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<p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>G I N E C O L O G I A</p><p>ÚLCERAS GENITAIS</p><p>JANEIRO/2022</p><p>P R O F . M O N A L I S A C A R V A L H O</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>Úlceras Genitais</p><p>PROF. MONALISA</p><p>CARVALHO</p><p>APRESENTAÇÃO:</p><p>/estrategiamedt.me/estrategiamed</p><p>Estratégia MED</p><p>@dramonalisacarvalho</p><p>@estrategiamed</p><p>Olá, aluno Estratégia!</p><p>Sou a professora Monalisa Carvalho, da equipe de</p><p>Ginecologia do Estratégia MED. Sou piauiense, formada</p><p>pela Universidade Federal do Piauí, com residência em</p><p>Ginecologia e Obstetrícia na mesma instituição. Durante todo</p><p>o último ano de faculdade, estudei muito, fazia simulados</p><p>e vários resumos. Prestei prova em três instituições e</p><p>passei nas duas últimas: Universidade de São Paulo (USP),</p><p>Universidade Federal do Piauí (UFPI) e SUS- SP.</p><p>Um ano após o término da residência me mudei para</p><p>São Paulo para cursar Pós Graduação em Patologia do Trato</p><p>Genital Inferior na Escola Paulista de Medicina (Unifesp-</p><p>EPM) e hoje tenho título de especialista nessa área pela</p><p>Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior</p><p>e Colposcopia (ABPTGIC). Atualmente sou Médica</p><p>preceptora da Patologia do Trato Genital Inferior da</p><p>Unifesp, faço mestrado na mesma instituição e</p><p>atuo no setor privado como Colposcopista.</p><p>Nossa missão no Estratégia MED é que,</p><p>através dos nossos recursos e da sua dedicação,</p><p>você consiga sua tão sonhada revalidação!</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>https://www.facebook.com/estrategiamed1</p><p>https://t.me/estrategiamed</p><p>https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw</p><p>https://www.instagram.com/dramonalisacarvalho/</p><p>https://www.instagram.com/estrategiamed/</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>3Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>SUMÁRIO</p><p>1.0 INTRODUÇÃO 4</p><p>2.0 CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA 5</p><p>3.0 ÚLCERAS INFECCIOSAS DE CAUSA SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL 6</p><p>3.1. SÍFILIS 6</p><p>3.2. CANCRO MOLE 8</p><p>3.3. HERPES GENITAL 10</p><p>3.4. DONOVANOSE 13</p><p>3.5. LINFOGRANULOMA VENÉREO 14</p><p>4.0 ABORDAGEM DA PACIENTE COM ÚLCERA GENITAL 15</p><p>5.0 RESUMO DAS PRINCIPAIS ÚLCERAS GENITAIS 17</p><p>6.0 LISTA DE QUESTÕES 18</p><p>7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 19</p><p>8.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 20</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>4Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>1.0 INTRODUÇÃO</p><p>CAPÍTULO</p><p>0 5 10 15 20 25</p><p>Rastreamento do câncer de colo uterino</p><p>Vulvovaginites</p><p>Planejamento familiar</p><p>Climatério</p><p>Rastreamento do câncer de mama</p><p>Úlceras genitais</p><p>Violência sexual</p><p>Amenorreia</p><p>Câncer de endométrio</p><p>Tumores anexiais/ Câncer de ovário</p><p>TOP 10 REVALIDA (2005-2021)</p><p>O que as questões costumam cobrar?</p><p>• Identificar qual é a patologia que causa a úlcera. Para isso, fique atento às três características abaixo:</p><p>◦ Quantidade de lesões.</p><p>◦ Presença/ausência de dor.</p><p>◦ Presença de linfonodomegalia.</p><p>• Tratamento. Neste tópico, saiba não somente o tratamento para cada uma das patologias, mas também</p><p>como o Ministério da Saúde aborda as pacientes com queixa de úlcera genital (abordagem sindrômica).</p><p>Olá, colega Revalidando, pronto para mais um assunto de Ginecologia?</p><p>Neste livro, estudaremos as úlceras genitais.</p><p>Úlceras genitais são lesões em que há perda de tecido epitelial, com envolvimento da</p><p>epiderme e da derme, ou apenas da epiderme, localizadas na vulva e/ou vagina e/ou colo</p><p>uterino.</p><p>Fique atento, pois é um tema que pode ser cobrado tanto em questões de ginecologia quanto nas de infectologia!</p><p>Em gineco, esse tema está no top 10 das questões para as provas de Revalidação. Veja no gráfico abaixo:</p><p>TOME</p><p>NOTA!