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FARMACOTÉCNICA 
E TECNOLOGIA DE 
MEDICAMENTOS 
LÍQUIDOS E 
SEMISSÓLIDOS
Marcella Gabrielle Mendes Machado
Medicamentos 
fitoterápicos líquidos 
e semissólidos
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 > Distinguir os métodos de obtenção de extratos na produção de fitoterápicos.
 > Calcular a concentração de extratos líquidos em formulações fitoterápicas.
 > Discutir as utilizações de formulações fitoterápicas de uso interno e externo.
Introdução
Os medicamentos fitoterápicos são obtidos a partir de plantas medicinais, es-
tando disponíveis comercialmente em diversas formas farmacêuticas líquidas e 
semissólidas, como tinturas, infusos, extratos, pomadas e géis. O Ministério da 
Saúde, entendendo a aplicação clínica da fitoterapia na prevenção e tratamento 
de doenças, fornece atualmente 12 medicamentos fitoterápicos por meio do 
Sistema Único de Saúde (SUS).
A droga vegetal pulverizada pode ser utilizada diretamente como fitoterápico 
nas formas de pó para encapsulação e pó dividido para a preparação de chás 
e/ou adição a alimentos, ou pode passar pelo processo de extração, em que 
são utilizados meios aquosos, alcoólicos ou hidroalcoólicos para dissolução de 
componentes da droga vegetal. Os métodos mais comuns para a obtenção de 
extratos incluem maceração e percolação, além dos métodos de pequena escala, 
como infusão, decocção e digestão. 
Neste capítulo, você conhecerá os principais métodos utilizados para a obten-
ção de extratos líquidos e semissólidos, aprenderá a calcular sua concentração 
em formulações fitoterápicas e estudará fitoterápicos de uso interno e externo 
disponíveis comercialmente. 
Obtenção de fitoterápicos
As plantas medicinais têm sido utilizadas desde a antiguidade como método de 
cura; porém, o uso oficial de fitoterápicos só foi reconhecido mundialmente em 
1978, pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Ministério da Saúde, 
mediante a Portaria n0. 212, de 11 de setembro de 1981, passou a incentivar como 
prioridade o estudo das plantas medicinais para aplicação clínica. Mais recente-
mente, em 2006, a fitoterapia foi inserida no SUS, mediante a Portaria 971/2006. 
Atualmente, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos é regulamen-
tada pelo decreto 5.813, de 22 de junho de 2006. De acordo com a Agência Nacional 
de Vigilância Sanitária (BRASIL, 2011, documento on-line), fitoterápico pode ser 
definido como “[...] o produto obtido de planta medicinal, ou de seus derivados, 
exceto substâncias isoladas, com finalidade profilática, curativa ou paliativa”.
O processo de obtenção de fitoterápicos inicia-se a partir da coleta, es-
tabilização (quando aplicável) e secagem da planta medicinal. Em seguida, a 
droga vegetal é submetida a processos farmacotécnicos para se obter formas 
farmacêuticas básicas ou intermediárias, que posteriormente são utilizadas na 
preparação das formas finais a serem dispensadas ao consumidor. Vejamos uma 
lista das formas farmacêuticas fitoterápicas e suas definições (BERMAR, 2014):
 � Tinturas — formas líquidas, límpidas, resultantes da mistura de um 
veículo extrator (como álcool, água/álcool ou glicerina, propilenoglicol/
água) com drogas de origem animal ou vegetal. A proporção entre 
droga e veículo extrator é de 1:10 ou 1:5.
 � Extratos fluidos — formas líquidas resultantes da ação de um veículo 
extrator ou solvente sobre uma droga de origem animal ou vegetal em 
que, com exceção de especificações diferentes, uma parte do extrato 
(massa ou volume) corresponde a uma parte (massa) da droga seca 
utilizada na preparação.
 � Infusos — formas líquidas obtidas a partir da ação extrativa da água 
previamente aquecida (morna ou fervente) sobre a droga sólida, com 
abafamento do recipiente por tempo determinado. Indicadas para 
partes mais flexíveis do vegetal (folhas, flores, etc.).
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos2
 � Decoctos — formas líquidas extraídas deixando-se a droga em contato 
com a água em ebulição por tempo determinado. Ideal para partes 
rígidas da droga (caule, raízes, etc.).
