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CAPÍTULO 1: OS PILARES DA CONSTRUÇÃO DE UMA ÉTICA PROFISSIONAL INTRODUÇÃO O atual mundo corporativo está extremamente competitivo, exigindo contínuas inovações nas empresas para que se aprimore a qualidade nas atividades. Nesse sentido, o dinamismo, a criatividade, um domínio sobre novas tecnologias, juntamente com uma descentralização das decisões passam a ser um desafio para o novo profissional estar sempre à frente de sua concorrência. Este clima, com tantos desafios a serem enfrentados, bem como à ansiedade do sucesso profissional podem acarretar diversos questionamento nos profissionais, direcionando-os sobre mudança de comportamentos e hábitos, fazendo-os refletirem se vale à pena ou não inclinar-se aos valores éticos e morais impostos na corporatividade. Nessa perspectiva, o conteúdo deste estudo está organizado, neste primeiro capítulo, de modo a incentivar sempre um debate sobre as questões éticas empresariais, bem como promover a capacitação de profissionais de distintas áreas do conhecimento dentro da esfera ética atual. Portanto, o conteúdo teórico desenvolvido neste capítulo busca trazer alguns conceitos básicos sobre a ética, seja na esfera da filosofia quanto a ética profissional; a ética aplicada na profissão e, desta forma provocar ao aluno para algumas reflexões sobre alguns desafios ao adotar a ética, bem como, a ética aplicada contra a desigualdade social. São temáticas que conduzem a inúmeras reflexões e contextualizações para as profissões em diversas áreas do conhecimento, contribuindo assim, com o crescimento, desenvolvimento do leitor. Consideramos relevante lembrar que, a ética é comum a todos os cursos, em diversos contextos e situações da profissão, e que ter o pleno conhecimento sobre os conceitos apresentados neste capítulo servirão de subsídio para sua qualificação, capacitação acadêmica e profissional contribuindo para o diferencial competitivo adquirido. Bom trabalho! 1.1 CONCEITOS BÁSICOS DE ÉTICA De acordo com Sá (2013) a ética nos dias de hoje se confronta com as regras éticas do século XIX, pois fragmentou o formalismo e o absolutismo que ofertavam ao indivíduo se transformar partindo da abstração do universo e o bem coletivo. Observa- se que os campos da Sociologia, da Filosofia, da Medicina, do Direito, da Engenharia Genética e de outras ciências enfrentam atualmente constantes problemas éticos em suas áreas. No campo da prática política, destacam-se imensas atividades antiéticas, estas, são responsáveis por variadas espécies de crises em todos os países do planeta. Geralmente, quando se trata sobre ética, automaticamente se remete à moral, pois não há como separar ética e moral, uma vez que ambas andam juntas, todavia, elas agem com condutas distintas, ou seja, a moral está ligada aos bons costumes nas ações dos indivíduos segundo os mandamentos da justiça, da igualdade e do direito de cada pessoa no convívio social. A ética, por sua vez, prega sob os imperativos de um consenso, onde a dignidade não é dependente de nenhuma circunstância, uma vez que a ética é uma qualidade própria e específica do ser humano, interiorizada no seu real valor (SÁ, 2013). Destaca ainda este mesmo autor, que muitas vezes a ética é confundida com a lei, entretanto, não é, ou seja, a lei somente possui por fundamento os princípios da ética. Dessa forma a ética se distingue da lei, pois nenhuma pessoa pode ser obrigada pelo Estado ou por outras pessoas a cumprir rigorosamente as normas éticas, e muito menos sofrer qualquer punição por desobedecer a questões éticas, assim, abre-se um vácuo onde a lei pode ser omissa no que diz respeito às questões éticas. Sobre a diferença entre ética e moral: “A ética também não se confunde com a moral, embora haja aparente identidade etimológica dos significados ethos em grego e mós em latim querem dizer costume, nesse sentido a ética seria a teoria dos costumes. ” (VASQUEZ, 1995 apud NELINE 2001, p. 36). Observa-se que ética e moral são assuntos que estão muito relacionados, no entanto, são distintos entre si, uma vez que a moral se baseia na obediência as normas, nos costumes e nos mandamentos culturais, hierárquicos e até mesmo religiosos; e a ética, procura solidificar a maneira de viver pelo pensamento humano (SÁ, 2013). Naline (2001) acrescenta que na esfera da filosofia, a ética não pode simplesmente ser resumida à moral, onde normalmente é entendida como costume, ou hábitos, pois a ética agrega vários campos, tais como antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, política, e até mesmo outras ciências. Em razão disso, aprender sobre ética é uma das alternativas eficazes para o ser humano enfrentar as diretrizes diferentes que cada ser possui e estar ciente de suas ações, uma vez que ética se aprende e também se ensina, pois de nada adianta o conhecimento técnico sem um crescimento ético. A pessoa unindo estes elementos conseguirá distinguir valores que fazem a diferença na sociedade. Nessa esfera, Oliveira (2012, p.80) afirma: A ética corporativa é um norteador do comportamento humano no trabalho, ela pode ser compreendida como um conjunto de valores e normas que possibilitam saber distinguir não só o bem e o mal, o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o lícito e o ilícito, o conveniente e o inconveniente, mas também o honesto e o desonesto no cotidiano da organização. Para Herkenhoff (2001) os princípios éticos e morais representam os pilares na construção de um profissional modelo do Direito Justo, pois este indivíduo se diferencia não só pelo seu talento, mas por sua moral e ética diante o mercado. Estes valores éticos e morais contribuem na construção de uma identidade profissional que abrange uma representação social com uma carga de consciência profissional que servirá de exemplo para outros profissionais. Salienta ainda Herkenhoff (2001) que a esfera ética é a esfera do “deve ser”, ou seja, a esfera dos juízos de valor na sociedade, em oposto a esfera do “ser”, que representa a esfera dos juízos de realidade, assim, a moral representa a parte subjetiva da ética. Ghillyer (2015) afirma que a ética trabalha verificando como os indivíduos convivem no cotidiano em sociedade, e, em conformidade com um padrão já estabelecido que determine o que é certo e o que é errado, tanto em como as pessoas pensam e se comportam em relação aos outros, quanto em como elas gostariam que os outros pensassem e se comportassem em relação a eles. Para alguns indivíduos, a ética é uma escolha consciente de seguir um conjunto de padrões morais ou princípios éticos que serve como exemplo para sua conduta no seu dia a dia. Para outros, esta escolha não é tão evidente assim, pois estes indivíduos observam o comportamento de outros para assim determinar o que é realmente um padrão aceitável de comportamento certo ou errado, ou seja, bom ou ruim. A maneira como os indivíduos chegam à definição do que realmente é certo ou errado é oriunda de diversos fatores, inclusive a forma como estas pessoas foram criadas e educadas, bem como suas culturas, crenças, tradições e outros elementos. Observando uma preocupação na ética com os idosos, Uchôa (2003) salienta que o Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento, da Fundação Oswaldo Cruz/Universidade Federal de Minas Gerais alerta que existe uma marginalização do idoso atualmente na sociedade, onde a velhice nos países ocidentais se encontra na contramão de uma sociedade justa e dinâmica, uma vez que as pessoas mais velhas normalmente dependem das pessoas mais jovens, ou seja, de sua família, de seus filhos e da própria sociedade em um todo e muitas vezes esquecidas e largadas por suas famílias e a sociedade em um todo. Já nos países orientais as pessoas idosas são mais respeitadas e até mesmo veneradas, com uma cultura que vai muito além do que simplesmente cuidar deles,Rios (2011) destaca que cada sociedade possui sua própria ética, o seu próprio jeito de ser, bem como o conjunto de regras éticas as quais regem uma sociedade específica. O domínio do ethos é o da moralidade, bem como do estabelecimento de valores e deveres, partindo da repetição das ações da sociedade e da significação na qual a ética é atribuída. Então, a ética de uma sociedade possui sua base em ações transmitidas através de gerações, por meio de atitudes que são consideradas como éticas e morais por aquelas pessoas de uma determinada sociedade, e, por serem ações comuns a uma sociedade específica, os deveres e as normas são estabelecidos. Ressalta ainda Rios (2011) que o conceito de ética está diretamente ligado ao seu núcleo, ou seja, a ética implica diretamente em reconhecer a presença de outra pessoa como seu igual, em humanidade. Já para Sá (2003) a ética trabalha com fenômenos morais, ou seja, os códigos de normas históricas que regulamentam as relações e as condutas dos indivíduos que interagem na sociedade, bem como também os discursos normativos que identificam no coletivo, que é certo ou errado