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<p>por David Sobreira</p><p>1</p><p>Simulado Informativos 2020.1 - STF/STJ</p><p>Espero que o conteúdo aqui encontrado, feito com tanto esforço e dedicação, lhe seja útil e</p><p>ajude a encurtar um pouco mais sua jornada rumo à aprovação.</p><p>Nossas plataformas (links):</p><p>Instagram</p><p>Twitter</p><p>Spotify</p><p>Deezer</p><p>Apple Podcasts</p><p>Google Podcasts</p><p>SoundCloud</p><p>Observações:</p><p>1. O presente simulado foi elaborado no estilo CESPE/CEBRASPE usando questões CERTO/</p><p>ERRADO em que cada item assinalado corretamente vale 1,0 e cada item assinalado</p><p>incorretamente vale -1,0.</p><p>2. O simulado possui 200 itens, englobando os informativos:</p><p>a) STF: 964 à 983;</p><p>b) STJ: 662 à 673;</p><p>3. O gabarito das questões e respectivos fundamentos foram colocados nesse mesmo documento ao</p><p>fim das questões.</p><p>4. Recomenda-se que o simulado seja resolvido em até 4 horas, dispensado o tempo para</p><p>transcrição do gabarito para folha de respostas.</p><p>5. Dúvidas devem ser enviados por Direct ao Instagram @onzesupremos.</p><p>6. Dúvidas feitas na forma do item 5 serão respondidas em até 48 horas.</p><p>7. Sugestões ou reclamações também devem ser encaminhadas na forma do item 5.</p><p>8. As questões adicionais (após a nº 200) não devem ser computadas no tempo de resolução/</p><p>pontuação do simulado, tendo sido inclusas apenas para albergar uma maior quantidade de julgados</p><p>importantes.</p><p>ESTE MATERIAL É DE DISTRIBUIÇÃO GRATUITA.</p><p>2</p><p>https://instagram.com/onzesupremos?igshid=m93w06gyzl8l</p><p>https://twitter.com/onzesupremos</p><p>https://open.spotify.com/show/7nqx1ZxXvUNseytoWbMS1x?si=xAmlbObzRpqEaqvqC7yCSw</p><p>http://www.deezer.com/show/710102</p><p>https://podcasts.apple.com/br/podcast/onze-supremos/id1494684389</p><p>https://podcasts.google.com/?feed=aHR0cDovL2ZlZWRzLnNvdW5kY2xvdWQuY29tL3VzZXJzL3NvdW5kY2xvdWQ6dXNlcnM6NzIyNTcwOTMyL3NvdW5kcy5yc3M=</p><p>https://soundcloud.com/david-sobreira-841020008</p><p>FOLHA DE RESPOSTAS</p><p>Item Gab. Item Gab. Item Gab. Item Gab. Item Gab. Item Gab.</p><p>1 36 71 106 141 176</p><p>2 37 72 107 142 177</p><p>3 38 73 108 143 178</p><p>4 39 74 109 144 179</p><p>5 40 75 110 145 180</p><p>6 41 76 111 146 181</p><p>7 42 77 112 147 182</p><p>8 43 78 113 148 183</p><p>9 44 79 114 149 184</p><p>10 45 80 115 150 185</p><p>11 46 81 116 151 186</p><p>12 47 82 117 152 187</p><p>13 48 83 118 153 188</p><p>14 49 84 119 154 189</p><p>15 50 85 120 155 190</p><p>16 51 86 121 156 191</p><p>17 52 87 122 157 192</p><p>18 53 88 123 158 193</p><p>19 54 89 124 159 194</p><p>20 55 90 125 160 195</p><p>21 56 91 126 161 196</p><p>22 57 92 127 162 197</p><p>23 58 93 128 163 198</p><p>24 59 94 129 164 199</p><p>25 60 95 130 165 200</p><p>26 61 96 131 166 201</p><p>27 62 97 132 167 202</p><p>28 63 98 133 168 203</p><p>29 64 99 134 169 204</p><p>30 65 100 135 170 205</p><p>31 66 101 136 171</p><p>32 67 102 137 172</p><p>33 68 103 138 173</p><p>34 69 104 139 174</p><p>35 70 105 140 175</p><p>3</p><p>1. Em tese, admite-se o ajuizamento de ADI</p><p>contra deliberação administrativa de tribunal,</p><p>desde que ela tenha conteúdo normativo com</p><p>generalidade e abstração.</p><p>2. Ainda que não tenha havido declaração de</p><p>inconstitucionalidade, o quorum necessário à</p><p>modulação de efeitos é de dois terços dos</p><p>integrantes da Corte.</p><p>3. É inconstitucional lei municipal que garanta</p><p>subsídio vitalício a ex-vereador.</p><p>4. Situação hipotética: João ingressou no</p><p>serviço público do Município em 1997 no</p><p>cargo de auxiliar de serviços gerais sob o</p><p>regime celetista e, em julho de 2010, passou a</p><p>ser regido pelo regime estatutário. Em 2013,</p><p>ele ajuizou ação na Justiça do Trabalho para</p><p>pleitear o recolhimento de parcelas do FGTS</p><p>no período em que esteve regido pelas regras</p><p>da CLT.</p><p>Nesse caso, caberá à Justiça comum processar</p><p>e julgar a causa de João.</p><p>5. Situação hipotética: João, sócio-gerente de</p><p>uma loja de confecções, vendeu diversas</p><p>roupas e, no preço, embutiu os custos que ele</p><p>teria com o ICMS. Diante da ausência de</p><p>pagamento, João foi cobrado pelo Fisco. Vale</p><p>ressaltar que João vem praticando essa mesma</p><p>conduta há pelo menos dois anos, o que fez</p><p>com que oMinistério Público o denunciasse</p><p>pela prática do crime de apropriação indébita</p><p>tributária.</p><p>Segundo a jurisprudência do STF, a conduta de</p><p>João, ainda que reiterada, caracteriza mero</p><p>atraso não passível de punição criminal, sob</p><p>pena de flagrante violação ao princípio da</p><p>proporcionalidade, tendo em vista dispor o</p><p>Estado de meios próprios para a cobrança da</p><p>quantia.</p><p>6. Situação hipotética: a Polícia Federal, sob</p><p>a supervisão do Ministério Público estadual e</p><p>do Juízo de Direito, conduziu inquérito</p><p>policial destinado a apurar crimes de</p><p>competência da Justiça Estadual.</p><p>Nesse caso, por não ter atribuição para apurar</p><p>tais delitos considerando que não se</p><p>enquadravam nas hipóteses normativas, a</p><p>atuação da polícia resulta em nulidade.</p><p>7. É constitucional restrição de acesso à peças,</p><p>contidas em investigação criminal, que digam</p><p>respeito a dados de terceiros protegidos pelo</p><p>segredo de justiça.</p><p>8. Diante de um inquérito que tramitava no</p><p>âmbito do STF, José foi preso preventivamente</p><p>em decorrência de decisão, monocrática,</p><p>proferida pelo relator.</p><p>Caso queira se insurgir contra a medida,</p><p>alegando a ausência dos requisitos para tanto,</p><p>José pode manejar Habeas Corpus.</p><p>9. Para o STF, a aceitação do acordo de</p><p>transação penal impede o exame de habeas</p><p>corpus para questionar a legitimidade da</p><p>persecução penal.</p><p>10. Medida provisória pode dispor sobre as</p><p>regras do procedimento de habilitação das</p><p>entidades beneficentes de assistência social.</p><p>11. Situação hipotética: órgão fracionário de</p><p>determinado Tribunal Regional Federal, sem</p><p>declarar a inconstitucionalidade, afastou a</p><p>aplicação de um Decreto Federal em um caso</p><p>concreto sob o fundamento de que havia</p><p>violação ao princípio da livre concorrência.</p><p>Nesse caso, a decisão do Tribunal deve ser</p><p>reformada por contrariar súmula vinculante do</p><p>Supremo Tribunal Federal.</p><p>12. Procurador de Câmara Municipal não</p><p>dispõe de legitimidade para interpor recurso</p><p>extraordinário contra acórdão de Tribunal de</p><p>Justiça proferido em representação de</p><p>inconstitucionalidade em defesa de lei ou ato</p><p>normativo estadual ou municipal.</p><p>13. É possível que lei restrinja a participação</p><p>de candidato pelo simples fato de responder a</p><p>inquérito ou a ação penal.</p><p>14. Acórdão que confirma ou reduz a pena</p><p>interrompe a prescrição.</p><p>15. No que diz respeito ao art. 33, § 4º da Lei</p><p>de drogas, há presunção de que o réu não se</p><p>dedica a atividades criminosas nem integra</p><p>organização criminosa.</p><p>Supremo Tribunal Federal - STF</p><p>Informativos 964 à 983</p><p>4</p><p>16. O delatado possui o direito de ter acesso às</p><p>declarações prestadas pelos colaboradores que</p><p>o incriminem, ainda que não documentadas.</p><p>17. Não há, por ora, previsão legal do direito à</p><p>'desaposentação' ou à ‘reaposentação’.</p><p>18. É inconstitucional lei estadual que obrigue</p><p>a participação de representante da seccional da</p><p>OAB em órgão colegiado da Administração</p><p>Pública estadual.</p><p>19. Por versar sobre matéria de cunho</p><p>constitucional, cabe recurso extraordinário</p><p>para discutir a possibilidade ou não de</p><p>re tenção de honorár ios advocat íc ios</p><p>contratuais sobre crédito relativo a diferenças</p><p>do FUNDEF.</p><p>20. Situação hipotética: João entrou em um</p><p>pequeno comércio e subtraiu bens no valor de</p><p>R$ 20,00 (vinte reais). Ao ser preso, foi levado</p><p>à delegacia onde se verificou que ele possuía</p><p>a n t e c e d e n t e s c r i m i n a i s p o r c r i m e s</p><p>patrimoniais.</p><p>Ness caso, João não poderá ser beneficiado</p><p>pela aplicação do princípio da insignificância,</p><p>tendo em vista a reincidência específica.</p><p>21. Não viola o direito constitucional ao</p><p>trabalho a imposição da pena de suspensão de</p><p>habilitação para dirigir veículo automotor ao</p><p>motorista profissional condenado por</p><p>homicídio culposo no trânsito.</p><p>22. A receita decorrente de exportação</p><p>efetuada por fabricante ou produtor brasileiro,</p><p>p o r m e i o d e e m p r e s a e x p o r t a d o r a</p><p>intermediadora, não está abrangida pela</p><p>imunidade tributária de contribuições sociais</p><p>prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88.</p><p>23. É inconstitucional a lei estadual que</p><p>p r e v e j a q u e o a d m i n i s t r a d o r t e m</p><p>responsabilidade solidária em relação às</p><p>obrigações tributárias de seus clientes.</p><p>24. Os Tribunais</p><p>Ness caso, João não poderá ser beneficiado pela aplicação do princípio da insignificância, tendo em</p><p>vista a reincidência específica.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A existência de antecedentes criminais (habitualidade criminosa) pode servir como</p><p>argumento do juiz para afastar a aplicação do princípio da insignificância. No entanto, não se trata</p><p>de uma vedação absoluta, podendo ser, excepcionalmente, aplicado o princípio, com base nas</p><p>circunstâncias do caso concreto. A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça</p><p>a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto.</p><p>Apesar disso, na prática, observa-se que, na maioria dos casos, o STF e o STJ negam a</p><p>aplicação do princípio da insignificância caso o réu seja reincidente ou já responda a outros</p><p>inquéritos ou ações penais.</p><p>De igual modo, nega o benefício em situações de furto qualificado.</p><p>É possível que o chefe do Poder Executivo estadual convide, em consenso com a OAB, um</p><p>representante da Ordem para integrar órgão da Administração. No entanto, a lei não pode</p><p>impor a presença de representante da OAB (“autarquia federal”) em órgão da</p><p>Administração Pública local.</p><p>STF. Plenário. ADI 4579/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, j. 13/02/2020 (Info 966).</p><p>A discussão envolvendo a possibilidade ou não de retenção de honorários advocatícios</p><p>contratuais sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF possui natureza</p><p>infraconstitucional, de forma que não cabe recurso extraordinário para apreciá-la</p><p>considerando que não há matéria constitucional a ser analisada.</p><p>STF. 1ª Turma. ARE 1.066.359 AgR/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 26/11/2019 (Info 961).</p><p>STF. 1ª Turma. ARE 1.107.296 AgR/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 11/02/2020 (Info 966).</p><p>É possível a aplicação do princípio da insignificância para o agente que praticou o furto de</p><p>um carrinho de mão avaliado em R$ 20,00 (3% do salário-mínimo), mesmo ele possuindo</p><p>antecedentes criminais por crimes patrimoniais.</p><p>STF. 1ª Turma. RHC 174.784/MS, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de</p><p>Moraes, j. 11/02/2020 (Info 966).</p><p>25</p><p>ITEM 21</p><p>Não viola o direito constitucional ao trabalho a imposição da pena de suspensão de habilitação para</p><p>dirigir veículo automotor ao motorista profissional condenado por homicídio culposo no trânsito.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O direito ao exercício de atividades profissionais (art. 5º, XIII) não é absoluto e a restrição</p><p>imposta pelo legislador se mostra razoável. Vale ressaltar, ainda, que a medida é coerente com o</p><p>princípio da individualização da pena prevista no art. 5º, XLVI e, também, respeita o princípio da</p><p>proporcionalidade. A suspensão do direito de dirigir não impossibilita o motorista profissional de</p><p>extrair seu sustento de qualquer outra atividade econômica.</p><p>ITEM 22</p><p>A receita decorrente de exportação efetuada por fabricante ou produtor brasileiro, por meio de</p><p>empresa exportadora intermediadora, não está abrangida pela imunidade tributária de contribuições</p><p>sociais prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A Administração Tributária dispensa o mesmo tratamento a ambas. Atualmente, ao</p><p>adquirirem produtos no mercado interno para posterior remessa ao exterior, essas empresas já</p><p>gozam de benefícios fiscais relacionados ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); às</p><p>contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços</p><p>(ICMS).</p><p>Em prestígio à garantia da máxima efetividade, a imunidade sobre as receitas de exportação</p><p>também deve ser aplicada à hipótese das exportações indiretas. Não se trata de dar interpretação</p><p>mais ampla e irrestrita para alargar o preceito. A regra da imunidade, diferentemente da isenção,</p><p>deve ser analisada do ponto de vista teleológico/finalístico do Sistema Tributário Nacional.</p><p>Dessa maneira, depreendeu que o escopo da imunidade contida no art. 149, § 2º, I, da CF é a</p><p>desoneração da carga tributária sobre transações comerciais que envolvam a venda para o exterior.</p><p>É evitar a indesejada exportação de tributos e permitir que os produtos nacionais se tornem mais</p><p>competitivos no exterior, contribuindo para a geração de divisas e o desenvolvimento nacional.</p><p>ITEM 23</p><p>É inconstitucional a lei estadual que preveja que o administrador tem responsabilidade solidária em</p><p>relação às obrigações tributárias de seus clientes.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>É constitucional a imposição da pena de suspensão de habilitação para dirigir veículo</p><p>automotor ao motorista profissional condenado por homicídio culposo no trânsito.</p><p>STF. Plenário. RE 607.107/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 12/02/2020, Repercussão Geral:</p><p>Tema 486 (Info 966).</p><p>A norma imunizante contida no inciso I do § 2º do art. 149 da CF alcança as receitas</p><p>decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação</p><p>negocial de sociedade exportadora intermediária.</p><p>STF. Plenário. ADI 4735/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 12/02/2020 (Info 966).</p><p>STF. Plenário. RE 759.244/SP, Rel. Min. Edson Fachin, j. 12/02/2020, Repercussão Geral: Tema</p><p>674 (Info 966)</p><p>É inconstitucional a lei estadual que preveja que o administrador, o advogado, o economista</p><p>e outros profissionais teriam responsabilidade solidária em relação às obrigações tributárias</p><p>de seus clientes.</p><p>26</p><p>É inconstitucional lei estadual que disciplina a responsabilidade de terceiros por infrações</p><p>de forma diversa da matriz geral estabelecida pelo Código Tributário Nacional (CTN).</p><p>Há, neste caso, uma inconstitucionalidade formal. Ao ampliar as hipóteses de</p><p>responsabilidade de terceiros por infrações, prevista pelos arts. 134 e 135 do CTN, ou tratar sobre o</p><p>tema de maneira diferente, a lei estadual invade competência do legislador complementar federal</p><p>para estabelecer as normas gerais na matéria (art. 146, III, “b”, da CF/88).</p><p>Caso concreto: é inconstitucional lei estadual que atribui responsabilidade tributária</p><p>solidária por infrações a toda pessoa que concorra ou intervenha, ativa ou passivamente, no</p><p>cumprimento da obrigação tributária, especialmente a advogado, economista e correspondente</p><p>fiscal.</p><p>ITEM 24</p><p>Os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato</p><p>de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à</p><p>respectiva Corte de Contas.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A concessão de aposentadoria ou pensão constitui ato administrativo complexo, que</p><p>somente se aperfeiçoa após o julgamento de sua legalidade pela Corte de Contas.</p><p>Nesses termos, por constituir exercício da competência constitucional (CF, art. 71, III), tal</p><p>ato ocorre sem a participação dos interessados e, portanto, sem a observância do contraditório e da</p><p>ampla defesa.</p><p>Entretanto, por motivos de segurança jurídica e necessidade da estabilização das relações, é</p><p>necessário fixar-se um prazo para que a Corte de Contas exerça seu dever constitucional.</p><p>Diante da inexistência de norma que incida diretamente sobre a hipótese, aplica-se ao caso o</p><p>disposto no art. 4º do Decreto-lei 4.657/1942, a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro</p><p>(LINDB).</p><p>Assim, tendo em vista o princípio da isonomia, seria correta a aplicação, por analogia, do</p><p>Decreto 20.910/1932.</p><p>Portanto, se o administrado tem o prazo de cinco anos para buscar qualquer direito contra a</p><p>Fazenda Pública, também deve-se considerar que o Poder Público, no exercício do controle externo,</p><p>tem o mesmo prazo para rever eventual ato administrativo favorável ao administrado.</p><p>Desse modo, a fixação do prazo de cinco anos se afigura razoável para que o TCU proceda</p><p>ao registro dos atos de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, após o qual se</p><p>considerarão definitivamente registrados.</p><p>Por conseguinte, a discussão acerca da observância do contraditório e da ampla defesa após</p><p>o transcurso do prazo de cinco anos da chegada do processo ao TCU encontra-se prejudicada. Isso</p><p>porque, findo o referido prazo, o ato de aposentação considera-se registrado</p><p>tacitamente, não</p><p>havendo mais a possibilidade de alteração pela Corte de Contas.</p><p>STF. Plenário. ADI 4845/MT, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 13/02/2020 (Info 966)</p><p>Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de</p><p>Contas estão sujeitos ao prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato de</p><p>concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à</p><p>respectiva Corte de Contas.</p><p>STF. Plenário. RE 636.553/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 19/02/2020, Repercussão Geral: Tema</p><p>445 (Info 967).</p><p>27</p><p>ITEM 25</p><p>A materialidade do delito de incêndio deve ser comprovada, em regra, mediante exame de corpo de</p><p>delito, não podendo ser suprida por outros meios.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 26</p><p>Segundo o STF, é possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas (tráfico</p><p>privilegiado) com base no fato de o acusado ser investigado em inquérito policial ou ser réu em</p><p>outra ação penal que ainda não transitou em julgado.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O colegiado entendeu, com base no decidido no julgamento do RE 591.054, submetido à</p><p>sistemática de repercussão geral (Tema 129), que a existência de inquéritos policiais e processos</p><p>criminais sem trânsito em julgado não podem ser considerados como maus antecedentes para fins</p><p>de dosimetria da pena, de modo que o fato de a paciente ser ré em outra ação penal, ainda em curso,</p><p>não constitui fundamento idôneo para afastar a aplicação da causa de diminuição da pena.</p><p>ITEM 27</p><p>Não alcançado o o marco temporal relativo à data de apresentação das razões finais, o fato de as</p><p>investigações estarem perto do fim e de já terem demorado anos não servem como argumento</p><p>jurídico válido para prorrogar a competência do STF.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A materialidade do delito de incêndio (art. 250, § 1º, I, do CP), cuja prática deixa vestígios,</p><p>deve ser comprovada, em regra, mediante exame de corpo de delito, nos termos do art. 158</p><p>do CPP.</p><p>Vale ressaltar, no entanto, que a substituição do exame pericial por outros meios de prova é</p><p>possível em hipóteses excepcionais quando desaparecidos os sinais ou as circunstâncias não</p><p>permitirem a realização do laudo, conforme autoriza o art. 167 do CPP.</p><p>Para que a utilização de outros meios de prova seja válida, é necessário que se demonstre</p><p>que houve uma justificativa para a não realização do laudo pericial.</p><p>STF. 1ª Turma. HC 136.964/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 18/02/2020 (Info 967).</p><p>Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no</p><p>art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos</p><p>policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob</p><p>pena de violação ao art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade).</p><p>STF. 1ª Turma. HC 173.806/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 18/02/2020 (Info 967).</p><p>STF. 2ª Turma. HC 144.309 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 19/11/2018.</p><p>Cuidado! STJ tem posição em sentido contrário.</p><p>É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da</p><p>convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal</p><p>previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006.</p><p>STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091/SP, Rel. Min. Felix Fischer, j. 14/12/2016 (Info 596).</p><p>STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 539.666/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 05/03/2020.</p><p>O fato de as investigações estarem perto do fim e de já terem demorado anos não servem</p><p>como argumento jurídico válido para prorrogar a competência do STF.</p><p>28</p><p>Para aprofundar: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/03/info-967-stf-2.pdf</p><p>ITEM 28</p><p>A prisão domiciliar do art. 318 do CPP só se aplica para os casos de prisão preventiva, não podendo</p><p>ser utilizado quando se tratar de execução definitiva de título condenatório.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O tema “prisão domiciliar” é previsto tanto no CPP como na LEP, tratando-se, contudo, de</p><p>institutos diferentes, conforme se passa a demonstrar:</p><p>ITEM 29</p><p>Cabe à Justiça Comum julgar ações contra concurso público realizado por órgãos e entidades da</p><p>Administração Pública para contratação de empregados celetistas.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Na fase pré-contratual ainda não existe um elemento essencial inerente ao contrato de</p><p>trabalho, que é seu caráter personalíssimo, de índole privada.</p><p>O que prevalece é, em verdade, o caráter público, isto é, o interesse da sociedade na estrita</p><p>observância do processo administrativo que efetiva o concurso público.</p><p>Portanto, a fase anterior à contratação de empregado público deve se guiar por normas de</p><p>direito público, notadamente do direito administrativo.</p><p>Apesar da efetiva evolução das investigações, sob a supervisão do STF, não houve</p><p>oferecimento de denúncia contra o agravante nem encerramento da instrução processual</p><p>penal. Logo, o marco temporal relativo à data de apresentação das razões finais não foi</p><p>alcançado (AP 937 QO).</p><p>Além disso, quanto ao segundo argumento da defesa, o STF esclareceu que é possível a</p><p>imediata remessa dos autos às instâncias competentes, inclusive antes da publicação do</p><p>acórdão ou do trânsito em julgado, quando constatado o risco de prescrição.</p><p>STF. 2ª Turma. Pet 7716 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 18/02/2020 (Info 967).</p><p>Não é possível a concessão de prisão domiciliar para condenada gestante ou que seja mãe ou</p><p>responsável por crianças ou pessoas com deficiência se já houver sentença condenatória</p><p>transitada em julgado e ela não preencher os requisitos do art. 117 da LEP.</p><p>STF. 1ª Turma. HC 177.164/PA, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 18/02/2020 (Info 967</p><p>PRISÃO DOMICILIAR DO CPP PRISÃO DOMICILIAR DA LEP</p><p>Arts. 317, 318 e 318-A do CPP. Art. 117 da LEP.</p><p>O CPP, ao tratar da prisão domiciliar, está se referindo à</p><p>possibilidade de o réu, em vez de ficar em prisão</p><p>preventiva, permanecer recolhido em sua residência</p><p>A LEP, ao tratar da prisão domiciliar, está se referindo à</p><p>possibilidade de a pessoa já condenada cumprir a sua pena</p><p>privativa de liberdade na própria residência.</p><p>Trata-se de uma medida cautelar por meio da qual o réu,</p><p>em vez de ficar preso na unidade prisional, permanece</p><p>recolhido em sua própria residência. Continua tendo</p><p>natureza de prisão, mas uma prisão “em casa”.</p><p>Trata-se, portanto, da execução penal (cumprimento da</p><p>pena) na própria residência.</p><p>O juiz pode determinar que a pessoa fique usando uma</p><p>monitoração eletrônica.</p><p>O juiz pode determinar que a pessoa fique usando uma</p><p>monitoração eletrônica.</p><p>Compete à Justiça comum processar e julgar controvérsias relacionadas à fase pré-</p><p>contratual de seleção e de admissão de pessoal e eventual nulidade do certame em face da</p><p>Administração Pública, direta e indireta, nas hipóteses em que adotado o regime celetista de</p><p>contratação de pessoal.</p><p>STF. Plenário. RE 960.429/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 4 e 05/3/2020, Repercussão Geral:</p><p>Tema 992 (Info 968).</p><p>29</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/03/info-967-stf-2.pdf</p><p>Ainda não há, nesse momento, direito ou interesse emergente da relação de trabalho, a atrair</p><p>a competência da Justiça trabalhista. Na verdade, a contratação ainda não é uma realidade – e pode,</p><p>inclusive, nem vir a ocorrer.</p><p>ITEM 30</p><p>Situação hipotética: foi aprovada lei que estabelece que só será eleito o candidato que obtiver</p><p>votos em número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral.</p><p>Nesse caso, por limitar de maneira desproporcional o sistema eleitoral, a lei incorreu em vício de</p><p>inconstitucionalidade.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Para aprofundar: https://www.dizerodireito.com.br/2020/04/informativo-comentado-968-stf.html</p><p>Compete à Justiça comum processar e julgar controvérsias relacionadas à fase pré-</p><p>contratual de seleção e de admissão de pessoal e eventual nulidade do certame em face da</p><p>Administração Pública, direta e indireta, nas hipóteses em que adotado o regime celetista de</p><p>contratação de pessoal.</p><p>É constitucional o art. 4º da Lei nº 13.165/2015,</p><p>que deu nova redação ao art. 108 do Código</p><p>Eleitoral, para dizer que só será eleito o candidato que obtiver votos em número igual ou</p><p>superior a 10% do quociente eleitoral.</p><p>Essa alteração não viola o princípio democrático ou o sistema proporcional, consistindo,</p><p>antes, em valorização da representatividade e do voto nominal, em consonância com o</p><p>sistema de listas abertas e com o comportamento cultural do eleitor brasileiro.</p><p>A pessoa que está sendo eleita pelo partido tem que ter o mínimo de representatividade</p><p>popular e, por isso, se estabeleceu esses 10%.</p><p>O objetivo do legislador foi o de acabar com a figura do “puxador de votos”, excluindo da</p><p>participação, no parlamento, candidatos que pessoalmente tenham obtido votação</p><p>inexpressiva e, por isso, tenham representatividade popular ínfima.</p><p>STF. Plenário. ADI 5920/DF, Rel. Min. Luiz Fux, j. 04/03/2020 (Info 968).</p><p>É inconstitucional a expressão “número de lugares definido para o partido pelo cálculo do</p><p>quociente partidário do art. 107”, prevista no inciso I do art. 109 do Código Eleitoral, com</p><p>redação dada pela Lei nº 13.165/2015.</p><p>Com a declaração de inconstitucionalidade dessa expressão, deve-se adotar o critério de</p><p>cálculo anterior, ou seja, o que vigorava antes da Lei nº 13.165/2015.</p><p>STF. Plenário. ADI 5420/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 04/03/2020 (Info 968).</p><p>É constitucional o art. 3º da Lei nº 13.488/2017 que deu nova redação do art. 109, § 2º, do</p><p>Código Eleitoral e estabeleceu que todos os partidos e coligações que participaram do pleito</p><p>podem concorrer às denominadas “sobras eleitorais”.</p><p>• Antes da Lei nº 13.488/2017: somente poderia concorrer à distribuição das sobras eleitorais</p><p>os partidos ou as coligações que tivessem obtido quociente eleitoral.</p><p>• Depois da Lei nº 13.488/2017: podem concorrer à distribuição dos lugares todos os partidos</p><p>e coligações que participaram do pleito. Trata-se de uma opção legislativa legítima, que</p><p>não viola diretamente qualquer dispositivo da Constituição Federal.</p><p>STF. Plenário. ADI 5947/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 04/03/2020 (Info 968).</p><p>30</p><p>https://www.dizerodireito.com.br/2020/04/informativo-comentado-968-stf.html</p><p>ITEM 31</p><p>Não é possível fazer uma interpretação extensiva do art. 1º, I, “g”, da LC 64/90 para dizer que a</p><p>simples violação da Lei de Licitações configura ato doloso de improbidade administrativa e que,</p><p>portanto, caracteriza essa hipótese de inelegibilidade.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O TSE, ao dizer que a simples afronta à Lei de Licitações caracterizaria ato doloso de</p><p>improbidade, realizou uma interpretação extensiva do art. 1º, I, “g”, da LC 64/90, interpretação essa</p><p>que está em desacordo com a Constituição Federal e com a jurisprudência do STF.</p><p>O dispositivo legal prevê expressamente que a rejeição de contas só gera a inelegibilidade se</p><p>a irregularidade insanável que for detectada configurar ato doloso de improbidade administrativa.</p><p>Não se coaduna com a jurisprudência do STF e do STJ a conclusão do TSE de que a</p><p>ausência ou dispensa indevida de licitação é considerada irregularidade insanável que configura ato</p><p>doloso de improbidade administrativa, sendo conduta apta a atrair a inelegibilidade previstas no art.</p><p>1º, I, “g”, da LC 64/90. Se não está previsto dano e não existe demonstração clara de dolo, não pode</p><p>prevalecer a conclusão firmada pelo TSE.</p><p>O STF entende que é necessário fazer uma distinção entre “ato meramente ilegal” e “ato</p><p>ímprobo”, exigindo para este uma qualificação especial: lesar o erário ou, ainda, promover</p><p>enriquecimento ilícito ou favorecimento contra legem de terceiro.</p><p>ITEM 32</p><p>Com a alteração inserida pelo chamado “Pacote Anticrime”, a manutenção da prisão preventiva</p><p>exige a demonstração de fatos concretos e atuais que a justifiquem.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O art. 1º, I, “g”, da LC 64/90 prevê que são inelegíveis para qualquer cargo os que tiverem</p><p>suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas “por irregularidade insanável que configure</p><p>ato doloso de improbidade administrativa”.</p><p>Assim, a rejeição de contas só gera a inelegibilidade se a irregularidade insanável que for</p><p>detectada configurar ato doloso de improbidade administrativa.</p><p>Não é possível fazer uma interpretação extensiva desse dispositivo para dizer que a simples</p><p>violação da Lei de Licitações configura ato doloso de improbidade administrativa e que,</p><p>portanto, caracteriza essa hipótese de inelegibilidade.</p><p>É necessário fazer uma distinção entre “ato meramente ilegal” e “ato ímprobo”, exigindo</p><p>para este último uma qualificação especial: lesar o erário ou, ainda, promover</p><p>enriquecimento ilícito ou favorecimento contra legem de terceiro.</p><p>STF. 2ª Turma. ARE 1.197.808 AgR-segundo e terceiro/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j.</p><p>03/03/2020 (Info 968).</p><p>A reforma legislativa operada pelo chamado “Pacote Anticrime” (Lei nº 13.964/2019)</p><p>introduziu a revisão periódica dos fundamentos da prisão preventiva, por meio da inclusão</p><p>do parágrafo único ao art. 316 do CPP.</p><p>A redação atual prevê que o órgão emissor da decisão deverá revisar a necessidade de sua</p><p>manutenção a cada noventa dias, mediante decisão fundamentada, de ofício, sob pena de</p><p>tornar ilegal a prisão preventiva.</p><p>Assim, a prisão preventiva é decretada sem prazo determinado. Contudo, o CPP agora prevê</p><p>que o juízo que decretou a prisão preventiva deverá, a cada 90 dias, proferir uma nova</p><p>decisão analisando se ainda está presente a necessidade da medida.</p><p>31</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 33</p><p>Situação hipotética: João, deputado federal, proferiu ofensas contra artistas que foram</p><p>beneficiados pela Lei Rouanet durante sessão na Câmara dos Deputados. Em sessão, e depois nas</p><p>redes sociais do parlamentar, foram usados os seguintes termos: "bandidos"; "membros de</p><p>quadrilha"; "verdadeiros ladrões".</p><p>No caso, João não agiu amparado pela imunidade parlamentar.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A inviolabilidade material somente abarca as declarações que apresentem nexo direto e</p><p>evidente com o exercício das funções parlamentares.</p><p>No caso concreto, embora aludindo à Lei Rouanet, o parlamentar nada acrescentou ao</p><p>debate público sobre a melhor forma de distribuição dos recursos destinados à cultura, limitando-se</p><p>a proferir palavras ofensivas à dignidade dos querelantes.</p><p>O Parlamento é o local por excelência para o livre mercado de ideias – não para o livre</p><p>mercado de ofensas. A liberdade de expressão política dos parlamentares, ainda que vigorosa, deve</p><p>se manter nos limites da civilidade.</p><p>Ninguém pode se escudar na inviolabilidade parlamentar para, sem vinculação com a</p><p>função, agredir a dignidade alheia ou difundir discursos de ódio, violência e discriminação.</p><p>ITEM 34</p><p>Não é possível que o Estado seja responsabilizado civilmente por danos decorrentes de acidente em</p><p>comércio de fogos de artifício.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A observância de requisitos mínimos, positivos e negativos, é necessária para a aplicação da</p><p>responsabilidade objetiva. Na situação dos autos, dois requisitos positivos exigíveis estão ausentes.</p><p>Inexiste conduta, comissiva ou omissiva, do poder público.</p><p>Por conseguinte, o nexo causal não pode ser aferido. A abertura de comércio de fogos com</p><p>Isso significa que a manutenção da prisão preventiva exige a demonstração de fatos</p><p>concretos e atuais que a justifiquem. A existência desse substrato empírico mínimo, apto a</p><p>lastrear a medida extrema, deverá ser regularmente apreciado por meio de decisão</p><p>fundamentada.</p><p>STF. 2ª Turma. HC 179.859 AgR/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 03/03/2020 (Info 968).</p><p>Situação hipotética: João, deputado federal, proferiu ofensas contra artistas que foram</p><p>beneficiados pela Lei Rouanet durante sessão na Câmara dos Deputados. Foram usados os</p><p>seguintes termos por João: "bandidos"; "membros de quadrilha"; "verdadeiros ladrões".</p><p>No caso, João não agiu amparado pela imunidade parlamentar.</p><p>STF. 1ª Turma. PET 7174/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, j.</p><p>10/03/2020 (Info 969).</p><p>Para que fique caracterizada a responsabilidade civil do</p><p>Estado por danos decorrentes do</p><p>comércio de fogos de artifício, é necessário que exista a violação de um dever jurídico</p><p>específico de agir, que ocorrerá quando for concedida a licença para funcionamento sem as</p><p>cautelas legais ou quando for de conhecimento do poder público eventuais irregularidades</p><p>praticadas pelo particular</p><p>STF. Plenário. RE 136.861/SP, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de</p><p>Moraes, j. 11/03/2020, Repercussão Geral: Tema 366 (Info 969).</p><p>32</p><p>pólvora não é possível sem a perícia da Polícia Civil, órgão do Estado-membro. É ela que pode</p><p>realizar a vistoria, não o município. Ademais, a legislação da municipalidade estabelecia o</p><p>procedimento e previa a inspeção. Exigia, no protocolo, a comprovação do seu pedido e o</p><p>recolhimento da taxa na Polícia Civil para dar sequência ao procedimento.</p><p>Entretanto, protocolada a pretensão, faltou a comprovação de ter sido feito requerimento na</p><p>Polícia Civil. Logo, o procedimento administrativo ficou parado. A atuação do poder público</p><p>municipal foi a esperada: aguardar a complementação dos documentos pelos requerentes. Nada</p><p>seria exigível da municipalidade.</p><p>A atividade praticada pelos comerciantes era clandestina. Eles precisavam da licença para</p><p>funcionar, o que só poderia ser concedido com prévia vistoria. Dessa maneira, os proprietários</p><p>começaram a comercializar sem autorização.</p><p>ITEM 35</p><p>É incompatível com a previsão constitucional, que prevê responsabilização subjetiva, a aplicação do</p><p>Código Civil para permitir a responsabilização objetiva do empregador por danos causados ao</p><p>empregado decorrentes de acidentes de trabalho.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Art. 927. (...)</p><p>Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos</p><p>casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano</p><p>implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.</p><p>Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria</p><p>de sua condição social: (...)</p><p>XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a</p><p>indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;</p><p>ITEM 36</p><p>Ainda que contrária à prova nos autos, a decisão proferida pelo tribunal do júri não pode, por esse</p><p>motivo, ser anulada, em decorrência da regra constitucional que assegura a soberania dos veredictos</p><p>do júri.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O art. 927, parágrafo único, do Código Civil é compatível com o art. 7º, XXVIII, da</p><p>Constituição Federal, sendo constitucional a responsabilização objetiva do empregador por</p><p>danos decorrentes de acidentes de trabalho nos casos especificados em lei ou quando a</p><p>atividade normalmente desenvolvida, por sua natureza, apresentar exposição habitual a</p><p>risco especial, com potencialidade lesiva, e implicar ao trabalhador ônus maior do que aos</p><p>demais membros da coletividade.</p><p>STF. Plenário. RE 828.040/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 12/03/2020, Repercussão</p><p>Geral:Tema 932 (Info 969).</p><p>A anulação de decisão do tribunal do júri, por ser manifestamente contrária à prova dos</p><p>autos, não viola a regra constitucional que assegura a soberania dos veredictos do júri (art.</p><p>5º, XXXVIII, c, da CF/88). Vale ressaltar, ainda, que não há contrariedade à cláusula de que</p><p>ninguém pode ser julgado mais de uma vez pelo mesmo crime. Ainda que se forme um</p><p>segundo Conselho de Sentença, o julgamento é um só, e termina com o trânsito em julgado</p><p>da decisão.</p><p>STF. 1ª Turma. RHC 170.559/MT, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de</p><p>Moraes, j. 10/03/2020 (Info 969).</p><p>33</p><p>O sistema processual garante a possibilidade de recurso da decisão do Conselho de</p><p>Sentença, tanto para a acusação quanto para a defesa, em casos como esse, sem que haja vulneração</p><p>à soberania do Tribunal do Júri. Isso não significa, entretanto, que haja contrariedade à cláusula de</p><p>que ninguém pode ser julgado mais de uma vez pelo mesmo crime.</p><p>Ainda que se forme um segundo Conselho de Sentença, o julgamento é um só, e termina</p><p>com o trânsito em julgado da decisão. Nesse sentido, o sistema processual possibilita que o segundo</p><p>Conselho de Sentença, este com poder absoluto, reveja, inclusive, equívocos realizados pelo</p><p>primeiro.</p><p>Se, porventura, for mantido o resultado anterior, não haverá nova possibilidade de recurso.</p><p>ITEM 37</p><p>O amicus curiae não tem legitimidade para pleitear medida cautelar em processo objetivo.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 38</p><p>Relator não pode, de ofício, na ADPF que trata sobre o Estado de Coisas Inconstitucional dos</p><p>presídios, determinar medidas para proteger os presos do Covid-19.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 39</p><p>A exigência de que a comissão condutora do processo administrativo disciplinar seja composta por</p><p>servidores estáveis refere-se à estabilidade no serviço público, não no cargo específico.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O amicus curiae não tem legitimidade para propor ação direta; logo, também não possui</p><p>legitimidade para pleitear medida cautelar. Assim, a entidade que foi admitida como amicus</p><p>curiae em ADPF não tem legitimidade para, no curso do processo, formular pedido para a</p><p>concessão de medida cautelar.</p><p>STF. Plenário. ADPF 347 TPI-Ref/DF, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre</p><p>de Moraes, j. 18/03/2020 (Info 970).</p><p>A decisão do Ministro Relator que, de ofício, na ADPF que trata sobre o Estado de Coisas</p><p>Inconstitucional no sistema prisional, determina medidas para proteger os presos do</p><p>Covid19 amplia indevidamente o objeto da ação. É certo que no controle abstrato de</p><p>constitucionalidade, a causa de pedir é aberta. No entanto, o pedido é específico. Nenhum</p><p>dos pedidos da ADPF 347 está relacionado com as questões inerentes à prevenção do</p><p>Covid-19 nos presídios.</p><p>Não é possível, portanto, a ampliação do pedido cautelar já apreciado anteriormente. A</p><p>Corte está limitada ao pedido. Aceitar a sua ampliação equivale a agir de ofício, sem</p><p>observar a legitimidade constitucional para propositura da ação.</p><p>STF. Plenário. ADPF 347 TPI-Ref/DF, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre</p><p>de Moraes, j. 18/03/2020 (Info 970)</p><p>O art. 149 da Lei nº 8.112/90 determina que a comissão condutora do processo</p><p>administrativo disciplinar seja composta por servidores estáveis e se exige que, no momento</p><p>da designação, estes já tenham atingido a estabilidade no desempenho do cargo que exercem</p><p>e que os legitima participar da comissão.</p><p>34</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 40</p><p>É inconstitucional lei estadual que preveja percentual de vagas nas universidades públicas</p><p>reservadas unicamente para alunos que estudaram nas escolas públicas daquele Estado.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Essa lei, ao restringir a cota apenas aos alunos que estudaram no Distrito Federal, viola o</p><p>art. 3º, IV e o art. 19, III, da CF/88, tendo em vista que faz uma restrição injustificável entre</p><p>brasileiros. Vale ressaltar que a inconstitucionalidade não está no fato de ter sido estipulada a cota</p><p>em favor de alunos de escolas públicas, mas sim em razão de a lei ter restringindo as vagas para</p><p>alunos do Distrito Federal, em detrimento dos estudantes de outros Estados da Federação.</p><p>ITEM 41</p><p>Além da União, os Estados e Municípios também podem adotar medidas de combate ao coronavírus</p><p>considerando que a proteção da saúde é de competência concorrente.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A Corte enfatizou que a emergência internacional, reconhecida pela Organização Mundial</p><p>da Saúde (OMS), não implica, nem menos autoriza, a outorga de discricionariedade sem controle ou</p><p>Não haverá, contudo, nulidade do PAD se, no caso concreto, a Administração Pública, ao</p><p>perceber o vício formal, substituiu o servidor em estágio probatório por outro estável, sem</p><p>aproveitar qualquer ato decisório do servidor substituído. Isso porque, nesta hipótese, não</p><p>terá havido qualquer prejuízo concreto à defesa.</p><p>STF. 2ª Turma. RMS 32.357/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 17/03/2020 (Info 970)</p><p>É inconstitucional lei distrital que preveja percentual de vagas nas universidades públicas</p><p>reservadas para alunos que estudaram nas escolas públicas do Distrito Federal, excluindo,</p><p>portanto, alunos de escolas públicas de outros Estados da Federação.</p><p>STF. Plenário. ADI 4868, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 27/03/2020.</p><p>A Lei nº 13.979/2020 prevê medidas que poderão ser adotadas pelo Brasil para</p><p>enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do</p><p>coronavírus.</p><p>A MP 926/2020 alterou o caput e o inciso VI do art. 3º da Lei nº 13.979/2020 e acrescentou os</p><p>§§ 8º a 11 ao art. 3º da Lei nº 13.979/2020.</p><p>Foi ajuizada uma ADI contra esta MP.</p><p>O STF, ao apreciar a medida cautelar, decidiu:</p><p>• confirmar a medida acauteladora concedida monocraticamente pelo Relator para “tornar</p><p>explícita, no campo pedagógico e na dicção do Supremo, a competência concorrente.” Em</p><p>outras palavras, as providências adotadas pelo Governo Federal “não afastam atos a serem</p><p>praticados por Estado, o Distrito Federal e Município considerada a competência</p><p>concorrente na forma do artigo 23, inciso II, da Lei Maior.”</p><p>• dar interpretação conforme à Constituição ao § 9º do art. 3º da Lei nº 13.979/2020, a fim de</p><p>explicitar que o Presidente da República pode dispor, mediante decreto, sobre os serviços</p><p>públicos e atividades essenciais, no entanto, esse decreto deverá preservar a atribuição de</p><p>cada esfera de governo, nos termos do inciso I do art. 198 da Constituição Federal.</p><p>STF. Plenário. ADI 6341 MC-Ref/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j.</p><p>15/04/2020 (Info 973).</p><p>35</p><p>sem contrapesos típicos do estado de direito democrático.</p><p>As regras constitucionais não servem apenas para proteger a liberdade individual e, sim,</p><p>também, para o exercício da racionalidade coletiva, isto é, da capacidade de coordenar as ações de</p><p>forma eficiente.</p><p>O estado de direito democrático garante também o direito de examinar as razões</p><p>governamentais e o direito da cidadania de criticá-las. Os agentes públicos agem melhor, mesmo</p><p>durante as emergências, quando são obrigados a justificar suas ações.</p><p>O exercício da competência constitucional para as ações na área da saúde deve seguir</p><p>parâmetros materiais a serem observados pelas autoridades políticas. Esses agentes públicos devem</p><p>sempre justificar as suas ações, e é à luz dessas ações que o controle dessas próprias ações pode ser</p><p>exercido pelos demais Poderes e, evidentemente, por toda sociedade.</p><p>Sublinhou que o pior erro na formulação das políticas públicas é a omissão, sobretudo a</p><p>omissão em relação às ações essenciais exigidas pelo art. 23 da CF.</p><p>É grave do ponto de vista constitucional, quer sob o manto de competência exclusiva ou</p><p>privativa, que sejam premiadas as inações do Governo Federal, impedindo que estados e</p><p>municípios, no âmbito de suas respectivas competências, implementem as políticas públicas</p><p>essenciais.</p><p>O Estado garantidor dos direitos fundamentais não é apenas a União, mas também os</p><p>estados-membros e os municípios. Asseverou que o Congresso Nacional pode regular, de forma</p><p>harmonizada e nacional, determinado tema ou política pública.</p><p>No entanto, no seu silêncio, na ausência de manifestação legislativa, quer por iniciativa do</p><p>Congresso Nacional, quer da chefia do Poder Executivo federal, não se pode tolher o exercício da</p><p>competência dos demais entes federativos na promoção dos direitos fundamentais.</p><p>ITEM 42</p><p>É inconstitucional lei estadual que autoriza a comercialização de bebidas alcoólicas nas arenas</p><p>desportivas e nos estádios.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Trata-se de legislação sobre consumo, matéria de competência concorrente (art. 24, V, da</p><p>CF/88). O art. 13-A, II, da Lei nº 10.671/2003 (Estatuto do Torcedor) indica como “condições de</p><p>acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo”, entre outras, “não portar objetos, bebidas</p><p>ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência”.