazem a economia girar, empregam mão de obra e</p><p>são a base da nossa economia, o que demonstra a importância do conhecimento</p><p>sobre as diretrizes de um negócio, desde a sua constituição, a partir da elaboração</p><p>de um contrato ou estatuto social que se adeque à realidade do negócio, ou de</p><p>um acordo de quotistas ou acionistas, se for o caso, que regulam as necessidades,</p><p>responsabilidades e obrigações de seus sócios, até a sua extinção.</p><p>Será que o património dos sócios pode ser afetado pelas dívidas de uma empre-</p><p>sa? É importante você conhecer os casos de desconsideração da personalidade</p><p>jurídica no Brasil e seus efeitos. Não deixe de acessar o podcast que preparei</p><p>sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente</p><p>virtual de aprendizagem.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda qual é a definição de empresário prevista no Código Civil, em</p><p>seu art. 966?</p><p>Empresário é quem exerce, profissionalmente, atividade econômica organizada</p><p>para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. A empresa é algo abstrato,</p><p>ao passo que quem exerce a empresa é o empresário, pois é ele o sujeito de direito,</p><p>que pode ser pessoa física ou pessoa jurídica. Recursos de mídia disponíveis no</p><p>conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>Conforme leciona Teixeira (2018), a sociedade é um contrato por meio do qual</p><p>pessoas se agrupam em razão de um objeto comum, sendo que o “nascimento”</p><p>(criação) da sociedade legalizada ocorre com o registro do seu contrato social</p><p>no órgão competente, para, a partir de então, possuir</p><p>personalidade jurídica.</p><p>Assim, podemos dizer que as sociedades são pes-</p><p>soas jurídicas de direito privado , que se originam da</p><p>união de pessoas, que possuem fins econômicos, ou</p><p>seja, são constituídas com a finalidade de exploração de uma atividade econômica.</p><p>Segundo Chagas (2020), após sua personificação, as sociedades serão regidas</p><p>pelos seguintes princípios:</p><p>a) Liberdade de associação - Havendo confiança mútua e expectativa de</p><p>reciprocidade relacionada à comunhão de esforços e à partilha dos re-</p><p>sultados, os empreendedores são livres para constituírem a sociedade.</p><p>b) Autonomia da sociedade empresária - A sociedade é um sujeito de direito</p><p>distinto das pessoas de seus membros, o que significa dizer que, em regra,</p><p>os direitos e as obrigações da sociedade não se misturam com aqueles dos</p><p>sócios. Isto é, há distinção entre bens e obrigações da sociedade empresária,</p><p>os quais não se confundem com bens e obrigações particulares de seus sócios.</p><p>As sociedades são</p><p>pessoas jurídicas de</p><p>direito privado</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>c) Subsidiariedade da responsabilidade dos sócios pelas obrigações</p><p>sociais - Apenas após esgotado o patrimônio da sociedade empresária,</p><p>em regra (a depender do tipo societário), é que o patrimônio dos sócios</p><p>poderá ser alcançado para pagamento de dívidas da sociedade.</p><p>Efeitos da autonomia</p><p>da pessoa jurídica</p><p>nome próprio</p><p>domicílio próprio</p><p>nacionalidade própria</p><p>capacidade processual própria</p><p>imputabilidade própria</p><p>patrimônio próprio</p><p>Figura 1 - Efeitos da autonomia da pessoa jurídica nas sociedades empresariais / Fonte: adaptada de Chagas (2020).</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por um retângulo, contendo a expressão “efeitos da autonomia da</p><p>pessoa jurídica”, e por mais seis retângulos, contendo cada um esses efeitos, isto é, nome próprio; domicílio próprio;</p><p>nacionalidade própria; capacidade processual própria; imputabilidade própria; e patrimônio próprio. Fim da descrição.</p><p>A Capacidade processual própria é a legitimidade que a sociedade possui para es-</p><p>tar em Juízo, na qualidade de requerente ou requerida de determinada demanda,</p><p>ao passo que a imputabilidade própria é a possibilidade de a pessoa jurídica com-</p><p>eter duas espécies de crime: contra o meio ambiente e contra a ordem econômica</p><p>e financeira e a economia popular. Nesses casos, a multa recairá sobre o patrimô-</p><p>nio social e poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>d) Limitação da responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais</p><p>como proteção do investimento - É pelo capital social que o sócio de-</p><p>tém, na sociedade LTDA. O art. 1052, do Código Civil, estabelece que “na</p><p>sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de</p><p>suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do</p><p>capital social” (BRASIL, 2002, on-line). Em resumo, a limitação da res-</p><p>ponsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais de uma empresa é uma</p><p>importante proteção do investimento que ajuda a promover a atividade</p><p>empresarial, atraindo investidores e reduzindo o risco financeiro pessoal</p><p>dos proprietários. No entanto é importante que os empresários estejam</p><p>cientes das responsabilidades e obrigações legais associadas à estrutura</p><p>empresarial que escolherem.</p><p>e) Prevalência da vontade ou entendimento da maioria nas delibe-</p><p>rações sociais - Em caso de divergências entre os sócios, a vontade da</p><p>maioria deverá prevalecer, salvo se houver o quórum qualificado estabe-</p><p>lecido na lei ou no contrato social.</p><p>f) Proteção dos sócios minoritários - Como já dito, em regra, a vontade</p><p>da maioria prevalece. Entretanto os sócios minoritários podem afastar,</p><p>judicialmente, o sócio majoritário que vier a cometer falta grave no exer-</p><p>cício de suas atribuições, nos termos do art. 1.030, do Código Civil.</p><p>CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES</p><p>Coelho (2016) esclarece que as pessoas jurídicas podem ser de direito público ou</p><p>de direito privado. As primeiras possuem capital social formado, majoritária ou</p><p>totalmente, por recursos provenientes do Poder Público, que compreendem, no</p><p>caso empresarial, a sociedade de economia mista e as empresas públicas.</p><p>Já as pessoas jurídicas de direito privado não estatais compreendem a funda-</p><p>ção, a associação e as sociedades. As sociedades são diferentes das associações e</p><p>das fundações, porque possuem escopo negocial, subdividindo-se em sociedades</p><p>simples e empresárias.</p><p>Por sua vez, Ramos (2016) esclarece que as sociedades simples exploram ati-</p><p>vidade econômica não empresarial, como é o caso das sociedades uniprofissio-</p><p>nais, que são aquelas formadas por profissionais intelectuais cujo objeto social</p><p>1</p><p>8</p><p>4</p><p>é a exploração da respectiva profissão intelectual dos seus sócios. Em regra, as</p><p>sociedades em que há exploração da profissão intelectual são simples, pois não</p><p>há organização dos fatores de produção. Alguns exemplos desses profissionais</p><p>são advogados, contadores, médicos, dentistas, dentre outros.</p><p>Por outro lado, conforme prescreve o parágrafo único, do art. 966, do Código</p><p>Civil, se o exercício da profissão intelectual dos sócios constituir elemento de</p><p>empresa, ou seja, nos casos em que as sociedades uniprofissionais explorarem</p><p>seu objeto social com empresarialidade (organização dos fatores de produção),</p><p>elas serão consideradas sociedades empresárias.</p><p>Outra classificação que, também, é relevante diz respeito à personificação.</p><p>A sociedade não personificada é aquela que não tem personalidade jurídica,</p><p>por não ter sido formalizada , mas, na prática, possui as mesmas obrigações das</p><p>sociedades personificadas, sem os respectivos direitos.</p><p>As sociedades não personificadas subdividem-se em sociedades de fato e</p><p>sociedades irregulares. A sociedade de fato não tem contrato escrito. É o caso,</p><p>por exemplo, de dois amigos que se unem para explorar, informalmente, uma</p><p>atividade de venda de produtos alimentícios em residências.</p><p>Já a sociedade irregular é aquela que tem contrato assinado por escrito, mas não</p><p>houve o respectivo registro. Por fim, a sociedade personificada detém personali-</p><p>dade jurídica própria, podendo adquirir direitos e contrair obrigações por ter seu</p><p>contrato social registrado no órgão próprio, como no caso da sociedade limitada.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>TIPOS SOCIETÁRIOS - SOCIEDADES PERSONIFICADAS</p><p>Sociedades Simples</p><p>Como já dito, a sociedade simples tem como objeto o exercício de atividade econômi-</p><p>ca não empresarial, restringindo-se às atividades intelectuais. As atividades de presta-</p><p>ção de serviço que não sejam intelectuais serão consideradas atividades empresariais.</p><p>A sociedade simples terá como ato constitutivo o contrato social, o qual deve ser</p><p>escrito e registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Nos termos</p><p>do art. 997, do Código Civil, a sociedade simples será constituída por contrato escrito,</p><p>particular ou público , que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará:</p><p>I- nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos</p><p>sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacio-</p><p>nalidade e sede dos sócios, se jurídicas;</p><p>II- denominação, objeto, sede e prazo da sociedade;</p><p>III- capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo</p><p>compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avalia-</p><p>ção pecuniária;</p><p>IV- a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la;</p><p>V- as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista</p><p>em serviços;</p><p>VI- as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade,</p><p>e seus poderes e atribuições;</p><p>VII- a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;</p><p>VIII- se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obri-</p><p>gações sociais.</p><p>A sociedade limitada é o tipo societário mais utilizado no país. Que tal descobrir</p><p>de uma forma simples e didática como funciona o procedimento de abertura</p><p>de uma sociedade limitada? Assista ao vídeo do SEBRAE sobre abertura de</p><p>sociedades limitadas. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do</p><p>ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>EU INDICO</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>O art. 1.006, do Código Civil (BRASIL, 2002), disciplina que o sócio pode con-</p><p>tribuir com serviços, mas, nesse caso, salvo convenção em contrário, não poderá</p><p>empregar-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de ser privado de seus</p><p>lucros e dela excluído.</p><p>Com relação à participação nos lucros, o art. 1.007, do Código Civil (Brasil,</p><p>2002), estabelece, salvo estipulação em contrário, que o sócio participa dos lucros</p><p>e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele cuja contribuição</p><p>consista em serviços, somente, participa dos lucros na proporção da média do</p><p>valor das quotas. Por sua vez, é nula a estipulação contratual que exclua qualquer</p><p>sócio de participar dos lucros e das perdas.</p><p>Embora a sociedade seja uma pessoa jurídica com capacidade de ser sujeito</p><p>de direitos e deveres, ela não possui vontade, razão pela qual sua atuação ocorre</p><p>por intermédio de seus respectivos administradores (seus legítimos representan-</p><p>tes legais). O administrador poderá ser designado no próprio contrato social, ou</p><p>em ato separado, o qual deverá ser averbado no órgão de registro da sociedade,</p><p>conforme prescreve o art. 1.012, do Código Civil. Caso seja nomeado em ato</p><p>separado, tais poderes são revogáveis a qualquer tempo pela vontade dos demais.</p><p>Com relação à responsabilidade dos sócios, se os bens da sociedade não forem</p><p>suficientes, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das</p><p>perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária. Assim, os bens par-</p><p>ticulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão</p><p>depois de executados os bens sociais.</p><p>Capital social é a contribuição dos sócios para a sociedade para que o objeto social</p><p>possa ser cumprido. O capital social deve ser expresso em moeda corrente na-</p><p>cional e pode compreender dinheiro ou bens suscetíveis de avaliação pecuniária</p><p>(como imóveis). O capital é dividido em quotas, e todos os sócios têm o dever de</p><p>subscrever parcela do capital social (número x de quotas) e de integralizar (ou</p><p>realizar) essa parcela subscrita. Assim, os sócios têm o dever de subscrição e inte-</p><p>gralização de quotas (pagamento por essas respectivas quotas), contribuindo para</p><p>a formação do capital social.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Em regra, o contrato social deve estabelecer que matérias dependerão de deli-</p><p>beração dos sócios. Entretanto a própria lei disciplina quais assuntos serão obri-</p><p>gatoriamente deliberados.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>E como ocorrem as deliberações em uma sociedade simples?</p><p>As deliberações são feitas por maioria de votos, contados segundo o valor de cada</p><p>um. Trata-se de maioria absoluta, para a qual são necessários votos correspon-</p><p>dentes a mais de metade do capital. Em caso de falecimento de um dos sócios,</p><p>sua quota será liquidada, salvo: se o contrato dispuser diferentemente; os sócios</p><p>remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; ou se, por acordo com os</p><p>herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido.</p><p>1</p><p>8</p><p>8</p><p>O sócio, porém, pode sair da sociedade a qualquer</p><p>tempo. Além dos casos previstos na lei ou no contrato,</p><p>qualquer sócio pode retirar-se da sociedade: se de pra-</p><p>zo indeterminado, mediante notificação aos demais</p><p>sócios, com antecedência mínima de 60 dias; se de</p><p>prazo determinado, provando judicialmente justa causa. Nos trinta dias subse-</p><p>quentes à notificação, podem os demais sócios optar pela dissolução da sociedade.</p><p>O sócio pode ser excluído se ele não integralizar suas quotas, ou ser excluído</p><p>judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos demais sócios , por falta grave</p><p>no cumprimento de suas obrigações ou, ainda, por incapacidade superveniente.</p><p>Será de pleno direito excluído da sociedade o sócio declarado falido ou aquele</p><p>cuja quota tenha sido liquidada.</p><p>A retirada, a exclusão ou a morte do sócio não o exime, ou a seus herdeiros, da</p><p>responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada a</p><p>resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em igual</p><p>prazo, enquanto não se requerer a averbação.</p><p>O sócio, porém,</p><p>pode sair da</p><p>sociedade a</p><p>qualquer tempo</p><p>Já a dissolução</p><p>da sociedade poderá se dar quando ocorrer o vencimento do prazo</p><p>de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de sócio, não entrar a sociedade</p><p>em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo indeterminado; por consenso</p><p>unânime dos sócios; por deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade</p><p>de prazo indeterminado; pela extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar.</p><p>Ainda, a sociedade pode ser dissolvida judicialmente, a requerimento de qual-</p><p>quer dos sócios, quando for anulada sua constituição ou seu fim social estiver exau-</p><p>rido, ou for verificada a sua inexequibilidade. Mas o contrato pode prever outras</p><p>causas de dissolução, a serem verificadas judicialmente quando contestadas.</p><p>A seguir, veremos as sociedades empresárias. Vale destacar que, como a so-</p><p>ciedade em nome coletivo, comandita simples e comandita por ações, pratica-</p><p>mente, estão em desuso no Brasil, daremos especial atenção ao tipo societário</p><p>mais utilizado (as sociedades limitadas) e às sociedades anônimas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Sociedade em nome coletivo</p><p>A característica determinante desse tipo societário é que todos os sócios respon-</p><p>dem, coletivamente, pelas dívidas da sociedade de forma ilimitada, sendo exclu-</p><p>sivamente formada por pessoas físicas. Assim, todos os sócios respondem, de</p><p>forma solidária e ilimitada, pelas obrigações da sociedade. Mas os sócios podem</p><p>limitar suas responsabilidades entre si, o que não prejudica a responsabilidade</p><p>solidária e ilimitada deles perante terceiros, podendo ser feito no ato constitutivo</p><p>ou documento apartado.</p><p>A sociedade em nome coletivo deve adotar como nome empresarial a firma</p><p>social. Trata-se de um tipo societário pouco utilizado.</p><p>Sociedade em comandita simples</p><p>O vocábulo “comandita” significa administrada ou</p><p>comandada. Na sociedade em comandita simples, há</p><p>sócios com responsabilidade limitada e sócios com</p><p>responsabilidade ilimitada e solidária.</p><p>O vocábulo</p><p>“comandita”</p><p>significa</p><p>administrada ou</p><p>comandada</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>Os sócios comanditados são aqueles com responsabilidade solidária e ilimi-</p><p>tada, que, necessariamente, devem ser “pessoas físicas”, ao passo que os sócios</p><p>comanditários têm responsabilidade limitada ao valor de suas quotas sociais e</p><p>podem ser pessoas físicas ou jurídicas.</p><p>Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da sociedade em</p><p>nome coletivo. Sendo assim, cabem aos sócios comanditados os mesmos direitos</p><p>e obrigações dos sócios da sociedade em nome coletivo. O sócio comanditário</p><p>não pode praticar qualquer ato de gestão nem ter o nome na firma social, sob</p><p>pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. Trata-se de um</p><p>tipo societário em desuso.