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<p>O Significado do Trabalho</p><p>Apresentação</p><p>O que significa trabalho para você? O trabalho está presente na nossa vida, porém essa pergunta</p><p>poderá incomodar muita gente, pois, para muitas pessoas, o trabalho representa algo pesado,</p><p>obrigação e até mesmo sofrimento. A etimologia da palavra trabalho vem do latim, tripalium, que</p><p>significa castigo. Esse tripalium representa um instrumento de castigo para os escravos da Idade</p><p>Média. Assim, para muitos indivíduos, o trabalho ainda representa um castigo. Nesta Unidade de</p><p>Aprendizagem, apresentaremos os significados do trabalho e sua importância na vida das pessoas,</p><p>não somente como fonte de renda, mas também como forma de realização.</p><p>Bons estudos.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Explicar o significado do trabalho na vida das pessoas.•</p><p>Reconhecer a importância do trabalho na visão integral de indivíduo.•</p><p>Relacionar trabalho e carreira.•</p><p>Desafio</p><p>É perceptível, nos dias atuais, a insatisfação que muitos profissionais têm em relação ao trabalho,</p><p>chegando a ser um fardo que impacta na vida pessoal. Algumas pessoas buscam apoio para</p><p>repensar suas carreiras, tendo em vista justamente a falta de realização. Para especialistas e</p><p>profissionais de orientação vocacional e de carreira, o sucesso profissional e a realização pessoal</p><p>estão intimamente relacionados, pois um influencia o outro.</p><p>A escolha acerca de qual carreira seguir é uma etapa da vida que pode causar grande angústia e</p><p>incertezas. Muitos jovens escolhem suas carreias com base no retorno financeiro e não pensam</p><p>tanto no significado do trabalho, ou seja, no que ele representa e qual lugar ocupa na sua vida.</p><p>Nesse contexto, o trabalho perde seu sentido. Como é possível resgatar o significado do trabalho</p><p>no mundo atual, em que ter é mais importante que o ser? O quanto um trabalho com significado</p><p>contribui para a realização e o sucesso profissional?</p><p>Para resolver esse desafio, você deverá identificar pelo menos cinco pessoas pelas quais tem</p><p>admiração e que considera pessoas bem-sucedidas em suas carreiras e, em seguida, entrevistá-las.</p><p>Pergunte a cada uma delas:</p><p>1. Qual significado o trabalho tem na sua vida?</p><p>2. Como a visão que você tem do trabalho contribui para a sua carreira?</p><p>Orientações para a resposta:</p><p>- Relate a profissão, o cargo e a idade das pessoas entrevistadas.</p><p>- Conceitue o trabalho na visão destas pessoas, relacionando-o com o conceito geral de trabalho,</p><p>como uma ocupação para garantir a sobrevivência e a vida dos indivíduos.</p><p>Infográfico</p><p>O trabalho pode ser uma fonte de prazer, de realização ou de sofrimento, isso dependerá do</p><p>significado e do sentido que cada um dá a ele. Veja, no infográfico a seguir, os diferentes sentidos</p><p>do trabalho.</p><p>Conteúdo do livro</p><p>O trabalho é uma ação que faz parte da vida dos indivíduos. Pode ser fonte de satisfação ou ser</p><p>considerado um fardo. Ele auxilia a definir a trajetória da carreira e suas mudanças, quando</p><p>necessário. No trecho a seguir da obra Orientação para aposentadoria nas organizações de</p><p>trabalho: construção de projetos para o pós-carreira, de José Carlos Zanelli, Narbal Silva e Dulce</p><p>Penna Soares, poderemos compreender, com mais profundidade, as nuances da concepção do</p><p>trabalho na vida das pessoas e das organizações. Leia também o artigo Formação humana e/ou</p><p>formação profissional: Uma contribuição da psicologia do trabalho. que auxiliará nos estudos.</p><p>Boa leitura!</p><p>Z28o Zanelli, José Carlos.</p><p>Orientação para aposentadoria nas organizações de trabalho</p><p>[recurso eletrônico] : construção de projetos para o pós-carreira</p><p>/ José Carlos Zanelli, Narbal Silva, Dulce Helena Penna</p><p>Soares. