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<p>Profª Rosana Mary Martins 1</p><p>FATEC – FACULDADE DE TECNOLOGIA</p><p>Professora Rosana Mary Martins</p><p>LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS</p><p>CURSO: Gestão de Recursos Humanos</p><p>Taubaté</p><p>2024</p><p>Profª Rosana Mary Martins 2</p><p>SUMÁRIO</p><p>Comunicação 03</p><p>Reflexões sobre o uso da língua 04</p><p>Elementos que envolvem a realização da leitura 13</p><p>Leitura detalhada e posicionamento crítico do leitor 14</p><p>Acordo ortográfico da língua portuguesa 17</p><p>Ortografia 25</p><p>Gêneros e tipologia textual 29</p><p>Tipos de argumento 43</p><p>Concordância nominal 47</p><p>Concordância verbal 48</p><p>Resumo de textos 57</p><p>Conotação/denotação/figuras de linguagem 60</p><p>Abreviaturas, siglas e símbolos 70</p><p>Coesão textual 71</p><p>Coesão textual – exercícios 74</p><p>Coesão e coerência – exercícios 77</p><p>Referências bibliográficas 80</p><p>Profª Rosana Mary Martins 3</p><p>COMUNICAÇÃO</p><p>Linguagem, Língua, Fala e Cultura</p><p>Língua falada e língua escrita</p><p>→ Linguagem - É todo sistema organizado de sinais que serve como meio de</p><p>comunicação entre os indivíduos.</p><p>Para se comunicar e se expressar, o homem dispõe de vários recursos:</p><p>palavras, gestos, expressões fisionômicas, sinais visuais, símbolos etc.</p><p>Esses recursos de comunicação utilizam sinais de diferentes naturezas. Tais</p><p>sinais podem ser classificados em: verbais e não-verbais.</p><p>A linguagem verbal é qualquer código que utiliza palavras e pode ser oral ou</p><p>escrita. A linguagem não-verbal é o código que não utiliza a palavra, por exemplo:</p><p>gestos, desenhos, placas.</p><p>Somente o ser humano se comunica através da língua como código.</p><p>→ Língua - Código formado por palavras e leis combinatórias para a</p><p>comunicação entre um povo</p><p>Língua é um sistema de signos organizados a partir de certas combinações ou</p><p>regras.</p><p>A língua representa a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, “que por</p><p>si só não pode modificá-la.”1 A língua é forma.</p><p>Enquanto a linguagem, como faculdade natural, é um todo heterogêneo, a</p><p>língua é de natureza homogênea – Sistema de signos (código) convencionais e</p><p>arbitrários.</p><p>A língua existe para expressar a cultura, visto que as aquisições culturais são</p><p>transmitidas em grande parte pela língua. Assim, das relações entre língua e cultura</p><p>aquela é o resultado desta, o meio para que esta opere e a condição para que</p><p>subsista. A função da língua é englobar a cultura, comunicá-la e transmiti-la por meio</p><p>das gerações.</p><p>→ Fala - É a materialização individual da língua</p><p>1 SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. p. 22.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 4</p><p>A fala, ao contrário, é um ato intencional, em nível individual, de vontade e de</p><p>inteligência.</p><p>→ Cultura – Ler o texto de Colin Cherry - A comunicação humana.</p><p>Texto: CULTURA, de Colin Cherry</p><p>O desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependeram</p><p>principalmente da evolução dos meios de receber, comunicar e de registrar o</p><p>conhecimento e, particularmente, do desenvolvimento da escrita.</p><p>O homem é essencialmente um animal comunicativo; a comunicação constitui</p><p>uma de suas atividades essenciais. Enquanto os seres mais rudimentares enfrentam o</p><p>seu meio ambiente numa base de momento, o homem possui a faculdade de</p><p>aprender, em graus variáveis. Consequentemente, suas ações são influenciadas por</p><p>experiências passadas. A experiência humana não é uma questão momentânea:</p><p>apresenta continuidade; o homem tem um contato com seus antepassados e</p><p>descendentes, e um sentido de história e tradição. Tudo isso é possível graças à</p><p>linguagem. Essa capacidade de comunicação possibilitou a organização do homem</p><p>em sociedades complexas além de o manter em contínuo estado de mudança.</p><p>A linguagem humana está em perene mudança. A linguagem e as outras</p><p>atividades sociais se correlacionam; os interesses e necessidades de cada época</p><p>impõem mudanças à linguagem.</p><p>A comunicação implica essencialmente uma linguagem, quer seja este um dialeto</p><p>falado, uma inscrição em pedra, um sinal de código Morse. A linguagem tem sido</p><p>chamada “o espelho da sociedade”.</p><p>https://3.bp.blogspot.com/-K34s-8HzhYw/WuhsAoZo8YI/AAAAAAAAGIc/CP01ebOzXbI85ULfmd4Yg_EHl7c_EYwkwCLcBGAs/s1600/CULTURA.jpg</p><p>Profª Rosana Mary Martins 5</p><p>A Linguagem é um elemento da cultura de um povo. É, ao mesmo tempo,</p><p>condição essencial para que haja cultura.</p><p>Cultura, é todo fazer humano que pode ser transmitido de geração a geração. A</p><p>cultura é a soma de todas as realizações do homem.</p><p>CHERRY, Colin. A comunicação humana. Trad. de José Paulo Paes.</p><p>São Paulo, Cultrix, 1972. p. 64-5. Adaptado.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 6</p><p>Entendendo o texto:</p><p>01 – As questões seguintes referem-se ao texto lido:</p><p>a) De acordo com a definição de cultura, a linguagem é um fato natural ou</p><p>cultural? Justifique sua resposta.</p><p>b) Transcreva do texto a frase que expressa a seguinte ideia: sem</p><p>linguagem não há comunicação.</p><p>c) “Sem a língua, cada geração receberia de precedente coisas, mas não</p><p>ideias, e se encontraria na condição penosa de ter sempre de</p><p>recomeçar do princípio.”</p><p>Copie o trecho do texto que apresente ideia semelhante à do parágrafo</p><p>transcrito acima.</p><p>02 - Relacione as duas séries:</p><p>a - Fenômeno individual. 1 – linguagem.</p><p>b - Fenômeno universal. 2 – língua.</p><p>c - Fenômeno limitado a grupos sociais 3 – fala.</p><p>03 - “– Joãozinho! Sua redação sobre o cachorro está exatamente igual à do seu</p><p>irmão!</p><p>– É que o cachorro é o mesmo, professora!”.</p><p>Considerássemos como aceitável a resposta do Joãozinho, estaríamos</p><p>contrariando o conceito de linguagem, língua ou fala? Justifique sua resposta.</p><p>Referências:</p><p>CHERRY, Colin. A comunicação humana. Trad. de José Paulo Paes. São Paulo,</p><p>Cultrix, 1972. p. 64-5.</p><p>Cola na Web. Disponível em. https://www.coladaweb.com/literatura/o-que-e-linguistica.</p><p>Acessado em: 24/02/2021.</p><p>Reflexões sobre o uso da língua</p><p>Língua falada e língua escrita:</p><p>A língua falada é tem as mesmas características da língua escrita, como pode</p><p>ser observado no quadro a seguir.</p><p>https://www.coladaweb.com/literatura/o-que-e-linguistica</p><p>Profª Rosana Mary Martins 7</p><p>A língua escrita, por sua vez, é subdivida em literária e não literária. Vejam os</p><p>exemplos.</p><p>LÍNGUA FALADA:</p><p>LÍNGUA ESCRITA:</p><p>• NÃO-LITERÁRIA</p><p>➢ culta (típica das pessoas com instrução</p><p>escolar e baseada nas regras da língua</p><p>padrão)</p><p>Ex.: Gostaríamos muito que você o</p><p>convidasse para jantar sempre que</p><p>estivesse na cidade.</p><p>➢ culta/língua padrão (ensinada na</p><p>escola, utilizada nos livros didáticos e</p><p>obedece às regras gramaticais. Reflete</p><p>prestígio social e cultural)</p><p>Ex.: Prezados senhores, De acordo com</p><p>sua solicitação de 07/02/2018,</p><p>esclarecemos que o relatório detalhado das</p><p>peças substituídas na casa de máquina de</p><p>sua piscina está em fase final de</p><p>elaboração e o encaminharemos para sua</p><p>apreciação até o final da tarde de hoje.</p><p>➢ coloquial (é o modo de falar</p><p>despreocupado. É a fala do dia a</p><p>dia, com pequenos deslizes das</p><p>regras da língua padrão).</p><p>Ex. Chama ele pra mim, por favor? Me</p><p>comprometo a ser breve.</p><p>➢ Coloquial (sem preocupação com as</p><p>regras gramaticais, típica da</p><p>comunicação cotidiana)</p><p>Ex. Mamãe, vou direto do trabalho</p><p>humanizada do trabalho. Rio de</p><p>Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978.</p><p>ARGUMENTAÇÃO:</p><p>O que é argumentar?</p><p>• É a capacidade de relacionar fatos, teses, opiniões e possíveis soluções com o</p><p>objetivo de convencer, de persuadir alguém sobre um determinado</p><p>pensamento ou ideia e a concordar com ela.</p><p>• Esse pensamento ou ideia tem que ser polêmico.</p><p>Qual a diferença entre PERSUADIR e CONVENCER?</p><p>Persuadir: mover pelo coração, pela exploração do lado emocional,</p><p>coordenar o discurso por meio de apelo às paixões do outro.</p><p>Convencer: mover pela razão, pela exposição de provas lógicas,</p><p>coordenar o discurso por meio de apelos ligados ao campo da</p><p>racionalidade.</p><p>O que é um argumento?</p><p>É uma afirmação seguida de uma explicação. E quanto mais se explica, mais</p><p>convincente se torna.</p><p>“Você precisa comer verduras porque faz bem pra saúde.”</p><p>Até aqui temos um senso comum. Mas por que faz bem pra saúde?</p><p>“Porque verduras são ricas em nutrientes, como fibras e vitaminas.”</p><p>E se continuar explicando mais convincente será minha argumentação!</p><p>“fibras e vitaminas fazem bem pra saúde porque são nutrientes essenciais ao</p><p>bom funcionamento dos órgãos.”</p><p>Qual a diferença?</p><p>1. Tema</p><p>2. Título</p><p>( ) ( )</p><p>É geralmente uma oração</p><p>com começo, meio e fim, por</p><p>isso tem sempre um verbo.</p><p>Normalmente não tem verbo.</p><p>É o assunto de que trata o</p><p>texto.</p><p>É o resumo do que você</p><p>escreveu.</p><p>Está inserido no texto,</p><p>comentado, discutido,</p><p>trabalhado dentro do mesmo.</p><p>Aparece antes do texto, na</p><p>primeira linha ou em lugar</p><p>específico.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 43</p><p>Qual a diferença?</p><p>1. Tema Subjetivo</p><p>2. Tema Objetivo</p><p>( ) Denotação - palavra usada em sentido literal: objetividade:</p><p>Ex.: Meu coração está batendo acelerado.</p><p>( ) Conotação - palavra usada em sentido figurado: subjetividade.</p><p>Ex.: Meu coração galopa quando te vê...</p><p>Qual a diferença?</p><p>1. Tema</p><p>2. Tese</p><p>( ) será sempre o assunto do texto, o tópico frasal ou ainda a ideia núcleo.</p><p>( ) é o ponto de vista do autor sobre o Tema. O que o autor pensa, defende e</p><p>acredita sobre o assunto. A Tese será positiva (favorável) ou negativa (desfavorável) à</p><p>ideia núcleo.</p><p>Tema e Tese. Observe o texto:</p><p>“Muitos discutem a crescente violência dos dias atuais como algo exterior e</p><p>nunca como um movimento que inicia em si mesmo. Isso se dá por conta do</p><p>individualismo exacerbado vivido hodiernamente e por conta da irreflexão de</p><p>atos, como o consumo de drogas, que pioram ainda mais a situação”.</p><p>Tema: A violência (geralmente, vem sempre colocado na primeira frase )</p><p>Tese: A violência como um movimento que começa dentro de cada um.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 44</p><p>Organização do texto argumentativo</p><p>1 Introdução:</p><p>• Delimita-se o tema a respeito do qual se formula uma tese ou ponto de</p><p>vista;</p><p>2 Desenvolvimento:</p><p>• Apresentam-se os argumentos para sustentar a tese inicial Na articulação</p><p>dos argumentos, deve ser observada a consistência do raciocínio e as</p><p>evidências das provas (exemplos, dados, testemunhos, etc), o que exige</p><p>conhecimento no assunto e reflexão</p><p>Na organização das ideias podem ser usados vários processos:</p><p>• Causa e consequência;</p><p>• Comparação ou confronto;</p><p>• Analogia;</p><p>• Ordenação temporal, etc</p><p>3 Conclusão:</p><p>• Dedução lógica do que foi argumentado;</p><p>• Expressão inicial + reafirmação do tema + observação final</p><p>TIPOS DE ARGUMENTO</p><p>Argumento de autoridade (por citação)</p><p>• É a citação de uma fonte confiável, que pode ser um especialista no</p><p>assunto ou dados de instituição de pesquisa, uma frase dita por alguém,</p><p>líder ou político, algum artista famoso ou algum pensador, enfim, uma</p><p>autoridade no assunto abordado.</p><p>• Não se esqueça de que a frase citada deve vir entre aspas. Veja:</p><p>“O cinema nacional conquistou nos últimos anos qualidade e faturamento nunca vistos</p><p>antes. ‘Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça’ - a famosa frase-conceito do</p><p>diretor Glauber Rocha – virou uma fórmula eficiente para explicar os R$ 130 milhões</p><p>que o cinema brasileiro faturou no ano passado”.</p><p>(Adaptado de Época, 14/04/2004)</p><p>Argumento de prova concreta (por comprovação)</p><p>• Ao empregarmos os argumentos baseados em provas concretas,</p><p>buscamos evidenciar nossa tese por meio de informações concretas,</p><p>extraídas da realidade. Podem ser usados dados estatísticos ou falsos ou</p><p>fatos notórios (de domínio público).</p><p>“São expedientes bem eficientes, pois, diante de fatos, não há o que questionar... No</p><p>caso do Brasil, homicídios estão assumindo uma dimensão terrivelmente grave. De</p><p>acordo com os mais recentes dados divulgados pelo IBGE, sua taxa mais que dobrou</p><p>ao longo dos últimos 20 anos, tendo chegado à absurda cifra anual de 27 por mil</p><p>habitantes. Entre homens jovens (de 15 a 24 anos), o índice sobe a incríveis 95,6 por</p><p>mil habitantes”.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 45</p><p>(Folha de S. Paulo. 14/04/2004)</p><p>Argumento por raciocínio lógico (de causa e consequência)</p><p>• A criação de relações de causa e efeito é o recurso utilizado pelo autor para</p><p>demonstrar que a conclusão a que chegou é necessária, e não fruto de</p><p>uma interpretação pessoal facilmente contestável. Trata-se de tentar</p><p>persuadir, trabalhando com a relação entre as ideias. Exemplos de</p><p>enunciado que trazem argumento por raciocínio lógico:</p><p>“Partimos da afirmação de que a liberdade é fundamental a todos os seres humanos.</p><p>Com ela podemos construir o nosso mundo e derrubar todas as barreiras que</p><p>impedem o nosso crescimento. Chegamos, depois, à conclusão de que não há obra</p><p>de arte sob o domínio da coação”</p><p>“Afirmamos que uma parcela significativa de nossa sociedade sofre de problemas de</p><p>saúde, alimentação, moradia etc. A partir daí podemos defender a ideia de que há</p><p>necessidade de uma política voltada aos problemas sociais que ocorrem no Brasil, ou</p><p>nos países do Terceiro Mundo ”</p><p>Argumento por exemplificação e/ou ilustração</p><p>• Amplamente utilizado, esse argumento se faz necessário quando a ideia a</p><p>ser defendida carece de esclarecimento com dados práticos da realidade</p><p>Ilustra-se uma situação, um problema, um assunto, ou usam-se exemplos</p><p>claros e pertinentes à ideia exposta.</p><p>“A condescendência com que os brasileiros têm convivido com a corrupção não é</p><p>propriamente algo que fale bem de nosso caráter. [...]</p><p>Há a pequena corrupção, cotidiana e muito difundida. É, por exemplo, a da secretária</p><p>da repartição pública que engorda seu salário datilografando trabalhos “para fora”,</p><p>utilizando máquina, papel e tempo que deveriam servir à instituição. Os chefes</p><p>justificam esses pequenos desvios com a alegação de que os salários públicos são</p><p>baixos. Assim, estabelece-se um pacto: o chefe não luta por melhores salários de seus</p><p>funcionários, enquanto estes, por sua vez, não “funcionam”. O outro exemplo é o do</p><p>policial que entra na padaria do bairro em que faz ronda e toma de graça um café com</p><p>coxinha. Em troca, garante proteção extra ao estabelecimento comercial, o que inclui,</p><p>eventualmente, a liquidação física de algum ladrão pé-de-chinelo”.</p><p>(Jaime Pinksky/Luzia Nagib Eluf. Brasileiro(a) é Assim Mesmo, Ed.Contexto)</p><p>Argumento por analogia (ou símile)</p><p>• É o argumento que pressupõe que se deve tratar algo de maneira igual,</p><p>situações iguais. As citações de jurisprudência são os exemplos mais</p><p>claros do argumento por analogia, que é bastante útil porque o juiz será, de</p><p>algum modo, influenciado a decidir de acordo com o que já se decidiu, em</p><p>situações anteriores.</p><p>“Em relação à violência dos dias atuais, o Brasil age semelhante a uma noiva</p><p>abandonada no altar: perdida, sem saber para aonde ir, de onde veio e nem para onde</p><p>quer chegar. E a questão que fica é se essa noiva largada, que são todos os</p><p>brasileiros, encontrará novamente um parceiro, ou seja, uma nova saída para o</p><p>problema”.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 46</p><p>Argumento de senso comum</p><p>• É aquele que invoca princípio genérico, indiscutível, conhecido por toda a</p><p>sociedade. Seu efeito suasório* é reduzido e, por isso, ele deve ser</p><p>utilizado como reforço a um argumento mais específico.</p><p>“Sabe-se que quem tem o nome incluído no SPC passa por uma situação</p><p>constrangedora. Sendo assim, aquele cujo nome foi inserido indevidamente nesse</p><p>cadastro tem direito à indenização por danos morais.”</p><p>*persuasivo, convincente</p><p>Argumento por competência linguística</p><p>É de regra que se use o registro culto da língua em textos dissertativos, porque, com</p><p>eles, busca-se a generalidade: a língua padrão atinge um número maior de receptores</p><p>e facilita o intercâmbio de ideias. Dominar o registro culto da língua, porém, não</p><p>significa escravizar-se a ele em detrimento do que se pretende defender, o que não</p><p>significa também que seja aceitável o desrespeito ao código sem razões justificáveis</p><p>pelo texto.</p><p>Exercícios</p><p>Leia os trechos a seguir e:</p><p>1) identifique a ideia ou tese que o autor quer defender; e</p><p>2) classifique qual argumento o autor usa para defender sua opinião.</p><p>Trecho 1</p><p>“Nos países que passaram a ter a pena de morte prevista no código penal – os</p><p>Estados Unidos são um exemplo disso – não houve uma diminuição significativa do</p><p>índice de criminalidade. Donde podemos concluir que a existência legal da pena de</p><p>morte não inibe a criminalidade.”</p><p>Trecho 2</p><p>“A redução dos impostos sobre o preço dos carros – IPI e ICMS – é uma</p><p>medida que pode ajudar a combater o desemprego, pois reduzindo o preço, as vendas</p><p>tendem a crescer, o que provoca um aumento da produção, o que por sua vez garante</p><p>os empregos.”</p><p>Trecho3</p><p>“A função principal da escola média não deve ser a preparação especializada</p><p>para o trabalho e, ao contrário do que se possa pensar, essa não é uma ideia recente.</p><p>No século passado, Einstein já se opunha à ideia de que a escola devesse ensinar</p><p>conhecimento ou técnicas específicas que uma pessoa fosse utilizar mais tarde na sua</p><p>vida. Considerava que as exigências da vida são muito variadas para que a escola</p><p>pudesse dar conta delas. Afirmava ser contra tratar um indivíduo como ‘ferramenta</p><p>morta’ e considerava, portanto que a escola deveria ter como meta formar jovens com</p><p>personalidade harmoniosa, capazes de pensar e com autonomia para julgar. [ ] ”</p><p>Trecho 4</p><p>“O jornalista Kaíke Nanne, na sua coluna na AOL, chama a atenção para o</p><p>risco de que os profissionais negros sejam vistos com desconfiança e tenham seu</p><p>talento e potencial contestados, já que não entraram na universidade por mérito, mas</p><p>sim pelo regime de cotas.”</p><p>Profª Rosana Mary Martins 47</p><p>Trecho 5</p><p>“Uma das consequências mais preocupantes do regime de cotas é a queda da</p><p>qualidade do ensino, já comprometida, dado que alunos menos preparados entrariam</p><p>nas universidades, o que em alguns casos poderia obrigar os professores a nivelar</p><p>suas aulas por baixo.”