</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>5Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>CAPÍTULO</p><p>2.0 CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA</p><p>Uma dica importante para as questões é a observação da idade da paciente. Em</p><p>mulheres no menacme (período reprodutivo), você deve pensar em úlceras genitais de causa</p><p>sexualmente transmissível! Já em crianças e idosos, predominam outros tipos de infecção, ou</p><p>mesmo doenças inflamatórias, autoimunes e neoplásicas.</p><p>As úlceras genitais podem ser classificadas em infecciosas e não infecciosas. O primeiro grupo, por sua vez,</p><p>pode ser dividido em outros dois: úlceras de causa sexualmente transmissível (ISTs) e não sexualmente transmissível</p><p>(não IST).</p><p>O quadro abaixo resume as principais etiologias das úlceras genitais:</p><p>ETIOLOGIA DAS ÚLCERAS INFECCIOSAS</p><p>IST NÃO IST</p><p>Cancro duro (sífilis) Salmonelose</p><p>Cancro mole (cancroide) Citomegalovírus</p><p>Herpes Epstein-Barr</p><p>Donovanose (granuloma inguinal) Influenza A</p><p>Linfogranuloma venéreo Tuberculose</p><p>ETIOLOGIA DAS ÚLCERAS NÃO INFECCIOSAS</p><p>Doença de Behçet</p><p>Doença de Crohn</p><p>Úlcera de Lipschütz</p><p>Neoplasia invasora</p><p>Líquen plano erosivo</p><p>Traumas</p><p>Reações a drogas</p><p>Doenças vesicobolhosas da pele</p><p>Síndrome de Reiter</p><p>Retocolite ulcerativa</p><p>Hidradenite supurativa</p><p>As provas de Revalidação sempre cobraram apenas as úlceras genitais de causa sexualmente transmissível, por</p><p>isso, neste livro, veremos apenas elas.</p><p>Vamos lá?</p><p>TOME</p><p>NOTA!</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>6Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>3.0 ÚLCERAS INFECCIOSAS DE CAUSA</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL</p><p>3.1. SÍFILIS</p><p>CAPÍTULO</p><p>A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema pallidum.</p><p>Como essa doença tem um livro específico, aqui falaremos apenas da forma que cursa com úlcera genital, a sífilis</p><p>primária, cancro duro ou protossifiloma.</p><p>Trata-se de uma úlcera indolor (ou pouco dolorosa), em geral única, com fundo limpo e bordas endurecidas</p><p>(Figura 1), que geralmente passa despercebida pelo paciente. Ocorre linfadenopatia regional móvel, indolor, múltipla</p><p>e que não fistuliza. No geral, a adenopatia também passa despercebida.</p><p>A lesão aparece de 10-90 dias após o contato sexual (média de 3 semanas), é muito infectante, rica em treponemas</p><p>– que podem ser visualizados ao microscópio óptico com campo escuro – e costuma desaparecer entre 3 a 4 semanas</p><p>sem deixar cicatrizes.</p><p>SÍFILIS PRIMÁRIA, CANCRO DURO OU</p><p>PROTOSSIFILOMA (Figura 1)</p><p>Única</p><p>Indolor</p><p>Bordos elevados</p><p>Fundo limpo</p><p>Adenopatia indolor</p><p>Aparece 3 semanas após o contato sexual e</p><p>desaparece em 3-4 semanas</p><p>Figura 1: Cancro duro ou sífilis primária.</p><p>O tratamento padrão da sífilis primária deve ser feito com penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades IM,</p><p>em dose única (1,2 milhão UI em cada glúteo). Deve ser realizado o tratamento de todas as parcerias sexuais dos</p><p>últimos 90 dias.</p><p>Vamos ver como essa doença já foi cobrada no Revalida?</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>7Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>CAI NA PROVA</p><p>Comentários:</p><p>Em pacientes no menacme com úlceras genitais, devemos sempre pensar primeiro em causas sexualmente</p><p>transmissíveis, especialmente nesse caso em que a paciente refere relação sexual desprotegida há 30 dias.</p><p>O que podemos observar nessa imagem? Úlcera única, de bordos endurecidos e fundo limpo. A questão apenas</p><p>erra ao falar, no início do enunciado, que a paciente referia dor no local da lesão e, ao final, descreve uma úlcera indolor.</p><p>De qualquer modo, uma úlcera única, de bordos elevados e fundo limpo traz sífilis primária como a principal</p><p>hipótese diagnóstica.</p><p>Vamos analisar as alternativas:</p><p>Incorreta a alternativa A. Esfregaço da lesão corado</p><p>com Gram é um ótimo método diagnóstico para o</p><p>cancro mole (veremos detalhes adiante).