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<p>Tecido nervoso: Sistema nervoso</p><p>central e periférico</p><p>Apresentação</p><p>O Tecido Nervoso está distribuído por todo o nosso corpo. É ele que coordena as funções de</p><p>praticamente todos os nossos órgãos. Nessa UA estudaremos as principais estruturas que</p><p>compõem o Sistema Nervoso Central e Periférico, assim como as células gliais que, juntamente com</p><p>os neurônios, constituem o Tecido Nervoso.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Diferenciar as células gliais de acordo com sua morfologia e função.•</p><p>Caracterizar o Sistema Nervoso Central e Periférico.•</p><p>Identificar os órgãos e estruturas que compõem o Sistema Nervoso Central e Periférico.•</p><p>Infográfico</p><p>Na figura estão representadas as células gliais e também a diferenciação das estruturas que</p><p>compõem o Sistema Nervoso Central e o Sistema Nervoso Periférico.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9e8316d2-5356-467c-851b-11b3d59cb122/ee8052f9-89ee-40a6-b4f5-71e502af4208.jpg</p><p>Conteúdo do livro</p><p>O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central e sistema nervoso periférico, cada qual é</p><p>formado por estuturas e órgãos diferenciados para realização das mais variadas funções. As células</p><p>que fazem parte do tecido nervoso são os neurônios e as células gliais.</p><p>No capítulo Tecido Nervoso: Sistema nervoso central e periférico da obra Histologia e embriologias</p><p>humanas, você vai aprender a diferenciar as células gliais morfologicamente e por função,</p><p>caracterizar o Sistema Nervoso Central e Periférico e identificar os órgãos e estruturas que</p><p>compõem esses sistemas.</p><p>Boa leitura!</p><p>HISTOLOGIA E</p><p>EMBRIOLOGIA</p><p>Adriana Dalpicolli Rodrigues</p><p>Tecido nervoso: sistema</p><p>nervoso central e periférico</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Diferenciar as células gliais de acordo com sua morfologia e função.</p><p>� Caracterizar o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico.</p><p>� Identificar os órgãos e as estruturas que compõem o sistema nervoso</p><p>central e o sistema nervoso periférico.</p><p>Introdução</p><p>O sistema nervoso é um sistema complexo que, juntamente com o sistema</p><p>endócrino, coordena, controla e integra os demais sistemas do organismo</p><p>humano para reagir a alterações internas ou do ambiente externo, sempre</p><p>com o intuito de manter a homeostasia. O tecido nervoso se distribui por</p><p>todo o organismo, sendo que as células constituintes desse tecido são os</p><p>neurônios (responsáveis pelos impulsos nervosos) e as células da glia. As</p><p>células da glia são de diferentes tipos e, portanto, apresentam diversas</p><p>funções, como sustentar, alimentar e proteger os neurônios e manter</p><p>o equilíbrio no líquido intersticial. Algumas dessas células fazem parte</p><p>apenas do sistema nervoso central (SNC), enquanto outras do sistema</p><p>nervoso periférico (SNP). Esses dois sistemas se diferenciam tanto pelos</p><p>tipos de células da glia, órgãos e demais estruturas de sua composição,</p><p>quanto pela função que exercem no organismo.</p><p>Neste capítulo, você vai aprender a diferenciar as células da glia pela</p><p>sua morfologia e função e a caracterizar o SNC e o SNP, além disso, irá</p><p>identificar os órgãos e as estruturas que compõem esses sistemas.</p><p>Diferença das células da glia de acordo com</p><p>sua morfologia e função</p><p>O tecido nervoso é constituído por dois grupos celulares principais: os neu-</p><p>rônios e as células da glia (neuroglia). Os neurônios são responsáveis pela</p><p>recepção, pela transmissão e pelo processamento dos impulsos nervosos.</p><p>As células da glia são, na verdade, diferentes tipos celulares que atuam dando</p><p>suporte e sustentação aos neurônios, de modo a proporcionar um microambiente</p><p>adequado para essas células, além de participar de outras funções importantes.