</p><p>Não há, contudo, uma vedação geral e absoluta por parte do Estatuto do Torcedor, de modo</p><p>que o legislador estadual, no exercício de sua competência concorrente complementar, observadas</p><p>as especificidades locais, pode regulamentar a matéria, autorizando, por exemplo, a venda de</p><p>cerveja e chope (bebidas de baixo teor alcóolico) nos estádios.</p><p>Vale lembrar que isso já é autorizado nos grandes eventos mundiais de futebol e outros</p><p>esportes, inclusive na Copa do mundo organizada pela FIFA e nas Olimpíadas.</p><p>ITEM 43</p><p>É constitucional lei estadual que determine aos titulares das serventias extrajudiciais que façam a</p><p>microfilmagem dos documentos arquivados no cartório.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>É constitucional lei estadual que autoriza a comercialização de bebidas alcoólicas nas arenas</p><p>desportivas e nos estádios.</p><p>STF. Plenário. ADI 6195, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 27/03/2020.</p><p>36</p><p>Os Estados-membros não possuem competência legislativa para determinar a</p><p>microfilmagem de documentos arquivados nos cartórios extrajudiciais do Estado. Esse tema</p><p>envolve registros públicos e responsabilidade civil dos notários e registros, matéria que é de</p><p>competência privativa da União, nos termos do art. 22, XXV, da CF/88.</p><p>ITEM 44</p><p>A Constituição Estadual não pode disciplinar sobre intervenção estadual de forma diferente das</p><p>regras previstas na Constituição Federal.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>As hipóteses de intervenção estadual previstas no art. 35 da CF/88 são taxativas. Caso</p><p>concreto: STF julgou inconstitucional dispositivo da Constituição de Pernambuco que previa que o</p><p>Estado-membro poderia intervir nos Municípios caso ali ocorressem atos de corrupção e</p><p>improbidade administrativa.</p><p>ITEM 45</p><p>É possível aplicar o princípio da insignificância para o furto quando a subtração tenha ocorrido</p><p>durante o período de repouso noturno e mesmo que o agente seja reincidente.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Prevaleceu o voto do ministro Gilmar Mendes (relator) e foi mantida integralmente a</p><p>decisão agravada, que reconheceu a atipicidade da conduta em razão da insignificância.</p><p>O ministro levou em conta que o princípio da insignificância atua como verdadeira causa de</p><p>exclusão da própria tipicidade. Considerou equivocado afastar-lhe a incidência tão somente pelo</p><p>fato de o recorrido possuir antecedentes criminais. Reputou mais coerente a linha de entendimento</p><p>segundo a qual, para a aplicação do princípio da bagatela, devem ser analisadas as circunstâncias</p><p>objetivas em que se deu a prática delituosa e não os atributos inerentes ao agente.</p><p>Reincidência ou maus antecedentes não impedem, por si sós, a aplicação do postulado da</p><p>insignificância. A despeito de restar patente a existência da tipicidade formal, não incide, na</p><p>situação dos autos, a material, que se traduz na lesividade efetiva e concreta ao bem jurídico</p><p>tutelado, sendo atípica a conduta imputada.</p><p>Em uma leitura conjunta do princípio da ofensividade com o princípio da insignificância,</p><p>estar-se-á diante de uma conduta atípica quando a conduta não representar, pela irrisória ofensa ao</p><p>bem jurídico tutelado, um dano (nos crimes de dano), uma certeza de risco de dano (nos crimes de</p><p>É inconstitucional lei estadual que determine aos titulares das serventias extrajudiciais que</p><p>façam a microfilmagem dos documentos arquivados no cartório.</p><p>STF. Plenário. ADI 3723, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 27/03/2020.</p><p>A Constituição Estadual não pode trazer hipóteses de intervenção estadual diferentes</p><p>daquelas que são previstas no art. 35 da Constituição Federal.</p><p>STF. Plenário. ADI 2917, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 27/03/2020.</p><p>Viola a Constituição Federal a previsão contida na Constituição Estadual atribuindo aos</p><p>Tribunais de Contas a competência para requerer ou decretar intervenção em Município.</p><p>Essa previsão não encontra amparo nos arts. 34 e 36 da CF/88.</p><p>STF. Plenário. ADI 3029, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 27/03/2020.</p><p>É possível aplicar o princípio da insignificância para o furto de mercadorias avaliadas em R$</p><p>29,15, mesmo que a</p><p>subtração tenha ocorrido durante o período de repouso noturno e</p><p>mesmo que o agente seja reincidente.</p><p>STF. 2ª Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 14/04/2020 (Info 973).</p><p>37</p><p>perigo concreto) ou, ao menos, uma possibilidade de risco de dano (nos crimes de perigo abstrato),</p><p>conquanto haja, de fato, uma subsunção formal do comportamento ao tipo penal.</p><p>Em verdade, não haverá crime quando o comportamento não for suficiente para causar um</p><p>dano, ou um perigo efetivo de dano, ao bem jurídico – quando um dano, ou um risco de dano, ao</p><p>bem jurídico não for possível diante da mínima ofensividade da conduta.</p><p>O relator compreendeu também não ser razoável que o Direito Penal e todo o aparelho</p><p>estatal movimentem-se no sentido de atribuir relevância à hipótese em apreço. Destacou que sequer</p><p>houve prejuízo material, pois os objetos foram restituídos à vítima. Motivo a mais para a incidência</p><p>do postulado.</p><p>ITEM 46</p><p>Aplica-se o arrependimento posterior para o agente que fez o ressarcimento da dívida principal</p><p>antes do recebimento da denúncia, mas somente pagou depois os juros e a correção monetária.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>No caso, a paciente foi condenada a 1 ano e 6 meses de reclusão, em regime inicial de</p><p>cumprimento aberto, substituída por pena restritiva de direito, e o pagamento de 25 dias-multa, ante</p><p>a prática da infração versada no art. 155, caput (furto), na forma do 71 (continuidade delitiva), do</p><p>CP. Os impetrantes pleiteavam a diminuição da pena por arrependimento posterior.</p><p>Destacaram a celebração de acordo entre a vítima e a paciente, no qual previsto o</p><p>pagamento de R$ 48.751,11, a caracterizar o valor atualizado da subtração (R$ 33.000,00).</p><p>Sustentaram, ainda, que o dano decorrente do delito foi integralmente reparado antes do</p><p>recebimento da denúncia, bem como que os valores pagos após esse fato são referentes aos juros e à</p><p>correção monetária e não integrariam a quantia a ser observada para fins de caracterização do</p><p>arrependimento.</p><p>A Turma reconheceu a incidência da causa de diminuição prevista no referido dispositivo do</p><p>CP, uma vez que a parte principal do dano foi reparada antes do recebimento da denúncia.</p><p>ITEM 47</p><p>É inconstitucional medida provisória que autorize a redução da jornada de trabalho e do salário ou a</p><p>suspensão temporária do contrato de trabalho por meio de acordos individuais em razão da</p><p>pandemia do covid-19.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A MP 936/2020 instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda</p><p>para enfrentamento do estado de calamidade pública decorrente do covid-19. Com o objetivo de</p><p>É possível o reconhecimento da causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do Código</p><p>Penal (arrependimento posterior) para o caso em que o agente fez o ressarcimento da dívida</p><p>principal (efetuou a reparação da parte principal do dano) antes do recebimento da</p><p>denúncia, mas somente pagou os valores referentes aos juros e correção monetária durante a</p><p>tramitação da ação penal. Nas exatas palavras do STF: “É suficiente que ocorra</p><p>arrependimento, uma vez reparada parte principal do dano, até o recebimento da inicial</p><p>acusatória, sendo inviável potencializar a amplitude da restituição.”</p><p>STF. 1ª Turma. HC 165312/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 14/04/2020 (Info 973).</p><p>É constitucional a MP 936/2020, que autoriza a redução da jornada de trabalho e do salário</p><p>ou a suspensão temporária do contrato de trabalho por meio de acordos individuais em</p><p>razão da pandemia do covid-19, independentemente de anuência sindical.</p><p>STF. Plenário. ADI 6363 MC-Ref/DF, Rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min.</p><p>Alexandre de Moraes, j. 16 e 17/04/2020 (Info 973).</p><p>38</p><p>ajudar os empresários e evitar que muitos trabalhadores percam seus empregados durante a</p><p>pandemia, a MP permitiu:</p><p>• a redução proporcional de jornada de trabalho e de salários; e</p><p>• a suspensão temporária do contrato de trabalho.</p><p>A MP prevê que existe a possibilidade de essas medidas serem implementadas por meio de</p><p>acordo individual ou de negociação coletiva aos empregados.</p><p>O § 4º do art. 11 da MP afirma que “Os acordos individuais de redução de jornada de</p><p>trabalho e de salário ou de suspensão temporária do contrato de trabalho, pactuados nos termos</p><p>desta Medida Provisória, deverão ser comunicados pelos empregadores ao respectivo sindicato</p><p>laboral, no prazo de até dez dias corridos, contado da data de sua celebração.”</p><p>Esse acordo escrito individual firmado entre o empregado e o empregador é um ato jurídico</p><p>perfeito e acabado e não está sujeito ao referendo (aprovação) do sindicato.</p><p>O STF, ao analisar o pedido de medida cautelar na ADI proposta contra a Medida</p><p>Provisória, decidiu manter a eficácia da MP 936/2020, que autoriza a redução da jornada de</p><p>trabalho e do salário ou a suspensão temporária do contrato de trabalho por meio de acordos</p><p>individuais em razão da pandemia do novo coronavírus, independentemente de anuência sindical.</p><p>ITEM 48</p><p>A regulação do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias</p><p>Terrestres (DPVAT) não pode ser tratada por medida provisória.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>As alterações no seguro obrigatório só podem ser feitas por meio de lei complementar. Isso</p><p>porque o sistema de seguros integra o sistema financeiro nacional, subordinado ao Banco Central do</p><p>Brasil. Pode-se dizer que o sistema de seguros é um subsistema do sistema financeiro nacional.</p><p>De acordo com o art. 192 da Constituição Federal, é necessário lei complementar para tratar</p><p>dos aspectos regulatórios do sistema financeiro.</p><p>Desse modo, a regulação do DPVAT (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por</p><p>Veículos Automotores de Vias Terrestres) e do DPEM (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais</p><p>Causados por Embarcações ou por sua Carga) deve ser feita por meio de lei complementar, nos</p><p>termos do art. 192 da Constituição Federal.</p><p>É vedada a edição de medida provisória que disponha sobre matéria sob reserva de lei</p><p>complementar (art. 62, § 1º, III, da CF/88). Logo, é inconstitucional a MP 904/2019, que pretendia</p><p>extinguir o DPVAT e o DPEM, a partir de 1º de janeiro de 2020. Essa MP viola o art. 62, § 1º, III c/</p><p>c o art. 192 da CF/88.</p><p>ITEM 49</p><p>A imunidade cultural (art. 150, VI, d, da CF) não abrange leitores digitais (e-readers) que</p><p>contenham funcionalidades acessórias.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A regulação do DPVAT e do DPEM deve ser feita por meio de lei complementar, nos termos</p><p>do art. 192 da CF/88, não podendo, portanto, ser tratada por medida provisória.</p><p>STF. Plenário virtual. ADI 6262/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 19/12/2019.</p><p>Súmula vinculante 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-</p><p>se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos</p><p>suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos</p><p>(ereaders), ainda que possuam funcionalidades acessórias.</p><p>STF. Plenário. Aprovada em 15/04/2020.</p><p>39</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 50</p><p>Em tese, é possível o manejo de ADO pedindo a instituição de pagamento de valor mínimo em</p><p>favor dos mais necessitados durante situação de calamidade pública decorrente de pandemia</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Fundamentos do julgado.</p><p>ITEM 51</p><p>Por se tratar de matéria de competência da União, é inconstitucional lei estadual que proíba a</p><p>utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A proteção da fauna é matéria de competência legislativa concorrente (art. 24, VI, da CF/</p><p>88). A Lei federal nº 11.794/2008 possui uma natureza permissiva, autorizando, a utilização de</p><p>animais em atividades de ensino e pesquisas científicas, desde que sejam observadas algumas</p><p>condições relacionadas aos procedimentos adotados, que visam a evitar e/ou atenuar o sofrimento</p><p>dos animais.</p><p>Mesmo que o tema tenha sido tratado de forma mais restrita pela lei estadual, isso não se</p><p>mostra inconstitucional porque, em princípio, é possível que os Estados editem normas</p><p>mais</p><p>protetivas ao meio ambiente, com fundamento em suas peculiaridades regionais e na</p><p>preponderância de seu interesse, conforme o caso.</p><p>ITEM 52</p><p>É constitucional lei complementar estadual que preveja que compete exclusivamente ao Procurador-</p><p>Geral de Justiça interpor recursos ao STF e STJ.</p><p>No início da pandemia decorrente do covid-19 foi proposta ADO pedindo que o Presidente</p><p>da República e os Presidentes da Câmara e do Senado editassem lei instituindo o pagamento</p><p>de um valor mínimo em favor dos mais necessitados a fim de assegurar a alimentação, o</p><p>mínimo existencial e a dignidade da pessoa humana. Alguns dias após o ajuizamento da</p><p>ADO, foi publicada a Lei nº 13.982/2020, que criou um benefício semelhante ao que se</p><p>pretendia na ação. A Lei nº 13.982/2020 instituiu o “auxílio emergencial”, um benefício</p><p>financeiro no valor de R$ 600,00 por mês, pago pela União a trabalhadores informais,</p><p>microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e que tem por</p><p>objetivo fornecer proteção emergencial, pelo prazo de 3 meses, às pessoas que perderam sua</p><p>renda em virtude da crise causada pelo coronavírus.</p><p>Diante disso, o STF decidiu:</p><p>a) conhecer da ação (significa que o STF entendeu ser cabível, em tese, ação direta de</p><p>inconstitucionalidade por omissão para discutir o tema);</p><p>b) mas, quanto ao mérito, julgar o pedido prejudicado uma vez que foi aprovado o auxílio</p><p>emergencial (Lei nº 13.982/2020) e, consequentemente, foi satisfeito o objeto da ADO.</p><p>STF. Plenário. ADO 56/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, j.</p><p>30/04/2020 (Info 975).</p><p>É constitucional lei estadual que proíba a utilização de animais para desenvolvimento,</p><p>experimentos e testes de produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e seus</p><p>componentes.</p><p>STF. Plenário. ADI 5996, Rel. Alexandre de Moraes, ju. 15/04/2020 (Info 975).</p><p>40</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Lei Orgânica estadual do Ministério Público pode atribuir privativamente ao</p><p>ProcuradorGeral de Justiça a competência para interpor recursos dirigidos ao STF e STJ. Não há</p><p>inconstitucionalidade formal nessa previsão. Isso porque a Lei federal nº 8.625/93 (Lei Orgânica</p><p>Nacional do Ministério Público - LONMP) não pormenoriza a atuação dos Procuradores-Gerais de</p><p>Justiça e dos Procuradores de Justiça em sede recursal e, por expressa dicção do caput de seu artigo</p><p>29, o rol de atribuições dos Procuradores-Gerais de Justiça não é exaustivo, de forma que as leis</p><p>orgânicas dos Ministérios Públicos estaduais podem validamente ampliar tais atribuições.</p><p>Além disso, não há ofensa aos princípios do promotor natural e da independência funcional</p><p>dos membros do Parquet, uma vez que:</p><p>• se trata de mera divisão de atribuições dentro do Ministério Público estadual, veiculada</p><p>por meio de lei;</p><p>• e não se possibilita a ingerência do PGJ nas atividades dos Procuradores de Justiça, que</p><p>conservam plena autonomia no exercício de seus misteres legais.</p><p>ITEM 53</p><p>Normas estaduais não podem conferir autonomia à Procuradoria Geral do Estado, tampouco</p><p>estender aos procuradores garantias de inamovibilidade.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>É constitucional lei complementar estadual que preveja que compete exclusivamente ao</p><p>Procurador-Geral de Justiça interpor recursos ao STF e STJ.</p><p>STF. Plenário. ADI 5505, Rel. Luiz Fux, j. 15/04/2020.</p><p>As Procuradorias de Estado, por integrarem os respectivos Poderes Executivos, não gozam</p><p>de autonomia funcional, administrativa ou financeira, uma vez que a administração direta é</p><p>una e não comporta a criação de distinções entre órgãos em hipóteses não contempladas</p><p>explícita ou implicitamente pela Constituição Federal.</p><p>STF. Plenário. ADI 5029, Rel. Luiz Fux, j. 15/04/2020.</p><p>A garantia da inamovibilidade conferida pela Constituição Federal aos magistrados, aos</p><p>membros do Ministério Público e aos membros da Defensoria Pública (arts. 93, VIII; 95, II;</p><p>128, § 5º, b; e 134, parágrafo único) não pode ser estendida aos procuradores de estado.</p><p>STF. Plenário. ADI 5029, Rel. Luiz Fux, j. 15/04/2020.</p><p>Os princípios institucionais e as prerrogativas funcionais do Ministério Público e da</p><p>Defensoria Pública não podem ser estendidos às Procuradorias de Estado, porquanto as</p><p>atribuições dos procuradores de estado – sujeitos que estão à hierarquia administrativa –</p><p>não guardam pertinência com as funções conferidas aos membros daquelas outras</p><p>instituições.</p><p>STF. Plenário. ADI 5029, Rel. Luiz Fux, j. 15/04/2020.</p><p>A Procuradoria-Geral do Estado é o órgão constitucional e permanente ao qual se confiou o</p><p>exercício da advocacia (representação judicial e consultoria jurídica) do Estado-membro</p><p>(art. 132 da CF/88).</p><p>A parcialidade é inerente às suas funções, sendo, por isso, inadequado cogitar-se</p><p>independência funcional, nos moldes da Magistratura, do Ministério Público ou da</p><p>Defensoria Pública (art. 95, II; art. 128, § 5º, I, b; e art. 134, § 1º, da CF/88).</p><p>STF. Plenário. ADI 1246, Rel. Roberto Barroso, j. 11/04/2019.</p><p>41</p><p>ITEM 54</p><p>É possível a cassação de aposentadoria de servidor público pela prática, na atividade, de falta</p><p>disciplinar punível com demissão.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Não há inconstitucionalidade na previsão da penalidade de cassação de aposentadoria de</p><p>servidores públicos, disposta nos arts. 127, IV, e 134 da Lei nº 8.112/90. A aplicação da penalidade</p><p>de cassação de aposentadoria ou disponibilidade é compatível com o caráter contributivo e solidário</p><p>do regime próprio de previdência dos servidores públicos.</p><p>A perda do cargo público foi prevista no texto constitucional como uma sanção que integra</p><p>o poder disciplinar da Administração. É medida extrema aplicável ao servidor que apresentar</p><p>conduta contrária aos princípios básicos e deveres funcionais que fundamentam a atuação da</p><p>Administração Pública.</p><p>A impossibilidade de aplicação de sanção administrativa a servidor aposentado, a quem a</p><p>penalidade de cassação de aposentadoria se mostra como única sanção à disposição da</p><p>Administração, resultaria em tratamento diverso entre servidores ativos e inativos, para o</p><p>sancionamento dos mesmos ilícitos, em prejuízo do princípio isonômico e da moralidade</p><p>administrativa, e representaria indevida restrição ao poder disciplinar da Administração em relação</p><p>a servidores aposentados que cometeram faltas graves enquanto em atividade, favorecendo a</p><p>impunidade.</p><p>ITEM 55</p><p>Não comete crime de desobediência o indivíduo que não atende a ordem dada pelo oficial de justiça</p><p>na ocasião do cumprimento de mandado de entrega de veículo.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Essa conduta configura ato atentatório à dignidade da justiça (art. 77, IV, do CPC/2015),</p><p>havendo a previsão de multa processual (art. 77, § 2º). Ocorre que a Lei afirma expressamente que a</p><p>aplicação da multa ocorre sem prejuízo de responsabilização na esfera penal.</p><p>ITEM 56</p><p>É legítima lei que, durante a pandemia, impede que os casos de coronavírus sejam caracterizados</p><p>como doença ocupacional, salvo comprovação de nexo causal.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>É possível a cassação de aposentadoria de servidor público pela prática, na atividade, de</p><p>falta disciplinar punível com demissão.</p><p>STF. Plenário. ADPF 418, Rel. Alexandre de Moraes, j. 15/04/2020.</p><p>Comete crime de desobediência (art. 330 do CP) o indivíduo que não atende a ordem dada</p><p>pelo oficial de justiça na ocasião do cumprimento de mandado de entrega de veículo,</p><p>expedido no juízo cível. O indivíduo, depositário do bem, recusou-se a entregar o veículo ou a</p><p>indicar sua localização</p><p>STF. 1ª Turma. HC 169417/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de</p><p>Moraes, julgado em 28/4/2020 (Info 975).</p><p>É inconstitucional dispositivo que afirma que os casos de contaminação por coronavírus não</p><p>serão considerados doenças ocupacionais.</p><p>É inconstitucional dispositivo que suspenda a atuação repressiva dos Fiscais do Trabalho.</p><p>42</p><p>A MP 927/2020 dispõe sobre a possibilidade de celebração de acordo individual escrito, a</p><p>fim de garantir a permanência do vínculo empregatício, durante o período</p><p>da pandemia do novo</p><p>coronavírus (covid-19), bem como sobre diversas providências a serem tomadas nesse período de</p><p>calamidade pública relativas aos contratos de trabalho.</p><p>No julgamento de medida cautelar, o STF decidiu suspender a eficácia apenas dos arts. 29 e</p><p>31 da MP 927/2020, mantendo os demais dispositivos.</p><p>Art. 29. Os casos de contaminação pelo coronavírus (covid-19) não serão considerados</p><p>ocupacionais, exceto mediante comprovação do nexo causal.</p><p>Esse dispositivo não se mostra razoável ao afirmar, de forma tão ampla, que a contaminação</p><p>pelo coronavírus não seria doença ocupacional, excluindo da proteção inclusive de trabalhadores de</p><p>atividades essenciais que continuam expostos aos riscos.</p><p>Art. 31. Durante o período de cento e oitenta dias, contado da data de entrada em vigor desta</p><p>Medida Provisória, os Auditores Fiscais do Trabalho do Ministério da Economia atuarão de maneira</p><p>orientadora, exceto quanto às seguintes irregularidades: (...)</p><p>Não existe razão para suspender, durante o período de 180 dias, contados da data de entrada</p><p>em vigor da MP, a atuação completa dos Auditores Fiscais do Trabalho. O estabelecimento de uma</p><p>fiscalização menor atenta contra a própria saúde do empregado e em nada auxilia na pandemia.</p><p>ITEM 57</p><p>Situação hipotética: durante a pandemia e com o objetivo de controlar a propagação do vírus, o</p><p>Presidente da República editou medida provisória determinando que as operadoras telefônicas do</p><p>país deveriam compartilhar com o IBGE os nomes, números de telefone e endereço de seus clientes.</p><p>Nessa situação, por não respeitar os limites traçados na Constituição, a lei é inconstitucional.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>As informações disciplinadas pela MP 954/2020 configuram dados pessoais e, portanto,</p><p>estão protegidas pelas cláusulas constitucionais que asseguram a liberdade individual (art. 5º,</p><p>caput), a privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade (art. 5º, X e XII). Sua</p><p>manipulação e tratamento deverão respeitar esses direitos e os limites estabelecidos pela</p><p>Constituição.</p><p>A MP 954/2020 exorbitou dos limites traçados pela Constituição porque diz que os dados</p><p>serão utilizados exclusivamente para a produção estatística oficial, mas não delimita o objeto da</p><p>estatística a ser produzida, nem a finalidade específica ou a sua amplitude.</p><p>A MP 954/2020 não apresenta também mecanismos técnico ou administrativo para proteger</p><p>os dados pessoais de acessos não autorizados, vazamentos acidentais ou utilização indevida.</p><p>Diante disso, constata-se que a MP violou a garantia do devido processo legal (art. 5º, LIV,</p><p>da CF), em sua dimensão substantiva (princípio da proporcionalidade).</p><p>STF. Plenário. ADI 6342 Ref-MC/DF, ADI 6344 Ref-MC/DF, ADI 6346 Ref-MC/DF, ADI 6348</p><p>RefMC/DF, ADI 6349 Ref-MC/DF, ADI 6352 Ref-MC/DF e ADI 6354 Ref-MC/DF, Rel. Min.</p><p>Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, j. 29/04/2020 (Info 975).</p><p>A MP 954/2020 exorbitou dos limites traçados pela Constituição ao autorizar a</p><p>disponibilização dos dados pessoais de todos os consumidores dos serviços STFC e SMP,</p><p>pelos respectivos operadores, ao IBGE.</p><p>STF. Plenário. ADI 6387, ADI 6388, ADI 6389, ADI 6390 e ADI 6393 MC-Ref/DF, Rel. Min.</p><p>Rosa Weber, j. 6 e 07/05/2020 (Info 976).</p><p>43</p><p>ITEM 58</p><p>Durante a pandemia, como forma de coordenação nacional, os Estados-membros e os Municípios</p><p>não podem tomar medidas não autorizadas pela União.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Os Estados/DF e Municípios podem, mesmo sem autorização da União, adotar medidas</p><p>como isolamento, quarentena, exumação, necropsia, cremação e manejo de cadáver e restrição à</p><p>locomoção interestadual e intermunicipal em rodovias, portos ou aeroportos.</p><p>Vale ressaltar que Estados e Municípios não podem fechar fronteiras, pois sairiam de suas</p><p>competências constitucionais.</p><p>A adoção de medidas restritivas relativas à locomoção e ao transporte, por qualquer dos</p><p>entes federativos, deve estar embasada em recomendação técnica fundamentada de órgãos da</p><p>vigilância sanitária e tem de preservar o transporte de produtos e serviços essenciais, assim</p><p>definidos nos decretos da autoridade federativa competente.</p><p>ITEM 59</p><p>O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de</p><p>procuração com poderes específicos.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 60</p><p>É inconstitucional lei estadual que preveja que o exercício da advocacia deve ser considerado como</p><p>título em concursos para cartório.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Não é possível exigir que Estados-membros e Municípios se vinculem a autorizações e</p><p>decisões de órgãos federais para tomar atitudes de combate à pandemia.</p><p>A Lei nº 13.979/2020 previu, em seu art. 3º, um rol exemplificativo de oito medidas que</p><p>podem ser adotadas pelo poder público para o combate ao coronavírus.</p><p>O art. 3º, VI, “b”, e os §§ 6º e 7º, II, da Lei nº 13.979/2020 estabeleceram que os Estados e</p><p>Municípios somente poderia adotar algumas medidas se houvesse autorização da União.</p><p>O STF, ao apreciar ADI contra a Lei, decidiu:</p><p>a) suspender parcialmente, sem redução de texto, o disposto no art. 3º, VI, “b”, e §§ 6º e 7º,</p><p>II, da Lei nº 13.979/2020, a fim de excluir estados e municípios da necessidade de</p><p>autorização ou de observância ao ente federal; e</p><p>b) conferir interpretação conforme aos referidos dispositivos no sentido de que as medidas</p><p>neles previstas devem ser precedidas de recomendação técnica e fundamentada, devendo</p><p>ainda ser resguardada a locomoção dos produtos e serviços essenciais definidos por</p><p>decreto da respectiva autoridade federativa, sempre respeitadas as definições no âmbito</p><p>da competência constitucional de cada ente federativo.</p><p>STF. Plenário. ADI 6343 MC-Ref/DF, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre</p><p>de Moraes, j. 06/05/2020 (Info 976).</p><p>O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de</p><p>procuração com poderes específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo</p><p>que será impugnado na ação. Vale ressaltar, contudo, que essa exigência constitui vício</p><p>sanável e que é possível a sua regularização antes que seja reconhecida a carência da ação.</p><p>STF. Plenário. ADI 6051, Rel. Cármen Lúcia, j. 27/03/2020</p><p>44</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 61</p><p>Justiça comum deve julgar ação de servidor contratado depois da CF/88, sem concurso público,</p><p>contra Município, no qual ele cobra verbas trabalhistas decorrentes desta contratação.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Uma vez vigente regime jurídico-administrativo, este disciplinará a absorção de pessoal</p><p>pelo poder público. Logo, eventual nulidade do vínculo e as consequências daí oriundas devem ser</p><p>apreciadas pela Justiça comum, e não pela Justiça do Trabalho.</p><p>ITEM 62</p><p>É cabível a oposição de embargos de declaração para que a decisão embargada se adeque à</p><p>jurisprudência superveniente.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O colegiado entendeu que o novo Código de Processo Civil prevê a hipótese de cabimento</p><p>de embargos de declaração para reajustar a jurisprudência firmada em teses que o Supremo Tribunal</p><p>Federal e o Superior Tribunal de Justiça adotarem. Portanto, antes do trânsito em julgado é legítimo</p><p>readequar o julgado anterior para ajustá-lo à posição do Plenário.</p><p>ITEM 63</p><p>A denúncia anônima não pode, por si só, embasar medidas invasivas como interceptações</p><p>telefônicas, buscas e apreensões.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Se há notícia anônima de comércio de drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia deve,</p><p>antes de representar pela expedição de mandado de busca e apreensão, proceder a diligências</p><p>veladas no intuito de reunir e documentar outras evidências que confirmem, indiciariamente, a</p><p>O exercício da advocacia é critério adequado para a atribuição de título em concursos para</p><p>carreiras jurídicas. Assim, é constitucional lei estadual que preveja que o exercício da</p><p>advocacia deve ser considerado como título em concursos para cartório (serventias notariais</p><p>e de registro).</p><p>STF. Plenário. ADI 3760, Rel. Gilmar Mendes, j. 15/04/2020.</p><p>Justiça comum</p><p>deve julgar ação de servidor contratado depois da CF/88, sem concurso</p><p>público, contra Município, no qual ele cobra verbas trabalhistas decorrentes desta</p><p>contratação.</p><p>STF. Plenário. ARE 1179455 AgR/PI, Rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Roberto</p><p>Barroso, j. 05/05/2020 (Info 976).</p><p>São cabíveis embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que a decisão</p><p>embargada seja reajustada de acordo com a jurisprudência firmada em teses que o Supremo</p><p>Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça adotarem.</p><p>STF. 1ª Turma. Rcl 15724 AgR-ED/PR, Rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Alexandre</p><p>de Moraes, j. 05/05/2020 (Info 976).</p><p>Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como interceptações</p><p>telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas por diligências investigativas</p><p>posteriores.</p><p>STF. 2ª Turma. HC 180709/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 05/05/2020 (Info 976).</p><p>45</p><p>notícia. Se confirmadas, com base nesses novos elementos de informação o juiz deferirá o pedido.</p><p>Se não confirmadas, não será possível violar o domicílio, sendo a expedição do mandado</p><p>desautorizada pela ausência de justa causa. O mandado de busca e apreensão expedido</p><p>exclusivamente com apoio em denúncia anônima é abusivo.</p><p>ITEM 64</p><p>Segundo a jurisprudência do STF, existe direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada</p><p>de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 65</p><p>É constitucional norma da Constituição Estadual que preveja a possibilidade de a Assembleia</p><p>Legislativa convocar o Presidente do TJ ou o PGJ para prestar informações, sob pena de crime de</p><p>responsabilidade.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O art. 50 da CF/88, norma de reprodução obrigatória, somente autoriza que o Poder</p><p>Legislativo convoque autoridades do Poder Executivo, e não do Poder Judiciário ou do Ministério</p><p>Público. Não podem os Estados-membros ampliar o rol de autoridades sujeitas à convocação pelo</p><p>Poder Legislativo e à sanção por crime de responsabilidade, por violação ao princípio da simetria e</p><p>à competência privativa da União para legislar sobre o tema.</p><p>ITEM 66</p><p>A equiparação de carreira de nível médio a outra de nível superior não pode ser efetuada senão por</p><p>norma inserida em Constituição Estadual.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 67</p><p>As disposições da LRF que exigem, para o aumento de gastos tributários indiretos e despesas</p><p>obrigatórias de caráter continuado, as estimativas de impacto orçamentário financeiro e a</p><p>compatibilidade com a LDO, não se aplicam durante o estado de calamidade pública decorrente do</p><p>coronavírus.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Súmula vinculante 58: Inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de</p><p>insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio</p><p>da não cumulatividade.</p><p>STF. Plenário. Aprovada em 24/04/2020.</p><p>É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja a possibilidade de a</p><p>Assembleia Legislativa convocar o Presidente do TJ ou o PGJ para prestar informações, sob</p><p>pena de crime de responsabilidade.</p><p>STF. Plenário. ADI 2911, Rel. Carlos Britto, j. 10/08/2006.</p><p>STF. Plenário. ADI 5416, Rel. Gilmar Mendes, j. 03/04/2020 (Info 977).</p><p>A equiparação de carreira de nível médio a outra de nível superior constitui ascensão</p><p>funcional, vedada pelo art. 37, II, da CF/88.</p><p>STF. Plenário. ADI 3199, Rel. Roberto Barroso, j. 20/04/2020 (Info 977).</p><p>46</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 68</p><p>É constitucional a previsão legal de presunção de vínculo entre a incapacidade do segurado e suas</p><p>atividades profissionais quando constatada pela Previdência Social a presença do nexo técnico</p><p>epidemiológico entre o trabalho e o agravo.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 69</p><p>O STF declarou inconstitucional a medida provisória que restringia a possibilidade de</p><p>responsabilização dos agentes públicos por atos relacionados com a pandemia.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>As restrições impostas pelos arts. 14, 16, 17 e 24 da LRF não se aplicam durante o estado de</p><p>calamidade pública decorrente do coronavírus.</p><p>Os arts. 14, 16, 17 e 24 da LRF exigem, para o aumento de gastos tributários indiretos e</p><p>despesas obrigatórias de caráter continuado, as estimativas de impacto orçamentário</p><p>financeiro e a compatibilidade com a LDO, além da demonstração da origem dos recursos e</p><p>a compensação de seus efeitos financeiros nos exercícios seguintes. O art. 114 da LDO/2020</p><p>também traz restrições nesse sentido.</p><p>Durante a pandemia do coronavírus, o Governo precisava tomar uma série de medidas que</p><p>implicariam renúncia de receita ou então criação ou aumento de despesas e isso ofenderia as</p><p>regras acima listadas. Diante disso, o Presidente da República ajuizou ADI pedindo que o</p><p>STF afastasse essas exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF 101/2000) e da LDO/</p><p>2020 em relação à criação e à expansão de programas de prevenção ao novo coronavírus e de</p><p>proteção da população vulnerável à pandemia.</p><p>O Min. Alexandre de Moraes, monocraticamente, deferiu medida cautelar concordando com</p><p>o pedido. Depois da liminar foi editada a Lei nº Lei nº 13.983/2020 e a EC 106/2020, que</p><p>excepcionaram a aplicação dessas regras durante o período de calamidade pública</p><p>decorrente do coronavírus.</p><p>Diante disso, o STF decidiu:</p><p>• referendar a medida cautelar deferida, ou seja, dizer que foi uma decisão juridicamente</p><p>correta e que seus efeitos deveriam ser confirmados, por questões de segurança jurídica;</p><p>• mas, ao mesmo tempo, o STF decidiu extinguir a ADI por perda superveniente de objeto.</p><p>Vale ressaltar que o art. 3º da EC 106/2020 é aplicável não apenas à União, mas também</p><p>Estados, DF e Municípios.</p><p>STF. Plenário. ADI 6357 MC-Ref/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 13/05/2020 (Info 977).</p><p>É constitucional a previsão legal (art. 21-A da Lei nº 8.213/91) de presunção de vínculo entre</p><p>a incapacidade do segurado e suas atividades profissionais quando constatada pela</p><p>Previdência Social a presença do nexo técnico epidemiológico entre o trabalho e o agravo,</p><p>podendo ser elidida pela perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social se</p><p>demonstrada a inexistência.</p><p>STF. Plenário. ADI 3931, Rel. Cármen Lúcia, j. 20/04/2020 (Info 977).</p><p>A MP 966/2020, que dispõe sobre a responsabilização de agentes públicos por ação e omissão</p><p>em atos relacionados com a pandemia da covid-19.</p><p>47</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>Para aprofundar: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/06/info-978-stf.pdf</p><p>ITEM 70</p><p>É constitucional a suspensão do exercício profissional em razão do inadimplemento de anuidades</p><p>devidas à entidade de classe.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/94) prevê que o advogado que deixar de pagar as</p><p>contribuições devidas à OAB (anuidades) pratica infração disciplinar (art. 34, XXIII, da Lei nº</p><p>8.906/94) e pode ser suspenso do exercício, ficando proibido de exercer a advocacia enquanto não</p><p>pagar integralmente a dívida, com correção monetária (art. 37, § 2º).</p><p>O STF decidiu que a MP é, em princípio, constitucional, mas deverá ser feita uma</p><p>interpretação conforme à Constituição.</p><p>Desse modo, o Plenário do STF deferiu parcialmente a medida cautelar para:</p><p>1) conferir interpretação conforme à Constituição ao art. 2º da MP 966/2020, no sentido de</p><p>estabelecer que, na caracterização de erro grosseiro, deve-se levar em consideração a</p><p>observância, pelas autoridades:</p><p>a) de standards, normas e critérios científicos e técnicos, tal como estabelecidos por</p><p>organizações e entidades internacional e nacionalmente conhecidas; bem como</p><p>b) dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção; e</p><p>2) conferir, ainda, interpretação conforme à Constituição ao art. 1º da MP 966/2020, para</p><p>explicitar que, para os fins de tal dispositivo, a autoridade à qual compete a decisão deve</p><p>exigir que a opinião técnica trate expressamente:</p><p>a) das normas e critérios científicos e técnicos aplicáveis à matéria,</p><p>tal como estabelecidos</p><p>por organizações e entidades reconhecidas nacional e internacionalmente;</p><p>b) da observância dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção. Foram</p><p>fixadas as seguintes teses:</p><p>1. Configura erro grosseiro o ato administrativo que ensejar violação ao direito à vida, à</p><p>saúde, ao meio ambiente equilibrado ou impactos adversos à economia, por</p><p>inobservância:</p><p>i) de normas e critérios científicos e técnicos; ou</p><p>ii) dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção.</p><p>2. A autoridade a quem compete decidir deve exigir que as opiniões técnicas em que</p><p>baseará sua decisão tratem expressamente:</p><p>i) das normas e critérios científicos e técnicos aplicáveis à matéria, tal como estabelecidos</p><p>por organizações e entidades internacional e nacionalmente reconhecidas; e</p><p>ii) da observância dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção, sob pena</p><p>de se tornarem corresponsáveis por eventuais violações a direitos.</p><p>Vale ressaltar que a MP não trata de crime ou de ato ilícito. Assim, qualquer interpretação</p><p>do texto impugnado que dê imunidade a agentes públicos quanto a ato ilícito ou de</p><p>improbidade deve ser excluída.</p><p>STF. Plenário. ADI 6421 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 20 e 21/05/2020 (Info 978).</p><p>É inconstitucional a suspensão do exercício profissional em razão do inadimplemento de</p><p>anuidades devidas à entidade de classe.</p><p>STF. Plenário. RE 647.885, Rel. Min. Edson Fachin, j. 27/04/2020, Repercussão Geral: Tema 732</p><p>(Info 978)</p><p>48</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/06/info-978-stf.pdf</p><p>O STF entendeu que esses dispositivos são inconstitucionais porque representam medida</p><p>desproporcional que caracteriza sanção política, além de ofender a livre iniciativa e a liberdade</p><p>profissional.</p><p>É inconstitucional a suspensão realizada por conselho de fiscalização profissional do</p><p>exercício laboral de seus inscritos por inadimplência de anuidades, pois a medida consiste em</p><p>sanção política em matéria tributária.</p><p>ITEM 71</p><p>O sujeito ativo da obrigação tributária de ICMS incidente sobre mercadoria importada é o Estado-</p><p>membro no qual está domiciliado ou estabelecido o destinatário legal da operação.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Por fim, foi utilizada a técnica de declaração de inconstitucionalidade parcial, sem redução</p><p>de texto, ao art. 11, I, “d”, da Lei Complementar federal 87/96, para fins de afastar o entendimento</p><p>de que o local da operação ou da prestação, para os efeitos da cobrança do imposto e definição do</p><p>estabelecimento responsável pelo tributo, é apenas e necessariamente o da entrada física de</p><p>importado, tendo em conta a legalidade de circulação ficta de mercadoria emanada de uma operação</p><p>documental ou simbólica, desde que haja efetivo negócio jurídico.</p><p>ITEM 72</p><p>Conforme o STF, a demanda de potência elétrica é passível, por si só, de tributação via ICMS.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>É indevida a incidência do ICMS sobre o valor correspondente à demanda de potência</p><p>elétrica contratada, mas não utilizada.</p><p>STJ. 1ª Seção. REsp 960.476/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 11/03/2009</p><p>(recurso repetitivo).</p><p>Súmula 391-STJ: O ICMS incide sobre o valor da tarifa de energia elétrica correspondente à</p><p>demanda de potência efetivamente utilizada.</p><p>ITEM 73</p><p>É inconstitucional lei estadual que afasta as exigências de revalidação de diploma obtido em</p><p>instituições de ensino superior de outros países para a concessão de benefícios e progressões a</p><p>servidores públicos.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O sujeito ativo da obrigação tributária de ICMS incidente sobre mercadoria importada é o</p><p>Estado-membro no qual está domiciliado ou estabelecido o destinatário legal da operação</p><p>que deu causa à circulação da mercadoria, com a transferência de domínio.</p><p>STF. Plenário. ARE 665134, Rel. Min. Edson Fachin, j. 27/04/2020, Repercussão Geral: Tema 520</p><p>(Info 978).</p><p>A demanda de potência elétrica não é passível, por si só, de tributação via ICMS, porquanto</p><p>somente integram a base de cálculo desse imposto os valores referentes àquelas operações em</p><p>que haja efetivo consumo de energia elétrica pelo consumidor.</p><p>STF. Plenário. RE 593824, Rel. Min. Edson Fachin, j. 27/04/2020, Repercussão Geral: Tema 176</p><p>(Info 978).</p><p>É inconstitucional lei estadual que afasta as exigências de revalidação de diploma obtido em</p><p>instituições de ensino superior de outros países para a concessão de benefícios e progressões</p><p>a servidores públicos.</p><p>49</p><p>Essa lei invade a competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação</p><p>nacional (art. 22, XXIV, CF/88).</p><p>ITEM 74</p><p>O Poder Judiciário não pode determinar medidas de constrição sobre verbas destinadas à educação.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A Constituição proíbe a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de</p><p>uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização</p><p>legislativa, mandamento esse que também vincula o Judiciário.</p><p>Nesse sentido, as regras sobre aprovação e gestão orçamentárias consagram mecanismos de</p><p>freios e contrapesos essenciais ao regular o funcionamento das instituições republicanas e</p><p>democráticas e à concretização do princípio da separação dos poderes.</p><p>Assim, os princípios da separação dos poderes e do fomento à educação são violados por</p><p>decisões judiciais que gerem bloqueio, penhora ou sequestro, para fins de quitação de débitos</p><p>trabalhistas, de verbas públicas destinadas à merenda, ao transporte de alunos e à manutenção das</p><p>escolas públicas.</p><p>O pagamento de verbas trabalhistas, determinado por atos judiciais, acarreta indesejado</p><p>comprometimento do equilíbrio e da harmonia entre os Poderes, além de prejuízo à continuidade</p><p>dos serviços públicos, em ofensa ao direito social à educação, transporte e alimentação escolar,</p><p>preceitos fundamentais agasalhados na Constituição.</p><p>ITEM 75</p><p>Por se manterem com recursos públicos, as Unidades Descentralizadas de Educação, entidades</p><p>voltadas ao incremento de funções relacionadas à educação, submete-se ao regime de precatórios.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Quanto à possibilidade de as Caixas Escolares pagarem suas dívidas por precatório, note-se</p><p>que elas recebem doações particulares, e assumem obrigações outras.</p><p>Em relação a essas obrigações, calcadas em patrimônio decorrente de doações privadas, não</p><p>é razoável que devam ser pagas por precatório.</p><p>Assim, embora as Caixas Escolares do Amapá sejam entidades voltadas diretamente à</p><p>prestação de serviços de educação e recebam recursos públicos via conta específica, já não se pode</p><p>afirmar que dependem totalmente de recursos públicos e atuam em regime de exclusividade na</p><p>gestão de recursos públicos destinados à educação.</p><p>Dessa forma, considerando-se que as Caixas Escolares consistem em sociedades civis com</p><p>personalidade jurídica de direito privado, bem como que tais entidades não possuem os</p><p>qualificativos necessários para serem enquadradas no regime especial de pagamento de débitos por</p><p>precatórios, sabidamente diante da possibilidade de gerirem recursos privados, elas não se sujeitam</p><p>ao regime referido independentemente da natureza dos recursos submetidos à execução judicial.</p><p>STF. Plenário. ADI 6073, Rel. Min. Edson Fachin, j. 27/03/2020 (Info 979).</p><p>São inconstitucionais quaisquer medidas de constrição judicial que recaiam sobre verbas</p><p>destinadas à educação.</p><p>STF. Plenário. ADPF 484/AP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 04/06/2020 (Info 980).</p><p>As Caixas Escolares ou Unidades Descentralizadas de Educação (UDEs) não se submetem ao</p><p>regime constitucional de precatórios.</p><p>STF. Plenário. ADPF 484/AP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 04/06/2020 (Info 980).</p><p>50</p><p>ITEM 76</p><p>Por caracterizar violação ao pacto federativo, Constituição Estadual não pode dispor sobre o</p><p>número de conselheiros integrantes de Tribunal de Contas do Município, órgão da esfera municipal.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Importante destacar, inicialmente, a diferença entre os Tribunais de Contas dos Municípios,</p><p>órgãos estaduais e, os Tribunais de Contas do Município, órgãos municipais, que</p><p>de Contas estão sujeitos ao</p><p>prazo de cinco anos para o julgamento da</p><p>legalidade do ato de concessão inicial de</p><p>aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da</p><p>chegada do processo à respectiva Corte de</p><p>Contas.</p><p>25. A materialidade do delito de incêndio deve</p><p>ser comprovada, em regra, mediante exame de</p><p>corpo de delito, não podendo ser suprida por</p><p>outros meios.