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<p>Nutrição de Não-ruminantes</p><p>Seção II– Digestão e metabolismo dos nutrientes, capítulo 8 – Função e</p><p>disponibilidade dos minerais</p><p>Aluna: Carolina Torsani Duarte Vasconcellos</p><p>Os macrominerais são necessários em quantidades maiores que 100mg/dL, e os microminerais são</p><p>necessários em quantidades inferiores a esse valor. A essencialidade dos minerais está relacionada a</p><p>critérios como: presença em concentrações constantes nos tecidos, deficiência na dieta resulta em</p><p>aparecimento de anormalidades estruturais e/ou fisiológicas; e quando o mineral é adicionado, há</p><p>recuperação da anormalidade. O número de minerais essenciais é aparentemente o mesmo para todas</p><p>as espécies, e em geral desempenham a mesma função, independente da espécie, com algumas</p><p>exceções.</p><p>De maneira geral, o processo de absorção de minerais ocorre por transporte passivo através da</p><p>parede intestinal, sendo mediado por controle hormonal pela concentração de fluidos extracelulares.</p><p>Grandes diferenças de absorção e utilização de minerais dependem de uma série de fatores, incluindo o</p><p>estado nutricional. Os valores que devemos utilizar como referência devem ser baseados em valores de</p><p>minerais disponíveis dos alimentos ou fontes de minerais e não em valores totais.</p><p>No processo de absorção dos minerais nos enterócitos intestinais, minerais devem estar na sua</p><p>forma iônica, como cátions e aníons, para que ocorra a absorção e o transporte. Em princípio, o</p><p>transporte trans epitelial é constituído por um componente ativo intracelular que pode ser regulado e/ou</p><p>por um componente passivo extracelular que depende da química dos gradientes elétricos existentes ao</p><p>longo da parede intestinal. Os minerais altamente solúveis e monovalentes, como sódio, potássio e cloro,</p><p>podem ser facilmente transportados. No entanto, a solubilidade de vários outros minerais é</p><p>frequentemente baixa em pH neutro. A sua solubilidade é dependente da presença de outros compostos,</p><p>que podem precipitar facilmente ou formar complexos não absorvíveis. Outro aspecto é que a</p><p>viscosidade do quimo no trato intestinal pode afetar negativamente a absorção de minerais. Desta</p><p>maneira, não importa somente oferecer uma fonte mineral que apresente alta disponibilidade, sem levar</p><p>em consideração os demais aspectos que comprometem o processo de absorção.</p><p>Com relação à absorção dos macrominerais, a absorção do Ca depende da vitamina D, dos</p><p>hormônios PTH e da calcitonina. O P afeta a absorção de Ca e vice-versa. A absorção do Na, K e Cl</p><p>ocorre por transporte ativo, e o Cl também tem a absorção dependente do gradiente eletroquímico.</p><p>Quando falamos de microminerais, a absorção do Zn é maior no intestino delgado, sendo transportado</p><p>por proteína rica em cisteína e pela metalotioneína, e no sangue este micromineral é transportado pela</p><p>albumina. O Mn, possui seu deposito nos ossos e músculos. Na mucosa, o Fe é transportado pela</p><p>ferritina, enquanto no plasma é transportado pela transferritina. A hemoglobina contem de 85 a 90% do</p><p>Fe do organismo. O Cu é absorvido de forma variável e no plasma está ligado à albumina; no fígado é</p><p>ligado à ceruplasmina, indo para a circulação geral. O Se está ligado à PB seleniocisteína.</p><p>Existem várias inter-relações entre os minerais que contribuem para o nível de resposta fisiológica</p><p>tóxica ou deficiente. A inclusão de minerais deve ser feita considerando os outros nutrientes essenciais.</p><p>Essas relações acontecem por antagonismo ou sinergismo, sendo que o primeiro afeta a absorção dos</p><p>outros minerais, enquanto no sinergismo os elementos melhoram mutuamente a absorção no TGI e</p><p>cumprem a mesma função no tecido ou na célula. Seja por excesso de um nutriente ou pela competição</p><p>de s[itios de ligação, um mineral pode causar a deficiência ou interferência no metabolismo de outro.</p><p>Os elementos traços podem ser divididos em dois grupos com respeito às rotas de excreção</p><p>endógenas: aquelas cuja via principal de perda são as fezes, sendo controladas pelo trato digestivo,</p><p>fígado e pâncreas e aqueles cuja homeostase é dependente da excreção renal, controlada pela</p><p>reabsorção nos tubos proximais.</p><p>Os minerais apresentam funções estruturais, fisiológicas, catalíticas e regulatórias. Podem formar</p><p>componentes estruturais de órgãos e tecidos, participam como eletrólitos nos fluidos corporais para</p><p>manter a pressão osmótica, no equilíbrio ácido-base, na permeabilidade da membrana e na transmissão</p><p>dos impulsos nervosos. Podem atuar como catalizadores nos sistemas enzimáticos e endócrino, como</p><p>parte integrante e componentes específicos da estrutura de metaloenzimas e hormônios ou como</p><p>ativadores (coenzimas) dentro desses sistemas. Também regulam a replicação celular e a diferenciação.