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<p>1</p><p>HISTÓRIA</p><p>DA EDUCAÇÃO</p><p>Profª. Me. Margaret Regina de Assis</p><p>2</p><p>HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO</p><p>PROFª. ME. MARGARET REGINA DE ASSIS</p><p>3</p><p>Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério</p><p>Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira</p><p>Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos</p><p>Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Esp. Gilvânia Barcelos Dias Teixeira</p><p>Revisão Gramatical e Ortográfica: Profa. Esp. Izabel Cristina da Costa</p><p>Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luíza Mendes Leite</p><p>Fernanda Cristine Barbosa</p><p>Prof. Esp. Guilherme Prado</p><p>Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva</p><p>Élen Cristina Teixeira Oliveira</p><p>Maria Eliza P. Campos</p><p>© 2021, Faculdade Única.</p><p>Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza-</p><p>ção escrita do Editor.</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920.</p><p>4</p><p>HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO</p><p>1° edição</p><p>Ipatinga, MG</p><p>Faculdade Única</p><p>2021</p><p>5</p><p>Mestre em Educação na área de concen-</p><p>tração Formação de Professores, Instituições e</p><p>História da Educação pela Universidade Fede-</p><p>ral de Ouro Preto (2018). Especialista em Gestão</p><p>Escolar pela Universidade Federal de Ouro Pre-</p><p>to (2016). Graduada em Pedagogia pela Univer-</p><p>sidade do Estado de Minas Gerais (2008). Atua</p><p>como Professora formadora do Pacto pela Alfa-</p><p>betização na Idade Certa e na área de pesquisa</p><p>em Educação, ênfase em Formação Docente,</p><p>Práticas Pedagógicas e Saberes Docentes.</p><p>MARGARET REGINA DE ASSIS</p><p>Para saber mais sobre a autora desta obra e suas quali-</p><p>ficações, acesse seu Curriculo Lattes pelo link :</p><p>http://lattes.cnpq.br/8826398505441753</p><p>Ou aponte uma câmera para o QRCODE ao lado.</p><p>6</p><p>LEGENDA DE</p><p>Ícones</p><p>Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes nas</p><p>quais você precisa ficar atento.</p><p>Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do</p><p>conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones</p><p>ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado</p><p>trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a</p><p>seguir:</p><p>São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca</p><p>virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro.</p><p>Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade,</p><p>associando-os a suas ações.</p><p>Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos</p><p>conteúdos abordados no livro.</p><p>Apresentação dos significados de um determinado termo ou</p><p>palavras mostradas no decorrer do livro.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>7</p><p>UNIDADE 1</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 3</p><p>UNIDADE 4</p><p>SUMÁRIO</p><p>1.1 A Educação Difusa Nas Sociedades Tribais .................................................................................................................................................................................................................10</p><p>1.2 A Educação Na Antiguidade Oriental .............................................................................................................................................................................................................................12</p><p>1.3 A Educação Na Antiguidade Clássica Ocidental .....................................................................................................................................................................................................14</p><p>1.4 A Educação Espartana ..............................................................................................................................................................................................................................................................16</p><p>1.5 A Educação Ateniense ...............................................................................................................................................................................................................................................................16</p><p>1.6 A Educação Na Antiguidade Clássica Ocidental: Roma ....................................................................................................................................................................................17</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................20</p><p>2.1 As Características Da Educação Medieval ..................................................................................................................................................................................................................26</p><p>2.2 A Educação Feudal ....................................................................................................................................................................................................................................................................28</p><p>2.3 A Educação Urbana ...................................................................................................................................................................................................................................................................30</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................33</p><p>3.1 A Institucionalização Da Escola ..........................................................................................................................................................................................................................................38</p><p>3.2 O Diálogo Entre O Antigo E O Moderno .....................................................................................................................................................................................................................39</p><p>3.3 A Influência Da Igreja Na Formação Do Cidadão .................................................................................................................................................................................................39</p><p>3.4 A Revolução Pedagógica Burguesa ...............................................................................................................................................................................................................................41</p><p>3.5 O Brasil: A Catequese À Serviço Da Educação Na Colônia – Século XVI ...............................................................................................................................................42</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................45</p><p>DOS PRIMÓRDIOS À ANTIGUIDADE OCIDENTAL</p><p>A EDUCAÇÃO NA IDADE MÉDIA</p><p>A EDUCAÇÃO NA IDADE MODERNA</p><p>4.1 O Movimento Naturalista De Rousseau ........................................................................................................................................................................................................................51</p><p>4.2 Kant E O Idealismo ....................................................................................................................................................................................................................................................................53</p><p>cultura religiosa.</p><p>d) A força da religião, embora fundamental na construção das instituições feudais, não</p><p>influenciava o poder político.</p><p>e) Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>3. Temos um olhar marcado para o período da Idade Média, já que foi um longo tempo</p><p>cerca de mil anos de predominância da religião, principalmente do aspecto referente à</p><p>34</p><p>educação.</p><p>De acordo com o trecho a seguir, identifique qual era a posição da Companhia de Jesus</p><p>diante da educação burguesa.</p><p>“Repetições em casa. Todos os dias, exceto os sábados, os dias feriados e os festivos,</p><p>designe uma hora de repetição aos nossos escolásticos para que assim se exercitem as</p><p>inteligências e melhor se esclareçam as dificuldades ocorrentes".</p><p>a) A educação burguesa não era prioridade na Idade Média.</p><p>b) A educação estava centrada em formar cidadãos.</p><p>c) O ensino era voltado para formação de monges.</p><p>d) A educação priorizava a formação dos padres.</p><p>e) A educação era pensava somente nos plebeus.</p><p>4. Para São Tomás de Aquino a educação é:</p><p>a) Uma atividade que jamais se revelará como potência.</p><p>b) Uma potencialidade que torna irreal o ato potencial.</p><p>c) Uma atividade que torna realidade o embrutecimento potencial.</p><p>d) Uma atividade que evita a realidade no que é potencial.</p><p>e) Uma atividade que torna realidade aquilo que é potencial.</p><p>5. (UFU, 2003) A teoria da iluminação divina, contribuição original de Agostinho à filosofia</p><p>da cristandade, foi influenciada pela filosofia de Platão, porém, diferencia-se dela em</p><p>seu aspecto central.</p><p>Assinale a alternativa abaixo que explicita esta diferença.</p><p>a) A filosofia agostiniana compartilha com a filosofia platônica do dualismo, tal cmo</p><p>este foi definido por Agostinho na Cidade de Deus. Assim, a luz da teoria da iluminação</p><p>está situada no plano suprassensível e só é alcançada na transcendência da existência</p><p>terrena para a vida eterna.</p><p>b) A teoria da Iluminação, tal como sugere o nome, está fundamentada na luz de Deus, luz</p><p>interior dada ao homem interior na busca da verdade das coisas que não são conhecidas</p><p>pelos sentidos; esta luz é Cristo, que ensina e habita no homem interior.</p><p>c) Agostinho foi contemporâneo da Terceira Academia, recebendo os ensinamentos de</p><p>Arcesilau e Carnéades, o que resultou na posição dogmática do filósofo cristão quanto à</p><p>impossibilidade do conhecimento da verdade, sendo o conhecimento humano apenas</p><p>verossímil.</p><p>d) A alma é a morada da verdade, todo conhecimento nela repousa. Assim, a posição de</p><p>Agostinho afasta-se da filosofia platônica, ao admitir que a alma possui uma existência</p><p>anterior, na qual ela contemplou as ideias, de modo que o conhecimento de Deus é</p><p>anterior à existência.</p><p>e) Todas as alternativas estão corretas.</p><p>6. Leia os textos e responda a seguir:</p><p>35</p><p>TEXTO I</p><p>Não é possível passar das trevas da ignorância para a luz da ciência a não ser lendo, com</p><p>um amor sempre mais vivo, as obras dos Antigos. Ladrem os cães, grunhem os porcos!</p><p>Nem por isso deixarei de ser um seguidor dos Antigos. Para eles irão todos os meus</p><p>cuidados e, todos os dias, a aurora me encontrará entregue ao seu estudo.</p><p>BLOIS, P. Apud PEDRERO SÁNCHEZ, M. G. História da Idade Média: texto e testemunhas.</p><p>São Paulo: Unesp, 2000.</p><p>TEXTO II</p><p>A nossa geração tem arraigado o defeito de recusar admitir tudo o que parece vir</p><p>dos modernos. Por isso, quando descubro uma ideia pessoal e quero torná-la pública,</p><p>atribuo-a a outrem e declaro: — Foi fulano de tal que o disse, não sou eu. E para que</p><p>acreditem totalmente nas minhas opiniões, digo: — O inventor foi fulano de tal, não sou</p><p>eu.</p><p>BATH, A. Apud PEDRERO SÁNCHEZ, M. G. História da Idade Média: texto e testemunhas. São Paulo: Unesp,</p><p>2000.</p><p>Nos textos são apresentados pontos de vista distintos sobre as mudanças culturais</p><p>ocorridas no século XII no Ocidente. Comparando os textos, os autores discutem o(a):</p><p>a) Produção do conhecimento face à manutenção dos argumentos de autoridade da</p><p>Igreja.</p><p>b) Caráter dinâmico do pensamento laico frente à estagnação dos estudos religiosos.</p><p>c) Surgimento do pensamento científico em oposição à tradição teológica cristã.</p><p>d) Desenvolvimento do racionalismo crítico ao opor fé e razão.</p><p>e) Construção de um saber teológico científico.</p><p>7. (ENEM 2015) No início foram as cidades. O intelectual da Idade Média – no Ocidente</p><p>– nasceu com elas. Foi com o desenvolvimento urbano ligado às funções comercial e</p><p>industrial – digamos modestamente artesanal – que ele apareceu, como um desses</p><p>homens de ofício que se instalavam nas cidades nas quais se impôs a divisão do trabalho.</p><p>Um homem cujo ofício é escrever ou ensinar, e de preferência as duas coisas a um só</p><p>tempo, um homem que, profissionalmente, tem uma atividade de professor e erudito,</p><p>em resumo, um intelectual – esse homem só aparecerá com as cidades.</p><p>LE GOFF, J. Os intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010</p><p>O surgimento da categoria mencionada no período em destaque no texto evidencia</p><p>o(a):</p><p>a) Apoio dado pela Igreja ao trabalho abstrato.</p><p>b) Relação entre desenvolvimento urbano e divisão de trabalho.</p><p>c) Importância organizacional das corporações de ofício.</p><p>d) Progressiva expansão da educação escolar.</p><p>e) Acúmulo de trabalho dos professores e eruditos.</p><p>8. Se numa conversa com homens medievais utilizássemos a expressão “Idade Média”,</p><p>36</p><p>eles não teriam ideia do que estaríamos falando. Como todos os homens de todos os</p><p>períodos históricos, eles viam-se na época contemporânea. De fato, falarmos em Idade</p><p>Antiga ou Média representa uma rotulação a posteriori, uma satisfação da necessidade</p><p>de se dar nome aos momentos passados. No caso do que chamamos de Idade Média, foi o</p><p>século XVI que elaborou tal conceito. Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava</p><p>um desprezo indisfarçado em relação aos séculos localizados entre a Antiguidade</p><p>Clássica e o próprio século XVI. Este se via como o renascimento da civilização greco-</p><p>latina, e portanto, tudo que estivera entre aqueles picos de criatividade artístico-literária</p><p>(de seu próprio ponto de vista, é claro) não passara de um hiato, de um intervalo. Logo,</p><p>de um tempo intermediário, de uma idade média.</p><p>(Hilário Franco Junior. A Idade Média: Nascimento do Ocidente, p.9)</p><p>O “desprezo indisfarçado” de que fala o texto acabou dando origem a uma visão</p><p>retrospectiva da Europa medieval como a “idade das trevas”. Essa visão, originada no</p><p>mundo moderno:</p><p>a) Estava baseada nas práticas bastante disseminadas à época de feitiçaria e bruxaria,</p><p>marcas da sociedade medieval, enquanto entre as autoridades da Igreja predominava o</p><p>analfabetismo.</p><p>b) Contraria a ideia de que o conceito de “feudalismo” confere uma lógica ao</p><p>desenvolvimento histórico da Europa, fazendo-se necessária a superação do atraso</p><p>feudal para o desenvolvimento europeu.</p><p>c) Teve pouca repercussão, e o olhar que predomina hoje no senso comum ressalta a</p><p>Idade Média como o período em que se formaram os contornos políticos e culturais do</p><p>continente europeu.</p><p>d) Tem como referência o obscurantismo religioso, a ausência de universidades e a falta</p><p>de leituras até mesmo no interior da Igreja Católica, características marcantes do período</p><p>medieval.</p><p>e) Esteve condicionada por uma perspectiva racionalista, num momento em que ser</p><p>humanista significava colocar em questão os pressupostos teocêntricos defendidos</p><p>pela Igreja.</p><p>37</p><p>A EDUCAÇÃO</p><p>NA IDADE MODERNA</p><p>38</p><p>Nesta unidade será abordado o Renascimento ou a Renascença: período</p><p>compreendido entre os séculos XV e XVI que marcará o retorno aos valores greco-romanos</p><p>e a busca pelos valores antropocêntricos em oposição ao teocentrismo que marcou a</p><p>Idade Média. A influência dos aspectos religiosos para a educação será discorrida a partir</p><p>da Reforma e Contrarreforma. Por fim, uma pequena abordagem acerca da Revolução</p><p>Burguesa, iniciando o século XVII/XVIII.</p><p>3.1 A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA ESCOLA</p><p>A modernidade altera a vida familiar que passa a ser nuclear e adquire uma</p><p>característica mais afetiva, empenhada pelos cuidados com as peculiaridades da infância</p><p>e de suas necessidades. As crianças que antes eram envolvidas na vida dos adultos, têm</p><p>agora o seu próprio lugar de proteção no seio familiar que, por sua vez, emana esforços de</p><p>cuidados e planejamento no sentido de prepará-las para a vida adulta. Da mesma forma</p><p>a escola se altera, caminhando junto à família, buscando formas de munir os alunos</p><p>de conhecimentos científicos, mas também de valores essenciais à formação humana.</p><p>Há agora a preocupação em separar as crianças por faixas etárias – “classes de idade”</p><p>segundo Cambi (1999), bem como a organização dos níveis de ensino que atendam a</p><p>públicos específicos (século XVI):</p><p>Duas Instituições educativas, em particular, sofrem uma</p><p>profunda redefinição e reorganização na Modernidade:</p><p>a família e a escola, que se tornam cada vez mais cen-</p><p>trais na experiência formativa dos indivíduos e na pró-</p><p>pria reprodução (cultural, ideológica e profissional) da</p><p>sociedade. A ambas é delegado um papel cada vez mais</p><p>definido e mais incisivo, de tal modo que elas se carre-</p><p>gam cada vez mais de uma identidade educativa, de</p><p>uma função não só ligada ao cuidado e ao crescimento</p><p>do sujeito em idade evolutiva ou à instrução formal, mas</p><p>também à formação pessoal e social ao mesmo tempo</p><p>(CAMBI, 1999, p. 203).</p><p>A Burguesia, classe emergente da sociedade medieval, percebia a necessidade da</p><p>formação de seus herdeiros para a administração de seus negócios, bem como para a</p><p>vida política. Surge, a partir do século XVI os colégios que tinham como meta a formação</p><p>moral, no entanto, ainda muito ligados à igreja, o que frustrava os ideais humanistas</p><p>renascentistas.</p><p>Assim, por iniciativa de particulares, criam-se as primeiras escolas na Europa que</p><p>passam a ver a criança como um ser com características diferentes dos adultos, as quais</p><p>necessitavam receber uma educação voltada para suas peculiaridades físicas, emocionais</p><p>e psicológicas. Personalidades como Martinho Lutero (1483-1546) e Melanchthon (1497-</p><p>1560) batalhavam pela fundação de escolas primárias para todas as crianças (Aranha,</p><p>2006). Lutero defendia a escola pública, atribuindo ao Estado a competência de promover</p><p>o ensino universal gratuito a todos. A proposta luterana se contrapunha ao rigor de</p><p>castigos, bem como do verbalismo proposto pela Escolástica, defendendo a introdução</p><p>de jogos, exercícios físicos e música no currículo escolar.</p><p>39</p><p>3.2 O DIÁLOGO ENTRE O ANTIGO E O MODERNO</p><p>Aranha (2006) aponta um possível resgate de uma cultura que desperta o ser</p><p>humano para a sua essência, desvinculada da imposição de influências religiosas:</p><p>O retorno às fontes da cultura greco-latina, sem a inter-</p><p>mediação dos comentadores medievais, foi um proce-</p><p>dimento que visava também à secularização do saber,</p><p>isto é, a desvesti-lo da parcialidade religiosa, para torná-</p><p>-lo mais humano. Procurava-se com isso formar o espí-</p><p>rito do indivíduo culto mundano, “cortês” [...]. (ARANHA,</p><p>2006, p. 124).</p><p>Assim como Aranha, Cambi (1999) fala sobre os novos elementos da educação do</p><p>Renascimento que dialogam com o período clássico: o físico para a formação do caráter</p><p>a partir da cavalaria e literatura, sendo conteúdo cívico para a prática cotidiana dessa</p><p>nova era antes reservada à formulação religiosa e teológica. Outro elemento, ainda, é o</p><p>estético, o qual inspirou a nova educação no estudo da literatura, trabalhada no cotidiano</p><p>escolar através da gramática e da retórica, expressado na perfeição da língua ensinada,</p><p>bem como no caráter e conduta formados a partir da educação por ela intencionada. O</p><p>historiador acrescenta, ainda, que o conteúdo da nova educação, expresso pelas línguas</p><p>e literaturas clássicas dos gregos e romanos designa-se humanidades, ressaltando que a</p><p>finalidade da educação passa para o domínio da literatura, abordando a partir de então</p><p>as questões antropocêntricas, o que diverge da ênfase que era dada aos aspectos da</p><p>espiritualidade na vida cotidiana que separava o santo do profano. O humanismo busca,</p><p>então, a individualidade desvinculada da teologia autoritária própria da Idade Média. A</p><p>ênfase do saber volta-se para a racionalidade.</p><p>3.3 A INFLUÊNCIA DA IGREJA NA FORMAÇÃO DO CIDADÃO</p><p>A Reforma protestante foi um movimento originado por reação contra abusos da</p><p>igreja católica, sendo a venda de indulgências um episódio importante promovido pelo</p><p>papa Leão X que perdoava os pecados a partir da contribuição financeira para a igreja</p><p>católica. Martinho Lutero foi um dos reformadores que mais influenciou o movimento</p><p>– nascido na Alemanha (1483-1546) – membro da ordem dos agostinianos e, mais tarde,</p><p>professor da universidade de Wittenberg. Lutero foi o autor das 95 teses, manifesto</p><p>elaborado e redigido por ele e afixado na porta da igreja de Wittenberg que culminou em</p><p>sua excomunhão da igreja católica em 1520. Ele defendia que o relacionamento do ser</p><p>humano com Deus não necessitava da mediação da igreja com exigências de sacrifício</p><p>e contribuição financeira, mas pela fé. Defendia que a Bíblia deveria ser traduzida em</p><p>todas as línguas e fosse acessível a todos os interessados.</p><p>A doutrina luterana influenciou a educação em sua época, a qual defendia a</p><p>educação pública mantida pelo Estado e que foi se institucionalizando ao longo do</p><p>tempo:</p><p>• Escola primária: alfabetização (textos bíblicos), matemática, atividades musicais</p><p>(cantos e hinos cristãos);</p><p>• Educação secundária: reservada aos filhos da alta burguesia: caráter religioso, ensino</p><p>40</p><p>do latim, obras clássicas greco-romanas, preparação para as profissões liberais;</p><p>• Escolas superiores e universidades – despreza a Escolástica medieval e valoriza a</p><p>interpretação da bíblia.</p><p>Vale ressaltar aqui que Lutero, Calvino e posteriormente Comenius buscavam uma</p><p>escola que atendesse a todas as crianças.</p><p>Figura 8: Lutero e as 95 teses</p><p>Fonte: Disponível em https://bit.ly/3oTXFrv. Acesso em: 04 fev. 2021.</p><p>Por outro lado, a Contrarreforma foi uma reação da igreja católica para reverter</p><p>os efeitos da reforma que desmoralizava o clero. Através do Concílio de Trento, a igreja</p><p>reafirma os seus dogmas e estabelece os tribunais da Inquisição. A Companhia de Jesus,</p><p>ordem dos Jesuítas, tendo como fundador Inácio de Loyola, criou escolas religiosas e a</p><p>partir delas, catequizou povos de continentes recém descobertos, sobretudo no Brasil. O</p><p>método aplicado por eles era o Ratio Studiorum que funcionava da seguinte forma:</p><p>Figura 9: Funcionamento do método Ratio Studiorum</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>Ratium Studiorum (1599 –1759)</p><p>Significa “Plano de Estudos” Conjunto de normas criado para regulamentar o ensino nos</p><p>colégios jesuíticos. Tinha por finalidade ordenar as atividades, funções e os métodos de</p><p>avaliação nas escolas jesuíticas. O plano contido na Ratium era de caráter universalista</p><p>e elitista.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>41</p><p>3.4 A REVOLUÇÃO PEDAGÓGICA BURGUESA</p><p>A partir do século XVII a classe burguesa (França) torna-se dominante e o capitalismo</p><p>se consolida. Os ideais educacionais, a partir da revolução da burguesia, pregavam a</p><p>universalidade, a gratuidade, a laicidade e a estatalidade. Nasce, então, o sistema nacional</p><p>de educação subordinado ao Estado em um ambiente de muitas contradições pelos</p><p>movimentos do proletariado, classe menos favorecida que necessitava do trabalho fabril</p><p>e que, muitas vezes, deixava de enviar a criança para a escola a fim que ela trabalhasse</p><p>e contribuísse com o sustento da família. A educação agora vai se desvinculando dos</p><p>ideais da igreja católica que perde o seu poder para o Estado.</p><p>Destaca-se aqui uma grande personalidade que ficou conhecida como o pai da</p><p>Didática Moderna: John Amos Comenius (1592-1670), autor da obra “Didática Magna”</p><p>escrita em 1632. A máxima de Comênio, nome conhecido no Brasil era: “Ensinar tudo</p><p>a todos”. O método proposto por esse grande pensador educacional consistia na</p><p>transmissão do conhecimento pelo professor, cujos alunos permaneceriam obedientes</p><p>e receptivos aos ensinamentos do mestre. Comênio comparava a educação a uma</p><p>máquina, o que remete à mecanização do ensino</p><p>ou a uma educação mecanizada,</p><p>conforme expressa o pensamento de Comênio citado no livro História da Educação de</p><p>Piletti e Piletti (2012, p. 137) que referencia Munford:</p><p>Não é uma coisa na verdade maravilhosa que uma má-</p><p>quina, um objeto sem alma, possa se mover de maneira</p><p>tão semelhante à vida, tão contínua, tão regular? Antes</p><p>da invenção dos relógios, a existência dessas coisas não</p><p>parecia tão impossível como o fato de que as árvores</p><p>pudessem andar, ou as pedras falar?</p><p>Figura 10: Ideais educativos por Comenius</p><p>Fonte: Disponível em https://bit.ly/3wHiNnD. Acesso em: 04 fev. 2021.</p><p>42</p><p>De acordo com Terra (2014) Comênio afirmava que não há como dissociar a fé</p><p>religiosa da filosofia orientada pela razão e o empirismo da ciência. O educador tinha</p><p>uma visão de totalidade, defendia a adoção da pansofia. Defendia escolas maternais</p><p>para que as crianças se desenvolvessem tendo acesso ao saber desde a tenra idade.</p><p>Martinho Lutero encabeçou a Reforma, tendo sido influenciado pelos precurso-</p><p>res John Wyclif, padre e teólogo (século XIV) e Jan Huss. Para um entendimento</p><p>melhor de como ocorreu o movimento da Reforma, o filme “Lutero”, do original</p><p>“Luther”, dirigido por Eric Till, com roteiro de Camille Thomasson e Bart Gavigan</p><p>é indicado e pode ser encontrado nos links a seguir:</p><p>• “Lutero” está disponível em: https://ytube.io/3H5N. (original). Acesso em 15 fev.</p><p>2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>A forma mecanizada de educação que prevê a pouca participação do aluno (sendo o</p><p>professor o detentor do saber que transmite o conhecimento acumulado pela humanida-</p><p>de) é capaz de educar/formar o aluno do século XXI a partir do que a BNCC (a mais nova</p><p>legislação educacional brasileira) preconiza?