</p><p>Trecho 6</p><p>“Toda atitude racista deve ser denunciada e combatida, posto que fere um dos</p><p>princípios da Constituição brasileira.”</p><p>Trecho 7</p><p>“Paulo Corbucci, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica</p><p>Aplicada), diz que políticas compensatórias, como as cotas sociais, são necessárias.</p><p>‘As desigualdades sociais reproduzem as desigualdades educacionais. (...) O círculo</p><p>não é quebrado se não houver decisões políticas”. (Folha de S. Paulo, 31/5/2004)</p><p>Trecho 8</p><p>“Os alunos contemplados pelo regime de cotas tendem a apresentar melhor</p><p>desempenho na universidade, dedicando-se mais, dado que valorizam mais o acesso</p><p>à universidade, que assume para eles um caráter de conquista ”</p><p>QUADRO SÍNTESE:</p><p>Descrição:</p><p>- retrato de pessoas,</p><p>ambientes, objetos;</p><p>- uso de verbos de ligação;</p><p>- freqüente emprego de</p><p>metáforas, comparações e</p><p>outras figuras de estilo;</p><p>- resulta na imagem física</p><p>ou psicológica</p><p>Narração</p><p>- relato de fatos;</p><p>-presença de narrador,</p><p>personagem, enredo,</p><p>cenário, tempo;</p><p>- apresentação de um</p><p>conflito;</p><p>- uso de verbo de ação;</p><p>- pode apresentar</p><p>descrições e diálogos</p><p>Dissertação</p><p>- defesa de um argumento:</p><p>a- apresentação de uma</p><p>tese que será defendida,</p><p>b- desenvolvimento ou</p><p>argumentação,</p><p>c- desfecho;</p><p>predomínio da linguagem</p><p>objetiva</p><p>Referências:</p><p>CEREJA, W.R., MAGALHÃES, T.C. Gramática reflexiva: texto, semântica e interação.</p><p>São Paulo. Atual, 2004.</p><p>FATEC EAD – Comunicação e expressão. Visão Geral da Noção de texto: conceito e</p><p>tipologia: descrição. Unidade 1. 2015.</p><p>FIORIN, J.L.; SAVIOLI, F.P. Lições de texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática,</p><p>2003.</p><p>KOCH, I.V. Argumentação e linguagem. 6. ed. São Paulo; Cortez, 2000.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 48</p><p>CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL</p><p>Concordância é o princípio de acordo com o qual as palavras dependentes se</p><p>harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que dependem. Desta forma:</p><p>CONCORDÂNCIA NOMINAL</p><p>1. Regra Geral O artigo, o adjetivo e as palavras</p><p>adjetivas (pronome e numeral)</p><p>concordam em gênero e número</p><p>com o substantivo (ou nome) a</p><p>que se referem.</p><p>As cidades mortas.</p><p>Quinhentos gramas de café.</p><p>Muita grama no jardim.</p><p>2. REGRAS ESPECIAIS</p><p>Adjetivo vem</p><p>DEPOIS de dois ou</p><p>mais substantivos:</p><p>• do mesmo gênero: o adjetivo vai</p><p>para o plural deste gênero ou</p><p>concorda com o mais próximo;</p><p>• de gêneros diferentes: o adjetivo</p><p>vai para o masculino plural ou</p><p>concorda com o mais próximo.</p><p>• Toalha e mesa sujas.</p><p>• Copo e prato quebrado/</p><p>quebrados.</p><p>• Marinha e Exército brasileiros/</p><p>brasileiro.</p><p>• Rios e floresta imensos/imensa.</p><p>Adjetivo vem</p><p>ANTES de dois ou</p><p>mais substantivos.</p><p>= se os</p><p>substantivos forem</p><p>nomes próprios</p><p>• adjetivo concorda com o mais</p><p>próximo.</p><p>• o adjetivo deverá ir para o plural.</p><p>• Escolheste bom lugar e hora.</p><p>• Escolheste boa hora e lugar.</p><p>• Os famosos Alencar e Machado.</p><p>Um substantivo</p><p>modificado por dois</p><p>ou mais adjetivos</p><p>no singular:</p><p>• substantivo permanece no</p><p>singular e coloca-se o artigo</p><p>ANTES do último adjetivo;</p><p>• substantivo vai para o plural e</p><p>omite-se o artigo ANTES do</p><p>adjetivo:</p><p>• O governo estadual e o</p><p>municipal vetaram o projeto.</p><p>• Estudo a língua inglesa e a</p><p>francesa.</p><p>• Os governos estadual e</p><p>municipal vetaram o projeto.</p><p>• Estudo as línguas inglesa e</p><p>francesa.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 49</p><p>Adjetivo como</p><p>predicativo do</p><p>sujeito</p><p>• o adjetivo irá para o plural se</p><p>estiver DEPOIS dos</p><p>substantivos:</p><p>• o adjetivo irá para o plural ou</p><p>concordará com o número mais</p><p>próximo se estiver ANTES dos</p><p>substantivos:</p><p>Sua criatividade e talento eram</p><p>extraordinários.</p><p>Eram extraordinários sua</p><p>criatividade e o seu talento.</p><p>Era extraordinária sua</p><p>criatividade e o seu talento.</p><p>Era extraordinário seu talento e</p><p>criatividade.</p><p>3. CERTAS PALAVRAS E EXPRESSÕES</p><p>UM E OUTRO,</p><p>NEM UM NEM</p><p>OUTRO, seguidas</p><p>de substantivo:</p><p>O substantivo fica no singular se</p><p>estiver sem adjetivo;</p><p>Se vier com adjetivo, este ficará</p><p>no plural.</p><p>Um e outro problema.</p><p>Nem uma nem outra atividade.</p><p>Um e outro problema insolúveis.</p><p>LESO, PRÓPRIO,</p><p>MESMO, JUNTO,</p><p>ANEXO, INCLUSO,</p><p>QUITE,</p><p>OBRIGADO, TAL e</p><p>os particípios</p><p>(adjetivos):</p><p>Concordam com o nome a que se</p><p>referem.</p><p>Crime de lesa-pátria.</p><p>Crime de lesos-direitos.</p><p>Crime de leso-patriotismo.</p><p>Nós próprios faremos o trabalho.</p><p>As crianças saíram juntas.</p><p>As declarações seguem anexas.</p><p>Estão inclusas as taxas e os</p><p>impostos.</p><p>Eu estou quite com o clube.</p><p>Muito obrigada, disse Fernanda.</p><p>Que tais estas músicas?</p><p>Encerrada a reunião, saíram.</p><p>MENOS, ALERTA,</p><p>QUANTO</p><p>POSSÍVEL:</p><p>Ficarão sempre invariáveis</p><p>Mais amor e menos confiança.</p><p>Os soldados estão alerta.</p><p>Bebi tantos refrigerantes quanto</p><p>possível.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 50</p><p>POUCO, MUITO,</p><p>BASTANTE, SÓ,</p><p>MEIO, CARO,</p><p>BARATO, ALTO,</p><p>etc.:</p><p>Na função de adjetivo, DEVE</p><p>CONCORDAR com o substantivo.</p><p>Na função</p><p>de advérbio, fica</p><p>INVARIÁVEL (acompanha o</p><p>verbo, adjetivos, advérbios).</p><p>ADJETIVO:</p><p>Havia muitas alunas.</p><p>Eram bastantes problemas.</p><p>Eles saíram sós (sozinhos).</p><p>É meio-dia e meia (hora).</p><p>ADVÉRBIO:</p><p>As alunas eram muito boas.</p><p>Estavam bastante longe.</p><p>A porta estava meio aberta.</p><p>Os sapatos custaram caro.</p><p>SÓ</p><p>Só (somente, apenas) – singular</p><p>Só (sozinhos/as) – plural.</p><p>As crianças queriam ficar só no</p><p>quintal.</p><p>As crianças queriam ficar a sós no</p><p>quintal.</p><p>CONCORDÂNCIA VERBAL</p><p>1. Regra Geral</p><p>O verbo concorda com o núcleo</p><p>do sujeito em pessoa (eu, tu,</p><p>ele...) e número (singular e plural).</p><p>Nós sempre admiramos seu</p><p>entusiasmo.</p><p>Sumia na entrada poeirenta a</p><p>última boiada da fazenda.</p><p>núcleo</p><p>(ela)</p><p>2. Verbo + SE</p><p>SE como pronome</p><p>apassivador:</p><p>O verbo concorda com o sujeito</p><p>(que está explícito na oração).</p><p>➢ Ocorre com Verbos</p><p>Transitivo Direto - VTD</p><p>Realizaram-se novas</p><p>investigações.</p><p>(Novas investigações foram</p><p>realizadas).</p><p>Nunca se discutiu, nas reuniões,</p><p>esse problema.</p><p>Nunca se discutiram, nas</p><p>reuniões, esses problemas.</p><p>SE como</p><p>indeterminador do</p><p>sujeito:</p><p>O verbo deve ser empregado na</p><p>3ª pessoa do singular.</p><p>➢ Ocorre com VI, VTI e VL</p><p>Naquela época, não se dispunha</p><p>de informações atualizadas.</p><p>(plural)</p><p>Naquela época, não se dispunha</p><p>de informação atualizadas</p><p>(singular)</p><p>Concordou-se com os resultados</p><p>da eleição.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 51</p><p>3. Expressões partitivas</p><p>a maior parte de,</p><p>grande número de ,</p><p>A maioria de ,</p><p>parte de</p><p>+ nome no plural:</p><p>O verbo fica no singular: A maioria dos torcedores apoiou</p><p>o técnico.</p><p>O verbo fica no plural: A maioria dos torcedores</p><p>apoiaram o técnico.</p><p>A escolha dependerá da intenção do falante de enfatizar um ou outro</p><p>dos componentes – maioria / torcedores.</p><p>4. Pronomes Relativos QUE e QUEM</p><p>QUE:</p><p>O verbo concorda com o</p><p>antecedente.</p><p>Ele não confia mais em nós, que</p><p>sempre apoiamos seus projetos.</p><p>Não foram os jogadores que</p><p>começaram toda a confusão.</p><p>QUEM:</p><p>O verbo fica na 3ª pessoa do</p><p>singular.</p><p>Não foram os jogadores quem</p><p>começou toda a confusão.</p><p>Se o pronome relativo que tem como antecedente a expressão um dos / uma das seguida de</p><p>nome no plural, o verbo pode ser empregado tanto no singular como no plural:</p><p>Ex.: Fernando é um dos alunos que participará / participarão da reunião.</p><p>Ele é um dos que mais conversa / conversam durante a aula.</p><p>5. Concordância do verbo com o SUJEITO COMPOSTO</p><p>ANTES do verbo e</p><p>com os núcleos</p><p>ligados pela</p><p>conjunção e :</p><p>Verbo no plural ou singular:</p><p>• quando os núcleos do sujeito</p><p>são sinônimos, o verbo pode</p><p>ficar tanto no singular como no</p><p>plural:</p><p>A internet e o telefone celular</p><p>mudaram a história das</p><p>comunicações.</p><p>A paz e a tranquilidade dominava /</p><p>dominavam a imensa catedral.</p><p>Verbo no singular:</p><p>➢ se os núcleos estão seguidos</p><p>por tudo, nada, ninguém o</p><p>verbo tem que ficar no singular:</p><p>Os amigos, o trabalho, a família,</p><p>nada impediria que ele partisse.</p><p>DEPOIS do verbo</p><p>e com os núcleos</p><p>ligados pela</p><p>conjunção e :</p><p>O verbo fica no plural ou</p><p>concorda com o primeiro núcleo:</p><p>Protegiam as cidades medievais uma</p><p>forte muralha e pesados portões.</p><p>Protegia as cidades medievais uma</p><p>forte muralha e pesados portões.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 52</p><p>6. SUJEITO COMPOSTO de pessoas gramaticais DIFERENTES:</p><p>1ª PESSOA</p><p>(eu/nós):</p><p>ANTES DO VERBO - A 1ª pessoa</p><p>prevalece sobre as demais:</p><p>DEPOIS do verbo – Pode seguir a</p><p>regra anterior ou concordar com o</p><p>primeiro núcleo do sujeito:</p><p>Alguns alunos, eu e tu, ficaremos</p><p>aqui na escola.</p><p>Ficaremos aqui na escola alguns</p><p>alunos, eu e tu.</p><p>Ficarão aqui na escola alguns</p><p>alunos, eu e tu.</p><p>2ª PESSOA</p><p>(tu/vós)</p><p>+</p><p>3ª PESSOA</p><p>(ele/eles):</p><p>O verbo fica na 2ª pessoa do</p><p>plural (vós)</p><p>OU</p><p>Na 3ª pessoa do plural (eles):</p><p>O advogado e tu decidireis /</p><p>decidirão como será o contrato.</p><p>7. Núcleos do sujeito ligados por OU ou NEM:</p><p>(depende do sentido geral da frase)</p><p>➢ OU/ NEM</p><p>exprimindo ideia</p><p>de exclusão</p><p>O verbo fica no singular:</p><p>Um gaúcho ou um mineiro será o</p><p>novo técnico da seleção de vôlei.</p><p>➢ OU / NEM não</p><p>exprimindo ideia</p><p>de exclusão</p><p>O verbo fica no plural:</p><p>Palavras rudes ou insinuações</p><p>irônicas magoam pessoas</p><p>sensíveis.</p><p>8. Concordância do verbo SER:</p><p>Sujeito no singular</p><p>e predicativo no</p><p>plural (ou vice-</p><p>versa)</p><p>Se o sujeito ou o predicativo</p><p>designar pessoa / gente, o verbo</p><p>ser concorda obrigatoriamente</p><p>com esse termo:</p><p>[...] o maior defeito deste livro és</p><p>tu, leitor.</p><p>Pred.Suj.</p><p>sujeito</p><p>Os professores de um país são a</p><p>sua maior riqueza humana.</p><p>sujeito</p><p>O problema da empresa sempre</p><p>foram os funcionários</p><p>desmotivados.</p><p>O príncipe, por estar doente, era</p><p>as preocupações do reino.</p><p>Se nem o sujeito nem o</p><p>predicativo designarem pessoa /</p><p>gente, o verbo poderá concordar</p><p>com qualquer um deles:</p><p>As cartas secretas foram a prova</p><p>definitiva de sua traição.</p><p>As cartas secretas foi a prova</p><p>definitiva de sua traição.</p><p>Verbo ser indicando</p><p>horas:</p><p>Concordará com o núcleo da</p><p>expressão numérica:</p><p>Agora são três horas, mas</p><p>quando ele chegou era uma e</p><p>vinte.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 53</p><p>9. Verbos impessoais:</p><p>➢ haver (no</p><p>sentido de</p><p>existir);</p><p>➢ fazer (indicando</p><p>tempo);</p><p>➢ verbos que</p><p>indicam</p><p>fenômeno da</p><p>natureza.</p><p>• são usados na 3ª pessoa</p><p>do singular:</p><p>• Havia poucas pessoas na</p><p>festa.</p><p>• Faz dois meses que moro</p><p>nesta cidade.</p><p>• Fazia muito calor ontem à</p><p>tarde.</p><p>➢ Observações:</p><p>1. O verbo auxiliar que se coloca junto a um verbo impessoal também não se flexiona:</p><p>• Deve haver poucas pessoas na festa hoje.</p><p>• Vai haver muitos feriados neste semestre.</p><p>2. O verbo existir não é impessoal:</p><p>• Existem muitas razões para defendê-lo.</p><p>10. Verbo bater,</p><p>dar, soar:</p><p>O verbo concorda com o numeral: Deu uma hora no relógio da matriz.</p><p>Deram duas horas no relógio da</p><p>matriz.</p><p>Se o sujeito for relógio, sino,</p><p>carrilhão, torre, etc. o verbo</p><p>concordará com esse sujeito:</p><p>O velho relógio da praça dá dez</p><p>horas.</p><p>11. Sujeito</p><p>formado por</p><p>coletivo:</p><p>O verbo fica no singular: O povo foi às ruas.</p><p>Coletivo seguido de uma</p><p>expressão no plural, o verbo pode</p><p>concordar com esse plural:</p><p>O bando de aves voou / voaram.</p><p>12. Sujeito</p><p>formado por</p><p>nomes que só têm</p><p>plural:</p><p>a) Se vier antecedido de artigo, o</p><p>verbo irá para o plural:</p><p>Os Estados Unidos falaram ...</p><p>b) Se não tiver artigo, o verbo</p><p>ficará no singular:</p><p>Estados Unidos falou...</p><p>13. Sujeito é um</p><p>pronome de</p><p>tratamento:</p><p>O verbo fica na 3ª pessoa:</p><p>Vossa Excelência é diabético?</p><p>Vossas Excelências vão</p><p>renunciar?</p><p>14. Sujeito é um</p><p>pronome</p><p>interrogativo,</p><p>demonstrativo ou</p><p>indefinido no</p><p>plural seguido da</p><p>expressão de nós</p><p>ou de vós:</p><p>O verbo concorda com o primeiro</p><p>pronome ou com o segundo:</p><p>Muitos de nós saíram / saímos do</p><p>colégio.</p><p>Quantos de vós foram / fostes</p><p>aprovados?</p><p>Prof�� Rosana Mary Martins 54</p><p>EXERCÍCIOS (Concordância Nominal):</p><p>1) Reescreva as frases seguintes, fazendo a devida concordância das palavras</p><p>indicadas entre parênteses:</p><p>a) O leitor pulou (longo) capítulos e páginas, porque achou o livro grosso</p><p>b) O poeta escreveu capítulos e páginas (compacto)</p><p>c) O advogado considerou (perigoso) o argumento e a decisão</p><p>d) “Os cavalos, metidos até (meio) canela na correnteza, dobravam o pescoço”</p><p>(Guimarães Rosa)</p><p>e) Os fugitivos caminhavam lentamente, (alerta) ao perigo</p><p>f) Comprei uma casa e um carro (usado)</p><p>g) Elas (mesmo) providenciaram as atestados, que enviaram (anexo) às procurações</p><p>h) Os alunos e as alunas (aprovado) pretendem fazer um coquetel e um baile</p><p>(bastante) agradáveis</p><p>2)</p><p>Substitua as expressões destacadas pelas palavras indicadas entre</p><p>parênteses, fazendo as adequações necessárias:</p><p>a) Eles já estavam igualmente pagos. (quite)</p><p>b) Os filmes a que assisti no Festival Internacional de Cinema eram muito</p><p>interessantes. (bastante)</p><p>c) A merendeira estava um pouco confusa porque não havia pratos e talheres</p><p>suficientes. (meio – bastante)</p><p>d) Eles não se sentiam bem quando ficavam sozinhos. (só)</p><p>Profª Rosana Mary Martins 55</p><p>e) Júlia e Estela somente irão se tiverem muitos detalhes do roteiro da viagem. (só –</p><p>bastante)</p><p>3) Efetue as concordâncias possíveis com os adjetivos entre parênteses</p><p>a- Em seu semblante alternavam alegria e medo ______________._ (intenso)</p><p>b- Em seu semblante alternavam medo e alegria _______________. (intenso)</p><p>c- Em seu semblante alternavam _______________ medo e alegria. (intenso)</p><p>d- Em seu semblante alternavam _______________ alegria e medo. (intenso)</p><p>e- Tinha poder e força ______________._ (moderado)</p><p>f- Tinha força e poder ______________._ (moderado)</p><p>g- Escolheu hora e lugar ______________._ (adequado)</p><p>h- O lugar e a hora eram ______________._ (adequado)</p><p>i- Era _______________ o lugar e a hora. (adequado)</p><p>4) Complete cada lacuna com a palavra que está entre parêntese, efetuando, se</p><p>necessário, a concordância nominal:</p><p>a- O candidato apresentava argumentos _____________ para ser o escolhido.</p><p>(bastante)</p><p>b- Elas _______________ resolveram todas as questões burocráticas. (mesmo)</p><p>c- Vão _______________ aos processos várias fotos. (anexo)</p><p>d- Viagens à região nordeste custam ______________._ (caro)</p><p>e- As viagens ao nordeste estão ______________._ (caro)</p><p>f- A construção dessa usina nuclear nada mais é do que um crime de _________</p><p>- patriotismo. (leso)</p><p>g- Estamos _______________ com as mensalidades escolares. (quite)</p><p>h- É _______________ prudência! Não dirija sem cinto de segurança.</p><p>(necessário)</p><p>i- É _______________ muita prudência. Dirija devagar. (necessário)</p><p>5) Complete cada lacuna com meio, meia ou meias:</p><p>a- Já era meio-dia e _______________ quando me telefonaram</p><p>b- Ficaram _______________ nervosos com a expectativa do exame</p><p>c- Não fale por _______________ palavras</p><p>d- De manhã só tomo _______________ xícara de leite</p><p>e- Estão _______________ inseguros com os índices inflacionários</p><p>Profª Rosana Mary Martins 56</p><p>EXERCÍCIOS (Concordância verbal) :</p><p>1) Circule as formas verbais entre parênteses, obedecendo às regras de</p><p>concordância verbal que completa corretamente os espaços. Se houver</p><p>duas possibilidades, circule as duas.</p><p>a) _______ uma situação dramática os moradores do Rio e de Petrópolis</p><p>(Revista IstoÉ) ( Viveu – Viveram)</p><p>b) Ambientalistas _______ alertando a população para o perigo de se</p><p>construir nas encostas dos morros (Revista Veja) (vem – vêm)</p><p>c) Quando _______ esses acidentes imprevistos, as autoridades tentam</p><p>passar a ideia de que ocorreu uma catástrofe natural (Revista Veja) (acontece</p><p>– acontecem)</p><p>d) Ele, sua irmã e eu _______ da tarefa (se incumbem – nos incumbimos)</p><p>e) Tu e teus avós _______ entrar num acordo (conseguistes – conseguiram)</p><p>2) Reescreva as frases que seguem, substituindo os quadrinhos pelos</p><p>verbos indicados entre parênteses:</p><p>a) Os EUA _______ robôs em cirurgias de fêmur (Folha de S Paulo) (usar –</p><p>pres do id )</p><p>b) Mais de um constituinte _______ a favor do projeto (O Estado de S Paulo)</p><p>(votar – pret perf do ind )</p><p>c) Mais de um motorista _______ mutuamente (xingar-se – pret perf do ind )</p><p>d) 60% da população brasileira não _______ acesso à escola secundária (ter</p><p>– pres do ind )</p><p>e) 2/3 da classe média _______ em deixar o país (Folha de S Paulo) (sonhar</p><p>– pres do ind )</p><p>f) Um dos que mais _______ um dos que menos (falar; cumprir – pret perf</p><p>do ind)</p><p>g) Fui eu que _______ terminar o namoro (decidir – pret perf do ind )</p><p>h) Fui eu quem _______ terminar o namoro (decidir – pret perf do ind )</p><p>Profª Rosana Mary Martins 57</p><p>3) Pluralize as expressões destacadas e, se necessário, efetue a concordância</p><p>verbal:</p><p>a) Precisa-se de carpinteiro experiente</p><p>b) Procura-se talento</p><p>c) Ainda não se resolveu o problema da enchente</p><p>d) Hoje em dia, não se crê em promessa de político</p><p>e) Hoje não se faz mais carro como antigamente</p><p>f) Desconfia-se dessa proposta</p><p>4) Passe para o plural as expressões em destaque e efetue, se necessário, a</p><p>concordância verbal:</p><p>a) Havia pouco assunto que me interessava</p><p>b) Existia outra proposta de aluguel</p><p>c) Pode haver ser vivo em outro planeta?