</p><p>Sociedade limitada</p><p>Conforme pontua Ramos (2016), a sociedade limitada é o tipo societário mais</p><p>utilizado no país, correspondendo a, aproximadamente, mais de 90% dos regis-</p><p>tros de sociedade no Brasil, porque apresenta duas características específicas</p><p>que a tornam atraente para os pequenos e médios negócios: a contratualidade</p><p>da limitação de responsabilidade dos sócios.</p><p>A contratualidade diz respeito à maior liberdade nas tratativas sobre o víncu-</p><p>lo societário, sendo que, também, será regida pelas regras das sociedades simples</p><p>quando não houver disposição específica no Código Civil. Entretanto o contrato</p><p>social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da</p><p>sociedade anônima, o que retrata bem o maior grau de contratualidade desse</p><p>tipo societário.</p><p>Já a limitação da responsabilidade dos sócios faz com que os empreendedo-</p><p>res se sintam estimulados à constituição desse tipo de sociedade, pois há certa</p><p>redução do risco empresarial. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada</p><p>sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem, solidariamente,</p><p>pela integralização do capital social.</p><p>Outro detalhe bastante interessante é a possibilidade de a sociedade limitada</p><p>poder ser constituída por uma única pessoa. Vejamos as principais regras:</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Capital social</p><p>O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas</p><p>a cada sócio. Os sócios respondem, solidariamente, pela estimativa de bens do ca-</p><p>pital social, até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade. Mas, nesse</p><p>tipo de sociedade, é vedada a contribuição que consista em prestação de serviços.</p><p>Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente,</p><p>a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou a estranho, se</p><p>não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. A cessão</p><p>terá eficácia quanto à sociedade e terceiros a partir da averbação do respectivo</p><p>instrumento, subscrito pelos sócios anuentes.</p><p>Caso a quota não seja integralizada pelo sócio, os demais podem tomá-la</p><p>para si ou transferi-la a terceiros, excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe</p><p>o que houver pago, deduzidos os juros da mora, as prestações estabelecidas no</p><p>contrato mais as despesas.</p><p>Importante ressaltar que, em caso de prejuízo do capital, os sócios serão obri-</p><p>gados à reposição dos lucros e das quantias retiradas, a qualquer título, ainda que</p><p>autorizados pelo contrato.</p><p>Administração da sociedade</p><p>A sociedade limitada pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas</p><p>no contrato social ou em ato apartado. A designação de administradores não</p><p>sócios dependerá da aprovação de, no mínimo, 2/3 dos sócios, enquanto o capital</p><p>não estiver integralizado, e da aprovação de titulares de quotas correspondentes</p><p>a mais da metade do capital social, após a integralização.</p><p>O exercício do cargo cessa pela destituição, em qualquer tempo, do titular, ou</p><p>pelo término do prazo se, fixado no contrato ou em ato separado, não houver re-</p><p>condução. Mas, se for sócio nomeado administrador no contrato, sua destituição</p><p>somente ocorre pela aprovação de titulares de quotas correspondentes a mais da</p><p>metade do capital social, salvo disposição contratual diversa.</p><p>Ao final do exercício social, devem ser feitos o inventário, o balanço patri-</p><p>monial e o balanço de resultado econômico.</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>Conselho fiscal</p><p>O Código Civil prevê a faculdade de as sociedades limitadas instituírem um</p><p>conselho fiscal composto de três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios</p><p>ou não, residentes no país, eleitos na assembleia anual.</p><p>Na prática, somente, as sociedades maiores é que possuem conselho fiscal à</p><p>medida que o custo de manutenção do conselho é alto. Aos sócios minoritários,</p><p>que representarem pelo menos um quinto do capital social, é assegurado o direito</p><p>de eleger, separadamente, um dos membros do conselho fiscal e o respectivo</p><p>suplente. As funções do conselho fiscal, além de outras determinadas na lei ou</p><p>no contrato social, são as seguintes:</p><p>I- examinar, pelo menos trimestralmente, os livros e papéis da so-</p><p>ciedade e o estado da caixa e da carteira, devendo os administra-</p><p>dores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas;</p><p>II- lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado</p><p>dos exames referidos acima;</p><p>III- exarar no mesmo livro e apresentar à assembleia anual dos sócios</p><p>parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em</p><p>que servirem, tomando por base o balanço patrimonial e o de</p><p>resultado econômico;</p><p>IV- denunciar os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, sugerin-</p><p>do providências úteis à sociedade;</p><p>V- convocar a assembleia dos sócios se a diretoria retardar por mais</p><p>de trinta dias a sua convocação anual, ou sempre que ocorram</p><p>motivos graves e urgentes;</p><p>VI- praticar, durante o período da liquidação da sociedade, os atos a</p><p>que se refere este artigo, tendo em vista as disposições especiais</p><p>reguladoras da liquidação (BRASIL, 2002, on-line).</p><p>O inventário diz respeito ao levantamento e controle do estoque e demais bens.</p><p>O balanço patrimonial é um relatório contábil que elenca os ativos e passivos.</p><p>O balanço de resultado da empresa é um relatório contábil que demonstra</p><p>o</p><p>lucro/prejuízo no período.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Deliberações dos sócios</p><p>Nos termos do art. 1.071, do Código Civil, além de outras matérias indicadas</p><p>na lei ou no contrato, os assuntos que devem ser deliberados pelos sócios são os</p><p>indicados na figura a seguir. A deliberação em assembleia será obrigatória se o</p><p>número dos sócios for superior a dez.</p><p>Deliberações</p><p>aprovação das</p><p>contas da</p><p>administração</p><p>designação dos</p><p>administradores</p><p>destituição dos</p><p>administradores</p><p>remuneração</p><p>dos</p><p>administradores</p><p>modi�cação do</p><p>contrato social</p><p>incorporação,</p><p>fusão e dissolução</p><p>da sociedade, ou a</p><p>cessação do estado</p><p>de liquidação</p><p>nomeação</p><p>e destituição</p><p>dos liquidantes e</p><p>o julgamento</p><p>de contas</p><p>pedido de</p><p>concordata</p><p>Figura 2 - Assuntos deliberados pelos sócios / Fonte: o autor.</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por um círculo central, com o termo “deliberações”, e outros oito</p><p>círculos, cada um contendo os assuntos a serem deliberados pelos sócios, sendo eles: aprovação das contas da ad-</p><p>ministração; designação dos administradores; destituição dos administradores; remuneração dos administradores;</p><p>modificação do contrato social; incorporação, fusão e dissolução da sociedade ou a cessação do estado de liquida-</p><p>ção; nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento de contas; e pedido de concordata. Fim da descrição.</p><p>1</p><p>9</p><p>4</p><p>Segundo o Código Civil (BRASIL, 2002), a assembleia dos sócios deve se realizar,</p><p>ao menos, uma vez por ano, nos quatro meses seguintes ao término do exercício</p><p>social, com o objetivo de tomar as contas dos administradores e deliberar sobre</p><p>o balanço patrimonial e o de resultado econômico, designar administradores,</p><p>quando for o caso, e tratar de qualquer outro assunto constante da ordem do dia.</p><p>Para tanto, até 30 dias antes da data marcada para a assembleia, os documen-</p><p>tos devem ser colocados à disposição dos sócios que não exerçam a administra-</p><p>ção. O interessante é que, se houver aprovação, sem reserva, do balanço patrimo-</p><p>nial e do de resultado econômico, salvo erro, dolo ou simulação, os membros da</p><p>administração ficam exonerados de responsabilidade e, se houver, os do conselho</p><p>fiscal. No entanto, durante dois anos, prevalece o direito de anular a aprovação.</p><p>Inclusive, o art. 1.080, do Código Civil, prevê que as deliberações infringentes do</p><p>contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente</p><p>as aprovaram.</p><p>Durante a pandemia, foi incluído o art. 1.080-A para prever que o sócio</p><p>poderá participar e votar à distância em reunião ou em assembleia, nos termos</p><p>do regulamento do órgão competente do Poder Executivo federal. A reunião ou</p><p>a assembleia poderá ser realizada de forma digital, respeitados os direitos legal-</p><p>mente previstos de participação e de manifestação dos sócios e demais requisitos</p><p>regulamentares.</p><p>Aumento e redução do capital</p><p>É possível que haja aumento do capital social sendo que, até 30 dias após a deli-</p><p>beração, terão os sócios preferência para participar do aumento, na proporção</p><p>das quotas de que sejam titulares. Após decorrido o prazo da preferência e assu-</p><p>mida pelos sócios, ou por terceiros, a totalidade do aumento, haverá reunião ou</p><p>assembleia dos sócios, para que seja aprovada a modificação do contrato.</p><p>Já quanto à redução do capital, é possível depois que o capital estiver inte-</p><p>gralizado e houver perdas irreparáveis ou se o capital for excessivo em relação</p><p>ao objeto da sociedade. Mas, no prazo de 90 dias, o credor quirografário, por</p><p>título líquido anterior a essa data, poderá opor-se ao deliberado e, somente após</p><p>tal prazo, a redução se tornará eficaz, se não for impugnada, ou se provado o</p><p>pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Resolução com relação a sócios minoritários</p><p>O sócio pode ser excluído judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos</p><p>demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações ou, ainda, por</p><p>incapacidade superveniente. Além disso, se a maioria dos sócios, representativa</p><p>de mais da metade do capital social, entender que um ou mais sócios estão pondo</p><p>em risco a continuidade da empresa, em virtude de atos de inegável gravidade,</p><p>poderá excluí-los da sociedade, mediante alteração do contrato social, desde que</p><p>prevista neste a exclusão por justa causa (BRASIL, 2002).</p><p>Dissolução</p><p>A sociedade limitada por ser dissolvida em caso de falência; vencimento do prazo</p><p>de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de sócio, não entrar a sociedade</p><p>em liquidação, caso em que se prorroga por tempo indeterminado; consenso</p><p>unânime dos sócios; deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade</p><p>de prazo indeterminado; e extinção, na forma da lei, de autorização para fun-</p><p>cionar (BRASIL, 2002).</p><p>O credor quirografário é aquele que não possui qualquer tipo de garantia para re-</p><p>ceber seu crédito, como obrigações decorrentes de duplicata, contrato que con-</p><p>figure um título executivo extrajudicial, nota promissória etc.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Por que a sociedade limitada é o tipo societário mais utilizado no Brasil?</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>Sociedade anônima</p><p>O segundo tipo societário mais utilizado no país é a sociedade anônima, a qual,</p><p>normalmente, é utilizada para grandes empreendimentos ou para certas ativi-</p><p>dades por determinação legal (como seguradoras e bancos).</p><p>Como esclarece Teixeira (2018), o termo “anônima” refere-se ao fato de que,</p><p>inicialmente, os acionistas eram desconhecidos (anônimos) , porém titulares de</p><p>ações ao portador (aquelas que não identificam os proprietários).</p><p>Atualmente, não é mais possível no Brasil a emissão de ações ao portador,</p><p>apenas, ações nominativas. Mas, em alguns paraísos fiscais, ainda, existe tal prá-</p><p>tica, com o intuito de manter o anonimato de seus acionistas.</p><p>Fato é que a característica mais inerente à sociedade anônima, tal como pre-</p><p>visto no art. 1.088, do Código Civil, é a divisão do seu capital em ações, obri-</p><p>gando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações que</p><p>subscrever ou adquirir.</p><p>Assim, a responsabilidade dos sócios (chamado de acionista) é o valor de</p><p>emissão das respectivas ações, inexistindo responsabilidade pela integralização</p><p>do capital social subscrito, como acontece na sociedade limitada.</p><p>Como a sociedade anônima é um ente dotado de personalidade jurídica, com</p><p>direitos, deveres e patrimônio próprios, entretanto, responde por suas dívidas</p><p>com todo o seu patrimônio empresarial, não sendo sua responsabilidade restrita</p><p>a apenas ao valor do capital social previsto em seu estatuto. A sociedade anônima</p><p>é regulada por uma lei especial, a Lei das Sociedades Anônimas (LSA) — Lei nº</p><p>6.404/76 —, sendo aplicável às disposições do Código Civil somente nos casos</p><p>em que a lei for omissa.</p><p>Objeto social</p><p>O objeto social poderá ser qualquer atividade com fim lucrativo, não contrária</p><p>à lei, à ordem pública e aos bons costumes. Nesse caso, o ato constitutivo não é</p><p>chamado de contrato social, mas, sim, de estatuto social, o qual definirá o objeto</p><p>de modo preciso e completo.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Por ser uma sociedade institucional, e não contratual, ela se constitui por</p><p>um ato institucional ou estatutário (estatuto social), com requisitos previstos</p><p>na Lei nº 6.404/76 (requisitos preliminares e formalidades complementares). A</p><p>companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não</p><p>prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto</p><p>social ou para se beneficiar de incentivos fiscais.</p><p>Denominação</p><p>Sua identificação, conforme prescreve o Código Civil, sempre será por deno-</p><p>minação, integrada pelas expressões “sociedade anônima” ou “companhia”, por</p><p>extenso ou abreviadamente.</p><p>No mesmo sentido, a LSA prevê que a sociedade será designada por deno-</p><p>minação acompanhada das expressões “companhia”, ou “sociedade anônima”,</p><p>expressas por extenso ou abreviadamente, mas vedada a utilização da primeira</p><p>ao final. Então, se a sociedade optar pelo uso da expressão companhia, esta não</p><p>poderá vir no final da denominação, como Cia. Brasileira de Distribuição.</p><p>Diferenciação entre companhia aberta e fechada</p><p>Uma sociedade anônima poderá ser aberta ou fechada, conforme os valores mo-</p><p>biliários de sua emissão estejam, ou não, admitidos à negociação no mercado de</p><p>valores mobiliários, isto é, no mercado de capitais.</p><p>Os valores mobiliários são títulos ofertados publicamente ou contratos de investi-</p><p>mento coletivo que geram direito de participação, parceria ou remuneração, inclu-</p><p>sive, resultante da prestação de serviços, cujos rendimentos decorrem do esforço</p><p>do empreendedor ou de terceiros. Podemos citar como exemplo ações e debên-</p><p>tures. O assunto é regulamentado pela Lei nº 6.385/1976.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>1</p><p>9</p><p>8</p><p>Por sua vez, o mercado de capitais é constituído por um conjunto de instituições,</p><p>agentes econômicos e instrumentos legais que viabilizam a captação de recursos</p><p>para empresas e governos por meio da emissão de títulos, como ações e debên-</p><p>tures. Nesse mercado, os investidores compram títulos para obter lucros a partir</p><p>de juros ou valorização de tais ativos. A autorização para abertura do capital, com</p><p>a possibilidade de negociação dos valores mobiliários no mercado de capitais,</p><p>é concedida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia federal</p><p>ligada ao Ministério da Fazenda que atua, junto ao Banco Central, no controle e</p><p>na fiscalização das operações realizadas no mercado de capitais.</p><p>Quais seriam as vantagens para uma companhia negociar seus valores mobiliários</p><p>no mercado de capitais?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Requisitos preliminares e formalidades complementares</p><p>Os requisitos preliminares estão previstos no art. 80, da Lei nº 6.404/76:</p><p>I- subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as ações em</p><p>que se divide o capital social fixado no estatuto;</p><p>II- realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do</p><p>preço de emissão das ações subscritas em dinheiro.</p><p>III- depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro estabelecimento</p><p>bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da</p><p>parte do capital realizado em dinheiro (BRASIL, 1976, on-line).</p><p>Por sua vez, as formalidades complementares são procedimentos de registro na</p><p>Junta Comercial e providências de cunho administrativo e operacional.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Capital social</p><p>O estatuto da companhia deve fixar o valor do capital social, expresso em moeda</p><p>nacional, que será corrigido anualmente. O capital social poderá ser modificado</p><p>desde que observados os requisitos legais.</p><p>O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em</p><p>qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. Quando a inte-</p><p>gralização ocorrer em bens, eles devem ser avaliados, nos termos do art. 8º, da</p><p>Lei, por três peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembleia geral</p><p>dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores,</p><p>instalando-se em primeira convocação com a presença de subscritores que re-</p><p>presentem metade, pelo menos, do capital social e em segunda convocação com</p><p>qualquer número.</p><p>A obrigação de o acionista integralizar ou realizar o valor das ações subscritas</p><p>está, expressamente, prevista no art. 106, da Lei, o qual prevê que o acionista é</p><p>obrigado a realizar, nas condições previstas no estatuto ou no boletim de subs-</p><p>crição, a prestação correspondente às ações subscritas ou adquiridas.