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Aula 3 de Segurança Portuária e Aeroportuária: aborda programas de segurança da cadeia logística alinhados ao padrão SAFE, contextualiza a adaptação brasileira e o OEA, detalha o C‑TPAT (origem, requisitos, níveis de tratamento e benefícios) e introduz a BASC.

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Leonardo

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<p>SEGURANÇA PORTUÁRIA E</p><p>AEROPORTUÁRIA</p><p>AULA 3</p><p>Profª Roberta Abrão de Andrade</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta aula, abordaremos programas de segurança da cadeia logística</p><p>internacional, relacionados ao padrão de segurança SAFE que vimos na aula</p><p>anterior, uma vez que, atualmente, há uma variedade de programas que são</p><p>alinhados com as recomendações do SAFE.</p><p>Como vimos, a questão de segurança portuária requer capacitação</p><p>adequada para a implantação e perpetuação de um conjunto mínimo de padrões</p><p>de segurança alinhados à estratégia internacional.</p><p>Por esse motivo, a aderência às regras e aos padrões internacionais</p><p>dependem não só de programas alinhados como também conta com a</p><p>capacidade de cada administração e a autoridade legislativa necessária do país.</p><p>Veremos a seguir os programas e as leis consoantes com o tema.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>A implementação de diretrizes portuárias de segurança requer uma</p><p>metodologia complexa, considerando todos os intervenientes envolvidos, o</p><p>esforço despendido e os recursos destinados à execução e à manutenção das</p><p>novas normativas.</p><p>O Brasil, seguindo o movimento internacional e como país-membro da</p><p>IMO, adequou suas leis federais no âmbito da segurança e gestão de risco, além</p><p>de modificar e adaptar alguns regimes aduaneiros especiais anteriormente</p><p>operados, para seu novo Programa de Segurança Aduaneira, o OEA.</p><p>Veremos a seguir tópicos que auxiliarão a entender isso na prática.</p><p>TEMA 1 – C-TPAT – CUSTOMS TRADE PARTNERSHIP AGAINST TERRORISM</p><p>O C-TPAT é um programa do governo federal criado pelo Departamento</p><p>de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), que permite que as</p><p>empresas intervenientes no processo da cadeia logística de mercadorias e</p><p>materiais para o país sejam certificadas, permitindo uma maior agilidade nos</p><p>processos de controle alfandegário dos EUA.</p><p>O programa é fruto da preocupação dos EUA após os atentados sofridos</p><p>em 11 de setembro de 2001 e foi lançada em novembro do mesmo ano. A</p><p>proteção da Alfândega e de Fronteiras (CBP) é um tema complexo para o</p><p>3</p><p>Departamento de Segurança Interna dos EUA. A missão prioritária é manter</p><p>terroristas e suas armas fora dos EUA.</p><p>A certificação no programa é voluntária, destinada aos importadores e</p><p>proporciona a facilitação da movimentação de carga, por meio da redução do</p><p>rigor e das frequências das inspeções. As regras de exportação são aplicadas</p><p>apenas para o modal aéreo.</p><p>O C-TPAT tem o objetivo da integração dos importadores com as</p><p>empresas envolvidas no fluxo logístico, a fim de fomentar a cadeia logística</p><p>internacional, por meio da redução de prejuízos. Por esse motivo abrange as</p><p>empresas responsáveis pelo setor de transporte nos EUA.</p><p>Cada interveniente que se submeta à certificação do programa, possui</p><p>requisitos diferentes para cumprir, havendo ainda categorias específicas para</p><p>importadores, para produtores estrangeiros e demais agentes da cadeia.</p><p>Para o importador, por exemplo, exige-se: informações sobre as parcerias</p><p>comerciais, processos de segurança na inspeção do contêiner, controle de</p><p>acesso à carga, inspeção física, do pessoal, dos procedimentos, da TI</p><p>empregada, e de treinamentos de aprimoramento e reciclagem dos processos.