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<p>EVERSON LUIZ GOULÃO DE ARAUJO JUNIOR</p><p>PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA JOIA ENGENHARIA SOBRE ATUAÇÃO DA CIPA: UM ESTUDO DE CASO</p><p>Rio Branco</p><p>2023</p><p>EVERSON LUIZ GOULÃO DE ARAUJO JUNIOR</p><p>PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA JOIA ENGENHARIA SOBRE ATUAÇÃO DA CIPA: UM ESTUDO DE CASO</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Digital Descomplica, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de bacharel tecnólogo em Engenharia de Segurança do Trabalho.</p><p>Rio Branco</p><p>2023</p><p>FACULDADE EDUCAMAIS</p><p>PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA JOIA ENGENHARIA</p><p>SOBRE ATUAÇÃO DA CIPA: UM ESTUDO DE CASO</p><p>Everson Luiz Goulão de Araujo Junior[footnoteRef:1] [1: Formado em Enfermagem pela Universidade Federal do Acre (UFAC), graduando em Engenharia Civil na Universidade Federal do Acre e aluno da Pós graduação em Engenharia de Segurança de Trabalho da Faculdade Educa Mais.]</p><p>Professor(a) Orientador: Sebastião Anastácio Gomes Neto</p><p>Maio de 2023.</p><p>RESUMO</p><p>O ambiente de trabalho deve ser um local livre de riscos de acidente e de condições que possam ocasionar danos à saude fisica e mental dos trabalhadores. Considerando que as doenças profissionais e os acidentes de trabalho ocasionam enormes prejuizos, tanto pessoais quanto financeiros às empresase organizações, esse estudo tem como objetivo principal analisar a percepção dos trabalhadores da Joia Engenharia na cidade de Rio Branco, Acre, em relação a atuação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes-CIPA e identificar de que forma esta contribui com a empresa, para garantir mais condições de segurança no local de trabalho. Assim, realizou-se uma pesquisa bibliográfica sobre o tema. Em seguida, a coleta de dados através de questionário estruturado com questões fechadas, aplicado aos servidores e cipeiros da empresa. O trabalho se encerra com as análises e discussões dos dados obtidos pelos entrevistados, permitindo que a empresa obtenha dados para programar melhorias a atuação da CIPA e ao ambiente de trabalho.</p><p>Palavras-chave: Segurança; Prevenção; Ambiente de Trabalho.</p><p>ABSTRACT</p><p>The work environment must be a place free of accident risks and conditions that could cause damage to the physical and mental health of workers. Considering that occupational diseases and accidents at work cause enormous damage, both personal and financial to companies and organizations, this study has the main objective of analyzing the perception of workers at Joia Engenharia in the city of Rio Branco, Acre, in relation to the performance of the Prevention of Accidents - CIPA and identify how it contributes to the company, to ensure more safety conditions in the workplace. Thus, bibliographic research on the subject was carried out. Then, data collection through a structured questionnaire with closed questions, applied to the company's servants and members. The work ends with the analysis and discussion of the data obtained by the interviewees, allowing the company to obtain data to program improvements in the work of CIPA and the work environment.</p><p>Keywords: Security; Prevention; Desktop</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Atualmente, as organizações passaram a ser o habitat da maioria das pessoas, já que estas passam boa parte do seu tempo em seus locais de trabalho. As condições físicas e materiais, assim como as psicológicas e sociais, compõem o ambiente de trabalho que, deve ser um local salubre, livres de riscos de acidentes e de condições que possam causar danos à saúde física e mental das pessoas, haja vista que as doenças profissionais e os acidentes de trabalho ocasionam enorme prejuízo, tanto pessoais como financeiros, às pessoas e às organizações (CHIAVENATO, 2010).