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<p>Atualizado em 27/03/2024</p><p>SUMÁRIO</p><p>CONSTITUIÇÃO DE 1988: NACIONALIDADE ............................................................................................. 3</p><p>SÚMULAS............................................................................................................................................. 15</p><p>INFORMATIVOS.................................................................................................................................... 15</p><p>Proposta da Assinatura Anual  Pro Leges</p><p>https://bit.ly/3NKvEgP</p><p>Lista de materiais publicados</p><p></p><p>https://bit.ly/42PEZwM</p><p>Área do aluno (1ª versão foi publicada em 27/03/2024):</p><p> Link: https://drive.google.com/file/d/1ZIoX3CCSargwpKZmJOX6gUCgk-fXdlol/view?usp=sharing</p><p>Dúvidas, sugestões e críticas:</p><p> Favor enviar para: marcoavtorrano@gmail.com</p><p> Instagram: @marcoavtorrano / @proleges</p><p>proleges.com.br  pág. 2 de 16</p><p>DIREITO CONSTITUCIONAL</p><p>AUTOR: MARCO TORRANO</p><p>INSTAGRAM: @MARCOAVTORRANO/@PROLEGES</p><p>E-MAIL: MARCOAVTORRANO@GMAIL.COM</p><p>CONSTITUIÇÃO DE 1988:</p><p>NACIONALIDADE</p><p>TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS</p><p>CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS</p><p>Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e</p><p>aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança</p><p>e à propriedade, nos termos seguintes:</p><p>(...)</p><p>LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da</p><p>naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma</p><p>da lei;</p><p>LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;</p><p>(...)</p><p>LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o</p><p>exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania</p><p>e à cidadania;</p><p>#Distinções entre brasileiro nato, naturalizado e estrangeiro para extradição:</p><p>Regra</p><p>Exceção</p><p>Não há.</p><p>Brasileiro</p><p>NATO</p><p>Não pode ser extraditado.</p><p>Só pode ser extraditado em caso de crime</p><p>comum cometido ANTES de se naturalizar</p><p>OU em virtude de tráfico de drogas,</p><p>cometido ANTES OU DEPOIS da</p><p>naturalização.</p><p>Brasileiro</p><p>NATURALIZADO</p><p>Não pode ser extraditado.</p><p>Só NÃO PODE ser extraditado por crime</p><p>político ou de opinião.</p><p>ESTRANGEIRO</p><p>Pode ser extraditado.</p><p> Tabela: João Trindade e Gilmar Mendes, 2024, p. 168.</p><p>CAPÍTULO III - DA NACIONALIDADE</p><p>Art. 12. São brasileiros:</p><p>I - natos:</p><p>a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes</p><p>não estejam a serviço de seu país (critério do ius solis – art. 12, I, a);</p><p> (Analista Prefeitura de São José dos Campos/SP 2024 FGV correta) Lucca nasceu no território brasileiro quando seus pais, de</p><p>nacionalidade alemã, aqui residiam e trabalham na embaixada da Itália. Cerca de três anos após o nascimento, Lucca e sua família</p><p>passaram a morar na Itália. À luz da sistemática estabelecida na Constituição da República, é correto afirmar que Lucca é brasileiro</p><p>nato, por ter nascido no território brasileiro.</p><p>proleges.com.br  pág. 3 de 16</p><p>b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles</p><p>esteja a serviço da República Federativa do Brasil (critério do ius sanguinis + a serviço do Brasil / funcional –</p><p>art. 12, I, b);</p><p> (Analista STM 2011 Cespe correta) O filho de um embaixador do Brasil em Paris, nascido na França, cuja mãe seja alemã, será</p><p>considerado brasileiro nato.</p><p>c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam</p><p>registrados em repartição brasileira competente (critério do ius sanguinis + registro – art. 12, I, c, primeira</p><p>parte) ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de</p><p>atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira (critério do ius sanguinis + residência no Brasil + opção</p><p>confirmativa – art. 12, I, c, segunda parte / é a chamada nacionalidade potestativa, pois depende da</p><p>exclusiva vontade do filho – ensina Pedro Lenza); (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54, de 2007)</p><p> “Dá-se quando o filho de pai brasileiro ou de mãe brasileira (natos ou naturalizados), que não estejam a</p><p>serviço do Brasil, vier a residir no Brasil e optar, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela</p><p>nacionalidade brasileira. Trata-se da chamada nacionalidade potestativa, uma vez que a aquisição depende</p><p>da exclusiva vontade do filho. ’Optar’ significa abrir mão de eventual outra nacionalidade pela brasileira.</p><p>Nesse sentido, o art. 63 da Lei n. 13.445/2017 estabelece que o filho de pai ou de mãe brasileiro nascido no</p><p>exterior e que não tenha sido registrado em repartição consular poderá, a qualquer tempo, promover ação</p><p>de opção de nacionalidade, de competência da Justiça Federal, conforme visto (art. 109, X, CF/88),</p><p>prescrevendo-se, ainda, que o órgão de registro deve informar periodicamente à autoridade competente os</p><p>dados relativos à opção de nacionalidade, conforme regulamento” (LENZA, 2024, p. 676).</p><p> (Defensor DPU 2017 Cespe correta) Situação hipotética: Laura, filha de mãe brasileira e pai argentino, nasceu no estrangeiro</p><p>e, depois de ter atingido a maioridade, veio residir no Brasil, tendo optado pela nacionalidade brasileira. Assertiva: Nessa situação,</p><p>a homologação da opção pela nacionalidade brasileira terá efeitos ex tunc e Laura será considerada brasileira desde o seu</p><p>nascimento.