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<p>13</p><p>UNIVERSIDADE GUARULHOS</p><p>MEDICINA VETERINÁRIA</p><p>GIOVANNI ALLASIA CHRISPIM DE MATTOS</p><p>ESPOROTRICOSE</p><p>REVISÃO BIBLIOGRÁFICA, CASOS NA CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>SÃO PAULO</p><p>2022</p><p>UNIVERSIDADE GUARULHOS</p><p>MEDICINA VETERINÁRIA</p><p>GIOVANNI ALLASIA CHRISPIM DE MATTOS</p><p>ESPOROTRICOSE</p><p>REVISÃO BIBLIOGRÁFICA, CASOS NA CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>Trabalho de conclusão de curso em Medicina Veterinária apresentado à Universidade Guarulhos para obtenção do título de Bacharel em Medicina Veterinária.</p><p>Orientadora: Profa. Drª Melina Marie Yasuoka.</p><p>SÃO PAULO</p><p>2022</p><p>UNIVERSIDADE GUARULHOS</p><p>MEDICINA VETERINÁRIA</p><p>GIOVANNI ALLASIA CHRISPIM DE MATTOS</p><p>ESPOROTRICOSE: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA, CASOS NA CIDADE DE SÃO PAULO</p><p>Trabalho de conclusão de curso em Medicina Veterinária apresentado à Universidade Guarulhos para obtenção do título de Bacharel em Medicina Veterinária.</p><p>Orientadora: Profa. Drª Melina Marie Yasuoka.</p><p>Aprovado em:</p><p>EXAMINADORES</p><p>Orientadora: _____________________ ___/___/____</p><p>Profa. Drª Melina Marie Yasuoka.</p><p>Examinador(a): _____________________ ___/___/____</p><p>Banca Examinadora</p><p>Examinador(a): _____________________ ___/___/____</p><p>Banca Examinadora</p><p>Ficha Catalográfica:</p><p>MATTOS, G. A. C.</p><p>Esporotricose: Revisão bibliográfica, casos na cidade de São Paulo / Giovanni Allasia Chrispim de Mattos – São Paulo. 2022.</p><p>40 f.: il.</p><p>Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso de Medicina Veterinária) -Universidade Guarulhos, São Paulo, 2022.</p><p>DEDICATÓRIA</p><p>Este trabalho é todo dedicado aos meus pais, pois é graças ao seu esforço que hoje posso concluir o meu curso, obrigado por estarem comigo nessa jornada.</p><p>Dedico este trabalho a Deus; sem ele eu não teria capacidade para desenvolver este trabalho.</p><p>Dedico este trabalho a todo o curso de Medicina Veterinária da Universidade Guarulhos, seu corpo docente e discente, a quem fico lisonjeado por dele ter feito parte.</p><p>A conclusão deste trabalho resume-se em dedicação, dedicação que vi ao longo dos anos em cada um dos professores deste curso, a quem dedico este trabalho.</p><p>Dedico este trabalho a todos os que me ajudaram ao longo desta caminhada.</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Agradeço primeiramente a Deus, por ter sempre me conduzido, me fortalecido e nunca ter me desamparado.</p><p>Agradeço aos meus pais, que sempre me impulsionaram e me incentivaram a estudar, sempre confiaram no meu potencial e se esforçaram juntamente a mim.</p><p>Agradeço aos meus professores.</p><p>Por fim, agradeço a todos os médicos veterinários que passaram pela minha trajetória, tanto aqueles que me ensinaram as condutas corretas quanto aqueles que me serviram de exemplo do tipo de profissional que eu não posso ser jamais.</p><p>“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.”</p><p>Peter Drucker.</p><p>MATTOS, G. A. C. Esporotricose: Revisão bibliográfica, casos na cidade de São Paulo. 2022. 40 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso de Medicina Veterinária) - Universidade Guarulhos, São Paulo, 2022.</p><p>RESUMO</p><p>A esporotricose é uma doença causada por várias espécies de fungos do gênero Sporothrix spp. A doença afeta humanos assim como gatos e cães, os casos são menos comuns em cães. Essa micose tem alto potencial zoonótico e causa lesões ulcerativas em gatos que podem evoluir para infecções mais graves e acometer o animal em todos os lugares. Nos últimos anos, o número de casos tem aumentado na cidade de São Paulo, principalmente em áreas remotas com falta de saneamento e saúde pública. Foi realizada uma revisão de literatura sobre a doença e seus aspectos como fator etiológico, patogênese, sinais clínicos, tratamento, potencial zoonótico, diagnóstico e prevenção e controle. O objetivo deste trabalho é mostrar a disseminação da doença principalmente na zona leste da cidade de São Paulo em locais como Itaquera e Cidade A.E. Carvalho.</p><p>PALAVRAS-CHAVES: Esporotricose, Felinos, Zoonose, Cidade, São Paulo.</p><p>MATTOS, G. A. C. Sporotrichosis: Literature review, cases in the city of São Paulo. 2022. 40 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso de Medicina Veterinária) - Universidade Guarulhos, São Paulo, 2022.</p><p>ABSTRACT</p><p>Sporotrichosis is a disease caused by several species of fungus of the genus Sporothrix spp. The disease affects humans as well as cats and dogs, and cases are less common in dogs. This mycosis has high zoonotic potential and causes ulcerative lesions in cats that can progress to more severe infections and affect the animal everywhere. In recent years, the number of cases in the city of São Paulo has increased, especially in remote areas with little basic sanitation and public health. A literature review was conducted on the disease and its aspects such as etiological factor, pathogenesis, clinical symptoms, treatment, zoonotic potential, diagnosis and prevention and control. The objective of this work is to show the distribution of the disease mainly in the eastern part of the city of São Paulo in places such as Itaquera and Cidade A. E. Carvalho.</p><p>KEY-WORDS: Sporotrichosis, Felines, Zoonosis, City, São Paulo</p><p>LISTA DE FIGURAS</p><p>Figura 1 - Exsudato obtido de lesão de esporotricose cutânea em gato. O pleomorfismo das células de levedura leva a variações de arredondado e oval (coloração de Wright modificada. 1000x) 13</p><p>Figura 2 – Conídeos de Sporothrix schenkii (cultivo à temperatura ambiente) 14</p><p>Figura 3 – Gato com lesões ulceradas em face 16</p><p>Figura 4 – Múltiplas lesões ulceradas em membro torácico de gato com esporotricose 17</p><p>Figura 5 - Múltiplas lesões ulceradas em membro pélvico de gato com esporotricose 17</p><p>Figura 6 – Ferida ulcerada em dígito de felino com esporotricose 18</p><p>Figura 7 – Mapa da Região Metropolitana de São Paulo de acordo com a distribuição dos casos de esporotricose felina, como indicado, a Região de Itaquera com o maior número de casos. 