realizar. Nesse pensamento, a ética possui uma relação direta com o desejo de realização, uma vez que está a todo instante ajustando tais desejos a relações consideradas justas e aceitáveis pela sociedade na qual está inserida. De acordo com a etimologia da palavra, que possui suas raízes fundamentadas no grego Ethos, a ética significa ações e costumes aceitos por um grupo social, afirmando-se que, desde os tempos primitivos, os costumes já eram decisivos para a aceitação da conduta das pessoas para viverem em sociedade (SILVA, 2013). Na perspectiva de Ferreira (1999) a ética pode ser caracterizada pelo estudo dos juízos de apreciação condizentes à conduta humana suscetível de aceitação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a uma determinada sociedade, seja de maneira absoluta. Atualmente, segundo Whitaker (2006), a globalização dos mercados ampliou o contato entre os países e seus respectivos povos e culturas próprias. Dessa forma, o conhecimento antropológico, como ciência sobre a conduta humana, salientou e reforçou as relações empresariais devido à distinção de padrões éticos e morais das nações. Este conhecimento, nos dias atuais, é utilizado como uma força estratégica em negócios bem-sucedidos. A ética tem sido usada pelos empresários administradores como um diferencial competitivo, gerando procura por empresas que trabalham direcionadas aos padrões de ética e morais distintas por outros países e a adoção de padrões éticos e morais por outras empresas para se encaixarem neste novo mercado. A ética, portanto, pode ser definida como a ciência que estuda a vida do ser humano, sob o ponto de vista da qualidade da sua própria conduta, ou seja, da boa e da má conduta conforme as regras de uma determinada sociedade, e principalmente, da correlação entre boa conduta e felicidade que existe no interior de cada indivíduo. Então, pode-se afirmar que a ética não é simplesmente uma ciência teórica ou meramente especulativa, mas sim uma ciência prática e objetiva, no sentido de que a mesma se preocupa com a ação e com o ato do ser humano (ALONSO; LÓPEZ; CASTRUCCI, 2012). 1.2 Ética Profissional na Esfera da Filosofia A ética é muito aplicada no campo das atividades profissionais, é um importante diferencial competitivo nas empresas, a ética profissional determina o sucesso das organizações diante o cenário competitivo atual. A ética profissional é essencial por conta de que na ação humana de “o fazer” e “o agir” estão muito interligados e isso, consequentemente está vinculado à competência e à eficiência obrigatória que todo profissional deve ter para executar com sucesso a sua profissão. Destaca-se que o “agir” se refere à conduta do indivíduo profissional em relação ao conjunto de atitudes que ele deve assumir no desempenho de suas atividades laborais. O ato de “fazer” se refere essencialmente à competência e à eficiência que todo profissional deve ter para exercer bem a sua profissão. (OLIVEIRA, 2012). Assim, para este mesmo autor, tanto a moral, quanto o direito, fundamentam-se em regras que objetivam estabelecer previsibilidade para as ações dos indivíduos, entretanto, moral e direito, se diferenciam. A moral impõe regras que são assumidas pelo indivíduo, como uma maneira de garantir o seu bem-viver e não depende das fronteiras geográficas, pois garante uma identidade entre as pessoas que nem ao menos se conhecem, entretanto, utilizam este mesmo referencial moral em comum. Já o direito, procura estabelecer regras em uma sociedade que é delimitada pelas fronteiras de cada Estado. As leis possuem um alicerce territorial, que valem somente para a área geográfica onde um determinado povo vive. A ética pode também ser definida como um estudo geral do que realmente é bom ou ruim, correto ou não, justo ou injusto, adequado ou inadequado, entretanto, deve levar-se em conta as diferentes culturas, crenças e outros fatores de cada região do planeta para se compreender o universo da ética. O importante é que um dos objetivos da ética é a procura de justificativas para as regras propostas pela moral e pelo direito, uma vez que a ética é distinta em ambos, uma vez que não estabelece regras. (OLIVEIRA, 2012). A Ética faz parte de uma ramificação da esfera filosófica, que possui como meta uma análise dos assuntos morais. Sá (2007, p. 46) afirma: “em seu sentido de maior amplitude, a Ética tem sido entendida como a ciência da conduta humana perante o ser e seus semelhantes”. Reforçando, Sá (2007, p.46) diz: Envolve, pois, os estudos