</p><p>Os benefícios do programa dependem do nível de segurança comprovado</p><p>em suas operações. A Aduana americana adota, desde 2005, uma escala de</p><p>três níveis de tratamento para as companhias certificadas, conforme a seguir:</p><p>• 1º nível: empresas com operações de baixo risco, as quais se permite</p><p>certa flexibilidade nos procedimentos de controle. Elas têm prioridade em</p><p>caso de verificação das mercadorias, e recebem menores punições em</p><p>caso de inconformidades;</p><p>• 2º nível: empresas que comprovaram a segurança nas suas relações com</p><p>parceiros, como transportadores marítimos, rodoviários, importadores.</p><p>Elas recebem as mesmas vantagens do 1º Nível, mas são consideradas</p><p>duas vezes menos arriscadas pela Aduana, tendo menor frequência nas</p><p>inspeções de seus processos;</p><p>• 3º nível: empresas que possuem as melhores práticas quanto a</p><p>segurança, seguindo por completo os programas e as normas</p><p>estabelecidas. As inspeções e as paradas de carga ocorrem</p><p>eventualmente.</p><p>4</p><p>O C-TPAT é integrado a outros programas e sistemas de segurança nos</p><p>Estados Unidos, e serve de modelo para muitos países, como para o Brasil, pois</p><p>o Programa de Operador Econômico Autorizado (OEA), possui a mesma</p><p>sistemática, adaptado à realidade da aduana brasileira.</p><p>Na intenção de facilitar as relações aduaneiras com o EUA, muitas</p><p>empresas estrangeiras adotam as normas do C-TPAT resultando a</p><p>disseminação de suas práticas para a cadeia global.</p><p>TEMA 2 – BASC – BUSINESS ALLIANCE FOR SECURE COMMERCE</p><p>A BASC – Business Alliance for Secure Commerce, segundo sua própria</p><p>descrição, é uma aliança internacional de negócios que promove o comércio</p><p>seguro em cooperação voluntária com governos, agências de fronteira,</p><p>autoridades de controle e organizações internacionais.</p><p>Fundada em 1996 pelo Serviço de Alfândega dos EUA, seu principal</p><p>objetivo é a proteção da fronteira dos EUA, por meio de ações e procedimentos</p><p>que mitiguem e impeçam a entrada de drogas e mercadorias ilícitas nos EUA</p><p>que estejam alocadas em contêineres, caminhões, navios e aeronaves.</p><p>Os benefícios da BASC para as empresas são:</p><p>• Reconhecimento internacional como membro da Organização Mundial da</p><p>BASC (WBO);</p><p>• Diferenciação ao implementar o Sistema de Gerenciamento de</p><p>Segurança e Controle BASC (SGCS);</p><p>• Inclusão no banco de dados mundial de empresas certificadas da BASC.</p><p>• Disponibilidade de equipes competentes de auditores internacionais para</p><p>verificação da implementação e revisão do Sistema de Gerenciamento</p><p>BASC;</p><p>• Beneficiário do Memorando de Entendimentos (MOU) assinado pela WBO</p><p>com alfândegas, autoridades de controle de fronteiras e organizações</p><p>internacionais;</p><p>• Representação e facilitação de contatos com autoridades de comércio</p><p>exterior. Maior confiança por parte das autoridades.</p><p>• Redução de custos e riscos decorrentes do controle dos processos da</p><p>empresa;</p><p>5</p><p>• Transferência de conhecimento e experiência em Segurança da Cadeia</p><p>de Suprimentos;</p><p>• Facilitação e networking com contatos em diferentes países por meio da</p><p>rede global de capítulos da BASC;</p><p>• Cursos de treinamento especializado em tópicos relacionados à</p><p>segurança do comércio internacional;</p><p>• Taxas preferenciais para participação na WBO e eventos conjuntos de</p><p>cooperação;</p><p>• Informações e atualização sobre tópicos relacionados às atividades do</p><p>comércio internacional.</p><p>As alfândegas que cooperam e trabalham com a BASC têm os seguintes</p><p>benefícios:</p><p>• Implantação de ferramentas de seletividade para desenvolver programas</p><p>de gerenciamento de riscos alfandegários;</p><p>• Aumento da conscientização sobre segurança de negócios internacionais</p><p>e políticas e procedimentos operacionais;</p><p>• Melhoraria dos perfis de risco e avaliação de ameaças;</p><p>• Recursos alfandegários potencializados;</p><p>• Garantia de um fluxo eficiente de comércio sem reduzir os controles nas</p><p>fronteiras;</p><p>• Melhoria dos procedimentos internos com base em um país específico.</p><p>Benefícios para os países:</p><p>• Controle e redução mais eficientes dos riscos de fraude aduaneira,</p><p>contrabando, terrorismo, tráfico ilícito de drogas no comércio legítimo;</p><p>• Facilitação do comércio entre nações de maneira segura e ágil.