</p><p>26. Segundo o STF, é possível que o juiz</p><p>negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de</p><p>Drogas (tráfico privilegiado) com base no fato</p><p>de o acusado ser investigado em inquérito</p><p>policial ou ser réu em outra ação penal que</p><p>ainda não transitou em julgado.</p><p>27. Não alcançado o o marco temporal relativo</p><p>à data de apresentação das razões finais, o fato</p><p>de as investigações estarem perto do fim e de</p><p>já terem demorado anos não servem como</p><p>argumento jurídico válido para prorrogar a</p><p>competência do STF.</p><p>28. A prisão domiciliar do art. 318 do CPP só</p><p>se aplica para os casos de prisão preventiva,</p><p>não podendo ser utilizado quando se tratar de</p><p>execução definitiva de título condenatório.</p><p>29. Cabe à Justiça Comum julgar ações contra</p><p>concurso público realizado por órgãos e</p><p>entidades da Administração Pública para</p><p>contratação de empregados celetistas.</p><p>30. Situação hipotética: foi aprovada lei que</p><p>estabelece que só será eleito o candidato que</p><p>obtiver votos em número igual ou superior a</p><p>10% do quociente eleitoral.</p><p>Nesse caso, por l imitar de maneira</p><p>desproporcional o sistema eleitoral, a lei</p><p>incorreu em vício de inconstitucionalidade.</p><p>31. Não é possível fazer uma interpretação</p><p>extensiva do art. 1º, I, “g”, da LC 64/90 para</p><p>dizer que a simples violação da Lei de</p><p>L ic i t ações conf igura a to do loso de</p><p>improbidade administrativa e que, portanto,</p><p>caracteriza essa hipótese de inelegibilidade.</p><p>32. Com a alteração inserida pelo chamado</p><p>“Pacote Anticrime”, a manutenção da prisão</p><p>preventiva exige a demonstração de fatos</p><p>concretos e atuais que a justifiquem.</p><p>33. Situação hipotética: João, deputado</p><p>federal, proferiu ofensas contra artistas que</p><p>foram beneficiados pela Lei Rouanet durante</p><p>sessão na Câmara dos Deputados. Em sessão,</p><p>e depois nas redes sociais do parlamentar,</p><p>5</p><p>foram usados os seguintes termos: "bandidos";</p><p>"membros de quadrilha"; "verdadeiros</p><p>ladrões".</p><p>No caso, João não agiu amparado pela</p><p>imunidade parlamentar.</p><p>34. Não é possível que o Estado seja</p><p>responsabilizado civilmente por danos</p><p>decorrentes de acidente em comércio de fogos</p><p>de artifício.</p><p>35. É incompat íve l com a prev isão</p><p>constitucional, que prevê responsabilização</p><p>subjetiva, a aplicação do Código Civil para</p><p>permitir a responsabilização objetiva do</p><p>empregador por danos causados ao empregado</p><p>decorrentes de acidentes de trabalho.</p><p>36. Ainda que contrária à prova nos autos, a</p><p>decisão proferida pelo tribunal do júri não</p><p>pode, por esse motivo, ser anulada, em</p><p>decorrência da regra constitucional que</p><p>assegura a soberania dos veredictos do júri.</p><p>37. O amicus curiae não tem legitimidade para</p><p>pleitear medida cautelar em processo objetivo.</p><p>38. Relator não pode, de ofício, na ADPF que</p><p>trata sobre o Estado de Coisas Inconstitucional</p><p>dos presídios, determinar medidas para</p><p>proteger os presos do Covid-19.</p><p>39. A exigência de que a comissão condutora</p><p>do processo administrativo disciplinar seja</p><p>composta por servidores estáveis refere-se à</p><p>estabilidade no serviço público, não no cargo</p><p>específico.</p><p>40. É inconstitucional lei estadual que preveja</p><p>percentual de vagas nas universidades públicas</p><p>reservadas unicamente para alunos que</p><p>estudaram nas escolas públicas daquele</p><p>Estado.</p><p>41. Além da União, os Estados e Municípios</p><p>também podem adotar medidas de combate ao</p><p>coronavírus considerando que a proteção da</p><p>saúde é de competência concorrente.</p><p>42. É inconstitucional lei estadual que autoriza</p><p>a comercialização de bebidas alcoólicas nas</p><p>arenas desportivas e nos estádios.</p><p>43. É constitucional lei estadual que determine</p><p>aos titulares das serventias extrajudiciais que</p><p>façam a microfilmagem dos documentos</p><p>arquivados no cartório.</p><p>44. A Constituição Estadual não pode</p><p>disciplinar sobre intervenção estadual de</p><p>forma diferente das regras previstas na</p><p>Constituição Federal.</p><p>45. É possível aplicar o princípio da</p><p>insignificância para o furto quando a subtração</p><p>tenha ocorrido durante o período de repouso</p><p>noturno e mesmo que o agente seja</p><p>reincidente.</p><p>46. Aplica-se o arrependimento posterior para</p><p>o agente que fez o ressarcimento da dívida</p><p>principal antes do recebimento da denúncia,</p><p>mas somente pagou depois os juros e a</p><p>correção monetária.</p><p>47. É inconstitucional medida provisória que</p><p>autorize a redução da jornada de trabalho e do</p><p>salário ou a suspensão temporária do contrato</p><p>de trabalho por meio de acordos individuais</p><p>em razão da pandemia do covid-19.</p><p>48. A regulação do Seguro Obrigatório de</p><p>Danos Pessoais causados por Veículos</p><p>Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) não</p><p>pode ser tratada por medida provisória.</p><p>49. A imunidade cultural (art. 150, VI, d, da</p><p>CF) não abrange leitores digitais (e-readers)</p><p>que contenham funcionalidades acessórias.</p><p>50. Em tese, é possível o manejo de ADO</p><p>pedindo a instituição de pagamento de valor</p><p>mínimo em favor dos mais necessitados</p><p>durante situação de calamidade pública</p><p>decorrente de pandemia</p><p>51. Por se tratar de matéria de competência da</p><p>União, é inconstitucional lei estadual que</p><p>proíba a ut i l ização de animais para</p><p>desenvolvimento, experimentos e testes de</p><p>produtos cosméticos.</p><p>52. É constitucional lei complementar estadual</p><p>que preveja que compete exclusivamente ao</p><p>Procurador-Geral de Justiça interpor recursos</p><p>ao STF e STJ.</p><p>53. Normas estaduais não podem conferir</p><p>autonomia à Procuradoria Geral do Estado,</p><p>6</p><p>tampouco estender aos procuradores garantias</p><p>de inamovibilidade.</p><p>54. É possível a cassação de aposentadoria de</p><p>servidor público pela prática, na atividade, de</p><p>falta disciplinar punível com demissão.</p><p>55. Não comete crime de desobediência o</p><p>indivíduo que não atende a ordem dada pelo</p><p>oficial de justiça na ocasião do cumprimento</p><p>de mandado de entrega de veículo.</p><p>56. É legítima lei que, durante a pandemia,</p><p>impede que os casos de coronavírus sejam</p><p>caracterizados como doença ocupacional,</p><p>salvo comprovação de nexo causal.</p><p>57. Situação hipotética: durante a pandemia e</p><p>com o objetivo de controlar a propagação do</p><p>vírus, o Presidente da República editou medida</p><p>provisória determinando que as operadoras</p><p>telefônicas do país deveriam compartilhar com</p><p>o IBGE os nomes, números de telefone e</p><p>endereço de seus clientes.</p><p>Nessa situação, por não respeitar os limites</p><p>t r a ç a d o s n a C o n s t i t u i ç ã o , a l e i é</p><p>inconstitucional. D</p><p>58. Durante a pandemia, como forma de</p><p>coordenação nacional, os Estados-membros e</p><p>os Municípios não podem tomar medidas não</p><p>autorizadas pela União.</p><p>59. O advogado que assina a petição inicial da</p><p>ação direta de inconstitucionalidade precisa de</p><p>procuração com poderes específicos.</p><p>60. É inconstitucional lei estadual que preveja</p><p>que o exercício da advocacia deve ser</p><p>considerado como título em concursos para</p><p>cartório.</p><p>61. Justiça comum deve julgar ação de</p><p>servidor contratado depois da CF/88, sem</p><p>concurso público, contra Município, no qual</p><p>ele cobra verbas trabalhistas decorrentes desta</p><p>contratação.</p><p>62. É cabível a oposição de embargos de</p><p>declaração para que a decisão embargada se</p><p>adeque à jurisprudência superveniente.</p><p>63. A denúncia anônima não pode, por si só,</p><p>e m b a s a r m e d i d a s i n v a s i v a s c o m o</p><p>in terceptações te lefônicas , buscas e</p><p>apreensões.</p><p>64. Segundo a jurisprudência do STF, existe</p><p>d i re i to a c réd i to p resumido de IPI</p><p>relativamente à entrada de insumos isentos,</p><p>sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis.</p><p>65. É constitucional norma da Constituição</p><p>Estadual que preveja a possibilidade de a</p><p>Assembleia Legislativa convocar o Presidente</p><p>do TJ ou o PGJ para prestar informações, sob</p><p>pena de crime de responsabilidade.</p><p>66. A equiparação de carreira de nível médio a</p><p>outra de nível superior</p><p>não podem mais</p><p>ser criados, tendo, contudo, havido a preservação daqueles localizados em São Paulo e no Rio de</p><p>Janeiro.</p><p>Embora a autonomia municipal seja princípio constitucional, ela é limitada pelo poder</p><p>constituinte em inúmeros pontos, como, por exemplo, no que proíbe os municípios de criar suas</p><p>Cortes de Contas. Nesse contexto, afirmou que a Constituição do estado de São Paulo não fere a</p><p>autonomia municipal ao dispor sobre o Tribunal de Contas do Município, mas, ao contrário, a</p><p>prestigia.</p><p>A Constituição estadual não se imiscuiu em questões relativas aos vencimentos dos</p><p>conselheiros e, ao fixar, de forma idêntica à Lei Orgânica do Município de São Paulo, que o TCM-</p><p>SP deve ser composto por cinco membros, não ofende o princípio da simetria. É razoável que um</p><p>tribunal de contas municipal tenha um número inferior de conselheiros ao dos tribunais de contas</p><p>dos estados.</p><p>ITEM 77</p><p>É vedado à legislação estadual submeter à aprovação prévia da Assembleia Legislativa a nomeação</p><p>de interventores de municípios.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Além de não ser possível submeter à arguição do Legislativo a nomeação de titulares de</p><p>fundações e autarquias, é ilegítima a intervenção parlamentar no processo de preenchimento da</p><p>direção das entidades privadas da Administração indireta dos estados.</p><p>A escolha dos dirigentes dessas empresas é matéria inserida no âmbito do regime estrutural</p><p>de cada uma delas. Relativamente aos interventores, considerou que a CF estabelece a análise do</p><p>decreto de intervenção para serem averiguadas as condições, hipóteses, extensão, legalidade, e não</p><p>para o Legislativo verificar, mesmo a posteriori, o nome do interventor.</p><p>Logo, afronta a CF a inserção da necessidade de sabatina dos interventores de municípios na</p><p>Constituição estadual. Permitir a rejeição do nome de interventor resulta, na verdade, na escolha</p><p>dele pela Assembleia Legislativa, porquanto poderá recusar sucessivamente as indicações do</p><p>governador até ser chamado alguém de seu interesse.</p><p>Ademais, se entender ser questão política, o Legislativo pode rejeitar a intervenção, o que</p><p>pode caracterizar crime de responsabilidade do chefe do Executivo. No tocante a defensor público-</p><p>É constitucional norma inserida em Constituição Estadual que disponha sobre numero de</p><p>conselheiros de Tribunal de Contas do Município (órgão municipal), bem como imponha que</p><p>lhes sejam aplicadas as normas pertinentes aos conselheiros do Tribunal de Contas estadual.</p><p>STF. Plenário. ADI 346/SP e ADI 4776/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 03/06/2020 (Info 980).</p><p>É vedado à legislação estadual submeter à aprovação prévia da Assembleia Legislativa a</p><p>nomeação de dirigentes das autarquias e das fundações públicas, de presidentes das</p><p>empresas de economia mista e assemelhados, de interventores de municípios, bem assim dos</p><p>titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado.</p><p>STF. Plenário. ADI 2167/RR, Rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Alexandre</p><p>de Moraes, j. 03/06/2020 (Info 980).</p><p>51</p><p>geral do estado, asseverou a inconstitucionalidade da exigência de prévia sabatina.</p><p>A CF atribuiu à lei complementar a competência para prescrever normas gerais das</p><p>defensorias públicas dos estados (art. 134, § 1º). A LC 80/1994 adveio e preceituou a</p><p>obrigatoriedade de aprovação do titular da Defensoria Pública da União pela maioria absoluta do</p><p>Senado Federal. Não estipulou essa necessidade aos estados, porque seguiu o mesmo modelo dos</p><p>ministérios públicos, a fim de evitar a politização da defensoria.</p><p>Consignou a inconstitucionalidade da arguição pela Assembleia Legislativa do procurador-</p><p>geral do estado, por afetar a separação dos Poderes e interferir diretamente na estrutura hierárquica</p><p>do Poder Executivo. Ela transfere ao Legislativo o controle sobre agente público, que, conforme lei</p><p>orgânica, integra o gabinete do chefe do Executivo como secretário de governo.</p><p>ITEM 78</p><p>De acordo com o STF, procuradores públicos não têm capacidade postulatória para interpor</p><p>recursos extraordinários contra acórdãos proferidos em sede de ação de controle concentrado de</p><p>constitucionalidade, salvo nas hipóteses em que o legitimado para a causa outorgue poderes aos</p><p>subscritores das peças recursais.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>No caso, embora a petição de recurso extraordinário não tenha sido subscrita por prefeito</p><p>municipal, mas somente por dois procuradores, sendo um deles o chefe da procuradoria do</p><p>município, há, nos autos, documento com manifestação inequívoca do chefe do Poder Executivo,</p><p>conferindo poderes específicos aos procuradores para instaurar o processo de controle normativo</p><p>abstrato de constitucionalidade, bem como para recorrer das decisões proferidas nos autos.</p><p>ITEM 79</p><p>O adicional de riscos devido ao trabalhador com vínculo permanente não se extende ao trabalhador</p><p>portuário avulso.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A Constituição de 1988 trouxe importante regulação das relações de trabalho em geral e, no</p><p>inciso XXXIV do art. 7º, previu “igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo</p><p>empregatício permanente e o trabalhador avulso”.</p><p>Constata-se que essa cláusula de isonomia se sagrou reforçada com o advento da Lei</p><p>8.630/1993, quando novos atores sociais foram expressamente incorporados às relações portuárias,</p><p>entre os quais se destacam os órgãos gestores de mão de obra — entidades com finalidade pública,</p><p>sem fins lucrativos, cujo objetivo principal é centralizar e administrar a prestação de serviços nos</p><p>portos organizados do Brasil —; os operadores portuários; e os trabalhadores portuários, ainda</p><p>distinguidos entre contratados com vínculo permanente (servidores e empregados) e avulsos.</p><p>ITEM 80</p><p>Os procuradores públicos têm capacidade postulatória para interpor recursos</p><p>extraordinários contra acórdãos proferidos em sede de ação de controle concentrado de</p><p>constitucionalidade, nas hipóteses em que o legitimado para a causa outorgue poderes aos</p><p>subscritores das peças recursais.</p><p>STF. Plenário. RE 1.068.600 AgR-ED-EDv/RN, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 04/06/2020</p><p>(Info 980).</p><p>Sempre que for pago ao trabalhador com vínculo permanente, o adicional de riscos é devido,</p><p>nos mesmos termos, ao trabalhador portuário avulso.</p><p>STF. Plenário. RE 597.124/PR, Rel. Min. Edson Fachin, j. 03/06/2020 (Info 980).</p><p>52</p><p>O Supremo Tribunal Federal tem a prerrogativa de instaurar inquéritos para apurar infração à lei</p><p>penal na sede ou dependência do Tribunal.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Nesse contexto, o colegiado afirmou que o art. 43 do RISTF pode dar ensejo à abertura de</p><p>inquérito, contudo, não é e nem pode ser uma espécie de salvo conduto genérico, tornando-se</p><p>necessário delimitar seu significado.</p><p>Isso porque a referida regra regimental trata de hipótese de investigação, e deve ser lida sob</p><p>o prisma do devido processo legal; da dignidade da pessoa humana; da prevalência dos direitos</p><p>humanos; da submissão à lei; e da impossibilidade de existir juiz ou tribunal de exceção.</p><p>Além disso, deve ser observado o princípio da separação de Poderes, uma vez que, via de</p><p>regra, aquele que julga não deve investigar ou acusar. Ao fazê-lo, como permite a norma regimental,</p><p>esse exercício excepcional submete-se a um elevado grau de justificação e a condições de</p><p>possibilidade sem as quais não se sustenta.</p><p>ITEM 81</p><p>Situação hipotética: João, servidor público efetivo do Município X, onde não foi instituído regime</p><p>próprio de previdência, requereu sua aposentadoria. Devidamente aposentado, João, invocando o</p><p>direito a percepção simultânea de vencimentos de cargo público com provento de aposentadoria,</p><p>requereu sua reintegração no mesmo cargo em que se aposentou.</p><p>De acordo com a jurisprudência do STF, a pretensão de João não encontra amparo na Constituição.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Considerou-se inadmissível que o servidor efetivo, depois de aposentado regularmente, seja</p><p>É constitucional a Portaria GP 69/2019, que instaurou o inquérito das "fake news", bem</p><p>como o art. 43 do Regimento Interno do STF, que lhe serviu de fundamento</p><p>e garante ao</p><p>Tribunal a prerrogativa de instaurar inquéritos quando os envolvidos forem autoridades ou</p><p>pessoas sujeitas à sua jurisdição.</p><p>Foram estabelecidas, contudo, condicionantes ao exercício de tal prerrogativa:</p><p>a) seja acompanhado pelo Ministério Público;</p><p>b) seja integralmente observado o Enunciado 14 da Súmula Vinculante;</p><p>c) limite o objeto do inquérito a manifestações que, denotando risco efetivo à independência</p><p>do Poder Judiciário (CF, art. 2º), pela via da ameaça aos membros do STF e a seus</p><p>familiares, atentam contra os Poderes instituídos, contra o Estado de Direito e contra a</p><p>democracia; e</p><p>d) observe a proteção da liberdade de expressão e de imprensa nos termos da Constituição,</p><p>excluindo do escopo do inquérito matérias jornalísticas e postagens, compartilhamentos</p><p>ou outras manifestações (inclusive pessoais) na internet, feitas anonimamente ou não,</p><p>desde que não integrem esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes</p><p>sociais.</p><p>STF. Plenário. ADPF 572 MC/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 17 e 18/06/2020 (Info 982).</p><p>Servidor público aposentado voluntariamente de cargo de provimento efetivo, em município</p><p>que não possui regime próprio de previdência, não possui direito de ser reintegrado ao</p><p>mesmo cargo sob o fundamento de que é possível a percepção simultânea de vencimentos de</p><p>cargo público com proventos de aposentadoria, pagos pelo RGPS.</p><p>STF. 1ª Turma. ARE 1234192 AgR/PR e ARE 1250903 AgR/PR, Rel. orig. Min. Marco Aurélio,</p><p>red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, j.16/06/2020 (Info 982).</p><p>53</p><p>reconduzido ao mesmo cargo sem a realização de concurso público, com o intuito de cumular</p><p>vencimentos e proventos de aposentadoria. Se o servidor é aposentado pelo RGPS, a vacância do</p><p>cargo respectivo não implica direito à reintegração ao mesmo cargo sem a realização de concurso.</p><p>ITEM 82</p><p>Os órgãos de segurança pública, previstos no art. 144 da CF, encerram rol exemplificativo, de forma</p><p>que os Estados federados possuem liberdade para, em suas respectivas Constituições, inserir outros</p><p>órgãos na lista, desde que haja correlação lógica com as funções desempenhadas.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Segundo entendimento firmado no julgamento da ADI 2.827, o rol de órgãos encarregados</p><p>do exercício da segurança pública, previsto no art. 144, I a V, da CF, é taxativo e de que esse</p><p>modelo federal deve ser observado pelos estados-membros e pelo Distrito Federal.</p><p>Dessa forma, nada impede que a Polícia Científica, órgão responsável pelas perícias</p><p>previsto no rol de responsáveis pela segurança pública na Constituição do Paraná, continue a existir</p><p>e a desempenhar suas funções, sem estar, necessariamente, vinculada à Polícia Civil, razão pela</p><p>qual afastou a alegada inconstitucionalidade da redação originária do art. 50 da Constituição</p><p>paranaense.</p><p>Contudo, reputou necessário, com vistas a evitar confusão pelo uso do termo “Polícia</p><p>Científica”, conferir-lhe interpretação conforme, para afastar qualquer interpretação que lhe</p><p>outorgue caráter de órgão de segurança pública.</p><p>ITEM 83</p><p>É inconstitucional o dispositivo da LOMAN segundo o qual apenas os desembargadores mais</p><p>antigos possam concorrer aos cargos diretivos dos tribunais, devendo a matéria, em razão da</p><p>autonomia consagrada na Constituição Federal, ser remetida à disciplina regimental de cada</p><p>tribunal.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A eleição para os cargos de cúpula dos tribunais, após a edição da EC 45/2004, é regida</p><p>pelos respectivos regimentos internos, não mais subsistindo a remissão à Loman.</p><p>Entendeu-se, ademais, que, a partir da promulgação da Constituição de 1988, houve uma</p><p>alteração substancial no regramento da matéria, homenageando a autonomia dos tribunais e, em</p><p>última análise, uma visão mais consentânea do federalismo, ensejando uma postura do Poder</p><p>Judiciário deferente à competência normativa dos entes federados.</p><p>ITEM 84</p><p>José, estrangeiro, após cometer um ato que ensejaria sua expulsão do país, decidiu adotar uma</p><p>criança. Finalizado o procedimento e comprovado que o menor encontra-se sob guarda do</p><p>estrangeiro, bem dependente financeiramente deste, não se admite o ato de expulsão.</p><p>É inconstitucional norma inserida em Constituição Estadual que elenque como órgão de</p><p>segurança pública qualquer órgão que não esteja no rol do art. 144 da CF, por se tratar de</p><p>rol taxativo.</p><p>STF. Plenário. ADI 2575/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 24/06/2020 (Info 983).</p><p>Não foi recepcionado o dispositivo da LOMAN segundo o qual apenas os desembargadores</p><p>mais antigos possam concorrer aos cargos diretivos dos tribunais, devendo a matéria, em</p><p>razão da autonomia consagrada na Constituição Federal, ser remetida à disciplina</p><p>regimental de cada tribunal.</p><p>STF. Plenário. ADI 3976/SP e MS 32.451/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 25/06/2020 (Info 983).</p><p>54</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Afastou-se, em razão da não recepção, o argumento da União, fundamentado no art. 75, § 1º</p><p>da Lei 6.815/1980, segundo o qual a impossibilidade de expulsão somente quando a prole brasileira</p><p>fosse anterior ao fato motivador da expulsão. Saliente-se, ainda, que a CF de 1988 inaugurou nova</p><p>quadra no tocante ao patamar e à intensidade da tutela da família e da criança, assegurando-lhes</p><p>cuidado especial, concretizado, pelo legislador, na edição do Estatuto da Criança e do Adolescente.</p><p>O sistema foi direcionado para a absoluta prioridade dos menores e adolescentes, como</p><p>pressuposto inafastável de sociedade livre, justa e solidária.</p><p>É vedada a expulsão de estrangeiro cujo filho brasileiro foi reconhecido ou adotado</p><p>posteriormente ao fato ensejador do ato expulsório, uma vez comprovado estar a criança sob</p><p>a guarda do estrangeiro e deste depender economicamente.</p><p>STF. Plenário. RE 608.898/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2020, Repercussão Geral: Tema</p><p>373 (Info 983).</p><p>55</p><p>ITEM 85</p><p>Ação Civil de perda de cargo de Promotor de Justiça cuja causa de pedir não esteja vinculada a</p><p>ilícito capitulado na Lei de Improbidade Administrativa deve ser julgada pelo Tribunal de Justiça.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>No caso analisado, mesmo tendo conhecimento de que a ação proposta</p><p>pelo Parquet destina-se a decretar a perda do cargo público de Promotor de Justiça, adotou o</p><p>Tribunal o entendimento atual e os precedentes jurisprudenciais do STJ e do STF que atestam a</p><p>inexistência de foro privilegiado nas Ações Civis Públicas para apuração de ato de improbidade</p><p>administrativa.</p><p>No entanto, há de se fazer um distinguishing do caso concreto em relação ao</p><p>posicionamento sedimentado no STJ e no STF acerca da competência do juízo monocrático para o</p><p>processamento e julgamento das Ações Civis Públicas por ato de improbidade administrativa,</p><p>afastando o "foro privilegiado ou especial" das autoridades envolvidas. É que a causa de pedir da</p><p>ação ora apreciada não está vinculada a ilícito capitulado na Lei n. 8.429/1992, que disciplina as</p><p>sanções aplicáveis aos atos de improbidade administrativa, mas a infração disciplinar atribuível a</p><p>Promotor de Justiça no exercício da função pública, estando este atualmente em disponibilidade.</p><p>Ademais, o STJ possui precedente no sentido de que "a Ação Civil com foro especial não se</p><p>confunde com a ação civil pública de improbidade administrativa, regida pela Lei n. 8.429/1992,</p><p>que não prevê tal prerrogativa".</p><p>ITEM 86</p><p>Em ação de desapropriação indireta é incabível reparação decorrente de limitações administrativas.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Imóvel do particular foi incluído em unidade de conservação. Houve, no caso, uma</p><p>limitação administrativa. Ajuizou-se ação de desapropriação indireta pedindo indenização. Mesmo</p><p>não tendo havido desapropriação indireta, mas sim mera limitação administrativa, o juiz deverá</p><p>conhecer da ação e julgar seu mérito. Devem ser observados os princípios da instrumentalidade das</p><p>formas e da primazia da solução integral do mérito.</p><p>ITEM 87</p><p>Não é possível, no procedimento de credenciamento, o estabelecimento de critérios de classificação</p><p>para a escolha de licitantes.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O credenciamento é uma hipótese</p><p>de inexigibilidade de licitação na qual “a Administração</p><p>Superior Tribunal de Justiça - STJ</p><p>Informativos 662 à 673</p><p>Ação Civil de perda de cargo de Promotor de Justiça cuja causa de pedir não esteja</p><p>vinculada a ilícito capitulado na Lei nº 8.429/92 deve ser julgada pelo Tribunal de Justiça.</p><p>STJ. 2ª Turma. REsp 1.737.900/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 19/11/2019 (Info 662).</p><p>Em ação de desapropriação indireta é cabível reparação decorrente de limitações</p><p>administrativas.</p><p>STJ. 1ª Turma. REsp 1.653.169/RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, j. 19/11/2019 (Info 662).</p><p>O estabelecimento de critérios de classificação para a escolha de licitantes em</p><p>credenciamento é ilegal.</p><p>STJ. 1ª Turma. REsp 1.747.636/PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 03/12/2019 (Info 662).</p><p>56</p><p>aceita como colaborador todos aqueles que, atendendo as motivadas exigências públicas,</p><p>manifestem interesse em firmar contrato ou acordo administrativo.” (TORRES, Ronny Charles</p><p>Lopes de. Leis de Licitações Públicas comentadas. Salvador: Juspodivm, 2019, p. 348).</p><p>Desse modo, o credenciamento é um procedimento por meio do qual a Administração</p><p>Pública anuncia que precisa de pessoas para fornecer determinados bens ou para prestarem algum</p><p>serviço e que irá contratar os que se enquadrem nas qualificações que ela exigir. Após esse</p><p>chamamento público, os interessados podem se habilitar para serem contratados.</p><p>Fala-se que é uma hipótese de inexigibilidade de licitação porque não haverá competição</p><p>(disputa) entre os interessados. Todos os interessados que preencham os requisitos anunciados serão</p><p>considerados “credenciados” e estarão aptos a serem contratos. O credenciamento é considerado</p><p>como uma espécie de inexigibilidade de licitação justamente pelo fato de não ser possível, em tese,</p><p>a competição entre os interessados.</p><p>Logo, a previsão de critérios de pontuação entre os interessados contraria a natureza do</p><p>processo de credenciamento.</p><p>Assim, no credenciamento só se admite a existência de requisitos mínimos. Se o interessado</p><p>preencher, ele está credenciado; se não atender, encontra-se eliminado. Os critérios permitidos são,</p><p>portanto, meramente eliminatórios (e não classificatórios).</p><p>ITEM 88</p><p>Em regra, o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo que o dano tenha</p><p>ocorrido em outro local. Entretanto, podem haver peculiaridades que imponham o dever de</p><p>julgamento pelo juízo do local do fato.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Regra geral: em regra, o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio,</p><p>mesmo que o dano tenha ocorrido em outro local. Isso porque como a ação popular representa um</p><p>direito político fundamental, deve-se facilitar o seu exercício.</p><p>Exceção: o STJ entendeu que o caso concreto envolvendo Brumadinho era excepcional com</p><p>inegáveis peculiaridades que impõem a adoção de uma solução diferente para evitar tumulto</p><p>processual em uma situação de enorme magnitude social, econômica e ambiental.</p><p>Assim, para o STJ é necessário superar, excepcionalmente, a regra geral. Entendeu-se que</p><p>seria necessário adotar uma saída pragmática para permitir uma resposta do Poder Judiciário aos</p><p>que sofrem os efeitos desta grande tragédia.</p><p>A regra geral do STJ deve ser usada quando a ação popular for isolada. Contudo, no caso de</p><p>Brumadinho havia uma ação popular em Campinas (SP) competindo e concorrendo com várias</p><p>outras ações populares e ações civis públicas, bem como com centenas, talvez milhares, de ações</p><p>individuais tramitando em MG, razão pela qual, em se tratando de competência concorrente, deve</p><p>ser eleito o foro do local do fato.</p><p>Em face da magnitude econômica, social e ambiental do caso concreto, é possível a fixação</p><p>do juízo do local do fato para o julgamento de ação popular que concorre com diversas outras ações</p><p>individuais, populares e civis públicas decorrentes do mesmo dano ambiental</p><p>Em face da magnitude econômica, social e ambiental do caso concreto, é possível a fixação do</p><p>juízo do local do fato para o julgamento de ação popular que concorre com diversas outras</p><p>ações individuais, populares e civis públicas decorrentes do mesmo dano ambiental.</p><p>STJ. 1ª Seção. CC 164.362/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 12/06/2019 (Info 662)</p><p>57</p><p>ITEM 89</p><p>Situação hipotética: segurado, que havia contratado seguro de vida em 08/03/2015, cometeu</p><p>suicídio em 08/03/2015. Restou comprovado que o ato não foi premeditado.</p><p>Nesse caso, entende o STJ que o beneficiário do seguro não faz jus à indenização.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>No seguro de vida, se o segurado se suicidar, a seguradora continua tendo obrigação de</p><p>pagar a indenização?</p><p>1) Entendimento ANTERIOR (até 08/04/2015) (Súmulas 105 do STF e 61 do STJ):</p><p>O critério era o da premeditação:</p><p>• Se o suicídio foi premeditado: NÃO</p><p>• Se o suicídio não foi premeditado: SIM 2)</p><p>2) Entendimento ATUAL (Súmula 610 do STJ):</p><p>O critério passou a ser o meramente temporal:</p><p>• Suicídio nos dois primeiros anos: SEM direito à indenização.</p><p>• Suicídio após os dois primeiros anos: TEM direito à indenização.</p><p>Caso concreto: segurado cometeu suicídio antes de terminarem os dois primeiros anos do</p><p>contrato. Ficou demonstrado que o suicídio não foi premeditado. Assim, pelo entendimento anterior,</p><p>o beneficiário do seguro teria direito à indenização (porque o suicídio não foi premeditado). Por</p><p>outro lado, pelo entendimento atual, o filho de João não teria direito à indenização (porque o</p><p>suicídio ocorreu nos dois primeiros anos do contrato).</p><p>O beneficiário ajuizou a ação contra a seguradora quando ainda vigorava o entendimento</p><p>anterior do STJ, tendo, inclusive, obtido uma sentença favorável. Ocorre que, quando o processo</p><p>chegou ao STJ por meio de recurso, o entendimento já havia mudado.</p><p>Neste caso, o STJ afirmou que, mesmo tendo havido alteração da jurisprudência, deveria ser</p><p>aplicado o entendimento anterior.</p><p>ITEM 90</p><p>Autarquia que seja criada para prestar serviços de saúde suplementar para os servidores públicos e</p><p>seus dependentes não se sujeita às regras da Lei dos Planos de Saúde.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Considerando que o caput do art. 1º faz menção expressa às pessoas jurídicas de direito</p><p>privado, pode-se interpretar que a escolha do termo “entidade” no § 2º teve por objetivo ampliar a</p><p>aplicação da lei para todas as pessoas jurídicas que prestam os serviços de assistência à saúde</p><p>suplementar, até porque não faria sentido a utilização de termos distintos.</p><p>ITEM 91</p><p>É válida a cláusula que prevê o pagamento antecipado da indenização devida ao representante</p><p>comercial no caso de rescisão injustificada do contrato pela representada.</p><p>É cabível a modulação dos efeitos do entendimento da Súmula n. 610/STJ no caso de suicídio</p><p>que tenha ocorrido ainda na vigência do entendimento anterior, previsto nas Súmulas ns.</p><p>105/STF e 61/STJ.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.721.716/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 10/12/2019 (Info 662).</p><p>Aplica-se a Lei n. 9.656/1998 (Lei dos Planos de Saúde) à pessoa jurídica de direito público</p><p>de natureza autárquica que presta serviço de assistência à saúde de caráter suplementar aos</p><p>servidores municipais.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.766.181/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas</p><p>Bôas Cueva, j. 03/12/2019 (Info 662).</p><p>58</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A Lei n. 4.886/1965, em seu art. 27, "j", estabelece que o representante deve ser indenizado</p><p>caso o contrato de representação comercial seja rescindido sem justo motivo por iniciativa do</p><p>representado.</p><p>No entanto, o pagamento antecipado, em conjunto com a remuneração mensal devida ao</p><p>representante comercial, desvirtua a finalidade da indenização. A obrigação de reparar o dano</p><p>somente surge após a prática do ato que lhe dá causa (por imperativo lógico), de modo que, antes da</p><p>existência de um prejuízo concreto passível de ser reparado – que, na espécie, é o rompimento</p><p>imotivado da avença – não se pode falar em indenização.</p><p>O princípio da boa-fé impede que as partes de uma relação contratual exercitem direitos,</p><p>ainda que previstos na própria avença</p><p>de maneira formalmente lícita, quando, em sua essência, esse</p><p>exercício representar deslealdade ou gerar consequências danosas para a contraparte.</p><p>Assim, a cláusula que extrapola o que o ordenamento jurídico estabelece como padrão</p><p>mínimo para garantia do equilíbrio entre as partes da relação contratual deve ser declarada inválida.</p><p>ITEM 92</p><p>A ação de habilitação retardatária de crédito deve ser ajuizada até a prolação da decisão de</p><p>encerramento do processo recuperacional.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>De acordo com o art. 7º, parágrafo único, da Lei de Falência e Recuperação de Empresas, os</p><p>credores da recuperanda têm o prazo de 15 dias para apresentar, perante o administrador judicial, a</p><p>habilitação de seus créditos, a contar da publicação do edital previsto no art. 52, § 1º, da LFRE.</p><p>Uma vez publicada a nova relação de credores, prevista no § 2º do artigo 7º da lei</p><p>mencionada, qualquer interessado poderá impugná-la em juízo, no prazo de 10 dias contados da</p><p>data daquela publicação (art. 8º da LFRE). Ultrapassados esses prazos, o credor não incluído na</p><p>relação elaborada pelo administrador judicial poderá apresentar pedido de habilitação retardatária.</p><p>Se o requerimento for protocolado antes da homologação do quadro-geral, será processado</p><p>na forma dos arts. 13 a 15 da LFRE; caso contrário, o procedimento a ser seguido será o ordinário,</p><p>previsto no Código de Processo Civil (arts. 10, §§ 5º e 6º, da LFRE).</p><p>Isso significa que, uma vez homologado o quadro-geral de credores, a única via para o</p><p>credor pleitear a habilitação de seu crédito é a judicial, mediante a propositura de ação que tramitará</p><p>pelo rito ordinário e que deve ser ajuizada até a prolação da decisão de encerramento do processo</p><p>recuperacional.</p><p>ITEM 93</p><p>Em se tratando de aclaratórios opostos a acórdão que julga agravo de instrumento, a aplicação da</p><p>técnica de julgamento ampliado somente ocorrerá se os embargos de declaração forem acolhidos</p><p>para modificar o julgamento originário do magistrado de primeiro grau que houver proferido</p><p>decisão parcial de mérito.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>É nula a cláusula que prevê o pagamento antecipado da indenização devida ao representante</p><p>comercial no caso de rescisão injustificada do contrato pela representada.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.831.947PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 10/12/2019 (Info 662).</p><p>A ação de habilitação retardatária de crédito deve ser ajuizada até a prolação da decisão de</p><p>encerramento do processo recuperacional.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.166/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 10/12/2019 (Info 662).</p><p>59</p><p>Quando se tratar de embargos de declaração contra acórdão que decidiu agravo de</p><p>instrumento, só será caso de ampliação do colegiado se, ao julgar os embargos declaratórios, o</p><p>colegiado - por maioria - deliberar por reformar decisão de mérito (o que significa dizer que se terá,</p><p>por deliberação não unânime, atribuído efeitos infringentes aos embargos de declaração,</p><p>reformando-se a decisão embargada e, por conseguinte, reformando a decisão parcial de mérito</p><p>prolatada pelo órgão de primeira instância) (CÂMARA, Alexandre Freitas. A ampliação do</p><p>colegiado em julgamentos não unânimes. Revista de Processo, ano 43, vol. 282, ago/2018, p. 264).</p><p>ITEM 94</p><p>O distinguishing, previsto no art. 1.037, §§ 9º e 13, do CPC/2015, aplica-se também ao incidente de</p><p>resolução de demandas repetitivas - IRDR.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Os recursos especiais e extraordinários repetitivos e o IRDR compõem, na forma do art.</p><p>928, I e II, do CPC/2015, um microssistema de julgamento de questões repetitivas, devendo o</p><p>intérprete promover, sempre que possível, a integração entre os dois mecanismos que pertencem ao</p><p>mesmo sistema de formação de precedentes vinculantes.</p><p>Os vetores interpretativos que permitirão colmatar as lacunas existentes em cada um desses</p><p>mecanismos e promover a integração dessas técnicas no microssistema são a inexistência de</p><p>vedação expressa no texto do CPC/2015 que inviabilize a integração entre os instrumentos e a</p><p>inexistência de ofensa a um elemento essencial do respectivo instituto.</p><p>Não há diferença ontológica e nem tampouco justificativa teórica para tratamento</p><p>assimétrico entre a alegação de distinção formulada em virtude de afetação para julgamento sob o</p><p>rito dos recursos repetitivos e em razão de instauração do incidente de resolução de demandas</p><p>repetitivas, pois ambos os requerimentos são formulados após a ordem de suspensão emanada pelo</p><p>Tribunal, tem por finalidade a retirada da ordem de suspensão de processo que verse sobre questão</p><p>distinta daquela submetida ao julgamento padronizado e pretendem equalizar a tensão entre os</p><p>princípios da isonomia e da segurança jurídica, de um lado, e dos princípios da celeridade,</p><p>economia processual e razoável duração do processo, de outro lado.</p><p>Recomenda-se a leitura: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-662-stj-1.pdf</p><p>ITEM 95</p><p>Se a dissolução irregular ocorreu antes da citação da pessoa jurídica o prazo de 5 anos para</p><p>redirecionamento será contado da diligência de sua citação.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Em se tratando de aclaratórios opostos a acórdão que julga agravo de instrumento, a</p><p>aplicação da técnica de julgamento ampliado somente ocorrerá se os embargos de declaração</p><p>forem acolhidos para modificar o julgamento originário do magistrado de primeiro grau que</p><p>houver proferido decisão parcial de mérito.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.841.584/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 10/12/2019 (Info</p><p>662).</p><p>O procedimento de distinção (distinguishing) previsto no art. 1.037, §§ 9º e 13, do CPC/2015,</p><p>aplica-se também ao incidente de resolução de demandas repetitivas - IRDR.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.846.109/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 10/12/2019 (Info 662).</p><p>i) o prazo de redirecionamento da Execução Fiscal, fixado em cinco anos, contado da</p><p>diligência de citação da pessoa jurídica, é aplicável quando o referido ato ilícito, previsto</p><p>no art. 135, III, do CTN, for precedente a esse ato processual;</p><p>60</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-662-stj-1.pdf</p><p>Recomenda-se a leitura: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-662-stj-1.pdf</p><p>ITEM 96</p><p>O MPF não possui legitimidade para propor ação civil pública a fim de debater a cobrança de</p><p>encargos bancários supostamente abusivos praticados por instituições financeiras privadas.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>As atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras, sejam elas públicas ou privadas,</p><p>estão subordinadas ao conteúdo de normas regulamentares editadas por órgãos federais e de</p><p>abrangência nacional.</p><p>Logo, o cumprimento dessas normas por parte dos bancos é um tema de interesse</p><p>nitidamente federal, suficiente para conferir legitimidade ao Ministério Público Federal para o</p><p>ajuizamento da ação civil pública.</p><p>ITEM 97</p><p>Texto para a questão:</p><p>Código Penal - Art. 97. Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se,</p><p>todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a</p><p>tratamento ambulatorial.</p><p>Segundo o STJ, na aplicação do art. 97 do CP deve ser considerada a natureza da pena privativa de</p><p>liberdade aplicável e não a periculosidade do agente.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>ii) a citação positiva do sujeito passivo devedor original da obrigação tributária, por si só,</p><p>não provoca o início do prazo prescricional quando o ato de dissolução irregular for a ela</p><p>subsequente, uma vez que, em tal circunstância, inexistirá, na aludida data (da citação),</p><p>pretensão contra os sócios-gerentes (o mero inadimplemento da exação não configura</p><p>ilícito atribuível aos sujeitos de direito descritos no art. 135 do CTN). O termo inicial do</p><p>prazo prescricional para a cobrança do crédito dos sócios-gerentes infratores, nesse</p><p>contexto, é a data da prática de ato inequívoco indicador do intuito de inviabilizar a</p><p>satisfação do crédito tributário já em curso de cobrança executiva promovida contra a</p><p>empresa contribuinte, a ser demonstrado pelo Fisco, art. 792 do CPC (fraude à execução),</p><p>combinado com o art. 185 do CTN (presunção de fraude contra a Fazenda Pública); e,</p><p>iii) em qualquer hipótese, a decretação da prescrição para o redirecionamento impõe seja</p><p>demonstrada a inércia da Fazenda Pública, no lustro que se seguiu à citação da empresa</p><p>originalmente devedora ou ao ato inequívoco mencionado no item anterior</p><p>(respectivamente, nos casos de dissolução irregular precedente ou superveniente à citação</p><p>da empresa), cabendo às instâncias ordinárias o exame dos fatos e provas atinentes à</p><p>demonstração da prática de atos concretos na direção da cobrança do crédito tributário</p><p>no decurso do prazo prescricional.</p><p>STJ. 1ª Seção. REsp 1.201.993/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 08/05/2019, Recurso</p><p>Repetitivo: Tema 444 (Info 662).</p><p>O MPF possui legitimidade para propor ação civil pública a fim de debater a cobrança de</p><p>encargos bancários supostamente abusivos praticados por instituições financeiras privadas.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.573.723/RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 10/12/2019 (Info</p><p>662).</p><p>61</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-662-stj-1.pdf</p><p>Assim, se fosse adotada a redação literal do art. 97 teríamos o seguinte cenário:</p><p>• Se o agente praticou fato punido com RECLUSÃO, ele receberá, obrigatoriamente, a</p><p>medida de internação.</p><p>• Por outro lado, se o agente praticou fato punido com DETENÇÃO, o juiz, com base na</p><p>periculosidade do agente, poderá submetê-lo à medida de internação ou tratamento ambulatorial.</p><p>O STJ, contudo, abrandou a regra legal e construiu a tese de que o art. 97 do CP não deve</p><p>ser aplicado de forma isolada, devendo analisar também qual é a medida de segurança que melhor</p><p>se ajusta à natureza do tratamento de que necessita o inimputável.</p><p>Em outras palavras, o STJ afirmou o seguinte: mesmo que o inimputável tenha praticado um</p><p>fato previsto como crime punível com reclusão, ainda assim será possível submetê-lo a tratamento</p><p>ambulatorial (não precisando ser internação), desde que fique demonstrado que essa é a medida de</p><p>segurança que melhor se ajusta ao caso concreto.</p><p>À luz dos princípios da adequação, da razoabilidade e da proporcionalidade, na fixação da</p><p>espécie de medida de segurança a ser aplicada não deve ser considerada a natureza da pena</p><p>privativa de liberdade aplicável, mas sim a periculosidade do agente, cabendo ao julgador a</p><p>faculdade de optar pelo tratamento que melhor se adapte ao inimputável.</p><p>Desse modo, mesmo em se tratando de delito punível com reclusão, é facultado ao</p><p>magistrado a escolha do tratamento mais adequado ao inimputável</p><p>ITEM 98</p><p>Para o STJ, a reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) é a</p><p>específica.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas para consumo pessoal.</p><p>Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para</p><p>consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou</p><p>regulamentar será submetido às seguintes penas:</p><p>I - advertência sobre os efeitos das drogas;</p><p>II - prestação de serviços à comunidade;</p><p>III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.</p><p>Em regra, as penas dos incisos II e III só podem ser aplicadas pelo prazo máximo de 5</p><p>meses.</p><p>O § 4º prevê que: “em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput</p><p>deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.”</p><p>ITEM 99</p><p>Quando na sentença condenatória não tenha constado expressamente que o réu é reincidente, o juízo</p><p>da execução penal não poderá usar essa circunstância para fins de conceder ou não os benefícios.</p><p>Na aplicação do art. 97 do CP não deve ser considerada a natureza da pena privativa de</p><p>liberdade aplicável, mas sim a periculosidade do agente, cabendo ao julgador a faculdade de</p><p>optar pelo tratamento que melhor se adapte ao inimputável</p><p>STJ. 3ª Seção. EREsp 998.128/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, j. 27/11/2019 (Info 662).</p><p>A reincidência de que trata o § 4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já</p><p>condenado definitivamente por roubo, pratica o crime do art. 28, ele não se enquadra no §</p><p>4º. Isso porque se trata de reincidente genérico. O § 4º ao falar de reincidente, está se</p><p>referindo ao crime do caput do art. 28.