 � Macerações frias — formas líquidas ideais para drogas que se degradam 
com aquecimento (como plantas com alto teor de mucilagem), obtidas 
a partir da extração da água fria sob essas substâncias por um longo 
período, ao abrigo da luz.
 � Digestões — formas líquidas obtidas pela ação do veículo extrator 
aquecido a temperatura abaixo do ponto de ebulição sobre a droga 
por 30 minutos.
 � Extratos hidroglicólicos ou glicólicos — formas líquidas obtidas pela 
extração de um veículo extrator constituído de água e glicóis (como 
glicerina ou propilenoglicol), com teor próximo de 50%. Ideais para 
extração de óleos essenciais, taninos, aminoácidos, entre outras 
substâncias.
 � Extratos moles — Formas semissólidas obtidas da evaporação parcial 
do veículo extrator com no mínimo 70% de resíduo seco.
As formulações de fitoterápicos podem ser encontradas em forma 
de monodroga ou em composição com mais de uma droga vege-
tal, podendo ser comercializadas em diversas formas farmacêuticas (como 
comprimidos, envelopes, sachês, xaropes, tinturas e extratos fluidos) (SAAD 
et al., 2018).
Métodos de obtenção de extratos
Após ter passado pela etapa de secagem, a droga vegetal pode ser uti-
lizada diretamente como fitoterápico nas formas de pó dividido para 
a preparação de chás e/ou adição a alimentos, ou ainda como pó para 
encapsulação. Além disso, a droga vegetal dessecada pode passar pelo 
processo de extração, quando ocorre a dissolução parcial da droga em 
um determinado solvente. Nesse processo, o solvente dissolve apenas 
alguns constituintes da droga, e o restante indissoluto é chamado de 
resíduo (FONSÊCA, 2005).
A extração de plantas medicinais é comumente aplicada na indústria 
farmacêutica, na produção de perfumes e na área alimentícia e da nutrição 
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos 3
humana. É a partir do processo de extração que são obtidos certos óleos 
industriais e comestíveis, bem como pigmentos (VEGGI, 2009). A Anvisa (BRASIL, 
2011, documento on-line) define extrato como:
[...] a preparação de consistência líquida, sólida ou intermediária, obtida a partir 
de material animal ou vegetal. O material utilizado na preparação de extratos 
pode sofrer tratamento preliminar, tais como, inativação de enzimas, moagem 
ou desengorduramento. Abreviatura: ext. O extrato é preparado por percolação, 
maceração ou outro método adequado e validado, utilizando como solvente álcool 
etílico, água ou outro solvente adequado. Após a extração, materiais indesejáveis 
podem ser eliminados.
Como visto nessa definição, os extratos podem ser preparados em âm-
bito laboratorial e industrial por percolação, maceração e outros métodos 
adequados e validados (extração com fluido supercrítico e Sohxlet, como 
veremos adiante). Soluções extrativas para uso caseiro podem ser obtidas por 
técnicas simples que incluem infusão, digestão e decocção (FONSÊCA, 2005). 
Já os óleos essenciais extraídos de plantas frequentemente são obtidos via 
técnicas de destilação a vapor e prensagem a frio.
O método de maceração consiste em colocar a droga vegetal em contato 
com um líquido extrator por um período pré-determinado, sendo que o líquido 
deve ser misturado em intervalos regulares. Ao final do período, a mistura 
é filtrada e prensada, e todo o processo é repetido, até que se obtenha o 
volume final desejado. De acordo com Fonsêca (2005, documento on-line), “[...] 
esta técnica é aplicável a todas as drogas que possuem substâncias ativas 
facilmente extraíveis, e como operação preliminar à extração por percolação”.
A percolação consiste em passar um líquido extrator através da droga 
vegetal já macerada, podendo ser o mesmo solvente ou um solvente diferente 
daquele já utilizado. O processo de percolação tem como objetivo comple-
mentar o processo extrativo realizado pela maceração, na qual não chega a 
ocorrer o esgotamento da droga.Ou seja, o extrato obtido pelo processo de 
percolação é mais rico nas substâncias ativas da droga. Para realização da 
percolação, deve-se utilizar um percolador, recipiente que pode apresentar 
um formato cilíndrico ou tronco-cônico (FONSÊCA, 2005).
Alguns cuidados devem ser observados na obtenção de um extrato por 
percolação. 
 � A droga deve ser umedecida fora do percolador, de modo similar ao 
que ocorre no processo de maceração, sem deixar a droga submersa 
e sem formar aglomerados.
