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<p>COLÉGIO DA POLÍCIA MILITAR - UNIDADE CENTRO</p><p>FATIMA ARAUJO FOLETTO n°07 - 3° A</p><p>GIOVANNA GASPERINI MELLO n°11 - 3°A</p><p>JULIA DO ESPÍRITO SANTO DUARTE n°20 - 3°A</p><p>LETICIA AMANDA LINS OLIVEIRA n°23 - 3°A</p><p>THALYSSA SIMÕES DA SILVA n°36 - 3°A</p><p>VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA:</p><p>AS CONSEQUÊNCIAS NA VIDA DA MULHER APÓS A VIOLÊNCIA</p><p>TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO</p><p>SÃO PAULO</p><p>2021</p><p>FATIMA ARAUJO FOLETTO n°07 - 3° A</p><p>GIOVANNA GASPERINI MELLO n°11 - 3°A</p><p>JULIA DO ESPÍRITO SANTO DUARTE n°20 - 3°A</p><p>LETICIA AMANDA LINS OLIVEIRA n°23 - 3°A</p><p>THALYSSA SIMÕES DA SILVA n°36 - 3°A</p><p>VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA:</p><p>AS CONSEQUÊNCIAS NA VIDA DA MULHER APÓS A VIOLÊNCIA</p><p>Trabalho apresentado à Banca Examinadora do Colégio da Polícia Militar - Unidade Centro, como requisito para a obtenção do título de conclusão do Ensino Médio.</p><p>Diretora:</p><p>Cristina Luz Simões Galleti</p><p>Coordenadora:</p><p>Silvana de Cassia Lopes Marcondes</p><p>Leci Correa Neiva Ferreira</p><p>Orientador:</p><p>Maria Cristina Mikowski De Vita</p><p>SÃO PAULO</p><p>2021</p><p>VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA:</p><p>AS CONSEQUÊNCIAS NA VIDA DA MULHER APÓS A VIOLÊNCIA</p><p>FATIMA ARAUJO FOLETTO n°07 - 3° A</p><p>GIOVANNA GASPERINI MELLO n°11 - 3°A</p><p>JULIA DO ESPÍRITO SANTO DUARTE n°20 - 3°A</p><p>LETICIA AMANDA LINS OLIVEIRA n°23 - 3°A</p><p>THALYSSA SIMÕES DA SILVA n°36 - 3°A</p><p>Relatório final, apresentado ao Colégio da Polícia Militar - Unidade Centro, como parte das exigências para a obtenção do título de graduação do Ensino Médio. Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado em _____ de ____________ de ________</p><p>BANCA EXAMINADORA</p><p>____________________________________</p><p>Prof. Orientador</p><p>____________________________________</p><p>Prof. Avaliador</p><p>Dedicamos esse trabalho à nossa orientadora Maria Cristina, às mulheres que já sofreram esse tipo de violência e a todos aqueles que nos apoiaram e nos incentivaram a abordar um tema tão importante como este.</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>O desenvolvimento deste trabalho de conclusão de curso contou com a ajuda de diversas pessoas, dentre as quais agradecemos.</p><p>Para nossa professora orientadora, Maria Cristina, é o nosso maior agradecimento. Já que ela nos acompanhou pontualmente durante toda a realização, dando o auxílio necessário para conseguirmos concluir este trabalho.</p><p>Aos integrantes do grupo que com muito dedicação, harmonia, paciência e discernimento se entregaram ao máximo para a elaboração e efetivação desse projeto.</p><p>Por fim, aos nossos amigos e familiares que nos incentivaram a todo momento e não permitiram nossa desistência nos momentos mais difíceis.</p><p>“Enquanto viver, uma mulher lembrará de como a fizeram se sentir durante o nascimento de seus filhos”</p><p>Anna Verwaal</p><p>RESUMO</p><p>A história mostra que recentemente, num processo de concretização, o parto deixou de ser considerado um evento fisiológico e passou a ser algo patológico, institucional e de domínio médico, tirando todo o protagonismo da mulher. O momento da parturição constitui algo único na vida das mulheres, deveria ser, então, um processo cheio de grandes emoções e transformações, onde a gestante deveria ser acolhida e protegida pelos funcionários que a assiste. No entanto, em muitas maternidades ao redor do mundo, não é isso que acontece, essas mulheres estão sujeitas a sofrerem agressões sejam elas físicas ou psicológicas. Decorrente de não terem sua autonomia e seus direitos respeitados, as vítimas desse tipo de violência desenvolvem traumas permanentes, a ponto de não quererem mais engravidar ou até mesmo não conseguir criar vínculos com o bebê por relembrar do ocorrido. A falta de informações faz com que muitas das mulheres que passaram por isso nem mesmo percebam ou não falem nada devido a normalização social diante dessas intervenções. Juntamente com o fato de que, no Brasil, não termos medidas legais que condenem essa prática, o silêncio, a vergonha, a insegurança, o medo e a culpa são o que prevalecem. Espera-se que esse trabalho conscientize acerca do assunto, ajudando na identificação de atos que possam se enquadrar nesse tipo de violência, assim, como sensibilizar os profissionais a adotarem medidas de humanização, para proporcionar para essas mulheres um maior conforto e segurança em um momento tão especial de dar à luz.</p><p>PALAVRAS CHAVES: Violência obstétrica; consequências físicas e psicológicas; humanização; conscientização; direitos da mulher; Brasil.</p><p>.</p><p>ABSTRACT</p><p>The history of mankind recently shows that the moment of birth is no longer considered a mere fisiologic event, but it turned out to be seen as pathologic, institucional and medical property, taking women out of the scene. The moment of giving birth is a unique moment in women's lives and should be a process full of great emotions and transformation. The pregnant woman should be received and protected by the one’s responsables for her. However, that’s not the reality of many women all over the world. These women have been neglected physically and emotionally. The result of not having autonomy and preserved rights are severely traumatized victims of this type of violence, including the possibility of rejecting the newborn and also future’s children. The lack of information makes it harder for women to identify these situations, or even be socially ashamed to report it. Along with the fact that there’s no legal security for obstetric violence in Brazil, the silence, the shame, the insecurity, the fear and the guilt prevail. The main objective of this essay it’s bring knowledgement to this subject, identifying the acts that can be qualified as a form of violence, as well as sensitize the health professionals to adopt new procedures that are concerned to women’s comfort and security in the moment of giving birth.</p><p>Keywords: obstetric violence; physical and psychological consequences; humanization; awareness; women rights; Brazil</p><p>LISTA DE GRÁFICOS</p><p>Gráfico 1 - Você sabe o que é violência obstétrica? 18</p><p>Gráfico 2 - Você conhece alguém que já sofreu algum tipo de violência obstétrica? Se sim, qual? 21</p><p>Gráfico 3 - Você saberia identificar se passasse por isso? 25</p><p>Gráfico 4 - Você saberia denunciar? 30</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. INTRODUÇÃO	12</p><p>1.1 CONTEXTO E PROBLEMA	12</p><p>1.2 OBJETIVO	12</p><p>1.2.1 Objetivo geral	12</p><p>1.2.2 Objetivo específicos	12</p><p>1.3 JUSTIFICATIVA	13</p><p>1.4 METODOLOGIA	13</p><p>2. A EVOLUÇÃO DO PARTO	13</p><p>2.1 HISTORICAMENTE	13</p><p>2.2 BIOLOGICAMENTE	16</p><p>2.3 PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO	17</p><p>3. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA	19</p><p>3.1 O QUE É?	19</p><p>3.2 TIPOS	21</p><p>3.3 COMO IDENTIFICAR	24</p><p>3.4 COMO PREVENIR	27</p><p>3.4 COMO DENUNCIAR	31</p><p>4. CONSEQUÊNCIAS	33</p><p>4.1 CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS	33</p><p>4.2 CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS	39</p><p>5. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA	41</p><p>5.1 NO MUNDO	41</p><p>5.2 NO BRASIL	45</p><p>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS	49</p><p>6.1 FINALIZAÇÕES	49</p><p>7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	51</p><p>8. APÊNDICE	55</p><p>8.1 PESQUISA REALIZADA PARA LEVANTAMENTO DE DADOS VIA FORMULÁRIOS GOOGLE	55</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>1.1 CONTEXTO E PROBLEMA</p><p>O parto é um processo muito importante para muitas mulheres, algo que permanecerá em suas memórias pelo resto da vida. Porém para um número bem grande dessas mulheres a lembrança que fica não é a desejada. A violência obstétrica é o termo utilizado quando fica caracterizado os abusos sofridos por mulheres, a prática de condutas irregulares que desrespeitem ou agridam a mulher na hora da gestação, parto e pós parto, seja ela física ou psicológica. É importante ressaltar que a violência obstétrica é um conjunto de definições complementares, que não se refere apenas ao trabalho dos profissionais da saúde mas também é decorrência de falhas estruturais das clínicas, hospitais e do sistema de saúde em um todo. São apresentadas em diferentes organizações e governos.</p><p>1.2 OBJETIVO</p><p>1.2.1 Objetivo geral</p><p>Através de pesquisas bibliográficas esclarecer do que se trata a violência obstétrica, abordando tanto o</p><p>sendo ¾ desses procedimentos desnecessários. A pesquisa indica que o Brasil e a China são responsáveis pela metade das cirurgias dispensáveis entre todos os países, somando mais de 4 milhões por ano. Todo o custo gerado devido a essa situação chegam em US$2,32 bilhões, isso seria o suficiente para pagar as cesáreas adicionais nos países que não conseguem atingir a taxa e ainda sobraria uma boa quantia. (MACEDO, 2018, p.20)</p><p>Na maior parte da Europa e Ásia ¼ dos bebês nascem provenientes de cesarianas, enquanto isso a República Dominicana e o Brasil estão no topo do ranking, respectivamente, dos países que mais usam esse método na hora da parturição. O que pode acarretar em diversos problemas para a mãe como, por exemplo, o deslocamento da placenta que fica mais suscetível a cada intervenção. A cada cesárea feita, o parto se torna algo mais difícil para a gestante, o que é particularmente problemático naquelas regiões onde as mulheres tradicionalmente costumam ter mais filhos.</p><p>Mesmo com uma taxa ainda acima do 15%, os Estados Unidos e o Reino Unido, são países atualmente reconhecidos pelo incentivo ao parto normal, as mulheres ficam livres quando vão dar à luz, o que faz com que elas se sintam mais confortáveis. Essa redução no uso deste método vem virando uma tendência nos países mais ricos, que buscam se adequar às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).</p><p>Por outro lado, em muitos países da África Subsaariana como o Níger, Chade, Etiópia, Burkina Faso e Madagascar, a taxa abarca menos de 2% do total dos partos. O ponto mais interessante do estudo é que, os países com maior taxa de natalidade apresentam um menor número de cesarianas devido, principalmente, às condições financeiras, já que os Estados com as menores taxas de cesáreas também são considerados os mais pobres do mundo.</p><p>Em grande parte dos países, o procedimento da cesariana custa mais do que um parto normal, o que traz um grande lucro para os hospitais. Os gestores dos meios hospitalares se apropriam do fato de que esse método é mais fácil de planejar e mais eficiente, fazendo assim com que se beneficiem nestas situações.</p><p>Além de a maioria dos hospitais privados cobrar mais por uma cesárea, os médicos podem atender a mais nascimentos se eles forem programados e rápidos. (MUCIO, 2017).</p><p>Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) considere a violência obstétrica uma violação dos direitos humanos desde 2014, muitos países não adotaram meios legais que ajudem as vítimas a denunciar e assim obter justiça pelo trauma que passaram. Em contrapartida há ocasiões específicas em alguns países que buscam combater esse tipo de agressão, física e psicológica, contra as mulheres.</p><p>Pode-se citar um caso que ocorreu na Espanha como exemplo. Em 2018 a Organização das Nações Unidas (ONU) em conjunto com o Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (CEDAW) condenou o país a indenizar uma mulher que foi submetida a dez toques vaginais e uma indução de parto desnecessária que lhe causou um trauma físico e mental. Que ao tentar denunciar para a Justiça espanhola enfrentou estereótipos de gênero e discriminação</p><p>A aplicação de estereótipos afeta o direito da mulher de ser protegida contra a violência de gênero, neste caso a violência obstétrica, e que as autoridades responsáveis pela análise da responsabilidade por tais atos devem ter especial cautela para não reproduzir estereótipos. (ONU, 2018).