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<p>Pontes de concreto</p><p>Tadeu Donizetti do Vale Antunes</p><p>Atividade 2</p><p>Ponte Alencastro</p><p>Em minas pesquisa, não encontrei os dados das pontes do meu município, por serem</p><p>obras de muito tempo atrás, dos anos 50 por exemplo, resolvi pesquisar sobre uma ponte</p><p>importe feita no estado. Situada sobre o rio Paranaíba, entre as cidades de Carneirinho-MG e</p><p>Porto Alencastro MS, a primeira ponte estaiada brasileira possui 662 m de extensão e 350 m</p><p>de vão. Uma obra federal delegada ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem) de Minas</p><p>Gerais, a ponte começou a ser construída em 2000, foi paralisada durante algum tempo e</p><p>inaugurada no dia 11 de outubro de 2003.</p><p>Foto 01: Ponte Alencastro MG/MS.</p><p>Fonte: aventureirosdoar44.blogspot.com</p><p>Ao todo foram investidos R$ 124,3 milhões, sendo R$ 67 milhões financiados pelo</p><p>Governo Federal, através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)</p><p>e, em contrapartida, o governo de MG participou com recursos, na ordem de R$ 57 milhões, e</p><p>zero investimentos do governo sul-mato-grossense.</p><p>As fundações venceram uma lâmina d’água de 40 m. “Foi necessário direcionar o</p><p>projeto pelas fundações”, diz Bernardo Golebiowski, diretor da Noronha Engenharia,</p><p>responsável pelo projeto. Ele explica que um projeto que pudesse prever vãos menores tornaria</p><p>a superestrutura mais barata, mas a opção não se aplica às condições impostas por esta ponte.</p><p>“O custo já começaria a ficar alto desde a fundação.” Por causa dessas condições, o vão</p><p>precisava ser maior que 200 m, 300 m. “Nesse caso, não houve imposição do gabarito de</p><p>navegação do rio, que requer vãos menores, de 80 m, o que resultaria em outro sistema</p><p>construtivo. Foi mesmo a imposição das fundações que direcionou o projeto para um vão</p><p>maior.” Uma alternativa seria construir uma superestrutura em caixão metálico e vão central</p><p>de 220 m – ou três vãos iguais de 120 m em balanços sucessivos em concreto protendido –,</p><p>mas a solução considerada mais econômica e esteticamente inovadora foi mesmo a ponte</p><p>estaiada. Realizadas pela Geobrás, as fundações se constituem de 20 tubulões de concreto para</p><p>cada uma das duas torres da ponte, em média com 40 m de profundidade e engastados 11 m e</p><p>5 m em rocha sã. Os tubulões têm cerca de 2 m de diâmetro e foram executados com camisa</p><p>metálica perdida e escavação em rocha, utilizando perfuratriz Wirth. Para Golebiowski, a</p><p>tecnologia adotada não traz maiores dificuldades para a engenharia brasileira. Ao contrário, “a</p><p>tecnologia atual de construção de pontes estaiadas permite que construtores acostumados a</p><p>realizar obras em balanços sucessivos, de concreto protendido, realizem também uma obra</p><p>dessas, porque a tecnologia é equivalente à aplicada nos balanços sucessivos”, compara.</p><p>São três os tipos de ancoragem de uma ponte estaiada: tipo harpa (distribuição paralela</p><p>dos cabos), leque (todos os cabos se concentram no topo da torre) e mista (ambos), solução</p><p>adotada pela Noronha. “A ponte do tipo harpa, apesar de ser a mais interessante esteticamente,</p><p>também é um pouco mais cara. Já o tipo leque é praticamente teórico, pois não existe a</p><p>possibilidade de concentrar todas as ancoragens em um extremo”, explica o engenheiro. “A</p><p>tendência da tecnologia atual é o multiestaiamento, com muitos cabos, pouco espaçados, e</p><p>tabuleiro de pequena espessura”, completa.</p><p>A assimetria das cargas e as variações de tensões nos cabos (devido às cargas</p><p>dinâmicas) influenciam a disposição e o número de estais. Na ponte sobre o rio Paranaíba, suas</p><p>duas torres foram projetadas em forma de “A”, criando dois planos de estais simétricos e</p><p>inclinados em relação ao eixo da ponte. As torres irão atingir a altura de 88 m acima do tabuleiro</p><p>de concreto protendido (35 MPa). Na parte superior dessas estruturas estará a ancoragem ativa</p><p>dos cabos, com a configuração mista. A cada 10 m do tabuleiro partirá um estai em direção a</p><p>uma das torres, somando 140 estais. Esses estais são compostos por cordoalhas RB-177, com</p><p>seção de 15,7 mm, galvanizadas e encapadas com PEAD (polietileno de alta densidade). Cada</p><p>estai pode possuir de 17 a 52 cordoalhas e comprimentos entre 70,6 m e 192,8 m. As cordoalhas</p><p>foram adquiridas da empresa espanhola Tycsa Trenzas & Cables S.L. pela Protende, contratada</p><p>para o fornecimento dos estais, ancoragens e execução de serviços de instalação e</p><p>tensionamento dos estais. “Estamos utilizando a ancoragem italiana Tensacciai. Os estais são</p><p>sempre dotados de uma ancoragem passiva e ativa. Seu tensionamento e regulagem requerem</p><p>cuidados especiais”, explica o engenheiro Alex Barros de Sá, diretor-técnico da Protende.