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos4
 � As camadas no percolador devem apresentar um grau de compactação 
idêntico, a fim de permitir que o solvente passe pelas camadas de modo 
uniforme, semelhante à uma coluna cromatográfica. Em cada uma das 
camadas, deve-se ter a quantidade de droga úmida e o solvente para 
preencher os espaços entre as partículas do sólido.
 � No percolador, o líquido extrator deve ser adicionado de modo a deixar 
a droga submersa.
 � A velocidade da percolação deve obedecer às especificações para cada 
sistema, e o extrato deve ser recolhido na parte inferior do sistema 
através da abertura da torneira do percolador.
A Anvisa (BRASIL, 2011, documento on-line) relata de forma detalhada o 
procedimento para realização da percolação:
Umedecer a droga com quantidade suficiente (q.s.) do líquido extrator, na graduação 
alcoólica determinada na formulação específica e deixar repousar por duas horas 
em recipiente fechado. Preparar o percolador de capacidade apropriada, forrando 
a placa perfurada com papel de filtro e/ou algodão. Manter a torneira fechada. 
Transferir a droga umedecida para o percolador, em camadas superpostas, apli-
cando leve e uniforme pressão sobre cada camada com o auxílio de um pistilo. A 
superfície é forrada com camada de algodão sobre a qual são espalhadas pérolas 
de vidro ou cacos de porcelana. Colocar lentamente o líquido extrator na mesma 
graduação utilizada para o umedecimento até que seja eliminado o ar entre as 
partículas da droga e permaneça uma camada sobre a droga. Deixar repousar por 
24 h. Iniciar a percolação na velocidade controlada, adicionando o líquido extrator 
constantemente, tomando o cuidado de não deixá-lo desaparecer da superfície 
da droga antes de nova adição. Percolar a quantidade desejada de acordo com a 
concentração determinada na formulação e acondicionar.
De acordo com Veggi (2009), uma vantagem do método de percolação é 
a retenção do material fino da droga; com isso, o extrato obtido apresenta 
uma quantidade mínima de partículas finas. Veggi (2009) ainda acrescenta 
que, para aumentar o rendimento na extração, deve-se diminuir o tamanho 
das partículas da droga, aumentando sua superfície de contato com o líquido 
extrator. No entanto, uma diminuição excessiva do tamanho das partículas 
pode dificultar a passagem do solvente, pela maior tendência em formar 
aglomerados, o que resulta em um maior tempo necessário à percolação 
(FONSÊCA, 2005).
Além do tamanho das partículas da droga, outro fator que influencia a 
obtenção do extrato é a seletividade do solvente. Dentre os solventes mais 
frequentemente utilizados para a obtenção de extratos, estão a água, o 
álcool, a glicerina, o propilenoglicol e a acetona, sendo que a acetona deve 
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos 5
ser totalmente eliminada antes da utilização do extrato na produção dos 
fitoterápicos. Outros solventes também podem ser utilizados a fim de extrair 
de forma seletiva os componentes da droga vegetal. No Quadro 1, é possível 
identificar a solubilidade de alguns componentes vegetais em meio aquoso, 
alcoólico e hidroalcoólico. 
Quadro 1. Solubilidade de componentes vegetais em meio aquoso, alcoólico 
e hidroalcoólico
Substância Água Etanol
Mistura 
água–etanol
Bases de 
alcaloides
Muito dificilmente 
solúvel
Solúvel Dificilmente 
solúvel
Sais de alcaloides Facilmente solúvel Solúvel Facilmente solúvel
Heterosídeos Facilmente solúvel Facilmente solúvel Facilmente solúvel
Substâncias 
amargas
Facilmente solúvel Facilmente solúvel Facilmente solúvel
Taninos Facilmente solúvel Facilmente solúvel Solúvel
Óleos essenciais Dificilmente 
solúvel
Solúvel Muito dificilmente 
solúvel
Bálsamos, resinas Muito dificilmente 
solúvel
Solúvel Dificilmente 
solúvel
Açúcares Facilmente solúvel Solúvel Solúvel
Óleos, ceras Muito dificilmente 
solúvel
Muito dificilmente 
solúvel
Muito dificilmente 
solúvel
Amido Dificilmente 
solúvel
Muito dificilmente 
solúvel
Muito dificilmente 
solúvel
Celulose Muito dificilmente 
solúvel
Muito dificilmente 
solúvel
Muito dificilmente 
solúvel
Pectinas Solúvel Muito dificilmente 
solúvel
Dificilmente 
solúvel
Albuminas Solúvel Precipitação Dificilmente 
solúvel
Sais inorgânicos Solúvel Dificilmente 
solúvel
Dificilmente 
solúvel
Fonte: Adaptado de Fonsêca (2005).