</p><p>Empregados e empregadores, buscam um ambiente de trabalho saudável e seguro, porém, existem muitos impedimentos para que encontremos o ambiente de trabalho ideal, como: instrumentos de trabalho inadequados, mal projetados, falta de manutenção nos mesmos, ausência de equipamentos de segurança e exposição a substâncias tóxicas são alguns deles (MILKOVICH e BOUDREAU, 2000).</p><p>As ausências do trabalhador, provocadas por acidentes de trabalho, influenciam a produtividade e, por esse motivo, tem sido foco de preocupação das organizações (PONZETTO, 2007).</p><p>De acordo com Lacombe (2005), muitas empresas não informam aos funcionários sobre a maneira correta e segura de agir e manusear equipamentos para que se evitem os acidentes. Para isto, foi criada a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes- CIPA, que tem como responsabilidade minimizar esse problema, orientando e aplicando treinamento apropriado aos funcionários.</p><p>Na Joia Engenharia – a CIPA surgiu logo após a criação da empresa em 2021 e, desde então, vem desenvolvendo suas atividades de forma a minimizar os riscos que os trabalhadores da empresa estão sujeitos, seja na atuação em campo, com exposição à eletricidade, seja na atuação dentro dos escritórios observando falhas de mobiliário, iluminação e outros problemas que possam afetar a saúde do trabalhador.</p><p>Este trabalho tem por objetivo identificar a percepção do trabalhador da Joia Engenharia em relação a atuação da CIPA e identificar de que forma a CIPA contribui com a empresa para garantir mais condições de segurança no local de trabalho.</p><p>As seções apresentarão os métodos utilizados na realização da pesquisa, o referencial teórico estudado, os resultados e discussões com a análise dos dados e as considerações finais.</p><p>2 MATERIAL E MÉTODOS</p><p>Vergara (2007), classifica a pesquisa científica quanto aos meios e os fins. Este trabalho, quanto aos meios, utilizou-se da pesquisa do tipo bibliográfica por ser “constituída principalmente de livros e artigos científicos, no fato de permitir ao investigador e/ou ao público em geral a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla” (GIL, 2008, p.50). Utilizou-se, também, o estudo de caso, por ser aplicada em uma Empresa. Entende-se estudo de caso como sendo “um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas várias fontes de evidência. (YIN, 2005, p. 32, apud GIL, 2008, p. 58).</p><p>A pesquisa do tipo exploratória atende aos aspectos relacionados ao fim. Este tipo de pesquisa “se caracteriza pelo desenvolvimento, esclarecimento e modificação de ideias, com o objetivo de oferecer uma visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato” (GIL, 2008, p. 27).</p><p>Para realização da coleta de dados, utilizou-se dois questionários, com 11 (onze) questões fechadas de múltipla escolha e respectivas justificativas, com variáveis qualitativas, com objetivo de analisar a efetividade da CIPA na visão dos colaboradores e eficácia da CIPA na visão dos cipeiros[footnoteRef:2]. Os questionários foram aplicados no mês de abril de 2023 a 3 (três) cipeiros e 10 (dez) funcionários da empresa. [2: Servidores que fazem parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes- CIPA]</p><p>3 REFERENCIAL TEÓRICO</p><p>3.1 ACIDENTES DE TRABALHO</p><p>Os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais existem na vida do homem desde que este, passou a sistematizar ações para prover sua alimentação e bem-estar, porém tornou-se um problema social com o advento da industrialização (ZOCCHIO, 2002, p. 40).