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<p>1</p><p>2</p><p>Sumário</p><p>1. 962.Direito de Propriedade Industrial</p><p>40</p><p>3. Títulos de Crédito 64</p><p>4. Direito Societário 84</p><p>5. Falência e Recuperação de Empresas 105</p><p>6. Contratos Empresariais 122</p><p>https://docs.google.com/document/d/1Jh79SEZLTituXTfGTq2TCeQMDQmQYRqe/edit#heading=h.25b2l0r</p><p>https://docs.google.com/document/d/1Jh79SEZLTituXTfGTq2TCeQMDQmQYRqe/edit#heading=h.25b2l0r</p><p>https://docs.google.com/document/d/1Jh79SEZLTituXTfGTq2TCeQMDQmQYRqe/edit#heading=h.25b2l0r</p><p>https://docs.google.com/document/d/1Jh79SEZLTituXTfGTq2TCeQMDQmQYRqe/edit#heading=h.2iq8gzs</p><p>https://docs.google.com/document/d/1Jh79SEZLTituXTfGTq2TCeQMDQmQYRqe/edit#heading=h.2iq8gzs</p><p>https://docs.google.com/document/d/1Jh79SEZLTituXTfGTq2TCeQMDQmQYRqe/edit#heading=h.2iq8gzs</p><p>https://docs.google.com/document/d/1jpminzUa43yMgLTX28VCuazD8v9AZbti/edit#heading=h.pkwqa1</p><p>3</p><p>Apresentação</p><p>Olá, caro (a) estudante!</p><p>O período de dedicação e preparação para uma prova de concurso público é uma</p><p>jornada árdua e trabalhosa. Pensando nisso, elaboramos esta Apostila com toda dedicação e</p><p>atenção que você merece.</p><p>O seu conteúdo foi criado com todo o rigor necessário para sua utilização como material</p><p>de apoio ao estudo para todas as pessoas que almejam prestar concursos e/ou realizar o</p><p>exame da ordem. Os conteúdos citam fontes confiáveis, atualizadas e completas sobre os</p><p>mais variados temas em Direito e foram elaborados por profissionais com experiência em</p><p>ensino e prática jurídica.</p><p>O material está organizado hierarquicamente (em modo decrescente de hierarquia:</p><p>Temas, Tópicos e Subtópicos). Essa estrutura permite a exploração organizada dos</p><p>conteúdos da disciplina e agrupam os objetos do conhecimento que se relacionam, conferindo</p><p>uma leitura mais fluida e orgânica. Mapas mentais, que são um método de memorização e</p><p>organização do conhecimento adquirido, foram desenvolvidos ao final de cada Tema com o</p><p>objetivo de facilitar o aprendizado dos conteúdos estudados.</p><p>Em nosso trabalho, seguiremos o entendimento de que, com o advento do Código Civil</p><p>de 2002, Direito Empresarial passou a ser o termo mais apropriado para tratar sobre os</p><p>regramentos pertinentes às relações comerciais realizadas de forma organizada com ânimos</p><p>de lucro.</p><p>O Direito Empresarial será tratado não apenas como a expressão que veio a substituir</p><p>o Direito Comercial. O novo termo, além de ser mais moderno, também se mostra mais</p><p>próximo da atuação dos agentes econômicos que desenvolvem a atividade de mercancia em</p><p>nossa sociedade. Entendemos que o termo Direito Empresarial também coaduna com a noção</p><p>de ampliação do conceito e da abrangência do antigo Direito Comercial.</p><p>Elaboramos esse material com a intenção de aproximar o leitor dos conceitos</p><p>pertinentes ao Direito Empresarial. Assim, desenvolvemo-lo como o intuito de facilitar o acesso</p><p>e a compreensão do tema. Desta forma, esse trabalho pretende atuar como um instrumento</p><p>para ajudar os estudantes de direito a se localizarem no mundo jurídico que envolve as</p><p>4</p><p>relações comerciais, além de servir como um guia facilitador de introdução aos assuntos</p><p>pertinentes ao Direito Empresarial.</p><p>Inicialmente, será realizada uma apresentação sobre o a Teoria Geral do Direito</p><p>Empresarial. Em seguida, serão abordados os Aspectos do Direito de Propriedade Industrial,</p><p>nesse Tema iremos trabalhar questões como os Bens Tutelados, os Requisitos para Registro</p><p>e Patente, os Procedimento Administrativo e a Utilização e Extinção da Propriedade.</p><p>Abordaremos a disciplina dos Títulos de Crédito, que é o sub-ramo do Direito</p><p>Empresarial que regulariza o regime jurídico dos títulos de crédito e apresentaremos como</p><p>eles são ferramentas que propiciam a circulação do capital. Além dos aspectos do Direito</p><p>Societário, que para sua compreensão, analisaremos as espécies societárias, sua formação</p><p>e modos de extinção.</p><p>De forma a esclarecer sobre a Lei 11.101/05 que trata sobre a Falência e Recuperação</p><p>de Empresa, será trabalhado os Aspectos Gerais da Falência e da Recuperação de Empresa,</p><p>Disposições Comuns aos Dois Institutos, e também analisaremos a Recuperação Judicial, a</p><p>Recuperação Extrajudicial e a Falência.</p><p>Por fim, faremos uma apresentação sobre Contratos Empresariais, onde iremos</p><p>analisar os contratos de Leasing ou Arrendamento Mercantil, o contrato de Alienação</p><p>Fiduciária, os Contratos Bancários, os de Locação Empresarial, os de Compra e Venda</p><p>Mercantil, o contrato de Franquia, o de Representação Comercial, o Contrato de Seguro e o</p><p>de Factoring.</p><p>Desejamos bons estudos e uma excelente prova!</p><p>Atenciosamente,</p><p>Equipe pedagógica LFG.</p><p>1. Teoria Geral do Direito Empresarial</p><p>Iniciaremos a nossa abordagem sobre o Direito Empresarial a partir da Teoria Geral do</p><p>Direito Empresarial. Entendemos como salutar explicar ao nosso leitor que o Direito</p><p>5</p><p>Empresarial é a ciência que trata sobre os princípios e normas aplicáveis às atividades dos</p><p>agentes econômicos que desempenham atividades empresariais na atual sociedade</p><p>capitalista.</p><p>Iremos demonstrar como se deu a origem e a evolução do Direito empresarial,</p><p>perpassando de forma sintética pelos principais marcos que atuaram para o seu</p><p>desenvolvimento. Trataremos sobre as fontes do Direito Empresarial e sua preponderância no</p><p>direito das obrigações privadas que envolvam litígios de origem na atividade empresarial, além</p><p>de abordarmos os conceitos sobre empresa, empresário, estabelecimento empresarial, nome</p><p>empresarial e os livros empresariais. Acreditamos que aqueles que pretendem aperfeiçoar o</p><p>seu conhecimento sobre a matéria devem compreender esses institutos jurídicos pertinentes</p><p>ao direito empresarial contido na Teoria Geral do Direito Empresarial.</p><p>1.1 Origem e Evolução do Direito Empresarial</p><p>Para compreendermos o Direito Empresarial, antes é necessário conhecer a história</p><p>das relações comerciais, às quais esse ramo do Direito se dedica. Assim, partiremos do</p><p>histórico das práticas de comércio para então chegarmos às primeiras relações jurídicas</p><p>relacionadas a tal atividade. Com isso chegaremos ao Direito Comercial e,</p><p>contemporaneamente, ao Direito Empresarial.</p><p>Ao buscarmos pela origem das relações comerciais, encontramos a atuação dos povos</p><p>fenícios durante a Idade Antiga. Foi a Civilização Fenícia, com sua cultura marítima</p><p>empreendedora pelo mar Mediterrâneo, a precursora das relações comerciais. Entretanto,</p><p>nesse período, apesar de já existirem algumas regras e leis sobre a atuação comercial, não</p><p>podemos falar ainda em Direito Comercial propriamente dito, isto é, um regime jurídico</p><p>sistematizado, com princípios e normas, para disciplinar a matéria. O mesmo ocorre quando</p><p>avançamos historicamente para a Civilização Romana antiga, já que, mesmo com seu</p><p>pioneirismo jurídico, ainda não encontramos a existência do Direito Comercial. Isso porque,</p><p>em Roma, as regras que se aplicavam a eventuais relações mercantis eram oriundas do direito</p><p>privado comum (jus privatorum) ou direito civil (jus civile). Assim, não existiam princípios e</p><p>regras próprias aplicáveis ao direito comercial.</p><p>É na Idade Média que começam a surgir regras específicas para o comércio. A</p><p>necessidade dos regulamentos estava relacionada ao surgimento da burguesia, cujos</p><p>6</p><p>membros exerciam funções de mercadores ou comerciantes, os quais se tornam relevantes</p><p>para a circulação de mercadorias e de riquezas e, consequentemente, favoreceram a</p><p>intensificação das relações comerciais. Além disso, durante a Idade Média, ganharam</p><p>relevante importância as Corporações de Ofício, as quais estabeleceram regramentos</p><p>próprios para algumas profissões.</p><p>Cada Corporação implementava as regras que iriam regular aquela atividade, já que</p><p>não existia um poder legislativo estatal para criar e impor leis sobre o Direito Comercial. Com</p><p>isso, o Direito Comercial implementado nesse período era baseado nos usos e costumes</p><p>(comercial) no</p><p>Brasil</p><p>Código Civil de</p><p>2002</p><p>Rompimento</p><p>com Atos de</p><p>Comércio (1850)</p><p>Teoria da</p><p>Empresa</p><p>Estabelecimento</p><p>Comercial</p><p>Trespasse</p><p>Nome</p><p>Empresarial</p><p>Firma ou Razão</p><p>Social</p><p>Denominação</p><p>36</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial: Direito de Empresa. 28ª ed. São Paulo:</p><p>Revista dos tribunais, 2016.</p><p>NOGUEIRA, R. J. N.; NOGUEIRA, R. J. N. Curso de direito comercial e de empresa. 15.</p><p>ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial: esquematizado. 2ª ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense, São Paulo: MÉTODO, 2012.</p><p>TEIXEIRA, T. Direito Empresarial Sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>37</p><p>2. Direito de Propriedade Industrial</p><p>A proteção ao direito de propriedade industrial é assegurada pelo Estado por meio do</p><p>Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O INPI é uma autarquia federal que tem a</p><p>incumbência de examinar os requisitos necessários à concessão de patentes de invenções e</p><p>de modelos de utilidade, além do registro de desenho industrial e registro de marca.</p><p>O detentor de uma patente, de um registro de desenho industrial ou de um registro de</p><p>marca detém o direito exclusivo de exploração desde o momento em que ocorre o ato</p><p>concessivo pelo INPI.</p><p>O titular de um bem patenteado ou de um desenho industrial que for registrado precisará</p><p>autorizar qualquer exploração do produto, já que este estará protegido. O empresário que tem</p><p>uma marca registrada tem assegurado que a concorrência não poderá utilizar a sua marca,</p><p>nem mesmo criar outra similar.</p><p>Veremos que o direito à propriedade industrial é um complexo de princípios e normas que</p><p>asseguram proteção jurídica aos bens imateriais que compõem o estabelecimento</p><p>empresarial.</p><p>2.1 Bens Tutelados</p><p>Conforme expomos em nosso trabalho, o empresário, seja individual ou sociedade</p><p>empresária, em sua atividade econômica, precisa organizar o seu estabelecimento</p><p>empresarial. Este engloba todo o complexo de bens materiais e imateriais, o que inclui também</p><p>as marcas, invenções, desenhos industriais e modelos de utilidade.</p><p>Esses bens imateriais são de extrema importância para o sistema capitalista. A garantia</p><p>de proteção desses bens funciona como o propulsor que estimula os empresários a investir</p><p>em novas descobertas. Esse sub-ramo do Direito Empresarial é chamado de Direito de</p><p>Propriedade Industrial.</p><p>O direito de propriedade industrial e o direito de proteção ao autor são espécies do</p><p>gênero direito de propriedade intelectual. Ambas as espécies têm em comum o fato de</p><p>protegerem bens imateriais. Entretanto, devemos esclarecer que possuem diferenças, uma</p><p>vez que, o direito de propriedade industrial garante proteção à técnica e o direito autoral, por</p><p>sua vez, dá proteção à obra em si.</p><p>38</p><p>Em nosso trabalho, focaremos no Direito de Propriedade Industrial, considerando,</p><p>assim, os bens protegidos por patentes e por registro.</p><p>I – Patentes</p><p>O criador de uma invenção ou de um modelo de utilidade, a fim de assegurar a</p><p>propriedade e exploração destas, irá se utilizar do registro de patente. Este registro se dá por</p><p>meio de uma carta-patente que confere um título protetivo ao inventor.</p><p>O artigo 42 da Lei nº. 9.279/96, prevê que “A patente confere ao seu titular o direito de</p><p>impedir terceiro, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou</p><p>importar com estes propósitos”. Assim, aquele que faz uso indevido de um produto patenteado</p><p>comete um ato ilícito, passível de sanção na esfera penal, bem como autoriza ao proprietário</p><p>da patente requerer judicialmente a cessação do uso, além de perdas e danos do autor do</p><p>ilícito.</p><p>São passíveis de patente as invenções e os modelos de utilidade, sendo:</p><p>a) Invenção: é considerado como invenção aquilo que é projetado como algo</p><p>desconhecido. Em outras palavras, será tida como invenção o objeto que detém</p><p>originalidade em virtude da ação inventiva de um ser humano. O artigo 8º da Lei nº.</p><p>9.279/96, ao tratar sobre a invenção, estabelece que “É patenteável a invenção que</p><p>atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial”. Conforme</p><p>se percebe, o legislador não se aprofundou em descrever o que seria invenção, talvez</p><p>por se tratar de um conceito bem difundido e consensual.</p><p>b) Modelo de utilidade: afigura-se quando é desenvolvido um incremento em um produto</p><p>que já existe, ou em seu processo de fabricação. Referido conceito está consignado</p><p>no artigo 9º da Lei nº. 9.279/96, que dispõe:</p><p>É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso prático, ou parte deste,</p><p>suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição,</p><p>envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em</p><p>sua fabricação.</p><p>39</p><p>Infere-se, assim, que o modelo de utilidade é uma nova concepção para um produto já</p><p>existente, gerando melhores resultados em seu uso ou em seu processo de fabricação. Assim,</p><p>o que se dá é o acréscimo de uma nova função àquilo que já existe. Por essas razões, o</p><p>modelo de utilidade também é conhecido como “mini-invenção” ou “pequena invenção”, pois</p><p>proporciona uma nova função a um produto já inventado ou simplifica/otimiza o processo de</p><p>fabricação. Apesar dos termos diminutivos, o modelo de utilidade não é inferior à invenção e</p><p>os dois gozam da mesma proteção jurídica. Além disso, tais proteções são autônomas uma</p><p>em relação à outra.</p><p>Desta forma, a patente confere ao inventor a utilização do seu invento de forma</p><p>exclusiva, porém, a exclusividade tem duração determinada, como veremos mais à frente.</p><p>II – Registro</p><p>a) Marca</p><p>Consoante positivado no art. 122 da Lei nº. 9.279/96, marca consiste nos sinais</p><p>distintivos visualmente perceptíveis não proibidos por lei, ou seja, é uma representação</p><p>simbólica de determinada entidade.</p><p>São funções da marca fazer com que o produto ou o serviço se diferenciem de outro</p><p>no mercado, além de proteger o empresário do uso indevido de terceiros, bem como</p><p>os consumidores, ao proporcionar a correta identificação do produto/serviço que está</p><p>adquirindo, sua origem e qualidade.</p><p>Nesse sentido, o mesmo artigo 122 da Lei nº. 9.279/96 entabula que “São suscetíveis</p><p>de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não</p><p>compreendidos nas proibições legais”.</p><p>Vale ressaltar que não se deve confundir marca com o nome empresarial, já que a</p><p>marca é um termo designativo que faz identificação de determinados serviços e</p><p>produtos ofertados pelo empresário. Por sua vez, o nome empresarial identifica o</p><p>sujeito de direitos (empresário ou sociedade empresária) em exercício da atividade</p><p>empresarial.</p><p>Importante atentar que como mencionado, o registro da marca se faz perante o INPI,</p><p>gozando de proteção em âmbito nacional. Noutro giro, o registro do nome empresarial</p><p>40</p><p>é realizado na Junta Comercial, sendo o âmbito de proteção atrelado ao Estado em</p><p>que foi realizado o registro.</p><p>b) Desenho Industrial</p><p>O desenho industrial se encarrega das formas dos objetos, está relacionado com a</p><p>estética/aparência do produto. Como exemplo, vislumbra-se o automóvel, cujo boa</p><p>parte de seu valor está atribuída a sua estética (design). É a essa aparência/forma, que</p><p>a legislação assegura proteção. Tem como função distinguir o objeto de outros da</p><p>mesma espécie, além de conferir mais harmonia às suas formas. O artigo 95 da Lei nº.</p><p>9.279/96 estabelece que</p><p>Considera-se desenho industrial a forma plástica ornamental de um objeto ou</p><p>o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto,</p><p>proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração externa e</p><p>que possa servir de tipo de fabricação industrial.</p><p>Mapa Mental</p><p>Bens Protegidos</p><p>Por Patente</p><p>Invenção</p><p>(produto original)</p><p>Modelo de utilidade</p><p>(incremento a um</p><p>produto já</p><p>existente)</p><p>Por Registro</p><p>Marcas</p><p>(identificação de</p><p>serviços e</p><p>produtos)</p><p>Desenhos</p><p>Industriais</p><p>(forma dos objetos)</p><p>41</p><p>2.2 Requisitos para Patente e Registro</p><p>Para ser concedida patente às invenções e aos modelos de utilidade, é necessário que se</p><p>observem alguns requisitos, sendo eles:</p><p>a) Novidade: de modo geral, a criação não pode ser conhecida previamente pelas</p><p>pessoas que detém conhecimento técnico na respectiva área, ou seja, não pode ser</p><p>conhecida pelos experts. Porém, não basta apenas que o modelo de utilidade ou a</p><p>invenção sejam originais, é preciso também que sejam desconhecidos pela</p><p>comunidade científica, isto é, que se tratem de uma novidade. Sobre isso, o artigo 11</p><p>da Lei nº. 9.279/96 prevê que “A invenção e o modelo de utilidade são considerados</p><p>novos quando não compreendidos no estado da técnica”.</p><p>b) Atividade Inventiva: é necessário que a invenção ou o modelo de utilidade</p><p>proporcione um avanço, ou seja, que gere progresso sob a concepção técnica da área.</p><p>Assim, a invenção não pode ser considerada como um mero desdobramento óbvio do</p><p>estado da técnica, sem que haja um efeito inovador ou inesperado. O artigo 13 da Lei</p><p>nº. 9.279/96 traz que “A invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um</p><p>técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica”.</p><p>No tocante ao modelo de utilidade, não pode ser considerado pelos experts da área</p><p>como uma maneira simples de aplicação da técnica. O artigo 14 da Lei nº. 9.279/96,</p><p>elucida bem a questão: “O modelo de utilidade é dotado de ato inventivo sempre que,</p><p>para um técnico no assunto, não decorra de maneira comum ou vulgar do estado da</p><p>técnica”.</p><p>c) Aplicação Industrial: a invenção ou modelo de utilidade devem ser exequíveis, ou</p><p>seja, devem ser dotados de capacidade de fabricação e utilização. É o que está previsto</p><p>no artigo 15 da Lei nº. 9.279/96: “O modelo de utilidade é dotado de ato inventivo</p><p>sempre que, para um técnico no assunto, não decorra de maneira comum ou vulgar do</p><p>estado da técnica”.</p><p>42</p><p>d) Não Impedimento: a invenção ou o modelo de utilidade não podem ser contrários à</p><p>lei, ou seja, não poderá haver impedimento legal à sua produção ou utilização. O artigo</p><p>18 da Lei nº. 9.279/96, prevê que:</p><p>Não são patenteáveis:</p><p>I – o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à</p><p>saúde públicas;</p><p>II – as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer</p><p>espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os</p><p>respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de</p><p>transformação do núcleo atômico; e</p><p>III – o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microrganismos transgênicos</p><p>que atendam aos três requisitos de patenteabilidade – novidade, atividade</p><p>inventiva e aplicação industrial – previstos no art. 8º e que não sejam mera</p><p>descoberta.</p><p>Em relação ao desenho industrial, assim como no caso das patentes, o procedimento</p><p>também será feito perante o INPI, mas, para tanto, deverá atender aos seguintes requisitos:</p><p>a) Novidade: o desenho industrial terá que ser inédito, não pode existir no estado da</p><p>técnica. O desenhista deverá trazer ineditismo em seu trabalho, deve ser algo</p><p>desconhecido pelos técnicos que atuam naquela área. No mesmo sentido, dispõe o</p><p>artigo 96 da Lei nº. 9.279/96: “O desenho industrial é considerado novo quando não</p><p>compreendido no estado da técnica”.</p><p>b) Originalidade: é necessário que o desenho industrial apresente uma estrutura própria</p><p>nunca vista em outros objetos. A originalidade tem um conceito muito próximo do</p><p>conceito da novidade. Contudo, para diferenciá-los devemos sempre lembrar que a</p><p>novidade está ligada à técnica, enquanto que a originalidade está ligada à estética do</p><p>produto. Vejamos o que está previsto no artigo 97 da Lei nº. 9.276/96: “O desenho</p><p>industrial é considerado original quando dele resulte uma configuração visual distintiva,</p><p>em relação a outros objetos anteriores”.</p><p>c) Desimpedimento: o desenho não poderá estar em desacordo com a lei. O artigo 100</p><p>da Lei nº. 9.276/96 apresenta a seguinte previsão:</p><p>43</p><p>Não é registrável como desenho industrial:</p><p>I - o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a</p><p>honra ou imagem de pessoas, ou atente contra liberdade de consciência,</p><p>crença, culto religioso ou ideia e sentimentos dignos de respeito e veneração;</p><p>II - a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou, ainda, aquela</p><p>determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais.</p><p>Por sua vez, no que pertine ao registro da marca junto ao INPI, é necessário atender aos</p><p>seguintes requisitos:</p><p>a) Novidade Relativa: não é preciso que a expressão linguística ou signo seja uma</p><p>novidade absoluta; basta que seja utilizado pela primeira vez na identificação de</p><p>produtos ou serviços. Assim, a marca recebe proteção apenas para o segmento</p><p>comercial desenvolvido pelo empresário.</p><p>b) Não colidência com marca notória: o Brasil é signatário da Convenção de Paris e,</p><p>por esse motivo, mesmo que uma marca notoriamente conhecida não esteja registrada</p><p>no INPI, ela receberá proteção do direito industrial brasileiro. Essa previsão está</p><p>positivada no artigo 126 da Lei nº. 9.276/96, que prevê:</p><p>A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art.</p><p>6º bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade</p><p>Industrial, goza de proteção especial, independentemente de estar</p><p>previamente depositada ou registrada no Brasil.</p><p>c) Não impedimento: a legislação apresenta restrições que impossibilitam que a marca</p><p>seja registrada. Tais impedimentos estão listados no artigo 124 da Lei nº. 9.276/96,</p><p>quais sejam:</p><p>I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento</p><p>oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a</p><p>respectiva designação, figura ou imitação;</p><p>44</p><p>II - letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de</p><p>suficiente forma distintiva;</p><p>III - expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e</p><p>aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente</p><p>contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou idéia e sentimento</p><p>dignos de respeito e veneração;</p><p>IV - designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não</p><p>requerido o registro pela própria entidade ou órgão público;</p><p>V - reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de</p><p>título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível de</p><p>causar confusão ou associação com estes sinais distintivos;</p><p>VI - sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente</p><p>descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, ou aquele</p><p>empregado comumente para designar uma característica do produto ou</p><p>serviço, quanto à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e época de</p><p>produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de suficiente</p><p>forma distintiva;</p><p>VII - sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda;</p><p>VIII - cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de</p><p>modo peculiar e distintivo;</p><p>IX - indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou</p><p>sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica;</p><p>X - sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência,</p><p>natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se</p><p>destina;</p><p>XI - reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada para</p><p>garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza;</p><p>XII - reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como</p><p>marca coletiva ou de certificação</p><p>por terceiro, observado o disposto no art. 154;</p><p>XIII - nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural,</p><p>social, político, econômico ou técnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem</p><p>como a imitação suscetível de criar confusão, salvo quando autorizados pela</p><p>autoridade competente ou entidade promotora do evento;</p><p>XIV - reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e cédula da União,</p><p>dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, ou de país;</p><p>45</p><p>XV - nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e</p><p>imagem de terceiros, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou</p><p>sucessores;</p><p>XVI - pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico</p><p>singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou</p><p>sucessores;</p><p>XVII - obra literária, artística ou científica, assim como os títulos que</p><p>estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão</p><p>ou associação, salvo com consentimento do autor ou titular;</p><p>XVIII - termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que tenha</p><p>relação com o produto ou serviço a distinguir;</p><p>XIX - reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com</p><p>acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou</p><p>serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou</p><p>associação com marca alheia;</p><p>XX - dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou</p><p>serviço, salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se revestirem</p><p>de suficiente forma distintiva;</p><p>XXI - a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de</p><p>acondicionamento, ou, ainda, aquela que não possa ser dissociada de efeito</p><p>técnico;</p><p>XXII - objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de</p><p>terceiro; e</p><p>XXIII - sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o</p><p>requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua</p><p>atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em</p><p>país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de</p><p>tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico,</p><p>semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com aquela</p><p>marca alheia.</p><p>Desta forma, caso a marca esteja em desconformidade com a legislação, por conter</p><p>alguma das restrições acima, o pedido de registro será negado pelo INPI.</p><p>46</p><p>Mapa Mental</p><p>2.3 Procedimento Administrativo</p><p>O procedimento perante o INPI não é um ato simples. Pelo contrário, a concessão da</p><p>patente ou do registro é precedido de um processo administrativo lento, que, em razão do</p><p>Requisitos para</p><p>Concessão</p><p>Patente</p><p>Novidade</p><p>Atividade</p><p>Inventiva</p><p>Aplicação</p><p>Industrial</p><p>Não</p><p>Impedimento</p><p>Registro</p><p>Desenho</p><p>Industrial</p><p>Novidade</p><p>Originalidade</p><p>Desimpedimento</p><p>Marca</p><p>Novidade</p><p>Relativa</p><p>Não Colidência</p><p>Não</p><p>Impedimento</p><p>47</p><p>excesso de burocracia, pode perpetuar por vários anos. Ambos os procedimentos – tanto para</p><p>concessão de patente quanto para o de registro – seguem trâmites bem similares no INPI, os</p><p>quais descrevemos a seguir.</p><p>2.3.1 Patente</p><p>Cabe ao inventor fazer o pedido de proteção da invenção junto ao INPI. Entretanto,</p><p>também poderão fazer o pedido os herdeiros ou sucessores do autor, o cessionário ou aquele</p><p>que, por contrato de trabalho ou serviço, for o titular do direito sobre a invenção. No caso de</p><p>a invenção ser realizada por mais de uma pessoa, qualquer uma delas poderá fazer o</p><p>requerimento. Registre-se, todavia, que, o requerente deverá nomear e qualificar todos os</p><p>demais inventores. O discorrido está consignado no artigo 6º da Lei nº 9.276/96, como pode</p><p>ser lido a seguir:</p><p>Art. 6º Ao autor de invenção ou modelo de utilidade será assegurado o direito</p><p>de obter a patente que lhe garanta a propriedade, nas condições estabelecidas</p><p>nesta Lei.</p><p>§ 1º Salvo prova em contrário, presume-se o requerente legitimado a obter</p><p>a patente.</p><p>§ 2º A patente poderá ser requerida em nome próprio, pelos herdeiros ou</p><p>sucessores do autor, pelo cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato</p><p>de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade.</p><p>§ 3º Quando se tratar de invenção ou de modelo de utilidade realizado</p><p>conjuntamente por duas ou mais pessoas, a patente poderá ser requerida por</p><p>todas ou qualquer delas, mediante nomeação e qualificação das demais, para</p><p>ressalva dos respectivos direitos.</p><p>Quando, por sua vez, forem dois inventores, atuando de forma independente um do</p><p>outro e tiverem criado a mesma invenção ou modelo de utilidade, terá assegurado o direito de</p><p>patente aquele que primeiro fez o depósito junto ao INPI. Por isso, a concessão da patente</p><p>possui efeito constitutivo de direito, pois a garantia da concessão da proteção só é assegurada</p><p>ao inventor que a busque primeiro no órgão competente (INPI). Esse entendimento pode ser</p><p>observado no artigo 7º da Lei nº. 9.276/96, que assim elucida: “Se dois ou mais autores tiverem</p><p>realizado a mesma invenção ou modelo de utilidade, de forma independente, o direito de obter</p><p>48</p><p>patente será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo, independentemente das</p><p>datas de invenção ou criação”.</p><p>A legislação, ajustando-se à realidade das grandes empresas, também prevê situações</p><p>em que a invenção é desenvolvida por empregados contratados para tal fim. Considerando</p><p>que as grandes corporações normalmente possuem uma equipe de técnicos trabalhando no</p><p>desenvolvimento de novos produtos e serviços, a Lei de Proteção Industrial (9.276/96)</p><p>disciplinou e resguardou a propriedade industrial do empresário, cujas invenções e modelos</p><p>de utilidade sejam desenvolvidos pelos empregados. Neste sentido, preveem os artigos 88</p><p>até 91 da LPI:</p><p>Art. 88 A invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao</p><p>empregador quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra</p><p>no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva, ou resulte</p><p>esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado.</p><p>§ 1º Salvo expressa disposição contratual em contrário, a retribuição pelo</p><p>trabalho a que se refere este artigo limita-se ao salário ajustado.</p><p>§ 2º Salvo prova em contrário, consideram-se desenvolvidos na vigência</p><p>do contrato a invenção ou o modelo de utilidade, cuja patente seja requerida</p><p>pelo empregado até 1 (um) ano após a extinção do vínculo empregatício.</p><p>Por conseguinte, a regra geral é de que a propriedade da patente será do empresário</p><p>para quem os inventores trabalham. Porém, consoante se extrai do §1º, de referido dispositivo</p><p>legal, existe a possibilidade de o contrato de trabalho dispor em sentido diverso, podendo a</p><p>patente integral ou parcial ser de titularidade do trabalhador. O artigo 89, da referida lei,</p><p>desenvolve tal questão:</p><p>Art. 89 O empregador, titular da patente, poderá conceder ao empregado, autor</p><p>de invento ou aperfeiçoamento, participação nos ganhos econômicos</p><p>resultantes da exploração da patente, mediante negociação com o interessado</p><p>ou conforme disposto em norma da empresa.</p><p>Art. 90 Pertencerá exclusivamente ao empregado a invenção ou o modelo de</p><p>utilidade por ele desenvolvido, desde que desvinculado do contrato de trabalho</p><p>e não decorrente da utilização de recursos, meios, dados, materiais,</p><p>instalações ou equipamentos do empregador. (Regulamento)</p><p>49</p><p>Art. 91. A propriedade de invenção ou de modelo de utilidade será comum, em</p><p>partes iguais, quando resultar da contribuição pessoal do empregado e de</p><p>recursos, dados, meios, materiais, instalações ou equipamentos do</p><p>empregador, ressalvada expressa disposição contratual em contrário.</p><p>(BRASIL, 1996).</p><p>Considerando a morosidade</p><p>do processo de concessão de patente, o STJ decidiu que</p><p>é cabível ao empregado receber do empregador a remuneração que tiver direito ainda que</p><p>não tenha sido deferida a patente, bastando apenas que tenha ocorrido o depósito do pedido.</p><p>O julgado pode ser visto a seguir:</p><p>Propriedade industrial. Art. 42 da Lei nº 5.772/71. 