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<p>1</p><p>UNIDADE 1</p><p>ACESSIBILIDADE E</p><p>TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• definir a Tecnologia Assistiva por meio de uma abordagem interdiscipli-</p><p>nar, a fim de ter ciência de seus fins, dos meios com que pode ser empre-</p><p>gada e dos recursos de que se utiliza;</p><p>• estabelecer correlação entre determinada deficiência e os recursos de Tec-</p><p>nologia Assistiva correspondentes;</p><p>• identificar o papel da Tecnologia Assistiva na perspectiva da Educação</p><p>Inclusiva;</p><p>• desenvolver uma opinião crítica a respeito do papel da Tecnologia Assis-</p><p>tiva no âmbito de ações mais amplas, relativas à inclusão e a superação do</p><p>estigma da deficiência.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você</p><p>encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – FALANDO SOBRE TECNOLOGIAS</p><p>TÓPICO 2 – A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA – ATENDI-</p><p>MENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>TÓPICO 3 – TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>2</p><p>3</p><p>TÓPICO 1UNIDADE 1</p><p>FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>As tecnologias são linguagens, pois lidam com signos que têm diferentes</p><p>significados e diversas representações. São manifestações de diversas nuances</p><p>comunicativas que se modificam e se superam a todo momento e podem mostrar-</p><p>se como agentes objetivos ou subjetivos. Uma tecnologia se mostra objetiva</p><p>quando se caracteriza como ferramenta e processo mecânico ou eletrônico para</p><p>a produção. É considerada subjetiva quando se caracteriza como metodologia</p><p>utilizada em processos investigativos e de pesquisa e ao indicar o nível alcançado</p><p>por determinado processo (KEIM; LOPES, 2012).</p><p>A tecnologia, para Keim e Lopes (2012), é, então, uma interação entre o</p><p>pensar, saber e fazer que sempre está em debate, pelo fato da tecnologia interferir</p><p>diretamente na atividade dos humanos como a automação que gera desempregos,</p><p>por exemplo, ou como a intervenção nas estruturas planetárias que ocasiona</p><p>consequências, muitas vezes imprevisíveis, sendo por isso criticada, às vezes.</p><p>Ainda que estejamos falando em tecnologias, convém especificar essa</p><p>discussão para um tipo de tecnologia, a assistiva. A Tecnologia Assistiva (TA)</p><p>é todo o arsenal de recursos e serviços que cooperam para proporcionar ou</p><p>ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência, e por conseguinte,</p><p>causar vida independente e inclusão. A Tecnologia Assistiva (TA) permite ao seu</p><p>usuário: falar, escrever, locomover, acessar conhecimentos e utilizar ferramentas</p><p>específicas para objetivos claros. Assim, caro acadêmico, é possível compreender</p><p>que os serviços de tecnologia assistiva “auxiliam na identificação da necessidade,</p><p>da habilidade, na opção do recurso ou estratégia apropriada, na ampliação de</p><p>produtos, na formação, na concessão e na sua implantação no contexto de vida</p><p>do aluno” (BERSCH, 2017, p. 31).</p><p>Conforme Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa</p><p>com Deficiência (2012 apud BERSCH, 2017) se pode constar em literaturas</p><p>especializadas, a Tecnologia Assistiva (TA) é interdisciplinar. Não é uma área</p><p>de domínio dos profissionais de saúde, como se entendia antigamente, mas</p><p>sim uma área que abarca diferentes profissionais, engloba distintos métodos,</p><p>recursos, estratégias, produtos, práticas e serviços que têm como papel principal</p><p>o desenvolvimento da funcionalidade do indivíduo com deficiências, limitações</p><p>ou mobilidade reduzida. O objetivo principal da TA é promover qualidade de</p><p>vida e inclusão social. Será melhor compreendido este e outros conceitos nos</p><p>subtópicos que seguem.</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>4</p><p>2 TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS</p><p>As tecnologias educativas são compreendidas como recursos que</p><p>colaboram com o processo de ensino-aprendizagem; por meio delas, é possível</p><p>gerar uma troca de informações que beneficiam a aquisição de habilidades e a</p><p>(re)elaboração de conhecimentos (BARROS et al., 2012). No viés das tecnologias</p><p>educativas, o processo de escolarização, ressalta-se, não deve ser orientado para</p><p>a simples transferência de informações de forma vertical, mas sim uma ação de</p><p>espiral, para que possa, neste movimento, ser capaz de gerar independência,</p><p>favorecendo a transformação de educandos e educadores.</p><p>Para pessoas com deficiências motoras, sensoriais ou cognitivas, o</p><p>computador pode contribuir para sua autonomia e acesso à informação. Já,</p><p>para fins de ensino-aprendizagem, segundo Valente (2001), há uma quantidade</p><p>significativa de softwares educacionais disponíveis no mercado. Esses são</p><p>aplicativos que colaboram para o desenvolvimento cognitivo do aluno, facilitando</p><p>a exposição dos conteúdos informativos e tornando a ação pedagógica dinâmica</p><p>e interessante. Ainda concernente aos que apresentam alguma deficiência,</p><p>sabe-se que, atualmente, por meio dos computadores, até pessoas com sérios</p><p>comprometimentos têm conseguido realizar atividades ou desempenhar tarefas</p><p>que, até bem recentemente, lhes eram inalcançáveis.</p><p>Não convém designar o computador, por si só, como tecnologia assistiva.</p><p>Há a necessidade de adaptações nos hardwares, no uso de softwares e mecanismos</p><p>que promovem facilidades aos acessos já mencionados, como sendo um recurso</p><p>de tecnologia assistiva (TA) que é acessível às necessidades de distintos públicos.</p><p>Galvão Filho (2013) explica que caso o computador fosse classificado como um</p><p>recurso de TA, a qualidade de TA estaria dependente à pessoa que manipula o</p><p>recurso, ou melhor, designado à condição de deficiência, o que compreende como</p><p>um grande engano.</p><p>O teórico Bersh (2007) alerta que no âmbito educacional é comum</p><p>confundir as tecnologias educacionais como sendo de tecnologia assistiva (TA).</p><p>Tal confusão se dá pelo simples fato de um determinado recurso computacional</p><p>ou software educativo, que é vastamente utilizado, oferece funcionalmente seu</p><p>acesso também, por parte de pessoas que possuem deficiência. Exemplificando</p><p>esse evento, pode-se ter uma pessoa que faça uso de uma cadeira de rodas,</p><p>sem qualquer comprometimento nos seus membros superiores, utilizando</p><p>um computador para fins pedagógicos. Nesse caso, o computador será, para</p><p>essa pessoa, como para muitas outras, uma ferramenta tecnológica aplicada ao</p><p>contexto educacional.</p><p>A fim de se entender melhor quando a tecnologia pode ser considerada</p><p>“assistiva” no contexto educacional, apresentamos a seguinte afirmação:</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>5</p><p>Quando ela é utilizada por um aluno com deficiência e tem por</p><p>objetivo romper barreiras sensoriais, motoras ou cognitivas que</p><p>limitam/impedem seu acesso às informações ou limitam/impedem</p><p>o registro e expressão sobre os conhecimentos adquiridos por ele;</p><p>quando favorecem seu acesso e participação ativa e autônoma em</p><p>projetos pedagógicos; quando possibilita a manipulação de objetos</p><p>de estudos; quando percebemos que sem este recurso tecnológico a</p><p>participação ativa do aluno no desafio de aprendizagem seria restrito</p><p>ou inexistente (BERSCH, 2013, p. 12).</p><p>A autora alerta que, atualmente, controlar um computador por meio de</p><p>sopros ou mesmo com o movimento voluntário de apenas um músculo do corpo</p><p>já é fato e trata-se de uma possibilidade real para pessoas com comprometimentos</p><p>até bastante severos. Por isso, o acesso dessas pessoas a recursos tecnológicos,</p><p>como o computador e a internet, deve deixar de ser percebido como algo apenas</p><p>alternativo ou de segundo plano. Para a pessoa com deficiência esse acesso,</p><p>muitas vezes, constitui um direito essencial que favorece o exercício pleno da</p><p>cidadania e o acesso a outros direitos básicos como: aprender, comunicar-se,</p><p>trabalhar, divertir-se etc.</p><p>FIGURA 1 – TECNOLOGIA ASSISTIVA (TA)</p><p>FONTE: <https://moodle.ead.unb.br/course/view.php?id=605§ion=5>. Acesso em: 22 ago. 2018.</p><p>Caro acadêmico, existe um número incontável de tecnologias, focaremos</p><p>na Tecnologia Assistiva, conforme ilustra a Figura 1, aquela que favorece a</p><p>acessibilidade e a ampliação de habilidades para aprendizagem</p><p>DA TA NA ESCOLA</p><p>Um dos fatores que justifica o abandono da tecnologia assistiva é por</p><p>não ponderar julgamentos e preferências do aluno e/ou usuário sobre recursos,</p><p>equipamentos e/ou metodologias aplicadas. Melhor explicando, as expectativas</p><p>que o aluno tem em relação à ferramenta não se consolidam porque seus</p><p>anseios, necessidades e preferências não são levadas em consideração na escolha</p><p>da tecnologia educacional mais adequada para ele. Um modelo de serviço de</p><p>tecnologia assistiva que considere o aluno parte da equipe, onde ele exerça um</p><p>papel fundamental na tomada de decisão é uma realidade a ser considerada</p><p>TÓPICO 2 | A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>37</p><p>em nosso país. O sucesso ou o fracasso de investimentos públicos e particulares</p><p>na área da tecnologia assistiva dependerá dessa mudança de comportamento</p><p>(ALVES; MATSUKURA, 2011).</p><p>Os autores reforçam que a não participação do estudante no processo de</p><p>seleção e implementação da TA pode “influenciar negativamente na motivação,</p><p>empenho do estudante e, consequentemente, fazer com que o recurso se torne</p><p>descontextualizado e perca seu propósito” (ALVES; MATSUKURA, 2011, p.</p><p>296-297). Desse modo, a participação do estudante é fundamental para que se</p><p>evite o abandono ou a subutilização posterior do investimento oferecido em</p><p>TA. De acordo com Lourenço (2012), esse referido envolvimento deve se iniciar</p><p>na identificação das necessidades relacionadas à tecnologia assistiva. Esse</p><p>fenômeno prosseguirá com a seleção do recurso e, ainda, com a implementação e</p><p>treinamento, perpetuando com a avaliação e com o devido acompanhamento do</p><p>uso da TA.</p><p>Para além desse aspecto, Galvão Filho (2009, p. 154) destaca outros fatores</p><p>que prejudicam a operacionalização da TA na escola isso, por sua vez, pode</p><p>causar problemas numa mesma proporção, a saber, alguns deles como: “fatores</p><p>psicológicos e motivacionais, considerando o interesse do usuário no processo</p><p>ou no objetivo a ser alcançado com a TA, passando pelos reflexos do uso da TA</p><p>na sua autoimagem, se este tem orgulho ou vergonha de utilizar o recurso, até</p><p>fatores estéticos, sociais, ambientais, econômicos, etc.”. Neste aspecto, reforçam</p><p>Alves e Matsukura (2011): professores, familiares, profissionais da saúde, colegas,</p><p>entre outros, devem levar em consideração fatores psicológicos, motivacionais,</p><p>estéticos, ambientais, econômicos e sociais, fatores esses, que por diversos motivos</p><p>podem influenciar no uso, ou até mesmo, o abandono da TA na escola.</p><p>Segundo Lourenço (2012), nem todas as pessoas com deficiência conhecem</p><p>o direito à concessão de tecnologia assistiva ou os benefícios já existentes em nosso</p><p>país, relativos à isenção de impostos para compra de alguns produtos e ainda, as</p><p>fontes de financiamento já oferecidas em bancos públicos. Existe pouquíssima</p><p>informação disponibilizada a este respeito, que ofereça uma linguagem simples</p><p>e acessível aos usuários. São incomuns os serviços exclusivos de tecnologia</p><p>assistiva ligados à área da reabilitação ou educação que baseiam suas tarefas</p><p>numa perspectiva de formação para independência do aluno deficiente.</p><p>Outro ponto de discussão é que a responsabilidade sobre a tecnologia</p><p>prescrita na maioria das vezes é de um prestador de serviços. Nesse modelo</p><p>de serviço, o sucesso na implementação da tecnologia assistiva e rendimento</p><p>de funcionalidade dependerá do conhecimento daquele que está na função</p><p>de determinar sobre a tecnologia apropriada e a possibilidade de que o aluno</p><p>possa acessar à tecnologia recomendada. Nem sempre há uma avaliação e uma</p><p>condução de trabalho focalizada no usuário e nos vários aspectos que estarão</p><p>implicados na definição precisa dos requisitos desse produto, a fim de que ele</p><p>atenda à necessidade explícita e corresponda às características sua condição física</p><p>e funcional e do meio onde ele está inserido, bem como da atividade que pretende</p><p>realizar nesse meio, beneficiando-se do apoio tecnológico (LOURENÇO, 2012).</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>38</p><p>O usuário da tecnologia assistiva, para Lourenço (2012), é comumente</p><p>concebido como um “paciente” que espera pelo conhecimento e pelo</p><p>encaminhamento de um prestador de serviço. Nem as equipes e nem os usuários</p><p>brasileiros perceberam ainda a importância do lugar que ele, aluno e/ou usuário,</p><p>deve ter no processo de identificação e definição do seu problema e da decisão</p><p>sobre a melhor solução em tecnologia assistiva a ser tomada para si.</p><p>Lembre-se! O propósito da tecnologia assistiva é promover um aumento da</p><p>funcionalidade da pessoa com restrição, recuperar sua autoestima e qualidade de vida. Se</p><p>o dispositivo não cumpre essas características não será usado.</p><p>ATENCAO</p><p>6 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O USO DA</p><p>TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>A Tecnologia Assistiva concebe um conjunto de recursos e serviços que</p><p>buscam minimizar as dificuldades e ampliar as habilidades funcionais de pessoas</p><p>com deficiência (BERSCH, 2008). Muitos educadores ignoram esses recursos e</p><p>tem dificuldades em relacioná-los a sua prática pedagógica com alunos com</p><p>deficiência. Por mais que se estimule o aproveitamento de recursos de TA para</p><p>assistir ao processo e escolarização de alunos com deficiência, para Fumes et</p><p>al. (2014) a lacuna na área de formação de recursos humanos é visivelmente</p><p>insuperável na atual conjuntura. Aos professores têm sido exigidas habilidades e</p><p>competências que se atrelam, antes de tudo, a um profissional “multifuncional”.</p><p>Ele deverá conhecer, dentre muitas outras questões:</p><p>a libras para atuar com alunos surdos, o Braile para apoiar o processo</p><p>de aprendizagem com alunos cegos, assim como softwares para leitura</p><p>de tela, ou então, conhecer o Tadoma, o braile tátil, a língua de sinais</p><p>tátil para poder se comunicar com o aluno surdo cego (FUMES et al.,</p><p>2014, p. 72).</p><p>Além do mais, como é de praxe, os cursos de formação inicial de</p><p>professores não envolvem, em suas disciplinas curriculares, conhecimentos tão</p><p>peculiares e diferenciados que possam amparar o trabalho docente para o uso</p><p>da TA. Atitudes e práticas pedagógicas adotadas pelo professor no decorrer do</p><p>processo de escolarização podem entusiasmar o aprendizado dos seus estudantes,</p><p>como também a construção de um ambiente escolar inclusivo. Entretanto,</p><p>convém reforçar a ideia de que o professor não pode ser incluído como o único</p><p>responsável por esse processo (MANZINI, 2011).</p><p>TÓPICO 2 | A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>39</p><p>A inclusão escolar implica em profundas mudanças que devem ocorrer na</p><p>organização institucional, na remodelação do sistema educativo e pedagógico, as</p><p>quais estão muito além das possibilidades de ação do professor. Percebemos, por</p><p>meio das leituras realizadas, que a questão do treinamento e acompanhamento</p><p>de professores para usos de tais recursos é um fator que tem implicado na efetiva</p><p>implementação da TA no contexto escolar. Sobre esse tema, A lves e Matsukura</p><p>(2011) assinalam que os estudantes estão sendo dirigidos a utilizar a TA sem a</p><p>sistemática de um serviço especializado, que ajuste autonomia e independência</p><p>para o uso do recurso nas diversas atividades escolares.</p><p>Ademais, são quase que nulas as propostas para o acompanhamento do uso</p><p>da TA no contexto escolar e, de semelhante forma, são insuficientes as parcerias com</p><p>serviços e profissionais de outras áreas de conhecimento. Uma formação docente</p><p>com alicerce teórico e uma prática sólida são elementos indispensáveis para que os</p><p>professores separem de si o estado de angústia e de frustração, muitas vezes gerada</p><p>pela falta de informações, no sentido de entender como poderá lidar com alunos</p><p>com deficiência na escola regular (ALVES; MATSUKURA, 2011).</p><p>Além de conhecimentos específicos acerca da condição da deficiência e</p><p>das implicações no desenvolvimento e na aprendizagem dos alunos com essa</p><p>condição. Alves e Matsukura (2011) alertam que é necessário que se estabeleça</p><p>uma rede de apoio e cooperação</p><p>entre os setores da educação, como saúde</p><p>e assistência social, através de equipe de profissionais, com o objetivo de</p><p>potencializar as ações voltadas para o acolhimento educacional desse alunado.</p><p>Dentre essas ações, pode-se mencionar a necessidade de um espaço constante</p><p>de debate, reflexão e troca de experiências entre os profissionais na escola. Nesse</p><p>sentido, convém que esse grupo privilegie as discussões em torno do processo de</p><p>ensino e aprendizagem com qualidade dos alunos com deficiência.</p><p>7 TECNOLOGIA ASSISTIVA – INSTRUMENTOS CULTURAIS</p><p>NA MEDIAÇÃO DA APRENDIZADO</p><p>A TA pode apresentar-se como simples adequações instrumentais, um</p><p>teclado colmeia ou uma colher adaptada, mas gostaríamos de caminhar na</p><p>direção de pensar nos recursos tecnológicos computacionais como elementos</p><p>que possam ser utilizados na ação mediadora do professor, pois, como nos diz</p><p>Vygotsky (1994, p. 40), é “o caminho do objeto até a criança e desta até o objeto</p><p>passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de</p><p>um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre</p><p>história individual e história social”. Assim, o papel do professor na interação</p><p>criança/recursos computacionais é fundamental.</p><p>Quando falamos desses recursos, é preciso entender que estamos tratando</p><p>dos aparatos computacionais, como hardware e software, mas sob o aspecto</p><p>histórico-cultural, seria o computador um instrumento ou um signo? Vygotsky</p><p>(1994, p. 72) argumenta:</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>40</p><p>A diferença mais essencial entre signo e instrumento, e a base da</p><p>divergência real entre as duas linhas, consiste nas diferentes maneiras</p><p>com que eles orientam o comportamento humano. A função do</p><p>instrumento é servir como um condutor da influência humana sobre</p><p>o objeto da atividade; deve necessariamente levar a mudanças nos</p><p>objetos. Constitui um meio pelo qual a atividade humana externa é</p><p>dirigida para o controle e domínio da natureza. O signo, por outro</p><p>lado, não modifica em nada o objeto da operação psicológica. Constitui</p><p>um meio da atividade interna dirigido para o controle do próprio</p><p>indivíduo; o signo é orientado internamente. Essas atividades são tão</p><p>diferentes uma da outra, que a natureza dos meios por elas utilizados</p><p>não pode ser a mesma.