</p><p>O Anuário Estatístico da Previdência Social, 2015 informa que:</p><p>Durante o ano de 2015, foram registrados no INSS cerca de 612,6 mil acidentes do trabalho. Comparado com 2014, o número de acidentes de trabalho teve um decréscimo de 13,99%. O total de acidentes registrados com CAT diminuiu em 10,87% de 2014 para 2015. Do total de acidentes registrados com CAT, os acidentes típicos representaram 76,28%; os de trajeto 21,08% e as doenças do trabalho 2,63%. As pessoas do sexo masculino participaram com 70,32% e as pessoas do sexo feminino 29,67% nos acidentes típicos; 60,01% e 39,99% nos de trajeto; e 56,08% e 43,92% nas doenças do trabalho. Nos acidentes típicos e nos de trajeto, a faixa etária decenal com maior incidência de acidentes foi</p><p>a constituída por pessoas de 25 a 34 anos com, respectivamente, 34,35% e 36,71% do total de acidentes registrados. Nas doenças de trabalho a faixa de maior incidência foi a de 30 a 39 anos, com 34,23% do total de acidentes registrados (AEPS/MF, 2015).</p><p>De acordo com Zocchio (2002) acidentes de trabalho são conceituados pela legislação previdenciária simplesmente pela ótica social, segundo o texto da Lei 8.213, de 25 de julho de 1991:</p><p>Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho. (LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, LEI 8.213/JUL/1991.)</p><p>Já Oliveira (2012), diz que acidente de trabalho é todo acidente consecutivo do exercício do trabalho, cuja ocorrência se dê na execução do trabalho ou enquanto o empregado desempenha suas funções, ainda que em certos casos, fora do local e horário de trabalho.</p><p>Para Oliveira (2012), frente os conceitos legais e de prevenção, as definições de acidente de trabalho são:</p><p>Legal: Ocorrido no exercício do trabalho e a serviço da empresa, ou pelo exercício do trabalho do segurado, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte, perda, ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho. Prevencionista: ocorrência não programada inesperada, que interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade, ocasionado perda de tempo útil, e/ou lesões nos trabalhadores além de danos materiais. (OLIVEIRA, 2012, p. 96).</p><p>Araújo (2010), classifica os tipos de acidentes em relação ao agravo como: acidente típico, acidente de trajeto, doenças do trabalho e ocorrências sem registros de comunicação de acidente de trabalho.</p><p>Todo acidente de trabalho ou doença profissional deve ser comunicada pela empresa ao Instituto Nacional do Seguro social-INSS, sob pena de multa em caso da não comunicação. Existe um formulário que deve ser preenchido corretamente, pois as informações deste formulário são utilizadas para análise previdenciária, estatística, e epidemiológica, como também para informações trabalhistas e sociais (ARAÚJO, 2010).</p><p>Segundo Zocchio (2002), prevenir acidente de trabalho significa prevenir, também, doenças ocupacionais. Essa prevenção deve acontecer no âmbito das condições de segurança de trabalho e pela salubridade que o local de trabalho deve oferecer, como também, pela sensação e sentimento de segurança que o trabalhador deve sentir quanto a proteção que a empresa lhe oferece contra acidentes e doenças ocupacionais.</p><p>Hinterholz (2013), afirma que segurança no trabalho consiste em um conjunto de medidas e ações de caráter técnico, educacional, médico, psicológico e motivacional, que devem ser empregadas na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais dentro das empresas e organizações.</p><p>Scaldelai et al. (2012), é categórico ao afirmar que todo acidente de trabalho deve ser previsto e evitado.</p><p>3.1.1 Riscos e tipos de acidentes</p><p>De acordo com Castro (2000 apud COSTA E COSTA, 2009), a palavra RISCO tem origem desconhecida. Alguns autores apontam que ela se origina do latim risicare ou resicare que significaria ousar. A palavra risco remete a incerteza em relação a um evento futuro, ou possibilidade de ocorrência de um acidente que poderá causar danos.