</p><p>d) Deve fazer um ano que estou jogando para esse time</p><p>Profª Rosana Mary Martins 58</p><p>RESUMO DE TEXTOS</p><p>Resumir um texto significa criar um novo texto mais curto, utilizando somente as</p><p>informações mais importantes do texto original</p><p>Como produzir um resumo?</p><p>Quando produzimos um resumo, utilizamos algumas regras: buscamos compreender</p><p>bem o texto antes de resumi-lo, destacamos o que é importante, eliminamos as ideias</p><p>secundárias, construímos novas informações com base em informações do texto,</p><p>relacionamos as ideias destacadas e as novas informações construídas e produzimos</p><p>um novo texto, mantendo-nos, contudo, fiéis às ideias do texto que está sendo</p><p>resumido. O resumo não é uma miniaturização de um texto, mas uma atividade que</p><p>requer do resumidor a produção de um novo texto.</p><p>Dicas importantes</p><p>• Para resumirmos um texto, é necessário termos um objetivo em mente. A fim</p><p>de identificarmos nosso objetivo, devemos responder às perguntas: “Por que</p><p>vou resumir?”, “O que quero atingir com o resumo?”, “Quero as ideias básicas</p><p>do autor ou algum ponto específico?”</p><p>• Em um resumo, nunca colocamos o que pensamos. Apenas expressamos as</p><p>ideias principais contidas no texto, tomando o cuidado de não modificar nem a</p><p>organização do texto, nem o seu sentido</p><p>• O resumo pode corresponder a ¼ do texto original, ou seja, 10% a 15% do</p><p>original. É importante sempre perguntar quem está solicitando o resumo.</p><p>• Um resumo não pode ser constituído de uma sucessão de pedaços de frases</p><p>extraídas do texto.</p><p>Elaboração do resumo:</p><p>Depende do seu interesse ou da solicitação. Há basicamente dois tipos:</p><p>a. Cópia / apagamento (das ideias):</p><p>• Serve, geralmente, para estudo próprio;</p><p>• É usado como consulta do texto original;</p><p>• Segue-se o roteiro do original (parte por parte, capítulo por capítulo);</p><p>• Usa-se paráfrase e citação</p><p>b. Seleção (das idéias) / invenção (do texto resumido):</p><p>• Feita, geralmente, para o outro ler;</p><p>• Evita-se consultar o original durante a elaboração do resumo;</p><p>• Usa-se mais paráfrase que citação.</p><p>Texto completo (1)</p><p>Mário e Luiza foram à noite jantar no restaurante da esquina. Sentaram-se à mesa</p><p>logo à entrada. Mário comeu pizza com cogumelos, um calzone recheado e uma fatia</p><p>de torta de nozes; Luíza comeu creme de espinafre, berinjelas ao forno e salada de</p><p>agrião. Depois, saindo do restaurante, andando depressa contra o vento da noite,</p><p>atravessaram a rua e voltaram para casa. Procuraram a chave de casa, abriram a</p><p>porta do prédio, verificaram se havia correspondência para eles e chamaram o</p><p>Profª Rosana Mary Martins 59</p><p>elevador; finalmente, se sentaram no sofá de casa, justamente a tempo de curtir num</p><p>lugar quentinho um filme de Richard Gere que eles acharam muito bom.</p><p>Texto resumido (Seleção e invenção)</p><p>Em uma noite fria, Mário e Luíza foram jantar fora. Mário fez uma refeição à base de</p><p>massas; Luiza, de vegetais e legumes. Depois voltaram a pé para casa a tempo de</p><p>assistir ao filme de Richard Gere.</p><p>Texto completo (2)</p><p>Corrida maluca</p><p>Pode-se medir o grau de civilização de um país pela forma como seus</p><p>habitantes se comportam no trânsito. O Brasil, nesse</p><p>quesito, está reprovado. O país</p><p>mata mais do que o triplo de nações civilizadas. Enquanto na Europa e nos EUA a</p><p>média é de duas mortes/ano por 10 mil veículos, aqui é de 6,8.</p><p>A violência sobre rodas tem alto custo. Pesquisa inédita coordenada pelo</p><p>Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada calcula as perdas anuais com acidentes</p><p>automobilísticos em R$ 5,3 bilhões. Para essa conta, só foram consideradas as áreas</p><p>urbanas. O item que mais pesou foi o afastamento temporário ou definitivo do trabalho</p><p>(42,8%) e com o atendimento médico-hospitalar e a reabilitação (14,5%). As maiores</p><p>perdas – a dor de vítimas e familiares – não podem evidentemente ser qualificadas.</p><p>É verdade que a situação já foi pior. O Código de Trânsito Brasileiro, que</p><p>passou a vigorar em 1998, trouxe avanços importantes. Ao obrigar o uso do cinto de</p><p>segurança em todo o território nacional, tornou os acidentes menos letais. Ao permitir</p><p>a utilização de radares, reduziu a velocidade nos centros urbanos que se valeram</p><p>dessa tecnologia. O resultado pode ser mensurado. Na cidade de São Paulo, por</p><p>exemplo, o número de mortos por acidentes diminuiu mais de 25% de 1999 a 2000.</p><p>Apesar da melhora, o trânsito brasileiro continua produzindo cerca de 30 mil</p><p>mortos por ano. Para reduzir essa carnificina é preciso tomar atitudes enérgicas,</p><p>principalmente em alguns segmentos, como o das motos, já que a cada 100 acidentes,</p><p>71 é com vítimas. No caso de automóveis, a relação é de 100 para 7. Também o</p><p>álcool é um matador. Pesquisa feita por médicos do Hospital das Clínicas de São</p><p>Paulo e no Instituto Médico Legal, revelou que, dos 2.360 mortos no trânsito, 48,9%</p><p>tinham concentração de álcool no sangue superior à permitida.</p><p>Definir políticas públicas para esses e outros calcanhares-de-aquiles do</p><p>trânsito é o primeiro passo para que o Brasil deixe de ser um país de bárbaros</p><p>motorizados.</p><p>Folha de S.Paulo Opinião – A2, 3/julho de 2003</p><p>Texto resumido (Cópia e apagamento)</p><p>O Brasil mata mais que o triplo das nações civilizadas no trânsito. Pesquisa do</p><p>IPEA revela que as perdas anuais com acidentes, somente nas áreas urbanas, estão</p><p>em R$ 5,3 bilhões. Com o novo Código de Trânsito, os acidentes tornaram-se menos</p><p>letais, mas produzem cerca de 30 mil mortos. O álcool é, também, um grande</p><p>matador, com 48,9%. Por esses motivos, é preciso uma política pública mais enérgica</p><p>no trânsito.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 60</p><p>EXERCÍCIO</p><p>COMO FAZER UM RESUMO</p><p>Hoje faremos um trabalho de pesquisa. Isso mesmo, vamos pesquisar como fazer um</p><p>resumo!</p><p>Este trabalho será realizado em 2 partes:</p><p>1) Pesquise no site http://www.lendo.org/como-fazer-um-resumo/ sobre as técncias de</p><p>resumo;</p><p>2) Faça um Mapa Mental sobre essas estratégias utilizando a ferramenta COGGLE</p><p>( https://coggle.it/ ). Há um tutorial no início demonstrando como utilizar a plataforma.</p><p>3) Salve o seu Mapa Mental em PDF e o adicione nesta tarefa que também estará no</p><p>TEAMS.</p><p>Espero que curtam a atividade.</p><p>http://www.lendo.org/como-fazer-um-resumo/</p><p>https://coggle.it/</p><p>Profª Rosana Mary Martins 61</p><p>CONOTAÇÃO / DENOTAÇÃO / FIGURAS DE LINGUAGEM</p><p>Signo linguístico:</p><p>O signo linguístico (palavra) constitui-se de duas partes:</p><p>a) Significante: o lado material do signo, formado de sons (na língua falada) ou</p><p>de letras (na língua escrita)</p><p>b) Significado: o lado imaterial do signo, a ideia que aqueles fonemas ou letras</p><p>transmitem</p><p>Signo linguístico Significante fonemas ou letras</p><p>+</p><p>Significado ideia</p><p>Sentido literal ou sentido figurado:</p><p>O sentido literal é aquele que pode ser tomado como sentido “básico” de uma</p><p>palavra ou expressão, e que pode ser apreendido sem a ajuda do contexto.</p><p>O sentido figurado é aquele que as palavras e expressões adquirem, em</p><p>situações particulares de uso, em decorrência de uma extensão do seu sentido literal.</p><p>DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO:</p><p>Compare as duas frases:</p><p>1- Faça uma fogueira com o máximo cuidado.</p><p>2- Seu rosto foi consumido pela fogueira das minhas recordações.</p><p>Podemos perceber que o significante “fogueira” apresenta significados diferentes</p><p>nos enunciados acima: na frase 1, significa lenha ou outra matéria combustível</p><p>empilhada, à qual se lança fogo; na frase 2, significa ardor, exaltação, entusiasmo.</p><p>No primeiro caso a palavra está empregada em sentido denotativo.</p><p>A palavra ou enunciado tem valor denotativo quando se apresenta em seu</p><p>sentido literal, ou seja, aquele que corresponde à primeira significação atribuída</p><p>às palavras nos dicionários da língua.</p><p>No segundo caso, a palavra está empregada em sentido conotativo, porque a ela</p><p>foi atribuído um significado novo: ardor, exaltação, entusiasmo.</p><p>Uma palavra ou enunciado tem valor conotativo quando seu sentido não é</p><p>tomado literalmente, mas é ampliado e modificado, com o objetivo de provocar</p><p>um efeito particular, em um contexto específico.</p><p>FIGURAS DE LINGUAGEM</p><p>Figuras de Linguagem, também chamadas de figuras de estilo, são recursos</p><p>estilísticos usados para dar maior ênfase à comunicação e torná-la mais bonita.</p><p>“Ponha uma margarida na sua fossa ”</p><p>Profª Rosana Mary Martins 62</p><p>A palavra fossa está empregada no sentido conotativo. Ao escolher tal palavra</p><p>para expressar a ideia de angústia, forte depressão moral, o autor da campanha</p><p>publicitária de que trata o texto conseguiu transmitir sua mensagem com maior</p><p>expressividade.</p><p>Toda vez que uma palavra ou expressão for utilizada conotativamente com o</p><p>objetivo de realçar uma ideia ou emoção usa-se uma figura de linguagem.</p><p>Conheça algumas das figuras de linguagem mais utilizadas em português:</p><p>Metáfora: é o emprego de um termo que se associa a outro que o substitui, baseando-</p><p>se numa comparação de ordem pessoal e subjetiva.</p><p>Ex : Eu sou uma ilha longe de você</p><p>Metonímia: é a substituição de um termo por outro, baseando-se numa estreita</p><p>relação de sentido.</p><p>Ex : Minha professora leu Monteiro Lobato. (Na verdade, ela leu os textos de Monteiro</p><p>Lobato)</p><p>OBS : Ocorre metonímia quando se emprega:</p><p>- a parte pelo todo:</p><p>O bigode faltou hoje – (Bigode é uma das características da pessoa a que o</p><p>emissor se referiu )</p><p>- a marca pelo produto:</p><p>Vamos tomar uma Brahma? – Brahma é marca de cerveja</p><p>Catacrese: consiste no emprego de um termo figurado pela falta de outro mais</p><p>próprio.</p><p>Ex: Jogue fora esta xícara sem asa.</p><p>Antítese: consiste na utilização de expressões de sentido contrário para realçar as</p><p>ideias.</p><p>Ex : Ela trabalha dia e noite.</p><p>Eufemismo: é o emprego de uma expressão suave e polida no lugar de outra</p><p>considerada grosseira ou chocante.</p><p>Ex : Ele passou desta para melhor.</p><p>Prosopopeia: consiste em atribuir vida, ação, voz e movimento a seres inanimados ou</p><p>abstratos.</p><p>Ex : O mar batia palmas.</p><p>Hipérbole: consiste em realçar o pensamento por meio do emprego de uma</p><p>expressão intencionalmente exagerada.</p><p>Ex : Eles morreram de rir.</p><p>Gradação: consiste numa sequência de ideias expostas em ordem crescente ou</p><p>decrescente de intensidade.</p><p>Ex : Não pode fazer mal nenhum nem a mim, nem a ninguém, nem a nada.</p><p>Perífrase: é a substituição de um nome comum ou próprio por uma expressão que o</p><p>caracterize.</p><p>Ex : A cidade maravilhosa amanheceu ensolarada.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 63</p><p>EXERCÍCIOS:</p><p>I) Leia com atenção a tira que segue e faça o que se pede</p><p>1) Quando se lê o primeiro balão, espera-se que a expressão “ficar gelado” tenha</p><p>sentido denotativo ou conotativo? Justifique, fornecendo o sentido da expressão</p><p>2) O texto do segundo quadrinho confirma sua resposta ao item a? Justifique</p><p>II) Observe as figuras de estilo das frases a seguir busque o sentido em que foram</p><p>empregadas:</p><p>1) As folhas do canavial do vizinho lambiam</p><p>o muro da minha casa</p><p>2) Ele enterrou o espinho na mão</p><p>3) Comprei um Portinari por um ótimo preço</p><p>4) Ela embarcou no avião às 16 h do último domingo</p><p>5) No meio da rua, o sol escaldante</p><p>6) Alguns queriam a luz, outros a escuridão</p><p>7) Se uma parte está dia, da outra há de estar noite</p><p>8) O pavão é um arco-íris de plumas</p><p>Profª Rosana Mary Martins 64</p><p>9) Toda profissão tem seus espinhos</p><p>10) Naquela guerra, à noite, os aviões semeavam a morte</p><p>11) Um Picasso vale uma fortuna</p><p>12) Tomou uma taça de vinho</p><p>13) A América reagiu e combateu</p><p>14) Ele não tinha um teto onde pudesse se abrigar</p><p>15) Os urbanistas tornarão ainda mais bela a cidade maravilhosa</p><p>16) As mãos eram pequenas e os dedos, delicados</p><p>17) Como era possível beleza e horror, vida e morte harmonizarem-se no mesmo</p><p>quadro?</p><p>18) Na cidade há escolas para crianças excepcionais</p><p>19) Um ser limitado, uma ínfima criatura, um grão de pó perdido no cosmo, eis o que</p><p>o homem é</p><p>20) Chorou rios de lágrima</p><p>21) Estava morto de sede</p><p>22) Quase morri de tanto rir</p><p>23) Fizestes um excelente serviço (para querer dizer um péssimo serviço)</p><p>24) Os sinos chamam para o amor</p><p>25) A morte roubou-lhe o filho mais querido</p><p>26) A felicidade bateu em minha porta</p><p>27) O povo estourava de riso</p><p>28) O sol belisca a pele azul do lago</p><p>29) Uma palavra, um gesto, uma olhar bastava para despertar suspeitas</p><p>30) Os pinheiros, de braços abertos vigiavam a paisagem</p><p>Profª Rosana Mary Martins 65</p><p>III) Texto para as questões de 2 a 4</p><p>Te ver</p><p>Samuel Rosa/Lelo Zaneli/Chico Amaral</p><p>Te ver e não te querer</p><p>É improvável, é impossível</p><p>Te ter e ter que esquecer</p><p>É insuportável, é dor incrível</p><p>É como mergulhar num rio e não se molhar</p><p>É como não morrer de frio no gelo polar</p><p>É ter o estômago vazio e não almoçar</p><p>É ver o céu se abrir no estio e não se animar</p><p>É como esperar o prato e não salivar</p><p>Sentir apertar o sapato e não descalçar</p><p>É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar</p><p>É como procurar no mato estrela-do-mar</p><p>É como não sentir calor em Cuiabá</p><p>Ou como no Arpoador não ver o mar</p><p>É como não morrer de raiva com a política</p><p>Ignorar que a tarde vai vadia e mítica</p><p>É como ver televisão e não dormir</p><p>Ver um bichano pelo chão e não sorrir</p><p>É como não provar o néctar de um lindo amor</p><p>Depois que o coração detecta a mais fina flor</p><p>1) Ao expressar o sentimento que tem pela pessoa amada, o eu - lírico anuncia na</p><p>terceira estrofe: “É como mergulhar num rio e não se molhar”. Qual o sentido da frase</p><p>e que figura de linguagem ele apresenta?</p><p>2) No verso “É como não morrer de frio no gelo polar” há uma hipérbole. Transcreva-</p><p>a e justifique</p><p>3) Na última estrofe, lê-se: “É como não provar o néctar de um lindo amor/ Depois</p><p>que o coração detecta a mais fina flor”.</p><p>a) As palavras “néctar” e “flor”, no contexto, representam a mesma figura de</p><p>linguagem Identifique-a e dê o sentido que essas palavras assumem na canção</p><p>b) No contexto, a palavra “coração” constitui uma metonímia Justifique</p><p>Profª Rosana Mary Martins 66</p><p>POLISSEMIA / HOMONÍMIA / PARONÍMIA / AMBIGUIDADE</p><p>POLISSEMIA</p><p>A polissemia acontece quando uma mesma palavra apresenta dois ou mais</p><p>significados, ou seja, sentidos.</p><p>Ex.: A palavra “tênis” pode ser um calçado ou um jogo. OU</p><p>Acendi a vela quando a luz acabou.</p><p>Içamos a vela, e o navio partiu.</p><p>QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE POLISSEMIA E HOMONÍMIA?</p><p>Polissemia => mesma palavra, mais de um significado.</p><p>Homonímia => mesma pronúncia e/ou grafia, significados diferentes.</p><p>Assim, existem estes tipos de termos homônimos:</p><p>• Homógrafos heterofônicos: grafia igual, mas sons distintos.</p><p>Jogo bilhar todos os sábados!</p><p>[verbo]</p><p>O jogo pode levar ao vício.</p><p>[substantivo]</p><p>• Homófonos heterográficos: som igual, mas grafias distintas.</p><p>A cesta estava cheia de goiabas.</p><p>[recipiente]</p><p>Tivemos uma sexta ensolarada.</p><p>[dia da semana]</p><p>• Homófonos homográficos: som e grafia iguais.</p><p>As pessoas serão mais justas no futuro?</p><p>[verbo]</p><p>Não quero fazer serão, mas sou obrigado.</p><p>[substantivo]</p><p>Em todos os exemplos de homonímia acima, não ocorre a polissemia. Isso</p><p>porque os termos “jogo” e “jogo” são palavras diferentes (inclusive na pronúncia), já</p><p>que um é verbo e outro é substantivo. O mesmo motivo ocorre com os vocábulos</p><p>“serão” e “serão” (embora possuam mesma pronúncia). Já as palavras “cesta” e</p><p>“sexta”, apesar de ambas serem substantivos e terem a mesma pronúncia, não</p><p>possuem a mesma grafia, portanto, são diferentes.</p><p>PARONÍMIA</p><p>Os parônimos são as palavras que se assemelham na grafia e na</p><p>pronúncia, entretanto, diferem no sentido.</p><p>A seguir, alguns exemplos de palavras parônimas:</p><p>• Aprender (tomar conhecimento) e apreender (capturar)</p><p>• Eminente (elevado) e iminente (prestes a ocorrer)</p><p>https://www.portugues.com.br/gramatica/verbos.html</p><p>https://www.portugues.com.br/gramatica/substantivos.html</p><p>Profª Rosana Mary Martins 67</p><p>• Inflação (alta dos preços) e infração (violação)</p><p>• Infligir (aplicar pena) e infringir (violar)</p><p>AMBIGUIDADE</p><p>Ambiguidade é a qualidade ou estado do que é ambíguo, ou seja, aquilo que</p><p>pode ter mais de um sentido ou significado. A função da ambiguidade é sugerir</p><p>significados diversos para uma mesma mensagem.</p><p>QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE POLISSEMIA E AMBIGUIDADE?</p><p>A ambiguidade gera dúvida.</p><p>Uma mesma palavra é polissêmica quando possui mais de um significado. Já</p><p>a ambiguidade ocorre quando, em determinado contexto, há um duplo sentido, de</p><p>forma que não é possível saber qual deles é o desejado pelo enunciador:</p><p>O burro do meu amigo estava descansando debaixo de uma árvore.</p><p>Nesse enunciado, não fica claro se o vocábulo “burro” está relacionado a um animal</p><p>que pertence ao amigo do enunciador ou se é um adjetivo caracterizador desse</p><p>amigo.</p><p>De qualquer forma, não há polissemia, pois a palavra “burro”, em cada caso,</p><p>pertence a uma classe gramatical distinta, isto é:</p><p>“burro” (substantivo)</p><p>“burro” (adjetivo)</p><p>PORTANTO, são duas palavras diferentes.</p><p>https://www.portugues.com.br/redacao/ambiguidade.html</p><p>https://www.portugues.com.br/gramatica/classes-de-palavras.html</p><p>https://www.portugues.com.br/gramatica/adjetivo.html</p><p>Profª Rosana Mary Martins 68</p><p>Exercícios</p><p>1 – (MÁXIMA – Prefeitura de Fronteira – MG/2016) –</p><p>A mensagem dessa tirinha apoia-se no duplo sentido de uma palavra através de um</p><p>recurso:</p><p>a) Balanço – polissemia;</p><p>b) Vida – homonímia;</p><p>c) Vida – polissemia.</p><p>d) Balanço – sinonímia;</p><p>2 – (FGV – IBGE/2016) – A polissemia – possibilidade de uma palavra ter mais de um</p><p>sentido – está presente em todas as frases abaixo, EXCETO em:</p><p>a) Os dentes do pente mordem o couro cabeludo;</p><p>b) Na vida tudo é passageiro, menos o motorista;</p><p>c) Os surdos da bateria não escutam o próprio barulho.</p><p>d) CBN: a rádio que toca a notícia;</p><p>e) Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje;</p><p>3 – (UFPR 2009) Todas as sentenças abaixo apresentam ambiguidades. Assinale a</p><p>alternativa em que a ambiguidade não pode ser desfeita com a simples alteração na</p><p>ordem das palavras:</p><p>a) As crianças comeram bolo e sorvete de chocolate.</p><p>b) Ele viu a moça com um binóculo.</p><p>c) Ela saiu da loja de roupa.</p><p>d) As crianças esconderam os brinquedos que encontraram no porão.