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<p>ética e responsabilidade social</p><p>fabiano caxito</p><p>Fundação Biblioteca Nacional</p><p>ISBN 978-65-5821-007-8</p><p>9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 0 7 8</p><p>Código Logístico</p><p>59853</p><p>Ética e</p><p>Responsabilidade</p><p>Social</p><p>Fabiano Caxito</p><p>IESDE BRASIL</p><p>2021</p><p>© 2021 – IESDE BRASIL S/A.</p><p>É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do</p><p>detentor dos direitos autorais.</p><p>Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: penguiin/ kai keisuke/Shutterstock</p><p>Todos os direitos reservados.</p><p>IESDE BRASIL S/A.</p><p>Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200</p><p>Batel – Curitiba – PR</p><p>0800 708 88 88 – www.iesde.com.br</p><p>CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO</p><p>SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ</p><p>C377e</p><p>Caxito, Fabiano</p><p>Ética e responsabilidade social / Fabiano Caxito. - 1. ed. - Curitiba</p><p>[PR] : IESDE, 2021.</p><p>130 p. : il.</p><p>Inclui bibliografia</p><p>ISBN 978-65-5821-007-8</p><p>1. Ética empresarial. 2. Sustentabilidade. 3. Responsabilidade social da</p><p>empresa. I. Título.</p><p>21-69356 CDD: 658.408</p><p>CDU: 005.35</p><p>Fabiano Caxito Mestre em Administração Estratégica pela Universidade</p><p>Nove de Julho (Uninove). MBA em Recursos Humanos</p><p>pela Fundação Instituto de Administração (FIA).</p><p>Pós-graduado nos seguintes cursos: Business</p><p>Intelligence, Big Data e Analytics, pela Universidade</p><p>Anhanguera; Língua Portuguesa: redação e oratória,</p><p>pela Universidade São Franscisco; e Filosofia, pela</p><p>Universidade Estácio de Sá. É pós-graduado, também,</p><p>em Educação Corporativa, Educação Financeira,</p><p>Tecnologias e Educação a Distância, Antropologia,</p><p>Sociologia Política e Urbana e Coaching pela Faculdade</p><p>UniBF. É graduado em Administração Financeira pela</p><p>Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Atuou nas</p><p>áreas comerciais, de logística e de recrutamento e</p><p>seleção, bem como no treinamento e desenvolvimento</p><p>em diversas empresas de distribuição e venda de</p><p>bebidas. Foi coordenador de cursos de pós-graduação</p><p>lato sensu. Atualmente, é professor universitário e</p><p>influenciador digital.</p><p>SUMÁRIO</p><p>Agora é possível acessar os vídeos do livro por</p><p>meio de QR codes (códigos de barras) presentes</p><p>no início de cada seção de capítulo.</p><p>Acesse os vídeos automaticamente, direcionando</p><p>a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet</p><p>para o QR code.</p><p>Em alguns dispositivos é necessário ter instalado</p><p>um leitor de QR code, que pode ser adquirido</p><p>gratuitamente em lojas de aplicativos.</p><p>Vídeos</p><p>em QR code!</p><p>SUMÁRIO</p><p>Agora é possível acessar os vídeos do livro por</p><p>meio de QR codes (códigos de barras) presentes</p><p>no início de cada seção de capítulo.</p><p>Acesse os vídeos automaticamente, direcionando</p><p>a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet</p><p>para o QR code.</p><p>Em alguns dispositivos é necessário ter instalado</p><p>um leitor de QR code, que pode ser adquirido</p><p>gratuitamente em lojas de aplicativos.</p><p>Vídeos</p><p>em QR code!</p><p>1 Ética e moral no contexto empresarial 9</p><p>1.1 Conceito de ética 9</p><p>1.2 Conceito de moral 16</p><p>1.3 A evolução dos conceitos de ética e moral 20</p><p>1.4 Desafios éticos e morais no mundo contemporâneo 26</p><p>2 Código de Ética nas organizações 32</p><p>2.1 Ética e moral nas organizações 32</p><p>2.2 Missão, visão e valores corporativos 35</p><p>2.3 Cultura organizacional 41</p><p>2.4 Código de Ética empresarial 44</p><p>2.5 Desafios éticos e morais nas organizações 48</p><p>2.6 Compliance 52</p><p>3 Responsabilidade social nas organizações 59</p><p>3.1 A empresa 60</p><p>3.2 O Estado e a sociedade civil 63</p><p>3.3 Conceito de responsabilidade socioambiental 68</p><p>3.4 Responsabilidade social corporativa, empresarial e ambiental 73</p><p>4 Sistemas de gestão de responsabilidade social 82</p><p>4.1 Sistemas de diagnóstico e gestão da responsabilidade social e</p><p>ambiental 82</p><p>4.2 Indicadores da sustentabilidade social e ambiental 89</p><p>4.3 Indicadores da responsabilidade social e ambiental 93</p><p>4.4 Certificações e selos referentes à responsabilidade social</p><p>corporativa 97</p><p>5 Gestão, ética e responsabilidade social 105</p><p>5.1 A ética e a responsabilidade social nas relações humanas 106</p><p>5.2 Diversidade cultural nos grupos profissionais 109</p><p>5.3 Assédio moral 111</p><p>5.4 Assédio sexual e assédio intelectual 115</p><p>5.5 Responsabilidade social corporativa e direitos do trabalhador 118</p><p>5.6 O papel do gestor na responsabilidade social e ambiental da</p><p>organização 121</p><p>Qual é o papel das empresas na construção de uma sociedade</p><p>mais justa e na preservação e na restauração do meio ambiente?</p><p>As organizações têm de levar em consideração os princípios</p><p>éticos e se preocupar com a sustentabilidade ou devem buscar</p><p>maximizar os lucros, gerando valor, mesmo que isso traga</p><p>impactos externos negativos?</p><p>A relação das empresas com a sociedade e com o meio</p><p>ambiente é um dos temas mais atuais e importantes a serem</p><p>discutidos por gestores e líderes empresariais. Este livro tem</p><p>como objetivo discorrer sobre as questões éticas e morais e</p><p>os impactos sociais e ambientais da atuação das empresas no</p><p>mercado, na busca por alcançar seus objetivos econômicos.</p><p>O primeiro capítulo apresenta os conceitos de ética e moral</p><p>e percorre a história da sociedade humana, acompanhando</p><p>o desenvolvimento e a evolução desses conceitos, desde as</p><p>discussões dos primeiros filósofos acerca do tema até os desafios</p><p>éticos e morais do mundo contemporâneo.</p><p>O segundo capítulo traz a discussão sobre esses conceitos</p><p>filosóficos para o ambiente organizacional. A empresa tem por</p><p>objetivo vencer a concorrência, obter lucro e atingir suas metas,</p><p>mas todas as suas ações precisam ser baseadas em preceitos</p><p>éticos e morais norteados pelos interesses e pelas demandas da</p><p>sociedade e dos grupos de interesse com os quais ela se relaciona,</p><p>como seus funcionários, fornecedores, clientes, governo e grupos</p><p>sociais. O capítulo aborda o desenvolvimento do posicionamento</p><p>estratégico da empresa, que envolve a definição de missão, visão</p><p>e valores empresariais, sendo isso a base da cultura empresarial,</p><p>que é traduzida em seu Código de Ética.</p><p>O terceiro capítulo discorre sobre a mudança de postura</p><p>das empresas em direção a uma atuação mais sustentável. Nas</p><p>últimas décadas, a sociedade começou gradativamente a tomar</p><p>consciência dos impactos negativos da atuação das organizações</p><p>sobre o meio ambiente e da importância das empresas como</p><p>instituições com um papel relevante na construção de uma</p><p>APRESENTAÇÃOVídeo</p><p>sociedade justa. O aumento da pressão social levou governos e Estados a</p><p>criar legislações e normas que regulem as atividades das empresas, ao</p><p>mesmo tempo que os consumidores passaram a exigir um posicionamento</p><p>sustentável das organizações tanto do ponto de vista social quanto ambiental.</p><p>Essas pressões e mudanças da sociedade fizeram com que as empresas</p><p>passassem a considerar, em seu planejamento estratégico, objetivos sociais e</p><p>ambientais ao lado dos tradicionais objetivos econômicos e financeiros.</p><p>O quarto capítulo trata da adoção, pelas empresas, de ferramentas de</p><p>gestão social e ambiental que auxiliem no planejamento, no desenvolvimento,</p><p>no controle e nas ações de responsabilidade social e ambiental. A busca por</p><p>objetivos nas dimensões econômico-financeira, social e ambiental é conhecida</p><p>como tripé da sustentabilidade, em uma tradução livre do termo em inglês</p><p>triple bottom line. Apesar de, no princípio, muitas empresas terem adotado</p><p>os objetivos do tripé da sustentabilidade como resposta às pressões da</p><p>sociedade, os resultados obtidos com essa postura são muito interessantes,</p><p>pois, além de garantir o lucro financeiro, representaram ganhos de imagem e</p><p>de fidelização de clientes. Assim, os objetivos sociais e ambientais e a busca</p><p>pela sustentabilidade passaram a fazer parte da estratégia de um número</p><p>cada vez maior de empresas. O capítulo também aborda as normas e as</p><p>certificações ambientais e os selos sociais, que direcionam as ações das</p><p>organizações na busca pela sustentabilidade social e ambiental e reconhecem</p><p>as organizações que adotam uma postura sustentável em sua atuação.</p><p>O quinto capítulo tem como</p><p>sociais, mas as de-</p><p>cisões, atitudes e posturas adotadas por ele são influenciadas por</p><p>Após o escândalo das frau-</p><p>des corporativas ocorridas</p><p>na empresa americana</p><p>Enron Corporation, o</p><p>Congresso americano</p><p>promulgou, em 2002, a</p><p>Lei Sarbanes-Oxley, que</p><p>regula a governança cor-</p><p>porativa das organizações,</p><p>estabelecendo normas, re-</p><p>gras, diretrizes e processos</p><p>para garantir a transpa-</p><p>rência e a confiabilidade</p><p>dos relatórios financeiros e</p><p>contábeis. O vídeo a seguir</p><p>discorre brevemente</p><p>sobre alguns capítulos e</p><p>seções da lei.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=w3IP8N1CTs8. Acesso em:</p><p>25 jan. 2021.</p><p>Para ler o documento</p><p>com o texto integral da lei</p><p>(em inglês), acesse o link</p><p>a seguir.</p><p>Disponível em: https://pcaobus.org/</p><p>About/History/Documents/PDFs/</p><p>Sarbanes_Oxley_Act_of_2002.</p><p>pdf. Acesso em: 25 jan. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>O caso das fraudes</p><p>contábeis do Banco Santos</p><p>trouxe um grande impacto</p><p>para o sistema bancário</p><p>brasileiro. A maciça divul-</p><p>gação do caso nas mídias,</p><p>pelo fato de o presidente</p><p>do banco ser um conheci-</p><p>do investidor no mercado</p><p>de artes, fez com que a</p><p>governança corporativa</p><p>ganhasse destaque na</p><p>agenda dos gestores das</p><p>empresas brasileiras. O</p><p>vídeo Ex-banqueiro Edemar</p><p>Cid Ferreira fala sobre a</p><p>falência do Banco Santos,</p><p>publicado pelo canal</p><p>worldnewsbrasil, mostra</p><p>alguns aspectos desse</p><p>caso.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.</p><p>com/watch?v=v4PwTV2xkig. Acesso</p><p>em: 25 jan. 2021.</p><p>Vídeo</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=w3IP8N1CTs8</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=w3IP8N1CTs8</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=w3IP8N1CTs8</p><p>https://pcaobus.org/About/History/Documents/PDFs/Sarbanes_Oxley_Act_of_2002.pd</p><p>https://pcaobus.org/About/History/Documents/PDFs/Sarbanes_Oxley_Act_of_2002.pd</p><p>https://pcaobus.org/About/History/Documents/PDFs/Sarbanes_Oxley_Act_of_2002.pd</p><p>https://pcaobus.org/About/History/Documents/PDFs/Sarbanes_Oxley_Act_of_2002.pd</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 35</p><p>fatores externos, como o ambiente no qual está inserido. De modo</p><p>semelhante, as empresas também sofrem pressões e influências ex-</p><p>ternas, que podem surgir de mudanças no mercado, nas legislações</p><p>ou na sociedade.</p><p>Nesse contexto complexo, em que os valores e crenças pessoais e</p><p>empresariais se relacionam, o conceito da ética empresarial se faz</p><p>necessário. Mesmo que a empresa atue em um mercado no qual a</p><p>concorrência é forte e muitas vezes desleal, são seus valores e sua</p><p>postura em relação às leis e aos hábitos sociais que guiarão as atitu-</p><p>des e ações de seus indivíduos (MATTAR, 2004). Por outro lado, para</p><p>Srour (2019), as decisões éticas e morais dos indivíduos não serão</p><p>implantadas pela empresa se não seguirem os valores e a cultura</p><p>organizacional.</p><p>Passos (2011) destaca que a empresa que atua de maneira ética</p><p>gera confiança e credibilidade em colaboradores e no mercado, o que</p><p>traz vantagens competitivas. Mas a adoção de uma postura ética não</p><p>deve ser feita por conveniência ou por questões de mercado ou de ima-</p><p>gem, e sim por uma questão de princípios.</p><p>2.2 Missão, visão e valores corporativos</p><p>Vídeo O planejamento estratégico de uma empresa, de acordo com Tavares</p><p>(2010), tem o papel de definir os objetivos de longo prazo da organização.</p><p>Para desenvolver as atividades necessárias para atingir seus objetivos,</p><p>a empresa utiliza seus recursos humanos, financeiros e de conhecimento</p><p>e interage com fatores internos, que podem ser classificados como pontos</p><p>fortes a serem utilizados ou pontos fracos a serem corrigidos, e fatores ex-</p><p>ternos, que podem incluir oportunidades a serem exploradas ou ameaças</p><p>contra as quais a empresa precisa se defender.</p><p>Dentro do processo do planejamento estratégico de uma empresa,</p><p>um dos primeiros momentos é a definição das diretrizes organizacio-</p><p>nais, que são traduzidas na descrição de sua missão, sua visão e seus</p><p>valores (FISCHMANN; ALMEIDA; 2007). A missão pode ser entendida</p><p>como a razão de existência da empresa, ou seja, para que ela foi criada.</p><p>A visão, por sua vez, mostra aonde a empresa pretende chegar, onde</p><p>ela se vê em determinado momento no futuro. Já os valores represen-</p><p>tam os padrões éticos que guiarão as decisões, as ações, as posturas e</p><p>os comportamentos da empresa e de seus colaboradores.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>36 Ética e responsabilidade social</p><p>2.2.1 Missão</p><p>Maximiano (2017) afirma que a missão pode ser entendida como a</p><p>utilidade que os produtos e serviços da empresa entregam para seus</p><p>clientes. É a missão que mostra qual motivação, desejo ou necessidade</p><p>o cliente busca atender ao fazer negócios com a empresa. Mas a mis-</p><p>são não está relacionada apenas ao motivo de existência da organiza-</p><p>ção para seus clientes: ela deve levar em consideração também quais</p><p>os objetivos e as necessidades de seus investidores ou fundadores ao</p><p>tomarem a decisão de empreender. Para Rossi e Luce (2002), a missão</p><p>deve esclarecer o que a organização é ou o que ela faz e com quem</p><p>ela se relaciona e mostrar como ela pretende realizar essa atividade.</p><p>Empresas que atuam em um mesmo mercado e fazem parte de uma</p><p>mesma cadeia de suprimentos podem ter diferentes missões. Como</p><p>exemplo, uma indústria de produtos alimentícios tem a missão de pro-</p><p>duzir alimentos, enquanto um supermercado tem a missão de comer-</p><p>cializar os produtos da indústria.</p><p>Para ilustrar como a missão pode variar mesmo em empresas con-</p><p>correntes e mostrar a relação entre os conceitos de missão, visão e</p><p>valores, serão usadas como exemplo as diretrizes estratégicas de duas</p><p>empresas que atuam no mercado de vestuário no Brasil: o Grupo</p><p>Guararapes, que é proprietário da rede de lojas Riachuelo, e a empresa</p><p>Inbrands, proprietária de marcas de vestuário como Ellus, Richards, VR,</p><p>Salinas, Bobstore e Alexandre Herchcovitch.</p><p>As duas empresas foram escolhidas por atuarem no mesmo mer-</p><p>cado, mas com proposições de valor e de posicionamento diferentes.</p><p>Enquanto o Grupo Guararapes atua no mercado de vestuário popular,</p><p>a Inbrands atua no mercado de vestuário de luxo. Ao se comparar a</p><p>missão de ambas, esse posicionamento fica mais claro:</p><p>Fonte: Guararapes, 2018; Inbrands, 2012.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 37</p><p>A comparação entre as duas declarações de missão é clara quan-</p><p>to ao posicionamento que cada empresa adota no mercado. A missão</p><p>do Grupo Guararapes destaca o acesso de cada vez mais pessoas à</p><p>moda, possibilitando que mesmo pessoas com baixo poder aquisitivo</p><p>possam comprar vestimentas com desenho e qualidade. Já a missão da</p><p>Inbrands destaca a beleza das roupas e a experiência do consumidor</p><p>ao entrar em suas lojas.</p><p>A análise desses dois exemplos corrobora a afirmação de Maximiano</p><p>(2017), para quem a missão delimita e deixa claro o propósito central</p><p>que motivou a criação da empresa e para que ela existe. A clareza e a</p><p>simplicidade com que a missão é descrita são fatores fundamentais</p><p>para que tanto o público interno, formado pelos colaboradores da</p><p>empresa, quanto o público externo, formado por parceiros, clientes,</p><p>concorrentes, Governo e sociedade, possam entender a função e o di-</p><p>recionamento da empresa, o que gera confiança e credibilidade.</p><p>Scorsolini-Comin (2012) destaca que nos últimos anos algumas ideo-</p><p>logias e discursos se tornaram comuns a quase todas as declarações de</p><p>missão, como a ideia de passar uma imagem de preocupação ecológica</p><p>e politicamente correta. O autor destaca que essas ideologias, quando</p><p>não fazem parte realmente do posicionamento estratégico da empre-</p><p>sa, tornam-se falsas e comunicam um desalinhamento</p><p>entre a teoria</p><p>e a prática empresarial que é percebida pelos públicos internos e ex-</p><p>ternos. Missão, visão e valores precisam estar alinhados com a prática</p><p>cotidiana da empresa.</p><p>2.2.2 Visão</p><p>Se a missão informa para que a empresa existe, a visão mostra</p><p>aonde ela quer chegar em algum momento do futuro. A visão explicita</p><p>quais oportunidades e quais posicionamentos no mercado a empre-</p><p>sa pretende ocupar e orienta o caminho a ser percorrido (TAVARES,</p><p>2010). Como a visão representa um objetivo a ser alcançado, ele é mais</p><p>facilmente mensurável e serve de base para a definição de objetivos</p><p>específicos e metas para cada uma das áreas da empresa no desenvol-</p><p>vimento do planejamento estratégico de longo prazo e nos planos de</p><p>ação de médio e curto prazos.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>38 Ética e responsabilidade social</p><p>Retornando ao exemplo do Grupo Guararapes e da Inbrands, ve-</p><p>jamos como a visão de cada empresa está relacionada a uma posição</p><p>que deseja ocupar em um determinado segmento do mercado:</p><p>Fonte: Guararapes, 2018; Inbrands, 2012.</p><p>Fica evidente, na visão de ambas, o desejo de serem empresas líde-</p><p>res em seu segmento específico de atuação. Liderar, nesse contexto,</p><p>não significa ser a maior empresa em termos de faturamento ou nú-</p><p>mero de lojas, mas ser a empresa que determina os parâmetros e os</p><p>padrões a serem seguidos pelas demais empresas concorrentes.</p><p>Na visão do Grupo Guararapes, está explicita a preocupação da em-</p><p>presa em atuar em um mercado de vestuário de baixo valor, em que</p><p>muitos concorrentes atuam de maneira informal, sem cumprir todas</p><p>as exigências legais e tributárias, o que pode trazer diferenciais com-</p><p>petitivos de preço. Assim, seu objetivo de ser líder está relacionado</p><p>à formalização do mercado. Já na visão da Inbrands, a liderança está</p><p>relacionada à inovação, à criação de novas tecnologias de produção,</p><p>distribuição e comercialização que possam aumentar a rentabilidade</p><p>da empresa. A visão também amplia a atuação da empresa para além</p><p>do mercado de moda, incluindo a preocupação com o lifestyle (estilo de</p><p>vida), em consonância com a missão que destacava a experiência e os</p><p>serviços como diferenciadores da atuação da empresa em relação aos</p><p>concorrentes.</p><p>A visão da empresa precisa ser ao mesmo tempo desafiadora, para</p><p>motivar os colaboradores a buscar os objetivos desejados, e factível.</p><p>Uma visão muito exagerada ou inalcançável pode fazer com que os</p><p>objetivos não sejam levados a sério e a visão se descole da realidade</p><p>das operações da empresa. Vasconcellos Filho e Pagnoncelli (2001) afir-</p><p>mam que a visão reflete as expectativas dos dirigentes da empresa,</p><p>mas deve ser alinhada à realidade do mercado e da posição atual da</p><p>empresa, para ser passível de ser realizada.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 39</p><p>2.2.3 Valores</p><p>Missão e visão mostram o que a empresa faz e aonde pretende che-</p><p>gar no futuro. Já os valores são a base ética e moral sobre a qual a em-</p><p>presa desenvolve sua cultura e realiza as atividades e ações cotidianas</p><p>de sua operação. Os valores são os princípios éticos e a prática moral</p><p>que orientam a tomada de decisão dos gestores e a atuação dos cola-</p><p>boradores (BETHLEM, 2004; TAVARES, 2010; MAXIMIANO, 2017).</p><p>Vejamos os valores das empresas Grupo Guararapes e Inbrands:</p><p>Fonte: Guararapes, 2018; Inbrands, 2012.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>40 Ética e responsabilidade social</p><p>Percebe-se que o Grupo Guararapes usa um modelo mais formal ao</p><p>apenas listar os princípios éticos e valores morais que estão na base de</p><p>sua cultura empresarial. Apesar de ser o tipo de descrição de valores</p><p>mais comumente utilizado pelas empresas, esse modelo pode não ser</p><p>tão claro e deixar margem para interpretações equivocadas por parte</p><p>dos públicos externos e internos. O termo meritocracia pode ter dife-</p><p>rentes interpretações de acordo com quem o analisa. Um colaborador</p><p>pode interpretar a meritocracia como o reconhecimento dos resulta-</p><p>dos obtidos pelos funcionários em relação a suas metas. Já uma or-</p><p>ganização externa que defenda a inclusão social de uma determinada</p><p>minoria pode ter um conceito de meritocracia mais ligado ao contexto</p><p>social das diferenças de acesso à educação e oportunidades.</p><p>Já a Inbrands usa um modelo de descrição de valores mais explícito,</p><p>em que cada valor é explicado e exemplificado dentro da atuação da</p><p>empresa. Esse modelo diminui as diferenças de interpretação, aumen-</p><p>tando a clareza da comunicação. A descrição do valor Gente deixa claro</p><p>o tipo de profissional que a empresa deseja atrair e quais posturas e</p><p>comportamentos espera dele.</p><p>Conhecer e entender os valores da empresa é fundamental para</p><p>que o colaborador possa analisar o alinhamento entre seus valores</p><p>pessoais e os da organização. Quanto maior o alinhamento, maior o</p><p>envolvimento e comprometimento do colaborador com a missão e a</p><p>visão da empresa. Os valores orientam os comportamentos e as de-</p><p>cisões dos indivíduos, mas Bethlem (2004) destaca que os valores e</p><p>princípios éticos dos colaboradores também precisam ser levados em</p><p>conta ao se determinar os valores organizacionais. O alinhamento dos</p><p>valores da empresa e dos indivíduos é refletido na cultura organiza-</p><p>cional e na forma como as pessoas interagem internamente e com o</p><p>ambiente externo à empresa.</p><p>Estabelecer uma lista ou hierarquia de valores significa analisar e</p><p>comparar princípios éticos e estabelecer o que é importante e será co-</p><p>locado em prática nas operações cotidianas. Os valores mostram quais</p><p>comportamentos individuais são desejados, incentivados e premiados</p><p>e quais serão considerados inadequados (ZANELLI; SILVA, 2008). Assim,</p><p>ao determinar o que se espera do indivíduo, os valores direcionam a</p><p>criação da cultura organizacional, as histórias que representam o que</p><p>se valoriza na empresa, os mitos que exemplificam como a empresa</p><p>atua e os rituais, as cerimônias e os símbolos que devem ser respei-</p><p>No link a seguir você</p><p>pode ver mais exemplos</p><p>de missão, visão e valores</p><p>de grandes empresas,</p><p>como Microsoft, Apple,</p><p>Samsung e Walmart.</p><p>Disponível em: https://ikmob.</p><p>com/10-exemplos-de-missao-</p><p>visao-e-valores-para-se-inspirar/.</p><p>Acesso em: 21 jan. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>No link a seguir você pode ver mais exemplos de missão, visão e valores de grandes empresas, como Microsoft, Apple, Samsung e Walmart.</p><p>Disponível em: https://ikmob.com/10-exemplos-de-missao-visao-e-valores-para-se-inspirar/. Acesso em: 21 jan. 2021.</p><p>No link a seguir você pode ver mais exemplos de missão, visão e valores de grandes empresas, como Microsoft, Apple, Samsung e Walmart.</p><p>Disponível em: https://ikmob.com/10-exemplos-de-missao-visao-e-valores-para-se-inspirar/. Acesso em: 21 jan. 2021.</p><p>No link a seguir você pode ver mais exemplos de missão, visão e valores de grandes empresas, como Microsoft, Apple, Samsung e Walmart.</p><p>Disponível em: https://ikmob.com/10-exemplos-de-missao-visao-e-valores-para-se-inspirar/. Acesso em: 21 jan. 2021.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 41</p><p>tados e seguidos. Os valores, nesse contexto, unem os colaboradores,</p><p>que se sentem parte de um grupo social coeso e forte.</p><p>Rossi e Luce (2002) afirmam que existe um encadeamento e uma rela-</p><p>ção intrínseca entre os conceitos de missão, visão e valores. Os valores são</p><p>a base e orientam os comportamentos dos indivíduos e da organização.</p><p>A missão da empresa só pode ser definida com base nos valores. A visão,</p><p>por usa vez, mostra o caminho que a empresa pretende trilhar para reali-</p><p>zar sua missão, tendo como base os valores que deve seguir.</p><p>2.3 Cultura organizacional</p><p>Vídeo O termo cultura, em seu contexto mais amplo, está relacionado às</p><p>interações que ocorrem nos grupos sociais e na sociedade como um</p><p>todo. Para Muzzio e Costa (2012), a cultura pode</p><p>ser entendida como</p><p>os padrões de relacionamento criados com base na interação das pes-</p><p>soas que compõem um grupo social e que se traduzem em artefatos,</p><p>objetos, comportamentos e conhecimentos compartilhados pelos indi-</p><p>víduos que fazem parte desse grupo. Não pretendemos, neste capítu-</p><p>lo, aprofundar a discussão sobre o conceito de cultura nesse contexto</p><p>mais amplo, mas em um contexto mais estrito; portanto, apresentare-</p><p>mos e discutiremos o conceito de cultura organizacional.</p><p>A cultura organizacional representa uma visão funcionalista da cul-</p><p>tura, pois tem como objetivo orientar como os membros de um grupo</p><p>social específico – os colaboradores de uma empresa – compartilham</p><p>histórias, símbolos e conhecimentos e determinar os comportamentos,</p><p>as ações e as atitudes aceitos dentro do grupo social. Na visão mais</p><p>tradicional da administração, a empresa é vista como um conjunto</p><p>composto de diversos tipos de recursos, como equipamentos, conhe-</p><p>cimento e recursos financeiros, estruturais e humanos (CHIAVENATO,</p><p>2005). Mas esse conceito não consegue traduzir toda a complexa rede</p><p>de relações e estruturas sociais que são construídas entre os membros</p><p>de uma organização e entre ela e o ambiente que a cerca.</p><p>A cultura organizacional é formada com base nos valores compar-</p><p>tilhados pelos indivíduos que a compõem e influencia a determina-</p><p>ção da missão e da visão da organização. Para McCormack, Johnson</p><p>e Walker (2003), os resultados obtidos pela empresa e a motivação de</p><p>seus colaboradores estão intrinsecamente ligados a uma cultura bem</p><p>estabelecida e clara para todos os envolvidos, que é explicitada nas</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>42 Ética e responsabilidade social</p><p>diretrizes estratégicas descritas na missão, na visão e nos valores da</p><p>organização (WILLAERT et al., 2007).</p><p>A cultura organizacional se desenvolve constantemente, seja pela</p><p>necessidade de se adaptar a mudanças ocorridas na sociedade, na</p><p>economia, na cultura, na política, na demografia e no ambiente tecno-</p><p>lógico externo, seja pela entrada de novos membros no grupo, trazen-</p><p>do conhecimentos, atitudes, posturas e comportamentos que alteram</p><p>os relacionamentos e as estruturas vigentes e por ela são alterados</p><p>(ANTÓNIO, 2003; SANTOS et al., 2014).</p><p>A cultura de uma organização e os comportamentos dos colabora-</p><p>dores em relação às situações que ocorrem na execução das atividades</p><p>e dos processos estão intimamente ligados. Os comportamentos são</p><p>uma manifestação das crenças e dos valores da empresa e dos indi-</p><p>víduos. Para Robbins (2005), a cultura de uma organização é formada</p><p>por algumas características básicas que são valorizadas pela empresa</p><p>e representam a essência das crenças e dos valores que norteiam sua</p><p>atuação. A figura a seguir apresenta essas características.</p><p>Figura 1</p><p>Características da cultura organizacional</p><p>Gr</p><p>ib</p><p>oe</p><p>do</p><p>v/</p><p>Ha</p><p>eh</p><p>ae</p><p>D</p><p>es</p><p>ig</p><p>n/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Forma como a empresa</p><p>e seus colaboradores</p><p>se comprometem</p><p>com a busca constante</p><p>pela inovação e por</p><p>conhecimentos.</p><p>O trabalho em equipe e o</p><p>resultado compartilhado</p><p>são mais importantes que</p><p>os indivíduos.</p><p>Relacionada à forma</p><p>como os processos</p><p>são descritos e como</p><p>os indicadores são</p><p>medidos.</p><p>Relaciona-se com a</p><p>postura da empresa</p><p>diante do mercado e</p><p>dos competidores.</p><p>Os processos não</p><p>são tão importantes,</p><p>desde que o resultado</p><p>seja alcançado.</p><p>A empresa busca</p><p>manter a estrutura</p><p>e o status quo</p><p>estabelecido.</p><p>As ações da</p><p>gestão levam</p><p>em consideração</p><p>as motivações e</p><p>necessidades individuais.</p><p>Inovação</p><p>e tomada</p><p>de riscos</p><p>Orientação</p><p>para as</p><p>equipes</p><p>Atenção a</p><p>detalhes</p><p>Agressividade</p><p>Orientação</p><p>para os</p><p>resultados</p><p>Estabilidade</p><p>Orientação</p><p>para as</p><p>pessoas</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor com base em Robbins, 2005.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 43</p><p>Segundo o autor, a cultura de uma empresa difere das demais pela</p><p>importância dada a cada uma dessas características. Mesmo que to-</p><p>das possam estar presentes na cultura de uma empresa ao mesmo</p><p>tempo, o peso e a importância de cada uma diferem de acordo com as</p><p>relações, os valores e os sentimentos compartilhados. Assim, uma em-</p><p>presa pode ter uma cultura que valoriza mais a estabilidade, com uma</p><p>gestão orientada para as pessoas, enquanto outra é mais voltada para</p><p>os resultados, buscando de maneira agressiva dominar o mercado, as-</p><p>sumindo os riscos de ser a primeira a inovar, mesmo que isso traga</p><p>menos estabilidade para os indivíduos.</p><p>Como a cultura de uma organização representa os valores compar-</p><p>tilhados pelos seus membros, ela representa a personalidade, o perfil</p><p>da empresa. Os indivíduos que não se enquadrem ou não se adaptem</p><p>à cultura dominante normalmente acabam por se desligar da empresa,</p><p>seja por iniciativa própria (por não se sentirem à vontade e motivados</p><p>a compartilhar os valores), seja por iniciativa da empresa.</p><p>Caxito (2019) lista alguns aspectos importantes da cultura organiza-</p><p>cional. O primeiro deles está relacionado à comunicação e envolve a for-</p><p>ma como os indivíduos interagem, a linguagem utilizada, a formalidade e</p><p>os ritos que são observados nas relações, assim como as rotinas de tra-</p><p>balho e os processos realizados. A empresa pode ter uma comunicação</p><p>mais formal, como acontece em bancos, ou mais coloquial e informal,</p><p>como em uma agência de publicidade ou uma empresa de tecnologia.</p><p>O segundo aspecto são as normas ou regras que orientam as re-</p><p>lações e precisam ser seguidas pelos indivíduos. Essas normas não</p><p>servem apenas para o ambiente profissional, como a postura a ser ado-</p><p>tada em uma reunião ou a forma como uma informação precisa ser</p><p>registrada, mas também para os momentos de lazer e interação social,</p><p>como intervalos e eventos sociais oficiais da empresa.</p><p>Outro aspecto central da cultura organizacional são os valores do-</p><p>minantes, que normalmente estão expressos nas diretrizes estraté-</p><p>gicas da empresa. Porém, é possível que alguns valores oficializados</p><p>não sejam seguidos no cotidiano. Muitas empresas listam entre seus</p><p>valores a importância das pessoas, mas no cotidiano nem sempre as</p><p>ações tomadas pelos líderes refletem esse valor formal.</p><p>Os valores dominantes se relacionam com a filosofia administra-</p><p>tiva, outro aspecto central da cultura organizacional, que pode ser en-</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>44 Ética e responsabilidade social</p><p>tendida como a forma como a empresa toma decisões e implementa</p><p>ações, processos e políticas, como essas decisões são encaminhadas e</p><p>tratadas dentro da organização e quais as funções e responsabilidades</p><p>de cada funcionário.</p><p>Por fim, um aspecto fundamental da cultura organizacional é o cli-</p><p>ma organizacional. Apesar de estarem intimamente ligados, cultura e</p><p>clima organizacional são conceitos diferentes. O clima organizacional</p><p>está relacionado aos sentimentos dos indivíduos em relação à empresa</p><p>e ao seu trabalho. Enquanto a cultura organizacional é estável e leva</p><p>tempo para ser alterada, o clima organizacional pode oscilar rapida-</p><p>mente. A mudança de uma política ou de uma norma, a contratação de</p><p>um novo líder, uma alteração na forma de remuneração ou de premia-</p><p>ção e a ocorrência de um conflito podem afetar rapidamente o clima</p><p>organizacional da empresa, mesmo que não tragam mudanças signifi-</p><p>cativas na cultura organizacional.</p><p>O alinhamento entre a cultura organizacional e as diretrizes estra-</p><p>tégicas – missão, visão e valores – possibilita que os colaboradores</p><p>enxerguem o propósito da organização e se alinhem a ele, criando</p><p>um forte sentimento de pertencimento, motivação e lealdade, que</p><p>diminui a rotatividade dos funcionários e viabiliza que a empresa re-</p><p>tenha talentos e reconheça as competências e os conhecimentos de</p><p>seus colaboradores.</p><p>2.4 Código de Ética empresarial</p><p>Vídeo As diretrizes estratégicas apresentam, para os públicos internos e</p><p>externos da empresa, os valores que estão na base da cultura organi-</p><p>zacional. Porém, colocar em prática esses valores em cada um dos mo-</p><p>mentos e interações nas diversas atividades que ocorrem na empresa</p><p>não é tarefa simples. A pressão por resultados, a necessidade de tomar</p><p>decisões urgentes e os interesses individuais podem levar alguns co-</p><p>laboradores a agir de modo diferente daquilo que se espera e que a</p><p>empresa acredita e formaliza em seus valores (SINGH et al., 2018).</p><p>Assim, é necessário que as condutas e os comportamentos espe-</p><p>rados estejam mais claramente descritos. Esse é o papel do Código de</p><p>Ética empresarial, um documento em que estão descritos, de maneira</p><p>clara e direta, os limites éticos e morais que a empresa exige de seus</p><p>Diversas empresas de-</p><p>senvolvem culturas fortes</p><p>e são reconhecidas no</p><p>mercado pelo compro-</p><p>metimento e pela adesão</p><p>de seus colaboradores</p><p>à cultura organizacional.</p><p>Entre elas, destaca-se</p><p>a Ambev. A cultura da</p><p>empresa é muitas vezes</p><p>criticada, e outras vezes</p><p>elogiada. O texto A cultura</p><p>da Ambev não é o inferno</p><p>que alguns acham. Nem o</p><p>paraíso que outros dese-</p><p>jam mostra a experiência</p><p>pessoal do autor ao</p><p>trabalhar na empresa por</p><p>mais de uma década.</p><p>CAXITO, F. A. Linkedin, 25</p><p>maio 2017. Disponível em:</p><p>https://www.linkedin.com/</p><p>pulse/s%C3%A9rie-acelere-</p><p>sua-carreira-cultura-da-ambev-</p><p>n%C3%A3o-%C3%A9-o-inferno-</p><p>caxito/?trk=mp-reader-card.</p><p>Acesso em: 20 dez. 2020.</p><p>Leitura</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 45</p><p>colaboradores na execução de suas atividades e responsabilidades e</p><p>os direitos e deveres dos colaboradores, além das formas de controle</p><p>e cobrança e as possíveis sanções e punições a que os colaboradores</p><p>estão sujeitos caso não sigam os padrões éticos definidos (SÁNCHEZ;</p><p>DOMINGUEZ; ACEITUNO, 2015).</p><p>Para orientar a ação de seus colaboradores, a empresa estabelece</p><p>normas e regras de conduta que podem estar descritas formalmente</p><p>em um Código de Ética ou podem estar implícitas na descrição do posi-</p><p>cionamento estratégico da empresa, apresentadas em sua missão, sua</p><p>visão e seus valores (DENNY, 2001).</p><p>Para Sánchez, Dominguez e Aceituno (2015), o Código de Ética tem o</p><p>papel de: nortear os comportamentos e as condutas; definir as normas</p><p>e os procedimentos específicos da atuação profissional, como ques-</p><p>tões de confidencialidade de informações e o relacionamento entre os</p><p>membros da equipe; e transmitir os princípios e valores para cada uma</p><p>das situações que podem acontecer durante a execução do trabalho e</p><p>que podem gerar dúvidas éticas e morais. Ele tanto elenca as normas</p><p>internas quanto determina como devem ser as relações dos colabora-</p><p>dores e da instituição com os elementos externos, tais como fornece-</p><p>dores e clientes, empresas parcerias, concorrentes, o ambiente social</p><p>externo, o Governo e o meio ambiente (SINGH et al., 2018).</p><p>Esse documento tem a função de identificar tarefas, atividades, fun-</p><p>ções, responsabilidades e propósitos que a empresa pretende realizar</p><p>para alcançar seus objetivos em sua atuação na sociedade. Também</p><p>informa a filosofia, os princípios éticos e os valores morais em que a</p><p>empresa acredita e que coloca em prática. O texto precisa evidenciar</p><p>os comportamentos que ela considera serem obrigatórios na atuação</p><p>de seus colaboradores, os que considera desejáveis e os que são proi-</p><p>bidos ou passíveis de punição. As formas de controle, os processos e</p><p>os métodos de gestão das questões éticas precisam estar nítidos para</p><p>que colaboradores e gestores saibam como se comportar no cotidiano</p><p>das atividades. O código precisa também ser coercitivo, ou seja, con-</p><p>ter premiações, reconhecimentos, sanções, punições e procedimentos</p><p>que serão adotados não só para premiar os comportamentos corretos,</p><p>mas também para punir os que não seguem os padrões estabelecidos.