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DIDÁTICA
DALTA MOTTA
AULA 8
PLANEJAMENTO EDUCACIONAL
Em nosso dia a dia estamos constantemente “planejando“ coisas: as compras do supermercado, a viagem de férias, a próxima aula da prática de ensino.
Frequentemente, educadores lidam com o planejamento em educação como se fosse rotina cotidiana, que exige pouca reflexão e método.
A “aula” (momento maior da atividade docente) sendo entendida como mera reprodução de conteúdos, não há muito que planejar senão o conteúdo dessa aula.
Porém, se a ação educativa é entendida como processo social, complexo, dialético, de produção de sentido/conhecimento com a finalidade última de transformar a realidade então, o papel do planejamento passa a ter outro significado.
Segundo Paulo Freire “ para transformar é preciso um pé no sonho e outro na realidade e um bocado de ousadia louca”. Ele entendia que o ato educativo é uma atividade intencional, orientada por determinados interesses, visões e valores. Nesse sentido envolve uma tomada de posição, entendendo que a educação é um ato político-ideológico e que deve buscar, a partir de uma realidade vivida, construir a realidade desejada.
Nesse sentido planejar é um processo de reconstrução de idéias, que envolve a tomada de decisões sobre uma ação.
Como já foi visto, as ações educativas acontecem em diferentes níveis e áreas:
1- Planejamento do sistema educacional
 . Nível nacional, estadual e municipal
 . Políticas educacionais
2 – Planejamento Escolar ou Político Pedagógico
 - Plano da instituição
3 – Planejamento Curricular
 . Componentes curriculares
 . Concepção filosófica / Organicidade
4 – Planejamento Didático ou de Ensino
 . Ações e Procedimentos
A ação educativa, embora guarde uma dimensão subjetiva e pessoal, se realiza no plano coletivo, mobiliza o interesse comum. Portanto, o planejamento em educação deve necessariamente ser resultado da participação (construção conjunta) de toda a comunidade envolvida.
Planejar participativamente significa organizar as formas de participação e instâncias de tomadas de decisões. Diferentes instâncias envolvem diferentes níveis/formas de participação dos agentes envolvidos no projeto educativo que se deseja planejar, seja em nível governamental, na escola ou em outros ambientes educativos.
No planejamento participativo existem decisões estratégicas que envolvem a delimitação do marco referencial do Projeto Político Pedagógico da instituição/organização. Essas decisões precisam contar com a participação de toda a comunidade, mesmo que indiretamente, em algum momento.
Segundo Gandim (1994), o planejamento participativo precisa se desenvolver a partir de procedimentos científicos:
Compreender a situação;
Estabelecer o rumo;
Verificar a distância entre o desejado e o que temos no momento;
Definir o caminho. (p. 48-52).
Todo planejamento tem uma dimensão política e outra operacional 
A dimensão política se relaciona com os desejos, os sonhos, as utopias, o projeto social que se busca construir.
A dimensão operacional refere-se às atividades, estratégias que vão dar vitalidade e fazer realizar as utopias em um determinado contexto.
Todo planejamento envolve, portanto, a definição de um marco referencial, o diagnóstico da realidade e os planos de ação específicos ( GANDIN e CRUZ, 1995).
Etapas para elaboração do conjunto de planos de uma instituição:
Preparação;
Elaboração do Plano Global de Médio Prazo:
Elaboração do Marco Referencial: Marco Situacional, Marco Doutrinal e Marco Operativo;
Elaboração do Diagnóstico;
Elaboração da Programação;
Revisão Geral
Elaboração do Plano Global de Curto Prazo;
Elaboração dos Planos Setoriais.
O marco referencial diz respeito aos pressupostos filosóficos, políticos e epistemológicos do projeto, ao “conjunto de princípios que servem de rumo dentro de uma realidade determinada”.
Ele implica na definição de uma concepção de homem e sociedade e uma noção sobre o significado do conhecimento e da educação que estabeleça claramente um horizonte para o trabalho educacional. Parte da análise da conjuntura, do contexto sócio-histórico onde se realiza o projeto.
O marco referencial é formado pelos seguintes elementos:
Marco situacional – refere-se a análise dos condições, dos limites e possibilidades, que a conjuntura impõe ao projeto. Entretanto, dentro desse contexto, ele aponta para os fins da ação educativa. 
Marco doutrinal – são os princípios filosóficos e políticos, sobre as condições sócio-antropológicas que definem o horizonte da ação.
Marco operativo – são os pressupostos didáticos-pedagógicos que servem de referência para operacionalização do projeto.
Após a elaboração do marco referencial do projeto, é preciso fazer diagnóstico da realidade.
Características desse processo:
- Trata-se de responder a pergunta: até que ponto nossa prática está coerente com o que estabelecemos em nosso Marco Operativo;
- Envolve um juízo sobre a realidade, aponta dificuldades, desafios e oportunidades que são oferecidas em relação aos princípios/ideais apresentados no marco referencial.;
- Provoca uma análise sobre as condições de trabalho;
- Implica na definição de indicadores, um balizamento para o diagnóstico inicial, mas também para o continuado.
O diagnóstico da realidade é um processo continuamente renovado, pois o desenvolvimento das atividades propostas nos diferentes planos de trabalho, só pode ser validado se, de tempo em tempos, o diagnóstico apontar o progresso e as dificuldades que o projeto alcança/enfrenta.
Os conselhos de classe, neste caso, podem ser oportunidade rica para avaliação diagnóstica do processo nas escolas.
Diferentes níveis do Planejamento:
- Plano Global de Médio Prazo:
 . Marco Referencial
 . Diagnóstico
 . Programação ( Objetivos, Políticas e Estratégias, Determinações Gerais)
- Plano Global de Curto Prazo: é o desdobramento do Plano Global de Médio Prazo:
 . Objetivos Específicos
 . Políticas e Estratégias
 . Normas
 . Atividades Permanentes
- Planos Setoriais: Planos dos diferentes setores da escola (Plano de Gestão, Plano de Ação do Coordenador Pedagógico, Planos de Cursos, etc.)

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