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<p>Bioética, início da vida e reprodução</p><p>Apresentação</p><p>O ato da reprodução dos indivíduos cumpre o papel de perpetuação da espécie e é um tema</p><p>bastante importante para a bioética na atualidade, especialmente pelas incertezas sobre o</p><p>momento exato em que se pode constatar o início da vida dos seres humanos.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos aprofundar os principais aspectos bioéticos envolvendo a</p><p>reprodução e o início da vida humana.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Identificar as principais questões da bioética relacionadas ao início da vida e à reprodução</p><p>humana.</p><p>•</p><p>Reconhecer as diversas implicações relacionadas aos avanços científicos no campo da</p><p>reprodução humana.</p><p>•</p><p>Relacionar os diferentes posicionamentos éticos dos indivíduos quanto ao estabelecimento do</p><p>início da vida.</p><p>•</p><p>Desafio</p><p>Anne é uma estudante de enfermagem que constantemente é procurada pelas amigas mais jovens</p><p>para esclarecer dúvidas relativas aos métodos contraceptivos e sobre alternativas para o sexo</p><p>seguro.</p><p>Quais as três possibilidades para uma ação eficaz do tipo de remédio escolhido?</p><p>Se a resposta de Anne não for contraditória com suas posições acerca da reprodução e do início da</p><p>vida humana, o que ela deverá afirmar a respeito da pílula do dia seguinte? Pense no quê essas</p><p>pessoas acreditam.</p><p>Qual seria o argumento central de Anne? Após definir o argumento, desenvolva-o em um</p><p>parágrafo.</p><p>Infográfico</p><p>O infográfico a seguir apresenta o mapa conceitual dos vários subtemas da Bioética aplicada a</p><p>questões sobre a reprodução humana e o início da vida humana:</p><p>Conteúdo do livro</p><p>No capítulo Bioética: Início da Vida e Reprodução, base teórica desta Unidade de Aprendizagem,</p><p>vamos entender a visão da bioética sobre um tema muito importante: reprodução assistida. A</p><p>reprodução assistida é um compilado de técnicas laboratoriais que tem por objetivo realizar o</p><p>sonho de muitas pessoas que é ter um filho (ou filhos) e que por alguma razão não é possível pelos</p><p>métodos tradicionais.</p><p>A bioética assegura os direitos humanos da mãe e do bebê, além de regulamentar limites legais aos</p><p>processos, como evitar práticas eugenistas, redução de embrião, clonagem humana e outros. Nesse</p><p>capítulo iremos conhecer a visão de muitos setores da sociedade sobre a reprodução humana e</p><p>quando a vida começa sob a perspectiva destes.</p><p>Boa leitura.</p><p>BIOÉTICA</p><p>Identificação interna do documento</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>> Identificar as principais questões da bioética relacionadas ao início da vida</p><p>e à reprodução humana.</p><p>> Reconhecer as diversas implicações relacionadas aos avanços científicos</p><p>no campo da reprodução humana.</p><p>> Relacionar os diferentes posicionamentos éticos dos indivíduos quanto ao</p><p>estabelecimento do início da vida.</p><p>Introdução</p><p>A vida é um emaranhado de células que fazem os tecidos funcionarem de forma</p><p>harmoniosa com os sistemas corporais, como uma engrenagem perfeita que sabe</p><p>exatamente o que fazer sem que nós precisemos pensar (por muitas vezes) para</p><p>que ela funcione. Nós, máquinas perfeitas, manuseamos outras máquinas, como</p><p>carros, eletrodomésticos e elevadores, que nós mesmos construímos para que ter</p><p>conforto e garantir a nossa sobrevivência perante a evolução. De todos os feitos</p><p>do nosso corpo, o mais incrível e fascinante é gerar a vida a partir da junção de</p><p>duas células gaméticas.</p><p>Com a evolução da ciência e da tecnologia, passamos a atender a necessidades</p><p>que, muitas vezes, a biologia natural não atendia. A reprodução humana, embora</p><p>natural, também tem seus limites. Muitas mulheres recorrem à reprodução artificial</p><p>por diversos motivos, como idade avançada, endometriose, alterações morfológi-</p><p>cas do colo ou quando não há sucesso nas tentativas de forma convencional. Essa</p><p>revolução tecnológica proporciona que muitas pessoas realizem seus sonhos de</p><p>Bioética, início da</p><p>vida e reprodução</p><p>Paulyana Moura</p><p>Identificação interna do documento</p><p>procriar e aumentar a família. Com isso, as clínicas de fertilização in vitro são muito</p><p>procuradas. Entre as vantagens dessa forma está a segurança, já que é possível</p><p>evitar várias anomalias congênitas por meio da fertilização feita em laboratórios</p><p>e clínicas de reprodução humana (SOINI et al., 2006). No entanto, ainda que haja</p><p>uma enorme gama de possibilidades, questões de bioética são muito importantes</p><p>para os debates e as práticas médicas que envolvem a reprodução assistida.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar a reprodução e caracterização humana, isto é,</p><p>quando o emaranhado de células passa a ser reconhecido como pessoa, detentor</p><p>de dignidade fundamental. Além disso, vai ver qual é o papel da bioética nesses</p><p>processos e como ela está relacionada à reprodução artificial. Também vai iden-</p><p>tificar as formas biológicas do início da vida, bem como a forma ética desse ser</p><p>inicial. Por fim, vai conhecer técnicas de reprodução artificial.</p><p>Bioética: início da vida e reprodução</p><p>humana</p><p>O termo “bioética” é uma junção das palavras “bio” (do grego “vida”) e “ethik”</p><p>(do grego “modo de ser”) e foi usado pela primeira vez em 1927 pelo teólogo</p><p>alemão Fritz Jahr (RODRIGUES, 2019). O teólogo utilizou esse termo para desig-</p><p>nar uma série de comportamentos e modos de vida que visavam e priorizavam</p><p>o respeito coletivo a todas as formas de vida existentes. Posteriormente,</p><p>durante a década de 1970, o termo ressurgiu na língua inglesa por meio do</p><p>médico oncologista norte-americano Van Ressenlaer Potter, tratando-se de</p><p>um novo campo de estudo que visava a unir os conhecimentos das ciências</p><p>humanas com as outras ciências que já existiam, como matemática, ciências</p><p>médicas, filosofia, entre outras (FIGUEIREDO, 2011). O objetivo era humanizar</p><p>essas áreas do conhecimento, principalmente as áreas médicas, que lidam</p><p>com o ser humano desde sua fundação como ciência, e preservar a vida no</p><p>planeta. Paralelamente, também em 1970, o médico obstetra André Hellegers</p><p>utilizou o termo para qualificar os estudos na área de reprodução humana</p><p>(MATIAS, 2018). Hellegers também criou o Instituto Kennedy de Ética, conhe-</p><p>cido como Joseph P. and Rose F. Kennedy Institute of Ethics (GOLDIM, 2006;</p><p>PELLEGRINO, 1999).