</p><p>Podemos imaginar a TA, em suas diversas formas, atuando no lugar</p><p>dos “Instrumentos” como agente mediador cognitivo, a qual atuaria como</p><p>corresponsável pelo desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Sobre</p><p>isso, Galvão Filho (2009, p. 126) comenta que “[...] por tudo isso, portanto, a</p><p>mediação instrumental para a atribuição de sentidos aos fenômenos do meio,</p><p>e para a busca de “rotas alternativas” para a construção de conhecimentos,</p><p>encontra na Tecnologia Assistiva um forte aliado, na realidade específica da</p><p>pessoa com deficiência”. Desse modo, compreendemos que é possível considerar</p><p>a TA computacional como instrumento para a mediação cognitiva.</p><p>Entretanto, segundo Galvão Filho (2013) essa mesma mediação pela via</p><p>dos equipamentos necessita, muitas vezes, de outra mediação, embora inicial,</p><p>um processo de aquisição de conhecimentos pelo aluno, para que este aprenda</p><p>a utilizar aquele recurso. Galvão Filho (2013) é da opinião de que a obra de</p><p>Vygotsky (1994) contém os elementos necessário para que as várias formas de</p><p>mediação, relevantes para os processos de desenvolvimento e aprendizagem do</p><p>ser humano, contribuem para perceber as diferenças entre a função da Tecnologia</p><p>Assistiva e a função das estratégias pedagógicas com as tecnologias educacionais.</p><p>Especialmente com a distinção que ele faz entre as noções de Mediação</p><p>Instrumental e Mediação Simbólica:</p><p>O ser humano conseguiu evoluir como espécie graças à possibilidade</p><p>de ter descoberto formas indiretas, mediadas, de significar o mundo</p><p>ao seu redor, podendo, portanto, por exemplo, criar representações</p><p>mentais de objetos, pessoas, situações, mesmo na ausência dos</p><p>mesmos. Essa mediação pode ser feita de duas formas: através do uso</p><p>dos signos e do uso dos instrumentos (GALVÃO FILHO, 2004, p. 87</p><p>apud GALVÃO FILHO, 2013, S.p.).</p><p>Segundo Galvão Filho (2013) todo o universo sobre a Tecnologia</p><p>Assistiva, ou seja, os instrumentos de mediação, segundo Vygotsky (1994), são</p><p>compreendidos como objetos com um fim determinado:</p><p>São coisas que carregam consigo o motivo pelo qual foram gerados,</p><p>ou seja, a sua finalidade social. Representam de imediato o que</p><p>pretendem mediar na relação entre o ser humano e o mundo. No</p><p>caso de uma ferramenta de trabalho, a partir do momento em que</p><p>a pessoa descobre a sua finalidade social, ela irá carregá-la consigo,</p><p>identificando, assim, para que serve a sua existência. Por exemplo,</p><p>‘uma tesoura serve para cortar’ (GALVÃO FILHO, 2004, p. 87 apud</p><p>GALVÃO FILHO, 2013, S. p.).</p><p>TÓPICO 2 | A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>41</p><p>Enquanto a mediação simbólica refere-se a uma forma futura de mediação,</p><p>como explica Galvão Filho (2013) e está ligada com os signos, com os processos</p><p>semióticos, “do mesmo modo que os instrumentos físicos potencializam a ação</p><p>material dos homens, os instrumentos simbólicos (signos) potencializam sua ação</p><p>mental” (SFORNI, 2008 apud GALVÃO FILHO, 2013, s. p.). Nesta conjuntura</p><p>podem ser analisadas todas as estratégias e mediações pedagógicas, amparadas</p><p>pelas tecnologias educacionais, que estão conexas com os processos não concretos,</p><p>mas simbólicos, que estão amarrados com o aprendizado.</p><p>Assim, a Tecnologia Assistiva, para Galvão Filho (2013), é entendida como</p><p>um tipo de mediação instrumental e está ligada aos processos que defendem,</p><p>equilibram, potencializam ou auxiliam também na escola as habilidades ou</p><p>funções pessoais comprometidas pela deficiência, pertinentes às:</p><p>• Funções Motoras;</p><p>• Funções Visuais;</p><p>• Funções Auditivas;</p><p>• Funções de Comunicação.</p><p>A partir dessa percepção, portanto, entende-se que transcender as</p><p>dificuldades ligadas às funções cognitivas, mesmo quando afetadas</p><p>por uma deficiência, está relacionada às estratégias pedagógicas e</p><p>à tecnologia educacional para a promoção dos conhecimentos e ao</p><p>aprendizado, e não à Tecnologia Assistiva. (GALVÃO FILHO, 2013, S. p)</p><p>Por essa maneira de entender, a relação entre TA e educação pode ser</p><p>inferida pela maior capacidade e predisposição para o aprendizado que os</p><p>recursos de acessibilidade da TA conferem ao estudante com deficiência. Na</p><p>medida em que a TA lhe permite ou facilita interagir, relacionar-se em seu contexto</p><p>com recursos que agregam, proporcionados pelas adaptações de acessibilidade</p><p>de que dispõe. Por meio dos recursos de TA esse estudante poderá, então, dar</p><p>passos maiores em direção à diminuição das barreiras que poderão ser motoras,</p><p>visuais, auditivas e/ou de comunicação. Isso tudo poderá favorecer a eliminação</p><p>de preconceitos como resultado do respeito conquistado com a convivência. Isso</p><p>aumentará a autoestima, uma vez que passará a expressar melhor suas virtudes e</p><p>pensamentos (GALVÃO FILHO, 2013).</p><p>Acadêmico, provocações, propostas e questionamentos aqui tratados são</p><p>levantados não no intuito de trazer respostas e soluções cabais para os problemas</p><p>na educação. O que se propõe é ressaltar a necessidade de que seja dada</p><p>continuidade ao processo de aprofundamento e busca de uma maior precisão</p><p>conceitual relativa à TA. É importante que se evite ou se supere as distorções,</p><p>encontradas no caminho, que dificultam o alcance de objetivos por meio da TA.</p><p>42</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• A tecnologia assistiva é um campo de conhecimento que possibilita amparar o</p><p>atendimento educacional especializado, por meio da colaboração dos alunos</p><p>com deficiência na escola regular.</p><p>• O MEC tem investido em técnicas e financeiramente para a implementação da</p><p>TA na escola, com espaços que facilitam esse tipo de atendimento, que são as</p><p>salas de recursos multifuncionais.</p><p>• A Tecnologia Assistiva tem como eixo centralizador a relação indivíduo e</p><p>tecnologia, e a característica é a interdisciplinaridade.</p><p>• A Tecnologia Assistiva envolve recursos, serviços, produtos, metodologias,</p><p>estratégias e práticas que tem como objetivo proporcionar ou ampliar</p><p>habilidades funcionais, para que ocorra a participação de pessoas com</p><p>deficiência.</p><p>• A Tecnologia Assistiva ajuda na autonomia, na independência, na melhor</p><p>qualidade de vida e, principalmente, na inclusão social através da ampliação</p><p>da comunicação, locomoção, desenvolvimento de habilidades a partir do seu</p><p>aprendizado, do trabalho e a integração com a família, amigos, sociedade,</p><p>escola e outros ambientes.</p><p>• A atuação do professor frente à tecnologia assistiva, não pode estar</p><p>fundamentada em experiências e modelos previamente estabelecidos, mas</p><p>sim na contextualização da mesma, junto aos saberes teóricos obtidos através</p><p>de formações periódicas.</p><p>• A escolha de um recurso de TA deve ser realizada de maneira cuidadosa,</p><p>refletida e rigorosa, levando em conta a opinião dos técnicos especialistas no</p><p>assunto e do próprio usuário. É preciso ter em mente que a TA é um recurso</p><p>pessoal, que necessita ser o mais adequado possível à situação da pessoa que</p><p>irá utilizá-lo.</p><p>43</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (IFC-SC/ IESES – 2015) No que se refere à Tecnologia</p><p>Assistiva, assinale a alternativa INCORRETA:</p><p>FONTE: <https://goo.gl/SLj1Wp>.</p><p>a) ( ) A Tecnologia Assistiva tem como objetivo proporcionar à pessoa</p><p>com deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão</p><p>social, através da ampliação de sua comunicação, mobilidade,</p><p>controle de seu ambiente, habilidades de seu aprendizado, trabalho</p><p>e integração com a família, amigos e sociedade.</p><p>b) ( ) A Tecnologia Assistiva envolve áreas como as adaptações de</p><p>atividades de vida diária (higiene e alimentação), a acessibilidade</p><p>e adaptação de ambientes (rampas e banheiros adaptados) e o</p><p>transporte adaptado.</p><p>c) ( ) A Tecnologia Assistiva é um fator que mede a inteligência das pessoas</p><p>com base nos resultados de testes padronizados e quantitativos,</p><p>comparando o desempenho cognitivo de um indivíduo com</p><p>deficiência a pessoas do mesmo grupo etário.</p><p>d) ( ) A Tecnologia Assistiva pode ser entendida como o arsenal de recursos</p><p>e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades</p><p>funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover</p><p>vida independente e inclusão.</p><p>2 (EBSERH/ INSTITUTO AOCP – 2015) Sobre os recursos de Tecnologia</p><p>Assistiva, assinale a alternativa INCORRETA:</p><p>FONTE: <https://goo.gl/5SsvVM>.</p><p>a) ( ) Buscam não comprometer a segurança pessoal.</p><p>b) ( ) Devem evitar o aparecimento da fadiga.</p><p>c) ( ) Podem valorizar a capacidade funcional.</p><p>d) ( ) Tornam-se relevantes para terapeutas e cuidadores somente.</p><p>e) ( ) Não devem propiciar deformidades.</p><p>3 (UFRJ/PR-4 UFRJ - 2017) O Comitê de Ajudas Técnicas disponibiliza uma</p><p>tabela de produtos de Tecnologia Assistiva concedidos pelo INSS. Para uma</p><p>pessoa com deficiência física, pode-se compreender como recurso uma prótese:</p><p>FONTE: <https://goo.gl/dndgKc>.</p><p>a) ( ) Ocular.</p><p>b) ( ) Auditiva.</p><p>c) ( ) Externa de membro inferior.</p><p>d) ( ) Para implante coclear monocanal.</p><p>e) ( ) Retroauricular.</p><p>44</p><p>4. “Quando o filho completou 4 anos, Elaine Kiss, como a maioria dos pais,</p><p>começou a procurar escola. Para a sua surpresa, todos os colégios diziam não</p><p>ter mais vaga. As escolas não estavam lotadas, mas não tinham lugar para</p><p>crianças como Gustavo, que é autista. A lei proíbe negar matrícula a alunos</p><p>com deficiência ou transtornos globais do desenvolvimento, como o autismo,</p><p>mas instituições particulares afirmam ter número máximo de vagas para</p><p>estudantes com deficiência. A justificativa dos colégios é a dificuldade de</p><p>receber várias crianças ou adolescentes com esse perfil, que demanda outros</p><p>tipos de atenção.”</p><p>Com base na reportagem acima transcrita, e sobre os princípios da Tecnologia</p><p>Assistiva na perspectiva da Educação Inclusiva, assinale a alternativa</p><p>CORRETA:</p><p>FONTE: PALHARES, Isabela. Quantidade de alunos com deficiência por turma desafia escolas</p><p>particulares. O Estado de São Paulo, 12 de junho de 2018. Disponível em: <https://educacao.</p><p>estadao.com.br/noticias/geral,quantidade-de-alunos-com-deficiencia-por-turma-desafia-</p><p>escolas-particulares,70002399257>.</p><p>a) ( ) o estigma sobre a pessoa com deficiência é agravado com ações de</p><p>inclusão social, pois todos devem ser tratados de modo igual;</p><p>b) ( ) as crianças com deficiências devem ser segregadas das demais</p><p>crianças, para que possa ser devidamente atendidas conforme as suas</p><p>necessidades;</p><p>c) ( ) pôr em convivência pessoas com necessidades educacionais diversas</p><p>é uma forma de expô-las ao preconceito social, o ideal é que forme</p><p>uma classe especial.</p><p>d) ( ) a presença de crianças com deficiência, que tem necessidades</p><p>especiais, obsta o desenvolvimento das demais, que não precisam</p><p>desses recursos;</p><p>e) ( ) promover a diversidade humana é uma forma de superar o estigma</p><p>da deficiência, por isso o ideal é que crianças com e sem deficiência</p><p>dividam os mesmos ambientes.</p><p>45</p><p>TÓPICO 3</p><p>TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Para que o direito à educação dos alunos com deficiência se consolide</p><p>com o acolhimento de suas necessidades especiais, assegurando-lhes igualdade</p><p>de oportunidades e chances de aprendizado é imprescindível que se tenha na</p><p>escola a noção e prática da tecnologia assistiva (MANTOAN, 1997). A informação</p><p>e aplicabilidade da tecnologia assistiva no contexto educacional é um dos</p><p>elementos primordiais que contribuem para a inclusão. Neste caso, a inclusão</p><p>consiste em uma adaptação necessária para propiciar a garantia das necessidades</p><p>desses alunos.</p><p>A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional,</p><p>pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam</p><p>dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos,</p><p>pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente</p><p>educativa geral (MANTOAN, 1997, p. 145).</p><p>De acordo com Diniz (2007), a tecnologia assistiva é o aproveitamento</p><p>de serviços direcionados à resolução de problemas funcionais decorrentes de</p><p>pessoas com deficiência e transtornos. A aplicação dessa tecnologia no contexto</p><p>escolar é o movimento de buscar romper as barreiras externas que impedem</p><p>a atuação e participação de alunos com deficiência em atividades e tarefas de</p><p>seu interesse e necessidade de aprendizagem. É no campo da educação escolar</p><p>que a tecnologia assistiva se estabelece como serviços e recursos que atendam</p><p>alunos com deficiência, tendo como finalidade construir condições necessárias</p><p>ao aprendizado.</p><p>Além da abordagem pedagógica da educação especial, o professor</p><p>do atendimento educacional especializado trabalha com as ferramentas</p><p>tecnológicas específicas às necessidades dos alunos com deficiência. Reforça</p><p>Berch (2017) que o serviço de tecnologia assistiva na escola tem a finalidade</p><p>de fornecer e nortear o emprego de recursos e/ou práticas que desenvolvam</p><p>habilidades dos alunos com deficiência. O serviço de tecnologia assistiva, na</p><p>educação, possui perfil propositivo e busca resolver as dificuldades dos alunos,</p><p>encontrando reveses para que eles participem e atuem positivamente nas várias</p><p>propostas do currículo comum.</p><p>UNIDADE 1</p><p>46</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Para tal intento é necessário que você, acadêmico, leia e estude os</p><p>subtópicos que seguem, como também outras fontes que referenciam o tema de</p><p>estudo: a tecnologia assistiva. O presente tópico de estudo tem como objetivo</p><p>apresentar alguns grupos que compõem o público-alvo da educação especial na</p><p>perspectiva da educação inclusiva, caracterizando-os e apresentando recursos</p><p>da tecnologia assistiva que possam auxiliar no processo de inclusão educacional</p><p>desses alunos.</p><p>2 PESSOAS COM DEFEFICIÊNCIA</p><p>As literaturas destacam que é preciso que o aluno com deficiência seja</p><p>respeitado não com prerrogativas, mas com segurança de acesso à informação.</p><p>É necessário perceber que a diferença não pode ser negada, mas trabalhada para</p><p>que a mesma possa ser</p><p>compreendida por todos.</p><p>Afinal, o que se entende por deficiência? Deficiência é todo prejuízo ou</p><p>anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que</p><p>gera limitação para o cumprimento de atividade ou função. O site da Secretaria</p><p>Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência promove a página</p><p>que apresenta o Programa Viver Sem Limite, e conceitua pessoas com deficiência</p><p>como: “[...] aquelas que têm dificuldades de longo prazo de natureza física, mental,</p><p>intelectual, múltipla ou sensorial, as quais, em interação com diversas barreiras,</p><p>podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de</p><p>condições com as demais pessoas” (BRASIL, 2018, s.p.).</p><p>Para melhor compreensão do conceito de deficiência, Diniz (2007) defende</p><p>um modelo social e antropológico, visando a experiência histórica de exploração e</p><p>apartação social vivida por pessoas que apresentavam algum tipo de deficiência.</p><p>O autor apresenta seu texto buscando fazer um resgate histórico e justifica o</p><p>fato ‘da exploração e apartação’ ser decorrente da incompetência social em não</p><p>aceitar a diversidade humana. Convém explicitar que é considerada pessoa com</p><p>deficiência a que se enquadra nas categorias contidas no Decreto nº 3.298, de 20</p><p>de dezembro de 1999, e reafirmadas no Decreto-lei nº 5.296, de junho de 2004:</p><p>Deficiência física: alteração total ou parcial de um ou mais membros do</p><p>corpo humano, ocasionando o empenho da função física, mostrando-</p><p>se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia,</p><p>tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia,</p><p>amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com</p><p>deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas</p><p>e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.</p><p>Deficiência auditiva: perda parcial ou total das funções auditivas</p><p>sonoras, variando em graus e níveis que vão de decibéis (surdez leve) à</p><p>anacusia (surdez profunda). Deficiência visual: gravidade visual igual</p><p>ou menor que 20/200 no melhor olho, após a mais perfeita correção, ou</p><p>campo visual inferior a 20 (tabela de Snellen), ou ocorrência simultânea</p><p>de ambas as situações.</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>47</p><p>Deficiência mental: funcionamento intelectual geral significativamente</p><p>abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento,</p><p>concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da</p><p>conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder</p><p>adequadamente às demandas da sociedade.</p><p>Deficiência múltipla: é a agregação, no mesmo indivíduo, de</p><p>duas ou mais deficiência primária mental, visual, auditiva e física,</p><p>com comprometimentos que ocasionam consequências no seu</p><p>desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa.</p><p>O MEC (2006, p. 9) trata pessoa com deficiência aquelas que exibem</p><p>“significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de fatores</p><p>inatos ou adquiridos, de caráter temporário ou permanente”. Já a Convenção dos</p><p>Direitos da Pessoa com Deficiência exibe um novo conceito de deficiência, adotando</p><p>como base os empecilhos encontrados nos ambientes e não mais as limitações do</p><p>indivíduo. Segundo a Convenção, abranger por pessoa com deficiência</p><p>aquelas que têm impedimentos de natureza física, mental, intelectual</p><p>ou sensorial permanentes, os quais, em interação com diversas</p><p>barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade</p><p>em bases iguais com as demais pessoas (BRASIL, 2015, s. p.).</p><p>Veja, caro acadêmico, entender cada categoria com os tipos de deficiência</p><p>é de fundamental importância, como também o contexto escolar onde você</p><p>trabalha e as políticas públicas de tecnologia assistiva no Brasil, as variações</p><p>de tecnologia assistiva (que vão, por exemplo, desde uma simples bengala até</p><p>próteses eletrônicas de alta complexidade) e a tecnologia assistiva aplicada à</p><p>educação etc., estes quesitos tornam-se pontos fortes para seu desempenho</p><p>como acadêmico e futuro docente. Para tal conjuntura, é preciso, antes de tudo,</p><p>perceber a tecnologia assistiva como “uma nova janela que se abre para amenizar</p><p>a discriminação social existente em nossa sociedade com relação às pessoas com</p><p>algum tipo de deficiência” (SANTAROSA, 2002, p. 65). É importante salientar</p><p>que a tecnologia assistiva também pode ser utilizada para amenizar limitações de</p><p>aprendizagem de alunos que possuem transtornos. Para melhor compreensão do</p><p>que já foi abordado sobre os tipos de deficiência, acompanhe o quadro a seguir.