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<p>AULA 6</p><p>ERGONOMIA</p><p>Profª Silvana Bastos Stumm</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Esta nossa aula abrangerá temas um pouco diferentes, mas</p><p>importantíssimos para a ergonomia. O profissional que se dedica a cursos</p><p>voltados à segurança e à saúde do trabalhador, que estuda e se capacita está</p><p>sempre em crescimento profissional e intelectual. E os temas a serem abordados</p><p>nesta aula fornecem um olhar sobre o envolvimento desse profissional com o seu</p><p>trabalho, em relação aos aspectos humanos. Os cinco temas de hoje serão:</p><p>segurança do trabalho; saúde, ambiente de trabalho e o papel da Organização</p><p>Mundial da Saúde (OMS); qualidade de vida e qualidade de vida no trabalho;</p><p>modelos de qualidade de vida no trabalho; e programas de qualidade de vida no</p><p>trabalho. Bons estudos!</p><p>TEMA 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO</p><p>O assunto que iremos abordar envolve todas as áreas – empresariais,</p><p>industriais, hospitalares, entre tantas outras. Devemos salientar que qualquer</p><p>ambiente laboral, para ser bem-sucedido, deve trabalhar seguindo as normas</p><p>regulamentadoras (NR) que visam à saúde e à segurança do trabalhador. Para</p><p>acessá-las e conhecê-las, o Ministério da Economia, especialmente a Secretaria</p><p>do Trabalho, as disponibiliza em seu site1. É nessa mesma página que você,</p><p>aprofundando sua busca, encontrará a Norma Regulamentadora n. 17/1978 (NR</p><p>17), sobre ergonomia (Brasil, 1978b). De qualquer forma, independentemente da</p><p>sua área de atuação, as normas são utilizadas de forma conjunta. Muitas vezes,</p><p>a leitura de uma das normas nos leva a consultar outra.</p><p>Analisando um pouco da história da segurança do trabalho, no ano de</p><p>1700, o médico Ramazzini (1999) escreveu o livro intitulado As doenças dos</p><p>trabalhadores, mostrando, naquele período, grande preocupação com a saúde e</p><p>segurança do trabalhador. Considerado o “pai” da medicina do trabalho,</p><p>Ramazzini (1999) foi o primeiro a relatar doenças ocupacionais em função das</p><p>atividades exercidas à época. Anteriormente a Ramazzini (1999), houve o</p><p>cientista Georg Bauer (ou, de modo latinizado, Georgius Agricola), autor de De re</p><p>metalica, traduzido como Da natureza dos metais, livro publicado em 1556, após</p><p>sua morte. Nele, o autor tratava o trabalho de fundição de prata e ouro como o</p><p>1 Disponível em: <https://enit.trabalho.gov.br/portal/index.php/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-</p><p>menu/sst-normatizacao/sst-nr-portugues?view=default>. Acesso em: 9 dez. 2020.</p><p>3</p><p>causador da doença conhecida naquele tempo como asma dos mineiros. Hoje,</p><p>sabemos que se trata da doença ocupacional chamada de silicose.</p><p>Em uma abordagem mais ampla, entende-se a segurança do trabalho</p><p>como um conjunto de medidas destinadas a proteger o trabalhador e sua saúde,</p><p>minimizando os riscos de acidente do trabalho e de doenças ocupacionais. Um</p><p>local de trabalho seguro depende do empregador, que estabelece as diretrizes</p><p>para manter a segurança baseado nas NR; e do empregado, que deve seguir o</p><p>que lhe foi determinado, a fim de preservar sua integridade física, mental e social.</p><p>E nesse contexto se encontra o eixo da ergonomia.</p><p>Seguindo a mesma linha de pensamento, conceituaremos o acidente de</p><p>trabalho, que pode ocorrer devido a inúmeros fatores, mas também pelo fato da</p><p>não observação da NR 17. De acordo com a Lei n. 8.213/1991, art. 19:</p><p>Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço</p><p>de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho</p><p>dos segurados [...], provocando lesão corporal ou perturbação funcional</p><p>que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária,</p><p>da capacidade para o trabalho.</p><p>Vamos a mais algumas definições que irão ajudá-lo a entender o motivo de</p><p>estarmos falando sobre acidente de trabalho ao tratarmos de ergonomia.</p><p>Considerando o aspecto da segurança e da saúde do empregado, talvez o que</p><p>melhor defina a segurança do trabalho esteja vinculado à ciência com foco na</p><p>prevenção dos acidentes do trabalho causados por fatores de riscos ocupacionais.