</p><p>Dada a situação, a Espanha deve indenizar a mulher de uma forma adequada aos danos sofridos à saúde física e psíquica. Segundo a líder do Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (CEDAW), é a hora de acabar com a violência obstétrica. As mulheres não deveriam sofrer tratamento abusivo ou discriminatório durante o parto. (VARGAS, 2018).</p><p>A América Latina é a região que mais se destaca no quesito de leis que condenam diretamente a violência obstétrica. Sendo a Argentina a pioneira criando assim em 2004 uma legislação específica para esses casos, sendo regulamentada na Lei n°25.929 que recebeu o nome de “Lei do Parto Humanizado”. E em 2009 regulamentou a Lei n°26.495, que atua em conjunto com a outra e criminaliza as práticas desses abusos.</p><p>Já a Venezuela foi o segunda país da América Latina que regulamentou e criminalizou as práticas de abuso contra as mulheres em 2007, na “Lei Orgânica sobre o Direito das Mulheres a uma Vida Livre de Violência” definida no artigo 15° de sua legislação. Na Bolívia essa legislação específica chegou em 2013, na Lei n°348, que ficou conhecida como “Lei Integral” que garante para as mulheres uma vida livre de violências, na qual é conceituado o ato de violência contra os direitos reprodutivos. Também no México, em 2014, um senador aprovou três dispositivos da “Lei Geral de Acesso das Mulheres a uma Vida sem Violência”, onde um destes dispositivos aborda a violência obstétrica como um ato condenável.</p><p>Todos esses países criaram suas legislações específicas baseadas em um único ponto: prevenir e punir os atos que ferem os direitos fundamentais das mulheres, garantindo-lhes os direitos reprodutivos, de saúde e uma maior segurança. (MELO, 2020). É evidente que apenas promulgar uma lei não será um instrumento hábil para combater esse problema social, pois a lei por si só não produz um efeito significativo na sociedade, mas a iniciativa já é uma grande evolução trazendo maior visibilidade e encorajando outros países a fazerem o mesmo. Aos poucos estamos dando passos para lutar contra essa agressão, física, moral e psicológica que está tão enraizada no meio obstétrico.</p><p>5.2 NO BRASIL</p><p>No Brasil, a cultura de assistência ao parto é predominantemente intervencionista e centrada na patologização dos processos fisiológicos de parto e nascimento. Com a finalidade de retratar as violências e dores nas instituições enfrentadas pelas mulheres através de relatos violentos e agressivos sobre a vivência do parto no país, a prefeitura de São Paulo com o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) coordenou uma pesquisa intitulado "Violência- um olhar para sobre a cidade".</p><p>A pesquisa "Nascer no Brasil" realizada, entre 2011 e 2012, pela Fiocruz, teve como um dos seus objetivos analisar as intervenções obstétricas em mulheres de risco habitual, assistência pré-natal, ao parto e nascimento, almejando, assim, melhorar a qualidade da atenção obstétrica e neonatal. Segundo informações da pesquisa do grupo, o inquérito nacional sobre o parto e o nascimento apresentou que, no setor privado, o percentual de partos cesáreos chegou a 88%. No setor público, incluindo os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços contratados na iniciativa privada, a taxa da cesária chegou a 46%. A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que a cesária não ultrapasse 15% do total de partos, pois estudos internacionais demonstram que o alto índice de cesariana é um risco para mães e bebês.</p><p>Independente do nível socioeconômico, a demanda por cesárea parece basear-se na crença de que a qualidade da assistência obstétrica está relacionada ao parto e à tecnologia utilizada no parto. O crescente número de cesáreas no país indica a importância da atual discussão a respeito do tema, principalmente em decorrência de cirurgias cesarianas desnecessárias. São consideradas sem necessidade aquelas operações que acontecem quando não há questão que coloque em risco a saúde tanto da gestante quanto do bebê e mesmo assim é solicitado a interferência nos procedimentos. Se não houver indicação correta, a cirurgia pode aumentar os riscos de complicações graves para a dupla durante o nascimento. (Ministério da Saúde, 2015). Em escalas mundiais, o Brasil é o segundo país em maior número de cesáreas passando dos 50% e com uma taxa de intervenções de 44,3%, ficando atrás somente da República Dominicana que atinge os 58% e obtém o primeiro lugar.</p><p>Além do mais, este contexto também é composto pelas altas porcentagens de intervenções empregadas. O “Nascer Saudável”, que estuda sobre a implementação</p><p>do Parto (1,2,3) - Eduardo Chauvet</p><p>6. Filhos da dor: uma abordagem da violência obstétrica - Danielle Brandão Nascimento</p><p>7. Violência obstétrica: uma expressão nova para um problema histórico - Fabiana Lopes Martin</p><p>8. Violência obstétrica: comparativo entre os países da América do Sul com o Brasil - Geycielle Batista Dias dos Passos</p><p>9. Violência obstétrica: uma análise das consequências - Dayze Carvalho Santiago</p><p>10. Parto: outro lado invisível do nascer - Letícia Ávila</p><p>11. O parto anormal - Maria Sampaio</p><p>12. Maternidade no direito brasileiro: padecer do machismo - Ezilda Melo</p><p>13. Deshumanização do parto - Danielle Guedes Souza</p><p>14. Com dor darás à luz - Thaís Macedo</p><p>15. Além do parto - Pamela Nagode</p><p>16. A luta contra a violência obstétrica - Nayara Borges</p><p>17. https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/consequencias-psicossociais</p><p>18. https://bebe.abril.com.br/parto-e-pos-parto/sofri-violencia-obstetrica-e-convivo-com-as-sequelas-do-parto/</p><p>19. https://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2020/10/07/consequencias-fisicas-e-psicologicas-da-violencia-obstetrica-afetam-mae-filho-e-familiares-196539</p><p>20. https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/artigo/53580/violncia-obsttrica-e-as-consequncias-dignidade-psicolgica-da-mulher</p><p>21. https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Parto/noticia/2017/08/o-que-e-violencia-obstetrica-descubra-se-voce-ja-foi-vitima.html</p><p>22. https://www.minhavida.com.br/familia/tudo-sobre/34875-violencia-obstetrica</p><p>23. https://www.ufrgs.br/jordi/172-violenciaobstetrica/violencia-obstetrica/</p><p>24. https://www.politize.com.br/violencia-obstetrica/</p><p>25. https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/article/view/232</p><p>26. https://www.ativosaude.com/gestacao/violencia-obstetrica/</p><p>27. https://www.bbc.com/portuguese/geral-49773959</p><p>28. http://labs.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/humevol/evol-nasc-humano.html</p><p>29. https://blog.saraiva.com.br/livros-mais-lidos-do-mundo/</p><p>30. https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/era-mais-facil-dar-a-luz-ha-2-milhoes-de-anos-revela-estudo.phtml</p><p>31. https://www.scielo.br/j/csp/a/xFmLWvbx9BRGyJXW38gFXpP/?lang=pt</p><p>32. https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/?us_portfolio=nascer-no-brasil</p><p>33. https://newslab.com.br/brasil-e-o-segundo-pais-onde-mais-se-realizam-cesareas-esse-procedimento-e-bom-para-a-mae-e-o-bebe/</p><p>34. https://www.despertardoparto.com.br/o-que-e-parto-humanizado.html</p><p>35. https://www.youtube.com/watch?v=jWoq1cWdQ0I</p><p>36. http://primeirainfancia.org.br/brasilia-iv-conferencia-internacional-sobre-humanizacao-do-parto-e-nascimento/</p><p>37. http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/definicoes.htm</p><p>38. https://projetocolabora.com.br/ods3/voce-ja-ouviu-falar-em-violencia-obstetrica/</p><p>39. https://www.artemis.org.br/violencia-obstetrica</p><p>40. http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/08/oms-relata-violencia-obstetrica-sofrida-por-mulheres-em-34-paises.html</p><p>41. https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-03-12/onu-condena-espanha-a-indenizar-mulher-pela-violencia-obstetrica-sofrida-durante-o-parto.html</p><p>42. https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/09/actualidad/1502268381_004054.html</p><p>43. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11108.htm</p><p>44. https://www.defensoriapublica.pr.def.br/2021/08/2288/Lei-do-Acompanhante-Direito-garantido-a-gestante-na-hora-do-parto.html</p><p>45. https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-a-episiotomia-e-quando-ela-deve-ser-feita-no-parto/</p><p>46. https://revistacrescer.globo.com/Polemica-do-mes/noticia/2017/06/ponto-do-marido-depois-do-parto-voce-ja-ouviu-falar.html</p><p>47. https://www.despertardoparto.com.br/o-que-e-plano-de-parto.html</p><p>48. https://www.commadre.com.br/voce-sabe-o-que-e-violencia-obstetrica-e-como-denunciar/</p><p>49. https://theintercept.com/2018/09/10/pontodomarido/</p><p>50. https://www.unirios.edu.br/revistarios/media/revistas/2017/13/violencia_obstetrica_uma_analise_das_consequencias.pdf</p><p>51. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/22/estilo/1537652058_103212.html</p><p>52. https://www.youtube.com/watch?v=hW2IaPfy_N0</p><p>53. http://www.defensoria.sp.def.br/</p><p>54. http://www.mpf.mp.br/</p><p>55. https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/11399?locale=pt_BR</p><p>56. https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/07/14/violencia-obstetrica-tambem-pode-ser-psicologica.htm</p><p>57. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/11/21/51-das-mulheres-queriam-parto-normal-mas-so-32-fizeram-aponta-pesquisa.htm</p><p>58. https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/prefix/14890</p><p>59. https://www.scielo.br/j/csc/a/66HQ4XT7qFN36JqPKNCPrjj/?lang=pt</p><p>60. https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/31340/1/TCC_SANDRA%20CRISTINA%20%20SILVA%20DE%20OLIVEIRA%20FERREIRA.pdf</p><p>61. https://www.maisabracos.com.br/minha-gravidez/terceiro-trimestre/uso-de-forceps-no-parto.html</p><p>62. https://www.tuasaude.com/parto-forceps/</p><p>63. https://naomekahlo.com/episiotomia-manobra-de-kristeller-e-ponto-do-marido-relato-sobre-as-violencias-que-sofri-no-meu-parto/</p><p>64. https://www.tuasaude.com/manobra-de-kristeller/</p><p>65. https://blog.casadadoula.com.br/parto-normal/usar-ou-nao-o-soro-com-ocitocina-no-parto/</p><p>66. https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/especialistas-apontam-epidemia-de-cesarianas/especialistas-apontam-epidemia-de-cesarianas</p><p>67. http://institutonascer.com.br/indicacoes-reais-e-ficticias-de-cesariana/</p><p>68. https://www.youtube.com/watch?v=yZZMjSpfees</p><p>69. https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/article/view/232/115</p><p>70. http://cebes.org.br/2014/11/pesquisa-mostra-que-54-das-mulheres-sofrem-episiotomia/</p><p>71. https://bebe.abril.com.br/parto-e-pos-parto/sofri-violencia-obstetrica-e-convivo-com-as-sequelas-do-parto/</p><p>72. http://www.sentidosdonascer.org/wordpress/wp-content/themes/sentidos-do-nascer/assets/pdf/controversias/Episiotomia.pdf</p><p>8. APÊNDICE</p><p>8.1 PESQUISA REALIZADA PARA LEVANTAMENTO DE DADOS VIA FORMULÁRIOS GOOGLE</p><p>1) Você sabe o que é violência obstétrica?</p><p>· Sim</p><p>· Já ouvi falar mas não compreendo</p><p>· Não</p><p>2) Você conhece alguém que já sofreu algum tipo de violência obstétrica? Se sim, qual?</p><p>· Sim:______________________</p><p>· Não</p><p>3) Você saberia identificar se passasse por isso?</p><p>· Sim</p><p>· Não</p><p>4) Você saberia denunciar?</p><p>· Sim</p><p>· Não</p><p>image2.png</p><p>image4.png</p><p>image1.png</p><p>image3.png</p><p>tema em si quanto às suas consequências, sejam elas físicas e psicológicas, durante todo o processo gestacional. Procurando também trazer uma maior visibilidade a esse assunto que ocorre em grande escala no Brasil e não é abordado da forma que deveria.