</p><p> (Oficial de Justiça Analista TJRO 2021 FGV correta) Ingrid nasceu no território da Bélgica à época em que seu pai, brasileiro,</p><p>ali atuava em uma indústria privada de conectores eletrônicos. Sua mãe era belga. Considerando que Ingrid foi registrada apenas</p><p>perante o órgão competente belga, não perante uma repartição brasileira, ela é considerada: estrangeira, mas, caso venha a</p><p>residir no território brasileiro e opte, a qualquer tempo, após atingir a maioridade, pela nacionalidade brasileira, adquiri-la-á em</p><p>caráter nato.</p><p> (Advogado OAB XXXIII 2021 FGV correta) John, de nacionalidade americana, possui interesse em visitar seu filho Mário,</p><p>brasileiro nato, de 18 anos, que reside no Brasil com sua mãe. Em sua visita, John pretende permanecer no país por apenas 10</p><p>(dez) dias. Diante do interesse manifestado por John em visitar o filho no Brasil, à luz da atual Lei de Migração (Lei nº 13.445/17),</p><p>assinale a afirmativa correta. John, mesmo após obter o visto de visita, poderá ser impedido de ingressar no Brasil, caso tenha</p><p>sido condenado ou esteja respondendo a processo em outro país por crime doloso passível de extradição segundo a lei brasileira.</p><p>II - naturalizados:</p><p>a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua</p><p>portuguesa apenas residência por 1 (um) ano ininterrupto e idoneidade moral (ATO DISCRICIONÁRIO –</p><p>naturalização ordinária);</p><p> (Promotor MPESE 2010 Cespe incorreta, porque 1 ano) Os estrangeiros originários de países de língua portuguesa adquirirão</p><p>a nacionalidade brasileira se mantiverem residência contínua no território nacional pelo prazo mínimo de quatro anos,</p><p>imediatamente anteriores ao pedido de naturalização.</p><p>b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de</p><p>15 (quinze) anos ininterruptos e sem condenação penal (ATO VINCULADO – é a chamada naturalização</p><p>extraordinária, prevista no art. 67 da Lei de Migração), desde que requeiram a nacionalidade brasileira.</p><p>(Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)</p><p>(Advogado Prefeitura de Contagem/MG 2022 IBFC incorreta, porque 15 anos) A Constituição Federal da República reconhece</p><p>como “brasileiros naturalizados”: os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais</p><p>de 10 (dez) anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira</p><p>proleges.com.br  pág. 4 de 16</p><p>#Resumindo o art. 12, incisos I e II, da CF/88:</p><p> Critério do ius soli (art. 12, I, a):</p><p>a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais</p><p>estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país.</p><p> No Brasil, a regra é o critério do solo (jus solis), com mitigações previstas</p><p>no art. 12, I, alíneas b e c.</p><p>➔</p><p> Critério do ius sanguinis + a serviço do Brasil / funcional (art. 12, I, b):</p><p>b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que</p><p>qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil.</p><p>➔</p><p> Critério do ius sanguinis + registro (art. 12, I, c, 1ª parte):</p><p>c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde</p><p>que sejam registrados em repartição brasileira competente</p><p>BRASILEIROS</p><p>NATOS</p><p> Critério do ius sanguinis + residência no Brasil + opção confirmativa (art.</p><p>12, I, c, 2ª parte):</p><p>c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde</p><p>que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em</p><p>qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade</p><p>brasileira.</p><p>➔</p><p> Chamada de nacionalidade potestativa (porque depende desta opção</p><p>confirmativa, que só pode ser dada após a maioridade).</p><p> Originários de países lusófonos (art. 12, II, a – ato discricionário):</p><p>a) residência no Brasil há 1 ano ininterrupto;</p><p>b) idoneidade moral.</p><p>➔</p><p>➔</p><p> É a chamada naturalização ordinária/comum.</p><p>BRASILEIROS</p><p>NATURALIZADOS</p><p> Estrangeiros de qualquer nacionalidade que residem no Brasil há muito</p><p>tempo (art. 12, II, b – ato vinculado):</p><p>a) residência no Brasil há mais de 15 anos ininterruptos;</p><p>b) não possuir condenação criminal.</p><p> É a chamada naturalização extraordinária.</p><p> “Segundo a jurisprudência do STF, a hipótese da alínea b do inciso II do art. 12 é a única em que a</p><p>concessão da naturalização pelo Brasil configura ato vinculado (naturalização extraordinária) – cf. RE n.</p><p>264.848, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 29-6-2005, DJ de 14-10-2005. Nas demais hipóteses, a</p><p>concessão da naturalização é ato discricionário (naturalização ordinária)” (João Trindade e Gilmar Mendes,</p><p>2024, p. 167).</p><p>§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros,</p><p>serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. (Redação</p><p>dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)</p><p>§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos</p><p>nesta Constituição.</p><p>§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:</p><p>I - de Presidente e Vice-Presidente da República;</p><p>II - de Presidente da Câmara dos Deputados;</p><p>III - de Presidente do Senado Federal;</p><p>IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;</p><p>V - da carreira diplomática;</p><p>VI - de oficial das Forças Armadas.