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2010.</p><p>Editado também como livro impresso em 2010.</p><p>ISBN 978-85-363-2361-9</p><p>1. Problemas emocionais associados à aposentadoria. 2.</p><p>Aposentadoria – Planejamento. I. Silva, Narbal. II. Soares,</p><p>Dulce Helena Penna. IV. Título.</p><p>CDU 364.624.2:331.106.47</p><p>Catalogação na publicação: Renata de Souza Borges CRB-10/1922</p><p>1</p><p>signiFicAdos do trABALHo</p><p>A palavra trabalho, em sua origem, como é bastante conhecida, está re-</p><p>lacionada a alguma forma de tortura, sofrimento ou esforço doloroso. Assim</p><p>interpretada, para muitos, tem o significado de um pesado fardo, que nos im-</p><p>pede de viver. Esse tipo de conotação conferida ao trabalho está associado à</p><p>compreensão da atividade laborativa como fonte de alienação econômica, po-</p><p>lítica e de aflição para aqueles que a realizam. Tal concepção se relaciona ao</p><p>trabalho como fonte de exploração e de deterioração da qualidade de vida do</p><p>ser humano, ao despender esforço físico e psíquico que resulta em desgastes</p><p>e significados pouco relevantes (Zanelli, Cazaretta, García, Lipp e Chambel,</p><p>2010). O rebaixamento dos padrões de qualidade de vida no trabalho, entre</p><p>outros fatores decorrentes, implica sofrimento, que pode ser compreendido</p><p>como o tédio experimentado em situações que resultam na sensação de can-</p><p>saço, desânimo e descontentamento dos seres humanos com os trabalhos que</p><p>realizam (Mendes e Tamayo, 2001).</p><p>De uma maneira ampla, o trabalho pode ser compreendido como todo</p><p>esforço do ser humano, físico ou psíquico, ao intervir em seu ambiente com</p><p>a finalidade de transformar, incluindo atividades como lazer e outras de</p><p>natureza não remunerada. É por meio do trabalho que o ser humano medeia</p><p>sua relação com a natureza, transformando-a e sendo transformado por ela</p><p>(Bordenave, 1999). O trabalho, sem dúvida, é o fator primordial nas organi-</p><p>zações e na sociedade. Como tal, consiste de um esforço planejado – ainda</p><p>que nem sempre formal e sistemático – dirigido, de algum modo, à transfor-</p><p>mação da natureza. Para tanto, sincronia de esforços e coesão de objetivos</p><p>específicos são imprescindíveis para atingir o objetivo maior – com frequência</p><p>reduzido apenas à lucratividade ou obtenção de resultados de curto prazo.</p><p>Passou a representar, desde o surgimento do capitalismo manufatureiro, o</p><p>modo de produzir os bens de consumo e os serviços necessários à sobrevivên-</p><p>cia. Para o trabalhador, tornou-se o meio de ganhar um salário e a base da</p><p>construção de sua identidade.</p><p>As transformações recentes no mundo laboral (intensificação do</p><p>desenvolvimento do conhecimento aliado ao desemprego tecnológico e</p><p>22 Zanelli, silva e soares</p><p>estrutural) acentuaram, sobretudo nas duas últimas décadas, a retirada dos</p><p>trabalhadores das atividades formais de trabalho de grandes contingentes</p><p>de pessoas no serviço público e na esfera privada, em virtude da ausência de</p><p>ocupação ou aposentadoria. Preocupações com as consequências psicossociais</p><p>do fenômeno da aposentadoria têm norteado as atividades e reflexões aqui</p><p>relatadas.</p><p>Na sociedade ocidental em que vivemos, centrada no mercado e orien-</p><p>tada por relações típicas de conveniência (Ramos, 1989), o trabalho está</p><p>associado ao conceito de atividade remunerada, geralmente realizada sob a</p><p>denominação de emprego, em contextos burocratizados, repletos de normas</p><p>e rotinas, em evidentes incompatibilidades com a vida familiar e social das</p><p>pessoas. Tal concepção endereça de modo predominante a ideia de trabalho</p><p>produzido por meio de relações orientadas pelo comprometimento do tipo</p><p>instrumental. Nesta perspectiva prevalece a percepção do trabalhador das</p><p>perdas materiais que terá, caso opte por se desligar da organização onde tra-</p><p>balha (Zanelli e Silva, 2008).