</p><p>O Brasil não é um país-membro da BASC – Business Alliance for Secure</p><p>Commerce.</p><p>TEMA 3 – OPERADOR ECONÔMICO AUTORIZADO</p><p>Para atender os princípios da Estrutura Normativa SAFE da Organização</p><p>Mundial de Aduanas (OMA), por intermédio da Instrução Normativa RFB n.</p><p>1521/2014, posteriormente alterada pelas Instruções Normativas RFB n.</p><p>6</p><p>1598/2015 e 1785/2018, o Governo Federal do Brasil instituiu o Programa</p><p>Brasileiro de Operador Econômico Autorizado.</p><p>Os princípios que norteiam</p><p>o programa são: a facilitação, a agilidade, a</p><p>simplificação, a transparência, a confiança, a voluntariedade, o incentivo na</p><p>parceria público-privada, a melhoria na gestão de riscos, o cumprimento dos</p><p>padrões internacionais de segurança, a conformidade aos procedimentos e à</p><p>legislação e evolução para a comunicação por meio digital.</p><p>De acordo com a Instrução Normativa da Receita Federal n. 1598, de 9</p><p>de dezembro de 2015, são objetivos do Programa OEA:</p><p>• Proporcionar maior agilidade e previsibilidade no fluxo do comércio</p><p>internacional;</p><p>• Buscar a adesão crescente de operadores econômicos, inclusive</p><p>pequenas e médias empresas;</p><p>• Incrementar a gestão do risco das operações aduaneiras;</p><p>• Firmar Acordos de Reconhecimento Mútuo (ARM) que atendam aos</p><p>interesses do Brasil;</p><p>• Implementar processos de trabalho que visem à modernização da</p><p>Aduana;</p><p>• Intensificar a harmonização dos processos de trabalho com outros órgãos</p><p>regulatórios do comércio exterior;</p><p>• Elevar o nível de confiança no relacionamento entre os operadores</p><p>econômicos, a sociedade e a Secretaria da Receita Federal do Brasil</p><p>(RFB);</p><p>• Priorizar as ações da Aduana com foco nos operadores de comércio</p><p>exterior de alto risco ou de risco desconhecido;</p><p>• Considerar a implementação de outros padrões que contribuam com a</p><p>segurança da cadeia logística com vistas à agilização no fluxo do</p><p>comércio internacional, de modo a adotar padrões internacionais de</p><p>segurança e conformidade, intercambiando informações entre os</p><p>envolvidos nas cadeias logísticas, bem como com outras administrações</p><p>aduaneiras.</p><p>O Programa considera como possível Operador Econômico Autorizado</p><p>(OEA) o interveniente de comércio exterior envolvido na movimentação</p><p>internacional de mercadorias, que cumpre de maneira voluntária os critérios de</p><p>7</p><p>segurança aplicados à cadeia logística ou das obrigações tributárias e</p><p>aduaneiras, além de atender aos níveis de conformidade e confiabilidade</p><p>exigidos pelo Programa.</p><p>Podem se certificar os seguintes intervenientes: importador, exportador,</p><p>transportador, agente de cargas, o depositário de mercadoria sob controle</p><p>aduaneiro em recinto alfandegado, o operador portuário ou aeroportuário e o</p><p>Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação (Redex) (incluído(a)</p><p>pelo(a) Instrução Normativa RFB n. 1736, de 12 de setembro de 2017).</p><p>Os critérios para a seleção e certificação ao Programa OEA consideram</p><p>as normativas internacionais, a auditoria dos processos de trabalho das</p><p>empresas e no gerenciamento de seus riscos, cujas previsões estão contidas</p><p>nas normas ISO 9001 e 31000, respectivamente.</p><p>Aos operadores certificados no Programa Brasileiro de OEA serão</p><p>concedidos benefícios para facilitar os procedimentos aduaneiros, tanto no país</p><p>quanto no exterior.