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CAPÍTULO 1: OS PILARES DA CONSTRUÇÃO DE UMA ÉTICA 
PROFISSIONAL 
 
INTRODUÇÃO 
O atual mundo corporativo está extremamente competitivo, exigindo contínuas 
inovações nas empresas para que se aprimore a qualidade nas atividades. Nesse sentido, 
o dinamismo, a criatividade, um domínio sobre novas tecnologias, juntamente com uma 
descentralização das decisões passam a ser um desafio para o novo profissional estar 
sempre à frente de sua concorrência. Este clima, com tantos desafios a serem 
enfrentados, bem como à ansiedade do sucesso profissional podem acarretar diversos 
questionamento nos profissionais, direcionando-os sobre mudança de comportamentos e 
hábitos, fazendo-os refletirem se vale à pena ou não inclinar-se aos valores éticos e 
morais impostos na corporatividade. 
Nessa perspectiva, o conteúdo deste estudo está organizado, neste primeiro 
capítulo, de modo a incentivar sempre um debate sobre as questões éticas empresariais, 
bem como promover a capacitação de profissionais de distintas áreas do conhecimento 
dentro da esfera ética atual. 
Portanto, o conteúdo teórico desenvolvido neste capítulo busca trazer alguns 
conceitos básicos sobre a ética, seja na esfera da filosofia quanto a ética profissional; a 
ética aplicada na profissão e, desta forma provocar ao aluno para algumas reflexões 
sobre alguns desafios ao adotar a ética, bem como, a ética aplicada contra a 
desigualdade social. 
 São temáticas que conduzem a inúmeras reflexões e contextualizações para as 
profissões em diversas áreas do conhecimento, contribuindo assim, com o crescimento, 
desenvolvimento do leitor. 
Consideramos relevante lembrar que, a ética é comum a todos os cursos, em 
diversos contextos e situações da profissão, e que ter o pleno conhecimento sobre os 
conceitos apresentados neste capítulo servirão de subsídio para sua qualificação, 
capacitação acadêmica e profissional contribuindo para o diferencial competitivo 
adquirido. 
Bom trabalho! 
 
1.1 CONCEITOS BÁSICOS DE ÉTICA 
 
De acordo com Sá (2013) a ética nos dias de hoje se confronta com as regras 
éticas do século XIX, pois fragmentou o formalismo e o absolutismo que ofertavam ao 
indivíduo se transformar partindo da abstração do universo e o bem coletivo. Observa-
se que os campos da Sociologia, da Filosofia, da Medicina, do Direito, da Engenharia 
Genética e de outras ciências enfrentam atualmente constantes problemas éticos em suas 
áreas. No campo da prática política, destacam-se imensas atividades antiéticas, estas, 
são responsáveis por variadas espécies de crises em todos os países do planeta. 
Geralmente, quando se trata sobre ética, automaticamente se remete à moral, 
pois não há como separar ética e moral, uma vez que ambas andam juntas, todavia, elas 
agem com condutas distintas, ou seja, a moral está ligada aos bons costumes nas ações 
dos indivíduos segundo os mandamentos da justiça, da igualdade e do direito de cada 
pessoa no convívio social. A ética, por sua vez, prega sob os imperativos de um 
consenso, onde a dignidade não é dependente de nenhuma circunstância, uma vez que a 
ética é uma qualidade própria e específica do ser humano, interiorizada no seu real valor 
(SÁ, 2013). 
Destaca ainda este mesmo autor, que muitas vezes a ética é confundida com a 
lei, entretanto, não é, ou seja, a lei somente possui por fundamento os princípios da 
ética. Dessa forma a ética se distingue da lei, pois nenhuma pessoa pode ser obrigada 
pelo Estado ou por outras pessoas a cumprir rigorosamente as normas éticas, e muito 
menos sofrer qualquer punição por desobedecer a questões éticas, assim, abre-se um 
vácuo onde a lei pode ser omissa no que diz respeito às questões éticas. 
Sobre a diferença entre ética e moral: “A ética também não se confunde com a 
moral, embora haja aparente identidade etimológica dos significados ethos em grego e 
mós em latim querem dizer costume, nesse sentido a ética seria a teoria dos costumes. ” 
(VASQUEZ, 1995 apud NELINE 2001, p. 36). 
Observa-se que ética e moral são assuntos que estão muito relacionados, no 
entanto, são distintos entre si, uma vez que a moral se baseia na obediência as normas, 
nos costumes e nos mandamentos culturais, hierárquicos e até mesmo religiosos; e a 
ética, procura solidificar a maneira de viver pelo pensamento humano (SÁ, 2013). 
Naline (2001) acrescenta que na esfera da filosofia, a ética não pode 
simplesmente ser resumida à moral, onde normalmente é entendida como costume, ou 
hábitos, pois a ética agrega vários campos, tais como antropologia, psicologia, 
sociologia, economia, pedagogia, política, e até mesmo outras ciências. Em razão disso, 
aprender sobre ética é uma das alternativas eficazes para o ser humano enfrentar as 
diretrizes diferentes que cada ser possui e estar ciente de suas ações, uma vez que ética 
se aprende e também se ensina, pois de nada adianta o conhecimento técnico sem um 
crescimento ético. A pessoa unindo estes elementos conseguirá distinguir valores que 
fazem a diferença na sociedade. 
Nessa esfera, Oliveira (2012, p.80) afirma: 
 