</p><p>Afirmamos, então, que o trabalho em si existe há muito tempo, mas a preocupação</p><p>com a saúde e a segurança surgiu mais tarde. Associados à questão da</p><p>segurança estão os fatores de risco (físico, químico e biológico). Em aulas</p><p>anteriores, pudemos ver de que forma devemos atuar a fim de minimizar ou</p><p>eliminar esses riscos. Primeiro, agimos na fonte, depois na trajetória e, por último,</p><p>no trabalhador. Têm-se ainda, em complemento, os riscos ergonômicos e de</p><p>acidentes. Veja o Quadro 1, para ficar mais clara a compreensão do assunto.</p><p>Quadro 1 – Fatores de risco: riscos físicos (RF), riscos químicos (RQ), riscos</p><p>biológicos (RB), riscos ergonômicos (RE) e riscos de acidente (RA)</p><p>RF RQ RB RE RA</p><p>Ruídos Poeiras Vírus Esforço físico intenso Arranjo físico inadequado</p><p>Vibrações Fumos Bactérias Levantamento/movimentação</p><p>de carga</p><p>Uso de máquinas e</p><p>equipamentos sem</p><p>proteção</p><p>4</p><p>Radiações Neblinas Protozoários Exigência de postura</p><p>inadequada</p><p>Ferramentas</p><p>inadequadas ou</p><p>defeituosas</p><p>Temperaturas Gases Fungos Trabalho diurno e noturno Iluminação inadequada</p><p>Pressões</p><p>anormais</p><p>Vapores Parasitas Monotonia e repetitividade Eletricidade</p><p>Outras situações que</p><p>causem estresse físico e/ou</p><p>mental</p><p>Probabilidade de</p><p>incêndio ou explosão</p><p>Armazenamento</p><p>inadequado</p><p>Animais peçonhentos</p><p>Outras situações de risco</p><p>que podem contribuir</p><p>para acidentes</p><p>No Quadro 1, a coluna referente aos riscos ergonômicos abrange situações</p><p>abordadas em nossas aulas. Da mesma forma, a coluna de riscos de acidentes</p><p>mostra itens também estudados, como o arranjo físico. Se mal elaborado, um</p><p>arranjo físico com postos de trabalho mal dimensionados, com mobiliários que não</p><p>permitam ajustes e ferramentas sem a pega adequada, podem causar diversos</p><p>problemas ergonômicos. Questões ergonômicas podem resultar em algo mais</p><p>sério, além dos problemas físicos, afetando inclusive o lado emocional. Acidentes</p><p>podem acontecer devido a vários riscos, pois podemos encontrar, em um mesmo</p><p>local, riscos físicos, químicos e biológicos, por exemplo, ou riscos biológicos e</p><p>riscos ergonômicos. Na própria NR 17 temos referências a vários fatores que</p><p>pertencem a outros grupos, como ruído e temperaturas, que nos levam a consultar</p><p>a Norma Regulamentadora n. 15/1978 (NR 15), sobre atividades insalubres, e</p><p>outras normas como a Norma de Higiene Ocupacional (NHO) n. 1/2001 da</p><p>Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho –</p><p>Fundacentro (Brasil, 1978a, 2001). Posturas inadequadas e ambientes mal</p><p>ventilados e mal iluminados podem provocar a ocorrência de acidentes de</p><p>trabalho. Por esse motivo, é importante entender as definições e o conteúdo</p><p>apresentados neste tema inicial.</p><p>TEMA 2 – SAÚDE, AMBIENTE DE TRABALHO E O PAPEL DA OMS</p><p>A ergonomia tem uma de suas definições dada por Singleton (1972) e</p><p>adotada pela OMS:</p><p>uma tecnologia da concepção do trabalho baseada nas ciências da</p><p>biologia humana: anatomia, fisiologia e psicologia. Em termos gerais, a</p><p>anatomia se preocupa com a estrutura do corpo [...]; a fisiologia se</p><p>preocupa com as funções do corpo [...]; e a psicologia se preocupa com</p><p>o comportamento [...].</p><p>5</p><p>A ergonomia, como vimos até agora, é questão de saúde, sob todos os</p><p>aspectos. Espaços e locais mal concebidos causam inúmeras doenças ao</p><p>organismo humano. Nesse mesmo contexto, a definição que melhor expressa o</p><p>significado de saúde é apresentada pela OMS (1946, citada por Brasil, 2020):</p><p>“saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas</p><p>a ausência de doenças”. Outra definição que merece destaque refere-se a</p><p>Bendassoli (2012), que afirma que a saúde está relacionada à capacidade de se</p><p>ser sujeito, ou seja, não é apenas uma sensação de conforto ou prazer.</p><p>Saúde, segundo o mesmo autor, é atividade, isto é, “[...] tudo aquilo que</p><p>fazemos e que leva nossos corpos e mentes ao confronto com a realidade”</p><p>(Bendassoli, 2012,</p><p>p. 28). Atividade sugere mudança de algo ou alguém por meio</p><p>de ações, para as quais se utilizam diversos recursos. O ambiente de trabalho tem</p><p>um valor bastante alto na saúde, de modo geral. Seu dia a dia reflete diretamente</p><p>em seu comportamento e em suas atitudes. Um dia tenso, com várias</p><p>preocupações, em um local onde o relacionamento entre os empregados é</p><p>agradável e respeitoso, gerará, provavelmente, apenas um leve cansaço mental</p><p>e físico. Entretanto, se o próprio ambiente não colabora, as pessoas se queixam</p><p>continuamente e o relacionamento interpessoal é igualmente tenso – no final da</p><p>sua jornada, esses indivíduos estarão muito mais cansados que o habitual e</p><p>dificilmente conseguirão descansar.