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<p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>Angélica Ilacqua CRB-8/7057</p><p>Fitzpatrick, Elyse M.</p><p>ídolos do coração; aprendendo a desejar somente Deus / Elyse</p><p>M. Fitzpatrick; tradução de Susana Klassen. — São Paulo: Vida Nova,</p><p>2017.</p><p>256 p.</p><p>ISBN 978-85-275-0704-2</p><p>Título original: Idols of the heart: learning to long for God alone</p><p>I. Cristianismo 2. Vida Cristã 3. Idolatria na bíblia. I.Título</p><p>II. Klassen, Susana</p><p>16-1245 CDD 248.8</p><p>índices para catálogo sistemático:</p><p>1. Vida cristã: Idolatria</p><p>ELYSE FITZPATRICK</p><p>Aprenâmâo a iesejar somente ‘Deus</p><p>EDIÇÃO REVISADA E ATUALIZADA</p><p>Tradução</p><p>Sus ana Klassen</p><p>VIDA NOVA</p><p>®2001,2016, de Elyse Fitzpatrick</p><p>Título do original: Idols of the heart: learning to long for God alone,</p><p>edição publicada pela P&R Publishing (Phillipsburg, New Jersey,</p><p>Estados Unidos).</p><p>Publicado originalmente pela ABCB sob o título</p><p>ídolos do coração: aprendendo a desejar apenas Deus (São Paulo, 2009).</p><p>Todos os direitos em língua portuguesa reservados por</p><p>Sociedade Religiosa Edições Vida Nova</p><p>Rua Antônio Carlos Tacconi, 75, São Paulo, SP, 04810-020</p><p>vidanova.com.br | vidanova@vidanova.com.br</p><p>1? edição revisada e atualizada: 2017</p><p>Proibida a reprodução por quaisquer meios,</p><p>salvo em citações breves, com indicação da fonte.</p><p>Impresso no Brasil / Printed in Brazil</p><p>Todas as citações bíblicas sem indicação in loco foram extraídas da Almeida século</p><p>21. As citações com indicação da versão in loco foram extraídas da Nova Versão</p><p>Internacional (NVI). Todas as demais citações ou foram traduzidas diretamente</p><p>da New American Standard Bible (NASB), da The Living Bible (TLB) e da</p><p>New International Version (NIV).</p><p>Direção executiva</p><p>Kenneth Lee Davis</p><p>Gerência editorial</p><p>Fabiano Silveira Medeiros</p><p>Edição de texto</p><p>Lucília Marques</p><p>Mareia Medeiros</p><p>Preparação de texto</p><p>Tatiane Souza</p><p>Revisão de provas</p><p>Mauro Nogueira</p><p>Gerência de produção</p><p>Sérgio Siqueira Moura</p><p>Diagramação</p><p>Sandra Oliveira</p><p>Capa</p><p>Edvânio Silva (Blessed Produção Gráfica)</p><p>vidanova.com.br</p><p>mailto:vidanova@vidanova.com.br</p><p>Para Phil,</p><p>por seu amor e sua paciência inabaláveis:</p><p>só pude realizar este projeto</p><p>porque, dia após dia, você entregou sua vida.</p><p>SUMARIO</p><p>Nota da segunda edição............................................................................... 9</p><p>Agradecimentos...........................................................................................11</p><p>Lista de ilustrações..................................................................................... 13</p><p>Introdução: Observando os deuses do mundo..................................15</p><p>1. Os deuses de Raquel e você..........................................................23</p><p>2. Adoração não dividida................................................................... 37</p><p>3. De suma importância.................................................................... 51</p><p>4. Aquele que transforma o coração............................................... 69</p><p>5. Melhor que a vida............................................................................87</p><p>6. Conhecendo seu coração...................... 103</p><p>7. Pensando sobre seu Deus............................................................ 121</p><p>8. Ansiando por Deus.......................................................................139</p><p>9. Dispondo-se a obedecer............................................................. 161</p><p>10. Resistindo a seus ídolos...............................................................177</p><p>11. Destruindo seus falsos deuses.................................................... 197</p><p>12. Tendo prazer em Deus................................................................219</p><p>Apêndice A: Como identificar padrões</p><p>pecaminosos e falsos deuses................................................................ 237</p><p>Apêndice B: O que significa ser legalista.........................................239</p><p>Apêndice C: Como saber se você é cristão..................................... 243</p><p>índice de passagens bíblicas..................................................................... 247</p><p>NOTA DA</p><p>SEGUNDA EDIÇÃO</p><p>Ao longo dos anos desde que escrevi o manuscrito deste livro,</p><p>tornei-me cada vez mais consciente do imenso amor de Deus por</p><p>mim em Cristo. Vim a entender que, por causa de sua compaixão e</p><p>misericórdia, ele me ama quer eu esteja lutando contra meus ídolos</p><p>com diligência, quer eu esteja apenas tentando chegar ao fim do dia.</p><p>Ele conhece minha fraqueza: a fraqueza de meu amor, a fraqueza</p><p>de minha mente e a fraqueza de minha determinação de amá-lo</p><p>mais que todas as coisas. E, no entanto, ele me ama por causa da</p><p>obra realizada por seu Filho ao me justificar e chamar-me de bela...</p><p>embora eu esteja tão aquém de seu paradigma perfeito, resumido em</p><p>sua lei expressa nos Dez Mandamentos.</p><p>Portanto, embora eu ainda deseje desenvolver adoração sincera,</p><p>“ansiar somente por Deus” e ajudar você a fazer o mesmo, minha</p><p>perspectiva de como fazê-lo e do que isso significa mudou. O foco</p><p>principal foi transferido de mim mesma para a obra de Jesus em</p><p>meu favor no evangelho. Essa mudança de foco também mudou</p><p>meu modo de falar sobre a idolatria e de pensar a respeito de como,</p><p>em última análise, nosso coração é transformado. Por isso, neste</p><p>livro, você me verá falar mais sobre amor e mais sobre o amor de</p><p>Deus por pecadores, tudo para a glória de seu Filho. Não deixei de</p><p>me importar com a obediência ao primeiro mandamento, mas estou</p><p>trilhando um caminho diferente rumo a esse alvo e sou impelida por</p><p>uma motivação diferente.</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Nada de valor pode ser realizado sem o auxílio e o apoio de mui</p><p>tas pessoas. Se o Senhor, em sua graça, usar este livro para ajudar</p><p>alguém, é porque ele me concedeu familiares e amigos piedosos,</p><p>que sabem o que significa amá-lo com fervor. Estou ciente de que</p><p>nunca tive uma ideia sequer verdadeiramente original, portanto</p><p>sou grata a George Scipione por minha instrução (e agora, pela</p><p>esposa de meu filho); a David Powlison que, com abnegação, se</p><p>parou dez minutos de seu tempo em um congresso no início da</p><p>década de 1990 para reconfigurar meu modo de pensar a respeito</p><p>da idolatria; ao pastor Dave Eby da igreja North City Presbyterian</p><p>Church (anotações de sermões dele foram incorporadas a diversas</p><p>partes deste texto); a meus irmãos e a minhas irmãs em Cristo</p><p>que oraram por mim, me encorajaram e perguntaram: “Como está</p><p>indo o livro? Como posso orar por você?”. Sou grata pelo minis</p><p>tério de John e Sandra Cully, Linda Quails e John Hickernell,</p><p>na livraria Evangelical Bible Bookstore, que me mantiveram</p><p>abastecida com livros dos puritanos e fizeram excelentes suges</p><p>tões. Agradecimentos especiais a Anita Manata, Donna Turner</p><p>e Barbara Duguid, amigas queridas que me ouviram e trocaram</p><p>idéias, ajudando imensamente em minha reflexão; a minha mãe</p><p>por suas sugestões gentis e pela revisão gramatical; e a Barbara</p><p>Lerch, da editora P&R, por acreditar que era hora de uma mulher</p><p>da linha reformada ser ouvida a respeito desse assunto.</p><p>E impossível agradecer devidamente a todos que me amaram e</p><p>apoiaram durante os muitos anos desde que a primeira edição deste</p><p>livro foi publicada em 2001. Tenho sido abençoada com muitos</p><p>amigos relacionados acima, inclusive o pessoal da Editora P&R, espe</p><p>cialmente Ian Thompson, que considerou relevante atualizar este</p><p>livro e voltar a oferecê-lo a meu público leitor.</p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>Sou particularmente grata a minha família querida: Phil, James</p><p>e Michelle, Jessica e Cody, Joel e Ruth e todos os seus filhotes lindos:</p><p>Wesley, Hayden, Eowyn, Allie, Gabe e Colin. Como sou abençoada!</p><p><I2></p><p>LISTA DE ILUSTRAÇÕES</p><p>6.1 Um retrato bíblico do coração..............................................109</p><p>8.1 Os desejos de Adão antes da Queda e os desejos</p><p>do ser humano caído.............................................................. 153</p><p>8.2 Os desejos de Adão antes da Queda e os desejos</p><p>perfeitos de Jesus.................................................................... 157</p><p>10.1 Quando o coração deseja agradar o ego.............................</p><p>Sodoma que ela valorizava, estimava, aprecia</p><p>va e amava mais que a Deus.</p><p>Moro na região norte de San Diego e, quando olho para meu</p><p>lindo quintal, posso dizer com sinceridade: “Amo o lugar onde</p><p>moro”. Deus abençoou nossa família com uma boa casa em uma</p><p>parte agradável do mundo. Não há pecado algum em desfrutar o que</p><p>Deus proveu e ser grato por essas dádivas. Aliás, seria pecado não ter</p><p>prazer em suas bênçãos. O problema, contudo, é quando amo minha</p><p>casa mais do que a Deus. Se estimo minha agradável residência mais</p><p>do que a Deus, tornei-me idólatra. Não é errado agradecer a Deus</p><p>por suas bênçãos, mas quando as bênçãos se tornam nosso deus,</p><p>caímos em idolatria. Esse foi o problema da esposa de Ló: ela deu</p><p><52></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>maior valor a Sodoma que a Deus. Jesus adverte: “Lembrai-vos da</p><p>mulher de Ló” (Lc 17.32).</p><p>Você está começando a perceber como suas ações, de modo se</p><p>melhante às ações das pessoas da Bíblia, refletem o foco de seu amor</p><p>e de sua adoração? E fácil perceber que a esposa de Ló tinha outros</p><p>deuses, não? E evidente que ela amava sua cidade, por mais perversa</p><p>que fosse. Sabemos disso porque ela se mostrou disposta a desobe</p><p>decer à ordem de Deus a fim de olhar para Sodoma só mais uma vez.</p><p>Precisamos crescer em nosso entendimento do ensino das</p><p>Escrituras acerca da idolatria; para isso, consideraremos as proibi</p><p>ções explícitas de Deus a esse respeito. Ao fazê-lo, espero que você</p><p>consiga enxergar com mais clareza outros deuses que talvez estejam</p><p>presentes em sua vida. Ao longo do caminho, descobrirá que a deso</p><p>bediência nasce da adoração a outros deuses.</p><p>O MAIOR MANDAMENTO</p><p>Quando Moisés voltou de seu encontro com Deus, trouxe consi</p><p>go instruções divinas para a vida e a adoração na forma dos Dez</p><p>Mandamentos. Deus tinha dado leis a seus filhos: "... temas o</p><p>Senhor, [...] andes em todos os seus caminhos...”. Ordenou:</p><p>"... ames e sirvas o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a</p><p>alma, guardes os mandamentos do Senhor e os seus estatutos [...]</p><p>para o teu bem (Dt 10.12,13).</p><p>Obedecer aos mandamentos de Deus é bom. Acima de tudo,</p><p>é bom porque honra e glorifica a Deus. De acordo com Tiago, o</p><p>homem que perseverar na lei perfeita “será abençoado no que fi</p><p>zer” (Tg 1.25). Deus nos deu mandamentos acerca da idolatria para</p><p>nosso bem, para que o glorifiquemos e tenhamos uma vida caracte</p><p>rizada por sua aprovação. Vejamos agora a passagem das Escrituras</p><p>que contém o primeiro mandamento, lembrando que a obediência</p><p>é para nosso bem.</p><p><53></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>EU SOU O SENHOR DEUS</p><p>Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa</p><p>da escravidão. Não terás outros deuses além de mim (Ex 20.2,3).</p><p>Como você pode observar, o primeiro mandamento inclui a or</p><p>dem: “Não terás outros deuses além de mim”, e dois motivos pelos</p><p>quais devemos obedecer-lhe. O primeiro motivo que Deus dá é: “Eu</p><p>sou o Senhor teu Deus...”. Ele ordena que o adoremos porque ele é</p><p>Deus. Em última análise, não precisamos de nenhum outro motivo.</p><p>Ele merece nossa adoração porque ele é Deus. Ponto final. E justo</p><p>adorá-lo como Deus simplesmente porque ele é Deus e não há ou</p><p>tro semelhante a ele. “Assim diz o Senhor [...]: Eu sou o primeiro,</p><p>e sou o último, e além de mim não há Deus” (Is 44.6,7).</p><p>Aqui está a parte mais sensacional! Ele não é apenas um Deus,</p><p>nem mesmo o Deus; ele é nosso Deus. Além de estar inteiramente</p><p>acima de nós e de ser eterno e imutável, Rei todo-poderoso e sobe</p><p>rano, ele também está perto de nós e é nosso Deus. Condescendeu</p><p>em ter comunhão conosco e entrar em um relacionamento de alian</p><p>ça conosco. Não é apenas Rei. Também é Pai, como Isaías declarou:</p><p>“Por que assim diz o Alto e o Sublime [...] cujo nome é santo:</p><p>Habito num lugar alto e santo, e também com o contrito e humilde</p><p>de espírito” (Is 57.15).</p><p>ELE NOS TIROU DA TERRA DO EGITO</p><p>Como se o motivo anterior não bastasse, Deus nos dá outro motivo</p><p>pelo qual devemos dirigir nosso coração a adorar somente a ele. O</p><p>Rei cheio de graça e perfeitamente santo nos trouxe para junto dele.</p><p>Teria sido apropriado ele exigir nossa adoração porque ele é Deus.</p><p>Mas não foi o que fez. Ele nos “tirou da terra do Egito, da casa da</p><p>escravidão”. Antes de exigir a adoração que lhe era de direito, ele</p><p><54></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>demonstra seu amor e sua bondade por nós. Aqueles que são seus</p><p>filhos foram libertos da terrível escravidão do pecado, de Satanás</p><p>e da morte. Ele fez isso por nós! E agora, devemos nos lembrar de</p><p>como nos amou, nos libertou e tomou a iniciativa de se relacionar</p><p>conosco. Foi o que disse o pai de João Batista, quando afirmou que</p><p>Deus agiu desse modo para que nós, “libertados da mão de nossos</p><p>inimigos, o cultuássemos sem medo” (Lc 1.74).</p><p>Fomos resgatados da mão de nossos inimigos para que pudés</p><p>semos servir a Deus. Fomos resgatados de uma terra de ídolos para</p><p>que pudéssemos adorar a Deus. Toda vez que Moisés suplicou ao</p><p>faraó para que deixasse ir os israelitas, foi para que pudessem servir</p><p>a Deus. O Senhor não libertou os israelitas da escravidão para que</p><p>se tornassem sócios do Club Med, embora muitos tenham agido</p><p>como se fosse o caso. Ele os libertou para que pudessem celebrá-lo,</p><p>servi-lo e adorá-lo. A obra de sua graça ao libertá-los tinha como</p><p>propósito dar-lhes a segurança de que ele era digno de confiança</p><p>e repleto de amor por eles. Com base nessa verdade — em suas</p><p>ações anteriores em favor deles enquanto eram, em sua maior parte,</p><p>incrédulos e cheios de queixas — ele lhes concedería fé para crer que</p><p>verdadeiramente os amava e era digno de sua confiança.</p><p>Nós também fomos libertos do Egito espiritual para que possa</p><p>mos celebrar, amar e adorar a Deus. Quando você pensa no primeiro</p><p>mandamento, lembra-se do amor de Deus por você? Lembra-se de</p><p>que, mesmo quando você era inimigo de Deus, ele enviou o Filho</p><p>dele para morrer em seu lugar e libertá-lo da escravidão? Diante</p><p>dessas verdades, a obediência faz mais sentido, não?</p><p>O PRIMEIRO MANDAMENTO</p><p>O primeiro e maior mandamento é: “Não terás outros deuses além de</p><p>mim” (Ex 20.3). Que espantoso! Com esse mandamento, Deus exige</p><p>nossa devoção absoluta, inequívoca e exclusiva. Somente “o Alto e o</p><p><55></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é santo” (Is 57.15) tem</p><p>o direito de exigir tamanha fidelidade.</p><p>Esse mandamento é preeminente porque, se não lhe obede</p><p>cemos, é impossível obedecermos a qualquer um dos outros nove.</p><p>Todos os elementos de nossa devoção, todos os atos de obediência</p><p>ou desobediência, todo os pensamentos, palavras e ações dependem</p><p>de nossa fidelidade a esse mandamento. Talvez você esteja pensan</p><p>do: “Puxa, essa é uma declaração bem radical”, mas reflita comigo</p><p>enquanto recapitulamos alguns dos outros mandamentos:</p><p>• “Honra teu pai e tua mãe...” (Ex 20.12). Não é verdade que</p><p>os filhos deixam de honrar os pais porque têm outros deuses,</p><p>como os amigos ou o amor ao mundo?</p><p>• “Não matarás” (v. 13). Sempre que alguém tira a vida de</p><p>outra pessoa, não está dizendo, em essência, “Eu sou Deus.</p><p>Decido quem vive e quem morre”?</p><p>• “Não adulterarás” (v. 14). Tomar o cônjuge de outra pessoa</p><p>não é o mesmo que adorar outro deus, como o romance, a</p><p>emoção, o poder ou o prazer?</p><p>• “Não cobiçarás...” (v. 17). Desejar intensamente algo que</p><p>pertence a outra pessoa é idolatria, pois corresponde a valo</p><p>rizar algo mais que a Deus e sua vontade.</p><p>Vemos, portanto, que não ter “outros deuses” é o eixo no qual</p><p>gira toda nossa obediência. Isso porque o mandamento contra a</p><p>idolatria é, na realidade, um mandamento para amar, para dedicar</p><p>todo nosso afeto somente a Deus.1</p><p>’Albrecht Peters, Ten Commandments: commentary on Luthers catechisms (St.</p><p>Louis: Concordia, 2009), p. 106.</p><p>“Dizer que existe somente um Deus, e nenhum deus além dele não</p><p>é simplesmente um artigo em um credo. E uma verdade avassaladora, *</p><p><56></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>que não cabe em nossa mente e que faz o coração parar, uma ordem</p><p>para amarmos o único que é digno de nossa total lealdade.”2 3 A essên</p><p>cia desse mandamento</p><p>é que devemos separar Deus de todo o restante</p><p>em nosso coração e lhe dar prioridade absoluta. Significa que, pela fé,</p><p>devemos procurar crer que ele é bom e amoroso, como diz ser, e que</p><p>ele será para nós a fonte de todo o bem, de todas as nossas alegrias.</p><p>2Os Guinness; John Seel, orgs., No god but God (Chicago: Moody, 1992), p. 206.</p><p>3Para uma abordagem do legalismo, veja o Apêndice B.</p><p>Talvez agora você tenha algumas perguntas gerais a respeito do</p><p>lugar da lei do Antigo Testamento em nossa vida.</p><p>OS DEZ O QUÊ ?</p><p>Durante boa parte de minha vida cristã, o papel da lei do Antigo</p><p>Testamento me causou perplexidade. Os Dez Mandamentos, em</p><p>particular, faziam parte de meu conhecimento bíblico de modo</p><p>semelhante às histórias do Antigo Testamento. Sim, estavam pre</p><p>sentes. Parecia que deviam ser pertinentes. E sim, supostamente eu</p><p>devia obedecer-lhes. Mas, para ser sincera, creio que nunca havia</p><p>refletido a respeito deles com mais profundidade. Afinal, não eram</p><p>assim tão importantes, certo? Como cristã, eu havia aprendido que</p><p>não estava mais “debaixo da lei” (qualquer que seja o significado</p><p>dessa expressão), então por que me preocupar? Eu sabia que minha</p><p>salvação era somente pela graça — eu não precisava obedecer aos</p><p>mandamentos para garantir minha posição de aceitação diante de</p><p>Deus e, de algum modo ambíguo, eu os afirmava da boca para fora</p><p>e esperava que continuassem onde estavam: lá nos tempos antigos.</p><p>A utilidade da lei moralpara o cristão</p><p>De lá para cá, porém, Deus, em sua graça, me ajudou a aprender que a</p><p>lei, resumida nos Dez Mandamentos, exerce uma função importante</p><p><57></p><p>ÍDOLOS£CORAÇÃO</p><p>na vida dos cristãos. A lei nos ensina a verdade a respeito de nossa su</p><p>posta bondade e a respeito do único caminho para o céu. Contemplar</p><p>os padrões imutáveis de Deus nos Dez Mandamentos nos ajuda a</p><p>entender que nenhum mero ser humano jamais guardou a lei per</p><p>feitamente. Romanos 3.23 diz: “Todos pecaram e ficam aquém”</p><p>(NASB). E importante compreender esse fato, pois alguns confiam</p><p>que irão para o céu porque são relativamente bons. De modo não</p><p>muito diferente do personagem de Patrick Swayze no filme de sucesso</p><p>Ghost: do outro lado da vida, o homem moderno criou um conjunto</p><p>de normas nestas linhas: Sou razoavelmente bom. Não estou fazendo</p><p>mal a ninguém. Cumpro meu dever, amo minha namorada. Com</p><p>certeza um sujeito bacana como eu merece ir para o céu.</p><p>Os verdadeiros cristãos discordam da versão hollywoodiana da</p><p>salvação. Cremos em algo bem diferente acerca de como obtê-la.</p><p>Cremos que as pessoas são incapazes de ter uma vida em total con</p><p>formidade com os padrões perfeitos de Deus. Isso porque Deus é</p><p>tão santo e perfeito que a desobediência em uma só área é suficiente</p><p>para nos condenar como transgressores da lei. Era a isso que Tiago</p><p>estava se referindo quando escreveu: “Pois qualquer um que guarda</p><p>toda a lei, mas tropeça em um só ponto, torna-se culpado de todos”</p><p>(Tg 2.10). Somente uma pessoa guardou a lei: o Senhor Jesus Cristo.</p><p>Recebemos a salvação somente pela fé no cumprimento perfeito da</p><p>lei por Jesus Cristo em nosso lugar.4 5</p><p>4Se você não tem certeza se é cristão, consulte agora o Apêndice C: “Como</p><p>saber se você é cristão”.</p><p>5“Desse modo, a lei se tornou nosso guia para nos conduzir a Cristo, a fim de</p><p>que pela fé fôssemos justificados” (G1 3.24).</p><p>A lei me ajuda ao servir de guias — uma professora pessoal que ha</p><p>bita na sala de aula no meu coração e me ajuda a entender que não</p><p>possuo nenhuma bondade inata. E fácil desconsiderar a lei de Deus</p><p>e me comparar com outros, como fiz na Ásia! Quando sigo esse</p><p><58></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>caminho, sempre chego à conclusão de que sou razoavelmente boa.</p><p>Se, contudo, me examino no espelho de Deus (a lei perfeita),6 des</p><p>cubro que tenho falhado de todas as formas imagináveis.</p><p>6“Pois, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, é semelhante a um</p><p>homem que contempla o próprio rosto no espelho; porque ele se contempla, vai</p><p>embora e logo se esquece de como era. Entretanto, aquele que atenta para a lei</p><p>perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas pra</p><p>ticante zeloso, será abençoado no que fizer” (Tg 1.23-25).</p><p>7Embora a lei me ajude a enxergar minha pecaminosidade, pela misericórdia de</p><p>Deus nunca vejo inteiramente o que ele vê. Sou incapaz de entender profundamente o</p><p>quão pecaminoso é meu coração, embora o vislumbre que a lei me dá de meu coração</p><p>seja suficiente para realizar o propósito divino. “Porque agora vemos como por um</p><p>espelho, de modo obscuro, mas depois veremos face a face. Agora conheço em parte,</p><p>mas depois conhecerei plenamente, assim como também sou plenamente conhecido”</p><p>(ICo 13.12). Devemos ser gratos a Deus porque não vemos face a face de imediato.</p><p>Devemos ser gratos porque não enxergamos agora a imagem completa de nossa peca</p><p>minosidade, pois, se o fizéssemos, é possível que nosso coração se desesperasse.</p><p>A lei me torna humilde e acaba com minha justiça própria. Como Paulo</p><p>escreve, “eu não conheceria o pecado se não fosse pela lei” (Rm 7.7).</p><p>Ela me mostra de modo convincente que não mereço a salvação,</p><p>pois não obedeço aos Dez Mandamentos. Claro que, desde que Phil</p><p>e eu nos casamos, jamais cheguei a cometer adultério externamente,</p><p>mas a Lei não diz respeito apenas à obediência externa. Como Jesus</p><p>ensinou no Sermão do Monte, a Lei também precisa ser obedecida</p><p>internamente... e, se essa é a exigência, quebrei cada um dos manda</p><p>mentos um sem número de vezes. Não tenho mérito algum diante</p><p>de um Deus inteiramente santo. Embora pareça contraintuitivo,</p><p>essa é uma situação boa para minha alma, pois me leva a lançar-me</p><p>inteiramente na misericórdia de Deus em Cristo. Remove todas as</p><p>minhas ilusões de bondade e me ajuda a entender o quanto preciso</p><p>do perdão de Deus.7 A lei mostra o quão encarecidamente neces</p><p>sito que o registro perfeito de Cristo seja aplicado ao meu. Essa</p><p>transferência de seu registro de obediência total a mim, essa retidão</p><p><59></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>imputada, chamada justificação, é minha única esperança, mas é toda</p><p>esperança de que preciso.</p><p>A lei me ensina o quanto devo ser grata a Cristo por tê-la cumprido per-</p><p>fieitamente? Tenho uma dívida com Cristo, pois ele cumpriu a lei</p><p>perfeitamente, e depois tomou sobre seu corpo o castigo por minha</p><p>transgressão. Diante disso, meu coração é impelido a transbordar de</p><p>amor e obediência. Ao comparar minha vida contrária à lei com as</p><p>perfeições dele, sou tomada de gratidão. E agora, por causa da obra</p><p>de Cristo, reconheço que a exigência da lei se cumpriu em mim* 9</p><p>porque tenho sua retidão perfeita. Não é incrível? A exigência da lei</p><p>se cumpriu em nós, cristãos!</p><p>* Westminster larger catechism , P. 97: De que utilidade especial é a lei moral aos</p><p>regenerados? R: Embora aqueles regenerados e crentes em Cristo sejam libertos da</p><p>lei moral, como aliança de obras, [1] de modo que nem são justificados, [2] nem</p><p>condenados por ela, [3] além da utilidade geral desta lei comum a eles e a todos</p><p>os homens é ela de utilidade especial para lhes mostrar quanto devem a Cristo por</p><p>cumpri-la e sofrer a maldição dela, em lugar e para bem deles, [4] e assim incen</p><p>tivá-los a ter maior gratidão [5] e a manifestar essa gratidão por meio de maior</p><p>cuidado da sua parte em conformarem-se a esta lei, como regra de obediência. [6]</p><p>1) Rm 6.14; 7.4,6; G14.4,5; 2) Rm 3.20; 3) G15.23; Rm 8.1; 4) Rm 7.24-25; 8.3,4;</p><p>G13.13,14; 5) Lc 1.68,69,74,75; Cl 1.12-14; 6) Rm 7.22; 12.2; Tt 2.11-14 [edição</p><p>em português: O catecismo maior de Westminster (São Paulo: Cultura Cristã, 2003)].</p><p>9“Pois o que para a lei era impossível, visto que se achava fraca por causa da</p><p>carne, Deus o fez na carne, condenando o pecado e enviando o seu próprio Filho</p><p>em semelhança da carne do pecado e como sacrifício pelo pecado, para que a justa</p><p>exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas se</p><p>gundo o Espírito” (Rm 8.3,4).</p><p>A lei se torna a norma de retidão à qual procuro obedecer por gratidão.</p><p>Como um filho agradecido</p><p>procura agradar a mãe ou o pai querido,</p><p>tenho um desejo de santidade que nasce de um coração repleto de</p><p>ação de graças. A lei não mais me condena, pois recebi o registro</p><p>perfeito de Cristo. Antes, quando entendo a verdade de minha abso</p><p>luta dependência de sua misericórdia, a lei me faz ver meu pecado e</p><p><60></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>ansiar pelo caráter de Cristo em minha vida. Desejo ser santa porque</p><p>o amo e quero ser semelhante a ele. Minha retidão está garantida na</p><p>obediência perfeita de Cristo por mim e, por sua graça, estou me</p><p>tornando “[consagrada] às boas obras” (Tt 2.14).</p><p>O primeiro mandamento diz respeito, principalmente, a minha</p><p>devoção interior: a ordem é para “temer e amar a Deus e confiar nele</p><p>acima de tudo”.10 * Todo pecado, toda idolatria em meu coração, nasce</p><p>da falta de amor e de gratidão e na confiança depositada em coisas</p><p>indevidas. Toda vez que adoro algo ou alguém senão Deus, esqueço-</p><p>-me de que ele é o bom Pai e o grande Rei que me tirou do Egito.</p><p>De modo contrastante, todo ato verdadeiramente piedoso, inclusive</p><p>o desejo interior de ser piedoso, nasce do amor11 e da adoração que</p><p>ele colocou em meu coração. Sua graça me leva a ter prazer na lei,</p><p>pois a vejo como o modelo para que eu cresça e me torne semelhante</p><p>a ele. Foi nesse contexto que Paulo disse: “Porque, no que diz res</p><p>peito ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus...” (Rm 7.22).</p><p>Visto que a lei não pode mais me condenar, não temo mais suas</p><p>acusações nem ressinto sua intromissão.</p><p>10Martin Luther, “The small Catechism”, in: The book of concord: The confessions</p><p>of the Lutheran Church, acesso em: 15 set. 2015, disponível em: http://bookofcon-</p><p>cord.org/smallcatechism.php.</p><p>n“...o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que</p><p>nos foi dado” (Rm 5.5).</p><p>12Considero importante fazer distinção entre a lei moral (contida nos Dez</p><p>Mandamentos), a lei cerimonial (usada no culto no templo) e a lei civil (redigida</p><p>para a nação de Israel).</p><p>13Ernest C. Reisinger, Whatever happened to the Ten Commandments? (Carlisle:</p><p>Banner of Truth Trust, 1993), p. 13.</p><p><6I></p><p>Sim, a lei moral resumida nos Dez Mandamentos é uma dádiva</p><p>maravilhosa.12 Devemos considerá-la como “dez amigos para guar</p><p>dar nossos caminhos”.13 Ela nos conduz à humildade e nos convence</p><p>do pecado, enche-nos de gratidão pela mansa obediência de nosso</p><p>Salvador e nos leva a viver de modo agradável a ele:</p><p>http://bookofcon-cord.org/smallcatechism.php</p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Assim, oramos para que possais viver de maneira digna do Senhor,</p><p>agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescen</p><p>do no conhecimento de Deus [...] dando graças ao Pai, que vos</p><p>capacitou a participar da herança dos santos na luz. Ele nos tirou</p><p>do domínio das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho</p><p>amado, em quem temos a redenção, isto é, o perdão dos pecados</p><p>(Cl 1.10-14).</p><p>O dedo de Deus</p><p>Recorde-se comigo das palavras surpreendentes que descrevem a</p><p>entrega inicial da Lei:"... deu-lhe [a Moisés] as duas tábuas do tes</p><p>temunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus” (Ex 31.18).14</p><p>O Senhor Deus de toda a criação, o Rei dos céus e da terra, escreveu</p><p>a Lei com sua própria mão!15 Não é incrível? Por mais espantoso que</p><p>seja esse fato, porém, a infindável compaixão divina não para por aí.</p><p>Ezequiel e Jeremias prenunciam misericórdias ainda maiores.</p><p>14Em seu relato sobre a lei, Moisés escreveu novamente: “O Senhor me deu</p><p>as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus, e nelas estavam escritas todas</p><p>as palavras que o Senhor havia falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia</p><p>da assembléia” (Dt 9.10).</p><p>15O fato de Deus ter escrito a lei com sua própria mão não é incentivo suficien</p><p>te para que a guardemos?</p><p>16E interessante observar que o ato divino de escrever a lei em nosso coração</p><p>de carne resultará em adoração sincera: “Mas esta é a aliança que farei com a casa</p><p>de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei na sua mente e a</p><p>escreverei no seu coração. Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31.33).</p><p>Também vos darei um coração novo e porei um espírito dentro de</p><p>vós; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de</p><p>carne (Ez 36.26).</p><p>... Porei a minha lei na sua mente e a escreverei no seu coração...</p><p>(Jr 31.33).16</p><p><62></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>Amor maravilhoso! Enquanto a lei de Deus havia sido escrita</p><p>apenas em tábuas de pedra — fora de nós, com incitações exteriores à</p><p>santidade e com poder para condenar — agora sua lei, escrita por sua</p><p>mão, reside em nosso coração! Agora, somos impelidos por um desejo</p><p>interior de lhe obedecer, sem medo de sermos condenados por fracassar.</p><p>Deus, por seu poder transformador, nos faz ter prazer em sua</p><p>vontade. A mudança em nosso coração nasce da alegre obediên</p><p>cia do Senhor Jesus, que tinha prazer em fazer a vontade de Deus</p><p>porque a lei de Deus estava em seu coração. E agora, em Cristo, a</p><p>lei de Deus está escrita em nosso coração, e podemos, igualmente,</p><p>começar a ter prazer nela (veja tb. Hb 10.5-10).</p><p>E por causa dessas grandes misericórdias que devemos procurar</p><p>obedecer aos mandamentos, lembrando-nos de que Deus nos amou</p><p>e nos transformou enquanto ainda éramos seus inimigos.17 Aliás, o</p><p>desejo de obedecer é a única prova indubitável de que o amamos;</p><p>como João 14.15 diz: “Se me amardes, obedecereis aos meus man</p><p>damentos” (veja tb.Jo 14.21,23,24; ljo 5.2,3).18</p><p>“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; eu vos purificarei de</p><p>todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos. Também vos farei um coração</p><p>novo e porei um espírito novo dentro de vós; tirarei de vós o coração de pedra e vos</p><p>farei um coração de carne” (Ez 36.25,26).</p><p>17“Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela</p><p>morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua</p><p>vida”(Rm 5.10).</p><p>18Observe como a expressão “os que o amam e obedecem aos seus mandamen</p><p>tos” é reiterada em Dt 7.9 e em Daniel 9.4 (veja tb. Deuteronômio 10.12,13 e 2Jo</p><p>1.6). O Senhor declarou que os verdadeiros membros de sua família eram aqueles</p><p>que faziam a vontade de seu Pai: “Pois quem fizer a vontade de meu Pai que está no</p><p>céu, este é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12.50). E também: “Vós sois meus amigos,</p><p>se fizerdes o que vos mando” (Jo 15.14).</p><p>Essa demonstração de obediência em amor é muito diferente</p><p>da apatia letárgica e dos sentimentos egocêntricos e piegas que se</p><p>fazem passar por amor a Deus e que vejo com tanta frequência em</p><p>minha própria vida. Sempre lutaremos contra nossa natureza peca</p><p>minosa, e nossa obediência só será completa no céu, mas o foco de</p><p><63></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>nossa vida deve se evidenciar numa crescente alegria em obediência</p><p>e submissão. Por vezes, a obediência e a submissão assumem a forma</p><p>de mudanças exteriores; em outras ocasiões, dizem respeito princi</p><p>palmente a questões do coração: Confio em mim mesma, em minha</p><p>própria bondade e em meu poder de salvar ou confio somente no</p><p>Senhor? Sei por experiência própria que é muito mais fácil assumir</p><p>a forma de obediência exterior, de deixar de fazer algo que não devo.</p><p>É extremamente difícil, porém, atrelar todos os desejos, todas as es</p><p>peranças e expectativas de meu coração à promessa de Deus de me</p><p>amar, e crer que ele quer somente o meu bem.</p><p>MANDAMENTOS A RESPEITO</p><p>DA IDOLATRIA</p><p>Os mandamentos que proíbem a idolatria são um tema tão prepon</p><p>derante nas Escrituras que seria quase impossível destacar todas as</p><p>suas ocorrências. Permita-me compartilhar, portanto, apenas alguns</p><p>deles para reforçar em sua mente que, embora esse assunto pareça</p><p>obscuro, não é.</p><p>Mandamentos no Antigo Testamento</p><p>Não vos volteis para ídolos, nem façais deuses de metal para vós. Eu</p><p>sou o Senhor vosso Deus (Lv 19.4).</p><p>Não seguirás [...] os deuses dos povos que habitarem ao teu redor...</p><p>(Dt 6.14).</p><p>Não haja no meio de ti deus estranho, nem te prostres perante um</p><p>deus estrangeiro (SI 81.9).</p><p>Todos os que adoram imagens, que se gloriam de ídolos, ficam</p><p>envergonhados; prostrai-vos diante dele, todos os deuses (SI 97.7).</p><p><64></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>Eu, porém, sou o Senhor, teu Deus, desde a terra do Egito; por</p><p>tanto, não conhecerás outro deus além de mim, porque não há</p><p>salvador senão eu (Os 13.4).</p><p>Mandamentos no Novo Testamento</p><p>Então Jesus lhe ordenou: Vai-te, Satanás; pois está escrito: Ao</p><p>Senhor, teu Deus adorarás, e só a ele prestarás culto (Mt 4.10).</p><p>Mas agora vos escrevo que não vos associeis com aquele que, di</p><p>zendo-se irmão, for [...] idólatra... (ICo 5.11).</p><p>... Não vos enganeis: nem imorais, nem idólatras [...] herdarão o</p><p>reino de Deus (ICo 6.9,10).</p><p>Não vos torneis idólatras, como alguns deles... (ICo 10.7).</p><p>Portanto, meus amados, fugi da idolatria (ICo 10.14).</p><p>As obras da carne são evidentes, a saber: [...] idolatria... (G15.19,20).</p><p>Portanto, eliminai vossas inclinações carnais: [...] avareza, que é</p><p>idolatria (Cl 3.5).</p><p>Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (ljo 5.21).</p><p>Está começando a perceber como o tema da idolatria é pre</p><p>dominante na Bíblia? Diante disso, é interessante que no âmbito</p><p>evangélico mais amplo raramente ouçamos falar dele. Claro que,</p><p>em alguns círculos, especialmente entre os reformados, a idolatria</p><p>é um assunto comum. Ainda assim, tendo em vista que é a forma</p><p>de pecado mencionada com mais frequência na Bíblia, não deveria</p><p>receber mais atenção? Peçamos a Deus que abra nossos olhos para</p><p><65></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>a importância de nossa adoração e nos ensine a voltar nosso amor e</p><p>nossa devoção inteiramente para ele.</p><p>Edificando sobre os alicerces dos mandamentos</p><p>Agora que consideramos a lei, lembremo-nos de três fatos a seu</p><p>respeito: ela nos conduz à humildade e nos obriga a correr para</p><p>Jesus; ela nos torna gratos porque Cristo a cumpriu perfeitamente;</p><p>e ela nos mostra como é a verdadeira gratidão. Deus nos tratou com</p><p>graça indizível ao nos conceder um coração novo e sensível no qual</p><p>escreveu sua verdade viva. Sabemos de nossa incapacidade de guar</p><p>dar a lei como meio de salvação, mas também entendemos que o</p><p>desejo de crescer em obediência faz parte das implicações de sermos</p><p>filhos que amam a Deus.</p><p>A esposa de Ló era idólatra, mas sua idolatria não começou</p><p>quando ela se voltou para olhar para a cidade que amava. Sua ido</p><p>latria começou quando ela deu mais valor a Sodoma que a Deus,</p><p>quando seu coração se apegou à vida antiga que ela conhecia e amava.</p><p>A idolatria provocou sua ruína. A Bíblia nos adverte clara e repeti</p><p>damente para dedicarmos todo nosso amor e toda nossa devoção</p><p>a Deus — para nosso bem. Ao prosseguirmos com nosso estudo,</p><p>podemos ter a certeza de que o Espírito Santo está operando em nós,</p><p>transformando-nos e levando-nos a ter o desejo de nos tornarmos</p><p>filhos mais amorosos e obedientes. Peçamos a Deus que ele nos ajude</p><p>a amá-lo e a acolher sua lei como uma amiga querida e bem-vinda.</p><p>1. Escreva os Dez Mandamentos.</p><p>2. Qual era sua atitude em relação aos Dez Mandamentos no passa</p><p>do? Qual é sua atitude agora?</p><p><66></p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>3. Recapitule as passagens sobre idolatria nas páginas 63-4. Quais</p><p>delas falam de modo específico ao seu coração? O que você</p><p>aprendeu com a leitura desses versículos? Em que aspectos</p><p>pode crescer?</p><p>4. Em Romanos 8.4, Paulo escreveu: “... para que ajusta exigência</p><p>da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne,</p><p>mas segundo o Espírito”. De que maneira a exigência da lei se</p><p>cumpriu em você como crente? Em que sentido esse versículo</p><p>dá serenidade ou confiança a seu coração?</p><p>5. Ao refletir sobre a morte da esposa de Ló, você observa alguma</p><p>semelhança entre o pecado dela e seu amor pelo mundo? A seu</p><p>ver, o pecado dela foi idolatria? Por quê?</p><p>6. Peça a Deus que o ajude a dar mais valor a seus mandamentos e</p><p>a entendê-los melhor, especialmente o primeiro.</p><p><67></p><p>4</p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA</p><p>O CORAÇÃO</p><p>Se Deus não me desse um coração para amá-lo,</p><p>eu preferia jamais ter coração.1</p><p>1 Richard Baxter,^ Christian directory (Morgan: Soli Deo Gloria, 1996), p. 125.</p><p>A vida nas ruas de Naim era difícil. Como prostituta, o estilo de vi</p><p>da que outrora ela havia adotado com raiva, desespero e rebeldia,</p><p>tinha se tornado servidão e amargura. Sua vida era vazia e inútil, e</p><p>o futuro parecia reservar apenas vergonha e ódio cético. Embora</p><p>ela conhecesse atos de "amor", seu coração nunca havia experi</p><p>mentado amor verdadeiro, amor que a cativasse com sua pureza.</p><p>Juntamente com o desespero, crescia dentro dela a consciência</p><p>incômoda da inutilidade de sua vida. Começava a entender que</p><p>suas escolhas nunca traziam liberdade nem prazer; em vez disso,</p><p>era oprimida por uma sensação de culpa e de tragédia iminente.</p><p>Ninguém precisava lhe dizer que estava condenada... Satanás</p><p>não lhe deixava esquecer por um momento sequer. Coisas que</p><p>antes haviam sido fonte de prazer - o poder sobre os homens,</p><p>o orgulho de ser diferente de outras mulheres e a segurança de</p><p>ouvir moedas tinindo no bolso - agora lhe pareciam tolas, sem</p><p>sentindo, fúteis. No mais recôndito de seu ser, ela percebia uma</p><p>mudança misteriosa. Começava a brotar a ideia de que havia</p><p>esperança até mesmo para ela. Talvez existisse um Deus que a</p><p>perdoaria. Gradativamente, notou um anseio por amar e conhe</p><p>cer o Deus a respeito do qual tinha ouvido falar a vida toda, o</p><p>Deus de Israel.</p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>Ao olhar para a planície do Carmelo e ver à distância os mon</p><p>tes de Nazaré, ela se lembrou das histórias que tinha ouvido a</p><p>respeito de certo nazareno chamado Jesus. Ele havia ressuscitado</p><p>o filho da viúva aflita e dito:"... Não chores" (Lc 7.13). Não chores.</p><p>Será que ele diria essas mesmas palavras para ela? Ele poderia</p><p>mudar sua vida também? Ou será que ela estava tão perdida que</p><p>não havia mais esperança de perdão?</p><p>Das sombras, ela o observou interagir com pessoas comuns e</p><p>notou que ele as acolhia e as ensinava com terna sabedoria. E quan</p><p>do o viu com os líderes religiosos, entendeu que ele não era igual a</p><p>eles. Sem dúvida, ele amava a lei e lhe obedecia, mas era humilde e</p><p>manso. Ele parecia tão diferente de todos os outros homens que ela</p><p>já havia visto. O desejo de conhecê-lo começou a tomar conta dela.</p><p>Alguns diziam que ele era o Messias. Ela o viu fazer amizade com</p><p>pecadores e comer com eles... O Messias faria uma coisa dessas?</p><p>Será que ela havia se enganado a respeito de Deus a vida toda? Ele</p><p>parecia amar os rejeitados. Mas será que a acolhería? O que diria a</p><p>uma mulher tão envolta em pecado e vergonha?</p><p>O desejo intenso de conhecê-lo e amá-lo se tornou quase</p><p>obsessivo. "Como vou me aproximar dele?", perguntou-se. "Que pre</p><p>sente posso lhe oferecer para provar minha sinceridade?" Pareceu-lhe</p><p>errado ir de mãos vazias, então pegou o que tinha de mais valioso,</p><p>um vaso de alabastro cheio de perfume, e foi procurá-lo.</p><p>No dia em que resolveu ir a ele, descobriu que ele estava jan</p><p>tando na casa de Simão. Ela sabia que esse fariseu a desprezava e a</p><p>condenava, mas, ainda assim, ela tinha de chegar perto do nazare</p><p>no. Precisava encontrar uma forma de expressar o amor que havia</p><p>crescido dentro dela por Aquele que tinha dito: "Não chores". O</p><p>desespero venceu o medo e a vergonha, e ela se aproximou dele.</p><p>Lucas apresenta um relato comovente desse encontro:</p><p>... e, pondo-se atrás dele e chorando aos seus pés, começou a mo</p><p>lhar-lhe os pés com as lágrimas e enxugá-los com os cabelos; e</p><p>beijava-lhe os pés e derramava o perfume sobre eles (Lc 7.38).</p><p><70></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>A mulher que talvez tenha ouvido Jesus dizer “Não chores” a</p><p>uma viúva que havia perdido o filho trouxe um coração cheio de</p><p>lágrimas de amor e arrependimento para serem derramadas aos pés</p><p>dele. Em vez de Jesus lhe dizer para não chorar, concedeu-lhe a</p><p>graça de poder chorar não como alguém culpado, mas justificado, de</p><p>lamentar o pecado, de amar a Cristo. Deu-lhe um coração terno, de</p><p>carne, capaz de receber e abraçar sua pessoa, sua lei. Libertou-a de</p><p>uma vida de vergonha e, em meio às lágrimas que lavaram os pés dele,</p><p>ela descobriu que sua alma estava sendo lavada também. Ele</p><p>lhe</p><p>permitiu beijar a santidade, humilhar-se diante de um homem puro,</p><p>usar seu perfume para adorar o Homem perfeito, que era Deus.</p><p>Não obstante a reação dos fariseus, aquela que tinha sido tão</p><p>tomada pela imoralidade agora estava tomada pelo arrependimento</p><p>e pela alegria em razão dos pecados reconhecidos e perdoados. Não</p><p>importava mais o que os outros pensavam. Ela amava o Senhor e</p><p>se humilhou diante dele. Jesus sabia que suas ações eram motivadas</p><p>por amor, um amor capaz de ignorar a desaprovação e o desprezo,</p><p>um amor disposto a entregar tudo o que tinha a fim de adorá-lo.</p><p>Jesus reconheceu esse amor da mulher e disse: "... Os pecados dela,</p><p>que são muitos, lhe são perdoados, pois ela amou muito...” (Lc 7.47).</p><p>Essa mulher imoral, cujo nome não sabemos, encontrou per</p><p>dão aos pés daquele que se entregaria por seus muitos pecados. Ela</p><p>abandonou os deuses de sua vida antiga ao abrir mão da autopuni-</p><p>ção, do desejo de segurança, da independência orgulhosa e de seu</p><p>tesouro valioso: o vaso de alabastro cheio de perfume. O Espírito</p><p>Santo já havia operado de modo tão forte em seu coração que ela</p><p>foi capaz de ignorar abertamente o desprezo arrogante e o ódio dos</p><p>líderes religiosos. Finalmente, ela foi liberta da culpa e da vergonha</p><p>que a haviam escravizado por décadas, e ninguém poderia impedi-la</p><p>de amar seu Libertador.</p><p>Você percebe como todos os cristãos são iguais a essa mulher?</p><p>Quando nossos olhos são abertos para o valor de Cristo, nosso</p><p><7I></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>coração, semelhante ao dela, transborda de amor. E então, junta</p><p>mente com ela, nossa alma pode nadar para o céu em um mar de</p><p>lágrimas.2 À medida que crescermos no entendimento de seu amor</p><p>ao nos perdoar, todo o resto perderá seu valor. Que diferença faz</p><p>se outros desaprovam ou acusam? Que importa se abrimos mão</p><p>de nossos tesouros terrenos? Essa mulher derramou seu perfume</p><p>porque Jesus tinha lhe dado um novo tesouro: a vida e o coração</p><p>purificados e um relacionamento com ele. Em outros tempos, ela</p><p>havia chorado de amargura por suas angústias terrenas; aqui ela</p><p>chorou de alegria pelo perdão dos pecados. Será que ela sabia que</p><p>Deus estava guardando essas lágrimas preciosas em um vaso de</p><p>alabastro no céu (veja SI 56.8)?</p><p>2lhomas Watson, The doctrine of repentance (Carlisle: Banner of Truth Trust,</p><p>1994), p. 28.</p><p>O PODER INCOMPREENSÍVEL</p><p>DO ESPÍRITO SANTO</p><p>Que poder é capaz de levar uma mulher imoral como essa a se ajoe</p><p>lhar em arrependimento contrito diante de um homem na casa do</p><p>inimigo dela?</p><p>No mundo todo, há somente um poder que transforma almas: o</p><p>Espírito Santo. Ele opera de formas misteriosas e profundas, e nos</p><p>leva a crescer em piedade, criando em nós o desejo de sermos santos</p><p>como ele é. Lembre-se de que ele se chama Espírito Santo, e sua</p><p>obra sempre produz em seus filhos o anseio pela santidade.</p><p>No mundo inteiro, não há obra semelhante àquela que o Espírito</p><p>Santo realiza. Existem inúmeros programas de autoajuda para tor</p><p>nar-se um vendedor motivado, um excelente tenista, um palestrante</p><p>mais competente. Mas há apenas um Agente capaz de levar alguém</p><p>a ter o desejo de obedecer ao Pai, somente uma Pessoa capaz de</p><p><72></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>gerar amor por Deus em nosso coração: o Espírito Santo. Neste</p><p>capítulo, examinaremos seu poder dinâmico em nossa vida.</p><p>Conforme você avançar na leitura deste livro e o Senhor mostrar</p><p>áreas de idolatria em seu coração, pode ser proveitoso voltar ocasio</p><p>nalmente a este capítulo. Em vez de sentir-se arrasado ou condenado</p><p>em qualquer aspecto, lembre-se de que, com suas próprias forças,</p><p>você não é capaz de produzir em si mesmo amor absolutamente</p><p>sincero pelo Senhor. Portanto, se o desespero começar a tomar</p><p>conta, recorde-se primeiramente de que seu registro já foi selado</p><p>nos tribunais do céu: você é justo. Em seguida, recorde-se de que</p><p>Deus assumiu o compromisso de transformá-lo — e ele é capaz de</p><p>transformar qualquer pessoa (fato comprovado pelo modo como o</p><p>receoso Pedro enfrentou corajosamente a morte de mártir!).</p><p>COMO O ESPÍRITO NOS TORNA SANTOS</p><p>Ao nos ensinar as glórias de Cristo</p><p>Em sua última noite com os discípulos, Jesus ensinou extensamente</p><p>a respeito da obra do Espírito Santo. Entre outras coisas, ensinou</p><p>que o Espírito Santo opera a fim de glorificar a Cristo. “Ele me glo-</p><p>rificará, pois receberá do que é meu e o anunciará a vós” (Jo 16.14).</p><p>A função principal do Espírito Santo é nos ensinar a respeito de</p><p>nosso maravilhoso Salvador.</p><p>O modo exato em que o Espírito é derramado sobre nossos</p><p>corações e nos ilumina é um mistério, mas sabemos que ele nos</p><p>ensina como nosso Senhor Jesus é maravilhoso. Semelhante a um</p><p>grande mestre da pintura, o Espírito pinta um retrato primoroso das</p><p>perfeições de Cristo na tela de nosso coração, ilustrando seu amor,</p><p>sua misericórdia, sabedoria, bondade, humildade, santidade, suas</p><p>tristezas e sua terna amabilidade. Se alguma vez você já foi tomado</p><p>de alegre exaltação no Senhor Jesus e em sua vida magnífica, foi por</p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>obra do Espírito Santo em seu coração. Se você já se sentiu maravi</p><p>lhado pela beleza do caráter de Cristo ao ouvir a Palavra ser pregada</p><p>ou ao ler um dos Evangelhos, também foi por obra do Espírito.</p><p>E essencial que abracemos a beleza e a glória de Cristo, pois a</p><p>adoração nasce do amor. À medida que o Espírito Santo abrir seu</p><p>coração para a beleza de Cristo, seu amor crescerá. Os falsos deuses</p><p>que costumavam atraí-lo perderão o poder de tentá-lo. O Espírito</p><p>Santo nos transforma em indivíduos que amam a Deus e nos ensina</p><p>que amar a Pessoa mais bela de todo o universo é algo não apenas</p><p>sábio, mas também lógico. C. S. Lewis descreveu as alegrias inferio</p><p>res, ou falsos deuses, como “bolos de lama”.</p><p>Somos criaturas indiferentes, que brincam com bebida, sexo e am</p><p>bição enquanto alegria infinita nos é oferecida, como uma criança</p><p>ignorante que deseja continuar a fazer bolos de lama na sarjeta,</p><p>pois não é capaz de entender o significado do convite para passar as</p><p>férias na praia. Satisfazemo-nos facilmente demais.3</p><p>3C. S. Lewis, The weight of glory and other addresses [edição em português: Peso de</p><p>glória, tradução de Isabel Freire Messias (São Paulo: Vida Nova, 1993)], citado em John</p><p>Piper, Desiring God: meditations of a Christian hedonist (Sisters: Multnomah, 1996), p. 83.</p><p>4“Ali jamais haverá maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro; seus</p><p>servos o servirão e verão a sua face, e na testa delas estará o seu nome” (Ap 22.3,4).</p><p>Percebo que sou como essa criança ignorante que encontra</p><p>prazer, ainda que passageiro, nas coisas conhecidas, ao meu alcance,</p><p>apreciadas por meus sentidos. Que aparência essas ninharias teriam</p><p>se, como João, eu contemplasse o céu e visse o rosto de meu Salvador;</p><p>se eu o estivesse servindo na cidade que não precisa do Sol?4</p><p>Ao nos mostrar a cruz</p><p>O Espírito Santo foi enviado para convencer o mundo de três coi</p><p>sas: do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11).</p><p><74></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>Convencimento do pecado. O Espírito convence o mundo eficaz</p><p>mente do pecado de incredulidade. Essa convicção é sentida até</p><p>por cristãos que já creem que Jesus é Deus. O Espírito Santo</p><p>nos convence do pecado quando duvidamos da importância de</p><p>Cristo e de sua obra expiatória em nossa vida diária. Pode ser</p><p>que, em nosso ceticismo cristão, racionalizemos que talvez Cristo</p><p>seja Deus e que talvez tenha morrido pelo pecado. Mas o que isso</p><p>diz respeito à capacidade de Deus de nos satisfazer e nos dar paz</p><p>hoje? Ele perdoa, de fato, todo meu pecado? Ele ainda me ama</p><p>de verdade?</p><p>O pecado da incredulidade se encontra no cerne de todos os</p><p>outros pecados e, especialmente, no cerne da idolatria. “Idolatria é a</p><p>descrição mais abrangente usada pelos escritores bíblicos para traçar</p><p>os contornos da incredulidade.”5 E fácil entender o motivo. Quando</p><p>não cremos na verdade a respeito de quem Jesus é, daquilo que fez</p><p>ao viver de modo perfeito e ao sofrer e morrer por nosso pecado, é</p><p>impossível resistir à atração dos deuses</p><p>deste mundo quando sussur</p><p>ram para nós promessas de prazer.</p><p>sOs Guinness; John Seel, orgs., No god but God (Chicago: Moody, 1992), p. 30.</p><p>Crer na morte expiatória de Cristo por seu pecado e aceitar</p><p>essa obra é fundamental para abandonar os deuses deste mundo.</p><p>Você acredita sinceramente que ele morreu por seu pecado? Em</p><p>caso afirmativo, não é lógico imaginar que ele lhe concederá tudo</p><p>de que você precisa? “Aquele que não poupou nem o próprio Filho,</p><p>mas, pelo contrário, o entregou por todos nós, como não nos dará</p><p>também com ele todas as coisas?” (Rm 8.32).</p><p>Quão desejáveis os bolos de lama pareceríam se você estivesse</p><p>diante da cruz, olhando para as mãos e os pés transpassados por</p><p>você? E obra do Espírito levá-lo a experimentar essa verdade ao</p><p>mostrar-lhe a beleza da cruz.</p><p><75></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>Convencimento da justiça. O Espírito Santo também nos convence da</p><p>justiça de Cristo e de como ele concedeu a todos os crentes a dádiva</p><p>de seu registro perfeito. Os líderes religiosos judeus haviam acusado</p><p>Jesus de ser herege, e sua morte como criminoso pareceu confirmar</p><p>as palavras deles. Mas, por causa de sua ressurreição e ascensão ao</p><p>céu, o Espírito agora ilumina o coração dos homens para a verdade</p><p>de que, por mais que o mundo o afronte, Cristo foi perfeitamente</p><p>justo, e sua justiça pertence a todos os que creem.</p><p>E especialmente importante que contemplemos a natureza per</p><p>feita de Jesus, pois a idolatria é sempre um ataque ao caráter de</p><p>Deus. Toda vez que meu coração se volta para adorar falsos deuses,</p><p>diz: “Deus não é bom de verdade. Ele não é justo. Não é amoroso</p><p>nem santo. Preciso encontrar outros deuses que me satisfaçam, pois</p><p>Jesus não pode ou não quer me satisfazer”.