A ética corporativa é um norteador do comportamento humano no trabalho, 
ela pode ser compreendida como um conjunto de valores e normas que 
possibilitam saber distinguir não só o bem e o mal, o legal e o ilegal, o justo e 
o injusto, o lícito e o ilícito, o conveniente e o inconveniente, mas também o 
honesto e o desonesto no cotidiano da organização. 
 
Para Herkenhoff (2001) os princípios éticos e morais representam os pilares na 
construção de um profissional modelo do Direito Justo, pois este indivíduo se diferencia 
não só pelo seu talento, mas por sua moral e ética diante o mercado. Estes valores éticos 
e morais contribuem na construção de uma identidade profissional que abrange uma 
representação social com uma carga de consciência profissional que servirá de exemplo 
para outros profissionais. 
Salienta ainda Herkenhoff (2001) que a esfera ética é a esfera do “deve ser”, ou 
seja, a esfera dos juízos de valor na sociedade, em oposto a esfera do “ser”, que 
representa a esfera dos juízos de realidade, assim, a moral representa a parte subjetiva 
da ética. 
Ghillyer (2015) afirma que a ética trabalha verificando como os indivíduos 
convivem no cotidiano em sociedade, e, em conformidade com um padrão já 
estabelecido que determine o que é certo e o que é errado, tanto em como as pessoas 
pensam e se comportam em relação aos outros, quanto em como elas gostariam que os 
outros pensassem e se comportassem em relação a eles. Para alguns indivíduos, a ética é 
uma escolha consciente de seguir um conjunto de padrões morais ou princípios éticos 
que serve como exemplo para sua conduta no seu dia a dia. Para outros, esta escolha não 
é tão evidente assim, pois estes indivíduos observam o comportamento de outros para 
assim determinar o que é realmente um padrão aceitável de comportamento certo ou 
errado, ou seja, bom ou ruim. A maneira como os indivíduos chegam à definição do que 
realmente é certo ou errado é oriunda de diversos fatores, inclusive a forma como estas 
pessoas foram criadas e educadas, bem como suas culturas, crenças, tradições e outros 
elementos. 
Observando uma preocupação na ética com os idosos, Uchôa (2003) salienta que 
o Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento, da Fundação Oswaldo 
Cruz/Universidade Federal de Minas Gerais alerta que existe uma marginalização do 
idoso atualmente na sociedade, onde a velhice nos países ocidentais se encontra na 
contramão de uma sociedade justa e dinâmica, uma vez que as pessoas mais velhas 
normalmente dependem das pessoas mais jovens, ou seja, de sua família, de seus filhos 
e da própria sociedade em um todo e muitas vezes esquecidas e largadas por suas 
famílias e a sociedade em um todo. Já nos países orientais as pessoas idosas são mais 
respeitadas e até mesmo veneradas, com uma cultura que vai muito além do que 
simplesmente cuidar deles,Rios (2011) destaca que cada sociedade possui sua própria ética, o seu próprio 
jeito de ser, bem como o conjunto de regras éticas as quais regem uma sociedade 
específica. O domínio do ethos é o da moralidade, bem como do estabelecimento de 
valores e deveres, partindo da repetição das ações da sociedade e da significação na qual 
a ética é atribuída. Então, a ética de uma sociedade possui sua base em ações 
transmitidas através de gerações, por meio de atitudes que são consideradas como éticas 
e morais por aquelas pessoas de uma determinada sociedade, e, por serem ações comuns 
a uma sociedade específica, os deveres e as normas são estabelecidos. 
Ressalta ainda Rios (2011) que o conceito de ética está diretamente ligado ao seu 
núcleo, ou seja, a ética implica diretamente em reconhecer a presença de outra pessoa 
como seu igual, em humanidade. 
Já para Sá (2003) a ética trabalha com fenômenos morais, ou seja, os códigos de 
normas históricas que regulamentam as relações e as condutas dos indivíduos que 
interagem na sociedade, bem como também os discursos normativos que identificam no 
coletivo, que é certo ou errado realizar. Nesse pensamento, a ética possui uma relação 
direta com o desejo de realização, uma vez que está a todo instante ajustando tais 
desejos a relações consideradas justas e aceitáveis pela sociedade na qual está inserida. 
De acordo com a etimologia da palavra, que possui suas raízes fundamentadas no grego 
Ethos, a ética significa ações e costumes aceitos por um grupo social, afirmando-se que, 
desde os tempos primitivos, os costumes já eram decisivos para a aceitação da conduta 
das pessoas para viverem em sociedade (SILVA, 2013). 
Na perspectiva de Ferreira (1999) a ética pode ser caracterizada pelo estudo dos 
juízos de apreciação condizentes à conduta humana suscetível de aceitação do ponto de 
vista do bem e do mal, seja relativamente a uma determinada sociedade, seja de maneira 
absoluta. 
Atualmente, segundo Whitaker (2006), a globalização dos mercados ampliou o 
contato entre os países e seus respectivos povos e culturas próprias. Dessa forma, o 
conhecimento antropológico, como ciência sobre a conduta humana, salientou e 
reforçou as relações empresariais devido à distinção de padrões éticos e morais das 
nações. Este conhecimento, nos dias atuais, é utilizado como uma força estratégica em 
negócios bem-sucedidos. A ética tem sido usada pelos empresários administradores 
como um diferencial competitivo, gerando procura por empresas que trabalham 
direcionadas aos padrões de ética e morais distintas por outros países e a adoção de 
padrões éticos e morais por outras empresas para se encaixarem neste novo mercado. 
A ética, portanto, pode ser definida como a ciência que estuda a vida do ser 
humano, sob o ponto de vista da qualidade da sua própria conduta, ou seja, da boa e da 
má conduta conforme as regras de uma determinada sociedade, e principalmente, da 
correlação entre boa conduta e felicidade que existe no interior de cada indivíduo. 
Então, pode-se afirmar que a ética não é simplesmente uma ciência teórica ou 
meramente especulativa, mas sim uma ciência prática e objetiva, no sentido de que a 
mesma se preocupa com a ação e com o ato do ser humano (ALONSO; LÓPEZ; 
CASTRUCCI, 2012). 
 