</p><p>STJ. 6ª Turma. REsp 1.771.304/ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 10/12/2019 (Info 662).</p><p>62</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>As condições pessoais do réu, da qual é exemplo a reincidência, devem ser observadas na</p><p>execução da pena, independente de tal condição ter sido considerada na sentença condenatória, eis</p><p>que também é atribuição do juízo da execução individualizar a pena. Como se sabe, a</p><p>individualização da pena se realiza, essencialmente, em três momentos: na cominação da pena em</p><p>abstrato ao tipo legal, pelo Legislador; na sentença penal condenatória, pelo Juízo de conhecimento;</p><p>e na execução penal, pelo Juízo das Execuções.</p><p>Esse entendimento, a propósito, tem sido convalidado pelo Supremo Tribunal Federal, para</p><p>o qual o "reconhecimento da circunstância legal agravante da reincidência (art. 61, I, do Código</p><p>Penal), para fins de agravamento da pena do réu, incumbe ao juiz natural do processo de</p><p>conhecimento.</p><p>De outro lado, a aferição dessa condição pessoal para fins de concessão de benefícios da</p><p>execução penal compete ao juiz da Vara das Execuções Penais.</p><p>Trata-se, portanto, de tarefas distintas. Nada obsta a ponderação da reincidência no âmbito</p><p>da execução penal do reeducando, ainda que não lhe tenha sido agravada a pena por esse</p><p>fundamento, quando da prolação da sentença condenatória.</p><p>ITEM 100</p><p>Situação hipotética: João e Carla são casados. Eles fizeram uma declaração conjunta do imposto</p><p>de renda. Ocorre que não se declarou que Carla recebeu R$ 10 mil por serviços prestados para uma</p><p>determinada empresa. Houve, portanto, omissão de rendimentos recebidos. Ao detectar a omissão, a</p><p>Receita Federal fez lançamento de auto de infração contra Carla e João.</p><p>Foi legítima a atuação da Receita Federal nesse caso.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Ao regular a solidariedade tributária, o art. 124 do CTN estabelece que o contribuinte e o</p><p>terceiro são obrigados ao respectivo pagamento do tributo quando há interesse comum entre eles, ou</p><p>seja, quando um deles realiza conjuntamente com o outro a situação que constitui o fato gerador do</p><p>tributo (inciso I), ou por expressa disposição de lei (inciso II).</p><p>Dessa forma, somente se estabelece o nexo entre os devedores da prestação tributária</p><p>originária, quando todos os partícipes contribuem para a realização de uma situação que constitui</p><p>fato gerador da exação, ou seja, que a hajam praticado conjuntamente.</p><p>Assim, não se pode dizer que há interesse comum do marido na situação constitutiva do fato</p><p>gerador do IRPF da esposa, pelo menos na acepção prevista no inciso I do art. 124 do CTN,</p><p>porquanto se pressupõe, para esse efeito, que tivesse havido participação ativa dele, ao lado da</p><p>esposa, na produção do fato gerador da percepção dos rendimentos tidos por tributáveis.</p><p>Tampouco, se poderá dizer haver expressa disposição legal capaz de atribuir a carga</p><p>tributária a pessoa que não contribuiu para realização do fato previsto como gerador da obrigação,</p><p>no caso, a percepção de renda.</p><p>O Juízo da Execução pode promover a retificação do atestado de pena para constar a</p><p>reincidência, com todos os consectários daí decorrentes, ainda que não esteja reconhecida</p><p>expressamente na sentença penal condenatória transitada em julgado.</p><p>STJ. 3ª Seção. EREsp 1.738.968-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/11/2019 (Info 662).</p><p>Não tendo participado do fato gerador do tributo, a declaração conjunta de imposto de</p><p>renda não torna o cônjuge corresponsável pela dívida tributária dos rendimentos percebidos</p><p>pelo outro.</p><p>STJ. 1ª Turma. REsp 1.273.396/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 05/12/2019 (Info</p><p>662).</p><p>63</p><p>ITEM 101</p><p>A isenção de quota condominial do síndico configura renda para fins de incidência do Imposto de</p><p>Renda</p><p>de Pessoa Física.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O imposto de renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou</p><p>jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Renda, para fins de incidência tributária,</p><p>pressupõe acréscimo patrimonial ao longo de determinado período, ou seja, riqueza nova agregada</p><p>ao patrimônio do contribuinte.</p><p>A quota condominial é a obrigação mensal imposta a todos os condôminos para cobrir</p><p>gastos necessários à manutenção de um condomínio. Trata-se, portanto, de uma despesa, um</p><p>encargo que é suportado pelos condôminos. Assim, a dispensa do pagamento das taxas</p><p>condominiais concedida ao síndico pelo trabalho por ele exercido não pode ser considerada como</p><p>pró-labore, rendimento nem tampouco como acréscimo patrimonial. Logo, não está sujeita à</p><p>incidência do imposto de renda, sob pena, inclusive, de violar o princípio da capacidade</p><p>contributiva.</p><p>Quando o síndico deixa de pagar a quota condominial não há uma alteração entre o</p><p>patrimônio preexistente e o novo. Não há o ingresso de riqueza nova em seu patrimônio que</p><p>justifique a inclusão do valor correspondente à sua quota condominial como ganho patrimonial na</p><p>apuração anual de rendimentos tributáveis.</p><p>ITEM 102</p><p>Aposentado pode pedir revisão para incluir salários anteriores a 1994 no cálculo do benefício.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Recomenda-se a leitura: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-662-stj-1.pdf</p><p>ITEM 103</p><p>Médicos estrangeiros , desde que cooperados, possuem direito adquirido de permanecer no Projeto</p><p>Mais Médicos.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A contratação de médicos estrangeiros foi instituída pela Lei n. 12.871/2013, que criou o</p><p>"Programa Mais Médicos" com a finalidade de formar recursos humanos na área médica para o</p><p>Sistema Único de Saúde. Entre as disposições pertinentes ao "Projeto Mais Médicos para o Brasil",</p><p>A isenção de quota condominial do síndico não configura renda para fins de incidência do</p><p>Imposto de Renda de Pessoa Física.</p><p>STJ. 1ª Turma. REsp 1.606.234/RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 05/12/2019 (Info</p><p>662).</p><p>Aplica-se a regra definitiva prevista no art. 29, I e II, da Lei n. 8.213/1991, na apuração do</p><p>salário de benefício, quando mais favorável do que a regra de transição contida no art. 3º da</p><p>Lei n. 9.876/1999, aos segurados que ingressaram no Regime Geral da Previdência Social até</p><p>o dia anterior à publicação da Lei n. 9.876/1999.</p><p>STJ. 1ª Seção. REsp 1.596.203/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 11/12/2019, Recurso</p><p>Repetitivo: Tema 999 (Info 662).</p><p>Inexiste direito adquirido para os médicos cooperados estrangeiros de permanecer nos</p><p>quadros de agentes públicos da saúde pública, ainda que já tenham sido vinculados ao</p><p>Projeto Mais Médicos para o Brasil.</p><p>STJ. 2ª Turma. RO 213/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 05/12/2019 (Info 663).</p><p>64</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-662-stj-1.pdf</p><p>a inexistência de direito adquirido para os médicos estrangeiros de permanecer nos quadros de</p><p>agentes públicos da saúde pública foi expressamente prevista nos arts. 17 e 18, § 3º, ambos da Lei</p><p>n. 12.871/2013.</p><p>Assim, com o fim da cooperação Brasil - Cuba, aquele profissional não pode visar a sua</p><p>permanência no "Projeto Mais Médicos para o Brasil" a partir da condição de ser (ou de já ter sido)</p><p>vinculado a esse programa social.</p><p>Observe-se que princípio da isonomia não foi maculado em face de novo edital que impede</p><p>a sua admissão, pois cabe ao Poder Executivo suprir as vagas na ordem de preferência estabelecida</p><p>no art. 13, § 1º, da Lei n. 12.871/2013.</p><p>O médico cooperado não se encontra em igualdade com outros médicos estrangeiros cuja</p><p>contratação pode se realizar pessoalmente, sem a intervenção de uma organização internacional, no</p><p>caso, a Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS. Ressalta-se, ademais, que o art. 13, § 3º, da</p><p>referida lei, confirma a discricionariedade da coordenação do Projeto Mais Médicos para o Brasil</p><p>(exercida pelos Ministérios da Educação e da Saúde) para o funcionamento desse programa social.</p><p>ITEM 104</p><p>Em regra, é válida a cláusula de reajuste por faixa etária em contrato de seguro de vida.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Inicialmente, observa-se que o fator etário integra diretamente o risco tanto do contrato de</p><p>seguro saúde quanto do contrato de seguro de vida, pois é intuitivo que o avanço da idade eleva o</p><p>risco de sinistro em ambos os contratos. Para suportar esse "desvio" do padrão de risco as</p><p>seguradoras se utilizam de diversas técnicas de gestão de risco.</p><p>No caso dos seguros/planos de saúde, a legislação impõe às seguradoras uma técnica que</p><p>mais se aproxima da pulverização do risco, pois o "desvio de risco" verificado na faixa etária dos</p><p>assistidos idosos deve ser suportado, em parte, pelos assistidos mais jovens, numa espécie de</p><p>solidariedade intergeracional. Por sua vez, no âmbito dos contratos de seguro de vida, não há norma</p><p>impondo às seguradoras a adoção de uma ou outra técnica de compensação do "desvio de risco" dos</p><p>segurados idosos.</p><p>Ante essa ausência de norma específica para a proteção dos segurados idosos nos contratos</p><p>de seguro de vida, a jurisprudência da Terceira Turma vinha aplicando, por analogia, a norma do art.</p><p>15 da Lei dos Planos de Saúde. No entanto, a analogia com a Lei dos Planos de Saúde não parece</p><p>adequada para a hipótese dos seguros de vida, porque o direito de assistência à saúde encontra</p><p>fundamento no princípio da dignidade da pessoa humana, ao passo que o direito à indenização do</p><p>seguro de vida não extrapola, em regra, a esfera patrimonial dos beneficiários desse contrato.</p><p>Feita essa distinção, não se encontra no ordenamento jurídico norma que justifique uma</p><p>declaração de abusividade da cláusula contratual que estatua prêmios mais elevados para segurados</p><p>idosos, como forma de compensar o desvio de risco observado nesse subgrupo de segurados. Uma</p><p>vez eleita essa forma de gestão de risco, eventual revisão da cláusula para simplesmente eliminar o</p><p>reajuste da faixa etária dos idosos abalaria significativamente o equilíbrio financeiro do contrato de</p><p>seguro de vida, pois todo o desvio de risco dos idosos passaria a ser suportado pelo fundo mútuo,</p><p>sem nenhuma compensação no valor do prêmio.</p><p>A cláusula de reajuste por faixa etária em contrato de seguro de vida é legal, ressalvadas as</p><p>hipóteses em que contrato já tenha previsto alguma outra técnica de compensação do</p><p>"desvio de risco" dos segurados idosos.</p><p>STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 632.992/RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. 19/03/2019.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.816.750/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 26/11/2019 (Info</p><p>663).</p><p>65</p><p>Conclui-se, portanto, pela legalidade, em tese, da cláusula de reajuste por faixa etária em</p><p>contrato de seguro de vida, ressalvadas as hipótese em que contrato já tenha previsto alguma outra</p><p>técnica de compensação do "desvio de risco" dos segurados idosos, como nos casos de constituição</p><p>de reserva técnica para esse fim, a exemplo dos seguros de vida sob regime da capitalização (em</p><p>vez da repartição simples).</p><p>ITEM 105</p><p>A fixação de determinado valor a ser recebido mensalmente pelo herdeiro a título de adiantamento</p><p>de herança não configura negócio jurídico processual atípico.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O acordo firmado entre os herdeiros para autorizar a retirada mensal dos valores não é um</p><p>acordo puramente processual. Isso porque o seu objeto é o próprio direito material que se discute e</p><p>que se pretende obter na ação de inventário, ou seja, a divisão do patrimônio do autor da herança. O</p><p>que se está fazendo, portanto, é simplesmente antecipar a fruição e uso do direito material.</p><p>ITEM 106</p><p>O inventário extrajudicial é vedado quando existir testamento.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O art. 610 do CPC/2015 (art. 982 do CPC/1973), dispõe que, em havendo testamento ou</p><p>interessado incapaz, proceder-se-á ao inventário judicial. Em exceção ao caput, o § 1° estabelece,</p><p>sem restrição, que, se todos os interessados forem capazes e concordes, o inventário</p><p>e a partilha</p><p>poderão ser feitos por escritura pública, a qual constituirá documento hábil para qualquer ato de</p><p>registro, bem como para levantamento de importância depositada em instituições financeiras.</p><p>O Código Civil, por sua vez, autoriza expressamente, independentemente da existência de</p><p>testamento, que, "se os herdeiros forem capazes, poderão fazer partilha amigável, por escritura</p><p>pública, termo nos autos do inventário, ou escrito particular, homologado pelo juiz" (art. 2.015). Por</p><p>outro lado, determina que "será sempre judicial a partilha, se os herdeiros divergirem, assim como</p><p>se algum deles for incapaz" (art. 2.016) – bastará, nesses casos, a homologação judicial posterior do</p><p>acordado, nos termos do art. 659 do CPC.</p><p>Assim, de uma leitura sistemática desses dispositivos, mostra-se possível o inventário</p><p>extrajudicial, ainda que exista testamento, se os interessados forem capazes e concordes e estiverem</p><p>assistidos por advogado, desde que o testamento tenha sido previamente registrado judicialmente (já</p><p>que haverá definição precisa dos seus termos) ou haja a expressa autorização do juízo competente</p><p>(ao constatar que inexistem discussões incidentais que não possam ser dirimidas na via</p><p>administrativa).</p><p>A mens legis que autorizou o inventário extrajudicial foi justamente a de desafogar o</p><p>Judiciário, afastando a via judicial de processos nos quais não se necessita da chancela judicial,</p><p>assegurando solução mais célere e efetiva em relação ao interesse das partes. Deveras, o processo</p><p>deve ser um meio, e não um entrave, para a realização do direito.</p><p>A fixação de determinado valor a ser recebido mensalmente pelo herdeiro a título de</p><p>adiantamento de herança não configura negócio jurídico processual atípico na forma do art.</p><p>190, caput, do CPC/2015.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.738.656/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 03/12/2019 (Info 663).</p><p>É possível o inventário extrajudicial, ainda que exista testamento, se os interessados forem</p><p>capazes e concordes e estiverem assistidos por advogado.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.808.767/RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j/ 15/10/2019 (Info 663).</p><p>66</p><p>ITEM 107</p><p>A ausência de informação relativa ao preço pode, por si só, caracterizar publicidade enganosa.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Segundo dispõe o art. 37, § 1º, do CDC, publicidade enganosa é aquela que contém</p><p>informação total ou parcialmente falsa, ou que, mesmo por omissão (§ 3º), é capaz de induzir o</p><p>consumidor a erro.</p><p>O conceito de publicidade enganosa está intimamente ligado à falta de veracidade na peça</p><p>publicitária, que pode decorrer tanto da informação falsa quanto da omissão de dado essencial. No</p><p>entanto, o art. 31 do CDC não traz uma relação exaustiva nem determinante a todos os tipos de</p><p>publicidade, mas meramente exemplificativa, portanto, pode ser necessária, no caso concreto,</p><p>inserir outra informação não constante no dispositivo legal, assim como não há obrigação de que,</p><p>no anúncio publicitário, estejam inclusos todos os dados informativos descritos no rol do citado</p><p>artigo.</p><p>Dessa forma, não é qualquer omissão informativa que configura o ilícito. Para a</p><p>caracterização da ilegalidade, a ocultação necessita ser de uma qualidade essencial do produto, do</p><p>serviço ou de suas reais condições de contratação, de forma a impedir o consentimento esclarecido</p><p>do consumidor.</p><p>Para a caracterização da ilegalidade omissiva, a ocultação deve ser de qualidade essencial</p><p>do produto, do serviço ou de suas reais condições de contratação, considerando, na análise do caso</p><p>concreto, o público alvo do anúncio publicitário.</p><p>ITEM 108</p><p>O administrador judicial é responsável pela prestação de contas da massa falida ao juízo a partir do</p><p>momento de sua nomeação, incluídos os atos realizados pelo gerente na continuidade provisória das</p><p>atividades.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Após a arrecadação de bens, sendo nomeado para tanto um "gerente", que desempenhará</p><p>funções específicas relacionadas ao comércio dos bens e "ficará sob a imediata fiscalização do</p><p>síndico", cabendo, por fim, a prestação de contas ao síndico. Assim, sobressai a responsabilidade do</p><p>síndico pela prestação de contas da massa falida ao juízo a partir do momento de sua nomeação,</p><p>incluídos os atos realizados pelo gerente na continuidade provisória das atividades.</p><p>ITEM 109</p><p>Compete ao juízo da recuperação judicial o julgamento de tutela de urgência que tem por objetivo</p><p>antecipar o início do stay period.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A ausência de informação relativa ao preço, por si só, não caracteriza publicidade enganosa.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.705.278/MA, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, j. 19/11/2019 (Info 663).</p><p>O síndico (atual administrador judicial) é responsável pela prestação de contas da massa</p><p>falida ao juízo a partir do momento de sua nomeação, incluídos os atos realizados pelo</p><p>gerente na continuidade provisória das atividades.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.487.042/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 05/12/2019 (Info 663).</p><p>Obs: a Lei nº 11.101/2005 não mais utiliza a expressão “síndico”, chamando agora de</p><p>“administrador judicial”.</p><p>Obs2: o caso acima foi apreciado com base na antiga Lei de Falências (DL 7.661/1945), no</p><p>entanto, a solução seria a mesma no atual diploma (Lei nº 11.101/2005).</p><p>67</p><p>O artigo 189 da Lei n. 11.101/2005 (Lei de Falências e Recuperação de Empresas)</p><p>determina que se apliquem aos processos de recuperação e falência as normas do Código de</p><p>Processo Civil, no que couber, sendo possível concluir que o Juízo da recuperação está investido do</p><p>poder geral de tutela provisória (arts. 297, 300 e 301 do CPC/2015), podendo determinar medidas</p><p>tendentes a alcançar os fins previstos no artigo 47 da LFRE.</p><p>Um dos pontos mais importantes do processo de recuperação judicial é a suspensão das</p><p>execuções contra a sociedade empresária que pede o benefício, o chamado stay period (art. 6º da</p><p>LFRE). Essa pausa na perseguição individual dos créditos é fundamental para que se abra um</p><p>espaço de negociação entre o devedor e seus credores, evitando que, diante da notícia do pedido de</p><p>recuperação, se estabeleça uma verdadeira corrida entre os credores, cada qual tentando receber o</p><p>máximo possível de seu crédito, com o consequente perecimento dos ativos operacionais da</p><p>empresa.</p><p>A suspensão das execuções e, por consequência, dos atos expropriatórios, é medida com</p><p>nítido caráter acautelatório, buscando assegurar a elaboração e aprovação do plano de recuperação</p><p>judicial pelos credores ou, ainda, a paridade nas hipóteses em que o plano não alcance aprovação e</p><p>seja decretada a quebra.</p><p>Apesar de as execuções fiscais não se suspenderem com o processamento da recuperação</p><p>judicial (art. 6º, § 7º, da LFRE), a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que os atos</p><p>expropriatórios devem ser submetidos ao juízo da recuperação judicial, em homenagem ao princípio</p><p>da preservação da empresa.</p><p>ITEM 110</p><p>Desde que prove ter apresentado a classificação indicativa do programa televisivo, emissora de TV</p><p>não pode ser condenada ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em razão da</p><p>exibição de filme fora do horário recomendado pelo Ministério da Justiça.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Segundo decidiu o STF, é inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado”</p><p>contida no art. 254 do ECA. Assim, o Estado não pode determinar que os programas somente</p><p>possam ser exibidos em determinados horários. Isso seria uma imposição, o que é vedado pelo texto</p><p>constitucional por configurar censura. O Poder Público pode apenas recomendar os horários</p><p>adequados. A classificação dos programas é indicativa (e não obrigatória) (STF. Plenário. ADI</p><p>2404/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/8/2016).</p><p>Vale ressaltar, no entanto, que a liberdade de expressão, como todo direito ou garantia</p><p>constitucional, exige responsabilidade no seu exercício, de modo que as emissoras deverão</p><p>resguardar, em sua programação, as cautelas necessárias às peculiaridades do público</p><p>infantojuvenil. Logo, a despeito de ser a classificação da programação</p><p>apenas indicativa e não</p><p>proibir a sua veiculação em horários diversos daquele recomendado, cabe ao Poder Judiciário</p><p>controlar eventuais abusos e violações ao direito à programação sadia, previsto no art. 221 da CF.</p><p>Compete ao juízo da recuperação judicial o julgamento de tutela de urgência que tem por</p><p>objetivo antecipar o início do stay period ou suspender os atos expropriatórios determinados</p><p>em outros juízos, antes mesmo de deferido o processamento da recuperação.</p><p>STJ. 2ª Seção. CC 168.000/AL, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 11/12/2019 (Info 663)</p><p>É possível a condenação de emissora de televisão ao pagamento de indenização por danos</p><p>morais coletivos em razão da exibição de filme fora do horário recomendado pelo órgão</p><p>competente desde que verificada a conduta que afronte gravemente os valores e interesses</p><p>coletivos fundamentais.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.463/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 19/11/2019 (Info 663).</p><p>68</p><p>Diante disso, é possível, ao menos em tese, que uma emissora de televisão seja condenada</p><p>ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em razão da exibição de filme fora do</p><p>horário recomendado pelo órgão competente, desde que fique constatado que essa conduta afrontou</p><p>gravemente os valores e interesses coletivos fundamentais.</p><p>ITEM 111</p><p>Texto para a questão:</p><p>Código de Processo Civil - Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em</p><p>liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença</p><p>far-se-á a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de</p><p>15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.</p><p>§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput , o débito será acrescido de multa de</p><p>dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento.</p><p>(…)</p><p>Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do executado ao</p><p>cumprimento de sentença</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>João ingressa com pedido de cumprimento de sentença cobrando determinada quantia de</p><p>Pedro.</p><p>Após ser intimado a pagar, Pedro depositou em juízo o valor da condenação, mas</p><p>apresentou petição narrando que aquilo não era pagamento e sim mera garantia do Juízo para obter</p><p>o efeito suspensivo na futura impugnação.</p><p>Hipótese 1: Pedro, logo em seguida ao ato acima, apresentou impugnação ao cumprimento</p><p>de sentença. A impugnação foi julgada improcedente.</p><p>Pedro terá que pagar a multa de 10% do art. 523, § 1º?</p><p>SIM. Veja: A multa a que se refere o art. 523 do CPC/2015 será excluída apenas se o</p><p>executado depositar voluntariamente a quantia devida em juízo, sem condicionar seu levantamento</p><p>a qualquer discussão do débito.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1803985/SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 12/11/2019.</p><p>STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1435744/SE, Rel. Min. Raul Araújo, j. 28/05/2019.</p><p>Hipótese 2: Pedro depositou em juízo o valor da condenação e apresentou petição narrando</p><p>que aquilo não era pagamento e sim garantia do Juízo. Apesar disso, Pedro não apresentou a</p><p>impugnação.</p><p>Transcorrido o prazo, como o devedor não ingressou com a impugnação, o credor pediu a</p><p>expedição de guia para levantamento do valor depositado, o que foi deferido pelo juiz mediante</p><p>alvará.</p><p>Pedro terá que pagar a multa de 10% do art. 523, § 1º?</p><p>NÃO. Não haverá a incidência da multa mesmo o devedor tendo afirmado que não estava</p><p>pagando. Isso porque para incidir a multa é necessário que haja a efetiva resistência do devedor por</p><p>meio da propositura de impugnação, o que não ocorreu.</p><p>Assim, considerando o depósito efetuado e a ausência de resistência ao cumprimento de</p><p>sentença, não se justifica a incidência da multa. Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC,</p><p>é preciso a efetiva resistência do executado ao cumprimento de sentença.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.834.337/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 03/12/2019 (Info 663).</p><p>Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do</p><p>executado ao cumprimento de sentença</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.834.337/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 03/12/2019 (Info 663).</p><p>69</p><p>ITEM 112</p><p>Não tendo sido prestada garantia real, é desnecessária a citação em ação de execução, como</p><p>litisconsorte passivo necessário, do cônjuge que apenas autorizou seu consorte a prestar aval.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O aval é ato jurídico de prestação de garantia. Destaca-se que o cônjuge que apenas</p><p>autorizou seu consorte a prestar aval, nos termos do art. 1.647 do Código Civil/2002 (outorga</p><p>uxória), não é avalista. Assim, não há falar em litisconsórcio necessário porque o cônjuge do</p><p>avalista não é avalista ou tampouco praticou ato visando à garantia. Dessa forma, não havendo sido</p><p>prestada garantia real, não é necessária a citação do cônjuge como litisconsorte, bastando a mera</p><p>intimação, (art. 10, § 1º, incisos I e II, do CPC/1973).</p><p>ITEM 113</p><p>Na hipótese de revogação do mandato dos patronos da parte no curso da ação, não é possível a</p><p>execução da verba honorária nos próprios autos da demanda extinta em decorrência da sentença</p><p>homologatória de transação firmada entre as partes, a qual não dispôs sobre os honorários.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Recomenda-se a leitura: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-663-stj.pdf</p><p>ITEM 114</p><p>A competência para julgar estelionato que ocorre mediante depósito ou transferência bancária é do</p><p>local da agência beneficiária do depósito ou transferência bancária.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>No caso em que a vítima, induzida em erro, efetuou depósito em dinheiro e/ou transferência</p><p>bancária para a conta de terceiro (estelionatário), a obtenção da vantagem ilícita ocorreu quando o</p><p>estelionatário se apossou do dinheiro, ou seja, no momento em a quantia foi depositada em sua</p><p>conta.</p><p>Não confundir:</p><p>• estelionato que ocorre por meio do saque (ou compensação) de cheque clonado, adulterado</p><p>ou falsificado: a competência é do local onde a vítima possui a conta bancária. Isso porque, nesta</p><p>hipótese, o local da obtenção da vantagem ilícita é aquele em que se situa a agência bancária onde</p><p>foi sacado o cheque adulterado, ou seja, onde a vítima possui conta bancária. Aplica-se o raciocínio</p><p>da súmula 48 do STJ (Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar</p><p>crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.)</p><p>• estelionato que ocorre quando a vítima, induzida em erro, se dispõe a fazer depósitos ou</p><p>Não tendo sido prestada garantia real, é desnecessária a citação em ação de execução, como</p><p>litisconsorte passivo necessário, do cônjuge que apenas autorizou seu consorte a prestar aval.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.475.257/MG, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. 10/12/2019 (Info 663).</p><p>Quando houver sentença homologatória de transação firmada entre as partes e esta não</p><p>dispor sobre os honorários sucumbenciais, a decisão inicial que arbitra os honorários</p><p>advocatícios em execução de título extrajudicial pode ser considerada título executivo.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.819.956/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Marco</p><p>Aurélio Bellizze, j. 10/12/2019 (Info 663).</p><p>Na hipótese em que o estelionato se dá mediante vantagem indevida, auferida mediante o</p><p>depósito em favor de conta bancária de terceiro, a competência deverá ser declarada em</p><p>favor do juízo no qual se situa a conta favorecida.</p><p>STJ. 3ª Seção. CC 169.053/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 11/12/2019 (Info 663).</p><p>70</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-663-stj.pdf</p><p>transferências bancárias para a conta de terceiro (estelionatário): a competência é do local onde o</p><p>estelionatário possui a conta bancária. Isso porque, neste caso, a obtenção da vantagem ilícita ocorre</p><p>quando o estelionatário efetivamente se apossa do dinheiro, ou seja, no momento em que ele é</p><p>depositado em sua conta.</p><p>ITEM 115</p><p>Para que se configure o crime de “atos preparatórios de terrorismo” exige-se que o sujeito tenha</p><p>agido por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito</p><p>de raça, cor, etnia e religião.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A Lei n. 13.260/2016 estabeleceu os tipos penais de terrorismo nos arts. 2º, 3º, 5º e 6º. No</p><p>caso analisado, cinge-se a controvérsia a discutir se a imposição de ato infracional análogo ao art. 5º</p><p>(atos preparatórios de terrorismo) demanda interpretação conjunta com o caput do art. 2º, visto que</p><p>esse último define legalmente o que se entende por terrorismo.</p><p>Verifica-se essencial rememorar que o tipo penal exerce uma imprescindível função de</p><p>garantia. Decorrente do princípio da legalidade, a estrutura semântica da lei incriminadora deve ser</p><p>rigorosamente observada, assim como as suas elementares devem encontrar adequação fática para</p><p>que o comando secundário seja aplicado.</p><p>O tipo penal não traz elementos acidentais, desprezíveis, dispensáveis. Isso posto, a</p><p>adequação típica de conduta como terrorismo demanda que esteja configurada a elementar relativa à</p><p>motivação por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, sob</p><p>pena de não se perfazer a relação de tipicidade.</p><p>O uso da expressão "por razões de" indica uma elementar relativa à motivação. De fato, a</p><p>construção sociológica e a percepção subjetiva individual do ato de terrorismo conjugam motivação</p><p>e finalidade qualificadas, compreensão essa englobada na definição legal. No tocante ao delito do</p><p>art. 5º, verifica-se que funciona como soldado de reserva em relação ao delito de terrorismo. Trata-</p><p>se de criminalização dos atos preparatórios do delito de terrorismo, expressão que remete ao</p><p>dispositivo anterior, exigindo a interpretação sistemática.</p><p>Assim, não se mostra admissível, do ponto de vista hermenêutico, que o delito subsidiário</p><p>tenha âmbito de aplicação diferente do delito principal.</p><p>ITEM 116</p><p>É cabível a realização de audiência de custódia por meio de videoconferência.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A audiência de custódia, no caso de mandado de prisão preventiva cumprido fora do âmbito</p><p>territorial da jurisdição do Juízo que a determinou, deve ser efetivada por meio da condução do</p><p>preso à autoridade judicial competente na localidade em que ocorreu a prisão. Não se admite, por</p><p>ausência de previsão legal, a sua realização por meio de videoconferência, ainda que pelo Juízo que</p><p>decretou a custódia cautelar.</p><p>A tipificação da conduta descrita no art. 5º da Lei Antiterrorismo (atos preparatórios de</p><p>terrorismo) exige a motivação por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de</p><p>raça, cor, etnia e religião, expostas no art. 2º do mesmo diploma legal.</p><p>STJ. 6ª Turma. HC 537.118-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 05/12/2019 (Info 663)</p><p>Não é cabível a realização de audiência de custódia por meio de videoconferência.</p><p>STJ. 3ª Seção. CC 168.522/PR, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 11/12/2019 (Info 663).</p><p>71</p><p>ITEM 117</p><p>Ofende o enunciado do non reformatio in pejus indireta o aumento da pena através de decisão em</p><p>recurso especial interposto pelo Ministério Público contra rejulgamento de apelação que não alterou</p><p>reprimenda do acórdão anterior, que havia transitado em julgado para a acusação e que veio a ser</p><p>anulado por iniciativa exclusiva da defesa.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Exemplo: sentença condenou o réu a 10 anos de reclusão. Defesa apelou. Tribunal de</p><p>Justiça reduziu a pena para 9 anos. Essa decisão transitou em julgado para ambas as partes. Defesa</p><p>impetrou habeas corpus junto ao STJ, que concedeu a ordem para anular o acórdão do TJ por</p><p>ausência de prévia intimação. TJ rejulgou a apelação e manteve a condenação, fixando a pena em 9</p><p>anos (como na primeira vez). Contra este segundo acórdão o Ministério Público interpôs recurso</p><p>especial. STJ deu provimento ao Resp para aumentar a pena do réu para 10 anos (como na</p><p>sentença). Essa decisão do STJ violou o princípio da non reformatio in pejus indireta considerando</p><p>que colocou o sentenciado em situação pior do que aquela que ele tinha antes do habeas corpus.</p><p>Desse modo, deve ser afastado o acréscimo da pena (10 anos), restabelecendo-se o segundo acórdão</p><p>proferido pelo Tribunal de Justiça no julgamento do recurso de apelação (9 anos).</p><p>ITEM 118</p><p>A Defensoria Pública da União só pode atuar nos processos das Defensorias Públicas estaduais se a</p><p>respectiva Defensoria Pública estadual não tiver representação em Brasília e não tiver aderido ao</p><p>Portal de Intimações Eletrônicas do STJ.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O STJ indeferiu pedido da DPU para, em substituição à Defensoria Pública de Alagoas,</p><p>atuar em recurso especial sob o argumento de que a Defensoria Estadual não possui representação</p><p>em Brasília. Isso porque, embora a DPE/AL não possua espaço físico em Brasília, ela aderiu ao</p><p>Portal de Intimações Eletrônicas do STJ e, portanto, pode atuar normalmente no processo a partir de</p><p>sua sede local.</p><p>A DPU só pode atuar nos processos das Defensorias Públicas estaduais se a respectiva</p><p>Defensoria Pública estadual:</p><p>• não tiver representação em Brasília; e</p><p>• não tiver aderido ao Portal de Intimações Eletrônicas do STJ.</p><p>ITEM 119</p><p>A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, pode ser submetida à cláusula</p><p>compromissória arbitral prevista no Estatuto Social da Companhia.</p><p>Ofende o enunciado do non reformatio in pejus indireta o aumento da pena através de</p><p>decisão em recurso especial interposto pelo Ministério Público contra rejulgamento de</p><p>apelação que não alterou reprimenda do acórdão anterior, que havia transitado em julgado</p><p>para a acusação e que veio a ser anulado por iniciativa exclusiva da defesa.</p><p>STJ. 3ª Seção. RvCr 4.853/SC, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador</p><p>Convocado do TJ/PE), j. 27/11/2019 (Info 663).</p><p>É inviável o acolhimento do requerimento formulado pela DPU para assistir parte em</p><p>processo que tramita no STJ nas hipóteses em que a Defensoria Pública Estadual atuante</p><p>possui representação em Brasília ou aderiu ao portal de intimações eletrônicas.</p><p>STJ. 5ª Turma. PET no AREsp 1.513.956/AL, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j.</p><p>17/12/2019 (Info 664).</p><p>72</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Pretensão dos acionistas de serem indenizados pela União e pela Petrobrás pelos prejuízos</p><p>causados em decorrência da desvalorização dos ativos da Companhia, por conta da Lava Jato,</p><p>deverá ser ajuizada na Justiça Federal de 1ª instância (e não por arbitragem).</p><p>Caso concreto: um grupo de acionistas da Petrobrás formulou requerimento para</p><p>instauração de procedimento arbitral perante a Câmara de Arbitragem do Mercado</p><p>(CAMBOVESPA) contra a União e a Petrobrás, no qual pedem o ressarcimento pelos prejuízos</p><p>decorrentes da desvalorização dos ativos da Petrobras, em razão dos desgastes oriundos da</p><p>Operação Lava Jato.</p><p>O procedimento foi instaurado com base no art. 58 do Estatuto Social da Petrobrás, onde</p><p>consta uma cláusula compromissória dizendo que as disputas que envolvam a Companhia, seus</p><p>acionistas, administradores e conselheiros fiscais deverão ser resolvidas por meio de arbitragem.</p><p>A União afirmou que não estava obrigada a participar dessa arbitragem, argumento que foi</p><p>acolhido pelo STJ.</p><p>ITEM 120</p><p>Proprietário que aceita que seu bem de família sirva como garantia de um contrato de alienação</p><p>fiduciária em garantia não pode, posteriormente, alegar que esse ato de disposição foi ilegal.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A utilização abusiva do direito à proteção do bem de família viola o princípio da boa-fé</p><p>objetiva e, portanto, não deve ser tolerada. Assim, deve ser afastado o benefício conferido ao titular</p><p>do bem de família que exerce o direito em desconformidade com o ordenamento jurídico.</p><p>ITEM 121</p><p>A ação de despejo não exige a formação de litisconsórcio ativo necessário.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Quando há diversos locatários para um mesmo imóvel, este STJ entendeu pela existência de</p><p>litisconsórcio passivo necessário, devendo haver a citação de todos os locatários para o devido</p><p>processamento da ação.</p><p>Por outro lado, parece não subsistir os motivos que conduzam à necessidade de formação de</p><p>litisconsórcio ativo necessário, quando da multiplicidade de locadores. Isso</p><p>porque, em primeiro</p><p>lugar, não há que se mencionar o intuito protetivo do instituto com relação aos proprietários do</p><p>A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, não pode ser submetida à</p><p>cláusula compromissória arbitral prevista no Estatuto Social da Companhia, seja em razão</p><p>da ausência de lei autorizativa, seja em razão do próprio conteúdo da norma estatutária.</p><p>STJ. 2ª Seção. CC 151.130/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, j,</p><p>27/11/2019 (Info 664).</p><p>A proteção legal conferida ao bem de família pela Lei nº 8.009/90 não pode ser afastada por</p><p>renúncia do devedor ao privilégio, pois é princípio de ordem pública, prevalente sobre a</p><p>vontade manifestada.</p><p>A despeito disso, o bem de família legal não gera inalienabilidade. Logo, é possível que o</p><p>proprietário pratique atos de disposição dele, podendo, por exemplo, oferecê-lo como objeto</p><p>de alienação fiduciária em garantia.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.595.832/SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 29/10/2019 (Info 664).</p><p>A ação de despejo não exige a formação de litisconsórcio ativo necessário.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.737.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 04/02/2020 (Info 664).</p><p>73</p><p>imóvel, que certamente prescindem dessa garantia. Ademais, o art. 114 do CPC/2015 afirma a regra</p><p>geral quanto à formação do litisconsórcio, a qual fica restrita à necessidade de citação de todos para</p><p>a eficácia da sentença.</p><p>Por sua vez, o art. 2º, caput, da Lei de Locações estipula uma regra de direito material com</p><p>relação à solidariedade, ao dispor que: "Havendo mais de um locador ou mais de um locatário,</p><p>entende-se que são solidários se o contrário não se estipulou". No entanto, é cediço que da</p><p>solidariedade não se extrai, como consequência necessária, a formação de litisconsórcio necessário</p><p>para a resolução deste conflito.</p><p>De fato, acerca do tema do litisconsórcio ativo necessário, este Tribunal Superior já se</p><p>manifestou no sentido de que sua aceitação deve ocorrer apenas em situações excepcionalíssimas,</p><p>em razão da potencial ofensa ao direito constitucional de ação e de acesso à justiça.</p><p>No entanto, tratando-se de condomínio, deve-se aplicar à hipótese a regra insculpida no art.</p><p>1.314 do CC/2002, segundo a qual "cada condômino pode usar da coisa conforme sua destinação,</p><p>sobre ela exercer todos os direitos compatíveis com a indivisão, reivindicá-la de terceiro, defender a</p><p>sua posse e alhear a respectiva parte ideal, ou gravá-la" e, assim, permitir que um dos condôminos</p><p>colocadores exerça a prerrogativa de encerrar o contrato de locação.</p><p>Dessa forma, não há razão para que se inclua entre as situações excepcionais para a</p><p>formação do litisconsórcio ativo necessário o pedido de despejo por encerramento do contrato de</p><p>locação.</p><p>ITEM 122</p><p>É nula a cláusula de convenção do condomínio outorgada pela própria construtora que prevê a</p><p>redução da taxa condominial das suas unidades imobiliárias ainda não comercializadas.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Caso concreto: a convenção de condomínio previu que a construtora – proprietária das</p><p>unidades imobiliárias ainda não comercializadas – precisaria pagar apenas 30% do valor da taxa</p><p>condominial por unidade. Assim, enquanto os demais condôminos pagariam 100% da quota</p><p>condominial, a construtora teria que pagar apenas 30% por unidade.</p><p>O STJ considerou que essa cláusula é nula.</p><p>A convenção outorgada pela construtora/incorporadora não pode estabelecer benefício de</p><p>caráter subjetivo a seu favor com a finalidade de reduzir ou isentar do pagamento da taxa</p><p>condominial.</p><p>A taxa condominial é fixada de acordo com a previsão orçamentária de receitas e de</p><p>despesas, bem como para constituir o fundo de reserva com a finalidade de cobrir eventuais gastos</p><p>de emergência.</p><p>A redução ou isenção da quota condominial a favor de um ou vários condôminos implica</p><p>oneração aos demais, com evidente violação da regra da proporcionalidade prevista no inciso I do</p><p>art. 1.334 do CC/2002.</p><p>ITEM 123</p><p>A concessão de guarda do menor implica automática destituição do poder-dever familiar dos pais</p><p>para representá-lo em juízo.</p><p>É nula a cláusula de convenção do condomínio outorgada pela própria construtora que</p><p>prevê a redução da taxa condominial das suas unidades imobiliárias ainda não</p><p>comercializadas</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.816.039/MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 04/02/2020 (Info</p><p>664).</p><p>74</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A representação legal do filho menor, que é uma das vertentes do pleno exercício do poder</p><p>familiar, deverá ser exercida, em regra, pelos pais, ressalvadas as hipóteses de destituição do poder</p><p>familiar, quando ausentes ou impossibilitados os pais de representar adequadamente o menor ou</p><p>quando houver colisão de interesses entre pais e filhos.</p><p>Entretanto, o fato de ter sido concedida a guarda permanente a terceiro que não compõe o</p><p>núcleo familiar não implica em automática destituição – ou em injustificada restrição – do exercício</p><p>do poder familiar pela genitora, sobretudo porque medida dessa espécie não prescinde de cognição</p><p>exauriente em ação a ser proposta especificamente para essa finalidade.</p><p>Assim, não havendo nenhum óbice ao ajuizamento da ação investigatória de paternidade</p><p>pelo menor representado pela genitora, descabe a propositura da referida ação pela guardiã,</p><p>ressalvada a possibilidade de, na inércia da genitora, a ação ser proposta pelo Ministério Público e,</p><p>excepcionalmente, até mesmo pela própria guardiã, desde que presentes circunstâncias excepcionais</p><p>que justifiquem a concessão a ela de poderes de representação judicial.</p><p>ITEM 124</p><p>Ainda que tenha renunciado a herança, subsiste a legitimidade para se pleitear eventual nulidade de</p><p>negócio jurídico que envolva um dos bens que integram o patrimônio do de cujus.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Diferentemente da informalidade do ato de aceitação da herança, a renúncia a ela, como</p><p>exceção à regra, exige a forma expressa, cuja solenidade deve constar de instrumento público ou</p><p>por termos nos autos (art. 1807 do Código Civil), ocorrendo a sucessão como se o renunciante</p><p>nunca tivesse existido, acrescendo-se sua porção hereditária a dos outros herdeiros da mesma</p><p>classe.</p><p>Além disso, a renúncia e a aceitação à herança são atos jurídicos puros não sujeitos a</p><p>elementos acidentais. Essa é a regra estabelecida no caput do art. 1808 do Código Civil, segundo o</p><p>qual não se pode aceitar ou renunciar a herança em partes, sob condição (evento futuro incerto) ou</p><p>termo (evento futuro e certo).</p><p>No caso, a renúncia realizou-se nos termos da legislação de regência, produzindo todos os</p><p>seus efeitos: a) ocorreu após a abertura da sucessão, antes que os herdeiros aceitassem a herança,</p><p>mesmo que presumidamente, nos termos do art. 1807 do CC/2002; b) observou-se a forma por</p><p>escritura pública, c) por agentes capazes, havendo de se considerar que os efeitos advindos do ato se</p><p>verificaram.</p><p>Diante desse cenário, os renunciantes não têm interesse na decretação de nulidade ou</p><p>anulação do negócio jurídico, que, segundo alegam, realizou-se à margem do ordenamento, tendo</p><p>em vista que, fosse considerado nulo o negócio, retornando o bem ao patrimônio da falecida irmã, a</p><p>cuja herança renunciaram, nenhum proveito teriam com a nova situação.</p><p>Nessa linha, perfeita a renúncia, considera-se como se nunca tivessem existido os</p><p>renunciantes, não remanescendo nenhum direito sobre o bem objeto do negócio acusado de nulo,</p><p>nem sobre bem algum do patrimônio.</p><p>A concessão de guarda do menor não implica automática destituição do poder-dever familiar</p><p>dos pais para representá-lo em juízo.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.761.274/DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 04/02/2020 (Info 664).</p><p>Aquele que renuncia a herança não tem legitimidade para pleitear eventual nulidade de</p><p>negócio jurídico que envolva um dos bens que integram o patrimônio do de cujus.</p><p>STF. 1ª Turma.</p><p>75</p><p>ITEM 125</p><p>A sanção de restituição em dobro, prevista no art. 940 do Código Civil, não pode ser aplicada a</p><p>casos envolvendo consumidor.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Em caso de cobrança</p><p>não pode ser efetuada</p><p>senão por norma inserida em Constituição</p><p>Estadual.