</p><p>e) Acabaram de roubar o banco da entrada da universidade.</p><p>4 – (UFMT – TJ-MT/2016) – Os rinocerontes-negros estão entre os bichos mais</p><p>visados da África, pois sua espécie é uma das preferidas pelo turismo de caça. Para</p><p>tentar salvar alguns dos 4.500 espécimes que ainda restam na natureza, duas ONG</p><p>ambientais apelaram para uma solução extrema: transportar os rinocerontes de</p><p>helicóptero. A ação utilizou helicópteros militares para remover 19 espécimes – com</p><p>1,4 toneladas cada um – de seu habitat original, na província de Cabo Oriental, no</p><p>sudeste da África do Sul, e transferi-los</p><p>para a província de Limpopo, no norte do país,</p><p>a 1.500 quilômetros de distância, onde viverão longe dos caçadores. Como o trajeto</p><p>tem áreas inacessíveis de carro, os rinocerontes tiveram de voar por 24 quilômetros.</p><p>Sedados e de olhos vendados (para evitar sustos caso acordassem), os rinocerontes</p><p>foram içados pelos tornozelos e voaram entre 10 e 20 minutos. Parece meio brutal?</p><p>Os responsáveis pela operação dizem que, além de mais eficiente para levar os</p><p>paquidermes a locais de difícil acesso, o procedimento é mais gentil.</p><p>https://www.fronteira.mg.gov.br/</p><p>https://fgvprojetos.fgv.br/concursos/ibgepss2019</p><p>https://www.ufpr.br/portalufpr/</p><p>https://www.ufmt.br/</p><p>Profª Rosana Mary Martins 69</p><p>A palavra radical pode ser empregada com várias acepções, por isso denomina-se</p><p>polissêmica. Assinale o sentido dicionarizado que é mais adequado no contexto</p><p>acima.</p><p>a) Que exige destreza, perícia ou coragem.</p><p>b) Brusco; violento; difícil.</p><p>c) Que não é tradicional, comum ou usual.</p><p>d) Que existe intrinsecamente num indivíduo ou coisa.</p><p>5 – (FGV/RJ) Dentre as seguintes frases, assinale aquela que não contém</p><p>ambiguidade:</p><p>a) Peguei o ônibus correndo.</p><p>b) Esta palavra pode ter mais de um sentido.</p><p>c) O menino viu o incêndio do prédio.</p><p>d) Deputado fala da reunião no Canal 2.</p><p>e) Vi um desfile andando pela cidade.</p><p>6 – (ENEM) No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os</p><p>índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete:</p><p>“CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM</p><p>NOVA FASE”.</p><p>A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento.</p><p>Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a</p><p>seguinte redação:</p><p>a) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase.</p><p>b) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha.</p><p>c) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência.</p><p>d) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase</p><p>e) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase</p><p>7 – Levando em consideração o contexto atribuído pelos enunciados, complete</p><p>corretamente os espaços com um dos termos propostos pelas alternativas entre</p><p>parênteses.</p><p>a – O atacante aproveitou a jogada distraída e deu o ___________ no adversário.</p><p>(cheque/xeque)</p><p>b – O visitante pôs a _____________ no cavalo, despediu-se de todos e seguiu</p><p>viagem. (cela/sela)</p><p>c – No presídio, todos os ocupantes foram trocados de _____________. (cela/sela)</p><p>d – O filme a que assisti pertence à ______ das dez. (seção/sessão/cessão)</p><p>8 – Ao considerarmos que o discurso presente nas tiras humorísticas tem por</p><p>finalidade retratar uma crítica ligada aos fatos sociais, recorra aos seus conhecimentos</p><p>sobre as relações de significado estabelecidas entre as palavras, relacionando-as com</p><p>base no referido diálogo, o qual retrata a modalidade citada.</p><p>- Pai, qual é a diferença entre infração e inflação?</p><p>- Bem, infração é quando alguém sabe que cometeu um erro e... É punido!</p><p>- E inflação?</p><p>- Bem, aí é quando ninguém sabe quem cometeu um erro e... Todos são</p><p>punidos!</p><p>https://portal.fgv.br/</p><p>https://enem.inep.gov.br/</p><p>https://enem.inep.gov.br/</p><p>Profª Rosana Mary Martins 70</p><p>a – A explicação proferida pelo pai em resposta ao questionamento do filho</p><p>está correta?</p><p>b – Qual a crítica implícita no discurso retratado?</p><p>9 – Tendo em vista as características peculiares aos casos ligados à paronímia,</p><p>analise o enunciado linguístico presente em um anúncio publicitário:</p><p>Adoramos os humanos.</p><p>Sem discriminação</p><p>De raça, ano ou modelo</p><p>(27º Anuário do Clube de Criação de São Paulo, p.302)</p><p>Com referência ao termo “discriminação”, este se encontra grafado de acordo com a</p><p>norma padrão da linguagem? Justifique sua resposta.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 71</p><p>ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS:</p><p>Abreviatura é a representação abreviada de uma palavra ou expressão.</p><p>Exemplos: Av. (avenida), ed. (edição), loc. Adv. (locução adverbial)</p><p>Em geral, a abreviatura termina por consoante seguida de ponto final. As</p><p>abreviaturas de símbolos científicos, porém, se grafam sem ponto e no plural, sem s:</p><p>m (metro ou metros), h (hora ou horas), 10h30m (dez horas e trinta minutos).</p><p>Observações:</p><p>→ Há palavras que são abreviadas de modo diverso: Srª ou Sra. (senhora)</p><p>→ Nos textos corridos evite ao máximo usar abreviaturas: Comprou três quilos</p><p>(e não kg) de carne. O carro rodou 243 quilômetros. (em vez de 243 km)</p><p>→ Nenhuma das abreviaturas do sistema métrico decimal tem ponto ou plural:</p><p>6 km (e nunca 6 kms ), 5h (e nunca 5hs).</p><p>→ Têm plural com s as abreviaturas constituídas pela redução de palavras e as</p><p>que representam títulos ou formas de tratamento: sécs. 15 e 16 e srs., sras., drs.,</p><p>dras.</p><p>→ Também recebem s as abreviaturas que se identificam com siglas: dois</p><p>PMs, cinco TVs etc.</p><p>→ Alguns plurais se fazem com a duplicação da letra: p. (página) pp.</p><p>(páginas)</p><p>→ A palavra página pode ser abreviada da seguinte forma também: pág.</p><p>(página) e págs. (páginas)</p><p>→ As abreviaturas dos nomes dos Estados são constituídas sempre de duas</p><p>letras, ambas maiúsculas e sem ponto: SP, BA etc.</p><p>→ Se tiver necessidade de formar abreviaturas (em casos excepcionais,</p><p>apenas), o procedimento recomendado é fazê-las terminar numa consoante e não em</p><p>vogal. Assim, fil. ou filos. para filosofia.</p><p>Sigla é abreviatura formada com as letras iniciais das palavras de um nome ou</p><p>título. Exemplo: PM (polícia militar), FATEC (Faculdade de Tecnologia), Fuvest-SP</p><p>(Fundação Universitária para o Vestibular – São Paulo).</p><p>Observações:</p><p>→ Não use pontos intermediários ou pontos finais nas siglas: ONU (e não</p><p>O.N.U.).</p><p>→ Na primeira citação, explique sempre o que a sigla significa. Exemplo: A</p><p>Universidade de São Paulo (USP) tem campus em vários locais. No Vale do Paraíba,</p><p>temos uma USP em Lorena.</p><p>→ Procure sempre explicar a sigla de forma correta. Por exemplo, Ibama</p><p>identifica o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais</p><p>Renováveis).</p><p>Símbolo: aquilo que, por um princípio de analogia, representa ou substitui</p><p>outra coisa. Ex.: A balança é o símbolo da justiça. O símbolo também pode ser um</p><p>elemento gráfico ou objeto que representa e/ou indica de forma convencional um</p><p>elemento importante para o esclarecimento ou a realização de alguma coisa. Ex.:</p><p>símbolos biológicos; símbolos de meteorologia etc.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 72</p><p>COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL</p><p>Podemos dizer que a COESÃO trata da conexão harmoniosa entre as partes do</p><p>texto, do parágrafo, da frase. Ela permite a ligação entre as palavras e frases,</p><p>fazendo com que um dê sequência lógica ao outro. A COERÊNCIA, por sua</p><p>vez, é a relação lógica entre as ideias, fazendo com que umas complementem as</p><p>outras, não se contradigam e formem um todo significativo que é o texto.</p><p>1) O papel dos elementos de coesão</p><p>Elementos de coesão são todas as palavras ou expressões que servem para</p><p>estabelecer elos, para criar relações entre segmentos do discurso tais como: então,</p><p>portanto, já que, com efeito, porque, ora, mas, assim, daí, aí, dessa forma, isto é,</p><p>embora e tantas outras.</p><p>Cada um desses elementos de coesão tem um valor típico. Além de ligarem partes do</p><p>discurso, estabelecem entre elas um certo tipo de relação semântica: causa,</p><p>finalidade, conclusão, contradição, condição, etc. Dessa forma, cada elemento de</p><p>coesão manifesta um tipo de relação distinta. Ao escrever, deve-se ter o cuidado de</p><p>usar o elemento apropriado para exprimir o tipo de relação que se quer estabelecer</p><p>O porém, por exemplo, presta-se para manifestar uma relação de contradição: usado</p><p>entre dois enunciados ou entre dois segmentos do texto, manifesta que um contraria o</p><p>outro Observe-se o exemplo que segue:</p><p>Israel possui um</p><p>solo árido e pouco apropriado à agricultura, porém chega a</p><p>exportar certos produtos agrícolas.</p><p>No caso, faz sentido o uso do porém, já que entre os dois segmentos ligados existe</p><p>uma contradição Seria descabido permutar o porém pelo porque, que serve para</p><p>indicar causa De fato, a exportação de produtos agrícolas não pode ser vista como a</p><p>causa de Israel ter um solo árido.</p><p>Muitas pessoas, ao redigir, não atentam para as diferentes relações que os elementos</p><p>de coesão manifestam e acabam empregando-os mal, criando, com isso, paradoxos</p><p>semânticos.</p><p>Esses elementos não são formas vazias que podem ser substituídas entre si, sem</p><p>nenhuma consequência. Pelo contrário, são formas linguísticas portadoras de</p><p>significado e exatamente por isso não se prestam para ser usadas sem critério. A</p><p>coesão do texto é afetada quando se usa o elemento de coesão inadequado.</p><p>Vejamos, a título de exemplo, as relações que alguns elementos de coesão</p><p>estabelecem:</p><p>a) assim, desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar. A sequência</p><p>introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar ou ilustrar o que se</p><p>disse antes.</p><p>O Governador resolveu não se comprometer com nenhuma das facções em</p><p>disputa pela liderança do partido. Assim, ele ficará à vontade para negociar</p><p>com qualquer uma que venha a vencer.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 73</p><p>b) e: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes;</p><p>indica uma progressão semântica que adiciona, acrescenta algum dado novo. Se não</p><p>acrescentar nada, constitui pura repetição e deve ser evitada. Ao dizer:</p><p>Este trator serve para arar a terra e para fazer colheitas.</p><p>o e introduz um segmento que acrescenta uma informação nova. Por isso seu uso é</p><p>apropriado. Mas, ao dizer:</p><p>Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar.</p><p>o segmento introduzido pelo e não adiciona nenhuma informação nova. Trata-se,</p><p>portanto, de um uso inadequado.</p><p>c) ainda: serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de</p><p>determinada conclusão, ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto</p><p>qualquer:</p><p>O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos.</p><p>Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes.</p><p>d) aliás, além do mais, além de tudo, além disso: introduzem um argumento</p><p>decisivo, apresentado como acréscimo, como se fosse desnecessário, justamente</p><p>para dar o golpe final no argumento contrário.</p><p>Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário</p><p>diminuiu consideravelmente seu poder de compra. Além de tudo são</p><p>considerados como renda e taxados com impostos.</p><p>e) isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras: introduzem esclarecimentos,</p><p>retificações ou desenvolvimentos do que foi dito anteriormente:</p><p>Muitos jornais fazem alarme de sua neutralidade em relação aos fatos, isto é,</p><p>de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da</p><p>sociedade.</p><p>f) mas, porém, contudo e outros adversativos: marcam oposição entre dois</p><p>enunciados ou dois segmentos do texto. Não se podem ligar, com esses relatores,</p><p>segmentos que não se opõem. Às vezes, a oposição se faz entre significados</p><p>implícitos no texto:</p><p>Choveu na semana passada, mas não o suficiente para se começar o plantio.</p><p>g) embora, ainda que, mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo</p><p>uma relação de contradição e de concessão. Servem para admitir um dado contrário</p><p>para depois negar seu valor de argumento. Trata-se de um expediente de</p><p>argumentação muito vigoroso; sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto</p><p>de vista contrário:</p><p>Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos</p><p>confortáveis, pés velozes como o raio, olhos de longo alcance e asas para</p><p>voar, não resolveram o problema das injustiças.</p><p>Como se nota, mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da</p><p>técnica e da ciência, afirma-se uma desvantagem maior.</p><p>O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõe uma relação de</p><p>contradição, que, se não houver, deixa o enunciado descabido. Exemplo:</p><p>Profª Rosana Mary Martins 74</p><p>Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis,</p><p>vamos resolver o problema da fome.</p><p>h) Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os</p><p>componentes de uma certa escala. Alguns, como mesmo, até, até mesmo, situam</p><p>alguma coisa no topo da escala; outros, como ao menos, pelo menos, no mínimo,</p><p>situam-na no plano mais baixo:</p><p>O homem é ambicioso. Quer ser dono de bens materiais, da ciência, do</p><p>próprio semelhante, até mesmo do futuro e da morte.</p><p>ou</p><p>É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer, a cultura, a liberdade, ou,</p><p>no mínimo, a moradia, o alimento e a saúde.</p><p>Para encerrar essas considerações sobre o uso dos elementos de coesão, convém</p><p>dizer que, às vezes, cria-se o paradoxo semântico provocando determinados efeitos</p><p>de sentido. Pode-se conseguir, por exemplo, um efeito de humor ou de ironia ou</p><p>revelar preconceitos que, usualmente, não são vistos como contraditórios. Observe</p><p>uma passagem como esta:</p><p>Ela é mulher, mas é capaz.</p><p>Como se nota, o mas passa a estabelecer uma relação de contradição entre ser</p><p>mulher e ser capaz. Essa relação revela humor ou preconceito do enunciador. Nos</p><p>dois casos, no entanto, pressupõe-se que as mulheres não sejam capazes.</p><p>É claro que o uso desses paradoxos deve ser feito com cuidado e dentro de um</p><p>contexto que não dê margem a ambiguidades.</p><p>2) O que é coerência textual?</p><p>Quando falamos em COERÊNCIA textual, falamos acerca da significação do texto, e</p><p>não mais dos elementos estruturais que o compõem. Um texto pode estar</p><p>perfeitamente coeso, porém incoerente. É o caso do exemplo abaixo:</p><p>"As ruas estão molhadas porque não choveu"</p><p>Há elementos coesivos no texto acima, como a conjunção, a sequência lógica dos</p><p>verbos, enfim, do ponto de vista da COESÃO, o texto não tem nenhum problema.</p><p>Contudo, ao ler o que diz o texto, percebemos facilmente que há uma incoerência,</p><p>pois se as ruas estão molhadas, é porque alguém molhou, ou a chuva, ou algum outro</p><p>evento. Não ter chovido não é o motivo de as ruas estarem molhadas. O texto</p><p>está incoerente.</p><p>Podemos entender melhor a coerência compreendendo os seus três princípios</p><p>básicos:</p><p>1. Princípio da Não Contradição: em um texto não se pode ter situações ou</p><p>ideias que se contradizem entre si, ou seja, que quebram a lógica.</p><p>2. Princípio da Não Tautologia: Tautologia é um vício de linguagem que</p><p>consiste na repetição de alguma ideia, utilizando palavras diferentes. Um texto</p><p>coerente precisa transmitir alguma informação, mas quando há repetição</p><p>excessiva de palavras ou termos, o texto corre o risco de não conseguir</p><p>https://www.infoescola.com/portugues/vicios-de-linguagem/</p><p>Profª Rosana Mary Martins 75</p><p>transmitir a informação. Caso ele não construa uma informação ou mensagem</p><p>completa, então ele será incoerente.</p><p>3. Princípio da Relevância: Fragmentos de textos que falam de assuntos</p><p>diferentes, e que não se relacionam entre si, acabam tornando o texto</p><p>incoerente, mesmo que suas partes contenham certa coerência individual.</p><p>Outros dois conceitos importantes para a construção da coerência textual são a</p><p>CONTINUIDADE TEMÁTICA e a PROGRESSÃO SEMÂNTICA.</p><p>Há quebra de continuidade temática quando não se faz a correlação entre uma e</p><p>outras partes do texto (quebrando também a coesão). A sensação é que se mudou o</p><p>assunto (tema) sem avisar ao leitor.</p><p>Já a quebra da progressão semântica acontece quando não há a introdução de novas</p><p>informações para dar sequência a um todo significativo (que é o texto). A sensação do</p><p>leitor é que o texto é demasiadamente prolixo, e que não chega ao ponto que</p><p>interessa, ao objetivo final da mensagem.</p><p>Referências:</p><p>Algo sobre. Coesão e Coerência. Disponível em: http://www.algosobre.com.br/redacao/coesao-</p><p>e-coerencia.html. Acesso em</p><p>13/03/2023.</p><p>Docsite. Coesão e Coerência, Notas de estudo de Administração Empresarial. Disponível em:</p><p>Coesão e Coerência - Noções básicas de coesão e corencia! | Docsity Acesso em</p><p>13/03/2023.</p><p>COESÃO TEXTUAL - EXERCÍCIOS</p><p>1. Leia as frases abaixo, prestando atenção nas palavras em destaque, que</p><p>podem ser chamadas de elementos coesivos ou organizadores textuais:</p><p>• Gosto de dar carona, pois isso poder ser perigoso</p><p>• Gosto de dar carona, mas isso pode ser perigoso</p><p>Qual das duas frases poderia ter sido dita por uma pessoa que gosta de</p><p>aventura, de emoção, enfim, uma pessoa que gosta de viver perigosamente?</p><p>2. Qual das alternativas abaixo lhe parece a mais correta?</p><p>• Os organizadores textuais são palavras ou expressões que relacionam</p><p>uma parte do texto com a outra, sem interferir no sentido geral do texto.</p><p>• Os organizadores textuais são palavras ou expressões que relacionam</p><p>uma parte do texto com a outra e têm um papel importante na definição</p><p>do sentido geral do texto.</p><p>3. Leia com atenção os períodos abaixo e inclua os organizadores textuais em</p><p>destaque nas colunas adequadas, de acordo com a função que desempenham</p><p>em cada período, usando o quadro que se segue:</p><p>http://www.algosobre.com.br/redacao/coesao-e-coerencia.html</p><p>http://www.algosobre.com.br/redacao/coesao-e-coerencia.html</p><p>http://www.algosobre.com.br/redacao/coesao-e-coerencia.html</p><p>http://www.algosobre.com.br/redacao/coesao-e-coerencia.html</p><p>https://www.docsity.com/pt/coesao-e-coerencia/4789513/</p><p>http://www.algosobre.com.br/redacao/coesao-e-coerencia.html</p><p>http://www.algosobre.com.br/redacao/coesao-e-coerencia.html</p><p>Profª Rosana Mary Martins 76</p><p>a) Não se pode maneira simplista afirmar que o brasileiro não gosta de ler, pois é</p><p>preciso considerar que muitos deles ainda hoje não têm acesso a livros e</p><p>outros tantos nem sequer sabem ler.</p><p>b) As músicas eram de mau gosto, o bolo estava seco, a bebida, quente. Em</p><p>suma, a festa foi um fracasso.