de aprovação ou desaprovação da ação dos homens e a consideração de valor como equivalente de uma medição do que é real e voluntarioso no campo das ações virtuosas. Encara a virtude como prática do bem, e esta como a promotora da felicidade dos seres, quer individualmente, quer coletivamente, mas também avalia os desempenhos humanos em relação às normas comportamentais pertinentes. Analisa a vontade e o desempenho virtuoso do ser em face de suas intenções e atuações, quer relativos à própria pessoa, quer em face da comunidade em que se insere. Machado (2006, p. 15) observa: “as doutrinas éticas fundamentais surgem em diferentes sociedades como resposta aos problemas básicos apresentados nas relações entre os homens”. Independente de culturas, crenças e outros fatores, existe uma característica na ética que é comum em todo o planeta, ou seja, a existência da análise e prática do bem comum, assim como o incentivo de uma boa conduta da vida humana para um convívio social pacífico e harmonioso para viver em sociedade. Na história do homem, as concepções éticas transcorrem as concepções filosóficas e até mesmo as concepções religiosas que surgiram no momento em que a humanidade passou a conviver em sociedade ou em grupos sociais (ARANHA e MARTINS, 2003). Apesar de tantas divergências, existe um consenso entre os estudiosos, salientando a existência de dois aspectos norteadores que são aceitos na teoria sobre ética, Sá (2007, p.2) relata que: 1º Como ciência que estuda a conduta humana dos seres humanos, analisando os meios que devem ser empregados para a referida conduta se reverta sempre em favor do homem. Nesse aspecto o homem torna-se o centro da observação, em consonância com o meio que lhe envolve. Cuida das formas ideais da ação humana e busca essência do Ser, procurando conexões entre o material e o espiritual. 2º Como ciência que busca os modelos da conduta conveniente, objetiva, dos seres humanos. A correlação, nesse aspecto, é objetiva entre o homem e seu ambiente. Os modelos, como valores, passam a guiar a estrutura normativa. [...] Embora seja possível identificar tais posicionamentos, no aprofundamento das obras tratadistas, a realidadeé que entrelaçamentos e mesclas diversas foram e ainda são operados. Sobre moral, Aranha e Martins (2003, p. 261) considera que: Em sentido bem amplo, a moral é o conjunto das regras de conduta admitidas em determinada época ou por um grupo de homens. Nesse sentido, o homem moral é aquele que age bem ou mal na medida em que acata ou transgride as regras do grupo. A ética ou filosofia moral é a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida moral. Essa reflexão pode seguir as mais diversas direções, dependendo da concepção de homem que se toma como ponto de partida. No que diz respeito à ética e mudanças de paradigmas: O que ocorre, na realidade, é uma atualização dos princípios e valores éticos, de acordo com a cultura, com a sociedade, para que esses possam continuar tendo validade. [...] A ética, portanto, revela a maneira de pensar de um povo, a forma de agir e de ver o mundo. Como este mundo e o próprio homem vivem em constante mudança, se aperfeiçoando e se modificando, é necessário que tudo o que foi por ele criado o acompanhe nesse processo de evolução. (ALMEIDA, 2007, p. 16). Na realidade, existem várias definições sobre ética que são discutidas e defendidas por diversos pesquisadores desse tema em épocas diferentes na história da humanidade. Isto acontece por conta de que a ética é atribuída a uma grande variedade de costumes, de culturas, de princípios e valores que surgiram ao longo do tempo juntamente com o fator do desenvolvimento social, da mutabilidade e volatilidade social que acontece de geração em geração. Assim, as concepções do que realmente significa ética ou sobre ser um indivíduo ético passaram por mudanças constantes e sempre com a meta de manter o convívio social mais humano, mais justo e mais equilibrado (OLIVEIRA, 2012). 