</p><p>proleges.com.br  pág. 5 de 16</p><p>VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999)</p><p>§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:</p><p>I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada ao processo de</p><p>naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; (Redação dada pela</p><p>Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente,</p><p>ressalvadas situações que acarretem apatridia. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>a) revogada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>b) revogada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>§ 5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do § 4º deste artigo, não impede o interessado de</p><p>readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos termos da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº</p><p>131, de 2023)</p><p>Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.</p><p>§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.</p><p>§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.</p><p>CAPÍTULO IV - DOS DIREITOS POLÍTICOS</p><p>§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:</p><p>I - a nacionalidade brasileira;</p><p>(...)</p><p>Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:</p><p>I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;</p><p>II - incapacidade civil absoluta;</p><p>III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;</p><p>IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;</p><p>V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.</p><p>TÍTULO III - DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO</p><p>CAPÍTULO II - DA UNIÃO</p><p>Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:</p><p>XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;</p><p>TÍTULO IV - DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES</p><p>CAPÍTULO I - DO PODER LEGISLATIVO</p><p>SEÇÃO VIII - DO PROCESSO LEGISLATIVO</p><p>SUBSEÇÃO III - DAS LEIS</p><p>Art. 62. (...).</p><p>§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32,</p><p>de 2001)</p><p>I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)</p><p>a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; (Incluído pela Emenda</p><p>Constitucional nº 32, de 2001)</p><p>(...)</p><p>proleges.com.br  pág. 6 de 16</p><p>Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação</p><p>ao Congresso Nacional.</p><p>§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de</p><p>competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei</p><p>complementar, nem a legislação sobre:</p><p>I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;</p><p>II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;</p><p>III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.</p><p>(...)</p><p>CAPÍTULO III - DO PODER JUDICIÁRIO</p><p>SEÇÃO IV - DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E DOS JUÍZES FEDERAIS</p><p>Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:</p><p>(...)</p><p>X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o</p><p>"exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive</p><p>a respectiva opção, e à naturalização;</p><p>Conceito de nacionalidade</p><p>Nacionalidade é...</p><p>- o vínculo jurídico-político que une uma pessoa a determinado Estado</p><p>- do qual se originou ou pelo qual foi adotado,</p><p>- fazendo deste indivíduo um componente do povo,</p><p>- e sujeitando-o aos direitos e obrigações oriundos desta relação.</p><p>Nacionalidade é direito fundamental</p><p>A nacionalidade é considerada um direito fundamental, protegida em âmbito internacional, valendo</p><p>ressaltar que a Declaração Universal dos Direitos dos Homens proclama em seu artigo 15 que “todo homem</p><p>tem direito a uma nacionalidade” e que “ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem</p><p>do direito de mudar de nacionalidade”.</p><p>Nacionalidade vs. cidadania</p><p>Nacional e cidadão não são conceitos coincidentes.</p><p>É o indivíduo que faz parte do povo de um Estado através do</p><p>Nacional</p><p>Cidadão</p><p>nascimento ou da naturalização (nacionalidade = vínculo</p><p>marcantemente jurídico).</p><p>É o indivíduo que tem direitos políticos, ou seja, pode votar e</p><p>ser votado, propor ação popular além de organizar e participar</p><p>de partidos políticos (cidadania = vínculo marcantemente</p><p>político).</p><p>Espécies de nacionalidade</p><p>É aquela que resulta de um fato natural (o nascimento).</p><p>A pessoa se torna nacional nato.</p><p>Critérios para atribuição da nacionalidade originária:</p><p>1) Nacionalidade ORIGINÁRIA</p><p>(também chamada de primária,</p><p>atribuída ou involuntária)</p><p>a)</p><p>Critério territorial (jus soli): se a pessoa nascer no</p><p>território do país, será considerada nacional deste.</p><p>proleges.com.br  pág. 7 de 16</p><p>b) Critério sanguíneo (jus sanguinis): a pessoa irá adquirir</p><p>a nacionalidade de seus ascendentes, não importando que</p><p>tenha nascido no território de outro país.</p><p>No Brasil, adota-se, como regra, o critério do jus soli, havendo,</p><p>no entanto, situações</p><p>nas quais o critério sanguíneo é aceito.</p><p>É aquela decorrente de um ato voluntário da pessoa, que decide</p><p>adquirir, para si, uma nova nacionalidade. A isso se dá o nome</p><p>de naturalização, que pode ser requerida pelos estrangeiros ou</p><p>pelo heimatlos (apátridas = sem pátria). O estrangeiro poderá</p><p>2 Nacionalidade SECUNDÁRIA</p><p>(também chamada de derivada,</p><p>adquirida ou voluntária)</p><p>ser</p><p>enquadrado</p><p>na</p><p>categoria</p><p>de</p><p>polipátrida</p><p>(multinacionalidade).