</p><p>O ambiente de trabalho saudável, conforme a OMS (2010):</p><p>[...] é aquele em que os trabalhadores e os gestores colaboram para o</p><p>uso de um processo de melhoria contínua da proteção e promoção da</p><p>segurança, saúde e bem-estar de todos os trabalhadores e para a</p><p>sustentabilidade do ambiente de trabalho tendo em conta as seguintes</p><p>considerações estabelecidas sobre as bases das necessidades</p><p>previamente determinadas [...].</p><p>As questões às quais a OMS (2010) se refere envolvem os seguintes</p><p>aspectos: a segurança e a saúde no ambiente físico e psicossocial de trabalho;</p><p>os recursos destinados à saúde pessoal; e o envolvimento da própria organização</p><p>na comunidade, com o intuito de melhorar não somente a saúde dos trabalhadores</p><p>e familiares, como também a das outras pessoas pertencentes a essa</p><p>comunidade. Entretanto, para declarar o ambiente de trabalho saudável, é preciso</p><p>haver uma parceria de tarefas entre o empregador e o empregado, especialmente</p><p>considerando o momento de pandemia que, iniciada na China no final de 2019,</p><p>tornou-se um acontecimento mundial. É fundamental, então, que os dois lados</p><p>sejam igualmente ativos. Em 2010, a OMS lançou um modelo de ação voltado</p><p>6</p><p>para ambientes de trabalho saudáveis. Na Figura 1 podemos conhecer o modelo</p><p>proposto pela OMS (2010), em tradução do Serviço Social da Indústria (Sesi).</p><p>Figura 1 – Modelo de ambiente saudável da OMS</p><p>Fonte: OMS, 2010.</p><p>Vamos abordar separadamente, com uma breve explicação, o ambiente</p><p>físico, o psicossocial, os recursos para a saúde e o envolvimento com a</p><p>comunidade.</p><p>2.1 Ambiente físico</p><p>O ambiente físico do trabalho abrange a estrutura da empresa, as</p><p>máquinas e ferramentas, as substâncias químicas que porventura a empresa</p><p>utilize em seu processo fabril, todo e qualquer espaço onde o trabalhador</p><p>desempenhe suas funções. Esse espaço pode ser interno ou externo.</p><p>2.2 Ambiente psicossocial</p><p>O ambiente psicossocial do trabalho diz respeito à cultura da empresa,</p><p>envolvendo fatores que podem provocar estresse, como o tipo de gestão, a falta</p><p>de apoio, o medo de perder o emprego, a pressão para cumprir prazos, entre</p><p>outros.</p><p>7</p><p>2.3 Recursos</p><p>Em relação aos recursos destinados à saúde, existem ações que podem</p><p>ser implantadas por meio de treinamento, capacitação, informação e divulgação.</p><p>Incentivar a prática de esportes dispondo, para isso, na empresa, de um local</p><p>específico para essa atividade, permitir pausas no trabalho e estimular a boa</p><p>alimentação são bons exemplos desse tipo de ação.</p><p>2.4 Envolvimento com a comunidade</p><p>Vivemos um momento de enfrentamento da Covid-19 e há bastante tempo</p><p>acontecem doenças decorrentes do mosquito Aedes aegypti, como a dengue, a</p><p>chikungunya e a zika. Realizar campanhas de prevenção ao novo coronavírus,</p><p>incentivar a sanitização e os cuidados com a higiene de um modo geral, realizar</p><p>campanhas de combate ao mosquito, destacar a importância de se manter</p><p>moradias e quintais limpos, promover palestras e encontros sobre assuntos de</p><p>interesse sanitário são formas de gerar envolvimento com a comunidade. A OMS</p><p>(2010) cita várias possíveis iniciativas: controlar a emissão de poluentes; dar apoio</p><p>ao diagnóstico e tratamento de doenças importantes como o vírus da</p><p>imunodeficiência humana (HIV) e a hepatite; ampliar acesso a medicamentos;</p><p>promover a saúde e a segurança no trabalho, entre outras.</p><p>O modelo de ambiente saudável da OMS aborda melhoria contínua e</p><p>contempla oito etapas, vistas na Figura 1: mobilizar, reunir, diagnosticar, priorizar,</p><p>planejar, fazer, avaliar e melhorar. Fundamentada em um plano global de ação</p><p>para a saúde dos trabalhadores (Opas; OMS, 2015) e com o objetivo de criar um</p><p>modelo mais abrangente de boas práticas para as organizações, a OMS (2010)</p><p>lançou o seu modelo global para ambientes de trabalho saudáveis com base em</p><p>cinco chaves (princípios) que descreveremos a seguir.</p><p>2.5 Chave 1: compromisso e envolvimento da liderança</p><p>A primeira chave do modelo da OMS (2010) trata do comprometimento de</p><p>todos os interessados que compõem a empresa com as boas práticas de trabalho,</p><p>com fornecimento de apoio e de uma política clara e ampla constituída como</p><p>estratégia de negócio para promover um ambiente saudável.