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos6
Por sua vez, a extração com fluido supercrítico baseia-se na utilização 
de um gás inerte para a extração de substâncias voláteis, sob condições 
críticas de temperatura e pressão. Então, ao retornar às condições normais 
de temperatura e pressão, o gás libera o extrato, que pode ser recolhido 
ao final do processo. O equipamento libera o fluxo de gás de forma cíclica, 
alternado suas condições físicas com uso de um compressor. Esse método 
é utilizado em empresas que buscam um grau de pureza maior em certos 
produtos finais (como óleos essenciais), em comparação àqueles obtidos 
pelos métodos convencionais, além de maior rendimento e minimização dos 
custos de estocagem e transporte de material (FONSÊCA, 2005; VEGGI, 2009). 
Quanto aos gases utilizados na técnica de fluido supercrítico, o dióxido de 
carbono (CO2) costuma ser a substância escolhida, pois sua pressão e sua tempe-
ratura críticas — 73,8 bar e 31,2°C, respectivamente — são facilmente atingíveis. 
Além disso, o CO2 é um gás de baixo custo, inerte, atóxico e não inflamável.
Já o método de Soxhlet utiliza um aparelho extrator (Figura 1) desenvolvido 
pelo químico agrícola alemão Franz von Soxhlet, no qual a droga vegetal em estado 
sólido é lavada repetidamente com o solvente em refluxo, retirando dela todas 
as substâncias solúveis até chegar ao esgotamento da droga (FONSÊCA, 2005).
Figura 1. Extrator Soxhlet.
Fonte: Soxhlet... (2019, documento on-line).
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos 7
Cálculo da concentração de extratos
Para realizar o processo de extração, e consequentemente para a produção 
do fitoterápico, alguns cálculos são necessários, a exemplo da expressão da 
concentração. O cálculo da concentração de uma solução extrativa é dife-
rente daquele empregado em soluções verdadeiras, em que a concentração 
é expressa em termos percentuais, razão de proporcionalidade, molaridade, 
normalidade, dentre outros. 
De acordo com Fonsêca (2005, documento on-line), para as soluções ex-
trativas podem-se utilizar as seguintes opções:
 � correlacionar a quantidade percentual de droga utilizada para a ob-
tenção de uma solução extrativa;
 � expressar a concentração em termos de resíduo sólido total;
 � correlacionar a quantidade de ativos presentes na droga e a quantidade 
presente na solução extrativa;
 � expressar diretamente a quantidade de ativos presentes na solução 
extrativa. 
Na primeira opção, atribui-se à solução uma concentração percentual 
cujo valor representa a quantidade da droga vegetal utilizada para se obter 
100 mL de uma solução extrativa. Esse tipo de cálculo de concentração 
só deve ser utilizado quando nenhuma das demais opções são possíveis, 
devido o desconhecimento das substâncias ativas ou pela inexistência de 
metodologia para determinar a sua quantidade (FONSÊCA, 2005). Tomemos 
como exemplo de cálculo um extrato de pau d’arco a 15%: para preparar 100 
mL de extrato devem ser utilizados 15 g do cerne de pau d’arco dessecado 
e triturado. 
Já a concentração expressa em termos de resíduo sólido total é deter-
minada pela evaporação, sob pressãoreduzida, de uma fração da solução 
extrativa, seguida de pesagem do resíduo sólido resultante, expressando 
em termos de 100 mL de extrato. Nesse caso, tomemos como exemplo um 
extrato de barbatimão com 4% de resíduo sólido. Isso significa que, ao eva-
porar uma alíquota desse extrato, digamos 10 mL, restará um resíduo de 0,4 
g. Essa expressão de concentração apresenta a vantagem de poder alcançar 
a padronização do extrato produzido. No entanto, diferentes extratos com o 
mesmo valor de resíduo sólido total podem apresentar diferenças nas quanti-
dades das substâncias presentes, assim como podem apresentar substâncias 
diferentes em sua composição (como conservantes) (FONSÊCA, 2005). 