</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>3.5 O BRASIL: A CATEQUESE À SERVIÇO DA EDUCAÇÃO</p><p>NA COLÔNIA – SÉCULO XVI</p><p>Por mais de 200 anos, os índios, os filhos dos colonos e os futuros sacerdotes foram</p><p>catequisados pelos jesuítas, missionários originados da Companhia de Jesus na cidade</p><p>de Lisboa, em Portugal e que foram enviados ao Brasil para ensinar, a princípio, os nativos</p><p>a ler e escrever, por meio dos valores cristãos católicos, conforme afirma Monroe (1970,</p><p>p. 183): “A companhia de Jesus, organizada em 1540, tornou-se o principal instrumento</p><p>da Contrarreforma. Os meios adotados pela Ordem para consecução de seus propósitos</p><p>foram a pregação, a confissão e o ensino”.</p><p>As estruturas do ensino foram organizadas pelo padre português Manuel de</p><p>Nóbrega é o primeiro jesuíta a aprender a língua dos nativos brasileiros (tupi-guarani) foi</p><p>Aspilcueta Navarro.</p><p>A Ordem dos Jesuítas dispensava maior interesse pelas escolas secundárias</p><p>e superiores que as denominavam como Colégios inferiores (ginásios) e superiores</p><p>(universidades seculares e teológicas), etapas da Ratio Studiorum.</p><p>43</p><p>Figura 11: Os Jesuítas no Brasil</p><p>Fonte: Disponível em https://bit.ly/3yEkSlY. Acesso em: 04 fev. 2021.</p><p>“Os jesuítas nos legaram um ensino de caráter verbalista, retórico, livresco, memorístico</p><p>e repetitivo, que estimulava a competição através de prêmios e castigos discriminatórios</p><p>e preconceituosos, os jesuítas dedicaram-se à formação das elites coloniais e difundiram</p><p>nas classes populares a religião da subserviência, da dependência e do paternalismo, ca-</p><p>racterísticas marcantes de nossa cultura ainda hoje. Era uma educação que reproduzia</p><p>uma sociedade perversa, dividida entre analfabetos e sabichões, os ‘doutores’” (GADOTTI,</p><p>2002, p. 231).</p><p>Partindo da citação do educador brasileiro Moacir Gadotti, pense em como os Jesuítas</p><p>influenciam, até os dias atuais, o nosso sistema educacional. Qual foi o legado deixado</p><p>por eles?</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>Pansofia: Sabedoria humana; ciência universal.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR – Texto 1</p><p>O Renascimento e a Educação Humanista</p><p>O Renascimento foi principalmente um momento do individualismo. Os traços caracte-</p><p>rísticos do período são as tentativas para derrubar, na igreja, no Estado, nas organizações</p><p>industriais e sociais, na vida intelectual e educacional as diversas formas de autoridade</p><p>dominantes durante a Idade Média. No início do movimento no sul da Europa deu-se re-</p><p>levo à cultura como meio de desenvolvimento pessoal; mais tarde no norte o principal in-</p><p>teresse se focalizou no saber como meio de reformar os males e injustiças da sociedade,</p><p>produtos da ignorância. Dois tipos distintos de pensamento e de práticas educacionais</p><p>surgiram do Renascimento. O primeiro foi a restauraçaõ da educação liberal dos gregos</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>44</p><p>que visava ao desenvolvimento da personalidade por meio de uma grande variedade de</p><p>recursos educativos. Este objetivo da educação era amplo e incluía diversos elementos</p><p>além do intelectual e empregava muitos meios além do literário. Cedo, entretanto, ficou</p><p>para trás, e sobreviveu apenas em várias formas de protestos ou movimentos reforma-</p><p>dores, que se levantaram contra o tipo dominante de educação. Este tipo dominante de</p><p>educação que foi o segundo resultado educacional do Renascimento foi a estreita edu-</p><p>cação humanista, franca decadência da ampla educação humanista ou liberal grega. As</p><p>línguas e literaturas clássicas foram, primeiramente, estudadas como fonte de todas as</p><p>ideias liberais; depois como exercício em apreciação literária formal e finalmente como</p><p>uma simples disciplina formalista paa o indivíduo. Cada país produziu um certo número</p><p>de líderes educacionais do Renascimento e tipos de escolas adequados. Entre os líderes,</p><p>Erasmo foi o mais notável. O ginásio alemão, a escola pública inglesa, o colégio e a es-</p><p>cola de gramática colonial americana foram todas escolas de tipo humanista estreito.</p><p>Em todas os conteúdo da educação foi restringido às literaturas e línguas latina e grega.</p><p>Esta educação puramente formal veio a identificar-se com a educação liberal, transfor-</p><p>mando-se o tipo dominante de educação até o séulo XIX. Qualquer outra concepção ou</p><p>prática de educação durante os primeiros tempos do período moderno foi inteiramente</p><p>subordinada a este período, não tendo outra importância senão como protesto ou germe</p><p>de desenvolvimento futuro.</p><p>Texto extraído do livro História da Educação de Paul Monroe, 1970, página 171</p><p>- LEITURA COMPLEMENTAR – Texto 2</p><p>MECANIZAÇÃO: Uma metáfora recorrente</p><p>Pelas propostas do método de Comênio, não é de estranhar que, ao analisá-lo, a me-</p><p>canização surja como metáfora recorrente. Assim, segundo Mumford, Comênio não foi</p><p>apenas o precursor, mas também o inventor da educação mecanicamente programa-</p><p>da. É dele a seguinte afirmação: “Será tão agradável ver a educação realizada segundo</p><p>meu plano como olhar uma máquina automática, e o procedimento será tão isento de</p><p>fracasso como estas invenções mecânicas, quando são corretamente fabricadas.” (apud</p><p>Munford 1974:136).</p><p>45</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. Observamos que dentro do período que compreende a Reforma e a Contra-Reforma,</p><p>houve uma manifestação religiosa, tanto no aspecto espiritual quanto político relacionado</p><p>ao domínio da sociedade de acordo aos seus interesses, porém houve uma manifestação</p><p>no que se refere à educação nos dois períodos. Diante dos aspectos positivos e negativos</p><p>trazidos para a educação, assinale a alternativa correta.</p><p>a) No período da Reforma podemos observar que a educação priorizava o preparo</p><p>rigoroso com a mente e na Contra-Reforma a educação está baseada nos jogos e nos</p><p>exercícios físicos.</p><p>b) Era recomendado dentro do contexto educacional o estudo da matemática e literatura</p><p>na Contra-Reforma, enquanto na Reforma a educação estava baseada aos manuais de</p><p>instrução e organização (Radio Studiorum).</p><p>c) O objetivo da Contra-Reforma era o trabalho de alfabetização voltado para a leitura do</p><p>livro sagrado e na Reforma a formação estava voltada à formação dos padres.</p><p>d) A Reforma foi propagada através de ordens religiosas espalhadas pelo mundo com</p><p>o único objetivo de catequizar as pessoas enquanto a Contra-Reforma tinha como líder</p><p>Martinho Lutero priorizando o estudo dos monges.</p><p>e) A educação na Reforma propunha uma educação contemplada entre jogos,</p><p>música,</p><p>matemática e história e a proposta educacional da Contra-Reforma era a formação para</p><p>o magistério através de manuais, normas e informações bibliográficas.</p><p>2. (CONC, 2010) “O que são os ricos sem sabedoria, senão os porcos engordados com</p><p>farelo? Os pobres sem o conhecimento das coisas o que são, senão burros de carga? Um</p><p>homem de bom aspecto, mas ignorante o que é, senão um papagaio de bela plumagem?</p><p>Ou então, como disse alguém, uma bainha de ouro com um punhal de chumbo?”.</p><p>Comenius J.A. – trad. Benedetti, Ivone Castilho – Didática Magna, Ed. Martins Fontes, 3ª</p><p>Ed. 2006, S.Paulo, pags. 75/76.</p><p>Das indagações acima podemos concluir que Comenius tece elogios:</p><p>a) Ao conhecimento;</p><p>b) A sabedoria e ao conhecimento;</p><p>c) Ao seu método de ensino;</p><p>d) À Didática Magna;</p><p>e) N.d.a.</p><p>3. (CONC, 2013) Segundo Comenius, a arte de ensinar exige:</p><p>I. Disposição tecnicamente bem feita do tempo.</p><p>II. Dedicação exaustiva do mestre.</p><p>III. Organização de todas as coisas necessárias.</p><p>IV. Escolha do método adequado.</p><p>46</p><p>V. Aptidão dos alunos.</p><p>Está CORRETO o que se afirma apenas em:</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) II, IV e V.</p><p>c) I, III e IV.</p><p>d) I, IV e V.</p><p>e) I, II e IV.</p><p>4. (CONC, 20130) Classifique as afirmações a seguir como (V) verdadeiras ou (F) falsas,</p><p>tendo por base os princípios elencados por Comenius na Didática Magna, que garantem</p><p>a facilidade de ensinar.</p><p>I. Iniciar pelas coisas mais gerais em direção às mais particulares.</p><p>II. Começar pelas coisas mais fáceis e só depois incluir as mais difíceis.</p><p>III. Proceder de maneira rápida e dinâmica, sem perder tempo.</p><p>IV. Ensinar apenas o que apresentar utilidade imediata.</p><p>V. Ensinar tudo por meio de hipóteses e abstração.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo:</p><p>a) V- F- V- V- F.</p><p>b) V- V- F- V- F.</p><p>c) F- V- V- F- V.</p><p>d) F- F- V- V- V.</p><p>e) V- F- V- F- V.</p><p>5. (CONC, 2018) A Companhia de Jesus foi fundada no contexto da Reforma Católica</p><p>(também chamada de Contra reforma). A Companhia de Jesus, cujos membros são</p><p>conhecidos como jesuítas é uma ordem religiosa fundada em 1534 por um grupo de</p><p>estudantes da Universidade de Paris. Os padres jesuítas tiveram um importante papel</p><p>na Reforma Católica. Foi deles a responsabilidade de catequisar e de recatequisar povos</p><p>e nações inteiras. São expoentes dessa Companhia:</p><p>a) Pedro Álvarez Cabral, Rui Barbosa, Padre José Agostinho.</p><p>b) Inácio de Loyola, Padre Manuel da Nóbrega, José de Anchieta.</p><p>c) Tomé de Mendes Sá, Raul Vieira de Santos, Diogo Pinto de Azevedo.</p><p>d) Santo Agostinho, Bartolomeu Dias, Antonio Vieira.</p><p>e) Gutierre Oliveira, Cristóvão Colombo, Augusto dos Reis.</p><p>6. (SEDUC, 2018): Sobre a Contra-Reforma é CORRETO afirmar:</p><p>I. O movimento não teve o apoio do papa e dos bispos católicos, pois acreditavam que</p><p>não havia nada o que fazer para evitar o avanço do protestantismo na Europa.</p><p>II. Conseguiu eliminar todas as religiões protestantes já no século XVI.</p><p>III. Provocou guerras religiosas na Europa, suscitando um clima de perseguições e</p><p>47</p><p>conflito religioso.</p><p>IV. O movimento promoveu o retorno do Tribunal do Santo Oficio, determinou a</p><p>catequização de indígenas nas terras descobertas e criou o Índice de Livros Proibidos.</p><p>a) Todas estão corretas.</p><p>b) Apenas I, II.</p><p>c) Apenas I, III.</p><p>d) Apenas II, IV.</p><p>e) Apenas III, IV.</p><p>7. (FUNDATEC 2020) A Reforma foi colocada em movimento no início do século XVI,</p><p>quando Martinho Lutero afixou suas 95 teses às portas da Igreja do Castelo da cidade, e</p><p>logo se espalhou pela Europa e outros continentes. No entanto, apesar de ter sensibilizado</p><p>muitos, muitas de suas propostas chocaram com práticas multisseculares, cujas raízes</p><p>estavam presas na consciência religiosa das pessoas, como os rituais e missas e o culto</p><p>aos santos. A respeito das implicações da Reforma e do conflito entre a Igreja tradicional</p><p>e o movimento de reforma, assinale a alternativa correta.</p><p>a) O Santo Ofício passou a designar seus tribunais à condenação de sábios, cujas ideias</p><p>eram consideradas ameaçadoras ao poder multissecular da Igreja sobre a produção e</p><p>circulação de conhecimento, alterando a preferência dos alvos, que eram as pessoas</p><p>consideradas feiticeiras.</p><p>b) A força da Igreja, acumulada durante séculos, fazia dela a principal, senão a única,</p><p>instituição para onde acorriam as poucas pessoas que desejavam e tinham condições</p><p>de obter alguma espécie de formação intelectual, o que garantiu que o privilégio do</p><p>conhecimento dessa instituição não fosse ameaçado.</p><p>c) O movimento de laicização do conhecimento significou que os livros das impenetráveis</p><p>bibliotecas conventuais se abriram à curiosidade e à crítica de uma população sedenta</p><p>de saber.</p><p>d) O culto aos santos de devoção, as peregrinações e procissões, os rituais das missas</p><p>foram abandonados pelos fiéis, a partir da adoção de mecanismos de introspecção e</p><p>regeneração interior propostos pelos reformistas.</p><p>e) A Reforma foi um movimento essencialmente religioso, com consequências apenas</p><p>na vida social e religiosa das pessoas, visto que o objetivo era propor novos modos de se</p><p>comportar em relação ao metafísico.</p><p>8. (SEDUC, 2006) Durante o período colonial no Brasil (1530-1822), os Jesuítas dominaram</p><p>plenamente a educação da colônia. Sobre a sua atuação na educação, é correto afirmar</p><p>que:</p><p>a) Instauraram uma eficiente educação pública, mas foram expulsos do Brasil e só</p><p>retornaram depois da Revolução de 1964, através da intervenção militar.</p><p>b) Os Jesuítas seguiam o método de estudo conhecido como Ratio Studiorum, inspirado</p><p>do modelo medieval escolástico.</p><p>c) Foram os primeiros a falar de "educação democrática" e, por isso, foram expulsos pelo</p><p>Marquês de Rabicó, mais tarde ironizado num personagem de Monteiro Lobato.</p><p>d) Eles foram os responsáveis pela criação, ainda durante a Colônia, dos primeiros cursos</p><p>48</p><p>jurídicos do Brasil, no Recife</p><p>e) Na verdade, a presença jesuítica na Colônia foi sem importância e só depois de</p><p>instaurado o Império é que eles passaram a dominar a educação.</p><p>49</p><p>EDUCAÇÃO NA</p><p>CONTEMPORANEIDADE</p><p>50</p><p>A contemporaneidade é marcada a partir do século XVIII pela influência do</p><p>Iluminismo, ou como muitos teóricos intitulam “século das luzes”, que reflete o poder da</p><p>razão humana para interpretar e reorganizar o mundo (ARANHA, 2006).</p><p>Importante destacar também que o Liberalismo influenciou a Pedagogia de</p><p>forma a difundir os ideais de liberdade e laicidade. Aranha (2010), aborda a situação em</p><p>que a Burguesia reage contra o poder absoluto da Nobreza que tinha muitas regalias</p><p>a partir do recebimento de impostos pagos pelos súditos. Tal classe de comerciantes</p><p>desejava autonomia para administrar os seus próprios negócios sem a interferência do</p><p>Estado Mercantilista. Na ocasião Adam Smith (1723-1790 - filósofo e economista) foi um</p><p>dos teóricos a defender os princípios da lei natural de distribuição de riquezas: “laissez</p><p>faire, laissez passer, le monde va de há même” = “Deixe fazer, deixe passar, o mundo</p><p>caminha por si mesmo”.</p><p>A educação, a partir de então, ganha um ideal de estar desvinculada da religião</p><p>e dos interesses das classes dominantes, devendo ser neutra de influências religiosas</p><p>e oferecida a todos, conforme expressa o lema da burguesia “Igualdade, liberdade e</p><p>fraternidade”.</p><p>No quadro a seguir, destacam-se características da época contemporânea, o que</p><p>permite uma visão mais ampliada acerca do modo de vida dos cidadãos nos aspectos</p><p>políticos, sociais e, sobretudo, educacionais:</p><p>Figura 12: Características da contemporaneidade</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>Como indicado no quadro foi uma época em que estava acontecendo uma</p><p>mudança no estilo de vida a partir da Revolução Industrial que obrigou a migração do</p><p>campo para as cidades e em decorrência o movimento de massas em busca dos seus</p><p>direitos que se expressavam pela educação.</p><p>A idade contemporânea é a época das Revoluções: desde 1789 até 1848, depois até 1917 e até</p><p>o pós-1945, a história dos últimos dois séculos é marcada justamente pelas tensões revolu-</p><p>cionárias, pelas rupturas que elas implicam e</p><p>pelas exigências (de guinada em relação ao</p><p>passado, de reconstrução abi mis da sociedade e de advento da “sociedade justa” – ou mais</p><p>justa) que atinge áreas geográficas, povos e culturas que se rediscutem, operam rupturas</p><p>com as tradições, tendem à renovação radical; e são movimentos orientados de maneira</p><p>diversa, ora políticos (como os fascismos, que nascem como solução ad hoc numa crise polí-</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>51</p><p>tica), ora sociais (como as revoluções socialistas, de 1871 a 1917, ao pós-45), ora técnicos (como</p><p>o “fundamentalismo” islâmico atual), ora tecnológicos (como ocorreu no Japão), ou entrela-</p><p>çados entre si, mas que caracterizavam em profundidade as sociedades contemporâneas</p><p>(CAMBI, 1999, p. 378)</p><p>4.1 O MOVIMENTO NATURALISTA DE ROUSSEAU</p><p>Monroe (1970) pontua que o “Movimento Naturalista”, ou movimento das massas</p><p>pelos direitos dos homens, embora seja distinto do “Movimento Iluminista”, considerado</p><p>por este teórico como protesto dos intelectuais à repressão da época, marca, também</p><p>a era contemporânea. O quadro, a seguir, aponta as características dos referidos</p><p>movimentos:</p><p>Figura 13: Movimentos Século XIII</p><p>Fonte: Monroe (1970)</p><p>O movimento naturalista foi tão importante como marco para a contemporaneidade</p><p>quanto o movimento iluminista. De acordo com Piletti e Piletti (2012), Rousseau,</p><p>considerado um romântico e naturalista, pregava que o homem era naturalmente bom</p><p>e que sociedade e civilização é quem o corrompe. A filosofia romântica de Rousseau</p><p>influenciou a educação, até então, permeada pela religião:</p><p>Na educação, o movimento naturalista representou</p><p>uma revolução. É que, na última parte do século XVII e</p><p>maior parte do século XVIII, o formalismo estéril e sem</p><p>vida que dominou a religião se refletiu, também, na</p><p>educação. A filosofia romântica e do sentimento reage</p><p>contra esse formalismo e, em seu lugar, propõe uma</p><p>concepção racionalista do mundo e da vida e defendem</p><p>a importância do sentimento, da fantasia, da intuição,</p><p>do desejo e das forças irracionais da vida (PILETTI; PI-</p><p>LETTI, 2012, p. 82).</p><p>O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) liderou o movimento naturalista no</p><p>início do século XVIII. Foi influenciador de grandes acontecimentos como a Revolução</p><p>Francesa.</p><p>Suas obras importantes:</p><p>• Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens (Política).</p><p>• O Contrato Social (Política).</p><p>• Emílio (Educação).</p><p>52</p><p>Contribuição para a Educação:</p><p>• De acordo com Aranha (2006), o pensamento de Rousseau marca a Pedagogia</p><p>Contemporânea: o foco da educação passa do professor para o aluno que deixa de</p><p>ser visto como um adulto em miniatura. O ideal educativo de Rousseau consistia em</p><p>educar para uma vida natural e plena, a partir da experiência da criança pela sua própria</p><p>curiosidade e ação, o que dispensava a interferência por meio da imposição e transmissão</p><p>de conhecimento.</p><p>Cambi (1999, p. 354-355) resume a grande contribuição de Rousseau para a</p><p>pedagogia contemporânea:</p><p>A visão da infância, o papel do educador, a própria</p><p>consciência por parte do pedagogo das estruturas e da</p><p>função (até social e política) do próprio discurso muda-</p><p>ram profundamente através das lições de Rousseau,</p><p>enquanto a pedagogia no seu conjunto adquiriu uma</p><p>dimensão mais francamente antropológica e filosófica,</p><p>distanciando-se de um tradicional vínculo quase subal-</p><p>terno em relação às instituições pedagógicas e às práti-</p><p>cas didáticas. Ao lado de Comenius, mas com posições</p><p>nitidamente diferentes, Rousseau é de fato uma chave</p><p>mestra do pensamento pedagógico e, além disso, é o</p><p>primeiro artífice do seu mais inquieto e contraditório</p><p>percurso contemporâneo.</p><p>O autor pontua que depois de Rousseau, a pedagogia se direciona para um olhar</p><p>mais sensível às questões consideradas marginais naquela época. Rousseau foi visto</p><p>como o “pai” da pedagogia moderna, o qual revolucionou a nova concepção de infância.</p><p>De acordo com Terra (2014) foi o precursor dos ideais de John Dewey, Maria Montessori e</p><p>dos movimentos da Escola Nova. Para Rousseau o professor deveria interferir o mínimo</p><p>possível no processo de aprendizagem do aluno até os 12 anos de idade, devendo estar a</p><p>criança livre para aprender naturalmente pelos sentidos e experiência prática, uma vez</p><p>que acreditava que o homem nascia e era naturalmente bom, no entanto era corrompido</p><p>pela sociedade.</p><p>Rousseau foi um dos autores da Enciclopédia (dicionário racionado das ciências), junta-</p><p>mente com D’Alambert, Diderot, Voltaire, Jaucourt e Montesquieu. Piletti e Piletti (2012)</p><p>mencionam que havia divergências entre Rousseau que pregava a intuição entre os de-</p><p>mais participantes que, ao contrário, enfatizavam a razão.</p><p>Em sua obra “Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens”, Rousseau con-</p><p>dena a influência corrosiva da sociedade educada, incluindo as artes e a política, na for-</p><p>mação da humanidade.</p><p>Como você, futuro educador, analisa a condenação que Rousseau atribuía à sociedade</p><p>intelectualizada? A educação, hoje, está isenta das influências do contexto social e histó-</p><p>rico?</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>53</p><p>Embora as ideias de Rousseau tivessem sido preteridas por muitos estudiosos,</p><p>destaca-se três nomes de seus seguidores que deixaram marcas na história da educação.</p><p>4.2 KANT E O IDEALISMO</p><p>Outros movimentos deram origem a pedagogias mais novas e radicais como</p><p>pontua Cambi (1999) quando cita que, à exemplo de Rousseau, adeptos do materialismo,</p><p>Vico e Kant esboçaram projetos educativos, influenciados pela filosofia da época que</p><p>lutavam por uma educação laica, estatal e igualitária.</p><p>Immanuel Kant (1724-1804) teve sua formação influenciada por Rousseau e suas</p><p>ideias pedagógicas que, em forma de lições, foram publicadas em 1803, dialogando e</p><p>influenciando Hebart e Pestalozzi:</p><p>O objetivo da educação, para Kant, é “transformar a ani-</p><p>malidade em humanidade” pelo desenvolvimento da</p><p>“razão”; tal objetivo, porém, não se atinge “por instinto”,</p><p>mas somente pela “ajuda de outrem”. Daí a importância</p><p>dos adultos (já que “uma geração educa a outra”) e da</p><p>disciplina (que “impede o homem de desviar, por causa</p><p>de suas inclinações animais, da sua finalidade”). É justa-</p><p>mente a disciplina que, ao lado da educação ética como</p><p>formação da consciência do dever, adquire um peso</p><p>determinante na pedagogia de Kant, a ponto de impri-</p><p>mir-lhe um caráter por vezes quase oposto ao naturalis-</p><p>mo e à reivindicação da autonomia da infância típicos</p><p>de Rousseau, mas também de Locke e de um amplo</p><p>setor da pedagogia setecentista. Mais alinhado com as</p><p>reivindicações pedagógicas do iluminismo está o outro</p><p>princípio da pedagogia kantiana, o da necessidade da</p><p>educação, que é exposto no pequeno tratado com vigor</p><p>e clareza (CAMBI, 1999, p. 362).</p><p>Terra (2014) aponta que Kant defendia que o educando necessita ser capaz de</p><p>construir o seu próprio conhecimento, pensando por si mesmo. Apostava na educação</p><p>leiga que forma o homem através da cultura, da moral, da disciplina e civilidade.</p><p>Acreditava, ao contrário de Rousseau que o homem não nasce bom, mas também</p><p>não nasce mau, devendo a educação transformá-lo pela disciplina. Terra cita dois tipos</p><p>de disciplina que são indispensáveis para a formação do homem: a autodisciplina e a</p><p>disciplina autoritária. A autora segue afirmando que para Kant disciplina e autonomia</p><p>andam juntas: “disciplina e autonomia não são coisas opostas. Pelo contrário, a disciplina</p><p>é necessária para que o homem aprenda a guiar sua vontade pela razão e assim possa</p><p>ser autônomo” (TERRA, 2014, p. 64).</p><p>54</p><p>Kant estabelece três níveis de desenvolvimento no processo educativo:</p><p>1. A educação do corpo: o desenvolvimento de habilidades por meio de atividades</p><p>apropriadas. O disciplinamento das inclinações sensíveis para seguir a própria</p><p>razão;</p><p>2. A educação intelectual: o pleno desenvolvimento das diferentes potencialidades</p><p>humanas, como um exercício da inteligência em vez da simples memorização de</p><p>conceitos. “O entendimento é o conhecimento do geral. O juízo é a aplicação do</p><p>geral ao particular. A razão é a faculdade de</p><p>distinguir a ligação entre o geral e o</p><p>particular”. (KANT, 1996 a, p. 67)</p><p>3. A educação moral: a formação do caráter possui três pontos fundamentais: a</p><p>obediência, a verdade e a sociabilidade. “caráter consiste no hábito de agir segun-</p><p>do certas máximas” (KANT, 1996 a, p. 81).</p><p>Disponível em: https://bityl.co/6Vem. Acesso em: 19 fev. 2021.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>4.3 A EDUCAÇÃO NO BRASIL A PARTIR DA CONTEMPORA-</p><p>NEIDADE: UM BREVE HISTÓRICO</p><p>A partir da independência do Brasil, em 07 de setembro de 1822 quando,</p><p>organizando a nação como Estado, foi promulgada constituição própria, através de</p><p>Assembleia Nacional Constituinte e Legislativa, a partir da qual, D. Pedro assinalou a</p><p>necessidade de uma legislação especial sobre a instrução pública como bem descreve</p><p>(SAVIANI, 2006, p. 11, 12):</p><p>A tarefa de fixar os parâmetros constitucionais para essa</p><p>legislação especial cabia à Comissão de Instrução Pú-</p><p>blica da Assembleia Nacional Constituinte. E o caminho</p><p>encontrado por essa comissão foi instituir um prêmio</p><p>para quem apresentasse a melhor proposta de um “Tra-</p><p>tado Completo de Educação da Mocidade Brasileira”.</p><p>Embora os parlamentares tenham se perdido em dis-</p><p>cussões adjetivas relativas ao prêmio, o enunciado da</p><p>questão é indicador do tema que foi posto na ordem do</p><p>dia, requerendo solução urgente e prioritária: a organi-</p><p>zação de um sistema de escolas públicas, segundo um</p><p>plano comum, a ser implantado em todo o território do</p><p>novo Estado. Essa aspiração esteve presente reiterada-</p><p>mente nos discursos das autoridades, de modo geral,</p><p>assim como dos parlamentos, refletindo-se na Comis-</p><p>são de Instrução Pública que, entretanto, não conseguia</p><p>objetivar num projeto a necessidade proclamada de um</p><p>plano geral para a organização da instrução pública.