</p><p>8</p><p>2.6 Chave 2: envolvendo os trabalhadores e seus representantes</p><p>A chave 2 do modelo para ambientes de trabalho saudáveis da OMS (2010)</p><p>aborda o engajamento de grupos nas etapas de todo o processo, que contribui</p><p>para a formação de um ambiente de trabalho saudável, permitindo que os</p><p>trabalhadores se manifestem.</p><p>2.7 Chave 3: éticas e legislação do negócio</p><p>A terceira chave do modelo da OMS (2010) tem como lema não causar</p><p>danos, preservando a saúde e a segurança do indivíduo de um modo geral.</p><p>2.8 Chave 4: sustentabilidade e integração</p><p>A chave 4 do modelo global da OMS (2010) para ambientes de trabalho</p><p>saudáveis é a mais extensa de todas. Envolve as gerências em um compromisso</p><p>com o trabalhador nas questões de saúde, segurança e bem-estar, procurando</p><p>soluções eficazes para cuidar dessas questões; contempla iniciativas em relação</p><p>ao plano estratégico da organização, em busca do ambiente saudável; sugere a</p><p>formação de equipes multidisciplinares circulando pela empresa e a criação de</p><p>sistemas de gerenciamento de desempenho; aborda a melhoria contínua, a</p><p>promoção dos trabalhadores e preocupa-se com a saúde na comunidade.</p><p>2.9 Chave 5: constituição de um processo sistemático e abrangente para</p><p>assegurar a eficácia e a melhoria contínua do ambiente de trabalho</p><p>A última chave do modelo global da OMS (2010) incentiva o</p><p>comprometimento estratégico para a conquista de um ambiente de trabalho</p><p>saudável; estabelece provisão de recursos e prioridades; envolve um</p><p>planejamento global abrangente e um plano de ação específico; indica a avaliação</p><p>do plano específico e sua melhoria, quando necessário.</p><p>Um ambiente laboral saudável é igualmente um local em que normas e</p><p>procedimentos são seguidos e observados. Faz parte desse contexto a</p><p>ergonomia. Não há como se pensar em saúde no ambiente de trabalho sem que</p><p>pensemos nas questões ergonômicas. É importante reforçar que muitos dos</p><p>acidentes de trabalho, incluindo as doenças ocupacionais, são decorrentes de</p><p>arranjos físicos mal elaborados e postos de trabalho mal projetados. A OMS, por</p><p>9</p><p>meio de seus planos de atuação e programas voltados à saúde do trabalhador,</p><p>vem contribuindo para que haja uma melhoria geral das condições de trabalho.</p><p>TEMA 3 – QUALIDADE DE VIDA E QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO</p><p>O termo qualidade de vida (QV) foi usado pela primeira vez no ano de 1964.</p><p>O presidente dos Estados Unidos à época, Lyndon Johnson usou o termo em uma</p><p>declaração, referindo-se à avaliação de objetivos, conforme Fleck (1998). A QV,</p><p>afirmam Queiroz, Sá e Assis (2004), é um termo que está se tornando comum,</p><p>todavia continua bastante complexo. Interpretado de formas diversas, pode</p><p>significar alcançar a felicidade, ter boa saúde, ganhar bem, dispor de um bom</p><p>trabalho, sentir-se seguro. O senso comum resume QV como melhoria ou como</p><p>um alto padrão de bem-estar econômico, social ou emocional, sendo identificada</p><p>por vários fatores que transmitem uma percepção positiva,</p><p>de bem-estar (Almeida;</p><p>Gutierrez; Marques (2012).</p><p>A QV engloba a multidisciplinaridade, afirmam Almeida, Gutierrez e</p><p>Marques (2012), além de vários conceitos e formas de ciência. Compreendê-la</p><p>envolve conhecimento humano, biológico, social, político, econômico, médico e</p><p>outros mais. Trata-se de uma temática ampla e complexa e que pode levar a</p><p>diversos entendimentos. E percebemos nitidamente o seu vínculo com o trabalho.</p><p>Corrêa (1993) afirma que a QV tanto influencia quanto é influenciada pela</p><p>qualidade das condições de trabalho. Organizações, sociedades e indivíduos são</p><p>sistemas que se interdependem em vários níveis.</p><p>É importante lembrar que sempre há o vínculo com a OMS quando</p><p>abordamos um assunto que envolve o bem-estar de indivíduos sob todos os seus</p><p>aspectos, pois, com isso, é de saúde que estamos falando. Segundo Fleck et al.</p><p>(1999), o Grupo de Qualidade de Vida da Divisão de Saúde Mental da OMS define</p><p>QV como “[...] a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto de</p><p>cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos,</p><p>expectativas, padrões e preocupações”. A OMS, com o intuito de averiguar a QV,</p><p>desenvolveu um projeto colaborativo que teve como resultado um instrumento de</p><p>avaliação contendo 100 itens, chamado de World Health Organization instrument</p><p>to assess quality of life – Whoqol-100 (Fleck et al., 1999).