</p><p>Bioética, início da vida e reprodução2</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Podemos entender a bioética a partir dos quatro princípios fundamentais</p><p>introduzidos em 1989 por Beauchamp e Childress: beneficência, autonomia,</p><p>justiça e não maleficência. A beneficência é a obrigação ética de maximizar</p><p>o bem e minimizar o prejuízo/mal. Na medicina, é entendida como a neces-</p><p>sidade de o profissional se capacitar, buscar sempre estar atualizado sobre</p><p>novas técnicas, oferecer o máximo de benefícios ao paciente e minimizar os</p><p>prejuízos (SELLI, 1997).</p><p>O princípio da autonomia está intimamente ligado à dignidade do ser.</p><p>A autonomia existe quando a pessoa tem a capacidade de tomar decisões</p><p>por si, quando tem o poder de discernir sobre suas próprias escolhas. Essas</p><p>escolhas devem ser respeitadas e asseguradas por meios legais. Todo e</p><p>qualquer procedimento médico ou científico deve conter a autorização da</p><p>pessoa a que ele se refere, ou seja, o paciente. Em pesquisas científicas que</p><p>necessitem de pessoas como voluntárias, é necessário que estas assinem</p><p>o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que é um documento</p><p>para análise ética. Além disso, é necessário que o projeto de pesquisa passe</p><p>por uma comissão de ética para que possa prosseguir (SELLI, 1997).</p><p>A justiça se refere principalmente ao conceito de equidade. A equidade</p><p>enxerga o indivíduo como único, o que significa que todos são diferentes e,</p><p>portanto, têm necessidades distintas. Todos são iguais perante a lei no que</p><p>se refere ao cumprimento das leis (direitos e deveres), mas, ainda assim, são</p><p>indivíduos singulares com demandas únicas. Em termos médicos, o profissional</p><p>deve ser imparcial quanto a suas próprias convicções, evitando julgamentos</p><p>culturais, sociais, étnicos, religiosos, econômicos ou outros que prejudiquem</p><p>a relação médico-paciente (SELLI, 1997). A Figura 1 traz uma reflexão sobre as</p><p>diferenças entre igualdade, equidade e justiça. A bioética está em constante</p><p>discussão e atualização, observando a necessidade de incluir grupos mais</p><p>vulneráveis em suas pautas, com o intuito de lhes assegurar o direito à vida</p><p>e o acesso à tecnologia e à saúde.</p><p>Bioética, início da vida e reprodução 3</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Figura 1. A igualdade é justa? Observe que a árvore da figura cresceu torta e, portanto, seus</p><p>frutos tendem a nascer mais de um lado do que de outro. Duas pessoas tentam colher os</p><p>frutos, mas somente uma tem a sorte de estar do lado que tem mais frutos. (a) A desigualdade</p><p>permite que apenas uma pessoa consiga pegar o fruto. (b) As ferramentas e oportunidades são</p><p>iguais, mas a árvore ainda tende apenas para um único lado, e só uma pessoa tem benefício.</p><p>(c) As ferramentas e oportunidades estão de acordo com a necessidade de cada um, então</p><p>todos podem se beneficiar. (d) Com algumas madeiras, o sistema (a árvore) é reparado, e as</p><p>oportunidades se tornam iguais, sendo justo usar as mesmas ferramentas nos dois lados,</p><p>já que as oportunidades são as mesmas.</p><p>Fonte: Adaptada de Silva et al. (2021).</p><p>Desigualdade</p><p>Acesso desigual</p><p>a oportunidades.</p><p>Equidade</p><p>Ferramentas</p><p>adaptadas que</p><p>identificam e</p><p>combatem a</p><p>desigualdade.</p><p>Justiça</p><p>Ajustar o</p><p>sistema para</p><p>oferecer acesso</p><p>igual a</p><p>ferramentas</p><p>e assistência.</p><p>Igualdade</p><p>Ferramentas e</p><p>assistência</p><p>igualmente</p><p>distribuídas.</p><p>A B</p><p>C D</p><p>Por fim, a não maleficência vem do grego “primum non nocere”, que sig-</p><p>nifica “primeiro não prejudicar” (SELLI, 1997). El refere-se à ação de não fazer</p><p>o mal. Esse princípio ressalta a importância de o médico priorizar ações</p><p>que busquem minimizar os agravos, causando o menor prejuízo possível ao</p><p>paciente (SELLI, 1997).</p><p>Visões da bioética sobre o início da vida e a</p><p>reprodução humana</p><p>A bioética tem um papel fundamental na reprodução humana: assegurar o</p><p>respeito, o direito e a dignidade a vida. Existem muitas discussões filosóficas</p><p>e morais a respeito de quando se inicia a vida. A bioética discute esse ponto</p><p>a partir de quatro conceitos: visão concepcional, visão evolutiva, visão social</p><p>e visão relacional (KOTTOW, 2005).</p><p>Bioética, início da vida e reprodução4</p><p>Identificação interna do documento</p><p>A visão concepcional traz uma perspectiva de que a vida se inicia no mo-</p><p>mento em que duas células gaméticas (oócito + espermatozoide) se fundem</p><p>(fecundação). Esse processo é chamado de singamia. Nessa visão, a partir da</p><p>singamia são iniciados os processos de recombinação genética e a evolução</p><p>de um novo ser humano. Esse conceito não considera as células gaméticas</p><p>como seres humanos, pois não há um genoma propriamente dito estabelecido</p><p>(KOTTOW, 2005).</p><p>A visão evolutiva é o conceito mais aceito na comunidade científica</p><p>atualmente. Nessa visão, a vida humana se inicia durante o processo de</p><p>desenvolvimento e maturação do feto. Um dos argumentos cientificamente</p><p>aceitos e comprovados que contrapõe a visão concepcional é que o embrião</p><p>se implanta no endométrio apenas no 14º dia de gestação (segunda semana),</p><p>se afirmando com maiores probabilidades de viabilidade fetal. Nessa semana</p><p>também é iniciada a formação da placenta (KOTTOW, 2005).</p><p>A visão social indica o construtivismo social, base filosófica que diz que</p><p>a essência do ser humano e seus atributos não são dados naturalmente,</p><p>mas construídos com as interações sociais e culturais. Nessa visão, toda</p><p>a matéria que antecede a consciência não é considerada um ser humano,</p><p>mas uma matriz dispositiva. Com isso, esse conceito traz a visão de que as</p><p>células-tronco não são indivíduos humanos, já que são apenas células com</p><p>alta capacidade de diferenciação (células totipotentes), isto é, sem status</p><p>moral próprio (KOTTOW, 2005).</p><p>A visão relacional é o conceito que tem a maior vigência social. Nessa</p><p>visão, o senso comum é quem guia as concepções do início da vida, trazendo</p><p>reflexões sobre as decisões que os indivíduos podem tomar em relação a</p><p>essas concepções. A visão relacional discute bastante temas polêmicos, como</p><p>o aborto (KOTTOW, 2005).