</p><p>48</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>FIGURA 21 - APRESENTAÇÃO DAS CATEGORIAS ENCONTRADAS PARA DEFICIÊNCIA E</p><p>TRANSTORNOS</p><p>FONTE: Adaptado de DSM V (2014)</p><p>Como você pode observar, a figura apresenta uma representação</p><p>estruturada das diferentes categorias em que são subdivididos os transtornos e</p><p>as deficiências. Essa classificação é disponível aos profissionais da área da saúde</p><p>para que procedam à realização do parecer aos seus pacientes (DSM V, 2015).</p><p>Perceber e entender os diferentes tipos de deficiência intui para a</p><p>necessidade de implantar os recursos de Tecnologia Assistiva no ambiente</p><p>Normal</p><p>(0 a 15dB)</p><p>Suave</p><p>(16 a 25dB)Física</p><p>Deficiência</p><p>Leve</p><p>Moderada</p><p>Leve</p><p>(26 a 40dB)</p><p>Moderada</p><p>(41 a 55dB)</p><p>Auditiva</p><p>Moderada severa</p><p>(56 a 70dB)</p><p>Severa</p><p>(71 a 90dB)</p><p>Profunda</p><p>(acima de 91dB)</p><p>Transtorno do</p><p>Espectro Autista</p><p>Transtornos do</p><p>Neurodesenvolvimento</p><p>Grave</p><p>Profunda</p><p>Autista leve</p><p>Autista Clássico</p><p>Transtorno do</p><p>Desenvolvimento</p><p>Intelectual</p><p>Cegueira</p><p>Subnormal ou baixa visão</p><p>Associação de duas ou</p><p>mais deficiências</p><p>Transtorno do</p><p>Déficit de Atenção</p><p>e Hiperatividade</p><p>Visual</p><p>Categorias</p><p>Múltipla</p><p>TDAH</p><p>Dislexia</p><p>Discalculia</p><p>Disgrafia</p><p>Altas Habilidades</p><p>e Superdotação</p><p>Disortografia</p><p>Autista</p><p>Severo</p><p>Transtorno da</p><p>Aprendizagem</p><p>Transtornos</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>49</p><p>escolar porque “podem ser situados como mediações instrumentais para a</p><p>constituição da pessoa com deficiência, como sujeito dos seus processos, a partir</p><p>da potencialização da sua interação social no mundo” (GALVÃO FILHO,</p><p>2009, p. 115). Essa interação poderá acontecer no simples fato da utilização de</p><p>uma bengala para pessoas com dificuldade de movimentação, seja por causa de</p><p>deficiência física ou visual; um teclado colmeia, que auxiliará o aluno na digitação</p><p>em um teclado; um leitor de tela, que possibilitará ao deficiente visual o acesso</p><p>ao conteúdo de páginas de internet e livros digitalizados, entre outras utilizações.</p><p>Segundo Galvão Filho (2009), todas essas possibilidades estreitam a distância</p><p>entre o indivíduo e a possibilidade de inclusão escolar.</p><p>Caro acadêmico, nos tópicos a seguir não serão discutidos todos os tipos</p><p>de deficiência, mas, ponderou-se três categorias relacionando ao tema de estudo, a</p><p>Tecnologia Assistiva. É indicada a realização de leitura em outras fontes, inclusive</p><p>as sugeridas na trilha de aprendizagem, que poderão ajudá-lo a aprofundar seus</p><p>conhecimentos a respeito deste tema em questão. É de suma importância que não</p><p>deixe de ler!</p><p>2.1 PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL E O USO DA</p><p>TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Os recursos de tecnologia assistiva estão no nosso dia a dia e para a pessoa</p><p>com deficiência pode ser coadjuvante por possibilitar a comunicação e o acesso às</p><p>informações contribuindo para adaptar ou expandir capacidades ativas de pessoas</p><p>com deficiência, e por conseguinte, requerer vida autônoma e inclusão (BERSCH,</p><p>2017). Um dos pontos cruciais deste livro de estudos é compreender que a TA</p><p>viabiliza que pessoas com deficiência física, auditiva, visual e mental, apresentem</p><p>melhor qualidade de vida, com mais probabilidades de serem compreendidas no</p><p>meio escolar, familiar e na sociedade de forma geral.</p><p>Segundo a Organização Mundial de Saúde (2005), o termo deficiência</p><p>visual refere-se a uma condição irreversível de perda da resposta visual. A</p><p>cegueira ou a perda total da visão pode ser adquirida ou congênita, mesmo</p><p>após tratamento e uso de óculos. Contudo, os problemas visuais</p><p>são alterações</p><p>sensoriais, o que indica o comprometimento dos canais que fornece comunicação</p><p>visual podendo implicar em alterações de visão, visão subnormal e até cegueira</p><p>total. Para minimizar possíveis dificuldades no aprendizado, alguns autores</p><p>abordados neste livro de estudos, como Bersch (2006) e Galvão Filho (2009),</p><p>trazem exemplos de sistemas de ensino que empregam tecnologias variadas</p><p>como alternativas viáveis ao acesso à informação.</p><p>Neste contexto, Mazini (2018) explica que, cegueira é a qualidade</p><p>na qual o indivíduo apresenta desde ausência total de visão até a perda de</p><p>percepção luminosa e possui aprendizagem por meio da integração dos sentidos</p><p>remanescentes preservados. Seus estudos enfatizam que o principal meio de leitura</p><p>e escrita para pessoas com deficiência visual é o sistema Braille, porém, também</p><p>apresenta como alternativa o áudio, ambos denominados após adaptações de</p><p>tecnologia assistiva. A TA, então, teria o intento de auxiliar tanto o indivíduo com</p><p>50</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>deficiência a melhorar sua atuação funcional e de aprendizagem, como também</p><p>outras pessoas que em algum momento da vida poderiam encontrar obstáculos</p><p>em decorrência de envelhecimento, doença e/ou acidentes.</p><p>Para Edyburn (2003), as pessoas com deficiência visual poderão dispor</p><p>de recursos de acessibilidade ao computador e auxílios de modalidade, como</p><p>as tecnologias. O autor explica que recursos de acessibilidade ao computador</p><p>abrangem conceitos de hardware e software utilizados por pessoas com restrições</p><p>sensoriais e motoras. Compreende teclados modificados, mouses especiais,</p><p>software de reconhecimento de voz, monitores especiais, sintetizadores de</p><p>voz, impressoras braille, softwares leitores de texto, softwares para controle do</p><p>computador com síntese de voz, entre outros. Incluem-se, ainda, os leitores de</p><p>tela, dispositivos como calculadora, termômetros, teclado e celular falado. Estes</p><p>últimos se configuram como auxílios para a pessoa com deficiência visual, cegos</p><p>ou com visão subnormal. Enfim, esses são alguns recursos que promovem a</p><p>qualidade e a independência de cada indivíduo com deficiência.</p><p>Alguns softwares possibilitam ao deficiente visual ter acesso ao mundo</p><p>digital, Borges (2018) exemplifica o Dox Vox, Jaws e o Virtual Vision como</p><p>softwares alternativos. Adiante será feita a descrição de cada um deles no</p><p>livro de estudos. O Dos Vox, por exemplo, é a tecnologia desenvolvida pelo</p><p>núcleo de computação eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro e</p><p>é gratuita. A sua interface, baseada em textos lidos pelo sistematizador de voz,</p><p>deixa o aluno gerenciar, ler e imprimir documentos de textos repassados pelo</p><p>sintetizador de voz.</p><p>O Jaws foi implementado por empresa norte americana e apresentado</p><p>para comercialização no Brasil pela Associação Brasileira de Assistência</p><p>ao deficiente visual. O Virtual Vision, por sua vez, desenvolvido</p><p>por empresa brasileira “Micropower” é um software leitor de telas</p><p>que se sobressai pela compatibilidade com a maioria dos principais</p><p>aplicativos de sistemas operacionais windows. Atualmente, o leitor</p><p>da tela da Micropower possui fonética em português de fantástica</p><p>compreensibilidade, além de ser bastante customizável</p><p>(BRITTA, 2013 apud Oliveira, 2013).</p><p>“No caso dos cegos ou de pessoas com visão subnormal, a comunicação</p><p>ocorre fundamentalmente pelos sentidos remanescentes, tato ou audição. Por isso,</p><p>recursos preparados para estes alunos devem possuir características específicas”</p><p>(CEZÁRIO; PAGLIUCA, 2007 apud OLIVEIRA, 2013). A tecnologia assistiva é</p><p>uma alternativa para que o deficiente visual se torne autossuficiente para estudar,</p><p>alimentar-se, vestir-se, executar tarefas rotineiras, sendo autônomo e participante</p><p>em diferentes espaços na sua comunidade.</p><p>2.2 PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA E O USO DA</p><p>TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>O comprometimento da função física poderá acontecer quando existe</p><p>a falta de um membro (amputação), sua má-formação ou deformação</p><p>(alterações que acometem o sistema muscular esquelético).</p><p>Ainda encontramos alterações funcionais motoras decorrentes de lesão</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>51</p><p>do Sistema Nervoso e, nesses casos, observamos principalmente a</p><p>alteração do tônus muscular (hipertonia, hipotonia, atividades tônicas</p><p>reflexas, movimentos involuntários e incoordenados). As terminologias</p><p>“para, mono, tetra, tri e hemi”, diz respeito à determinação da parte do</p><p>corpo envolvida, significando respectivamente, “somente os membros</p><p>inferiores, somente um membro, os quatro membros, três membros</p><p>ou um lado do corpo”. (Atendimento Educacional Especializado –</p><p>Deficiência Física – SEESP/SEED/MEC – Brasília/DF – 2007 apud</p><p>MIRANDALIBRAS, 2018, s. p.)</p><p>Ao aprofundar os estudos sobre deficiência física encontraremos uma</p><p>diversidade de tipos e graus de comprometimento que requerem um estudo</p><p>sobre as necessidades específicas de cada pessoa. O documento “salas de</p><p>recursos multifuncionais um espaço do atendimento educacional especializado”,</p><p>publicado pelo Ministério da Educação, afirma que a:</p><p>[...] deficiência física é o comprometimento do aparelho locomotor que</p><p>compreende o sistema osteoarticular, o sistema muscular e o sistema</p><p>nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas,</p><p>isoladamente ou em conjunto, podem produzir grande limitações</p><p>físicas de grau e gravidades variáveis, segundo os segmentos corporais</p><p>afetados e o tipo de lesão ocorrida (BRASIL, 2006, p. 28).</p><p>A deficiência física, portanto, está relacionada ao comprometimento de</p><p>funções físicas, englobando condições como:</p><p>Triplegia/ triparesia: envolvimento de três membros.</p><p>Diplegia/diparesia: envolvimento de dois membros.</p><p>Monoplegia/monoparesia: envolvimento de um membro.</p><p>Paraplegia/paraparesia: envolvimento dos membros inferiores.</p><p>Hemiplegia/hemiparesia: envolvimento de um lado do corpo (direito</p><p>ou esquerdo).</p><p>Amputação (ausência de um membro ou parte dele).</p><p>Nanismo (crescimento abaixo da média).</p><p>Paralisia cerebral (comprometimento físico a partir de lesão cerebral).</p><p>Membros com deformidade congênita (desde o nascimento) ou</p><p>adquirida (DEFICIENTE ONLINE, 2001, s.p.).</p><p>Segundo o Ministério da Educação, deficiência física corresponde</p><p>a “diferentes condições motoras que acometem as pessoas</p><p>comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e da</p><p>fala, em consequência de lesões neurológicas, neuromusculares,</p><p>ortopédicas, ou más formações congênitas ou adquiridas.</p><p>(REVISTA EIXO, 2013, s. p.)</p><p>Ainda, em relação a sua manifestação, a deficiência física pode ser de</p><p>forma:</p><p>• Aguda: a deficiência aparecer de forma intensa e brusca.</p><p>• Crônica: a deficiência aparece de longa duração, ou seja, o quadro vai</p><p>avançando de forma gradativa.</p><p>Percebe-se que a deficiência física incide na falha das funções motoras e,</p><p>na maior parte das vezes, a inteligência fica ‘preservada’. Assim, a parte cognitiva</p><p>do cérebro poderá funcionar normalmente, na sua plenitude, assegurando que a</p><p>pessoa com deficiência física tenha plenas condições de aprender e/ou socializar-se.</p><p>52</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Para que o aluno com deficiência física possa ter acesso à educação</p><p>escolarizada, como também participar no contexto em que ele convive, é</p><p>importante proporcionar condições adequadas ao seu deslocamento, comodidade</p><p>e segurança. Neste cenário, a tecnologia assistiva pode ser aproveitada como</p><p>uma estratégia que permite aos alunos com deficiências físicas organizarem</p><p>tarefas que não seriam possíveis sem o uso de recursos adequados, adequados</p><p>no sentido de favorecer as habilidades e viabilizar um melhor desempenho na</p><p>realização das atividades escolares. O aprendizado de habilidades ganha muito</p><p>mais sentido quando o aluno está imerso em um ambiente compartilhado que</p><p>permite o convívio e a participação (BERSCH, 2007).</p><p>Acesse a Cartilha do Ministério da Educação – Atendimento Educacional</p><p>Especializado e Deficiência Física. Disponível em: <http://atividadeparaeducacaoespecial.</p><p>com/category/deficiencia-fisica/>.</p><p>DICAS</p><p>2.3 PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA E O USO DA</p><p>TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>De acordo com o Decreto n° 5. 296, de 2 de dezembro de 2004 (BRASIL,</p><p>2004), entende-se deficiência auditiva como a perda bilateral, parcial ou total, de</p><p>quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências</p><p>de 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 3.000 Hz. Uma vez que a audição normal se</p><p>caracteriza pela habilidade de detecção de sons até 25 decibéis, a deficiência</p><p>auditiva pode ser graduada da seguinte forma, acompanhe o quadro a seguir:</p><p>QUADRO 1 - GRADUAÇÃO DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA</p><p>Deficiência auditiva leve entre 25 a 40 dB.</p><p>Deficiência auditiva moderada entre 45 a 70 dB.</p><p>Deficiência auditiva severa a faixa é de 75 a 90dB.</p><p>Deficiência auditiva profunda a habilidade de detecção de sons acima de 90 dB.</p><p>FONTE: Loureiro (2004, p. 43 )</p><p>Resumidamente, a deficiência auditiva é a perda gradativa da audição,</p><p>que dificulta a percepção e o entendimento da fala e de outros sons. Estatísticas</p><p>apontam que aproximadamente uma em cada 1.000 crianças nasce com deficiência</p><p>auditiva (moderada a grave), sendo que 80% dos casos evoluem para deficiência</p><p>auditiva permanente (LASMAR; PEIXOTO, 2010). O diagnóstico da deficiência</p><p>auditiva pode ser realizado de duas formas:</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>53</p><p>• Teste da Orelhinha: incide na colocação de um fone acoplado a um computador</p><p>na orelha do bebê que envia sons de fraca amplitude e recebe as respostas que</p><p>a orelha interna do bebê produz.</p><p>• Audiometria Lúdica: é um teste que incide em uma reação lúdica da criança</p><p>a um estímulo sonoro, sendo medido um ouvido por vez (LASMAR;</p><p>PEIXOTO, 2010).</p><p>Loureiro (2004) aconselha que qualquer criança que não reagir a</p><p>sons ou ruídos altos ao seu redor e exibir problemas na fala após os três anos</p><p>necessita ser encaminhada para um atendimento médico especializado com um</p><p>otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo. Entre as variações da deficiência</p><p>auditiva existe a surdez, que representa a perda total da percepção dos sons,</p><p>que “afeta o aparelho auditivo do indivíduo, causando diminuição da audição</p><p>e, consequentemente, dificuldade de perceber e entender a fala e outros sons do</p><p>meio ambiente” (LOUREIRO, 2004, p. 11).</p><p>Para muitos casos de deficiência aqui relatados ou até transtornos de</p><p>aprendizagem é aconselhável o atendimento educacional especializado, este</p><p>tipo de atendimento refere-se à forma pela qual o aluno aborda todo e qualquer</p><p>conteúdo que lhe é apresentado e como consegue (re)significá-lo. Na concepção</p><p>de Zabala (2005), é válido insistir que o atendimento educacional especializado</p><p>difere do ensino particular e do reforço escolar. Mesmo podendo ser realizado de</p><p>forma coletiva, é preciso estar atento para as formas específicas de cada aluno se</p><p>comporta com diferentes questões do saber.</p><p>De acordo com Gomes et al (2007, p. 23)</p><p>O atendimento educacional especializado para o aluno com</p><p>deficiência auditiva, mental, visual, física ou múltiplas deve permitir</p><p>que ele saia de uma posição de, não saber, ou de recusa de saber, para</p><p>se apropriar de um saber que lhe é próprio, ou melhor, que ele tem</p><p>consciência de que o construiu e a tecnologia assistiva poderá ser</p><p>uma excelente estratégia.</p><p>3 PROCESSO DE AVALIAÇÃO EM TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>O processo de avaliação em tecnologia assistiva é amplo, envolve diferentes</p><p>conhecimentos científicos, no sentido de contemplar diferentes necessidades</p><p>da pessoa com deficiência, proporcionando qualidade de vida. Um processo</p><p>de avaliação poderá considerar o ALUNO, CONTEXTO e as TAREFAS que se</p><p>pretende aprimorar com a utilização da tecnologia assistiva.</p><p>Com embasamento na observação do fato e em sua experiência pessoal,</p><p>Zabala (2005) propõe uma ferramenta orientadora para as ponderações e tomadas</p><p>de decisão em tecnologia assistiva no contexto educacional. Surge, então, o SETT</p><p>que é uma abreviação de Student (aluno), Environment (ambiente), Task (tarefa) e</p><p>Tools (ferramenta). O SETT considera, em primeiro lugar, o estudante, o ambiente</p><p>54</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>e as tarefas exigidas para o envolvimento do aluno no ambiente, e, por fim, as</p><p>ferramentas indispensáveis para o aluno concretize tais tarefas. A proposta que</p><p>segue tem como inspiração a estrutura do SETT de Zabala (2005). Acompanhe</p><p>com atenção!</p><p>QUADRO 2 - RELAÇÃO DE QUESITOS QUE ENVOLVEM UTILIZAÇÃO DA TA</p><p>CONTEXTO FAMILIAR E</p><p>SOCIAL</p><p>TAREFAS NO</p><p>CONTEXTO ESCOLAR</p><p>Quem é? Dificuldades percebidas pela fa-</p><p>mília e pelo aluno com relação</p><p>ao convívio, aos cuidados, a au-</p><p>tonomia com tarefas simples do</p><p>dia a dia, à mobilidade e trans-</p><p>porte, ao acesso à educação.</p><p>Quais são os OBJETIVOS</p><p>EDUCACIONAIS do</p><p>professor regente para o grupo</p><p>de alunos?</p><p>Quais são os funda-</p><p>mentais interesses e</p><p>motivações do aluno?</p><p>Qual é ação retratada</p><p>pelo aluno e que será</p><p>foco da intervenção em</p><p>tecnologia assistiva?</p><p>Práticas utilizadas pela família</p><p>e pelo usuário, buscando a</p><p>superação de obstáculos e o</p><p>envolvimento de atividades</p><p>almejadas.</p><p>Quais ATIVIDADES são</p><p>propostas pelo professor para</p><p>a turma toda relacionadas a</p><p>esses objetivos?</p><p>Quais as características</p><p>do aluno do ponto de</p><p>vista motor, sensorial,</p><p>cognitivo, emocional?</p><p>Espaços sociais que a família</p><p>e usuário dão importância.</p><p>Obstáculos que enfrentam</p><p>para acessá-los.</p><p>Observar o aluno nas atividades</p><p>escolares e identificar, com ele,</p><p>os OBSTÁCULOS existentes</p><p>que limitam sua participação e</p><p>desempenho na aprendizagem.</p><p>Perceber se a atuação do aluno</p><p>na atividade escolar é integral,</p><p>parcial ou se não existe.</p><p>Levantamento das difi-</p><p>culdades relacionadas as</p><p>tarefas cotidianas e par-</p><p>ticipação na comunida-</p><p>de escolar? Perspectivas</p><p>de superação? Como o</p><p>próprio aluno e sua fa-</p><p>mília identificam limita-</p><p>ções e habilidades?</p><p>Apoio já existentes de recursos</p><p>de tecnologia assistiva e</p><p>resultados observados.