</p><p>Há uma proporção de 10 células da glia para cada neurônio, porém, devido ao</p><p>seu tamanho, tais células representam aproximadamente metade do volume</p><p>do tecido nervoso. Em caso de lesões ou doenças, as células da glia se mul-</p><p>tiplicam para preencher o espaço que anteriormente era ocupado por algum</p><p>neurônio. O tumor das células da neuroglia é chamado de glioma e é um dos</p><p>que apresenta crescimento mais rápido (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008;</p><p>NEIVA, 2014; TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Os neurônios têm excitabilidade elétrica, ou seja, eles têm a capacidade de responder</p><p>a estímulos e convertê-los em um potencial de ação. A maioria dos neurônios é</p><p>dividida em três partes: corpo celular, dendritos e axônio. O corpo celular contém um</p><p>núcleo circundado por citoplasma que inclui as organelas (retículo endoplasmático,</p><p>lisossomos, mitocôndrias e complexo de Golgi).</p><p>Dois tipos de extensões emergem do corpo celular dos neurônios: múltiplos den-</p><p>dritos e um único axônio. O corpo celular e os dendritos são as partes receptoras de</p><p>estímulos, sendo que normalmente os dendritos são curtos, afunilados e altamente</p><p>ramificados. O axônio conduz os impulsos nervosos em direção a outro neurônio ou</p><p>a uma célula muscular ou ainda a uma célula glandular. Ele consiste em uma projeção</p><p>cilíndrica longa (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico2</p><p>Há diversos tipos de células da glia. A seguir serão apresentadas as carac-</p><p>terísticas morfológicas e funcionais de cada uma delas.</p><p>Astrócitos: são as maiores células do SNC. Eles se comunicam uns com os</p><p>outros por meio de junções comunicantes (também chamadas de junções gap).</p><p>Os astrócitos apresentam forma estrelada com múltiplos prolongamentos</p><p>que irradiam do corpo celular. Como reforço estrutural, existem feixes de</p><p>filamentos intermediários compostos por proteína fibrilar ácida glial (GFAP).</p><p>Os astrócitos podem ser fibrosos ou protoplasmáticos. Os fibrosos são aqueles</p><p>que apresentam poucos prolongamentos, sendo estes mais longos, e estão</p><p>presentes na substância branca, enquanto os protoplasmáticos são os que têm</p><p>mais prolongamentos, os quais são mais curtos e muito ramificados e são</p><p>principalmente observados na substância cinzenta.</p><p>Os astrócitos apresentam a capacidade de ligar os neurônios aos capilares</p><p>sanguíneos (podem transferir moléculas e íons do sangue para os neurônios)</p><p>e à meninge pia-máter (fina camada que reveste o SNC). Além de atuar na</p><p>sustentação, eles estão envolvidos no controle da composição iônica e molecular</p><p>do ambiente extracelular dos neurônios. Os astrócitos ainda participam da</p><p>regulação de atividades dos neurônios, apresentando receptores de neurotrans-</p><p>missores e outras moléculas, tendo, dessa forma, a capacidade de responder a</p><p>sinais químicos do organismo. Além disso, eles nutrem o sistema nervoso por</p><p>terem a capacidade de realizar glicólise anaeróbia (JUNQUEIRA; CARNEIRO,</p><p>2008; NEIVA, 2014; MONTANARI, 2016). Na Figura 1, é possível identificar</p><p>vários astrócitos em lâmina histológica.</p><p>A substância branca é basicamente composta por axônios mielínicos e neuroglia. A</p><p>coloração esbranquiçada se dá devido à mielina — material lipídico esbranquiçado</p><p>que envolve o axônio. A substância cinzenta contém os corpos celulares neuronais,</p><p>os dendritos, os axônios amielínicos e a neuroglia. A coloração mais acinzentada se</p><p>deve às organelas celulares, sendo que existe pouca ou nenhuma mielina nessas áreas.</p><p>Os vasos sanguíneos estão presentes tanto na substância branca quanto na cinzenta</p><p>(MONTANARI, 2016; TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>3Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico</p><p>Figura 1. Astrócitos.</p><p>Fonte: Jose Luis Calvo/Shutterstock.com.</p><p>Oligodendrócitos: localizam-se tanto na substância cinzenta quanto na branca</p><p>do SNC. Eles são menores em comparação aos astrócitos e têm poucos prolon-</p><p>gamentos. Em microscopia eletrônica, é possível observar o retículo endoplas-</p><p>mático rugoso, os ribossomos e as mitocôndrias em abundância, bem como o</p><p>complexo de Golgi e os microtúbulos, além de não haver filamentos intermedi-</p><p>ários ou lâmina basal. Essas células ajudam a controlar</p><p>o pH extracelular por</p><p>intermédio da enzima anidrase carbônica. Sua função principal é a produção</p><p>das bainhas de mielina, as quais funcionam como isolantes elétricos para os</p><p>neurônios do SNC. Os prolongamentos dos oligodendrócitos se enrolam nos</p><p>axônios e formam a bainha de mielina (NEIVA, 2014; MONTANARI, 2016).