</p><p>Para a perspectiva relacional, o reconhecimento de um novo ser enraíza-se menos</p><p>nas características ontológicas que ele possua do que no estabelecimento de</p><p>uma relação com ele. O apoio acadêmico a essa postura ainda é escasso, por mais</p><p>generalizadamente que a sociologia o detecte (KOTTOW, 2005, p. 27).</p><p>Ao longo dos anos, a sociedade evolui e, junto dela, todos os aspectos</p><p>que a compõem também buscam se ajustar às novas necessidades</p><p>das pessoas. Com o passar do tempo e com o avanço da ciência, conseguimos</p><p>entender melhor situações que antes não tinham tanta profundidade filosófica.</p><p>Por exemplo, a homossexualidade já foi considerada doença pela medicina,</p><p>mas hoje entende-se que é uma característica natural do ser humano, presente</p><p>Bioética, início da vida e reprodução 5</p><p>Identificação interna do documento</p><p>em quase todos os animais, a ponto de rejeitarmos posicionamentos que se</p><p>coloquem contra a liberdade sexual das pessoas (p. ex., a legislação ajuda no</p><p>combate a crimes de homofobia). O código de ética médica também evolui e já</p><p>passou por várias mudanças significativas ao longo dos anos, acompanhando as</p><p>necessidades e demandas da sociedade. O primeiro Código de Moral Médica do</p><p>Brasil foi aplicado em 1929 e aprovado pelo VI Congresso Médico Latino-Americano</p><p>(CÓDIGO de Moral Médica, 1929). Nele, encontramos alguns preceitos que chamam</p><p>a atenção pela diferença dos conceitos de bioética que entendemos hoje, como:</p><p>O médico guardará o mais absoluto segredo se chegar a comprovar uma moléstia</p><p>venérea em uma mulher casada. Não somente se absterá de torná-la conhecedora</p><p>da natureza da moléstia como também evitará que sobre o marido recaia a suspeita</p><p>de ser o autor do contágio. Consequentemente não dará nenhum atestado nem</p><p>fará relato algum sobre isto, embora o marido dê o seu consentimento (CÓDIGO</p><p>de Moral Médica, 1929, documento on-line).</p><p>Hoje entendemos que a mulher, na condição de paciente, precisa ser infor-</p><p>mada sobre sua condição de saúde, independentemente de ter um cônjuge ou</p><p>não. É importante compreender que, em uma situação de investigação médica,</p><p>é necessário falar sobre os parceiros sexuais, a fim de identificar por que a</p><p>paciente pode estar apresentando certos sintomas. Também é necessário ter</p><p>esse tipo de diálogo para poder fornecer um melhor aconselhamento médico,</p><p>entendendo o histórico da paciente. A sociedade evoluiu a ponto de a leitura de</p><p>alguns preceitos antigos nos causar estranhamento. Isso é algo positivo, pois</p><p>significa que estamos avançando em relação ao respeito aos direitos humanos.</p><p>Nesta seção, vimos diversas correntes de pensamento sobre a reprodução</p><p>humana, concepções sobre o início da vida e como a bioética é importante</p><p>nesses debates. Na próxima seção, vamos estudar os avanços tecnológicos</p><p>e científicos sobre a reprodução humana e suas técnicas.</p><p>Avanços científicos na reprodução humana</p><p>Em 1978, nasceu o primeiro bebê gerado por meio da técnica de fertilização</p><p>in vitro (FIV), na Inglaterra (PEDROSO et al., 2018). A partir desse fato, surgiram</p><p>diversos questionamentos e debates a nível mundial sobre a origem genética</p><p>desses seres humanos. Em 1981, na Austrália, nasceu Zoe, o primeiro bebê a</p><p>partir da criopreservação de embrião. Em 1984, no Brasil, foi gerado o primeiro</p><p>bebê por reprodução assistida, a menina Anna Paula Caldeira, trazendo dis-</p><p>cussões para a área médica brasileira. Essas discussões buscavam entender</p><p>os aspectos éticos da manipulação das células gaméticas e, posteriormente,</p><p>da vida desses seres que seriam gerados. Em 1992, o Conselho Federal de</p><p>Medicina brasileiro instituiu a Resolução CFM n° 1.358/92, com normas éticas</p><p>que permitiam a utilização de técnicas de reprodução assistida (CFM, [2010];</p><p>PEDROSO et al., 2018).</p><p>Bioética, início da vida e reprodução6</p><p>Identificação interna do documento</p><p>O determinismo biológico da reprodução</p><p>e a satisfação do casal com a chegada de</p><p>um filho justificam plenamente a utilização das técnicas de reprodução assistida.</p><p>A procura do casal em corrigir uma imperfeição da natureza encontra na ciência</p><p>a solução dos seus problemas. É justo negar esse direito ao Homem? (PEDROSA</p><p>NETO; FRANCO JÚNIOR, 1998, p. 113).</p><p>A Resolução de 1992 trouxe aspectos éticos importantes que significaram</p><p>um grande avanço no conhecimento científico em relação à ética médica</p><p>(CFM, [2010]); veja a seguir.</p><p>� O consentimento informado, em que a paciente declara estar ciente</p><p>dos procedimentos e consente positivamente (ou não) para o que será</p><p>feito. Toda intervenção médica necessita do consentimento do paciente.</p><p>� A doação de células gaméticas (espermatozoides e oócitos), pré-</p><p>-embriões e embriões.</p><p>� A seleção de embriões mais viáveis e saudáveis. Essa medida busca</p><p>selecionar embriões que não tenham doenças genéticas graves ou</p><p>problemas associados, algo que a forma natural de reprodução não</p><p>permite.</p><p>� A criopreservação, que é o congelamento de embriões ou de células</p><p>gaméticas. A resolução também possibilitou o avanço em pesquisas</p><p>relacionadas a esse tema.</p><p>� A maternidade substitutiva, conhecida como barriga de aluguel, sob</p><p>o consentimento da gestante.</p><p>As técnicas de reprodução humana assistida detêm muitas possibilidades</p><p>que a diferenciam da reprodução natural, mas é necessário compreender quais</p><p>são seus limites e como a ética em reprodução é necessária para definir o</p><p>que é correto ou não. A seleção de sexo ou outras características biológicas</p><p>do bebê fazem parte desse limite, não sendo atitudes consideradas éticas. A</p><p>fecundação de oócitos sem o propósito de procriação e o descarte de embriões</p><p>criopreservados também são práticas proibidas no exercício da função, sendo</p><p>passíveis de punição, caso haja má conduta profissional (REZENDE, 2022).