</p><p>Risco, significa para Ribeiro (2012), possibilidade de acontecimentos de um prejuízo a saúde. No ambiente de trabalhos, esses riscos variam de acordo com o tipo de bem ou serviço produzido, havendo a possibilidade de diminuição dos riscos através de medidas de proteção coletiva e/ou uso de equipamento de proteção individual (EPI), intrínseco ao processo de produção.</p><p>Na tabela 1 podemos observar os tipos de riscos e sua classificação:</p><p>Tabela 1 Quadro de riscos ambientais</p><p>RISCOS AMBIENTAIS</p><p>GRUPO 1</p><p>GRUPO 2</p><p>GRUPO 3</p><p>GRUPO 4</p><p>GRUPO 5</p><p>Agentes Químicos</p><p>Agentes Físicos</p><p>Agentes Biológicos</p><p>Agentes Ergonômicos</p><p>Agentes mecânicos;</p><p>Poeira</p><p>Ruido</p><p>Vírus</p><p>Trabalho físico pesado</p><p>Arranjo físico deficiente;</p><p>Fumos Metálicos</p><p>Vibração</p><p>Bactéria</p><p>Posturas incorretas</p><p>Máquinas sem proteção;</p><p>Névoas</p><p>Radiação ionizante e não ionizante</p><p>Protozoários</p><p>Treinamento inadequado, inexistente</p><p>Matéria prima fora de especificação;</p><p>Vapores</p><p>Pressões anormais</p><p>Fungos</p><p>Jornada de trabalho prolongada</p><p>Equipamento inadequado, defeituosos ou inexistentes;</p><p>Gases</p><p>Temperaturas extremas</p><p>Bacilos</p><p>Trabalho noturno</p><p>Ferramentas defeituosas, inadequadas;</p><p>Produtos químicos em geral</p><p>Frio e/ou calor</p><p>Parasitas</p><p>Responsabilidades e conflitos, tensões emocionais</p><p>Iluminação deficiente, eletricidade;</p><p>Substâncias, compostos químicos em geral</p><p>Umidade</p><p>Insetos, cobras, aranhas etc.</p><p>Desconforto, monotonia</p><p>Incêndio, edificações e armazenamento</p><p>Fonte: Adaptado de Enfermagem do Trabalho (MARTINARI, 2012).</p><p>A portaria nº 25 de 29 de dezembro de 1994 regulamenta o mapa de riscos que objetiva agregar os dados necessárias para organizar o diagnóstico da situação da segurança e saúde do trabalho na empresa. A disseminação de informação entre os trabalhadores, bem como o fomento ás atividades de prevenção são realizadas durante o processo de elaboração do mapa (ARAÚJO, 2010).</p><p>De acordo com Ponzetto (2002), a Comissão de Prevenção de acidentes é a responsável pela elaboração anual do mapa de riscos.</p><p>Os riscos devem ser especificados e separados em grupos de acordo com o tipo e uniformização das cores equivalentes (ARAÚJO, 2010).</p><p>Ponzetto (2002), sugere que a classificação dos riscos ocupacionais siga um padrão de cores correspondentes de acordo com os ambientes profissionais no mapa, como mostra a figura 1:</p><p>Figura 1- Riscos Comportamentais e as Cores Padronizadas</p><p>Fonte: https://www.nr12semsegredos.com.br/riscos-ocupacionais</p><p>-no-trabalho-o-que-sao-e-como-classificá-los/</p><p>O trabalho de coleta de informações para elaboração do mapa de riscos, exige paciência dos cipeiros, pois é tarefa complexa que requer tempo e disposição (HINTERHOLZ, 2013).</p><p>3.2 COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES- CIPA</p><p>A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA – regulamentada pela Norma Regulamentadora número 5 – NR5- do Ministério do Trabalho e Emprego foi criada pela PORTARIA N.º 3.214, 08 DE JUNHO DE 1978 do Ministério de Estado do Trabalho que no uso de suas atribuições resolveu aprovar as Normas Regulamentadoras - NR - no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho NR’s 1 a 28 (BRASIL, 1996).</p><p>A norma regulamentadora é de suma importância para o estabelecimento de diretrizes para a segurança de trabalhadores e dos empregadores.