</p><p>Ações</p><p>A ação é o principal valor mobiliário emitido pela companhia, a qual representa</p><p>parcela do capital social, conferindo a seu titular o status de sócio, o chamado</p><p>acionista. As ações são consideradas bens móveis.</p><p>Vejamos, a seguir, a principal classificação das ações:</p><p>Ordinárias Preferenciais De fruição</p><p>• Direitos normais ao</p><p>seu titular.</p><p>• O titular da ação ordi-</p><p>nária possui o direito</p><p>de voto.</p><p>• Vantagem ao titular.</p><p>• O número de ações</p><p>preferenciais sem direito</p><p>a voto, ou sujeitas a</p><p>restrição no exercício</p><p>desse direito, não pode</p><p>ultrapassar 50% do total</p><p>das ações emitidas.</p><p>• Direitos de gozo</p><p>ao titular.</p><p>• Emitidas em substitui-</p><p>ção a ações ordinárias</p><p>ou preferenciais que</p><p>foram totalmente</p><p>amortizadas.</p><p>Quadro 1 - Características dos principais tipos de ações / Fonte: o autor.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Os direitos essenciais de qualquer acionista são a participação nos lucros sociais,</p><p>a participação na partilha do acervo líquido da companhia, nos casos em que esta</p><p>for dissolvida, fiscalização da gestão da sociedade, preferência na subscrição de</p><p>novos valores mobiliários e retirada.</p><p>Verifica-se que, dentre os direitos essenciais, não está o direito de voto, pois, no</p><p>caso das ações preferenciais, em regra, não há direito de voto ao seu titular. Já as</p><p>ações ordinárias conferem a seus titulares esse direito, sendo que cada ação ordiná-</p><p>ria corresponde a um voto nas deliberações da assembleia geral. Vale destacar que</p><p>a lei permite que o estatuto fixe limitações ao número de votos de cada acionista.</p><p>A sociedade anônima pode emitir outros títulos que conferem a seu titular</p><p>o direito de participar nos lucros (partes beneficiárias), o direito de subscrever</p><p>ações (bônus de subscrição) ou créditos contra a companhia (debêntures).</p><p>Órgãos sociais</p><p>O número de órgãos da uma companhia dependerá do seu tamanho e de sua</p><p>complexidade, cabendo ao estatuto social tratar das regras sobre sua criação, sua</p><p>organização, sua estrutura, sua composição, seu funcionamento e sua função. O</p><p>estatuto pode criar outros órgãos com funções técnicas ou de aconselhamento.</p><p>A LSA trata dos órgãos de cúpula da companhia: a assembleia geral, o conselho</p><p>de administração, a diretoria e o conselho fiscal.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Livros fiscais e demonstrações contábeis</p><p>A sociedade anônima, além de estar sujeita às regras gerais de escrituração de</p><p>livros obrigatórios comuns a quaisquer empresários, também, deve escriturar os</p><p>livros indicados no art. 100, da LSA.</p><p>Além disso, o art. 176, da LSA, determina que, ao fim de cada exercício so-</p><p>cial, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia,</p><p>demonstrações financeiras, que deverão exprimir, com clareza, a situação do</p><p>patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: balanço patri-</p><p>monial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, demonstração do</p><p>resultado do exercício e demonstração dos fluxos de caixa e, se companhia aberta,</p><p>demonstração do valor adicionado.</p><p>Assembléia geral</p><p>(artigo 121�e seguintes) :</p><p>Possui caráter deliberativo</p><p>com todos os acionistas</p><p>Diretoria</p><p>(artigo 138 e�143):</p><p>Responsável pela</p><p>representação legal e</p><p>execução das deliberações</p><p>da Assembléia Geral e</p><p>Conselho de Administração</p><p>Conselho Fiscal</p><p>(artigo 161 e seguintes)</p><p>Fiscalização dos órgãos</p><p>da administração</p><p>Conselho de</p><p>Administração:</p><p>Caráter deliberativa para</p><p>agilizar as decisões da</p><p>companhia</p><p>01 02</p><p>040403</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>O parágrafo 6º desse dispositivo excepciona a companhia fechada com pa-</p><p>trimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 da obrigação de</p><p>elaborar e publicar demonstração dos fluxos de caixa.</p><p>As demonstrações devem, ainda, ser complementadas por notas explicativas</p><p>e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessárias para escla-</p><p>recimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício.</p><p>A importância dessa questão é grande na prática das sociedades anônimas.</p><p>Por exemplo, quando, a título de ilustração, o Tema 69, do Supremo Tribunal</p><p>Federal (STF), decidiu que todas as empresas poderiam excluir o ICMS da base</p><p>de cálculo de PIS/COFINS, ou seja, o ICMS não compõe a base de cálculo</p><p>para a incidência do PIS e da COFINS. Sendo assim, a Comissão de Valores</p><p>Mobiliários (CVM) publicou uma nota de orientação alertando o mercado a</p><p>mensurar, “de forma rigorosa e confiável”, os valores indicados em balanços fi-</p><p>nanceiros referentes à tal decisão, para evitar um “efeito danoso” ao mercado e</p><p>garantir a segurança</p><p>na entrada de recursos econômicos às companhias.</p><p>Sociedade em comandita por ações</p><p>A sociedade em comandita por ações não é um tipo societário, normalmente,</p><p>utilizado no Brasil. Possui o capital dividido em ações, regendo-se pelas nor-</p><p>mas relativas à sociedade anônima, e opera sob firma ou denominação. Somente</p><p>o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde,</p><p>subsidiária e ilimitadamente, pelas obrigações da sociedade. Se houver mais de</p><p>um diretor, serão solidariamente responsáveis, depois de esgotados os bens sociais.</p><p>A assembleia geral não pode, sem o consentimento dos diretores, mudar o</p><p>objeto essencial da sociedade, prorrogar prazo de duração, aumentar ou diminuir</p><p>o capital social, criar debêntures, ou partes beneficiárias.</p><p>Para saber mais sobre abertura de empresas no Brasil, acesse o link do Governo</p><p>Federal. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual</p><p>de aprendizagem.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Assista agora ao conteúdo referente a sua aula. Recursos de mídia disponíveis no</p><p>conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Você deve ter percebido como cada tipo societário tem características peculiares</p><p>que impactam na forma como os negócios serão geridos e, até mesmo, tributados.</p><p>Na prática, considerando as características principais de cada um desses tipos,</p><p>os profissionais da área deparam-se com a necessidade de compreender bem o</p><p>escopo do negócio e como será estruturado, as necessidades dos sócios, entre ou-</p><p>tros fatores, para melhor selecionar o tipo societário mais adequado ao negócio.</p><p>Além disso, uma vez determinado, o empresário e aqueles responsáveis pelas</p><p>obrigações jurídicas, fiscais e contábeis devem ficar atentos a todas as formali-</p><p>dades exigidas para evitar penalidades ou, até mesmo, a própria necessidade de</p><p>desfazimento da entidade.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>1. Qual das alternativas não representa um princípio que rege as sociedades empresárias?</p><p>a) Autonomia da sociedade empresária.</p><p>b) Limitação da responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais como proteção do</p><p>investimento.</p><p>c) Subsidiariedade da responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais.</p><p>d) Prevalência da vontade ou entendimento da minoria nas deliberações sociais.</p><p>e) Liberdade de associação.</p><p>2. As sociedades podem ser personificadas ou não.</p><p>Sobre as sociedades, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I - A sociedade de fato é uma sociedade personificada.</p><p>II - A sociedade de fato não tem contrato escrito.</p><p>III - A sociedade irregular é aquela que tem contrato assinado por escrito, mas não houve</p><p>o respectivo registro.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>3. A sociedade simples tem como objeto o exercício de atividade econômica não empresarial,</p><p>restringindo-se a atividades intelectuais. São características da sociedade simples, exceto:</p><p>a) A sociedade simples tem como ato constitutivo o contrato social, o qual deve registrado</p><p>no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas.</p><p>b) O sócio pode contribuir com serviços, mas, nesse caso, salvo convenção em contrário,</p><p>não poderá empregar-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de ser privado</p><p>de seus lucros e dela excluído.</p><p>c) Com relação à participação nos lucros, salvo estipulação em contrário, o sócio participa</p><p>dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele cuja contri-</p><p>buição consista em serviços, somente, participa dos lucros na proporção da média do</p><p>valor das quotas.</p><p>d) É possível a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros</p><p>e das perdas.</p><p>e) O administrador poderá ser designado no próprio contrato social ou em ato separado, o</p><p>qual deverá ser averbado no órgão de registro da sociedade.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Lei nº 6.404, de15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Dispo-</p><p>nível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 26 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: https://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 26 set. 2023.</p><p>CHAGAS, E. E. das. Direito empresarial esquematizado. 7. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.</p><p>COELHO. F. U. Manual de Direito Comercial: direito de empresa. 28. ed. São Paulo: Revista dos</p><p>Tribunais, 2016.</p><p>RAMOS, A. L. S. C. Direito empresarial esquematizado. 6. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: Método, 2016.</p><p>TEIXEIRA. T. Direito empresarial sistematizado. 7. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. D. O princípio correto é o da prevalência da vontade ou entendimento da maioria nas delibe-</p><p>rações sociais, pois, em caso de divergências entre os sócios, a vontade da maioria deverá</p><p>prevalecer, salvo se houver quórum qualificado estabelecido na lei ou no contrato social.</p><p>2. D.A sociedade de fato é uma sociedade não personificada.</p><p>3. D. É nula a estipulação contratual que exclui qualquer sócio de participar dos lucros e</p><p>das perdas.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>MINHAS METAS</p><p>TÍTULOS DE CRÉDITOS,</p><p>RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS</p><p>E FALÊNCIA</p><p>Definir a importância dos títulos de crédito na atividade empresarial.</p><p>Apontar os princípios aplicáveis aos títulos de crédito.</p><p>Indicar a classificação dos títulos de crédito.</p><p>Enumerar os tipos de títulos de crédito.</p><p>Demonstrar as causas e os requisitos da recuperação judicial.</p><p>Desenvolver as causas e os requisitos da falência.</p><p>Apresentar os principais efeitos da falência.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Caro estudante, você já parou para pensar sobre a importância do “crédito” na</p><p>sociedade atual?</p><p>Sabe-se que o crédito nasceu da confiança e das necessidades comerciais,</p><p>para facilitar o fluxo de negociações no tempo. Atualmente, grande parte das</p><p>operações comerciais ocorre porque é possível o pagamento posterior, com base</p><p>numa promessa de que alguém no futuro pagará por algo. E como isso é possível?</p><p>Com o passar do tempo, a sociedade criou mecanismos para formalizar a tal</p><p>promessa de pagamento, de modo que grande parte das relações comerciais, hoje,</p><p>está respaldada na implementação, efetivação e evolução desses mecanismos.</p><p>Como bem esclarece Teixeira (2018), o crédito viabiliza o consumo imediato</p><p>pelo seu tomador em relação à compra de produto ou de serviço e à espera do</p><p>vendedor para receber a contraprestação pelo que vendeu, possibilitando a circu-</p><p>lação de riquezas sem a necessidade do pagamento</p><p>imediato. Assim, quando não há o pagamento pelo</p><p>“devedor”, existem diversas consequências, inclu-</p><p>sive, para os devedores recorrentes que chegam</p><p>ao ponto de não conseguir mais honrar com seus</p><p>pagamentos, perdendo seu “crédito”.</p><p>Você já parou para pensar sobre a repercussão</p><p>econômica e social de relevantes casos de falência?</p><p>Recentemente, a Americanas ingressou em</p><p>um processo de recuperação judicial devido à</p><p>uma dívida de R$ 42,5 bilhões. No caso, foram</p><p>demitidos mais de 9.000 funcionários e houve o</p><p>fechamento de mais de 70 lojas (72 lojas e 7 mil</p><p>demissões) (SANTOS, 2023). Imagine os impac-</p><p>tos sociais e econômicos dessas demissões para os</p><p>funcionários, fornecedores ou, até mesmo, para</p><p>cidades onde as lojas são relevantes?</p><p>Caso o processo de recuperação não seja frutí-</p><p>fero, certamente, existirão, ainda mais, consequên-</p><p>cias gravosas com a convolação em falência. Assim,</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>até mesmo, grandes empresas passaram por processos de recuperação ou falência,</p><p>como é o caso da Kodak, Xerox, Nokia, Americanas, Oi, entre outras.</p><p>Nessa oportunidade, estudaremos as principais regras dos títulos de crédito</p><p>e dos casos de recuperação e falência das empresas.</p><p>Os institutos do direito cambiário como o aval, endosso, aceite e o protesto são</p><p>importantes no dia a dia das empresas e na</p><p>reduzida para facilitar e baratear a aquisição desses</p><p>produtos que eram necessários ao combate da doença. Nessa situação, o Estado</p><p>atuou para abastecer, rapidamente, o mercado com os produtos necessários.</p><p>Por outro giro, quantos produtos têm seu consumo viabilizado ou diminuído</p><p>pelas famílias em razão da carga tributária que impacta diretamente no preço?</p><p>Veja que o Direito Tributário está presente até mesmo na mesa (ou falta dela) de</p><p>muitas famílias brasileiras.</p><p>1</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. São características das relações de Direito Privado, exceto:</p><p>a) Livre manifestação de vontade.</p><p>b) Liberdade contratual.</p><p>c) Indisponibilidade do interesse público.</p><p>d) Igualdade entre as partes.</p><p>e) Relações de horizontalidade.</p><p>2. Diante dessas breves considerações, é possível, então, afirmar que o</p><p>_______________ tem por objetivo disciplinar a atividade financeira do Estado</p><p>e, assim, estabelecer regras relativas aos três pilares dessa atividade: o orçamento</p><p>público, a receita pública e a despesa pública (PISCITELLI, 2015).</p><p>A lacuna pode ser corretamente preenchida com qual das alternativas a seguir?</p><p>a) Direito Tributário.</p><p>b) Direito Público.</p><p>c) Direito Privado.</p><p>d) Direito Governamental.</p><p>e) Direito Financeiro.</p><p>3. Com relação à categoria de tributos, no que diz respeito ao seu impacto financeiro,</p><p>podemos dizer que:</p><p>I - Essa classificação considera a repercussão econômico-financeira do tributo, podendo</p><p>ser direta ou indireta.</p><p>II - No caso dos tributos diretos, há uma relação direta entre a cobrança e a renda do con-</p><p>tribuinte, de forma que a mesma pessoa obrigada ao pagamento do tributo suporta,</p><p>efetivamente, o seu ônus econômico.</p><p>III - No caso dos tributos indiretos, o ônus financeiro do tributo é passado para os con-</p><p>sumidores no preço.</p><p>IV - O contribuinte de direito é quem suporta o ônus econômico, e o contribuinte de fato</p><p>é quem é obrigado ao pagamento.</p><p>1</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I e IV, apenas.</p><p>b) II e III, apenas.</p><p>c) III e IV, apenas.</p><p>d) I, II e III, apenas.</p><p>e) II, III e IV, apenas.</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Lei nº 5.172, 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e</p><p>institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível</p><p>em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso em: 16 ago. 2023.</p><p>CARVALHO, P. de B. Curso de Direito Tributário. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000.</p><p>CLASEN, R. N. Sistema tributário e desigualdade social no Brasil: a regressividade do</p><p>sistema como indutora de desigualdade. 2014. Dissertação (Mestrado em Política social)</p><p>– Universidade Católica de Pelotas, Pelotas, 2014. Disponível em: https://pos.ucpel.edu.br/</p><p>ppgps/wp-content/uploads/sites/5/2018/03/ROBERTO.CLASEN_SISTEMA-TRIBUTARIO-</p><p>-E-DESIGUALDADE-SOCIAL-NO-BRASIL-a-regressividade-do-sistema-como-indutora-</p><p>-de-desigualdade.pdf. Acesso em: 16 ago. 2023.</p><p>MACHADO SEGUNDO, H. de B. Curso de Direito Tributário. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.</p><p>MACHADO SEGUNDO, H. de B. Manual de direito tributário. 10. ed. rev., atual. e ampl. São</p><p>Paulo: Atlas, 2018.</p><p>MONTORO, A. F. Introdução à ciência do direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. v. 3.</p><p>OLIVEIRA, R. F. de.; HORVATH, E. Manual de Direito Financeiro. 4. ed. São Paulo: Revista</p><p>dos Tribunais, 2001.</p><p>PAULSEN, L. Curso de direito tributário. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>PISCITELLI, T. Direito financeiro esquematizado. 5. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Foren-</p><p>se; São Paulo: Método, 2015.</p><p>1</p><p>1</p><p>1. C. A indisponibilidade do interesse público é característica das relações de Direito Público.</p><p>2. E. O trecho do enunciado representa a definição do Direito Financeiro.</p><p>3. D. A afirmativa IV está incorreta, pois o contribuinte de direito é quem está obrigado ao pa-</p><p>gamento, ao passo que o contribuinte de fato é quem suporta o ônus econômico do tributo.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>4</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>5</p><p>MINHAS METAS</p><p>SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Apresentar o panorama geral do Sistema Tributário Nacional e suas peculiaridades.</p><p>Demonstrar a importância das limitações ao poder de tributar.</p><p>Apresentar os princípios tributários.</p><p>Apresentar as imunidades tributárias.