25</p><p>Figura 8 – Característica de rua da região de A. E. Carvalho 26</p><p>Figura 9 – Mapa indicando animais esporotricóticos, mapeados por Distritos Administrativos de ocorrência, ano de 2018, cidade de São Paulo 26</p><p>Figura 10 – Gráfico indicando número de animais diagnosticados com esporotricose por ano, na cidade de São Paulo, de 2011 a 2018 27</p><p>Figura 11 – Mapa dos distritos administrativos adjacentes a Itaquera 28</p><p>Figura 12 – Gráfico demonstrando a evolução temporal da epidemia de esporotricose felina na região metropolitana de São Paulo, os números quase constantes de gatos positivos indicam a manutenção dos casos na cidade 29</p><p>Figura 13 – Lesões Cutâneas 33</p><p>Figura 14 – Colônia de Sporothrix braziliensis cultivada em meio BDA por 21 dias a 30ºC 19</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. INTRODUÇÃO 12</p><p>2. REVISÃO DE LITERATURA 13</p><p>2.1. Agente Etiológico 13</p><p>2.2. Epidemiologia 14</p><p>2.3. Patogênese 15</p><p>2.4. Apresentação Clínica 16</p><p>2.5. Diagnóstico da Espotricose 19</p><p>2.6. Tratamento 20</p><p>3. A ESPOROTRICOSE NO BRASIL 22</p><p>3.1 Os Casos na Cidade de São Paulo 24</p><p>3.2 A Epidemia da Esporotricose 30</p><p>3.3 O Potencial Zoonótico da Doença 31</p><p>3.3.1. Sintomas 33</p><p>3.4. Notificação Obrigatória 34</p><p>3.5. Prevenção e Controle 35</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS 36</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 38</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>Em 1952, a primeira evidência de esporotricose transmitida por gatos foi documentada nos Estados Unidos. O primeiro caso de esporotricose associada a um gato doente em São Paulo foi relatado em 1955, várias décadas depois, novos casos foram relatados na cidade, entre eles um caso de esporotricose humana devido ao potencial zoonótico da doença. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>A esporotricose é uma micose subcutânea de evolução subaguda ou crônica, causada por espécies de fungos pertencentes ao Sporothrix schenckii. A doença é caracterizada pela formação de nódulos subcutâneos que podem ulcerar. (CRUZ, 2010; RODRIGUES et al., 2014)</p><p>Há relatos de infecção em humanos e várias espécies animais, incluindo felinos, canídeos, equinos, bovinos, suínos, ratos, coelhos, macacos, hamsters, camelos, tatus, golfinhos, raposas, cabras e aves. O fungo está presente no solo, gramíneas, árvores, turfeiras, roseiras, outras hortaliças e matéria</p><p>orgânica em decomposição (CRUZ, 2010; BROOKS et al., 2014).</p><p>No entanto, a esporotricose em gatos tem sido frequentemente diagnosticada. A transmissão entre gatos é facilitada pelo comportamento da espécie, cavando e jogando lixo no chão ou arranhando e mordendo durante as disputas pelas fêmeas, o que cria um fator de risco para pessoas que têm uma relação próxima com esses animais, como criadores, seus familiares e profissionais de saúde (CRUZ, 2010; SCHUBACH et al., 2012; SANTOS et al., 2018).</p><p>A doença afeta tanto humanos, gatos e cães, sendo os casos mais raros em cães. Essa micose tem alto potencial zoonótico e causa lesões ulcerativas em gatos que podem se transformar em infecções mais graves e acometer o animal sistemicamente.</p><p>Nos últimos anos, o número de casos aumentou na cidade de São Paulo, principalmente em áreas periféricas com acesso limitado ao saneamento básico e à saúde pública.</p><p>2. REVISÃO DE LITERATURA</p><p>2.1. Agente Etiológico</p><p>A esporotricose é uma micose causada por espécies do Sporothrix (potencialmente causada pelo S. schenkii, mas existem outras espécies relatadas, tais como o S. braziliensis). (MCVEY, KENNEDY e CHENGAPPA, 2016)</p><p>O agente etiológico é um fungo geofílico, saprotófico e dimórfico. (DE FARIA, 2019)</p><p>O fungo pode medir 3-5µm de largura e 3-9µm de comprimento além de apresentar morfologicamente a forma redonda, oval ou de charuto (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Morfologicamente são fungos considerados dimórficos, significando que na natureza assumem uma forma e quando inoculados no organismo se encontram de outra forma completamente diferente, isso ocorre devido a temperatura.</p><p>Em temperatura ambiente se encontram em forma de hifas e em temperatura corpórea são encontradas na forma de leveduras (Figuras 1 e 2) (MCVEY, KENNEDY e CHENGAPPA, 2016).</p><p>Figura 1 - Exsudato obtido de lesão de esporotricose cutânea em gato. O pleomorfismo das células de levedura leva a variações de arredondado e oval (coloração de Wright modificada. 1000x)</p><p>Fonte: MCVEY, KENNEDY e CHENGAPPA, 2016</p><p>Figura 2 – Conídeos de Sporothrix schenkii (cultivo à temperatura ambiente)</p><p>Fonte: GOMPERTZ, GAMBALE, et al., 2015</p><p>O Sporothrix apresenta estruturas típicas de fungos, tais como parede celular contendo quitina e ergosterol, além de estruturas de interesse médico, sendo adenosinas e parede celular, componentes que aumentam a sua virulência (MCVEY, KENNEDY e CHENGAPPA, 2016).</p><p>2.2. Epidemiologia</p><p>Sabe-se que os principais agentes etiológicos da esporotricose são: S. braziliensis, S. schenkii e S. humicola. Atualmente, no Brasil, o S. braziliensis se destaca no número de casos, enquanto em alguns países Asiáticos, o principal causador é o S. schenkii. (GREMIÃO, DA ROCHA, et al., 2020)</p><p>A transmissão ocorre pelo contato da pele não íntegra com plantas, matéria orgânica em decomposição ou solo contaminado pelo fungo, acometendo muitas vezes trabalhadores agrícolas, florestais e jardineiros quando os esporos do fungo penetram o nosso corpo através de feridas, como arranhões, farpas ou furos provocados por espinhos. O contato direto da pele com feno, musgos e mofos também pode ser fonte de transmissão, se o paciente tiver pequenas fissuras. (GREMIÃO, DA ROCHA, et al., 2020)</p><p>Veterinários também estão sujeitos a um maior risco, já que a esporotricose também pode se comportar como uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida diretamente de animais para o ser humano, transmissão entre gatos e do gato para o ser humano ocorre por mordidas e arranhões. (GREMIÃO, DA ROCHA, et al., 2020)</p><p>O Sporothrix schenkii apresenta mais importância quando se trata de infecções ambientais, afetando principalmente trabalhadores agrícolas e jardineiros enquanto o Sporothrix brasiliensis se destaca mais nos casos das infecções entre os gatos e nas infecções zoonóticas (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Alguns autores acreditam na hipótese que a inoculação do fungo em gatos pode ocorrer por via nasal, uma vez que isso explicaria a alta dos sinais respiratórios e das lesões na cavidade nasal, além do isolamento do fungo na mesma e em lavados broncoalveolar e nos pulmões (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>A dispersão do Sporothrix spp é facilitada por gatos jovens, machos e não castrados que tem acesso à rua. As constantes brigas e o hábito de arranhar madeira afim de afiar suas unhas favorecem a disseminação do agente (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>2.3. Patogênese</p><p>Após a inoculação do Sporothrix spp em sua forma filamentosa ocorre a transição para a forma de levedura, porém, se a infecção for através de arranhadura a inoculação ocorrerá na forma de levedura (DE FARIA, 2019).