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<p>UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE</p><p>FACULDADE DE ODONTOLOGIA</p><p>CONCEITO – HISTÓRICO –</p><p>-SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO</p><p>CONCEITO – HISTÓRICO –</p><p>-SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO</p><p>UFF</p><p>FACULDADE DE ODONTOLOGIA</p><p>2021</p><p>OCLUSÃO DENTÁRIA:</p><p>PRIMEIROS PASSOS</p><p>CAPÍTULO I</p><p>Prof. Dr. VLADI GUIMARÃES</p><p>JÚNIOR</p><p>CONCEITO – HISTÓRICO –</p><p>-SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO</p><p>SUMÁRIO</p><p>CAPÍTULO I</p><p>➢ OCLUSÃO DENTÁRIA: Conceito.</p><p>Histórico. Sistema Estomatognático</p><p>CAPÍTULO II</p><p>➢MECANISMO NEUROMUSCULAR</p><p>CAPÍTULO III</p><p>➢ARTICULAÇÃO TÊMPORO – MANDI-</p><p>BULAR (ATM)</p><p>Não temos a intensão de inovar nada,</p><p>mas esquematizar um assunto tão</p><p>complexo, tentando torna-lo didático.</p><p>CAPÍTULO IV</p><p>➢POSIÇÕES MANDIBULARES</p><p>CAPÍTULO V</p><p>➢MOVIMENTOS MANDIBULARES</p><p>CAPÍTULO I</p><p>OCLUSÃO DENTÁRIA: CONCEITO –</p><p>HISTÓRICO – SISTEMA</p><p>ESTOMATOGNÁTICO</p><p>I- CONCEITO</p><p>A Oclusão Dentária é a inter-relação das faces</p><p>oclusais dos dentes quer seja estática (fig. 1) ou</p><p>dinamicamente e entre todos os componentes</p><p>do Sistema Estomatognático ( S.E.) que é uma</p><p>unidade do corpo humano.</p><p>A Oclusão Dentária não é um processo de</p><p>simples posição de contato das faces oclusais</p><p>dos dentes, é parte de um todo que é o Sistema</p><p>Estomatognático (S.E.) ou Aparelho</p><p>Mastigatório ou Estomatodinâmico.</p><p>A Oclusão Dentária não deve interferir com a</p><p>liberdade dos músculos, nervos, ATMs, língua,</p><p>bochechas ou lábios – o paciente deve sentir</p><p>bem estar e conforto. Para isso, haverá</p><p>necessidade de uma Oclusão harmônica, isto é,</p><p>quando houver harmonia entre as superfícies</p><p>oclusais de ambos os arcos dentários em todas</p><p>as suas funções, cujas principais são a</p><p>mastigação, a deglutição, a fonação e com os</p><p>demais componentes do Sistema</p><p>Estomatognático.</p><p>Figura 1: Oclusão dentária,</p><p>neste caso, inter-relação</p><p>das faces oclusais dos</p><p>dentes estaticamente, em</p><p>MIH.</p><p>HUFFMAN e REGENOS afirmam que a Oclusão é</p><p>a chave da função oral e consequentemente, a</p><p>chave do diagnóstico do tratamento</p><p>restaurador. Apesar disto, a oclusão é uma área</p><p>que frequentemente é vista superficialmente ou</p><p>negligenciada pela maioria dos dentistas. Esta</p><p>tendência é totalmente compreensível pelo não</p><p>domínio do assunto devido aos controvertidos</p><p>conceitos e as mais divergentes opiniões e</p><p>conflitantes teorias sobre Oclusão. A análise e</p><p>classificação do conflito existente neste campo</p><p>parece ser mais um projeto que vale a pena,</p><p>pois opiniões, teorias e discrepâncias podem ser</p><p>resolvidas. Pré-requisitos e critérios devem</p><p>então ser estabelecidos a fim de haver uma</p><p>base para o ensino da oclusão não só para os</p><p>estudantes de graduação, como também para a</p><p>reeducação dos dentistas formados.</p><p>O tratamento das Disfunções Oclusais busca</p><p>restabelecer a harmonia entre a oclusão</p><p>dentária e os demais componentes fisiológicos</p><p>do S.E., a saber: Periodonto, ATMs e Mecanismo</p><p>Neuro-Muscular (figuras 2a e 2b).