</p><p>1.2.2 Objetivo específicos</p><p>· O processo de normalização</p><p>· Conhecer quais são as principais formas de violência obstétrica.</p><p>· Compreender a influência no comportamento psicológico da mulher após passar por atitudes desrespeitosas durante a gestação.</p><p>· Compreender as consequências físicas após a violência.</p><p>· Identificar os direitos da gestante.</p><p>· Identificar os meios de solução na legislação federal contra a violência obstétrica.</p><p>1.3 JUSTIFICATIVA</p><p>O tema em questão foi escolhido a fim de trazer uma maior visibilidade e conhecimento acerca de um assunto tão importante como esse. Uma conversa clara e aberta sobre o tema ajuda numa maior conscientização, fazendo com que as mulheres saibam identificar, prevenir e se necessário denunciar essa ocorrência.</p><p>1.4 METODOLOGIA</p><p>O trabalho foi realizado através de pesquisa por materiais bibliográficos. Tendo início a realização de uma pesquisa utilizando as palavras-chaves: violência obstétrica, causas e consequências, psicológico e tipos de violência obstétrica. O material coletado engloba livros, artigos científicos e acadêmicos, filme e levantamento de pesquisas que tratam sobre o tema.</p><p>2. A EVOLUÇÃO DO PARTO</p><p>2.1 HISTORICAMENTE</p><p>A ideia de sentir dor na hora do parto é uma coisa normal e inerente vem diretamente dos tempos bíblicos, em Gênesis, capítulo 3, versículo 16, quando Deus condena Eva de dar à luz dos filhos com dor em consequência de ter comido o fruto proibido. Sendo a Bíblia Sagrada o livro mais lido no mundo, já foi traduzida para 3 mil idiomas e ocupa o primeiro lugar do ranking a mais de 50 anos, é possível estimar que mais de 3,9 bilhões de exemplares foram vendidos em todo o mundo. Fazendo assim com que esse pensamento tenha se estruturado na sociedade no decorrer de todos esses anos e seja visto como uma forma de punição que a mulher carrega por conta do pecado original, expondo-as assim a violência obstétrica desde os tempos antigos.</p><p>Javé Deus disse então para a mulher: “vou fazê-la sofrer muito em sua gravidez: entre dores, você dará à luz seus filhos; a paixão vai arrastar você para o marido, e ele a dominará”. (Gênesis, Capítulo 3, versículo 16).</p><p>Ao analisar a história do parto se identifica uma grande mudança e uma institucionalização na forma como é feito. Antigamente a parturição era feita de forma privativa e domiciliar, onde a mãe contava com o auxílio de mulheres de sua confiança juntamente das parteiras que além do parto ajudavam nos cuidados com o recém-nascido, tendo assim o mínimo de intervenções. Os médicos só eram acionados caso houvesse complicações que colocassem a vida da mãe em risco.</p><p>Estas mulheres partilhavam de um saber empírico, com uma característica intimista e feminina eram levadas em consideração toda a passionalidade envolvida no parto, como também suas crenças. A parturiente depositava toda a sua confiança naquela que a auxiliava, pedindo assistência e questionando-as sobre temas diversos, como cuidados com o corpo, doenças venéreas[footnoteRef:0], também assistia ao aborto e infanticídio quando necessário. O parto era de domínio da mulher que, sabidamente, detinha o poder de parir (BARCELLOS, 2016, p.22). [0: Uma maneira informal de mencionar doenças originárias do contato sexual.]</p><p>Devido ao avanço tecnológico no campo da medicina o parto passou a ser algo institucionalizado e considerado um procedimento cirúrgico que só poderia ser realizado com acompanhamento de um médico. Historicamente esse processo aconteceu primeiro na Europa, nos séculos XVII e XVIII, e se estendeu ao Brasil quando inaugurou as escolas de medicina e cirurgia[footnoteRef:1] no Rio de Janeiro e na Bahia, em 1808. [1: Instituição criada por D. João VI em fevereiro de 1808.]</p><p>Com a introdução da medicina neste campo, ajudou a abrir experiências clínicas e discursos claros sobre a patologia anatômica, gerando discursos da existência masculina no saber e na prática obstétrica.</p><p>Antes mesmo de ter o domínio sobre a cesariana e o uso do fórceps[footnoteRef:2], a obstetrícia já proclamava a sua exclusividade a partir de 1840. Nesse mesmo momento também é nítido o deslocamento sobre questões como a higiene, a moral feminina e sua sexualidade. Em decorrência disso, a partir da metade do século XIX, a medicina se vincula com outras áreas do campo social, produzindo assim uma nova imagem da mulher, em sua relação com os filhos e sua função na sociedade, estagnada na ideia mãe-esposa-dona de casa (BRENNER, 1991). [2: Instrumento cirúrgico usado para auxiliar o parto e facilitar a passagem da cabeça do bebê pelo canal.]</p><p>Um dos desafios dos médicos formados em obstetrícia nas escolas de medicina foi a falta de treinamentos práticos, devido ao fato de que muitas mulheres ainda não se dirigiam aos hospitais para terem seus filhos. Aquelas que recorriam ao meio hospitalar normalmente não tinham uma posição social e se encontravam sozinhas na maternidade, mas ainda sim não eram maioria. Essa situação trazia prejuízos aos estudantes pois não haviam mulheres o suficiente para atuação direta na área.</p><p>Para sanar esse obstáculo e obrigá-las a terem seus bebês nos hospitais, os médicos persuadiram o governo da época para impor a todos o dever de apresentarem seus filhos ao governo, para o registro de uma certidão de nascimento onde seria informada data, hora, local de nascimento, nome do recém-nascido, nome dos pais e uma série de outras informações, o que segundo eles seria mais fácil de obter através das instituições. Juntamente foi usada a justificativa que era necessário diminuir o número de abortos e infanticídios no país, que eram provenientes da pressão social em cima da vida sexual da mulher já que em muitos casos quando praticavam atitudes desviantes (ter relações sexuais fora do matrimônio, por exemplo) elas eram expostas publicamente e atacadas socialmente. Por esse motivo, quando ocorriam situações como essas, era normal recorrer a métodos e auxílio de outras mulheres para solucionar o “problema”. Essa necessidade de controle foi levada ao governo com a observação que era válido sempre garantir o nascimento das crianças de forma saudável, o que seria mais fácil de proporcionar dentro dos meios hospitalares.</p><p>A partir do momento em que o parto se tornou do interesse da medicina, ela o tomou como posse e o que antes era algo natural para o corpo da mulher passou a ser algo que se encaixa em um meio patológico e deveria sofrer intervenções. Diante disso, as práticas sofreram modificações, o que era protagonizado por uma mulher através do auxílio passou a ser protagonizado por um médico que apenas realizava o parto sem amparo algum, pois era a medicina que conhecia os instrumentos necessários e o momento em que usá-los. Nisso os saberes vindos das parteiras começaram a ser apagados e substituídos pelos saberes dos médicos.</p><p>A institucionalização e a padronização do parto trouxeram consequências, principalmente, para as parturientes. Já que vemos ainda nos dias de hoje muitas mulheres irem para o hospital ter seus filhos e estarem diante de diversas situações que a desrespeitam, além de não serem levadas a sério quando discorrem sobre suas inseguranças e queixas, também estão vulneráveis de não terem suas demandas atendidas ou até mesmo sofrerem intervenções sem seu consentimento.</p><p>Atualmente, em consequência desse processo institucional do parto, a maioria das mulheres grávidas passam por cesáreas ao invés de um parto normal. Sendo o Brasil o segundo maior país do mundo na realização de cesáreas, ultrapassando os 50% dos casos. A justificativa utilizada é o fácil planejamento e poupar o bebê do estresse do parto normal, mas isso se desmistifica quando o bem-estar da criança é colocado de lado. As contrações e o processo de dar a luz são benéficos já que ajudam na adaptação do metabolismo.</p><p>Independente da facilidade que a cesariana traz, podem surgir problemas depois do procedimento ser feito, desde o deslocamento da placenta até sangramentos recorrentes e trombose. A Organização da Saúde Mundial (OMS) já se posicionou diante a forma como estamos lidando com essa situação nos dias de hoje, e em suas novas diretrizes para o parto incentivam menos intervenções e mais cuidados.</p><p>2.2 BIOLOGICAMENTE</p><p>O parto humano é um processo que varia muito, em sua maioria é necessário assistência, pode ser doloroso e se desenrolar por dias. Isso decorre do fato do bebê ter que se ajustar ao canal de nascimento, que não possui um tamanho constante, tendo que fazer uma série de mudanças de posições à medida que avança. A posição final é voltada para trás com a cabeça contra os ossos púbicos da mãe, necessitando assim de ajuda para a retirada da criança. Em comparação com o ser humano os símios, nossos ancestrais, possuem uma parturição bem mais fácil com pouca duração de horas e por conta própria.</p><p>Como forma de tentar entender esse processo de evolução a Universidade de Boston realizou um estudo baseado em espécimes fósseis, conseguindo assim representar um modelo 3D da pelve de uma Australopithecus sediba[footnoteRef:3], que habitou a Terra há 2 milhões de anos. O estudo comprovou que sua estruturação corporal facilitava o processo de dar à luz. [3: Espécie de hominídeo que pode ser o ancestral direto que deu origem ao Homo Erectus.]</p><p>Um processo de nascimento relativamente fácil [...] A largura da cabeça fetal e dos ombros tem amplo espaço para atravessar até as dimensões mais apertadas do canal de parto materno. (LAUDICINA, 2019).</p><p>De acordo com os especialistas, conforme o ser humano foi evoluindo e aprendeu a se locomover sobre duas pernas o seu canal pélvico estreitou. Outro fator influenciador foi que com a evolução as cabeças dos bebês cresceram em tamanhos consideráveis. Fazendo assim com que esse conjunto determine um ajuste apertado. Mas esses fatores não significam que o nascimento se tornou algo mais difícil com a evolução humana.</p><p>Há uma tendência de pensar na evolução do nascimento humano como uma transição de um nascimento 'fácil' e parecido com o de um macaco para um nascimento 'difícil' e moderno [...] Estamos vendo que não é esse o caso. (LAUDICINA, 2019).</p><p>Responder corretamente em que momento o processo do parto moderno evoluiu é complicado devido ao fato de que cada fóssil da nossa árvore genealógica teve seus próprios desafios obstétricos. E ainda agora no presente se observa as variações em como as mulheres dão à luz, algumas não sofrem complicações algumas e passam pelo processo de forma rápida enquanto outras já sentem dores extremas e passam horas nesse processo.</p><p>2.3 PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO</p><p>A humanização do parto é um assunto delicado que vem ganhando cada vez mais destaque. Carrega consigo o objetivo de interferir no processo mecânico da hospitalização do nascimento e do enquadramento de um formato único para todas as mulheres em relação ao evento da parturição. Fazendo com que se torne algo consciente e volte com a ideia de um ato instintivo e natural para a humanidade.</p><p>Nos dias de hoje a medicina obstétrica vem cumprindo a tarefa de retirar a mulher do “sofrimento” e “acelerando” o parto através de medicamentos, impedindo-as de passar pela experiência natural. É comum muitas mulheres se frustrarem por serem “poupadas” disto, muitas ainda querem vivenciar os processos naturais e humanos, sentindo assim o nascimento de seu filho de forma ativa, participativa e inteira.</p><p>A proposta de humanização vem através do entendimento que a gestação e o parto são eventos fisiológicos perfeitos, é uma forma de respeito à mulher em um momento da sua vida em que é de extrema necessidade o cuidado e a atenção. O respeito também engloba o bebê que tem total direito de um nascimento saudável e harmonioso. Sendo assim, é função da obstetrícia acompanhar sem intervenções desnecessárias.