</p><p>Se você crê que Jesus é o Filho perfeitamente justo de Deus, que</p><p>governa à destra do Pai, é por obra do Espírito. Ele guardará seu</p><p>coração da mentira segundo a qual a justiça pode vir de qualquer</p><p>outra fonte além de Cristo. Ele o guardará de crer que você precisa</p><p>produzir sua própria justiça a fim de ser aceitável. Em seu papel de</p><p>Senhor assunto, ele já nos concedeu tudo o que precisamos para</p><p>ter justiça e felicidade eterna, e ele reina em nós para proteger</p><p>essa herança (lPe 1.3,4). Que aspecto teriam nossos ídolos se, como</p><p>Estêvão em sua morte, contemplássemos o céu, onde o Rei assunto</p><p>nos espera (At 7.55,56)?</p><p>Convencimento do juízo. Por fim, o Espírito nos convence do juízo</p><p>divino sobre o pecado e da certeza da destruição do pecado e da</p><p>morte. Ele já julgou o pecado com poder na cruz ao cumprir toda a</p><p>lei em nosso lugar e ter a morte vergonhosa que merecíamos.</p><p>O Senhor Jesus julgou Satanás, o “príncipe deste mundo”, ao</p><p>se recusar a ceder a suas tentações, ao viver de modo perfeito e ao</p><p>morrer para arrancar das mãos dele os filhos de seu Pai. O castigo</p><p><76></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>de Deus para o Diabo se completará no fim dos tempos, quando</p><p>Deus acabará com ele. Enquanto isso não acontece, enquanto você</p><p>luta contra os efeitos trágicos do pecado, pode encontrar ânimo no</p><p>fato de que Deus será vitorioso sobre o inimigo de sua alma:"... Para</p><p>isto o filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo”</p><p>(ljo 3.8; veja tb. Jo 12.31; Rm 16.20; Cl 2.15; Hb 2.14). O poder</p><p>de Satanás de acusar os filhos de Deus e lhes falar do juízo e da</p><p>condenação iminentes foi tragado pela morte do Filho obediente.</p><p>Todo juízo pelo pecado de cada crente foi derramado no cálice do</p><p>qual Cristo bebeu por nós, em amor, quando morreu em nosso lugar.</p><p>Quando você for tentado a imaginar que a batalha está perdida</p><p>e que talvez seja melhor desistir e servir outros deuses, suplique ao</p><p>Espírito que o ajude a saber que seu inimigo é um criminoso con</p><p>denado que aguarda no corredor da morte a execução da sentença</p><p>(Ap 20.10). Não haverá uma suspensão da pena no último instante;</p><p>não, apenas a certeza do furor de Deus e do castigo eterno. Que</p><p>aparência teriam todas as mentiras do Diabo a respeito dos supostos</p><p>defeitos de Deus ou dos supostos atrativos do pecado, ou suas acusa</p><p>ções de juízo iminente, se você o visse em sua real situação: amarrado,</p><p>condenado e impotente fora da vontade soberana de Deus?</p><p>Ao escrever suas palavras em nosso coração</p><p>Como mencionamos no capítulo 3, o Espírito Santo escreve a lei</p><p>de Deus em nosso coração. A lei de Deus então nos governa in</p><p>ternamente, a partir de nosso coração, à medida que o Espírito nos</p><p>ajuda a entender seu significado e o aplica a nossa vida diária. Ele</p><p>nos ensina o que significa tê-lo como nosso Deus e ser seu povo da</p><p>aliança (Jr 31.33,34; ljo 2.27).</p><p>Essa unção do Espírito Santo nos conduz a toda verdade (Jo</p><p>16.13). Ele nos ensina para que possamos conhecer a Deus como</p><p>ele é, e não como imaginamos que seja. Ele não deseja que apenas</p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>saibamos a seu respeito; deseja que tenhamos intimidade com ele.</p><p>Em nossa natureza finita, jamais seremos capazes de compreender</p><p>plenamente sua pessoa, mas o Espírito Santo nos concede percepção</p><p>cada vez maior dele. Ao crescermos no entendimento dele, de seu</p><p>amor e de sua confiabilidade, nossa propensão a confiar em outros</p><p>deuses diminuirá. Por isso Paulo disse que tudo empalidece em</p><p>comparação com o tesouro de conhecê-lo e compreendê-lo:</p><p>Sim, de fato também considero todas as coisas como perda, compa</p><p>radas com a superioridade do conhecimento de Cristo Jesus, meu</p><p>Senhor, pelo qual perdi todas essas coisas. Eu as considero como</p><p>esterco, para que possa ganhar Cristo... (Fp 3.8).</p><p>Por que Paulo considerou tudo o que tinha — posição, poder,</p><p>influência e reputação — como lixo, ou esterco (a tradução mais</p><p>próxima do termo)? Porque o Espírito Santo havia lhe mostrado</p><p>o caráter de Cristo e, em comparação com ele, tudo o que o após</p><p>tolo tinha a oferecer de bondade própria e todas as coisas que os</p><p>deuses desse mundo oferecem, só serviam para ser lançados no</p><p>monte de esterco.</p><p>Cristo está se tornando a pérola de valor incalculável pela qual</p><p>você está disposto a vender tudo? Vale a pena derramar seu te</p><p>souro por ele? Essa é a obra do Espírito em seu coração. E obra do</p><p>Espírito revelar as belezas de Jesus e de seu Pai glorioso àqueles que</p><p>lhe pertencem. “Ele me glorificará, pois receberá do que é meu e o</p><p>anunciará a vós” (Jo 16.14).</p><p>Ao inclinar nosso coração para adorá-lo</p><p>Sem a obra do Espírito, adoramos tudo, ou melhor, qualquer coisa,</p><p>exceto Deus. E necessário, portanto, que ele opere de modo a incli</p><p>nar nosso coração para adorá-lo.</p><p><78></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>Na dedicação do templo, Salomão orou:</p><p>O Senhor, nosso Deus, seja conosco [...] incline para si os nossos</p><p>corações, para andarmos em todos os seus caminhos e guarda</p><p>mos os seus mandamentos, os seus estatutos e os seus preceitos...</p><p>(lRs 8.57,58).</p><p>Salomão entendeu que o Espírito Santo precisava inclinar o</p><p>coração de seu povo para a devida adoração. Isso porque nascemos</p><p>com a propensão natural para adorar a criação em vez do Criador.</p><p>Sem a intervenção do Espírito de Deus, estamos inevitavelmente</p><p>condenados a inventar falsos deuses, a adorar a nós mesmos em vez</p><p>de adorar Deus. João Calvino escreveu: “A experiência diária ensina</p><p>que a carne permanece inquieta até que obtenha uma fantasiosa</p><p>representação semelhante a si mesma, em que ternamente encontre</p><p>consolo como uma imagem de Deus”.6</p><p>John Calvin, Institutes of the Christian religion, edição de John T. McNeill,</p><p>Library of Christian Classics (Philadelphia: Westminster, 1960), 2 vols., 1:108</p><p>[edições em português: João Calvino, As institutas, tradução de Waldyr Carvalho</p><p>Luz (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 4 vols. e A instituição da religião cristã, tra</p><p>dução de Carlos Eduardo Oliveira; José Carlos Estêvão (São Paulo: Unesp, 2008)].</p><p>7Embora Salomão soubesse que Deus precisa nos tornar seus adoradores, caiu</p><p>em grave idolatria mais adiante em sua vida. Parte de sua idolatria se originou em</p><p>suas esposas pagãs, que influenciaram sua adoração (veja lRs 11.5-10).</p><p>Salomão entendeu esse fato e, por isso, orou para que Deus in</p><p>clinasse para si</p><p>o coração do povo.7 Deus opera por meio de seu</p><p>Espírito de modo a nos ensinar que aquilo que outrora parecia abso</p><p>luta insensatez, o desejo de amar e confiar somente em Deus, deve</p><p>ser nossa maior paixão. A medida que viermos a conhecê-lo em sua</p><p>bondade e em seu amor, experimentaremos liberdade que produz</p><p>santidade. Para esse fim, ele atua em nossos pensamentos e afeições.</p><p>Sob sua tutela, aprendemos que a bondade e a alegria supremas resi</p><p>dem na obediência e na adoração exclusiva a Jeová. Salomão não foi</p><p><79></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>o único escritor a mencionar o poder do Espírito de nos conduzir</p><p>à santidade:</p><p>Teu povo se apresentará de livre vontade no dia de teu poder</p><p>(SI 110.3, NASB).</p><p>... porque é Deus quem produz em vós tanto o querer como o</p><p>realizar, segundo a sua boa vontade (Fp 2.13; veja tb. SI 51.10;</p><p>119.36,37; Jr 32.39; 2Ts 3.5; Hb 13.20,21).</p><p>Embora a ideia de que o Espírito Santo atua sobre nossas incli</p><p>nações talvez seja novidade, não desanime; trataremos dessa questão</p><p>em mais detalhes adiante. Por ora, alegre-se pelo fato de o Espírito</p><p>Santo nos transformar em pessoas que amam a Deus. Por isso, o pu</p><p>ritano Richard Baxter disse: “Se Deus não me desse um coração para</p><p>amá-lo, eu preferia jamais ter coração”.8 Deus está disposto a dar a</p><p>seus filhos um coração para amá-lo e é capaz de fazê-lo. Lembra-se</p><p>da mulher imoral de Nairn? Se o Espírito mudou o coração dela,</p><p>também pode mudar o seu.</p><p>8Baxter,^ Christian directory, p. 125.</p><p>Ao nos convencer de que somos filhos de Deus</p><p>Outra tarefa do Espírito consiste em nos convencer de que somos</p><p>membros da família de Deus — somos seus filhos. Para quem é</p><p>sensível a seus pecados, é fácil duvidar de nossa adoção. Depois que</p><p>começamos a duvidar, o próximo passo é nos afastarmos do Pai</p><p>em direção a falsos deuses ou à incessante justificação por meio de</p><p>obras. Compreender que pertencemos a Deus é importante porque</p><p>nos motiva a adorá-lo. Volta nosso coração para o devido foco. Paulo</p><p>escreve a respeito da obra do Espírito em nossa adoção:</p><p><80></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>Porque não recebestes um espírito de escravidão para vos recondu</p><p>zir ao temor, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba,</p><p>Pai! O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que</p><p>somos filhos de Deus (Rm 8.15,16).</p><p>Saber que você é filho de Deus não desperta seu afeto por ele?</p><p>Há uma grande diferença entre adorar um Deus distante, uma divin</p><p>dade com a qual você não tem relação alguma, e adorar o Deus que</p><p>também é seu Pai. A consciência da relação próxima dele com você</p><p>deve incentivá-lo a dedicar-lhe todo o seu amor e toda a sua devoção.</p><p>Ao nos ensinar a orar</p><p>Não é uma bênção refletir sobre todas as maneiras pelas quais o</p><p>Espírito Santo nos capacita a sermos adoradores de Deus? Ao</p><p>lutarmos contra nossa idolatria pecaminosa, nos veremos, com fre</p><p>quência, pedindo sabedoria, força, verdadeiro ódio ao pecado e amor</p><p>à justiça. Precisamos da direção do Espírito até em nossas orações,</p><p>pois, sozinhos, nem sequer sabemos orar. Não sabemos pelo que</p><p>devemos orar, nem como expressar nossos desejos. Não sabemos se</p><p>nossos desejos são idólatras ou se estamos pedindo em concordância</p><p>com a vontade de Deus. Nesses momentos de oração profunda e</p><p>fervorosa o Espírito Santo também nos auxiliará.</p><p>Do mesmo modo, o Espírito nos socorre na fraqueza, pois não</p><p>sabemos como devemos orar, mas o próprio Espírito intercede</p><p>por nós com gemidos que não se expressam com palavras [...] ele</p><p>intercede pelos santos, segundo a vontade de Deus (Rm 8.26,27).</p><p>Que pensamento precioso! O Espírito nos ajuda em nossas</p><p>orações. Socorre-nos em nossa fraqueza. Em vez de Deus afastar-</p><p>-se de nós ou recusar-se a ouvir nossos débeis clamores, envia seu</p><p>Espírito para nos ajudar. O Espírito intercede por nós diante do</p><p><8I></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Pai enquanto oramos. Ele conhece a vontade do Pai e nos guia em</p><p>nossas orações. Mesmo quando as palavras são inadequadas, ele nos</p><p>ajuda por meio de “gemidos que não se expressam com palavras”.</p><p>Pense no quanto Deus deseja ajudá-lo, socorrê-lo, aproximá-lo dele,</p><p>libertá-lo da idolatria e mostrar-lhe que ele é digno de ser amado.</p><p>Enquanto lutamos contra o pecado, podemos ter a certeza de que o</p><p>Espírito está expressando perfeitamente nossas orações por socorro.</p><p>Que consolo o Espírito é para nós!</p><p>DEUS É FIEL</p><p>Quando Paulo escreveu aos coríntios, lembrou-lhes da insensatez de</p><p>seguir os erros dos israelitas e os encorajou a confiar na fidelidade</p><p>de Deus.</p><p>Não veio sobre vós nenhuma tentação que não fosse humana. Mas</p><p>Deus é fiel e não deixará que sejais tentados além do que podeis</p><p>resistir. Pelo contrário, juntamente com a tentação providenciará</p><p>uma saída, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi</p><p>da idolatria (ICo 10.13,14).</p><p>Paulo procurou consolá-los ao lembrar-lhes de que, nos momen</p><p>tos de provação e de tentação, podiam contar com a fidelidade de</p><p>Deus. Quis deixar claro que a tentação a cometer idolatria é “huma</p><p>na”. Eles não estavam sozinhos em sua luta. Também quis deixar claro</p><p>que, embora o mundo e seus falsos deuses pareçam extremamente</p><p>poderosos, “Deus é fiel”. Ele não dará as costas a nós enquanto luta</p><p>mos contra nossa incredulidade e nosso pecado. Com todo cuidado,</p><p>ele nos conduzirá de modo que nunca deparemos com qualquer ten</p><p>tação à idolatria maior que nossa capacidade de resistir. Então, ele fará</p><p>a tentação ou a provação desaparecer, ou nos fortalecerá para que a</p><p>resistamos, ou renovará nossa fé se cairmos. “Não há vale tão escuro</p><p>que ele não seja capaz de encontrar o caminho para atravessá-lo; não</p><p><82></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>há aflição tão grave que ele não possa impedir ou remover, ou nos</p><p>capacitar a suportar e, no final, levá-la a operar para nosso benefício”.9</p><p>Diante dessa realidade, Paulo diz: “Portanto, meus amados, fiigi</p><p>da idolatria” (1 Co 10.14). Deus prometeu socorrê-lo em suas tenta</p><p>ções e provações, especialmente conforme você compreende como</p><p>ele o amou e como é digno de amor. Ele mesmo assumiu o compro</p><p>misso de santificá-lo e de ajudá-lo a dar glória a ele.</p><p>’Ibidem.</p><p>A CERTEZA DE NOSSA</p><p>GLORIFICAÇÃO FINAL</p><p>A ideia de que um dia serei inteiramente conformada ao caráter</p><p>glorioso de Cristo é quase inacreditável. Mas Deus prometeu que a</p><p>obra santificadora iniciada por ele aqui na terra será completada no</p><p>céu. Anime-se com a capacidade de Deus de transformá-lo:</p><p>Pois os que conheceu por antecipação, também os predestinou para</p><p>serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o</p><p>primogênito entre muitos irmãos. E os que predestinou, a eles tam</p><p>bém chamou; e os que chamou, a eles também justificou; e os que</p><p>justificou, a eles também glorificou (Rm 8.29,30).</p><p>Você foi chamado por Deus? Então foi justificado por ele. Foi</p><p>justificado por ele? Então será glorificado por seu poder e trans</p><p>formado à imagem de seu Filho. Isso não é extraordinário? Visto</p><p>que o Espírito Santo é fiel em completar toda sua obra, podemos</p><p>ter a certeza de que Deus, de algum modo, por seu grande poder e</p><p>influência, nos levará a refletir seu caráter. Ele começou essa obra</p><p>agora neste mundo e a completará no mundo por vir. Podemos des</p><p>cansar na consciência desse fato, certos de seu amor e de sua direção</p><p>constantes. Como Joel Nederhood escreve:</p><p><83></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Um dia, a glória da pureza de Deus será compartilhada de tal modo</p><p>com o povo de Deus que eles serão semelhantes a Jesus, seres hu</p><p>manos perfeitos, como Deus pretende que sejam.10</p><p>10Joel Nederhood, This splendidjourney (Phillipsburg: P&R, 1998), p. 9.</p><p>Como é preciosa a influência do Espírito! O compromisso dele</p><p>de obedecer ao Pai ao consolar, transformar, esclarecer e ensiná-lo</p><p>leva-o a desejar cooperar com ele e depender dele? Você está desco</p><p>brindo que é tão amado por ele a ponto de ser inteiramente lógico</p><p>ter o desejo de retribuir esse amor? E assim que deve ser. Lembre-se:</p><p>o Senhor não o deixou órfão. Enviou seu Espírito para acompanhá-</p><p>-lo e para estar em você ao longo de toda essa</p><p>jornada.</p><p>No capítulo seguinte trataremos em mais detalhes da nossa bus</p><p>ca pela felicidade e de como isso influencia a escolha dos deuses aos</p><p>quais servimos. Por ora, dedique um tempo para meditar sobre o</p><p>quanto o Espírito o ajuda nessa batalha e regozije-se nele.</p><p>1. Faça uma lista de todas as maneiras pelas quais o Espírito o</p><p>ajuda na batalha contra o pecado e a idolatria.</p><p>2. Quais são as mais relevantes para você? Por quê?</p><p>3. Você consegue identificar algum motivo pelo qual a mulher</p><p>imoral descrita por Lucas se voltaria para Cristo? Como algo</p><p>tão drástico pôde acontecer?</p><p>4. De que maneira o Espírito levou-o a voltar-se para Cristo? Em</p><p>que aspectos as belezas de Cristo e de sua cruz se tornaram reais</p><p>para você?</p><p><84></p><p>AQUELE QUE TRANSFORMA O CORAÇÃO</p><p>5. Em que sentido a idolatria é um ataque ao caráter de Deus?</p><p>6. Calvino escreveu: “A Palavra é o instrumento pelo qual o</p><p>Senhor concede aos crentes a iluminação de seu Espírito”.11 De</p><p>que maneira ele usou a Palavra para iluminar seu coração neste</p><p>estudo? Há uma ou mais passagens particularmente relevantes</p><p>para você?</p><p>7. Escreva uma oração de súplica para que o Espírito o ajude,</p><p>mesmo em sua fraqueza, a compreender o papel dele em seu</p><p>processo contínuo de transformação rumo à piedade. *</p><p>“John Calvin, Institutes, 1:96.</p><p><85></p><p>5</p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>Meus lábios te louvarão, pois teu amor</p><p>é melhor que a vida (SI 63.3).</p><p>Algum tempo depois que o Senhor enviou Israel para o exílio por</p><p>idolatria, o rei Nabucodonosor levantou uma imagem de ouro na</p><p>Babilônia. Ele ordenou que todos a adorassem sempre que ouvissem</p><p>a música definida como sinal. Para os idólatras, essa imagem era</p><p>apenas mais um item para sua coleção, nada com que se preocu</p><p>par. Mas, para os três hebreus que haviam sido arrancados de seus</p><p>lares como disciplina de Deus pela idolatria de seus pais, a ideia de</p><p>adorar o falso deus do rei era abominável. Ao que parece, Sadraque,</p><p>Mesaque e Abednego haviam aprendido “Não terás outros deuses</p><p>além de mim” (Êx 20.30).</p><p>"... é verdade”, o rei quis saber, “que não cultuais a meus deuses</p><p>nem adorais a estátua de ouro que levantei? [...] se não a adorar</p><p>des, sereis lançados na mesma hora numa fornalha de fogo ardente;</p><p>e quem é esse deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (Dn</p><p>3.14,15). A situação aterradora revelou o coração desses jovens. Em</p><p>vez de aquiescerem por medo ou de se encherem de raiva e culparem</p><p>outros, simplesmente responderam:</p><p>O Nabucodonosor, não precisamos responder-te sobre isto. O nosso</p><p>Deus, a quem cultuamos, pode nos livrar da fornalha de fogo ar</p><p>dente; e ele nos livrará da tua mão, ó rei. Mas se não, fica sabendo, ó</p><p>rei, que não cultuaremos teus deuses nem adoraremos a estátua de</p><p>ouro que levantaste (Dn 3.16-18).</p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Esses rapazes sabiam que não se podia encontrar verdadeira</p><p>felicidade ao ceder às exigências de um rei pretensioso — ainda que</p><p>esse rei tivesse poder e autoridade para lhes tirar a vida. Eles enten</p><p>diam que a verdadeira felicidade só pode ser alcançada ao adorarmos</p><p>o Deus vivo. Estavam dispostos a sacrificar a vida para obedecer a</p><p>Deus e experimentar seu prazer.</p><p>Por que a obediência a Deus pareceu tão agradável a esses três</p><p>jovens, a ponto de se disporem a entrar numa fornalha de fogo</p><p>ardente? Eles não tinham garantia alguma de que Deus os livraria</p><p>da morte. Estavam preparados para morrer em vez de adorar um</p><p>falso deus. E impressionante como o Espírito Santo trabalhou neles</p><p>de modo a terem convicção de que a morte com fé era, verdadeira</p><p>mente, melhor que uma vida idólatra.</p><p>O VALOR DO AMOR DE DEUS</p><p>Reflita sobre as palavras de Davi: “Meus lábios te louvarão, pois teu</p><p>amor é melhor que a vida” (SI 63.3). Inúmeras vezes, entoei uma can</p><p>ção inspirada nesse versículo sem sequer pensar nele. O amor leal e a</p><p>misericórdia de Deus são, de fato, mais doces para mim que a vida?</p><p>Para responder a essa pergunta, colocarei outras palavras específicas</p><p>em lugar de vida, como riqueza, saúde, uma boa reputação ou paz.</p><p>• “Acredito que o amor leal de Deus é melhor que um bom car</p><p>ro?” Bem, claro que sim (a menos que meu carro não dê partida</p><p>exatamente quando estou atrasada para um compromisso!).</p><p>• “Acredito que é mais desejável que boa saúde?” No momen</p><p>to estou me sentindo bem, sim. Mas quando estou sofrendo</p><p>no meio da noite, me pergunto o que faria para ter uma boa</p><p>noite de descanso.</p><p>• “Seu amor eterno me dá mais prazer do que ter filhos obe</p><p>dientes?” Essa pergunta é um pouco mais complicada, pois</p><p><88></p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>acredito ser da vontade de Deus a obediência de meus filhos.</p><p>No entanto, é fácil colocar Deus de lado enquanto lido com</p><p>um filho cuja desobediência me envergonha.</p><p>• “Considero o amor de Deus mais precioso que todas as</p><p>outras coisas?” Enquanto estou aqui escrevendo sobre ele</p><p>é fácil responder de modo afirmativo. A situação muda de</p><p>figura, porém, quando descubro que meu marido perdeu o</p><p>emprego, minha amiga mais chegada está se mudando para</p><p>outro estado ou quando meu computador engoliu dois capí</p><p>tulos que escrevi. Nesses casos, sou fortemente tentada a me</p><p>esquecer do amor de Deus em sua aliança, caso conclua que</p><p>posso obter o que desejo.</p><p>O amor de Deus é a maior fonte de prazer, felicidade ou bem?</p><p>O relacionamento com ele parece tão prazeroso assim?</p><p>A FELICIDADE DO HOMEM</p><p>É O PRÓPRIO DEUS</p><p>O Espírito Santo pode tornar Deus seu maior tesouro. Ele influen</p><p>ciou Agostinho a escrever: “A felicidade do homem é o próprio</p><p>Deus”.1 Como Davi, Agostinho pensou em tudo o que o mundo ti</p><p>nha a oferecer e disse: “Nada é melhor que conhecer a Deus. Não há</p><p>prazer maior que adorá-lo. Nada é mais doce que seu amor. Minha</p><p>felicidade está somente nele”.</p><p>’Thomas Watson, The Ten Commandments (Cadisle: Banner of Truth Trust,</p><p>1995), p. 19.</p><p>A felicidade de Jesus</p><p>No deserto, Satanás seguiu essa linha para provar a Jesus. “O amor</p><p>de seu Pai é melhor que a vida para você?” E então ofereceu-lhe *</p><p><89></p><p>ÍDOLOS£CORAÇÃO</p><p>“todos os reinos do mundo e a glória deles”. Disse: “Eu te darei</p><p>tudo isto, se, prostrado, me adorares” (Mt 4.8,9). Jesus, porém, não se</p><p>entregou à idolatria. Ele dava tamanho valor ao amor de Deus que</p><p>quando Satanás lhe ofereceu todos os prazeres do mundo em troca</p><p>de sua adoração, ele recusou. Lembre-se de que Jesus havia acabado</p><p>de sair das águas do batismo, em que tinha ouvido a bênção do Pai:</p><p>“Este é o meu Filho amado, de quem me agrado” (Mt 3.17). Jesus</p><p>sabia que só é possível ter alegria ao viver em conformidade com o</p><p>amor de seu Pai e, portanto, pôde dizer: “Vai-te, Satanás; pois está</p><p>escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele prestarás culto”</p><p>(Mt 4.10). Jesus conhecia o prazer, a alegria pura da comunhão com</p><p>seu Pai. O amor de aliança entre eles era mais doce que qualquer</p><p>coisa que Satanás ou o mundo pudesse oferecer.</p><p>Foi com a mente voltada para o prazer de Deus, a “alegria que</p><p>lhe estava proposta” (Hb 12.2), que Jesus suportou a cruz. Como</p><p>Jesus suportou aquela noite terrível no jardim do Getsêmani em</p><p>que seus amigos o abandonaram e Judas o traiu? O que o impeliu</p><p>enquanto ele era açoitado, quando dele escarneciam, enquanto a</p><p>coroa de espinhos era fincada em sua cabeça? A que ele se apegou</p><p>quando clamou em desespero: “... Deus meu, Deus meu, por que</p><p>me desamparaste?” (Mt 27.46). O que era tão desejável a ponto de</p><p>Jesus suportar a cruz e a separação de seu Pai? Nada menos que</p><p>a alegria de saber que ele estava agradando a seu Pai ao regatar a</p><p>noiva que havia recebido. Ele se assentaria à destra do Pai por toda</p><p>eternidade. Na cruz, Jesus provou que valorizava o amor de Deus</p><p>mais que a vida.</p><p>Pedro experimentou essa alegria quando declarou: tu me</p><p>encherás de alegria na tua presença” (At 2.28). Davi escreveu a esse</p><p>respeito: “... na tua presença há plenitude de alegria; à tua direita</p><p>há eterno prazer” (SI 16.11). Juntamente com nosso Salvador, esses</p><p>homens experimentaram a alegria mais valiosa e mais desejável que</p><p>a vida.</p><p><90></p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>As expressões “plenitude de alegria” e</p><p>“eterno prazer” chamam a</p><p>atenção. O Espírito abriu os olhos de Davi para algo extraordinário</p><p>— o puro êxtase da comunhão irrestrita com o ser mais sublime de</p><p>todo o universo. Que alegria teríamos se pudéssemos, por apenas</p><p>um momento, adorá-lo inteiramente sem fraqueza, incredulidade</p><p>ou pecado algum! Que prazer indizível experimentaremos quando</p><p>finalmente o contemplarmos! Como Davi, agora dizemos:"... Minha</p><p>alma tem sede de ti [...] em uma terra seca e exaurida [...]. Meus</p><p>lábios te louvarão, pois teu amor é melhor que a vida” (SI 63.1,3). No</p><p>céu, seremos plenamente satisfeitos, cheios de alegria e prazer. Mas</p><p>será que podemos provar desse prazer agora? Tudo indica que algu</p><p>mas pessoas o fizeram. E, pela vontade bondosa de Deus, também</p><p>teremos momentos de glória, em que as alegrias do céu parecem</p><p>quase tangíveis.</p><p>O PRAZER EM FAZER A</p><p>VONTADE DE DEUS</p><p>Davi profetizou a respeito dos desejos de Jesus ao escrever: “Gosto</p><p>de fazer a tua vontade, ó meu Deus; sim, tua lei está dentro do meu</p><p>coração” (SI 40.8). Jesus tinha prazer na comunhão com seu Pai,</p><p>desfrutava-a e era cativado por ela. Conhecia a doçura resultante da</p><p>obediência e da adoração centrada em Deus. E ele teve uma vida de</p><p>obediência porque sabia que era querido e amado pelo Pai a quem</p><p>ele amava agradar.</p><p>Fazer a vontade de Deus era um prazer para Cristo, e ele foi</p><p>recompensado por isso. “Amaste a justiça e odiaste o pecado; por</p><p>isso Deus [...] te ungiu com óleo de alegria...” (Hb 1.9). O Senhor</p><p>Jesus teve grande alegria, felicidade de alma, porque amava a justiça</p><p>e odiava o pecado. Ele experimentou o prazer supremo de ver o</p><p>semblante doce de Deus sorrir para ele. Disse: “Aquele que me en</p><p>viou está comigo [...] pois faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8.29).</p><p><9I></p><p>ÍDOLOS£CORAÇÃO</p><p>Ter prazer em fazer a vontade de Deus significa abandonar a</p><p>ilusão de que é possível encontrar alegria fora da comunhão obe</p><p>diente com ele. Precisamos sempre questionar as imaginações que</p><p>parecem mais agradáveis que o amor de Deus. Para isso, temos de</p><p>estar convictos de que sua presença é o tesouro mais belo de todos.</p><p>Temos de crer que ele encherá nossa vida de alegria. “Acaso não há o</p><p>suficiente no céu, em uma vida de alegrias intermináveis com Deus,</p><p>para tornar a obediência agradável a ti?”2 Somente o Espírito Santo</p><p>pode fazer Deus parecer tão atraente.</p><p>2Richard Baxter, A Christian directory (Morgan: Soli Deo Gloria, 1996), p. 77.</p><p>3O prazer na comunhão obediente é um tema recorrente nas Escrituras: Jó</p><p>23.12; SI 40.8; 112.1; 119.11,35,47,48,72,92; Jr 15.16; Rm 7.22.</p><p>Você pode dizer, como Jesus: “Gosto de fazer a tua vontade,</p><p>ó meu Deus”?3 Caso sua resposta seja afirmativa, é por obra do</p><p>Espírito Santo em seu interior. Em todas as outras áreas em que</p><p>você ainda luta com falsos deuses e suas mentiras, suplique para que</p><p>o Espírito transforme seu coração. Ele é capaz de fazer com que</p><p>você deseje servi-lo permitindo que você descanse no grande poder</p><p>dele, mesmo quando a mudança parecer demasiado lenta.</p><p>A ESCOLHA INFELIZ DE EVA</p><p>Consideremos agora como o pecado entrou no mundo. “Então,</p><p>vendo a mulher que a árvore era boa para dela comer, agradável aos</p><p>olhos e desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu</p><p>e deu dele a seu marido, que também comeu” (Gn 3.6).</p><p>Por que Eva escolheu desobedecer a Deus? Releia três palavras</p><p>do versículo: boa, agradável e desejável. São termos que ilustram a</p><p>motivação por trás de ações. Nossas escolhas são fundamentadas</p><p>naquilo que consideramos “bom”, naquilo que nos é “agradável” e</p><p>naquilo que temos por mais “desejável”. A verdade é que sempre</p><p>escolhemos aquilo que acreditamos ser melhor para nós. Sempre</p><p><92></p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>escolhemos o que, a nosso ver, será mais prazeroso. Quando co</p><p>metemos algum pecado, é porque o confundimos com retidão:</p><p>escolhemos ser semelhantes a Deus, estendemos a mão e pegamos</p><p>tudo o que há de melhor. O pecado nunca se apresenta como tal.</p><p>Sempre se faz passar por retidão.</p><p>Não estou dizendo que sempre escolhemos aquilo que é moral</p><p>mente bom, pois, se o fizéssemos, não existiria pecado, e sabemos</p><p>que não é o caso. Antes, ao longo do dia, fazemos escolhas com</p><p>base naquilo que acreditamos ser melhor, que supostamente nos</p><p>trará felicidade. “A escolha da mente nunca se afasta daquilo que,</p><p>na ocasião [...] considerando-se todos os elementos, parece mais</p><p>aprazível e agradável.”4</p><p>Jonathan Edwards, Freedom of the will (Morgan: Soli Deo Gloria, 1996),</p><p>p. 13. John Owens concorda: “Nunca se faz escolha alguma sem certo grau de afei</p><p>ção”. James M. Houston, org., Sin and temptation: the challenge of personal godliness</p><p>(Minneapolis: Bethany, 1996), p. xix.</p><p>Embora eu deliberadamente tome a decisão (como Eva) de</p><p>desobedecer a Deus, sempre o faço porque creio que é a melhor</p><p>escolha na ocasião. Eva achou que comer do fruto proibido era o</p><p>melhor a fazer, a escolha mais aprazível e desejável. Ela considerou</p><p>a desobediência melhor que a vida. Foi enganada e levada a concluir</p><p>que era retidão. Esqueceu-se do doce amor de Deus. O pecado é</p><p>sempre ocasionado por nossa convicção de que ele é bom.</p><p>Se você nunca refletiu a respeito dos motivos de suas escolhas,</p><p>talvez pareça um tanto confuso. Apresento, portanto, duas analogias</p><p>simples para ilustrar essa verdade.</p><p>Entre em forma!</p><p>Imagine que o médico diz que preciso me exercitar com regularidade</p><p>para manter meus ossos fortes e dormir bem. Ele afirma (e acredito</p><p>nele) que se eu começar a me exercitar, me sentirei melhor e mais</p><p><93></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>saudável. Reconheço que a saúde é algo bom, agradável e desejável.</p><p>Sei que Deus deseja que eu cuide de meu corpo. Concluo que entrar</p><p>em forma será um benefício para minha vida. Imagino como será</p><p>maravilhoso me sentir saudável, ter força suficiente para caminhar</p><p>sem perder o fôlego — sim, estar em forma é bom. Portanto, decido</p><p>que vou escolher me exercitar.</p><p>A história se complica quando resolvo ir à academia. Coloco</p><p>o despertador para as 6h. Tenho uma agenda cheia, portanto sei</p><p>que preciso acordar cedo. No entanto, quando o despertador toca</p><p>nesse horário, percebo outras coisas boas: o prazer do calor e do</p><p>conforto de minha cama, o aconchego dos cobertores, o silêncio</p><p>da casa. De repente, algo me parece mais desejável — o benefício</p><p>de ficar em minha cama quentinha, desfrutando da solitude e do</p><p>descanso. Posso ir à academia amanhã.</p><p>O que parecia bom logo cedo (ficar na cama) não era, mas tinha</p><p>a aparência de ser. Escolhi ficar na cama porque, na ocasião, parecia</p><p>a melhor escolha. Ao decidir puxar os cobertores sobre a cabeça, es</p><p>colhi a opção que supostamente trazia o maior benefício para mim.</p><p>Cheguei a dizer a mim mesma que faria bem descansar um pouco</p><p>mais. Foi a melhor escolha? Provavelmente não. Naquele momento,</p><p>ficar na cama foi agradável e pareceu ser a decisão mais sábia, mas</p><p>se houvesse se tornado um hábito, eu teria sofrido as consequências.</p><p>O que parecia bom não era, embora naquele momento tivesse dado</p><p>a impressão de que sim.</p><p>Desista!</p><p>Sempre escolhemos o que parece bom, mesmo quando é evidente</p><p>mente mau. Suponha que eu chegue à conclusão de que o mundo</p><p>seria melhor sem mim. Começo a considerar o suicídio. Embora seja</p><p>difícil imaginar o benefício de minha não existência, começo a gos</p><p>tar da ideia. Tenho prazer em pensar sobre as pessoas que ficariam</p><p><94></p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>tristes com minha morte. Penso em como a vida deles seria melhor se</p><p>eu não estivesse por perto. Sonho em descansar e me livrar de meus</p><p>problemas. Quanto mais contemplo os aparentes benefícios de minha</p><p>morte, mais anseio por ela. A única coisa que me impede de me matar</p><p>é o bem da autopreservação. Tudo dentro de mim diz em alta voz que</p><p>o fim de minha existência não é algo bom, mas começo a amar essa</p><p>ideia e a ter prazer nela. Caso venha a cometer suicídio, não o farei</p><p>porque escolhi de propósito algo que parece mau, embora eu saiba que</p><p>o suicídio é pecado. Eu o farei porque creio que será o bem maior: o</p><p>fim de todos os meus problemas</p><p>e a liberdade absoluta. Para a pessoa</p><p>que comete suicídio, a morte parece mais prazerosa que a vida.</p><p>Talvez você esteja se perguntando em que tudo isso se relaciona</p><p>com a adoração a falsos deuses. Ficaria surpreso se eu dissesse: “Tudo”?</p><p>Erigimos falsos deuses porque acreditamos que eles são capazes de</p><p>nos proporcionar felicidade, nosso bem supremo.</p><p>NÃO FALE DE FELICIDADE!</p><p>Neste livro, tratarei dos benefícios de buscar felicidade. Se você é como</p><p>eu, pode não se sentir muito à vontade com essa ideia. Tenho a im</p><p>pressão de que muitos cristãos têm dificuldade com a palavra felicidade.</p><p>Entendo. Como cristãos que levam a sério o chamado de Deus para</p><p>negarmos a nós mesmos,-sentimo-nos impelidos a rejeitar a religião</p><p>fácil e egocêntrica que faz passar por cristianismo em nossa cultura.</p><p>Permita-me dizer claramente que concordo com essas preocupações.</p><p>Rejeito a ideia de que Deus me salvou para me dar um Cadillac</p><p>novo. Recuso-me a crer que sou o centro do universo e que Deus existe</p><p>para me conceder o que eu quero, quando eu quero.5 Reconheço Deus</p><p>como a fonte e o significado de tudo: o Sol em torno do qual percorro</p><p>5Bob Dylan expressa bem essa ideia em sua música When you gonna wake up?</p><p>[Quando você vai despertar?].</p><p><95></p><p>ÍDOLOS£CORAÇÃO</p><p>minha órbita. Sei que minha vida foi criada para dar prazer a ele.</p><p>Como Paulo escreve, ele é “um só Deus, o Pai, de quem todas as coisas</p><p>procedem e para quem vivemos” (ICo 8.6; veja tb. Rm 11.36; Cl 1.16).</p><p>Em meu escritório, há um pôster de Mary Englebreit chamado</p><p>The Queen [A rainha]. E o retrato de uma garota com uma coroa,</p><p>um cetro e óculos escuros, muito satisfeita consigo mesma, contem</p><p>plando seu reino do alto do muro de seu castelo. A legenda diz: “A</p><p>Rainha de Tudo”. Uma amiga me deu esse pôster de presente por</p><p>causa das brincadeiras que fazemos a respeito de ser “a rainha”. O</p><p>pôster é engraçado porque se trata de uma realidade próxima. A me</p><p>nos que Deus me ensine algo diferente, acredito que sou o centro do</p><p>universo, a Rainha de Tudo. Antes de continuarmos a falar sobre a</p><p>busca por felicidade, permita-me dizer que rejeito categoricamente</p><p>as filosofias centradas no ser humano. Preciso reconhecer, porém,</p><p>que ainda luto contra meu desejo de ser a Rainha de Tudo ou, pelo</p><p>menos, a Rainha de Meu Pequeno Mundo.</p><p>CORRENDO ATRÁS DA FELICIDADE</p><p>E surpreendente, mas eu passei a me sentir mais à vontade para fa</p><p>lar sobre a busca por felicidade por meio dos textos dos puritanos.</p><p>Quando comecei a lê-los, fiquei impressionada com o número de vezes</p><p>que usam o termo felicidade com uma conotação positiva. Foi um es</p><p>panto para mim ler sobre felicidade nas palavras desses homens que o</p><p>mundo retrata como sujeitos mal-humorados, sombrios e desmancha-</p><p>-prazeres. Thomas Watson, por exemplo, escreveu: “[Deus] não tem</p><p>plano algum a nosso respeito senão fazer-nos felizes” e “Quem deve</p><p>ser alegre, senão o povo de Deus?”. William Gurnall declarou: “Ver um</p><p>homem perverso alegre ou um cristão triste é igualmente impróprio”.6</p><p>6I. D. E. Thomas, org., lhe golden treasury of Puritan quotations (Carlisle:</p><p>Banner of Truth Trust, 1997), p. 158-9.</p><p><96></p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>Os puritanos não tinham em mente a felicidade superficial</p><p>resultante de prazeres temporais. Eles sabiam que a felicidade pro</p><p>funda se encontrava no relacionamento próximo com Deus. Estava</p><p>disponível apenas para aqueles que buscavam ser santos. Nas pala</p><p>vras de Richard Sibbes, “Aqueles que procuram ser felizes devem</p><p>primeiro ser santos”.7 Observe que ele não disse, “Não procure ser</p><p>feliz”, mas “Procure a felicidade onde ela se encontra de fato — na</p><p>santidade”, em uma vida debaixo do amor de Deus. Um puritano</p><p>orou: “Não podes tornar-me feliz contigo se antes não me tornares</p><p>santo como tu és”.8</p><p>7Ibidem, p. 158.</p><p>8 Arthur Bennet, The valley of vision: a collection of Puritan prayers and devotions</p><p>(Carlisle: Banner of Truth Trust, 1975), p. 93.</p><p>9Ibidem, p. 216.</p><p>1(Thomas Watson, em sua introdução à obra The Ten Commandments [Os Dez</p><p>Mandamentos] discorre páginas a fio sobre a felicidade e a bem-aventurança de co</p><p>nhecer e amar a Deus. Escreve: “Deus éo bem supremo. No bem supremo deve haver a</p><p>possibilidade de deleite; ele deve ter algo delicioso e doce: em que possamos sorver os</p><p>puros confortos essenciais que nos arrebatam de prazer, mas em Deus. No caráter de</p><p>Deus, há certo dulçor quefascina, ou melhor, extasia a alma (p. 22, grifo da autora). John</p><p>Piper também escreveu com eloquência a respeito da busca apropriada por felicida</p><p>de em seus excelentes textos, a começar por Desiring God: meditations of a Christian</p><p>hedonist (Sisters: Multnomah, 1996). Piper reconhece que é próprio do ser humano</p><p>buscar a felicidade e incentiva essa busca. Para ele, o homem pode e deve buscar</p><p>de todo coração a alegria que Deus experimenta na comunhão consigo mesmo. De</p><p>acordo com Piper, buscar felicidade em Deus é o grande alvo da vida. A seu ver, Deus</p><p>é mais glorificado por vidas que refletem maior felicidade em conhecê-lo e amá-lo.</p><p>Esses autores sabiam que faz parte da natureza humana buscar a</p><p>felicidade e que não adiantaria ensinar o contrário. Também sabiam</p><p>que a felicidade não se encontra em nada ou ninguém além de Deus,</p><p>especialmente não nos prazeres mundanos que “satisfazem os iludi</p><p>dos”.9 “Como é feliz o povo cujo Deus é o Senhor” (SI 144.15, NVI),</p><p>escreveu o salmista, e os puritanos teriam concordado plenamente.10</p><p>Busque a felicidade de conhecer e amar a Cristo, descansando no</p><p>amor dele por você, e crescerá em santidade e adoração. E possível</p><p><97></p><p>ÍDOLOS &CORAÇÃO</p><p>buscá-lo sem medo de perder coisa alguma importante, pois “ele o</p><p>usará somente em serviços idôneos e honrados, e para nenhum fim</p><p>pior que sua infinita felicidade .n</p><p>O QUE NOS LEVA A FAZER NOSSAS ESCOLHAS?</p><p>Desconsideramos o primeiro mandamento porque temos outros de</p><p>sejos e prazeres. O que você acredita que o fará feliz? De que maneira</p><p>seus desejos influenciam sua santidade? Se eu observasse sua vida, que</p><p>conclusões tiraria a respeito da prioridade do amor de Deus? Eis algu</p><p>mas ilustrações para ajudá-lo a começar a responder a essas perguntas.</p><p>Imagine que você costuma ficar com raiva de seu cônjuge.</p><p>Pergunte-se? “Que benefício ou felicidade penso estar perdendo?</p><p>Que prazer ou alegria procuro obter ao agir desse modo?” Algumas</p><p>possíveis respostas são: “Não posso ser feliz sem o respeito de meu</p><p>cônjuge. Quando sou desrespeitado, reajo com raiva”. Nesse caso,</p><p>você considera o respeito de seu cônjuge seu bem supremo, sua fonte</p><p>de felicidade. E como você está disposto a pecar para obter o que</p><p>deseja, isso também é seu deus. Claro que o desejo de ser respeitado</p><p>de maneiras apropriadas não é pecado por si só. Quando, porém,</p><p>imaginamos que o respeito é necessário para nossa felicidade, atri</p><p>buímos a ele (e a outros) poder excessivo sobre nossa vida.</p><p>Ou talvez você responda: “Meu cônjuge não se comunica</p><p>comigo da forma como desejo. Não posso ser feliz sem uma boa</p><p>comunicação. Ajo dessa forma para tentar conseguir o que quero”.</p><p>Nesse caso, um cônjuge que saiba se comunicar devidamente é seu</p><p>bem supremo, sua fonte de felicidade. Lembre-se de que, quando</p><p>você está disposto a pecar a fim de ser feliz, essa felicidade (qualquer</p><p>que seja sua definição para ela) é seu deus. A boa comunicação é</p><p>uma bênção e uma dádiva maravilhosa nos relacionamentos, mas</p><p>nBaxter, A Christian directory, p. 75 (grifo da autora).</p><p><98></p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>não é a chave para a felicidade absoluta. Lembre-se de que podemos</p><p>transformar até mesmo coisas boas em ídolos ao desejá-las demais</p><p>ou ao atribuir-lhes importância excessiva.</p><p>Outro exemplo: toda vez que você se sente ansioso, vai ao shop</p><p>ping center e gasta dinheiro demais. Pergunte-se: “Que benefício</p><p>penso estar perdendo? Que alegria obtenho ao gastar dinheiro?”.</p><p>Uma resposta possível é: “Anseio por uma vida sem preocupações.</p><p>Minha vida parece tão difícil; gosto de proporcionar prazer a mim</p><p>mesmo. Gastar dinheiro me dá felicidade”. Nesse caso, o bem su</p><p>premo</p><p>190</p><p>10.2 Quando o coração deseja agradar à Platéia de Um Só... 192</p><p>11.1 Como identificar padrões pecaminosos e falsos deuses....201</p><p>11.2 Exemplos das Escrituras do princípio de</p><p>despir-se de.../revestir-se de..................................................210</p><p>11.3 Exemplos específicos do princípio de despir-se de.../</p><p>revestir-se de............................................................................ 211</p><p>11.4 Folha de exercício pessoal para despir-se de.../</p><p>revestir-se de............................................................................ 216</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>OBSERVANDO OS</p><p>DEUSES DO MUNDO</p><p>No segundo trimestre de 1998, meu marido, eu e nossos primos</p><p>tivemos o privilégio de visitar o leste da Ásia e passamos uns doze</p><p>dias na China, Coréia do Sul e Japão. Como estávamos em gru</p><p>pos de excursão, visitamos vários templos budistas. Vimos o Buda</p><p>mais antigo, o maior Buda, o Buda mais venerado. Vimos um Buda</p><p>que havia sido roubado durante uma batalha e um Buda que tinha</p><p>sofrido danos em um incêndio e sido reconstruído. Fomos con</p><p>vidados a fazer uma doação para que certo Buda fosse revestido</p><p>novamente de ouro. Vimos o Buda que pertencia ao imperador e</p><p>o Buda que pertencia ao povo comum. Observamos adoradores</p><p>acenderem velas, queimarem incenso, oferecerem preces e colo</p><p>carem tigelas de alimento e flores diante de seus deuses. Quando</p><p>a excursão terminou, meu marido e eu tínhamos visto ídolos sufi</p><p>cientes para o resto da vida. Ou será que não?</p><p>Ficamos felizes por voltar aos Estados Unidos, um país edi-</p><p>ficado sobre alicerces cristãos. Ao contrário dos países asiáticos</p><p>que visitamos, os Estados Unidos não têm ídolos em todas as</p><p>esquinas, nem dias específicos para acender incenso ou luzes pa</p><p>ra seus deuses. Não temos templos imensos em que oferecemos</p><p>tigelas de arroz... ou, em nosso modo de dizer, tigelas de batatas</p><p>fritas. Aliás, de acordo com uma pesquisa, 76% dos americanos</p><p>entrevistados “consideram-se inteiramente fiéis ao primeiro manda</p><p>mento”,1 a saber, “Não terás outros deuses além de mim” (Ex 20.3). *</p><p>’George Barna, E lhe Barna report 1992-1993, an annual survey of lifestyles,</p><p>values, and religious views (Carol Stream: Christianity Today, 1995), p. 113, citado</p><p>em R. Kent Hughes, Disciplines of grace (Wheaton: Crossway, 1993), p. 29.</p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Portanto, ao falarmos do primeiro mandamento, estamos nos</p><p>saindo bem, certo?</p><p>Imagino que, se você é como eu, costuma pensar sobre os ídolos</p><p>da forma que acabei de descrevê-los. São algo externo a nós, algo</p><p>estranho que fotografamos em templos de terras distantes e que nos</p><p>causa espanto.</p><p>OS DEUSES EM NOSSO CORAÇÃO</p><p>Para mim, uma das ordens mais intimidantes das Escrituras se en</p><p>contra em Mateus 22. Um escriba dirigiu-se a Jesus com a intenção</p><p>de encontrar um modo de acusá-lo de heresia: "... qual é o maior</p><p>mandamento na Lei?”, ele perguntou. E Jesus respondeu:</p><p>“Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma e de</p><p>todo o entendimento.” Este é o maior e o primeiro mandamento</p><p>(Mt 22.36-38).</p><p>Talvez você seja como eu e tenha lido esse mandamento tantas,</p><p>vezes que ele perdeu a força. Volte, releia-o e medite comigo por um</p><p>momento. O que nosso Senhor está ordenando aqui? Nada menos</p><p>que amor e adoração não divididos, perfeitos e completos. Assim</p><p>que paro e reflito sobre esse mandamento principal, sinto um incô</p><p>modo. Preciso me perguntar:</p><p>• Amo o Senhor com todo o meu ser, ou ainda há outros amo</p><p>res em meu coração que exigem minha atenção?</p><p>• Adoro outros deuses ou Deus é sempre, em todas as circuns</p><p>tâncias, o Governante supremo ao qual dedico inteiramente</p><p>minha paixão e devoção?</p><p>Quando penso dessa forma, começo a entender que a idolatria</p><p>talvez vá além de templos budistas, incenso e arroz. A idolatria está</p><p><I6></p><p>OBSERVANDO OS DEUSES DO MUNDO</p><p>ligada ao amor — meu amor por Deus, por outros e pelo mundo.</p><p>Quando encaro a idolatria assim, percebo que não sou tão diferente</p><p>das pessoas que vi naqueles templos em lugares tão distantes.</p><p>UMA VIDA LIVRE DE ÍDOLOS</p><p>Este livro foi escrito para quem deseja ter uma vida piedosa, mas</p><p>se vê numa luta frustrante e recorrente contra o pecado habitual e</p><p>contra a falta de amor plenamente dedicado. Foi escrito para você</p><p>que está sempre tropeçando no mesmo hábito nocivo, na mesma</p><p>fraqueza constrangedora, na mesma escravidão pecaminosa da qual</p><p>esperava estar livre anos atrás. Nele, você descobrirá que a idolatria</p><p>— o amor distorcido — ocupa o cerne de todo pecado persistente</p><p>contra o qual lutamos.</p><p>Quando paramos para refletir, vemos que a Bíblia está repleta</p><p>de histórias sobre indivíduos e até mesmo sobre nações que caí</p><p>ram em idolatria. Aliás, é o pecado discutido com mais frequência</p><p>nas Escrituras. De acordo com lCoríntios 10.11, as narrativas do</p><p>Antigo Testamento servem de exemplo para nós e “foram escritas</p><p>para nossa instrução” (NASB).</p><p>Uma das primeiras narrativas sobre a idolatria é a de Raquel,</p><p>esposa de Jacó. Tendo em vista que o problema de Raquel com a</p><p>idolatria é tão proeminente em seu relato, voltaremos à vida dela</p><p>em várias ocasiões ao longo do livro e descobriremos o que pode</p><p>mos aprender com seus erros. Também veremos como as histórias</p><p>de outros nas Escrituras, tanto homens como mulheres, nos tra</p><p>zem, hoje, esclarecimento e instrução a respeito de nossos falsos</p><p>deuses. Você observará que alguns dos capítulos seguintes come</p><p>çam com ilustrações. Essas histórias não são extraídas diretamente</p><p>das Escrituras, mas são minha interpretação do que talvez tenha</p><p>acontecido. Não devem ser consideradas estritamente bíblicas, mas</p><p>apenas ilustrativas.</p><p><I7></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Visto que a Bíblia é a Palavra de Deus para seus filhos, os quais</p><p>conhece inteiramente, deve haver um motivo pelo qual ele inseriu</p><p>nela tantos ensinamentos a respeito desse assunto, embora a idolatria</p><p>talvez não pareça ser um problema tão sério para nós. (Lembre-se</p><p>de que 76% de todos os americanos entrevistados se consideraram</p><p>irrepreensíveis nessa área!) Ao prosseguir com a leitura, você desco</p><p>brirá que a idolatria é um problema tão sério para nós hoje quanto</p><p>era para os israelitas no passado. Aliás, talvez seja ainda mais sério,</p><p>pois, de modo muito conveniente, categorizamos a idolatria como</p><p>algo externo a nós (pequenas estátuas de pedra), e não como algo que</p><p>habita em nosso coração. Embora em alguns meios seja comum o diá</p><p>logo sobre a idolatria e até sua confissão, pergunto-me se não estamos</p><p>apenas tocando a superfície do caráter disseminado desse pecado.</p><p>Nos capítulos adiante, você verá de que maneiras o foco de seu</p><p>amor e o foco de sua adoração são semelhantes. Quem você ama? E</p><p>quem você adora? Essas são perguntas cruciais e interligadas. Você</p><p>aprenderá a identificar os falsos deuses que habitam em seu coração,</p><p>isto é, em seus pensamentos e em suas afeições. Em seguida, des</p><p>cobrirá o método de Deus para libertá-lo dos ídolos, dos ‘amores</p><p>distorcidos”, por meio de seu poder santificador.</p><p>Saiba que minha luta contra o pecado e a idolatria é igual à sua</p><p>— igual à de Raquel. Como ela, todos nós lutamos com a propensão</p><p>de depositar nossa esperança e confiança em algo, em alguém, em</p><p>qualquer coisa além do Deus verdadeiro. Descobrimo-nos fracos, te</p><p>merosos e inquietos, ou irados, amargurados e queixosos. Em meio a</p><p>essa luta, creio que a voz de Deus nos chama de forma clara e amoro</p><p>sa, trazendo esclarecimento e libertação, lembrando-nos de seu amor</p><p>incomparável por nós e de como, em sua graça, ele recebe idólatras.</p><p>Embora nossa guerra contra o pecado só termine quando che</p><p>garmos ao céu, Deus comprometeu-se a fielmente capacitar-nos</p><p>a crescer em santidade. Ele nos convida a nos juntarmos a ele na</p><p>batalha, e nos deu armas para usarmos nesse combate. Uma delas é</p><p><I8></p><p>OBSERVANDO OS DEUSES DO MUNDO</p><p>o conhecimento. Não o conhecimento que consiste apenas de fatos</p><p>áridos, mas a percepção dinâmica das realidades de nossa luta pessoal</p><p>contra os amores rebeldes e da fidelidade de Deus em nos livrar</p><p>tanto nesta vida quanto por toda</p><p>que você busca é o prazer de considerar-se capaz de comprar</p><p>tudo o que deseja, quando deseja. Na prática, a felicidade que você</p><p>sente quando veste roupas novas ou olha para seus móveis é seu</p><p>deus, pois você está disposto a pecar a fim de obtê-la.</p><p>Um último exemplo: você acabou de mudar de igreja e, em</p><p>bora saiba que o Senhor deseja que se envolva com outras pessoas,</p><p>você corre para a porta assim que termina o culto. Quando é obri</p><p>gado a ficar, mantém-se distante. Diz a si mesmo que é tímido e</p><p>que tem dificuldade em fazer amigos. Se essa situação não lhe é</p><p>estranha, pergunte-se: “Que felicidade considero necessária? Que</p><p>alegria penso obter ao manter-me isolado?”. Uma possível resposta</p><p>é: “Preciso ser aceito e amado. Sofri mágoas no passado e agora não</p><p>quero dar a ninguém a oportunidade de me rejeitar. Felicidade é ter</p><p>uma vida protegida de outros”. Talvez você imagine que a alegria ou</p><p>o bem supremo consiste em sentir-se seguro. Embora você saiba que</p><p>não está protegido, pelo menos não está sendo rejeitado, portanto</p><p>sente-se mais no controle. Nesse caso, ter controle e proteger a si</p><p>mesmo são o suposto bem supremo.</p><p>SUA HISTÓRIA E SUA FELICIDADE</p><p>Ao fazer uma retrospectiva de sua vida, é possível que consiga</p><p>identificar os motivos por trás dessas crenças a respeito de seu bem</p><p><99></p><p>ÍDOLOS £ QQtKKÇkQ</p><p>supremo pessoal — sua fonte de felicidade. Talvez tenha crescido em</p><p>um lar em que havia grande respeito e tenha chegado à conclusão de</p><p>que o respeito é necessário para a felicidade. Ou, em contrapartida,</p><p>talvez tenha visto um dos pais ser desrespeitado e tenha prometido</p><p>a si mesmo que jamais seria tratado dessa forma.</p><p>E possível que tenha visto um dos pais entregar-se à autossatis-</p><p>fação quando as coisas estavam desmoronando e tenha concluído</p><p>que essa é a forma apropriada de lidar com a tensão. Ou talvez um</p><p>dos pais fosse extremamente autodisciplinado, e você se sentisse</p><p>sozinho em meio a situações assustadoras. Talvez você tenha apren</p><p>dido a ansiar por prazer em meio ao caos. Agora você só pensa em</p><p>você mesmo como se estivesse estressado ou tenso.</p><p>A pessoa tímida talvez tenha crescido em um lar no qual um dos</p><p>pais ou irmão era muito exigente e nunca estava satisfeito. A melhor</p><p>maneira de evitar o sofrimento da rejeição era não se arriscar em relacio</p><p>namentos. Ou talvez um dos pais tenha sido excessivamente atencioso</p><p>e coberto essa pessoa de tanto afeto que ela se sentia rejeitada quando</p><p>outros não a tratavam da mesma forma. Seu modo habitual de interagir</p><p>com outros se tornou arraigado, e agora ela se considera tímida.</p><p>Nosso coração singular</p><p>Percebe como cada pessoa tem um coração singular, que reage de</p><p>maneiras singularmente distintas? Embora todos tenhamos a mes</p><p>ma natureza pecaminosa e propensa a criar falsos deuses, nós os</p><p>criamos por motivos bem diferentes. Fabricamos imagens com base</p><p>em nossos conceitos de felicidade ou de bem supremo. E, quer te</p><p>nhamos consciência, quer não, essas imagens são as forças que nos</p><p>impelem. Dirigem nossa adoração para Deus ou afastam-na dele.</p><p>Definem o que devemos valorizar mais que ele.</p><p>Por vezes, concluímos que nossa história pessoal nos impede de</p><p>adorar a Deus. Mas lembra-se de Sadraque, Mesaque e Abednego?</p><p><ioo></p><p>MELHOR QUE A VIDA</p><p>Sua infância não tinha sido agradável, e sua situação presente tam</p><p>bém não era. Talvez seus pais fossem idólatras, mortos na conquista</p><p>de Jerusalém. Os três jovens eram cativos em terra estrangeira. No</p><p>entanto, conforme o Espírito Santo os havia ensinado, ainda que</p><p>lhes custasse a vida, não existia alegria maior que experimentar a</p><p>agradável comunhão com seu Pai. Se ele foi capaz de ensinar essa</p><p>verdade aos três órfãos hebreus, pode fazer o mesmo por você.</p><p>Deus pode lhe ensinar que ele é seu bem supremo. Pode lhe</p><p>mostrar que toda a sua felicidade se encontra nele. Ele tem prazer</p><p>em colocar seu povo diante da felicidade que só ele é. Você pode</p><p>fazer esta oração:</p><p>Ó Cristo,</p><p>Todos os teus caminhos de misericórdia conduzem para meu prazer</p><p>e o tem como destino.</p><p>Choraste, te entristeceste e sofrestejtara que eu me regozijasse.