</p><p>Ao analisar esta citação, percebe-se que a instrução pública sempre foi preocupação</p><p>dos governantes brasileiros que desafiavam os estudiosos e pesquisadores a idealizarem</p><p>um projeto para educação das crianças e jovens, no entanto, pontua-se a dificuldade</p><p>do atingimento de tal objetivo até os dias atuais, principalmente por não priorizarem os</p><p>55</p><p>recursos financeiros para tal finalidade. No entanto, ainda segundo Saviani:</p><p>Um outro legado do século XIX, cujo marco legal visível</p><p>foi o Ato Adicional de 1834, expressa-se no descompro-</p><p>misso do governo central com a manutenção da ins-</p><p>trução popular. Durante os 49 anos correspondentes</p><p>ao Segundo Império, entre 1840 e 1888, a média anual</p><p>dos recursos financeiros investidos em educação foi de</p><p>1,80% do orçamento do governo imperial, destinando-</p><p>-se, para a instrução primária e secundária, a média de</p><p>0,47%. O ano de menor investimento foi o de 1844, com</p><p>1,23% para o conjunto da educação e 0,11% para a ins-</p><p>trução primária; e o ano de maior investimento foi o de</p><p>1888, com 2,55% para a educação e 0,73% para a instru-</p><p>ção primária e secundária [...] E Rui Barbosa constatava</p><p>em 1882: “O Estado, no Brasil, consagra a esse serviço</p><p>apenas 1,99% do orçamento geral, enquanto as despe-</p><p>sas militares nos devoram 20,86%” [...] O reflexo desse</p><p>descompromisso manifesta-se ainda hoje (SAVIANI,</p><p>2006, p. 28, 29).</p><p>O descompromisso do governo central com a manutenção da instrução popular</p><p>relatada na citação foi considerado por Saviani como um legado negativo que perdura</p><p>até os dias atuais, no entanto, faz-se relevante citar, de acordo com o mesmo autor,</p><p>o projeto de Januário da Cunha Barbosa (1827-1854) que pretendia regular todo o</p><p>arcabouço do ensino distribuído em quatro graus, como demonstra o quadro a seguir,</p><p>sendo considerado legado positivo para a educação brasileira.</p><p>PRIMEIRO GRAU SEGUNDO GRAU TERCEIRO GRAU QUARTO GRAU</p><p>PEDAGOGIAS LICEUS GINÁSIOS ACADEMIAS</p><p>Abrangeria os conhe-</p><p>cimentos elementares</p><p>necessários a todos,</p><p>independentemente</p><p>da sua situação social</p><p>ou profissão</p><p>Voltaria para a forma-</p><p>ção profissional, com-</p><p>preendendo os conhe-</p><p>cimentos relativos à</p><p>agricultura, à arte e ao</p><p>comércio</p><p>Compreenderia</p><p>os conhecimentos</p><p>científicos gerais,</p><p>como introdução</p><p>ao estudo aprofun-</p><p>dado das ciências</p><p>e de “todo gênero</p><p>de erudição”</p><p>Destinaria ao</p><p>ensino das ciên-</p><p>cias abstratas e de</p><p>observação;</p><p>Estudo das ci-</p><p>ências morais e</p><p>políticas</p><p>Quadro 1: Projeto Januário da Cunha Barbosa</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>Ao traçar um histórico sobre a trajetória da educação no Brasil é interessante</p><p>entender acerca de sua periodização, a partir de breves e longos séculos, constituídos em</p><p>marcos importantes que possibilitam uma visão da trajetória da educação, a presença</p><p>e o significado da pedagogia ao longo do tempo, cujo legado, segundo Saviani, foi</p><p>transferido para o século XX:</p><p>56</p><p>1º período 2º período 3º período 4º período 5º período</p><p>Século XVI</p><p>(breve)</p><p>Século XVII</p><p>(longo)</p><p>Século XVIII</p><p>(Breve)</p><p>Século XIX</p><p>(Breve)</p><p>Século XX</p><p>(Longo)</p><p>(1549 – 1599)</p><p>Pedagogia</p><p>Brasílica (che-</p><p>gada dos pri-</p><p>meiros jesuítas</p><p>(1599 -1759)</p><p>Organização</p><p>dos estudos</p><p>segundo as</p><p>regras do “Ratio</p><p>Studiorum”</p><p>vigência até a</p><p>expulsão dos</p><p>Jesuítas</p><p>(1759 – 1834)</p><p>Século da Pe-</p><p>dagogia Pom-</p><p>balina, com a</p><p>implantação</p><p>das aulas ré-</p><p>gias.</p><p>(1827 – 1890)</p><p>Promulga-</p><p>ção da Lei</p><p>das Escolas</p><p>de Primeiras</p><p>Letras até a</p><p>implantação</p><p>dos grupos</p><p>escolares.</p><p>(1890 -2001)</p><p>Aprovação do</p><p>Plano Nacional</p><p>de Educação</p><p>completou o</p><p>ciclo das refor-</p><p>mas educativas</p><p>dos anos de</p><p>1990 no Brasil</p><p>Quadro 2: essão de séculos na Educação Brasileira</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>A partir do projeto de Januário da Cunha Barbosa, o termo “Pedagogia” recebe</p><p>conotação positiva, referente à educação de crianças. De acordo com (SAVIANI, 2006),</p><p>o termo não era contemplado em projetos anteriores, o que é explicado por estudiosos</p><p>que mencionam que, embora o termo seja cunhado em 1495, com o significado de</p><p>ciência da educação das crianças, não foi citado por Condorcet, que preferia os termos</p><p>“método de ensinar”, “arte de ensinar”, “instrução”, “ordem didática”. Saviani explica que</p><p>à época de Condorcet, o termo “pedagogo” assumia significado depreciativo de “mestre</p><p>pedante, autoritário e pobre de espírito”.</p><p>Em 1867 é publicado o livro “A Instrução pública no Brasil”, cujo autor é Liberato</p><p>Barroso, o novo ministro do Império, de acordo com Saviani (2006), e inaugurando a</p><p>fase final do Império, período fértil, de acordo com o autor, em propostas e projetos</p><p>que intencionavam solucionar o problema da educação nacional, contudo, sem êxito</p><p>prático. Em 1879, através do Decreto 7.247, de autoria de Leôncio de Carvalho, reforma-se</p><p>o Ensino primário, secundário e superior no município da Corte. O referido documento</p><p>prevê, também, a obrigatoriedade do ensino primário dos 7 aos 14 anos de idade a todo</p><p>os cidadãos brasileiros.</p><p>Rompendo-se com a Reforma anterior, a nova Reforma prevê a criação de Jardins</p><p>de Infância para as crianças de 3 a 7 anos, Caixa Escolar, Bibliotecas e museus escolares,</p><p>subvenção a instituições particulares, equiparação de escolas normais particulares</p><p>às oficiais e de escolas secundárias privadas ao Colégio Pedro II, criação de escolas</p><p>profissionais, de bibliotecas populares e de bibliotecas e museus pedagógicos onde</p><p>houver escola normal; e a regulamentação do ensino superior abrangendo a associação</p><p>de particulares para a fundação de cursos livres em salas dos edifícios das escolas ou</p><p>faculdades do Estado, as faculdades de direito e as faculdades de medicina.</p><p>Relevante mencionar que a Constituição de 1824 dedicou algumas poucas linhas</p><p>à educação, sem capítulo específico, ao contrário do que acontece na Constituição de</p><p>1988 que vigora até os dias atuais. A Constituição de 1891 nada menciona ao longo de</p><p>seu texto. De acordo com o decreto nº 19.402, em 14 de novembro de 1930, foi criado o</p><p>Ministério da Educação com o nome de Ministério dos Negócios da Educação e Saúde</p><p>Pública, pelo então presidente Getúlio Vargas.</p><p>A partir da constituição de 1934, o tema Educação, é colocado sob a responsabilidade</p><p>da União, que previa, no Capítulo I, artigo 5º “traçar as diretrizes da educação nacional” e</p><p>57</p><p>no Capítulo II, artigo 150º “ficar o plano nacional de educação, compreensivo do ensino</p><p>em todos os graus e ramos, comuns e especializados” para “coordenar e fiscalizar a</p><p>sua execução em todo o território do país”. Na ocasião estudiosos e pesquisadores da</p><p>Educação já haviam apresentado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, escrito</p><p>em 1932 por Fernando de Azevedo, subscrito por 26 signatários, dentre eles Anísio Teixeira.</p><p>Com a Constituição de 1946, são restabelecidos elementos que integraram o programa</p><p>de reconstrução educacional dos pioneiros da Educação Nova, tais como: exigência do</p><p>concurso de títulos e provas para o exercício do Magistério (artigo 168, inciso VI, pag. 281)</p><p>e a competência da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional</p><p>(artigo 5º, inciso XV, alínea d). Para atender a esse último dispositivo constitucional, o</p><p>ministro da educação e saúde, Clemente Mariani, constituiu uma Comissão para elaborar</p><p>o anteprojeto da LDB.</p><p>A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB que regulamenta o ensino</p><p>no país foi sancionada e homologada através da Lei nº 4024/1961, pelo então presidente</p><p>João Goulart, prevista na Constituição de 1934 e publicada em 20 de dezembro de 1961.</p><p>Foram quase 30 anos para a elaboração de uma lei criada para definir e regularizar a</p><p>organização da educação com base nos princípios da constituição.</p><p>Uma década após a promulgação da Lei 4024/61, é instituída a nova Lei de Diretrizes</p><p>e Bases da Educação, inspirada nessa mesma Constituição, a Lei 5.692, sancionada pelo</p><p>então presidente Sr. Emílio Garrastazu Médici. A LDB de 1971 voltava-se para a formação</p><p>profissional e adaptação do ensino às demandas da produção industrial. A legislação</p><p>contemplava a formação de técnicos para o atendimento do mercado de trabalho, sendo</p><p>proposta uma pedagogia tecnicista para formação de técnicos e profissionais aptos às</p><p>demandas da produção industrial.</p><p>Somente com a Constituição de 1988, houve grande mudança da legislação</p><p>brasileira para a área educacional com a nova LDB, Lei nº 9.394/96, sancionada pelo</p><p>presidente Fernando Henrique Cardoso, que ao contrário da anterior, apresenta até os</p><p>dias de hoje, características mais sociais.</p><p>Importante para a compreensão do processo educacional brasileiro, destacar</p><p>nesta unidade, os aspectos positivos e negativos deixados como legado pelo século XIX</p><p>à Educação Brasileira até os dias atuais:</p><p>Em suma, o legado educacional do breve século XIX</p><p>comporta alguns aspectos positivos como a institucio-</p><p>nalização da escola e da formação de professores; mas</p><p>contém, também, aspectos negativos entre os quais</p><p>avulta a tendência a desonerar o Estado de seus com-</p><p>promissos com a educação, gerando um discurso con-</p><p>traditório com a prática corrente, com consequências</p><p>funestas que perduram até os dias de hoje (SAVIANI,</p><p>2006, p. 29).</p><p>Os dois enfoques citados mostram que os aspectos positivos, deixados como</p><p>legado, embora tenham se concretizado no século XX, tornam-se obsoletos e precários</p><p>para o público do século XXI. Por outro lado, os aspectos negativos perduram até os dias</p><p>atuais, podendo ter responsabilidade pelo retrocesso de um legado que poderia mudar</p><p>os rumos da educação de nosso país.</p><p>58</p><p>A organização da educação pública - Educação</p><p>Enquanto o Estado se esforçava para oferecer a escola gratuita para os pobres, é bem ver-</p><p>dade que os ricos ainda procuravam as escolas tradicionais religiosas. De fato, a urbaniza-</p><p>ção e a industrialização criaram o fenômeno das crianças na rua, e havia a necessidade de</p><p>“controle do corpo infantil”, a fim de evitar os problemas sociais que daí poderiam derivar.</p><p>Apesar das críticas dos religiosos à educação laica, lentamente os governos conseguiam</p><p>intervir inclusive nas escolas particulares, mediante legislação que buscava uniformizar o</p><p>calendário escolar, o controle do tempo, o currículo, os procedimentos, criando os “sistemas</p><p>educativos nacionais”. Neste período, verificou-se uma nítida separação entre os pedago-</p><p>gos, os teóricos da educação, e os educadores propriamente ditos, que exerciam seu mister</p><p>nas salas de aula.. Na reorganização da rede secundária, mantinha-se a dicotomia que</p><p>destina à elite burguesa a formação clássica e propedêutica, enquanto para o trabalhador</p><p>diferenciado da indústria e do comércio é reservada a instrução técnica. No ensino uni-</p><p>versitário, ampliado e reformulado, foram criadas as escolas politécnicas para atender às</p><p>necessidades decorrentes do avanço da tecnologia. Iniciados por Froebel, surgiram os “jar-</p><p>dins da infância”. O interesse pela educação estendeu-se às escolas normais, denominação</p><p>genérica dada aos cursos de preparação para o magistério Ao lado da expansão da rede</p><p>escolar, outro objetivo dos educadores no século XIX era formar a consciência nacional e</p><p>patriótica do cidadão. Até então a educação tivera um caráter geral e universal, mas agora</p><p>se dava maior ênfase à formação cívica, certamente em razão das tendências nacionalis-</p><p>tas da época. Veremos adiante como a emergência do movimento romântico na Alemanha</p><p>repercurtiu na pedagogia daquele época.</p><p>Texto extraído do livro História da Educação e da Pedagogia de Mária Lúcia de Arruda Aranha, 2006, páginas</p><p>200/201.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA</p><p>Documento importante, elaborado no século XX por educadores e intelectuais</p><p>do Brasil, o qual nos situa no contexto educacional da época: fazem propostas</p><p>pautadas em uma educação de qualidade baseada em princípios como gratui-</p><p>dade, laicidade, obrigatoriedade.</p><p>• O vídeo de um dos manifestos mais importantes da história, “Os pioneiros,</p><p>entusiastas da educação nova” está disponível em: https://ytube.io/3H5R.</p><p>Acesso em: 01 fev. 2021</p><p>• A Universidade Virtual de São Paulo também disponibiliza uma aula muito</p><p>interessante sobre a “Legislação do Ensino” e está disponível em: https://ytu-</p><p>be.io/3H5S. Acesso em: 01 fev.2021</p><p>• Acesse também o documento referente a “Educação Nova” que está disponí-</p><p>vel em formato PDF em: https://ytube.io/3H5S. Acesso em: 01 fev. 2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>59</p><p>“Os dois enfoques citados nos mostram que os aspectos positivos, deixados como legado,</p><p>embora tenham se concretizado no século XX, tornam-se obsoletos e precários para o</p><p>público do século XXI. Por outro lado, os aspectos negativos perduram até os dias atuais,</p><p>podendo ter responsabilidade pelo retrocesso de um legado que poderia mudar os rumos</p><p>da educação de nosso país”.</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>Legado: o que é transmitido a outrem que vem a seguir</p><p>Subvenção: transferência de recursos financeiros públicos, para instituições privadas e</p><p>públicas, de caráter assistencial, sem fins lucrativos, com o objetivo de cobrir despesas de</p><p>seus custeios.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>60</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. (ENADE) Sobre as distintas concepções de educação ao longo da história, numere a</p><p>coluna da direita de acordo com sua correspondência com a coluna da esquerda:</p><p>João Amos</p><p>Comenius</p><p>As instituições educacionais corrompem o homem e tiram a liber-</p><p>dade. Para a construção do homem e da nova sociedade, é preciso</p><p>educar a criança de acordo com os princípios da natureza, forman-</p><p>do seus sentidos e a racionalidade para a liberdade e capacidade de</p><p>discernimento.</p><p>Jean Jacques</p><p>Rousseau</p><p>A escola deve incentivar a discussão de temas sociais a partir dos</p><p>quais o professor e os alunos agem em conjunto, sustentada em</p><p>uma concepção dialética em que o docente e o discente aprendem</p><p>juntos dinamicamente, por meio de uma prática orientada pela</p><p>teoria e de processos constantes de troca de ideias entre professor e</p><p>aluno.</p><p>Johan F.</p><p>Herbart</p><p>A prática escolar deve imitar os processos da natureza. Nas relações</p><p>entre docente e discente, os interesses da criança devem ser consi-</p><p>derados. A organização do tempo e do currículo deve considerar os</p><p>limites do corpo e a necessidade, das crianças e dos adultos, de ter</p><p>outras atividades.</p><p>Paulo Freire O objetivo maior da educação é a moralidade, em um processo no</p><p>qual o professor é o arquiteto da</p><p>mente dos alunos.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima</p><p>para baixo:</p><p>a) 4 – 3 – 2 – 1.</p><p>b) 2 – 4 – 1 – 3.</p><p>c) 1 – 2 – 4 – 3.</p><p>d) 4 – 3 – 1 – 2.</p><p>e) 2 – 4 – 3 – 1.</p><p>2. O pensamento filosófico-educacional fundamenta-se em teorias sobre a sociedade e</p><p>o papel da escola. Um de seus grandes representantes foi Jean-Jacques Rousseau, que</p><p>influenciou as ideias pedagógicas iluministas e inaugurou uma nova forma de pensar a</p><p>educação, segundo a qual a(o):</p><p>a) A transformação educativa deve ocorrer paralelamente à revolução social.</p><p>b) A mente nasce desprovida de conteúdos, nada se aprende, não há ideias inatas.</p><p>c) Aversão pelo tédio deve ser evitada, devendo-se despertar a capacidade de admirar e</p><p>perguntar como início de autêntico ensino.</p><p>d) O homem nasce bom e a sociedade o perverte, cabendo à educação formá-lo como</p><p>ser humano e como cidadão.</p><p>e) O impulso para a busca pessoal e a verdade deve ser despertado e estimulado, sendo</p><p>o autoconhecimento o início do caminho para o verdadeiro saber.</p><p>61</p><p>3. Sua filosofia da educação foi determinante para que a Escola Nova se propagasse por</p><p>quase todo o mundo:</p><p>a) Paulo Freire.</p><p>b) John Dewey.</p><p>c) Carl Rogers.</p><p>d) Pestalozzi.</p><p>e) Maria Montessouri.</p><p>4. (ENADE, 2008) O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova foi publicado em 1932 e</p><p>assinado por 26 educadores brasileiros, entre eles Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo</p><p>e Lourenço Filho. Nos trechos a seguir, aparecem algumas de suas principais ideias. Mas,</p><p>do direito de cada indivíduo à sua educação integral, decorre logicamente para o Estado</p><p>que o reconhece e o proclama, o dever de considerar a educação, na variedade de seus</p><p>graus e manifestações, como uma função social e eminentemente pública, que ele é</p><p>chamado a realizar, com a cooperação de todas as instituições sociais. A consciência</p><p>desses princípios fundamentais da laicidade, gratuidade e obrigatoriedade, consagrados</p><p>na legislação universal, já penetrou profundamente os espíritos, como condições</p><p>essenciais à organização de um regime escolar, lançado, em harmonia com os direitos</p><p>do indivíduo, sobre as bases da unificação do ensino, com todas as suas consequências.</p><p>Com base nesses trechos, conclui-se que, em seu contexto histórico, o Manifesto era:</p><p>a) Libertário, pois pregava o fim do Estado.</p><p>b) Autoritário, já que defendia a obrigatoriedade escolar.</p><p>c) Elitista, porque pregava a dualidade do sistema de ensino.</p><p>d) Inovador, pois compreendia a educação como um direito social.</p><p>e) Conservador, na medida em que entendia a educação pública como privilégio.</p><p>5. As transformações sócio-político-econômicas ocorridas no Brasil nos anos 1920 e 1930,</p><p>gerou a mobilização de diversos segmentos da intelectualidade com objetivo de propor</p><p>algo novo para a educação brasileira. Deste movimento surgiu a Escola Nova, uma</p><p>proposta educacional que defendia:</p><p>a) A observação da educação como um problema social, que deve ter atenção e prioridade</p><p>da sociedade e do Estado. Pregando uma educação escolástica baseada nos princípios</p><p>tradicionais da educação brasileira concebida pelos Jesuítas sem influências externas.</p><p>b) O ensino público, laico e gratuito, de caráter obrigatório e com responsabilidade</p><p>dividida entre o Estado e a família. Ao Estado cabia garantir a oferta de vagas em uma</p><p>escola autônoma e à família cabia garantir a frequência escolar dos educandos</p><p>c) A ampliação da rede de ensino privada e pública, garantindo o caráter laico do ensino</p><p>oferecido e estabelecendo faixas de pagamento de anuidades de acordo com o poder</p><p>aquisitivo da família do educando.</p><p>d) A co-educação entre Estado e família, cabendo ao Estado a oferta de ensino público,</p><p>obrigatório e focalizado nas necessidades do aluno e da sociedade, e à família cabia o</p><p>custeio da formação dos seus filhos.</p><p>e) Um ensino autônomo, que garantia independência em relação aos interesses estatais,</p><p>62</p><p>mas tendo como referência a linha adotada nas escolas católicas existentes a época.</p><p>6. Em se tratando de história da educação brasileira, em 1879 houve a reforma de Leôncio</p><p>de Carvalho, que entre outros aspectos:</p><p>a) Apontar que no período da exploração inicial, os esforços educacionais foram dirigidos</p><p>aos indígenas, submetidos à chamada "catequese" promovida pelos missionários jesuítas</p><p>que vinham ao novo país difundir a crença cristã entre os nativos.</p><p>b) Houve a expulsão dos jesuítas (reformas pombalinas), passando a ser instituído o</p><p>ensino laico e público através das aulas régias, e os conteúdos baseiam-se nas Cartas</p><p>Régias, a partir de 1772, data da implantação do ensino público oficial no Brasil (que</p><p>manteve o Ensino Religioso nas escolas).</p><p>c) Propunha também o fim da proibição da matrícula para escravos mas que vigorou</p><p>por pouco tempo.</p><p>d) Confirmou que o padre Manuel de Nóbrega chefiou a primeira missão da ordem</p><p>religiosa.</p><p>e) Fundou-se a Universidade Federal do Amazonas, considerada a mais antiga</p><p>universidade brasileira.</p><p>7. Tendo em vista os estudos históricos sobre a relação entre a educação escolar e a</p><p>formação profissional no Brasil, é verdade que:</p><p>a) Na época dos jesuítas a dimensão prática foi colocada de lado, não havendo</p><p>preocupação com a preparação para o trabalho.</p><p>b) A partir da Lei Nº 5692, aprovada em 1971, o ensino de Segundo Grau tornou-se</p><p>obrigatoriamente profissionalizante.</p><p>c) Com a vinda da Família Real a escola afastou-se da tarefa de suprir as necessidades de</p><p>mão-de-obra, priorizando a formação política.</p><p>d) No Império nenhuma iniciativa de formação profissional foi tomada, mas foi priorizado</p><p>o atendimento destinado aos escravos alforriados.</p><p>e) Com a Lei de Diretrizes e Bases Nº 9394, aprovada em 1996, a educação profissional</p><p>deixa de ter um capítulo especial e perde importância.</p><p>8. “A questão da periodização é, sem dúvida, uma das mais relevantes e também das</p><p>mais complexas e, por isso mesmo, das mais controvertidas no campo dos estudos</p><p>históricos. Em verdade, a periodização não é um dado empírico, isto é, não está inscrita</p><p>no próprio movimento objetivo dos fenômenos históricos investigados. A periodização,</p><p>enquanto uma exigência de compreensão do objeto, é, antes, uma questão teórica que</p><p>se põe para o historiador ao enfrentar a tarefa de organizar os dados visando a explicar o</p><p>fenômeno que se propôs investigar”. (SAVIANI, 2008, p. 12).</p><p>Ao realizar a periodização das ideias pedagógicas no Brasil, Saviani (2008) aponta quatro</p><p>períodos que vão de 1549 a 2001. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a</p><p>característica geral das ideias pedagógicas no 4° período.</p><p>a) Predominância da pedagogia nova.</p><p>b) Monopólio da vertente religiosa da pedagogia tradicional.</p><p>c) Configuração da concepção pedagógica produtivista.</p><p>63</p><p>d) Coexistência entre as vertentes religiosas e leigas da pedagogia tradicional.</p><p>e) Todas as alternativas estão corretas</p><p>64</p><p>A EDUCAÇÃO</p><p>PÓS-CONTEMPORÂNEA</p><p>– SÉCULO XX</p><p>65</p><p>O século XX foi marcado por grandes acontecimentos como as grandes</p><p>guerras mundiais: a primeira (1914-1918) e segunda (1939-1945), a fundação da URSS –</p><p>União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1922, bem como a grande depressão</p><p>econômica ocasionada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, fatos</p><p>que influenciaram o mundo inteiro. Trata-se de um período da história mundial onde</p><p>ocorreram grandes mudanças no estilo de vida dos cidadãos, fortemente influenciado,</p><p>inclusive, pelo desenvolvimento científico e tecnológico. A educação já estava sendo</p><p>impactada com movimentos na sociologia, psicologia e pedagogia, conforme discorre:</p><p>O século XX foi um período marcado por rápidas trans-</p><p>formações em todos os setores do conhecimento hu-</p><p>mano, impulsionadas pelo avanço da ciência e tecno-</p><p>logia. Entretanto, muitas dessas mudanças tiveram</p><p>sua origem nas formulações teóricas desenvolvidas no</p><p>século anterior. No campo das relações entre capital e</p><p>trabalho, as teses divulgadas em 1848 por Marx e Engels</p><p>em seu Manifesto Comunista encontraram aplicação</p><p>prática em 1917, com a revolução que em 1922 criou</p><p>a</p><p>União Soviética. Passando do coletivo para o individu-</p><p>al, o estudo dos processos mentais iniciados em 1879</p><p>só viria a revolucionar as relações humanas mais tarde,</p><p>quando Freud desvendou o inconsciente e criou a psi-</p><p>canálise. De forma semelhante as reformas educacio-</p><p>nais implementadas pelas escolas novas devem muito à</p><p>educação progressista de John Dewey e os conceitos da</p><p>psicologia (TERRA, 2014, p. 68, 69).</p><p>Esta Unidade fará uma breve apresentação das concepções pedagógicas que</p><p>marcaram e ainda influenciam a educação, as quais serão aprofundadas na disciplina</p><p>de Didática. Apresentará alguns teóricos e seus ideais que vêm contribuindo com a</p><p>evolução da educação, até os dias atuais, seja de forma positiva ou negativa.</p><p>5.1 CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS NO SÉCULO XX</p><p>As correntes educacionais seguem evoluindo ou retrocedendo, de acordo com</p><p>o contexto histórico vivenciado. A partir do século XX, concepções pedagógicas se</p><p>evidenciam nas áreas da sociologia, da tecnologia, da psicologia, dentre outras. Tais</p><p>concepções são tratadas especificamente por teóricos como Libâneo (1985) em sua</p><p>obra Tendências Pedagógicas, Abordagens Do Processo de Mizukami (1992) e Teorias</p><p>Pedagógicas de Saviani (1985) conforme apresenta o quadro abaixo:</p><p>CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS SEGUNDO TEÓRICOS</p><p>LIBÂNEO (1985)</p><p>TENDÊNCIAS</p><p>SAVIANI (1985) -</p><p>IDEIAS/TEORIAS</p><p>MIZUKAMI (1992)</p><p>ABORDAGENS</p><p>Pedagogias</p><p>Liberais</p><p>Pedagogias</p><p>Progressistas</p><p>Teorias não</p><p>críticas</p><p>Teorias não críticas Tradicional</p><p>Tradicional Libertadora Tradicional Tradicional Comportamentalista</p><p>Renovada</p><p>Progressista</p><p>Libertária Nova Nova Humana</p><p>66</p><p>Renovada</p><p>não diretiva</p><p>Crítico-social</p><p>dos</p><p>conteúdos</p><p>Tecnicista Tecnicista Cognitivista</p><p>Tecnicismo Teorias não críticas Sociocultural</p><p>Quadro 3: Concepções Pedagógicas, segundo Libâneo, Saviani e Mizukami</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>5.2 CONCEPÇÃO SOCIOLÓGICA</p><p>A partir de movimentos operários iniciados por Lenin (1917), na Rússia, que derrubou</p><p>Nicolau II em que, na ocasião a população vivia em total miséria, a classe operária era</p><p>explorada e não contava com mínimas condições dignas para o trabalho. Pode se dizer</p><p>que os movimentos sofreram influência de filósofos ativistas como Karl Marx e Georg</p><p>Wilhelm Hegel. A concepção sociológica considera o problema social como o foco</p><p>principal da educação. Defende que as questões sociais influenciam o processo educativo</p><p>de uma sociedade. A educação, portanto, cumpre determinado papel, dependendo</p><p>da realidade vivenciada em seu contexto histórico, no qual a sociedade está inserida,</p><p>seja para a mudança ou para a reprodução social (Bourdieu, Passeron). De acordo com</p><p>(ARANHA, 2006) as ideias socialistas provocaram grandes alterações nas concepções</p><p>pedagógicas. Destacam-se nomes como Karl Marx, Anton Makarenco, Gramsci e Hegel</p><p>que partiam da concepção histórica e dialética.