</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico4</p><p>Células microgliais: são pequenas (menores células da glia) e alongadas e</p><p>os seus prolongamentos são curtos e irregulares. Elas estão presentes nas</p><p>substâncias cinzenta e branca do SNC. Em lâminas histológicas coradas com</p><p>hematoxilina-eosina, essas células podem ser identificadas a partir de seus</p><p>núcleos, que são escuros e alongados, contrastando com os núcleos das outras</p><p>células da glia, que são esféricos. A organela predominante nessas células é</p><p>os lisossomos, sendo que a função destas é a de defesa do SNC. Quando estão</p><p>ativadas, as células microgliais adquirem a forma dos macrófagos, tendo seus</p><p>prolongamentos retraídos. Elas então têm a capacidade de realizar fagocitose,</p><p>apresentam antígenos para outras células de defesa e secretam diversas ci-</p><p>tocinas. As células microgliais participam dos processos inflamatórios e de</p><p>reparação do SNC (NEIVA, 2014; MONTANARI, 2016).</p><p>Células ependimárias: são células epiteliais colunares, ou cúbicas, com micro-</p><p>vilos (projeções da membrana sob a forma de dedos de luva), que apresentam</p><p>prolongamentos. O seu núcleo é ovoide, basal e com cromatina condensada.</p><p>As células ependimárias estão presentes lado a lado, sendo unidas por des-</p><p>mossomos, e revestem os ventrículos do cérebro e o canal central da medula</p><p>espinal. Elas produzem o líquido cefalorraquidiano (líquor) que transporta íons</p><p>e proteínas para o SNC. Algumas dessas células podem apresentar cílios que</p><p>facilitam a movimentação do líquor (NEIVA, 2014; MONTANARI, 2016).</p><p>Células satélites: células encontradas no SNP que se encontram ao redor</p><p>dos corpos dos neurônios nos gânglios nervosos. Apresentam-se pequenas,</p><p>achatadas, com núcleo escuro e heterocromático. As células satélites têm GFAP,</p><p>junções gap e uma lâmina basal na face externa, além disso, elas permitem</p><p>um microambiente controlado em torno do neurônio, com isolamento elétrico</p><p>e via para trocas metabólicas (MONTANARI, 2016).</p><p>Células de Schwann: são alongadas, com núcleo alongado, complexo de</p><p>Golgi pouco desenvolvido e poucas mitocôndrias. Elas contêm GFAP e são</p><p>circundadas pela lâmina externa e não têm prolongamentos. As células de</p><p>Schwann são encontradas ao redor dos axônios do SNP, podendo dar até</p><p>mais de 50 voltas no axônio, além de também serem produtoras da bainha de</p><p>mielina (NEIVA, 2014; MONTANARI, 2016).</p><p>5Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico</p><p>Na Figura 2, há uma imagem esquemática de neurônios e células da glia,</p><p>podendo ser observadas também outras estruturas, como a bainha de mielina.</p><p>Figura 2. Células da glia e neurônios.</p><p>Fonte: Tortora e Derrickson (2016, p. 242).</p><p>Caracterização dos sistemas nervoso central</p><p>e periférico</p><p>O sistema nervoso é anatomicamente dividido em SNC e SNP. O SNC é</p><p>composto pelo encéfalo e pela medula espinal. No início do desenvolvimento</p><p>embriológico, a partir da terceira semana de desenvolvimento, o SNC se deriva</p><p>a partir do tubo neural. Com a evolução do tecido, a cavidade central diminui</p><p>em proporção, mas a espessura das paredes e o diâmetro do espaço por elas</p><p>delimitado variam de uma região para a outra.</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico6</p><p>Para a formação do SNC, há alguns eventos importantes que devem ser</p><p>citados, como a derivação do prosencéfalo em telencéfalo e diencéfalo, a</p><p>permanência do mesencéfalo, que será mantido no adulto, e a derivação do</p><p>rombencéfalo em metencéfalo e mielencéfalo. No embrião, a medula espinal</p><p>se estende por todo o comprimento do canal vertebral, porém, à medida que</p><p>o indivíduo cresce, a extremidade caudal da medula espinal é realocada para</p><p>vértebras cada vez mais superiores. A estreita cavidade central que persiste</p><p>dentro da medula espinal é chamada de canal central.