</p><p>O documento também precisa proteger os colaboradores contra injus-</p><p>tiças, bem como a reputação e a imagem da empresa (CERES, 2017).</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>46 Ética e responsabilidade social</p><p>A preocupação das empresas em desenvolver um Código de Ética</p><p>tem crescido nos últimos anos em razão da mudança de atitude da so-</p><p>ciedade em relação aos impactos que posturas antiéticas por parte das</p><p>organizações podem trazer para a comunidade e para o meio ambien-</p><p>te. Casos de corrupção, em que o patrimônio e o dinheiro público são</p><p>desviados de sua destinação correta, ou impactos ambientais causados</p><p>por operações ilegais ou em desacordo com os padrões estabelecidos</p><p>na legislação são noticiados e repercutem rapidamente nas mídias e</p><p>redes sociais, prejudicando os resultados da empresa ou diminuindo o</p><p>valor da marca e a fidelidade dos consumidores (STEVENS et al., 2005;</p><p>STEVENS; BUECHLER, 2013).</p><p>Um exemplo simples de um padrão ético que pode estar descrito</p><p>em um Código de Ética é a definição de como deve ser a relação entre</p><p>um colaborador que atue na área de compras da empresa e os forne-</p><p>cedores. É comum, nessa área, que as empresas fornecedoras ofere-</p><p>çam brindes ou presentes aos profissionais de compras, em especial</p><p>em datas comemorativas. Dependendo do valor desses presentes,</p><p>o comprador pode ser influenciado ou se sentir coagido ao celebrar</p><p>contratos de fornecimentos com o fornecedor, com a possibilidade</p><p>de gerar prejuízos aos interesses da empresa. Assim, é comum que</p><p>os Códigos de Ética definam tipos ou valores máximos de brindes que</p><p>podem ser aceitos pelos colaboradores, ou mesmo estabeleçam que</p><p>nenhum tipo de presente pode ser aceito. Outro exemplo de situação</p><p>que pode estar prevista no documento de uma empresa são as ações a</p><p>serem tomadas pela área de recursos humanos no caso de denúncias</p><p>de assédio por parte de líderes e gestores.</p><p>Para que os objetivos da implantação de um Código de Ética sejam</p><p>alcançados, é necessário que o documento reflita os valores e a cultu-</p><p>ra da empresa. De acordo com Sims e Brinkman (2003), o desalinha-</p><p>mento entre esses pilares e a comunicação ineficaz do código pode</p><p>diminuir ou até mesmo anular os benefícios trazidos pela implantação</p><p>dele. Para os autores, o documento é complementado pelas normas</p><p>internas da organização, que relacionam os limites éticos e morais a</p><p>cada uma das atividades e relacionamentos cotidianos realizados pe-</p><p>los colaboradores.</p><p>Além de trazer maior alinhamento de ações, posturas e comporta-</p><p>mentos dos colaboradores em relação aos valores da empresa, fortale-</p><p>cendo o desenvolvimento de uma cultura baseada em princípios éticos,</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 47</p><p>o Código de Ética a ajuda a projetar uma imagem positiva externamen-</p><p>te, em especial para seus fornecedores e clientes.</p><p>No manual do Consorcio Ecuatoriano para la Responsabilidad So-</p><p>cial (CERES, 2017), são apontadas como benefícios internos trazidos</p><p>pela implantação de um Código de Ética a justiça e a imparcialidade</p><p>com que as ações e posturas adotadas pelos indivíduos são tratadas,</p><p>independentemente do cargo ocupado. Como as condutas e diretri-</p><p>zes estão claras e explícitas, os colaboradores sabem como lidar com</p><p>problemas e situações que envolvam fornecedores, clientes e demais</p><p>grupos, usando como referência as soluções que foram adotadas no</p><p>passado e que foram normatizadas</p><p>pelo código. Assim, o documento</p><p>aumenta a lealdade, a motivação e a cooperação entre os colaborado-</p><p>res. Como resultado do maior comprometimento da equipe, pode tra-</p><p>zer maior lucratividade e reduzir os custos que possam surgir por meio</p><p>de problemas legais, sociais, trabalhistas ou ambientais, protegendo os</p><p>interesses econômicos e a reputação da empresa.</p><p>Como benefícios externos, o Código de Ética ajuda a prevenir con-</p><p>flitos com fornecedores, parceiros, clientes, Governo e grupos sociais e</p><p>gera aumento da confiança da sociedade e dos investidores em relação</p><p>à forma como a empresa realiza seus negócios. Ao melhorar a ima-</p><p>gem da empresa com a sociedade como um todo, pode ajudar a em-</p><p>presa a atrair novos clientes, estabelecer novas parcerias e chamar a</p><p>atenção de pessoas qualificadas para atuar como colaboradores. Caso</p><p>a empresa seja representativa no setor em que atua, o documento</p><p>pode influenciar outras empresas, incluindo concorrentes, a também</p><p>implantar Códigos de Ética, fazendo com que a competição seja mais</p><p>justa e correta, diminuindo a corrupção e as práticas ilegais e trazendo</p><p>benefícios para a sociedade (CERES, 2017).</p><p>Segundo Souza et al. (2011), apesar de já existirem há décadas, os</p><p>Códigos de Ética ganharam um grande impulso nas organizações a par-</p><p>tir da promulgação da lei norte-americana Sarbanes-Oxley, no ano de</p><p>2003, reflexo do caso da empresa Enron Corporation. No Brasil, a lei</p><p>americana influenciou o desenvolvimento do Código do Instituto Bra-</p><p>sileiro de Governança Corporativa (IBGC), que recomenda que as em-</p><p>presas desenvolvam e divulguem seu Código de Ética para os públicos</p><p>internos e externos.</p><p>Stevens et al. (2005) apontam que os executivos e gestores de</p><p>empresas são mais propensos a realizar negócios e estabelecer par-</p><p>O IBGC disponibiliza</p><p>gratuitamente em seu</p><p>site o Código das melhores</p><p>práticas de governança</p><p>corporativa, documento</p><p>que já está em sua quinta</p><p>edição e apresenta reco-</p><p>mendações e orientações</p><p>sobre as boas práticas</p><p>utilizadas pelas empresas</p><p>no desenvolvimento de</p><p>Códigos de Ética. O docu-</p><p>mento pode ser baixado</p><p>no link a seguir.</p><p>Disponível em: https://</p><p>conhecimento.ibgc.org.br/Paginas/</p><p>Publicacao.aspx?PubId=21138.</p><p>Acesso em: 20 jan. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>48 Ética e responsabilidade social</p><p>cerias com empresas que tenham Códigos de Ética formalizados e</p><p>cujos princípios são colocados em prática. Em um momento em que</p><p>casos de corrupção de agentes públicos e privados e envolvimento</p><p>de empresas em escândalos que trazem grande impacto econômico</p><p>e social ganham cotidianamente os noticiários na imprensa, os Có-</p><p>digos de Ética se tornam fundamentais para que a empresa atinja</p><p>seus objetivos.</p><p>2.5 Desafios éticos e morais nas organizações</p><p>Vídeo A atuação das organizações traz impactos ao ambiente econômico,</p><p>tecnológico, político, legal e social, assim como ao meio ambiente. Es-</p><p>sas interações da empresa com o ambiente externo geram uma série</p><p>de desafios éticos e morais. Sá (2020) afirma que é aumentada a pres-</p><p>são da sociedade para que as organizações atuem dentro de padrões</p><p>éticos e morais que garantam que os cidadãos e o consumidor não</p><p>sejam prejudicados.</p><p>Para Nalini (2014), as empresas atentas às mudanças pelas quais</p><p>a sociedade tem passado perceberam que os indivíduos exigem uma</p><p>postura ética das empresas, seja na relação destas com seus clientes,</p><p>fornecedores e empregados, seja com outras empresas e, em espe-</p><p>cial, com o Governo. De acordo com o autor, mais do que aumentar</p><p>a percepção de valor de seus produtos e serviços, as empresas éticas</p><p>conseguem estabelecer um relacionamento afetivo com seus clientes.</p><p>Já dentro da empresa, as relações de poder e os relacionamentos pes-</p><p>soais também podem gerar questões e dilemas éticos que precisam</p><p>ser gerenciados.</p><p>Entre os diversos desafios éticos que se colocam para as organiza-</p><p>ções, alguns se mostram mais urgentes e atuais. Podem ser citados a</p><p>corrupção, a forma como a empresa gerencia os dados e as informa-</p><p>ções sobre suas operações e seus clientes e o assédio moral e sexual.</p><p>No Brasil, a questão da corrupção e das relações das organizações</p><p>privadas com o poder público passou a ser foco de preocupação quan-</p><p>to à atuação ética das empresas, especialmente após os desdobra-</p><p>mentos da Operação Lava Jato, a partir do ano de 2014. As empresas</p><p>passaram a se preocupar com a lisura e a transparência de seus ne-</p><p>gócios e de suas relações com o poder público. A legislação brasileira</p><p>responsabiliza as pessoas jurídicas pelos atos ilegais ou ilícitos realiza-</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 49</p><p>dos pelos seus colaboradores e que tragam benefícios à organização,</p><p>mesmo que não sejam comprovados o conhecimento e a autorização</p><p>da empresa.</p><p>Segundo Petian (2018), a Lei n. 12.846/2013, que dispõe sobre a res-</p><p>ponsabilidade civil e administrativa da pessoa jurídica, determina que,</p><p>na aplicação de multas ou sanções à empresa por parte da Justiça, seja</p><p>levada em consideração a existência de normas, mecanismos e proces-</p><p>sos internos de auditoria e Códigos de Ética. Para o autor, as mudanças</p><p>na legislação brasileira em relação à responsabilidade das empresas e</p><p>os resultados da Operação Lava Jato popularizaram a adoção de Códi-</p><p>gos de Ética tanto entre as grandes empresas quanto entre empresas</p><p>de médio porte.</p><p>Outro importante desafio ético que se coloca para as empresas sur-</p><p>ge por meio da popularização de sistemas de informação, das tecno-</p><p>logias de comunicação e das redes sociais. A presença cada vez mais</p><p>acentuada das tecnologias de comunicação e da informação e o uso</p><p>da internet na realização das atividades profissionais trouxe grandes</p><p>ganhos de produtividade e de integração com empresas parceiras e</p><p>clientes. Porém, diversos aspectos éticos e morais precisam ser levados</p><p>em consideração na forma como a empresa lida com os dados e as</p><p>informações que coleta, organiza e gera.</p><p>A empresa pode capturar dados sobre as interações de diversas</p><p>fontes diferentes. Além dos dados que são coletados com a autoriza-</p><p>ção de parceiros, clientes e colaboradores, como informações sobre as</p><p>negociações, documentos legais, notas fiscais e outros, a empresa tam-</p><p>bém pode capturar dados e informações provenientes de vídeos, câ-</p><p>meras de segurança, atendimentos telefônicos e mensagens trocadas</p><p>por aplicativos de comunicação. A empresa tem acesso a uma infinida-</p><p>de de informações sobre os hábitos e comportamentos dos indivíduos,</p><p>postadas em redes sociais, sites e outras ferramentas sociais. Há um</p><p>grande debate sobre até que ponto essas informações podem ser usa-</p><p>das pelas empresas para gerar ações e campanhas de marketing, ofe-</p><p>recer novos produtos ou antecipar desejos e necessidades dos clientes,</p><p>já que os dados possibilitam não apenas identificar os clientes como</p><p>também traçar um perfil de consumo que pode ser usado para plane-</p><p>jar estratégias de marketing, desenvolver novos produtos e criar propa-</p><p>gandas mais efetivas e que influenciem a decisão de consumo (LISBOA;</p><p>VILHENA, 2020).</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>50 Ética e responsabilidade social</p><p>Também é possível coletar uma infinidade de informações sobre as</p><p>atividades realizadas pelos seus colaboradores, usando: ferramentas</p><p>de rastreio de automóveis; celulares; e controles sobre os acessos e</p><p>programas utilizados nos computadores, nos equipamentos e nas co-</p><p>municações profissionais e pessoais realizadas durante o horário de</p><p>trabalho. Pela rapidez com que as tecnologias e novas ferramentas</p><p>para analisar dados e informações são desenvolvidas, muitas empre-</p><p>sas não estão preparadas para lidar com todas as possibilidades e to-</p><p>dos os aspectos jurídicos e éticos dessas informações. Dependendo da</p><p>forma como são coletados e tratados, os dados podem gerar prejuízos</p><p>ou danos aos indivíduos. Um exemplo é a possibilidade de empresas</p><p>que coletam</p><p>dados sigilosos dos clientes comercializarem essas infor-</p><p>mações com outras empresas.</p><p>Os governos e os órgãos de regulação têm desenvolvido normas,</p><p>padrões e legislações para orientar o uso de dados pessoais. No Brasil,</p><p>a Lei n. 13.709/2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados</p><p>(LGPD), foi desenvolvida e promulgada com esse objetivo. Segundo</p><p>Lisboa e Vilhena (2020, p. 84), essa lei:</p><p>impõe novas obrigações para a empresa perante o cliente ou</p><p>consumidor quanto ao tratamento de dados pessoais. A LGPD</p><p>estabelece restrições ao uso de dados pessoais, reconhece di-</p><p>reitos do titular da informação pessoal, indica boas práticas para</p><p>garantir a proteção dos dados e prevê sanções para os agentes</p><p>de tratamento de dados que violem a segurança de informações</p><p>de seus clientes.</p><p>A LGPD elenca uma série de princípios e regras que devem ser se-</p><p>guidos pelas empresas na coleta, no tratamento e na utilização dos</p><p>dados e indica boas práticas que, se adotadas, podem garantir a priva-</p><p>cidade das informações de clientes e consumidores.</p><p>Outro desafio ético relevante para as empresas é como garantir que</p><p>as relações pessoais e profissionais que ocorrem entre os colabora-</p><p>dores sigam os padrões éticos e morais da organização. Temas como</p><p>assédio moral e sexual são centrais nas discussões sobre os limites en-</p><p>tre a gestão, o bom relacionamento e o abuso de poder (GUIMARÃES;</p><p>RIMOLI, 2006).</p><p>O assédio moral pode ser definido, segundo Nascimento e Silva</p><p>(2011), como a imposição ou exposição do colaborador a atividades,</p><p>comportamentos, atitudes ou situações que sejam indesejáveis ou que</p><p>O livro Proteção de dados:</p><p>desafios e soluções na</p><p>adequação à lei, organi-</p><p>zado por um dos mais</p><p>renomados advogados</p><p>brasileiros, Renato Opice</p><p>Blum, apresenta a Lei Ge-</p><p>ral de Proteção de Dados</p><p>e discute em profundida-</p><p>de seus impactos sobre</p><p>as atividades e ações das</p><p>empresas brasileiras,</p><p>aspectos relacionados</p><p>à implantação da lei e</p><p>resultados esperados</p><p>pelas empresas.</p><p>BLUM, R. O. Rio de Janeiro: Forense,</p><p>2020.</p><p>Livro</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 51</p><p>sejam considerados vexatórios por ele, seja durante a execução de</p><p>suas atividades, seja em outros momentos e locais relacionados a seu</p><p>trabalho. Já o assédio sexual está relacionado ao uso do poder ou da</p><p>posição hierárquica para forçar o colaborador a situações de contexto</p><p>sexual, com o objetivo de constranger, humilhar ou ofender a vítima e</p><p>obter favores ou gratificação sexual sem consentimento ou autorização</p><p>(NASCIMENTO; SILVA, 2011).</p><p>A forma como a empresa é organizada hierarquicamente propicia</p><p>que ocorram questões de abuso do poder por parte de líderes ou ges-</p><p>tores mal preparados, que se sentem acima das normas e regras da</p><p>organização ou que se sentem protegidos pela posição ocupada e por</p><p>estruturas historicamente estabelecidas na sociedade, e pode levar a</p><p>atitudes antiéticas e imorais, como o racismo, o machismo e preconcei-</p><p>tos relacionados a gênero e sexualidade.</p><p>Segundo Flach (2007), o assédio moral ou sexual, se não identifi-</p><p>cado e tratado da maneira adequada, pode dar origem a posturas e</p><p>comportamentos repetitivos e invasivos, com a tendência de se tor-</p><p>nar cada vez mais graves. O autor cita dados do Governo Federal</p><p>mostrando que os principais alvos de comportamentos de assédio</p><p>moral e sexual no ambiente de trabalho são mulheres, pessoas ne-</p><p>gras, pessoas com deficiência e homossexuais. O assédio pode ser</p><p>perpetrado por meio de: ameaças de punições ou demissão; sobre-</p><p>carga de tarefas ou responsabilidades; negação de informações e</p><p>desvios de funções; calúnia, em que o agressor divulga boatos sobre</p><p>a vítima; e desmoralização.</p><p>Segundo Guimarães e Rimoli (2006), o assédio pode ocorrer de três</p><p>diferentes formas na organização. A forma mais comum é o assédio</p><p>praticado por superiores hierárquicos, pela própria posição de poder</p><p>ocupada pelo assediador em relação às vítimas. O assédio moral nessa</p><p>situação muitas vezes ocorre com o objetivo de manter a subordinação</p><p>e a submissão aos desejos e comportamentos do líder.</p><p>É possível também ocorrer a situação inversa, na qual o superior é</p><p>assediado pelos subordinados. Em geral, esse tipo de situação ocorre</p><p>com novos líderes, sejam eles contratados externamente, sejam pro-</p><p>movidos para a posição de gestão. Geralmente, esse tipo de assédio</p><p>é realizado de maneira conjunta por um grupo de subordinados que</p><p>tenta pressionar o novo líder a se adequar à situação por eles desejada.</p><p>A Lei Geral de Proteção</p><p>de Dados, em seu pará-</p><p>grafo inicial, deixa claro</p><p>seu objetivo. Segundo o</p><p>texto, a lei: “dispõe sobre</p><p>o tratamento de dados</p><p>pessoais, inclusive nos</p><p>meios digitais, por pessoa</p><p>natural ou por pessoa</p><p>jurídica de direito público</p><p>ou privado, com o objeti-</p><p>vo de proteger os direitos</p><p>fundamentais de liberda-</p><p>de e de privacidade e o</p><p>livre desenvolvimento da</p><p>personalidade da pessoa</p><p>natural” (BRASIL, 2018).</p><p>A lei brasileira está em</p><p>sintonia com as mais</p><p>modernas legislações</p><p>desenvolvidas em outros</p><p>países, que buscam</p><p>garantir os direitos do</p><p>cidadão em relação ao</p><p>sigilo e à proteção de</p><p>suas informações pes-</p><p>soais que circulam nos</p><p>meios digitais. Você pode</p><p>acessar o texto completo</p><p>da lei no link a seguir.</p><p>Disponível em: http://www.</p><p>planalto.gov.br/ccivil_03/_</p><p>ato2015-2018/2018/lei/l13709.</p><p>htm. Acesso em: 20 jan. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>52 Ética e responsabilidade social</p><p>O último tipo de assédio apontado pelas autoras ocorre entre</p><p>colaboradores de mesmo nível hierárquico e normalmente está re-</p><p>lacionado a problemas de relacionamento pessoal ou profissional an-</p><p>teriormente estabelecidos.</p><p>Independentemente do tipo de desafio ético que a empresa precisa</p><p>enfrentar, o Código de Ética é uma ferramenta fundamental para que</p><p>parâmetros, padrões e normas de atuação estejam alinhados com os</p><p>princípios éticos e os valores morais da empresa. Mas para que o do-</p><p>cumento seja colocado em prática, são necessárias outras ferramentas</p><p>que verifiquem, acompanhem e gerenciem as ações e os comporta-</p><p>mentos dos colaboradores. Entre essas ferramentas, podem ser cita-</p><p>das as auditorias, os conselhos de gestão e o compliance.</p><p>2.6 Compliance</p><p>Vídeo O termo compliance, em sua tradução literal, significa cumprir uma</p><p>determinada regra, agir de acordo com as normas e leis, obedecer</p><p>ao que é estabelecido como norma ou padrão. Em seu sentido mais</p><p>conhecido, relacionado à gestão empresarial, é entendido como um</p><p>programa que engloba diversas estruturas e processos que a empresa</p><p>desenvolve para cumprir todas as normas internas e as legislações que</p><p>regem a sua atuação em relação ao ambiente externo – seja ele so-</p><p>cial, legal, político ou tecnológico – e ao meio ambiente (BITTENCOURT,</p><p>2015; LEAL; RITT, 2014; DAL POSSO et al., 2014). Nesse contexto empre-</p><p>sarial, o termo mais utilizado é programa de compliance, exatamente</p><p>para refletir a diversidade de estruturas e ações envolvidas.</p><p>Do ponto de vista das relações externas que a empresa estabelece</p><p>com o mercado, os programas de compliance têm por objetivo garantir</p><p>que todas as operações e ações da empresa sigam tanto as legislações</p><p>que regem e organizam a atividade exercida pela empresa quanto os</p><p>valores morais do grupo social ou da cultura na qual a empresa atua.</p><p>Já do ponto de vista das relações internas que se estabelecem entre</p><p>os indivíduos e as estruturas da empresa, esses programas apresen-</p><p>tam uma ligação direta com os Códigos de Ética, os princípios éticos,</p><p>os valores, a missão e a visão da empresa. Enquanto esses elementos</p><p>determinam os comportamentos esperados e estabelecem as normas</p><p>e</p><p>regras a serem seguidas, os programas de compliance têm o papel de</p><p>garantir que eles sejam colocados em prática no cotidiano das opera-</p><p>ções da empresa (BITTENCOURT, 2015; CAPANEMA, 2014).</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 53</p><p>Com o objetivo de orientar as empresas que desejam ou necessi-</p><p>tem implantar programas de compliance, diversas instituições e organi-</p><p>zações desenvolveram modelos e práticas a serem usadas como guia</p><p>na formulação e estruturação desses programas. A Security Exchange</p><p>Comission (SEC), órgão americano que regula e controla o mercado de</p><p>capitais, desenvolveu o guia Foreign Corruption Practices Act (FCPA – Lei</p><p>de Práticas de Corrupção Estrangeira). Já a Organisation for Economic</p><p>Co-operation and Development (OECD) desenvolveu em 2010 o docu-</p><p>mento Good practice guidance on internal controls, ethics, and compliance</p><p>(Orientação de boas práticas sobre controles internos, ética e confor-</p><p>midade), que sugere 12 boas práticas que devem ser levadas em con-</p><p>sideração pelas empresas que buscam estruturar seus programas de</p><p>compliance (CASTRO; AMARAL; GUERREIRO, 2019; OECD, 2010).</p><p>As boas práticas de compliance sugeridas pela OECD (2010) podem</p><p>ser observadas na figura a seguir.</p><p>Figura 2</p><p>Boas práticas sobre controles internos, ética e conformidade</p><p>Ar</p><p>to</p><p>s/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rst</p><p>oc</p><p>k</p><p>Apoio e compromisso da alta administração com os controles internos</p><p>e Códigos de Ética.</p><p>Política corporativa articulada e visível que proíbe o suborno.</p><p>Conformidade com controles internos e com a ética é dever dos</p><p>indivíduos em todos os níveis da empresa.</p><p>Autonomia de gestão e recursos para órgãos de monitoramento</p><p>independentes, como auditoria interna e comitês de conselhos de</p><p>administração ou de conselhos fiscais.</p><p>Código de Ética que defina e oriente a postura quanto a: presentes;</p><p>hospitalidade e entretenimento; despesas; viagens de clientes;</p><p>contribuições políticas, doações e patrocínios; pagamento de subornos,</p><p>facilitações ou extorsões.</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>54 Ética e responsabilidade social</p><p>Ar</p><p>to</p><p>s/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rst</p><p>oc</p><p>k</p><p>Código de Ética que defina e oriente a postura quanto a terceiros,</p><p>como agentes, fornecedores e prestadores de serviço, com</p><p>ações de due diligence e contratos que estabeleçam as normas</p><p>da empresa com o compliance e garantam o compromisso dos</p><p>terceiros com os programas.</p><p>Sistema de procedimentos e controles financeiros e contábeis para</p><p>garantir que recursos não possam ser usados para fins de suborno ou</p><p>para ocultar tal suborno.</p><p>Procedimentos disciplinares adequados para tratar de violações das leis</p><p>contra o suborno e do programa de ética e conformidade da empresa.</p><p>Comunicação periódica e treinamento documentado no programa de</p><p>ética e conformidade da empresa em relação a suborno.</p><p>Medidas eficazes para:</p><p>i) fornecer orientação e aconselhamento no cumprimento do programa de</p><p>ética e conformidade da empresa, incluindo aconselhamento urgente em</p><p>situações difíceis;</p><p>ii) relatórios internos confidenciais e proteção de funcionários dispostos</p><p>a relatar violações da lei ou dos padrões profissionais ou de ética que</p><p>ocorram dentro da empresa;</p><p>iii) tomar as medidas adequadas em resposta a tais relatórios.</p><p>Medidas apropriadas para encorajar e fornecer suporte positivo para</p><p>a observância da ética e programas de conformidade ou medidas</p><p>contra suborno em todos os níveis da empresa.</p><p>Revisões periódicas dos programas ou medidas de ética e</p><p>conformidade, destinadas a avaliar e melhorar sua eficácia na</p><p>prevenção e detecção de suborno.</p><p>6</p><p>7</p><p>8</p><p>9</p><p>10</p><p>11</p><p>12</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor com base em OECD, 2010.</p><p>Código de Ética nas organizações 55</p><p>A legislação brasileira, em especial a Lei n. 12.846/2013, conhecida</p><p>como Lei Anticorrupção, incentiva e orienta as empresas sobre a impor-</p><p>tância de estabelecer mecanismos e programas internos que tenham</p><p>como objetivo tanto fiscalizar a adequação das atividades, das posturas</p><p>e dos comportamentos dos colaboradores e da empresa em relação</p><p>aos códigos internos e às leis quanto incentivar a denúncia e estabele-</p><p>cer processos investigativos de irregularidades e de ações antiéticas ou</p><p>ilegais praticadas pelos colaboradores, com ou sem consentimento da</p><p>empresa. Em seu artigo 7º, inciso VIII, a lei incentiva que as empresas</p><p>elaborem e constantemente aperfeiçoem seu Códigos de Ética (BRASIL,</p><p>2013; CAPANEMA, 2014).</p><p>Tanto as leis de outros países quanto a Lei Anticorrupção brasileira</p><p>são ferramentas fundamentais para orientar as empresas sobre como</p><p>deve ser sua atuação de acordo com padrões éticos e valores morais.</p><p>Por meio da adoção de Códigos de Ética e do estabelecimento de pro-</p><p>gramas de compliance, as empresas podem não apenas diminuir os ris-</p><p>cos legais e éticos a que estão expostas como também construir uma</p><p>sólida reputação de agir de acordo com os parâmetros legais e os prin-</p><p>cípios éticos que regem as relações em nossa sociedade.</p><p>Se a lei define as punições e sanções a que as empresas e os indiví-</p><p>duos estão sujeitos, os Códigos de Ética definem os parâmetros éticos</p><p>que a empresa decide seguir, com base em seus valores e princípios</p><p>(LEAL; RITT; 2014; TRAPP, 2015). À medida que as empresas passam</p><p>a implementar instrumentos como Códigos de Ética, programas de</p><p>compliance, códigos de conduta e canais e processos de investigação de</p><p>denúncia, o comportamento ético passa a ser cada vez mais presente</p><p>na cultura das organizações.</p><p>O texto da Lei Anticor-</p><p>rupção dispõe sobre a</p><p>responsabilização tanto</p><p>administrativa quanto civil</p><p>de pessoas jurídicas que</p><p>realizem atos que preju-</p><p>diquem a administração</p><p>pública, em especial</p><p>aqueles que envolvam</p><p>ações de corrupção. O</p><p>estabelecimento de pro-</p><p>gramas de compliance é</p><p>um dos pontos-chave da</p><p>lei, que também estabele-</p><p>ceu inovações importan-</p><p>tes, como a possibilidade</p><p>de a empresa celebrar</p><p>acordos de leniência e</p><p>a criação do Cadastro</p><p>Nacional de Empresas</p><p>Punidas (CNEP). Você</p><p>pode acessar o texto</p><p>completo da lei no link a</p><p>seguir.</p><p>Disponível em: http://www.</p><p>planalto.gov.br/ccivil_03/_</p><p>ato2011-2014/2013/lei/l12846.</p><p>htm. Acesso em 31 dez. 2020.</p><p>Saiba mais</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Em uma sociedade em que as informações sobre cada passo da atua-</p><p>ção das organizações estão disponíveis para a avaliação da opinião pú-</p><p>blica, as empresas precisam atuar de modo a garantir que as ações, as</p><p>posturas, as decisões e os comportamentos de seus colaboradores refli-</p><p>tam os mais rigorosos padrões éticos e valores morais.</p><p>A definição de diretrizes estratégicas – missão, visão e valores – que</p><p>reflitam esses princípios éticos possibilitam que a empresa adote Códigos</p><p>de Ética e estabeleça programas de compliance que a ajudarão a lidar com</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12846.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12846.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12846.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12846.htm</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>56 Ética e responsabilidade social</p><p>os desafios éticos que surgirem no cotidiano de suas operações e na sua</p><p>relação com o ambiente externo.</p><p>Não basta obter resultados financeiros; a empresa precisa atingir seus</p><p>objetivos respeitando as leis, sem prejudicar ou trazer impactos negativos</p><p>para o meio ambiente e a sociedade.</p><p>ATIVIDADES</p><p>1. Explique a diferença entre os conceitos de missão, visão e valores.</p><p>2. Discorra sobre os conceitos de clima organizacional e cultura</p><p>organizacional, mostrando as diferença entre eles.</p><p>3. Quais são as funções do Código de Ética?</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRADE, Z. A. F. A gestão da ética organizacional: possibilidades</p><p>de atuação dos</p><p>profissionais de comunicação organizacional e relações públicas. In: 32o CONGRESSO</p><p>BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO. Anais [...] Curitiba: Universidade Positivo,</p><p>set. 2009.</p><p>ANTÓNIO, N. S. Estratégia organizacional: do posicionamento ao movimento. Lisboa:</p><p>Edições Sílabo, 2003.</p><p>BERGAMINI JÚNIOR, S. Ética empresarial e contabilidade: o caso Enron. Pensar Contábil,</p><p>v. 5, n. 16, 2015.</p><p>BETHLEM, A. S. Estratégia empresarial: conceitos, processo e administração estratégica.</p><p>5. ed. São Paulo: Atlas, 2004.</p><p>BITTENCOURT, S. Comentários à Lei Anticorrupção: Lei 12.846/2013. 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A sociedade civil é importante por ser o elo</p><p>entre esses dois elementos e expressa seus interesses por meio</p><p>do senso crítico e do racionalismo, o que amplia sua participação</p><p>influenciadora nos espaços de atuação das empresas, impactando</p><p>seus objetivos.</p><p>As empresas originalmente buscavam atuar conforme objetivos</p><p>internos de lucro para acumulação de riqueza dos seus proprietá-</p><p>rios e cumprimento das exigências legais perante o governo. Com</p><p>o aumento da participação da sociedade como influenciadora na</p><p>atuação do Estado e das empresas, há uma ampliação de objetivos</p><p>nas empresas, para além do lucro, voltados ao bem da sociedade</p><p>e à proteção ambiental.</p><p>Assim, as empresas passam a gerar benefícios para a sociedade</p><p>em uma relação de ganha-ganha, com benefícios mútuos.</p><p>O conteúdo apresentado neste capítulo tem o objetivo de</p><p>apresentar os conceitos relacionados à interação e às influências</p><p>reciprocas entre o poder público (Estado), o poder privado (em-</p><p>presas) e sociedade civil. Serão discutidos também os conceitos de</p><p>responsabilidade social empresarial e responsabilidade ambiental.</p><p>60 Ética e Responsabilidade Social</p><p>3.1 A empresa</p><p>Vídeo Conceituar empresa parece ser simples, mas é necessário enfatizar</p><p>que sua definição e interpretação oferecem sentidos variados. Dessa</p><p>forma, é arriscado caracterizá-la apenas sob uma única perspectiva.</p><p>Para compreender o conceito de empresa levando em conta que se</p><p>combinam aspectos abordados em diferentes áreas do conhecimento –</p><p>como economia, direito, teoria da organização, entre outras –, pode-se</p><p>utilizar a descrição do dicionário Michaelis (2021):</p><p>1. Sociedade organizada para a exploração de indústria ou comér-</p><p>cio; com a finalidade de obter um rendimento monetário através</p><p>da produção de bens ou de serviços: Empresa industrial. Empre-</p><p>sa mercantil. Empresa de alimentos em conserva. Empresa de</p><p>transportes.</p><p>2. JUR Organização do capital e do trabalho, empenhada em ativi-</p><p>dade econômica; firma.</p><p>3. O conjunto das pessoas que administram ou dirigem uma</p><p>associação.</p><p>4. Aquilo que se empreende ou se leva a cabo a fim de atingir um</p><p>objetivo.</p><p>Crepaldi (2012) descreve que empresa é uma associação de pessoas</p><p>com a finalidade de explorar um empreendimento com o objetivo, na</p><p>maior parte dos casos, de obtenção de lucros.</p><p>Sob o enfoque econômico, Lamy Filho (1992 apud HONÓRIO;</p><p>TUDISCO, 2017) enfatiza que a palavra empresa passou a ser utilizada</p><p>a partir da Revolução Industrial, apesar de a atividade comercial existir</p><p>desde os primórdios do surgimento da sociedade humana, e ganhou</p><p>força em cidades na Idade Média, com o surgimento dos agentes co-</p><p>merciais, armadores e tantos outros que, com a relevância da função</p><p>que exerciam, passaram a criar suas próprias leis e instituições.</p><p>Um exemplo da criação dessas instituições é a Companhia das</p><p>Índias Ocidentais, descrita por Albuquerque (2010) como uma estru-</p><p>tura híbrida, de direito público e privado. Essa instituição não foi criada</p><p>com o objetivo único de exploração comercial, mas como instrumento</p><p>da política exterior da Holanda para apoderar-se de colônias que per-</p><p>tenciam a Portugal e à Espanha nas Américas e na África Ocidental.</p><p>Responsabilidade social nas organizações 61</p><p>A companhia era uma mescla de corporação medieval monopolista</p><p>e sociedade por ações, que atuava com interesses políticos do governo</p><p>holandês ao mesmo tempo que visava ao interesse por ganhos finan-</p><p>ceiros dos seus acionistas.</p><p>Pela forma de participação de investidores, é considerada um</p><p>exemplo importante, sendo precursora das sociedades anônimas, com</p><p>competências de direito público e comercial, importante por ser um</p><p>vínculo entre o governo e a iniciativa privada com interesses comuns e</p><p>na estrutura de capital e por seu campo de atuação em diversos países</p><p>e regiões. Também pode ser considerada uma antecessora das empre-</p><p>sas transnacionais.</p><p>S</p><p>Se</p><p>pp</p><p>/W</p><p>iki</p><p>m</p><p>ed</p><p>ia</p><p>C</p><p>om</p><p>m</p><p>on</p><p>s</p><p>West India House (localizada em Amsterdã), que foi sede da Companhia Holandesa das Índias</p><p>Ocidentais de 1623 a 1647.</p><p>Um ponto interessante nesse exemplo é que essa organização foi</p><p>constituída envolvendo aspectos políticos de Estado e interesses eco-</p><p>nômicos e financeiros dos investidores, além de sociais (benefícios para</p><p>a população trazidos pela colonização com a anexação dos territórios).</p><p>Essa junção de interesses também demonstra a importância da uti-</p><p>lização de uma conceituação interdisciplinar, que combina a ciência do</p><p>Direito como forma de se definir de maneira jurídica e ordenar essas</p><p>relações, mesclando os aspectos econômicos, comerciais, organizacio-</p><p>nais, políticos, sociais e outros – sobressaindo-se a perspectiva econô-</p><p>mica como forma de justificar a razão de sua criação.</p><p>O artigo A Companhia</p><p>das Índias Ocidentais:</p><p>uma sociedade anônima?,</p><p>de Roberto Chacon de</p><p>Albuquerque, publicado</p><p>na Revista Faculdade</p><p>de Direito da USP em</p><p>2010, analisa a natureza</p><p>jurídica dessa instituição,</p><p>que chegou a conquistar</p><p>temporariamente parte</p><p>do Nordeste do Brasil no</p><p>século XVII. A compa-</p><p>nhia é pioneira de uma</p><p>relação entre o interesse</p><p>público e o privado, além</p><p>de ilustrar aspectos de-</p><p>senvolvidos com base na</p><p>forma de organização dos</p><p>investidores por meio de</p><p>ações, considerando seus</p><p>direitos e obrigações.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>revistas.usp.br/rfdusp/article/</p><p>view/67891/70499. Acesso em: 15</p><p>fev. 2021.</p><p>Artigo</p><p>62 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Cavalli (2013) define empresa como um indivíduo racional, que res-</p><p>ponde aos sinais de preços de mercado</p><p>em função do ganho marginal</p><p>que será obtido na aquisição de mais uma unidade de consumo. Essa</p><p>definição indica que empresa é uma função de produção, caracteriza-</p><p>da como uma organização dos fatores de produção e constituída pelo</p><p>empresário para comercializar um produto com o objetivo de obter ga-</p><p>nhos a título de lucro.</p><p>Para compreender melhor as relações que envolvem a atuação do</p><p>Estado na empresa e na sociedade, é importante realizar um estudo</p><p>histórico e multidisciplinar.</p><p>Segundo Racy, Moura Jr. e Scarano (2005), em meados da década</p><p>de 1930, em um mercado tendendo a uma concentração de capital e</p><p>criação de grandes conglomerados, ganhou espaço a visão da empre-</p><p>sa de que o papel dos gestores era determinante para a formação de</p><p>preços e para a decisão sobre as quantidades produzidas. Com isso,</p><p>inverteu-se a perspectiva do conceito de empresa da microeconomia</p><p>neoclássica, na qual o empresário era um tomador de preços (origina-</p><p>dos pela combinação eficiente dos fatores de produção, visando ma-</p><p>ximizar o lucro), para protagonizar um papel de formador de preços.</p><p>Surgiram empresas formadoras de preço que ofereciam produtos</p><p>diferenciados e permitiam maior liberdade na definição dos preços.</p><p>Desse modo, a diferenciação percebida e a importância conferida pelos</p><p>clientes eram os fatores determinantes na definição de preços por par-</p><p>te das empresas (OXENFELDT 1961 apud AMARAL; GUERREIRO, 2018).</p><p>Souza (2004) aponta que o conceito de empresa evolui continua-</p><p>mente e que, ao se empregar o termo apenas com um significado,</p><p>– jurídico ou econômico –, acaba-se desconsiderando os aspectos so-</p><p>ciológicos, políticos, antropológicos, entre outros.</p><p>Assim, o sentido a ser dado à empresa é ampliado, considerando-a</p><p>como instituição central da sociedade, com denominações distintas</p><p>para identificá-la: privada ou nacionalizada; pequena ou grande; atuali-</p><p>zada ou em declínio tecnológico; local ou multinacional.</p><p>Como as empresas envolvem a vida das pessoas, dos territórios e</p><p>das cidades, ela se altera como expressão do Estado, tornando-se uma</p><p>espécie similar e até substituta no seu próprio poder de regular a ques-</p><p>tão do emprego.