</p><p>Para minha alegria enviaste o Consolador,</p><p>multiplicaste tuas promessas,</p><p>revelaste-me minha felicidadefutura,</p><p>deste-me uma fonte de água viva.</p><p>Estás preparando alegria para mim, e estás me preparando para ela;</p><p>peço alegria, espero pela alegria, anseio pela alegria;</p><p>dá-me mais do que sou capaz de conter, desejar ou imaginar}2</p><p>12Bennet, Valley of vision, p. 162 (grifo da autora).</p><p>A boa notícia é que o Espírito Santo pode iluminar seu coração</p><p>e levá-lo a crescer em apreço por Cristo e em desdém pelos encantos</p><p>deste mundo. Para isso, ele o inclina a servi-lo e lhe ensina acerca</p><p>das verdadeiras alegrias do céu. Portanto, vá em frente! Busque a</p><p>felicidade! Defina-a como Deus a define e nunca se decepcionará.</p><p>Lembre-se de que seu objetivo é dizer, como Davi: “Nada, nem</p><p>mesmo esta vida, me dá mais felicidade que teu amor!”.</p><p>< I 0 I ></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>p;--</p><p>PARAREFI.ETIR</p><p>-n</p><p>... i</p><p>1. A que Agostinho estava se referindo quando disse: ‘A felicidade</p><p>do homem é o próprio Deus”?</p><p>2. Qual é sua opinião acerca da busca pela felicidade? Em que sen</p><p>tido ela pode ser piedosa ou ímpia?</p><p>3. Explique o que significa buscar seu bem supremo. Significa que</p><p>sempre escolhemos as coisas moralmente boas? Por que algo</p><p>nocivo, como o suicídio, poderia parecer bom?</p><p>4. Pense na última ocasião que você tem consciência de haver pe</p><p>cado. Pergunte-se: “Que bem eu desejava? Que alegria pensei</p><p>que obteria ao seguir por esse caminho pecaminoso? De que</p><p>forma o pecado se passou por retidão?”.</p><p>5. Que desejos parecem lhe prometer felicidade? Complete a</p><p>seguinte frase para entender melhor quais são esses desejos.</p><p>“Minha vida seria perfeita se...”</p><p>6. Que circunstâncias em sua vida lhe ensinaram a considerar cer</p><p>tas coisas seu bem supremo? Você crê que Deus pode redimir as</p><p>circunstâncias e lhe ensinar a considerá-lo sua felicidade?</p><p><I02></p><p>6</p><p>CONHECENDO</p><p>SEU CORAÇÃO</p><p>Quem dera o coração deles fosse tal que me temessem</p><p>e guardassem todos os meus mandamentos</p><p>em todo o tempo... (Dt 5.29)</p><p>Ao contrário da mulher imoral de Naim, a meretriz Raabe1 não</p><p>tinha ouvido seus vizinhos falarem do Deus de Israel. Ela só conhe</p><p>cia idolatria e prostituição. Vivia no meio de um povo condenado,</p><p>um povo sobre o qual Deus havia pronunciado julgamento.* 2</p><p>JSe você não conhece a história de Raabe, veja Josué 2.</p><p>2Deus tinha predito a Abraão a destruição futura dos amorreus: “Na quarta ge</p><p>ração, tua descendência voltará para cá; porque a medida da maldade dos amorreus</p><p>ainda não está completa” (Gn 15.16).</p><p>A casa de Raabe era propícia para o exercício de sua profis</p><p>são. Ali, no muro de Jerico, ela podia ver viajantes interessados</p><p>em uma noite de descanso confortável. É bem possível que tives</p><p>se ficado sabendo por eles que um povo conhecido como "filhos</p><p>de Israel" estava a caminho de Jericó. Desde criança, tinha ouvido</p><p>histórias de como o exército egípcio havia se afogado no mar</p><p>Vermelho. Sabia que alguns dos reis dos amorreus tinham sido</p><p>totalmente destruídos (Js 2.10). E agora, esse povo aparentemente</p><p>invencível rumava para sua cidade.</p><p>Ao hospedar os espias israelitas, talvez tenha imaginado que</p><p>poderia oferecer seus favores em troca de sua própria segurança,</p><p>mas aqueles homens eram diferentes. Eles não estavam interessa</p><p>dos em seus préstimos; pareciam honestos e devotos.</p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Quando recebeu os espias, Raabe tomou uma decisão apa</p><p>rentemente ilógica. Escolheu aliar-se a eles. Sua decisão foi ilógica</p><p>porque Jerico era uma cidade extremamente fortificada, no alto</p><p>de uma colina. Com muralhas externas e internas de quase seis</p><p>metros de espessura, havia resistido a ataques anos a fio. No en</p><p>tanto Raabe, uma meretriz idólatra, creu que seu bem supremo</p><p>consistia em ajudar os espias inimigos. Veja as palavras surpreen</p><p>dentes que ela disse aos espias:</p><p>Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, que grande pavor de vós</p><p>caiu sobre nós e que todos os moradores</p><p>desta terra se derretem de</p><p>medo diante de vós [...]. Quando ouvimos isso, os nossos corações</p><p>se derreteram, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da</p><p>vossa presença; porque o Senhor, vosso Deus, é Deus em cima no</p><p>céu e embaixo na terra (Js 2.9,11).</p><p>Como Raabe sabia que o Senhor tinha lhes dado a terra? Talvez</p><p>você pense que ela só estava se garantindo. Talvez não soubesse ao</p><p>certo, mas imaginasse que não faria mal se proteger, só por via das</p><p>dúvidas. Nesse caso, por que ela arriscaria a vida e mentiria ao ser in</p><p>terrogada a respeito dos espias? Como ela sabia que o Deus de Israel</p><p>era o Deus verdadeiro? Não temos respostas para essas perguntas,</p><p>mas sabemos que, de algum modo, Deus se revelou ao coração dela.</p><p>A história de Raabe é um dos relatos mais cativantes e extraordi</p><p>nários da Bíblia. Sem ter coisa alguma que a recomendasse — aliás,</p><p>com motivos de sobra para ser reprovada — tornou-se uma mulher</p><p>favorecida. Sua história não termina quando ela protege os espias</p><p>e escapa da destruição de Jericó. Mais adiante, ela se casa com</p><p>Salmom, líder israelita, e tem um filho chamado Boaz que, por sua</p><p>vez, se casa com Rute. Eles têm um filho chamado Obede, pai de</p><p>Jessé, pai de Davi. Da linhagem de Davi nasceu Jesus.</p><p>Toda mulher cristã com um passado marcado por erros pode se</p><p>alegrar com a história de Raabe. Para nós, é um grande consolo saber</p><p><I04></p><p>CONHECENDO SEU CORAÇÃO</p><p>que Deus a escolheu dentre os habitantes de uma cidade condenada,</p><p>protegeu-a e garantiu sua segurança quando ela fugiu em meio ao caos.</p><p>Deus não apenas a protegeu e livrou, mas também livrou sua família.</p><p>Que história abençoada! Deus lhe ensinou o que ela precisava saber.</p><p>Mostrou-lhe que seria muito bom para ela esconder os espias. Ele a</p><p>livrou e lhe deu uma família e um lugar de honra entre todas as mulhe</p><p>res de fé no mundo. A lista de heróis da fé cita apenas duas mulheres</p><p>por nome. Raabe é uma delas: “Pela fé, a prostituta Raabe não morreu</p><p>com os desobedientes, pois acolheu em paz os espias” (Hb 11.31).</p><p>Raabe sabia do poder conquistador de Deus porque ele já havia</p><p>informado sua mente, conquistado seu coração e gerado fé em seu</p><p>interior. Essa fé a levou a perceber qual era a vontade de Deus e lhe</p><p>deu coragem para procurar obedecer-lhe. Se Deus pode trabalhar</p><p>de tal maneira no coração de uma prostituta gentia e lhe dar fé,</p><p>também pode trabalhar em sua vida. Pode instruir seu coração e</p><p>levá-lo a entender a verdade e a desejá-la.</p><p>Nos capítulos anteriores, vimos como as escolhas que fazemos</p><p>se baseiam em nossa estimativa da maior probabilidade de felicidade.</p><p>Fomos encorajados a reconhecer que não existe felicidade maior do</p><p>que experimentar o amor leal de Deus.</p><p>Ao tratarmos do processo de escolha, talvez você tenha ficado</p><p>curioso a respeito de sua capacidade de discernir entre verdadeiras</p><p>e falsas promessas de felicidade. Talvez tenha se perguntado como</p><p>seu amor por Deus e seu desejo de buscar verdadeira alegria podem</p><p>aumentar. Afinal, os “bolos de lama” mencionados por C. S. Lewis</p><p>parecem atraentes, não é mesmo? Nos próximos capítulos vamos</p><p>analisar como funciona nosso coração. Veremos como a devoção de</p><p>dicada pode começar a ser desenvolvida. Lembre-se de que, quando</p><p>Jesus enunciou o maior mandamento, ele disse que todo o nosso</p><p>coração, toda a nossa alma e toda a nossa mente precisavam estar</p><p>tomados por Deus. O que ele quis dizer com essa declaração? Como</p><p>ele entendia o coração?</p><p><I05></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>ENTENDENDO O CORAÇÃO</p><p>Quando Jesus falou do coração, tinha em mente o ser interior. Sempre</p><p>que a Bíblia menciona o coração, refere-se às três principais áreas de fun</p><p>cionamento de nosso universo interior: a mente, as afeições e a vontade.</p><p>A mente</p><p>O termo coração se refere, em primeiro lugar, à mente, que abrange pen</p><p>samentos, crenças, entendimento, memórias, julgamentos, consciência</p><p>e discernimento. Veja os seguintes versículos que ilustram essa ideia:</p><p>Eu darei a você um coração sábio e capaz de discernir (lRs 3.12, NVI).</p><p>Pois o coração deste povo se tornou insensível [...]. Se assim não</p><p>fosse, poderiam [...] entender com o coração... (Mt 13.15, NVI).</p><p>Estavam sentados ali alguns escribas, que pensavam no coração...</p><p>(Mc 2.6).</p><p>Ele, porém, lhes disse: Por que estais angustiados? E por que sur</p><p>gem dúvidas em vosso coração? (Lc 24.38)</p><p>... porque, mesmo tendo conhecido a Deus [...] o seu coração in</p><p>sensato se obscureceu (Rm 1.21).</p><p>Esta orientação tem como objetivo o amor que procede de um coração</p><p>puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia (lTm 1.5).</p><p>Vemos, portanto, que a Bíblia usa o termo coração para falar da</p><p>nossa capacidade de pensar, entender, duvidar, raciocinar, discernir</p><p>e recordar. E diferente do conceito ocidental de coração. Em geral,</p><p>nos referimos às atividades desse tipo como algo externo ao coração</p><p>e exclusivo da mente. Não costumamos dizer: “Estava pensando em</p><p><I06></p><p>CONHECENDO SEU CORAÇÃO</p><p>meu coração...” ou “Decidi isso em meu coração”. Do ponto de vista</p><p>bíblico, porém, a mente é apenas uma das três áreas de funciona</p><p>mento do coração ou ser interior.</p><p>As afeições</p><p>Outra parte do nosso ser interior ou coração é o que os puritanos</p><p>chamam de “afeições”. Elas abrangem os anseios, os desejos, os sen</p><p>timentos, as imaginações e as emoções. Esse termo é usado como</p><p>normalmente empregaríamos a palavra coração em nossa cultura.</p><p>Quando falamos de um “coração partido” não estamos nos referindo</p><p>a uma distorção de raciocínio, nem a um problema no bombea-</p><p>mento do sangue do nosso coração fisiológico. Geralmente estamos</p><p>falando de sofrimento associado a nossos sentimentos e anseios. A</p><p>Bíblia apresenta uma visão mais ampla do coração, na qual nossos</p><p>sentimentos e desejos são apenas uma de suas funções. Eis alguns</p><p>exemplos de como a Bíblia se refere a essa área de nosso ser interior:</p><p>Por não teres cultuado o Senhor, teu Deus, com gosto e alegria de</p><p>coração... (Dt 28.47).</p><p>Meus irmãos que subiram comigo fizeram derreter o coração do</p><p>povo de medo... (Js 14.8).</p><p>... por que choras? [...] Por que o teu coração está tão triste? (ISm 1.8)</p><p>Conceda-te o desejo do teu coração e realize todos os teus planos</p><p>(SI 20.4).</p><p>... do seu coração brotam fantasias (SI 73.7).</p><p>Não te ires depressa em teu coração (Ec 7.9, NASB).</p><p>... anima o teu coração... (Ec 11.9).</p><p><107></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>Dizei aos aflitos de coração: Sede fortes, não temais... (Is 35.4).</p><p>Assim, considerai-o [...] para que não vos canseis e seu coração</p><p>desanime (Hb 12.3).3</p><p>3Este versículo combina duas áreas do coração: a mente (considerar) e as afei</p><p>ções (desanimar ou ficar triste).</p><p>... não vos orgulheis [...] se tendes inveja amarga e sentimento am</p><p>bicioso no coração (Tg 3.14).</p><p>Como podemos ver, a Bíblia fala do coração como o centro das</p><p>emoções, das imaginações, dos anseios e dos desejos. Para nossa dis</p><p>cussão, usaremos o termo puritano afeições quando falarmos desse</p><p>aspecto do ser interior, pois desejamos considerar mais do que ape</p><p>nas as emoções. E particularmente importante entendermos nossas</p><p>afeições, pois elas influenciam nossa adoração.</p><p>A volição</p><p>A terceira área de funcionamento de nosso coração é a volição. Ela</p><p>é a parte do ser interior que escolhe ou determina quais serão nossas</p><p>ações. Ela é guiada pela mente e pelas afeições quanto ao melhor</p><p>curso de ação, e depois age em função dele. Evidentemente, nossa</p><p>volição está corrompida e escravizada. Portanto, em nossa luta para</p><p>escolher o curso de ação correto, convém lembrar que Jesus foi o</p><p>único ser humano cuja volição era inteiramente livre — livre para</p><p>escolher servir seu Pai em todas as circunstâncias. Mesmo depois que</p><p>aceitamos a Cristo e ele nos regenera, nossa velha natureza continua</p><p>a ter dificuldade em escolher livremente a vontade de Deus.</p><p>Escolhe a vida, para que vivas (Dt 30.19).</p><p>Escolhei hoje a quem cultuareis (Js 24.15).</p><p><I08></p><p>CONHECENDO SEU CORAÇÃO</p><p>Ele comerá manteiga e mel até que saiba rejeitar o mal e escolher</p><p>o bem (Is 7.15).4</p><p>Quem é o homem que teme o Senhor? O Senhor lhe ensinará</p><p>o</p><p>caminho que deve escolher (SI 25.12).5</p><p>Se você nunca pensou dessa forma a respeito de seu coração,</p><p>talvez pareça um tanto confuso. Lembre-se apenas de que, do ponto</p><p>de vista bíblico, seu coração têm três áreas de funcionamento distin</p><p>tas: mente, afeições e volição. A figura 6.1 talvez ajude a esclarecer</p><p>alguma dúvida que você ainda tenha.</p><p>Figura 6.1 - Um retrato bíblico do coração</p><p>Mente</p><p>a consciência.</p><p>Afeições</p><p>fantasias, emoçoes.</p><p>Volição</p><p>das ações.</p><p>4Esse versículo mostra como a mente instrui a volição: ele soube escolher o bem.</p><p>5Esse versículo descreve a influência de Deus sobre a mente, mostrando à vo</p><p>lição qual é a escolha correta.</p><p>Pensamentos, crenças, entendimento,</p><p>memória, julgamento, discernimento,</p><p>Anseios, dese os, sentimentos,</p><p>Escolha e determinação</p><p><109></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>Em vez de considerar esses três aspectos (mente, afeições e vo</p><p>lição) como áreas separadas e isoladas uma da outra, pense neles</p><p>como elementos que trabalham continuamente de forma conjunta.</p><p>(Para exemplos disso, releia Is 7.15; Dt 23.15,16; SI 25.12.) Em</p><p>nossa vida diária, é difícil distinguir entre eles. Podemos fazer um</p><p>paralelo com o cérebro, o coração e os pulmões. Enquanto você</p><p>lê este livro, não tem consciência de qual parte de seu corpo está</p><p>trabalhando para mantê-lo vivo. Isso porque todas as partes estão</p><p>operando de forma conjunta. Se uma das partes deixasse de funcio</p><p>nar, você perceberia de imediato. Em circunstâncias normais, porém,</p><p>não pensamos nelas.</p><p>Em certo sentido, é dessa forma que nossa mente, nossas afeições</p><p>e nossa volição operam. Sua mente deve mostrar às suas afeições</p><p>qual é a fonte de sua felicidade suprema; suas afeições imaginam</p><p>essa felicidade, levam-no a ansiar por ela e aplicam o impulso neces</p><p>sário para despertar sua volição de modo a fazer uma escolha. Não</p><p>paramos e pensamos se foram nossas afeições que nos levaram a</p><p>escolher sorvete de creme, e não de chocolate, ou se foi nossa mente</p><p>ou nossa volição. Apenas fazemos a escolha.</p><p>Em Hebreus 11, o autor se refere aos três aspectos do coração ao</p><p>falar de Moisés. Veja se consegue identificá-los:</p><p>Pela fé, Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha do fa</p><p>raó, escolhendo, pelo contrário, ser maltratado com o povo de Deus</p><p>em vez de experimentar por algum tempo os prazeres do pecado.</p><p>Ele considerou a afronta de Cristo como uma riqueza maior do que</p><p>os tesouros do Egito, pois tinha em vista a recompensa. Pela fé, ele</p><p>deixou o Egito, não temendo a ira do rei, e perseverou como quem</p><p>vê aquele que é invisível (Hb 11.24-27).</p><p>Observe novamente os versículos. Percebeu como a mente, as</p><p>afeições e a volição de Moisés interagiram com sua fé? Sua mente</p><p><i io></p><p>CONHECENDO SEU CORAÇÃO</p><p>considerou a afronta uma felicidade maior que os tesouros do Egito.</p><p>Suas afeições ansiaram pela felicidade que sua mente considerou</p><p>mais valiosa que os prazeres do pecado. Sua imaginação olhou adiante</p><p>e viu a recompensa reservada para ele. Sua mente mostrou a suas</p><p>afeições que essa recompensa lhe traria maior felicidade que qualquer</p><p>coisa que o Egito podia oferecer. Moisés pensou, sentiu, desejou e</p><p>agiu com base na crença de que sofrer afronta por Cristo lhe traria</p><p>maior felicidade que os prazeres da casa do faraó. E, por fim, sua</p><p>volição foi tocada e ele “recusou ser chamado filho da filha do faraó”.</p><p>Pela graça de Deus, Moisés creu que humilhação e privação por amor</p><p>à bondade de Deus eram melhores que uma vida de prazer e poder.</p><p>Vemos, portanto, que os elementos do coração de Moisés (a</p><p>mente, as emoções e a volição) agiram de forma conjunta, dirigindo</p><p>sua adoração ao discernir, desejar e escolher a qual deus servir. Sua fé</p><p>conduziu seu coração a pensamentos, sentimentos e ações corretos.</p><p>Ele entendeu que haveria maior felicidade em sofrer pelo Deus vivo</p><p>que em uma vida de conforto no palácio do faraó. Quando, mais</p><p>adiante, Deus lhe deu a lei no monte Sinai, pela fé ele já havia deci</p><p>dido que Jeová seria seu Deus.6</p><p>6Deus ajudou Moisés nessa decisão: gerou fé em seu coração; abriu seus olhos</p><p>para a situação de seus compatriotas; permitiu, providencialmente, que Moisés ma</p><p>tasse um egípcio. Moisés deixou o Egito porque precisou; sua escolha foi forçada,</p><p>mas conforme o plano soberano de Deus.</p><p>A DOENÇA DO NOSSO CORAÇÃO</p><p>Talvez você esteja pensando: “Se eu conseguisse voltar meu pensa</p><p>mento para Deus, aprender a desejá-lo e, então, escolhê-lo, estaria</p><p>tudo bem, certo?”. Sim e não.</p><p>Sim, é verdade que Deus nos chama a aprender e a aceitar a ver</p><p>dade em nossa mente. Ele nos chama a desejá-lo e a ansiar por ele</p><p>com nossas afeições. Ordena que o escolhamos com nossa volição.</p><p><111></p><p>ÍDOLOS £CORAÇÃO</p><p>Pede contas de nós em todos esses aspectos. Mas temos um pro</p><p>blema. Sem a graça de Deus, jamais o entenderemos, desejaremos</p><p>ou escolheremos. Essa verdade se reflete na oração de Agostinho:</p><p>“Concede-me o que ordenas, e ordena-me o que desejas”.7 Não</p><p>somos capazes de realizar esta nem qualquer outra mudança no</p><p>coração por nossa própria conta. Precisamos de graça divina para</p><p>ensinar nosso coração e incliná-lo e dirigi-lo para Deus. Portanto,</p><p>sim, quando você, pela fé, apresenta seu coração a Deus para que</p><p>ele faça uma cirurgia, Deus, em sua graça, o leva a amá-lo mais,</p><p>especialmente quando você dedica tempo a considerar quão profun</p><p>damente ele o ama e como sempre o perdoa.</p><p>7Augustine Bishop of Hippo, The confessions of St. Augustine, tradução para</p><p>o ingles de E. B. Pusey (Oak Harbor: Logos Research Systems, 1996), livro 10,</p><p>cap. 29 [edição em português: Agostinho, Confissões, tradução de J. Oliveira Santos;</p><p>A. Ambrósio de Pina (Petrópolis/Bragança Paulista: Vozes/Universidade São</p><p>Francisco, 2015)].</p><p>No entanto, sofremos de um problema grave no coração, com o</p><p>qual teremos de lutar a vida toda. Jamais chegará o dia em que nosso</p><p>coração estará inteiramente amoldado para amar e adorar a Deus,</p><p>pelo menos não deste lado do céu. Jeremias falou a respeito dessa</p><p>doença do coração: “O coração é enganoso e incurável, mais que todas</p><p>as coisas; quem pode conhecê-lo?” (Jr 17.9). Nosso coração é falso, ele</p><p>nos ilude e nos engana, levando-nos a pensar que nossos desejos são</p><p>puros, que desejamos algo porque é bom e porque Deus aprova.Todos</p><p>os caminhos do homem parecem corretos aos seus próprios olhos,</p><p>mesmo quando levam à morte. Essa doença do coração é hereditária:</p><p>originou-se na Queda. Desde Adão, todos têm esse problema; como a</p><p>Bíblia ensina, todos nós temos uma natureza pecaminosa:</p><p>O Senhor viu que a maldade do homem [...] era grande e que toda</p><p>a imaginação dos pensamentos de seu coração era continuamente</p><p>má (Gn 6.5; veja tb. Gn 8.21).</p><p><112></p><p>CONHECENDO SEU CORAÇÃO</p><p>Eu nasci em iniquidade, e em pecado minha mãe me concebeu</p><p>(SI 51.5).</p><p>O coração dos homens está cheio de maldade e de insensatez du</p><p>rante toda a vida (Ec 9.3).</p><p>Vemos, portanto, que o coração ou ser interior é repleto de</p><p>maldade e engano. Jesus ensinou que o coração é a fonte da qual</p><p>fluem nossos pensamentos, palavras e atos pecaminosos; é a sede</p><p>de nossa incredulidade. Os crentes receberam um novo coração,</p><p>portanto nossos pensamentos e desejos estão sendo transformados,</p><p>mas continuamos a lutar com o que resta de nossa velha natureza.</p><p>Precisamos travar uma batalha incessante contra os amores concor</p><p>rentes em nosso coração. Todos os dias precisamos escolher quem</p><p>vamos amar mais: Deus ou nós mesmos (e os deuses que criamos).</p><p>Essa escolha é ainda mais difícil porque nosso coração nos engana e</p><p>nos leva a pensar que agir de modo pecaminoso é o melhor curso de</p><p>ação, ou talvez o mais piedoso. Lembre-se de que o pecado nunca o</p><p>atrai como tal; ele sempre se apresenta como retidão.</p><p>Deixe-me dar um exemplo. Quando os fariseus lideraram o movi</p><p>mento para crucificar Jesus, pensavam que estivessem fazendo um favor</p><p>a Deus. Embora o Novo Testamento ensine que os judeus entrega</p><p>ram Jesus a Pilatos por inveja (Mt 27.18), eles se convenceram de que</p><p>estavam servindo a Deus.8 Não eram homens indiferentes ao pecado.</p><p>Preocupavam-se</p><p>tanto com ele, que não quiseram entrar no pretório de</p><p>Pilatos “para não ficarem cerimonialmente impuros” durante a Páscoa</p><p>(Jo 18.28). Enquanto isso, cometeram o pecado mais hediondo de to</p><p>dos os tempos ao providenciarem a morte do Filho de Deus.</p><p>8Jesus falou a esse respeito em João 16.2.</p><p>Os fariseus não eram idólatras, pelo menos não exteriormente.</p><p>No entanto, idolatravam os cargos de poder e influência, bem como</p><p>< 11 3 ></p><p>ÍDOLOS /zí CORAÇÃO</p><p>a justificação própria com base em um sistema de mérito e, por isso,</p><p>tentaram assassinar Deus. E evidente que não acreditavam de fato;</p><p>não criam em Deus nem em seu Cristo e ainda estavam mortos</p><p>em seus pecados. No entanto, do lado de fora, eram rigorosamente</p><p>religiosos, provando que religião rigorosa e conformidade exterior</p><p>com a lei de Deus não são sinônimos de fé salvadora e, na realidade,</p><p>podem ser um grave empecilho para a fé verdadeira. Eles teriam</p><p>declarado que jamais haviam servido a ídolos e, no entanto, seu</p><p>coração estava longe de Deus. Gostavam de ser respeitosamente</p><p>“cumprimentados em público” e ocupar “os primeiros lugares” mais</p><p>do que amavam a Deus (Lc 20.46). Seu coração perverso era parti</p><p>cularmente propenso ao engano,9 pois tinham outro deus: o respeito</p><p>dos homens. Amar qualquer coisa, até mesmo a observância de um</p><p>código exterior de comportamentos religiosos, mais que a Deus, é</p><p>idolatria, e a idolatria sempre produz um coração iludido.10</p><p>9 A descrição mordaz que Isaías apresenta do idólatra inclui a seguinte ima</p><p>gem: “Ele se alimenta de cinzas. O seu coração enganado o desviou, de maneira</p><p>que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira isto que está na minha</p><p>mão direita?” (Is 44.20).</p><p>10Como crentes, devemos depositar nossa confiança inteiramente no amor de</p><p>Deus e em sua capacidade de guiar e dirigir nosso coração para longe da idolatria</p><p>e do engano. Podemos sempre confiar que Deus guiará nosso coração para que</p><p>realizemos a vontade divina, pois, embora os fariseus imaginassem que haviam</p><p>planejado a crucificação, ela era o plano de Deus: “Pois, nesta cidade, eles de fato</p><p>se aliaram contra o teu santo Servo Jesus, a quem ungiste; não só Herodes, mas</p><p>também Pôncio Pilatos com os gentios e o povo de Israel; para fazer tudo o que a</p><p>tua mão e a tua vontade predeterminaram” (At 4.27,28). Os fariseus foram inteira</p><p>mente responsáveis por seguirem, de espontânea vontade, os pensamentos e desejos</p><p>perversos de seu coração, mas, mesmo nisso, Deus exerceu governo soberano. E</p><p>nessa soberania que podemos encontrar paz quando nos sujeitamos a ele.</p><p>Paulo, crente autêntico, também tinha problemas do coração.</p><p>Em Romanos 7, declarou: “No que diz respeito ao homem inte</p><p>rior, tenho prazer na lei de Deus” (v. 22), mas percebeu outra força</p><p>dentro dele. Ela combatia a verdade que ele havia aceitado com</p><p><114></p><p>CONHECENDO SEU CORAÇÃO</p><p>seu coração. O apóstolo se angustiou com seus desejos errados. Por</p><p>um lado, buscava a Deus; por outro, corria atrás do pecado. Por um</p><p>lado, sabia que Deus, em sua graça, lhe havia concedido tudo de</p><p>que ele precisava; por outro, cobiçava coisas que Deus lhe havia</p><p>negado (Rm 7.7,8). Paulo lutava porque, como nós, era simul</p><p>taneamente pecador e justificado. Como acontece conosco, seu</p><p>coração sussurrava, sem parar, que o pecado é bom e que a desobe</p><p>diência proporciona alegrias, enquanto sua fé respondia que toda a</p><p>felicidade se encontra somente em Cristo. Em grande aflição, ele</p><p>exclamou: “Desgraçado homem que sou! Quem me livrará do cor</p><p>po desta morte?” e sua resposta foi “Graças a Deus por Jesus Cristo,</p><p>nosso Senhor!” (Rm 7.24,25).</p><p>O DEUS QUE NOS CONHECE</p><p>DE VERDADE</p><p>Talvez você esteja pensando: “Se meu coração é tão enganoso, por</p><p>que devo me dar o trabalho de lutar contra a idolatria?”. A resposta</p><p>pode parecer simplista, mas devemos lutar contra nosso coração</p><p>pecaminoso porque é uma ordem de Deus. Como cresceremos em</p><p>amor pelo Senhor de todo coração, de toda alma e de toda mente, se</p><p>não combatermos as formas pelas quais deixamos de amá-lo? Como</p><p>cresceremos em gratidão pela graça divina, se não percebermos as</p><p>formas pelas quais deixamos de aceitá-la?</p><p>A luta contra o pecado em nosso coração é importante porque,</p><p>por meio dela, descobrimos o preço altíssimo que o Senhor Jesus</p><p>pagou, e aprendemos a ser gratos por sua obediência perfeita em</p><p>nosso lugar. E nessa luta que aprendemos a confiar nele e descon</p><p>fiar de nós mesmos, a odiar o pecado e amar a santidade, a cultivar</p><p>humildade e ansiar pelo céu. E, em meio a isso tudo, descobrimos</p><p>a alegria da gratidão e felicidade crescentes que só se desenvolvem</p><p>quando amamos a Deus.</p><p><1 I5></p><p>ÍDOLOS £CORAÇÃO</p><p>Descanse no fato de que seu Pai celeste entende plenamente seu</p><p>coração. Embora seu coração possa enganar você, ele não engana a Deus.</p><p>O Senhor não vê como o homem vê, pois o homem olha para a</p><p>aparência, mas o Senhor, para o coração (ISm 16.7).</p><p>O Senhor examina todos os corações, e conhece todas as intenções</p><p>da mente (lCr 28.9; veja tb. 2Cr 6.30).</p><p>Ele conhece os segredos do coração (SI 44.21; veja tb. 139.2).</p><p>Eu, o Senhor, examino a mente e provo o coração (Jr 17.10).</p><p>Mas o próprio Jesus [...] sabia o que é o ser humano (Jo 2.24,25).</p><p>Tu, Senhor [...] conheces o coração de todos (At 1.24).</p><p>Todas as igrejas saberão que sou aquele que sonda as mentes e os</p><p>corações (Ap 2.23).</p><p>Deus conhece você. Sabe como anseia amá-lo, como deseja viver</p><p>para ele. Também sabe em que áreas você está iludido. Sabe quan</p><p>do está tentando enganá-lo e levá-lo a pensar que tudo está bem.</p><p>Sabe de todas as vezes que você realiza boas obras para impressionar</p><p>outros e buscar justificação própria. Sabe todas as maneiras pelas</p><p>quais você usa a observância rigorosa da lei para tranquilizar seu</p><p>coração, salvar a si mesmo e evitar a humilhação da cruz. Sabe em</p><p>que aspectos você confia em sua própria bondade e despreza outros.</p><p>Sabe de sua incredulidade e de como você procura se tranquilizar</p><p>ao olhar para seu próprio histórico. Ele o conhece até o âmago. Por</p><p>isso Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou o bom pastor; conheço as</p><p>minhas ovelhas” (Jo 10.14). Sim, ele nos conhece inteiramente, mas</p><p>não é só isso. Ele também nos ama totalmente. Maravilhosa graça!</p><p><116></p><p>CONHECENDO SEU CORAÇÃO</p><p>A PALAVRA DIAGNOSTICA SEU</p><p>PROBLEMA DO CORAÇÃO</p><p>Embora não sejamos capazes de conhecer nosso coração sem a aju</p><p>da de Deus, ele nos deu uma ferramenta para desenvolver adoração</p><p>sincera: a Palavra de Deus.</p><p>Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qual</p><p>quer espada de dois gumes; penetra até o ponto de dividir alma e</p><p>espírito, juntas e medulas, e é capaz de perceber os pensamentos e</p><p>as intenções do coração (Hb 4.12).</p><p>A palavra de Deus discerne até as intenções e os pensamentos mais</p><p>recônditos do coração. Somente o Espírito Santo, operando em con</p><p>junto com sua Palavra, é capaz de revelá-los. Ao lermos, meditarmos,</p><p>estudarmos e ouvirmos a pregação da Palavra, conseguimos vislumbrar</p><p>nosso ser interior. Quando estudo a Palavra, recebo esclarecimento acer</p><p>ca de pensamentos, desejos e escolhas. Penso: “Puxa vida! Essa sou eu!”.</p><p>Não há nenhum livro comum, terapeuta ou amigo chegado capaz de</p><p>fazer o mesmo por você. Nada pode lhe dar compreensão de quem você</p><p>é, exceto a palavra de Deus.11 Deus lhe concedeu a Palavra para que você</p><p>se conheça cada vez melhor e aprenda a adorá-lo verdadeiramente.* 12</p><p>nPor isso me dou o trabalho de incluir aqui versículos para você.</p><p>12O autoconhecimento é o primeiro passo para o conhecimento de Deus.</p><p>Precisamos enxergar nossa própria “ignorância, fatuidade, penúria, fraqueza, e tam</p><p>bém nossa depravação e corrupção” antes de reconhecermos que “a verdadeira luz</p><p>da sabedoria, a sólida virtude, a plena copiosidade de tudo o que é bom, a pureza da</p><p>justiça se encontram somente no Senhor. Daí, somos por nossos próprios males ins</p><p>tigados à consideração das excelências de Deus, e não podemos aspirar seriamente</p><p>a ele antes que tenhamos começado a nos tornar descontentes com nós mesmos”.</p><p>John Calvin, Institutes</p><p>Ela age como um guarda que o protege da ignorância, do</p><p>engano e da incredulidade. Ignorância da vontade de Deus e engano a</p><p>respeito da natureza de Deus são duas importantes causas de idolatria.</p><p>Josias descobriu essa verdade por experiência própria.</p><p><I22></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>Se não tivermos consciência de que Deus tem um desejo ardente</p><p>de ser o foco exclusivo de nossa adoração, ou se tivermos um conceito</p><p>errado a esse respeito, estaremos mais propensos a crer em ídolos</p><p>fabricados por nós mesmos. Se, equivocadamente, crermos que Deus</p><p>não se importa com o objeto ou com a forma de nossa adoração,</p><p>criaremos nossos próprios deuses e pecaremos contra Deus.</p><p>Antes de render-se ao medo ou ao desespero, lembre-se de que</p><p>Deus deseja nos instruir acerca da verdade. Assim como Deus instruiu</p><p>Josias, ele também lhe dará clareza. Lembre-se de que “não há nada que</p><p>precisemos saber que ele não seja capaz de nos ensinar e não esteja dis</p><p>posto a fazê-lo”.2 Sem a graça divina, jamais entenderemos o significado</p><p>ou a importância da Palavra. No entanto, Deus não nos abandonou,</p><p>nem espera que obtenhamos entendimento por nossa própria conta;</p><p>como diz João 16.13: “O Espírito da verdade [...] vos conduzirá a toda</p><p>a verdade” (veja tb. Dt 4.10; SI 119.73; 143.10; Mt 11.29).</p><p>2Richard Baxter, A Christian directory (Morgan: Soli Deo Gloria, 1996), p. 80.</p><p>3João Calvino escreveu: “Exatamente como se dá com pessoas idosas, de vista</p><p>turva, e com quem sofre de visão embaçada, se puseres diante deles um belíssimo</p><p>livro, ainda que reconheçam ser algo escrito, mal poderão entender duas palavras;</p><p>porém, com a ajuda de lentes, começarão a ler perfeitamente. Do mesmo modo, as</p><p>Escrituras, reunindo o conhecimento de Deus que temos na mente e que de outro</p><p>modo seria confuso, tendo dissipado nossa ignorância, nos mostram claramente o</p><p>Deus verdadeiro”. John Calvin, Institutes of the Christian religion, edição de John T.</p><p>O Pai tem prazer em nos ensinar acerca de si mesmo, de sua lei</p><p>e até mesmo de seu amor benevolente pelos transgressores. Ele o faz</p><p>principalmente ao abrir nosso entendimento para as Escrituras. Pense</p><p>na última vez em que você descobriu uma verdade da Bíblia. Não é</p><p>impressionante como, de repente, do nada, uma verdade salta das pá</p><p>ginas das Escrituras? As vezes, tenho a impressão de que é a primeira</p><p>vez que leio a Bíblia, embora não seja. Isso é obra do Senhor, que abre</p><p>nossos olhos e nos concede revelação especial de sua verdade.</p><p>Em conjunto com o Espírito, a Bíblia ensina tudo o que é neces</p><p>sário a respeito de Deus — quem ele é e como se deve adorá-lo.3 Ela</p><p><I23></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>ensina que Deus é fiel em seu amor por nós e nos apresenta seu plano</p><p>de nos tornar parte de sua família, como filha ou filho amado. Somente</p><p>quando começamos a ver Deus como ele é, por meio das Escrituras,</p><p>como aconteceu com Josias, é que conseguimos crer na possibilidade</p><p>de abandonar os falsos deuses, começamos a amar o Deus verdadeiro,</p><p>a confiar em sua misericórdia e a adorá-lo em verdade.</p><p>Embora a Palavra seja completa e nos diga tudo o que precisa</p><p>mos saber a respeito de Deus, também precisamos de “iluminação</p><p>espiritual pessoal, pelo poder do Espírito Santo”.4 E necessário que</p><p>o Espírito tome as Escrituras que ele escreveu e as aplique a nosso</p><p>coração, iluminando nossa mente, expandindo nosso coração para crer</p><p>e nos libertando do erro. Desse modo, ele nos capacita a lutar contra as</p><p>ilusões da adoração falsa, pois vemos Deus como ele é.</p><p>McNeill, Library of Christian Classics (Philadelphia: Westminster,1960), 2 vols.,</p><p>1:70 [edições em português: As institutas, tradução de Waldyr Carvalho Luz (São</p><p>Paulo: Cultura Cristã, 2006), 4 vols. e A instituição da religião cristã, tradução de</p><p>Carlos Eduardo Oliveira; José Carlos Estêvão (São Paulo: Unesp, 2008)].</p><p>4Ibidem, 1:39.</p><p>CRIANDO DEUS À NOSSA IMAGEM</p><p>Vejamos em mais detalhes de que maneira nosso conhecimento da</p><p>verdade, possibilitado pelo Espírito, é capaz de nos manter afastados</p><p>da idolatria.</p><p>A idolatria é um pecado que começa na mente, em nossos</p><p>pensamentos, crenças, opiniões e fantasias. Deus repreendeu os is</p><p>raelitas porque haviam criado em um deus à sua própria imagem:</p><p>“Pensavas que eu era como tu” (SI 50.21). Idéias erradas a respeito</p><p>do caráter de Deus geram idolatria. Se, por exemplo, imaginamos</p><p>um deus mais dócil ou um deus que pode ser manipulado conforme</p><p>nossos caprichos, criamos um ídolo. Se imaginamos um deus que</p><p>funciona como uma máquina de vender refrigerante, sob o princípio</p><p><I24></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>de “karma cristão”, adoramos um deus falso. Deus não é um vovo-</p><p>zinho idoso e senil, nem o equivalente a um Papai Noel celeste que</p><p>recompensa crianças boas com guloseimas e dá pedaços de carvão</p><p>para as malcriadas. Se imaginamos Deus como um capataz exigen</p><p>te, a cujas ordens não conseguimos obedecer e que tem prazer em</p><p>nos castigar, criamos um deus falso. Precisamos aprender que Deus</p><p>é, ao mesmo tempo, intransigentemente santo e surpreendente</p><p>mente misericordioso.</p><p>Precisamos ter o cuidado de adorar Deus da forma como ele se</p><p>apresenta nas Escrituras. Ele se revelou claramente como o único</p><p>Deus (Dt 6.4), infinitamente perfeito e puro (Mt 5.48), invisível</p><p>(lTm 1.17), incorpóreo (Jo 4.24), imutável (Tg 1.17), imenso</p><p>(lRs 8.27), eterno (SI 90.2), incompreensível (SI 145.3), onipotente</p><p>(Ap 4.8), sábio (Rm 16.27), santo (Is 6.3), livre (SI 115.3), que faz</p><p>tudo segundo sua vontade e para sua glória (Ef 1.11; Rm 11.36).</p><p>Ele é amoroso (ljo 4.8), gracioso, misericordioso, longânime, cheio</p><p>de bondade e verdade. Ele perdoa a iniquidade (Ex 34.6,7) e re</p><p>compensa quem o busca diligentemente (Hb 11.6). Ele é justo em</p><p>todos os seus juízos (SI 37.28), odeia todo o pecado (SI 5.5,6) e de</p><p>modo algum inocenta o culpado (Na 1.2,3).5 Embora essa lista não</p><p>seja completa, ela nos ajuda a ter uma ideia de quem Deus é. Bem</p><p>diferente de nós, não é mesmo? Se adoramos um deus aquém desse</p><p>ou diferente dele, não estamos adorando o Deus da Bíblia. Estamos</p><p>adorando um deus que nós mesmos criamos.</p><p>sVeja “De Deus e da santa Trindade”, in: A confissão de fé de Westminster (São</p><p>Paulo: Cultura Cristã, 2017), cap. 2.</p><p>A INSENSATEZ DA IDOLATRIA</p><p>A idolatria é não apenas pecaminosa, mas também absurda. O</p><p>Antigo Testamento descreve com mordacidade a estupidez e a</p><p><I25></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>irracionalidade da idolatria.6 Reflita novamente sobre a insensatez</p><p>de Raquel; ela adorava um deus que podia ser furtado. Por que</p><p>confiar em algo tão fraco que podia ser levado embora? Não é uma</p><p>insensatez e tanto? Sua mente deve guardá-lo dessa tolice, como</p><p>diz Isaías:</p><p>6“Todo homem tornou-se embrutecido e ignorante; todo ourives é envergo</p><p>nhado por suas imagens esculpidas, pois as suas imagens de fundição são ilusão e</p><p>não têm vida” (Jr 51.17).</p><p>Todos os que fazem imagens esculpidas não são nada [...]</p><p>O carpinteiro estende a régua sobre um pedaço de madeira e</p><p>esboça um deus com o lápis; dá-lhe forma com formões e o marca</p><p>com o compasso. Finalmente, dá-lhe a forma de um homem, con</p><p>forme a sua beleza, para colocá-lo num santuário.</p><p>Um homem corta cedros [...] planta um pinheiro, e a chuva o</p><p>faz crescer.</p><p>Isso serve para o homem queimar; toma uma parte da madeira</p><p>e com ela se aquece; acende um fogo e assa o pão; também faz um</p><p>deus e se prostra diante dele; fabrica uma imagem de escultura e se</p><p>ajoelha diante dela.</p><p>Ele queima metade no fogo, e com isso prepara a carne para</p><p>comer; faz um assado e dele se farta; depois se aquece e diz: Ah! Já</p><p>me aqueci, já experimentei o fogo.</p><p>Então com o resto faz um deus para si, uma imagem de es</p><p>cultura. Ajoelha-se diante dela, prostra-se e dirige-lhe sua súplica:</p><p>Livra-me, porque tu és o meu deus.</p><p>Nada sabem nem entendem, porque seus olhos foram fecha</p><p>dos para que não vejam, e o coração, para que não entendam.</p><p>Nenhum deles pensa. Não têm conhecimento nem entendi</p><p>mento para dizer: Queimei metade no fogo e assei pão sobre as</p><p>suas brasas; fiz um assado e dele comi; e faria eu do resto uma</p><p>abominação? Eu me ajoelharei diante do pedaço de uma árvore?</p><p><I26></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>Ele se alimenta de cinza. O seu coração enganado o desviou,</p><p>de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é men</p><p>tira isto que está na minha mão direita? (Is 44.9,13-20)</p><p>Isaías ilustra de modo vivido a loucura de adorar um pedaço de</p><p>madeira. Sobre uma parte da lenha, o idólatra cozinha seu jantar;</p><p>com a outra, confecciona um deus no qual confia para ser salvo e</p><p>abençoado. A mente do idólatra é iludida. Ele não percebe nem</p><p>entende como suas ações são absurdas. O idólatra cria um deus de</p><p>seu agrado e, de modo irracional, crê que lhe trará felicidade. Sua</p><p>mente não está cumprindo o papel de guardá-lo do erro. Ele anseia</p><p>criar um deus com sua própria força; procura salvar a si mesmo sem</p><p>precisar crer na Palavra do Salvador.</p><p>Talvez você esteja pensando: “Mas claro que isso é ridículo!</p><p>Qualquer um sabe que adorar uma imagem visível como essa é to</p><p>lice, mas em que isso se relaciona comigo? Não me prostro diante</p><p>de um pedaço de madeira!”. Sim, felizmente, talvez seja verdade.</p><p>Pense com calma, porém, e veja se não deixou passar o sentido das</p><p>advertências bíblicas acerca da idolatria. Na realidade, antes de ser</p><p>transformada em ídolo, a coisa foi fabricada no entendimento hu</p><p>mano, na imaginação do idólatra. “O fato de esses ídolos receberem</p><p>forma posteriormente como imagens de madeira ou de pedra é se</p><p>cundário. O espírito do homem gera a imagem idólatra; suas mãos</p><p>a produzem.”7 Portanto, existem ídolos em todas as esquinas, só que</p><p>não os vemos tão facilmente como os vi na Ásia. Não são visíveis</p><p>porque existem em nossos pensamentos.</p><p>7J. Douma, lhe Ten Commandments: manual for the Christian life (Phillipsburg:</p><p>P&R, 1996), p. 69.</p><p>Talvez tenhamos nos tornado mais sofisticados em nossa idolatria,</p><p>mas ainda somos igualmente iludidos. Jamais pensaríamos em fazer</p><p>algo tolo como adorar uma pedra ou uma árvore, mas, com frequência,</p><p><I27></p><p>ÍDOLOSCORAÇÃO</p><p>caímos no pecado de adorar um deus criado por nossa imaginação,</p><p>um deus que pensa exatamente como nós, sujeito a manipulação e</p><p>controle, para nosso próprio prazer8 e para atender a nossas ambi</p><p>ções.9 Desejamos encontrar uma forma de nos salvar, de satisfazer</p><p>nosso coração, de provar nossa retidão para nós mesmos e para ou</p><p>tros. E não queremos ajuda externa para fazê-lo. “Deixe comigo...” é</p><p>o mantra do idólatra.</p><p>8Calvino escreve: “A mente do homem, cheia de orgulho e temeridade, ousa</p><p>imaginar um deus conforme sua capacidade; visto que sofre de embotamento, é</p><p>tomada da mais crassa ignorância, em lugar de Deus concebe uma irrealidade e uma</p><p>vã aparência” (Calvin, Institutes, 1:108).</p><p>9Ibidem, 1:70.</p><p>Devido a nossa grande propensão de criar ídolos que nos agra</p><p>dem, nossa mente precisa ser instruída e corrigida de modo contínuo.</p><p>Como Josias, precisamos diariamente de doses concentradas da ver</p><p>dade a respeito de quem Deus é de fato.</p><p>Paulo pregou: “Não devemos pensar que a divindade seja seme</p><p>lhante ao ouro, à prata, ou à pedra esculpida pela arte e imaginação</p><p>humana” (At 17.29). Paulo ensina que Deus não é formado por</p><p>nosso pensamento. Aliás, é justamente o contrário: nós fomos for</p><p>mados pelo pensamento dele! Precisamos aprender a deixar de lado</p><p>os deuses de nossa imaginação, deuses que prometem felicidade em</p><p>troca de nossa adoração. Como no caso do rei Josias, isso só acontece</p><p>quando o Espírito usa a Palavra para nos conduzir à luz resplande</p><p>cente de sua pessoa.</p><p>DANDO NOMES AOS NOSSOS DEUSES</p><p>Talvez você esteja se perguntando: “Como descobrir se tenho um</p><p>deus imaginário? Como identificá-lo?”. Neste ponto, nossa discus</p><p>são sobre felicidade será útil.</p><p><I28></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>Onde está a sua felicidade?</p><p>Para identificar seus ídolos, comece a observar pensamentos e</p><p>fantasias que lhe prometem felicidade. Culturas antigas tinham</p><p>deuses para todas as forças da natureza que elas não compreen</p><p>diam devidamente, inclusive deuses da fertilidade e da colheita.</p><p>Adoravam esses deuses porque filhos e boas colheitas eram consi</p><p>derados fontes de felicidade. Estavam dispostos a sacrificar parte</p><p>de sua produção agrícola e até mesmo um filho caso pudessem</p><p>controlar seu ambiente e obter alguma garantia de alegrias futuras.</p><p>Confiavam em falsos deuses porque acreditavam que lhes trariam</p><p>algum benefício, e nós fazemos o mesmo. Foi à luz dessa realidade</p><p>que Jeremias profetizou:</p><p>Pois as práticas religiosas dos povos são inutilidade;</p><p>corta-se do bosque um pedaço de pau,</p><p>que é trabalhado com o machado pelas mãos do artífice.</p><p>Eles o revestem com prata e ouro, firmam-no com pregos e martelos,</p><p>para que não caia.</p><p>São como um espantalho num pepinal,</p><p>não podem falar</p><p>e precisam de quem os carregue,</p><p>pois não podem andar.</p><p>Não tenhais medo deles,</p><p>pois não podem fazer nem mal</p><p>nem bem (Jr 10.3-5).</p><p>Jeremias ilustra a insensatez de confiar em um deus que precisa</p><p>ser firmado com pregos para não tombar. Compara-o a um espanta</p><p>lho que assusta aves irracionais. Pessoas racionais não têm medo de</p><p>espantalhos, pois sabem que eles não podem lhes fazer mal. Não os</p><p>adoram, pois sabem que não têm poder. No entanto, há quem confie</p><p>< 129></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>em ídolos porque crê que resultará em algum benefício, e teme o que</p><p>poderá acontecer se não o fizer.10</p><p>10Pode-se observar essa atitude nos habitantes de Judá depois que fugiram para</p><p>o Egito. Acreditavam que seus ídolos lhes concederíam bênçãos e que abandoná-</p><p>-los resultaria em maldição: “Então todos os homens que sabiam que suas mulheres</p><p>queimavam incenso a outros deuses, e todas as mulheres que estavam presentes,</p><p>uma grande multidão, isto é, todo o povo que habitava na terra do Egito, em Patros,</p><p>responderam a Jeremias: Não obedeceremos à palavra que nos anunciaste em nome</p><p>do Senhor. Pelo contrário, certamente faremos tudo o que prometemos: queima</p><p>remos incenso à rainha do céu e lhe apresentaremos ofertas derramadas. E isso que</p><p>nós e nossos pais, e nossos reis e nossos chefes fazíamos nas cidades de Judá e nas</p><p>ruas de Jerusalém. Naquele tempo, tínhamos fartura de pão, prosperavamos e não</p><p>vimos catástrofe alguma. Mas desde que cessamos de queimar incenso à rainha</p><p>do céu e de lhe apresentar ofertas derramadas, temos tido falta de tudo e temos</p><p>sido consumidos pela espada e pela fome” (Jr 44.15-18). Habacuque 2.18 reitera</p><p>o mesmo pensamento: “Para que serve a imagem esculpida por um artífice? E a</p><p>imagem de fundição, que ensina a mentira?”.</p><p>Não há benefício algum em adorar falsos deuses, mas as pessoas</p><p>o fazem porque estão iludidas. Talvez tenham idéias equivocadas a</p><p>respeito da bem-aventurança de adorar o Deus verdadeiro. Talvez</p><p>tenham medo do que lhes acontecerá se confiarem somente em</p><p>Deus. E importante lembrar: sempre que adoramos ídolos, o faze</p><p>mos porque estamos convencidos de que isso nos trará felicidade.</p><p>Cremos que resultará em algum benefício. Então, quando as coisas</p><p>parecem não se encaminhar como gostaríamos, nos esforçamos mais</p><p>e mais para encontrar satisfação, mas não conseguimos nada.</p><p>Servir falsos deuses é irracional, pois a mente crê em uma</p><p>mentira e confia nela, e as afeições a seguem. Sabemos que não faz</p><p>sentido nos curvarmos diante de nada e de ninguém que não seja o</p><p>Deus Criador. Somente ele pode proporcionar felicidade e alegria.</p><p>Somente ele pode nos satisfazer, mas não gostamos de abrir mão</p><p>de nossos pequenos deuses. Agora, vamos analisar mais a fundo os</p><p>nossos pensamentos e crenças para identificar se há falsos deuses à</p><p>espreita no meio deles.</p><p><I30></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>DEUSES FEITOS PELA NOSSA IMAGINAÇÃO</p><p>Em vez de confeccionarmos ídolos de madeira ou de pedra, nós</p><p>os confeccionamos em nossa imaginação, adorando aquilo que, a</p><p>nosso ver, trará felicidade. Não esculpimos um bom cônjuge de um</p><p>pedaço de pinho, mas prestamos culto à ideia da alegria que ele nos</p><p>proporcionaria. Não entalhamos uma imagem de um homem ou de</p><p>uma mulher autossuficiente, mas cremos que nessa imagem reside</p><p>nossa alegria. Cremos que a felicidade</p><p>depende do preenchimento</p><p>de nossas expectativas. Essas crenças atuam como deuses, exata</p><p>mente como se os tivéssemos esculpido de madeira ou recoberto de</p><p>prata. Damos grande valor a nossos conceitos e sonhos de felicidade</p><p>imaginária. Não conseguimos pensar na vida sem eles.</p><p>Nossas crenças a respeito das fontes de alegria (um cônjuge ou</p><p>sucesso, por exemplo) são vivenciadas, com frequência, como lindas</p><p>fantasias que conquistam nosso coração. Paulo instruiu os coríntios a</p><p>“[levarem] cativo todo pensamento para que obedeça a Cristo” (2Co</p><p>10.5). Para seguirmos a ordem “fiigi da idolatria” (lCo 10.14), temos</p><p>de permanecer vigilantes e julgar todos os nossos pensamentos e fan</p><p>tasias com base na Palavra. Temos de analisar se são verdadeiramente</p><p>bons. Se forem bons, temos de perguntar se nossa paixão por eles ofus</p><p>cou nossa paixão por Deus. Quer sejam pensamentos piedosos que</p><p>elevamos a um lugar indevido de proeminência em nosso coração (a</p><p>convicção de que um cônjuge nos dará mais alegria que Deus), quer</p><p>sejam ilusões ímpias (a fantasia de que seríamos felizes se fôssemos ri</p><p>cos), essas idéias podem desempenhar a função de deuses. Em resumo,</p><p>precisamos discernir se estamos crendo na verdade ou em uma men</p><p>tira. Como você pode observar, ídolos habitam nossos pensamentos,</p><p>nossas crenças e nossa imaginação, e é ali que precisam ser aniquilados.</p><p>As mentiras nas quais costumamos acreditar — mentiras que</p><p>Satanás e o mundo vendem — obscurecem nosso pensamento a</p><p>respeito da verdadeira natureza de Deus e da fonte da felicidade.</p><p>< 1 3 I ></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>A mentira de que é possível encontrar felicidade em algo ou alguém</p><p>que não Deus é a ilusão da qual flui toda idolatria. Como são algumas</p><p>dessas mentiras? Permita-me dar exemplos e veja se você se identi</p><p>fica com algum deles.</p><p>• Para ser verdadeiramente feliz, preciso de um cônjuge crente,</p><p>romântico, responsável e que saiba se comunicar bem.</p><p>• Para ser verdadeiramente feliz, preciso de filhos obedientes,</p><p>que façam com que os outros me vejam como bom pai ou</p><p>boa mãe.</p><p>• Para ser verdadeiramente feliz, preciso de um bom emprego,</p><p>onde me tratem com respeito e me paguem um bom salário,</p><p>para que eu não precise depender de ninguém.</p><p>• Para ser verdadeiramente feliz, preciso ser amado e valorizado</p><p>por outros.</p><p>• Para ser verdadeiramente feliz, preciso da aprovação de ou</p><p>tros e/ou de mim mesmo.</p><p>• Para ser verdadeiramente feliz, preciso me sentir protegido</p><p>de todas as calamidades.</p><p>• Para ser verdadeiramente feliz, preciso ser capaz de olhar</p><p>para minha vida e ver que estou crescendo, progredindo, me</p><p>tornando cada vez melhor.</p><p>Cabe à sua mente, iluminada pelo Espírito e pelas Escrituras,</p><p>corrigir sua forma de pensar quando você acredita em mentiras e</p><p>começa a adorar idéias de felicidade imaginária. Embora a lista aci</p><p>ma não seja completa, mostra como é fácil nos iludirmos. A menos</p><p>que a mente aja como vigia, você cairá em erro. Começará a crer na</p><p>mentira de que um bom cônjuge, filho ou emprego, ou qualquer</p><p>coisa criada, é a fonte de felicidade. Então, assim que o fizer, estará</p><p>adorando um deus falso. Lembre-se: toda vez que sua adoração se</p><p>volta para algo ou alguém que não Deus, é idolatria.</p><p><I32></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>Deixe eu dar mais um exemplo. Se você acredita que só será feliz</p><p>se o respeitarem em seu emprego, fará todo o possível para obter a</p><p>aprovação de seu patrão. Ficará com raiva quando não receber o</p><p>reconhecimento que tanto deseja; buscará maneiras de se destacar</p><p>de seus colegas; viverá em função da suposta felicidade de ouvir seu</p><p>patrão dizer: “Você é valioso para mim”. Não há nada de errado</p><p>em ser bom funcionário por amor ao Senhor, como faceta de sua</p><p>adoração (Cl 3.22-24). Se, contudo, você o faz por amor à divindade</p><p>falsa da “aprovação do patrão” ou da “necessidade de sucesso”, está</p><p>quebrando o primeiro mandamento — e foi iludido.</p><p>FALSOS DEUSES GERAM DESOBEDIÊNCIA</p><p>A luta contra a idolatria e o engano começou com Eva e persiste até</p><p>hoje. Eva foi enganada e levada a pensar que encontraria felicidade se</p><p>desobedecesse a Deus.Toda vez que pecamos, é porque também esta</p><p>mos enganados. Cometemos a tolice de imaginar que encontraremos</p><p>a felicidade se corrermos atrás das mentiras que sussurram seduto</p><p>ramente dentro do nosso coração. Pecamos porque acreditamos que,</p><p>desse modo, obteremos alguma felicidade. E nesse momento que</p><p>nossas idéias de felicidade se tornam nosso deus. Não estou dizendo</p><p>que, pelo fato de termos sido enganados, não somos plenamente res</p><p>ponsáveis por nosso pecado. Somos inteiramente culpáveis por nosso</p><p>pecado, pois não cremos na Palavra de Deus e confiamos em deuses</p><p>de nossa imaginação. E idólatra tornar nossas fantasias mais impor</p><p>tantes que a alegre obediência ao Senhor. Lembre-se de que nossos</p><p>ídolos sempre se apresentam como algo bom.</p><p>Nossas crenças idólatras se tornam evidentes quando pecamos</p><p>habitualmente de determinada forma. Se descubro, por exemplo,</p><p>que costumo reagir com raiva quando sou criticado, preciso analisar</p><p>que pensamento ou fantasia idólatra se encontra na raiz de minha</p><p>raiva. Para isso, devo fazer as seguintes perguntas:</p><p>< I 3 3 ></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>• Em que creio a respeito da fonte de verdadeira felicidade</p><p>nessa circunstância?</p><p>• Em que creio a respeito de Deus nessa circunstância?</p><p>• Em que creio a respeito de mim mesmo — meus direitos,</p><p>meus objetivos, meus desejos?</p><p>• Em que confio para me fazer feliz?</p><p>• Por que a opinião dessa pessoa é tão importante para mim?</p><p>Creio na justificação com base na aprovação humana?</p><p>No caso em questão, por exemplo, eu poderia responder:</p><p>• Em que creio a respeito da fonte da verdadeira felicidade nessa</p><p>circunstância? Creio que só encontrarei felicidade quando</p><p>outros me respeitarem. Minha convicção de que preciso ser</p><p>respeitado se tornou meu deus e produz frutos amargos para</p><p>todos que ousam me questionar.</p><p>• Em que creio a respeito de Deus nessa circunstância? Estou du</p><p>vidando do caráter dele. Creio que ele não é bom. Creio que,</p><p>se ele fosse bom, me protegeria das críticas. Meu desejo (de</p><p>não ser criticado) influencia minha opinião a respeito dele</p><p>e me faz tentar transformá-lo à minha imagem. Penso: Se</p><p>ele fosse verdadeiramente bom, faria os outros me tratarem da</p><p>forma como desejo ter tratado! Talvez o problema, a meu ver,</p><p>não seja que Deus não é bom, mas que não é poderoso. Se</p><p>Deus fosse poderoso, controlaria o modo como outros me tratam.