</p><p>O SNC é responsável por integrar, processar e coordenar a chegada de</p><p>estímulos sensitivos ao organismo e a saída de estímulos motores, além disso,</p><p>ele é responsável por funções superiores, como a inteligência, a memória, o</p><p>aprendizado e as emoções (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008; MARTINI;</p><p>TIMMONS; TALLITSCH, 2009; MONTANARI, 2013; TORTORA; DER-</p><p>RICKSON, 2016).</p><p>O SNP é formado especialmente por gânglios nervosos (aglomerados de</p><p>neurônios) e nervos (feixes de prolongamentos dos neurônios). Embriologi-</p><p>camente, ele é formado a partir de células da crista neural. O SNP estabelece</p><p>a comunicação entre os órgãos de sensibilidade, os centros nervosos e os</p><p>órgãos efetores (músculos e glândulas), além de ser responsável por levar</p><p>informações sensitivas obtidas dentro do corpo ou no meio ambiente para os</p><p>centros nervosos (impulsos aferentes) e dos centros nervosos para os órgãos</p><p>efetores (impulsos eferentes) (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008; MARTINI;</p><p>TIMMONS; TALLITSCH, 2009; MONTANARI, 2013; TORTORA; DER-</p><p>RICKSON, 2016).</p><p>Tanto a comunicação aferente quanto a eferente apresentam componentes</p><p>somáticos e viscerais. A comunicação aferente conduz as informações dos</p><p>receptores sensitivos somáticos, que monitoram os músculos esqueléticos, as</p><p>articulações e a pele, e dos receptores sensitivos viscerais, que monitoram</p><p>outros tecidos, como a musculatura lisa e a cardíaca e as glândulas, além de</p><p>fornecer informações advindas de órgãos sensitivos especiais, como os olhos</p><p>e os ouvidos. Por outro lado, a eferente inclui o sistema nervoso somático</p><p>(SNS), que controla a contração dos músculos esqueléticos, e o sistema nervoso</p><p>autônomo (SNA), também chamado de sistema motor visceral, que regula a</p><p>musculatura lisa, o músculo cardíaco e a atividade glandular. As atividades</p><p>do SNS podem ser voluntárias ou involuntárias. As contrações voluntárias dos</p><p>músculos esqueléticos estão sob controle consciente do indivíduo, como levan-</p><p>tar o braço para coçar a cabeça, por exemplo. As contrações involuntárias, no</p><p>7Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico</p><p>entanto, são gerenciadas de forma inconsciente (p. ex., reflexo de normalmente</p><p>tirar a mão ao tocar algo muito quente antes mesmo de sentir dor) (MARTINI;</p><p>TIMMONS; TALLITSCH, 2009; TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Conforme dito anteriormente, os neurônios são responsáveis por todos os</p><p>tipos de transmissão de informação. Para que isso ocorra, são necessários os</p><p>impulsos nervosos (potenciais de ação) e as sinapses. A geração dos potenciais</p><p>de ação nas células musculares e nos neurônios depende de duas características</p><p>da membrana plasmática: existência de potencial de membrana em repouso</p><p>(diferença na quantidade de carga elétrica no lado interno da membrana ao</p><p>comparar com o lado externo) e presença de canais iônicos. O que acontece</p><p>basicamente é que os canais iônicos permitem a passagem de íons específicos</p><p>do meio menos concentrado para o mais concentrado, do mesmo modo, íons</p><p>carregados positivamente se dirigem à área com carga negativa e, dessa forma,</p><p>vão alterando o potencial de membrana. Uma célula que tem um potencial</p><p>de membrana é denominada polarizada (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A sinapse (Figura 3) é responsável pela transmissão unidirecional dos</p><p>impulsos nervosos de um neurônio para outro ou para uma célula efetora.</p><p>A sinapse pode ser elétrica ou química. Na elétrica, impulsos nervosos são</p><p>conduzidos diretamente entre as membranas plasmáticas dos neurônios adja-</p><p>centes pelas junções comunicantes (encontradas nos músculos liso visceral e</p><p>cardíaco e no encéfalo), de modo a permitir condução e coordenação rápidas.