</p><p>Atenção: esse ato voluntário pode ser expresso ou tácito.</p><p>A pessoa se torna nacional naturalizado.</p><p>Define o apátrida como a “pessoa que não seja considerada</p><p>como nacional por nenhum Estado, segundo a sua legislação,</p><p>nos termos da Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas, de</p><p>1954, promulgada pelo Decreto n. 4.246/2002, ou assim</p><p>reconhecida pelo Estado brasileiro” (art. 1º, § 1º, VI).</p><p>Lei de Migração</p><p>(Lei 13.445/2017)</p><p>“Referida legislação [Lei de Migração – Lei 13.445/2017], na</p><p>linha dos documentos internacionais, incentiva a denominada</p><p>‘redução da apatridia’, prescrevendo normas de proteção ao</p><p>apátrida” (Pedro Lenza, 2024, p. 675).</p><p>Redução da apatridia</p><p>Outros conceitos</p><p>Polipátrida</p><p>Indivíduo que possui mais de uma nacionalidade.</p><p>É o indivíduo que não possui nenhuma nacionalidade.</p><p>A situação de “apatridia” é indesejável e condenada pela</p><p>Declaração Universal dos Direitos Humanos, que reconhece,</p><p>como vimos acima, a nacionalidade como um direito</p><p>fundamental.</p><p>Apátrida, apólidos ou heimatlos</p><p>(vem do alemão e significa “sem pátria”)</p><p>Apesar disso, na história já tivemos casos de pessoas famosas</p><p>que, durante pelo menos algum tempo de suas vidas, tornaram-</p><p>se apátridas. Foi o caso, por exemplo, de Albert Einstein.</p><p>Português equiparado (quase-nacionalidade)</p><p>Aos portugueses com residência permanente no País serão atribuídos os direitos inerentes a brasileiro</p><p>naturalizado se houver reciprocidade de tratamento em favor dos brasileiros em Portugal.</p><p>Essa regra dirige-se ao português que não quer a naturalização, mas sim permanecer como português no</p><p>Brasil. Esse nacional português terá os mesmos direitos do brasileiro naturalizado, mesmo sem ter obtido</p><p>a naturalização, desde que haja reciprocidade de tratamento para os brasileiros em Portugal. A isso se</p><p>chama de cláusula do ut des (cláusula de reciprocidade).</p><p>proleges.com.br  pág. 8 de 16</p><p>Lei não pode estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados</p><p>Como regra, a CF/88 determina que a lei não pode estabelecer discriminação entre brasileiros natos e</p><p>naturalizados (princípio da igualdade/isonomia).</p><p>A CF/88, no entanto, previu 5 distinções excepcionais e taxativas (só podem existir essas). Assim, os</p><p>brasileiros natos e os naturalizados são iguais perante a lei, salvo nas seguintes hipóteses:</p><p>Somente o naturalizado pode ser extraditado (o nato nunca!).</p><p>O naturalizado pode ser extraditado por crime cometido antes</p><p>a) Extradição</p><p>da naturalização ou então mesmo depois da naturalização se o</p><p>crime cometido foi o tráfico ilícito de entorpecentes.</p><p>Há alguns cargos privativos de brasileiro nato. São eles:</p><p>I - Presidente e Vice-Presidente da República;</p><p>II - Presidente da Câmara dos Deputados;</p><p>III - Presidente do Senado Federal;</p><p>IV - Ministro do STF;</p><p>b) Cargos privativos</p><p>V - de carreira diplomática;</p><p>VI - de oficial das Forças Armadas.</p><p>VII - de Ministro de Estado da Defesa.</p><p>Somente o brasileiro naturalizado poderá ter cancelada sua</p><p>naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude</p><p>relacionada ao processo de naturalização ou de atentado contra</p><p>a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 12, § 4º, I,</p><p>da CF/88).</p><p>c) Ação para cancelamento da</p><p>naturalização</p><p>Participam do Conselho da República, além de outros membros,</p><p>seis cidadãos brasileiros natos, segundo o art. 89 da CF/88.</p><p>d) Conselho da República</p><p>Para que o brasileiro naturalizado seja proprietário de empresa</p><p>e) Empresa jornalística e de radiodifusão jornalística e de radiodifusão no Brasil, é necessário que tenha</p><p>se naturalizado há mais de 10 anos.</p><p>proleges.com.br  pág. 9 de 16</p><p> Atenção!!! Mudou!!!</p><p> EC 131/2023 (oriunda da “PEC da Nacionalidade”)</p><p>Hipóteses de perda da nacionalidade (art. 12, § 4º, da CF/88)</p><p>Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:</p><p>1) Ação para cancelamento da naturalização</p><p>(perda sanção/punição)</p><p>2) Renúncia da nacionalidade</p><p>(perda voluntária/renúncia)</p><p>Art. 12. (...).</p><p>§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do</p><p>brasileiro que: brasileiro que:</p><p>Art. 12. (...).</p><p>I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade</p><p>judicial, em virtude de fraude relacionada ao brasileira perante autoridade brasileira competente,</p><p>processo de naturalização ou de atentado contra a ressalvadas situações que acarretem apatridia. (EC</p><p>ordem constitucional e o Estado Democrático; (EC 131, de 2023)</p><p>a) revogada; (EC 131, de 2023)</p><p>131, de 2023)</p><p>b) revogada. (EC 131, de 2023)</p><p>Ação para cancelamento da naturalização</p><p>Art. 12. (...).</p><p>§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:</p><p>I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada ao</p><p>processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;</p><p>(EC 131, de 2023)</p><p> São duas hipóteses:</p><p>1ª hipótese: fraude relacionada ao processo de naturalização.</p><p>2ª hipótese: atentado contra a ordem constitucional e Estado Democrático.</p><p> Nessas hipóteses, a perda da nacionalidade ocorre somente aos brasileiros naturalizados (pois: é</p><p>sobre cancelamento da naturalização).