</p><p>Correta a alternativa B. Como vimos, a principal hipótese</p><p>diagnóstica</p><p>é sífilis primária. Nesse caso, a lesão é rica</p><p>em treponemas, que podem ser vistos em microscopia</p><p>de campo escuro. O tratamento padrão deve ser feito</p><p>com penicilina benzatina 2.400.000 UI IM.</p><p>Incorreta a alternativa C. Os treponemas não são bem</p><p>visualizados no exame a fresco. Fique tranquilo, todos</p><p>os métodos diagnósticos para sífilis estão no livro digital</p><p>específico do tema.</p><p>Incorreta a alternativa D. A lesão tem fundo limpo, não</p><p>havendo material para enviar para cultura.</p><p>REVALIDA INEP 2014</p><p>Uma mulher com 25 anos de idade comparece ao Ambulatório e refere</p><p>aparecimento, há 10 dias, de ferida dolorosa na vulva, mostrada na foto</p><p>abaixo. (VER IMAGEM) Relata relação sexual desprotegida há 30 dias.</p><p>Nega dor ou febre. Ao exame, observa-se lesão única, ulcerada, de bordas</p><p>endurecidas. Considerando a etiologia mais provável, o exame que deve ser</p><p>solicitado para confirmação diagnóstica é:</p><p>A) bacterioscopia de esfregaço da lesão corado pelo método de Gram.</p><p>B) pesquisa em campo escuro do agente etiológico.</p><p>C) pesquisa bacteriológica a fresco.</p><p>D) cultura de secreção da lesão.</p><p>Gabarito: B</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>8Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>3.2. CANCRO MOLE</p><p>O cancro mole, também conhecido como</p><p>cancroide, é uma infecção sexualmente transmissível</p><p>causada pela bactéria Gram-negativa Haemophilus</p><p>ducreyi. Tem período de incubação curto, 3 a 5 dias, e,</p><p>logo após, surgem pápulas que rapidamente se rompem</p><p>e formam úlceras múltiplas, rasas, dolorosas, com</p><p>fundo sujo, purulento e bordas irregulares (Figura 2),</p><p>que facilmente sangram ao toque. As lesões geralmente</p><p>localizam-se em fúrcula ou na face interna de pequenos</p><p>lábios (lesões “em beijo”, “em livro” ou “em espelho”),</p><p>são muito contagiosas e autoinoculáveis. Pode existir</p><p>linfadenopatia dolorosa, que evolui para fistulização em</p><p>orifício único.</p><p>CANCRO MOLE (Figura 2)</p><p>Múltiplas</p><p>Dolorosas</p><p>Fundo sujo/purulento</p><p>Bordas irregulares</p><p>Linfadenopatia dolorosa com fistulização em orifício únicoFigura 2: Cancro mole. Observe as lesões</p><p>múltiplas e com fundo sujo.</p><p>O diagnóstico é feito por meio da microscopia</p><p>direta, que visualiza os bacilos Gram-negativos dispostos</p><p>em “cardume de peixe” (Figura 3). O tratamento padrão</p><p>é com azitromicina 1 g dose única, com tratamento de</p><p>todos os parceiros sexuais dos 10 dias anteriores ao</p><p>aparecimento da úlcera.</p><p>Figura 3: Microscopia direta mostrando</p><p>Haemophilus ducreyi (imagem em cardume de peixe).</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>9Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>CAI NA PROVA</p><p>Comentários:</p><p>Nesse caso, a presença de úlcera de fundo sujo e dolorosa fala a favor de cancro mole, apesar de, classicamente,</p><p>essa doença manifestar-se como úlceras múltiplas.</p><p>Vamos analisar as alternativas:</p><p>Incorreta a alternativa A. Cancro duro ou úlcera da</p><p>sífilis primária manifesta-se como úlcera única, indolor,</p><p>de fundo limpo e bordos elevados, com adenopatia</p><p>associada.</p><p>Incorreta a alternativa B. LUES é outro nome utilizado</p><p>para sífilis. A sífilis secundária não se manifesta como</p><p>úlcera genital, mas, sim, como roséola sifilítica ou como</p><p>o condiloma plano. Você verá detalhes sobre todas as</p><p>fases da sífilis no livro digital específico do tema.</p><p>Correta a alternativa C. O cancro mole é uma infecção</p><p>sexualmente transmissível causada pela bactéria Gram-</p><p>negativa Haemophilus ducreyi. Formam-se úlceras</p><p>múltiplas (na maioria dos casos), rasas, dolorosas,</p><p>com fundo sujo, purulento e bordas irregulares, que</p><p>facilmente sangram ao toque. Em 50% dos casos, pode</p><p>existir linfadenopatia dolorosa (mais comum no sexo</p><p>masculino). Além do quadro clínico, a microscopia direta</p><p>mostra a presença dos cocobacilos Gram-negativos</p><p>dispostos em “cardume de peixe”, em “impressão</p><p>digital”, em paliçada ou em cadeias isoladas.