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<p>RESUMO LP 2 CEDERJ UNIRIO PEDAGOGIA Conteúdo abordado: Toda a matéria – da Aula 1 à Aula 16</p><p>Questão 1 (Valor: 1,25) - O texto desta questão apresenta uma conversa entre dois personagens: possivelmente, dois jovens estudantes. Leia-o e assinale a ALTERNATIVA INCORRETA.</p><p>Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/charge- dificuldade-de-leitura/. Acesso em: 20 jan. 2023.</p><p>a) O personagem à esquerda, que segura um livro, conseguiu ler uma notícia apenas no plano da decodificação da língua, diferente da leitura feita pelo personagem à direita.</p><p>b) O personagem à esquerda, que segura um livro, se situou dentro do texto, ou seja, na cadeia dialógica que ele abre, lançando mão de uma compreensão responsiva.</p><p>c) O personagem à direita, no primeiro quadro da charge, ativa pelo menos uma reação-resposta: indignação com o fato de que “54% dos alunos do</p><p>3.o ano do ensino médio não têm habilidades básicas de leitura”.</p><p>d) O personagem à direita, no segundo quadro da charge, ativa uma outra reação-resposta que pode ser</p><p>interpretada com base na leitura da linguagem não verbal no contexto apresentado.</p><p>A alternativa INCORRETA é a b).</p><p>(Explicação: A afirmação da alternativa b) sugere que o personagem à esquerda se situou dentro do texto, ou seja, compreendeu a mensagem em profundidade e engajou-se em uma "compreensão responsiva". No entanto, o personagem à esquerda apenas realizou uma leitura superficial, focada na decodificação da língua, sem demonstrar uma análise ou compreensão crítica do conteúdo, ao contrário do que é afirmado.</p><p>Questão 2 (Valor: 1,25) - Leia o texto publicitário a seguir e assinale a ALTERNATIVA INCORRETA.</p><p>Professores, os livros da nova coleção de literatura para 3º e 4º ano do Ensino Fundamental estão sendo entregues nas escolas. E devem ser distribuídos aos alunos no início do ano letivo de 2003.</p><p>Professores, os livros da nova coleção de literatura para 3º e 4º ano do Ensino Fundamental estão sendo entregues nas escolas. E devem ser distribuídos aos alunos no início do ano letivo de 2003.</p><p>Nova Escola, São Paulo, dez. 2002.</p><p>a) No rodapé da campanha publicitária em análise, a utilização do verbo no modo imperativo no enunciado “Deixe a criança viver com o livro” destaca a função fática da linguagem, segundo a teoria de Roman Jakobson. Centrada no receptor, tal função visa à persuasão do leitor para a realização de uma ação.</p><p>b) De modo mais abrangente, na função interacional, vários são os elementos linguísticos atuantes no receptor da mensagem, dentre eles o uso lexical, a construção sintática e as estratégias semântico-pragmáticas. Por exemplo: “Livro é gênero de primeira necessidade” em lugar de “Livro é necessário” ou, ainda, “Livro é pra levar pra casa” em lugar de “Deixe a criança levar o livro pra casa”.</p><p>c) Veiculado pela Revista Nova Escola, o referido texto publicitário apresenta uma campanha de incentivo à leitura mobilizada pelo Ministério da Educação no ano de 2002. Com base nessas informações relativas à esfera de circulação do texto e no personagem colocado no centro da propaganda, é possível inferir quem são os principais leitores dessa Revista: profissionais da educação, em especial professores da educação básica.</p><p>d) Para compreender o tema do enunciado, seu sentido contextual e histórico da propaganda, é preciso considerar não só as formas linguísticas, como também a imagem, como é o caso do Menino Maluquinho carregando duas sacolas cheias de livros.</p><p>A alternativa INCORRETA é a a).</p><p>Explicação: A alternativa a) afirma que o verbo no modo imperativo ("Deixe a criança viver com o livro") destaca a função fática da linguagem. No entanto, a função fática é usada para estabelecer ou manter o contato entre o emissor e o receptor (como em expressões como "alô", "entendeu?"), e não para persuadir. A função predominante no uso do imperativo nesse contexto é a função conativa (ou apelativa), que está centrada no receptor e visa influenciar suas ações, buscando a persuasão.</p><p>Questão 3 (Valor: 1,25) – Leia o cartaz a seguir e assinale a ALTERNATIVA INCORRETA.</p><p>Disponível em: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2020/03/2 7/cemiterio-de-salvador-faz-campanha-com- outdoor-fique-em-casa-nao-queremos-voce- aqui.ghtml. Acesso em: 10 jan. 2023.</p><p>a) O objetivo do cartaz é divulgar a campanha de incentivo e compartilhamento de livros os quais podem ser deixados propositalmente em diferentes espaços públicos para que outras pessoas tenham acesso a eles.</p><p>b) O verbo “Esqueça”, presente no cartaz, é um signo ideológico que, como todo signo, exige uma atitude- resposta daquele que o lê. Para a compreensão dialógica, basta decodificar esse verbo ou meramente buscar seu sentido no dicionário a fim de desvendar-lhe a significação.</p><p>c) Deslocando o texto em análise de seu contexto real para o atual contexto – uma avaliação presencial – modificamos, em certa medida, o tema, porque o sentido da enunciação completa é determinado não só pelas formas linguísticas, mas também pelos elementos extraverbais da situação.</p><p>d) Ao ler textos, resgatamos conhecimentos de outras vivências para contextualizá-los e interpretá-los. Trata- se de nosso conhecimento prévio. Para reconhecer a campanha de incentivo à leitura veiculada no cartaz, por exemplo, ativamos nosso repertório de enunciados, ou seja, nosso conhecimento textual, acessando outros</p><p>gêneros de que nos apropriamos ao longo da vida.</p><p>A alternativa INCORRETA é a a). Explicação: A alternativa a) sugere que o objetivo do cartaz é divulgar uma campanha de incentivo ao compartilhamento de livros, o que não corresponde à campanha mencionada. A campanha veiculada no cartaz citado no link refere-se à orientação "Fique em casa" durante a pandemia, associada a um cemitério, e não à promoção de leitura ou compartilhamento de livros.</p><p>Você disse: poderia se a numero B?A alternativa b) também é incorreta. Explicação:A afirmação de que "para a compreensão dialógica, basta decodificar esse verbo ou meramente buscar seu sentido no dicionário" está incorreta. Segundo a teoria dialógica de Bakhtin, a compreensão de um signo, como o verbo "Esqueça", vai além da simples decodificação ou busca do seu significado no dicionário. A compreensão envolve uma atitude-resposta, ou seja, o leitor precisa interagir com o contexto e o sentido ideológico que o signo carrega, o que demanda mais do que apenas saber seu significado literal.</p><p>Questão 4 (Valor: 1,25) – Leia o texto e, em seguida, assinale a ALTERNATIVA INCORRETA.</p><p>A leitura é livre</p><p>Editorial (13.fev.2020 às 2h00)</p><p>Se ataques à democracia provocam preocupação, São Paulo e Rondônia, cada estado a seu modo, resolveram dar a sua contribuição negativa ao censurar livros de autores consagrados da literatura nacional e internacional.</p><p>Em 6 de fevereiro, a Secretaria de Educação rondoniense mandou recolher das escolas uma série de obras por trazer “conteúdos inadequados” a crianças e adolescentes. Entre eles estão clássicos como “Macunaíma”, de Mário de Andrade, e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.</p><p>Ao ser questionado, o governo de Rondônia disse que tudo era “fake news”. Mas, após reportagem comprovar que se tratava de um memorando oficial, o estado recuou e desistiu da empreitada.</p><p>De maneira semelhante, a administração João Doria (PSDB-SP) vetou uma lista de livros de um projeto de leitura para presidiários do estado. Entre eles estavam obras de autores renomados, como o colombiano Gabriel García Márquez, o franco-argelino Albert Camus e a norte-americana Harper Lee.</p><p>Em nota, o governo afirmou que não fazia juízo de valor sobre os livros escolhidos e que tampouco os tivesse censurado. Já a fundação responsável pelo projeto, ligada ao Palácio dos Bandeirantes, declarou que uma das obras (sem especificar qual), “diante das novas propostas da gestão atual, não atende ao que se espera para a população atendida”.</p><p>Não há dúvida de que o alerta foi acionado, tanto em Roraima quanto em São Paulo. É perigoso quando burocratas se sentem no direito de decidir o que pode e o que não pode ser</p><p>mostra, a compreensão de um texto vai além de apenas decifrar as palavras; ela envolve uma interação complexa entre o texto, o contexto em que ele foi produzido e o leitor. Para Bakhtin, o ato de compreender é dialógico, ou seja, envolve uma troca entre o autor e o leitor, considerando as perspectivas e valores sociais de ambos.</p><p>Nesse processo, não apenas as palavras do texto importam, mas também o entendimento que o leitor tem delas, o contexto em que foram escritas, e as visões de mundo de quem escreveu e de quem lê. O autor ou enunciador do texto também tem uma expectativa sobre como seu interlocutor (o leitor) irá entender o que está sendo dito, e esse diálogo entre as diferentes visões e interpretações é o que constrói o verdadeiro sentido de um texto. Assim, o leitor participa ativamente da criação de significado, levando em conta as influências culturais, sociais e pessoais que afetam tanto sua compreensão quanto a intenção do auto.</p><p>Nesse sentido, no caso do processo de leitura, o leitor não é um mero decodificador dos signos (palavras, imagens etc.) que se apresentam, como seria o receptor/ouvinte na cadeia de comunicação, conforme entendem alguns teóricos. Pelo contrário, o leitor toma atitudes diante do que lê, no sentido de explorar a complexidade de seu conteúdo (no plano do dito e do não-dito) e de responder às questões que daí surgem. Sobre esse aspecto, professor, é importante você estabelecer conexões entre o texto e os leitores. Ensine a seus alunos que um texto sempre prevê uma contra palavra (mesmo aqueles cujo tom é autoritário). A meta dos trabalhos de leitura deve atingir a compreensão de nível 4, isto é, compreensão dialógica ativa (concordância-discordância etc.); a inserção no mundo; compreendendo os juízos de valor neles implicados, seu grau de profundidade e de universalidade</p><p>O aluno leitor é aquele que não apenas decodifica palavras e frases de um texto, mas que assume uma postura ativa e crítica diante da leitura. Ele busca explorar a complexidade do conteúdo, tanto o que está explícito quanto o que está implícito (dito e não dito). Esse aluno se engaja com o texto, levantando questões, formulando hipóteses e refletindo sobre os valores e ideias que estão presentes.</p><p>Para o professor, o desafio é ensinar mais do que apenas a leitura superficial do texto. Ele precisa ensinar o aluno a interagir criticamente com o texto, estabelecendo conexões com sua realidade e outras leituras, e promovendo uma leitura dialógica. Isso significa ajudar o aluno a perceber que todo texto pode ser respondido e que, mesmo textos autoritários, que parecem não admitir contestação, pressupõem uma reação do leitor, seja de concordância, discordância ou reflexão crítica.</p><p>A meta da leitura, segundo essa abordagem, é atingir a compreensão de nível 4, ou seja, uma compreensão dialógica ativa. Nessa fase, o aluno não apenas entende o texto, mas se envolve com ele de maneira profunda, refletindo sobre os valores e as ideias expressas, e aplicando isso ao mundo em que vive. Ele é capaz de avaliar criticamente os juízos de valor apresentados, discernindo seu grau de profundidade e relevância universal. Isso prepara o aluno para ser um cidadão mais consciente e participativo na sociedade, utilizando a leitura como uma ferramenta de inserção e transformação social.</p><p>UMA VISÃO AMPLIADA DE TEXTO o sentido de texto também se amplia para o campo de outras linguagens que, por sua vez, podem ser decodificadas e interpretadas por meio da palavra. As práticas de leitura que se baseiam na diversidade de linguagens, de autores e de suportes são aquelas que mais contribuem para a autonomia do leitor, na medida em que essas práticas o ajudam, diante da pluralidade de suportes, construções de enunciados e de sentidos possíveis, a fazer escolhas e a tomar posição a partir de critérios que se sustentam não apenas no plano lingüístico, mas também no plano das correlações não-verbais, imagéticas e sensoriais.</p><p>A visão ampliada de texto, como discutido, vai além da decodificação das palavras escritas. Um texto pode ser composto por diferentes linguagens, como imagens, sons e símbolos, que também podem ser "lidos" e interpretados. De acordo com essa abordagem, a leitura envolve uma interação mais ampla entre diferentes formas de comunicação, o que contribui para a formação de um leitor mais autônomo e crítico, capaz de entender e interpretar não só o conteúdo linguístico, mas também as relações sensoriais, imagéticas e culturais contidas nos textos.</p><p>Proposta de aula de leitura: Se eu estivesse planejando uma aula de leitura com o objetivo de oferecer ferramentas para que o aluno encontrasse seus próprios meios de leitura e interpretação, começaria com a escolha de textos variados que exploram diferentes linguagens e suportes. Por exemplo, poderia incluir uma fábula escrita, uma tirinha de quadrinhos e uma peça publicitária visual. O objetivo seria que os alunos percebessem como a linguagem verbal, as imagens e os elementos não-verbais se combinam para gerar significados.</p><p>A aula seguiria com uma discussão inicial sobre as primeiras impressões dos alunos sobre esses textos, focando em perguntas abertas: "O que esse texto te fez pensar? O que você acha que o autor queria dizer?" Isso ajudaria a ativar o repertório pessoal e social dos alunos, conectando o que leem com o que já vivenciaram.</p><p>Em seguida, incentivaria os alunos a explorar as diferentes camadas de significado nos textos, mostrando como é possível interpretar um texto de diversas maneiras, dependendo do ponto de vista do leitor. Nessa fase, seria importante guiar os alunos na análise das relações entre o que está explicitamente dito e o que está implícito nas imagens, nas cores, nos símbolos ou até na disposição gráfica dos textos.</p><p>Ao não separar os atos de compreensão e interpretação, os alunos veriam que ambos estão interligados: ao compreender, eles já estão, de certa forma, interpretando, pois trazem suas próprias experiências e visões de mundo para o que leem. O papel do professor seria, então, de facilitador, oferecendo estratégias que ajudem os alunos a desenvolver uma leitura crítica e a tomar decisões interpretativas de forma autônoma, capacitando-os para enxergar os textos como algo dinâmico e aberto a múltiplos significados.</p><p>Afinal, como Paulo Freire enfatiza, a leitura de mundo precede a leitura da palavra, e os alunos precisam ser estimulados a integrar essas duas dimensões, desenvolvendo uma visão crítica e reflexiva em relação ao que leem.</p><p>Paulo Freire ilustra, com uma profundidade significativa, como a leitura do mundo e a leitura da palavra estão intimamente conectadas e se desenvolvem de maneira integrada. Ele destaca que sua compreensão do mundo foi um processo fundamental que antecedeu e preparou o caminho para a leitura das palavras. Freire enfatiza que a curiosidade e a exploração do mundo imediato e pessoal não apenas enriqueceram sua compreensão, mas também foram essenciais para sua alfabetização.</p><p>A metáfora do "chão do quintal" como o local de sua alfabetização simboliza como a leitura da palavra surgiu naturalmente da sua leitura do mundo. O uso de elementos cotidianos, como gravetos e o chão do quintal, para aprender a ler e escrever demonstra que a alfabetização não foi um processo separado ou imposto, mas algo que emergiu organicamente do seu ambiente e experiências de vida.</p><p>A integração das leituras de mundo e da palavra, portanto, é fundamental. A compreensão do mundo e das experiências pessoais prepara o terreno para a decodificação e interpretação dos textos escritos. Freire sugere que a aprendizagem das palavras deve estar enraizada na realidade e nas experiências concretas do indivíduo, tornando o processo de alfabetização mais relevante e significativo.</p><p>Esse conceito reforça a importância de construir uma conexão entre o que os alunos já conhecem e as novas informações que estão aprendendo. Em um contexto educacional, isso significa usar as experiências e o conhecimento prévio dos alunos como base para desenvolver suas habilidades</p><p>de leitura e interpretação, tornando a aprendizagem mais integrada e eficaz.</p><p>Aula 2 -Linguagem e língua: cada coisa no seu lugar a OBJETIVOS Ao fi nal desta aula, você deverá ser capaz de: • Compreender a distinção entre linguagem e língua, segundo o estudo de teóricos da linguagem. • Conhecer e identificar os tipos de linguagem. • Reconhecer a língua como uma manifestação da linguagem.</p><p>A LINGUAGEM COMO FACULDADE MENTAL - Partiremos da premissa de que a linguagem é uma faculdade mental, ou seja, é uma habilidade que se desenvolve no ser humano. Ao pensarmos em linguagem como faculdade mental, estabelecemos a existência de uma linguagem, no singular. Isto signifi ca que aquilo que, em geral, consideramos linguagens diferentes são, na verdade, diferentes manifestações da faculdade da linguagem. Assim, podemos dizer que, antes de aprendermos a usar as palavras, nos expressamos a partir de outros códigos, que nos permitem estabelecer uma comunicação com o mundo.</p><p>1) de “linguagem articulada”. Segundo o lingüista, essa linguagem permite ao homem estabelecer uma forma refinada de comunicação, que só é possível graças à sua capacidade de desenvolver e dominar sistemas de signos. Nesses sistemas, cada signo corresponde a diferentes ideias e, por meio dos signos, é possível tanto representar o mundo concretamente quanto de forma conceitual. O domínio de um código verbal – que é o nosso sistema de signos lingüísticos – é fruto de um funcionamento intelectual que nos leva a uma importante conclusão: o desenvolvimento da linguagem está estreitamente ligado ao desenvolvimento intelectual e à estruturação do próprio pensamento</p><p>As estruturas da fala dominadas pela criança tornam-se estruturas básicas de pensamento. o desenvolvimento do pensamento é determinado pela linguagem, isto é, pelos instrumentos lingüísticos do pensamento e pela experiência sociocultural da criança. Basicamente, o desenvolvimento da fala interior depende de fatores externos: o desenvolvimento da lógica na criança, como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem. Vigotsky nos mostra que o ser humano, nos primeiros anos de vida, utiliza a fala para se relacionar com o mundo que o cerca. Com o passar do tempo, vai ampliando as estruturas lingüísticas, tanto na fala quanto no pensamento, mas a função social da fala já existe naquele primeiro momento, que podemos considerar como sendo a base pré-intelectual do seu desenvolvimento. Num momento posterior, a fala e o pensamento passam a se complementar, e a faculdade mental da linguagem se desenvolve, ao mesmo tempo em que a função simbólica das palavras é descoberta. É o estágio em que se observa a interiorização do pensamento. A esse processo Vigotsky denomina fala interior, cuja função é a de estruturar e organizar o pensamento</p><p>LINGUAGEM E LÍNGUA a faculdade mental da linguagem se desenvolve, no sentido de servir à estruturação do pensamento. Centrar do domínio de sistemas de signos, para compreender o uso da linguagem verbal. Vamos falar sobre código. Comunicação é necessário que haja compreensão do que se diz. Nos processos de comunicação. Utiliza-se um veículo comum para estabelecer, chamando de código. A partir de sua utilização, é possível que todos que estejam envolvidos no processo de comunicação se entendam.</p><p>O código não é, entretanto, restrito às manifestações verbais, ou seja, aquelas em que se utilizam as palavras para estabelecer a comunicação. O código verbal é o conjunto de regras e estruturas de uma língua, ou seja, são normas que permitem a comunicação entre os usuários dessa língua. Os códigos não verbais, são aqueles que não estão associados a signos lingüísticos. Eles podem ser imagens, desenhos, fotos, símbolos, gestos, enfim, tudo quanto possibilite uma leitura de mundo. A linguagem é uma manifestação que se desenvolve no sentido de estabelecer a comunicação, enquanto a língua é uma forma de linguagem. Essas noções são elaboradas por Ferdinand de Saussure, que é quem nos mostra que linguagem e língua são duas manifestações distintas. Segundo o lingüista, a língua é a principal manifestação da faculdade da linguagem, assim por ele defi nida:</p><p>A língua constitui-se de um sistema de signos, comum a um determinado grupo social, que pela prática da fala e da escrita passa a existir. Assim, a língua é, ao mesmo tempo, um fato social e um ato individual. a língua possui uma natureza mutável, já que evolui com o passar do tempo, em função do seu uso por diferentes comunidades lingüísticas. Essa característica faz da língua a principal manifestação da faculdade da linguagem. Entretanto, sabemos que a língua acaba por se mostrar um instrumento de usos bastante diferenciados.</p><p>Diferenças que marcam a distância entre a língua falada e a língua escrita – ou, entre a oralidade e a formalidade, respectivamente.</p><p>LÍNGUA ORAL E LÍNGUA ESCRITA Para Vigotsky, a fala é uma parte da língua que se externaliza, algo que se revela após a elaboração de um pensamento. Na visão de Saussure, a fala só existe porque os indivíduos de um determinado grupo social possuem marcas comuns, que permitem identifi car as imagens verbais que representam esse sistema organizado, possibilitando que a comunicação se efetive. a função social da língua se concretiza a partir da fala, que é a manifestação lingüística que supre as necessidades mais imediatas da comunicação. No ato da fala, há a presença do interlocutor, que faz com que outros recursos concorram para a compreensão da mensagem. Os gestos, a expressão facial, a entonação formam um conjunto de apoio para a efetivação da compreensão, que vai desaparecer no uso da escrita. A língua escrita, como a língua oral, é uma manifestação da linguagem, mas traz algumas diferenças importantes no que diz respeito à sua utilização. Embora ambas — língua escrita e língua oral — sejam modalidades que se inter-relacionam, são consideradas fenômenos lingüísticos e culturais diferentes. A língua escrita não é uma mera transcrição do que se fala. Podemos mesmo considerar a língua escrita como um instrumento fundamental na estruturação do pensamento refl exivo, em função do nível de organização e elaboração intelectual que exige, já que é uma manifestação somente pensada da linguagem e que trabalha no nível das representações mentais. Assim, temos na língua uma importante manifestação do desenvolvimento da faculdade mental que é a linguagem. Seja ela falada ou escrita, é importante reforçar o papel social que desempenha, na medida em que permite a comunicação entre indivíduos de uma mesma sociedade. Se a língua oral possibilita um contato imediato, a língua escrita concorre de forma determinante para a manutenção de uma forma de manifestação da identidade cultural de um povo. Por isso, é tão importante para nós, professores, lidarmos com o ensino da língua de forma inclusiva. Formação de leitores proficientes que, a partir da instrumentalização das estruturas lingüísticas introjetadas pela leitura, vão se tornar também autores. Os estudos de Saussure sobre linguagem e língua reestabelecer o conceito de leitor, que passa a ser considerado aquele que é capaz de ler para além da decodificação do padrão culto da língua, ler diferentes tipos de texto, em diferentes códigos, ler na perspectiva de geração de sentido e da efetiva compreensão. O domínio da mecânica da língua é parte do processo, não o processo em si.