</p><p>• Georg Wilhelm Hegel (1770-1831) – desenvolveu a filosofia do devir (movimento do</p><p>“vir a ser”) e a dialética idealista. Sua obra “O método” exerceu influência sobre outros</p><p>teóricos e filósofos como Karl Marx.</p><p>• Karl Marx (1818-1883) foi um filósofo, ativista político alemão, um dos fundadores do</p><p>socialismo científico e da sociologia. Pregava que a educação deveria ser para todos e</p><p>para uma formação capaz de tornar o homem agente de transformação da realidade,</p><p>mas ao mesmo tempo produto do meio, deixando patente que ele abordava a</p><p>educação partindo-se de críticas à sociedade capitalista:</p><p>Nessa visão crítica, a ideia de que a escola é um local de</p><p>“democratização do saber” encobre a contradição fun-</p><p>damental da sociedade capitalista. Na verdade, a escola</p><p>classista é mais um dos espaços destinados à reprodu-</p><p>ção da hierarquia econômica, entre proprietários e não</p><p>proprietários; da hierarquia social entre burgueses e</p><p>proletários; e da hierarquia política entre governantes e</p><p>governados. [...] A educação voltada para o atendimento</p><p>das demandas da divisão do trabalho capitalista difun-</p><p>de uma consciência social deformada, que aceita como</p><p>natural a divisão entre o trabalho intelectual (concep-</p><p>ção) e braçal (execução). O trabalhador é visto apenas</p><p>como uma engrenagem da desumana máquina, redu-</p><p>zido a sua ocupação funcional e impedido de realizar</p><p>suas potencialidades humanas. Essa educação alienada</p><p>e alienante forma os futuros trabalhadores como seres</p><p>especializados, desinteressados dos resultados do seu</p><p>trabalho para a sociedade, preocupados apenas com</p><p>67</p><p>o salário no fim do mês. Uma educação voltada para</p><p>a produção, e o trabalho como um fim em si mesmo,</p><p>mero meio de subsistência. (TERRA, 2014, p. 70).</p><p>• Antônio Gramsci (1871 a 1937) – filósofo e jornalista – Para Gramsci a educação</p><p>intelectual é direito de todos e não somente para os filhos da classe dominante. O</p><p>modelo de escola para Gramsci idealizava um ensino público, gratuito, humanístico</p><p>que pudesse contemplar tanto a instrução técnica/profissional quanto a formação</p><p>propedêutica que abrange a instrução científica, literária e filosófica. Opunha-se aos</p><p>modelos de escolas elitistas e utilitaristas, uma vez que a primeira privilegiava a classe</p><p>dominante, enquanto a segunda formava as massas para o trabalho braçal.</p><p>• Anton Makarenko (1888 a 1939) – seu ideal era que a escola fosse uma coletividade</p><p>igualitária, participativa e solidária. Trabalhava com crianças e jovens recolhidos das</p><p>ruas e acreditava que, ao mesmo tempo em que a escola deveria permitir a liberdade</p><p>e individualidade dos internos, deveria exercer uma disciplina rígida. A escola tinha</p><p>um projeto: a construção do Socialismo na União Soviética</p><p>• István Mészáros (1930-2017) – Para o filósofo a educação precisa estar a serviço do</p><p>desenvolvimento da consciência socialista. Cita dois conceitos (utilizados em prol</p><p>do capitalismo) que são centrais e necessários para a compreensão de seu projeto</p><p>às críticas contra o capitalismo: a doutrinação e a internalização. A doutrinação, na</p><p>concepção do autor, é a tentativa da educação pelo olhar do “capital” para fazer-</p><p>se acreditar que o capitalismo é o único regime possível, ainda que alienante. Já a</p><p>internalização, segundo o filósofo, atua nos indivíduos, no sentido não só da aceitação</p><p>do capitalismo (como regime vigente), mas para legitimá-lo, incorporando-o ao</p><p>cotidiano, o que conta com os aparelhos ideológicos do Estado, sobretudo das</p><p>instituições que promovem o ensino formal (a escola), para a reprodução do discurso</p><p>da classe dominante.</p><p>O ideal, pregado pelos movimentos socialistas em prol da educação, buscava:</p><p>“A preparação dos seres humanos para construírem uma sociedade socialista a fim de que</p><p>todos pudessem viver totalmente livres e com direitos iguais. Os teóricos da educação con-</p><p>templam, em suas obras, a base que permite a transição para uma sociedade comunista,</p><p>livre de uma sociedade hierárquica e desigual que convive com as injustiças e individualida-</p><p>des decorrentes do capitalismo. As ideias socialistas influenciaram educadores como Antô-</p><p>nio Gramsci, Anton Makarenko e István Mészáros”. Disponível em: https://bityl.co/6VfY. Acesso</p><p>em 20 fev.2021</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>• Foi citado, nesta Unidade, a “Reprodução Social” em virtude da abordagem</p><p>da Concepção Pedagógica Socialista. Para que você, aluno, entenda melhor,</p><p>consulte o livro: Bourdieu & a Educação dos autores Maria Alice Nogueira e</p><p>Cláudio M. Martins Nogueira (2009) no capítulo IV – “A escola e o processo de</p><p>reprodução das desigualdades sociais” . Disponível em: https://bityl.co/6Vfj.</p><p>Acesso em: 20 fev. 2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>68</p><p>• A mecanização da educação foi um ideal difundido pelo educador Come-</p><p>nius como abordado na unidade anterior, mas também tratado na presente</p><p>unidade como “a educação voltada para o atendimento das demandas da</p><p>divisão do trabalho capitalista”. Para que você, aluno, compreenda melhor a</p><p>mecanização, sugere-se o filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin. Dis-</p><p>ponível em: https://ytube.io/3H5Z. Acesso em: 15 fev. 2021.</p><p>5.3 CONCEPÇÃO PSICOLÓGICA</p><p>Defende a criança como o centro</p><p>do processo educacional, a partir do qual devem</p><p>ser consideradas as etapas de seu desenvolvimento físico e psicológico. Dentro dessa</p><p>concepção, destacam-se correntes como a Escola Nova originada a partir do movimento</p><p>escolanovismo que buscava a superação do modelo tradicionalista de educação (que</p><p>tem como método a memorização dos conteúdos, a passividade do estudante que</p><p>recebe os ensinamentos do professor, sendo este o detentor do saber, que apresenta os</p><p>conteúdos a partir de aulas expositivas).</p><p>1. A Escola Nova - tinha o objetivo de promover uma educação liberal que</p><p>contemplava o desenvolvimento da personalidade do estudante, por meio de sua</p><p>participação efetiva no processo de Ensino e de Aprendizagem. Alguns teóricos</p><p>contribuíram para a propagação das novas ideias pedagógicas:</p><p>• John Dewey (1859-1952) – Filósofo e Pedagogo: autor das ideias pedagógicas que</p><p>originaram o movimento da Escola Nova. A partir de sua tese de doutorado que contou</p><p>com referências como Kant e Hegel, defende que o ensino precisa aliar teoria à prática,</p><p>ideia concebida a partir do pragmatismo. Atualmente o teórico é referência para a</p><p>Pedagogia de Projetos que enfatiza o “Aprender fazendo” como desenvolvimento de</p><p>competências no cotidiano escolar. A partir desse pensamento dizia que a escola</p><p>não prepara o aluno para a vida, mas ela é a própria vida, a partir da qual as vivências</p><p>devem ser valorizadas para o desenvolvimento da capacidade prática. De acordo com</p><p>(TERRA, 2014), vale destacar que Dewey vivencia grandes mudanças na sociedade dos</p><p>Estados Unidos, a partir da guerra civil entre1861 a 1865: as cidades se modificam pela</p><p>industrialização acelerada e a chegada de trabalhadores que migram do campo em</p><p>busca de uma vida melhor. Esta época foi marcada, também, pelo fim da escravidão.</p><p>• Jean-Ovide Decroly (1871 a 1932); ênfase no “Aprender a aprender” através de centros</p><p>de interesse.</p><p>• Maria Montessori (1870-1952) na Itália - destaca-se o ambiente que deve ser</p><p>apropriado à criança, prestigiando a educação dos sentidos.</p><p>2. Pedagogia Não Diretivas. A função desta pedagogia é a de facilitar a aprendizagem</p><p>sem a direção do professor, mero facilitador, que permite ao aluno vivenciar a sua própria</p><p>experiência:</p><p>• Alexander Neill (1883-1973) - fundador da escola Summerhill na Inglaterra – a escola</p><p>não seguia os parâmetros exigidos por lei: as crianças são livres para vivenciarem suas</p><p>emoções e instintos.</p><p>• Carl Rogers (1902-1987) – defende a relação entre as pessoas para que se desenvolvam,</p><p>uma vez que o ato educativo é relacional.</p><p>69</p><p>3. Pedagogia Cognitiva. Grandes teóricos pesquisadores deram importância a três</p><p>dimensões importantíssimas para o entendimento do desenvolvimento da criança em</p><p>suas diversas fases da vida e de como ela aprende: a motora, a afetiva e a cognitiva.</p><p>Citamos alguns teóricos e suas contribuições para esta concepção de educação.</p><p>• Jean Piaget (1896-1980) - Epistemologia Genética: que investiga o desenvolvimento</p><p>cognitivo do indivíduo desde o nascimento até a adolescência.</p><p>Para a efetiva aprendizagem devem ser considerados:</p><p>• As fases do desenvolvimento da criança;</p><p>• Os pré requisitos de conteúdos a serem trabalhados;</p><p>• O conhecimento prévio do estudante;</p><p>Máxima: “O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados,</p><p>mas é antes de tudo aprender a aprender, é aprender a se desenvolver e aprender a</p><p>continuar a se desenvolver depois da escola”.</p><p>• Lev Semenovich Vygotsky (1896-1934) – Avaliar a criança a partir da Zona de</p><p>Desenvolvimento Proximal – ZDP, ou seja, considerar a zona real e a zona potencial</p><p>de aprendizagem.</p><p>Máxima: “Para compreender a linguagem dos demais não é suficiente compreender</p><p>as palavras, é necessário entender seu pensamento”.</p><p>• Henri Wallon (1879-1962) – valorizou a afetividade no processo de aprendizagem.</p><p>Máxima: “A criança responde às impressões que as coisas lhe causam com gestos</p><p>dirigidos a elas”.</p><p>• David Paul Ausubel (1918 – 2008) – Aprendizagem significativa.</p><p>Máxima: Se eu pudesse reduzir toda a psicologia educacional a uma só frase, eu</p><p>diria isto: o fator mais importante que influencia a aprendizagem é o que o estudante já</p><p>sabe. Verifique isso e ensine de acordo.</p><p>5.4 CONCEPÇÃO TECNOLÓGICA</p><p>Defende os meios e os métodos do trabalho educativo. O teórico que se destacou</p><p>foi:</p><p>• Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) – elaborou uma teoria do condicionamento</p><p>e da aprendizagem, a partir de estudos e experimentos sobre o comportamento</p><p>humano, estabelecendo meios de torná-lo previsível. Para este pesquisador, a função</p><p>do professor na sala de aula é conduzir um adequado programa de estudo, de</p><p>modo que o comportamento desejável do aluno seja convenientemente reforçado.</p><p>A proposta é que o controle do comportamento educacional do aluno será feito</p><p>por meio de uma forma de ensino, a partir da qual o aluno recebe recompensas</p><p>imediatas a cada resposta desejada. Skinner recebeu críticas devido ao caráter</p><p>mecanicista da pedagogia proposta, uma vez que a educação se reduz à mera</p><p>aquisição de ensinamentos preestabelecidos, o que não promove o desenvolvimento</p><p>da capacidade crítica do aluno, desfavorecendo, também, as relações afetivas entre</p><p>professor e aluno.</p><p>70</p><p>Pragmatismo – constitui uma escola de filosofia estabelecida no final do século</p><p>XIX, com origem no Metaphysical Club, um grupo de especulação filosófica lide-</p><p>rado pelo lógico Charles Sanders Peirce, pelo psicólogo William James e pelo juris-</p><p>ta Oliver Wendell Holmes, Jr., congregando em seguida acadêmicos importantes</p><p>dos Estados Unidos. Segundo essa doutrina metafísica, o sentido de uma ideia</p><p>corresponde ao conjunto dos seus desdobramentos práticos. Disponível em: ht-</p><p>tps://bit.ly/3oSUnF1. Acesso em 20 fev. 2021.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>As três tendências do pensamento educacional dos séculos XVIII e XIX contribuíram para este</p><p>ponto de vista eclético na educação. Em geral as contribuições psicológicas foram sobretudo</p><p>para o método; a científica, para o conteúdo; a sociológica, para um objetivo mais amplo e</p><p>para um melhor mecanismo institucional. E, além disso, cada movimento exerceu sua influ-</p><p>ência particular sobre o método, sobre a finalidade, sobre a organização e sobre o conteúdo.</p><p>As contribuições mais importantes destes movimentos podem ser resumidas em poucas</p><p>frases. De Rousseau veio a ideia de que a educação é vida, que deve centralizar-se na criança</p><p>e encontrar sua finalidade no indivíduo e em cada estádio particular da vida. De Pestalozzi</p><p>veio a ideia de que o trabalho educativo eficiente depende do conhecimento atual da criança</p><p>e de uma genuína simpatia por ela; que a educação é um crescimento dentro e não uma sé-</p><p>rie de acréscimos de fora; que este crescimento é o resultado das experiências ou atividades</p><p>da criança; consequentemente que são os objetos e não os símbolos que devem formar a</p><p>base do processo de instrução; que as percepções sensoriais e não os processos da memória</p><p>formam a base da primeira educação. De Herbart veio a ideia dum processo científico de ins-</p><p>trução, a base científica da organização do currículo; e a ideia da formação do caráter como</p><p>alvo da instrução, a ser alcançado cientificamente por meio do uso do método e de currículo</p><p>conforme foram definidos. De Froebel veio a verdadeira concepção da natureza da criança; a</p><p>correta interpretação de que o ponto de partida da educação está na tendêncida da criança</p><p>para a atividade; a verdadeira interpretação do currículo como representação para a criança</p><p>do resumo da experiência do mundo ou da herança da cultura da raça; e em geral, a primeira</p><p>e, contudo, a mais completa aplicação da teoria da evolução ao problema de educação. Da</p><p>tendência científica veio a insistência por uma revisão do conceito de educação liberal, uma</p><p>nova definição da cultura exigida pelo ponto de vista sociológico, para que o ensino indus-</p><p>trial, tecnico e profissional fosse introduzido em todos os estádios da educação e que se fizes-</p><p>se tudo, a fim de contribuir para o desenvolvimento do homem livre,</p><p>4.3 A Educação No Brasil A Partir Da Contemporaneidade: Um Breve Histórico .................................................................................................................................54</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................60</p><p>EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE</p><p>5.1 Concepções Educacionais No Século XX .....................................................................................................................................................................................................................65</p><p>5.2 Concepção Sociológica ...........................................................................................................................................................................................................................................................66</p><p>5.3 Concepção Psicológica ...........................................................................................................................................................................................................................................................68</p><p>5.4 Concepção Tecnológica .........................................................................................................................................................................................................................................................69</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................72</p><p>A EDUCAÇÃO PÓS-CONTEMPORÂNEA – SÉCULO XX</p><p>6.1 As Dificuldades Das Escolas Pela Adoção Emergencial Do Ensino Remoto No Brasil ...............................................................................................................77</p><p>6.2 A Nova Relação Família-Escola ..........................................................................................................................................................................................................................................79</p><p>6.3 Ensino Híbrido: Uma Nova Concepção De Educação? ....................................................................................................................................................................................80</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................................................................................................................................................86</p><p>RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO........................................................................................................................................................................................................................92</p><p>REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................................................................................................................................................................93</p><p>A EDUCAÇÃO NO ANO DE 2020 EM MEIO À CRISE DE UMA PANDEMIA</p><p>UNIDADE 5</p><p>UNIDADE 6</p><p>8</p><p>O</p><p>N</p><p>FI</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>O</p><p>L</p><p>I</p><p>C</p><p>V</p><p>R</p><p>O</p><p>UNIDADE 1</p><p>Nesta unidade serão abordados os aspectos do período paleolítico e neolítico,</p><p>primórdios da humanidade. As características da educação difusa nas sociedades</p><p>tribais serão apresentadas, bem como a educação na antiguidade clássica, mais</p><p>especificamente na Grécia e Roma.</p><p>UNIDADE 2</p><p>A abordagem sobre os ideais da educação na Idade Média, ressaltará as características</p><p>da Educação Medieval (influência da igreja católica na educação), a Educação Feudal</p><p>(surgimento da classe burguesa) e a Educação Urbana (educação difundida por</p><p>meio da linguagem oral e artística).</p><p>UNIDADE 3</p><p>A Idade Moderna apresenta a institucionalização da escola, o diálogo entre o antigo</p><p>e o moderno para o resgate de uma educação humanista e a influência da revolução</p><p>francesa na vida do cidadão. Fará, também, uma breve abordagem sobre a educação</p><p>no Brasil a partir do século XVI.</p><p>UNIDADE 4</p><p>A Unidade 4 aborda o Iluminismo que marca o início do século XVIII iniciando</p><p>a contemporaneidade, marcada por revoluções importantes que alteraram</p><p>significativamente a vida do cidadão do mundo.</p><p>UNIDADE 5</p><p>A Unidade 5 faz uma breve abordagem das concepções pedagógicas que têm</p><p>norteado o trabalho educacional em todo o mundo. No entanto, o assunto será mais</p><p>bem detalhado e aprofundado na disciplina de Didática.</p><p>UNIDADE 6</p><p>A Unidade 6 apresentará o Ensino Remoto, fruto de uma educação que se constituiu</p><p>emergencial devido à pandemia do Coronavírus. A nova relação famíia/escola será</p><p>abordada, apresentando uma pequena abordagem acerca do Ensino Híbrido que</p><p>já vem sendo discutido e experimentado há mais de 20 anos e que agora tem a</p><p>oportunidade de se firmar à nova realidade do século XXI.</p><p>9</p><p>DOS PRIMÓRDIOS</p><p>À ANTIGUIDADE</p><p>OCIDENTAL</p><p>10</p><p>Para que se entenda a evolução do homem que o inseriu em sociedade e, para</p><p>tanto, necessitando de uma vida organizada que transfere às próximas gerações seu</p><p>modo de vida para a sobrevivência, faz-se necessária uma abordagem que situe o ser</p><p>humano na pré-história: o período Paleolítico e o Neolítico, conhecidos como idade da</p><p>pedra e que marcam o primeiro período da história da humanidade de aproximadamente</p><p>5.000.000 a 5.000 a.C.</p><p>O período Paleolítico, também conhecido como idade da pedra lascada, era</p><p>dividido em paleolítico inferior e superior. Tem características que apontam que o homem</p><p>vivia em grupos, era nômade e lutava por sua sobrevivência. Os primeiros hominídeos</p><p>viviam da caça e da coleta. Já possuíam o controle do fogo e confeccionavam seus</p><p>próprios instrumentos de trabalho como a faca e o machado, utilizando-se de materiais</p><p>como a pedra lascada, madeiras e ossos. Posteriormente, foram aperfeiçoando as suas</p><p>ferramentas, a partir de marfim e ossos para a confecção de arco e flecha, lançador de</p><p>dardos, anzol e linha, o que comprova que desenvolviam o hábito da caça e da pesca.</p><p>As pesquisas mostram, a partir dos historiadores e antropólogos, que nessa época já</p><p>desenvolviam a pintura e a arquitetura.</p><p>Já o período Neolítico é dividido em dois momentos: idade da pedra polida e idade</p><p>dos metais. Na primeira fase, inicia-se o cultivo dos campos, o que contavam com o auxílio</p><p>de ferramentas como a enxada e passaram a desenvolver o artesanato que consistia na</p><p>confecção da cerâmica e dos tecidos, a partir do tear inventado por eles. Surge, agora,</p><p>os primeiros arquitetos, que utilizavam as pedras para a edificação de suas moradias. A</p><p>segunda fase é marcada por invenções que alteram, radicalmente, a vida do ser humano</p><p>na face da terra: a roda, a escrita, a metalurgia e o arado de bois. Surgem as primeiras</p><p>cidades e a metalurgia.</p><p>Caro (a) aluno (a), sugere-se o filme “A Guerra do Fogo”, para que você en-</p><p>tenda o contexto da Pré-História, período no qual a descoberta e o domínio</p><p>da arte de “fazer” o fogo representava o poder de uma tribo sobre as demais</p><p>e sua luta pela sobrevivência. O filme aborda ainda, que sempre há alguém</p><p>que detém o conhecimento de algo e encontra uma maneira de transferi-lo a</p><p>outros, como nos mostra a cena em que um hominídeo ensina aos demais a</p><p>habilidade de “tirar” o fogo do atrito de um graveto com a pedra. Vale a pena</p><p>conferir a dica. O trailer está disponível em: https://bit.ly/3gxC0Dl. Acesso em:</p><p>14 fev. 2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>Falar em educação em uma época quando a escola ainda não se institucionalizava</p><p>em um ambiente fechado e organizado, num tempo em que não se imaginava adotar</p><p>métodos educacionais, a responsabilidade</p><p>- o cidadão plenamento</p><p>desenvolvido. Da tendência sociológica veio a crença geralmente aceita de que a educação</p><p>é o processo de desenvolvimento da sociedade; que seu objetivo é o produzir bons cidadãos;</p><p>prepará-lo para alguma forma de participação produtiva nas atividades sociais do presente,</p><p>numa palavra, que ele deve aprender a servir a si mesmo, por meio do serviço prestado aos</p><p>outros.</p><p>Texto extraído do livro História da Educação de Paul Monroe, 1970, páginas 364/365.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Caro aluno, estudamos neste capítulo acerca das concepções pedagógicas que,</p><p>em cada época, quebram paradigmas e contribuem com inovações para a edu-</p><p>cação em todo o mundo.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>71</p><p>A Escola Nova foi um movimento do “escolanovismo” que buscava uma educa-</p><p>ção mais ativa que enfatizasse a formação integral do cidadão, rompendo com</p><p>o autoritarismo da escola tradicional.</p><p>Para uma melhor compreensão do que foi o movimento da Escola Nova, assista</p><p>as três partes do projeto de “Didática Geral” desenvolvido pelo curso de Pedago-</p><p>gia da Universidade Federal de Santa Catarina.</p><p>• Parte 1. Disponível em: https://ytube.io/3H5c. Acesso em: 20 fev. 2021.</p><p>• Parte 2. Disponível em: https://ytube.io/3H5d. Acesso em: 20 fev. 2021</p><p>• Parte 3. Disponível em: https://ytube.io/3H5f. Acesso em: 20 fev. 2021.</p><p>A Escola Nova tem influenciado a educação brasileira até os dias atuais, seja para propos-</p><p>tas de novas metodologias, seja inspirando a elaboração de documentos legais. Como os</p><p>ideais deste movimento influenciou a construção da BNCC? Reflita sobre isso!</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>72</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. Diversas são as possibilidades de se reconhecer e categorizar as concepções</p><p>pedagógicas que pautaram e ainda pautam o fazer escolar no Brasil. Mas há vários</p><p>pontos de confluência nas classificações feitas pela literatura especializada. Acerca dessa</p><p>temática é correto afirmar que:</p><p>a) A Escola Nova no Brasil teve seu início após a aprovação da Constituição Federal de</p><p>1988, que consagrou novos direitos e ampliou o papel da educação em nosso país, e tem</p><p>por foco a educação para a democracia.</p><p>b) A pedagogia tradicional, também conhecida por reprodutivista, tem por escopo a</p><p>manutenção das tradições culturais, com forte ênfase no ensino das linguagens.</p><p>c) As pedagogias liberais têm a liberdade em sua essência, incentivando a escola a se</p><p>libertar de currículos oficiais e a produzir, autonomamente, suas próprias diretrizes para</p><p>o processo de ensino-aprendizagem.</p><p>d) A pedagogia tecnicista privilegia excessivamente a tecnologia educacional e</p><p>compreende os professores e os alunos como executores e receptores da proposta</p><p>educativa, normalmente elaborada com pouco vínculo com o contexto social a que se</p><p>destina.</p><p>e) A pedagogia histórico-crítica parte da história como a base de todo o conhecimento</p><p>e, por isso, centraliza o currículo a partir do ensino da história em cada um dos campos</p><p>de conhecimento e das diversas disciplinas.</p><p>2. (CONCURSO, 2016) A partir das décadas de 60 e 70, diversos teóricos, por diferentes</p><p>caminhos, chegam à conclusão que a escola está de tal forma condicionada pela</p><p>sociedade, dividida em classes, que, ao invés de democratizar, reproduz as diferenças</p><p>sociais, perpetuando o status quo. (ARANHA,1996, p. 176).</p><p>Essa teoria está representada na concepção:</p><p>a) Socialista.</p><p>b) Capitalista.</p><p>c) Não diretiva.</p><p>d) Crítico-reprodutivista.</p><p>e) Tecnicista.