</p><p>Demonstrar implicações práticas das limitações ao poder de tributar.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>No âmbito mundial, o ambiente de negócios é definido pela qualidade dos pro-</p><p>cessos que integram o ciclo de vida das empresas, tais como situações que criam</p><p>óbices ou estímulos para os negócios prosperarem.</p><p>Para se medir a qualidade do ambiente de negócios, algumas instituições in-</p><p>ternacionais avaliam, periodicamente, as práticas de empresas e países. Nesse con-</p><p>texto, segundo Vieira (2019), o relatório Doing Business, publicado, anualmente,</p><p>pelo Banco Mundial, indica o panorama desse ambiente e classifica cerca de 190</p><p>países com relação à facilidade de se fazer negócios, atribuindo uma pontuação</p><p>aos aspectos analisados.</p><p>Como mencionado em um artigo do Brasil 61 (2023) sobre o estudo Doing</p><p>Business, o Brasil é o país em que as empresas gastam mais horas para apurar,</p><p>declarar e pagar impostos, totalizando cerca de 1.501 horas por ano, em média.</p><p>Comparativamente, cita-se o setor produtivo de países da América Latina e Ca-</p><p>ribe, que leva cerca de 20% desse tempo.</p><p>Já entre os países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvi-</p><p>mento Econômico (OCDE), segundo o estudo Brasil 61 (2023), são necessárias</p><p>em média 159 horas.</p><p>A problemática decorre da complexidade do sistema tributário brasileiro,</p><p>tendo em vista a diversidade de tributos, cada um deles com legislações especí-</p><p>ficas e incontáveis obrigações tributárias acessórias (arquivos, relatórios, decla-</p><p>rações etc.), as quais devem ser entregues ao Fisco periodicamente.</p><p>Diante dessas peculiaridades que permeiam o sistema tributário brasileiro</p><p>e da importância do tema para os negócios e as empresas de modo geral, os</p><p>profissionais que atuam, direta ou indiretamente, na área devem conhecer e se</p><p>aprofundar nas regras e nuances de tal sistema.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda do conceito de Direito Tributário? O Direito Tributário é</p><p>um ramo autônomo do Direito Público que contempla as normas que tratam da</p><p>instituição (criação), arrecadação e fiscalização de tributos.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>O Direito Tributário trata da instituição (criação), arrecadação e fiscalização de</p><p>tributos. Sendo assim, embora existam diversos debates doutrinários sobre a con-</p><p>ceituação de “sistema”, utilizo aqui a expressão “sistema tributário” como aquela</p><p>correspondente ao conjunto de normas e princípios, especialmente, aplicáveis às</p><p>atividades de instituição, fiscalização e arrecadação de tributos no Brasil.</p><p>VISÃO GERAL DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL</p><p>Segundo Paulsen (2017), a primeira vez em que houve estruturação de um siste-</p><p>ma tributário no Brasil foi com o advento da Emenda Constitucional nº 18/65,</p><p>seguido da publicação do Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966).</p><p>Conforme estudo do Ministério da Fazenda (BRASIL, 2002), no Brasil, as</p><p>principais diretrizes tributárias são estabelecidas pela Constituição Federal, que</p><p>dispõe sobre os princípios gerais, as limitações do poder de tributar, as com-</p><p>petências e sobre a repartição das receitas tributárias. Dessa forma, o sistema</p><p>tributário nacional é estruturado pela própria Constituição, que estabelece que a</p><p>União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir tributos.</p><p>Nosso sistema tributário nacional é composto por um emaranhado norma-</p><p>tivo que tem como base a Constituição Federal (BRASIL, 1988), a qual serve, ao</p><p>mesmo tempo, como limitação e fundamentação de leis, especialmente, o Código</p><p>Tributário Nacional, que prevê normas gerais de direito tributário e dispõe sobre</p><p>o sistema tributário nacional.</p><p>1</p><p>8</p><p>Por sua vez, o art. 96, do Código Tributário Nacional, explicita que a legisla-</p><p>ção tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais,</p><p>utilização dos títulos de crédito. Não</p><p>deixe de acessar o podcast que preparei sobre o tema. Recursos de mídia dis-</p><p>poníveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>ASPECTOS CONCEITUAIS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO</p><p>Segundo Coelho (2016), os títulos de crédito são documentos representativos</p><p>de obrigações pecuniárias. Nesse caso, o credor de obrigação constante no título</p><p>de crédito tem direitos diversos do que teria se a mesma obrigação não fosse</p><p>representada por um título de crédito.</p><p>O autor ressalta que o título de crédito possibilita uma negociação mais fácil</p><p>do crédito representado e a facilitação da sua cobrança judicial.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda como ocorre a responsabilidade dos sócios em uma</p><p>sociedade limitada, caso as dívidas não sejam pagas? Na sociedade limitada,</p><p>a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos</p><p>respondem, solidariamente, pela integralização do capital social.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Por sua vez, Ramos (2016) cita que o conceito de título de crédito mais aceito pelos</p><p>doutrinadores é o que foi dado por Cesare Vivante, segundo o qual, título de crédito é</p><p>um documento necessário ao exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado.</p><p>Inclusive, nosso Código Civil (BRASIL, 2002) adotou o conceito de Cesare</p><p>Vivante, conforme art. 887, ao dispor que título de crédito é o documento neces-</p><p>sário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente, produzindo</p><p>efeito quando preencha os requisitos da lei.</p><p>Além disso, conforme apontado por Chagas (2020), os títulos de crédito</p><p>possuem dois atributos, quais sejam: a negociabilidade e a executividade. A</p><p>negociabilidade compreende o fato de o beneficiário do título poder negociá-lo</p><p>a qualquer momento, ainda que antes do vencimento, facilitando-se a circulação</p><p>do crédito, ao passo que a executividade significa que, se o credor precisar cobrar</p><p>judicialmente o título, já buscará sua satisfação por meio do processo de execução.</p><p>Caso o título de crédito não fosse dotado de executividade, na ocorrência de in-</p><p>adimplemento, o credor não poderia ingressar imediatamente com uma ação de</p><p>execução, isto é, uma ação de cobrança daquele título de forma mais ágil. Seria</p><p>antes necessário um outro processo judicial denominado “processo de conheci-</p><p>mento”. Por tal razão, a executividade permite maior celeridade e efetividade na</p><p>cobrança do título, eis que viabiliza a realização da execução.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Figura 1 - Atributos dos títulos de crédito / Fonte: adaptada de Chagas (2020).</p><p>ATRIBUTOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO</p><p>Negociabilidade</p><p>O título de crédito pode circular</p><p>por endosso ou tradição</p><p>Executividade</p><p>Execução imediata da obrigação</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por um retângulo, na parte superior, com o título “atributos dos</p><p>títulos de crédito”. Do lado esquerdo, consta um retângulo, com a expressão “negociabilidade”, e, mais abaixo, a</p><p>expressão “o título de crédito pode circular por endosso ou tradição”. Do lado direito, consta um retângulo, com</p><p>a expressão “executividade”, e, mais abaixo, a expressão “execução imediata da obrigação”. Fim da descrição.</p><p>1. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AOS TÍTULOS DE CRÉDITO</p><p>A doutrina majoritária aponta três princípios aplicáveis aos títulos de crédito:</p><p>cartularidade, literalidade e autonomia.</p><p>Como bem pontua Coelho (2016), os três princípios não decorrem da legis-</p><p>lação em si e dos juristas, mas, sim, de um longo processo histórico, em que os</p><p>comerciantes vêm desenvolvendo e aprimorando os mecanismos de tutela do</p><p>crédito comercial.</p><p>a) Cartularidade</p><p>Pelo princípio da cartularidade, afirma-se que o título de crédito é o documento</p><p>necessário ao exercício do direito nele mencionado, isto é, para o exercício de</p><p>qualquer direito representado no título, é necessária sua posse legítima. Assim,</p><p>para fins de comprovação da própria existência do crédito e de sua respectiva</p><p>exigibilidade, o titular do crédito representado no título deve estar na posse deste.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>Em decorrência desse princípio, o direito de crédito constante na cártula não</p><p>existe sem ela, não podendo ser transmitido sem sua tradição e não podendo ser</p><p>exigido sem sua apresentação. Chagas (2020) destaca que, em razão do princípio</p><p>da cartularidade, a posse do título pelo devedor induz presunção de pagamento</p><p>do título e que somente é possível protestar e executar o título mediante sua</p><p>apresentação. Sendo assim, se o título for incinerado ou extraviado, o titular do</p><p>direito nele mencionado não poderá exercê-lo.</p><p>Cártula significa papel, razão pela qual diz-se que um título de crédito, necessari-</p><p>amente, deve ser firmado em papel.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Será que podemos dizer que, atualmente, há flexibilização do princípio da cartu-</p><p>laridade em razão do desenvolvimento tecnológico e da consequente criação de</p><p>títulos de crédito magnéticos?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>b) Literalidade</p><p>Pelo princípio da literalidade, diz-se que vale tão somente o que está escrito no</p><p>título, isto é, apenas o conteúdo do título possui valor. O título de crédito é a</p><p>expressão literal de uma obrigação. Nesse contexto, ajustes verbais não podem</p><p>impactar no exercício do direito ali expressamente mencionado, de forma que</p><p>quem recebe o título terá a plena certeza, a partir de sua simples leitura, da ex-</p><p>tensão do crédito que está recebendo.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>c) Autonomia</p><p>De acordo com o princípio da autonomia, o título de crédito configura documen-</p><p>to constitutivo de direito, autônomo, originário e desvinculado da relação que lhe</p><p>deu origem. O princípio da autonomia é o que confere maior segurança jurídica</p><p>aos títulos de crédito, pois as relações jurídicas representadas num determinado</p><p>título de crédito são autônomas e independentes entre si, de modo que eventual</p><p>vício em qualquer uma delas não atingirá as demais.</p><p>Em outras palavras, o direito constante num título de crédito é autônomo, porque</p><p>sua posse legítima caracteriza a existência do próprio direito em si, não limitado e</p><p>intocável por relações anteriores.</p><p>Teixeira (2018) exemplifica o princípio da autonomia com uma situação em que</p><p>A vende uma casa para B, e B assina uma nota promissória em favor de A. A torna-se</p><p>devedor de C e efetua o pagamento do seu débito com a mesma nota promissória.</p><p>Nesse caso, o título representa três relações jurídicas: de A e B (compra e venda); de</p><p>A e C (quitação da dívida); e de B e C (B, agora, deve para C).</p><p>Se houver um vício em qualquer dessas relações, como problemas com a casa,</p><p>não há que se falar em interferência nas demais relações representadas pelo tí-</p><p>tulo. Considerado como o</p><p>mais importante dos prin-</p><p>cípios aplicáveis aos títu-</p><p>los de crédito, o princípio</p><p>da autonomia é constituí-</p><p>do por dois subprincípios:</p><p>abstração e inoponibilida-</p><p>de das exceções pessoais</p><p>aos terceiros de boa-fé.</p><p>Veja que, no exemplo que</p><p>foi mencionado, quando o</p><p>título circula, ele se desvin-</p><p>cula da relação que lhe deu</p><p>origem, pois, quando “B”</p><p>endossou o título para “C”,</p><p>fazendo-o circular, tal título</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>se desvinculou da operação que lhe deu origem (a compra e venda do carro). Tal</p><p>característica é justamente a abstração, que corresponde à desvinculação do título</p><p>em relação à causa que originou sua emissão.</p><p>Por sua vez, a inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé</p><p>diz respeito à manifestação processual do princípio da autonomia. Isso porque</p><p>o executado (judicialmente) não pode alegar, em sua defesa, matéria estranha</p><p>à sua relação direta com o exequente (credor), salvo se houver prova de má-fé.</p><p>Caso, no exemplo mencionado, após a emissão da nota promissória assina-</p><p>da por B ter circulado, sendo este cobrado por C, B não poderá alegar, em sua</p><p>defesa, que a casa tinha problemas, pois se trata de uma relação pessoal entre A</p><p>e B. A alegação de B deve restringir-se à sua relação com C, como falsidade ou</p><p>prescrição. Mas, caso C, antes da</p><p>circulação do título, tivesse conhecimento da</p><p>notificação de B para A sobre os problemas com a casa, C seria considerado de</p><p>má-fé, podendo essa matéria ser alegada na defesa de B.</p><p>Ramos (2016) menciona ainda outras características relevantes dos títulos</p><p>de crédito:</p><p>I - São documentos formais, com requisitos previstos na legislação</p><p>cambiária.</p><p>II - São considerados bens móveis.</p><p>III - São títulos de apresentação, por serem documentos necessários ao</p><p>exercício dos direitos neles contidos.</p><p>IV - São títulos executivos extrajudiciais, pois configuram uma obrigação</p><p>líquida e certa.</p><p>V - São títulos de resgate, pois sua emissão pressupõe futuro pagamento em</p><p>dinheiro que extinguirá a relação jurídica.</p><p>VI - São títulos de circulação, pois sua função é a circulabilidade do crédito.</p><p>VII - São obrigações quesíveis (querable).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Figura 2 - Resumo dos princípios e características dos títulos de crédito / Fonte: Ramos (2016, [s. p.]).</p><p>Uma obrigação quesível é aquela em que o pagamento deve ser realizado no</p><p>domicílio do devedor.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Títulos de</p><p>crédito</p><p>Princípios</p><p>informadores</p><p>Cartularidade</p><p>Literalidade</p><p>Autonomia</p><p>Abstração</p><p>Inoponibilidade das exceções</p><p>pessoais aos terceiros de boa-fé</p><p>Principais</p><p>características</p><p>-Natureza essencialmente comercial</p><p>-Documentos formais</p><p>- Natureza de bens móveis</p><p>-São títulos de apresentação</p><p>-Constituem títulos executivos extrajudiciais</p><p>-Representam obrigações quesíveis</p><p>-É título de resgate</p><p>-É título de circulação</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por figuras retangulares com os princípios e as características dos</p><p>títulos de crédito. O primeiro quadrilátero contém a expressão “títulos de crédito” e subdivide-se em dois ramos,</p><p>quais sejam: um quadrilátero, na parte superior, com a expressão “princípios informadores” e um quadrilátero, na</p><p>parte inferior, com a expressão “principais características”. Os “princípios informadores” subdividem-se em três</p><p>ramos com figuras retangulares contendo as expressões Cartularidade, Literalidade e Autonomia - abstração e</p><p>inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé. Por sua vez, as “principais características” subdivi-</p><p>de-se em um ramo contendo natureza essencialmente comercial, documentos formais, natureza de bens móveis,</p><p>são títulos de apresentação, constituem títulos executivos extrajudiciais, representam obrigações quesíveis, é</p><p>título de resgate e é título de circulação. Fim da descrição.</p><p>2. CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE TÍTULOS DE CRÉDITOS</p><p>Os títulos de crédito podem ser classificados de acordo com o modelo, a estrutura,</p><p>a emissão e a circulação. Para facilitar a compreensão sobre o tema, elaborei a</p><p>figura explicativa a seguir:</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>Figura 3 - Classificação dos títulos de crédito / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por figuras retangulares com as hipóteses de classificação dos</p><p>títulos de crédito. O retângulo quanto à hipótese de emissão subdivide-se em causais (o título de crédito somente</p><p>pode ser emitido se ocorrer o fato que a lei prevê. Por exemplo: duplicata mercantil) e abstratos (sua emissão não</p><p>está condicionada a uma causa prevista em lei. Por exemplo: cheque). O retângulo quanto ao modelo subdivide-se</p><p>em livres (sua emissão não se sujeita a uma forma específica. Por exemplo: nota promissória) e vinculados (existe</p><p>um modelo padrão para sua emissão. Por exemplo: duplicata); o retângulo quanto à estrutura subdivide-se em</p><p>ordem de pagamento — sua emissão (saque) cria três figuras: quem dá a ordem de pagamento (sacador); o desti-</p><p>natário da ordem (sacado, quem deverá pagar o título); e o tomador da ordem (beneficiário, credor). Por exemplo:</p><p>cheque — e promessa de pagamento — o saque do título cria somente duas figuras: quem promete pagar (sacador)</p><p>e o beneficiário da promessa (credor). Por exemplo: nota promissória. O retângulo quanto à forma de circulação</p><p>subdivide-se em ao portador — o título não possui a identificação do credor de forma que o credor será quem</p><p>tem a posse do título. Por exemplo: cheque sem preenchimento do campo destinatário —; nominal à ordem — o</p><p>nome do beneficiário consta no título. Circula mediante tradição e endosso e identifica o seu titular (credor, é</p><p>“endossável”) — e nominal não à ordem — o nome do beneficiário consta no título. Não é possível fazer o endosso.