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos8
Na terceira opção de expressão da concentração, determina-se a quan-
tidade de ativos presentes na droga e na solução extrativa. Em seguida, os 
valores encontrados são correlacionados e expressos em percentuais ou em 
uma razão de proporcionalidade. Retomemos o exemplo do extrato de pau 
d’arco a 15%; neste caso, isso significa que cada mL do extrato corresponde 
a 0,15 g da droga em termos de substâncias ativas, ou que em cada 100 mL 
do extrato estão todos os ativos que existem em 15 g da droga vegetal que 
lhe deu origem (FONSÊCA, 2005).
Uma quarta opção consiste em representar diretamente a quantidade ou 
a concentração das substâncias ativas no extrato, ou seja, seu respectivo 
teor na preparação. Para aplicar esse tipo de expressão da concentração, é 
preciso identificar e quantificar as substâncias ativas no extrato. O valor pode 
ser expresso em termos percentuais, indicando a quantidade de substâncias 
ativas em 100 mL ou em 100 g do extrato. Fonsêca (2005) cita como exemplo um 
extrato de Passiflora com 1,5% de flavonoides, significando que em cada 100 mL 
do extrato tem-se 1,5 g de flavonoides totais, neste caso o flavonoide vitexina.
A partir dos quatro tipos de expressão da concentração apresentados, 
percebe-se o alto nível de atenção necessário ao adquirir os extratos de um 
determinado fornecedor, para não haver confusão quanto à sua composição. 
Além da concentração, outros cálculos também podem ser necessários para 
a obtenção do extrato, como cálculo de diluição do álcool e outras soluções 
ou determinação do tempo de percolação.
Registro de medicamentos fitoterápicos
A produção de medicamentos, que inclui os fitoterápicos manipulados ou 
industrializados, deve obedecer a diferentes normas regulatórias, sendo que 
a manipulação em si é regulamentada pela Resolução da Diretoria Colegiada 
(RDC) n0. 67/2007, que dispõe sobre as boas práticas de manipulação de pre-
parações magistrais e oficinais para uso humano em farmácias. Os produtos 
fitoterápicos podem ser manipulados com base em preparações magistrais, 
ou seja, a partir de prescrições, ou preparações oficinais, cuja formulação 
encontra-se descrita no Formulário Fitoterápico Nacional ou em formulários 
internacionais reconhecidos pela Anvisa (BRASIL, 2018).
Somente os medicamentos fitoterápicos industrializados para uso hu-
mano são registrados na Anvisa, sendo este registro regulamentado pela 
RDC n0. 26/2014. Além da RDC n0. 26/2014, outras normas complementam as 
orientações sobre como proceder com o registro de produtos fitoterápicos: 
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos 9
 � RDC n0. 66/2014 — altera o Anexo IV da RDC n0. 26/2014;
 � Instrução Normativa (IN) n0. 02/2014 — publica a “Lista de medica-
mentos fitoterápicos de registro simplificado” e a “Lista de produtos 
tradicionais fitoterápicos de registro simplificado”;
 � IN n0. 04/2014 — determina a publicação do “Guia de orientação para 
registro de medicamento fitoterápico e registro e notificação de pro-
duto tradicional fitoterápico”. 
 � IN n0. 05/2014 — dispõe sobre os procedimentos relacionados ao pro-
tocolo do “Histórico de mudanças do produto” e define o prazo de 
análise das petições pós-registro de medicamentos fitoterápicos e 
produtos tradicionais fitoterápicos. 
Além dessas normas citadas, o registro e o pós-registro de medicamentos 
fitoterápicos também deve atender às demais normas estabelecidas para 
medicamentos a serem registrados na Anvisa (BRASIL, 2018).
A RDC n0. 26/2014, por meio do seu artigo 2º, estabelece a distinção entre 
medicamentos fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos: 
Esta Resolução se aplica a produtos industrializados que se enquadram nas ca-
tegorias de medicamentos fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos. 
§ 1º — São considerados medicamentos fitoterápicos os obtidos com emprego 
exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e eficácia sejam 
baseadas em evidências clínicas e que sejam caracterizados pela constância de 
sua qualidade. 
§ 2º — São considerados produtos tradicionais fitoterápicos os obtidos com em-
prego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e efetividade 
sejam baseadas em dados de uso seguro e efetivo publicados na literatura técnico-
-científica e que sejam concebidos para serem utilizados sem a vigilância de um 
médico para fins de diagnóstico, de prescrição ou de monitorização (BRASIL, 2014, 
documento on-line).