</p><p>As sinapses químicas são a maioria das sinapses que ocorrem no organismo.</p><p>Nelas, um impulso nervoso provoca liberação de neurotransmissores na fenda</p><p>sináptica (pequeno espaço preenchido com líquido intersticial) (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico8</p><p>Figura 3. Sinapse.</p><p>Fonte: Tortora e Derrickson (2016, p. 248).</p><p>Órgãos e estruturas que compõem o sistema</p><p>nervoso central e o sistema nervoso periférico</p><p>Os órgãos e as demais estruturas que fazem parte do SNC e do SNP são com-</p><p>plexos, com numerosos vasos sanguíneos e camadas de tecido conjuntivo que</p><p>conferem proteção física e sustentação mecânica. O SNC é constituído pelo</p><p>encéfalo, localizado dentro do crânio, e pela medula espinal, cujo formato é</p><p>cilíndrico, que está localizada no interior da coluna vertebral. As três partes</p><p>principais do encéfalo são: tronco encefálico, cerebelo e cérebro (diencéfalo e</p><p>telencéfalo — maior massa do encéfalo) (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>É possível ver as estruturas do SNC na Figura 4.</p><p>9Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico</p><p>Figura 4. Estruturas do SNC.</p><p>Fonte: Tortora e Derrickson (2016, p. 262).</p><p>A medula espinal é constituída de tecido nervoso, sendo externamente</p><p>composta por substância branca e internamente pela cinzenta. Dependendo</p><p>de sua imaginação, ela tem o formato de uma borboleta ou de uma letra H em</p><p>corte transversal. A medula espinal inicia no forame magno do osso occipital do</p><p>crânio e segue até aproximadamente a segunda ou a terceira vértebra lombar.</p><p>Na lombar, a medula é afinada, em formato de cone medular, o qual segue até</p><p>o cóccix com apenas um filamento meníngeo, também chamado de filamento</p><p>terminal. Essa região terminal do cone medular até o final do filamento</p><p>meníngeo é conhecida como cauda equina. A medula espinal apresenta três</p><p>funções principais (ZIERI, 2014):</p><p>1. inervação sensorial e motora do organismo inteiro a partir da cabeça</p><p>por intermédio dos nervos espinais;</p><p>2. condução de sinais entre o encéfalo e o corpo, e vice-versa, pelos tratos</p><p>ascendentes e descendentes da substância branca;</p><p>3. centro fundamental para os reflexos por meio da integração sensorial</p><p>e motora da substância cinzenta.</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico10</p><p>O tronco encefálico é externamente constituído pela substância branca e</p><p>internamente pela cinzenta. Fazem parte do tronco encefálico o bulbo, a ponte</p><p>e o mesencéfalo, sendo que é a partir do bulbo que se inicia a medula espinal.</p><p>O tronco encefálico apresenta quatro funções básicas: via de passagem para</p><p>todos os tratos fibrosos, que vão do cerebelo até a medula espinal; participação</p><p>na inervação da cabeça e da face; produção de comportamentos programados</p><p>e automáticos essenciais para a sobrevivência, como regulação da respiração,</p><p>da pressão arterial, dos batimentos cardíacos, entre outros; e integração dos</p><p>reflexos auditivos e visuais. Na parte posterior do tronco encefálico está</p><p>localizado o cerebelo, que tem o formato de uma couve-flor e é separado do</p><p>tronco encefálico por um ventrículo (quarto ventrículo). Ele consiste em dois</p><p>hemisférios, cada um subdividido em três lobos, e tem três regiões: córtex</p><p>externo de substância cinzenta, substância branca interna e substância cinzenta</p><p>profunda. O cerebelo tem como função suavizar e coordenar os movimentos</p><p>do corpo e ajudar a manter a postura e o equilíbrio (ZIERI, 2014).</p><p>Acima do tronco encefálico há o diencéfalo, que é composto pelo tálamo,</p><p>pelo hipotálamo e pelo epitálamo (a partir do qual se desenvolve a glândula</p><p>pineal). Essas estruturas margeiam um ventrículo (terceiro ventrículo) e são</p><p>constituídas, principalmente, de substância cinzenta (MONTANARI, 2013;</p><p>ZIERI, 2014). O tálamo é o responsável pela transmissão de muitos impulsos</p><p>sensoriais provenientes da medula espinal e do tronco encefálico e que alcançam</p><p>o córtex cerebral (p. ex., informações visuais, táteis, de dor, etc.), e também</p><p>pela transmissão entre diferentes áreas do telencéfalo, sendo importante para</p><p>a manutenção da consciência e a aquisição de conhecimentos (cognição).