</p><p>Responsabilidade social nas organizações 63</p><p>3.2 O Estado e a sociedade civil</p><p>Vídeo O Estado dirige-se à empresa de modo a solicitar colaboração para</p><p>vencer dificuldades conjunturais, objetivando criar empregos e aumen-</p><p>tar a produtividade por meio de uma parceria com os poderes públi-</p><p>cos. Essas ações são materializadas, por exemplo, com a transição do</p><p>forte intervencionismo de Estado para um processo presente nas pri-</p><p>vatizações, com novos conceitos e novos procedimentos nas empresas,</p><p>acompanhados pela constante atualização por parte do Direito.</p><p>Para que se possa compreender o modo como Estado (poder polí-</p><p>tico) e economia (poder econômico) se relacionam, utiliza-se a premis-</p><p>sa de estudo referente ao período iniciado em 1930, citado por Ianni</p><p>(1986 apud RIBEIRO, 2018), tendo em vista esse contexto histórico, no</p><p>qual ocorreram profundas alterações no Estado brasileiro.</p><p>Com a extinção do Estado oligárquico, ocorreu uma ruptura com a</p><p>estrutura de poder econômico então vigente, que foi substituído pela</p><p>crescente influência hegemônica do setor industrial no sistema econô-</p><p>mico brasileiro. Nesse novo momento, o desenvolvimento econômico</p><p>do país passou a envolver capital, força de trabalho, tecnologia e divi-</p><p>são do trabalho como forças produtivas principais, que necessitavam</p><p>da ação pública, por meio da qual o Estado se tornou o principal agente</p><p>de modernização e desenvolvimento da economia.</p><p>Diniz (1978 apud POCHMANN, 2017) aponta que o Estado brasilei-</p><p>ro assume o núcleo dinâmico do sistema em transição como principal</p><p>agente para modernizar e desenvolver a economia brasileira, e o poder</p><p>público passa a atuar no sentido de atender às exigências essenciais</p><p>estabelecidas pela estrutura capitalista vigente no país. Um exemplo</p><p>da atuação do Estado brasileiro a partir de 1930 é a disciplina imposta</p><p>pelo estabelecimento formal dos limites básicos de funcionamento do</p><p>mercado da força de trabalho.</p><p>Após o golpe de Estado contra Getúlio Vargas, em 29 de outubro de</p><p>1945, as novas forças políticas realizaram a transição para os princípios</p><p>liberais, com condições propícias à captação de capitais estrangeiros;</p><p>extinguiam-se órgãos estatais associados ao intervencionismo de Es-</p><p>tado e que se alinhavam ao movimento de aproximação e aprofunda-</p><p>mento das relações econômicas com os EUA. Esse quadro político se</p><p>manteve até 1950, quando eclodiu a Guerra da Coreia, que provocou</p><p>64 Ética e Responsabilidade Social</p><p>alterações nas importações, motivadas pela preocupação com adversi-</p><p>dades similares às que ocorreram na Segunda Guerra Mundial.</p><p>Nesse contexto de incerteza econômica, de acordo com Paula</p><p>(2018), Getúlio Vargas retorna ao poder, enfrentando pontos de estran-</p><p>gulamento na economia, notadamente por insuficiência de energia,</p><p>falta de uma infraestrutura de transportes, insuficiência na oferta de</p><p>alguns gêneros alimentícios para as populações urbanas e necessidade</p><p>de importação de máquinas e equipamentos para continuar o proces-</p><p>so de industrialização.</p><p>A característica marcante do governo Vargas foi a forte atuação in-</p><p>tervencionista do Estado como promotor e agente básico de desen-</p><p>volvimento econômico, com ações populistas. Um exemplo é a criação</p><p>da Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), em 1953, com a célebre frase</p><p>“O petróleo é nosso!” dita pelo então presidente, slogan que marcou</p><p>a Campanha do Petróleo, a qual defendia o papel da Petrobras como</p><p>empresa pública detentora do monopólio de todo o processo de explo-</p><p>ração, refino, distribuição e transporte do petróleo.</p><p>Co</p><p>rre</p><p>io</p><p>d</p><p>o</p><p>Br</p><p>as</p><p>il/</p><p>Go</p><p>ve</p><p>rn</p><p>o</p><p>do</p><p>B</p><p>ra</p><p>sil</p><p>/W</p><p>iki</p><p>m</p><p>ed</p><p>ia</p><p>C</p><p>om</p><p>m</p><p>on</p><p>s</p><p>Selo postal emitido pelo Correio do Brasil em homenagem aos cinco anos da Lei n. 2004, de 3 de</p><p>outubro de 1953, que criou a Petrobras.</p><p>Angarita, Sica e Donaggio (2013) afirmam que, conforme os mercados</p><p>globais se concretizaram, as ações interventoras do governo foram per-</p><p>dendo força e efetividade. O Estado tem sua importância reposicionada,</p><p>O vídeo Governo Vargas –</p><p>Fase Democrática – 1951 a</p><p>1954 discute de maneira</p><p>resumida o contexto do</p><p>governo Vargas na fase</p><p>democrática. São abor-</p><p>dados acontecimentos</p><p>relacionados a movi-</p><p>mentos populistas que</p><p>pregavam a centralização</p><p>da economia pelo Estado,</p><p>apoiando a volta de um</p><p>Estado intervencionista,</p><p>em oposição à política</p><p>liberalista defendida pelo</p><p>partido político União</p><p>Democrática Nacional</p><p>(UDN), que em 1945</p><p>havia destituído Vargas</p><p>do poder por meio da re-</p><p>volução. O vídeo também</p><p>mostra como foi o fim</p><p>desse governo e o aten-</p><p>tado ao jornalista Carlos</p><p>Lacerda, que culminou</p><p>com o suicídio do então</p><p>presidente, em 1954.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?reload=9&v=_lI3txclCDk.</p><p>Acesso em: 16 fev. 2021.</p><p>Vídeo</p><p>Responsabilidade social nas organizações 65</p><p>como participante de um novo cenário, no qual o centro de poder passou</p><p>a ser formado pela mescla de estruturas empresariais, junções de siste-</p><p>mas financeiros e criação dos grandes blocos comerciais regionais. Os</p><p>autores também destacam o Estado e a empresa com atuações inter-re-</p><p>lacionadas e até complementares, de maneira que ambos entremeiam a</p><p>sociedade, entrelaçando suas atividades, atuando, em determinadas oca-</p><p>siões, como definidores das estratégias e ações a serem implantadas e,</p><p>em outras, como executor de decisões definidas.</p><p>O exercício do poder estatal tem como fator limitante o conjunto de</p><p>normas definidas pelo próprio Estado: Constituição Federal e Estadual,</p><p>leis complementares, leis orgânicas, leis ordinárias, regulamentos etc.</p><p>Angarita, Sica e Donaggio (2013) explicam que, da mesma forma que o</p><p>Estado tem sua normatização, que esclarece sua atuação, sua organi-</p><p>zação e seus limites, a empresa também tem, de modo similar, um con-</p><p>junto de normas composto por seu estatuto, seu Código de Ética e sua</p><p>cultura, que definem como a gestão da empresa deve</p><p>foco a importância da ética, dos princípios</p><p>morais, dos valores e da cultura organizacional nas decisões e nas ações</p><p>implementadas pelos gestores das empresas. Para que as estratégias e as ações</p><p>de sustentabilidade sejam colocadas em prática, a empresa precisa contar com</p><p>uma equipe consciente de sua responsabilidade e preparada e motivada para</p><p>atuar de maneira sustentável em suas atividades. O líder de uma empresa social</p><p>e ambientalmente sustentável deve estar preparado para conduzir as atividades</p><p>dos colaboradores em relação aos processos desenvolvidos, para que se</p><p>pratiquem os preceitos éticos, morais e de responsabilidade socioambiental.</p><p>Ele também precisa lidar, de modo ético, com as relações que se estabelecem</p><p>dentro do grupo profissional, garantindo que não ocorram situações de assédio</p><p>nem uso indevido do poder a eles confiado pela organização.</p><p>Ao final da leitura desta obra, você estará preparado para entender</p><p>a relação dos conceitos da ética e da moral com a atuação social e</p><p>ambientalmente responsável das empresas, bem como o papel dos líderes e</p><p>gestores nesse contexto.</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 9</p><p>1</p><p>Ética e moral no</p><p>contexto empresarial</p><p>Ética e moral são palavras que ouvimos com muita frequência</p><p>em nosso cotidiano. Muitas vezes os conceitos se confundem e são</p><p>usados de maneira equivocada. Seja no campo político, nos grupos</p><p>sociais ou nos ambientes profissionais, ética e moral são conceitos</p><p>fundamentais para que se possa viver em sociedade.</p><p>Este capítulo tem o objetivo de apresentar esses conceitos, dis-</p><p>correr sobre como evoluíram durante a história da humanidade</p><p>e discutir os desafios éticos e morais do mundo contemporâneo.</p><p>1.1 Conceito de ética</p><p>Vídeo É comum que as palavras ética e moral sejam usadas como sinôni-</p><p>mos, o que acaba dificultando o correto entendimento do significado</p><p>de cada uma delas. Ambas estão relacionadas, mas representam con-</p><p>ceitos essencialmente diferentes.</p><p>A própria etimologia da palavra ética leva a essa confusão de con-</p><p>ceitos. O termo tem origem nas línguas grega e latina e surge com duas</p><p>grafias e significados diferentes. Para Heidegger, o termo êthos – grafado</p><p>com acento circunflexo na primeira letra – está relacionado à ideia de in-</p><p>terioridade do ser humano, a habitação do ser interior (MARQUES, 2009).</p><p>Já o termo éthos – grafado com acento agudo na primeira letra –, segun-</p><p>do Pedro (2014), está relacionado ao comportamento externo adotado</p><p>pelas pessoas em sua convivência social, aos hábitos e costumes indivi-</p><p>duais, ou seja, o modo como uma pessoa se comporta em sociedade.</p><p>10 Ética e responsabilidade social</p><p>É essa segunda origem da palavra ética que causa a confusão com</p><p>o conceito de moral, que pode ser entendido, ainda segundo Pedro</p><p>(2014), como os costumes de um determinado grupo social, as normas,</p><p>regras e leis que governam as relações entre as pessoas que convivem</p><p>em sociedade.</p><p>Com base nessas origens e significados próximos, apesar de dife-</p><p>rentes, os conceitos de ética e moral são utilizados, em nossa língua,</p><p>para se referir aos sistemas de normas, regras e leis nos quais os in-</p><p>divíduos ou grupos sociais específicos se inserem para que a vida em</p><p>sociedade seja possível.</p><p>Ao analisar especificamente o conceito de ética, é possível identifi-</p><p>car dois sentidos que não se excluem, mas apresentam dois diferentes</p><p>pontos de vista. Em uma visão mais ampla, há uma ética geral ligada às</p><p>relações que se estabelecem entre os indivíduos que compõem a hu-</p><p>manidade, independentemente de sua cultura ou origem. Em um sen-</p><p>tido mais estreito, está ligada à regulação das relações que ocorrem em</p><p>um grupo específico, por exemplo, um grupo formado por indivíduos</p><p>que exercem uma determinada profissão. Para Ramos (2012), esses</p><p>dois níveis nem sempre estão alinhados. As recomendações ou normas</p><p>éticas de um grupo específico podem, em algum momento, chocar-se</p><p>com as regras éticas mais gerais.</p><p>As discussões sobre a ética em seu sentido mais amplo são uma das</p><p>origens do pensamento filosófico. Apesar de o conceito começar a ser</p><p>amplamente estudado a partir do surgimento da filosofia, é possível</p><p>rastrear os preceitos éticos que regem a vida em grupos nas origens da</p><p>sociedade antes mesmo do pensar filosófico. Nos povos mais antigos,</p><p>os preceitos éticos se encontravam intrinsecamente ligados às crenças</p><p>mitológicas e religiosas, como normas e leis divinas a serem seguidas</p><p>para garantir a sobrevivência do grupo.</p><p>A partir dos filósofos gregos, a ética passou a ser pensada de ma-</p><p>neira racional, como um conjunto de princípios e preceitos que regem</p><p>a relação entre as pessoas. A discussão sobre ética se inicia com os filó-</p><p>sofos pré-socráticos, porém é a partir de Sócrates que o conceito passa</p><p>a ser encarado como central na filosofia.</p><p>Uma das origens do pensamento filosófico é a busca pela felicida-</p><p>de e pelo conhecimento. Para Sócrates (PLATÃO, 2019), o objetivo da</p><p>filosofia é a busca pelo conhecimento e a verdadeira felicidade está na</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 11</p><p>própria alma humana, pois é nela que se encontra a verdade. Contudo,</p><p>a maioria das pessoas não está preparada para olhar para dentro de</p><p>si mesma e encarar suas próprias verdades. Assim, o indivíduo acaba</p><p>por buscar a felicidade fora de si, em algo externo, em prazeres e sen-</p><p>timentos que, para uma mente despreparada, são confundidos com a</p><p>felicidade. Essa busca pelo prazer hedonista acaba por afastar o indiví-</p><p>duo ainda mais da felicidade que está em seu interior.</p><p>O hedonismo é um conceito filosófico no qual a busca pelo prazer</p><p>sensorial é o bem supremo e o objetivo a ser buscado pelo indivíduo.</p><p>De acordo com Laêrtios (2008), a filosofia hedônica foi desenvolvida</p><p>por Aristipo de Cirene, filósofo contemporâneo de Sócrates, que enxer-</p><p>gava o prazer como um bem em si. Portanto, o indivíduo deveria buscar</p><p>intensificar e prolongar essa sensação.</p><p>O epicurismo, desenvolvido pelo filósofo Epicuro, que acreditava</p><p>que a busca pelo prazer deveria ser moderada pela moral, é uma im-</p><p>portante corrente da filosofia que se originou da filosofia hedônica. As</p><p>ideias dessa filosofia ganharam força durante a Idade Moderna, em</p><p>especial com os trabalhos do escritor Donatien Alphonse François de</p><p>Sade, conhecido como Marquês de Sade, o qual levou o hedonismo ao</p><p>extremo, a ponto de romper com as ideias e os limites da moral vigen-</p><p>tes na sociedade.</p><p>A filosofia hedônica é um conceito central para o estudo da so-</p><p>ciedade de consumo atual, caracterizada pela busca do sucesso e da</p><p>sensação de felicidade por meio do consumo, da gratificação sensorial</p><p>imediata trazida pela compra e pelo uso de bens. Com base nesse pon-</p><p>to de vista, o consumo cumpre o papel de garantir o prazer hedônico e</p><p>traz reconhecimento e status dentro da sociedade. Para Rocha (2005,</p><p>p. 127): “consumir freneticamente é ter a certeza de ser um peregrino</p><p>em viagem ao paraíso”.</p><p>Pictrider/Shutterstock</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>12 Ética e responsabilidade social</p><p>O artigo Hedonismo e moralismo: consumo na base da pirâmide, de Marcus</p><p>Wilcox Hemais, Leticia Moreira Casotti e Everardo Pereira Guimarães Rocha,</p><p>faz uma interessante análise da relação entre a sociedade de consumo e a</p><p>filosofia hedonista. De acordo com os autores, essa filosofia é utilizada para</p><p>justificar e incentivar o aumento do consumo, como forma de diminuir a</p><p>pobreza e trazer gratificação e prazer para os indivíduos das classes sociais</p><p>menos favorecidas, localizadas na base da pirâmide social e econômica.</p><p>Os autores contrapõem essa visão hedonista a uma filosofia moralista, que</p><p>acredita que incentivar o consumo desenfreado leva os indivíduos de menor</p><p>poder aquisitivo a se sentirem pressionados a tomar decisões de consumo</p><p>impensadas ou não planejadas, além de criar uma sensação de inadequação</p><p>e de crescente infelicidade, advinda da percepção de não se adequarem ao</p><p>grupo social por não poder adquirir ou usar os bens que marcam a posição</p><p>ser conduzida.</p><p>Um exemplo recente de omissão do Estado na relação com as em-</p><p>presas ocorreu nos EUA na chamada crise dos subprimes, iniciada em</p><p>2000, com ocultação dos riscos envolvidos em operações do mercado,</p><p>tomando uma dimensão mundial em 2008 pela omissão do Estado em</p><p>regular o mercado financeiro e de capitais, que só foi corrigida com</p><p>uma injeção de muitos bilhões de dólares pelos EUA e por outros Esta-</p><p>dos para evitar uma crise sistêmica global de proporções catastróficas</p><p>(ANGARITA; SICA; DONAGGIO, 2013).</p><p>De modo inverso, no mercado de capitais brasileiro ocorre a con-</p><p>cessão de recursos a custos subsidiados pelo governo, o que provocou</p><p>diminuição da competição, desestimulando a criação de novas empre-</p><p>sas nos setores daquelas que foram beneficiadas e criando uma bar-</p><p>reira a investidores que poderiam impulsionar um maior progresso e</p><p>desenvolvimento desses setores.</p><p>É difícil encontrar um equilíbrio entre a atuação da instituição Esta-</p><p>do e a instituição empresa, pois ambas formam um complexo entre-</p><p>laçamento de atividades no qual o excesso de atuação de uma inibe a</p><p>atuação da outra. Daí se deduz a divergência e a complementaridade</p><p>entre esses centros de poder.</p><p>É importante também entender as relações entre Estado e socie-</p><p>dade civil. O filósofo alemão George W. F. Hegel, conhecido por seus</p><p>66 Ética e Responsabilidade Social</p><p>estudos da relação entre família, Estado e sociedade civil, em sua obra</p><p>Filosofia do direito (1821), é citado por Arato e Cohen (1994) na definição</p><p>de sociedade civil.</p><p>Hegel é um dos autores que discute os conceitos de sociedade civil,</p><p>e para isso leva em consideração os direitos dos indivíduos conscien-</p><p>tes e ativos, com valores éticos e morais. O autor demonstra os funda-</p><p>mentos da sociedade civil como mediadora entre a família e o Estado</p><p>(ARATO; COHEN, 1994).</p><p>Segundo esse ponto de vista, a sociedade civil se restringe à neces-</p><p>sidade da burguesia e da sociedade capitalista – considerada com base</p><p>na discrepância entre os proprietários e não proprietários dos meios</p><p>de produção –, que marca a obra de Marx (LAVALLE, 1999), destacando</p><p>as lutas sociais para a reforma das condições existentes na sociedade</p><p>e abolição do mercado e do Estado, que visam somente ao bem dos</p><p>detentores do poder em oposição ao bem comum – de toda a socie-</p><p>dade (esse conceito de sociedade civil ressalta, sobretudo, o momento</p><p>estrutural).</p><p>Para Bobbio (2017), conceituar sociedade civil é uma tarefa ainda mais</p><p>complexa por considerar diversas variáveis – sejam históricas, sociais, cul-</p><p>turais, econômicas, de gênero –, modificando inclusive, de acordo com</p><p>cada espaço geográfico, sua abrangência e sua finalidade social e política.</p><p>Já para o filósofo Antônio Gramsci (NERES, 2013), a sociedade civil in-</p><p>clui todo um agrupamento de instituições por meio das quais os grupos</p><p>dominantes efetivam sua hegemonia e onde se desenvolve a própria</p><p>luta pela supremacia. Na visão do autor, toda organização social tem</p><p>potencial de ser um partido político, pois pode ser considerada como</p><p>expressão de um grupo social; uma disputa de interesses e lutas polí-</p><p>ticas; uma busca da concordância e equilíbrio na luta pela supremacia.</p><p>Gramsci afirma que organizações privadas, que ele chama de apa-</p><p>relhos privados de hegemonia, criam e difundem ideologias. Entre essas</p><p>organizações, o filósofo cita diversos tipos de instituições, como a es-</p><p>trutura educacional, as instituições religiosas, as organizações profis-</p><p>sionais de classe, os sindicatos, os partidos políticos e a mídia.</p><p>O filósofo também descreve essa sociedade civil como componente</p><p>do que intitulou como Estado ampliado, em oposição àquela sociedade</p><p>política, universo da classe dominante, que detém o monopólio legal</p><p>do poder, da repressão e da violência.</p><p>Responsabilidade social nas organizações 67</p><p>Habermas (2015) desenvolve o conceito de sociedade civil desvincu-</p><p>lado da influência do aparelho burocrático do Estado e da economia.</p><p>Ele descreve a sociedade civil como um núcleo institucional compos-</p><p>to de associações e organizações independentes, não estatais e não</p><p>econômicas, apoiadas nas estruturas de comunicação do setor público,</p><p>nos componentes sociais do mundo.</p><p>O autor reconhece que, mesmo havendo a necessidade de separar</p><p>os círculos de atuação de natureza dos poderes públicos e privados, a</p><p>dinâmica das mudanças no mundo acaba por aproximá-los cada vez</p><p>mais, desencadeando uma crescente relação entre ambos, na qual as</p><p>organizações privadas começam a atuar em tarefas próprias do poder</p><p>público (HABERMAS, 2015).</p><p>Dessa forma, conforme os diversos grupos de interesse exercem</p><p>pressão para converter interesses particulares em “direitos sociais”</p><p>com a outorga do Estado (benefício social), ocorre uma crescente ma-</p><p>nipulação da esfera pública por parte das empresas.</p><p>Nesse contexto, a esfera pública e o Poder Legislativo são responsá-</p><p>veis pelos temas e conteúdos por meio dos quais o poder social organi-</p><p>zado desloca-se para o processo de legislação e interfere na formação</p><p>e na implementação de conteúdos desenvolvidos pelo poder público.</p><p>A figura a seguir mostra a visão sobre os tipos de ações sociais desen-</p><p>volvidos por esse poder.</p><p>Figura 1</p><p>Tipos de ação social</p><p>Ação social</p><p>Ação estratégicaAção comunicativa</p><p>Ação estratégica</p><p>evidente</p><p>Ação estratégica</p><p>latente</p><p>Manipulação</p><p>Comunicação</p><p>sistematicamente</p><p>distorcida</p><p>DiscursoAção</p><p>Ação consensual</p><p>Ação orientada para</p><p>o entendimento</p><p>Fonte: Habermas, 1966 apud Gomes, 2014, p. 422.</p><p>68 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Enfatiza-se que esse poder social pode impulsionar ou restringir a</p><p>formação do poder comunicativo de massa, mais preocupado com o</p><p>jornalismo de conteúdo manipulativo do que com o de conteúdo críti-</p><p>co, agregando à atividade política a característica de um campo propí-</p><p>cio para criação de políticos com atributos de estrelas da mídia.</p><p>Para finalizar, é importante ter em mente que o conceito de</p><p>sociedade civil engloba instituições importantes, inclusive aquelas vo-</p><p>luntárias que compõem a base social do poder público independente e</p><p>estabelecem condições para se criarem instituições da sociedade civil</p><p>que cubram as lacunas de interesse deixadas pela esfera pública – por</p><p>exemplo, aquelas que compõem o Terceiro Setor (empresas não gover-</p><p>namentais, que têm como objetivo gerar serviços de caráter público).</p><p>Reconhecidamente, os círculos de atuação dos poderes públicos e</p><p>privados são separados, mas a rapidez das alterações no mundo atual</p><p>acaba por aproximá-los, provocando um crescente intercâmbio entre</p><p>ambos, no qual interesses privados influenciam no poder público e</p><p>vice-versa.</p><p>O elo entre Estado e empresas é a sociedade civil, que manifes-</p><p>ta seus variados interesses e seu senso crítico e racional, com a am-</p><p>pliação de sua participação influenciadora nos espaços institucionais</p><p>contemporâneos.</p><p>3.3 Conceito de responsabilidade socioambiental</p><p>Vídeo O mundo contemporâneo é regido por influências e interesses recí-</p><p>procos entre os grandes agentes envolvidos no seu cotidiano: Estado,</p><p>empresas e sociedade, que levaram a transformações no sentido de</p><p>desenvolvimento. Esse sentido, anteriormente, era de crescimento ou</p><p>melhoria em termos quantitativos, e agora passa a adquirir melhorias</p><p>em termos qualitativos, com a evolução da participação e da influência</p><p>da sociedade civil nas esferas de poder.</p><p>Essa nova forma de se compreender o desenvolvimento adquire</p><p>um caráter de abrangência geográfica mundial. Rocha e Silva (2012,</p><p>p. 2) mencionam essa nova realidade no discurso de Kofi Annan (ex-</p><p>-secretário-geral da Organização da Nações Unidas – ONU) no Fórum</p><p>Econômico Mundial de 1999: “No passado, as Nações Unidas lidavam</p><p>apenas com governos. Mas agora sabemos que a paz e a prosperidade</p><p>não podem ser alcançadas sem a parceria de governos, organizações</p><p>Responsabilidade social nas organizações 69</p><p>internacionais, iniciativa privada e sociedade civil. No mundo de hoje,</p><p>dependemos um dos outros”.</p><p>A fala de Annan mostra que há o reconhecimento internacional</p><p>quan-</p><p>to à necessidade da criação de parcerias entre Estado, empresários e a</p><p>sociedade civil para se atingir uma condição de paz e desenvolvimento.</p><p>A prosperidade da sociedade é acompanhada pelo desenvolvimento</p><p>econômico e sempre foi um objetivo das nações para melhorar as condi-</p><p>ções de vida da sociedade. Quando não combatida e quando não se exe-</p><p>cutam ações preventivas, a poluição é um dos resultados indesejados do</p><p>processo industrial. Dessa forma, por muito tempo a presença da poluição</p><p>foi considerada erroneamente um indicativo de desenvolvimento.</p><p>Quando os problemas relacionados à degradação do meio am-</p><p>biente se intensificaram e os seus efeitos sobre os seres humanos</p><p>aumentaram, a sociedade se conscientizou de que a poluição era um</p><p>problema ocasionado por um processo de industrialização que tinha</p><p>como objetivo o lucro, sem que importassem os impactos negativos</p><p>que a atividade industrial causava ao meio ambiente e à sociedade.</p><p>Braga et al. (2005) apontam que a degradação ambiental tornou-se</p><p>mais evidente na década de 1970, o que levou, em 1972, à realização</p><p>da 1ª Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, que</p><p>resultou na criação do Programa da Nações Unidas para o Meio Am-</p><p>biente (PNUMA) no mesmo ano e, em 1987, na publicação do Relatório</p><p>Nosso Futuro Comum, conhecido como Relatório Brundtland, que con-</p><p>sagra o uso do termo desenvolvimento sustentável e estabelece bases</p><p>para esclarecer o papel das empresas na gestão ambiental.</p><p>Outro marco importante foi a realização, em 1992, no Rio de Janeiro,</p><p>da 2º Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a qual re-</p><p>forçou a necessidade de integrar mais a relação entre desenvolvimen-</p><p>to econômico e meio ambiente, conduziu e conscientizou a sociedade</p><p>sobre a necessidade do fortalecimento dessa relação, de modo que as</p><p>empresas que investissem na proteção do meio ambiente pudessem</p><p>se tornar mais competitivas, criando condições de uma universalização</p><p>de mecanismos compensatórios para empresas que atingissem metas</p><p>de redução de poluição.</p><p>O conceito de desenvolvimento sustentável foi ratificado na 2ª Con-</p><p>ferência da ONU sobre o meio ambiente (1992) e na Conferência Rio+20</p><p>realizada em 2012. O desenvolvimento não deve gerar desigualdades</p><p>No ano de 1992, foi rea-</p><p>lizada no Rio de Janeiro a</p><p>Conferência das Nações</p><p>Unidas sobre o Meio Am-</p><p>biente e Desenvolvimento</p><p>(Cnumad), exatamente</p><p>20 anos após a realização</p><p>da primeira conferên-</p><p>cia sobre o tema, em</p><p>Estocolmo (Conferência</p><p>das Nações Unidas sobre</p><p>o Ambiente Humano). A</p><p>conferência Rio-92 mar-</p><p>cou uma mudança signi-</p><p>ficativa na forma como</p><p>governos, empresas e</p><p>sociedade passaram a</p><p>encarar suas responsabi-</p><p>lidades com o meio am-</p><p>biente. O vídeo A Cúpula</p><p>da Terra - Conferência da</p><p>ONU sobre Meio Ambiente</p><p>e Desenvolvimento (1992),</p><p>do canal ONU Brasil,</p><p>mostra os principais</p><p>pontos da conferência e</p><p>sua importância para o</p><p>mundo.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=hraPn_</p><p>XFgg8. Acesso em: 16 fev. 2021.</p><p>Vídeo</p><p>70 Ética e Responsabilidade Social</p><p>sociais, nem contribuir para degradar e destruir o meio ambiente, nem</p><p>comprometer o futuro, e deve possuir os aspectos de solidariedade e</p><p>sustentabilidade, procurando possibilitar que todos tenham acesso a</p><p>bens materiais e serviços.</p><p>O objetivo do lucro sempre foi e continua a ser o principal objetivo</p><p>das empresas privadas, levando em consideração que as empresas têm</p><p>a necessidade de lucro relacionada a questões de viabilidade, sobrevi-</p><p>vência, crescimento e competitividade com empresas concorrentes.</p><p>Nesse sentido, Pereira e Curi (2012) citam a ampliação dos objeti-</p><p>vos das empresas que procuram a expansão da busca pelo lucro para</p><p>acrescentar objetivos sociais, pois as empresas buscam a aprovação da</p><p>comunidade com uma maior participação social.</p><p>O autor destaca que, muitas vezes, esse esforço tem mais um pa-</p><p>pel de criação de marca do que de efetiva preocupação ambiental. As</p><p>empresas realizam esforços de publicidade e relações públicas com o</p><p>objetivo de fortalecer sua marca no mercado e perante os consumido-</p><p>res. Muitas perceberam que a sociedade está mais preocupada com</p><p>aspectos relacionados ao meio ambiente. Assim, a empresa ser vista</p><p>como política, ambiental e socialmente correta pode trazer benefícios.</p><p>Podemos observar, ainda, a influência do momento histórico, no</p><p>qual ocorrem progressos tecnológicos nas comunicações virtuais que</p><p>impulsionam a globalização, expondo mais as empresas, que passam</p><p>a ser mais monitoradas. Essa maior exposição resulta em uma maior</p><p>participação da sociedade civil, influenciando a própria atuação das</p><p>empresas, que passam a se preocupar cada vez mais com práticas que</p><p>visem à melhoria da própria imagem.</p><p>Esse entendimento é útil para a definição de responsabilidade</p><p>social (RS). Para Ashley et al. (2003), a RS engloba toda ação da empresa</p><p>que contribua positivamente e de modo racional em uma comunidade</p><p>específica ou de modo geral na sociedade no que tange ao seu papel</p><p>específico e à prestação de contas para com ela.</p><p>Essa prestação de contas com a sociedade se refere ao fato de se</p><p>criar uma relação de causa e efeito: a empresa deve dar uma resposta</p><p>à sociedade, no sentido de se responsabilizar por atos e decisões que</p><p>causem algum impacto nela, em uma relação de compromisso de</p><p>reparar algum dano ou proporcionar algum benefício.</p><p>Responsabilidade social nas organizações 71</p><p>A sociedade exerce influência nas empresas, e estas passam a assu-</p><p>mir responsabilidades sobre o meio ambiente e a sociedade que origi-</p><p>nalmente estavam sob a tutela do Estado.</p><p>Segundo a ISO 26.000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas</p><p>(ABNT, 2010), inicialmente a RS estava associada à filantropia, sendo</p><p>realizada por indivíduos e organizações voluntariamente, pois não ha-</p><p>via, naquele momento, obrigação dos que a praticavam.</p><p>A obrigação era exclusiva do Estado e das suas instituições públicas.</p><p>Foi apenas a partir de 1990 que surgiu a visão de RS por meio de novas</p><p>políticas, estratégias e ações que contribuíram para fomentar o desen-</p><p>volvimento sustentável, o qual aliava questões econômicas ao dever de</p><p>contribuir para o desenvolvimento sustentável de uma comunidade ou</p><p>da sociedade como um todo, possibilitando melhora na qualidade de</p><p>vida das pessoas atingidas por essas ações.</p><p>A evolução da atuação da sociedade civil, que se tornou mais partici-</p><p>pativa, consciente de sua influência nas relações de poder entre Estado</p><p>e empresas, fez com que estes valorizassem as questões ambientais</p><p>e sociais em suas ações. Conforme Pereira e Curi (2012) apontam, o</p><p>desenvolvimento sustentável é aquele que “atende às necessidades do</p><p>presente sem comprometer o atendimento das necessidades das gera-</p><p>ções futuras” (BRUNDTLAND, 1987, p. 29).</p><p>Dentro da lógica capitalista, na RS preserva-se o lucro como objetivo</p><p>principal das empresas, mas ocorre uma ampliação dos objetivos, qua-</p><p>lifica-se a empresa, melhoram-se os processos e a produção, além de</p><p>serem proporcionados ganhos de imagem perante seus stakeholders, o</p><p>poder público e principalmente a sociedade.</p><p>Na</p><p>ta</p><p>llia</p><p>sk</p><p>n/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>ESTRATÉGIA BENEFÍCIO</p><p>72 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Alves (2009) constata que a lucratividade pode ser atribuída à repu-</p><p>tação da marca nos casos em que um consumidor consciente (quanto</p><p>a questões socioambientais) decide por uma marca sustentável; essa</p><p>escolha faz parte do composto formador do lucro.</p><p>Nessa estruturação de mercado, a responsabilidade socioambien-</p><p>tal (RSA) provoca uma relação de ganhos para as empresas (tangíveis</p><p>pelo lucro e intangíveis pela melhora da imagem) ao mesmo tempo que</p><p>propicia benefícios sociais e auxilia na preservação de recursos finitos</p><p>do meio ambiente.</p><p>Oliveira (2008) aborda a relação entre Estado, empresas e sociedade</p><p>estabelecida no ano de 1998 pelo World Business Council for Sustaina-</p><p>ble Development (WBCSD), definindo RSA como sendo o compromisso</p><p>dos empresários de praticar uma conduta ética e auxiliar simultanea-</p><p>mente na melhora</p><p>da qualidade de vida dos seus colaboradores e das</p><p>suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo.</p><p>A RSA é explicada por Mancini (2008) como um termo utilizado por</p><p>empresas brasileiras com o sentido de apresentar a ética como obriga-</p><p>ção e o respeito como conduta nas relações com os seus stakeholders,</p><p>ou seja, qual é sua posição em termos de imagem em relação ao meio</p><p>social em que estão inseridos.</p><p>Com essas transformações, as empresas têm ganhos de imagem e</p><p>reputação com os consumidores mais racionais e conscientes, que não</p><p>encaram a questão de avaliação do preço para tomar suas decisões de</p><p>compra de produtos ou contratação de serviços.</p><p>Escolher essa perspectiva socioambiental significa adotar uma visão</p><p>e abordagem integrada entre negócios, meio ambiente e sociedade, co-</p><p>laborando para identificar as possibilidades de melhorias que reduzam</p><p>os impactos das operações sobre o meio ambiente. A RSA demonstra</p><p>uma evolução na visão das empresas, que determinou uma mudança</p><p>de postura com relação a seus objetivos.</p><p>Mancini (2008) aponta que nas empresas não há uma divisão clara</p><p>entre aspectos sociais e econômicos, uma vez que efeitos econômicos</p><p>geram consequências sociais e, do mesmo modo, efeitos sociais geram</p><p>consequências econômicas. O autor também compara uma semelhan-</p><p>ça do fenômeno de inter-relacionamento entre sociedade e empresas</p><p>com a relação simbiótica entre organismos vivos na natureza, em que</p><p>ambos se beneficiam mutuamente.</p><p>Responsabilidade social nas organizações 73</p><p>Oliveira (2008) alerta que é comum que se encontrem erros na con-</p><p>ceituação de RSA. Por exemplo, se uma empresa segue as normas e</p><p>leis referentes ao meio ambiente e à sociedade, caso se cumpra apenas</p><p>essa ação, ela não pode ser considerada uma empresa comprometida</p><p>nos moldes da responsabilidade socioambiental, pois ela estaria atuan-</p><p>do como uma pessoa jurídica cumpridora de regras compostas por leis</p><p>que lhe são impostas pelo poder público.</p><p>O uso do termo ações socioambientais dá ideia da impossibilidade</p><p>de separação das dimensões social e ambiental no cotidiano das em-</p><p>presas. A consequência é atrelar a responsabilidade social aos aspec-</p><p>tos de preservação ambiental por meio de ações que implementem o</p><p>progresso de ambas. Preservar o meio ambiente faz parte da RS (traz</p><p>benefícios para a sociedade), e implementar ações de interesse social</p><p>faz parte do objetivo da preservação do meio ambiente (melhorar a</p><p>qualidade de vida). Assim, estabelecem-se as condições de configura-</p><p>ção das ações de RSA.</p><p>3.4 Responsabilidade social corporativa,</p><p>empresarial e ambiental Vídeo</p><p>O conceito de responsabilidade social corporativa (RSC) e o de</p><p>responsabilidade socioambiental (RSA) são muitas vezes confundi-</p><p>dos e mal interpretados. Apesar de estarem intrinsecamente ligados,</p><p>apresentam algumas diferenças conceituais. Segundo as normas ISO</p><p>26.000 e ISO 14.001 (ABNT, 2010; 2015) o termo responsabilidade social</p><p>recebeu diversas denominações que descrevem essencialmente essa</p><p>relação de expansão do objetivo lucro com a inclusão de propósitos que</p><p>tenham impactos sobre a sociedade e o meio ambiente, mas que pos-</p><p>sam ter como intuito impactar algum grupo específico ou seja efetuado</p><p>com maior ou menor grau de clareza, intensidade ou de planejamento.</p><p>A partir da definição da RSA, é possível definir a RSC.</p><p>O ponto em comum é a integração entre negócios, meio ambiente</p><p>e sociedade para que a corporação (empresa) colabore de maneira éti-</p><p>ca com ações que objetivem reduzir os impactos das suas operações</p><p>sobre o meio ambiente e promovam melhorias nas condições de vida.</p><p>A diferença é para qual segmento da sociedade essas melhorias estão</p><p>direcionadas.</p><p>74 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Enquanto a RSA se refere a atingir todos os segmentos da socieda-</p><p>de, a RSC está relacionada com promover melhorias na qualidade de</p><p>vida dos seus funcionários (e respectivas famílias), da comunidade local</p><p>e da sociedade em geral, excluindo o direcionamento das ações para</p><p>outros membros dos grupos interessados ou stakeholders.</p><p>É importante enfatizar que o aspecto ambiental também é objeto</p><p>de ações, apesar de não estar incluso na denominação que identifica</p><p>a RSC, pois ações ambientais afetam a sociedade e questões sociais</p><p>podem afetar o meio ambiente, conforme esclarecido anteriormente.</p><p>O grande desafio da gestão passa a ser o encontro de um equilíbrio</p><p>na implementação de ações que possam gerar elevação nos custos dos</p><p>produtos ou serviços que a empresa fornece para a sociedade sem</p><p>onerar demais os preços finais oferecidos a seus consumidores.</p><p>Apesar desse paradoxo entre o objetivo da busca pelo lucro e a</p><p>satisfação de necessidades sociais, Melo Neto e Froes (2004) julgam</p><p>que as ações socialmente responsáveis praticadas pelas empresas são</p><p>consideradas encadeadoras de fatores motivacionais que aumentam a</p><p>produtividade da empresa e influenciam também o ambiente externo,</p><p>gerando ganhos que consideram os impactos globais dessas ações.