</p><p>Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto. Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la. Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.</p><p>Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher. É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha. (MORAES, 2017).</p><p>A trilogia de filmes “O Renascimento do Parto”, de Eduardo Chauvet, foi lançada com o intuito de trazer olhares para o que vem acontecendo no campo obstétrico em todo o mundo, dando foco especialmente no Brasil. Traz críticas e reflexões acerca dos novos paradigmas atuais sobre o trabalho de parto, e como isso é prejudicial socialmente. Dando voz para as mulheres poderem se manifestar e ter autonomia nesse momento que se trata apenas delas.</p><p>Em 2016, em Brasília-DF, foi realizada a Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, tendo como seu principal objetivo discutir mudanças que podem ajudar as mulheres a terem boas experiências quando vão dar à luz e tirar esse estigma de sofrimento. Simultaneamente, essa conferência favorece as articulações entre cientistas, ativistas e profissionais da saúde do Brasil e do mundo aspirando um fortalecimento do movimento. Foram pautadas discussões como redução dos índices de cesáreas desnecessárias, garantia dos direitos reprodutivos e sexuais, a humanização na assistência do pré-natal, parto e pós-parto, e, tendo como foco principal a redução da morbimortalidade[footnoteRef:4] materna e perinatal[footnoteRef:5]. [4: O índice de pessoas mortas em decorrência de uma doença específica dentro de determinado grupo populacional.] [5: Período denominado a partir das 22 semanas (154 dias) até sete dias completos após o nascimento.]</p><p>A Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou recomendações para ajudar nestas situações, intitulada “Assistência ao Parto Normal - um guia prático” e foi enviado para todos os médicos e enfermeiras que atuam na área ginecológica e obstétrica. O conteúdo pode se resumir em quatro categorias:</p><p>A) As condutas que são úteis e devem ser encorajadas</p><p>B) As condutas ineficazes e prejudiciais que deveriam ser eliminadas</p><p>C) As condutas que são executadas inapropriadamente</p><p>D) As condutas que são executadas inadequadamente</p><p>Essas recomendações se tornaram grande referência para aqueles movimentos que já defendiam a humanização do parto, alguns desses temas se transformaram até mesmo em bandeiras levantadas pela política do Brasil, sendo a implantação do Programa de Humanização de Pré-Natal e Nascimento (PHPN) seu principal feito. O principal intuito desse programa é melhorar o acesso, a cobertura e a qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência à gestante ao recém-nascido</p><p>Esses acontecimentos são marcos históricos de extrema importância para a militância na defesa da autonomia feminina em relação ao parto que fazem com que o pensamento seja levado adiante em escalas internacionais. O auxílio adequado à parturiente é um fator importante para vivenciar a maternidade com sua devida dignidade.</p><p>As práticas humanizadas muitas vezes são dificultadas ou impedidas por conta das organizações hospitalares. Para uma implantação correta deve haver um acordo geral em prol dessa assistência, e embora seja um assunto muito debatido atualmente o caminho até se profetizar ainda é longo e delicado.</p><p>3. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA</p><p>3.1 O QUE É?</p><p>É denominada violência obstétrica qualquer violação ao direito da mulher gestante, durante o seu período gestacional, na hora do parto e até em casos de abortamento. Intimidação moral, maus tratos, abusos físicos e psicológicos são os tipos de violência responsáveis por prejudicarem as mulheres durante um momento demasiado importante e que muitas esperam a vida inteira para acontecer. Além dessa definição para o termo, a violência obstétrica engloba defeitos estruturais nos estabelecimentos hospitalares, clínicas, falha ou falta de materiais e no sistema de saúde de maneira geral.</p><p>É garantido pela Lei Federal nº11.108/2005,</p><p>o direito de toda gestante a um atendimento digno, transparente, humanizado, com a preservação de sua autonomia e sexualidade. É preciso garantir que seus direitos sejam preservados, como o de ter acompanhante de sua escolha em todo o processo de pré-natal, parto e pós parto.</p><p>Um fato é que há muita falta de conhecimento para as pessoas dentro do assunto. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), muitas vítimas desse tipo de abuso não possuem consciência de tal acontecimento que atinge mulheres e bebês em todo o mundo e que geralmente acabam em sequelas e até mesmo morte.</p><p>Gráfico 1 - Você sabe o que é violência obstétrica?</p><p>Pesquisa realizada para levantamento de dados. (Fatima Foletto, Giovanna Gasperini, Julia Duarte, Leticia Lins e Thalyssa Simões)</p><p>Em uma pesquisa para levantamentos de dados realizada pelo grupo em maio de 2021, os resultados das questões confirmaram essa realidade. De 209 participantes do levantamento, 35,9% responderam que não sabiam o que é violência obstétrica, e outros 30,6% afirmam que já ouviram falar, mas não compreendem o termo e suas abordagens.</p><p>Abdicar uma escuta qualificada sem uma abordagem integral e humanizada, não entender suas queixas e incertezas, são pilares da infração da legislação.</p><p>A medicalização do parto é o excesso de intervenção no momento do nascimento e a anulação do protagonismo feminino, quando o parto começa a virar um procedimento médico. Procedimentos clínicos e condutas profissionais que colocam em risco a saúde física e emocional da gestante, pois são executados de maneira insegura sem o consentimento da própria. Essas intervenções médicas violentas, desnecessárias e muitas vezes sem a concessão das pacientes, se enquadram em mais uma vertente muito grave sobre o assunto, a violência física.</p><p>3.2 TIPOS</p><p>Indo desde xingamentos até intervenções desnecessárias no corpo da gestante, a violência obstétrica possui diversas nuances sendo todas elas um forma de desrespeito a mulher.</p><p>A violência por negligência enquadra a negação de atendimento e a imposição de dificuldades para que a parturiente receba o atendimento necessário. Está presente desde o pré-natal até a hora do parto, o que ocasiona um desgaste na futura mãe. Também se categoriza como negligência a privação do direito de um acompanhante, coisa que é protegida pela Lei n°11.108 desde 2005.</p><p>“A presença do acompanhante durante o parto permanece como direito da gestante, não deve ser restrito o direito ao acompanhante em si, apenas orientar e fazer limitações em casos muito específicos. A proibição não encontra respaldo legal nem na legislação em vigor nem nas orientações fornecidas pelo próprio Ministério da Saúde. Em caso de negativa desse direito a gestante pode procurar a Defensoria Pública do seu município munida de comprovação de que o hospital está negando ou restringindo seu direito para a tomada de medidas judiciais cabíveis.” (BRODBECK, 2021).</p><p>A violência física infelizmente é o que mais acontece. Se caracteriza como uma violação ao corpo qualquer intervenções desnecessárias que trazem qualquer tipo de consequência e são realizadas sem o consentimento da mulher. Dentre elas as mais comuns são:</p><p>· Aplicação de soro com ocitocina[footnoteRef:6]. [6: O “hormônio do amor” age estimulando as contrações uterinas de forma regulada e abrindo o colo do útero, para facilitar a passagem do bebê pelo canal vaginal.]</p><p>· Lavagem intestinal, que além de ser dolorosa e constrangedora, pode aumentar os riscos de infecções.</p><p>· Privação da ingestão de líquidos e alimentos.</p><p>· Exames de toque feitos em excesso.</p><p>· Ruptura artificial da bolsa.</p><p>· Raspagem dos pelos pubianos.</p><p>· Imposição de uma posição na hora do parto .</p><p>· Não oferecer alívio para a dor, seja ele natural ou anestesia.</p><p>· Episiotomia, quando é realizado um corte no períneo[footnoteRef:7] para facilitar a passagem do bebê, sem prescrição médica. [7: Região entre a vagina e o ânus. ]</p><p>“Na verdade, o próprio trabalho de parto já pode afetar a musculatura. Realizar a episiotomia não muda a condição anatômica da região após o nascimento. Além disso, ele provoca um grande desconforto no pós-parto. O músculo é sensível, então a mulher passa a sentir dor para sentar” (TEDESCO, 2020).</p><p>· “Ponto do marido”, o ponto que se faz ao término de uma sutura de episiotomia onde se “aperta” a entrada da vagina com o intuito de deixá-la mais estreita, teoricamente, aumenta o prazer sexual do marido.</p><p>“Sendo assim, o ponto do marido seria uma tentativa de não só reconstruir a anatomia da região que foi lesada no corte, mas tornar novamente esta mulher 'apertada', e com isso, mais apta a dar prazer ao marido na penetração vaginal. Nesse sentido, cabe uma reflexão que envolve questões de gênero, uma vez que a vagina é da mulher - e não do marido - e que o prazer sexual envolve muitas outras questões que não se restringem à anatomia genital” (AGUIAR, 2017).</p><p>· Uso do fórceps sem indicação clínica.</p><p>· Imobilização dos braços ou pernas.</p><p>· Manobra de Kristeller, aplicação de força na parte superior do útero com o objetivo de facilitar a saída da criança.</p><p>A realização desse procedimento foi banida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2017, por apresentar diversos riscos à parturiente e ao bebê.</p><p>“Não se deve jamais empurrar a barriga da mulher para forçar a saída do bebê (manobra de Kristeller) porque isso expõe a mulher e o bebê a riscos” (UNICEF, 2017).</p><p>· Cesariana, quando realizada sem prescrição médica ou sem o consentimento da mulher.</p><p>Também está bem presente neste meio a violência verbal. Qualquer comentário constrangedor, ofensivo ou até mesmo humilhante feito para a gestante se enquadram neste tópico. Seja inferiorizando a mulher por raça, idade, escolaridade, religião, orientação sexual, condição socioeconômica, número de filhos e estado civil; seja por ridicularizar as escolhas da paciente para o seu parto. Esse conjunto serve de forma violenta e pode trazer impactos permanentes.</p><p>O agrupamento das violências citadas resultam na violência psicológica, proveniente de qualquer ação ou comportamento que possam causar um sentimento de inferioridade, abandono, vulnerabilidade, instabilidade emocional, medo e insegurança.</p><p>Mesmo o termo sendo muito ligado ao parto em si, podemos visualizar a presença da violência obstétrica também em casos de abortamento. Isso pode decorrer de diversas formas como, por exemplo, negação ou demora de atendimento, questionamento e acusação sobre a causa, procedimentos invasivos sem explicação, culpabilização e até mesmo denúncia.</p><p>Todos esses procedimentos afetam a mulher de alguma forma, seja de forma psicológica ou física, trazendo traumas muitas vezes irreversíveis.</p><p>Na pesquisa realizada pelo grupo também foi questionado se o indivíduo conhecia alguém que passou por alguma destas situações e caso conhecesse citasse para um levantamento de dados.</p><p>Gráfico 2 - Você conhece alguém que já sofreu algum tipo de violência obstétrica? Se sim, qual?</p><p>Pesquisa realizada para levantamento de dados. (Fatima Foletto, Giovanna Gasperini, Julia Duarte. Leticia Lins e Thalyssa Simões)</p><p>Analisando é possível perceber que a grande maioria não conhece pessoas que passaram por alguma situação assim, ou não sabem, mas isso não quer dizer que não seja uma situação recorrente. Em alguns casos as mulheres preferem não falar por medo do julgamento externo, mas na grande maioria das vítimas nem percebem que estão sofrendo algum tipo de violência por conta da normalização desses métodos. Por isso é de extrema importância trazer mais visibilidade para o assunto para que assim mais pessoas reconheçam o que passaram e se sintam confortáveis para expor.