</p><p>Os motivos que mobilizam os seres humanos para o trabalho se encon-</p><p>tram vinculados à função denominada expressiva – ter um trabalho interes-</p><p>sante, fonte de autoestima e autorrealizador – concomitante com a função</p><p>econômica, por meio de a contrapartida econômica prover necessidades fi-</p><p>siológicas e de segurança (Maslow, 2000). Entretanto, nas sociedades atuais,</p><p>em qualquer parte do mundo, as oportunidades de um trabalho significativo</p><p>e motivador parecem tornar-se cada vez menos possíveis. Ao mesmo tempo,</p><p>intensificam-se, em compensação, exigências cada vez mais altas para os tra-</p><p>balhadores, paralelas ao aumento dos índices de desemprego (Muchinsky,</p><p>2004). Paradoxalmente, também é possível observar, desde a década de 1990,</p><p>um crescente desejo de autonomia e de envolvimento dos trabalhadores nas</p><p>decisões que os afetam direta ou indiretamente.</p><p>As relações de poder estão se alterando não só no topo da hierarquia</p><p>organizacional. O chefe do escritório e o supervisor de “chão de fábrica” estão</p><p>descobrindo que os trabalhadores já não aceitam mais ordens “cegamente”.</p><p>Cada vez mais eles fazem perguntas e exigem respostas (Toffler, 1990). Se-</p><p>guindo essa tendência, a de deslocamentos de poder cada vez mais intensos</p><p>nas interações sociais da modernidade, até as crianças retrucam com veemên-</p><p>cia os “nãos” que ouvem, respondendo-os do seguinte modo: “Por que não?!</p><p>Não é resposta!”. Por meio disso, reivindicam com frequência argumentos</p><p>que justifiquem de modo consistente as frustrações que lhes são impostas no</p><p>cotidiano.</p><p>Em que pesem as mazelas e metamorfoses processadas na atualidade,</p><p>o trabalho ocupa um inegável e largo espaço na constituição da existência</p><p>humana. Insere-se entre as atividades mais importantes, constituindo fonte</p><p>relevante de significados na constituição da vida humana associada. A ocu-</p><p>pação de um ser humano, expressa por meio de suas atividades diárias, ao</p><p>orientação para aposentadoria nas organizações de trabalho 23</p><p>satisfazerem suas necessidades básicas e motivacionais, compõe elemento</p><p>central do seu autoconceito, que se torna vital à construção de sua autoesti-</p><p>ma (Zanelli e Silva, 2008).</p><p>Na perspectiva social, o trabalho é o principal ordenador da vida huma-</p><p>na associada. Regras, horários, atividades e interações sociais são dispostas</p><p>conforme as exigências que as tarefas impõem. Tais características, se por um</p><p>lado, contemplam a peculiaridade humana de busca por ordem, consistência</p><p>e previsibilidade, por outro, ao estabelecerem sincronicidade e um ritmo fre-</p><p>nético de vida no trabalho, dispõem às pessoas tempo físico e psíquico restrito</p><p>para que possam pensar e aprimorar suas vidas pessoais (Senge, 1999).</p><p>Em razão da importância da presença física e psicossocial do trabalho na</p><p>vida das pessoas, ao perderem o emprego, muitas ficam desorientadas, depri-</p><p>midas, desestruturam-se emocionalmente, sentem-se inúteis e com a percep-</p><p>ção, aliada a sentimentos, de que não têm contribuições úteis que possam dar.</p><p>Como consequência, buscam em outras situações formas compensatórias ou</p><p>refúgios, como é o caso do uso abusivo do álcool e de outras drogas, percebi-</p><p>das como modos de atenuar os efeitos das “dores existenciais” às quais se en-</p><p>contram submetidas. Isso se deve ao fato de que as pessoas, em geral, passam</p><p>significativa parte ou a totalidade de suas vidas atuando de algum modo em</p><p>organizações. Nelas, a instituição trabalho constitui fenômeno central e inevi-</p><p>tável. Portanto, nascemos, crescemos e morremos dentro das organizações de</p><p>trabalho. E é difícil imaginar algum tipo de vácuo social existente entre elas</p><p>(Hall, 2004). As sociedades humanas se organizam em função do trabalho.