</p><p>AVALIAÇÃO • Diante de tudo o que você leu nesta aula, escreva um parágrafo em que você estabeleça, com suas palavras, a distinção entre linguagem e língua. • Aponte exemplos de manifestações de linguagem não verbal.</p><p>Distinção entre Linguagem e Língua</p><p>Linguagem é um conceito mais amplo, que se refere a qualquer forma de comunicação usada por seres humanos para expressar pensamentos, sentimentos e ideias. Ela pode ser tanto verbal quanto não verbal, incluindo gestos, expressões faciais, imagens, símbolos, e até comportamentos. A linguagem</p><p>é uma capacidade inerente aos seres humanos de se comunicar, sendo uma característica essencial da interação social.</p><p>Língua, por outro lado, é um sistema específico de regras e convenções utilizado dentro de uma comunidade para comunicar-se verbalmente ou por escrito. Cada língua tem suas próprias estruturas gramaticais, vocabulário e fonética, como o português, inglês, espanhol, etc. Ou seja, a língua é uma das manifestações da linguagem, enquanto a linguagem abrange diversas formas de comunicação, verbais e não verbais.</p><p>Exemplos de Manifestações de Linguagem Não Verbal</p><p>· Gestos: Movimentos das mãos ou do corpo para expressar algo, como o sinal de positivo com o polegar.</p><p>· Expressões faciais: A emoção transmitida pelo rosto, como sorrir para mostrar alegria ou franzir a testa em sinal de preocupação.</p><p>· Linguagem corporal: A postura do corpo pode comunicar sentimentos ou atitudes, como cruzar os braços para demonstrar desconforto ou desinteresse.</p><p>· Imagens: Um desenho, uma pintura ou uma fotografia que transmitem uma mensagem ou significado, como um sinal de trânsito.</p><p>· Símbolos: Ícones ou sinais que representam conceitos ou ideias, como a pomba branca, que simboliza a paz.</p><p>· Sons: Além da fala, certos sons ou ruídos podem transmitir uma mensagem, como o toque de uma sirene que indica perigo.</p><p>Essas manifestações não verbais são formas eficazes de comunicação, complementando ou substituindo a linguagem verbal em diversas situações.</p><p>Aula 3 - Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Caracterizar língua como sistema, como estrutura. • Identificar os conceitos-chave em torno da idéia de língua como estrutura. • Identificar e problematizar o estruturalismo como método no ensino de língua.</p><p>A palavra estrutura está associada a muitas idéias e conceitos que variam de acordo com a área do conhecimento, o uso e, principalmente, com o contexto em que foi empregada.</p><p>ESTRUTURA é... 1. Disposição e ordem das partes de um todo. 2. Disposição e ordem de uma obra literária; composição. 3. O conjunto das partes de uma construção que se destinam a resistir a cargas; armação, esqueleto, arcabouço. 4. Sistema que compreende elementos ordenados e relacionados entre si de forma dinâmica</p><p>1. Numere os grupos de frases de acordo com a relação possível com a acepção da palavra "estrutura":</p><p>A palavra "estrutura" pode ter diferentes significados, como organização de partes, construção física ou sistema de elementos que compõem algo. Vamos relacionar essas acepções às frases:</p><p>a. (1) Introdução, Capítulo I, Capítulo II... Conclusão.</p><p>· Aqui, "estrutura" refere-se à organização sequencial de partes em um texto ou discurso, como a divisão em seções e capítulos.</p><p>b. (2) Através de um curso, procuramos criar as condições para uma fértil confrontação entre o conhecimento científico e a experiência gerada nas situações de trabalho. Procuramos criar, através de um curso, condições para uma fértil confrontação entre o conhecimento científico e a experiência gerada nas situações de trabalho.</p><p>· Esse exemplo sugere uma estrutura repetitiva ou formal de ideias, uma organização interna de pensamento e discurso que se repete com pequenas variações.</p><p>c. (3) Infelizmente, as estruturas das construções naquele país não suportaram o tremor de terra.</p><p>· Aqui, "estrutura" refere-se à estrutura física, a construção dos edifícios, que não resistiu ao tremor.</p><p>d. (4) As camadas, as juntas, as porosidades formam a estrutura da rocha.</p><p>· Neste caso, "estrutura" é o arranjo dos componentes físicos da rocha, a composição de seus elementos constitutivos.</p><p>2. Identifique, reescreva e justifique a acepção que melhor relaciona a ideia de "estrutura" à de "língua":</p><p>A acepção que melhor se relaciona à ideia de "estrutura" aplicada à língua é a que diz respeito à organização de partes ou elementos em um sistema. A língua é composta de um conjunto de regras e convenções que organizam sons, palavras e frases de maneira lógica e coerente.</p><p>Reescrita da acepção: "A língua é uma estrutura formada por componentes como fonemas, morfemas, palavras e sentenças, que se organizam segundo regras gramaticais e sintáticas, permitindo a comunicação."</p><p>Justificativa: Essa acepção relaciona-se à ideia de que a língua não é um amontoado de palavras soltas, mas um sistema organizado que segue uma lógica interna (estrutura gramatical), permitindo que os falantes possam se comunicar de maneira eficiente e compreensível. Assim como em um edifício, onde diferentes partes (pilares, vigas, etc.) formam a estrutura física, na língua diferentes partes (sons, palavras, frases) formam a estrutura linguística.</p><p>Aula 3: • Relembrar os elementos necessários à efetivação da comunicação.</p><p>• Identificar os elementos da comunicação em manifestações da língua.</p><p>• Conhecer o histórico dos estudos sobre as funções da linguagem.</p><p>• Verificar as diferenças e semelhanças entre as funções da linguagem, segundo vários estudiosos.</p><p>PARTE 1 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO</p><p>É importante termos sempre claro que a efetivação da comunicação só ocorre na medida em que há entendimento do que se diz. Portanto, o fato de emitirmos uma mensagem não garante, por si só, que estamos nos comunicando. Isso só ocorrerá, de fato, se o interlocutor a quem nos dirigimos for capaz de compreender o que estamos dizendo – ou escrevendo. É claro que estamos tomando por base a comunicação baseada na linguagem verbal. Esse processo, por sua vez, precisa de alguns elementos para acontecer. São os já conhecidos elementos da comunicação.</p><p>Costuma-se traçar o seguinte esquema para mostrar quais os elementos de que estamos falando: Emissor Canal Contexto Destinatário</p><p>Mensagem</p><p>Código</p><p>Trocando em miúdos o esquema acima, pode-se considerar que a comunicação se processa a partir da existência de um emissor – aquele de quem parte a intenção comunicante – , que destina sua mensagem – a própria essência do que será comunicado – a um destinatário – aquele que recebe a mensagem. Essa mensagem chega ao destinatário através de um canal – que é o meio utilizado para enviar a mensagem: o telefone, a internet, a carta – , registrada num determinado código – um sistema organizado, como o verbal, no caso da língua – e gerada num determinado contexto (referente) – que é a referência da mensagem</p><p>Imagem de um filho conversando com seu pai e a loja fazendo propaganda de sapato sobre determinada marca para presentear</p><p>Há dois tipos de linguagem utilizados: a linguagem não verbal, representada pela imagem do anúncio, e a linguagem verbal, constituída por dois enunciados: “dia dos pais” e a marca do calçado, “Democrata”. Repare que os enunciados que correspondem à linguagem verbal não são constituídos por informações discursivas, mas por frases nominais. A mensagem será processada pelo interlocutor, que, a partir da conjugação da imagem e da palavra, estará pronto a gerar sentidos para o que acaba de ver. Assim, compreende-se que o anúncio sugere, como presente de dia dos pais, um calçado da marca anunciada. Nesse processo, identificamos: 1- como emissor, a empresa fabricante dos calçados; 2- como destinatário, o leitor da revista na qual está sendo veiculado o anúncio; 3- como canal, a própria revista na qual o anúncio está publicado; 4- como mensagem, a sugestão depreendida da leitura de imagem e palavra que, no caso do anúncio, é a ideia do presente para uma determinada data; 5- como código, a imagem e a língua portuguesa; 6- como contexto ou referente, a situação de um determinado público para quem uma data, como a mencionada, leva à preocupação com a compra de um presente.</p><p>exemplo a partir dos elementos da comunicação, retratada na tirinha. Isso quer dizer que identificaremos os elementos em questão tendo por interlocutores os personagens da tirinha. Repare que o emissor – no caso, a Mônica – emite uma mensagem ao destinatário – o Cebolinha. Sua mensagem é uma pergunta, cujo objetivo é saber a causa de uma recusa do destinatário, que é brincar de casinha. Para isso, ela usa a</p><p>fala como canal e a língua portuguesa como código. O referente é a própria brincadeira de casinha, contexto que serve de referência à situação retratada. Num segundo momento, o da resposta, o emissor é o Cebolinha, que envia ao destinatário – agora, a Mônica – uma mensagem que, para ser compreendida, pressupõe a percepção da palavra – “Adivinha” – e da imagem, ao mesmo tempo. A imagem, nesse caso, não é uma reprodução pictórica, mas uma situação presencial, em que o emissor lança mão de um comportamento para demonstrar sua insatisfação. Assim, Cebolinha usa como canal a palavra e o gestual, e como código, a língua e a expressão corporal, incluindo a expressão facial.</p><p>FUNÇÕES DA LINGUAGEM histórico dos estudos que deram origem às funções da linguagem. O primeiro sobre o assunto foi o psicólogo Karl Bühler, que fazia parte do Círculo de Praga. Bühler apontava três funções da linguagem: a representativa, em que a informação objetiva predomina; a expressiva, que dá ênfase ao emissor da mensagem; e a apelativa, que centra seu foco no destinatário. Mais tarde, o esquema desenvolvido por Bühler foi ampliado pelo lingüista Roman Jakobson, que manteve as funções, e acrescentou mais três. Segundo Jakobson, passaram a serem as seguintes: a referencial, que enfatiza o contexto, ou referente; a emotiva, centrada no emissor; a conativa, focada no destinatário; a fática, que dá relevo ao canal; a poética, que privilegia a mensagem; e a metalingüística, que dá prevalência ao código.</p><p>A função referencial, centrada no referente (contexto), é predominantemente cognitiva. A mensagem denota coisas reais ou transmite conhecimentos sobre o objeto; corresponde à terceira pessoa. Exemplo: a linguagem da ciência. A função emotiva, centrada no emissor, traduz a sua emoção a respeito do que ele fala; corresponde à primeira pessoa (eu). Exemplo: as interjeições, os “palavrões”. A função conativa, centrada no destinatário, visa à ação, à persuasão; corresponde à segunda pessoa (tu). Exemplo: os imperativos, os vocativos. A função fática, centrada no canal, tem a preocupação de testar o contato. Exemplo: palavras que reatam a conversa, como “alô”, “né”, “heim”. A função metalingüística, centrada no código, remete para outra mensagem a linguagem objeto. Exemplo: as definições. A função poética, centrada na mensagem, trabalha principalmente com os signos, o discurso, independente dos objetos. Esta função não existe apenas na poesia: pode ocorrer na linguagem coloquial, na linguagem publicitária (pp. 10 e 11)</p><p>Entre eles, Gillian Brown e George Yule, que tratando o assunto sob a ótica da análise do discurso, chegaram a duas funções da linguagem. Enquanto alguns lingüistas podem concentrar-se em determinadas propriedades formais de uma língua, o analista do discurso está empenhado na investigação do para que essa língua é usada .Essa preocupação resultou numa divisão que separa as funções da linguagem de maneira mais abrangente: 1- Transacional 2- Interacional a função transacional é centrada numa perspectiva cognitiva, enquanto a interacional tem um caráter pragmático. Esse caráter pragmático é o que leva em conta a atuação da língua sobre o destinatário, dentro de um determinado contexto. Vários são os elementos lingüísticos capazes de atuar no receptor da mensagem: o léxico, ou seja, a seleção vocabular; a construção sintática; os recursos estilísticos; as estratégias semântico-pragmáticas. Cada um desses elementos tem uma atuação específi ca, com um objetivo determinado. ex. Do ponto de vista do uso lexical, a escolha de uma determinada palavra pode alterar a recepção da mensagem. É diferente dizer, por ex, que “meu amigo é indeciso” no lugar de “meu amigo é cauteloso”. No primeiro caso, não poupo a pessoa de quem estou falando. No segundo, há um cuidado na escolha do adjetivo, de modo a não ferir as suscetibilidades do dito amigo. A análise do discurso é necessariamente a análise da língua em uso. ela não pode ser restrita à descrição das formas lingüísticas independentes dos propósitos ou funções com que essas formas são planejadas para servir nas situações humanas. Enquanto alguns lingüistas podem concentrar-se em determinadas propriedades formais de uma língua, o analista do discurso está empenhado na investigação do para que essa língua é usada</p><p>Trata da ótica sintático-estilística a arrumação das palavras numa frase revela a intenção do falante, que busca dar mais ênfase em determinada informação. É o caso, por exemplo, de se dizer “Sua irmã, não a vejo desde ontem”, em vez de, simplesmente, “não vejo sua irmã desde ontem”. ” Na primeira frase, fica claro o desejo de enfatizar a pessoa de quem se está falando, que, no segundo exemplo, fica diluída ao longo da informação. As estratégias semântico-pragmáticas estão diretamente relacionadas à necessidade de persuasão. forte ligação com a capacidade de argumentação do emissor.Eles podem lançar mão de vários recursos para enunciar uma mensagem cujo objetivo seja convencer o outro de alguma coisa. Veja alguns exemplos: 1- “Esta sala está gelada” (ato discursivo indireto). “Desligue o ar” (ato discursivo direto). 2- “Esse material é inacreditável”, em lugar de “O material ficou péssimo”. 3- “Falta um pouco para ser um Machado de Assis”, em lugar de “Ele escreve muito mal”. o falante pode lançar mão de uma série de estratégias para dizer o que deseja, adequando sua intenção às situações em que se encontra. Desse modo, ele pode ser direto ou indireto, irônico, cauteloso. Tudo dependerá da adequação entre o que se pretende dizer e o contexto em que isso vai acontecer.</p><p>RETOMANDO E COMPARANDO teorias sobre as funções da linguagem em quadros esquemáticos e comparativos que facilitem o seu entendimento</p><p>Funções de Bühler Funções de Jakobson</p><p>Representativa Referencial</p><p>Expressiva Emotiva</p><p>Apelativa Conativa</p><p>Fática</p><p>Metalingüística</p><p>Poética</p><p>Vejamos, agora, a correspondência entre os elementos da comunicação e as funções da linguagem, segundo Jakobson:</p><p>Elementos da comunicação Funções da linguagem — Jakobson</p><p>Contexto Referencial</p><p>Emissor Emotiva</p><p>Mensagem Poética</p><p>Destinatário Conativa</p><p>Canal Fática</p><p>Código Metalingüística</p><p>2. Vá à tirinha da Turma da Mônica e faça o mesmo.</p><p>Na tirinha da Turma da Mônica, podemos identificar algumas funções da linguagem presentes:</p><p>1. Função Emotiva ou Expressiva:</p><p>· No primeiro quadrinho, o Cebolinha expressa sua frustração ao perguntar: "Mas por que você não quer mais brincar de casinha comigo, Cebolinha?". Esse é um exemplo claro de linguagem focada no emissor, onde a emoção ou opinião dele é o centro.</p><p>2. Função Conativa ou Apelativa:</p><p>· No segundo quadrinho, a Mônica responde com "Adivinha!", de maneira irônica e provocativa. Aqui, a função da linguagem está focada no receptor (Cebolinha), buscando uma reação ou interpretação dele.</p><p>Essas duas funções trabalham juntas para transmitir o conflito e a relação entre os personagens, sendo características comuns em tirinhas humorísticas.</p><p>1. Retorne ao anúncio reproduzido nesta aula e procure identificar que funções da linguagem estão presentes ali.</p><p>1. Função Conativa ou Apelativa:</p><p>· Comum em anúncios, essa função visa influenciar o comportamento do receptor. Pode ser expressa por meio de imperativos, como "Compre já", "Não perca" ou qualquer expressão que busque direcionar uma ação do público.</p><p>2. Função Referencial:</p><p>· Quando o anúncio oferece informações claras e objetivas sobre um produto, serviço ou ideia. Pode aparecer em descrições detalhadas de benefícios, dados sobre o produto ou detalhes técnicos.</p><p>3. Função Fática:</p><p>· Aparece quando o anúncio tenta estabelecer ou manter o contato com o público, por exemplo, com frases que chamam atenção: "Ei, você!" ou "Preste atenção!".</p><p>4. Função Poética:</p><p>· Se o anúncio faz uso de recursos estéticos e estilísticos, como rimas, jogos de palavras, trocadilhos ou uma forma de apresentação criativa e agradável.</p><p>5. Função Emotiva:</p><p>· Aparece quando o anúncio transmite emoções, frequentemente tentando criar uma conexão emocional com o consumidor, como apelos sentimentais, histórias</p><p>comoventes ou tons de voz que refletem emoções.</p><p>6. Função Metalinguística:</p><p>· Pode estar presente em anúncios que falam sobre a própria linguagem ou o uso de palavras, por exemplo, explicando termos técnicos ou jogando com o significado das palavras.</p><p>Para identificar essas funções, observe o foco do anúncio: se está tentando persuadir, informar, estabelecer contato ou expressar emoções, e isso ajudará a identificar as funções da linguagem em uso. Se você puder descrever o anúncio ou fornecer mais detalhes, posso ser mais preciso na análise.</p><p>Aula 11 – Uso da língua 5 – quando a leitura faz o discurso – o texto publicitário</p><p>Uso da língua 4 – quando o estilo entra no discurso – algumas estratégias</p><p>Ao final da aula, você deverá ser capaz de: • Distinguir as estratégias estilísticas utilizadas no discurso de ocorrências informais. • Identificar algumas estratégias estilísticas. • Perceber a adequação de cada utilização. • Compatibilizar estratégias com objetivos discursivos.</p><p>Nestas aulas, vimos: • A distinção entre “vícios de linguagem” e “figuras de linguagem”; • A noção do que sejam as figuras de linguagem; • Algumas fguras de linguagem que usamos e que identifcamos em diversos tipos de texto</p><p>Assim como os chamados “vícios de linguagem”, as estratégias que veremos em nossas aulas são também “desvios” em relação à língua considerada padrão – a já tão falada norma-padrão. Só que, agora, esses “desvios” são provocados pelo usuário, ou seja, ele até conhece a normapadrão, mas quer criar um discurso mais expressivo, diferente, novo, e o faz através desses desvios, que se convencionou chamar “fi guras de linguagem”.</p><p>Você, certamente, percebeu o que ele quis dizer ao identificar pele com seda, lábios com mel e olhos com estrelas, não é? Ele faz uma comparação, mas sem utilizar os elementos que explicitam essa comparação. Em lugar de dizer: tua pele é macia como seda, ele diz: tua pele é a mais fi na seda; em vez de: teus lábios são doces como mel, diz: teus lábios são puro mel; a dizer: teus olhos são brilhantes como as estrelas, prefere: teus olhos são estrelas cintilantes. No lugar de comparar, ele parte de uma relação de similaridade entre os elementos de que está falando, de forma a usar uma palavra, dando-lhe o significado de outra, aproveitando-se da similaridade entre o que ambas representam. Assim, se seda é um tecido macio, a pele da amada é seda; se mel é doce, seus lábios são mel; se estrelas são brilhantes, seus olhos são estrelas. A identificar cação entre as palavras usadas na relação de semelhança é imediata e, portanto, muito mais forte que na simples comparação o exemplo tem o nome de metáfora. É uma forma de criar uma identificar entre dois elementos, partindo do significado de um deles para emprestá-lo ao outro. A metáfora, muito presente em textos literários, faz parte, também, de nosso cotidiano. Podemos usar metáforas tanto em textos formais como em situações informais. É uma estratégia estilística que se estende à fala, não estando restrita à escrita. Outra forma muito conhecida de metonímia é transformar a marca de um produto em seu nome, fazendo com que esse produto passe a ser conhecido pelo nome da marca, que vira, nesse momento, um substantivo comum. Ex que vai usar uma gilete para fazer a barba, em vez de dizer que vai usar uma lâmina de barbear? E o chiclete, então? “goma de mascar”? Pois é. Esses produtos “adotaram” o nome da marca como sendo o substantivo que os designa. É um exemplo clássico de metonímia desse uso é o título em português do filme A mão que balança o berço. A palavra mão é usada no lugar da pessoa que executa a ação, mas ela designa essa mesma pessoa. É a famosa definição de “uso da parte pelo todo”. Como você vê, metáforas e metonímias fazem parte de seu exercício de falante, ainda que você nem se dê conta disso... Será que o mesmo acontece com outras figuras de linguagem?</p><p>Você se lembra da música de Oswaldo Montenegro? “Canta uma canção bonita, falando da vida em ré maior/ canta uma canção daquela de filosofia e um mundo bem melhor. Como música que é, parte de uma letra lírica, O efeito obtido com a repetição da ideia expressa pelo verbo cantar e pelo substantivo canção é o de ênfase na ação que o poeta quer passar. Ao dizer canta uma canção, ele emprega duas palavras do mesmo campo semântico, cujos significados são repetidos. Cantar implica entoar uma canção. Uma canção é o produto do canto. Essa repetição, contudo, é estilística, proposital, busca o impacto, a ênfase, o diferencial. Não é uma redundância – que, como já vimos, é uma repetição involuntária –, mas um pleonasmo. “Seu irmão, não o vejo há tempos”!” Onde está a repetição? Aí mesmo, no “o”. Afinal, já havia, no início da oração, a expressão “seu irmão”. Por que não dizer: “Não vejo seu irmão há tempos!” Simples: o falante quer destacar o termo “seu irmão”, e volta a fazer referência a ele com a utilização do pronome “o”. Esse tipo de construção é também um exemplo de pleonasmo.