</p><p>No Brasil, esse questionário teve sua versão em português elaborada pelo</p><p>Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio</p><p>Grande do Sul (UFRGS), de Porto Alegre. Para esse trabalho, estiveram</p><p>10</p><p>envolvidos profissionais de saúde, pacientes e alunos de mestrado, com bastante</p><p>cuidado nessa tradução, a fim de se evitar diferenças que pudessem influenciar a</p><p>interpretação e os resultados. O questionário apresenta vocabulário e estruturas</p><p>simples, facilitando a leitura de todos (Fleck et al., 1999). No final da aula você</p><p>pode acessar as referências e aprofundar seu estudo.</p><p>Tendo entendido as discussões referentes à QV, seguimos para a</p><p>compreensão da qualidade de vida no trabalho (QVT), envolvendo também a área</p><p>da saúde. Segundo Corrêa (1993), a QVT é um fenômeno complexo, com</p><p>diferentes perspectivas e visões teóricas. A análise da QVT engloba o estudo</p><p>socioeconômico aprofundado e a compreensão de valores e motivações que</p><p>levam à qualidade. A QVT remete a um ambiente onde se trabalha com</p><p>segurança, higiene, conforto, distribuição igualitária de tarefas. Seu principal</p><p>objetivo, de acordo com Rechziegel e Vanalle (1999), é reformular a estrutura de</p><p>trabalho, garantindo, assim, maior produtividade e eficácia; bem como atender as</p><p>necessidades básicas do empregado.</p><p>Fernandes e Gutierrez (1998, citados por Limongi-França, 2008, p. 34)</p><p>afirmam que “a Qualidade de Vida no Trabalho é afetada por questões</p><p>comportamentais que dizem respeito às necessidades humanas e aos tipos de</p><p>comportamento individuais no ambiente de trabalho, de alta importância, como,</p><p>entre outros, variedade, identidade de tarefa e retroinformação”. A ergonomia é</p><p>intrínseca a tal conceito, uma vez que trata da adaptação do trabalho ao homem.</p><p>Da mesma forma acontece com a organização do trabalho, que envolve questões</p><p>pertinentes a projetos e análises ergonômicas.</p><p>Segundo o jornalista Lucca Neto (1999, citado por Limongi-França, 2008,</p><p>p. 43), a QVT “[...] é uma questão humana” e investir nessa área é primordial,</p><p>acrescentando ainda que as empresas devem incluir os trabalhadores nesse</p><p>processo, ajustando a eles os métodos produtivos. Percebemos, novamente, a</p><p>impossibilidade de se estudar ergonomia sem se envolver a QVT. Para Conte</p><p>(2003), a QVT é um programa com o objetivo de facilitar e satisfazer as</p><p>necessidades do trabalhador no desenvolvimento de suas tarefas, entendendo-se</p><p>que a produtividade está ligada à satisfação com que esse trabalhador é capaz</p><p>de realizar suas atividades. Essa conceituação, bem como sua adoção, reflete na</p><p>melhoria da QV pessoal, social e familiar.</p><p>O movimento de se propor a QVT, segundo Rechziegel e Vanalle (1999),</p><p>teve origem no ano de 1950, em Londres, quando foram estudadas formas de</p><p>11</p><p>melhoria da organização do trabalho, com o objetivo de tornar a vida dos</p><p>empregados em suas funções mais leve e agradável. Conforme informam aqueles</p><p>autores, esses estudos tiveram continuidade até 1974 quando aconteceu, em</p><p>especial nos Estados Unidos, uma grave crise energética e uma alta da inflação.</p><p>Nesse momento, todo e qualquer esforço foi em prol da subsistência da própria</p><p>empresa. No entanto, na década de 1980, a insatisfação dos trabalhadores e a</p><p>falta de comprometimento com suas funções tornaram-se evidentes e a QVT</p><p>voltou a ser abordada (Rechziegel; Vanalle, 1999).</p><p>De acordo com Fernandes e Gutierrez (1988), a QVT refere-se</p><p>especialmente à melhoria das condições de trabalho bem como da organização</p><p>psicossocial e não apenas da remuneração do trabalhador. São vários os fatores</p><p>que refletem claramente na satisfação e na participação do trabalhador nas ações</p><p>estabelecidas pela empresa.</p><p>Fernandes (1996, p. 45) define a QVT como “a gestão dinâmica e</p><p>contingencial de fatores físicos, tecnológicos e sociopsicológicos que afetam a</p><p>cultura e renovam o clima organizacional, refletindo-se no bem-estar do</p><p>trabalhador e na produtividade das empresas”. A autora explica que a gestão é</p><p>dinâmica porque tanto organizações quanto pessoas estão em mudança</p><p>constante e contingencial, devido à realidade de cada empresa (Fernandes,</p><p>1996).</p><p>Outro grupo de autores (Pires; Solano; Araújo, 2013) afirma que a QVT</p><p>integra a lista de preocupações que uma empresa tem com os seus trabalhadores.