</p><p>(Percebe como é importante ter uma concepção bíblica do</p><p>caráter de Deus?)</p><p>• Em que creio a respeito de mim mesmo — de meus direitos, obje</p><p>tivos e desejos? Creio que tenho o direito de ser respeitado em</p><p>meu emprego. Creio que jamais devo ser criticado. Quando</p><p>sou criticado, considero-me vítima da injustiça de outros.</p><p>Creio que a felicidade continuará a escapar por entre meus</p><p><I34></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>dedos enquanto as pessoas não me aprovarem. Desconsidero</p><p>o fato de que não importa se outros me aprovam, ou mesmo</p><p>se eu me aprovo (2Co 10.18). Creio que é mais importante</p><p>receber aprovação de outros que de Deus. Será que isso se</p><p>deve ao fato de os outros serem meu deus?</p><p>• Em que confio? Em vez de confiar em Deus — de crer que</p><p>ele permitiu essa dificuldade para meu bem (e para minha</p><p>felicidade suprema) — creio que as pessoas têm poder de</p><p>me fazer feliz. Associei a aprovação delas a meu valor pró</p><p>prio. Preciso ver minhas circunstâncias como uma dádiva</p><p>de Deus a fim de abrir os olhos para minha idolatria e me</p><p>libertar dela. Em vez de ficar pecaminosamente irado quan</p><p>do recebo críticas, preciso me alegrar na disciplina fiel de</p><p>Deus (Pv 25.12).</p><p>• O que me justifica? Neste caso, penso que a opinião de ou</p><p>tros me justifica ou me torna aceitável; creio que preciso</p><p>da aceitação e da aprovação de outros, e esqueço que já</p><p>sou plenamente aceito e aprovado por meu Pai celeste por</p><p>causa de minha fé na obediência perfeita de Cristo e em</p><p>sua morte substitutiva.</p><p>• Quem me salva? Neste caso, imagino que preciso salvar a</p><p>mim mesmo. Pressuponho que a</p><p>aprovação de outros diz</p><p>algo de suma importância a respeito de meu valor, de minha</p><p>possibilidade de ser salvo e amado. A verdade, evidentemen</p><p>te, é que não mereço a salvação de Deus nem posso fazer</p><p>coisa alguma para alcançá-la. Ela me é concedida pela graça,</p><p>por meio da fé em Jesus somente. Não a mereço. Sou in</p><p>capaz de obtê-la. Minha folha corrida não tem nenhuma</p><p>relação com ela.</p><p>Há circunstâncias em que você se vê pecando de forma habitual?</p><p>Em caso afirmativo, faça essas perguntas e provavelmente encontrará</p><p>< 1 3 5 ></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>pensamentos e fantasias pecaminosos no cerne do problema. Esse</p><p>questionário o ajudará a ver os motivos subjacentes, para que possa</p><p>começar a tratar de suas raízes. Em vez de apenas tentar me con</p><p>trolar quando sou criticada, por exemplo, preciso entender que fico</p><p>com raiva porque almejo e venero as opiniões de outros a meu</p><p>respeito e busco a justificação própria. Preciso me arrepender de</p><p>meus pensamentos a respeito de mim mesma e concordar com Deus</p><p>que somente ele é digno de louvor (ao mesmo tempo em que me</p><p>arrependo de minha raiva pecaminosa).</p><p>Se creio nas mentiras do mundo, da carne e do Diabo, elas se</p><p>tornam prioridades em minha vida. Minha mente imagina como eu</p><p>seria feliz se todos me aprovassem, se eu tivesse certeza de que sou</p><p>digna de amor. Quando esses pensamentos me cativam, a adoração a</p><p>Deus é relegada a uma posição secundária. Minhas fantasias passam</p><p>a ocupar o centro do palco, e Deus se torna um simples contrarre-</p><p>gra cujo propósito é garantir que eu me saia bem na apresentação.</p><p>Meus pensamentos se tornaram meu deus, e estou disposta a fazer</p><p>qualquer coisa, até mesmo pecar, para conseguir aquilo que, a meu</p><p>ver, me trará felicidade.</p><p>O PAPEL DE SUA MENTE</p><p>Sua mente deve guardá-lo da idolatria. Deve filtrar e julgar ca</p><p>da pensamento, especialmente aqueles que são influenciados</p><p>pela imaginação. Lembre-se das palavras de Paulo aos coríntios:</p><p>“Destruímos raciocínios e toda arrogância que se ergue contra o</p><p>conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento para que</p><p>obedeça a Cristo” (2Co 10.5). Sua mente, em especial sua consciência,</p><p>deve examinar cada pensamento e subjugar aqueles que se erguem</p><p>contra o verdadeiro conhecimento de Deus e de seu amor salvador.</p><p>Visto que ele o amou e o aceitou, não há mais necessidade de bus</p><p>car amor e aceitação de outros. Todo pensamento deve ser levado</p><p><I36></p><p>PENSANDO SOBRE SEU DEUS</p><p>à obediência ao evangelho. Assim como Josias destruiu os ídolos</p><p>de sua época, pela fé você pode começar a arrancar e destruir as</p><p>fantasias idólatras e tudo o que lhe diz que você precisa de algo além</p><p>daquilo que Deus lhe deu em Cristo. Não há como fazê-lo com</p><p>suas próprias forças; somente com o poder do Espírito você poderá</p><p>se aperfeiçoar na adoração inteiramente dedicada ao Deus vivo e</p><p>destruir seus falsos deuses.</p><p>1. Por que é importante ter uma concepção correta de Deus?</p><p>2. De que maneira Deus o instrui acerca da natureza dele? Em</p><p>que característica específica de Deus você se alegra de modo</p><p>especial? Encontre versículos que ilustrem essa verdade.</p><p>3. Como você explicaria para um aluno do sexto ano do ensino</p><p>fundamental o papel da idolatria na vida do homem moderno?</p><p>4. Identifique áreas de sua vida em que há expectativas que funcio</p><p>nam como deuses. Reflita sobre suas fantasias ao longo do dia.</p><p>Como você se vê?</p><p>5. Use as perguntas da p. 134 para identificar seu pecado habitual</p><p>e descobrir áreas de idolatria.</p><p>6. Você tem procurado se autojustificar? De que maneiras? Qual é</p><p>a solução para a luta contra a autojustificação?</p><p>7. Escreva uma oração pedindo que Deus, por meio do Espírito</p><p>Santo, ilumine seu coração e o conscientize de seus ídolos.</p><p>Quando ele o fizer, não se entregue ao ódio de si mesmo nem</p><p>< I 37></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>ao desespero; arrependa-se e peça para que Deus lhe ensine a</p><p>verdade a respeito da natureza dele. Rogue que ele lhe dê um</p><p>coração disposto a amá-lo e adorá-lo.</p><p><I38></p><p>8</p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>Não desejo outra coisa além de ti (SI 73.25).</p><p>Assim como acontecera com Raquel, Ana desejava ter um filho.</p><p>Embora seu marido, Elcana, a amasse, Penina, a outra esposa,</p><p>“a provocava muito, a fim de aborrecê-la, porque o Senhor a havia</p><p>deixado estéril” (ISm 1.6). Podemos imaginar os comentários cruéis</p><p>e os olhares de desprezo dirigidos a Ana enquanto Elcana brincava</p><p>com os filhos de Penina. Que tormento Ana deve ter sofrido!</p><p>Quando a família fez a viagem anual a Siló para adorar a Deus,</p><p>Ana estava tão entristecida com sua esterilidade que não quis comer.</p><p>Mas, pela graça de Deus, foi ao templo e “com a alma amargurada</p><p>[...] orou ao Senhor, chorou muito” (ISm 1.10). Ao contrário de</p><p>Raquel, não há registro algum de que Ana tenha expressado indig</p><p>nação e exigido um filho. Seus desejos estavam centrados no Senhor</p><p>e, por isso, ela derramou o coração diante dele.</p><p>Enquanto Ana orava fervorosamente em silêncio, a graça de</p><p>Deus reorganizou seus desejos. Ela recebeu a garantia de que Deus se</p><p>lembrava dela. De bom grado, fez um voto de entregar-lhe o anseio</p><p>de seu coração. Orou: “O Senhor dos Exércitos! Se deres atenção</p><p>à aflição de tua serva [...] e não te esqueceres de tua serva, mas lhe</p><p>deres um menino, eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias da</p><p>sua vida” (ISm 1.11). Terminada essa oração, ela era uma mulher</p><p>transformada. Encontrou a verdadeira fonte de alegria, a verdadeira</p><p>fonte de justificação, e seu rosto refletiu essa descoberta (ISm 1.18).</p><p>Ana tinha um desejo ardente. Ansiava por um filho para amar</p><p>e cuidar para o Senhor. Contudo, o desejo de Ana não era seu</p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>deus. Não queria um filho apenas para acabar com a crueldade de</p><p>Penina. Queria um filho que ela pudesse educar para glorificar e</p><p>servir a Deus.</p><p>Vemos a adoração de Ana a Deus no nome que ela deu a seu</p><p>filho. Você se lembra de que Raquel deu ao filho o nome de José,</p><p>revelando que ainda não estava satisfeita e queria receber mais? Ana</p><p>chamou seu filho de Samuel, que significa “Eu o pedi do Senhor”</p><p>(lSm 1.20). Ela sabia que seu filho era uma dádiva de Deus. Toda</p><p>vez que pronunciava o nome dele, recordava-se de que ele era res</p><p>posta de oração. Pertencia a Deus. Em sua bondade, Deus atendeu</p><p>ao pedido de Ana, pois ela o fez pela fé.1</p><p>Tsse não é o final da história de Ana. A Bíblia diz que ela teve mais cinco</p><p>filhos depois de Samuel. Deus satisfez seu desejo copiosamente; não apenas lhe</p><p>deu o filho pelo qual ela orou (e do qual, por fim, abriu mão), mas também lhe deu</p><p>outros filhos e filhas. A que Deus bondoso servimos!</p><p>2Nos capítulos seguintes, trataremos de nossas emoções, mas, visto que nossos</p><p>pensamentos e desejos geram as emoções, é mais proveitoso focalizar a causa (pen</p><p>samentos, desejos) que o efeito (emoções).</p><p>A DÁDIVA DE NOSSAS AFEIÇÕES</p><p>Neste capítulo, vamos tratar de nossas afeições. Lembre-se de</p><p>que as afeições são nossos anseios, desejos e sentimentos.* 2 Nossos</p><p>anseios e desejos são cruciais para o estudo da idolatria, pois esti</p><p>mulam e canalizam a adoração. Eles são a força motriz por trás de</p><p>tudo o que fazemos.</p><p>Pense novamente no quanto Ana desejava ter um filho para o</p><p>Senhor. O que esse desejo a levou a fazer? Ela orou e derramou seu</p><p>coração diante do Senhor. O desejo a levou à adoração profunda e</p><p>sincera. Assim como Ana, você e eu temos desejos e anseios profun</p><p>dos. Acalentamos tesouros em nosso coração. Ansiamos por aquilo</p><p>que nos dará a maior felicidade possível.</p><p><I40></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>A NATUREZA DO DESEJO</p><p>E fato conhecido que todos nós temos desejos. Precisamos, contudo,</p><p>responder a duas perguntas: (1) Qual é a fonte de nosso desejo? (2)</p><p>Como podemos avaliar se nossos desejos são idólatras ou se têm</p><p>Deus como centro?</p><p>Os desejos do nosso coração</p><p>A Bíblia fala bastante sobre desejos e, ao fazê-lo, muitas vezes</p><p>usa um termo que pode ser traduzido por concupiscência ou cobiça.</p><p>Geralmente, empregamos o primeiro termo para falar do desejo</p><p>sexual extremo, mas a Bíblia o emprega de modo mais amplo. Veja</p><p>as seguintes passagens:</p><p>Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua pró</p><p>pria concupiscência (Tg 1.14, ARC).</p><p>Cobiçais e nada conseguis [...] invejais, e não podeis obter [...].</p><p>Pedis e não recebeis, porque pedis de modo errado, só para gastar</p><p>des em vossos prazeres (Tg 4.2,3).3</p><p>3O termo traduzido aqui por “prazeres” é o grego hedone, que significa “agradar”, no</p><p>sentido de prazer sensual e, por implicação, de desejo {Strongs exhaustive concordance).</p><p>4Veja tb. Lc 22.15; Jo 8.44; Rm 1.24; 7.7,8; G1 5.16,24; Fp 1.23; Cl 3.5; lTs</p><p>2.17; 4.5; lTm 6.9; 2Tm 2.22; 3.6; 4.3; Tt 2.12; 3.3; Tg 1.14,15; lPe 1.14; 2.11;</p><p>4.2,3; 2Pe 1.4; 2.10,18; 3.3; ljo 2.16,17; Jd 16,18.</p><p>Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concu</p><p>piscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai [...]. Ora,</p><p>o mundo passa, bem como a sua concupiscência (ljo 2.16,17, ARC).</p><p>Nesses versículos (e em muitos outros),4 o termo traduzido por “de</p><p>sejo”, “cobiça”, “concupiscência” ou “paixão” é epithumia, que significa</p><p>< 141 ></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>anseio, almejo, desejo intenso. Tem formas positivas de uso, como</p><p>na declaração de nosso Senhor: “Tenho desejado muito comer</p><p>esta Páscoa convosco” (Lv 22.15).5 Em geral, porém, tem conotação</p><p>negativa. Para os escritores do Novo Testamento, desejos, cobiças e</p><p>anseios eram fatores que motivavam comportamento pecaminoso.6</p><p>Embora o desejo em si nem sempre seja pecaminoso, pode dar ori</p><p>gem ao pecado se for excessivamente valorizado.</p><p>5Paulo também tinha o “desejo de partir e estar com Cristo” (Fp 1.23) e “[de</p><p>sejava] intensamente” ver os tessalonicenses (lTs 2.17).</p><p>6Em Gaiatas 5.16, Paulo diz: “Andai pelo Espírito e nunca satisfareis os</p><p>desejos da carne”. Ele mostra que os desejos da carne geram as obras da carne:</p><p>“Imoralidade, impureza e indecência; idolatria e feitiçaria; inimizades, rivalidades</p><p>e ciúmes; ira, ambição egoísta, discórdias, partidarismo e inveja; bebedeiras, orgias</p><p>e coisas semelhantes a essas” (G1 5.19-21). Veja tb.Tiago 1.14-16: “Mas cada um é</p><p>tentado quando e atraído e seduzido por seu próprio desejo”.</p><p>7“Quem encontra uma esposa acha quem lhe traz felicidade e alcança o favor</p><p>do Senhor” (Pv 18.22).</p><p>Por exemplo, desejar um cônjuge não é pecado.7 Contudo, se</p><p>uma mulher cai em pecado na tentativa de obter um cônjuge ou se</p><p>ressente de não tê-lo, o que poderia ser um desejo santo se torna</p><p>um desejo perverso. Isso porque, em vez desejar Deus e amá-lo</p><p>acima de todas as coisas, ela transferiu sua lealdade para o amor e</p><p>desejo de ter um marido. Transformou em deus o que deveria ser</p><p>um desejo bom ao amá-lo e servi-lo acima de Deus. Tornou-o um</p><p>mal, um ídolo.</p><p>Vemos esse princípio na vida de Raquel e de Ana. O desejo de</p><p>Raquel de ter filhos era pecaminoso porque havia tomado o lugar</p><p>de Deus em seu coração. O desejo de Ana não era pecaminoso,</p><p>pois não era seu deus. Embora ela sofresse terrivelmente com sua</p><p>esterilidade, desejava um filho para intensificar sua adoração e seu</p><p>prazer em Deus, e sujeitou-se humildemente à vontade dele. Seus</p><p>desejos podem não ser moralmente errados em si, mas o lugar de</p><p>proeminência que ocupam em seu coração pode torná-los errados.</p><p><I42></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>Evidentemente, alguns desejos são sempre pecaminosos. Desejar</p><p>a esposa de outro homem, por exemplo, é sempre pecado. Ao con</p><p>trário dos desejos piedosos, o que torna esse desejo mau não é sua</p><p>proeminência. Ele é mau em si mesmo. E pecaminoso mesmo que</p><p>não gere ação alguma. Quem tem esse desejo, pecou contra Deus,</p><p>pois quer algo que Deus proibiu.8</p><p>8Veja Mt 5.22,28, em que Jesus ensina a respeito da pecaminosidade dos dese</p><p>jos que residem apenas em nosso coração, mesmo que não gerem ações.</p><p>9Rm 3.10-29; Ef 2.3; 5.3-5; Cl 3.5-7; Tt 3.3. O Novo Testamento ensina cla</p><p>ramente que os indivíduos fora da família da aliança de Deus são escravos de seus</p><p>desejos, incapazes de desejar qualquer coisa que não seja pecaminosa. Mesmo que um</p><p>incrédulo pareça estar fazendo algo bom (como, por exemplo, ajudar os pobres), os</p><p>desejos que motivam esse comportamento não são centrados em Deus (para a glória</p><p>de Deus), mas no homem (para a própria glória) e, portanto, são pecaminosos.</p><p>Todos têm desejos, anseios e cobiças. Somente os cristãos, po</p><p>rém, são capazes de ter desejos santos.9 Crentes e incrédulos têm</p><p>cobiças e desejos que os levam a agir de determinadas maneiras. Por</p><p>quê? Será que isso faz parte da forma como fomos criados?</p><p>CRIADOS PARA DESEJAR DEUS</p><p>Se a verdadeira natureza de seus desejos lhe causa perplexidade, você</p><p>não está sozinho. Parece haver um bocado de confusão a respeito da</p><p>fonte e da natureza de desejos, anseios e “necessidades”. Precisamos</p><p>ter o cuidado de definir a origem e a qualidade de nossos desejos</p><p>como a Bíblia o faz. Para isso, consideremos primeiramente como</p><p>Adão foi projetado por Deus.</p><p>Com grande amor, Deus criou Adão e Eva para funcionarem de</p><p>maneiras específicas. O corpo de Adão (seu ser exterior) foi projeta</p><p>do de modo a refletir o lugar escolhido por Deus para a humanidade</p><p>no mundo. Por exemplo, Adão não tinha guelras, pois foi criado</p><p>para viver em terra firme, num jardim, e não num lago. O corpo</p><p>de Adão lhe permitia encaixar-se perfeitamente em seu nicho na</p><p><I43></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>criação. Deus concedeu a nossos pais tudo de que precisavam para</p><p>viver em seu ambiente.</p><p>Além de criar o corpo de Adão e Eva para desempenhar um</p><p>papel específico, Deus também criou o homem e a mulher com de</p><p>terminadas aptidões mentais e espirituais que definiam seu papel na</p><p>criação. Deu-lhes um coração, um ser interior com mente, afeições</p><p>e volição. Criou-os como seres que pensavam, desejavam, sentiam e</p><p>escolhiam. Eles foram separados do restante da criação, pois Deus</p><p>“soprou-lhes nas narinas o fôlego da vida” (Gn 2.7).</p><p>Deus criou Adão e Eva com a capacidade de experimentar gran</p><p>de alegria num relacionamento prazeroso com ele e um com o outro.</p><p>Também colocou dentro deles o desejo de realizar tarefas específicas</p><p>na ordem criada por ele e de terem prazer de fazê-lo. Eles encontraram</p><p>felicidade ao ocupar seu lugar na criação divina, pois foram projetados</p><p>para servir seu Criador e um ao outro, e para ter comunhão com ele e</p><p>um com o outro. Eles eram perfeitamente adequados para essa tarefa.</p><p>Observemos em mais detalhes de que maneira Deus projetou</p><p>os seres humanos, especialmente as aptidões que lhes concedeu para</p><p>cumprirem seu papel. Veremos que os desejos da humanidade nas</p><p>ceram da ordem criada por Deus.</p><p>CRIADOS À IMAGEM E</p><p>SEMELHANÇA DE DEUS</p><p>Ao contrário do restante da criação divina, Adão foi criado à ima</p><p>gem e semelhança de Deus. “Façamos o homem à nossa imagem,</p><p>conforme nossa semelhança; domine ele [...]. E Deus criou o ho</p><p>mem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os</p><p>criou” (Gn 1.26,27).10</p><p>10Veja tb. Gn 5.1; 9.6, Ec 7.29; At 17.26,28,29; lCo 11.7; 2Co 3.18; Ef 4.24;</p><p>Cl 3.10; Tg 3.9.</p><p><I44></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>Adão e Eva foram criados como reflexo de Deus.11 Eram se</p><p>melhantes a Deus em alguns aspectos e diferentes dele em outros.* 12</p><p>Eram diferentes de Deus porque, embora tivessem sido criados à</p><p>sua imagem, não eram Deus. Faziam parte da criação; Deus era</p><p>o Criador. Não obstante, nossos primeiros antepassados refletiam</p><p>Deus. Eram capazes de pensar e raciocinar. Tinham anseios e de</p><p>sejos; tinham emoções. Eram capazes de trabalhar e fazer escolhas</p><p>conforme suas preferências mais fortes. Deus lhes deu o desejo de</p><p>exercer domínio sobre a criação e de sentir alegria ao obedecer a</p><p>Deus e cumprir seu propósito. Eles tinham a capacidade de relacio</p><p>nar-se com Deus e com outros. Deus projetou a humanidade para</p><p>encaixar-se de modo perfeito em sua criação e para ser inteiramente</p><p>santa, justa e dependente dele.</p><p>”Tanto Adão quanto Eva foram criados à imagem de Deus. Embora fossem</p><p>iguais diante de Deus, Eva foi criada com aptidões e vocações diferentes. Adão</p><p>foi criado primordialmente para refletir e adorar Deus (o mesmo se aplica a Eva),</p><p>mas Eva também recebeu uma vocação secundária: honrar Adão e</p><p>a eternidade.</p><p>SANTIDADE DE MICRO-ONDAS</p><p>Os fornos de micro-ondas são uma tremenda comodidade, não</p><p>é mesmo? Coloque uma refeição congelada lá dentro e pronto.</p><p>O jantar está servido. A vida em nossa casa melhorou depois da</p><p>invenção do micro-ondas. Posso descongelar o jantar em dez mi</p><p>nutos, o que é uma verdadeira bênção em meio a tantas atividades!</p><p>Gosto de todas as comodidades modernas e imagino que você</p><p>também. No entanto, no meio dessa cultura instantânea, “Quero</p><p>tudo rápido! E é melhor que seja prático!”, temos a tendência de</p><p>imaginar que Deus deve trabalhar em nossa vida da mesma forma.</p><p>“Aperte o botão de ligar e torne-me santo, e faça-o logo, Senhor,</p><p>se não for pedir demais.”</p><p>Na maioria das vezes, porém, a obra de Deus em nós é in</p><p>crivelmente lenta. Embora seja fato que todos os cristãos passem</p><p>por mudanças (ainda que minúsculas), a obra de Deus — nossa</p><p>santificação — é um processo. Esse processo inclui aprender (o</p><p>que espero que aconteça com você aqui), crescer, errar, mudar, ser</p><p>convencido novamente da verdade, errar outra vez e desenvolver</p><p>completude ao longo da vida. Com isso em mente, não espere que</p><p>este livro o transforme de forma instantânea ou cure seu coração</p><p>dos amores rebeldes. Somente Deus, por meio do Espírito Santo,</p><p>pode transformar seus desejos, e o cronograma dele é diferente do</p><p>nosso. Ele sabe quais lutas precisamos continuar a enfrentar, e sabe</p><p>como, sob a influência de seu Espírito, até mesmo nossos fracassos</p><p>nessas lutas nos levarão a ter amor ainda maior por ele e por suas</p><p>boas-novas.</p><p><I9></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>ESPERANÇA SOMENTE EM CRISTO</p><p>Ao iniciarmos juntos esta jornada, desejo lembrar-lhe de um fato</p><p>que certamente não é novidade para você. Deus transforma corações.</p><p>Nosso amoroso Pai celeste comprometeu-se a nos transformar pri</p><p>meiro das trevas para a luz; depois, dos amores de nossa vida antiga</p><p>para o amor sob o estandarte de sua declaração: “Está consumado”.</p><p>Ele nos deu tudo de que precisamos para crescer na vida e na pieda</p><p>de que ele ordenou. Deu-nos todas as armas para lutar contra nossos</p><p>ídolos e para crescer em graça; além disso, dedicou todos os recursos</p><p>do céu a seu propósito:</p><p>• Ele nos deu Jesus Cristo, que amou e adorou perfeitamente</p><p>a seu Pai. Sua vida perfeita de obediência (tanto exterior</p><p>como interior) agora é nosso registro: embora ainda lute</p><p>mos com amores distorcidos, Jesus nunca o fez, e quando</p><p>o Pai olha para nós, vê apenas o registro perfeito do Filho.</p><p>Já somos considerados completamente fiéis, completamente</p><p>amorosos e completamente santos.</p><p>• Além de Jesus viver uma vida perfeita por nós, também pa</p><p>gou por todos os nossos amores desviados e todas as nossas</p><p>idolatrias em sua morte excruciante no Calvário, onde o Pai</p><p>tomou-o como o pior idólatra de todos os tempos. Toda a</p><p>idolatria que já praticamos ou à qual ainda nos entregaremos</p><p>já foi expiada pela morte vergonhosa de Cristo na cruz. Em</p><p>Cristo, não resta mais ira alguma do Pai por nós. Acaso o</p><p>Pai dará as costas para nós por causa de nossa idolatria? Não,</p><p>jamais. Pois ele já abandonou seu Filho em nosso lugar.</p><p>• Como ele cumpriu inteiramente a lei, agora estamos livres</p><p>da escravidão do pecado. Não somos mais rebeldes que rea</p><p>gem aos decretos da lei como escravos; agora, consideramos</p><p>a lei um guia para nos ajudar a entender como devemos</p><p><20></p><p>OBSERVANDO OS DEUSES DO MUNDO</p><p>amar, e não uma forma de obter a aprovação de Deus ou</p><p>evitar o castigo. A lei nos mostra como ser agradecidos pelo</p><p>fato de que ela não tem mais poder para nos condenar, pois</p><p>Jesus a cumpriu de modo pleno.</p><p>• Também podemos nos alegrar porque sabemos que Jesus</p><p>Cristo, nosso Advogado, ora e intercede por nós, embora</p><p>sejamos fortemente tentados e provados. Graças a sua ora</p><p>ção, podemos ter a certeza de que nossa fé jamais falhará.</p><p>Podemos descansar nele confiantemente.</p><p>• Ele nos concedeu seu Espírito Santo, que habita em nós e</p><p>nos conduz à verdade. A obra do Espírito Santo consiste em</p><p>nos lembrar de todas as dádivas que recebemos em Cristo.</p><p>Ele derrama sua graça sobre nós e nos garante que somos</p><p>seus filhos amados (embora lutemos com frequência). E essa</p><p>graça que nos capacita a desejar sua vontade e a responder ao</p><p>seu amor em amor.</p><p>• Ele proveu para nós sua Palavra da Verdade: que ilumina nos</p><p>so coração para toda sabedoria necessária a fim de mudarmos</p><p>de forma que o agrade. Ele faz isso em razão do objetivo</p><p>supremo de nos transformar — e tudo isso para sua glória!</p><p>Em 1998, passei doze dias visitando os ídolos do leste da Ásia.</p><p>Você também embarcou numa jornada, mas é provável que leve</p><p>mais que doze dias... portanto, tome assento e alegre-se em saber</p><p>que Deus usará sua Palavra e seu Espírito para revelar seus ídolos,</p><p>seu amor distorcido e para desenvolver amor e devoção plenos em</p><p>você — tudo para a glória e louvor dele!</p><p><2I></p><p>1</p><p>OS DEUSES DE</p><p>RAQUEL E VOCÊ</p><p>Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (ljo 5.21).</p><p>- Peguem suas coisas.1 Você e Lia reunam as crianças e prepa-</p><p>rem-se para partir - o marido ordenou. - Vamos embora hoje</p><p>à noite.</p><p>JSe você ainda não conhece a história de Jacó, Raquel, Lia e Labão, separe um</p><p>tempo para lê-la, começando em Gênesis 29.</p><p>- Hoje à noite? Já? Mas não estou pronta!</p><p>Raquel amava o marido, mas também gostava da bênção de</p><p>morar perto dos pais. Embora ela desfrutasse dessa proximidade</p><p>com seus familiares, nem sempre o relacionamento com eles</p><p>era pacífico. Parecia haver conflito incessante entre seu marido</p><p>e seu pai. E agora, o acontecimento que a apavorava estava se</p><p>desenrolando.</p><p>— Não se esqueça de sua capa -, ela lembrou José. - Pare de</p><p>brigar com as outras crianças e pegue suas coisas.</p><p>Da mesma forma que você e eu faríamos, Raquel juntou to</p><p>dos os objetos da casa importantes para ela. Então, em meio à</p><p>correría, a ficha caiu e ela sentiu um frio no estômago. "Agora</p><p>é para valer. Estou saindo de casa... deixando para trás a única</p><p>realidade que conheço. Será que alguém vai cuidar de mim? Será</p><p>que estarei segura? Como vou viver sem a proteção de meu pai...</p><p>sem os deuses dele?"</p><p>E assim, depois que seu pai saiu para trabalhar nos campos, ela</p><p>entrou na tenda dele e roubou seus ídolos do lar. Embora ela não *</p><p>ÍDOLOSCORAÇÃO</p><p>tenha se dado conta naquele momento, suas ações não tardariam</p><p>em colocar sua família em risco e gerariam outro ato de dissimula </p><p>ção. Em vez de lhe dar segurança, esses ídolos trariam perigo para</p><p>seus familiares. Em vez de abençoá-la, seriam maldição.</p><p>UMA HISTÓRIA CONHECIDA</p><p>Embora a história do furto cometido por Raquel em Gênesis 31</p><p>seja a primeira referência a ídolos na Bíblia, é fácil passar direto por</p><p>ela e não perceber a imensidade desse ato e de suas consequências:</p><p>Raquel furtou de seu pai. Levou embora os deuses dele. Enganou</p><p>o marido e colocou a família em perigo. Mais adiante, quando</p><p>seu pai, Labão, lhe perguntou sobre o sumiço dos ídolos, ela o</p><p>enganou novamente.</p><p>Perguntei-me várias vezes por que Raquel considerou necessário</p><p>levar consigo esses ídolos. O que significavam para ela? Por que se dis</p><p>pôs a agir desse modo? Por que exerciam tanto poder sobre sua vida?</p><p>Para responder a essas perguntas, observemos mais de perto</p><p>a vida de Raquel. A Bíblia diz que “Raquel era bonita de porte e</p><p>de rosto” (Gn 29.17). Em linguajar atual, Raquel era uma mulher</p><p>deslumbrante. Sem dúvida ela sabia que, quanto a seus charmes fe</p><p>mininos, dava de dez a zero em sua irmã, Lia. E bem provável que</p><p>se deliciasse em ser a favorita. Havia aprendido que podia confiar</p><p>em sua beleza; aliás, considerava-se justificada por ela. Apoiava-se</p><p>nela e acreditava que a tornava aceitável aos olhos de outros e a seus</p><p>próprios olhos. Era sua fonte de poder sobre os outros, sua proteção</p><p>das decepções. Raquel era tão linda que, logo da primeira vez que</p><p>Jacó a viu, teve certeza de que aquela era a mulher para ele. Ela con</p><p>quistou o coração dele no primeiro encontro dos dois, e ele serviu</p><p>Labão durante catorze anos para se casar com ela.2 Aliás, ele a amava</p><p>2Em um exemplo perfeito de ceifar aquilo</p><p>ser sua auxi</p><p>liadora. E devido a essa diferença que as mulheres muitas vezes pensam, desejam</p><p>e pecam de maneiras correspondentes a sua natureza de “auxiliadoras”.</p><p>12Como vimos no capítulo 7, Deus é Espírito, invisível; Adão, em contrapar</p><p>tida, não era invisível, pois Deus tinha lhe dado um corpo físico. Adão não estava</p><p>presente em toda parte; não era onipotente nem onisciente. Sua vida dependia</p><p>de Deus, enquanto Deus é independente e livre — não precisa de coisa algu</p><p>ma. Adão existia no tempo e vivia dentro dos limites de dias, meses e estações.</p><p>O Deus eterno existe inteiramente fora do tempo. Embora Adão refletisse Deus</p><p>de forma diferente de toda a criação, Deus era distinto de Adão em certos aspec</p><p>tos evidentes.</p><p>O propósito com o qual Adão e Eva foram criados</p><p>Como ápice de toda a criação, a humanidade devia refletir Deus. Eis</p><p>um resumo de como Adão e Eva espelhavam a natureza de Deus</p><p>por meio de seu papéis e desejos.</p><p><I45></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>• Assim como Deus, Adão e Eva tinham capacidade e desejo</p><p>de governar a criação (Gn 1.26).</p><p>• Assim como Deus, tinham capacidade e desejo de serem</p><p>férteis ao se reproduzirem, gerando outros à sua imagem</p><p>(Gn 1.28).</p><p>• Assim como Deus, amavam o trabalho. Tinham a capaci</p><p>dade e o desejo de subjugar a natureza, cultivavam o jardim,</p><p>observavam os dias e as estações, deleitavam-se neles e ad</p><p>quiriram cada vez mais conhecimento acerca do mundo</p><p>(Gn 1.14,28; 2.5,15,19).</p><p>• Assim como seu Criador, buscavam sustentar a vida. Usavam</p><p>os recursos da criação (Gn 1.29), comiam das plantas e das</p><p>árvores e bebiam do rio que havia no jardim.</p><p>• Assim como Deus, apreciavam e criavam beleza e ordem</p><p>(Gn 2.9,15,19); Adão deu nome aos animais e os classificou;</p><p>ele e Eva observavam a beleza das árvores.</p><p>• Assim como Deus, descansavam do trabalho para ter um</p><p>tempo de comunhão. Caminhavam com o Senhor “no final</p><p>da tarde” (Gn 2.3; 3.8).</p><p>• Assim como a Trindade, tinham a capacidade e o desejo</p><p>de alcançar união, de ser um só (Gn 2.18,20,21,23) e, ao</p><p>mesmo tempo, de manter sua singularidade (Gn 2.20-25).</p><p>Desfrutavam comunicação e relacionamento irrestritos, pois</p><p>eram semelhantes entre si de uma forma diferente do res</p><p>tante da criação. Adão e Eva conheciam um ao outro, mas</p><p>não tinham uma consciência pecaminosa de si mesmos.</p><p>Estavam nus e não se envergonhavam (2.25).</p><p>• Assim como a Trindade, desfrutavam relacionamento e</p><p>união com outros, tornando-se um com eles de maneira</p><p>semelhante, porém menos próxima (Gn 1.27).</p><p>• Eles tinham a capacidade e o desejo de ser um com seu</p><p>Criador (que era semelhante a eles, mas diferente) por meio</p><p><I46></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>da comunhão amorosa, do alegre serviço e da adoração sin</p><p>cera (Gn2.16,17).13</p><p>13Deus definiu limites para Adão. Enquanto Adão e Eva obedecessem à pa</p><p>lavra de Deus, desfrutariam comunhão, serviço e adoração irrestritos. Depois que</p><p>pecaram, foram expulsos da presença de Deus.</p><p>14Não faz parte do âmbito desta discussão tratar de como foi possível Adão e</p><p>Eva serem tentados a pecar.</p><p>15“O termo depravado é derivado de palavras que significam ‘torto’ou ‘distorci</p><p>do’”. Jay Adams, More than redemption (Phillipsburg: P&R, 1979), p. 140.</p><p>• Assim como Deus, tinham prazer em se regozijar nele ao</p><p>refleti-lo para toda a criação, inclusive para os anjos, e em</p><p>lhe dar satisfação.</p><p>Como coroa da criação divina, Adão e Eva receberam a capaci</p><p>dade e o desejo de ter uma vida feliz, repleta de adoração, comunhão</p><p>e trabalho. E difícil imaginarmos a glória e a alegria intensa que</p><p>vivenciavam ao trabalharem juntos, cultivarem o jardim e caminha</p><p>rem com o Senhor no final da tarde. Haviam sido projetados por</p><p>Deus com perfeição para encaixar-se no lugar definido para eles, e</p><p>isso lhes dava prazer.14</p><p>O ESPELHO DESPEDAÇADO</p><p>Sabemos que a felicidade de Adão e Eva chegou ao fim por causa</p><p>da desobediência. Quando foram enganados por Satanás, o pecado</p><p>entrou em cena. O pecado não trouxe apenas morte física e espiri</p><p>tual, mas também desfigurou a natureza de Adão. Desde a Queda,</p><p>o coração de todos os seres humanos (inclusive os desejos) ficou</p><p>“distorcido”.15 Enquanto, no início, Adão e Eva tinham capacidades</p><p>físicas e mentais perfeitas e desejos puros, nós temos um corpo que</p><p>adoece e morre. Nosso coração (mente, afeições e volição) se tornou</p><p>incuravelmente doente e perverso (Jr 17.9). Em vez de vivermos</p><p>em alegre união com Deus e o refletirmos por meio da adoração,</p><p><I47></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>da comunhão e do trabalho feitos com amor, todas as intenções dos</p><p>pensamentos da humanidade decaída se tornaram continuamente</p><p>más (Gn 6.5). Em vez de nossas aptidões e desejos serem fonte de</p><p>obediência e alegria, tornaram-se uma armadilha que traz pecado e</p><p>tristeza. Esse é o problema com nossos desejos: o coração, a fonte da</p><p>qual flui todo pecado (Mt 12.34), deixou de ter Deus como núcleo</p><p>e se tornou egocêntrico. Em todas as áreas de nosso ser, nos vol</p><p>tamos para nós mesmos. Em vez de viver de modo a refletir Deus</p><p>para glória dele, o ser humano vive para sua própria glória, buscan</p><p>do felicidade em seu próprio reflexo. Em vez de viver em humilde</p><p>submissão à palavra de Deus, crendo que o caminho dele é melhor,</p><p>confiamos em nosso próprio entendimento (Pv 3.5).</p><p>Reflita comigo por um momento a respeito de algumas formas</p><p>(certamente não todas) pelas quais o propósito inicial de Deus para</p><p>Adão e Eva foi danificado e distorcido pelo pecado.</p><p>O desejo de governar</p><p>Em vez de desejar governar a criação para a glória de Deus, o de</p><p>sejo de governo do ser humano passou ser voltado para si mesmo.</p><p>Homens e mulheres exercem domínio sobre outros de forma pecami</p><p>nosa, tornam-se cruéis e exigentes e se apegam ao poder e ao controle.</p><p>Ansiamos por respeito e desejamos a opinião favorável de outros, em</p><p>vez procurar respeitar e honrar Deus e outros que o refletem. Esposas</p><p>procuram usurpar a autoridade dos maridos. Maridos abrem mão de</p><p>seu papel ou exigem uma obediência irracional. Não nos sujeitamos</p><p>humildemente a Deus, mas nos elevamos à posição de monarcas.</p><p>O desejo por união física</p><p>Em vez de desejarmos usar nossa sexualidade para a glória de Deus,</p><p>como forma de refletir a unidade de Deus, fortalecer a união e</p><p><148></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>gerar filhos que amem a Deus, idolatramos o sexo. Curvamo-nos</p><p>diante do prazer e do poder, desconsiderando o relacionamento, o</p><p>compromisso e a comunicação que refletem Deus. Gostamos de re</p><p>lacionamentos egocêntricos, que espelham apenas uma união física</p><p>superficial.16 Procuramos construir nosso próprio reino e usamos o</p><p>sucesso de nossos filhos como forma de nos justificarmos, de melho</p><p>rarmos nosso currículo.</p><p>16Então, quando filhos são concebidos, muitos os matam ainda no ventre, da</p><p>mesma forma que os israelitas sacrificavam seus filhos a seus ídolos.</p><p>O trabalho para agradar a Deus</p><p>Em vez de desejarmos subjugar e aprimorar a natureza por meio do</p><p>trabalho físico e intelectual que glorifica Deus, tornamo-nos ergo-</p><p>maníacos que buscam alegria no respeito de outros e nos prazeres das</p><p>riquezas. Ansiamos por segurança, conforto e relevância. Confiamos</p><p>em nossas aptidões e não queremos depender de ninguém além de</p><p>nós mesmos; enganamos outros (criados à imagem de Deus) para</p><p>obter lucro. Tornamo-nos escravos do relógio. Ou então nos tor</p><p>namos preguiçosos e servimos os deuses do sono, do conforto, da</p><p>ausência de responsabilidades. Talvez nos envolvamos com jogos de</p><p>azar ou roubemos, desejando riquezas sem trabalhar. Desperdiçamos</p><p>o tempo que Deus nos deu e vivemos cada dia de forma negligente,</p><p>sem pensar em Deus nem na eternidade. Procuramos nos justificar</p><p>por meio de nossos esforços, em vez de recebermos a justificação</p><p>como dádiva resultante dos esforços de Jesus.</p><p>O consumo da criação</p><p>Em vez de desejarmos usar os recursos da criação para promover</p><p>vida e refletir nossa dependência do Deus que sustenta o mundo, co</p><p>locamos os prazeres consumíveis da criação acima de Deus. Alguns</p><p><I49></p><p>ÍDOLOS 4^ CORAÇÃO</p><p>comem exageradamente ou bebem em excesso. Em vez de refletir</p><p>mos Deus por meio da devida administração da criação, inclusive do</p><p>corpo, vivemos de modo cobiçoso e devastamos insensivelmente o</p><p>mundo natural para nosso prazer.</p><p>O desejo por beleza</p><p>Em vez de desejarmos desfrutar a beleza e a ordem da criação para</p><p>a glória de Deus, deificamos as aparências. Queremos que outros</p><p>adorem nossa beleza e criatividade. Transformamos em deuses a</p><p>forma física, casa, roupas, carro ou qualquer coisa que reflita nossa</p><p>glória, beleza ou valor.</p><p>O anseio por descanso</p><p>Em vez de desejarmos um tempo de comunhão repousante e afe</p><p>tuosa com nosso Criador, usamos o tempo em que não estamos</p><p>trabalhando para uma porção de atividades ímpias. O desejo que</p><p>Deus nos deu de ter comunhão serena e descanso no sábado foi</p><p>corrompido pelo egocentrismo, de modo que o repouso é gasto nu</p><p>ma futil indiferença, assistindo televisão horas a fio ou lendo livros</p><p>frívolos ou, por fim, no ócio da aposentadoria.</p><p>O desejo por união</p><p>Em vez de desejarmos uma união que reflita a relação dentro da</p><p>Trindade, desejamos que ela mostre nosso valor. Idolatramos a ideia</p><p>de sermos amados, cuidados e valorizados sem o envolvimento de</p><p>nosso Criador. Em vez de buscarmos a alegria de amar e valorizar o</p><p>cônjuge e cuidar dele, focalizamos nossos próprios desejos. Em vez</p><p>de amar a Deus e aos outros, lutamos por domínio, queremos a ado</p><p>ração e a obediência de outros. Talvez desprezemos diferenças que</p><p>observamos uns nos outros e procuremos conformar nosso cônjuge à</p><p><I50></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>nossa própria imagem. Ou talvez tenhamos medo dessas diferenças</p><p>e, de forma pecaminosa, nos amoldemos à imagem de nosso cônjuge.</p><p>A comunicação se torna uma ferramenta para alcançar esses fins</p><p>por meio de exigências ou da manipulação do cônjuge com palavras</p><p>indelicadas, amargas, maldosas ou cheias de raiva. Imaginamos que</p><p>somos justificados por nossos relacionamentos, pelo quanto somos</p><p>amados e valorizados, e não pela fé somente em Jesus.</p><p>O desejo por ter amigos</p><p>Em vez desejarmos relacionamentos, comunhão e união com ou</p><p>tros para glorificar a Deus e como meio para amá-los e servi-los</p><p>por amor a Cristo, desejamos ter amigos para nos sentirmos bem a</p><p>respeito de nós mesmos, de sentir que somos aceitos e importantes.</p><p>Desprezamos e tememos a pessoa isolada, que não se encaixa no</p><p>grupo. Desenvolvemos relacionamentos em organizações civis ou</p><p>políticas, nos unimos para torcer por times esportivos e procuramos</p><p>entretenimento e recreação, tudo porque desejamos fazer parte de</p><p>um grupo — e, quanto mais poderoso o grupo, melhor. Desde a</p><p>Queda, esse desejo de união com outros foi seriamente desfigurado</p><p>pelo egocentrismo ímpio, como aconteceu na torre de Babel.17 Você</p><p>não ouve o mesmo clamor, “façamos para nós um nome”, ressoando</p><p>em todos os jogos do campeonato esportivo? O desejo pecaminoso</p><p>de unir-se a outros pode levar um homem a desperdiçar tempo e</p><p>dinheiro em esportes profissionais. Pode levar uma mulher a gastar</p><p>a7Não deixe de observar a pecaminosidade dos desejos dos construtores:</p><p>“Vamos edificar uma cidade para nós, com uma torre cujo topo toque no céu, e</p><p>façamos para nós um nome, para que não sejamos espalhados pela face de toda a</p><p>terra” (Gn 11.4). Note o sarcasmo na resposta de Deus: “O povo é um só e todos</p><p>têm uma só língua; agora que começaram a fazer isso, já não haverá restrição para</p><p>tudo o que intentarem fazer” (Gn 11.6). Jamais seremos capazes de alcançar uni</p><p>dade global (uma nova ordem mundial), pois Deus confundiu nossa linguagem e</p><p>nos espalhou (Gn 11.9).</p><p>< 151 ></p><p>ÍDOLOS zzí CORAÇÃO</p><p>horas nas mídias sociais, tentando provar que ela é digna de ser ama</p><p>da e adicionada como amiga.</p><p>O propósito principal do homem</p><p>Por fim, e mais importante, nosso maior desejo — de glorificar a</p><p>Deus e ter prazer nele ao cumprir sua vontade — foi desfigurado</p><p>a ponto de tornar-se quase irreconhecível. Desde a Queda, o de</p><p>sejo fundamental da humanidade passou a ser o de glorificar a si</p><p>mesma e ter prazer em si mesma, ao fazer aquilo que supostamen</p><p>te lhe trará felicidade. Em decorrência do pecado, o ser humano</p><p>deixa de buscar a única fonte verdadeira de felicidade: Deus. O</p><p>ser humano sempre terá desejo de se dedicar a algum tipo de</p><p>adoração, a relacionamentos e ao trabalho, pois Deus gravou esses</p><p>desejos em sua alma, mas agora eles são inteiramente egocêntricos</p><p>e estão distorcidos. Em vez de adorar o Criador e encontrar felici</p><p>dade em Deus, o ser humano cria um deus à sua própria imagem;</p><p>em vez de refletir união com outros para a glória de Deus, busca</p><p>relacionamentos principalmente para sua própria glória e prazer;</p><p>em vez de trabalhar para que as obras de Deus sejam conhecidas</p><p>e glorificadas por outros, ama o dinheiro, o respeito e o prestígio,</p><p>e corre atrás dessas coisas. Visto que foi criado à imagem de Deus,</p><p>o ser humano ainda tem alguns vestígios do propósito de Deus para</p><p>ele, mas sua adoração, seus relacionamentos e seu trabalho se tor</p><p>naram egocêntricos e idólatras.</p><p>A figura 8.1 é um resumo dos desejos de Adão antes da Queda</p><p>comparados com os desejos do ser humano decaído.</p><p>Deus criou Adão e Eva para desempenharem papéis distintos.</p><p>Conferiu a ambos a aptidão e o desejo de se encaixarem perfeita-</p><p>mente no mundo que ele criou. Ao desempenharem esses papéis,</p><p>eles refletiam a imagem de Deus. Desde a Queda, porém, tudo</p><p>mudou. Agora somos governados por desejos pecaminosos. Sem a</p><p>< I 52></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>intervenção direta de Deus por meio de Jesus Cristo, nossos desejos</p><p>permanecem irremediavelmente danificados. Por mais que procu</p><p>remos nos reformar, jamais recuperaremos as aptidões e os desejos</p><p>sem pecado de que precisamos a fim de ter a vida para a qual fomos</p><p>criados. Deus nos expulsou do paraíso para sempre; um anjo com</p><p>uma espada flamejante nos impede de voltar.</p><p>Há somente uma esperança de reaver o que foi perdido, de recu</p><p>perar os desejos santos que produzem adoração centrada em Deus;</p><p>somente uma esperança de restauração da comunhão com Deus</p><p>e com outros; somente uma esperança de experimentar a centrali-</p><p>dade de Deus em nossa natureza criada. Nossa única esperança é</p><p>nascer de novo à imagem de Jesus Cristo — o Homem que jamais</p><p>deixou de cumprir seu papel na criação — e receber dele a declara</p><p>ção justa de ter vivido sempre para agradar seu Pai.</p><p>Figura 8.1 — Os desejos de Adão antes da Queda</p><p>e os desejos do ser humano caído</p><p>Os desejos sem pecado</p><p>que Adão recebeu de Deus</p><p>glorificavam a Deus e refletiam</p><p>sua imagem ao</p><p>Os desejos idólatras do homem</p><p>decaído glorificam sua própria</p><p>imagem e ignoram Deus ao</p><p>Exercer domínio sobre a criação e,</p><p>desse modo, proporcionar honra</p><p>e respeito a Deus e alegria para si</p><p>mesmo.</p><p>Procurar controlar a natureza e</p><p>outras pessoas para satisfazer seu</p><p>anseio por respeito e honra.</p><p>Tornar-se fisicamente uma só</p><p>carne com sua esposa a fim de</p><p>intensificar a união e a alegria.</p><p>Gerar filhos que viessem a amar e</p><p>adorar a Deus.</p><p>Usar a sexualidade para buscar</p><p>prazer e poder para si mesmo.</p><p>Usar os filhos para glorificar a si</p><p>mesmo e construir seu próprio</p><p>reino.</p><p>Subjugar a natureza por meio do</p><p>trabalho alegre realizado para o</p><p>prazer de Deus.</p><p>Exaltar sua própria importância,</p><p>conforto e valor ganhando</p><p>dinheiro e/ou prestígio.</p><p>< 153></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Administrar com gratidão os</p><p>recursos da criação a fim de</p><p>sustentar a própria vida e a vida de</p><p>outros.</p><p>Consumir cobiçosamente a criação</p><p>para o próprio prazer e administrar</p><p>mal seus recursos.</p><p>Desfrutar o mundo ao observar</p><p>e classificar sua beleza, sua</p><p>arquitetura e sua ordem.</p><p>Esforçar-se para embelezar a si</p><p>mesmo e seus arredores, sem</p><p>notar a beleza de Deus.</p><p>Ter períodos agradáveis de</p><p>descanso e comunhão com</p><p>o Criador e com outros,</p><p>principalmente no sábado, mas</p><p>também ao longo de toda a vida.</p><p>Dedicar-se a trabalho egocêntrico</p><p>ou formas de recreação que levam</p><p>a desperdiçar tempo em lugar da</p><p>adoração centrada em Deus.</p><p>Usar a comunicação para ter união</p><p>com a esposa a fim de que, juntos,</p><p>pudessem realizar todo o trabalho</p><p>recebido de Deus, alegrar-se</p><p>em</p><p>suas diferenças e agradar a Deus.</p><p>Tentar transformar o cônjuge à sua</p><p>própria imagem a fim de sentir-se</p><p>amado, necessário e aceito. Usar a</p><p>dádiva da comunicação para obter</p><p>o respeito pelo qual anseia.</p><p>Realizar em conjunto com outros</p><p>o trabalho designado por Deus</p><p>para seu benefício mútuo e sua</p><p>comunhão.</p><p>Unir-se a outros para superar</p><p>sentimentos de "alienação" e obter</p><p>poder.</p><p>Glorificar e desfrutar Deus em tudo</p><p>para seu próprio bem e para o</p><p>prazer de Deus.</p><p>Glorificar a si mesmo e deleitar-se</p><p>em tudo o que pensa, diz e faz</p><p>para seu próprio bem e para seu</p><p>prazer pessoal.</p><p>Para renascermos segundo essa nova imagem, precisamos en</p><p>trar em outro jardim18 — um jardim em que uma espada flamejante</p><p>foi cravada no lado do perfeito Homem-Deus enquanto ele estava</p><p>pendurado no madeiro, isto é, uma outra árvore. Precisamos comer e</p><p>beber dessa árvore para conhecer a verdade capaz de restaurar nossa</p><p>mente, nossas afeições e nossa volição. Entregamo-nos a Cristo e à</p><p>18Será coincidência que “no lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim”</p><p>(Jo 19.41)?</p><p><154></p><p>ANSIANDO POR. DEUS</p><p>sua misericórdia, confessando não apenas nossos atos pecaminosos,</p><p>mas também nossos desejos pecaminosos, e nos arrependendo deles.</p><p>Precisamos nos arrepender do desejo de roubar o lugar de Deus por</p><p>meio da confecção de outros deuses. Pelo poder do Espírito, preci</p><p>samos fazer morrer nossos velhos desejos e buscar desejos novos e</p><p>piedosos. Somente pela fé em Cristo nós, como o ladrão arrependi</p><p>do, podemos voltar a ter acesso ao paraíso.19</p><p>19“E Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no</p><p>paraíso” (Lc 23.43).</p><p>20Não estou dizendo que os incrédulos são perversos ao máximo. Pela graça</p><p>comum de Deus, eles são capazes de cumprir alguns dos propósitos divinos em seu</p><p>A vida e a morte de Jesus Cristo são suficientes para libertá-lo de</p><p>sua velha natureza e, aos poucos, recriá-lo à imagem dele. Cristo pode</p><p>fazê-lo porque cumpriu perfeitamente toda a vontade de seu Pai.</p><p>Para ser recriado à imagem de Deus, você só precisa crer na perfeição</p><p>de Jesus Cristo. Ao permanecer nele (buscando união e dependência) e,</p><p>pela fé, procurar seguir seus mandamentos, você observará uma trans</p><p>formação gradativa em seus desejos. Deus trabalhará em seu coração</p><p>para torná-lo capaz de abrir mão de seu desejo de adorar e amar a si</p><p>mesmo, e lhe dará o desejo de amá-lo e adorá-lo. Essa transformação</p><p>ocorre quando recebemos a garantia de que o registro perfeito de Cristo</p><p>também é nosso e, portanto, não precisamos mais procurar nos salvar</p><p>nem nos justificar. Nosso desejo de viver em obediência, agradecidos</p><p>por sua vida perfeita e sua morte substitutiva, nos libertará da impressão</p><p>de que ainda precisamos provar algo para mostrar que podemos ser</p><p>salvos e aceitos. Somos amados. Estamos perdoados.</p><p>Nossa primeira pergunta foi: Qual é a fonte de seus desejos? Como</p><p>você pode ver, nossos desejos foram criados por Deus, mas foram des</p><p>figurados de tal modo pelo pecado, que agora resta apenas uma sombra</p><p>quase indistinta. A segunda pergunta foi: Como avaliar nossos desejos?</p><p>Os desejos do ser humano não regenerado são sempre pecaminosos e</p><p>egocêntricos.20 E, embora os crentes tenham recebido um novo coração,</p><p>< 155></p><p>ÍDOLOS £CORAÇÃO</p><p>não devemos confiar nele, por causa do pecado que ainda resta. Você</p><p>pode analisar cada um de seus desejos ao se perguntar: “Ele cumpre o</p><p>propósito de Deus (visível em Cristo)?”. Se a resposta for afirmativa,</p><p>pergunte-se: “Jesus Cristo ocupa o primeiro lugar nesse desejo? Ele é</p><p>meu Deus, ou transformei esse anseio em um deus?”.21</p><p>trabalho e em seus relacionamentos, mas sua adoração será sempre pecaminosamente</p><p>egocêntrica. Por trás de suas boas obras, sempre haverá motivações erradas, embora</p><p>nem todos sejam tão claramente perversos como Hitler ou Nero, por exemplo.</p><p>21De acordo com Colossenses 1.18, Jesus Cristo “também é a cabeça do corpo,</p><p>que é a igreja; é o princípio [...] para que em tudo tenha o primeiro lugar”.</p><p>22Veja Ed Welch, When people are hig and God is small (Phillipsburg: P&R,</p><p>1997) [edição em português: Quando aspessoas são grandes e Deus épequeno: vencendo</p><p>a pressão do grupo, a codependência e o temor do homem (São Paulo: EBR, 2011].</p><p>SATISFEITOS EM DEUS</p><p>A verdade maravilhosa é que todos os nossos anseios são preenchidos</p><p>em Cristo. Ele veio para nos dar vida com plenitude; não o faz, porém,</p><p>por meio da satisfação de desejos pecaminosos. Ele nos satisfaz ao</p><p>afastar nosso coração desses desejos e voltá-lo para ele. Ele nos mostra</p><p>como nossos anseios são vazios e como é imensa a alegria da união</p><p>com ele e com seus filhos. Ele é a fonte e a satisfação de toda a nossa</p><p>felicidade. Nele encontramos tudo de que precisamos.</p><p>Lembre-se de que seus anseios mais intensos, as coisas pelas quais</p><p>você é mais apaixonado, definem, em última análise, sua adoração.</p><p>Se você deseja fervorosamente o respeito dos outros, sua vida será</p><p>influenciada pelo temor de seres humanos. Você adorará a opinião</p><p>dos outros. Se você anseia intensamente ser aceito, ficará aterrorizado</p><p>diante da solidão e da rejeição. A preocupação de agradar outros, a</p><p>pressão de colegas ou a codependência serão os deuses que você ser</p><p>virá.22 Se você cobiça conforto, prazer ou diversão, servirá o dinheiro</p><p>ou o prestígio como se fossem deuses que têm poder para abençoá-lo</p><p>ou amaldiçoá-lo.</p><p>< 1 5 6></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>Figura 8.2 — Os desejos de Adão antes da Queda</p><p>e os desejos perfeitos de Jesus</p><p>Os desejos sem pecado</p><p>que Adão recebeu de Deus</p><p>glorificavam Deus e refletiam</p><p>sua imagem ao</p><p>Os desejos perfeitos de Jesus</p><p>glorificavam Deus e refletiam</p><p>sua imagem ao1</p><p>Exercer domínio sobre a criação e,</p><p>desse modo, proporcionar honra</p><p>e respeito a Deus e alegria para si</p><p>mesmo.</p><p>Mostrar que ele governava toda a</p><p>criação e, desse modo, proporcionar</p><p>honra e respeito para seu Pai.</p><p>Tornar-se fisicamente uma só</p><p>carne com sua esposa a fim de</p><p>intensificar a união e a alegria.</p><p>Gerar filhos que viessem a amar e</p><p>adorar a Deus.</p><p>Tornar-se Homem e reproduzir-se</p><p>em seus discípulos, que encheríam</p><p>a terra de frutos por meio de sua</p><p>noiva, a igreja.</p><p>Subjugar a natureza por meio do</p><p>trabalho alegre realizado para o</p><p>prazer de Deus.</p><p>Subjugar toda a natureza por meio</p><p>de sua obra e cultivar um campo</p><p>para o prazer de seu Pai.</p><p>Administrar com gratidão os</p><p>recursos da criação a fim de</p><p>sustentar a própria vida e a vida</p><p>de outros.</p><p>Depender da provisão de seu Pai</p><p>para suas necessidades físicas.</p><p>Suprir as verdadeiras necessidades</p><p>de outros.</p><p>Desfrutar o mundo ao observar</p><p>e classificar sua beleza, sua</p><p>arquitetura e sua ordem.</p><p>Trabalhar para que a beleza e</p><p>ordem de seu Pai fossem vistas em</p><p>outros e por eles.</p><p>Ter períodos agradáveis de</p><p>descanso e comunhão com</p><p>o Criador e com outros,</p><p>principalmente no sábado, mas</p><p>também ao longo de toda a vida.</p><p>Adorá-lo no sábado por meio da</p><p>oração, da comunhão e das obras</p><p>de misericórdia.</p><p>Usar a comunicação para ter</p><p>união com a esposa a fim de que,</p><p>juntos, pudessem realizar lodo</p><p>o trabalho recebido de Deus,</p><p>alegrar-se em suas diferenças e</p><p>agradar a Deus.</p><p>Comunicar-se com sua noiva,</p><p>a igreja, e dar a vida por ela.</p><p>Conceder-lhe diversos dons</p><p>para que ela possa completar a</p><p>edificação de seu Reino.</p><p>< I 57></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>Realizar em conjunto com outros</p><p>o trabalho designado por Deus</p><p>para seu beneficio mútuo e sua</p><p>comunhão.</p><p>Desfrutar de comunhão e</p><p>relacionamento com seres humanos</p><p>e fundar a igreja.</p><p>Glorificar e desfrutar Deus em</p><p>tudo para seu próprio bem e para</p><p>o prazer de Deus.</p><p>Ser um com o Pai em propósito</p><p>e amor ao fazer sempre o que</p><p>lhe agrada.</p><p>'A oração de Jesus em João 17 ilustra perfeitamente cada um desses itens.</p><p>Como indivíduos que estão sendo recriados à semelhança de</p><p>Deus,23 precisamos examinar cada anseio à luz resplandecente da</p><p>Palavra de Deus. Não devemos nos amoldar às filosofias deste mun</p><p>do, que desejam nos contar mentiras sedutoras a respeito de nossas</p><p>verdadeiras necessidades. Antes, devemos ser “transformados</p><p>pela</p><p>renovação da [nossa] mente” (Rm 12.2), para que conheçamos a</p><p>vontade e o propósito de Deus para nós.