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<p>Motilidade e contração do músculo liso</p><p>→ O músculo liso está presente em várias partes do corpo, sendo:</p><p>· vascular</p><p>· gastrointestinal urinário</p><p>· reprodutor (feminino - útero) ocular</p><p>· respiratório</p><p>→ Ele possui padrões de contração, podendo ser:</p><p>· fásico: com ciclos periódicos de contração, se alternando entre estados contraídos e relaxados.</p><p>· tônico: mantendo-se em um estado constante de, sempre um pouco tonicamente contraído</p><p>6</p><p>→ Modo de comunicação entre suas fibras, sendo assim:</p><p>· músculo liso multiunitário: fibras independentes, que se contraem quando recebem um sinal elétrico que é recebido de maneira individual, sendo que cada fibra recebe sua própria terminação nervosa.</p><p>· músculo liso unitário: fibras conectadas umas às outras por junções comunicantes, sendo assim, todo o tecido se contrai como um, já que o estímulo que chega em uma fibra se espalha rapidamente às outras.</p><p>Características do músculo liso</p><p>1. Operam em uma faixa de distensão grande.</p><p>2. Em um mesmo órgão, suas fibras variam muito em questão de sua direção.</p><p>3. Contrai e relaxa muito mais lentamente.</p><p>4. Utiliza menos energia para gerar e manter um determinado grau de tensão (redução da velocidade da miosina-ATPase).</p><p>5. Pode manter as contrações por muito tempo, sem fadigar (mecanismo de trava).</p><p>6. São formados por células fusiformes pequenas e mononucleadas.</p><p>7. Os elementos contráteis não estão organizados em sarcômeros.</p><p>8. A contração do músculo liso pode decorrer de sinais elétricos, químicos ou ambos.</p><p>9. O músculo liso é controlado pelo sistema nervoso autônomo.</p><p>10. O músculo liso não possui regiões receptoras especializadas, mas possui receptores sobre toda a superfície celular, sendo que neurotransmissores são liberados pelas varicosidades.</p><p>11. O Ca²⁺ necessário para a contração advém do meio extracelular e, também, dos retículos sarcoplasmáticos, que se encontram próximos às calvéolas das células.</p><p>12. Esse Ca²⁺ inicia uma cascata sinalizatória que termina com a fosforilação da cadeia leve de miosina e a ativação da miosina-ATPase.</p><p>Estrutura das fibras musculares lisas</p><p>→ Os retículos sarcoplasmáticos formam uma rede de túbulos que se estende desde a região sob a membrana plasmática até o interior da célula, e estão relacionados às cavéolas, que são invaginações na membrana, as quais se relacionam à sinalização celular.</p><p>→ Possui actina associada à tropomiosina e à miosina.</p><p>→ Os filamentos de miosina são cercados por filamentos de actina, sendo que um feixe de 12 a 15 moléculas de actina envolve a miosina, e essa unidade contrátil se dispõe paralelamente ao maior eixo da célula.</p><p>→ Essas células possuem, também, um citoesqueleto extenso, que é constituído por filamentos intermediários e corpos densos, os quais mantém a actina em seu lugar.</p><p>Contração celular</p><p>1. Ocorre uma elevação nos níveis intracelulares de Ca²⁺, decorrida da entrada desse próton extracelular e de sua liberação do retículo sarcoplasmático.</p><p>2. Esse Ca²⁺ se liga à calmodulina.</p><p>3. O complexo Ca²⁺+ calmodulina ativa a MLCK, a cinase da cadeia leve de miosina.</p><p>4. A MLCK, então, fosforila as cadeias leves em suas cabeças de miiosina, aumentando a velocidade da</p><p>miosina-ATPase.</p><p>*Os processos de fosforilação e desfosforilação da cadeia leve da miosina controlam a contração e o relaxamento do músculo liso.</p><p>5.A atividade de miosina-ATPase é intensificada pela fosforilação da miosina, e com essa atividade alta, a ligação à actina e os ciclos de ligações cruzadas aumentam a tensão muscular.</p><p>6.A desfosforilação da cadeia leve de miosina ocorre pela enzima fosfatase da cadeia leve de miosina (MLCP), e essa desfosforilação não resulta automaticamente em relaxamento, mas a miosina, quando desfosforilada, permanece contraída, e vai perdendo esse estado de tensão muscular com um consumo mínimo de ATP.</p><p>7.Todo Ca²⁺ livre é removido do citosol pela ação da Ca²⁺-ATPase, que bombeia esses íons de volta para o retículo sarcoplasmático ou para fora da célula, também por ação dessa bomba e do trocador Na-Ca²⁺.</p><p>8. Com isso, a diminuição do Ca²⁺ citosólico faz com que a calmodulina e o Ca²⁺ se desconectem.