</p><p>3.3 COMO IDENTIFICAR</p><p>Este assunto está sendo muito discutido em escala mundial, mostrando sua relevância sobre o debate no país. No Brasil, esse assunto já foi abordado na década de 1980 por grupos de trabalhos feministas, com o trabalho pioneiro o "Espelho de Vênus", do grupo Ceres, que descreveu através de relatos, a vivência e experiência do parto institucionalizado como violento.</p><p>As mulheres sofrem a negligência desde o atendimento no parto, isso é um dado alarmante, algo que se tornou tão despercebido, que é difícil algumas mulheres enxergarem que sofrem ou sofreram algum tipo de violência obstétrica.</p><p>Apesar de não terem valor científico, os resultados mostraram que 51% das mulheres estavam insatisfeitas com o seu parto e apenas 45% delas disse ter sido esclarecida sobre todos procedimentos obstétricos praticados no parto.(FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO, 2010).</p><p>A violência obstétrica infelizmente pode acontecer com qualquer mulher, independente de idade, etnia, opção sexual, classe, religião, logo, qualquer mulher está sujeita a sofrer essa crueldade e ter consequências irreparáveis na sua saúde física, psíquica e moral. Mas há um número maior de violência obstétrica com mulheres de etnia indígena que excedem 64,6% e preta que chega a 49,4% em sua maioria pobres em hospitais públicos, que se dá, principalmente, pela alta demanda de atendimento por dia e pouco acesso a informações. Diante disso, é essencial que haja a superação da pobreza e a iniciativa de projetos de conscientização para as mulheres, em especial das atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de aumentar seus direitos e seu poder político, social e psicológico. (REZENDE, 2014, p.22).</p><p>Caso as mulheres mulheres se apoderaram do conhecimento a acerca da problemática que as envolve e dos direito que possuem, é que elas terão condições de conquistar sua cidadania e de exercê-la plenamente, além de conquistar capacidade de usar seus recursos econômicos, sociais, políticos e culturais de forma a garantir que atuem com responsabilidade no espaço público em defesa de seus direitos, influenciando as ações dos governos na distribuição dos serviços e recursos. (REZENDE, 2014).</p><p>Esses são pensamentos que mostram a necessidade e importância no processo educativo, através de políticas públicas e campanhas para gestantes de institutos hospitalares do meio público e privado, com o intuito de forçar as redes institucionais de saúde a fornecer um atendimento adequado e responsável. Um aumento no número de mulheres afetadas pela violência obstétrica resultou em uma escalada na necessidade de serviços para tratar sua condição traumatizada. Por isso, a violência obstétrica é mais comum do que se pode imaginar e tornou-se um problema global. Diversas mulheres acreditam que o parto tradicional é perigoso. Um dos principais motivos desse julgamento, está relacionado aos abusos físicos, sexuais e psicológicos que as gestantes vêm sofrendo em hospitais nos últimos anos. Porém, não é só em parto normal que existe tal atrocidade, até mesmo as mulheres que optam por cesarianas enfrentam esse problema. Em alguns casos, a própria violência já é a indicação de uma cesariana desnecessária. O tratamento violento e hostil nas maternidades do Brasil é uma realidade que não pode mais ser ignorada.</p><p>São inúmeras as formas de violência obstétrica que ocorrem em todos os hospitais, sejam de rede pública ou privada. Segundo os dados da UFRGS (2018), uma em cada quatro mulheres brasileiras é vítima da violência no momento do parto ou pré-natal, abrangendo desrespeito, assédio moral, violência física ou psicológica e negligência. Durante o parto, a violência pode ser tanto física como psicológica, os abusos físicos se caracteriza com negar alívio para a dor, impedir movimentação, realizar qualquer procedimento desnecessário ou sem o consentimento da mulher como toques vaginais doloroso e repetitivos, tricotomias[footnoteRef:8] e episiotomias, muitas vezes sem anestesia. Existem ainda as imposições do contato da mãe com o recém-nascido e de intervenções não autorizadas, aquelas no qual a mulher verbalmente ou por escrito não concede alguns procedimentos. [8: Raspagem dos pelos da região que será operada, feita para limpar e desinfetar a área que será submetida à cirurgia.]</p><p>As práticas carregadas de significados culturais estereotipados de desvalorização e submissão da mulher, atravessadas pelas ideologias médica e de gênero, se tornam naturalizadas na cultura institucional. Esses significados favorecem as condições de existência e perpetuação desse tipo de violência que, por sua vez, não deve ser compreendida apenas como reflexo das precárias condições de trabalho dos profissionais. (ZANARDO, 2017, p.9).</p><p>O estresse psicológico é uma das principais e mais comuns formas da violência obstétrica, a maneira como as mulheres são tratadas verbalmente pode causar danos no trabalho de parto, então a comunicação desrespeitosa subestima e ridiculariza sua dor, as desmoralização do seu pedido de auxílio, além de se estar exposta as submissões causando na vítima cicatrizes como sentimentos de insegurança, instabilidade emocional, abandono, inferioridade e vulnerabilidade.</p><p>De acordo com a Fundação Perseu Abramo (2010), a conduta de muitos médicos vêm se tornando cada vez mais deploráveis e antiética com comentários agressivos e violência verbal. Segundo a pesquisa, 9% das parturientes ouviram gritos dos profissionais de saúde, e 7% foram xingadas ou humilhadas. Em outro momento da mesma pesquisa, foi perguntado às mulheres se elas ouviram algum de propósito durante o procedimento: 23% afirmaram que sim.</p><p>O resultado da pesquisa é que as quatro frases impróprias mais ditas pelos profissionais de saúde na hora do parto e a respectiva porcentagem de mulheres que afirmam as terem ouvido são: "não chora não, que não que vem você estava aqui de novo" (15%); "na hora de fazer não chorou/ não chamou a mamãe,porque está chorando agora?" (14%); "se gritar eu paro agora o que estou fazendo, não vou te atender" (6%); "se ficar gritando vai ficar mal pro seu neném, seu neném vai nascer surdo" (5%). (MACEDO, 2018, p.42).</p><p>Os principais responsáveis de quem pode praticar violência obstétrica são: Médicas (os) obstetra através de sua linhas de tratamento e atendimento; enfermeiras (os) ao desrespeitarem as gestantes e as ofenderem minimizando as suas dores; anestesias já que os anestesistas devem saber da necessidade da mulher; técnicas (os) em enfermagem ao desrespeitarem as gestantes com comentários desnecessários; recepcionistas/administração do hospital a violência pode começar desde a chegada da gestante na recepção hospitalar.</p><p>As pesquisas indicam que entrar em trabalho de parto aumenta muito o risco de você sofrer violência. É muito interessante o grau de hostilização da mulher em trabalho de parto. No setor privado, acham o fim da picada que aquela mulher queira dar trabalho para eles. Uma mulher contou que, como insistiu muito com o médico que queria parto normal, ele indicou um psicólogo dizendo que ela tinha traços "masoquistas". (DINIZ, 2009)</p><p>A falta de informação acerca do assunto faz com que se torne difícil a identificação quando se passa por uma situação como essas. Na pesquisa já citada antes, feita pelo grupo, também foi abordado esse tema.</p><p>Gráfico 3 - Você saberia identificar se passasse por isso?</p><p>Pesquisa realizada para levantamento de dados. (Fatima Foletto, Giovanna Gasperini, Julia Duarte, Leticia Lins, Thalyssa Simões)</p><p>Dessa forma, a violência obstétrica é considerada uma violação ao corpo e direito das mulheres grávidas em processo de parir, que inclui perda da sua moral, autonomia e decisões sobre seu corpo. Nesse sentido, é reconhecida a apropriação dos processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais da saúde, através de uma atenção mecanizada, tecnicista, impessoal e massificada do parto. (DINIZ, 2009).</p><p>3.4 COMO PREVENIR</p><p>Existem alguns elementos que podem ajudar a evitar a violência obstétrica, mas mesmo assim ninguém está salvo dessa situação.</p><p>A primeira medida para dificultar a violência obstétrica é o conhecimento. Alguns tipos de violências são facilmente percebidos mas existem formas mais sutis que acabam passando despercebidas. Nesses casos, as mulheres se culpam pelo ocorrido ou percebem como normal. A assistência ao nascimento encontra-se distante da evidência científica, o protagonismo é anulado pela soberania médica e interesses</p><p>institucionais. O conjunto de falta de transparência médica e a desinformação da sociedade colaboram para essa banalização do parto cirúrgico.</p><p>Então o primeiro passo é conhecer os tipos de violência e os direitos da mulher, para que ela possa reconhecer situações desagradáveis, as práticas intervencionistas, as ações desrespeitosas e, assim, se posicionar frente uma situação humilhante ou a um procedimento desnecessário, Quanto maior o conhecimento, menor o risco de abusos físicos e psicológicos. (BORGES, 2020)</p><p>Adotar medidas que auxiliem o processo do parto e que diminuam as chances do parto instrumental são outro fator que ajudam a evitar essa situação. Existem algumas medidas não medicamentosas que favorecem o trabalho de parto, aliviam a dor e auxiliam o nascimento. Todas essas recomendações diminuem muito as chances de interferências. São medidas simples, de baixo custo, fáceis de serem implementadas e muito eficazes.</p><p>Um dos comportamentos que mais prejudicam a dinâmica da parturição, diminui a oxigenação do bebê e aumenta as chances de episiotomia e outras intervenções é a restrição ao leito. Por isso, é fundamental que a parturiente tenha total liberdade para movimentar-se e assumir posições confortáveis para, assim, lidar com as contrações, posições verticais.</p><p>O uso da bola suíça[footnoteRef:9] pode ajudar muito nesse sentido, pois, além de permitir que a mulher fique na posição vertical e favorece a movimentação materna. Dentre os benefícios pode-se citar o auxílio de relaxamento, acelera o parto, reduz a percepção da dor, promove um conforto e uma satisfação materna. [9: Uma bola de ginástica.]</p><p>Além dessa libertação da movimentação e a adoção de posicionamentos verticais, a presença de um acompanhante torna-se grande aliado da mulher. O acompanhante possui um papel fundamental ao fornecer apoio físico e emocional, é importante que seja alguém de extrema confiança, que esteja disposto a ajudar e que transmita qualidade e segurança.</p><p>“Além disso, quando a gestante conhece e exige que seu direito ao acompanhante seja respeitado também auxilia a prevenir violências durante o parto, tendo em vista que garante à gestante estar acompanhada de uma pessoa de sua confiança em um momento de maior vulnerabilidade, permitindo que o (a) próprio (a) acompanhante possa cobrar um atendimento digno em nome da parturiente, caso esta não tenha condições de fazê-lo” (BRODBECK, 2021)</p><p>O banho morno e demorado, por mais de vinte minutos, com a ducha direcionada sobre a região dolorosa também promove relaxamento muscular, uma sensação de bem-estar, acelera o parto, reduz a percepção de dor e, consequentemente, contribui para a redução de práticas intervencionistas. Pesquisas já comprovaram a eficácia do uso do banho morno associado à bola suíça como forma de alívio. Essa combinação das terapias ajudam em uma assistência humanizada.</p><p>Ademais, outro método que pode ajudar é a massagem, que se torna uma ferramenta terapêutica muito poderosa neste momento, que deve ser aplicada nos intervalos entre as contrações nas regiões que a grávida relatar desconforto proporcionando um relaxamento muscular e redução de dor.