1. A regra do art. 42 da Lei</p><p>nº 5.772/71 não autoriza interpretação que exclua do Poder Judiciário, diante</p><p>do pedido de depósito do privilégio de invenção pelo empregador, fixar a</p><p>remuneração diante da contribuição pessoal do empregado para o invento. 2.</p><p>Recurso especial conhecido e provido. (REsp. 195.759/PR, Rel. Min. Carlos</p><p>Alberto Menezes Direito, 3ª Turma, j. 11.04.2000, DJ 05.06.2000, p.155).</p><p>Cumprido os requisitos de admissibilidade que vimos acima e superados os trâmites</p><p>administrativos, caberá ao INPI analisar o pedido de concessão de patente. Registre-se que</p><p>deferido o pedido, o inventor deverá pagar o valor correspondente, e, em seguida, será</p><p>expedida a carta-patente, conforme disposto no art. 38 da LPI, que prevê que “A patente será</p><p>concedida depois de deferido o pedido, e comprovado o pagamento da retribuição</p><p>correspondente, expedindo-se a respectiva carta-patente”.</p><p>Do artigo 39 da LPI se extrai que, na carta-patente, constará o número, o título e a</p><p>natureza da invenção, além do nome do inventor e a sua qualificação. Já o artigo 38, em seu</p><p>§ 3º, delineia que a patente passa a ser considerada como concedida ao proprietário na data</p><p>de sua publicação. É neste momento, portanto, que se inicia a vigência da patente, cujo prazo</p><p>será de 20 anos para a de invenção e de 15 anos para a de modelo de utilidade.</p><p>2.3.2 Registro</p><p>2.3.2.1 Desenho Industrial</p><p>No INPI, o registro de desenho industrial tem o trâmite bem parecido como o pedido de</p><p>patente. O registro de desenho industrial será feito pelo seu autor, aplicando-se as mesmas</p><p>regras que vimos para a patente. A LPI prevê expressamente em seu artigo 94 que:</p><p>50</p><p>Ao autor será assegurado o direito de obter registro de desenho industrial que</p><p>lhe confira a propriedade, nas condições estabelecidas nesta Lei.</p><p>Parágrafo único. Aplicam-se ao registro de desenho industrial, no que couber,</p><p>as disposições dos arts. 6º e 7º (BRASIL, 1996).</p><p>Por outro lado, a concessão do registro de desenho industrial difere do procedimento</p><p>para a liberação da patente, uma vez que, no registro de desenho industrial, tanto a publicação</p><p>quanto a concessão, ocorrem de forma automática. Assim, a concessão do registro ocorre</p><p>independente de análise do INPI sobre o preenchimento dos requisitos de registrabilidade do</p><p>desenho industrial, estando expressamente previsto na LPI, em seu Artigo 106, vejamos:</p><p>“Depositado o pedido de registro de desenho industrial e observado o disposto nos artigos</p><p>100, 101 e 104, será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro,</p><p>expedindo-se o respectivo certificado”.</p><p>2.3.2.2 Marca</p><p>Assim como o pedido de patente e o pedido de registro de desenho industrial, o pedido</p><p>de registro de marca também deve ser submetido ao INPI, seguindo as previsões da LPI (Lei</p><p>nº. 9.276/96), que detalha os procedimentos a serem seguidos.</p><p>Em relação àqueles que podem requerer o registro da marca, o artigo 128 da LPI</p><p>autoriza a pessoa física e jurídica. Contudo, as pessoas jurídicas de direito privado que</p><p>pretenderem registrar uma marca para identificar um produto ou serviço, deverão comprovar</p><p>que desenvolvem a atividade empresarial no ramo em que pretende fazer o registro. Tem-se,</p><p>como exemplo, uma pessoa jurídica que pretende registrar uma marca de pneus. Caberá a</p><p>ela comprovar que desenvolve as atividades de produção ou comercialização de pneus.</p><p>Nesse sentido, a LPI estabelece que:</p><p>Art. 128. Podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de</p><p>direito público ou de direito privado.</p><p>§ 1º As pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo</p><p>à atividade que exerçam efetiva e licitamente, de modo direto ou através de</p><p>empresas que controlem direta ou indiretamente, declarando, no próprio</p><p>requerimento, esta condição, sob as penas da lei.</p><p>51</p><p>Além disso, a LPI, em seu artigo 155, traz as especificações sobre o depósito do pedido</p><p>de registro de marca. Recebido o pedido, ele será publicado em uma revista própria do INPI</p><p>(RPI – Revista da Propriedade Industrial), momento em que será iniciado o exame do pedido.</p><p>Eventuais interessados poderão apresentar oposição em até 60 dias. Não havendo oposição,</p><p>dar-se-á prosseguimento ao pedido, que, ao final, poderá ser deferido ou indeferido.</p><p>Art. 158. Protocolizado, o pedido será publicado para apresentação de</p><p>oposição no prazo de 60 (sessenta) dias.</p><p>§ 1º O depositante será intimado da oposição, podendo se manifestar no prazo</p><p>de 60 (sessenta) dias.</p><p>§ 2º Não se conhecerá da oposição, nulidade administrativa ou de ação de</p><p>nulidade se, fundamentada no inciso XXIII do art. 124 ou no art. 126, não se</p><p>comprovar, no prazo de 60 (sessenta) dias após a interposição, o depósito do</p><p>pedido de registro da marca na forma desta Lei. (BRASIL, 1996).</p><p>Após a decisão de concessão do pedido de registro de marca, será emitido um</p><p>certificado de comprovação, nos termos do artigo 161 da LPI: “O certificado de registro será</p><p>concedido depois de deferido o pedido e comprovado o pagamento das retribuições</p><p>correspondentes”.</p><p>2.4 Utilização e Extinção da Propriedade</p><p>A utilização da patente é um privilégio concedido ao seu inventor, porém, tem prazo</p><p>predeterminado de duração. Esse privilégio de exclusividade é, portanto, temporário e,</p><p>conforme se infere o artigo 40 da LPI, “A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte)</p><p>anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 (quinze) anos contados da data de depósito”.</p><p>Importante consignar que os procedimentos para registro de patente em trâmite perante</p><p>o INPI, costumam se estender por longo período e, muitas vezes, extrapolam o prazo legal de</p><p>exploração das patentes (20 e 15 anos a depender da patente que se pretende). Para evitar</p><p>esse tipo de situação prejudicial ao inventor, o legislador, no parágrafo único do art. 40 da LPI,</p><p>estabeleceu prazo mínimo para se usufruir do direito decorrente da patente, vejamos:</p><p>52</p><p>O prazo de vigência não será inferior a 10 (dez) anos para a patente de</p><p>invenção e a 7 (sete) anos para a patente de modelo de utilidade, a contar da</p><p>data de concessão, ressalvada a hipótese de o INPI estar impedido de proceder</p><p>ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por</p><p>motivo de força maior.</p><p>Desta forma, no caso de patente de invenção, cujo período de vigência é de 20 (vinte</p><p>anos), caso a decisão de concessão seja proferida pelo INPI após 20 (vinte) anos do início do</p><p>procedimento, o autor terá mais 10 (dez) anos para gozar dos direitos inerentes da patente.</p><p>A patente poderá ser extinta nas hipóteses previstas no artigo 78 da LPI, quais sejam:</p><p>Art. 78 A patente extingue-se:</p><p>I – pela expiração do prazo de vigência;</p><p>II – pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros;</p><p>III – pela caducidade;</p><p>IV – pela falta de pagamento da retribuição anual, nos prazos previstos no</p><p>§ 2º do art. 84 e no art. 87; e</p><p>V – pela inobservância do disposto no art. 217</p><p>No tocante à vigência da patente, é improrrogável. Após o decurso do prazo de</p><p>vigência, a patente passará a ser de domínio público e, portanto, explorada por terceiros. No</p><p>caso de renúncia, por sua vez, os eventuais direitos de terceiros deverão respeitar. O dono da</p><p>patente não poderá renunciá-la se, por acaso, tiver firmado contrato com terceiros cedendo o</p><p>seu uso.</p><p>A caducidade da patente, que basicamente consiste na falta de uso do invento ou do</p><p>processo de fabricação, dependerá de um processo administrativo que poderá ser instaurado</p><p>de ofício</p><p>ou a requerimento de qualquer interessado, sendo assegurado o contraditório e a</p><p>ampla defesa. É o artigo 80 da LPI que traz as situações ensejadoras da caducidade da</p><p>patente, como se observa a seguir:</p><p>53</p><p>Art. 80. Caducará a patente, de ofício ou a requerimento de qualquer pessoa</p><p>com legítimo interesse, se, decorridos 2 (dois) anos da concessão da primeira</p><p>licença compulsória, esse prazo não tiver sido suficiente para prevenir ou sanar</p><p>o abuso ou desuso, salvo motivos justificáveis.</p><p>§ 1º A patente caducará quando, na data do requerimento da caducidade</p><p>ou da instauração de ofício do respectivo processo, não tiver sido iniciada a</p><p>exploração.</p><p>§ 2º No processo de caducidade instaurado a requerimento, o INPI poderá</p><p>prosseguir se houver desistência do requerente.</p><p>Assim como com a patente, o desenho industrial também possui proteção para que o</p><p>proprietário do registro possa exercer, de forma exclusiva, a exploração comercial. O registro</p><p>de desenho industrial tem prazo de 10 (dez) anos de validade, contados desde a data que</p><p>ocorreu o depósito. Observa-se, todavia, regra diferente em relação à patente. O prazo de</p><p>utilização poderá ser prorrogado por três períodos de 5 (cinco) anos de forma sucessiva,</p><p>prorrogação esta que deverá ser solicitada no último ano de vigência do prazo vindouro. Caso</p><p>o pedido não seja realizado em tempo hábil, existe a possibilidade de se pagar uma retribuição</p><p>adicional ao INPI e fazê-lo até 180 (cento e oitenta) dias após o final da vigência do registro.</p><p>As regras sobre o prazo de validade do registro do desenho industrial estão contidas no artigo</p><p>108 da LPI, a qual prevê:</p><p>O registro vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos contados da data do depósito,</p><p>prorrogável por 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) anos cada.</p><p>§ 1º O pedido de prorrogação deverá ser formulado durante o último ano de</p><p>vigência do registro, instruído com o comprovante do pagamento da respectiva</p><p>retribuição.</p><p>§ 2º Se o pedido de prorrogação não tiver sido formulado até o termo final da</p><p>vigência do registro, o titular poderá fazê-lo nos 180 (cento e oitenta) dias</p><p>subsequentes, mediante o pagamento de retribuição adicional. (BRASIL,</p><p>1996).</p><p>Além disso, a LPI assegurou ao titular do registro de desenho industrial os mesmos</p><p>direitos de exploração econômica exclusiva que conferiu ao titular de uma patente. Tal regra</p><p>pode ser encontrada no artigo 109 da LPI, que assim revela:</p><p>54</p><p>A propriedade do desenho industrial adquire-se pelo registro validamente</p><p>concedido.</p><p>Parágrafo único. Aplicam-se ao registro do desenho industrial, no que couber,</p><p>as disposições do art. 42 e dos incisos I, II e IV do art. 43.</p><p>No tocante a proteção ao terceiro de boa-fé, a LPI trouxe a possibilidade daquele que</p><p>já explorava o objeto antes de fazer o depósito do pedido de registro continuar sua atividade</p><p>sem custos, desde que seja da mesma forma anterior. Vejamos o artigo 110 da LPI:</p><p>Art. 110. À pessoa que, de boa-fé, antes da data do depósito ou da prioridade</p><p>do pedido de registro explorava seu objeto no País, será assegurado o direito</p><p>de continuar a exploração, sem ônus, na forma e condição anteriores.</p><p>§ 1º O direito conferido na forma deste artigo só poderá ser cedido juntamente</p><p>com o negócio ou empresa, ou parte deste, que tenha direta relação com a</p><p>exploração do objeto do registro, por alienação ou arrendamento.</p><p>§ 2º O direito de que trata este artigo não será assegurado à pessoa que tenha</p><p>tido conhecimento do objeto do registro através de divulgação nos termos do §</p><p>3º do art. 96, desde que o pedido tenha sido depositado no prazo de 6 (seis)</p><p>meses contados da divulgação.</p><p>A extinção do registro de desenho industrial se dá em quase todas as condições que</p><p>explicamos sobre a patente. A única observação é que o legislador não previu a possibilidade</p><p>de caducidade do registro do desenho industrial, conforme podemos visualizar no artigo 119</p><p>da LPI:</p><p>O registro extingue-se:</p><p>I – pela expiração do prazo de vigência;</p><p>II – pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros;</p><p>III – pela falta de pagamento da retribuição prevista nos arts. 108 e</p><p>120; ou</p><p>IV – pela inobservância do disposto no art. 217.</p><p>55</p><p>O registro de marca tem uma proteção temporal diferente do que vimos sobre as</p><p>patentes e os desenhos industriais. Desta forma, poderá ser prorrogado por período indefinido,</p><p>podendo se perpetuar infinitamente.</p><p>O registro da marca também se difere do registro da patente e do registro do desenho</p><p>industrial quanto ao prazo de início da vigência da proteção. O registro da marca tem validade</p><p>de 10 (dez) anos a partir da data da concessão e não do depósito. O titular do registro deverá</p><p>formular a prorrogação do prazo no último ano de vigência do registro. Todavia, se não o fizer</p><p>nesse período, ainda restará a oportunidade de fazê-lo nos seis meses subsequentes, porém,</p><p>deverá realizar pagamento de um valor adicional ao INPI.</p><p>Vejamos a íntegra do artigo 133 da LPI:</p><p>Art. 133. O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados</p><p>da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos.</p><p>§ 1º O pedido de prorrogação deverá ser formulado durante o último ano</p><p>de vigência do registro, instruído com o comprovante do pagamento da</p><p>respectiva retribuição.</p><p>§ 2º Se o pedido de prorrogação não tiver sido efetuado até o termo final</p><p>da vigência do registro, o titular poderá fazê-lo nos 6 (seis) meses</p><p>subsequentes, mediante o pagamento de retribuição adicional.</p><p>§ 3º A prorrogação não será concedida se não atendido o disposto no art.</p><p>128. (BRASIL, 1996).</p><p>A proteção ao titular do registro da marca feito no INPI é válida em todo o território</p><p>nacional e assegura o seu uso de forma exclusiva. Já em relação à extinção do registro da</p><p>marca, as hipóteses estão previstas no artigo 142 da LPI, que assim dispõe:</p><p>O registro da marca extingue-se:</p><p>I – pela expiração do prazo de vigência;</p><p>II – pela renúncia, que poderá ser total ou parcial em relação aos</p><p>produtos ou serviços assinalados pela marca;</p><p>III – pela caducidade; ou</p><p>56</p><p>IV – pela inobservância do disposto no art. 217.</p><p>A caducidade da marca produz efeitos ex nunc, isto é, os seus efeitos não retroagem,</p><p>conforme decisão do STJ:</p><p>PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO</p><p>ESPECIAL. DESERÇÃO E AUSÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO</p><p>PROCESSUAL INOCORRENTES. CIVIL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL.</p><p>MARCA. CADUCIDADE. EFEITOS PROSPECTIVOS (EX NUNC).</p><p>FINALIDADE DA LEI. 1. O recolhimento de custas recursais por um dos</p><p>litisconsortes ativos e necessários é suficiente para o afastamento da deserção,</p><p>mormente quando o patrocínio da causa é conduzido pelos mesmos</p><p>advogados. Precedentes. 2. O simples fato de não constar o nome de todos os</p><p>litisconsortes no substabelecimento - outorgado pelo escritório de advocacia na</p><p>origem a causídicos com atuação perante o STJ - não significa por si só defeito</p><p>na representação processual, mas mero erro material. Havendo outros</p><p>elementos a evidenciar comunhão de interesses ao longo da instrução, bem</p><p>como a atuação conjunta dos representados em todos os atos do processo, a</p><p>regularidade da representação é manifesta. 3. Denomina-se técnica de política</p><p>judiciária a discussão sobre a direção - para frente (ex nunc) ou para trás (ex</p><p>tunc) - e a extensão - limitada ou ilimitada - da atividade temporal dos efeitos</p><p>de determinado instituto jurídico. Quando o legislador é silente acerca de sua</p><p>definição, cabe ao Poder Judiciário preencher essa lacuna. Precedente do STF.</p><p>4. A nulidade do registro de marca industrial ocorre quando se reconhece a</p><p>existência de determinado vício apto a macular a concessão do registro desde</p><p>seu início. Quando for impossível manter a validade de algo nulo ab ovo,</p><p>operam-se efeitos retroativos (ex tunc). 5. Já a caducidade do registro implica</p><p>a declaração de determinada</p><p>circunstância fática, que pode ser verificada pela</p><p>inexistência de uso da marca desde seu registro ou pela interrupção do uso por</p><p>prazo além do limite legal. Quando a condição para manutenção do registro</p><p>deixa de existir, operam-se efeitos prospectivos (ex nunc). 6. A prospectividade</p><p>dos efeitos da caducidade é a mais adequada à finalidade do registro industrial,</p><p>pois confere maior segurança jurídica aos agentes econômicos e desestimula</p><p>a contrafação. 7. Embargos de divergência acolhidos para prevalecer a</p><p>orientação do REsp 330.175/PR, que reconhece efeitos prospectivos (ex nunc)</p><p>da declaração de caducidade da marca industrial.</p><p>O registro de patente de invenção e de modelo de utilidade, o registro de desenho</p><p>industrial e o registro de marca possuem similaridade de utilização e de extinção, devendo</p><p>sempre se atentar para as nuances que os diferem, as quais foram demonstradas ao longo</p><p>deste trabalho e as demais dispostas na legislação.</p><p>57</p><p>Mapa Mental</p><p>U</p><p>ti</p><p>liz</p><p>a</p><p>ç</p><p>ã</p><p>o</p><p>d</p><p>a</p><p>P</p><p>ro</p><p>p</p><p>ri</p><p>e</p><p>d</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>Patente</p><p>Invenção</p><p>Duração 20 anos</p><p>Usofruto mínimo 10</p><p>anos</p><p>Modelo de Utilidade Duração 15 anos</p><p>Registro</p><p>Desenho Industrial</p><p>Duração 10 anos</p><p>(prorrogáveis por mais</p><p>3 períodos de 5 anos)</p><p>Marca</p><p>Duração 10 anos</p><p>(prorrogáveis</p><p>infinitamente)</p><p>58</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BRASIL. Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à</p><p>propriedade indústria. Diário Oficial da União Federativa do Brasil. Poder Executivo,</p><p>Brasília, DF. 15 de maio de 1996. p.8353. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm>. Acesso em: 18 nov. 2019.</p><p>COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial: Direito de Empresa. 28ª ed. São Paulo: Revista</p><p>dos tribunais, 2016.</p><p>NOGUEIRA, Ricardo José Negrão. Curso de direito comercial e de empresa. 15. ed. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2019.</p><p>RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial: esquematizado. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense,</p><p>São Paulo: MÉTODO, 2012</p><p>TEIXEIRA, T. Direito Empresarial Sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>59</p><p>3. Títulos de Crédito</p><p>O Direito Cambial, ou Direito Cambiário, é um sub-ramo do Direito Empresarial que</p><p>disciplina o regime jurídico dos títulos de crédito, que , por sua vez, são extremamente</p><p>relevantes para viabilizar a circulação de riquezas oriundas das atividades mercantes. Isso</p><p>quer dizer, em outros termos, que os títulos de crédito são ferramentas para fazer o capital</p><p>circular.</p><p>Assim, eles nasceram para atender ao dinamismo que as atividades comerciais exigem.</p><p>Isso porque o crédito, representado pelos títulos de crédito, torna o capital mais produtivo e</p><p>útil, sendo extremamente importante para a história da economia mundial, uma vez que, eles</p><p>são os responsáveis por facilitarem o giro da roda da economia.</p><p>Em relação aos regulamentos referentes aos títulos de crédito, em razão do caráter</p><p>cosmopolita do direito comercial, vários destes são estabelecidos por tratados e acordos</p><p>internacionais. Podemos citar como relevantes fatos históricos que resultaram em acordos</p><p>internacionais sobre títulos de crédito a Conferência de Haia de 1912, que aprovou o</p><p>Regulamento uniforme relativo à letra de câmbio e à nota promissória; a Convenção de</p><p>Genebra de 1930, na qual foi aprovada a Lei Uniforme das Cambiais, que tratava sobre as</p><p>letras de câmbio e as notas promissórias, e a de 1931, em que foi aprovada a Lei Uniforme</p><p>do Cheque.</p><p>Em relação aos títulos de crédito, o Código Civil traz em seu artigo 903, que as regras</p><p>gerais não serão aplicáveis quando houver lei específica em sentido contrário. Veja-se: “Salvo</p><p>disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste código”.</p><p>Faz-se, assim, a recepção pelo CC/02 das regras previstas em tratados e acordos</p><p>internacionais e também das demais legislações esparsas existentes no Brasil sobre o Direito</p><p>Cambiário.</p><p>A doutrina brasileira adota o conceito de Césare Vivante sobre os títulos de crédito. O</p><p>doutrinador italiano define título de crédito como um documento necessário para o exercício</p><p>do direito, literal e autônomo, que esteja nele contido. Esse conceito também foi acolhido pelo</p><p>CC/02, como se vê no artigo 887, que assim dispõe: “O título de crédito, documento necessário</p><p>ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha</p><p>os requisitos da lei”.</p><p>60</p><p>3.1. Características e Princípios</p><p>A partir do conceito de Vivante, podemos destacar as principais características e</p><p>princípios dos títulos de crédito. Em relação às características, podemos dizer que possuem</p><p>necessariamente natureza comercial, pois são ferramentas de apoio às atividades de</p><p>mercancia, além de serem documentos formais que para sua validade, é necessário que se</p><p>observem requisitos previstos na respectiva lei cambiária que o regulamenta. Além disso, são</p><p>considerados bens móveis – vide artigos 82 a 84 do CC/02 – e também títulos de</p><p>apresentação.</p><p>Podemos apontar ainda outras características dos títulos de créditos, como o fato de</p><p>serem considerados títulos executivos extrajudiciais por se tratarem de obrigações líquidas e</p><p>certas, cuja exigibilidade é imediata, por não necessitarem de processo de conhecimento.</p><p>Esses títulos de crédito também são considerados como título de resgate, uma vez que, a sua</p><p>emissão gera a presunção de que tal título será pago em dinheiro no futuro e que, após a</p><p>quitação, será devolvido pelo devedor. Ressalte-se, ainda, que os títulos de crédito são</p><p>considerados obrigações quesíveis (quérable), em razão de ser incumbência do credor</p><p>procurar o devedor para receber aquilo que lhe é devido.</p><p>Além disso, os títulos de crédito têm natureza pro solvendo, em virtude de não</p><p>significarem inovação no tocante à relação jurídica que deu origem. Assim, a relação jurídica</p><p>não se extingue com a mera entrega do título. A obrigação só será satisfeita quando o título</p><p>for devidamente quitado. Por fim, podemos destacar como característica do título a circulação,</p><p>pois o crédito contido nele pode ser negociado e, desta forma, ser repassado para outras</p><p>pessoas.</p><p>61</p><p>Mapa Mental - Características</p><p>Em relação aos princípios dos títulos de crédito, abordaremos quatro: cartularidade,</p><p>literalidade, autonomia e abstração.</p><p>O princípio da cartularidade resulta da previsão do título de crédito ser o documento</p><p>necessário ao exercício do direito nele contido. Desta forma, o direito de crédito previsto na</p><p>cártula não pode se materializar sem ela, ou seja, tal direito não se efetiva sem a apresentação</p><p>do documento. Com isso, não ocorre a transferência do crédito sem a tradição do título.</p><p>O princípio da literalidade deriva da necessidade do título de crédito ser o documento</p><p>para o exercício do direito literal nele contido. Apenas os atos que estão presentes no próprio</p><p>título geram efeitos jurídicos sobre ele e/ou ao seu portador. Assim, somente o que está</p><p>descrito no corpo do título poderá ser exigido.</p><p>O terceiro princípio de que trataremos é o da autonomia. Este é considerado o princípio</p><p>mais importante dos títulos de crédito. Isso porque ele é a estrutura que garante viabilidade</p><p>ao regime jurídico cambial, ao desvincular o título do negócio original, possibilitando a</p><p>circulação livre do título. Assim, é o princípio da autonomia que assegura ao direito lançado</p><p>no título de crédito não se submeter ao destino do negócio anterior, ou seja, ele está imune</p><p>aos defeitos e vícios que porventura venham a existir nas negociações antecedentes.</p><p>O princípio da abstração, por sua vez, consiste na ausência de relevância da causa</p><p>que originou o título em relação ao terceiro de boa-fé que o recebeu. Infere-se a aplicação</p><p>deste princípio no momento em que o título circula, pois quando repassado ao terceiro de boa-</p><p>fé, acarretará como consequência a impossibilidade de o devedor exonerar de sua obrigação</p><p>em razão de vícios que macularam a relação original, ou seja, que consubstanciou a emissão</p><p>do título.</p><p>Características</p><p>Natureza Comercial</p><p>Caráter Formal do Documento</p><p>Caráter de Bem Imóvel</p><p>Caráter de título de apresentação</p><p>Natureza pro solvendo</p><p>Circulação</p><p>62</p><p>Mapa Mental – Princípios</p><p>3.2 Endosso, Aval e Protesto</p><p>O regime jurídico cambial se encarrega dos regulamentos e princípios aplicáveis aos</p><p>títulos de crédito. Assim, iremos abordar alguns dos atos cambiários mais importantes, como</p><p>o endosso, o aval e o protesto.</p><p>Princípios</p><p>Cartularidade</p><p>Porte do</p><p>Documento</p><p>Literalidade</p><p>Direito Literal</p><p>contido no</p><p>documento</p><p>Autonomia</p><p>Circulação Livre</p><p>do Título</p><p>Abstração</p><p>Desvinculação da</p><p>causa original</p><p>63</p><p>Endosso é um dos atos cambiários, por meio do qual o endossante (credor do título)</p><p>faz a transmissão de seus direitos ao endossatário (adquirente dos direitos do título). Em</p><p>regra, os títulos de crédito típicos (letra de câmbio, nota de promissória, cheque, duplicata</p><p>etc.) podem ser colocados em circulação por mero endosso, sem exigência de nenhum outro</p><p>ato, pois eles contêm implicitamente a cláusula “à ordem”, sendo esta, portanto, que autoriza</p><p>o título a circular e serve de condição para que seja transferido por meio do endosso.</p><p>O endosso poderá ser feito de duas formas. O endosso em branco, que se afigura</p><p>quando não se identifica o endossatário (beneficiário). Assim, ocorre no momento em que</p><p>apenas o endossante assina o verso do título sem fazer a identificação do endossatário,</p><p>bastando apenas a mera tradição do título. Por sua vez, o endosso em preto é aquele em</p><p>que se faz a identificação expressa do endossatário, ou seja, daquele a quem se está</p><p>transferindo o título de crédito. Excepcionalmente, o título poderá conter a cláusula “não à</p><p>ordem”, que deverá constar de forma expressa, apresentando como consequência que a sua</p><p>transferência seja feita por meio de cessão civil de crédito.</p><p>Além disso, há ainda o endosso impróprio, que é a modalidade em que ocorre a</p><p>transferência do título, mas não do crédito. Apesar de não transferir o crédito, legitima a posse</p><p>sobre o título, autorizando o exercício dos direitos expressos na cártula. O endosso impróprio</p><p>tem duas modalidades: a) endosso-mandato; b) endosso-caução.</p><p>O endosso-mandato tem previsão no artigo 18, da Lei Uniforme, e no artigo 917 do</p><p>CC/02. Ele também é chamado de endosso-procuração e se dá quando o endossante</p><p>concede poderes ao endossatário para atuar como seu representante, podendo exercer todos</p><p>os direitos previstos no título.</p><p>Já o endosso-caução está previsto no artigo 19, da Lei Uniforme, e no artigo 918 do</p><p>CC/02. É também conhecido como endosso-garantia ou endosso-pignoratício. Por meio dele</p><p>o endossante faz a transferência do título como uma forma de garantir uma dívida. Assim o</p><p>portador do título pode exercer todos os direitos que dele decorre, como a propositura de ação</p><p>judicial visando cobrar quantia eventualmente inadimplida ou a realização de protesto. Atente</p><p>que a finalidade não é a de transferir a propriedade do título, mas sim de que ele fique como</p><p>garantia. O endosso-caução vem acompanhado das expressões “valor em penhor”, “valor em</p><p>garantia”, ou outro termo que caracterize uma caução.</p><p>64</p><p>Há ainda o endosso póstumo ou tardio, que está previsto na Lei Uniforme, em seu artigo</p><p>20. Configura-se a partir de uma situação tardia, pois ocorre após o vencimento do título,</p><p>vejamos:</p><p>O endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso</p><p>anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou</p><p>feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz apenas</p><p>os efeitos de uma cessão ordinária de créditos.</p><p>Consigne que o endosso póstumo não produz os efeitos normais do endosso, sendo</p><p>apenas uma mera cessão civil de crédito. Isso significa que a pessoa a qual transferiu o título</p><p>não responderá pelo pagamento, como em regra ocorre no endosso, mas só pela existência</p><p>do título.</p><p>Mapa Mental</p><p>Aval, outro instituto do regime jurídico do direito cambiário, previsto no artigo 30, da Lei</p><p>Uniforme, e no artigo 897, do CC/02, é o ato pelo qual o avalista assume a responsabilidade</p><p>Endosso</p><p>Á Ordem</p><p>Em branco</p><p>Em preto</p><p>Não à ordem</p><p>Exigência de</p><p>cessão civil de</p><p>crédito</p><p>Impróprio</p><p>endosso-mandato</p><p>/ endosso-</p><p>procuração</p><p>endosso-caução</p><p>"valor em</p><p>penhor"/ valor em</p><p>garantia</p><p>Póstumo ou</p><p>tardio</p><p>após o</p><p>vencimento</p><p>Cessão Civil</p><p>65</p><p>pelo pagamento do título de crédito. Deste modo, o avalista se equipara ao avalizado em</p><p>termos de garantia ao cumprimento da obrigação, responsabilizando-se de forma solidária.</p><p>O aval se dá no anverso (parte de atrás) do título e se concretiza com a simples</p><p>assinatura do avalista. Contudo, também pode ser dado no verso (frente) do título de crédito,</p><p>porém, neste caso, deverá ser acompanhado da expressão que o caracteriza como tal.</p><p>O aval tem algumas semelhanças com a fiança, contudo, não se pode confundi-los.</p><p>Enquanto o primeiro segue as regras do regime jurídico cambial, a segunda é um instituto do</p><p>direito civil. Além disso, o aval é uma obrigação autônoma em relação ao negócio principal</p><p>que ensejou o título de crédito, enquanto a fiança não goza de autonomia. Por ser uma</p><p>obrigação acessória, ela segue o mesmo destino da obrigação principal.</p><p>Outra distinção entre aval e a fiança é quanto ao benefício de ordem. Em relação à</p><p>fiança, o fiador só é acionado se o devedor principal já tiver sido acionado. Já no aval, por sua</p><p>vez, isso não acontece, já que, neste caso, o avalista pode ser acionado juntamente com o</p><p>avalizado.</p><p>Em relação à outorga conjugal (uxória), na fiança é exigida, sob pena de ineficácia.</p><p>Essa necessidade da autorização do cônjuge está prevista no inciso III do artigo 1.647 do</p><p>CC/02, em que se lê: “Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem</p><p>autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: III - prestar fiança ou aval”.</p><p>Além disso, trata de questão sumulada na Corte Superior: “Súmula 332, A fiança prestada</p><p>sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia”. Por sua vez, no</p><p>tocante ao aval, o tema é analisado de forma diferente. Em relação aos títulos de créditos</p><p>inominados, cujas regras estão no CC/02, há necessidade de outorga conjugal, por força do</p><p>inciso III do artigo 1.647, do CC/02. Noutro giro, no que pertine aos títulos nominados, como</p><p>em nota promissória, etc., a ausência de outorga conjugal não é causa de nulidade, sob o</p><p>argumento de que apenas caracteriza a inoponibilidade do título ao cônjuge que não assentiu.</p><p>Sobre essa questão, o STJ tem entendimento, no sentido de que a ausência da outorga</p><p>não tem o condão de invalidar o aval prestado:</p><p>PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE</p><p>NULIDADE DE ATO JURÍDICO. AVAL PRESTADO SEM A OUTORGA DA</p><p>COMPANHEIRA E DO CÔNJUGE DOS AVALISTAS. INTERPRETAÇÃO DO ART.</p><p>1.647, III, CC/02. PRINCÍPIOS DE DIREITO CAMBIÁRIO. ATO JURÍDICO VÁLIDO.</p><p>INEFICÁCIA PERANTE A COMPANHEIRA E O CÔNJUGE QUE NÃO ANUÍRAM.</p><p>HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA RECURSAL. MAJORAÇÃO.</p><p>66</p><p>1. Ação declaratória de nulidade de ato jurídico ajuizada em 2009, da qual foi extraído</p><p>o presente recurso especial, interposto em 03/06/2016 e redistribuído ao gabinete em</p><p>14/08/2017.</p><p>2. O propósito recursal é decidir sobre a validade do aval prestado sem a outorga da</p><p>companheira e do cônjuge dos avalistas.</p><p>3. Até o advento do CC/02, bastava, para prestar aval, uma simples declaração</p><p>escrita de vontade; o art. 1.647, III, do CC/02, no entanto, passou a exigir do avalista</p><p>casado, exceto se o regime</p><p>de bens for o da separação absoluta, a outorga conjugal,</p><p>sob pena de ser tido como anulável o ato por ele praticado.