</p><p>Quanto à hipótese</p><p>de emissão</p><p>causais</p><p>O título de crédito somente pode ser emitido</p><p>se ocorrer o fato que a lei prevê</p><p>Ex. duplicata mercantil</p><p>abstratos</p><p>Sua emissão não está condicionada à uma</p><p>causa prevista em lei</p><p>Ex. cheque</p><p>Quanto ao</p><p>modelo</p><p>livres</p><p>Sua emissão não se sujeita a uma forma</p><p>específica</p><p>Ex. nota promissória</p><p>vinculados</p><p>Existe um modelo padrão para sua emissão</p><p>Ex. duplicata</p><p>Quanto à</p><p>estrutura</p><p>ordem de</p><p>pagamento</p><p>Sua emissão (saque) cria três figuras: quem dá</p><p>a ordem de pagamento (sacador); o destinatário</p><p>daordem (sacado, quem deverá pagar o título) e</p><p>o tomador da ordem (beneficiário, credor).</p><p>Ex. cheque</p><p>promessa de</p><p>pagamento</p><p>O saque do título cria somente duas figuras:</p><p>quem promete pagar (sacador) e o beneficiário</p><p>da promessa (credor),.</p><p>Ex. nota promissória</p><p>Quanto à forma</p><p>de circulação</p><p>ao portador</p><p>O título não possui a identificação do credor de</p><p>forma que o credor será quem tem a posse do</p><p>título</p><p>Ex. cheque sem preenchimento do campo</p><p>destinatário.</p><p>nominal</p><p>à ordem</p><p>O nome do beneficiário consta no título. Circula</p><p>mediante tradição e endosso e identifica o seu</p><p>titular (credor). É “endossável”</p><p>(“pague a quem o credor anterior</p><p>(endossante)ordenar”).</p><p>nominal não</p><p>à ordem</p><p>O nome do beneficiário consta no título.</p><p>Não é possível fazer o endosso.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Agora que já conhecemos as classificações dos títulos de créditos, passaremos a</p><p>tratar dos principais títulos de crédito em espécie.</p><p>a) Letra de câmbio</p><p>Como bem ressalta Ramos (2016), alguns autores afirmam que a letra de câmbio</p><p>não teria tido aceitação no Brasil, pois, de acordo com sua sistemática, é emitida</p><p>por alguém para que outro aceite e pague, de modo que se trata de um título de</p><p>crédito que depende da boa-fé.</p><p>A Letra de Câmbio corresponde a um título de crédito em que há uma ordem</p><p>de pagamento de determinada quantia. O sacador concede uma ordem para que</p><p>o sacado, desde que aceite a letra de câmbio, pague a quantia ao beneficiário (um</p><p>terceiro ou o próprio sacador). Assim, quando a letra de câmbio é emitida, nascem</p><p>três figuras jurídicas distintas: a do sacador, que emite a ordem; a do sacado, a</p><p>quem a ordem é destinada; e a</p><p>do tomador, que é o beneficiá-</p><p>rio da ordem. As três figuras não</p><p>precisam ser pessoas distintas.</p><p>A atual regulamentação</p><p>da letra de câmbio no Brasil</p><p>está prevista na Convenção</p><p>de Genebra de 1930, a qual foi</p><p>incorporada ao ordenamento</p><p>jurídico brasileiro em 1966,</p><p>pelo Decreto nº 57.663/66</p><p>(Lei Uniforme).</p><p>Figura 4 - Letra de câmbio / Fonte: Ramos (2016, [s. p.]).</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por um modelo de letra de câmbio, representada por uma figura</p><p>retangular com os campos a serem preenchidos dispostos horizontalmente, como data, valor, nome, praça, nome</p><p>do devedor, nome do aceitante, endereço e documentos do aceitante, data e assinatura. Fim da descrição.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>b) Nota promissória</p><p>A nota promissória é uma promessa de pagamento, dando origem a duas figuras</p><p>jurídicas distintas: a do sacador ou promitente (subscritor), que emite a nota e</p><p>promete pagar determinada quantia a alguém, e a figura do tomador, em favor</p><p>de quem a nota é emitida (quem receberá a importância prometida).</p><p>Podemos dizer, então, que se trata de uma promessa formalizada em um tí-</p><p>tulo, cujo emissor assume um compromisso em favor do credor, isto é, confessa</p><p>que é devedor e promete pagar.</p><p>A regulamentação da nota promissória, também, está prevista no Decreto nº</p><p>57.663/66 (Lei Uniforme de Genebra).</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por um modelo de nota promissória. Fim da descrição.</p><p>Figura 5 - Nota promissória</p><p>/ Fonte: Ramos (2016, [s. p.])</p><p>c) Cheque</p><p>O cheque é uma ordem de pagamento à vista emitida contra um banco, ou ins-</p><p>tituição semelhante, em razão de fundos que a pessoa (sacador/emitente) tem</p><p>naquela instituição financeira, devendo seguir padrões fixados pelo Banco Cen-</p><p>tral. O cheque é regulamentado pela Lei nº 7.357/85.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>No cheque, existem três figuras distintas: emitente, sacado e beneficiário. O emi-</p><p>tente é aquele de quem provém a ordem ao sacado para que efetue o pagamento,</p><p>em razão dos fundos disponíveis na conta de depósito mantida junto a este último.</p><p>O sacado é aquele a quem é dada a ordem de efetuar o pagamento em favor do</p><p>beneficiário, já o beneficiário é aquele que receberá o valor mencionado no título.</p><p>Destaca-se que o sacado não integra a relação cambiária, já que não é devedor.</p><p>O cheque pode ser ao portador ou nominativo, sendo que, se emitido ao</p><p>portador, para que o cheque seja compensado, em razão de depósito em conta</p><p>bancária ou desconto diretamente no caixa da agência bancária, é preciso que haja</p><p>identificação do credor. Inclusive, os cheques nominativos podem ser à ordem</p><p>(transferível por endosso) ou não à ordem (transferível por cessão de crédito).</p><p>Mesmo que, na prática comercial, há o hábito de utilizar o cheque como “venci-</p><p>mento a prazo”, trata-se de um título de crédito à vista.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Figura 6 - Cheque / Fonte: Ramos (2016, [s. p.]).</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por um modelo de cheque. Fim da descrição.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>d) Duplicata</p><p>A duplicata é um título causal, ou seja, só pode ser emitida para documentar</p><p>determinadas relações jurídicas preestabelecidas pela sua lei de regência, quais</p><p>sejam: compra e venda mercantil ou prestação de serviços. É emitida pelo ven-</p><p>dedor contra o comprador, que efetuará o pagamento. O principal devedor é o</p><p>sacado, que é o comprador. Por sua vez, o vendedor é, ao mesmo tempo, sacador</p><p>(emissor) e beneficiário (credor).</p><p>Você já ouviu falar de factoring? Factoring é uma operação financeira em que uma</p><p>empresa transfere seus recebimentos a prazo (antecipação de recebíveis) para</p><p>receber um valor à vista e se capitalizar no mercado. Há um contrato celebrado</p><p>entre um faturizado ou cedente (titular do crédito) e uma faturizadora (empresa</p><p>que recebe o crédito para cobrar do devedor). O titular cede seus créditos de ven-</p><p>das feitas a terceiros, em troca do pagamento à vista, mediante certa comissão</p><p>que será descontada pela faturizadora. Assim, é como no factoring a “venda” de</p><p>duplicatas para fins de capitalização de empresas.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>De acordo com a Lei nº 5.474/1968, em todo o contrato de compra e venda mer-</p><p>cantil, com prazo não inferior a 30 dias, contado da data da entrega ou despacho</p><p>das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao</p><p>comprador. A fatura discriminará as mercadorias vendidas ou, quando convier</p><p>ao vendedor, indicará somente os números e valores das notas parciais expedidas</p><p>por ocasião das vendas, dos despachos ou das entregas das mercadorias.</p><p>No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para</p><p>circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie</p><p>de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância</p><p>faturada ao comprador.</p><p>Assim, uma duplicata só pode corresponder a uma única fatura e deve ser</p><p>apresentada ao devedor em, no máximo, 30 dias. A fatura corresponde a uma</p><p>espécie de relatório da negociação, relatando os serviços ou produtos adquiridos</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>pelo tomador/comprador (pessoa física ou jurídica), com a quantidade e o valor</p><p>individual e total da transação bem como condições de pagamento.</p><p>Já a Nota Fiscal é uma obrigação de cunho tributário, elaborada a partir</p><p>da fatura, que, também, acompanha a duplicata e o comprovante da entrega</p><p>da mercadoria/serviço.</p><p>Segundo Teixeira (2018), os empresários deixaram de emitir duplicatas em</p><p>papel e passaram a emitir uma relação das duplicatas lançadas por meio ele-</p><p>trônico, conhecida como borderô, do qual constam os números das duplicatas,</p><p>correspondendo tais números aos das respectivas notas fiscais-faturas.</p><p>Na prática, o banco emite e encaminha aos sacados (devedores), para que</p><p>efetuem o pagamento na rede</p><p>bancária, um documento de co-</p><p>brança (boleto bancário) com</p><p>os dados dos sacadores. Se de-</p><p>terminado boleto deixar de ser</p><p>pago, o banco encaminha o tí-</p><p>tulo para protesto, também, por</p><p>via eletrônica. Nesse contexto, a</p><p>duplicata em si apenas surgirá</p><p>quando houver inadimplemen-</p><p>to do devedor, pois a emissão e o</p><p>pagamento de boletos bancários</p><p>tornaram-se uma prática usual.</p><p>Figura 7 - Duplicata mercantil / Fonte: Ra-</p><p>mos (2016, [s. p.]).</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por um modelo de duplicata de venda mercantil, com os dados do</p><p>emitente da duplicata (credor), sacado da duplicata (devedor), número da fatura, vencimento, valor por extenso,</p><p>data do aceite, expressão “reconhecemos a exatidão desta duplicata de prestação de serviços, na importância</p><p>acima que pagaremos e assinatura do favorecido”. Fim da descrição.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>Além dos títulos mencionados, existem alguns outros:</p><p>TITÚLOS DE CREDITO</p><p>Conhecimento de depósito ewarrant</p><p>são “títulos representativos” de</p><p>mercadorias custodiadas, ou seja,</p><p>mercadorias guardadas por alguém</p><p>Certificado de depósito agropecuário</p><p>e warrant agropecuário</p><p>é o título de crédito representativo</p><p>de promessa de entrega de produtos</p><p>agropecuários, seus derivados,</p><p>subprodutos e resíduos de valor</p><p>econômico, depositados em armazéns</p><p>destinados à atividade de guarda e</p><p>conservação de produtos agropecuários</p><p>Conhecimento de transporte</p><p>é um título que representa mercadorias</p><p>a serem transportadas, emitido pela</p><p>transportadora ao receber a mercadoria</p><p>a ser transportada, com a obrigação</p><p>de entregar a carga no respectivo</p><p>destino</p><p>Cédula e nota de crédito</p><p>são “títulos de financiamento”, emitidos</p><p>em favor de instituição financeira, por</p><p>conta da concessão de empréstimos</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>4. RECUPERAÇÃO E FALÊNCIA DE EMPRESAS</p><p>Como leciona Chagas</p><p>(2020), a partir da Lei</p><p>nº 11.101/2005, surgiu</p><p>no Brasil, com base no</p><p>princípio da preser-</p><p>vação da empresa, um</p><p>novo marco regulatório</p><p>da crise econômica da</p><p>atividade empresarial,</p><p>pois tal norma busca</p><p>garantir que a atividade</p><p>de produção e circula-</p><p>ção de riqueza seja mantida em funcionamento, visando a manutenção de</p><p>empregos, produção e circulação de mercadorias, bens e serviços, geração</p><p>de tributos, distribuição de riqueza, livre-concorrência, redução de preços,</p><p>abastecimento contínuo, entre outros benefícios.</p><p>Nos termos do art. 2ª, da Lei nº 11.101/2005 (BRASIL, 2005), ela não é aplicável</p><p>à empresa pública e sociedade de economia mista; instituição financeira pública ou</p><p>privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar,</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, so-</p><p>ciedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.</p><p>A referida lei traz diferentes mecanismos para restaurar a saúde financeira do</p><p>empresário: recuperação extrajudicial, recuperação judicial e recuperação judicial</p><p>para microempresas e empresas de pequeno porte.</p><p>A recuperação extrajudicial trata-se de uma negociação que ocorre entre o</p><p>devedor empresário e seus credores e, após assinatura do acordo, é feita a homo-</p><p>logação judicial. Já na recuperação judicial toda a negociação ocorre em juízo,</p><p>a partir de uma proposta do devedor, o qual é livre para estabelecer os termos</p><p>do plano de recuperação judicial, e dependerá de aprovação direta ou indireta</p><p>dos credores. A recuperação judicial do plano especial para microempresas e</p><p>empresas de pequeno porte tem critérios especiais.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>E se o devedor empresário em crise econômico-financeira não conseguir</p><p>recuperar-se?</p><p>Nesse caso, será iniciado um processo de execução coletiva</p><p>contra ele, mediante a</p><p>decretação de sua falência. Então, primeiramente, o devedor elabora e negocia um</p><p>plano de recuperação, que deve ser aprovado pela maioria dos credores afetados,</p><p>conforme quórum de acordo com o tipo de assembleia e a natureza da decisão</p><p>tomada previsto na Lei nº 11.101/2005. O plano pode prever parcelamentos de</p><p>dívidas, novos financiamentos, abatimentos e descontos, venda de ativos e, até</p><p>mesmo, reestruturações societárias.</p><p>Se a recuperação revelar-se inviável, no entanto, deve ser decretada a falência,</p><p>que é um procedimento de liquidação por meio do qual todos os ativos do de-</p><p>vedor são arrecadados e vendidos para pagamento dos credores seguindo uma</p><p>ordem legalmente prevista. A seguir, está a ordem legal de preferência para pa-</p><p>gamento de créditos durante um processo de recuperação judicial:</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. Créditos Trabalhistas: os créditos trabalhistas têm prioridade máxima.</p><p>Isso inclui salários e verbas rescisórias devidos aos empregados bem como</p><p>contribuições previdenciárias incidentes sobre esses valores.</p><p>2. Créditos com Garantia Real: são os créditos garantidos por bens da</p><p>empresa, como hipotecas, penhores e alienações fiduciárias. Eles têm</p><p>preferência sobre os créditos quirografários, mas, em alguns casos,</p><p>podem ser objeto de negociação no plano de recuperação.</p><p>3. Créditos Quirografários: são os créditos não garantidos por nenhuma</p><p>forma de garantia real. Eles incluem fornecedores, instituições financeiras,</p><p>entre outros.</p><p>4. Créditos com Privilegiados: estão incluídos nessa categoria os créditos</p><p>com privilégio especial, como despesas de administração da recuperação</p><p>judicial, créditos tributários que não têm preferência legal e créditos de-</p><p>correntes de acordos judiciais.</p><p>5. Créditos Subordinados: esses créditos têm preferência por último na or-</p><p>dem de pagamento. Eles incluem créditos de sócios e administradores da</p><p>empresa bem como outros créditos subordinados conforme previsto na lei.</p><p>É importante destacar que a empresa em recuperação judicial deve apresentar</p><p>um plano de recuperação aos credores, e esse plano pode propor condições de</p><p>pagamento diferentes das estabelecidas na ordem legal de preferência. Esse plano</p><p>deve ser aprovado pelos credores e pelo juiz. Se aprovado, os créditos serão pagos</p><p>de acordo com as condições estabelecidas no plano.</p><p>Em casos mais complexos, é aconselhável consultar um advogado especiali-</p><p>zado em direito empresarial ou falimentar para orientação específica e detalhada,</p><p>uma vez que as circunstâncias podem variar e as leis podem sofrer alterações.</p><p>Veja este vídeo do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo sobre a diferença</p><p>entre a recuperação judicial e a falência. Recursos de mídia disponíveis no con-</p><p>teúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Conforme art. 75, da Lei nº 11.101/2005 (BRASIL, 2005), a falência é um</p><p>processo judicial de execução coletiva contra o empresário, que, ao promover</p><p>o afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e a otimizar a</p><p>utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos recursos produtivos, inclusive,</p><p>os intangíveis, da empresa; permitir a liquidação célere das empresas inviá-</p><p>veis, com vistas à realocação eficiente de recursos na economia; e fomentar</p><p>o empreendedorismo, inclusive, por meio da viabilização do retorno célere</p><p>do empreendedor falido à atividade econômica.</p><p>A competência para o processamento da recuperação judicial ou extrajudicial</p><p>e da falência ocorre no juízo (na comarca) estadual do principal estabelecimento</p><p>do devedor, ou da filial que tenha sede (matriz) fora do Brasil. Tal regra aplica-se</p><p>para o juízo que deferir a recuperação judicial, homologar a recuperação extra-</p><p>judicial ou decretar a falência.</p><p>O deferimento da recuperação judicial ou a decretação da falência sus-</p><p>pende o prazo prescricional bem como as ações e execuções judiciais contra</p><p>o devedor. As ações trabalhistas e as execuções fiscais não são alcançadas por</p><p>essa regra, permanecendo seu trâmite nas justiças especializadas, conforme</p><p>previsto no art. 6º, da lei mencionada.</p><p>Nos termos do art. 94, da Lei nº 11.101/2005 (BRASIL, 2005), será decretada a</p><p>falência do devedor que, sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento,</p><p>obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja</p><p>soma ultrapasse o equivalente a 40 salários-mínimos na data do pedido de falên-</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>cia; executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia</p><p>à penhora bens suficientes dentro do prazo legal; pratica qualquer dos seguintes</p><p>atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial: procede à liquidação</p><p>precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou fraudulento para rea-</p><p>lizar pagamentos; realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de</p><p>retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte</p><p>ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não; transfere estabelecimento a</p><p>terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os credores e sem ficar com</p><p>bens suficientes para solver seu passivo; simula a transferência de seu principal</p><p>estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para pre-</p><p>judicar credor; dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente</p><p>sem ficar com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;</p><p>ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para</p><p>pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio,</p><p>do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento; deixa de cumprir, no prazo</p><p>estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação judicial.