</p><p>Assim, podemos questionar e ampliar a análise, considerando até</p><p>que ponto é vantajoso para uma empresa praticar a RSC, uma vez que,</p><p>na sociedade, grande parte dos consumidores optam por adquirir os</p><p>produtos por questões diferentes da abordagem de preocupação so-</p><p>cial aqui analisada, pois a decisão de compra de um produto ou con-</p><p>tratação de um serviço pode ter as mais diversas motivações, como</p><p>qualidade, preços, atendimento, pós-venda, tradicionalidade da marca,</p><p>entre várias outras.</p><p>A resposta a esse questionamento se altera de acordo com variá-</p><p>veis de análise, como o perfil da empresa, a força de relacionamento</p><p>empresa-sociedade, o impacto das ações sociais realizadas pelas em-</p><p>presas, o setor de atuação, a localização geográfica e os costumes da</p><p>sociedade. Cada companhia deve encontrar suas próprias respostas.</p><p>Um aspecto encontrado na teoria é a confusão que muitos autores</p><p>fazem entre os conceitos de responsabilidade social empresarial (RSE) e</p><p>RSC. Encontram-se definições que aparentemente são as mesmas e, por</p><p>essa razão, aumentam-se os erros e as dúvidas sobre esses conceitos.</p><p>Responsabilidade social nas organizações 75</p><p>Segundo Tenório (2015) a diferença entre as duas é que a RSE ex-</p><p>pande seu campo de atuação econômico, estendendo os benefícios a</p><p>todos os stakeholders, além de à sociedade em geral. Do ponto de vista</p><p>social, as ações de RSE têm como objetivo promover o desenvolvimen-</p><p>to de uma sociedade mais igualitária e justa. Já quanto ao meio am-</p><p>biente, as ações de RSE buscam ir além de garantir que as atividades</p><p>da empresa não tragam impactos negativos a ele, essas ações também</p><p>têm como objetivo promover a sustentabilidade ambiental e reverter a</p><p>degradação do meio ambiente.</p><p>Para que uma empresa adquira o status de RSE, é necessário que siga</p><p>as orientações da ISO 26000 (ABNT, 2010), uma norma internacional que</p><p>fornece orientação e diretrizes e que pode ser entendida como um padrão</p><p>a ser seguido pelas empresas para medir e gerenciar os impactos da sua</p><p>atuação e das suas estratégias sobre o ambiente, a comunidade, os de-</p><p>mais atores econômicos e a sociedade como um todo.</p><p>No Brasil, a ISO 26.000 serviu de base para a criação da norma bra-</p><p>sileira ABNT NBR 16.001 (ABNT, 2012). Porém, a ISO 26.000 não é au-</p><p>ditável, e a ABNT NBR 16.001 pode ser validada por meio da realização</p><p>de uma auditoria externa.</p><p>As empresas que procuram se adequar a esse modelo também con-</p><p>sideram a preservação e o cuidado com o meio ambiente, desempe-</p><p>nhando a gestão ambiental e comprovando as práticas empresariais,</p><p>buscando a certificação pela norma ISO 14.000.</p><p>Dessa maneira, as empresas obtêm o respeito das pessoas e das</p><p>comunidades alcançadas por suas atividades, o comprometimento dos</p><p>seus colaboradores e a preferência dos consumidores ao agregar às</p><p>suas competências básicas a conduta ética e responsável perante a</p><p>sociedade.</p><p>Jesus, Sarmento e Duarte (2017) propõem características de RSE</p><p>baseadas no pressuposto de que as empresas e a sociedade não são</p><p>entidades</p><p>independentes, mas sim interligadas e que geram expectati-</p><p>vas na sociedade, de modo que a RSE se vê influenciada pelas ações e</p><p>crenças dos indivíduos que constituem as empresas.</p><p>Também é importante elucidar a diferença entre RSA e RSE. Tenório</p><p>(2015) aponta que a RSA se destaca pela clareza e pelo planejamento</p><p>específico das suas ações para beneficiar a sociedade e o meio ambien-</p><p>A norma ISO 26.000</p><p>define as diretrizes sobre</p><p>responsabilidade social</p><p>e foi lançada no ano de</p><p>2010 pela Organização</p><p>Internacional de Nor-</p><p>malização (International</p><p>Organization for Standar-</p><p>dization – ISO), instituição</p><p>global com sede em</p><p>Genebra, na Suíça, e</p><p>que reúne os órgãos de</p><p>padronização e norma-</p><p>tização de mais de 160</p><p>países. No Brasil, a norma</p><p>recebeu o nome de ABNT</p><p>NBR ISO 26.000. A norma</p><p>completa e os destaques</p><p>dos seus pontos princi-</p><p>pais estão disponíveis no</p><p>site do Inmetro, órgão</p><p>brasileiro responsável</p><p>pelas normatizações, e</p><p>pode ser acessada no link</p><p>a seguir.</p><p>Disponível em: http://www.</p><p>inmetro.gov.br/qualidade/</p><p>responsabilidade_social/iso26000.</p><p>asp. Acesso em: 16 fev. 2021.</p><p>Leitura</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp#:~:text=Segundo a ISO 26000%2C a,sociedade e no meio ambiente</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp#:~:text=Segundo a ISO 26000%2C a,sociedade e no meio ambiente</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp#:~:text=Segundo a ISO 26000%2C a,sociedade e no meio ambiente</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp#:~:text=Segundo a ISO 26000%2C a,sociedade e no meio ambiente</p><p>76 Ética e Responsabilidade Social</p><p>te, sendo a maneira mais atual de a empresa ser reconhecida como</p><p>socialmente responsável.</p><p>Conforme apontam Barbosa e Lopes (2018), o conceito de desenvol-</p><p>vimento sustentável originou a ideia de “sustentabilidade empresarial”</p><p>introduzida por John Elkington no início da década de 1990 e que abor-</p><p>da a questão de sustentabilidade com a criação de princípios baseados</p><p>na ideia do Triple Bottom Line, que propõe a necessidade de ter um</p><p>conhecimento dos reais impactos sociais, econômicos e ambientais.</p><p>Barbosa e Lopes (2018) afirmam a importância de a empresa gerar</p><p>valores de maneira clara para todos os stakeholders de uma organiza-</p><p>ção, pois trata-se da base para o desenvolvimento da estratégia e, por-</p><p>tanto, determina a longevidade da empresa.</p><p>Os impactos causados pela atuação da empresa devem ser mapea-</p><p>dos e acompanhados no gerenciamento de riscos – considerando o</p><p>conceito criado por Elkington – para que a organização continue exis-</p><p>tindo em um mundo cheio de incertezas e afetado por variáveis com-</p><p>plexas existentes em função de constantes alterações que ocorrem</p><p>dentro do conceito de Triple Bottom Line, mostrado na figura a seguir.</p><p>Ambiental</p><p>Social</p><p>Sustentabilidade</p><p>organizacional</p><p>Figura 2</p><p>Triple Bottom Line</p><p>ca</p><p>vid</p><p>al</p><p>i/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Fonte: Santos; Silva; Santos, 2018, p. 117.</p><p>Uma empresa é sustentável quando se equilibram os aspectos sociais,</p><p>ambientais e sociais. Em cada organização a relevância desses aspectos</p><p>varia, mas todas devem considerar essas três dimensões em seus obje-</p><p>tivos. A sustentabilidade empresarial é baseada na criação de valor para</p><p>todas as partes envolvidas na relação descrita no Triple Bottom Line.</p><p>Econômica</p><p>Responsabilidade social nas organizações 77</p><p>Dentro dessa perspectiva, as empresas passam a integrar a susten-</p><p>tabilidade aos modelos de negócios, às estratégias adotadas, às cul-</p><p>turas empresariais, às decisões de gestores, aos atos praticados por</p><p>todos os funcionários, devendo comunicar todos os stakeholders e a</p><p>sociedade em geral. Portanto, para ser sustentável, a empresa neces-</p><p>sita apresentar um equilíbrio no tripé formado entre aspectos sociais,</p><p>ambientais e econômicos.</p><p>Dessa forma, a relação entre os aspectos ambiental e econômico</p><p>deve ser viável economicamente, justa ao considerar a relação entre</p><p>aspectos econômicos e sociais, e minimamente suportável ao se con-</p><p>siderarem os aspectos sociais e ambientais. Quando analisamos a sus-</p><p>tentabilidade, devemos entender o que pode ser caracterizado como</p><p>“sustentável”. Sachs (2011) específica melhor esses aspectos ao identi-</p><p>ficar as cinco dimensões da sustentabilidade:</p><p>Sustentabilidade espacial</p><p>Relacionada à necessidade</p><p>de se construir equidade de</p><p>renda e de acesso a bens na</p><p>sociedade.</p><p>Sustentabilidade</p><p>social</p><p>Ligada à busca da eficiência</p><p>em uma dimensão</p><p>macrossocial, e não à</p><p>sustentabilidade apenas da</p><p>empresa.</p><p>Sustentabilidade</p><p>econômica</p><p>Valorização das raízes</p><p>culturais relacionadas ao</p><p>desenvolvimento local e</p><p>regional.</p><p>Sustentabilidade</p><p>cultural</p><p>Racionalização do uso dos diversos ecossistemas; limitação do uso de combustíveis</p><p>fósseis e de recursos esgotáveis ou danosos ao meio ambiente, com substituição</p><p>destes por produtos renováveis ou que minimizem as agressões ao meio ambiente.</p><p>Nesse contexto também estão inclusas a busca pela diminuição de poluição e</p><p>resíduos; o incentivo à reciclagem e à reutilização, com a definição de limites ao</p><p>consumo de materiais; a conservação dos recursos energéticos e o incentivo à</p><p>geração de energia por meio de fontes sustentáveis; e a definição de normas e</p><p>legislações de proteção ao meio ambiente.</p><p>Sustentabilidade ecológica</p><p>Tem como foco a utilização adequada dos espaços geográficos, garantindo um</p><p>equilíbrio entre o uso de terras para fins de produção, conservação e ocupação</p><p>urbana. Proteção de ecossistemas; planejamento do investimento em produção</p><p>agrícola com respeito ao meio ambiente; utilização de técnicas e desenvolvimento</p><p>de novas tecnologias para o uso sustentável de florestas; desenvolvimento de novas</p><p>alternativas econômicas para a geração de empregos não relacionados à produção</p><p>agrícola em áreas tradicionalmente rurais por meio do desenvolvimento da mão de</p><p>obra e da demarcação, preservação e gestão das reservas naturais com o objetivo</p><p>de proteger os ecossistemas e a biodiversidade.</p><p>ha</p><p>fiy</p><p>ya</p><p>s</p><p>ya</p><p>fa</p><p>k</p><p>ho</p><p>iri</p><p>ya</p><p>h/</p><p>be</p><p>ar</p><p>sk</p><p>y2</p><p>3/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>78 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Essas dimensões são importantes para que se possa compreender</p><p>como a gestão das empresas toma decisões e as comanda com ações</p><p>que vão impactar a sociedade e o meio ambiente.</p><p>Como visto anteriormente neste capítulo, para a promoção de ações</p><p>de natureza socioambiental, é necessário que a organização adote um</p><p>planejamento estratégico que a envolva inteiramente e que esteja ali-</p><p>nhado com a RS, que tem como ponto central o compromisso das em-</p><p>presas com relação aos impactos dos seus atos e das suas decisões</p><p>sobre a sociedade e o meio ambiente.</p><p>Barbieri (2011) aponta a necessidade da atenção que as empresas pre-</p><p>cisam ter em relação à orientação da gestão para seus objetivos internos</p><p>e externos na busca pelos resultados financeiros (lucros) e pela garantia</p><p>de viabilidade no longo prazo envolvendo diversas questões para além do</p><p>lucro.</p><p>Para o autor, a gestão ambiental envolve a administração das ati-</p><p>vidades de uma organização com a finalidade de ampliar a eficiência</p><p>no uso dos recursos naturais e diminuir os impactos negativos que</p><p>afetam a sociedade e o meio ambiente, com o objetivo de aumentar</p><p>a competitividade da empresa. Considera-se que as regulamentações</p><p>governamentais afetam de maneira igualitária todas as organizações e</p><p>pressionam as empresas pela preservação e busca da boa imagem pe-</p><p>rante a sociedade e o mercado, minimizando o risco ambiental possível</p><p>– exigências impostas por investidores, acionistas, bancos e consumi-</p><p>dores. Percebe-se que essa definição correlaciona a questão ambiental.</p><p>Tinoco (2006) afirma que os benefícios gerados ao estabelecer uma</p><p>estrutura de gestão ambiental, ao engajar todos os membros e áreas</p><p>da empresa com a definição de funções, responsabilidades e autori-</p><p>dades causam um aumento de motivação nos colaboradores, além de</p><p>melhorar a imagem da empresa frente a clientes, mercado e sociedade.</p><p>Caldas (2019)</p><p>aponta que as empresas devem incluir a questão so-</p><p>cial e ambiental na sua descrição de missão e visão, o que torna impor-</p><p>tantes e prioritárias as práticas socioambientais nas decisões tomadas</p><p>pelos gestores e nos atos praticados em toda empresa, de modo que</p><p>os gestores tenham definidas suas responsabilidades quanto aos as-</p><p>pectos socioambientais, priorizando os fatores sociais (como saúde e</p><p>segurança) tanto para os colaboradores quanto para a comunidade em</p><p>que atuam e que pode ser impactada pela empresa.</p><p>Responsabilidade social nas organizações 79</p><p>Nesse aspecto, é importante que se criem instrumentos que favore-</p><p>çam a gestão quanto a atos e decisões para acompanhar a aderência</p><p>com os conceitos do Triplo Bottom Line.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>As interações na relação entre Estado, empresa e sociedade civil</p><p>evoluíram para um aumento da participação da sociedade, influencian-</p><p>do a atuação do Estado e das empresas para gerar benefícios comuns</p><p>a todos, de natureza social e ambiental, objetivando o aumento da qua-</p><p>lidade de vida e a evolução da própria sociedade.</p><p>As empresas geram benefícios para a sociedade, em uma relação</p><p>simbiótica, com ganhos mútuos, gerados pela pressão e imposição fei-</p><p>tas pela sociedade civil às empresas e que alteraram a atuação delas e</p><p>os seus objetivos.</p><p>Com isso, as organizações receberam responsabilidades de caráter</p><p>socioambiental, como Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e Res-</p><p>ponsabilidade Social Corporativa (RSC).</p><p>Assim, as empresas passam a atuar dentro de um comportamento</p><p>ético, ao mesmo tempo que promovem melhorias na qualidade de vida</p><p>de seus colaboradores e famílias, da comunidade local e da sociedade,</p><p>criando estratégias associadas ao seu ambiente de negócios.</p><p>São passos importantes na evolução de uma sociedade mais justa,</p><p>na qual parte dos ganhos das empresas são revertidos em prol da so-</p><p>ciedade e diminuem os impactos das injustiças sociais e dos desequilí-</p><p>brios que a atividade humana causa ao planeta.</p><p>ATIVIDADES</p><p>1. Conceitue responsabilidade social empresarial.</p><p>2. Explique a dinâmica da lógica que viabiliza a aplicação dos conceitos</p><p>de responsabilidade social e ambiental nas empresas, tendo em</p><p>vista que gerar benefícios à sociedade tem impactos no custo/preço</p><p>dos produtos e serviços oferecidos pela empresa e trata-se de uma</p><p>contradição em termos econômicos.</p><p>3. Discorra brevemente sobre o Triple Bottom Line.</p><p>80 Ética e Responsabilidade Social</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT. ISO 26.000: Diretrizes sobre Responsabilidade Social. Brasília, 2010. Disponível em:</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp. Acesso em:</p><p>17 fev. 2021.</p><p>ABNT. NBR 16.001. Brasília, 2012. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/</p><p>responsabilidade_social/norma_nacional.asp. Acesso em: 17 fev. 2021.</p><p>ABNT. NBR ISO 14.001. Brasília, 2015. 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Se a visão mais tradicional era voltada apenas aos as-</p><p>pectos econômicos e ao lucro, as empresas modernas estabelecem</p><p>objetivos mais amplos, considerando aspectos sociais e ambientais</p><p>que, pela sua relevância, tornam-se parte integrante da própria es-</p><p>tratégia das empresas na busca de objetivos socioambientais que</p><p>vão além do lucro financeiro.</p><p>Neste capítulo, será discutida a forma como a gestão das em-</p><p>presas se adapta a essas alterações, com a adoção de ferramentas</p><p>de gestão social e ambiental que auxiliem no planejamento, no de-</p><p>senvolvimento, no controle e nas ações de melhoria contínua em</p><p>favorecimento da organização e da própria sociedade.</p><p>Será abordada também a adoção de certificações que visam ao</p><p>reconhecimento dessas ações praticadas pelas empresas, o que</p><p>cria um ciclo virtuoso, no qual a sociedade reconhece os impactos</p><p>positivos originados pelas ações e decisões da empresa e esta</p><p>investe em melhorar ainda mais seus processos. As certificações</p><p>tornaram-se um diferencial para a marca e um elemento de fideli-</p><p>zação dos clientes da organização.</p><p>4.1 Sistemas de diagnóstico e gestão da</p><p>responsabilidade social e ambiental Vídeo</p><p>A crescente preocupação da sociedade com os impactos causados pe-</p><p>las atividades industriais sobre o meio ambiente levou ao desenvolvimen-</p><p>to e aperfeiçoamento de modelos e processos de gerenciamento mais</p><p>eficazes, com o objetivo de orientar a atuação das empresas em relação à</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 83</p><p>proteção do meio ambiente. As ações de gerenciamento ambiental são a</p><p>resposta dada pelas organizações ao desejo da sociedade por uma atua-</p><p>ção empresarial mais justa e responsável (BARBIERI, 2017).</p><p>A seguir, veremos os principais sistemas de diagnóstico e gestão da</p><p>responsabilidade social e ambiental.</p><p>4.1.1 Sistema de Gestão Ambiental</p><p>Para realizar o gerenciamento ambiental, é necessário que a empre-</p><p>sa adote um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que deve ser enten-</p><p>dido como o conjunto de práticas administrativas e operacionais que</p><p>tem por objetivo solucionar, de maneira reativa, quaisquer problemas</p><p>ambientais que se apresentem durante o desenvolvimento das ativida-</p><p>des da organização e, também, de maneira preventiva, buscando evitar</p><p>que possíveis problemas ambientais futuros ocorram (ALENCASTRO,</p><p>2012). As práticas relacionadas ao SGA estão listadas na figura a seguir.</p><p>Figura 1</p><p>Fases do SGA</p><p>• Não modificar a estrutura</p><p>de produção.</p><p>• Ações corretivas.</p><p>• End of pipe.</p><p>Reativa</p><p>• Prevenir a poluição,</p><p>selecionando</p><p>matérias-primas</p><p>e desenvolvendo</p><p>novos processos</p><p>e/ou produtos.</p><p>Preventiva</p><p>• Integrar a função</p><p>ambiental ao plane-</p><p>jamento estratégico</p><p>da empresa.</p><p>Estratégica</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor com base em Alencastro, 2012, p. 71.</p><p>A fase reativa ocorre quando os problemas ambientais retornam à</p><p>empresa como resultado de ações já executadas, como em um “cami-</p><p>nho fechado de um tubo” (end of pipe). A empresa responde de maneira</p><p>reativa, buscando soluções para esses problemas. A fase preventiva</p><p>é composta de ações que visam antecipar e evitar a ocorrência de</p><p>possíveis problemas ambientais, enquanto a fase estratégica visa à</p><p>integração das práticas ambientais e dos objetivos ambientais no pla-</p><p>nejamento estratégico da empresa.</p><p>84 Ética e Responsabilidade Social</p><p>As empresas adotam um SGA por diversas razões, como a necessi-</p><p>dade de adequação à legislação ambiental ou a conscientização da</p><p>importância de ser reconhecida como responsável e valorizar sua ima-</p><p>gem corporativa perante os clientes e a sociedade. Cada vez mais, as</p><p>organizações entendem que adotar práticas socioambientais pode ser</p><p>considerado um diferencial estratégico em relação aos seus concorren-</p><p>tes (SALGADO; COLOMBO; FARIAS AIRES, 2018).</p><p>Algumas organizações internacionais se destacam por estabelecer</p><p>diretrizes e princípios para uma boa gestão ambiental, dentre elas a</p><p>International Chamber of Commerce (ICC) e a International Organization</p><p>for Standardization (ISO). Segundo a ICC, um SGA pode ser definido como</p><p>uma estrutura ou um método que permite à empresa adotar um com-</p><p>portamento socioambiental sustentável, tendo como instrumento uma</p><p>política ambiental formulada pela própria empresa. Esse sistema deve</p><p>ser composto de funções de organização, direção e controle integradas</p><p>à estrutura global da empresa, ser coerente com a política ambiental glo-</p><p>bal e estar de acordo com normas vigentes (ALENCASTRO, 2012).</p><p>Apesar da sua utilização com o objetivo específico voltado para a</p><p>gestão das ações da empresa em relação ao meio ambiente, um SGA</p><p>possui características semelhantes a qualquer sistema genérico de ges-</p><p>tão, como a retroalimentação em ciclos de verificação contínua, basea-</p><p>da em mensurações, uso de indicadores de desempenho, auditorias</p><p>internas e externas e correções e alterações de processos, usando os</p><p>princípios de melhoria contínua, com o intuito de realizar uma gestão</p><p>aderente à legislação ambiental e aos objetivos das empresas (SANTOS</p><p>SEVERINO et al., 2018).</p><p>A Figura 2 ilustra o processo de implantação de um SGA de acordo com</p><p>o modelo de</p><p>gestão PDCA (Plan, Do, Check, Act). O PDCA é usado, nesse</p><p>contexto, como ferramenta de gestão que facilita que o objetivo seja al-</p><p>cançado, sob o ponto de vista de gestão da qualidade e melhoria contínua.</p><p>A adoção do método PDCA é justificado pelas interações muito rápidas</p><p>da empresa com a sociedade, com as legislações que regem sua atuação</p><p>e com o ambiente econômico formado por fornecedores, clientes, con-</p><p>correntes e governo. Braga et al. (2005) descrevem que o sucesso da im-</p><p>plantação do SGA depende do comprometimento de todos os níveis da</p><p>organização, com destaque para o da alta administração da empresa.</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 85</p><p>Figura 2</p><p>SGA em conformidade com a norma ISO 14.001</p><p>Revisão do</p><p>gerenciamento</p><p>Melhoria</p><p>contínua</p><p>Política</p><p>Ambiental</p><p>Planejamento</p><p>• Aspectos ambientais</p><p>• Requisitos legais</p><p>• Objetivos e metas</p><p>• Programa de Gerenciamento</p><p>Ambiental</p><p>Implementação e operação</p><p>• Estrutura e responsabilidades</p><p>• Treinamento, conscientização</p><p>e competências</p><p>• Comunicação</p><p>• Documentação do SGA</p><p>• Controle operacional</p><p>• Controle de emergências e</p><p>responsabilidades</p><p>Checagem e ação corretiva</p><p>• Monitoramento e medição</p><p>• Não conformidades e ações</p><p>corretivas</p><p>• Registros</p><p>• Auditoria do SGA</p><p>Programa de Gestão</p><p>Ambiental conforme a</p><p>Norma ISO 14.001</p><p>Fonte: Braga et al., 2005, p. 290.</p><p>Um SGA é composto de diversos procedimentos sistematizados,</p><p>com o objetivo de integrar as questões ambientais com a administra-</p><p>ção geral de uma empresa. Braga (2005) detalha os diversos compo-</p><p>nentes de um SGA:</p><p>• a política ambiental fornece um direcionamento global e apre-</p><p>senta os princípios de ação para uma organização, com o es-</p><p>tabelecimento de metas de desempenho e responsabilidade</p><p>ambiental, com base nas quais as ações subsequentes serão</p><p>desenvolvidas;</p><p>• o planejamento parte da política ambiental para planifi-</p><p>car os requisitos exigidos em termos de objetivos, métodos e</p><p>procedimentos;</p><p>• a fase de implementação e operação representa a condução</p><p>das ações planejadas para que os objetivos e as metas estabele-</p><p>cidas sejam atingidos;</p><p>86 Ética e Responsabilidade Social</p><p>• a fase de checagem e ações corretivas são os procedimentos</p><p>para acompanhar e medir os principais atributos das operações e</p><p>atividades executadas que possam causar impactos no meio am-</p><p>biente e, também, executar processos para eliminar ou controlar</p><p>as causas que originaram os impactos que foram detectados;</p><p>• por fim, a revisão do gerenciamento inclui os procedimentos de</p><p>melhoria contínua e qualidade, que revisam o SGA para verifi-</p><p>car e alterar, se necessário, qualquer descompasso com os obje-</p><p>tivos, as políticas ou qualquer outro elemento, tomando-se como</p><p>base os resultados obtidos na auditoria do sistema.</p><p>4.1.2 Sistema de Gestão da Responsabilidade Social</p><p>Da mesma forma que as decisões e as atividades econômicas das</p><p>organizações geram preocupações a respeito dos impactos sobre o</p><p>meio ambiente, esses atos e essas decisões também geram impactos</p><p>sobre a sociedade. De modo semelhante ao que ocorre em relação à</p><p>questão ambiental, a sociedade civil e o Estado cobram e exigem, por</p><p>meio de legislações e normas, que as atividades das empresas sejam</p><p>realizadas com base em uma postura ética e responsável, para garantir</p><p>que não ocorram impactos negativos sobre a sociedade como um todo.</p><p>Essa cobrança por parte da sociedade levou as empresas a aperfei-</p><p>çoar o gerenciamento tanto das atividades e ações tomadas pela pró-</p><p>pria empresa quanto dos diversos empreendimentos parceiros com os</p><p>quais se relaciona em sua cadeia de valor, a fim de controlar os im-</p><p>pactos externos de sua atuação. Esse modelo de gestão, voltado para</p><p>o planejamento e controle dos impactos sociais causados pela atuação</p><p>da empresa, é conhecido como Sistema de Gestão da Responsabili-</p><p>dade Social (SGRS) (CULTRI, 2020; ALVES, 2019; ABNT, 2016; SORATTO</p><p>et al., 2006).</p><p>Dentre as diversas normas que têm por objetivo orientar a ação das</p><p>empresas em relação à responsabilidade social, destaca-se a norma</p><p>NBR 16.001 – direcionada para práticas empresariais voltadas ao bem-</p><p>-estar da sociedade, baseada na norma internacional ISO 26.000.</p><p>As duas normas são complementares, pois a norma ISO 26.000</p><p>descreve orientações gerais e diretrizes a serem seguidas pelas empre-</p><p>sas que busquem atuar de modo socialmente responsável. Já a ABNT</p><p>NBR 16.001 descreve, de maneira objetiva, ações e obrigações que po-</p><p>A implantação de um SGA</p><p>utiliza como base as nor-</p><p>mas técnicas que, no Bra-</p><p>sil, são estabelecidas pela</p><p>Associação Brasileira de</p><p>Normas Técnicas (ABNT).</p><p>A implantação das orien-</p><p>tações das normas ABNT</p><p>é voluntária, mas, para</p><p>que seja certificada, a em-</p><p>presa precisa comprovar</p><p>a aplicação e a aderência</p><p>às regras e orienta-</p><p>ções estabelecidas. Os</p><p>aspectos que envolvem</p><p>as normas técnicas são</p><p>descritos no site da ABNT</p><p>e podem ser acessados</p><p>na aba “Normalização”.</p><p>Disponível em: http://www.abnt.</p><p>org.br/. Acesso em: 12 fev. 2020.</p><p>Site</p><p>http://www.abnt.org.br</p><p>http://www.abnt.org.br</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 87</p><p>dem ser medidas e comparadas e devem ser comprovadas pelas em-</p><p>presas que desejem ser certificadas. A verificação, nesse caso, pode ser</p><p>feita por uma terceira parte, a qual executa um processo de auditoria</p><p>externa para comprovar e validar o cumprimento dos requisitos, dan-</p><p>do a comprovação de estar de acordo com a norma (ANDRADE; BIZZO,</p><p>2018). A figura a seguir mostra essas relações.</p><p>Figura 3</p><p>Estrutura geral da ABNT NBR 16.001:2012</p><p>Política da responsabilidade social</p><p>Anexos: bibliografia, identificação das partes interessadas, engajamento das partes interessadas, comunicação, questões</p><p>de RS, oportunidade de melhoria e inovação, monitoramento e medição.</p><p>2.</p><p>T</p><p>er</p><p>m</p><p>os</p><p>e</p><p>d</p><p>efi</p><p>ni</p><p>çõ</p><p>es</p><p>1. Escopo</p><p>• Competência, treinamento e</p><p>conscientização</p><p>• Engajamento das partes interessadas</p><p>• Comunicação</p><p>• Tratamento de conflitos e desavenças</p><p>• Controle operacional</p><p>Medição, análise</p><p>e melhoria Planejamento</p><p>Requisitos de</p><p>documentação</p><p>Implementação</p><p>e operação</p><p>• Monitoramento e medição</p><p>• Avaliação de atendimento a requisitos</p><p>legais e outros</p><p>• Não conformidade e ações corretivas</p><p>e preventivas</p><p>• Auditoria interna</p><p>• Análise pela alta direção</p><p>• Identificação das partes interessadas</p><p>• Temas centrais da RS e suas questões</p><p>• Due diligence</p><p>• Identificação de oportunidades de</p><p>melhoria e inovação</p><p>• Requisitos legais e outros</p><p>• Objetivos, metas e programas</p><p>• Recursos, funções, responsabilidade e</p><p>autoridades</p><p>• Manual do SGRS</p><p>• Controle de documentos</p><p>• Controle de registro</p><p>Fonte: ABNT, 2016, p. 31.</p><p>Sete princípios-base relacionados à responsabilidade social que de-</p><p>vem nortear as ações das organizações são indicados na cartilha inti-</p><p>tulada Compreendendo a Responsabilidade Social: ISO 26000 e ABNT NBR</p><p>16.001 (ABNT, 2016, p. 13-15):</p><p>88 Ética e Responsabilidade Social</p><p>1</p><p>3</p><p>5</p><p>2</p><p>4</p><p>6 7</p><p>Aceitar e assumir a</p><p>responsabilidade pelas</p><p>consequências de ações e</p><p>decisões, prestar contas às partes</p><p>interessadas (Princípio 4, abaixo)</p><p>por seus impactos na sociedade,</p><p>na economia e no meio ambiente,</p><p>bem como esclarecer as medidas</p><p>tomadas para evitar a repetição de</p><p>impactos negativos.</p><p>Accountability ou</p><p>responsabilização</p><p>Prover, às partes interessadas,</p><p>informações claras, objetivas,</p><p>compreensíveis e acessíveis sobre</p><p>dados e fatos que possam afetá-las.</p><p>Essas informações devem oferecer uma</p><p>base para que as partes interessadas</p><p>possam avaliar precisamente o impacto</p><p>que as decisões e atividades da</p><p>organização têm em seus respectivos</p><p>interesses.</p><p>Transparência</p><p>Ha</p><p>eh</p><p>ae</p><p>D</p><p>es</p><p>ig</p><p>n/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Comportamento ético</p><p>Agir de modo correto,</p><p>com base nos valores da</p><p>honestidade – perante</p><p>pessoas, animais e meio</p><p>ambiente –, e que seja</p><p>consistente com as</p><p>normas internacionais de</p><p>comportamento.</p><p>Respeitar, considerar e responder aos interesses das partes</p><p>interessadas. Parte interessada (também usado o termo em</p><p>inglês stakeholder)</p><p>pode ser qualquer indivíduo ou grupo</p><p>que tenha interesse em qualquer decisão ou atividade de</p><p>uma organização. Há vários tipos de stakeholders, inclusive</p><p>aqueles que não têm consciência, mas que podem ter</p><p>seus interesses afetados pela organização, como é o caso</p><p>das futuras gerações. Há também aqueles que não falam</p><p>por si mesmos, mas que têm seus interesses defendidos</p><p>por outros grupos que defendem causas sociais ou</p><p>representam grupos vulneráveis, por exemplo, as crianças.</p><p>Respeito pelos</p><p>interesses das partes</p><p>interessadas</p><p>Obedecer a todas as leis</p><p>e regulamentos aplicáveis</p><p>no local onde se está</p><p>operando.</p><p>Respeito pelo</p><p>Estado de Direito</p><p>Respeito pelas normas</p><p>internacionais de</p><p>comportamento</p><p>Buscar adotar preceitos,</p><p>estabelecidos em acordos</p><p>internacionais, relativos à</p><p>responsabilidade social,</p><p>mesmo que não haja</p><p>obrigação legal no local onde</p><p>se está operando.</p><p>Respeito aos</p><p>direitos humanos</p><p>Respeitar os direitos humanos</p><p>e reconhecer sua importância</p><p>e sua universalidade (isto é,</p><p>são aplicáveis em todos os</p><p>países, culturas e situações</p><p>de maneira unívoca),</p><p>assegurando-se de que as</p><p>atividades da organização</p><p>não os agridam direta ou</p><p>indiretamente.</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 89</p><p>4.2 Indicadores da sustentabilidade</p><p>social e ambiental Vídeo</p><p>O conceito conhecido como Tripé da Sustentabilidade, ou Triple</p><p>Bottom Line (ELKINGTON, 2012), é baseado na premissa de que os obje-</p><p>tivos de uma organização não devem ser apenas econômicos – como</p><p>a maximização do investimento realizado pelos sócios –, mas também</p><p>incluir objetivos sociais e ambientais. Os negócios de uma empresa</p><p>ocorrem por meio da sua relação com outras empresas, parceiros,</p><p>clientes, governo e, principalmente, sociedade; além disso, causam im-</p><p>pactos sociais e ambientais que podem trazer prejuízos e custos para</p><p>todos. Por isso, não basta a empresa ser financeiramente viável e atin-</p><p>gir seus objetivos econômicos. Ela precisa realizar suas atividades de</p><p>maneira socialmente justa, sem impor perdas às comunidades e aos</p><p>indivíduos, e ambientalmente responsável, sem explorar os recursos</p><p>naturais (PIEKAS et al., 2020; MOLINA, 2019).</p><p>Ao definirem seus objetivos com base na visão do tripé da sustenta-</p><p>bilidade, as empresas entendem que essas dimensões podem coexistir</p><p>em uma relação saudável, unindo recursos naturais e interesses sociais</p><p>e econômicos. Porém, apesar de essa visão estar se tornando cada vez</p><p>mais presente, ainda é comum que existam organizações que não con-</p><p>sideram essa necessidade, ignorando-as em suas atividades.</p><p>Mesmo aquelas que já adotam o modelo do tripé da sustentabili-</p><p>dade ainda estão em fase de adaptação a essa nova visão, pois a pró-</p><p>pria sociedade vem passando por uma conscientização gradativa em</p><p>relação aos impactos causados pelas empresas, como a ocorrência de</p><p>catástrofes por negligência das empresas. Um exemplo é a tragédia</p><p>de Brumadinho (MG), que causou destruição do meio ambiente, bem</p><p>como perdas financeiras e de vidas (MOREIRA; FATURI, 2018; AMARAL;</p><p>STEFANO; CHIUSOLI, 2018).</p><p>Esses princípios não são regras a serem seguidas para que se obte-</p><p>nha uma certificação, mas sim uma filosofia que deve fazer parte da</p><p>cultura e dos valores das empresas que procuram atuar de maneira</p><p>responsável e buscam o desenvolvimento sustentável, tanto do ponto</p><p>de vista econômico quanto do social e ambiental (ANDRADE; BIZZO,</p><p>2018; ABNT, 2016).</p><p>90 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Tanto a sociedade quanto o mercado já começam a reconhecer e</p><p>premiar as organizações que adotam a filosofia do tripé da sustentabi-</p><p>lidade. O mercado financeiro evoluiu, percebendo os riscos que as ati-</p><p>vidades das empresas exercem sobre a sociedade. A B3 (Brasil, Bolsa,</p><p>Balcão – antiga Bolsa de Valores de São Paulo) concebeu um índice de</p><p>ações para acompanhar a valorização das empresas que implantaram</p><p>os valores relacionados ao desenvolvimento sustentável e responsá-</p><p>veis e alinhados à visão da responsabilidade das organizações em rela-</p><p>ção ao futuro do planeta (SOUZA et al., 2019; FREITAS et al., 2019).</p><p>Segundo o site da instituição, ela é:</p><p>uma das principais empresas de infraestrutura de mercado fi-</p><p>nanceiro no mundo, com atuação em ambiente de bolsa e de</p><p>balcão. Sociedade de capital aberto – cujas ações (B3SA3) são</p><p>negociadas no Novo Mercado –, a Companhia integra os índices</p><p>Ibovespa, IBrX-50, IBrX e Itag, entre outros. Reúne ainda tradição</p><p>de inovação em produtos e tecnologia e é uma das maiores em</p><p>valor de mercado, com posição global de destaque no setor de</p><p>bolsas. (B3, 2021b)</p><p>O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) foi desenvolvido</p><p>pela B3 em parceria com a Escola de Administração de Empresas de</p><p>São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV), em dezembro de</p><p>2005. O ISE B3 é um indicador do desempenho médio das cotações de</p><p>uma carteira teórica de ações de empresas comprometidas com a sus-</p><p>tentabilidade empresarial. Essa carteira teórica possui vigência anual e,</p><p>em 2021, é composta de 46 ações de 39 empresas. Esse número tende</p><p>a crescer pelo interesse das empresas em participar da carteira teórica</p><p>de ações que compõe o índice (B3, 2020).</p><p>O objetivo do ISE é servir como base de informação e referencial</p><p>para investidores que busquem aplicar em ações de empresas com</p><p>compromisso socioambiental e que adotam práticas de governança</p><p>corporativa.</p><p>O resultado positivo dessa relação, que concilia objetivos econômi-</p><p>cos e socioambientais, é demonstrado na Figura 4, que faz um com-</p><p>parativo do desempenho de valorização de duas carteiras teóricas de</p><p>ações, representadas pelo Ibovespa (carteiras de ações de empresas</p><p>que não se apresentam como comprometidas com o desenvolvimento</p><p>sustentável e com a responsabilidade social) e pelo ISE B3 (carteiras</p><p>A B3 foi formada por</p><p>meio da fusão da Bolsa</p><p>de Valores de São Paulo</p><p>(Bovespa) com a Bolsa de</p><p>Valores, Mercadorias e</p><p>Futuro (BM&F), no ano de</p><p>2008, e posteriormente,</p><p>com a Central de</p><p>Custódia e de Liquidação</p><p>Financeira de Títulos</p><p>(Cetip), no ano de 2017.</p><p>Para conhecer melhor so-</p><p>bre a instituição, acesse o</p><p>site da B3.</p><p>Disponível em: http://www.b3.com.</p><p>br/. Acesso em: 12 fev. 2020.</p><p>Site</p><p>http://www.b3.com.br</p><p>http://www.b3.com.br</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 91</p><p>de ações de empresas reconhecidas e avaliadas pelas competências</p><p>socioambientais).</p><p>A carteira teórica de ações de empresas reconhecidas dentro dos</p><p>critérios de responsabilidade socioambientais da B3 apresenta valori-</p><p>zação superior à da carteira teórica das ações que não foram selecio-</p><p>nadas dentro desse critério (SOUZA et al., 2019; FREITAS et al., 2019).</p><p>Esse fato é um indicador de que a relação entre os objetivos econô-</p><p>micos e os socioambientais pode representar uma combinação bené-</p><p>fica para sociedade e empresa e, dessa forma, não configura conflitos</p><p>que inviabilizem o desempenho econômico das empresas.</p><p>Figura 4</p><p>Gráfico comparativo da variação do Ibovespa e do ISE B3</p><p>Fonte: B3, 2021a.</p><p>Também é possível verificar o crescimento de confiança dos in-</p><p>vestidores pelo aumento das operações envolvendo ações do índice</p><p>ISE B3, tanto em número de operações realizadas quanto em volume</p><p>financeiro. A figura a seguir mostra o crescimento verificado, entre</p><p>outubro de 2005 e outubro de 2020, da média do número de negó-</p><p>cios e do volume financeiro movimentado em ações que compõem o</p><p>índice ISE B3.</p><p>92 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Figura 5</p><p>Comportamento da média de negócios e do volume financeiro dos papéis de empresas que</p><p>compõem o índice ISE B3.</p><p>Fonte: B3, 2021a.</p><p>Percebe-se que há um crescimento acentuado nos últimos anos no</p><p>número de negócios de ações que compõem o ISE B3, mostrando a</p><p>evolução crescente das operações, impulsionada pela percepção dos</p><p>investidores sobre o potencial de rentabilidade dessas empresas.