</p><p>4. Se, de um lado, mostra-se louvável a intenção do legislador de proteger o</p><p>patrimônio da família; de outro, há de ser ela balizada pela proteção ao terceiro de</p><p>boa-fé, à luz dos princípios que regem as relações cambiárias.</p><p>5. Os títulos de crédito são o principal instrumento de circulação de riquezas, em</p><p>virtude do regime jurídico-cambial que lhes confere o atributo da negociabilidade, a</p><p>partir da possibilidade de transferência do crédito neles inscrito. Ademais, estão</p><p>fundados em uma relação de confiança entre credores, devedores e avalistas, na</p><p>medida em que, pelo princípio da literalidade, os atos por eles lançados na cártula</p><p>vinculam a existência, o conteúdo e a extensão do crédito transacionado.</p><p>6. A regra do art. 1.647, III, do CC/02 é clara quanto à invalidade do aval prestado sem</p><p>a outorga conjugal. No entanto, segundo o art. 903 do mesmo diploma legal, tal</p><p>regra cede quando houver disposição diversa em lei especial.</p><p>7. A leitura do art. 31 da Lei Uniforme de Genebra (LUG), em comparação ao</p><p>texto do art. 1.647, III, do CC/02, permite inferir que a lei civilista criou verdadeiro</p><p>requisito de validade para o aval, não previsto naquela lei especial.</p><p>8. Desse modo, não pode ser a exigência da outorga conjugal estendida,</p><p>irrestritamente, a todos os títulos de crédito, sobretudo aos típicos ou nominados, como</p><p>é o caso das notas promissórias, porquanto a lei especial de regência não impõe</p><p>essa mesma condição.</p><p>9. Condicionar a validade do aval dado em nota promissória à outorga do cônjuge do</p><p>avalista, sobretudo no universo das negociações empresariais, é enfraquecê-lo</p><p>enquanto garantia pessoal e, em consequência, comprometer a circularidade do</p><p>título em que é dado, reduzindo a sua negociabilidade; é acrescentar ao título de</p><p>crédito um fator de insegurança, na medida em que, na cadeia de endossos que</p><p>impulsiona a sua circulação, o portador, não raras vezes, desconhece as condições</p><p>pessoais dos avalistas.</p><p>10. Conquanto a ausência da outorga não tenha o condão de invalidar o aval</p><p>prestado nas notas promissórias emitidas em favor de credor de boa-fé, não podem</p><p>as recorrentes suportar com seus bens a garantia dada sem o seu consentimento,</p><p>salvo se dela tiverem se beneficiado.</p><p>11. Em virtude do exame do mérito, por meio do qual foi rejeitada a tese sustentada</p><p>pelas recorrentes, fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial.</p><p>12. Recurso especial conhecido e desprovido, com majoração de honorários.</p><p>(STJ, REsp 1644334 / SC, Ministra NANCY ANDRIGHI, DJe 23/08/2018.)</p><p>No tocante ao protesto, outro instituto do regime jurídico cambial também muito importante,</p><p>está disciplinado nos artigos 44 e 46 da LUG (Lei Uniforme de Genebra) e constitui-se no ato</p><p>de formalização de um fato que tenha ocorrido com o título. Ele atesta uma ocorrência na</p><p>relação cambial, seja a falta de aceite do título, o inadimplemento ou a ausência de devolução</p><p>do título. É necessário para comprovar o não pagamento da obrigação contida no título e para</p><p>a responsabilização dos coobrigados, pois garante o direito de regresso contra os devedores</p><p>indiretos. Desta forma, o protesto pode se dar:</p><p>67</p><p>a) Pela falta de aceite do título;</p><p>b) Pela falta de devolução do título;</p><p>c) Pela falta de pagamento.</p><p>Conforme previsto no artigo 202, inciso III do CC/02, o protesto interrompe a prescrição,</p><p>porém, deve ser feito dentro do prazo e na forma prevista na lei.</p><p>3.3 Ações Cambiárias</p><p>Os títulos de crédito possuem força executiva, sendo todos eles aptos a instruírem</p><p>processo de execução. O artigo 784 do CPC/15 prevê, em seu inciso I, os títulos de crédito</p><p>que possuem natureza executiva extrajudicial, confiram-se: “São títulos executivos</p><p>extrajudiciais: I – a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque”.</p><p>Assim, esses são títulos de crédito que não precisam ser protestados para serem executados,</p><p>exceto quando houver alguma situação que não configure a presença de todos os requisitos</p><p>formais, como é o caso da duplicata sem aceite. No entanto, há de se ressaltar que também</p><p>não incidirão os efeitos do protesto.</p><p>Na execução de título de crédito, a petição inicial deverá ser acompanhada do título</p><p>original, não sendo aceita a cópia, ainda que autenticada. Tal exigência decorre do princípio</p><p>da circularidade.</p><p>O credor pode executar qualquer devedor cambial, desde que observadas as regras</p><p>específicas do Direito Cambiário. Para o exercício do direito de execução direta, o credor deve</p><p>observar os prazos prescricionais. Vejamos, como exemplo, as regras sobre a letra de câmbio.</p><p>Conforme o artigo 70, da Lei Uniforme, a prescrição da letra de câmbio ocorre no</p><p>a) Prazo de 3 anos, marco temporal contado do vencimento para executar o crédito contra</p><p>o devedor principal e seus avalistas;</p><p>b) Prazo de 1 ano, marco temporal contado desde o protesto ou do vencimento para</p><p>“cláusula sem despesa” para cobrar os coobrigados (sacador, endossantes e avalistas);</p><p>68</p><p>c) Prazo de 6 meses, marco temporal contado da data do pagamento ou do ajuizamento</p><p>da ação cambial para que um dos devedores possa exigir o pagamento dos</p><p>coobrigados.</p><p>A prescrição extingue o direito do devedor de executar o título extrajudicial, contudo, não</p><p>extingue a obrigação que deu origem ao título. Depois que ocorrer a prescrição, o credor ainda</p><p>poderá demandar contra o devedor por meio de uma ação de conhecimento, e o título de</p><p>crédito servirá como elemento comprobatório da existência da relação jurídica ensejadora</p><p>daquele documento. Contudo, aqueles que venham a se tornar devedores em razão da</p><p>relação cambial sofrerão os efeitos da prescrição do direito cambiário e não poderão ser</p><p>acionados na ação de conhecimento, como é o caso do avalista.</p><p>3.4 Títulos de Crédito em Espécie</p><p>Os títulos de crédito são chamados de títulos de crédito próprio ou típicos, em razão de</p><p>possuírem legislação própria e são: a) letra de câmbio; b) nota promissória; c) cheque; e</p><p>d) duplicata.</p><p>A letra de câmbio é o título de crédito considerado como mais antigo. Surgiu na idade</p><p>média na Itália, em razão de, naquela época, as cidades (burgos) gozarem de certa</p><p>autonomia, inclusive em relação às moedas. Assim, para facilitar a circulação do crédito entre</p><p>cidades que possuíam moedas diferentes, os comerciantes criaram as letras de câmbio.</p><p>Sempre que um comerciante negociava em feiras em diferentes burgos, recebia a</p><p>moeda local. Então, em cada localidade, trocava a moeda por uma letra de câmbio, a qual era</p><p>expedida por um banqueiro. Assim, de posse dessa letra de câmbio, o comerciante se</p><p>apresentava perante o banqueiro de outra cidade e fazia a troca pela moeda dessa nova</p><p>cidade.</p><p>Contemporaneamente, a letra de câmbio é emitida por uma pessoa para que um outro a</p><p>aceite e pague; desta forma, essa relação exige a presença da boa-fé. Além disso, por ser um</p><p>título de crédito que se apresenta como uma ordem de pagamento, a letra de câmbio gera</p><p>três situações distintas:</p><p>a) Sacador: aquele que emite a ordem;</p><p>69</p><p>b) Sacado: aquele a quem a ordem é destinada;</p><p>c) Tomador: aquele que é o beneficiário da ordem.</p><p>Vale destacar ainda que essas posições podem ser ocupadas pela mesma pessoa ou por</p><p>pessoas diferentes.</p><p>A letra de câmbio, ao ser emitida, deverá preencher requisitos essenciais que estão</p><p>previstos no artigo 1º e 2º da Lei Uniforme:</p><p>a) Conter a expressão letra de câmbio;</p><p>b) Uma ordem incondicional para pagamento de quantia determinada;</p><p>c) Nome do sacado;</p><p>d) Nome do tomador;</p><p>e) Assinatura do sacador;</p><p>f) Data do saque;</p><p>g) Lugar do pagamento;</p><p>h) Lugar do saque.</p><p>Após a emissão da letra de câmbio, ocorrerá a entrega ao tomador, que irá levá-la ao</p><p>sacado para emitir o seu aceite, tornando-se o obrigado principal. O aceite se dá no próprio</p><p>título, por meio do uso da expressão “aceito” ou “aceitamos” e a assinatura do sacado.</p><p>Com a emissão da letra de câmbio, o sacado não tem obrigação cambial. Isso porque,</p><p>somente após o aceite, é que será gerado, para o sacado, a obrigação cambial, sendo este o</p><p>ato jurídico que torna o sacado como devedor principal da letra de câmbio.</p><p>Apesar de ser facultativo, o aceite na letra de câmbio é irretratável. O sacado pode se</p><p>recusar a emitir o aceite e não precisa justificar a sua decisão. Deste modo, a recusa ao aceite</p><p>pelo sacado gera para o sacador a obrigação do pronto pagamento e, com isso, a antecipação</p><p>do vencimento da letra de câmbio. Por outro lado, o sacado poderá também emitir o aceite</p><p>apenas de forma parcial, assumindo, desta forma, apenas a obrigação nos termos do seu</p><p>aceite.</p><p>A letra de câmbio gera para o sacador o risco de vencimento antecipado em caso de recusa</p><p>de aceite ou aceite parcial pelo sacado. Para evitar essa antecipação, o sacador poderá inserir</p><p>a “cláusula não aceitável” e, por meio dela, o tomador só poderá procurar o sacado na data</p><p>70</p><p>do vencimento. Se o sacado recusar o aceite, não ocorrerá o vencimento antecipado, uma vez</p><p>que, àquela já é a data do vencimento.</p><p>Ocorrendo o aceite da letra de câmbio que fora emitida, passará a ser exigível nessas</p><p>quatro situações:</p><p>a) Letra com dia certo: o sacador estabelece antecipadamente a data de vencimento,</p><p>que constará no título desde a sua emissão.</p><p>b) Letra à vista: o vencimento ocorre no dia que for apresentado o título ao sacado.</p><p>c) Letra a certo termo de vista: o vencimento ocorre posteriormente a uma data</p><p>preestabelecida a contar do aceite do sacado no título.</p><p>d) Letra a certo termo de data: o vencimento ocorre posteriormente a uma data</p><p>preestabelecida, contudo, não será da data do aceite, mas, sim, da data da emissão da</p><p>letra de câmbio.</p><p>A letra a certo termo de vista deverá ser apresentada pelo tomador ao sacado para aceite</p><p>no prazo estabelecido. Se não houver prazo, considera-se o período de um ano para ser</p><p>apresentada, a partir de um ano da emissão do título.</p><p>A letra à vista não exige que o tomador a leve para o sacado emitir seu aceite. Basta que</p><p>a sua apresentação ocorra diretamente no momento do pagamento, que deverá ser de um</p><p>ano a contar da emissão do título.</p><p>Já a nota promissória é uma promessa de pagamento. Neste título se vislumbra as figuras</p><p>do sacador ou promitente – aquele que faz a promessa de pagamento a alguém ao emiti-la</p><p>– e do tomador – aquele a quem foi prometido o pagamento com a emissão da nota.</p><p>A nota promissória se assemelha à letra de câmbio e também deve atender aos requisitos</p><p>legais, previstos no artigo 75, da Lei Uniforme:</p><p>a) Ter a expressão nota promissória (cláusula cambiária);</p><p>b) Promessa incondicional de pagamento de quantia determinada;</p><p>c) Nome do tomador;</p><p>d) Data do saque;</p><p>e) Assinatura do subscritor;</p><p>f) Local do saque ou a menção de um local junto ao nome do subscritor.</p><p>71</p><p>O regime jurídico da nota promissória é o mesmo da letra de câmbio. Contudo, vimos que</p><p>a letra de câmbio é uma ordem de pagamento, enquanto a nota promissória é uma promessa</p><p>de pagamento e, por isso, não se aplica a esta as regras sobre o aceite. Na nota promissória,</p><p>o sacador (ou subscritor) é o devedor principal e o prazo de prescrição da nota promissória</p><p>em relação ao subscritor é de três anos, conforme se depreende do artigo da 70 da Lei</p><p>Uniforme.</p><p>No tocante ao cheque, é uma ordem de pagamento à vista emitida pelo emitente contra</p><p>o banco que ele mantém fundos. Ele é confeccionado pelo banco específico, seguindo os</p><p>padrões estabelecidos pelo Banco Central e, por isso, é um título de modelo vinculado. No</p><p>Brasil, a Lei n. 7.357/85 e a Lei Uniforme do Cheque (Decreto n. 57.595/66) tratam sobre o</p><p>cheque.</p><p>A Lei Uniforme do Cheque traz, em seu artigo 1º, os requisitos essenciais do cheque:</p><p>a) Conter a expressão cheque;</p><p>b) A ordem incondicional de pagamento de quantia determinada;</p><p>c) O nome da instituição financeira que deve pagar (nome do sacado);</p><p>d) A data e o nome do lugar onde deva ocorrer o pagamento;</p><p>e) O local de emissão do cheque;</p><p>f) A assinatura do emitente (sacador).</p><p>Como já mencionado, o cheque é uma ordem de pagamento à vista. Assim, a data de</p><p>saque deve corresponder com a data em que o cheque foi emitido. Apesar disso, popularizou</p><p>-se no Brasil o “cheque pré-datado”, que é o cheque emitido para ser pago em uma data futura.</p><p>Sobre o assunto, o STJ editou o enunciado da súmula n. 370, que traz: “Caracteriza dano</p><p>moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado”.</p><p>Provando o emitente do cheque que o tomador desrespeitou prazo previamente</p><p>combinado, o STJ já decidiu no sentido de caber indenização por danos morais pelo fato do</p><p>tomador ter agido de má-fé. Desta forma, a conduta de apresentação antecipada de cheque</p><p>“pré-datado” é ensejadora de responsabilidade civil por ter havido quebra de acordo, não</p><p>72</p><p>podendo o tomador de má-fé se utilizar da previsão legal do cheque ser um título de</p><p>pagamento à vista.</p><p>AGRAVO REGIMENTAL - RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR</p><p>DANOS MORAIS EM RAZÃO DA APRESENTAÇÃO ANTECIPADA DE CHEQUE</p><p>PRÉ-DATADO, ENSEJANDO A INSCRIÇÃO DO NOME DO EMITENTE NO</p><p>BANCO CENTRAL – PROCEDÊNCIA - PROVA DO DANO - DESNECESSIDADE</p><p>- INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83/STJ - QUANTUM INDENIZATÓRIO -</p><p>RAZOABILIDADE-RECURSO IMPROVIDO.</p><p>(STJ, AgRg no REsp 1222180 / AL, Ministro relator MASSAMI</p><p>UYEDA, DJe 11/05/2011).</p><p>Ainda sobre o cheque, chama-se de cheque cruzado a modalidade que consiste em</p><p>traçar dois riscos paralelos no anverso do cheque, traços estes que têm por função trazer</p><p>segurança ao portador. O cheque cruzado só pode ser pago pela instituição financeira</p><p>mediante o depósito em conta, não podendo ser pago diretamente na boca do caixa.</p><p>Além disso, o cheque cruzado pode ser classificado em cheque cruzado em preto, que</p><p>é quando, entre os dois traços, é mencionado o nome de um banco. Tal formalidade significa</p><p>que o cheque só poderá ser pago pelo banco mencionado ou à pessoa indicada. Por sua vez,</p><p>o cheque cruzado em branco, que é a forma mais comum no mercado, gera apenas a</p><p>necessidade de o cheque ser pago mediante depósito em uma conta existente naquele banco.</p><p>O cheque visado, outra modalidade que difere das anteriores, é caracterizado pela</p><p>previsão que o banco faz da existência de fundos para o seu pagamento no verso do título.</p><p>Com isso, o banco garante que o cheque tem fundos e se obriga a reservar durante o período</p><p>de apresentação a quantia constante no título.</p><p>Já o cheque administrativo tem uma função primordial nas relações comerciais ao</p><p>trazer confiança e segurança nas transações que envolvam valores elevados. Ele é emitido</p><p>pelo banco contra ele mesmo para ser liquidado nas suas agências.</p><p>Outra possibilidade para a qual o cheque pode ser utilizado é para crédito em conta do</p><p>tomador. Nesta situação, é colocado no anverso do cheque a ser creditado em conta a</p><p>expressão “para ser creditado em conta”, ou o número da conta a ser creditado.</p><p>O prazo de apresentação do cheque não se confunde com o prazo de prescrição. O</p><p>prazo de apresentação se assemelha ao prazo de protesto dos outros títulos. Quando o</p><p>73</p><p>cheque for da mesma praça, o prazo será de 30 dias para apresentação; já quando for de</p><p>praça diferente, o prazo dobra e passa a ser de 60 dias. A observância do prazo de</p><p>apresentação será importante para assegurar ao portador o direito de executar os</p><p>codevedores do título. O marco de contagem do prazo será a data de emissão do cheque.</p><p>Assim, o cheque é título executivo extrajudicial. Em caso de não pagamento, o</p><p>portador poderá mover ação de execução contra o sacador e contra eventuais codevedores.</p><p>O artigo 59 da</p><p>Lei Uniforme do Cheque prevê o prazo prescricional de 6 meses a ser contado</p><p>a partir do fim da data de apresentação, que será de 30 ou 60 dias, conforme a praça de</p><p>emissão.</p><p>Importante trazer à tona que o cheque é um título de crédito não causal. Isso significa</p><p>que não está atrelado ao negócio jurídico que amparou sua emissão. Assim, caso um terceiro</p><p>de boa-fé receba o cheque, o emitente não poderá negar o pagamento sob o fundamento de</p><p>que o negócio que o consubstanciou não foi concretizado. Corroborando o discorrido, segue</p><p>acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça sobre a questão:</p><p>CIVIL E PROCESSUAL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.</p><p>MONITÓRIA. CHEQUES PRESCRITOS. FACTORING. CIRCULAÇÃO E</p><p>ABSTRAÇÃO DO TÍTULO DE CRÉDITO. OPOSIÇÃO DE EXCEÇÕES</p><p>PESSOAIS OU DISCUSSÃO DE CAUSA DEBENDI. NÃO CABIMENTO.</p><p>PRECEDENTES DA SEGUNDA SEÇÃO.</p><p>1. Sendo o cheque título de crédito regido pelos princípios cambiários da</p><p>autonomia, abstração e inoponibilidade das exceções pessoais, seu emitente</p><p>se obriga perante o portador da cártula colocada em circulação, mesmo que</p><p>não tenha celebrado negócio jurídico com ele.</p><p>2. Ao emitente que pretenda se proteger contra possíveis efeitos da circulação</p><p>do título, é cabível a aposição da cláusula "não a ordem" (arts. 8º, II, e 17, §</p><p>1º, da Lei 7.357/85), fato não registrado no acórdão recorrido.</p><p>3. Não há, ademais, registros de que a alegada invalidação do negócio jurídico</p><p>subjacente tenha se dado antes da circulação do título de crédito nem</p><p>tampouco de que o terceiro adquirente tenha tomado ciência prévia do alegado</p><p>vício do título.</p><p>4. Agravo interno a que se nega provimento.</p><p>(AgInt nos EDcl no REsp 1575781 / DF</p><p>AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO</p><p>ESPECIAL 2015/0321412-7, Ministra MARIA ISABEL GALLOTT, DJe</p><p>26/02/2020.</p><p>A duplicata, outro título bastante difundido no mercado, é um título de crédito brasileiro.</p><p>Nasceu para auxiliar as atividades do fisco. Em razão do pouco uso da letra de câmbio no</p><p>74</p><p>país, a duplicata tornou-se muito comum nas relações comerciais em território nacional. Essa</p><p>é considerada um título de crédito causal, em razão da sua emissão ter a função de</p><p>documentar certas relações jurídicas previstas em lei. A Duplicata é regulamentada pela Lei</p><p>n. 5.474/68 e pelo Decreto-lei n. 436/69.</p><p>A duplicata mais comum é a duplicata mercantil, que representa uma compra e</p><p>venda mercantil. Sobre a duplicata mercantil, o STJ entendeu que não pode ser emitida em</p><p>contratos de leasing, como se lê a seguir:</p><p>LEASING. Duplicatas. Protesto. O negócio de leasing não admite a emissão de</p><p>duplicata, ainda que avençada, razão pela qual não pode tal título ser levado a</p><p>protesto. Recurso conhecido em parte e, nessa parte, provido para deferir a</p><p>liminar de sustação ou cancelamento das duplicatas enviadas a cartório.</p><p>(REsp. 202.068-SP, Rel. Min. Ruy Rosado, j. 11.05.1999, informativo 18/1999).</p><p>A duplicata é um título de modelo vinculado. A sua emissão deve se atentar aos padrões</p><p>estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional. Além disso, o artigo 2º da lei das duplicatas</p><p>(Lei n. 5.474/68) permite extrair as seguintes características essências:</p><p>a) Conter a expressão “duplicata” e a cláusula à ordem;</p><p>b) Data de emissão;</p><p>c) Os números da duplicata e o número da fatura correspondente;</p><p>d) Data do vencimento ou a declaração de ser para pagamento à vista;</p><p>e) Nome e domicílio do sacador (vendedor);</p><p>f) Nome e domicílio do sacado (comprador);</p><p>g) A importância a ser paga de forma extensa e também em algarismos;</p><p>h) Local (praça) do pagamento;</p><p>i) Local para o aceite do sacado (comprador);</p><p>j) Assinatura do emitente (sacador).</p><p>Desta forma, a duplicata sempre será emitida com data certa para pagamento, não</p><p>admitindo a sua emissão para pagamento a certo termo da vista ou a certo termo da data.</p><p>Assim, ela é emitida como uma ordem de pagamento e seu aceite é obrigatório. Contudo,</p><p>75</p><p>poderá haver recusa do sacado, porém, ela deverá ser justificada, conforme previsto no artigo</p><p>8º, da Lei das Duplicatas:</p><p>O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de:</p><p>I - Avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não</p><p>entregues por sua conta e risco;</p><p>II - Vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das</p><p>mercadorias, devidamente comprovados;</p><p>III - Divergência nos prazos ou nos preços ajustados.</p><p>Entretanto, ela é um título de crédito emitido pelo próprio sacador (vendedor), que</p><p>deverá ser enviada para o sacado (comprador) emitir seu aceite e devolvê-la. Desta forma, o</p><p>aceite pode ser expresso ou presumido. Considera-se presumido o aceite quando o sacado</p><p>recebe as mercadorias enviadas pelo credor, sem fazer recusa formal, bastando que o</p><p>vendedor faça a merca comprovação do recebimento das mercadorias para sujeitar o</p><p>comprador às obrigações previstas na duplicata. Já o aceite expresso, como o próprio nome</p><p>diz, é realizado pelo comprador no local indicado na duplicata.</p><p>76</p><p>Mapa Mental</p><p>Tí</p><p>tu</p><p>lo</p><p>s</p><p>em</p><p>Es</p><p>p</p><p>éc</p><p>ie</p><p>Letra de Câmbio</p><p>Ordem de</p><p>pagamento</p><p>Aceite</p><p>Nota Promissória</p><p>Promessa de</p><p>Pagamento</p><p>Ausência de</p><p>Aceite</p><p>Cheque</p><p>Ordem de</p><p>pagamento à vista</p><p>Ausência de</p><p>Aceite</p><p>Duplicata</p><p>Ordem de</p><p>pagamento</p><p>Aceite</p><p>77</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BRASIL. Lei n. 57.595, de 4 de janeiro de 1966. Promulga as Convenções para adoção de</p><p>uma Lei uniforme em matéria de cheques. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D57595.htm>. Acesso em: 20 nov.</p><p>2019.</p><p>________. Lei n. 5.474, de 18 de julho de 1968. Dispõe sobre as duplicatas. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5474.htm>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>________. Lei n. 7.357, de 2 de setembro de 1985. Dispõe sobre o cheque. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7357.htm>. Acesso em: 23 nov. 2019.</p><p>________. Lei n.10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Novo Código Civil Brasileiro.</p><p>2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm>. Acesso</p><p>em: 20 nov. 2019.</p><p>________. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Institui o Código de Processo</p><p>Civil brasileiro. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-</p><p>2018/2015/lei/l13105.htm>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial: Direito de Empresa. 28. ed. São Paulo: Revista</p><p>dos tribunais, 2016.</p><p>NOGUEIRA, Ricardo José Negrão. Curso de direito comercial e de empresa – títulos de crédito. 8.</p><p>ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial: esquematizado. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense,</p><p>São Paulo: MÉTODO, 2012.</p><p>TEIXEIRA, T. Direito Empresarial Sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>78</p><p>4. Direito Societário</p><p>O Direito societário, sub-ramo do direito empresarial, encarrega-se do estudo sobre as</p><p>sociedades. Podemos entender as sociedades como pessoas jurídicas de direito privado, que</p><p>resultam da união de pessoas – físicas ou jurídicas – com intuito de lucro a partir da exploração</p><p>de uma atividade econômica e posterior distribuição do produto monetário entre seus</p><p>membros. Sobre isso, o artigo 981, do CC/02 traz que “Celebram contrato de sociedade as</p><p>pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício</p><p>de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados”.</p><p>Assim, o intuito de lucro e a finalidade econômica são características das sociedades</p><p>empresárias e é também o que as diferenciam das associações sem fins lucrativos. Desta</p><p>forma, as duas são pessoas jurídicas formadas pela reunião de pessoas, porém, o viés</p><p>econômico só está presente na sociedade. Em outros termos, enquanto as associações</p><p>desempenham atividades sem fins econômicos e não distribuem</p><p>utilizados nas relações negociais. Nesta fase, o Direito Comercial era um direito voltado a</p><p>comerciantes e se caracterizava por seu caráter subjetivista: bastava que uma das partes da</p><p>relação jurídica fosse comerciante para que fossem aplicadas as regras do Direito Comercial.</p><p>Foi nesse período também que surgiram alguns institutos jurídicos que vigoram até os</p><p>dias atuais, tais como os títulos de créditos, os contratos mercantis, as sociedades e as</p><p>instituições financeiras (bancos).</p><p>Essa primeira fase do Direito Comercial é marcada pelo rompimento com alguns</p><p>conceitos estipulados pelo direito romano, dentre os quais podemos destacar o princípio da</p><p>solenidade das formas dos contratos. Isso porque no direito romano a forma era requisito</p><p>essencial. Por sua vez, na idade média os comerciantes prezavam pela liberdade das formas</p><p>contratuais em suas negociações. Essa mudança principiológica foium grande avanço, que</p><p>auxiliou a ascensão da burguesia.</p><p>Somado a isso, as relações comerciais foram se expandido progressivamente por meio</p><p>dos navegadores e das feiras itinerantes. Dessa forma, os princípios que regiam a atuação</p><p>dos comerciantes foram sendo difundidos por toda a Europa e, consequentemente, os</p><p>Estados começaram a se fortalecer e a se interessar pelo monopólio da regulamentação das</p><p>atividades comerciais.</p><p>Nesta direção, a França, sob os auspícios de Napoleão, editou em 1804 o Código Civil</p><p>e em 1808 o Código Comercial, os quais marcaram o Direito Comercial como matéria</p><p>regulamentada pelo Estado e aplicada a todos os seus súditos.</p><p>Foram os Códigos Napoleônicos os responsáveis por dividirem o direito privado em</p><p>Direito Comercial e Direito Civil. A partir daí, então, o Código Comercial passa a trazer os</p><p>interesses da burguesia e o Código Civil, os interesses da nobreza fundiária daquela época.</p><p>7</p><p>Em decorrência desta cisão do direito privado, houve a necessidade de estabelecer</p><p>parâmetros para diferenciar a aplicação entre Direito Civil e o Direito Empresarial. Assim, os</p><p>doutrinadores jurídicos franceses criaram a Teoria dos Atos de Comércio, que definia como</p><p>comerciante aqueles que praticassem os atos de comércio, aos quais aplicavam-se as regras</p><p>do Código Comercial. Com isso, cabia ao Direito Comercial tutelar as relações jurídicas</p><p>derivadas do exercício de algum dos atos definidos na lei como Atos de Comércio. Por outro</p><p>lado, as relações jurídicas que não envolviam esses atos eram tuteladas pelo Código Civil,</p><p>cabendo ao legislador definir o que seriam Atos de Comércio.</p><p>Essa segunda fase do Direito Comercial traz uma mudança. A partir dela, o Direito</p><p>Comercial deixa de ser aplicado apenas ao membro da corporação e passa a ser aplicado</p><p>conforme o objeto da relação contratual, ou seja, aos atos de comércio. Desta forma, o Direito</p><p>Comercial começou a ter um caráter objetivista, voltado ao objeto das relações jurídicas.. Isso</p><p>se deve aos princípios que regiam a formação dos recentes Estados Nacionais, os quais não</p><p>admitiam que determinadas regras fossem aplicadas a algumas pessoas e não a outras, pelo</p><p>simples fato de pertencerem a uma corporação. Assim, bastava que a atividade fosse</p><p>considerada como um ato de comércio para ocorrer a incidência das normas do Código</p><p>Comercial.</p><p>Ocorre, todavia, que o sistema francês apresentava falhas. Não existia nenhum</p><p>elemento interno de ligação, já que ele simplesmente estabelecia um rol de atividades</p><p>econômicas. Sobre este contexto, duas correntes doutrinárias se destacaram: a de Thaller –</p><p>que apontava que os Atos de Comércio eram a atividade de circulação de bens ou serviços –</p><p>e a de Alfredo Rocco – que estabelecia que os Atos de Comércio possuíam como elemento</p><p>comum a intermediação para troca.</p><p>Segundo Rocco, , seriam Atos de Comércio as relações utilizadas diretamente para</p><p>efetivar as trocas ou que facilitavam esse tipo de operação. Apesar de ser a doutrina</p><p>predominante, foi bastante criticada, pois nunca foi capaz de exaurir a definição de Atos de</p><p>Comércio de forma convincente. O conceito de intermediação para troca não foi capaz de</p><p>englobar todas as relações jurídicas existentes no mercado.</p><p>Apesar das críticas, a teoria francesa sobre os atos de comércio foi adotada em vários</p><p>outros países durante o século 19, inclusive no Brasil. Isso fica evidente no Código Comercial</p><p>de 1850, que foi inspirado no Código Napoleônico.</p><p>8</p><p>Em relação a este documento, o doutrinador brasileiro Carvalho de Mendonça dividia os</p><p>Atos de Comércio em duas classes:</p><p>1. Atos de Comércio por Natureza: são aquelas atividades consideradas como tipicamente</p><p>como mercancia, como a compra e venda e a atividade bancária;Atos de Comércio por</p><p>dependência ou conexão: são os atos utilizados para auxiliar ou facilitar a atividade de</p><p>mercancia;</p><p>2. Atos de Comércio por força ou autoridade de lei, como as operações realizadas pelas</p><p>sociedades anônimas.</p><p>Ainda assim, a doutrina brasileira também encontrou dificuldades para conceituar os atos</p><p>de comércio. Em decorrência das limitações da teoria dos atos de comércio, surgiu a</p><p>necessidade de evolução do Direito Comercial. Essas limitações se tornaram mais evidentes</p><p>a partir da Revolução Industrial, que trouxe uma gama de novas atividades comerciais que</p><p>não se enquadravam no conceito de ato de comércio.</p><p>Nessa direção, alguns anos mais tarde, em 1942, surgiu na Itália a Teoria da Empresa, a</p><p>qual estabeleceu um novo paradigma para o Direito Comercial. Assim, o Código Civil Italiano</p><p>de 1942 estabelece um novo marco regulador da incidência do regime jurídico comercial. A</p><p>Teoria de Empresa retirava a limitação que impunha que apenas os atos definidos em lei como</p><p>ato de comércio estariam sujeitos às regras de mercancia. Ela amplia a abrangência do Direito</p><p>Comercial, que passa a ser aplicado a todas atividades econômicas, bastando apenas que</p><p>sejam exercidas de forma “empresarial”. Portanto, nessa terceira fase, o direito comercial</p><p>deixa de ser o direito dos atos de comércio para ser o direito da empresa.</p><p>No Brasil, com o surgimento da Teoria da Empresa, a doutrina, que já apontava as</p><p>limitações da Teoria dos Atos de Comércio, foi responsável por uma efervescência de novas</p><p>críticas, que acabaram por refletir no judiciário brasileiro. Na década de 60, surgiram decisões</p><p>judiciais que concediam concordata para pecuaristas, que garantiam a prestadores de</p><p>serviços a possibilidade de renovação compulsória de contrato de aluguéis, entre outras</p><p>decisões que expandiam o leque de atividades que poderiam ser submetidas às regras do</p><p>Direito Comercial.</p><p>9</p><p>Não obstante a doutrina e o judiciário se inclinarem contrários à teoria dos atos de</p><p>comércio, o legislativo foi no mesmo sentido, ao adotar a teoria da empresa em substituição</p><p>à Teoria dos Atos de Comércio, com a edição da Lei nº. 4.137, de 1962. Esta, que já fora</p><p>revogada, estabelecia em seu artigo 6º que “considera-se empresa toda organização de</p><p>natureza civil ou mercantil destinada à exploração por pessoa física ou jurídica de qualquer</p><p>atividade com fins lucrativos”.</p><p>Já no período pós-Constituição de 1988, o advento do Código de Defesa do Consumidor</p><p>(Lei nº 8.078/90), revelou a opção do do legislador brasileiro de adotar a teoria da empresa</p><p>para regulamentar as atividades consumeristas. Em seu artigo 3º está previsto que</p><p>“fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem</p><p>como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem,</p><p>criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização</p><p>de produtos ou prestação de serviços”. Com isso, nota-se que o CDC adotouum conceito</p><p>moderno de fornecedor (empresário), caracterizado de forma ampla e que abarca todos os</p><p>que exercem atividade econômica.