</p><p>Incorreta a alternativa D. O granuloma inguinal (ou</p><p>donovanose) é uma doença causada pela bactéria</p><p>Gram-negativa intracelular Klebsiella granulomatis.</p><p>Clinicamente, é caracterizada como lesões ulcerativas</p><p>lentamente indolores nos genitais ou no períneo sem</p><p>linfadenopatia regional. Você verá detalhes sobre essa</p><p>doença adiante.</p><p>Incorreta a alternativa E. O linfogranuloma venéreo</p><p>manifesta-se como úlcera genital em sua fase primária,</p><p>com úlcera única indolor e muitas vezes imperceptível.</p><p>Você verá detalhes sobre essa doença e suas fases</p><p>adiante.</p><p>REVALIDA INEP 2011</p><p>Em consulta médica no posto de saúde, paciente jovem relata “ferida” na genitália externa que surgiu há cerca de</p><p>30 dias. Ao exame, nota-se úlcera vulvar, única, de contornos imprecisos, fundo purulento e dolorosa ao toque,</p><p>associada a linfadenopatia homolateral. O esfregaço do material da borda da úlcera, corado pelo método de GRAM,</p><p>revelou bacilos Gram negativos intracelulares. A hipótese diagnóstica principal é:</p><p>A) sífilis primária.</p><p>B) úlcera luética secundária.</p><p>C) cancro mole.</p><p>D) donovanose.</p><p>E) linfogranuloma venéreo.</p><p>Gabarito: C</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>10Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>3.3. HERPES GENITAL</p><p>O herpes genital é uma IST causada pelo herpes simples vírus (HSV) tipos 1 e 2. É a principal causa de úlcera</p><p>genital no mundo.</p><p>A primoinfecção herpética é assintomática na maioria dos casos (75%). A paciente pode referir pródromos</p><p>(sintomas antes do aparecimento das lesões) como mialgia, formigamento e febre baixa. Quando sintomática, a</p><p>primoinfecção herpética tende a ser mais grave que as demais.</p><p>HERPES GENITAL (Figura 4)</p><p>Múltiplas vesículas de conteúdo citrino</p><p>Dolorosas</p><p>Rompimento das vesículas -></p><p>exulcerações (úlceras rasas)</p><p>Linfadenopatia inguinal dolorosa Figura 4: Herpes genital. Observe a intensa reação inflamatória, com</p><p>múltiplas vesículas e algumas úlceras. Fonte: acervo pessoal do autor.</p><p>Inicialmente, formam-se pápulas eritematosas,</p><p>seguidas por múltiplas vesículas dolorosas (a paciente</p><p>refere sensação de “queimação”) com conteúdo citrino</p><p>e que se rompem, dando origem a ulcerações (Figura</p><p>4). Em 50% dos casos, ocorre linfadenopatia inguinal</p><p>dolorosa.</p><p>Como a infecção herpética não tem cura,</p><p>após a infecção primária, uma parte dos pacientes</p><p>desenvolverá novos episódios por reativação do vírus,</p><p>que estão associados a fatores desencadeantes, como</p><p>trauma, estresse e febre. Os episódios de recorrência</p><p>são mais leves.</p><p>O diagnóstico deve ser feito pelas características</p><p>clínicas da lesão e, caso seja optado por exame</p><p>complementar, o melhor método é o PCR (reação em</p><p>cadeia da polimerase) no material da lesão.</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>11Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>Como vimos, não existe tratamento curativo para</p><p>herpes. Os antivirais controlam os sintomas da doença</p><p>e encurtam a duração das lesões. A terapia supressiva</p><p>deve ser feita para reduzir a frequência e severidade das</p><p>recorrências e está indicada quando a paciente tem 6</p><p>ou mais surtos por ano, devendo ser mantida por, no</p><p>mínimo, 6 meses. O antiviral de escolha do Ministério</p><p>da Saúde é o aciclovir, nas dosagens abaixo:</p><p>ACICLOVIR</p><p>PRIMOINFECÇÃO 400 mg, VO, 8/8 h, por 7-10 dias</p><p>RECORRÊNCIA 400 mg, VO, 8/8 h, por 5 dias</p><p>TERAPIA DE SUPRESSÃO 400 mg, VO, 12/12 h</p><p>CAI NA PROVA</p><p>A) Cancroide; azitromicina 1 g por via oral em dose única.</p><p>B) Linfogranuloma inguinal; doxicilina 100 mg, duas vezes ao dia, por 14 dias.