</p><p>Quantas vezes você já teve de procurar um jeito suave de dizer coisas desagradáveis. O fato é que, na vida ou na literatura, esse procedimento estilístico é bastante utilizado. É o eufemismo, que tem como objetivo atenuar, suavizar uma informação ou uma expressão chocante, desagradável, impactante. Quem de nós já não disse que alguém descansou, para não dizer que morreu? Pois é, usamos um eufemismo. lermos um soneto de Camões, para buscar nele exemplos de eufemismo? Aí vai: Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiu, Memória desta vida se consente Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viu. E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa, sem remédio, de perder-te, Roga a Deus, que teus anos encurtou, Que tão cedo de cá me leve a ver-te, Quão cedo de meus olhos te levou. (CAMÕES, 1998, p. 20)</p><p>O poeta não disse a palavra “morte”? Pois é disso que o soneto fala. Veja os eufemismos: “Repousa lá no Céu eternamente”; “teus anos encurtou”; “de cá me leve a ver-te”; “de meus olhos te levou”. A morte da amada é referenciada, todo o tempo, por meio de expressões que suavizam essa idéia, mesmo porque o poeta almeja também a morte para poder se juntar à mulher que perdeu.</p><p>Além do eufemismo, há uma outra figura de linguagem que usamos a valer. Essa figura está muito presente na fala de pessoas exageradas, de gestos largos e expressão mais rica</p><p>Algo familiar? hipérbole, uma figura que consiste em se expressar, por meio do exagero, uma determinada idéia uma pessoa que está sentindo muito calor, mas, em vez de dizer isso, diz que está “morta de calor”. O exagero da expressão enfatiza a sensação que a falante quer transmitir. Essa estratégia é largamente utilizada em todo tipo de situação comunicacional, desde o texto literário até as conversas mais informais. Fica claro que a opção por uma fala que lance mão da hipérbole identifica o falante como alguém muito expressivo, que gosta de enfatizar o que diz. Na literatura, ocorre algo semelhante. A opção por uma expressão hiperbólica tem o objetivo da ênfase, e estará vinculada à intenção signifi cativa que o texto traz consigo.</p><p>A antítese tem como efeito um impacto sobre o ouvinte/leitor, na medida em que explicita a relação de oposição que as idéias confrontadas carregam. Esse procedimento não é uma exclusividade da literatura –utilizado nesse âmbito – mas uma possibilidade a qualquer ato de fala. Objetivo de impactar, que tanto existe no texto literário quanto na fala ou na escrita informal. Um exemplo disso é o conhecido provérbio popular, que diz: “Sua liberdade termina onde a dos outros começa.” Frases como essa, usadas no cotidiano, em conversas informais, são formas de manifestação de recursos estilísticos que não estão, necessariamente, comprometidos com a literariedade. A antítese, contudo, é muito confundida com outra figura de linguagem – o paradoxo.</p><p>(pode partir minha amada! A tua partida</p><p>e a minha maior tristeza e a tua felicidade.)</p><p>Lendo a fala do personagem, há duas idéias opostas colocadas em confronto: tristeza e felicidade. ocorre uma oposição franca dessas idéias, que aparecem como opostos, antônimos. Sempre que confrontamos idéias opostas entre si, mantendo o sentido de oposição que elas carregam, estamos utilizando uma antítese.</p><p>A antítese tem como efeito um impacto sobre o ouvinte/leitor, na medida em que explicita a relação de oposição que as idéias confrontadas carregam. Não é uma exclusividade da literatura – embora seja utilizado nesse âmbito – mas uma possibilidade a qualquer ato de fala. O que se mantém é o objetivo de impactar, que tanto existe no texto literário quanto na fala ou na escrita informal. Um exemplo disso é o conhecido provérbio popular, que diz: “Sua liberdade termina onde a dos outros começa.” Frases como essa, usadas no cotidiano, em conversas informais, são formas de manifestação de recursos estilísticos que não estão, necessariamente, comprometidos com a literalidade. A antítese, contudo, é muito confundida com uma outra figura de linguagem – o paradoxo. Olhe a seguinte cena e compare-a com a anterior:</p><p>(pode partir minha amada! A tua partida e a minha maior tristeza e a tua felicidade.)</p><p>(Pode partir minha amada! a tua partida e a minha infelicidade )</p><p>Ele usa as duas idéias como opostos que são, mantendo esse sentido. Já nesta última cena, o personagem identifica tristeza e felicidade, que, sendo normalmente opostos, passam a se equivaler, em sua fala. Em outras palavras, ele usa um paradoxo porque engloba idéias opostas como se fossem compatíveis. Tristeza é o contrário de felicidade, mas, no paradoxo, é possível considerar a felicidade como sendo triste. Sutil a diferença entre antítese e paradoxo, não acha? Antítese é o confronto de idéias opostas. Paradoxo é a utilização de idéias opostas como se fossem equivalentes.</p><p>vc não viu eu já estava ai quando vc chegou</p><p>Há! Queridinha só se eu for cega</p><p>Com certeza, você estranhou a maneira como uma das personagens chama a outra – queridinha. Fica claro, portanto, que a personagem que utilizou o vocativo “queridinha” o fez para debochar de sua interlocutora. Esse tipo de procedimento acontece de várias formas diferentes, na fala e na escrita. Trata-se da ironia. A ironia é uma figura de linguagem em que uma palavra ou expressão ganha significado oposto ao que normalmente se atribui a ela. Também consideramos ironia não apenas a utilização de palavra ou expressão que tenha o objetivo do deboche, mas qualquer situação em que a intenção é de sátira. Na fala, a ironia ganha um relevo diferenciado, pois, geralmente, vem acompanhada de expressões faciais e de recursos gestuais que denunciam a intenção comunicante do usuário. diz: “Adoooooro esse assunto!”, acompanhando sua fala de uma careta, por exemplo, percebe-se, imediatamente, que sua intenção é comunicar exatamente o oposto. ex é o conto “O alienista”, de Machado de Assis, vale a pena ler. É um texto processo corrosivo da ironia na literatura.</p><p>Todos estavam presos no banheiro</p><p>A pessoa nos trancou, depois ele saqueou toda a loja</p><p>Repare na fala dos dois personagens. Um deles usa o pronome “todos” e, a seguir, o verbo “estávamos”. O outro inicia a fala com o substantivo feminino “pessoa” e, logo depois, usa o pronome “ele”, referindo a esse mesmo substantivo. No primeiro caso, é comum esperarmos que, com o pronome “todos”, concorde um verbo em terceira pessoa. No entanto, o verbo está na primeira pessoa do plural, o que significa que o falante se incluiu no grupo representado pelo pronome. No segundo caso, como o substantivo “pessoa” é feminino, o uso de um pronome pessoal no masculino causa um impacto, mas isso só demonstra que o falante conhece o sexo –como você sabe, diferente de gênero – da pessoa de quem ele está falando. Quando fazemos essas concordâncias, que na verdade se efetuam com palavras ou idéias pressupostas, mas não explícitas, no enunciado, estamos lançando mão da silepse. A silepse, portanto, consiste em concordâncias com termos que deduzimos existir na frase, deixando de lado os que de fato estão ali. Como as demais figuras vistas nestas aulas, a silepse não se restringe ao uso literário. Nós mesmos utilizamos esse recurso em nossa fala.</p><p>No soneto de Camões, o paradoxo está presente em vários versos, sendo a principal figura de linguagem utilizada para descrever o amor de forma contraditória. O paradoxo é uma figura que expõe ideias aparentemente opostas ou inconciliáveis, mas que possuem um fundo de verdade. Vamos identificar os exemplos de paradoxo nos versos:</p><p>1. "Amor é um fogo que arde sem se ver": O amor é comparado a um fogo que queima, mas que não é visível. Aqui, temos um paradoxo, pois o fogo, por natureza, é algo que se pode ver, mas Camões sugere que o amor queima de forma invisível.</p><p>2. "É ferida que dói e não se sente": Este verso também traz uma contradição. A ferida, por definição, deveria causar dor, mas, no paradoxo, a dor existe sem ser sentida.</p><p>3. "É um descontentamento descontente": O descontentamento é uma insatisfação, e a ideia de alguém ser "descontente" mas, ao mesmo tempo, "descontentar-se" (ou seja, estar satisfeito com o insatisfeito) é um claro paradoxo.</p><p>4. "É dor que desatina sem doer": Novamente, temos uma contradição entre o que é dor, mas que ao mesmo tempo não dói.</p><p>5. "É querer estar preso por vontade": A ideia de alguém desejar estar preso contradiz o conceito de liberdade e aprisionamento, constituindo mais um paradoxo.</p><p>6. "É servir a quem vence, o vencedor": Aqui, o paradoxo está na contradição de servir alguém que já venceu, quando, em princípio, o vencedor seria alguém que não precisaria mais de serviçais.</p><p>Esses paradoxos reforçam a ideia de que o amor, para Camões, é um sentimento cheio de contradições internas, que desafia a lógica comum e se apresenta de formas antagônicas. O uso dessas contradições transmite a complexidade e o sofrimento do amor, ao mesmo tempo que expressa sua intensidade e seu caráter único.</p><p>Com base no que foi mencionado, aqui está uma breve revisão dos conceitos discutidos nas aulas sobre "vícios de linguagem" e "figuras de linguagem", além de alguns exemplos comuns:</p><p>1. Vícios de Linguagem Os vícios de linguagem são desvios ou erros que comprometem a clareza, a norma culta ou a precisão da comunicação. Eles não são considerados estilísticos, mas, sim, problemas no uso da língua. Alguns exemplos de vícios de linguagem incluem:</p><p>· Pleonasmo vicioso: Uso redundante de palavras, como em "subir para cima" ou "entrar para dentro".</p><p>· Barbarismo: Erro na pronúncia, na grafia ou no uso inadequado de palavras, como "menas" (em vez de "menos").</p><p>· Ambiguidade: Quando uma frase pode ser interpretada de mais de uma forma, como em "Vi o João na praia com minha irmã" (não fica claro quem estava com a irmã).</p><p>· Cacofonia: Sons desagradáveis ou obscenos que surgem pela junção de palavras, como em "Ela não tinha nada de mais".</p><p>2. Figuras de Linguagem As figuras de linguagem, ao contrário dos vícios, são recursos estilísticos que embelezam o texto e oferecem mais expressividade. São usadas com intencionalidade para produzir efeitos no discurso. Algumas das principais figuras de linguagem incluem:</p><p>· Metáfora: Comparação implícita entre dois elementos, sem o uso de conectivos comparativos. Exemplo: "Você é uma estrela" (subentende-se que a pessoa brilha como uma estrela).</p><p>· Metonímia: Substituição de um termo por outro com base em uma relação de proximidade. Exemplo: "Vou ler Machado de Assis" (no lugar de "Vou ler as obras de Machado de Assis").</p><p>· Antítese: Uso de palavras ou ideias opostas na mesma frase. Exemplo: "O doce e o amargo da vida".</p><p>· Eufemismo: Suavizar uma ideia considerada rude ou desagradável. Exemplo: "Ele partiu" (em vez de "ele morreu").</p><p>· Hipérbole: Exagero intencional para reforçar uma ideia. Exemplo: "Estou morrendo de fome".</p><p>· Ironia: Dizer o contrário do que se quer expressar, muitas vezes com sarcasmo. Exemplo: "Que ótima ideia você teve!" (quando a ideia foi ruim).</p><p>·</p><p>Prosopopeia (ou Personificação): Atribuição de características humanas a seres inanimados ou abstratos. Exemplo: "O vento sussurrou em meus ouvidos".</p><p>3. Identificação em Diversos Tipos de Texto Em diferentes tipos de textos, as figuras de linguagem são usadas para enriquecer a expressão e alcançar efeitos estilísticos. Seja em literatura, propaganda, músicas ou até no cotidiano, essas figuras são formas de dar mais vivacidade e força às mensagens. Já os vícios de linguagem, por outro lado, podem comprometer a clareza da comunicação e devem ser evitados.</p><p>Aula 12 Uso da língua 6 – quando a leitura canta e encanta – o texto de letras de música</p><p>• Identificar a música como uma das manifestações da linguagem. • Estabelecer uma relação entre a letra e o ritmo. • Verificar o uso de recursos estilísticos em letras de canções. • Perceber a intenção comunicante em diferentes letras. • Relacionar a manifestação representada pela música com a identidade cultural e a cidadania.</p><p>Nas aulas anteriores, os recursos estilísticos de que podemos nos valer para atingir determinados objetivos em nosso processo comunicacional. Pôde perceber que, dependendo da intenção comunicante, as estratégias vão sendo utilizadas juntas, ou com predominância de umas sobre as outras. Usamos, para exemplificar, o texto publicitário, cujo objetivo, como já vimos, é a persuasão, na maior parte das vezes. a música – considerada também uma manifestação da linguagem – pode servir a determinados objetivos da comunicação e está estreitamente ligada ao processo de aquisição da cidadania e da construção de uma identidade cultural. Em primeiro lugar, é importante lembrar que a linguagem, como faculdade mental, tem várias manifestações possíveis. A língua é uma delas,. O mesmo se pode dizer a respeito da música. Falarmos de música, estaremos nos referindo ao ritmo; por letra entenderemos o poema que está associado ao ritmo; por fim, canção será o termo utilizado para designar o “casamento” de letra e música. Então, vamos lá. Você já deve ter notado que, ao escutar uma canção em outra língua que não seja a nossa, e que você não compreenda, a música passa a determinar, de certa forma, o significado intuído do que você está ouvindo. Desse modo, se o ritmo é de rock and roll no estilo heavy metal, a tendência é imaginar que a letra não tem relação com uma canção romântica, por exemplo. Do mesmo modo, se a música é lenta, com um instrumental clássico, imediatamente associa-se a canção com uma história de amor. Isso ocorre porque relacionamos a manifestação representada pela música com uma forma de expressão de sentimentos, o que, de fato, é verdade. Por essa razão, a fusão de letra e música pressupõe uma harmonia entre a manifestação lingüística representada pela letra e a manifestação musical. A letra de uma canção é uma mensagem e faz parte de um processo de comunicação, com objetivos que podem estar claros ou não. Tudo vai depender da intenção que permeia esse processo e do contexto em que ele se desenvolve.</p><p>Os recursos de que se lança mão na composição de uma letra levam em conta, na maior parte das vezes, a sonoridade que as palavras podem ter e o resultado que se pode obter no momento em que essa letra for colocada junto à música. Mas não é só isso que influencia a criação de uma letra. O momento histórico, assim como a experiência pessoal, o contexto, o ambiente, o corte social, todos esses fatores estão relacionados à composição. Também é relevante observar quem consome qual tipo de canção. Esse tipo de observação pode nos ajudar a compreender melhor o processo de construção da identidade cultural a partir da música. Optamos por trabalhar com letras de autores de diferentes épocas, diferentes locais e diferentes classes sociais, para que possamos discutir melhor as questões que levantamos no início da aula. Noel Rosa, o letrista, foi realmente genial. O primeiro poeta moderno do cancioneiro brasileiro e, ainda hoje, um dos maiores de sempre.</p><p>Repare na preocupação que João Máximo teve em falar do poeta e do músico – reforçando nossa visão de um “casamento” entre letra e música. Ao dizer isso, o crítico resgata a importância dos sentidos gerados por essas manifestações de linguagem, seja isoladamente, seja como resultado de uma fusão bem-sucedida, como acontece com Noel Rosa. Você também se lembra do que dissemos a respeito da influência do momento e do contexto na composição musical. Levando em conta que Noel viveu e compôs na década de 20 do século passado (Nossa! E nós nascemos no século passado!), é surpreendente que algumas de suas canções pareçam tão atuais – e falamos tanto da letra quanto da música. Vejamos uma delas: Onde está a honestidade? Você tem palacete reluzente Tem jóias e criados à vontade Sem ter nenhuma herança nem parente Só anda de automóvel na cidade... E o povo já pergunta com maldade: Onde está a honestidade? Onde está a honestidade? O seu dinheiro nasce de repente E embora não se saiba se é verdade Você acha nas ruas diariamente Anéis, dinheiro e até felicidade... Vassoura dos salões da sociedade Que varre o que encontra em sua frente Promove festivais de caridade Em nome de qualquer defunto ausente... Este samba de Noel Rosa tem arranjo com surdo, tamborim, pandeiro, repique de mão, violão e cavaquinho. A música nos remete, de imediato, aos pagodes mais contemporâneos. Que dizer da letra? Uma crítica irônica àqueles que, desonestamente, sobem na vida, usando os mais cínicos pretextos para justifi car sua ascensão. A ironia de Noel é escancarada, como fica claro em passagens como a terceira e a quarta estrofes. O refrão – a segunda estrofe – atualiza uma pergunta que continua na “boca do povo”, quase um século depois... A canção traduz uma forma leve e gaiata – quase cínica – de fazer a crítica de que falamos. O ritmo de samba, por si só, já exprime um estado de espírito de alegria, ainda que a vida seja dura. Assim, a música, com os arranjos alicerçados em instrumentos tipicamente utilizados no samba, associada a uma letra de fina ironia, tem como resultado uma canção de fácil entendimento, e que acaba por favorecer uma identificação imediata do público. Não podemos nos esquecer de que a cultura brasileira é um caldeirão de influências e, ao falarmos de samba, a primeira associação que se faz é do ritmo com a ginga de nosso povo. Uma crítica social num ritmo de samba, como a que faz Noel Rosa na canção exemplificada, encurta a distância entre emissor e destinatário no processo comunicacional, já que, como dissemos, a identificação começa já pelo ritmo e complementa-se pela mensagem</p><p>vamos analisar uma outra canção, voltada para a crítica social, mas de um outro compositor Zé Ramalho, Admirável gado novo Vocês</p><p>Admirável gado novo Vocês que fazem parte dessa massa Que passa nos projetos do futuro É duro tanto ter que caminhar E dar muito mais que receber E ter que demonstrar sua coragem À margem do que possa parecer E ver que toda essa engrenagem Já sente a ferrugem lhe comer Ê ô ô vida de gado Povo marcado. Ê povo feliz Lá fora faz um tempo confortável A vigilância cuida do normal Os automóveis ouvem a notícia Os homens a publicam no jornal E correm através da madrugada À única velhice que chegou Demoram-se na beira da estrada E passam a contar o que sobrou Ê ô ô vida de gado Povo marcado. Ê povo feliz O povo foge da ignorância Apesar de viver tão perto dela E sonham com melhores tempos idos Contemplam essa vida numa cela Esperam nova possibilidade De verem esse mundo se acabar A Arca-de-Noé, o dirigível Não voam nem se pode flutuar.</p><p>A diferença que se estabelece entre as duas canções utilizadas aqui como exemplo. Se você já escutou a de Zé Ramalho, a música foi composta num tom que se aproxima do protesto, diferentemente do samba de Noel que, apesar de protestar, através da letra, minimiza essa intenção ao adotar um ritmo mais leve. A canção de Zé como resultado uma composição mais imperativa, grave, cujo ritmo toca o ouvinte de modo a inseri-lo no contexto retratado pela letra. A crítica social é construída por metáforas,</p><p>e o refrão é de uma ironia quase cruel. A utilização desses recursos estilísticos pode ter como efeito a dificultação do entendimento da mensagem, que, na verdade, não pretende, em momento algum, ser direta. Isso significa que o ouvinte pode facilmente compreender a canção de Noel, mas pode não ter a mesma facilidade com a de Zé Ramalho. as duas canções têm um objetivo bastante semelhante, que é o de chamar a atenção do ouvinte para uma situação social que deve ser criticada e por cuja modificação se deve lutar. Noel o faz através de um samba debochado, com o qual o ouvinte se identifica de imediato. Zé opta por um conjunto que favorece o protesto, e lança mão de recursos lingüísticos mais sofisticados para construir esse protesto. De qualquer forma, a crítica social é a tônica das duas composições. o processo de comunicação, no caso das letras de música, está também associado ao ritmo, e os recursos lingüísticos de que dispomos podem fazer uma grande diferença na transmissão da mensagem.</p><p>A análise das canções "Onde Está a Honestidade?", de Noel Rosa, e "Admirável Gado Novo", de Zé Ramalho, revela uma rica conexão entre música e linguagem, além de apresentar diferentes recursos linguísticos e temáticas sociais.</p><p>1. "Onde Está a Honestidade?" – Noel Rosa</p><p>Lançada nos anos 1930, essa canção de Noel Rosa utiliza a linguagem para refletir sobre os problemas sociais e políticos de sua época. Noel questiona a falta de moralidade e de honestidade na sociedade, em um tom irônico e crítico.</p><p>Recursos linguísticos utilizados:</p><p>· Ironia: O título e o refrão "Onde está a honestidade?" têm um tom de ironia, uma vez que o cantor lamenta a falta desse valor, sugerindo que a honestidade parece ter desaparecido completamente.</p><p>· Sátira social: Noel critica a corrupção, a hipocrisia e a injustiça, apontando que quem é desonesto frequentemente se sai melhor do que aqueles que tentam agir com integridade.</p><p>· Coloquialidade: O uso de uma linguagem simples e próxima da fala popular cria um tom acessível e próximo do ouvinte, conectando-se diretamente à realidade da época.</p><p>2. "Admirável Gado Novo" – Zé Ramalho</p><p>Lançada em 1979, "Admirável Gado Novo" de Zé Ramalho é uma canção de forte crítica social, que trata da opressão do povo brasileiro, especialmente os trabalhadores rurais e sertanejos. A letra sugere que as pessoas são como um "gado", manipuladas e controladas pelas elites e pelos sistemas de poder.</p><p>Recursos linguísticos utilizados:</p><p>· Metáfora: O "gado" representa o povo, em especial as massas oprimidas, que são conduzidas e exploradas como animais. Essa metáfora é central na crítica de Zé Ramalho ao controle e à alienação do povo.</p><p>· Intertextualidade: O título da canção faz uma alusão ao livro "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, uma obra sobre uma sociedade futurista de controle e manipulação, estabelecendo um diálogo entre as letras da música e a crítica distópica da obra literária.</p><p>· Repetição: A repetição do refrão "Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz!" reforça a ideia de alienação e submissão do povo, ao mesmo tempo que sugere um conformismo passivo em relação à exploração.