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<p>UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS</p><p>UEMG</p><p>FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS</p><p>FCJ</p><p>Ana Vitória da Silva Moreira</p><p>DISSERTAÇÃO – Honorários periciais na Justiça do Trabalho</p><p>DIAMANTINA</p><p>2024</p><p>UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS</p><p>UEMG</p><p>FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS</p><p>FCJ</p><p>Ana Vitória da Silva Moreira</p><p>DISSERTAÇÃO - Honorários periciais na Justiça do Trabalho</p><p>Trabalho apresentado no curso de graduação</p><p>em Direito na Universidade do Estado de Minas</p><p>Gerais, para a obtenção de nota na disciplina de</p><p>Processo do Trabalho - I</p><p>DIAMANTINA</p><p>2024</p><p>Os honorários periciais na Justiça do Trabalho são um elemento fundamental na</p><p>efetivação do direito à prova técnica, sendo indispensáveis na resolução de controvérsias que</p><p>envolvem aspectos técnicos específicos, como insalubridade, periculosidade e acidentes de</p><p>trabalho. Esses honorários constituem a remuneração devida ao perito nomeado pelo juiz para</p><p>realizar uma avaliação técnica, cujo laudo serve de base para a tomada de decisões judiciais. O</p><p>tema é de grande relevância, especialmente em um contexto de constante evolução das normas</p><p>trabalhistas e de debates sobre a acessibilidade à justiça.</p><p>Nos processos trabalhistas, a perícia técnica assume papel crucial, sobretudo em litígios</p><p>que envolvem condições de trabalho que afetam diretamente a saúde e a segurança dos</p><p>trabalhadores. A avaliação técnica realizada pelo perito é essencial para esclarecer fatos que o</p><p>juiz, por sua formação jurídica, pode não ter capacidade de analisar em profundidade. O laudo</p><p>pericial, portanto, é uma ferramenta indispensável para que o magistrado possa fundamentar</p><p>sua decisão de forma justa e técnica.</p><p>A nomeação do perito é feita pelo juiz, que escolhe um profissional com conhecimento</p><p>específico na área em questão. Este profissional, ao elaborar seu laudo, deve abordar de maneira</p><p>clara e detalhada os aspectos técnicos do caso, fornecendo uma análise precisa que auxiliará na</p><p>resolução do litígio. Dessa forma, a perícia técnica contribui para a formação de um julgamento</p><p>mais justo e equilibrado.</p><p>Tradicionalmente, a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais recaía</p><p>sobre a parte sucumbente, ou seja, aquela que não obtinha êxito na prova. No entanto, o direito</p><p>à justiça gratuita, assegurado pela Constituição e legislação brasileira, introduz uma importante</p><p>proteção para trabalhadores que não possuem condições financeiras de arcar com os custos</p><p>processuais. Nessas situações, a União assume o pagamento dos honorários, permitindo que o</p><p>trabalhador tenha pleno acesso à justiça, independentemente de sua condição econômica.</p><p>A Reforma Trabalhista, implementada pela Lei nº 13.467/2017, trouxe mudanças</p><p>significativas na dinâmica do pagamento dos honorários periciais. Uma das alterações mais</p><p>controversas foi a possibilidade de exigir o pagamento dos honorários periciais por</p><p>trabalhadores beneficiários da justiça gratuita, caso possuam créditos capazes de cobrir essas</p><p>despesas em outros processos. Essa mudança foi recebida com críticas, uma vez que poderia</p><p>restringir o acesso à justiça, especialmente para os trabalhadores em situações de maior</p><p>vulnerabilidade financeira.</p><p>No contexto das reformas, destaca-se também o debate sobre o equilíbrio entre a</p><p>sustentabilidade econômica do sistema de justiça e o princípio do amplo acesso à justiça. A</p><p>imposição de custos ao trabalhador, mesmo quando beneficiário da justiça gratuita, levanta</p><p>questionamentos sobre a equidade e a proteção dos direitos fundamentais, particularmente em</p><p>um cenário de precarização das relações de trabalho.</p><p>A fixação dos honorários periciais é um ponto de suma importância para garantir que os</p><p>profissionais peritos sejam adequadamente remunerados, incentivando a participação de</p><p>especialistas qualificados. Para isso, o juiz deve levar em consideração diversos fatores, como</p><p>a complexidade do caso, o tempo dedicado pelo perito à análise, e a relevância da matéria em</p><p>discussão. Esses critérios visam assegurar uma remuneração justa, que reflita o trabalho e a</p><p>responsabilidade assumida pelo perito.