</p><p>C) Herpes genital; aciclovir 400 mg por via oral, três vezes ao dia, por 7 a 10 dias.</p><p>D) Sífilis; penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades via intramuscular, a cada 7 dias, por 3 semanas.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>A paciente tem lesões múltiplas,</p><p>pequenas e dolorosas, acompanhadas de sintomas prodrômicos (mal-estar e</p><p>febre). O quadro é compatível com herpes genital. Vamos analisar as alternativas:</p><p>REVALIDA INEP 2015</p><p>Uma mulher de 27 anos de idade, solteira, nulípara, chega à Unidade Básica de Saúde queixando-se de que há dois ou</p><p>três dias vem sentindo mal-estar geral, sensação de febre e ardor ao urinar. Ontem à noite notou "feridas na vagina".</p><p>O exame da vulva demonstrou lesões ulcerosas bilaterais dolorosas, de pequenas dimensões. Diante disso, quais são,</p><p>respectivamente, a hipótese mais provável e o tratamento indicado?</p><p>Incorreta a alternativa A. Cancro mole cursa com quadro</p><p>de úlceras múltiplas, dolorosas, com bordos irregulares,</p><p>fundo sujo e friável e base amolecida, que se associam</p><p>à adenopatia unilateral dolorosa. O tratamento é feito</p><p>com azitromicina 1 g, dose única.</p><p>Incorreta a alternativa B. A úlcera do linfogranuloma</p><p>venéreo (veremos detalhes adiante) corresponde à</p><p>fase primária da doença, é única, indolor e muitas vezes</p><p>imperceptível.</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>12Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>Correta a alternativa C. Herpes é uma infecção</p><p>sexualmente transmissível causada por um vírus, o</p><p>herpes simples vírus (HSV). Cursa com lesões vesiculares</p><p>múltiplas e dolorosas que ulceram e evoluem para</p><p>crostas, com posterior resolução sem deixar cicatrizes.</p><p>Associa-se à adenopatia inguinal dolorosa. O tratamento</p><p>padrão da primoinfecção é o uso de aciclovir oral 400 mg</p><p>de 8/8 h por 7-10 dias. O tratamento das recidivas é feito</p><p>com a mesma dosagem, por 5 dias.</p><p>Incorreta a alternativa D. Cancro duro ou úlcera da</p><p>sífilis primária manifesta-se como úlcera única, indolor,</p><p>de fundo limpo e bordos elevados, com adenopatia</p><p>associada. O tratamento é feito com penicilina benzatina.</p><p>REVALIDA INEP 2013</p><p>Mulher com 19 anos de idade, primigesta, com gestação de 22 semanas, procura serviço de pronto atendimento</p><p>obstétrico por apresentar lesões ulceradas, rasas e dolorosas em vulva, iniciadas há um dia, acompanhadas de febre</p><p>não aferida e mal-estar geral. Relata que o quadro se iniciou há três dias, precedido por sensação de queimação</p><p>no local. Nega qualquer lesão semelhante anterior. Não se observam alterações em gânglios inguinais. A hipótese</p><p>diagnóstica e a conduta CORRETA para a paciente são, respectivamente:</p><p>A) Cancro mole; iniciar doxiciclina.</p><p>B) Herpes genital; iniciar aciclovir oral.</p><p>C) Donovanose; iniciar penicilina benzatina.</p><p>D) Sífilis primária; iniciar penicilina benzatina.</p><p>E) Condiloma plano; cauterizar com ácido tricloroacético 90%.</p><p>Comentários:</p><p>A paciente tem lesões múltiplas, rasas e dolorosas, acompanhadas de pródromos (queimação, febre e mal-estar).</p><p>O quadro é compatível com herpes genital. Vamos analisar as alternativas:</p><p>Incorreta a alternativa A. Cancro mole cursa com quadro</p><p>de úlceras múltiplas, dolorosas, com bordos irregulares,</p><p>fundo sujo e friável e base amolecida, que se associam à</p><p>adenopatia unilateral dolorosa.</p><p>Correta a alternativa B. Herpes é uma infecção</p><p>sexualmente transmissível causada por um vírus, o</p><p>herpes simples vírus (HSV). Cursa com lesões vesiculares</p><p>múltiplas e dolorosas que ulceram e evoluem para crostas,</p><p>com posterior resolução sem deixar cicatrizes. Associa-se</p><p>à adenopatia inguinal dolorosa. O tratamento consiste no</p><p>uso de aciclovir oral.