</p><p>A Resolução CFM nº 2.294/2021 (CFM, 2021) trouxe várias atualizações para</p><p>a Resolução de 1992 anterior. Ainda que a nova resolução tenha trazido pontos</p><p>mais sofisticados e importantes para as novas necessidades que surgiram ao</p><p>longo dos anos, alguns pontos continuaram com as mesmas normas éticas,</p><p>como indicar que a utilização das técnicas de reprodução assistida sejam</p><p>realizadas apenas quando não existem riscos à mãe e/ou ao bebê, quando</p><p>há a probabilidade de sucesso gestacional e quando a futura gestante tem</p><p>Bioética, início da vida e reprodução 7</p><p>Identificação interna do documento</p><p>menos de 50 anos (BIANCHI, 2021). O documento do TCLE também é de ex-</p><p>trema importância e indispensável para todo e qualquer procedimento de</p><p>reprodução assistida. A nova resolução continuou proibindo manipulações</p><p>que tenham como objetivo a redução embrionária nos casos de gravidez</p><p>múltipla, além da escolha de características biológicas ou do sexo do bebê,</p><p>como mencionado (CFM, 2022; GONÇALVES, 2022).</p><p>Essa nova resolução permitiu que casais homoafetivos e transgêneros</p><p>tenham seus direitos reprodutivos assegurados. Nos casos de casais formados</p><p>por duas mulheres, por exemplo, a gestação compartilhada é sugerida, em</p><p>que uma submete seu oócito à fecundação, e ele posteriormente é transferido</p><p>para o útero de sua parceira. Por enquanto, ainda há a utilização de material</p><p>biológico anônimo de origem masculina, mas existem expectativas de que,</p><p>em breve, esse procedimento vai utilizar apenas os dois gametas das duas</p><p>mães ou dos dois pais (LUNA, 2005; NAYERNIA et al., 2009). Para os casos</p><p>post-mortem, quando um dos genitores é falecido, a reprodução assistida</p><p>só é permitida se o ente falecido deixou a autorização para o procedimento</p><p>documentada e se o seu material biológico estiver criopreservado (CFM, 2022).</p><p>Técnicas de reprodução artificial</p><p>As técnicas de manipulação em reprodução humana surgiram por volta do</p><p>século XVIII, em um experimento que um médico realizava em um casal tido</p><p>como estéril. Nesse experimento, o médico fez uma transferência manual do</p><p>sêmen de um homem para a vagina de sua esposa. O sucesso reprodutivo</p><p>desse procedimento abriu precedentes para uma das maiores revoluções</p><p>biotecnológicas: a inseminação artificial (MOURA; SOUZA; SCHEFFER, 2009).</p><p>Em 1978, o mundo testemunhava o nascimento de Louise Brown, conhecida</p><p>como bebê de proveta, e esse grande feito para a ciência dividiu opiniões. As</p><p>técnicas de reprodução assistida (TRA) mudaram juntamente com a opinião</p><p>pública, e o que antes era visto como “brincar de ser Deus” hoje traz esperança</p><p>para muitos casais que sonham com uma família (CESARINO, 2007).</p><p>A infertilidade é uma das razões para que famílias recorram aos procedi-</p><p>mentos de reprodução humana. Casais que tentam conceber filhos há mais</p><p>de um ano consecutivamente sem sucesso, mesmo com a mulher em idade</p><p>reprodutiva, são considerados casos de infertilidade para a Organização</p><p>Mundial da Saúde (OMS) (AMARAL et al., 2022). Existem tratamentos e formas</p><p>de investigar a razão da infertilidade, mas em alguns casos a reprodução</p><p>assistida é a saída para esse impasse. A idade avançada dos genitores também</p><p>é uma das razões pelas quais casais procuram técnicas de reprodução para</p><p>Bioética, início da vida e reprodução8</p><p>Identificação interna do documento</p><p>terem seus descendentes. A idade parental avançada é um fator de risco para</p><p>muitas desordens genéticas, fazendo com que a reprodução assistida seja</p><p>a forma mais segura de reprodução, com menos riscos ao bebê (AMARAL et</p><p>al., 2022; CFM, 2022).</p><p>Inicialmente, vamos entender a diferença entre cada técnica, quando cada</p><p>uma é mais indicada e a cronologia delas. A inseminação artificial é a técnica</p><p>mais antiga e mais simples. Nela, a fecundação ocorre dentro do corpo da</p><p>mulher. Ela pode ser homóloga ou heteróloga. Na inseminação homóloga, o</p><p>casal participa da inseminação com seus próprios gametas; na heteróloga,</p><p>um dos gametas provém de doação biológica anônima (AMARAL et al., 2022;</p><p>SOUZA; ALVES, 2016).</p><p>A reprodução assistida é um agrupado de técnicas laboratoriais mais mo-</p><p>dernas que tem como finalidade a reprodução humana de quem, por alguma</p><p>razão, tem dificuldades de alcançar uma gestação de maneira natural. Nesse</p><p>caso, a fecundação ocorre fora do corpo da mulher; ou seja, é a fertilização</p><p>in vitro. Essas técnicas são: a transferência intratubária de gametas (GIFT); a</p><p>transferência por via vaginal de embrião já formado (TV-TEST); a fertilização</p><p>in vitro com inoculação do espermatozoide no interior do oócito, seguida pela</p><p>transferência do pré-embrião via vaginal (ICSI), quando o espermatozoide é</p><p>colocado diretamente na vagina na altura da tuba uterina (IAIU); e técnicas</p><p>complementares, como criopreservação de embriões, doação de material</p><p>genético, doação temporária de útero (barriga de aluguel), clonagem repro-</p><p>dutiva, diagnóstico genético pré-implantacional (PGD), entre outras (SOUZA;</p><p>ALVES, 2016).</p><p>A criopreservação de embriões consiste no congelamento dos gametas</p><p>(células meióticas) e embriões (células já fecundadas). Essa técnica é impor-</p><p>tante, pois evita que a mulher passe por sucessivas aspirações foliculares.</p><p>Já a doação de material biológico (gametas ou embriões) ocorre quando o</p><p>paciente tem baixa qualidade, ausência ou problemas genéticos relacionados</p><p>aos gametas ou ao embrião dos pais. Existem muitas discussões sobre esse</p><p>ponto, já que o doador pode ser conhecido (membros da família, amigos,</p><p>etc.) ou desconhecido. Em caso de doador desconhecido, é necessário que o</p><p>anonimato seja respeitado e garantido por lei, além de não poder ter caráter</p><p>comercial (SOUZA; ALVES, 2016).</p><p>A doação temporária de útero, ou gestação de substituição, popularmente</p><p>conhecida como barriga de aluguel, ocorre quando a mulher é impedida de</p><p>gestar (p. ex., mulheres sem útero ou que tenham condições desfavoráveis</p><p>à gestação). Nesse caso, o útero deve ser de uma mulher da própria família</p><p>até o quarto grau familiar (AMARAL et al., 2022). Essa técnica é muito utili-</p><p>Bioética, início da vida e reprodução 9</p><p>Identificação interna do documento</p><p>zada por casais homoafetivos</p><p>ou pessoas solteiras. Assim como a doação</p><p>de material biológico, a doação temporária de útero não pode ter caráter</p><p>lucrativo, ou seja, a pessoa não pode vender o útero (AMARAL et al., 2022;</p><p>CFM, 2021; FREITAS; KRUSE, 2019).