</p><p> A ação judicial tramita na Justiça Federal (art. 109, X, da CF/88).</p><p> Depende de sentença judicial transitada em julgado (art. 75 da Lei de Migração – Lei 13.445/2017</p><p>c/c art. 248, parágrafo único, do Dec. 9.199/2017).</p><p>1.</p><p> Efeitos da sentença:</p><p>a) no caso de fraude relacionada ao processo de naturalização, a sentença terá efeito retroativo (ex</p><p>tunc);</p><p>b) já no caso de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático, a sentença terá</p><p>efeito ex nunc.</p><p> Resumindo a ação para cancelamento da naturalização:</p><p>i) somente recai sobre brasileiros naturalizados;</p><p>ii) compete à Justiça Federal (art. 109, X, da CF/88);</p><p>iii) legitimado é o MPF (art. 6º, IX, LC 75/1993);</p><p>iv) hipóteses: fraude relacionada ao processo de naturalização (1ª hipótese) ou atentado contra a</p><p>ordem constitucional e o Estado Democrático (2ª hipótese);</p><p>v) o momento da perda da nacionalidade é a sentença transitada em julgado;</p><p>vi) a reaquisição da nacionalidade é possível, se procedente ação rescisória (art. 966 do CPC).</p><p>Renúncia da nacionalidade</p><p>2.</p><p>Art. 12. (...).</p><p>§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:</p><p>proleges.com.br  pág. 10 de 16</p><p>II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira</p><p>competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia. (EC 131, de 2023)</p><p>a) revogada; (EC 131, de 2023)</p><p>b) revogada. (EC 131, de 2023)</p><p> A partir da EC 131/2023, o brasileiro (nato ou naturalizado) pode renunciar voluntariamente à sua</p><p>nacionalidade brasileira, mediante pedido expresso perante autoridade brasileira competente</p><p>(Ministro da Justiça pois as deliberações sobre nacionalidade e naturalização são de competência</p><p>do Ministério da Justiça). Isso só ocorre se a pessoa possuir outra nacionalidade, pois a CF/88 veda</p><p>a situação de apatridia (ficar sem nacionalidade), conforme o art. 12, § 4º, II, parte final, da CF/88).</p><p> A renúncia da nacionalidade não impede o interessado de readquirir sua nacionalidade brasileira</p><p>originária, nos termos da lei (art. 12, § 5º, da CF/88, incluído pela EC 131/2023).</p><p> Resumindo a renúncia à nacionalidade brasileira:</p><p>i) recai sobre brasileiros natos e naturalizados;</p><p>ii) quem decreta a perda é o Ministro da Justiça;</p><p>iii) ocorre por processo administrativo que tramita no Ministério da Justiça.</p><p>iv) o momento da perda é a partir da publicação do ato do ministro no Diário Oficial da União;</p><p>v) é cabível recurso administrativo no prazo de 10 dias contra o ato ministerial;</p><p>vi) a reaquisição da nacionalidade brasileira</p><p>é possível, desde que por novo ato do Ministro da</p><p>Justiça, mediante requerimento da parte interessada.</p><p> Sobre a reaquisição da nacionalidade brasileira: “No caso do art. 12, § 4º, I (cancelamento da naturalização),</p><p>entende-se que o naturalizado só pode voltar a ser brasileiro se conseguir reverter a ação de cancelamento, o que se</p><p>faz, quando possível, por meio da ação rescisória. Mas e o brasileiro nato que perder a nacionalidade a pedido, nos</p><p>termos do art. 12, § 4º, II, na redação da EC n. 131/2023? Pode voltar a ser brasileiro? A resposta é sim. Se voltar a ser</p><p>brasileiro, voltará com o status que tinha antes. Nesse sentido, a EC n. 131/2023 parece ter posto fim a uma controvérsia</p><p>doutrinária sobre o tema, ao afirmar que a reaquisição da nacionalidade, na forma da lei, pode gerar inclusive o retorno</p><p>à nacionalidade originária (art. 12, § 5º). De acordo com a Lei de Migração, ‘o brasileiro que, em razão do previsto no</p><p>inciso II do § 4º do art. 12 da Constituição Federal, houver perdido a nacionalidade, uma vez cessada a causa, poderá</p><p>readquiri-la ou ter o ato que declarou a perda revogado, na forma definida pelo órgão competente do Poder Executivo’”</p><p>(João Trindade e Gilmar Mendes, 2024, p. 172).</p><p> (Analista TRT11 2024 FCC correta) Ao disciplinar as formas de aquisição e perda da nacionalidade</p><p>brasileira, a Constituição Federal estabelece que será declarada a perda da nacionalidade do</p><p>brasileiro que fizer pedido expresso de perda de sua nacionalidade perante autoridade brasileira</p><p>competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia, renúncia essa que, no entanto, não</p><p>impede o interessado de readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos termos da lei.</p><p> (Técnico DPEPR 2024 Consulplan correta) No Brasil, a extinção do vínculo com o Estado ocorrerá</p><p>para aquele que fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade</p><p>nacional competente.</p><p>proleges.com.br  pág. 11 de 16</p><p>#Como_era_e_como_é_agora:</p><p>DEPOIS da EC 131/2023</p><p>(atualmente)</p><p>ANTES da EC 131/2023</p><p>Art. 12, § 4º - Será declarada a perda da Art. 12, § 4º - Será declarada a perda da</p><p>nacionalidade do brasileiro que: nacionalidade do brasileiro que:</p><p>I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença</p><p>judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse judicial, em virtude de fraude relacionada ao</p><p>nacional;</p><p>processo de naturalização ou de atentado contra a</p><p>ordem constitucional e o Estado Democrático;</p><p>II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:</p><p>II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade</p><p>brasileira perante autoridade brasileira competente,</p><p>ressalvadas situações que acarretem apatridia.