</p><p>Segundo o engenheiro, a Protende-Tensacciai já possui trabalhos realizados no Brasil</p><p>utilizando essas ancoragens de estais para outras finalidades, como tirantes e movimentação de</p><p>altas cargas. “É fundamental o controle de qualidade de fabricação das ancoragens, pois o limite</p><p>de 95% de eficiência com a variação de tensão de 260N/mm2 só é possível de atingir com alto</p><p>controle”, explica Sá. Além dos cuidados especiais de fabricação e montagem, os estais</p><p>também exigem tecnologia de proteção contra oxidação e vandalismo. “Essa proteção vai desde</p><p>a galvanização – das placas de distribuição de tensões das ancoragens, dos tubos fôrma e tubos</p><p>antivandalismo – até o revestimento dos estais com tubos de PEAD e tratamentos especiais de</p><p>ancoragem”, completa o engenheiro. Esses pilares foram feitos com o sistema de fôrma</p><p>trepante Doka Kletter, da Doka, que também forneceu as “torres de escada”, estruturas</p><p>tubulares metálicas do sistema de escoramento Doka D2, para o acesso das fôrmas, com altura</p><p>final chegando perto dos 100 m. As fôrmas trepantes, indicadas para grandes áreas, possuem</p><p>painéis acoplados a consoles metálicos formando um conjunto que é facilmente içado para a</p><p>fase seguinte de trabalho, por meio de grua ou guindaste. Apenas nessa etapa da obra se utiliza</p><p>a grua; todos os serviços de prumo e alinhamento são executados com o conjunto de fôrma</p><p>parado. O concreto adotado nos pilares tem resistência característica de 35MPa e relação</p><p>água/cimento de aproximadamente 0,47. A cura do concreto consumiu, em cada etapa de 3 m,</p><p>72 horas, operação que contou com o aditivo Curing, da Otto Baumgart.</p><p>Foto 02: Ancoragem dos cabos. Foto 03: Vista inferior.</p><p>Fonte: www.flickr.com</p><p>O desenho atípico dos pilares, com inclinação de cerca de 7° em relação à vertical e</p><p>com o formato de um tronco de pirâmide vazado, exigiu a elaboração de um projeto de fôrma</p><p>bem estudado e com muitos detalhes. “O desafio foi o tronco de pirâmide, pois em cada</p><p>concretagem dos pilares há variação de alguns centímetros em todas as faces, internas e</p><p>externas”, explica o engenheiro Ricardo Ferreira Baptista, da Doka. No detalhamento das</p><p>fôrmas foi preciso prever, por exemplo, pequenos fechos de complemento, para efetuar as</p><p>alterações nos painéis em cada uma das etapas de concretagem, a cada 3 m de altura. O</p><p>procedimento foi necessário porque cada pilar tem seção variável interna e externamente (neste</p><p>último caso, de 470 cm x 300 cm na base a 447 cm x 211 cm na parte superior). Com essa</p><p>variação de seção, os pilares alcançam 96 m de altura e são constituídos, basicamente, de duas</p><p>“pernas” inclinadas que se juntam a 74 m em um único “tronco” até o topo. “O trecho inferior</p><p>exigiu o cuidado de se usar fôrma trepante típica de barragem em uma das faces externas de</p><p>cada perna, para resistir ao peso do concreto que atua num dos painéis devido à inclinação do</p><p>pilar”, detalha Baptista. Já a variação de seção interna em planta, de 310 cm x 140 cm (base)</p><p>para 270 cm x 131 cm (topo), levou a uma solução em que se previu andaime de poço. Nesse</p><p>caso, a madeira do assoalho precisava ser ajustada a cada duas ou três etapas e as vigas</p><p>metálicas previam várias possibilidades de regulagem com a troca de posição dos pinos dos</p><p>trincos de suas extremidades.</p><p>Sobre tempo de vida útil, não consegui nenhuma informação</p><p>disponível. E não foi</p><p>possível diagnosticar patologias, porque a ponte se encontra a cerca de 730km de onde eu estou!</p>