</p><p>São benefícios gerais, destinados a todas as modalidades de certificação</p><p>(OEA-Segurança e OEA-Conformidade Níveis 1 e 2):</p><p>• Divulgação no Sítio da Receita Federal do nome do operador, autorizado</p><p>e certificado;</p><p>• Utilização da logomarca “AEO”;</p><p>• Ponto de Contato na RFB: o operador certificado terá um ponto de contato</p><p>na Receita Federal para esclarecimento de dúvidas relacionadas ao</p><p>Programa OEA e a procedimentos aduaneiros;</p><p>• O Operador certificado terá prioridade na análise em outra modalidade,</p><p>caso faça o pedido de certificação em outra modalidade ou nível do</p><p>Programa OEA;</p><p>• Benefícios concedidos pelas Aduanas estrangeiras: será facultado ao</p><p>OEA usufruir dos benefícios e vantagens de Acordos de Reconhecimento</p><p>Mútuo (ARM) que a RFB venha a assinar com as Aduanas de outros</p><p>países;</p><p>• Participação do Fórum Consultivo para a formulação de propostas a fim</p><p>de alterar a legislação e os procedimentos aduaneiros que visem ao</p><p>aperfeiçoamento do Programa Brasileiro de OEA, por meio do Fórum</p><p>Consultivo;</p><p>8</p><p>• As unidades de despacho aduaneiro da RFB dispensarão o OEA de</p><p>exigências formalizadas na habilitação a regimes aduaneiros especiais ou</p><p>aplicados em áreas especiais que já tenham sido cumpridas no</p><p>procedimento de certificação no Programa Brasileiro de OEA;</p><p>• Participação em seminários e treinamentos organizados conjuntamente</p><p>com a Equipe OEA.</p><p>Os níveis de certificação impactam nos níveis de benefícios.</p><p>• Redução do percentual de canais de conferência na exportação em</p><p>relação aos demais exportadores;</p><p>• Parametrização imediata das Declarações de Exportações, após o envio</p><p>para despacho da Declaração de Exportação (DE);</p><p>• Prioridade de conferência das Declarações de Exportações selecionadas</p><p>para inspeção, pois será tratada de forma prioritária pela Receita Federal;</p><p>• Dispensada a apresentação de garantia no Trânsito Aduaneiro cujo</p><p>beneficiário seja transportador OEA;</p><p>• Acesso prioritário dos transportadores OEA aos Recintos Aduaneiros.</p><p>Abaixo os benefícios dos certificados OEA Conformidade 1 e 2:</p><p>• A consulta sobre classificação fiscal de mercadorias formulada pelos</p><p>operadores OEA-Conformidade será respondida em até 40 dias, a contar</p><p>da protocolização da consulta ou de seu saneamento;</p><p>• Dispensa de garantia na Admissão Temporária para utilização</p><p>econômica;</p><p>• A mercadoria importada por OEA que proceda diretamente do exterior</p><p>terá tratamento de armazenamento prioritário e permanecerá sob</p><p>custódia do depositário até ser submetida a despacho aduaneiro, por 24</p><p>horas – carga pátio;</p><p>• Serão permitidos pedidos de retificação em lote em quantidades iguais ou</p><p>superiores a cinquenta declarações aos importadores certificados como</p><p>OEA.</p><p>Os benefícios dos certificados OEA Conformidade 2 são:</p><p>• A seleção para canais de conferência dos despachos de importação do</p><p>importador OEA terá seu percentual reduzido em relação aos demais;</p><p>9</p><p>• Parametrização imediata das Declarações de Importação após o seu</p><p>registro;</p><p>• Prioridade de conferência das Declarações de Importação selecionadas</p><p>de forma prioritária, permitido o seu disciplinamento por meio de ato</p><p>específico emitido pela COANA;</p><p>• Será permitido ao importador OEA registrar a DI antes da chegada da</p><p>carga ao território aduaneiro, com aplicação de seleção parametrizada</p><p>imediata;</p><p>• Canal verde na Admissão Temporária com dispensa do exame</p><p>documental e verificação da mercadoria.</p><p>Exemplificando: Um importador que realiza importação de contêineres de</p><p>partes e peças automotivas pelo modal marítimo, sendo certificado OEA</p><p>Conformidade 2, pode executar algumas etapas do processo de liberação, antes</p><p>da descarga da mercadoria no porto brasileiro.</p><p>A parametrização da Declaração de Importação é imediata e na</p><p>ocorrência de canal verde, o desembaraço ocorre automaticamente, permitindo</p><p>que o importador realize o carregamento do seu contêiner logo após a presença</p><p>de carga do seu processo no Terminal, ou seja, logo após o término da operação</p><p>de descarga do navio. Para parametrização em canal amarelo, a Receita Federal</p><p>realiza a conferência aduaneira por meio de dossiê eletrônico vinculado à</p><p>Declaração de Importação. O canal vermelho ocorre apenas se não houver</p><p>presença de carga por parte do depositário – Terminal de Cargas.