</p><p>Avançando em nosso levantamento histórico, chegamos até o Código Civil brasileiro de</p><p>2002, que,</p><p>lucros entre seus</p><p>associados, a sociedade sempre vai se pautar pela atividade econômica com o intuito de</p><p>partilhar o lucro entre os seus sócios. A impossibilidade de a associação ter fins econômicos</p><p>está prevista no artigo 53, do CC/02que traz: “Constituem-se as associações pela união de</p><p>pessoas que se organizem para fins não econômicos”.</p><p>É preciso salientar que temos no universo jurídico brasileiro as pessoas jurídicas de direito</p><p>público, que são formadas pela União, Estados, Distrito Federal, Municípios e Autarquias, e</p><p>as pessoas jurídicas de direito privado, que são as que nos interessam neste estudo. As</p><p>pessoas jurídicas de direito público gozam de privilégios nas relações jurídicas. Por sua vez,</p><p>as pessoas jurídicas de direito privado são regidas pelo princípio da isonomia nas relações</p><p>que estabelecem com outras pessoas jurídicas de direito privado. Essa observação é</p><p>importante para entendermos o funcionamento das sociedades econômicas de direito privado,</p><p>e não confundirmos os princípios que as regem com princípios do direito público que são</p><p>aplicáveis às pessoas jurídicas de direito público.</p><p>4.1 Aspectos Gerais do Direito Societário</p><p>A pessoa jurídica que constitui a sociedade empresária é considerada sujeito de direito</p><p>personalizado e, por esse motivo, detém competência para exercer ato ou negócio jurídico em</p><p>79</p><p>nome próprio, sempre que não houver proibição para tal exercício. A sociedade empresária</p><p>não se confunde com a pessoa dos seus sócios já que são independentes.</p><p>Desta forma, a pessoa jurídica é uma ficção existente no direito que surge para facilitar</p><p>determinadas relações negociais, já que tem a função de permitir que alguns sujeitos de direito</p><p>possam realizar atos jurídicos.</p><p>Assim, vale ressaltar que o sujeito de direito não se confunde com pessoa jurídica ou</p><p>física. Sujeito de direito na verdade é um gênero do qual a pessoa é espécie. Podem ser</p><p>sujeitos de direito inclusive entidades não personificadas, tais como o espólio, a massa falida,</p><p>o condomínio horizontal etc. O gênero sujeito de direito é formado pelas entidades não</p><p>personificadas e pelas pessoas.</p><p>As pessoas como sujeito de direitos personalizados são autorizadas a praticar todos os</p><p>atos jurídicos, desde que não haja impedimento legal. Por sua vez, os sujeitos de direito</p><p>despersonalizado só praticam os atos que tenham autorização expressa em lei.</p><p>As sociedades empresariais personalizadas geram três situações:</p><p>a) Titularidade negocial: nos negócios jurídicos realizados, a sociedade empresarial age</p><p>como sujeito de direito autônomo. Apesar de ser feito pelas mãos de seu representante</p><p>legal, a parte que integra o negócio é a sociedade empresarial e não seu representante.</p><p>b) Titularidade processual: ações judiciais propostas em razão de negócio jurídico feito</p><p>pela sociedade empresarial devem ser propostas contra ela e não contra os seus</p><p>sócios. A sociedade empresarial detém capacidade processual para ser parte em ações</p><p>judiciais.</p><p>c) Responsabilidade patrimonial: a sociedade empresarial possui patrimônio próprio,</p><p>que não se confunde com o patrimônio dos sócios. Ela responderá pelas obrigações</p><p>que contrair com o seu patrimônio, ou seja, em regra, os sócios não respondem pelas</p><p>dívidas da sociedade.</p><p>80</p><p>Essas situações a que se submetem as sociedades empresariais são decorrentes de</p><p>princípios que regem o direito societário e estão presentes sempre que envolver relações</p><p>negociais praticadas por sujeitos de direitos personificados.</p><p>Mapa Mental</p><p>4.2 Sociedades Não Personificadas</p><p>As sociedades não personificadas são o gênero das quais são espécies a sociedade</p><p>em comum e a sociedade em conta de participação. Com elas, busca-se conferir segurança</p><p>jurídica às relações negociais estabelecidas. Já as sociedades personificadas são a sociedade</p><p>simples pura, as sociedades limitadas, as sociedades anônimas, as sociedades em nome</p><p>coletivo, as sociedades em comandita simples, as sociedades por ações e as sociedades</p><p>cooperativas.</p><p>Essas últimas sociedades citadas possuem regras sobre o seu funcionamento. Por</p><p>outro lado, houve a necessidade de o legislador também apresentar regras para disciplinar a</p><p>atuação das sociedades que não possuem registro, as sociedades em comum, também</p><p>chamadas sociedades de fato ou irregulares.</p><p>S</p><p>o</p><p>c</p><p>ie</p><p>d</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>s</p><p>e</p><p>m</p><p>p</p><p>re</p><p>s</p><p>a</p><p>ri</p><p>a</p><p>is</p><p>p</p><p>e</p><p>rs</p><p>o</p><p>n</p><p>a</p><p>liz</p><p>a</p><p>d</p><p>a</p><p>s</p><p>Titularidade Negocial</p><p>Sociedade como sujeito</p><p>de direito autônomo</p><p>Titularidade Processual</p><p>Sociedade como</p><p>capacidade de ser parte</p><p>em ação judicial</p><p>Responsabilidade</p><p>patrimonial</p><p>Sociedade com</p><p>patrimônio próprio</p><p>81</p><p>A sociedade em comum é aquela sociedade que ainda não foi registrada no órgão</p><p>competente. Nesse sentido, o artigo 986, do CC/02 estabelece que:</p><p>Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade,</p><p>exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas,</p><p>subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade</p><p>simples.</p><p>É importante ressaltar que a doutrina aponta diferenças entre sociedade de fato, sociedade</p><p>em comum e sociedade irregular, sendo estas:</p><p>a) Sociedade de fato: é a sociedade que não tem contrato escrito, mas que já exerce</p><p>suas atividades e os seus sócios não tomam nenhuma atitude para regularizar a</p><p>situação.</p><p>b) Sociedade em comum: aquela cuja formação do contrato está em andamento e,</p><p>portanto, já foram tomadas medidas para sua regularização, estando os atos</p><p>preparatórios em andamento.</p><p>c) Sociedade irregular: aquela que já tem o contrato escrito e registrado, porém,</p><p>apresenta alguma irregularidade posterior ao registro que precisa ser sanada.</p><p>Apesar da diferença feita pela doutrina, a jurisprudência entende que podem ser aplicados,</p><p>por analogia às sociedades de fato e às sociedades irregulares, os regramentos sobre</p><p>sociedade em comum previstos nos artigos 986 ao 990, do CC/02. Vejamos o enunciado 383</p><p>do CJF:</p><p>A falta de registro do contrato social (irregularidade originária - art. 998) ou de</p><p>alteração contratual versando sobre matéria referida no art. 997 (irregularidade</p><p>superveniente - art. 999, parágrafo único) conduz à aplicação das regras da</p><p>sociedade em comum (art. 986).</p><p>A outra sociedade não personificada é a sociedade em conta de participação. Em razão</p><p>de suas especificidades e pouca presença na economia brasileira, trataremos dela no tópico</p><p>sobre os Tipos Societários Menores.</p><p>82</p><p>Mapa Mental</p><p>4.3 Sociedades Simples</p><p>É a sociedade que desenvolve atividades econômicas não empresariais, por exemplo,</p><p>a sociedade que desenvolve atividades por profissionais intelectuais, como engenheiros,</p><p>arquitetos, médicos, etc., ou a sociedade que desenvolve atividade econômica rural e que não</p><p>possui registro na junta comercial.</p><p>A sociedade simples pode se organizar de diversas formas. Sobre isso, o artigo 983,</p><p>do CC/02 traz que:</p><p>A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados</p><p>nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituir-se de</p><p>conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas</p><p>que lhe são próprias.</p><p>Desta forma, percebemos que existe um modelo básico para o funcionamento das</p><p>sociedades simples, porém, a sua constituição pode utilizar requisitos presentes em outros</p><p>tipos societários. Ela será constituída por meio de um contrato escrito e tem sua constituição</p><p>e dissolução previstas no CC/02.</p><p>Sociedades não-</p><p>personalizadas</p><p>Sociedade de</p><p>fato</p><p>Exercício sem</p><p>contrato</p><p>Sociedade em</p><p>comum</p><p>Contrato em</p><p>andamento</p><p>Sociedade</p><p>irregular</p><p>Contrato com</p><p>irregularidades</p><p>83</p><p>O artigo 997 do CC/02 apresenta as cláusulas que deverão estar previstas no contrato</p><p>social das sociedades simples:</p><p>Art. 997. A sociedade constitui-se mediante</p><p>contrato escrito, particular ou</p><p>público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará:</p><p>I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se</p><p>pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos</p><p>sócios, se jurídicas;</p><p>II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade;</p><p>III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender</p><p>qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária;</p><p>IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la;</p><p>V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em</p><p>serviços;</p><p>VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus</p><p>poderes e atribuições;</p><p>VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;</p><p>VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações</p><p>sociais. (BRASIL, 2002).</p><p>A sociedade simples responde com os seus próprios bens pelas obrigações que</p><p>contrair. Contudo, não havendo bens suficientes para quitar a obrigação, os sócios</p><p>responderão com seu patrimônio ilimitadamente, observando entre eles a proporção do</p><p>capital, salvo havendo cláusula de solidariedade.</p><p>Ressalte-se que a responsabilidade dos sócios é subsidiária, pois somente após</p><p>esgotado os bens da sociedade que poderão ser acionados. Consigne, ainda, que de acordo</p><p>com o enunciado 479 do CJF, “Na sociedade simples pura (art. 983, parte final, do CC/2002),</p><p>a responsabilidade dos sócios depende de previsão contratual. Em caso de omissão, será</p><p>ilimitada e subsidiária, conforme o disposto nos arts. 1.023 e 1.024 do CC/2002”.</p><p>Nas sociedades simples, são permitidas modificações no contrato social, porém,</p><p>algumas alterações dependem de quórum qualificado, como é caso da alteração sobre a</p><p>divisão dos lucros que necessita de aprovação unânime.</p><p>84</p><p>4.4 Títulos Societários</p><p>A sociedade limitada é o tipo societário mais comum no Brasil. Uma explicação para</p><p>esse fenômeno está nas características dessa sociedade que atende aos interesses dos</p><p>pequenos e médios empreendedores. A liberdade dada aos sócios ao firmar o vínculo</p><p>contratual, ou seja, no momento de elaborar o contrato social, é o que a deixa ainda mais</p><p>atrativa.</p><p>Na sociedade limitada os sócios podem definir a maioria das questões por meio do</p><p>contrato social, ao contrário da sociedade anônima, na qual os sócios têm que cumprir o</p><p>previsto em lei e não detém liberdade para inovar em seu ato constitutivo.</p><p>Atualmente, o Código Civil de 2002 disciplina as regras sobre as sociedades limitadas.</p><p>São 36 artigos – do arts. 1.052 a 1.087 – os quais regulamentam especificamente o assunto</p><p>e mais 42 – arts. 997 a 1.038 – de aplicação subsidiária.</p><p>Um fato interessante é que o artigo 1.053 do CC/02 autoriza que seja estipulado no</p><p>contrato social que a sociedade limitada será regida de forma supletiva pela lei da sociedade</p><p>anônima.</p><p>Já o artigo 1.054 do CC/02 estabelece que a sociedade limitada mencionará no contrato</p><p>social o que está previsto no artigo 997, além da firma social, se houver. O contrato deverá</p><p>ser escrito e registrado na Junta Comercial se for uma sociedade empresária ou no Cartório</p><p>de Registro de Civil de Pessoas Jurídicas, se for uma sociedade limitada simples (que não</p><p>tem como objetivo o exercício de empresa).</p><p>Em regra, os sócios não irão responder com os seus bens pessoais pelas obrigações</p><p>contraídas pela empresa, em razão da autonomia patrimonial da sociedade. Somente nas</p><p>hipóteses de desconsideração da personalidade jurídica é que o patrimônio dos sócios poderá</p><p>ser acionado.</p><p>Assim, além do aspecto da contratualidade, outra característica que atrai o interesse</p><p>dos empreendedores para esse tipo societário é a limitação da responsabilidade dos sócios,</p><p>pois estes têm redução do risco de seu patrimônio individual.</p><p>Entretanto, se o capital social não estiver integralizado, o sócio responderá com seus</p><p>bens pessoais até o limite do valor faltante, podendo ser executado qualquer dos cotistas,</p><p>inclusive aquele que já integralizou a sua parte do capital social.</p><p>85</p><p>Ressalte-se que o contrato social poderá sofrer alterações, e todas as deliberações</p><p>devem se atentar ao estabelecido no artigo 1.076, do CC/02:</p><p>Ressalvado o disposto no art. 1.061, as deliberações dos sócios serão</p><p>tomadas:</p><p>I - pelos votos correspondentes, no mínimo, a três quartos do capital social, nos</p><p>casos previstos nos incisos V e VI do art. 1.071;</p><p>II - pelos votos correspondentes a mais de metade do capital social, nos casos</p><p>previstos nos incisos II, III, IV e VIII do art. 1.071;</p><p>III - pela maioria de votos dos presentes, nos demais casos previstos na lei ou</p><p>no contrato, se este não exigir maioria mais elevada.</p><p>Quando as modificações forem realizadas no contrato social, estas devem ser</p><p>averbadas no local em que foi feito o registro, seja Junta Comercial ou Cartório do Registro</p><p>Civil de Pessoas Jurídicas.</p><p>Outra questão que merece atenção é o affectio societatis, que é o que liga os sócios. A</p><p>sua ausência é motivo para extinguir a sociedade. Contudo, pode acontecer do affectio</p><p>societatis se extinguir apenas em relação a um dos sócios. Dessa forma, a sociedade</p><p>continuará a existir sem ele. Neste caso, o que poderá ocorrer é a dissolução parcial da</p><p>sociedade, em apreço ao princípio da preservação da empresa. Frise-se que também poderá</p><p>haver a exclusão extrajudicial de determinado sócio por justa causa, conforme previsto no</p><p>artigo 1.085, do CC/02:</p><p>Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos sócios,</p><p>representativa de mais da metade do capital social, entender que um ou mais</p><p>sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa, em virtude de atos de</p><p>inegável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, mediante alteração do</p><p>contrato social, desde que prevista neste a exclusão por justa causa.</p><p>Porém, para isso, a falta cometida pelo sócio deve ser de intensa gravidade. Caso</p><p>contrário, corre-se o risco de não conseguir configurar motivo para exclusão da sociedade.</p><p>Todo o processo deve seguir procedimento rigoroso, havendo a obrigatoriedade de o sócio</p><p>ser cientificado sobre a reunião ou assembleia que irá deliberar sobre sua exclusão.</p><p>86</p><p>4.5 Sociedade Anônima</p><p>No Brasil, a sociedade anônima é o tipo societário mais interessante para os grandes</p><p>empreendedores. Ela é regida pela Lei n. 6.404/76 (Lei das S/A), que, desde sua entrada em</p><p>vigor, sofreu poucas alterações. Assim, a sociedade anônima possui quatro características</p><p>principais:</p><p>a) Natureza capitalista;</p><p>b) Essência empresarial;</p><p>c) Identificação exclusiva por denominação;</p><p>d) Responsabilidade limitada dos sócios.</p><p>Além disso, a sociedade anônima será classificada como fechada ou aberta. Essa</p><p>variação se dará conforme a existência ou não de autorização de negociação dos seus valores</p><p>mobiliários na bolsa de valores, autorização essa fornecida pela Comissão de Valores</p><p>Mobiliários (CVM). Sobre isso, a lei da S/A, que trata sobre o tema, preceitua:</p><p>Art. 4o Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme</p><p>os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação</p><p>no mercado de valores mobiliários.</p><p>§ 1o Somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada</p><p>na Comissão de Valores Mobiliários podem ser negociados no mercado de</p><p>valores mobiliários.</p><p>§ 2o Nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada</p><p>no mercado sem prévio registro na Comissão de Valores Mobiliários. (Incluído</p><p>pela Lei nº 10.303, de 2001)</p><p>§ 3o A Comissão de Valores Mobiliários poderá classificar as companhias</p><p>abertas em categorias, segundo as espécies e classes dos valores mobiliários</p><p>por ela emitidos negociados no mercado, e especificará as normas sobre</p><p>companhias abertas aplicáveis a cada categoria.</p><p>§ 4o O registro de companhia aberta para</p><p>negociação de ações no</p><p>mercado somente poderá ser cancelado se a companhia emissora de ações, o</p><p>acionista controlador ou a sociedade que a controle, direta ou indiretamente,</p><p>formular oferta pública para adquirir a totalidade das ações em circulação no</p><p>mercado, por preço justo, ao menos igual ao valor de avaliação da companhia,</p><p>apurado com base nos critérios, adotados de forma isolada ou combinada, de</p><p>patrimônio líquido contábil, de patrimônio líquido avaliado a preço de mercado,</p><p>de fluxo de caixa descontado, de comparação por múltiplos, de cotação das</p><p>ações no mercado de valores mobiliários, ou com base em outro critério aceito</p><p>87</p><p>pela Comissão de Valores Mobiliários, assegurada a revisão do valor da oferta,</p><p>em conformidade com o disposto no art. 4o-A.</p><p>§ 5o Terminado o prazo da oferta pública fixado na regulamentação</p><p>expedida pela Comissão de Valores Mobiliários, se remanesceram em</p><p>circulação menos de 5% (cinco por cento) do total das ações emitidas pela</p><p>companhia, a assembleia-geral poderá deliberar o resgate dessas ações pelo</p><p>valor da oferta de que trata o § 4o, desde que deposite em estabelecimento</p><p>bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, à disposição dos</p><p>seus titulares, o valor de resgate, não se aplicando, nesse caso, o disposto no</p><p>§ 6o, do art. 44.</p><p>§ 6o O acionista controlador ou a sociedade controladora que adquirir</p><p>ações da companhia aberta sob seu controle que elevem sua participação,</p><p>direta ou indireta, em determinada espécie e classe de ações à porcentagem</p><p>que, segundo normas gerais expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários,</p><p>impeça a liquidez de mercado das ações remanescentes, será obrigado a fazer</p><p>oferta pública, por preço determinado nos termos do § 4o, para aquisição da</p><p>totalidade das ações remanescentes no mercado.</p><p>Desta forma, a sociedade anônima é uma sociedade institucional, que não é constituída</p><p>por um contrato social, mas sim por um estatuto social. A sua constituição deve seguir uma</p><p>série de requisitos formais previstos em lei, os quais são divididos em requisitos preliminares</p><p>e requisitos complementares.</p><p>Os requisitos preliminares estão previstos no artigo 80, da LSA:</p><p>Art. 80. A constituição da companhia depende do cumprimento dos seguintes</p><p>requisitos preliminares:</p><p>I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as ações em</p><p>que se divide o capital social fixado no estatuto;</p><p>II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço</p><p>de emissão das ações subscritas em dinheiro;</p><p>III - depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro estabelecimento</p><p>bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital</p><p>realizado em dinheiro.</p><p>Parágrafo único. O disposto no número II não se aplica às companhias</p><p>para as quais a lei exige realização inicial de parte maior do capital social.</p><p>Cumprido todos os requisitos preliminares, dá-se início à segunda fase, que são das</p><p>formalidades complementares da constituição da sociedade anônima. Basicamente será o</p><p>procedimento de registro na Junta Comercial e outros órgãos administrativos e operacionais.</p><p>88</p><p>Toda companhia deverá ter seus atos constitutivos arquivados e publicados na Junta</p><p>Comercial (art. 94, da LSA). Quando ela for constituída por escritura pública, possível somente</p><p>em companhia fechada, será necessário somente o arquivamento da certidão expedida pelo</p><p>cartório.</p><p>Quando ocorrer assembleia de fundação da sociedade anônima, é preciso se atentar</p><p>ao previsto no artigo 95, da LSA:</p><p>Se a companhia houver sido constituída por deliberação em assembleia-geral,</p><p>deverão ser arquivados no registro do comércio do lugar da sede:</p><p>I - um exemplar do estatuto social, assinado por todos os subscritores</p><p>(artigo 88, § 1º) ou, se a subscrição houver sido pública, os originais do estatuto</p><p>e do prospecto, assinados pelos fundadores, bem como do jornal em que</p><p>tiverem sido publicados;</p><p>II - a relação completa, autenticada pelos fundadores ou pelo presidente</p><p>da assembleia, dos subscritores do capital social, com a qualificação, número</p><p>das ações e o total da entrada de cada subscritor (artigo 85);</p><p>III - o recibo do depósito a que se refere o número III do artigo 80;</p><p>IV - duplicata das atas das assembleias realizadas para a avaliação de</p><p>bens quando for o caso (artigo 8º);</p><p>V - duplicata da ata da assembleia-geral dos subscritores que houver</p><p>deliberado a constituição da companhia (artigo 87).</p><p>Em geral, as sociedades anônimas desempenham atividades econômicas de grande</p><p>porte, portanto, o seu capital será feito por meio de aportes consideráveis. Neste sentido, o</p><p>artigo 5º, da LSA, estabelece que:</p><p>O estatuto da companhia fixará o valor do capital social, expresso em moeda</p><p>nacional.</p><p>Parágrafo único. A expressão monetária do valor do capital social</p><p>realizado será corrigida anualmente (BRASIL, 1976).</p><p>Desta forma, o capital social poderá ser modificado, desde que observado o previsto</p><p>na LSA e no estatuto social da companhia.</p><p>89</p><p>4.6 Tipos Societários Menores</p><p>A doutrina classifica os tipos societários que têm uma menor presença no Brasil como</p><p>tipos societários menores. Essa classificação tem o intuito de facilitar o estudo e não tem</p><p>implicação na jurisprudência ou na lei. São três os tipos societários menores:</p><p>1. Sociedade em Nome Coletivo (N/S): na sociedade em nome coletivo, todos os sócios</p><p>terão responsabilidade ilimitada pelas obrigações assumidas pela sociedade. Assim, ela</p><p>necessariamente será formada por sócios que sejam pessoas físicas, não podendo ser</p><p>constituída por pessoas jurídicas.</p><p>Qualquer dos sócios poderá figurar como administrador da Sociedade em Nome</p><p>Coletivo, podendo até ter o nome utilizado na composição do nome empresarial. Em</p><p>caso de falecimento de um dos sócios, será feita a liquidação das cotas do sócio</p><p>falecido, salvo se houver alguma disposição em contrário no contrato social.</p><p>O Código Civil de 2002 a disciplina entre os artigos 1.039 e 1.044.</p><p>2. Sociedade em Comandita Simples (C/S): a sociedade em comandita simples terá</p><p>sócios chamados de comanditados e sócios chamados de comanditários. Estes terão</p><p>responsabilidade ilimitada. Somente eles poderão exercer administração da sociedade</p><p>e deverão ser pessoas físicas. Além disso, a sociedade poderá utilizar o nome de um</p><p>ou de alguns dos sócios comanditados.</p><p>Já os sócios comanditários responderão de forma limitada pelas obrigações contraídas</p><p>pela sociedade. Eles podem ser pessoas físicas ou jurídicas e não poderão executar</p><p>atos de gestão e nem ter seu nome usado na composição do nome empresarial da</p><p>sociedade. A não observância dessas restrições poderá transformar o sócio</p><p>comanditário em sócio comanditado e levar às consequências derivadas dessa</p><p>condição, tais como serem considerados como administradores e terem</p><p>responsabilidade ilimitada pelas obrigações contraídas da sociedade.</p><p>A sucessão na sociedade comandita simples também tem regras diferentes para o sócio</p><p>comanditado e para o sócio comanditário. Em regra, a morte de sócio comanditado dá</p><p>início à dissolução parcial da sociedade, salvo disposição em contrário no contrato social</p><p>ou acordo entre os sócios, conforme previsto no artigo 1.028, do CC/02:</p><p>90</p><p>Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo:</p><p>I - se o contrato dispuser diferentemente;</p><p>II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade;</p><p>III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido.</p><p>Já em relação ao sócio comanditário, a sucessão segue as regras previstas no artigo</p><p>1050, do CC/02: “No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo disposição do</p><p>contrato, continuará com os seus sucessores, que designarão quem os represente”. Além</p><p>disso, nessas circunstâncias, a natureza da sociedade</p><p>poderá variar como de pessoa ou de</p><p>capital, ou seja, a sucessão da sociedade poderá seguir rumos diferentes.</p><p>Diante do que foi exposto, fica claro que, entre os comanditados, em regra, há uma</p><p>relação pessoal; já entre os comanditários, há uma relação de capital, salvo estipulação em</p><p>contrário dos sócios.</p><p>A Sociedade em Comandita Simples é regulamentada pelos artigos 1.045 a 1.051, do</p><p>CC/02.</p><p>3. Sociedade em Conta de Participação (C/P): trata-se de um tipo societário diferente,</p><p>pois independe de registro para a sua existência e pode ser comprovado por qualquer</p><p>meio probatório. Possui características próprias que a diferem de todos os outros tipos</p><p>societários utilizados. Está regulamentada no CC/02, precisamente nos artigos 991 a</p><p>996.</p><p>Ela não possui personalidade jurídica, logo, não poderá assumir em seu nome</p><p>obrigações contratuais com terceiros. Com isso, um dos sócios detém posição ostensiva</p><p>e o outro atua em situação oculta (sócio participante). São os sócios ostensivos que se</p><p>apresentam nas relações comerciais. Por isso, são eles, em conjunto ou</p><p>individualmente, que assumem, de forma pessoal, as obrigações do empreendimento.</p><p>Desta forma, os sócios ostensivos assumem, de forma pessoal, as obrigações para o</p><p>desenvolvimento do empreendimento e, por isso, respondem de forma ilimitada, não havendo</p><p>situação subsidiária ou limitada. Já os sócios participantes, por sua vez, só se responsabilizam</p><p>91</p><p>perante aos sócios ostensivos e podem ter responsabilidade limitada ou ilimitada, conforme o</p><p>previsto no contrato entabulado entres eles.</p><p>A sociedade não adotará nome empresarial em razão de ser uma sociedade</p><p>despersonalizada e não terá personalidade jurídica. Além de despersonalizada ela é secreta;</p><p>dessa forma, devemos entender o significado da expressão secreta. Por decreto, tem o</p><p>sentido da dispensa do registro, no órgão competente, do contrato que a originou. Ainda que</p><p>os credores tenham conhecimento da existência da sociedade em conta de participação, não</p><p>haverá o descumprimento da característica de secreto, uma vez que o sentido da expressão</p><p>é de que o contrato não será registrado na Junta Comercial.</p><p>Assim, eventuais credores e demais sujeitos empresariais poderão ter ciência da</p><p>relação estabelecida entres os sócios ostensivos e os sócios participantes, que, mesmo assim,</p><p>não haverá modificação das responsabilidades dos sócios. A lei não determina que o contrato</p><p>seja registrado na Junta Comercial ou no Registro Civil das pessoas jurídicas. Contudo, para</p><p>garantir mais segurança na relação estabelecida entre os sócios, não existe impedimento que</p><p>o contrato constitutivo da Sociedade em Conta de Participação seja arquivado no Cartório de</p><p>Registro de Títulos e Documentos.</p><p>92</p><p>Mapa Mental</p><p>4.7 Operações Societárias</p><p>É comum ocorrer operações societárias entre as sociedades econômicas. Nessas</p><p>transações as sociedades relacionam-se entre si e ocorrem transformações, incorporações,</p><p>fusões e cisões. Existem regramentos sobre esse assunto na Lei da Sociedade Anônima e no</p><p>Código Civil de 2002. Essas operações são muito comuns e geram consequências jurídicas</p><p>relevantes no direito societário. Neste sentido, o enunciado 70 do CJF prevê que:</p><p>As disposições sobre incorporação, fusão e cisão previstas no Código Civil não</p><p>se aplicam às sociedades anônimas. As disposições da Lei n. 6.404/76 sobre</p><p>essa matéria aplicam-se, por analogia, às demais sociedades naquilo em que</p><p>o Código Civil for omisso.</p><p>Tipos</p><p>Societários</p><p>Menores</p><p>Sociedade em</p><p>Nome Coletivo</p><p>Sócios pessoas</p><p>físicas</p><p>Sociedade em</p><p>Comandita</p><p>Simples</p><p>Sócios</p><p>Comanditados</p><p>Resposabilidade</p><p>ilimitada</p><p>Sócios</p><p>Comanditários</p><p>Obrigações</p><p>limitadas</p><p>Sociedade em</p><p>Conta de</p><p>Participação</p><p>Sociedade</p><p>secreta - sem</p><p>personalidade</p><p>jurídica</p><p>93</p><p>Como é rotineira a participação de S/A nesse tipo de operações, o mais comum é a</p><p>aplicação da Lei das Sociedades Anônimas. Em seguida, iremos abordar as principais</p><p>operações, que consistem na transformação, incorporação, fusão e cisão.</p><p>a) Transformação: é a mudança do tipo societário da sociedade. Tanto a LSA, quanto o</p><p>CC/02 tratam sobre o assunto. Nesse sentido, o artigo 220, da LSA traz que “A</p><p>transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de</p><p>dissolução e liquidação, de um tipo para outro”. Na mesma direção, o artigo 1.113 do</p><p>CC/02 apresenta que “O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação</p><p>da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição</p><p>próprios do tipo em que vai converter-se”. Registre-se que poderá ocorrer a</p><p>transformação entre sociedade anônima e sociedade limitada, ou entre quaisquer</p><p>outros tipos societários.</p><p>Em regra geral, a transformação se sujeita à aprovação unânime dos sócios. Entretanto,</p><p>existe a possibilidade do contrato ou estatuto que deu origem à sociedade autorizar a</p><p>operação. Neste caso, por questão lógica, será necessário a maioria. Quando a transformação</p><p>ocorrer com a aprovação da maioria, é permitido que o sócio dissidente se retire da sociedade.</p><p>Tal processo deve seguir o prescrito no artigo 221, da LSA, que se lê a seguir:</p><p>A transformação exige o consentimento unânime dos sócios ou acionistas,</p><p>salvo se prevista no estatuto ou no contrato social, caso em que o sócio</p><p>dissidente terá o direito de retirar-se da sociedade.</p><p>Parágrafo único. Os sócios podem renunciar, no contrato social, ao direito de</p><p>retirada no caso de transformação em companhia.</p><p>Também encontramos essa previsão no artigo 1.114, do CC/02:</p><p>A transformação depende do consentimento de todos os sócios, salvo se</p><p>prevista no ato constitutivo, caso em que o dissidente poderá retirar-se da</p><p>sociedade, aplicando-se, no silêncio do estatuto ou do contrato social, o</p><p>disposto no art. 1.031.</p><p>94</p><p>Conforme se observa, a transformação é uma operação permitida, porém, devem ser</p><p>observados os direitos dos sócios e dos credores.</p><p>b) Incorporação: ocorre a extinção da sociedade incorporada, e esta será sucedida em</p><p>seus direitos e obrigações pela incorporadora. Vejam-se o previsto no artigo 227, da</p><p>LSA:</p><p>Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são</p><p>absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.</p><p>§ 1º A assembleia-geral da companhia incorporadora, se aprovar o</p><p>protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e</p><p>realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e</p><p>nomear os peritos que o avaliarão.</p><p>§ 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo</p><p>da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários</p><p>à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora.</p><p>§ 3º Aprovados pela assembleia-geral da incorporadora o laudo de</p><p>avaliação e a incorporação, extingue-se a incorporada, competindo à primeira</p><p>promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação.</p><p>Também tem previsão semelhante no artigo 1.116, do CC/02, que assim dispõe:</p><p>Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por</p><p>outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas</p><p>aprová-la, na forma estabelecida para os respectivos tipos.</p><p>Aprovada a incorporação, deverá a incorporadora proceder à extinção da sociedade</p><p>incorporada e ao registro no órgão competente.</p><p>c) Fusão: consiste na junção de duas sociedades, a qual resulta em uma nova, dando fim</p><p>às duas sociedades originárias. Tem previsão no artigo 228, da LSA:</p><p>Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades</p><p>para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e</p><p>obrigações.</p><p>95</p><p>§ 1º A assembleia-geral de cada companhia, se aprovar o protocolo</p><p>de</p><p>fusão, deverá nomear os peritos que avaliarão os patrimônios líquidos das</p><p>demais sociedades.