</p><p>O estudo da Oclusão Dentária compreende: da</p><p>fisiologia oclusal, da morfologia oclusal (técnica</p><p>de enceramento progressivo e do articulador</p><p>semi-ajustável, do diagnóstico das disfunções</p><p>crânio mandibulares e respectivos tratamentos.</p><p>HUFFMAN e REGENOS afirmam que a Oclusão é</p><p>a chave da função oral e consequentemente, a</p><p>chave do diagnóstico do tratamento</p><p>restaurador. Apesar disto, a oclusão é uma área</p><p>que frequentemente é vista superficialmente ou</p><p>negligenciada pela maioria dos dentistas. Esta</p><p>tendência é totalmente compreensível pelo não</p><p>domínio do assunto devido aos controvertidos</p><p>conceitos e as mais divergentes opiniões e</p><p>conflitantes teorias sobre Oclusão. A análise e</p><p>classificação do conflito existente neste campo</p><p>parece ser mais um projeto que vale a pena,</p><p>pois opiniões, teorias e discrepâncias podem ser</p><p>resolvidas. Pré-requisitos e critérios devem</p><p>então ser estabelecidos a fim de haver uma</p><p>base para o ensino da oclusão não só para os</p><p>estudantes de graduação, como também para a</p><p>reeducação dos dentistas formados.</p><p>O tratamento das Disfunções Oclusais busca</p><p>restabelecer a harmonia entre a oclusão</p><p>dentária e os demais componentes fisiológicos</p><p>do S.E., a saber: Periodonto, ATMs e Mecanismo</p><p>Neuro-Muscular (figuras 2a e 2b).</p><p>O estudo da Oclusão Dentária compreende: da</p><p>fisiologia oclusal, da morfologia oclusal (técnica</p><p>de enceramento progressivo e do articulador</p><p>semi-ajustável, do diagnóstico das disfunções</p><p>crânio mandibulares e respectivos tratamentos.</p><p>Figura 2a: paciente com</p><p>Disfunção Oclusal</p><p>Figura 2b: Terapêutica</p><p>Restauradora</p><p>(BRUXISMO)</p><p>II – HISTÓRICO</p><p>1° PERÍODO – EMPÍRICO</p><p>• STILLMAN & Mc CALL 1920</p><p>A Periodontia mostrava a</p><p>capacidade destrutiva das forças</p><p>excessivas sobre os dentes sem</p><p>medidas terapêuticas.</p><p>• Mc COLLUM – STUART –</p><p>STALLARD – 1926</p><p>Fundação da sociedade</p><p>Gnatológica da Califórnia para</p><p>tratar os problemas oclusais.</p><p>• COSTEN – 1934 - 1946</p><p>“ Era da abertura de mordida”</p><p>Síndrome de Costen: dor e</p><p>zumbido nos ouvidos, dor de</p><p>cabeça causados pelo mau</p><p>funcionamento das ATMs,</p><p>causada por compressão dos</p><p>nervos Temporal e Corda do</p><p>Tímpano. Tratamento</p><p>preconizado: trazer o côndilo para</p><p>frente com abertura de mordida.</p><p>2° PERÍODO – BIOLÓGICO</p><p>• SCHUYLER – 1947</p><p>Regras para o ajuste oclusal</p><p>enfatiza as influências destrutivas</p><p>que os contatos do lado</p><p>balanceio (ou lado não trabalho)</p><p>tinha sobre o aparelho</p><p>mastigatório.</p><p>• SICHER – 1948</p><p>Contradiz os conceitos de COSTEN:</p><p>é impossível o deslocamento</p><p>posterior dos côndilos e que as</p><p>dores eram causadas por</p><p>espasmos musculares devido a</p><p>contatos anormais nos dentes.</p><p>• POSSELT – 1952</p><p>Estuda os movimentos</p><p>mandibulares (figura 3).</p><p>• D’AMICO – 1958</p><p>Conceito de oclusão protegida</p><p>pelo canino ou oclusão orgânica</p><p>(figura 4).</p><p>Figura 3: Diagrama de Posselt,</p><p>demonstrando os</p><p>movimentos mandibulares</p><p>(Ilustração Santos Jr.)