</p><p>Além disso, ele contribui para as funções motoras, transmitindo informações</p><p>do cerebelo e dos núcleos da base para as áreas motoras do córtex cerebral.</p><p>O hipotálamo é uma pequena porção do diencéfalo localizada abaixo do</p><p>tálamo e acima da hipófise — também conhecida como pituitária, trata-se</p><p>de uma glândula endócrina produtora de hormônios que é responsável pelo</p><p>funcionamento de outras glândulas do organismo. Ele controla muitas ativida-</p><p>des corporais importantes, estando a maioria delas associada à homeostasia.</p><p>Entre as suas principais atividades estão:</p><p>� controlar e integrar as atividades do SNA, como ajudar a regular a</p><p>frequência cardíaca, o movimento do alimento dentro do trato gastrin-</p><p>testinal e a contração da bexiga urinária;</p><p>� controlar a hipófise e a produção de hormônios, sendo o principal ponto</p><p>de ligação entre os sistemas nervoso e endócrino;</p><p>11Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico</p><p>� regular os padrões emocionais e comportamentais, tais como raiva,</p><p>agressividade, dor, prazer e excitação sexual;</p><p>� regular a ingestão de alimentos e líquidos, sendo conhecido como</p><p>centro da sede;</p><p>� controlar a temperatura corporal;</p><p>� regular o ritmo circadiano e o estado de consciência.</p><p>O epitálamo tem funções associadas ao hipotálamo, além de núcleos rela-</p><p>cionados à mastigação e à deglutição. A glândula pineal é aproximadamente</p><p>do tamanho de uma ervilha e tem como função a secreção da melatonina,</p><p>hormônio que promove a sonolência e contribui para o estabelecimento do</p><p>relógio biológico do corpo (MONTANARI, 2013; TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016). Normalmente, esse hormônio começa a ser produzido no final da tarde,</p><p>quando o sol começa a se pôr (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A superfície do telencéfalo é constituída por uma fina camada de substância</p><p>cinzenta, que se refere ao córtex cerebral, sendo que abaixo dessa camada se</p><p>encontra a substância branca do cérebro. O telencéfalo é o que proporciona</p><p>aos seres humanos toda a sua capacidade intelectual (ler, escrever, fazer</p><p>cálculos, pensar, etc.). Nessa estrutura, existem pregas, chamadas de giros, e</p><p>entre elas há fissuras e fendas alongadas e rasas que são chamadas de sulcos,</p><p>os quais permitem o aumento da área do córtex sem aumento do volume da</p><p>massa cefálica.</p><p>Uma fissura longitudinal do cérebro separa o telencéfalo em hemisférios</p><p>cerebrais direito e esquerdo. A ligação interna entre os hemisférios é feita</p><p>pelo corpo caloso, uma faixa larga de substância branca contendo axônios.</p><p>Cada hemisfério cerebral tem quatro lobos que são nomeados de acordo</p><p>com os ossos que os recobrem: lobo frontal (responsável por pensamentos</p><p>complexos, tomadas de decisões e julgamentos e pelo controle motor), lobo</p><p>parietal (alguns sentidos enviam informações para serem processadas nessa</p><p>região), lobo temporal (centro da comunicação, da memória e da audição) e</p><p>lobo occipital (região de processamento das informações obtidas pela visão).</p><p>O sulco central separa os lobos frontal e parietal. Há núcleos no interior de</p><p>cada hemisfério que são constituídos de substância cinzenta e denominados</p><p>como núcleos da base, os quais são chamados de núcleo lentiforme (globo</p><p>pálido, putâmen) e núcleo caudado. Suas principais funções incluem auxiliar</p><p>no início e na finalização dos movimentos, regular o tônus muscular e con-</p><p>trolar contrações subconscientes dos músculos esqueléticos, como o ato de</p><p>balançar os braços quando se está caminhando (MONTANARI, 2013; ZIERI,</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico12</p><p>2014; TORTORA; DERRICKSON, 2016). As características estruturais do</p><p>telencéfalo podem ser vistas na Figura 5.