</p><p>Esse trâmite permite a redução brusca de custos e de tempo de liberação,</p><p>uma vez que a carga é entregue após a sua chegada, dispensando ou reduzindo</p><p>os custos de armazenagem. O tempo previsto para a permanência da carga</p><p>nessa modalidade, informada carga pátio, é de até 48 horas.</p><p>TEMA 4 – NBR ISO 28000 – GESTÃO DE SEGURANÇA PARA A CADEIA</p><p>LOGÍSTICA</p><p>A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou, em 2009,</p><p>a NBR ISO 28000, que especifica os requisitos para um sistema de gestão de</p><p>segurança completo, com a inclusão de aspectos fundamentais para a garantia</p><p>da segurança da cadeia logística.</p><p>10</p><p>A norma foi elaborada com base na metodologia do PDCA e está alinhada</p><p>com a ISO 9000 e a ISO 14000 em termos de processos e gestão.</p><p>A política prevê seu detalhamento de uso interno, com informações e</p><p>instruções para a condução do sistema de gestão de segurança (partes</p><p>confidenciais) e a aplicação da versão resumida (parte não confidencial) para</p><p>divulgação aos participantes e partes interessadas.</p><p>Exemplos de abordagem da Norma:</p><p>• Item 4.3.1 – avaliação do risco de segurança, estabelece que a</p><p>organização deve manter procedimentos para a identificação e a</p><p>avaliação permanente das ameaças e dos riscos, bem como a</p><p>identificação e a implementação das medidas de controle de gestão</p><p>necessárias para a mitigação de tais riscos;</p><p>• Item 4.4.1 – autoridade e responsabilidade, é o padrão de mercado, e</p><p>estabelece que a organização deve manter uma estrutura de funções,</p><p>responsabilidades e autoridades, compatível com a sua política, objetivos,</p><p>metas e programas de gestão de segurança;</p><p>• Item 4.4.2 – estabelece que a organização deve assegurar que os</p><p>responsáveis pelo projeto, operação e administração dos equipamentos</p><p>de segurança e processos tenham sido devidamente capacitados no que</p><p>tange à formação, ao treinamento e/ou à experiência;</p><p>• Item 4.4.3 – trata da comunicação, estabelecendo as garantias de</p><p>repasse das informações aos funcionários e terceiros.</p><p>Além disso, a norma abrange aspectos para Gestão de Segurança, Metas</p><p>da Gestão de Segurança, Documentação, Controle de Documentos e Dados,</p><p>Controle operacional e Respostas às emergências.</p><p>A NBR ISO 28000 aborda a questão da mensuração e do monitoramento</p><p>do desempenho, falhas relacionadas à segurança, incidentes, não conformidade</p><p>e ações corretivas e preventivas. Prevê o rastreamento dos controles e dos</p><p>registros; a auditoria deve prever um cronograma com intervalos planejados.</p><p>Além disso, a melhoria contínua é abordada por meio de avaliações que</p><p>assegurem a conformidade e a eficácia, incluindo oportunidades de melhoria dos</p><p>processos.</p><p>11</p><p>TEMA 5 – NBR ISO 31000 – GESTÃO DE RISCOS</p><p>A ABNT NBR ISO 31000 foi elaborada pela Comissão de Estudo Especial</p><p>de Gestão de Riscos e seu conteúdo técnico, sua redação e sua estrutura são</p><p>idênticas à ISO 31000:2009, que foi elaborada pelo ISO Technical Management</p><p>Board Working Group on Risk Management (ISO/TMB/WG). Portanto, é a norma</p><p>internacional para gestão de risco. Não possui caráter de certificação, porém</p><p>pode proporcionar uma maior vantagem competitiva no mercado.</p><p>A norma foi desenvolvida para apresentar parâmetros genéricos para a</p><p>gestão de riscos, com a possibilidade de aplicação em empresa pública, privada</p><p>ou comunitária, associação, grupo ou indivíduo de qualquer segmento, uma vez</p><p>que não traz especificações direcionadas ao tipo de indústria ou setor.</p><p>Contudo, o objetivo da norma não é a uniformidade da gestão de riscos</p><p>entre organizações. Dessa maneira, é importante na implementação de planos</p><p>e estruturas para gestão de riscos considerar as necessidades variadas da</p><p>empresa, assim como contexto, processos, estrutura, projetos, operações e</p><p>produtos.</p><p>As suas disposições podem ser aplicadas a qualquer tipo de risco,</p><p>independentemente de sua origem. Recomenda-se o desenvolvimento da</p><p>melhoria.