</p><p>§ 2º Apresentados os laudos, os administradores convocarão os sócios ou</p><p>acionistas das sociedades para uma assembleia-geral, que deles tomará</p><p>conhecimento e resolverá sobre a constituição definitiva da nova sociedade,</p><p>vedado aos sócios ou acionistas votar o laudo de avaliação do patrimônio</p><p>líquido da sociedade de que fazem parte.</p><p>§ 3º Constituída a nova companhia, incumbirá aos primeiros</p><p>administradores promover o arquivamento e a publicação dos atos da fusão.</p><p>(BRASIL, 1976).</p><p>A fusão também tem previsão no artigo 1.119, do CC/02. Este traz que “A fusão</p><p>determina a extinção das sociedades que se unem, para formar sociedade nova, a qual</p><p>sucederá nos direitos e obrigações das extintas”.</p><p>Conforme vimos, na incorporação, não ocorre o surgimento de uma nova empresa.</p><p>Contudo, na fusão, a união das duas sociedades resulta na criação de uma nova sociedade.</p><p>d) Cisão: é a transferência do patrimônio de uma sociedade para outra. Assim, ocorrendo</p><p>a transferência de todos os bens, ocorre a extinção da sociedade cindida. Já quando</p><p>ocorre a transferência parcial dos bens, não ocorre a extinção da sociedade que cedeu</p><p>parcialmente seus bens. O artigo 229 da LSA estabelece que:</p><p>A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu</p><p>patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já</p><p>existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o</p><p>seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.</p><p>§ 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela</p><p>do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações</p><p>relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades</p><p>que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a</p><p>esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e</p><p>obrigações não relacionados.</p><p>§ 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a</p><p>operação será deliberada pela assembleia-geral da companhia à vista de</p><p>justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo</p><p>224; a assembleia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela</p><p>do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembleia de constituição</p><p>da nova companhia.</p><p>§ 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente</p><p>obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227).</p><p>96</p><p>§ 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos</p><p>administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu</p><p>patrimônio promover o arquivamento e publicação dos atos da operação; na</p><p>cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores</p><p>da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio.</p><p>§ 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida</p><p>serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das</p><p>que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos</p><p>os titulares, inclusive das ações sem direito a voto.</p><p>Essas operações geram impactos na sociedade e podem afetar positivamente ou</p><p>negativamente a economia. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) é o</p><p>órgão governamental criado para coibir abusos nesses tipos de operações, tais como</p><p>dominação de mercado, dentre outras. Trata-se de uma autarquia federal, que, entre as suas</p><p>competências, regulamenta as operações societárias. A atuação do CADE está prevista na</p><p>Lei n. 12.569/2011, na qual se lê:</p><p>Art. 88. Serão submetidos ao Cade pelas partes envolvidas na operação os</p><p>atos de concentração econômica em que, cumulativamente:</p><p>I - pelo menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado, no</p><p>último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no País,</p><p>no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 400.000.000,00</p><p>(quatrocentos milhões de reais); e</p><p>II - pelo menos um outro grupo envolvido na operação tenha registrado, no</p><p>último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no País,</p><p>no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 30.000.000,00 (trinta</p><p>milhões de reais).</p><p>Acrescente-se, por oportuno, que o CADE atua como um órgão estatal antitruste. Desta</p><p>forma, esse órgão busca assegurar que a operação entre as sociedades não resulte em</p><p>prejuízo à livre concorrência, atuando para evitar que surjam cartéis, monopólios, duopólios,</p><p>oligopólios etc.</p><p>97</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BRASIL. Lei n.10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Novo Código Civil Brasileiro.</p><p>2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm> . Acesso</p><p>em: 20 nov. 2019.</p><p>BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações.</p><p>Disponível em: <http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/</p><p>Viw_Identificacao/lei%206.404-1976?OpenDocument>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial: Direito de Empresa. 28. ed. São Paulo:</p><p>Revista dos tribunais, 2016.</p><p>NOGUEIRA, Ricardo José Negrão. Curso de direito comercial e de empresa – títulos de</p><p>crédito. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial: esquematizado. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense, São Paulo: MÉTODO, 2012.</p><p>TEIXEIRA, T. Direito Empresarial Sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%206.404-1976?OpenDocument</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%206.404-1976?OpenDocument</p><p>98</p><p>5. Falência e Recuperação de Empresas</p><p>5.1 Introdução</p><p>5.1.1 Evolução histórica</p><p>O Direito Falimentar tem origem remota. A doutrina aponta que ele teria surgido no</p><p>código Justiniano no império Bizantino (Império Romano do Oriente). No direito Justiniano</p><p>existia uma forma de execução especial contra aquele que era considerado devedor</p><p>insolvente, essa ação recebeu o nome de “missio in possessio bonorum”.</p><p>Por meio dessa ação, os credores assumiam a posse dos bens do devedor insolvente,</p><p>que passavam a ter administração exercida por um curador, chamado de curator bonorum.</p><p>Este consequentemente iniciava a venda dos bens do devedor para saldar as dívidas que não</p><p>foram pagas. O devedor recebia um tratamento repressivo, que buscava puni-lo, e não focava</p><p>no pagamento das dívidas dos credores. Como nesse período da história da humanidade</p><p>ainda não existia o Direito Comercial, esse tratamento era aplicado tanto para devedores</p><p>exercentes de atividades de mercancia ou não.</p><p>No período da Idade Média, o avanço das práticas mercantis influenciou o surgimento</p><p>de regras para serem aplicadas aos exercentes de atividades econômicas. Nas cidades</p><p>italianas, o Direito Comercial começou a ser construído com base nas práticas e nos</p><p>costumes. Nesse sentido, existiam regras para serem aplicadas ao devedor insolvente.</p><p>Entretanto, não eram regras falimentares típicas, pois, nesse momento histórico, as regras</p><p>contra devedor insolvente eram aplicadas indistintamente entre devedores comerciantes ou</p><p>não.</p><p>Somente com o Código Comercial de Napoleão foi que surgiu um direito falimentar com</p><p>aplicação exclusiva para o devedor que exercesse atividades comerciais, não incidindo,</p><p>portanto, a aplicação dessas regras para o devedor insolvente civil. Contudo, o código</p><p>napoleônico manteve o caráter repressivo e punitivo ao devedor insolvente.</p><p>A evolução do comércio e, por conseguinte, do Direito Comercial, fizeram surgir uma</p><p>nova percepção sobre o devedor insolvente. Em razão das constantes crises econômicas que</p><p>o sistema capitalista enfrentou, a noção de insolvência</p><p>foi se modificando, até o momento em</p><p>que passou a ser vista como uma situação decorrente do risco empresarial. Assim surgiu o</p><p>99</p><p>entendimento de que não apenas os devedores desonestos estavam sujeitos a uma situação</p><p>de insolvência, mas qualquer empresário que atravessa uma crise econômica.</p><p>5.1.2 Princípio da Função Social da Empresa</p><p>A Lei nº. 11.105/05 é o diploma normativo que trata sobre a falência e a recuperação</p><p>judicial e extrajudicial da empresa. Com ela, fica nítido que o legislador brasileiro afastou o</p><p>caráter punitivo e repressivo conferido ao devedor insolvente e passou a adotar o princípio da</p><p>preservação da empresa.</p><p>Salienta-se que a partir da Lei nº 11.101/05 foi instaurada no direito concursal brasileiro</p><p>uma nova ordem jurídica arrimada na busca da preservação da empresa em crise econômico-</p><p>financeira, fato que, por si só, já denota uma mudança de paradigma, em face do regime</p><p>anterior que tratava apenas na liquidação do acervo patrimonial do devedor em estado de</p><p>insolvência e pagamento de seus credores.</p><p>Intrinsecamente, a função social da empresa deriva da previsão constitucional acerca</p><p>da função social da propriedade, contida no artigo 170, III da Constituição Federal. Por sua</p><p>vez, a Lei nº 13.784/19 (Lei da Liberdade Econômica) trouxe consigo, princípios relacionados,</p><p>tais como: I) liberdade como garantia no exercício de atividades econômicas; II) boa-fé do</p><p>particular perante o poder público; III) intervenção subsidiária e excepcional do Estado sobre</p><p>o exercício de atividades econômicas; e IV) reconhecimento da vulnerabilidade do particular</p><p>perante o Estado.</p><p>Desta forma, o legislador buscou trazer ferramentas jurídicas com o intuito de manter a</p><p>atividade empresarial. Visou, portanto, proteger e otimizar a capacidade produtiva dos bens</p><p>ativos e dos recursos produtivos pertencentes à sociedade que se encontra em situação de</p><p>insolvência, em uma clara busca pela manutenção da empresa.</p><p>Percebe-se que para que o direito falimentar e recuperacional seja melhor</p><p>compreendido é necessário o exame da matéria sob o prisma principiológico.</p><p>Não restam dúvidas de que a preservação da empresa, enquanto atividade econômica,</p><p>é essencial para a manutenção do desenvolvimento da sociedade no atual cenário pós-</p><p>moderno e da Era Digital.</p><p>100</p><p>Deveras, o ordenamento jurídico brasileiro consubstanciado na Lei nº 11.101/05 prevê</p><p>mecanismos eficientes para proteção da atividade empresarial, bem como dos interesses</p><p>fundamentais que norteiam tal atividade. Busca-se, pois, por via reflexa, a proteção dos</p><p>interesses dos acionistas, empregados, e da coletividade como um todo, mediante, a</p><p>manutenção da atividade empresarial e de sua relevante função social materializada na</p><p>produção e geração de emprego e renda, pagamento de tributos e no bem-estar em geral.</p><p>Salienta-se que a partir da Lei nº 11.101/05 foi instaurada no direito concursal brasileiro</p><p>uma nova ordem jurídica amparada na busca da preservação da empresa em crise</p><p>econômico-financeira, fato que, por si só, já denota uma mudança de paradigma, em face do</p><p>regime anterior que tratava apenas na liquidação do acervo patrimonial do devedor em estado</p><p>de insolvência e pagamento de seus credores.</p><p>5.1.3 Normas procedimentais</p><p>Os institutos da falência e da recuperação judicial e extrajudicial surgiram para</p><p>estabelecer uma alternativa à regra geral de execução, uma vez que quando a sociedade</p><p>empresária está insolvente ou caminha para tal situação, ao se proceder com a execução</p><p>judicial, poderá se beneficiar apenas alguns credores em detrimento de outros, ante a</p><p>ausência de bens suficientes para satisfazer as todas as obrigações.</p><p>Decretada a falência, promove-se o afastamento do empresário da gestão da</p><p>sociedade e se estabelece uma alternativa para proteger os credores do devedor insolvente.</p><p>Essa medida visa proteger a manutenção da atividade econômica, conforme previsto no artigo</p><p>75 da LRE, que traz: “A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades,</p><p>visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos,</p><p>inclusive os intangíveis, da empresa”. Por meio dessa execução especial, reúne-se todos os</p><p>credores que seguirão de forma conjunta essa execução alternativa contra o devedor.</p><p>Essa execução contra o devedor insolvente proporciona aos credores tratamento</p><p>isonômico, pois visa que não sejam proferidas decisões contraditórias sobre o patrimônio do</p><p>devedor em execuções individuais.</p><p>101</p><p>A legislação falimentar, prevista na Lei nº.11.101/05, lista algumas prerrogativas para</p><p>o empresário que se tornar insolvente, que decorrem da proteção à função social da empresa.</p><p>Assim, o procedimento previsto em referida lei só será aplicado ao devedor insolvente que se</p><p>caracterizar como empresário e às sociedades empresárias. Para os demais casos, serão</p><p>aplicadas as regras previstas em outros diplomas legais, tais como o CC/02, CPC, dentre</p><p>outros.</p><p>A Lei de Falência e Recuperação, além de tratar do procedimento falimentar, abarca</p><p>também os procedimentos de recuperação judicial e extrajudicial, todos considerados</p><p>institutos típicos do Direito Empresarial. Tal situação pode ser observada no artigo 1º da Lei</p><p>nº.11.101/05, onde se lê: “Esta lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial</p><p>e a falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente</p><p>como devedor”.</p><p>Assim, o procedimento de recuperação se divide em duas espécies, a judicial e a</p><p>extrajudicial. Ambas têm como finalidade o restabelecimento do empresário ou da sociedade</p><p>empresária em crise que se tornou insolvente São vários os fatores que geram crise financeira</p><p>de um empresário, como a perda de clientes, redução do faturamento, desaquecimento da</p><p>economia, mudanças de políticas públicas, mudança da política econômica etc. Desta forma,</p><p>ambos os procedimentos ajudam o empresário a sair da situação caótica em que se encontra.</p><p>É importante ressaltar que a recuperação judicial substituiu o antigo instituto da</p><p>concordata. O empresário pode pedir a sua recuperação antes da situação se agravar,</p><p>contudo, só será concedido àquele que demonstrar a possibilidade e viabilidade de se</p><p>recuperar.</p><p>Outro ponto que merece destaque na Lei nº. 11.101/05 foi o surgimento da recuperação</p><p>extrajudicial, subvertendo totalmente o antigo entendimento existente sobre o assunto. O</p><p>artigo 2, inciso III, do Decreto-lei 7.661/45, previa a possibilidade de penalizar o comerciante</p><p>que reunisse os seus credores para fazer uma proposta de renegociar as dívidas, ato esse</p><p>que era considerado como ensejador do pedido de falência.</p><p>De forma moderna e louvável, o legislador criou a possibilidade de os credores e o</p><p>devedor criarem solução para superar a crise financeira. Por conseguinte, podemos concluir</p><p>que essa é uma situação em que o próprio mercado tem a oportunidade de decidir o caminho</p><p>a seguir para manter a empresa funcionando, o que está previsto no artigo 161 da Lei</p><p>nº.11.101/05: “O devedor que preencher os requisitos do art. 48 desta Lei poderá propor e</p><p>102</p><p>negociar com credores plano de recuperação extrajudicial”. Além disso, prezou o legislador</p><p>pela preservação da empresa, ao instituir tal possibilidade.</p><p>A seguir iremos estudar outros detalhes sobre o procedimento falimentar, bem como</p><p>acerca da recuperação judicial e extrajudicial.</p><p>Mapa Mental</p><p>5.2 Disposições Comuns aos Dois Institutos</p><p>De forma geral, não é cabível a responsabilização do devedor pelas despesas que os</p><p>credores tiveram para habilitar os seus créditos perante a falência ou a recuperação judicial.</p><p>Falência</p><p>Afastamento</p><p>do Empresário</p><p>Manutenção</p><p>da atividade</p><p>econômica</p><p>Reunião dos</p><p>credores</p><p>Recuperação</p><p>Judicial</p><p>Extrajudicial</p><p>Solução entre</p><p>credores e devedor</p><p>103</p><p>Além disso, a decretação</p><p>da falência ou o deferimento da recuperação judicial é ato ensejador</p><p>da suspensão da prescrição e também das ações e execuções que existirem contra o devedor.</p><p>Os institutos da falência e da recuperação judicial são institutos coirmãos no direito</p><p>falimentar. Por essa razão, o legislador tratou sobre eles de forma conjunta no Capítulo II da</p><p>Lei nº. 11.101/05, nos artigos 5º ao 46. A seguir, destacaremos de forma breve os principais</p><p>pontos.</p><p>Em relação a isso, pode-se verificar, entre os artigos 7º e 20 da LRE, o momento de</p><p>verificação dos créditos:</p><p>a) Recuperação judicial: ocorre antes da decisão sobre o deferimento da recuperação</p><p>judicial;</p><p>b) Falência: ocorre posteriormente ao momento de reconhecimento da quebra, ou seja,</p><p>dá-se na segunda fase do processo.</p><p>Nestes dois momentos – na recuperação judicial e na falência –, a atuação da figura do</p><p>administrador judicial se dá de forma diferente:</p><p>a) Recuperação judicial: o administrador atua amplamente de forma fiscalizatória;</p><p>b) Falência: o administrador exerce funções de atos de execução, buscando gerar ativos</p><p>para efetuar o pagamento de credores.</p><p>Já o comitê de credores recebe tratamento isonômico ao tratar sobre algumas das</p><p>atribuições previstas para a recuperação judicial e a falência, conforme previsto no artigo 27,</p><p>inciso I, da Lei nº.11.101/05:</p><p>O Comitê de Credores terá as seguintes atribuições, além de outras previstas</p><p>nesta Lei:</p><p>I – na recuperação judicial e na falência:</p><p>a) fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial;</p><p>b) zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei;</p><p>c) comunicar ao juiz, caso detecte violação dos direitos ou prejuízo aos</p><p>interesses dos credores;</p><p>104</p><p>d) apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados;</p><p>e) requerer ao juiz a convocação da assembleia-geral de credores;</p><p>f) manifestar-se nas hipóteses previstas nesta Lei;</p><p>Contudo, no inciso II, estão previstas as atribuições que são concernentes apenas à</p><p>recuperação judicial:</p><p>II – na recuperação judicial:</p><p>a) fiscalizar a administração das atividades do devedor, apresentando, a cada</p><p>30 (trinta) dias, relatório de sua situação;</p><p>b) fiscalizar a execução do plano de recuperação judicial;</p><p>c) submeter à autorização do juiz, quando ocorrer o afastamento do devedor</p><p>nas hipóteses previstas nesta Lei, a alienação de bens do ativo permanente, a</p><p>constituição de ônus reais e outras garantias, bem como atos de endividamento</p><p>necessários à continuação da atividade empresarial durante o período que</p><p>antecede a aprovação do plano de recuperação judicial.</p><p>Assim, podemos considerar o comitê de credores como o órgão colegiado eleito em</p><p>assembleia geral de credores, composto por três membros titulares e três suplentes,</p><p>podendo atuar de forma reduzida com apenas dois membros. Esse comitê terá a função de</p><p>representar as classes dos titulares dos créditos.</p><p>A assembleia geral dos credores, por sua vez, é composta pela totalidade de</p><p>credores. A sua convocação pode se dar por 25% dos credores de determinada classe, pelo</p><p>juiz ou pelo administrador judicial.</p><p>As atribuições da assembleia geral de credores no processo de falência, e na</p><p>recuperação judicial, estão dispostas no artigo 35 da Lei nº. 11.101/05. Esta traz que:</p><p>Art. 35. A assembleia-geral de credores terá por atribuições deliberar sobre:</p><p>I – na recuperação judicial:</p><p>a) aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação judicial</p><p>apresentado pelo devedor;</p><p>b) a constituição do Comitê de Credores, a escolha de seus membros e sua</p><p>substituição;</p><p>105</p><p>c) (VETADO)</p><p>d) o pedido de desistência do devedor, nos termos do § 4º do art. 52 desta Lei;</p><p>e) o nome do gestor judicial, quando do afastamento do devedor;</p><p>f) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores;</p><p>II – na falência:</p><p>a) (VETADO)</p><p>b) a constituição do Comitê de Credores, a escolha de seus membros e sua</p><p>substituição;</p><p>c) a adoção de outras modalidades de realização do ativo, na forma do art. 145</p><p>desta Lei;</p><p>d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores.</p><p>Esses foram alguns dos pontos que aproximam e também distinguem o instituto da</p><p>falência e o instituto da recuperação judicial. Nos próximos tópicos, trataremos das</p><p>peculiaridades de cada instituto.</p><p>5.3 Recuperação Judicial</p><p>O pedido de recuperação judicial será feito antes do empresário ser declarado falido,</p><p>conforme previsto no artigo 48, I da LRE:</p><p>Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido,</p><p>exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda</p><p>aos seguintes requisitos, cumulativamente:</p><p>I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença</p><p>transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;</p><p>Entretanto, é possível que o pedido de recuperação judicial seja feito de forma</p><p>incidental, dentro de um processo de falência. Neste caso, deverá ser feito no prazo da</p><p>contestação, consoante se infere do artigo 95 da LRE: “Dentro do prazo de contestação, o</p><p>devedor poderá pleitear sua recuperação judicial”.</p><p>106</p><p>Ao fazer o pedido de recuperação judicial, o devedor apresentará seu plano de</p><p>recuperação para os credores. Caso haja objeção, será convocada assembleia geral, a fim de</p><p>que os credores deliberem sobre o plano apresentado pelo devedor.</p><p>O pedido será feito pelo devedor no domicílio do seu principal estabelecimento e deverá</p><p>conter os requisitos materiais contidos no artigo 48 da LRE:</p><p>Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do</p><p>pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que</p><p>atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:</p><p>I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença</p><p>transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;</p><p>II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação</p><p>judicial;</p><p>III – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação</p><p>judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo;</p><p>(Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)</p><p>IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio</p><p>controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.</p><p>§ 1º A recuperação judicial também poderá ser requerida pelo cônjuge</p><p>sobrevivente, herdeiros do devedor, inventariante ou sócio remanescente.</p><p>(Renumerado pela Lei nº 12.873, de 2013)</p><p>§ 2º Tratando-se de exercício de atividade rural por pessoa jurídica, admite-se</p><p>a comprovação do prazo estabelecido no caput deste artigo por meio da</p><p>Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ que</p><p>tenha sido entregue tempestivamente. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013)</p><p>Deferido pelo juiz o pedido de recuperação judicial, o devedor terá 60 dias para</p><p>apresentar o plano de recuperação judicial, sob pena de, em caso de descumprimento do</p><p>prazo, ser decretada a falência do devedor.</p><p>Com isso, o objetivo da recuperação judicial é o restabelecimento das atividades</p><p>econômicas do empresário. Cumpridas as obrigações previstas no plano de recuperação, o</p><p>juiz decretará o fim da recuperação judicial, conforme previsto na LRE:</p><p>Art. 63. Cumpridas as obrigações vencidas no prazo previsto no caput do art.</p><p>61 desta Lei, o juiz decretará por sentença o encerramento da recuperação</p><p>judicial e determinará:</p><p>107</p><p>I – o pagamento do saldo de honorários ao administrador judicial, somente</p><p>podendo efetuar a quitação dessas obrigações mediante prestação de contas,</p><p>no prazo de 30 (trinta) dias, e aprovação do relatório previsto no inciso III do</p><p>caput deste artigo;</p><p>II – a apuração do saldo das custas judiciais a serem recolhidas;</p><p>III – a apresentação de relatório circunstanciado do administrador judicial, no</p><p>prazo máximo de 15 (quinze) dias, versando sobre a execução do plano de</p><p>recuperação</p><p>pelo devedor;</p><p>IV – a dissolução do Comitê de Credores e a exoneração do administrador</p><p>judicial;</p><p>V – a comunicação ao Registro Público de Empresas para as providências</p><p>cabíveis.</p><p>Contudo, se o devedor não cumprir com o estipulado no plano de recuperação judicial,</p><p>haverá a convolação em falência, nos termos do artigo 61, da LRE:</p><p>Art. 61. Proferida a decisão prevista no art. 58 desta Lei, o devedor</p><p>permanecerá em recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações</p><p>previstas no plano que se vencerem até 2 (dois) anos depois da concessão da</p><p>recuperação judicial.</p><p>§ 1º Durante o período estabelecido no caput deste artigo, o descumprimento</p><p>de qualquer obrigação prevista no plano acarretará a convolação da</p><p>recuperação em falência, nos termos do art. 73 desta Lei.</p><p>§ 2º Decretada a falência, os credores terão reconstituídos seus direitos e</p><p>garantias nas condições originalmente contratadas, deduzidos os valores</p><p>eventualmente pagos e ressalvados os atos validamente praticados no âmbito</p><p>da recuperação judicial.</p><p>Mapa Mental</p><p>108</p><p>5.4 Recuperação Extrajudicial</p><p>A LRE inovou ao trazer a recuperação extrajudicial, possibilidade por meio da qual é</p><p>possível que o empresário entre em acordo com os credores. Entretanto, certos requisitos</p><p>precisam ser preenchidos, conforme se depreende no artigo 161, da Lei nº.11.101/05. Este</p><p>traz que:</p><p>Art. 161. O devedor que preencher os requisitos do art. 48 desta Lei poderá</p><p>propor e negociar com credores plano de recuperação extrajudicial.</p><p>§ 1º Não se aplica o disposto neste Capítulo a titulares de créditos de natureza</p><p>tributária, derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de</p><p>trabalho, assim como àqueles previstos nos arts. 49, § 3º , e 86, inciso II do</p><p>caput, desta Lei.</p><p>§ 2º O plano não poderá contemplar o pagamento antecipado de dívidas nem</p><p>tratamento desfavorável aos credores que a ele não estejam sujeitos.</p><p>§ 3º O devedor não poderá requerer a homologação de plano extrajudicial, se</p><p>estiver pendente pedido de recuperação judicial ou se houver obtido</p><p>recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação</p><p>extrajudicial há menos de 2 (dois) anos.</p><p>§ 4º O pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial não</p><p>acarretará suspensão de direitos, ações ou execuções, nem a impossibilidade</p><p>do pedido de decretação de falência pelos credores não sujeitos ao plano de</p><p>recuperação extrajudicial.</p><p>Recuperação</p><p>Judicial</p><p>Plano de</p><p>recuperação</p><p>Assembleia</p><p>de credores</p><p>Pedido no</p><p>domicílio</p><p>109</p><p>§ 5º Após a distribuição do pedido de homologação, os credores não poderão</p><p>desistir da adesão ao plano, salvo com a anuência expressa dos demais</p><p>signatários.</p><p>§ 6º A sentença de homologação do plano de recuperação extrajudicial</p><p>constituirá título executivo judicial, nos termos do art. 584, inciso III do caput,</p><p>da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil.</p><p>Com isso, preenchidos os requisitos, o devedor irá apresentar o plano de recuperação aos</p><p>credores, o qual posteriormente levará à homologação do juiz. No plano de recuperação</p><p>extrajudicial, somente estarão sujeitos os seguintes credores:</p><p>a) Credores com garantia real;</p><p>b) Credores com privilégio especial;</p><p>c) Credores com privilégio geral;</p><p>d) Credores quirografários;</p><p>e) Credores subordinados.</p><p>Diante disso, vale ressaltar que o plano de recuperação extrajudicial, em regra, não produz</p><p>efeitos pretéritos, conforme disposto no artigo 165 da LRE:</p><p>Art. 165. O plano de recuperação extrajudicial produz efeitos após sua</p><p>homologação judicial.</p><p>§ 1º É lícito, contudo, que o plano estabeleça a produção de efeitos anteriores</p><p>à homologação, desde que exclusivamente em relação à modificação do valor</p><p>ou da forma de pagamento dos credores signatários.</p><p>§ 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, caso o plano seja posteriormente rejeitado</p><p>pelo juiz, devolve-se aos credores signatários o direito de exigir seus créditos</p><p>nas condições originais, deduzidos os valores efetivamente pagos.</p><p>110</p><p>Mapa Mental</p><p>5.5 Falência</p><p>A falência possui três pressupostos para a instauração do processo especial de execução</p><p>concursal. Eles são:</p><p>a) Pressuposto material subjetivo: devedor empresário;</p><p>b) Pressuposto material objetivo: insolvência do devedor;</p><p>c) Pressuposto formal: sentença declaratória da falência.</p><p>Estando configurada algumas das situações previstas no artigo 94 da LRE, dar-se-á início</p><p>ao processo de falência:</p><p>Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:</p><p>I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida</p><p>materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse</p><p>o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência;</p><p>II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não</p><p>nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal;</p><p>Recuperação Extrajudicial</p><p>Plano de Recuperação</p><p>Assembleia de Credores</p><p>111</p><p>III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de</p><p>recuperação judicial:</p><p>a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio</p><p>ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos;</p><p>b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar</p><p>pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou</p><p>da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;</p><p>c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de</p><p>todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;</p><p>d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de</p><p>burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor;</p><p>e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar</p><p>com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;</p><p>f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes</p><p>para pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu</p><p>domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;</p><p>A análise dos pressupostos acima ocorre em uma fase pré-falimentar, na qual o juiz</p><p>analisará os requisitos e decidirá se decreta ou não a falência. Com isso, a declaração de</p><p>falência do empresário tem efeitos constitutivos. Por meio dela, o devedor é constituído em</p><p>estado de falência, dando início ao procedimento diferenciado de execução dos bens.</p><p>Neste caso, o devedor que teve a falência decretada sofrerá também a sua inabilitação</p><p>empresarial, conforme previsto no artigo 102 da LRE. Este traz que “O falido fica inabilitado</p><p>para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a</p><p>sentença que extingue suas obrigações, respeitado o disposto no § 1º do art. 181 desta Lei”.</p><p>Esse impedimento se estende até que seja dada uma sentença prevendo a extinção de suas</p><p>obrigações.</p><p>O processo falimentar será conduzido pelo administrador judicial, a quem caberá dar o</p><p>bom andamento ao processo falimentar. Nesta situação, a atividade do administrador pode</p><p>ser dividida em:</p><p>a) Arrecadação dos bens do devedor;</p><p>b) Verificação e habilitação dos créditos.</p><p>112</p><p>Mapa Mental</p><p>Falência</p><p>- Devedor empresário</p><p>- Insolvência do devedor</p><p>- Sentença declaratória de</p><p>falência</p><p>113</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BRASIL. Decreto-Lei n.7661, de 21 de junho de 1945. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del7661.htm>. Acesso em: 20 nov. 2019.</p><p>________. Lei n. 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regulamenta a recuperação judicial, a</p><p>extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11101.htm>. Acesso em: 20</p><p>nov. 2019.</p><p>________. Lei nº13.105, de 16 de março de 2015. Institui o</p><p>Código de Processo</p><p>Civil brasileiro. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-</p><p>2018/2015/lei/l13105.htm>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial: Direito de Empresa. 28ª ed. São Paulo:</p><p>Revista dos tribunais, 2016.</p><p>NOGUEIRA, Ricardo José Negrão. Curso de direito comercial e de empresa – títulos de</p><p>crédito. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial: esquematizado. 2ª ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense, São Paulo: MÉTODO, 2012.</p><p>TEIXEIRA, T. Direito Empresarial Sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del7661.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11101.