</p><p>Figura 5. Características estruturais do telencéfalo.</p><p>Fonte: Tortora e Derrickson (2016, p. 269).</p><p>Todas essas estruturas do encéfalo, citadas anteriormente, e da medula</p><p>espinal são protegidas pelos ossos do crânio (no caso do encéfalo) ou da coluna</p><p>vertebral (medula espinal) e pelas meninges encefálicas, que são dura-máter</p><p>(camada mais dura e externa), aracnoide (camada mediana) e pia-máter (camada</p><p>mais fina e mais interna). O líquor também tem função protetora, de nutrição</p><p>e de remoção de resíduos para essas estruturas, já que preenche o canal central</p><p>13Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico</p><p>e os ventrículos, além de circundar o SNC. Os ventrículos encefálicos são</p><p>câmaras expandidas, contínuas com o canal central, e encontradas em regiões</p><p>específicas do cérebro (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>O SNP é constituído por todo o tecido nervoso fora do SNC, fazendo parte</p><p>desse sistema as estruturas descritas a seguir.</p><p>Nervos: são compostos por feixes de fibras nervosas agrupadas. Tais fibras</p><p>são constituídas por um axônio e as bainhas que os envolvem. Nervos que</p><p>têm apenas fibras aferentes são chamados de sensitivos, enquanto os nervos</p><p>com fibras efetoras são conhecidos como motores e os que têm ambas são</p><p>chamados de mistos. Há um total de 12 pares de nervos cranianos que emer-</p><p>gem a partir da base do encéfalo e 31 pares de nervos espinais que surgem da</p><p>medula espinal. Cada um deles seguirá um caminho específico para inervar</p><p>órgãos e outros tecidos. Esses nervos se conectam à medula pelas raízes dor-</p><p>sal e ventral (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008; ZIERI, 2014; TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>Gânglios: são pequenos acúmulos de neurônios situados fora do SNC. Eles</p><p>estão intimamente relacionados aos nervos. Dependendo do sentido do impulso</p><p>nervoso, os gânglios podem ser sensoriais (aferentes) ou do SNA (eferentes)</p><p>(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008; TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Plexos entéricos: são extensas redes de neurônios localizadas nas paredes</p><p>dos órgãos do trato gastrintestinal, cuja função é ajudar a regular o sistema</p><p>digestório (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Receptores sensoriais: são as estruturas do tecido nervoso que monitoram</p><p>as alterações dos ambientes externo e interno, como, por exemplo, receptores</p><p>sensoriais de toque na pele ou olfativos no nariz (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016). Os plexos entéricos e os receptores sensoriais também podem ser</p><p>chamados simplesmente de terminações nervosas. Veja na Figura 6 como</p><p>são organizados o SNC e o SNP.</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico14</p><p>Figura 6. Partes do SNC e do SNP.</p><p>Fonte: Tortora e Derrickson (2016, p. 237).</p><p>JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 11. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2008.</p><p>MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia humana. 6. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2009. (Série Martini).</p><p>MONTANARI, T. Embriologia: texto, atlas e roteiro de aulas práticas. Porto Alegre: Ed. do</p><p>autor, 2013. Disponível em: http://www.ufrgs.br/livrodeembrio. Acesso em: 25 ago. 2019.</p><p>MONTANARI, T. Histologia: texto, atlas e roteiro de aulas práticas. 3. ed. Porto Alegre: Ed.</p><p>do autor, 2016. Disponível em: http://professor.ufrgs.br/tatianamontanari/publications/</p><p>histologia-texto-atlas-e-roteiro-de-aulas-pr%C3%A1ticas. Acesso em: 25 ago. 2019.</p><p>15Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico</p><p>NEIVA, G. S. M. Histologia I. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia.</p><p>10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.</p><p>ZIERI, R. Anatomia humana. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.</p><p>Tecido nervoso: sistema nervoso central e periférico16</p><p>Dica do professor</p><p>Assistindo ao vídeo da Dica do Professor, será possível caracterizar o Tecido Nervoso quanto às</p><p>suas células gliais e suas funções e conhecer os órgãos e estruturas que fazem parte do Sistema</p><p>Nervoso Central e Periférico.