</p><p>Para se trabalhar em um ambiente seguro e salubre é preciso que se utilize de todos os meios de prevenção disponíveis para impactar e promover o conhecimento e a compreensão em relação a perigos e riscos e às respectivas formas de prevenção e controle. A construção de uma cultura de segurança requer as mesmas características dos processos necessários para a construção de uma organização operativa (REIS, 2012).</p><p>Historicamente a CIPA surgiu com o advindo da chegada das maquinas na segunda metade do século XVIII período da Revolução Industrial na Inglaterra, seu objetivo era minimizar o aumento do número de acidentes e lesões, que eram sofridos pelos trabalhadores, com pouca ou até mesmo nenhuma experiência com as máquinas recém chegadas nas fábricas, com isso viu-se a necessidade de criação de um grupo composto pelos próprios trabalhadores com o objetivo de melhorar os processos no ambiente de trabalho com a finalidade de redução de acidentes (EMBRAPA, 2014).</p><p>No Brasil a CIPA foi criada no governo Getúlio Vargas em 1944, com o surgimento dos primeiros passos em segurança no trabalho. As empresas estrangeiras que prestavam serviços no Brasil, como a Light and Power já se utilizavam deste artifício visando a minimização dos acidentes do trabalho. Em 1953 através</p><p>da Portaria Nº 155 a CIPA teve sua primeira regulamentação no país (EMBRAPA, 2014)</p><p>“A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA - tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador” (BRASIL, 1999).</p><p>“Devem constituir CIPA, por estabelecimento, e mantê-la em regular funcionamento as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores como empregados” (BRASIL, 1999).</p><p>O ambiente de trabalho deve ser local livre de elementos prejudiciais que possam interferir no bom andamento dos serviços, sendo responsabilidade de todos a realização das modificações que venham a ser necessárias para implementar as mudanças cabíveis (BARCELOS, 2005).</p><p>De acordo com Lacombe (2005), a CIPA pode ser criada em estabelecimentos com mais de 20 empregados, sendo que o número de participantes (apelidados de cipeiros) pode variar de acordo com o número de funcionários da empresa e o grau de risco das atividades executadas. A CIPA é composta de representantes dos empregados, eleitos por eles, e de representantes da empresa. Os membros eleitos não podem ser demitidos até um ano após o término do mandato, exceto em casos de processo judicial.</p><p>4 RESULTADOS E DISCUSSÕES</p><p>Serão apresentados, neste tópico os dados coletados no decorrer da pesquisa através do questionário aplicado aos servidores da Joia Engenharia, bem como análise dos dados.</p><p>Foram aplicados dois questionários aos servidores da Empresa. O primeiro questionário, foi aplicado aos cipeiros. Dois, dos cinco empregados cipeiros, atuam na empresa desde sua criação e 1 (um) empregado trabalha na empresa a 10 (dez) meses. O segundo questionário foi respondido por 10 (dez) servidores. 2 (dois) deles não responderam quanto tempo tem de serviço na empresa, 4 (quatro)servidores trabalham na empresa entre 1 (um) e 12 (doze) meses, 4 (quatro) servidores atuam na empresa desde sua criação.</p><p>4.1 OS RESULTADOS</p><p>Os cipeiros foram questionados sobre como se sentem em ser cipeiro e sobre as responsabilidades do cipeiro. Apenas 1 (um) cipeiro respondeu que se sente muito satisfeito e 2 (dois) responderam que se sentem satisfeito nas duas questões, o que revela que o índice de satisfação dos servidores em fazer parte da CIPA e sobre as responsabilidades dos cipeiros é muito bom.</p><p>As questões relativas à satisfação em relação as reuniões da CIPA e em relação a liberação da empresa para participação nas reuniões obtiveram resultado idêntico aos das questões anterior: todos os servidores demostraram-se satisfeitos.