</p><p>Para fins didáticos, vejamos o quadro esquemático sobre os procedimentos</p><p>da Lei nº 11.101/2005 elaborado por Chagas (2020):</p><p>Quadro 1 - Procedimentos na lei de falências / Fonte: Chagas (2020, p. 971).</p><p>Por fim, os efeitos da falência são os seguintes:</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Figura 8 - efeitos da falência / Fonte: Ramos (2016, [s. p.])</p><p>Efeitos da</p><p>falência</p><p>Em relação à pessoa</p><p>do devedor:</p><p>- falência dos sócios de responsabilidade limitada;</p><p>- apuração de eventual responsabilidade pessoal</p><p>dos sócios de responsabilidade limitada</p><p>(ação prescreve em 2 anos);</p><p>- inabilitação empresarial;</p><p>- perda do direito de administração dos seus bens</p><p>e da disponibilidade sobre eles</p><p>(formação da massa falida objetiva);</p><p>- não pode ausentar-se do lugar da falência sem</p><p>autorização do juiz;</p><p>- comparecimento a todos os atos de falência;</p><p>-suspensão do direito ao sigilo à correspondência</p><p>e ao livre exercício da profissão;</p><p>-dever de colaboração com a administração</p><p>da falência</p><p>Em relação aos bens</p><p>do devedor:</p><p>- formação da massa falida objetiva (arrecadação</p><p>de todos os bens do devedor, exceto os</p><p>absolutamente impenhoráveis)</p><p>Em relação às</p><p>obrigações do devedor:</p><p>- suspensão do exercício do direito de retenção</p><p>(sobre os bens sujeitos à arrecadação), de retirada</p><p>ou recebimento do valor de quotas ou ações por</p><p>parte dos sócios da sociedade falida;</p><p>- vencimento antecipado das dívidas do devedor e</p><p>dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis</p><p>(com abatimento proporcional dos juros e</p><p>conversão de todos os créditos em moeda</p><p>estrangeira para a moeda do País);</p><p>- limitação à compensação de dívidas do devedor</p><p>até o dia da decretação da falência;</p><p>-inexigibilidade de juros vencidos, previstos em lei</p><p>ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para</p><p>o pagamento dos credores subordinados;</p><p>-continuidade dos contratos que puderem ser</p><p>cumpridos e que possam reduzir ou evitar o</p><p>aumento do passivo</p><p>Em relação aos</p><p>credores do falido:</p><p>- formação da massa falida subjetiva</p><p>(procedimento de verificação e habilitação</p><p>dos créditos)</p><p>Em relação aos</p><p>atos do falido:</p><p>-fixação do termo legal da falência</p><p>(ineficácia dos atos)</p><p>Descrição da Imagem: a figura é representada por figuras retangulares constando os efeitos da decretação da</p><p>falência. A figura</p><p>com a expressão “efeitos da falência” subdivide-se em cinco ramos representados por figuras</p><p>retangulares. A primeira figura retangular contém a expressão “em relação à pessoa do devedor” e subdivide-se:</p><p>em falência dos sócios de responsabilidade limitada; apuração de eventual responsabilidade pessoal dos sócios</p><p>de responsabilidade limitada (ação prescreve em dois anos); inabilitação empresarial; perda do direito de adminis-</p><p>tração dos seus bens e da disponibilidade sobre eles (formação da massa falida objetiva); não pode ausentar-se</p><p>do lugar da falência sem autorização do juiz; comparecimento a todos os atos de falência; suspensão do direito ao</p><p>sigilo à correspondência e ao livre exercício da profissão; dever de colaboração com a administração da falência. A</p><p>segunda figura retangular contém a expressão “em relação aos bens do devedor” e subdivide-se em: formação da</p><p>massa falida objetiva (arrecadação de todos os bens do devedor, exceto os absolutamente impenhoráveis). A ter-</p><p>ceira figura retangular contém a expressão “em relação às obrigações do devedor” e subdivide-se em: suspensão</p><p>do exercício do direito de retenção (sobre os bens sujeitos à arrecadação), de retirada ou recebimento do valor de</p><p>quotas ou ações por parte dos sócios da sociedade falida; vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos</p><p>sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (com abatimento proporcional dos juros e conversão de todos os</p><p>créditos em moeda estrangeira para a moeda do País); limitação à compensação de dívidas do devedor até o dia</p><p>da decretação da falência; inexigibilidade de juros vencidos, previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado</p><p>não bastar para o pagamento dos credores subordinados; continuidade dos contratos que puderem ser cumpridos</p><p>e que possam reduzir ou evitar o aumento do passivo. A quarta figura retangular contém a expressão “em relação</p><p>aos credores do falido” e subdivide-se em: formação da massa falida subjetiva (procedimento de verificação e</p><p>habilitação dos créditos). A quinta figura retangular contém a expressão “em relação aos atos do falido” e subdi-</p><p>vide-se em: fixação do termo legal da falência (ineficácia dos atos). Fim da descrição.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>O Lobo de Wall Street.</p><p>Sinopse: O filme O Lobo de Wall Street, dirigido por Martin</p><p>Scorsese, de 2014, é baseado na história de Jordan Belfort, um</p><p>corretor da bolsa que cumpriu pena de prisão por recusar co-</p><p>laborar com as autoridades na investigação de um escândalo</p><p>financeiro envolvido em um esquema de fraude de títulos.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>Preparamos um vídeo para você compreender melhor como construir o sucesso</p><p>no dia a dia. Acesse o material e fique por dentro desse tema importante que con-</p><p>tribuirá para o seu desenvolvimento. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo</p><p>digital do ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>EM FOCO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Você deve ter percebido que o assunto dos títulos de crédito está muito mais</p><p>presente na sua vida do que havia imaginado. Seja na condição de adquirente de</p><p>produtos ou serviços, seja como profissional da área empresarial, o conhecimento</p><p>das principais regras atinentes aos títulos de crédito viabiliza não só a melhoria da</p><p>gestão empresarial, mas também a correta aplicação desses conceitos na prática</p><p>fiscal e contábil para fins de atendimento da legislação vigente.</p><p>Além disso, a má gestão dos títulos de crédito do empresário pode acarretar</p><p>diversas consequências graves, que podem culminar na decretação de sua falên-</p><p>cia e inabilitação ao próprio exercício da atividade empresarial. Assim, o conhe-</p><p>cimento sobre os mecanismos para restaurar a saúde financeira do empresário,</p><p>também, viabiliza a implementação de práticas que garantam a perpetuidade da</p><p>atividade empresarial.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. Os títulos de crédito possuem dois atributos. Quais são eles?</p><p>a) Passividade e executividade.</p><p>b) Negociabilidade e executividade.</p><p>c) Negociabilidade e primazia.</p><p>d) Passividade e primazia.</p><p>e) Executividade e primazia.</p><p>2. A doutrina majoritária aponta três princípios aplicáveis aos títulos de crédito: cartularidade,</p><p>literalidade e autonomia.</p><p>Sobre esses princípios, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I - Pelo princípio da literalidade, diz-se que vale o que foi verbalmente tratado pelas partes.</p><p>II - Pelo princípio da cartularidade, afirma-se que o título de crédito é o documento neces-</p><p>sário ao exercício do direito nele mencionado, isto é, para o exercício de qualquer direito</p><p>representado no título, é necessária sua posse legítima</p><p>III - De acordo com o princípio da autonomia, o título de crédito configura documento cons-</p><p>titutivo de direito, autônomo, originário e desvinculado da relação que lhe deu origem.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. São características dos títulos de crédito, exceto:</p><p>a) São documentos formais, com requisitos previstos na legislação cambiária.</p><p>b) São títulos executivos extrajudiciais.</p><p>c) São obrigações quesíveis.</p><p>d) São considerados bens imóveis.</p><p>e) São títulos de circulação.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: https://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 27 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e</p><p>a falência do empresário e da sociedade empresária. Disponível em: https://www.planalto.gov.</p><p>br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm. Acesso em: 05 ago. 2023.</p><p>CHAGAS, E. E. das. Direito empresarial esquematizado. 7. ed. São Paulo: Saraiva Educação,</p><p>2020.</p><p>COELHO. F. U. Manual de Direito Comercial: direito de empresa. 28. ed. São Paulo: Revista dos</p><p>Tribunais, 2016.</p><p>RAMOS, A. L. S. C. Direito empresarial esquematizado. 6. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: Método, 2016.</p><p>SANTOS, L. 72 lojas e 7 mil demissões: a triste confirmação de falência de varejista dada por</p><p>Renata Vasconcellos no JN. TV Foco, 31 ago. 2023. Disponível em: https://www.otvfoco.com.</p><p>br/a-confirmacao-de-falencia-de-varejista-dada-no-jornal-nacional/. Acesso em: 27 set. 2023.</p><p>TEIXEIRA. T. Direito empresarial sistematizado. 7. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. B. Os títulos de crédito possuem dois atributos, quais sejam: a negociabilidade e a executi-</p><p>vidade. A negociabilidade compreende o fato de o beneficiário do título poder negociá-lo a</p><p>qualquer momento, ainda que antes do vencimento, facilitando-se a circulação do crédito,</p><p>ao passo que a executividade significa que, se o credor precisar cobrar judicialmente o título,</p><p>já buscará sua satisfação por meio do processo de execução.</p><p>2. D. Pelo princípio da literalidade, diz-se que vale tão somente o que está escrito no título,</p><p>isto é, apenas o conteúdo do título possui valor. O título de crédito é a expressão literal de</p><p>uma obrigação.</p><p>3. D. Os títulos de crédito são considerados bens móveis.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>_Hlk143089614</p><p>_Hlk143172414</p><p>art159ib</p><p>art159ic</p><p>159ic</p><p>art159id</p><p>art159ie</p><p>_Hlk146631082</p><p>Botão 44:</p><p>Botão 45:</p><p>Botão 47:</p><p>Botão 46:</p><p>Button 28:</p><p>Forms - Uniasselvi:</p><p>os</p><p>decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre</p><p>tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.</p><p>O Código Tributário Nacional, embora seja uma lei formalmente ordinária (edita-</p><p>da bem antes da CF vigente), foi recepcionado pelo nosso ordenamento jurídico</p><p>como lei, materialmente, complementar, razão pela qual serve para regular as alu-</p><p>didas limitações.</p><p>Estudante, assista ao vídeo sobre o Sistema Tributário Nacional.</p><p>EU INDICO</p><p>Segundo Carvalho (2005), nosso sistema constitucional tributário é peculiar no</p><p>âmbito do Direito Comparado (em relação a outros países) à medida que os siste-</p><p>mas de outros países da cultura ocidental pouco tratam do assunto, restringindo</p><p>o campo constitucional a pontos essenciais.</p><p>No Brasil, a Constituição Federal possui um capítulo próprio, além de outros</p><p>dispositivos, para regular o sistema tributário nacional, a partir do art. 145.</p><p>A disciplina constitucional abrange tratativas sobre regras gerais e limitações</p><p>ao poder de tributar (princípios e imunidades) e reparte não somente a compe-</p><p>tência para a instituição de impostos entre os entes federativos, mas também a</p><p>receita da arrecadação entre eles. Observe a Figura 1:</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Figura 1 - Estrutura do sistema tributário nacional / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura apresenta uma pirâmide, que representa o sistema tributário nacional. A pirâmide</p><p>está dividida em quatro partes, que fazem parte do conjunto de normas. No topo da pirâmide, está CF/88, com</p><p>as Regras Gerais, Limitações ao Poder de Tributar (Princípios e Imunidades) — Impostos da União, dos Estados,</p><p>dos Municípios e do DF — Repartição das Receitas Tributárias. Logo abaixo, na segunda parte, vem CTN — Lei</p><p>nº 5.172/66, com Competência Tributária — Legislação Tributária — Obrigação Tributária — Sujeição e Respon-</p><p>sabilidade — Crédito Tributário — Administração Tributária. Na terceira parte, está LO/LC Nacionais e dos entes</p><p>tributantes —Tratados e Convenções. Na última parte da pirâmide, estão outras normas: Decretos, Portaria, IN etc.</p><p>Estudante, leia o texto sobre o Sistema Tributário Nacional.</p><p>EU INDICO</p><p>1</p><p>1</p><p>LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR</p><p>No âmbito das relações entre o fisco e as pessoas sujeitas a imposições tributá-</p><p>rias, existem limitações ao poder de tributar que protegem o cidadão contra</p><p>os abusos desse poder. Segundo Amaro (2006), a face visível das limitações ao</p><p>poder de tributar desdobra-se nos princípios constitucionais tributários e nas</p><p>imunidades tributárias. Observe a Figura 2:</p><p>Na Constituição Federal, há um Capítulo dedicado ao Sistema Tributário Na-</p><p>cional (no Título VI, que trata da tributação e do orçamento), que possui uma</p><p>seção exclusiva para tratar das limitações ao poder de tributar. Dentre o rol de</p><p>princípios arrolados, especialmente, aqueles previstos no art. 150 e seguintes,</p><p>passo a tratar dos principais:</p><p>Princípio da legalidade tributária</p><p>O princípio da legalidade tributária é a principal limitação do poder de tri-</p><p>butar e encontra previsão constitucional no art. 150, inciso I.</p><p>Segundo tal princípio, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos</p><p>Municípios exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça, o que significa</p><p>dizer que a instituição ou o aumento de tributo somente pode ocorrer com base</p><p>Figura 2 - Limitações ao poder de tributar / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura apresenta um fluxograma de limitações ao poder de tributar. Do lado esquerdo,</p><p>há um retângulo, no qual está escrito “Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar”. Ele se subdivide em dois</p><p>tipos de limitações, que são representadas por dois retângulos. Dentro do primeiro, na parte superior, está escrito</p><p>“Princípios Tributários” e, dentro do segundo, na parte inferior, “Imunidades”.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>em lei ordinária (ou medida provisória) ou lei complementar (nos casos em que</p><p>o ordenamento assim exigir).</p><p>O quórum de aprovação de uma lei determina a quantidade de votos neces-</p><p>sária para sua aprovação. As leis ordinárias são leis que podem ser aprovadas por</p><p>maioria simples (maioria dos membros presentes na votação), enquanto as leis</p><p>complementares precisam de maioria absoluta.</p><p>Em regra, quando o texto constitucional utiliza o termo “lei”, está se refe-</p><p>rindo a uma lei ordinária. Somente em caso de haver referência expressa ao</p><p>termo “lei complementar” é que a Constituição Federal estará tratando de lei</p><p>que necessita de aprovação por maioria absoluta (maioria dos membros que</p><p>integram a casa legislativa).</p><p>O princípio da legalidade tributária, também, está regulamentado no art. 97,</p><p>do Código Tributário Nacional, que disciplina os assuntos a serem estabelecidos</p><p>por lei: a instituição de tributos, ou a sua extinção; a majoração de tributos, ou sua</p><p>redução; a definição do fato gerador da obrigação tributária principal; a fixação</p><p>de alíquota do tributo e da sua base de cálculo; a cominação de penalidades para</p><p>ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela</p><p>definidas; e as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários,</p><p>ou de dispensa ou redução de penalidades.</p><p>Princípio da isonomia tributária e da capacidade contributiva</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você sabe o que o termo “isonomia” significa?</p><p>“Isonomia” quer dizer igualdade no tratamento em determinada circunstância.</p><p>Assim, se, por exemplo, eu digo que deve haver tratamento isonômico entre os</p><p>alunos, estou me referindo à necessidade de todos serem tratados da mesma</p><p>forma perante a instituição.</p><p>1</p><p>1</p><p>O art. 150, II, da Constituição Federal, trata da vedação ao tratamento desigual</p><p>entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer</p><p>distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, inde-</p><p>pendentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. O</p><p>referido princípio se aplica tanto à administração tributária quanto ao próprio</p><p>legislador, que fica proibido de estabelecer qualquer lei tributária discriminatória.</p><p>Por exemplo, com base no princípio da isonomia tributária, não é constitucional</p><p>o legislador determinar que um médico tenha que apurar o imposto de renda por</p><p>uma alíquota diferente daquela aplicável a um professor.</p><p>A doutrina e a jurisprudência, no entanto, já pacificaram o entendimento de que</p><p>os benefícios fiscais previstos em lei, que recaiam sobre determinados setores da</p><p>economia/sociedade, não violam o princípio da isonomia, desde que concedidos</p><p>em razão da capacidade contributiva ou interesse público.