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/bf5f3ac5f8e1abaa485f0b9dca35d380</p><p>Exercícios</p><p>1) Quais são as células gliais que constituem a barreira hematoencefálica?</p><p>A) Astrócitos.</p><p>B) Oligodendrócitos.</p><p>C) Micróglias.</p><p>D) Células ependimárias.</p><p>E) Células de Schwann.</p><p>2) O tecido nervoso é constituído por dois grupos celulares principais: os neurônios e as células</p><p>da glia (neuroglia). Os neurônios são responsáveis pela recepção, pela transmissão e pelo</p><p>processamento dos impulsos nervosos. As células da glia são, na verdade, diferentes tipos</p><p>celulares que atuam dando suporte e sustentação aos neurônios, de modo a proporcionar</p><p>um microambiente adequado para essas células, além de participar de outras funções</p><p>importantes. Neste contexto, as células de Purkinje são encontradas em que lugar?</p><p>A) No coração.</p><p>B) No cerebelo.</p><p>C) Na medula espinhal.</p><p>D) No gânglio.</p><p>E) No nervo.</p><p>3) Para que ocorra a propagação de um impulso nervoso, é de extrema importância que haja</p><p>conexões entre os neurônios. Esses locais denominados _____________, apesar de não serem</p><p>áreas de contato direto, permitem a passagem do impulso em virtude da liberação de</p><p>neurotransmissores.</p><p>Entre as alternativas a seguir, marque aquela que completa corretamente o espaço acima.</p><p>A) dendritos</p><p>B) bainha de Mielina</p><p>C) sinapses</p><p>D) axônios</p><p>E) terminais axônicos</p><p>4) Além dos neurônios, o Tecido Nervoso é constituído de outro componente celular: as células</p><p>da glia ou neuróglia, que, além de servirem de sustentação para as células neuronais,</p><p>apresentam funções diversas. Em se tratando de neuróglia, assinale a alternativa correta:</p><p>A) As células ependimárias são células epiteliais cúbicas que revestem as cavidades do encéfalo,</p><p>o canal central da medula espinhal e os nervos.</p><p>B) As micróglias são consideradas os macrófagos do tecido nervoso, pois possuem função</p><p>nutritiva para as células que estão apoiando (os neurônios).</p><p>C) No SNC, os astrócitos fibrosos são geralmente encontrados em áreas que não apresentam</p><p>pericário.</p><p>D) As células de Schwann podem ser encontradas no Sistema Nervoso Periférico e possuem</p><p>função semelhante às células da micróglia, porém circulam no sangue.</p><p>E) Os oligodendrócitos envolvem os axônios de neurônios localizados no Sistema Nervoso</p><p>Periférico produzindo bainha de mielina.</p><p>5) A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica crônica que pode causar: fraqueza muscular,</p><p>rigidez articular, dores articulares e falta de coordenação motora. Em uma análise patológica</p><p>dessa doença, há a infiltração de células específicas que degradaram grandes quantidades de</p><p>lipídeos antes presentes no Tecido Nervoso. Que células são essas, qual a estrutura lipídica</p><p>referenciada e como é denominada essa atividade celular?</p><p>A) Astrócitos protoplasmáticos – mielina – fagocitose.</p><p>B) Astrócitos fibrosos – mielina – fagocitose.</p><p>C) Microglia – mielina – fagocitose.</p><p>D) Células ependimárias – adipócitos – gliose.</p><p>E) Microglia – mielina – gliose.</p><p>Na prática</p><p>Acompanhe um exemplo prático sobre glioma, um tipo de câncer que acomete o tecido nervoso:</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Para compreender melhor sobre o funcionamento das células</p><p>que compõem o Sistema Nervoso, assista ao vídeo a seguir:</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Tecido Nervoso</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Utilize essa sugestão de leitura complementar para aprofundar</p><p>seus estudos sobre neurociências e o Sistema Nervoso:</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>https://www.youtube.com/embed/viPJx-aLL2k</p><p>https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/tecido-nervoso/#:~:text=O%20sistema%20nervoso%20%C3%A9%20anatomicamente,neur%C3%B4nios%20e%20c%C3%A9lulas%20da%20glia.</p>