1.3 A Ética Aplicada na Profissão O ato de exercer ética profissional não é uma dádiva natural do ser humano, é uma conquista cultural e nada fácil, que lida com a dimensão ético-profissional, de fazer o indivíduo não trabalhar pelos caminhos fora da boa fé e não agir de maneira irresponsável. Por isso cada profissão possui seu próprio código de conduta e ética, ou seja, o profissional possui o dever de cumprir as regras éticas e morais respectivas de cada área em que atua. A ética é uma condição essencial para o exercício de qualquer profissão (OLIVEIRA, 2012). Sá (2013) destaca que a ética profissional é um conjunto de normas que incentivam a consciência do indivíduo profissional, sendo um norte para sua conduta em suas ações e atividades laborais. A ética profissional abrange muitos aspectos em variadas áreas onde cada profissão aplica seus próprios códigos éticos. Tais códigos de conduta e ética profissional educam como o profissional deve se comportar no mercado de trabalho. A cidadania e a ética são dois elementos que fazem uma sociedade mais transparente, idônea, responsável e próspera. Observa Oliveira (2012) que em toda a fase de uma formação profissional existe um aprendizado sobre competências e habilidades que são próprias à prática específica de cada área e todas incluem a reflexão, um elemento essencial desde o início dos estágios até a formação completa do profissional. Quando o indivíduo completa sua formação superior, ele realiza um juramento ao qual se compromete com a sua classe profissional onde foi inserido. Esta ação representa o aspecto moral da chamada Ética Profissional, ou seja, uma adesão voluntária sobre um conjunto de regras que são estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício profissional. Cada profissão possui suas próprias leis e códigos de conduta, e todas são elaboradas almejando a proteção dos profissionais e principalmente, dos que contratam eles. Entretanto, existem alguns aspectos que não estão previstos especificamente nas leis e códigos de conduta das distintas áreas profissionais, todavia, fazem parte do compromisso do profissional com a ética, tanto junto com seus colegas, quanto com seus clientes, uma vez que o mais importante é realizar a coisa certa e honesta. Sá (2013) salienta que um profissional ético trabalha sempre dentro de padrões pré-estabelecidos pela empresa, ou ser for um profissional autônomo, também deve agir de maneira responsável e ética, sem prejudicar ninguém. Neste sentido, percebe-se que um profissional que trabalha de maneira ética, cumpre à risca os valores morais e os preceitos básicos da sua organização, bem como da sociedade em um todo: A ética corporativa é um norteador do comportamento humano no trabalho, ela pode ser compreendida como um conjunto de valores e normas que possibilitam saber distinguir não só o bem e o mal, o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o lícito e o ilícito, o conveniente e o inconveniente, mas também o honesto e o desonesto no cotidiano da organização (OLIVEIRA, 2012, p.80). A ética profissional exige do indivíduo mudanças de condutas e hábitos, envolvendo estar sempre bem atualizado sobre sua profissão, bem como saber agir com as constantes mudanças nos conhecimentos técnicos da sua área, e principalmente, nos aspectos legais e normativos. Por isso a importância do conhecimento e da disciplina na profissão para não acontecer negligência profissional com os valores éticos e morais, que agregam elementos como: competência técnica, aprimoramento constante na área, respeito a qualquer pessoa, manter confidencialidade, manter privacidade, possuir tolerância, ter flexibilidade a todo instante, ser fiel, se envolver com ótima conduta e boas maneiras, ressaltar suas relações interpessoais, ser verdadeiro e transparente nos negócios, possuir responsabilidade e adquirir confiança dos clientes para obter um comportamento eticamente adequado, seja qual for à área do profissional (OLIVEIRA, 2002). Segundo Cortella e La Taille (2009, p. 35); "ética é a perspectiva de uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas". Para estes mesmos autores, na definição acima, consideram uma linha que contextua a ética, quando remetem às instituições justas. Os autores afirmam que a ética condiz com a vivência harmoniosa no contexto coletivo social. Assim se verifica que a ética vinga realmente no ambiente organizacional através do relacionamento interpessoal. Em suma, os autores definem melhor o acima citado apresentando que é necessária a compreensão da existência de um programa recheado de normas e regras voltado para a ética, que objetiva a perspectiva de uma vida boa à participação do outro na convivência em sociedade. Assim “A participação do outro ocorre, concomitantemente, de duas formas: com o outro (agregando a ideia do grupo, da cooperação) e para o outro (enfatizando a ideia da benevolência, da generosidade humana. ” (CORTELLA; LA TAILLE, 2009, p. 36). Destacam Cortella e La Taille (2009) que a ética profissional oferta princípios essenciais aos quais determinam quais os comportamentos aceitáveis ou inadmissíveis no exercício da profissão. 