De acordo com Anvisa (BRASIL, 2018), para cada medicamento fitoterápico e 
produto tradicional fitoterápico a ser registrado, o fabricante deve protocolar 
um processo contendo uma parte documental (alvará sanitário, certificado 
de responsabilidade técnica, cópia do certificado de Boas Práticas de Fa-
bricação e Controle [CBPFC]); um relatório técnico contendo nomenclatura 
botânica, parte da planta utilizada, relatório do estudo de estabilidade e 
outras informações; um relatório de produção e controle de qualidade; e um 
relatório de segurança e eficácia.
O estudo de estabilidade de fitoterápicos visa verificar se as características 
físicas, químicas, biológicas e microbiológicas de um produto farmacêutico 
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos10
mantêm-se pela validade esperada. A partir dos resultados obtidos, o prazo 
de validade do produto pode ser confirmado ou alterado, e também podem ser 
estabelecidas recomendações para armazenamento do produto. Ao solicitar o 
registro, o fabricante deve apresentar um relatório do estudo de estabilidade 
acelerado concluído, juntamente com os estudos de estabilidade de longa 
duração de três lotes-piloto concluídos ou em andamento.
Segundo a Anvisa (BRASIL, 2018, documento on-line), “[...] o controle de 
fitoterápicos abrange avaliações da matéria-prima vegetal, tanto a droga 
como derivado e do produto final”. O controle de qualidade da droga vegetal 
avalia sua identidade botânica, integridade, características organolépticas, 
umidade, cinzas, presença/ausência de material estranho e análise qualita-
tiva e quantitativa. Na análise do derivado, são observados os solventes e 
veículos utilizados no processo de extração, bem como o método de extração 
empregado, a parte da planta utilizada, além de testes físico-químicos do 
extrato. A análise do produto final depende da forma farmacêutica utilizada, 
mas em geral é avaliada a integridade e estabilidade do produto final, assim 
como os níveis de contaminação microbiana. 
Para o registro de fitoterápicos, a comprovação da segurança e eficácia 
é um critério obrigatório. Essa comprovação deve ser realizada por meio de 
ensaios não clínicos e clínicos de segurança e eficácia ou registro simplificado 
para medicamentos fitoterápicos, ou por meio de comprovação de uso seguro 
e efetivo para um período mínimo de 30 anos ou registro simplificado para 
produtos tradicionais fitoterápicos (BRASIL, 2014).
Para a renovação de registros de fitoterápicos já concedidos, a RDC n0. 
26/2014 dispõe que os fabricantes devem protocolar a solicitação de renovação 
na Anvisa com antecedência mínima de seis meses da data de vencimento 
do registro, e uma série de documentos devem ser submetidos como a cópia 
do CBPFC válido, relatórios periódicos de farmacovigilância do fitoterápico,resultados dos estudos de estabilidade de acompanhamento, lista de alte-
rações e inclusões pós-registro, dentre outros (BRASIL, 2014). 
Formulações fitoterápicas
As formulações fitoterápicas são utilizadas na prevenção e tratamento de 
diversas enfermidades, estando disponíveis comercialmente em formulações 
para uso interno e externo. As preparações líquidas de uso interno incluem 
apresentações nas formas farmacêuticas de tintura, extrato, xarope, solução e 
suspensão oral, enquanto as apresentações semissólidas como géis, pomadas 
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos 11
e cremes apresentam uso externo. Atualmente, são ofertados pelo SUS 12 
medicamentos fitoterápicos, sendo que oito deles apresentam formulações 
líquidas e/ou semissólidas (Quadro 2). 
Quadro 2. Medicamentos fitoterápicos com apresentações líquidas e/ou 
semissólidas ofertados pelo SUS
Denominação genérica Apresentação Indicação/Ação
Alcachofra (Cynara 
scolymus L.)
Cápsula, 
comprimido, 
solução oral e/ou 
tintura
Tratamento dos sintomas 
de dispepsia funcional 
(síndrome do desconforto 
pós-prandial) e de 
hipercolesterolemia leve a 
moderada. Apresenta ação 
colagoga e colerética.
Aroeira (Schinus 
terebinthifolius Raddi)
Gel e/ou óvulo 
vaginal
Apresenta ação cicatrizante, 
anti-inflamatória e 
antisséptica tópica, para uso 
ginecológico.