</p><p>Entende-se que, atualmente, as organizações atuam no gerenciamento</p><p>de riscos de alguma forma; a norma, contudo, recomenda as melhores práticas</p><p>internacionais que melhoram as técnicas de gestão e garantia da segurança no</p><p>local de trabalho em todos os momentos.</p><p>Na aplicação da Norma espera-se alcançar os seguintes objetivos:</p><p>• Melhoria na eficiência operacional e a governança;</p><p>• Construção de sólida confiança das partes interessadas na sua utilização</p><p>de técnicas de risco;</p><p>• Aplicação de controles de sistema de gestão à análise de riscos para</p><p>minimizar perdas;</p><p>• Melhoria no desempenho e a resiliência do sistema de gestão;</p><p>• Resposta eficaz às mudanças e segurança no crescimento da empresa,</p><p>de acordo com os padrões de segurança adotados;</p><p>• Melhorar a identificação de oportunidades e ameaças;</p><p>12</p><p>• Atendimento às normas internacionais e requisitos legais e regulatórios</p><p>pertinentes;</p><p>• Melhoraria no reporte das informações financeiras;</p><p>• Estabelecimento de uma base confiável para a tomada de decisão e o</p><p>planejamento.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>A seguir, você encontrará um fórum oficial de notícias, indicadores</p><p>relacionados ao tema desta aula.</p><p>Considerando o Programa OEA fundamental para empresas</p><p>intervenientes do comércio Exterior, acesse o resumo do passo a passo dos</p><p>procedimentos de certificação, disponível no site Portal OEA1.</p><p>No site da Receita Federal2, você tem acesso à relação das empresas</p><p>certificadas. Também no site da Receita você pode acessar as estatísticas do</p><p>Programa OEA3. A equipe do programa OEA promove, com a Receita Federal,</p><p>palestras e eventos sobre o tema. A Agenda4 pode ser acompanhada. Acesse</p><p>também as diretrizes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA5.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>O Comércio Exterior caminha para mudanças significativas ao que tange</p><p>à fiscalização, aos processos e à liberação.</p><p>Podemos afirmar que, em breve, no Brasil as aduanas serão pontos de</p><p>passagem de cargas, e a fiscalização, o controle e a comprovação seja de atos</p><p>ilícitos, seja no que tange ao caráter regulatório da arrecadação fiscal ficarão a</p><p>cargo das empresas certificadas.</p><p>Pudemos identificar na aula de hoje que as empresas intervenientes do</p><p>processo de transporte de mercadorias internacional possuem inúmeros</p><p>benefícios e vantagens à adesão dos programas e normas que possuem caráter</p><p>1 Disponível em: <http://www.portaloea.com.br/programa-oea.html>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>2 Disponível em: <https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/importacao-e-</p><p>exportacao/oea/operadores-ja-certificados>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>3 Disponível em: <https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/importacao-e-</p><p>exportacao/oea/estatisticas-do-programa-oea>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>4 Disponível em: <https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/importacao-e-</p><p>exportacao/oea/proximas-palestras-oea>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>5 Disponível em: <https://ctpat.cbp.dhs.gov/trade-web/index>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>13</p><p>voluntário, porém que trarão uma vantagem competitiva significativa em seus</p><p>processos.</p><p>Atualmente, os Operadores Econômicos Autorizados que atendem aos</p><p>requisitos necessários para utilizarem do benefício do desembaraço sobre águas</p><p>no modal marítimo e carga pátio no modal aéreo, podem reduzir em mais de</p><p>100% o tempo de permanência de suas cargas nas áreas alfandegadas.</p><p>Isso possibilita a redução dos custos com armazenagem, pagos às</p><p>empresas que realizam a administração dos portos e aeroportos. Dessa</p><p>maneira, o custo do produto ou matéria-prima terá uma redução proporcionando</p><p>à empresa uma condição de operar com uma margem financeira maior e melhor</p><p>do que seu concorrente que não possui o mesmo benefício.