</p><p>A clonagem reprodutiva tem como objetivo duplicar um indivíduo já exis-</p><p>tente. Nessa técnica, usa-se a transferência de núcleo, que é a remoção do</p><p>núcleo de um oócito seguida pela substituição desse núcleo por um núcleo</p><p>de uma célula somática. Posteriormente, há uma diferenciação celular, a</p><p>formação de blastocisto e a implantação na cavidade uterina. A clonagem</p><p>reprodutiva em humanos é proibida, sendo utilizada somente a clonagem</p><p>terapêutica, que forma células-tronco (de alto poder de diferenciação) com</p><p>o objetivo de tratar doenças que necessitam de transplante, entre outras</p><p>(AMARAL et al., 2022; FREITAS et al., 2007).</p><p>Por fim, o diagnóstico genético pré-implantacional permite o estudo</p><p>genético do embrião para verificar se há alterações cromossômicas antes</p><p>da implantação no útero. Esse método é importante para evitar que o bebê</p><p>nasça com alterações ou anomalias genéticas. Esse método é possível e foi</p><p>eticamente aceito pela Resolução de 2021 (AMARAL et al., 2022; CFM, 2021).</p><p>A fecundação é o processo em que um único espermatozoide funde-se</p><p>a um oócito. O espermatozoide é um gameta masculino, enquanto o</p><p>oócito é um gameta feminino. Então, para muitos casais homoafetivos, ter des-</p><p>cendentes de sua própria linhagem sempre foi uma questão bastante debatida,</p><p>o que levou muitos a optarem por processos como adoção, barriga de aluguel</p><p>ou até mesmo fertilização in vitro com o material genético de um dos parceiros.</p><p>Com a evolução das técnicas e dos conceitos aceitos e atualizados pelo código</p><p>de ética médica, hoje casais formados por mulheres podem realizar a gestação</p><p>compartilhada, que consiste na implantação do óvulo fecundado de uma no útero</p><p>da outra. As pesquisas seguem avançando, e um grupo de cientistas desenvolveu</p><p>uma técnica que produz espermatozoides em laboratórios a partir de uma célula</p><p>feminina, o chamado “espermatozoide feminino”. Com isso, futuramente, casais</p><p>formados por mulheres poderão ter seus filhos sem precisar de um doador</p><p>masculino. Outro estudo desenvolvido no Brasil busca desenvolver oócitos e</p><p>espermatozoides a partir de uma cultura de células-tronco encontrada na pele.</p><p>Com isso, casais homoafetivos formados por homens também poderão ter filhos</p><p>de sua própria descendência, mas ainda será necessário ter uma gestação de</p><p>substituição (barriga de aluguel) para que o embrião possa se desenvolver.</p><p>Essas técnicas ainda estão sendo estudadas (LUNA, 2005; NAYERNIA et al., 2009;</p><p>SANTOS; SILVA, 2019).</p><p>Nesta seção, estudamos as técnicas de reprodução assistida, quando</p><p>elas são solicitadas e o que o código de ética médica permite ou não fazer.</p><p>Bioética, início da vida e reprodução10</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Na próxima seção, vamos ver os diferentes posicionamentos éticos sobre a</p><p>vida, pela perspectiva de vários setores e pela visão da ciência.</p><p>Diferentes posicionamentos éticos sobre o</p><p>início da vida</p><p>Como já mencionado, a reprodução humana tem como objetivo a geração de</p><p>indivíduos por meio de técnicas laboratoriais e médicas. Essas técnicas foram</p><p>aperfeiçoadas durante muitos anos, e o que contribuiu com esse avanço foi</p><p>a aplicação de uma série de conceitos éticos que asseguram o direito à vida</p><p>aos indivíduos. Todo esse avanço tecnológico passou por vários anos sob o</p><p>olhar de várias instituições da sociedade que discutiam (e ainda discutem)</p><p>questões éticas e morais dos procedimentos. Essas discussões são necessárias</p><p>e saudáveis para a evolução do pensamento científico e moral. A ciência e a</p><p>religião são áreas que trazem visões bem claras dos seus discursos e do que</p><p>defendem quando o assunto é sobre quando a vida começa.</p><p>A palavra “vida” provém do latim “vita” e tem o significado de existência</p><p>(ARANTES; FLORÊNCIO, 2021). Embora não exista uma definição que agregue</p><p>todo o sentido de existência, muitos campos da sociedade trazem suas inter-</p><p>pretações sobre o que é a vida, a fim de guiar seus iguais aos comportamentos</p><p>morais e culturais de um povo. Algumas interpretações, como a das religiões</p><p>cristãs, sugerem que a vida começa durante a fecundação celular. Por isso,</p><p>esses religiosos são contrários ao aborto, já que acreditam que não existe um</p><p>período em que essa prática não tire uma vida. Afinal, “não matarás” faz parte</p><p>dos mandamentos que regem a religião cristã (BERENCHTEIN NETTO, 2007).</p><p>Também existem interpretações mais voltadas à fisiologia do embrião</p><p>ou feto, como as que indicam que a vida inicia com o início dos batimentos</p><p>cardíacos, que ocorrem por volta da terceira ou da quarta semana de gestação</p><p>(LUNA, 2007). O entendimento encefálico considera que a vida inicia quando</p><p>começa a atividade do tronco cerebral, o que se dá por volta da oitava semana</p><p>de desenvolvimento embrionário. Já o entendimento neocortical propõe que o</p><p>início da vida se dá por volta da 12ª semana de desenvolvimento embrionário,</p><p>quando é iniciada a atividade neocortical (MICHELS, 2010).</p><p>Algumas correntes de pensamento acreditam que a vida se inicia na 20ª se-</p><p>mana de desenvolvimento embrionário, pois é quando iniciam os movimentos</p><p>respiratórios. Outra corrente de pensamento, a da autoconsciência, acredita</p><p>que a vida se inicia na 28ª semana, quando feto inicia o ritmo neocortical de</p><p>sono-vigília, contrapondo a visão “ser moral” de Michel Tooley, que acredita</p><p>Bioética, início da vida e reprodução 11</p><p>Identificação interna do documento</p><p>que o início da vida se dá por volta do 18º ao 24º mês após o parto (dois anos</p><p>de vida), quando iniciam as linguagens para comunicar vontades (MICHELS,</p><p>2010). Por mais que esses diferentes pensamentos possam nos causar estra-</p><p>nheza, vale lembrar que cada cultura tem sua construção.</p><p>A proibição absoluta do aborto em qualquer estágio de desenvolvimento</p><p>pela Igreja Católica só veio em 1869, sendo decretada pelo Papa Pio IX. Com</p><p>isso, abriram-se precedentes que proíbem o uso de contraceptivos não na-</p><p>turais pelos cristãos católicos até hoje. O aborto é proibido aos cristãos pela</p><p>Igreja Católica em qualquer situação, até mesmo em casos de estupro ou</p><p>risco de morte à gestante (KOTTOW, 2005).