</p><p>9. Sem o complexo Ca²⁺-calmodulina, a cinase da cadeia leve de miosina é inativada.</p><p>10. Com a MLCK cada vez mais inativa, a fosfatase passa a atuar, desfosforilando a miosina.</p><p>11. Finalmente, a atividade da miosina- ATPase também diminui e então, o músculo relaxa.</p><p>⇒ Em última estância, é possível afirmar que o maior regulador do relaxamento muscular são sinais químicos, os quais modulam a atividade da fosfatase e, assim, controlam a sensibilidade ao Ca²⁺. Quando a célula ainda está contraída, ele pode atuar, causando uma dessensibilização ao cálcio, e assim ele passa a ser menos efetivo para produzir contração.</p><p>⇒ Contudo, outras moléculas sinalizadoras que diminuem a atividade da fosfatase também podem atuar, nesse caso tornando a célula mais sensível ao Ca²⁺, e a força contrátil aumenta, mesmo que a concentração de cálcio permaneça constante.</p><p>Entrada de Ca² na célula</p><p>⇒ Pelo retículo sarcoplasmático: ocorre pela mediação de um receptor de rianodina (RyR), canal de liberação de cálcio, e um canal receptor de IP₃. O canal de RyR é dependente de cálcio, enquanto o IP₃ depende de receptores acoplados à proteína G, que ativam as vias de transdução de sinal da fosfolipase. Quando o IP₃ se liga ao canal receptor de IP₃ (que é um segundo mensageiro), o canal se abre e o Ca²⁺ extravasa.</p><p>↳ Quando muito Ca²⁺ é perdido para o LEC pelas bombas de membrana, a célula, que possui monitoramento dos níveis de cálcio no RS, possui uma proteína sensor (STIM1), que é presente na membrana do RS e interage com canais de Ca²⁺ operados por estoques presentes na membrana plasmática. Esses canais (de proteína Orai-1) se abrem e permitem a entrada de mais cálcio na célula, e bombas Ca²⁺-ATPase transportam o Ca²⁺ citosólico para dentro do RS, que reestabelece seu estoque.</p><p>⇒ Pela membrana plasmática: a abertura pode ocorrer por um estímulo despolarizante, com potenciais produzidos pela própria célula muscular, por canais de Ca²⁺ dependentes de ligante (ROCCs), os quais atuam principalmente na entrada de Ca²⁺ da célula no RS e por estiramento da célula, que nesse caso, é denominado contração miogênica.</p><p>Potenciais de membrana instáveis</p><p>→ O músculo liso pode ter sua fibra despolarizando e hiperpolarizando (o que dificulta a contração por certo período de tempo). Outra possibilidade é a de contrair, sem que haja o disparo de potenciais de ação.</p><p>→ Essa contração pode ocorrer após um potencial de ação, após um potencial sublimiar graduado ou sem que haja alteração no potencial da membrana.</p><p>*Nem todo estímulo é capaz de causar um potencial de ação. O estímulo adequado tem que ter um valor elétrico suficiente para reduzir a negatividade da célula até o valor limiar do potencial de ação. Estímulos sublimiares não causam um potencial de ação.</p><p>→ A maioria das fibras lisas apresentam potenciais de membrana que, em repouso, apresentam potenciais entre 40 e 80mV.</p><p>→ Algumas células exibem despolarização e repolarização cíclicas de seus potenciais de membrana, essas possuem potenciais de ondas lentas.</p><p>→ Outras células, possuem ciclos, em que ocorre uma série de ondas lentas sublimiares, e quando o pico da despolarização atinge o limiar, potenciais de ação são disparados, e em seguida, o músculo é contraído.</p><p>→ Outros tipos de músculo liso que possuem potenciais de membrana oscilantes possuem despolarizações regulares, as quais sempre atingem o limiar e então, disparam um potencial de ação. Esse tipo de despolarização é denominado potencial marca-passo, porque geram ritmos regulares de contração.</p><p>⇒ Esses potenciais de ondas lentas e marca-passo ocorrem pelos canais iônicos presentes na membrana celular, os quais abrem e fecham espontaneamente.</p><p>Sinais químicos e sua influência no músculo liso</p><p>→ Os sinais químicos, no músculo liso, possuem propriedades excitatórias e inibitórias,</p><p>a depender de como a modulação ocorre. A transdução de um sinal pode causar tanto relaxamento quanto contração muscular.</p><p>Ação de neurotransmissores autonômicos e hormônios</p><p>→ Controle tônico: em que a resposta é gradual, aumentando ou diminuindo a contração muscular de acordo com a quantidade de neurotransmissor liberada sobre esse músculo.</p><p>→ O mesmo sinal químico pode exercer efeitos distintos, a depender do tipo de receptor a que se liga.</p><p>Noradrenalina: contrai a musculatura lisa quando se liga aos receptores a-adrenérgicos, e os relaxa quando se liga aos receptores B₂-adrenérgicos.