</p><p>23“Fostes instruídos [...] a vos revestir do novo homem, criado segundo Deus</p><p>em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.21,24).</p><p>ENTREGANDO A DEUS TODOS</p><p>OS SEUS DESEJOS</p><p>Ao concluirmos esta discussão sobre nossos desejos, permita-me</p><p>lembrá-lo de Ana. Ela acalentava desejos intensos; ansiava ser feliz e</p><p>experimentar a alegria de ser mãe. Pela fé, buscou a Deus como fonte</p><p>de sua felicidade. Ela estava disposta a colocar todos os seus desejos</p><p>no altar da vontade dele. Por isso, teve o prazer de ver seu filho servir</p><p>ao Senhor, aquele que era sua maior alegria. Samuel foi um bom sa</p><p>cerdote, mas Ana (como todos nós) precisava do verdadeiro Profeta,</p><p>Sacerdote e Rei, cujo nascimento miraculoso atendería ao clamor</p><p>por salvação proferido por outra mãe: “A minha alma engrandece ao</p><p>Senhor, e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador; porque deu</p><p>< 1 5 8></p><p>ANSIANDO POR DEUS</p><p>atenção à condição humilde de sua serva [...] porque o Poderoso fez</p><p>grandes coisas para mim; o seu nome é santo” (Lc 1.46-49).</p><p>Deus atenderá a sua súplica por salvação e livramento, como</p><p>atendeu à súplica de Ana. Ao lutar com seus desejos, em oração, que</p><p>ele lhe conceda a graça de depositá-los todos no altar do amor e do</p><p>serviço a ele. Então, você terá a alegria de ver a obra dele em sua vida.</p><p>Ele usará os desejos que lhe concedeu para avivar, acender e impelir</p><p>sua adoração, seus relacionamentos e seu trabalho para a glória dele.</p><p>1. Como seria desejar somente Deus? Veja Salmos 42.1,2; 143.6;</p><p>Isaías 26.8,9; Lucas 9.23-25.</p><p>2. Use uma concordância bíblica para descobrir quais são os desejos,</p><p>as alegrias e os prazeres de Deus e anote os mais preciosos para</p><p>você. A alegria de Deus reside na comunhão consigo mesmo e</p><p>com seu povo. De que maneira isso muda seu conceito de Deus?</p><p>3. O que João 8.44 diz a respeito da fonte de desejos ímpios? De</p><p>que maneira crer na verdade da qual tratamos no último capítu</p><p>lo influencia seus desejos?</p><p>4. Em atitude de oração, pergunte a si mesmo: O que desejo e pelo</p><p>que anseio? E um desejo santo, que ocupa o devido lugar em meu</p><p>coração? E um desejo santo, porém excessivamente importante</p><p>para mim? Jesus ocupa o primeiro lugar nesse desejo? Em outras</p><p>palavras, estou disposto a abrir mão, por Jesus, desse desejo?</p><p>5. Há algum item dessa lista que você não está disposto a sacrificar</p><p>para Deus? Percebe como esse desejo talvez faça o papel de deus</p><p>em sua vida?</p><p>< 159 ></p><p>9</p><p>DISPONDO-SE</p><p>A OBEDECER</p><p>Quem é o homem que teme o Senhor?</p><p>O Senhor lhe ensinará o caminho</p><p>que deve escolher (SI 25.12)</p><p>Maria de Betânia é a única pessoa que Jesus elogiou publicamente</p><p>por fazer uma escolha santa. Não que ninguém mais tenha escolhido</p><p>seguir o Senhor, mas somente ela foi honrada dessa forma. Jesus</p><p>declarou que Maria havia escolhido “a boa parte” (Lc 10.42).</p><p>A escolha de sentar-se aos pés de Jesus estava de acordo com o</p><p>caráter de Maria. Em três ocasiões distintas, ela escolheu humilhar-</p><p>-se diante dele. Uma vez, sentou-se aos seus pés, ouvindo-o falar</p><p>enquanto sua irmã soltava fogo pelas narinas na cozinha. Em outra</p><p>ocasião, depois da morte de Lázaro, caiu a seus pés, chorando de</p><p>profunda tristeza. Por fim, depois da ressurreição de Lázaro, humi</p><p>lhou-se novamente e ungiu os pés de Jesus com caríssimo bálsamo</p><p>de nardo (Jo 12.3).</p><p>De acordo com o Catecismo maior de Westminster? uma das exi</p><p>gências do primeiro mandamento consiste em adorar e glorificar</p><p>Deus ao “escolhê-lo”. Por que Maria escolheu assentar-se aos pés</p><p>do Senhor enquanto Marta se queixou? Que aspectos do serviço</p><p>eram tão atraentes para Marta, a ponto de levá-la a ficar irrequieta</p><p>ao receber Jesus em sua casa?</p><p>’São Paulo: Cultura Cristã, 2013.</p><p>ÍDOLOS£CORAÇÃO</p><p>O QUE É A VOLIÇÃO?</p><p>A volição ou vontade é a parte do coração ou do ser interior que</p><p>faz escolhas. Ela está presente em todos os seres humanos e revela</p><p>quem eles são. A palavra vontade está presente em várias expres</p><p>sões, como “vontade própria”, “vontade férrea”, “força de vontade, e</p><p>outras derivadas da raiz latina, como “voluntarioso” e “voluntário”.</p><p>Todas essas expressões reconhecem que as pessoas fazem escolhas</p><p>e são conhecidas pelas escolhas que fazem. Até mesmo o coração</p><p>das crianças é revelado por suas escolhas (Pv 20.11). Por que algu</p><p>mas crianças são voluntariosas? E por causa de seu ambiente? De</p><p>sua personalidade? Por que outras pessoas parecem não ter vontade</p><p>própria? Por que alguns desejam adorar a Deus enquanto outros se</p><p>recusam terminantemente a fazê-lo?</p><p>Nesta discussão sobre a volição, veremos como nossos desejos</p><p>determinam nossas escolhas e como Deus opera na volição.</p><p>Jonathan Edwards definiu volição como “aquilo por meio do</p><p>que a mente escolhe qualquer coisa [...]. Um ato de volição é o</p><p>mesmo que um ato de escolher ou fazer opção”.2 Edwards afirma,</p><p>ainda: “Costuma-se dizer de um ato de volição que corresponde a</p><p>um homem fazer isto ou aquilo que seja de seu agrado; fazer o que</p><p>é de sua vontade ou fazer o que é de seu agrado é a mesma coisa”.3</p><p>Jonathan Edwards, Freedom of the will (Morgan: Soli Deo, 1996), p. 1.</p><p>3Ibidem, p. 3.</p><p>A volição é a faculdade dentro de nós que decide se vamos tomar</p><p>sorvete de baunilha ou de chocolate, se vamos ler a Bíblia ou assistir</p><p>televisão. A volição segue nossos pensamentos e desejos ao escolher</p><p>aquilo que imaginamos que nos agradará ou nos dará a maior pro</p><p>babilidade de felicidade. Determina se buscaremos adorar o Senhor,</p><p>como fez Maria, ou se correremos atrás de outros deuses. Se você é</p><p>como eu, anseia pelo dia em que escolherá sempre o Senhor.</p><p><I62></p><p>DISPONDO-SE A OBEDECER</p><p>A escolha de Adão</p><p>Desde o início dos tempos, Deus apresentou uma escolha à humanida</p><p>de. Temos diante de nós hoje a mesma escolha do jardim: “Escolherão</p><p>adorar e glorificar a mim ou a si mesmos?”. Ao longo da história, em</p><p>toda época e lugar, Deus ordenou que o homem escolhesse entre ele</p><p>e a tríade mundo, carne e Diabo. Em cada um dos versículos a seguir,</p><p>os crentes recebem a ordem de escolher o Senhor:</p><p>Portanto, escolhe a vida, para que vivas (Dt 30.19).</p><p>Escolhei hoje a quem cultuareis; se os deuses a quem vossos pais</p><p>[...] cultuavam (Js 24.15).</p><p>Até quando titubiareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é</p><p>Deus, segui-o; mas se Baal é Deus, segui-o (lRs 18.21).</p><p>Escolhem as coisas que me agradam (Is 56.4).</p><p>E evidente que Deus colocou uma escolha diante de nós: pode</p><p>mos escolher agradar a Deus (e, no fim das contas, obter verdadeiro</p><p>prazer), ou podemos escolher insensatamente nosso próprio cami</p><p>nho e obter prazer imediato, porém breve.</p><p>RESOLUÇÕES DE ANO NOVO</p><p>Como você passa o primeiro dia do ano? Além de tentar se recuperar</p><p>de uma noite de pouco sono, muita gente passa parte desse dia fazendo</p><p>resoluções de Ano Novo. Para os cristãos, são afirmações como: “Este</p><p>ano, vou ler a Bíblia inteira”. “Este ano, terei um momento diário de</p><p>oração.” “Este ano, me dedicarei mais a dar meu testemunho.”Talvez</p><p>depois de ler este livro, sua resolução seja: “Este ano, buscarei adorar</p><p>somente Deus”. Como vão suas resoluções de Ano Novo?</p><p>< I 63></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Certa vez, alguns amigos e eu resolvemos memorizar uma pas</p><p>sagem longa das Escrituras. Apesar de termos memorizado parte da</p><p>passagem, nossa determinação se esgotou antes do feriado de Ação</p><p>de Graças, em novembro. Embora não parecesse, reconheço que fiz</p><p>uma escolha deliberada de não memorizar a Palavra. Essa escolha</p><p>seguiu a inclinação de meu coração, que é bastante apático quando se</p><p>trata de disciplina árdua. Não estou dizendo que nunca faço escolhas</p><p>fora de minha zona de conforto, mas é uma luta contínua, e tenho</p><p>consciência da fraqueza de minha vontade. Será que sou só eu?</p><p>Considerando-se a história da humanidade, duvido que apenas</p><p>eu tenha esse problema. Não é preciso ser um exímio historiador pa</p><p>ra observar que, salvo raras exceções notáveis, o ser humano costuma</p><p>escolher servir a si mesmo. Sempre faz escolhas conforme seus de</p><p>sejos</p><p>egoístas. Edwards observou: “O coração nunca opta pelo que</p><p>é correto, nem faz uma escolha livre de amor próprio”.4 Podemos</p><p>observar esse fato porque a humanidade não é famosa por escolher</p><p>amar Deus e o próximo de todo coração.</p><p>James M. Houston, org., Religions affections: a Christian character before God</p><p>(Minneapolis: Bethany, 1996), p. xviii [edição cm português: religiosas (São</p><p>Paulo, Vida Nova, a ser publicado)].</p><p>Josué sabia da incapacidade dos seres humanos de escolher corre</p><p>tamente, e disse: “Não podereis cultuar o Senhor, porque ele é Deus</p><p>santo” (Js 24.19). Essa ideia o surpreende? Josué conhecia a natureza</p><p>humana, sabia que o povo não era capaz de escolher adorar a Deus.</p><p>Sabia que os israelitas eram egocêntricos e amavam a idolatria. Embora</p><p>tivessem declarado com grande orgulho que serviriam a Deus e obe</p><p>deceríam a sua voz, a história deixa claro quais eram seus verdadeiros</p><p>pensamentos e desejos. E evidente que, sem a obra bondosa de Deus</p><p>em nosso coração, somos exatamente iguais a eles. Sempre escolhere</p><p>mos servir a nós mesmos e a outros deuses. Como os israelitas, também</p><p>declaramos: “Serviremos o Senhor” e, depois, nos afastamos dele.</p><p><I64></p><p>DISPONDO-SE A OBEDECER</p><p>VOLIÇÃO REBELDE?</p><p>Qual é o problema? Por que dizemos uma coisa e fazemos outra?</p><p>Nossa volição é disfuncional? De certo modo, a resposta é sim. Nossa</p><p>volição não funciona como deveria porque Deus a criou para esco-</p><p>lhê-lo, mas o pecado danificou a capacidade de fazer essa escolha.</p><p>Embora tenhamos recebido um novo coração, que inclui uma volição</p><p>capaz de escolher corretamente, ainda há forte influência do pecado.</p><p>Por nossa própria conta, com nossas próprias forças, até mesmo nós</p><p>cristãos fazemos escolhas pecaminosas. Reconhecemos que “[nasce</p><p>mos] em iniquidade” (SI 51.5).</p><p>Apesar de nossa natureza decaída, nossa volição faz o que foi criada</p><p>para fazer. Não é a volição que está em descompasso com o coração</p><p>quando dizemos que desejamos adorar o Senhor e depois adoramos</p><p>outros deuses. São nossas palavras que divergem de nossos desejos e</p><p>inclinações mais intensos.5 Nossa volição está funcionando como deve;</p><p>está fazendo escolhas em conformidade com nossos pensamentos e</p><p>desejos mais preciosos. Mas, por causa de sua disposição pecaminosa,</p><p>nossa volição é mais fortemente atraída para o pecado que para a santi</p><p>dade. A discrepância entre o que dizemos (“Serviremos o Senhor”) e o</p><p>que fazemos (servir a nós mesmos) não se deve à nossa volição em si. Ela</p><p>está operando como foi criada para operar. A contradição é entre nossas</p><p>palavras (“Serviremos o Senhor”) e nossos desejos mais intensos. Nossa</p><p>volição segue os pensamentos errôneos e os desejos pecaminosos nos</p><p>quais nos deleitamos. Edwards expressa a situação da seguinte forma:</p><p>“Um homem jamais, em circunstância alguma, exerce sua vontade de</p><p>modo contrário a seus desejos, ou deseja algo contrário à sua vontade”.6</p><p>5Jesus descreveu os fariseus com palavras de Isaías: “Este povo me honra com</p><p>os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15.8).</p><p>Jonathan Edwards, Freedom of the will, in: Harry S. Stout; Paul Ramsey, orgs.,</p><p>The Works of Jonathan Edwards, ed. rev. (New Haven/London: Yale University Press,</p><p>2009), vol. l,p. 139.</p><p>< 165></p><p>ÍDOLOSCORAÇÃO</p><p>Por que será que declaramos ter grande amor pelo Senhor no</p><p>domingo de manhã, e depois exageramos nossos relatórios de pro</p><p>dutividade para impressionar o patrão na segunda-feira de manhã?</p><p>E porque temos desejos divididos. Temos um desejo dado por Deus</p><p>de trabalhar para a glória de Deus (como existia em Adão) e um de</p><p>sejo pecaminoso de receber respeito e aprovação. Portanto, quando</p><p>estamos diante de nosso patrão na segunda-feira de manhã, nossa</p><p>volição age em função do desejo mais intenso (neste caso, de ser</p><p>respeitado) quando tem a escolha entre dizer a verdade e exagerar.</p><p>Embora Deus tenha nos dado um novo coração no qual escre</p><p>veu sua lei, nosso coração ainda está contaminado pelas mentiras e</p><p>tentações do mundo. Por isso, dizemos uma coisa e fazemos outra.</p><p>Se você se pergunta por que escolhe adorar outros deuses em vez</p><p>de dedicar-se de todo coração ao Senhor que você ama, analise os</p><p>pensamentos e desejos que cativam seu coração. Neles você encon</p><p>trará a resposta para todo pecado e fracasso em sua vida. Não caia</p><p>no engano de imaginar que você precisa de mais força de vontade.</p><p>Não precisamos de mais “força de vontade” nem de autodisciplina.</p><p>Antes, precisamos desenvolver pensamentos e desejos piedosos.</p><p>A VOLIÇÃO HABITUADA AO PECADO</p><p>Nossa volição escolhe o pecado a cada momento ao seguir nossos</p><p>pensamentos enganados e nossos desejos de engrandecimento pró</p><p>prio. Nós também adquirimos o hábito de agir desse modo. E por</p><p>causa desse hábito que, sem muita premeditação, nossa volição rea</p><p>ge de modo pecaminoso a certas circunstâncias. Por exemplo, você</p><p>alguma vez se pegou dizendo algo que o chocou? Acontece comigo.</p><p>Pergunto-me: “De onde veio isso? Por que disse uma coisa dessas?”.</p><p>Quando algo espantoso sai de minha boca, pergunto-me: “O que</p><p>está acontecendo? Minha volição me passou uma rasteira?”. Não,</p><p>minha volição está funcionando como deve. Reagi de determinada</p><p>< I 66></p><p>DISPONDO-SE A OBEDECER</p><p>maneira porque esses pensamentos eram habituais, e meu desejo</p><p>mais intenso era expressá-los. Só me surpreendi porque eles saíram</p><p>de minha boca. Todos nós temos áreas em que costumamos escolher</p><p>pecar em pensamentos e ações. A volição se habitua de tal modo a</p><p>escolher determinada conduta que ela passa a ser natural.</p><p>Não apenas escolhemos conscientemente pecar, mas o fazemos</p><p>de forma habitual. Se você costuma mentir quando se vê sob pressão,</p><p>seguirá por esse caminho mesmo sem fazer uma escolha consciente.</p><p>Se sempre come chocolate quando está com pena de si mesmo, caso</p><p>haja chocolate por perto quando estiver triste, já sabe o que acontece</p><p>rá. Se tem o costume de exigir que outros se sujeitem a você, quando</p><p>sua autoridade for questionada, ficará com raiva e será ríspido. E</p><p>desse modo que servimos outros deuses sem nos darmos conta.</p><p>Todos nós já fizemos algo de modo quase inconsciente e depois nos</p><p>arrependemos. Não me entenda mal. Não estou dizendo que não somos</p><p>culpáveis por pecar de maneiras habituais, pois somos. Esses hábitos pe</p><p>caminosos foram formados, inicialmente, por uma escolha consciente de</p><p>desconsiderar Deus e sua lei, portanto somos responsáveis, embora nem</p><p>sempre façamos a escolha deliberada de pecar naquele momento.</p><p>LIVRE-ARBÍTRIO?7</p><p>7O objetivo principal deste livro não é convencê-lo do calvinismo nem do ar-</p><p>minianismo. Sem dúvida, se você segue uma dessas linhas, já sabe quais são minhas</p><p>convicções. Contudo, é possível que, se você não escolheu conscientemente procurar</p><p>entender a questão e o conceito de livre-arbítrio, esteja se perguntando por que resolvi</p><p>falar sobre isso. Preciso tratar desse assunto aqui, pelo menos de forma resumida, porque</p><p>o conceito de livre escolha é fundamental para nossa discussão sobre idolatria e, portan</p><p>to, não pode ser deixado de fora, embora não seja meu propósito fazer uma digressão.</p><p>Nós, americanos, damos grande valor à liberdade. Pensamos que,</p><p>dentre todos os povos, temos o direito concedido por Deus de fazer</p><p>o que desejarmos. De tão estranha e absurda, a ideia de que não sou</p><p>capitã de minha alma chega a ser quase risível. Não estou afirmando</p><p><I67></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>que você não tem livre-arbítrio. Nem estou dizendo que você não</p><p>possui a capacidade de escolher livremente conforme seus pensa</p><p>mentos, suas propensões e seus desejos, pois é evidente que cada um</p><p>sempre escolhe livremente aquilo que lhe agrada.</p><p>Se não fôssemos capazes de escolher livremente o que deseja</p><p>mos, não seríamos responsáveis por nossas escolhas. O problema</p><p>não é que nossa volição não é livre, mas que nossos desejos são</p><p>decaídos. O problema é o foco de nosso coração. A Bíblia afirma</p><p>em várias ocasiões que nosso coração não era neutro antes de nos</p><p>tornarmos cristãos. Éramos contrários a Deus. Paulo escreveu: “A</p><p>velha natureza pecaminosa</p><p>dentro de nós é contrária a Deus. Nunca</p><p>obedeceu à lei de Deus e nunca a obedecerá” (Rm 8.7,TLB).8</p><p>8“Raça de víboras! Como podeis falar coisas boas, sendo maus: Pois a boca</p><p>fala do que o coração está cheio” (Mt 12.34). “O homem natural não aceita as</p><p>coisas do Espírito de Deus, pois lhe são absurdas; e não pode entendê-las, pois se</p><p>compreendem espiritualmente” (lCo 2.14).</p><p>Antes de Cristo nos trazer para junto dele e nos transformar,</p><p>escolhíamos livremente seguir nossos desejos e inclinações mais in</p><p>tensos. Nosso coração era contrário a Deus. Os incrédulos não são</p><p>capazes de entender a verdade nem de desejar obedecer-lhe. Não se</p><p>engane: eles escolhem livremente viver dessa forma. É opção deles</p><p>seguir a natureza decaída, e gostam de fazê-lo. O incrédulo não tem</p><p>poder algum de escolher crer, de escolher viver com retidão, mas</p><p>escolhe livremente seguir seu coração.</p><p>Quando a pessoa se torna cristã, passa a ter liberdade. Ao con</p><p>trário do que acontecia em sua vida anterior, em que a escolha era</p><p>sempre atrelada ao pecado e propensa a ele, agora a pessoa é capaz</p><p>de escolher pecar ou não. Essas duas escolhas são uma possibilidade.</p><p>Quando seu coração assim deseja, quando ela está convencida dos</p><p>benefícios e quando anseia pelo Senhor e pela alegria de lhe dar</p><p>prazer, ela escolhe obedecer-lhe. Não é mais escrava do pecado co</p><p>mo antes de ser salva. Antes de receber a salvação, o único resultado</p><p>< I 68></p><p>DISPONDO-SE A OBEDECER</p><p>possível de toda escolha era o pecado. Agora que ela recebeu um</p><p>novo coração, há duas possibilidades: pode pecar ou não, escolhendo</p><p>livremente, conforme seus desejos.</p><p>O problema, portanto, não é que precisamos desenvolver mais</p><p>força de vontade. O problema é que precisamos de novos pensamen</p><p>tos, novas propensões e novos desejos. Não precisamos aprender a</p><p>nos motivar mais ou simplesmente “ser fortes” e ponto final. Temos</p><p>de procurar substituir nossos desejos pecaminosos por desejos santos,</p><p>o que acontecerá somente no contexto do evangelho. Ao tomarmos</p><p>consciência de tudo o que Deus fez por nós, de como nos chamou</p><p>bondosamente para nos relacionarmos com ele, desenvolveremos um</p><p>amor por ele que provocará mudanças em nossos desejos e nos fará</p><p>querer obedecer. Esse amor por Deus, que transforma nossas escolhas,</p><p>ocorre somente em resposta a seu amor prévio por nós, quando nos</p><p>lembramos de quão generosamente fomos amados e acolhidos por</p><p>ele. Quando Deus nos concede essas novas paixões santas, descobri</p><p>mos que nossa volição, outrora aparentemente fraca, aquiescerá de</p><p>bom grado. Percebemos que agora o amamos “porque ele nos amou</p><p>primeiro” (ljo 4.19) e, desse amor flui o desejo de servi-lo e agradá-lo.</p><p>A BATALHA INTERIOR</p><p>Paulo reconheceu que tinha um problema com sua volição: havia de</p><p>sejos e propensões conflitantes dentro dele, lutando por ascendência</p><p>dentro de seu coração. Da mesma forma, embora eu tenha hoje o</p><p>intenso desejo de adorar a Deus, pego-me, em vez disso, adorando</p><p>ídolos. Paulo falou a respeito desse dilema:</p><p>Não entendo o que faço, pois não pratico o que quero, e sim o que</p><p>odeio [...] Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não</p><p>habita bem algum; pois o querer o bem está em mim, mas não o</p><p>realizá-lo (Rm 7.15,18).</p><p>< 169></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>Ao contrário do incrédulo, como cristã tenho liberdade de pecar</p><p>e de não pecar. Como Paulo, contudo, sou obrigada a reconhecer que</p><p>tenho pensamentos, propensões e desejos conflitantes que me puxam</p><p>continuamente para direções opostas. Por isso o esforço para alcançar</p><p>santidade é uma guerra sem fim para o crente. Você terá de subjugar</p><p>incessantemente a incredulidade e os ídolos em seu coração. E, quan</p><p>do imaginar que matou um deles, ele voltará com outra forma. Será</p><p>necessário continuar a lembrar-se de que você já foi amado, perdoado</p><p>e adotado, tudo porque Jesus desejou perfeitamente amar seu Pai e</p><p>seu próximo acima de todas as coisas. Então, será necessário lutar para</p><p>crer que essa é a maior verdade a seu respeito. Sua natureza pecami</p><p>nosa, que questiona continuamente o amor e a bondade de Deus e a</p><p>disposição afável dele para com você, combaterá sua fé de modo per</p><p>sistente e recorrente. Vez após outra, seu coração perguntará: “Como</p><p>Deus pode continuar a me amar? Sem dúvida ele está irado...”. E esse</p><p>é o pensamento que o levará a ceder e a parar de lutar.</p><p>Quantas vezes você se perguntou: “Por que ser santo é uma luta</p><p>tão grande? Parece que começo a fazer as coisas da forma correta e,</p><p>em pouco tempo, minhas boas intenções vão por água abaixo. Por que</p><p>não consigo superar essa situação (seja lá qual for) e começar a viver</p><p>do modo como sei que Deus deseja?”.9 A resposta a essa pergunta é</p><p>a mesma para Paulo e para você. Temos um coração dividido entre o</p><p>amor e a adoração a Deus e o amor e a adoração ao mundo.10 Cremos</p><p>nas boas-novas e, no entanto, somos incrédulos. Essa guerra é desta</p><p>cada nos versículos a seguir. Procure identificar os amores conflitantes:</p><p>9Uma vez que muitos cristãos não entendem como a volição funciona, ou</p><p>mesmo não sabem que têm desejos conflitantes, ficam frustrados quanto a seu cres</p><p>cimento e buscam respostas não bíblicas para seu dilema.</p><p>10Somente Deus tem liberdade plena e absoluta para fazer o que deseja. “Mas o nos</p><p>so Deus está nos céus; ele faz tudo de acordo com sua vontade” (SI 115.3). “O Senhor</p><p>faz tudo o que deseja, no céu e na terra, nos mares e em todos os abismos” (SI 135.6).</p><p>Veja tb. ISm 3.18; Jó 23.13; SI 33.9-11; 46.10,11; Dn 4.35; Mt 11.25,26; At 4.28; Ef</p><p>1.11; Fp 2.10,11. Tome nota do fato de que Deus faz o que quiser, o que lhe traz prazer.</p><p><I70></p><p>DISPONDO-SE A OBEDECER</p><p>Se alguém vier a mim, e amar pai e mãe, mulher e filhos, irmãos e</p><p>irmãs, e até a própria vida mais do que a mim, não pode ser meu</p><p>discípulo. Quem não leva a cruz e não me segue, não pode ser</p><p>meu discípulo (Lc 14.26,27).</p><p>Se estivesse ainda agradando a homens, eu não seria servo de Cristo</p><p>(G11.10).</p><p>Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra</p><p>Deus? Portanto, quem quiser ser amigo do mundo se coloca na</p><p>posição de inimigo de Deus (Tg 4.4).</p><p>Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele (ljo 2.15).</p><p>Mesmo como crentes, com um novo coração e desejos renova</p><p>dos, é impossível amarmos Deus perfeitamente — de todo o nosso</p><p>coração, toda a nossa alma e todas as nossas forças — por causa do</p><p>pecado e da incredulidade que ainda restam. Nosso coração sempre</p><p>será atraído pelas coisas que podemos ver, provar e tocar, atraído</p><p>para algo além da fé em coisas invisíveis. Sempre teremos a tentação</p><p>de adorar algo que não é Deus, amar algo mais do que o amamos,</p><p>jurar lealdade a outras divindades, quer a nós mesmos como nosso</p><p>próprio salvador, quer a alguém ou alguma outra coisa que suposta</p><p>mente tem o poder de nos fazer verdadeiramente felizes.</p><p>Se você tem a impressão de que procurou fazer essas escolhas</p><p>antes sem sucesso algum, lembre-se de que está lutando em uma</p><p>guerra, e não em uma briga qualquer. Você pode se alegrar porque</p><p>o Senhor Jesus já triunfou sobre seu pecado na cruz e, um dia, você</p><p>será inteiramente livre. Ao mesmo tempo, pode procurar guardar-se</p><p>dos pensamentos, desejos e propensões enganosos de seu coração.</p><p>Pode lutar contra a incredulidade e, continuamente, entregar-se à</p><p>misericórdia de Deus. Ainda assim, será constantemente atraído pelo</p><p>amor a si mesmo, por dinheiro, família, bens, a opinião favorável</p><p>< 171 ></p><p>ÍDOLOSCORAÇÃO</p><p>de outros, o mundo e as coisas nele, mesmo depois de ter resolvido</p><p>adorar somente Deus.</p><p>Deus colocou dentro de todo cristão verdadeiro o desejo de</p><p>escolhê-lo. Todos nós ansiamos ouvi-lo dizer. “Muito bem, servo</p><p>bom e fiel [...] participa da alegria do teu senhor” (Mt 25.23), não</p><p>é mesmo? Sabemos que Jesus foi o único servo verdadeiramente</p><p>bom e fiel e sabemos que a alegria da qual participaremos um dia é</p><p>a alegria que ele obteve para nós. Mas, apesar de termos o desejo de</p><p>ser plenamente obedientes, nenhum de nós escolhe em todas as cir</p><p>cunstâncias o caminho do servo bom e fiel. Por</p><p>que Josué disse aos</p><p>israelitas que, não obstante suas boas intenções, não seriam capazes</p><p>de servir a Deus? A verdade a respeito das escolhas que fazemos é</p><p>evidente. Não escolhemos sempre o Senhor porque não o desejamos</p><p>de fato; e não o desejamos de fato porque não estamos convencidos</p><p>de que ele verdadeiramente nos ama e de que encontraremos nossa</p><p>felicidade suprema nesse amor.</p><p>Sejamos honestos: estamos empanturrados de alegrias e praze</p><p>res do mundo,11 e nossa mente ainda não está convencida de que a</p><p>alegria generosamente concedida pelo Mestre a todos nós é muito</p><p>melhor. “As preocupações do mundo, a sedução da riqueza e o desejo</p><p>por outras coisas” (Mc 4.19) não deixam espaço para o amor de Deus.</p><p>Você se lembra dos bolos de lama mencionados por C. S. Lewis?</p><p>Escolhemos brincar na sarjeta porque nos contentamos com a lama, e</p><p>ela parece melhor que as outras opções.</p><p>nMesmo que essa alegria seja derivada de pena de nós mesmos ou de paz a</p><p>qualquer preço, ainda tem como origem o amor ao mundo, e é a alegria de fazer as</p><p>coisas à nossa maneira.</p><p>A essa altura, talvez exclamemos, como Paulo: “Desgraçado ho</p><p>mem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24,25).</p><p>Deus pode nos libertar e nos transformar por meio da obra já re</p><p>alizada por seu Filho em nosso favor. Se dependesse somente de *</p><p><I72></p><p>DISPONDO-SE A OBEDECER</p><p>nós, estaríamos em uma situação irremediável, mas, visto que Deus</p><p>assumiu o compromisso de operar em nós (e sua obra nunca é frus</p><p>trada), podemos ter ânimo.</p><p>A OBRA DE DEUS EM SUA VOLIÇÃO</p><p>Quando Paulo incentivou os íilipenses a “[realizarem a sua] salva</p><p>ção com temor e tremor”, mostrou para eles sua única esperança</p><p>de fazê-lo: a obra fiel completada por Deus. “Por que é Deus quem</p><p>produz em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa</p><p>vontade” (Fp 2.13). A disposição de Deus de continuar a realizar em</p><p>nós tudo o que ele deseja é nossa única esperança. Nosso crescimen</p><p>to em santidade está nas mãos dele, e podemos descansar ao mesmo</p><p>tempo em que trabalhamos, certos de que ele está empenhado em</p><p>realizar a transformação interior pela qual ansiamos, no tempo dele,</p><p>ao cooperarmos pela fé.</p><p>Deus realiza essa obra em você ao mudar os pensamentos, de</p><p>sejos e propensões que dão origem a suas escolhas. Ele o faz ao</p><p>convencê-lo continuamente de que você já é amado e já foi per</p><p>doado. Por certo, o amor dele produzirá amor em você e, por certo,</p><p>esse amor transformará seus desejos. Visto que você já é amado, não</p><p>precisa mais tentar se justificar nem provar que é aceitável. Cabe a</p><p>Deus levá-lo a crer; cabe a você responder com fé a tudo o que ele</p><p>fez em seu favor e continuar a lutar contra a incredulidade.</p><p>A ESCOLHA EXCELENTE DE MARIA</p><p>O que dizer a respeito das escolhas excelentes de Maria? Ela as fez</p><p>porque tinha grande força de vontade e autodisciplina? Era natural</p><p>mente santa ou afável? Sem dúvida, ela fez uma escolha consciente</p><p>de adorar seu Senhor, mas suas decisões não se basearam em auto</p><p>disciplina nem em “ser forte para o Senhor”. Suas decisões fluíram</p><p>< I 73 ></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>do amor por Jesus, um amor nascido e cultivado dentro dela pela re</p><p>ceptividade contínua do Mestre e seu amor por ela. Maria desejava</p><p>estar com Jesus, humilhar-se diante dele e dar-lhe seu presente mais</p><p>precioso porque estava convencida de que era plenamente amada</p><p>por ele. Sua volição foi impelida a adorá-lo porque seu coração foi</p><p>cativado por ele; não podia fazer nada menos que isso. Sem dúvida,</p><p>sua convicção do amor do Mestre foi fortemente provada quando</p><p>seu irmão Lázaro faleceu, mas ela continuou a crer e, por fim, ungiu</p><p>o Salvador amado para seu sepultamento (Jo 12).</p><p>Foi decisão soberana de Deus operar na vida de Maria como</p><p>ele vez, convencendo-a do amor de Jesus, levando-a a ansiar por ele.</p><p>Seu plano para Maria era que ela se tornasse conhecida como uma</p><p>mulher que o adorou e fez a escolha certa. Se cremos em qualquer</p><p>coisa, senão no domínio soberano de Deus sobre nosso coração, não</p><p>nos resta esperança de transformação. Se Maria fez essas escolhas</p><p>porque era uma pessoa melhor que Marta, que esperança há para</p><p>nós, que sabemos não ser assim tão bons? O que será dos que sabem</p><p>que têm uma adoração contaminada e não detestam o pecado como</p><p>deveriam? E quanto aos que nunca tiveram constância na adora</p><p>ção a Deus? Os que foram educados como incrédulos ou que são</p><p>dominados por desejos habituais ímpios? Se confiamos em qual</p><p>quer coisa, senão na graça soberana de Deus, para nos transformar,</p><p>estamos condenados a uma vida de constante comparação e derrota.</p><p>Deus prometeu operar em nós. E sábio crer que o plano dele para</p><p>nós é bom, mesmo quando significa que enfrentaremos dificuldades</p><p>por algum tempo, enquanto ele purifica nossos desejos. Como filhos</p><p>amados de Deus, podemos descansar no fato glorioso de que ele é</p><p>capaz de operar em nosso coração de modo a nos levar a ansiar por</p><p>ele acima de qualquer coisa, E capaz de dirigir nosso coração para</p><p>adorá-lo, tão certo como dirigiu o coração de Marta.</p><p>O texto de Provérbios 21.1 diz: “O coração do rei é como a</p><p>corrente de águas nas mãos do Senhor; ele o dirige para onde</p><p><I74></p><p>DISPONDO-SE A OBEDECER</p><p>quer”.12 Do ponto de vista humano, ninguém tem maior poder para</p><p>escolher livremente fazer a própria vontade que um rei. Mas nem</p><p>mesmo a autoridade de um rei significa coisa alguma quando se</p><p>trata da escolha soberana de Deus. Da mesma forma que Deus di</p><p>rige o coração de homens poderosos, pode dirigir seu coração para</p><p>adorá-lo. Portanto, descanse nele e alegre-se em seu grande amor</p><p>e em seu poder eficaz. Ele é capaz de realizar a obra completa em</p><p>sua vida. Em vez de adorarmos Maria e outros que admiramos na</p><p>Bíblia, podemos adorar a Deus de todo o coração e lhe dizer: “Ele é</p><p>muito bom! Quero amá-lo como ele me ama”.</p><p>12Veja tb. Ed 7.27,28; Ne 1.11; 2.4; SI 105.25; 106.46; Pv 16.1, 9; 20.24; Dn</p><p>4.35; At 7.10; Rm 8.29; Ef 1.3,4.</p><p>1. Quais são as três áreas de funcionamento do coração? De que</p><p>forma estão inter-relacionadas?</p><p>2. Quanta força de vontade e autodisciplina você tem?</p><p>3. Qual é a relação entre suas escolhas e seus desejos?</p><p>4. Você é capaz de identificar áreas em sua vida nas quais escolhe,</p><p>habitualmente, servir a Deus? A si mesmo? Que desejos moti</p><p>vam essas escolhas?</p><p>5. Reescreva os seguintes versículos em suas próprias palavras e,</p><p>em seguida, use-os para orar ao Senhor. Suplique para que ele</p><p>lhe conceda desejos santos.</p><p>a. Salmos 63.1-5</p><p>< 175></p><p>ÍDOLOSCORAÇÃO</p><p>b. Salmos 42.1,2</p><p>c. Salmos 73.25-28</p><p>d. Salmos 119.20,81</p><p>e. Salmos 143.6</p><p>f. Isaías 26.8,9</p><p><I76></p><p>10</p><p>RESISTINDO A</p><p>SEUS ÍDOLOS</p><p>... vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe</p><p>por desejos enganosos (Ef 4.22, NVI).</p><p>E difícil lidar com mudanças, não? Enquanto escrevo este texto, tra</p><p>balhadores escavam meu quintal. Embora eu tenha contratado seus</p><p>serviços, é angustiante vê-los destruir meu lindo gramado e espalhar</p><p>terra para todo lado. Afinal, eu gostava do meu quintal do jeito que era.</p><p>Embora eu queira que esse trabalho seja realizado, preciso confessar que</p><p>detesto o processo de mudança. Preciso ficar lembrando a toda hora</p><p>que quem causou essa bagunça toda fui eu mesma, e preciso lembrar que</p><p>ficarei mais feliz com o resultado do que estou agora, durante o processo.</p><p>Em alguns aspectos, o mesmo acontece com as mudanças que</p><p>Deus opera em nós. Todos os cristãos desejam ser transformados.</p><p>Almejam ser santos. Você não teria chegado a este capítulo do livro se</p><p>não fosse sincero a respeito de seu desejo de livrar-se de seus ídolos e</p><p>desenvolver uma adoração pura. No entanto, nos assustamos quando</p><p>percebemos que essa mudança causará desconforto. Por certo, em vá</p><p>rios aspectos nossa transformação para a santidade é mais incômoda</p><p>que ver meu quintal ser destruído.</p><p>SANTIFICAÇÃO: O MÉTODO DE</p><p>TRANSFORMAÇÃO USADO POR DEUS</p><p>Um dos grandes pontos fracos do cristianismo moderno é a com</p><p>preensão equivocada de como a transformação se realiza no coração</p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>do crente. O Novo Testamento</p><p>se refere a ela como santificação. Ela é</p><p>posicionai e progressiva. Santificação posicionai é a mudança instan</p><p>tânea realizada em nós pelo Espírito quando ele nos declara “santos e</p><p>inculpáveis”. Nesse sentido, todo cristão é plenamente santificado. Já</p><p>a santificação progressiva é o processo lento de mudança por meio do</p><p>qual Deus transforma nosso coração à sua imagem e semelhança. A</p><p>santificação progressiva é o método usado por Deus para nos tornar</p><p>interiormente aquilo que já somos posicionalmente. O Espírito de</p><p>Deus trabalha em nós de forma bondosa, progressiva e incansável</p><p>porque é de sua vontade tornar-nos inteiramente amorosos e livres.</p><p>Contudo, não devemos imaginar que a santificação progressiva é</p><p>como andar de escada rolante. Ela não é uma ascensão diagonal em</p><p>linha reta. Com frequência, se parece mais com um rabisco de giz de</p><p>cera do que com uma trajetória precisa para o alto. Por vezes, teremos</p><p>a impressão de que estamos fazendo um grande progresso, e então</p><p>nos veremos de volta onde começamos. Precisamos lembrar que a</p><p>santificação progressiva, assim como a santificação posicionai, está</p><p>nas mãos de Deus, e que ele usará nossos sucessos e nossos fracassos,</p><p>nosso crescimento e nossas quedas para seus propósitos e sua glória.</p><p>Também precisamos entender que o progresso em santidade</p><p>não é medido por obras externas (o que começamos a fazer e o que</p><p>paramos de fazer), embora geralmente não fique aquém delas. A</p><p>verdadeira santidade não é medida pelo comportamento exterior,</p><p>mas pelo amor interior por Deus e por nosso próximo. Sim, esse</p><p>amor produzirá mudanças em palavras e atos, mas não é medido</p><p>somente pela adesão a mandamentos como “não toques, não proves”</p><p>(Cl 2.21). Ele é definido mais adequadamente como “a fé que atua</p><p>pelo amor” (G1 5.6).</p><p>Embora Deus use meios diferentes para efetuar a transformação</p><p>em cada um de nós, o processo geral é o mesmo para todos os cris</p><p>tãos. Embora apareça ao longo de todas as Escrituras, esse processo</p><p>é descrito mais claramente em Efésios 4.22-24 (NVI):</p><p><I78></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se</p><p>do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem</p><p>renovados na atitude de sua mente e a revestir-se do novo homem,</p><p>criado para ser semelhante a Deus em justiça e santidade verdadeiras.</p><p>Você consegue identificar os três passos que constituem o pro</p><p>cesso de santificação progressiva? O primeiro é “despir-se do velho</p><p>homem”. O segundo é “serem renovados na atitude de sua mente”.</p><p>E o terceiro é “revestir-se do novo homem”. Em vez de considerar</p><p>esses passos como sequenciais, sendo necessário concluir um antes</p><p>de começar o seguinte, veja-os como etapas simultâneas. Ao mesmo</p><p>tempo em que procuramos nos despir do velho homem, o Espírito</p><p>renova nossa atitude e nos capacita para que nos revistamos de no</p><p>vos hábitos que reflitam a justiça e a santidade de Deus.</p><p>O método de mudança usado por Deus inclui aspectos negativos</p><p>(despir-se de...) e positivos (revestir-se de...), à medida que o Espírito</p><p>transforma nossa fé, nosso pensamento e nossos desejos. A verdadei</p><p>ra santificação é uma combinação das duas facetas. Não basta, por</p><p>exemplo, simplesmente deixarmos de lado ou despir-nos da adoração</p><p>a falsos deuses. Precisamos revestir-nos da adoração e do amor ao</p><p>Deus vivo enquanto nossas atitudes são renovadas pelo Espírito.</p><p>Neste capítulo examinaremos o primeiro passo,“despir-se de...”,</p><p>lembrando que não se trata de uma equação matemática exata, mas</p><p>sim de pinceladas de um artista que retrata uma bela paisagem (co</p><p>mo a que eu tinha no quintal).</p><p>COMBATER O PECADO ANTES</p><p>QUE ELE COMECE</p><p>O movimento inicial para despir-se do pecado consiste em lutar</p><p>contra a tentação assim que ela surge. Tornar-se mais consciente da</p><p>origem e do processo da tentação o ajudará a despir-se de hábitos</p><p>idólatras antes de cair neles.</p><p><I79></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>O que é tentação?</p><p>A tentação é uma experiência comum a todos. Tanto Deus como</p><p>Satanás participam de nossas provações e tentações, embora com</p><p>alvos muito diferentes. Deus prova ou testa1 seus filhos por causa</p><p>de seu grande amor por eles. Seu objetivo é fazer que eles adquiram</p><p>conhecimento cada vez maior acerca do caráter dele e que aprendam</p><p>a confiar nele cada vez mais. A atividade de Deus ao nos testar e</p><p>provar nos conduz ao bem — ao nosso bem e à glória dele. Deus nos</p><p>testa para que saibamos que ele é verdadeiramente tão misericordioso</p><p>quanto afirma ser.</p><p>Weja Gn 22.1,2; 2Cr 32.31; 2Co 12.9; lPe 1.5-7; Dt 13.3.</p><p>Já o objetivo de Satanás é o mal. Deus jamais nos conduz ao mal,</p><p>pois ele jamais nos instiga a desprezar sua glória e seu prazer. Satanás</p><p>nos tenta para nos levar a pecar. Ataca-nos com insinuações de que</p><p>Deus não nos ama de fato, de que não é verdadeiramente sábio nem</p><p>poderoso. Então, depois que caímos em suas mentiras, ele nos acusa e</p><p>nos diz que Deus nunca nos amou de verdade e que nossa queda foi tão</p><p>grande, que já não há nada que possa levá-lo a nos amar novamente.</p><p>A tentação do Diabo acontece em nosso coração em con</p><p>junto com as influências do mundo e de nossa natureza carnal. As</p><p>mentiras do mundo e nossos pensamentos e desejos enganosos são</p><p>instrumentos úteis nas mãos dele. Satanás emprega duas armas po</p><p>derosas para nos atacar: a primeira é o medo e a segunda é o prazer.</p><p>Ele nos tenta por meio do medo ao insinuar que a obediência a</p><p>Deus resultará na perda de algo que consideramos necessário para</p><p>nossa felicidade. Ao mesmo tempo, ele nos tenta por meio do prazer,</p><p>ao mostrar as alegrias decorrentes da desobediência. Ele nos assusta</p><p>com pensamentos de que Deus não é verdadeiramente bom e amo</p><p>roso; atrai-nos com a ideia de que o melhor a fazer é buscar qualquer</p><p>meio possível para agradar a nós mesmos. Mas não se engane: a *</p><p><I80></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>tentação não coloca algo novo dentro de nós. Cedemos à tentação</p><p>de Satanás por causa dos desejos que já habitam nosso coração.</p><p>Vejamos três exemplos de tentação nas Escrituras: Judas, Pedro</p><p>e Cristo. Os três homens foram tentados, mas com resultados muito</p><p>diferentes. Você sabe por que a tentação de Judas e de Pedro termi</p><p>nou em pecado? Sabe por que Cristo foi capaz de resistir? Entende</p><p>por que você cai em algumas tentações enquanto outras não têm</p><p>atrativo algum?</p><p>A tentação de Judas</p><p>Satanás foi bem-sucedido quando tentou Judas porque o amor ao</p><p>dinheiro fazia parte do caráter de Judas.2 Ele já era idólatra. Amava</p><p>o dinheiro mais do que amava o Senhor. Portanto, não foi tão difí</p><p>cil trair Jesus por trinta moedas de prata. Judas foi presa fácil para</p><p>o ataque de Satanás porque seu amor pelo Senhor foi ofuscado</p><p>pelo amor ao prestígio e ao respeito que o dinheiro proporciona.</p><p>Como Raquel antes dele, sua idolatria foi uma armadilha que aca</p><p>bou provocando sua destruição. Satanás plantou no coração dele</p><p>o medo de que Cristo jamais expulsaria os romanos e, ao mesmo</p><p>tempo, o atraiu com fantasias dos prazeres que as trinta moedas de</p><p>prata trariam. Judas imaginou que seria um homem digno de amor</p><p>e respeito se conseguisse forçar Cristo a tomar o reino para si. Ele</p><p>creu na justificação por meio do poder e das riquezas.</p><p>2Satanás também foi bem-sucedido porque Deus havia escolhido Judas para</p><p>ser aquele que o trairia. Satanás jamais tem sucesso em suas tramas perversas sem a</p><p>permissão do Rei soberano do céu (veja Jó 1.6-12; 2.1-6).</p><p>A tentação de Pedro</p><p>Satanás foi bem-sucedido ao tentar Pedro porque o desejo de prote</p><p>ger-se e de ser aceito já governava sua vida. Ele poderia ter resistido</p><p>< I 8 I ></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>à tentação de negar Jesus se estivesse realmente disposto a entregar a</p><p>vida por ele, como havia afirmado. A tentação de Pedro por Satanás</p><p>foi eficaz porque, embora Pedro talvez estivesse disposto a morrer</p><p>por Cristo, ainda não desejava sofrer por ele. Satanás levou Pedro</p><p>a temer a desaprovação que a lealdade a Cristo traria e, ao mesmo</p><p>tempo, o atraiu com o prazer de sua própria segurança. Pedro creu</p><p>na justificação</p><p>por meio da segurança.</p><p>Por que Pedro não teve o mesmo fim que Judas, pendurado na</p><p>ponta de uma corda? Seu caráter era mais forte ou melhor? Pedro</p><p>não caiu em desespero total porque Jesus orou por ele. Embora sua</p><p>fé fosse fraca, era impossível ele fracassar inteiramente, pois estava</p><p>protegido na mão do Senhor.</p><p>Simão, Simão, Satanás vos pediu para peneirá-lo como trigo; mas</p><p>eu roguei por ti, para que a tua fé não esmoreça; e, quando te con</p><p>verteres, fortalece teus irmãos (Lc 22.31,32).</p><p>Não havia dúvida de que Pedro enfrentaria a investida de</p><p>Satanás. Deus já havia concedido a Satanás permissão para atacá-lo.</p><p>Não havia dúvida que Pedro cairia. Jesus conhecia o coração dele.</p><p>Conhecia seus pensamentos e desejos (Jo 2.24,25). A menos que</p><p>o Pai interviesse, Pedro escolhería livremente seguir sua propensão</p><p>mais forte, e pecaria. Jesus não se surpreendeu com a negação de</p><p>Pedro. Aliás, ele a permitiu para que Pedro crescesse em santidade.</p><p>Você percebe como Deus é glorificado até mesmo no pecado de</p><p>Pedro, e nós recebemos ânimo para nossa batalha?</p><p>A promessa de Jesus de guardá-lo em meio a seu fracasso já penetrou</p><p>seu entendimento? Você crê que, mesmo quando cair, sua fé não falha</p><p>rá completamente? Embora você talvez venha a chorar amargamente</p><p>por causa do pecado, pode alegrar-se porque Deus é mais forte que seu</p><p>coração (ljo 3.19,20). O Espírito tem poder para vencer seus maiores</p><p>temores e seus prazeres mais preciosos, mantendo-o em segurança.</p><p><I82></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>A tentação de nosso Senhor</p><p>A tentação de Cristo por Satanás foi uma história diferente. Jesus</p><p>jamais cederia às tentações de Satanás, pois seu único desejo era</p><p>agradar o Pai. Por isso ele disse a respeito de Satanás: “Ele nada</p><p>tem em comum comigo [...] faço aquilo que o Pai me ordenou”</p><p>(Jo 14.30,31). Satanás não encontrou nenhum ponto de apoio</p><p>no coração de Jesus. O único desejo de Jesus era agradar o Pai e</p><p>alegrar-se nele. Ele foi capaz de vencer Satanás porque tinha um</p><p>coração sem pecado; seus pensamentos e desejos, suas afeições e</p><p>motivações tinham todos “o firme propósito” (Lc 9.51) de agradar</p><p>a Deus. Jesus já havia vivido trinta anos em completa submissão e</p><p>amor a seu Pai. Não tinha temor algum em seu coração, exceto de</p><p>ofender o Pai a quem amava.</p><p>Meu Pai, se possível, afasta de mim este cálice; todavia, não seja</p><p>como eu quero, mas como tu queres (Mt 26.39).</p><p>Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que</p><p>me enviou e completar a sua obra (Jo 4.34).</p><p>Não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me en</p><p>viou (Jo 5.30; veja tb. Jo 6.38; 8.29; 15.10; Mt 3.17; 17.5).</p><p>Jesus não cedeu aos ataques de Satanás porque era inteiramen</p><p>te dedicado a amar seu Pai. Não tinha medo de perder prazeres do</p><p>mundo, pois não desejava coisa alguma além da face sorridente de</p><p>seu Pai.</p><p>A tentação no deserto</p><p>Alegre-se porque você não está sozinho em sua luta contra o pe</p><p>cado. Ao seu lado há um Sumo Sacerdote que foi tentando como</p><p><I83></p><p>ÍDOLOSCORAÇÃO</p><p>você e saiu vitorioso. Jesus resistiu à tentação de Satanás no de</p><p>serto de satisfazer sua fome porque amava confiar na provisão de</p><p>seu Pai. Ele não teve medo de morrer de fome nem de ficar fraco</p><p>demais para obedecer. Alegrou-se na força resultante de obedecer</p><p>à palavra de Deus. Resistiu à tentação de Satanás de lançar-se do</p><p>alto de um monte para testar o amor de seu Pai porque não pre</p><p>cisava provar coisa alguma para Satanás. Foi capaz de resistir à</p><p>tentação de Satanás de adorá-lo, não obstante a promessa de que</p><p>receberia “todos os reinos do mundo e a glória deles” (Mt 4.8).</p><p>Triunfou porque não desejava coisa alguma que o mundo tinha</p><p>a oferecer: nem riquezas, nem fama, nem poder. Sabia que a feli</p><p>cidade se encontrava apenas no sorriso de seu Pai. Não precisava</p><p>justificar a si mesmo.</p><p>A segunda grande tentação de Cristo ocorreu no jardim do</p><p>Getsêmani. Ali, ele lutou com seus desejos santos de agradar seu</p><p>Pai e ser um com ele. Jesus sabia que, para satisfazer plenamente</p><p>a vontade do Pai, teria de levar sobre si os pecados do mundo. A</p><p>doce união que havia tido desde sempre com o Pai seria inter</p><p>rompida por um tempo, enquanto ele bebia do pecado que havia</p><p>evitado a vida toda. Sua alma deve ter se afligido profundamente</p><p>com a ideia de ficar separado de seu Pai. Se houve um momento</p><p>em que ele foi tentado a temer, deve ter sido ali no Getsêmani.</p><p>Embora estivesse consciente da dor e tortura físicas que o espera</p><p>vam, seu tormento no jardim nasceu da consciência de que, pela</p><p>primeira vez em toda a eternidade, experimentaria o efeito final</p><p>do pecado: alienação de seu Pai. Deve ter sido uma perspectiva</p><p>extremamente assustadora!</p><p>Percebe a compaixão e o socorro que lhe estão disponíveis? Você</p><p>luta contra desejos intensos de adorar outros deuses, mas são an</p><p>seios leves em comparação com o desejo santo com o qual Cristo se</p><p>angustiou ao encarar a separação que a cruz provocaria. Ele amava</p><p><I84></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>a união com seu Pai.3 Almejava agradá-lo e dar-lhe alegria acima de</p><p>todas as coisas. E, no entanto, sacrificou seu desejo a fim de poder</p><p>agradá-lo supremamente e redimir você.</p><p>3Mt 11.27; 28.19; Jo 1.1,2; 5.17,23; 8.58; 14.9,23; 16.15; 17.10,21. Sua decla</p><p>ração, “Eu e o Pai somos um”(Jo 10.30) foi mais que a asserção de um fato. Foi uma</p><p>afirmação de sua natureza, de sua alegria, do propósito de seu ser.</p><p>Alegre-se, pois seu Salvador vitorioso está ao seu lado, pronto a</p><p>ajudá-lo em sua luta contra o pecado.</p><p>Porque naquilo que ele mesmo sofreu, ao ser tentado, pode socorrer</p><p>os que estão sendo tentados (Hb 2.18).</p><p>Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-</p><p>-se das nossas fraquezas, mas alguém que, à nossa semelhança, foi</p><p>tentado em todas as coisas, porém sem pecado (Hb 4.15).</p><p>Você se tornará mais capaz de superar desejos pecaminosos?</p><p>Sim, em parte, mas não por força de vontade nem por autodisciplina.</p><p>Você os vencerá somente no poder de seu Salvador ressurreto e pela</p><p>compreensão de sua justificação. Você os vencerá pelas boas-novas do</p><p>evangelho: o sangue de Cristo e o testemunho da graça dele em seu</p><p>favor (Ap 12.11). Sua justificação não significa apenas que Cristo não</p><p>o considera mais culpado de seu pecado; também quer dizer que ele</p><p>transferiu para você o registro dele de vitória sobre a tentação. Ele prio</p><p>rizou os desejos do Pai e venceu o medo em seu favor e — louvado seja</p><p>o Senhor! — esse é seu registro hoje, se você crer. Da mesma forma que</p><p>Cristo fortaleceu Pedro e guardou sua fé para que não lhe falhasse com</p><p>pletamente apesar de seu pecado, ele o fortalecerá, pois você é precioso</p><p>para ele, é sua noiva querida. Saber que ele não leva suas faltas em con</p><p>sideração contra você e que o Pai não o acusa de ceder aos caprichos de</p><p>Satanás é forte auxílio em sua luta contínua. Sim, somos terrivelmente</p><p>falhos, mas, ainda assim, somos maravilhosamente amados.</p><p><I85></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>O QUE VOCÊ É TENTADO A ADORAR?</p><p>Satanás consegue nos tentar porque temos pensamentos e desejos</p><p>idólatras. Por isso é tão importante ter consciência deles. Lembre-se</p><p>de que o medo de perder algo e as fantasias de prazer nascem de</p><p>nossos desejos idólatras, e são esses desejos que nos tornam presa</p><p>fácil para nosso inimigo.</p><p>Podemos nos tornar mais conscientes dos pensamentos e dos</p><p>desejos que nos enredam ao perguntar: O que eu desejo e o que eu</p><p>temo? Ou, mais precisamente: O que eu desejo e o que eu temo mais</p><p>do que eu anseio refletir Deus e crescer em santidade? Que prazer</p><p>você deseja tão intensamente a ponto de estar disposto a pecar para</p><p>obtê-lo? Qual é a coisa que você teme perder a ponto de não fazer</p><p>caso do pecado para mantê-la?</p><p>As vezes é difícil responder a essas perguntas de imediato, por</p><p>tanto vou lhe dar um exercício que poderá ajudá-lo.</p><p>Pense na última vez em que você sabe que pecou. Trata-se de</p><p>algo importante, pois há uma relação entre seus deuses funcionais</p><p>(ídolos) e seu comportamento pecaminoso. Escolha um pecado no</p><p>qual costuma cair com frequência, como raiva, medo,</p><p>entrega a algu</p><p>ma coisa errada que lhe dá prazer. Anote essa situação.</p><p>Com ela em mente, peça para Deus ajudá-lo a responder às per</p><p>guntas a seguir. Procure não dar respostas de apenas uma palavra,</p><p>que não sondem as partes mais profundas de seus pensamentos,</p><p>desejos e medos. Cada pergunta o ajudará a entender sua idolatria,</p><p>portanto não responda apressadamente. Antes, em atitude de ora</p><p>ção, peça a Deus, que conhece seu coração, para que lhe revele seus</p><p>“deuses funcionais”.4</p><p>4Estas perguntas são adaptadas do texto de Dave Powlison “X-Ray questions:</p><p>drawing out the why’s and wherefore’s of human behavior”, The Journal of Biblical</p><p>Counseling 18, n. 1 (Winter 2001): 2.</p><p>< 18 6></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>1. O que você quis, desejou ou almejou?</p><p>2. O que você temeu? Com o que se preocupou?</p><p>3. De que pensou precisar?</p><p>4. O que suas estratégias e intenções visavam realizar?</p><p>5. Em quê ou em quem você creu?</p><p>6. Quem você tentou agradar? A opinião de quem levou em</p><p>consideração?</p><p>7. O que amou? Detestou?</p><p>8. O que teria lhe dado maior prazer, felicidade ou deleite? O que</p><p>teria lhe causado maior dor ou infelicidade?</p><p>9. Lembrou-se do grande amor do Pai por você em Cristo?</p><p>10. Teve a convicção de que já estava perdoado, já era justificado e</p><p>não precisava de coisa alguma?</p><p>Permita-me dar um exemplo de minha vida que talvez o ajude</p><p>a entender como a idolatria funciona.5 Pouco tempo atrás, recebi de</p><p>uma amiga o convite para dirigir um estudo bíblico, além de meus</p><p>trabalhos habituais como professora. A pedido dela, fiz o estudo</p><p>com o grupo e apresentei o que, a meu ver, era a essência da lição.</p><p>Posteriormente, a mesma amiga que pediu minha ajuda me criti</p><p>cou. Reagi com raiva pecaminosa, comentei com outras pessoas a</p><p>ingratidão e a ignorância dela, e fiquei com um pé atrás em relação</p><p>a ela. Meus sentimentos oscilavam entre a superioridade (“Como ela</p><p>ousa dizer essas coisas a meu respeito?”) e a autopiedade (“Sou uma</p><p>pessoa terrível. Nunca vou mudar. Talvez deva desistir de lecionar.”).</p><p>5Esse exemplo me ocorre com facilidade, pois, embora seja fictício, já me vi em</p><p>situações muito semelhantes em diversos momentos.