</p><p>Seu desenvolvimento no ambiente de trabalho e o envolvimento maior desses</p><p>indivíduos com o seu ambiente de trabalho e as atividades que executam</p><p>progridem, havendo satisfação, motivação e autorrealização do trabalhador. Reis</p><p>Junior (2008), por sua vez, baseado em conceitos clássicos, definiu QVT como o</p><p>conjunto de ações desenvolvidas a fim de se obter melhorias gerenciais,</p><p>estruturais e tecnológicas, juntamente com a satisfação e o bem-estar físico,</p><p>psicológico, social e profissional dos colaboradores, implantando-se uma política</p><p>organizacional direcionada à QVT como principal discussão de uma gestão</p><p>eficiente.</p><p>Neumann e Freitas (2008) publicaram um artigo sobre a percepção da</p><p>equipe de enfermagem, quanto a essa temática. As autoras realizaram uma</p><p>pesquisa com 15 profissionais e, após a coleta e análise de dados, adotaram a</p><p>categoria qualidade de vida e condições de trabalho. A pesquisa as levou à</p><p>12</p><p>compreensão do significado de QVT para uma equipe de enfermagem: “[...] ter a</p><p>oportunidade de ser ouvido pelos gestores e demais profissionais da equipe de</p><p>saúde da organização hospitalar e poder expressar ideias e aspirações em</p><p>relação às questões que envolvem o cotidiano de trabalho” (Neumann; Freitas,</p><p>2008).</p><p>Outro artigo, de autoria de Teixeira et al. (2019), fala sobre a QVT e a</p><p>relação com o estresse ocupacional de 109 profissionais da área de enfermagem,</p><p>em uma unidade de pronto atendimento (UPA) de Minas Gerais. O quesito QVT</p><p>foi analisado pelo modelo de Walton, que veremos mais adiante, juntamente com</p><p>mais alguns modelos. Os pesquisadores concluíram que os profissionais com</p><p>trabalhos de alta exigência e trabalhos passivos sentiam-se mais insatisfeitos</p><p>e com tendência ao estresse, comprovando a relação entre QVT e estresse</p><p>ocupacional. Esse fator contribui com o absenteísmo.</p><p>Schmidt e Dantas (2012) pesquisaram a relação entre a QVT e os</p><p>distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort) registrados entre os</p><p>profissionais de enfermagem. Participaram do levantamento 211 trabalhadores de</p><p>um total de 11 hospitais situados em Londrina, no Paraná. A maioria era composta</p><p>por auxiliares de enfermagem do sexo feminino, casadas e com idade média</p><p>de</p><p>40 anos. Entre os participantes, 38,9% apresentaram reclamações</p><p>osteomusculares na parte inferior das costas e 37,9%, na região dos ombros.</p><p>Segundo as autoras, a associação entre QVT e Dort comprovou que profissionais</p><p>com Dort apresentam queda na QVT.</p><p>São inúmeros os trabalhos e estudos desenvolvidos sobre a QVT. É</p><p>importante destacarmos que uma organização que não investe em QVT corre o</p><p>sério risco de comprometer a saúde de seus colaboradores e, consequentemente,</p><p>a saúde da própria instituição.</p><p>TEMA 4 – MODELOS DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)</p><p>São vários os fatores que influenciam na QV, bem como na QVT. Por esse</p><p>motivo, diversos pesquisadores desenvolveram modelos que funcionam,</p><p>inclusive, como indicadores de QVT. Em um dos casos apresentados no Tema 3,</p><p>fizemos menção ao modelo de Walton, utilizado para embasar a pesquisa de</p><p>Teixeira et al. (2019). Além de abordar o modelo de Walton, falaremos também</p><p>dos modelos de Hackman e Oldman; de Westley; de Werther e Davis; e de Nadler</p><p>e Lawler. Os modelos estão referenciados em Pedroso e Pilatti (2010).</p><p>13</p><p>4.1 Modelo de Walton</p><p>O modelo de Walton data de 1973 e é formado por oito componentes,</p><p>chamados de dimensões ou categorias: compensação justa e adequada,</p><p>condições de trabalho, uso ou desenvolvimento das capacidades, oportunidade</p><p>de crescimento e segurança, integração social na organização,</p><p>constitucionalismo, trabalho e vida, e relevância social. Para Walton, todos os</p><p>componentes têm a mesma importância. Mesmo depois de tanto tempo, esse</p><p>modelo ainda é um dos mais utilizados como base para pesquisas na área da</p><p>QVT. Extremamente utilizado no Brasil, é considerado o mais completo entre</p><p>todos os modelos.