</p><p>Seguido da instalação do agente, ocorre o aparecimento das lesões cutâneas papulares ou nodulares nos locais em que houve a inoculação do mesmo, mas pode ocorrer também o processo de cura espontânea (DE FARIA, 2019).</p><p>A disseminação do agente depende muito de fatores como: o estado do sistema imunológico do paciente, a virulência da cepa em questão e a quantidade de partículas infectantes inoculadas (DE FARIA, 2019).</p><p>Dependendo dos fatores citados acima, pode ocorrer acometimento dos vasos sanguíneos e linfáticos que drenam o local, fazendo com que haja a progressão da forma cutânea da doença para a forma disseminada, caracterizada por lesões múltiplas e podendo evoluir para um quadro sistêmico da mesma (DE FARIA, 2019).</p><p>A disseminação do fungo pelo sistema linfático, causa linfadenite e em animais com o sistema imunológico comprometido, a infecção pode se tornar sistêmica rapidamente (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>2.4. Apresentação Clínica</p><p>Nos felinos há três formas de apresentação da esporotricose: cutânea, linfático-cutânea e disseminada (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Na forma cutânea ocorre a formação de feridas ulceradas, crostosas, que drenam conteúdo serosanguinolento e/ou até mesmo purulento e que podem até se tornar abscessos e posteriormente evoluir para celulite em cabeça (Figura 3), membros (Figura 4 e 5), dígitos (Figura 6) e em base de orelha, locais facilmente atingidos por mordedura e arranhadura em casos de brigas (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Em alguns casos, as feridas podem evoluir para necrose (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Nos casos em que há necrose nas regiões das feridas a exposição de estruturas como músculos ou ossos é descrita (GREMIÃO, DA ROCHA, et al., 2020).</p><p>As feridas, principalmente, as que estão presente na face apresentam fácil disseminação por conta do hábito autolimpante, gerando uma autoinoculação do fungo (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Figura 3 – Gato com lesões ulceradas em face</p><p>Fonte: LLORET, HARTMANN, et al., 2013</p><p>Figura 4 – Múltiplas lesões ulceradas em membro torácico de gato com esporotricose</p><p>Fonte: LLORET, HARTMANN, et al., 2013</p><p>Figura 5 - Múltiplas lesões ulceradas em membro pélvico de gato com esporotricose</p><p>Fonte: LLORET, HARTMANN, et al., 2013</p><p>Figura 6 – Ferida ulcerada em dígito de felino com esporotricose</p><p>Fonte: LLORET, HARTMANN, et al., 2013</p><p>No caso da infecção linfática, muitas vezes o acometimento clínico não é tão evidente, podendo ser evidenciado por meio de exames laboratoriais como biópsias ou em amostras de necropsias (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>As lesões na maioria das vezes estão localizadas na cabeça dos felinos, principalmente na região nasal. (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020)</p><p>Na forma linfática ocorre aumento dos linfonodos, porém a linfangite é menos comum (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Nos casos de esporotricose disseminada, os órgãos que apresentam maior acometimento são fígado e pulmões. Os sintomas clínicos sistêmicos são inespecíficos, tais como: letargia, anorexia e febre. (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Os sintomas respiratórios, tais como espirros, secreção nasal e dispneia são frequentes e podem preceder o aparecimento das lesões cutâneas, e em alguns casos não chegam a apresentá-las (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>A associação dos sintomas respiratórios com as lesões cutâneas pode significar a falha do tratamento ou a predição morte para</p><p>esses felinos pois acabam se tornando mais debilitados (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>O período de incubação após a infecção por Sporothrix spp varia de no mínimo 14 dias até meses, assim como descrito em humanos (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>A relação da infecção por Sporothrix spp em gatos portadores do vírus da imunodeficiência felina (FIV) e a leucemia felina (FELV) é controverso, pois são descritos muito mais casos graves em felinos imunocompetentes, não havendo correlação entre as infecções (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Apesar da maioria dos casos terem aparecimento de lesões ulceradas e envolvimento de mucosas, em alguns casos isolados, tais lesões podem estar ausentes (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>O Sporothrix brasiliensis é o patógeno mais associada às infecções de mucosa nasal e acometimento do sistema respiratório (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>O diagnóstico diferencial inclui neoplasias (principalmente carcinoma de células escamosas), dermatose eosinofílica, piodermite bacteriana, criptococose e leishmaniose tegumentar (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>2.5. Diagnóstico da Espotricose</p><p>Em gatos ou humanos, o diagnóstico pode ser feito por exames laboratoriais padrão, como cultura fúngica, exame direto, métodos de imunodiagnóstico e análises moleculares. (ROSSOW, TELLES et al., 2020)</p><p>Cada método possui detalhes que podem afetar diretamente seu desempenho, portanto o médico veterinário deve avaliar cada caso individualmente. (ROSSOW, TELLES et al., 2020)</p><p>A cultura fúngica é o método padrão ouro para diagnosticar a esporotricose de qualquer espécie (ROSSOW, TELLES et al., 2020). Sporothrix spp crescem em 5-8 dias em diversos ambientes. (ROSSOW, TELLES et al., 2020)</p><p>A forma filamentosa da doença é observada usando o meio de cultura Ágar Sabouraud com dextrose a 28ºC, macroscopicamente os filamentos aparecem como colônias com coloração branca a marrom escura (Figura 14). (ROSSOW, TELLES et al., 2020)</p><p>Figura 14 – Colônia de