</p><p>Realizar priorização de situa-</p><p>ções-problema junto à equipe</p><p>(incluindo aluno e familiares)</p><p>e, a partir daí, estabelecer a se-</p><p>leção de objetivos de interven-</p><p>ção do serviço de tecnologia</p><p>assistiva.</p><p>Qual é seu diagnós-</p><p>tico? O que sabemos</p><p>sobre isso? Qual é a</p><p>expectativa de evolu-</p><p>ção desse caso? O que</p><p>está em nosso alcance</p><p>no sentido de ampliar,</p><p>cultivar e precaver, do</p><p>ponto de vista da fun-</p><p>cionalidade?</p><p>Indicação da família e usuário,</p><p>necessidade de auxílio.</p><p>Em cada atividade, identificar</p><p>as dificuldades no que diz res-</p><p>peito à condição do aluno (es-</p><p>trutura e função do corpo), da</p><p>tarefa (qual é sua finalidade,</p><p>como é executada pelo aluno</p><p>e que ferramentas são habitu-</p><p>almente aproveitadas?) e do</p><p>contexto (organização dos am-</p><p>bientes, materiais existentes,</p><p>ou não, e atitude/conhecimen-</p><p>tos das pessoas envolvidas so-</p><p>bre alternativas para inclusão</p><p>do aluno com deficiência).</p><p>FONTE: Adaptado de Zabala (2005, p. 22 )</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>55</p><p>Resumidamente, para Berch (2017), implantar a TA de forma bem-</p><p>sucedida na escola compreende alguns pontos como:</p><p>• Resgatar o aluno portador de qualquer tipo de deficiência de forma ativa,</p><p>desafiando-o a saborear o gosto pela descoberta, consentindo que ele construa</p><p>individual e coletivamente novos conhecimentos.</p><p>• Buscar fazer com que realize suas atividades escolares buscando estratégias</p><p>para que consiga, mesmo não sendo da forma convencional.</p><p>• Valorizar o seu jeito de fazer e aumentar suas capacidades de ação e interação,</p><p>a partir de suas habilidades.</p><p>• Conhecer e criar possibilidades de diálogo, envolvendo a escrita, leitura,</p><p>brincadeiras, artes etc., utilizando materiais escolares e pedagógicos,</p><p>explorando a pesquisa e softwares computacionais. Enfim, é retirar do aluno o</p><p>papel de espectador e atribuir-lhe a função de ator.</p><p>O serviço de tecnologia assistiva constituído no âmbito da educação é um</p><p>mecanismo de apoio ao aluno com deficiência para que ele alcance os objetivos</p><p>educacionais. Já foi falado isso, não é? O importante, como futuros educadores,</p><p>é manter um diálogo aberto com</p><p>a família, fator imprescindível para o sucesso</p><p>do uso da TA. Esse processo poderá acontecer por meio de encontros periódicos</p><p>sempre que necessário, pois a escola é a extensão da família, e no caso da inclusão</p><p>da TA, a família também será a extensão da escola.</p><p>Para Zabala (2005), não é o bastante introduzir tecnologia assistiva na</p><p>prática pedagógica sem reflexão sobre a organização da escola e os objetivos</p><p>educacionais. Porém, centrados nos objetivos, os professores poderão planejar</p><p>atividades e tarefas variadas aos alunos com deficiência, os quais, com criatividade,</p><p>poderão trilhar em direção a sua autonomia.</p><p>Zabala (2005) aconselha como fazer a avaliação das tarefas propostas</p><p>na escola a fim de adequá-las ou de encontrar meios necessárias para a plena</p><p>participação e aproveitamento do aluno com deficiência. Alerta que algumas</p><p>perguntas poderão ser feitas e respondidas pela equipe. Além do professor</p><p>especializado e demais especialistas em tecnologia assistiva, essa equipe deve</p><p>envolver o próprio aluno com deficiência, seus familiares, o professor da classe</p><p>comum e demais membros da comunidade escolar.</p><p>Com base em objetivos educacionais baseados no estudo de Zabala (2005),</p><p>seria conveniente pensar nos seguintes questionamentos para compreensão da</p><p>utilização da tecnologia assistiva no ambiente escolar:</p><p>• As temáticas abordadas pelo professor são interessantes no sentido de suscitar</p><p>motivação e envolvimento do grupo de alunos em participar?</p><p>• As temáticas disponibilizam diferentes mídias e formas de acessar e construir</p><p>os conhecimentos pretendidos?</p><p>• Os materiais pedagógicos disponíveis para os alunos, para exploração e</p><p>pesquisa, possuem boa qualidade de imagens, sons e conteúdo?</p><p>56</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>• As atividades projetadas pelo professor garantem que todos os alunos participem</p><p>em igualdade de oportunidade no aprendizado e não necessariamente tenham</p><p>que percorrer o mesmo caminho para chegar ao mesmo resultado?</p><p>• Os alunos são desafiados a utilizar informações adquiridas de forma criativa</p><p>visando a resolução de problemas?</p><p>• As temáticas, na forma em que são propostas, consentem ao professor</p><p>avaliar e registrar a evolução de seus alunos no processo de construção de</p><p>conhecimento?</p><p>• Perceber se existem alguns recursos de tecnologia assistiva disponíveis para</p><p>alunos que tenham dificuldades de acessar espaços, materiais e conteúdos</p><p>educacionais? Qual é a avaliação de resultados de sua utilização? Há</p><p>necessidade de ajustes ou revisão?</p><p>• Perceber se há necessidade de um projeto de pesquisa, desenvolvimento</p><p>e implementação de nova tecnologia assistiva para atender à necessidade</p><p>específica de um aluno?</p><p>Para Zabala (2005), idealizar uma escola dialógica significa ampliar</p><p>mecanismos sensíveis de escuta e comunicação, em relação à comunidade escolar,</p><p>nas suas mais variadas nuances, reivindicações e possibilidades, atentando para a</p><p>especificidade de cada aluno em particular. Com esse movimento, a escola poderá</p><p>dar passos concretos para se tornar, verdadeiramente, uma Escola Inclusiva, uma</p><p>escola aberta e valorizadora da diversidade humana, entendendo e acolhendo</p><p>as diferenças individuais não como uma barreira, mas como um potencial de</p><p>possibilidades para o qual ela deve estar atenta, articulando iniciativas e ambientes</p><p>de aprendizagem que tornem essa diversidade um fator de desenvolvimento e</p><p>melhora da coletividade.</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>57</p><p>TECNOLOGIA ASSISTIVA NO CONTEXTO DA SALA DE AULA</p><p>INCLUSIVA</p><p>Maria Euzimar Nunes Rodrigues</p><p>Adriana Eufrásio Braga Sobral</p><p>RESUMO: Neste artigo, destaca-se o processo de inclusão escolar das crianças</p><p>com deficiência no sistema regular de ensino, ressaltando-se o uso da tecnologia</p><p>assistiva no contexto da sala de aula inclusiva. Evidencia-se as práticas</p><p>pedagógicas dos professores que atendem os alunos com deficiência, respeitando</p><p>e aceitando as especificidades de cada aluno. Ressalta-se que a escola para ser</p><p>inclusiva tem que estar preparada para atender todos os alunos, propondo</p><p>oportunidades e possibilidades a todos de se desenvolverem enquanto seres</p><p>humanos, avançando em suas habilidades e assumirem na sociedade seus</p><p>lugares. Relata-se a importância de ações pedagógicas efetivas, que visem o</p><p>atendimento as diferenças. A escola tem por responsabilidade organizar-se de</p><p>forma a se transformar e buscar alternativas metodológicas que proporcionem</p><p>aprendizagem de qualidade e colocando essa aprendizagem como eixo norteador</p><p>das práticas pedagógicas que se adequem às necessidades dos alunos. Diz-se que</p><p>são de fundamental importância as práticas avaliativas da aprendizagem escolar</p><p>dos alunos numa perspectiva processual e qualitativa.</p><p>Palavras-chave: Educação inclusiva. Práticas de inclusão na escola. Tecnologia</p><p>Assistiva.</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O paradigma da educação inclusiva pressupõe um processo de</p><p>reestruturação em todas as esferas da escola, objetivando assegurar o acesso a</p><p>oportunidades educacionais e sociais diversificadas (MITTLER, 2003). Nesse</p><p>cenário, a ampliação dos direitos das pessoas com deficiência, relatada em</p><p>diferentes documentos, notadamente, nas propostas da educação inclusiva</p><p>presentes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 (BRASIL,</p><p>1996), nas orientações da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva</p><p>da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008a), e, ainda no Decreto presidencial 6.571,</p><p>de 17 de setembro de 2008 (BRASIL, 2008b) emergem o entendimento da</p><p>inclusão escolar como impulsionadora de transformações no campo educacional.</p><p>Carvalho (2005, p. 33) destaca, “a proposta inclusiva está predominantemente</p><p>direcionada à melhoria das respostas educativas que se oferecem a quaisquer</p><p>alunos, independentemente de suas condições pessoais, sociais ou culturais”.</p><p>Ainda segundo Carvalho, nossas escolas precisam rever suas práticas</p><p>pedagógicas, uma vez que a exclusão do direito de aprender não tem sido</p><p>“privilégio” apenas das pessoas com deficiência. Mantoan (2003), por sua vez,</p><p>assevera que a inclusão implica em esforços de modernização e de reestruturação</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>58</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>das condições de grande parte dessas instituições, fazendo-os admitir as</p><p>necessidades de transformação nas práticas pedagógicas vigentes. Para Hoffmann</p><p>(2004, p. 36):</p><p>Não é suficiente oferecer-se escolas para todos, é essencial que o ‘todos’</p><p>não perca, a dimensão da individualidade, e que, uma vez na escola,</p><p>esta ofereça a cada criança e jovem a oportunidade máxima possível</p><p>de alcançar sua cidadania plena pelo respeito e pela aprendizagem.</p><p>Nesse contexto, a ampliação dos estudos acerca dos usos da Tecnologia</p><p>Assistiva (TA) é crucial para o êxito da inclusão de pessoas com deficiência na</p><p>escola comum. A fim de desenvolvermos projetos que não tenham meramente uma</p><p>natureza reabilitacional e sim o objetivo de promover um encontro da tecnologia</p><p>com a educação, visando uma complementação mútua. Notadamente no tocante</p><p>ao papel crucial da mediação do professor, ressaltando-se que a utilização eficaz</p><p>de qualquer aparato tecnológico pressupõe uma formação adequada.</p><p>2 INCLUSÃO E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Vários autores discutem a relevância da tecnologia assistiva na escola,</p><p>principalmente da utilizada pelo aluno com deficiência. O professor deve procurar</p><p>conhecer as dificuldades do aluno, para escolher uma tecnologia assistiva que</p><p>melhor se adeque como ferramenta mediadora para a eliminação das barreiras</p><p>impostas pela deficiência apresentada. Existe também a necessidade de se</p><p>utilizar recursos humanos, para subsidiar aos alunos e profissionais, pois, ainda</p><p>é grande o número de pessoas que desconhecem métodos eficazes de utilização</p><p>que possibilitem o uso adequação dos recursos tecnológicos de acessibilidade já</p><p>existentes.</p><p>O professor precisa refletir sobre uma metodologia que contemple os</p><p>processos de organização e que ao mesmo tempo seja desafiadora em sala de aula,</p><p>para</p><p>que encontre uma lógica nas informações já existentes no cotidiano escolar,</p><p>tendo ainda que organizá-las coerentemente, sistematizando, comparando,</p><p>avaliando e contextualizando. O professor necessita questionar, instigar o nível</p><p>da compreensão que existe na sala de aula e, no seu planejamento didático deve</p><p>predominar a organização aberta e flexível, contemplando experiências, projetos,</p><p>novos olhares, selecionando o que melhor atende ao aluno no processo de</p><p>aprendizagem.</p><p>Percorrendo a história da humanidade nos deparamos com as criações</p><p>de instrumentos feitos pelo homem para aumentar e/ou compensar uma função</p><p>no organismo desde o tempo dos primórdios. O uso de ferramentas e máquinas</p><p>teve início pela intenção de dar funcionalidade às potencialidades humanas</p><p>perdidas ou suprimidas por quaisquer razões. Por isso, um elevando número</p><p>de aparatos com funções de compensar e /ou de substituir as funções sensoriais</p><p>e motoras, que por ventura o ser humano tenha perdido construídos de forma</p><p>artesanal, substituindo funções de forma eficaz, como fator preponderante para</p><p>acessibilidade ao conhecimento, a independência, autonomia e a inclusão social.</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>59</p><p>Este arsenal de aparatos é conceituado como tecnologia assistiva e que</p><p>tem se destacado por estar muito próximo do nosso cotidiano, auxiliando na</p><p>independência da pessoa com deficiência permanente ou temporária ou mesmo</p><p>utilizada por pessoas idosas no caminhar propiciando um melhor conforto e</p><p>segurança, melhorando as capacidades funcionais Kenski (2003). De acordo com</p><p>o Comitê de Ajudas Técnicas, Tecnologia Assistiva é conceituada como:</p><p>[...] uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar,</p><p>que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas</p><p>e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada</p><p>à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidade</p><p>ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência,</p><p>qualidade de vida e inclusão social (CAT, 2007).</p><p>O processo de desenvolvimento do ser humano é sempre dinâmico, de</p><p>aprendizagens graduais e contínuas. Para esse processo seja entendido, tem-</p><p>se de ter atenção às vivências, às experiências de vida de cada família, para</p><p>planejamento das ações pedagógicas e para a seleção da tecnologia assistiva</p><p>que o professor irá usar com cada aluno, é necessário aproveitar esse tempo de</p><p>experiências dos alunos, que são diversas e que estão sempre produzindo novos</p><p>saberes. É importante captar a relevância dessas experiências para o aluno, para</p><p>pensar em atividades e recursos que os possibilitem avançar em todas as áreas</p><p>do saber.</p><p>Embora ainda se desconheça o quantitativo de pessoas com deficiências,</p><p>há uma grande massa dessa população que vive com dificuldades causadas por</p><p>carência financeira, por falta escolarização ou mesmo de informações. Essas</p><p>dificuldades são evidenciadas pela falta de empregos, preconceito, desigualdades,</p><p>conforme vem sendo mostrado por diferentes organizações de defesa dos direitos</p><p>da pessoa com deficiência.</p><p>Em relação à escolarização, mesmo já tendo sido mostrada a necessidade</p><p>de inclusão de alunos com deficiência no Ensino Regular, as pesquisas apontam</p><p>que ainda muitas crianças com deficiência vêm sendo excluída ou mesmo</p><p>segregadas, embora os documentos legais tragam a orientação que nenhum</p><p>aluno deve ficar fora da escola, não devendo ser negada a matricula, o acesso e</p><p>a permanência dessas crianças na sala de aula comum ainda é questionados por</p><p>algumas escolas, com o discurso de que não estão preparadas para atender a esse</p><p>público (BRASIL, 1996).</p><p>Dessa forma, as escolas continuam trazendo esses argumentos e continuam</p><p>não disponibilizando espaços acessíveis, recursos e metodologias que atendam</p><p>as especificidades desses alunos. Portanto os documentos legais e as discussões</p><p>existentes não estão conseguindo dar conta das barreiras para que a inclusão de</p><p>efetive de fato, isso torna urgente a necessidade de se criar possibilidades para</p><p>reduzir essa desigualdade social. Por outro lado, surgem com as pesquisas e com</p><p>os avanços tecnológicos, expectativas que possibilitem a busca de soluções para</p><p>essa demanda.</p><p>60</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>No contexto da sala de aula inclusiva a tecnologia assistiva vem se</p><p>tornando indispensável nos processos de aprendizagem e desenvolvimento de</p><p>alunos com deficiência. Os estudos desenvolvidos por diferentes pesquisadores</p><p>relacionados ao uso da tecnologia assistiva para inclusão escolar de alunos com</p><p>deficiência, mostram uma gama enorme de possibilidades pela rapidez dos</p><p>avanços das tecnologias e pelos recursos de tecnologia assistiva que vem sendo</p><p>criados ou adaptados.</p><p>3 TECNOLOGIA ASSISTIVA SUBSIDIANDO A SALA DE AULA</p><p>Para alguns alunos o uso de recursos de tecnologia assistiva é a única</p><p>maneira de proporcionar o acesso ao conhecimento, desenvolver suas habilidades</p><p>e favorecer ações como estudar, comunicar, interagir, entre outros. Existem alguns</p><p>tipos de dificuldades que esses alunos enfrentam na escola, e os profissionais</p><p>que trabalham com eles. Contudo a disponibilidade de recursos e serviços de</p><p>tecnologia assistiva necessários para que alcancem seus aprendizados, ainda</p><p>é escassa, dificultando o processo de desenvolvimento de habilidades. Na</p><p>perspectiva da educação inclusiva, o espaço escolar deverá se organizar como</p><p>aquele que oferece o serviço de Tecnologia Assistiva:</p><p>No desenvolvimento de sistemas educacionais inclusivos, as ajudas</p><p>técnicas e a tecnologia assistiva estão inseridas no contexto da educação</p><p>brasileira, dirigidas à promoção da inclusão dos alunos nas escolas.</p><p>Portanto, o espaço escolar deve ser estruturado como aquele que oferece</p><p>também os serviços de tecnologia assistiva (MEC, 2006, p. 19).</p><p>Nesse contexto, compreendemos que o uso das concepções de</p><p>desenvolvimento e de aprendizagem norteia o trabalho educacional e, por</p><p>isso, é importante retomar aqui algumas reflexões sobre desenvolvimento e</p><p>aprendizagem. As teorias de desenvolvimento dizem que é a consequência de</p><p>vários fatores genéticos e ambientais que se configuram de maneira única em cada</p><p>sujeito. Para algumas teorias como a de Vygotsky (2007), os fatores ambientais e</p><p>dentro desses os sociais e culturais, condensados na função da linguagem são</p><p>fundamentais nos processos de desenvolvimento e aprendizagem.</p><p>Na ideia de que o homem é um ser social está embutida a de que o</p><p>homem se desenvolve na sociedade e na cultura, por meio de uma ferramenta</p><p>especialmente desenvolvida para isso, isto é, o homem é um ser capaz de aprender</p><p>com o outro por meio da linguagem que organiza e dá sentido à experiência</p><p>humana compartilhada.</p><p>Nessa perspectiva entende-se que o desenvolvimento e a aprendizagem</p><p>ocorrem no espaço privilegiado constituídos pelas relações sociais, no espaço</p><p>em que os seres humanos interagem entre si e com os objetos do mundo. Em</p><p>contrapartida, é possível descrever o que ocorre no nível dos sentidos, do corpo</p><p>e do cérebro e tudo isso é certamente importante para o desenvolvimento</p><p>humano, mas, em geral é difícil interferir nesses níveis (a não ser por meio de</p><p>procedimentos médicos, principalmente). Enquanto isso, o que ocorre no espaço</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>61</p><p>das relações interativas pode ser alterado, de modo que essa dimensão se torna</p><p>especialmente interessante para a ação pedagógica porque permite ao professor</p><p>articule as situações de ensino de forma colaborativa com os alunos.</p><p>Desse modo, uma parte do desenvolvimento humano pode ser entendida</p><p>como o produto do trabalho escolar, e este, pode ser pensado no contexto das</p><p>relações que se criam entre quem aprende, quem ensina e o objeto de aprendizagem.