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>114</p><p>6. Contratos Empresariais</p><p>O empresário se envolve, durante o exercício das suas atividades, em diversas</p><p>relações obrigacionais, o que gera a celebração de vários contratos em seu cotidiano. Na</p><p>rotina do empresário, ele irá celebrar contratos com instituições financeiras, como o de</p><p>empréstimo e depósito, contrato de compra e venda como adquirente e também na condição</p><p>de vendedor, contrato trabalhista para a aquisição de mais empregados que irão auxiliar no</p><p>desempenho das atividades, contrato de franquia de um modelo de negócio, contrato de</p><p>aluguel de bens móveis e também de bens imóveis, além de contratos com o poder público</p><p>para a prestação de serviço ou de vendas de mercadorias decorrentes de procedimentos</p><p>licitatórios.</p><p>Assim, fica evidente que o empresário firma, no decorrer da sua atividade, contratos de</p><p>naturezas diversas, o que o faz ter contato com os mais variados ramos do Direito.</p><p>Considerando que esses contratos podem ser pactuados com outros empresários ou não –</p><p>como no caso dos contratos de trabalho –, esclarecemos, desde já, que este trabalho irá focar</p><p>apenas nos contratos que possuem caráter estritamente empresarial.</p><p>Tanto os contratos cíveis quanto os contratos empresariais seguem as regras gerais</p><p>sobre obrigações previstas no Código Civil de 2002, que vão dos artigos 421 ao 480. Além</p><p>disso, existem várias regras que tratam sobre contratos em espécie que possuem aplicações</p><p>idênticas tanto para as relações empresariais quanto para as relações consideradas como</p><p>civis. Contudo, há nítida diferença entre eles e é imprescindível entendermos que é</p><p>característico dos contratos empresariais existir simetria entre contratantes que são</p><p>empresários, não havendo necessidade de tratamento diferenciado entre as duas partes,</p><p>devendo considerar o contrato como um negócio jurídico bilateral realizado por empresários.</p><p>6.1 Leasing ou Arrendamento Mercantil</p><p>É um modelo de contrato especial. Por meio dele o locatário de um bem tem a</p><p>prerrogativa de adquiri-lo no final do contrato, mediante o pagamento de uma diferença de</p><p>valor que é conhecida como valor residual.</p><p>O contrato de leasing ou arrendamento mercantil é um contrato de locação que, ao final</p><p>do contrato, assegura ao locatário as seguintes opções:</p><p>115</p><p>a) Renovar a locação do bem;</p><p>b) Encerrar o contrato;</p><p>c) Pagar o valor residual e adquirir o bem alugado.</p><p>Na legislação encontramos menção ao contrato de leasing na Lei nº. 6099/1974. Ela não</p><p>trata especificamente sobre a regulamentação desse tipo de contrato, mas sim sobre a forma</p><p>de tributação. O artigo 1º, de referido diploma legal, traz que:</p><p>O tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil reger-se-á</p><p>pelas disposições desta Lei.</p><p>Parágrafo único - Considera-se arrendamento mercantil, para os efeitos desta</p><p>Lei, o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de</p><p>arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, e que</p><p>tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora,</p><p>segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta.</p><p>Além disso, encontramos o leasing sendo tratado na Lei nº.11.649/2008. Porém, ela</p><p>não disciplina todas as formas de leasing, mas apenas sobre o que tem por objeto veículos</p><p>automotores. Tal situação pode ser vista em seu artigo 1º:</p><p>Nos contratos de arrendamento mercantil de veículos automotivos, após a</p><p>quitação de todas as parcelas vencidas e vincendas, das obrigações</p><p>pecuniárias previstas em contrato, e do envio ao arrendador de comprovante</p><p>de pagamento dos IPVAs e dos DPVATs, bem como das multas pagas nas</p><p>esferas Federal, Estaduais e Municipais, documentos esses acompanhados de</p><p>carta na qual a arrendatária manifesta formalmente sua opção pela compra do</p><p>bem, exigida pela Lei no 6.099, de 12 de setembro de 1974, a sociedade de</p><p>arrendamento mercantil, na qualidade de arrendadora, deverá, no prazo de até</p><p>trinta dias úteis, após recebimento destes documentos, remeter ao</p><p>arrendatário:</p><p>I – o documento único de transferência (DUT) do veículo devidamente assinado</p><p>pela arrendadora, a fim de possibilitar que o arrendatário providencie a</p><p>respectiva transferência de propriedade do veículo junto ao departamento de</p><p>trânsito do Estado;</p><p>II – a nota promissória vinculada ao contrato e emitida pelo arrendatário, se</p><p>houver, com o devido carimbo de “liquidada” ou “sem efeito”, bem como o termo</p><p>de quitação do respectivo contrato de arrendamento mercantil (leasing).</p><p>116</p><p>Parágrafo único. Considerar-se-á como nula de pleno direito qualquer cláusula</p><p>contratual relativa à operação de arrendamento mercantil de veículo automotivo</p><p>que disponha de modo contrário ao disposto neste artigo.</p><p>Outro documento que regulamenta o leasing no Brasil é a Resolução nº. 2.309/1996 do</p><p>Banco Central do Brasil (BACEN). Esta estabelece quem pode desenvolver a atividade de</p><p>arrendador, prescrevendo:</p><p>Art. 1º As operações de arrendamento mercantil com o tratamento tributário</p><p>previsto na Lei nº. 6.099, de 12.09.74, alterada pela Lei nº. 7.132, de 26.10.83,</p><p>somente podem ser realizadas por pessoas jurídicas que tenham como objeto</p><p>principal de sua atividade a prática de operações de arrendamento mercantil,</p><p>pelos bancos múltiplos com carteira de arrendamento mercantil e pelas</p><p>instituições financeiras que, nos termos do art. 13 deste Regulamento, estejam</p><p>autorizadas a contratar operações de arrendamento com o próprio vendedor</p><p>do bem ou com pessoas jurídicas a ele coligadas ou interdependentes.</p><p>Parágrafo único. As operações previstas neste artigo podem ser dos tipos</p><p>financeiro e operacional.</p><p>Assim, segundo o parágrafo único desse documento, existem dois tipos de operações,</p><p>quais sejam:</p><p>a) Leasing financeiro, que é a modalidade tradicional do leasing, segundo a qual o bem</p><p>objeto do contrato não pertence à empresa arrendadora; ele é indicado pelo</p><p>arrendatário. A arrendatária tem um alto custo para adquirir o bem, por isso as</p><p>prestações do aluguel terão valores que permitem que ocorra a recuperação desse</p><p>custo e, ao final, o valor residual será baixo.</p><p>b) Leasing operacional, no qual o bem arrendado já pertence à arrendadora. Neste caso,</p><p>ela apenas faz o aluguel, sem ter que gastar com o custo inicial de aquisição.</p><p>Geralmente, nessa modalidade, o custo final do valor residual é alto.</p><p>117</p><p>Mapa Mental</p><p>6.2 Alienação Fiduciária</p><p>É um contrato instrumental, pois em regra é formalizado para concretizar um outro</p><p>negócio jurídico. Por meio da alienação fiduciária, uma das partes aliena à outra a propriedade</p><p>de um bem móvel ou imóvel. Neste caso, a parte – geralmente uma instituição financeira –</p><p>fica obrigada a transferir à outra o bem que foi alienado como garantia do contrato quando</p><p>houver quitação do empréstimo.</p><p>O regramento legal sobre o contrato de alienação fiduciária de bens imóveis está</p><p>positivado nos artigos 22 a 33 da Lei nº. 9.514/97. Já a alienação fiduciária em garantia, dada</p><p>no âmbito do mercado financeiro</p><p>e de capitais, está disciplinada no artigo 66-B da Lei nº.</p><p>4.728/65. Por sua vez, os regramentos processuais aplicáveis a este contrato estão previstos</p><p>no Decreto Lei nº. 911/69. Demais disso, o Código Civil de 2002, nos artigos 1.316 a 1.368,</p><p>trata sobre a propriedade fiduciária. Assim, conforme se percebe, a modalidade contratual</p><p>alienação fiduciária não está regulamentada em apenas um diploma legal. Pelo contrário, é</p><p>tratada de forma esparsa, ou seja, em diversas legislações.</p><p>Apesar dessas diversas regulamentações, esse tipo de contrato, muito comum no</p><p>Brasil, gera várias situações controversas. Uma delas diz respeito ao fato de o contrato de</p><p>alienação fiduciária ser utilizado como forma de refinanciamento, ação corriqueira em uma</p><p>situação de crise financeira em que o sujeito utiliza um bem de sua propriedade para garantir</p><p>um contrato de mútuo (empréstimo) feito perante uma instituição financeira. Em função disso,</p><p>Leasing</p><p>Leasing Financeiro</p><p>Bem não</p><p>pertence à</p><p>empresa</p><p>Valor residual</p><p>baixo</p><p>Leasing Operacional</p><p>Bem da</p><p>arrendadora</p><p>Valor residual</p><p>alto</p><p>118</p><p>o STJ editou a súmula nº. 28, que traz que: “O contrato de alienação fiduciária em garantia</p><p>pode ter por objeto bem que já integrava o patrimônio do devedor”.</p><p>6.3 Contratos Bancários</p><p>A atividade dos bancos é extremamente importante para as atividades comerciais, já</p><p>que eles são as instituições financeiras que permitem que os empresários tenham acesso a</p><p>linhas de crédito para movimentar os seus empreendimentos. No Brasil, a atividade dos</p><p>bancos é regulamentada pela Lei nº. 4.595/1964, que traz, em seu artigo 17, o conceito de</p><p>instituição financeira. Vejamos:</p><p>Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor,</p><p>as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal</p><p>ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros</p><p>próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de</p><p>valor de propriedade de terceiros.</p><p>Desta forma, podemos definir contratos bancários como aqueles estabelecidos e</p><p>formalizados pelo banco com a finalidade de coletar, intermediar ou aplicar recursos</p><p>financeiros, no exercício de sua atividade financeira. Então, são condições para a</p><p>configuração de um contrato bancário:</p><p>a) Ter em uma das partes uma instituição financeira;</p><p>b) A atividade ser caracterizada como bancária.</p><p>Entretanto, em razão dos contratos bancários estarem ligados ao cotidiano de todos os</p><p>brasileiros e não apenas dos empresários, eles são um dos maiores ensejadores de ações</p><p>judiciais no país. Em razão da grande repercussão dos julgados sobre casos repetidos, os</p><p>tribunais superiores emitiram diversas súmulas referente aos contratos bancários. São</p><p>exemplos:</p><p>Súmula 30: “A comissão de permanência e a correção monetária são</p><p>inacumuláveis”.</p><p>Súmula 294: “Não é protestativa a cláusula contratual que prevê a comissão de</p><p>permanência, calculada pela taxa média de mercado apurada pelo Banco</p><p>Central do Brasil, limitada à taxa do contrato”.</p><p>119</p><p>Súmula 296: “Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a comissão de</p><p>permanência, são devidos no período de inadimplência, à taxa média de</p><p>mercado estipulada pelo Banco Central do Brasil, limitada ao percentual</p><p>contratado”.</p><p>Súmula 379: “Nos contratos bancários não regidos por legislação específica,</p><p>os juros moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês”.</p><p>Súmula 380: “A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a</p><p>caracterização da mora do autor”.</p><p>Súmula 381: "Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de</p><p>ofício, da abusividade das cláusulas".</p><p>Súmula 382: “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano,</p><p>por si só, não indica abusividade”.</p><p>Com tais súmulas, os tribunais superiores tentam unificar os entendimentos que</p><p>possam surgir na execução dos contratos, de forma a proporcionar maior segurança jurídica</p><p>às próprias instituições financeiras, bem como para os sujeitos que se relacionam com elas,</p><p>incluindo os empresários. Contudo, tal tarefa é árdua, pois sempre surgem novas discussões</p><p>envolvendo os contratos bancários.</p><p>Além da Lei nº. 4.595/1964, há previsão constitucional sobre os contratos bancários</p><p>também no artigo 192 da CF/88.</p><p>6.4 Locação Empresarial</p><p>O contrato de locação empresarial também é conhecido como locação não residencial e,</p><p>para garantir proteção ao ponto comercial, a legislação traz algumas garantias para o</p><p>empresário. No caso, o locatário está autorizado a explorar atividade comercial no local e,</p><p>atendidos certos requisitos, poderá pleitear a renovação compulsória do contrato de aluguel.</p><p>Para um contrato ser considerado não residencial e ser passível da medida renovatória, é</p><p>preciso atender a três requisitos:</p><p>a) Locatário deve ser empresário;</p><p>b) Locação por prazo determinado, no mínimo de 5 anos;</p><p>c) O locatário deve explorar no local a mesma atividade econômica de forma ininterrupta</p><p>por no mínimo 3 anos.</p><p>120</p><p>Atendidos esses requisitos, poderá o locador fazer o uso do benefício da renovação</p><p>compulsória, chamado tutela de garantia de inerência no ponto. Com ela, busca-se garantir</p><p>que o empresário continue estabelecido naquele mesmo imóvel já locado.</p><p>As locações são regulamentadas pela Lei de Locações (Lei nº. 8.245/91), que trata sobre</p><p>a locação residencial e não residencial. Desta forma, é nela que estão estipuladas as regras</p><p>para o empresário exercer o direito da renovação compulsória.</p><p>Art. 51 Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito</p><p>a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente:</p><p>I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo</p><p>determinado;</p><p>II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos</p><p>dos contratos escritos seja de cinco anos;</p><p>III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo</p><p>mínimo e ininterrupto de três anos.</p><p>§ 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido pelos cessionários</p><p>ou sucessores da locação; no caso de sublocação total do imóvel, o direito a</p><p>renovação somente poderá ser exercido pelo sublocatário.</p><p>§ 2º Quando o contrato autorizar que o locatário utilize o imóvel para as</p><p>atividades de sociedade de que faça parte e que a esta passe a pertencer o</p><p>fundo de comércio, o direito a renovação poderá ser exercido pelo locatário ou</p><p>pela sociedade.</p><p>§ 3º Dissolvida a sociedade comercial por morte de um dos sócios, o sócio</p><p>sobrevivente fica sub - rogado no direito a renovação, desde que continue no</p><p>mesmo ramo.</p><p>§ 4º O direito a renovação do contrato estende - se às locações celebradas por</p><p>indústrias e sociedades civis com fim lucrativo, regularmente constituídas,</p><p>desde que ocorrentes os pressupostos previstos neste artigo.</p><p>§ 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno</p><p>de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da</p><p>finalização do prazo do contrato em vigor.</p><p>Contudo, o direito de renovação compulsória do contrato de locação não é absoluto.</p><p>Ele não é oponível ao direito de propriedade do locador, assegurado pela CF. Dessa forma, o</p><p>121</p><p>legislador apresentou, na Lei de Locações (Lei nº. 8245/91), situações de exceção à</p><p>renovação compulsória, como pode-se ler a seguir:</p><p>Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se:</p><p>I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que</p><p>importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações de tal</p><p>natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade;</p><p>II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo</p><p>de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital</p><p>o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente.</p><p>Art. 72. A contestação do</p><p>em seu Livro II, Título I, trata do “Do Direito de Empresa”. Percebemos, neste</p><p>ponto, uma substituição da figura do comerciante pela figura do empresário. Essa mudança é</p><p>muito mais ampla do que parece e não se trata de mera modificação terminológica. Na prática,</p><p>ela representa o abandono da Teoria dos Atos de Comércio e a incorporação, no direito</p><p>brasileiro, da Teoria da Empresa. Junto com a figura do empresário surge a noção de</p><p>profissionalismo no exercício da atividade econômica, que é tida como aquela que é</p><p>organizada para produzir e circular bens e serviços, conforme se depreende do artigo 966 do</p><p>CC/02.</p><p>Com a adoção no Código Civil da Teoria da Empresa, podemos considerar como superada</p><p>no direito brasileiro a Teoria dos Atos de Comércio. Dessa forma, as noções de atos de</p><p>comércio e comerciante se tornaram ultrapassadas e foram substituídas pelo conceito</p><p>moderno de empresa e de empresário.</p><p>10</p><p>1.2 Conceito</p><p>No Brasil, com o advento do Código Civil de 2002, o Código Comercial de 1850 foi</p><p>revogado, restando em vigor apenas a parte relativa ao comércio marítimo. . O Código Civil</p><p>trouxe todo um Livro dedicado ao Direito de Empresa, afastando-se definitivamente da teoria</p><p>dos atos de comércio e incorporando a teoria da empresa em nosso ordenamento</p><p>jurídico.Neste sentido, o Direito Empresarial é um ramo do Direito e, assim como o Direito</p><p>Civil, também se insere no gênero Direito Privado. Ambos estabelecem uma profunda relação</p><p>com o direito obrigacional.</p><p>Como vimos, o Direito Empresarial surgiu a partir das corporações de ofícios, pela</p><p>necessidade dos comerciantes que buscavam facilitar as práticas de mercancia. Essa tradição</p><p>é mantida até os dias atuais, já que o Direito Empresarial tem regras que o diferenciam do</p><p>Direito Civil, por isso se trata de ramo autônomo. A justificação dessa dicotomia está na</p><p>celeridade costumeira dos atos comerciais.</p><p>Parcela da doutrina confere caráter universalista para o Direito Empresarial, por</p><p>entender que seus regulamentos ultrapassam as fronteiras nacionais. Por isso encontramos</p><p>diversas leis uniformes oriundas da ratificação de tratados internacionais presentes no</p><p>ordenamento jurídico comercial brasileiro, como a lei sobre títulos de crédito e a lei da</p><p>propriedade industrial, sobre os quais trataremos com detalhes mais à frente.</p><p>Por hora, de forma sintética, podemos definir Direito Empresarial como um ramo jurídico</p><p>autônomo e independente, que tem como função regular as atividades econômicas dos</p><p>empresários. Engloba um emaranhado de normas (regras e princípios) de aplicação</p><p>específica aos agentes econômicos, que agora são chamados de empresários, mas que</p><p>outrora eram conhecidos como comerciantes.</p><p>Entretanto, é importante ressaltar que o Código Civil de 2002 traz algumas normas que</p><p>se aplicam aos empresários e aos não empresários, sem fazer qualquer distinção entre</p><p>empresário civil e comercial. Sobre isso, encontramos no artigo 966 do CC/02 a seguinte</p><p>definição para empresário: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente</p><p>atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”.</p><p>Esse conceito, observada a restrição disposta no parágrafo único, do artigo 966, é utilizado</p><p>para definir a quem as normas do direito empresarial serão aplicadas.</p><p>11</p><p>1.3 Princípios</p><p>Por ser o Direito Empresarial um ramo autônomo, possui princípios e normas próprios.</p><p>Além disso, pelo fato de o Direito Empresarial se tratar de regime jurídico especial do direito</p><p>privado que disciplina a atividade econômica organizada, nele encontraremos os princípios</p><p>fundantes da defesa (proteção) e da preservação do empresário e da sociedade empresária,</p><p>por serem imprescindíveis para o capitalismo. A seguir, trataremos sobre os princípios do</p><p>direito empresarial.</p><p>1.3.1 Liberdade de Iniciativa</p><p>A liberdade de iniciativa é dos princípios estruturantes do Direito Empresarial. No</p><p>ordenamento pátrio, é um dos fundamentos do Estado (artigo 1º, inciso IV, da CF/88), e</p><p>também pode ser encontrado no artigo 170 da Constituição Federal de 1988, segundo o qual</p><p>“A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por</p><p>fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os</p><p>seguintes princípios”.</p><p>Assim, a livre iniciativa garante a possibilidade de todos poderem empreender, não</p><p>podendo o Estado obstar que o empresário desenvolva sua atividade. A CF/88 atribui ao</p><p>particular o papel de desenvolver a produção de bens e de serviços que são fundamentais</p><p>para a sociedade. Deste modo, a livre iniciativa é manifestação de liberdade para os</p><p>empresários e também para o trabalhador, mas sempre preservando-se o interesse da</p><p>coletividade. Além disso, cabe ao Estado apenas uma função supletiva a ser exercida em</p><p>situações como nos casos de abusos praticados pelo particular, como nos crimes contra a</p><p>ordem econômica ou quando a atividade que o particular pretenda desempenhar seja</p><p>essencial para o Estado.</p><p>1.3.2 Liberdade de Concorrência</p><p>A livre concorrência é um princípio basilar para o Direito Empresarial. Encontra-se</p><p>positivado na CF/88, no inciso IV, do artigo 170, que expressamente consigna a livre</p><p>concorrência como um princípio da ordem econômica. Consiste na liberdade, conferida a</p><p>todos aqueles que desejam exercer a atividade empresária, de entrar no mercado sem</p><p>12</p><p>qualquer empecilho, bem como de competir em um mercado sem intervenções e</p><p>favorecimentos.</p><p>Todavia, para se ter um mercado equilibrado e justo, o Estado deverá intervir nos casos</p><p>de abuso contra a ordem econômica. Assim, a atuação estatal é essencial, de forma a manter</p><p>a ordem e o equilíbrio do mercado. Nesses casos, geralmente a intervenção estatal ocorre</p><p>através do CADE (Conselho Administrativo de Defesa econômica), cuja finalidade é a de</p><p>orientar, prevenir, fiscalizar e a de impedir abusos do poder econômico.</p><p>A despeito do discorrido, na situação atual o excesso de regulamentação pelo Estado,</p><p>por vezes, impede a livre concorrência, na medida em que os empresários que já se</p><p>encontram estabelecidos possuem mais facilidades em se adaptar às novas regras e passam</p><p>a utilizá-las para impedir que novos empresários entrem nesse mercado. A “captura</p><p>regulatória”, que que ocorre quando uma entidade estatal favorece interesses privados,</p><p>geralmente de quem domina o mercado, é um dos maiores riscos que o Estado pode gerar à</p><p>livre concorrência, uma vez que regulamentar o mercado favorecendo os interesses dos</p><p>dominadores sobre determinadas atividades pode ocasionar o surgimento de Oligopólios,</p><p>Duopólios ou Monopólios.</p><p>1.3.3 Garantia e Defesa da Propriedade Privada</p><p>A garantia e a defesa da propriedade privada trata-se de um princípio que também tem</p><p>previsão constitucional, por estar disposto no inciso II, do art. 170, da CF. O referido princípio</p><p>prevê que à propriedade privada deve ser assegurada proteção estatal, garantindo aos</p><p>agentes que atuam na ordem econômica a apropriação dos bens e dos meios de produção.</p><p>Ao lado da livre iniciativa e da livre concorrência, a propriedade privada forma a tríade</p><p>estruturante do Direito Empresarial.</p><p>Em uma sociedade baseada no capitalismo de livre mercado, garantir a propriedade</p><p>dos bens e dos meios de produção é essencial, pois não existe mercado sem a propriedade,</p><p>e sem mercado, não se consegue precificar a mão de obra, os produtos e os serviços. Dessa</p><p>forma, caberia ao Estado implementar um planejamento central da economia e determinar</p><p>todos esses preços. Assim, é por meio da garantia da propriedade que o mercado consegue</p><p>garantir o funcionamento do capitalismo e, ao mesmo tempo, com a garantia da propriedade</p><p>13</p><p>privada se estabelece o cálculo econômico da sociedade, que é uma das regras basilares da</p><p>sustentação do modelo econômico baseado no capital.</p><p>1.3.4</p><p>locador, além da defesa de direito que possa caber,</p><p>ficará adstrita, quanto à matéria de fato, ao seguinte:</p><p>I - não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei;</p><p>II - não atender, a proposta do locatário, o valor locativo real do imóvel na época</p><p>da renovação, excluída a valorização trazida por aquele ao ponto ou lugar;</p><p>III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores;</p><p>IV - não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52).</p><p>Essas situações criadas pela própria CF buscam trazer os casos em que a renovação</p><p>compulsória não terá aplicação, ineficácia esta ocorrida em virtude da tutela prevista pelo</p><p>direito de propriedade.</p><p>6.5 Compra e Venda Mercantil</p><p>Quando em uma transação, vendedor e comprador são empresários, ocorre uma</p><p>compra e venda mercantil. Neste caso, há o contrato elementar, motivo principal da atividade</p><p>empresarial. Em regra, os contratos de compra e venda mercantil possuem natureza cível e</p><p>estão sujeitos às regras do Código Civil de 2002.</p><p>122</p><p>Assim, é um contrato consensual, bastando que as partes se entendam quanto ao</p><p>produto e ao preço, que deverá ser em dinheiro. Caso a transação não envolva dinheiro e sim</p><p>troca, o contrato não se caracteriza como de compra e venda, mas sim como de permuta.</p><p>Em relação ao preço, em conformidade com o princípio da liberdade econômica dos</p><p>preços em acordo com o viés neoliberal adotado CF/88, este será fixado de forma livre pelas</p><p>partes envolvidas na transação. Desta forma, o contrato de compra e venda estabelece duas</p><p>obrigações principais: a de entregar o produto e a de pagar o preço.</p><p>Quanto à execução do contrato, ele pode se dar em três momentos:</p><p>a) Imediata: as obrigações são cumpridas logo após a conclusão do contrato;</p><p>b) Diferida: uma data futura é estabelecida pelo comprador e pelo vendedor para o</p><p>cumprimento das obrigações;</p><p>c) Continuada: a execução do contrato se estende em diversos atos, configurando-se a</p><p>chamada de venda complexa.</p><p>O não cumprimento do contrato pelo vendedor pode ensejar direito à indenização ao</p><p>comprador, conforme previsto no artigo 475 do CC/02. Segundo este: “A parte lesada pelo</p><p>inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento,</p><p>cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos”. Contudo, o comprador</p><p>não tem um direito real sobre a coisa; ele apenas poderá pedir uma indenização pelo</p><p>inadimplemento do contrato.</p><p>Em regra, cabe ao vendedor a responsabilidade pela entrega da coisa, que contratará, por</p><p>sua conta e risco, o transporte para efetivar a tradição. Sobre isso, o artigo 490 do CC traz</p><p>que “Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do</p><p>comprador e a cargo do vendedor as da tradição”. Também é de responsabilidade do</p><p>vendedor eventuais vícios redibitórios ou de evicção existentes sobre o bem.</p><p>6.6 Franquia</p><p>Uma forma de o empreendedor diminuir o risco de um negócio é a utilização de uma</p><p>estrutura organizacional já existente, por meio de um contrato de franquia. A regulamentação</p><p>123</p><p>do contrato de franquia estava prevista na Lei 8.955/94, que fora revogada pela Lei nº.</p><p>13.966/2019. Esta, em seu artigo 1º, define franquia empresarial como:</p><p>Sistema de franquia empresarial, pelo qual um franqueador autoriza por meio</p><p>de contrato um franqueado a usar marcas e outros objetos de propriedade</p><p>intelectual, sempre associados ao direito de produção ou distribuição exclusiva</p><p>ou não exclusiva de produtos ou serviços e também ao direito de uso de</p><p>métodos e sistemas de implantação e administração de negócio ou sistema</p><p>operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador, mediante remuneração</p><p>direta ou indireta, sem caracterizar relação de consumo ou vínculo</p><p>empregatício em relação ao franqueado ou a seus empregados, ainda que</p><p>durante o período de treinamento.</p><p>O contrato de franquia atende tanto aos interesses do franqueado quanto aos</p><p>interesses do franqueador. Assim, o franqueador tem como objetivo expandir os seus</p><p>negócios, enquanto o franqueado procura, por meio da franquia, diminuir os riscos do</p><p>empreendimento, pois via de regra se insere em um negócio sólido e com uma estrutura</p><p>administrativa e empresarial experiente.</p><p>No contrato de franquia também serão estabelecidos outros contratos, como o de cessão</p><p>de uso da marca, de patente e o de distribuição exclusiva de produtos ou serviços. Nesse</p><p>sentido, o franqueado irá fornecer o seguinte serviço de organização empresarial:</p><p>a) Engineering: que é a orientação de montagem do estabelecimento;</p><p>b) Management: que consiste no treinamento da equipe;</p><p>c) Marketing: que serão as orientações de procedimentos de divulgação e promoção.</p><p>Além disso, o franqueador que tiver interesse em expandir os seus negócios deverá</p><p>disponibilizar aos potenciais franqueados uma Circular de Oferta de Franquia (COF). Esse</p><p>documento tem por objetivo dar transparência ao negócio e está previsto no artigo 2º da Lei</p><p>nº. 13.966/2019:</p><p>Art. 2º Para a implantação da franquia, o franqueador deverá fornecer ao</p><p>interessado Circular de Oferta de Franquia, escrita em língua portuguesa, de</p><p>forma objetiva e acessível, contendo obrigatoriamente:</p><p>I- histórico resumido do negócio franqueado;</p><p>124</p><p>II - qualificação completa do franqueador e das empresas a que esteja ligado,</p><p>identificando-as com os respectivos números de inscrição no Cadastro</p><p>Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);</p><p>III - balanços e demonstrações financeiras da empresa franqueadora, relativos</p><p>aos 2 (dois) últimos exercícios;</p><p>IV - indicação das ações judiciais relativas à franquia que questionem o sistema</p><p>ou que possam comprometer a operação da franquia no País, nas quais sejam</p><p>parte o franqueador, as empresas controladoras, o subfranqueador e os</p><p>titulares de marcas e demais direitos de propriedade intelectual;</p><p>V - descrição detalhada da franquia e descrição geral do negócio e das</p><p>atividades que serão desempenhadas pelo franqueado;</p><p>VI - perfil do franqueado ideal no que se refere a experiência anterior,</p><p>escolaridade e outras características que deve ter, obrigatória ou</p><p>preferencialmente;</p><p>VII - requisitos quanto ao envolvimento direto do franqueado na operação e na</p><p>administração do negócio;</p><p>VIII - especificações quanto ao:</p><p>a) total estimado do investimento inicial necessário à aquisição, à implantação</p><p>e à entrada em operação da franquia;</p><p>b) valor da taxa inicial de filiação ou taxa de franquia;</p><p>c) valor estimado das instalações, dos equipamentos e do estoque inicial e suas</p><p>condições de pagamento;</p><p>IX - informações claras quanto a taxas periódicas e outros valores a serem</p><p>pagos pelo franqueado ao franqueador ou a terceiros por este indicados,</p><p>detalhando as respectivas bases de cálculo e o que elas remuneram ou o fim</p><p>a que se destinam, indicando, especificamente, o seguinte:</p><p>a) remuneração periódica pelo uso do sistema, da marca, de outros objetos de</p><p>propriedade intelectual do franqueador ou sobre os quais este detém direitos</p><p>ou, ainda, pelos serviços prestados pelo franqueador ao franqueado;</p><p>b) aluguel de equipamentos ou ponto comercial;</p><p>c) taxa de publicidade ou semelhante;</p><p>d) seguro mínimo;</p><p>125</p><p>X - relação completa de todos os franqueados, subfranqueados ou</p><p>subfranqueadores da rede e, também, dos que se desligaram nos últimos 24</p><p>(vinte quatro) meses, com os respectivos nomes, endereços e telefones;</p><p>XI - informações relativas à política de atuação territorial, devendo ser</p><p>especificado:</p><p>a) se é garantida ao franqueado a exclusividade ou a preferência sobre</p><p>determinado território de atuação e, neste caso, sob que condições;</p><p>b) se há possibilidade de o franqueado realizar vendas ou prestar serviços fora</p><p>de seu território ou realizar exportações;</p><p>c) se há e quais são as regras de concorrência territorial entre unidades</p><p>próprias e franqueadas;</p><p>XII - informações claras</p><p>e detalhadas quanto à obrigação do franqueado de</p><p>adquirir quaisquer bens, serviços ou insumos necessários à implantação,</p><p>operação ou administração de sua franquia apenas de fornecedores indicados</p><p>e aprovados pelo franqueador, incluindo relação completa desses</p><p>fornecedores;</p><p>XIII - indicação do que é oferecido ao franqueado pelo franqueador e em quais</p><p>condições, no que se refere a:</p><p>a) suporte;</p><p>b) supervisão de rede;</p><p>c) serviços;</p><p>d) incorporação de inovações tecnológicas às franquias;</p><p>e) treinamento do franqueado e de seus funcionários, especificando duração,</p><p>conteúdo e custos;</p><p>f) manuais de franquia;</p><p>g) auxílio na análise e na escolha do ponto onde será instalada a franquia; e</p><p>h) leiaute e padrões arquitetônicos das instalações do franqueado, incluindo</p><p>arranjo físico de equipamentos e instrumentos, memorial descritivo,</p><p>composição e croqui;</p><p>XIV - informações sobre a situação da marca franqueada e outros direitos de</p><p>propriedade intelectual relacionados à franquia, cujo uso será autorizado em</p><p>contrato pelo franqueador, incluindo a caracterização completa, com o número</p><p>126</p><p>do registro ou do pedido protocolizado, com a classe e subclasse, nos órgãos</p><p>competentes, e, no caso de cultivares, informações sobre a situação perante o</p><p>Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC);</p><p>XV - situação do franqueado, após a expiração do contrato de franquia, em</p><p>relação a:</p><p>a) know-how da tecnologia de produto, de processo ou de gestão, informações</p><p>confidenciais e segredos de indústria, comércio, finanças e negócios a que</p><p>venha a ter acesso em função da franquia;</p><p>b) implantação de atividade concorrente à da franquia;</p><p>XVI - modelo do contrato-padrão e, se for o caso, também do pré-contrato-</p><p>padrão de franquia adotado pelo franqueador, com texto completo, inclusive</p><p>dos respectivos anexos, condições e prazos de validade;</p><p>XVII - indicação da existência ou não de regras de transferência ou sucessão</p><p>e, caso positivo, quais são elas;</p><p>XVIII - indicação das situações em que são aplicadas penalidades, multas ou</p><p>indenizações e dos respectivos valores, estabelecidos no contrato de franquia;</p><p>XIX - informações sobre a existência de cotas mínimas de compra pelo</p><p>franqueado junto ao franqueador, ou a terceiros por estes designados, e sobre</p><p>a possibilidade e as condições para a recusa dos produtos ou serviços exigidos</p><p>pelo franqueador;</p><p>XX - indicação de existência de conselho ou associação de franqueados, com</p><p>as atribuições, os poderes e os mecanismos de representação perante o</p><p>franqueador, e detalhamento das competências para gestão e fiscalização da</p><p>aplicação dos recursos de fundos existentes;</p><p>XXI - indicação das regras de limitação à concorrência entre o franqueador e</p><p>os franqueados, e entre os franqueados, durante a vigência do contrato de</p><p>franquia, e detalhamento da abrangência territorial, do prazo de vigência da</p><p>restrição e das penalidades em caso de descumprimento;</p><p>XXII - especificação precisa do prazo contratual e das condições de renovação,</p><p>se houver;</p><p>XXIII - local, dia e hora para recebimento da documentação proposta, bem</p><p>como para início da abertura dos envelopes, quando se tratar de órgão ou</p><p>entidade pública.