</p><p>Os índices de sustentabilidade empresariais são importantes por</p><p>constituírem uma forma direta de dar destaque a empresas que são</p><p>comprovadamente responsáveis sob o ponto de vista socioambiental.</p><p>Fazer parte</p><p>de uma carteira teórica com essas características é inte-</p><p>ressante para essas organizações, por conta do destaque nos meios de</p><p>comunicação, o que permite ganhos de imagem e marca. Ao ser esco-</p><p>lhida para fazer parte do índice, a empresa recebe o reconhecimento</p><p>de seus esforços socioambientais, dado por uma das mais respeitadas</p><p>instituições financeiras do país.</p><p>Além disso, os históricos mostrados nos gráficos das figuras 4 e 5</p><p>comprovam que empresas que fazem parte de uma carteira, como a</p><p>ISE B3, possuem rentabilidade média superior em relação à valorização</p><p>daquelas que não são classificadas no índice (FREITAS et al., 2019).</p><p>Existem muitos exemplos que mostram como as ações desalinha-</p><p>das com os valores da responsabilidade socioambiental impactam a</p><p>valorização da empresa. Após um escândalo causado pela morte de</p><p>A reportagem B3 e S&P re-</p><p>movem Carrefour de índice</p><p>que mede responsabilidade</p><p>social e ambiental, da</p><p>Folha de S.Paulo, trata da</p><p>exclusão da empresa do</p><p>índice que reúne empre-</p><p>sas com melhores práti-</p><p>cas socioambientais e de</p><p>governança. Isso foi uma</p><p>reação ao ocorrido na</p><p>unidade de Porto Alegre</p><p>(RS), onde um homem foi</p><p>espancado e morto por</p><p>dois seguranças. O caso</p><p>repercutiu na sociedade,</p><p>sendo associado a ques-</p><p>tões raciais, pois a vítima</p><p>era negra, e também ao</p><p>campo econômico, com</p><p>desvalorização das ações</p><p>e reações da população</p><p>local, que culminaram no</p><p>fechamento da unidade.</p><p>Disponível em: https://www1.folha.</p><p>uol.com.br/mercado/2020/12/</p><p>b3-e-sp-removem-carrefour-de-</p><p>indice-que-mede-responsabilidade-</p><p>social-e-ambiental.shtml. Acesso</p><p>em: 15 fev. 2020.</p><p>Saiba mais</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/12/b3-e-sp-removem-carrefour-de-indice-que-mede-responsabilidade-social-e-ambiental.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/12/b3-e-sp-removem-carrefour-de-indice-que-mede-responsabilidade-social-e-ambiental.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/12/b3-e-sp-removem-carrefour-de-indice-que-mede-responsabilidade-social-e-ambiental.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/12/b3-e-sp-removem-carrefour-de-indice-que-mede-responsabilidade-social-e-ambiental.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/12/b3-e-sp-removem-carrefour-de-indice-que-mede-responsabilidade-social-e-ambiental.shtml</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 93</p><p>um cliente por seguranças de uma de suas lojas, a empresa Carrefour</p><p>Brasil foi excluída do índice que reúne empresas com melhores práti-</p><p>cas socioambientais e de governança, conhecido como S&P/B3 Brasil</p><p>ESG, mantido pela S&P Índices nos EUA e pela B3 no Brasil, sofrendo</p><p>desvalorização de suas ações (MOURA, 2020). É importante destacar</p><p>que, nesse exemplo, há um caso local que repercutiu em escala inter-</p><p>nacional, reforçando o aspecto de globalização no contexto econômico</p><p>e social atual.</p><p>O resultado desses índices reflete como o mercado, a sociedade</p><p>e o governo podem se posicionar em questões sociais e ambientais</p><p>relacionadas à atuação das empresas, bem como quais as ações que</p><p>podem ser tomadas pelas organizações para melhorar a gestão dos</p><p>impactos e das repercussões dessa atuação na sociedade.</p><p>4.3 Indicadores da responsabilidade</p><p>social e ambiental Vídeo</p><p>A evolução do movimento de conscientização e reconhecimento da</p><p>importância de temas ligados à responsabilidade social e sustentabili-</p><p>dade tem criado condições para o crescimento do número de iniciativas</p><p>desenvolvidas em todo o mundo para que a sociedade, as empre-</p><p>sas e as diferentes organizações incorporem práticas responsáveis e</p><p>para que a atuação destas ocorra em conformidade com o desenvol-</p><p>vimento sustentável, tanto do ponto de vista social quanto ambiental</p><p>(IGARASH et al., 2017; LOFFLER; DE ALMEIDA; LOFFLER, 2018).</p><p>Assim como todo processo de gestão, a definição de indicadores</p><p>que reflitam os objetivos e as metas definidos e que possam ser me-</p><p>didos e acompanhados é fundamental para garantir o sucesso do pro-</p><p>jeto. Ao medir e analisar as informações que definam qual a situação</p><p>de determinado indicador e qual a tendência futura, é possível definir</p><p>ações para corrigir os erros ou melhorar os resultados.</p><p>Assim, a definição de indicadores de gestão relacionados à respon-</p><p>sabilidade social e ambiental é fundamental para que as empresas</p><p>possam buscar atingir as metas de desenvolvimento sustentável.</p><p>Os indicadores de responsabilidade são diversos, mas têm em co-</p><p>mum a apresentação das informações de caráter social e ambiental de</p><p>modo claro e o objetivo específico de servirem de base para implemen-</p><p>tar ações direcionadas à sociedade e ao meio ambiente.</p><p>94 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Um exemplo é o balanço social, que pode ser definido como um</p><p>conjunto de informações e indicadores que demonstram a relação en-</p><p>tre empresa e sociedade, a fim de evidenciar a participação e a respon-</p><p>sabilidade social em suas atividades (LOFFLER; DE ALMEIDA; LOFFLER,</p><p>2018; RAMOS; SANTOS, 2020).</p><p>O balanço social torna público o comprometimento da empresa</p><p>com as ações relacionadas à responsabilidade social, promovidas para</p><p>seus públicos e para a sociedade em geral. Dessa forma, ele pode ser</p><p>entendido como uma maneira de proporcionar a melhoria da imagem</p><p>das organizações, utilizando um processo transparente, que mostra ati-</p><p>vidades e impactos gerados na sociedade e é usado como ferramenta</p><p>de gestão da responsabilidade social, pois permite visualizar e contro-</p><p>lar os compromissos estabelecidos pela organização e sua realização</p><p>na prática (RAMOS; SANTOS, 2020).</p><p>O caráter econômico ainda tem papel preponderante para as em-</p><p>presas, afinal, sem lucro, elas não podem se desenvolver e atingir seus</p><p>objetivos. Porém, ao incluir em seus objetivos a busca pelo bem-estar</p><p>social e pela preservação do meio ambiente, a empresa consegue gerar</p><p>valor para seus acionistas e para a sociedade.</p><p>Torres e Mansur (2008) afirmam que as empresas proveem, produ-</p><p>zem e comercializam bens, produtos e serviços para a população. Para</p><p>executar essas ações, têm acesso a pessoas e usam bens e recursos</p><p>que pertencem à sociedade, por exemplo, os recursos naturais. Por</p><p>essa razão, elas têm um compromisso de agir com total responsabili-</p><p>dade com relação ao seu papel social.</p><p>Há diversos modelos para a elaboração de um balanço social. Segun-</p><p>do Oliveira et al. (2009), um dos principais modelos, com base nos indi-</p><p>cadores internacionais, foi elaborado pelo Global Report Initiative (GRI).</p><p>Um exemplo é o da utilização do modelo de balanço social pela ONU</p><p>no Guia de Indicadores de Responsabilidade Social Corporativa, o qual</p><p>recomenda a evidenciação de determinados indicadores nos relatórios</p><p>anuais das empresas (PINHEIRO; MENDONÇA, 2020; JUNIOR et al., 2017).</p><p>O GRI tenta atender às expectativas dos usuários de relatórios de susten-</p><p>tabilidade, com o uso de indicadores nas seguintes dimensões:</p><p>• Econômica: indicadores relacionados ao fluxo de capital e de re-</p><p>sultados financeiros e seus impactos sobre cada um dos grupos</p><p>O Ministério do Meio</p><p>Ambiente (MMA) define</p><p>indicadores como dados</p><p>e informações cientí-</p><p>ficas que podem ser</p><p>medidos, quantificados e</p><p>comparados com valores</p><p>anteriores ou valores</p><p>padronizados. Os indica-</p><p>dores ambientais ajudam</p><p>no acompanhamento</p><p>de fenômenos que são</p><p>relevantes e apresentam</p><p>impacto sobre o meio</p><p>ambiente. Por isso, preci-</p><p>sam ser acompanhados</p><p>para possibilitar a análise</p><p>e orientar as decisões</p><p>tomadas pelos diversos</p><p>atores envolvidos com a</p><p>preservação ambiental,</p><p>como governo, empresas</p><p>e sociedade. O acompa-</p><p>nhamento regular dos in-</p><p>dicadores definidos como</p><p>importantes possibilita</p><p>identificar tendências,</p><p>regressões e progressos</p><p>nos resultados obtidos</p><p>por meio da aplicação</p><p>de recursos, bem como</p><p>realizar ações de preser-</p><p>vação do meio ambiente.</p><p>Para saber mais sobre os</p><p>indicadores ambientais</p><p>nacionais, acesse o link</p><p>a seguir.</p><p>Disponível em: https://antigo.mma.</p><p>gov.br/informacoes-ambientais/</p><p>indicadores-ambientais.html.</p><p>Acesso em: 15 fev. 2020.</p><p>Saiba mais</p><p>https://antigo.mma.gov.br/informacoes-ambientais/indicadores-ambientais.html</p><p>https://antigo.mma.gov.br/informacoes-ambientais/indicadores-ambientais.html</p><p>https://antigo.mma.gov.br/informacoes-ambientais/indicadores-ambientais.html</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 95</p><p>de interesse relacionados à empresa, como sócios, funcionários,</p><p>clientes, governo e sociedade.</p><p>• Ambiental: indicadores que medem o impacto das ações e ati-</p><p>vidades da empresa sobre o meio ambiente, tendo em conside-</p><p>ração a extração e o uso de matérias-primas, os impactos sobre</p><p>os ecossistemas e a emissão de poluentes durante o processo</p><p>produtivo e de descarte no fim da vida útil do produto.</p><p>• Social: indicadores relacionados às questões sociais, classifica-</p><p>dos em quatro subcategorias que se referem aos colaboradores</p><p>da empresa (como o respeito às práticas trabalhistas e condições</p><p>de trabalho dignas e decentes) e às comunidades com as quais a</p><p>empresa se relaciona, o que engloba o respeito aos direitos hu-</p><p>manos em toda a cadeia de valor da empresa.</p><p>O Quadro 1 mostra seis grupos de Indicadores de Responsabilidade</p><p>Social Corporativa e 16 indicadores recomendados pela ONU.</p><p>Quadro 1</p><p>Guia de Indicadores de Responsabilidade Social Corporativa (GRI)</p><p>Categoria Subcategoria</p><p>Comércio, investimentos</p><p>e outros aspectos a eles</p><p>relacionados</p><p>1. Faturamento bruto total</p><p>2. Valor das importações x exportações</p><p>3. Total de novos investimentos</p><p>4. Compras locais</p><p>Criação de emprego e</p><p>práticas laborais</p><p>5. Mão de obra total segregada por tipo de emprego, tipo de contrato e gênero</p><p>6. Salários e benefícios dos empregados segregados por tipo de emprego e gênero</p><p>7. Número total e taxa de turnover – segregada por gênero</p><p>8. Porcentagem de empregados protegidos por acordos coletivos</p><p>Tecnologia e desenvol-</p><p>vimento de recursos</p><p>humanos</p><p>9. Gastos com pesquisa e desenvolvimento</p><p>10. Média de horas por empregado e ano, segregado por categoria de emprego</p><p>11. Gastos com treinamento por empregado por ano – segregados por catego-</p><p>ria de emprego</p><p>Saúde e segurança</p><p>12. Custo da saúde e segurança dos empregados</p><p>13. Dias de trabalho perdido devido a acidentes, lesões e doenças laborais</p><p>Contribuições ao gover-</p><p>no e à comunidade</p><p>14. Pagamentos ao governo</p><p>15. Contribuições voluntárias à sociedade civil</p><p>Corrupção</p><p>16. Número de condenações por violação de leis ou regulamentos relacionados</p><p>à corrupção e valor das multas pagas ou a pagar</p><p>Fonte: Oliveira et al., 2009, p. 8.</p><p>96 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Um exemplo de como o balanço social é utilizado como indicador de</p><p>responsabilidade social no Brasil é o trabalho realizado pelo Instituto Bra-</p><p>sileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). O Ibase é uma organiza-</p><p>ção da sociedade ativa que estabelece um diálogo crítico e uma vigilância</p><p>cidadã para que as empresas sejam responsáveis por suas práticas, sob o</p><p>ponto de vista da sustentabilidade, justiça social e democracia.</p><p>Segundo Torres e Mansur (2008), para evitar que as empresas</p><p>utilizem balanços sociais de diferentes formatos, o Ibase criou um</p><p>padrão de uma única página, contendo as principais informações a</p><p>serem analisadas por organizações sociais, sindicatos, consultores,</p><p>governos e empresas.</p><p>O objetivo é fazer com que o documento siga um modelo simples e</p><p>de fácil entendimento, permitindo a rápida comparação entre diversas</p><p>empresas e evitando uma difusão de informações com padrões dife-</p><p>rentes e que necessitariam de retrabalhos para análise.</p><p>De maneira simplificada, o modelo proposto pelo Ibase é compos-</p><p>to de uma planilha, na qual informações relacionadas a indicadores</p><p>financeiros, de responsabilidade social e de gestão ambiental são apre-</p><p>sentadas resumidamente. Assim, a avaliação dos dados referentes às</p><p>ações da empresa pode ser mais facilmente analisada pelos diversos</p><p>grupos de interesse (PERIA; SANTOS; MONTORO, 2020).</p><p>No Brasil, destacam-se também os indicadores de responsabi-</p><p>lidade social criados pelo Instituto Ethos, uma Organização da So-</p><p>ciedade Civil de Interesse Público (OSCIP), cuja missão é ajudar as</p><p>empresas a se engajarem na construção de uma sociedade justa e</p><p>saudável (IGARASHI et al., 2017). A finalidade dos Indicadores Ethos de</p><p>Responsabilidade Social Empresarial é realizar a avaliação da gestão</p><p>e o planejamento e a efetivação de estratégias que colaborem para o</p><p>desenvolvimento da sociedade e das empresas. Esses indicadores es-</p><p>tão relacionados a diversos aspectos da atuação da empresa, como o</p><p>alinhamento dos valores com a responsabilidade social e ambiental, o</p><p>compromisso com as práticas de transparência quanto às informações</p><p>relacionadas às ações sociais e os impactos trazidos pela atividade da</p><p>empresa sobre os colaboradores, o ambiente e a sociedade.</p><p>Os indicadores Ethos são relacionados a outras ferramentas espe-</p><p>cíficas, como o Global Reporting Initiative (GRI) e o Driving Sustainable</p><p>Economies, que têm como foco os impactos das empresas sobre clima,</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 97</p><p>água e florestas, bem como a norma ISO 26.000 (SOUZA et al., 2018;</p><p>IGARASHI et al., 2017).</p><p>A comprovação da prática e aderência aos aspectos sociais e am-</p><p>bientais é feita por instrumentos constituídos pelos selos e pelas certi-</p><p>ficações de responsabilidade social e ambiental corporativa, que serão</p><p>discutidos na próxima seção deste capítulo.</p><p>4.4 Certificações e selos referentes à</p><p>responsabilidade social corporativa Vídeo</p><p>A responsabilidade social e a sustentabilidade são conceitos integra-</p><p>dos ao cotidiano das empresas e da sociedade, não importando a qual</p><p>setor pertencem nem qual é seu porte. Um dos instrumentos utilizados</p><p>para apoiar a implantação das políticas de responsabilidade empresarial</p><p>é os selos em favor de causas sociais e ambientais, que surgem como for-</p><p>ma de destacar produtos e empresas que têm desenvolvido práticas dire-</p><p>cionadas para o desenvolvimento social e a proteção do meio ambiente</p><p>(ILHA; SCHNEIDER; GOMEZ, 2018; FRANÇA et al., 2019). Os selos surgiram</p><p>como forma de motivação e incentivo para que as organizações busquem</p><p>a melhoria de aspectos relacionados a questões sociais e ambientais.</p><p>Esses instrumentos auxiliam na divulgação de ações de responsabi-</p><p>lidade social e ambiental para seus públicos, como resultado da aplica-</p><p>ção de princípios e valores socioambientais que sejam orientadores do</p><p>planejamento e das ações realizadas pelas empresas.</p><p>De acordo com França et al. (2019), o surgimento dos selos sociais</p><p>despontou, na década de 1990, como resposta ao fato de que consu-</p><p>midores de qualquer parte do mundo poderiam estar adquirindo pro-</p><p>dutos fabricados em condições de exploração infantil ou por meio da</p><p>utilização de mão de obra em situações de escravidão, sobretudo de</p><p>países subdesenvolvidos.</p><p>O selo social atesta que as empresas colocam em prática os valo-</p><p>res relacionados à proteção do ambiente e à responsabilidade social</p><p>e auxilia na divulgação das ações positivas realizadas por elas. Trata-</p><p>-se, portanto, de um instrumento que demonstra que uma empresa</p><p>foi avaliada, certificando-se de que ela pratica a responsabilidade so-</p><p>cial, e tem como objetivo desenvolver e beneficiar a sociedade (ILHA;</p><p>SCHNEIDER; GOMEZ, 2018; FRANÇA et al., 2019).</p><p>98 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Dessa forma, a empresa pode utilizar o selo social como um dife-</p><p>renciador de seu produto e de sua marca, ressaltando o caráter de</p><p>vantagem competitiva proporcionado pela certificação. Assim, o selo</p><p>social é materializado como uma ferramenta que associa uma imagem</p><p>positiva à marca ou ao produto que foi avaliado e aprovado de acor-</p><p>do com as diretrizes estabelecidas pelos organismos responsáveis por</p><p>estabelecer critérios, práticas e procedimentos em obediência às nor-</p><p>mas técnicas estabelecidas. A adesão das empresas aos selos sociais</p><p>é voluntária, o que mostra que aquela que aderir a eles se preocupa</p><p>com a sociedade e o ambiente, mesmo que não haja uma obrigação</p><p>imposta por uma lei. Os selos atestam o cumprimento de padrões e</p><p>normas pela empresa em relação</p><p>social do indivíduo no grupo.</p><p>Acesso em: 19 jan. 2021.</p><p>https://www.scielo.br/pdf/rae/v53n2/v53n2a07.pdf</p><p>Artigo</p><p>A busca pela felicidade por meio da postura ética, que Sócrates</p><p>dá o nome de eudaimonia, contrapõe-se à ideia do prazer hedônico</p><p>defendido por Aristipo de Cirene. O filósofo acredita ser a única feli-</p><p>cidade real, por ser baseada na busca pelo conhecimento e pela ver-</p><p>dade. Para Iglésias (2007), Sócrates acredita que o indivíduo só pode</p><p>encontrar a felicidade por meio de uma conduta ética, ou seja, por</p><p>uma atitude e um comportamento baseado na bondade, na virtude</p><p>e na retidão de caráter.</p><p>A postura virtuosa é a base do conceito da ética de Sócrates. A</p><p>virtude, para o filósofo, é a capacidade de o indivíduo tomar uma de-</p><p>cisão racional de suprimir seus desejos pelo prazer imediato e contro-</p><p>lar seus sentimentos para praticar ações que tragam benefícios para</p><p>a sociedade como um todo. O filósofo salienta que a virtude pode</p><p>ser desenvolvida por meio do estudo, do aperfeiçoamento pessoal e</p><p>do amadurecimento intelectual. Para Reale e Antiseri (2007), o indi-</p><p>víduo que busca viver de maneira ética conhece suas próprias mo-</p><p>tivações, valores e atitudes. Os autores organizaram as principais</p><p>ideias que constituem a ética socrática, conforme mostra a Figura 1.</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 13</p><p>Figura 1</p><p>Elementos que compõem a ética socrática.</p><p>Fonte: Reale; Antiseri, 2007, p. 108.</p><p>O indivíduo que norteia suas ações pela virtude e pela ética so-</p><p>crática não se preocupa apenas com sua própria felicidade, mas</p><p>com a convivência do grupo, com os benefícios que sua postura</p><p>traz para a sociedade e para a felicidade coletiva. Platão (2019)</p><p>relaciona a ética socrática à política e afirma que só por meio de</p><p>uma postura ética compartilhada pelos cidadãos é possível viver</p><p>em sociedade.</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>14 Ética e responsabilidade social</p><p>Para Platão (2019), a postura ética dos cidadãos dilui as diferenças in-</p><p>dividuais e possibilita que todos sejam vistos como iguais. Assim, o poder</p><p>pode ser compartilhado, evitando-se que a pólis seja governada apenas</p><p>por um grupo ou por um indivíduo preocupado apenas com sua própria</p><p>felicidade. A ética representa os parâmetros e os limites da liberdade de</p><p>cada indivíduo, pois está baseada na decisão de cada cidadão de renun-</p><p>ciar a seus interesses individuais em benefício do bem comum.</p><p>Platão não enxerga a ética de maneira prescritiva, como um ma-</p><p>nual ou um conjunto de regras de conduta a serem seguidas. Segun-</p><p>do Voegelin (2009), o filósofo entende a ética como uma experiência</p><p>pessoal de aprendizado, conhecimento e amadurecimento da alma.</p><p>Porém, o filósofo acredita que a busca pelo poder leva o homem</p><p>a se desvirtuar, ou seja, perder sua virtude e, portanto, sua postura</p><p>ética. A luta pelo poder é a luta pela felicidade hedônica do indivíduo,</p><p>sobrepondo-se à felicidade ética coletiva. Ao analisar as formas de or-</p><p>ganização das sociedades e como o poder se estabelece na pólis, Platão</p><p>conclui que todas as formas de governo acabam por gerar comporta-</p><p>mentos não éticos naqueles que buscam exercer o poder.</p><p>A discussão sobre a ética também tem papel central na filosofia de</p><p>Aristóteles, para quem o objetivo natural de todos os indivíduos é ter</p><p>uma vida boa, pautada na justiça e na busca pela felicidade. Assim, ele</p><p>acredita que é papel da filosofia investigar e identificar qual é o cami-</p><p>nho para atingir esses objetivos. Chauí (2002) afirma que o filósofo de-</p><p>fine a ética como um saber prático, como um caminho a ser trilhado no</p><p>cotidiano pelo indivíduo, por meio da adoção de ações que o possibi-</p><p>litem alcançar a excelência em diversos aspectos, como o físico, as re-</p><p>lações sociais, o equilíbrio psicológico e o desenvolvimento intelectual.</p><p>Segundo a autora (2002, p. 441): “a Ética deve determinar a essência do</p><p>fim a ser alcançado, a essência do agente e das ações e os meios para</p><p>realizá-la” .</p><p>Aristóteles divide as ciências em dois tipos: as práticas, como a éti-</p><p>ca e a política, e as teoréticas, compostas das artes ou técnicas. Para o</p><p>filósofo, ética e política se relacionam, pois é por meio delas que o ho-</p><p>mem vive em sociedade. A ação ética tem uma finalidade: a busca pelo</p><p>bem comum que prepara o indivíduo para agir em sociedade e viver na</p><p>pólis, exercendo uma ação política.</p><p>Assim como Platão, Aristóteles acreditava que a postura ética dos</p><p>cidadãos que vivem na pólis elimina as desigualdades entre os indi-</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 15</p><p>víduos e possibilita o convívio harmônico em sociedade. Mas o discí-</p><p>pulo Aristóteles discordava de seu professor Platão sobre a relação</p><p>entre poder, virtude e ética. Para ele, não era a busca pelo poder</p><p>que desvirtuava o homem, e sim a falta de virtude dos indivíduos</p><p>que influenciava negativamente os regimes de governo, em especial</p><p>a democracia.</p><p>Defensor do regime democrático, Aristóteles acreditava que por</p><p>meio de uma postura ética e virtuosa dos indivíduos seria possível</p><p>construir um governo baseado na representatividade dos cidadãos,</p><p>que compartilhariam o poder igualmente, garantindo a liberdade e a</p><p>justiça. De acordo com Ramos (2012), as ações e decisões democráticas</p><p>consideradas boas e justas pelo grupo social deveriam ser normatiza-</p><p>das e repetidas como forma de garantir o bem-estar em benefício da</p><p>sociedade. Para Aristóteles, identificar essas ações e comportamentos</p><p>benéficos à pólis é o papel da ética.</p><p>A ética, na filosofia aristotélica, é prescritiva tanto para o indivíduo</p><p>quanto para o grupo, pois se propõe a identificar e racionalizar as ações a</p><p>serem adotadas por estes. As ações e atitudes são baseadas em três tipos</p><p>de conhecimento: os teóricos e sistematizados, baseados na observação</p><p>e análise das relações sociais e fenômenos naturais, os quais podemos</p><p>relacionar com o conceito de ética; os produzidos, ou seja, as normas cria-</p><p>das pelo próprio grupo para garantir a convivência, que podemos relacio-</p><p>nar às leis e ao direito; e os práticos, relacionados ao cotidiano da pólis e</p><p>dos grupos sociais, que estão ligados ao conceito da moral.</p><p>Segundo Amaral, Silva e Gomes (2012), para Aristóteles a ética re-</p><p>laciona as necessidades do indivíduo com seu papel na sociedade e,</p><p>portanto, é normativa em sentido mais amplo, pois busca estabelecer</p><p>as normas e padrões a serem seguidos por todos os indivíduos do</p><p>grupo. Já para Platão, a ética é ligada a um grupo social específico, e</p><p>pode ser composta de diferentes padrões e normas. A visão platônica</p><p>deu origem ao conceito da ética profissional, como a ética médica ou</p><p>a ética empresarial. As visões de Platão e Aristóteles não são anta-</p><p>gônicas, mas sim complementares, pois para que os indivíduos con-</p><p>vivam em sociedade precisam seguir uma série de regras e normas</p><p>que envolvem ações e posturas individuais, de grupos organizados de</p><p>indivíduos e dos cidadãos que compõem a sociedade como um todo.</p><p>Esses diversos níveis de normas, posturas e ações deram origem à</p><p>diferenciação entre os conceitos de direito, ética e moral.</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistutag</p><p>Realce</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>16 Ética e responsabilidade social</p><p>1.2 Conceito de moral</p><p>Vídeo Os conceitos de ética e moral não são sinônimos nem antagônicos. Na</p><p>verdade, são complementares. Segundo Gontijo (2006), a moral é o objeto</p><p>aos impactos positivos na sociedade</p><p>e no meio ambiente.</p><p>Muitos municípios do Brasil utilizam o selo social como meio de</p><p>incentivar as organizações a praticar a sustentabilidade e a responsa-</p><p>bilidade social em ações como: combate à miséria e à fome; apoio e in-</p><p>centivo à educação; promoção da igualdade entre os gêneros; redução</p><p>de índices de mortalidade infantil; entre outras possíveis ações sociais e</p><p>ambientais.</p><p>França et al. (2019) exemplificam a utilização do selo social no muni-</p><p>cípio de São Paulo, com o selo Empresa Cidadã, que premia empresas</p><p>que praticam a responsabilidade social e publicam o balanço social. Outro</p><p>exemplo conhecido é o selo social Empresa Amiga da Criança, da Funda-</p><p>ção Abrinq pelos Direitos das Crianças, que combate o trabalho infantil.</p><p>Credídio (2006) destaca que a certificação é composta de muitas ca-</p><p>tegorias de códigos, guias, princípios e parâmetros de funcionamento,</p><p>criadas por instituições governamentais, organizações não governa-</p><p>mentais, associações de negócios, de comércio ou grupos industriais</p><p>para guiarem as ações corporativas e sua relação com os objetivos eco-</p><p>nômicos sociais e ambientais.</p><p>O autor destaca que a prática de se certificar é eficaz para que uma</p><p>empresa se diferencie das outras, pois destaca os produtos, a marca e</p><p>a própria empresa e reforça a credibilidade ao demonstrar que ela está</p><p>agindo de acordo com ações que beneficiam a sociedade e preservam</p><p>o meio ambiente, além de contribuir para diferentes aspectos dos ne-</p><p>gócios, elevando os níveis de qualidade, segurança e eficiência.</p><p>Para a sociedade e o meio ambiente, a certificação produz conse-</p><p>quências benéficas, como a redução de impactos negativos e o aumen-</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 99</p><p>to dos impactos positivos, e principalmente criando ligações com a</p><p>sociedade, que propiciem o desenvolvimento econômico e social, den-</p><p>tro de um processo de melhoria contínua que traz benefícios mútuos.</p><p>No Brasil, a principal instituição certificadora é a ABNT. A associação</p><p>oferece mais de 400 programas de certificação relacionados aos mais</p><p>diversos aspectos da gestão da empresa, inclusive as dimensões relacio-</p><p>nadas à gestão social e ambiental. A ABNT Certificadora atua nas Amé-</p><p>ricas, na Europa e na Ásia, realizando auditorias em mais de 30 países.</p><p>Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia</p><p>(Inmetro), o Programa Brasileiro de Certificação em Responsabili-</p><p>dade Social (PBCRS) é definido como “um processo voluntário, no qual</p><p>a organização busca demonstrar aos clientes e à sociedade, por meio</p><p>de uma avaliação de terceira parte, que o sistema de gestão atende aos</p><p>princípios da responsabilidade social” (INMETRO, 2021).</p><p>A figura a seguir apresenta a estrutura geral do programa.</p><p>Figura 6</p><p>Estrutura do PBCRS</p><p>Gestor do programa</p><p>(Inmetro/Dconf/</p><p>Comissão técnica)</p><p>Normatizador</p><p>(ABNT)</p><p>Acreditador</p><p>(Inmetro/Cgero)</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor com base em Inmetro, 2021.</p><p>A obtenção de certificação é um processo que normalmente segue</p><p>algumas etapas que são semelhantes nas empresas. A Figura 7 repre-</p><p>senta resumidamente o sequenciamento das ações para que uma em-</p><p>presa obtenha a certificação ambiental por meio da submissão de seu</p><p>SGA aos órgãos certificadores.</p><p>100 Ética e Responsabilidade Social</p><p>Figura 7</p><p>Etapas para obtenção da certificação ambiental</p><p>A empresa candidata elabora o plano de</p><p>ações em aderência à política ambiental e à</p><p>legislação, com o objetivo de atingir metas de</p><p>desempenho para certificação.</p><p>Efetuar o planejamento das ações com im-</p><p>plantação de metas e melhorias ambientais,</p><p>de acordo com legislação vigente, para todos</p><p>os setores da empresa com metas e objetivos.</p><p>A empresa candidata define a política de</p><p>meio ambiente com instruções da empresa</p><p>contratada.</p><p>Definir a política de meio ambiente da empre-</p><p>sa candidata à certificação aderente à missão e</p><p>comprometida com a alta administração.</p><p>Contratação de empresa</p><p>certificadora credenciada</p><p>A empresa certificadora credenciada tem o</p><p>objetivo de recomendar e realizar auditorias</p><p>de manutenção de empresas interessadas.</p><p>Auxiliar a empresa contratante à certificação</p><p>na análise e no diagnóstico de todos os</p><p>setores da empresa candidata à certificação.</p><p>Definição de política</p><p>de meio ambiente</p><p>Verificação dos impactos e</p><p>do desempenho das ações</p><p>A empresa candidata acompanha o resultado</p><p>das ações e verifica o desempenho em relação</p><p>às metas estabelecidas.</p><p>Realizar o acompanhamento das ações e a</p><p>mensuração de resultados com auditorias</p><p>internas e registro de inconformidades para</p><p>ações de correção.</p><p>A empresa candidata efetua ações de treina-</p><p>mentos, conscientização, medição de controle</p><p>e desempenho.</p><p>Implementar as ações planejadas em toda a</p><p>empresa, divulgando a todos os colaboradores</p><p>a importância das ações e responsabilidades.</p><p>Implementação das ações</p><p>definidas no planejamento</p><p>Análise crítica da administração</p><p>até atingimento das metas</p><p>A empresa candidata realiza a análise de de-</p><p>sempenho, objetivando cumprir os requisitos</p><p>exigidos para obtenção da certificação.</p><p>Avaliar o desempenho ambiental e preparar</p><p>ações corretivas de melhoria contínua,</p><p>mesmo após obter a certificação.</p><p>Aprovação pelo órgão</p><p>acreditador do país</p><p>A instituição global atesta a realização de</p><p>ações em conformidade com os padrões</p><p>estabelecidos pelos órgãos internacionais.</p><p>A avaliação positiva pela empresa certifica-</p><p>dora credenciada é ratificada para a emissão</p><p>do representante da instituição internacional</p><p>(“acreditador”) de certificação no país, e a</p><p>empresa é certificada.</p><p>A empresa contratada (“acreditada”) atesta a</p><p>realização de ações em conformidade com os</p><p>padrões estabelecidos pelos órgãos nacionais.</p><p>Avaliar o desempenho ambiental e verificar se</p><p>a empresa apresenta desempenho em con-</p><p>formidade com as exigências estabelecidas</p><p>para obtenção da certificação. Se estiverem de</p><p>acordo, recomenda-se a aprovação.</p><p>Submissão do SGA a uma</p><p>auditoria externa</p><p>Elaboração do</p><p>plano de ação</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor.</p><p>Sistemas de gestão de responsabilidade social 101</p><p>As diversas etapas listadas ocorrem sequencialmente e estão inte-</p><p>gradas e interligadas. Nem todas as etapas estão presentes em todos</p><p>os processos de credenciamento, mas, de modo geral, seguem a se-</p><p>quência demonstrada na figura.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>As empresas têm se adaptado às alterações da sociedade, com a</p><p>adoção de ações de melhoria contínua na busca pelo desenvolvimento</p><p>sustentável baseado na responsabilidade social e ambiental. A adoção</p><p>de certificações que atestam e dão credibilidade à realização dessas</p><p>ações praticadas pela empresa beneficiam a sociedade e o ambiente,</p><p>assim como a própria empresa.</p><p>A responsabilidade social empresarial não se resume a um conjunto</p><p>de ações, mas deve ser expandida para uma conceituação mais am-</p><p>pla, que envolve uma prática administrativa e espelha uma filosofia de</p><p>gestão. Esse processo evolutivo está acompanhado por um progresso</p><p>nas normas e diretrizes, considerando a mensuração das ações e das</p><p>condutas e dos resultados obtidos em cada área de intervenção.</p><p>A responsabilidade social ultrapassa os limites da empresa; a so-</p><p>ciedade deve dar importância a ações e esforços das empresas que a</p><p>praticam e, então, retribuir e reconhecê-las. Essa relação é que retroa-</p><p>limenta o processo de crescimento e melhoria mútua. Nesse contexto,</p><p>as certificações são uma excelente ferramenta, pois contribuem tanto</p><p>na implantação dos processos de gestão, por meio das normas técni-</p><p>cas que regem as certificações, quanto na divulgação de resultados e</p><p>no desenvolvimento de uma nova relação entre empresa e sociedade.</p><p>ATIVIDADES</p><p>1. Descreva as características que um Sistema de Gestão Ambiental (SGA)</p><p>deve possuir.</p><p>2. Aponte as principais razões para uma empresa se certificar como</p><p>empresa responsável sob os aspectos social e ambiental, levando em</p><p>consideração que a certificação é um processo que, muitas vezes, tem</p><p>a característica da não obrigatoriedade, isto é, da adesão</p><p>voluntária.</p><p>102 Ética e Responsabilidade Social</p><p>3. Quais são as consequências para a sociedade e o meio ambiente que</p><p>a certificação produz?</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT. COMPREENDENDO A RESPONSABILIDADE SOCIAL: ISO 26.000 e ABNT NBR 16.001.</p><p>Brasília, 2016. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_</p><p>social/cartilha_compreendendo_a_responsabilidade_social.pdf. Acesso em: 15 fev. 2021.</p><p>AMARAL, L. A.; STEFANO, S. R.; CHIUSOLI, C. L. Sustentabilidade organizacional na</p><p>perspectiva do triple bottom line: o caso Itaipu binacional. Revista Eletrônica Científica do</p><p>CRA-PR-RECC, v. 5, n. 1, p. 64-80, 2018. Disponível em: http://recc.cra-pr.org.br/index.php/</p><p>recc/article/viewFile/87/96. Acesso em: 15 fev. 2021.</p><p>ANDRADE, V. F. de; BIZZO, W. A. Análise comparativa das normas de gestão de</p><p>responsabilidade social e sua abrangência. Gestão & Produção, v. 25, n. 4, p. 807-825, 2018.</p><p>Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/gp/v25n4/0104-530X-gp-0104-530X3866-18.pdf.</p><p>Acesso em: 15 fev. 2021.</p><p>ALENCASTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à gestão socioambiental</p><p>corporativa. Curitiba: Intersaberes, 2012.</p><p>ALVES, M. C. 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Em um grupo de pessoas que atuam em uma or-</p><p>ganização, como em todo grupo social, são estabelecidas relações</p><p>complexas que envolvem emoções, poder, comprometimento, de-</p><p>dicação, amizade e respeito a normas e regras relacionadas tanto</p><p>ao trabalho a ser realizado quanto à cultura da organização e aos</p><p>valores compartilhados.</p><p>Liderar uma equipe profissional é uma tarefa complexa, que</p><p>envolve um estudo multidisciplinar, integrando filosofia, sociolo-</p><p>gia, história, psicologia, economia, administração, direito e outras</p><p>ciências. A gestão deve definir quais são os papéis dos responsá-</p><p>veis pela condução das atividades das empresas em relação aos</p><p>processos desenvolvidos para que sejam praticados os preceitos</p><p>éticos, morais e de responsabilidade socioambiental.</p><p>Neste capítulo, serão discutidos os papéis da ética, dos princí-</p><p>pios morais, dos valores pessoais e da cultura estabelecida pela</p><p>empresa como norteadores das decisões e ações implantadas</p><p>pelos líderes e, consequentemente, pela organização no cotidiano</p><p>das relações que se estabelecem dentro do grupo e com outras</p><p>organizações e instituições com as quais a empresa se relaciona.</p><p>Serão também abordados temas ligados ao uso do poder e das</p><p>normas pela empresa e pelos líderes na gestão das pessoas, como</p><p>a prática de assédio e os direitos de ambos os lados na relação</p><p>entre empresa e empregado.</p><p>106 Ética e responsabilidade social</p><p>5.1 A ética e a responsabilidade</p><p>social nas relações humanas</p><p>Vídeo Ética e responsabilidade social empresarial são temas intensamen-</p><p>te discutidos na sociedade, pois há muitos questionamentos sobre qual</p><p>deve ser a postura da organização em relação a funcionários, clientes,</p><p>parceiros e sociedade, em um mercado competitivo no qual muitas</p><p>empresas de diversos países e diferentes culturas atuam, muitas vezes,</p><p>sem respeitar os mesmos padrões éticos e legais.