Sporothrix braziliensis cultivada em meio BDA por 21 dias a 30ºC</p><p>Fonte: GREMIÃO, DA ROCHA, et al., 2020</p><p>2.6. Tratamento</p><p>O tratamento para a esporotricose felina pode ser variável. Diagnósticos precoces, com rápida estabilização do paciente e cooperação do tutor com o tratamento podem levar a cura clínica da doença (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>O abandono do tratamento ocorre com muita frequência, principalmente após os tutores observarem a cicatrização das lesões presentes na pele dos felinos, mas a irregularidade no tratamento pode levar a recorrência da doença, dificultando o processo de cura total (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>O itraconazol e o iodeto de potássio são as drogas mais usadas no tratamento da esporotricose felina independentemente dos sinais clínicos (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>O itraconazol, geralmente, é o medicamento de escolha. O tratamento deve ser continuado até um mês após a cura clínica, o que significa que a droga precisa ser administrada por mais de dois meses (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>A dose usada do itraconazol varia com o peso do animal. Pacientes com menos de 1 kg podem fazer uso de até 25 mg/kg a cada 24 horas; pacientes com até 3 kg até 50 mg/kg a cada 24 horas e pacientes com mais de 3 kg 100 mg/kg a cada 24 horas (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>A medicação é extremamente hepatotóxica, dessa forma, os tutores devem ser alertados sobre tal risco, além de serem orientados a realizar monitorização das enzimas hepáticas com frequência (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>A suspensão do tratamento pode ser necessária em caso de manifestação dos efeitos colaterais deletérios, tais como: náuseas, anorexia, êmese e aumento da alanina aminotransferase sérica. O tratamento fica suspenso até que o apetite retorne e as enzimas hepáticas retornem aos níveis de referência (variando de 1 a 2 semanas) (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Pacientes com aumento considerável dos níveis das enzimas hepáticas podem receber terapia com hepatoprotetores como silimarina (30 mg/kg uma vez ao dia, por via oral) ou S-adenosilmetionina (SAMe) (20 mg/kg uma vez ao dia, por via oral) (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017).</p><p>A administração do itraconazol juntamente com o alimento auxilia na absorção do princípio. Não podem ser administrados juntamente com antiácidos, pois a alcalinidade impede a sua absorção (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>A solução supersaturada de iodeto de potássio por via oral é o tratamento de escolha para a esporotricose em cães, ela tem sido utilizada em gatos, porém nesta espécie o efeito hepatotóxico tem maiores chances de se desenvolver (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>No caso da solução supersaturada de iodeto de potássio a dose usada pode variar de 2,5 - 20 mg/kg a cada 24 horas por via oral (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>Um estudo feito em 2013 apresentou 48 gatos tratados com iodeto de potássio em cápsulas obtiveram taxa de sucesso em 47,9%, levando ao medicamento a ser uma alternativa ao itraconazol (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>O prognóstico da doença pode ser bom dependendo da duração do tratamento e se a colaboração do tutor for adequada, entretanto, o prognóstico pode ir de mau a reservado no caso da presença de infecções secundárias ou de interrupções no tratamento (LLORET, HARTMANN, et al., 2013).</p><p>O uso da terbinafina tem apresentado sucesso em pacientes humanos, mas até o momento a sua eficácia para o tratamento de esporotricose em animais ainda é desconhecida. Recentemente foi relatado o uso bem sucedido de terbinafina em pacientes caninos que apresentavam esporotricose causada pelo Sporothrix braziliensis (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Termoterapia, cirurgias e criocirurgias podem ser tratamentos indicados para alguns casos de esporotricose (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>3. A ESPOROTRICOSE NO BRASIL</p><p>Desde 1990 o perfil epidemiológico da esporotricose mudou de uma doença com baixa prevalência para um problema que afeta as populações que vivem em áreas urbanas negligenciadas (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Na região metropolitana do Rio de Janeiro estima-se que seja contabilizado mais de 3800 felinos, 4000 humanos e 120 cães no período de 1998 até 2011. A transmissão zoonótica massiva também tem sido visibilizada na região Sul do Brasil com caraterísticas parecidas com a epidemia do Rio de Janeiro (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014)</p><p>Atualmente o Brasil é o país que apresenta o maior número de casos de esporotricose reportada em felinos no mundo, os primeiros casos foram relatados em meados dos anos 1900 e tiveram um aumento considerável (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Entre os anos 1998 e 2014 foram diagnosticados 244 casos de esporotricose em cães e 5113 casos diagnosticados em gatos (entre 1998 e 2017), todos realizados e registrados pelo Instituto de Infectologia do Rio de Janeiro (FIOCRUZ) (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Os números descritos são importantes para viabilizar a severidade e o potencial endêmico da doença, mas não reflete a real incidência da doença sobre o Rio de Janeiro e nem mesmo sobre o Brasil (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Mesmo após duas décadas desde o começo das infecções por Sporothrix brasiliensis no Rio de Janeiro, a notificação compulsória no país ainda não é obrigatória, salvo em alguns estados (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Em síntese, a doença é subestimada, subnotificada e totalmente negligenciada (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Casos de esporotricose em felinos atualmente são reportados em estados da região Sul e Sudeste do Brasil em estados como: Rio de Janeiro, São Paulo, Espirito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Segundo a descrição na literatura, o Rio Grande do Sul apresenta a segunda maior série de casos de gatos portadores de esporotricose causada pelo Sporothrix braziliensis (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Enquanto isso, casos de felinos e humanos vem sendo reportados nos municípios do Rio Grande e em Pelotas,</p><p>também