</p><p>67. As disposições da LRF que exigem, para o</p><p>aumento de gastos tributários indiretos e</p><p>despesas obrigatórias de caráter continuado, as</p><p>est imativas de impacto orçamentário</p><p>financeiro e a compatibilidade com a LDO,</p><p>não se aplicam durante o estado de calamidade</p><p>pública decorrente do coronavírus.</p><p>68. É constitucional a previsão legal de</p><p>presunção de vínculo entre a incapacidade do</p><p>segurado e suas atividades profissionais</p><p>quando constatada pela Previdência Social a</p><p>presença do nexo técnico epidemiológico entre</p><p>o trabalho e o agravo.</p><p>69. O STF declarou inconstitucional a medida</p><p>provisória que restringia a possibilidade de</p><p>responsabilização dos agentes públicos por</p><p>atos relacionados com a pandemia.</p><p>70. É constitucional a suspensão do exercício</p><p>profissional em razão do inadimplemento de</p><p>anuidades devidas à entidade de classe.</p><p>71. O sujeito ativo da obrigação tributária de</p><p>ICMS incidente sobre mercadoria importada é</p><p>o Estado-membro no qual está domiciliado ou</p><p>estabelecido o destinatário legal da operação.</p><p>72. Conforme o STF, a demanda de potência</p><p>elétrica é passível, por si só, de tributação via</p><p>ICMS.</p><p>73. É inconstitucional lei estadual que afasta as</p><p>exigências de revalidação de diploma obtido</p><p>em instituições de ensino superior de outros</p><p>7</p><p>países para a concessão de benefícios e</p><p>progressões a servidores públicos.</p><p>74. O Poder Judiciário não pode determinar</p><p>medidas de constrição sobre verbas destinadas</p><p>à educação.</p><p>75. Por se manterem com recursos públicos, as</p><p>Unidades Descentralizadas de Educação,</p><p>entidades voltadas ao incremento de funções</p><p>relacionadas à educação, submete-se ao regime</p><p>de precatórios.</p><p>76. Por caracterizar violação ao pacto</p><p>federativo, Constituição Estadual não pode</p><p>dispor sobre o número de conselheiros</p><p>integrantes de Tribunal de Contas do</p><p>Município, órgão integrante da esfera</p><p>municipal.</p><p>77. É vedado à legislação estadual submeter à</p><p>aprovação prévia da Assembleia Legislativa a</p><p>nomeação de interventores de municípios.</p><p>78. De acordo com o STF, procuradores</p><p>públicos não têm capacidade postulatória para</p><p>interpor recursos extraordinários contra</p><p>acórdãos proferidos em sede de ação de</p><p>controle concentrado de constitucionalidade,</p><p>salvo nas hipóteses em que o legitimado para a</p><p>causa outorgue poderes aos subscritores das</p><p>peças recursais.</p><p>79. O adicional de riscos devido ao trabalhador</p><p>com vínculo permanente não se extende ao</p><p>trabalhador portuário avulso.</p><p>80. O Supremo Tribunal Federal tem a</p><p>prerrogativa de instaurar inquéritos para apurar</p><p>infração à lei penal na sede ou dependência do</p><p>Tribunal.</p><p>81. Situação hipotética: João, servidor</p><p>público efetivo do Município X, onde não foi</p><p>instituído regime próprio de previdência,</p><p>requereu sua aposentadoria. Devidamente</p><p>aposentado, João, invocando o direito a</p><p>percepção simultânea de vencimentos de cargo</p><p>público com provento de aposentadoria,</p><p>requereu sua reintegração no mesmo cargo em</p><p>que se aposentou.</p><p>De acordo com a jurisprudência do STF, a</p><p>pretensão de João não encontra amparo na</p><p>Constituição.</p><p>82. Os órgãos de segurança pública, previstos</p><p>n o a r t . 1 4 4 d a C F, e n c e r r a m r o l</p><p>exemplificativo, de forma que os Estados</p><p>federados possuem liberdade para, em suas</p><p>respectivas Constituições, inserir outros órgãos</p><p>na lista, desde que haja correlação lógica com</p><p>as funções desempenhadas.</p><p>83. É inconstitucional o dispositivo da</p><p>LOMAN segundo o qual apenas os</p><p>desembargadores mais antigos possam</p><p>concorrer aos cargos diretivos dos tribunais,</p><p>devendo a matéria, em razão da autonomia</p><p>consagrada na Constituição Federal, ser</p><p>remetida à disciplina regimental de cada</p><p>tribunal.</p><p>84. José, estrangeiro, após cometer um ato que</p><p>ensejaria sua expulsão do país, decidiu adotar</p><p>uma criança. Finalizado o procedimento e</p><p>comprovado que o menor encontra-se sob</p><p>guarda do estrangeiro, bem dependente</p><p>financeiramente deste, não se admite o ato de</p><p>expulsão.</p><p>85. Ação Civil de perda de cargo de Promotor</p><p>de Justiça cuja causa de pedir não esteja</p><p>vinculada a ilícito capitulado na Lei de</p><p>Improbidade Administrativa deve ser julgada</p><p>pelo Tribunal de Justiça.</p><p>86. Em ação de desapropriação indireta é</p><p>incabível reparação decorrente de limitações</p><p>administrativas.</p><p>87. Não é possível, no procedimento de</p><p>credenciamento, o estabelecimento de critérios</p><p>de classificação para a escolha de licitantes.</p><p>88. Em regra, o autor pode ajuizar a ação</p><p>popular no foro de seu domicílio, mesmo que</p><p>o dano tenha ocorrido em outro local.</p><p>Entretanto, podem haver peculiaridades que</p><p>imponham o dever de julgamento pelo juízo</p><p>do local do fato.</p><p>89. Situação hipotética: segurado, que havia</p><p>contratado seguro de vida em 08/03/2015,</p><p>cometeu suicídio em 08/03/2015. Restou</p><p>comprovado que o ato não foi premeditado.</p><p>Superior Tribunal de Justiça - STJ</p><p>Informativos 662 à 673</p><p>8</p><p>Nesse caso, entende o STJ que o beneficiário</p><p>do seguro não faz jus à indenização.</p><p>90. Autarquia que seja criada para prestar</p><p>serviços de saúde suplementar para os</p><p>servidores públicos e seus dependentes não se</p><p>sujeita às regras da Lei dos Planos de Saúde.</p><p>91. É válida a cláusula que prevê o pagamento</p><p>antecipado da indenização devida ao</p><p>representante comercial no caso de rescisão</p><p>injustificada do contrato pela representada.</p><p>92. A ação de habilitação retardatária de</p><p>crédito deve ser ajuizada até a prolação da</p><p>decisão de encerramento do processo</p><p>recuperacional.</p><p>93. Em se tratando de aclaratórios opostos a</p><p>acórdão que julga agravo de instrumento, a</p><p>aplicação da técnica de julgamento ampliado</p><p>somente ocorrerá se os embargos de</p><p>declaração forem acolhidos para modificar o</p><p>julgamento originário do magistrado de</p><p>primeiro grau que houver proferido decisão</p><p>parcial de mérito.</p><p>94. O distinguishing, previsto no art. 1.037, §§</p><p>9º e 13, do CPC/2015, aplica-se também ao</p><p>incidente de resolução de demandas repetitivas</p><p>- IRDR.</p><p>95. Se a dissolução irregular ocorreu antes da</p><p>citação da pessoa jurídica o prazo de 5 anos</p><p>para redirecionamento será contado da</p><p>diligência de sua citação.</p><p>96. O MPF não possui legitimidade para</p><p>propor ação civil pública a fim de debater a</p><p>cobrança de encargos bancários supostamente</p><p>abusivos praticados por instituições financeiras</p><p>privadas.</p><p>97. Texto para a questão:</p><p>Código Penal - Art. 97. Se o agente for</p><p>inimputável, o juiz determinará sua internação</p><p>(art. 26). Se, todavia, o fato previsto como</p><p>crime for punível com detenção, poderá o juiz</p><p>submetê-lo a tratamento ambulatorial.</p><p>Segundo o STJ, na aplicação do art. 97 do CP</p><p>deve ser considerada a natureza da pena</p><p>privativa de liberdade aplicável e não a</p><p>periculosidade do agente.</p><p>98. Para o STJ, a reincidência de que trata o §</p><p>4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de</p><p>Drogas) é a específica.</p><p>99. Quando na sentença condenatória não</p><p>tenha constado expressamente que o réu é</p><p>reincidente, o juízo da execução penal não</p><p>poderá reconhecer essa circunstância para fins</p><p>de conceder ou não os benefícios.</p><p>100. Situação hipotética: João e Carla são</p><p>casados. Eles fizeram uma declaração conjunta</p><p>do imposto de renda. Ocorre que não se</p><p>declarou que Carla recebeu R$ 10 mil por</p><p>serviços prestados para uma determinada</p><p>empresa. Houve, portanto, omissão de</p><p>rendimentos recebidos. Ao detectar a omissão,</p><p>a Receita Federal fez lançamento de auto de</p><p>infração contra Carla e João.</p><p>Foi legítima a atuação da Receita Federal</p><p>nesse caso.</p><p>101. A isenção de quota condominial do</p><p>síndico configura renda para fins de incidência</p><p>do Imposto de Renda de Pessoa Física.</p><p>102. Aposentado pode pedir revisão para</p><p>incluir salários anteriores a 1994 no cálculo do</p><p>benefício.</p><p>103. Médicos estrangeiros , desde que</p><p>cooperados, possuem direito adquirido de</p><p>permanecer no Projeto Mais Médicos.</p><p>104. Em regra, é válida a cláusula de reajuste</p><p>por faixa etária em contrato de seguro de vida.</p><p>105. A fixação de determinado valor a ser</p><p>recebido mensalmente pelo herdeiro a título de</p><p>adiantamento</p><p>judicial indevida, é possível aplicar a sanção prevista no art. 940 do</p><p>Código Civil mesmo sendo uma relação de consumo.</p><p>O art. 940 do CC e o art. 42 do CDC incidem em hipóteses diferentes, tutelando, cada um</p><p>deles, uma situação específica envolvendo a cobrança de dívidas pelos credores.</p><p>Mesmo diante de uma relação de consumo, se inexistentes os pressupostos de aplicação do</p><p>art. 42, parágrafo único, do CDC, deve ser aplicado o sistema geral do Código Civil, no que couber.</p><p>O art. 940 do CC é norma complementar ao art. 42, parágrafo único, do CDC e, no caso, sua</p><p>aplicação está alinhada ao cumprimento do mandamento constitucional de proteção do consumidor.</p><p>ITEM 126</p><p>O cômputo do período de dois anos de exercício da atividade econômica, para fins de recuperação</p><p>judicial, aplicável ao produtor rural, inclui aquele anterior ao registro do empreendedor.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O art. 48 da Lei nº 11.101/2005 elenca requisitos que deverão ser cumpridos pelo devedor</p><p>para que ele possa requerer recuperação judicial.</p><p>O primeiro requisito é a previsão de que o devedor deverá estar exercendo regularmente</p><p>suas atividades há, no mínimo, 2 anos no momento do pedido.</p><p>O cômputo do período de dois anos de exercício da atividade econômica, para fins de</p><p>recuperação judicial, nos termos do art. 48 da Lei nº 11.101/2005, aplicável ao produtor rural, inclui</p><p>aquele anterior ao registro do empreendedor.</p><p>O produtor rural, por não ser empresário sujeito a registro, está em situação regular, mesmo</p><p>ao exercer atividade econômica agrícola antes de sua inscrição, por ser esta, para ele, facultativa.</p><p>Assim, para o empreendedor rural, o registro, por ser facultativo, tem o efeito constitutivo</p><p>de equipará-lo, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro, sendo tal efeito apto a</p><p>retroagir (ex tunc), pois a condição regular de empresário já existia antes mesmo do registro.</p><p>Logo, para cumprir os 2 anos exigidos por lei, o produtor rural pode aproveitar o período</p><p>anterior ao registro, pois já naquela época ele estava exercendo regularmente atividade empresarial.</p><p>ITEM 127</p><p>O requerimento de inclusão do nome do executado em cadastros de inadimplentes, nos termos do</p><p>que dispõe o art. 782, § 3º, do CPC/2015, depende da comprovação de prévia recusa administrativa</p><p>das entidades mantenedoras do respectivo cadastro.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A cobrança judicial indevida de dívida oriunda de relação de consumo admite a aplicação da</p><p>sanção prevista no art. 940 do Código Civil.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.645.589/MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 04/02/2020 (Info</p><p>664)</p><p>O cômputo do período de dois anos de exercício da atividade econômica, para fins de</p><p>recuperação judicial, nos termos do art. 48 da Lei n. 11.101/2005, aplicável ao produtor</p><p>rural, inclui aquele anterior ao registro do empreendedor.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.800.032/MT, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, j.</p><p>05/11/2019 (Info 664).</p><p>76</p><p>O § 3º do art. 782 do CPC/2015 prevê que o juiz, a requerimento da parte, pode determinar</p><p>a inclusão do nome do executado nos cadastros de inadimplentes (exs: SPC/SERASA).</p><p>Embora o magistrado não esteja obrigado a deferir o pedido de inclusão do nome do</p><p>executado no cadastro de inadimplentes, visto que a norma do art. 782, § 3º, do CPC/2015 não trata</p><p>de uma imposição legal, mas mera faculdade atribuída ao juiz da causa, não se revela idôneo</p><p>condicionar a referida medida à prévia recusa administrativa das entidades mantenedoras do</p><p>respectivo cadastro.</p><p>Assim, o credor pode requerer essa providência diretamente ao juízo, não sendo necessário</p><p>comprovar que este pedido foi feito antes, extrajudicialmente, para as entidades mantenedoras do</p><p>cadastro e que elas recusaram.</p><p>ITEM 128</p><p>Tratando-se de condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais, exige-se do cônjuge meeiro</p><p>que não integrou a relação processual da lide originária, para sua desoneração, a comprovação de</p><p>que a dívida executada não foi contraída em benefício do casal ou da família.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Nos termos do art. 655-B do CPC/1973, incluído pela Lei n. 11.382/2006, havendo penhora</p><p>de bem indivisível, a meação do cônjuge alheio à execução deve recair sobre o produto da alienação</p><p>do bem.</p><p>Para impedir que a penhora recaia sobre a sua meação, o cônjuge meeiro deve comprovar</p><p>que a dívida executada não foi contraída em benefício da família.</p><p>Tratando-se de dívida proveniente da condenação ao pagamento de honorários</p><p>sucumbenciais em demanda da qual o cônjuge meeiro não participou, é inegável o direito deste à</p><p>reserva de sua meação.</p><p>Os honorários advocatícios consagram direito do advogado contra a parte que deu causa ao</p><p>processo, não se podendo exigir do cônjuge meeiro, que não integrou a relação processual da lide</p><p>originária, a comprovação de que a dívida executada não foi contraída em benefício do casal ou da</p><p>família.</p><p>Nesse contexto, não tem nenhuma relevância para a solução da causa saber se o cônjuge</p><p>meeiro obteria ou não proveito econômico em caso de procedência da ação proposta em juízo, salvo</p><p>se estivesse o advogado do próprio autor da referida demanda a cobrar os honorários contratuais</p><p>pelos serviços prestados.</p><p>ITEM 129</p><p>Pratica o crime de peculato-desvio o Governador que determina que os valores descontados dos</p><p>contracheques dos servidores para pagamento de empréstimo consignado não sejam repassados ao</p><p>banco, mas sim utilizados para quitação de dívidas do Estado.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O requerimento de inclusão do nome do executado em cadastros de inadimplentes, nos</p><p>termos do que dispõe o art. 782, § 3º, do CPC/2015, não depende da comprovação de prévia</p><p>recusa administrativa das entidades mantenedoras do respectivo cadastro.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.835.778/PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 04/02/2020 (Info 664).</p><p>Tratando-se de condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais, não é possível exigir</p><p>do cônjuge meeiro, que não integrou a relação processual da lide originária, a comprovação</p><p>de que a dívida executada não foi contraída em benefício do casal ou da família.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.670.338/RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 04/02/2020 (Info</p><p>664).</p><p>77</p><p>Peculato-desvio é crime formal para cuja consumação não se exige que o agente público ou</p><p>terceiro obtenha vantagem indevida mediante prática criminosa, bastando a destinação diversa</p><p>daquela que deveria ter o dinheiro.</p><p>Caso concreto: diversos servidores estaduais possuíam empréstimos consignados. Assim,</p><p>todos os meses a Administração Pública estadual fazia o desconto das parcelas do empréstimo da</p><p>remuneração dos servidores e repassava a quantia ao banco que concedeu o mútuo.</p><p>Ocorre que o Governador do Estado determinou ao Secretário de Planejamento que</p><p>continuasse a descontar mensalmente os valores do empréstimo consignado, no entanto, não mais</p><p>os repassasse ao banco, utilizando essa quantia para pagamento das dívidas do Estado. Esta conduta</p><p>configurou o crime de peculato-desvio (art. 312 do CP), gerando a condenação do Governador, com</p><p>a determinação, inclusive, de perda do cargo (art. 92, I, do CP).</p><p>ITEM 130</p><p>Na portaria de instauração do PAD não é necessário que seja feita uma exposição detalhada dos</p><p>fatos que serão apurados.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 131</p><p>É possível penhorar o bem de família com base no inciso IV do art. 3º da Lei 8.009/90 se o débito</p><p>de natureza tributária está relacionado com outro imóvel que pertencia ao devedor.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV,</p><p>da Lei nº 8.009/90 é preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do próprio imóvel</p><p>que se pretende penhorar.</p><p>Exemplo: João celebrou com Pedro contrato de “permuta de imóveis urbanos”. Ficou</p><p>acertado que João transmitiria a propriedade de sua casa para Pedro e, em troca, Pedro faria a</p><p>transferência de seu apartamento a João. Ficou consignado que cada parte iria transmitir o imóvel</p><p>sem quaisquer</p><p>dívidas tributárias. Depois da permuta e da transferência da posse, Pedro constatou</p><p>que a casa cedida por João possuía débitos de IPTU. Para regularizar a situação, Pedro quitou essas</p><p>dívidas. Em seguida, Pedro ajuizou ação contra João pedindo o ressarcimento desses valores</p><p>considerando que houve um descumprimento do contrato neste ponto. O pedido foi julgado</p><p>procedente. No cumprimento de sentença, Pedro pediu a penhora do apartamento que, depois da</p><p>O administrador que desconta valores da folha de pagamento dos servidores públicos para</p><p>quitação de empréstimo consignado e não os repassa a instituição financeira pratica</p><p>peculato-desvio, sendo desnecessária a demonstração de obtenção de proveito próprio ou</p><p>alheio, bastando a mera vontade de realizar o núcleo do tipo.</p><p>STJ. Corte Especial. APn 814/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min. João</p><p>Otávio de Noronha, j. 06/11/2019 (Info 664).</p><p>Súmula 641-STJ: A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde</p><p>da exposição detalhada dos fatos a serem apurados.</p><p>STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020, DJe 19/02/2020.</p><p>Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV,</p><p>da Lei n. 8.009/1990 é preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do</p><p>próprio imóvel que se pretende penhorar.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.332.071/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 18/02/2020 (Info 665)</p><p>78</p><p>permuta, passou a pertencer a João e que é seu bem de família. Essa penhora não pode ser deferida</p><p>porque não se enquadra no inciso IV do art. 3º da Lei:</p><p>Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal,</p><p>previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: IV - para cobrança de impostos,</p><p>predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar;</p><p>Pode-se apontar três argumentos principais:</p><p>• A dívida era referente a outro imóvel (e não ao que se pretende penhorar).</p><p>• Não se está cobrando um imposto devido em função do imóvel; o que se está pleiteando é</p><p>o ressarcimento decorrente de inadimplemento contratual.</p><p>• As hipóteses de exceção à regra da impenhorabilidade do bem de família são taxativas,</p><p>não comportando interpretação extensiva.</p><p>ITEM 132</p><p>No seguro de vida em grupo, há abusividade na cláusula que permite a não renovação do contrato</p><p>ou a renovação condicionada a reajuste por faixa etária.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A função econômica do seguro de vida é socializar riscos entre os segurados e, nessa linha,</p><p>o prêmio exigido pela seguradora por cada segurado é calculado de acordo com a probabilidade de</p><p>ocorrência do evento danoso. Em contrapartida, na hipótese de ocorrência do sinistro, será pago ao</p><p>segurado, ou a terceiros beneficiários, certa prestação pecuniária.</p><p>Em se tratando de seguros de pessoas, nos contratos individuais, vitalícios ou plurianuais,</p><p>haverá formação de reserva matemática vinculada a cada participante. Na modalidade coletiva, o</p><p>regime financeiro é o de repartição simples, não se relacionando ao regime de capitalização.</p><p>Assim, é legal a cláusula de não renovação dos seguros de vida em grupo, contratos não</p><p>vitalícios por natureza, uma vez que a cobertura do sinistro se dá em contraprestação ao pagamento</p><p>do prêmio pelo segurado, no período determinado de vigência da apólice, não ocorrente, na espécie,</p><p>a constituição de poupança ou plano de previdência privada.</p><p>Dessa forma, a permissão para não renovação dos seguros de vida em grupo ou a renovação</p><p>condicionada a reajuste que considere a faixa etária do segurado, quando evidenciado o aumento do</p><p>risco do sinistro, é compatível com o regime de repartição simples, ao qual aqueles pactos são</p><p>submetidos e contribui para a viabilidade de sua existência, prevenindo, a médio e longo prazos,</p><p>indesejável onerosidade ao conjunto de segurados.</p><p>A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a</p><p>ambas as partes do contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária do</p><p>segurado, mediante prévia notificação, não configuram abusividade e não exigem comprovação do</p><p>desequilíbrio atuarial-financeiro.</p><p>ITEM 133</p><p>O arrendatário é o responsável final pelo pagamento das despesas, junto a pátio privado, com a</p><p>remoção e a estadia do automóvel apreendido em ação de reintegração de posse.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>No seguro de vida em grupo, não há abusividade na cláusula que permite a não renovação do</p><p>contrato ou a renovação condicionada a reajuste por faixa etária.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.769.111/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 10/12/2019 (Info 665)</p><p>O arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas, junto a pátio privado, com</p><p>a remoção e a estadia do automóvel apreendido em ação de reintegração de posse.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.828.147-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2020 (Info 665).</p><p>79</p><p>O arrendante é responsável pelo pagamento das despesas de remoção e estadia de veículo</p><p>em pátio de propriedade privada quando a apreensão do bem ocorreu por ordem judicial no bojo de</p><p>ação de reintegração de posse por ele ajuizada em desfavor do arrendatário que se tornou</p><p>inadimplente.</p><p>Enquanto perdurar o arrendamento mercantil, o arrendante é o seu proprietário.</p><p>As despesas decorrentes do depósito do veículo em pátio privado referem-se ao próprio</p><p>bem, ou seja, constituem obrigações propter rem. Isso significa dizer que as despesas com a</p><p>remoção e a guarda dos veículos objeto de contrato de arrendamento mercantil estão vinculadas ao</p><p>bem e a seu proprietário, isto é, ao arrendante.</p><p>Assim, o arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas com a estadia do</p><p>automóvel junto a pátio privado, pois permanece na propriedade do bem alienado enquanto</p><p>perdurar o pacto de arrendamento mercantil.</p><p>ITEM 134</p><p>O rol de procedimentos e eventos em saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS não</p><p>é meramente exemplificativo.</p><p>Gabarito: DIVERGÊNCIA (conta como nula)</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 135</p><p>Se a matriz havia sido condenada a publicar contrapropaganda, mas encerrou suas atividades, essa</p><p>condenação poderá ser redirecionada para a filial.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Quem deverá pagar as despesas com a remoção e estadia do carro apreendido?</p><p>ALIENAÇÃO</p><p>FIDUCIÁRIA</p><p>1) Veículo apreendido em ação de busca e apreensão por inadimplemento contratual: o</p><p>credor-fiduciário (ex: banco)</p><p>2) Veículo apreendido por infração de trânsito: o credor-fiduciário</p><p>ARRENDAMENTO</p><p>MERCANTIL</p><p>1) Veículo apreendido em ação de reintegração de posse por inadimplemento contratual:</p><p>o arrendante (ex: banco)</p><p>2) Veículo apreendido por infração de trânsito: o arrendatário</p><p>O rol de procedimentos e eventos da ANS é meramente explicativo?</p><p>• SIM. Posição da 3ª Turma do STJ.</p><p>O fato de o procedimento não constar no rol da ANS não significa que não possa ser exigido</p><p>pelo usuário, uma vez que se trata de rol exemplificativo.</p><p>STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1.442.296/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j.</p><p>23/03/2020.</p><p>• NÃO. Posição da 4ª Turma do STJ.</p><p>O rol de procedimentos e eventos em saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar -</p><p>ANS não é meramente exemplificativo.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.733.013/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 10/12/2019 (Info 665).</p><p>Se a matriz havia sido condenada a publicar contrapropaganda, mas encerrou suas</p><p>atividades, essa condenação poderá ser redirecionada para a filial.</p><p>80</p><p>É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto</p><p>de gasolina matriz à sua filial.</p><p>Ainda que possuam CNPJ diversos e autonomia administrativa e operacional, as filiais são</p><p>um desdobramento da matriz por integrar a pessoa jurídica como um todo. Eventual decisão</p><p>contrária à matriz por atos prejudiciais a consumidores é extensível às filiais.</p><p>Obs: a contrapropaganda é uma medida imposta nos casos de veiculação de publicidade</p><p>inverídica ou abusiva, que busca anular ou compensar os efeitos nocivos</p><p>da publicidade ilícita. A</p><p>finalidade, portanto, é corrigir o desvio cometido na publicidade antijurídica veiculada pelo</p><p>fornecedor.</p><p>ITEM 136</p><p>Seguradora que não recebeu os prêmios arrecadados por empresa que atuou como representante de</p><p>seguros terá que receber esse crédito segundo o plano de recuperação judicial caso a representante</p><p>entre em recuperação judicial.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Exemplo: a empresa fez um contrato de representação de seguro com uma seguradora</p><p>(sociedade de seguros); a empresa recebia o valor dos prêmios pagos pelos segurados e, depois de</p><p>determinado tempo, teria que entregar essa quantia à seguradora; a empresa entrou em recuperação</p><p>judicial sem ter repassado esses prêmios; a seguradora terá que habilitar esse crédito que tem para</p><p>receber na recuperação judicial.</p><p>ITEM 137</p><p>Os créditos decorrentes da prestação de serviços contábeis e afins, quando titularizados por</p><p>sociedade simples, não podem ser equiparados aos créditos trabalhistas para efeitos de sujeição ao</p><p>processo de recuperação judicial.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O tratamento dispensado aos honorários devidos a profissionais liberais - no que se refere à</p><p>sujeição ao plano de recuperação judicial - deve ser o mesmo conferido aos créditos de origem</p><p>trabalhista, em virtude de ambos ostentarem natureza alimentar.</p><p>Esse entendimento não é obstado pelo fato de o titular do crédito ser uma sociedade de</p><p>contadores, considerando que, mesmo nessa hipótese, a natureza alimentar da verba não é</p><p>modificada.</p><p>ITEM 138</p><p>A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em Código de</p><p>Organização Judiciária Estadual não é suficiente para a comprovação de tempestividade do recurso</p><p>especial nos moldes do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.655.796/MT, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 11/02/2020 (Info</p><p>665).</p><p>O crédito titularizado pela sociedade de seguros, decorrente do não repasse dos prêmios em</p><p>contrato de representação de seguro, submete-se à recuperação judicial da empresa</p><p>representante.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.559.595/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 10/12/2019 (Info 665).</p><p>Os créditos decorrentes da prestação de serviços contábeis e afins, mesmo que titularizados</p><p>por sociedade simples, são equiparados aos créditos trabalhistas para efeitos de sujeição ao</p><p>processo de recuperação judicial.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.851.770/SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 18/02/2020 (Info 665).</p><p>81</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A parte, ao apresentar recurso especial ou recurso extraordinário, tem o ônus de explicar e</p><p>comprovar que, na instância de origem, era feriado local ou dia sem expediente forense?</p><p>SIM. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015 trouxe expressamente um dispositivo dizendo que a</p><p>comprovação do feriado local deverá ser feita, obrigatoriamente, no ato de interposição do recurso:</p><p>“O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso.”</p><p>Assim, a comprovação da ocorrência de feriado local deve ser feita no ato da interposição</p><p>do recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo previsto na lei processual civil.</p><p>Imagine que em um recurso especial interposto, a parte mencionou que havia um feriado</p><p>local, mas não juntou qualquer documento comprovando esse fato. Ao adotar essa prática, a parte</p><p>comprovou validamente a existência do feriado local? A mera referência (menção) às normas</p><p>estaduais é suficiente para comprovar a ocorrência de feriado local?</p><p>NÃO. A comprovação da existência de feriado local que dilate o prazo para interposição de</p><p>recursos dirigidos ao STJ deverá ser realizada por meio de documentação idônea, não sendo</p><p>suficiente a simples menção ou referência nas razões recursais.</p><p>A ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense</p><p>deve ser demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este</p><p>Tribunal, por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando a mera</p><p>menção ao feriado local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento não dotado de</p><p>fé pública.</p><p>ITEM 139</p><p>Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão</p><p>rescindenda, para verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo demandante,</p><p>salvo na hipótese de se tratar de questão de ordem pública.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Quando o autor da rescisória propõe a ação com fundamento na hipótese de violação literal</p><p>à disposição de lei - art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015) – ele tem o ônus de indicar o(s)</p><p>dispositivo(s) que foi(foram) violado(s).</p><p>O Tribunal que julgará a rescisória só irá examinar se houve violação aos dispositivos</p><p>indicados, não podendo reexaminar toda a decisão rescindenda, para verificar se nela haveria outras</p><p>violações a literal disposição de lei não alegadas pelo demandante, nem mesmo ao argumento de se</p><p>tratar de matéria da ordem pública.” (YARSHELL, Flávio. Ação rescisória: juízos rescindente e</p><p>rescisório. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 151).</p><p>Desse modo, na ação rescisória fundada no art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015), o</p><p>juízo rescisdente do Tribunal se encontra vinculado aos dispositivos de lei apontados pelo autor</p><p>como literalmente violados, não podendo haver exame de matéria estranha à apontada na inicial,</p><p>A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em</p><p>Código de Organização Judiciária Estadual não é suficiente para a comprovação de</p><p>tempestividade do recurso especial nos moldes do art. 1.003, §6º, do CPC/2015.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.763.167/GO, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, j.</p><p>18/02/2020 (Info 665).</p><p>Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão</p><p>rescindenda, para verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo</p><p>demandante, mesmo que se trate de questão de ordem pública.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.663.326/RN, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 11/02/2020 (Info 665).</p><p>82</p><p>mesmo que o tema possua a natureza de questão de ordem pública, sob pena de transformar a ação</p><p>rescisória em um recurso, natureza jurídica que ela não possui.</p><p>ITEM 140</p><p>No cálculo dos honorários advocatícios devidos na fase de cumprimento de sentença, após escoado</p><p>o prazo legal para o pagamento voluntário da obrigação, devem ser incluídas as parcelas vincendas</p><p>da dívida.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Ex: em ação de indenização, a empresa ré foi condenada a pagar 60 prestações mensais de 1</p><p>salário mínimo para o autor ofendido; transitou em julgado e a empresa não pagou nada; iniciou-se</p><p>o cumprimento de sentença; a empresa está devendo 1 ano de pensão mensal (12 prestações); o</p><p>valor a ser pago irá, portanto, aumentar; isso porque incidirá 10% de multa e 10% de honorários</p><p>advocatícios, nos termos do § 1º do art. 523 do CPC; esses 10% dos honorários advocatícios</p><p>incidirão apenas sobre as 12 prestações atualmente em atraso (parcelas vencidas) ou sobre o total</p><p>das 60 prestações (parcelas vencidas e também vincendas)? Apenas sobre as parcelas vencidas (no</p><p>caso, 12 prestações).</p><p>O § 1º do art. 523 afirma que, se não ocorrer o pagamento voluntário dentro do prazo de 15</p><p>dias, o débito será acrescido em 10% a título de honorários, além da multa de 10%. A expressão</p><p>“débito”, para fins de honorários, engloba apenas as parcelas vencidas da pensão mensal, visto que,</p><p>em cumprimento de sentença, o devedor/executado é intimado para quitar os valores exigíveis</p><p>naquele momento. Não faz sentido condenar a parte executada ao pagamento de honorários de</p><p>sucumbência sobre prestações que ainda não venceram e, portanto, não são exigíveis.</p><p>Não confundir. Cálculo dos honorários advocatícios na ação de indenização com o objetivo</p><p>de obter o pagamento de pensão mensal:</p><p>• Na fase de conhecimento: o percentual dos honorários advocatícios deverá incidir todas as</p><p>parcelas vencidas e mais 12 parcelas vincendas, ou seja, parcelas vencidas + 1 ano de</p><p>parcelas</p><p>vincendas (art. 85, § 9º, do CPC/2015).</p><p>• Na fase de cumprimento de sentença: o percentual dos honorários advocatícios deverá</p><p>incidir apenas sobre as parcelas vencidas.</p><p>ITEM 141</p><p>Em ação civil pública, é possível a substituição da associação autora por outra associação caso a</p><p>primeira venha a ser dissolvida.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, é possível sua</p><p>substituição no polo ativo por outra associação que possua a mesma finalidade temática.</p><p>O microssistema de defesa dos interesses coletivos privilegia o aproveitamento do processo</p><p>coletivo, possibilitando a sucessão da parte autora pelo Ministério Público ou por algum outro</p><p>No cálculo dos honorários advocatícios devidos na fase de cumprimento de sentença, após</p><p>escoado o prazo legal para o pagamento voluntário da obrigação, não devem ser incluídas as</p><p>parcelas vincendas da dívida.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.146/MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 11/02/2020 (Info</p><p>665)</p><p>Em ação civil pública, é possível a substituição da associação autora por outra associação</p><p>caso a primeira venha a ser dissolvida.</p><p>STJ. 3ª Turma. EDcl no REsp 1.405.697/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 10/09/2019</p><p>(Info 665).</p><p>83</p><p>colegitimado (ex: associação), mormente em decorrência da importância dos interesses envolvidos</p><p>em demandas coletivas.</p><p>ITEM 142</p><p>Em regra, não se aplica o princípio da insignificância ao furto qualificado, salvo quando presentes</p><p>circunstâncias excepcionais que recomendam a medida.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 143</p><p>No crime de homicídio, a qualificadora do meio cruel é incompatível com o dolo eventual.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>No caso concreto, o acórdão, mantendo a sentença de pronúncia no que se refere à</p><p>materialidade, à autoria e ao elemento subjetivo do agente (dolo eventual), afastou a qualificadora</p><p>do meio cruel, ao entendimento de que, por servir de fundamento para a configuração do dolo</p><p>eventual, os fatos que a princípio ensejariam a crueldade do meio não poderiam ser utilizados para</p><p>qualificar o crime.</p><p>Tal entendimento não se harmoniza com a jurisprudência desta Corte, segundo a qual não há</p><p>falar em incompatibilidade entre o dolo eventual e a qualificadora do meio cruel (art. 121, § 2º, III,</p><p>do CP). O dolo do agente, seja direto ou indireto, não exclui a possibilidade de o homicídio ter sido</p><p>praticado com o emprego de meio mais reprovável, tais quais aqueles descritos no tipo penal</p><p>relativo à mencionada qualificadora.</p><p>ITEM 144</p><p>O benefício fiscal que trata do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as</p><p>Empresas Exportadoras (REINTEGRA) alcança as operações de venda de mercadorias de origem</p><p>nacional para a Zona Franca de Manaus, para consumo, industrialização ou reexportação para o</p><p>estrangeiro.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 145</p><p>A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o</p><p>reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias</p><p>pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do</p><p>princípio da insignificância.</p><p>STJ. 5ª Turma. HC 553.872/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 11/02/2020 (Info 665).</p><p>A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual.</p><p>STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.573.829/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j.</p><p>09/04/2019.</p><p>STJ. 6ª Turma. REsp 1.829.601/PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 04/02/2020 (Info 665).</p><p>Súmula 640-STJ: O benefício fiscal que trata do Regime Especial de Reintegração de Valores</p><p>Tributários para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA) alcança as operações de venda</p><p>de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, para consumo,</p><p>industrialização ou reexportação para o estrangeiro.</p><p>STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020, DJe 19/02/2020</p><p>84</p><p>A ausência de banho quente em estabelecimentos prisionais não caracteriza violação capaz de ferir</p><p>a dignidade humana do preso.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Trata-se de caso peculiar, por sua negativa ferir aspectos existenciais da textura íntima de</p><p>direitos humanos substantivos. Primeiro, porque se refere à dignidade da pessoa humana, naquilo</p><p>que concerne à integridade física e mental a todos garantida. Segundo, porque versa sobre</p><p>obrigação inafastável e imprescritível do Estado de tratar prisioneiros como pessoas, e não como</p><p>animais. Terceiro, porque o encarceramento configura pena de restrição do direito de liberdade, e</p><p>não salvo-conduto para a aplicação de sanções extralegais e extrajudiciais, diretas ou indiretas.</p><p>Quarto, porque, em presídios e lugares similares de confinamento, ampliam-se os deveres estatais</p><p>de proteção da saúde pública e de exercício de medidas de assepsia pessoal e do ambiente, em razão</p><p>do risco agravado de enfermidades, consequência da natureza fechada dos estabelecimentos,</p><p>propícia à disseminação de patologias.</p><p>Ofende os alicerces do sistema democrático de prestação jurisdicional admitir que decisão</p><p>judicial, relacionada à essência dos direitos humanos fundamentais, não possa ser examinada pelo</p><p>STJ sob o argumento de se tratar de juízo político. Quando estão em jogo aspectos mais elementares</p><p>da dignidade da pessoa humana (um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito em que se</p><p>constitui a República Federativa do Brasil, expressamente enunciado na Constituição, logo em seu</p><p>art. 1º) impossível subjugar direitos indisponíveis a critérios outros que não sejam os</p><p>constitucionais e legais.</p><p>Ademais, as Regras Mínimas para o Tratamento dos Reclusos, promulgadas pelas Nações</p><p>Unidas (Regras de Mandela), dispõem que "Devem ser fornecidas instalações adequadas para</p><p>banho", exigindo-se que seja "na temperatura apropriada ao clima" (Regra 16). Irrelevante, por</p><p>óbvio, que o texto não faça referência expressa a "banho quente".</p><p>Assim, assegurar a dignidade de presos sob custódia do Estado dispara a aplicação não do</p><p>princípio da reserva do possível, mas do aforismo da reserva do impossível (= reserva de</p><p>intocabilidade da essência), ou seja, manifesto interesse público reverso, considerando-se que a</p><p>matéria se inclui no núcleo duro dos direitos humanos fundamentais, expressados em deveres</p><p>constitucionais e legais indisponíveis, daí marcados pela vedação de descumprimento estatal, seja</p><p>por ação, seja por omissão. Consequentemente, impróprio retirar do controle do Judiciário tais</p><p>violações gravíssimas, pois equivaleria a afastar o juiz de julgar ataques diretos ou indiretos aos</p><p>pilares centrais do ordenamento jurídico.</p><p>ITEM 146</p><p>A readmissão na carreira da Magistratura não encontra amparo na Lei Orgânica da Magistratura</p><p>Nacional nem na Constituição Federal de 1988.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, o servidor exonerado não possui o</p><p>direito de reingresso no cargo. Isso porque o atual ordenamento constitucional impõe a prévia</p><p>aprovação em concurso público como condição para o provimento em cargo efetivo da</p><p>Administração Pública.</p><p>A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho</p><p>quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos sob sua custódia.</p><p>STJ. 2ª Turma. REsp 1.537.530/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 27/04/2017 (Info 666).</p><p>A readmissão na carreira da Magistratura não encontra amparo na Lei Orgânica da</p><p>Magistratura Nacional nem na Constituição Federal de 1988.</p><p>STJ. 2ª Turma. RMS 61.880/MT, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 03/03/2020 (Info 666).</p><p>85</p><p>O STF já declarou a inconstitucionalidade de lei estadual que previa a possibilidade de o magistrado</p><p>exonerado reingressar nos quadros da magistratura: ADI 2983, Rel. Min. Carlos Velloso, julgado</p><p>em 23/02/2005.</p><p>O CNJ também já expediu orientação normativa vinculante afirmando que não são possíveis formas</p><p>de provimentos dos cargos relacionados à carreira da Magistratura que não estejam explicitamente</p><p>previstas na Constituição Federal nem na LOMAN.</p><p>Assim, o magistrado que pediu exoneração não tem direito de readmissão no cargo mesmo</p><p>que essa possibilidade esteja prevista em lei estadual.</p><p>ITEM 147</p><p>A exclusão do candidato, que concorre à vaga reservada em concurso público, pelo critério da</p><p>heteroidentificação, seja pela constatação de fraude, seja pela aferição do fenótipo ou por qualquer</p><p>outro fundamento, prescinde de contraditório e da ampla defesa.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Nos procedimentos destinados a selecionar quem tem ou não direito a concorrer às vagas</p><p>reservadas, tanto as declarações dos candidatos, quanto os atos dos entes que promovem a seleção,</p><p>devem se sujeitar a algum tipo de controle.</p><p>A autodeclaração é controlada pela Administração Pública mediante comissões</p><p>preordenadas para realizar a heteroidentificação daqueles que se lançam na disputa; o reexame da</p><p>atividade administrativa poderá ser feito pelos meios clássicos de controle administrativo, como a</p><p>reclamação, o recurso administrativo e o pedido de reconsideração.</p><p>Assim, deve-se entender, em consonância com a orientação que se consolidou no Supremo,</p><p>que a exclusão do candidato pelo critério da heteroidentificação, seja pela constatação de fraude,</p><p>seja pela aferição do fenótipo, ou por qualquer outro fundamento, exige o franqueamento do</p><p>contraditório e da ampla defesa.</p><p>ITEM 148</p><p>Não é possível, para efeito de estabilidade, a contagem do tempo de serviço prestado por força de</p><p>decisão liminar.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Em regra, o STJ acompanha o entendimento do STF e decide que é inaplicável a teoria do</p><p>fato consumado aos concursos públicos, não sendo possível o aproveitamento do tempo de serviço</p><p>prestado pelo servidor que tomou posse por força de decisão judicial precária, para efeito de</p><p>estabilidade.</p><p>Contudo, em alguns casos, o STJ afirma que há a solidificação de situações fáticas</p><p>ocasionada em razão do excessivo decurso de tempo entre a liminar concedida e os dias atuais, de</p><p>maneira que, a reversão desse quadro implicaria inexoravelmente em danos desnecessários e</p><p>irreparáveis ao servidor.</p><p>Em outras palavras, o STJ entende que existem situações excepcionais nas quais a solução</p><p>A exclusão do candidato, que concorre à vaga reservada em concurso público, pelo critério</p><p>da heteroidentificação, seja pela constatação de fraude, seja pela aferição do fenótipo ou por</p><p>qualquer outro fundamento, exige o franqueamento do contraditório e da ampla defesa.</p><p>STJ. 2ª Turma. RMS 62.040/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 17/12/2019 (Info 666)</p><p>Em situações excepcionais, é possível, para efeito de estabilidade, a contagem do tempo de</p><p>serviço prestado por força de decisão liminar.</p><p>STJ. 1ª Turma. AREsp 883.574/MS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 20/02/2020 (Info</p><p>666)</p><p>86</p><p>padronizada ocasionaria mais danos sociais do que a manutenção da situação consolidada,</p><p>impondo-se o distinguishing, e possibilitando a contagem do tempo de serviço prestado por força de</p><p>decisão liminar, em necessária flexibilização da regra.</p><p>Caso concreto: determinado indivíduo prestou concurso para o cargo de Policial</p><p>Rodoviário Federal e foi aprovado nas provas teóricas, tendo sido, contudo, reprovado em um dos</p><p>testes práticos. O candidato propôs mandado de segurança questionando esse teste. O juiz concedeu</p><p>a liminar determinando a nomeação e posse, o que ocorreu em 1999. Em sentença, o magistrado</p><p>confirmou a liminar e julgou procedente o pedido do autor. Anos mais tarde, o TRF, ao julgar a</p><p>apelação, entendeu que a exigência do teste prático realizado não continha nenhum vício. Em</p><p>virtude disso, reformou a sentença. O servidor, contudo, continuou cautelarmente no cargo até</p><p>2020, quando houve o trânsito em julgado da decisão contrária ao seu pleito. O STJ assegurou a</p><p>manutenção definitiva do impetrante no cargo.</p><p>ITEM 149</p><p>É possível a cassação de aposentadoria de servidor público pela prática, na atividade, de falta</p><p>disciplinar punível com demissão.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Prevalece no STJ e no STF a tese de que a cassação de aposentadoria é compatível com a</p><p>Constituição Federal, a despeito do caráter contributivo conferido àquela, mormente porque nada</p><p>impede que, na seara própria, haja o acertamento de contas entre a Administração e o servidor</p><p>aposentado punido.