</p><p>3. Comparação entre as duas canções Embora as músicas pertençam a épocas e contextos diferentes, ambas compartilham uma crítica social profunda e a utilização da linguagem como uma ferramenta de protesto e reflexão.</p><p>· Temática: Enquanto Noel Rosa critica a desonestidade e a corrupção nas relações sociais e políticas do Brasil urbano dos anos 1930, Zé Ramalho aborda a exploração e a opressão das massas rurais e trabalhadoras nas décadas de 1970.</p><p>· Tons diferentes: Noel usa a ironia e a sátira de forma mais leve, quase como um desabafo humorístico, enquanto Zé Ramalho apresenta uma abordagem mais séria e distópica, utilizando metáforas e repetição para destacar a alienação do povo.</p><p>· Recurso linguístico: A ironia é central em Noel Rosa, enquanto Zé Ramalho se apoia mais em metáforas e imagens fortes para comunicar sua crítica social.</p><p>4. Múltiplas leituras Ambas as canções permitem múltiplas interpretações. "Onde Está a Honestidade?" pode ser vista como uma crítica atemporal à corrupção e aos problemas éticos que continuam a afetar a sociedade. Já "Admirável Gado Novo" pode ser interpretada como uma reflexão sobre a opressão política e econômica, ou, em um contexto mais moderno, sobre a alienação imposta pelas mídias e grandes corporações.</p><p>Essas diferentes leituras e os recursos linguísticos variados utilizados em cada canção revelam a importância de compreender a música não apenas como uma manifestação artística, mas também como uma poderosa ferramenta de comunicação e crítica social.</p><p>A música é uma forma de manifestação da linguagem que vai além das palavras, comunicando emoções, ideias e culturas por meio de sons, ritmos e letras. Combinando elementos poéticos e melódicos, a música expressa sentimentos profundos e reflexões sociais, servindo tanto para entretenimento quanto para protesto. Através de figuras de linguagem e metáforas, as letras das canções permitem múltiplas interpretações e preservam identidades culturais, sendo uma poderosa ferramenta de comunicação e conexão humana.</p><p>A música é uma manifestação da linguagem que combina sons e letras para expressar emoções e ideias. A relação entre música e letra intensifica o significado da canção, com as melodias reforçando o conteúdo das palavras. Diversos recursos linguísticos, como metáforas e ironias, são usados nas letras para enriquecer o sentido. A música permite múltiplas leituras, possibilitando diferentes interpretações conforme o contexto e a experiência pessoal do ouvinte, tornando-a uma poderosa ferramenta de comunicação.</p><p>Figuras de linguagem são recursos estilísticos utilizados para criar efeitos expressivos na comunicação, tornando a linguagem mais rica, criativa e impactante. Elas podem envolver o uso de metáforas, comparações, ironias, hipérboles, entre outros, e servem para transmitir ideias de maneira indireta, reforçando emoções, conceitos ou características no discurso</p><p>Algumas figuram de linguagem que usamos e identificamos em diversos tipos de texto incluem:</p><p>1. Metáfora: Comparação implícita entre dois elementos. Exemplo: "Você é uma estrela."</p><p>2. Comparação: Comparação explícita usando "como" ou "tal". Exemplo: "Ele é forte como um leão."</p><p>3. Ironia: Dizer o contrário do que se quer expressar. Exemplo: "Que ideia brilhante!" (quando a ideia é ruim).</p><p>4. Hipérbole: Exagero intencional. Exemplo: "Estou morrendo de fome."</p><p>5. Eufemismo: Suavizar uma ideia desagradável. Exemplo: "Ele partiu" (em vez de "ele morreu").</p><p>6. Antítese: Uso de ideias opostas. Exemplo: "O doce e o amargo da vida."</p><p>Essas figuras são amplamente utilizadas em literatura, poesia, música e comunicação cotidiana.</p><p>Uso da língua 7– a leitura para além dos bancos escolares 13</p><p>Letramento é a capacidade de estabelecer a comunicação a partir do domínio de diferentes códigos, o cidadão não letrado corre o risco de ficar à margem do processo sociocultural. Assim, a aquisição das estruturas lingüísticas, que é uma das manifestações da linguagem, passa a ser uma questão com implicações para além dos bancos escolares. Mais do que ler plenamente um texto literário, é necessário que o usuário da língua possa decodificá-la de forma proficiente em todas as situações que fazem parte de sua vida</p><p>Para começar, pensaremos em nossas necessidades básicas – como a alimentação! Que tal vermos uma receita culinária? Leia: Nhoque de mandioca Ingredientes: Massa 1 kg de mandioca 1 xícara (chá) de leite. Na verdade, para um indivíduo com pouco domínio de leitura, o empecilho começaria pelo vocabulário. A palavra “mandioca”, exe., é muito usada em SP. No R J, utiliza-se o termo “aipim”, e não é incomum encontrarmos pessoas confusas diante do uso da primeira, uma vez que só conhecem a segunda. Isso, contudo, é uma questão de vocabulário regional. Há palavras que não são compreendidas porque não fazem parte da realidade dos usuários da nossa língua, seja do ponto de vista do uso, seja do ponto de vista da vivência.</p><p>Trocando em miúdos, há palavras que não são entendidas porque, embora nomeiem objetos conhecidos dos usuários, são substituídas por sinônimos, e há outras que não são conhecidas porque nomeiam coisas com as quais esse usuário jamais teve contato. Assim, temos difi culdades diferentes: uma, de ordem estritamente lingüística, que diz respeito ao desconhecimento da palavra; outra, de ordem socioeconômica, que está relacionada às questões sociais que explicam o fato de um cidadão não conhecer, por exemplo, o prato da culinária italiana cuja receita estamos analisando. Nessa receita, pode-se considerar que o aspirante a chef pode embatucar logo nos ingredientes, quando se pede ½ xícara de queijomeia-cura ralado. Queijo-meia-cura? Será que todos conhecem? Será que essas dificuldades inviabilizam a preparação da receita? Depende em que nível elas se colocam para cada usuário. É importante deixar claro que não se trata, aqui, de estabelecer uma crítica em relação à redação da receita, mas de mostrar em que medida as várias modulações de domínio lingüístico podem se tornar um empecilho no processo da comunicação e na nossa vivência diária. Da mesma forma que uma receita culinária pode não ser compreendida por quem se proponha a prepará-la, uma receita médica pode criar dificuldade semelhante, mais especificamente, no que diz respeito às bulas que acompanham os medicamentos., vejamos uma como exemplo. O nome do medicamento não precisa ser explicitado.</p><p>“Ora” — você deve estar pensando – “se o médico receita o remédio, para que eu vou ler a bula?” Você tem toda razão, mas não se esqueça de que, em nosso país, há, infelizmente, a cultura da automedicação. E agora? É preciso que ela se dê conta de que a maneira de usar o remédio está no item POSOLOGIA, que é uma palavra que não faz parte do nosso vocabulário cotidiano. Mas as dificuldades não ficam só na questão vocabular. É importante notar que as bulas trabalham com uma terminologia específica da área médica e que, por isso mesmo, ninguém é obrigado a conhecer. Assim, a leitura de uma bula pode ser obstaculizada por desconhecimento de vocabulário, mas já oferece uma dificuldade natural, que é a presença de termos técnicos de conhecimento restrito. que, mesmo sem conhecer os termos médicos, muitas pessoas conseguem dominar o conteúdo de uma bula por ter também um bom domínio das estruturas lingüísticas. Isso permite um entendimento suficiente para que a administração do remédio seja feita sem maiores riscos. Trata-se da questão de a língua do povo não ser a língua do poder – ou vice-versa. a falta de um domínio proficiente das estruturas lingüísticas coloca o usuário da língua à mercê de verdades das quais ele nem sempre está apto a discordar.</p><p>Discernir entre letramento e alfabetização são fundamental para compreender as diferentes dimensões do processo de aquisição de habilidades relacionadas à leitura e à escrita. Embora ambos os termos sejam frequentemente usados de forma intercambiável, eles têm significados distintos.</p><p>· Alfabetização refere-se ao processo de aprendizagem do sistema alfabético de escrita, ou seja, o domínio das habilidades de codificar (escrever) e decodificar (ler) os símbolos escritos. Envolve a capacidade de reconhecer letras, formar palavras e compreender sua pronúncia.</p><p>· Letramento, por outro lado, vai além da simples alfabetização. Envolve o uso social da leitura e da escrita, ou seja, a capacidade de interpretar, compreender e produzir textos em diferentes contextos e situações. O letramento está relacionado ao uso funcional da escrita e leitura na vida cotidiana e às práticas sociais de leitura e escrita.</p><p>Enquanto a alfabetização é o ponto de partida, o letramento abrange o desenvolvimento contínuo dessas habilidades para participar de práticas culturais e sociais, como ler um jornal, interpretar um documento, entender uma bula de remédio ou se engajar nas mídias digitais.</p><p>Essa diferenciação é importante, especialmente no contexto educacional, pois a alfabetização é o primeiro passo necessário, mas o letramento é o que realmente integra o indivíduo na sociedade e nos contextos comunicativos mais amplos.</p><p> Leitura de mundo e inserção cultural: A leitura de mundo permite ao indivíduo interpretar e compreender a realidade à sua volta, facilitando sua inserção nas práticas culturais e sociais, conectando-o ao seu contexto e identidade.</p><p> Letramento e cidadania: O letramento é essencial para o exercício pleno da cidadania, pois capacita o indivíduo a participar ativamente na sociedade, entender seus direitos e deveres, e se engajar em decisões e ações que impactam sua vida e a coletividade.</p><p>Aula 6 -- Pondo a mão na massa 114 15 aulas OBJETIVOS Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: • Rever os tipos de estratégias e os tipos de texto estudados na disciplina. • Analisar textos diferentes, com vistas à aplicação dos métodos de leitura em sala de aula. • Produzir textos que lancem mão de recursos e estratégias estudados.</p><p>Para começar, vamos fazer a leitura de um poema de Fernando Pessoa, a fim de verificar os recursos estilísticos nele empregados. Eros e Psique ...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades que vos foram dadas no Grau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdadeo poema, se trata de um texto literário, A respeito do poema, podemos notar que há uma série de inversões sintáticas, ou seja, alterações na ordem dos elementos das orações. Esse é um recurso muito utilizado em poesia.</p><p>No poema "Eros e Psique", de Fernando Pessoa, podemos identificar diversas inversões sintáticas, um recurso bastante comum em poesia para criar efeitos estilísticos e rítmicos. A seguir, transcrevo alguns versos em que essa inversão ocorre:</p><p>1. "Conta a lenda que dormia / Uma Princesa encantada"</p><p>· A ordem direta seria: Uma Princesa encantada dormia, conta a lenda.</p><p>2. "A quem só despertaria / Um Infante, que viria"</p><p>· A ordem direta seria: Um Infante, que viria, só a despertaria.</p><p>3. "Antes que, já libertado, / Deixasse o caminho errado"</p><p>· A ordem direta seria: Antes que ele deixasse o caminho errado, já libertado.</p><p>4. "Longe o Infante, esforçado, / Sem saber que intuito tem"</p><p>· A ordem direta seria: O Infante esforçado está longe, sem saber que intuito tem.</p><p>Essas inversões são empregadas para intensificar o tom lírico e aumentar a musicalidade do poema, além de trazer uma profundidade ao ritmo e à construção da narrativa.</p><p>No poema "Eros e Psique", o jogo fonético com palavras homônimas ocorre nos versos finais:</p><p>"E vê que ele mesmo era / A Princesa que dormia." Aqui, o verbo "era" (do verbo ser) e "hera" (a planta) são homônimos perfeitos, ou seja, possuem a mesma pronúncia, mas significados diferentes. O efeito obtido com esse recurso é duplo: cria uma ligação entre a realidade e o simbolismo, ao unir a identidade do Infante com a Princesa, e ao mesmo tempo reforça o aspecto onírico e misterioso do poema. A planta "hera" que adorna a fronte da Princesa simboliza o tempo e o esquecimento, enquanto o verbo "era" revela a transformação e a fusão das duas personagens em uma só. Esse jogo de palavras intensifica o caráter simbólico do poema e adiciona uma camada de complexidade ao significado final.</p><p>A história do poema "Eros e Psique" pode ser recontada da seguinte forma:</p><p>Havia uma Princesa encantada que dormia, e apenas um Infante poderia despertá-la. Ele precisava vir de além do caminho e vencer as tentações do bem e do mal antes de se libertar e seguir o caminho correto, que o levaria até a Princesa. Enquanto a Princesa dormia, sonhava com uma vida que parecia uma morte, enquanto sua cabeça era adornada por uma coroa de hera. O Infante, sem saber o verdadeiro propósito de sua jornada, seguia o destino traçado, sem perceber que estava sendo conduzido até a Princesa. Embora não soubessem da existência um do outro, ambos cumpriam seus destinos. No final, o Infante chega até o lugar onde a Princesa dormia, e ao tocá-la, ele percebe que era, na verdade, a própria Princesa que dormia.</p><p>Essa narrativa</p><p>reflete uma busca interna, em que o herói e a Princesa são, na verdade, o mesmo ser, representando a descoberta de si mesmo.</p><p>. Aqui estão as respostas às perguntas sobre a canção "Fanatismo" de Raimundo Fagner, com base na análise literária da letra:</p><p>1. Verso: “meus olhos andam cegos de te ver”</p><p>Esse verso pode ser entendido como uma expressão do excesso de sentimento que o eu lírico sente pela pessoa amada, a ponto de "cegar" sua visão. O recurso estilístico presente é a hipérbole, pois exagera o impacto da presença da pessoa amada nos sentidos do eu lírico.</p><p>2. Antítese: “não és sequer a razão do meu viver/ pois que tu és já toda minha vida.”</p><p>O efeito obtido por essa antítese é a intensificação do amor e da dependência do eu lírico em relação à pessoa amada. Ao negar que ela é a razão de viver, o eu lírico afirma algo ainda mais profundo: que ela é sua vida por completo, enfatizando a totalidade desse amor e sua obsessão.</p><p>3. Identificação de paixão com loucura e cegueira</p><p>Os versos que mais claramente estabelecem essa identificação são “meus olhos andam cegos de te ver” e “não és sequer a razão do meu viver”. A cegueira é simbólica, refletindo a perda da racionalidade e a total entrega à paixão, a ponto de perder a capacidade de enxergar as coisas com clareza.</p><p>4. Último verso e o título do poema</p><p>O último verso corrobora o título "Fanatismo" porque reforça a ideia de uma devoção exagerada e irracional. O eu lírico revela um sentimento que ultrapassa o amor comum, aproximando-se de uma obsessão ou fanatismo, em que o ser amado se torna tudo, consumindo a vida inteira do eu lírico.</p><p>Sobre a segunda parte da sua pergunta, abordando o rap e a crítica social nas letras de Gabriel O Pensador, trata-se de um gênero musical que combina ritmo e poesia para expressar problemas sociais, políticos e culturais, de forma contínua e muitas vezes quase falada. Isso reflete uma forma de engajamento direto com o público, utilizando a música como ferramenta de conscientização e crítica.</p><p>Vamos trabalhar um tipo de composição que se caracteriza por empreender crítica série de mazelas sociais e políticas. Essas composições identificam as novas gerações e têm como marca o ritmo contínuo e a letra quase recitada. O rap é o exemplo por excelência do que estamos falando. Escolhemos uma letra de Gabriel O Pensador</p><p>Até quando? (Gabriel O Pensador, Tiago Mocotó, Itaal Shur)</p><p>Gabriel O Pensador é um músico da nova geração que você certamente conhece. Pela letra escolhida, podemos perceber que ele fala de uma determinada classe social, e, mais que isso, fala com as pessoas que dela fazem parte. Em seu discurso, o compositor lança mão de algumas palavras que assumem sentidos diferentes, embora colocadas lado a lado. Veja: • Você que é inocente foi preso em flagrante! É tudo flagrante! É tudo flagrante!! • Sem renda, se renda! • Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco. Gabriel faz um jogo de palavras para criar um impacto maior no receptor da mensagem. No espaço abaixo, comente o jogo de palavras dos três trechos selecionados, mostrando os significados dos termos que se repetem.</p><p>Em "Até Quando?" Gabriel O Pensador utiliza um jogo de palavras para reforçar o impacto da mensagem crítica. Aqui estão os três exemplos de jogo de palavras:</p><p>1. "Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente"</p><p>O termo "deprimente" é usado para subverter o ato de buscar a felicidade, sugerindo que a tentativa é frustrada e desanimadora em um contexto de opressão social.</p><p>2. "A gente trabalha, o dia inteiro, e só ganha pó"</p><p>Aqui, "pó" simboliza o pouco retorno do trabalho duro, usando o termo para enfatizar a precariedade e a falta de recompensas.</p><p>3. "Até quando você vai ficar sem fazer nada?"</p><p>O uso repetido de "até quando" provoca uma reflexão sobre a passividade diante das injustiças, incentivando uma mudança de atitude.</p><p>Esses jogos de palavras amplificam o impacto da mensagem, questionando a apatia e chamando à ação.</p><p>As letras de "Até Quando?" de Gabriel O Pensador e "Fanatismo", poema de Florbela Espanca musicado por Fagner, apresentam diferenças marcantes tanto no conteúdo quanto no tom, refletindo temas e contextos distintos. Aqui estão algumas comparações:</p><p>1. Temática:</p><p>· "Até Quando?" aborda questões sociais e políticas, criticando a apatia diante das injustiças, a desigualdade, a exploração e a falta de ação para mudar a realidade. A letra é um chamado à consciência e à mobilização.</p><p>· "Fanatismo" trata do amor e da obsessão emocional, abordando a intensidade do sentimento amoroso e sua relação com a cegueira e o fanatismo. O foco está na subjetividade e nos sentimentos internos do eu lírico.</p><p>2. Tom e Linguagem:</p><p>· "Até Quando?" tem um tom de protesto e indignação, com uma linguagem direta, crítica e muitas vezes agressiva. A letra visa provocar uma reação do ouvinte, estimulando a reflexão e a ação social.</p><p>· "Fanatismo" possui um tom mais introspectivo e melancólico, com uma linguagem poética e carregada de simbolismo, expressando um amor intenso e irracional, quase desesperador.</p><p>3. Perspectiva:</p><p>· "Até Quando?" é socialmente orientado, falando de problemas coletivos e estruturais. A voz lírica questiona a sociedade e a si mesmo, buscando mudanças externas.</p><p>· "Fanatismo" é individualista e focado na experiência emocional do eu lírico. A obsessão amorosa é o centro, com pouca preocupação com questões externas ou sociais.</p><p>4. Objetivo:</p><p>· "Até Quando?" busca transformar a realidade, motivando o ouvinte a se rebelar contra a opressão e as condições de vida precárias.</p><p>· "Fanatismo" explora os extremos do amor e da devoção, sem intenção de mudança prática, mas sim de expressar a intensidade de uma emoção íntima e profunda.</p><p>Em resumo, enquanto Gabriel O Pensador critica o conformismo e convoca à ação social, Florbela Espanca, em "Fanatismo", explora os limites da paixão amorosa, revelando um amor avassalador e cegante.</p><p>Podemos dizer, com alguma tranqüilidade, que a letra de Gabriel O Pensador leva o destinatário da mensagem a refletir a respeito de uma série de questões das quais nem sempre ele se dá conta. Esse apelo social nos permite considerar que esse tipo de letra aproxima o leitor/ouvinte de uma leitura de mundo que também se faz a partir de outros tipos de texto, Agora, vamos pensar um pouco nessa leitura de mundo que se opera através de textos outros, que não são necessariamente voltados para algum tipo de entretenimento.</p><p>Você viu, até agora, o texto publicitário, assim como as letras de música e os textos do nosso dia-a-dia, como as receitas e as bulas de remédio.</p><p>Faça uma rápida pesquisa e transcreva duas receitas: uma que você considere acessível a qualquer pessoa que saiba ler minimamente; outra, que você ache incompatível com nossa realidade, de modo a impedir a execução do prato.</p><p>Aqui estão dois exemplos de receitas:</p><p>1. Receita acessível:</p><p>Arroz branco simples</p><p>· Ingredientes:</p><p>1 xícara de arroz,</p><p>2 xícaras de água,</p><p>1 colher de sopa de óleo,</p><p>Sal a gosto.</p><p>· Modo de preparo:</p><p>Em uma panela, aqueça o óleo, adicione o arroz e refogue. Acrescente a água e o sal. Deixe cozinhar em fogo médio até a água secar. Tampe a panela, abaixe o fogo e cozinhe por mais alguns minutos até o arroz ficar macio.</p><p>2. Receita inacessível:</p><p>Lagosta ao Thermidor</p><p>· Ingredientes:</p><p>2 lagostas,</p><p>200 ml de creme de leite fresco,</p><p>100 g de cogumelos,</p><p>1 cálice de vinho branco,</p><p>Queijo parmesão ralado,</p><p>Ervas finas.</p><p>· Modo de preparo:</p><p>Cozinhe as lagostas e retire a carne. Prepare um molho com creme de leite, cogumelos, vinho e ervas. Recheie as cascas com a mistura, cubra com queijo e gratine no forno.</p><p>A primeira receita é simples e acessível, enquanto a segunda exige ingredientes caros e complexidade na preparação, o que a torna incompatível com a realidade da maioria das pessoas.</p><p>A "leitura de mundo" de nosso povo reflete as desigualdades sociais e educacionais presentes no Brasil. Enquanto uma parcela da população tem acesso a conteúdos que ampliam sua compreensão crítica da realidade, muitos ainda encontram barreiras devido à falta de oportunidades educacionais e ao distanciamento</p><p>lido pela população.</p><p>O que esses censores não entendem é que, quanto mais se proíbem os livros, mais fortes e necessários eles se tornam.</p><p>Disponível em: https://agora.folha.uol.com.br/editorial/2020/02/a-leitura-e-livre.shtml.</p><p>Acesso em: 15 jan. 2023.</p><p>a) O primeiro parágrafo do texto em análise tem início com a frase “Se ataques à democracia provocam preocupação” e indica ser a censura de livros de autores consagrados mais uma contribuição negativa ao contexto vivenciado. No processo de construção do sentido, tomamos como base elementos histórico-sociais cujas pistas encontramos no próprio enunciado, como a data de publicação, o jornal que veiculou o texto etc.</p><p>b) O fragmento “É perigoso quando burocratas se sentem no direito de decidir o que pode e o que não pode ser lido pela população”, que expõe o ponto de vista defendido pelo editorial, apresenta informação confirmada pela fundação responsável pelo projeto de leitura para presidiários do estado de São Paulo.</p><p>c) Nos trechos “o governo afirmou que não fazia juízo de valor” e “a fundação responsável pelo projeto, ligada ao Palácio dos Bandeirantes, declarou que uma das obras (sem especificar qual), ‘diante das novas propostas da gestão atual, não atende ao que se espera para a população atendida’”, o governo e a fundação responsável representam duas pessoas específicas: no primeiro caso, o governador; no segundo, o presidente da fundação.