</p><p>No caso do ICMS, por exemplo, existe um benefício fiscal para produtos da</p><p>cesta básica. Tal benefício é justificável em razão do interesse público que há na</p><p>redução do custo de alimentos da cesta básica e porque a própria Constituição</p><p>Federal autoriza que o imposto seja seletivo, em função da essencialidade das</p><p>mercadorias e dos serviços.</p><p>Outro caso de diferenciação expressamente previsto na Constituição Federal é a</p><p>autorização para que haja um tratamento tributário diferenciado e favorecido para</p><p>as microempresas e para as empresas de pequeno porte, conforme dispõe o art.</p><p>146, inciso III, alínea d. Tal tratamento é conhecido como “Simples Nacional”.</p><p>O princípio da isonomia tributária deve ser aplicado junto ao princípio da</p><p>capacidade contributiva, previsto no art. 145, § 1º, o qual dispõe que, sempre que</p><p>possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capaci-</p><p>dade econômica do contribuinte. Vale destacar que tal princípio é, atualmente,</p><p>aplicável para os tributos em geral, e não apenas aos impostos.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>A interpretação conjunta desses dois princípios demonstra que nosso sistema</p><p>tributário não só autoriza a tributação diferenciada para contribuintes em situa-</p><p>ções desiguais, mas reforça a possibilidade de pessoalidade e graduação segundo</p><p>a capacidade econômica do contribuinte.</p><p>Princípio da irretroatividade tributária</p><p>O princípio da irretroatividade tributária, previsto no art. 150, inciso III, alínea</p><p>a, da CF/8, dispõe que é vedada a cobrança de tributos em relação a fatos geradores</p><p>ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado.</p><p>Para complementar o entendimento sobre o alcance desse princípio, deve-</p><p>-se considerar o art. 105, do Código Tributário Nacional, o qual explicita que</p><p>a legislação tributária se aplica, imediatamente, aos fatos geradores futuros e</p><p>aos pendentes, assim, entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início,</p><p>mas não esteja completa.</p><p>Podemos dizer que determinada lei hoje publicada se aplica ao presente (fatos pen-</p><p>dentes) e aos fatos futuros. Por sua vez, o art. 106, do Código Tributário Nacional,</p><p>apresenta rol de exceções à regra da irretroatividade, como é o caso de uma lei ex-</p><p>pressamente interpretativa e publicação de lei mais benéfica em matéria de infração.</p><p>As exceções, trazidas pelo art. 106, são denominadas “retroatividade benéfica”.</p><p>No último caso, quando o ato não estiver definitivamente julgado, a nova norma</p><p>poderá ser aplicada para deixar de defini-lo como infração, deixar de tratá-lo como</p><p>contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido frau-</p><p>dulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou quando comi-</p><p>nar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.</p><p>Assim, se o fato não estiver definitivamente julgado e vier a ser atribuída</p><p>uma multa de menor valor do que a aplicada anteriormente, o contribuinte será</p><p>beneficiado pela aplicação dessa última menos severa.</p><p>1</p><p>4</p><p>Princípio da anterioridade tributária</p><p>O princípio da anterioridade compreende dois subprincípios: anterioridade</p><p>comum e nonagesimal (ou mitigada).</p><p>No art. 150, inciso III, alínea b, da Constituição Federal, está previsto</p><p>o que a doutrina denomina de anterioridade comum, ao passo que, na alínea c,</p><p>temos a anterioridade nonagesimal.</p><p>Em ambos os casos, a limitação tem o escopo proteger o contribuinte de um</p><p>imediato aumento de carga tributária, à medida que determina um período mí-</p><p>nimo entre a publicação de uma lei que cria ou aumenta um tributo e os efeitos</p><p>de tal instituição/majoração.</p><p>O princípio da anterioridade comum impede a cobrança de tributo no mes-</p><p>mo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que o instituiu ou au-</p><p>mentou. Por sua vez, a anterioridade nonagesimal reforça a limitação, impedindo</p><p>que a cobrança ocorra antes de decorridos 90 dias da data em que haja sido</p><p>publicada a lei que os instituiu ou aumentou.</p><p>A anterioridade nonagesimal busca conferir efetividade à proteção que o princí-</p><p>pio busca garantir, isto é, proteger o contribuinte contra eventuais surpresas na</p><p>majoração ou instituição de tributos. Afinal, caso uma lei seja publicada em 31 de</p><p>dezembro para instituir um tributo, se não houvesse a anterioridade nonagesimal,</p><p>a tributação já poderia ser exigida no primeiro dia do ano seguinte.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Embora a Constituição Federal contemple a proteção da anterioridade, também,</p><p>existem diversas exceções expressamente autorizadas, no Quadro 1:</p><p>EXCEÇÕES À ANTERIORIDADE CO-</p><p>MUM</p><p>EXCEÇÕES À ANTERIORIDADE NONAGE-</p><p>SIMAL</p><p>Imposto de Importação</p><p>Imposto de Exportação</p><p>IOF</p><p>IPI</p><p>Impostos extraordinários na iminência</p><p>ou caso de guerra externa</p><p>Empréstimos compulsórios (guerra e</p><p>calamidade pública)</p><p>Contribuições sociais</p><p>Restabelecimento de alíquotas de</p><p>ICMS monofásico de combustíveis</p><p>e restabelecimento de alíquotas da</p><p>CIDE-combustíveis.</p><p>Imposto de Importação</p><p>Imposto de Exportação</p><p>IOF</p><p>Impostos extraordinários na iminência ou</p><p>caso de guerra externa</p><p>Empréstimos compulsórios (guerra e cala-</p><p>midade pública)</p><p>IR</p><p>Alteração da base de cálculo do IPTU e IPVA</p><p>Quadro 1 - Exceções ao princípio da anterioridade / Fonte: a autora.</p><p>Princípio da vedação ao confisco</p><p>O art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, veda a utilização de tributo com</p><p>efeito de confisco.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Mas o que seria “efeito confiscatório”?</p><p>A doutrina e a jurisprudência não são unânimes sobre a definição precisa. De</p><p>modo geral, podemos dizer que o tributo com efeito confiscatório corresponde</p><p>a uma incidência exacerbada que absorve parcela considerável do patrimônio</p><p>ou renda do contribuinte.</p><p>1</p><p>1</p><p>O tributo com efeito confiscatório, notadamente, ultrapassa a capacidade con-</p><p>tributiva do contribuinte, a tal ponto que torna gravosa ou inviabiliza suas ati-</p><p>vidades econômicas. Importante ressaltar que o STF pacificou entendimento</p><p>no sentido de que a vedação ao confisco também se aplica às multas tributárias.</p><p>Princípio da liberdade de tráfego de pessoas e bens</p><p>O art. 150, inciso V, enuncia que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal</p><p>e aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou de bens, por meio</p><p>de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela</p><p>utilização de vias conservadas pelo Poder Público. Tal dispositivo constitucional veda</p><p>a tributação que crie barreiras para a livre circulação de bens e pessoas.</p><p>Vale ressaltar que a Constituição Federal prevê, expressamente, uma exceção,</p><p>que é a instituição do ICMS interestadual nas operações que destinem a outro</p><p>Estado determinados bens e serviços.</p><p>Princípio da não diferenciação tributária/não discriminação</p><p>em razão da procedência ou destino</p><p>O art. 152 veda aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer</p><p>diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua</p><p>procedência ou destino.</p><p>Princípios que constituem vedações à União, previstos no</p><p>art. 151, da Constituição Federal</p><p>O primeiro princípio (inciso I) refere-se ao princípio da uniformidade territo-</p><p>rial/geográfica, que proíbe que a União institua tributo que não seja uniforme em</p><p>todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação ao</p><p>Estado, ao Distrito Federal ou ao Município, em detrimento de outro, admitida</p><p>a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desen-</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>volvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do país. Há uma exceção</p><p>para fins de diminuição das disparidades socioeconômicas entre as diferentes</p><p>regiões do país, como é o caso da Zona Franca de Manaus.</p><p>Já o inciso II, do art. 151, traz uma limitação específica para o imposto sobre</p><p>a renda, proibindo a União de tributar a renda das obrigações da dívida pública</p><p>dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios bem como a remuneração e</p><p>os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar</p><p>para suas obrigações e para seus agentes.</p><p>Por fim, a regra do inciso III reflete a proibição de isenções heterônomas,</p><p>isto é, a União não pode instituir isenções de tributos da competência dos Esta-</p><p>dos, do Distrito Federal ou dos Municípios, para que seja assegurada a compe-</p><p>tência tributária plena, prevista no art. 6º, do CTN, mantendo-se incólume seu</p><p>exercício para o ente ao qual foi constitucionalmente atribuída.</p><p>IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS</p><p>Segundo Amaro (2006), a imunidade tributária é uma situação que não pode</p><p>ser tributada em razão de uma norma constitucional, a qual coloca determinado</p><p>fato fora do campo sobre o qual é autorizada a instituição do tributo.</p><p>Em regra, podemos dizer que as principais correntes doutrinárias tratam as imu-</p><p>nidades como regra negativa de competência tributária (ou seja, não há competên-</p><p>cia), prevista na própria Constituição Federal, ou como limitação da competência.</p><p>Assim, nos casos em que a não incidência decorre de disposição constitu-</p><p>cional, que impede o legislador ordinário competente de instituir determinado</p><p>tributo, estamos diante da figura da imunidade. Portanto, a imunidade existe no</p><p>âmbito da própria delimitação de competência.</p><p>Por sua vez, a isenção, como leciona Alexandre (2016), opera no âmbito do</p><p>exercício da competência. Isenção é a dispensa legal do pagamento do tributo</p><p>devido.</p><p>A isenção não se trata de não incidência tributária, pois os fatos geradores</p><p>permanecem ocorrendo, mas não ocorre o lançamento tributário.</p><p>Cabe ressaltar que o próprio texto constitucional usa diferentes terminolo-</p><p>gias para se referir às imunidades. Mas, independentemente de utilizar, ou não,</p><p>o termo “isenção, se a limitação à tributação estiver no texto constitucional,</p><p>será uma imunidade.</p><p>1</p><p>8</p><p>O professor Carraza (2008), ao tratar da classificação das imunidades, ressalta</p><p>que a tradicional doutrina classifica as imunidades em objetivas (quando alcança</p><p>coisas), subjetivas (quando alcança pessoas) ou mistas (quando alcança pessoas</p><p>e coisas). Entretanto o autor defende que a imunidade é efetivamente subjetiva</p><p>porque acaba sempre beneficiando pessoas, seja pela natureza jurídica, seja pela</p><p>vinculação dessas pessoas aos fatos, aos bens e às situações.</p><p>IMUNIDADE RECÍPROCA</p><p>Nos termos do art. 150, inciso VI, alínea a, da Constituição Federal, é vedado à União,</p><p>aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos (não abrange ta-</p><p>xas, empréstimos compulsórios e contribuições) sobre patrimônio, renda ou serviços</p><p>uns dos outros. Tal imunidade, também, abrange autarquias e fundações instituídas e</p><p>mantidas pelo Poder Público em relação ao patrimônio, à renda e aos serviços, desde</p><p>que vinculados às suas finalidades essenciais ou delas decorrentes.</p><p>O Supremo Tribunal Federal possui decisões entendendo que a referida imunidade,</p><p>também, abrange as empresas públicas e sociedades de economia mista presta-</p><p>doras de serviços públicos de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, como</p><p>é o caso da ECT (Correios). Entretanto, nesse caso, a imunidade não é aplicável ao</p><p>patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com a exploração de atividades</p><p>econômicas, pois tais empresas são regidas por normas de direito privado.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Imunidade dos templos de qualquer culto</p><p>Você, certamente, já ouviu dizer que as igrejas não pagam impostos. Isso ocorre</p><p>porque o art. 150, inciso VI, alínea b, dispõe que é vedado à União, aos Estados,</p><p>ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre templos de qualquer</p><p>culto, no que diz respeito ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados</p><p>com as finalidades essenciais, abrangendo não apenas os prédios onde ocorrem</p><p>os cultos (exemplo: cemitérios).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Imunidade dos partidos políticos, sindicatos de</p><p>trabalhadores e entidades educacionais e assistenciais sem</p><p>fins lucrativos</p><p>Nos termos do art. 150, inciso VI, alínea c, é vedado à União, aos Estados, ao</p><p>Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou</p><p>serviços dos partidos políticos, inclusive, suas fundações, das entidades sindicais</p><p>dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins</p><p>lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Ressalta-se que os sindicatos de empre-</p><p>gadores (patronais) não estão abrangidos pela imunidade.</p><p>Especialmente, com relação à imunidade para instituições de educação e as-</p><p>sistência social, a legislação prevê o cumprimento de determinados requisitos,</p><p>previstos no art. 14, do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 14 refe-</p><p>rido, tais instituições não podem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio</p><p>ou de suas rendas, a qualquer título, devem aplicar integralmente no país seus</p><p>recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais e manter escrituração</p><p>de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de as-</p><p>segurar sua exatidão. Vale esclarecer que a entidade pode obter lucro, mas não</p><p>poderá distribuí-lo aos sócios, diretores, gerentes ou quaisquer outras pessoas.</p><p>A principal justificativa para a imunidade de templos de qualquer culto é a pro-</p><p>teção da liberdade religiosa, já que o direito à imunidade tributária é igual para</p><p>todas as entidades, independentemente da religião.</p><p>4</p><p>1</p><p>Imunidade sobre livros, jornais, periódicos e papel destinado</p><p>à sua impressão (cultural)</p><p>Segundo o art. 150, inciso VI, alínea d, é vedado à União, aos Estados, ao Dis-</p><p>trito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos</p><p>e papel destinado à sua impressão. Trata-se de imunidade do tipo objetiva, à</p><p>medida que há imunidade sobre esses bens com o intuito de fomentar a cultura.</p><p>Você acha que todo tipo de periódico e livro, como um álbum de figurinhas, deve</p><p>ter direito à imunidade de impostos?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Atualmente, tendo em vista os novos contornos da realidade sociocultural, o</p><p>Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que há extensão da</p><p>imunidade aos livros, jornais e periódicos publicados em meio eletrônico (CD-</p><p>-ROM, por exemplo). A imunidade alcança o livro digital (E-book) e os supor-</p><p>tes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos</p><p>(e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias.</p><p>Imunidade musical</p><p>O art. 150, inciso VI, alínea e, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal</p><p>e aos Municípios instituir impostos sobre fonogramas (produção de som) e vi-</p><p>deofonogramas (produção de som e imagem) musicais produzidos no Brasil</p><p>contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em</p><p>geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou</p><p>arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de</p><p>mídias ópticas de leitura a laser.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Outras imunidades previstas na Constituição Federal</p><p>Além das imunidades previstas no art. 150, a Constituição Federal apresenta</p><p>regras imunizantes em outros dispositivos, no Quadro 2:</p><p>DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL IMUNIDADE TRIBUTÁRIA</p><p>Art. 149, § 2, inciso I Não incidência de CIDE e contribuição social so-</p><p>bre receitas de exportação</p><p>Art. 153, § 3, inciso III Não incidência de IPI nas exportações</p><p>Art. 153, § 4, inciso II Não incidência de ITR em pequenas glebas rurais</p><p>Art. 155, § 2, inciso X, alínea a Não incidência de ICMS nas exportações</p><p>Art. 156, § 2, inciso I Não incidência de ITBI na transmissão de bens ou</p><p>direitos em realização de capital, fusão, incorpo-</p><p>ração, cisão ou extinção de pessoa jurídica</p><p>Art. 195, §7 Não incidência da contribuição para a seguridade</p><p>social às entidades beneficentes de assistência so-</p><p>cial que atendam às exigências estabelecidas em lei</p><p>Art. 184, § 5 Não incidência de impostos nas operações de</p><p>transferência de imóveis desapropriados para fins</p><p>de reforma agrária</p><p>Quadro 2 - Outras imunidades tributárias / Fonte: a autora.</p><p>“Uma nação que tenta prosperar a base de impostos é como um homem com os</p><p>pés num balde tentando levantar-se puxando a alça”</p><p>(Winston Churchill)</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>4</p><p>1</p><p>REPARTIÇÃO DE RECEITAS TRIBUTÁRIAS</p><p>A repartição de receitas tributárias diz respeito às normas constitucionais que</p><p>regulam a distribuição dos tributos arrecadados pelo ente federativo que detém</p><p>a competência tributária para outro.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Por que parte das receitas tributárias deve ser repartida?</p><p>Para que os entes menores possam suprir sua autonomia financeira para fins de</p><p>autoadministração, já que a arrecadação com os tributos de sua competência</p><p>originária nem sempre é suficiente.</p><p>Conforme preceitua a doutrina, a repartição constitucional de receitas tri-</p><p>butárias pode ser realizada de forma direta ou indireta. No primeiro caso, o ente</p><p>beneficiado recebe sua parte sem qualquer intermediário ou fundo constitucio-</p><p>nal, ao passo que, na forma indireta, as receitas são revertidas para um fundo</p><p>que será repartido.