</p><p>Figura 4: Oclusão protegida pelo canino</p><p>ou Oclusão orgânica, haverá apenas</p><p>toque dos caninos do lado do movimento</p><p>e desoclusão de todos os outros dentes.</p><p>3° PERÍODO – BIO – MECÂNICO</p><p>• PANKEY MANN – SHUYLER – 1959</p><p>Preconizam a cêntrica longa: ocorre</p><p>entre o espaço de 0,5/1,0 mm, entre</p><p>a cêntrica e a M.I.H., num plano</p><p>horizontal (figura 5a e 5b ).</p><p>• RAMFJORD – 1961</p><p>Estuda o hábito do bruxismo por</p><p>eletromiografia: interferência oclusal</p><p>mais tensão nervosa.</p><p>• GLICKMAN -1969</p><p>Com transmissores miniaturizados:</p><p>durante a mastigação os contatos</p><p>dentários são frequentes na deglutição</p><p>e na oclusão habitual e</p><p>raramente na oclusão centrica.</p><p>• PETER K. THOMAS – 1972</p><p>Preconiza a oclusão cúspide fossa</p><p>(Figura 6).</p><p>• VICTOR LUCIA – 1972</p><p>Criou o “JIG” para relaxamento</p><p>muscular (Figura 7).</p><p>Figura 5a: Cêntrica longa ou</p><p>liberdade em cêntrica</p><p>(ilustração Santos Jr.)</p><p>Figura 5b: Trejeto da cúspide</p><p>mesio palatina do molar</p><p>antagonista com liberdade</p><p>(ilustração Santos Jr.</p><p>Figura 6: PETER K. THOMAS</p><p>preconiza a oclusão cúspide</p><p>e fossa</p><p>Figura 7: VICTOR LUCIA criou o “JIG,”</p><p>para relaxamento muscular, aparelho</p><p>confeccionado de resina acrílica</p><p>quimicamente ativada. Posiciona o</p><p>complexo côndilo disco em Relação</p><p>Cêntrica.</p><p>4° PERÍODO – MODERNO</p><p>• NILES GUICHET – 1973</p><p>Regras para o ajuste oclusal.</p><p>• PETER DAWSON – 1974</p><p>Estabelece uma sistemática para o</p><p>tratamento da síndrome da disfunção</p><p>mio – facial.</p><p>• LINDHE E NYMAN -1977</p><p>Contesta a influência das forças</p><p>excessivas na etiologia das doenças</p><p>periodontais.</p><p>• FRANK CELENZA – 1981</p><p>Publicação de oclusão – situação atual</p><p>do simpósio de oclusão em novembro</p><p>de 1976 em Las Vegas na reunião da</p><p>A.D.A. (Ed. Quintessence) –</p><p>Resultados: a posição de RELAÇÃO</p><p>CENTRAL e OCLUSÃO CENTRAL é a</p><p>melhor para ser determinada, são</p><p>posições ideais para tratamento e não</p><p>há indicação para ajuste oclusal</p><p>profilático.</p><p>“O DENTISTA deve conhecer</p><p>a SUPERFÍCIE OCLUSAL dos</p><p>dentes como RUSBINSTEIN</p><p>conhece as TECLAS DO</p><p>PIANO”.</p><p>PETER K. THOMAS</p><p>III – O SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO</p><p>O SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO, assim</p><p>chamado por John Thompson, é uma</p><p>entidade anátomo-funcional formada por</p><p>vários órgãos e tecidos, que embora</p><p>heterogêneos, funcionam integrados</p><p>para cumprirem determinadas funções.</p><p>COMPONENTES ANATÔMICOS</p><p>• Ossos: crâneo, mandíbula, hióide,</p><p>clavícula e externo.</p><p>• Músculos: da mastigação, da</p><p>deglutição, da expressão facial.</p><p>• Articulações: dento-alveolar</p><p>(periodonto) e temporo – mandibular</p><p>(ATM).</p><p>• Ligamentos: periodontais e temporo-</p><p>mandibulares.</p><p>• Língua – Lábio – Freios</p><p>• Dentes</p><p>• Sistema Vascular (relacionado)</p><p>• Sistema Nervoso (relacionado)</p><p>Os músculos comandados por</p><p>estímulos nervosos constituem os</p><p>elementos ativos do S.E., isto é, os</p><p>elementos que originam as forças</p><p>necessárias à função que se</p><p>destinam.