</p><p>c) O filme não é muito bom. A fotografia é escura de mais, o roteiro está cheio de</p><p>falhas de continuidade. Além disso, os atores trabalham muito mal.</p><p>d) A bebida alcoólica diminui a capacidade do homem de responder</p><p>imediatamente aos estímulos do mundo externo. Portanto, não se deve dirigir</p><p>alcoolizado.</p><p>e) Criar condições de desenvolvimento econômico é o melhor modo de ajudar a</p><p>população carente. Entretanto, muitos governantes preferem implementar</p><p>políticas assistencialistas.</p><p>f) No Egito antigo a cerveja era considerada a bebida nacional. Os egípcios</p><p>acreditavam que ela possuía propriedades curativas, especialmente contra</p><p>picadas de escorpião. A bebida também era utilizada como produto de beleza</p><p>pelas mulheres, que acreditavam em seus poderes de rejuvenescimento.</p><p>g) “A reserva de vagas para estudante de escolas públicas não resolve a questão,</p><p>como também não assegura que os beneficiados sejam os mais pobres, uma</p><p>vez que não há na proposta corte por renda. Não é improvável que estudantes</p><p>menos qualificados de classes mais abastadas migrem para o ensino público</p><p>visando beneficiar-se da cota.” (Editorial, Folha de S.Paulo, 30/05/2004)</p><p>h) O ambiente era bastante hostil, porém muitos animais sobreviviam lá.</p><p>i) O Brasil é uma nação jovem, posto que 42,1% da população tem menos de 18</p><p>anos.</p><p>Introduz</p><p>argumento</p><p>Acresce</p><p>argumento</p><p>Introduz</p><p>conclusão</p><p>Introduz uma ideia</p><p>na direção</p><p>contrária à que foi</p><p>dito antes</p><p>Profª Rosana Mary Martins 77</p><p>4. Indique quais dos organizadores textuais abaixo são mais adequados para</p><p>cada lacuna dos textos 1 e 2 a seguir:</p><p>Portanto além disso também pois</p><p>Texto 1</p><p>A habitação é um dos grandes problemas dos centros urbanos. Não é preciso andar</p><p>muito por uma cidade como São Paulo para que vejamos favelas precárias e pessoas</p><p>dormindo na rua ou embaixo de pontes e viadutos</p><p>A melhor solução para esse problema é a construção de prédios populares de</p><p>apartamentos, ________________ os edifícios custam menos do que as casas e</p><p>possibilitam que um número maior de pessoas possa morar num mesmo terreno.</p><p>____________________, com a construção de prédios, há uma economia na</p><p>instalação de redes de esgoto e de luz e os gases podem ser divididos.</p><p>É preciso considerar __________________ que edifícios possibilitam mais segurança</p><p>por um preço menor, pois os gastos podem ser divididos por todos os moradores.</p><p>__________________, ainda que alguns arquitetos defendam a construção de casas</p><p>populares, a forma mais econômica de resolver o problema da moradia é a construção</p><p>de prédios de apartamentos.</p><p>Assim Finalmente Em segundo lugar Em primeiro lugar</p><p>Texto 2</p><p>O problema da falta de moradia dos grandes centros urbanos não pode ser resolvido</p><p>com a construção de mais prédios.</p><p>___________________, porque a existência de muitos prédios dificulta a dispersão</p><p>dos poluentes do ar, que, nas cidades grandes, já estão presentes em grandes</p><p>quantidades.</p><p>___________________, porque um grande número de edifícios impede que os raios</p><p>de sol iluminem as casas das pessoas, o que não faz bem para a saúde, além de</p><p>aumentar o consumo de energia elétrica, que o país tem de economizar.</p><p>___________________, um grande número de pessoas morando em um mesmo local</p><p>acarreta uma necessidade maior de transportes, o que contribui para piorar o trânsito</p><p>de veículos na cidade.</p><p>___________________, o problema de habitação que as grandes cidades possuem</p><p>deve ser resolvido com a construção de casas populares, e não com o aumento do</p><p>número de edifícios.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 78</p><p>Vamos agora aprofundar um pouco o estudo do significado dos organizadores textuais</p><p>com os quais você trabalhou.</p><p>5. “Vejamos, com mais calma, o uso das expressões “mas”, “porém”, “contudo”,</p><p>“todavia”, “entretanto”, “no entanto”, que são chamadas de conjunções</p><p>adversativas. Essas conjunções introduzem ideias que vão na direção</p><p>contrária do que se estava afirmando. Além disso, seu uso faz com que uma</p><p>ideia (aquela que vai no sentido pretendido pelo produtor do texto) seja</p><p>destacada, ressaltada.</p><p>a) Em qual das duas orações se enfatiza mais o fato de Maria ser feinha?</p><p>• Maria é feinha, mas é superlegal</p><p>• Maria é superlegal, mas é feinha</p><p>b) Você diria que o autor da frase a seguir é a favor ou contra a pena de morte?</p><p>Um assassino é alguém que cometeu um crime gravíssimo e, por isso, merece</p><p>ser castigado. Mas condená-lo à pena de morte seria cometer um erro na</p><p>tentativa de reparar um outro anterior.</p><p>c) Escolha uma das alternativas. Os dois exemplos anteriores mostram que:</p><p>• Quando usamos uma conjunção do tipo “mas”, a ideia que vem depois da</p><p>conjunção é que é ressaltada</p><p>• Quando usamos uma conjunção do tipo “mas”, a ideia que vem antes da</p><p>conjunção é a que é ressaltada</p><p>COESÃO E COERÊNCIA – EXERCÍCIOS</p><p>1. Observe que, nos trechos abaixo, a ordem que foi dada às palavras,</p><p>nos enunciados, provoca efeitos semânticos (de significado)</p><p>“estranhos”</p><p>Fazendo sucesso com sua nova clínica, a psicóloga Iracema Leite Ferreira Duarte,</p><p>localizada na rua Campo Grande, 159</p><p>Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso</p><p>hotel Maksoud Plaza.</p><p>(Notícias da coluna social do Correio do Mato Grosso, 28/8/88)</p><p>Escolha um dos trechos, diga qual é a interpretação “estranha” que ele pode ter e</p><p>reescreva de forma a evitar o problema.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 79</p><p>2. Coloque em ordem o texto a seguir restabelecendo a ordem lógica dos</p><p>períodos, sabendo que o primeiro e o último deles (em itálico) foram</p><p>mantidos em suas posições corretas</p><p>( )</p><p>A década de 80 deixou saudade na Continental 2001, líder do mercado</p><p>brasileiro de fogões: nunca a empresa,</p><p>fundada há 67 anos, cresceu</p><p>tanto.</p><p>( )</p><p>O programa de qualidade e produtividade, até então restrito à</p><p>produção, chegou às áreas administrativas.</p><p>( )</p><p>Muitos serviços foram terceirizados, entre os quais os de</p><p>ferramentaria, restaurante e dos trinta postos próprios de assistência</p><p>técnica.</p><p>( )</p><p>Seu pedaço de mercado chegou a 30%, e ela deixou para trás</p><p>concorrentes como a Brastemp e a Dako.</p><p>( ) Os lucros se sucediam no balanço.</p><p>( ) Diante da luz vermelha, decidiu-se que era hora de reestruturar.</p><p>( )</p><p>Só que, como não há bem que nunca se acabe, os tempos de fartura</p><p>terminaram em 1991, quando a empresa colheu prejuízo de 5,6</p><p>milhões de dólares.</p><p>( )</p><p>Só com esta medida, a empresa economizou 2 milhões de dólares.</p><p>Fonte: Revista Exame, 28 abr . 1993</p><p>4) Sabe-se que se trata de incoerência argumentativa fazer uma asserção e</p><p>comprová-la com dados que a contradizem. Muitas vezes, jornalistas, por</p><p>incompetência ou má-fé, cometem esse tipo de incoerência:</p><p>Observe a seguir esse tipo de problema:</p><p>O jornal Folha de S. Paulo introduz com o seguinte comentário uma entrevista com o</p><p>professor Paulo Freire:</p><p>“A gente cheguemos” não será uma construção gramatical errada na gestão do</p><p>Partido dos Trabalhadores em São Paulo.</p><p>Os trechos da entrevista nos quais a Folha se baseou para fazer tal comentário</p><p>foram os seguintes:</p><p>- A criança terá uma escola na qual a sua linguagem seja respeitada [ ] . Uma</p><p>escola em que a criança aprenda a sintaxe, mas sem desprezo pela sua. Esses oito</p><p>milhões de meninos vêm da periferia do Brasil [ ] .. Precisamos respeitar a [sua]</p><p>sintaxe mostrando que sua linguagem é bonita e gostosa, às vezes é mais bonita que</p><p>a minha. E, mostrando tudo isso, dizer a ele: “Mas para tua própria vida tu precisas</p><p>dizer ‘a gente chegou’ [em vez de “a gente cheguemos”]. Isso é diferente, [a</p><p>abordagem] é diferente. É assim que queremos trabalhar, com abertura, mas dizendo</p><p>a verdade”.</p><p>a. Qual é a posição defendida pelo professor Paulo Freire com relação à correção</p><p>de erros gramaticais na escola?</p><p>b. O comentário do jornal faz justiça ao pensamento do educador? Justifique sua</p><p>resposta</p><p>Profª Rosana Mary Martins 80</p><p>5) Leia as frases abaixo e identifique os problemas de construção nelas</p><p>presentes, relacionando-os com os itens a seguir.</p><p>a. O trânsito apresenta inúmeros acidentes graves. É preciso saber suas causas</p><p>para descobrirmos as possíveis soluções.</p><p>b. Pelé foi o melhor jogador de futebol que o mundo já viu. Maradona também foi</p><p>o melhor.</p><p>c. Quando fazia chuva nas minhas férias, eu pensava que é bom para descansar.</p><p>d. O progresso tecnológico avança a cada dia. A internet é o carro-chefe de todo</p><p>esse avanço. Hoje, poucas pessoas ainda usam tevê sem controle remoto. As</p><p>pessoas estão cada vez mais comodistas.</p><p>( ) Há contradição de ideias</p><p>( ) Há contradição no uso da pessoa do discurso</p><p>( ) Faltou relação do tópico frasal com a conclusão</p><p>( ) Há contradição no uso do tempo verbal</p><p>Profª Rosana Mary Martins 81</p><p>REFERÊNCIAS:</p><p>Básica:</p><p>MESQUITA, R M Gramática da língua portuguesa 9º Ed São Paulo: Saraiva, 2007</p><p>PLATÃO e FIORIN Para Entender o Texto Leitura e Redação São Paulo: Ática, 2003</p><p>Complementar:</p><p>BLIKSTEIN, I Técnicas de comunicação escrita São Paulo: Ática, 1991</p><p>CEREJA, William Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar Português: Linguagens:</p><p>Literatura, produção de texto e gramática São Paulo: Atual, 1999</p><p>CURI,S M Intertexto Escolar: Sobre Leitura, Aula e Redação 2 ed São Paulo:</p><p>Cortez, 1998</p><p>KOCH, I V e TRAVAGLIA, L C A Coerência Textual São Paulo: Contexto, 2001</p><p>MONTEMÓR, Hilda de Melo Apostilas FAPI 2011 Pindamonhangaba: 2011</p><p>SOUZA, Vilma de; SOUTO, Ângela Maria da Silva Língua Portuguesa e Literatura</p><p>brasileira Belo Horizonte: editora educacional, 2009</p><p>VIEIRA, Alessandra Junqueira Apostilas FAPI 2009 Pindamonhangaba: 2009</p><p>VOLP,Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa Academia Brasileira de Letras 5ª</p><p>ed São Paulo: Global, 2009</p><p>pra</p><p>escola. Não me espere pra janta. Vou</p><p>comer por lá mesmo. Beijos.</p><p>➢ vulgar ou inculta (é a fala das</p><p>pessoas sem instrução, sem o</p><p>conhecimento da língua padrão)</p><p>Ex.: Nois fumo na caza dela mais num</p><p>encontremo ela não.</p><p>(De acordo com Marco Bagno, apesar de</p><p>estar em desacordo com a norma culta,</p><p>ainda assim consegue se comunicar)</p><p>➢ Vulgar ou inculta (é extremamente</p><p>fora do padrão gramatical e faz parte</p><p>da fala dos analfabetos ou</p><p>semianalfabetos)</p><p>Ex. Persizo leva o cique pra mim abri conta</p><p>na qitanda do seu raimundo.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 8</p><p>➢ Regional (é a linguagem específica</p><p>de uma determinada região)</p><p>Ex.: Comi muita macaxeira no nordeste.</p><p>➢ Regional (o emprego de palavras ou</p><p>expressões peculiares</p><p>a determinadas regiões)</p><p>Ex. O abestado correu tanto que bateu a</p><p>caçoleta.</p><p>➢ Grupal, que pode ser técnica e gíria:</p><p>Ex. de termos técnicos: Solicitei uma</p><p>certidão de objeto e pé.</p><p>Ex. de gíria: Cara, você quebra minhas</p><p>pernas assim.</p><p>➢ Grupal (referente a termos</p><p>pertencentes a um grupo fechado)</p><p>Ex. grupo técnico: Márcia é a mais nova</p><p>foca do Estadão.</p><p>Ex. grupo gíria: Esse cara é sangue bom.</p><p>LÍNGUA ESCRITA:</p><p>• LITERÁRIA</p><p>A literária é a utilizada pelos escritores,</p><p>mais elaborada, com cuidado com a</p><p>sonoridade e a forma. A partir do</p><p>modernismo, muitas licenças poéticas,</p><p>digamos assim, foram permitidas, porém</p><p>não são comparáveis com os erros dos</p><p>leigos.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 9</p><p>VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS</p><p>Quando falamos em variação linguística, analisamos os diferentes modos em que</p><p>é possível expressar-se em uma língua, levando-se em conta a escolha de</p><p>palavras, a construção do enunciado e até o tom da fala. A língua é a nossa expressão</p><p>básica, e, por isso, ela muda de acordo com a cultura, a região, a época, o contexto,</p><p>as experiências e as necessidades do indivíduo e do grupo que se expressa. Veja</p><p>quantos fatores empregamos para adequar a nossa fala à situação e ao grupo em que</p><p>nos encontramos.</p><p>Tipos de variações linguísticas</p><p>Há quatro tipos de distinção dentro das variações linguísticas. Vamos aprender um</p><p>pouco sobre cada um deles.</p><p>• Variações históricas (diacrônicas)</p><p>As variações históricas tratam das mudanças ocorridas na língua com o decorrer</p><p>do tempo. Algumas expressões deixaram de existir, outras novas surgiram e outras</p><p>se transformaram com a ação do tempo.</p><p>Um clássico exemplo da língua portuguesa é o termo “você”: no português arcaico, a</p><p>forma usual desse pronome de tratamento era “vossa mercê”, que, devido a variações</p><p>inicialmente sociais, passou a ser mais usado frequentemente como “vosmecê”. Com</p><p>o passar dos séculos, essa expressão reduziu-se ao que hoje falamos como “você”,</p><p>que é a forma incorporada pela norma-padrão (visto que a língua adapta-se ao uso</p><p>de seus falantes) e aceita pelas regras gramaticais. Em contextos informais, é comum</p><p>ainda o uso da abreviação “cê” ou, na escrita informal, “vc” (lembrando que estas</p><p>últimas formas não foram incorporadas pela norma-padrão, então não são utilizadas</p><p>na linguagem formal).</p><p>Vossa mercê → Vosmecê → Você → Cê</p><p>Outras mudanças comuns são as de grafia, as quais as reformas ortográficas</p><p>costumam regular. Assim, a partir de 2016, a palavra “consequência” passou a ser</p><p>escrita sem trema, sendo que antes era escrita desta forma: “conseqüência”. Do</p><p>mesmo modo, a palavra “fase” é hoje escrita com a letra f devido à reforma ortográfica</p><p>de 1911, sendo que antes era escrita com ph: “phase”.</p><p>Conseqüência → Consequência</p><p>Phase → Fase</p><p>Vale, ainda, comentar a respeito de palavras que deixam de existir ou passam a</p><p>existir. Isso acontece frequentemente com as gírias: se antes jovens costumavam</p><p>dizer que algo era “supimpa” ou que “aquele broto é um pão”, hoje é mais comum</p><p>ouvir deles que algo é “da hora” ou que “aquela mina é mó gata”.</p><p>BOKO MOKO</p><p>• Variações geográficas (diatópicas)</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/conceito-cultura.htm</p><p>Profª Rosana Mary Martins 10</p><p>As variações geográficas naturalmente falam da diferença de linguagem devido</p><p>à região. Essas diferenças tornam-se óbvias quando ouvimos um falante brasileiro,</p><p>um angolano e um português conversando: nos três países, fala-se português, mas</p><p>há diferenças imensas entre cada fala.</p><p>Não é preciso que a distância seja tão grande: dentro do próprio Brasil,</p><p>vemos diferenças de léxico (palavras) ou de fonemas (sons, sotaques). Há</p><p>diferenças entre a capital e as cidades do interior do mesmo estado. Observemos</p><p>alguns exemplos de diferenças regionais:</p><p>“Mandioca”, “aipim” ou “macaxeira”? Os três nomes estão corretos, mas, dependendo</p><p>da região do Brasil, você ouvirá com mais frequência um ou outro. O mesmo vale para</p><p>a polêmica disputa entre “biscoito” e “bolacha”, que se estende para todo o território</p><p>nacional.</p><p>As gírias também variam bastante regionalmente: cerveja pode ser conhecida como</p><p>“bera” em regiões do Paraná, “breja” em São Paulo e “cerva” no Rio de Janeiro.</p><p>• Variações sociais (diastráticas)</p><p>As variações sociais são as diferenças de acordo com o grupo social do falante.</p><p>Embora tenhamos visto como as gírias variam histórica e geograficamente, no caso da</p><p>variação social, a gíria está mais ligada à faixa etária do falante, sendo tida como</p><p>linguagem informal dos mais jovens (ou seja, as gírias atuais tendem a ser faladas</p><p>pelos mais novos).</p><p>Há, ainda, expressões informais ligadas a grupos sociais específicos. Um grupo</p><p>de futebolistas, por exemplo, pode usar a expressão “carrinho” com significado</p><p>específico, que pode não ser entendido por um falante que não goste de futebol ou</p><p>que será entendido de modo distinto por crianças, por exemplo.</p><p>Um grupo de capoeiristas pode facilmente falar de uma “meia-lua”, enquanto pessoas</p><p>de fora desse grupo talvez não entendam imediatamente o conceito específico na</p><p>capoeira. Do mesmo modo, capoeiristas e instrumentistas provavelmente terão mais</p><p>familiaridade com o conceito de “atabaque” do que outras pessoas.</p><p>Como vimos, as profissões também influenciam bastante nas variações sociais por</p><p>meio dos termos técnicos (jargões): contadores falam dos termos “ativo” e “passivo”</p><p>para remeter a conceitos diferentes daqueles usados por linguistas. No entanto, em</p><p>ambos os casos, ativo e passivo são conceitos muito mais específicos do que seu uso</p><p>geral em outros grupos.</p><p>• Variações estilísticas (diafásicas)</p><p>As variações estilísticas remetem ao contexto que exige a adaptação da fala ou</p><p>ao estilo dela. Aqui entram as questões de linguagem formal e informal, adequação à</p><p>norma-padrão ou despreocupação com seu uso. O uso de expressões rebuscadas e o</p><p>respeito às normas-padrão do idioma remetem à linguagem tida como culta, que se</p><p>opõe àquela linguagem mais coloquial e familiar. Na fala, o tom de voz acaba tendo</p><p>papel importante também.</p><p>Assim, o vocabulário e a maneira de falar com amigos provavelmente não serão os</p><p>mesmos que em uma entrevista de emprego, e também serão diferentes daqueles</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/dialetos-registros-no-portugues-brasileiro.htm</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/curiosidades-relacionadas-ao-portugues-brasileiro.htm</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/norma-culta-x-variacoes-linguisticas.htm</p><p>Profª Rosana Mary Martins 11</p><p>usados para falar com pais e avós. As variações estilísticas respeitam a situação da</p><p>interação social, levando-se em conta ambiente e expectativas dos interlocutores.</p><p>Preconceito linguístico</p><p>Tendo tantas variações e nuances, pudemos ver que cada contexto social traz</p><p>naturalmente um modo mais ou menos adequado de expressão, sendo importante</p><p>entender que as variações linguísticas existem para estabelecer uma</p><p>comunicação adequada ao contexto pedido.</p><p>Apesar disso, as diversas maneiras de expressar-se ganham status de maior ou</p><p>menor prestígio social baseado em uma série de preconceitos</p><p>sociais: as variações</p><p>linguísticas ligadas a grupos de maior poder aquisitivo, com algum tipo de status</p><p>social, ou a regiões tidas como “desenvolvidas” tendem a ganhar maior destaque e</p><p>preferência em relação às variedades linguísticas ligadas a grupos de menor poder</p><p>aquisitivo, marginalizados, que sofrem preconceitos ou que são estigmatizados.