no Rio Grande do Sul. Desde 2014 casos de felinos e humanos foram diagnosticados no Paraná, mais precisamente em Curitiba (capital do Estado) e de acordo com o órgão responsável, de janeiro até agosto pelo menos 793 casos foram reportados (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020)</p><p>Nos últimos anos, a esporotricose vem expandindo e se tornando severa também em outras regiões do Brasil, seguindo os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Acre e Pará (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Estudos identificaram que o agente causador da esporotricose nas regiões Norte e Nordeste não foram documentados, mas ainda assim acredita-se que o principal causador de surtos em todas as regiões do Brasil seja o Sporothrix braziliensis (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Um estudo realizado em 2018 compara populações infectadas e não infectadas de felinos no Estado do Rio de Janeiro, pesquisadores concluíram que as cidades do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense, a Grande Niterói, Baixada Litorânea e a Região Serrana são as cidades mais afetadas pela epidemia causada pelo Sporothrix spp (MACÊDO-SALES, SOUTO, et al., 2018).</p><p>No ano de 2015, um surto local foi reportado na cidade de Cumaçari na Bahia (localizada em aproximadamente 41km de distância de Salvador, capital do estado). Entre os anos de 2015 e 2018 não foram reportados casos em Salvador, apesar da vigilância pública de saúde ter emitido um alerta para possíveis casos em 2015 (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>Os primeiros casos foram relatados em Salvador em 2018, somente após a notificação da doença em animais e em seres humanos ser obrigatória. Somente entre março e dezembro de 2018, aproximadamente 289 casos suspeitos de espotricose foram reportados em felinos (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>A rápida dispersão e a casuística da doença nos bairros de Salvador levam os pesquisadores a duas hipóteses: a esporotricose era subnotificada antes da obrigatoriedade da notificação no Estado em 2018 e/ou a doença com potencial zoonótico foi introduzida e se espalhou radicalmente pelo município muito rapidamente (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>O exemplo da cidade citada a cima nos mostra a importância da notificação e o como a mesma é crítica. A notificação permite que o sistema de saúde monitore a doença, investigue e a diagnostique para registrar epidemiologicamente e propor as intervenções necessárias para o controle da mesma (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>3.1 Os Casos na Cidade de São Paulo</p><p>Comparado com as epidemias em curso de outros estados do Brasil, nos últimos 28 anos a cidade de São Paulo relatou um número de casos basais de esporotricose (números de casos secundários a partir de um indivíduo infectado em uma população susceptível), casos que em sua totalidade não foram causados pela transmissão por felinos (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ-SP) realiza serviços de vigilância entre felinos selvagens desde de 2008. Em 2010, mais especificamente em dezembro, alguns casos de esporotricose felina foram notificados ao serviço de vigilância do CCZ-SP e desde então, os números de casos vem aumentando na cidade de São Paulo (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Até 2010 não havia sido confirmados casos de esporotricose animal pelo CCZ-SP, lembrando que até o momento, a doença não era de notificação obrigatória no país e tampouco em São Paulo (DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015).</p><p>Em 2011, foi comunicado ao CCZ-SP, o rumor de que em uma campanha de castração havia felinos com esporotricose no Distrito Administrativo de Itaquera. Iniciou-se, então, uma investigação epidemiológica para averiguar a ocorrência e verificar a extensão de propagação dessa zoonose (DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015).</p><p>Os primeiros casos de esporotricose felina foram surgindo em 2011 na região de Itaquera, região com alta densidade populacional. Os casos aumentam cada vez mais em regiões negligenciadas, ou seja, com pouco acesso ao saneamento básico e aos serviços de saúde pública (Figura 7) (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Figura 7 – Mapa da Região Metropolitana de São Paulo de acordo com a distribuição dos casos de esporotricose felina, como indicado, a Região de Itaquera com o maior número de casos.</p><p>Fonte: MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014</p><p>Em abril do ano em questão iniciou-se a averiguação dos casos de esporotricose felina, realizada pelo CCZ-SP junto a moradores e a uma clínica veterinária privada onde houve casos com lesões sugestivas e com um único caso de animal contaminado comprovado laboratorialmente (DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015).</p><p>O resultado da busca ativa realizada em abril de 2011 até dezembro de 2013 no bairro de Cidade A. E. Carvalho fora a investigação de 1463 imóveis. A busca ativa consistiu na delimitação da área, identificação dos casos, coleta de amostras, diagnóstico laboratorial, tratamento e acompanhamento dos casos, orientação aos tutores e esterilização dos animais (felinos e cães) (DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015).</p><p>A área selecionada na Cidade de A. E. Carvalho, localizado no Distrito Administrativo de Itaquera e pertencente a Supervisão de Saúde de Itaquera, localizado na Região Leste da cidade de São Paulo, é classificada como “Área de Exclusão 4”, segundo características ambientais, sociais e econômicas (Figura 8) (DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015).</p><p>Figura 8 – Característica de rua da região de A. E. Carvalho</p><p>Fonte: DA SILVA, BERNARDI, et al., 2015</p><p>Segundo levantamento realizado pelo CCZ-SP, de 2011 até 2018 foram diagnosticados 968 animais com a doença (Figura 9) (DA SILVA , BERNARDI , et al., 2015).</p><p>Figura 9 – Mapa indicando animais esporotricóticos, mapeados por Distritos Administrativos de ocorrência, ano de 2018, cidade de São Paulo</p><p>Fonte: DA SILVA, BERNARDI, et al., 2015</p><p>Do total dos domicílios avaliados, em 5,3% foi detectada a presença de 114 felinos com esporotricose. Destes, 68,4% foram confirmados laboratorialmente, também foi evidenciado um canino com a doença, confirmado laboratorialmente, em residência havia um felino que apresentava lesões sugestivas da doença. Tal felino havia sido submetido a eutanásia cerca de 1 mês antes do início das investigações (DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015).