1.4 Reflexões Atualmente existem muitos desafios relativos aos aspectos éticos que trouxeram diversas mudanças de paradigmas, fazendo-se repensar nas distintas ações praticadas no cotidiano da vida em sociedade. Em uma reflexão, observa-se uma forte crise dos valores éticos ultimamente, principalmente nos últimos anos, que influenciou de maneira negativa tanto a formação, quanto o exercício profissional dos indivíduos. Independente da origem social, as pessoas ultimamente vivem sob influência dos aspectos éticos disseminados de forma desregrada na sociedade. Dessa forma, nos dias atuais, existe a valorização dos bens materiais, bem como da obtenção de recursos financeiros em primeiro plano, na contramão da solidariedade e do respeito com o próximo. Os avanços científico-tecnológicos contribuíram para uma“frieza” social e incentivaram o individualismo e o antissocialíssimo de indivíduos que os utilizaram de maneira inadequada à intenção do que foram elaborados, ou seja, tais avanços vieram para socializar e fazer as pessoas interagirem entre si e possuir um espírito de cooperativismo e coletividade (PINHEIRO; MARQUES; BARROSO, 2006). Juntamente a esse triste cenário, Almeida (1998) destaca a existência desnecessária do culto ao corpo como uma espécie de competição, não se está aqui falando de manter uma saúde boa por meio de exercícios físicos e sim, a idolatria ao narcisismo ao extremo aliada a longevidade da população, que influenciou a mudança nos hábitos e estilos de vida muitas vezes egoísta e individualista. Na contramão, existem pessoas que vivem em péssimas condições de vida, praticamente excluídas da sociedade por conta de suas precárias condições financeiras que afeta em tudo no seu dia a dia. Existe um desequilíbrio financeiro e social visível e incontestável. Com as constantes mudanças que acontecem na sociedade e os valores que ela cultua, aos quais mudam seguidamente, não se pode negar à dimensão ética no trabalho da educação, entretanto, a intensidade de cobrar ética de quem ensina é a mesma de quem exerce qualquer outra profissão (PERRENOUD, 2000). A ética é o elemento fundamental para qualquer trabalhador obter sucesso e deve ser fomentada desde o início de sua formação profissional. Ressalta-se que a ética ocorre no interior do ser humano, sendo percebida a partir do instante em que se questiona uma ação ou uma conduta praticada ou que se irá praticar, ou seja, é um mecanismo de controle interno de uma ação humana (D’ALVA, 2004). Boff (1999) ressalta que é necessária uma reflexão sobre a responsabilidade profissional individual ou coletiva no que diz respeito à ética, pois se percebe que a ética implica diretamente em uma ótima formação profissional, uma vez que é visível uma desigualdade social que pode ser combatida também através de ações éticas, sendo um caminho correto para um futuro bom profissional, seja de qual área for. 1.4.1 Ética Aliada Contra a Desigualdade Social Nos dias atuais se fala muito em crises, sejam elas: econômica, energética, social, ambiental, educacional, moral ou espiritual, e, em meio a tudo isso, observa-se organizações com seus gestores buscando cegamente o sucesso financeiro como o único objetivo a ser atingido. Há tempos as máquinas substituíram os trabalhadores, e cada vez mais, a produção aumenta em pouco tempo para vender mais aos consumidores e na mesma medida, os números de trabalhadores nas organizações reduzem por conta desse avanço tecnológico e os operários que sobraram, têm seus direitos e lucros arrebatados pelos empresários. A competição entre as empresas contribui para esse mal social, pois as máquinas geram maiores lucros e menores danos a empresa, e todas almejam somente estar entre as grandes organizações em uma cultura de desigualdade social, o que lhes atrapalha em momentos de crise econômica, pois máquinas não defendem a empresa, pessoas sim, e estas, são fiéis quando bem tratadas e reconhecidas devidamente em suas atividades laborais na empresa (BOFF, 2014). Os indivíduos desfavorecidos economicamente são as principais vítimas da sociedade de consumo, uma vez que tem de trabalhar cada vez mais para conseguir sobreviver e consumir os bens produzidos, gastando seu tempo no serviço e chegando à velhice em situação financeira precária e desonrosa para quem trabalhou uma vida inteira. A sociedade consumista afasta o trabalhador de sua família, não lhe