</p><p>Incorreta a alternativa C. O granuloma inguinal (ou</p><p>donovanose) é uma doença causada pela bactéria Gram -</p><p>negativa intracelular Klebsiella granulomatis. Clinicamente,</p><p>é caracterizada como lesões ulcerativas lentamente</p><p>indolores nos genitais ou no períneo sem linfadenopatia</p><p>regional. Veremos mais detalhes sobre ela adiante</p><p>Incorreta a alternativa D. Cancro duro ou úlcera da sífilis</p><p>primária manifesta-se como úlcera única, indolor, de fundo</p><p>limpo e bordos elevados, com adenopatia associada.</p><p>Incorreta a alternativa E. O condiloma plano é manifestação</p><p>da sífilis secundária. Portanto, o tratamento não é feito com</p><p>ácido tricloroacético, mas, sim, com penicilina. Você verá</p><p>detalhes sobre esse estágio da sífilis no livro específico</p><p>sobre o tema.</p><p>Gabarito: C</p><p>Gabarito: B</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>13Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>3.4. DONOVANOSE</p><p>É uma IST crônica (fique muito atento a esse detalhe nas questões!) causada pela bactéria Gram-negativa</p><p>Klebsiella granulomatis. O período de incubação é bastante variável, de 1 a 360 dias. As lesões iniciam como pápulas</p><p>ou nódulos subcutâneos indolores, que aumentam de tamanho e necrosam, formando úlceras indolores de bordas</p><p>hipertróficas, com fundo granulomatoso, de aspecto vermelho-vivo e de sangramento fácil (Figura 5). A ulceração</p><p>evolui lenta e progressivamente. As lesões são múltiplas, frequentemente assumindo “configuração em espelho”. Não</p><p>há linfadenomegalia.</p><p>DONOVANOSE (Figura 5)</p><p>Lesões múltiplas</p><p>Indolores</p><p>Bordas hipertróficas</p><p>Fundo granulomatoso,</p><p>vermelho-vivo, sangramento fácil</p><p>Evolução lenta e progressiva</p><p>Não há linfonodomegalia</p><p>Figura 5: Donovanose.</p><p>O diagnóstico é feito por meio do esfregaço ou</p><p>biópsia da lesão, em que são vistos os corpúsculos de</p><p>Donovan (bactérias no interior de macrófagos, com</p><p>forma em “alfinete de dama” – Figura 5). A primeira opção</p><p>de tratamento é azitromicina 500 mg, 2 comprimidos,</p><p>VO, 1x/semana, por pelo menos 3 semanas ou até</p><p>cicatrização das lesões.</p><p>Toda úlcera com evolução maior que 4 semanas deve ser biopsiada (pense sempre na</p><p>possibilidade de neoplasia nesses casos)!!</p><p>TOME</p><p>NOTA!</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>14Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>3.5. LINFOGRANULOMA VENÉREO</p><p>O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma doença infecciosa de transmissão exclusivamente sexual causada pelos</p><p>sorotipos L1, L2 e L3 da Chlamydia trachomatis. A evolução da doença ocorre em três fases:</p><p>1. Fase primária: pápula, pústula ou erosão, indolor, muitas vezes imperceptível, desaparecendo sem deixar</p><p>sequelas.</p><p>2. Fase secundária: aparece a manifestação clínica mais comum da doença, linfadenopatia inguinal ou</p><p>femoral, geralmente unilateral e dolorosa (Figura 6). Os linfonodos fistulizam por orifícios múltiplos,</p><p>no padrão característico de “bico de regador”. Essa fase pode ser acompanhada de sintomas gerais</p><p>inespecíficos: febre, mal-estar, anorexia, emagrecimento, cefaleia, vômitos, artralgia, sudorese noturna e</p><p>hepatoesplenomegalia.</p><p>Figura 6: Linfogranuloma venéreo. Fase secundária e bico de regador (fonte: Shutterstock)</p><p>3. Fase terciária: nessa fase, ocorrem as sequelas da doença, devido à obstrução linfática crônica que</p><p>provoca elefantíase genital (na mulher é denominada estiomene).</p><p>A primeira opção de tratamento é doxiciclina 100 mg, VO, de 12/12 horas, por 21 dias. Como segunda opção,</p><p>pode ser utilizada a azitromicina, na mesma dosagem utilizada para donovanose (1 g por semana por 3 semanas). Todas</p><p>as parcerias sexuais devem ser tratadas.</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>15Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>4.0 ABORDAGEM DA PACIENTE COM</p><p>ÚLCERA GENITAL</p><p>CAPÍTULO</p><p>Vamos supor que você atenda uma paciente com queixa de úlcera genital única,</p><p>indolor, de bordos elevados e fundo limpo. Parece sífilis, não é mesmo? Pois bem,</p><p>pela abordagem do Ministério da Saúde, você não deve tratar apenas sífilis, mas, sim,</p><p>sífilis e cancro mole, baseado na prevalência dessas duas doenças e na possibilidade</p><p>de coinfecção. Entendeu?