</p><p>Em 2018, houve um aumento significativo nos casos em aproximadamente 49,5%, além de apresentar maior dispersão para outras áreas da cidade se comparado com 2017 (figura 10) (DA SILVA , BERNARDI , et al., 2015).</p><p>Figura 10 – Gráfico indicando número de animais diagnosticados com esporotricose por ano, na cidade de São Paulo, de 2011 a 2018</p><p>Fonte: DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015</p><p>Dos casos citados em Itaquera, 163 de 273, ou seja, 58% dos gatos e 8% dos cães obtiveram um resultado positivo para Sporothrix spp. Na região metropolitana de São Paulo, nas cidades de Diadema e Guarulhos 100% dos casos e 43%, respectivamente, foram positivos para o agente, analisando os dados referidos anteriormente, vê-se que a esporotricose não tem diminuído nos últimos onze anos (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Foi observado em duas áreas adjacentes a Itaquera casos de felinos com esporotricose, um caso em Ponte Rasa e outro caso em Artur Alvim (Figura 11) (DA SILVA , BERNARDI, et al., 2015)</p><p>Figura 11 – Mapa dos distritos administrativos adjacentes a Itaquera</p><p>Fonte: DA SILVA , BERNARDI et al., 2015</p><p>Um estudo desenvolvido usou ferramentas moleculares para investigar a emergência da esporotricose felina causada pelo S. braziliensis na região metropolitana de São Paulo, a mais populosa cidade do Brasil. A esporotricose é a mais importante micose subcutânea que afeta os animais e também, os seres humanos (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>As infecções causadas pelo Sporothrix braziliensis são notáveis entre os gêneros de Sporothrix devido a sua patogenicidade nos hospedeiros vertebrados (sejam gatos, cães e até humanos). O Sporothrix braziliensis é considerado geograficamente restrito ao Brasil, sendo o primeiro reportado em</p><p>transmissões epizoóticas nessa área (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Desde a identificação dos primeiros casos de esporotricose em animais na cidade de São Paulo no ano de 2011, os casos foram predominantes na zona sudeste, especificamente em Itaquera e em Itaim Paulista, locais onde denotam uma característica epidêmica (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>O CCZ - SP conduziu pesquisas ativas nos domicílios, onde encontraram como resultados outros casos de esporotricose em felinos. Um total de 83 casos em felinos e um caso em canino foi identificado em Itaquera, enquanto 56 casos felinos foram registrados em Itaim Paulista (figura 12) (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Figura 12 – Gráfico demonstrando a evolução temporal da epidemia de esporotricose felina na região metropolitana de São Paulo, os números quase constantes de gatos positivos indicam a manutenção dos casos na cidade</p><p>Fonte: MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014</p><p>Em uma nova etapa da pesquisa, novos casos foram detectados em São Paulo, sugerindo assim, que é improvável que essa epidemia se encerre tão facilmente. É importante relembrar que um número pequeno de casos de esporotricose felina também foram reportados em outros distritos da cidade, tais como Diadema e Guarulhos. Esses casos nos fazem pensar que a transmissão da doença é silenciosa (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>O estudo molecular de 48 animais revelou que o aumento nos casos é causado pelo Sporothrix braziliensis. Nesse estudo, obtiveram sucesso em identificar as cepas isoladas em casos de esporotricose felina por meio da Calmodulin Polymerase chain reaction-restriction fragmente lenght polymorfism (CAL-RFLP). O uso do CAL-RFLP reduz consideravelmente o custo da identificação molecular no cenário da epidemia (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>A doença vem se espalhando desde o Rio de Janeiro, estado que faz divisa com Minas Gerais, Espirito Santo e São Paulo e sua proximidade geográfica pode comprovar esses achados. Mesmo com diferenças em relação a intensidade e recorrência dos casos, eles também vêm sendo identificados em Minas Gerais e no Espirito Santo (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>A prevalência do Sporothrix braziliensis em gatos, mas não em cães, na mesma localização geográfica é extraordinária. O perfil epidemiológico foi identificado primeiro no Rio de Janeiro, posteriormente em São Paulo e na sequência no Rio Grande do Sul (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>3.2 A Epidemia da Esporotricose</p><p>O “sucesso” da epidemia causada pelo Sporothrix braziliensis deve ser considerada pela complexidade entre o patógeno, hospedeiro e o ambiente, incluindo: a alta susceptibilidade dos felinos como hospedeiros e a alta virulência do patógeno; os hábitos felinos e a recente introdução do S. braziliensis em uma população urbana e suscetível felina (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>O papel dos gatos na transmissão fúngica é um fator chave no entendimento da evolução da transmissão e emergência da doença em áreas urbanas. Esse fato talvez requeira um desenvolvimento específico de programas de vigilância e controle pelas próprias autoridades (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>As características comportamentais dos gatos como: disputas territoriais e por cópula, contato íntimo com contactantes, além de arranhões e mordidas profundas que proporcionam a inoculação dos fungos (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Na região de Itaquera, onde a maioria dos casos foram identificados, cães e gatos geralmente têm livre acesso a rua e a maioria dos mesmos não são castrados (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Em um estudo foi possível isolar Sporothrix braziliensis de órgãos de animais necropsiados pelo CCZ – SP. Foi descrito o isolamento do S. schenckii em tecidos como: pulmões, fígado, baço, linfonodos, coração e rins de dez gatos com esporotricose. O S. braziliensis foi isolado das fezes coletadas do intestino delgado dos mesmos gatos necropsiados. Também foram coletadas fezes de uma pilha de areia em Itaquera, cujos resultados permitem a conclusão de que gatos doentes contaminam o solo, criando uma reserva para o Sporothrix braziliensis e iniciando um novo recurso de contaminação tanto para humanos quanto para animais (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>O fungo pode ficar retido na superfície do corpo do animal. Gatos tem hábito de limpar a si mesmos e o ato de lamber pode levar a contaminação da mucosa oral, o que resulta em deposição do fungo mais profundamente em casos de mordidas tanto nos humanos quanto em outros felinos (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>Outra possibilidade de contaminação é o solo, que ao receber deposição incorreta de carcaças de animais que morreram com esporotricose, como por exemplo enterrá-los em quintais ou depositá-los em terrenos baldios (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>O Sporothrix foi também foi isolado em lascas de madeira em decomposição e em cascas de árvores, mostrando que o fungo está presente no meio ambiente. Entretanto a taxa de positividade entre as amostras retiradas do ambiente foi baixa, algo que possa estar relacionado com as técnicas de amostragem, sazonalidade e o número de amostras avaliadas (MONTENEGRO, RODRIGUES, et al., 2014).</p><p>3.3 O Potencial Zoonótico da Doença</p><p>Entre os anos 2011 e 2014, quatro casos de humanos infectados com esporotricose por meio de gatos foram relatados em Buenos Aires na Argentina, até onde se sabe, esses foram os primeiros casos da transmissão zoonótica da doença (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017)</p><p>Apesar das espécies causadoras não terem sido reportadas, a proximidade com a região Sul do Brasil e o tipo transmissão é sugestivo que o Sporothrix braziliensis seja a espécie envolvida nos casos (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017).</p><p>De 1997 a 2011, 4188 casos humanos foram identificados em na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o centro de referência para o tratamento da micose no Brasil (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017).</p><p>Devido à alta incidência dos casos da doença no Rio de Janeiro, o estado ficou considerado como cidade hiper endêmica (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017).</p><p>Os dados foram divulgados por uma única instituição, por esse motivo, não se pode tomá-la como reflexo atual do quadro da doença na cidade (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017)</p><p>Casos de esporotricose felina e transmissões zoonóticas tem sido reportada em outras regiões do Brasil, especialmente em São Paulo e no Rio Grande do Sul, entretanto o número reportado nessas regiões é menor do que os casos no Rio de Janeiro (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017).</p><p>Apesar do número de cães infectados no Rio de Janeiro ser alto, não existem relatos de transmissões zoonóticas de cães para humanos (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017).</p><p>Os cães não são diretamente envolvidos na transmissão do Sporothrix spp, provavelmente pela escassez do agente nas lesões na maioria dos casos (GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017).</p><p>A transmissão do fungo para seres humanos ocorre pela inoculação traumática do mesmo por meio de matéria vegetal contaminada ou através de arranhadura, mordida ou contato com o exsudato de lesões presentes em gatos doentes, pode acontecer até pela exposição de gotículas das mucosas ou inalação das leveduras (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>Um estudo com 33 gatos apontou que lesões de 29 animais tinham uma alta carga de leveduras, fator que facilita a transmissão traumática e também a não traumática, em contrapartida, o mesmo estudo realizado em 44 cães identificou apenas seis animais apresentavam alta quantidade de levedura em microscopia direta, a baixa carga fúngica demonstra baixa probabilidade de transmissão (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>Os grupos de alto risco para a transmissão são os que apresentam contato direto com gatos, tais como: médicos veterinários, proprietários de gatos, cuidadores de animais, auxiliares veterinários e imunossuprimidos (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>No caso de lesões causadas por arranhadura ou mordedura de gatos que apresentem a esporotricose, indica-se a lavagem do ferimento com água corrente</p><p>e sabão imediatamente, além de procurar assistência médica especializada (GREMIÃO, DA ROCHA , et al., 2020).</p><p>A apresentação clínica da esporotricose nos humanos ocorre como lesões cutâneas, incluindo pápulas, úlceras e nódulos que aparecem no local lesionado após dias ou meses seguintes a exposição (Figura 13) (ROSSOW, TELLES, et al., 2020):</p><p>Na imagem A, temos a forma cutânea da doença com úlceras isoladas em processo de cicatrização no local onde houve trauma. Na imagem B, a manifestação oftálmica com conjuntivite granulomatosa e na imagem C, a apresentação linfocutânea da doença, em que vemos a presença de úlceras e aumentos de volume dos nódulos linfáticos.</p><p>Figura 13 – Lesões Cutâneas</p><p>Fonte: GREMIÃO, MIRANDA, et al., 2017</p><p>O tratamento para humanos é o mesmo independente da espécie infectante, de acordo com as diretrizes, a terapia de primeira escolha para os casos cutâneos e linfocutâneos é o itraconazol de 200-400 mg/dia via oral, porém estudos mais recentes mostraram que houve resposta com doses de 100 mg/dia (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>Até década de 1990 o uso da solução saturada de iodeto de potássio era usado para tratar algumas formas clínicas da doença, mas a solução não é bem tolerada principalmente por causar disfunções na tireoide dos pacientes (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>Em casos de não aceitação do itraconazol o uso de terbinafina pode ser recomendado (ROSSOW, TELLES, et al., 2020).</p><p>3.3.1. Sintomas</p><p>As formas mais comuns são a esporotricose cutânea e a esporotricose linfocutânea, que, como o nome sugere, são infecções que acometem apenas a pele ou linfonodos e pele.</p><p>O primeiro sintoma da esporotricose é geralmente uma pápula (nódulo) pequena, vermelha e indolor no local da inoculação do fungo que aparece 1 a 12 semanas após a contaminação. Esta lesão pode ser muito semelhante a uma picada de inseto. As áreas mais afetadas são as mãos, braços, pernas e pés.</p><p>Durante o dia, o inchaço cresce e em alguns casos pode se tornar uma úlcera. A esporotricose cutânea não tratada pode durar anos.