</p><p>Desenvolve-se, assim, o preconceito linguístico, que se baseia em um sistema de</p><p>valores que afirma que determinadas variedades linguísticas são “mais corretas” do</p><p>que outras, gerando um juízo de valor negativo ao modo de falar diferente daqueles</p><p>que se configuram como os “melhores”. O preconceito linguístico nada mais é do que</p><p>a reprodução, no campo linguístico, de um sistema de valores sociais,</p><p>econômicos e culturais.</p><p>No entanto, ao estudarmos as variações linguísticas, percebemos que não há uma</p><p>única maneira de expressar-se e que, portanto, não há apenas um modo certo. A</p><p>língua e sua expressão variam de acordo com uma série de fatores. Antes de tudo, ela</p><p>deve cumprir seu papel de expressão, sendo compreendida pelos falantes e estando</p><p>adequada aos contextos e às expectativas no ato da fala. Dessa forma, o ideal do</p><p>preconceito linguístico, que gera juízo de valor às diferentes variações linguísticas,</p><p>não deve ser alimentado.</p><p>LINGUAGEM FORMAL E INFORMAL</p><p>Há uma diferença importante entre linguagem formal e linguagem informal. A situação</p><p>em que nos encontramos é que define o tipo de linguagem a ser usada.</p><p>→ Linguagem informal (coloquial-popular): Em contextos mais casuais, como uma</p><p>reunião com amigos ou um almoço em família, pede uma expressão coloquial. Por</p><p>mais respeito que haja entre você e sua família e amigos, você não utilizará palavras</p><p>ou construções gramaticais muito rebuscadas. Aqui, há mais liberdade na maneira de</p><p>falar, por isso você utiliza uma linguagem informal, que pode permitir o uso de gírias,</p><p>de frases feitas ou interjeições, de abreviações, de desvios gramaticais (ou menor</p><p>preocupação em seguir a norma-padrão) etc.</p><p>→ Linguagem formal (culto): Em contextos formais, como reuniões profissionais,</p><p>discursos ou ambientes acadêmicos, exige o uso da linguagem formal, aquela que se</p><p>preocupa com a norma-padrão e suas regras gramaticais, seguindo-as estritamente.</p><p>Esse registro é utilizado tanto na modalidade oral quanto na modalidade escrita. A</p><p>fala, por exemplo, torna-se polida e clara, e mesmo a escolha das palavras é feita com</p><p>maior cuidado.</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/preconceito-linguistico-x-variacao-linguistica.htm</p><p>Profª Rosana Mary Martins 12</p><p>O que importa é a adequação do nível empregado à situação em que se produz o</p><p>ato de fala. Se o objetivo de um indivíduo é falar para ser bem compreendido pelo</p><p>ouvinte, ele deve saber usar convenientemente os níveis de linguagem. O</p><p>reconhecimento das várias possibilidades de organização de mensagens favorece</p><p>uma pessoa, pois torna-a capaz de comunicar-se adequadamente com interlocutores</p><p>de formação variada e em situações diversas.</p><p>Referências:</p><p>Mundo da Educação. Variações Linguística. Disponível em: Variações linguísticas: o</p><p>que são, tipos, exemplos - Mundo Educação (uol.com.br). Acesso em 05 ago 2021.</p><p>EXERCÍCIO: Identifique se foi usada linguagem FORMAL ou INFORMAL nos textos</p><p>abaixo:</p><p>a) Haja uruca! Em menos de uma semana a maravilhosa Ana Bernardes foi</p><p>assaltada duas vezes. Primeiro, levaram o carro da moça. E, na segunda-feira</p><p>passada, passaram a mão no seu cachorrinho de estimação.</p><p>b) Ana tava passeando com sua filha Mara na Avenida Atlântica (zona sul do Rio</p><p>de Janeiro) quando se distraiu e o bichinho sumiu. O cachorrinho é da raça</p><p>beagle e atende por Pasta Chuta. (Notícias Populares, 7-4-94 p.3)</p><p>c) “__ [...] está se comunicando quando você compra, né?</p><p>__ Acho que é, você vai, fala, faz uma fofoquinha [...]</p><p>__ Mas fora isso acho que são duas coisas diferentes [...] uma é o valor</p><p>comunitário que existe quando você compra alguma coisa [...] você está</p><p>trocando dinheiro por uma coisa que outra pessoa te dá [...]”</p><p>d) Os possessivos</p><p>“A ideia de posse talvez não seja velha como o homem, mas é com certeza</p><p>muito antiga Nós todos conhecemos o impulso quase irresistível que nos leva</p><p>a querer possuir aquilo que nos dá prazer ou nos gratifica psicologicamente</p><p>Para usufruir, no entanto, não é indispensável ter integralmente e por tempo</p><p>indeterminado A música, o pôr-do-sol, os quadros de uma exposição, o bem-</p><p>estar, o convívio das crianças, não estão sujeitos a qualquer forma de</p><p>apropriação e integram, como coisas importantes, a vida de um grande número</p><p>– felizmente muito grande – de pessoas Para muita gente, entretanto, isso é</p><p>insuficiente Só o domínio total satisfaz, o controle absoluto e exclusivo, em que</p><p>se estabelece uma relação de senhor e escravo, de sujeito e objeto Esses têm</p><p>sido chamados, com razão, de possessivos”</p><p>(LISBOA, Luis Carlos. Olhos de ver, ouvidos de ouvir. São Paulo: Difel, 1977:150)</p><p>e) “_ [...] eu não sei exatamente qual é a estrutura jurídica, mas o fato é que</p><p>houve uma reformulação nos sistemas de correio e nessa reformulação a</p><p>minha impressão é de que houve uma melhoria [...].</p><p>– Eu acredito que o correio foi, durante muito tempo, aquilo que os antigos</p><p>chamavam de cavalo de batalha [...] eu mesmo não quero dizer que nunca</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/variacoes-linguisticas.htm</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/variacoes-linguisticas.htm</p><p>Profª Rosana Mary Martins 13</p><p>tenha me valido da acusação contra o correio para justificar o esquecimento</p><p>de uma correspondência prometida [...]”</p><p>Trechos das entrevistas gravadas pelo projeto NURC (Norma Urbana Culta), que</p><p>mostram o uso de dois níveis de linguagem, adequadas a situações diferentes.</p><p>(CASTILHO, A T ; PRETI, D (org) A linguagem falada culta na Cidade de São Paulo: materiais para seu</p><p>estudo São Paulo; T.A. Queiroz/FAPESP, 1986)</p><p>Profª Rosana Mary Martins 14</p><p>ELEMENTOS DO PROCESSO DE LEITURA</p><p>Ler e compreender textos são atividades que requerem ações criativas sobre</p><p>os textos.</p><p>No entanto, não se pode pensar que leitura seja uma atividade de pura</p><p>adivinhação. Marcuschi (1997) salienta que “não podemos dizer quantas são as</p><p>compreensões possíveis de um determinado texto, mas podemos dizer que algumas</p><p>delas não são possíveis”.</p><p>De acordo com Kleiman (2002), a compreensão de um texto é um processo</p><p>que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o</p><p>que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a</p><p>interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento linguístico, o</p><p>textual, o de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto.</p><p>O conhecimento linguístico abrange desde saber como pronunciar português,</p><p>chegando até o conhecimento sobre o uso da língua. O conhecimento linguístico</p><p>desempenha um papel central no processamento do texto. Entende-se por</p><p>processamento aquela atividade pela qual as palavras, são agrupadas em unidades</p><p>ou fatias maiores, também significativas, chamadas constituintes da frase. À medida</p><p>que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada em construir</p><p>significados, e um dos primeiros passos nessa atividade é o agrupamento em frases</p><p>com base no conhecimento gramatical. É através das marcas linguísticas do texto que</p><p>o leitor inicia a construção de toda a significação.</p><p>Exemplo de texto que exige um conhecimento linguístico prévio talvez</p><p>impossível para um jovem leitor:</p><p>“Movimento sísmico previsto nessa região. Provável epicentro,</p><p>movimento telúrico sua cidade. Obséquio tomar providências logísticas</p><p>cabíveis”. (Folha de S. Paulo, 24/11/92, p.1-4)</p><p>O conhecimento textual trata-se do conjunto de noções e conceitos sobre texto.</p><p>A estrutura, a organização e o aspecto gráfico de cada gênero textual são muito</p><p>importantes para que</p><p>o leitor maduro possa fazer uma série inferências sobre o que</p><p>poderá encontrar no texto, bem como para que possa monitorar sua leitura e avaliar se</p><p>o texto está adequado dentro do que se convencionou socialmente como necessário</p><p>ao gênero a que pertence. O conhecimento textual permite ao leitor uma visão mais</p><p>ampla sobre o gênero textual que está sendo lido em relação a seu uso na sociedade,</p><p>mais do que meramente uma leitura do conteúdo do texto em si. É importante notar</p><p>que cada gênero textual, por exemplo: carta, receita, conto, poema, romance, notícia,</p><p>reportagem, aviso, bilhete, propaganda, entre outros, se organiza de uma maneira</p><p>particular. O conhecimento de um gênero não leva ao conhecimento de outros. É</p><p>preciso que o leitor se familiarize um a um com os gêneros textuais que vai ler.</p><p>O conhecimento de mundo abrange desde o domínio que um astronauta tem</p><p>em sua especialidade, até o conhecimento de não se deve deixar remédios ao alcance</p><p>de crianças. Para haver compreensão durante a leitura, aquela parte do nosso</p><p>conhecimento de mundo que é relevante à leitura do texto deve estar ativa. Ao ler, o</p><p>leitor se depara com vários referentes extralinguísticos (negrito, itálico, imagens etc.) e</p><p>a sua recuperação se deve ao conhecimento de mundo. É o conhecimento que o leitor</p><p>tem sobre o assunto que lhe permite fazer as inferências necessárias para relacionar</p><p>diferentes partes discretas do texto num todo coerente.</p><p>Para exemplificar uma leitura sem a ativação de nosso conhecimento de</p><p>mundo, leia o texto abaixo e tente recontá-lo ou encontrar algum sentido nele.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 15</p><p>“Como gemas para financiá-lo, nosso herói desafiou valentemente todos</p><p>os risos desdenhosos que tentaram dissuadi-lo de seu plano. “Os olhos</p><p>enganam”, disse ele, “um ovo e não uma mesa tipificam corretamente</p><p>esse planeta inexplorado”. Então, as três irmãs fortes e resolutas saíram</p><p>à procura de provas, abrindo caminho, às vezes de imensidões</p><p>tranquilas, mas amiúde de picos e vales turbulentos. Os dias se</p><p>tornaram semanas, enquanto os indecisos espalhavam rumores</p><p>apavorantes a respeito da beira. Finalmente, sem saber de onde,</p><p>criaturas aladas e bem-vindas apareceram anunciando um sucesso</p><p>prodigioso.”</p><p>De fato, mesmo após a releitura, para a maioria das pessoas há inúmeras</p><p>perguntas que ficam sem respostas, porém as perguntas podem ser respondidas se</p><p>soubermos, antes de ler que seu título é “A descoberta da América por Colombo”</p><p>Objetivo de leitura e estratégias de leitura</p><p>Há evidências inequívocas de que nossa capacidade de processamento e de</p><p>memória melhora significativamente quando é fornecido um objetivo a uma tarefa, pois</p><p>tudo aquilo que se relaciona ao objetivo em mente é captado por nossa memória, já o</p><p>que não é relevante à busca de nosso objetivo momentâneo é esquecido.</p><p>O leitor proficiente faz escolhas baseando-se em predições quanto ao</p><p>conteúdo do texto. Essas predições estão apoiadas no conhecimento prévio, tanto</p><p>sobre o assunto, como sobre o autor, a época da obra, o gênero e o discurso. É</p><p>importante observar que o tipo de texto já coloca restrições quanto aos nossos</p><p>possíveis objetivos.</p><p>Há uma relação direta entre objetivo de leitura e estratégias de leitura. A fim de</p><p>ilustrar esta relação temos dois exemplos:</p><p>1) a utilização da leitura global, a fim escolher quais textos de um determinado</p><p>jornal pretende ler;</p><p>2) a observação de palavras ou expressões e a percepção da pontuação,</p><p>quando se tem como objetivo perceber o posicionamento do autor.</p><p>A leitura é uma atividade individual, singular, pois o que queremos de uma</p><p>leitura determina como a faremos.</p><p>Vídeo: Como Lemos</p><p>LEITURA DETALHADA E POSICIONAMENTO CRÍTICO DO LEITOR</p><p>A leitura detalhada possibilita ao leitor perceber a importância da análise das</p><p>pistas linguísticas e não linguísticas do texto para inferir tanto o tom quanto a/as</p><p>provável/eis intenção/ões do autor.</p><p>Observe o texto a seguir e responda as questões abaixo:</p><p>COMO%20LEMOS.asf</p><p>Profª Rosana Mary Martins 16</p><p>1. Após uma leitura rápida do texto, apresente as seguintes informações:</p><p>a) Público-alvo (Pessoas a quem se destina o texto):</p><p>b) Autor ou órgão responsável:</p><p>c) Informações que provavelmente serão fornecidas pelo texto (Primeiras</p><p>impressões):</p><p>d) Provável objetivo do autor (Responda com base em um primeiro contato</p><p>com o texto):</p><p>e) Tipo de linguagem necessária para atingir esse objetivo (Verbal, não-</p><p>verbal; formal, informal):</p><p>f) Tipo de linguagem necessária para atingir esse objetivo:</p><p>Profª Rosana Mary Martins 17</p><p>2. Leitura dos pontos principais:</p><p>a) Qual a temática da propaganda (Assunto principal sobre o qual trata o</p><p>texto)?</p><p>b) Qual o slogan da propaganda (Frase de efeito)?</p><p>c) Qual a função do número do disque saúde no canto superior direito da</p><p>página?</p><p>d) Faça um levantamento das palavras relacionadas ao termo luta</p><p>3. Leitura detalhada:</p><p>a) Por que no texto maior é utilizada a palavra preservativo e na frase do final</p><p>da página é utilizada a palavra camisinha?</p><p>b) Qual a inferência que se pode fazer a partir dos gestos demonstrados pelas</p><p>mãos?</p><p>c) Qual a provável intenção do autor ao colocar a mão masculina acima da</p><p>feminina?</p><p>d) Qual a provável intenção do autor ao utilizar a frase: Não leve a aids para</p><p>casa?</p><p>e) Por que aparece na propaganda referência ao Governo Federal e ao</p><p>Ministério da Saúde?</p><p>f) Comente a utilização do artigo definido a na frase: Não leve a AIDS para</p><p>casa.</p><p>g) Depois de todas as suas cogitações, responda: qual a provável intenção do</p><p>autor com a propaganda? Explique, comprovando a sua resposta com</p><p>elementos do texto.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 18</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa se autodefine como:</p><p>“Um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e</p><p>para o seu prestígio internacional ”</p><p>• Os países que falam a língua portuguesa estão convencidos de que a inexistência</p><p>de uma ortografia oficial comum cria não apenas dificuldades de natureza</p><p>linguística, mas também de natureza política e pedagógica.</p><p>• Trata-se de um tratado internacional que uniformiza a ortografia, não a língua</p><p>CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa): Angola, Moçambique,</p><p>Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal</p><p>Esses países terão mudanças na língua escrita Estima-se que somente 0,5% das</p><p>palavras do português brasileiro sofrerão mudanças Em Portugal, esse número</p><p>chega a 1,6%</p><p>O QUE MUDOU APÓS O ACORDO ORTOGRÁFICO?</p><p>ALFABETO</p><p>NOVA REGRA COMO ERA COMO SERÁ</p><p>O alfabeto é formado por 26 letras</p><p>O alfabeto era</p><p>formado por 23 letras,</p><p>mais as letras</p><p>chamadas de</p><p>‘especiais’ k, w, y</p><p>As letras k, w, y fazem parte</p><p>do alfabeto São usadas em</p><p>siglas, símbolos, nomes</p><p>próprios estrangeiros e seus</p><p>derivados Exemplos: km,</p><p>watt, Byron , byroniano</p><p>TREMA</p><p>NOVA REGRA COMO ERA COMO SERÁ</p><p>Profª Rosana Mary Martins 19</p><p>O trema é eliminado em</p><p>palavras portuguesas e</p><p>aportuguesadas</p><p>agüentar, conseqüência aguentar, consequência</p><p>cinqüenta, qüinqüênio cinquenta, quinquênio</p><p>freqüência, freqüente frequência, frequente</p><p>eloqüência, eloqüente eloquência, eloquente</p><p>argüição, delinqüir arguição,delinquir</p><p>Pingüim Pinguim</p><p>Tranqüilo, lingüiça tranquilo, linguiça</p><p>• O trema permanece em nomes próprios estrangeiros e seus derivados: Müller,</p><p>mülleriano, hübneriano</p><p>COMO FICARAM AS REGRAS DE ACENTUAÇÃO?</p><p>Para entendermos as regras de acentuação, precisamos relembrar alguns conceitos</p><p>básicos antes.</p><p>SÍLABA: Unidade fônica</p><p>emitida em um só impulso expiratório. Em português, a base</p><p>de toda sílaba é uma vogal. Por isso que não pode existir sílaba sem vogal.</p><p>• Número de sílabas:</p><p>➢ Monossílabo – 1 sílaba</p><p>➢ Dissílabo – 2 sílabas</p><p>➢ Trissílabo – 3 sílabas</p><p>➢ Polissílabo – 4 ou mais sílabas</p><p>• Tonicidade (sílaba forte):</p><p>➢ Oxítona – a última sílaba é a forte (Ex. ca-fé)</p><p>➢ Paroxítona – a penúltima sílaba é a forte (Ex. a-çú-car)</p><p>➢ Proparoxítona – a antepenúltima sílaba é a forte (Ex. re-lâm-pa-go)</p><p>HIATO X DITONGO</p><p>• Hiato – duas vogais juntas, mas em sílabas diferentes:</p><p>Ex: Baú, Jacareí, atrair, Luís</p><p>• Ditongo – duas vogais juntas na mesma sílaba:</p><p>Ex: acessório, Ciência, Divórcio, Sônia</p><p>Agora, vamos às regras!</p><p>Profª Rosana Mary Martins 20</p><p>OXÍTONAS:</p><p>A) Quando a palavra termina em i(s) e u(s):</p><p>1) Não são acentuadas as oxítonas terminadas em i(s) e u(s), se antes da vogal</p><p>vier consoante, ou não formar hiato.</p><p>Ex: ali, caqui, rubi, bambu, rebu, urubu, sutil, clamor</p><p>2) Não são acentuadas as oxítonas terminadas em consoante:</p><p>Ex: sutil, clamor</p><p>3) Não se acentuam o –I e –U tônicos das palavras paroxítonas precedidas de</p><p>ditongo:</p><p>Ex: Baiuca, feiura, cheiinho, saiinha</p><p>4) Não são acentuadas as oxítonas dos infinitivos terminados em i, se antes da</p><p>vogal vier consoante, seguidos dos pronomes oblíquos lo, la, los, las:</p><p>Ex: puni-la, reduzi-los, feri-las, adverti-las</p><p>5) Acentuam-se o i ou o u que formam HIATO com a vogal anterior, isolados ou</p><p>seguidos de s:</p><p>Ex: aí, (eu) caí, Jacareí, Piauí, Itaú,</p><p>atraí-los, instruí-los, restituí-los, substituí-los</p><p>B) verbos ter e vir e derivados:</p><p>• Os verbos ter e vir são acentuados no plural, mas não no singular:</p><p>Ex: Ele tem Eles têm</p><p>Ele vem Eles vêm</p><p>• Os verbos derivados de ter e vir, levarão acento agudo na 3ª p. do singular e</p><p>acento circunflexo na 3ª p. do plural:</p><p>Ex: Ele contém Eles contêm</p><p>Ele detém Eles detêm</p><p>Ele obtém Eles obtêm</p><p>Ele retém Eles retêm</p><p>Isto convém Estas coisas convêm</p><p>Ele intervém Eles intervêm</p><p>Ele provém Eles provêm</p><p>PAROXÍTONAS:</p><p>A) São acentuadas as paroxítonas terminadas em RouXiNoL, um, uns, i, is, us,</p><p>ã, ãs, ão, ãos, ons, ps, ei, eis:</p><p>i: júri, táxi, jóquei, beribéri, biquíni, dândi</p><p>is: ágeis, Clóvis, lápis, miosótis, tênis</p><p>ei: vôlei,</p><p>eis: devêreis, fáceis, férteis, imóveis, fôsseis</p><p>um/uns: álbum, álbuns, médium, médiuns</p><p>us: bônus, ônus, Vênus, vírus</p><p>l: admissível, difícil, impossível, favorável</p><p>N: cânon, elétron, hífen, Nílton, pólen (plural não têm acento)</p><p>R: açúcar, caráter, César, mártir, revólver</p><p>X: córtex, Fênix, Félix, tórax, látex</p><p>Ã/ãs: ímã, ímãs, órfã, órfãs</p><p>Ão/ãos: bênção, bênçãos, órfão, órfãos, órgão, órgãos</p><p>ons: elétrons</p><p>ps: bíceps, fórceps, tríceps</p><p>Profª Rosana Mary Martins 21</p><p>B) São acentuadas as paroxítonas terminadas DITONGO crescente, seguido ou</p><p>não de s:</p><p>Ex: acessório, água, edifício, contrário, critério, História, ignorância,</p><p>exercício, Antônio, Sônia, Célia, inventário, ingênuo, lírio, mágoa</p><p>C) São acentuados o i e o u tônico dos HIATO , seguidos ou não de s:</p><p>Ex: balaústre, egoísta, faísca, heroína, saída, viúva, juízes</p><p>D) NÃO são acentuadas as paroxítonas terminadas em S:</p><p>Ex: abdômen – abdomens (ou abdômenes)</p><p>alúmen – alumens (ou alúmenes)</p><p>éden – edens</p><p>pólen - polens</p><p>imagens</p><p>E) NÃO são acentuadas as paroxítonas terminadas em EM:</p><p>Ex: imagem – imagens</p><p>item – itens</p><p>nuvem – nuvens</p><p>F) NÃO são acentuados o i e o u antecedidos de NH, ou que formarem sílabas</p><p>com L, R, M, N ou Z (lazanha romana)</p><p>Ex: Luiz, juiz, ruim, sair, rainha, contribuinte, oriundo, caindo, ventoinha</p><p>PROPAROXÍTONAS:</p><p>Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas:</p><p>Ex: árabe, anônimo, capítulo, cirúrgico, código, depósito, estômago,</p><p>exército, fôlego, gênero, histórico, íntimo, médico, óbito, pêssego</p><p>ACENTO DIFERENCIAL:</p><p>• São acentuados os seguintes vocábulos para diferenciá-los dos homógrafos</p><p>átonos:</p><p>Pôr (verbo) por (preposição)</p><p>Pôde (pretérito perfeito) pode (presente)</p><p>AS DOBRADINHAS OO E EE:</p><p>NOVA REGRA COMO ERA COMO É</p><p>Não se acentua o hiato –OO Enjôo (subst. / forma verbal)</p><p>Perdôo, côo</p><p>Enjoo (subst. / forma verbal)</p><p>Perdoo, coo</p><p>Não se acentua o hiato –EE</p><p>dos verbos crer, dar, ler e</p><p>ver seus derivados (3ª p.p.)