</p><p>História clínica: avaliar práticas sexuais e</p><p>fatores de risco para IST</p><p>Lesões: ulcerativas erosivas, precedidas ou</p><p>não por pústulas e/ou vesículas,</p><p>acompanhadas ou não de dor, ardor,</p><p>prurido, drenagem de material</p><p>mucopurulento, sangramento e</p><p>linfadenopatia regional</p><p>Fatores de risco para IST</p><p>- Idade abaixo de 30 anos</p><p>- Novas ou múltiplas parcerias sexuais</p><p>- Parcerias com IST</p><p>- História prévia/presença de outra IST</p><p>- Uso irregular de preservativo</p><p>Queixa de úlcera genital</p><p>Anamnese e</p><p>exame clínico</p><p>IST como causa</p><p>provável?</p><p>Investigar outras</p><p>causas</p><p>Lesões vesiculosas</p><p>ativas?</p><p>Tratar herpes</p><p>genital</p><p>Tratar sífilis e</p><p>cancro mole</p><p>Tratar sífilis, cancro</p><p>mole, LGV,</p><p>donovanose/realizar</p><p>biópsia</p><p>Lesão com mais</p><p>de 4 semanas?</p><p>Não</p><p>Não Não</p><p>Sim</p><p>Sim Sim</p><p>Estrategista, muitas questões de úlceras genitais pedem especificamente a conduta baseada na abordagem</p><p>sindrômica do Ministério da Saúde. Mas, afinal, no que consta essa abordagem?</p><p>Significa que você deve tratar o paciente não só baseado nas características da lesão, mas também na prevalência</p><p>local dos agentes etiológicos.</p><p>Segue abaixo o fluxograma de investigação:</p><p>ESCLARECENDO!</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>16Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>Caro Revalidando, a abordagem sindrômica nunca foi cobrada em provas de Revalidação, mas, como é preconizada</p><p>pelo Ministério da Saúde, vamos ver uma questão modelo?</p><p>CAI NA PROVA</p><p>ESTRATEGIA MED- 2021</p><p>Paciente de 25 anos, sexualmente ativa, refere aparecimento há 2 semanas de úlcera vulvar única e dolorosa. Nega</p><p>história de vesículas. Segundo o Ministério da Saúde, qual deve ser a conduta preconizada?</p><p>A) Pesquisar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e biopsiar;</p><p>B) Aciclovir oral e biopsiar;</p><p>C) Penicilina benzatina dose única, Azitromicina dose única, Doxiciclina por 21 dias;</p><p>D) Aciclovir por 7-10 dias, Penicilina benzatina dose única, Azitromicina dose única, pesquisar ISTs;</p><p>E) Penicilina benzatina dose única, Azitromicina dose única, pesquisar ISTs.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>Nossa paciente está no menacme e é portadora de úlcera genital. Em pacientes no menacme, as infecções</p><p>sexualmente transmissíveis são responsáveis pela maioria das úlceras genitais. Essa questão tem uma peculiaridade:</p><p>pede a abordagem sindrômica do Ministério da Saúde (fluxograma acima).</p><p>Vamos analisar as alternativas:</p><p>Para finalizar, o mapa mental a seguir resume as características das principais úlceras genitais:</p><p>Incorreta a alternativa A. A biópsia só está indicada após</p><p>evolução de 4 semanas.</p><p>Incorreta a alternativa B. A biópsia só está indicada após</p><p>evolução de 4 semanas e não há indicação de aciclovir,</p><p>pois não há história de vesículas.</p><p>Incorreta a alternativa C. Esse seria o tratamento se a</p><p>evolução fosse superior a 4 semanas. Além disso, nessa</p><p>fase, já haveria também indicação de biópsia.</p><p>Incorreta a alternativa D. Não há indicação de aciclovir,</p><p>pois não há história de vesículas.</p><p>Correta a alternativa E. De acordo com o fluxograma</p><p>acima, quando não há história de vesículas, devemos</p><p>tratar sífilis e cancro mole com penicilina benzatina e</p><p>azitromicina.