</p><p>A raiva pecaminosa era um problema habitual em minha vida, e</p><p>dela fluíam os rios da autopiedade, da fofoca, da autocomplacência</p><p>e do desespero. Vejamos agora como eu poderia ter respondido às</p><p>perguntas apresentadas acima.</p><p>< I 87></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>1. O que você quis, desejou ou almejou? Eu quis a gratidão e a opinião</p><p>favorável de minha amiga. Quis que ela pensasse bem de mim.</p><p>Busquei minha justificação no serviço a ela.</p><p>2. O que você temeu? Com o que sepreocupou?Temi que ela não gos</p><p>tasse de mim e não me desse valor. Temi que não pudesse ser</p><p>feliz sem seus elogios.</p><p>3. De que pensou precisar? Pensei precisar de respeito e honra.</p><p>Estava tentando obter sua aprovação.</p><p>4. O que suas estratégias e intenções visavam realizar? Em parte, es</p><p>tava tentando servir ao Senhor, mas também estava tentando</p><p>melhorar a opinião de minha amiga a meu respeito.</p><p>5. Dm quê ou em quem você creu? Cri que a aprovação dela me faria</p><p>feliz. Também confiei no Senhor para dar o estudo bíblico, mas</p><p>esse não foi meu foco principal, como minha reação deixou claro.</p><p>6. Quem você tentou agradar? A opinião de quem levou em considera</p><p>ção? A opinião de minha amiga foi a coisa mais importante para</p><p>mim. Estava tentando agradá-la, mas percebo um conflito inte</p><p>rior, pois também desejava ensinar a verdade no estudo bíblico</p><p>(que eu sabia que não a agradaria).</p><p>7. O que amou? Detestou? Amei ser respeitada. Detestei o fato de</p><p>minha amiga não ter me dado valor. Detestei a ideia de que</p><p>talvez não fosse digna de amor e respeito.</p><p>8. O que teria lhe dado mais prazer, felicidade ou deleite? O que teria</p><p>lhe causado mais dor ou infelicidade? A aprovação de minha amiga</p><p>teria me dado grande prazer, e fiquei profundamente chateada</p><p>porque não a recebi. Dei à minha amiga o poder de controlar</p><p>minha vida ao transformá-la na fonte de minha felicidade.</p><p>9. Lembrou-se do grande amor do Pai por você em Cristo? Não. Pensei</p><p>apenas no quanto precisava do amor de minha amiga. Busquei</p><p>minha justificação por meio do relacionamento com ela.</p><p>10. Teve a convicção de que já estava perdoado, já era justificado e</p><p>não precisava de coisa alguma? Não, especialmente quando me</p><p><I88></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>desesperei e imaginei que nunca mudaria e que Deus certamente</p><p>estava irado comigo.</p><p>Caí na tentação da raiva pecaminosa porque minhas motivações</p><p>e meus desejos não eram puros. Temi perder a opinião favorável de</p><p>minha amiga. Desejei respeito e louvor. Procurei justificar a mim</p><p>mesma. Você percebe por que não bastaria pedir a Deus que me per</p><p>doasse apenas por ter ficado brava com minha amiga (embora fosse</p><p>apropriado pedir perdão por isso)? Não bastaria porque meu pecado</p><p>era mais profundo que uma simples demonstração exterior de raiva.</p><p>Meu pecado estava arraigado na adoração falsa. Visto que idolatrei</p><p>a opinião de minha amiga a meu respeito, ela desempenhou o papel</p><p>de um deus em minha vida. Sou idólatra. Minha amiga teve poder</p><p>de controlar minha paz e alegria. Ansiei por sua bênção e temi sua</p><p>maldição. Temi que não poderia aprovar a mim mesma e que, na</p><p>verdade, não era verdadeiramente aceitável.</p><p>O MODO COMO A TENTAÇÃO OPERA</p><p>Analisemos agora, à luz de Tiago 1.13-16, como eu caí em pecado.</p><p>Tiago escreveu:</p><p>Quando tentado, ninguém deve dizer: Sou tentado por Deus, pois</p><p>Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Mas cada</p><p>um é tentado quando atraído e seduzido por seu próprio desejo.</p><p>Então o desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, após</p><p>se consumar, gera a morte. Meus amados irmãos, não vos enganeis.</p><p>Embora Deus nos prove para desenvolver nossa santidade, não</p><p>podemos culpá-lo por nosso pecado. Escolho livremente pecar em</p><p>reação a pensamentos, desejos e temores que me governam. Deus</p><p>tem domínio soberano sobre minha vida, mas sou plenamente res</p><p>ponsável por meu pecado e jamais posso culpá-lo.</p><p><I89></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Caí em tentação porque fui atraída e seduzida por meus desejos.</p><p>“Como na [...] pescaria o peixe é atraído’para fora de seu esconde</p><p>rijo, os desejos do homem o atraem’para longe da segurança de seu</p><p>domínio próprio.”6 Como um peixe irracional, cedi à tentação quan</p><p>do fui confrontada com a minhoca gorda e suculenta da felicidade</p><p>que imaginei que experimentaria. O que conferiu poder à tentação</p><p>em minha vida? Meus amores, desejos e concupiscências!</p><p>^Vine's expository dictionary of Biblical words, banco de dados eletrônico</p><p>(Nashville: Thomas Nelson, 1985).</p><p>Figura 10.1 - Quando o coração deseja agradar o ego</p><p>Domínio soberano de Deus</p><p>O Ataque</p><p>de Satanás</p><p>Meu deus funciona</p><p>ou meu</p><p>desejo dominante:</p><p>Aprovaçao e</p><p>amor de Jane".</p><p>MEDO</p><p>Satanás</p><p>sussurra:</p><p>"Você não</p><p>pode ser</p><p>feliz sem</p><p>a aprovação".</p><p>"Jamais será boa</p><p>o suficiente para</p><p>agradar sua amiga.'</p><p>Reage com</p><p>PRAZER</p><p>Satanás</p><p>sussurra: "A</p><p>aprovação de</p><p>Jane lhe dará</p><p>grande felicidade".</p><p>'Ela está lhe</p><p>negando prazer."</p><p>Reage com</p><p>Reações pecaminosas que fluem de meu coração</p><p>quando cedo às tentações de Satanás:</p><p>• Autopiedade</p><p>• Raiva</p><p>• Autocomplacência</p><p>• Orgulho</p><p><190></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>Vejo agora como fui tentada a desejar ser benquista por minha</p><p>amiga a fim de me justificar. Satanás consegue me tentar a pecar</p><p>quando interajo com essa amiga porque valorizo excessivamente a</p><p>opinião dela. Suas palavras me controlam, pois imagino que preciso</p><p>de sua aprovação para ser feliz. Em vez de amá-la e servi-la, eu a</p><p>temo e amo sua opinião favorável a meu respeito. Quando surge uma</p><p>oportunidade de estar com ela, meus desejos me tentam a pecar. Creio</p><p>equivocadamente que sua aprovação é análoga à aprovação de Deus</p><p>e à minha justificação absoluta. Então, quando o desejo alcança seu</p><p>alvo, concebe o pecado, e quando o pecado se consuma, gera a morte.</p><p>Fui enganada, e as raízes dessa ilusão se encontram nos desejos</p><p>ou cobiças que residem em meu coração. A ilusão diz que devo ser</p><p>vir e agradar minha</p><p>que se semeia, Jacó, que enganou</p><p>seu pai, foi enganado por seu sogro.</p><p><24></p><p>OS DEUSES DE RAQUEL E VOCÊ</p><p>tanto que os anos de trabalho para obtê-la “lhe pareceram poucos</p><p>dias” (Gn 29.20). Isso sim é devoção! Com um começo desses, seria</p><p>de esperar que a vida de Raquel fosse um mar de rosas. Era linda e</p><p>tinha o amor do marido... o que mais poderia querer?</p><p>“DÁ-ME FILHOS!"</p><p>Com o passar do tempo, a resposta a essa pergunta se tornou clara.</p><p>O que mais ela poderia querer? Filhos! Raquel só podia contemplar</p><p>Lia, sua irmã mais velha (e feia), dar à luz seis filhos... e ela conti</p><p>nuava estéril. Toda vez que um dos meninos de Lia chorava, ou que</p><p>Jacó brincava com um deles, os ciúmes, muito provavelmente, iam</p><p>crescendo. E bem possível que tenha ficado cheia de dúvida, raiva</p><p>e autocomiseração ao ver sua posição de favorita ser solapada. Sua</p><p>beleza, o deus que ela havia adorado, não tinha poder para salvá-la,</p><p>e ela estava desesperada por obter a aprovação e a posição que con</p><p>siderava suas por direito. Seus lindos olhos não podiam fazer coisa</p><p>alguma para preencher seu útero vazio.</p><p>Por fim, em desalento, clamou: "... Dá-me filhos, senão morre</p><p>rei”. E Jacó respondeu com ira: “... Por acaso estou eu no lugar de</p><p>Deus?” (Gn 30.1,2). O desejo de Raquel de ter filhos era tão forte</p><p>que havia distorcido o modo de ela pensar. Ela começou a imaginar</p><p>que Jacó, e não Deus, controlava sua fertilidade, sua posição e sua vi</p><p>da. Sentia-se despida e sem valor; não suportava olhar para a feiura</p><p>de sua esterilidade.</p><p>No devido tempo, Deus bondosamente concedeu um filho a</p><p>Raquel. Não deixe de notar a bondade desse ato da graça divina.</p><p>Ele não atendeu a Raquel por causa de seu coração puro ou de</p><p>seus desejos santos. Ele a abençoou apesar de sua incredulidade.</p><p>Então, embora temporariamente repleta de alegria com esse nas</p><p>cimento, ela ainda se mostrou insatisfeita. Revelou seu coração ao</p><p>dar nome ao menino e dizer: "... Acrescente-me o Senhor ainda</p><p><25></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>outro filho” (Gn 30.24). Raquel não se contentou com a bênção</p><p>que Deus havia lhe concedido em José. Queria mais. E esse, meus</p><p>amigos queridos, é o resultado inevitável da idolatria: ela sempre</p><p>termina em insatisfação.</p><p>Passado algum tempo, Raquel concebeu novamente e, pouco</p><p>antes de morrer no parto, chamou seu filho Benôni, que significa</p><p>“filho de minha tristeza”. Aquilo que ela havia adorado e imaginado</p><p>trazer-lhe bênção acabou por lhe causar a morte. O que ela havia</p><p>esperado trazer-lhe alegria acabou por lhe causar tristeza. Não é irô</p><p>nico que a mulher que clamou “Dá-me filhos, senão morrerei” tenha</p><p>morrido em trabalho de parto? Sua história mostra que não há vida</p><p>na idolatria. Ela só traz morte.</p><p>Vemos, portanto, que Raquel já era idólatra mesmo antes de</p><p>roubar os ídolos de seu pai. Seu desejo de ter filhos, como sua irmã</p><p>Lia tinha, era a coisa mais importante de sua vida. Para ela, era algo</p><p>absolutamente essencial e, portanto, era seu deus. Raquel acreditava</p><p>na justificação por meio da maternidade; imaginava que precisava</p><p>conquistar a aceitação diante de Deus, dos outros e de si mesma. Ela</p><p>não havia tido a experiência de ser incapaz de aprovar a si mesma. E</p><p>agora, estava se afogando em vergonha e tristeza.</p><p>OS DEUSES DE RAQUEL</p><p>Não é difícil imaginar que Raquel tivesse sido sempre o centro das</p><p>atenções, que as coisas tivessem sempre acontecido da forma que ela</p><p>desejava. E provável que não estivesse acostumada a ver Lia em po</p><p>sição superior à dela. A esterilidade, e tudo o que isso representava</p><p>para Raquel, a haviam levado a deparar com um problema insu</p><p>perável — algo que talvez jamais tivesse experimentado. Ela temia</p><p>que precisasse tomar providências a fim de proteger sua posição.</p><p>Acreditava que, de algum modo, os deuses de seu pai a abençoariam</p><p>e, por isso, os furtou. Talvez cresse na existência de um Deus que</p><p><26></p><p>OS DEUSES DE RAQUEL E VOCÊ</p><p>governava a terra, mas o considerasse distante ou indomável demais.</p><p>Não confiava que ele encaminharia a vida do modo que ela desejava.</p><p>Precisava de um deus mais domável, mais dócil, que ela pudesse</p><p>controlar. Queria um deus que lhe desse aquilo de que ela precisava.</p><p>Queria um deus que ela pudesse furtar e esconder!3 Queria um deus</p><p>que ela pudesse guardar na bolsa.</p><p>3“Raquel havia pegado os ídolos e posto na sela do camelo, sentando-se em</p><p>seguida sobre eles. Labão apalpou toda a tenda, mas não os achou. Ela disse a seu</p><p>pai: Que a ira nos olhos de meu senhor não se acenda, por não poder me levantar</p><p>na tua presença, pois estou com o incômodo das mulheres. Assim ele procurou, mas</p><p>não achou os ídolos” (Gn 31.34,35).</p><p>4John Calvin, Institutes of the Christian religion, edição de John T. McNeill,</p><p>Library of Christian Classics (Philadelphia: Westminster,1960), 2 vols., 1:108</p><p>[edições em português: João Calvino, As institutas, tradução de Waldyr Carvalho</p><p>Luz (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 4 vols. e A instituição da religião cristã, tra</p><p>dução de Carlos Eduardo Oliveira; José Carlos Estêvão (São Paulo: Unesp,2008)],</p><p>grifo da autora.</p><p>MEUS ÍDOLOS DO LAR</p><p>Ao refletir sobre a história de Raquel, pergunto-me se também tenho</p><p>divindades domésticas — ídolos do lar nos quais procuro felicidade,</p><p>segurança e justificação própria. Pelo que anseio a tal ponto de meu</p><p>coração clamar: “Dá-me isto, senão morrerei!”? De que preciso para</p><p>que a vida tenha sentido ou felicidade? O que me permite deitar à</p><p>noite e saber, no mais profundo de meu ser, que estou verdadeira</p><p>mente bem? Se minha resposta a essa pergunta for qualquer outra</p><p>coisa além de Deus, então é isso que serve de deus para mim.</p><p>Embora não nos curvemos diante de estátuas de pedra nem pre</p><p>paremos tigelas de comida para oferecer a nossos deuses, adoramos</p><p>ídolos de outras maneiras. João Calvino comentou a esse respeito ao</p><p>escrever: “Quando [Moisés] diz que Raquel furtou os ídolos de seu</p><p>pai, fala de um erro comum. Podemos concluir com isso que a nature</p><p>za do homem [...] é uma perpétua fábrica de ídolos" (grifo da autora).4</p><p><27></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Os ídolos não são apenas estátuas de pedra. São amores, pen</p><p>samentos, desejos, anseios e expectativas que adoramos em lugar</p><p>do Deus verdadeiro. São as coisas nas quais investimos nossa</p><p>identidade; são aquilo em que confiamos. Os ídolos nos levam a</p><p>desconsiderar nosso Pai celestial em busca daquilo que imaginamos</p><p>precisar. Nossos ídolos são nossos amores distorcidos: tudo o que</p><p>amamos mais do que amamos a Deus, as coisas em que confiamos</p><p>para nossa justificação, para nos tornarmos aceitáveis.</p><p>DEUSES DA ALIANÇA</p><p>Em certos aspectos, nosso relacionamento com esses falsos deuses</p><p>é semelhante ao nosso relacionamento com o Deus verdadeiro.</p><p>Buscamos a bênção desses deuses. Fazemos alianças com eles; con</p><p>ferimos-lhes o poder de nos abençoar se trabalharmos para eles com</p><p>afinco suficiente. Raquel, por exemplo, diria: “Se eu tiver filhos, co</p><p>mo minha irmã Lia, serei feliz!”. Ou talvez nós digamos: “Se eu tiver</p><p>um cônjuge piedoso” ou “Se meus filhos se destacarem na escola,</p><p>serei feliz”. Claro que ter relacionamentos piedosos é uma bênção</p><p>e uma fonte de felicidade, e não é pecado desejá-los; se, porém, eles</p><p>são a fonte de nossa alegria, se têm prioridade absoluta em nossa</p><p>vida, então são deuses para nós.</p><p>Jesus disse: “... buscai primeiro o seu reino [o reino de Deus]</p><p>e a sua justiça...” (Mt 6.33). Se edificar o reino de Deus (e não o</p><p>nosso próprio) for a maior prioridade de nossa vida, descansare</p><p>mos na certeza de que receberemos todas as coisas verdadeiramente</p><p>necessárias por causa de seu grande amor, e com isso diminuirão</p><p>as exigências que esses ídolos fazem de nós. O ídolo de filhos obe</p><p>dientes, por exemplo, que nos leva a pegar no pé deles ou criticá-los,</p><p>perderá força se não estivermos tentando construir o reino de nossa</p><p>família. Ademais, se buscarmos a justiça que vem somente de Deus</p><p>(Rm 10.3,4), em lugar de nossa própria justiça, não pressionaremos</p><p><28></p><p>OS DEUSES DE RAQUEL E VOCÊ</p><p>nossa família a ter um bom desempenho para que nos sintamos</p><p>amiga para ser feliz. A verdade é que preciso me</p><p>preocupar com uma Platéia de Um Só. Aqueles que “vivem diante de</p><p>uma Platéia de Um Só podem dizer ao mundo: ‘Tenho apenas uma</p><p>platéia. Diante de vocês, não tenho nada a provar, nada a ganhar,</p><p>nada a perder’”.7 Se eu houvesse me apresentado para uma Platéia</p><p>de Um Só, poderia ter reagido de maneira mais piedosa à crítica de</p><p>minha amiga. Na figura 10.2, observe como os desejos do coração</p><p>podem combater a tentação dupla de Satanás quando ela vem.</p><p>7Os Guinness, The call: ending and fidfilling the central purpose of your life</p><p>(Chicago: Moody, 1992), p. 77 [edição em português: O chamado: uma iluminadora</p><p>reflexão sobre o propósito da vida e o seu cumprimento, tradução de Elizabeth Charles</p><p>Gomes (São Paulo: Cultura Cristã, 2001)].</p><p>Judas caiu na tentação de trair Cristo porque desejava dinheiro,</p><p>poder e prestígio. Imaginou que só teria valor se fizesse parte do</p><p>time que estava vencendo. Raquel foi tentada a adorar ídolos e a</p><p>ter raiva pecaminosa de Jacó porque desejava o respeito e o amor</p><p>que receberia se tivesse um filho. Creu na justificação por meio da</p><p>maternidade. Eli caiu na tentação de mimar seus filhos porque de</p><p>sejava paz. A esposa de Ló caiu na tentação de desobedecer aos</p><p>anjos porque desejava os confortos de seu lar. Pedro caiu na tentação</p><p>< 19 I ></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>de negar Cristo porque desejava proteger-se e ser benquisto. Creu</p><p>na justificação por meio do engrandecimento próprio e da segu</p><p>rança. Marta caiu na tentação de vociferar sua queixa ao Senhor</p><p>e se exasperar com sua irmã porque desejava ser vista como boa</p><p>anfitriã. Creu na justificação por meio da hospitalidade. Os fariseus</p><p>caíram na tentação de perseguir Jesus até a morte porque amavam</p><p>ser “cumprimentados em público” (Mt 23.7), gostavam “do primeiro</p><p>lugar nos banquetes” (Mt 23.6) e tinham inveja da popularidade</p><p>de Jesus. E eu caí na tentação de ficar com raiva de minha amiga</p><p>porque amei minha própria glória mais do que agradar a Deus.</p><p>Figura 10.2 - Quando o coração deseja agradar à Platéia de Um Só</p><p>Domínio soberano de Deus</p><p>Sou capaz de amar e servir Jane.</p><p>Sou capaz de refletir sobre suas críticas e reagir com amor.</p><p>< I 92></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>“E NÃO NOS INDUZAS”</p><p>O que devemos fazer para resistir à tentação e começar a nos despir</p><p>de nossa idolatria habitual?</p><p>Devemos nos revestir da oração deliberada a respeito de nossos</p><p>desejos e das tentações que fluem deles. Nosso Senhor Jesus, que soube</p><p>como lutar contra a tentação, nos deu este conselho: “Portanto, vós</p><p>orareis assim [...] E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal”</p><p>(Mt 6.9,13; veja tb. Mt 26.41; Lc 11.4; 22.46). Quando oramos desse</p><p>modo, não estamos pedindo que Deus não nos tente, pois sabemos que</p><p>jamais o faz. Estamos pedindo que ele nos guarde de cair nas garras do</p><p>pecado. Deus permite que nossa fé seja provada, mas junto com cada</p><p>provação ele concede uma saída para que jamais nos vejamos em uma</p><p>situação em que o pecado é a única possibilidade (lCo 10.13). Por</p><p>isso, podemos ter grande esperança em nossa batalha contra a tentação.</p><p>Precisamos nos revestir de oração especiíicamente para sermos guar</p><p>dados de ceder a nossos desejos e temores; para estarmos conscientes</p><p>deles e armados contra eles quando vierem; para recebermos ajuda de</p><p>Deus quando formos confrontados com eles. E devemos orar para</p><p>que Deus nos conceda desejos santos e o devido temor dele, e para que</p><p>nos capacite a crer que seu amor por nós não tem fim.</p><p>Jesus advertiu seus seguidores: “Vigiai e orai, para que não entreis</p><p>em tentação; o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41).8</p><p>Como filhos de nosso Pai, desejamos obedecer a Deus. No entanto,</p><p>deixamos de lhe obedecer porque somos facilmente atraídos por nossa</p><p>natureza carnal (Rm 7.25). Somos fracos. Somos vulneráveis a ataques.</p><p>A única forma de combatermos com sucesso as tramas do Diabo é es</p><p>tarmos alertas e nos dedicarmos à oração. Precisamos estar em guarda</p><p>a fim de perceber as armadilhas que poderiam ser usadas por nosso ini</p><p>migo para nos enredar. Pedro adverte seus leitores: “Tende bom senso</p><p>ÍDOLOSCORAÇÃO</p><p>e estai atentos. O Diabo, vosso adversário, anda em derredor, rugindo</p><p>como leão que procura a quem possa devorar” (lPe 5.8).</p><p>À luz do chamado de Deus para vigiarmos procurei ajudar você</p><p>a entender suas áreas de fraqueza. Satanás atingirá o cerne de sua</p><p>idolatria. Ele observará suas palavras e ações e saberá o que você an</p><p>seia mais que santidade. Saberá o que você teme. E o atacará nesses</p><p>pontos. Ele o assustará e o levará a pensar que jamais será feliz sem</p><p>aquilo que deseja. Ele o atrairá com fantasias de prazeres que você</p><p>poderá experimentar se ceder ao pecado só desta vez. Ele o lembrará</p><p>de todos os seus fracassos e insinuará como é impossível que Deus</p><p>ainda o ame, como você já foi longe demais e, portanto, pode ir</p><p>até o fim e ceder. Então você cairá em pecado, a menos que esteja</p><p>precavido por meio da oração e da vigilância diligente.</p><p>DEUS SABE COMO LIVRÁ-LO</p><p>A Segunda Epístola de Pedro foi escrita para leitores que enfrenta</p><p>vam a tentação de desistir diante de intensa perseguição e heresia.</p><p>“O Senhor também saberá livrar da provação os piedosos” (2Pe 2.9);</p><p>essas são palavras do Espírito Santo para nós por intermédio de</p><p>Pedro. Ao lutarmos contra os ídolos em nosso coração, também</p><p>podemos estar certos de que Deus não se esqueceu de como nos</p><p>proteger. Precisamos permanecer vigilantes e orar, mas, no fim das</p><p>contas, cabe ao nosso Pai amoroso nos proteger e nos guardar. Ele</p><p>pode nos livrar da tentação e das tramas de Satanás, e, se cairmos,</p><p>pode até mesmo nos trazer de volta para ele, tudo para sua suprema</p><p>glória e seu prazer.</p><p>Oremos com os puritanos:</p><p>Ó Deus, Autor de todo o bem,</p><p>venho a ti a fim de receber a graça necessária</p><p>para os deveres e acontecimentos de mais um dia.</p><p><I94></p><p>RESISTINDO A SEUS ÍDOLOS</p><p>Saio para um mundo perverso,</p><p>levo comigo um coração perverso,</p><p>sei que sem ti não posso fazer coisa alguma,</p><p>que todas as coisas com as quais me envolverei,</p><p>por mais inofensivas que sejam em si mesmas,</p><p>podem mostrar-se ocasião para pecado ou insensatez,</p><p>a menos que eu seja guardado por teu poder.</p><p>Sustenta-me, e estarei seguro.</p><p>Preserva meu entendimento da sutileza do erro,</p><p>minhas afeições, do amor a ídolos,</p><p>meu caráter, da mácula dos hábitos condenáveis,</p><p>minha profissão, de toda forma de mal.9</p><p>’Arthur Bennett, The valley ofvision: a collection of Puritan prayers and devotions</p><p>(Carlisle: Banner of Truth Trust, 1995), p. 118.</p><p>Peça ao Senhor que lhe conceda a sabedoria necessária para lu</p><p>tar contra a tentação e colocar de lado a idolatria. Peça que ele lhe</p><p>mostre os pensamentos e desejos usados por Satanás para assustá-lo</p><p>e atraí-lo, e as maneiras pelas quais o inimigo acusa você e seu Pai.</p><p>E, por fim, peça que ele o ajude a colocar de lado a autossuficiência,</p><p>o orgulho e a incredulidade que o impedem de vigiar e orar com um</p><p>coração atento.</p><p>—.. PARAREFLETIB”</p><p>1. Faça uma lista das diferenças entre as tentações de Judas e as de</p><p>Pedro.</p><p>2. Por que Satanás não foi bem-sucedido ao tentar Cristo?</p><p>3. Deus nos tenta a fazer o mal? Por que ele nos testa e nos prova?</p><p>< I 9 5 ></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>4. Qual é o objetivo de Satanás ao nos tentar?</p><p>5. Quais são os três passos da santificação progressiva?</p><p>6. Como a vitória sobre a tentação se encaixa no primeiro passo?</p><p>7. Quais são duas ferramentas que Satanás usa para tentar todos os</p><p>crentes a pecar? Quais são as ferramentas específicas usadas por</p><p>ele em sua vida?</p><p>8. A luz da advertência de Cristo para permanecermos vigilantes</p><p>contra a tentação, com que você deve se preocupar de modo</p><p>específico? De que maneira você se revestirá de oração depen</p><p>dente e vigilante?</p><p><I96></p><p>11</p><p>DESTRUINDO SEUS</p><p>FALSOS DEUSES</p><p>Se, pelo Espírito mortificardes as práticas</p><p>do corpo, vivereis (Rm 8.13).</p><p>Três meses após Israel ter sido libertado das mãos de seu inimigo</p><p>egípcio, Moisés subiu o monte Sinai para encontrar-se com Deus.</p><p>Passados quarenta</p><p>dias, ele ainda não havia descido, e os filhos de</p><p>Israel ficaram receosos e impacientes. Eles começaram a achar que</p><p>Moisés havia morrido e que agora estavam sem líder, esquecendo-se</p><p>do Deus que os havia livrado e sustentado no deserto. Por causa da</p><p>incredulidade, imaginaram que sua felicidade suprema dependia da</p><p>presença de Moisés para livrá-los. Eles não acreditavam que Deus</p><p>fosse capaz de conduzi-los à Terra Prometida sem Moisés. Assim,</p><p>caíram em desespero; precisavam de um deus em que pudessem</p><p>confiar, que pudessem ver e sentir, como as divindades que haviam</p><p>adorado no Egito (Dt 32). Estêvão acertou em cheio quando disse:</p><p>“Em seu coração voltaram para o Egito” (At 7.39, NASB).</p><p>Os israelitas disseram a Arão: “Não sabemos o que aconteceu</p><p>com Moisés. Faça um Deus que nos conduza!”. Arão cedeu insen-</p><p>satamente e respondeu: “Deem-me seus brincos de ouro”. Talvez</p><p>ele temesse que os israelitas impacientes ficassem irados ou se</p><p>rebelassem contra ele. Talvez tenha racionalizado que um pouco</p><p>de idolatria seria melhor que rebelião e deserção totais. Ou talvez</p><p>estivesse preocupado com o paradeiro de Moisés e tenha concluído</p><p>que um pouco de ajuda de um deus mais tangível não seria má ideia.</p><p>De qualquer modo, derreteu as joias “e deu forma ao ouro com um</p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>cinzel, fazendo dele um bezerro” (Êx 32.4). Os israelitas ficaram</p><p>encantados de ter um deus visível, um deus no qual verdadeiramente</p><p>pudessem confiar. Exclamaram: “Ó Israel, aí está o teu deus, que te</p><p>tirou da terra do Egito” (Ex 32.4). Pense na ironia: Moisés estava no</p><p>monte recebendo a lei enquanto Arão e os israelitas confeccionavam</p><p>ídolos e proclamavam: “Aí está o deus que te tirou do Egito”.</p><p>Moisés voltou mais que depressa do monte quando Deus lhe fa</p><p>lou do povo e de suas festas. Em ira terrível, despedaçou as tábuas da</p><p>lei diante de todos, uma representação clara daquilo que já haviam</p><p>feito. Então, pegou o ídolo, “o [...] pecado, o bezerro [...] [queimou-o]</p><p>no fogo e o [esmigalhou], moendo-o bem, até que se desfez em pó,</p><p>o qual [jogou] no riacho que descia do monte” (Dt 9.21).</p><p>Considere as diferenças entre Moisés e Arão. Arão se preocupou</p><p>em agradar os israelitas, por isso cedeu ao desejo deles de ter um</p><p>deus que os protegesse e os conduzisse. Sem dúvida, se justificou com</p><p>considerações das dificuldades da liderança. Como Moisés, é prová</p><p>vel que tenha pensado em sua incapacidade de liderar um grupo tão</p><p>obstinado. Talvez tenha concluído que, embora suas ações fossem</p><p>erradas, eram desculpáveis. Seu desejo de popularidade entre os is</p><p>raelitas resultou em grande pecado e perda para muitos naquele dia.</p><p>Como Satanás conseguiu tentar Arão dessa forma? Ele não</p><p>havia acabado de testemunhar o grande poder e a providência de</p><p>Deus? Satanás usou o medo e o desejo de Arão. Assustou Arão com a</p><p>ideia de que o povo ficaria descontente e se rebelaria; atraiu-o com</p><p>a ideia do prazer de ter popularidade, de ser um líder forte.</p><p>Moisés, que havia acabado de passar quarenta dias desfrutando</p><p>a presença de Deus, não pôde ser tentado depois disso com medo ou</p><p>prazer algum, pois conhecia a verdadeira alegria da comunhão com</p><p>Deus e, por isso, esmigalhou o ídolo e o transformou em pó.</p><p>Espero que, a esta altura, você tenha começado a identificar os</p><p>pensamentos e desejos que desempenham a função de ídolos em seu</p><p>coração. Embora possam parecer santos, talvez o lugar de proeminência</p><p>< I 98></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>que ocupam em suas afeições os tenha tornado idólatras. Talvez façam</p><p>parte da ordem criada por Deus, mas tenham sido distorcidos de algum</p><p>modo; talvez o mundo tenha lhe dito que você não pode ser feliz sem</p><p>eles; ou talvez, como Arão, você tenha se assustado ou sido atraído pela</p><p>ideia de que um pouco de idolatria, apenas nesse caso, é aceitável. De</p><p>onde quer que esses pensamentos e desejos tenham vindo, se tomaram</p><p>o lugar de Deus em sua vida, precisam ser eliminados.</p><p>Além de identificar sua falsa adoração e vigiar a esse respeito, é</p><p>preciso também identificar palavras e atos específicos que represen</p><p>tem padrões recorrentes de pecado resultantes da idolatria em seu</p><p>coração. Talvez você seja tentado a fofocar, a falar mal, a ser desonesto</p><p>ou a ficar amuado. Talvez se torne temeroso ou preocupado e se feche</p><p>para outros. Ou talvez se entregue a pecados da carne, como a gula,</p><p>a embriaguez ou a imoralidade sexual. Esses padrões recorrentes de</p><p>pecado são resultado natural da lei dos aspirais descendentes da ido</p><p>latria. A idolatria nunca fica sozinha por muito tempo; sempre gera</p><p>cada vez mais pecados. Ao identificar essas recorrências por meio de</p><p>oração e de esforço diligente você deve procurar eliminá-las.</p><p>Deixe-me mostrar como você pode fazê-lo. A figura 11.1 é um</p><p>formulário que preenchi com base no problema com minha amiga,</p><p>do qual falei no capítulo anterior. (No Apêndice A você encontrará</p><p>uma versão em branco desse formulário para copiar e usar.) Abaixo,</p><p>estão quatro perguntas que respondi para entender melhor os resul</p><p>tados pecaminosos de idolatrar a opinião de minha amiga.</p><p>1. O quê ou quem eu estava adorando? A opinião de minha amiga e</p><p>minha justiça própria.</p><p>2. O que eu desejei mais do que ser santa? Desejei que minha amiga</p><p>tivesse uma opinião favorável a meu respeito. Desejei ouvir suas</p><p>palavras de elogio.</p><p>3. Que mandamentos específicos desconsiderei? O primeiro manda</p><p>mento: “Não terás outros deuses além de mim” (Ex 20.3); O</p><p>< 19 9 ></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>segundo grande mandamento, pois não amei minha amiga da</p><p>mesma forma que amei a mim mesma? Pensei mal dela, em</p><p>desobediência a Marcos 12.31; falei mal dela para outros, em de</p><p>sobediência a lTimóteo 3.11; preocupei-me, em desobediência</p><p>a Filipenses 4.6; tive raiva pecaminosa e, portanto, desconsiderei</p><p>Provérbios 29.8 e Tiago 1.19,20.</p><p>4. De que pecados específicos preciso me despir? De que devo me revestir?</p><p>Preciso me despir da idolatria, do amor egocêntrico, da justiça</p><p>própria, da falta de amor, da fofoca e da autocomplacência. Preciso</p><p>me revestir da adoração a Deus, do amor, de palavras corretas, de</p><p>humildade, de autocontrole e da confrontação apropriada.</p><p>Pense na circunstância que você considerou no capítulo anterior</p><p>ou escolha uma situação nova. Quais foram suas palavras e ações?</p><p>Você bateu a porta ou correu para a geladeira? Foi para o telefone</p><p>e procurou a solidariedade de um amigo? A cada ocorrência de um</p><p>pensamento, de uma palavra ou de um ato pecaminoso, é necessário</p><p>pedir graça de Deus para levá-lo ao arrependimento enquanto você</p><p>procura mortificar comportamentos pecaminosos ou despir-se deles</p><p>e revestir-se de comportamentos piedosos.</p><p>Como devemos tratar os ídolos que encontramos em nosso co</p><p>ração? E assustador imaginar que, se lhes permitirmos exercer poder</p><p>em uma área pequena e aparentemente sem importância, sua influ</p><p>ência e força crescerão até que ameacem encobrir nosso amor por</p><p>Deus. Como Paulo diz, pelo poder do Espírito devemos mortificar</p><p>as práticas da carne (Rm 8.13). Devemos matá-las. Devemos quei</p><p>má-las no fogo e depois pulverizá-las. Não podemos nos aconchegar</p><p>com elas nem imaginar que somos capazes de usá-las para nos ajudar</p><p>a sobreviver enquanto colocamos em ordem nossa vida espiritual.</p><p>São poderosas demais para brincarmos com elas. Provérbios per</p><p>gunta: “Pode alguém colocar fogo no peito sem queimar a roupa?”.</p><p><200></p><p>Fi</p><p>gu</p><p>ra</p><p>1</p><p>1.1</p><p>. C</p><p>om</p><p>o</p><p>id</p><p>en</p><p>tif</p><p>ic</p><p>ar</p><p>p</p><p>ad</p><p>rõ</p><p>es</p><p>p</p><p>ec</p><p>am</p><p>in</p><p>os</p><p>os</p><p>e</p><p>fa</p><p>ls</p><p>os</p><p>d</p><p>eu</p><p>se</p><p>s</p><p>< 2 0 I></p><p>M</p><p>an</p><p>hã</p><p>Ta</p><p>rd</p><p>e</p><p>N</p><p>oi</p><p>te</p><p>Se</p><p>gu</p><p>nd</p><p>a-</p><p>Fe</p><p>ira</p><p>Co</p><p>m</p><p>ra</p><p>iv</p><p>a</p><p>da</p><p>a</p><p>m</p><p>ig</p><p>a</p><p>po</p><p>rq</p><p>ue</p><p>e</p><p>la</p><p>m</p><p>e</p><p>cr</p><p>iti</p><p>co</p><p>u.</p><p>Fa</p><p>lei</p><p>c</p><p>om</p><p>o</p><p>ut</p><p>ro</p><p>s</p><p>am</p><p>ig</p><p>os</p><p>a</p><p>r</p><p>es</p><p>pe</p><p>ito</p><p>d</p><p>a</p><p>in</p><p>gr</p><p>at</p><p>id</p><p>ão</p><p>e</p><p>ig</p><p>no</p><p>râ</p><p>nc</p><p>ia</p><p>d</p><p>el</p><p>a.</p><p>Pe</p><p>ns</p><p>am</p><p>en</p><p>to</p><p>s</p><p>pe</p><p>rs</p><p>is</p><p>te</p><p>nt</p><p>es</p><p>a</p><p>re</p><p>sp</p><p>ei</p><p>to</p><p>da</p><p>s</p><p>pa</p><p>la</p><p>vr</p><p>as</p><p>d</p><p>el</p><p>a</p><p>fo</p><p>ra</p><p>m</p><p>a</p><p>ú</p><p>lti</p><p>m</p><p>a</p><p>co</p><p>isa</p><p>e</p><p>m</p><p>m</p><p>in</p><p>ha</p><p>m</p><p>en</p><p>te</p><p>a</p><p>nt</p><p>es</p><p>d</p><p>e</p><p>pe</p><p>ga</p><p>r n</p><p>o</p><p>so</p><p>no</p><p>.</p><p>Te</p><p>rç</p><p>a-</p><p>Fe</p><p>ira</p><p>Pr</p><p>eo</p><p>cu</p><p>pa</p><p>da</p><p>p</p><p>or</p><p>qu</p><p>e</p><p>el</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>en</p><p>tro</p><p>u</p><p>m</p><p>ai</p><p>s</p><p>em</p><p>c</p><p>on</p><p>ta</p><p>to</p><p>. 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L</p><p>em</p><p>br</p><p>ei</p><p>-m</p><p>e</p><p>de</p><p>to</p><p>da</p><p>s</p><p>as</p><p>o</p><p>ca</p><p>siõ</p><p>es</p><p>em</p><p>q</p><p>ue</p><p>e</p><p>la</p><p>m</p><p>e</p><p>cr</p><p>iti</p><p>co</p><p>u</p><p>no</p><p>p</p><p>as</p><p>sa</p><p>do</p><p>.</p><p>Sá</p><p>ba</p><p>do</p><p>D</p><p>om</p><p>in</p><p>go</p><p>To</p><p>rc</p><p>i p</p><p>ar</p><p>a</p><p>nã</p><p>o</p><p>te</p><p>r d</p><p>e</p><p>fa</p><p>la</p><p>r</p><p>co</p><p>m</p><p>e</p><p>la</p><p>n</p><p>a</p><p>ig</p><p>re</p><p>ja</p><p>. S</p><p>aí</p><p>às</p><p>pr</p><p>es</p><p>sa</p><p>s</p><p>e</p><p>ba</p><p>ti</p><p>co</p><p>m</p><p>fo</p><p>rç</p><p>a</p><p>a</p><p>po</p><p>rta</p><p>d</p><p>o</p><p>ca</p><p>rro</p><p>.</p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>ÍDOLOS «£ CORAÇÃO</p><p>CONFISSÃO E ARREPENDIMENTO</p><p>Como se mata um ídolo? Se conseguíssemos enxergar os ídolos,</p><p>se eles fossem peças sólidas de prata ou de ouro, saberiamos o que</p><p>fazer. Pegaríamos todos eles e os atiraríamos da janela mais pró</p><p>xima. Esses ídolos, porém, existem em nossos pensamentos e em</p><p>nossas fantasias. Sabemos que estão lá porque produzem palavras e</p><p>comportamentos pecaminosos. Como nos livrar de algo que parece</p><p>intrínseco a quem somos? O que nos dá ânimo é o fato de que o</p><p>Espírito de Deus, que sonda corações, está sempre operando para</p><p>nos iluminar e nos capacitar.</p><p>O ataque à idolatria e aos comportamentos pecaminosos que</p><p>fluem dela deve começar em várias frentes. A primeira batalha será</p><p>travada no campo da oração. Confissão e arrependimento sinceros</p><p>e contínuos, conduzidos pelo Espírito, são as únicas armas que po</p><p>dem enfraquecer as fortalezas ocupadas por nossos pensamentos e</p><p>desejos idólatras.</p><p>Meu marido e eu temos grande interesse pela Guerra de</p><p>Secessão. Quando viajamos, gostamos de descobrir e visitar campos</p><p>de batalha. Para nós, um dos mais emocionantes e fascinantes fica</p><p>em Gettysburg, no estado da Pensilvânia. Talvez gostemos tanto de</p><p>lá porque, numa das vezes em que visitamos o local, tivemos o pri</p><p>vilégio de chegar em 5 de julho e ver a reconstituição do ataque das</p><p>tropas comandadas pelo major general George Pickett, subordinado</p><p>ao general Lee. Essa batalha foi particularmente importante porque,</p><p>até aquela data, no terceiro dia de combate, tudo apontava para uma</p><p>vitória do exército confederado. No entanto, o general Robert E.</p><p>Lee subestimou a força de seu adversário e ordenou um audacioso</p><p>ataque em campo aberto contra a parte da linha inimiga que parecia</p><p>mais fraca. No entanto, o ataque foi um desastre. Uma vez que o</p><p>general da União, George Meade, ocupava o terreno mais eleva</p><p>do e tinha seus soldados bem entrincheirados, não fez diferença</p><p><202></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>milhares de homens terem atacado com todo o empenho e coragem.</p><p>O exército do norte não recuou. Em 45 minutos, seis mil homens</p><p>perderam a vida, enquanto ondas sucessivas de soldados do sul cor</p><p>riam em direção a um pequeno bosque, tentando encontrar o ponto</p><p>fraco nas defesas do norte. Eles caíram diante do fogo de canhões e</p><p>fuzis antes de chegarem à frente inimiga. Naquele dia, o general Lee</p><p>cometeu um erro fatal: subestimou a força de seu inimigo e recebeu</p><p>informações equivocadas a respeito de suas chances de vitória.</p><p>A súplica que humilha o coração</p><p>O general Lee tinha convicção de que suas tropas eram fortes o</p><p>suficiente para derrotar o inimigo naquele dia. Ele era um homem</p><p>corajoso, disposto a correr os riscos necessários diante da possibilidade</p><p>de mudar o rumo da guerra naquele campo de batalha fatídico. Não</p><p>lhe faltavam comprometimento e bravura. O que lhe faltaram foram</p><p>informações corretas a respeito da força e das táticas de seu inimigo.</p><p>Por causa de seu erro, muitos homens pagaram naquele dia o que</p><p>Abraham Lincoln chamou de “a última medida cheia de sua devoção”.</p><p>A história do ataque de Pickett é significativa porque, em certos</p><p>aspectos, assemelha-se ao que acontece quando tentamos mudar sem</p><p>primeiro usar a arma da súplica que humilha o coração. Podemos</p><p>lançar contra nossos inimigos entrincheirados todos os nossos li</p><p>vros de autoajuda, todas as nossas boas intenções e todas as nossas</p><p>resoluções, mas acabaremos cobertos de sangue e desanimados, e</p><p>bateremos em retirada. Somente o poder do Espírito é capaz de nos</p><p>ajudar a entender as forças de nosso inimigo e a encontrar sabedoria</p><p>para derrubar e destruir nossos ídolos. O Espírito socorre aqueles</p><p>que se humilham, reconhecem sua absoluta impotência e, em seu</p><p>desespero, clamam por ajuda.</p><p>A confissão de nossa necessidade e de nosso pecado humilha</p><p>o coração naturalmente arrogante. Embora seja difícil humilhar-se,</p><p><203></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>lembre-se de que “Deus se opõe aos arrogantes, mas dá graça aos</p><p>humildes” (lPe 5.5). Quando me coloco diante de Deus com orgu</p><p>lho presunçoso, não estou buscando forças nele. Preciso reconhecer</p><p>que Satanás, meu inimigo, é forte e está bem entrincheirado e que,</p><p>sem o auxílio do Espírito, cairei como caíram os soldados de George</p><p>Pickett. Não importa quanta força de vontade eu tenha ou o quanto</p><p>eu imagine que me tornei resistente; sem o Espírito, estou con</p><p>denado a fracassar. Somente quando eu entender minha carência</p><p>absoluta é que o poder divino se fará presente para me socorrer e</p><p>me transformar.</p><p>Adotar uma atitude de humilde confissão abre a comporta para</p><p>liberar torrentes de graça sobre mim. Sei que Deus me concederá</p><p>ajuda quando eu me curvar diante dele e confessar que, sem a graça</p><p>divina, sou incorrigível e impotente. Nas palavras de Agostinho,</p><p>“aquele que ocultar suas transgressões não prosperará, mas aquele</p><p>que as confessar e as renunciar encontrará compaixão. A confissão</p><p>fecha a boca do inferno e abre as portas do paraíso”.1</p><p>Augustine, citado em Thomas Watson, The doctrine of repentance (Carlisle:</p><p>Banner of Truth Trust, 1994), p. 34.</p><p>Pense na reação de Raquel quando foi confrontada com o furto</p><p>dos ídolos de seu pai. Ela confessou seu pecado? Não, tentou en-</p><p>cobri-lo (Gn 31.34). Agora, pense no contraste com a confissão</p><p>de Davi: “Pequei contra ti, e contra ti somente, e fiz o que é mau</p><p>diante dos teus olhos; por isso tua sentença é justa, e teu julgamento</p><p>é puro” (SI 51.4). A verdadeira confissão não inventa justificativas</p><p>nem tenta encobrir a culpa. Confessamos nosso pecado porque ele</p><p>é uma afronta ao Deus santo. Ao confessar, dizemos que concorda</p><p>mos com o parecer de Deus acerca de nosso comportamento. Sua</p><p>avaliação de nossa conduta é correta e santa. E preciso que você</p><p>primeiro se veja como pecador para depois experimentar o consolo</p><p>de um Salvador. *</p><p><204></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>Como você deve confessar seus pecados? Da maneira mais exata</p><p>possível. Voltando à circunstância da qual tratei, eu poderia dizer: “Pai,</p><p>eu te peço em nome Jesus que perdoes meu pecado. Perdoa-me por</p><p>ter outro deus diante de ti. Perdoa-me por desejar a opinião favorável</p><p>de Jane, e não a tua, por desconsiderar a grande alegria da comunhão</p><p>desimpedida contigo. Perdoa-me por falar mal de minha amiga, por</p><p>minha raiva pecaminosa, preocupação e hipocrisia”. A confissão deve</p><p>incluir não apenas o comportamento exterior pecaminoso, mas tam</p><p>bém os desejos e os pensamentos que instigam esse comportamento.</p><p>Quando o Pai vê meu coração humilhado diante dele, enche-se sem</p><p>pre de grande compaixão e já prometeu perdoar meu pecado.</p><p>Graças às boas-novas do evangelho, posso descansar no fato de</p><p>que os braços de meu Pai estão sempre abertos para mim, e seu</p><p>coração está sempre disposto a amar e perdoar. Como parte de mi</p><p>nha confissão, posso reconhecer que, à medida que</p><p>esse pecado me</p><p>mostrou mais uma vez o quanto preciso de um Salvador e o quanto</p><p>recebi em Cristo, ele foi um bem. Não que pecar em si seja bom,</p><p>mas ao perceber o que fiz e me arrepender, até mesmo meu pecado,</p><p>embora abominável, inspirará gratidão e amor sincero pelo Pai que</p><p>nunca me abandonará.</p><p>Arrependimento fervoroso</p><p>A confissão é seguida de arrependimento. O arrependimento é uma</p><p>graça do Espírito de Deus por meio da qual nós, pecadores, somos</p><p>interiormente humilhados e visivelmente reformados. O verdadeiro</p><p>arrependimento inclui odiar o pecado, renunciá-lo e abrir mão de</p><p>todos os projetos para nossa própria salvação. Ao olhar dentro de</p><p>meu coração vejo que, embora deseje renunciar o pecado, com fre</p><p>quência não é porque eu o odeio. Geralmente se deve ao fato de ele</p><p>ser constrangedor ou incômodo. Anseio desenvolver um coração que</p><p>arda com verdadeiro arrependimento e, para isso, preciso suplicar ao</p><p><205></p><p>ÍDOLOS CORAÇÃO</p><p>Pai que me conceda genuína aversão a meu pecado. Somente ao</p><p>odiar o pecado terei o desejo de lutar contra ele.</p><p>Ezequiel disse aos israelitas: “Convertei-vos e deixai os vossos</p><p>ídolos; desviai o rosto de todas as vossas abominações” (Ez 14.6). O</p><p>arrependimento não envolve apenas confissão, dizer “sinto muito”</p><p>ou “tudo bem, o Senhor está certo”. Revestir-se de arrependimento</p><p>implica o desejo de abandonar aquilo a que éramos leais e crer que</p><p>Deus continuará a nos amar ao longo do processo. Implica a crença</p><p>em seu amor incessante por nós e arrependimento por imaginar que</p><p>seu amor é como eu: incerto.</p><p>Nosso arrependimento nunca é perfeito, mas, se é sincero, Deus</p><p>o considera perfeito por amor a seu Filho.2 O arrependimento é</p><p>sincero quando entregamos a Deus nossos pensamentos, nossas</p><p>fantasias e nossos desejos mais preciosos e, como oferta ao Senhor,</p><p>procuramos nos afastar deles. Volto a dizer que esse arrependimento</p><p>jamais será perfeito, ou mesmo perfeitamente sincero, mas pela fé</p><p>devemos oferecer nossos desejos ao Pai que conhece nosso coração</p><p>e se lembra de que somos pó.</p><p>2“A perfeição é atributo divino; a nós cabe a sinceridade.” Richard Baxter, A</p><p>Christian directory (Morgan: Soli Deo Gloria, 1996), p. 67.</p><p>FOME E SEDE DE JUSTIÇA</p><p>Jesus nos ensinou a levar o pecado a sério. Aliás, ele nos ensinou que</p><p>devemos odiar o pecado a ponto de estarmos dispostos a sermos</p><p>privados daquilo que parece essencial para a vida. Na luta contra a</p><p>idolatria, você está pronto a arrancar seu olho direito ou cortar sua</p><p>mão direita? Quanta coisa está disposto a renunciar para servir a</p><p>Deus? Está pronto a pagar “a última medida cheia de devoção”? O</p><p>rei Davi declarou que não desejava sacrificar ao Senhor aquilo que</p><p>não lhe havia custado nada (2Sm 24.24).</p><p><206></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>Kay Arthur conta a história de um pastor chamado Hsi, que</p><p>conheceu a Cristo por intermédio do ministério de Hudson Taylor</p><p>na China. Hsi era viciado em ópio e, ao se converter, entendeu que</p><p>teria de abrir mão de seu vício. Depois de lutar durante vários dias</p><p>contra as tentações de Satanás, que incluíam o medo da dor ou da</p><p>morte e o prazer que apenas uma tragada de ópio proporciona</p><p>ria, Hsi disse: “‘Diabo, o que você pode fazer contra mim? Minha</p><p>vida está nas mãos de Deus. Estou verdadeiramente disposto a</p><p>abandonar o ópio e morrer, mas não estou disposto a continuar</p><p>em pecado e viver’. Em seus momentos de maior sofrimento, ele</p><p>gemia repetidamente em voz alta: ‘Ainda que eu morra, jamais o</p><p>tocarei novamente!’”.3 Você precisará revestir-se desse tipo de ar</p><p>rependimento a fim de começar a destruir seus ídolos. E uma luta</p><p>violenta, pois seus ídolos e os pecados que fluem deles lhe dão pra</p><p>zer — talvez tanto prazer quanto Hsi sentia com seu cachimbo de</p><p>ópio — e esses prazeres acalmam medos que encravaram as garras</p><p>profundamente em seu coração. Como Hsi, você precisa ser capaz</p><p>de dizer: “Talvez eu morra nesta luta, mas não estou disposto a</p><p>continuar a viver em pecado”.</p><p>3Kay Arthur, Lord, only you can change me (Sisters: Multnomah, 1995), p. 141.</p><p>Jesus falou a respeito desse tipo de desejo de santidade:</p><p>Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e joga-o fora</p><p>[...] se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e joga-a fora</p><p>(Mt 5.29,30).</p><p>Precisamos arrancar e lançar fora os pecados que nos são mais</p><p>queridos. Precisamos nos privar de todos os desejos mais encantado</p><p>res e vantajosos, por mais inofensivos que pareçam, se descobrirmos</p><p>que eles nos levam a adorar outros deuses e a pecar contra Deus.</p><p>Como Isaac Watts escreveu em 1707: “Todas as coisas vãs que mais</p><p><207></p><p>ÍDOLOS £CORAÇÃO</p><p>me encantam, sacrifico-as por meio do sangue dele”.4 Essas “coisas</p><p>vãs” são os prazeres aos quais temos mais apego e que se tornam</p><p>nossos deuses mais facilmente.</p><p>4Isaac Watts, When I survey the wondrous Cross, 1707.</p><p>De que você está disposto a abrir mão para se tornar santo?</p><p>Que pensamentos e desejos queridos você está pronto a depositar</p><p>sobre o altar da graça divina? O que você sacrificaria para conhecer</p><p>o Senhor, para ser conformado à sua imagem e para experimentar a</p><p>comunhão de seus sofrimentos?</p><p>SEUS DEUSES ENCANTADORES</p><p>Depois que confessamos nosso pecado e nossa idolatria e nos arre</p><p>pendemos deles, devemos nos afastar deles e procurar eliminá-los.</p><p>Como em todos os aspectos da santificação progressiva, somos ca</p><p>pazes de fazê-lo apenas pelo poder do Espírito Santo e pela fé na</p><p>graça do evangelho. Devemos nos afastar de nossa idolatria e pecado</p><p>mesmo que, no início, signifique nos interrompermos no meio de</p><p>uma ação. Mesmo que você tenha começado a fazer fofoca, pode</p><p>parar e dizer: “Eu não deveria estar falando dessa forma. Por favor</p><p>me perdoe” e depois mudar de assunto. Se você percebeu que exa</p><p>gerou algo ao relatar uma história, pode parar e dizer: “Por favor me</p><p>perdoe. Acabei de mentir para você, e não quero pecar contra Deus.</p><p>Na verdade, o que aconteceu foi...”.</p><p>Talvez você esteja pensando: “E constrangedor e doloroso de</p><p>mais fazer uma coisa dessas!”. Está vendo por que Jesus disse que</p><p>vencer os pecados que nos enredam é como arrancar um dos olhos</p><p>ou cortar fora uma das mãos?</p><p>Por vezes, para vencer a idolatria, teremos de fazer mudanças</p><p>no local de trabalho ou em nossos relacionamentos, cancelar car</p><p>tões de crédito ou desconectar a televisão ou a internet. Precisamos</p><p><208></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>nos guardar do início do pecado. Talvez tenhamos de mudar o</p><p>caminho que tomamos para voltar para casa, ou nos recusar a re</p><p>novar a anuidade para realizar uma atividade da qual gostamos.</p><p>Onde quer que notemos ídolos se desenvolvendo, teremos de nos</p><p>afastar não apenas do pecado, mas da ocasião para pecar. Também</p><p>nesse caso, não significa que alguns desses prazeres não sejam legí</p><p>timos. A questão não é sua legitimidade, mas se somos enredados</p><p>e atraídos por eles.5</p><p>5“Todas as coisas me são permitidas, mas nem todas são proveitosas. Todas</p><p>as coisas me são permitidas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”</p><p>(lCo 6.12). “Todas as coisas são permitidas, mas nem todas são proveitosas. Todas</p><p>as coisas são permitidas, mas nem todas são edificantes” (lCo 10.23).</p><p>Sozinho, você não tem capacidade de fazer nenhuma mudança</p><p>duradoura. O poder do Espírito Santo realiza essa transformação.</p><p>Por isso, Paulo disse que devemos mortificar os feitos da carne pelo</p><p>poder do Espírito Santo (Rm 8.13). Ele é o único que tem força</p><p>suficiente para nos afastar do pecado e nos aproximar de Deus.</p><p>REVESTIR-SE DE OBEDIÊNCIA</p><p>A santificação progressiva é um processo constituído de três par</p><p>tes: despir-se de algo, renovar a atitude por meio da crença nas</p><p>boas-novas e revestir-se de algo. Nossa adoração santa abrange</p><p>obediência e louvor sincero. Vimos anteriormente o que nos tenta</p><p>a adorar da forma como fazemos e como podemos destruir nossos</p><p>ídolos ao nos revestirmos de confissão e arrependimento. Agora,</p><p>refletiremos a respeito de como podemos nos revestir da adoração</p><p>santa que almejamos.</p><p>Sempre que a Bíblia fala de despir-se de uma atividade</p><p>peca</p><p>minosa, também diz o que devemos colocar em seu lugar. Na figura</p><p>11.2, você verá alguns exemplos simples que ilustram esse princípio.</p><p><209></p><p>ÍDOLOS &CORAÇÃO</p><p>Figura 11.2 — Exemplos das Escrituras do princípio</p><p>de revestir-se de.../despir-se de...</p><p>Despir-se de... Revestir-se de...</p><p>Raiva Humildade, comunicação e serviço</p><p>(Ef 4.26,31,32)</p><p>Medo Temor a Deus e amor ao próximo</p><p>(Lc 12.4,5; 1Jo 4.18)</p><p>Roubo Trabalho dedicado e contribuição (Ef 4.28)</p><p>Palavras grosseiras Palavras gentis, edificantes e cheias de graça</p><p>(Ef 4.29)</p><p>Preocupação Orações gratas e específicas e pensamentos</p><p>disciplinados (Fp 4.6-9)</p><p>Na nota de rodapé há uma lista de referências que você pode</p><p>usar para descobrir de quais outras ações deve revestir-se.6</p><p>6Eis uma lista parcial de ordens expressas para revestir-se/despir-se de...</p><p>adultério (Pv 5.15-23); raiva (Ef 4.26-32); mudança de comportamento (Rm 6;</p><p>12; 13.14; G1 5.19-23; lPe 2.11,12); depressão (SI 32; 38; 51); embriaguez (Ef</p><p>5.18); palavras maldosas (Ef 4.25-32); inveja (Tg 3.13-18); medo (Mt 10.26-31;</p><p>ljo 4.18); amor (ICo 13; Cl 3.5-17); mentira (Ef 4.25); renúncia (Lc 9.23,24);</p><p>provações (Tg 1); preocupação (Mt 6.25-34; Fp 4.6-9).</p><p>Deixe-me ilustrar esse processo com um exemplo. Maria era</p><p>uma mulher que lutava contra muitos medos, sendo o maior deles</p><p>o medo de dirigir. Embora suas duas filhas precisassem que ela as</p><p>levasse para atividades esportivas e sociais depois da escola, Maria se</p><p>recusava a dirigir na autoestrada e ia bem devagar. Por causa disso, as</p><p>filhas sempre chegavam atrasadas e, muitas vezes, não conseguiam</p><p><2I0></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>participar de jogos e outras atividades. Maria sabia que seu medo era</p><p>errado, mas não sabia por que, nem tinha ideia de como vencê-lo.</p><p>Figura 11.3 — Exemplos específicos do princípio</p><p>de revestir-se de.../despir-se de...</p><p>Despir-se de... Pensamentos</p><p>renovados</p><p>Revestir-se de... Ações</p><p>específicas</p><p>Medo</p><p>de dirigir</p><p>causado por</p><p>fantasias</p><p>pecaminosas</p><p>e pelo desejo</p><p>de se proteger.</p><p>Meditação</p><p>na promessa</p><p>divina de</p><p>protegê-la</p><p>e guardá-</p><p>la. Desejo</p><p>de agradar</p><p>a Deus e</p><p>glorificá-lo.</p><p>Arrependimento</p><p>e confissão.</p><p>Amor fiel a Deus</p><p>e a suas filhas</p><p>que sobrepuja</p><p>seu medo de</p><p>calamidades.</p><p>Louvor e</p><p>adoração.</p><p>Experiências</p><p>gradativas</p><p>de dirigir na</p><p>autoestrada.</p><p>Ocupar os</p><p>pensamentos</p><p>com a bondade</p><p>de Deus,</p><p>ouvindo cânticos</p><p>de adoração</p><p>enquanto dirige.</p><p>Maria deu o primeiro passo de santificação progressiva nessa</p><p>área quando entendeu que seus temores eram pecaminosos. Ela ha</p><p>via permitido que suas fantasias enchessem seu coração com idéias</p><p>de calamidade. Não estava mantendo os pensamentos voltados para</p><p>a bondade e o amor de Deus por ela. Esse medo ocupava um lugar</p><p>importante dentro dela, pois seu coração era governado pelo desejo</p><p>de se proteger. Ela confessou ao Senhor seu medo e seu desejo pe</p><p>caminoso de se proteger. Começou a renovar sua mente por meio</p><p>do estudo de passagens das Escrituras a respeito do cuidado paterno</p><p>de Deus, de suas promessas de guardá-la e amá-la graças à obra</p><p>realizada por Cristo em favor dela. Mas não era suficiente. Maria</p><p><211></p><p>ÍDOLOS^ CORAÇÃO</p><p>precisava começar a revestir-se de ações piedosas. Ao estudar ljoão</p><p>4.8, “o perfeito amor elimina o medo” e descobrir que, graças à sal</p><p>vação bondosa de Deus ela não precisava temer castigo nem morte,</p><p>ela começou a entender que precisava amar suas filhas mais do que</p><p>temia acidentes. Esse amor lhe daria poder para vencer o medo. Por</p><p>amor às filhas, ela começou a percorrer trechos curtos da autoestrada</p><p>enquanto enchia a mente com cânticos de louvor ao amor de Deus.</p><p>Com o passar do tempo, conseguiu percorrer distâncias cada vez</p><p>mais longas e descobriu que, embora fosse difícil dirigir, era apenas</p><p>mais uma oportunidade de se regozijar na bondade de Deus.