</p><p>Assim, constatada a existência de infração disciplinar praticada enquanto o servidor estiver</p><p>na ativa, o ato de aposentadoria não se transforma num salvo conduto para impedir o</p><p>sancionamento do infrator pela Administração Pública.</p><p>Faz-se necessário observar o regramento contido na Lei n. 8.112/1990, aplicando-se a</p><p>penalidade compatível com as infrações apuradas.</p><p>ITEM 150</p><p>A operadora de plano de saúde tem responsabilidade solidária por defeito na prestação de serviço</p><p>médico, quando o presta por meio de hospital próprio e médicos contratados, ou por meio de</p><p>médicos e hospitais credenciados.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Inicialmente, anote-se que se o contrato é fundado na prestação de serviços médicos e</p><p>hospitalares próprios e/ou credenciados, no qual a operadora de plano de saúde mantém hospitais e</p><p>emprega médicos, ou indica um rol de conveniados, não há como afastar sua responsabilidade</p><p>solidária pela má prestação do serviço.</p><p>A operadora do plano de saúde, na condição de prestadora de serviço, responde perante o</p><p>consumidor pelos defeitos em sua prestação, seja quando os presta por meio de hospital próprio e</p><p>médicos contratados, seja quando por meio de médicos e hospitais credenciados, nos termos dos</p><p>É possível a cassação de aposentadoria de servidor público pela prática, na atividade, de</p><p>falta disciplinar punível com demissão.</p><p>STJ. 1ª Seção. MS 23.608/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og</p><p>Fernandes, j. 27/11/2019 (Info 666).</p><p>A operadora de plano de saúde tem responsabilidade solidária por defeito na prestação de</p><p>serviço médico, quando o presta por meio de hospital próprio e médicos contratados, ou por</p><p>meio de médicos e hospitais credenciados.</p><p>STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1.414.776/SP, Rel. Min. Raul Araújo, j. 11/02/2020 (Info 666).</p><p>87</p><p>arts. 2º, 3º, 14 e 34 do Código de Defesa do Consumidor; art. 1.521, III, do Código Civil de 1916, e</p><p>art. 932, III, do Código Civil de 2002. Essa responsabilidade é objetiva e solidária em relação ao</p><p>consumidor, mas, na relação interna, respondem o hospital, o médico e a operadora do plano de</p><p>saúde, nos limites de sua culpa (REsp 866.371/RS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma,</p><p>julgado em 27/03/2012, DJe de 20/08/2012).</p><p>No caso, a demora para a autorização da cirurgia indicada como urgente pela equipe médica</p><p>do hospital, sem justificativa plausível, caracteriza defeito na prestação do serviço da operadora do</p><p>plano de saúde, resultando na sua responsabilização.</p><p>ITEM 151</p><p>Não é abusiva a negativa de custeio, pela operadora do plano de saúde, do tratamento de</p><p>fertilização in vitro, quando não houver previsão contratual expressa.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Inicialmente, a inseminação artificial e a fertilização in vitro são técnicas distintas de</p><p>fecundação. Nesse contexto, a Resolução Normativa n. 192 da Agência Nacional de Saúde</p><p>Suplementar – ANS, no sentido de que "a inseminação artificial e o fornecimento de medicamentos</p><p>de uso domiciliar, definidos nos incisos III e VI do art. 13 da Resolução Normativa - RN n.</p><p>167/2008, não são de cobertura obrigatória", está de acordo com o disposto nos incisos III e VI do</p><p>art. 10 da Lei n. 9.656/1998.</p><p>Não há, pois, lógica em que o procedimento médico de inseminação artificial seja, por um</p><p>lado, de cobertura facultativa - consoante a regra do art. 10, III, da lei de regência - e, por outro, a</p><p>fertilização in vitro, que tem característica complexa e onerosa, tenha cobertura obrigatória.</p><p>A interpretação dos artigos supracitados deve ocorrer de maneira sistemática e teleológica,</p><p>de modo a conferir exegese que garanta o equilíbrio atuarial do sistema de suplementação privada</p><p>de assistência à saúde, não podendo as operadoras de plano de saúde serem obrigadas ao custeio de</p><p>procedimento</p><p>que são, segundo a lei de regência e a própria regulamentação da ANS, de natureza</p><p>facultativa, salvo expressa previsão contratual.</p><p>A fertilização in vitro não possui cobertura obrigatória de modo que, na hipótese de</p><p>ausência de previsão contratual expressa, é impositivo o afastamento do dever de custeio do</p><p>mencionado tratamento pela operadora do plano de saúde.</p><p>ITEM 152</p><p>A empresa que comercializa não responde solidariamente com o fabricante de produtos contrafeitos</p><p>pelos danos causados pelo uso indevido da marca.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Não é abusiva a negativa de custeio, pela operadora do plano de saúde, do tratamento de</p><p>fertilização in vitro, quando não houver previsão contratual expressa.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.794.629/SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. p/ Acórdão Min. Nancy</p><p>Andrighi, j. 18/02/2020 (Info 667).</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.823.077/SP, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 20/02/2020 (Info 666).</p><p>Cuidado! Julgado relacionado no Info 673.</p><p>É devida a cobertura, pela operadora de plano de saúde, do procedimento de</p><p>criopreservação de óvulos de paciente fértil, até a alta do tratamento quimioterápico, como</p><p>medida preventiva à infertilidade.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.815.796-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 26/05/2020 (Info</p><p>673).</p><p>88</p><p>Ainda que a solidariedade não seja expressamente prevista na Lei nº 9.279/96, a</p><p>responsabilidade civil é solidária para todos os autores e coautores que adotem condutas danosas ao</p><p>direito protegido de outrem, conforme sistema geral de responsabilidade estabelecido no art. 942 do</p><p>Código Civil.</p><p>ITEM 153</p><p>Situação hipotética: a empresa Goiás Refrigerantes S/A registrou, no INPI, a marca JOCA COLA.</p><p>Ao tomar conhecimento disso, a “The Coca Cola Company” ajuizou ação contra a empresa Goiás</p><p>Refrigerantes S/A e contra o INPI pedindo a nulidade desse registro. Na contestação apresentada, a</p><p>Goiás Refrigerantes pediu a extinção do processo sem resolução do mérito por perda do objeto</p><p>considerando que, logo após o ajuizamento da ação, ela (ré) renunciou ao registro da marca JOCA</p><p>COLA e isso já foi homologado administrativamente pelo INPI.</p><p>Merece prosperar, no caso, o argumento invocado pela ré.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Mesmo com essa renúncia, o processo deverá prosseguir considerando que a renúncia opera</p><p>efeitos ex nunc e não implica reconhecimento de que o registro continha vícios. A declaração de</p><p>nulidade, por outro lado, produz efeitos ex tunc e significa o reconhecimento de que o registro foi</p><p>concedido em desacordo com as disposições da Lei. Logo, mesmo tendo havido renúncia à marca</p><p>impugnada, a continuidade da ação é necessária para proteção dos direitos da autora relativos ao</p><p>período em que a marca esteve em vigor.</p><p>ITEM 154</p><p>O registro civil de nascimento de pessoa adotada sob a égide do Código Civil/1916 não pode ser</p><p>alterado para a inclusão dos nomes dos ascendentes dos pais adotivos.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O ordenamento jurídico vigente ao tempo em que realizada a adoção simples, por meio de</p><p>escritura pública (natureza contratual), previa que o parentesco resultante da adoção era meramente</p><p>civil e limitava-se ao adotante e ao adotado, não se estendendo aos familiares daquele, uma vez que</p><p>foram mantidos os vínculos do adotado com a sua família biológica.</p><p>Assim, inviável o acolhimento da reivindicação, dada a impossibilidade de modificação do</p><p>ato jurídico perfeito e acabado da adoção levada a efeito em 1962, quando a lei previa a</p><p>manutenção não apenas dos vínculos, mas também dos direitos e deveres decorrentes do parentesco</p><p>natural, dada a expressa e clara disposição constante do artigo 378 do Código Civil/1916: "Os</p><p>direitos e deveres que resultam do parentesco natural não se extinguem pela adoção, exceto o pátrio</p><p>poder, que será transferido do pai natural para o adotivo."</p><p>A empresa que comercializa responde solidariamente com o fabricante de produtos</p><p>contrafeitos pelos danos causados pelo uso indevido da marca.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.719.131/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 11/02/2020 (Info 666).</p><p>A renúncia ao registro não enseja a perda do objeto da ação que veicula pretensão de</p><p>declaração de nulidade da marca.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.832.148/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 20/02/2020 (Info 666).</p><p>O registro civil de nascimento de pessoa adotada sob a égide do Código Civil/1916 não pode</p><p>ser alterado para a inclusão dos nomes dos ascendentes dos pais adotivos.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.232.387/MG, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Rel. Acd. Min. Marco</p><p>Buzzi, j. 11/02/2020 (Info 666).</p><p>89</p><p>ITEM 155</p><p>A tempestividade recursal pode ser aferida, excepcionalmente, por meio de informação constante</p><p>em andamento processual disponibilizado no sítio eletrônico, quando informação equivocadamente</p><p>disponibilizada pelo Tribunal de origem induz a parte em erro.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Caso concreto: o TJ/MS negou provimento a uma apelação que havia sido interposta pela</p><p>parte; na movimentação processual existente no site do TJ/MS, constou a informação de que o</p><p>vencimento do prazo recursal para a interposição de recurso ao STJ contra o acórdão do TJ se daria</p><p>no dia 10/12; assim, no dia 10/12, a parte apresentou recurso especial contra o acórdão do TJ;</p><p>ocorre que essa informação estava errada; o termo final do prazo era dia 09/12; isso significa que</p><p>parte interpôs o recurso especial intempestivamente; vale ressaltar, contudo, que a parte foi induzida</p><p>em erro pela informação constante no sítio oficial do TJ; o STJ, excepcionalmente, considerou</p><p>tempestivo o recurso.</p><p>ITEM 156</p><p>Se o recurso especial foi interposto após 18/11/2019 (data de publicação do REsp 1.813.684-SP) e a</p><p>parte não comprovou que segunda-feira de carnaval era feriado no Tribunal de origem: é possível a</p><p>abertura de vista para que a parte comprove isso mesmo após a interposição do recurso, sanando o</p><p>vício.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A tempestividade recursal pode ser aferida, excepcionalmente, por meio de informação</p><p>constante em andamento processual disponibilizado no sítio eletrônico, quando informação</p><p>equivocadamente disponibilizada pelo Tribunal de origem induz a parte em erro.</p><p>STJ. Corte Especial. EAREsp 688.615/MS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 04/03/2020</p><p>(Info 666).</p><p>A parte, ao apresentar recurso especial ou recurso extraordinário, tem o ônus de explicar e</p><p>comprovar que, na instância de origem, era feriado local ou dia sem expediente forense?</p><p>SIM. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015 trouxe expressamente um dispositivo dizendo que a</p><p>comprovação do feriado local deverá ser feita, obrigatoriamente, no ato de interposição do</p><p>recurso: “O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do</p><p>recurso.”</p><p>Assim, a comprovação da ocorrência de feriado local deve ser feita no ato da interposição do</p><p>recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo previsto na lei processual civil.</p><p>Esse entendimento acima explicado está sujeito a alguma modulação de efeitos?</p><p>Em regra: não. Depois da entrada em vigor do CPC/2015, a comprovação da ocorrência de</p><p>feriado local deve ser feita no ato da interposição do recurso, sendo intempestivo quando</p><p>interposto fora do prazo previsto na lei processual civil. Esse entendimento está em vigor</p><p>desde o início da vigência do CPC/2015 e não se submete a modulação de efeitos.</p><p>Exceção: no caso do feriado de segunda-feira de carnaval, há uma modulação dos efeitos.</p><p>Segunda-feira de carnaval não é um feriado nacional. No entanto, em diversos Estados,</p><p>trata-se de feriado local.</p><p>• Se o recurso especial foi interposto antes de 18/11/2019 (data de publicação do REsp</p><p>1.813.684-SP) e a parte não comprovou que segunda-feira de carnaval era feriado no</p><p>Tribunal de origem: é possível a abertura de vista para que a parte comprove isso mesmo</p><p>após a interposição do recurso, sanando o vício.</p><p>90</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 157</p><p>Configura o crime de peculato-desvio o fomento econômico de candidatura à reeleição por</p><p>Governador de Estado com o patrimônio de empresas estatais.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Governador</p><p>do Estado que desvia grande soma de recursos públicos de empresas estatais,</p><p>utilizando esse dinheiro para custear sua campanha de reeleição, pratica o crime de peculato-desvio.</p><p>As empresas estatais gozam de autonomia administrativa e financeira. Mesmo assim, pode-</p><p>se dizer que o Governador tem a posse do dinheiro neste caso?</p><p>É possível. Isso porque a posse necessária para configuração do crime de peculato deve ser</p><p>compreendida não só como a disponibilidade direta, mas também como disponibilidade jurídica,</p><p>exercida por meio de ordens.</p><p>ITEM 158</p><p>A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas somada à fuga do acusado ao</p><p>avistar a polícia, por si sós, não configuram fundadas razões a autorizar o ingresso policial no</p><p>domicílio do acusado sem o seu consentimento ou sem determinação judicial.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>No caso, as razões para o ingresso no imóvel teriam sido a natureza permanente do tráfico, a</p><p>denúncia anônima e a fuga do investigado ao avistar a polícia. Em relação à tentativa de fuga do</p><p>agente ao avistar policiais, deve-se salientar que, nos termos do entendimento da Sexta Turma deste</p><p>Superior Tribunal de Justiça, tal circunstância, por si só, não configura justa causa exigida para</p><p>autorizar a mitigação do direito à inviolabilidade de domicílio.</p><p>Deve-se frisar, ainda, que "a mera denúncia anônima, desacompanhada de outros elementos</p><p>preliminares indicativos de crime, não legitima o ingresso de policiais no domicílio indicado,</p><p>estando, ausente, assim, nessas situações, justa causa para a medida." (HC 512.418/RJ, Rel.</p><p>Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 26/11/2019, DJe 03/12/2019).</p><p>Neste ensejo, vale destacar que, em situação semelhante, a Sexta Turma desta Corte</p><p>entendeu que, mesmo diante da conjugação desses dois fatores, não se estaria diante de justa causa</p><p>e ressaltou a imprescindibilidade de prévia investigação policial para verificar a veracidade das</p><p>informações recebidas (RHC 83.501/SP, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em</p><p>06/03/2018, DJe 05/04/2018).</p><p>• Se o recurso especial foi interposto depois de 18/11/2019 (data de publicação do REsp</p><p>1.813.684-SP) e a parte não comprovou que segunda-feira de carnaval era feriado no</p><p>Tribunal de origem: não é possível a abertura de vista para que a parte comprove esse</p><p>feriado, ou seja, o vício não pode mais ser sanado.</p><p>STJ. Corte Especial. QO no REsp 1.813.684/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 03/02/2020 (Info</p><p>666).</p><p>Configura o crime de peculato-desvio o fomento econômico de candidatura à reeleição por</p><p>Governador de Estado com o patrimônio de empresas estatais.</p><p>STJ. 5ª Turma. REsp 1.776.680/MG, Rel. Min. Jorge Mussi, j. 11/02/2020 (Info 666)</p><p>A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas somada à fuga do acusado</p><p>ao avistar a polícia, por si sós, não configuram fundadas razões a autorizar o ingresso</p><p>policial no domicílio do acusado sem o seu consentimento ou sem determinação judicial.</p><p>STJ. 5ª Turma. RHC 89.853/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, j. 18/02/2020 (Info 666).</p><p>STJ. 6ª Turma. RHC 83.501/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 06/03/2018 (Info 623).</p><p>91</p><p>Desta feita, entende-se que, a partir da leitura do Tema 280/STF, resta mais adequado a este</p><p>Colegiado seguir esse entendimento, no sentido da exigência de prévia investigação policial da</p><p>veracidade das informações recebidas. Destaque-se que não se está a exigir diligências profundas,</p><p>mas breve averiguação, como "campana" próxima à residência para verificar a movimentação na</p><p>casa e outros elementos de informação que possam ratificar a notícia anônima.</p><p>ITEM 159</p><p>Sacolas plásticas fornecidas aos clientes para o transporte ou acondicionamento de produtos, bem</p><p>como bandejas, são insumos essenciais à atividade dos supermercados, gerando creditamento de</p><p>ICMS.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Os insumos que geram direito ao creditamento são aqueles que, extrapolando a condição de</p><p>mera facilidade, se incorporam ao produto final, de forma a modificar a maneira como esse se</p><p>apresenta e configurar parte essencial do processo produtivo.</p><p>Sacos e filmes plásticos utilizados exclusivamente para o fornecimento de produtos de</p><p>natureza perecível são insumos indispensáveis à atividade desenvolvida pelos supermercados, de</p><p>modo que a sua aquisição gera direito ao creditamento do ICMS.</p><p>Sacolas plásticas fornecidas aos clientes para o transporte ou acondicionamento de produtos,</p><p>bem como bandejas, não são insumos essenciais à atividade dos supermercados, de modo que não</p><p>geram creditamento de ICMS.</p><p>ITEM 160</p><p>A cobrança por Município de multa relativa a danos ambientais já paga à União anteriormente, pelo</p><p>mesmo fato, configura bis in idem.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>ATENÇÃO (Prof Marcio Cavalcante): penso que esse entendimento está superado. Os</p><p>fatos analisados neste julgado ocorreram quando ainda não estava em vigor a LC 140/2011. Esta</p><p>Lei previu que se, mais de um ente federativo lavrar auto de infração ambiental, deverá prevalecer</p><p>aquele que foi feito por órgão que detenha a atribuição de licenciamento (art. 17, § 3º). Isso para</p><p>evitar bis in idem. Logo, no caso concreto, seria preciso definir qual dos dois órgãos tinha</p><p>competência (União ou Município) e somente iria prevalecer o auto de infração lavrado por ele.</p><p>Muito cuidado como esse tema vai ser cobrado em prova.</p><p>ITEM 161</p><p>É de dois anos o prazo para anular anular a venda de ascendente para descendente por meio de</p><p>pessoa interposta.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Sacolas plásticas fornecidas aos clientes para o transporte ou acondicionamento de produtos,</p><p>bem como bandejas, não são insumos essenciais à atividade dos supermercados, de modo que</p><p>não geram creditamento de ICMS.</p><p>STJ. 1ª Turma. REsp 1.830.894/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 03/03/2020 (Info 666)</p><p>A cobrança por Município de multa relativa a danos ambientais já paga à União</p><p>anteriormente, pelo mesmo fato, não configura bis in idem.</p><p>STJ. 2ª Turma. REsp 1.132.682/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 13/12/2016 (Info 667)</p><p>A venda de bem entre ascendente e descendente, por meio de interposta pessoa, é ato jurídico</p><p>anulável, aplicando-se o prazo decadencial de 2 (dois) anos previsto no art. 179 do CC/2002.</p><p>92</p><p>A venda de bem entre ascendente e descendente, por meio de interposta pessoa, também é</p><p>ato jurídico anulável, devendo ser aplicado o mesmo prazo decadencial de 2 anos previsto no art.</p><p>179 do CC. Isso porque a venda por interposta pessoa não é outra coisa que não a tentativa</p><p>reprovável de contornar-se a exigência da concordância dos demais descendentes e também do</p><p>cônjuge. Em outras palavras, é apenas uma tentativa de se eximir da regra do art. 496 do CC, razão</p><p>pela qual deverá ser aplicado o mesmo prazo decadencial de 2 anos.</p><p>ITEM 162</p><p>A existência de contrato de arrendamento mercantil do bem móvel, ainda que verificada a</p><p>prescrição da dívida, impede a aquisição de sua propriedade pela usucapião.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Exemplo: João celebrou contrato de arrendamento mercantil com o banco para aquisição de</p><p>um automóvel; em 1998, o arrendatário deixou de pagar as prestações; o arrendador tinha o prazo</p><p>de 5 anos para ajuizar ação de cobrança, ou seja, até 2003; até essa data (2003), não se podia falar</p><p>em usucapião; a partir de 2003, como o arrendador já não mais poderia ajuizar a ação de cobrança,</p><p>entende-se que cessaram os vícios que maculavam a posse do arrendatário; logo, a partir de 2003</p><p>começou a ser contado o prazo de usucapião; como o prazo de usucapião extraordinário de bem</p><p>móvel é de 5 anos, o arrendatário adquiriu a propriedade por usucapião em 2008.</p><p>ITEM 163</p><p>O espólio possui legitimidade passiva ad causam na ação de ressarcimento de remuneração</p><p>indevidamente paga após a morte de ex-servidor e recebida por seus herdeiros.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A restituição de quantia recebida indevidamente é um dever de quem se enriqueceu sem</p><p>causa (art.884 do CC). De acordo com as alegações do ente público, a vantagem econômica foi</p><p>auferida pelos herdeiros do ex-servidor.</p><p>O ex-servidor</p><p>público não tinha mais personalidade jurídica quando o Distrito Federal</p><p>depositou a quantia ora pleiteada considerando que estava morto (art. 6º do CC).</p><p>Se o saque indevido da quantia disponibilizada pelo Poder Público não pode ser imputado</p><p>ao falecido (não foi decorrente de qualquer ato do falecido), o espólio não pode ser obrigado a</p><p>restituir. Isso porque o espólio é obrigado a cumprir as dívidas do autor da herança por força do art.</p><p>796 do CPC/2015.</p><p>Logo, se o espólio não pode ser vinculado, nem mesmo abstratamente, ao dever de restituir,</p><p>ele não pode ser considerado parte legítima nesta ação nos termos do art. 17 do CPC/2015.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.679.501/GO, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 10/03/2020 (Info 667).</p><p>A existência de contrato de arrendamento mercantil do bem móvel impede a aquisição de sua</p><p>propriedade pela usucapião, contudo, verificada a prescrição da dívida, inexiste óbice legal</p><p>para prescrição aquisitiva.</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.528.626/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, j.</p><p>17/12/2019 (Info 667).</p><p>O espólio não possui legitimidade passiva ad causam na ação de ressarcimento de</p><p>remuneração indevidamente paga após a morte de ex-servidor e recebida por seus herdeiros.</p><p>STJ. 2ª Turma. REsp 1.805.473/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 03/03/2020 (Info 667).</p><p>93</p><p>ITEM 164</p><p>É válido o testamento particular que, a despeito de não ter sido assinado de próprio punho pela</p><p>testadora, contou com a sua impressão digital.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A regra segundo a qual a assinatura de próprio punho é requisito de validade do testamento</p><p>particular, pois, traz consigo a presunção de que aquela é a real vontade do testador, tratando-se,</p><p>todavia, de uma presunção juris tantum, admitindo-se, ainda que excepcionalmente, a prova de que,</p><p>se porventura ausente a assinatura nos moldes exigidos pela lei, ainda assim era aquela a real</p><p>vontade do testador.</p><p>É preciso, pois, repensar o direito civil codificado à luz da nossa atual realidade social, sob</p><p>pena de se conferirem soluções jurídicas inexequíveis, inviáveis ou simplesmente ultrapassadas</p><p>pelos problemas trazidos pela sociedade contemporânea.</p><p>No caso, a despeito da ausência de assinatura de próprio punho do testador e de o</p><p>testamento ter sido lavrado a rogo e apenas com a aposição de sua impressão digital, não havia</p><p>dúvida acerca da manifestação de última vontade da testadora que, embora sofrendo com limitações</p><p>físicas, não possuía nenhuma restrição cognitiva.</p><p>ITEM 165</p><p>Compete à Justiça comum julgar as demandas relativas a plano de saúde de autogestão empresarial,</p><p>exceto quando o benefício for instituído em contrato de trabalho, convenção ou acordo coletivo,</p><p>hipótese em que a competência será da Justiça do Trabalho, ainda que figure como parte trabalhador</p><p>aposentado ou dependente do trabalhador.</p><p>Gabarito: DIVERGÊNCIA (conta como nula)</p><p>É válido o testamento particular que, a despeito de não ter sido assinado de próprio punho</p><p>pela testadora, contou com a sua impressão digital.</p><p>STJ. 2ª Seção. REsp 1.633.254/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 11/03/2020 (Info 667).</p><p>Compete à Justiça comum julgar as demandas relativas a plano de saúde de autogestão</p><p>empresarial, exceto quando o benefício for instituído em contrato de trabalho, convenção ou</p><p>acordo coletivo, hipótese em que a competência será da Justiça do Trabalho, ainda que</p><p>figure como parte trabalhador aposentado ou dependente do trabalhador.</p><p>STJ. 2ª Seção. REsp 1.799.343/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy</p><p>Andrighi, j. 11/03/2020, Incidente de Assunção de Competência: Tema 5 (Info 668).</p><p>Vale ressaltar, contudo, que temos aqui uma “polêmica”. No mesmo dia, na mesma sessão de</p><p>julgamento, a 2ª Seção apreciou o CC 165.863/SP no qual foram redigidas teses aparentemente</p><p>contraditórias com as do REsp 1.799.343/SP. Compare:</p><p>Compete à Justiça comum o julgamento das demandas entre usuário e operadora de plano</p><p>de saúde, sendo irrelevante a existência de norma acerca da assistência à saúde em contrato</p><p>de trabalho, acordo ou convenção coletiva.</p><p>Na definição da competência do julgamento das demandas entre usuário e operadora de</p><p>plano de saúde, é irrelevante a distinção entre trabalhador ativo, aposentado ou dependente</p><p>do trabalhador.</p><p>STJ. 2ª Seção. CC 165.863/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 11/03/2020, Incidente de</p><p>Assunção de Competência: Tema 5 (Info 667).</p><p>94</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 166</p><p>Compete à Justiça estadual, em sede de reconvenção proposta na ação de abstenção de uso de</p><p>marca, afastar o pedido da proprietária da marca, declarando a nulidade do registro ou</p><p>irregularidade da marca.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A Justiça Estadual não pode, ao julgar uma ação de abstenção de uso de marca, negar o</p><p>pedido da proprietária da marca utilizando como argumento que o registro dessa marca conteria</p><p>uma nulidade ou irregularidade.</p><p>A competência para examinar eventual nulidade do registro de uma marca é da Justiça</p><p>Federal. Isso porque, nessa situação, haverá interesse jurídico do INPI na demanda, considerando</p><p>que foi essa autarquia federal que concedeu o registro, incidindo, portanto, na hipótese do art. 109,</p><p>I, da CF/88.</p><p>Caso concreto: uma escola propôs ação pedindo para que outra empresa de educação não</p><p>utilizasse o termo “Poliedro” como marca; o TJ julgou o pedido improcedente afirmando que essa</p><p>palavra não poderia ter sido registrada como marca; logo, o registro seria nulo.</p><p>ITEM 167</p><p>O pagamento de remuneração a funcionários fantasmas não configura apropriação ou desvio de</p><p>verba pública.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Nos termos do art. 1º, inciso I, do Decreto-Lei n. 201/1967, constitui crime de</p><p>responsabilidade dos prefeitos apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito</p><p>próprio ou alheio.</p><p>Ocorre que pagar ao servidor público não constitui desvio ou apropriação da renda pública,</p><p>tratando-se, pois, de obrigação legal.</p><p>Ademais, a forma de provimento, direcionada ou não, em fraude ou não, é questão diversa,</p><p>passível inclusive de sanções administrativas ou civis, mas não de sanção penal.</p><p>De outro lado, a não prestação de serviços por servidor tampouco configura o crime</p><p>discutido, também sendo passível de responsabilização funcional e até demissão.</p><p>Nesse contexto, verifica-se que a conduta em análise não se subsume à norma em questão.</p><p>Dessa forma, o pagamento de salário não configura apropriação ou desvio de verba pública,</p><p>previstos pelo art. 1º, inciso I, do Decreto-Lei n. 201/1967, pois a remuneração é devida, ainda que</p><p>questionável a contratação de parentes do Prefeito.</p><p>Foram opostos embargos de declaração nos dois processos, de forma que o tema deverá ser</p><p>esclarecido em breve. Penso, contudo, que irá prevalecer a redação da tese fixada no REsp</p><p>1.799.343/SP porque reflete o entendimento presentes em outros julgados do STJ.</p><p>Não compete à Justiça estadual, em sede de reconvenção proposta na ação de abstenção de</p><p>uso de marca, afastar o pedido da proprietária da marca, declarando a nulidade do registro</p><p>ou irregularidade da marca</p><p>STJ. 4ª Turma. REsp 1.393.123/SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. 18/02/2020 (Info 667)</p><p>O pagamento de remuneração a funcionários fantasmas não configura apropriação ou</p><p>desvio de verba pública, previstos pelo art. 1º, inciso I, do Decreto-Lei n. 201/1967.</p><p>STJ. 6ª Turma.AgRg no AREsp 1.162.086/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 05/03/2020 (Info 667).</p><p>95</p><p>ITEM 168</p><p>Compete à Justiça Federal julgar crimes relacionados à oferta pública de contrato de investimento</p><p>coletivo em criptomoedas.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Se a denúncia imputa a oferta pública de contrato de investimento coletivo (sem prévio</p><p>registro), não há dúvida de que incide as disposições contidas na Lei nº 7.492/86 (Lei de Crimes</p><p>contra o Sistema Financeiro), especialmente porque essa espécie de contrato caracteriza valor</p><p>mobiliário, nos termos do art. 2º, IX, da Lei nº 6.385/76.</p><p>Logo, compete à Justiça Federal apurar os crimes relacionados</p><p>com essa conduta.</p><p>ITEM 169</p><p>Se a ré pratica o crime de poluição qualificada e não toma providências para reparar o dano,</p><p>entende-se que continua praticando ato ilícito em virtude da sua omissão, devendo, portanto, ser</p><p>considerado que se trata de crime permanente.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Os delitos previstos no:</p><p>- art. 54, § 2º, I, II, III e IV e § 3º e</p><p>- art. 56, § 1º, I e II,</p><p>- cumulados com a causa de aumento de pena do art. 58, I, da Lei nº 9.605/98,</p><p>... que se resumem na ação de causar poluição ambiental que provoque danos à população e</p><p>ao próprio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas na legislação de proteção, e na</p><p>omissão em adotar medidas de precaução nos casos de risco de dano grave ou irreversível ao</p><p>ecossistema,</p><p>... são crimes de natureza permanente, para fins de aferição da prescrição.</p><p>Caso concreto: a empresa ré armazenou inadequadamente causando grave poluição da área</p><p>degradada, sendo que, até o momento de prolação do julgado, não havia tomado providências para</p><p>reparar o dano, caracterizando a continuidade da prática infracional. Desse modo, constata-se que o</p><p>crime de poluição qualificada é permanente, ainda que por omissão da ré, que foi prontamente</p><p>notificada a reparar o dano causado, mas não o fez.</p><p>ITEM 170</p><p>Cabe mandado de segurança contra decisão do juiz de 1ª instância que defere ou indefere o</p><p>desbloqueio de bens e valores.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Compete à Justiça Federal julgar crimes relacionados à oferta pública de contrato de</p><p>investimento coletivo em criptomoedas.</p><p>STJ. 6ª Turma. HC 530.563/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 05/03/2020 (Info 667).</p><p>As condutas delituosas previstas nos artigos 54, § 1º, I, II, III e IV e § 3º e 56, § 1º, I e II, c/c</p><p>58, I, da Lei n. 9.605/1998, que se resumem na ação de causar poluição ambiental que</p><p>provoque danos à população e ao próprio ambiente, em desacordo com as exigências</p><p>estabelecidas na legislação de proteção, e na omissão em adotar medidas de precaução nos</p><p>casos de risco de dano grave ou irreversível ao ecossistema, são de natureza permanente,</p><p>para fins de aferição da prescrição.</p><p>STJ. 5ª Turma.AgRg no REsp 1.847.097/PA, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 05/03/2020 (Info</p><p>667).</p><p>96</p><p>Não é admissível a impetração de mandado de segurança contra ato jurisdicional que defere</p><p>o desbloqueio de bens e valores. Isso porque se trata de decisão definitiva que, apesar de não julgar</p><p>o mérito da ação, coloca fim ao procedimento incidente.</p><p>O procedimento adequado para a restituição de bens é o incidente legalmente previsto para</p><p>este fim. O instrumento processual para impugnar a decisão que resolve esse incidente é a apelação,</p><p>sendo incabível a utilização de mandado de segurança como sucedâneo do recurso legalmente</p><p>previsto.</p><p>ITEM 171</p><p>Na ação na qual se discute a exclusão da Complemento Temporário Variável Ajuste de Mercado</p><p>(CTVA) do salário de contribuição do autor, fato que terá repercussão financeira em sua</p><p>aposentadoria, a ação deverá ser apreciada primeiramente na Justiça do Trabalho para definir se a</p><p>verba é salarial.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Caso concreto: ação proposta na Justiça do Trabalho em face da CEF e da FUNCEF na</p><p>qual o autor pretende a inclusão da verba denominada CTVA - Complemento Temporário Variável</p><p>Ajuste de Mercado na composição de salário de participação, com os devidos reflexos no cálculo de</p><p>benefício de complementação de aposentadoria.</p><p>Essa demanda cumula pretensões de natureza distintas, havendo um pedido antecedente de</p><p>reconhecimento da natureza salarial da verba CTVA, com a condenação da empregadora (CEF) em</p><p>aportar contribuições previdenciárias, e um pedido consequente de recálculo do valor do benefício</p><p>de suplementação de aposentadoria a cargo da entidade de previdência privada (FUNCEF).</p><p>Em hipóteses como essa, em se tratando de cumulação de pedidos envolvendo matérias de</p><p>diferentes competências, deve a ação prosseguir primeiramente na Justiça Especializada (Justiça do</p><p>Trabalho), para o exame das pretensões derivadas da relação de trabalho.</p><p>Em seguida, o autor poderá ajuizar nova ação perante a Justiça Comum com vistas ao</p><p>deslinde da controvérsia relativa ao reajuste do benefício de suplementação de aposentadoria.</p><p>Aplica-se, com as adaptações necessárias, o disposto na Súmula 170/STJ: Compete ao juízo</p><p>onde primeiro for intentada a ação envolvendo acumulação de pedidos, trabalhista e estatutário,</p><p>decidi-la nos limites da sua jurisdição, sem prejuízo de nova causa, com pedido remanescente, no</p><p>juízo próprio.</p><p>ITEM 172</p><p>Estrangeiro que tenha filho brasileiro que esteja sob sua guarda ou dependência pode ser expulso,</p><p>desde que o nascimento tenha ocorrido após os fatos que ensejaram a expulsão.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Não é admissível a impetração de mandado de segurança contra ato jurisdicional que defere</p><p>o desbloqueio de bens e valores.</p><p>STJ. 6ª Turma. REsp 1.787.449/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 10/03/2020 (Info 667).</p><p>Ação que pleiteia exclusão da parcela do Complemento Temporário Variável de Ajuste ao</p><p>Piso de Mercado - CTVA do salário de contribuição compete ao primeiro juízo em que for</p><p>ajuizada, trabalhista ou federal, nos limites da sua jurisdição.</p><p>STJ. 2ª Seção. CC 158.327/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 11/03/2020 (Info 667).</p><p>Para a configuração das hipóteses legais de inexpulsabilidade não é exigível a</p><p>contemporaneidade dessas mesmas causas em relação aos fatos que deram ensejo ao ato</p><p>expulsório.</p><p>97</p><p>Estrangeiro que tenha filho brasileiro que esteja sob sua guarda ou dependência não pode</p><p>ser expulso mesmo que o nascimento tenha ocorrido após os fatos que ensejaram a expulsão.</p><p>Deve-se aplicar o princípio da prioridade absoluta ao atendimento dos direitos e interesses</p><p>da criança e do adolescente, previsto no art. 227 da CF/1988, em cujo rol se encontra o direito à</p><p>convivência familiar, o que justifica, no caso, uma solução que privilegie a permanência da genitora</p><p>em território brasileiro, em consonância com a doutrina da proteção integral insculpida no art. 1º do</p><p>ECA.</p><p>Caso concreto: portaria de expulsão do estrangeiro foi publicada em 2017; enquanto</p><p>aguardava a efetivação da expulsão, esse estrangeiro teve um filho brasileiro, nascido em 2019; a</p><p>Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), em seu art. 55, II, “a”, proíbe a expulsão caso o estrangeiro</p><p>tenha filho brasileiro e ele esteja sob a sua guarda ou dependência econômica ou socioafetiva; muito</p><p>embora a portaria de expulsão tenha sido editada antes do nascimento do filho brasileiro, o certo é</p><p>que não se pode exigir para a configuração das hipóteses legais de inexpulsabilidade a</p><p>contemporaneidade dessas mesmas causas em relação aos fatos que deram ensejo ao ato expulsório.</p><p>ITEM 173</p><p>Mesmo depois de terem-se passado mais de 5 anos, a Administração Pública pode anular a anistia</p><p>política concedida quando se comprovar a ausência de perseguição política, assegurada a devolução</p><p>das verbas já recebidas, desde que respeitado o devido processo legal.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 817.338, submetido ao rito da</p><p>repercussão geral, definiu a tese segundo a qual "no exercício do seu poder de autotutela, poderá a</p><p>Administração Pública rever os atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica com</p><p>fundamento na Portaria n. 1.104/1964, quando comprovada a ausência de ato com motivação</p><p>exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido</p><p>processo legal e a não devolução das verbas já recebidas" (Tema n. 839/STF).</p><p>Assim, seguindo a orientação do STF, ocorrendo violação direta do art. 8º do ADCT, é</p><p>possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública, mesmo quando decorrido o prazo</p><p>decadencial contido na Lei n. 9.784/1999.</p><p>ITEM 174</p><p>Nos casos de preterição de candidato na nomeação em concurso público, o termo inicial do prazo</p><p>prescricional quinquenal recai na data em que foi empossado outro servidor no lugar do aprovado</p><p>no certame.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>STJ.</p><p>1ª Seção. HC 452.975/DF, Rel. Min. Og Fernandes, j. 12/02/2020 (Info 667).</p><p>É possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública, evidenciada a violação</p><p>direta do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido o prazo decadencial contido na Lei n.</p><p>9.784/1999.</p><p>STJ. 1ª Seção. MS 19.070/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og</p><p>Fernandes, j. 12/02/2020 (Info 668).</p><p>Nos casos de preterição de candidato na nomeação em concurso público, o termo inicial do</p><p>prazo prescricional quinquenal recai na data em que foi nomeado outro servidor no lugar do</p><p>aprovado no certame.</p><p>STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.643.048/GO, Rel. Min. Assusete Magalhães, j. 05/03/2020 (Info</p><p>668).</p><p>98</p><p>A controvérsia cinge-se a definir acerca do prazo prescricional aplicável, e seu termo a quo,</p><p>nos casos de preterição de nomeação de candidato aprovado em concurso público.</p><p>De início, as normas previstas na Lei n. 7.144/1983 aplicam-se meramente a atos</p><p>concernentes ao concurso público, nos quais não se insere a preterição ao direito público subjetivo</p><p>de nomeação para o candidato aprovado e classificado dentro do número de vagas ofertadas no</p><p>edital de abertura, hipótese na qual aplica-se o prazo prescricional de 5 anos do Decreto n.</p><p>20.910/1932</p><p>Ademais, havendo preterição de candidato em concurso público, o termo inicial do prazo</p><p>prescricional recai na data em que foram nomeados outros servidores no lugar dos aprovados na</p><p>disputa.</p><p>ITEM 175</p><p>É legal a internação de adolescente gestante ou com o filho em amamentação, desde que assegurada</p><p>atenção integral à sua saúde, bem como as condições necessárias para que permaneça com seu filho</p><p>durante o período de amamentação.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Inicialmente, anota-se que não há impeditivo legal para a internação de adolescente gestante</p><p>ou com filho em amamentação, desde que seja garantida atenção integral à (espaço) sua saúde, além</p><p>de asseguradas as condições necessárias para que a paciente permaneça com o seu filho durante o</p><p>período de amamentação (arts. 60 e 63 da Lei n. 12.594/2012 – SINASE).</p><p>Com o advento da Lei n. 13.257/2016, nomeada Estatuto da Primeira Infância, o rol de</p><p>hipóteses em que é permitida a inserção da mãe em um regime de prisão domiciliar foi ampliado,</p><p>ficando evidente o compromisso do legislador com a proteção da criança e seu desenvolvimento</p><p>nos primeiros anos de vida. Ademais, os adolescentes gozam de todos os direitos fundamentais</p><p>inerentes à pessoa humana, de maneira que as garantias processuais asseguradas àquele que atingiu</p><p>a maioridade poderiam ser aplicadas aos menores infratores, em atenção ao disposto no art. 3º da</p><p>Lei n. 8.069/1990.</p><p>Assim, a gravidade do ato infracional praticado e as adequadas condições em que a medida</p><p>socioeducativa é cumprida, afastam a ilegalidade da aplicação da medida de internação.</p><p>ITEM 176</p><p>Cabe agravo de instrumento contra a decisão que aplica multa por ato atentatório à dignidade da</p><p>justiça pelo não comparecimento à audiência de conciliação.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O legislador de 2015, ao levar a efeito profunda reforma no regime processual e recursal,</p><p>notadamente no agravo de instrumento, pretendeu incrementar a fluidez e celeridade do processo.</p><p>Assim, ao se referir ao "mérito", no inciso II do art. 1.015 do CPC, o legislador tratou das</p><p>questões de fundo, ligadas ao pedido formulado pelas partes e que seriam objeto de resolução</p><p>quando da prolação da sentença, mas que acabam por ser analisadas antes, na via interlocutória,</p><p>É legal a internação de adolescente gestante ou com o filho em amamentação, desde que</p><p>assegurada atenção integral à sua saúde, bem como as condições necessárias para que</p><p>permaneça com seu filho durante o período de amamentação.</p><p>STJ. 5ª Turma. HC 543.279/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 10/03/2020 (Info 668).</p><p>Não cabe agravo de instrumento contra a decisão que aplica multa por ato atentatório à</p><p>dignidade da justiça pelo não comparecimento à audiência de conciliação.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.762.957/MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 10/03/2020 (Info</p><p>668).</p><p>99</p><p>consubstanciando as conhecidas sentenças parciais ou julgamento antecipado parcial de mérito.</p><p>No entanto, a decisão que aplica a multa do art. 334, § 8º, do CPC, à parte que deixa de</p><p>comparecer à audiência de conciliação, sem apresentar justificativa adequada, não há de ser incluída</p><p>no inciso II do art. 1.015 do CPC e, se assim se entendesse, restaria esvaziada a intenção de</p><p>celeridade do legislador, devolvendo-se de modo imediato questão que poderia ser revista</p><p>oportunamente em sede de apelação.</p><p>Ademais, a alegação de que haveria urgência no enfrentamento da decisão que fixa multa</p><p>por ato atentatório à dignidade da justiça, tendo em vista a possibilidade de execução do valor a que</p><p>condenada a parte não se sustenta, uma vez que o §3º do art. 77 do CPC é bastante claro ao prever</p><p>que a multa somente será inscrita como dívida ativa da União ou do Estado após o trânsito em</p><p>julgado da decisão que a fixou.</p><p>ITEM 177</p><p>Nos crime de sonegação fiscal de tributos federais, o STJ entende que o aumento de pena por dano</p><p>grave à coletividade (art. 12, I, da Lei nº 8.137/90) requer dívida igual ou superior a 1 milhão de</p><p>reais.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 prevê que a pena do crime de sonegação fiscal (art. 1º, I, da</p><p>Lei nº 8.137/90) deverá ser aumentada no caso de o delito “ocasionar grave dano à coletividade”. A</p><p>jurisprudência entende que se configura a referida causa de aumento quando o agente deixa de</p><p>recolher aos cofres públicos uma vultosa quantia. Em outras palavras, se o valor sonegado foi alto,</p><p>incide a causa de aumento do art. 12, I.</p><p>Nesse cálculo deve-se incluir também os juros e multa:</p><p>Para os fins da majorante do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 (grave dano à coletividade), o</p><p>dano tributário deve ser valorado considerando seu valor atual e integral, incluindo os acréscimos</p><p>legais de juros e multa.</p><p>A Portaria nº 320, editada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, prevê que os</p><p>contribuintes que estão devendo acima de R$ 1 milhão são considerados “grandes devedores” e</p><p>devem receber tratamento prioritário na atuação dos Procuradores.</p><p>O STJ utiliza, então, essa Portaria como parâmetro para analisar a incidência ou não da</p><p>causa de aumento do art. 12, I:</p><p>A majorante do grave dano à coletividade, trazida pelo art. 12, I, da Lei nº 8.137/90, deve se</p><p>restringir a situações especiais de relevante dano. Desse modo, é possível, para os tributos federais,</p><p>A majorante de grave dano à coletividade, tratando-se de tributos estaduais ou municipais, é</p><p>objetivamente aferível pela admissão na Fazenda local de crédito prioritário ou destacado</p><p>(como grande devedor).</p><p>STJ. 3ª Seção. REsp 1.849.120/SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 11/03/2020 (Info 668).</p><p>CUIDADO!</p><p>O STF comunga do mesmo entendimento e utiliza como parâmetro esses atos infralegais que</p><p>definem “grandes devedores”?</p><p>Não. Existe julgado do STF no qual foi afastado esse critério:</p><p>“Quanto à Portaria 320/2008 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, anoto que essa</p><p>norma infralegal apenas dispõe sobre o Projeto Grandes Devedores no âmbito da PGFN,</p><p>conceituando, para os seus fins, os “grandes devedores”, com o objetivo de estabelecer, na</p><p>Secretaria da Receita Federal do Brasil, método de cobrança prioritário a esses sujeitos</p><p>passivos de vultosas obrigações tributárias, sem limitar ou definir, no entanto, o grave dano à</p><p>coletividade, ao contrário do que afirma o impetrante.”</p><p>STF. 2ª Turma. HC 129.284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 17/10/2017 (Info 882).</p><p>100</p><p>utilizar, analogamente, o critério previsto no art. 14 da Portaria 320/PGFN, por meio do qual se</p><p>definiu administrativamente os créditos prioritários como sendo aqueles de valor igual ou superior a</p><p>R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).