</p><p>Gabarito: E</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>17Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>5.0 RESUMO DAS PRINCIPAIS</p><p>ÚLCERAS GENITAIS</p><p>CAPÍTULO</p><p>Herpes simples vírus</p><p>Vesículas múltiplas de conteúdo citrino</p><p>Rompem -> úlceras rasas</p><p>Pródromos -> febre, mialgia</p><p>Adenopatia inguinal dolorosa</p><p>Tratamento: aciclovir 400 mg, 8/8 h,</p><p>7-10 dias</p><p>Treponema pallidum</p><p>Úlcera única</p><p>Bordos elevados e fundo limpo</p><p>Adenopatia indolor, não fistuliza</p><p>Tratamento: penicilina benzatina</p><p>2.400.000 UI IM</p><p>Klebsiella granulomatis</p><p>Úlceras múltiplas, indolores, de</p><p>bordas hipertróficas, com fundo</p><p>granuloso, de aspecto</p><p>vermelho-vivo e</p><p>de sangramento fácil</p><p>Não há adenopatia</p><p>Tratamento: azitromicina 1 g,</p><p>1x/semana por 3 semanas</p><p>L1, L2 e L3 da Chlamydia trachomatis</p><p>Pápula, pústula, exulceração ou erosão,</p><p>indolor, muitas vezes imperceptível,</p><p>desaparecendo sem deixar sequelas</p><p>Adenopatia dolorosa com fistulização</p><p>em “bico de regador”</p><p>Tratamento: doxiciclina 100 mg,</p><p>12/12 horas por 21 dias</p><p>Haemophilus ducreyi</p><p>Úlceras múltiplas, fundo sujo</p><p>Bordos irregulares e configuração</p><p>“em espelho”</p><p>Adenopatia dolorosa,</p><p>fistuliza em orifício único</p><p>Tratamento: azitromicina 1 g,</p><p>dose única</p><p>CANCRO MOLEHERPES</p><p>SÍFILIS DONOVANOSE</p><p>Dolorosas</p><p>Úlceras</p><p>genitais</p><p>Não</p><p>dolorosas</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>18Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>Baixe na Google Play Baixe na App Store</p><p>Aponte a câmera do seu celular para o</p><p>QR Code ou busque na sua loja de apps.</p><p>Baixe o app Estratégia MED</p><p>Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula!</p><p>Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação.</p><p>Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser.</p><p>Resolva questões pelo computador</p><p>Copie o link abaixo e cole no seu navegador</p><p>para acessar o site</p><p>Resolva questões pelo app</p><p>Aponte a câmera do seu celular para</p><p>o QR Code abaixo e acesse o app</p><p>https://estr.at/AnZP</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>https://estr.at/AnZP</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>19Prof. Monalisa Carvalho | Ginecologia | Janeiro 2022</p><p>Úlceras Genitais</p><p>7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>8.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>CAPÍTULO</p><p>CAPÍTULO</p><p>1. CARDIAL MFT, CAMPANER AB, SANTOS ALF, SPECK NMG, BARBOSA MTA, MARTINS CMR. Manual de diagnóstico</p><p>e condutas em Patologia do Trato Genital Inferior. 1. Ed. Rio De Janeiro: Atheneu, 2018.</p><p>2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Sexually Transmitted Diseases Treatment Guidelines.</p><p>Atlanta: CDC, 2015.</p><p>3. MARTINS NV, RIBALTA JCL. Patologia do trato genital inferior. 2. ed. São Paulo: Roca, 2014.</p><p>4. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com</p><p>Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2020.</p><p>5. ROYAL COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNAECOLOGISTS. Management of Genital Herpes in Pregnancy.</p><p>[s.l.]: RCOG, 2014.</p><p>6. Tratado de Ginecologia Febrasgo. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020.</p><p>Neste tema, não esqueça: quantidade de lesões e presença/ausência de dor são as chaves para você “matar” a</p><p>questão e dar um passo a mais para sua Revalidação!</p><p>E lembre-se: estamos aqui por você. Se surgir qualquer dúvida, não hesite em entrar no Fórum de Dúvidas e</p><p>enviar sua questão. Responderemos o mais breve possível.</p><p>Vejo você nas videoaulas ou no próximo livro digital.</p><p>Abraços,</p><p>Prof.ª Monalisa Carvalho.</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>m</p><p>e</p><p>d</p><p>v</p><p>i</p><p>d</p><p>e</p><p>o</p><p>s</p><p>.</p><p>c</p><p>o</p><p>m</p><p>Có</p><p>pi</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>é</p><p>ro</p><p>ub</p><p>o</p><p>♥</p><p>1.0 INTRODUÇÃO</p><p>2.0 CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA</p><p>3.0 ÚLCERAS INFECCIOSAS DE CAUSA SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL</p><p>3.1. SÍFILIS</p><p>3.2. CANCRO MOLE</p><p>3.3. HERPES GENITAL</p><p>3.4. DONOVANOSE</p><p>3.5. LINFOGRANULOMA VENÉREO</p><p>4.0 �ABORDAGEM DA PACIENTE COM</p><p>ÚLCERA GENITAL</p><p>5.0 �RESUMO DAS PRINCIPAIS</p><p>ÚLCERAS GENITAIS</p><p>6.0 Lista de questões</p><p>7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p>