</p><p>3. Sobre as distintas concepções de educação ao longo da história, numere a coluna da</p><p>direita de acordo com sua correspondência com a coluna da esquerda:</p><p>1. João Amos Comenius.</p><p>2. Jean Jacques Rousseau.</p><p>3. Johan F. Herbart.</p><p>4. Paulo Freire.</p><p>I. As instituições educacionais corrompem o homem e tiram a liberdade. Para a</p><p>73</p><p>construção do homem e da nova sociedade, é preciso educar a criança de acordo com</p><p>os princípios da natureza, formando seus sentidos e a racionalidade para a liberdade</p><p>e capacidade de discernimento.</p><p>II. A escola deve incentivar a discussão de temas sociais a partir dos quais o professor</p><p>e os alunos agem em conjunto, sustentada em uma concepção dialética em que o</p><p>docente e o discente aprendem juntos dinamicamente, por meio de uma prática</p><p>orientada pela teoria e de processos constantes de troca de ideias entre professor e</p><p>aluno.</p><p>III. A prática escolar deve imitar os processos da natureza. Nas relações entre docente e</p><p>discente, os interesses da criança devem ser considerados. A organização do tempo</p><p>e do currículo deve considerar os limites do corpo e a necessidade, das crianças e dos</p><p>adultos, de ter outras atividades.</p><p>IV. O objetivo maior da educação é a moralidade, em um processo no qual o professor é</p><p>o arquiteto da mente dos alunos. Assinale a alternativa que apresenta a numeração</p><p>correta da coluna da direita, de cima para baixo.</p><p>a) 4 – 3 – 2 – 1.</p><p>b) 2 – 4 – 1 – 3.</p><p>c) 1 – 2 – 4 – 3.</p><p>d) 4 – 3 – 1 – 2.</p><p>e) 2 – 4 – 3 – 1.</p><p>4. (ENADE) Você e seus colegas de escola estão discutindo as contribuições de alguns</p><p>filósofos para a educação, entre as quais a teoria educacional de Dewey, que destaca a</p><p>noção de que:</p><p>a) A educação é um processo que deve romper com os limites que a ordem institucional</p><p>impõe à escola.</p><p>b) A brutalidade presente no homem é causada por sua inclinação para a liberdade, e</p><p>isto requer polimento.</p><p>c) O ensino e, por conseguinte, o aprendizado, deve partir dos conceitos morais e</p><p>intelectuais.</p><p>d) O homem tem necessidade de cuidados e formação, sendo que esta compreende,</p><p>além da disciplina, a instrução.</p><p>e) O importante para a criança e para o adulto é o aprendizado de como lidar com a</p><p>mudança constante.</p><p>5. (CONCURSO UFCG 2019) No percurso da educação brasileira, na década de 1970, junto</p><p>à presença da tendência tecnicista, surgiram estudos empenhados em fazer a crítica da</p><p>educação dominante, pondo em evidência as funções reais da política educacional que,</p><p>entretanto, eram acobertadas pelo discurso político pedagógico-oficial. Esses estudos</p><p>podem ser agrupados sob a égide de uma:</p><p>a) Tendência tradicional.</p><p>b) Tendência escolanovista.</p><p>c) Tendência crítico-reprodutivista.</p><p>d) Tendência construtivista.</p><p>74</p><p>e) Tendência positivista.</p><p>6. (IBGE – 2016 - Pedagogo) Marque a alternativa referente ao teórico que defendeu</p><p>a ideia de que “a escola, como todas as outras instituições sociais, atua no cotidiano</p><p>dos homens, e é a partir da dicotomia `mudanças versus conservação` que ela deve</p><p>ser analisada; além disso, a alienação e os preconceitos também se destacam como</p><p>dois elementos básicos que contribuem para reprodução da sociedade capitalista no</p><p>cotidiano”.</p><p>a) Karl Marx.</p><p>b) Auguste Comte.</p><p>c) Max Weber.</p><p>d) Émile Durkheim.</p><p>e) Karl Mannheim.</p><p>7. Dalben e Castro (2010), na obra A relação pedagógica no processo escolar: sentidos e</p><p>significados, realizam uma contextualização histórica da relação pedagógica na escola.</p><p>No que se refere à relação pedagógica no contexto da Escola Nova, é correto afirmar que</p><p>a(o):</p><p>a) Objetivo maior da relação pedagógica escolar é repassar os conhecimentos</p><p>considerados verdadeiros e corretos e controlar os significados e os valores sociais e</p><p>culturais das pessoas.</p><p>b) Relação pedagógica inspirada na interação entre os sujeitos e destes com o mundo</p><p>é apontada como base da produção do conhecimento escolar, e a ação do professor se</p><p>fundamenta nas experiências pessoais e subjetivas dos alunos.</p><p>c) Sistema educacional como um todo e a relação pedagógica escolar são impregnados</p><p>pela racionalidade técnica do trabalho produtivo. A questão educativa é enfocada como</p><p>um ajustamento individual e harmônico dos sujeitos.</p><p>d) Relação pedagógica defendida por essa proposta situa o conceito de diferença como</p><p>fundamental para sua compreensão; desse modo, o principal foco da relação pedagógica</p><p>torna-se o reconhecimento de cada um na sua individualidade.</p><p>e) Todas as alternativas estão corretas.</p><p>8. No que se refere ao Quarto Período (1969 a 2001) da História das Ideias Pedagógicas</p><p>no Brasil, Dermeval Saviani o considera como aquele em que se configurou a concepção</p><p>pedagógica produtivista.</p><p>Nessa perspectiva de análise, o autor caracteriza as concepções</p><p>pedagógicas de acordo com o contexto histórico. Diante disso, qual assertiva a seguir</p><p>corresponde à análise de Saviani (2008)?</p><p>a) Com base no pressuposto da neutralidade científica e distante dos princípios da</p><p>racionalidade, a pedagogia produtivista advoga a reordenação do processo educativo</p><p>de maneira que o torne subjetivo.</p><p>b) Enquanto na pedagogia tradicional o elemento principal passava a ser a organização</p><p>racional dos meios; na pedagogia tecnicista, a iniciativa cabia ao professor, que era o</p><p>sujeito do processo.</p><p>75</p><p>c) Com a aprovação da Lei n. 5.692, de 11 de agosto de 1971, buscou-se estender essa</p><p>tendência produtivista por meio da pedagogia tecnicista, na qual a organização do</p><p>processo converte-se na garantia da eficiência.</p><p>d) Do ponto de vista pedagógico, conclui-se que, se para a pedagogia tradicional, a</p><p>questão central é aprender a fazer; na pedagogia nova, o que importa é aprender; e</p><p>ainda, na pedagogia tecnicista, o que prevalece é o aprender a aprender.</p><p>e) Todas as alternativas estão corretas.</p><p>76</p><p>A EDUCAÇÃO NO ANO</p><p>DE 2020 EM MEIO À CRISE</p><p>DE UMA PANDEMIA</p><p>77</p><p>Nesta unidade será discorrido sobre o Ensino Remoto, fruto de uma educação</p><p>que se constituiu emergencial devido à pandemia do Coronavírus. Será apresentada</p><p>uma pequena abordagem acerca do Ensino Híbrido que já vem sendo discutido e</p><p>experimentado há mais de 20 anos e que agora tem a oportunidade de se adequar à</p><p>nova realidade do século XXI:</p><p>No início do ano de 2020 o mundo foi surpreendido por uma pandemia de um vírus</p><p>altamente contagioso e letal, o covid-19, o que obrigou a sociedade à mudança brusca</p><p>de conduta e comportamento. O primeiro caso de contágio pelo vírus SARS-CoV2, foi</p><p>identificado em Wuhan, na China, no final de dezembro do ano de 2019. Desde então, os</p><p>casos começaram a se espalhar rapidamente pelo mundo a partir do continente asiático,</p><p>espalhando-se para os demais.</p><p>Em fevereiro de 2020 identificou-se o primeiro caso no Brasil, mais especificamente</p><p>no estado de São Paulo. Então, pela propagação rápida do vírus à toda população</p><p>mundial, em março do mesmo ano, definiu-se o surto da doença como pandemia pela</p><p>OMS - Organização Mundial da Saúde.</p><p>A pandemia influenciou, negativamente, todos os setores da vida dos cidadãos</p><p>do mundo que, contra a sua vontade, viram-se obrigados ao confinamento no interior</p><p>de seus lares, impedidos da vivência em sociedade até mesmo para o trabalho. As</p><p>relações sociais se alteraram, muitas empresas encerraram as suas atividades por não</p><p>conseguirem se autosustentarem diante do cenário que a pandemia causou. As escolas</p><p>tiveram que suspender as suas atividades presenciais e a educação precisava, a partir de</p><p>então, mudar a sua modalidade de ensino para alcançar o seu público, agora ausente</p><p>das dependências físicas das instituições escolares.</p><p>No Brasil, os esforços foram empreendidos por parte dos entes federados, estados e</p><p>municípios, em busca de soluções tecnológicas. Reguladas por decretos e resoluções, as</p><p>secretarias de educação adotaram o caráter de ensino remoto, a partir do qual as escolas</p><p>se organizaram de forma emergencial para a capacitação do corpo administrativo e</p><p>docente, no sentido de prestar todo o apoio necessário às famílias dos alunos.</p><p>6.1 AS DIFICULDADES DAS ESCOLAS PELA ADOÇÃO</p><p>EMERGENCIAL DO ENSINO REMOTO NO BRASIL</p><p>A proposta de ensino remoto, a princípio, demonstra ser uma solução eficaz para</p><p>o problema, tendo em vista que o aluno terá toda a assistência necessária, uma vez que</p><p>os responsáveis se encontram confinados, também em casa, muitos trabalhando em</p><p>regime home office. No entanto, dificuldades são evidenciadas, principalmente para</p><p>os alunos das instituições públicas que se esbarram na falta de infraestrutura para a</p><p>adequação ao novo formato de ensino. Os desafios são incontáveis, começando pela</p><p>própria escola que tem a missão emergencial de readequar a sua proposta pedagógica a</p><p>partir de reuniões e planejamentos diários e ou semanais. Outra dificuldade identificada</p><p>diz respeito ao corpo docente, muitos professores ainda não têm afinidade com as</p><p>ferramentas digitais, necessitando, portanto, de capacitação pela própria escola que se</p><p>desdobra para dar conta de toda demanda que ainda é desconhecida para todos: um</p><p>grande desafio para “aprender a aprender” em caráter emergencial.</p><p>O momento obriga a se pensar em um ensino remoto emergencial: remoto</p><p>porque acontecerá à distância e necessitará de replanejamento das ações de Ensino e</p><p>78</p><p>de Aprendizagem para que os objetivos educacionais sejam alcançados; emergencial</p><p>porque o ano letivo não pode ser interrompido, quando há um calendário a ser cumprido.</p><p>O que precisa ficar claro para todos os envolvidos nesse processo (escola, família, alunos)</p><p>é que a nova modalidade de ensino e de aprendizagem, ainda que à distância, não</p><p>significa a adoção da EaD nas escolas, sendo esta modalidade de ensino regida por</p><p>legislação própria.</p><p>O momento é de desafio extremo em um país que ainda não superou os</p><p>problemas decorrentes do analfabetismo funcional, vê-se agora obrigado a ter que exigir</p><p>habilidades digitais e recursos próprios de alunos que, em sua maioria, não contam</p><p>com celulares e computadores para as novas demandas educacionais. O trabalho em</p><p>regime home office em alguns espaços escolares, alterou, significativamente, a vida</p><p>dos profissionais da educação, sobretudo do professor que teve a sua carga horária</p><p>“ampliada informalmente” em permanecer por importante tempo participando de</p><p>reuniões pedagógicas, planejando as suas aulas, entrando nas salas virtuais, orientando</p><p>e esclarecendo as dúvidas dos discentes que agora, contam com outras formas de</p><p>comunicação para as finalidades educacionais, dentre elas, o whats app, sem contar com</p><p>as tarefas que já faziam parte de sua rotina diária: correção de atividades e avaliações,</p><p>preenchimento de diários de classes, participação em Conselho de Classe, dentre outras.</p><p>Uma minoria de docentes pode contar com capacitações e treinamentos elaborados</p><p>pela própria rede de ensino, no entanto, a grande maioria viu-se obrigada a desempenhar</p><p>o seu papel, cumprindo todas as exigências impostas, sem sequer receber orientações</p><p>e diretrizes claras: muitas vezes o próprio corpo diretivo não detinha as informações a</p><p>serem repassadas: a situação é nova para todos que tentam se adequar a um “novo</p><p>normal”, imposto pela pandemia.</p><p>As escolas particulares com seus recursos próprios e empenho possível dos</p><p>familiares adequam-se com maior facilidade, promovendo aulas efetivas em salas virtuais</p><p>com a participação ativa do corpo docente: é uma oportunidade ímpar para o que a</p><p>BNCC preconiza acerca do protagonismo discente: o aluno agora tem a oportunidade de</p><p>exercer a sua autonomia no sentido de organizar os seus horários para assistir as aulas on</p><p>line, seja para as aulas síncronas ou assíncronas, buscando os estudos complementares</p><p>e realizando as tarefas propostas.</p><p>Por outro lado, as escolas públicas, sobretudo das regiões mais carentes, padecem</p><p>da falta de recursos materiais e tecnológicos por parte das famílias, mas também da</p><p>própria escola. Ressalta-se que, se para o público das escolas particulares faz-se necessária</p><p>a adequação à nova realidade (porque ainda que dispõem de todo o aparato tecnológico</p><p>e suporte necessário à participação nas salas virtuais, tudo é muito novo), o que dizer de</p><p>alunos das escolas públicas que além de não disponibilizarem dos materiais necessários,</p><p>têm dificuldades que muitas vezes não são sanadas pelos próprios familiares?</p><p>Importante ressaltar que, ainda que precários, esforços conjuntos foram</p><p>empreendidos na tentativa da não interrupção total das atividades educativas nas</p><p>instituições escolares, desde as séries iniciais até o ensino superior. Com relação à</p><p>Educação Infantil o ensino remoto torna-se complicado, uma vez que nem todas as</p><p>famílias dispõem de tempo e condições materiais para a dedicação às atividades lúdicas</p><p>propostas, sem contar que o desenvolvimento da criança na fase infantil depende</p><p>da interação com seus pares da mesma faixa etária, aliada às atividades lúdicas que</p><p>garantem o desenvolvimento psicomotor.</p><p>79</p><p>• Para aprofundar seus conhecimentos em Ensino a Distância, verifique o livro</p><p>“História da Educação” da organizadora Márcia de Lima Elias Terra, aborda</p><p>sobre o assunto na Unidade 4, página 157. Disponível em: https://bityl.co/6VhX.</p><p>Acesso em 26 fev. 20.21</p><p>• A Lei 9.394 de 1996 – Artigo 80, é o regulamentador do Ensino a Distância no</p><p>Brasil. Disponível em: https://bityl.co/6Vhi. Acesso em 27 fev.2021</p><p>• E o Decreto 9.057 de 2017 respalda o exposto no artigo 80 da Lei 9.394/96. Dis-</p><p>ponível em: https://bityl.co/6Vho. Acesso em 27 fev.2021</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>6.2 A NOVA RELAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA</p><p>A relação da família com a escola sempre mereceu o olhar investigativo por parte</p><p>de teóricos e pesquisadores, uma vez que se trata de uma relação de parceria, no entanto</p><p>bem delicada que precisa ser pautada no respeito e sobretudo na ética. Os papéis</p><p>necessitam estar bem definidos, uma vez que cobranças são feitas de forma equivocada:</p><p>à família compete o papel de criar/educar a criança e à escola o papel de ensinar/instruir.</p><p>Com o ensino remoto devido à pandemia do Covid-19, as relações se estreitaram, uma</p><p>vez que o seio familiar passa a ser também a sala de aula, onde todos os membros da</p><p>família precisam contribuir com o processo educativo do estudante, ajudando a sanar as</p><p>dificuldades apresentadas.</p><p>A experiência que o ensino remoto proporciona às famílias, de certa forma, permite</p><p>um melhor entendimento do papel que o professor exerce na sala de aula, uma vez que</p><p>não há mais a divisão de casa/escola, ou seja, o processo de Ensino e de Aprendizagem</p><p>está ocorrendo no espaço do lar, adaptado como sala de aula, necessitando, também,</p><p>da mediação de algum responsável. Tal mudança pode alterar a forma como a família</p><p>enxerga e se relaciona com a escola, estando, agora, mais consciente do papel exercido</p><p>pelo professor.</p><p>O pesquisador Henrique Ueyda do Amaral, menciona em um artigo intitulado</p><p>“Relação das escolas com as famílias durante a pandemia” realizada pelo Instituto de</p><p>Pesquisa Datafolha que, segundo o autor do referido artigo, foi contratada pela Fundação</p><p>Lemman e Itaú Social. Amaral acrescenta que o público entrevistado foram os pais,</p><p>mães ou os responsáveis pelos alunos das redes públicas de todas as regiões do Brasil. O</p><p>artigo data de 11 de agosto de 2020 e está publicado no site Camadas Educacionais, cujo</p><p>acesso foi realizado em 26 de fevereiro de 2021. O resultado da pesquisa foi representado</p><p>em gráfico de pizza, o qual apresenta o resultado que revelou, segundo os professores</p><p>entrevistados, aumento da participação da família durante determinado período do</p><p>Ensino Remoto:</p><p>80</p><p>Figura 14: Relação escola família pandemia</p><p>Fonte: Disponível em https://bit.ly/3ukX82Y. Acesso em: 26 fev. 2021.</p><p>Pela análise do gráfico o relacionamento entre a família e a escola teve uma</p><p>melhora considerável, no entanto o pesquisador alerta para o fato de que a pesquisa</p><p>revelou também que 44% dos pais queixavam-se por não ter recebido orientações</p><p>suficientes para acompanharem os seus filhos.</p><p>Leia o artigo: Estratégias educacionais durante a pandemia no Brasil do profes-</p><p>sor e pesquisador Henrique Ueyda do Amaral, o qual aborda aspectos impor-</p><p>tantes e relevantes acerca da educação na pandemia. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3ukX82Y. Acesso em 26 fev. 2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>6.3 ENSINO HÍBRIDO: UMA NOVA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO?</p><p>A educação bancária, característica da tendência tradicional de educação</p><p>foi e ainda é criticada por muitos teóricos e pesquisadores da educação, dentre eles</p><p>Paulo Freire, conforme deixa claro na afirmação: “Saber que ensinar não é transferir</p><p>conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua</p><p>construção” (FREIRE, 1996). Assim como Paulo Freire, muitos pesquisadores, ao longo</p><p>da história da educação no mundo, contribuíram para o entendimento da necessidade</p><p>da interação e do protagonismo do estudante para que a educação aconteça de forma</p><p>efetiva e significativa. A imagem, a seguir, mostra o estudante como a peça principal</p><p>de uma engrenagem, representada aqui, pela educação: todos os esforços precisam se</p><p>direcionar ao estudante que é a razão da existência da instituição escola.</p><p>81</p><p>Figura 15: Engrenagens do Processo Educativo</p><p>Fonte: Disponível em https://bit.ly/3ur1Jka. Acesso em: 26 fev. 2021.</p><p>Diante das transformações ocasionadas pela pandemia do Covid-19, a educação</p><p>tem conseguido permanecer ativa, em muitas redes de ensino, graças ao uso das</p><p>tecnologias digitais que tornaram possível a implantação do Ensino Remoto, ainda que</p><p>precariamente. É patente que a educação sofrerá mudanças na forma como a escola</p><p>se constituiu. Pesquisas disponibilizadas por algumas instituições pesquisadoras que</p><p>promovem estudos na área educacional já comprovam a tendência do novo modelo de</p><p>educação, a saber: o Ensino Híbrido. No entanto a realidade socioeconômica brasileira</p><p>pode acentuar ainda mais as desigualdades socioeducativas. Se por um lado a educação</p><p>está ganhando com o rompimento do modelo tradicional que insiste em permanecer,</p><p>mesmo diante de tantas teorias e pesquisas que comprovam a sua não eficácia, sabe-</p><p>se muito bem que a maioria da população brasileira carece de recursos materiais e</p><p>financeiros para adequação ao novo modelo híbrido de educação. A proposta é resultado</p><p>de pesquisas e experimentações há pelo menos uns 20 anos, modelo que já vem sendo</p><p>implantado nos Estados Unidos, Europa e alguns países da América Latina.</p><p>A área educacional apesar de adotar o modelo tradicional de ensino, contemplando</p><p>prioritariamente as aulas expositivas, vem revendo as suas práticas através de professores</p><p>pesquisadores que defendem e propõem métodos mais dinâmicos, capazes de</p><p>possibilitar uma participação mais ativa dos alunos. Para que o Ensino Híbrido se torne</p><p>uma realidade no retorno às aulas presenciais, o corpo docente precisa estar familiarizado</p><p>com o que propunham os teóricos já conhecidos como Paulo Freire em suas obras acerca</p><p>do combate à educação bancária, John Dewey que defendia o “aprender fazendo” a partir</p><p>de projetos de Zabala (1998), que propõe uma educação pautada no desenvolvimento</p><p>de habilidades e competências.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular – BNCC que foi homologada pelo então ministro</p><p>da educação Mendonça Filho em 20 de dezembro de 2017, indicador de que esforços</p><p>estão sendo investidos para uma proposta de educação que adote uma educação</p><p>contextualizada, significativa, capaz de contribuir para a formação integral do estudante,</p><p>propõe as metodologias ativas, tornando o aluno o protagonista de suas próprias iniciativas.</p><p>Desta forma, as metodologias ativas intencionam dar ao estudante possibilidades</p><p>diversas para que seu aprendizado aconteça de forma efetiva. As Metodologias Ativas</p><p>preconizadas pelo documento legal visam formar estudantes proativos, protagonistas de</p><p>seu próprio aprendizado a partir do desenvolvimento de competências e habilidades tais</p><p>como a argumentação, comunicação, cultura digital, empatia, cooperação, pensamento</p><p>científico, crítico e criativo, repertório cultural, responsabilidade e cidadania, trabalho e</p><p>projeto de vida. Alguns exemplos de metodologias ativas são a Rotação por Estações, a</p><p>82</p><p>Rotação Individual, o Laboratório Rotacional e a Sala de Aula Invertida que pode ser o</p><p>próprio Ensino Híbrido.</p><p>Para os educadores atentos às mudanças que vêm acontecendo ao longo dos anos</p><p>e com o advento da Era da Informação, a pandemia proporciona uma oportunidade</p><p>de reflexão para entender o que o momento requer: utilizar as tecnologias em favor</p><p>da educação em um momento em que existe muita dispersão a partir de tanta mídia</p><p>disponibilizada ao público discente e que necessita de direcionamento com relação ao</p><p>uso correto das ferramentas digitais:</p><p>[...] hoje, sofre-se por</p><p>saturação e por dispersão, pois todo</p><p>o aparato sensorial está ocupado e foram entupidas as</p><p>brechas capazes de catalisar a experiência. [...] Por isso,</p><p>assim como acontece com o aluno no colégio, o usuário</p><p>midiático atual costuma estar potencialmente entedia-</p><p>do e desatento, não exatamente oprimido nem reprimi-</p><p>do. Não deixa de ser curioso que essa busca incessante</p><p>por diversão termine engendrando uma mescla de fas-</p><p>tio e ansiedade, que desemboca numa insatisfação im-</p><p>possível de saciar. “Ver televisão fragmenta, fissura, não</p><p>por causa dos valores ruins, mas pelo tédio que produz;</p><p>fragmenta porque satura, porque tudo se torna igual,</p><p>como acontece no zapping, e não se sabe como sair dis-</p><p>so”. Ademais em contato com tais dispositivos, constrói-</p><p>-se um tipo de subjetividade bem diferente daquela que</p><p>germinava na sala de aula. Assim como a demanda de</p><p>diversão gera tédio, a hiperconexão produz desconcen-</p><p>tração, como uma reação defensiva ante a avalanche de</p><p>informações e contatos. No entanto, o grande problema</p><p>surge quando esse efeito – que é também um requisi-</p><p>to – do estilo de vida contemporâneo entra em colisão</p><p>com as exigências do dispositivo escolar (SIBÍLIA, 2012,</p><p>p. 88-89).</p><p>Desta forma, o que Paula Sibília aponta nos faz refletir que embora haja o acesso a</p><p>todo tipo de informação por meio das mídias, cabe aos educadores pensarem em utilizar</p><p>todo o aparato midiático possível para o direcionamento e filtragem das informações</p><p>com vistas à formação do alunato, o que tornará as aulas mais interessantes e motivantes,</p><p>resultando em uma aprendizagem realmente significativa, aplicável na vida do cidadão,</p><p>onde todos saem ganhando. O estudante da presente era pós contemporânea é</p><p>considerado o nativo digital (Marc Prensky, 2001), familiarizado e inserido em um universo</p><p>midiático que agora, mais do que nunca necessita do professor mediador para apontar</p><p>o caminho que o levará à aquisição do conhecimento pretendido.</p><p>Quando trabalhamos com metodologias ativas – colaborativas e cooperativas (collaborati-</p><p>ve and cooperative learning) –, que integram o grupo de técnicas Inquiry-Based Learning</p><p>(IBL) e que tem suas raízes na visão de Vygotsky, de que existe uma natureza social inerente</p><p>ao processo de aprendizagem – base de sua teoria de Desenvolvimento por Zona Proximal</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>83</p><p>(DZP) – a construção do conhecimento permite o desenvolvimento de importantes compe-</p><p>tências, como: saber buscar e investigar informações com criticidade (critérios de seleção e</p><p>priorização) a fim de atingir determinado objetivo, a partir da formulação de perguntas ou de</p><p>desafios dados pelos educadores; compreender a informação, analisando-a em diferentes ní-</p><p>veis de complexidade, contextualizando-a e associando-a a outros conhecimentos; interagir,</p><p>negociar e comunicar-se com o grupo, em diferentes contextos e momentos; conviver e agir</p><p>com inteligência emocional, identificando e desenvolvendo atitudes positivas para a apren-</p><p>dizagem colaborativa; ter autogestão afetiva, reconhecendo atitudes interpessoais facilitado-</p><p>ras e dificultadoras para a qualidade da aprendizagem, lidando com o erro e as frustrações,</p><p>e sendo flexível; tomar decisão individualmente e em grupo, avaliando os pontos positivos e</p><p>negativos envolvidos; desenvolver a capacidade de liderança; resolver problemas, executan-</p><p>do um projeto ou uma ação e propondo soluções. Disponível em: https://bit.ly/3jsHgra Acesso</p><p>em: 08 fev. 2021</p><p>Sassaki (2020, online) publicou um artigo intitulado “O ensino híbrido será o legado</p><p>da pandemia para a educação?” o qual menciona uma análise feita a partir do Fórum</p><p>Econômico Mundial trazendo uma reflexão importante acerca da situação das escolas</p><p>pós pandemia:</p><p>A análise do Fórum Econômico Mundial sobre os pos-</p><p>síveis impactos da pandemia na educação, revela uma</p><p>mudança imediata: milhões de pessoas no planeta es-</p><p>tão sendo educadas graças à brecha digital que trouxe</p><p>novas abordagens pedagógicas via uso de tecnologias.