</p><p>E se a sonegação fiscal envolver tributos estaduais ou municipais, como deverá ser o</p><p>parâmetro nesses casos?</p><p>Em se tratando de tributos estaduais ou municipais,</p><p>de herança não configura</p><p>negócio jurídico processual atípico.</p><p>106. O inventário extrajudicial é vedado</p><p>quando existir testamento.</p><p>107. A ausência de informação relativa ao</p><p>preço pode, por si só, caracterizar publicidade</p><p>enganosa.</p><p>108. O administrador judicial é responsável</p><p>pela prestação de contas da massa falida ao</p><p>juízo a partir do momento de sua nomeação,</p><p>incluídos os atos realizados pelo gerente na</p><p>continuidade provisória das atividades.</p><p>9</p><p>109. Compete ao juízo da recuperação judicial</p><p>o julgamento de tutela de urgência que tem por</p><p>objetivo antecipar o início do stay period.</p><p>110. Desde que prove ter apresentado a</p><p>classificação indicativa do programa</p><p>televisivo, emissora de TV não pode ser</p><p>condenada ao pagamento de indenização por</p><p>danos morais coletivos em razão da exibição</p><p>de filme fora do horário recomendado pelo</p><p>Ministério da Justiça.</p><p>111. Texto para a questão:</p><p>Código de Processo Civil - Art. 523. No caso</p><p>de condenação em quantia certa, ou já fixada</p><p>em liquidação, e no caso de decisão sobre</p><p>parcela incontroversa, o cumprimento</p><p>definitivo da sentença far-se-á a requerimento</p><p>do exequente, sendo o executado intimado</p><p>para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze)</p><p>dias, acrescido de custas, se houver.</p><p>§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no</p><p>prazo do caput , o débito será acrescido de</p><p>multa de dez por cento e, também, de</p><p>honorários de advogado de dez por cento.</p><p>(…)</p><p>Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do</p><p>CPC, é preciso a efetiva resistência do</p><p>executado ao cumprimento de sentença</p><p>112. Não tendo sido prestada garantia real, é</p><p>desnecessária a citação em ação de execução,</p><p>como litisconsorte passivo necessário, do</p><p>cônjuge que apenas autorizou seu consorte a</p><p>prestar aval.</p><p>113. Na hipótese de revogação do mandato dos</p><p>patronos da parte no curso da ação, não é</p><p>possível a execução da verba honorária nos</p><p>próprios autos da demanda extinta em</p><p>decorrência da sentença homologatória de</p><p>transação firmada entre as partes, a qual não</p><p>dispôs sobre os honorários.</p><p>114. A competência para julgar estelionato que</p><p>ocorre mediante depósito ou transferência</p><p>bancária é do local da agência beneficiária do</p><p>depósito ou transferência bancária.</p><p>115. Para que se configure o crime de “atos</p><p>preparatórios de terrorismo” exige-se que o</p><p>sujeito tenha agido por razões de xenofobia,</p><p>discriminação ou preconceito de raça, cor,</p><p>etnia e religião.</p><p>116. É cabível a realização de audiência de</p><p>custódia por meio de videoconferência.</p><p>117. Ofende o enunciado do non reformatio in</p><p>pejus indireta o aumento da pena através de</p><p>decisão em recurso especial interposto pelo</p><p>Ministério Público contra rejulgamento de</p><p>apelação que não alterou reprimenda do</p><p>acórdão anterior, que havia transitado em</p><p>julgado para a acusação e que veio a ser</p><p>anulado por iniciativa exclusiva da defesa.</p><p>118. A Defensoria Pública da União só pode</p><p>atuar nos processos das Defensorias Públicas</p><p>estaduais se a respectiva Defensoria Pública</p><p>estadual não tiver representação em Brasília e</p><p>não tiver aderido ao Portal de Intimações</p><p>Eletrônicas do STJ.</p><p>119. A União, na condição de acionista</p><p>controladora da Petrobras, pode ser submetida</p><p>à cláusula compromissória arbitral prevista no</p><p>Estatuto Social da Companhia.</p><p>120. Proprietário que aceita que seu bem de</p><p>família sirva como garantia de um contrato de</p><p>alienação fiduciária em garantia não pode,</p><p>posteriormente, alegar que esse ato de</p><p>disposição foi ilegal.</p><p>121. A ação de despejo não exige a formação</p><p>de litisconsórcio ativo necessário.</p><p>122. É nula a cláusula de convenção do</p><p>condomínio outorgada pela própria construtora</p><p>que prevê a redução da taxa condominial das</p><p>suas unidades imobiliárias ainda não</p><p>comercializadas.</p><p>123. A concessão de guarda do menor implica</p><p>automática destituição do poder-dever familiar</p><p>dos pais para representá-lo em juízo.</p><p>124. Ainda que tenha renunciado a herança,</p><p>subsiste a legitimidade para se pleitear</p><p>eventual nulidade de negócio jurídico que</p><p>envolva um dos bens que integram o</p><p>patrimônio do de cujus.</p><p>125. A sanção de restituição em dobro,</p><p>prevista no art. 940 do Código Civil, não pode</p><p>ser aplicada a casos envolvendo consumidor.</p><p>10</p><p>126. O cômputo do período de dois anos de</p><p>exercício da atividade econômica, para fins de</p><p>recuperação judicial, aplicável ao produtor</p><p>rural, inclui aquele anterior ao registro do</p><p>empreendedor.</p><p>127. O requerimento de inclusão do nome do</p><p>executado em cadastros de inadimplentes, nos</p><p>termos do que dispõe o art. 782, § 3º, do CPC/</p><p>2015, depende da comprovação de prévia</p><p>recusa adminis t ra t iva das en t idades</p><p>mantenedoras do respectivo cadastro.</p><p>128. Tratando-se de condenação ao pagamento</p><p>de honorários sucumbenciais, exige-se do</p><p>cônjuge meeiro que não integrou a relação</p><p>processual da lide originária, para sua</p><p>desoneração, a comprovação de que a dívida</p><p>executada não foi contraída em benefício do</p><p>casal ou da família.</p><p>129. Pratica o crime de peculato-desvio o</p><p>Governador que determina que os valores</p><p>descontados dos contracheques dos servidores</p><p>para pagamento de empréstimo consignado</p><p>não sejam repassados ao banco, mas sim</p><p>utilizados para quitação de dívidas do Estado.</p><p>130. Na portaria de instauração do PAD não é</p><p>necessário que seja feita uma exposição</p><p>detalhada dos fatos que serão apurados.</p><p>131. É possível penhorar o bem de família</p><p>com base no inciso IV do art. 3º da Lei</p><p>8.009/90 se o débito de natureza tributária está</p><p>relacionado com outro imóvel que pertencia ao</p><p>devedor.</p><p>132. No seguro de vida em grupo, há</p><p>abusividade na cláusula que permite a não</p><p>renovação do contrato ou a renovação</p><p>condicionada a reajuste por faixa etária.</p><p>133. O arrendatário é o responsável final pelo</p><p>pagamento das despesas, junto a pátio privado,</p><p>com a remoção e a estadia do automóvel</p><p>apreendido em ação de reintegração de posse.</p><p>134. O rol de procedimentos e eventos em</p><p>saúde da Agência Nacional de Saúde</p><p>Suplementar - ANS não é meramente</p><p>exemplificativo.</p><p>135. Se a matriz havia sido condenada a</p><p>publicar contrapropaganda, mas encerrou suas</p><p>atividades, essa condenação poderá ser</p><p>redirecionada para a filial.</p><p>136. Seguradora que não recebeu os prêmios</p><p>arrecadados por empresa que atuou como</p><p>representante de seguros terá que receber esse</p><p>crédito segundo o plano de recuperação</p><p>judicial caso a representante entre em</p><p>recuperação judicial.</p><p>137. Os créditos decorrentes da prestação de</p><p>serviços contábeis e afins, quando titularizados</p><p>por sociedade simples, não podem ser</p><p>equiparados aos créditos trabalhistas para</p><p>efeitos de sujeição ao processo de recuperação</p><p>judicial.</p><p>138. A simples referência à existência de</p><p>feriado local previsto em Regimento Interno e</p><p>em Código de Organização Judiciária Estadual</p><p>não é suficiente para a comprovação de</p><p>tempestividade do recurso especial nos moldes</p><p>do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015.</p><p>139. Na ação rescisória fundada em literal</p><p>violação de lei, não cabe o reexame de toda a</p><p>decisão rescindenda, para verificar se nela</p><p>haveria outras violações à lei não alegadas</p><p>pelo demandante, salvo na hipótese de se tratar</p><p>de questão de ordem pública.</p><p>140. No cálculo dos honorários advocatícios</p><p>devidos na fase de cumprimento de sentença,</p><p>após escoado o prazo legal para o pagamento</p><p>voluntário da obrigação, devem ser incluídas</p><p>as parcelas vincendas da dívida.</p><p>141. Em ação civil pública, é possível a</p><p>substituição da associação autora por outra</p><p>associação caso a primeira venha a ser</p><p>dissolvida.</p><p>142. Em regra, não se aplica o princípio da</p><p>insignificância ao furto qualificado, salvo</p><p>quando presentes circunstâncias excepcionais</p><p>que recomendam a medida.</p><p>143. No crime de homicídio, a qualificadora</p><p>do meio cruel é incompatível com o dolo</p><p>eventual.</p><p>144. O benefício fiscal que trata do Regime</p><p>Especial de Reintegração de Valores</p><p>Tributários para as Empresas Exportadoras</p><p>(REINTEGRA) alcança as operações de venda</p><p>11</p><p>de mercadorias de origem nacional para a</p><p>Zona Franca de Manaus, para consumo,</p><p>industrialização ou reexportação para o</p><p>estrangeiro.</p><p>o critério deve ser, por equivalência,</p><p>aquele definido como prioritário ou de destacados créditos (grandes devedores) para a fazenda</p><p>local.</p><p>Dito de outro modo, em caso de tributos estaduais ou municipais, não se de deve utilizar a</p><p>Portaria 320/PGFN, mas sim os eventuais atos normativos estaduais e municipais que definam o</p><p>que sejam “grandes devedores” para o Fisco local.</p><p>ITEM 178</p><p>Não cabe reclamação para o controle da aplicação de entendimento firmado pelo STJ em recurso</p><p>especial repetitivo.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>No período de vacatio legis do CPC/2015, houve a supressão do cabimento da reclamação</p><p>para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que</p><p>pese a mesma Lei n. 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de</p><p>admissibilidade – consistente no esgotamento das instâncias ordinárias – à hipótese que acabara de</p><p>excluir.</p><p>Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC n. 95/1998, não há coerência</p><p>e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988, do CPC, com a redação dada pela Lei n.</p><p>13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram</p><p>elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia anunciando que</p><p>trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação.</p><p>De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que foi editada a Lei n.</p><p>13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação</p><p>dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas,</p><p>tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição.</p><p>Outrossim, a admissão da reclamação, na hipótese em comento, atenta contra a finalidade da</p><p>instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de</p><p>racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos</p><p>litígios.</p><p>Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo mediante</p><p>julgamento por amostragem, a interpretação da lei federal que deve ser obrigatoriamente observada</p><p>pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a</p><p>incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto.</p><p>Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se</p><p>dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal</p><p>local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/2015.</p><p>Não cabe reclamação para o controle da aplicação de entendimento firmado pelo STJ em</p><p>recurso especial repetitivo.</p><p>STJ. Corte Especial. Rcl 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, J. 05/02/2020 (Info 669).</p><p>101</p><p>ITEM 179</p><p>O crédito de honorários advocatícios sucumbenciais constituído após o pedido de recuperação</p><p>judicial está submetido ao juízo recuperacional, ressalvando-se o controle dos atos expropriatórios</p><p>pelo juízo universal.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A Terceira Turma possui entendimento vacilante sobre o tema, inicialmente equiparando os</p><p>honorários sucumbenciais surgidos posteriormente à sentença, em desfavor da empresa</p><p>recuperanda, a créditos trabalhistas e submetendo-os aos efeitos da recuperação judicial.</p><p>De outra parte, a Quarta Turma e a Segunda Seção desta Corte Superior possuem</p><p>entendimento predominante no sentido de reconhecer que os honorários sucumbenciais surgidos</p><p>posteriormente ao pleito de recuperação judicial da empresa devedora não se sujeitam aos efeitos do</p><p>processo de soerguimento – são créditos extraconcursais –, incumbindo ao juízo da recuperação</p><p>exercer o controle dos atos expropriatórios na execução particular, entendimento, aliás, que foi</p><p>adotado pela Terceira Turma em seu julgamento mais recente sobre a questão (Aglnt nos EDcl no</p><p>REsp 1.649.186/RS, DJe 30/8/2019).</p><p>A Corte Especial do STJ, no julgamento do EAREsp 1.255.986/PR em decisão unânime,</p><p>concluiu que a sentença (ou o ato jurisdicional equivalente, na competência originária dos tribunais)</p><p>é o ato processual que qualifica o nascedouro do direito à percepção dos honorários advocatícios</p><p>sucumbenciais.</p><p>Dessarte, em exegese lógica e sistemática, se a sentença que arbitrou os honorários</p><p>sucumbenciais se deu posteriormente ao pedido de recuperação judicial, o crédito que dali emana,</p><p>necessariamente, nascerá com natureza extraconcursal, já que, nos termos do art. 49, caput, da Lei</p><p>n. 11.101/2005, sujeitam-se ao plano de soerguimento os créditos existentes na data do pedido de</p><p>recuperação judicial, ainda que não vencidos, e não os posteriores. Por outro lado, se a sentença que</p><p>arbitrou os honorários advocatícios for anterior ao pedido recuperacional, o crédito dali decorrente</p><p>deverá ser tido como concursal, devendo ser habilitado e pago nos termos do plano de recuperação</p><p>judicial.</p><p>ITEM 180</p><p>Têm direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins as pessoas jurídicas, inclusive</p><p>cooperativas, que produzam mercadorias por meio de processo de industrialização de grãos de soja,</p><p>milho e trigo adquiridos de pessoa física, cerealista ou cooperado pessoa física, enquanto os meros</p><p>cerealistas não têm direito ao crédito presumido.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A controvérsia veiculada diz respeito ao conceito de produção para fins de reconhecimento</p><p>do direito aos créditos presumidos de PIS/PASEP e Cofins de que trata o art. 8º, § 1º, I, § 4º, I, da</p><p>O crédito de honorários advocatícios sucumbenciais constituído após o pedido de</p><p>recuperação judicial não está submetido ao juízo recuperacional, ressalvando-se o controle</p><p>dos atos expropriatórios pelo juízo universal.</p><p>STJ. 2ª Seção. REsp 1.841.960/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Luis Felipe</p><p>Salomão, j. 12/02/2020 (Info 669).</p><p>Têm direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins as pessoas jurídicas, inclusive</p><p>cooperativas, que produzam mercadorias por meio de processo de industrialização de grãos</p><p>de soja, milho e trigo adquiridos de pessoa física, cerealista ou cooperado pessoa física,</p><p>enquanto os meros cerealistas não têm direito ao crédito presumido.</p><p>STJ. 2ª Turma. REsp 1.670.777/RS, Rel. Min. Og Fernandes, j. 15/10/2019 (info 669).</p><p>102</p><p>Lei n. 10.925/2004.</p><p>Depreende-se da leitura de referidos normativos que o legislador entende por produção a</p><p>atividade que modifica os produtos animais ou vegetais, transformando-os em outros.</p><p>Assim, para fazer jus ao benefício fiscal, a sociedade interessada deve produzir mercadorias,</p><p>ou seja, deve realizar processo de industrialização a partir de grãos de soja, milho e trigo adquiridos</p><p>de pessoa física, cooperado pessoa física ou cerealista, transformando-os em outros (v.g. óleo de</p><p>soja, farelo de soja, leite de soja, óleo de trigo, farinha de trigo, pães, massas, biscoitos, fubá,</p><p>polenta etc).</p><p>Nesse caminho, as atividades de limpeza, secagem, classificação e armazenagem não</p><p>ocasionam transformação do produto, enquadrando a sociedade na qualidade de mera cerealista e</p><p>atraindo a vedação de aproveitamento do crédito discutido.</p><p>ITEM 181</p><p>O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo</p><p>sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise</p><p>do pedido administrativo pelo Fisco.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Veja-se o que dispõe o art. 3º, § 10, da Lei n. 10.833/2003, que versa sobre a Cofins: "O</p><p>valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica,</p><p>servindo somente para dedução do valor devido da contribuição." (vide ainda o art. 15, II, dessa</p><p>mesma lei: "Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº</p><p>10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§</p><p>1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei;").</p><p>Ratificando essa previsão legal, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf</p><p>editou o Enunciado sumular n. 125, o qual dispõe que "No ressarcimento da COFINS e da</p><p>Contribuição para o PIS não cumulativas, não incide correção monetária ou juros, nos termos dos</p><p>artigos 13 e 15, VI, da Lei n. 10.833/2003".</p><p>A leitura do teor desses artigos deixa transparecer a existência de vedação legal à</p><p>atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes do referido</p><p>aproveitamento de crédito - seja qual for a modalidade escolhida pelo contribuinte: dedução,</p><p>compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro.</p><p>Convém ainda relembrar que a própria Corte Constitucional definiu que a correção</p><p>monetária não integra o núcleo constitucional da não cumulatividade dos tributos, sendo eventual</p><p>possibilidade de atualização de crédito escritural da competência discricionária do legislador</p><p>infraconstitucional.</p><p>Dessa forma, na falta de autorização legal específica, a regra é a impossibilidade de</p><p>correção monetária do crédito escritural.</p><p>Além disso, apenas como exceção, a jurisprudência deste STJ compreende pela</p><p>desnaturação do crédito escritural e, consequentemente, pela possibilidade de sua atualização</p><p>monetária, se ficar comprovada a resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do</p><p>crédito, por exemplo, se houve necessidade de o contribuinte ingressar em juízo para ser</p><p>reconhecido o seu direito ao creditamento, ou o transcurso do prazo de 360 dias de que dispõe o</p><p>O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de</p><p>tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias</p><p>para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007).</p><p>STJ. 1ª Seção. REsp 1.767.945/PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, j. 12/02/2020, Recurso Repetitivo:</p><p>Tema 1003 (Info 670).</p><p>103</p><p>Fisco para responder ao contribuinte, sem qualquer manifestação fazendária.</p><p>Por fim, esperar o transcurso do prazo de 360 dias não equivale a equiparar a correção</p><p>monetária a uma sanção, mas sim conceder prazo razoável ao Fisco para averiguar se o pedido de</p><p>ressarcimento protocolado vai ser confirmado ou rejeitado.</p><p>ITEM 182</p><p>O Ministério Público do Trabalho não tem legitimidade para atuar no âmbito do Superior Tribunal</p><p>de Justiça na condição de parte.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Os Ministérios Públicos dos Estados, consoante orientação firmada pelo Supremo Tribunal</p><p>Federal, em julgado sob a sistemática da repercussão geral, podem atuar, diretamente, na condição</p><p>de partes, perante os Tribunais Superiores, em razão da não existência de vinculação ou</p><p>subordinação entre o Parquet Estadual e o Ministério Público da União.</p><p>Tal conclusão, entretanto, não pode ser amoldada ao Ministério Público do Trabalho, órgão</p><p>vinculado ao Ministério Público da União, conforme dispõe o art. 128, I, b, da Constituição da</p><p>República. Com efeito, o Ministério Público do Trabalho integra a estrutura do Ministério Público</p><p>da União, atuando perante o Tribunal Superior do Trabalho, não tendo legitimidade para funcionar</p><p>no âmbito desta Corte Superior, atribuição essa reservada aos subprocuradores-gerais da República</p><p>integrantes do quadro do Ministério Público Federal.</p><p>ITEM 183</p><p>A preferência (art. 100, § 2º, da CF) garantida aos maiores de 60 anos, portadores de doença grave e</p><p>pessoas com deficiência, não pode ser reconhecida mais de uma vez em um mesmo precatório.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Quanto ao direito de preferência, na linha do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal</p><p>Federal, o STJ tem pacífico entendimento pela possibilidade de haver, mais de uma vez, o</p><p>reconhecimento ao credor do direito à preferência constitucional no pagamento de precatório, ainda</p><p>que no mesmo exercício financeiro, desde que observado o limite estabelecido pelo § 2º do art. 100</p><p>da CF/1988 em cada um dos precatórios.</p><p>Contudo, a preferência autorizada pela Constituição não pode ser reconhecida duas vezes</p><p>em um mesmo precatório, porquanto, por via oblíqua, implicaria a extrapolação do limite previsto</p><p>na norma constitucional. Aliás, o próprio § 2º do art. 100 da CF/1988 revela que, após o</p><p>fracionamento para preferência, eventual saldo remanescente deverá ser pago na ordem cronológica</p><p>de apresentação do precatório. Portanto, as hipóteses autorizadoras da preferência (idade, doença</p><p>grave ou deficiência) devem ser consideradas, isoladamente, em cada precatório, ainda que tenha</p><p>como destinatário um mesmo credor.</p><p>O Ministério Público do Trabalho não tem legitimidade para atuar no âmbito do Superior</p><p>Tribunal de Justiça na condição de parte.</p><p>STJ. 1ª Seção. AgRg no CC 122.940/MS, Rel. Min. Regina Helena Costa, j. 07/04/2020 (Info</p><p>670).</p><p>A preferência prevista no § 2º do art. 100 da Constituição Federal não pode ser reconhecida</p><p>mais de uma vez em um mesmo precatório.</p><p>STJ. 2ª Turma.</p><p>104</p><p>ITEM 184</p><p>Existindo evidente interesse social no cultivo à memória histórica e coletiva de delito notório,</p><p>incabível o acolhimento da tese do direito ao esquecimento para proibir qualquer veiculação futura</p><p>de matérias jornalísticas relacionadas ao fato criminoso cuja pena já se encontra cumprida.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A controvérsia cinge-se em analisar os limites do direito ao esquecimento de pessoa</p><p>condenada por crime notório, cuja pena se encontra extinta.</p><p>Inicialmente, importante reconhecer o caráter não absoluto do direito ao esquecimento.</p><p>Incorporar essa dimensão implica assumir a existência de um aparente conflito no qual convivem,</p><p>de um lado, o próprio direito ao esquecimento, os direitos à personalidade e à vida privada; e, de</p><p>outro, a liberdade de manifestação do pensamento, a vedação à censura prévia e o interesse público</p><p>no cultivo à memória coletiva.</p><p>Sob a faceta de projeção da liberdade de manifestação de pensamento, a liberdade de</p><p>imprensa não se restringe aos direitos de informar e de buscar informação, mas abarca outros que</p><p>lhe são correlatos, tais como os direitos à crítica e à opinião. Por também não possuir caráter</p><p>absoluto, encontra limitação no interesse público e nos direitos da personalidade, notadamente à</p><p>imagem e à honra das pessoas sobre as quais se noticia.</p><p>Ademais, a exploração midiática de dados pessoais de egresso do sistema criminal</p><p>configura violação do princípio constitucional da proibição de penas perpétuas, do direito à</p><p>reabilitação e do direito de retorno ao convívio social, garantidos pela legislação</p><p>infraconstitucional, nos arts. 41, VIII e 202, da Lei n. 7.210/1984 e 93 do Código Penal. Contudo,</p><p>apesar de haver nítida violação dos mencionados direitos e princípios, apta a ensejar condenação</p><p>pecuniária posterior à ofensa, inviável o acolhimento da tese do direito ao esquecimento.</p><p>Ressalta-se que o interesse público deve preponderar quando as informações divulgadas a</p><p>respeito de fato criminoso notório forem marcadas pela historicidade, permanecendo atual e</p><p>relevante para a memória coletiva.</p><p>ITEM 185</p><p>O descumprimento das condições impostas para o livramento condicional pode ser invocado para</p><p>impedir a concessão do indulto, a título de não preenchimento do requisito subjetivo.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A controvérsia cinge-se à possibilidade de considerar o descumprimento das condições do</p><p>livramento condicional como falta grave, apta a obstaculizar a concessão do indulto.</p><p>Segundo a jurisprudência deste Tribunal Superior, para a análise do pedido de indulto ou</p><p>comutação de penas, o magistrado deve restringir-se ao exame do preenchimento dos requisitos</p><p>previstos no decreto presidencial, uma vez que os pressupostos para a concessão da benesse são da</p><p>Existindo evidente interesse social no cultivo à memória histórica e coletiva de delito notório,</p><p>incabível o acolhimento da tese do direito ao esquecimento para proibir qualquer veiculação</p><p>futura de matérias jornalísticas relacionadas ao fato criminoso cuja pena já se encontra</p><p>cumprida.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.803/RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 28/04/2020 (Info</p><p>670).</p><p>O descumprimento das condições impostas</p><p>para o livramento condicional não pode ser</p><p>invocado para impedir a concessão do indulto, a título de não preenchimento do requisito</p><p>subjetivo.</p><p>STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 537.982/DF, Rel. Min. Jorge Mussi, j. 13/04/2020 (Info 670).</p><p>105</p><p>competência privativa do presidente da República. Dessa forma, qualquer outra exigência</p><p>caracteriza constrangimento ilegal.</p><p>O art. 3º do Decreto n. 7.873/2012 prevê que apenas falta disciplinar de natureza grave</p><p>prevista na Lei de Execução Penal cometida nos 12 (doze) meses anteriores à data de publicação do</p><p>decreto, pode obstar a concessão do indulto.</p><p>É cediço, portanto, que o descumprimento das condições do livramento condicional não</p><p>encontra previsão no art. 50 da Lei de Execuções Penais, o qual elenca de forma taxativa as faltas</p><p>graves. Eventual descumprimento de condições impostas não pode ser invocado a título de infração</p><p>disciplinar grave a fim de impedir a concessão do indulto.</p><p>Desse modo, não há amparo no decreto concessivo para que faltas disciplinares não</p><p>previstas na LEP sejam utilizadas para obstar a concessão do indulto, a título de não preenchimento</p><p>do requisito subjetivo.</p><p>ITEM 186</p><p>O prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, na hipótese em que o Poder Público tenha</p><p>atribuído natureza de utilidade pública ou de interesse social ao imóvel, é de 5 anos.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Ante a ausência de normas expressas que regulassem o prazo prescricional das ações de</p><p>desapropriação indireta, o Superior Tribunal de Justiça, à luz do disposto no art. 550 do Código</p><p>Civil de 1916, firmou o entendimento de que a ação de indenização por apossamento</p><p>administrativo, por possuir natureza real e não pessoal, sujeitava-se ao prazo prescricional de 20</p><p>anos, e não àquele previsto no Decreto-Lei 20.910/1932 (Súmula 119 do STJ: "A ação de</p><p>desapropriação indireta prescreve em 20 anos").</p><p>Partiu-se da premissa de que a ação expropriatória indireta possui natureza real e, enquanto</p><p>não transcorrido o prazo para aquisição da propriedade por usucapião, subsistiria a pretensão de</p><p>reivindicar o correspondente preço do bem objeto do apossamento administrativo.</p><p>As razões para a fixação do prazo prescricional no tocante à ação de desapropriação indireta</p><p>permanecem válidas. O Código Civil de 2002, contudo, reduziu o prazo da usucapião extraordinária</p><p>para 15 anos (art. 1.238, caput) e previu a possibilidade de aplicação do prazo de 10 anos (art.</p><p>1.238, parágrafo único) nos casos em que o possuidor tenha estabelecido no imóvel sua moradia</p><p>habitual, ou realizado obras ou serviços de caráter produtivo.</p><p>Considerando que as hipóteses legais de desapropriação por utilidade pública indicam que a</p><p>posse havida pela Administração Pública tem por fim a realização de obras ou serviços de caráter</p><p>produtivo, é aplicável o prazo prescricional decenal, previsto na regra especial do parágrafo único</p><p>do art. 1.238 do CC/2002.</p><p>ITEM 187</p><p>Não incide a contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de Hora Repouso</p><p>Alimentação.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, na hipótese em que o Poder</p><p>Público tenha realizado obras no local ou atribuído natureza de utilidade pública ou de</p><p>interesse social ao imóvel, é de 10 anos, conforme parágrafo único do art. 1.238 do CC.</p><p>STJ. 1ª Seção. REsp 1.757.352/SC, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 12/02/2020 (Info 671).</p><p>Incide a contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de Hora</p><p>Repouso Alimentação - HRA.</p><p>STJ. 1ª Seção. EREsp 1.619.117/BA, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 27/11/2019 (Info 671).</p><p>106</p><p>Partindo da premissa de que a Hora Repouso Alimentação - HRA possui natureza</p><p>indenizatória, concluiu que sobre ela não deve incidir a contribuição previdenciária patronal (art.</p><p>22, I, da Lei n. 8.212/1991).</p><p>Por sua vez, o julgado paradigma, da Segunda Turma, assentou: "a 'Hora Repouso</p><p>Alimentação - HRA' [...] é paga como única e direta retribuição pela hora em que o empregado fica</p><p>à disposição do empregador", configurando, assim, "retribuição pelo trabalho ou pelo tempo à</p><p>disposição da empresa e se submete à contribuição previdenciária, nos termos do art. 28 da Lei n.</p><p>8.212/1991".</p><p>Tem-se que a Hora Repouso Alimentação – HRA é paga como única e direta retribuição</p><p>pela hora em que o empregado fica à disposição do empregador. Ou seja, o trabalhador recebe</p><p>salário normal pelas oito horas regulares e HRA pela 9ª (nona) hora, em que ficou à disposição da</p><p>empresa.</p><p>O empregado fica efetivamente 9 (nove) horas contínuas trabalhando ou à disposição da</p><p>empresa e recebe exatamente por esse período, embora uma dessas horas seja paga em dobro, a</p><p>título de HRA. Trata-se de situação análoga à hora extra: remuneração pelo tempo efetivamente</p><p>trabalhado ou à disposição do empregador e sujeita à contribuição previdenciária.</p><p>Assim, a HRA possui nítida natureza remuneratória, submetendo-se à tributação pela</p><p>contribuição previdenciária patronal, nos termos dos arts. 22, I, e 28 da Lei n. 8.212/1991.</p><p>ITEM 188</p><p>O erro na concessão de licença ambiental não configura fato de terceiro capaz de interromper o</p><p>nexo causal na reparação por lesão ao meio ambiente.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A exoneração da responsabilidade pela interrupção do nexo causal é admitida na</p><p>responsabilidade subjetiva e em algumas teorias do risco que regem a responsabilidade objetiva,</p><p>mas não pode ser alegada quando se tratar de dano subordinado à teoria do risco integral.</p><p>Os danos ambientais são regidos pela teoria do risco integral, colocando-se aquele que</p><p>explora a atividade econômica na posição de garantidor da preservação ambiental, sendo sempre</p><p>considerado responsável pelos danos vinculados à atividade, descabendo questionar a exclusão da</p><p>responsabilidade pelo suposto rompimento do nexo causal (fato exclusivo de terceiro ou força</p><p>maior).</p><p>No caso, mesmo que se considere que a instalação do posto de combustível somente tenha</p><p>ocorrido em razão de erro na concessão da licença ambiental, é o exercício dessa atividade, de</p><p>responsabilidade da recorrente, que gera o risco concretizado no dano ambiental, razão pela qual</p><p>não há possibilidade de eximir-se da obrigação de reparar a lesão verificada.</p><p>Tal entendimento encontra-se consolidado na jurisprudência desta Corte em diversos</p><p>julgados, proferidos, inclusive, em sede de recurso especial repetitivo (Temas 438, 681 e 707 deste</p><p>STJ), não é possível ao responsável arguir qualquer causa exonerativa da responsabilidade, que</p><p>decorre de mero exercício da atividade de risco ambiental.</p><p>ITEM 189</p><p>A separação de fato, ainda que por longo período, não afasta a regra de impedimento da fluência da</p><p>prescrição entre cônjuges, impedindo a efetivação da prescrição aquisitiva por usucapião.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O erro na concessão de licença ambiental não configura fato de terceiro capaz de</p><p>interromper o nexo causal na reparação por lesão ao meio ambiente.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.612.887/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 28/04/2020 (Info 671).</p><p>107</p><p>Nesse cenário, é importante destacar que a causa impeditiva de fluência do prazo</p><p>prescricional prevista no art. 197, I, do CC/2002, conquanto topologicamente inserida no capítulo</p><p>da prescrição extintiva, também se aplica às prescrições aquisitivas, ou seja, à usucapião, na forma</p><p>do art. 1.244 do CC/2002.</p><p>Superada essa questão, é preciso examinar, ainda, se a "constância da sociedade conjugal",</p><p>exigida na regra que impede a fluência do prazo da prescrição aquisitiva entre cônjuges, cessa</p><p>somente com a separação de fato, ou se é indispensável que tenha havido divórcio ou separação.</p><p>Nesse contexto, é bem verdade que a regra do art. 1.571, III e IV, do CC/2002, prevê que a</p><p>sociedade conjugal terminará pela separação judicial ou pelo divórcio, não prevendo textualmente o</p><p>término da sociedade conjugal somente pela separação de fato.</p><p>Nesse ponto, não se pode olvidar que a Terceira Turma, no julgamento do REsp 1.660.947/</p><p>TO, reconheceu a possibilidade de</p><p>afastar a regra de impedimento da fluência da prescrição entre</p><p>cônjuges a partir da separação de fato.</p><p>Extrai-se da ratio decidendi do referido julgado que a regra do art. 197, I, do Código Civil,</p><p>está assentada em razões de ordem moral e busca a preservação da confiança, do afeto, da harmonia</p><p>e da estabilidade do vínculo conjugal, que seriam irremediavelmente abalados na hipótese de</p><p>ajuizamento de ações judiciais de um cônjuge em face do outro ainda na constância da sociedade</p><p>conjugal.</p><p>Ocorre que a separação de fato por longo período, como bem destaca o mencionado</p><p>precedente, produz exatamente o mesmo efeito das formas textualmente previstas no CC/2002 para</p><p>o término da sociedade conjugal, não se podendo impor tratamento diferenciado para situações que</p><p>se encontram umbilicalmente vinculadas.</p><p>Dessa forma, é correto afirmar que o requisito temporal quinquenal estabelecido no art.</p><p>1.240, caput, do CC/2002, pode ser cumprido no período da separação de fato.</p><p>ITEM 190</p><p>O prazo para execução individual de sentença proferida contra planos de saúde em ação civil</p><p>pública é de cinco anos.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>"Na falta de dispositivo legal específico para a ação civil pública, aplica-se, por analogia, o</p><p>prazo de prescrição da ação popular, que é o quinquenal (art. 21 da Lei n. 4.717/1965), adotando-se</p><p>também tal lapso na respectiva execução, a teor da Súmula 150/STF. A lacuna da Lei n. 7.347/1985</p><p>é melhor suprida com a aplicação de outra legislação também integrante do microssistema de</p><p>proteção dos interesses transindividuais, como os coletivos e difusos, a afastar os prazos do Código</p><p>Civil, mesmo na tutela de direitos individuais homogêneos (pretensão de reembolso dos usuários de</p><p>plano de saúde que foram obrigados a custear lentes intraoculares para a realização de cirurgias de</p><p>catarata)" (REsp 1473846/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em</p><p>21/2/2017, DJe 24/2/2017).</p><p>Assim, a despeito da existência de recurso especial julgado sob o rito dos recursos</p><p>A separação de fato por longo período afasta a regra de impedimento da fluência da</p><p>prescrição entre cônjuges prevista no art. 197, I, do CC/2002 e viabiliza a efetivação da</p><p>prescrição aquisitiva por usucapião.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.693.732/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 05/05/2020 (Info 671).</p><p>O prazo para execução individual de sentença proferida contra planos de saúde em ação civil</p><p>pública é de cinco anos.</p><p>STJ. 4º turma. AgInt no REsp 1.807.990/SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. 20/04/2020 (Info</p><p>671).</p><p>108</p><p>repetitivos sobre a prescrição trienal para ações de cobrança contra plano de saúde, nota-se que esse</p><p>versou sobre as ações ordinárias individuais, de modo que o entendimento referente à aplicação do</p><p>prazo quinquenal às tutelas coletivas é específico e, consequentemente, prevalece no caso.</p><p>ITEM 191</p><p>Não aplica-se a Lei Maria da Penha no caso de violência do neto praticada contra a avó.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A Lei Maria da Penha objetiva proteger a mulher da violência doméstica e familiar que,</p><p>cometida no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto,</p><p>cause-lhe morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e dano moral ou patrimonial. Estão</p><p>no âmbito de abrangência do delito de violência doméstica, podendo integrar o polo passivo da ação</p><p>delituosa as esposas, as companheiras ou amantes, bem como a mãe, as filhas, as netas, a sogra, a</p><p>avó, ou qualquer outra parente que mantenha vínculo familiar ou afetivo com o agressor.</p><p>Ainda nesse sentido, é necessária a demonstração da motivação de gênero ou da situação de</p><p>vulnerabilidade que caracterize a conjuntura da relação íntima do agressor com a vítima.</p><p>Com efeito, se, no âmbito da unidade doméstica, a vítima encontrar-se em situação de</p><p>vulnerabilidade decorrente de vínculo familiar, configura-se o contexto descrito no artigo 5º da Lei</p><p>n. 11.340/2006.</p><p>ITEM 192</p><p>Nas ações em que o causídico seja advogado dativo em decorrência de convênio firmado entre</p><p>Defensoria Pública e OAB, pode haver execução dos honorários advocatícios nos próprios autos.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O advogado, quando atua como defensor dativo, o faz porque na localidade não há</p><p>Defensoria Pública. Vale dizer, nessas hipóteses, existe um convênio entre a Defensoria Pública e a</p><p>Ordem dos Advogados do Brasil, que possibilita a atuação dos causídicos quando não houver</p><p>defensor público para a causa, mediante remuneração previamente estipulada em tabela.</p><p>Na espécie, ao sentenciar, o magistrado arbitrou a verba honorária conforme disposto na</p><p>tabela do convênio. Porém, o Estado pagou só uma parte e não se permitiu a execução do montante</p><p>restante nos autos da ação de alimentos, obrigando o advogado a ajuizar ação ordinária para tanto.</p><p>Se o advogado atuou como defensor dativo, fazendo as vezes da Defensoria Pública, tem o</p><p>direito de receber e executar o valor que lhe foi fixado pelo juiz na sentença proferida na causa.</p><p>Caso contrário, se houver a necessidade de ajuizamento de ação ordinária para recebimento dos</p><p>honorários, não vai ter advogado para assumir esse papel da defensoria.</p><p>Com efeito, se tiver de promover uma ação específica contra a Fazenda Pública, os</p><p>advogados serão muito resistentes em aceitar a função de advogado dativo, porque terão de</p><p>trabalhar não só na ação para a qual foram designados, mas também numa outra ação que terão de</p><p>propor contra a Fazenda Pública.</p><p>Constatada situação de vulnerabilidade, aplica-se a Lei Maria da Penha no caso de violência</p><p>do neto praticada contra a avó.</p><p>STJ. 4º turma. AgRg no AREsp 1.626.825/GO, Rel. Min. Felix Fischer, j. 05/05/2020 (Info 671).</p><p>Havendo convênio entre a Defensoria Pública e a OAB possibilitando a atuação dos</p><p>causídicos quando não houver defensor público para a causa, os honorários advocatícios</p><p>podem ser executados nos próprios autos, mesmo se o Estado não tiver participado da ação</p><p>de conhecimento.</p><p>STJ. Corte Especial. EREsp 1.698.526/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. Acd. Min. Maria</p><p>Thereza de Assis Moura, j. 05/02/2020 (Info 673).</p><p>109</p><p>ITEM 193</p><p>Prescreve em três anos o exercício da pretensão de reembolso de despesas médico-hospitalares</p><p>alegadamente cobertas pelo contrato de plano de saúde (ou de seguro saúde), mas que não foram</p><p>adimplidas pela operadora.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Revela-se evidente que a hipótese dos autos encontra-se mesmo compreendida pela exegese</p><p>adotada pela Segunda Seção e na Corte Especial, quando dos julgamentos dos EREsp 1.280.825/RJ</p><p>e EResp 1.281.594/SP respectivamente, no sentido de que, nas controvérsias relacionadas à</p><p>responsabilidade contratual, aplica-se a regra geral (art. 205 do Código Civil de 2002) que prevê</p><p>dez anos de prazo prescricional.</p><p>Assim, diante da inexistência de norma prescricional específica que abranja o exercício da</p><p>pretensão de reembolso de despesas médico-hospitalares supostamente cobertas pelo contrato de</p><p>plano de saúde (que não se confunde com a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem</p><p>causa), deve incidir a regra da prescrição decenal estabelecida no art. 205 do Código Civil de 2002.</p><p>ITEM 194</p><p>Em regra, compete à Justiça Federal processar e julgar crimes relacionados a pirâmide financeira</p><p>em investimento de grupo em criptomoeda.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A captação de recursos decorrente de "pirâmide financeira" não se enquadra no conceito de</p><p>atividade financeira, razão pela qual o deslocamento do feito para a Justiça Federal se justifica</p><p>apenas se demonstrada a prática de evasão de divisas ou de lavagem de dinheiro em detrimento de</p><p>bens e serviços ou interesse da União.</p><p>Registre-se que o entendimento da Terceira Seção harmoniza-se com julgados da Quinta e</p><p>da Sexta Turmas do STJ que tipificaram condutas análogas às descritas no presente conflito como</p><p>crime contra a economia popular.</p><p>No caso analisado, o juízo estadual declinou de sua competência para a Justiça Federal,</p><p>entendendo que se trataria de um crime contra o Sistema Financeiro Nacional,</p><p>uma vez que se</p><p>investiga um grupo de investimentos em criptomoedas ('bitcoin') e que, na verdade, se trataria de</p><p>pirâmide financeira.</p><p>No entanto, ao declinar da competência, o Juízo Estadual deixou de verificar a prática, em</p><p>tese, de crime contra a economia popular, cuja apuração compete à Justiça Estadual, nos termos da</p><p>Súmula n. 498/STF, bem como não demonstrou especificidades do caso que revelassem conduta</p><p>típica praticada em prejuízo a bens, serviços ou interesse da União.</p><p>ITEM 195</p><p>Maria, portadora de determinada doença, descobriu, em consulta médica, que poderia fazer uso de</p><p>Cannabis (maconha) para tratar-se. Objetivando obter permissão para cultivar, produzir e,</p><p>É decenal o prazo prescricional aplicável ao exercício da pretensão de reembolso de despesas</p><p>médico-hospitalares alegadamente cobertas pelo contrato de plano de saúde (ou de seguro</p><p>saúde), mas que não foram adimplidas pela operadora.</p><p>STJ. 2ª Seção. REsp 1.756.283/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 11/03/2020 (Info 673).</p><p>Ausentes os elementos que revelem ter havido evasão de divisas ou lavagem de dinheiro em</p><p>detrimento de interesses da União, compete à Justiça Estadual processar e julgar crimes</p><p>relacionados a pirâmide financeira em investimento de grupo em criptomoeda.</p><p>STJ. 3ª Seção. CC 170.392/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 10/06/2020 (Info 673).</p><p>110</p><p>eventualmente, portar a substância para fins medicinais, Maria pretende fazer um pedido de habeas</p><p>corpus preventivo.</p><p>De acordo com a jurisprudência do STJ, Maria deverá ingressar na Justiça Estadual.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>No caso dos autos, em que os impetrantes objetivam impedir possível constrangimento de</p><p>autoridades estaduais, quais sejam, o Delegado Geral da Polícia Civil e o Comandante Geral da</p><p>Polícia Militar, está configurada a competência do juízo estadual de primeiro grau.</p><p>Ademais, o pedido em sede de habeas corpus evidencia que os impetrantes não intentam</p><p>obter ordem judicial para viabilizar conduta transnacional pelos pacientes. Constata-se que o pedido</p><p>do habeas corpus fala em cultivo, uso, porte e produção artesanal da Cannabis, bem como porte,</p><p>ainda que em outra unidade da federação, e em nenhum momento indica a intenção de importar a</p><p>Cannabis.</p><p>Não há pedido de importação a justificar a competência da justiça federal.</p><p>Consequentemente, não há motivo para supor que o juízo estadual teria que se pronunciar acerca de</p><p>autorização para a importação da planta, invadindo competência da justiça federal.</p><p>Ademais, o uso medicinal da Cannabis no território pátrio de forma legal, em razão de</p><p>salvos-condutos concedidos pelo poder judiciário, demonstra a possibilidade de aquisição da planta</p><p>dentro do território nacional, sem necessidade de recorrer à importação.</p><p>ITEM 196</p><p>A norma contida no Código Florestal, que admite o o cômputo da área de preservação permanente</p><p>no cálculo do percentual de instituição da reserva legal do imóvel, retroage para alcançar situações</p><p>consolidadas antes de sua vigência, tendo em vista a prevalência dos princípios constitucionais</p><p>voltados à proteção do meio ambiente.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Afastar a aplicação do princípio da vedação do retrocesso para prestigiar o princípio</p><p>democrático, em face das "opções validamente eleitas pelo legislador", que atuou mediante a</p><p>"faculdade" conferida pelo art. 225, § 1º, III, da Constituição, como fez o Supremo Tribunal</p><p>Federal, não inibe a aplicação do princípio tempus regit actum, que "orienta a aplicabilidade da lei</p><p>no tempo, considerando que o regime jurídico incidente sobre determinada situação deve ser aquele</p><p>em vigor no momento da materialização do fato" (AgInt no REsp 1726737/SP, Rel. Ministro</p><p>FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/12/2019, DJe 11/12/2019).</p><p>Assim, sob o prisma de que as normas do novo Código Florestal não retroagem para</p><p>alcançar situações pretéritas, dado o prestígio ao princípio do tempus regit actum e à proibição do</p><p>retrocesso em matéria ambiental, a instituição da área de reserva legal se impõe à luz da legislação</p><p>vigente ao tempo da infração ambiental, afastadas as disposições do art. 15 da Lei n. 12.651/2012.</p><p>Compete à Justiça Estadual o pedido de habeas corpus preventivo para viabilizar, para fins</p><p>medicinais, o cultivo, uso, porte e produção artesanal da Cannabis (maconha), bem como</p><p>porte em outra unidade da federação, quando não demonstrada a internacionalidade da</p><p>conduta.