</p><p>Essas concepções de desenvolvimento e de aprendizagem permitem compreender</p><p>os processos psicológicos como processos compartilhados por todos. Elas</p><p>fundamentam de um modo geral, o trabalho escolar, marcando os rumos e</p><p>ajudando a adequar os objetivos e os</p><p>meios de alcançá-los. Portanto, as relações,</p><p>a linguagem e a cultura na compreensão dos processos de desenvolvimento e</p><p>aprendizagem fazem com que as características próprias de grupos ou mesmo</p><p>de indivíduos sejam levadas em consideração para planejar e implementar ações</p><p>pedagógicas.</p><p>No que se refere especificamente à aprendizagem de alunos com</p><p>deficiência é crucial o deslocamento da ênfase na “deficiência” para a eliminação</p><p>das barreiras que se impõe nos processos educacionais. Destarte, os recursos</p><p>de acessibilidade se apresentem como essenciais para o desenvolvimento da</p><p>autonomia, de habilidades, de inclusão educacional, de mobilidade e sócio digital</p><p>desses sujeitos (BRASIL, 2008).</p><p>4 POSSIBILIDADES COM A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Para que o professor possa utilizar estratégias que possibilitem os alunos</p><p>desenvolverem seus potenciais é necessário que ele conheça a complexidade dos</p><p>diferentes tipos de deficiência, considerando suas especificidades e entendendo</p><p>que as implicações pedagógicas é condição indispensável para a elaboração</p><p>de seu planejamento e seleção dos recursos didáticos e equipamentos para a</p><p>implantação de propostas de ensino e de avaliação de aprendizagens, viabilizando</p><p>a participação do aluno nas diferentes práticas vivenciadas na escola, em sua</p><p>autonomia, na intensificação de suas potencialidades e na busca de uma qualidade</p><p>de vida melhor (BRASIL, 2006).</p><p>[...] é preciso que esse profissional tenha tempo e oportunidades de</p><p>familiarização com as novas tecnologias educativas, suas possibilidades</p><p>e seus limites, para que, na prática, faça escolhas conscientes sobre o</p><p>uso das formas mais adequadas ao ensino de um determinado tipo de</p><p>conhecimento, em um determinado nível de complexidade, para um</p><p>grupo especifico de alunos e no tempo disponível (KENSKI, 2003, p.</p><p>48-49).</p><p>Atualmente, diante da proposta de inclusão escolar, os professores</p><p>apresentam-se favoráveis a inclusão, haja vista está se encontra delineada</p><p>no projeto político pedagógico das escolas. Entretanto, segundo pesquisas,</p><p>faltam-lhes ainda suporte teórico, infraestrutura, e metodologias colaborativas</p><p>como forma de subsidio à sua prática pedagógica. Um programa de formação</p><p>continuada que auxilie o professor na sua tomada de decisão, quanto ao processo</p><p>62</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>ensino aprendizagem, também é indispensável para que o profissional detenha o</p><p>conhecimento necessário para sua práxia.</p><p>A educação está vivenciando inúmeras transformações, nas quais se</p><p>destaca a educação que visa a construção e garantia de um espaço social que</p><p>contemple a inclusão e inserção das pessoas respeitando suas diferenças, uma</p><p>educação, que tenha como cerne um espaço de construção do conhecimento e de</p><p>cidadania para todos, em que a inclusão das pessoas com deficiência tenha um</p><p>espaço garantido, e que todos os alunos sejam acolhidos e tenham respeitadas</p><p>suas peculiaridades e diversidade.</p><p>5 AVALIANDO O USO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA NA SALA DE AULA</p><p>INCLUSIVA</p><p>O processo de avaliação da utilização da tecnologia assistiva deve ocorrer</p><p>de forma continua, com uma rotina de observação, métodos de trabalho que</p><p>oportunizem a interação do aluno com o professor e com os demais alunos</p><p>e a produção desses alunos, observando e analisando o desenvolvimento</p><p>da capacidade do aluno que utiliza a tecnologia assistiva, o professor pode</p><p>favorecer através da mediação oportunidades para ampliação da sua zona de</p><p>desenvolvimento potencial.</p><p>Ao discorreu em avaliação, lembra-se logo das dificuldades que os</p><p>professores passam em sua ação docente, e ao se falar de avaliação de alunos</p><p>com deficiência, então, verdadeira polemica é gerada sobre o assunto, pois, os</p><p>professores, coordenadores e gestores escolar se encontram na mais complexa</p><p>dificuldade em compreender como ocorre esse processo ou mesmo discutir</p><p>a avaliação num processo mais amplo. Segundo Byer (2010), os alunos com</p><p>deficiência devem ser avaliados com o mesmo conteúdo que seus colegas,</p><p>devem-se pensar a avaliação como instrumento que permite o replanejamento</p><p>das atividades do professor.</p><p>Portanto, é imprescindível uma discussão sobre avaliação, para</p><p>compreendê-la como processo individual de construção do conhecimento, como</p><p>um processo que contribui para investigação constante da prática pedagógica</p><p>docente, para que o processo de avaliação do resultado escolar dos alunos seja</p><p>realmente útil e inclusivo. E a questão referente diz respeito a todos os alunos,</p><p>e não só os alunos com deficiências. O que se deve diferenciar para os alunos</p><p>com deficiências são os recursos de acessibilidade, ou seja, a tecnologia assistiva</p><p>necessária para suprir as necessidades impostas pelas deficiências (BYER, 2010).</p><p>Entende- se que é possível avaliar, de forma adequada e útil todos os alunos</p><p>sejam com deficiência ou não. Todos devem ser avaliados qualitativamente de</p><p>acordo com suas potencialidades e peculiaridades. Para o aluno com deficiência</p><p>o que se tem de priorizar é a escolha da tecnologia assistiva para oportunizar a</p><p>esse aluno as condições necessárias para que ele participe de forma efetiva dessa</p><p>avaliação.</p><p>TÓPICO 3 | TIPOS DE DEFICIÊNCIA</p><p>63</p><p>6 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Pode se notar que o uso da tecnologia assistiva causa grande impacto</p><p>no processo ensino-aprendizagem, contudo cabe ao profissional da educação</p><p>buscar conhecimento suficiente, além dos equipamentos, que possam favorecer</p><p>a aprendizagem de alunos com deficiências. Entretanto, caso a escola não</p><p>possibilite a aquisição de alta tecnologia, pode-se recorrer a recursos pedagógicos</p><p>confeccionados ou adaptados pelo próprio docente e de baixíssimo custo.</p><p>Para que uma sala de aula possa ser considerada inclusiva deve haver um</p><p>comprometimento do profissional que atua nesse espaço, buscando a tecnologia</p><p>assistiva como aliada e que diferentes metodologias possam ser ajustadas com</p><p>o objetivo de mudar a realidade existente. Acreditando no potencial do aluno, o</p><p>professor poderá pensar idealizar e criar recursos pedagógicos que se adequem e</p><p>facilitem o desenvolvimento das habilidades de seus alunos.</p><p>FONTE:<http://atividadeparaeducacaoespecial.com/wp-content/uploads/2014/07/TECNOLOGIA-</p><p>ASSISTIVA-E-SALA-DE-AULA-INCLUSIVA.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2018.</p><p>64</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>• A concepção de deficiência fora marcada e ainda é, em muitos contextos pelo</p><p>modelo médico que costuma considerar as limitações como decorrências</p><p>inerentes ao corpo deficiente.</p><p>• As pessoas com deficiência seja ela física, auditiva, visual, intelectual/mental</p><p>ou múltipla, possuem barreiras que atêm sua habilidade de interatuar com o</p><p>contexto a sua volta.</p><p>• Qualquer pessoa pode ser acometida por alguma deficiência em algum</p><p>momento da vida, podendo ser permanente ou temporária a deficiência, e</p><p>nesse caso, também precisara conhecer e compreender a tecnologia assistiva</p><p>para poder desenvolver seu trabalho.</p><p>• Os serviços de TA se organizam e têm por objetivo desenvolver ações práticas</p><p>que garantam ao máximo os resultados funcionais pretendidos pela pessoa</p><p>com deficiência, no uso da tecnologia apropriada e incluem: Avaliação</p><p>individualizada para seleção de recursos apropriados; Apoio e orientações</p><p>legais para concessão da TA; Coordenação da utilização da TA com serviços de</p><p>reabilitação, educação e formação para o trabalho; Formação de usuários para</p><p>conhecimento e uso da TA; Assistência técnica e a pesquisa e desenvolvimento</p><p>de novas tecnologias.</p><p>• A TA deve ser entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de</p><p>uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função</p><p>desejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência ou pelo</p><p>envelhecimento.</p><p>• No contexto escolar, TA se torna para a pessoa com deficiência como um</p><p>artefato a favorecer e permitir a construção da possibilidade de desenvolver a</p><p>aprendizagem, como um instrumento mediador que possibilita a interação, a</p><p>relação com o meio e adaptações que precisa para aprender.</p><p>• A avaliação das necessidades de uma TA do indivíduo com uma deficiência,</p><p>incluindo uma avaliação funcional do impacto da provisão de uma TA</p><p>apropriada e de serviços apropriados para o indivíduo no seu contexto comum.</p><p>• A tecnologia assistiva pode apoiar a ação docente tanto em processos de</p><p>superação de limitações sensoriais, motoras, mentais e sociais, quanto em</p><p>processos de potencialização de capacidades.</p><p>do aluno com</p><p>necessidade educacional especial. Muitas vezes, recursos tecnológicos com as</p><p>características anteriormente descritas estão presentes em nosso dia a dia como</p><p>educadores e passam quase despercebidos, enquanto muitos outros, devido à</p><p>tecnologia avançada, nos causam impacto (GALVÃO FILHO, 2013).</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>6</p><p>Como um exemplo desses recursos tecnológicos, Galvão Filho (2009)</p><p>explica que há os que auxiliam uma pessoa com deficiência no contexto</p><p>educacional, tais como: softwares de comunicação alternativa e aumentativa,</p><p>recursos de mobilidade pessoal, teclados virtuais com varreduras e acionadores,</p><p>mouses diferenciados, textos ampliados, textos em Braille, textos com símbolos,</p><p>mobiliário acessível, lupas manuais etc.</p><p>O ser humano tem se beneficiado com o desenvolvimento tecnológico, que</p><p>diariamente propõe novas ferramentas para favorecer e agilizar a comunicação</p><p>das pessoas, proporcionando mobilidade, afazeres, lazer, cuidados pessoais e</p><p>de saúde. Quando o desenvolvimento tecnológico traz respostas aos problemas</p><p>funcionais encontrados por pessoas com deficiência e desenvolve para elas</p><p>ferramentas ou práticas que agilizem, estendam ou promovam habilidades</p><p>indispensáveis do cotidiano estamos falando do conceito de Tecnologia Assistiva</p><p>(BERSCH, 2013).</p><p>Conforme é abordado pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) “a aplicação</p><p>de Tecnologia Assistiva abrange todas as ordens do desempenho humano, desde</p><p>as tarefas básicas de autocuidado até o desempenho de atividades profissionais”</p><p>(CAT, 2007, p. 11). Ela visa melhorar a funcionalidade de pessoas com deficiência.</p><p>O termo funcionalidade deve ser entendido num sentido maior do que</p><p>habilidade em realizar tarefa de interesse objetivamente ou a virtude de se</p><p>proporcionar que um indivíduo com capacidades reduzidas consiga satisfazer</p><p>suas necessidades da vida diária o mais próximo do ideal possível (COOK;</p><p>HUSSEY, 2002). Os autores complementam que a Tecnologia Assistiva é, na</p><p>verdade, um campo amplo (um conjunto) de serviços, estratégias, equipamentos</p><p>e práticas usados para aumentar, manter ou aperfeiçoar capacidades funcionais</p><p>desse indivíduo.</p><p>Copley e Ziviani (2004) salientam os benefícios trazidos pelo uso da</p><p>Tecnologia Assistiva. Para eles, os tais recursos são meios de permitir o domínio ou</p><p>o controle sobre seu ambiente, incluindo o brincar e a independência exploratória</p><p>realçados nas atividades da vida diária.</p><p>Outros benefícios citados pelos autores Copley e Ziviani (2004) foram: a</p><p>contribuição à autodeterminação e à habilidade de fazer escolhas; e comandar sua</p><p>própria vontade através do uso de uma comunicação suplementar ou alternativa;</p><p>contribuições às interações sociais, à motivação, à autoestima e à aquisição e realce</p><p>da habilidade, tal como a escrita manual, habilidades motoras, leitura, atenção e</p><p>percepção visual, e habilidades lógicas. Os benefícios cognitivos associados ao</p><p>uso da tecnologia assistiva incluem a compreensão da linguagem, como também</p><p>operá-la como mecanismo imprescindível na aquisição de conhecimentos,</p><p>melhora na atenção e na habilidade de resolver problemas.</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>7</p><p>Quem faz uso da CA?</p><p>• Indivíduos que não possuem fala e/ou escrita funcional em consequência de: paralisia</p><p>cerebral; deficiência mental; autismo; traumatismo crânio-encefálico; distrofia muscular</p><p>progressiva; lesão medular; deficiência estrutural ... entre outros.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Assista ao vídeo no link: <https://www.youtube.com/watch?v=-i9Av0gfzFI>.</p><p>3 TERMOLOGIAS – TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Com o avanço da tecnologia surgem soluções que permitem a concepção</p><p>de sistemas embarcados e/ou inteligentes que possibilitam melhorar a qualidade</p><p>de vida, por meio da acessibilidade, de pessoas com deficiência. Segundo Mello</p><p>(2006), esses sistemas ampliam habilidades através de uma gama de recursos</p><p>e serviços. Conhecida como assistiva, essa tecnologia é estudada como uma</p><p>ampla variedade de equipamentos, serviços, estratégias e práticas que permitem</p><p>monitorar e/ou interagir com sistemas e/ou dispositivos eletroeletrônicos. A</p><p>Tecnologia Assistiva (TA) é uma parte da ciência que pesquisa, desenvolve e</p><p>aplica aparelhos, instrumentos ou procedimentos que acrescentam ou restauram</p><p>a função humana.</p><p>Tecnologia assistiva refere-se a todo o arsenal técnico utilizado para</p><p>compensar ou substituir funções quando as técnicas reabilitadoras</p><p>não são suficientes para resgatar a função em sua totalidade, além</p><p>do desenvolvimento e da aplicação de aparelhos/instrumentos ou</p><p>procedimentos que aumentam ou restauram a função humana. O</p><p>objetivo maior da TA é proporcionar à pessoa com deficiência maior</p><p>independência, qualidade de vida e inclusão social, através da</p><p>ampliação de sua comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente,</p><p>habilidades de seu aprendizado e trabalho (MELLO, 2006, p. 7).</p><p>A Tecnologia Assistiva (TA) é um termo ainda recente, por isso, convido</p><p>você acadêmico a adentrar na discussão. A TA é utilizada para definir todo o</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>8</p><p>arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar</p><p>habilidades funcionais de pessoas com deficiência e por conseguinte, promover</p><p>vida autônoma e inclusão. Para aprofundamento desse estudo, é interessante</p><p>salientar que “Tecnologia Assistiva” é a tradução para o português do termo</p><p>inglês “Assistive Technology”. O novo vocábulo, que não consta nos dicionários</p><p>de nenhuma das duas línguas, foi criado pela urgência de nomear algo como</p><p>“que assiste, ajuda, auxilia” (BERSH, 2017).</p><p>Teóricos afirmam que no Brasil muitas termologias são utilizadas para</p><p>caracterizar o recurso de apoio ao indivíduo com deficiência ou necessidades</p><p>especiais. Os termos como tecnologia de assistência, ajudas técnicas, tecnologia</p><p>de apoio e Tecnologia Assistiva, muitas vezes utilizados como sinônimos,</p><p>são firmados em modelos teóricos desiguais que buscam determinar sua</p><p>especialidade e função. O termo tecnologia de assistência, por exemplo, é definido</p><p>pela classificação internacional de funcionalidades como qualquer produto,</p><p>instrumento, equipamento ou tecnologia, adaptado ou especialmente projetado</p><p>para melhorar a funcionalidade de uma pessoa incapacitada (BERSH, 2017). Para</p><p>a autora, ‘ajudas técnicas’ podem ser definidas como os elementos que permitem</p><p>reparar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da</p><p>pessoa com deficiência, com a finalidade de permitir-lhe avançar as barreiras da</p><p>comunicação e da mobilidade e de permitir sua plena inclusão social.</p><p>O Empowering Users Through Assistive Technology (EUSTAT, 1999 apud</p><p>GALVÃO FILHO, 2009) faz referência à Terminologia Tecnologia de Apoio e</p><p>define a palavra “tecnologia” não apenas como objetos físicos, dispositivos</p><p>ou equipamentos, mas também como produtos, contextos organizacionais</p><p>ou “modos de agir” que encerram uma série de princípios e componentes</p><p>técnicos. Veja, o termo “apoio” é aplicado a uma tecnologia, quando é usada</p><p>por idosos e pessoas com deficiência para equilibrar uma limitação funcional,</p><p>facilitar um modo de vida independente e ajudar a concretizarem todas as suas</p><p>potencialidades. Complementarmente, a tecnologia de apoio refere-se, ainda, à</p><p>adequação individual entre a pessoa e o meio e, como tal, às tecnologias que</p><p>admitem superar obstáculos aos serviços normais ou compensar limitações</p><p>funcionais específicas, de forma a facilitar ou possibilitar as atividades da vida</p><p>cotidiana.</p><p>Para Mello (2006, p. 18), a definição do termo Tecnologia Assistiva,</p><p>como qualquer item, tais como peça de equipamento ou sistema de produtos,</p><p>obtido comercialmente ou desenvolvido artesanalmente, produzido em série,</p><p>modificado ou feito sob medida, é usado para acrescentar, manter ou melhorar</p><p>habilidades de pessoas com limitações funcionais, sejam físicas ou sensoriais. A</p><p>autora também define as principais áreas de atuação da tecnologia assistiva como</p><p>“atividades da vida diária; controle</p><p>ambiental; adequação da postura sentada;</p><p>adaptações para déficits visuais e auditivos; equipamentos para a mobilidade;</p><p>adaptações em veículos; comunicação alternativa e/ou ampliada; e dispositivos</p><p>para uso de computadores”.</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>9</p><p>Segundo as autoras Rocha e Castiglioni (2005), o termo tecnologia assistiva</p><p>tem uma linha centralizadora, que é a relação indivíduo e tecnologia, enquanto</p><p>o conceito de tecnologia de assistência tem um enfoque ampliado à saúde e seus</p><p>componentes inter-relacionados como aspectos pessoais e culturais. As autoras</p><p>discutem que o profissional, ao optar por dispositivos de tecnologia de apoio, deve</p><p>avaliar, além dos fatores individuais, o contexto no qual o usuário está inserido.</p><p>O profissional que atua nessa perspectiva é designado para realizar a avaliação</p><p>da eficácia do dispositivo, bem como a disposição de seu uso no ambiente do</p><p>usuário, a relação com o modo de vida do aluno usuário e a personalidade da</p><p>pessoa que vai utilizá-lo.</p><p>Aprofundando o conceito de ajudas técnicas, os recursos tecnológicos</p><p>são problematizados a partir da inclusão, onde os equipamentos devem facilitar</p><p>a inclusão social apresentando-se com um caráter mais político (ROCHA;</p><p>CASTIGLIONI, 2005). Dando continuidade a tal discussão, as autoras atentam</p><p>que o uso dos recursos deve ser discutido em relação à qualidade de inclusão</p><p>que promovem e, para isso, ela deve estar contextualizada em discussões sobre</p><p>as particularidades, cidadania, políticas e satisfação do usuário. Resumidamente,</p><p>não há diferenças terminantes entre esses termos, pois todos eles intuem à mesma</p><p>área a partir de uma compreensão que vai além da dimensão exclusiva do recurso,</p><p>englobando também uma preocupação com os serviços, estratégias e metodologias.