</p><p>Sobre o questionamento sobre a satisfação da participação do cipeiro na última reunião da Semana Interna de Prevenção de Acidente de Trabalho- SIPAT, 1 (um) cipeiro respondeu muito satisfeito, 2 (dois) cipeiros responderam satisfeito, o que nos remete que o nível de satisfação deles em relação a participação na SIPAT é bom.</p><p>Sobre a questão relativa à contribuição das modificações do mapa de risco, 1 cipeiro respondeu muito satisfeito, 2 (dois) cipeiros responderam satisfeito. Os cipeiros demostraram satisfação em contribuir com as modificações do mapa de risco da Empresa.</p><p>Quanto aos meios oferecidos pela Empresa para funcionamento da CIPA, 3 (três) cipeiros responderam que se sentem satisfeitos em relação aos meios necessários oferecidos pela empresa para funcionamento da CIPA, o que nos revela que a Empresa atende com os meios necessários, a necessidade de existência da CIPA dentro da Empresa.</p><p>O segundo questionário foi entregue aos 10 (dez) servidores da Empresa. Todos os 10 (dez) servidores responderam ao questionário.</p><p>Na questão sobre o sentimento em relação ao conhecimento das responsabilidades da CIPA, 3 (três) servidores responderam muito satisfeito, 4 (quatro) servidores responderam satisfeito, 2 (dois) responderam nem satisfeito nem insatisfeito, 1 (um) servidor se declarou insatisfeito, o que nos faz concluir que a divulgação quanto as reponsabilidades da CIPA dentro da Empresa precisam melhorar, haja vista que 1 (um) dos 10 (dez) servidores demostrou indiferença e insatisfação quanto ao conhecimento sobre as responsabilidades da CIPA.</p><p>Quanto ao repasse das informações sobre a CIPA, pelo Técnico da Segurança do Trabalho, 3 (três) servidores responderam encontrar-se satisfeitos, 4 (quatro) servidores responderam estar muito satisfeito, 2 (dois) servidores responderam nem satisfeito nem insatisfeito e 1 (um) servidor disse estar insatisfeito, o que nos leva a concluir que o repasse das informações sobre a CIPA está sendo feitas de amaneira adequada e suficiente para satisfação dos servidores.</p><p>Ao responderem sobre o sentimento sobre o convite para participar das reuniões da CIPA, 5 servidores demostraram satisfação, 4 (quatro) servidores disseram estar nem satisfeito nem insatisfeito, 1 (um) respondeu estar insatisfeito, isso nos faz concluir que a forma como está sendo feito o convite para participar das reuniões da CIPA não está atendendo as necessidades dos servidores, pois 1 (um) dos servidores questionados demostrou indiferença e insatisfação sobre os convites para reuniões da CIPA.</p><p>Quanto à forma como é feita a eleição da CIPA, 4 (quatro) servidores disseram estar muito satisfeitos, 4 (quatro) servidores responderam que estão satisfeitos, 2 (dois) servidores não estão nem satisfeitos nem insatisfeitos. Este resultado demostra que a maneira como está sendo feita a eleição para a CIPA está correspondendo às expectativas do grupo, pois 8 (oito) servidores demostraram estar satisfeitos na forma como está sendo conduzida a eleição para composição da CIPA.</p><p>Sobre as recomendações e orientações dos cipeiros no ambiente de trabalho, 4 (quatro) servidores responderam estar satisfeitos, 4 (quatro) servidores não estão nem satisfeitos nem insatisfeitos, 2 (dois) servidores estão insatisfeitos. Conclui-se, então, que os cipeiros precisam rever e melhorar a forma como estão orientando e recomendando os servidores sobre prevenção de acidentes no ambiente de trabalho.</p><p>Quanto a atuação dos servidores sobre informações para a CIPA sobre as condições de riscos no trabalho, 4 (quatro) servidores disseram estar muito satisfeitos, 4 (quatro) servidores responderam estar muito satisfeitos, 2 (dois) servidores não estão nem satisfeitos e nem insatisfeitos, o que nos leva a concluir que todas as informações estão sendo repassadas para a CIPA sobre as condições de riscos no ambiente de trabalho.