</p><p>Crêem, dêem, lêem, vêem</p><p>Descrêem, relêem, revêem</p><p>Creem, deem, leem, veem</p><p>Descreem, releem, reveem</p><p>PREFIXOS:</p><p>• Não se acentuam os prefixos terminados em I e R:</p><p>Ex.: semi-histórico, super-homem</p><p>• São acentuados os prefixos pré, pró e pós:</p><p>Ex.: pré-nupcial, pré-vestibular, pró-ciência,</p><p>pós-graduação</p><p>Profª Rosana Mary Martins 22</p><p>USO DO HÍFEN (1)</p><p>NOVA REGRA COMO ERA COMO SERÁ</p><p>NÃO se emprega o</p><p>hífen quando o</p><p>prefixo termina em</p><p>vogal e o segundo</p><p>elemento começa por</p><p>- R ou - S, devendo</p><p>essas consoantes se</p><p>duplicarem.</p><p>ante-sala, ante-sacristia, auto-</p><p>retrato</p><p>antessala, antessacristia,</p><p>autorretrato</p><p>anti-social, anti-rugas antissocial, antirrugas</p><p>arqui-romântico, arqui-rivalidade arquirromântico, arquirrivalidade</p><p>auto-regulamentação, auto-</p><p>sugestão</p><p>autorregulamentação,</p><p>autossugestão</p><p>contra-senso,contra-regra, contra-</p><p>senha</p><p>contrassenso,contrarregra,</p><p>contrassenha</p><p>extra-regimento, extra-sístole,</p><p>extra-seco</p><p>extrarregimento, extrassístole,</p><p>extrasseco</p><p>infra-som, infra-renal infrassom, infrarrenal</p><p>ultra-romântico, ultra-sonografia ultrarromântico, ultrassonografia</p><p>semi-real, semi-sintético semirreal, semissintético</p><p>supra-renal, supra-sensível suprarrenal, suprassensível</p><p>OBSERVAÇÕES:</p><p>• O hífen PERMANECE com os prefixos super, hiper, inter, terminados em –R,</p><p>combinados com palavras iniciadas por -R:</p><p>Ex.: hiper-rancoroso, hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial,</p><p>inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente, super-</p><p>revista etc</p><p>• ATENÇÃO: Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen SEMPRE:</p><p>Ex.: vice-rei etc.</p><p>OBSERVAÇÕES (1):</p><p>Esta nova regra normatiza os casos do uso do hífen entre vogais diferentes, como já</p><p>acontecia anteriormente na língua em compostos como; antiaéreo, antiamericanismo,</p><p>coeducação, agroindustrial, socioeconômico etc.</p><p>O uso do hífen PERMANECE com prefixos em que o segundo elemento começa por –</p><p>H: ante-hipófise, anti-herói, anti-higiênico, anti-hemorrágico, extra-humano, neo-</p><p>helênico, semi-herbáceo, super-homem, supra-hepático etc</p><p>NOVA REGRA COMO ERA COMO É</p><p>Usa-se o hífen</p><p>quando a primeira</p><p>palavra termina em</p><p>vogal e a segunda</p><p>começa por vogal</p><p>IGUAL .</p><p>antiibérico, antiinflamatório anti-ibérico, anti-inflamatório</p><p>antiinflacionário, antiimperalista anti-inflacionário, anti-imperalista</p><p>arquiinimigo, arquiirmandade arqui-inimigo, arqui-irmandade</p><p>microondas, microônibus micro-ondas, micro-ônibus</p><p>microorgânico micro-orgânico</p><p>EXCEÇÃO: No caso do prefixo co- , em geral, não se usa o hífen, mesmo que o</p><p>segundo elemento comece pela vogal O: cooperação, coordenar</p><p>Profª Rosana Mary Martins 23</p><p>OBSERVAÇÕES (2):</p><p>• Com palavras compostas:</p><p>a) Palavras compostas por dois elementos continuam com hífen:</p><p>Ex.: guarda-chuva</p><p>b) Palavras compostas por três elementos não têm mais o hífen:</p><p>Ex.: dia a dia, pé de moleque</p><p>• NÃO se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de</p><p>composição:</p><p>Ex.: girassol. Madressilva, mandachuva, pontapé</p><p>• Fazem exceção a esta regra palavras cuja grafia está consagrada pelo uso:</p><p>Ex.: cor-de-rosa; mais-que-perfeito; pé-de-meia</p><p>Referências:</p><p>MEDEIROS, João Bosco. Redação Empresarial. São Paulo: Atlas, 2009.</p><p>EXERCÍCIOS:</p><p>1) Circule o termo correto que está entre parênteses:</p><p>a) Está na hora de eu ir para a _______ (auto-escola / autoescola).</p><p>b) Este retrovisor é ótimo porque tem _________(anti-reflexo / antirreflexo)</p><p>c) Ele é o _____ (co-autor / coautor) e o ______ (co-diretor</p><p>/ codiretor) da peça.</p><p>d) Aproveite nossos serviços de _____ (teleentrega / tele-entrega).</p><p>e) Eu sempre fui uma pessoa _______(ultra-romântica / ultrarromântica).</p><p>f) Você não acha que a ______(mini-saia / minissaia) está fora de moda?</p><p>g) Essa é uma informação _______(semioficial / semi-oficial).</p><p>h) Ela trabalha com o _____ (contrarregra / contra-regra) do espetáculo.</p><p>i) A polícia está tomando várias medidas_______(anti-sequestro / antissequestro).</p><p>2) Complete com os verbos no plural, seguindo os modelos:</p><p>a) ele tem b) ele contém c) ele vê</p><p>eles têm eles contêm eles veem</p><p>ele vem ele detém ele prevê</p><p>eles ______ eles ______ eles ______</p><p>ele mantém ele crê</p><p>eles ______ eles ______</p><p>ele obtém ele lê</p><p>eles ______ eles ______</p><p>ele retém ele relê</p><p>eles ______ eles ______</p><p>Profª Rosana Mary Martins 24</p><p>3) Complete as frases abaixo optando por uma das palavras entre cada par a seguir</p><p>a- Ele nunca ________ (para / pára) aqui; vai sempre ________ (para / pára) casa.</p><p>b- Não vou ________ (por / pôr) essa rua, pois tenho de ________ (por / pôr) uma</p><p>carta no carreio.</p><p>c- Os garotos cortaram todo o ______ (pelo / pêlo) do gato, segurando-o ______</p><p>(pelo / pêlo) rabo.</p><p>d- Ontem ele ________ (pode / pôde) vir, mas hoje ele não ________ (pode / pôde).</p><p>4) Assinale a alternativa que completa corretamente a frase:</p><p>Eles ______todos os livros que compram, mas quando não ________dinheiro,</p><p>eles ________aqui à biblioteca.</p><p>a) leem, têm, vêem;</p><p>b) leem, tem, vêm;</p><p>c) leem, têm, vêm;</p><p>d) leem, têm, vem</p><p>5) Acentue, se necessário, as palavras destacadas na seguinte frase:</p><p>Ela, porem, já esta tranquila, pois voce podera ajudá-la a engolir aquela</p><p>horrivel salada de jilo e chuchu</p><p>6) Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras com ditongo:</p><p>a) andróide, epopéia, tipóia;</p><p>b) pastéis, arranha-céus, corrói;</p><p>c) europeus, colmeia, centopeia;</p><p>d) boi, urubu-rei, apogeu;</p><p>e) Glauber, Áurea, Cleide</p><p>7) Assinale a opção que contém erro de acentuação no U da série de palavras com</p><p>hiato:</p><p>a) Grajaú, tuiuiú;</p><p>b) reúnem, mundaú;</p><p>c) conteúdo, transeunte;</p><p>d) Raul, extrauterino</p><p>e) baiúca, feiúra;</p><p>Profª Rosana Mary Martins 25</p><p>8) Assinale a opção que contém palavra acentuada apenas no plural:</p><p>a) pera;</p><p>b) urubu;</p><p>c) vez;</p><p>d) juiz;</p><p>e) item</p><p>9) Assinale a opção que contém erro na grafia de palavras compostas:</p><p>a) suprassensível, semissintético;</p><p>b) ultrarromântico, extrasseco;</p><p>c) ultrassonografia, extra-seco;</p><p>d) autossugestão, contrassenso;</p><p>e) autorregulamentação, antissocial</p><p>10) Assinale a opção que contém erro na grafia de palavras compostas:</p><p>a) ultraelevado, semiautomático;</p><p>b) semiaberto, infraestrutura;</p><p>c) contraordem, extraescolar;</p><p>d) contraindicação, auto-ajuda;</p><p>e) autoafirmação, autoescola</p><p>11) Assinale a opção em que todas as palavras estão grafadas corretamente:</p><p>a) anti-imperialista, antiinflamatório;</p><p>b) micro-ondas, contra-atacar;</p><p>c) arquiinimigo, anti-inflacionário;</p><p>d) antiibérico, micoro-orgânico;</p><p>e) micro-ônibus, microorgânico</p><p>12) Assinale a alternativa em que todos os vocábulos são acentuados por serem</p><p>oxítonos:</p><p>a) Paletó, avós, pajé, café, jiló;</p><p>b) Parabéns, também, hífen, saí, oásis;</p><p>c) Vovó, capilé, Paraná, lápis, régua;</p><p>d) Amém, amável, filó, porém, além;</p><p>e) Caí, aí, irmã, ipê, guaraná</p><p>Profª Rosana Mary Martins 26</p><p>ORTOGRAFIA</p><p>→ Emprego de “E” e “I”</p><p>1) Verbos terminados em -uar e -oar:</p><p>São escritos com e na 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo.</p><p>Exemplos:</p><p>que ele atenue (atenuar)</p><p>que ele recue (recuar)</p><p>que ele perdoe (perdoar)</p><p>que ele magoe (magoar)</p><p>2) Verbos terminado em -uir:</p><p>São escritos com i na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo.</p><p>Exemplos:</p><p>Ele substitui (substituir)</p><p>Ele possui (possuir)</p><p>→ Emprego de MAIS, MAS e MÁS</p><p>1) MAIS = opõe-se a MENOS:</p><p>Exemplos:</p><p>“Hoje estou mais satisfeito ” (=poderia estar menos satisfeito)</p><p>“Compareceram mais pessoas que o esperado ” (=poderiam ser menos)</p><p>2) MAS= porém, contudo, todavia, entretanto:</p><p>Exemplos:</p><p>“Estudou, mas foi reprovado ” (=porém)</p><p>“Não foram convidados, mas vieram à festa ” (=entretanto)</p><p>3) MÁS = plural do adjetivo MÁ; opõe-se a BOAS:</p><p>Exemplos:</p><p>“Não eram más idéias ” (=eram boas idéias)</p><p>“Estavam com más intenções ” (=não tinham boas intenções)</p><p>→ Emprego de MAL e MAU</p><p>1) MAU é um adjetivo e se opõe a BOM: “</p><p>Exemplos:</p><p>“Ele é um mau profissional ” (x bom profissional);</p><p>2) MAL pode ser:</p><p>Exemplos:</p><p>a- advérbio (=opõe-se a BEM):</p><p>“Ele está trabalhando mal” (x trabalhando bem)</p><p>b- conjunção (=logo que, assim que, quando):</p><p>“Mal você chegou, todos se levantaram” (Assim que você chegou)</p><p>c- substantivo (=doença, defeito, problema):</p><p>“Ele está com mal incurável ” (=doença)</p><p>“O seu mal é não ouvir os mais velhos ” (=defeito)</p><p>Profª Rosana Mary Martins 27</p><p>Na dúvida use o velho “macete”: MAL x BEM; MAU x BOM</p><p>→ Grafia dos PORQUÊS</p><p>Por que Porque Por quê Porquê</p><p>1 Emprega-se por</p><p>que nas interrogativas</p><p>diretas e indiretas: Por</p><p>que ele agiu assim?</p><p>Gostaria de saber por</p><p>que ele agiu assim</p><p>1 Porque</p><p>introduz uma</p><p>causa ou</p><p>justificativa: Ele</p><p>agiu assim</p><p>porque quis</p><p>1 Emprega-se</p><p>por quê no final</p><p>da frase ou</p><p>quando a</p><p>expressão estiver</p><p>isolada: Ele agiu</p><p>assim Por quê?</p><p>1 É um substantivo</p><p>Equivale à causa,</p><p>motivo, razão: Você</p><p>poderia explicar o</p><p>porquê da sua</p><p>atitude?</p><p>* Tem artigo antes</p><p>2 Por que equivale a</p><p>pelo qual, pela qual,</p><p>pelos quais, pelas</p><p>quais: Este é o</p><p>caminho por que</p><p>passei</p><p>→Emprego de SENÃO e SE NÃO</p><p>A - SENÃO</p><p>1) Comporte-se, senão sairá da classe.</p><p>Senão = do contrário, de outra forma</p><p>2) Não falei para magoar, senão para tentar ajudar.</p><p>Senão = mas sim</p><p>3) Naquela festa não havia senão penetras.</p><p>Senão = a não ser, mais doque</p><p>4) Encontrei um senão em seu trabalho.</p><p>Senão = defeito</p><p>B - SE NÃO</p><p>Se não formos ao cinema, poderemos ir ao teatro</p><p>Se não = usado em frases que indiquem condição, incerteza, dúvida,</p><p>alternativa</p><p>Não tem o significado de nenhum dos exemplos do item I</p><p>→ Emprego dos pronomes pessoais EU e MIM, TU e TI</p><p>1) Eu mim; tu ti</p><p>“Eu” e “tu” só exercem a função de sujeito (isto é, são sempre pronomes retos)</p><p>“Mim” e “ti” só exercem a função de complemento (isto é, são sempre oblíquos)</p><p>Assim sendo, quando os pronomes de 1ª e 2ª pessoas do singular não</p><p>exercerem a função de sujeito, as formas eu e tu devem ser substituídas por</p><p>mim e ti</p><p>É necessário lembrar também que as formas mim e ti são sempre precedidas</p><p>de preposição.</p><p>Exemplos:</p><p>a- O advogado trouxe o documento para mim (frase correta)</p><p>“advogado” → sujeito do verbo “trazer”</p><p>“mim” → complemento do verbo “trazer”</p><p>b- O advogado trouxe o documento para eu revisar (frase correta)</p><p>Profª Rosana Mary Martins 28</p><p>“advogado” → sujeito do verbo “trouxe”</p><p>“eu” → sujeito do verbo “revisar”</p><p>c- Para mim, revisar o documento foi fácil (frase correta)</p><p>Nesse exemplo, o pronome “mim” não é sujeito de “revisar” Na verdade, a</p><p>frase está invertida; sua ordem normal seria:</p><p>“Revisar o documento foi fácil para mim”</p><p>Observação: Os pronomes oblíquos tônicos vêm sempre precedidos de</p><p>preposição, portanto, o correto é “entre mim e ti”</p><p>Exemplos:</p><p>Entre mim e ti não há desentendimentos.</p><p>Tudo acabou entre mim e ela.</p><p>→ Emprego de DEMAIS e DE MAIS</p><p>1) “Demais” é um advérbio, referindo-se sempre a um verbo ou a um adjetivo.</p><p>Significa “muito”, “excessivamente”.</p><p>Exemplos:</p><p>Eles se amam demais.</p><p>Está cansado demais.</p><p>Demais também pode ser pronome indefinido, tendo o valor de “os outros”, “os</p><p>restantes”. Neste</p><p>caso, será sempre precedido de artigo.</p><p>Exemplo:</p><p>Saímos da reunião às três horas. Os demais ficaram até anoitecer</p><p>2) “De mais” é uma locução sempre empregada em relação a um substantivo ou</p><p>a um pronome substantivo.</p><p>Exemplos:</p><p>Não fizemos nada de mais. (nada anormal, nada que causasse estranheza)</p><p>Temos presenciado sofrimento de mais. (além da conta, a mais)</p><p>→ Emprego de TRÁS, ATRÁS e TRAZ</p><p>TRÁS – é preposição (com s)</p><p>ATRÁS – é advérbio (com s)</p><p>TRAZ – é do verbo trazer (com z)</p><p>Veja o uso dessas palavras:</p><p>a) O ladrão entrou por trás da casa.</p><p>b) O cachorro correu atrás de mim.</p><p>c) Você me traz sempre boas notícias.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 29</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>Complete as frases com as palavras entre parênteses:</p><p>a) Não gosto muito dela, ______ tenho de admitir que é ______ inteligente do que eu</p><p>supunha. (mas / mais)</p><p>b) Comportou-se ______ durante a reunião. Porém, não creio que seja um ______</p><p>sujeito _______. (mal / mau)</p><p>c) Não há nada ________ em gostar ________ de doces. (de mais / demais)</p><p>d) ________ se fizer alguma coisa, o país escorregará para o caos. Há pessoas que</p><p>não fazem nada _______ buscar privilégios. (se não / senão)</p><p>e) Pedro, _______ você não comprou o que lhe pedi? (por que / porque / por quê /</p><p>porquê)</p><p>f) Felizes os que conhecem o _________ dos acontecimentos. (por que / porque /</p><p>por quê / porquê)</p><p>g) Você vai me criticar? _________? (por que / porque / por quê / porquê)</p><p>h) _________ o carro não quer pegar? Não será __________ está frio? (por que /</p><p>porque / por quê / porquê)</p><p>i) Eles enviaram o documento para ________. (eu / mim)</p><p>j) Eles enviaram o documento para ________ guardar. (eu / mim)</p><p>k) Para ________, voltar lá é impossível. (eu / mim)</p><p>l) Para ________ passar no vestibular, tive que estudar muito. (eu / mim)</p><p>Profª Rosana Mary Martins 30</p><p>GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS</p><p>Analisemos o gênero carta como exemplo</p><p>Taubaté, 01 de março de 2010</p><p>Ilmo. Sr.</p><p>Agnaldo Ribeiro</p><p>Gerente do</p><p>Banco Jaú S.A.</p><p>Taubaté – SP</p><p>Prezado Sr. Agnaldo,</p><p>Solicito-lhe, a gentileza, de nos enviar uma</p><p>cópia do contrato firmado em 28/02/2010, entre essa</p><p>instituição bancária e a nossa empresa, referente ao</p><p>Projeto Folha de Pagamento On Line.</p><p>Atenciosamente,</p><p>Maria Clara Machado</p><p>Diretora Financeira</p><p>Taubaté, 01 de março de 2010</p><p>Oi Má,</p><p>Como vai? Tudo bem? Estou</p><p>morrendo de saudades de todos vocês. A Tia</p><p>Cidinha está boa? Manda um beijão para</p><p>ela.</p><p>Má, estou escrevendo para te</p><p>contar que consegui o telefone do Jãojão.</p><p>Vou ligar para ele e depois te conto no fim</p><p>de semana, quando eu chegar aí.</p><p>Beijos</p><p>Pri</p><p>Rosana Mary Martins - 2011 2</p><p>O QUE É UM GÊNERO?</p><p>• “Tipos relativamente estáveis de enunciados” (Bakhtin, 1952-1953)</p><p>• Formas de dizer sócio–historicamente cristalizadas, oriundas de necessidades</p><p>produzidas em diferentes esferas da comunicação humana</p><p>O QUE É TEXTO?</p><p>• Unidade linguística concreta, percebida pela audição (na fala) ou pela visão (na</p><p>escrita), que possui um sentido e apresenta uma intenção comunicativa.</p><p>OBSERVE:</p><p>• O contexto de produção define o texto que foi produzido.</p><p>• O contexto de produção não é mero recurso auxiliar de recuperação de</p><p>sentido, mas determinante do texto.</p><p>• Os conteúdos dizíveis por um texto o identificam como pertencentes a um</p><p>determinado gênero.</p><p>ELEMENTOS QUE CONSTITUEM UM GÊNERO</p><p>• Conteúdo Temático (assunto típico daquele gênero, o que pode ser dizível por</p><p>meio dele).</p><p>• Estilo (recursos fraseológicos; lexicais; gramaticais; marcas linguísticas</p><p>recorrentes).</p><p>• Forma Composicional (é a organização geral dos textos pertencentes àquele</p><p>gênero e as formas típicas).</p><p>QUAIS ASPECTOS SE AVALIA QUANDO SE ANALISA A QUALIDADE DE UM</p><p>TEXTO?</p><p>• Discursivos (para quem se escreverá; sobre qual tema; com qual finalidade;</p><p>em que suporte; onde o texto irá circular; em que gênero se organizará).</p><p>Profª Rosana Mary Martins 31</p><p>• Pragmáticos (relativos ao evento de comunicação no qual o texto que será</p><p>produzido se insere: em um seminário, mesa-redonda, sarau, fórum, e suas</p><p>respectivas características de organização no tempo, no espaço, rituais, etc ).</p><p>• Textuais (relativos à coesão referencial e sequencial adequados; apresentação</p><p>de informações relevantes; utilização dos tempos verbais, léxico e articuladores</p><p>adequados; critérios coerentes de paragrafação, etc ).</p><p>• Gramaticais (concordância nominal e verbal; regência nominal e verbal;</p><p>acentuação; pontuação; ortografia).</p><p>• Notacionais (são os efeitos de sentido provocados pelos recursos gráficos do</p><p>texto, como pontuação, negrito, itálico, etc ).</p><p>TIPOLOGIA TEXTUAL:</p><p>Tipos textuais são composições linguísticas que possuem como característica</p><p>a predominância de certas estruturas sintáticas, tempos e modos verbais, classes</p><p>gramaticais etc.</p><p>Quando falamos em tipo textual, utilizamos o adjetivo predominante. Observe:</p><p>• gênero conto de fada – tipo textual predominante: narrativo</p><p>• gênero artigo de opinião – tipo textual predominante: dissertativo</p><p>CLASSIFICAÇÃO DOS GÊNEROS</p><p>Dolz e Schnewly (1996)</p><p>Domínio Social de</p><p>Comunicação</p><p>Tipologia</p><p>Capacidades de</p><p>linguagem</p><p>Cultura literária ficcional NARRAR</p><p>(conto, fábula, romance,</p><p>crônica, paródia)</p><p>Mimesis da ação através</p><p>da criação da intriga no</p><p>domínio do verossímil.</p><p>Documentação e</p><p>memorização das ações</p><p>humanas</p><p>RELATAR</p><p>(relatos de experiência</p><p>vivida, relatos de viagem,</p><p>carta pessoal, diário,</p><p>notícia, reportagem,</p><p>relatório)</p><p>Representação pelo</p><p>discurso de experiências</p><p>vividas, situadas no tempo.