1.2 Ética Profissional na Esfera da Filosofia 
 
A ética é muito aplicada no campo das atividades profissionais, é um importante 
diferencial competitivo nas empresas, a ética profissional determina o sucesso das 
organizações diante o cenário competitivo atual. A ética profissional é essencial por 
conta de que na ação humana de “o fazer” e “o agir” estão muito interligados e isso, 
consequentemente está vinculado à competência e à eficiência obrigatória que todo 
profissional deve ter para executar com sucesso a sua profissão. Destaca-se que o “agir” 
se refere à conduta do indivíduo profissional em relação ao conjunto de atitudes que ele 
deve assumir no desempenho de suas atividades laborais. O ato de “fazer” se refere 
essencialmente à competência e à eficiência que todo profissional deve ter para exercer 
bem a sua profissão. (OLIVEIRA, 2012). 
Assim, para este mesmo autor, tanto a moral, quanto o direito, fundamentam-se 
em regras que objetivam estabelecer previsibilidade para as ações dos indivíduos, 
entretanto, moral e direito, se diferenciam. A moral impõe regras que são assumidas 
pelo indivíduo, como uma maneira de garantir o seu bem-viver e não depende das 
fronteiras geográficas, pois garante uma identidade entre as pessoas que nem ao menos 
se conhecem, entretanto, utilizam este mesmo referencial moral em comum. Já o direito, 
procura estabelecer regras em uma sociedade que é delimitada pelas fronteiras de cada 
Estado. As leis possuem um alicerce territorial, que valem somente para a área 
geográfica onde um determinado povo vive. 
A ética pode também ser definida como um estudo geral do que realmente é bom 
ou ruim, correto ou não, justo ou injusto, adequado ou inadequado, entretanto, deve 
levar-se em conta as diferentes culturas, crenças e outros fatores de cada região do 
planeta para se compreender o universo da ética. O importante é que um dos objetivos 
da ética é a procura de justificativas para as regras propostas pela moral e pelo direito, 
uma vez que a ética é distinta em ambos, uma vez que não estabelece regras. 
(OLIVEIRA, 2012). 
A Ética faz parte de uma ramificação da esfera filosófica, que possui como meta 
uma análise dos assuntos morais. Sá (2007, p. 46) afirma: “em seu sentido de maior 
amplitude, a Ética tem sido entendida como a ciência da conduta humana perante o ser e 
seus semelhantes”. 
Reforçando, Sá (2007, p.46) diz: 
 