</p><p>La Taille (2010) analisa as ações dos seres humanos em relação à</p><p>moral e afirma que a obediência às regras ocorre por haver a sensação</p><p>de dever em relação à justiça e o respeito às leis; ao mesmo tempo,</p><p>a obediência a regras morais costuma ser socialmente exigida, já que</p><p>a lei espelha a vontade</p><p>da sociedade. Por outro lado, a obediência a</p><p>regras que tratam de benevolência ao próximo, como a caridade e a</p><p>filantropia, não é obrigatória por lei e, mesmo que essas regras sejam</p><p>corretas sob o ponto de vista da moral diante da sociedade, não é pra-</p><p>ticada por muitas pessoas.</p><p>Um exemplo dessa análise pode ser visto durante a pandemia</p><p>de Covid-19. Apesar de existir na sociedade a tese moral de que</p><p>todos devem proteger os indivíduos mais fracos, a obrigatoriedade</p><p>do uso de máscaras foi negligenciada por boa parte da população.</p><p>Para que a orientação surtisse efeito, foi necessário criar leis e apli-</p><p>car multas em espaços públicos e particulares, principalmente em</p><p>estabelecimentos comerciais, o que trouxe impacto sobre hábitos e</p><p>costumes dessa parte da população, que só adotou o uso da más-</p><p>cara pela força.</p><p>A relação entre a sociedade e as empresas está em constante muta-</p><p>ção. Se antes as empresas eram vistas como estruturas isoladas, cujo</p><p>único papel era proporcionar retorno ao investimento dos sócios por</p><p>meio da obtenção de lucros, mesmo que para isso fosse preciso explo-</p><p>rar os recursos ambientais de propriedade da humanidade e os recur-</p><p>sos humanos, pressionando os funcionários a se dedicarem cada vez</p><p>mais ao trabalho, hoje há uma crescente cobrança da sociedade para</p><p>que as empresas atuem de maneira responsável, tanto do ponto de</p><p>vista social quanto ambiental.</p><p>A matéria Multa para</p><p>quem desrespeita uso</p><p>obrigatório de máscara</p><p>passa a valer nesta quinta</p><p>no estado de São Paulo</p><p>aborda a obrigatorieda-</p><p>de do uso de máscara</p><p>durante a pandemia cau-</p><p>sada pela Covid-19, com a</p><p>aplicação de multas para</p><p>quem desrespeitasse a</p><p>recomendação. A medida</p><p>teve eficácia, pois muitos</p><p>indivíduos que insistiam</p><p>em não usar volunta-</p><p>riamente as máscaras</p><p>passaram a utilizá-las</p><p>quando a recomendação</p><p>passou a ser de caráter</p><p>punitivo, e não educativo.</p><p>Esse exemplo mostra a</p><p>necessidade da obrigato-</p><p>riedade como parâmetro</p><p>para as pessoas cum-</p><p>prirem determinações,</p><p>mesmo que estas sejam</p><p>moralmente aceitas pela</p><p>sociedade.</p><p>Disponível em: https://</p><p>g1.globo.com/sp/sao-paulo/</p><p>noticia/2020/07/02/multa-para-</p><p>quem-desrespeita-uso-obrigatorio-</p><p>de-mascara-passa-a-valer-nesta-</p><p>quinta-no-estado-de-sao-paulo.</p><p>ghtml. Acesso em: 5 fev. 2020.</p><p>Saiba mais</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/02/multa-para-quem-desrespeita-uso-obrigatorio-de-mascara-passa-a-valer-nesta-quinta-no-estado-de-sao-paulo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/02/multa-para-quem-desrespeita-uso-obrigatorio-de-mascara-passa-a-valer-nesta-quinta-no-estado-de-sao-paulo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/02/multa-para-quem-desrespeita-uso-obrigatorio-de-mascara-passa-a-valer-nesta-quinta-no-estado-de-sao-paulo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/02/multa-para-quem-desrespeita-uso-obrigatorio-de-mascara-passa-a-valer-nesta-quinta-no-estado-de-sao-paulo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/02/multa-para-quem-desrespeita-uso-obrigatorio-de-mascara-passa-a-valer-nesta-quinta-no-estado-de-sao-paulo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/02/multa-para-quem-desrespeita-uso-obrigatorio-de-mascara-passa-a-valer-nesta-quinta-no-estado-de-sao-paulo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/02/multa-para-quem-desrespeita-uso-obrigatorio-de-mascara-passa-a-valer-nesta-quinta-no-estado-de-sao-paulo.ghtml</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 107</p><p>Pereira (2002) aborda a ampliação dos objetivos das empresas, an-</p><p>tes marcados pela simples busca pelo lucro, para uma visão em que os</p><p>objetivos sociais e ambientais e a postura ética e moral precisam ser</p><p>considerados. Muitas empresas adotam uma postura de responsabi-</p><p>lidade socioambiental por estarem genuinamente preocupadas com o</p><p>bem-estar da sociedade e a questão da preservação do meio ambiente</p><p>e, também, para se alinhar aos anseios da sociedade e obter provação</p><p>e reconhecimento da comunidade e, principalmente, de seus clientes.</p><p>As empresas oferecem uma resposta aos anseios da comunidade</p><p>a que pertencem ao adotar uma postura ética e se responsabilizar por</p><p>seus atos e decisões em relação aos impactos provocados na socie-</p><p>dade, numa relação de compromisso que proporciona benefícios para</p><p>ambos, já que a empresa, ao ser reconhecida pela sociedade, aumenta</p><p>seus lucros.</p><p>Para serem consideradas éticas, as empresas buscam adequar suas</p><p>decisões e práticas de acordo com condutas valorizadas pela sociedade</p><p>e adotar políticas e ações que estejam em concordância com a moral</p><p>vigente no grupo social com o qual se relacionam. As pessoas que fa-</p><p>zem parte de uma empresa, independentemente do nível hierárquico</p><p>no qual atuam, realizam suas atividades levando em consideração uma</p><p>reflexão ética individual e seguindo os valores da cultura definida no</p><p>posicionamento estratégico da organização, em sintonia com os objeti-</p><p>vos estabelecidos pela liderança.</p><p>No mais alto nível das organizações, os gestores que definem o</p><p>posicionamento e o planejamento estratégico precisam incorporar</p><p>objetivos sociais e ambientais, além dos fatores econômicos. Para</p><p>atingir esses objetivos, novas condutas e posturas éticas passam a</p><p>ser incorporadas nas rotinas da empresa. Os gestores são respon-</p><p>sáveis pela condução das atividades da empresa, acompanhando os</p><p>resultados obtidos e fazendo correções, quando necessário, para que</p><p>os objetivos econômicos, sociais e ambientais sejam alcançados de</p><p>modo ético e moral, garantindo os impactos sociais e ambientais va-</p><p>lorizados pela sociedade.</p><p>A figura a seguir mostra a relação da ética empresarial com a res-</p><p>ponsabilidade empresarial e os anseios da sociedade.</p><p>108 Ética e responsabilidade social</p><p>Figura 1</p><p>Relações entre sociedade, ética empresarial e responsabilidade empresarial</p><p>SOCIEDADE</p><p>ÉTICA</p><p>EMPRESARIAL</p><p>EMPRESAS</p><p>A sociedade manifesta</p><p>seus interesses</p><p>direcionados a questões</p><p>ambientais e sociais.</p><p>As empresas identificam</p><p>a necessidade de ampliar</p><p>os objetivos de lucro,</p><p>incluindo as questões de</p><p>interesse da sociedade.</p><p>A sociedade identifica</p><p>seus interesses</p><p>promovidos por ações</p><p>praticadas e estabelece</p><p>uma relação de</p><p>fidelização à marca.</p><p>As empresas incorporam</p><p>as necessidades da</p><p>sociedade em seu</p><p>planejamento estratégico,</p><p>criando benefícios</p><p>mútuos.</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor.</p><p>Como visto na figura, a ética empresarial estabelece a relação da</p><p>empresa e de seus objetivos com os desejos e anseios da sociedade,</p><p>em um processo que se retroalimenta e evolui constantemente. A ética</p><p>empresarial representa um conjunto de princípios e padrões morais</p><p>que guiam as ações das empresas em sua relação com a sociedade</p><p>(JESUS; SARMENTO; DUARTE, 2017).</p><p>É necessário considerar que a ética e os valores de uma empre-</p><p>sa, mesmo que representem o direcionamento estratégico desejado</p><p>por seus líderes, são compostos também de ações, decisões e valores</p><p>de cada indivíduo, cada um com origens distintas, com um conjunto</p><p>de crenças, valores familiares e costumes morais próprios (SANTOS;</p><p>BENEDITO; SILVA, 2017). Essa diversidade faz com que a gestão de uma</p><p>organização que adota uma postura ética e socioambiental responsá-</p><p>vel seja complexa, o que traz desafios cotidianos para a liderança.</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 109</p><p>5.2 Diversidade cultural nos grupos profissionais</p><p>Vídeo Os seres humanos são seres sociais e participam de diversos gru-</p><p>pos ao longo de sua vida. Do ponto de vista sociológico, o grupo social</p><p>fundamental é a família, pois é nela que a pessoa aprende a língua, os</p><p>valores e a cultura da sociedade da qual faz parte (DIAS, 2014).</p><p>No decorrer da vida, por meio de processos de socialização, os indi-</p><p>víduos estabelecem contato e passam a pertencer a outros grupos so-</p><p>ciais, por exemplo, amigos da escola, grupos religiosos, comunidades e</p><p>grupos formados em ambientes de trabalho, nos quais são integrados</p><p>à sociedade. Os grupos sociais têm importância na compreensão dos</p><p>fenômenos que ocorrem no cotidiano das empresas,</p><p>pois neles se dão</p><p>as interações humanas.</p><p>Esse processo de integração a grupos sociais é importante, confor-</p><p>me Dias (2014) aponta, pois é decisivo no processo de socialização das</p><p>personalidades individuais para a construção de uma personalidade</p><p>única, que, mesmo sendo diferente das personalidades individuais,</p><p>passa a ser uma referência para o grupo. A criação dessa personali-</p><p>dade única do grupo se dá com a aceitação de seus membros. Sendo</p><p>assim, ocorre uma forma de integração de todos, dando o sentido para</p><p>cada indivíduo de pertencer ao grupo.</p><p>As organizações são consideradas uma criação social e são consti-</p><p>tuídas de pessoas, que nelas se relacionam e se integram com objetivos</p><p>em comum, definidos de acordo com direcionamentos propostos pela</p><p>gestão. Os esforços coletivos somam-se para produzir bens ou prestar</p><p>serviços que atendam às necessidades da sociedade.</p><p>Nesse sentido, Camargo (2006) considera os colaboradores de uma</p><p>empresa como participantes ativos da construção de uma identidade</p><p>organizacional na qual o senso comunitário prevalece sobre os sensos</p><p>individuais. É o predomínio do coletivo sobre o pessoal, no qual as re-</p><p>lações se conduzem por princípios e valores que proporcionam condi-</p><p>ções de espaços e convivências éticas conjuntas.</p><p>Grande parte do tempo da vida dos indivíduos adultos é passado</p><p>nas organizações, com a participação em eventos sociais, culturais, po-</p><p>líticos, econômicos e profissionais que ocorrem apesar das diferenças</p><p>entre os integrantes. Na figura a seguir, Caxito (2020) apresenta a divi-</p><p>são do tempo de uma pessoa em idade economicamente ativa.</p><p>110 Ética e responsabilidade social</p><p>Figura 2</p><p>Distribuição do tempo entre as atividades realizadas pelas pessoas</p><p>Distribuição do tempo durante a idade</p><p>economicamente ativa (18 a 65 anos)</p><p>Distribuição do tempo acordado</p><p>durante a idade economicamente</p><p>ativa (18 a 65 anos)</p><p>Trabalho</p><p>33,2%</p><p>Sono</p><p>33,3% Trabalho</p><p>49,7%</p><p>Estudo</p><p>1,3%</p><p>Outros</p><p>49,0%</p><p>Estudo</p><p>0,9%</p><p>Outros</p><p>32,7%</p><p>Fonte: Caxito, 2020, p. 13.</p><p>Essa centralidade do trabalho na vida humana em nossa sociedade</p><p>atual faz com que o grupo social formado na empresa seja aquele no</p><p>qual os indivíduos convivem mais intensamente.</p><p>As empresas são diferentes e, pela própria multiplicidade, são livres</p><p>para escolher diferentes preceitos para definir seus valores éticos e as</p><p>regras comportamentais para seus colaboradores. Porém, uma das ca-</p><p>racterísticas mais marcantes das sociedades modernas é a diversida-</p><p>de entre os indivíduos e grupos que acreditam e praticam diferentes</p><p>padrões ético-morais. Assim, estabelecer os princípios que orientem</p><p>as ações dessas diferentes pessoas nas relações sociais e de trabalho</p><p>dentro de uma organização não é tarefa simples. Em função dessa mul-</p><p>tiplicidade, não há uma única relação ético-moral universal que seja</p><p>válida para todos os lugares e todas as empresas. Podem ser encontra-</p><p>das diferentes relações ético-morais em diferentes empresas, pois são</p><p>influenciadas por culturas diferentes que apresentam valores morais</p><p>distintos.</p><p>Dias (2014) afirma que os princípios são os preceitos que norteiam</p><p>a sociedade, como as leis ou os aspectos presumidos e reconhecidos</p><p>como universais. Como exemplos, temos a liberdade, a paz e a plenitu-</p><p>de. Já os valores têm caráter subjetivo e pessoal e, portanto, podem ser</p><p>diferentes e gerar controvérsia ou desalinhamento entre os indivíduos.</p><p>Os valores pessoais são formados com base na história de vida e nas</p><p>experiências individuais, influenciados por normas e padrões sociais</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 111</p><p>aceitos ou mantidos por determinados grupos dos quais os indivíduos</p><p>participam.</p><p>Os Códigos de Ética de uma empresa tanto são influenciados pelas</p><p>pessoas que dela fazem parte quanto influenciam crenças, valores e</p><p>posturas dos indivíduos. Assim, os colaboradores agem nas empresas</p><p>de acordo com esses preceitos e valores éticos, que necessariamente</p><p>devem estar em sintonia com os padrões estabelecidos pela sociedade.</p><p>As relações éticas dos colaborares com a empresa e desta com</p><p>os ambientes sociais, econômicos, legais e naturais externos é dinâ-</p><p>mica e influenciada pelos movimentos que ocorrem no seio da socie-</p><p>dade, trazendo novas formas de organização e mudanças na relação</p><p>empresa-empregado-sociedade.</p><p>Os interesses da sociedade, incluídos nos objetivos da organiza-</p><p>ção, tornam-se fatores de identidade comum para as personalidades</p><p>individuais dos colaboradores, sendo agrupados numa personalidade</p><p>única de grupo, em consenso com os atos e objetivos da organização</p><p>em que trabalham.</p><p>Quando os objetivos das empresas coincidem com interesses da</p><p>sociedade/comunidade, os empregados ficam motivados, trabalham</p><p>melhor e aumentam sua produtividade, pelo sentimento de agirem em</p><p>conformidade com as expectativas dos grupos sociais a que pertencem</p><p>e de acordo com seus princípios éticos e morais. A organização se torna</p><p>um meio pelo qual os indivíduos unem forças para atingir seus objeti-</p><p>vos comuns.</p><p>A história da fundação</p><p>e do crescimento da</p><p>rede de lanchonetes</p><p>McDonald’s, uma das pri-</p><p>meiras e, ainda hoje, maio-</p><p>res redes de franquias do</p><p>mundo, é contada no filme</p><p>Fome de poder. Desde</p><p>sua criação, utilizando</p><p>conceitos de divisão de</p><p>trabalho e especialização</p><p>usados nas indústrias, a</p><p>empresa sempre inovou</p><p>e criou novos modelos de</p><p>negócio para se destacar</p><p>no mundo empresarial.</p><p>O filme discute diversos</p><p>aspectos éticos da figura</p><p>de seu principal executivo,</p><p>Ray Kroc, e da cultura</p><p>empresarial que ele criou</p><p>e implantou na empresa.</p><p>Direção: John Lee Hancock. EUA: The</p><p>Weinstein Company, 2016.</p><p>Filme</p><p>5.3 Assédio moral</p><p>Vídeo Como ocorre em todos os grupos sociais, as relações entre as pes-</p><p>soas que compõem um grupo de trabalho e fazem parte de uma em-</p><p>presa são baseadas em normas e regras estabelecidas e aceitas pelo</p><p>grupo, seja por decisão do indivíduo, seja por imposição do grupo e</p><p>daqueles que exercem o poder.</p><p>Nas organizações, a definição de quem detém e exerce o poder é</p><p>clara e está explícita na estrutura hierárquica da empresa, com a defini-</p><p>ção de líderes, chefes, encarregados ou gestores que usam sua posição</p><p>ou cargo para colocar em prática e exigir que sejam cumpridos normas,</p><p>112 Ética e responsabilidade social</p><p>regras e valores estabelecidos na cultura empresarial, normalmente</p><p>descritos nos seus documentos, tais como Códigos de Ética, planeja-</p><p>mentos estratégicos, códigos de conduta, manuais de normas, proces-</p><p>sos, procedimentos e declarações de visão, missão e valores.</p><p>Para que exerçam o poder, os indivíduos que são colocados nas</p><p>posições de liderança em uma empresa precisam estar preparados</p><p>para entender seu papel e sua responsabilidade sobre a conduta de</p><p>sua equipe, mas também devem entender e conhecer os limites éticos,</p><p>morais e legais de sua atuação.</p><p>No cotidiano das operações de uma empresa, as relações entre lí-</p><p>deres e liderados são marcadas por atitudes, posturas e práticas que</p><p>podem ultrapassar os limites éticos e morais estabelecidos tanto pela</p><p>empresa quanto pela sociedade e pelas leis que regem as relações en-</p><p>tre empresas e colaboradores.</p><p>As ações e posturas que ultrapassam esses limites, sejam elas prati-</p><p>cadas por líderes diretos ou indiretos e até mesmo por pares e subor-</p><p>dinados, impactam o resultado e a eficiência do indivíduo e da equipe,</p><p>bem como causam danos legais e psicológicos muito mais amplos, que</p><p>podem trazer prejuízos financeiros e de imagem para a organização.</p><p>Entre os diversos tipos de problemas que podem ocorrer na relação</p><p>entre os membros de um grupo social em uma empresa, destacam-se</p><p>os diferentes tipos de assédio.</p><p>O assédio moral está relacionado a uma forma de violência prati-</p><p>cada nas interações sociais em um grupo. No ambiente empresarial, o</p><p>assédio moral representa um grave problema, pois a própria organiza-</p><p>ção da estrutura das empresas e a função de acompanhar a realização</p><p>das atividades e tarefas e cobrar resultados em relação aos objeti-</p><p>vos propostos, realizada pelos líderes</p><p>e chefes hierárquicos, criam as</p><p>condições para que líderes mal preparados ultrapassem os limites e</p><p>exerçam ações ou adotem posturas que podem ser vistas pelos subor-</p><p>dinados como assédio (SOARES, 2015).</p><p>Diversas práticas de natureza psicológica ou física aplicadas de ma-</p><p>neira recorrente por um ou mais trabalhadores contra outro trabalha-</p><p>dor ou grupo de trabalhadores com o objetivo de impor uma situação</p><p>de isolamento, abalo emocional, difamação ou exclusão do contexto do</p><p>trabalho, para causar eventuais danos de cunho físico, afetivo, cogniti-</p><p>vo ou social, podem ser classificadas como assédio moral. Esse tipo de</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 113</p><p>assédio também pode ser entendido como uma forma de violência no</p><p>trabalho, na qual há uma exposição demorada e continuamente repe-</p><p>tida dos trabalhadores assediados a situações constrangedoras que os</p><p>afetam emocional e fisicamente (TOLFO et al., 2013).</p><p>Do ponto de vista jurídico, para que seja considerada assédio mo-</p><p>ral, a ação ou atitude contra um indivíduo precisa ocorrer de modo</p><p>frequente e prolongado. Legalmente, uma única ocorrência não se con-</p><p>figura como assédio moral. Porém, do ponto de vista psicológico, a de-</p><p>pender da forma como a situação ocorre, uma única experiência pode</p><p>trazer graves problemas para quem sofre o assédio moral.</p><p>Outro exemplo de como os conceitos de assédio moral do pon-</p><p>to de vista legal e do ponto de vista das relações humanas divergem</p><p>pode ser observado no fato de que se todos os membros do grupo</p><p>forem submetidos a uma má condição de trabalho ou a uma situação</p><p>de constrangimento, legalmente não se configura assédio moral, pois</p><p>há o entendimento de que a situação é um estado geral apresentado</p><p>pela empresa. Para se configurar o assédio moral, o ato precisa ser</p><p>direcionado intencionalmente a um colaborador, colocado em situa-</p><p>ções de perigo, constrangimento, humilhação ou qualquer outro tipo</p><p>com o propósito de o prejudicar. Porém, do ponto de vista das relações</p><p>humanas, se todo um grupo é colocado em tais situações, ocorrerão</p><p>impactos negativos no comprometimento e na motivação da equipe.</p><p>Soares (2015) aponta que podem ser identificadas três diferentes</p><p>modalidades de assédio moral no trabalho. O assédio moral descen-</p><p>dente, que também pode ser chamado de assédio moral vertical, ocorre</p><p>quando há uma relação de subordinação hierárquica entre o assedia-</p><p>dor e o assediado. Esse é o tipo mais comum de assédio moral que</p><p>ocorre nas empresas, exatamente pela relação de poder entre os indi-</p><p>víduos envolvidos.</p><p>O assediado pode estar subordinado direta ou indiretamente ao</p><p>indivíduo que exerce o assédio moral. Essa situação de assédio se ma-</p><p>nifesta por abuso de poder e perseguição e pode ter o objetivo de re-</p><p>duzir a influência do assediado ou coagir o funcionário a se demitir ou</p><p>solicitar transferência ou licença.</p><p>A motivação para que o assédio moral ocorra tem diversas causas,</p><p>como o destaque de um subordinado em ascensão que ameace a po-</p><p>sição na hierarquia do assediador. Pode também ser realizado como</p><p>114 Ética e responsabilidade social</p><p>uma estratégia para o assediador fortalecer sua imagem como deten-</p><p>tor do poder, rebaixando o assediado de maneira abusiva. Frases como</p><p>“quem manda aqui sou eu” ou “você está aqui para me obedecer” re-</p><p>fletem esse tipo de postura. O assédio moral pode também fazer par-</p><p>te de uma estratégia da própria empresa para redução do número de</p><p>funcionários ou substituição de um funcionário mais experiente, como</p><p>forma de reduzir custos pela substituição desse funcionário, que é leva-</p><p>do a se demitir pela pressão do assédio, o que permite que a empresa</p><p>economize verbas rescisórias do contrato de trabalho pela demissão</p><p>espontânea do empregado.</p><p>Esse tipo de assédio também pode estar relacionado a questões</p><p>de ordem pessoal, como racismo, machismo, xenofobia, entre outras.</p><p>Dias (2014) aponta que há muitos aspectos que conduzem a práticas</p><p>organizacionais que configurem assédio moral, como os relacionados</p><p>à diversidade de valores culturais e a diferenças na legislação, origi-</p><p>nados em situações encontradas na internacionalização de empresas,</p><p>que faz com que trabalhadores com diferentes valores culturais en-</p><p>trem em conflito.</p><p>O assédio moral horizontal é o segundo tipo indicado por Soares</p><p>(2015) e é caracterizado como aquele que ocorre entre trabalhadores de</p><p>um nível hierárquico semelhante. O ambiente organizacional é competi-</p><p>tivo, sendo comum que funcionários compitam entre si para se destacar</p><p>em relação aos demais e atrair a atenção dos superiores, no intuito de re-</p><p>ceber prêmios ou benefícios ou buscar ascensão na carreira, como uma</p><p>promoção para um nível hierárquico superior. O autor também indica</p><p>causas de origem psicológica que podem levar ao assédio moral hori-</p><p>zontal, como a inveja do assediador em relação a qualquer característica</p><p>física, comportamental ou intelectual do assediado. Esse tipo de assédio</p><p>também pode ter origem em preconceitos políticos, de gênero ou de raça.</p><p>Já o assédio moral ascendente ocorre quando um funcionário</p><p>de nível hierárquico superior sofre assédio moral por algum de seus</p><p>subordinados por meio de, por exemplo, acusações falsas de condu-</p><p>tas inaceitáveis na relação chefia-subordinado, como acusações de</p><p>assédio sexual ou moral. Tal atitude visa desqualificar o chefe e pode</p><p>ser fortalecida por um grupo que tem a intenção de afastar o chefe</p><p>assediado. A motivação do falso assédio normalmente se refere à</p><p>imposição de algum método, ideia ou estilo de liderança não aceito</p><p>pelo grupo.</p><p>A reportagem Assédio</p><p>moral assombra a LG, de</p><p>Paula Pacheco, aborda</p><p>um exemplo da interna-</p><p>cionalização de empresas</p><p>e o choque de conflitos</p><p>entre funcionários da em-</p><p>presa LG, em que as che-</p><p>fias de origem coreana</p><p>agiam de modo arbitrário</p><p>(assédio moral vertical)</p><p>nas suas relações com os</p><p>subordinados brasileiros.</p><p>Essa relação conflituosa</p><p>mostra o choque de dois</p><p>grupos étnicos/culturais,</p><p>no qual o grupo que está</p><p>posicionado em um nível</p><p>hierárquico superior</p><p>realiza práticas abusivas</p><p>na relação com o grupo</p><p>subordinado. Há, no caso,</p><p>uma questão relaciona-</p><p>da à diferença cultural</p><p>entre os dois países. Na</p><p>cultura coreana, o tipo</p><p>de cobrança realizada</p><p>pelos líderes é consi-</p><p>derado normal. Porém,</p><p>no Brasil essas ações se</p><p>enquadram como prática</p><p>de assédio moral nas</p><p>relações de trabalho,</p><p>descrita como infração na</p><p>legislação trabalhista.</p><p>PACHECO, P. O Estado de S. Paulo,</p><p>8 fev. 2010. Disponível em: https://</p><p>www.estadao.com.br/noticias/</p><p>geral,assedio-moral-assombra-a-</p><p>lg,507902. Acesso em: 8 fev. 2021.</p><p>Leitura</p><p>https://www.estadao.com.br/noticias/geral,assedio-moral-assombra-a-lg,507902</p><p>https://www.estadao.com.br/noticias/geral,assedio-moral-assombra-a-lg,507902</p><p>https://www.estadao.com.br/noticias/geral,assedio-moral-assombra-a-lg,507902</p><p>https://www.estadao.com.br/noticias/geral,assedio-moral-assombra-a-lg,507902</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 115</p><p>Complementando a classificação sugerida por Soares (2015), o Se-</p><p>nado Federal (2017) tipifica também o assédio moral misto, no qual a</p><p>vítima de assédio sofre as agressões tanto de superiores hierárquicos</p><p>quanto de colegas de trabalho do mesmo nível hierárquico.</p><p>Pereira e Nunes (2011) afirmam que discutir o assédio moral nas or-</p><p>ganizações brasileiras é importante, pois a cultura de muitas empresas</p><p>ainda é marcada por atitudes e posturas de líderes e chefes que não são</p><p>percebidas como assédio ou são entendidas como normais e aceitáveis</p><p>no ambiente corporativo. Os autores também apontam a dificuldade de</p><p>se comprovar a ocorrência do assédio moral nas empresas, pelo receio</p><p>de outros colaboradores em se envolver com o problema e acabar rece-</p><p>bendo punições ou se tornar, eles próprios, vítimas de assédio.</p><p>Essa afirmação é corroborada por uma pesquisa realizada pelo Ins-</p><p>tituto de Pesquisa do Risco Comportamental (IPRC, 2020), que concluiu</p><p>que mais da metade dos funcionários e candidatos a emprego consul-</p><p>tados praticam ou toleram assédios em seus ambientes</p><p>de trabalho.</p><p>A pesquisa apontou que 41% dos participantes se omitiriam ao pre-</p><p>senciar episódios de assédio moral, e cerca de 18% disseram admitir o</p><p>assédio moral como algo normal e aceitável.</p><p>O IPRC desenvolveu o</p><p>Índice PIR (Potencial de</p><p>Integridade Resiliente) de</p><p>assédio, que busca enten-</p><p>der a postura adotada por</p><p>profissionais quando se</p><p>deparam com questões</p><p>éticas no cotidiano de</p><p>seu trabalho e inclui</p><p>aspectos como assédio e</p><p>corporativismo. A pesqui-</p><p>sa que originou o índice</p><p>foi realizada em 2017 e</p><p>contou com mais de 2.400</p><p>respondentes de empre-</p><p>sas diferentes. O relatório</p><p>com as conclusões da pes-</p><p>quisa pode ser consultado</p><p>no link a seguir mediante</p><p>realização de cadastro</p><p>gratuito com inserção de</p><p>nome e e-mail.</p><p>Disponível em: https://materiais.</p><p>iprcbrasil.com.br/pir-assedio?</p><p>fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9</p><p>kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_</p><p>DjMqwamY6nG2fJG60IngE. Acesso</p><p>em: 8 fev. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>5.4 Assédio sexual e assédio intelectual</p><p>Vídeo O documento Assédio moral e sexual no trabalho, publicado pelo Se-</p><p>nado Federal (2017), mostra que o assédio sexual nas organizações,</p><p>ainda que seja realizado predominantemente contra as mulheres,</p><p>é uma realidade que atinge as pessoas independentemente de idade,</p><p>orientação sexual, gênero e raça. Pereira e Nunes (2011) explicam que</p><p>o assédio sexual se caracteriza pelo sentimento de constrangimento e</p><p>intimidação por meio de palavras, gestos ou atos com objetivo explí-</p><p>cito de se obter favores de natureza sexual, sobressaindo a condição</p><p>de superior hierárquico ou superioridade em decorrência do cargo ou</p><p>função para realizar os atos de perseguição ou importunação.</p><p>O assédio sexual ocorre com mais frequência do nível superior para</p><p>o inferior, mas pode também ocorrer do nível inferior para um nível</p><p>superior quando, por exemplo, um subordinado tenta se aproveitar</p><p>de uma situação que prejudique um superior hierarquicamente, con-</p><p>figurando uma chantagem em troca de favorecimento de natureza</p><p>https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-assedio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE</p><p>https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-assedio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE</p><p>https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-assedio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE</p><p>https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-assedio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE</p><p>https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-assedio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE</p><p>116 Ética e responsabilidade social</p><p>sexual. Segundo Pereira e Nunes (2011), apesar de o assédio sexual</p><p>no ambiente profissional ser também realizado por mulheres, tendo</p><p>como vítimas funcionários do sexo masculino, questões culturais de</p><p>nosso país fazem com que esse tipo de atitude, na maioria das vezes,</p><p>não seja considerado como assédio. Porém, as autoras destacam que</p><p>as mudanças sociais e culturais pelas quais a sociedade vem passan-</p><p>do fazem com que esse tipo de postura seja cada vez menos aceito.</p><p>Esse tipo de assédio não ocorre apenas nas relações profissionais.</p><p>Casos envolvendo relações de prestação de serviços (entre médicos</p><p>e pacientes, alunos e professores, autoridades religiosas e fiéis) ocor-</p><p>rem com frequência. Como traço comum, esses casos envolvem uma</p><p>figura de autoridade que utiliza seu poder e ascendência sobre o indi-</p><p>víduo que ocupa uma posição inferior na relação para obter favores</p><p>sexuais.</p><p>A pesquisa que originou o Índice PIR de assédio (IPRC, 2020) iden-</p><p>tificou que, mesmo o assédio sexual sendo menos aceito quando</p><p>comparado ao assédio moral no ambiente empresarial, 37% dos res-</p><p>pondentes preferem se omitir ao presenciar atitudes que configuram</p><p>o assédio sexual e 16% afirmam praticar esse tipo de assédio.</p><p>Os dados são corroborados por um levantamento realizado pela</p><p>consultoria Think Eva (2020) em parceria com a plataforma social</p><p>LinkedIn, especializada em relacionamentos profissionais. O levanta-</p><p>mento conclui que mais da metade das mulheres já passaram por</p><p>alguma experiência de assédio sexual durante a carreira, sendo que</p><p>mais de 80% delas ocupavam cargos hierarquicamente inferiores ao</p><p>do assediador no momento em que o assédio ocorreu. Os dados mos-</p><p>tram que em 92% dos casos de assédio houve a solicitação de favo-</p><p>res sexuais; em 91% ocorreu um contato físico forçado, não desejado</p><p>pela vítima; e em 60% dos casos ocorreu o ato físico do abuso sexual.</p><p>Cerca de 78% das vítimas não denunciaram o abuso por terem</p><p>certeza de que o assediador ficaria impune, e 64% preferiram não</p><p>denunciar o assédio por medo de serem expostas ou pela descrença</p><p>de outras pessoas em relação aos seus relatos.</p><p>Apesar de o termo assédio, no ambiente organizacional, ser utiliza-</p><p>do na maioria das vezes para se referir a questões sexuais e morais,</p><p>qualquer forma de discriminação e marginalização de pessoas, seja</p><p>por meio de condutas físicas ou verbais de natureza ofensiva e discri-</p><p>O levantamento realizado</p><p>pela Think Eva e pela</p><p>LinkedIn, embora não te-</p><p>nha o peso estatístico de</p><p>uma pesquisa acadêmica,</p><p>pela baixa quantidade</p><p>de respondentes (414</p><p>questionários respondi-</p><p>dos), mostra a realidade</p><p>das mulheres no cotidiano</p><p>profissional. Realizada</p><p>durante o período de</p><p>quarentena em razão da</p><p>pandemia de Covid-19, no</p><p>ano de 2020, a pesquisa</p><p>mostrou que mesmo o</p><p>trabalho na modalidade</p><p>home office não diminuiu</p><p>as situações de assédio</p><p>sexual no ambiente</p><p>empresarial. Ao contrário,</p><p>devido à sensação de</p><p>proteção dada pelo</p><p>ambiente virtual e à falsa</p><p>percepção de intimidade,</p><p>por ser possível entrar</p><p>virtualmente nas casas</p><p>das colegas de trabalho,</p><p>situações de assédio se</p><p>tornaram comuns nos</p><p>canais de comunicação</p><p>virtual das organizações.</p><p>Os resultados podem ser</p><p>acessados no link a seguir.</p><p>Disponível em: https://thinkeva.</p><p>com.br/pesquisas/assedio-no-</p><p>contexto-do-mundo-corporativo/.</p><p>Acesso em: 8 fev. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>https://thinkeva.com.br/pesquisas/assedio-no-contexto-do-mundo-corporativo/</p><p>https://thinkeva.com.br/pesquisas/assedio-no-contexto-do-mundo-corporativo/</p><p>https://thinkeva.com.br/pesquisas/assedio-no-contexto-do-mundo-corporativo/</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 117</p><p>minatória que ofendam, constranjam ou humilhem a vítima com o ob-</p><p>jetivo de afetar seu bem-estar físico e mental, pode ser caracterizada</p><p>como assédio.</p><p>Um exemplo é o assédio intelectual, que pode ser classificado como</p><p>um tipo específico de assédio moral no qual o assediador, por ocupar</p><p>maior cargo hierárquico, realiza atos ou adota posturas que busquem</p><p>humilhar, isolar, sabotar, não valorizar os trabalhos executados ou fur-</p><p>tar ideias de trabalho dos subordinados.</p><p>Esse tipo de assédio ocorre como uma exibição de poder por meio</p><p>da qual o assediador deseja reduzir a influência do assediado, normal-</p><p>mente um subordinado que se destaca ou está em ascensão na car-</p><p>reira, por entender que ele representa uma ameaça a sua posição na</p><p>hierarquia. O assédio intelectual é usado como instrumento para for-</p><p>talecer a imagem do assediador como detentor do poder pelo conheci-</p><p>mento e experiência prática. Pode também incluir a tática de submeter</p><p>o assediado a tarefas de difícil execução para as quais ele ainda não</p><p>tenha as competências profissionais necessárias como forma de expor</p><p>o subordinado a uma situação vexatória, caso ocorra o fracasso.</p><p>Muitas vezes o superior que pratica esse tipo de assédio se utiliza</p><p>de linguagem técnica/complexa para reafirmar sua condição e valo-</p><p>rizar sua imagem de intelecto e conhecimento superiores perante os</p><p>subordinados, deixando-os em posição de inferioridade e incapaci-</p><p>dade profissional.</p><p>Outra forma de praticar o assédio intelectual é se apropriar de ideias</p><p>e projetos de um subordinado ou não considerar nem reconhecer traba-</p><p>lhos realizados e os resultados obtidos pela vítima, de modo a isolá-la e</p><p>frustá-la em suas expectativas de reconhecimento. Assim, o assediador</p><p>pretende desmotivar o subordinado e diminuir seu desejo de desenvol-</p><p>ver projetos inovadores e complexos, forçando o assediado a assumir</p><p>uma postura de acomodação profissional dentro da empresa, que será</p><p>usada pelo assediador como mais uma ferramenta de assédio.</p><p>Apesar de pouco descrito na literatura acadêmica, o assédio intelec-</p><p>tual ocorre com frequência nas organizações e afeta a autoestima das</p><p>vítimas, que desenvolvem um sentimento de incapacidade, inferiorida-</p><p>de e frustração, o que pode abalar a construção de sua carreira.</p><p>118 Ética e responsabilidade social</p><p>5.5 Responsabilidade social corporativa</p><p>e direitos do trabalhador</p><p>Vídeo Dentro do conceito de responsabilidade social empresarial estão</p><p>incluídos os aspectos sociais e legais que envolvem os direitos e obri-</p><p>gações de cada um dos lados da relação entre a organização e seus</p><p>empregados.</p><p>O processo de criação de regras e normas internas pela empresa é</p><p>descrito por Curi (2011), o qual mostra a influência da sociedade, que,</p><p>por meio da pressão exercida tanto sobre o Estado quanto sobre as</p><p>empresas, busca que suas demandas relacionadas a aspectos sociais,</p><p>ambientais e culturais sejam transformadas em leis, normas e regras</p><p>a serem seguidas pelas organizações no cotidiano de suas operações.</p><p>A figura a seguir mostra a inter-relação entre sociedade, governo e em-</p><p>presa no processo de criação de regras e normas.</p><p>Figura 3</p><p>Processo de criação de regras para as empresasFonte: Curi, 2011, p. 29.</p><p>SOCIEDADE</p><p>Promove a</p><p>discussão dos</p><p>temas ambientais,</p><p>encaminhando suas</p><p>exigências para</p><p>os representantes</p><p>políticos.</p><p>1 2 3</p><p>GOVERNO</p><p>Pressionado pela</p><p>opinião pública,</p><p>cria leis que</p><p>satisfaçam suas</p><p>exigências.</p><p>EMPRESA</p><p>Em obediência</p><p>às leis, modifica</p><p>sua prática,</p><p>evitando efeitos</p><p>negativos sobre a</p><p>comunidade local.</p><p>Ho</p><p>ub</p><p>ac</p><p>ze</p><p>ch</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Fonte: Curi, 2011, p. 29.</p><p>Testa e Caldas (2019) mencionam que essa conexão entre a legisla-</p><p>ção e a prática das empresas é regulamentada por um conjunto de nor-</p><p>mas regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (BRASIL,</p><p>1943), pela Constituição Federal (BRASIL, 1988) e por outras leis e</p><p>ordenamentos jurídicos que abordam o tema. No ordenamento jurí-</p><p>dico brasileiro, a lei superior é a Constituição, que é definida como um</p><p>conjunto de regras governamentais que rege o ordenamento federal,</p><p>conforme é evidenciado no próprio texto da Constituição.</p><p>Acessando o link a</p><p>seguir, você poderá ler</p><p>na íntegra o artigo 7º da</p><p>Constituição e todos os</p><p>direitos assegurados aos</p><p>trabalhadores urbanos</p><p>e rurais, como seguro-</p><p>-desemprego, fundo</p><p>de garantia do tempo</p><p>de serviço, 13º salário,</p><p>jornada de trabalho não</p><p>superior a 8h diárias e</p><p>44h semanais, repouso</p><p>semanal remunerado,</p><p>férias remuneradas com</p><p>acréscimo de 1/3 do valor</p><p>do salário, licença-mater-</p><p>nidade e licença-paterni-</p><p>dade, adicional noturno e</p><p>de insalubridade, aposen-</p><p>tadoria, entre outros.