</p><p>Para fins didáticos, o Quadro 3, a seguir, consolida as repartições tribu-</p><p>tárias diretas.</p><p>DISPOSITIVO</p><p>CONSTITUCIONAL</p><p>O QUE É REPARTIDO COM QUEM É</p><p>REPARTIDO</p><p>PERCENTUAL</p><p>REPARTIDO</p><p>Art. 153, § 5 IOF-Ouro Estados e DF 30% para o Esta-</p><p>do ou DF, confor-</p><p>me a origem, e</p><p>70% para o Muni-</p><p>cípio de origem</p><p>Art. 157, inciso I IR de rendimentos e</p><p>renda, retidos na fonte,</p><p>de servidores estaduais</p><p>e distritais</p><p>Estados e DF 100%</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 2</p><p>Art. 157, inciso II Impostos residuais Estados e DF 20%</p><p>Art. 158, inciso I IR de rendimentos e</p><p>renda, retidos na fonte,</p><p>de servidores municipais</p><p>Municípios 100%</p><p>Art. 158, inciso II ITR sobre os imóveis</p><p>rurais situados no Mu-</p><p>nicípio</p><p>Municípios Regra – 50%</p><p>Se houver con-</p><p>vênio para o Mu-</p><p>nicípio fiscalizar</p><p>– 100%</p><p>Art. 158, inciso III IPVA dos veículos licen-</p><p>ciados no Município</p><p>Municípios 50%</p><p>Art. 158, inciso IV ICMS das operações</p><p>realizadas no Município</p><p>Municípios 25%</p><p>Art. 159, inciso III CIDE-Combustíveis Estados e DF 29%</p><p>Quadro 3 - Repartição de receitas tributárias / Fonte: a autora.</p><p>Por sua vez, as repartições constitucionais indiretas são relativas a quatro fundos,</p><p>sendo que três compreendem 50% da arrecadação do IPI e IR, conforme previsto</p><p>no art. 159, da Constituição Federal (BRASIL, 1988, [s. p.]):</p><p>“ a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Par-</p><p>ticipação dos Estados e do Distrito Federal;</p><p>b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Par-</p><p>ticipação dos Municípios;</p><p>c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao</p><p>setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, atra-</p><p>vés de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo</p><p>com os planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao</p><p>semi-árido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região,</p><p>na forma que a lei estabelecer</p><p>d) um por cento ao Fundo de Participação dos Municípios, que será</p><p>entregue no primeiro decêndio do mês de dezembro de cada ano;</p><p>e) 1% (um por cento) ao Fundo de Participação dos Municípios, que</p><p>será entregue no primeiro decêndio do mês de julho de cada ano;</p><p>4</p><p>4</p><p>O outro fundo surgiu em decorrência da imunidade prevista no art. 155, § 2º,</p><p>da CF, que prevê a não incidência do ICMS (tributo estadual) nas exportações.</p><p>Com o intuito de compensar as perdas arrecadatórias estaduais, foi criado</p><p>um fundo de compensação de 10% da arrecadação do IPI para os Estados</p><p>e Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das exportações de produtos</p><p>industrializados. Como a desoneração do ICMS, também, prejudica o repasse</p><p>desse imposto aos Municípios, também, recebem dos Estados 25%, de acordo</p><p>com os critérios do art. 158, parágrafo único.</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Com as discussões apresentadas até o momento, você entrou em contato com os</p><p>conceitos fundamentais do sistema tributário nacional. A compreensão sobre o</p><p>complexo sistema tributário brasileiro determina o grau de facilidade do profis-</p><p>sional para lidar com as questões práticas do mundo tributário.</p><p>Primeiramente, o profissional deve ter em mente a estrutura desse sistema,</p><p>isto é, quais são as normas e seus respectivos graus de hierarquia, para que possa</p><p>melhor interpretar a legislação e sempre buscar a solução aplicável ao caso.</p><p>Já o conhecimento sobre as limitações ao poder de tributar constitui ferra-</p><p>menta vital para se combater eventuais exigências descabidas do Fisco e afastar</p><p>cobranças indevidas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>5</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. O princípio da legalidade tributário é o corolário do sistema tributário nacional.</p><p>I - O princípio veda que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exijam ou</p><p>aumentem tributo sem lei que o estabeleça.</p><p>II - A instituição ou o aumento de tributo somente pode ocorrer com base em lei</p><p>ordinária (ou medida provisória) ou lei complementar (nos casos em que o orde-</p><p>namento assim exigir).</p><p>III - A definição da base de cálculo dos tributos não se submete ao princípio da lega-</p><p>lidade tributária.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>2. O princípio da isonomia tributária veda que contribuintes em situação equivalente</p><p>sejam tributados de forma diferente. Isso significa dizer que:</p><p>a) Não pode haver distinção em razão de ocupação profissional.</p><p>b) Não pode haver distinção no cálculo da base de cálculo de diferentes tributos.</p><p>c) Não pode haver distinção nas alíquotas aplicáveis a diferentes tributos.</p><p>d) Não podem ser estabelecidos quaisquer benefícios fiscais.</p><p>e) As pequenas empresas não podem ter tratamento tributário diferenciado.</p><p>4</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>3. As imunidades são regras negativas de competência tributária.</p><p>I - É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir taxas sobre</p><p>patrimônio, renda ou serviços uns dos outros.</p><p>II - É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos</p><p>sobre templos de qualquer culto, no que diz respeito ao patrimônio, à renda e aos</p><p>serviços, relacionados com as finalidades essenciais.</p><p>III - É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos</p><p>sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive. suas fundações,</p><p>das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assis-</p><p>tência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei.</p><p>IV - É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos</p><p>sobre livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I e IV, apenas.</p><p>b) II e III, apenas.</p><p>c) III e IV, apenas.</p><p>d) I, II e III, apenas.</p><p>e) II, III e IV, apenas.</p><p>4</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALEXANDRE, R. Direito tributário esquematizado. 10. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo:</p><p>Forense, 2016.</p><p>AMARO, L. Direito Tributário Brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.</p><p>BRASIL. Lei nº 5.172, 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e</p><p>institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível</p><p>em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso em: 17 ago. 2023.</p><p>BRASIL [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.</p><p>Brasília, DF: Presidência da República, [2022].</p><p>BRASIL. Sistema e administração tributária – uma visão geral (2002). 31 ago. 2022. Dis-</p><p>ponível em: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/</p><p>estudos/outros-estudos/sistema-e-administracao-tributaria-uma-visao-geral-2002/view.</p><p>Acesso em: 17 ago. 2023.</p><p>BRASIL 61. Empresas brasileiras gastam quase dez vezes mais tempo com impos-</p><p>tos do que concorrentes. 24 abr. 2023. Disponível em: https://brasil61.com/n/empre-</p><p>sas-brasileiras-gastam-quase-dez-vezes-mais-tempo-com-impostos-que-concorrentes-</p><p>-pind233937. Acesso em: 17 ago. 2023.</p><p>CARRAZA, R. A. Curso de Direito Constitucional Tributário. 24. ed. rev., atual. e ampl. São</p><p>Paulo: Malheiros, 2008.</p><p>CARVALHO, P. de B. Curso de Direito Tributário. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.</p><p>PAULSEN, L. Curso de direito tributário completo. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>VIEIRA, R. Brasil cai 15 posições, para 124º entre 190 países em ranking global sobre facilidade</p><p>de fazer negócios. O Globo, Brasília, 24 out. 2019. Disponível em: https://oglobo.globo.com/</p><p>economia/brasil-cai-15-posicoes-para-124-entre-190-paises-em-ranking-global-sobre-</p><p>-facilidade-de-fazer-negocios-24038407. Acesso em: 17 ago. 2023.</p><p>4</p><p>8</p><p>1. C. A base de cálculo também somente pode ser definida por lei em sentido estrito.</p><p>2. A. O princípio da isonomia tributária justamente veda tratamento desigual entre contribuin-</p><p>tes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de</p><p>ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação</p><p>jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.</p><p>3. E. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não podem instituir impostos</p><p>sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros.</p><p>GABARITO</p><p>4</p><p>9</p><p>MINHAS METAS</p><p>VIGÊNCIA, INTERPRETAÇÃO E</p><p>APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO</p><p>TRIBUTÁRIA</p><p>Apresentar as regras vigentes sobre normas tributárias.</p><p>Enumerar os tipos de normas tributárias.</p><p>Apresentar as regras vigentes sobre interpretação.</p><p>Apontar os critérios para aplicação da legislação tributária no tempo.</p><p>Apontar os critérios para aplicação da legislação tributária</p><p>no espaço.</p><p>Demonstrar como interpretar normas tributárias.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3</p><p>5</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Você sabe qual é um dos maiores problemas do sistema tributário brasileiro? É</p><p>a sua complexidade, em razão da diversidade de tributos, cada um deles com</p><p>legislações específicas.</p><p>Além da diversidade de normas tributárias, a complexidade do arcabouço</p><p>normativo é acentuada pelo fato de que existem normas de diferentes compe-</p><p>tências, subdividindo-se em normas nacionais ou federais, estaduais, distritais</p><p>e municipais. Embora as normas possam ser criadas por diferentes âmbitos de</p><p>competências, devem ser interpretadas e aplicadas respeitando-se a Constituição</p><p>Federal e outras normas de alcance nacional.</p><p>Como se não bastasse, existem ainda regras tributárias no âmbito interna-</p><p>cional que também possuem aplicação no território brasileiro. Ainda assim, por</p><p>vezes, não há norma tributária específica sobre a situação concreta, devendo o</p><p>aplicador da lei ou, até mesmo, o próprio contribuinte buscar critérios admitidos</p><p>pela legislação brasileira para dirimir a questão.</p><p>Nesse contexto, o estudo sobre a legislação tributária bem como suas regras</p><p>de vigência, aplicação e interpretação constitui ferramenta fundamental aos pro-</p><p>fissionais da área tributária.</p><p>VAMOS RECORDAR?</p><p>Você se recorda da estrutura do Sistema Tributário Nacional? O Sistema Tributário</p><p>Nacional é composto por diversas normas e pela Constituição Federal. Saiba</p><p>mais sobre o Sistema Tributário Nacional no texto da Câmara Legislativa.</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA</p><p>Para melhor compreensão do tema, é preciso iniciar o estudo com a definição</p><p>(e diferenciação) dos vocábulos lei e legislação, que são utilizados pelo Código</p><p>Tributário Nacional.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Qual a diferença entre lei e legislação?</p><p>Conforme esclarece Machado (2006), a palavra lei é utilizada no Código Tributário</p><p>Nacional em seu sentido restrito, que é uma norma jurídica elaborada pelo Poder</p><p>Legislativo, de acordo com o processo legislativo previsto na Constituição Federal.</p><p>Para conhecer o processo legislativo, acesse o material ex-</p><p>plicativo da Câmara dos Deputados.</p><p>EU INDICO</p><p>Por sua vez, o termo legislação é empregado no mesmo sentido da lei em sen-</p><p>tido amplo, isto é, além das leis em sentido restrito, os tratados e as convenções</p><p>internacionais bem como os decretos e as normas complementares. Nos termos</p><p>do art. 96, do CTN (BRASIL, 1966), a “legislação tributária” compreende as leis,</p><p>os tratados e as convenções internacionais bem como os decretos e as normas</p><p>complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações ju-</p><p>rídicas a eles pertinentes. Observe a Figura 1:</p><p>5</p><p>1</p><p>https://www.camara.leg.br/entenda-o-processo-legislativo/</p><p>Legislação</p><p>Trabalhista</p><p>(artigo 96, CTN)</p><p>Leis</p><p>(artigo 97, CTN)</p><p>Decretos</p><p>(artigo 99, CTN)</p><p>Tratados e</p><p>Convenções</p><p>Internacionais</p><p>(artigo 98, CTN)</p><p>Normas</p><p>complementares</p><p>(artigo 100, CTN)</p><p>que versem,</p><p>no todo ou em</p><p>parte, sobre</p><p>tributos e</p><p>relações</p><p>jurídicas a eles</p><p>pertinentes</p><p>Figura 1- Legislação Tributária / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: a figura é formada por cinco retângulos, os quais contêm as normas que integram a</p><p>legislação tributária. No primeiro retângulo, que está ao meio, na cor cinza, está escrito “Legislação Trabalhista</p><p>(artigo 96, CTN)”. No segundo retângulo, que está acima, está escrito “Leis (artigo 97, CTN)”. No terceiro retângulo,</p><p>que está do lado esquerdo, está escrito “Normas complementares (artigo 100, CTN). No quarto retângulo, que</p><p>está abaixo, está escrito “Decretos (artigo 99, CTN)”. Por fim, no último retângulo, que está à direita, está escrito</p><p>“Tratados e Convenções Internacionais (artigo 98, CTN)”. Do lado direito, dos retângulos, está escrito “que versem,</p><p>no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”.</p><p>Para conhecer todos os tipos de normas no âmbito federal,</p><p>acesse o Portal da Legislação Federal.</p><p>EU INDICO</p><p>Em suma, podemos dizer que a legislação tributária abrange normas gerais e</p><p>abstratas que tratam de tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.</p><p>Leis — Art. 91, do Código Tributário Nacional</p><p>O art. 96, do Código Tributário Nacional, a rigor, abrange não somente as leis</p><p>complementares e ordinárias dos entes políticos, mas também os demais atos nor-</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>mativos primários tal como previsto no art. 59, da CF: emendas constitucionais, leis</p><p>complementares, leis ordinárias, leis delegadas e medidas provisórias (desde que a</p><p>matéria não seja reservada à lei complementar), decretos legislativos e resoluções.</p><p>Olá, estudante, quero que acesse o texto e leia sobre o Poder</p><p>Legislativo Nacional. Faça uma boa leitura!</p><p>EU INDICO</p><p>Leis ordinárias e leis complementares</p><p>Segunda Lenza (2019), as leis ordinárias e complementares são normas ge-</p><p>rais e abstratas que regulamentam as normas constitucionais. As hipóteses de</p><p>regulamentação da Constituição Federal, por meio de lei complementar, estão</p><p>expressamente previstas no texto constitucional, sendo que a principal diferença</p><p>entre lei complementar e lei ordinária está no quorum de aprovação do res-</p><p>pectivo projeto de lei.</p><p>A lei complementar deve ser aprovada pelo quorum de maioria absoluta, e as</p><p>leis ordinárias, pelo quorum de maioria simples ou relativa. Na maioria abso-</p><p>luta, a maioria será dos componentes, do total de membros integrantes da Casa</p><p>Legislativa (que é sempre um número fixo). Já a maioria simples é a maioria dos</p><p>presentes na reunião ou sessão que, naquele dia de votação, compareceram.</p><p>Medidas provisórias</p><p>As medidas provisórias estão previstas no art. 62, da Constituição Federal, podendo</p><p>ser elaboradas pelo Presidente da República em caso de relevância e urgência, com</p><p>força de lei. Após a publicação, as medidas provisórias possuem um prazo de 60 dias,</p><p>prorrogável por igual período, para serem votadas pelo Congresso Nacional.</p><p>5</p><p>4</p><p>Leis delegadas</p><p>As leis delegadas são elaboradas pelo Presidente da República após delegação do</p><p>Poder Legislativo. A delegação deve ser aprovada em resolução do Congresso Na-</p><p>cional que especifique seu conteúdo e os termos de seu exercício. A lei delegada</p><p>não pode tratar sobre diversos temas e não é uma prática que tem sido utilizada.</p><p>Decretos legislativos</p><p>O decreto legislativo é uma das espécies normativas previstas no art. 59, da</p><p>Constituição Federal, sendo considerado um instrumento normativo por meio</p><p>do qual são exercidas as competências exclusivas do Congresso Nacional. Dentre</p><p>elas, encontra-se a competência para referendar tratados, convenções e acordos</p><p>internacionais, os quais podem versar sobre matéria tributária.</p><p>Com relação às etapas para aprovação de um tratado ou convenção</p><p>internacional, Lenza (2019) esclarece que há três etapas. Primeiramente, ocorre</p><p>a celebração do tratado, convenção ou ato internacional, pelo Presidente da</p><p>República, o qual deve ser referendado (aprovado) pelo Congresso Nacional</p><p>mediante decreto legislativo. Mas, para que o tratado seja incorporado na</p><p>legislação nacional, deve ser cumprida uma última etapa, que é a fase em que</p><p>o Presidente da República, mediante decreto, promulga o texto, publicando-o</p><p>em português.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Resoluções</p><p>As resoluções tratam, principalmente, de matérias de competência privativa da</p><p>Câmara dos Deputados (art. 51, da Constituição Federal) e do Senado Federal</p><p>(art. 52, da Constituição Federal), sendo que os respectivos Regimentos Inter-</p><p>nos determinam as regras sobre o processo legislativo. No âmbito tributário, as</p><p>resoluções do Senado são os atos legislativos utilizados para limitar as alíquotas</p><p>de ICMS, IPVA e ITCMD. Veja o Quadro 1:</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 3</p><p>Decretos</p><p>Os decretos são atos editados pelo Chefe do Poder Executivo (em âmbito federal,</p><p>é o Presidente da República) para regulamentar leis e dispor sobre a organização</p><p>da administração pública. Determina o art. 99, do</p>

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