Envolve, pois, os estudos de aprovação ou desaprovação da ação dos homens 
e a consideração de valor como equivalente de uma medição do que é real e 
voluntarioso no campo das ações virtuosas. Encara a virtude como prática do 
bem, e esta como a promotora da felicidade dos seres, quer individualmente, 
quer coletivamente, mas também avalia os desempenhos humanos em relação 
às normas comportamentais pertinentes. Analisa a vontade e o desempenho 
virtuoso do ser em face de suas intenções e atuações, quer relativos à própria 
pessoa, quer em face da comunidade em que se insere. 
 
Machado (2006, p. 15) observa: “as doutrinas éticas fundamentais surgem em 
diferentes sociedades como resposta aos problemas básicos apresentados nas relações 
entre os homens”. 
Independente de culturas, crenças e outros fatores, existe uma característica na 
ética que é comum em todo o planeta, ou seja, a existência da análise e prática do bem 
comum, assim como o incentivo de uma boa conduta da vida humana para um convívio 
social pacífico e harmonioso para viver em sociedade. Na história do homem, as 
concepções éticas transcorrem as concepções filosóficas e até mesmo as concepções 
religiosas que surgiram no momento em que a humanidade passou a conviver em 
sociedade ou em grupos sociais (ARANHA e MARTINS, 2003). 
Apesar de tantas divergências, existe um consenso entre os estudiosos, 
salientando a existência de dois aspectos norteadores que são aceitos na teoria sobre 
ética, Sá (2007, p.2) relata que: 
 
1º Como ciência que estuda a conduta humana dos seres humanos, analisando 
os meios que devem ser empregados para a referida conduta se reverta 
sempre em favor do homem. Nesse aspecto o homem torna-se o centro da 
observação, em consonância com o meio que lhe envolve. Cuida das formas 
ideais da ação humana e busca essência do Ser, procurando conexões entre o 
material e o espiritual. 
2º Como ciência que busca os modelos da conduta conveniente, objetiva, dos 
seres humanos. A correlação, nesse aspecto, é objetiva entre o homem e seu 
ambiente. Os modelos, como valores, passam a guiar a estrutura normativa. 
[...] Embora seja possível identificar tais posicionamentos, no 
aprofundamento das obras tratadistas, a realidadeé que entrelaçamentos e 
mesclas diversas foram e ainda são operados. 
 
Sobre moral, Aranha e Martins (2003, p. 261) considera que: 
 
Em sentido bem amplo, a moral é o conjunto das regras de conduta admitidas 
em determinada época ou por um grupo de homens. Nesse sentido, o homem 
moral é aquele que age bem ou mal na medida em que acata ou transgride as 
regras do grupo. A ética ou filosofia moral é a parte da filosofia que se ocupa 
com a reflexão a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida 
moral. Essa reflexão pode seguir as mais diversas direções, dependendo da 
concepção de homem que se toma como ponto de partida. 
 
No que diz respeito à ética e mudanças de paradigmas: 
 
O que ocorre, na realidade, é uma atualização dos princípios e valores éticos, 
de acordo com a cultura, com a sociedade, para que esses possam continuar 
tendo validade. [...] A ética, portanto, revela a maneira de pensar de um povo, 
a forma de agir e de ver o mundo. Como este mundo e o próprio homem 
vivem em constante mudança, se aperfeiçoando e se modificando, é 
necessário que tudo o que foi por ele criado o acompanhe nesse processo de 
evolução. (ALMEIDA, 2007, p. 16). 
 
Na realidade, existem várias definições sobre ética que são discutidas e 
defendidas por diversos pesquisadores desse tema em épocas diferentes na história da 
humanidade. Isto acontece por conta de que a ética é atribuída a uma grande variedade 
de costumes, de culturas, de princípios e valores que surgiram ao longo do tempo 
juntamente com o fator do desenvolvimento social, da mutabilidade e volatilidade social 
que acontece de geração em geração. Assim, as concepções do que realmente significa 
ética ou sobre ser um indivíduo ético passaram por mudanças constantes e sempre com 
a meta de manter o convívio social mais humano, mais justo e mais equilibrado 
(OLIVEIRA, 2012). 
 