</p><p>COMPONENTES FISIOLÓGICOS</p><p>•Oclusão dentária</p><p>• Periodonto</p><p>•Articulação têmporo – mandibular</p><p>•Mecanismo neuro – muscular</p><p>O profissional deve ter em mente a</p><p>necessidade de considerar todas as forças</p><p>que incidem</p><p>sobre os dentes em termos de ação e</p><p>reação, que, fisicamente são iguais ou</p><p>opostas:</p><p>a alternativa das forças oclusais é a</p><p>resistência fornecida pelo cemento, fibras</p><p>periodontais e osso.</p><p>Estes tecidos ou se adaptam</p><p>adequadamente ao estresse das forças</p><p>oclusais, ou não resistem</p><p>e degeneram.</p><p>Este estado de equilíbrio entre ação e</p><p>reação é que determina a saúde do órgão</p><p>mastigatório.</p><p>FUNÇÕES:</p><p>•MASTIGAÇÃO</p><p>•DEGLUTIÇÃO</p><p>• RESPIRAÇÃO</p><p>• FONAÇÃO</p><p>• POSTURA (mandíbula, língua, hioide,</p><p>cabeça e tronco)</p><p>ASPECTO FISIOPATOLÓGICOS</p><p>1.Este sistema é uma parte de outra unidade</p><p>biológica fundamental, o indivíduo, da qual</p><p>não se pode ser separado ao se fazer</p><p>considerações diagnósticas, prognósticas e</p><p>terapêuticas.</p><p>2. A saúde biológica de todo sistema</p><p>depende da harmonia funcional perfeita</p><p>entre seus constituintes fisiológicos.</p><p>3. Quando surgem alterações na conformação,</p><p>estrutura e/ou função de uma das partes do</p><p>S.E., as partes inter-relacionadas deverão</p><p>sofrer alterações dessa mesma natureza para</p><p>absorção ou dispersão das forças anormais</p><p>criadas. Conforme a capacidade de resistência</p><p>ou adaptação biológica dos tecidos envolvidos,</p><p>estas alterações poderão ser de duas ordens:</p><p>Fisiológica ou Patológica.</p><p>4. O principal fator etiológico da patologia</p><p>funcional do SE é representado por alterações</p><p>na oclusão dentária, cujas sequelas patológicas</p><p>severas são: briquismo ou bruxismo; abrasão</p><p>dentária patológica; trauma oclusal com</p><p>repercussão nos tecidos de suporte; disfunções</p><p>musculares e das ATMs.</p><p>VARTAN DIZ:</p><p>“É EVIDENTE QUE TODA A ATIVIDADE</p><p>FUNCIONAL DESTE SISTEMA, É PRODUZIDA</p><p>PELA AÇÃO DOS MÚSCULOS GRAÇAS AO</p><p>MECANISMO NEURO-MUSCULAR, ENQUANTO</p><p>OS OUTROS ELEMENTOS COMO DENTES,</p><p>PERIODONTO E ATMs REPRESENTAM</p><p>ELEMENTOS PASSIVOS. ENTRETANTO É UTIL</p><p>DETERMINAR QUAIS DESTES QUATRO FATORES</p><p>É O MAIS IMPORTANTE OU DOMINANTE, POIS</p><p>EXISTE ENTRE ELES UMA PROFUNDA E</p><p>ESTREITA INTERRELAÇÃO. ESTAMOS POIS,</p><p>FRENTE E UMA UNIDADE BIOLÓGICA –</p><p>FUNCIONAL INDIVISÍVEL E COMO TAL DEVERÁ</p><p>SER COMPREENDIDA, DIAGNOSTICADA E</p><p>TRATADA”.</p><p>BIBLIOGRAFIA:</p><p>1.ASH, M. M., RAMFJORD’S.</p><p>Oclusão. Rio de Janeiro: 4° ed.,</p><p>Guanabara Koogan, 1996.</p><p>2.DAWSON, P. E. Oclusão</p><p>funcional. Editora Santos: 2008.</p><p>3.JANSON, w. a. & cols. Introdução</p><p>à Oclusão. Ajuste Oclusal.</p><p>Departamento de</p><p>Prótese Dental da F.O. de Bauru/</p><p>USP, 1984.</p><p>4. MOHL, N.D. et al.</p><p>Fundamentos de Oclusão. Rio de</p><p>Janeiro: Quintessence,1989.</p><p>5.OKESON, J.P. Fundamentos da</p><p>Oclusão e Desordens Têmporo-</p><p>Mandibulares.</p><p>São Paulo: Artes Médicas, 1992.</p><p>6. OKESON, J. P., Tratamento dos</p><p>Distúrbios Têmporo- Mandibulares</p><p>e Oclusão, 8° ed., 2021, editora</p><p>Gen/Guanabara Koogan.</p><p>7. SANTOS JR. J. Oclusão Clínica.</p><p>Atlas Colorido. São Paulo: 2° ed.,</p><p>Editora Santos, 2000.</p>