</p><p>A ontogenia propõe a lei ontogenética, que consiste em comparar o desen-</p><p>volvimento embrionário com as etapas da evolução. O zoólogo Ernest Haeckel</p><p>definiu a ontogênese no final do século XIX como "A ontogenia recapitula a</p><p>filogenia" (GALERA, 2000).</p><p>Na ontogênese humana, o homem que se forma através de uma série de fases,</p><p>das quais a precedente é sempre premissa para a que se segue, é um homem</p><p>determinado, que se forma através de um programa genoma, que é um projeto no</p><p>qual a ontogênese é ativamente controlada (SERRA, 1987, p. 96-97).</p><p>A ciência, em seus diferentes âmbitos, propõe o início da vida com base</p><p>em dados de estudos científicos sob diferentes perspectivas; veja a seguir</p><p>(BARCHIFONTAINE, 2010).</p><p>1. Visão genética: a vida de um novo ser humano começa a partir da</p><p>fertilização.</p><p>2. Visão embriológica: a vida começa a partir da terceira semana de</p><p>gravidez.</p><p>3. Visão neurológica: a vida começa quando o feto apresenta atividade</p><p>cerebral.</p><p>4. Visão ecológica: a vida começa quando o feto tem a capacidade de</p><p>sobreviver fora do útero.</p><p>5. Visão metabólica: uma célula metabolicamente viável já é uma vida,</p><p>ou seja, não tem um início determinado.</p><p>Bioética, início da vida e reprodução12</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Diferentes religiões e culturas também trazem suas visões quanto ao</p><p>início da vida, com base em seus dogmas, livros e fé. A seguir, veja alguns</p><p>exemplos (BARCHIFONTAINE, 2010).</p><p>1. Catolicismo: a vida começa na concepção.</p><p>2. Judaísmo: a vida começa apenas no 40º dia.</p><p>3. Islamismo: a vida começa no 120º dia após a fecundação.</p><p>4. Budismo: a vida é um processo que não tem começo nem fim, ou seja,</p><p>é contínuo e ininterrupto.</p><p>5. Hinduísmo: a vida começa na fecundação e é</p><p>o momento em que a</p><p>alma e a matéria se unem.</p><p>A Figura 2 mostra como se dá o desenvolvimento embrionário, e a legenda</p><p>indica o momento em que cada visão acredita ser o início da vida.</p><p>Figura 2. Fases do desenvolvimento embrionário humano. Segundo o catolicismo, o hinduísmo</p><p>e as visões metabólica e genética, a vida começa na fase 1. De acordo com a visão embrio-</p><p>lógica, começa na fase 3. O judaísmo acredita que a vida se inicia na fase 5. Por outro lado,</p><p>a visão neurológica aponta o inicio da vida na fase 8. Para o islamismo, a vida começa na</p><p>fase 16. Na visão ecológica, ela inicia nas fases de 20 a 36. O budismo, por sua vez, acredita</p><p>que a vida é ininterrupta.</p><p>Fonte: Needlman (2002, p. 29).</p><p>Período embrionário (em semanas)</p><p>Período de zigoto em</p><p>divisão, implantação</p><p>e embrião bilaminar</p><p>Geralmente não</p><p>susceptível a</p><p>teratógenos</p><p>Morte pré-natal Principais anormalidades morfológicas Defeitos fisiológicos e pequenas</p><p>anormalidades morfológicas</p><p>S.N.C.</p><p>Olho Olho Orelha</p><p>Indica local comum de ação do teratógeno</p><p>Orelha</p><p>Cérebro</p><p>Genitália externa</p><p>Sistema nervoso central</p><p>Coração</p><p>Membros</p><p>superiores</p><p>Membros</p><p>inferiores</p><p>Olhos</p><p>Dentes</p><p>Genitália externa</p><p>Orelha</p><p>Palato</p><p>Palato</p><p>Dentes</p><p>Coração</p><p>Braço</p><p>Perna</p><p>Coração</p><p>1 2 3 4 5 6 7 8 9 16 20-36 38</p><p>Período fetal (em semanas) Termo</p><p>Bioética, início da vida e reprodução 13</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Neste capítulo, vimos que a reprodução assistida é um compilado de</p><p>técnicas laboratoriais que ajudam pessoas a realizarem seus desejos de</p><p>terem filhos. Também conhecemos as técnicas de reprodução assistida e</p><p>como elas se atualizaram ao longo dos anos. Além disso, discutimos sobre</p><p>a reprodução artificial sob a visão da ética pela perspectiva de diversos</p><p>setores da sociedade. Por fim, vimos o papel da bioética nesses processos e</p><p>identificamos como essas discussões são importantes para que possamos</p><p>construir um mundo melhor e mais justo para todos.</p><p>Referências</p><p>AMARAL, W. N. et al. Ética em reprodução assistida. In: SILVA, A. N. et al. (org.). Ética</p><p>em ginecologia e obstetrícia. Brasília: Conselho Regional de Medicina do Estado de</p><p>Goiás, 2022. p. 99-108.</p><p>ARANTES, T. T.; FLORÊNCIO, F. A. Thomas More e os epigramas latinos: um estudo de</p><p>tradução. Principia, n. 42, 2021.</p><p>BARCHIFONTAINE, C. P. Bioética no início da vida. Revista Pistis & Praxis, v. 2, n. 1, p.</p><p>41-55, 2010.</p><p>BERENCHTEIN NETTO, N. Suicídio: uma análise psicossocial a partir do materialismo</p><p>histórico-dialético. 2007. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – Pontifícia</p><p>Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007.</p><p>BIANCHI, B. H. M. O princípio do sigilo do doador do material genético: conflito com o</p><p>princípio da origem genética. São Paulo: Dialética, 2021.</p><p>CESARINO, L. N. Nas fronteiras do "humano": os debates britânico e brasileiro sobre</p><p>a pesquisa com embriões. Mana, v. 13, n. 2, p. 347-380, 2007.</p><p>CÓDIGO de Moral Médica. Boletim do Syndicato Medico Brasileiro, n. 8, p. 114-123,</p><p>ago. 1929. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/wp-content/uploads/2020/09/</p><p>codigomoralmedica1929.pdf. Acesso em: 1 mar. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM nº 1.358/1992. Adota as normas</p><p>éticas para a utilização das técnicas de reprodução... Brasília: CFM, [2010]. Disponível</p><p>em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/1992/1358. Acesso</p><p>em: 1 mar. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM nº 2.294, de 27 de maio de 2021.</p><p>Diário Oficial da União: seção 1, n. 110, p. 60, 15 jun. 2021. Disponível em: https://www.</p><p>in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cfm-n-2.294-de-27-de-maio-de-2021-325671317.</p><p>Acesso em: 1 mar. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM nº 2.320/2022. Diário Oficial da</p><p>União: seção 1, p. 107, 20 set. 2022. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/</p><p>visualizar/resolucoes/BR/2022/2320. Acesso em: 1 mar. 2023.</p><p>FIGUEIREDO, A. M. O ensino da bioética na pós-graduação stricto sensu, na área de</p><p>Ciências da Saúde no Brasil. Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG), v. 8, n. 15,</p><p>p. 139-161, 2011.</p><p>FREITAS, K. R.; KRUSE, M. H. L. Gestação de substituição: a família nos discursos da</p><p>mídia escrita brasileira. Texto & Contexto – Enfermagem, v. 28, p. 1-15, 2019.