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>senado.leg.br/atividade/const/</p><p>con1988/con1988_15.12.2016/</p><p>art_7_.asp. Acesso em: 12 fev.</p><p>2020.</p><p>Saiba mais</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.12.2016/art_7_.asp</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.12.2016/art_7_.asp</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.12.2016/art_7_.asp</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_15.12.2016/art_7_.asp</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 119</p><p>Em seu artigo 7º, a Constituição aborda os direitos dos trabalhado-</p><p>res urbanos e rurais nas suas relações profissionais e de trabalho em</p><p>relação a empregadores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, com o</p><p>objetivo de protegê-los e melhorar sua condição social (BRASIL, 1988).</p><p>O ordenamento jurídico de uma nação é vivo e se adaptada às</p><p>mudanças sociais, culturais, tecnológicas e ambientais que trazem</p><p>impactos sobre a sociedade. Novas leis e normas são constantemen-</p><p>te promulgadas e trazem alterações na CLT, necessárias para acom-</p><p>panhar mudanças na sociedade e no contexto específico das relações</p><p>empregados-empresas. A figura a seguir mostra o funcionamento do</p><p>ordenamento jurídico brasileiro em relação às leis que regem as rela-</p><p>ções de trabalho.</p><p>Figura 4</p><p>Estrutura do ordenamento jurídico e direitos do trabalhador</p><p>CONSTITUIÇÃO FEDERAL</p><p>LEIS E NORMAS</p><p>SOBRE DIREITO DO</p><p>TRABALHADOR</p><p>LEIS TRABALHISTAS</p><p>Define em linhas gerais o conjunto de regras</p><p>de governo que rege o ordenamento federal,</p><p>ou seja, é a espécie jurídica mais importante</p><p>do país. Todas as outras espécies jurídicas se</p><p>submetem a ela.</p><p>Submetem-se à CLT, que é a principal lei</p><p>específica referente à relação empregador</p><p>e empregado. Sendo assim, devem ser</p><p>compatíveis com a Constituição e com a CLT.</p><p>São um conjunto de leis que versam sobre</p><p>assuntos gerais da relação empregador e</p><p>empregado. A CLT faz parte do conjunto de leis</p><p>sobre essa relação e deve ser compatível com a</p><p>Constituição.</p><p>Fonte: Adaptada de Costa Filho et al., 2018.</p><p>Entre os diversos direitos do trabalhador garantidos pela CLT, in-</p><p>cluem-se a exigência da Carteira de Trabalho e Previdência Social</p><p>(CTPS) assinada pela empresa, a realização de exames médicos de ad-</p><p>missão e demissão, o repouso semanal remunerado, as datas limites</p><p>para pagamento de salários e benefícios e o direito a férias anuais.</p><p>120 Ética e responsabilidade social</p><p>A responsabilidade social da empresa em relação a seus colabo-</p><p>radores não é regida apenas pela legislação específica. Diversos ou-</p><p>tros documentos e instrumentos são utilizados pelas empresas para</p><p>garantir que a relação empresa-empregado seja saudável. Um desses</p><p>documentos é a Norma Regulamentadora 17 (NR 17), desenvolvida</p><p>em 1990 pelo então Ministério do Trabalho e da Previdência Social</p><p>(MTPS), que apresenta regras e orientações sobre diversos aspectos</p><p>físicos e estruturais do ambiente de trabalho com o objetivo de prote-</p><p>ger a saúde dos trabalhadores (BRASIL, 1990). Além de abordar ques-</p><p>tões relacionadas aos aspectos físicos do local de trabalho, envolvendo</p><p>conceitos de ergonomia e segurança do trabalhador, a NR 17 também</p><p>aborda questões éticas e comportamentais que precisam ser levadas</p><p>em consideração pelas empresas.</p><p>De acordo com Testa e Caldas (2019), as doenças ocupacionais de-</p><p>vem ser evitadas pelas organizações por meio de um trabalho preven-</p><p>tivo sobre os fatores de risco presentes no ambiente de trabalho, com</p><p>uma visão técnica, social e comportamental, que leve em consideração</p><p>as condições individuais e coletivas, relacionadas tanto a aspectos obje-</p><p>tivos, como tarefas executadas e condições do local de trabalho, quanto</p><p>a aspectos comportamentais subjetivos, como relações interpessoais e</p><p>hábitos pessoais dos colaboradores.</p><p>Uma empresa na qual as questões éticas não sejam adequadamen-</p><p>te tratadas e reguladas por meio de uma cultura ética e socialmente</p><p>responsável, traduzida nos manuais de processos e procedimentos, na</p><p>descrição dos cargos, nas normas e nos Códigos de Ética, está sujeita a</p><p>desenvolver uma cultura e um clima organizacional tóxicos, em que os</p><p>direitos dos trabalhadores não são respeitados, o que pode refletir na</p><p>saúde física e mental dos colaboradores.</p><p>A NR 17 apresenta práticas consideradas reprováveis na organiza-</p><p>ção do trabalho na empresa, por exemplo, a definição de normas e</p><p>regras organizacionais sem a participação dos trabalhadores e a exi-</p><p>gência de níveis de produtividade superdimensionados, relacionados</p><p>a prêmios individuais de produtividade, que podem acarretar excesso</p><p>de trabalho e perda do controle dos trabalhadores sobre sua jornada</p><p>de trabalho.</p><p>Algumas dessas práticas, apesar de serem consideradas de maneira</p><p>negativa pela NR 17, fazem parte do cotidiano das empresas, pois o fa-</p><p>O Manual de aplicação da</p><p>Norma Regulamentadora</p><p>n. 17 apresenta conceitos</p><p>e explanações breves</p><p>sobre biomecânica,</p><p>fisiologia, organização</p><p>do trabalho, cognição,</p><p>mobiliário do posto</p><p>de trabalho, trabalho</p><p>muscular, programas de</p><p>metas etc. Esse manual</p><p>foi elaborado em 2015</p><p>com o objetivo subsidiar</p><p>a atuação dos auditores</p><p>fiscais do trabalho e dos</p><p>profissionais</p><p>de seguran-</p><p>ça e saúde do trabalha-</p><p>dor em suas atividades e</p><p>pode ser consultado no</p><p>link a seguir.</p><p>Disponível em: http://biblioteca.</p><p>cofen.gov.br/wp-content/</p><p>uploads/2015/01/MANUAL-DE-</p><p>APLICACAO-DA-NR-17.pdf. Acesso</p><p>em: 8 fev. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>http://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/MANUAL-DE-APLICACAO-DA-NR-17.pdf</p><p>http://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/MANUAL-DE-APLICACAO-DA-NR-17.pdf</p><p>http://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/MANUAL-DE-APLICACAO-DA-NR-17.pdf</p><p>http://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/MANUAL-DE-APLICACAO-DA-NR-17.pdf</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 121</p><p>tor econômico pesa na definição dos objetivos e das práticas. Embora</p><p>a busca pelo lucro seja fundamental para a sobrevivência e expansão</p><p>da empresa e para que os objetivos econômicos e ambientais sejam</p><p>alcançados, as cobranças por resultados não podem gerar situações</p><p>de assédio ou de pressão que afetem a saúde dos trabalhadores ou</p><p>tragam impactos negativos para a sociedade e para o meio ambiente.</p><p>5.6 O papel do gestor na responsabilidade</p><p>social e ambiental da organização</p><p>Vídeo A evolução constante nas relações entre empresas e sociedade tem</p><p>feito com que as organizações precisem se adaptar a transformações</p><p>sociais, políticas, econômicas e culturais.</p><p>Muitas empresas concluíram que é essencial que os aspectos rela-</p><p>cionados à responsabilidade social e ambiental sejam incorporados ao</p><p>posicionamento e ao planejamento estratégico, por meio da definição</p><p>de objetivos que levem em consideração os aspectos econômicos, so-</p><p>ciais e ambientais, visão conhecida como Triple Bottom Line.</p><p>Para que essa visão estratégica seja colocada em prática no cotidia-</p><p>no dos processos e das atividades da empresa, os líderes</p><p>e gestores têm o papel de traduzi-la em ações táti-</p><p>cas que envolvam o desenvolvimento de novos</p><p>procedimentos e novas formas de realizar as</p><p>atividades, considerando a responsabilida-</p><p>de socioambiental.</p><p>São também os gestores e líderes que</p><p>transformam essas estratégias e táticas</p><p>em métricas e indicadores que podem</p><p>ser medidos durante a execução das ativi-</p><p>dades realizadas pelas equipes de colabora-</p><p>dores da empresa nas relações que ocorrem</p><p>internamente, bem como no relacionamento da</p><p>empresa com o ambiente externo formado por parceiros,</p><p>fornecedores, clientes, governo e sociedade.</p><p>A visão socioambiental deve estar presente em todos os projetos</p><p>e atividades das organizações, desde a elaboração do planejamento</p><p>Pasuwan/Shutterstock</p><p>122 Ética e responsabilidade social</p><p>e sua implementação até o encerramento. O gestor deve conhecer a</p><p>legislação pertinente, para que assim possa evitar transgressões de leis</p><p>que regulamentam a atividade da organização em relação aos impactos</p><p>no meio ambiente e na sociedade. As empresas precisam desenvolver</p><p>em seus colaboradores, especialmente em seus líderes, as competên-</p><p>cias necessárias para lidar com toda a complexidade das questões re-</p><p>lacionadas à responsabilidade social e ambiental, tanto nos aspectos</p><p>técnicos quanto comportamentais.</p><p>Segundo Curi (2011), infelizmente muitas empresas ainda pensam</p><p>apenas nos resultados financeiros de curto prazo e adotam filosofias</p><p>para diminuir custos sem levar em consideração os possíveis aspectos</p><p>negativos, sejam eles externos ou internos.</p><p>Ao analisar os principais eventos que trazem impactos negativos à</p><p>sociedade ou ao meio ambiente, como denúncias de trabalho escravo</p><p>na cadeia de fornecimento de uma empresa ou desastres ambientais</p><p>causados por decisões equivocadas dos gestores, como a tragédia de</p><p>Brumadinho, é possível identificar que a maioria desses problemas</p><p>poderia ter sido evitada se os gestores tomassem decisões baseadas</p><p>em uma visão ampla e holística de todos os riscos sociais e ambientais</p><p>envolvidos, e não simplesmente na visão econômica de curto prazo fo-</p><p>cada em diminuir os custos de qualquer forma, mesmo que isso repre-</p><p>sente a possibilidade de expor a empresa a riscos. O papel dos gestores</p><p>também não deve se resumir a uma postura reativa, em que as ações</p><p>são tomadas apenas após a ocorrência de fatos negativos, nem pode</p><p>ser baseada na dissimulação ou negação dos eventos.</p><p>Após a tragédia da companhia Vale do Rio Doce, ocorrida na localidade do</p><p>Córrego do Feijão, em Brumadinho, os impactos do desastre ecológico ainda</p><p>são sentidos pelas comunidades afetadas, e provavelmente deverão ser sen-</p><p>tidos por muito tempo. A empresa foi acionada pela Justiça e continua enfren-</p><p>tando problemas relacionados à reparação de danos causados às populações</p><p>e ao meio ambiente e sofrendo com o impacto da tragédia sobre sua imagem</p><p>corporativa. O artigo Lama, o crime vale no Brasil – a tragédia de Brumadinho,</p><p>de Hudson Rodrigues de Lima e Vicente de Paulo da Silva, publicado na revis-</p><p>ta Territorium, relata a tragédia do ponto de vista das comunidades afetadas.</p><p>Acesso em: 8 fev. 2021.</p><p>https://impactum-journals.uc.pt/territorium/issue/view/355/186</p><p>Artigo</p><p>https://impactum-journals.uc.pt/territorium/issue/view/355/186</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 123</p><p>De acordo com Dias (2014), as organizações apostam no conheci-</p><p>mento e realizam investimentos para manter e formar talentos, pois</p><p>reconhecem o valor e a importância desses recursos humanos para a</p><p>manutenção da competitividade da organização diante dos competido-</p><p>res no mercado.</p><p>A liderança precisa considerar, nos seus processos de gestão, essa</p><p>nova relação entre empresa, trabalhadores e sociedade, implemen-</p><p>tando na prática os conceitos relacionados à responsabilidade social e</p><p>ambiental. Curi (2011) ressalta que a gestão da empresa deve buscar</p><p>adotar um modelo de gestão e de desenvolvimento dos recursos hu-</p><p>manos fundamentado em uma postura preventiva, pois é muito mais</p><p>vantajoso e menos complexo adotar medidas preventivas e planejadas</p><p>do que tomar medidas corretivas quando as ações ou decisões da em-</p><p>presa trazem danos à sociedade e ao meio ambiente.</p><p>Para o autor, o administrador tem grande importância para a em-</p><p>presa por conhecer as leis, as normas e os limites éticos, legais e mo-</p><p>rais que direcionam a atuação da empresa e por buscar, por meio de</p><p>suas ações, diminuir ou eliminar todos os possíveis impactos externos,</p><p>como a poluição e a degradação do meio ambiente, no contexto da</p><p>responsabilidade ambiental, e as ações danosas à comunidade e aos</p><p>colaboradores, no contexto da responsabilidade social (CURI, 2011).</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>As empresas são constituídas de diferentes grupos de pessoas que</p><p>trabalham em conjunto para atingir objetivos comuns. As relações que</p><p>se estabelecem entre os profissionais dos diversos níveis hierárquicos, se</p><p>não forem bem administradas, podem gerar situações de conflito e abuso</p><p>de poder que podem afetar as relações entre os trabalhadores e os resul-</p><p>tados obtidos pela organização.</p><p>O resultado positivo só é atingido pela adoção de princípios e valores</p><p>culturais e morais coesos e comuns à empresa e aos colaboradores, crian-</p><p>do um ambiente de respeito e colaboração que aumente a motivação e a</p><p>produtividade dos empregados que se identificam com objetivos de inte-</p><p>resse social, ambiental e econômico da empresa.</p><p>Nesse contexto, a liderança tem um papel muito importante ao con-</p><p>duzir as atividades das empresas, respeitando os preceitos da responsa-</p><p>bilidade socioambiental e administrando as diferenças dos colaboradores</p><p>com base em princípios éticos e valores culturais e morais.</p><p>124 Ética e responsabilidade social</p><p>ATIVIDADES</p><p>1. Aponte as semelhanças e diferenças existentes entre o assédio moral</p><p>e o assédio sexual.</p><p>2. Imagine uma indústria que apresenta riscos de expor seus</p><p>colaboradores a condições que os prejudiquem em seu ambiente</p><p>de trabalho. A empresa desenvolve a higiene ocupacional (uma</p><p>técnica preventiva das empresas, que tem como objetivo eliminar/</p><p>reduzir os agentes agressivos de natureza química, física ou biológica</p><p>presentes no local de trabalho) para diminuir o risco de deterioração</p><p>do ambiente de trabalho e de</p><p>prejuízo à saúde dos trabalhadores,</p><p>uma prática de sustentabilidade social que beneficia os empregados</p><p>ao proporcionar um ambiente com menos riscos de desenvolver</p><p>doenças de ordem ocupacional. Como, nesse caso, a aplicação correta</p><p>da higiene ocupacional também pode ser uma prática de proteção ao</p><p>meio ambiente?</p><p>3. Explique a diferença entre assédio moral ascendente e descendente.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF,</p><p>5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.</p><p>htm. Acesso em: 12 fev. 2021.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Diário Oficial da União, Poder Executivo,</p><p>Brasília, DF, 9 ago. 1943. Disponivel em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/</p><p>del5452.htm. Acesso em: 5 fev. 2021.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora n. 17 – Ergonomia. Diário Oficial</p><p>da União, Brasília, DF, 26 nov. 1990. https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-</p><p>e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-17.pdf/view. Acesso em: 12 fev. 2021.</p><p>CAMARGO, M. Ética na empresa. Petrópolis: Vozes, 2006.</p><p>CAXITO, F. A. Do desemprego à recolocação. São Paulo: AltaBooks, 2020.</p><p>COSTA FILHO, A. C. et al. Consolidação das leis do trabalho. São Paulo: LTr, 2018.</p><p>CURI, D. Gestão Ambiental. São Paulo: Pearson Education, 2011.</p><p>DIAS, R. Sociologia e ética profissional. São Paulo: Pearson Education, 2014.</p><p>IPRC. Índice PIR – Assédio. 2020. Disponível em: https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-ass</p><p>edio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE.</p><p>Acesso em: 4 fev. 2021.</p><p>JESUS, T. A.; SARMENTO, M.; DUARTE, M. Ética e responsabilidade social. Dos Algarves:</p><p>A Multidisciplinary e-Journal, n. 29, p. 3-30, 2017. Disponível em: http://www.dosalgarves.</p><p>com/index.php/dosalgarves/article/view/109/162. Acesso em: 5 fev. 2021.</p><p>LA TAILLE, Y. Moral e Ética:  uma leitura psicológica.  Psicologia: Teoria e Pesquisa. v. 26,</p><p>n. especial, p. 105-114, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-</p><p>37722010000500009&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 5 fev. 2021.</p><p>PEREIRA, G. T.; NUNES, M. T. Assédio moral e sexual. Brasília, DF: Senado Federal, 2011.</p><p>Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/</p><p>cartilha-assedio-moral-e-sexual. Acesso em: 5 fev. 2021.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm</p><p>https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-</p><p>https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-</p><p>https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-assedio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE</p><p>https://materiais.iprcbrasil.com.br/pir-assedio?fbclid=IwAR2GzChBYKSBM9kVrdv5u7h8A-q6itpuvvNpm_DjMqwamY6nG2fJG60IngE</p><p>http://www.dosalgarves.com/index.php/dosalgarves/article/view/109/162</p><p>http://www.dosalgarves.com/index.php/dosalgarves/article/view/109/162</p><p>http://www.scielo.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=article%5Edlibrary&format=iso.pft&lang=i&nextAction=lnk&indexSearch=AU&exprSearch=LA+TAILLE,+YVES+DE</p><p>https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-37722010000500009&script=sci_abstract&tlng=pt</p><p>https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-37722010000500009&script=sci_abstract&tlng=pt</p><p>https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/cartilha-assedio-moral-e-sex</p><p>https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/cartilha-assedio-moral-e-sex</p><p>Gestão, ética e responsabilidade social 125</p><p>PEREIRA, R. S. Desenvolvimento sustentável como responsabilidade social das empresas. São</p><p>Paulo: Lorosae, 2002.</p><p>SANTOS, A. P. P.; BENEDITO, D. Z. L.; SILVA, E. L. Ética e responsabilidade social nas</p><p>empresas: um estudo bibliográfico. Educação, Gestão e Sociedade: revista da Faculdade Eça</p><p>de Queirós, ano 7, n. 26, jun. 2017. Disponível em: http://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/</p><p>revistas/20170606113637.pdf. Acesso em: 18 fev. 2021.</p><p>SENADO FEDERAL. Assédio moral e sexual no trabalho. 2017. Disponível em: https://</p><p>www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/cartilha-assedio-</p><p>moral-e-sexual-no-trabalho. Acesso em: 5 fev. 2021.</p><p>SOARES, L. Q. Interações socioprofissionais e assédio moral no trabalho: ou você interage do</p><p>jeito deles ou vai humilhado até não aguentar mais. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo;</p><p>Pearson, 2015.</p><p>TESTA, M.; CALDAS, R. M. Legislação ambiental e do trabalhador. São Paulo: Pearson Education,</p><p>2019.</p><p>THINK EVA. O ciclo do assédio sexual no ambiente de trabalho. 2020. Disponível em: https://</p><p>thinkeva.com.br/pesquisas/assedio-no-contexto-do-mundo-corporativo/. Acesso em: 5 fev.</p><p>2021.</p><p>TOLFO, S. R. et al. Assédio moral no trabalho: uma violência a ser enfrentada. Florianópolis:</p><p>UFSC, 2013. Disponível em: http://www.assediomoral.ufsc.br/files/2013/07/CARTILHA_</p><p>AMT.pdf. Acesso em: 5 fev. 2021.</p><p>http://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170606113637.pdf</p><p>http://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170606113637.pdf</p><p>https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/cartilha-assedio-moral-e-sex</p><p>https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/cartilha-assedio-moral-e-sex</p><p>https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/proc-publicacoes/cartilha-assedio-moral-e-sex</p><p>https://thinkeva.com.br/pesquisas/assedio-no-contexto-do-mundo-corporativo</p><p>https://thinkeva.com.br/pesquisas/assedio-no-contexto-do-mundo-corporativo</p><p>http://www.assediomoral.ufsc.br/files/2013/07/CARTILHA_AMT.pdf</p><p>http://www.assediomoral.ufsc.br/files/2013/07/CARTILHA_AMT.pdf</p><p>126 Ética e responsabilidade social</p><p>GABARITO</p><p>1 Ética e moral no contexto empresarial</p><p>1. O termo Êthos, grafado com o acento circunflexo na primeira letra, está</p><p>relacionado à ideia de interioridade do ser humano, a habitação do ser</p><p>interior. Já o termo Éthos, grafado com acento agudo na primeira letra,</p><p>se relaciona ao comportamento externo adotado pelas pessoas em</p><p>sua convivência social, aos hábitos e costumes individuais, ou seja, o</p><p>modo como uma pessoa se comporta em sociedade. É esse segundo</p><p>conceito que causa a confusão com o conceito de moral, que pode</p><p>ser entendido como os costumes de um determinado grupo social, as</p><p>normas, regras e leis que governam as relações entre as pessoas que</p><p>convivem em sociedade.</p><p>2. A filosofia hedônica é um conceito central para o estudo da sociedade</p><p>de consumo atual, caracterizada pela busca do sucesso e da sensação</p><p>de felicidade por meio do consumo, da gratificação sensorial imediata</p><p>trazida pela compra e uso de bens. O consumo cumpre o papel de</p><p>garantir o prazer hedônico e traz reconhecimento e status dentro da</p><p>sociedade.</p><p>3. O desenvolvimento científico também influenciou a forma de se pensar</p><p>as relações sociais e o papel da ética e da moral. O entendimento do</p><p>funcionamento das leis da natureza trouxe a visão de que as relações</p><p>sociais também poderiam ser pensadas como uma máquina que pode</p><p>ser regulada, por meio de leis morais, para funcionar de forma mais</p><p>eficiente.</p><p>2 Código de Ética nas organizações</p><p>1. A missão pode ser entendida como a razão de existência da empresa,</p><p>ou seja, para que ela foi criada. A visão, por sua vez, mostra onde a</p><p>empresa pretende chegar, onde ela se vê em determinado momento</p><p>no futuro. Já os valores representam os padrões éticos que guiarão as</p><p>decisões, ações, posturas e comportamentos da empresa e de seus</p><p>colaboradores.</p><p>2. A cultura organizacional tem como objetivo orientar como os membros</p><p>de um grupo social específico – os colaboradores de uma empresa</p><p>– compartilham histórias, símbolos, conhecimentos e determinar os</p><p>comportamentos, ações e atitudes aceitos dentro do grupo social. Já o</p><p>Gabarito 127</p><p>de</p><p>estudo da ética. A ética é o fundamento que baseia as decisões morais toma-</p><p>das no cotidiano pelo indivíduo ou pelo grupo. Para esclarecer melhor a rela-</p><p>ção entre os dois conceitos, o autor usa o seguinte exemplo: um fundamento</p><p>ético é a proibição de tomar à força ou roubar aquilo que não me pertence.</p><p>Esse é um princípio universal que rege as relações na maioria dos grupos so-</p><p>ciais. A decisão de roubar ou não roubar algo, tomada pelo indivíduo em um</p><p>momento específico, é uma decisão moral. A moral é, portanto, a prática co-</p><p>tidiana, as normas e regras que regem as relações que ocorrem nos grupos</p><p>sociais e que direcionam as atitudes e ações tomadas pelos indivíduos.</p><p>A origem da palavra moral é o termo latino moralis, que segundo</p><p>Spinelli (2009) está relacionado aos costumes, normas e leis e pode ser</p><p>entendido como o comportamento e a atitude de um indivíduo em re-</p><p>lação às regras e normas do grupo social a que pertence. Analisando a</p><p>etimologia da palavra, moral surgiu da tradução para o latim da palavra</p><p>êthica, de origem grega. Como já discutido anteriormente, em sua ori-</p><p>gem na língua grega, a palavra ética tem dois sentidos que são diferen-</p><p>ciados pela sua grafia: êthos (relacionado à ideia de interioridade do ser</p><p>humano, a morada da alma) e éthos (relacionado ao comportamento</p><p>externo adotado pelas pessoas em sua convivência social).</p><p>A acepção da palavra moral está mais relacionada ao segundo con-</p><p>texto do conceito de ética. Assim, a moral está ligada às ações e postu-</p><p>ras adotadas pelo indivíduo e que podem ser consideradas adequadas</p><p>ou não, apropriadas ou não, quando analisadas à luz das regras e nor-</p><p>mas vigentes no grupo social. Como a moral é a prática, ela é sempre</p><p>baseada em uma reflexão e em uma decisão individual sobre as atitu-</p><p>des que a pessoa adotará com base nessa reflexão.</p><p>Ainda de acordo com Spinelli (2009), as decisões das ações e com-</p><p>portamentos que o indivíduo adota se encontram na intercessão entre</p><p>a ética (individual e interna) e a moral (coletiva e externa). Ao decidir</p><p>adotar um comportamento, como no exemplo da decisão sobre roubar</p><p>ou não roubar, o indivíduo pondera e leva em consideração não só sua</p><p>ética interna, mas também a avaliação que o grupo fará sobre seus</p><p>atos. Assim, o que pode ser considerada uma atitude moral em um</p><p>determinado grupo, pode ser tida como imoral por outro grupo.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 17</p><p>Cabe aqui uma distinção entre moral e moralismo, que é o ato de</p><p>julgar as ações de terceiros sob à luz da ética e moral do julgador. Gran-</p><p>de parte das discussões observadas cotidianamente nas redes sociais</p><p>são baseadas na visão moralista adotada por alguns indivíduos que</p><p>acham ter não só o direito, mas até mesmo o dever de analisar as de-</p><p>cisões de outras pessoas e emitir juízos de valor com base em sua pró-</p><p>pria moral. Lewandovski (2017, p. 1) explica a diferenciação entre moral</p><p>e moralismo na visão do Direito:</p><p>a Moral corresponde a um código de procedimentos que sujeita</p><p>os transgressores à reprovação, velada ou explícita, dos mem-</p><p>bros da coletividade a que pertencem, acarretando, por vezes, a</p><p>própria exclusão dos recalcitrantes de seu convívio.</p><p>Já o moralismo representa uma espécie de patologia da moral.</p><p>Enquanto nesta há um certo consenso das pessoas no tocante à</p><p>distinção entre o certo e o errado, no moralismo alguns poucos</p><p>buscam impor aos outros seus padrões morais singulares, cir-</p><p>cunscritos a certa época, religião, seita ou ideologia.</p><p>A análise comparativa da cultura e da legislação de cada país em</p><p>relação a diversos aspectos da vida cotidiana permite um entendimen-</p><p>to mais profundo sobre o conceito de moral. Em alguns países, a pena</p><p>de morte é moralmente aceita e usada como uma forma de punição de</p><p>atitudes ou posturas consideradas imorais, como o assassinato. Em ou-</p><p>tros países, essa pena é considerada ilegal e imoral, pois se considera</p><p>que o grupo ou a sociedade não tem o poder nem o direito de tirar a</p><p>vida de um ser humano, mesmo que este tenha cometido uma ação</p><p>que fere a moralidade vigente.</p><p>Um exemplo ainda mais simples de ser entendido é a definição de</p><p>cada cultura sobre qual o tipo de roupa é considerado adequado. Em al-</p><p>gumas culturas, mulheres precisam se cobrir totalmente e qualquer ex-</p><p>posição da pele feminina é considerada imoral. Já em outras culturas, a</p><p>exposição do corpo, seja ele feminino ou masculino, é cele-</p><p>brada como um exemplo da liberdade dos indivíduos.</p><p>Nas Olimpíadas de 2016, a imagem de duas jogado-</p><p>ras de voleibol, uma usando como uniforme um bi-</p><p>quíni e outra, uma burca, tornou-se conhecida</p><p>por exemplificar as diferenças culturais dos</p><p>países e mostrar como a definição do que é</p><p>moral ou imoral depende da análise do con-</p><p>texto social no qual o indivíduo está inserido.</p><p>Diferenças culturais.</p><p>Ph</p><p>ot</p><p>og</p><p>ra</p><p>ph</p><p>ee</p><p>.e</p><p>u/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>18 Ética e responsabilidade social</p><p>Moral e ética são intrinsecamente ligadas, pois as decisões morais</p><p>se baseiam nas reflexões éticas. Conforme Pedro (2014), a relação en-</p><p>tre os dois conceitos é desejável e necessária, pois o pensar filosófico</p><p>alimenta o agir moral, e a prática da moralidade leva ao repensar ético.</p><p>Essa relação, que a autora considera de circularidade ascendente e de</p><p>complementaridade, é apresentada na Figura 2.</p><p>Figura 2</p><p>Relação intrínseca entre ética e moral</p><p>Ética</p><p>Moral</p><p>Fonte: Pedro, 2014, p. 487.</p><p>Segundo a autora, a linha tracejada das figuras representa a per-</p><p>meabilidade dos conceitos de ética e moral, que se influenciam mu-</p><p>tuamente. As setas internas representam a comunicação e o diálogo</p><p>ético-moral, que leva à evolução de ambos os conceitos, já que a moral</p><p>vigente em um determinado momento histórico acaba por influenciar</p><p>o pensar ético. As setas externas representam a relação da ética e da</p><p>moral com o ambiente cultural e social externo.</p><p>As mudanças que ocorrem no seio da sociedade influenciam o</p><p>que é considerado moral ou imoral em um grupo social. Um exem-</p><p>plo bastante atual é a mudança da postura da sociedade em relação</p><p>ao assédio moral e sexual. Antes, o assédio, mesmo que considera-</p><p>do imoral, era aceito de maneira velada pela sociedade, que muitas</p><p>vezes culpava a própria vítima pela ação do assediador. A partir de</p><p>movimentos sociais e culturais que passaram a denunciar publica-</p><p>mente as ações e divulgar o nome de assediadores, a moral vigente</p><p>em alguns países passou a condenar totalmente a postura do asse-</p><p>diador. É importante lembrar que a moral está relacionada à cultu-</p><p>ra e à legislação de um determinado local. Portanto, não é possível</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 19</p><p>dizer que essa mudança moral aconteceu em todos os países, mas</p><p>apenas naqueles em que o grupo e os indivíduos repensaram sua</p><p>postura frente às mudanças sociais.</p><p>Para Comte-Sponville (2002, p. 22), as decisões morais a serem</p><p>tomadas pelos indivíduos podem ser entendidas mais facilmente se</p><p>forem levadas a uma situação hipotética extrema. O filósofo usa a se-</p><p>guinte questão para exemplificar sua visão: “se todos mentissem, se</p><p>todos matassem, se todos torturassem, como a humanidade viveria?”</p><p>A questão central dessa análise é que o indivíduo precisa tomar ou</p><p>não uma atitude ou adotar uma postura levando em consideração não</p><p>apenas o seu benefício ou as possíveis punições que pode sofrer caso</p><p>não siga as normas morais do grupo social do qual faz parte. Essa ques-</p><p>tão é magistralmente abordada por Platão (2019), por meio do mito do</p><p>anel de Giges.</p><p>Esse mito mostra que a ação moral, apesar de ser reflexo da cul-</p><p>tura do grupo social da qual o indivíduo faz parte, é uma decisão</p><p>individual de buscar o benefício do grupo, mesmo que a pessoa</p><p>não seja julgada por isso. Ao tomar uma decisão moral, o indivíduo</p><p>não deveria, do ponto de vista filosófico, levar em consideração</p><p>clima organizacional está relacionado aos sentimentos dos indivíduos</p><p>em relação à empresa e seu trabalho. Enquanto a cultura organizacional</p><p>é estável e leva tempo para ser alterada, o clima organizacional pode</p><p>oscilar rapidamente.</p><p>3. O Código de Ética tem a função de identificar as tarefas, atividades,</p><p>funções, responsabilidades e objetivos que a empresa pretende</p><p>realizar para alcançar seus objetivos em sua atuação na sociedade.</p><p>O documento também informa a filosofia, os princípios éticos e os</p><p>valores morais em que a empresa acredita e coloca em prática.</p><p>3 Responsabilidade social nas organizações</p><p>1. A responsabilidade social empresarial engloba as ações da empresa</p><p>que beneficiam não apenas seus stakeholders como também a</p><p>sociedade em geral. Do ponto de vista social, as ações de RSE têm</p><p>como objetivo promover o desenvolvimento de uma sociedade mais</p><p>igualitária e justa. Já quanto ao meio ambiente, essas ações buscam ir</p><p>além de garantir que as atividades da empresa não tragam impactos</p><p>negativos para ele, objetivando, ainda, promover a sustentabilidade</p><p>ambiental e reverter a degradação ambiental.</p><p>2. O que explica a viabilidade da aplicação do conceito de responsabilidade</p><p>social e ambiental pelas empresas é o fato de que elas têm ganhos</p><p>de imagem e reputação perante consumidores mais racionais e</p><p>conscientes, que não levam em consideração o preço para decidir</p><p>pela compra de produtos ou contratação de serviços. Esse aspecto</p><p>é reforçado pela evolução da sociedade em termos de racionalidade</p><p>e em termos críticos, e para essa parte dos consumidores os atos</p><p>praticados em benefício da sociedade se tornam uma diferenciação</p><p>da empresa perante os concorrentes, representando, assim, uma</p><p>vantagem competitiva.</p><p>3. De acordo com o Triple Bottom Line, uma empresa é considerada</p><p>sustentável quando seus objetivos e resultados levam em consideração</p><p>a criação de valor tanto no aspecto econômico-financeiro quanto nos</p><p>aspectos social e ambiental.</p><p>4 Sistemas de gestão de responsabilidade social</p><p>1. Um SGA deve possuir as mesmas características de um sistema</p><p>genérico de gestão, como: retroalimentação em ciclos de verificação</p><p>contínua para detectar imperfeições e desvios de diretrizes. A</p><p>128 Ética e responsabilidade social</p><p>verificação deve se basear em mensurações, uso de indicadores de</p><p>desempenho e auditorias internas e externas de maneira periódica e</p><p>sistemática. Após a detecção de problemas, procedem-se as correções</p><p>e providenciam-se as alterações de processos, dentro dos princípios</p><p>de melhoria contínua, que sejam aderentes à legislação ambiental e</p><p>aos objetivos das empresas.</p><p>2. A prática de se certificar é eficaz para que uma empresa que pratica</p><p>atos em prol da sociedade e do meio ambiente se diferencie das outras,</p><p>pois isso destaca seus produtos, sua marca e a própria empresa e</p><p>reforça a sua credibilidade ao demonstrar que está agindo de acordo</p><p>com ações que beneficiam a sociedade e preservam o meio ambiente,</p><p>além de contribuir para diferentes aspectos dos negócios, elevando os</p><p>níveis de qualidade, segurança e eficiência.</p><p>3. A certificação produz consequências benéficas para a sociedade e o</p><p>meio ambiente, como a redução de impactos negativos (poluição e</p><p>exaustão de recursos naturais por excesso de consumo) e o aumento</p><p>dos impactos positivos (ações auxiliando o acesso a cursos profissionais</p><p>e a realização de campanhas sociais e culturais), e possibilita ligações</p><p>entre empresa e sociedade, com os objetivos da empresa se unindo</p><p>a interesses sociais e ambientais e se tornando parte integrante</p><p>do planejamento estratégico da empresa, que resultará em mais</p><p>benefícios mútuos.</p><p>5 Gestão, ética e responsabilidade social</p><p>1. Tanto o assédio moral quanto o sexual são formas de discriminação e</p><p>marginalização de empregados e englobam qualquer comportamento</p><p>que represente uma violência física ou verbal indesejada, com</p><p>frequência e por períodos prolongados, que ofenda, humilhe ou</p><p>cause constrangimento à vítima. A diferença em relação a esses</p><p>tipos de comportamento nocivo entre empregados é a conotação de</p><p>favorecimento sexual que envolve a vítima do assédio sexual.</p><p>2. A higiene ocupacional ou higiene do trabalho é uma das medidas</p><p>adotadas pelas empresas que pode gerar impactos positivos na</p><p>prevenção de danos à saúde dos trabalhadores. Quando corretamente</p><p>aplicada, pode se tornar uma forma de contribuir para a proteção do</p><p>meio ambiente. No exemplo dado, se um elemento químico nocivo</p><p>for eliminado num processo de controle rigoroso, ele não afetará a</p><p>saúde dos trabalhadores nem causará impactos ao meio ambiente.</p><p>Uma medida de proteção do trabalhador (social), com relação a</p><p>Gabarito 129</p><p>danos causados por substâncias químicas, contaminação biológica ou</p><p>alterações físicas no ambiente, estenderá o impacto benéfico ao meio</p><p>ambiente, pois ao eliminar o produto químico nocivo, com o objetivo</p><p>de criar um ambiente de trabalho com menos riscos para a saúde</p><p>do trabalhador, ampliam-se os benefícios para o meio ambiente ao</p><p>acabar com os possíveis danos que o produto químico causaria a ele,</p><p>ou seja, protegerá também o meio ambiente.</p><p>3. O assédio moral descendente ocorre quando há uma relação de</p><p>subordinação hierárquica entre o assediador e o assediado. Já o assédio</p><p>moral ascendente ocorre quando um funcionário de nível hierárquico</p><p>superior sofre assédio moral por algum de seus subordinados.</p><p>ética e responsabilidade social</p><p>fabiano caxito</p><p>Fundação Biblioteca Nacional</p><p>ISBN 978-65-5821-007-8</p><p>9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 0 7 8</p><p>Código Logístico</p><p>59853</p><p>Página em branco</p><p>Página em branco</p><p>a</p><p>possibilidade de estar sendo visto, analisado ou vigiado pelos ou-</p><p>tros membros do grupo. A música Quatro Vezes Você, de Arnaldo Jose</p><p>Lima Santos e Fernando Ouro Preto, mostra como essa questão mo-</p><p>ral está presente em nosso cotidiano:</p><p>O que você faz quando</p><p>Ninguém te vê fazendo</p><p>Ou o que você queria fazer</p><p>Se ninguém pudesse te ver (QUATRO..., 2002)</p><p>Para Comte-Sponville (2002), o indivíduo que age segundo uma pos-</p><p>tura moral e ética toma suas decisões não em razão da pressão exter-</p><p>na, mas por uma concepção interna sobre o bem e o mal, sobre aquilo</p><p>que considera ser admissível ou inadmissível com a condição de sua</p><p>própria humanidade. De modo semelhante, Taylor (2011) considera</p><p>que a moralidade pode ser entendida como uma voz interna que guia</p><p>as decisões, atitudes e posturas externas do indivíduo.