</p><p>Assista ao vídeo indicado no link para conhecer e compreender a tecnologia</p><p>que faz diferença substancial no processo de desenvolvimento global do aluno.</p><p>É importante que o professor se aperfeiçoe, constantemente, para trabalhar de forma</p><p>significativa com seus alunos, aprimorando cada vez mais seu processo de ensino.</p><p>DICAS</p><p>Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=K0ahTIt6wBE&feature=youtu.be>.</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>10</p><p>3.1 COMPREENDENDO CONCEITOS</p><p>A abrangência do conceito garante que TA não se restringe somente</p><p>a recursos em sala de aula, mas estende-se a todos os ambientes da escola,</p><p>propiciando o acesso e a participação efetiva de todos os alunos e durante todo</p><p>o tempo. Assim, é possível entender que o professor e toda equipe da escola</p><p>têm responsabilidade com a construção de um ambiente acessível e inclusivo</p><p>(BERSCH, 2008).</p><p>A tecnologia assistiva é composta não somente por recursos, mas também</p><p>serviços e estratégias que dão suporte ao uso dos recursos. As definições de</p><p>recursos, serviços e estratégias estão apoiadas no estudo de Rocha e Castiglioni</p><p>(2005, p. 26) descritas a seguir:</p><p>Recursos: são objetos, materiais, dispositivos, produtos e equipamentos</p><p>utilizados com o objetivo de favorecer as habilidades do indivíduo e</p><p>ampliar os seus desempenho e participação em uma determinada</p><p>atividade. O recurso é um material concreto com atributos que podem</p><p>ser modificados de acordo com a especificidade do indivíduo;</p><p>Recurso tecnologia assistiva: material concreto modificado e adequado</p><p>segundo as necessidades do indivíduo, podendo sofrer modificações</p><p>em relação a sua estrutura, forma, tamanho, peso, textura, conteúdo,</p><p>entre outros. Desta forma, mesmo sem modificar a sua condição</p><p>orgânica o uso de um recurso de tecnologia assistiva é capaz de ampliar</p><p>as habilidades do indivíduo em uma determinada atividade;</p><p>Serviços: trabalho oferecido por profissionais de diversas áreas como</p><p>a terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, engenheiros,</p><p>professores, psicólogos, arquitetos, entre outros;</p><p>Procedimento: são os atos ou efeitos de realizar as tarefas de uma</p><p>atividade, ou seja, são os métodos e técnicas utilizados durante a</p><p>realização da atividade;</p><p>Estratégias: são procedimentos de execução a fim de mediar o uso dos</p><p>recursos da tecnologia assistiva para a realização de uma atividade. As</p><p>estratégias na tecnologia assistiva podem modificar ou ajustar a técnica</p><p>utilizada para a realização da atividade para contornar as dificuldades</p><p>do indivíduo e melhorar o seu desempenho e participação.</p><p>Manzini (2011) esclarece que a estratégia de ensino utilizada durante as</p><p>intervenções deve ser previamente planejada a fim de atender às características</p><p>dos alunos, levando em consideração suas habilidades e as características físicas,</p><p>cognitivas, motoras e sociais. Apesar de demandar planejamento, a estratégia</p><p>deve ser flexível para garantir, na situação de ensino, que ela seja funcional para</p><p>o aluno, ou seja, pode ser passível de execução e avaliação no momento em que a</p><p>mediação entre o profissional e o aluno ocorre.</p><p>3.2 CLASSIFICAÇÃO DAS TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>A tecnologia assistiva se constitui em modalidades que se caracterizam</p><p>em distintas especializações. Os recursos e serviços de tecnologia assistiva</p><p>são organizados ou classificados de acordo com objetivos funcionais a que se</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>11</p><p>destinam, tais como: mobilidade, adequação postural, comunicação, recursos</p><p>para cegos ou pessoas de baixa visão, para surdos ou pessoas com perdas</p><p>auditivas. E ainda, instrumentos que promovam independência em atividades</p><p>da vida diária, recursos para educação, recreação, acessibilidade arquitetônica,</p><p>adaptações de veículos, recursos para acesso ao computador, órteses, próteses e</p><p>outros (BERSCH, 2017).</p><p>Foram enfatizados também aspectos da Associação Brasileira de Normas</p><p>Técnicas, da Pesquisa Nacional de Tecnologia Assistiva, as classificações da ISO</p><p>9999 em onze categorias. Na literatura é apontado que a utilização de tecnologia</p><p>permite ampliar e enriquecer o desenvolvimento socioafetivo e cognitivo em</p><p>pessoas com deficiência, favorecendo, dessa forma, um maior grau de autonomia,</p><p>perpassando as dificuldades oriundas de suas limitações.</p><p>Para Bersch (2017), a importância das classificações no âmbito da tecnologia</p><p>assistiva se dá pela necessidade de se promover a organização dessa área de</p><p>conhecimento que virá a servir como objeto de estudo, pesquisa, ampliação,</p><p>acesso de políticas públicas, disposição de serviços, catalogação e formação de</p><p>banco de dados para identificação dos recursos mais adequados ao atendimento</p><p>de uma necessidade funcional do usuário.</p><p>3.2.1 Auxílio para a vida prática diária</p><p>Existem recursos que facilitam as atividades da vida prática diária,</p><p>proporcionando maior independência para pessoas com limitações de</p><p>coordenação motora fina em tarefas rotineiras. O manuseio desses suportes</p><p>possibilita autonomia e liberdade na realização das tarefas da rotina diária como:</p><p>comer, pentear-se, barbear-se, escrever entre outras atividades que envolvem a</p><p>vida cotidiana de um indivíduo com deficiência (BERSCH, 2017).</p><p>FIGURA 2 – ESCOVA ADAPTADA</p><p>FONTE: <http://www.ssglobal.com.br/detalhes.asp?cod=1083>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>12</p><p>3.2.2 Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)</p><p>São recursos da Tecnologia Assistiva propostos a atender às necessidades</p><p>de comunicação e aprendizagem de alunos com limitações cognitivas. A</p><p>comunicação Aumentativa e Alternativa é:</p><p>[...] um conjunto de procedimentos técnicos e metodológicos</p><p>direcionados a pessoas acometidas por alguma doença, deficiência, ou</p><p>alguma outra situação momentânea que impede a comunicação com</p><p>as demais pessoas por meio de recursos usualmente utilizados, mais</p><p>especificamente a fala (MANZINI; DELIBERATO, 2004, p. 16).</p><p>Rector e Trinta (1985) afirmam que a comunicação pode ser tanto uma</p><p>função social como um fenômeno, ou seja, comunicar-se é uma necessidade, pois</p><p>abarca a ideia de transferir e receber informações, (re)elaborar conhecimentos e</p><p>compartilhar aprendizagem. Desta forma, as TAs abrangem tal modalidade</p><p>no</p><p>sentido de ajudar e promover a real atuação do indivíduo em busca de sua efetiva</p><p>participação no contexto comunicativo.</p><p>FIGURA 3 - Vocalizador de mensagens gravadas</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>A maioria dos vocalizadores grava as mensagens de forma digital e a</p><p>capacidade de gravação apresenta alteração, dependendo do aparelho. Existem</p><p>vocalizadores de apenas uma única mensagem enquanto outros podem gravar</p><p>muitas delas. Outra variante do aparelho é o tempo de gravação que na maioria</p><p>das vezes é distribuído entre as teclas de mensagem oferecidas no equipamento</p><p>(PELOSI, 2008).</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>13</p><p>Veja, no caso da figura anterior, ao acionar uma tecla de comunicação,</p><p>sobre a qual terá uma imagem, logo será reproduzida uma mensagem pré-</p><p>gravada referente à figura. Perceba na área da TA, a Comunicação Aumentativa</p><p>e Alternativa (CAA) ajuda na construção de novos caminhos de comunicação,</p><p>ao valorizar todas as formas expressivas já existentes para pessoas que</p><p>apresentam dificuldade na escrita ou leitura. Pelosi (2008, p. 50) nos esclarece</p><p>que a Tecnologia Assistiva abrange áreas como a “Comunicação Alternativa e</p><p>Ampliada; a mobilidade alternativa; o acesso ao computador; aos ambientes e as</p><p>adequações às atividades de vida diária, ao transporte, aos equipamentos de lazer</p><p>e aos recursos pedagógicos”. Para melhor compreensão, acompanhe algumas</p><p>figuras explicativas.</p><p>FIGURA 4 – RECURSOS DE COMUNICAÇÃO</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/index.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>A Comunicação Aumentativa Alternativa permite que as pessoas</p><p>impossibilitadas de comunicação por deficiências congênitas ou adquiridas</p><p>consigam transformar seus pensamentos em fala, podendo, assim, expressarem-</p><p>se, serem ouvidos e compreendidos. Com o intuito de expandir o leque de</p><p>comunicação que abarca habilidades de expressão e entendimento são ordenados</p><p>e elaborados reforços externos, como cartões de comunicação, pranchas</p><p>alfabéticas, vocalizadores, como também o recurso e/ou ferramenta o computador</p><p>que, por meio de software exclusivo, poderá assistir esse aluno (PELOSI,</p><p>2008). Percebendo que para cada pessoa são construídos de forma totalmente</p><p>personalizada e levam em consideração várias características que atendem às</p><p>necessidades deste usuário.</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>14</p><p>FIGURA 5 - CARTÕES DE COMUNICAÇÃO</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>A imagem apresenta cartões de comunicação com símbolos gráficos</p><p>representativos de mensagens. Os cartões estão organizados por</p><p>categorias de símbolos e cada categoria se distingue por apresentar</p><p>uma cor de moldura diferente: cor de rosa são os cumprimentos e</p><p>demais expressões sociais, (visualiza-se o símbolo "tchau"); amarelo</p><p>são os sujeitos, (visualiza-se o símbolo "mãe"); verde são os verbos</p><p>(visualiza-se o símbolo "desenhar"); laranja são os substantivos</p><p>(visualiza-se o símbolo "perna"), azuis são os adjetivos (visualiza-</p><p>se o símbolo "gostoso") e branco são símbolos diversos que não se</p><p>enquadram nas categorias anteriormente citadas (visualiza-se o</p><p>símbolo "fora") (SARTORETTO; BERSCH, 2018, s.p.).</p><p>FIGURA 6 - PRANCHA DE COMUNICAÇÃO COM SÍMBOLOS, FOTOS OU FIGURAS</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>As pranchas de comunicação das imagens anteriores apresentam um</p><p>conjunto de símbolos, de forma organizada, que possibilita a comunicação entre</p><p>o aluno e o professor, ou com a família. Cada prancha é organizada de acordo</p><p>com um tema, o qual será importante para que se mantenha uma comunicação</p><p>clara e objetiva. Através de software específico de comunicação alternativa é</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>15</p><p>possível construir pranchas de comunicação que podem ser utilizadas no</p><p>próprio computador com a função de um vocalizador ou em vocalizadores</p><p>específicos (BERSCH, 2017).</p><p>Para os estudantes que apresentam alterações motoras e que dificultam a</p><p>utilização do mouse convencional, existem os modelos alternativos como joystick,</p><p>mouse de membrana ou de esfera e, dispositivos apontadores que direcionam o</p><p>cursor do mouse seguindo o movimento da cabeça ou dos olhos. A mensagem a</p><p>ser falada poderá ser feita também por varredura, nesse modo de acesso um sinal</p><p>visual ou auditivo seleciona automaticamente os símbolos e o usuário realiza a</p><p>escolha ativando uma chave acionadora que é colocada em qualquer parte do</p><p>corpo em que ele tenha controle. Na Comunicação Aumentativa e Alternativa</p><p>existe também o teclado virtual, em que as teclas de letras, de números e outros</p><p>sinais ficam visíveis no monitor e são selecionadas, uma a uma, produzindo a</p><p>escrita e a voz (SARTORETTO; BERSCH, 2010).</p><p>Para saber mais assista o vídeo</p><p>DICAS</p><p>Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=dC3aBEgndzE>.</p><p>3.2.3 Recursos de acessibilidade ao computador</p><p>São recursos para a recepção e emissão de mensagens, acesso alternativo,</p><p>teclados e mouse adaptados, que permitem às pessoas com restrição física</p><p>operar em computador. Para acessar o computador com o aluno que tiver</p><p>limitações sensoriais, visuais, auditivas, intelectuais e motoras, com o auxílio</p><p>de um conjunto de hardware e softwares especiais, podem ser utilizados</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>16</p><p>dispositivos de entrada e saída. Estes dispositivos podem ser com síntese de</p><p>voz, ajudas alternativas de acesso, como ponteiras de cabeça, de luz, teclados</p><p>modificados ou alternativos, acionadores, softwares especiais que aceitam as</p><p>pessoas com deficiência a utilizarem o computador. Galvão Filho (2009, p. 33)</p><p>exemplifica que com a movimentação dos olhos ou com um único músculo que</p><p>se contraia “uma pessoa com graves paralisias pode realizar qualquer atividade</p><p>no computador, por meio de softwares especiais de acessibilidade, acionadores</p><p>manuais e outros recursos de fácil acesso”.</p><p>FIGURA 7 - TECLADO ADAPTADOS (COLMEIA E ÓRTESE MOLDÁVEL)</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>FIGURA 8 - Acionadores com mouse adaptado</p><p>FONTE: <http://aeeufc-2013.blogspot.com.br/2013/09/tecnologia-assistiva_7.html>. Acesso em:</p><p>29 jul. 2018.</p><p>O teclado colmeia nada mais é que um teclado comum, revestido por</p><p>uma capa acrílica com orifícios, que permite ao usuário digitar uma tecla por</p><p>vez. Para tanto, pode-se utilizar uma órtese moldável, a qual é ajustável e fixada</p><p>à mão. Assim, na ponta dessa órtese há uma ventosa, que possibilita a aderência</p><p>da mesma ao teclado. Já o mouse adaptado permite seu manuseio através do</p><p>movimento dos lábios. O clique da tecla esquerda é feito pela sucção e o da tecla</p><p>direita, pelo sopro (BERSCH, 2017).</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>17</p><p>3.2.4 Sistemas de controle de ambiente</p><p>São unidades computadorizados que possibilitam o controle de</p><p>equipamentos eletrodomésticos, sistema de segurança, de comunicação, de</p><p>iluminação etc. Os sistemas eletrônicos deixam as pessoas com limitações moto-</p><p>locomotoras, controlar remotamente aparelhos eletroeletrônicos, sistemas de</p><p>segurança, situados na sala, escritório, casa e arredores onde mora o usuário</p><p>compreende conquistar um pouco mais de autonomia (GALVÃO FILHO, 2009).</p><p>3.2.5 Acessibilidade arquitetônica</p><p>De acordo com a Lei nº 10.098 (BRASIL, 2000), toda escola deve oferecer</p><p>ambiente acessível, extinguindo barreiras arquitetônicas e adequando os espaços</p><p>que atendam à diversidade humana. Sabe-se que muitas escolas ainda não</p><p>contemplam esta realidade por diversos motivos, porém buscam avançar mesmo</p><p>que lentamente em busca da acessibilidade necessária.</p><p>A acessibilidade arquitetônica engloba adaptações na estrutura física que</p><p>possibilitam o acesso, mobilidade e funcionalidade das pessoas com limitações</p><p>físicas ou sensoriais (BERSCH, 2017).</p><p>FIGURA 9 - Acessibilidade física em calçadas e locais públicos</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>A acessibilidade arquitetônica configura-se nas</p><p>adaptações estruturais</p><p>e reformas na casa e/ou ambiente de trabalho, através de rampas, elevadores,</p><p>adaptações em banheiros, entre outras, que retiram ou reduzem as barreiras</p><p>físicas, facilitando a locomoção da pessoa com deficiência (BERSCH, 2017).</p><p>3.2.6 Órteses e próteses</p><p>As órteses e próteses são tecnologias que substituem partes do corpo</p><p>através de próteses, ou seja, são peças que substituem partes ausentes do</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>18</p><p>corpo, como podemos observar na figura a seguir, portanto, essas próteses</p><p>de membros superiores e as órteses são fixadas ao seguimento do corpo, para</p><p>melhor posicionamento, estabilidade ou função. É importante perceber, como</p><p>futuro docente, que essas TAs possibilitam não só a mobilidade, como também</p><p>imobilizar, prevenir ou corrigir deformidades, bem como proteger, auxiliar ou</p><p>maximizar alguma função que tenha sido prejudicada por lesão temporal ou</p><p>permanentemente do aluno e ou usuário (BERSCH, 2013).</p><p>FIGURA 10 - ÓRTESE</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>FIGURA 11 - PRÓTESE</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>Para reforçar tal discurso Bersch (2017, p. 2) defende que a tecnologia</p><p>assistiva deverá ser entendida como “[...] um auxílio que promoverá a ampliação</p><p>de uma habilidade funcional ou deficitária, ou ainda, que possibilitará a</p><p>realização de uma função desejada e que se encontra impedida [...]”, devido às</p><p>condições limitantes do aluno. O desenvolvimento de recursos que proporcionem</p><p>acessibilidade também pode significar o combate a preconceitos vividos pelos</p><p>sujeitos com deficiência, pois, no momento em que lhes são dadas as condições</p><p>para interagir, aprender e expressar seu pensamento, eles serão vistos mais</p><p>facilmente como “diferentes-iguais”.</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>19</p><p>3.2.7 Adequação Postural</p><p>A adequação postural é uma das modalidades da TA que se ocupa da</p><p>avaliações, indicações e confecções de recursos que melhorem a postura e</p><p>consequentemente a condição funcional de pessoas com deficiência. Adaptações</p><p>para cadeira de rodas ou outro sistema de sentar, por exemplo, visam o</p><p>conforto e distribuição adequada da pressão na superfície da pele, como</p><p>almofadas específicas, assentos e encostos anatômicos, ou então, posicionadores</p><p>e contentores que propiciam maior estabilidade e postura adequada do corpo</p><p>através do suporte e posicionamento de tronco, cabeça e membros. Esses recursos</p><p>garantem a distribuição do peso corporal, bem como mantêm a postura alinhada</p><p>providenciando maior estabilidade ao usuário (BERSCH, 2017).</p><p>FIGURA 12 - Mesa escolar com adequação postural</p><p>FONTE: <http://terapiaocupacionaleparalisiacerebral.blogspot.com.br/>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>Perceba, na figura anterior, quais são os recursos direcionados que irão</p><p>atender às necessidades de cada indivíduo, de forma a permitir-lhe uma postura</p><p>conveniente e que não agrida, ainda mais, a sua deficiência ou lesão.</p><p>3.2.8 Auxílios de mobilidade</p><p>Vasconcellos (1996, p. 30) conceitua mobilidade como “habilidade de</p><p>movimentar-se, em decorrência de condições físicas e econômicas”. Assim, as</p><p>TAs assumem sua importância, de forma a permitir ao indivíduo com mobilidade</p><p>reduzida o acesso e permanência aos locais por ele almejados. Equipamentos</p><p>como cadeiras de rodas, bases móveis, andadores, triciclos etc. auxiliam na</p><p>melhoria da mobilidade pessoal.</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>20</p><p>FIGURA 13 - VEÍCULO COM CADEIRA ADAPTADA PARA TRANSPORTE</p><p>FONTE: <http://2016gratis.com.br/isencao-de-ipva-para-deficientes-e-transporte-escolar-2016>.