</p><p>4.2 Modelo de Hackman e Oldman</p><p>Nesse modelo, publicado em 1974, de acordo com Pedroso e Pilatti (2010),</p><p>existem três fatores, denominados estados psicológicos críticos, capazes de</p><p>influenciar a motivação no local de trabalho: conhecimento e resultados do</p><p>trabalho; responsabilidade percebida pelos resultados do trabalho; e significância</p><p>percebida do trabalho. Por serem processos individuais, foram criadas as</p><p>dimensões essenciais do trabalho e, com base nisso, Hackman e Oldman (citados</p><p>por Pedroso; Pilatti, 2010) estabeleceram o potencial motivador do trabalho. Por</p><p>meio desse potencial motivador, é possível avaliar o quanto é significativo o</p><p>trabalho. O resultado se obtém por meio de questões objetivas, atribuindo-se um</p><p>escore que varia entre 1 a 343. Resultados acima de 125 são considerados</p><p>satisfatórios e, abaixo disso, insatisfatórios.</p><p>4.3 Modelo de Westley</p><p>O modelo de Westley data de 1979 e faz uma retrospectiva histórica do</p><p>ambiente de trabalho. Os problemas derivados do local de atividade laboral</p><p>podem ser de dimensão política (insegurança), econômica (injustiça), psicológica</p><p>(alienação) e sociológica (anomia). O ideal, segundo esse modelo, é se humanizar</p><p>os postos de trabalho, para diminuir tais problemas. Segundo Pedroso e Pilatti</p><p>(2010), Westley preocupa-se somente com o foco principal de cada dimensão,</p><p>sem considerar outros aspectos e, além disso, entende que a qualidade de vida,</p><p>sem pensar em situações intermediárias, pode ou não existir.</p><p>14</p><p>4.4 Modelo de Werther e Davis</p><p>O modelo de Werther e Davis é de 1981 e afirma que a QVT é afetada de</p><p>formas variadas; mas, entre todas, é o cargo do trabalhador a principal delas. As</p><p>atividades exercidas, muitas vezes, podem ser bastante monótonas. Para esse</p><p>fato não ocorrer, os aspectos organizacionais, ambientais e comportamentais</p><p>precisam estar de acordo com a função a ser desenvolvida. E, além disso, os</p><p>objetivos da empresa devem estar à frente dos objetivos pessoais do contratante,</p><p>proporcionando assim mais satisfação e motivação ao trabalhador. Deve haver</p><p>um equilíbrio entre os aspectos organizacionais e comportamentais.</p><p>4.5 Modelo de Nadler e Lawler</p><p>Datando de 1983, o modelo de Nadler e Lawler busca a efetividade da QVT</p><p>ligada a diversos pontos. Nadler e Lawer (1983, citados por Pedroso; Pilatti, 2010)</p><p>fizeram uma retrospectiva histórica das perspectivas e conceitos de QVT</p><p>baseando-se em quatro fatores, conforme Chiavenato (2008, citado por Pedroso;</p><p>Pilatti, 2010): participação dos empregados nas decisões; restruturação do</p><p>trabalho; inovação no sistema de recompensas; e melhoria no ambiente de</p><p>trabalho.</p><p>Os que apresentamos são os modelos clássicos, mas existem ainda outros,</p><p>dos quais vale destacar o de Eda Fernandes (1996). Fernandes (1996) estruturou</p><p>seu instrumento de coleta de dados em dez blocos, cada um abrangendo</p><p>características específicas da relação trabalhador-organização: qualidade de vida</p><p>global na empresa; condições ambientais; saúde; motivação e moral; grau de</p><p>satisfação dos funcionários; percepção do entrevistado quanto a sua aceitação;</p><p>eficácia das comunicações internas; imagem da empresa; relação patrão-</p><p>funcionário; e organização do trabalho. Fernandes (1996) conclui seu modelo</p><p>focando na relação entre qualidade total e qualidade de vida e seus reflexos na</p><p>produtividade.</p><p>TEMA 5 – PROGRAMAS DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)</p><p>Para complementar o que estudamos sobre QV, vamos falar das</p><p>componentes e dos programas que contribuem para a melhoria continuada da</p><p>QVT. Os programas de QVT abrangem três importantes componentes voltados</p><p>15</p><p>ao trabalhador: ajudar, educar e encorajar. Para Chiavenato (2004), esses</p><p>componentes são definidos da seguinte forma:</p><p>• Ajudar: ajudar os empregados a identificar riscos potenciais de saúde.</p><p>• Educar: educar os funcionários sobre os riscos à saúde: pressão alta, fumo,</p><p>obesidade, dieta pobre e estresse.</p><p>• Encorajar: encorajar o trabalhador a mudar seu estilo de vida, praticando</p><p>atividades físicas, mantendo uma alimentação saudável e cuidando da sua</p><p>saúde.</p><p>Para que as componentes da QV sejam, de fato, praticadas, a adoção de</p><p>programas direcionados aos empregados é necessária. Para tanto, é preciso</p><p>haver planejamento. Investir na QVT, ajudando, educando e encorajando o</p><p>empregado a adquirir hábitos salutares gera benefícios não só ao trabalhador,</p><p>mas à empresa também. Instituições preocupadas com o trabalhador investem na</p><p>QVT com o objetivo de proteger e promover a saúde e proporcionar uma vida</p><p>equilibrada aos seus trabalhadores. Os resultados disso se refletem diretamente</p><p>na empresa.