</p><p>Ressalte-se que a Circular de Oferta e Franquia deverá ser encaminhada para o</p><p>franqueado 10 dias antes da assinatura do contrato de franquia, de forma que esse fique ciente</p><p>127</p><p>de todas as situações relacionadas ao negócio que pretende iniciar. Tal requisito é essencial,</p><p>pois na hipótese de não cumprimento desta regra pelo franqueador, possibilitará ao</p><p>franqueado requerer a anulação do negócio e, por conseguinte, exigir o reembolso de todas</p><p>as quantias pagas para o franqueador e terceiros.</p><p>Tal circular vincula a proposta do franqueador e do franqueado, tendo objetivo trazer</p><p>transparência ao negócio. Assim, é a forma do franqueador conhecer o negócio e analisar a</p><p>sua viabilidade econômica.</p><p>6.7 Representação Comercial</p><p>O contrato de representação comercial deriva de uma relação autônoma estabelecida</p><p>entre o representante comercial autônomo e o representado. Desta forma, é a atividade de</p><p>intermediação de vendas exercida com habitualidade. O representante comercial se obriga a</p><p>obter clientes e enviar pedidos para o representado, que, por sua vez, obriga-se a pagar a</p><p>comissão pelas vendas que o representante fizer.</p><p>Não há que se falar em relação trabalhista, já que não existe vínculo empregatício entre</p><p>o representante comercial autônomo e o representado. A subordinação existente é apenas de</p><p>âmbito empresarial, uma vez que o representante comercial autônomo é um empresário</p><p>pessoa física ou jurídica. Assim, a ingerência existente nessa relação deve se resumir à forma</p><p>de exploração do negócio, não recaindo sobre a pessoa do representante comercial.</p><p>O representante comercial está definido no artigo 1º da Lei nº. 4.886/65, que dispõe:</p><p>Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa</p><p>física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual por</p><p>conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios</p><p>mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmiti-los aos</p><p>representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos</p><p>negócios.</p><p>A representação se difere do mandato na medida em que o representante não tem</p><p>poderes para fechar negócios em nome do representado. Sempre caberá ao representado a</p><p>definição sobre a venda. Desta forma, conforme se extrai do parágrafo único, do artigo 1º da</p><p>Lei nº. 4.886/65: “Quando a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato</p><p>128</p><p>mercantil, serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação</p><p>comercial”.</p><p>Os requisitos do contrato de representação comercial estão previstos no artigo 27 da</p><p>Lei nº.4.886/65:</p><p>Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e outros</p><p>a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente:</p><p>a) condições e requisitos gerais da representação;</p><p>b) indicação genérica ou específica dos produtos ou artigos objeto da</p><p>representação;</p><p>c) prazo certo ou indeterminado da representação</p><p>d) indicação da zona ou zonas em que será exercida a representação;</p><p>e) garantia ou não, parcial ou total, ou por certo prazo, da exclusividade de zona</p><p>ou setor de zona;</p><p>f) retribuição e época do pagamento, pelo exercício da representação,</p><p>dependente da efetiva realização dos negócios, e recebimento, ou não, pelo</p><p>representado, dos valores respectivos;</p><p>g) os casos em que se justifique a restrição de zona concedida com</p><p>exclusividade;</p><p>h) obrigações e responsabilidades das partes contratantes;</p><p>i) exercício exclusivo ou não da representação a favor do representado;</p><p>j) indenização devida ao representante pela rescisão do contrato fora dos casos</p><p>previstos no art. 35, cujo montante não poderá ser inferior a 1/12 (um doze</p><p>avos) do total da retribuição auferida durante o tempo em que exerceu a</p><p>representação.</p><p>§ 1° Na hipótese de contrato a prazo certo, a indenização corresponderá à</p><p>importância equivalente à média mensal da retribuição auferida até a data da</p><p>rescisão, multiplicada pela metade dos meses resultantes do prazo contratual.</p><p>§ 2° O contrato com prazo determinado, uma vez prorrogado o prazo inicial,</p><p>tácita ou expressamente, torna-se a prazo indeterminado.</p><p>§ 3° Considera-se por prazo indeterminado todo contrato que suceder, dentro</p><p>de seis meses, a outro contrato, com ou sem determinação de prazo.</p><p>129</p><p>Por outro lado, o representado e o representante comercial, poderão rescindir o</p><p>contrato de representação conforme previsto nos artigos 35 e 37 da Lei nº. 4.886/65:</p><p>Art. 35 Constituem motivos justos para rescisão do contrato de representação</p><p>comercial, pelo representado:</p><p>a) a desídia do representante no cumprimento das obrigações decorrentes do</p><p>contrato;</p><p>b) a prática de atos que importem em descrédito comercial do representado;</p><p>c) a falta de cumprimento de quaisquer obrigações inerentes ao contrato de</p><p>representação comercial;</p><p>d) a condenação definitiva por crime considerado infamante;</p><p>e) força maior.</p><p>Art. 36. Constituem motivos justos para rescisão do contrato de representação</p><p>comercial, pelo representante:</p><p>a) redução de esfera de atividade do representante em desacordo com as</p><p>cláusulas do contrato;</p><p>b) a quebra, direta ou indireta, da exclusividade, se prevista no contrato;</p><p>c) a fixação abusiva de preços em relação à zona do representante, com o</p><p>exclusivo escopo de impossibilitar-lhe ação regular;</p><p>d) o não-pagamento de sua retribuição na época devida;</p><p>e) força maior.</p><p>Porém, se houver justo motivo para rescisão contratual, o representado tem a</p><p>possibilidade de reter comissões do representante comercial para o ressarcimento de</p><p>eventuais prejuízos causados.</p><p>Tais determinações são regidas pela Lei nº. 4.886/65, que posteriormente foi alterada</p><p>pela Lei nº. 8.420/92, ambas regulamentam a atuação do representante comercial. Além disso,</p><p>o código civil de 2002 também trata sobre a matéria nos artigos 710 a 721.</p><p>130</p><p>6.8 Contrato de Seguro</p><p>Historicamente o contrato de seguro tem sua origem ligada ao comércio marítimo, já que</p><p>foi a intensificação destes que gerou nos mercadores o medo de perder suas mercadorias</p><p>pelas intempéries encontradas nas viagens em alto mar e a busca por formas de assegurá-</p><p>las. Atualmente, em nosso ordenamento jurídico, o contrato de seguro está regulamentado no</p><p>Código Civil, em seu artigo 757, que dispõe: “Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga,</p><p>mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo à pessoa</p><p>ou à coisa, contra riscos predeterminados”. Dessa definição podemos extrair os seguintes</p><p>conceitos:</p><p>a) Segurado: aquele que paga o prêmio e tem a garantia de proteção;</p><p>b) Segurador: aquele que recebe o prêmio e assume as obrigações derivadas dos riscos</p><p>preestabelecidos.</p><p>Com isso, o contrato de seguro é um acordo de vontades que se dá pela adesão do</p><p>segurado. Neste sentido, as cláusulas constantes do contrato de seguro são decorrentes de</p><p>um acordo prévio. Contudo, elas deverão observar as regras estipuladas pela</p><p>Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Essa exigência de regulamentação da</p><p>atividade pela SUSEP classifica o contrato de seguro também como um contrato dirigido.</p><p>Em razão da grande importância que o contrato do seguro tem no mercado esse negócio</p><p>está submetido a forte regulamentação Estatal, que é feita por meio do Sistema Nacional de</p><p>Seguros Privados (CNSP). O CNSP possui atribuições gerais de regulamentação e</p><p>normatização.</p><p>Com isso, as regras pertinentes ao contrato de seguro contidas no Código Civil, possuem</p><p>aplicação de natureza supletiva aos contratos que possuem regulamentação especial,</p><p>conforme previsto no artigo 777: “O disposto no presente Capítulo aplica-se, no que couber,</p><p>aos seguros regidos por leis próprias”.</p><p>Em relação à extinção do contrato de seguro, em observância ao princípio da boa-fé, o</p><p>legislador previu que o segurado que intencionalmente criar situação que aumente os riscos</p><p>131</p><p>envolvendo o objeto do contrato poderá gerar a extinção do contrato, nos termos do artigo 768</p><p>do CC/02. Este traz que “O segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente</p><p>o risco objeto do contrato”.</p><p>6.9 Factoring</p><p>No mercado, é comum que o empresário realize vendas a crédito para facilitar a</p><p>concretização das transações com seus clientes. O crédito é muito importante para fomentar</p><p>a viabilidade negocial do empreendimento. Todavia, gera risco financeiro para o empresário,</p><p>que passa a ter que gerenciar o risco da insolvência de seus clientes.</p><p>O contrato de factoring, também conhecido como contrato de fomento mercantil ou de</p><p>faturização, é o instrumento pelo qual a faturizadora (instituição financeira) assume as</p><p>atribuições sobre a administração do crédito do empresário. Por meio do contrato de factoring,</p><p>a instituição financeira assume três obrigações:</p><p>a) Fazer a gestão dos créditos, fazendo o acompanhamento das datas de vencimento,</p><p>inclusive realizando os atos de cobrança dos eventuais devedores;</p><p>b) Assumir o risco de eventuais inadimplementos que venham a ocorrer;</p><p>c) Garantir o pagamento das faturas.</p><p>Alguns contratos de factoring também fazem a antecipação dos valores devidos ao</p><p>empresário. Contudo, essa antecipação não é obrigatória; daí essa dualidade resultar nas</p><p>seguintes espécies contratuais:</p><p>a) Conventional factoring: tem previsão de antecipação dos valores dos créditos</p><p>faturizados, por isso, a remuneração da instituição financeira costuma ser maior.</p><p>b) Maturity factoring: ocorre apenas a prestação do serviço de administração do crédito.</p><p>Pode-se concluir que o factoring é um serviço prestado por uma instituição financeira que</p><p>consiste na técnica de gestão comercial, na qual o faturizador orienta o faturizado sobre a</p><p>concessão de créditos aos seus clientes.</p><p>132</p><p>133</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução nº2.309, de 28 de agosto de 1996. Disciplina e</p><p>consolida as normas relativas às operações de arrendamento mercantil. Disponível em:</p><p><https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%</p><p>A3o&numero=2309>. Acesso em: 20 nov. 2019.</p><p>BRASIL. Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964. Dispõe sobre a Política e as Instituições</p><p>Monetárias, Bancárias e Creditícias, cria o Conselho Monetário Nacional e dá outras</p><p>providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4595.htm>.</p><p>Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>BRASIL. Lei nº4.728, de 14 de julho de 1965. Disciplina o mercado de capitais e estabelece</p><p>medidas para o seu desenvolvimento. Disponível em: <</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4728.htm>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>BRASIL. Lei nº4.886, de 9 de dezembro de 1965. Regula as atividades dos representantes</p><p>comerciais autônomos. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4886.htm>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>BRASIL. Lei nº911, de 1 de outubro de 1969. Altera a redação do art. 66, da Lei nº 4.728, de</p><p>14 de julho de 1965, estabelece normas de processo sobre alienação fiduciária e dá outras</p><p>providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-</p><p>1988/Del0911.htm>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>BRASIL. Lei n. 6.099, de 12 de setembro de 1974. Dispõe sobre o tratamento tributário das</p><p>operações de arrendamento mercantil e dá outras providências. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6099.htm>. Acesso em: 23 nov. 2019.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em:</p><p>24 nov. 2018.</p><p>BRASIL. Lei n. 8.245, de 18 de outubro de 1991. Dispõe sobre as locações dos imóveis</p><p>urbanos e os procedimentos a elas pertinentes. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8245.htm>. Acesso em: 20 nov. 2019.</p><p>BRASIL. Lei nº8.955, de 15 de dezembro de1994. Dispõe sobre o contrato de franquia</p><p>empresarial (franchising) e dá outras providências. Disponível em:</p><p>https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o&numero=2309</p><p>https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o&numero=2309</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4595.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4728.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4886.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0911.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0911.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6099.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8245.htm</p><p>134</p><p><http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%208.955-</p><p>1994?OpenDocument>. Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>BRASIL. Lei nº9.514, de 20 de novembro de 1997. Dispõe sobre o Sistema de Financiamento</p><p>Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências.</p><p>Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9514.htm>. Acesso em: 24 nov.</p><p>2018.</p><p>BRASIL. Lei n°10.406 de 10 de janeiro de 2002. Institui o Novo Código Civil Brasileiro. 2002.</p><p>Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm> . Acesso em: 20</p><p>nov. 2019.</p><p>BRASIL. Lei n.11.649 de 04 de abril de 2008. Dispõe sobre procedimento na operação de</p><p>arrendamento mercantil de veículo automotivo (leasing), e dá outras providências.</p><p>Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/L11649.htm>.</p><p>Acesso em: 24 nov. 2018.</p><p>COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial: Direito de Empresa. 28ª ed. São Paulo: Revista</p><p>dos tribunais, 2016.</p><p>NOGUEIRA, Ricardo José Negrão. Curso de direito comercial e de empresa – títulos de crédito. 8.</p><p>ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial: esquematizado. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense,</p><p>São Paulo: MÉTODO, 2012.</p><p>TEIXEIRA, T. Direito Empresarial Sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%208.955-1994?OpenDocument</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%208.955-1994?OpenDocument</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9514.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/L11649.htm</p><p>Princípio da Preservação da Empresa</p><p>O princípio da preservação da empresa é extraído da Lei 11.101 de 2005 (Lei de</p><p>Falências e Recuperação Judicial), na qual predomina o interesse de preservar a atividade</p><p>econômica desenvolvida, não o empresário nem o estabelecimento comercial. Esse princípio</p><p>visa garantir a continuidade da atividade econômica desenvolvida, assegurando, em</p><p>contrapartida, a geração de empregos, o pagamento de tributos, o fluxo econômico e, por</p><p>conseguinte, a dignidade. Contudo, sua aplicação deve ser feita com moderação, de forma a</p><p>impedir e desestimular os devedores contumazes, ou seja, aqueles que intencionalmente se</p><p>abstém de honrar suas obrigações, a se manterem no mercado.</p><p>Atente-se que o sistema capitalista sempre deve se basear na premissa de que o</p><p>empresário aufere lucros privados e suporta prejuízo de forma privada. Desta forma, o governo</p><p>não pode intervir de forma irresponsável e conceder “pacotes econômicos” para salvar</p><p>determinadas empresas, pois assim, indubitavelmente, estaria prejudicando os que arcam</p><p>com suas obrigações regularmente.</p><p>1.4 Autonomia do Direito Empresarial</p><p>A partir das observações que fizemos, percebemos que o Direito Empresarial é dotado</p><p>de autonomia, pois se trata de ramo jurídico independente, que conta com regras, princípios</p><p>e características próprias. A despeito de o Direito Empresarial ser independente do Direito</p><p>Civil, são ramos que se comunicam, por serem espécies do Direito Privado e possuírem</p><p>institutos jurídicos comuns. Além disso, o Direito Empresarial, por vezes, utiliza-se do Direito</p><p>Civil como fonte subsidiária, sendo comum que institutos jurídicos de um desses ramos sejam</p><p>incorporados pelo outro. Como exemplo podemos citar o instituto do “bem de família”, que se</p><p>originou no Direito Comercial com a intenção de limitar a responsabilidade patrimonial do</p><p>comerciante e, posteriormente, passou a ser utilizado no Direito Civil.</p><p>Por outro lado, podemos observar que o Direito Empresarial é d um regime jurídico</p><p>especial, quee regulamenta as obrigações e direitos de natureza privada referente às</p><p>14</p><p>atividades econômicas organizadas, conforme nota-se nas regras sobre falência, títulos de</p><p>crédito, limitação da responsabilidade dos sócios etc. Por sua vez, as regras gerais sobre</p><p>obrigações e direitos de natureza privada que incidem sobre pessoas e bens cabem ao Direito</p><p>Civil. Com isso, o Direito Empresarial necessita de institutos, regramentos e princípios</p><p>próprios.</p><p>Assim, além de não ser possível negar a autonomia do Direito Empresarial, percebemos</p><p>que, desde seu nascedouro até os dias atuais, ele mantém atributos específicos que o difere</p><p>dos outros ramos jurídicos. Nesta direção, podemos destacar as seguintes caraterísticas:</p><p>✔ Fragmentarismo: o Direito Empresarial possui vários sub-ramos, tais como direito</p><p>cambiário, direito de propriedade industrial, direito societário, direito falimentar etc.</p><p>✔ Informalismo: em razão do dinamismo das atividades empresariais, impõe-se a</p><p>utilização de instrumentos ágeis e flexíveis que facilitam o seu desenvolvimento. .</p><p>✔ Onerosidade: o intuito do lucro está sempre presente nas atividades empresariais.</p><p>✔ Cosmopolitismo: as atividades empresariais realizam uma integração entre os</p><p>povos e proporciona uma integração entre países.</p><p>1.5 Fontes do Direito Empresarial</p><p>Muitas das regras sobre Direito Civil e Empresarial estão presentes no mesmo diploma</p><p>legal, o CC/02. Contudo, as normas sobre direito empresarial reservam a sua especialidade.</p><p>Ainda que estejam no instrumento legislativo, as normas de Direito Civil não podem ser</p><p>consideradas como fontes do Direito Empresarial, mesmo que sejam utilizadas para suprir</p><p>eventuais lacunas existentes no regime jurídico empresarial. Feito essa ressalva sobre a</p><p>importância de não considerar normas de Direito Civil como fonte do Direito Empresarial,</p><p>seguiremos com o que realmente devemos considerar como fonte.</p><p>Assim, a principal fonte do Direito Empresarial são os regulamentos empresariais, cujo</p><p>objetivo é o de regular as atividades econômicas. Essa normatização especializada, durante</p><p>muito tempo, foi disciplinada pelo Código Comercial de 1850. Contudo, a edição do CC/02</p><p>trouxe várias normas sobre Direito Empresarial e esvaziou o antigo comercial de 1850.</p><p>15</p><p>Em 2002, o legislador implementou uma tendência mundial em matéria de processo</p><p>legislativo, ao inserir no Código Civil matérias consideradas como núcleo do Direito</p><p>Empresarial, deixando as normas específicas para regulamentação por meio de leis esparsas,</p><p>tais como Direito Falimentar(Lei 11.101/2005), Direito Cambiário (Lei uniforme de Genebra,</p><p>que trata sobre letras de câmbio e notas promissórias; Lei 7.357/85 sobre cheques; Lei</p><p>5.474/68 sobre duplicatas), Direito Societário (Lei 6.404/76 sobre sociedade por ações) etc.</p><p>Além das normas positivas sobre direito empresarial, também temos os usos e costumes</p><p>como fontes. Em sua essencialidade, o Direito Empresarial é direito consuetudinário, pois</p><p>surgiu a partir das práticas comerciais. São requisitos para se considerar o uso e costume</p><p>como fonte que ele seja:</p><p>a) Constante;</p><p>b) Uniforme;</p><p>c) Exercido de boa-fé;</p><p>d) Realizado por determinado período de tempo;</p><p>e) Não contrário à lei.</p><p>Existe uma distinção na doutrina entre usos de direito e usos de fato.</p><p>a) Usos de direito ou uso propriamente ditos são os que decorrem da lei e não dependem</p><p>da vontade das partes, como artigo 488 do CC/02.</p><p>b) Usos de fato ou usos convencionais são os que decorrem de práticas costumeiras</p><p>realizadas pelo pelos empresários, como os contratos que são firmados rotineiramente</p><p>pelo empresário.</p><p>1.6 A Empresa</p><p>Entende-se por empresa a atividade econômica exercida profissionalmente pelo</p><p>empresário por meio da articulação dos fatores para a produção ou circulação de bens ou de</p><p>serviços.</p><p>16</p><p>São três as espécies de empresas, quais sejam: atividade primária, que consiste na</p><p>extração direta de produtos da natureza; a secundária, que decorre da manipulação dos</p><p>produtos extraídos da natureza (indústria) e a terciária, que é a prestação de serviços e o</p><p>comércio.</p><p>Assim sendo, a empresa não se confunde com o empresário, com as sociedades ou</p><p>com o estabelecimento comercial. A empresa não detém personalidade jurídica e, portanto,</p><p>não é sujeito de direitos. São sujeitos de direitos os empresários e as pessoas jurídicas</p><p>regularmente constituídas.</p><p>1.7 Empresário</p><p>Empresário é aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para</p><p>a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Referido conceito pode ser extraído do</p><p>artigo 966 do CC/02, o qual permite observar a existência de quatro elementos</p><p>caracterizadores:</p><p>1. Profissionalmente: é necessário exercer de forma profissional a atividade econômica,</p><p>ou seja, deve fazer daquela profissão sua atividade habitual.</p><p>2. Atividade econômica: a atividade empresarial se caracteriza pela busca do lucro, ou</p><p>seja, está presente a onerosidade.</p><p>3. Organizada: deve haver organização da mão de obra e dos meios (tecnologia, insumos</p><p>etc.) utilizados para a atividade comercial. Fabio Ulhoa entende que a ausência deste</p><p>elemento impede a atividade de ser considerada como empresarial. Contudo, o</p><p>doutrinador, ao acolher uma posição tão fechada, acaba por excluir diversas atividades</p><p>que surgiram atualmente, tais como os microempresários, que desempenham todas as</p><p>funções sem a ajuda de colaboradores, e também os empresários virtuais, que atuam</p><p>fazendo intermediações de venda por meio da internet.</p><p>17</p><p>4. Produção ou circulação de bens ou de serviços: os bens devem ser destinados a</p><p>outra pessoa, não podendo ser considerados como ato de empresa o fornecimento de</p><p>bens e serviços para consumo próprio.</p><p>Além disso, podemos dizer que existem duas subespécies de empresário, sendo elas:</p><p>empresário individual (pessoa física) e a sociedade empresária (pessoa jurídica).</p><p>O que difere a sociedade empresária do empresário individual é o patrimônio. A sociedade</p><p>empresária possui patrimônio próprio, que não se comunica com o patrimônio dos sócios, ea</p><p>responsabilidade dos sócios é subsidiária ou limitada, conforme o contrato social que a</p><p>instituiu. Já o empresário individual se compromete de forma direta e ilimitada com todo o seu</p><p>patrimônio.</p><p>1.8 Estabelecimento Empresarial</p><p>Devemos compreender estabelecimento empresarial como uma definição complexa,</p><p>que envolve várias nuances afetas ao exercício da atividade empresarial. Para facilitar a</p><p>compreensão desse conceito técnico-jurídico, primeiramente devemos afastar a noção</p><p>equivocada que de que se trata apenas do local onde o empresário exerce suas atividades.</p><p>Superando essa visão equivocada, avancemos para a compreensão desse importante</p><p>instituto do direito empresarial.</p><p>Estabelecimento empresarial é o complexo de bens materiais e imateriais que</p><p>compõem a estrutura que o empresário necessita para exercer a sua atividade empresarial.</p><p>Conforme se extrai do artigo 1.142 do CC/02, “Considera-se estabelecimento todo complexo</p><p>de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade</p><p>empresária”. Ainda sobre o conceito de estabelecimento comercial, o STJ assim dispôs:</p><p>3. O "estabelecimento comercial" é composto por patrimônio material e</p><p>imaterial, constituindo exemplos do primeiro os bens corpóreos essenciais à</p><p>exploração comercial, como mobiliários, utensílios e automóveis, e, do</p><p>segundo, os bens e direitos industriais, como patente, nome empresarial,</p><p>marca registrada, desenho industrial e o ponto. (REsp. 633,179/MT,</p><p>Rel.Min.Luis Felipe Salomão, quarta Turma, j.02/12/2010, DJe 01/02/2011).</p><p>18</p><p>Assim, o ponto físico onde o empresário desenvolve suas atividades é apenas um dos</p><p>elementos que formam o conceito de estabelecimento empresarial, sendo os bens materiais</p><p>tudo aquilo que for tangível, tais como equipamentos, máquinas, imóveis, móveis, automóveis,</p><p>etc. Por outro lado, são bens imateriais aquilo que for intangível, tais como o nome</p><p>empresarial, a marca, as patentes de invenção, o ponto comercial, entre outros.</p><p>Desta forma, a noção de estabelecimento não se confunde com a noção de empresa e</p><p>nem com a noção de empresário. Contudo, apesar de não se confundirem, são conceitos que</p><p>se interligam e se relacionam, sendo o estabelecimento o complexo de bens utilizados pelo</p><p>empresário no desempenho de suas atividades econômicas, ou seja, é a representação</p><p>patrimonial da empresa ou a estrutura organizacional por meio do qual o empresário atua.</p><p>Devemos salientar que não podemos confundir ainda o patrimônio particular do empresário</p><p>com o estabelecimento empresarial. Com isso, é necessário que o bem sempre guarde uma</p><p>ligação com o exercício da atividade fim do empresário.</p><p>Essa confusão pode ocorrer mais facilmente quando se trata de um empresário</p><p>individual, uma vez que todo o patrimônio daquele empresário compõe o patrimônio da</p><p>empresa. Entretanto, só será considerado como estabelecimento empresarial aqueles bens</p><p>que realmente estejam destinados ao desenvolvimento das atividades econômicas da</p><p>empresa.</p><p>Um exemplo é uma caminhonete 4X4 de propriedade do empresário individual. Essa</p><p>caminhonete compõe o patrimônio da empresa. Contudo, se o empresário individual a utiliza</p><p>apenas para deslocamentos sem ligação direta com a atividade da empresa, ela não fará parte</p><p>do estabelecimento empresarial. Por outro lado, se a empresa desenvolve atividades de</p><p>geologia em ambientes de difícil acesso que necessitam dessa caminhonete 4X4, o veículo</p><p>passa a ser considerado como elemento constituinte do estabelecimento empresarial. A</p><p>percepção de quais bens que fazem parte do elemento empresarial vai depender de uma</p><p>análise casual da sua interligação com as atividades da empresa.</p><p>Então, o conjunto de bens organizados para o exercício da empresa é considerado</p><p>como estabelecimento. Esses bens se apresentam como um todo organizado, conexo e</p><p>articulado para gerar lucro. É a organização sincronizada desses bens com o intuito de</p><p>mercancia que irão possibilitar a diferenciação dos bens que constituem de dos que não</p><p>constituem o estabelecimento empresarial.</p><p>19</p><p>1.8.1 Natureza Jurídica do Estabelecimento Empresarial</p><p>Quanto à sua natureza jurídica, a doutrina majoritária sustenta que o estabelecimento</p><p>empresarial é uma universalidade de fato, isto é, uma reunião de bens singulares que podem</p><p>ser negociados isoladamente, e foram reunidos por um ato de vontade do empresário, nos</p><p>termos do art. 90 do Código Civil: “Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de</p><p>bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. Parágrafo</p><p>único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas</p><p>próprias”.</p><p>Nota-se que o CC/02 não estipula em lei como se dará essa organização dos bens,</p><p>mas ele deixa para a vontade do empresário. Podemos concluir, assim, que é a vontade do</p><p>empresário que dá origem ao estabelecimento empresarial.</p><p>1.8.2 Contrato de Trespasse</p><p>Apesar do estabelecimento empresarial não compreender relações obrigacionais, o</p><p>CC/02 tratou sobre os efeitos obrigacionais das negociações que o envolvem. Em seu artigo</p><p>1.143, o CC/02 estipula que “Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de</p><p>negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza”.</p><p>O referido dispositivo legal prevê a possibilidade de negociar a universalidade do</p><p>estabelecimento, através do arrendamento, do usufruto ou da alienação.</p><p>O contrato de alienação do estabelecimento recebe o nome de trespasse.</p><p>Para que a alienação seja eficaz perante terceiros, o trespasse exige que ocorra o</p><p>registro do contrato na Junta Comercial e posterior publicação na imprensa oficial, conforme</p><p>o artigo 1.144 do CC/02:</p><p>O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do</p><p>estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à</p><p>margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro</p><p>Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial.</p><p>O empresário que pretende negociar o estabelecimento empresarial deve manter</p><p>patrimônio suficiente para quitar todas as suas dívidas ou, caso não possua patrimônio</p><p>suficiente, será necessário obter o consentimento dos credores. Esta proteção aos credores</p><p>está no artigo 1.145, que estabelece que</p><p>20</p><p>Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a</p><p>eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os</p><p>credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta</p><p>dias a partir de sua notificação.</p><p>Assim, é importante observar se o alienante dispõe de bens suficientes para pagar todas as</p><p>suas dívidas com os credores. Caso contrário, a alienação dependerá da concordância dos credores,</p><p>de forma tácita ou expressa, até 30 dias após a notificação.</p><p>1.8.3 Sucessão Empresarial</p><p>Uma regra importante no trespasse é como se dá a responsabilidade sobre as dívidas</p><p>do estabelecimento empresarial que fora negociado. O artigo 1.146 prevê que</p><p>O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos</p><p>anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,</p><p>continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano,</p><p>a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da</p><p>data do vencimento.