oferta uma moradia digna, um salário merecedor e boas condições de trabalho, incluindo horas e horas de serviço para manter o emprego, ou seja, lhe tira o tempo para viver mais e melhor com a sua família, pois tem de trabalhar muito para ter o conforto e os bens desejados tanto pelo indivíduo, quanto por sua própria família. Isso fez acontecer mudanças radicais na estrutura familiar (PINHEIRO; MARQUES; BARROSO, 2006). A denominada a ética do sucesso, ostentada por grandes empresários e outros detentores do poder diminuem fortemente a igualdade social, pois tais ações restringem os recursos da população mais desfavorecida economicamente, e faz-se refletir sobre a eficácia da ética do sucesso, onde se pode tirar vantagem de tudo, inclusive dos desafortunados, estes, representados pela maioria da população, ocasionando na sociedade de consumo crises imensas, incertezas, fazendo acontecer um novo mundo recheado de inseguranças nas potências econômicas nesta nova ordem de mercado. Esta nova ordem salientou uma desumanização crescente partindo da ideia de que o desenvolvimento econômico está diretamente ligado ao lucro, não levando em conta a vida em um todo, atingindo de modo danoso, além do ser humano, o ecossistema. A ambição na geração de riquezas faz com que os indivíduos que compõem a denominada a ética do sucesso não valorizem seus semelhantes e nem o meio o qual eles próprios estão inseridos (GARRAFA, 2003). Afirma ainda Garrafa (2003) que o mundo atual está moralmente depravado, supervalorizando o supérfluo e desvalorizando o ser humano e natureza na busca incessante pelo lucro e o poder, sem ao menos observar o coletivo, tornando-se cada vez mais individualistas sem olhar para as pessoas menos favorecidas que todos os dias sofrem privações básicas para sua sobrevivência. Esta visível desigualdade social e as distintas oportunidades que as pessoas possuem levam os indivíduos que trabalham e mesmo assim não conseguem ter condições dignas de viver, procurar caminhos éticos errados para tentar equilibrar estas desigualdades, uma vez que se vive um momento onde, infelizmente, o dinheiro e o poder estão em evidência e é essencial para se ter uma imagem forte na comunidade. A sociedade atual, que vive em um constante avanço tecnológico, cada vez mais ocasiona desempregos e se esquece dos excluídos e desafortunados, como exemplo as companhias de telefonia celular instalando sofisticadas torres nas favelas onde não existe nem mesmo água e nem saneamento básico e não oferta nada em troca a comunidade (PERRENOUD, 2000). Existe um dilema entre estimular um avanço acelerado da tecnologia de maneira irresponsável, pois coloca em risco à sobrevivência do ser humano e da natureza e repensar sobre o comportamento humano diante estas ações e suas conseqüências. Nesta linha de raciocínio, surge uma reflexão sobre a bioética, a sustentabilidade e um cunho social mais forte por parte das empresas. Assim, temas científicos, filosóficos, jurídicos, administrativos e outros estão cada vez mais sendo inseridos na formação profissional, tendo a ética como norte nas ações futuras dos novos empresários, ou seja, a ética sendo utilizada como esfera normativa e reflexiva (ZAJDSZNAJDER, 2001). 1.4.2 Desafios ao Aplicar a Ética É percebível que exista uma redefinição desta nova ordem mundial, onde se deve optar pela consciência social e ambiental, sem perder o rumo do progresso. É nesse momento que surge a ética profissional, que condiciona e proporciona um bem estar da humanidade por meio de ações politicamente corretas. É muito mais rentável promover o equilíbrio social e ecológico do que ter de lidar com tantas desigualdades, que geram violência, descasos e pior, menosprezam a vida colocando o lucro acima de tudo. É essencial ter esperanças para um mundo mais justo, a ética é o melhor caminho para que isso ocorra. O grande poder da ética reside na predominância de sentimentos e atitudes que são voltadas para o amor verdadeiro ao próximo, o que você não quer para si, não deseje ao outro. A compaixão e a solidariedade estão diretamente ligadas à ética, pois ela vive na consciência humana de cada um em seus princípios de convivência em sociedade, pensar no coletivo e deixar de lado o individualismoé a única maneira de fazer a ética vingar realmente (BOFF, 2003). A reflexão sobre as ações que se pratica traz à tona o dever de cuidar de nossos atos diante as atividades que praticamos, sejam elas laborais ou não, pois nos conscientiza sobre as possíveis