</p><p>Na prática, os operadores que não se adequarem às normativas vistas ao</p><p>longo destas aulas possivelmente terão dificuldade em seus mercados. A</p><p>adesão, apesar de ser voluntária, trará uma pressão comercial aos</p><p>intervenientes.</p><p>Por sua vez, como pudemos concluir, as administrações e, acima de tudo,</p><p>a União terão de repensar a carga tributária e a composição de custos e tarifas</p><p>das áreas portuárias destinadas à exploração comercial, considerando os altos</p><p>investimentos realizados para adequações de estrutura que promoveram, em</p><p>sua grande maioria, a redução da permanência dos processos nos recintos e,</p><p>consequentemente, a receita arrecadada pelo operador e gestor da área.</p><p>Diante do exposto, pesquise e demonstre com argumentos duas</p><p>vantagens para o importador, o transportador e o agente de cargas credenciados</p><p>OEA.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta aula pudemos verificar que o terrorismo internacional foi um grande</p><p>motivador para o desenvolvimento e implantação das normativas internacionais,</p><p>além do controle e do gerenciamento do risco. Além disso, vimos que as aduanas</p><p>precisavam de ferramentas para a garantia da</p><p>segurança na arrecadação de</p><p>receitas com impostos.</p><p>A evolução da estrutura normativa, conduzida por membros da OMA,</p><p>incluiu em 2007, a adição de uma importante tratativa sobre as condições e os</p><p>requisitos para as Aduanas e os Operadores Econômicos Autorizados.</p><p>14</p><p>No intuito de promover uma implementação internacional da Estrutura</p><p>Normativa SAFE, os membros da OMA a desdobraram em programas</p><p>aduaneiros aderentes aos objetivos da SAFE, além de normas regulamentadas</p><p>e implantadas regionalmente pelos países-membros.</p><p>No Brasil vimos que o OEA é o programa aderente às normas exigidas</p><p>pela SAFE.</p><p>Pudemos identificar, ao longo da aula, os inúmeros benefícios que a</p><p>adesão aos programas e à implantação das ISOs trará para as empresas</p><p>intervenientes do comércio exterior.</p><p>Contudo, os investimentos necessários a essa adequação não foram</p><p>abordados de forma a trazer ao aluno um parecer sobre a viabilidade econômica</p><p>dos programas para as empresas envolvidas. Cabe a análise individual das</p><p>organizações, de forma a planejar e assegurar a viabilidade da implantação e</p><p>adesão. Vale ressaltar que vimos nessa e em outras aulas que o não</p><p>atendimento das empresas e até mesmo das aduanas para essas regras</p><p>atualmente pode ser considerada uma barreira comercial.</p><p>O aluno e profissional de comércio exterior deve estar atento aos</p><p>movimentos do mercado, especialmente os regulatórios que alteram toda a</p><p>prática do comércio exterior. Esperamos ter abordados os temas de forma a</p><p>fazê-lo refletir.</p><p>15</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 31000: Gestão de</p><p>riscos – Princípios e diretrizes. Rio de Janeiro, 2009.</p><p>_____. NBR ISO 28000: Especificação para sistemas de gestão de segurança</p><p>para a cadeia logística. Rio de Janeiro, 2009.</p><p>RECEITA FEDERAL. Instrução Normativa da Receita Federal n. 1785, de 24 de</p><p>janeiro de 2018. Diário Oficial da União, 26 jan. 2018. Disponível em:</p><p><http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&</p><p>idAto=89673>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>_____. Portaria da COANA n. 85, de 14 de novembro de 2017. Diário Oficial da</p><p>União, 17 nov. 2017. Disponível em:</p><p><http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&</p><p>idAto=87934>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>_____. Instrução Normativa da Receita Federal n. 1.598, de 9 de dezembro de</p><p>2015. Diário Oficial da União, 11 dez. 2015. Disponível em:</p><p><http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&</p><p>idAto=70204>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>_____. Portaria RFB n. 768, de 5 de junho de 2015. Diário Oficial da União, 10</p><p>jun. 2015. Disponível em:</p><p><http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&</p><p>idAto=64968>. Acesso em: 18 dez. 2019.</p>

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