</p><p>A aromaterapia é encaixada perfeitamente nessas situações também, com a utilização de óleos essenciais para alívio da dor, diminuição da ansiedade e do medo, auxílio nas contrações e redução do tempo do trabalho de parto. Alguns desses aromas são indicados por suas ações calmantes e sedativas, como lavanda e camomila. Pode ser usada de várias formas como, por exemplo, escalda pés[footnoteRef:10], diluição na banheira, massagem e até mesmo inalação. Tem extrema importância que seja uma coisa agradável e prazerosa para a mulher. [10: Um “banhos nos pés” onde os pés ficam emergidos até a altura do tornozelo , em água com sais e óleos. ]</p><p>O uso da musicoterapia também é muito eficaz para o conforto durante as contrações, ajudando no relaxamento e na redução da tensão e do medo e conferindo paz e tranquilidade ao ambiente. Esses benefícios vão além da hora do parto, já que os recém-nascidos reconhecem as melodias ouvidas por sua mãe quando ele ainda estava em seu ventre, contribuindo para o alívio de cólicas e trazendo conforto e calma para o bebê.</p><p>Essas medidas se tornam ainda mais eficazes quando combinadas com um ambiente tranquilo, limpo, organizado, com luzes baixas, sem ruídos e em temperaturas agradáveis. É fundamental cuidar do ambiente para que ele remete ao aconchego do lar, à privacidade, garantindo que a mulher experiencie momentos agradáveis.</p><p>Ter um plano de parto é outro fator que contribui muito para a fuga de uma violência obstétrica. O plano de parto consiste em nada mais em um documento elaborado pela gestante e contém todas as informações sobre o que ela deseja ou não no seu trabalho de parto. Assim cabe à equipe de saúde cumprir a vontade da mulher, respeitar suas decisões e prestar uma assistência segura, respeitosa e humanizada.</p><p>“Garantir à gestante acesso à informação para que ela possa saber seus direitos permite que ela tenha condições de identificar e prevenir a violência obstétrica no parto, possibilitando que ela consiga elaborar já durante o pré-natal, de forma consciente e informada, seu plano de parto, espaço onde apresentará suas intenções e desejos para o momento da chegada do bebe, indicando suas escolhas como a posição que gostaria de parir e se deseja receber anestesia.” (BRODBECK, 2021)</p><p>O documento deve ser elaborado durante o pré-natal, em uma folha de papel, onde ela descreve seus desejos e vontades. Com esse exercício, além de aumentar as chances do nascimento ser conforme suas expectativas, também contribui para o seu autoconhecimento, desenvolvimento de um pensamento crítico e autonomia no momento de dar à luz.</p><p>Estudos científicos apontam os benefícios desse instrumento, além de aumentar as chances de um processo não intervencionista também aumenta os cuidados humanizados à mulher e ao recém-nascido; também melhora a comunicação com os profissionais da saúde e trazem uma maior segurança, autonomia e protagonismo da mulher no momento do nascimento.</p><p>O direito do plano de parto é assegurado para a gestante mediante a Lei n°15.759 criada em 2015. Ele deve ser anexado junto com o prontuário e deve ser seguido desde que não coloque a mulher e a criança em risco.</p><p>“Não fique constrangida em fazer seu plano de parto. Este é um documento garantido pela legislação brasileira que é tão importante que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para melhorar, no mundo todo, o nível do atendimento oferecido às parturientes e aos recém-nascidos.” (DESPERTAR DO PARTO, 2018)</p><p>Uma outra forma de prevenir a violência obstétrica é imaginar o pior cenário possível, falando dessa forma parece algo mórbido e pessimista mas isto garante que a parturiente se prepare para situações inesperadas e consiga se proteger. Após considerar as diferentes formas de violação que possam acontecer, como abusos verbais e físicos, tente concluir como você irá se posicionar diante a equipe. Não seja intimidada, treine e mentalize que você pode se defender.</p><p>“Ao imaginar o pior cenário do seu parto, você exercita sua mente a acreditar que você pode lutar contra isso, mesmo passando por um momento de fragilidade e vulnerabilidade. Após esse exercício, você estará mais preparada para lidar com situações adversas, pois você já vivenciou esse cenário antes, assim, não será surpreendida”. (BORGES, 2020, p.30)</p><p>O que mais ajuda no combate é a redução dos casos e, para isso, denunciar é fundamental. Muitas das mulheres que tiveram experiências negativas na gestação e na hora de dar à luz se calam, guardam para si essas memórias traumáticas e em sua maioria até mesmo se culpar pelo ocorrido, isso se dá tanto pela falta de informação como pela vergonha.</p><p>Essa é uma questão grave que fere a integridade da mulher e pode levar à morte materna. É preciso falar sobre isso, lutar e denunciar para que esse abuso ao corpo feminino e a negação de seus direitos tenham um fim.</p><p>“Para a transformação</p><p>do modelo assistencial é necessário o esclarecimento de toda população sobre o que é violência obstétrica, os riscos para a mulher e para a criança, e a importância em denunciar os maus-tratos. Precisamos falar sobre o tema, sobre os perigos de intervenções desnecessárias e sobre o direito das mulheres. Mediante o conhecimento, elas poderão reconhecer práticas abusivas e denunciar os envolvidos nesses atos” (BORGES, 2020, p.29)</p><p>3.4 COMO DENUNCIAR</p><p>Se você foi vítima de violência obstétrica, é fundamental que reúna documentos como, cartão de acompanhamento da gestação, cópia de prontuário médico, exames e o seu plano de parto. Tendo em consideração que você possui pleno direito a todos os documentos solicitados, basta recorrer ao hospital onde o parto ocorreu, apenas o custo das cópias poderão ser condados. Em caso de negação de fornecimento, busque seu direito para que haja solução no problema.</p><p>“O que dói no parto não é a contração, é a dor de ser destratada. Parto normal não traumatiza, o que traz trauma é má assistência, ser negligenciada, ser deixada sozinha”. (BERNARDO, 2021)</p><p>É necessário que faça denúncias em vários espaços como: Secretaria estadual de Saúde, Ministério de Saúde, Central de Atendimento à Mulher, Defensoria Pública e Disque Saúde; para que essa realidade seja vista por todos e que nenhuma outra mulher sofra do mesmo.</p><p>Dependendo de como esteja indo a denúncia, pode-se tomar providências judiciais, você possui direito a fazer uma denúncia direta à pessoa que praticou a violência em seus conselhos de classe.</p><p>Na mesma pesquisa feita pelo grupo ainda foi perguntado se era de conhecimento público as formas como denunciar situações como esta.</p><p>Gráfico 4 - Você saberia denunciar?</p><p>Pesquisa realizada para levantamento de dados. (Fatima Foletto, Giovanna Gasperini, Julia Duarte, Leticia Lins, Thalyssa Simões)</p><p>A falta de conhecimento acerca do assunto afeta diretamente em seu combate, dificultando que mais vítimas se sintam confortáveis e seguras de compartilhar seus traumas.</p><p>Algumas mulheres possuem tanto medo de sofrer violência de novo, que deixam de engravidar por sentir uma culpa que não as pertence, essas mulheres precisam ser ouvidas, jamais silenciadas.</p><p>4. CONSEQUÊNCIAS</p><p>4.1 CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS</p><p>As consequências da violência obstétrica nas mulheres são dentre uma série de fatores que envolvem comportamentos desrespeitosos que prejudicam a dignidade da mulher, esse tipo de violência caracteriza-se por procedimentos rotineiros, que na maioria das vezes são executados desnecessariamente. Na atualidade, existem alguns estudos que comprovam que a utilização de muitos desses procedimentos é questionável, mas ainda são implementados indiscriminadamente.</p><p>Portanto, é inegável a existência de negligência médica nesses procedimentos, assim essas técnicas hospitalares podem causar graves consequências no físico da mulher, podendo citar:</p><p>A episiotomia que é uma incisão cirúrgica feita na vagina e na vulva realizado com um bisturi ou tesoura, feito no momento do nascimento do bebê para alargar a passagem vaginal na intenção de que ele saia com mais facilidade e velocidade, procurando encurtar o tempo de trabalho de parto. Esse procedimento se tornou rotineiro e comum, entretanto não existem constatações científicas que validem seus benefícios. Normalmente é feito de forma desnecessária e até mesmo sem o consentimento da mulher. Existem relatos de mulheres que não receberam anestesia e que sentiram a sutura sendo feita.</p><p>Segundo a pesquisa Nascer no Brasil, realizada em 2014, a episiotomia é feita em 56,1% dos partos de baixo risco obstétricos, 48,6% em risco obstétrico e 53,5% em todas as mulheres. Diante desses dados estatísticos nota-se que o índice da realização desse procedimento é alto, pois é efetuado em praticamente todos os partos, até mesmo nos de baixo risco.</p><p>A principal justificativa para a realização dessa técnica, na qual não possui embasamento científico, é preservar o períneo da mulher de se rasgar demais, causando uma laceração de 3º grau que vai desde a vagina até o ânus. Entretanto, já foi comprovado que a episiotomia pode trazer mais complicações do que as rupturas fisiológicas, essas que muitas vezes não ocorrem.</p><p>As consequências possíveis desse procedimento desnecessário são: complicações de cicatrização como rachaduras[footnoteRef:11], infecção, maior tempo de cicatrização, costura inadequada, posicionamento inadequado das bordas das suturas, endometriose em cicatrizes, suturas excessivas, necrose, maior tempo de recuperação, dor ao sentar, dor ao subir escadas, dispareunia[footnoteRef:12], o risco de laceração no próximo parto aumenta, o efeito estético é insatisfatório, pode causar maior perda de sangue, mais dor durante o parto, hematoma, maior risco de laceração do ânus (podendo causar incontinência fecal) e maior dor no pós-parto. Além também da autoestima da mulher ser afetada devido à estética da cicatriz e à dor durante a relação sexual, causando constrangimento relacionado ao parceiro. [11: Acontecem quando as suturas se abrem.] [12: Dores durante a relação sexual.]</p><p>A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde contraindicam o uso rotineiro da episiotomia, visando o fato de os prejuízos serem maiores que seus benefícios, além de frustrar a mãe e impedir que ela vivencie de forma agradável o parto.</p><p>“Mesmo gritando, urrando, berrando ‘não corta, não precisa, por favor, eu assumo, deixa rasgar’. Ela cortou. Disse que ‘só sabia fazer cortando’. Eu chorei, minha parteira chorou. Perdi. Me sinto mutilada, invadida. É como ser abusada. É a mesma coisa. Dá pra ver, dá pra sentir. Dá pra lembrar a cada ‘namoro’ com o marido.” (BENONI, 2012)</p><p>“E o pior a hora da episiotomia ela veio com a tesoura para cortar e eu disse não precisa, ai ela respondeu brava precisa sim e cortou duma vez sem anestesia, senti tudo, a sutura foi horrível, doeu muito, não tive nem o gosto de pegar meu bebê nos braços após o parto, mas também elas não me puseram ele nos meus braços. Me senti a pior das pessoas até hoje quando me recordo de uma coisa ruim, sinto uma dor na alma, é muito ruim”. (CARRO, 2012)</p><p>O Ponto do marido é um processo pouco conhecido, mas muitas mulheres o vivenciam sem saber. Esta é uma "sutura adicional" realizada quando a episiotomia é feita. Isso é chamado porque se acredita que a vagina fica "mais apertada" para o parceiro.</p><p>“Ela [a médica] virou pra ele e falou: ‘Eu vou dar uma fechadinha a mais pra daqui a um mês e pouco vocês não ficarem sem brincar direito'”. (ALVES, 2018)</p><p>“Ele virou pro meu marido [em tom] de piadinha e disse: ‘Aí, deixei virgenzinha pra você de novo, hein?'”. (ASSUNÇÃO, 2018)</p><p>Muitas mulheres que tiveram esse ponto queixam de dor durante relação sexual, o clitóris fica aprisionado em sua parte terminal e ainda contam que não sabiam da realização dessa prática cirúrgica sem necessidade no momento. (CARABANTES, 2018).