</p><p>Sobre a obediência dos servidores às recomendações do Técnico em Segurança do Trabalho ou dos cipeiros, 4 servidor disse estar muito satisfeito, 4 (quatro) servidores estão satisfeitos, 2 (dois) não estão nem satisfeitos e nem insatisfeitos. Os resultados da pesquisa demostram que os servidores, são obedientes as recomendações dos cipeiros e técnicos.</p><p>A eficácia da SIPAT foi confirmada quando 5 (cinco) servidores disseram estar muito satisfeitos e 5 (cinco) servidores disseram estar satisfeitos quanto a eficácia da SIPAT nos treinamentos para promoção da saúde e segurança do trabalho na Empresa.</p><p>Sobre desempenho e eficácia dos membros da CIPA, apenas 5 (cinco) servidores responderam estar satisfeitos. 5 (cinco) servidores se mostraram indiferentes sobre isso. Este resultado, demostra que o desempenho e eficácia dos cipeiros para atender as expectativas do grupo e servidores é ótima.</p><p>Sobre o trabalho que cada servidor realiza na Empresa, 4 (quatro) servidores responderam que estão muito satisfeitos, 3 (três) servidores estão satisfeitos, 2 (dois) servidores não estão nem satisfeitos nem insatisfeitos. Este resultado nos informa que existe satisfação dos servidores em desempenhar suas funções na Empresa.</p><p>4.2 ANÁLISE DOS DADOS.</p><p>Os resultados da pesquisa apontam que os cipeiros encontram-se satisfeitos em fazer parte da CIPA e compreendem a responsabilidade de um cipeiro</p><p>na divulgação e disseminação de informações sobre prevenção de acidentes dentro da empresa.</p><p>Os cipeiros consideraram satisfatória sua atuação durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de trabalho na empresa, o que remete a fomentação de novas atividades voltadas para disseminação de informação e orientação sobre prevenção de acidentes e risco no trabalho.</p><p>As sugestões de inovação e informações repassadas pelos cipeiros nas reuniões da CIPA é de fundamental importância para o aprimoramento das atividades da CIPA.</p><p>Os resultados satisfatórios quanto a apresentação de situações de riscos ou paralização de atividades ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho- SESMT, demostram que os cipeiros cumprem com suas funções e atendem as responsabilidades de membro da Comissão, pois estão prevenindo e evitando acidentes ao agirem dessa forma.</p><p>Sobre o questionário aplicado aos servidores, pode-se perceber, pelos resultados gerais, que todos conhecem a atuação da CIPA e suas responsabilidades e sobre as recomendações e orientações repassadas pelos cipeiros para prevenção de acidentes na empresa. Isso nos faz refletir sobre a preocupação e o compromisso de cada trabalhador em relação as condições de trabalho e do conhecimento que cada servidor tem sobre a importância de um ambiente salutar, que se preocupa com o bem-estar e a qualidade de vida do trabalhador.</p><p>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Os resultados da pesquisa apontaram para necessidade de investimentos em treinamentos e capacitações para os funcionários que fazem parte da CIPA. Essa necessidade foi identificada como um fator para minimizar possíveis problemas relativos a disseminação de informações e orientações sobre prevenção de acidentes enfrentados na Empresa.</p><p>Observou-se que a existência da CIPA dentro da empresa cumpre a exigência da legislação. Este cumprimento, é fator de extrema importância no auxílio à proteção do trabalhador. Entretanto, foi percebido, através da pesquisa, que ainda existe uma parcela, mesmo que mínima, dos respondentes que é indiferente quanto a importância da CIPA como instrumento de fomento a prevenção de acidentes, quando na verdade todos os trabalhadores da empresa deveriam compreender a atuação da CIPA na prevenção de acidentes.