</p><p>a) de reconhecimento de nacionalidade originária a) revogada;</p><p>pela lei estrangeira;</p><p>b) revogada.</p><p>b) de imposição de naturalização, pela norma</p><p>estrangeira, ao brasileiro residente em estado</p><p>estrangeiro, como condição para permanência em</p><p>seu território ou para o exercício de direitos civis;</p><p>Não havia § 5º do art. 12.</p><p>§ 5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do</p><p>inciso II do § 4º deste artigo, não impede o</p><p>interessado de readquirir sua nacionalidade</p><p>brasileira originária, nos termos da lei.</p><p> Para Valerio Mazzuoli ao comentar a extinta regra, “atividade nociva e interesse nacional são expressões</p><p>abertas e de conteúdo variável, que davam margem a injustiças e a toda sorte de perseguições, ainda mais</p><p>quando se sabe que, em regimes autoritários, é sempre nocivo ao interesse nacional exprimir ideias</p><p>contrárias às daqueles que estão no poder” (cf. LENZA, 2024, p. 683).</p><p> “Antigamente, as hipóteses de cancelamento da naturalização eram mais amplas (atividade nociva ao</p><p>interesse nacional). Após a EC n. 131, de 2023, passaram a ser mais específicas: a) fraude no processo de</p><p>naturalização; ou b) atentado ao Estado Democrático de Direito (tentativa de golpe de Estado).” (João</p><p>Trindade e Gilmar Mendes, 2024, p. 171).</p><p>Dupla ou múltipla nacionalidade</p><p> ANTES da EC 131/2023: a dupla/múltipla nacionalidade era a exceção. Até 2023, portanto, se um</p><p>brasileiro adquirisse voluntariamente uma nova nacionalidade, perderia a nacionalidade brasileira</p><p>(princípio da aligeância), salvo duas exceções (chamadas de dupla nacionalidade[1]).</p><p>[1] “Os casos de dupla nacionalidade só eram permitidos em duas hipóteses: a) se a nova nacionalidade</p><p>adquirida pelo brasileiro fosse originária (ou seja, adquirida pelo nascimento), como o brasileiro, neto de</p><p>italianos, poderia ter, simultaneamente, as nacionalidades brasileira e italiana; b) quando o brasileiro fosse</p><p>obrigado a se naturalizar estrangeiro, como condição de permanência no país ou para exercer algum</p><p>direito” (MARTINS, 2024, p. 939).</p><p> DEPOIS da EC 131/2023: a dupla/múltipla nacionalidade é a regra (não enseja mais a perda da</p><p>nacionalidade brasileira). Exemplo: se um brasileiro nato (ou naturalizado) adquire nacionalidade</p><p>estrangeira (originária ou por naturalização), ele não perderá a nacionalidade brasileira (exceto se</p><p>renunciar expressamente a essa nacionalidade perante a autoridade competente [Ministro da Justiça] e</p><p>desde que não se torne um apátrida (art. 12, § 4º, II, CF/88). Portanto, essa perda não pode ser decretada</p><p>se ela implicar apatridia (pessoa sem nacionalidade) – diante disso, o Ministro da Justiça indeferirá o</p><p>pedido. Explicam Gilmar Mendes e Paulo Gustavo Gonet Branco (2024, p. 397):</p><p>Tais revogações estão de acordo com o objetivo principal da reforma constitucional,</p><p>consubstanciada na adoção da polipatria como padrão do regime jurídico da nacionalidade</p><p>proleges.com.br  pág. 12 de 16</p><p>brasileira. Na prática, milhares de brasileiros residentes no exterior já adquiriram a nacionalidade</p><p>local – até então, entre nós, considerada derivada –, grande parte como forma de usufruir direitos</p><p>na nova comunidade que habitam. Nos termos do parecer da relatora da PEC na Câmara dos</p><p>Deputados, “no mundo atual, caracterizado pela facilidade de deslocamento entre as nações e</p><p>pelas notáveis ferramentas de comunicação, não faz mais sentido crer que determinada pessoa</p><p>haja perdido os laços com sua terra natal, pelo simples fato de ter adquirido outra nacionalidade”,</p><p>cenário a gerar a necessidade de “repensar a situação dos brasileiros que, em razão das</p><p>circunstâncias da vida, deixaram o Brasil em busca de um futuro mais promissor para si e seus filhos,</p><p>e que, no curso de sua estada no exterior, adquiriram a nacionalidade do país de domicílio, por</p><p>conveniência ou necessidade”. Com as alterações introduzidas pela EC n. 131/2023, esse contexto</p><p>fático restou pacificado. A Constituição Federal passa a aceitar, portanto, a naturalização por</p><p>qualquer motivo, de forma a atualizar o regime jurídico da nacionalidade, que, nas palavras de</p><p>André de Carvalho Ramos, “não é mais vista como uma relação de lealdade (e por</p><p>isso quase sempre exclusiva), mas sim como uma relação de afeto e apreço, que admite uma</p><p>multiplicidade de vínculos”, consolidando-se “uma visão pro persona da nacionalidade, não mais</p><p>admitindo-se uma espécie de retaliação aos que adquiriram outra nacionalidade”. Por fim,</p><p>mencione-se que as hipóteses de perda da nacionalidade brasileira devem estar previstas no texto</p><p>constitucional. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal já afirmou, por ocasião do julgamento</p><p>do HC 83.113-QO, rel. Min. Celso de Mello, o entendimento de que as hipóteses de perda de</p><p>nacionalidade brasileira previstas na Constituição Federal possuem natureza taxativa, não sendo</p><p>lícito ao Estado, seja através da legislação ordinária, seja pela adesão a tratados e convenções</p><p>internacionais, ampliar ou reduzir tais hipóteses.</p><p> MENDES, Gilmar; BRANCO, Paulo. Curso de direito constitucional. Saraiva, 2024, p. 397.</p><p>O que é “perda-mudança”?</p><p>Atenção: a EC 131/2023 extinguiu a chamada “perda-mudança”</p><p>.