</p><p>A restrição hídrica e alimentar, de acordo com um estudo da OMS feito em 1996, as contrações uterinas presentes no trabalho de parto gastam muita energia, contando que dura várias horas. O recomendado é que a paciente se alimente de comidas leves, como cereais e frutas, e se hidrate para recompensar o líquido perdido no suor. Ainda assim, alguns profissionais da área da saúde falam para suas pacientes gestantes ficarem de jejum antes e durante o parto.</p><p>É comprovado que a paciente que recebe líquidos durante o trabalho de parto possui uma melhor condição física para empurrar o bebê e permite que ela tenha uma força maior durante o parto. A maioria das vezes que a gestante não se alimenta ou se hidrata, acaba apresentando cansaço e fraqueza. Em vista disso, ele incentiva a oferta de líquidos durante esse processo. (CRISTO, 2010).</p><p>O parto fórceps é um parto vaginal, mas requer um instrumento cirúrgico semelhante a uma colher grande para remover o bebê. O instrumento é aberto e cada extremidade é instalada ao redor da cabeça do bebê para ajudar a expelir e remover o bebê do canal de parto mais rapidamente.</p><p>Este método é amplamente utilizado em partos de alto risco ou em situações em que o bebê fica preso, dificultando a saída e requer intervenção. Entretanto, muitos médicos usam esse método de maneira errônea ou sem indicação médica, visto que pode deixar graves sequelas após seu uso. Entre elas, pode-se citar: incontinência urinária[footnoteRef:13] na mãe, ocorrência de traumatismo vaginal ou perineal, aparecimento de hematomas na cabeça do bebê e até mesmo paralisia facial quando o fórceps pressiona muito o nervo facial do mesmo. [13: Perda do controle da bexiga.]</p><p>“Senti que algo estava errado e pedi imediatamente para fazer uma cesárea, por favor, pois eu já não aguentava mais, não daria conta de esperar, já estava há mais de 20 horas sentindo dor. Foi então que ela recorreu ao fórceps, mas sem me consultar ou me comunicar. Eu sei como o uso deste instrumento pode ser desastroso e o porquê aquilo estava acontecendo: já não havia outra maneira. Fui mutilada por orgulho ou vaidade, menos por amor. O momento que deveria ser só de alegria se transformou num momento de muita dor, de muita tristeza. Fui desrespeitada por não considerarem o meu desejo, garantido por lei. A bebê foi retirada com fórceps sem que me comunicassem esta decisão, ainda que não houvesse outro jeito. Os traumas físicos em mim envolvem sangramento e inchaço vaginal. Minha vagina e a minha vulva ficaram dilaceradas, rasgadas, recebi aproximadamente 11 pontos muito dolorosos, a musculatura do meu períneo ficou machucada, além do deslocamento da bexiga, que ficou em posição muito baixa impedindo o canal da urina.” (MELO, 2017)</p><p>A manobra de Kristeller é uma técnica obstétrica ultrapassada, realizada durante o parto. Envolve a aplicação de pressão na parte superior do útero para promover a saída do bebê. No entanto, essa prática foi banida pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), por ser uma técnica muito traumática que pode causar graves lesões, como: ruptura do diafragma e muscular, fratura de costela, hematomas, aumento do risco de hemorragias, lacerações graves no períneo, deslocamento da placenta, a própria dor durante e depois. Para os bebês, a manobra de Kristeller também pode aumentar o risco de hematoma cerebral, fraturas da clavícula e do crânio. Os efeitos podem ser sentidos durante o desenvolvimento da criança, como ter convulsões devido ao trauma do parto.</p><p>O uso rotineiro de ocitocina por conveniência médica é quando o corpo da mulher não consegue produzir hormônios suficientes ou estimular sua produção, a ocitocina é usada para promover as contrações uterinas durante o trabalho de parto normal. As contrações costumam ficar mais fortes e dolorosas, e algumas pessoas relataram que se tornaram insuportáveis, ficaram com vontade de desistir, exigir analgesia ou até mesmo cesarianas. Porém, muitos obstetras o utilizam por conveniência médica, sendo uma versão sintética quando utilizado em hospitais, não podendo ser administrado na dose correta exigida por cada organismo, o que pode ocasionar algumas reações adversas.</p><p>As contrações uterinas tornam-se mais intensas e rítmicas e geralmente contraem mais rápido do que as mulheres que não usam essa função. Isso leva a um aumento repentino da dor e a chance da gestante ter febre durante a parturição. Se não for usado com cuidado, pode causar atividade uterina excessiva. As mulheres que recebem ocitocina para acelerar o trabalho de parto têm maior probabilidade de necessitar de analgesia, fórceps, vácuo extrator ou, eventualmente, serem encaminhadas para uma cesariana.</p><p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou em suas novas diretrizes em fevereiro de 2018 que não deveria ser usado rotineiramente para acelerar o parto de mulheres saudáveis, pois cada um tem um ritmo único e varia de mulher para mulher.</p><p>O uso de ocitocina sintética faz com que o corpo reduza o número de receptores de ocitocina no útero para evitar a superestimulação. Nesse caso, conforme o número de receptores diminui, o risco de hemorragia pós-parto aumenta porque o útero precisa se contrair para reduzir o sangramento.</p><p>A ocitocina natural produzida pela mãe passa pela placenta e entra no cérebro do bebê, que com isso será preparado para a baixa oxigenação, pois certas células serão “desativadas” para serem protegidas durante o parto. Entretanto, a sintética não consegue atravessar essa barreira de proteção e, portanto, não alcançará o cérebro do bebê da mesma forma, podendo causar danos.</p><p>Seu uso afetará o sistema hormonal durante o parto, altera a liberação de hormônios como endorfinas e adrenalina, afetará o prazer após o parto, impedirá o imprinting[footnoteRef:14], prejudicando o vínculo entre mãe e bebê, além de possibilitar que a amamentação se torne difícil. [14: Fenômeno em que os filhos reconhecem suas mães assim que nascem.]</p><p>O bebê precisa se recuperar no intervalo de tempo entre as contrações no útero, fazendo com que os batimentos cardíacos voltem ao normal. Quando o corpo da mãe causa a contração de forma natural, ele pode ler e regular a dor do bebê. Isso não ocorre quando o estímulo vem de fora, de modo que podemos observar um risco maior de sofrimento fetal na presença ou ausência de mecônio.</p><p>Além desses fatores as complicações da indução incluem infecção intracavitária, prolapso de cordão umbilical, prematuridade iatrogênica, sofrimento ou morte fetal e falha da indução. Assim, é evidente que complicações podem ser evitadas, sendo necessário esclarecer para a gestante sobre tudo o que será feito, suas vantagens e seus riscos. (SOUZA, 2010).</p><p>A cesárea eletiva são indicações para cesárea dividem-se em indicações absolutas e indicações relativas. A indicação absoluta deve ter um significado real, ou seja, um diagnóstico que comprove sua existência e necessidade. Já as relativas acontecem com mais frequência, ou seja, aquelas que não têm um motivo real para recomendar. Uma cesariana realizada sem um diagnóstico preciso é chamada de cesariana eletiva e geralmente é programada e realizada antes do parto.</p><p>É importante ressaltar que a cesárea eletiva pode ser realizada mesmo sem indicações reais e tornou-se prática rotineira. A realização da cesárea eletiva é comum na área médica, pois a operação em si é viável economicamente. No setor privado, os médicos têm mais renda e menos horas de trabalho. Na área comum, embora haja despesas, ajuda para que não haja unidades superlotadas. No entanto, existem indicações fictícias para incentivar o trabalho de parto apenas por conveniência médica.</p><p>O cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê não é uma indicação, mas é utilizado por médicos para tentar realizar uma cesariana, utilizando o argumento errôneo que o bebê pode sufocar. Entretanto, é algo extremamente frequente que não traz sofrimento fetal. É necessário ressaltar que o bebê dentro do útero recebe oxigênio através do cordão umbilical, portanto não tem como ele sufocar ou ser estrangulado.</p><p>O peso da mãe também não interfere no parto normal. Outra justificativa para essa cirurgia desnecessária seria a obesidade da gestante, na qual ofereceria riscos na hora do parto normal. Porém, a realidade é que é mais complicada a cesariana nesses casos, pois é preciso cortar mais camadas de gordura, sendo mais difícil tirar o bebê. Além de a cicatrização ser mais lenta e o risco de infecção ser maior.</p><p>Além dessas, existem muitas outras desculpas utilizadas pelos profissionais como: aceleração dos batimentos fetais, bebê “grande demais” ou “pequeno demais” e até mesmo feto com “unhas compridas” (com explicações das mais diversas, dentre as quais arranharem a bolsa das águas). Portanto, a cesárea é considerada uma violência obstétrica quando ocorre sem uma prescrição médica real ou sem o consentimento da mulher.</p><p>Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa ideal de cesárea está entre 10% e 15%. No entanto, tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento, a cesariana está se tornando cada vez mais comum. É necessário explicar as complicações e os riscos</p><p>da cesárea às gestantes, pois a mortalidade e a morbidade da mãe e do filho durante a cesárea são superiores às do parto normal. Dada a negligência da informação, mulheres grávidas ficam vulneráveis às indicações para cesariana e estão sendo submetidas a uma cirurgia severa, na qual possui complicações, riscos e uma recuperação difícil</p><p>4.2 CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS</p><p>A gravidez é uma fase emocionalmente frágil e, diante da violência obstétrica sofrida, o estado mental da mulher torna-se fragilizado e incapaz de suportar tamanha pressão, o que leva ao surgimento de distúrbios psicológicos. Além de sua transformação psicossocial[footnoteRef:15] biológica, este é um período de readaptação à sua nova vida, tornando-as mentalmente vulneráveis ​​à dor e ao medo intenso, sendo aspectos emocionais instáveis ​​e desconforto físico dois fatores que coexistem durante a gestação. [15: Um conjunto de aspectos que envolvem problemas psicológicos e sociais.]</p><p>Portanto, esses sentimentos são decorrentes da violência obstétrica. Constrangimento é o primeiro sentimento enfrentado pela mulher, seguido da violência psicológica causada por agressões verbais. Além disso, pela humilhação que existe na prática dos profissionais de saúde, a dor será agravada, resultando em baixa autoestima, medo e insegurança.</p><p>Um estudo feito em 2017 por Silva, mostra as consequências psicológicas através de uma entrevista com 20 vítimas de violência obstétrica, residentes na cidade de Alagoa Grande – PB. Foi feito uma análise e percebe-se que os sofrimentos advindos da violência sofrida na gestação e no trabalho de parto, resultam em prejuízos psíquicos que podem se tornar duradouros, ocasionando traumas que refletem nas mulheres como o medo e insegurança de uma nova gestação, por terem passado por uma experiência ruim e agressiva.</p><p>Rocha e Grisi também em 2017 fizeram uma pesquisa com 7 puérperas do município de Vitória- Bahia, em que , através de uma entrevista, comprovaram que a violência obstétrica afeta demasiadamente o psicológico da mãe, gerando traumas e podendo até desenvolver depressão pós parto. Analisando os resultados dessa pesquisa, ainda destacaram que dentro do grupo de mulheres que tiveram um parto difícil e traumático, 60% manifestaram sinais de depressão no começo de seu pós-parto.</p><p>Em vista disso, é perceptível que depressão pós-parto é bem recorrente no processo de gravidez e pode ser ativada depois de uma agressão, seja ela verbal ou física, durante o parto. Existem consequências psíquicas que se sobressaem nesse meio.