</p><p>O alinhamento do planejamento da segurança com as etapas produtivas não é uma tarefa fácil para as grandes empresas. No presente estudo de caso constatou-se que a empresa prioriza esse planejamento, pois além de elaborar o mapa de riscos junto com a equipe que compõe a CIPA, incentiva a participação dos membros em reuniões e eventos para melhoria e atuação da Comissão.</p><p>É sabido que a construção de um ambiente seguro com prevenção de acidentes na empresa só é possível, de maneira efetiva, quando se tem o envolvimento e comprometimento de todos os colaboradores, tanto do grupo de gestores como do grupo operacional. A esse respeito, fica evidente que a empresa dispende esforços no sentido de internalizar uma cultura prevencionista em um setor com altos riscos de acidentes.</p><p>Dentre as limitações identificadas no estudo verificou-se principalmente a escassez de informações que permitam estimar e acompanhar o real impacto das atividades desenvolvidas, sobre a saúde e segurança dos trabalhadores da Joia Engenharia. Outra importante limitação é o número de publicações sobre a temática com dados pertinentes a cidade de Rio Branco e o estado do Acre, pois a maioria das publicações concentra-se nas regiões Sul e Sudeste do país.</p><p>Como as análises quantitativas foram realizadas, basicamente, com as informações disponibilizadas pelos servidores da Empresa estudada, que se disponibilizaram a responder a pesquisa, os dados obtidos nesta análise preliminar apontam para a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre a temática.</p><p>6 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ARAUJO, W. T. Manual de Segurança do Trabalho. São Paulo: DCL, 2010</p><p>BARCELOS, M. A. Mapeamento de riscos ambientais. In: VIEIRA, Sebastião Ivone. (coord.) Manual de saúde e segurança do trabalho: segurança, higiene e medicina do trabalho. São Paulo: LTr, 2005. Vol.3.</p><p>BRASIL. MF. INSS. DATAPREV. Anuário estatístico da previdência social. Brasília, 2015. 818 p.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 5 -. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 1996. Disponível em: < http://www.camara.gov.br/sileg/integras/839945.pdf>. Acesso em: 02/04/2017.</p><p>BRASIL, Portaria SSST n. 8 de 23 de fevereiro de 1999. Altera a Norma Regulamentadora n.º 05, que dispõe sobre a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA e dá outras providências. Diário Oficial da União, de 24de fevereiro de 1999., Seção 1.</p><p>CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.</p><p>EMBRAPA. Comissão interna de Prevenção de acidentes de Trabalho. Disponível em: < http://cloud.cnpgc.embrapa.br/cipa/ >. Acesso em 02/04/2017.</p><p>GIL, A. Métodos e técnicas de pesquisa social – 6. ed. – São Paulo: Atlas, 2008.</p><p>LACOMBE, F. J. M. Recursos humanos: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2005.</p><p>MILKOVICH, G. T., BOURDREAU, J. W. Administração de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 2000.</p><p>OLIVEIRA, C. A. D. Segurança e Saúde no Trabalho – Guia de Prevenção de Riscos. São Caetano do Sul: São Paulo: Yendis. 2012.</p><p>PONZETTO, G. Mapa de riscos ambientais: NR – 5. 2 ed. São Paulo: LTr, 2007.</p><p>REIS, R. S. Segurança e Saúde no Trabalho. São Caetano do Sul – São Paulo: Yendis, 10ª, 2012.</p><p>SCADELAI, A. V.; OLIVEIRA, C. A. D. de; MILANELI, E.; OLIVEIRA, J. B. C.; BOLOGNESI, P. R. Manual Prático de Saúde e Segurança do Trabalho. São Caetano do Sul - São Paulo: Yendis, 2012.</p><p>VERGARA, S. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2007.</p><p>ZOCCHIO, Á. Prática da Prevenção de Acidentes: ABC da Segurança do Trabalho. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2002.</p><p>image1.png</p><p>image2.jpeg</p>