</p><p>Esse processo pode parecer simples, mas não é simplista. E tão</p><p>simples que pode ser aprendido por crianças, mas é tão profundo,</p><p>que Deus o emprega para transformar o coração. Enquanto você</p><p>passa por essas etapas, lembre-se de que se trata apenas de um pro</p><p>cesso, e nada mais. Fique à vontade para voltar às listas de despir-se</p><p>de... e revestir-se de... na figura 11.2 (e na nota 6) ou estude mais a</p><p>esse respeito por sua própria conta.7</p><p>7As seguintes obras trazem explicações mais detalhadas desse processo de san</p><p>tificação e exemplos específicos de revestir-se de... e despir-se de...-. Jay E. Adams, lhe</p><p>Christian counselors manual (Zondervan) [edição em português: Manual do conselheiro</p><p>cristão, tradução de João Bentes (São José dos Campos: Fiel, c. 2006)]; lhe Christian cou</p><p>nselors New Testament (Timeless Texts), Competent to counsel (Zondervan) [edição em</p><p>português: Conselheiro capaz, tradução de Odayr Olivetti (São José dos Campos: Fiel,</p><p>2008)]; Wayne Mack,y4 homework manual for biblical living:personal and interpersonal</p><p>problems eA homework manualfor biblical counseling:family and marital problems (P&R);</p><p>John MacArthur; Wayne Mack, Introduction to biblical counseling (W Publishing). A</p><p>organização Christian Counseling and Educational Foundation tem vários livretos</p><p>excelentes, disponíveis pela editora P&R Publishing ou em www.ccef.org</p><p>NÃO DESISTA</p><p>Nesse processo de santificação, teremos de resistir ao desejo de</p><p>desistir e de nos sentirmos arrasados ou de cairmos em desespero</p><p>ao vermos nosso pecado. Reconheça que a bondade de Deus nos</p><p><2I2></p><p>http://www.ccef.org</p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>conduz ao arrependimento. Se Deus, em sua bondade, nos mostrou</p><p>nosso pecado, seu amor é forte o suficiente para nos transformar e</p><p>continuar a operar em nós, apesar do fato de que parecemos ser uma</p><p>presa tão fácil para os desejos pecaminosos. Como disse um puritano:</p><p>“Acaso pecados perdoados nos afastarão daquele que os perdoa?”.8</p><p>8Richard Baxter, A Christian directory (Morgan: Soli Deo Gloria, 1996), p. 66.</p><p>’Ibidem, p. 90.</p><p>Embora a batalha pareça ser difícil (e é), você precisa se perguntar:</p><p>“Humilhação, confissão, restituição, mortificação e diligência santa são</p><p>piores que o inferno?”.9 E isso que está em jogo em nossa luta. Mesmo</p><p>diante de nosso contínuo fracasso, podemos ter esperança de que “o</p><p>Senhor também sabe livrar da provação os piedosos” (2Pe 2.9). Deus</p><p>sabe como ajudá-lo. O Senhor Jesus foi adiante de você. Ele comprou</p><p>sua liberdade, purificou seu coração e sua consciência, deu-lhe poder</p><p>do Espírito Santo e guarda sua alma em segurança na mão dele. Ele</p><p>pode livrá-lo de seu pecado. Descanse e alegre-se nele.</p><p>Nessa graça imensa que nos foi concedida, ainda é nossa res</p><p>ponsabilidade buscar diligentemente a direção do Espírito Santo</p><p>e lançar mão de todos os meios da graça, especialmente dos sacra</p><p>mentos e da Palavra pregada. Precisamos concentrar nossas energias</p><p>na luta contra o pecado.</p><p>QUE NÃO COBICEMOS AS COISAS MÁS</p><p>Paulo ensinou aos coríntios que a história registrada em Êxodo não</p><p>é apenas uma narrativa interessante. Ele escreveu:</p><p>Essas coisas aconteceram como exemplo para nós, a fim de que</p><p>não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos tor</p><p>neis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo</p><p>assentou-se para comer e beber, e levantou-se para se divertir [...].</p><p>Portanto, meus amados, fugi da idolatria (ICo 10.6,7,14).</p><p><2I3></p><p>ÍDOLOS£CORAÇÃO</p><p>Ao refletir sobre a idolatria de Israel, Paulo discerniu que todos</p><p>os filhos de Deus, de todas as épocas, têm a propensão de afastar seu</p><p>coração do Senhor. Ele desejava que aprendéssemos com o pecado</p><p>de Israel, que meditássemos a seu respeito profimdamente e víssemos</p><p>o quanto somos parecidos com os israelitas. Ele entendeu que “os</p><p>homens precisam de um objeto [de adoração] e, quando se afastam</p><p>do Deus verdadeiro, almejam de imediato um deus falso”.10 E abso</p><p>lutamente essencial mantermos nosso coração firmado em Cristo e</p><p>reconhecermos que, embora ele esteja ausente de nós aqui na terra,</p><p>nosso Pai está nos guardando, protegendo, perdoando e conduzindo.</p><p>10Arthur W. Pink, Gleanings in Exodus (Chicago:</p><p>Moody, 1972), p. 316.</p><p>Infelizmente, em várias ocasiões ouvi mulheres cristãs dizerem:</p><p>“Eu sei que Jesus está aqui comigo [...] mas preciso de algo mais.</p><p>Preciso de um deus de carne e osso, que eu possa sentir”. Entendo</p><p>como é difícil e penoso, às vezes, viver pela fé, à espera de Jesus</p><p>Cristo, nosso Marido celeste. Porém, quando ouço esses comentá</p><p>rios, fico muito triste. Logo me vem à memória a idolatria ao pé do</p><p>monte, milhares de anos atrás.</p><p>Em Horebe, fizeram um bezerro</p><p>e adoraram uma imagem de fundição.</p><p>Assim trocaram sua glória pela imagem de um boi que come capim.</p><p>Esqueceram-se de Deus, seu Salvador,</p><p>que havia feito grandes coisas no Egito,</p><p>maravilhas na terra de Cam,</p><p>coisas tremendas junto ao mar Vermelho.</p><p>Ele havia decidido destruí-los,</p><p>mas Moisés, seu escolhido, intercedeu diante dele,</p><p>para evitar sua ira, de modo que não os destruísse (SI 106.19-23).</p><p>Moisés ordenou a todos os que estavam do lado do Senhor</p><p>que matassem seus vizinhos idólatras. Esse é o grau de seriedade</p><p><2I4></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>da questão da idolatria: você deve estar disposto a aniquilá-la em</p><p>seu coração. Foram os pecados da idolatria, da salvação e justifica</p><p>ção próprias e da incredulidade que mataram seu Salvador na cruz</p><p>romana. E preciso olhar com desprezo para “as coisas vãs que mais</p><p>[o] encantam” e empunhar a espada do Espírito. E preciso reves</p><p>tir-se diariamente da crença na bondade de Deus e, diante dessa</p><p>verdade, ter uma atitude de confissão e arrependimento e o desejo</p><p>de obedecer.</p><p>Você se esqueceu da bondade de seu Salvador? Esqueceu-se de</p><p>que ele fez grandes coisas ao livrá-lo das mãos de seu inimigo? Em</p><p>caso afirmativo, corra para seu bondoso Intercessor, Jesus Cristo, que</p><p>está na brecha diante de seu Pai, aquele que desviou de você a ira</p><p>divina. Pela fé, você é capaz de lidar com a idolatria presente em sua</p><p>vida — pelo poder de Cristo e em nome dele, poderá destruir seus</p><p>ídolos e lançar fora seus falsos deuses. E, a propósito, você tem um</p><p>deus de carne e osso. O nome dele é Jesus, o Filho Encarnado.</p><p>1. Thomas Watson escreveu: “Em Adão, todos nós naufragamos</p><p>e, uma vez afundado o navio, o arrependimento é a única tábua</p><p>que nos resta para nadar até o céu”.11 Em sua opinião, o que</p><p>Watson quis dizer?</p><p>“Ibidem, p. 13.</p><p>2. Que passos precisamos dar para nos despir de nosso pecado e</p><p>nos revestir de santidade?</p><p>3. Escreva uma oração de humilde confissão.</p><p>4. Por que a confissão é tão importante? *</p><p><21 5></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>5. Que passos específicos você precisa dar para se arrepender de</p><p>sua idolatria?</p><p>6. Você tem consciência de quais medidas precisa tomar a fim de</p><p>arrancar um dos olhos ou cortar fora uma das mãos? Que me</p><p>didas são essas? O quanto é importante para você crescer em</p><p>santidade? O que você está disposto a sacrificar?</p><p>7. De que maneira a lembrança do amor imutável de Deus por</p><p>você em Cristo lhe dá coragem e fé para continuar a confessar</p><p>e arrepender-se? De que maneira o evangelho o capacita a ser</p><p>transparente e humilde?</p><p>8. Depois de refletir sobre um pecado constante específico, preencha</p><p>o quadro abaixo. Se você não sabe de que ações deve “se revestir”,</p><p>consulte a nota 6.</p><p>Figura 11.4 - Folha de exercício pessoal para revestir-se de... e despir=se de...</p><p>Despir-se</p><p>de...</p><p>Pensamentos</p><p>renovados</p><p>Revestir-se</p><p>de...</p><p>Ações</p><p>específicas</p><p><2I6></p><p>DESTRUINDO SEUS FALSOS DEUSES</p><p>9. Alguns cristãos ensinam que o arrependimento e a confissão</p><p>devem ocorrer apenas como primeiro passo na regeneração.</p><p>Tertuliano, um dos pais da igreja, afirmava que havia nascido</p><p>com o único propósito de arrepender-se. Qual é sua opinião?</p><p>Por quê?</p><p><21 7></p><p>12</p><p>TENDO PRAZER</p><p>EM DEUS</p><p>Um ato de adoração é vão e fótil</p><p>quando não vem do coração.1</p><p>Quando Davi levou para Jerusalém a arca de Deus que havia sido</p><p>tomada pelos filisteus, ele o fez com grande fervor e alegria. Embora</p><p>a primeira tentativa tenha acabado em tragédia, com a morte de seu</p><p>amigo (2Sm 6.5-7), Davi não se continha de tanta felicidade com a</p><p>ideia da volta da presença de Deus a Israel:</p><p>E Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor [...]</p><p>Assim Davi e toda a casa de Israel subiam trazendo a arca do</p><p>Senhor com júbilo e ao som de trombetas [...] quando [Mical] viu</p><p>o rei Davi saltando e dançando diante do Senhor, ela o desprezou</p><p>no seu coração (2Sm 6.14-16).</p><p>O rei Davi, um homem segundo o coração de Deus (ISm</p><p>13.14), dançou diante do Senhor de todo coração. Era precioso para</p><p>ele estar próximo da presença de Deus, e ele demonstrou sua grande</p><p>alegria por meio de suas ações. Estava cheio “das expressões mais</p><p>intensas possíveis de alegria: dançou diante do Senhor com todas as</p><p>suas forças; saltou de alegria [...] Era uma expressão natural de seu</p><p>John Piper, Desiring God: meditations of a Christian hedonist (Sisters:</p><p>Multnomah, 1996), p. 79 [edição em português: Em busca de Deus: a plenitude da</p><p>alegria crista (São Paulo: Shedd, 2008)].</p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>grande regozijo e da exultação de sua mente”.2 Davi estava cheio de</p><p>alegria e prazer porque ele e sua nação voltariam a experimentar a</p><p>proximidade de Deus.</p><p>Pouco tempo atrás, alguém me lembrou da profecia de Malaquias</p><p>para aqueles que temessem o nome de Deus (isto é, o adorassem e</p><p>tivessem reverência por ele). O profeta disse: “Vos saireis e saltareis</p><p>como bezerros soltos no curral” (Ml 4.2). Sempre morei na cidade,</p><p>portanto nunca vi bezerros saltando. Minha cachorrinha da raça</p><p>lhasa apso, porém, tem esse comportamento. Quando a soltamos</p><p>depois de passar um dia inteiro dentro de casa, ela corre pelo quintal</p><p>a toda velocidade. Parece tão feliz de sair, que suas pernas se enchem</p><p>de energia e ela dá voltas e voltas.</p><p>Você alguma vez foi movido pela glória de Deus — por sua bon</p><p>dade, santidade, gentileza e misericórdia — a ponto de seu coração</p><p>explodir em louvor? Pode imaginar-se enlevado de tal modo pela</p><p>majestade de Deus, a ponto de ter vontade de dançar? Davi sabia</p><p>como era “[saltar] como bezerros soltos no curral”.</p><p>Qual foi a última vez em que seu coração ficou “cheio de ações</p><p>de graças” (Cl 2.7)? O termo traduzido por cheio em Colossenses</p><p>significa algo que vai além do esperado, transbordante! Como seria</p><p>irromper em louvor fervoroso, e por que não o fazemos? Em resposta</p><p>a essa pergunta, A. W. Tozer escreve:</p><p>O cristianismo ortodoxo caiu a este nível tão baixo por causa da</p><p>falta de desejo espiritual. Entre os muitos que professam a fé cristã,</p><p>mal existe um para cada mil com sede intensa de Deus [...].Temos</p><p>medo dos extremos e nos afastamos de manifestações muito ardo</p><p>rosas na religião, como se fosse possível ter excesso de amor, excesso</p><p>de fé ou excesso de santidade [...] [Se você] se render à frigidez</p><p>de seu ambiente espiritual [...] chegará, por fim (e sem saber), ao</p><p>^Matthew Henry's commentary on the whole Bible: new modern edition, banco de</p><p>dados eletrônico (Peabody: Hendrickson, 1991).</p><p><220></p><p>TENDO PRAZER EM DEUS</p><p>cemitério da ortodoxia, e será condenado a viver seus dias em um</p><p>estado espiritual que pode ser descrito de modo mais preciso como</p><p>“a mais absoluta e pura mediocridade”.3</p><p>3A. W. Tozer, The root of the righteous (Camp Hill: Christian Publications,</p><p>1955), p. 56. Talvez você esteja pensando: “Tudo bem, Elyse, isso é ótimo pa</p><p>ra os mais extrovertidos ou expressivos, mas não faz meu gênero”. Ainda que</p><p>seja o caso, Edwards lhe diria que as pessoas cujas afeições são impelidas por</p><p>sua personalidade ou temperamento não têm garantia alguma de que estão</p><p>sendo movidas por Deus. Se você geralmente é uma pessoa mais quieta e séria,</p><p>quando for levada a transbordar de gratidão, saberá que o Espírito Santo está</p><p>operando em seu interior! Você é o tipo de pessoa que valoriza seu comporta</p><p>mento sereno e decoroso? Considere então que, se Deus puder levá-lo a expressar</p><p>regozijo e felicidade ao compreender a graça dele por você, trará grande alegria a</p><p>Deus, cujo alvo é glorificar a si mesmo!</p><p>4Vi essa expressão pela primeira vez em um artigo de Joshua Harris. De acordo</p><p>com ele, a expressão foi</p><p>cunhada por David Powlinson, da Christian Counseling</p><p>and Educational Foundation.</p><p>ORTODOXIA FERVOROSA4</p><p>Deus nos deu a capacidade de sentir e expressar emoções. Nossas</p><p>paixões podem ser despertadas pela beleza; nossas emoções são to</p><p>cadas por música, literatura e arte; podemos experimentar a mais</p><p>profunda e trágica tristeza e o mais elevado êxtase de alegria. Ele nos</p><p>criou com a capacidade de contemplá-lo, compreendê-lo (de modo</p><p>limitado) e sentir prazer nele, para que nosso coração transborde de</p><p>belos pensamentos a respeito do grande Rei (SI 45.1). Ele nos deu</p><p>a capacidade de criar, executar e nos deleitar com música e poesia</p><p>em nossa adoração —- tudo isso para que nosso coração se inclinasse</p><p>mais para ele. A capacidade de nos alegrarmos em Deus reflete a</p><p>alegria e a exultação dele em si mesmo. Jesus Cristo se regozija com</p><p>todos os santos nos céus a respeito da glória de Deus: “Proclamarei</p><p>teu nome a meus irmãos, no meio da congregação cantarei louvores</p><p>ati”(Hb 2.12, NASB).</p><p><22 I ></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>VOCÊ VALORIZA, DE FATO, SUA ADOÇÃO?</p><p>Pouco tempo atrás, um casal que conheço adotou uma bebezinha</p><p>chamada Katelyn. Eles procuraram por ela e a trouxeram para casa</p><p>sem coisa alguma que a recomendasse (além do fato de precisar de</p><p>pais). Ela dependia da graça e do amor deles. Agora, como filha</p><p>deles, tem direito a todos os privilégios e a todas as bênçãos que lhe</p><p>cabem como membro dessa família.</p><p>Quanto a nós, que fomos adotados, Pedro diz: “Vos sois geração</p><p>eleita [...] povo de propriedade exclusiva de Deus [...] Antigamente,</p><p>não éreis povo; agora, sois povo de Deus; não tínheis recebido mi</p><p>sericórdia; agora, recebestes misericórdia” (lPe 2.9,10). Deus nos</p><p>tornou parte de sua família, declarou que somos seus filhos e nos</p><p>concedeu todos os direitos e privilégios associados a essa filiação.</p><p>No momento, Katelyn não tem consciência da bênção que rece</p><p>beu, mas um dia se alegrará com ela. Seus pais saberão que ela está</p><p>amadurecendo quando ela começar a expressar gratidão pelo amor</p><p>deles. De modo semelhante, devemos exultar na graça de Deus ao</p><p>nos adotar em sua família.</p><p>Por que Deus nos adotou? De acordo com Pedro, foi para que</p><p>anunciássemos “as grandezas daquele que [nos] chamou das trevas</p><p>para sua maravilhosa luz” (lPe 2.9). Você tem consciência de que foi</p><p>chamado com o propósito claro de proclamar as grandezas de Cristo?</p><p>Seu coração transborda de louvor pela graça e benevolência do Pai ao</p><p>adotá-lo? Uma forma de saber se seu coração está repleto desse tipo de</p><p>louvor é prestar atenção em suas palavras. O que você louva? Que espé</p><p>cie de palavra transborda de seu coração? E difícil imaginar um coração</p><p>repleto de louvor se a boca não o proclama. “Pois a boca fala do que o</p><p>coração está cheio” (Mt 12.34). Seu coração está cheio de temos pen</p><p>samentos acerca da bondade de Deus? Então sua boca também estará.</p><p>Que a consciência da bondade e da graça de Deus nos cative a</p><p>ponto de nossas emoções serem aquecidas e nosso homem exterior</p><p><222></p><p>TENDO PR/VZER EM DEUS</p><p>(nossa boca, nossas mãos e nosso corpo)5 refletirem grande amor.</p><p>Embora não devamos buscar experiências emocionais de per si, não</p><p>devemos desprezá-las simplesmente porque outros as empregam</p><p>indevidamente ou não seguem as instruções de Deus acerca da ado</p><p>ração. Como seremos capazes de nos despir da adoração a outros</p><p>deuses se não formos completamente cativados pela adoração ao</p><p>Deus verdadeiro? A melhor forma de deter a idolatria é aprender a</p><p>ter grande prazer e alegria em Deus. Nosso coração só se desapegará</p><p>de seus ídolos pelo poder de um amor mais forte, o poder do amor</p><p>do Pai por nós no evangelho.</p><p>sJohn Frame escreve: “As pessoas se comunicam não apenas por palavras,</p><p>mas também por linguagem corporal. Nisso somos a imagem do Deus das</p><p>Escrituras, que se comunica tanto por palavra falada como por revelação natural.</p><p>Alguns (especialmente os presbiterianos, como eu) preferem adorar sentados,</p><p>mas para a maioria das pessoas no mundo é natural que palavras venham acom</p><p>panhadas de ações físicas”. John Frame, Worship in Spirit and truth: a refreshing</p><p>study of the principles and practice of biblical worship (Phillipsburg: P&R, 1996),</p><p>p. 130-1.</p><p>6Tozer se refere a Deus como “o ser mais cativante de toda a criação”. A. W.</p><p>Tozer, The root of the righteous (Camp Hill: Christian Publications, 1986), p. 15.</p><p>(John Piper, A Godward life: savoring the supremacy of God in all of life (Sisters:</p><p>Multnomah, 1997), p. 69-70 [edição em português: Uma vida voltada para Deus</p><p>(São José dos Campos: Fiel, 1997)].</p><p>Nós nos divertimos fazendo bolos de lama; somos mornos em</p><p>nosso louvor porque não provamos a doce alegria da comunhão com</p><p>Deus ou porque nos esquecemos do regozijo que experimentamos</p><p>quando descobrimos que Jesus era amigo de pecadores. Jesus resistiu</p><p>à tentação de adorar Satanás porque conhecia o prazer do sorriso</p><p>de seu Pai. Um dos passos para vencer a idolatria é aumentar nossa</p><p>compreensão do prazer de sermos amados pelo ser mais cativante</p><p>de toda a criação.6 “A adoração mais vigorosa acontecerá no meio</p><p>daqueles cuja mente contempla sem pressa a luz da verdade e cujo</p><p>coração — suas emoções — está tão próximo do fogo de Deus</p><p>quanto é possível chegar sem ser consumido.”7</p><p><223></p><p>ÍDOLOS ^CORAÇÃO</p><p>LOUVANDO SEU DEUS</p><p>Reflita sobre as palavras dos puritanos a respeito do louvor e das</p><p>afeições santas:</p><p>Que lamentável esse crime capital do povo do Senhor: a aridez no</p><p>louvor! Ah, estou plenamente persuadido de que [...] uma hora de</p><p>louvor vale tanto quanto um dia de jejum e lamentação.8</p><p>8I. D. E. Thomas, comp.,7Í Puritan golden treasury (Carlisle: Banner of Truth</p><p>Trust, 1997), p. 209, citando John Livingstone.</p><p>’Ibidem, citando Thomas Watson.</p><p>10Ibidem, citando Thomas Manton.</p><p>nGn 24.48; Êx 15.20; Ne 1.4; 8.6; lCr 29.20; SI 28.2; 30.11; 47.1; 63.4;</p><p>119.48; 134.1,2; 141.2; 149.3; 150.4; Lm 3.40,41; lTm 2.8; Ez 44.15; Dt 10.8;</p><p>18.7; Ed 10.9. Há apenas alguns casos de adoradores que permanecem assentados</p><p>diante de Deus, a maioria em sinal de luto ou de arrependimento. As Escrituras</p><p>registram apenas Davi assentado diante do Senhor em louvor e oração (lCr 17.16).</p><p>Louvar a Deus é um dos atos mais sublimes e puros de religião. Na</p><p>oração, agimos como homens; no louvor, agimos como anjos.9</p><p>Nosso amor próprio pode nos levar a orar, mas o amor a Deus nos</p><p>incita a louvar.10 *</p><p>Quer você seja adepto de cantar apenas salmos, ou apenas hinos,</p><p>ou hinos e cânticos, a verdadeira adoração deve envolver seu corpo</p><p>e seu coração, que abrange sua mente, suas afeições e sua volição.</p><p>Nosso ser exterior, o corpo, deve participar de algum modo: ao falar,</p><p>cantar ou gritar; ficar em pé, ajoelhar-se ou curvar-se (permanecer</p><p>sentado nunca é a norma da adoração nas Escrituras); com a cabe</p><p>ça curvada ou levantada, com mãos erguidas ou batendo palmas.</p><p>Reconheço que simples posturas exteriores não são antídoto para</p><p>louvor insincero (Mc 7.6,7), mas as Escrituras sempre associam uma</p><p>atividade do corpo ao coração cativado pela glória de Deus.11</p><p><224></p><p>TENDO PRAZER EM DEUS</p><p>Em Desiring God [Desejando Deus\, John Piper escreve que a</p><p>verdadeira visão de Deus em conjunto com o poder vivificador do</p><p>Espírito Santo resultará no aquecimento das afeições piedosas. Diz,</p><p>ainda, que o “calor de nossas afeições [produz] adoração vigorosa,</p><p>que irrompe em confissões, anseios, aclamações, lágrimas, cânticos,</p><p>gritos, cabeça curvada, mãos erguidas e vida obediente”.12</p><p>12Piper, Desiring God, p. 77.</p><p>Volte às palavras de Piper: adoração vigorosa [...] confissões, an</p><p>seios, aclamações, lágrimas, cânticos, gritos, cabeça curvada, mãos erguidas</p><p>e vida obediente. Sua adoração a Deus inclui esses elementos? Pense</p><p>em ocasiões que tocam suas emoções e seu corpo. Você torce sem</p><p>acanhamento no jogo de futebol, chora comovido durante um filme</p><p>ou dá gargalhadas com uma peça teatral, mas permanece indiferente</p><p>diante do Rei do Universo? Não se comove em seu louvor porque</p><p>considera inapropriado expressar emoções no culto? Acredita que</p><p>a</p><p>emoção em si é pecaminosa? E verdade que ela pode ser. O zelo</p><p>pode se misturar com orgulho e paixão e produzir corrupção. Isso</p><p>não significa, porém, que devemos desprezar as emoções zelosas.</p><p>Antes, devemos moderá-las e examiná-las. Algumas das perguntas</p><p>que devemos fazer são: Estou buscando um êxtase emocional per</p><p>si? Estou desfrutando Deus neste culto, ou estou apenas desfrutan</p><p>do uma elevação de minhas emoções? Meu zelo e minha paixão se</p><p>devem à majestade de Deus? A adoração bíblica certamente parece</p><p>despertar zelo e emoções:</p><p>O minha alma, bendize o Senhor,</p><p>e todo o meu ser bendiga seu santo nome (SI 103.1).</p><p>Meus lábios, assim como a minha vida, que remiste, exultarão</p><p>quando eu cantar teus louvores (SI 71.23).</p><p><225></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Assim eu te bendirei enquanto viver;</p><p>em teu nome levantarei as minhas mãos [...]</p><p>a minha boca te louva com alegria nos lábios (SI 63.4,5).</p><p>Converteste meu pranto em dança,</p><p>tiraste meu pano de saco e me vestiste de alegria;</p><p>para que eu te cante louvores e não me cale.</p><p>Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre (SI 30.11,12).</p><p>O Senhor é a minha força e o meu escudo;</p><p>nele meu coração confiou, e fui socorrido;</p><p>por isso meu coração salta de prazer,</p><p>e eu o louvarei com meu cântico (SI 28.7).</p><p>Mas alegrem-se os justos, regozijem-se na presença de Deus</p><p>e se encham de júbilo.</p><p>Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome!</p><p>Louvai aquele que cavalga sobre as nuvens,</p><p>pois seu nome é Senhor; exultai diante dele! (SI 68.3,4).13</p><p>13O termo traduzido por “exultai” é 'alatts, que significa “saltar de alegria, isto</p><p>é, exultar” (Vine’s).</p><p>14O termo traduzido por “regozijarei muito” é suws, que significa “ser animado,</p><p>isto é, alegre”. A KJV traduz por “estar contente, grandemente, alegria, rejubilar-se,</p><p>regozijar-se”. O termo traduzido por “alegrará” é giy/, que significa “rodopiar (sob</p><p>a influência de qualquer emoção intensa), isto é, geralmente, regozijar-se” (Vine’s).</p><p>Eu me regozijarei muito no Senhor,</p><p>a minha alma se alegrará no meu Deus (Is 61.10).14</p><p>Esses versículos e muitos outros ordenam que adoremos a Deus</p><p>de maneiras que expressem gratidão profunda, anseio por ele e ale</p><p>gria pela salvação e por sua graça imensurável pelos pecadores. A</p><p>gratidão, o anseio e a alegria devem transbordar de nosso coração,</p><p><226></p><p>TENDO PRAZER EM DEUS</p><p>levando-nos a louvar a Deus por seu caráter e por sua natureza. Não</p><p>temos liberdade de louvar a Deus da forma que nos parecer melhor.</p><p>Devemos adorá-lo conforme suas prescrições. Deus nos disse como</p><p>devemos louvá-lo: com tudo o que há em nós, com gritos de alegria,</p><p>com cânticos de gratidão e júbilo, com rosto e mãos erguidos!15</p><p>15Veja John Frame, Worship in spirit and truth.</p><p>16Ap 5.9-14; 11.15-17; 14.3; 15.3,4; SI 103.20-22; 148.11-13; 150.6.</p><p>Acaso nós, que conhecemos a misericórdia da redenção, não</p><p>devemos ser mais repletos de louvor que os anjos, que o adoram des</p><p>de o princípio do tempo? Deus relata como “as estrelas da manhã</p><p>cantavam juntas e todos os filhos de Deus gritavam de júbilo” (Jó</p><p>38.7). Quanto mais nós, que fomos perdoados, redimidos, adotados</p><p>e feitos herdeiros do reino não devemos gritar de alegria? De fato, os</p><p>céus estão cheios de louvor (Ap 19.5-7), e as coisas inanimadas se</p><p>comovem diante dele (Is 6.4; Lc 19.40). Essa adoração expressiva é o</p><p>ambiente de Deus. O céu é cheio de orações e louvores, e passaremos</p><p>a eternidade cantando e nos alegrando na magnificência divina.16</p><p>RETRATOS DO NOSSO CORAÇÃO</p><p>No sul da Califórnia, EUA, onde moro, é comum formar-se uma</p><p>camada de nebulosidade vinda do mar, que os moradores daqui</p><p>chamam “nuvens negras de junho”. Na verdade, trata-se de um</p><p>nevoeiro espesso que se forma no litoral e se desloca, de tempos</p><p>em tempos, para o interior, especialmente no mês de junho, época</p><p>em que os turistas chegam e se perguntam o que aconteceu com o</p><p>sol. Sem dúvida um meteorologista seria capaz de explicar o que</p><p>causa esse fenômeno. A maioria de nós que moramos aqui, porém,</p><p>simplesmente convive com ele.</p><p>Para muitas pessoas, o mesmo acontece com suas emoções. Expe</p><p>rimentamos medo, alegria, tristeza, depressão e raiva sem entender</p><p><227></p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>sua causa. Para muitos, pode parecer que essas emoções se formam no</p><p>ar algumas manhãs e, em outros momentos, se dissipam sem motivo</p><p>aparente. Embora a forma como experimentamos emoções pareça</p><p>confusa, elas não são assim tão ambíguas. Em termos simples, as emo</p><p>ções são espelhos do nosso coração. Elas revelam nossos pensamentos,</p><p>nossas intenções e o modo como avaliamos as circunstâncias. Nossos</p><p>medos, tristezas e alegrias são as formas pelas quais experimentamos</p><p>vividamente os resultados de nossos pensamentos e desejos. Se você</p><p>está vivenciando determinada emoção, geralmente é porque guarda</p><p>em seu coração sentimentos ou desejos que dão origem a ela.17 Por</p><p>exemplo, se você se sente triste, geralmente é porque seus pensamen</p><p>tos ou desejos foram decepcionados de algum modo. A maneira como</p><p>você reage às provações ou bênçãos da vida é a causa principal das</p><p>emoções que experimenta todos os dias. Se você tem vontade de pular</p><p>de alegria, também se deve ao fato de seus pensamentos e desejos</p><p>estarem satisfeitos. Nossos sentimentos operam em conjunto com as</p><p>afeições, a mente, a volição e a consciência.</p><p>17Geralmente é o caso; há situações, porém, em que nosso estado fisiológico</p><p>(p. ex., fome ou exaustão) podem nos levar a experimentar emoções, como aconte</p><p>ceu com Elias depois de correr de Acabe. É verdade que ele teve medo de morrer</p><p>nas mãos de Jezabel, mas a exaustão e a fome alimentaram sua depressão e seus</p><p>pensamentos de morte. Deus o consolou com descanso, água, alimento e, no devido</p><p>tempo, com sua Palavra.</p><p>Não exercemos controle direto sobre nossas emoções; antes,</p><p>elas fluem de nosso coração. E ridículo levantar-se pela manhã</p><p>e dizer: “Hoje estarei feliz” ou “Hoje estarei com raiva”, pois não</p><p>é dessa forma que as emoções funcionam. Elas reagem a nossos</p><p>pensamentos interiores e os refletem, e somente ao voltarmos esses</p><p>pensamentos para a bondade, a gentileza e o amor de Deus desco</p><p>briremos alegres louvores brotando de nosso coração. Suas emoções</p><p>são aquecidas por pensamentos acerca da majestade de Deus ou da</p><p>gentileza e da proximidade dele? Se seus pensamentos e desejos</p><p><228></p><p>TENDO PRAZER EM DEUS</p><p>forem consumidos por ele, suas emoções reagirão de forma condi</p><p>zente. Se suas emoções nunca são tocadas, é necessário perguntar</p><p>se você vê Deus como ele declarou ser: seu amoroso Pai Celeste e</p><p>seu fiel Noivo Celeste.</p><p>MEDITANDO A RESPEITO DELE</p><p>O alegre louvor nasce da meditação na misericórdia, graça, grandeza,</p><p>justiça e bondade de Deus. Nas palavras de Piper, “Deus certamente</p><p>é mais glorificado quando nos deleitamos em sua grandeza do que</p><p>quando somos tão indiferentes a ela, a ponto de mal sentirmos coisa</p><p>alguma”.18 Se você tem dificuldade em “deleitar-se na grandeza de</p><p>Deus” ou em “transbordar de gratidão”, talvez seja porque ele não</p><p>ocupa seus pensamentos e desejos. Com que frequência você medita</p><p>sobre a misericórdia ou a bondade divina? Se anseia adorar de to</p><p>do o coração, pode despertar suas emoções ao meditar no bondoso</p><p>amor dele por você.19 Revestir-se de adoração pura inclui meditar</p><p>na bondade dele.</p><p>18Piper, Desiring God, p. 86.</p><p>19Se lhe parece difícil fazê-lo, veja a descrição das características de Deus no</p><p>capítulo 7, p. 124-5. Cada um dos adjetivos é acompanho de referências bíblicas</p><p>para consultar.</p><p>Agora, pense comigo na graça de Deus em sua vida: Quem é</p><p>ele para você? O que ele fez por você? De que maneira ele o amou?</p><p>A lista das bênçãos concedidas ao crente apresentada por Paulo em</p><p>Efésios 1.3-14 deve tocá-lo a ponto de fazer seu coração irromper</p><p>em louvor por todos os benefícios que você recebeu no evangelho:</p><p>• Deus o abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões</p><p>celestiais, em Cristo.</p><p>• Escolheu-o para ele antes da fundação do mundo.</p><p>• Em Cristo, tornou-o santo e inculpável diante dele.</p><p><229></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>• Em amor, o predestinou para</p><p>si mesmo, para ser seu filho</p><p>adotivo por meio de Jesus Cristo, conforme a boa determi</p><p>nação de sua vontade, que ele lhe concedeu gratuitamente</p><p>no Amado.</p><p>• Nele, você tem a redenção pelo sangue de Cristo, o perdão</p><p>dos pecados, segundo a riqueza da graça divina.</p><p>• Ao dar-lhe sabedoria e prudência, ele o fez conhecer o mis</p><p>tério de sua vontade, segundo sua boa determinação.</p><p>• Nele, você obteve uma herança.</p><p>• Foi selado com o Espírito Santo da promessa, concedido</p><p>como garantia de sua herança.</p><p>• Você se tornou propriedade pessoal de Deus, ternamente</p><p>amado por ele.</p><p>Se a lista acima não o tocou, volte a cada um dos itens e use</p><p>eu em lugar de você. Consegue sentir a mesma alegria e a gratidão</p><p>que Paulo sentiu ao escrever essa belíssima passagem? Você sabe</p><p>por que Deus fez tudo isso por você? Nos versículos 12 e 14 Paulo</p><p>diz que foi “para o louvor da sua glória”. Qual foi o propósito de</p><p>Deus ao escolher, adotar, redimir, perdoar e iluminar você? Ele fez</p><p>tudo isso para que você irrompesse em amoroso louvor da sua glória!</p><p>Você vive para louvar a glória da graça divina? Esse louvor flui de</p><p>seu interior?</p><p>Matthew Henry escreve: “Devemos viver e nos comportar de</p><p>modo que a graça copiosa de Deus seja engrandecida e pareça glo</p><p>riosa e digna do mais sublime louvor”.20 Outro comentarista observa</p><p>que “o fim magnífico de sua predestinação consiste no louvor da gló</p><p>ria de sua graça por todas as suas criaturas”.21 Albert Barnes declara,</p><p>2QMatthew Henry's commentary on the whole Bible: new modern edition, banco de</p><p>dados eletrônico (Peabody: Hendrickson, 1991).</p><p>^Jamieson, Faucet, and Brown commentary (banco de dados eletrônico; Seattle:</p><p>Biblesoft, 1997).</p><p><230></p><p>TENDO PRAZER EM DEUS</p><p>ainda, que “todas as coisas” realizadas pela eleição são apropriadas</p><p>para estimular o louvor.</p><p>Deus escolhe pessoas para serem santas, e não pecadoras; para se</p><p>rem felizes, e não infelizes; para serem puras, e não impuras; para</p><p>serem salvas, e não perdidas. Por estas coisas ele deve ser louvado</p><p>[...]. Se houvesse escolhido apenas uma pessoa para a vida eterna,</p><p>essa pessoa deveria louvá-lo, e todo o santo universo deveria par</p><p>ticipar da adoração [...]. Muitíssimo mais louvor é devido a ele,</p><p>visto que o número de escolhidos não é um, nem uns poucos, mas</p><p>milhões que homem nenhum pode contar, eleitos para a vida.22</p><p>22Barnes notes (banco de dados eletrônico; Seattle: Biblesoft, 1997).</p><p>23John Calvin, Institutes of the Christian religion, edição de John T. McNeill,</p><p>Library of Christian Classics (Philadelphia: Westminster, 1960), 2 vols., 1:41 [edi</p><p>ções em português: João Calvino, As institutas, tradução de Waldyr Carvalho Luz</p><p>(São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 4 vols.; A instituição da religião cristã, tradução de</p><p>Carlos Eduardo Oliveira; José Carlos Estêvão (São Paulo: Unesp, 2008)].</p><p><23I></p><p>Percebe como Deus o tratou com bondade? Ao aproximar-se</p><p>dele, exultando com essa bondade, você experimentará a renovação</p><p>da alegria concedida somente aos verdadeiros adoradores. Não tenha</p><p>medo de se regozijar em Deus por aquilo que ele fez. Não seja tolo de</p><p>pensar que ele só deseja que você se regozije por causa de quem ele é,</p><p>sem qualquer interação pessoal. Sua natureza nos é revelada princi</p><p>palmente por meio daquilo que ele fez por nós! Ele é misericordioso?</p><p>E amoroso? E repleto de paciência e perdão? Como você sabe?</p><p>Para João Calvino, a adoração e o amor fervorosos nascem da</p><p>compreensão dos benefícios de Deus. “Piedade é reverência com</p><p>binada com amor a Deus, que o conhecimento de seus benefícios</p><p>induz [...] a menos que firmem sua completa felicidade nele, jamais</p><p>se entregarão verdadeira e sinceramente a ele.”23 Em outras palavras,</p><p>se não soubermos que nossa total felicidade e alegria se encontram</p><p>em Deus, jamais nos aproximaremos dele em adoração e obediência.</p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>Não precisamos mais nos justificar nem tentar projetar uma boa</p><p>aparência. Fomos completamente justificados. A salvação divina é</p><p>absolutamente completa. De acordo com Piper,1 para honrar a Deus</p><p>em nosso culto, não devemos buscá-lo com desinteresse, por medo de</p><p>obter alguma alegria na adoração e, com isso, depreciar o valor moral</p><p>do ato. Antes, devemos buscá-lo como a corça sedenta busca o riacho,</p><p>justamente pela alegria de vê-lo e conhecê-lo!”.24</p><p>24Piper, Desiring God, p. 87.</p><p>23'lhe larger catechism, p. 104 (Carlile: Banner of Truth Trust, 1998) [edição</p><p>em português: O catecismo maior de Westminster (São Paulo: Cultura Cristã, 2003)].</p><p>Ao procurar despir-se da adoração idólatra e substituí-la por</p><p>obediência, você terá de revestir-se de um coração que valoriza, ama,</p><p>celebra e se alegra na beleza, bondade, santidade e majestade de seu</p><p>Rei. Todos os outros deuses e suas promessas incertas empalidece</p><p>rão quando comparados com a grandeza e a glória do Senhor. O</p><p>coração abarrotado de pensamentos de beleza, bondade, santidade,</p><p>majestade, glória e graça de Deus não tem espaço para falsificações</p><p>medíocres e, inevitavelmente, irromperá em louvores fervorosos.</p><p>Seu coração é continuamente atraído a adorar outros deuses?</p><p>Em caso afirmativo, seu foco tem sido as alegrias e prazeres do mun</p><p>do? Você tem uma imagem clara da grandeza de Deus e da bênção</p><p>de ter comunhão com ele pela graça? Mesmo quando você erra?</p><p>Especialmente quando você erra? Lembre-se de que os puritanos,</p><p>ao definirem os deveres exigidos no primeiro mandamento, dizem</p><p>que devemos “adorá-lo e glorificá-lo como tal [...] [ao] adorá-lo,</p><p>escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo [...] deleitando-nos e regozijando-nos</p><p>nele; ter zelo por ele; invocá-lo, dando-lhe todo louvor e agradeci</p><p>mentos”.25 Essas palavras descrevem uma reação tanto intelectual</p><p>como emocional diante do amor de Deus. Como você poderá dar a</p><p>Deus todo o louvor e toda a gratidão, se seu coração não se alegra</p><p>com a bondade e benefícios que ele concede? Não se engane: alguma * 23</p><p><232></p><p>TENDO PRAZER. EM DEUS</p><p>coisa você já está adorando fervorosamente. Da mesma forma que</p><p>Adão, Deus o criou com capacidade de adorar; resta saber qual é o</p><p>foco dessa adoração. Deus criou Adão para sua glória, para que sua</p><p>glória fosse revelada por meio do louvor e da adoração de Adão.</p><p>Você descobrirá que a obediência se tornará mais agradável</p><p>quando seu coração estiver voltado para o amor de Deus por vo</p><p>cê e para seu amor por ele em reciprocidade. Despir-se da raiva,</p><p>por exemplo, se torna mais fácil para mim quando medito sobre a</p><p>bondade do Senhor. Quando sou tentada a pecar por raiva, parte</p><p>do processo de me revestir da ação correta consiste em trazer à me</p><p>mória por meio de cânticos a graça e o perdão divinos. A obediência</p><p>lhe será mais agradável quando for alegre. De modo correspondente,</p><p>sua adoração se acenderá quando você se recordar de como Deus o</p><p>amou e quando procurar agir em função desse amor.</p><p>Não sou poetisa, mas sou grata pelo dom da escrita de alguns</p><p>cristãos. Em alguns hinos, encontro palavras que meu coração pen</p><p>sou, escritas de uma forma que o leva a arder de amor. Quando estou</p><p>lutando contra meus falsos deuses, contra os desejos do mundo que</p><p>procuram cativar meu coração, sou confortada e fortalecida por pa</p><p>lavras como estas:</p><p>Como é possível que eu tenha</p><p>benefício no sangue do Salvador?</p><p>Acaso morreu por mim, que causei sua dor,</p><p>por mim, que ele até à morte buscou?</p><p>Maravilhoso amor! Como é possível,</p><p>que tu, meu Deus, morresses por mim?</p><p>Maravilhoso amor! Como é possível,</p><p>que tu, meu Deus, morresses por mim?</p><p>Deixou o trono celeste de seu Pai</p><p>tão generosa e infinita sua graça,</p><p>esvaziou-se de tudo, exceto do amor,</p><p><233></p><p>ÍDOLOS£CORAÇÃO</p><p>e sangrou pela raça desamparada de Adão:</p><p>tudo é misericórdia, imensa e generosa,</p><p>porquanto, ó meu Deus, ela me encontrou!</p><p>Tudo é misericórdia, imensa e generosa,</p><p>porquanto, ó meu Deus, ela me encontrou!</p><p>Por longo tempo meu espírito permaneceu cativo,</p><p>preso firmemente ao pecado e às trevas da natureza;</p><p>teu olho difundiu um raio vivificador,</p><p>despertei, o calabouço ardendo em luz;</p><p>minhas cadeias caíram, meu coração foi liberto,</p><p>levantei-me,</p><p>parti e te segui.</p><p>Minhas cadeias caíram, meu coração foi liberto,</p><p>levantei-me, parti e te segui.</p><p>Agora não temo condenação alguma;</p><p>Jesus e tudo nele me pertencem;</p><p>estou vivo nele, minha Cabeça viva,</p><p>revestido de justiça divina,</p><p>do trono eterno com ousadia me aproximo,</p><p>e recebo a coroa que, em Cristo, me pertence.</p><p>Do trono eterno com ousadia me aproximo,</p><p>e recebo a coroa que, em Cristo, me pertence.26</p><p>26Charles Wesley, And can it be? (1738), Trinity hymnal.</p><p>REVESTINDO-SE DA</p><p>VERDADEIRA ADORAÇÃO</p><p>Neste capítulo, incentivei-o a revestir-se da verdadeira adoração.</p><p>Além da alegria que toma conta de seus louvores, essa adoração</p><p>também deve movê-lo a uma atitude de grato amor por seu próximo.</p><p>Deus procura adoradores (Jo 4.23) porque seu plano é nos</p><p>transformar naqueles que experimentam a alegria indescritível da</p><p><234></p><p>TENDO PRAZER EM DEUS</p><p>adoração inteiramente rendida a sua pessoa e a sua presença, do</p><p>amor intenso e da reverência cheia de admiração por elas e do des</p><p>lumbramento maravilhado com elas. Em nossa adoração, e no poder</p><p>transformador de Deus, ele é glorificado, se alegra e permite que des</p><p>frutemos os prazeres que ele nos concedeu para sempre. Ele assumiu</p><p>o compromisso de nos transformar, de idólatras servis, temerosos</p><p>e cheios de raiva, em filhos felizes, que brincam no jardim de seus</p><p>deleites, tudo para sua glória suprema e para nosso prazer. Que em</p><p>todas as nossas ações procuremos nos sujeitar humildemente à obra</p><p>de Deus e adorá-lo com fervor, refletindo para ele e para o mundo</p><p>ao nosso redor a excelência de sua graça gloriosa.</p><p>1. Releia os seguintes versículos e preste atenção em por que e co</p><p>mo os filhos de Deus recebem a ordem de adorar: Salmos 7.17;</p><p>9.1,2; 21.13; 30.1-4; 33.1-3; 66.1-5; 146.2; 149.1-3.</p><p>2. Anote a letra de seu hino ou cântico predileto. Em que aspectos</p><p>ele toca seu coração? Que expressões falam ao seu espírito e</p><p>despertam suas emoções?</p><p>3. Escreva uma oração para que Deus avive seu coração para afei</p><p>ções santas e o livre de todos os ídolos.</p><p>4. Em quatro ou cinco frases, escreva as principais verdades que</p><p>você aprendeu neste estudo.</p><p><235></p><p>APÊNDICE A</p><p>COMO IDENTIFICAR</p><p>PADRÕES PECAMINOSOS</p><p>E FALSOS DEUSES</p><p>1. Quem estou adorando? Quem desempenha o papel de “deus”</p><p>para mim?</p><p>2 Que desejo é maior que meu anseio de ser santo?</p><p>Que mandamentos específicos eu ignorei ou a quais deles</p><p>desobedecí?</p><p>Que pecados específicos preciso abandonar? O que devo adotar</p><p>n0 lugar deles?</p><p>Ap</p><p>ên</p><p>di</p><p>ce</p><p>A</p><p>. C</p><p>om</p><p>o</p><p>id</p><p>en</p><p>tif</p><p>ica</p><p>r</p><p>pa</p><p>dr</p><p>õe</p><p>s</p><p>pe</p><p>ca</p><p>m</p><p>in</p><p>os</p><p>os</p><p>e</p><p>f</p><p>al</p><p>so</p><p>s</p><p>de</p><p>us</p><p>es</p><p>< 2 3 8 ></p><p>M</p><p>an</p><p>hã</p><p>Ta</p><p>rd</p><p>e</p><p>N</p><p>oi</p><p>te</p><p>Se</p><p>gu</p><p>nd</p><p>a-</p><p>Fe</p><p>ira</p><p>Te</p><p>rç</p><p>a-</p><p>Fe</p><p>ira</p><p>Q</p><p>ua</p><p>rt</p><p>a-</p><p>Fe</p><p>ir</p><p>a</p><p>Q</p><p>ui</p><p>nt</p><p>a-</p><p>Fe</p><p>ir</p><p>a</p><p>Se</p><p>xt</p><p>a-</p><p>Fe</p><p>ira</p><p>Sá</p><p>ba</p><p>do</p><p>|</p><p>D</p><p>om</p><p>in</p><p>go</p><p>ÍD O L O S & Q Q K K Ç K Q</p><p>APÊNDICE B</p><p>O QUE SIGNIFICA</p><p>SER LEGALISTA</p><p>Praticamente todas as vezes que a questão da lei é mencionada,</p><p>alguém diz: “Não é legalismo tentar obedecer à lei? Afinal, não es</p><p>tamos mais sujeitos a ela!”. Uma vez que parece haver um grande</p><p>número de conceitos equivocados a respeito da lei de Deus, vou</p><p>tentar definir o que, em minha opinião, significa ser legalista. Creio</p><p>que o legalismo se manifesta de duas maneiras mais comuns.</p><p>OBSERVÂNCIA DA LEI COMO</p><p>MEIO DE PERMANECER SALVO</p><p>Nenhum cristão verdadeiro crê que é possível obter a salvação por</p><p>meio da observância da lei. Paulo articula essa realidade da seguinte</p><p>forma: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as</p><p>obras da lei” (Rm 3.28). Essa é uma das características que diferen</p><p>ciam o verdadeiro cristianismo do falso. Se é necessário acrescentar</p><p>algo à justiça de Cristo para obter salvação, quer seja circuncisão, ba</p><p>tismo ou qualquer outra boa obra, cai-se no mesmo erro dos gálatas.</p><p>Paulo procurou combater esse conceito equivocado quando escreveu</p><p>com veemência: “Vos, que vos justificais pela lei, estais separados de</p><p>Cristo; caístes da graça” (G1 5.4).</p><p>A maioria dos cristãos concordaria, sem hesitar, que somos justi</p><p>ficados somente pela graça; muitos, porém, são tentados a crer que a</p><p>continuidade de sua salvação depende de sua capacidade de guardar</p><p>a lei depois de salvos. Em outras palavras, reconhecemos que não</p><p>somos capazes de fazer coisa alguma para receber a salvação, mas,</p><p>uma vez salvos, imaginamos que somos inteiramente responsáveis</p><p>por manter nossa salvação ao viver de modo correto.</p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Só é possível cair nesse erro quando temos um conceito superfi</p><p>cial de nossa pecaminosidade pessoal e de nossa total incapacidade</p><p>de viver com retidão. Parece-me que seria difícil qualquer pessoa</p><p>com um conhecimento profundo de sua absoluta perversidade su</p><p>por que sua salvação depende, em algum momento, dela mesma.</p><p>Aliás, a ideia de que a salvação, a permanência no favor de Deus,</p><p>depende de nossa capacidade de agradá-lo e obedecer-lhe deveria</p><p>ser assustadora, a menos que rebaixássemos de algum modo os</p><p>padrões de Deus.</p><p>E devido à convicção falsa de que os cristãos são capazes de</p><p>manter sua salvação por meio de boas obras que as pessoas adotam</p><p>formas legalistas de pensar e agir. Portanto, enquanto o verdadeiro</p><p>cristão jamais diria que sua justificação ou sua condição diante de</p><p>Deus depende dele mesmo, poderia ser tentado a dizer que a perse</p><p>verança na fé depende de sua capacidade de permanecer salvo. Paulo</p><p>também combateu esse erro na igreja na Galácia:</p><p>Sois tão insensatos assim, a ponto de, tendo começado pelo Espírito,</p><p>estar agora vos aperfeiçoando pela carne? [...] Aquele que vos dá o</p><p>Espírito, e que realiza milagres entre vós, será que o faz pelas obras</p><p>da lei ou pela fé naquilo que ouvistes? (G1 3.3,5)</p><p>Não estou dizendo que não devemos nos preocupar em reali</p><p>zar boas obras ou em procurar obedecer à lei. Estou dizendo, sim,</p><p>que nossa posição correta diante de Deus não depende de nosso</p><p>desempenho. Assim como a justificação — o primeiro passo para a</p><p>salvação — depende inteiramente de Cristo e de sua justiça, todos</p><p>os outros passos também dependem dele. Não somos capazes de</p><p>nos guardar do fracasso total, mas ele é: “Àquele que é poderoso</p><p>para vos impedir de tropeçar e para vos apresentar imaculados e</p><p>com grande júbilo...”(Jd 24). Paulo incentivou Timóteo a descansar</p><p>na consciência do poder de Deus para guardá-lo: “Porque eu sei em</p><p><240></p><p>O QUE SIGNIFICA SER LEGALISTA</p><p>quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar</p><p>o meu tesouro até aquele dia” (2Tm 1.12).</p><p>Não devemos confiar em nosso poder de realizar aquilo que, a</p><p>nosso ver, agrada a Deus. Por causa de Cristo, já o agradamos. E, em</p><p>se tratando de nossa santificação contínua, podemos descansar no</p><p>poder de Deus, como Paulo escreveu: “E estou certo disto: aquele</p><p>que começou a boa obra em vós irá aperfeiçoá-la até o dia de Cristo</p><p>Jesus” (Fp 1.6). Quanto mais nos distanciamos dessa verdade, mais</p><p>nos vemos atolados em legalismo infeliz, sem alegria alguma, até</p><p>que, por fim, nos entregamos por um tempo à indiferença ou à</p><p>autocomplacência.</p><p>ACRÉSCIMOS À LEI</p><p>Em uma área estreitamente relacionada, o legalismo se manifesta</p><p>quando as pessoas acrescentam elementos aos padrões estabelecidos</p><p>por Deus. Deixe-me dar um exemplo de como isso pode acontecer.</p><p>Todos nós concordamos que Deus ordena que oremos todos os</p><p>dias. Tenho liberdade, porém, de gerenciar o modo como cumpro</p><p>essa ordem.</p><p>Por exemplo, posso dizer que, no meu caso, é conveniente levan</p><p>tar-me às seis da manhã para ter tempo de orar. Isso não é legalismo;</p><p>é um reflexo de meu desejo de passar tempo com o Senhor antes que</p><p>comece a correria diária. Ao fazê-lo, confio que Deus continuará a</p><p>produzir o fruto do Espírito, a autodisciplina, em minha vida para</p><p>que eu possa alcançar o alvo de orar com regularidade e, com isso,</p><p>possa obedecer ao Senhor.</p><p>Seria legalismo, porém, eu lhe dizer que Deus ordena que você se</p><p>levante às seis da manhã para orar. Se eu o fizesse, estaria acrescen</p><p>tando algo à ordem de Deus. Posso recomendar que você se levante</p><p>cedo para orar, posso dar testemunho de meu sucesso ao</p><p>bem</p><p>conosco mesmos ou tentemos nos justificar por meio de nossa repu</p><p>tação como “bons pais”.</p><p>Vejamos em mais detalhes as formas que a adoração a falsos</p><p>deuses assumem em nossa vida.</p><p>"DÁ-ME UM MARIDO PIEDOSO,</p><p>SENÃO MORREREI!”</p><p>Jenny estava convencida de que a única maneira de ser feliz seria</p><p>ter um marido piedoso. Ela era casada com um homem cristão que</p><p>frequentava a igreja com ela, mas queria que orassem juntos com</p><p>frequência e que ele conduzisse as devoções em família. Eu concor</p><p>dava com ela que teria sido uma bênção para seu marido ser um líder</p><p>mais piedoso e procurei incentivá-lo a encontrar outros homens que</p><p>o ajudassem a crescer nesse aspecto.</p><p>A medida que conheci Jenny melhor, porém, observei que seu</p><p>desejo por ter um marido piedoso desempenhava o papel de um</p><p>deus em sua vida. Ela era governada pela ideia “Preciso de um ma</p><p>rido piedoso, senão morrerei”. Por vezes, imaginava que, se fosse</p><p>extraordinariamente gentil e preparasse os pratos favoritos dele</p><p>para o jantar, ele teria a obrigação de satisfazer seus desejos. Em</p><p>outras ocasiões, ela desistia, frustrada e com raiva, afastando-se</p><p>dele e ficando emburrada. Como Raquel, estava convencida de</p><p>que só encontraria a felicidade quando suas expectativas fossem</p><p>preenchidas. Sua identidade e aprovação própria dependiam do</p><p>crescimento do marido como líder. Não causou grande surpresa,</p><p>portanto, quando ela me disse certo dia que planejava separar-se</p><p>dele. Ela deixou o marido e a igreja e, pela última notícia que tive</p><p>dela, não estava mais seguindo a Cristo. Como Raquel, seu desejo</p><p>acabou por destruí-la.</p><p><29></p><p>ÍDOLOS <4 CORAÇÃO</p><p>BÊNÇÃOS VENERADAS</p><p>Uma parte fundamental da falsa adoração consiste em conquistar</p><p>mérito a fim de levar os falsos deuses a nos darem aquilo que dese</p><p>jamos. Em essência, fazemos alianças com eles e esperamos que nos</p><p>abençoem se agirmos de determinadas maneiras.</p><p>Por exemplo, se a boa saúde é um deus em sua vida, talvez você</p><p>pense: “Se eu me exercitar todos os dias e tiver uma dieta balan</p><p>ceada, nunca ficarei doente”. Se ter uma ocupação realizadora é um</p><p>deus em sua vida, talvez você pense: “Se eu for sempre o primeiro a</p><p>chegar ao escritório e produzir além do esperado, meu patrão será</p><p>obrigado a me notar e a proteger meu emprego”. Por favor, não me</p><p>entenda mal. Não estou dizendo que é errado o exercício apropriado</p><p>ou o trabalho diligente; não apenas devemos valorizar a boa dádiva</p><p>do corpo que Deus nos concedeu, como também somos instruídos a</p><p>não cometer assassinato, inclusive contra nós mesmos por meio do</p><p>consumo imprudente de alimentos ou pela falta de atividades físicas.</p><p>Quando motivadas por amor a Deus e a outros, essas ações podem</p><p>ser boas. No entanto, tornam-se pecaminosas quando as praticamos</p><p>principalmente por medo pecaminoso, a fim de obter mérito, ou de</p><p>manipular resultados, em vez de agirmos livremente, como fruto de</p><p>um coração repleto de gratidão a Deus. O único motivo santo para</p><p>fazer qualquer coisa boa é o amor pelo Senhor e por nosso próximo.</p><p>Se um bom currículo ou um corpo esbelto for sua maneira de buscar</p><p>justificação própria, você descobrirá que, por mais que se esforce, ja</p><p>mais será capaz de satisfazer as exigências da academia ou do patrão.</p><p>Não há descanso na idolatria.</p><p>Imagino que talvez você esteja perguntando: “Tudo bem, Elyse,</p><p>mas como identificar se estou adorando as bênçãos que desejo ou</p><p>Deus?”. Trataremos desse assunto em maior profundidade nos ca</p><p>pítulos adiante, mas vou resumi-lo aqui da seguinte forma: se você</p><p>está disposto a pecar a fim de alcançar seu alvo, ou se peca quando</p><p><30></p><p>OS DEUSES DE RAQUEL E VOCÊ</p><p>não consegue o que quer, então seu desejo tomou o lugar de Deus e</p><p>você está agindo como idólatra.</p><p>Lembra-se de como Raquel pecou? Ela se irou de forma pecami-</p><p>nhosa com seu o marido; furtou os ídolos do pai e enganou a família.</p><p>Mais tarde, não se contentou com o nascimento de José e quis mais</p><p>filhos. O desejo de Raquel por filhos não era idolatria. Não, ela era idó</p><p>latra porque seu desejo de ter filhos ocupava o primeiro lugar em seu</p><p>coração. “Dá-me filhos, senão morrerei” é o clamor de uma idólatra.</p><p>Reflita comigo a respeito do mandamento que Jesus disse ser</p><p>mais importante. Ele disse que o amor mais importante em seu</p><p>coração deve ser centrado em Deus. Qualquer coisa aquém disso é</p><p>idolatria. Se você se dedicar com afinco em seu trabalho, mas ainda</p><p>assim não for promovido, sua reação revelará se você está servindo</p><p>a Deus ou adorando um ídolo. Deus e seu amor por ele são mais</p><p>importantes que seu emprego? Ou se, quando faz um belo jantar</p><p>para seu marido, em vez de lhe dar atenção, ele vai assistir televisão</p><p>e depois dormir, você ficar irada, emburrada, se chorar ou pensar</p><p>em formas de castigá-lo, você vai saber que seu amor por Deus não</p><p>ocupa o primeiro lugar em sua vida.</p><p>MALDIÇÕES GARANTIDAS</p><p>Faz parte da natureza de aliança da adoração crer que seu deus pode</p><p>abençoá-lo ou amaldiçoá-lo. Para Raquel, a esterilidade era maldição</p><p>intolerável. Sabemos disso porque ela estava disposta a abrir mão de</p><p>qualquer coisa para evitá-la. Os ídolos sempre operam desse modo</p><p>em nosso coração. Vendemo-nos para eles e imaginamos que perdé</p><p>mos será uma aflição insuportável — uma maldição. Por isso exercem</p><p>tamanho poder sobre nossa vida.</p><p>Há uma maldição envolvendo a idolatria, mas não se deve ao fato</p><p>de não conseguirmos o que desejamos. A maldição consiste em buscar</p><p>mos satisfação em algo que não Deus. Veja o que diz Jeremias 17.5,6:</p><p><3I></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Assim diz o Senhor:</p><p>Maldito o homem que confia no homem,</p><p>que faz daquilo que é mortal a sua força</p><p>e afasta do Senhor o coração.