</p><p>Implementada como alternativa às salas de aula fecha-</p><p>das, essa via tecnológica conferiu inovação educacional</p><p>a um setor que sempre resistiu aos ventos da mudança;</p><p>sempre investiu em um modelo de aulas expositivas. A</p><p>outra face dessa moeda – sobretudo em um contexto</p><p>nacional –, é a possibilidade do aumento do gap digital,</p><p>ou seja, a desigualdade socioeconômica pode ser exa-</p><p>cerbada, tornando o acesso educacional de qualidade</p><p>mais distante no Brasil. Por isso, é fundamental a atu-</p><p>ação do poder público e de organizações da sociedade</p><p>civil no combate a essa distorção.</p><p>• Online: conectado direta ou remotamente a um computador e pronto para uso (diz-se</p><p>de sistema, equipamento ou dispositivo); disponível para acesso imediato por um com-</p><p>putador.</p><p>• Home Office: Home office é o escritório em casa. É possível trabalhar home office a</p><p>partir de três tipos de arranjo: sendo funcionário de uma empresa, sendo freelancer ou</p><p>como empresário de uma empresa home based.</p><p>• Assíncrona: Comunicação que não ocorre nem se efetiva no mesmo tempo e espaço,</p><p>falando do emissor e receptor, uma mensagem enviada e não precisa ser respondida</p><p>naquele exato momento, geralmente se efetiva por cartas, e-mails etc. Etimologia (ori-</p><p>gem da palavra assíncrona). Feminino de assíncrono, a + síncrono.</p><p>• Gap digital: não-inclusão digital que limita o acesso da população de baixa renda a</p><p>computadores e à Internet.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>84</p><p>• O termo Nativo Digital foi cunhado pelo pesquisador Marc Prensky em 2001.</p><p>Para que você entenda melhor a análise feita pelo pesquisador que aborda as</p><p>características do Nativo Digital e Imigrante Digital, segue o link de seu artigo</p><p>“Digital natives, digital immigrants". Disponível em: https://bityl.co/6ViI. Acesso</p><p>em: 13 fev. 2021.</p><p>• O artigo “Imigrantes e nativos digitais: um dilema ou desafio na educação?”</p><p>está disponível em: https://bityl.co/6ViZ. Acesso em : 13 fev. 2021</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>Como surgiram as metodologias ativas?</p><p>Em uma sociedade que evolui tão rápido, cujo mercado de trabalho demanda profissionais</p><p>que não possuem apenas competências técnicas (hard skills), como também as comporta-</p><p>mentais (soft skills), o modelo tradicional já não se mostra como o mais apropriado em todos</p><p>os casos.</p><p>De acordo com o artigo “History & Context for Active Learning”, o termo “aprendizado ativo”</p><p>e a ideia correlata de um ensino centrado no aluno, não mais no professor, começou a atrair</p><p>interesse entre os educadores entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980.</p><p>Curiosamente, porém, cabe aqui um parêntese: Reginald “Reg” William Revans, um profes-</p><p>sor acadêmico, pode ser considerado como um pioneiro da aprendizagem ativa, conceito</p><p>desenvolvido por ele na década de 1940 de acordo com a Action Learning Associates.</p><p>Embora já sejam debatidas há um bom tempo, as metodologias ativas ganharam bastante</p><p>destaque recentemente. Afinal, colocar os alunos na posição de protagonistas é algo bem</p><p>mais próximo das exigências do mercado de trabalho e da própria vida estudantil atual. Isso</p><p>fica evidente com o Ensino Híbrido como uma solução para o retorno às aulas presenciais e</p><p>certamente se manterá como uma grande força mesmo depois que a situação se normalizar,</p><p>dada a maior responsabilidade que o aluno passa a ter em sua aprendizagem.</p><p>Em uma situação nova, em que encontros assíncronos, conteúdos disponibilizados em Am-</p><p>bientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e diferentes métodos avaliativos passaram a fazer</p><p>parte da rotina, as metodologias ativas são simplesmente indispensáveis.</p><p>Os professores, por sua vez, atuam como facilitadores do conhecimento, não como protago-</p><p>nistas. Eles orientam os alunos com questões e incentivos para colocar os estudantes, real-</p><p>mente, como os personagens principais do processo de aprendizagem.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>A unidade discorreu sobre o “Ensino Híbrido Metodologias Ativas”, tendência para</p><p>a Educação na era pós-contemporânea. Para que você, caro aluno, entenda me-</p><p>lhor sobre o tema, sugerimos o vídeo a seguir:: https://bityl.co/6Viq. Acessos</p><p>em: 15</p><p>set. 2021.</p><p>https://ytube.io/3H5o. Acessos em: 15 set. 2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>85</p><p>https://ytube.io/3H5p. Acessos em: 15 set. 2021.</p><p>O mundo inteiro tem investido esforços para que a vacinação contra a Covid-19 aconteça</p><p>o mais rápido possível para a volta à normalidade, sobretudo as escolas. Ao chegar no</p><p>final da Unidade 6, e com base em tudo o que você aprendeu durante a disciplina Histó-</p><p>ria da Educação, reflita: A educação, após o retorno às aulas presenciais continuará com</p><p>o mesmo formato pré pandemia?</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>86</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. Conforme abordado na Unidade 6, a pandemia do Covid-19 alterou a rotina do cidadão</p><p>mundial. Empresas, comércios e instituições escolares tiveram que estudar, em tempo</p><p>record o replanejamento de seu funcionamento. Sabemos que a escola tem um caráter</p><p>peculiar cuja dinâmica afeta a vida de crianças, adolescentes e jovens. Para que este</p><p>público não sofresse a ruptura em seu percurso educacional, secretarias de educação</p><p>demandaram esforços para a garantia da continuidade das atividades, ainda que de</p><p>forma remota.</p><p>Observe atentamente a imagem, acima, e responda a questão que julgar a mais correta</p><p>para o contexto apresentado:</p><p>a) O professor nada sofreu com a pandemia do coronavírus, uma vez que sempre contou</p><p>com a tecnologia como recursos didáticos para o planejamento de suas aulas.</p><p>b) Com o Ensino Remoto os professores estão com o tempo favorável à pesquisa e</p><p>formação continuada autônoma, o que tornarão suas aulas mais ricas e interessantes.</p><p>c) O ensino remoto chegou para ficar, foi muito bem assimilado por todas as redes</p><p>de ensino público, uma vez que as escolas sempre receberam os recursos materiais</p><p>necessários à nova realidade, o que foi essencial para o atendimento aos professores e</p><p>às famílias mais carentes.</p><p>d) Com o processo de Ensino e de Aprendizagem acontecendo de forma remota, o</p><p>professor está mais atento à participação dos alunos que interagem bem, uma vez que</p><p>são nativos digitais e possuem habilidades e acesso às tecnologias.</p><p>e) O Ensino Remoto tem ressignificado as práticas pedagógicas, impactando não só as</p><p>crianças, adolescentes e jovens, mas sobretudo o professor que vê-se duramente afetado</p><p>com o excesso de trabalho para além da carga horária contratada para a realização de</p><p>seu ofício.</p><p>2. “Na perspectiva desse processo eficiente e personalizado de aprender, o Ensino Híbrido</p><p>funciona como um motor que alimenta a inovação e aquisição de conhecimento dentro</p><p>87</p><p>e fora da escola”. Sassaki, 2020</p><p>A frase acima, citada por Sassaki, pesquisador da área de Educação Inovadora, faz</p><p>referência ao Ensino Híbrido, modalidade de educação tão discutida durante o ano de</p><p>2020. Sobre o Ensino Híbrido é correto afirmar:</p><p>a) Trata-se de uma nova modalidade de ensino, sendo obrigatória a sua implantação</p><p>nas escolas, a partir do ano de 2021.</p><p>b) O Ensino Híbrido propõe aulas totalmente à distância nos moldes da EaD;</p><p>c) As metodologias ativas podem contar com o Ensino Híbrido como forma de planejar</p><p>o trabalho pedagógico diário: o aluno conta agora com aulas síncronas e assíncronas.</p><p>d) No Ensino Híbrido o professor continua sendo o detentor do saber que dá aulas</p><p>expositivas, todos os dias, enviando atividades extra escolares através dos meios digitais,</p><p>onde o aluno as realiza on line, facilitando as correções pelo professor.</p><p>e) O Ensino Híbrido irá promover o escalonamento dos estudantes nas escolas, o que</p><p>facilitará o trabalho do professor, podendo dar maior atenção em uma classe com menor</p><p>número de alunos.</p><p>3. Analise a imagem abaixo:</p><p>“Ao contrário dos professores que acreditam que os pais é que devem ir à escola</p><p>mostrando-se interessados pelo desenvolvimento de seus filhos e pela relação</p><p>entre família e escola, Tancredi e Reali (2001), Reali e Tancredi (2002), Caetano (2004)</p><p>88</p><p>acreditam que a construção da parceria entre escola e família é função inicial dos</p><p>professores, pois eles são elementos-chave no processo de aprendizagem. Dada a</p><p>formação profissional específica que têm, as tentativas de aproximação e de melhoria</p><p>das relações estabelecidas com as famílias devem partir, preferencialmente, da escola,</p><p>pois ´transferir essa função à família somente reforça sentimentos de ansiedade,</p><p>vergonha e incapacidade aos pais, uma vez que não são eles os especialistas em</p><p>educação’ (Caetano, 2004, p. 58).”</p><p>(Oliveira e Araújo-Marinho, 2010) Consulta em: https://bityl.co/6Vk8. Acesso em: 16 jan.2021.</p><p>Com base no que você aprendeu na Unidade 6 e de acordo com o texto acima, marque</p><p>a alternativa correta:</p><p>a) A família sempre esteve presente na escola, participando ativamente da vida escolar</p><p>de seus filhos, acompanhando o seu desenvolvimento e estabelecendo um diálogo</p><p>saudável com a direção da escola e seu corpo docente;</p><p>b) A relação família-escola enfrenta algumas dificuldades no entendimento de seu papel</p><p>com relação ao aluno, cuja família delega, muitas vezes, o ato de educar aos professores;</p><p>c) A situação vivenciada pela pandemia do covid-19 aproximou a família da escola</p><p>alterando, significativamente, as relações que eram excelentes pelas atribuições já bem</p><p>delimitadas;</p><p>d) A família, a partir do ensino remoto adquire um papel relevante na vida do estudante</p><p>pois assume o papel do professor, ensinando os conteúdos enviados pela escola,</p><p>passando o professor a exercer o papel de tutor.</p><p>e) A situação vivenciada pela pandemia esclareceu definitivamente um equívoco que</p><p>persistia desde a institucionalização da escola: a família reconhece e assume o seu papel</p><p>de criar os filhos, formando o seu caráter a partir da ética para uma vida em sociedade.</p><p>4. A pandemia do Coronavírus pegou todo mundo de surpresa, obrigando as escolas a</p><p>se adequarem a uma nova modalidade de educação: o Ensino Remoto. Tal iniciativa foi</p><p>uma emergência para tentar manter as crianças, os adolescentes e os jovens ligados às</p><p>escolas, buscando alternativas para que o ano letivo acontecesse sem interrupção. No</p><p>entanto, sabemos que, embora muitos profissionais da educação já estejam considerando</p><p>tal iniciativa como Ensino Híbrido, as realidades são bem diferentes, sendo que o Ensino</p><p>Remoto pode ser o marco para que o Ensino Híbrido seja implantado definitivamente</p><p>nas instituições educacionais de ensino formal.</p><p>89</p><p>Com base no que você aprendeu na Unidade 6 e estudos complementares, assinale a</p><p>alternativa correta com relação ao Ensino Híbrido, tendência da educação pós pandemia.:</p><p>a) Segue a mesma metodologia e legislação do Ensino a Distância - EaD</p><p>b) Consiste somente em planejar aulas on line para que o aluno assista em casa e faça as</p><p>atividades enviadas pelo professor.</p><p>c) O Ensino Híbrido faz parte das metodologias ativas que requerem a formação</p><p>continuada dos professores para lidarem com as tecnologias digitais a fim de</p><p>proporcionarem alternativas de aprendizagem, a partir das quais acontecerão aulas</p><p>síncronas e assíncronas.</p><p>d) É o Ensino Remoto que foi implantado no ano de 2020, nova modalidade de ensino,</p><p>onde o estudante está vinculado a uma escola, conta com todo o acompanhamento da</p><p>equipe pedagógica e docente, mas permanece estudando somente em casa.</p><p>e) Todas as instituições escolares deverão adotar o Ensino Híbrido ainda no ano de 2021.</p><p>5. (ENADE, 2017) A identidade e o papel docente têm se alterado ao longo dos anos.</p><p>O entimema que concebe o professor como aquele ser que seduz, que encanta pelo</p><p>conhecimento, tem ficado apenas na memória dos professores. Na Idade Média, o</p><p>entimema que se consolidou foi o do professor sacerdote, que professava uma fé. Na</p><p>Idade Moderna, o entimema que identificava o professor como aquele que tinha o poder</p><p>de interferir na mobilidade social de seus alunos e era capaz de possibilitar ascensão</p><p>para aqueles que dispunham a dedicar-se ao trabalho acadêmico. Na Idade Mídia, o</p><p>papel do professor está subsumido de valor e, na grande maioria das vezes, o professor</p><p>aparece retratado de forma caricaturada. O fracasso dos alunos é estampado nos meios</p><p>de comunicação e aponta que</p><p>os professores não conseguem cumprir o seu papel social.</p><p>Com base no texto, avalie as afirmações a seguir:</p><p>I. O trabalho do professor foi modificado ao longo da história, bem como seu status</p><p>profissional.</p><p>II. Na Idade Média predominou a laicidade do magistério</p><p>III. O trabalho do professor na Idade Moderna foi marcado pelo entimema da doação ao</p><p>outro, visando à salvação dos alunos.</p><p>IV. O trabalho do professor na Idade Mídia é pautado na inserção das tecnologias e nas</p><p>relações da sociedade.</p><p>É correto apenas o que se afirma em:</p><p>a) I e IV.</p><p>b) II e III.</p><p>c) III e IV.</p><p>d) I, II, III.</p><p>e) I, II e IV.</p><p>6. Em relação ao uso de tecnologias digitais no processo ensino e aprendizagem, leia as</p><p>afirmações a seguir e marque (V) (para as VERDADEIRAS) ou (F) (para as FALSAS).</p><p>90</p><p>I. Com a utilização de tecnologia em sala de aula o professor assume um papel</p><p>secundário no processo de ensino e aprendizagem.</p><p>II. A Internet é muito útil para a realização de pesquisas acadêmicas, de onde o aluno</p><p>pode copiar livremente qualquer conteúdo sem citar autoria ou fonte.</p><p>III. O uso de recursos multimídia, como imagens, sons e vídeos, quando bem aplicados,</p><p>fornecem um meio mais atraente de aprendizagem.</p><p>IV. A simples utilização de um computador pelo professor, por si só, já garante a melhoria</p><p>do processo de ensino e aprendizagem.</p><p>A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:</p><p>a) F- V- F- V.</p><p>b) V- F- V- F.</p><p>c) F- V- V- V.</p><p>d) V- V- F- F.</p><p>e) F- F- V- F.</p><p>7. Quando o assunto é informática educativa, podemos tratar de materiais educacionais</p><p>que permitem a interação do aluno com conteúdos e exercícios disponíveis em meio</p><p>digital de modo a complementar uma situação de aprendizagem, vinculando, para sua</p><p>utilização, uma avaliação prévia para verificar se está adequado ao conteúdo pretendido,</p><p>bem como ao público-alvo.</p><p>Marque a alternativa CORRETA que corresponde à nomenclatura do tipo de material</p><p>educacional definido:</p><p>a) Portal.</p><p>b) Hardware.</p><p>c) Ensino híbrido.</p><p>d) Ambiente virtual de ensino e aprendizagem.</p><p>e) Objetos de aprendizagem.</p><p>8. Nos cursos presenciais da educação profissional tecnológica e mesmo no ensino</p><p>superior, muitas instituições fazem uso de um ambiente virtual de ensino e aprendizagem</p><p>para auxiliar na mediação docente. Nesse momento temos vinculado à educação</p><p>presencial, ferramentas e potencialidades do ensino a distância. As ferramentas de</p><p>comunicação, disponibilizadas no referido ambiente virtual podem ser classificadas de</p><p>duas formas (síncronas e assíncronas Coluna A), e possuem vários exemplos (Coluna B).</p><p>Coluna A</p><p>I. Síncronas.</p><p>II. Asssíncronas.</p><p>Coluna B</p><p>( ) E-mail.</p><p>( ) Fórum.</p><p>( ) Chat.</p><p>91</p><p>( ) Lista de discussão.</p><p>( ) Webconferência.</p><p>( ) Blog.</p><p>Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA de associação, de cima para</p><p>baixo.</p><p>a) II, II, I, II, I, II.</p><p>b) I, I, II, I, II, I.</p><p>c) II, I, II, I, II, II.</p><p>d) I, II, II, II, I, II.</p><p>e) II, I, I, II, I, I.</p><p>92</p><p>RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>UNIDADE 1</p><p>UNIDADE 3</p><p>UNIDADE 5</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 4</p><p>UNIDADE 6</p><p>QUESTÃO 1 A</p><p>QUESTÃO 2 A</p><p>QUESTÃO 3 C</p><p>QUESTÃO 4 D</p><p>QUESTÃO 5 B</p><p>QUESTÃO 6 C</p><p>QUESTÃO 7 B</p><p>QUESTÃO 8 D</p><p>QUESTÃO 1 D</p><p>QUESTÃO 2 B</p><p>QUESTÃO 3 D</p><p>QUESTÃO 4 E</p><p>QUESTÃO 5 B</p><p>QUESTÃO 6 A</p><p>QUESTÃO 7 B</p><p>QUESTÃO 8 E</p><p>QUESTÃO 1 A</p><p>QUESTÃO 2 B</p><p>QUESTÃO 3 C</p><p>QUESTÃO 4 B</p><p>QUESTÃO 5 B</p><p>QUESTÃO 6 E</p><p>QUESTÃO 7 A</p><p>QUESTÃO 8 B</p><p>QUESTÃO 1 B</p><p>QUESTÃO 2 D</p><p>QUESTÃO 3 B</p><p>QUESTÃO 4 D</p><p>QUESTÃO 5 B</p><p>QUESTÃO 6 C</p><p>QUESTÃO 7 B</p><p>QUESTÃO 8 C</p><p>QUESTÃO 1 D</p><p>QUESTÃO 2 D</p><p>QUESTÃO 3 B</p><p>QUESTÃO 4 E</p><p>QUESTÃO 5 C</p><p>QUESTÃO 6 A</p><p>QUESTÃO 7 B</p><p>QUESTÃO 8 C</p><p>QUESTÃO 1 E</p><p>QUESTÃO 2 C</p><p>QUESTÃO 3 B</p><p>QUESTÃO 4 C</p><p>QUESTÃO 5 A</p><p>QUESTÃO 6 E</p><p>QUESTÃO 7 D</p><p>QUESTÃO 8 C</p><p>93</p><p>ARANHA, M. L. A. Filosofia da educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1996.</p><p>ARANHA, M. L. D. A. História da Educação e da Pedagogia: Geral e do Brasil. 3. ed. São</p><p>Paulo: Moderna, 2006.</p><p>ARANHA, M. L. D. A. História da Educação e da Pedagogia – Geral e Brasil. São Paulo:</p><p>Moderna, 2010.</p><p>BITTAR, M. História da Educação. Da antiguidade à época contemporânea. São Carlos:</p><p>EdUFSCar, 2009.</p><p>CAMBI, F. História da pedagogia. São Paulo: Fundação Editora da UNESP (FEU), 1999.</p><p>FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à Prática Educativa. São Paulo:</p><p>Paz e Terra, 1996.</p><p>GADOTTI, M. História das Ideias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 2002.</p><p>LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública: pedagogia crítico – social dos</p><p>conteúdos. São Paulo: Loyola, 1985.</p><p>MIZUKAMI, M. D. G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: E.P.U, 1992.</p><p>MONROE, P. História da Educação. São Paulo: Companhia Editora Nacional – Atualidades</p><p>Pedagógica, 1970.</p><p>NOGUEIRA, M. A.; MARTINS, N. C. M. Bourdieu & a educação. Belo Horizonte: Autêntica,</p><p>2009.</p><p>PILETTI, C.; PILETTI, N. História da Educação: De Confúcio a Paulo Freire. São Paulo:</p><p>Contexto, 2012.</p><p>SASSAKI, C. O ensino híbrido será o legado da pandemia para a educação?. Geekie,</p><p>2020. Disponível em: https://bityl.co/6XyH. Acesso em: 15 jan. 2021.</p><p>SAVIANI, D. O legado educacional do longo século XX brasileiro. In: SAVIANI, D. et al.</p><p>Legado educacional do século XX no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2006. p. 9-57.</p><p>SAVIANI, D. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. Campinas: Autores</p><p>associado, 2008.</p><p>TERRA, M. D. L. E. História da Educação. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.</p><p>ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Tradução de Ernani F. da F. Rosa. Porto</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>94</p><p>Alegre: Artmed, 1998.</p><p>95</p><p>graduacaoead.faculdadeunica.com.br</p><p>pelo ensino era atribuída aos adultos a partir</p><p>das influências de conduta e comportamento, conforme ilustrou tão bem Aranha (1996,</p><p>p. 56):</p><p>1.1 A EDUCAÇÃO DIFUSA NAS SOCIEDADES TRIBAIS</p><p>11</p><p>O homem não possui aparelhamento instintivo como o</p><p>dos animais, e por isso precisa ser socializado para so-</p><p>breviver, o que é feito mediante a educação recebida</p><p>das pessoas que o circundam, a partir dos modelos so-</p><p>ciais do grupo a que pertence. De fato, desde que nasce,</p><p>o homem é submetido a um intenso processo de apren-</p><p>dizagem que não termina senão com a morte.</p><p>A vida tribal era pautada no sagrado que perpetuava os mitos e ritos por meio da</p><p>oralidade, mantendo-se os costumes e as crenças de uma geração a outra. Não há nessa</p><p>sociedade uma hierarquia, o trabalho é coletivo, existindo a figura do chefe guerreiro</p><p>que transmitia os anseios da comunidade que, embora demonstrassem respeito e</p><p>prestígio não lhe deviam obediência, uma vez que não exercia um papel de soberano. A</p><p>educação visava o desenvolvimento de habilidades, capacitando o homem à integração</p><p>social, onde a criança imitava o adulto em sua conduta a partir das atividades cotidianas,</p><p>aprendendo e acumulando conhecimento de tradições como as artes, os ofícios, os ritos,</p><p>os cultos e outras manifestações culturais:</p><p>A formação é integral — abrange todo o saber da tribo</p><p>— e universal, porque todos podem ter acesso ao saber</p><p>e ao fazer apropriados pela comunidade. É bem verda-</p><p>de que alguns se destacam, detendo um conhecimento</p><p>mais amplo ou especial — como no caso do feiticeiro</p><p>— o que, no entanto, não resulta em privilégio, mas ape-</p><p>nas em prestígio, como já foi dito. O conhecimento mí-</p><p>tico imprime uma tonalidade especial à educação, pois</p><p>os relatos aprendidos não são propriamente históricos,</p><p>no sentido da revelação do passado da tribo. Diferente-</p><p>mente, o mito é atemporal e conta o ocorrido no “início</p><p>dos tempos”, nos primórdios. Daí os diversos ritos que</p><p>marcam as passagens, como o nascimento e a morte</p><p>ou ainda a iniciação à vida adulta (ARANHA, 2006, p. 35).</p><p>A figura, a seguir, organiza as características do modelo de educação praticado</p><p>nas sociedades primitivas tribais:</p><p>Figura 1: Principais característica do modelo de educação na sociedade primitiva</p><p>Fonte: Adaptado de Aranha (2006)</p><p>12</p><p>Quando a escrita se torna necessária para registro e controle (em decorrência</p><p>das produções e da vida social, alterada pelo surgimento das classes sociais e relação</p><p>de trabalho escravista), o saber que era acessível a todos, fica agora restrito às classes</p><p>dominantes.</p><p>1.2 A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL</p><p>As civilizações antigas procuravam se instalar em regiões atravessadas por rios,</p><p>o que garantiria condições necessárias à sobrevivência de suas famílias. Organizavam-</p><p>se em castas que não se misturavam, tendo a influência da religião em seus costumes</p><p>e modo de viver. Cambi (1999) faz uma abordagem interessante para caracterizar as</p><p>sociedades da época, o qual intitulou de Sociedades Hidráulicas que nascem no Extremo</p><p>Oriente com a China e a Índia:</p><p>As grandes sociedades hidráulicas nascem no Extremo</p><p>Oriente com a China e a Índia, as quais, sulcadas por</p><p>grandes rios, acolhem populações numerosas e diversas</p><p>e organizam sua vida de modo unitário por meio da reli-</p><p>gião e do papel do Estado. São sociedades ligadas à cul-</p><p>tura dos vegetais” (Braudel): o milho, a cevada, a ervilha,</p><p>o sorgo; onde a carne escasseia. São sociedades ligadas</p><p>ao problema da irrigação. Aspectos centrais também</p><p>nas sociedades hidráulicas mais ocidentais: da Mesopo-</p><p>tâmia e do Egito, que se modelam segundo a mesma</p><p>estrutura das asiáticas e manifestam as mesmas carac-</p><p>terísticas tanto sociais como técnicas e um forte desen-</p><p>volvimento destes dois aspectos (CAMBI, 1999, p. 60-61).</p><p>Origina-se, portanto, o Estado, as classes sociais e a educação informal que, de uma</p><p>geração a outra consistia na transmissão dos valores e do estilo de vida praticados por</p><p>cada casta/comunidade. De acordo com Monroe (1970) a educação era teórica e prática,</p><p>uma vez que a experiência dos adultos se transmitia oralmente às crianças para que se</p><p>ajustassem ao meio natural em que viviam e aos costumes de sua comunidade. Bittar</p><p>(2009) atribui esta prática a um binômio entre “falar bem” e “o fazer”. Na educação prática,</p><p>acontecia o treino para obtenção de alimentos, abrigo e vestuário, treinamento este que</p><p>acontecia através da imitação que a criança fazia do adulto: os meninos aprendiam o</p><p>ofício dos homens e as meninas, por sua vez, os trabalhos domésticos realizados pelas</p><p>mulheres mais velhas. A função educativa pela teoria consistia na instrução dos jovens</p><p>pelos mais velhos, preservando as tradições e a cultura da sociedade.</p><p>Na Índia, a educação era fortemente influenciada pela religião hinduísta e</p><p>posteriormente pelo budismo. Os sacerdotes, mais conhecidos como Brâmanes recebiam</p><p>uma educação privilegiada, estudando, além da religião, disciplinas como a filosofia,</p><p>literatura, gramática, matemática, astronomia, direito e medicina. Os demais indivíduos</p><p>das outras castas recebiam uma educação voltada para a prática, ou seja, precisavam ser</p><p>formados para o trabalho. No entanto, os Sudras e os Pários eram excluídos de acesso</p><p>a qualquer tipo de educação. Com os ideais budistas, a educação sofre forte influência</p><p>pelos ensinamentos espirituais do mestre, no sentido de desenvolver a personalidade</p><p>por meio da autoconscientização e senso crítico, a partir de uma postura proativa</p><p>13</p><p>de seus discípulos. Os alunos aprendiam a ler e a escrever, por meio das escrituras</p><p>sagradas hindus, como os Vedas, focando no desenvolvimento espiritual, sem prejuízo</p><p>da estimulação intelectual que acontecia através da instrução da lógica e da poesia. O</p><p>ideal educativo consistia no desenvolvimento do ser humano integral: físico, espiritual</p><p>e intelectual. No entanto, a educação não tinha caráter universal devido ao sistema</p><p>de castas que diferenciava a educação de acordo com a classe, já que indivíduos de</p><p>uma casta não poderiam migrar para a outra. A imagem aponta o funcionamento da</p><p>sociedade em castas:</p><p>Figura 2: Sistema de castas na Índia</p><p>Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3vhPF5o. Acesso em: 14 fev. 2021</p><p>Entenda melhor como funcionava o sistema de castas na Índia: Os Brahmins (brâma-</p><p>nes) que estão no topo da pirâmide eram os sacerdotes. Os Kshatriyas (xátrias) eram os</p><p>guerreiros e magistrados. Os Vaisyas (vaixás) eram agricultores e comerciantes, já os Su-</p><p>dras, artesãos e os Pariah (párias) eram os servos que não pertenciam a nenhuma casta</p><p>e serviam para os serviços elementares.