</p><p> Antes da EC 131/2023, a “perda-mudança” era uma hipótese de perda da nacionalidade (art. 12, § 4º, da</p><p>CF/88).</p><p>Art. 12, § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:</p><p>I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva</p><p>ao interesse nacional;</p><p>II - adquirir outra nacionalidade (perda-mudança), salvo nos casos:</p><p>a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;</p><p>b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como</p><p>condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis;</p><p>Até a EC 131/2023, se um brasileiro, nato ou naturalizado, adquirisse voluntariamente uma nacionalidade</p><p>estrangeira, perderia, então, a brasileira.</p><p>Essa perda ocorria por meio de um processo administrativo, assegurado contraditório e ampla defesa, que</p><p>tramita no Ministério da Justiça. Este processo poderia ser instaurado de ofício ou mediante requerimento.</p><p>Após a tramitação do processo, a perda ocorria por meio de ato do Ministro de Estado da Justiça.</p><p>Os efeitos do Decreto eram ex nunc.</p><p>Essa hipótese de perda atingia tanto o brasileiro nato como o naturalizado.</p><p>Existiam duas formas de reverter essa perda:</p><p>1) Reaquisição. O interessado pedia ao Ministro da Justiça para readquirir a nacionalidade brasileira</p><p>demonstrando que cessou a causa que gerou a perda. A cessação da causa da perda da nacionalidade</p><p>brasileira poderia ser demonstrada por meio de ato do interessado que representasse pedido de renúncia</p><p>da nacionalidade então adquirida.</p><p>proleges.com.br  pág. 13 de 16</p><p>2) Revogação do ato. O Ministro da Justiça poderia revogar o ato que declarou a perda da nacionalidade</p><p>caso seja constatado que estava presente uma das exceções previstas nas alíneas “a” e “b” do inciso II do</p><p>§ 4º do art. 12 da Constituição.</p><p>O deferimento do requerimento de reaquisição ou a revogação da perda importava no restabelecimento</p><p>da nacionalidade originária brasileira (art. 254, § 7º, do Decreto 9.199/2017).</p><p>Exceções</p><p>A CF trazia duas hipóteses em que a pessoa não perderia a nacionalidade brasileira, mesmo tendo</p><p>adquirido outra nacionalidade.</p><p>Assim, será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade, salvo no</p><p>casos:</p><p>a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;</p><p>Ex: a Itália reconhece aos filhos de seus nacionais a cidadania italiana. Os brasileiros descendentes de</p><p>italianos que adquirem aquela nacionalidade não perderão a brasileira, uma vez que se trata de mero</p><p>reconhecimento de nacionalidade originária italiana em virtude do vínculo sanguíneo. Logo, serão pessoas</p><p>com dupla nacionalidade.</p><p>b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro,</p><p>como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis;</p><p>Aqui, o objetivo da exceção é preservar a nacionalidade brasileira daquele que, por motivos de trabalho,</p><p>acesso aos serviços públicos, moradia etc., praticamente se vê obrigado a adquirir a nacionalidade</p><p>estrangeira, mas que, na realidade, jamais teve a intenção ou vontade de abdicar da nacionalidade</p><p>brasileira.</p><p> Depois da EC 131/2023, ocorreu a extinção da chamada “perda-mudança”. Em outras palavras, a EC</p><p>131/2023 extinguiu a perda da nacionalidade em virtude da aquisição de outra nacionalidade por</p><p>naturalização voluntária. Veja como ficou a redação do § 4º do art. 12 da CF/88:</p><p>Art. 12, § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:</p><p>I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada ao processo de</p><p>naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; (Redação dada pela Emenda</p><p>Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente, ressalvadas</p><p>situações que acarretem apatridia. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>a) revogada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>b) revogada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>Referências bibliográficas</p><p>LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. Saraiva, 2024.</p><p>MARTINS, Flávio. Direito constitucional. Saraiva, 2024.</p><p>MENDES, Gilmar; BRANCO, Paulo. Curso de direito constitucional. Saraiva, 2024.</p><p>MENDES, Gilmar; CAVALCANTE FILHO, João Trindade. Manual didático de direito constitucional. Saraiva,</p><p>2024.</p><p>proleges.com.br  pág. 14 de 16</p><p>SÚMULAS</p><p>•</p><p>•</p><p>Súmula 421-STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando casado com brasileira</p><p>ou ter filho brasileiro.</p><p>INFORMATIVOS</p><p>O professor estrangeiro aprovado em concurso para instituição de ensino federal tem direito de ser</p><p>nomeado, salvo se houver restrição expressa no edital, devidamente justificada e passível de</p><p>controle judicial.</p><p>É inconstitucional — por violar o princípio da isonomia (art. 5º, “caput”, CF/88) e a norma que</p><p>estabelece às universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica a possibilidade de</p><p>prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros (art. 20 7, § 1º, CF/88) — a</p><p>negativa de nomeação de aprovado em concurso público para cargo de professor em instituto</p><p>federal, fundada apenas em motivo de nacionalidade.