</p><p>d) Publicado na Folha de São Paulo, o texto “A leitura é livre” não apresenta um autor em específico porque se trata de um gênero do discurso que apresenta a orientação social do jornal, ou seja, trata-se de um editorial.</p><p>A alternativa INCORRETA é a c).</p><p>Explicação: Na alternativa c), é afirmado que o governo e a fundação responsável "representam duas pessoas específicas", referindo-se ao governador e ao presidente da fundação. No entanto, essas declarações são feitas por órgãos ou entidades e não por indivíduos específicos. O uso de "governo" e "fundação" refere-se a instituições, não a pessoas em particular. Assim, a alternativa c) está incorreta.</p><p>Questão 5 (Valor: 1,25) – Ainda sobre o texto da questão anterior, assinale a ALTERNATIVA INCORRETA.</p><p>a) No fragmento “quanto mais se proíbem os livros, mais fortes e necessários eles se tornam”, há um desvio de sintaxe bastante conhecido, o solecismo. Para evitá-lo, seria adequada uma outra construção: “quanto mais se proíbe os livros, mais fortes e necessários eles se tornam”.</p><p>b) O enunciado “não há dúvida de que o alerta foi acionada” apresenta uma estratégia estilística para criar um efeito mais expressivo. Certamente, ninguém acionou um botão de alerta em sentido real, mas sim figurado.</p><p>c) No trecho “Mas, após reportagem comprovar que se tratava de um memorando oficial, o estado recuou e desistiu da empreitada”, o verbo “comprovar” pode ser substituído por “ratificar”, mas não por “retificar”, já que palavras parônimas.</p><p>d) Diretamente relacionadas à persuasão estão as estratégias semântico-pragmáticas. No trecho “quanto mais se proíbem os livros, mais fortes e necessários eles se tornam”, por exemplo, o emissor lançou mão de uma oração que indica proporcionalidade, buscando levar o leitor a compreender que a proibição de alguns livros só reforça a necessidade de lê-los.</p><p>A alternativa INCORRETA é a a).</p><p>Explicação: No fragmento “quanto mais se proíbem os livros, mais fortes e necessários eles se tornam”, não há um desvio de sintaxe (solecismo). A construção está correta, pois "se proíbem" concorda com "os livros" no plural. O sugerido "quanto mais se proíbe os livros" estaria incorreto, pois não haveria concordância entre o verbo "proíbe" (singular) e "os livros" (plural). Portanto, a construção original está correta, e a afirmação da alternativa a) está equivocada.</p><p>Questão 6 (Valor: 1,25) – Leia o texto a seguir e assinale a ALTERNATIVA INCORRETA.</p><p>Livros</p><p>Caetano Veloso</p><p>Tropeçavas nos astros desastrada Quase não tínhamos livros em casa E a cidade não tinha livraria</p><p>Mas os livros que em nossa vida entraram São como a radiação de um corpo negro Apontando pra a expansão do Universo Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso (E, sem dúvida, sobretudo o verso)</p><p>É o que pode lançar mundos no mundo.</p><p>Tropeçavas nos astros desastrada</p><p>Sem saber que a ventura e a desventura Dessa estrada que vai do nada ao nada São livros e o luar contra a cultura.</p><p>Os livros são objetos transcendentes Mas podemos amá-los do amor táctil Que votamos aos maços de cigarro Domá-los, cultivá-los em aquários, Em estantes, gaiolas, em fogueiras Ou lançá-los pra fora das janelas</p><p>(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos) Ou • o que é muito pior • por odiarmo-los Podemos simplesmente escrever um:</p><p>Encher de vãs palavras muitas páginas E de mais confusão as prateleiras.</p><p>Tropeçavas nos astros desastrada</p><p>Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.</p><p>Disponível em: https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/81628/. Acesso em: 23 jan. 2023.</p><p>a) Ao ler o texto, é possível perceber que se trata de uma letra de autoria de Caetano Veloso; em outras palavras, trata-se de um poema. Para que conheçamos a canção, ou seja, o casamento da letra com a música, precisamos ouvi-la.</p><p>b) Dentre as estratégias linguísticas comuns a textos mais literários, a exemplo da letra “Livros”, estão as metáforas e as comparações, como as identificadas nos versos: “Mas os livros que em nossa vida entraram / São como a radiação de um corpo negro / Apontando pra a expansão do Universo”.</p><p>c) O fragmento “Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso / (E, sem dúvida, sobretudo o verso) / É o que pode lançar mundos no mundo” sinaliza para a abertura da produção de sentidos mediante leitura do verso cujo tema não é único.</p><p>d) “Quase não tínhamos livros em casa / E a cidade não tinha livraria” é um contexto meramente hipotético, não representando o contexto real, efetivo, de muitas famílias brasileiras.</p><p>A alternativa d) afirma que o verso "Quase não tínhamos livros em casa / E a cidade não tinha livraria" é um contexto meramente hipotético, mas esse cenário representa, de fato, uma realidade vivida por muitas famílias brasileiras, especialmente em contextos de baixa renda ou regiões onde o acesso a livros e livrarias é limitado. Portanto, não se trata apenas de uma hipótese, mas de uma realidade para muitas pessoas.</p><p>a) Correta - A letra de Caetano Veloso pode ser considerada um poema e, para compreendê-la completamente, é necessário ouvir a música, pois a melodia contribui para a interpretação.</p><p>b) Correta - O texto faz uso de metáforas e comparações, como o exemplo dado dos versos comparando livros à radiação de um corpo negro.</p><p>c) Correta - O fragmento citado sugere que o verso tem a capacidade de criar novos significados e interpretações, apontando para uma produção aberta de sentidos.</p><p>d) Incorreta - O trecho “Quase não tínhamos livros em casa / E a cidade não tinha livraria” não é meramente hipotético; ele reflete uma realidade que muitos viveram, especialmente em contextos onde o acesso a livros e livrarias era limitado.</p><p>Portanto, a alternativa d) é a INCORRETA.</p><p>Questão 7 (Valor: 1,25) – Assinale a ALTERNATIVA INCORRETA considerando o texto de Caetano Veloso, disponível na questão anterior.</p><p>a) Nos versos “Lançar mundos no mundo”, “estrada que vai do nada ao nada”, “amá-los do amor táctil” e “foste a estrela entre as estrelas”, há repetições propositais, estilísticas, que não se configuram como o vício da linguagem chamado de redundância.</p><p>b) Nos versos, “Ou lançá-los pra fora das janelas / (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)”, há um exemplo de hipérbole, tendo em vista que expressa uma ideia por meio do exagero.</p><p>c) Nos versos “Encher de vãs palavras muitas páginas / E de mais confusão as prateleiras”, há um exemplo de eufemismo, porque procura atenuar uma expressão desagradável, chocante.</p><p>d) Nos versos “Tropeçavas nos astros desastrada / Sem saber que a ventura e a desventura”, há um exemplo de antítese, pois há o confronto de ideias opostas.</p><p>A alternativa INCORRETA é a c).</p><p>Explicação: Nos versos “Encher de</p><p>entre a "língua do povo" e a "língua do poder". Esse descompasso dificulta a plena participação de todos nos debates sociais e na construção de uma cidadania mais ativa e informada.</p><p>Você deve se lembrar de que, ao estudarmos o texto publicitário, verificamos que as estratégias utilizadas ali têm como maior objetivo convencer o interlocutor de uma determinada verdade, ou alertá-lo para algum tipo de problema. Em outras palavras, é um tipo de texto que visa ao convencimento, a chamar a atenção do outro para um determinado ponto de vista.</p><p>Diante do que você concluiu, crie um slogan ou um anúncio com imagem e palavra, cujo objetivo seja chamar a atenção para a força e o poder da palavra</p><p>Slogan:</p><p>"Palavras transformam o mundo. Use-as com sabedoria."</p><p>Descrição da imagem:Uma imagem de um microfone posicionado em frente a uma multidão de pessoas atentas. Ao fundo, as palavras "Mudança", "Impacto", "Inspiração" e "Ação" flutuam como nuvens de texto. O céu acima simboliza o infinito poder de alcance da palavra, com raios de luz irradiando do microfone, sugerindo que a palavra pode iluminar caminhos e trazer mudanças. Esse anúncio busca destacar o poder transformador das palavras, seja na fala ou na escrita, incentivando seu uso consciente e impactante.</p><p>Trabalhamos com textos que fazem parte de nosso cotidiano – seja como ferramenta de auxílio, seja como entretenimento. Há muitos outros tipos de texto com que lidamos diariamente e, como esses que vimos, nem sempre há garantias de que eles serão plenamente entendidos por todos. Por isso, refletir a respeito da aquisição das habilidades lingüísticas como forma de reivindicar a cidadania e conquistar um espaço na sociedade continua sendo objeto de nossas preocupações.</p><p>A análise de textos de diversos tipos,mostrou como diferentes gêneros (literários, publicitários, informativos) utilizam estratégias específicas para alcançar seus objetivos. Cada tipo de texto visa transmitir uma mensagem, seja para informar, emocionar, convencer ou alertar, empregando recursos como estilo, linguagem e estrutura para influenciar o leitor de maneiras distintas.</p><p>A aquisição das estruturas da língua é essencial para a leitura de mundo, pois permite que o indivíduo compreenda e interprete as mensagens ao seu redor de forma crítica. Dominar a linguagem possibilita decifrar contextos sociais, políticos e culturais, além de participar ativamente na construção de significados e no diálogo com a realidade. Sem essa base, a interpretação do mundo fica limitada, dificultando o engajamento pleno e a cidadania consciente.</p><p>Ler plenamente é fundamental para a conquista da cidadania, pois permite ao indivíduo compreender direitos, deveres e questões sociais com clareza. A leitura crítica capacita as pessoas a interpretar e questionar informações, participar de debates públicos e tomar decisões conscientes. Assim, quem domina a leitura e a linguagem tem mais autonomia para exercer a cidadania de forma ativa, influenciando mudanças e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.</p><p>AULA 6 -O conhecimento prévio e os gêneros do discurso aula 16</p><p>O CONHECIMENTO PRÉVIO Leia o texto abaixo. Com certeza você já deve ter lido muitos textos parecidos com ele. Pode ser dividido em conhecimento de mundo, conhecimento enciclopédico, textual e conhecimento lingüístico</p><p>Dieta sem fome Os gordinhos têm resistência à insulina, substância responsável por queimar gorduras e açúcares no nosso organismo. Quem está de mal com a balança fabrica insulina mas a absorve mal. Nesse caso, a saída para emagrecer é só uma: vencer essa resistência abandonando</p><p>O texto se trata de uma matéria. Ele fornece informações sobre um problema específico (resistência à insulina e emagrecimento) de maneira direta e educativa, com o objetivo de informar e orientar o leitor sobre o assunto.</p><p>b) Em que tipo de publicação ele apareceu? Quem escreveu? A que público especificamente se dirige?</p><p>O texto "Dieta sem fome" provavelmente apareceu em uma revista de saúde, jornal ou site de bem-estar, dado o tema e a abordagem informativa. Ele foi escrito por um jornalista ou especialista em nutrição, e se dirige a um público geral interessado em saúde e emagrecimento, especialmente pessoas que estão buscando soluções para problemas relacionados ao peso e à resistência à insulina.</p><p>Repare que esse tipo de informação não é resultado de um jogo de adivinhação. Ele faz parte de um arcabouço de conhecimentos que vamos construindo ao longo de nossa vida e que acessamos quando precisamos. Assim, quando lemos um texto, resgatamos os conhecimentos que adquirimos em outras leituras/vivências para contextualizá-lo e interpretá-lo adequadamente. É isso que chamamos de CONHECIMENTO PRÉVIO. Pode ser interessante, professor, que as tarefas de aula de leitura sejam organizadas de modo que a ATITUDE RESPONSIVA dos alunos comece pouco a pouco a encontrar subsídios no conjunto de conhecimentos prévios resgatados a partir das diversas e diferentes experiências dos membros da turma, recuperadas nos diálogos de sala de aula. Atividade</p><p>2: Tomando por base o exemplo do texto anterior, pergunte-se quais foram os elementos que orientaram suas respostas às questões propostas acima. Isso é muito importante.</p><p>Para responder às questões sobre o texto "Dieta sem fome", os elementos que orientaram as respostas foram:</p><p>1. Tipo de Texto:</p><p>· Informação Direta: O texto fornece informações claras e objetivas sobre um problema específico e uma solução, característico de uma matéria.</p><p>· Objetivo: O objetivo é informar e orientar o leitor, o que é típico de matérias jornalísticas ou de revistas especializadas.</p><p>2. Tipo de Publicação:</p><p>· Tema: O tema é relacionado a saúde e nutrição, sugerindo que o texto é adequado para publicações que abordam esses assuntos.</p><p>· Abordagem: A abordagem educativa e prática é comum em revistas de saúde, jornais ou sites especializados.</p><p>3. Autor e Público:</p><p>· Autor: A autoria é atribuída a um jornalista ou especialista que entende do tema e busca transmitir informações de forma acessível.</p><p>· Público: O texto se dirige a leitores interessados em saúde, emagrecimento e bem-estar, que estão buscando soluções para questões relacionadas ao peso e à resistência à insulina.</p><p>É certo que o conhecimento prévio permite que reconheçamos enunciados já ouvidos ou lidos. No entanto, para garantir a eficácia da utilização desse conhecimento em diferentes situações, é necessário observar, reconhecer e nomear os elementos textuais e não textuais que orientam a escolha dos itens que melhor nos ajudam a compor um sentido para os textos. A observação desses itens deve instrumentalizar os alunos de modo que, depois, individualmente, possam lançar mão daqueles que funcionam como as ferramentas mais eficientes para os problemas de construção e produção de sentido a resolver. É importante verificarmos que essa orientação deve partir da observação dos vários níveis de conhecimento que os alunos já possuem acerca dos elementos culturais que os rodeiam, entre eles os gêneros de discurso ou de enunciado, explorando neles aquilo que permite distinguilos como pertencendo a um determinado gênero, diferenciá-los ou aproximá-los de outros. De acordo com a análise do conjunto de aspectos que os tornam singulares, bem como das semelhanças e diferenças entre os diversos gêneros, os alunos poderão perceber que essas particularidades estão a serviço do tipo de intenção, dos interlocutores envolvidos na situação, do tipo de atividade em que se está inserido, e assim por diante. Leia o texto a seguir: Aqui entre nós O verão é uma coisa mágica, é como se o sol tivesse o poder de renovar não só a nossa pele, deixando-a maravilhosamente dourada, como também renova a nossa própria alma. Ficamos banhados de mais alegria, mais disposição, é agora que o ano realmente começa, amiga! E, aproveitando esta maré de renovação, preparamos um número cheio de inspiração e idéias para você dar um arranjo novo em tudo: desde o seu guarda-roupa, passando por cuidados completos com o corpo, chegando até</p><p>o interior de sua casa. Para prolongar a magia do verão – não vamos deixar que você perca nenhuma hora de sol –, nossa seção de culinária está cheia de truques deliciosos, receitas rápidas, refrescantes, lindas. Resolvidos os problemas diários, preparamos também um banho de energia para a sua alma, portanto não deixe de ler o artigo “Aprenda a ter confiança em si mesma”, que vai liquidar com todas as suas inseguranças. E mais: se você está vivendo períodos de angústia porque vai colocar o seu filhinho no maternal, nós nos preocupamos com este assunto e tentamos ajudá-la com o artigo “Ajude seu filho no primeiro dia de aula”. Enfim, chegou a hora de refrescar a cabeça e mergulhar no sonho: divirta-se e emocione-se com o romance condensado O pecado de Cynara. Agora só nos resta desejar um bom fim de férias, pois no próximo número nós a ajudaremos a viver melhor na cidade. Maria Cristina Duarte</p><p>Ao ler o texto acima, você provavelmente resgatou seu conhecimento prévio relativo a: • elementos textuais (o título da seção, Aqui entre nós, que traz uma declaração de efeito iniciando o texto, visando a construir um contrato de intimidade com o leitor como em “é agora que o ano realmente começa, amiga!”); • elementos visuais (desenho de referência ao tema tratado no texto; diferenciação de tamanhos e tipos de letra etc.); • elementos discursivos (o enunciador constrói para si a imagem de aliado, de alguém que pensa e cuida dessa mulher leitora da revista: “não vamos deixar que você perca nenhuma hora de sol –, nossa seção de culinária está cheia de truques deliciosos, receitas rápidas, refrescantes, lindas”; “se você está vivendo períodos de angústia porque vai colocar o seu filhinho no maternal, nós nos preocupamos com este assunto e tentamos ajudá-la com o artigo “Ajude seu filho no primeiro dia de aula”); • elementos temáticos (conteúdo sobre as matérias e os assuntos tratados no interior do exemplar de periódico que apresenta “preparamos um número cheio de inspiração e idéias para você dar um arranjo novo em tudo: desde o seu guarda-roupa, passando por cuidados completos com o corpo, chegando até o interior de sua casa.” “Não deixe de ler o artigo Aprenda a ter confiança em si mesma, que vai liquidar com todas as suas inseguranças”); • elementos contextuais (tipo de revista em que esse texto foi publicado, por exemplo; público a que se dirige, lugar da revista onde é publicado etc.). Todos esses elementos nos permitem reconhecer o texto analisado como editorial de uma revista feminina semanal. Em vista da natureza variada de elementos que nos permitem fazer a leitura dos textos, você pode perceber que é possível dividir o conhecimento prévio em grandes níveis. Há o que chamamos de conhecimento de mundo; há o que chamamos conhecimento enciclopédico; há um nível de conhecimento lingüístico do qual fazemos uso diariamente; e, por fim, há aquele nível de conhecimento que engloba tudo que sabemos sobre gêneros do discurso. Obviamente, esses níveis se articulam, não são isolados. Essa divisão se justifica, entretanto, pelo objetivo didático dos cursos de língua em geral.</p><p>O CONHECIMENTO DE MUNDO O conhecimento de mundo pode ser definido como o conjunto de conhecimentos que os indivíduos de uma mesma cultura compartilham e que é adquirido informalmente, a partir de experiências pessoais. Do ponto de vista do autor de um texto, ou de modo mais amplo, do enunciador de um enunciado (oral ou escrito) é esse conhecimento que permite que se possa inferir, com segurança, que tipos de lacunas em seus textos serão preenchidas com facilidade pelo interlocutor. Se alguém enuncia algo como “Saí ontem do trabalho debaixo de chuva”, ninguém vai imaginar que tenha saído nu ou gritando. O enunciador não precisa explicitar detalhes, pois eles são facilmente inferidos pelos interlocutores, sobretudo se são membros de mesma cultura. Por outro lado, se o tema tratado diz respeito a uma situação nunca vivenciada pelo interlocutor, terá de ser mais detalhado e explicado. Se contamos uma história sobre algo vivido dentro de um metrô a alunos que nunca ouviram falar ou nunca viram tal meio de transporte, haverá necessidade de se acrescentar informações detalhadas sobre como ele funciona e as situações que nele podem ser vivenciadas Para melhor organizar o estudo de seus alunos em função do nível de conhecimento de mundo, você, professor, precisa conhecê-los: saber onde moram, com quem moram, em que trabalham, que atividades desempenham como lazer etc. Diante de um universo possível, você poderá fazer escolhas mais precisas sobre os textos e as tarefas a eles relacionados.</p><p>O CONHECIMENTO ENCICLOPÉDICO O saber enciclopédico diz respeito ao conjunto de conhecimentos que os indivíduos vão adquirindo por meio de aprendizado formal. Isso não significa que tais conhecimentos se restrinjam àqueles que a escola proporciona. São também os que a curiosidade e o interesse nos levam a adquirir por meio da leitura de diferentes textos (de livros, revistas; texto cinematográfi co; texto teatral; texto “museal”, ou seja, dos museus, exposições etc). Esse nível de conhecimento é o que permite ao leitor fazer relações entre o que é dito ou mostrado em diferentes linguagens aqui e agora e outras imagens e outros ditos compartilhados em outros lugares e em outras situações. A qualidade e a extensão do saber enciclopédico permitem ao aluno sustentar sua atitude responsiva por meio de relações estabelecidas em um campo infinito de possibilidades intertextuais de compreensão dialógica.</p><p>Atividade 3: Leia a letra de O Estrangeiro, que você pode encontrar no site de música Sua tarefa é estabelecer primeiro o modo como o conhecimento enciclopédico interfere no diálogo com essa letra. Depois, leia a sequência da aula e explore os demais níveis de conhecimento (lingüístico, de mundo e textual) e o modo como auxiliam a leitura de O Estrangeiro (Caetano Veloso) O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela A Baía de Guanabara (...)</p><p>R= Para analisar a letra de "O Estrangeiro" de Caetano Veloso, consideremos os seguintes níveis de conhecimento e como eles auxiliam na leitura do texto:</p><p>1. Conhecimento Enciclopédico:</p><p>· Referências Culturais e Históricas: A letra menciona figuras como Paul Gauguin e Cole Porter, que são conhecidos por suas contribuições nas artes (pintura e música, respectivamente) e suas ligações com o Rio de Janeiro e sua cultura. Conhecer esses artistas e suas obras ajuda a entender o contexto e as comparações feitas na letra, enriquecendo a interpretação das referências culturais e estéticas.</p><p>2. Conhecimento Lingüístico:</p><p>· Vocabulário e Estilo: O conhecimento das palavras e das estruturas linguísticas presentes na letra é crucial para a compreensão da mensagem e do tom da música. A letra utiliza uma linguagem poética e descritiva para fazer alusões e criar imagens visuais, o que exige um entendimento das sutilezas linguísticas para captar o efeito desejado.</p><p>3. Conhecimento de Mundo:</p><p>· Contexto Cultural e Social: A referência à Baía de Guanabara e aos artistas mencionados pressupõe um conhecimento prévio sobre a importância cultural e histórica do Rio de Janeiro e suas influências na arte e na música. Esse conhecimento permite compreender melhor a conexão entre o local e as figuras mencionadas, além de reconhecer a crítica ou a celebração implícita na letra.