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>A educação na China favorecia mais as classes abastadas como os mandarins,</p><p>conhecidos como “funcionários literatos” que recebiam instrução em escolas</p><p>especializadas e intelectualizadas, influenciadas pelo Confucionismo (religião mais</p><p>sofisticada que o Budismo e que ensinava Filosofia e Ética) e pelo Taoísmo que pregava</p><p>o misticismo e a salvação. O mesmo não acontecia com os cidadãos de castas inferiores</p><p>como os camponeses, mercadores e artesãos que, não tendo uma cultura organicamente</p><p>definida, permaneciam subordinados aos governantes e contavam com uma formação</p><p>elementar que, pela limitação da difícil língua chinesa (ARANHA, 2006; CAMBI, 1999),</p><p>memorizavam conteúdos como o cálculo e a alfabetização. Há relatos, na história da</p><p>antiguidade, de que o Confucionismo influenciou, positivamente, a educação formal</p><p>tendo como método a promoção de valores sociais. A cultura chinesa teve suas raízes no</p><p>Confucionismo (entrar no mundo humano), Budismo e Taoísmo (transcender o mundo</p><p>humano). No entanto foi o Confucionismo que impactou a sociedade humana com seus</p><p>ensinamentos. Os textos de Confúcio eram indicados para memorização e os alunos</p><p>se submetiam a exames que avaliavam a Língua escrita (ideográfica), a Literatura e a</p><p>Matemática.</p><p>No JAPÃO a educação segue o modelo da China, tendo características dualista</p><p>14</p><p>e literária, nada pragmática em uma sociedade fortemente dividida</p><p>por classes sociais</p><p>(CAMBI, 1999). As religiões predominantes eram o Xintoísmo, primeira religião do Japão</p><p>e o Budismo. De acordo com Piletti e Piletti (2012, p. 20) a educação formal no Japão</p><p>começava entre 13 e 16 anos, tendo como base dois livros: o Kotio que ensinava os deveres</p><p>familiares e o Rongo que disseminava a filosofia de Confúcio:</p><p>[...] À semelhança da China, o sistema de exames era</p><p>muito importante. Os mestres eram escolhidos pela</p><p>monarquia, mas havia, também, mestres particulares.</p><p>[...] No início do século VII d.C., surgiu a Universidade de</p><p>Tóquio, onde se ensinava Ciência Política, Jurisprudên-</p><p>cia, Matemática, Medicina, Astronomia e os clássicos</p><p>chineses. Mais tarde, a Universidade foi substituída pelo</p><p>Colégio de Confúcio, que chegou a ter até três mil alu-</p><p>nos. As mulheres recebiam uma educação limitada.</p><p>Ainda de acordo com Piletti e Piletti (2012) no ano de 270 d.C., um chinês letrado levou</p><p>a escrita chinesa para o Japão sendo que, na ocasião, muitos japoneses desconheciam a</p><p>arte de escrever.</p><p>• Para que você, aluno (a), compreenda melhor sobre a vida de Confúcio,</p><p>assista ao filme “A batalha pelo Império”. Trailer disponível em: https://bit.</p><p>ly/3dHRtPl. Acesso em 15 fev. 2021.</p><p>• “O código budista não se baseia na aceitação de poderes sacerdotais, nem</p><p>na necessidade de dispendiosos sacrifícios aos deuses, mas na conduta</p><p>mora. A maior novidade representada pelo budismo, no entanto, é a não</p><p>discriminação da casta ou classe, ocupação ou riqueza. Assim, ele atraiu</p><p>as castas inferiores e as recentes classes de mercadores. Durante sua vida</p><p>e, durante os dois séculos que se seguiram à sua morte, por volta de 480</p><p>a.C., a influência de Buda restringiu-se a uma pequena área da Índia.</p><p>Mas, seus ensinamentos, que correspondem a uma revolução humanista, in-</p><p>fluíram e continuam influindo na cultura oriental quanto na ocidental” (PI-</p><p>LETTI; PILETTI, 2012, p. 22-23).</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>1.3 A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA OCIDENTAL</p><p>A Grécia Antiga compreende o período clássico dos séculos V a IV a.C, época em</p><p>que não existia monarquia central e sim cidades-estados, surgindo daí o conceito de</p><p>cidadania.</p><p>Como bem explica Cambi (1999), há uma mudança drástica na forma como a</p><p>cultura é difundida, agora com caráter autônomo que abraça todos os saberes de</p><p>forma racional, contemplando mais a teoria do que a prática, o que passa de educação</p><p>à pedagogia, a partir da qual emergem modelos que fogem à tradição. O termo que</p><p>irá expressar a mudança na formação/educação do cidadão grego é a paideia, termo</p><p>cunhado por volta do século V a.C. e que, de acordo com Werner Jaeger citado por</p><p>15</p><p>(ARANHA, 2006) transcende as expressões como civilização, cultura, tradição, literatura</p><p>ou educação: todas fundem-se no conceito global de paideia.</p><p>De acordo com vários teóricos a Grécia é o berço da civilização, deixando</p><p>características importantes que se assemelham com a educação dos séculos XIX e XX.</p><p>“Nenhum outro período há, até o século XVIII, tão cheio de sugestões para o educador</p><p>do presente” (MONROE, 1970, p. 27). A educação não está mais a serviço da teologia,</p><p>tampouco é restrita ao sacerdote. Os gregos viam na educação formal, o ideal de</p><p>preparar os indivíduos para a cidadania, por meio do desenvolvimento intelectual da</p><p>personalidade, a partir do estudo do homem, da natureza e do sobrenatural. Pensadores</p><p>importantes como Sócrates deixaram-nos muitos ensinamentos acerca da natureza</p><p>racional do homem que deveria desenvolvê-la, para a vida, por meio de disciplinas como</p><p>a ciência, a arte, a filosofia e a religião.</p><p>A educação na Grécia antiga foi dividida em dois períodos: o período antigo</p><p>e o período novo. O período antigo compreende o homérico e o histórico. O período</p><p>antigo homérico é apresentado a partir de Homero, provável autor das epopeias Ilíada e</p><p>Odisseia, conforme apresenta Aranha (2006) que retratava os acontecimentos da época.</p><p>A figura abaixo nos proporciona uma visão privilegiada de como ocorria a educação no</p><p>período mencionado, exatamente porque suas obras poéticas (epopeias) eram lidas e</p><p>estudadas, visando à educação militar do nobre grego:</p><p>Figura 3: Educação no Período Antigo Homérico</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>Observe que o modelo de educação apresentado na figura acima aborda a</p><p>formação para a guerra/ação (Ájax), a formação para a arte de falar bem/retórica (Ulisses)</p><p>e, por fim, para a formação integral, representada por Aquiles, onde deverá acontecer a</p><p>junção dos dois propósitos de educação. Fica patente, pela representação da imagem,</p><p>a partir da influência de Homero, que a educação escolarizada/formal não foi planejada</p><p>para a alfabetização de crianças, no período compreendido entre o ano de 900 a 750 a.C,</p><p>mas visando o investimento na educação dos jovens, tendo característica política que</p><p>intencionava a formação para o exercício do poder.</p><p>Outro período antigo é o histórico que apresenta o tipo de educação praticado nas</p><p>cidades de Esparta e Atenas, visando também a formação dos jovens gregos:</p><p>16</p><p>Figura 4: Modelos de Educação no Período Antigo Histórico</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>A educação torna-se escolarizada na Grécia, cuja principal característica era política. No</p><p>entanto, a escola não foi idealizada para atender às necessidades das crianças pequenas</p><p>e sim dos adolescentes e jovens da classe dominante, cuja sociedade era escravista. O</p><p>objetivo maior da formação dos jovens voltava-se para a tarefa do poder, ou seja, formar</p><p>para governar, privilégio exclusivo da classe dominante. A escola do alfabeto “B.A.BA”</p><p>surge na Grécia antiga (século V), a partir das poleis.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>1.4 A EDUCAÇÃO ESPARTANA</p><p>A educação que se pretendia desenvolver na cidade-estado Esparta valorizada as</p><p>atividades bélicas, ou seja, os jovens eram treinados para as guerras, a partir de uma</p><p>formação militar. A criança, a partir dos 7 anos de idade, recebia educação púbica (pelos</p><p>mais velhos) que era obrigatória e contemplava o ensino de música, canto e dança</p><p>coletiva, sendo que a partir dos 12 anos, as atividades voltavam-se para a ginástica que</p><p>praticava o treino militar. O ideal de vida do homem espartano consistia na luta e defesa</p><p>pelos interesses do Estado.</p><p>1.5 A EDUCAÇÃO ATENIENSE</p><p>Em Atenas, além da educação voltada para a força física, formavam-se o cidadão</p><p>para o intelecto, por meio da iniciativa privada. A partir dos 7 anos de idade, as meninas</p><p>permaneciam em companhia das mulheres, dedicando-se ao trabalho doméstico, ao</p><p>passo que os meninos recebiam, fora do ambiente doméstico, ensino de alfabetização,</p><p>educação física (ginástica) e musical. Surge aí a figura do Pedagogo, escravo designado</p><p>a acompanhar a criança do sexo masculino para participar das atividades educativas.</p><p>Importante ressaltar que, de acordo com Aranha (2006), o ensino de leitura e escrita</p><p>merecia, na ocasião, menor importância em detrimento das práticas esportivas e</p><p>musicais, cujos professores tinham maior prestígio. Vale destacar ainda que durante o</p><p>17</p><p>período grego existiam dois tipos de ginásios públicos: a Academia (para os filhos de</p><p>sangue puro) e o Cinosargo (para os filhos de sangue misto).</p><p>No período Helenístico, de acordo com Aranha (2006), a Paideia torna-se</p><p>enciclopédia, significando conhecimento geral que toda pessoa culta precisava adquirir,</p><p>a partir do aprofundamento de estudos teóricos, que acabava restringindo as práticas</p><p>da ginástica. As disciplinas ficaram então divididas entre humanísticas (gramática,</p><p>retórica e dialética) e científicas (aritmética, música, geometria e astronomia). A filosofia</p><p>é aperfeiçoada e posteriormente, introduz-se o estudo de teologia com o advento do</p><p>cristianismo.</p><p>Importante ressaltar que os filósofos se preocupavam com questões acerca da intencio-</p><p>nalidade pedagógica do ensino a ser ministrado, marcando dois períodos da filosofia</p><p>grega: pré-socrático (séculos VII e VI a.C) – surgimento dos primeiros filósofos; socrático ou</p><p>clássico (séculos V e IV a.C) tendo a contribuição de</p><p>três grandes personalidades, a saber:</p><p>Sócrates, Platão, discípulo do primeiro e Aristóteles, discípulo do segundo); e por fim pós-</p><p>-socrático (séculos III e II a.C) com o surgimento das correntes filosóficas do estoicismo e</p><p>do epicurismo. Bittar (2009) contribui afirmando que Platão e Aristóteles defendiam que</p><p>a educação deveria ser intelectual, portanto a escola não poderia formar para a prática,</p><p>sendo esta uma finalidade mercenária, vil, ligada ao trabalho braçal, escravista. Eram</p><p>resistentes, também ao ensino da escrita, habilidade própria dos escribas e defendiam o</p><p>ensino pela oralidade e memorização por parte dos estudantes. Sabe-se que a educação,</p><p>ainda que não escolarizada, acontece na vida do ser humano, desde o seu nascimento,</p><p>uma vez que é um ser racional formado a partir de uma alma humana constituída de</p><p>racionalidade. Assim, com base em tudo o que você estudou na Unidade 1, suas leituras</p><p>complementares e estudos autônomos, reflita: Qual foi o legado deixado pela Antiguida-</p><p>de à educação para os dias atuais?</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>Importante conhecer o Mito da Caverna de Platão que contribui para reflexão</p><p>de educadores acerca do rompimento com o senso comum e alienação em</p><p>busca da sabedoria (luz fora da caverna). Assista o video “O mito da caverna –</p><p>Platão”. Disponível em: https://bit.ly/3sLm4zJ. Acesso em: 15 fev. 2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>1.6 A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA OCIDENTAL: ROMA</p><p>A educação na Roma antiga sofreu forte influência da conquistada Grécia,</p><p>no entanto os romanos eram considerados um povo mais prático, objetivo e prezava</p><p>pela eficácia e utilidade (MONROE, 1970). Os processos educativos começavam no lar,</p><p>onde o caráter moral era formado pelo pai, sendo que a mulher tinha um papel muito</p><p>importante para a vida familiar, diferente das mulheres gregas que não delegavam a</p><p>função de criar os filhos às amas. Outra característica importante da educação em Roma</p><p>diz respeito à paideia dos filósofos gregos Platão, Isócrates e Aristóteles que influenciou</p><p>18</p><p>o que os romanos denominaram de Humanitas, termo que abrange a formação integral</p><p>do homem (ARANHA, 2006).</p><p>A história da educação romana pode ser dividida em três períodos: educação</p><p>primitiva (século V a III a.C.), helênica (século III a I a.C.) e imperial (século I a V d.C.).</p><p>Na fase da Roma arcaica que, conforme Cambi (1999) era o período em que governaram</p><p>sete reis, de Rômulo a Tarquínio, acontecia a educação dita primitiva ou como Aranha</p><p>(2006) denominou de “heroico-patrícia”. As famílias tinham pátrios poderes sobre os</p><p>filhos e os educavam: os meninos aprendiam a ler, escrever, contar, conhecimentos</p><p>de agricultura, guerra e política. Já as meninas aprendiam os trabalhos domésticos.</p><p>Após os 17 anos, os meninos aprendiam tarefas militares e questões da vida pública.</p><p>Desenvolviam, também, habilidades como nadar, equitar e manejar armas. Praticavam</p><p>exercícios físicos visando à preparação para as guerras.</p><p>Importante ressaltar que o modelo de educação adotado nesse período foi o</p><p>das Doze Tábuas, texto-base que foi escrito no bronze, no ano de 451 a.C., que discorria</p><p>sobre a dignidade, a coragem e a firmeza como valores máximos (virtudes) a serem</p><p>desenvolvidos no cidadão, juntamente com a parcimônia e a piedade (CAMBI, 1999). A</p><p>publicação da lei das Doze Tábuas, segundo Aranha (2006) constitui o primeiro código</p><p>escrito romano. O método de aprendizagem prática era de imitação do pai e seus</p><p>antepassados. As escolas elementares, na ocasião, ensinavam a ler, escrever e a contar, a</p><p>partir do lúdico, pela prática dos jogos.</p><p>No período de educação helênica, influenciado pela cultura grega, aprendiam o</p><p>latim, o grego, os clássicos, principalmente a partir de Homero. Os jovens de famílias mais</p><p>ricas aprendiam a retórica para oratória política e jurídica. Esse período foi marcado pelas</p><p>escolas dos letrados que posteriormente passaram a se chamar escolas de gramática,</p><p>época em que a Odisseia foi traduzida para o latim e introduzida como conteúdo literário</p><p>para os jovens estudantes: “com o tempo, a humanitas degenerou, restringindo-se ao</p><p>estudo das letras e descuidando-se das ciências...” (ARANHA, 2006, p. 89).</p><p>Enfim, no período imperial a educação já era patrocinada pelo Estado e tinha o</p><p>objetivo de difundir a cultura greco-romana. Quintiliano (40 a 118 d.C.) foi um pensador</p><p>importante dessa época, influenciando a educação com a obra “A educação do orador”.</p><p>A educação precisava seguir quatro etapas: na família – primeira infância, elementar:</p><p>sobre os cuidados de um professor; secundária: música, literatura, geometria e oratória;</p><p>superior: retórica para formação do orador.</p><p>Para ampliação do conhecimento acerca do filósofo Sócrates que foi mencio-</p><p>nado nesta Unidade, assista ao filme “Sócrates” que pode ser encontrado em</p><p>vídeo-locadoras e/ou na internet. Trailer disponível em: https://bit.ly/3xcX6Nn.</p><p>Acesso em: 05 fev. 2021.</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>19</p><p>• Dualista: em que há dualismo, existência simultânea de duas coisas, princípios, sen-</p><p>sações contraditórias numa mesma situação ou pessoa.</p><p>• Pragmática: ramo da linguística que se dedica ao estudo dos mecanismos de inte-</p><p>ração entre o falante e o ouvinte, principalmente a influência do contexto e do uso</p><p>concreto da língua no processo de comunicação.</p><p>• Retórica: arte de bem falar; argumentação ou comunicação clara; eloquência.</p><p>• Dialética: arte do diálogo; arte de, através do diálogo, fazer a demonstração de um</p><p>tema, argumentando para definir e distinguir com clareza os assuntos e conceitos</p><p>debatidos nessa discussão.</p><p>• Poleis: comunidade cujo governo era desenvolvido pelos próprios cidadãos (homens</p><p>livres, em grego: politikos), separando claramente o espaço público, do privado; regi-</p><p>da por normas gerais, preceitos e um poder por eles guiado, realizava comércio com</p><p>outras cidades, durante a Antiguidade Grega (século VIII, a.C.): Pólis Grega.</p><p>Fonte: Dicionário Online de Língua Portuguesa. Disponível em: https://bit.ly/3n0A3R8.</p><p>Acesso em: 10 abr. 2021.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>POVOS PRIMITIVOS: A EDUCAÇÃO EM SUA MAIS SIMPLES FORMA</p><p>Entre os povos primitivos a educação prática não é organizada. Ela é ministrada através</p><p>da imitação direta do adulto pela criança. A educação teórica consiste na transmissão</p><p>às gerações mais jovens, do corpo geral de conhecimentos ou de crenças animistas, que</p><p>constituem a interpretação das experiências da vida. Essa transmissão é realiada por</p><p>meio de diversas cerimônias. As cerimônias de iniciação são as mais importantes, do</p><p>ponto de vista educacional. Do animismo provém as religiões naturais, as primeiras fi-</p><p>losofias e as ciências rudimentares. Com a formulação destas, criam-se as linguagens</p><p>escritas e se desenvolve um corpo especial de conhecimento acessível apenas a poucos.</p><p>Isto constitui matéria para um estádio superior de educação. Juntamente desenvolve-se</p><p>um sacerdócio especial que se diferencia dos curandeiros ou exorcistas, de um lado, e do</p><p>povo comum do outro. O sacerdócio torna-se uma classe especial de professores para</p><p>todos. Logo que se organizam para ensinar os futuros membros de sua própria ordem,</p><p>surge a primeira escola. Com a formação de um currículo definido, de um magistério e</p><p>da escola, encerra-se o estádio primitivo na educação e atingem-se os primeiros estádios</p><p>da civilização.</p><p>Texto extraído do livro História da Educação de Paul Monroe, 1970, páginas 10 e 11.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>20</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. (ENADE- 2011) Não brota do individual, mas da ideia. Acima do homem como ser</p><p>gregário ou como suposto eu autônomo, ergue-se o Homem como ideia. A ela aspiram</p><p>os educadores gregos, bem como os poetas, artistas e filósofos. Ora, o Homem,</p><p>considerando na sua ideia, significa a imagem do Homem genérico na sua validade</p><p>universal e normativa. Como vimos, a essência da educação consiste na modelagem</p><p>dos indivíduos pela norma da comunidade. Os gregos foram adquirindo gradualmente</p><p>consciência clara do significado desse processo mediante aquela imagem do Homem,</p><p>e chegaram por fim,</p><p>através de um esforço continuado, a uma fundamentação, mais</p><p>segura e mais profunda que a de nenhum povo da Terra, do problema da educação.</p><p>JAEGER, W. W. Paideia: a formação do homem grego. Tradução: Artur M. Pareira. 2. ed.</p><p>São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 10-11.</p><p>Considerando o tema abordado no texto, avalie as afirmações seguintes:</p><p>I. A educação grega se distinguia da educação da maioria dos povos que a antecederam</p><p>por considerar a razão como instrumento a serviço do próprio homem.</p><p>II. A filosofia era ensinada na Grécia e abrangia os mais diversos tipos de conhecimento,</p><p>que se estendiam pela matemática, astronomia, física, biologia, ética, entre outros.</p><p>III. A Grécia possuía diferentes cidades-estado com processos de ensino semelhantes</p><p>e caracterizados pela igualdade de oportunidades aos diferentes segmentos da</p><p>população.</p><p>IV. A educação grega foi caracterizada pela presença de diferentes pensamentos</p><p>filosóficos como os de Sócrates, dos Sofistas, Platão e Aristóteles, que compartilhavam</p><p>dos mesmos ideais e processo de ensino.</p><p>É correto apenas o que se afirma em:</p><p>a) I e II.</p><p>b) II e IV.</p><p>c) III e IV</p><p>d) I, II e III.</p><p>e) I, III e IV.</p><p>2. (CONCURSO PREFEITURA MUNICIPAL DE TERESINA - PI) Na Grécia Antiga, várias</p><p>cidades estados se revezaram no poder, mas apenas duas obtiveram grandes conquistas</p><p>e importância política, social e econômica durante muito tempo. Por conta disso, a</p><p>educação em ambas era bastante diferenciada, inclusive a maneira pela qual os exercícios</p><p>físicos eram encarados e desenvolvidos. Uma pensava o desenvolvimento holístico do</p><p>indivíduo, valorizando os exercícios como complemento, mas sem muito apelo bélico, a</p><p>outra percebia os exercícios como a única maneira de se conseguir preparar o indivíduo</p><p>para o conflito e para a vida.</p><p>21</p><p>As características referem-se respectivamente, à:</p><p>a) Atenas e Esparta.</p><p>b) Esparta e Atenas.</p><p>c) Esparta e Jônios.</p><p>d) Esparta e Minus.</p><p>e) Jônios e Esparta.</p><p>3. (CESPE. 2006 - ADAPTADA) A história da Antiguidade Clássica é marcada por</p><p>continuidades e descontinuidades em relação ao mundo diversificado da Antiguidade</p><p>Oriental. Povos da Mesopotâmia e do Nilo demonstraram que o processo histórico que</p><p>unia o Oriente e a África ao Mediterrâneo europeu não era estanque, isolado e sem</p><p>comunicação com o que viria a ser a pujança de Grécia e Roma. A propósito da riqueza</p><p>dos povos da Antiguidade Clássica e de suas heranças, assinale a opção correta:</p><p>a) Roma e Grécia construíram suas histórias de costas para as heranças das sociedades</p><p>hidráulicas da Mesopotâmia e do Egito.</p><p>b) O escravismo, inexistente em experiências históricas até então, era um sistema</p><p>secundário de utilização da força de trabalho nas duas grandes civilizações da Antiguidade</p><p>Clássica.</p><p>c) As formas mais avançadas de manifestações filosóficas e científicas que apareceram</p><p>na sociedade grega, como também em Roma, eram inéditas, mas continham aspectos</p><p>herdados de tradições que vinham de sociedades do Oriente Próximo.</p><p>d) As condições da vida e do trabalho, no mundo clássico antigo, foram marcadas</p><p>por formas assalariadas de remuneração do trabalho muito próximas às do mundo</p><p>contemporâneo.</p><p>e) Todas as respostas estão corretas.</p><p>4. Podemos dizer que a Grécia é o berço da Pedagogia por sua trajetória, aparição dos</p><p>filósofos e seus questionamentos relacionados à educação, concebemos três principais</p><p>filósofos, identifique qual dos filósofos tinha como ideal de educação, diante da frase</p><p>que representa o seu pensamento. “A educação não serve apenas para alcançarmos o</p><p>conhecimento de fora para dentro, mas para despertar no indivíduo o que ele já sabe”.</p><p>a) A citação refere-se ao pensamento de Sócrates.</p><p>b) Alexandre o grande, tinha esse ideal de educação.</p><p>c) A citação refere-se ao pensamento dos sofistas</p><p>d) Platão acreditava nesse ideal como educação.</p><p>e) O pensamento é de Aristóteles.</p><p>5. Leia o texto e responda a questão</p><p>História da Educação</p><p>Lucila C. Pereira</p><p>Tomando a herança cultural deixada pela antiguidade como a fonte principal</p><p>sobre a qual a civilização ocidental se ergueu, o legado deixado pelas principais</p><p>cidades estados da Grécia Antiga – Esparta e Atenas – constitui-se como princípio</p><p>22</p><p>de organização social e educativa que serviu de modelo para diversas sociedades</p><p>no decorrer dos séculos. Reconhecida por seu poder militar e caráter guerreiro, o</p><p>modelo de educação espartano baseava-se na disciplina rígida, no autoritarismo,</p><p>no ensino de artes militares e códigos de conduta, no estímulo da competitividade</p><p>entre os alunos e nas exigências extremas de desempenho. Por outro lado, Atenas</p><p>tinha os logos (conhecimento) seu ideal educativo mais importante. O exercício da</p><p>palavra, assim como a retórica e a polêmica, era valorizado em função da prática da</p><p>democracia entre iguais. Como herança da educação ateniense surgiram os sofistas,</p><p>considerados mestres da retórica e da oratória, eles ensinavam a arte das palavras para</p><p>que seus alunos fossem capazes de construir argumentos vitoriosos na arena política.</p><p>Fruto da mesma matriz intelectual, porém em oposição ao pensamento sofista, o</p><p>filósofo Sócrates propunha ensinar a pensar – mais do que ensinar a falar - através de</p><p>perguntas cujas respostas dependiam de uma análise lógica e não simplesmente da</p><p>mera retórica.</p><p>[...] (Adaptado).</p><p>Ainda que existam concepções opostas, tanto o pensamento sofista quanto o socrático</p><p>contribuíram para a educação contemporânea por meio da (s)/do(s):</p><p>a) experiências do passado e das reflexões retóricas com base em uma disciplina rígida,</p><p>no diálogo e nas exigências de desempenho pelo código de conduta.</p><p>b) valorização da experiência e do conhecimento prévio do estudante enquanto</p><p>estratégias que se tornaram muito importantes para o sucesso na aprendizagem desse</p><p>aluno.</p><p>c) processo de educação do indivíduo no qual é considerado o desenvolvimento dos</p><p>grupos sociais e das sociedades como principal motivo para a efetivação do ensino/</p><p>aprendizagem.</p><p>d) princípios de organização das sociedades visando a prática da democracia, o incentivo</p><p>à capacidade de polemizar e argumentar por meio da palavra.</p><p>e) Todas as alternativas estão corretas.</p><p>6. Texto para a questão.</p><p>Por que o legado do sábio chinês Confúcio atravessou milênios?</p><p>Pensador desenvolveu uma filosofia política que refletia seu horror ante a guerra</p><p>constante que o rodeava. Ao longo dos séculos, o pensamento chinês tem sido</p><p>o produto de uma variedade de influências, entre elas o budismo, o taoísmo e o</p><p>marxismo. No entanto, uma tradição esteve acima de todas no pensamento chinês por</p><p>mais de dois milênios: as ideias do pensador Confúcio (551 a.C. a 479 a.C.).</p><p>Embora ele tenha chegado a simbolizar a filosofia chinesa, não teve muito sucesso</p><p>em vida. Ele viveu durante uma época em que a China que conhecemos hoje era um</p><p>mosaico de pequenos reinos rivais. Confúcio desenvolveu uma filosofia política que</p><p>refletia seu horror ante a guerra constante que o rodeava. Ele vagou de reino em reino</p><p>tentando persuadir os governantes a seguir seus ensinamentos, mas nunca conseguiu</p><p>nada além de um cargo público de baixo escalão. No entanto, conseguiu um grupo de</p><p>seguidores dedicados, que transmitiu seus ensinamentos às gerações seguintes.