Babosa (Aloe vera (L.) 
Burm. f.)
Creme e/ou gel Tratamento tópico de 
queimaduras de 1º e 2º graus 
e como coadjuvante nos 
casos de psoríase em placas.
Cáscara-sagrada 
(Rhamnus purshiana DC.)
Cápsula e/ou tintura Coadjuvante nos casos 
de obstipação intestinal 
eventual.
Espinheira-santa 
(Maytenus officinalis 
Mabb.)
Cápsula, emulsão, 
suspensão oral e/ou 
tintura
Coadjuvante no tratamento 
de gastrite e úlcera 
gastroduodenal e sintomas 
de dispepsia.
Guaco (Mikania 
glomerata Spreng.)
Solução oral, tintura 
e/ou xarope
Apresenta ação expectorante 
e broncodilatadora.
Salgueiro (Salix alba L.) Comprimido, elixir, 
solução oral
Tratamento de dor lombar 
baixa aguda. Apresenta ação 
anti-inflamatória.
Unha-de-gato (Uncaria 
tomentosa (Willd. ex 
Roem. & Schult.) DC.)
Cápsula, 
comprimido e/ou 
gel
Coadjuvante nos 
casos de artrites e 
osteoartrite. Apresenta 
ação anti-inflamatória e 
imunomoduladora.
Fonte: Adaptado de Brasil (2019).
Medicamentos fitoterápicos líquidos e semissólidos12
De acordo com o Formulário Fitoterápico Nacional (BRASIL, 2011, documento 
on-line), a forma xarope pode ser definida como: 
[...] a forma farmacêutica aquosa caracterizada pela alta viscosidade, que apresenta, 
no mínimo, 45% (p/p) de sacarose ou outros açúcares na sua composição. Os xaro-
pes geralmente contêm agentes flavorizantes. Quando não se destina ao consumo 
imediato, deve ser adicionado de conservadores antimicrobianos autorizados. 
Nesse mesmo formulário, é descrita uma monografia de xarope de guaco 
(Mikania glomerata Sprengel e M. laevigata Schultz Bip). Para o preparo desse 
xarope, deve-se inicialmente preparar uma tintura de guaco a 20% ou extrato 
fluido de guaco. A tintura ou extrato fluido deve ser transferida para um 
recipiente adequado e solubilizada numa formulação de xarope simples (85 
g de açúcar branco em 100 mL de água q.s.p). Após a solubilização, deve-se 
completar o volume final e homogeneizar. 
A Anvisa (BRASIL, 2011, documento on-line) define creme como:
[...] a forma farmacêutica semissólida que consiste de uma emulsão, formada por 
uma fase lipofílica e uma fase hidrofílica. Contém um ou mais princípios ativos 
dissolvidos ou dispersos em uma base apropriada e é utilizada, normalmente, para 
aplicação externa na pele ou nas membranas mucosas. 
No Formulário Fitoterápico Nacional (BRASIL, 2011), são descritas duas 
monografias de cremes: creme de Calendula officinalis L. e creme de Stryph-
nodendron adstringens (Mart.) Coville. O creme de Calendula officinalis L. 
(calêndula) é preparado incorporando-se o extrato glicólico de calêndula 
(10 mL) no creme-base na proporção indicada (100 g q.s.p), e misturando-se 
até homogeneização completa. 
Por sua vez, os géis são preparações semissólidas, de aspecto coloidal, 
que contêm agente gelificante (carboximetilcelulose, ágar-ágar, pectina, 
alginato de sódio, etc.) para fornecer firmeza à solução ou dispersão 
(SAAD et al., 2018). No Formulário Fitoterápico Nacional (BRASIL, 2011), são 
descritas cinco monografias de géis, dentre elas o gel de babosa (Aloe 
vera (L.) Burm. f.). Para o preparo desse gel, 10 mL de extrato glicólico de 
babosa devem ser transferidos para recipiente adequado e incorporado 
em gel hidroalcóolico q.s.p. (100 g), misturando-se até homogeneização 
completa. O gel hidroalcóolico (álcool gel) possui em sua composição 
ácido etilenodiamino tetra-acético dissódico (EDTA), glicerina, solução 
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conservante de parabenos, álcool etílico 70%, carbômero 980 (polímero 
carboxivinílico) e trietanolamina 50% (BRASIL, 2011). 