</p><p>Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>A figura anterior traz o uso das TAs auxiliares à mobilidade, que não</p><p>só permitirá auxílio e suporte ao indivíduo com mobilidade reduzida, como</p><p>promoverá sua atuação e participação na sociedade.</p><p>3.2.8 Auxílios para cegos ou com visão subnormal</p><p>São recursos que permitem o uso da audição e outros de auxílio óptico,</p><p>de forma a ampliar a baixa visão, inclui lupas e lentes, braille para equipamentos</p><p>com síntese de voz, grandes telas de impressão, sistema de TV com aumento para</p><p>leitura de notícias etc. (BERSCH, 2017).</p><p>FIGURA 15 - Relógio falado e em Braille</p><p>FONTE: <http://2016gratis.com.br/isencao-de-ipva-para-deficientes-e-transporte-escolar-2016>.</p><p>Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>O relógio, além de ter em sua interface a numeração em Braille, ao ser</p><p>acionado um botão, será falada a hora, possibilitando assim a pessoa com baixa</p><p>visão ou cega ter acesso ao horário local.</p><p>TÓPICO 1 | FALANDO SOBRE AS TECNOLOGIAS</p><p>21</p><p>3.2.9 Auxílios para surdos ou com déficit auditivo</p><p>Os recursos de auxílios para surdos ou com déficit auditivo possibilitam</p><p>autonomia, incluindo sistemas de alerta tátil e equipamentos com infravermelho</p><p>(apresenta luz de infravermelho para transmitir o sinal de áudio); aparelhos</p><p>para surdez, telefones com teclado, teletipo (TTY sigla em inglês), celular com</p><p>mensagens escritas, entre outros.</p><p>Só a título de curiosidade, o TTY é um dispositivo eletrônico de comunicação de</p><p>texto usado através de uma linha telefônica, indicado quando uma ou mais das partes tem</p><p>dificuldades de audição ou fala (BERSCH, 2017).</p><p>FIGURA 16 - Telefone com teclado</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>O telefone ilustrado na figura oferece à pessoa com deficiência auditiva</p><p>a possibilidade de comunicação, através de um sistema baseado em textos em</p><p>linhas telefônicas. Acontece da seguinte maneira: o usuário digita a mensagem a</p><p>ser encaminhada e o telefone irá convertê-la em sinais, que irão passar pela linha</p><p>telefônica e, ao chegar, será novamente convertido em letras que irão aparecer na</p><p>tela do telefone (BERSCH, 2017).</p><p>3.2.10 Adaptações em veículos</p><p>Inclui acessórios e adaptações que possibilitam a condução do veículo</p><p>dependendo do nível e do grau da lesão ou comprometimento, que podem ou</p><p>não ser utilizados, compreende, também, adaptações em veículos elevadores</p><p>para cadeiras de rodas, camionetas modificadas e outros veículos automotores</p><p>usados no transporte pessoal (BERSCH, 2017).</p><p>NOTA</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>22</p><p>FIGURA 17 – VEÍCULO ADAPTADO</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/ca.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>FIGURA 18 – VEÍCULO ADAPTADO</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>Após conhecer as categorias das TAs, no próximo subtópico é possível</p><p>observar e compreender de que forma as tecnologias estão presentes nas escolas</p><p>e como atuam na educação e no processo de ensino e aprendizagem dos alunos</p><p>com deficiência. Na perspectiva de Bersch (2013, p. 2), a tecnologia assistiva atua</p><p>“como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional</p><p>deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se encontra</p><p>impedida por circunstância de deficiência ou por envelhecimento”.</p><p>A partir das categorias estudadas, é possível considerar que há uma</p><p>infinidade de possibilidades que podem ser pensadas para proporcionar maior</p><p>autonomia e inclusão social da pessoa com deficiência, afinal, a TA tem o conceito</p><p>amplo e que ainda se encontra em construção, em que se pode criar métodos</p><p>e estratégias que auxiliem na aprendizagem e desenvolvimento do aluno com</p><p>deficiência (SILVA; FERREIRA; MARTINS, 2016).</p><p>23</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você apendeu que:</p><p>• A Tecnologia Assistiva é um saber em construção, e vários são os esforços no</p><p>sentido de bem delimitá-la. Abrange áreas como: a comunicação alternativa e</p><p>ampliada; a mobilidade alternativa; o acesso ao computador; aos ambientes e</p><p>as adequações às atividades de vida diária, ao transporte, aos equipamentos</p><p>de lazer e aos recursos pedagógicos</p><p>• A Comunicação Aumentativa e Alternativa ajuda na construção de novos</p><p>caminhos de comunicação, ao valorizar todas as formas expressivas já</p><p>existentes para pessoas que apresentam dificuldade na escrita ou leitura.</p><p>• É uma área do conhecimento,</p><p>de característica interdisciplinar, que engloba</p><p>produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam</p><p>promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas</p><p>com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia,</p><p>independência, qualidade de vida e inclusão social (BRASIL, 2009).</p><p>• A Tecnologia Assistiva é entendida como “um tipo de mediação instrumental,</p><p>está relacionada com os processos que favorecem, compensam, potencializam</p><p>ou auxiliam, também na escola, as habilidades ou funções pessoais</p><p>comprometidas pela deficiência”. Essas funções são comumente relacionadas</p><p>a algumas funções como: funções motoras, funções visuais, funções auditivas</p><p>e/ou funções comunicativas”. (GALVÃO FILHO, 2013, p. 39).</p><p>• No contexto educacional, é utilizada por um aluno com deficiência e tem</p><p>por objetivo romper barreiras sensoriais, motoras ou cognitivas que limitam/</p><p>impedem seu acesso às informações ou limitam/impedem o registro e expressão</p><p>sobre os conhecimentos adquiridos por ele; quando favorecem seu acesso e</p><p>participação ativa e autônoma em projetos pedagógicos; quando possibilitam</p><p>a manipulação de objetos de estudos; quando percebemos que sem este recurso</p><p>tecnológico a participação ativa do aluno no desafio de aprendizagem seria</p><p>restrito ou inexistente (BERSCH, 2017).</p><p>• “Os mouses diferenciados, teclados virtuais com varreduras e acionadores,</p><p>softwares de comunicação alternativa, leitores de texto, textos ampliados,</p><p>textos em Braille, textos com símbolos, mobiliário acessível, recursos de</p><p>mobilidade pessoal etc.” (BERSCH, 2017, p. 12).</p><p>24</p><p>• Os recursos de tecnologia assistiva são organizados ou classificados de acordo</p><p>com objetivos funcionais a que se destinam, qual sejam: Auxílios para a vida</p><p>diária e vida prática;</p><p>• CAA - Comunicação Aumentativa e Alternativa; Recursos de acessibilidade ao</p><p>computador; Sistemas de controle de ambiente; Projetos arquitetônicos para</p><p>acessibilidade; Órteses e próteses; Adequação Postural; Auxílios de mobilidade;</p><p>Auxílios para ampliação da função visual e recursos que traduzem conteúdos</p><p>visuais em áudio ou informação tátil; Auxílios para melhorar a função auditiva</p><p>e recursos utilizados para traduzir os conteúdos de áudio em imagens, texto e</p><p>língua de sinais; Mobilidade em veículos (BERSCH, 2017).</p><p>25</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (Prefeitura de Pradópolis – SP/Big Advice - 2017) A Tecnologia Assistiva</p><p>tem se consolidado como um campo de estudo direcionado a pessoas com</p><p>deficiência ou mobilidade reduzida. Quais recursos engloba?</p><p>FONTE: <https://goo.gl/yKtnWQ>. Acesso em: 6 dez. 2018.</p><p>a) ( ) Pulseira com chocalhos, lápis engrossador, jogos coloridos feitos de</p><p>papelão.</p><p>b) ( ) Colher adaptada, cadeiras de rodas e softwares para computador,</p><p>entre outros.</p><p>c) ( ) Dosvox, Skype e Jaws.</p><p>d) ( ) Pulseira de peso, colher arredondada, cadeira de rodas e softwares</p><p>para computador.</p><p>2 (SEDUC-RO – 2010) A Tecnologia Assistiva é uma ferramenta utilizada para</p><p>identificar:</p><p>FONTE:<https://goo.gl/c7TjZo>. Acesso em: 6 dez. 2018.</p><p>a) ( ) Serviços e hardware.</p><p>b) ( ) Recursos e memória.</p><p>c) ( ) Software e hardware.</p><p>d) ( ) Recursos e serviços.</p><p>e) ( ) Memória e placa mãe.</p><p>3 (UFRJ – 2017) A Tecnologia Assistiva pode ser definida como:</p><p>FONTE:<https://goo.gl/hQvPZL>. Acesso em: 6 dez. 2018.</p><p>a) ( ) Uma área da saúde, de característica interdisciplinar, que visa à</p><p>promoção da funcionalidade em pessoas com deficiência.</p><p>b) ( ) Uma abordagem voltada para a promoção de autonomia, da</p><p>qualidade de vida e da inclusão social de qualquer pessoa com</p><p>deficiência, incapacidade ou mobilidade reduzida.</p><p>c) ( ) Metodologias e práticas, que objetivam apenas promover a</p><p>funcionalidade de qualquer pessoa com dificuldade.</p><p>d) ( ) Uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que</p><p>engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e</p><p>serviços.</p><p>e) ( ) Recursos de alto custo, que objetivam promover a funcionalidade,</p><p>relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência,</p><p>incapacidades ou mobilidade reduzida.</p><p>26</p><p>4 Quanto ao principal objetivo da Tecnologia Assistiva, assinale a alternativa</p><p>CORRETA:</p><p>a) ( ) A Tecnologia Assistiva diz respeito aos recursos necessários para que</p><p>os alunos com deficiência possam ter qualificação adequada para</p><p>inserção no mercado de trabalho.</p><p>b) ( ) A Tecnologia Assistiva preocupa-se em universalizar o acesso aos</p><p>meios tecnológicos por parte dos alunos promovendo adequações</p><p>necessárias ao seu uso por crianças com deficiência.</p><p>c) ( ) A Tecnologia Assistiva é uma área especial da educação que apregoa</p><p>que as crianças com deficiências devem ser educadas de modo</p><p>diferente das demais, em salas formadas exclusivamente de alunos</p><p>com deficiência e recursos e métodos próprios.</p><p>d) ( ) A Tecnologia Assistiva ocupa-se de desenvolver recursos para que os</p><p>alunos com deficiência possam desenvolver as mesmas habilidades</p><p>dos demais alunos, fazendo com que, por meio da tecnologia, possam</p><p>ser capazes de remover as barreiras que a deficiência impõe.</p><p>27</p><p>TÓPICO 2</p><p>A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA -</p><p>ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O atendimento educacional especializado, embora diferenciado, não pode</p><p>desenvolver-se isoladamente, mas deve fazer parte de uma estratégia global de</p><p>educação e visar suas finalidades gerais. Sabendo que a educação escolarizada</p><p>promove a tecnologia assistiva à medida que averigua necessidades e propõe</p><p>alternativas que incentivem a participação do aluno com deficiência nos desafios</p><p>do contexto escolar objetivando a promoção da inclusão e a aprendizagem. A</p><p>atenção à diversidade deve se concretizar em medidas que levam em conta não</p><p>só as capacidades intelectuais e os conhecimentos dos alunos, mas também seus</p><p>interesses e motivações.</p><p>De acordo com alguns teóricos (KLEINA, 2012; FERNANDES, 2013;</p><p>TESSARO, 2011), é possível constatar a crescente participação e promoção do</p><p>slogan “inclusão” como também do público-alvo da Educação Especial em classes</p><p>comuns do sistema regular de ensino. Decorrente, em grande parte, à política de</p><p>Educação Especial, pautada no princípio de inclusão escolar, tornada prioridade</p><p>no sistema de ensino brasileiro. É de consenso entre os autores que a elaboração</p><p>de uma educação de fato inclusiva se torna eminente para aprendizagem dos</p><p>alunos com necessidades educacionais especiais.</p><p>Para que a educação inclusiva saia do discurso é preciso valorizar a</p><p>individualidade de cada aluno e criar condições para que nada atrapalhe sua</p><p>criatividade e desenvolvimento de habilidades.</p><p>Falar em necessidades educacionais especiais deixa de ser pensar nas</p><p>dificuldades específicas dos alunos e passa a significar o que a escola</p><p>pode fazer para dar respostas as suas necessidades, de um modo</p><p>geral, bem como aos que apresentam necessidades específicas muito</p><p>diferentes dos demais.</p><p>(COLUNISTA PORTAL EDUCAÇÃO, [201-?, S.p.]).</p><p>Apesar de vislumbrar um marco para a história da Educação Especial,</p><p>não se pode afirmar que a inclusão escolar está se efetivando. Várias pesquisas</p><p>indicam problemas nos sistemas de ensino, seja devido à inoperância dos órgãos</p><p>diretivos, aos convencionalismos e marcas sociais, aos impedimentos estruturais</p><p>e de informação, à ausência de formação e a precarização da atividade docente,</p><p>à falta de profissionais e as más condições de trabalho. As dificuldades dantes</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>28</p><p>descritas, em seus diferentes níveis de ensino, têm prejudicado qualquer tipo de</p><p>inclusão escolar.</p><p>A presença da TA na escola, e sua correta utilização, para Galvão Filho</p><p>(2004), irá proporcionar ao aluno com necessidades educativas especiais chances de</p><p>inclusão, desde que sejam valorizadas suas potencialidades, bem como instigada</p><p>sua participação a partir do estímulo e da motivação no processo de construção de</p><p>seus conhecimentos. Vamos lá, com o intuito de acalentar tal discussão, você está</p><p>convidado a envolver-se</p><p>nesta leitura em direção ao atendimento educacional</p><p>especializado.</p><p>2 CAMINHOS EM DIREÇÃO AO ATENDIMENTO</p><p>EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>A Secretaria de Educação Especial lançou o primeiro livro da coleção</p><p>Portal de Ajudas Técnicas em 2002, naquela época, o tema tecnologia assistiva,</p><p>então denominadas ajudas técnicas, começou a ser conhecido e discutido pelos</p><p>educadores como parte de uma ação educacional. Trata-se de um processo de</p><p>intervenção que compreende o problema funcional vivenciado pelo aluno,</p><p>gera ideias para solucionar o problema, escolhe alternativas, representa a ideia,</p><p>cria/constrói recursos, implementa os recursos e avalia resultados, ajusta sua</p><p>trajetória. Dá seguimento ao acompanhamento do aluno na utilização do recurso</p><p>apropriado ao seu desenvolvimento educacional (MEC/SEESP, 2006).</p><p>1. Entender</p><p>a situação</p><p>2. Gerar</p><p>ideias</p><p>3. Escolher</p><p>alternativa</p><p>4. Representar</p><p>a ideia</p><p>5. Construir</p><p>o objeto</p><p>6. Avaliar</p><p>o uso</p><p>7. Acompanhar</p><p>o uso</p><p>FIGURA 19 - FLUXOGRAMA PARA O DESENVOLVIMENTO DAS TECNOLOGIA ASSISTIVA NO</p><p>CONTEXTO EDUCACIONAL</p><p>FONTE: (MEC/SEESP, 2006, s.p.)</p><p>TÓPICO 2 | A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>29</p><p>Os autores Manzini e Deliberato (2004, p. 36) estabeleceram as etapas para</p><p>o processo de implementação da tecnologia assistiva por meio do fluxograma</p><p>anterior e definiram cada etapa, descritas a seguir:</p><p>1) Entender a situação que envolve o estudante: para isto é necessário</p><p>escutar seus desejos, identificar as características físicas, psicomotoras</p><p>e comunicativas, observar a dinâmica do estudante no ambiente</p><p>escolar e reconhecer o contexto social;</p><p>2) Gerar ideias: para isto é necessário conversar com os usuários,</p><p>buscar soluções, pesquisar materiais que podem ser utilizados e</p><p>pesquisar alternativas para a confecção do objeto;</p><p>3) Escolher a alternativa viável: devem-se considerar as necessidades</p><p>a serem atendidas e a disponibilidade de recursos materiais e custos</p><p>para a confecção do recurso;</p><p>4) Representar a ideia (desenhos, modelos e ilustrações): nesta etapa</p><p>devem-se definir os materiais e as dimensões do objeto (forma,</p><p>medida, peso, textura, cor);</p><p>5) Construir o objeto para experimentação: é necessário experimentar</p><p>o recurso na situação real de uso, ou seja, observar o aluno utilizando</p><p>o material no contexto proposto;</p><p>6) Avaliar o uso do objeto: deve-se avaliar se o recurso atendeu o desejo</p><p>da pessoa no contexto determinado e verificar se facilitou a ação do</p><p>aluno e do educador;</p><p>7) Acompanhar o uso: verificar se as condições do aluno mudam com o</p><p>passar do tempo e se a necessidades de alguma adaptação no recurso.</p><p>Em 2006, a Secretaria de Educação Especial publica um documento</p><p>utilizando e conceituando o termo tecnologia assistiva. Esse conceito é apresentado</p><p>no documento que norteia a implantação das Salas de Recursos Multifuncionais,</p><p>adaptando esse espaço como sendo o indicado à organização de uma prática da</p><p>tecnologia assistiva, que será dirigida pelo professor do atendimento educacional</p><p>especializado. Nesse documento consta:</p><p>Tecnologia assistiva é um termo recentemente inserido na cultura</p><p>educacional brasileira, utilizado para identificar todo arsenal de</p><p>recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar</p><p>habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente</p><p>promover vida independente e inclusão (MEC/SEESP, 2006, p. 18)</p><p>Na conjuntura, a intervenção em tecnologia assistiva se realiza pela</p><p>prática do atendimento educacional especializado, não se resumindo aos</p><p>recursos tecnológicos em si, mas formaliza-se em uma ação educacional que</p><p>promove a inclusão, o bem-estar no exercício de atividades e a inserção dos</p><p>alunos com deficiência.</p><p>De acordo com esta política, o atendimento educacional especializado</p><p>é um serviço da educação especial que identifica, elabora e organiza</p><p>recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para</p><p>a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades</p><p>específicas. O atendimento educacional especializado complementa</p><p>e/ou suplementa a formação do aluno com vistas à autonomia e</p><p>independência na escola e fora dele; apoia o desenvolvimento do</p><p>aluno; disponibiliza o ensino de linguagens e de códigos específicos</p><p>de comunicação e sinalização; oferece tecnologia assistiva (TA); faz a</p><p>adequação e produz materiais didáticos e pedagógicos, tendo em vista</p><p>as necessidades específicas dos alunos; oportuniza o enriquecimento</p><p>curricular para os alunos com altas habilidades (MEC/SEEP, 2006).</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>30</p><p>O Assistive Technology Guide for Macomb County Schools garante que</p><p>no contexto educacional a tecnologia assistiva tem por desígnio promover as</p><p>condições necessárias para que o aluno com deficiência alcance as metas de seu</p><p>plano pedagógico. Conhecer os objetivos educacionais propostos ao aluno com</p><p>deficiência será de basilar importância, para que se possa adaptar as ferramentas</p><p>de tecnologia assistiva, que ajudará alcançar metas pretendidas no campo</p><p>educacional (MACOMB, 2000). Esse conceito vai ao encontro da proposta de WATI</p><p>(2009), quando afirma não ser possível determinar qual será a melhor tecnologia</p><p>se não houver clareza sobre os objetivos educacionais que o seu usuário almeja</p><p>alcançar a partir do seu emprego.</p><p>Para Galvão e Damasceno (2002), no contexto educacional, as tecnologias</p><p>servirão ao aluno e ao professor de diferentes formas e medidas. Ao aluno, elas</p><p>servirão como recurso específico, como ferramenta pedagógica, enquanto que</p><p>para o professor será um suporte didático e uma ferramenta para produção de</p><p>material formativo que servirá às necessidades de seu aluno.