</p><p>O trabalho é um núcleo definidor do sentido da existência humana. Toda</p><p>a nossa vida é baseada no trabalho. Os processos de socialização primária e</p><p>secundária nos preparam para isto, mesmo quando ainda não entendemos</p><p>de modo mais preciso tais significados. A construção do amadurecimento do</p><p>ser humano, portanto, constitui processo relativamente longo, que percorre a</p><p>infância, a adolescência, a fase adulta e a terceira idade. Acentuadas relações</p><p>de dependência são características dos humanos ao nascerem, principalmente</p><p>em seus primeiros anos de vida. A maturidade, espera-se, deve se acentuar e</p><p>se vincular, via de regra, à inserção do ser humano no mundo do trabalho.</p><p>É por meio do trabalho assalariado que as pessoas, em expressiva</p><p>parcela, buscam o atendimento de suas necessidades e alcance de autono-</p><p>mia. Contudo, as relações de produção se caracterizam pelo estabelecimento</p><p>de outra forma de dependência: a organização dispõe da força de trabalho</p><p>e, quase sempre, retribui parcimoniosamente. Neste caso, quando os geridos</p><p>entregam sua força de trabalho, e por isso são remunerados pelos gestores, o</p><p>comprometimento que se põe em evidência é restrito e se caracteriza como</p><p>do tipo instrumental, como decorrência de uma relação do tipo racional-eco-</p><p>nômica (Meyer e Allen, 1997; Schein, 1982).</p><p>A busca da sobrevivência e construção da autoestima e da autorrealiza-</p><p>ção contrapõem-se aos sentimentos de pouca utilidade do trabalho realizado</p><p>24 Zanelli, silva e soares</p><p>e restrita expressão da potencialidade que existe em cada um. Assim, as de-</p><p>mandas organizacionais, junto com as necessidades e expectativas indivi-</p><p>duais, não raro, descompensam algo implícito na relação: as necessidades</p><p>e as expectativas do ser humano ficam em parte ou no todo frustradas. São</p><p>estabelecidas situações de rupturas dos contratos psicológicos, o que significa</p><p>o rebaixamento da reciprocidade de necessidades e expectativas dos ges-</p><p>tores e demais trabalhadores, com evidentes decorrências na motivação e</p><p>comprometimento de ambos (Rousseau, 1995).</p><p>As ações do trabalhador são influenciadas pela formação que o diferen-</p><p>cia como ser único, ao nível dos conteúdos subjetivos e da herança genética,</p><p>e pelos fatores do ambiente externo. Sua satisfação depende intrinsecamente</p><p>do modo como percebe as condições circundantes e como associam-se às suas</p><p>expectativas. Em outras palavras, o trabalho que executa e o ambiente onde</p><p>estão inseridas as atividades devem ser dotados de sentido ou significado con-</p><p>sistente com o conjunto de valores que é peculiar àquele trabalhador. Desse</p><p>modo, constrói-se alinhamento entre valores pessoais, de trabalho e organi-</p><p>zacionais (Teixeira e Pereira, 2008).</p><p>Afirmamos no início do presente capítulo que o trabalho pode ser visto</p><p>como todo esforço empreendido com certa finalidade. Atividades que são de</p><p>algum modo impostas para trabalhadores que não conseguem perceber a fi-</p><p>nalidade delas ou, como acontece em situações extremas, com o propósito de</p><p>tortura, como nas situações em que atividades percebidas sem significado são</p><p>feitas e invariavelmente desfeitas, põem em risco a sanidade mental dos seres</p><p>humanos. Nessas condições, os trabalhadores se encontram alienados, não</p><p>percebendo a existência das múltiplas relações existentes entre as entregas da</p><p>sua força de trabalho e as consequências geradas nos serviços prestados ou</p><p>produtos feitos (Morin, Tonelli e Pliopas, 2007).