 
1.3 A Ética Aplicada na Profissão 
 
O ato de exercer ética profissional não é uma dádiva natural do ser humano, é 
uma conquista cultural e nada fácil, que lida com a dimensão ético-profissional, de fazer 
o indivíduo não trabalhar pelos caminhos fora da boa fé e não agir de maneira 
irresponsável. Por isso cada profissão possui seu próprio código de conduta e ética, ou 
seja, o profissional possui o dever de cumprir as regras éticas e morais respectivas de 
cada área em que atua. A ética é uma condição essencial para o exercício de qualquer 
profissão (OLIVEIRA, 2012). 
Sá (2013) destaca que a ética profissional é um conjunto de normas que 
incentivam a consciência do indivíduo profissional, sendo um norte para sua conduta 
em suas ações e atividades laborais. A ética profissional abrange muitos aspectos em 
variadas áreas onde cada profissão aplica seus próprios códigos éticos. Tais códigos de 
conduta e ética profissional educam como o profissional deve se comportar no mercado 
de trabalho. A cidadania e a ética são dois elementos que fazem uma sociedade mais 
transparente, idônea, responsável e próspera. 
Observa Oliveira (2012) que em toda a fase de uma formação profissional existe 
um aprendizado sobre competências e habilidades que são próprias à prática específica 
de cada área e todas incluem a reflexão, um elemento essencial desde o início dos 
estágios até a formação completa do profissional. Quando o indivíduo completa sua 
formação superior, ele realiza um juramento ao qual se compromete com a sua classe 
profissional onde foi inserido. Esta ação representa o aspecto moral da chamada Ética 
Profissional, ou seja, uma adesão voluntária sobre um conjunto de regras que são 
estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício profissional. Cada 
profissão possui suas próprias leis e códigos de conduta, e todas são elaboradas 
almejando a proteção dos profissionais e principalmente, dos que contratam eles. 
Entretanto, existem alguns aspectos que não estão previstos especificamente nas leis e 
códigos de conduta das distintas áreas profissionais, todavia, fazem parte do 
compromisso do profissional com a ética, tanto junto com seus colegas, quanto com 
seus clientes, uma vez que o mais importante é realizar a coisa certa e honesta. 
Sá (2013) salienta que um profissional ético trabalha sempre dentro de padrões 
pré-estabelecidos pela empresa, ou ser for um profissional autônomo, também deve agir 
de maneira responsável e ética, sem prejudicar ninguém. 
Neste sentido, percebe-se que um profissional que trabalha de maneira ética, 
cumpre à risca os valores morais e os preceitos básicos da sua organização, bem como 
da sociedade em um todo: 
 
A ética corporativa é um norteador do comportamento humano no trabalho, 
ela pode ser compreendida como um conjunto de valores e normas que 
possibilitam saber distinguir não só o bem e o mal, o legal e o ilegal, o justo e 
o injusto, o lícito e o ilícito, o conveniente e o inconveniente, mas também o 
honesto e o desonesto no cotidiano da organização (OLIVEIRA, 2012, p.80). 
 
A ética profissional exige do indivíduo mudanças de condutas e hábitos, 
envolvendo estar sempre bem atualizado sobre sua profissão, bem como saber agir com 
as constantes mudanças nos conhecimentos técnicos da sua área, e principalmente, nos 
aspectos legais e normativos. Por isso a importância do conhecimento e da disciplina na 
profissão para não acontecer negligência profissional com os valores éticos e morais, 
que agregam elementos como: competência técnica, aprimoramento constante na área, 
respeito a qualquer pessoa, manter confidencialidade, manter privacidade, possuir 
tolerância, ter flexibilidade a todo instante, ser fiel, se envolver com ótima conduta e 
boas maneiras, ressaltar suas relações interpessoais, ser verdadeiro e transparente nos 
negócios, possuir responsabilidade e adquirir confiança dos clientes para obter um 
comportamento eticamente adequado, seja qual for à área do profissional (OLIVEIRA, 
2002). 
Segundo Cortella e La Taille (2009, p. 35); "ética é a perspectiva de uma vida 
boa, para e com outrem, em instituições justas". 
Para estes mesmos autores, na definição acima, consideram uma linha que 
contextua a ética, quando remetem às instituições justas. Os autores afirmam que a ética 
condiz com a vivência harmoniosa no contexto coletivo social. Assim se verifica que a 
ética vinga realmente no ambiente organizacional através do relacionamento 
interpessoal. 
Em suma, os autores definem melhor o acima citado apresentando que é 
necessária a compreensão da existência de um programa recheado de normas e regras 
voltado para a ética, que objetiva a perspectiva de uma vida boa à participação do outro 
na convivência em sociedade. 
Assim “A participação do outro ocorre, concomitantemente, de duas formas: 
com o outro (agregando a ideia do grupo, da cooperação) e para o outro (enfatizando a 
ideia da benevolência, da generosidade humana. ” (CORTELLA; LA TAILLE, 2009, p. 
36). 
Destacam Cortella e La Taille (2009) que a ética profissional oferta princípios 
essenciais aos quais determinam quais os comportamentos aceitáveis ou inadmissíveis 
no exercício da profissão. 
 