</p><p>Bioética, início da vida e reprodução14</p><p>Identificação interna do documento</p><p>FREITAS, R. T. et al. Aspectos científicos e sociais da clonagem reprodutiva e terapêutica.</p><p>Revista Eletrônica F@pciência, v. 1, n. 1, p. 41-49, 2007.</p><p>GALERA, A. Presentación: historias de la evolución. Asclepio, v. 52, n. 2, p. 1-2, 2000.</p><p>GOLDIM, J. R. Bioética: origens e complexidade. Revista do Hospital de Clínicas de Porto</p><p>Alegre (HCPA), v. 26, n. 2, p. 86-92, 2006.</p><p>GONÇALVES, D. Reprodução humana assistida e seus impactos na família contempo-</p><p>rânea. Revista Direito & Consciência, v. 1, n. 1, p. 177-190, 2022.</p><p>KOTTOW, M. A bioética do início da vida. In: BRAZ, M.; SCHRAMM, F. R. (org.). Bioética</p><p>e saúde: novos tempos para mulheres e crianças? Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ,</p><p>2005. p. 19-38.</p><p>LUNA, N. A personalização do embrião humano: da transcendência na biologia. Mana,</p><p>v. 13, n. 2, p. 411-440, 2007.</p><p>LUNA, N. Natureza humana criada em laboratório: biologização e genetização do pa-</p><p>rentesco nas novas tecnologias reprodutivas. História, Ciências, Saúde – Manguinhos,</p><p>v. 12, n. 2, p. 395-417, 2005.</p><p>MATIAS, E. A. Reprodução humana assistida e adoção infantil no Brasil: uma análise</p><p>das ações do Estado na perspectiva da bioética crítica. 2018. Dissertação (Mestrado</p><p>em Bioética) – Universidade de Brasília, Brasília, 2018.</p><p>MICHELS, S. V. R. O descarte de embriões em face dos direitos da personalidade. Revista</p><p>Esmat, v. 2, n. 2, p. 167-188, 2010.</p><p>MOURA, M. D.; SOUZA, M. C. B.; SCHEFFER, B. B. Reprodução assistida: um pouco de</p><p>história. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH), v. 12, n. 2, p.</p><p>23-42, 2009.</p><p>NAYERNIA, K. et al. Retraction – in vitro derivation of human sperm from embryonic</p><p>stem cells. Stem Cells and Development, 7 July 2009.</p><p>NEEDLMAN, R. D. Crescimento e Desenvolvimento. In: BEHRMAN, R. E.; KLIEGMAN, R. M.;</p><p>JENSON, H. B. (org.). Nelson – Tratado de Pediatria. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2002. p. 28-31.</p><p>PEDROSA NETO, A. H.; FRANCO JÚNIOR, J. G. Reprodução assistida. In: COSTA, S. I. F.;</p><p>GARRAFA, V.; OSELKA, G. (org.). Iniciação à bioética. Brasília: Conselho Federal de</p><p>Medicina, 1998. p. 111-124.</p><p>PEDROSO, B. et al. Discussão bioética sobre reprodução humana assistida no Brasil:</p><p>revisão sistemática da literatura. Revista Brasileira de Bioética (RBB), v. 14, p. 1-10, 2018.</p><p>PELLEGRINO, E. D. The origins and evolution of bioethics: some personal reflections.</p><p>Kennedy Institute of Ethics Journal, v. 9, n. 1, p. 73-88, 1999.</p><p>REZENDE, C. N. D. V. Seleção de pré-embriões humanos: desafios jurídicos e bioéticos.</p><p>São Paulo: Dialética, 2022.</p><p>RODRIGUES, K. A. I. Saberes, fazeres, reflexões críticas e complexidades: um panorama</p><p>sobre ensino e produtividade em matéria de bioética em nível stricto sensu no Brasil</p><p>(2014-2018). 2019. Dissertação (Mestrado em Ensino) – Universidade Federal Fluminense,</p><p>Santo Antônio de Pádua, 2019.</p><p>SANTOS, S. P.; SILVA, E. P. Q. Ensino de biologia e transsexualidade. Ensino em Revista,</p><p>v. 26, n. 1, p. 147-172, 2019.</p><p>Bioética, início da vida e reprodução 15</p><p>Identificação interna do documento</p><p>SELLI, L. Beneficência, autonomia e justiça como princípios bioéticos: implicações para</p><p>o fazer de enfermagem. 1997. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade</p><p>Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1997.</p><p>SERRA, A. Quando comincia un essere umano. In margine de um recente documento.</p><p>In: SGRECCIA, E. (org.). Il dono dela vita. Milano: Vita e Pensiero, 1987. p. 91-106.</p><p>SILVA, C. R. et al. Programa de formação em sustentabilidade e equidade de gênero:</p><p>relato de uma experiência formativa. São Paulo: Centro de Estudos em Sustentabili-</p><p>dade/FGV-EAESP, 2021.</p><p>SOINI, S. et al. The interface between assisted reproductive technologies and genetics:</p><p>technical, social, ethical and legal issues. European Journal of Human Genetics, v. 14,</p><p>n. 5, p. 588-645, 2006.</p><p>SOUZA, K. K. P. C.; ALVES, O. F. As principais técnicas de reprodução humana assistida.</p><p>Saúde & Ciência em Ação, v. 2, n. 1, p. 26-37, 2016.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DINIZ, D.; GUILHEM, D. O que é bioética. São Paulo: Brasiliense, 2017.</p><p>DURAND, G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. São Paulo:</p><p>Loyola, 2003.</p><p>SANCHES, M. A. Reprodução assistida e bioética metaparentalidade. São Paulo: Editora</p><p>Ave-Maria, 2013.</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos</p><p>testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da</p><p>publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas</p><p>páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores</p><p>declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou</p><p>integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Bioética, início da vida e reprodução16</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Identificação interna do documento</p><p>Nome do arquivo:</p><p>C06BioeticainiciovidareproducaoFINAL_202304171811034867237.pdf</p><p>Data de vinculação à solicitação: 17/04/2023 18:11</p><p>Aplicativo: 629355</p><p>Dica do professor</p><p>No vídeo da Dica do professor a seguir você encontra um panorama sobre os aspetos bioéticos</p><p>envolvidos nas várias demandas da reprodução humana.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/b22d5a7077e5d2169ece309033bf349c</p><p>Exercícios</p><p>1) O moralista cristão Marciano Vidal apresenta como argumento desfavorável ao aborto o</p><p>paradigma da alteridade, isto é, o feto no ventre materno possui o mesmo status moral que</p><p>um outro ser humano vivo. Como um ser vivo e em desenvolvimento, o feto não se</p><p>confunde nem com uma parte dos órgãos e tecidos de sua mãe, nem como um apanhado de</p><p>células advindas de seu pai. Ele é um alter (outro) em relação aos seus genitores e, devido à</p><p>sua vulnerabilidade, requer cuidado e proteção. O moralista enfatiza ainda que o feto é um</p><p>outro, mas um outro de nós mesmos e não de outra espécie qualquer. Analisando esta</p><p>descrição sobre a questão da alteridade e o status moral do feto, podemos afirmar que o</p><p>argumento de Vidal:</p><p>A) Dificilmente será aceito em debates éticos, apenas porque se baseia em um argumento</p><p>estritamente religioso.