</p><p>O adoecimento mental no pós-parto como ansiedade, depressão pós-parto, transtornos comportamentais e problemas de adaptação são as principais consequências psicológicas presentes em mães vítimas de violência obstétrica.</p><p>Prejuízos no vínculo mãe-bebê, muitas vezes essa relação pode trazer à tona toda a violência sofrida no parto, dificultando sua vinculação com o filho. O que, consequentemente, também afeta as práticas educativas, como a relação com o bebê foi afetada, a mãe não conseguirá exercer as práticas educativas maternas, tendo um possível comportamento punitivo e negligente com seu filho.</p><p>Atraso no desenvolvimento infantil por conta que filhos de mães com problemas de saúde mental no pós-parto tendem a ter maior atraso no desenvolvimento, pois elas estimulam pouco o bebê e, consequentemente, ele terá um atraso significativo em seu desenvolvimento.</p><p>É perceptível que grande parte das mulheres que sofrem qualquer tipo de violência obstétrica e demonstram sentimentos de frustração, raiva, anseio e impotência diante dessas experiências negativas na hora do parto, estão mais suscetíveis a desencadear algum tipo de transtorno.</p><p>“Todos os transtornos causam grande impacto físico e psicológico para a vida dessas mulheres, interferindo na relação com o próprio recém-nascido, com os parentes e amigos, com a sexualidade, com a procura à um serviço de saúde e com uma possível próxima gestação.” (MAIA, 2018).</p><p>5. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA</p><p>5.1 NO MUNDO</p><p>De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo inteiro existem um número grande de mulheres que sofrem abusos, desrespeitos e maus tratos nas instituições de saúde no momento do parto. Numa pesquisa sobre, realizada pela mesma, foi revelado que em 34 países as gestantes enfrentam dificuldades, sendo de maus tratos como também abusos sexuais. Esse dado se torna preocupante por conta de um processo como este que ocorre em escalas mundiais não tem o seu devido tratamento, são poucos os países que se impõem diante a situação.</p><p>No fim da década de 1950, nos Estados Unidos, esse assunto começou a ganhar espaço quando uma revista direcionada para donas de casa, “Ladies Home Journal[footnoteRef:16]”, publicou uma matéria intitulada “Crueldade na Maternidade” que trazia relatos e descreviam o tratamento que acontecia com as parturientes na hora de dar à luz. A principal queixa vinha do processo conhecido como “twilight sleep[footnoteRef:17]”, que seria a combinação de morfina[footnoteRef:18] com escopolamina[footnoteRef:19] que tinha um efeito de sedação profunda, tendo como consequência agitação psicomotora e alucinações. Outras práticas realizadas que também foram expostas são: algemar as gestantes, amarrar seus pés e mãos, o que causavam hematomas; lesões decorrentes do uso do fórceps quando as mulheres estavam desacordadas. Diante disso muitas mulheres se identificaram como vítimas e a alta discussão sobre o assunto fez com que houvesse uma mudança na rotina de maternidades e na assistência, o que gerou a criação da Sociedade Americana de Psicoprofilaxia em Obstetrícia. [16: Tradução livre: “Diários das donas de casa”.] [17: Tradução livre: “Sono crepuscular”.] [18: Um remédio analgésico.] [19: Impede a passagem de determinados impulsos nervosos para o sistema nervoso central pela inibição da ação do neurotransmissor.]</p><p>Também na década de 1950, no Reino Unido, foi criada a Sociedade para Prevenção da Crueldade contra as Grávidas devido a publicação de livros feministas que reforçaram as críticas e as práticas abusivas, fazendo assim com que se tornasse algo indiscutível.</p><p>Já no ano de 1998 foi publicado o relatório denominado “Silencio y Complicidad: Violencia contra la Mujer en los Servicios Públicos de Salud no Peru[footnoteRef:20]”, pelo Centro Latino-Americano dos Direitos da Mulher, que continha documentos que mostravam as violências sobre as mulheres parturientes. [20: Tradução livre: “Silêncio e cumplicidade: violência contra a mulher nos serviços públicos de saúde no Peru”.]</p><p>Mesmo com o tema tendo sido bastante discutido na época, tanto nas pautas feministas quanto nas políticas públicas, nos dias de hoje ainda presenciamos mulheres passando por condutas violentas no momento do parto.</p><p>Ainda que o tema estivesse na pauta feminista e mesmo na de políticas públicas, foi relativamente negligenciado, diante da resistência dos profissionais e de outras questões urgentes na agenda dos movimentos, e do problema da falta de acesso das mulheres pobres a serviços essenciais. (DINIZ, 2015).</p><p>Os dados da pesquisa “The global numbers and costs of additionally needed and unnecessary caesarean sections performed per year[footnoteRef:21]”, organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2010, demonstram que em muitos países ocorre a realização excessiva de cesarianas. Foram analisados 137 países para assim poder calcular os índices de discrepância entre os partos normais e as cesáreas. Com resultados alarmantes podemos ver que 50% dos países tem um índice de cesárea maior que os 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 40% possuem essa taxa abaixo de 10%, o que também é prejudicial pois atrapalham na diminuição de mortalidade materna e infanticídio quando há a necessidade de uma intervenção, e, os restantes 10% mantêm sua média na taxa considera ideal, 15%. [21: Tradução livre: “Os números e custos das cesáreas necessárias e desnecessárias feitas por ano”.]</p><p>Anualmente são realizadas 18,5 milhões de cesáreas no mundo,</p>do Parto (1,2,3) - Eduardo Chauvet
6. Filhos da dor: uma abordagem da violência obstétrica - Danielle Brandão Nascimento
7. Violência obstétrica: uma expressão nova para um problema histórico - Fabiana Lopes Martin
8. Violência obstétrica: comparativo entre os países da América do Sul com o Brasil - Geycielle Batista Dias dos Passos
9. Violência obstétrica: uma análise das consequências - Dayze Carvalho Santiago
10. Parto: outro lado invisível do nascer - Letícia Ávila 
11. O parto anormal - Maria Sampaio
12. Maternidade no direito brasileiro: padecer do machismo - Ezilda Melo
13. Deshumanização do parto - Danielle Guedes Souza
14. Com dor darás à luz - Thaís Macedo
15. Além do parto - Pamela Nagode 
16. A luta contra a violência obstétrica - Nayara Borges 
17. https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/consequencias-psicossociais
18. https://bebe.abril.com.br/parto-e-pos-parto/sofri-violencia-obstetrica-e-convivo-com-as-sequelas-do-parto/
19. https://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2020/10/07/consequencias-fisicas-e-psicologicas-da-violencia-obstetrica-afetam-mae-filho-e-familiares-196539
20. https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/artigo/53580/violncia-obsttrica-e-as-consequncias-dignidade-psicolgica-da-mulher
21. https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Parto/noticia/2017/08/o-que-e-violencia-obstetrica-descubra-se-voce-ja-foi-vitima.html
22. https://www.minhavida.com.br/familia/tudo-sobre/34875-violencia-obstetrica
23. https://www.ufrgs.br/jordi/172-violenciaobstetrica/violencia-obstetrica/
24. https://www.politize.com.br/violencia-obstetrica/
25. https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/article/view/232
26. https://www.ativosaude.com/gestacao/violencia-obstetrica/
27. https://www.bbc.com/portuguese/geral-49773959
28. http://labs.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/humevol/evol-nasc-humano.html
29. https://blog.saraiva.com.br/livros-mais-lidos-do-mundo/
30. https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/era-mais-facil-dar-a-luz-ha-2-milhoes-de-anos-revela-estudo.phtml
31. https://www.scielo.br/j/csp/a/xFmLWvbx9BRGyJXW38gFXpP/?lang=pt
32. https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/?us_portfolio=nascer-no-brasil
33. https://newslab.com.br/brasil-e-o-segundo-pais-onde-mais-se-realizam-cesareas-esse-procedimento-e-bom-para-a-mae-e-o-bebe/
34. https://www.despertardoparto.com.br/o-que-e-parto-humanizado.html
35. https://www.youtube.com/watch?v=jWoq1cWdQ0I
36. http://primeirainfancia.org.br/brasilia-iv-conferencia-internacional-sobre-humanizacao-do-parto-e-nascimento/
37. http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/definicoes.htm
38. https://projetocolabora.com.br/ods3/voce-ja-ouviu-falar-em-violencia-obstetrica/
39. https://www.artemis.org.br/violencia-obstetrica
40. http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/08/oms-relata-violencia-obstetrica-sofrida-por-mulheres-em-34-paises.html
41. https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-03-12/onu-condena-espanha-a-indenizar-mulher-pela-violencia-obstetrica-sofrida-durante-o-parto.html
42. https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/09/actualidad/1502268381_004054.html
43. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11108.htm
44. https://www.defensoriapublica.pr.def.br/2021/08/2288/Lei-do-Acompanhante-Direito-garantido-a-gestante-na-hora-do-parto.html
45. https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-a-episiotomia-e-quando-ela-deve-ser-feita-no-parto/
46. https://revistacrescer.globo.com/Polemica-do-mes/noticia/2017/06/ponto-do-marido-depois-do-parto-voce-ja-ouviu-falar.html
47. https://www.despertardoparto.com.br/o-que-e-plano-de-parto.html
48. https://www.commadre.com.br/voce-sabe-o-que-e-violencia-obstetrica-e-como-denunciar/
49. https://theintercept.com/2018/09/10/pontodomarido/
50. https://www.unirios.edu.br/revistarios/media/revistas/2017/13/violencia_obstetrica_uma_analise_das_consequencias.pdf
51. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/22/estilo/1537652058_103212.html
52. https://www.youtube.com/watch?v=hW2IaPfy_N0
53. http://www.defensoria.sp.def.br/
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55. https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/11399?locale=pt_BR
56. https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/07/14/violencia-obstetrica-tambem-pode-ser-psicologica.htm
57. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/11/21/51-das-mulheres-queriam-parto-normal-mas-so-32-fizeram-aponta-pesquisa.htm
58. https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/prefix/14890
59. https://www.scielo.br/j/csc/a/66HQ4XT7qFN36JqPKNCPrjj/?lang=pt
60. https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/31340/1/TCC_SANDRA%20CRISTINA%20%20SILVA%20DE%20OLIVEIRA%20FERREIRA.pdf
61. https://www.maisabracos.com.br/minha-gravidez/terceiro-trimestre/uso-de-forceps-no-parto.html
62. https://www.tuasaude.com/parto-forceps/
63. https://naomekahlo.com/episiotomia-manobra-de-kristeller-e-ponto-do-marido-relato-sobre-as-violencias-que-sofri-no-meu-parto/
64. https://www.tuasaude.com/manobra-de-kristeller/
65. https://blog.casadadoula.com.br/parto-normal/usar-ou-nao-o-soro-com-ocitocina-no-parto/
66. https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/especialistas-apontam-epidemia-de-cesarianas/especialistas-apontam-epidemia-de-cesarianas
67. http://institutonascer.com.br/indicacoes-reais-e-ficticias-de-cesariana/
68. https://www.youtube.com/watch?v=yZZMjSpfees
69. https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/article/view/232/115
70. http://cebes.org.br/2014/11/pesquisa-mostra-que-54-das-mulheres-sofrem-episiotomia/
71. https://bebe.abril.com.br/parto-e-pos-parto/sofri-violencia-obstetrica-e-convivo-com-as-sequelas-do-parto/
72. http://www.sentidosdonascer.org/wordpress/wp-content/themes/sentidos-do-nascer/assets/pdf/controversias/Episiotomia.pdf
8. APÊNDICE
8.1 PESQUISA REALIZADA PARA LEVANTAMENTO DE DADOS VIA FORMULÁRIOS GOOGLE
1) Você sabe o que é violência obstétrica? 
· Sim
· Já ouvi falar mas não compreendo 
· Não
2) Você conhece alguém que já sofreu algum tipo de violência obstétrica? Se sim, qual?
· Sim:______________________
· Não
3) Você saberia identificar se passasse por isso?
· Sim
· Não
4) Você saberia denunciar?
· Sim 
· Não
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