</p><p>Em cerca de 60% dos pacientes, o paciente desenvolve esporotricose linfocutânea. Mais linfonodos, geralmente duros e vermelho-púrpura, podem se formar perto da lesão original e podem se espalhar ao redor dos linfonodos entre os braços ou pernas, formando uma lesão “em cordão” ou “em rosário”.</p><p>Esses nódulos geralmente são indolores, persistentes e não causam sintomas sistêmicos, como febre, perda de peso ou mal-estar.</p><p>A maioria das infecções por Sporothrix envolve apenas a pele e os tecidos linfáticos. No entanto, o fungo pode se espalhar para outras partes do corpo, incluindo ossos, articulações e sistema nervoso central. A esporotricose disseminada é rara e geralmente ocorre apenas em indivíduos imunocomprometidos.</p><p>Outra forma rara é a esporotricose pulmonar, uma doença semelhante ao pulmão com tosse, dispneia e febre que ocorre após a inalação de esporos de Sporothrix.</p><p>3.4. Notificação Obrigatória</p><p>Até agora, a esporotricose é reportável apenas no Brasil. A notificação compulsória é feita em estados como Rio de Janeiro e Pernambuco, além dos municípios de Guarulhos (SP), Belo Horizonte (MG), Camaçari (BA), Natal (RN) e João Pessoa (PB). (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>Mesmo em áreas onde não há notificação compulsória, os veterinários devem notificar a secretaria de saúde local dos casos de esporotricose. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>O primeiro local onde a notificação de casos de esporotricose se tornou obrigatória foi no Rio de Janeiro, especificamente em 2014. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>No Rio de Janeiro, um formulário está disponível no site da prefeitura, para ser preenchido e enviado por um médico veterinário quando do diagnóstico de casos de esporotricose em cães e gatos. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>A violação da notificação pode sujeitar o veterinário a sanções, como a suspensão da profissão, uma vez que o descumprimento é considerado uma violação grave do Código de Ética Federal. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>3.5. Prevenção e Controle</p><p>Por ser uma doença com alto potencial zoonótico que representa uma ameaça à saúde pública, principalmente em áreas densamente povoadas, estratégias de prevenção e controle são importantes. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>O risco de contaminação humana e o fato de o tratamento ser longo e caro pode impedir que os conselheiros sigam os protocolos de tratamento e implementem o tratamento recomendado na prática, resultando em um enfraquecimento do controle e prevenção da doença. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>Recomenda-se o uso de equipamento de proteção individual para o manejo seguro de animais com esporotricose, devendo os veterinários e auxiliares utilizarem luvas de látex, aventais de manga comprida, máscaras N95 ou PFF2 e óculos de proteção. É importante ressaltar esses pontos aos supervisores, pois eles também estão expostos ao risco de contaminação. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020).</p><p>O tratamento precoce da doença também promove o controle da doença, bem como exames de alta sensibilidade para confirmar a suspeita clínica, como a citologia. Aumentar a conscientização pública sobre a criação responsável de animais, que inclui, além de manter os gatos dentro de casa, cuidados de saúde adequados e também sua esterilização. (GREMIÃO, DA ROCHA et al., 2020)</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A esporotricose é uma doença causada pelo fungo diretamente ambiental Sporothrix spp, que é um fungo dimórfico (possuindo uma forma no ambiente e outra quando infectado com um animal).</p><p>A esporotricose também tem potencial zoonótico para infectar humanos. Os gatos podem ser infectados de várias maneiras, incluindo brigar com animais infectados, afiar suas garras em árvores e enterrar seus dejetos em ambientes contaminados.</p><p>A esporotricose é uma zoonose emergente que se manifesta principalmente por lesões cutâneas, sendo os felinos domésticos os principais disseminadores.</p><p>O quadro clínico dos gatos são úlceras, lesões exsudativas na face, membros e dedos, lesões que podem evoluir para processos inflamatórios mais graves e causar sintomas sistêmicos como espirros, corrimento nasal, letargia, anorexia, etc. Nos últimos anos, os casos de esporotricose têm aumentado, principalmente na cidade de São Paulo.</p><p>Os números cresceram significativamente na periferia, nos subúrbios da zona leste da cidade, como Itaquera, A. E. Carvalho e Itaim Paulista. O crescimento dessa zoonose está diretamente relacionado a áreas onde o acesso à saúde pública e ao saneamento básico tem sido negligenciado. Também o fato de as autoridades estaduais não serem informadas sobre a doença impede diretamente a leitura dos casos da doença.</p><p>No tratamento de humanos e animais, o principal princípio ativo é o itraconazol, e o trabalho preventivo está diretamente relacionado ao uso de equipamentos de proteção individual no manuseio de animais contaminados, impedindo o acesso à rua e a contaminação de outros animais.</p><p>Por fim, é de extrema importância que os clínicos veterinários estejam cientes da importância da realização do exame citológico para felinos, pois sua realização é rápida. Desta forma, o diagnóstico é fornecido o quanto antes para impedir que o felino permaneça como disseminador do agente.</p><p>Além disso, a continuação do tratamento após o desaparecimento dos sintomas reduz o risco de infecção ou recorrência. O encaminhamento de proprietários de animais infectados ao veterinário é muito importante para minimizar o risco de infecção, uma vez que esta doença persiste no animal por vários meses e a medicação deve ser continuada mesmo após a melhora clínica para prevenir a recorrência da doença.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>AZAMBUJA, Vanessa Behling. Envolvimento Zoonótico com Sporothrix schenckii: relato de caso. 2013. 25 f. Monografia (Especialização) - Curso de Especialização em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, Fundação Educacional Jayme de Altavila, Porto Alegre, 2013.</p><p>ACOSTA, Patricia Bezerra. Eficácia da terapia antifúngica na esporotricose felina:</p><p>relato de casos. 2013. 28 f. Monografia (Especialização) - Curso de Especialização em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, Fundação Educacional Jayme de Altavila, Porto Alegre, 2013.</p><p>ALMEIDA, Paula; INES, Maria; GIORDANO, Cristina. 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