As pomadas são preparações semissólidas, de consistência pastosa, que 
consistem em solução ou dispersão do princípio ativo em base adequada, 
geralmente não aquosa, como vaselina e lanolina (SAAD et al., 2018). No 
Formulário Fitoterápico Nacional (BRASIL, 2011), é descrita uma formulação 
de pomada-base de lanolina e vaselina, composta por lanolina anidra (30 
g), butilhidroxitolueno (0,02 g) e vaselina sólida q.s.p (100 g). A partir dessa 
pomada-base, podem ser produzidas pomadas de babosa, arnica (Arnica 
montana L.), erva-baleeira (Cordia verbenacea DC.), dentre outras.
Os medicamentos fitoterápicos também podem ser consumidos como 
preparações extemporâneas, definidas como formas que devem ser utiliza-
das em até 48 h após sua preparação. Elas geralmente são preparadas pelo 
próprio paciente, o qual deve ser previamente orientando pelo médico e/ou 
farmacêutico em relação ao seu preparo e utilização. O chá é a preparação 
extemporânea mais popular. 
Saad et al. (2018) lista algumas recomendações que devem ser seguidas para 
a preservação da qualidade da droga vegetal utilizada na preparação de chás: 
 � é recomendado lavar brevemente qualquer planta fresca em água 
corrente antes de usá-las em chás;
 � a água deve ser preferencialmente aquecida em vasilhas de vidro, 
porcelana, barro ou aço inoxidável, evitando-se vasilhas de alumínio;
 � a água deve ser tratada e/ou filtrada na preparação de chás;
 � mesmo se preparado em grandes quantidades, o chá deve ser sempre 
consumido no mesmo dia do preparo;
 � no caso de folhas, flores e plantas aromáticas, fazer infuso;
 � no caso de cascas, raízes e sementes, fazer decocção.
A arnica (Arnica montana L.) é um exemplo de preparação extempo-
rânea de uso externo, utilizada pela sua ação anti-inflamatória em 
contusões e distensões, nos casos de equimoses e hematomas. O Formulário 
de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2011) indica que a arnica 
deve ser preparada por infusão considerando-se a fórmula: 
flores secas ----- 3 g
água q.s.p. ------ 150 mL
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As matérias-primas vegetais também são utilizadas na produção de cosmé-
ticos naturais, como produtos para pele e cabelo. Tais produtos têm ganhado 
espaço na indústria cosmética e têm despertado interesse em consumidores 
de todo o mundo. Devido à alta biodiversidade brasileira, empresas públicas 
e privadas têm investido em pesquisas com o intuito de desenvolver novas 
formulações que atendam à crescente demanda.
De acordo com o Sebrae (2008), algumas das substâncias naturais mais 
utilizadas na produção de cosméticos naturais incluem: 
 � óleo de sementes de maracujá (Passiflora); 
 � óleo de andiroba (Carapas guianensis); 
 � óleo de buriti (Mauritia venifera); 
 � óleo de castanha-do-pará (Bertholletia excelsa H. B. K.); 
 � óleo de copaíba (Copaífera officinalis. Jacq.); 
 � óleo de pracaxi (Pentaclethra filamentosa); 
 � manteiga de cupuaçu (Theobroma grandiflorum); 
 � manteiga de muru-muru (Astrocaryummurumuru); 
 � manteiga de ucuúba (Virola sebifera); 
 � mel e derivados.
A partir do conteúdo abordado, percebe-se o crescente interesse na pro-
dução de medicamentos fitoterápicos. Tais medicamentos representam hoje 
uma alternativa ao uso de medicamentos sintéticos, e sua aplicação clínica 
tem sido incentivada também por órgãos federais. É importante conhecer os 
diferentes métodos empregados na produção de extratos e óleos vegetais 
a fim de adotar o método mais adequado para a extração, obtendo o maior 
rendimento e pureza possíveis. 
Referências
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Paulo: Érica, 2014. (Série Eixos).
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BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de fitoterápicos da far-
macopeia brasileira. Brasília: Anvisa, 2011. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/
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de 2014. Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a noti-
ficação de produtos tradicionais fitoterápicos. Brasília: Anvisa, 2014. Disponível em: 
http://portal.anvisa.gov.br/documents/33880/2568070/rdc0026_13_05_2014.pdf/
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de 2007. Dispõe sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Ofi-
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