</p><p>Tese fixada pelo STF:</p><p>O candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para</p><p>provimento de cargos de professor, técnico e cientista em universidades e instituições de pesquisa</p><p>científica e tecnológica federais, nos termos do art. 20 7, § 1º, da Constituição Federal, salvo se a</p><p>restrição da nacionalidade estiver expressa no edital do certame com o exclusivo objetivo de</p><p>preservar o interesse público e desde que, sem prejuízo de controle judicial, devidamente justificada.</p><p>STF. Plenário. RE 1177699/SC, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/3/2023 (Repercussão Geral –</p><p>Tema 10 32) (Info 10 88).</p><p> (Promotor MPEGO 2024 FGV correta) Determinado candidato estrangeiro, embora aprovado, foi</p><p>excluído do concurso público para provimento de cargo de professor em universidade federal, em</p><p>razão da sua nacionalidade. Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é</p><p>correto afirmar que o referido candidato tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público</p><p>para provimento de cargo de professor em universidade pública, salvo se a restrição da nacionalidade</p><p>estiver expressa no edital do certame, com o exclusivo objetivo de preservar o interesse público e</p><p>desde que, sem prejuízo de controle judicial, devidamente justificada.</p><p>•</p><p>Brasileiro, titular de green card, que adquire nacionalidade norte-americana, perde a nacionalidade</p><p>brasileira e pode ser extraditado pelo Brasil. Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o</p><p>green card decidir adquirir a nacionalidade norte-americana, ele irá perder a nacionalidade brasileira.</p><p>Não se pode afirmar que a presente situação se enquadre na exceção prevista na alínea “b” do inciso</p><p>II do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele já tinha o green card, não havia necessidade de</p><p>ter adquirido a nacionalidade norte-americana como condição para permanência ou para o exercício</p><p>de direitos civis. O estrangeiro titular de green card já pode morar e trabalhar livremente nos EUA.</p><p>Dessa forma, conclui-se que a aquisição da cidadania americana ocorreu por livre e espontânea</p><p>vontade. Vale ressaltar que, perdendo a nacionalidade, ele perde os direitos e garantias inerentes ao</p><p>brasileiro nato. Assim, se cometer um crime nos EUA e fugir para o Brasil, poderá ser extraditado sem</p><p>que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88. STF. 1ª Turma. MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto</p><p>Barroso, julgado em 19/4/20 16 (Info 822). STF. 1ª Turma. Ext 1462/DF, Rel. Min. Roberto Barroso,</p><p>julgado em 28/3/20 17 (Info 859).</p><p>•</p><p>Extradição supletiva. A pessoa que foi extraditada somente pode ser julgada ou cumprir pena no</p><p>Brasil pelo(s) crime(s) contido(s) no pedido de extradição. Se o extraditando havia cometido outros</p><p>crimes antes do pedido de extradição, em regra, ele não poderá responder por tais delitos se não</p><p>constaram expressamente no pedido de extradição. A isso se dá o nome de "princípio da</p><p>especialidade". Ex: o Brasil pediu a extradição mencionando o crime 1; logo, em regra, o réu somente</p><p>poderá responder</p><p>por este delito; como o crime 2 tinha sido praticado antes do pedido de extradição,</p><p>o governo brasileiro deveria ter mencionado expressamente não apenas o crime 1, como também o</p><p>2. Para que o réu responda pelo crime 2, o governo brasileiro deverá formular ao Estado estrangeiro</p><p>proleges.com.br  pág. 15 de 16</p><p>um pedido de extensão da autorização da extradição. Isso é chamado de "extradição supletiva".</p><p>Assim, caso seja oferecida denúncia pelo Ministério Público por fato anterior e não contido na</p><p>solicitação de extradição da pessoa entregue, deve a ação penal correspondente ser suspensa até</p><p>que seja julgado pedido de extradição supletiva. STJ. 5ª Turma. RHC 45569-MT, Rel. Min. Felix Fischer,</p><p>julgado em 4/8/20 15 (Info 566).</p><p>•</p><p>Ministro da Justiça não tem competência para rever ato de naturalização. Segundo o art. 12, § 4º, I,</p><p>da CF/88, após ter sido deferida a naturalização, seu desfazimento só pode ocorrer mediante</p><p>processo judicial, mesmo que o ato de concessão da naturalização tenha sido embasado em</p><p>premissas falsas (erro de fato). O STF entendeu que os §§ 2º e 3º do art. 112 da Lei nº 6.815/80</p><p>(Estatuto do Estrangeiro) não foram recepcionados pela CF/88. Assim, o Ministro de Estado da Justiça</p><p>não tem competência para rever ato de naturalização. STF. Plenário. RMS 27840/DF, rel. orig. Min.</p><p>Ricardo Lewandowski, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 7/2/20 13 (Info 694).</p><p>Lei de Migração A Lei nº 13.445/20 17 (Lei de Migração) revogou a Lei nº 6.815/80 (Estatuto do</p><p>Estrangeiro) e não repetiu a regra constante nos §§ 2º e 3º do art. 112 do Estatuto do Estrangeiro.</p><p>Logo, o entendimento do STF foi corroborado com o novo diploma.</p><p>Mais julgados:</p><p>Pesquisa pronta (Buscador Dizer o Direito): clique AQUI.</p><p>proleges.com.br  pág. 16 de 16</p><p>image1.jpeg</p><p>image10.jpeg</p><p>image11.jpeg</p><p>image12.jpeg</p><p>image13.jpeg</p><p>image14.jpeg</p><p>image15.jpeg</p><p>image16.jpeg</p><p>image17.jpeg</p><p>image18.jpeg</p><p>image19.jpeg</p><p>image2.jpeg</p><p>image20.jpeg</p><p>image21.jpeg</p><p>image22.jpeg</p><p>image23.jpeg</p><p>image24.jpeg</p><p>image25.jpeg</p><p>image26.jpeg</p><p>image27.jpeg</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.jpeg</p><p>image5.jpeg</p><p>image6.jpeg</p><p>image7.jpeg</p><p>image8.jpeg</p><p>image9.jpeg</p>

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