</p><p>Percebemos que, quando cumprido os requisitos previstos nos artigos 1.144 e 1.145</p><p>do CC/02, ainda assim, o adquirente será responsável pelas dívidas contraídas pelo alienante,</p><p>desde que elas tenham sido regularmente contabilizadas (isto é, descritas no livro contábil).</p><p>Desta</p><p>forma, o adquirente, durante as tratativas negociais, deve realizar as chamadas due</p><p>diligence – atos de investigação sobre situação econômica do alienante e do estabelecimento</p><p>empresarial. Será por meio delas que o adquirente saberá por quais dívidas irá se</p><p>responsabilizar. Com isso, ele só se responsabilizará pelo pagamento das dívidas</p><p>devidamente escrituradas nos livros próprios.</p><p>Porém, mesmo que o adquirente se torne o responsável pelas dívidas, o alienante</p><p>responderá solidariamente pelo prazo de 1 ano, de acordo com a seguinte regra:</p><p>● Dívida vencida: prazo de 1 ano a partir da publicação do contrato de trespasse.</p><p>● Dívida vincenda: prazo de 1 ano a partir do dia de seu vencimento.</p><p>Essa sistemática só se aplica para obrigações de natureza empresarial, decorrentes do</p><p>exercício da empresa, como as obtidas perante fornecedores ou decorrentes de empréstimos</p><p>21</p><p>bancários. Todavia, essa regra não se aplica para dívidas de natureza fiscal ou trabalhista,</p><p>uma vez que elas possuem regramentos próprios.</p><p>Outra observação relevante advém da leitura do Enunciado nº 233 do Conselho da</p><p>Justiça Federal (CJF), o qual estipula que os efeitos obrigacionais previstos no artigo 1.146</p><p>do CC/02 só se aplicam quando “o conjunto de bens transferidos importar a transmissão da</p><p>funcionalidade do estabelecimento empresarial”. Essa regra facilita a identificação de quando</p><p>não há o trespasse, estabelecendo um critério objetivo para essa definição.</p><p>Por fim, cabe ressaltar a regra prevista na Lei de Falências (11.101/05) que prevê uma</p><p>novidade sobre a alienação do estabelecimento em processo de falência ou recuperação</p><p>judicial. O artigo 141, inciso II e o artigo 60, isentam o adquirente de responsabilidade por</p><p>dívidas ou ônus, inclusive de natureza trabalhista ou tributária. São condições que tornam a</p><p>aquisição mais interessante e se mostra em consonância com o princípio da preservação da</p><p>empresa.</p><p>1.8.4 Cláusula da Não Concorrência</p><p>No contrato de trespasse, pode ser inserida a cláusula de não concorrência. Ela tem</p><p>previsão no artigo 1.147 do CC/02, que traz que “Não havendo autorização expressa, o</p><p>alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos</p><p>subsequentes à transferência”. Deste modo, para evitar que o alienante se restabeleça na</p><p>mesma atividade e acabe fazendo concorrência ao adquirente do estabelecimento, é possível</p><p>proibir o restabelecimento na mesma atividade, em uma determinada região de atuação.</p><p>Afinal, aquele que adquire um estabelecimento empresarial tem a expectativa de</p><p>manter a clientela já existente do negócio. Vetar a possibilidade de o alienante restabelecer</p><p>um negócio similar ao que foi vendido é claramente uma busca de preservação do princípio</p><p>da boa-fé objetiva nas relações negociais. Esse era o entendimento da jurisprudência e da</p><p>doutrina brasileira, que veio a ser consolidado com a edição do CC/02.</p><p>O parágrafo único do artigo 1.147 prevê que nos casos de arrendamento ou usufruto</p><p>do estabelecimento, o impedimento se manterá pelo prazo que durar o contrato. Podemos</p><p>dizer que esse impedimento legal buscar garantir o gozo pleno da fruição do estabelecimento</p><p>e principalmente da clientela.</p><p>22</p><p>Sobre o âmbito territorial da aplicação do impedimento, esse deve ser feito conforme</p><p>as situações fáticas que envolvem o negócio, cabendo ao julgador, analisando o caso</p><p>concreto, verificar a eventual existência de concorrência. Uma segunda observação final é que</p><p>as regras do artigo 1.147 são aplicáveis em caso de omissão do contrato. Contudo, é possível</p><p>que as partes estipulem prazos diferentes dos 5 anos previstos na lei.</p><p>1.8.5 Clientela e Aviamento</p><p>Podemos considerar como clientela todo aquele agrupamento de pessoas (físicas ou</p><p>jurídicas) que mantém relações negociais com a empresa. Segundo Fábio Ulhoa Coelho, a</p><p>clientela é “o conjunto de pessoas que habitualmente consomem os produtos ou serviços</p><p>oferecidos por um empresário”. A clientela seria uma manifestação externa do potencial do</p><p>aviamento da empresa e também recebe proteção do ordenamento jurídico, em decorrência</p><p>do direito de concorrência e de livre iniciativa.</p><p>Aviamento, por sua vez, designa a aptidão que o estabelecimento empresarial tem para</p><p>gerar lucros. O aviamento é elemento fundante do cálculo do valor do estabelecimento, por</p><p>meio do qual se estabelece qual o potencial que a empresa possui para gerar lucros,</p><p>impactando em valores por vezes bem superiores ao valor patrimonial líquido que o</p><p>estabelecimento empresarial possui.</p><p>O STJ, reconhecendo a importância do aviamento, decidiu que até empresa inativa</p><p>deve considerá-lo em sua avaliação. Assim, pode-se ler que</p><p>1. A jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de incluir na</p><p>indenização de empresa expropriada o valor do fundo de comércio. 2. O fundo</p><p>de comércio é considerado patrimônio incorpóreo, sendo composto de bens</p><p>como nome comercial, ponto comercial e aviamento, entendendo-se como tal</p><p>a aptidão que tem a empresa de produzir lucros. 3. A empresa que esteja</p><p>temporariamente paralisada ou com problemas fiscais, tal como intervenção</p><p>estatal, não está despida do seu patrimônio incorpóreo, o qual oscila de valor,</p><p>a depender do estágio de sua credibilidade no mercado. Situação devidamente</p><p>sopesada pelo Tribunal de origem que adotou o arbitramento feito pelo perito,</p><p>estimando o fundo de comércio em 1/3 (um terço) do patrimônio líquido</p><p>ajustado a 31/05/1985. (Resp. 704.726/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, 2º Turma,</p><p>j. 15.02.2005, DJ 06.03.2006 p. 329).</p><p>23</p><p>Clientela e aviamento são atributos (ou qualidades) do estabelecimento empresarial,</p><p>contudo, apesar de possuírem valoração monetária, não são considerados como seus</p><p>elementos constituintes.</p><p>1.9 Nome Empresarial</p><p>Os empresários (empresário individual ou sociedade empresária) possuem um nome</p><p>que os identificam nas relações jurídicas que estabelecem no exercício da atividade</p><p>empresarial. Assim como as pessoas físicas possuem um nome civil, os empresários possuem</p><p>um nome empresarial, que se configura como um direito personalíssimo.</p><p>O STJ entende que o nome empresarial é tão relevante, que o fato de sua troca é</p><p>ensejador de outorga de nova procuração aos advogados. Sobre isso, lê-se que:</p><p>1. A procuração outorgada ao advogado da empresa agravante é peça</p><p>essencial para o conhecimento do agravo de instrumento. 2. Na hipótese de</p><p>ocorrer modificação na denominação social da empresa, faz-se mister a</p><p>apresentação da procuração da empresa com a nova denominação social, sob</p><p>pena de não conhecimento do recurso. Precedentes. 3. Agravo regimental a</p><p>que se nega o provimento. (STJ, AgRg no Ag 544213-BA, Rel. Min. Luiz Fux,</p><p>1º Turma, DJ 09.03.2004)</p><p>O nome empresarial possui duas funções. A primeira de caráter objetivo visa assegurar</p><p>a reputação, o renome, a fama, entre outras características do empresário. A segunda função</p><p>é a de caráter subjetivo, que individualiza e identifica o sujeito de direitos exercente da</p><p>atividade empresarial. O nome empresarial é tão importante que é reconhecido pela doutrina</p><p>e jurisprudência como um direito fundamental, previsto no art. 5º, inc. XXIX da Constituição</p><p>Federal (XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para</p><p>sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos</p><p>nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o</p><p>desenvolvimento tecnológico e econômico do País).</p><p>Contudo, não podemos confundir o nome empresarial com alguns elementos</p><p>identificadores do empresário, como o nome fantasia (título do estabelecimento ou insígnia),</p><p>a marca, os sinais de propaganda e o nome de domínio.</p><p>24</p><p>Assim, essas são noções que precisam ficar claras. Nome fantasia é o termo que</p><p>identifica o título do estabelecimento. Geralmente está</p><p>presente no layout, em panfletos e</p><p>uniformes dos empregados. Podemos de forma excessivamente simplista, para facilitar a</p><p>compreensão, compará-lo com o apelido que a pessoa física possui. Desta forma, assim como</p><p>há pessoas que possuem apelidos que os identificam junto de amigos e familiares, ou seja,</p><p>em situações informais, mas que, nas relações formais, identificam-se com o nome civil que</p><p>foram registradas, tal se dá com a identificação do estabelecimento.</p><p>O ordenamento jurídico empresarial não traz proteção específica para o nome fantasia,</p><p>devendo ser aplicados os artigos 186 do CC/02 e 191, 194 e 195 da Lei nº. 9.279/96 (Lei de</p><p>Propriedade Industrial) em situações de seu uso indevido.</p><p>Já a marca pode ser considerada como o sinal capaz de identificar produtos ou serviços</p><p>de um empresário e encontra proteção jurídica no art. 122 da Lei nº. 9.279/96 (Lei de</p><p>propriedades industriais), que prevê que “São suscetíveis de registro como marca os sinais</p><p>distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais”.</p><p>Já os sinais de propaganda destinam-se a chamar a atenção do consumidor. Não existe</p><p>uma legislação específica sobre sinais de propaganda, existindo apenas uma proteção de</p><p>âmbito penal, prevista no artigo 195, inciso IV da Lei da Propriedade Industrial. A regulação</p><p>dos sinais de propaganda está a cargo do CONAR (Conselho Nacional de Auto-</p><p>regulamentação publicitária).</p><p>Nome de domínio é o nome do site, ou seja, é o endereço eletrônico que os empresários</p><p>possuem na internet. Em razão do desenvolvimento do comércio eletrônico, o endereço do</p><p>site do empresário passou a ser muito utilizado em negociações de bens e serviços.</p><p>Fica claro que o nome fantasia, a marca, os sinais de propaganda e o nome de domínio</p><p>exercem funções distintas e estão voltadas para o exercício das atividades do empresário.</p><p>1.9.1 Espécies de Nome Empresarial</p><p>Conforme disposto no artigo 1.155 do CC/02, são espécies de nome empresarial a firma</p><p>ou razão social e a denominação social. Segundo este, “Considera-se nome empresarial a</p><p>firma ou a denominação adotada, de conformidade com este Capítulo, para o exercício de</p><p>empresa”.</p><p>25</p><p>A firma pode ser individual, e tem por base o nome civil do empresário; ou social,</p><p>formada pelo sobrenome dos sócios da sociedade empresária, também chamada de razão</p><p>social.</p><p>A firma individual deve ser, obrigatoriamente, utilizada pelo empresário individual, que</p><p>deverá adotar o seu nome civil, completo ou abreviado, podendo indicar o ramo de atividade.</p><p>Por exemplo: Carlos Pereira poderá se registrar na Junta Comercial como Carlos Pereira, C.</p><p>Pereira ou Pereira Cosméticos e Produtos de Higiene Pessoal Ltda.</p><p>Na razão social, o nome empresarial será composto pelos patronímicos dos sócios,</p><p>podendo indicar o ramo de atividade e eventualmente do tipo societário. Por exemplo, uma</p><p>sociedade em nome coletivo composta por Paula Dias, Roberto Oliveira e Lúcia Silva poderia</p><p>utilizar Dias e Cia.,Dias, Oliveira e Silva; Silva e Cia. Produtos de Higiene Pessoal etc.</p><p>A razão social é obrigatoriamente utilizada pela pelas Sociedades em Nome Coletivo,</p><p>Sociedade em Comandita Simples e, facultativamente, pela Sociedade Limitada e pela</p><p>Sociedade em Comandita por Ações.</p><p>Denominação é a outra espécie de nome empresarial, que necessariamente será</p><p>social. A denominação social poderá utilizar qualquer expressão linguística e, de forma</p><p>obrigatória, deverá indicar a atividade empresarial desenvolvida, conforme previsto nos artigos</p><p>1.158, § 2º, 1.160 e 1.161 do CC/02. A denominação é utilização privativa de sociedades de</p><p>capital. Deverá ser utilizado obrigatoriamente pela S.A. e facultativamente pela Sociedade</p><p>Limitada e pela Comandita por ações.</p><p>Devemos nos atentar para o fato de que a sociedade em comandita por ações pode ser</p><p>constituída na forma de firma e, por sua vez, a sociedade limitada também pode usar firma ou</p><p>razão social, conforme previsto nos artigos 2º e 3º da IN/DREI 104/2007.</p><p>Outro ponto relevante que auxilia nessa diferenciação é que a firma possui a função de</p><p>assinatura da sociedade empresária e também a função de identificar como sujeito de direito</p><p>o exercente da atividade empresarial. A denominação tem a função única de servir apenas</p><p>como elemento identificador da sociedade empresária, não possuindo a função de assinatura.</p><p>26</p><p>1.9.2 O Nome Empresarial das Sociedades</p><p>O nome empresarial será estruturado conforme o tipo societário da sociedade</p><p>empresária. Vejamos a seguir como ocorre a formulação do nome de acordo com a</p><p>constituição social.</p><p>Na sociedade limitada pode acontecer a adoção de firma ou denominação, seguido da</p><p>expressão limitada ou a abreviatura. Se usar a denominação social, necessariamente deverá</p><p>constar o objeto da empresa, podendo constar o nome de um ou mais sócios, conforme</p><p>previsto no artigo 1.158, § 1º e 2º do CC/02. Já nas sociedades anônimas deverá operar sob</p><p>denominação designativa do objeto social, integrada pelas expressões "sociedade anônima"</p><p>ou "companhia", por extenso ou abreviadamente, nos termos do artigo 1.160 do CC/02.</p><p>A omissão destes termos ou de suas respectivas abreviações acarretará a</p><p>responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que empregarem a firma ou a</p><p>denominação da sociedade, nos termos do art. 1.158, §3º, CC/02.</p><p>As sociedades em que os sócios possuem responsabilidade ilimitada, tal como a</p><p>sociedade em nome coletivo, constituirão seu nome sob firma. Nele constará apenas os</p><p>nomes dos sócios, podendo aparecer o nome de apenas um deles, seguido da expressão “e</p><p>companhia” ou de sua abreviatura “e cia”, como previsto no artigo 1.157 do CC/02.</p><p>A sociedade em comandita por ações pode usar firma ou denominação do objeto social,</p><p>acrescentada do termo “comandita por ações”, conforme artigo 1.161 do CC/02.</p><p>Vale ressaltar que a sociedade em conta de participação não possui personalidade</p><p>jurídica própria e, por esse motivo, ela não pode adotar firma e nem denominação, como</p><p>estabelecido no artigo 1.162 do CC/02.</p><p>Deve se atentar que as sociedades empresárias ou empresários individuais que se</p><p>estabelecerem como Empresa de Pequeno Porte ou Microempresa deverão adotar na</p><p>terminação do nome empresarial o EPP ou ME.</p><p>1.9.3 Princípios Sobre a Formação do Nome Empresarial</p><p>A lei 8.934/94, que trata sobre o registro público de empresas mercantis, em seu artigo</p><p>34, traz os princípios da veracidade e da novidade como norteadores do nome empresarial.</p><p>27</p><p>Segundo este dispositivo legal, “o nome empresarial obedecerá aos princípios da veracidade</p><p>e da novidade”.</p><p>Pelo princípio da veracidade, o nome empresarial não poderá conter informações</p><p>falsas. Como o nome designa e identifica o empresário, ele deverá trazer apenas informações</p><p>verdadeiras, sob risco de induzir o erro aqueles que negociam com o empresário.</p><p>Além disso, o princípio da novidade impede que sejam registrados nomes iguais, ou</p><p>seja, é proibido o registro de nome empresarial igual a outro já registrado. Nem mesmo nomes</p><p>muito parecidos podem ser registrados. Neste sentido, o artigo 1.163 e parágrafo único do do</p><p>CC/02 estabelece que:</p><p>Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já</p><p>inscrito no mesmo registro.</p><p>Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos,</p><p>deverá acrescentar designação que o distinga.</p><p>A Junta Comercial em que o empresário ou sociedade comercial solicitou o</p><p>arquivamento do ato constitutivo detém a competência para fazer essa verificação junto aos</p><p>seus assentamentos. Devemos atentar que a proteção ao nome empresarial tem validade</p><p>apenas no Estado em que a Junta Comercial atua, podendo existir empresas com registro de</p><p>nomes idênticos em Estados diferentes, conforme estabelecido no artigo 1.166 do CC/02 e do</p><p>artigo 11 da IN/DREI 104/2007.</p><p>Nessa direção, o STJ ao analisar o</p><p>tema, entendeu que</p><p>NOME COMERCIAL. PROTEÇÃO NO ÂMBITO DO ESTADO EM QUE</p><p>REGISTRADO. IMPOSSIBILIDADE DE ALEGAÇÃO COMO PROTEÇÃO A</p><p>MARCA, ENQUANTO NÃO REGISTRADA NO INPI. REGISTRO NO INPI,</p><p>SUPERVENIENTE, QUE NÃO PODE SER OBJETO DE CONSIDERAÇÃO NO</p><p>RECURSO ESPECIAL. CONCORRÊNCIA DESLEAL. INADMISSIBILIDADE</p><p>DE JULGAMENTO DIANTE DE PETIÇÃO INICIAL CIRCUNSCRITA À</p><p>PROTEÇÃO DE NOME E DE MARCA. JULGAMENTO "EXTRA-PETITA" NÃO</p><p>CONFIGURADO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. I. Os artigos 61 do</p><p>Decreto nº 1800/96 e 1.166 do Código Civil de 2002, revogaram o Decreto nº</p><p>75.572/75 no que tange à extensão territorial conferida à proteção do nome</p><p>empresarial. Agora "A proteção legal da denominação de sociedades</p><p>empresárias, consistente na proibição de registro de nomes iguais ou análogos</p><p>a outros anteriormente inscritos, restringe-se ao território do Estado em que</p><p>localizada a Junta Comercial encarregada do arquivamento dos atos</p><p>28</p><p>constitutivos da pessoa jurídica" (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 653.609/RJ,</p><p>Rel. Ministro JORGE SCARTEZZINI, QUARTA TURMA, DJ 27/06/2005).</p><p>Assim, a doutrina entendia que o prazo a prescricional para ajuizar ação protetiva ao</p><p>nome empresarial era de 10 anos. Entretanto, com a edição do CC/02 esse entendimento</p><p>ficou ultrapassado, uma vez que o artigo 1.167 estabeleceu que a ação pode ser impetrada a</p><p>qualquer tempo para anular nome empresarial que viole lei ou contrato.</p><p>1.10 Registro e Escrituração</p><p>1.10.1 Registro</p><p>O registro é a obrigação que todos os empresários possuem de se inscreverem na</p><p>Junta Comercial. Essa obrigação decorre do artigo 967 do CC/02, que prescreve que “É</p><p>obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da</p><p>respectiva sede, antes do início de sua atividade”. Vale ressaltar que existe entendimento de</p><p>que, apesar da obrigatoriedade do registro, esse não é exigência para caracterizar o</p><p>empresário e sua submissão ao regime jurídico empresarial, devendo se atentar ao Enunciado</p><p>nº. 199 do Conselho da Justiça Federal (CJF), que traz que “A inscrição do empresário ou</p><p>sociedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não de sua</p><p>caracterização”. Contudo, a sua não regularização impedirá que o empresário tenha acesso</p><p>à recuperação judicial, conforme previsto no artigo 48 da Lei nº. 11.101/05.</p><p>Diferentemente, os exercentes de atividade rural estão dispensados de registrar na</p><p>Junta Comercial. Neste caso, o registro será facultativo, como se extrai do artigo 971,</p><p>observado a seguir:</p><p>O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode,</p><p>observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos,</p><p>requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva</p><p>sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos,</p><p>ao empresário sujeito a registro.</p><p>29</p><p>Além disso, o estatuto da OAB (Lei nº. 8.906/94), em seu artigo 1º, § 2º, estabelece que</p><p>os atos de registro de empresários individuais ou de sociedades empresárias precisam ser</p><p>visados por um advogado.</p><p>No Código Civil, o registro de empresas é tratado nos artigos 1.150 a 1.154. Entretanto,</p><p>existe legislação especial sobre o assunto: a Lei nº 8.934/94 trata especificamente sobre o</p><p>Registro Público das Empresas Mercantis e, em seu artigo 1º, dispõe sobre as finalidades do</p><p>registro da empresa:</p><p>O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, observado o</p><p>disposto nesta Lei, será exercido em todo o território nacional, de forma</p><p>sistêmica, por órgãos federais, estaduais e distrital, com as seguintes</p><p>finalidades</p><p>I - dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos</p><p>jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei;</p><p>II - cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no País</p><p>e manter atualizadas as informações pertinentes;</p><p>III - proceder à matrícula dos agentes auxiliares do comércio, bem como ao seu</p><p>cancelamento.</p><p>Por sua vez, o artigo 3º trata sobre o sistema que regula o registro de empresas no</p><p>Brasil, sendo este o Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis (SINREM), que é</p><p>composto pelo Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI) e pelas</p><p>Juntas Comerciais.</p><p>As Juntas Comerciais detêm a competência para administração e execução dos atos</p><p>de registro. Possuem atuação local integrada ao respectivo Estado, conforme artigo 5º da Lei</p><p>nº. 8.934/94. Elas se vinculam administrativamente aos Estados, mas se subordinam às</p><p>diretrizes e normas editadas pelo DREI, que é o órgão central do SINREM, que, por sua vez,</p><p>está vinculado à administração federal. Por esse motivo, a doutrina destaca que as Juntas</p><p>Comerciais possuem uma estrutura sui generis, visto que elas possuem subordinação</p><p>hierárquica híbrida, nos termos do artigo 6º da Lei do Registro Público das Empresas</p><p>Mercantis, o qual estabelece que “As juntas comerciais se subordinam, administrativamente,</p><p>ao governo do respectivo ente federativo e, tecnicamente, ao Departamento Nacional de</p><p>Registro Empresarial e Integração, nos termos desta Lei”.</p><p>30</p><p>Em razão dessa estrutura de subordinação híbrida, o STJ entende que existe divisão</p><p>de competência sobre as ações judiciais em que a Junta Comercial se apresenta como parte.</p><p>Será de competência da justiça estadual julgar as demandas que envolvam matéria</p><p>administrativa, e será de competência da Justiça Federal as demandas que envolvam matéria</p><p>técnica, que se relacionem com o registro da empresa, por envolver interesse do DREI.</p><p>1.10.2 Atos de Registro</p><p>Cabem às Juntas Comerciais executarem os atos de registro dos empresários</p><p>individuais, das sociedades empresariais de seus auxiliares. Os atos de registro estão</p><p>previstos no artigo 32 da Lei nº. 8.934/94, sendo eles: matrícula, arquivamento e autenticação.</p><p>Por matrícula se compreende o ato de registro praticado pela Junta Comercial para os</p><p>auxiliares do comércio, quais sejam: leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais,</p><p>trapicheiros e administradores de armazéns-gerais.</p><p>Arquivamento se relaciona diretamente com os atos constitutivos da sociedade</p><p>empresária ou do empresário individual. Um detalhe interessante ocorre quando o</p><p>arquivamento envolve cooperativas. O artigo 32 da Lei nº. 8.934/94 prevê que as cooperativas</p><p>devem ser registradas na Junta Comercial, assim como o artigo 18 da Lei nº. 5.764/71.</p><p>Contudo, o artigo 982, parágrafo único do CC/02, estabelece que as cooperativas são</p><p>sociedades simples. O artigo 1.150 do CC/02 estabelece que as sociedades simples devem</p><p>ser registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Entretanto, na prática, tem se aplicado</p><p>o entendimento de que, apesar de serem sociedades simples, as cooperativas devem ser</p><p>registradas na Junta Comercial, seguindo o que estabelece o Enunciado nº. 69 do Conselho</p><p>da Justiça Federal (CJF), segundo o qual “As sociedades cooperativas são sociedades</p><p>simples sujeitas à inscrição nas juntas comerciais”.</p><p>Por fim, na autenticação, a Junta irá conferir os atos de escrituração empresarial e</p><p>realizar cópias dos documentos e usos e costumes assentados em seus registros.</p><p>O artigo 1.154 estabelece que o ato que necessita de registro para ter validade não</p><p>poderá ser oposto a terceiros antes do cumprimento das formalidades, salvo se provado que</p><p>este o conhecia. Essa regra vem reforçar que as Juntas Comerciais detêm a função de tornar</p><p>públicos os atos dos empresários e das sociedades empresárias, para assegurar eventual</p><p>oposição de terceiros.</p><p>31</p><p>1.10.3 A Publicidade dos Atos de Registro</p><p>As Juntas Comerciais são órgãos públicos que possuem a função de dar publicidade</p><p>aos atos relativos aos empresários e às sociedades empresárias, uma vez que os atos nela</p><p>assentados são públicos. Qualquer pessoa pode ter acesso aos assentamos existentes nas</p><p>Juntas Comerciais, não sendo</p><p>necessário apresentar justificativa do interesse, já que não</p><p>haverá sigilo. Porém, a obtenção de certidões se dará mediante o pagamento do preço. Neste</p><p>sentido, conforme artigo 29 da Lei nº. 8.934/94, “Qualquer pessoa, sem necessidade de provar</p><p>interesse, poderá consultar os assentamentos existentes nas juntas comerciais e obter</p><p>certidões, mediante pagamento do preço devido”.</p><p>1.10.4 Escrituração do Empresário</p><p>Uma outra obrigação a que estão submetidos o empresário individual ou a sociedade</p><p>empresária é a escrituração. O artigo 1.179 do CC/02 estipula que</p><p>O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de</p><p>contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus</p><p>livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar</p><p>anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.</p><p>Assim sendo, a escrituração contábil é a obrigação do empresário de fazer a sua contabilidade</p><p>e manter seus livros organizados.</p><p>Cabe aos empresários manter um sistema de escrituração contábil periódico, devendo</p><p>fazer anualmente o balanço financeiro patrimonial e o balanço financeiro econômico. A lei</p><p>sobre falência considera crime a escrituração irregular em caso de falência do empresário.</p><p>Conforme previsto nos artigos 178 e 180 da Lei nº. 11.101/05, essa penalidade ao</p><p>empresário demonstra a relevância da escrituração. O Código Penal em seu artigo 297, § 2º</p><p>equipara os livros contábeis aos documentos públicos, e a falsificação da escritura comercial</p><p>é considerada crime. Isso demonstra a importância dos livros comerciais.</p><p>No texto da lei é usado o termo livro; entretanto, os instrumentos de escrituração são</p><p>mais amplos e, além dos livros, englobam o conjunto de fichas ou folhas soltas, o conjunto de</p><p>folhas contínuas e as microfichas extraídas a partir de microfilmagem por computador.</p><p>32</p><p>O contabilista, devidamente habilitado, é o profissional responsável pela escrituração</p><p>dos livros. Contudo, se não existir profissional habilitado no local, a atividade poderá ser</p><p>desempenhada por pessoa sem formação em contabilidade, conforme se observa no 1.182</p><p>do CC/02.</p><p>O livro Diário é o único obrigatório e comum a todo e qualquer empresário (art. 1.180,</p><p>CC/02). Ele poderá ser substituído por fichas se o empresário utilizar a escrituração</p><p>mecanizada ou eletrônica. O livro Balancetes Diário e Balanços pode substituir o livro Diário</p><p>se o empresário utilizar o sistema de fichas de lançamento.</p><p>Por outro lado, não são obrigatórios os livros Caixas, que farão o controle de entrada e</p><p>saída financeiro, o Estoque, o livro Razão – que controla o movimento das mercadorias –, o</p><p>Borrador – que serve como um rascunho do Diário – e o livro Conta Corrente – que faz o</p><p>controle das contas de clientes e fornecedores.</p><p>No cotidiano do empresário, outros livros são utilizados, porém, derivam de exigência</p><p>de legislações previdenciária, trabalhista e fiscal. Esses livros, mesmo sendo obrigatórios por</p><p>lei, não possuem caráter empresarial, por não terem origem na legislação empresarial.</p><p>Existem algumas atividades empresariais que são submetidas a regras especiais e, por</p><p>isso, têm a obrigação de manter livros específicos. Um exemplo é o livro de Registro de</p><p>Duplicatas, que é exigido do empresário que emite duplicatas mercantis. Outra situação</p><p>semelhante ocorre com as sociedades anônimas, que, em razão da Lei nº. 6.404/76, têm que</p><p>manter a escrituração de livros específicos, tais como o livro de Registro de Transferência de</p><p>Ações Nominativas, entre outros. Existem algumas profissões que também têm devem manter</p><p>livros específicos, como ocorre com os leiloeiros e os donos de armazéns gerais.</p><p>1.10.5 Sigilo dos Livros</p><p>Os livros empresariais gozam da garantia de sigilo. No entanto, não se trata de uma</p><p>garantia absoluta. Existem algumas situações excepcionais em que a lei permite que os livros</p><p>tenham o seu sigilo quebrado, conforme previsto no artigo 1.190:</p><p>Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal,</p><p>sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o</p><p>empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e</p><p>fichas, as formalidades prescritas em lei.</p><p>33</p><p>Uma dessas exceções ocorre em prol da fiscalização tributária. Em relação a isso,</p><p>destacamos a previsão do artigo 195 do CTN:</p><p>Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer</p><p>disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar</p><p>mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou</p><p>fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de</p><p>exibi-los.</p><p>O STF, buscando colocar limites e evitar abusos da fiscalização, editou o enunciado da</p><p>súmula nº. 439. Dessa forma, passou a valer a determinação de que “Estão sujeitos à</p><p>fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos</p><p>pontos objeto da investigação”. Claramente o STF vem fazer uma ponderação entre o direito</p><p>de fiscalização das autoridades fazendárias e o direito ao sigilo empresarial que incide sobre</p><p>os livros.</p><p>Além das previsões expressas em lei, o sigilo dos livros empresarias também pode ser</p><p>relativizado por ordem judicial. O juiz, conforme a necessidade do caso, poderá ordenar a</p><p>quebra do sigilo de forma total ou parcial, conforme regulamentação prevista no artigo 420 e</p><p>421 do CPC/15 e no artigo 1.191 do CC/02.</p><p>Nas sociedades anônimas, por sua vez, existe uma situação especial que decorre de</p><p>sua estrutura social. Isso porque o artigo 105 da Lei nº. 6.404/76 prevê que basta o</p><p>requerimento de no mínimo 5% dos acionistas apontando violação à lei ou estatuto social ou</p><p>se existir uma suspeita de graves irregularidades praticada por algum órgão da companhia</p><p>para que o juiz determine a exibição dos livros empresariais.</p><p>1.10.6 Força Probatória dos Livros Empresariais</p><p>O artigo 1.194 do CC/02 estabelece que os livros sejam mantidos sob guarda enquanto</p><p>não ocorrer a prescrição ou decadência dos direitos existentes nos atos que neles forem</p><p>transcritos. Essa preocupação com a conservação dos livros decorre da importância que eles</p><p>possuem. Isso porque os livros detêm força probatória, sendo essenciais para dirimir querelas</p><p>judiciais, já que, por meio deles, é possível comprovar relações contratuais, fraudes contábeis,</p><p>etc.</p><p>34</p><p>Sobre isso, o artigo 417 do CPC/15 traz a eficácia probatória dos livros empresarias:</p><p>Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário,</p><p>todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os</p><p>lançamentos não correspondem à verdade dos fatos.</p><p>O artigo 418 do CPC/15, por sua vez, estabelece a possibilidade dos livros empresariais</p><p>serem usados para fazer prova a favor do empresário, desde que cumpram os requisitos legais</p><p>de escrituração.</p><p>A regularidade da escrituração encampa requisitos extrínsecos e intrínsecos. Como</p><p>requisito extrínseco tem-se a exigência de um termo de abertura e de um termo de</p><p>encerramento e a autenticação da Junta Comercial. Os requisitos intrínsecos estão descritos</p><p>no artigo 1.183 do CC/02, segundo os quais “A escrituração será feita em idioma e moeda</p><p>corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem</p><p>intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as</p><p>margens”.</p><p>Por fim, é importante ressaltar que conforme previsto no artigo 32, inciso III da Lei nº.</p><p>8.934/94, é necessário que o empresário esteja devidamente registrado na Junta Comercial</p><p>para ter os seus livros autenticados.</p><p>35</p><p>Mapa Mental</p><p>Teoria Geral do</p><p>Direito</p><p>Empresarial</p><p>Direito</p><p>Empresarial</p><p>(comercial)</p><p>Internacional</p><p>Atos de</p><p>Comércio -</p><p>França 1808</p><p>Teoria da</p><p>Empresa - Itália</p><p>1942</p><p>Direito</p><p>Empresarial</p>