</p><p>As organizações são reconhecidas ao longo da história como ambientes</p><p>de sofrimento físico e psíquico e de desconforto. Interpretamos que o trabalho,</p><p>conforme prescrito, distancia os objetivos pessoais dos interesses organizacio-</p><p>nais. As múltiplas potencialidades humanas são relegadas, seja na dimensão</p><p>física, intelectual, emocional ou espiritual. Em circunstâncias como essas,</p><p>o que caracteriza uma organização não humanizada e o desenvolvimento</p><p>de competências técnicas e humanas relevantes tendem a ficar em segundo</p><p>plano (Vergara e Branco, 2001).</p><p>Não são poucas as pessoas tratadas como seres humanos imaturos nos</p><p>seus ambientes de trabalho. A predominância de valores burocráticos ou pira-</p><p>midais produz relações fracas, superficiais e não confiáveis. Ao considerarmos</p><p>que essas relações não facilitam a expressão natural e livre de sentimentos, tor-</p><p>nam-se falsas e dissimuladas, reduzindo sobremaneira a competência interpes-</p><p>soal. A ausência de competência humana, aliada a um contexto físico e psíquico</p><p>doentios, transforma as organizações em contextos propícios para a construção</p><p>de desconfiança e de conflitos interpessoais destrutivos (Argyris, 1969).</p><p>orientação para aposentadoria nas organizações de trabalho 25</p><p>Se, para a sobrevivência, o trabalho deveria satisfazer pelo menos as ne-</p><p>cessidades básicas diárias, na perspectiva psicológica é uma categoria central</p><p>no desenvolvimento do autoconceito e uma fonte importante de autoestima.</p><p>É a atividade</p><p>fundamental para o desenvolvimento do ser humano. Estabele-</p><p>ce suas aspirações e seu estilo de vida. Em suma, é um forte componente na</p><p>construção da pessoa que convive bem consigo mesma, acredita e orgulha-se</p><p>de si. Em virtude disso, muitos problemas humanos derivados da aposenta-</p><p>doria têm origem na súbita perda de identidade que acompanha o término</p><p>do ciclo formal da vida profissional. A explicação para tal está no fato de que</p><p>nossa autoimagem ocupacional é uma parte essencial de nossa autoimagem</p><p>total. Para muitas pessoas, é a parte mais relevante (Schein, 1982, 1996).</p><p>As estruturas sociais e as relações construídas, de um ponto tão lon-</p><p>gínquo quanto possamos imaginar a história da humanidade, são marcadas</p><p>pelas atividades produtivas. No período mais recente, a Revolução Industrial</p><p>acentuou tendências que trazem consigo sérias implicações, como a fragmen-</p><p>tação e a repetitividade das tarefas, a concentração urbana, a destruição dos</p><p>recursos naturais – características que, para alguns, são compensadas pelo</p><p>impulso dado ao desenvolvimento científico e tecnológico e outras coisas que</p><p>abrigam sob o rótulo de “progresso”. No padrão de consumo orientado pela</p><p>lógica dominante reside o pressuposto de que os recursos naturais são infini-</p><p>tos, o que tem levado ao esgotamento de muitos deles, por exemplo, água e</p><p>solo, e à insustentabilidade desse tipo de relação com a natureza. Ao que tudo</p><p>indica, não é só o modelo de consumo daqueles que podem consumir que se</p><p>está demonstrando insustentável. Também o é um sistema econômico que</p><p>não leva em conta as pessoas (Forrester, 1997; Schumacher, 1983).</p><p>No processo produtivo, em que o ser humano transforma e é transfor-</p><p>mado, o trabalho, como ação humanizada, impõe assimilações em aspectos</p><p>fisiológicos, morais, sociais e econômicos. É elemento-chave na formação das</p><p>coletividades e, portanto, dos valores que tais coletividades difundem. Os</p><p>valores são crenças hierarquizadas sobre estilos de vida e formas de existên-</p><p>cia que orientam nossas atitudes e comportamentos (Ros, 2006). Valores são</p><p>difundidos à nossa volta a todo instante. É o que ocorre, por exemplo, quan-</p><p>do se vinculam atividades e o status ocupacional de um trabalhador. Como</p><p>consequência, as pessoas que executam tarefas manuais ou operacionais, em</p><p>múltiplas circunstâncias, tendem a ser desdenhadas. Já àquelas que planejam</p><p>ou tomam as decisões são atribuídas melhores recompensas e considerações.