1.4 Reflexões 
 
Atualmente existem muitos desafios relativos aos aspectos éticos que trouxeram 
diversas mudanças de paradigmas, fazendo-se repensar nas distintas ações praticadas no 
cotidiano da vida em sociedade. Em uma reflexão, observa-se uma forte crise dos 
valores éticos ultimamente, principalmente nos últimos anos, que influenciou de 
maneira negativa tanto a formação, quanto o exercício profissional dos indivíduos. 
Independente da origem social, as pessoas ultimamente vivem sob influência dos 
aspectos éticos disseminados de forma desregrada na sociedade. Dessa forma, nos dias 
atuais, existe a valorização dos bens materiais, bem como da obtenção de recursos 
financeiros em primeiro plano, na contramão da solidariedade e do respeito com o 
próximo. Os avanços científico-tecnológicos contribuíram para uma“frieza” social e 
incentivaram o individualismo e o antissocialíssimo de indivíduos que os utilizaram de 
maneira inadequada à intenção do que foram elaborados, ou seja, tais avanços vieram 
para socializar e fazer as pessoas interagirem entre si e possuir um espírito de 
cooperativismo e coletividade (PINHEIRO; MARQUES; BARROSO, 2006). 
Juntamente a esse triste cenário, Almeida (1998) destaca a existência 
desnecessária do culto ao corpo como uma espécie de competição, não se está aqui 
falando de manter uma saúde boa por meio de exercícios físicos e sim, a idolatria ao 
narcisismo ao extremo aliada a longevidade da população, que influenciou a mudança 
nos hábitos e estilos de vida muitas vezes egoísta e individualista. Na contramão, 
existem pessoas que vivem em péssimas condições de vida, praticamente excluídas da 
sociedade por conta de suas precárias condições financeiras que afeta em tudo no seu 
dia a dia. Existe um desequilíbrio financeiro e social visível e incontestável. 
Com as constantes mudanças que acontecem na sociedade e os valores que ela 
cultua, aos quais mudam seguidamente, não se pode negar à dimensão ética no trabalho 
da educação, entretanto, a intensidade de cobrar ética de quem ensina é a mesma de 
quem exerce qualquer outra profissão (PERRENOUD, 2000). 
A ética é o elemento fundamental para qualquer trabalhador obter sucesso e deve 
ser fomentada desde o início de sua formação profissional. Ressalta-se que a ética 
ocorre no interior do ser humano, sendo percebida a partir do instante em que se 
questiona uma ação ou uma conduta praticada ou que se irá praticar, ou seja, é um 
mecanismo de controle interno de uma ação humana (D’ALVA, 2004). 
Boff (1999) ressalta que é necessária uma reflexão sobre a responsabilidade 
profissional individual ou coletiva no que diz respeito à ética, pois se percebe que a 
ética implica diretamente em uma ótima formação profissional, uma vez que é visível 
uma desigualdade social que pode ser combatida também através de ações éticas, sendo 
um caminho correto para um futuro bom profissional, seja de qual área for. 
 