</p><p>Apenas centenas de anos depois, durante a dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.), o</p><p>23</p><p>confucionismo, um sistema ético de comportamento e governo, tornou-se o norte</p><p>que definiria a cultura chinesa nos dois milênios seguintes. O confucionismo não é</p><p>uma religião como tal. Ainda que Confúcio não negasse a existência de um mundo</p><p>espiritual, ele afirmou que era mais importante se concentrar neste mundo enquanto</p><p>se estava nele.</p><p>Refletindo seu desgosto pela guerra, ele declarou que a ordem era um requisito</p><p>fundamental na sociedade. Sustentar essa ordem era acreditar na importância das</p><p>relações hierárquicas. Os súditos tinham de obedecer a seus governantes, filhos a</p><p>seus pais e esposas, a seus maridos. No entanto, Confúcio não queria que essa ordem</p><p>fosse imposta pela força. Ele</p><p>achava que a sociedade deveria ser harmoniosa e as</p><p>pessoas deveriam ser encorajadas em seu "autodesenvolvimento" para que pudessem</p><p>aproveitar ao máximo sua posição.</p><p>Segundo o pensamento de Confúcio, o estado moral de alguém não dependia</p><p>de sua posição social. Era possível, e de fato bastante provável, que houvesse</p><p>bons camponeses ao mesmo tempo que um governante poderia ser perverso</p><p>ou um aristocrata, cruel. O pensamento confucionista também se diferenciava</p><p>do pensamento moderno, na medida em que glorificava o passado e defendia a</p><p>veneração da velhice. "Eu sigo o Zhou", disse Confúcio, referindo-se à antiga dinastia</p><p>que foi considerada uma "idade de ouro" perdida por gerações de governantes</p><p>chineses.</p><p>No centro do confucionismo há um contrato social: os governados deviam lealdade aos</p><p>governantes, mas os governantes que não se importavam com o bem-estar do povo</p><p>perderiam o "mandato do céu" e poderiam ser justamente derrubados. Confúcio nunca</p><p>deu aos governantes uma licença para a opressão.</p><p>Ao participar do "li" (que é frequentemente traduzido como "ritual", mas na verdade</p><p>significa algo como "comportamento apropriado"), os humanos provaram ser</p><p>civilizados, independentemente de sua origem, e podiam aspirar a se tornar "junzi"</p><p>("pessoas de integridade") ou mesmo "sheng" ("sábios"). Para isso, a educação era</p><p>fundamental.</p><p>O pensamento confucionista mudou imensamente com o tempo. O próprio Confúcio</p><p>provavelmente não teria reconhecido a maneira como suas ideias foram adaptadas</p><p>por governantes posteriores. Apesar da ênfase na ética e na harmonia como a melhor</p><p>maneira de governar um país, os governantes chineses também garantiram o</p><p>monopólio do uso da força. Confúcio desaprovava a busca do lucro como um fim em</p><p>si, mas da dinastia Song (960 d.C. a 1279 d.C.) em diante, a China viveu uma revolução</p><p>comercial, e no final do período imperial (1368 d.C. a 1912 d.C.) até a ideologia oficial</p><p>rendeu-se à lógica do lucro.</p><p>O confucionismo não foi um conjunto monolítico de ideias por mais de 2.500 anos.</p><p>No entanto, seus princípios básicos sustentaram o que significava ser chinês até</p><p>meados do século 19. A chegada de influências ocidentais, na forma de comerciantes</p><p>de ópio e missionários, deu uma sacudida indesejada ao velho mundo do pensamento</p><p>confucionista. O pensamento moderno deixou sequelas profundas. O impacto do</p><p>nacionalismo e do comunismo, e seu amor inerente pela novidade e pelo progresso,</p><p>em vez da reverência por uma era de ouro do passado, destruíram muitas das certezas</p><p>do antigo mundo confucionista.</p><p>No entanto, essas ideias não desapareceram completamente. Na China</p><p>contemporânea, o governo, que não está mais tão ligado à ideologia de Mao Tse-tung,</p><p>24</p><p>está buscando a tradição chinesa para encontrar um núcleo moral para o século 21. O</p><p>"professor número um", Confúcio, está novamente nos programas escolares. Os valores</p><p>de ordem, hierarquia e obrigação mútua permanecem tão atraentes no século 21</p><p>quanto no século 5 a.C.</p><p>(Rana Mitter. Revista BBC History. 31/12/2018, com adaptações)</p><p>A respeito das ideias do texto, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I. O confucionismo, em sua forma original, perdurou até o século XIX, quando se mesclou</p><p>ao budismo, ao taoísmo e ao marxismo.</p><p>II. A noção de identidade chinesa se modificou no século XX, em função do impacto</p><p>do nacionalismo e do comunismo. Entretanto, há uma retomada dos princípios de</p><p>Confúcio no século XXI.</p><p>III. Segundo Confúcio, estado moral e posição social não se interdependiam,</p><p>diferentemente da obrigatoriedade de cooperação mútua entre governantes e</p><p>governados.</p><p>Assinale:</p><p>a) Se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.</p><p>b) Se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.</p><p>c) Se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.</p><p>d) Se todas as afirmativas estiverem corretas.</p><p>e) Se nenhuma afirmativa estiver correta.</p><p>7. Na civilização indiana, a estrutura social passou a ser organizada por meio do sistema</p><p>de castas. Sobre esse sistema, é correto dizer que:</p><p>a) Os indivíduos passavam a pertencer a determinada casta a partir do momento em</p><p>que era iniciado em rituais de purificação religiosa.</p><p>b) Os indivíduos estavam associados a castas de acordo com o seu nascimento.</p><p>c) As castas eram definidas de acordo com o desempenho militar.</p><p>d) As castas não tinham nenhuma relação com o sistema religioso hindu.</p><p>e) Nenhuma casta se considerava superior à outra.</p><p>8. O budismo não é só uma religião, mas também um sistema ético e filosófico, originário</p><p>da região da Índia, que foi criado por:</p><p>a) Mahatma Gandhi;</p><p>b) Bhagavad-Gita;</p><p>c) Mao Tse-Tung;</p><p>d) Siddhartha Gautama;</p><p>e) Confúcio.</p><p>25</p><p>A EDUCAÇÃO</p><p>NA IDADE MÉDIA</p><p>26</p><p>2.1 AS CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO MEDIEVAL</p><p>O período denominado Idade Média compreende a Alta Idade Média que começou</p><p>com a queda do Império Romano no período dos séculos V até meados do século IX e a</p><p>Baixa Idade Média que vai do final do século IX até o século XV, quando os turcos tomam</p><p>Constantinopla (1453).</p><p>De acordo com Monroe (1970) a educação, sob o domínio do cristianismo, recebe</p><p>um caráter totalmente novo: a instrução da Igreja, pela doutrina, e a prática do culto,</p><p>substituem uma educação intelectual praticada por meio de treino físico e retórico. Para</p><p>que se entenda melhor a educação na idade média será dividida em dois momentos</p><p>como alguns teóricos denominam: a educação cristã e a educação medieval.</p><p>Segundo Cambi (1999) na Alta Idade Média a vida era organizada pelas relações de</p><p>vassalagem e dos princípios do feudo. Uma época em que foi marcada pelas invasões</p><p>bárbaras, pelo fortalecimento da igreja católica e a formação do império carolíngio. Na</p><p>Baixa Idade Média a burguesia, nova classe social, surge revolucionando a cultura. A</p><p>educação passa por transformação como discorre Cambi:</p><p>Nessa época tão complexa e dinâmica, tão inquieta e</p><p>dramática, a educação/instrução também sofre uma</p><p>profunda transformação: institucionaliza-se no nível su-</p><p>perior numa organização totalmente nova como a uni-</p><p>versitas studiorum, livre agregação de docentes e estu-</p><p>dantes que acolhe as diversas especializações do saber e</p><p>forma os profissionais necessários para uma sociedade</p><p>em transformação. [...] Todo o universo da educação so-</p><p>fre uma transformação no sentido burguês: especializa-</p><p>-se, articula-se, socializa-se e, gradativamente, também</p><p>se laiciza, se separa do predomínio eclesiástico, pondo</p><p>em ação os primeiros germes da Idade Média (CAMBI,</p><p>1999, p. 15).</p><p>Aranha (2006) cita a educação, na idade Média, em três abordagens: a educação</p><p>bizantina, a educação islâmica e a Paideia cristianizada:</p><p>1. A educação bizantina (Império Romano do Oriente ou Império Bizantino – de 395 a</p><p>1453): Tem ênfase na vida cristã, no entanto, embora zelosos pela religiosidade, ainda</p><p>se sentiam fortemente ligados ao humanismo. O ensino religioso não predominava</p><p>nos níveis primário e secundário, no entanto, os clássicos pagãos eram bastante</p><p>estudados, visando à formação humana e a preparação para o ofício da Administração</p><p>do Estado. Destaca-se a Universidade de Constantinopla no período de 425 a 1453 que</p><p>acolheu as obras antigas e orientou os estudos de filosofia e ciências, preservando o</p><p>direito romano.</p><p>2. A educação Islâmica – No século VIII há um renascer cultural pelos árabes que</p><p>se estende até o século IX com a criação da “Casa de Sabedoria”. Os árabes se</p><p>interessavam por pesquisa e experimentação, os quais se destacavam nas áreas de</p><p>matemática (algarismos, álgebra, logaritmos), medicina, geografia, astronomia e</p><p>cartografia. Várias escolas primárias são criadas com o intuito do ensino de leitura</p><p>27</p><p>e escrita. O Alcorão era ensinado para que os ensinamentos de Alá influenciassem a</p><p>vida moral. Nessa época existiam preceptores particulares.</p><p>3. A Paideia cristianizada - Com as reformas de Alcuíno no século IX, o conteúdo do</p><p>ensino se constituiu em trivium (gramática, retórica e dialética) para o ensino médio</p><p>e quadrivium (geometria, aritmética, astronomia e música) para o</p><p>ensino superior.</p><p>Com a liberação do Mediterrâneo, desenvolve-se o comércio e renascem as cidades,</p><p>surgindo a classe burguesa. A partir daí modifica-se o sistema educacional e como</p><p>consequência, o surgimento das escolas seculares que objetivavam uma educação</p><p>para a vida prática. Disciplinas como a história, geografia e ciências naturais</p><p>substituíram os tradicionais trivium e quadrivium</p><p>A Pedagogia na Idade Média - Embora os monges temessem a influência da</p><p>produção intelectual sobre os fiéis, não poderiam abrir mão da herança cultural, o que</p><p>passaram a contar com os monges copistas, a fim de traduzir os textos, selecionados da</p><p>literatura e filosofia gregas, para o latim. Os bibliotecários eram instruídos a controlar o</p><p>acesso a leituras permitidas ou proibidas, preservando a fé a todo custo. Outra medida</p><p>para combater as ideias pagãs foi a criação da filosofia cristã que não ignorava a razão,</p><p>mas fazia dela um instrumento para a fé, em dois períodos denominados de Patrística</p><p>(filosofia dos padres da igreja do século II ao V – ainda na Antiguidade) e Escolástica</p><p>(filosofia das escolas cristãs ou dos doutores da igreja, do século IX ao XIV).</p><p>As teorias cristãs, no ocidente, influenciaram a pedagogia na idade média, conforme</p><p>podemos verificar no quadro a seguir:</p><p>Figura 5: Características da Pedagogia na Idade Média</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2021)</p><p>A análise do quadro acima, que aborda influências na educação da Idade Média,</p><p>aponta dois grandes filósofos: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.</p><p>A educação cristã – De acordo com Cambi (1999) o cristianismo provocou uma</p><p>revolução educativa/cultural no mundo antigo:</p><p>Trata-se da afirmação de um novo “tipo” de homem</p><p>(igualitário, solidário, caracterizado pela virtude da hu-</p><p>manidade, do amor universal, da dedicação pessoal,</p><p>como ainda pela castidade e pela pobreza), que do âm-</p><p>bito religioso vem modelar toda a visão da sociedade e</p><p>28</p><p>também os comportamentos coletivos, reinventando a</p><p>família (baseada no amor e não apenas e sobretudo na</p><p>autoridade e no domínio), o mundo do trabalho (abolin-</p><p>do qualquer desprezo pelos trabalhos “baixos”, manu-</p><p>ais, e colocando num plano de colaboração recíproca os</p><p>patrões e escravos, os serviçais, os empregadores e os</p><p>dependentes) e o da política (que deve inspirar-se nos</p><p>valores ético-sociais de igualdade e solidariedade, de-</p><p>vendo ver o soberano agir como um pai e um guia do</p><p>povo, para dar vida a uma res publica christiana) (CAM-</p><p>BI, 1999, p. 121).</p><p>O autor acrescenta que o cristianismo provoca uma revolução pedagógica</p><p>e educativa, marcando por muito tempo a vida no Ocidente. Aranha (2006) faz uma</p><p>abordagem interessante a partir da Paideia que intitula de “Paideia cristianizada”. Foram</p><p>mil anos, marcados pela influência da igreja católica na vida de toda a sociedade.</p><p>Por volta do século VI, há uma necessidade de transmissão dos ensinamentos</p><p>morais aos novos irmãos monges, o que faz surgir as escolas monacais, a partir das</p><p>quais ensinavam o latim e as humanidades, sendo os melhores alunos premiados com o</p><p>estudo da filosofia e teologia. Com a queda do império, as escolas continuaram a existir</p><p>de forma muito precária, onde lutavam pela manutenção das sete artes liberais (lógica,</p><p>gramática, retórica, aritmética, música, geometria e astronomia).</p><p>A partir do século VIII com mudanças bruscas no comércio pela invasão do Islã,</p><p>o povo perde o interesse pela escola, no entanto o Estado buscava pessoas religiosas e</p><p>cultas para as tarefas administrativas. Entre o século VIII e IX, o imperador Carlos Magno</p><p>influencia a educação quando reúne em sua corte, na Alemanha, grandes intelectuais</p><p>com o intuito de reformar a vida eclesiástica e o sistema de ensino, o que dá origem às</p><p>escolas palatina (ao lado do palácio) responsável por difundir estudos para restruturação e</p><p>fundação de escolas monacais e catedrais, bem como das escolas paroquias, responsável</p><p>pelo nível de ensino elementar.</p><p>2.2 A EDUCAÇÃO FEUDAL</p><p>Para que se entenda como ocorreu a educação na sociedade feudal, no período</p><p>compreendido entre 476 e 1492 (aproximadamente), importante é perceber como se</p><p>comportava a sociedade na época. A figura, a seguir, apresenta as classes, bem como o</p><p>papel desempenhado por elas:</p><p>29</p><p>Figura 6: A sociedade Feudal</p><p>Fonte: Disponível em https://bit.ly/3ulVGND. Acesso em: 04 fev. 2021.</p><p>A sociedade estava organizada em torno do feudo. Cambi (1999, p. 155) descreve o</p><p>feudo de forma que consigamos entender o que a pirâmide representa:</p><p>O feudo é uma unidade territorial, governada por um</p><p>senhor que age dentro dele como fonte de direito, que</p><p>se empenha na sua defesa militar, que impõe aos habi-</p><p>tantes do feudo a obrigação à fidelidade e à submissão,</p><p>em troca de proteção. A economia do feudo é, em ge-</p><p>ral, de subsistência, produzindo e consumindo in loco</p><p>as mercadorias de que tem necessidade, reduzindo ao</p><p>mínimo o intercâmbio e apresentando-se predominan-</p><p>temente agrícola. A cultura, no feudo, desenvolve-se</p><p>somente no castelo do feudatário ou nas igrejas e, so-</p><p>bretudo, nos mosteiros: ela também se caracteriza por</p><p>poucos intercâmbios e é toda devotada à fé cristã, aos</p><p>seus dogmas, aos seus mitos.</p><p>Na sociedade feudal a estrutura era estática, não havia possibilidade de migração</p><p>de um nível para o outro. Quem nascia nobre gozava de seus privilégios até à morte, ao</p><p>passo que aqueles que nasciam servos ou à margem da sociedade, não encontravam</p><p>meios de ter sua sorte alterada.</p><p>A economia feudal nasce com a invasão, no mar mediterrâneo, dos mulçumanos</p><p>(Islã), dos húngaros e escandinavos. A religião, também, influenciava a sociedade que</p><p>procurava se distanciar dos prazeres da carne, amedrontada, pelo juízo final (Apocalipse),</p><p>voltando a atenção, sobretudo para o trabalho.</p><p>A igreja monopolizava o ensino formal, difundindo o modelo cristão de educação. As</p><p>escolas abaciais e catedrais foram organizadas pela igreja e transmitiam o saber às elites.</p><p>O ensino agora volta-se para os valores cristãos, o que diferencia, consideravelmente, do</p><p>ensino de Grécia e Roma que intencionavam a formação do cidadão para a vida política.</p><p>Nas escolas catedrais ensinavam-se a leitura e a memorização, o cálculo e o canto, sendo</p><p>o público alvo os noviços, ou seja, os meninos-monge (CAMBI, 1999). As escolas catedrais</p><p>30</p><p>cultivavam o ensino do trívio (gramática, retórica e dialética) e sobretudo de quadrívio</p><p>(aritmética, retórica e dialética). Tanto as escolas abaciais quanto as catedrais eram</p><p>ligadas ao estudo dos textos canônicos, dedicadas à formação espiritual. Por outro lado,</p><p>as escolas palacianas, que ensinavam a gramática e a retórica, tinham um ideal laico que</p><p>objetivava formar a nobreza e os administradores do império. Carlos Magno (742-814)</p><p>tinha um ideal pela fusão de igreja e estado, formando uma sociedade cristã, cuja bíblia</p><p>seria a norteadora da formação cultural e espiritual dos indivíduos.</p><p>2.3 A EDUCAÇÃO URBANA</p><p>Por volta do ano 1000, com o surgimento das cidades, uma nova classe social se</p><p>forma: a burguesia, totalmente urbana com ideais de empreendedorismo, individualidade,</p><p>liberdade, laicidade e produtividade. Há a partir de agora um distanciamento do</p><p>Feudalismo e o mundo é renovado pelas novas formas de produção que exigem saberes</p><p>especializados. Surgem movimentos de lutas sociais que se expressam através das</p><p>produções artísticas e literárias.</p><p>As famílias encaravam as crianças como adultos em miniatura, não dispensando</p><p>aos pequenos os devidos cuidados com a saúde física e psicológica, permitindo, inclusive,</p><p>a sua participação, sem censuras, em festas religiosas e outros eventos da vida adulta. A</p><p>educação voltava-se para a formação moral (igreja) e técnicas (oficinas) para o trabalho.</p><p>O povo era analfabeto e aprendia a partir da linguagem oral e imagens, por meio</p><p>da cultura que era propagada, também, pelo teatro:</p><p>Mas a palavra age também através do teatro, que po-</p><p>tencializa ainda mais as palavras com a imagem. Já o</p><p>teatro que nasce nos adros das igrejas com</p><p>representa-</p><p>ções sacras é um teatro explicitamente educativo: con-</p><p>firma a fé, que ele dramatiza, elementariza e reduz aos</p><p>princípios essenciais, tornando-os facilmente perceptí-</p><p>veis e comunicativos. O combate entre a alma e o corpo,</p><p>uma das peças mais difundidas na Idade Média, exacer-</p><p>ba e confirma o dualismo dramático da antropologia</p><p>cristã e a sua visão da vida como sublimação heroica.</p><p>Ao lado do teatro sacro, existe também o teatro popular:</p><p>a comédia, a farsa, a sotie (ou farsa dos loucos), que en-</p><p>contram espaço sobretudo no Carnaval, que exaltam os</p><p>temas censurados pela cultura oficial (o ventre, o sexo, a</p><p>fome, o engano, etc) e os potencializam de forma paró-</p><p>dica (CAMBI, 1999, p. 179).</p><p>Percebe-se pela citação de Cambi que a sociedade e a igreja utilizavam-se do teatro</p><p>para transmitir os seus ensinamentos ao povo, mas também através das imagens de</p><p>obras artísticas, como representaram bem os artistas Giotto, Gaddi, Ambrogio Lorenzetti,</p><p>dentre outros:</p><p>31</p><p>Figura 7: Quadro da morte de São Francisco de Giotto de Bandone</p><p>Fonte: Disponível em https://bit.ly/3oVEUnA. Acesso em: 04 fev. 2021.</p><p>Cita-se o teatro, as imagens pela arte, no entanto, as festas também tinham o</p><p>poder de alimentar o imaginário do povo pelo povo, configurando-se em uma espécie</p><p>de educação informal, que conforme Cambi (1999), exerce um papel fundamental para</p><p>uma sociedade analfabeta.</p><p>Por outro lado, a alfabetização (ensino formal) ocorria para as classes altas, a partir</p><p>da igreja (religiosa) ou da cavalheiresca (laica). A igreja, por meio de seus representantes</p><p>ensinavam a interpretar os valores cristãos através de textos e obras que contribuíam com</p><p>a formação espiritual, como aconteceu por meio da Escolástica e Teologia ensinadas nas</p><p>universidades. Por outro lado, a educação para uma sociedade laica ocorria por meio da</p><p>epopeia cavalheiresca, mitos, poesias trovadorescas que promoviam visões simbólicas e</p><p>alegóricas de amor e espiritualidade pelas virtudes cristãs.</p><p>Conforme expõe Piletti e Piletti (2012, p. 47), as quatro causas do fracasso do ensino apon-</p><p>tadas por Santo Agostinho são:</p><p>1. Pouca capacidade do mestre;</p><p>2. Repetição cansativa de conhecimentos;</p><p>3. Reduzida Inteligência do educando;</p><p>4. Desatenção do aluno no ensino.</p><p>Para os dias atuais, as causas apontadas por Agostinho, podem remeter à formação con-</p><p>tinuada docente; à didática utilizada no cotidiano escolar; às dificuldades cognitivas e</p><p>distúrbios de aprendizagem dos alunos. Você concorda? Reflita sobre isso!!!</p><p>VAMOS PENSAR?</p><p>A Igreja Católica detinha o poder e o controle pela disseminação do conhecimen-</p><p>to e pela guarda das informações contidas em livros e manuscritos, mantidos à</p><p>sete chaves. O filme “O nome da rosa” é indicado para proporcionar uma visão</p><p>BUSQUE POR MAIS</p><p>32</p><p>mais ampliada acerca dos conflitos decorrentes do poder, ocorridos durante a</p><p>Idade Média. Pode ser encontrado na internet. Assista ao trailer abaixo:</p><p>• Filme “O nome da Rosa” – Direção de Jean-Jacques Annaud. Itália, França: 1986.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3dKCq7z. Acesso em 10 fev.2021</p><p>Outro filme interessante que situa o estudante no contexto histórico da época</p><p>estudada:</p><p>• Filme “Santo Agostinho, o declínio do império romano” – Direção de Christian</p><p>Duguay. Disponível em: https://ytube.io/3H5K. Acesso em 16 fev.2021.</p><p>Laica: não faz apologia a nenhuma religião. Não se influencia por nenhuma crença reli-</p><p>giosa.</p><p>Epopeia: palavra de origem grega, nome dado à poesia épica que designa um gênero po-</p><p>ético predominantemente narrativo, dedicado à exaltação de feitos históricos, lendários</p><p>ou míticos.</p><p>Patrística (pais da igreja): período que vai do século II da era cristã até o século VIII.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>IDADE MÉDIA: A EDUCAÇÃO COMO DISCIPLINA</p><p>A religião cristã foi quem exerceu influência dominante durante toda a Idade Média. O</p><p>Cristianismo ofereceu uma solução para o problema social e educativo grego, aplicando</p><p>o princípio de amor ou caridade cristã, em que se harmonizam o indivíduo e os fatores</p><p>sociais. Esta solução fundada na natureza moral do homem e não na sua natureza in-</p><p>telectual, proporcionava um ideal atingível a todos. A educação tornou-se dominante-</p><p>mente moral e, daí um treino disciplinar ou preparatório. A igreja cristã foi, a princípio,</p><p>benevolente com a cultura clássica. Mas, com a inclusão puramente formal do mundo</p><p>secular nos quadros da igreja, tornou-se necessário acentuar o elemento moral, com ex-</p><p>clusão do elemento intelectual e literário. O monaquismo deu a a essa educação moral</p><p>uma organização minuciosa e rígida. O monaquismo, por exigir algum conhecimento da</p><p>leitura e da escrita, levou à cópia de manuscritos , à conservação da literatura, à redação</p><p>de crônicas e a outros tipos de literatura, e promoveu a organização de escolas. As últi-</p><p>mas ordens monásticas foram tipicamente educativas. Com a renascença do interesse</p><p>pelas questões teológicas, a lógica e a filosofia foram trazidas para apoio da religião.</p><p>Resultou daí a escolástica. O mundo do saber ampliou-se e sistematizou-se num todo</p><p>unificado. Surgiram numerosas universidades que incrementaram a vida intelectual. En-</p><p>quanto isso elaborou-se uma educação para a sociedade secular sob o regime feudal.</p><p>Esta foi a educação da cavalaria, em que o conceito como disciplina se traduzia no treino</p><p>do pajem e do escudeiro, considerado como preparatório para as atividades dos cavalei-</p><p>ros. Após o encerramento do século XIII os novos interesses individualistas encontraram</p><p>expressão nas literaturas vernáculas, no comércio, nos novos interesses intelecutais, na</p><p>influência dos sarracenos e dos frades, e nos novos tipos de escolas. A tendência de todas</p><p>essas mudanças era a de minar a unidade de pensamento e vida, tão caracterísitca da</p><p>Idade Média.</p><p>Texto extraído do livro História da Educação de Paul Monroe, 1970, página 145</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>33</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. (UFU,2010) A filosofia de Agostinho (354 – 430) é estreitamente devedora do</p><p>platonismo cristão milanês: foi nas traduções de Mário Vitorino que leu os textos de</p><p>Plotino e de Porfírio, cujo espiritualismo devia aproximá-lo do cristianismo. Ouvindo</p><p>sermões de Ambrósio, influenciados por Plotino, que Agostinho venceu suas últimas</p><p>resistências (de tornar-se cristão). (PEPIN, Jean. Santo Agostinho e a patrística ocidental.</p><p>In: CHÂTELET, François (org.) A Filosofia medieval. Rio de Janeiro Zahar Editores: 1983,</p><p>p.77.)</p><p>Apesar de ter sido influenciado pela filosofia de Platão, por meio dos escritos de Plotino,</p><p>o pensamento de Agostinho apresenta muitas diferenças se comparado ao pensamento</p><p>de Platão.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma dessas diferenças:</p><p>a) Para Agostinho, é possível ao ser humano obter o conhecimento verdadeiro, enquanto,</p><p>para Platão, a verdade a respeito do mundo é inacessível ao ser humano.</p><p>b) Para Platão, a verdadeira realidade encontra-se no mundo das Ideias, enquanto para</p><p>Agostinho não existe nenhuma realidade além do mundo natural em que vivemos.</p><p>c) Para Agostinho, a alma é imortal, enquanto para Platão a alma não é imortal, já que é</p><p>apenas a forma do corpo.</p><p>d) Para Platão, o conhecimento é, na verdade, reminiscência, a alma reconhece as Ideias</p><p>que ela contemplou antes de nascer; Agostinho diz que o conhecimento é resultado da</p><p>Iluminação divina, a centelha de Deus que existe em cada um.</p><p>e) Todas as alternativas estão corretas.</p><p>2. (CESPE, 2006 - Adaptada) O feudalismo era, na Idade Média, um sistema não apenas</p><p>econômico, mas também social, marcado por forte ressonância na formulação do poder</p><p>político de quase toda a Europa Ocidental. Com relação a esse sistema, assinale a opção</p><p>correta.</p><p>a) O feudalismo, sustentado na escravidão, dominou a Europa Ocidental desde a crise do</p><p>Império Romano até praticamente à Revolução Francesa.</p><p>b) Sustentada pela noção de estamento, a sociedade feudal apresentava taxas baixíssimas,</p><p>ou quase inexpressivas, de mobilidade interna.</p><p>c) Na Idade Média, as mulheres detinham poderes adicionais associados ao sistema de</p><p>reprodução da</p>