</p><p>B) Não pode ser aceito em discussões jurídicas dentro de um Estado que é laico, pois tem</p><p>embasamento teológico.</p><p>C) Deve ser aceito em qualquer debate porque consegue responder totalmente à problemática</p><p>envolvendo o aborto.</p><p>D) Quando aceito, implica que eticamente o feto passa a ser visto como um indivíduo pelos</p><p>quais outros indivíduos devem responsabilizar-se.</p><p>E) Quando aceito, fere os direitos da mulher em decidir sobre o seu próprio corpo,</p><p>demonstrando que a alteridade retira-nos a liberdade.</p><p>2) Ao longo da história, diversos povos eliminaram seus recém-nascidos com algum tipo de</p><p>deficiência ou má-formação congênita. Já no último século, as propostas políticas de</p><p>“higiene e profilaxia social”, como as da Alemanha Nazista comandada por Adolf Hitler,</p><p>tentaram extinguir tudo aquilo que consideravam uma inferioridade da raça humana,</p><p>valorizando ou selecionando apenas os traços biológicos e hereditários considerados</p><p>superiores. Tal política de eugenia por parte dos nazistas se concretizou, ao menos em parte,</p><p>como o terrível holocausto, ocorrido dentro e fora dos campos de concentração. Na</p><p>atualidade, a ciência genética segue com as pesquisas de melhoramento de plantas e de</p><p>animais. Os defensores deste tipo de progresso científico afirmam que o melhoramento</p><p>genético da espécie humana trará incontáveis benefícios à nossa espécie. Do ponto de vista</p><p>bioético, uma preocupação recorrente por parte dos comitês e conselhos de pesquisa clínica,</p><p>diante das propostas de melhoramento genético, deve ser:</p><p>A) A falta de conhecimento sobre o genoma humano.</p><p>B) A falta de códigos e normas para este tipo de pesquisa.</p><p>C) A proibição que vêm da Lei de Deus e que é reafirmada pelas religiões.</p><p>D) A possibilidade de que estes melhoramentos levem à seleção de indivíduos considerados</p><p>perfeitos e a discriminação de outros.</p><p>E) A impossibilidade de manipulação de óvulos fora do ambiente intrauterino, o que expõe as</p><p>mulheres à uma série de riscos.</p><p>3) Uma análise ética sobre os avanços no campo da reprodução assistida deve abranger vários</p><p>outros aspectos no campo da reprodução. Assinale a alternativa que apresenta uma análise</p><p>problemática e que deve ser descartada quando se trata de pensar eticamente as técnicas de</p><p>reprodução assistida:</p><p>A) Considerar que a infertilidade humana não é em si um problema de saúde, mas apenas uma</p><p>realidade para algumas pessoas.</p><p>B) Considerar que a ciência pode auxiliar a superar barreiras no campo da reprodução humana.</p><p>C) Considerar que com o advento de novas técnicas os procedimentos de reprodução possam</p><p>ser reavaliados.</p><p>D) Considerar que os princípios consagrados da ética médica não podem ser submetidos aos</p><p>interesses da ciência.</p><p>E) Considerar que a oposição por parte de certos grupos religiosos não constitui uma</p><p>impossibilidade à reprodução assistida.</p><p>4) O primeiro país do mundo a legalizar o aborto foi a União Soviética, em 8 de novembro de</p><p>1920. Pela lei soviética, os abortos seriam gratuitos e sem restrições para qualquer mulher</p><p>que estivesse em seu primeiro trimestre de gravidez. Admitindo que após o primeiro</p><p>trimestre o aborto seria considerado um atentado à vida humana, é possível que os</p><p>legisladores considerassem como início da vida humana:</p><p>A) A nidação.</p><p>B) O início dos batimentos cardíacos.</p><p>C) O início da formação de todos os órgãos, com a passagem do embrião para feto.</p><p>D) A capacidade de sobrevivência fora do útero.</p><p>E) O início da capacidade no tronco cerebral.</p><p>5) A bioética tem enfrentado vários desafios para garantir que os anseios e o progresso</p><p>científico na contemporaneidade sejam acompanhados por uma reflexão sobre valores</p><p>éticos, capazes de proteger e preservar a todos os indivíduos. Para a bioética, a dignidade</p><p>humana vem em primeiro lugar. Diversos são os posicionamentos frente às discussões atuais</p><p>que destacam tecnologia e ética. Pense na afirmação a seguir e marque a alternativa que</p><p>corresponde à explicação desta postura: "A ciência tem o direito de fazer tudo o que lhe for</p><p>possível"</p><p>A) Para os que defendem este posicionamento, o avanço tecnológico não pode interferir no</p><p>progresso da vida.</p><p>B) A religião e a ciência devem caminhar juntas.</p><p>C) Defende a necessidade da melhoria da qualidade de vida e a diminuição do sofrimento</p><p>humano, como, por exemplo, pela erradicação de doenças ou a cura para problemas</p><p>genéticos. É uma atitude mais livre em relação a valores religiosos e que, ao mesmo tempo,</p><p>não enxerga problemas no melhoramento do ser humano.</p><p>D) Para pessoas que escolhem este posicionamento, o único limite para o conhecimento humano</p><p>é a capacidade técnica e a imaginação.</p><p>E) Os argumentos em favor deste tipo de atitude evocam a necessidade de se estar atentos aos</p><p>interesses políticos e econômicos por detrás do progresso científico. Desse modo, o ser</p><p>humano tal como se encontra é hoje o ponto sobre o qual a ciência não deveria avançar</p><p>muito.</p><p>Na prática</p><p>Muitas vezes, as discussões importantes sobre a reprodução assistida, uso de células tronco</p><p>embrionárias, manipulação do genoma humano, entre outras, tornam-se polarizadas entre pontos</p><p>de interesses distintos que dificilmente permitirão encontrar a resposta satisfatória aos dilemas</p><p>presentes nestas atividades.</p><p>Não apenas a ciência, os profissionais de saúde e seus pacientes defendem seus interesses, mas</p><p>igrejas, partidos políticos e outros grupos da sociedade sentem-se impulsionados à opinar sobre o</p><p>assunto.</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento</p><p>a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Células tronco-embrionárias e direito à vida</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Métodos Contraceptivos: uma revisão bibliográfica</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>A eugenia de Hitler e o racismo da ciência</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/6641/Celulas-tronco-embrionarias-e-direito-a-vida</p><p>https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-A79HA8/1/monografia_luiz_carlos_de_almeida.pdf</p><p>https://jus.com.br/artigos/8358/a-eugenia-de-hitler-e-o-racismo-da-ciencia</p>

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