1.4.1 Ética Aliada Contra a Desigualdade Social 
 
Nos dias atuais se fala muito em crises, sejam elas: econômica, energética, 
social, ambiental, educacional, moral ou espiritual, e, em meio a tudo isso, observa-se 
organizações com seus gestores buscando cegamente o sucesso financeiro como o único 
objetivo a ser atingido. Há tempos as máquinas substituíram os trabalhadores, e cada 
vez mais, a produção aumenta em pouco tempo para vender mais aos consumidores e na 
mesma medida, os números de trabalhadores nas organizações reduzem por conta desse 
avanço tecnológico e os operários que sobraram, têm seus direitos e lucros arrebatados 
pelos empresários. A competição entre as empresas contribui para esse mal social, pois 
as máquinas geram maiores lucros e menores danos a empresa, e todas almejam 
somente estar entre as grandes organizações em uma cultura de desigualdade social, o 
que lhes atrapalha em momentos de crise econômica, pois máquinas não defendem a 
empresa, pessoas sim, e estas, são fiéis quando bem tratadas e reconhecidas 
devidamente em suas atividades laborais na empresa (BOFF, 2014). 
Os indivíduos desfavorecidos economicamente são as principais vítimas da 
sociedade de consumo, uma vez que tem de trabalhar cada vez mais para conseguir 
sobreviver e consumir os bens produzidos, gastando seu tempo no serviço e chegando à 
velhice em situação financeira precária e desonrosa para quem trabalhou uma vida 
inteira. A sociedade consumista afasta o trabalhador de sua família, não lhe oferta uma 
moradia digna, um salário merecedor e boas condições de trabalho, incluindo horas e 
horas de serviço para manter o emprego, ou seja, lhe tira o tempo para viver mais e 
melhor com a sua família, pois tem de trabalhar muito para ter o conforto e os bens 
desejados tanto pelo indivíduo, quanto por sua própria família. Isso fez acontecer 
mudanças radicais na estrutura familiar (PINHEIRO; MARQUES; BARROSO, 2006). 
A denominada a ética do sucesso, ostentada por grandes empresários e outros 
detentores do poder diminuem fortemente a igualdade social, pois tais ações restringem 
os recursos da população mais desfavorecida economicamente, e faz-se refletir sobre a 
eficácia da ética do sucesso, onde se pode tirar vantagem de tudo, inclusive dos 
desafortunados, estes, representados pela maioria da população, ocasionando na 
sociedade de consumo crises imensas, incertezas, fazendo acontecer um novo mundo 
recheado de inseguranças nas potências econômicas nesta nova ordem de mercado. Esta 
nova ordem salientou uma desumanização crescente partindo da ideia de que o 
desenvolvimento econômico está diretamente ligado ao lucro, não levando em conta a 
vida em um todo, atingindo de modo danoso, além do ser humano, o ecossistema. A 
ambição na geração de riquezas faz com que os indivíduos que compõem a denominada 
a ética do sucesso não valorizem seus semelhantes e nem o meio o qual eles próprios 
estão inseridos (GARRAFA, 2003). 
Afirma ainda Garrafa (2003) que o mundo atual está moralmente depravado, 
supervalorizando o supérfluo e desvalorizando o ser humano e natureza na busca 
incessante pelo lucro e o poder, sem ao menos observar o coletivo, tornando-se cada vez 
mais individualistas sem olhar para as pessoas menos favorecidas que todos os dias 
sofrem privações básicas para sua sobrevivência. 
Esta visível desigualdade social e as distintas oportunidades que as pessoas 
possuem levam os indivíduos que trabalham e mesmo assim não conseguem ter 
condições dignas de viver, procurar caminhos éticos errados para tentar equilibrar estas 
desigualdades, uma vez que se vive um momento onde, infelizmente, o dinheiro e o 
poder estão em evidência e é essencial para se ter uma imagem forte na comunidade. A 
sociedade atual, que vive em um constante avanço tecnológico, cada vez mais ocasiona 
desempregos e se esquece dos excluídos e desafortunados, como exemplo as 
companhias de telefonia celular instalando sofisticadas torres nas favelas onde não 
existe nem mesmo água e nem saneamento básico e não oferta nada em troca a 
comunidade (PERRENOUD, 2000). 
Existe um dilema entre estimular um avanço acelerado da tecnologia de maneira 
irresponsável, pois coloca em risco à sobrevivência do ser humano e da natureza e 
repensar sobre o comportamento humano diante estas ações e suas conseqüências. Nesta 
linha de raciocínio, surge uma reflexão sobre a bioética, a sustentabilidade e um cunho 
social mais forte por parte das empresas. Assim, temas científicos, filosóficos, jurídicos, 
administrativos e outros estão cada vez mais sendo inseridos na formação profissional, 
tendo a ética como norte nas ações futuras dos novos empresários, ou seja, a ética sendo 
utilizada como esfera normativa e reflexiva (ZAJDSZNAJDER, 2001). 
 