</p><p>Discussão de problemas</p><p>sociais controversos</p><p>ARGUMENTAR</p><p>(artigo de opinião, carta de</p><p>leitor, editorial, debate,</p><p>requerimento, resenhas</p><p>críticas)</p><p>Sustentação, refutação e</p><p>negociação de tomadas de</p><p>posição.</p><p>Transmissão e construção</p><p>de saberes</p><p>EXPOR</p><p>(texto explicativo, resumos,</p><p>conferência, entrevista,</p><p>verbetes de dicionário)</p><p>Apresentação textual de</p><p>diferentes formas dos</p><p>saberes.</p><p>Regulação de ações PRESCREVER e</p><p>INSTRUIR</p><p>(prescritivo / injuntivo)</p><p>(receita culinária, receita</p><p>médica, instruções de uso,</p><p>bula, regras de jogo)</p><p>Regulação mútua de</p><p>comportamentos por meio</p><p>da orientação para a ação.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 32</p><p>ESFERAS DISCURSIVAS</p><p>Escolar e</p><p>de</p><p>divulgação</p><p>científica</p><p>Institucional</p><p>- pública</p><p>Artístico-</p><p>literária</p><p>Jurídica</p><p>Jornalística</p><p>Publicitária</p><p>Ocupacional</p><p>Entretenimento</p><p>Vamos explorar o contexto de produção dos textos a seguir? Comece refletindo</p><p>sobre os seguintes aspectos:</p><p>Formato: Qual é o formato do texto?</p><p>(contínuo e não-contínuo)</p><p>Tipologia: Que tipo de texto é esse?</p><p>(narrar, argumentar, expor, relatar, prescrever)</p><p>Gênero Textual: Qual é o gênero em questão?</p><p>(notícia, artigo escolar, relação de regras, bibliografia, etc )</p><p>Esfera discursiva: Em que esfera discursiva este texto circula?</p><p>(Jornalística, publicitário, artístico, político)</p><p>Interlocutores: Quem escreve um texto desse gênero?</p><p>Para quem interessa a leitura desse gênero?</p><p>Intencionalidade: Qual a intenção do autor ao escrever um texto desse?</p><p>Para quê as pessoas leem esse texto?</p><p>Suporte: Onde você encontra esse texto, i,e,, qual é o suporte de circulação</p><p>desse texto?</p><p>(jornal, livro, revista, televisão, outdoor, rádio, camiseta, panfleto, )</p><p>Marcas</p><p>linguísticas:</p><p>Há alguma marca linguística que mereça destaque? Por exemplo,</p><p>uso de aspas, reticências, pontos de exclamação ou interrogação, ,</p><p>letras em itálico ou negrito, um tempo verbal específico (imperativo,</p><p>passado), palavras de fácil compreensão, etc</p><p>Profª Rosana Mary Martins 33</p><p>Agora é sua vez! Analise os gêneros a seguir:</p><p>DORFLEX</p><p>- Composição</p><p>Comprimidos: cada comprimido contém: citrato</p><p>deorfenadrina 35 mg; dipirona 300 mg; cafeína 50</p><p>mg Solução: cada ml contém: citrato de</p><p>orfenadrina 35 mg; dipirona</p><p>300 mg; cafeína 50 mg</p><p>- Posologia e Administração: adultos: 1 a 2</p><p>comprimidos ou 20 a 60 gotas, 3 a 4 vezes ao dia.</p><p>Não ultrapassar estes limites.</p><p>- Precauções: Dorflex não deve ser administrado a</p><p>crianças menores de 12 anos de idade. A</p><p>segurança de Dorflex durante a lactação não está</p><p>estabelecida. Dorflex não deve ser utilizado</p><p>concomitantemente com álcool, propoxifeno ou</p><p>fenotiazínicos. Dorflex não deve ser utilizado para</p><p>tratamento de rigidez muscular associada ao uso</p><p>de antipsicóticos [ ]</p><p>- Reações adversas: a orfenadrina, como todo</p><p>anticolinérgico, pode produzir bradicardia ou</p><p>taquicardia, arritmias cardíacas, secura da boca,</p><p>sede, diminuição da sudorese, midríase,</p><p>dificuldade de acomodação visual (visão borrada).</p><p>Em doses tóxicas podem ocorrer, além dos</p><p>sintomas mencionados, ataxia, distúrbio da fala,</p><p>disfagia, agitação, pele seca e quente, disúria,</p><p>diminuição dos movimentos peristálticos intestinais,</p><p>aumento da pressão intraocular, náuseas, vômitos,</p><p>cefaleia, constipação, tonturas, alucinações, delírio</p><p>e coma.</p><p>- Contra-Indicações: gravidez; intolerância a</p><p>qualquer um dos componentes da fórmula. Devido</p><p>à presença de dipirona, Dorflex não deve ser</p><p>administrado a pacientes com hipersensibilidade</p><p>aos derivados pirazolônicos, ou com doenças</p><p>metabólicas como porfiria ou deficiência congênita</p><p>da glicose 6-fosfato-desidrogenase.</p><p>- Indicações: alívio da dor associada a contraturas</p><p>musculares decorrentes de processos traumáticos</p><p>ou inflamatórios e em cefaleias tensionais.</p><p>- Apresentação: comprimidos: caixas com 144</p><p>Solução: frascos com 15 ml.</p><p>Qual o formato desse texto?</p><p>Qual a tipologia desse texto?</p><p>Em que gênero o texto está</p><p>organizado?</p><p>Em que esfera discursiva circula?</p><p>Quem são os interlocutores?</p><p>Qual a intencionalidade desse texto?</p><p>Em que suporte você encontra esse</p><p>gênero?</p><p>Quais são as marcas linguísticas</p><p>recorrentes?</p><p>Profª Rosana Mary Martins 34</p><p>EXERCÍCIOS - GÊNEROS TEXTUAIS</p><p>Explore o contexto de produção dos gêneros abaixo:</p><p>TEXTO 1</p><p>HOJE</p><p>Geral</p><p>Momento de afinidades especiais e de</p><p>magnetismo nas relações Você se</p><p>envolve forte e instantaneamente com as</p><p>pessoas. Percepções profundas</p><p>redimensionam suas relações.</p><p>NA SEMANA</p><p>Trabalho</p><p>Não teime em manter seus jeito de</p><p>trabalhar, impondo seus métodos e</p><p>ideias. O período pede mais flexibilidade,</p><p>aceitando o que os outros lhe propõem É</p><p>tempo de somar forças, mesmo que sob</p><p>condições difíceis</p><p>INFORMAÇÕES DO SIGNO</p><p>Regente: Mercúrio</p><p>Elemento: Terra</p><p>Complementar: Peixes</p><p>Qual o formato desse texto?</p><p>Qual a tipologia desse texto?</p><p>Em que gênero o texto está organizado?</p><p>Em que esfera discursiva circula?</p><p>Quem são os interlocutores?</p><p>Qual a intencionalidade desse texto?</p><p>Em que suporte você encontra esse</p><p>gênero?</p><p>Quais são as marcas linguísticas</p><p>recorrentes?</p><p>TEXTO 2</p><p>Qual o formato desse texto?</p><p>Qual a tipologia desse texto?</p><p>Em que gênero o texto está organizado?</p><p>Em que esfera discursiva circula?</p><p>Quem são os interlocutores?</p><p>Qual a intencionalidade desse texto?</p><p>Em que suporte você encontra esse</p><p>gênero?</p><p>Quais são as marcas linguísticas</p><p>recorrentes?</p><p>Profª Rosana Mary Martins 35</p><p>TEXTO 3</p><p>FILMES NA TV</p><p>28/02/2008 Inácio Araújo, crítico da</p><p>Folha</p><p>Seis Dias, Sete Noites</p><p>Globo, 16h35 - Regular</p><p>(Six Days, Seven Nights) EUA, 1998,</p><p>101 min Direção: Ivan Reitman Com</p><p>Harrison Ford, Anne Heche, David</p><p>Schwimmer.</p><p>Em férias ao lado do noivo, a agitada</p><p>editora de uma revista nova-yorquina</p><p>Anne Heche é tirada da ilha paradisíaca</p><p>em que se encontra para cumprir tarefa</p><p>profissional. Quem a leva é o piloto</p><p>Harrison Ford, que se acha. Mas o pior</p><p>está por vir: uma chuva inesperada, a</p><p>queda do avião, as brigas da dupla, a</p><p>perseguição por um grupo de bandidos.</p><p>Em suma, Reitman (que um dia foi um</p><p>produtor ousadíssimo) convoca a</p><p>clicheria toda.</p><p>Qual o formato desse texto?</p><p>Qual a tipologia desse texto?</p><p>Em que gênero o texto está organizado?</p><p>Em que esfera discursiva circula?</p><p>Quem são os interlocutores?</p><p>Qual a intencionalidade desse texto?</p><p>Em que suporte você encontra esse</p><p>gênero?</p><p>Quais são as marcas linguísticas</p><p>recorrentes?</p><p>Referências:</p><p>DOLZ, J; NOVERRAZ, M.; SCHNEUWLY, B. Sequências Didáticas para o Oral e a</p><p>Escrita: apresentação de um procedimento. IN: SCHNEUWLY, B., DOLZ, J. Gêneros</p><p>Orais e Escritos na Escola. Campinas: Mercado de Letras, p. 95-128, 2004.</p><p>ROJO, R. Gêneros do discurso e Gêneros textuais: Questões Teóricas e Aplicadas.</p><p>IN: MEURER, J.L., BONINI, A., MOTTA-ROTH, D. Gêneros: teorias, métodos,</p><p>debates. São Paulo: Parábola editorial, p.184-207, 2005.</p><p>http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/</p><p>Profª Rosana Mary Martins 36</p><p>NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO E DISSERTAÇÃO</p><p>Se os gêneros textuais são inúmeros, podemos identificar um número limitado</p><p>de tipos textuais. Aqui trabalharemos com três deles: narração, descrição e</p><p>dissertação.</p><p>NARRAÇÃO:</p><p>1. Elementos da narração:</p><p>• Há diversos estilos de narração, mas alguns elementos estão presentes em</p><p>todos eles: enredo/ação, tempo, espaço, narrador, personagem.</p><p>• Durante a narração pode-se responder às seguintes perguntas: quem, o quê,</p><p>quando, onde, como, por que.</p><p>• Quase sempre a narração se baseia em um conflito de interesse ou desejos</p><p>entre as personagens que se dividem em protagonistas e antagonistas.</p><p>2. Foco narrativo:</p><p>Ao narrar, subtende-se que haja um narrador envolvido e que pode assumir</p><p>três pontos de vista:</p><p>a. Narrador participante ou personagem – faz parte da história como</p><p>protagonista ou antagonista. Neste caso, a narrativa é em 1ª pessoa do</p><p>singular ou plural.</p><p>b. Narrador observador – apenas relata os fatos e é escrita em 3ª pessoa.</p><p>c. Narrador onisciente ou onipresente – é a testemunha invisível dos fatos.</p><p>Está em todos os lugares e em todos os momentos. Sabe de tudo e</p><p>conhece as emoções mais profundas.</p><p>Exemplos:</p><p>Narrador personagem:</p><p>“Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a</p><p>ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes</p><p>fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direito à narração. Mas, por</p><p>menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se</p><p>passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos.</p><p>Primeiramente, tomei a figura de um barbeiro chinês, bojudo, destro,</p><p>escanhoando um mandarim, que me pagava o trabalho com beliscões e</p><p>confeitos: caprichos de mandarim.</p><p>Mémorias Póstuma de Brás Cubas</p><p>Narrador observador:</p><p>Rubião é que não perdeu a suspeita assim tão facilmente. Pensou em falar a</p><p>Carlos Maria, interrogá-lo, e chegou a ir à Rua dos Inválidos, no dia seguinte,</p><p>três vezes; não o encontrando, mudou de parecer. Encerrou-se por alguns</p><p>dias; o Major Siqueira arrancou-o à solidão. Ia participar-lhe que se mudara</p><p>Profª Rosana Mary Martins 37</p><p>para a Rua Dois de Dezembro. Gostou muito da casa do nosso amigo, das</p><p>alfaias, do luxo, de todas as minúcias, ouros e bambinelas. Sobre este assunto</p><p>discorreu longamente, relembrando alguns móveis antigos. Parou de repente,</p><p>para dizer que o achava aborrecido; era natural, faltava-lhe ali um</p><p>complemento.</p><p>Quincas Borba</p><p>Narrador onisciente:</p><p>“Realmente para eles era bem pequeno, mas afirmavam que era grande - e</p><p>marchavam, meio confiados, meio inquietos. Olharam os meninos, que</p><p>olhavam os montes distantes, onde havia seres misteriosos. Em que estariam</p><p>pensando? zumbiu Sinha Vitória.</p><p>Fabiano estranhou a pergunta e rosnou uma objeção. Menino é bicho</p><p>miúdo, não pensa. Mas Sinha Vitória renovou a pergunta - e a certeza do</p><p>marido abalou-se. Ela devia ter razão. Tinha sempre razão. Agora desejava</p><p>saber que iriam fazer os filhos quando crescessem.”</p><p>(Vidas Secas, Graciliano Ramos)</p><p>3.</p><p>Estrutura do texto narrativo</p><p>• Introdução (é o primeiro contato com os elementos principais da história:</p><p>personagens, tempo e lugar);</p><p>• Desenvolvimento (conflitos);</p><p>• Clímax (é o auge da narrativa, onde se atinge o momento crítico – é o</p><p>momento que se revela a identidade do assassino, seguido da luta final para</p><p>prendê-lo);</p><p>• Desfecho (é a solução do conflito).</p><p>Ou seja,</p><p>Equilíbrio 1 => Desequilíbrio => Equilíbrio 2</p><p>O teste da reforma geral</p><p>Eddie era o sociopata do bairro, adepto do crime comumente conhecido como</p><p>“extorsão” Constantemente, batia a porta de alguma lojinha e dizia ao proprietário “Me</p><p>dá R$10,00 e eu não quebro a sua janela” Até que o crime foi denunciado Eddie foi</p><p>preso, julgado e enviado à prisão Então, um dia descobriu a biblioteca Sua jornada</p><p>em direção à reabilitação começou Eddie devotou o seu tempo a um programa</p><p>superior, e então obteve seu diploma de advogado Ao ser libertado ingressou na</p><p>Ordem dos Advogados estadual, abriu seu escritório e tornou-se um membro</p><p>contribuinte da sociedade, especializando-se no procedimento conhecido como</p><p>“acordo fora dos tribunais” Agora visita empresas e sua constante fala aos</p><p>proprietários é “Me dá R$1 milhão e eu desisto da ação”</p><p>Wiley, Non Sequitur. O Globo, 24/5/99 Adaptado</p><p>Profª Rosana Mary Martins 38</p><p>RESUMINDO</p><p>CONTO:</p><p>O conto é uma narrativa curta, concentrada, que normalmente focaliza um único</p><p>conflito.</p><p>É estruturado em quatro partes:</p><p>✓ situação inicial;</p><p>✓ complicação ou conflito;</p><p>✓ clímax;</p><p>✓ resolução ou desfecho.</p><p>Venha ver o por do sol - Lygia Fagundes Telles</p><p>Analisando o conto. Leia o conto e responda às questões:</p><p>1. O narrador descreve o cenário no qual as personagens irão se encontrar. Que</p><p>cenário é esse? Qual a importância dele na narrativa?</p><p>Profª Rosana Mary Martins 39</p><p>2. A partir do diálogo estabelecido entre as personagens, sabemos como era</p><p>Raquel e como ela está agora. O que mudou na personagem? E em relação à</p><p>situação financeira dos personagens, o que ocorreu?</p><p>3. A ideia de Ricardo, a princípio, parece estranha: ver o pôr do sol em um</p><p>cemitério. No entanto, ele tranquiliza o leitor. Que argumentos ele usou para</p><p>convencê-lo de que o passeio poderia ser bom?</p><p>4. Como Ricardo convence a ex-namorada a entrar na catacumba? O que essa</p><p>personagem descobre nesse momento? Qual a sua reação?</p><p>5. É possível afirmar que o crime foi premeditado? Utilize fatos do texto para</p><p>comprovar sua resposta.</p><p>6. O narrador, no final do conto, diz que a personagem Raquel, ao tomar</p><p>consciência de sua condição, lança gritos semelhantes aos de um animal.</p><p>Explique essa comparação.</p><p>7. Nesse caso, é possível afirmar que o conto tem um desfecho inesperado?</p><p>Comente a resposta dada.</p><p>DESCRIÇÃO:</p><p>Descrever é um processo em que se capta a realidade por meio dos sentidos; é</p><p>caracterizar uma cena, um estado, um momento vivido ou sonhado por meio da</p><p>percepção sensorial e da imaginação criadora.</p><p>ESQUEMA DA DESCRIÇÃO</p><p>O esquema mostra que descrever envolve a percepção do objeto pelo sujeito</p><p>por meio da relação entre a base sensorial (representada pelos cinco sentidos: tato,</p><p>visão, audição, olfato e visão) e a imaginação criadora.</p><p>Característica do texto descritivo</p><p>• Retrato verbal</p><p>• Ausência de ação e relação de anterioridade ou posterioridade entre as frases</p><p>• Predomínio de substantivos, adjetivos e locuções adjetivas</p><p>• Utilização da enumeração e comparação</p><p>Profª Rosana Mary Martins 40</p><p>• Presença de verbos de ligação</p><p>• Verbos flexionados no presente ou no pretérito (passado)</p><p>• Emprego de orações coordenadas justapostas</p><p>Tipos de Descrição:</p><p>Conforme a intenção do texto, as descrições são classificadas em:</p><p>Descrição Subjetiva: apresenta as descrições de algo, todavia, evidencia as</p><p>impressões pessoais do emissor (locutor) do texto. Exemplos são nos textos literários</p><p>repletos de impressões dos autores.</p><p>Descrição Objetiva: nesse caso, o texto procura descrever de forma exata e realista</p><p>as características concretas e físicas de algo, sem atribuir juízo de valor, ou</p><p>impressões subjetivas do emissor. Exemplos de descrições objetivas são os retratos</p><p>falados, manuais de instruções, verbetes de dicionários e enciclopédias.</p><p>O que descrever?</p><p>A base da descrição são os sentidos, portanto, podemos descrever o que vemos, o</p><p>que sentimos, o que imaginamos ou o que criamos com a imaginação.</p><p>Observe o texto a seguir:</p><p>Ilha dos sonhos</p><p>As pousadas são modestas; os banhos, frios; a comida, cara. É preciso entrar</p><p>na fila para chegar lá. Mas todo mundo quer ir, quem já foi quer voltar. E sempre</p><p>se fala dela com um brilho especial no olhar, um tom de encantamento na voz</p><p>Fernando de Noronha é o destino dos sonhos de boa parte dos turistas brasileiros,</p><p>o lugar mais mencionado num levantamento feito por VEJA em seis capitais. Não é</p><p>pouca coisa num país com 8000 quilômetros de litoral e 2045 praias [ ]</p><p>Revista Veja, julho de 2002 (Edição especial)</p><p>Entenda a Sequência Descritiva</p><p>1. É preciso usar substantivos que permitem a identificação de traços do que é</p><p>descrito.</p><p>2. O objeto é descrito por adjetivos e locuções adverbiais com a função de</p><p>adjunto adnominal ou predicativo.</p><p>Procure usar os verbos de ligação, verbos no pretérito imperfeito e no presente</p><p>do indicativo para descrever cenas. Veja o exemplo:</p><p>Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do</p><p>portão têm uma velha ferrugem e o trinco se oculta num lugar que só a mão</p><p>filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e úmido que os demais,</p><p>com suas palmas, tinhorões e samambaias que a mão filial, fiel a um gesto de</p><p>infância, desfolha ao longo da haste.</p><p>É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais</p><p>se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem. Há</p><p>um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas.</p><p>O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da</p><p>Profª Rosana Mary Martins 41</p><p>cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de</p><p>outras primaveras.</p><p>As coisas vivem como em prece, nos mesmos lugares onde as situaram as</p><p>mãos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos</p><p>porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente [...]</p><p>Vinicius de Morais, A casa materna</p><p>Empregue metáforas e comparações para que o interlocutor possa ter mais</p><p>elementos para elaborar a imagem mental do que é descrito. Veja o exemplo:</p><p>De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio d’água que se dirige para o</p><p>norte, e engrossado com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas,</p><p>torna-se rio caudal. É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se</p><p>como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que</p><p>rola majestosamente em seu vasto leito. Dir-se-ia que vassalo e tributário desse rei</p><p>das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curvas e</p><p>humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática; suas ondas são</p><p>calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as</p><p>canoas que resvalam sobre elas: escravo submisso, sofre o látego do senhor [...]</p><p>José de Alencar, O Guarani</p><p>Atividade 1: Descreva a cena abaixo com detalhes suficientes para entender o</p><p>contexto.</p><p>Atividade 2: Escreva um breve texto que descreva o ambiente abaixo.</p><p>Profª Rosana Mary Martins 42</p><p>Referências:</p><p>FATEC EAD – Comunicação e expressão. Visão Geral da Noção de texto: conceito e</p><p>tipologia: descrição. Unidade 1. 2015.</p><p>FIORIN, J.L.; SAVIOLI, F.P. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo:</p><p>Ática, 2009.</p><p>SCIPIONI, U. Do Texto ao Texto – Curso prático de leitura e redação. São Paulo:</p><p>Editora Scipioni, 2006.</p><p>VERDUSSEN, R. Ergonomia: a racionalização</p>