</p><p>4. Conhecimento Textual:</p><p>· Estrutura e Coesão: Compreender a forma como a letra é estruturada, com a intertextualidade e as referências cruzadas, ajuda a apreciar a construção do texto. O modo como Caetano Veloso articula as referências e as comparações contribui para a interpretação geral da música e seu impacto emocional.</p><p>Esses diferentes níveis de conhecimento se inter-relacionam para fornecer uma compreensão mais profunda e rica da letra de "O Estrangeiro", ajudando o ouvinte a captar as nuances e o significado da música de forma mais completa.</p><p>O CONHECIMENTO LINGÜÍSTICO O conhecimento lingüístico refere-se à competência do enunciador</p><p>em relação à sua gramática interna; ou seja, diz respeito àquelas regras de linguagem que lhe permitem concretamente tecer textos, bem como perceber a maneira pela qual um texto foi tecido. Nesse aspecto, o enunciado verbal se distingue de outros, cujas matérias-primas provêm de outras linguagens (a linguagem da pintura, do cinema, do teatro etc). Todos esses enunciados são passíveis de serem lidos, mas é necessário desenvolver competência específica em cada uma dessas linguagens a fim de explorar os elementos constitutivos que ajudam a construir sentido. A propósito do enunciado verbal, pois, neste momento, é dele que estamos tratando aqui, observa-se que o conhecimento lingüístico diz respeito ao conhecimento do significado das palavras, à maneira de organizá-las em seqüência, ou seja, a sua ligação interna; ao modo de lidar com o discurso relatado (discurso direto, indireto, indireto livre); à maneira de garantir a coesão textual etc. No processo de leitura, por exemplo, o conhecimento lingüístico permite ao leitor perceber as palavras, os grupos de palavras, as seqüências maiores, de modo a reconstruir os elos de coesão entre esses elementos, através das instruções lingüísticas fornecidas pelo autor do texto. Julgamos importante ressaltar, professor, que a gramática interna a que nos referimos para explicar o conhecimento lingüístico não está necessariamente relacionada aos conteúdos prescritos por um compêndio de Gramática da Norma Culta de uma língua. Estamos nos referindo à gramática apreendida por meio do convívio social, da escuta de enunciados concretos que começam a ser captados nos primeiros meses de vida de um indivíduo humano. Trata-se da gramática de que cada um dispõe para organizar seus enunciados, sejam eles escritos ou orais. A gramática que permite a uma criança ou a um adulto, mesmo analfabeto, produzir um enunciado como “Tudo bem com você?” no lugar de algo como “Bem você tudo?”</p><p>Retomando Lombardi (2001/2004), a fim de reconhecer a existência desse nível de conhecimento prévio, junto a seus alunos, em atividade coletiva, você poderá explorar situações como as que se seguem (apresentadas oralmente – em fi ta gravada – ou por escrito, de acordo com o momento do aprendizado), a fim de perceber como ele funciona. Por exemplo:</p><p>Atividade 4: Relacione as colunas:</p><p>(1) Questa bambina non é mai tornata a casa.</p><p>(2) Aqui eles não veio.</p><p>(3) Se o diminutivo de bola é bolinha, então o diminutivo de planta é......</p><p>(4) Ele parou de brincar.</p><p>( ) Você imaginará, ou inferirá, pelo sentido que você atribui ao verbo parar, que antes ele brincava.</p><p>( ) Você saberá que o enunciado não está escrito em português, mesmo tendo reconhecido a palavra casa.</p><p>( ) Você conseguirá completar a lacuna com a palavra “plantinha”.</p><p>( ) Você perceberá algum tipo de problema com a concordância verbal, isto é, com a relação entre o verbo e a pessoa a que se refere, mesmo que você consiga entender perfeitamente o enunciado. (Adaptado de Lombardi, 2001/2004)</p><p>Aqui está a correspondência das colunas:</p><p>(1) Questa bambina non é mai tornata a casa.</p><p>( ) Você saberá que o enunciado não está escrito em português, mesmo tendo reconhecido a palavra casa.</p><p>(2) Aqui eles não veio.</p><p>( ) Você perceberá algum tipo de problema com a concordância verbal, isto é, com a relação entre o verbo e a pessoa a que se refere, mesmo que você consiga entender perfeitamente o enunciado.</p><p>(3) Se o diminutivo de bola é bolinha, então o diminutivo de planta é......</p><p>( ) Você conseguirá completar a lacuna com a palavra “plantinha”.</p><p>(4) Ele parou de brincar.</p><p>( ) Você imaginará, ou inferirá, pelo sentido que você atribui ao verbo parar, que antes ele brincava.</p><p>O CONHECIMENTO TEXTUAL O conhecimento textual engloba tudo que sabemos sobre diferentes gêneros discursivos, pelo fato de fazermos uso da língua para nos comunicarmos em diferentes situações e contextos. Desde os gêneros mais primários, como a conversa cotidiana, até os gêneros mais complexos, que exigem aprendizagem formal – por exemplo, gêneros escritos como a resenha científica ou o artigo jornalístico –, existe um repertório de enunciados de que nos apropriamos (retocando-lhes, naturalmente, com nosso estilo próprio), segundo seja nossa intenção e nosso interlocutor.</p><p>A seguir, vamos propor uma tarefa para ser aplicada a seus alunos e que pode ser interessante para começar o processo de amadurecimento no reconhecimento de gêneros discursivos. Divida a turma em grupos e proponha que identifiquem em que lugar ou situação já tomaram contato com os diferentes exemplares de textos que você irá selecionar e apresentar (propaganda, quadrinhos, resenha jornalística de filme, resumo jornalístico de filme, anúncio de classificados etc). Pode ser que não tenham resposta para tudo, mas isso não será um problema, pois, em outra aula, cada grupo terá de apresentar seus próprios exemplos para os gêneros propostos. Isso fará com que tenham de pesquisar e, talvez, conversar com um adulto sobre o assunto etc.</p><p>Atividade 5: Abaixo, a título de exemplo, apresentamos dois fragmentos de texto. Explicite onde ele circula, com que propósito e a quem se dirige. Depois, faça a lista dos elementos textuais, discursivos e temáticos que permitiram construir sua resposta.</p><p>Fragmentos de Texto</p><p>Fragmento 1: "O uso de tecnologias digitais tem revolucionado a educação. Plataformas online oferecem cursos e materiais didáticos que facilitam o acesso ao conhecimento de forma flexível e personalizada."</p><p>Fragmento 2: "A importância de uma alimentação equilibrada não pode ser subestimada. Consumir uma variedade de alimentos ricos em nutrientes é essencial para manter a saúde e prevenir doenças."</p><p>Análise dos Fragmentos</p><p>1. Onde Circula, com Que Propósito e a Quem se Dirige</p><p>Fragmento 1:</p><p>· Onde Circula: Pode ser encontrado em artigos sobre educação, blogs educacionais ou publicações de tecnologia.</p><p>· Propósito: Informar sobre o impacto das tecnologias digitais na educação e destacar os benefícios do uso dessas ferramentas.</p><p>· Público-Alvo: Educadores, estudantes e profissionais interessados em inovações tecnológicas no campo da educação.</p><p>Fragmento 2:</p><p>· Onde Circula: Encontrado em artigos de saúde, sites de nutrição ou materiais educativos sobre alimentação.</p><p>· Propósito: Educar sobre a importância de uma dieta balanceada e promover hábitos alimentares saudáveis.</p><p>· Público-Alvo: Leitores interessados em saúde, bem-estar e nutrição, incluindo indivíduos que buscam informações sobre como manter uma dieta saudável.</p><p>2. Elementos Textuais, Discursivos e Temáticos</p><p>Fragmento 1:</p><p>· Elementos Textuais: Uso de termos como “tecnologias digitais”, “educação”, “plataformas online”, “cursos”, e “materiais didáticos”.</p><p>· Elementos Discursivos: Linguagem objetiva e informativa, foco em benefícios e impacto das tecnologias na educação.</p><p>· Elementos Temáticos: Avanços tecnológicos, flexibilidade na educação, acesso ao conhecimento.</p><p>Fragmento 2:</p><p>· Elementos Textuais: Uso de termos como “alimentação equilibrada”, “nutrientes”, “saúde”, e “prevenir doenças”.</p><p>· Elementos Discursivos: Linguagem educativa e persuasiva, foco na importância e benefícios da alimentação saudável.</p><p>· Elementos Temáticos: Nutrição, saúde, hábitos alimentares, prevenção de doenças.</p><p>Esses elementos permitem identificar o contexto de circulação e o propósito dos fragmentos, bem como o público a quem se dirigem, ajudando a entender como a comunicação é moldada para atender a diferentes necessidades e interesses.</p><p>Em vista da natureza variada de elementos que nos permitem fazer a leitura de textos, é possível dividir o conhecimento prévio em quatro níveis: o conhecimento de mundo; o conhecimento enciclopédico; o conhecimento lingüístico e o conhecimento textual (de gêneros). O trabalho sobre tais níveis pode constituir-se em importante ferramenta tanto para análise quanto para produção textual.</p><p>AUTO-AVALIAÇÃO Se você entendeu toda a aula e consegue descrever, sem consulta ao texto, os diferentes níveis de conhecimento que atuam no processo de leitura e de escrita, bem como consegue indicar corretamente</p><p>a importância do conhecimento prévio para o reconhecimento e a produção de gêneros do discurso</p><p>Os diferentes níveis de conhecimento que atuam no processo de leitura e escrita são:</p><p>1. Conhecimento Lingüístico: Refere-se ao domínio das regras gramaticais, vocabulário e estruturas da língua. É essencial para a compreensão e produção de textos de forma correta e coesa.</p><p>2. Conhecimento de Mundo: Envolve o entendimento sobre contextos culturais, sociais e históricos. Ajuda a interpretar e produzir textos com relevância e precisão, considerando o ambiente e a situação em que são usados.</p><p>3. Conhecimento Textual: Diz respeito à familiaridade com diferentes gêneros textuais e suas características específicas. Permite reconhecer e produzir textos adequados ao propósito e ao público-alvo.</p><p>4. Conhecimento Enciclopédico: Inclui informações gerais e específicas sobre temas diversos. É crucial para entender referências e contextos mais profundos nos textos e para enriquecer a produção textual com dados relevantes.</p><p>Importância do Conhecimento Prévio: O conhecimento prévio é fundamental para o reconhecimento e a produção de gêneros do discurso porque:</p><p>· Reconhecimento: Ajuda a identificar e entender as características e estruturas dos gêneros textuais, facilitando a interpretação e análise de textos.</p><p>· Produção: Permite criar textos mais informados e contextualmente apropriados, utilizando referências e conteúdos que se alinham com o gênero e o propósito comunicativo.</p><p>Esses conhecimentos juntos possibilitam uma leitura mais crítica e uma escrita mais eficaz.</p><p>Em vista da natureza variada de elementos que nos permitem fazer a leitura de textos, é possível dividir o conhecimento prévio em quatro níveis: o conhecimento de mundo; o conhecimento enciclopédico; o conhecimento lingüístico e o conhecimento textual (de gêneros). O trabalho sobre tais níveis pode constituir-se em importante ferramenta tanto para análise quanto para produção textual.</p><p>image2.jpg</p><p>image15.png</p><p>image3.png</p><p>image9.png</p><p>image2.png</p><p>image4.png</p><p>image11.png</p><p>image5.jpg</p><p>image40.png</p><p>image30.png</p><p>image5.png</p><p>image6.png</p><p>image7.png</p><p>image8.png</p><p>image1.png</p><p>vãs palavras muitas páginas / E de mais confusão as prateleiras”, não há um exemplo de eufemismo, pois o eufemismo é uma figura de linguagem que atenua ou suaviza uma expressão desagradável ou chocante. No caso desses versos, a expressão é direta e crítica, sem o objetivo de suavizar o impacto. A crítica é explícita quanto ao preenchimento de páginas com palavras vazias e o aumento da confusão nas prateleiras, não se tratando de um eufemismo.</p><p>Questão 8 (Valor: 1,25) – Indique a ALTERNATIVA INCORRETA no que se refere à leitura do texto:</p><p>Disponível em: http://redacaoemrede.blogspot.com/2016/03/ideias- uma-charge-de-quino-sobre-o.html.</p><p>Acesso em: 22 jan. 2023.</p><p>a) Numa sociedade grafocêntrica como a nossa, o cidadão não letrado corre o risco de ficar à margem do processo sociocultural. Logo, diálogo no texto à esquerda remete à necessidade de o usuário da língua ser proficiente, remete ao letramento como capacidade de estabelecer comunicação.</p><p>b) “Perigoso” é um signo ideológico cuja reação- resposta do leitor depende de sua compreensão responsiva, assim como no fragmento do texto disponibilizado na questão 4: “É perigoso quando burocratas se sentem no direito de decidir o que pode e o que não pode ser lido pela população”.</p><p>c) Para fazer uma leitura crítica do exemplo em análise, basta o acesso ao texto verbal. O texto não verbal, nesse caso, não compõe o enunciado.</p><p>d) É possível cotejar o fenômeno da proliferação das “fake news”, inclusive citado no texto da questão 4, com a fala da personagem Mafalda, se entendemos a leitura como ato de compreensão ativa, de inserção,</p><p>e não de mera decodificação.</p><p>A alternativa INCORRETA é a c). (Explicação: A alternativa c) afirma que, para fazer uma leitura crítica do exemplo em análise, basta o acesso ao texto verbal, e que o texto não verbal não compõe o enunciado. No entanto, em textos multimodais, como charges ou imagens que acompanham textos escritos, o texto verbal e o não verbal se complementam na construção de sentido. Desconsiderar o texto não verbal seria perder parte da mensagem, comprometendo uma leitura crítica e completa. Portanto, ambos os elementos devem ser considerados para uma interpretação adequada.</p><p>Assinale apenas uma alternativa, sem rasuras.</p><p>Questão 1</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 2</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 3</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 4</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 5</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 6</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 7</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 8</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>AP1 ( X ) AP2 ( ) AP3 ( ) APE ( ) - 2023/2</p><p>DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA NA EDUCAÇÃO 2 CÓDIGO: EAD08116</p><p>QUESTÕES OBJETIV Questão 1 (Valor 1,0) – No livro A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam, Paulo Freire nos leva a entender que a leitura não se resume a uma mera atividade de decodificação. Veja:</p><p>“Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura de mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente.”</p><p>(Paulo Freire, 2011, p. 19-20)</p><p>Com base na reflexão do educador e nos estudos de Língua Portuguesa na Educação 2, assinale a</p><p>ALTERNATIVA INCORRETA:</p><p>a) A compreensão crítica do ato de ler vai de encontro à noção de compreensão responsiva, de perspectiva bakhtiniana, segundo a qual compreender significa buscar um contradiscurso para o discurso do outro.</p><p>b) É comum que, nas escolas brasileiras de educação básica, ainda existam atividades fragmentadas de leitura, como aquelas em que: primeiro, o texto é distribuído para os alunos; segundo, o professor pede que eles o leiam; terceiro, os alunos leem (ou nem sempre leem); quarto, o professor pede que alguns digam sobre o que foi lido; quinto, alguns respondem, outros não, e todos esperam o próximo passo.</p><p>c) Ao afirmar que linguagem e realidade se prendem dinamicamente, Paulo Freire reitera que não há leitura sem contexto.</p><p>d) Na compreensão crítica do ato de ler, o leitor toma atitudes diante do que lê, no sentido de explorar a complexidade de seu conteúdo.</p><p>(A alternativa INCORRETA é a b). Explicação descreve um processo de leitura que parece refletir práticas pedagógicas tradicionais e muitas vezes ineficazes, mas não necessariamente é um erro ou incorreto no contexto de ensino. No entanto, a questão pede a alternativa incorreta em relação à reflexão de Paulo Freire sobre a leitura como um ato crítico e contextualizado. As alternativas a), c) e d) estão em sintonia com a visão crítica de Freire sobre a leitura e a interação dinâmica entre linguagem e contexto, enquanto a alternativa b) não contradiz diretamente a perspectiva de Freire, embora represente práticas que ele criticaria.</p><p>Questão 2 (Valor 1,0) – Leia o texto a seguir e assinale a ALTERNATIVA INCORRETA no que se refere aos estudos sobre gêneros textuais:</p><p>a) De acordo com a estrutura composicional, o tema e o estilo do texto, trata-se do gênero textual carta.</p><p>b) A existência de vocativo e data assim como a de uma assinatura ao final do texto, identificando a pessoa que o escreveu, são características próprias da estrutura composicional.</p><p>c) A organização do texto em parágrafos é um dado que nos leva a identificar o tema do gênero, pois indica que se trata de uma prosa.</p><p>d) O estilo do texto é bastante dialógico. Chico começa “Me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita”, convocando o leitor a participar, além de utilizar um registro de linguagem mais informal.</p><p>A alternativa INCORRETA é a c).Explicação:A alternativa c) sugere que a organização do texto em parágrafos indica que se trata de uma prosa e ajuda a identificar o tema do gênero textual. No entanto, a organização em parágrafos não é exclusiva de um gênero textual específico e não determina o tema ou o gênero do texto. A estrutura em parágrafos pode ser encontrada em diversos gêneros textuais, tanto em prosa quanto em outros formatos. A identificação do gênero textual baseia-se em características mais específicas, como a finalidade comunicativa, o estilo e a estrutura composicional, e não apenas na organização em parágrafos.</p><p>Questão 3 (Valor 1,0) – Leia agora uma das letras de música de 1976 de Chico Buarque, cantor e compositor brasileiro:</p><p>Meu caro amigo</p><p>Chico Buarque</p><p>Meu caro amigo, me perdoe, por favor Se eu não lhe faço uma visita</p><p>Mas como agora apareceu um portador Mando notícias nessa fita</p><p>Aqui na terra tão jogando futebol</p><p>Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dias bate Sol</p><p>Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta</p><p>Muita mutreta pra levar a situação</p><p>Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça</p><p>E a gente vai tomando que também sem a cachaça Ninguém segura esse rojão</p><p>Meu caro amigo, eu não pretendo provocar Nem atiçar suas saudades</p><p>Mas acontece que não posso me furtar A lhe contar as novidades</p><p>Aqui na terra tão jogando futebol</p><p>Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dias bate Sol</p><p>Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta</p><p>É pirueta pra cavar o ganha-pão</p><p>Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro</p><p>Ninguém segura esse rojão</p><p>Meu caro amigo, eu quis até telefonar Mas a tarifa não tem graça</p><p>Eu ando aflito pra fazer você ficar A par de tudo que se passa</p><p>Aqui na terra tão jogando futebol</p><p>Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dias bate Sol</p><p>Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta</p><p>Muita careta pra engolir a transação</p><p>Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho E a gente vai se amando que, também, sem um carinho</p><p>Ninguém segura esse rojão</p><p>Meu caro amigo, eu</p><p>bem queria lhe escrever Mas o correio andou arisco</p><p>Se me permitem, vou tentar lhe remeter Notícias frescas nesse disco</p><p>Aqui na terra tão jogando futebol</p><p>Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dias bate Sol</p><p>Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta</p><p>A Marieta manda um beijo para os seus</p><p>Um beijo na família, na Cecília e nas crianças O Francis aproveita pra também mandar lembranças</p><p>A todo o pessoal Adeus!</p><p>Assinale a ALTERNATIVA INCOERENTE com o texto e com as conclusões a que nos levaram os estudos feitos nesta disciplina.</p><p>a) A letra da música de Chico Buarque é uma mensagem a um amigo repleta de figuras de linguagem. No trecho “Muita careta pra engolir a transação/ Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho”, há um exemplo bastante evidente.</p><p>b) A linguagem utilizada por Chico está ligada ao lugar social que ele ocupa e a partir do qual fala e está situada em um determinado contexto sócio-histórico e ideológico e, por isso, para ampliar a compreensão do texto, o leitor precisa resgatar esses elementos sociais.</p><p>c) Vivenciando o período de ditadura militar, é possível inferir que Chico Buarque traz para a letra de música muitos elementos de sua realidade social, como a própria linguagem de que lança mão.</p><p>(d)A organização em estrofes, no texto Meu caro amigo, é uma das características de sua estrutura composicional, o que não admite aproximações com o gênero textual carta.</p><p>Vamos analisar cada alternativa com relação à letra da música "Meu caro amigo" de Chico Buarque:</p><p>a) Correta - O trecho mencionado, “Muita careta pra engolir a transação / Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho”, utiliza figuras de linguagem como metáforas e expressões idiomáticas. Estas são características evidentes na letra.</p><p>b) Correta - A linguagem utilizada por Chico Buarque reflete o contexto social e histórico da época. Para entender completamente o texto, é necessário considerar esses elementos, pois a letra está imersa em um contexto sócio-histórico e ideológico específico.</p><p>c) Correta - A letra da música, escrita durante o período da ditadura militar no Brasil, reflete a realidade social e política da época. Chico Buarque utiliza sua linguagem e suas experiências para transmitir essa realidade.</p><p>d) Incorreta - A organização em estrofes não é uma característica que impede a aproximação com o gênero textual carta. A letra de música pode ser vista como uma forma de carta devido à sua estrutura e ao conteúdo pessoal e informal, refletindo um gênero textual que pode se assemelhar a uma carta.</p><p>Portanto, a alternativa d) é a INCOERENTE.</p><p>Questão 4 (Valor 1,0) – Ainda sobre o texto da questão anterior, assinale a AFIRMAÇÃO INCORRETA:</p><p>a) É possível afirmar que o texto de Chico Buarque, disponibilizado na questão 3 desta avaliação, é irônico, visto que tanto o futebol quanto o samba e as variações climáticas, por exemplo, são bastante óbvios no país, indicando nada ter mudado no Brasil à época da escrita e do envio do texto.</p><p>b) A palavra “choro” no refrão da letra da música Meu caro amigo pode ser considerada ambígua, o que reforça o fato de que todo signo é ideológico.</p><p>c) No refrão, há uma antítese que opõe a “normalidade” vivida no Brasil (“Aqui na Terra tão jogando futebol”) ao fato de que “a coisa aqui tá preta”.</p><p>d) Em “ninguém segura esse rojão”, o eufemismo é a figura de linguagem mais compreensível, assim como em “Mas o correio andou arisco”.</p><p>Sua resposta está correta. A alternativa d) é a INCORRETA.