</p><p>3 TECNOLOGIA ASSISTIVAS NO BRASIL</p><p>Apesar de a legislação brasileira apontar o direito do cidadão com deficiência</p><p>como sendo pleno no sentido de disponibilizar recursos de tecnologia assistiva.</p><p>Sabe-se que ainda é recente o trabalho para reconhecimento e estruturação dessa</p><p>área de conhecimento em nosso país. Incipiente também é o estágio de incentivos</p><p>à pesquisa e à produção nacional de recursos de tecnologia assistiva que venham a</p><p>atender a grande demanda existente (GALVÃO FILHO, 2013).</p><p>No entanto, Galvão Filho (2013) salienta que passos importantes advieram</p><p>nos últimos anos. Entre eles, é importante mencionar a promulgação do Decreto</p><p>3.298 de 1999, que, no artigo 19, fala do direito do cidadão brasileiro com deficiência</p><p>a ajudas técnicas. Nele está escrito que serão avaliadas ajudas técnicas todos os</p><p>elementos que permitam equilibrar uma ou mais limitações funcionais, motoras,</p><p>sensoriais ou mentais para ultrapassar barreiras de comunicação e mobilidade</p><p>dirigindo à inclusão social da pessoa com deficiência. O texto arrola, de forma</p><p>clara, a seguinte lista de ajudas técnicas oferecidas como itens de direito:</p><p>Parágrafo único. São ajudas técnicas: I - próteses auditivas, visuais</p><p>e físicas; II - órteses que favoreçam a adequação funcional; III -</p><p>equipamentos e elementos necessários à terapia e reabilitação da</p><p>pessoa portadora de deficiência; IV - equipamentos, maquinarias e</p><p>utensílios de trabalho especialmente desenhados ou adaptados para</p><p>uso por pessoa portadora de deficiência; V - meios de mobilidade,</p><p>cuidado e higiene pessoal necessários para facilitar a autonomia e a</p><p>segurança da pessoa portadora de deficiência; VI - meios especiais</p><p>para facilitar a comunicação, a informação e a sinalização para pessoa</p><p>portadora de deficiência; VII - equipamentos e material pedagógico</p><p>especial para educação, capacitação e recreação da pessoa portadora</p><p>de deficiência; VIII - adaptações ambientais e outras que avalizem</p><p>o acesso, a melhoria funcional e a autonomia pessoal; e IX - bolsas</p><p>coletoras para os portadores de ostomia (BRASIL, 1999, s.p.).</p><p>TÓPICO 2 | A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>31</p><p>Neste mesmo viés, o Decreto 5.296, de 2004, dá preferência de</p><p>atendimento e institui normas comuns e critérios fundamentais para a ascensão</p><p>da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade diminuída.</p><p>Possui um capítulo exclusivo sobre as ajudas técnicas (VII), em que apresenta</p><p>vários intentos governamentais na área da tecnologia assistiva. Embora o Decreto</p><p>3.298 (BRASIL, 1999) e o Decreto 5.296 (BRASIL, 2004) predizem o favorecimento</p><p>de informação social para as pessoas que possuem comprometimentos</p><p>funcionais, por meio dos recursos assistivos. É importante salientar que essas</p><p>definições não incluem as práticas, processos, métodos e serviços, que são</p><p>aspectos essenciais e que, naquele período, já eram mencionadas por uma parte</p><p>da literatura e legislação internacional (SNRIPD, 2018).</p><p>De acordo com Brasil (2008 apud RODRIGUES; ALVES, 2013), as atuais</p><p>políticas públicas brasileiras também têm fomentado ações de TA em grandes</p><p>proporções, a exemplo da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva</p><p>da Educação Inclusiva, que estabelece preceitos e nortes para a inclusão de</p><p>alunos com deficiência nas escolas regulares. São iniciativas públicas de grande</p><p>importância, pois definem fontes de investimento que visam garantir o acesso</p><p>de todos esses alunos ao ambiente escolar e custear todas as suas necessidades</p><p>no âmbito dos processos de aprendizagem, o que, em muitos casos, só pode ser</p><p>alcançado com recursos específicos de TA (RODRIGUES; ALVES, 2013).</p><p>A vinda dos alunos com deficiência à escola regular forçou a elaboração</p><p>de nova disposição do serviço educacional especializado, evidenciando a</p><p>precisão de se formar educadores capazes de fazer tecnologia assistiva. Cabe</p><p>a quem interessar, profissional ou alunos com deficiência, analisar e perceber</p><p>a realidade vivenciada por eles, independentemente do tipo de deficiência que</p><p>possuam, resgatar dela os problemas relativos às barreiras de participação</p><p>nos desafios educacionais e, em colaboração com outros profissionais da rede</p><p>de trabalho em uma perspectiva interdisciplinar, construir e/ou implementar</p><p>opções tecnológicas para a solução dos problemas (BRASIL, 2004a).</p><p>Outra ajuda importante é a Política de Inclusão Digital, com atuações</p><p>que permitem a implantação e a manutenção de telecentros públicos e</p><p>comunitários em todo o território nacional. Mesmo que tal política não faça</p><p>alusão diretamente à necessidade de recursos de TA nos telecentros, pode-</p><p>se presumir que isso é essencial diante da diversidade do público ao qual se</p><p>propõe, e em consequência das leis brasileiras que garantem a acessibilidade</p><p>em diversos espaços (BRASIL, 2009a).</p><p>3.1 COMITÊ DE AJUDAS TÉCNICAS (CAT)</p><p>No Brasil, em 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da</p><p>Presidência da República, através da Portaria nº 142, Decreto nº 5.296/2004,</p><p>instituiu o Comitê de Ajudas Técnicas, sob exigência do Decreto 5.296 (BRASIL,</p><p>2004), e formalizou-se como o órgão responsável por mobilizar esse processo de</p><p>mudanças e pelo desenvolvimento da área da tecnologia assistiva.</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>32</p><p>O CAT tem por objetivos: exibir propostas de políticas governamentais e</p><p>parcerias entre a sociedade civil e órgãos públicos alusivos à tecnologia assistiva.</p><p>Segundo Bersch (2013, p.) a CAT tem por objetivos:</p><p>• Apresentar propostas de políticas governamentais e parcerias entre a sociedade</p><p>civil e órgãos públicos referentes à tecnologia assistiva.</p><p>• Estruturar as diretrizes da área de conhecimento.</p><p>• Realizar levantamento dos recursos humanos que atualmente trabalham com</p><p>o tema.</p><p>• Identificar os centros de referência regionais, com a meta de formar uma rede</p><p>nacional integrada.</p><p>• Estimular as esferas federal, estadual e municipal para a criação de centros de</p><p>referência.</p><p>• Propor a criação de cursos na área, bem como o desenvolvimento de outras</p><p>ações com o objetivo de formação de recursos humanos qualificados e propor</p><p>a elaboração de estudos e pesquisas, relacionados com o tema.</p><p>Uma das ações já executadas pelo CAT foi a adoção oficial da expressão</p><p>"Tecnologia Assistiva". Na documentação produzida está indicado que a</p><p>expressão Tecnologia Assistiva seja utilizada sempre no singular, por referir-se</p><p>a uma área de conhecimento e não a uma coleção específica de produtos. Além</p><p>disso, o CAT foi responsável por elaborar o atual conceito de TA no Brasil, que</p><p>pode ser conferido no excerto a seguir:</p><p>Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica</p><p>interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias,</p><p>estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade,</p><p>relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência,</p><p>incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia,</p><p>independência, qualidade de vida e inclusão social (BRASIL, 2004a, s.p.).</p><p>Segundo Sartoretto e Bersch (2018, s. p.):</p><p>No Brasil, o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído</p><p>pela PORTARIA N° 142, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006 propõe o</p><p>seguinte conceito para a tecnologia assistiva: "Tecnologia Assistiva</p><p>é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que</p><p>engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e</p><p>serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à</p><p>atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades</p><p>ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência,</p><p>qualidade de vida e inclusão social" (ATA VII - Comitê de Ajudas</p><p>Técnicas (CAT) - Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa</p><p>Portadora de Deficiência (CORDE) - Secretaria Especial dos Direitos</p><p>Humanos - Presidência da República).</p><p>Quanto aos recursos Sartoretto e Bersch (2018, s. p.) ainda informam que:</p><p>[...]são todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou</p><p>sistema fabricado em série ou sob medida utilizado para aumentar,</p><p>manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com</p><p>deficiência. Os Serviços, são definidos como aqueles que auxiliam</p><p>diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar ou usar</p><p>os recursos acima definidos.</p><p>TÓPICO 2 | A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>33</p><p>4 TECNOLOGIA ASSISTIVAS NO CONTEXTO EDUCACIONAL</p><p>Como já foi abordado, a Tecnologia assistiva é uma termologia utilizada</p><p>para englobar todo o arsenal de recursos e serviços que cooperam para ajustar ou</p><p>ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência. Dessa forma, o uso</p><p>de recursos de tecnologia assistiva no contexto escolar vem sendo recomendado</p><p>para beneficiar a execução de tarefas, o ingresso aos conteúdos pedagógicos e aos</p><p>ambientes escolares, amparando, por conseguinte, a aprendizagem dos alunos</p><p>(BERSCH, 2017).</p><p>Em especial sobre a interdisciplinaridade na tecnologia assistiva,</p><p>Bersch (2013) explica que, dependendo da modalidade do serviço, diferentes</p><p>profissionais deverão somar no atendimento ao usuário da tecnologia, buscando</p><p>o reconhecimento da tecnologia assistiva na educação. Todo esse aparato deverá</p><p>apoiar o aluno com deficiência a atingir os objetivos educacionais propostos e,</p><p>portanto, favorecer sua participação em várias atividades desenvolvidas para</p><p>este fim. Para que isso se concretize, deve haver uma estreita parceria entre o</p><p>professor da sala comum e o professor do atendimento educacional especializado.</p><p>Então, o plano de ensino do aluno deve ser compartilhado entre eles, para que</p><p>estratégias e recursos sejam implementados, com o fim de ampliar a participação</p><p>desse aluno.</p><p>Essa equipe, segundo Bersch (2017), poderá contribuir com conhecimento</p><p>especializado sobre os recursos para cada caso, ou mesmo desenvolver projetos</p><p>que possam atender às necessidades peculiares de um aluno. Galvão Filho</p><p>(2013) menciona que embora os recursos de Tecnologia Assistiva venham sendo</p><p>empregados para dar amparo ao estabelecimento de novos modelos de inclusão</p><p>na educação das pessoas com deficiência, você precisa ter em mente que somente</p><p>a TA não é suficiente para resolver os problemas, existe uma necessidade da</p><p>concepção de uma educação verdadeiramente inclusiva. Existem alguns outros</p><p>recursos que aplicados</p><p>concomitantemente com os de TA podem auxiliar a</p><p>educação, como as Salas de Recursos Multifuncionais.</p><p>A chegada dos alunos com deficiência à escola comum, para Galvão Filho</p><p>(2013), obrigou uma nova organização do serviço educacional especializado.</p><p>Acabou ficando notória a necessidade de se formar educadores aptos a fazer</p><p>Tecnologia Assistiva sabendo-se que tal profissional tem que estar apto a analisar</p><p>a realidade vivenciada pelos seus alunos. Sem se levar em conta o tipo de</p><p>deficiência que o aluno apresenta, há que se resgatar os problemas relativos aos</p><p>impedimentos de participação nos desafios educacionais. Em colaboração com</p><p>outros profissionais da rede de trabalho, far-se-á a construção e/ou implementação</p><p>de alternativas tecnológicas para a solução de tais problemas.</p><p>Existem inúmeras possibilidades, de recursos simples e de baixo custo,</p><p>que podem e devem ser disponibilizadas nas salas de aula inclusivas, conforme as</p><p>necessidades específicas de cada aluno com necessidades educacionais especiais</p><p>presente nessas salas. A visualização dessas possibilidades constaria de: suportes</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>34</p><p>para visualização de textos ou livros; fixação do papel ou caderno na mesa com</p><p>fitas adesivas; engrossadores de lápis ou caneta confeccionados com esponjas</p><p>enroladas e amarradas, ou com punho de bicicleta ou tubos de PVC “recheados”</p><p>com epóxi; substituição da mesa por pranchas de madeira ou acrílico fixadas</p><p>na cadeira de rodas; órteses diversas, além de inúmeras outras possibilidades</p><p>(GALVÃO FILHO, 2013).</p><p>Para o autor Galvão Filho (2013), a disponibilização de recursos e</p><p>adaptações bastante simples e artesanais, às vezes arquitetados por seus próprios</p><p>professores, constitui-se como diferencial, para alguns alunos com deficiência são</p><p>despertados sentimentos como estar fazendo parte do grupo, entre poder ou não</p><p>estudar e aprender junto com seus colegas. Contudo, por mais que se incentive,</p><p>no contexto brasileiro, a aplicação de recursos de TA para auxiliar o processo de</p><p>escolarização de estudantes com deficiência, a lacuna na área de formação de</p><p>recursos humanos para aplicação desses recursos não é suficiente.</p><p>A Tecnologia Assistiva na área educacional vem se tornando um</p><p>diferencial para que se crie o alargamento de novos horizontes nos processos</p><p>de aprendizagem e desenvolvimento de alunos com deficiências. Como Bersch</p><p>(2017, p. 92) nos acrescenta, “a aplicação da Tecnologia Assistiva na educação</p><p>vai além de simplesmente auxiliar o aluno a ‘fazer’ tarefas pretendidas. Nela,</p><p>notamos meios de o aluno ‘ser’ e atuar de forma construtiva no seu processo de</p><p>desenvolvimento”.</p><p>4.1 PROGRAMA IMPLANTAÇÃO DE SALA DE RECURSOS</p><p>MULTIFUNCIONAIS</p><p>O Programa Implantação de Sala de Recursos Multifuncionais, por</p><p>meio do MEC, disponibiliza para as escolas públicas do ensino regular recursos</p><p>de TA e visa apoiar a escolarização de estudantes público-alvo da Educação</p><p>Especial. Nas salas de recursos, onde o acolhimento educacional especializado</p><p>já ocorreu, existe a orientação para que os professores trabalhem a partir de</p><p>estudos específicos, elencando as indigências educacionais específicas de</p><p>cada aluno com vistas à elaboração de um plano de atendimento educacional</p><p>especializado (BRASIL, 2004a).</p><p>Faz parte do plano de atendimento educacional especializado a</p><p>descrição do aluno, a relação das dificuldades que ele enfrenta no percurso</p><p>educacional, a relação de objetivos educacionais que se objetiva atingir a partir</p><p>da interferência do atendimento educacional especializado, as atividades que</p><p>serão implementadas para este fim e o levantamento de materiais e ferramentas</p><p>específicas necessárias à educação do aluno em questão. Modelos de planos</p><p>de atendimento educacional especializado são discutidos em programas</p><p>de formação de professores e implementados nas redes públicas estaduais e</p><p>municipais de educação (BRASIL, 2004a).</p><p>TÓPICO 2 | A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO</p><p>35</p><p>De acordo com Galvão Filho (2013, p. 28), “as salas de recursos</p><p>multifuncionais são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais</p><p>didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado”.</p><p>No atendimento educacional especializado, realizado dentro das salas de</p><p>recursos multifuncionais, educador e aluno identificarão as dificuldades e limites</p><p>encontrados no ambiente escolar. Limites estes que dificultam o aprendizado</p><p>e, de posse dessas informações, o educador buscará recursos, incluindo de TA,</p><p>que colaborarão para o bom desempenho das atividades no ambiente escolar</p><p>(GALVÃO FILHO, 2013).</p><p>Bersch (2013) afirma que a TA, ao ser implantada por meio das salas</p><p>de recursos multifuncionais, confere ao professor a tarefa de distinguir as</p><p>necessidades de recursos pedagógicos e de tecnologia a que melhor acolhem</p><p>o estudante na escola comum. Ainda, evidencia o uso da tecnologia assistiva</p><p>(TA) como recurso de apoio ao trabalho didático envolvendo estudantes com</p><p>deficiência e englobam metodologias, estratégias, práticas e serviços que possam</p><p>subsidiar a acessibilidade ou o processo pedagógico. O uso da tecnologia assistiva</p><p>visa à autonomia, à independência, à qualidade de vida e à inclusão de pessoas</p><p>com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida.</p><p>A aplicação dos recursos de TA, com o ambiente educacional especializado</p><p>nas salas de recursos multifuncionais, é de muita relevância no sentido que,</p><p>possivelmente diminuiria a responsabilidade do professor em sala de aula,</p><p>porque o movimento de atender ao estudante com deficiência envolveriam</p><p>também outros profissionais em uma ação conjunta.</p><p>E, de acordo com o MEC, através do Programa Implantação de Salas</p><p>de Recursos Multifuncionais são disponibilizados para estudantes</p><p>com deficiência os seguintes recursos de Tecnologia Assistiva: mouse</p><p>com entrada para acionador; mouse estático de esfera; acionador de</p><p>pressão; teclado expandido com colmeia; lupa eletrônica; notebook</p><p>com diversas aplicações de acessibilidade; software para comunicação</p><p>aumentativa e alternativa; esquema corporal; sacolão criativo; quebra</p><p>cabeça superpostos – sequência lógica; caixa com material dourado;</p><p>tapete alfabético encaixado; dominó de associação de ideias; memória</p><p>de numerais; alfabeto móvel e sílabas; caixa de números em tipo</p><p>ampliado e em braille; kit de lupas manuais; alfabeto braille; dominó</p><p>tátil; memória tátil de desenho geométrico; plano inclinado; bolas</p><p>com guizo; scanner com voz; máquina de escrever em braille; globo</p><p>terrestre tátil; calculadora sonora; kit de desenho geométrico; regletes</p><p>de mesa; punções; soroban; guias de assinatura; caixa de números em</p><p>tipo ampliado e em Braille (BRASIL, 2015b, p.67-68 apud CORRÊA;</p><p>RODRIGUES, 2016, p. 94)</p><p>Será possível ver, a seguir, a figura de uma sala contendo Tecnologia</p><p>Assistiva com bancada e expositor de recursos como: mouses, teclados e botões</p><p>acionadores com diferentes formatos, vocalizadores e outros recursos que</p><p>auxiliam na comunicação alternativa. Enfim, é valido que se pense, como futuro</p><p>educador, o que nos lembra Masini (2006, p. 35) “se o aluno possuir diversidade</p><p>de aprendizagem por uma razão qualquer, precisamos de diversidade na forma</p><p>de ensinar”.</p><p>UNIDADE 1 | ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>36</p><p>FIGURA 20 - laboratório de Tecnologia Assistiva</p><p>FONTE: <http://www.assistiva.com.br/index.html>. Acesso em: 29 jul. 2018.</p><p>O que se observa é a diversidade de recursos disponibilizados pelo</p><p>programa para as salas de recursos multifuncionais no país. Contudo, cabe</p><p>questionar: de que forma esses recursos são disponibilizados no sentido de acatar</p><p>a verdadeira demanda dos estudantes.</p><p>O MEC disponibilizou um material que apresenta recursos pedagógicos adaptados</p><p>com a finalidade de contribuir com o profissional de educação na busca de soluções para</p><p>minimizar limitações funcionais, motoras e sensoriais do aluno com deficiência.</p><p>NOTA</p><p>5 FATORES QUE PREJUDICAM A OPERACIONALIZAÇÃO</p>