</p><p>Sobre as funções dos macrominerais, o Calcio participa como um constituinte dos ossos e dentes,</p><p>participa da regulação das funções nervosas e muscular. Ativa a conversão de protrombina em trombina</p><p>e participa da coagulação do leite. Participa da ativação enzimática, e é necessário para manter a</p><p>permeabilidade da membrana, além de estar envolvido na transmissão da contração muscular e no</p><p>controle de impulsos nervosos. Já o Fosforo pode ser encontrado em todas as células do corpo e é</p><p>responsável por vários processos metabólicos incluindo os que envolvem tampões em fluidos corporais.</p><p>Faz parte dos ossos e dentes, na formação do ATP e de intermediários metabólicos e dos ácidos</p><p>nucleicos. Tem ação tamponante através das soluções fosfatadas, além de estar envolvido na formação</p><p>de fosfolipídeos e fosfoproteínas.</p><p>O Sódio é o principal cátion em fluidos extracelulares e regula o volume do plasma e o equilíbrio</p><p>ácido-base. Está envolvido na manutenção da pressão osmótica dos fluidos corporais, preserva a</p><p>irritabilidade normal dos músculos e a permeabilidade celular, ativa os nervos da função muscular, está</p><p>envolvido nos processos de transmissão de impulsos nervosos e nos processos de absorção de</p><p>monossacarídeos, aminoácidos, pirimidinas e na produção de sais biliares. As mudanças na pressão</p><p>osmótica são muito dependentes da concentração de sódio. O Potássio é o principal cátion no fluido</p><p>intracelular e atua nas funções para regular o equilíbrio ácido-base, age na condução de pressão</p><p>osmótica, no impulso nervoso e na contração muscular (particularmente no músculo cardíaco). É</p><p>necessário durante a glicogênese, agindo na transferência de ATP para ácido pirúvico. Já o Cloro está</p><p>envolvido no equilíbrio eletrolítico, na produção de suco gástrico e no transporte de eritrócitos. É o</p><p>principal ânion extracelular e encontra-se envolvido na regulação extracelular da pressão osmótica,</p><p>sendo importante para a manutenção do equilíbrio ácido-base.</p><p>O Magnésio é um componente ativo de várias enzimas em que o pirofosfato de tiamina é um cofator.</p><p>Há uma redução da fosforilação oxidativa na ausência de magnésio. Possui a função de ativar as</p><p>enzimas carboxilase e ácido pirúvico oxidase no ciclo de Krebs. É também um componente de ossos,</p><p>dentes e cofator de enzimas. O enxofre está presente em três aminoácidos que são cistina, cisteína e</p><p>metionina. O tecido conjuntivo, a pele, o cabelo e as unhas são ricos em enxofre. Além disso, a biotina,</p><p>a tiamina e a coenzima A contêm enxofre. As proteínas variam amplamente em seu teor de enxofre, de</p><p>acordo com o seu aminoácido de composição.</p><p>Com relação aos microminerais, o ferro atua na respiração celular e é componente essencial de</p><p>enzimas envolvidas na oxidação biológica, tais como citocromos. É constituinte de succinato-</p><p>desidrogenase, e da hemoglobina, da mioglobina. É necessário para a mielinização adequada da medula</p><p>espinhal e da matéria branca e dobras cerebelares no cérebro, além de ser um cofator para a síntese de</p><p>neurotransmissores. É transportado como transferrina e armazenado como ferritina ou hemossiderina.</p><p>Já o cobre, é um componente de enzimas como a citocromo-oxidase, amina-oxidase, catalase,</p><p>peroxidase, ceruloplasmina, lactase, etc, que desempenham papel na absorção do ferro, e é necessário</p><p>para os sistemas hematológicos e neurológicos.</p><p>O manganês é um cofator das enzimas descarboxilase, hidrolase e transferase. Está envolvido na</p><p>síntese de proteoglicanos e glicoproteínas, além de participar das enzimas envolvidas na formação de</p><p>ureia, no metabolismo do piruvato, da galactotransferase e na biossíntese do tecido conjuntivo. O</p><p>manganês ativa enzimas importantes em vários sistemas, para formar as matrizes de ossos e cascas</p><p>dos ovos. Está concentrado na mitocôndria e participa de forma parcial na regulação da fosforilação</p><p>oxidativa. A absorção de manganês é inibida pela presença de quantidades excessivas de cálcio e fósforo</p><p>na dieta.</p><p>O zinco funciona como um cofator, constituinte de várias enzimas envolvidas no metabolismo de</p><p>macronutrientes e na replicação celular. Faz parte, por exemplo, da anidrase carbônica, que está</p><p>presente nos eritrócitos, nos túbulos renais, na mucosa gastrointestinal e no epitélio glandular. As suas</p><p>funções primárias são na replicação celular, expressão do gene, ácido nucleico e no metabolismo de</p><p>aminoácidos. O metabolismo e a biodisponibilidade das vitaminas A e E são dependentes de zinco.</p><p>Desempenha papel importante na reparação tecidual e cicatrização, na síntese de proteínas e digestão,</p><p>na otimização da ação da insulina, já que é um componente desta.</p><p>O selênio é constituinte de todo o sistema de defesa do organismo contra a ação danosa dos radicais</p><p>livres. As formas de selênio orgânico são mais eficientemente metabolizadas. Ele é um antioxidante</p><p>sinérgico com a vitamina E. O iodo é um elemento essencial para a síntese de hormônios da tireoide, o</p><p>cobalto é o principal constituinte da vitamina b12 e de seu metabolismo, além de ser cofator de enzimas</p><p>da biossíntese do DNA e do metabolismo de aminoácidos. E finalmente, o cromo desempenha papel na</p><p>manutenção da configuração da molécula de RNA, potencializa a ação da insulina e parece estar</p><p>envolvido no metabolismo lipídico.</p>