</p><p>Contudo, de acordo com Britto, Silva e Florentino (2014), são várias as</p><p>empresas interessadas em promover o bem-estar de seus funcionários, mas isso</p><p>não significa necessariamente certeza de concepção de um ambiente seguro e</p><p>confortável. Adotar programas de QVT melhora o ambiente de trabalho e</p><p>influencia o comportamento de todos, tornando a empresa mais produtiva e</p><p>competitiva. Alguns programas têm o seu foco voltado à questão ergonômica.</p><p>Implantar os programas e obter resultados positivos devem se basear na</p><p>necessidade efetiva dos trabalhadores e em suas expectativas, segundo Medeiros</p><p>(2002). O objetivo desses programas é aumentar a qualidade de vida dos</p><p>empregados, o que significa promoção de sua saúde, equilíbrio emocional,</p><p>atualização intelectual e satisfação, tanto na sua vida profissional quanto na</p><p>pessoal (Medeiros, 2002). Contudo, a empresa que investe em QVT sem saber o</p><p>que seu empregado deseja provavelmente terá resultado negativo, além de</p><p>prejuízo financeiro.</p><p>Em um trabalho elaborado para a Fundação de Desenvolvimento da</p><p>Universidade de Campinas (Funcamp), Massola (2005), fundamentado em</p><p>O’Donell (2000), mostrou haver três etapas para a implantação de um programa</p><p>de QVT:</p><p>16</p><p>1. Sensibilização: modo de transmitir informações importantes ao</p><p>trabalhador que tem a finalidade de tornar determinado assunto mais</p><p>compreensível a quem o ouve. Dessa forma, torna-se possível tomar</p><p>decisões importantes para a promoção da saúde do trabalhador,</p><p>aumentando o seu interesse sobre os vários temas abordados no</p><p>programa, o que pode ser feito por meio de confecção de cartazes,</p><p>publicações, informativos, jornais e outros meios de comunicação, desde</p><p>que despertem a atenção de quem os lê.</p><p>2. Mudança de estilo de vida/desenvolvimento do programa: fase inicial</p><p>para a elaboração de um programa de QVT. O objetivo, nessa etapa, é</p><p>fornecer elementos, ao empregado, capazes de modificar seu</p><p>comportamento. Isso pode ser feito por meio de atividades em grupo, por</p><p>exemplo. Para dar continuidade aos bons hábitos adquiridos, segue-se</p><p>para a próxima etapa.</p><p>3. Ambiente de suporte: o intuito dessa etapa é promover um ambiente</p><p>salutar, conforme o assunto tratado na implantação do programa de QVT</p><p>(hipertensão, obesidade, tabagismo etc.). Essa fase dá continuidade ao</p><p>programa, beneficiando os seus participantes.</p><p>Johnston, Alexander e Robin (1982, citados por Fernandes, 1996)</p><p>apresentam as etapas de um programa de QVT da seguinte forma:</p><p>a. Sensibilização: nessa etapa, são trocadas ideias a respeito das condições</p><p>de trabalho e seus efeitos na organização, com a finalidade de se buscar</p><p>meios de alterá-las para melhor.</p><p>b. Preparação: esse é o momento em que os mecanismos institucionais são</p><p>selecionados e em que se compõe uma equipe de trabalho.</p><p>c. Diagnóstico: essa etapa abrange a coleta de informações sobre a</p><p>natureza e o funcionamento do sistema técnico da empresa, bem como o</p><p>levantamento do sistema social e de como o empregado se sente em</p><p>relação às condições de trabalho existentes na empresa.</p><p>d. Concepção e implantação do projeto: após a fase de diagnóstico, a</p><p>equipe responsável determina as prioridades e elabora um cronograma de</p><p>implantação das melhorias.</p><p>e. Avaliação e difusão: apesar de essa etapa ser complexa, ela é</p><p>necessária, a fim de se dar continuidade à implantação das modificações</p><p>programadas.</p><p>17</p><p>Bons exemplos de promoção da QV do trabalhador são programas de</p><p>ginástica laboral, de capacitação e treinamento, de alimentação saudável, de</p><p>prática de atividade física, entre outros. Os programas de ginástica laboral vão</p><p>ajudar a melhorar a postura do trabalhador e a fazê-lo relaxar durante a sua</p><p>jornada de trabalho. Capacitação e treinamento são importantes para o</p><p>crescimento intelectual e para o trabalhador se sentir valorizado. Promover a</p><p>alimentação e a prática de atividades físicas contribui para uma vida mais</p><p>saudável para ele.</p><p>18</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, M. A. B. de; GUTIERREZ, Z. L.; MARQUES, R. Qualidade de vida:</p><p>definições, conceitos e interfaces com outras áreas de pesquisa. São Paulo: Ed.</p><p>Each USP, 2012. 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