</p><p>No entanto, a imposição de ônus ao trabalhador, mesmo nos casos em que ele é</p><p>beneficiário da justiça gratuita, suscita reflexões sobre o equilíbrio entre a sustentabilidade</p><p>econômica do sistema de justiça e o direito de acesso à justiça. É essencial que as decisões</p><p>relacionadas à cobrança de honorários periciais considerem as condições financeiras das partes</p><p>envolvidas, para evitar que trabalhadores de baixa renda sejam impedidos de buscar seus</p><p>direitos por temor aos custos processuais.</p><p>A jurisprudência trabalhista tem refletido a complexidade dessas questões,</p><p>especialmente em relação à aplicação das novas regras sobre honorários periciais:</p><p>1. TRT da 2ª Região (São Paulo) - Processo nº 1000915-34.2017.5.02.0000**: O TRT da 2ª Região</p><p>sublinhou a necessidade de uma aplicação ponderada das novas regras, observando que a cobrança de</p><p>honorários periciais de trabalhadores beneficiários da justiça gratuita deve considerar a realidade</p><p>financeira do trabalhador, para evitar a restrição de seu acesso à justiça.</p><p>2. TST - Recurso de Revista nº RR-1000151-93.2018.5.03.0000**: O Tribunal Superior do Trabalho (TST)</p><p>abordou a constitucionalidade da cobrança de honorários periciais de trabalhadores beneficiários da</p><p>justiça gratuita, determinando que a capacidade financeira do trabalhador deve ser avaliada antes de</p><p>qualquer decisão sobre a cobrança, para garantir que o princípio do acesso à justiça seja respeitado.</p><p>3. TRT da 4ª Região (Rio Grande do Sul) - Processo nº 0020906-84.2019.5.04.0000**: O TRT da 4ª Região</p><p>afirmou que a cobrança de honorários periciais deve seguir os princípios da razoabilidade e</p><p>proporcionalidade, e que a aplicação automática das novas regras poderia prejudicar trabalhadores em</p><p>situações de vulnerabilidade.</p><p>O debate sobre os honorários periciais na Justiça do Trabalho continua a evoluir, com</p><p>novos desafios e interpretações surgindo à medida que as mudanças legislativas são aplicadas</p><p>e questionadas. Um dos principais pontos de discussão é como conciliar a necessidade de</p><p>assegurar a viabilidade econômica do sistema judicial com a garantia de acesso à justiça para</p><p>todos, independentemente de sua condição financeira.</p><p>A fixação de honorários periciais justos e a aplicação adequada das regras de cobrança</p><p>são fundamentais para manter a integridade do sistema de justiça. No entanto, é igualmente</p><p>importante que essas normas não criem barreiras que impeçam trabalhadores de exercerem seus</p><p>direitos. A análise criteriosa dos tribunais sobre a capacidade econômica dos trabalhadores,</p><p>juntamente com a consideração de princípios como a razoabilidade e a proporcionalidade, são</p><p>essenciais para garantir que a justiça seja acessível a todos.</p><p>Os honorários periciais são fundamentais para assegurar decisões justas e tecnicamente</p><p>fundamentadas na Justiça do Trabalho. Entretanto, as mudanças introduzidas pela Reforma</p><p>Trabalhista de 2017 suscitam preocupações sobre o impacto no acesso à justiça, especialmente</p><p>para os trabalhadores mais vulneráveis. A interpretação das novas regras pelos tribunais deve</p><p>considerar a proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores, equilibrando a necessidade</p><p>de sustentabilidade econômica do sistema de justiça com o princípio do amplo acesso à justiça.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BRASIL. Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho</p><p>(CLT) para adequar a legislação às novas relações de trabalho. Diário Oficial da União, Brasília,</p><p>DF, 14 jul. 2017.</p><p>GOMES, F. C. Honorários periciais na Justiça do Trabalho: um estudo sobre a sua natureza</p><p>jurídica e a responsabilidade pelo seu pagamento. Revista do Tribunal Regional do Trabalho</p><p>da 4ª Região, Porto Alegre, v. 64, n. 3,</p><p>p. 189-207, 2019.</p><p>MENEZES, C. S.; ALMEIDA, T. L. A justiça gratuita na Justiça do Trabalho após a Reforma</p><p>Trabalhista. Revista Jurídica da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, v. 47,</p><p>n. 2, p. 341-359, 2020.</p><p>MARTINS, Giovana Labigalini. Honorários do perito e a fragilização da proteção à saúde.</p><p>MARTINS, S. B. A prova pericial e a remuneração dos peritos na Justiça do Trabalho. Revista</p><p>de Processo, São Paulo, v. 275, p. 241-263, 2018.</p><p>SANTOS, R. A. A reforma trabalhista e seus impactos no direito à justiça gratuita. Revista de</p><p>Direito do Trabalho, São Paulo, v. 44, n. 168, p. 58-76, 2018.</p>