</p><p>Existem trabalhadores pobres, pessoas cujo trabalho não proporciona</p><p>renda suficiente para viver. Entretanto, há também trabalhadores que atuam</p><p>no nível estratégico das organizações que ganham até 150 vezes mais do que</p><p>os seus subalternos. Isso parece indicar que a distribuição da renda está fluin-</p><p>do para cima e não para baixo (Donkin, 2003).</p><p>Todo trabalho envolve, em alguns casos mais e em outros menos, es-</p><p>forços físico e intelectual. Privilegiar o trabalho que demanda maior esforço</p><p>26 Zanelli, silva e soares</p><p>intelectual é, sem dúvida, um modo de favorecer interesses, desprezando a</p><p>evidente indissociação do pensar e do fazer em qualquer atividade labora-</p><p>tiva e suas consequências para a saúde mental do trabalhador. A dicotomia</p><p>entre o pensar e o fazer, entre outras consequências, produz no trabalhador</p><p>sentimentos de alienação (Vechio, 2008).</p><p>Cada mundo concreto do trabalho constitui um subsistema social</p><p>específico, com seus interesses grupais, seus valores e seus princípios, suas</p><p>normas e seu estilo peculiar. Tais características influenciam sobremaneira o</p><p>fenômeno psicossocial da aposentadoria, conforme passaremos a discutir no</p><p>capítulo que segue.</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Leia aqui</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e4bde7a9-8f6e-46fc-b18f-79a169357014/58636b09-e825-431c-ada3-4697acd63c28.pdf</p><p>Dica do professor</p><p>O sentido e o significado do trabalho são objeto de pesquisa há muito tempo, sendo mais um</p><p>campo de estudo da Psicologia e da Sociologia. Aprenda mais sobre o assunto no vídeo a seguir.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/eb4120ca6a8fc3f39cb3508edbbe20bd</p><p>Exercícios</p><p>1)</p><p>O trabalho atinge diferentes dimensões e variados significados na construção de identidade</p><p>do indivíduo, a partir do sentido que lhe é atribuído. Deste modo, um trabalho como núcleo</p><p>de sentido da existência humana significa.</p><p>A) realizar-se em um ambiente que não muda.</p><p>B) ter um trabalho interessante, fonte de autoestima e autorrealizador.</p><p>C) garantir retorno financeiro.</p><p>D) atender às necessidades básicas do indivíduo e de sua família.</p><p>E) corresponder a um esforço corporal e desumanizado.</p><p>2)</p><p>Com as mudanças no mundo moderno, as relações de poder estão se alterando e os chefes</p><p>de escritório e o supervisor de chão de fábrica estão descobrindo novos perfis de</p><p>profissionais que chegam ao mercado de trabalho. Isso tem provocado mudanças na relação</p><p>homem/trabalho. Com base nisso, analise a seguinte situação:</p><p>Augusto é um jovem que acaba de conseguir seu primeiro emprego. Estava muito feliz, até</p><p>ter um atrito com o seu supervisor. Augusto não gostava da forma como o supervisor o</p><p>cobrava de situações corriqueiras do seu trabalho, ao mesmo tempo, também não aceitava</p><p>sugestões. Ele sempre se posicionava, questionando a situação, até que a relação ficou</p><p>insustentável e pediu desligamento.</p><p>A atitude de Augusto foi motivada por:</p><p>A) impulsividade e falta de percepção da hierarquia.</p><p>B) falta de adaptação ao ambiente corporativo, por ser seu primeiro emprego.</p><p>C) à não aceitação de ordens ou situações impostas sem justificativa.</p><p>D) à falta de habilidade da liderança.</p><p>E) à falta de competência para a função.