</p><p>Ele é como um arbusto no deserto,</p><p>não perceberá quando vier bem algum;</p><p>pelo contrário, morará nos lugares secos do deserto,</p><p>em terra salgada e desabitada.</p><p>O que você observa no homem que confia em algo que não</p><p>Deus? Ele nunca está satisfeito. E como um arbusto sedento no</p><p>deserto, um espinheiro em terra desabitada. O que poderia dar me</p><p>nos satisfação?</p><p>Lembro-me de um passeio de jipe no deserto de Sonora.</p><p>Embora fosse primavera e tivesse chovido há pouco tempo, o deser</p><p>to estava desolado. Nosso guia comentou várias vezes que devíamos</p><p>tomar cuidado, pois todas as plantas e animais ali eram hostis. De</p><p>fato, era perigoso aproximar-se de qualquer coisa que crescia na</p><p>quela região. Certo cacto tinha espinhos com farpas microscópicas</p><p>invertidas, capazes de fixar-se até a quem resvalasse nelas. Outro</p><p>cacto tinha espinhos de mais de oito centímetros de comprimento,</p><p>tão resistentes que penetrariam facilmente quatro camadas àe jeans.</p><p>Era uma terra deserta e desabitada. Embora eu tenha gostado do</p><p>passeio, devo admitir que fiquei feliz de voltar para dentro do jipe e</p><p>rumar para a civilização. Com certeza eu não gostaria de morar ali.</p><p>A Bíblia ensina que quando coloco a mim mesma, meus desejos,</p><p>minha capacidade de me salvar, ou qualquer outra coisa que não</p><p>Deus no centro de minha confiança e de meu amor, é exatamente</p><p>neste lugar que vivo: no deserto.</p><p>Seria uma maldição ter de viver num deserto, não é? A pessoa</p><p>que confia em algo ou ama algo mais que a Deus é amaldiçoada</p><p>porque se concentra de tal modo naquilo que deseja a ponto de</p><p>nem sequer perceber quando coisas boas acontecem. Só consegue</p><p><32></p><p>OS DEUSES DE RAQUEL E VOCÊ</p><p>ver o que está faltando em sua vida. Isso porque o coração deixou</p><p>de amar o Senhor, e ela tem mais amor por alguma outra coisa.</p><p>Ama a justiça própria, a autossuficiência e aprovação própria. Por</p><p>essa razão Raquel era deslumbrante, tinha todo o amor de seu</p><p>marido, deu à luz um lindo bebê saudável e ainda assim declarou:</p><p>“Quero mais”. Raquel vivia no deserto em mais de um sentido.</p><p>Vivia na aridez criada por seus desejos. Sua vida era infeliz, triste,</p><p>inútil e sem esperança, pois ela havia descoberto que não era a</p><p>mulher perfeita. A adoração a ídolos é o motivo de nosso descon</p><p>tentamento e de nossa desobediência a Deus. E Calvino diz que</p><p>nosso coração os fabrica.</p><p>ENTERRE SEUS ÍDOLOS</p><p>No fim das contas,</p><p>fazê-lo, mas</p><p>não posso ordenar nem dizer que Deus ordena que você o faça. Seria</p><p><241 ></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>o equivalente a acrescentar algo à lei. Fazer acréscimos à lei de Deus</p><p>corresponde a dizer que sabemos mais que Deus sobre santidade</p><p>pessoal e que ele precisa de nossa ajuda. Assustador, não? Embora</p><p>percebamos como é absurdo, ainda assim agimos dessa forma.</p><p>Esse tipo de legalismo se manifesta de várias maneiras, especial</p><p>mente na conformidade exterior a padrões humanos, como vestir-se</p><p>de determinada maneira e evitar determinados lugares ou formas</p><p>de entretenimento. E caracterizado no velho ditado: “Não fumo</p><p>nem masco fumo, nem ando com quem o faz”. Claro que devemos</p><p>nos preocupar em obedecer à lei de Deus. O erro consiste, porém,</p><p>em crer que nossa retidão diante de Deus depende da obediência a</p><p>nossos padrões pessoais.</p><p>Paulo confrontou esse problema quando ele se manifestou na</p><p>questão de comer carne sacrificada a ídolos. Ele disse: “A fé que tens,</p><p>guarda-a contigo mesmo diante de Deus” (Rm 14.22). O apóstolo</p><p>não está dizendo que você pode inventar o que quiser a respeito</p><p>das doutrinas da fé. Antes, está afirmando que, no âmbito de sua</p><p>liberdade ou consciência pessoal, é preciso ter cuidado para não im</p><p>por seus padrões, suas preferências e suas escolhas pessoais como se</p><p>estivessem no mesmo nível que os padrões de Deus, pois eles já são</p><p>suficientemente elevados.</p><p>Em resumo, o legalismo é praticado quando imaginamos que</p><p>somos capazes de guardar os mandamentos de Deus para garan</p><p>tir a continuidade de nossa salvação ou quando colocamos nossas</p><p>convicções pessoais ou meios de obediência no mesmo nível que as</p><p>ordens perfeitas de Deus.</p><p><242></p><p>APÊNDICE C</p><p>COMO SABER SE</p><p>VOCÊ É CRISTÃO</p><p>Fico feliz que você tenha resolvido abrir nesta página bem no final</p><p>do livro. Alegro-me com isso por dois motivos.</p><p>Primeiro, será impossível entender as verdades contidas neste</p><p>livro e segui-las se você não for cristão, e quero que você experi</p><p>mente a alegria da transformação realizada pelo poder de Deus. No</p><p>entanto, esse não é o motivo principal pelo qual me alegro de você</p><p>ler este apêndice.</p><p>Fico tão feliz que tenha aberto nesta página porque almejo que</p><p>você conheça a alegria da paz com Deus e tenha certeza de que seus</p><p>pecados foram perdoados. Se não houve um momento em sua vida</p><p>em que Deus abriu seu coração para a verdade do grande amor e</p><p>sacrifício dele por você e para sua rebeldia e necessidade de receber</p><p>perdão, é necessário questionar se você é cristão.</p><p>Muitos frequentam a igreja ou procuram viver de modo correto.</p><p>Poderiamos ser bem piores e, portanto, imaginamos que, como o</p><p>personagem de Patrick Swayze no filme Ghost, não importa se cre</p><p>mos em Cristo, desde que sejamos bons e amemos os outros, Deus</p><p>nos aceitará, certo? Se dependesse de mim, e se você tivesse de viver</p><p>conforme meus padrões, eu talvez dissesse que não há problema.</p><p>Mas não é o caso, e não depende de mim. Depende de Deus, e os</p><p>padrões dele são diferentes dos meus. Ele diz: “Os meus pensamen</p><p>tos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os</p><p>meus caminhos” (Is 55.8).</p><p>O fato é que Deus é perfeitamente santo. Isso significa que ele</p><p>jamais pensa ou faz algo incompatível com sua perfeição. Ele é puro,</p><p>sem defeito algum. Não é porque ele se levanta todas as manhãs e</p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>diz: “Hoje tentarei ser bom”. Ele é bom por natureza, e nunca há</p><p>ocasião em que não o seja.</p><p>Além de ser perfeitamente santo, ele é justo. Em outras palavras,</p><p>ele sempre providencia para que se faça justiça, para que aqueles que</p><p>merecem castigo o recebam no final das contas. Talvez não pareça</p><p>ser o caso ao olhar do ponto de vista humano, mas eu lhe garanto</p><p>que o grande Juiz de toda terra prevalecerá. Se Deus permitisse que</p><p>as pessoas quebrassem suas leis e ficassem impunes, ele não seria</p><p>justo, não é mesmo?</p><p>Em certo sentido, a verdade da santidade e da justiça de Deus nos</p><p>tranquiliza. Embora os Hitlers do mundo pareçam ter escapado do</p><p>julgamento aqui na terra, terão de comparecer perante seu Criador</p><p>e receberão o que merecem. Em outro sentido, porém, a santidade e</p><p>a justiça de Deus devem nos inquietar. Afinal, embora pudéssemos</p><p>ser piores, sabemos que todos nós pecamos, e Deus odeia o pecado.</p><p>O pecado é qualquer violação dos padrões de Deus. Seus padrões</p><p>são apresentados na Bíblia e resumidos nos Dez Mandamentos no</p><p>Antigo Testamento. Reflita a respeito desses mandamentos por um</p><p>instante. Você alguma vez teve outros deuses em sua vida? Tem re</p><p>verenciado o Dia do Senhor e o separado para ele? Sempre honrou</p><p>aqueles que exercem autoridade sobre você? Alguma vez tirou uma</p><p>vida ou deu as costas para alguém que precisava de sua proteção?</p><p>Alguma vez desejou alguém com que você não é casado? Tomou</p><p>para si algo que não lhe pertencia? Contou uma mentira ou cobiçou</p><p>algo de outra pessoa?</p><p>Se você é como eu, dirá que provavelmente quebrou todos os man</p><p>damentos de Deus em algum momento de sua vida. Isso significa que,</p><p>a certa altura, você também terá de comparecer diante do tribunal de</p><p>Deus. Mas não se desespere. Se você sabe que é pecador, há esperança,</p><p>pois Deus não é apenas santo e justo, mas também misericordioso.</p><p>Deus tem misericórdia e compaixão de seu povo. Tem amor</p><p>imenso e, por isso, abriu um caminho para que tivéssemos acesso</p><p><244></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>capítulo do Evangelho de João. Ao longo da leitura, peça a Deus</p><p>que o ajude a compreender. Em seguida, procure uma igreja boa,</p><p>que siga a Bíblia, e comece a frequentá-la. Uma igreja que segue a</p><p>Bíblia crê na Trindade (que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são,</p><p>igualmente, um só Deus), crê que a salvação é inteiramente uma</p><p>dádiva de Deus, pratica a oração e a santidade e prega a Palavra de</p><p>Deus, sem o acréscimo de outros livros.</p><p>Se você se tornou cristão por meio do ministério deste livro,</p><p>gostaria muito de conhecê-lo e de me alegrar com você. Por favor,</p><p>entre em contato comigo em meu site: www.elysefitzpatrick.com.</p><p>Que você receba as mais ricas bênçãos de Deus ao curvar-se humil</p><p>demente diante de seu trono.</p><p><246></p><p>http://www.elysefitzpatrick.com</p><p>INDICE DE</p><p>PASSAGENS BÍBLICAS</p><p>Gênesis 12.3 44 20.30 87</p><p>1.14 146 12.13 43 31.18 62</p><p>1.26 146 12.14 43 32.4 198</p><p>1.26,27 144 13.16 44 34.6-7 125</p><p>1.27 146 15.5 44</p><p>1.28 146 15.16 103 Levítico</p><p>1.29 146 16 43 19.4 64</p><p>2.3 146 17.1,2 44</p><p>2.5 146 17.6 44 D euteronômio</p><p>2.7144 20.2 43 4.10 123</p><p>2.9 146 2143 5.29 103</p><p>2.15 146 22.1,2 180 6.4 125</p><p>2.16,17 143 22.2 43 6.14 64</p><p>2.18 146 24.48 224 7.9 63</p><p>2.19 146 29 23,35 9.10 62</p><p>2.20 146 29.17 24 9.21198</p><p>2.20-25 146 29.20 24 10.8 224</p><p>2.21146 30.1,2 24 10.12 13 53, 63</p><p>2.23 146 30.24 26 13.3 180</p><p>2.25 146 3124 18.7 224</p><p>3.6 92 31.34 204 23.15,16 110</p><p>3.8 146 31.34,35 27 28.47 107</p><p>5.1144 35.2 33 30.19 108,163</p><p>6.5 112,148 35.4 33 32197</p><p>8.21112</p><p>9.6 144 Êxodo Josué</p><p>11.4 151 15.20 224 2103</p><p>11.6 151 20.2,3 54 2.10 103</p><p>11.9 151 20.3 16, 48, 55,199 2.9,11104</p><p>12.2 44 20.12 13,14,17 56 14.8 107</p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>24.15 108,163,164</p><p>24.19 164</p><p>ISainuel</p><p>1.6 139</p><p>1.8 107</p><p>1.10139</p><p>1.11139</p><p>1.18 139</p><p>I. 20 140</p><p>2.12 41</p><p>2.17 41</p><p>2.22-25 41</p><p>2.29 41</p><p>3.13 41</p><p>3.18 770</p><p>13.14 219</p><p>16.7 776</p><p>2Samuel</p><p>6.5-7279</p><p>6.14-16 279</p><p>24.24 206</p><p>IReis</p><p>3.12 706</p><p>8.27 725</p><p>8.57,58 79</p><p>II. 5-10 79</p><p>13.2 727</p><p>18.21163</p><p>2Reis</p><p>22.11 727</p><p>22.13 722</p><p>lCrônicas</p><p>17.16 224</p><p>28.9 776, 727</p><p>29.20 224</p><p>2Crônicas</p><p>6.30 776</p><p>32.31180</p><p>Esdras</p><p>7.27-28 175</p><p>10.9 224</p><p>Neemias</p><p>1.4 224</p><p>1.11175</p><p>2.4175</p><p>8.6 224</p><p>Jó</p><p>1.6-12 181</p><p>2.1-6181</p><p>23.12 92</p><p>23.13 770</p><p>38.7 227</p><p>Salmos</p><p>5.5.6 725</p><p>7.17255</p><p>9.1.2 235</p><p>16.11 90</p><p>20.4 707</p><p>21.13 235</p><p>25.12 709, 770, 767</p><p>28.2 224</p><p>28.7 226</p><p>30.1- 4255</p><p>30.11 224</p><p>30.11.12 226</p><p>32 270</p><p>33.1- 3 255</p><p>33.9-11 770</p><p>37.28 725</p><p>38 270</p><p>40.8 97, 92</p><p>42.1.2 759, 776</p><p>44.21 776</p><p>45.1 227</p><p>46.10.11 770</p><p>47.1 224</p><p>50.21124</p><p>5X210</p><p>51.4 204</p><p>51.5 775,765</p><p>51.10 80</p><p>56.8 72</p><p>63.1- 3 97</p><p>63.1- 5 775</p><p>63.3 87, 88</p><p>63.4 224</p><p><248></p><p>ÍNDICE DE PASSAGENS BÍBLICAS</p><p>63.4,5 226</p><p>66.1-5 235</p><p>68.3,4 226</p><p>71.23 225</p><p>73.7 107</p><p>73.25 139</p><p>73.25-28 176</p><p>81.9 64</p><p>90.2 125</p><p>97.7 64</p><p>103.1 225</p><p>103.20-22 227</p><p>105.25 175</p><p>106.19-23 214</p><p>W6A6175</p><p>110.3 80,170</p><p>112.1</p><p>o que Raquel fez com seus ídolos? Felizmente,</p><p>é provável que eles tenham sido enterrados debaixo de uma árvore.</p><p>Jacó ordenou que sua família voltasse para Deus. “Lançai fora os</p><p>deuses estrangeiros que há no meio de vós”, disse a seus familiares.</p><p>“E entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam [...]</p><p>e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém” (Gn</p><p>35.2,4). Esperamos que Raquel tenha entregado seus deuses falsos</p><p>conforme seu marido ordenou. Embora ela tenha morrido pouco</p><p>depois, não há motivo para concluir que tenha guardado consigo</p><p>os ídolos apesar da instrução de Jacó. Talvez Deus tenha libertado</p><p>Raquel da crença de que precisava de algo além dele — talvez tenha</p><p>trabalhado no coração dela para que confiasse somente nele.</p><p>Você também pode encontrar descanso hoje na certeza de que,</p><p>pela graça de Deus, ao obedecer à ordem de seu Marido celestial</p><p>para entregar seus ídolos, ele os colocará debaixo de outra árvore.</p><p>Deus tem poder para enterrar todos os nossos falsos deuses de</p><p>baixo do madeiro mais impressionante e glorioso de todos... o</p><p>madeiro do Gólgota. Você pode lhe entregar todos os seus medos,</p><p><33></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>todos os seus desejos, todos os seus pecados, pois ele disse: “... Está</p><p>consumado...” (Jo 19.30).</p><p>A história de Raquel é relevante para você e para mim? Sim,</p><p>pois a idolatria não terminou ali. O problema persiste na igreja de</p><p>hoje. Precisamos nos lembrar das palavras finais de João: “Filhinhos,</p><p>guardai-vos dos ídolos” (ljo 5.21). Sua advertência para “ter cui</p><p>dado” ou “proteger-se” da adoração falsa não faz sentido se não</p><p>entendemos como nosso coração fabrica ídolos.</p><p>Deus nos chama a enterrar nossos falsos deuses aos pés da cruz.</p><p>Na união com Jesus Cristo, crucificado no madeiro do Gólgota, te</p><p>mos o desejo e o poder de conquistar toda nossa idolatria e enterrar</p><p>nossos deuses no solo encharcado de sangue debaixo de sua cruz.</p><p>Somente Deus, o Conhecedor do coração, é também o</p><p>Transformador do coração. O Deus que nos conhece e nos ama ple</p><p>namente, mais do que somos capazes de entender, também conhece</p><p>todos os nossos desejos e o lugar que ocupam em nossos afetos. Ele</p><p>é o Transformador do coração. Nas palavras do autor de Hebreus,</p><p>não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas</p><p>estão descobertas e expostas aos olhos daquele a quem deveremos</p><p>prestar contas [...] Porque não temos um sacerdote que não possa</p><p>compadecer-se das nossas fraquezas, mas alguém que, à nossa</p><p>semelhança, foi tentado em todas as coisas, porém sem pecado.</p><p>Portanto, aproximemo-nos com confiança do trono da graça, para</p><p>que recebamos misericórdia e encontremos graça, a fim de sermos</p><p>socorridos no momento oportuno (Hb 4.13,15-16).</p><p>Todos os desejos de nosso coração, quer idólatras em essência ou</p><p>idólatras em função de nosso amor desordenado por eles, são conhe</p><p>cidos por nosso Pai. Todas as coisas estão “descobertas e expostas”</p><p>diante dele, e ele nos conhece inteiramente. Ele sabe de cada ocasião</p><p>em que colocamos algo acima dele, em que amamos algo mais do que</p><p>a ele. Se esse fosse o fim da história, cairiamos em desespero, não é</p><p><34></p><p>OS DEUSES DE RAQUEL E VOCÊ</p><p>mesmo? Louvado seja Deus porque a passagem diz, na sequência, que</p><p>nosso querido Salvador e Sumo Sacerdote se compadece de nossas</p><p>fraquezas. Ele entende nossa adoração diluída e implora para que nos</p><p>aproximemos dele, “para que recebamos misericórdia e encontremos</p><p>graça [...] no momento oportuno”. Precisamos encarecidamente de</p><p>sua misericórdia e de seu socorro em nosso conflito com a idola</p><p>tria... e ele prometeu concedê-los. Portanto, deposite nele toda sua</p><p>esperança e confiança. Sei que ele se mostrará um Sumo Sacerdote</p><p>fiel e lhe concederá a ajuda de que você precisa para desenvolver um</p><p>coração e uma vida inteiramente dedicados a amá-lo e adorá-lo.</p><p>Quando você se vir preocupado, irado ou temeroso como Raquel,</p><p>descanse no fato de que não precisa pegar um ídolo na estante nem</p><p>encontrar algum outro modo de cuidar de si mesmo. A misericórdia</p><p>e a graça de Deus estão ao seu alcance a cada momento — e a ajuda</p><p>que ele promete é tão certa quanto o caráter dele. Você pode dar</p><p>um passo em direção ao Senhor... Ele o conhece e sabe o que você</p><p>adora, e é mais que capaz de sustê-lo em seu momento de neces</p><p>sidade. Portanto, vá em frente e aproxime-se dele com confiança.</p><p>Você descobrirá que ele é repleto de compaixão e mais que capaz</p><p>de ampará-lo e transformá-lo. Afinal, ele já o considera justo em</p><p>Cristo. De que mais você precisa?</p><p>MMMMI■MIMi■MlMN■</p><p>1. Pense na história de Raquel e Lia. Se você não a conhece, leia</p><p>a partir de Gênesis 29. Você se identifica mais com Raquel ou</p><p>com Lia? De que maneira as interações de Deus com ambas são</p><p>consolo e ânimo para você?</p><p>2. Pense nas áreas de sua vida em que você luta contra o pecado.</p><p>Vê alguma ligação entre seu pecado habitual e uma possível</p><p><35></p><p>ÍDOLOS £CORAÇÃO</p><p>idolatria? Em caso afirmativo, anote-a. Em caso negativo, não</p><p>desanime; o Senhor o ajudará a identificar se há ídolos em</p><p>seu coração.</p><p>3. Existe algo em sua vida que lhe parece absolutamente essen</p><p>cial ter?</p><p>4. Como você completaria a frase; “Dá-me _________, senão</p><p>morrerei”? Você espera que algum Jacó humano lhe proveja</p><p>satisfação absoluta? Que palavras usa para se consolar diante de</p><p>fracassos e decepções?</p><p>5. Escreva uma oração de compromisso, declarando seu desejo de</p><p>entender como seu coração pode fabricar ídolos.</p><p><36></p><p>2</p><p>ADORAÇÃO NÃO</p><p>DIVIDIDA</p><p>... tu me amas mais do que estes? (Jo 21.15).</p><p>'Tenho a impressão de que não faço outra coisa senão trabalhar.</p><p>Minha irmã nem parece perceber que eu também gostaria de me</p><p>sentar e ouvir as palavras do Mestre. Por que ela não enxerga que</p><p>preciso de ajuda? Às vezes ela é tão egoísta! Tenho tanta coisa</p><p>para fazer com os preparativos do jantar e a recepção dos convi</p><p>dados. Acho que vou dizer a ela o que penso."</p><p>Quando Marta saiu da cozinha e entrou na sala de estar, irri</p><p>tou-se novamente ao ver a irmã sentada aos pés de Jesus. "Por</p><p>que Jesus não diz para ela me ajudar? Por que deixa que fique</p><p>acomodada? Ele não se importa comigo?"</p><p>"Senhor", Marta demandou, "não te importas que minha irmã te</p><p>nha me deixado sozinha com todo o serviço? Dize-lhe que me ajude".</p><p>O Senhor voltou os olhos cheios de amor para o rosto de sua</p><p>serva inquieta e disse: “Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada</p><p>com muitas coisas; mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa</p><p>parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10.41,42).</p><p>Creio que não conheço nenhuma mulher cristã para a qual</p><p>essas palavras de Cristo não falem ao mais fundo de seu coração. Por</p><p>algum motivo, servir de forma prática parece ser mais fácil e mais</p><p>gratificante que sentar-se aos pés do Senhor para ouvi-lo. Por que</p><p>será? Essa tendência indica um problema em nossa adoração? Em</p><p>nosso amor? E o que é a “boa parte” que Maria havia escolhido e que</p><p>Marta e muitos de nós talvez deixemos passar?</p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>AMOR EXCESSIVO POR DEUS?</p><p>Você conhece alguém excessivamente dedicado ao Senhor, todo vol</p><p>tado a amá-lo? Eu não conheço. Aliás, não creio que isso seja possível.</p><p>Como Richard Baxter diz, “não é possível amar demais a bondade in</p><p>finita”.1 Não estou falando sobre alguma devoção mística que impede</p><p>um modo de vida responsável. Estou falando da dificuldade que sen</p><p>timos quando tentamos dedicar nossa vida diária, a cada momento, a</p><p>amar, adorar e servir ao Senhor — a assentar-nos a seus pés.</p><p>1 Richard Baxter,^ Christian directory (Morgan: Soli Deo Gloria, 1996), p. 123.</p><p>Apesar de meu envolvimento constante com o ministério cris</p><p>tão, tenho de me perguntar com frequência: “Quanto tempo tenho</p><p>passado aos pés do Mestre? Quanto tempo dedico à única coisa</p><p>necessária?”. Não estou falando de tempo gasto me preparando para</p><p>oportunidades de ministério, mas sim de tempo assentada aos pés</p><p>de Jesus, adorando-o. Verdade seja dita... sou como Marta. Tenho</p><p>fortes amores concorrentes em meu coração. Sim, amo o Senhor,</p><p>mas no momento estou um tanto ocupada</p><p>trabalhando para ele;</p><p>mais tarde passo um tempo com ele.</p><p>Até mesmo em minhas responsabilidades no ministério cristão é</p><p>possível adorar deuses que eu mesma crio.... as divindades de minha</p><p>reputação, de meus planos para o dia, de minhas idéias. E fácil ficar</p><p>tão frustrada e envolvida com o “serviço” ao Senhor que me esqueço</p><p>de amá-lo e adorá-lo. Nessas horas, de modo semelhante a Marta, co</p><p>meça a imaginar que Deus não se importa comigo. A verdade acerca</p><p>de seu amor e cuidado sacrificial fica anuviada por meus planos e de</p><p>sejos. Também é fato que, muitas vezes, grande parte do trabalho que</p><p>realizamos “para” o Senhor é, na realidade, uma forma de tentarmos</p><p>salvar a nós mesmos, merecer bênçãos ou justificar nossa existência.</p><p>Esse não é um problema apenas de Marta. Por isso ouvimos as</p><p>palavras do Senhor a ela ressoarem em seus ensinamentos a outros:</p><p><38></p><p>ADORAÇÃO NÃO DIVIDIDA</p><p>“Trabalhai não pela comida que se acaba, mas pela comida que per</p><p>manece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará” (Jo</p><p>6.27). “Cuidai de vós mesmos; não aconteça que o vosso coração se</p><p>encha de [...] preocupações da vida” (Lc 21.34). Por que é tão fácil</p><p>nos enchermos de preocupações e nos vermos presos? Porque, como</p><p>João Calvino disse, nosso coração fabrica outros deuses, e supomos</p><p>que eles nos salvarão e proverão para nós.</p><p>As vezes lhe parece que a Bíblia é repleta de declarações assusta</p><p>doramente simples? Êxodo 20.3 diz: “Não terás outros deuses além</p><p>de mim”. Com essa asserção elementar, o Senhor Deus, Criador dos</p><p>céus e da terra, dirige todo nosso foco e destino. Nossa atitude em</p><p>relação a essas sete palavras curtas, que parecem tão triviais, influen</p><p>cia todas as facetas de nossa vida, agora e eternamente. Será que a</p><p>única coisa necessária que Marta encontrou e Maria deixou passar</p><p>está resumida nesse mandamento sucinto? Marta havia colocado</p><p>outro deus acima de Jeová?</p><p>INSIGHTS DOS PURITANOS</p><p>Ao procurarmos entender a devoção plena que Deus exige no pri</p><p>meiro mandamento, um recurso útil é o The larger catechism.</p><p>Ele propõe a pergunta: “Quais são os deveres exigidos no pri</p><p>meiro mandamento?”. A resposta que os autores fornecem é tão</p><p>proveitosa para tratarmos do pleno propósito do mandamento que a</p><p>citarei por inteiro (embora seja um tanto extensa):</p><p>Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e</p><p>reconhecer Deus como único Deus verdadeiro e nosso Deus, e</p><p>adorá-lo e glorificá-lo como tal; pensar e meditar nele, lembrar-nos</p><p>dele, tê-lo na mais alta consideração, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-</p><p>-lo, amá-lo, desejá-lo e temê-lo; crer nele, confiando, esperando,</p><p>deleitando-nos e regozijando-nos nele; ter zelo por ele; invocá-lo,</p><p>dando-lhe todo louvor e gratidão, prestando-lhe toda a obediência</p><p><39></p><p>ÍDOLOS 4Í CORAÇÃO</p><p>e submissão de nosso ser; ter cuidado de agradá-lo em tudo, e</p><p>tristeza quando ele é ofendido em qualquer coisa; e andar humil</p><p>demente com ele.2</p><p>lrIhe larger catechism, p. 104 (Carlisle: Banner of Truth Trust, 1998) [edição</p><p>em português: O catecismo maior de Westminster (São Paulo: Cultura Cristã, 2003)].</p><p>Que tal voltar e reler a resposta? Notou como cada um dos ver</p><p>bos é relevante e rico em significado? Ao lê-los, vejo claramente</p><p>como falho em conhecer, reconhecer, adorar e glorificar a Deus</p><p>como meu único Deus verdadeiro. Reflita comigo enquanto repasso</p><p>alguns itens da lista:</p><p>• Pensar em Deus. Penso em Deus continuamente ou só de vez em</p><p>quando, nos momentos em que desejo algo ou preciso de algo?</p><p>• Meditar em Deus. Medito em seu caráter, em sua santidade,</p><p>em sua bondade, em seu amor?</p><p>• Lembrar-se de Deus. Lembro-me dele em tudo o que faço e</p><p>digo ou raramente penso nele?</p><p>• Confiar em Deus. Confio nele de fato ou confio em outras</p><p>coisas, como meu currículo ou meu trabalho?</p><p>Percebe a perspectiva prática dos puritanos? Embora haja quem</p><p>considere de modo equívoco o primeiro mandamento como uma</p><p>instrução ambígua, os puritanos o compreenderam em termos prá</p><p>ticos e cotidianos. Dediquemos agora algum tempo ao estudo mais</p><p>detalhado de dois termos que eles usam: honrar e confiar.</p><p>O SACERDOTE QUE NÃO</p><p>HONRAVA A DEUS</p><p>Antes do tempo dos reis de Israel, um sacerdote chamado Eli atuou</p><p>como governante nomeado por Deus. Eli tinha um problema sério:</p><p><40></p><p>ADORAÇÃO NÃO DIVIDIDA</p><p>não honrava a Deus. Embora servisse a Jeová e ocupasse o cargo</p><p>mais elevado de autoridade religiosa, estava mais preocupado em</p><p>agradar seus dois filhos rebeldes do que em agradar a Deus. Esse</p><p>fato é evidente, pois, quando seus filhos agiram com impiedade, ele</p><p>não os disciplinou.3 Deus confrontou Eli por seu pecado: “... Por</p><p>que honras teus filhos mais do que a mim...?” (ISm 2.29). Visto</p><p>que Eli honrava seus filhos mais que a Deus, era inevitável que seu</p><p>sacerdócio chegasse ao fim.</p><p>3“Os filhos de Eli eram ímpios; não se importavam com o Senhor [...]. O</p><p>pecado desses jovens era muito grave à vista do Senhor, pois eles desprezavam a</p><p>oferta do Senhor” (ISm 2.12,17). Veja tb. ISm 2.22-25,29. “Porque já lhe disse</p><p>que julgarei sua família para sempre, pois ele sabia do pecado de seus filhos, que</p><p>blasfemavam contra Deus, mas não os repreendeu” (ISm 3.13).</p><p><4I></p><p>Embora EU servisse ao Senhor, considerava mais importante</p><p>agradar seus filhos que honrar a Deus. E provável que EU nunca</p><p>tenha dito isso, mas suas ações falavam mais alto que quaisquer pala</p><p>vras. Ele preocupava-se mais em ter paz em seu lar do que em ter paz</p><p>com Deus, por isso não cumpriu seu dever e desonrou ao Senhor. O</p><p>prazer de ter um relacionamento tranquilo com seus filhos funcionava</p><p>como seu deus. Ele serviu a esse ideal que lhe era tão importante e</p><p>desconsiderou as ordens de Deus para disciplinar seus filhos. Apesar</p><p>de EH ser sacerdote, era idólatra. Não se curvava para imagens de</p><p>pedra, mas se curvava para as exigências de seus filhos — mesmo</p><p>quando eram conflitantes com as exigências de Deus.</p><p>Como adoradores de Deus, nossa preocupação com sua honra</p><p>deve ser tão grande que, em comparação, o amor natural por outros</p><p>deve parecer ódio. Como Jesus disse: “Se alguém vier a mim, e amar</p><p>pai e mãe, mulher e filhos, irmãos e irmãs, e até a própria vida mais</p><p>do que a mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26).</p><p>Ao fazer uma retrospectiva de minha vida como mãe, vejo diver</p><p>sas maneiras pelas quais me curvei para as exigências de meus filhos</p><p>em vez de honrar a Deus. Vejo como consenti com seus desejos e</p><p>ÍDOLOS^ CORAÇÃO</p><p>os atendi porque queria mimá-los ou deixá-los felizes. Por vezes,</p><p>quis tanto ser amiga deles que não me preocupei com a amizade</p><p>com Deus. Em outras ocasiões, cheguei a me opor à liderança de</p><p>meu marido para evitar o desprazer deles. Em meu coração, sou</p><p>como Eli. Houve ocasiões em que transformei em ídolo a opinião</p><p>favorável de meus filhos... e, como Marta, deixei passar a única coisa</p><p>necessária: a adoração a Deus.</p><p>Honrar a Deus significa colocar em primeiro lugar o prazer e a</p><p>glória do Senhor. Significa ter respeito e deferência por ele e esti</p><p>má-lo acima das opiniões daqueles a quem amamos. Significa ter a</p><p>disposição de sofrer desrespeito e até perseguição a fim de respeitá-</p><p>-lo. Podemos identificar a adoração a falsos deuses em nosso coração</p><p>quando honramos alguma coisa mais que a Deus.</p><p>O PAI QUE CONFIAVA EM DEUS</p><p>Outra faceta da adoração a Deus é a confiança. Confiar em Deus sig</p><p>nifica crer nele e obedecer a suas ordens a qualquer custo. Significa</p><p>acreditar que tudo de que preciso para ser amado e cuidado eterna</p><p>mente já me foi concedido em Cristo.</p><p>A confiança é uma daquelas questões fundamentais nas quais pre</p><p>ciso trabalhar continuamente. Embora confie em Cristo para minha</p><p>salvação eterna, com frequência encontro outras áreas de minha vida</p><p>em que não confio em Deus. Por exemplo, fico apreensiva quando</p><p>imagino que não haverá dinheiro suficiente para pagar as contas. Em</p><p>vez de confiar na provisão de Deus, sou tentada a importunar meu</p><p>marido e ficar preocupada e com raiva, ou a ficar frustrada, desistir</p><p>e gastar dinheiro na tentativa de satisfazer e acalmar</p><p>meu coração.</p><p>Na verdade, essas ações revelam falta de confiança na capacidade de</p><p>Deus de prover. São pensamentos e ações de um idólatra.</p><p>Abraão havia esperado anos pelo presente prometido por Deus</p><p>— um filho que Deus usaria para trazer ao mundo seu Libertador.</p><p><42></p><p>ADORAÇÃO NÃO DIVIDIDA</p><p>Depois do nascimento de Isaque, Deus pediu de Abraão uma obe</p><p>diência inimaginável: "... Toma agora teu filho, o teu único filho,</p><p>Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá e oferece-o ali em holo</p><p>causto...” (Gn 22.2). O fato de Abraão ter se sujeitado à ordem de</p><p>Deus é um exemplo extraordinário de como Deus, por sua graça,</p><p>nos sustenta e nos capacita para obedecer.</p><p>Abraão amava Isaque, e Deus sabia disso. Em sua ordem para</p><p>que Abraão realizasse esse sacrifício, Deus ressaltou o fato de que</p><p>Isaque era o filho amado de Abraão. O Senhor queria deixar claro</p><p>para Abraão que ele sabia o que sua ordem implicava. Não se</p><p>tratava do sacrifício de Ismael,4 mas de Isaque, o filho preferido, o</p><p>filho da promessa por meio do qual o Messias viria. Teria sido fácil</p><p>para Abraão imaginar que a vinda do Messias dependia inteira</p><p>mente de sua capacidade de proteger Isaque. Afinal, a fim de que</p><p>a promessa de Deus se cumprisse, parecia necessário que Isaque</p><p>chegasse à idade adulta. Teria sido fácil para Abraão confiar em</p><p>si mesmo e em sua aptidão como pai. Da mesma forma que você</p><p>e eu, no passado Abraão havia lidado com o desejo de resolver as</p><p>coisas (inclusive as promessas de Deus) à sua maneira, confiando</p><p>em si mesmo.5 Ele poderia ter pensado consigo mesmo: “Deus</p><p>não me pediria para matar Isaque. Não, tenho de protegê-lo para</p><p>que Deus cumpra seu plano em relação ao Messias. Preciso fazer</p><p>o que me parece correto”.</p><p>4Veja em Gênesis 16,17 e 21 a história completa de Abraão, Hagar (serva de</p><p>Sara) e seu filho Ismael.</p><p>5Embora Abraão tenha sido aprovado nesse teste com louvor, não foi sempre</p><p>assim em outras ocasiões de sua vida. Em Gênesis 12.13 e 20.2, ele colocou em</p><p>perigo duas vezes sua esposa Sara, que seria a mãe do filho prometido, ao dizer a</p><p>reis da terra que ela era apenas sua irmã. Foi sinal da graça providencial de Deus</p><p>ter guardado Sara de relações sexuais na corte do rei, protegendo assim a linhagem</p><p>eleita. Em Gênesis 16, Abraão cedeu às maquinações de Sara e teve relações sexuais</p><p>com Hagar, gerando um filho por seu próprio poder e questionando, mais uma vez,</p><p>a capacidade de Deus de cumprir sua palavra.</p><p><43></p><p>ÍDOLOS £ CORAÇÃO</p><p>Pela graça divina, Abraão foi capaz de confiar no poder e no</p><p>plano do Senhor. Podemos acompanhar o raciocínio de Abraão</p><p>em Hebreus 11: “Ele considerou que Deus era poderoso até para</p><p>o ressuscitar dos mortos...” (Hb 11.19). Abraão não tinha garantia</p><p>alguma de que Deus proveria um carneiro para o sacrifício, apenas</p><p>a garantia da promessa de Deus: “... todas as famílias da terra serão</p><p>abençoadas por meio de ti” (Gn 12.3). Deus poderia ter lhe dado</p><p>outro filho, poderia ter ressuscitado Isaque, ou poderia ter cumprido</p><p>sua promessa de alguma outra maneira. De qualquer modo, Abraão</p><p>havia aprendido a confiar nele, portanto levantou-se cedo, pegou a</p><p>lenha, o fogo e uma faca, e partiu para o encontro com o Deus em</p><p>quem ele confiava. O que o sustentou durante a jornada de três dias</p><p>até o monte Moriá? Talvez ele simplesmente tenha confiado que</p><p>Deus não havia mentido. Creu na sabedoria, no poder e na veraci</p><p>dade de Deus. Talvez tenha se recordado das promessas de Deus:</p><p>... farei de ti uma grande nação... (Gn 12.2).</p><p>... farei a tua descendência como o pó da terra... (Gn 13.16).</p><p>... conta as estrelas [...] Assim será a tua descendência (Gn 15.5).</p><p>... Eu sou o Deus todo-poderoso [...] te farei crescer muito em</p><p>número (Gn 17.1,2).</p><p>... eu te farei frutificar imensamente; de ti farei nações, e reis proce</p><p>derão de ti (Gn 17.6).</p><p>Pela graça e pelo poder de Deus, Abraão creu em suas promessas</p><p>e obedeceu de bom grado.</p><p>Reflita sobre as diferenças entre o relacionamento de Abraão e</p><p>de Eli com Deus. Abraão amava seu filho, mas amava Deus ainda</p><p>mais. Ele adorava a Deus a ponto de estar disposto a entregar a</p><p><44></p><p>ADORAÇÃO NÃO DIVIDIDA</p><p>pessoa mais querida de seu coração. Sim, Abraão amava seu filho,</p><p>mas seu amor por ele parecia ódio em comparação com o amor por</p><p>seus Deus. Eli teria dito que amava a Deus e a seus filhos. Na hora</p><p>da verdade, porém, suas ações mostraram que seus filhos governa</p><p>vam seu coração.</p><p>CONFIANÇA NO DEUS QUE VOCÊ ADORA</p><p>Diante da adversidade, quando parece que tudo pelo que você tra</p><p>balhou está prestes a se transformar em fumaça — quando os filhos</p><p>estão doentes, a empresa vai por água abaixo ou há conflito na igreja</p><p>— as perguntas fundamentais devem ser: Você confia em Deus? Crê</p><p>que ele é sábio, bom e poderoso o suficiente para realizar sua von</p><p>tade e conduzir você e sua família em segurança até ele? Consegue</p><p>ouvi-lo dizer a você: “Eu sou o Deus todo-poderoso”?</p><p>Gostaria de dizer que sempre confio em Deus desse modo, mas</p><p>não é o caso. Muitas vezes me pego vacilando e questionando a</p><p>bondade e a veracidade de Deus. Creio que Deus é bom e que posso</p><p>confiar em sua palavra, mas essa convicção sempre compete com</p><p>outras crenças e com medos em meu coração:</p><p>• Posso confiar em Deus para a salvação e outras coisas do</p><p>âmbito religioso, mas quanto a meu casamento, devo agir</p><p>como me parecer melhor.</p><p>• Não preciso me esforçar para ter uma vida de obediência gra</p><p>ta pelo amor e pela aceitação de Deus. Minha desobediência</p><p>não é idolatria; minhas circunstâncias são peculiares.</p><p>Dessas formas não muito sutis, eu me vejo faltar com a obediência</p><p>ao primeiro mandamento e erigir outros deuses — os deuses da minha</p><p>razão, os deuses da exaltação, da salvação e do amor próprios —</p><p>em vez de desenvolver confiança e devoção absolutas. Permita-me</p><p><45></p><p>ÍDOLOS^ CORAÇÃO</p><p>dar-lhe mais um exemplo que talvez o ajude a perceber como é fácil</p><p>nos confundirmos em relação ao foco de nosso amor.</p><p>"...TU ME AMAS MAIS DO QUE ESTES?...”</p><p>Antes de negar a Cristo na noite da crucificação, Pedro achava que</p><p>adorava plenamente a seu Senhor. Ele teria se encaixado bem entre</p><p>os 76 por cento dos americanos que se consideram obedientes ao</p><p>primeiro mandamento. Pedro supôs equivocadamente que seu amor</p><p>pelo Senhor fosse mais forte que qualquer outro amor. Declarou:</p><p>“... Ainda que seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te</p><p>negarei” (Mc 14.31). Jesus, porém, lhe disse: "... nesta noite [...] tu</p><p>me negarás três vezes” (Mc 14.30).</p><p>Que impacto essas palavras devem ter causado a Pedro, tão or</p><p>gulhoso e seguro de si! E provável, contudo, que o impacto maior,</p><p>que abalou até os alicerces de sua alma, tenha vindo com o olhar</p><p>de amor e compreensão de Jesus por seu discípulo depois que ele o</p><p>negou (Lc 22.61). Quando o olhar de Pedro cruzou com o olhar do</p><p>Senhor, ele entendeu as incoerências de seu coração, a fragilidade de</p><p>seu afeto e o verdadeiro foco de seu amor. Ele tinha outros deuses.</p><p>Pedro havia se imaginado forte o suficiente para ser seu próprio sal</p><p>vador: “... saindo dali, chorou amargamente” (Lc 22.62).</p><p>Ele tinha visto o Senhor duas vezes depois da ressurreição,6</p><p>mas ainda lutava com seu pecado e com os amores concorrentes</p><p>em seu coração. Jesus, em sua misericórdia, o ajudou a entender</p><p>sua fraqueza. Na praia, enquanto Jesus preparava o café da manhã</p><p>para seus discípulos, confrontou Pedro ternamente. Três vezes lhe</p><p>perguntou: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?”</p><p>6O Senhor também conversou com Pedro em particular em pelo menos mais</p><p>uma ocasião antes de os demais discípulos o verem. Embora não tenhamos infor</p><p>mações a respeito do teor dessa conversa, é natural supor que tenham falado sobre</p><p>a negação de Pedro e sua restauração (veja Lc 24.34; lCo 15.5).</p><p><46></p><p>ADORAÇÃO NÃO DIVIDIDA</p><p>(Jo 21.15). Em grego, Jesus lhe perguntou: “Você me ama com</p><p>devoção ardente, que exclui todos os outros amores?”. Duas vezes</p><p>Pedro se esquivou e declarou que tinha forte afeição pelo Senhor.</p><p>Na terceira vez, Jesus mudou a pergunta: “Você tem forte</p><p>afeição</p><p>por mim?”. Aflito e triste, Pedro foi obrigado a reconhecer: "...</p><p>Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo...” (Jo 21.17).</p><p>Foi como se Pedro tivesse dito, finalmente: “Senhor, tu conheces</p><p>meu coração. Sabes dos amores que competem por minha atenção</p><p>dentro dele. Eu te amo, mas tu sabes que falhei em amar-te, pois</p><p>amei outras coisas, especialmente as pessoas e a opinião delas a</p><p>meu respeito. Será que eu te amo mais do que estes? Meu amor é</p><p>mais forte que o deles? Senhor, somente tu o sabes”. Em essência, a</p><p>resposta do Senhor foi: “Sim, Pedro, eu sei. E agora, você também</p><p>sabe. Sirva-me ao cuidar de meu povo, mas, ao fazê-lo, tenha em</p><p>mente a quem você está servindo. Tenha em mente a quem você</p><p>deve adorar. Lembre-se de que eu sou o Único forte o suficiente</p><p>para salvar. E lembre-se de que você não é melhor que aqueles a</p><p>quem serve”.</p><p>O Senhor sabia que Pedro seria fraco, que falharia... como</p><p>acontece com todos nós. Muitas vezes, não permanecemos fiéis ao</p><p>Senhor como deveriamos, pois temos em nosso coração os mesmos</p><p>amores concorrentes que Pedro. Temos medo de que outros nos cri</p><p>tiquem, zombem de nós ou nos persigam. Temos vergonha de nossa</p><p>incapacidade de salvar a qualquer pessoa. Somos iguais a Pedro, não</p><p>é mesmo?</p><p>Em meio a essa triste realidade se encontra uma alegre verdade:</p><p>como Pedro pertencia a Cristo, no fim das contas ele prevalecería, e</p><p>sua fé não fracassaria completamente. A vitória não seria resultado</p><p>da força ou fé inerente de Pedro. Evidente, não? Sua fé sobrevivería</p><p>e se desenvolvería por meio de seu fracasso porque o Senhor havia</p><p>orado por ele (Lc 22.32). Você pode consolar seu coração com o fato</p><p>de que o Senhor também ora por você.</p><p><47></p><p>ÍDOLOS & CORAÇÃO</p><p>Portanto, também pode salvar perfeitamente os que por meio dele se</p><p>chegam a Deus, pois vive sempre para interceder por eles (Hb 7.25).</p><p>Nas palavras de certo puritano, “se ouvisses Cristo orar por ti,</p><p>não seria um incentivo para orares e te persuadires de que Deus não</p><p>te rejeitaria?”.7 Embora falhemos, embora adoremos outros deuses,</p><p>podemos descansar no fato de que Deus verdadeiramente nos salva</p><p>para sempre. Isso porque o Senhor Jesus está orando por nós, e sa</p><p>bemos que suas orações sempre são conforme a vontade de Deus e</p><p>sempre são ouvidas (Jo 11.41,42). Sim, podemos falhar em perma</p><p>necer fiéis como deveriamos, em adorar somente Deus, mas como</p><p>ele está orando por nós, jamais cairemos de suas mãos de amor.</p><p>7Baxter,yí Christian directory, p. 68.</p><p>Em nossa luta contra a idolatria, aprendamos a descansar no</p><p>poder da oração dele. Ao continuarmos a examinar a influência de</p><p>falsos deuses, será importante lembrar que, embora você se sinta fraco</p><p>e vulnerável, se pertence a Deus, ele o fortalecerá e o guardará. O fato</p><p>de você lutar contra amores concorrentes não é surpresa maior para o</p><p>Senhor que as negações de Pedro. No entanto, Deus amparou Pedro</p><p>quando ele caiu, e amparará você também. E o simples fato de você es</p><p>tar nessa batalha é prova de que, verdadeiramente, pertence ao Senhor.</p><p>QUEM VOCÊ ADORA?</p><p>Neste capítulo, procurei ajudá-lo a observar um pouco mais de perto</p><p>as implicações das palavras “Não terás outros deuses além de mim”</p><p>(Ex 20.3). A primeira vista, talvez parecesse que você estava se saindo</p><p>bem na tarefa de obedecer a esse mandamento. Quem sabe agora,</p><p>depois de olhar para a vida de Marta, Eli, Abraão e Pedro, tenha</p><p>percebido áreas de sua própria vida em que outros deuses governam</p><p>seu coração. Consegue discernir em que áreas você adora, honra,</p><p><48></p><p>ADORAÇÃO NÃO DIVIDIDA</p><p>ama algo ou confia nisso mais que em Deus? Em caso afirmativo,</p><p>não se desespere. Lembre-se de que Jesus sabia que Pedro o negaria,</p><p>mas por causa das orações de Jesus, a fé no coração de Pedro sobre</p><p>viveu, se desenvolveu e foi bênção para outros. A negação de Pedro é</p><p>fonte de grande consolo para mim, pois sei que em todos os aspectos</p><p>nos quais neguei o Senhor, ele está orando por mim, desafiando-me</p><p>a dedicar-lhe todo o meu amor.</p><p>No capítulo seguinte, trataremos em maior profundidade do pri</p><p>meiro mandamento e analisaremos o lugar da lei em nossa vida como</p><p>crentes. Por ora, porém, peço que o Espírito Santo desperte seu en </p><p>tendimento para os amores concorrentes e os deuses em seu coração.</p><p>1. Volte à resposta do The larger catechism (p. 39-40) e anote os</p><p>verbos usados para ilustrar a adoração não dividida. Sublinhe</p><p>os verbos mais expressivos para você.</p><p>2. Ao refletir sobre Marta, Eli, Abraão e Pedro, que verdades eles</p><p>ensinam sobre adorar de todo o coração?</p><p>3. Com qual dessas pessoas você se parece mais? Em que aspectos</p><p>você falha?</p><p>4. Qual é o significado do fato de que Jesus está orando por você?</p><p>5. No livro No god but God [Nenhum deus além de Deus], Os</p><p>Guinness e John Steel afirmam: “Para os seguidores de Jesus Cristo,</p><p>quebrar os ídolos e viver na verdade não é uma prova de ortodoxia,</p><p>mas de amor”.8 O que você acha que eles querem dizer com isso?</p><p>8Os Guinness; John Seel, orgs., No god but God (Chicago: Moody, 1992), p. 216.</p><p><49></p><p>ÍDOLOS ^CORAÇÃO</p><p>6. Quem ou o que compete mais intensamente por seu amor?</p><p>Pense em seus relacionamentos com pais, cônjuge, filhos, em</p><p>pregadores e amigos.</p><p><50></p><p>3</p><p>DE SUMA IMPORTÂNCIA</p><p>De modo que a lei é santa, e o mandamento,</p><p>santo, justo e bom (Rm 7.12).</p><p>- Vocês têm de partir agora mesmo! Não levem coisa alguma.</p><p>Fujam da cidade antes que o furor de Deus caia sobre ela!</p><p>"Quem eram esses desconhecidos que seu marido havia pro</p><p>tegido durante a noite? Do que estavam falando?" perguntou-se</p><p>a esposa de Ló. "Por que devemos dar ouvidos a eles? Quem pen</p><p>sam que são para ordenar que abandonemos nosso lar? Talvez</p><p>seja mais uma das brincadeiras de Ló."</p><p>- Não podemos ficar mais um pouco, Ló? suplicou ao</p><p>marido. — Os noivos de nossas filhas não têm certeza de que pre</p><p>cisamos partir. Por que não esperar e ver o que acontece? Quem</p><p>sabe não será necessário irmos embora. Sei que essa cidade tem</p><p>seus problemas, mas que cidade não tem? Além do mais, você</p><p>exerce autoridade considerável aqui e talvez possa convencer o</p><p>povo a mudar. Não vamos nos precipitar.</p><p>Então, enquanto o sol nascia, algo ainda mais assustador</p><p>aconteceu. Os dois desconhecidos obrigaram a família a sair pe</p><p>las portas da cidade e ordenaram que fugisse.</p><p>- Corram se quiserem salvar a vida! -, advertiram. - Não</p><p>olhem para trás! Afastem-se da cidade! O castigo de Deus está</p><p>prestes a cair sobre este lugar, mas Deus os protegerá. Corram! E</p><p>lembrem-se: não olhem para trás em hipótese alguma!</p><p>Enquanto Ló, sua esposa e suas filhas fugiam de sua casa, a</p><p>esposa de Ló sentiu algo fisgar seu coração.</p><p>"Como posso deixar para trás uma casa confortável, amigos</p><p>queridos, um lugar cheio de atrativos, meu âmbito de influência?</p><p>ÍDOLOS&CORAÇÃO</p><p>Não tive tempo nem de pegar minhas belas peças de cerâmica. E</p><p>quanto aos noivos de minhas filhas? Não quero sair da cidade.</p><p>Eu a amo e vou sentir saudades demais. É tão difícil pensar em</p><p>partir. Além disso, Deus sabe que preciso de meu lar querido. Será</p><p>que Deus poupará nossa casa? O que será que está acontecendo</p><p>com ela? Ló está correndo à frente, não vai saber se eu olhar só</p><p>de relance. Preciso apenas de uma última lembrança para levar</p><p>comigo... apenas uma memória preciosa."</p><p>Quando a esposa de Ló se voltou para trás, é possível que te</p><p>nha ficado paralisada com a cena assustadora de fogo descendo</p><p>do céu sobre sua cidade, seu lar. Naquele instante, antes que se</p><p>desse conta, foi envolta em gases sulfurosos e coberta de sal. A</p><p>última imagem que viu de seu mundo querido foi do julgamento</p><p>divino sobre ele.</p><p>Por vezes, uma ação simples revela muita coisa a respeito do</p><p>caráter. Neste caso, um olhar de relance revelou o coração. Sodoma</p><p>era o lugar em que a esposa de Ló vivia fisicamente, mas também</p><p>era onde seu coração habitava. Ela o amava, e seu coração idólatra se</p><p>apegou a ele, pois ali estava seu tesouro. Lembra-se das palavras de</p><p>Jesus, “onde estiver teu tesouro, aí estará também teu coração” (Mt</p><p>6.21)? Havia algo em</p>fazê-lo, mas
não posso ordenar nem dizer que Deus ordena que você o faça. Seria
<241 >
ÍDOLOS & CORAÇÃO
o equivalente a acrescentar algo à lei. Fazer acréscimos à lei de Deus
corresponde a dizer que sabemos mais que Deus sobre santidade
pessoal e que ele precisa de nossa ajuda. Assustador, não? Embora
percebamos como é absurdo, ainda assim agimos dessa forma.
Esse tipo de legalismo se manifesta de várias maneiras, especial
mente na conformidade exterior a padrões humanos, como vestir-se
de determinada maneira e evitar determinados lugares ou formas
de entretenimento. E caracterizado no velho ditado: “Não fumo
nem masco fumo, nem ando com quem o faz”. Claro que devemos
nos preocupar em obedecer à lei de Deus. O erro consiste, porém,
em crer que nossa retidão diante de Deus depende da obediência a
nossos padrões pessoais.
Paulo confrontou esse problema quando ele se manifestou na
questão de comer carne sacrificada a ídolos. Ele disse: “A fé que tens,
guarda-a contigo mesmo diante de Deus” (Rm 14.22). O apóstolo
não está dizendo que você pode inventar o que quiser a respeito
das doutrinas da fé. Antes, está afirmando que, no âmbito de sua
liberdade ou consciência pessoal, é preciso ter cuidado para não im
por seus padrões, suas preferências e suas escolhas pessoais como se
estivessem no mesmo nível que os padrões de Deus, pois eles já são
suficientemente elevados.
Em resumo, o legalismo é praticado quando imaginamos que
somos capazes de guardar os mandamentos de Deus para garan
tir a continuidade de nossa salvação ou quando colocamos nossas
convicções pessoais ou meios de obediência no mesmo nível que as
ordens perfeitas de Deus.
<242>
APÊNDICE C
COMO SABER SE
VOCÊ É CRISTÃO
Fico feliz que você tenha resolvido abrir nesta página bem no final
do livro. Alegro-me com isso por dois motivos.
Primeiro, será impossível entender as verdades contidas neste
livro e segui-las se você não for cristão, e quero que você experi
mente a alegria da transformação realizada pelo poder de Deus. No
entanto, esse não é o motivo principal pelo qual me alegro de você
ler este apêndice.
Fico tão feliz que tenha aberto nesta página porque almejo que
você conheça a alegria da paz com Deus e tenha certeza de que seus
pecados foram perdoados. Se não houve um momento em sua vida
em que Deus abriu seu coração para a verdade do grande amor e
sacrifício dele por você e para sua rebeldia e necessidade de receber
perdão, é necessário questionar se você é cristão.
Muitos frequentam a igreja ou procuram viver de modo correto.
Poderiamos ser bem piores e, portanto, imaginamos que, como o
personagem de Patrick Swayze no filme Ghost, não importa se cre
mos em Cristo, desde que sejamos bons e amemos os outros, Deus
nos aceitará, certo? Se dependesse de mim, e se você tivesse de viver
conforme meus padrões, eu talvez dissesse que não há problema.
Mas não é o caso, e não depende de mim. Depende de Deus, e os
padrões dele são diferentes dos meus. Ele diz: “Os meus pensamen
tos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os
meus caminhos” (Is 55.8).
O fato é que Deus é perfeitamente santo. Isso significa que ele
jamais pensa ou faz algo incompatível com sua perfeição. Ele é puro,
sem defeito algum. Não é porque ele se levanta todas as manhãs e
ÍDOLOS £ CORAÇÃO
diz: “Hoje tentarei ser bom”. Ele é bom por natureza, e nunca há
ocasião em que não o seja.
Além de ser perfeitamente santo, ele é justo. Em outras palavras,
ele sempre providencia para que se faça justiça, para que aqueles que
merecem castigo o recebam no final das contas. Talvez não pareça
ser o caso ao olhar do ponto de vista humano, mas eu lhe garanto
que o grande Juiz de toda terra prevalecerá. Se Deus permitisse que
as pessoas quebrassem suas leis e ficassem impunes, ele não seria
justo, não é mesmo?
Em certo sentido, a verdade da santidade e da justiça de Deus nos
tranquiliza. Embora os Hitlers do mundo pareçam ter escapado do
julgamento aqui na terra, terão de comparecer perante seu Criador
e receberão o que merecem. Em outro sentido, porém, a santidade e
a justiça de Deus devem nos inquietar. Afinal, embora pudéssemos
ser piores, sabemos que todos nós pecamos, e Deus odeia o pecado.
O pecado é qualquer violação dos padrões de Deus. Seus padrões
são apresentados na Bíblia e resumidos nos Dez Mandamentos no
Antigo Testamento. Reflita a respeito desses mandamentos por um
instante. Você alguma vez teve outros deuses em sua vida? Tem re
verenciado o Dia do Senhor e o separado para ele? Sempre honrou
aqueles que exercem autoridade sobre você? Alguma vez tirou uma
vida ou deu as costas para alguém que precisava de sua proteção?
Alguma vez desejou alguém com que você não é casado? Tomou
para si algo que não lhe pertencia? Contou uma mentira ou cobiçou
algo de outra pessoa?
Se você é como eu, dirá que provavelmente quebrou todos os man
damentos de Deus em algum momento de sua vida. Isso significa que,
a certa altura, você também terá de comparecer diante do tribunal de
Deus. Mas não se desespere. Se você sabe que é pecador, há esperança,
pois Deus não é apenas santo e justo, mas também misericordioso.
Deus tem misericórdia e compaixão de seu povo. Tem amor
imenso e, por isso, abriu um caminho para que tivéssemos acesso
<244>
ÍDOLOS & CORAÇÃO
capítulo do Evangelho de João. Ao longo da leitura, peça a Deus
que o ajude a compreender. Em seguida, procure uma igreja boa,
que siga a Bíblia, e comece a frequentá-la. Uma igreja que segue a
Bíblia crê na Trindade (que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são,
igualmente, um só Deus), crê que a salvação é inteiramente uma
dádiva de Deus, pratica a oração e a santidade e prega a Palavra de
Deus, sem o acréscimo de outros livros.
Se você se tornou cristão por meio do ministério deste livro,
gostaria muito de conhecê-lo e de me alegrar com você. Por favor,
entre em contato comigo em meu site: www.elysefitzpatrick.com.
Que você receba as mais ricas bênçãos de Deus ao curvar-se humil
demente diante de seu trono.
<246>
http://www.elysefitzpatrick.com
INDICE DE
PASSAGENS BÍBLICAS
Gênesis 12.3 44 20.30 87
1.14 146 12.13 43 31.18 62
1.26 146 12.14 43 32.4 198
1.26,27 144 13.16 44 34.6-7 125
1.27 146 15.5 44
1.28 146 15.16 103 Levítico
1.29 146 16 43 19.4 64
2.3 146 17.1,2 44
2.5 146 17.6 44 D euteronômio
2.7144 20.2 43 4.10 123
2.9 146 2143 5.29 103
2.15 146 22.1,2 180 6.4 125
2.16,17 143 22.2 43 6.14 64
2.18 146 24.48 224 7.9 63
2.19 146 29 23,35 9.10 62
2.20 146 29.17 24 9.21198
2.20-25 146 29.20 24 10.8 224
2.21146 30.1,2 24 10.12 13 53, 63
2.23 146 30.24 26 13.3 180
2.25 146 3124 18.7 224
3.6 92 31.34 204 23.15,16 110
3.8 146 31.34,35 27 28.47 107
5.1144 35.2 33 30.19 108,163
6.5 112,148 35.4 33 32197
8.21112
9.6 144 Êxodo Josué
11.4 151 15.20 224 2103
11.6 151 20.2,3 54 2.10 103
11.9 151 20.3 16, 48, 55,199 2.9,11104
12.2 44 20.12 13,14,17 56 14.8 107
ÍDOLOS & CORAÇÃO
24.15 108,163,164
24.19 164
ISainuel
1.6 139
1.8 107
1.10139
1.11139
1.18 139
I. 20 140
2.12 41
2.17 41
2.22-25 41
2.29 41
3.13 41
3.18 770
13.14 219
16.7 776
2Samuel
6.5-7279
6.14-16 279
24.24 206
IReis
3.12 706
8.27 725
8.57,58 79
II. 5-10 79
13.2 727
18.21163
2Reis
22.11 727
22.13 722
lCrônicas
17.16 224
28.9 776, 727
29.20 224
2Crônicas
6.30 776
32.31180
Esdras
7.27-28 175
10.9 224
Neemias
1.4 224
1.11175
2.4175
8.6 224
Jó
1.6-12 181
2.1-6181
23.12 92
23.13 770
38.7 227
Salmos
5.5.6 725
7.17255
9.1.2 235
16.11 90
20.4 707
21.13 235
25.12 709, 770, 767
28.2 224
28.7 226
30.1- 4255
30.11 224
30.11.12 226
32 270
33.1- 3 255
33.9-11 770
37.28 725
38 270
40.8 97, 92
42.1.2 759, 776
44.21 776
45.1 227
46.10.11 770
47.1 224
50.21124
5X210
51.4 204
51.5 775,765
51.10 80
56.8 72
63.1- 3 97
63.1- 5 775
63.3 87, 88
63.4 224
<248>
ÍNDICE DE PASSAGENS BÍBLICAS
63.4,5 226
66.1-5 235
68.3,4 226
71.23 225
73.7 107
73.25 139
73.25-28 176
81.9 64
90.2 125
97.7 64
103.1 225
103.20-22 227
105.25 175
106.19-23 214
W6A6175
110.3 80,170
112.1