</p><p>Explicação detalhada:</p><p>· "Ninguém segura esse rojão" usa uma metáfora para expressar a ideia de que algo é difícil de ser contido ou controlado, e não um eufemismo.</p><p>· "Mas o correio andou arisco" é uma expressão que sugere que houve problemas com o correio, mas não é um eufemismo. Um eufemismo é uma expressão que suaviza ou ameniza uma situação potencialmente negativa ou chocante, o que não se aplica a essas frases.</p><p>Portanto, sua análise está correta ao identificar que essas expressões não são exemplos de eufemismo.</p><p>A alternativa INCORRETA é a d). Explicação: A alternativa d) afirma que "ninguém segura esse rojão" e "Mas o correio andou arisco" são exemplos de eufemismo. No entanto, "ninguém segura esse rojão" é uma expressão que utiliza uma metáfora para transmitir uma ideia de resistência ou força, enquanto "Mas o correio andou arisco" usa uma expressão que pode ser considerada uma forma de ironia ou uma maneira indireta de dizer que houve problemas com o correio, mas não é um eufemismo. Eufemismo é o uso de uma expressão mais suave para amenizar algo que pode ser desagradável ou chocante, e essas expressões não se encaixam nessa definição.</p><p>Vamos analisar cada alternativa para identificar a afirmação incorreta sobre a letra da música "Meu caro amigo" de Chico Buarque:</p><p>a) Correta - A letra pode ser considerada irônica. Enquanto menciona aspectos positivos e comuns da vida brasileira como futebol e samba, a frase "a coisa aqui tá preta" sugere uma crítica à situação política e social difícil, o que aponta para uma ironia na descrição da "normalidade" aparente.</p><p>b) Correta - A palavra "choro" pode ser ambígua. No contexto da música, "choro" pode se referir tanto ao estilo musical brasileiro quanto à tristeza, mostrando que o signo (palavra) pode ter múltiplas interpretações, reforçando a ideia de que signos são ideológicos e carregam significados variados.</p><p>c) Correta - A antítese é evidente na oposição entre a "normalidade" descrita nos versos "Aqui na Terra tão jogando futebol" e a realidade subentendida de que "a coisa aqui tá preta", revelando uma discrepância entre uma vida aparentemente comum e uma situação problemática.</p><p>d) Incorreta - "Ninguém segura esse rojão" utiliza uma metáfora para indicar resistência ou força, e "Mas o correio andou arisco" é uma expressão que pode ser interpretada como ironia ou um modo indireto de descrever problemas com o correio. Nenhuma das expressões é um eufemismo, que é uma forma de suavizar ou amenizar uma ideia.</p><p>Portanto, a alternativa d) é a INCORRETA.</p><p>Questão 5 (Valor 1,0) – Relembrando as teorias dos gêneros estudadas nesta disciplina, assinale a</p><p>ALTERNATIVA CORRETA.</p><p>a) Os gêneros discursivos têm sempre uma classificação fixa e um modelo a ser seguido pelos sujeitos sociais, afinal a língua é um código imutável.</p><p>b) Os gêneros literários distinguem categorias de enunciado – o lírico, o dramático e o épico. Logo, todos os textos produzidos no mundo precisam atender a uma dessas três classificações.</p><p>c) Na concepção dialógica de linguagem, o gênero textual é a classificação do texto oral ou escrito.</p><p>d) São as esferas de circulação da língua que elaboram os gêneros discursivos.</p><p>A alternativa correta é:d) São as esferas de circulação da língua que elaboram os gêneros discursivos.</p><p>Explicação:</p><p>· a) É incorreta porque os gêneros discursivos não têm uma classificação fixa e imutável. Eles são flexíveis e podem mudar conforme os contextos sociais e culturais em que são utilizados.</p><p>· b) É incorreta porque os gêneros literários não se limitam às três categorias mencionadas (lírico, dramático e épico). Embora essas categorias sejam tradicionais, a literatura inclui uma ampla gama de gêneros e subgêneros que não se encaixam rigidamente nessas classificações.</p><p>· c) É incorreta porque, na concepção dialógica da linguagem, o gênero textual não é simplesmente uma classificação do texto, mas um tipo de discurso que emerge e é moldado pelos contextos de comunicação e interação social.</p><p>· d) É correta porque os gêneros discursivos são elaborados e definidos pelas esferas de circulação da língua, como diferentes contextos sociais e práticas comunicativas, que influenciam a forma e a função dos gêneros discursivos.</p><p>Questão 6 (Valor 1,0) – Considerando os estudos feitos na disciplina, assinale a AFIRMAÇÃO INCORRETA:</p><p>a) É fato que o sujeito não letrado pode ficar à margem do processo sociocultural. Logo, a aquisição das estruturas linguísticas é importante não só no universo escolar.</p><p>b) O código verbal são normas que permitem a comunicação entre os usuários</p><p>de uma língua. Logo, é fundamental que as aulas de Língua Portuguesa estejam centralizadas na gramática da norma.</p><p>c) A língua escrita concorre de forma determinante para a manutenção de uma forma de manifestação da identidade cultural de um povo, ainda que nem todos tenham acesso à educação de qualidade.</p><p>d) A língua é uma forma de manifestação da linguagem.</p><p>A afirmação incorreta é:b) O código verbal são normas que permitem a comunicação entre os usuários de uma língua. Logo, é fundamental que as aulas de Língua Portuguesa estejam centralizadas na gramática da norma.</p><p>Explicação:</p><p>· a) Correta. A aquisição das estruturas linguísticas é importante para a inclusão sociocultural, e não se limita apenas ao ambiente escolar.</p><p>· b) Incorreta. Embora a gramática da norma seja uma parte importante do ensino de Língua Portuguesa, não deve ser a única preocupação. A comunicação efetiva e a compreensão do uso da língua em contextos variados também são essenciais, e o ensino deve abordar aspectos pragmáticos e discursivos da língua além da gramática normativa.</p><p>· c) Correta. A língua escrita desempenha um papel importante na manutenção da identidade cultural, embora o acesso à educação de qualidade seja um fator crucial para que isso aconteça.</p><p>· d) Correta. A língua é uma manifestação da linguagem, que é um sistema mais amplo que inclui diferentes formas de expressão e comunicação.</p><p>QUESTÕES DISCURSIVAS</p><p>Questão 7 (Valor 2,0) – Alguns conceitos estudados em Língua Portuguesa na Educação 2 são extremamente relevantes para o trabalho pedagógico realizado por professoras e professores de línguas e linguagens, como é o caso de pedagogas e pedagogos.</p><p>Proposta: Nesse sentido, nesta questão, você deve elaborar um único parágrafo, de 5 a 7 linhas, manejando obrigatoriamente dois conceitos – ENUNCIADO E SIGNO IDEOLÓGICO, e relacionando-os ao trabalho com os usos sociais da linguagem na escola.</p><p>No trabalho pedagógico com línguas e linguagens, compreender o conceito de enunciado e signo ideológico é crucial para o desenvolvimento de práticas educativas eficazes. O enunciado, enquanto unidade de comunicação que expressa uma ideia ou mensagem, deve ser analisado em seu contexto de produção e recepção para entender como os alunos interpretam e produzem textos. Já o signo ideológico, que se refere à maneira como a linguagem carrega e reflete ideologias e valores socioculturais, influencia a forma como os conteúdos são abordados na sala de aula. Ao integrar esses conceitos, os educadores podem promover uma abordagem mais crítica e reflexiva sobre os textos estudados, ajudando os alunos a reconhecer e questionar os discursos presentes na linguagem e a compreender o papel da língua na construção e disseminação de ideologias.</p><p>O parágrafo deve ser elaborado no cartão-resposta.</p><p>Questão 8 (Valor 2,0) – Como compartilhado na primeira questão desta avaliação, “Linguagem e realidade se prendem dinamicamente”, segundo Paulo Freire.</p><p>Proposta: Com base nisso, elabore um único parágrafo, de 5 a 7 linhas, utilizando obrigatoriamente o conceito de TEMA para explicar a reflexão de Paulo Freire e para articulá-la ao ensino de gêneros discursivos na escola.</p><p>A reflexão de Paulo Freire de que “Linguagem e realidade se prendem dinamicamente” destaca a interdependência entre a forma como expressamos e compreendemos o mundo e a realidade em que estamos inseridos. O conceito de tema, que se refere ao assunto central ou principal abordado em um texto, é fundamental para entender essa dinâmica, pois permite aos alunos explorar e conectar os temas dos gêneros discursivos com o contexto social e cultural que os envolve. No ensino de gêneros discursivos, trabalhar o tema ajuda os estudantes a perceber como diferentes tipos de texto refletem e influenciam a realidade ao abordar questões relevantes e atuais, promovendo uma compreensão crítica e engajada da linguagem como um instrumento de interação com o mundo e de construção de sentido.O parágrafo deve ser elaborado no cartão-resposta.</p><p>Questão 1 (1,0)</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 2 (1,0)</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 3 (1,0)</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 4 (1,0)</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 5 (1,0)</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 6 (1,0)</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>(d)</p><p>Questão 1 (1,0) – (b)</p><p>Questão 2 (1,0) – (c)</p><p>Questão 3 (1,0) – (d)</p><p>Questão 4 (1,0) – (d)</p><p>Questão 5 (1,0) – (d)</p><p>Questão 6 (1,0) – (b)</p><p>AP de LP2 Fala da professora; Crianças esta semana irão estudar as regiões sudeste e nordeste e aprender as diferenças sobre elas.</p><p>Aluno: oxi,finalmente vo pode conta monte de histori da minha teera</p><p>Outra aluna: a guri eu la das pampas</p><p>Professora, não Madalena e Raimundo não temos tempo para estas bobagens,trate de falar o português corretamente . Dando continuidade a aula pag 45.</p><p>A (1pt) Considerando a transposição do cartum acima para uma situação de ensino e aprendizagem de língua portuguesa, avalie a fala da professora, considerando a diferença entre as perspectivas estruturalista e dialógica.</p><p>R: Com a fala da professora não gera o estímulo de habilidades linguísticas para que os alunos se encontrem essa atitude não está ligada ao desenvolvimento do indivíduo como ser social. Estimular as diferenças de regiões significa, também, estimular a valorização pessoal e cultural.</p><p>Perspectiva Estruturalista: A fala da professora reflete a perspectiva estruturalista ao priorizar a correção gramatical e a conformidade com a norma padrão da língua. Ela desconsidera as formas regionais e coloquiais utilizadas pelos alunos e foca na aplicação rígida das regras gramaticais.</p><p>Perspectiva Dialógica: A perspectiva dialógica, por sua vez, valorizaria a diversidade linguística dos alunos e integraria suas variações e contextos culturais ao processo de ensino. A fala da professora não demonstra essa abordagem, pois não reconhece a riqueza das variações linguísticas e culturais dos alunos.</p><p>Conclusão: A fala da professora está mais alinhada com a perspectiva estruturalista, que se concentra na correção e na norma padrão, em vez de adotar uma abordagem dialógica que valorizaria as diferentes formas de expressão dos alunos.</p><p>Perspectiva Dialógica: Por outro lado, a perspectiva dialógica, influenciada por teóricos como Mikhail Bakhtin e Paulo Freire, vê a língua como um meio de interação social e cultural, valorizando as variações linguísticas e os contextos nos quais a língua é usada. Ela promove a compreensão da língua como um fenômeno dinâmico, que reflete a diversidade e os aspectos sociais e culturais dos falantes.</p><p>Fala da Professora: A fala da professora não demonstra uma abordagem dialógica. Em vez de considerar e valorizar as diversas formas de expressão dos alunos, ela desconsidera a riqueza da diversidade linguística e cultural que os alunos trazem para a sala de aula. Ela ignora as formas regionais e coloquiais de linguagem e se concentra apenas na aplicação das regras normativas, o que poderia desconsiderar a perspectiva dialógica de reconhecer e valorizar as variações linguísticas e culturais dos alunos.</p><p>Conclusão: A fala da professora reflete uma abordagem estruturalista, ao focar na correção e conformidade com a norma padrão da língua. Ela não adota uma perspectiva dialógica que valorizaria a diversidade linguística e cultural dos alunos e integraria essas variações ao processo de ensino e aprendizagem.</p><p>B (2pt) Proponha uma atividade sobre as diferenças entre as regiões Nordeste e Sul, utilizando os gêneros do discurso.</p><p>R: Na situação do cartum, uma atividade sobre as diferenças das regiões que poderia ser trabalhada é a professora dar um espaço de tempo para cada um dos seus alunos (Marina e Raimundo) para falarem uma situação diferente sobre a sua região. Com isso, seria estimulada a valorização pessoal e cultural de cada um.</p><p>Atividade: Explorando Diferenças Regionais através dos Gêneros do Discurso</p><p>Objetivo: Compreender e comparar as características das regiões Nordeste e Sul do Brasil utilizando diferentes gêneros do discurso, promovendo uma análise das peculiaridades culturais e sociais de cada região.</p><p>Atividade:</p><p>1. Introdução (15 minutos):</p><p>· Discussão Inicial: Converse com os alunos sobre as regiões Nordeste e Sul do Brasil. Destaque algumas diferenças marcantes, como clima, cultura, gastronomia e economia.</p><p>· Objetivo da Atividade: Explicar que eles irão explorar essas diferenças usando diferentes gêneros do discurso.</p><p>2. Divisão em Grupos (5 minutos):</p><p>· Formação de Grupos: Divida a turma em dois grupos: um para a região Nordeste e outro para a região Sul.</p><p>3. Pesquisa e Produção (40 minutos):</p><p>· Gêneros do Discurso:</p><p>· Grupo Nordeste:</p><p>· Crônica: Escreva uma crônica que descreva uma cena cotidiana da vida no Nordeste, incluindo aspectos culturais, como festas, culinária ou clima.</p><p>· Receita Culinária: Crie uma receita de um prato típico nordestino, explicando os ingredientes e o modo de preparo.</p><p>· Grupo Sul:</p><p>· Notícia: Elabore uma notícia sobre um evento recente ou uma característica importante da região Sul, destacando aspectos culturais ou sociais.</p><p>· Entrevista Imaginária: Redija uma entrevista imaginária com um residente do Sul, abordando suas perspectivas sobre a vida na região.</p><p>4. Apresentação e Discussão (30 minutos):</p><p>· Apresentação dos Textos: Cada grupo apresenta suas produções para a turma.</p><p>· Discussão: Após as apresentações, conduza uma discussão sobre as diferenças e semelhanças entre as duas regiões, focando em como cada gênero do discurso capturou aspectos específicos de cada região.</p><p>5. Reflexão (10 minutos):</p><p>· Reflexão Final: Peça aos alunos que escrevam uma breve reflexão sobre o que aprenderam sobre as regiões Nordeste e Sul através dos gêneros do discurso e como esses gêneros ajudaram a entender melhor as diferenças regionais.</p><p>Material Necessário:</p><p>· Recursos de pesquisa (livros, internet)</p><p>· Papel, canetas, computadores ou tablets</p><p>Avaliação:</p><p>· Participação e colaboração dos alunos na pesquisa e produção.</p><p>· Qualidade e criatividade dos textos produzidos.</p><p>· Clareza na apresentação e discussão das diferenças regionais.</p><p>Essa atividade não só ajuda a entender as características regionais, mas também permite que os alunos pratiquem a produção e análise de diferentes gêneros do discurso, promovendo uma compreensão mais rica e diversificada das regiões do Brasil.</p><p>Atividade Simples: Comparando as Regiões Nordeste e Sul através de Gêneros do Discurso</p><p>Objetivo: Explorar as diferenças entre as regiões Nordeste e Sul do Brasil utilizando gêneros do discurso de forma prática e acessível.</p><p>Atividade:</p><p>1. Introdução (5 minutos):</p><p>· Breve Explicação: Explique aos alunos que eles irão trabalhar com duas regiões do Brasil, o Nordeste e o Sul, e comparar suas características usando diferentes gêneros do discurso.</p><p>2. Divisão em Duplas (5 minutos):</p><p>· Formação de Duplas: Divida a turma em duplas e atribua a cada dupla uma das regiões: uma dupla fica com o Nordeste e a outra com o Sul.</p><p>3. Criação dos Textos (15 minutos):</p><p>· Nordeste:</p><p>· Crônica (ou Relato Curto): Escreva uma breve crônica ou relato sobre uma característica marcante da vida no Nordeste (pode ser uma festa, um evento cultural ou uma descrição do clima).</p><p>· Sul:</p><p>· Descrição (ou Pequeno Texto Informativo): Escreva uma breve descrição sobre uma característica marcante da vida no Sul (pode ser uma tradição local, um prato típico ou uma característica climática).</p><p>4. Compartilhamento e Discussão (15 minutos):</p><p>· Leitura dos Textos: Cada dupla lê seu texto para a turma.</p><p>· Discussão: Converse com a turma sobre as diferenças e semelhanças entre as descrições feitas pelas duplas.</p><p>5. Reflexão (5 minutos):</p><p>· Reflexão Rápida: Peça aos alunos para refletirem e escreverem uma frase sobre o que aprenderam com a atividade.</p><p>Material Necessário:</p><p>· Papel e canetas (ou computadores/tablets para digitar)</p><p>Avaliação:</p><p>· Clareza e precisão nas descrições.</p><p>· Participação ativa na discussão e reflexão final.</p><p>Essa atividade simples permite que os alunos pratiquem a escrita e a comparação de características regionais de forma direta e prática.</p><p>QUESTÃO 2 – (7 PTS)Ao final da unidade 2 vimos um vídeo que apresenta e analisa um projeto de leitura e escrita, a partir do tema “Animais da Mata Atlântica”. O texto a seguir poderia ter sido utilizado em algumas atividades do projeto: O mico-leão-dourado é endêmico da Mata Atlântica de baixada costeira do Estado do Rio de Janeiro, ocorrendo em até 500 metros de altitude. Os micos-leões usam tanto as florestas de vegetação preservada, ou primária, quanto as secundárias, onde já houve exploração ou cortes eletivo de árvores. O desmatamento, a expansão agropecuária e a urbanização reduziram o habitat do mico-leão-dourado, confinando suas populações remanescentes em ilhas de florestas secundárias, em sua maioria, menores do que mil hectares. Atualmente, quase todos os micos-leões restantes vivem em fragmentos florestais na Bacia do rio São João, nos municípios de Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Araruama, Rio das Ostras, Cabo Frio e Macaé. O isolamento geográfico resulta no isolamento genético, tornando estas pequenas populações mais vulneráveis à extinção. Esta vulnerabilidade aumenta com a urbanização crescente e desordenada, que avança em direção à área de ocorrência da espécie, a 100 Km do centro da cidade do Rio de Janeiro. Fragmentação A exploração dos recursos naturais e a ocupação do território ao longo da costa atlântica brasileira, desde a colonização europeia, têm sido os grandes responsáveis pela devastação da Mata Atlântica, um bioma formado por diversos ecossistemas associados, compondo um ambiente essencial para 70% da população que habita esta região. Florestas, restingas, mangues e os ambientes fluvial e marinho vêm sendo afetados pela perda de floresta, ocupação desordenado o solo, poluição e exploração predatória dos recursos. A Mata Atlântica é uma das regiões mais ricas em biodiversidade no mundo. O desmatamento vem confinando a mata e toda a sua fauna e flora características aos remanescentes florestais, alguns pequenos e dispersos , outros maiores e representativos da rica biodiversidade de séculos atrás. O isolamento dos fragmentos pode comprometer seriamente a sobrevivência de espécies e de serviços ecológicos que as florestas fornecem para as pessoas, por exemplo, água potável. A Mata Atlântica desta região abriga as últimas populações de micos-leões-dourados e de muitas outras espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. A grande diversidade de espécies, o alto grau de endemismo e as ameaças e pressões fazem desta uma das áreas prioritárias para conservação. Por isso, estamos estudando as causas e os efeitos da fragmentação da Mata Atlântica na bacia do rio São João e também as tendências futuras no uso do solo da região. Estes conhecimentos são de extrema importância para subsidiar o trabalho com diversos órgãos de planejamento, buscando a gestão integrada da paisagem. O uso do solo deve ser orientado de forma a permitir o movimento da fauna e flora por meio de conexões entre os fragmentos florestais isolados. A gestão integrada da paisagem resultará na formação de um verdadeiro Corredor Ecológico. Fonte: http://www.micoleao.org.br/template.php?pagina=/mico_leao_dourado/mata_atlantica_habita</p><p>1.(1 ponto cada) Para pensar uma atividade pedagógica, é preciso primeiro analisar o texto, seu contexto de uso e suas características. Defina:</p><p>A- O gênero textual</p><p>B- A tipologia dominante</p><p>C- Propósito comunicativo</p><p>Respostas:</p><p>A – Enciclopédia.</p><p>B - Expositivo.</p><p>C - Informar e instruir sobre determinado tema</p><p>As respostas apresentadas para a análise do texto são</p><p>bastante próximas do correto, mas é importante fazer alguns ajustes para maior precisão:</p><p>A – Gênero Textual: O gênero textual mais adequado para o texto apresentado é texto informativo ou artigo informativo, e não "enciclopédia". O texto fornece informações detalhadas sobre o mico-leão-dourado e a fragmentação da Mata Atlântica, características típicas de um texto informativo.</p><p>B – Tipologia Dominante: A tipologia dominante é de fato expositiva, já que o texto tem como objetivo expor e explicar informações sobre o mico-leão-dourado e o contexto da Mata Atlântica.</p><p>C – Propósito Comunicativo: O propósito comunicativo está correto como informar e instruir sobre determinado tema. O texto visa fornecer informações e conscientizar o leitor sobre a importância da conservação do habitat e das espécies ameaçadas.</p><p>Portanto, a correção seria:</p><p>· A: Texto informativo (ou artigo informativo)</p><p>· B: Expositivo</p><p>· C: Informar e instruir sobre determinado tema</p><p>A. Gênero Textual: O gênero textual do texto apresentado é texto informativo. Este gênero tem como principal objetivo fornecer informações e esclarecimentos sobre um tema específico, neste caso, sobre o mico-leão-dourado e a fragmentação da Mata Atlântica.</p><p>B. Tipologia Dominante: A tipologia dominante no texto é a tipologia descritiva. O texto descreve o habitat do mico-leão-dourado, os problemas enfrentados devido à fragmentação da Mata Atlântica e a importância da conservação da biodiversidade.</p><p>C. Propósito Comunicativo: O propósito comunicativo do texto é informar e sensibilizar o leitor sobre a situação crítica do mico-leão-dourado e a importância da conservação da Mata Atlântica. O texto busca fornecer dados e contexto para destacar a necessidade de ações de preservação e gestão integrada da paisagem para a proteção da fauna e flora da região.