1.4.2 Desafios ao Aplicar a Ética 
 
É percebível que exista uma redefinição desta nova ordem mundial, onde se 
deve optar pela consciência social e ambiental, sem perder o rumo do progresso. É nesse 
momento que surge a ética profissional, que condiciona e proporciona um bem estar da 
humanidade por meio de ações politicamente corretas. É muito mais rentável promover 
o equilíbrio social e ecológico do que ter de lidar com tantas desigualdades, que geram 
violência, descasos e pior, menosprezam a vida colocando o lucro acima de tudo. É 
essencial ter esperanças para um mundo mais justo, a ética é o melhor caminho para que 
isso ocorra. O grande poder da ética reside na predominância de sentimentos e atitudes 
que são voltadas para o amor verdadeiro ao próximo, o que você não quer para si, não 
deseje ao outro. A compaixão e a solidariedade estão diretamente ligadas à ética, pois 
ela vive na consciência humana de cada um em seus princípios de convivência em 
sociedade, pensar no coletivo e deixar de lado o individualismoé a única maneira de 
fazer a ética vingar realmente (BOFF, 2003). 
A reflexão sobre as ações que se pratica traz à tona o dever de cuidar de nossos 
atos diante as atividades que praticamos, sejam elas laborais ou não, pois nos 
conscientiza sobre as possíveis consequências que podem surgir no cotidiano de CAD 
um (BOFF, 2014). 
Boff (2014) ainda reforça que o ser humano sempre procura resolver problemas 
em meio às situações complexas e vive em um constante confronto entre o bem, e o 
mal, por isso o cuidado é o cerne humano e elemento presente na ética. 
Ressalta Boff (2014) que o cuidado é o alicerce da primeira atitude ética 
fundamental, uma vez que o cuidado protege a vida, garante os direitos dos indivíduos e 
de todo o ecossistema, de forma que faz o ser humano conviver em solidariedade, 
compreensão, compaixão e amor ao próximo. Em termos, o cuidado é fundamento da 
criatividade, liberdade e da inteligência do ser humano, ele também faz cada indivíduo 
desenvolver a afetividade para com o próximo, auxiliando na construção de um mundo 
mais justo e igualitário, isso porque a sociedade é um produto de atos individuais e 
coletivos. 
Nessa esteira, cada profissional deve possuir, desde a sua formação, a 
capacidade de saber questionar e revisar suas ações constantemente, tanto em sua vida 
particular, quanto no exercício da sua profissão. Os códigos éticos e morais devem estar 
presentes e servem como norteadores nas decisões profissionais, abrangendo além do 
expresso no juramento do código de conduta de cada profissão, uma vez que não se 
deve ter caráter corporativista de proteção aos profissionais, e sim, o objetivo de 
melhorar a qualidade da vida coletiva (KIPPER, 2003). 
O desafio nos dias atuais portanto, é fazer o profissional repensar sobre suas 
ações e não se basear em modelos de outros profissionais que agem de modo antiético, 
ou seja, deixar de ser egoísta e individualista, onde o prosperou infelizmente o exemplo 
do lucro á qualquer custo cultivado pela sociedade atual. O profissional deve agir como 
cidadão consciente e trabalhar com maneiras que levem os seus colegas a atuarem na 
esfera da coletividade, é um trabalho árduo, porém, com frutos preciosos que 
futuramente lhe trarão uma imagem positiva no mercado. Para isso, se deve preservar os 
valores universais do ser humano e ver o outro lado, frágil e indefeso, preservando 
também a biodiversidade, reconhecendo e respeitando as peculariedades locais, bem 
como as distinções de gênero, raça, credo e muitas outras (OLIVEIRA, 1999). 
Este novo perfil de profissional ético deve contribuir ativamente para a 
propagação da ética na sociedade, agindo com dignidade, cidadania e almejando 
possibilidades de produzir efeitos positivos no contexto coletivo e descartar o 
individualismo atual (ANCHEZ, 1997). 
A sociedade nos dias atuais não aceita a exclusão social e má distribuição de 
renda, pois é sabedora das precárias condições econômicas dos mais desfavorecidos, 
que fomentam o desequilíbrio individual e coletivo na conduta ética dos profissionais e 
cobra medidas das organizações. A formação dos profissionais deve agregar a ética para 
os mesmos se tornarem promotores de sua própria cidadania, servindo de exemplo a 
outros, uma vez que estes novos profissionais serão estimuladores do exercício da 
cidadania também do próximo, mas para que isso aconteça, é preciso à compreensão de 
toda essa dimensão ética de valorização do ser humano aliada a outros valores morais e 
éticos (BELLATO, 2003). 
Nos dias atuais, as consequências do progresso possuem uma repercussão 
mundial e exige uma reconstrução sobre como aplicar à ética, uma vez que 
desapareceram as referências tradicionais norteadoras das ações éticas (RUSS, 1999). 
Já na formação profissional, o estudante deve ser incentivado a contribuir para 
um desenvolvimento mais sustentável na sociedade, tendo a ética como fundamento 
para agir de maneira a preservar o ser humano e o meio ambiente ao qual está inserido, 
fazendo-o perceber que a ética não é simplesmente um mero compromisso moral, mas 
sim uma ação que envolve valores individuais, coletivos e principalmente, sociais e 
ambientais (MELO, 2004). 
 
 
 
 
 
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