</p><p>→ A maior parte dos neurotransmissores e hormônios que controlam o músculo liso se ligam à receptores acoplados à proteína G, e então, os sistemas de segundos mensageiros atua, determinando a resposta muscular: IP₃ ativa contração, enquanto AMPc promove relaxamento.</p><p>IP₃ → vias que causam seu aumento causam contração:</p><p>· ela abertura de canais dependentes de IP₃ na membrana do retículo sarcoplasmático, ocorrendo a liberação de Ca²⁺.</p><p>· Pelo diacilglicerol (DAG), outro produto da via da fosfolipase C, que inibe de maneira indireta a atividade da fosfatase da miosina. O aumento da razão MLCK/MLCP promove atividade das ligações cruzadas, produzindo tensão muscular.</p><p>AMPc → o aumento em sua produção causa relaxamento muscular, por alguns mecanismos:</p><p>· contrações citosólicas de Ca²⁺ livre diminuem quando canais dependentes de IP₃ são inibidos, e a Ca²⁺-ATPase do retículo sarcoplasmático é ativada.</p><p>· o vazamento de K⁺ causa hiperpolarização da célula e diminui a probabilidade de entrada de Ca²⁺ através de canais voltagem-dependentes. A atividade da fosfatase da miosina aumenta e, então, a tensão muscular diminui.</p><p>Motilidade do TGI</p><p>→ Tem como objetivos:</p><p>· Transportar o alimento da boca ao ânus.</p><p>· Misturá-lo e quebrá-lo mecanicamente em pequenos fragmentos, para facilitar a ação das enzimas digestivas.</p><p>→ É determinada pelas propriedades musculares do TGI e modificada pelas informações químicas dos nervos, hormônios e sinais parácrinos.</p><p>→ A maior parte da motilidade do TGI é exercida por músculo liso, por serem contrações involuntárias, exceto a mastigação, a primeira fase da deglutição e o controle do esfíncter anal externo.</p><p>→ O músculo liso possui:</p><p>· Camada circular: controlam o diâmetro e os esfíncteres.</p><p>· Camada longitudinal: encurtam o segmento e atuam na peristalse.</p><p>→ Histologicamente falando, possui 4 subdivisões:</p><p>Células de Cajal (marca-passo)</p><p>→ Conectam-se umas às outras e às células musculares lisas</p><p>→ Geram as ondas lentas – um ritmo elétrico base</p><p>→ Agem como intermediários entre os nervos entéricos e o músculo liso</p><p>→ Tipos de ondas elétricas:</p><p>· Ondas lentas</p><p>· Potenciais em espícula</p><p>Ondas lentas (geradas pelas células de Cajal):</p><p>→ Sua gênese é incerta, e possivelmente o influxo de sódio.</p><p>→ Faz despolarização e repolarização.</p><p>→ Determinam o ritmo das contrações do TGI.</p><p>→ Possuem frequência variável de 3 a 12/min.</p><p>→ Sua intensidade varia, também, de 5 a 15mV.</p><p>→ Em seu pico, ocorrem os potenciais de ação, também chamados de potenciais em espícula.</p><p>Potenciais em espícula</p><p>→ Os verdadeiros potenciais de ação:</p><p>→ Seu potencial de repouso nos músculos liso GI varia entre -50 e -60mV.</p><p>→ Seu potencial em espícula é disparado quando os picos das ondas lentas são</p><p>>-40mV</p><p>→ Cada potencial de ação dura entre 10- 20ms, pois a cinética dos canais Na⁺- Ca²⁺ é lenta.</p><p>→ O influxo de Ca²⁺ gera a contração muscular.</p><p>Atividade elétrica e motora da fibra muscular lisa</p><p>→ O potencial de repouso oscila, o que forma as ondas lentas.</p><p>→ Quando a onda lenta atinge o limiar contrátil, ocorre influxo de uma pequena quantidade de Ca²⁺, e então, a formação de um tônus muscular. (fundo gástrico e esfíncteres)</p><p>→ Quando o limiar elétrico é alcançado, são gerados os potenciais de ação (em espícula), e ocorrem assim, as contrações fásicas. (peristalse e segmentação)</p><p>Contração de segmentação/mistura</p><p>→ Várias partes da musculatura lisa se contraem ao mesmo tempo, assim fazendo com que o alimento se misture com as enzimas. Essa contração é feita por vários segmentos específicos e ao mesmo tempo.</p><p>Contrações peristálticas</p><p>→ Fazem as contrações para gerar movimento, e levar o alimento até o ânus.</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.jpeg</p><p>image5.jpeg</p><p>image6.jpeg</p><p>image7.jpeg</p><p>image8.jpeg</p><p>image9.jpeg</p><p>image10.png</p><p>image11.jpeg</p><p>image12.jpeg</p><p>image13.jpeg</p><p>image14.jpeg</p><p>image1.png</p><p>image15.jpeg</p><p>image16.jpeg</p><p>image17.jpeg</p><p>image18.jpeg</p><p>image19.jpeg</p><p>image20.jpeg</p><p>image21.jpeg</p><p>image22.jpeg</p><p>image23.jpeg</p><p>image24.jpeg</p><p>image2.jpeg</p>