consequências que podem surgir no cotidiano de CAD um (BOFF, 2014). Boff (2014) ainda reforça que o ser humano sempre procura resolver problemas em meio às situações complexas e vive em um constante confronto entre o bem, e o mal, por isso o cuidado é o cerne humano e elemento presente na ética. Ressalta Boff (2014) que o cuidado é o alicerce da primeira atitude ética fundamental, uma vez que o cuidado protege a vida, garante os direitos dos indivíduos e de todo o ecossistema, de forma que faz o ser humano conviver em solidariedade, compreensão, compaixão e amor ao próximo. Em termos, o cuidado é fundamento da criatividade, liberdade e da inteligência do ser humano, ele também faz cada indivíduo desenvolver a afetividade para com o próximo, auxiliando na construção de um mundo mais justo e igualitário, isso porque a sociedade é um produto de atos individuais e coletivos. Nessa esteira, cada profissional deve possuir, desde a sua formação, a capacidade de saber questionar e revisar suas ações constantemente, tanto em sua vida particular, quanto no exercício da sua profissão. Os códigos éticos e morais devem estar presentes e servem como norteadores nas decisões profissionais, abrangendo além do expresso no juramento do código de conduta de cada profissão, uma vez que não se deve ter caráter corporativista de proteção aos profissionais, e sim, o objetivo de melhorar a qualidade da vida coletiva (KIPPER, 2003). O desafio nos dias atuais portanto, é fazer o profissional repensar sobre suas ações e não se basear em modelos de outros profissionais que agem de modo antiético, ou seja, deixar de ser egoísta e individualista, onde o prosperou infelizmente o exemplo do lucro á qualquer custo cultivado pela sociedade atual. O profissional deve agir como cidadão consciente e trabalhar com maneiras que levem os seus colegas a atuarem na esfera da coletividade, é um trabalho árduo, porém, com frutos preciosos que futuramente lhe trarão uma imagem positiva no mercado. Para isso, se deve preservar os valores universais do ser humano e ver o outro lado, frágil e indefeso, preservando também a biodiversidade, reconhecendo e respeitando as peculariedades locais, bem como as distinções de gênero, raça, credo e muitas outras (OLIVEIRA, 1999). Este novo perfil de profissional ético deve contribuir ativamente para a propagação da ética na sociedade, agindo com dignidade, cidadania e almejando possibilidades de produzir efeitos positivos no contexto coletivo e descartar o individualismo atual (ANCHEZ, 1997). A sociedade nos dias atuais não aceita a exclusão social e má distribuição de renda, pois é sabedora das precárias condições econômicas dos mais desfavorecidos, que fomentam o desequilíbrio individual e coletivo na conduta ética dos profissionais e cobra medidas das organizações. A formação dos profissionais deve agregar a ética para os mesmos se tornarem promotores de sua própria cidadania, servindo de exemplo a outros, uma vez que estes novos profissionais serão estimuladores do exercício da cidadania também do próximo, mas para que isso aconteça, é preciso à compreensão de toda essa dimensão ética de valorização do ser humano aliada a outros valores morais e éticos (BELLATO, 2003). Nos dias atuais, as consequências do progresso possuem uma repercussão mundial e exige uma reconstrução sobre como aplicar à ética, uma vez que desapareceram as referências tradicionais norteadoras das ações éticas (RUSS, 1999). Já na formação profissional, o estudante deve ser incentivado a contribuir para um desenvolvimento mais sustentável na sociedade, tendo a ética como fundamento para agir de maneira a preservar o ser humano e o meio ambiente ao qual está inserido, fazendo-o perceber que a ética não é simplesmente um mero compromisso moral, mas sim uma ação que envolve valores individuais, coletivos e principalmente, sociais e ambientais (MELO, 2004). REFERÊNCIAS ALMEIDA, MC. Cumplicidade, complexidade, (com) paixão. In: Carvalho EA. Ética, solidariedade e complexidade. São Paulo: Palas Athena; 1998. ALMEIDA, Paula Rodrigues. Análise da percepção da ética na profissão de Secretariado Executivo: Um levantamento na cidade de Muriaé –MG.2007. 76 f. Monografia (Graduação Secretariado Executivo Trilingüe) -Centro de Ciências Humanas Letras e Artes, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2007. Disponível em:http://www.upf.br/seer/index.php/ser/article/view/3038/2034. Acesso em 14 jun. 2020. ALONSO, F. 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