</p><p>O vídeo A República: Livro</p><p>II e o Mito do Anel de Giges</p><p>| (Diálogos Platônicos),</p><p>publicado pelo canal</p><p>Filosofando, discute de</p><p>modo didático o mito do</p><p>anel de Giges. Na história,</p><p>um camponês chamado</p><p>Giges encontra um anel</p><p>que dá a ele o poder da</p><p>invisibilidade. De posse</p><p>desse poder, Giges passa</p><p>a tomar uma série de</p><p>decisões e atitudes sem</p><p>levar em consideração a</p><p>moral e a ética, por consi-</p><p>derar que não sofreria as</p><p>punições ou julgamentos</p><p>da sociedade. O mito é</p><p>usado para discutir os</p><p>limites éticos e morais e</p><p>até que ponto as ações e</p><p>atitudes são tomadas pe-</p><p>las pessoas não por uma</p><p>decisão ética, mas sim</p><p>pelo medo do julgamento</p><p>e das sanções morais</p><p>impostas pelo grupo.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=6WRfnFZS1to. Acesso em:</p><p>19 jan. 2020.</p><p>Vídeo</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=6WRfnFZS1to</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=6WRfnFZS1to</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=6WRfnFZS1to</p><p>20 Ética e responsabilidade social</p><p>Assim, os limites morais que levam o indivíduo a decidir não são</p><p>externos, mas representam um sistema de valores e normas que ele</p><p>próprio se impõe, levando em conta tanto sua felicidade quanto os in-</p><p>teresses e direitos dos outros membros do grupo social.</p><p>1.3 A evolução dos conceitos de ética e moral</p><p>Vídeo A discussão sobre a ética e a moral já estava presente nas primeiras</p><p>civilizações humanas, mas foi a partir do desenvolvimento da filosofia,</p><p>em especial nas discussões de Sócrates, Platão e Aristóteles, que os</p><p>conceitos se tornaram centrais, tanto pela importância que a postura</p><p>ética e a moralidade têm na vida em sociedade quanto pela intrínseca</p><p>ligação da ética e da moral com a política e a gestão da pólis. Apesar</p><p>de as bases do pensamento sobre os dois conceitos terem sido soli-</p><p>damente lançadas pelos primeiros filósofos, a discussão sobre ética e</p><p>moral faz parte de toda a história da filosofia, sempre com um papel</p><p>fundamental no entendimento de como a sociedade se organiza.</p><p>Ética e moral são fortemente influenciadas e se relacionam de ma-</p><p>neira intrínseca com a religião. É possível identificar claramente os im-</p><p>pactos das crenças religiosas sobre os preceitos éticos e a prática moral</p><p>ao longo da história da civilização humana. Essa relação se tornou in-</p><p>dissociável durante a Idade Média, em que toda a cultura ocidental se</p><p>encontrava dominada pelo catolicismo, em especial na Europa Ociden-</p><p>tal. Nesse momento histórico, a ética refletia os dogmas cristãos, em</p><p>especial entre os séculos XI e XVI. Alguns dos principais filósofos que</p><p>abordaram as questões éticas e morais nesse período representam o</p><p>catolicismo. Dentre eles, destacam-se Santo Agostinho, Santo Anselmo</p><p>e São Tomás de Aquino.</p><p>Para Santo Agostinho (RODRIGUES et al., 2019), a relação entre ética</p><p>e moral é inversa ao que os filósofos clássicos apresentam. Para ele,</p><p>a ética era subordinada à moral, pois a vida virtuosa, apontada pelos</p><p>filósofos gregos como a base da postura ética, só poderia ser alcançada</p><p>pela subordinação do homem à vontade de Deus. Assim, o comporta-</p><p>mento ético não surgia de um pensar racional do indivíduo, que busca</p><p>o conhecimento e a verdade, mas sim da fé em Deus. Encontrar a ver-</p><p>dade é uma questão de ter fé, não conhecimento.</p><p>Desse modo, se a ética provém de Deus, as normas e as regras a</p><p>serem seguidas devem ser determinadas pela Igreja, não pela políti-</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 21</p><p>ca, pelo Estado ou qualquer tipo de governo. Santo Agostinho faz uma</p><p>releitura das ideias de Platão e Aristóteles: se para os filósofos gregos</p><p>pensar a ética era a busca pela verdade e pelo conhecimento e, em</p><p>última instância, pela felicidade, para o filósofo cristão, essa busca pela</p><p>felicidade era uma espécie de hedonismo, um prazer individual que</p><p>não condizia com a felicidade espiritual que só poderia ser encontrada</p><p>na vida cristã. Assim, se a ética é definida por Deus, a ação moral, ou</p><p>seja, a decisão de agir dentro da moral vigente, se tornava a decisão</p><p>mais importante a ser tomada pelo cristão.</p><p>A moral cristã era marcada pela valorização da dor e do sofrimento,</p><p>do martírio e do abandono das vaidades humanas em prol de uma</p><p>vida futura no paraíso, em contraposição à vida mundana. Os dogmas</p><p>éticos e morais da Igreja definiam cada aspecto da vida cotidiana da</p><p>população, grande parte dela ignorante e subordinada aos senhores e</p><p>nobres, controlados pela própria Igreja. Se o indivíduo seguisse todos</p><p>os preceitos da Igreja, poderia almejar a felicidade suprema da vida</p><p>eterna ao lado de Deus.</p><p>Se Santo Agostinho faz uma distinção total entre a razão filosófica e</p><p>a fé cristã, São Tomás de Aquino (RODRIGUES et al., 2019) busca recon-</p><p>ciliar essas duas abordagens, fazendo uma revisão do pensamento de</p><p>Aristóteles. Para ele, o ser humano é criado a partir da essência divina</p><p>e, por isso, apresenta uma inclinação natural para a bondade e para a</p><p>postura ética. Assim, as contradições e diferenças sociais e econômicas</p><p>representam apenas um reflexo da “grande ética” de Deus, e a fé du-</p><p>rante a vida terrena seria recompensada com a felicidade plena no pa-</p><p>raíso. A ética cristã, portanto, tinha o papel de ordenar a sociedade de</p><p>maneira justa e equilibrada. De certa forma, a filosofia de São Tomás</p><p>reforça a ideia de Santo Agostinho de que a moral era mais importante</p><p>que a ética, já que as normas e regras morais são o referencial a ser</p><p>seguido por quem busca a vida eterna.</p><p>Outro importante filósofo cristão a discutir o papel da ética e da</p><p>moral foi Santo Anselmo (ROHLING, 2016), para quem a fé cristã era</p><p>superior à razão. Para esse filósofo, a vontade de Deus condiciona as</p><p>ações dos indivíduos dentro dos princípios e preceitos morais. Na visão</p><p>dele, a ética não é geral e não pode ser usada para direcionar todas as</p><p>ações e relações humanas, mas sim aplicada a grupos e situações espe-</p><p>cíficas. Essa visão deu origem ao conceito da ética profissional, ligada a</p><p>um grupo e válida apenas para os que dele fazem parte.</p><p>22 Ética e responsabilidade social</p><p>Se a filosofia foi dominada pelo catolicismo europeu e os dogmas</p><p>cristãos durante a Idade Média, as mudanças sociais trazidas pela mo-</p><p>dernidade e pelo surgimento do Iluminismo mudaram totalmente as</p><p>discussões sobre o papel da ética e da moral. A partir do século XVI e</p><p>até o final do século XVIII, a discussão filosófica se afasta dos dogmas</p><p>cristãos e se aproxima do racionalismo e empirismo. Politicamente, é</p><p>o momento no qual a Igreja católica vai gradativamente perdendo o</p><p>poder e os Estados Nacionais entram em seu auge. Os preceitos religio-</p><p>sos ainda tinham forte influência na vida cotidiana, mas as discussões</p><p>sobre a ética e a moral voltam a ter como base a filosofia grega e a visão</p><p>de que a felicidade coletiva só poderia ser alcançada por uma postura</p><p>ética e uma moral que orientassem o indivíduo na busca pela plena</p><p>realização de seu potencial, por meio do conhecimento e da busca pela</p><p>verdade. A ligação entre ética e política também volta a ter um papel</p><p>central nas discussões filosóficas.</p><p>Se é o indivíduo o responsável por se aprimorar e buscar a eudai-</p><p>monia, o papel do Estado é fomentar esse desenvolvimento, seja por</p><p>meio da educação, seja por meio da garantia</p><p>dos direitos individuais e</p><p>da construção de uma sociedade justa, baseada em leis que reflitam os</p><p>preceitos éticos e morais e possibilitem a vida em grupo, retomando a</p><p>visão de que a ética precede a moral.</p><p>A Revolução Francesa e o crescimento da importância da burguesia</p><p>como força política, baseada na Revolução Industrial e no deslocamento</p><p>do poder econômico da posse de terras para o capital, acelera a separação</p><p>entre Estado e Igreja. O pensamento científico ganha força em detrimento</p><p>da filosofia cristã, que perde influência no cotidiano da sociedade.</p><p>Diversos filósofos têm um papel fundamental no pensamento so-</p><p>bre a ética e a moral nesse período. Dentre eles, destaca-se as ideias</p><p>de Descartes (MARRAFON, 2020), que apesar de não ter a ética como</p><p>tema central de sua filosofia, tem um importante papel na transição da</p><p>visão da ética baseada na fé em Deus e na aceitação incondicional dos</p><p>desígnios de Deus para a visão antropocêntrica da filosofia, na qual o</p><p>homem passa a ser o centro do pensar filosófico.</p><p>O método cartesiano se baseia em rejeitar tudo o que considera-</p><p>mos como verdades absolutas. O filósofo propõe que se rejeite tudo o</p><p>que é proveniente dos sentidos, tudo o que tem origem no raciocínio</p><p>e nos pensamentos e considerar como única certeza o pensar. Essa é</p><p>a base do Cogito Cartesiano (Cogito, ergo sum ou penso, logo existo).</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 23</p><p>Assim, para Descartes, cada uma das atitudes, decisões ou posturas a</p><p>serem tomadas pelo indivíduo precisam ser antecedidas por uma refle-</p><p>xão baseada na capacidade humana de questionar quem ele é e quem</p><p>deseja ser, como ele vive e como deseja viver. Ao compreender os im-</p><p>pactos de cada uma de suas ações sobre si próprio e sobre os demais</p><p>membros do grupo social, o indivíduo tem a possibilidade de decidir</p><p>agir de acordo com os preceitos éticos e morais.</p><p>Como o cogito cartesiano é baseado na dúvida, frente à certeza</p><p>absoluta da ética cristã, o filósofo estabelece que a moral tem o papel</p><p>de orientar o indivíduo e propõe que o indivíduo deve seguir os precei-</p><p>tos morais, as leis e os costumes aceitos pela sociedade, como modo de</p><p>agir de maneira positiva no grupo social.</p><p>Outro importante filósofo do período é Spinoza (1997), que dedica</p><p>uma de suas principais obras à discussão sobre a ética. Para ele, a ética</p><p>tem ainda uma forte ligação com a religião, pois acredita que a virtude</p><p>só pode ser alcançada por meio do amor intelectual a Deus, mas tam-</p><p>bém traz elementos da visão grega da ética e seu papel de garantir que</p><p>o indivíduo atenda a suas necessidades e interesses na busca pela feli-</p><p>cidade individual e coletiva. A ética na obra de Spinoza tem o papel des-</p><p>critivo de definir o que é bom e o que é mal, e a razão, assim como na</p><p>visão dos filósofos clássicos, é usada para frear as paixões e os desejos</p><p>hedônicos e possibilitar que o indivíduo alcance o prazer e a felicidade</p><p>sem prejudicar a sociedade.</p><p>A visão dos filósofos empiristas sobre a ética já representa uma rup-</p><p>tura mais clara em relação à ética crista. Para essa linha filosófica, ética</p><p>e política estão intrinsecamente ligadas e tanto a ética quanto a moral</p><p>têm o papel de padronizar e orientar os comportamentos do indivíduo</p><p>para garantir que a vida em sociedade seja possível e que os governan-</p><p>tes possam realizar seu papel de dirigir o Estado.</p><p>Para Hobbes (2014), o homem é naturalmente mal e desones-</p><p>to. Assim, só é possível para o homem viver em sociedade se for</p><p>estabelecido um contrato social que organize as relações entre os</p><p>indivíduos, que precisam seguir os preceitos éticos e morais deter-</p><p>minados por esse contrato para que possam se integrar à socieda-</p><p>de. A filosofia de Hobbes é fundamentada na ideia de que o poder</p><p>do soberano é baseado na vontade divina. Portanto, o Estado abso-</p><p>lutista é a única forma de organização política que pode garantir que</p><p>o contrato social seja cumprido.</p><p>24 Ética e responsabilidade social</p><p>Locke também usa o conceito do contrato social como uma forma</p><p>de organizar a sociedade, mas acredita que o poder do governante não</p><p>deve ser absoluto (CAXITO, 2019). Assim, tanto o contrato social quan-</p><p>to os preceitos éticos e morais são instrumentos limitadores do poder</p><p>absoluto do governante. Se o papel da ética é orientar a busca pela</p><p>felicidade individual e coletiva, o contrato social deve garantir a liberda-</p><p>de individual, desde que o benefício de todos esteja acima dos desejos</p><p>individuais, inclusive dos governantes. De modo complementar, Hume</p><p>defendia que a ética tem o papel de padronizar os comportamentos</p><p>dos indivíduos para garantir a felicidade da maioria (CAXITO, 2019).</p><p>As discussões filosóficas sobre a ética na Idade Moderna, como po-</p><p>demos observar, ainda eram intensamente influenciadas pela religião</p><p>e pela ética cristã, mas representaram um resgate da filosofia clássica e</p><p>da centralidade da ética e sua relação com a moral.</p><p>No final do século XVIII, o surgimento do Iluminismo rompe total-</p><p>mente a relação entre ciência, conhecimento, filosofia e religião. A</p><p>discussão filosófica sobre a ética e a moral voltam a se concentrar no</p><p>papel da razão e na busca pela verdade e pela felicidade. A ética tam-</p><p>bém passa a ser considerada em um viés mais amplo, abarcando as</p><p>relações da sociedade como um todo, em especial a partir da Revolu-</p><p>ção Francesa, que estabelece um novo papel para a política e para o</p><p>governo. Surgem também as discussões sobre os direitos humanos,</p><p>que passam a exercer um papel fundamental nas discussões filosóficas</p><p>a respeito da ética e da moral.</p><p>Ar</p><p>qu</p><p>ivo</p><p>s</p><p>de</p><p>C</p><p>ul</p><p>tu</p><p>ra</p><p>e</p><p>B</p><p>el</p><p>as</p><p>A</p><p>rte</p><p>s</p><p>de</p><p>E</p><p>ric</p><p>h</p><p>Le</p><p>ss</p><p>in</p><p>g/</p><p>W</p><p>ik</p><p>im</p><p>ed</p><p>ia</p><p>C</p><p>om</p><p>m</p><p>on</p><p>s</p><p>A animação Zootopia</p><p>mostra uma sociedade</p><p>idealizada em que ani-</p><p>mais com características</p><p>antropomórficas convi-</p><p>vem a partir de um con-</p><p>trato social que garante</p><p>a relação pacífica entre</p><p>predadores e presas.</p><p>Diversos conceitos da</p><p>filosofia de Hobbes, Locke</p><p>e Hume, como a natureza</p><p>humana, o papel do go-</p><p>verno e a necessidade de</p><p>um contrato social que</p><p>organize a sociedade são</p><p>apresentados de maneira</p><p>leve e didática.</p><p>Direção: Byron Howard e Rich</p><p>Moore. EUA: Walt Disney Animation</p><p>Studios, 2016.</p><p>Filme</p><p>A Liberdade guiando o povo,</p><p>pintura de Eugène Delacroix,</p><p>simboliza o slogan da</p><p>Revolução Francesa, Liberté,</p><p>Egalité, Fraternité (liberdade,</p><p>igualdade, fraternidade). O lema</p><p>inspirou a classificação dos</p><p>direitos humanos</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 25</p><p>Um dos mais importantes filósofos do período, Kant, aprofunda as</p><p>discussões sobre o papel da ética como um instrumento de normatiza-</p><p>ção das relações humanas (CUNHA, 2007). A ética kantiana é racional e</p><p>autônoma, não influenciada pela emoção ou por necessidades e dese-</p><p>jos do indivíduo. Já a moral é fixada pela lei e pelos costumes do grupo</p><p>social. Assim, a liberdade é um bem a ser defendido, mas a ação ética é</p><p>limitada pela responsabilidade do indivíduo pelos atos por ele tomados</p><p>e pelos reflexos desses atos sobre os demais indivíduos.</p><p>Porém, nem sempre o indivíduo tem a total compreensão dos im-</p><p>pactos de suas escolhas sobre as relações sociais. Além disso, as inclina-</p><p>ções morais e a natureza falha do ser humano podem levar a decisões</p><p>inadequadas. Dessa maneira, a moral tem o papel de definir os padrões</p><p>de comportamento considerados aprovados e adequados e normatizar</p><p>as ações a serem tomadas por qualquer pessoa em qualquer situação.</p><p>O desenvolvimento científico também influenciou a forma de se pen-</p><p>sar as relações sociais e o papel da ética e da moral. O entendimento do</p><p>funcionamento das leis da natureza trouxe a visão de que também as</p><p>relações sociais poderiam ser pensadas como uma máquina que pode</p><p>ser regulada, por meio de leis morais, para funcionar de modo mais</p><p>eficiente.</p><p>Mill (FLECK; RAMOS, 2011) defende a ideia de que a ética deve se ocu-</p><p>par da busca da felicidade para o maior número de pessoas possível.</p><p>Assim, o filósofo se opõe à ética de Kant, centrada na eudaimonia, na</p><p>busca da verdade individual. Kant prega</p><p>que a ética é normativa e deve</p><p>impor regras, já Mill acredita que o resultado da ação ética e moral é</p><p>mais importante do que a própria intenção. Para ele, as regras morais</p><p>são relativizadas. Tendo como base as ideias de Mill e Kant, Hegel mos-</p><p>tra a relação entre os princípios éticos e a história da sociedade humana</p><p>(FLECK; RAMOS, 2011). Para Hegel, ética e moral apresentam grandes se-</p><p>melhanças e podem ser consideradas sinônimas. Ele relaciona a ética à</p><p>política e à estruturação da sociedade e do poder (FLECK; RAMOS, 2011).</p><p>Mas é Nietzsche (1998) que apresenta uma ruptura definitiva da ética</p><p>com a religião e transforma o estudo da ética em uma ciência. Em um de</p><p>seus mais importantes trabalhos, o filósofo alemão defende que a ética</p><p>é o elemento central da sociedade humana. São os preceitos éticos e as</p><p>leis morais que determinam os padrões de comportamento e servem</p><p>26 Ética e responsabilidade social</p><p>como fundamento das ações individuais e coletivas que possibilitam a</p><p>convivência entre as pessoas.</p><p>Para agir de maneira ética, o ser humano precisa superar sua na-</p><p>tureza humana, marcada por falhas e pela falta de conhecimento e se</p><p>tornar o Übermensch, que pode ser traduzido como super-homem, mas</p><p>não no sentido de alguém com poderes sobre-humanos, e sim alguém</p><p>que superou suas limitações. O Übermensch pode transcender a moral</p><p>estabelecida na sociedade, ir além do bem e do mal, por meio da capaci-</p><p>dade de analisar suas ações de modo racional e agir de modo ético, com</p><p>autonomia e liberdade de pensamento.</p><p>A evolução dos conceitos de ética e moral nos últimos séculos apre-</p><p>senta como característica central abandonar gradativamente a relação</p><p>entre ética, moral e religião e colocar o homem no centro do pensamen-</p><p>to filosófico, preparando, assim, as bases para a visão contemporânea</p><p>da ética e da moral.</p><p>1.4 Desafios éticos e morais no</p><p>mundo contemporâneo</p><p>Vídeo Apesar de ter evoluído no decorrer da história, os conceitos de ética</p><p>e moral apresentam um aspecto central sempre presente: estão relacio-</p><p>nados às normas, regras e limites a serem seguidos pelos indivíduos em</p><p>suas ações e decisões, as quais podem impactar os demais indivíduos e</p><p>a sociedade como um todo. Alguns filósofos defendem a centralidade</p><p>dos aspectos internos e do indivíduo nas decisões éticas e morais; outros</p><p>acreditam que ética e moral devem ser prescritivas, ou seja, podem ser</p><p>entendidas como um manual de como agir em uma determinada socie-</p><p>dade ou em um grupo específico.</p><p>A ética e a moral contemporâneas se alimentam de todo o conheci-</p><p>mento desenvolvido em séculos de discussões filosóficas, mas de certa</p><p>forma também se contrapõe a ele. Para a filosofia clássica, o mundo é</p><p>organizado e cada coisa tem seu próprio lugar e finalidade, assim como</p><p>cada indivíduo tem um papel e um lugar na sociedade, como pode ser</p><p>visto na ideia das sociedades ideais propostas por Platão e Aristóteles</p><p>(CAXITO, 2019). Dessa maneira, a ética e a moral têm o papel de direcio-</p><p>nar as ações do indivíduo para que ele cumpra esse papel, conheça a</p><p>verdade e encontre a felicidade, objetivo final da vida humana.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 27</p><p>Na contemporaneidade, o mundo não é organizado nem harmônico.</p><p>Ao contrário, tanto a natureza quanto as relações humanas em socie-</p><p>dade são marcadas pelo caos e pela imprevisibilidade. Assim, o papel</p><p>da ética e da moral não é definir o modo correto de agir ou prescrever</p><p>um manual de normas e regras, pois a sociedade muda rapidamente e</p><p>a moral precisa acompanhar essas mudanças. O que é aceito em um dia</p><p>pode ser imoral no dia seguinte.</p><p>Podemos citar como exemplo a postura da sociedade com as rela-</p><p>ções homoafetivas. Em cerca de uma década, o Brasil passou de uma</p><p>visão preconceituosa e excludente em relação aos casais de mesmo sexo</p><p>para uma visão inclusiva, não só do ponto de vista comportamental, mas</p><p>também em relação às legislações que protegem os direitos daqueles</p><p>que não se enquadram nas classificações tradicionais de gênero e sexua-</p><p>lidade. Porém, correntes contrárias a essas mudanças ganharam força</p><p>na segunda metade da década de 2010, levando a retrocessos nos pa-</p><p>drões morais de parte significativa da sociedade. Esses movimentos de</p><p>avanços e retrocessos em usos, costumes e mesmo em legislações que</p><p>refletem as mudanças sociais e morais podem ser observados em diver-</p><p>sas áreas do comportamento humano e das relações sociais.</p><p>É importante também salientar que não se pode afirmar que os pa-</p><p>drões éticos e morais evoluem da mesma maneira em todos os locais. A</p><p>ética, assim como a moral, é relativa não só em relação ao tempo, mas</p><p>também ao local, à cultura, ao grupo social, às crenças religiosas e às</p><p>classes econômicas e sociais. Segundo Rachels e Rachels (2013), cada</p><p>cultura lida com as mudanças éticas e morais de modo diferente. En-</p><p>quanto um grupo pode aceitar e incorporar rapidamente uma mudan-</p><p>ça comportamental, outro grupo pode encarar essa mesma mudança</p><p>como uma ameaça a sua estrutura social e lutar contra ela.</p><p>Outra característica da moral contemporânea é o relativismo moral.</p><p>Cada pessoa toma suas decisões morais não levando em consideração</p><p>os valores morais ou as questões éticas dos demais membros do grupo</p><p>social. A busca pelo prazer e pela felicidade individual é vista como mais</p><p>importante. De certo modo, observa-se um renascimento da ética he-</p><p>dônica, discutida na primeira seção deste capítulo. A sociedade de con-</p><p>sumo, que prega que a posse e o uso acelerado de bens e a ostentação</p><p>de símbolos de status é a forma de se encontrar a felicidade, intensifica</p><p>ainda mais essa característica hedônica.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>28 Ética e responsabilidade social</p><p>Qu</p><p>en</p><p>tin</p><p>UK</p><p>/W</p><p>ik</p><p>im</p><p>ed</p><p>ia</p><p>C</p><p>om</p><p>m</p><p>on</p><p>s</p><p>O estêncil de Banksy é intitulado Shop Until You Drop (Compre</p><p>até cair). A expressão em inglês significa fazer uma quantidade</p><p>exagerada de compras.</p><p>Para Cremonese (2019), a sociedade atual é marcada pela postura de</p><p>que nada está errado ou é proibido, desde que traga prazer ou reconhe-</p><p>cimento social. Para o autor, a ética e a moral deixam de ser baseadas na</p><p>razão e passam a ter um cunho emocional, sendo que a mídia e as redes</p><p>sociais assumem o papel de serem as definidoras dos padrões morais a</p><p>serem seguidos.</p><p>Esse individualismo e antropocentrismo da ética e da moral repre-</p><p>sentam uma ruptura em relação à filosofia medieval, baseada na visão</p><p>de que a fé em Deus era a origem das virtudes que levavam a uma vida</p><p>pautada pela ética, tendo a moral cristã como a orientadora da atuação</p><p>do indivíduo na sociedade.</p><p>A filosofia da Idade Moderna defendeu que o ser humano tem direi-</p><p>tos naturais que devem ser respeitados e que a individualidade e a liber-</p><p>dade são valores fundamentais para a vida em sociedade. Entretanto, no</p><p>mundo contemporâneo o conceito da individualidade se encontra exa-</p><p>cerbado até o extremo. De acordo com Morin (2005), o hiperindividua-</p><p>lismo e o egocentrismo são marcas da sociedade atual. O autor explica</p><p>que o egocentrismo ocorre quando o “eu” é colocado em um patamar</p><p>mais elevado e considerado mais importante que o “nós”, invertendo os</p><p>conceitos centrais da ética e da moral como instrumentos que garantem</p><p>a vida em sociedade.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 29</p><p>As redes sociais são a maior expressão dessa individualidade e das</p><p>rupturas éticas e morais trazidas pelo mundo contemporâneo. A osten-</p><p>tação do status social e da posse de bens; a divisão em grupos cada vez</p><p>mais radicais; os processos de “cancelamento” nos quais as pessoas são</p><p>acusadas, julgadas e punidas sem ter o direito de se defender; a radicali-</p><p>zação das crenças e posturas mostram</p><p>que a sociedade precisa se voltar</p><p>para os conceitos mais básicos e fundamentais dos preceitos éticos e</p><p>morais. A sociedade vive uma crise causada pela falta de fundamentos</p><p>éticos (MORIN, 2005). O egocentrismo pode levar à desintegração dos</p><p>grupos sociais, desde as unidades familiares, passando pelos grupos lo-</p><p>cais e, em última instância, a sociedade.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>As discussões filosóficas sobre os conceitos de ética e moral desempe-</p><p>nham um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade humana.</p><p>À medida que as relações sociais se tornaram mais complexas, as ideias</p><p>que norteiam os preceitos éticos e as normas morais também se desen-</p><p>volveram, para abarcar toda a infinidade de interesses e necessidades</p><p>tanto dos indivíduos quanto dos grupos. A intrínseca relação da ética com</p><p>a política e da moral com o cotidiano das relações sociais mostra que a</p><p>evolução desses conceitos é necessária para garantir a convivência em</p><p>sociedade.</p><p>A análise das relações atuais que podem ser observadas na sociedade</p><p>contemporânea, em que as redes sociais intensificam as diferenças entre</p><p>as pessoas e os grupos sociais, em que a divisão entre nós x eles, seja ela</p><p>por motivos políticos, religiosos, esportivos, ou relacionados a crenças,</p><p>posicionamentos e comportamentos, é cada vez mais perceptível e gera</p><p>discussões cada vez mais inflamadas. Os conceitos de moral e moralidade</p><p>são confundidos, gerando uma postura de julgamento, e se torna claro</p><p>que as discussões sobre ética e moral são cada vez mais importantes para</p><p>que se possa conviver em sociedade.</p><p>ATIVIDADES</p><p>1. A palavra ética tem origem nas línguas grega e latina, e surge com duas</p><p>diferentes grafias e significados: êthos e éthos. Explique a diferença</p><p>entre os dois conceitos e sua relação com o conceito de moral.</p><p>2. Discorra sobre a relação entre a filosofia hedônica desenvolvida pelo</p><p>filósofo Aristipo de Cirene e a sociedade de consumo atual.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>30 Ética e responsabilidade social</p><p>3. Comente a relação entre o desenvolvimento científico, ocorrido</p><p>a partir do Iluminismo, e o papel da ética e da moral na sociedade</p><p>naquele momento.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AMARAL, R. A. P. do; SILVA, D. A.; GOMES, L. I. A eudaimonía aristotélica: a felicidade como</p><p>fim ético. Revista Vozes dos Vales, Minas Gerais, n. 1, ano I, p. 1-20, maio 2012. Disponível</p><p>em: http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/A-eudaimon%C3%ADa-</p><p>aristot%C3%A9lica-a-felicidade-como-fim-%C3%A9tico.pdf. 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Disponível</p><p>em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2014000200002&l</p><p>ng=en&nrm=iso. Acesso em: 19 jan. 2021.</p><p>PLATÃO. A República. Trad. de Edson Bini. 3. ed. São Paulo: Edipro. 2019.</p><p>http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/A-eudaimon%C3%ADa-aristot%C3%A9lica-a-felicidade-como-fim-%C3%A9tico.pdf</p><p>http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/A-eudaimon%C3%ADa-aristot%C3%A9lica-a-felicidade-como-fim-%C3%A9tico.pdf</p><p>https://periodicos.furg.br/cn/article/view/8618</p><p>https://periodicos.furg.br/cn/article/view/8618</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-44272006000200008&lng=pt&nrm=iso</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-44272006000200008&lng=pt&nrm=iso</p><p>https://www.conjur.com.br/2017-out-24/lewandowski-clara-linha-divisoria-entre-moral-moralismo</p><p>https://www.conjur.com.br/2017-out-24/lewandowski-clara-linha-divisoria-entre-moral-moralismo</p><p>http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/1866</p><p>http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/1866</p><p>https://abdconstojs.com.br/index.php/revista/article/view/194</p><p>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2014000200002&lng=en&nrm=iso</p><p>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2014000200002&lng=en&nrm=iso</p><p>Ética e moral no contexto empresarial 31</p><p>QUATRO vezes você. Compositores: Arnaldo Jose Lima Santos; Fernando Preto; Fernando</p><p>Ouro Preto. Intérprete: Capital Inicial. Rio de janeiro: Warner Chappell Music, Inc, 2002.</p><p>RACHELS, J.; RACHELS, S. Os Elementos da Filosofia Moral. Porto Alegre: AMGH, 2013.</p><p>RAMOS, F. P. A evolução conceitual da ética. Para entender a história..., a. 3, s. 10/03, p. 1-12,</p><p>mar. 2012. Disponível em: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2012/03/evolucao-</p><p>conceitual-da-etica.html. Acesso em: 19 jan. 2021.</p><p>REALE, G.; ANTISERI, D. História da filosofia: filosofia pagã antiga. Trad. de Ivo Storniolo. 3.</p><p>ed. São Paulo: Paulus, 2007. v. 1.</p><p>ROCHA, E. Culpa e prazer: imagens do consumo na cultura de massa. Comunicação, mídia</p><p>e consumo,São Paulo, v. 2, n. 3, p. 123-138, mar. 2005. Disponível em: http://revistacmc.</p><p>espm.br/index.php/revistacmc/article/view/29/29. Acesso em: 19 jan. 2021.</p><p>RODRIGUES et al. Uma visão sobre a ética moral na perspectiva de Agostinho de Hipona e</p><p>Tomás de Aquino. Civicae, v.1, n.1, p.8-16, 2019. Disponível em: https://www.researchgate.</p><p>net/publication/334530166_Uma_visao_sobre_a_etica_moral_na_perspectiva_de_</p><p>Agostinho_de_Hipona_e_Tomas_de_Aquino. Acesso em: 19 jan. 2021.</p><p>ROHLING, M. A justiça na teoria moral de Santo Anselmo. Synesis, Rio de Janeiro, v. 8, n.</p><p>1, p. 121-145, jun. 2016. Disponível em: http://seer.ucp.br/seer/index.php/synesis/article/</p><p>view/970/530. Acesso em: 19 jan. 2021.</p><p>SPINELLI, M. Sobre as diferenças entre éthos</p><p>com epsílon e êthos com eta. Trans/Form/Ação,</p><p>Marília, v. 32, n. 2, p. 9-44, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/trans/v32n2/</p><p>v32n2a01.pdf. Acesso em: 19 jan. 2021.</p><p>SPINOZA, B. de. A Ética. São Paulo: Ed. Nova Cultural, 1997. (Coleção Os Pensadores).</p><p>TAYLOR, C. A. Ética da autenticidade. São Paulo: É Realizações, 2011.</p><p>VOEGELIN, E. 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Muitas vezes,</p><p>a necessidade de atingir resultados leva a empresa ou seus executi-</p><p>vos a tomar decisões que, se não forem analisadas de acordo com</p><p>preceitos éticos e morais, podem causar danos a grupos de interesse</p><p>com os quais a empresa se relaciona, como seus funcionários, forne-</p><p>cedores, clientes, o Governo e grupos sociais.</p><p>Assim, é fundamental que as ações e posturas da empresa</p><p>sejam dirigidas por valores que reflitam um código ético e moral</p><p>aceito pela sociedade da qual faz parte.</p><p>Neste capítulo, serão discutidos os conceitos de ética e moral</p><p>no contexto da gestão das organizações, a missão, a visão e os</p><p>valores empresariais, os Códigos de Ética das empresas e como</p><p>eles se relacionam com a cultura empresarial. Serão também apre-</p><p>sentados os principais dilemas éticos e morais que ocorrem no</p><p>cotidiano da empresa e como o compliance pode ser usado para</p><p>garantir que as decisões dela sigam seu Código de Ética.</p><p>2.1 Ética e moral nas organizações</p><p>Vídeo Assim como as pessoas precisam agir de acordo com padrões</p><p>éticos e morais para conviver em sociedade, também as empresas</p><p>precisam seguir padrões legais e sociais, baseados em valores éti-</p><p>cos e morais, ao desenvolver suas atividades (MONTEIRO; ESPÍRITO</p><p>SANTO; BONACINA, 2005).</p><p>Ao desenvolver seu planejamento, as empresas criam estratégias, tá-</p><p>ticas e ações específicas para atingir seus objetivos, que podem incluir:</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>Código de Ética nas organizações 33</p><p>aumentar sua participação no mercado, conquistando espaços ocupados</p><p>pelas empresas concorrentes; obter lucros cada vez maiores sobre o ca-</p><p>pital investido; diminuir seus custos de aquisição, produção, comercializa-</p><p>ção e distribuição de produtos e serviços. Para Lemos (2020), os resultados</p><p>esperados e os indicadores que demonstram esse resultado (como fatu-</p><p>ramento, participação de mercado, margem de lucro) são cobrados dia-</p><p>riamente de gestores e colaboradores. Em muitas empresas, não atingir</p><p>esses resultados pode impactar a remuneração, o reconhecimento e as</p><p>possibilidades de crescimento profissional e, em alguns casos, até levar à</p><p>demissão, especialmente de gestores e executivos.</p><p>Essa cobrança por resultado, segundo Fidelis, Zille e Rezende (2020),</p><p>leva muitos profissionais a situações de tensão e estresse que podem</p><p>causar problemas mentais e de saúde. Pressionados por empresários ou</p><p>investidores, pelos concorrentes e pela necessidade de atingir seus ob-</p><p>jetivos, algumas empresas ou profissionais acabam por tomar decisões</p><p>ilegais, antiéticas ou imorais que muitas vezes levam a empresa à falência</p><p>ou a problemas legais ou de imagem, inviabilizando sua existência.</p><p>Casos como os da empresa americana Enron Corporation (BERGAMINI</p><p>JÚNIOR, 2015) ou do banco brasileiro Banco Santos (COSTA; WOOD JR.,</p><p>2012) mostram que se a empresa busca atingir seus objetivos sem seguir</p><p>padrões éticos e morais, as consequências são sentidas não apenas pelos</p><p>membros da empresa, mas pela sociedade como um todo.</p><p>A Enron Corporation era uma empresa norte-americana que atuava</p><p>no mercado de energia e serviços. Durante a década de 1990, a empre-</p><p>sa registrou um crescimento acelerado e a valorização acentuada de suas</p><p>ações, ao ponto de ser listada entre as 70 empresas mais valorizadas do</p><p>mundo. Em 2001, as autoridades americanas descobriram uma intrincada</p><p>fraude contábil realizada pela companhia, envolvendo empresas coligadas</p><p>para as quais eram transferidos passivos, dívidas e despesas, além do uso</p><p>de empréstimos falsos, instrumentos de securitização e derivativos finan-</p><p>ceiros. Com essas manobras contábeis, o resultado da empresa apresenta-</p><p>do ao mercado e aos investidores mostrava grandes ganhos e crescimento,</p><p>o que não refletia as operações reais do grupo empresarial. Os números</p><p>envolvidos na fraude chegaram a bilhões de dólares e a empresa pediu</p><p>falência, causando prejuízo a milhões de investidores em todo o mundo.</p><p>O caso também levou à formulação de diversas legislações contábeis em</p><p>vários países, entre elas a lei americana Sarbanes-Oxley, de 2002.</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>batistuta</p><p>Highlight</p><p>34 Ética e responsabilidade social</p><p>O Banco Santos cresceu rapidamente entre os anos de 1995 e 2001, tor-</p><p>nando-se o oitavo maior banco do Brasil, com ativos estimados em US$ 2,5</p><p>bilhões. Em 2001, uma auditoria realizada pela consultoria Price-Waterhouse</p><p>identificou fraudes contábeis por meio das quais o banco desviava recursos</p><p>de investidores e clientes para empresas do grupo, sendo que algumas eram</p><p>apenas empresas de fachada. A fraude também envolvia esquemas de pirâ-</p><p>mide financeira e evasão de divisas para empresas offshore. O caso do banco</p><p>levou ao fortalecimento do uso de Códigos de Ética e sistemas de controle</p><p>interno e da adoção de governança corporativa e compliance entre as empre-</p><p>sas brasileiras.</p><p>A relação entre ética, gestão organizacional e responsabilidade</p><p>social vem ganhando cada vez mais atenção em razão de uma pos-</p><p>tura ativa da sociedade quanto à forma como as empresas realizam</p><p>seus negócios. Questões como impactos ambientais e sociais causa-</p><p>dos pelas atividades das organizações, abuso do poder econômico,</p><p>condições de trabalho e relações das empresas com o poder público</p><p>são alvo da análise constante da sociedade, o que tem levado as em-</p><p>presas a repensar tanto suas próprias atividades quanto as desen-</p><p>volvidas por empresas parcerias com as quais se relaciona (FEITOZA;</p><p>CHAGAS, 2020).</p><p>Para Andrade (2009), ao adotar uma postura eticamente responsá-</p><p>vel, comunicada com clareza para todos aqueles com que se relaciona,</p><p>a empresa cria uma cultura organizacional baseada em valores éticos</p><p>e morais que gera comprometimento por parte de seus colaborado-</p><p>res e credibilidade junto ao seu cliente. O autor descreve a criação de</p><p>um ambiente no qual as posturas éticas e morais estejam presentes e</p><p>sejam valorizadas e seja desenvolvida uma cultura organizacional com-</p><p>partilhada pelos colaboradores, na qual posturas contrárias aos valo-</p><p>res individuais e coletivos não são aceitas.</p><p>É importante salientar que a liberdade de escolha e de ação é</p><p>um dos princípios da ética (PLATÃO, 2019; NIETZSCHE, 1998; CUNHA,</p><p>2007). As empresas são formadas por pessoas que possuem com-</p><p>petências e por conhecimentos, habilidades e atitudes, agindo li-</p><p>vremente de acordo com seus valores e crenças pessoais. Segundo</p><p>Macedo e Caetano (2017), as competências e os valores do indiví-</p><p>duo direcionam seu comportamento nos grupos</p>

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