</p><p>Dentre as tantas percepções sobre o trabalho, ele pode ser compreendido como um esforço</p><p>físico do ser humano, com a finalidade de transformar o meio em que vive. Sobre as 3)</p><p>características e conceitos de trabalho, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I. A relação entre sujeito e demais objetos com os quais interage é intermediada pelo</p><p>significado que é atribuído às coisas.</p><p>II. O trabalho como um fardo é consequência do esforço físico dispendido pelo profissional,</p><p>em função da redução de postos de emprego e da pressão pela produtividade.</p><p>III. O estresse é consequência de um trabalho desgastante e de significado irrelevante.</p><p>IV. Um trabalho não alienante está diretamente relacionado à forma como a organização cria</p><p>condições para que o trabalhador tenha qualidade de vida no trabalho.</p><p>V. O trabalho deve ser planejado para atender às demandas da sociedade e às expectativas</p><p>organizacionais no alcance de resultados cada vez mais elevados.</p><p>Está CORRETO apenas o que se afirma em:</p><p>A) I, III e V.</p><p>B) II e IV.</p><p>C) I, IV e V.</p><p>D) I e V.</p><p>E) III, IV e V.</p><p>4)</p><p>O trabalho pode ser considerado o principal elemento de ordem na vida das pessoas. Nesse</p><p>sentido, complete as lacunas a seguir com os termos adequados.</p><p>A busca da ____________ e atendimento às necessidades do indivíduo estão associados ao</p><p>trabalho, que também é fonte de _______________ e de _____________, que contrapõem à</p><p>visão de um trabalho _______________.</p><p>Agora assinale a opção que apresenta os termos CORRETOS, respectivamente:</p><p>A) maturidade; dependência; socialização; instável.</p><p>B) motivação; sobrevivência; percepção; estressante.</p><p>C) transformação; autopercepção; autoimagem; alienante.</p><p>D) sobrevivência; autoestima; autorrealização; insignificante.</p><p>E) motivação; alienação; autoconceito; limitado.</p><p>5)</p><p>O trabalho pode ser uma fonte de satisfação, bem como de sofrimento, gerado em função</p><p>do distanciamento entre os objetivos individuais e os organizacionais. Em relação a esse</p><p>fato, assinale a opção INCORRETA.</p><p>A) O indivíduo deve ser percebido como um ser integral, considerando suas</p><p>múltiplas</p><p>potencialidades: física, intelectual, emocional e espiritual.</p><p>B) Um ambiente organizacional desfavorável ao desenvolvimento da competência humana e um</p><p>contexto alienante transformam as organizações em um espaço desumanizado.</p><p>C) As organizações devem propiciar ao trabalhador um ambiente que ofereça um trabalho com</p><p>significado e alinhado aos seus valores pessoais.</p><p>D) Para que o indivíduo sofra menos nos espaços das organizações, deve aprender a separar a</p><p>expressão natural e livre de sentimentos da competência interpessoal.</p><p>E) A execução de atividades sem significado pelo trabalhador podem provocar riscos à saúde</p><p>psíquica dele.</p><p>Na prática</p><p>Quem nunca ouviu uma história e ficou surpreso sobre como algumas pessoas mudaram</p><p>totalmente suas vidas profissionais porque já não encontravam sentido naquilo que faziam e isso</p><p>trazia-lhes muita insatisfação. Alguns, mudam radicalmente de vida. Há casos de milionários que</p><p>largaram tudo e foram para algum lugar, tendo uma vida simples e longe do glamour. Outros</p><p>buscaram algo de que realmente gostavam e que os faziam sentir realizados em um propósito. Foi</p><p>assim com Steve Wozniak. Veja a seguir.</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Desafio Profissão - Escolha da profissão: O certo e o errado</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Qual é a tua obra? - Mário Sérgio Cortella</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://www.youtube.com/embed/Ade8DxmNImo</p><p>https://www.youtube.com/embed/pyWLWbaStAU</p>

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