</p><p>2- Elabore uma sequência com três atividades para leitura e análise do texto, justificando sua escolha com base em um trecho do texto da aula- extra 1(O trabalho com gêneros textuais nos anos iniciais do Ensino Fundamental), que deve ser transcrito. É importante que as atividades estejam de acordo com suas características textuais e função social.</p><p>Itens do plano de atividade</p><p>1- Tema: Animais da Mata Atlântica</p><p>2- Justificativa para as atividades propostas – 1 ponto</p><p>3- Sequência de atividades/tempo previsto para cada uma- 2 pontos</p><p>4- Avaliação - 1 ponto</p><p>Atividades:</p><p>1) Qual é o tipo de texto lido?</p><p>R: Expositivo.</p><p>2) Qual o gênero desse texto?</p><p>R: Enciclopédia.</p><p>3) Qual foi a linguagem adotada no texto? Verbal ou Não Verbal?</p><p>R: Linguagem verbal.</p><p>Justificativa: Trecho do texto da aula-extra 1 “As classificações são diversas, dependendo dos critérios adotados para analisar o texto”.</p><p>A função de uma enciclopédia é mostrar informações sobre um determinado assunto. Sendo assim, as atividades estimulam a pesquisa e, por consequência, a escrita das respostas a serem definidas por cada aluno.</p><p>A linguagem verbal é para construir a noção sobre os animais da Mata Atlântica. Ao contrário dela, temos a linguagem não-verbal, representada na maioria das vezes por uma imagem, que facilita o entendimento dos alunos e estimula a compreender o conteúdo do texto também pela forma visual.</p><p>Tempo previsto:Essas atividades (leitura, análise do texto e resposta das atividades), terão a carga horária máxima de 60 minutos (uma aula).</p><p>Avaliação: Caracteriza-se pela intensidade das trocas de conhecimentos entre os alunos e pela integração dos mesmos em um projeto de pesquisa</p><p>Aqui está um plano de atividades para leitura e análise do texto sobre o mico-leão-dourado e a Mata Atlântica, com base nos itens solicitados:</p><p>1. Tema: Animais da Mata Atlântica</p><p>2. Justificativa para as atividades propostas</p><p>A escolha das atividades visa aprofundar a compreensão dos alunos sobre o texto informativo e a importância da conservação ambiental. A análise do texto ajuda a desenvolver habilidades críticas e de interpretação, além de promover a conscientização sobre questões ambientais, alinhando-se ao objetivo de educar sobre a biodiversidade e os desafios enfrentados pela Mata Atlântica. As atividades também incentivam a utilização de diferentes tipos de linguagem para enriquecer a compreensão do tema.</p><p>3. Sequência de Atividades / Tempo Previsto</p><p>Atividade 1: Identificação do Tipo de Texto (15 minutos)</p><p>· Descrição: Os alunos lerão o texto sobre o mico-leão-dourado e discutirão em grupos qual é o tipo de texto lido.</p><p>· Objetivo: Identificar o tipo de texto (informativo) e compreender suas características.</p><p>· Justificativa: Ajuda os alunos a reconhecer a natureza do texto e a diferenciação entre tipos de textos.</p><p>Atividade 2: Identificação do Gênero Textual (20 minutos)</p><p>· Descrição: Em grupos, os alunos identificarão o gênero textual do texto (texto informativo ou artigo informativo) e justificarão sua escolha com base em características do texto.</p><p>· Objetivo: Analisar e classificar o gênero textual, discutindo suas características e finalidades.</p><p>· Justificativa: Desenvolve a habilidade dos alunos de categorizar e compreender diferentes gêneros textuais.</p><p>Atividade 3: Análise da Linguagem Adotada (25 minutos)</p><p>· Descrição: Os alunos discutirão e identificarão se a linguagem adotada no texto é verbal, não verbal ou uma combinação de ambas. Em seguida, criarão um pequeno cartaz que ilustre o mico-leão-dourado, utilizando tanto elementos verbais quanto visuais.</p><p>· Objetivo: Analisar a linguagem utilizada e aplicar a compreensão em uma atividade prática.</p><p>· Justificativa: Ajuda a compreender como a combinação de linguagens pode enriquecer a comunicação e facilita a visualização de conceitos discutidos.</p><p>4. Avaliação</p><p>A avaliação será baseada na participação dos alunos nas discussões, na clareza e precisão das respostas nas atividades e na criatividade e relevância dos cartazes produzidos. Serão considerados os seguintes critérios:</p><p>· Atividade 1: Correta identificação do tipo de texto e compreensão básica (1 ponto).</p><p>· Atividade 2: Identificação precisa do gênero textual e justificativa adequada (1 ponto).</p><p>· Atividade 3: Análise da linguagem utilizada e qualidade do cartaz, avaliando a integração das linguagens verbal e não verbal (1 ponto).</p><p>Justificativa</p><p>Essas atividades foram escolhidas para proporcionar uma compreensão detalhada do texto, engajando os alunos em diferentes aspectos da análise textual. Trabalhar com textos informativos e artigos é crucial para desenvolver habilidades de leitura crítica e escrita. O uso de diferentes tipos de linguagem e a elaboração de um cartaz ajudam os alunos a</p><p>Atividades: 1) Qual é o tipo de texto lido? 2) Qual o gênero desse texto? 3) Qual foi a linguagem adotada no texto? Verbal ou Não Verbal?</p><p>Para as atividades propostas, aqui está uma abordagem simplificada:</p><p>Atividades</p><p>1) Qual é o tipo de texto lido?</p><p>· Resposta: O tipo de texto lido é um texto informativo.</p><p>2) Qual o gênero desse texto?</p><p>· Resposta: O gênero do texto é um artigo informativo ou texto enciclopédico.</p><p>3) Qual foi a linguagem adotada no texto? Verbal ou Não Verbal?</p><p>· Resposta: A linguagem adotada no texto é verbal. O texto utiliza palavras e frases para transmitir informações sobre o mico-leão-dourado e a Mata Atlântica.</p><p>Justificativa</p><p>1. Tipo de Texto: O texto é informativo porque tem o propósito de fornecer informações sobre o mico-leão-dourado e os impactos da fragmentação da Mata Atlântica.</p><p>2. Gênero Textual: O gênero é um artigo informativo ou texto enciclopédico, pois apresenta fatos e informações detalhadas sobre o tema de forma objetiva e estruturada.</p><p>3. Linguagem: A linguagem é verbal, pois o texto é composto por palavras e frases que descrevem o assunto e apresentam dados e explicações.</p><p>Essas respostas permitem que os alunos compreendam a função e a forma do texto, facilitando atividades futuras que envolvem análise e produção de textos semelhantes.</p><p>Aula 1</p><p>-O diagnóstico de leitura é um processo de avaliação que tem como objetivo identificar o nível de compreensão e habilidade de um indivíduo em relação à leitura. Ele busca detectar as dificuldades, estratégias utilizadas e o progresso do leitor, permitindo que educadores ou especialistas possam intervir de maneira eficaz.</p><p>Esse diagnóstico pode incluir a análise de:</p><p>· Decodificação de palavras: Habilidade de reconhecer palavras escritas.</p><p>· Fluência: Capacidade de ler com rapidez, precisão e expressão.</p><p>· Compreensão: Entendimento do que está sendo lido, tanto em termos literais quanto inferenciais.</p><p>· Vocabulário: Conhecimento de palavras e seus significados.</p><p>Ao aplicar o diagnóstico de leitura, o objetivo é traçar um perfil do leitor, permitindo o planejamento de atividades e intervenções que promovam o desenvolvimento dessas habilidades, ajustando o ensino às necessidades individuais de cada aluno.</p><p>Aula 1 - PISA Sistema de testes e rendimento escolar organizado pelos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).</p><p>1. Situações que podem restringir o processo de leitura ao plano apenas da decodificação da língua:</p><p>Decodificação se refere ao ato de transformar símbolos gráficos (letras, palavras) em sons ou palavras faladas. Contudo, a leitura eficaz vai além disso, e alguns fatores podem limitar esse processo a apenas essa etapa inicial:</p><p>· Foco exclusivo na fonética: Quando o ensino de leitura prioriza a identificação de sons sem considerar o contexto ou o significado das palavras, a leitura fica limitada à decodificação.</p><p>· Ausência de estratégias de compreensão: Quando o leitor não é incentivado a inferir, interpretar ou questionar o texto, a leitura se torna um exercício mecânico.</p><p>· Falta de repertório: Um leitor que não possui um bom conhecimento de mundo ou de vocabulário tem dificuldades em compreender o sentido completo de um texto, restringindo-se à decodificação superficial.</p><p>· Textos descontextualizados: Leitores que são expostos a textos distantes de sua realidade ou de seu interesse pessoal podem se concentrar apenas na decodificação, sem engajar-se no processo de compreensão.</p><p>2. Compreensão como um processo dialógico e "atitude responsiva":</p><p>A compreensão da leitura deve ser vista como um processo dialógico, inspirado em Bakhtin, em que o leitor interage com o texto. Essa interação acontece por meio de uma atitude responsiva, na qual o leitor não é passivo, mas responde ao que está sendo lido:</p><p>· Diálogo com o texto: O leitor coloca suas próprias experiências, opiniões e emoções em jogo, questionando, concordando ou discordando do texto.</p><p>· Interação ativa: A leitura envolve reflexão e o levantamento de hipóteses sobre o que o autor quer transmitir e como isso se conecta com o conhecimento prévio do leitor.</p><p>· Leitura crítica: O leitor adota uma postura crítica e interativa, buscando entender as intenções do autor, os argumentos apresentados e o que está nas entrelinhas do texto.</p><p>3. Prática de leitura que visa à autonomia do leitor no processo de compreensão/interpretação:</p><p>Para que um leitor se torne autônomo, ele precisa desenvolver habilidades que o capacitem a interpretar e compreender o texto por conta própria. A autonomia na leitura vai além da decodificação e exige:</p><p>· Desenvolvimento de estratégias de leitura: O leitor precisa ser capaz de usar inferências, identificar ideias principais e secundárias, fazer conexões com outros textos e questionar o conteúdo.</p><p>· Estímulo ao pensamento crítico: Promover o questionamento e a análise do texto é fundamental para que o leitor se aproprie do conteúdo de forma independente.</p><p>· Valorização da compreensão profunda: Levar o leitor a compreender o texto em diferentes níveis — literal, inferencial e crítico — é essencial para a construção de uma leitura autônoma.</p><p>· Ambientes ricos em leitura: A prática de leitura deve estar inserida em um contexto que incentive a curiosidade e a exploração de diferentes gêneros textuais e temas, capacitando o leitor a ser cada vez mais independente.</p><p>Assim, uma prática de leitura que vai além da decodificação promove a autonomia e o engajamento crítico do leitor.</p><p>a) Explique por que o nível de leitura de nossas elites é, ao mesmo tempo, “o resultado mais trágico e o que mais traz esperanças”.</p><p>No texto, o nível de leitura das elites é considerado "o resultado mais trágico" porque, mesmo em escolas com ótimas condições econômicas e infraestrutura, os alunos ainda apresentam dificuldades significativas na leitura e interpretação de textos. Isso revela um problema grave no sistema de ensino, já que, teoricamente, essas escolas teriam tudo para garantir um bom desempenho.</p><p>Por outro lado, é "o que mais traz esperanças" porque demonstra que o problema não é causado exclusivamente por fatores econômicos, como a pobreza. Isso sugere que, ao corrigir os erros pedagógicos e sistêmicos no processo de ensino, pode ser possível melhorar significativamente o nível de leitura tanto nas escolas públicas quanto nas privadas, sem depender apenas de recursos financeiros.</p><p>Compare esse tipo de prática de leitura com aquela pensada por Paulo Freire quando afirma que “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”. Para isso, releia as páginas 34 e 35 de Língua Portuguesa na Educação 1, Volume 2. Escreva sua resposta nas linhas abaixo. Como transformar o espaço da leitura no espaço de leitura de mundo na escola?</p><p>Paulo Freire, ao afirmar que "a leitura de mundo precede a leitura da palavra", defende que o processo de leitura não se resume apenas à decodificação de símbolos escritos, mas envolve a compreensão crítica da realidade e das experiências vividas. Para ele, a leitura da palavra só ganha pleno sentido quando o indivíduo é capaz de relacioná-la com seu contexto social, cultural e político. Ou seja, a leitura deve partir das vivências do aluno, das suas interpretações do mundo ao seu redor, para, então, compreender os textos de forma mais profunda e crítica.</p><p>Comparando essa visão com a prática de leitura descrita no diagnóstico apresentado, percebe-se que o problema apontado no PISA revela uma abordagem que foca apenas na decifração e compreensão superficial dos textos, sem promover uma leitura crítica e reflexiva da realidade. Nesse sentido, as escolas – tanto públicas quanto de elite – falham em formar leitores que consigam extrapolar o nível básico de entendimento e utilizar a leitura como uma ferramenta para interpretar e transformar o mundo.</p><p>Para transformar o espaço de leitura na escola em um espaço de leitura de mundo, é necessário integrar a realidade dos alunos no processo de ensino. Isso implica contextualizar os textos e conteúdos com as experiências e os desafios que os alunos enfrentam em suas vidas cotidianas. Ao valorizar suas vivências, o professor pode incentivar uma leitura crítica, onde o aluno não só decodifica a palavra, mas também reflete sobre o impacto que ela tem em sua compreensão do mundo. Dessa forma, a leitura se torna um processo ativo, que fomenta a conscientização e o engajamento social, como propõe Paulo Freire.</p><p>A leitura começa já com a decodificação da escrita desse texto e lá pelas tantas teria início à formação de algum sentido, tirado direta e exclusivamente desse texto. Até lá o leitor não tem outro ponto de referência que não o próprio material escrito</p><p>Nas salas de aula do Brasil, prossegue o autor, as atividades de leitura, geralmente, são fragmentadas da seguinte forma:</p><p>1) o texto é distribuído; os alunos esperam o próximo passo (alguns já o lêem, mas também esperam);</p><p>2) o professor pede que leiam; os alunos leem e esperam (alguns não lêem, apenas esperam o próximo movimento);</p><p>3) o professor pede que alguns digam sobre o que foi lido; alguns o atendem e todos esperam o próximo passo;</p><p>4) o professor pede que produzam um texto; os alunos passam a escrever um genérico texto e esperam o próximo passo (alguns se recusam a escrever; preferem apenas esperar) (PIVOVAR, 2002, p. 100).</p><p>a) Compartilhe conosco uma leitura de mundo sua vivida anteriormente mesmo à leitura</p><p>da palavra.</p><p>a) Leitura de mundo vivida anteriormente à leitura da palavra Uma experiência de leitura de mundo que tive antes de aprender a ler formalmente aconteceu durante minha infância, quando observava o ambiente ao meu redor. Lembro-me de como via as interações das pessoas, suas expressões, comportamentos e ações. Por exemplo, ao ver um trabalhador limpando as ruas, sem que ninguém lhe agradecesse ou prestasse atenção, entendi que havia uma desigualdade no modo como as pessoas eram tratadas, mesmo sem compreender ainda conceitos como "trabalho" ou "justiça social". Esse entendimento intuitivo das relações sociais foi uma espécie de "leitura de mundo" que precedeu a minha capacidade de ler e compreender esses conceitos em livros.</p><p>b) Você já é professor? Caso responda afirmativamente à pergunta anterior identifique e descreva o modo como você e outros colegas estruturam a atividade de leitura. Se você não é professor, aproveite para escrever sobre como você começaria a planejar uma aula de leitura para alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental.</p><p>Planejamento de uma aula de leitura para alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental Se eu fosse planejar uma aula de leitura para alunos do Ensino Fundamental, começaria por selecionar um tema que fosse próximo à realidade dos alunos, algo que eles vivenciassem no dia a dia, como a família, o bairro ou a escola. A partir desse tema, eu escolheria um texto simples e envolvente, como uma história ou um conto infantil. Antes da leitura, iniciaria uma conversa com os alunos, incentivando-os a falar sobre suas experiências relacionadas ao tema, para que eles pudessem se conectar com o conteúdo do texto. Durante a leitura, faria pausas para perguntar o que eles estão entendendo, o que acham que vai acontecer, e como a história se relaciona com suas vidas. O objetivo seria não só ensinar a decodificação das palavras, mas promover a reflexão sobre o significado do texto e sua conexão com o mundo real. Após a leitura, proporia uma atividade em que os alunos pudessem representar o que entenderam por meio de desenhos, dramatizações ou pequenas redações, estimulando a criatividade e reforçando a relação entre a leitura e suas vivências.</p><p>c) De acordo com sua opinião, há mudanças a serem feitas nesse processo? Justifique em um pequeno texto.</p><p>Mudanças a serem feitas no processo de leitura Acredito que, em muitos casos, o processo de leitura nas escolas precisa ser mais contextualizado e dinâmico. Muitas vezes, os alunos são expostos a textos que estão desconectados de suas realidades, o que dificulta o engajamento e a compreensão. Uma mudança importante seria trazer mais exemplos de "leitura de mundo" para dentro das atividades de leitura, como propôs Paulo Freire. Ao utilizar temas que façam parte do cotidiano dos alunos e incentivá-los a relacionar o que leem com suas experiências, tornamos o processo de leitura mais significativo e transformador. Além disso, seria interessante incluir atividades interativas, como rodas de conversa e dramatizações, para que a leitura não seja vista apenas como um exercício solitário, mas como uma prática colaborativa e crítica, onde todos possam aprender uns com os outros.</p><p>D)Para continuar nossa conversa, responda rápido: Você acha que compreender ou interpretar um texto é sinônimo de repetir o que foi lido?</p><p>Não, compreender ou interpretar um texto não é sinônimo de repetir o que foi lido. Compreender um texto envolve captar seu significado, analisar suas ideias e relacioná-las com outros conhecimentos, enquanto repetir é apenas reproduzir as palavras. A interpretação vai além, exigindo reflexão e conexão com a realidade e o contexto do leitor.</p><p>Explicação do Conceito "ALUNO LEITOR = ALUNO AUTOR"</p><p>1. Participação Ativa na Construção de Significado: O aluno não apenas recebe informações do texto, mas também as interpreta à luz de seus conhecimentos prévios, experiências e contextos pessoais. Isso significa que o aluno atribui significados próprios ao que lê, influenciado por sua bagagem cultural e linguística.</p><p>2. Processo Dialógico: A leitura é vista como um diálogo entre o texto e o leitor. O aluno, ao se engajar com o texto, estabelece um "diálogo" que permite a troca de ideias e significados. O texto não é interpretado de forma unilateral, mas sim construído através das interações entre o leitor e o material lido.</p><p>3. O Papel do Aluno como Autor: Ao interpretar um texto, o aluno não é apenas um leitor, mas também atua como um "autor" na medida em que contribui para a construção de novos significados. Sua leitura é influenciada por suas próprias percepções e entendimentos, o que resulta em uma interpretação única e pessoal do texto.</p><p>4. Influência dos Conhecimentos Prévios: Os conhecimentos prévios do aluno sobre o mundo, a linguagem e os gêneros discursivos desempenham um papel crucial na maneira como ele compreende e interage com o texto. Esses conhecimentos permitem que o aluno faça conexões, analise e reinterprete o texto de maneira mais rica e significativa.</p><p>Conclusão</p><p>O conceito de "ALUNO LEITOR = ALUNO AUTOR" reflete a visão de que a leitura é um processo dinâmico e ativo. Os alunos são incentivados a usar suas experiências e conhecimentos para interagir com o texto, participando ativamente na criação de significados. Essa abordagem promove um envolvimento mais profundo com o material e fortalece a capacidade crítica e criativa dos alunos.</p><p>LEITURA DIALÓGICA: ALUNO LEITOR = ALUNO AUTOR</p><p>O conceito de "ALUNO LEITOR = ALUNO AUTOR" expressa a ideia de que, ao ler e interpretar um texto, o aluno não é apenas um receptor passivo, mas participa ativamente da construção de significados. Na perspectiva adotada no Módulo 3 de Língua Portuguesa na Educação 1, o ato de leitura é visto como um processo dialógico, no qual o leitor (aluno) se insere no texto, trazendo consigo seus conhecimentos prévios – sobre o mundo, a linguagem e os gêneros discursivos. Isso permite que ele atribua novos significados ao que lê, tornando-se, de certa forma, um "autor" daquele texto.</p><p>O conceito de compreensão responsiva é central aqui, pois envolve uma resposta ativa ao texto, na qual o aluno-leitor reage ao que está lendo com base em suas experiências e ideias. Essa interação cria uma relação dialógica, onde o leitor não apenas recebe o conteúdo, mas também contribui para ele com suas próprias interpretações.</p><p>Portanto, o aluno-leitor se torna "autor" ao reinterpretar o texto, inserindo-se em uma "cadeia dialógica" que conecta o texto lido a outros textos e experiências, moldando um entendimento único e pessoal. Esse processo é essencial para o desenvolvimento crítico e para a formação cidadã, pois a leitura passa a ser um instrumento de participação e de construção ativa de sentido no mundo social.</p><p>O leitor não é um mero decodificador dos signos (palavras, imagens etc.) que se apresentam como seria o receptor/ouvinte na cadeia de comunicação, conforme entendem alguns teóricos. Pelo contrário, o leitor toma atitudes diante do que lê, no sentido de explorar a complexidade de seu conteúdo (no plano do dito e do não-dito) e de responder às questões que daí surgem.</p><p>O primeiro, dessa vez, é MIKHAIL BAKHTIN, autor cujas ideias teremos oportunidade de discutir bastante neste ano. Ao estudar o que ocorre na compreensão de textos, Bakhtin observa a articulação de atos distintos que se fundem num único e mesmo processo. Observa, contudo, que cada um desses atos tem uma autonomia ideal de sentido e pode ser isolado do ato global e concreto da seguinte forma: 1) a PERCEPÇÃO PSICOFISIOLÓGICA do signo físico (palavra, cor, forma espacial); 2) o reconhecimento do signo (como algo conhecido ou desconhecido); a compreensão de sua significação reproduzível na língua; 3) a compreensão de sua significação em dado contexto (contíguo ou distante); 4) a compreensão dialógica ativa (concordância-discordância etc.); a inserção num contexto dialógico; o juízo de valor, seu grau de profundidade e de universalidade (BAKHTIN, 1974/1997, p. 401)</p><p>“Traduzindo” o que Bakhtin nos</p>