</p><p>STJ. 3ª Seção. CC 171.206/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 10/06/2020 (Info 673).</p><p>O art. 15 da Lei n. 12.651/2012 (Código Florestal), que admite o cômputo da área de</p><p>preservação permanente no cálculo do percentual de instituição da reserva legal do imóvel,</p><p>não retroage para alcançar situações consolidadas antes de sua vigência.</p><p>STJ. 1ª Turma. REsp 1.646.193/SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel</p><p>de Faria, j. 12/05/2020 (Info 673).</p><p>111</p><p>ITEM 197</p><p>Situação hipotética: durante uma viagem de trem, efetuada como serviço público por uma</p><p>concessionária, determinado passageiro comete um ato de vandalismo que vem a causar uma pane</p><p>elétrica em um dos vagões. Em decorrência disso, muitos dos passageiros entram em pânico e</p><p>causam um tumulto. A concessionária não disponibilizou pessoal suficiente para que houvesse um</p><p>agente responsável para tratar de tais problemas.</p><p>Nesse caso, o ato de vandalismo caracteriza fato de terceiro apto a afastar a responsabilidade da</p><p>concessionária.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Na teoria do risco criado, somente o fortuito externo, a impossibilidade absoluta – em</p><p>qualquer contexto abstrato, e não unicamente em uma situação fática específica – de que o risco</p><p>inerente à atividade tenha se concretizado no dano, é capaz de romper o nexo de causalidade,</p><p>isentando, com isso, aquele que exerce a atividade da obrigação de indenizar.</p><p>Registra-se que o conceito de fortuito interno reflete um padrão de comportamento, um</p><p>standard de atuação, que nada mais representa que a fixação de um quadrante à luz das condições</p><p>mínimas esperadas do exercício profissional, que deve ser essencialmente dinâmico, e dentro das</p><p>quais a concretização dos riscos em dano é atribuível àquele que exerce a atividade.</p><p>Assim, se a conduta do terceiro, mesmo causadora do evento danoso, coloca-se nos lindes</p><p>do risco do transportador, mostrando-se ligada à sua atividade, então não configura fortuito interno,</p><p>não se excluindo a responsabilidade.</p><p>O contrato de transporte de passageiros envolve a chamada cláusula de incolumidade,</p><p>segundo a qual o transportador deve empregar todos os expedientes que são próprios da atividade</p><p>para preservar a integridade física do passageiro contra os riscos inerentes ao negócio, durante todo</p><p>o trajeto, até o destino final da viagem.</p><p>Na hipótese, o ato de vandalismo não foi a causa única e exclusiva da ocorrência do abalo</p><p>moral sofrido pelo passageiro, pois outros fatores, como o tumulto decorrente da falta de</p><p>informações sobre a causa, a gravidade e as precauções a serem tomadas pelos passageiros diante</p><p>das explosões elétricas no vagão de trem que os transportava, aliada à falta de socorro às pessoas</p><p>que se jogavam nas vias férreas, contribuíram para as lesões reportadas.</p><p>ITEM 198</p><p>Ainda que não prevista entre os procedimentos de cobertura obrigatória, tampouco no contrato, é</p><p>devida a cobertura, pela operadora de plano de saúde, do procedimento de criopreservação de</p><p>óvulos de paciente fértil, até a alta do tratamento quimioterápico, como medida preventiva à</p><p>infertilidade.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O ato de vandalismo que resulta no rompimento de cabos elétricos de vagão de trem não</p><p>exclui a responsabilidade da concessionária/transportadora, pois cabe a ela cumprir</p><p>protocolos de atuação para evitar tumulto, pânico e submissão dos passageiros a mais</p><p>situações de perigo.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.786.722/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 09/06/2020 (Info 673).</p><p>É devida a cobertura, pela operadora de plano de saúde, do procedimento de</p><p>criopreservação de óvulos de paciente fértil,</p><p>até a alta do tratamento quimioterápico, como</p><p>medida preventiva à infertilidade.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.815.796/RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 26/05/2020 (Info</p><p>673).</p><p>112</p><p>Nos termos do art. 10, inciso III, da Lei n. 9.656/1998, não se inclui entre os procedimentos</p><p>de cobertura obrigatória a "inseminação artificial", compreendida nesta a manipulação laboratorial</p><p>de óvulos, dentre outras técnicas de reprodução assistida (cf. RN ANS 387/2016).</p><p>Nessa linha, segundo a jurisprudência do STJ, não caberia a condenação da operadora de</p><p>plano de saúde a custear criopreservação como procedimento inserido num contexto de mera</p><p>reprodução assistida.</p><p>O caso concreto, porém, revela a necessidade de atenuação dos efeitos colaterais,</p><p>previsíveis e evitáveis, da quimioterapia, dentre os quais a falência ovariana, em atenção ao</p><p>princípio médico "primum, non nocere" e à norma que emana do art. 35-F da Lei n. 9.656/1998,</p><p>segundo a qual a cobertura dos planos de saúde abrange também a prevenção de doenças, no caso, a</p><p>infertilidade.</p><p>ITEM 199</p><p>A indenizações por danos morais e matérias decorrentes de extravio de bagagem e de atraso de voo</p><p>internacional estão submetidas à tarifação prevista na Convenção de Montreal, devendo-se</p><p>observar, nesses casos, o quantum indenizatório máximo nela estabelecido.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O art. 1º da Convenção de Montreal, inserida no ordenamento jurídico brasileiro pelo</p><p>Decreto n. 5.910, de 27/9/2006, esclarece que essa norma tem aplicação para todos os casos de</p><p>transporte de pessoas, bagagem ou carga efetuado em aeronaves, mediante remuneração ou a título</p><p>gratuito, por uma empresa de transporte aéreo.</p><p>Muito embora deixe claro que trata de danos decorrentes de morte ou lesões corporais,</p><p>atraso no transporte de pessoas e destruição, perda ou avaria de bagagem/carga, não esclarece se os</p><p>danos referenciados são apenas os de ordem patrimonial ou também os de natureza</p><p>extrapatrimonial. Apesar da norma internacional, não mencionar claramente a espécie de danos aos</p><p>quais se refere, é preciso considerar que ela representou uma mera atualização da Convenção de</p><p>Varsóvia, firmada em 1929, quando sequer se cogitava de indenização por danos morais.</p><p>Assim, se a norma original cuidou apenas de danos materiais, parece razoável sustentar que</p><p>a norma atualizadora também se ateve a essa mesma categoria de danos. Além disso, os prejuízos</p><p>de ordem extrapatrimonial, pela sua própria natureza, não admitem tabelamento prévio ou tarifação.</p><p>Nesse sentido, inclusive, já se posicionou a jurisprudência desta Corte Superior.</p><p>Se os países signatários da Convenção de Montreal tinham a intenção de impor limites à</p><p>indenização por danos morais, nos casos de atraso de voo e de extravio de bagagem/carga, deveriam</p><p>tê-lo feito de modo expresso.</p><p>ITEM 200</p><p>A norma prevista no art. 104, III, da Lei n. 11.101/2005 (Lei de Falências), que não exige mais</p><p>autorização judicial, mas apenas a comunicação justificada sobre mudança de residência do sócio,</p><p>inclusive para o exterior, pode ser aplicada às quebras anteriores à sua vigência.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>As indenizações por danos morais decorrentes de extravio de bagagem e de atraso de voo</p><p>internacional não estão submetidas à tarifação prevista na Convenção de Montreal, devendo-</p><p>se observar, nesses casos, a efetiva reparação do consumidor preceituada pelo CDC.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.842.066/RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, j. 09/06/2020 (Info 673).</p><p>113</p><p>No caso, apesar da falência estar submetida ao rito do Decreto-Lei n. 7.661/1945, em razão</p><p>da data de sua decretação no ano de 2004, e a despeito da previsão contida na Lei n. 11.101/2005,</p><p>cujo art. 192 impede expressamente a retroação dos seus efeitos às falências decretadas antes de sua</p><p>vigência, não se cuida aqui de atos processuais que importem ao andamento do processo de</p><p>falência, os quais continuam regidos pelo Decreto-Lei n. 7.661/1945, mas do estatuto pessoal de</p><p>sócio minoritário, sem poder de administração da falida, devendo prevalecer o regime jurídico</p><p>atual, mais benéfico. V</p><p>Vale lembrar que, na hipótese de apuração de crimes falimentares, a interpretação desta</p><p>Corte admite a retroação da norma mais benéfica. Além disso, a restrição de ir e vir apenas se</p><p>justificaria se houvesse indício de cometimento de ilícito criminal, o que não ocorreu no caso. Nem</p><p>mesmo há referência a inquérito instaurado (após mais de uma década da quebra), não se olvidando</p><p>os efeitos de eventual prescrição.</p><p>QUESTÕES ADICIONAIS</p><p>ITEM 201</p><p>Na falsidade ideológica, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva é</p><p>o momento da consumação do delito e não o da eventual reiteração de seus efeitos.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A falsidade ideológica é crime formal e instantâneo, cujos efeitos podem se protrair no</p><p>tempo. A despeito dos efeitos que possam, ou não, gerar, ela se consuma no momento em que é</p><p>praticada a conduta.</p><p>Diante desse contexto, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão</p><p>punitiva é o momento da consumação do delito e não o da eventual reiteração de seus efeitos.</p><p>No caso, os falsos foram praticados em 2003 e 2007, quando as sócias "laranja" foram</p><p>incluídas, pela primeira vez, no contrato social da empresa. Erra-se ao afirmar que teriam sido</p><p>reiterados quando, por ocasião das alterações contratuais ocorridas em 21/06/2010, 1°/06/2011 e</p><p>26/07/2011, deixou-se de regularizar o nome dos sócios verdadeiramente titulares da empresa,</p><p>mantendo-se o nome dos "laranjas".</p><p>Isso porque não há como se entender que constitui novo crime a omissão em corrigir</p><p>informação falsa por ele inserida em documento público, quando teve oportunidade para tanto.</p><p>Tampouco há como se entender que a lei pune um crime instantâneo porque ele continua</p><p>produzindo efeitos depois de sua consumação.</p><p>ITEM 202</p><p>Havendo mero deslocamento para outro estabelecimento ou para outra localidade, permanecendo o</p><p>produto sob o domínio do contribuinte, não haverá incidência do IPI.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A norma mais benéfica do art. 104, III, da Lei n. 11.101/2005, que não exige mais autorização</p><p>judicial, mas apenas a comunicação justificada sobre mudança de residência do sócio,</p><p>inclusive para o exterior, pode ser aplicada às quebras anteriores à sua vigência.</p><p>STJ. 4ª Turma. RHC 80.124/RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,j. 26/05/2020 (Info 673).</p><p>Na falsidade ideológica, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão</p><p>punitiva é o momento da consumação do delito e não o da eventual reiteração de seus efeitos.</p><p>STJ. 3ª Seção. RvCr 5.233/DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 13/05/2020 (Info 672).</p><p>Havendo mero deslocamento para outro estabelecimento ou para outra localidade,</p><p>permanecendo o produto sob o domínio do contribuinte, não haverá incidência do IPI.</p><p>114</p><p>O aspecto material do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI alberga dois momentos</p><p>distintos e necessários: a) industrialização, que consiste, nos termos do art. 4º do Decreto n.</p><p>7.212/2010 (Regulamento do IPI), na operação que modifique a natureza, o funcionamento, o</p><p>acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para o consumo, tal como</p><p>transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento e renovação;</p><p>b) transferência de propriedade ou posse do produto industrializado, que deve ser onerosa.</p><p>A saída do estabelecimento a que refere o art. 46, II, do CTN, que caracteriza o aspecto</p><p>temporal da hipótese de incidência, pressupõe, logicamente, a mudança de titularidade do produto</p><p>industrializado. Se houver mero deslocamento para outro estabelecimento ou para outra localidade,</p><p>permanecendo o produto sob o domínio do contribuinte, não haverá incidência do IPI.</p><p>Registre-se que essa compreensão alinha-se ao pacífico entendimento jurisprudencial do</p><p>Superior Tribunal de Justiça, consolidado em relação ao ICMS, que se aplica, guardada as devidas</p><p>peculiaridades, ao tributo sob exame, nos termos da Súmula 166 do</p><p>STJ.</p><p>ITEM 203</p><p>Na exposição pornográfica não consentida, o fato de o rosto da vítima não estar evidenciado de</p><p>maneira flagrante afigura-se relevante para a configuração dos danos morais.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>A "exposição pornográfica não consentida", da qual a "pornografia de vingança" é uma</p><p>espécie, constituiu uma grave lesão aos direitos de personalidade da pessoa exposta indevidamente,</p><p>além de configurar uma grave forma de violência de gênero que deve ser combatida de forma</p><p>contundente pelos meios jurídicos disponíveis. Assim, não há como descaracterizar um material</p><p>pornográfico apenas pela ausência de nudez total.</p><p>O fato de o rosto da vítima não estar evidenciado nas fotos de maneira flagrante é</p><p>irrelevante para a configuração dos danos morais, uma vez que a mulher vítima da pornografia de</p><p>vingança sabe que sua intimidade foi indevidamente desrespeitada e, igualmente, sua exposição não</p><p>autorizada lhe é humilhante e viola flagrantemente seus direitos de personalidade.</p><p>O art. 21 do Marco Civil da Internet não abarca somente a nudez total e completa da vítima,</p><p>tampouco os "atos sexuais" devem ser interpretados como somente aqueles que envolvam</p><p>conjunção carnal. Isso porque o combate à exposição pornográfica não consentida – que é a</p><p>finalidade deste dispositivo legal – pode envolver situações distintas e não tão óbvias, mas que</p><p>geram igualmente dano à personalidade da vítima.</p><p>ITEM 204</p><p>São cabíveis embargos de terceiro para desconstituir decisão judicial que permite a averbação de</p><p>protesto na matrícula de um imóvel.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O protesto é medida judicial destinada a comprovar ou documentar uma manifestação</p><p>STJ. 1ª Turma. REsp 1.402.138/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 12/05/2020 (Info 672).</p><p>Na exposição pornográfica não consentida, o fato de o rosto da vítima não estar evidenciado</p><p>de maneira flagrante é irrelevante para a configuração dos danos morais.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.712/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 19/05/2020 (Info 672).</p><p>Não são cabíveis embargos de terceiro para desconstituir decisão judicial que permite a</p><p>averbação de protesto na matrícula de um imóvel.</p><p>STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.858/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 19/05/2020 (Info 672).</p><p>115</p><p>formal de vontade do promovente, o qual busca, por meio de referido procedimento, comunicar a</p><p>terceiros interessados sua intenção de fazer atuar no mundo jurídico uma determinada pretensão.</p><p>Desse modo, o protesto, por si mesmo, não modifica relações jurídicas, servindo apenas ao</p><p>desiderato de dar publicidade a uma comunicação de intenções do promovente.</p><p>Portanto, a averbação do protesto contra a alienação de bens na matrícula do imóvel não</p><p>cumpre outro propósito senão o de dar a efetiva publicidade da manifestação de vontade do</p><p>promovente, sem diminuir ou acrescentar direitos das partes interessadas, tampouco constituir</p><p>efetivo óbice à negociação ou à escrituração da compra e venda.</p><p>ITEM 205</p><p>Não se admite a incidência do princípio da insignificância na prática de estelionato qualificado por</p><p>médico que, no desempenho de cargo público, registra o ponto e se retira do hospital.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Cinge-se a controvérsia a saber acerca da possibilidade do trancamento de ação penal pelo</p><p>reconhecimento de crime bagatelar no caso de médico que, no desempenho de seu cargo público,</p><p>teria registrado seu ponto e se retirado do local, sem cumprir sua carga horária.</p><p>A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça não tem admitido, nos casos de prática de</p><p>estelionato qualificado, a incidência do princípio da insignificância, inspirado na fragmentariedade</p><p>do Direito Penal, em razão do prejuízo aos cofres públicos, por identificar maior reprovabilidade da</p><p>conduta delitiva.</p><p>Destarte, incabível o pedido de trancamento da ação penal, sob o fundamento de</p><p>inexistência de prejuízo expressivo para a vítima, porquanto, em se tratando de hospital</p><p>universitário, os pagamentos aos médicos são provenientes de verbas federais.</p><p>Não se admite a incidência do princípio da insignificância na prática de estelionato</p><p>qualificado por médico que, no desempenho de cargo público, registra o ponto e se retira do</p><p>hospital.</p><p>STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 548.869-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 12/05/2020 (Info 672).</p><p>116</p><p>145. A ausência de banho quente em</p><p>estabelecimentos prisionais não caracteriza</p><p>violação capaz de ferir a dignidade humana do</p><p>preso.</p><p>146. A readmissão na carreira da Magistratura</p><p>não encontra amparo na Lei Orgânica da</p><p>Magistratura Nacional nem na Constituição</p><p>Federal de 1988.</p><p>147. A exclusão do candidato, que concorre à</p><p>vaga reservada em concurso público, pelo</p><p>critério da heteroidentificação, seja pela</p><p>constatação de fraude, seja pela aferição do</p><p>fenótipo ou por qualquer outro fundamento,</p><p>prescinde de contraditório e da ampla defesa.</p><p>148. Não é possível , para efei to de</p><p>estabilidade, a contagem do tempo de serviço</p><p>prestado por força de decisão liminar.</p><p>149. É possível a cassação de aposentadoria de</p><p>servidor público pela prática, na atividade, de</p><p>falta disciplinar punível com demissão.</p><p>150. A operadora de plano de saúde tem</p><p>responsabilidade solidária por defeito na</p><p>prestação de serviço médico, quando o presta</p><p>por meio de hospital próprio e médicos</p><p>contratados, ou por meio de médicos e</p><p>hospitais credenciados.</p><p>151. Não é abusiva a negativa de custeio, pela</p><p>operadora do plano de saúde, do tratamento de</p><p>fertilização in vitro, quando não houver</p><p>previsão contratual expressa.</p><p>152. A empresa que comercializa não responde</p><p>solidariamente com o fabricante de produtos</p><p>contrafeitos pelos danos causados pelo uso</p><p>indevido da marca.</p><p>153. Situação hipotética: a empresa Goiás</p><p>Refrigerantes S/A registrou, no INPI, a marca</p><p>JOCA COLA. Ao tomar conhecimento disso, a</p><p>“The Coca Cola Company” ajuizou ação</p><p>contra a empresa Goiás Refrigerantes S/A e</p><p>contra o INPI pedindo a nulidade desse</p><p>registro. Na contestação apresentada, a Goiás</p><p>Refrigerantes pediu a extinção do processo</p><p>sem resolução do mérito por perda do objeto</p><p>considerando que, logo após o ajuizamento da</p><p>ação, ela (ré) renunciou ao registro da marca</p><p>JOCA COLA e isso já foi homologado</p><p>administrativamente pelo INPI.</p><p>Merece prosperar, no caso, o argumento</p><p>invocado pela ré.</p><p>154. O registro civil de nascimento de pessoa</p><p>adotada sob a égide do Código Civil/1916 não</p><p>pode ser alterado para a inclusão dos nomes</p><p>dos ascendentes dos pais adotivos.</p><p>155. A tempestividade recursal pode ser</p><p>aferida, excepcionalmente, por meio de</p><p>informação constante em andamento</p><p>processual disponibilizado no sítio eletrônico,</p><p>quando informação equivocadamente</p><p>disponibilizada pelo Tribunal de origem induz</p><p>a parte em erro.</p><p>156. Se o recurso especial foi interposto após</p><p>18/11/2019 (data de publicação do REsp</p><p>1.813.684-SP) e a parte não comprovou que</p><p>segunda-feira de carnaval era feriado no</p><p>Tribunal de origem: é possível a abertura de</p><p>vista para que a parte comprove isso mesmo</p><p>após a interposição do recurso, sanando o</p><p>vício.</p><p>157. Configura o crime de peculato-desvio o</p><p>fomento econômico de candidatura à reeleição</p><p>por Governador de Estado com o patrimônio</p><p>de empresas estatais.</p><p>158. A existência de denúncia anônima da</p><p>prática de tráfico de drogas somada à fuga do</p><p>acusado ao avistar a polícia, por si sós, não</p><p>configuram fundadas razões a autorizar o</p><p>ingresso policial no domicílio do acusado sem</p><p>o seu consentimento ou sem determinação</p><p>judicial.</p><p>159. Sacolas plásticas fornecidas aos clientes</p><p>para o transporte ou acondicionamento de</p><p>produtos, bem como bandejas, são insumos</p><p>essenciais à atividade dos supermercados,</p><p>gerando creditamento de ICMS.</p><p>160. A cobrança por Município de multa</p><p>relativa a danos ambientais já paga à União</p><p>anteriormente, pelo mesmo fato, configura bis</p><p>in idem.</p><p>12</p><p>161. É de dois anos o prazo para anular anular</p><p>a venda de ascendente para descendente por</p><p>meio de pessoa interposta.</p><p>162. A existência de contrato de arrendamento</p><p>mercantil do bem móvel, ainda que verificada</p><p>a prescrição da dívida, impede a aquisição de</p><p>sua propriedade pela usucapião.</p><p>163. O espólio possui legitimidade passiva ad</p><p>causam na ação de ressarcimento de</p><p>remuneração indevidamente paga após a morte</p><p>de ex-servidor e recebida por seus herdeiros.</p><p>164. É válido o testamento particular que, a</p><p>despeito de não ter sido assinado de próprio</p><p>punho pela testadora, contou com a sua</p><p>impressão digital.</p><p>165. Compete à Justiça comum julgar as</p><p>demandas relativas a plano de saúde de</p><p>autogestão empresarial, exceto quando o</p><p>benefício for instituído em contrato de</p><p>trabalho, convenção ou acordo coletivo,</p><p>hipótese em que a competência será da Justiça</p><p>do Trabalho, ainda que figure como parte</p><p>trabalhador aposentado ou dependente do</p><p>trabalhador.</p><p>166. Compete à Justiça estadual, em sede de</p><p>reconvenção proposta na ação de abstenção de</p><p>uso de marca, afastar o pedido da proprietária</p><p>da marca, declarando a nulidade do registro ou</p><p>irregularidade da marca.</p><p>167. O pagamento de remuneração a</p><p>funcionários fantasmas não configura</p><p>apropriação ou desvio de verba pública.</p><p>168. Compete à Justiça Federal julgar crimes</p><p>relacionados à oferta pública de contrato de</p><p>investimento coletivo em criptomoedas.</p><p>169. Se a ré pratica o crime de poluição</p><p>qualificada e não toma providências para</p><p>reparar o dano, entende-se que continua</p><p>praticando ato ilícito em virtude da sua</p><p>omissão, devendo, portanto, ser considerado</p><p>que se trata de crime permanente.</p><p>170. Cabe mandado de segurança contra</p><p>decisão do juiz de 1ª instância que defere ou</p><p>indefere o desbloqueio de bens e valores.</p><p>171. Na ação na qual se discute a exclusão da</p><p>Complemento Temporário Variável Ajuste de</p><p>Mercado (CTVA) do salário de contribuição</p><p>do autor, fato que terá repercussão financeira</p><p>em sua aposentadoria, a ação deverá ser</p><p>apreciada primeiramente na Justiça do</p><p>Trabalho para definir se a verba é salarial.</p><p>172. Estrangeiro que tenha filho brasileiro que</p><p>esteja sob sua guarda ou dependência pode ser</p><p>expulso, desde que o nascimento tenha</p><p>ocorrido após os fatos que ensejaram a</p><p>expulsão.</p><p>173. Mesmo depois de terem-se passado mais</p><p>de 5 anos, a Administração Pública pode</p><p>anular a anistia política concedida quando se</p><p>comprovar a ausência de perseguição política,</p><p>assegurada a devolução das verbas já</p><p>recebidas, desde que respeitado o devido</p><p>processo legal.</p><p>174. Nos casos de preterição de candidato na</p><p>nomeação em concurso público, o termo</p><p>inicial do prazo prescricional quinquenal recai</p><p>na data em que foi empossado outro servidor</p><p>no lugar do aprovado no certame.</p><p>175. É legal a internação de adolescente</p><p>gestante ou com o filho em amamentação,</p><p>desde que assegurada atenção integral à sua</p><p>saúde, bem como as condições necessárias</p><p>para que permaneça com seu filho durante o</p><p>período de amamentação.</p><p>176. Cabe agravo de instrumento contra a</p><p>decisão que aplica multa por ato atentatório à</p><p>dignidade da justiça pelo não comparecimento</p><p>à audiência de conciliação.</p><p>177. Nos crime de sonegação fiscal de tributos</p><p>federais, o STJ entende que o aumento de pena</p><p>por dano grave à coletividade (art. 12, I, da Lei</p><p>nº 8.137/90) requer dívida igual ou superior a</p><p>1 milhão de reais.</p><p>178. Não cabe reclamação para o controle da</p><p>aplicação de entendimento firmado pelo STJ</p><p>em recurso especial repetitivo.</p><p>179. O crédito de honorários advocatícios</p><p>sucumbenciais constituído após o pedido de</p><p>recuperação judicial está submetido ao juízo</p><p>13</p><p>recuperacional, ressalvando-se o controle dos</p><p>atos expropriatórios pelo juízo universal.</p><p>180. Têm direito ao crédito presumido de PIS/</p><p>PASEP e Cofins as pessoas jurídicas, inclusive</p><p>cooperativas, que produzam mercadorias por</p><p>meio de processo de industrialização de grãos</p><p>de soja, milho e trigo adquiridos de pessoa</p><p>física, cerealista ou cooperado pessoa física,</p><p>enquanto os meros cerealistas não têm direito</p><p>ao crédito presumido.</p><p>181. O termo inicial da correção monetária de</p><p>ressarcimento de crédito escritural excedente</p><p>de tributo sujeito ao regime não cumulativo</p><p>ocorre somente após escoado o prazo de 360</p><p>dias para a análise do pedido administrativo</p><p>pelo Fisco.</p><p>182. O Ministério Público do Trabalho não</p><p>tem legitimidade para atuar no âmbito do</p><p>Superior Tribunal de Justiça na condição de</p><p>parte.</p><p>183. A preferência (art. 100, § 2º, da</p><p>CF)</p><p>garantida aos maiores de 60 anos, portadores</p><p>de doença grave e pessoas com deficiência,</p><p>não pode ser reconhecida mais de uma vez em</p><p>um mesmo precatório.</p><p>184. Existindo evidente interesse social no</p><p>cultivo à memória histórica e coletiva de delito</p><p>notório, incabível o acolhimento da tese do</p><p>direito ao esquecimento para proibir qualquer</p><p>veiculação futura de matérias jornalísticas</p><p>relacionadas ao fato criminoso cuja pena já se</p><p>encontra cumprida.</p><p>185. O descumprimento das condições</p><p>impostas para o livramento condicional pode</p><p>ser invocado para impedir a concessão do</p><p>indulto, a título de não preenchimento do</p><p>requisito subjetivo.</p><p>186. O prazo prescricional aplicável à</p><p>desapropriação indireta, na hipótese em que o</p><p>Poder Público tenha atribuído natureza de</p><p>utilidade pública ou de interesse social ao</p><p>imóvel, é de 5 anos.</p><p>187. Não incide a contribuição previdenciária</p><p>patronal sobre os valores pagos a título de</p><p>Hora Repouso Alimentação.</p><p>188. O erro na concessão de licença ambiental</p><p>não configura fato de terceiro capaz de</p><p>interromper o nexo causal na reparação por</p><p>lesão ao meio ambiente.</p><p>189. A separação de fato, ainda que por longo</p><p>período, não afasta a regra de impedimento da</p><p>fluência da prescrição entre cônjuges,</p><p>impedindo a efetivação da prescrição</p><p>aquisitiva por usucapião.</p><p>190. O prazo para execução individual de</p><p>sentença proferida contra planos de saúde em</p><p>ação civil pública é de cinco anos.</p><p>191. Não aplica-se a Lei Maria da Penha no</p><p>caso de violência do neto praticada contra a</p><p>avó.</p><p>192. Nas ações em que o causídico seja</p><p>advogado dativo em decorrência de convênio</p><p>firmado entre Defensoria Pública e OAB, pode</p><p>haver execução dos honorários advocatícios</p><p>nos próprios autos.</p><p>193. Prescreve em três anos o exercício da</p><p>pretensão de reembolso de despesas médico-</p><p>hospitalares alegadamente cobertas pelo</p><p>contrato de plano de saúde (ou de seguro</p><p>saúde), mas que não foram adimplidas pela</p><p>operadora.</p><p>194. Em regra, compete à Justiça Federal</p><p>processar e julgar crimes relacionados a</p><p>pirâmide financeira em investimento de grupo</p><p>em criptomoeda.</p><p>195. Maria, portadora de determinada doença,</p><p>descobriu, em consulta médica, que poderia</p><p>fazer uso de Cannabis (maconha) para tratar-</p><p>se. Objetivando obter permissão para cultivar,</p><p>produzir e, eventualmente, portar a substância</p><p>para fins medicinais, Maria pretende fazer um</p><p>pedido de habeas corpus preventivo.</p><p>De acordo com a jurisprudência do STJ, Maria</p><p>deverá ingressar na Justiça Estadual.</p><p>196. A norma contida no Código Florestal, que</p><p>admite o o cômputo da área de preservação</p><p>permanente no cálculo do percentual de</p><p>instituição da reserva legal do imóvel, retroage</p><p>para alcançar situações consolidadas antes de</p><p>sua vigência, tendo em vista a prevalência dos</p><p>14</p><p>princípios constitucionais voltados à proteção</p><p>do meio ambiente.</p><p>197. Situação hipotética: durante uma viagem</p><p>de trem, efetuada como serviço público por</p><p>uma concessionária, determinado passageiro</p><p>comete um ato de vandalismo que vem a</p><p>causar uma pane elétrica em um dos vagões.</p><p>Em decorrência disso, muitos dos passageiros</p><p>entram em pânico e causam um tumulto. A</p><p>concessionária não disponibilizou pessoal</p><p>suficiente para que houvesse um agente</p><p>responsável para tratar de tais problemas.</p><p>Nesse caso, o ato de vandalismo caracteriza</p><p>f a t o d e t e r c e i r o a p t o a a f a s t a r a</p><p>responsabilidade da concessionária.</p><p>198. Ainda que não prevista entre os</p><p>procedimentos de cobertura obrigatória,</p><p>tampouco no contrato, é devida a cobertura,</p><p>pela operadora de plano de saúde, do</p><p>procedimento de criopreservação de óvulos de</p><p>paciente fértil, até a alta do tratamento</p><p>quimioterápico, como medida preventiva à</p><p>infertilidade.</p><p>199. A indenizações por danos morais e</p><p>matérias decorrentes de extravio de bagagem e</p><p>de atraso de voo internacional estão</p><p>submetidas à tarifação prevista na Convenção</p><p>de Montreal, devendo-se observar, nesses</p><p>casos, o quantum indenizatório máximo nela</p><p>estabelecido.</p><p>200. A norma prevista no art. 104, III, da Lei</p><p>n. 11.101/2005 (Lei de Falências), que não</p><p>exige mais autorização judicial, mas apenas a</p><p>comunicação justificada sobre mudança de</p><p>residência do sócio, inclusive para o exterior,</p><p>pode ser aplicada às quebras anteriores à sua</p><p>vigência.</p><p>QUESTÕES ADICIONAIS</p><p>201. Na falsidade ideológica, o termo inicial</p><p>da contagem do prazo da prescrição da</p><p>pretensão punit iva é o momento da</p><p>consumação do delito e não o da eventual</p><p>reiteração de seus efeitos.</p><p>202. Havendo mero deslocamento para outro</p><p>estabelecimento ou para outra localidade,</p><p>permanecendo o produto sob o domínio do</p><p>contribuinte, não haverá incidência do IPI.</p><p>203. Na exposição pornográf ica não</p><p>consentida, o fato de o rosto da vítima não</p><p>estar evidenciado de maneira flagrante afigura-</p><p>se relevante para a configuração dos danos</p><p>morais.</p><p>204. São cabíveis embargos de terceiro para</p><p>desconstituir decisão judicial que permite a</p><p>averbação de protesto na matrícula de um</p><p>imóvel.</p><p>205. Não se admite a incidência do princípio</p><p>da insignificância na prática de estelionato</p><p>qualificado por médico que, no desempenho</p><p>de cargo público, registra o ponto e se retira do</p><p>hospital.</p><p>15</p><p>Gabarito</p><p>Item Gab. Item Gab. Item Gab. Item Gab. Item Gab. Item Gab.</p><p>1 C 36 E 71 C 106 E 141 C 176 E</p><p>2 E 37 C 72 E 107 E 142 C 177 C</p><p>3 C 38 C 73 C 108 C 143 E 178 C</p><p>4 C 39 E 74 C 109 C 144 C 179 E</p><p>5 E 40 C 75 E 110 E 145 E 180 C</p><p>6 E 41 C 76 E 111 C 146 C 181 C</p><p>7 C 42 E 77 C 112 C 147 E 182 E</p><p>8 E 43 E 78 C 113 E 148 E 183 C</p><p>9 E 44 C 79 E 114 C 149 C 184 C</p><p>10 C 45 C 80 C 115 C 150 C 185 E</p><p>11 C 46 C 81 C 116 E 151 C 186 E</p><p>12 E 47 E 82 E 117 C 152 E 187 E</p><p>13 C 48 C 83 E 118 C 153 E 188 C</p><p>14 X 49 E 84 C 119 E 154 C 189 E</p><p>15 C 50 C 85 C 120 C 155 C 190 C</p><p>16 E 51 E 86 E 121 C 156 E 191 E</p><p>17 C 52 C 87 C 122 C 157 C 192 C</p><p>18 C 53 C 88 C 123 E 158 C 193 E</p><p>19 E 54 C 89 E 124 E 159 E 194 E</p><p>20 E 55 E 90 E 125 E 160 E 195 C</p><p>21 C 56 E 91 E 126 C 161 C 196 E</p><p>22 E 57 C 92 C 127 E 162 E 197 E</p><p>23 C 58 E 93 C 128 C 163 E 198 C</p><p>24 C 59 C 94 C 129 C 164 C 199 E</p><p>25 E 60 E 95 C 130 C 165 X 200 C</p><p>26 E 61 C 96 E 131 E 166 E 201 C</p><p>27 C 62 C 97 E 132 E 167 C 202 C</p><p>28 C 63 C 98 C 133 E 168 C 203 E</p><p>29 C 64 E 99 E 134 X 169 C 204 E</p><p>30 E 65 E 100 E 135 C 170 E 205 C</p><p>31 C 66 E 101 E 136 C 171 C</p><p>32 C 67 C 102 C 137 E 172 E</p><p>33 C 68 C 103 E 138 C 173 E</p><p>34 E 69 E 104 C 139 E 174 E</p><p>35 E 70 E 105 C 140 E 175 C</p><p>16</p><p>Gabarito Comentado</p><p>ITEM 1</p><p>Em tese, admite-se o ajuizamento de ADI contra deliberação administrativa de tribunal, desde que</p><p>ela tenha conteúdo normativo com generalidade e abstração.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>É cabível ação direta de inconstitucionalidade contra deliberação administrativa do Tribunal</p><p>que determina o pagamento de reajuste decorrente da conversão da URV em reais (“plano real”) aos</p><p>magistrados e servidores.</p><p>Depois que a ADI foi proposta, e antes que fosse julgada, o TRT decidiu revogar essa</p><p>deliberação administrativa.</p><p>Diante disso, indaga-se: o mérito da ação foi julgado?</p><p>NÃO. Em decorrência da revogação da deliberação, o STF julgou prejudicada a ADI, por</p><p>perda superveniente de objeto.</p><p>ITEM 2</p><p>Ainda que não tenha havido declaração de inconstitucionalidade, o quorum necessário à modulação</p><p>de efeitos é de dois terços dos integrantes da Corte.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O quórum de 2/3 impõe-se somente à modulação nas declarações de inconstitucionalidade,</p><p>sendo bastante, no entender da Corte, o quórum de maioria absoluta para modulação em caso de</p><p>declaração de constitucionalidade.</p><p>ITEM 3</p><p>É inconstitucional lei municipal que garanta subsídio vitalício a ex-vereador.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Supremo Tribunal Federal - STF</p><p>Informativos 964 à 983</p><p>É possível, em tese, o ajuizamento de ADI contra deliberação administrativa de tribunal,</p><p>desde que ela tenha conteúdo normativo com generalidade e abstração, devendo, contudo,</p><p>em regra, a ação ser julgada prejudicada caso essa decisão administrativa seja revogada.</p><p>STF. Plenário. ADI 1244 QO-QO/SP, Rel. Min. Gilmar</p><p>Mendes, j. 19/12/2019 (Info 964).</p><p>Exige-se quórum de maioria absoluta dos membros do STF para modular os efeitos de</p><p>decisão proferida em julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão</p><p>geral, no caso em que não tenha havido declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato</p><p>normativo.</p><p>Esquematizando: quórum para que o STF, no julgamento de recurso extraordinário</p><p>repetitivo, com repercussão geral reconhecida, faça a modulação dos efeitos da decisão?</p><p>• Se o STF declarou a lei ou ato inconstitucional: 2/3 dos membros.</p><p>• Se o STF não declarou a lei ou ato inconstitucional: maioria absoluta.</p><p>STF. Plenário. RE 638.115 ED-ED/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18/12/2019 (Info 964).</p><p>Lei municipal a versar a percepção, mensal e vitalícia, de “subsídio” por ex-vereador e a</p><p>consequente pensão em caso de morte não é harmônica com a Constituição Federal de 1988.</p><p>STF. Plenário. RE 638.307/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 19/12/2019, Repercussão Geral: Tema</p><p>672 (Info 964).</p><p>17</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 4</p><p>Situação hipotética: João ingressou no serviço público do Município em 1997 no cargo de auxiliar</p><p>de serviços gerais sob o regime celetista e, em julho de 2010, passou a ser regido pelo regime</p><p>estatutário. Em 2013, ele ajuizou ação na Justiça do Trabalho para pleitear o recolhimento de</p><p>parcelas do FGTS no período em que esteve regido pelas regras da CLT.</p><p>Nesse caso, caberá à Justiça comum processar e julgar a causa de João.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Como o vínculo do servidor com a administração pública é atualmente estatutário, a</p><p>competência para julgar a causa é da Justiça comum, ainda que as verbas requeridas sejam de</p><p>natureza trabalhista e relativas ao período anterior à alteração do regime de trabalho.</p><p>ITEM 5</p><p>Situação hipotética: João, sócio-gerente de uma loja de confecções, vendeu diversas roupas e, no</p><p>preço, embutiu os custos que ele teria com o ICMS. Diante da ausência de pagamento, João foi</p><p>cobrado pelo Fisco. Vale ressaltar que João vem praticando essa mesma conduta há pelo menos dois</p><p>anos, o que fez com que oMinistério Público o denunciasse pela prática do crime de apropriação</p><p>indébita tributária.</p><p>Segundo a jurisprudência do STF, a conduta de João, ainda que reiterada, caracteriza mero atraso</p><p>não passível de punição criminal, sob pena de flagrante violação ao princípio da proporcionalidade,</p><p>tendo em vista dispor o Estado de meios próprios para a cobrança da quantia.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O fato de o agente registrar, apurar e declarar em guia própria ou em livros fiscais o imposto</p><p>devido não tem o condão de elidir (fazer desaparecer) o crime. Isso porque, para a configuração</p><p>deste delito, não se exige clandestinidade (não se exige que seja feito às escondidas).</p><p>A conduta reprovável criminalizada por este tipo penal não é “dever imposto”, e sim cobrá-</p><p>lo de terceiro sem repassá-lo ao Fisco, apropriando-se do valor. Por essa razão, o STF entende que</p><p>os crimes contra a ordem tributária são compatíveis com a Constituição Federal e não representam</p><p>prisão por dívida (ARE 999425 RG).</p><p>O valor do ICMS cobrado em cada operação não integra o patrimônio do comerciante, que é</p><p>depositário desse ingresso de caixa. Esse entendimento é coerente com o que foi decidido pelo STF</p><p>Compete à Justiça comum processar e julgar causa de servidor público municipal admitido</p><p>mediante aprovação em concurso público sob o regime da CLT e que, posteriormente,</p><p>passou a ser regido pelo estatuto dos servidores públicos municipais (estatutário).</p><p>STF. Plenário. CC 8018/PI, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de</p><p>Moraes, j. 19/12/2019 (Info 964).</p><p>O contribuinte que, de forma contumaz e com dolo de apropriação, deixa de recolher o</p><p>ICMS cobrado do adquirente da mercadoria ou serviço, incide no tipo penal do art. 2º, II, da</p><p>Lei nº 8.137/90 (apropriação indébita tributária).</p><p>O valor do ICMS cobrado do consumidor não integra o patrimônio do comerciante, o qual é</p><p>mero depositário desse ingresso de caixa que, depois de devidamente compensado, deve ser</p><p>recolhido aos cofres públicos.</p><p>Vale ressaltar, contudo, que, para caracterizar o delito, é preciso comprovar a existência de</p><p>intenção de praticar o ilícito (dolo).</p><p>STF. Plenário. RHC 163.334/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 18/12/2019 (Info 964).</p><p>18</p><p>no RE 574.706 (Tema 69 da repercussão geral), oportunidade na qual ficou assentado que o ICMS</p><p>não integra o patrimônio do sujeito passivo e, consequentemente, não compõe a base de cálculo do</p><p>PIS e da Cofins.</p><p>Dessa maneira, a conduta não equivale a mero inadimplemento tributário, e sim à</p><p>apropriação indébita tributária. Em outras palavras, não se está punindo o agente pelo simples fato</p><p>de ter deixado de pagar o tributo, mas sim por ter ficado para si com um valor que não lhe</p><p>pertencia. Assim, para caracterizar o tipo penal, a conduta é composta da cobrança do consumidor e</p><p>do não recolhimento ao Fisco.</p><p>Para mais comentários: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-964-stf.pdf</p><p>ITEM 6</p><p>Situação hipotética: a Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério Público estadual e do Juízo</p><p>de Direito, conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes de competência da Justiça</p><p>Estadual.</p><p>Nesse caso, por não ter atribuição para apurar tais delitos considerando que não se enquadravam nas</p><p>hipóteses normativas, a atuação da polícia resulta em nulidade.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O inquérito policial constitui procedimento administrativo, de caráter meramente</p><p>informativo e não obrigatório à regular instauração do processo-crime, cuja finalidade consiste em</p><p>subsidiar eventual denúncia a ser apresentada pelo Ministério Público, razão pela qual</p><p>irregularidades ocorridas não implicam, de regra, nulidade de processo-crime.</p><p>O art. 5º, LIII, da Constituição Federal, afirma que “ninguém será processado nem</p><p>sentenciado senão pela autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o chamado “princípio</p><p>do juiz natural”, princípio esse que não se estende para autoridades policiais, considerando que</p><p>estas não possuem competência para julgar.</p><p>Logo, não é possível anular provas ou processos em tramitação com base no argumento de</p><p>que a Polícia Federal não teria atribuição para investigar os crimes apurados. A desconformidade da</p><p>atuação da Polícia Federal com as disposições da Lei nº 10.446/2002 e eventuais abusos cometidos</p><p>por autoridade policial, embora possam implicar responsabilidade no âmbito administrativo ou</p><p>criminal dos agentes, não podem gerar a nulidade do inquérito ou do processo penal.</p><p>ITEM 7</p><p>É constitucional restrição de acesso à peças, contidas em investigação criminal, que digam respeito</p><p>a dados de terceiros protegidos pelo segredo de justiça.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O fato de os crimes de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela Polícia</p><p>Federal não gera nulidade. Isso porque esse procedimento investigatório, presidido por</p><p>autoridade de Polícia Federal, foi supervisionado pelo Juízo estadual (juízo competente) e</p><p>por membro do Ministério Público estadual (que tinha a atribuição para a causa).</p><p>STF. 1ª Turma. HC 169.348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 17/12/2019 (Info 964)</p><p>Mesmo que a investigação criminal tramite em segredo de justiça será possível que o</p><p>investigado tenha acesso amplo autos, inclusive a eventual relatório de inteligência financeira</p><p>do COAF, sendo permitido, contudo, que se negue o acesso a peças que digam respeito a</p><p>dados de terceiros protegidos pelo segredo de justiça.</p><p>Essa restrição parcial não viola a súmula vinculante 14. Isso porque é excessivo o acesso (…)</p><p>19</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-964-stf.pdf</p><p>Deve ser deferido o pedido do reclamante para ter acesso aos autos, com exceção de</p><p>eventuais peças protegidas pelo segredo de justiça, especialmente o relatório do COAF no que diz</p><p>respeito a dados de terceiros.</p><p>A privacidade e a intimidade são asseguradas constitucionalmente, e se mostra excessivo o</p><p>acesso de um dos investigados a</p><p>informações, de caráter privado de diversas pessoas, que não</p><p>dizem respeito ao direito de defesa dele [reclamante].</p><p>ITEM 8</p><p>Diante de um inquérito que tramitava no âmbito do STF, José foi preso preventivamente em</p><p>decorrência de decisão, monocrática, proferida pelo relator.</p><p>Caso queira se insurgir contra a medida, alegando a ausência dos requisitos para tanto, José pode</p><p>manejar Habeas Corpus.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Não é cabível habeas corpus contra decisão de Ministro ou de órgão colegiado do STF. Caso</p><p>a parte deseje impugnar decisão monocrática proferida por Ministro do STF, o instrumento</p><p>processual cabível é o agravo regimental, no prazo de 5 dias, nos termos do art. 39 da Lei nº</p><p>8.038/90 e art. 317 do Regimento Interno do STF.</p><p>ITEM 9</p><p>Para o STF, a aceitação do acordo de transação penal impede o exame de habeas corpus para</p><p>questionar a legitimidade da persecução penal.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Embora o sistema negocial possa trazer aprimoramentos positivos em casos de delitos de</p><p>menor gravidade, a barganha no processo penal pode levar a riscos consideráveis aos direitos</p><p>fundamentais do acusado.</p><p>Assim, o controle judicial é fundamental para a proteção efetiva dos direitos fundamentais</p><p>do imputado e para evitar possíveis abusos que comprometam a decisão voluntária de aceitar a</p><p>transação. Não há qualquer disposição em lei que imponha a desistência de recursos ou ações em</p><p>andamento ou determine a renúncia ao direito de acesso à Justiça.</p><p>Importante: o STJ possui posição em sentido contrário: A concessão do benefício da</p><p>transação penal impede a impetração de habeas corpus em que se busca o trancamento da ação</p><p>penal. STJ. 6ª Turma. HC 495.148-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, j. 24/09/2019 (Info</p><p>657).</p><p>(…) de um dos investigados a informações, de caráter privado de diversas pessoas, que não</p><p>dizem respeito ao direito de defesa dele.</p><p>STF. 1ª Turma. Rcl 25.872 AgR-AgR/SP, Rel. Min. Rosa Weber, j. 17/12/2019 (Info 964).</p><p>Não cabe HC contra decisão de Ministro do STF que decreta a prisão preventiva de</p><p>investigado ou réu.</p><p>Aplica-se, aqui, por analogia, o entendimento exposto no enunciado 606 da Súmula do STF.</p><p>Súmula 606 STF: Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de</p><p>turma, ou do plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.</p><p>STF. Plenário. HC 162.285 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 19/12/2019 (Info 964)</p><p>A realização de acordo de transação penal não enseja a perda de objeto de habeas corpus</p><p>anteriormente impetrado. A aceitação do acordo de transação penal não impede o exame de</p><p>habeas corpus para questionar a legitimidade da persecução penal.</p><p>STF. 2ª Turma. HC 176.785/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 17/12/2019 (Info 964)</p><p>20</p><p>ITEM 10</p><p>Medida provisória pode dispor sobre as regras do procedimento de habilitação das entidades</p><p>beneficentes de assistência social.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A reserva de lei complementar aplicada à regulamentação da imunidade tributária, prevista</p><p>no art. 195, § 7º, da CF, limita-se à definição de contrapartidas a serem observadas para garantir a</p><p>finalidade beneficente dos serviços prestados pelas entidades de assistência social, o que não</p><p>impede seja o procedimento de habilitação dessas entidades positivado em lei ordinária. Vale</p><p>ressaltar que a lei ordinária somente poderá prever regras que não extrapolem as exigências</p><p>estabelecidas na lei complementar (atualmente, o art. 14 do CTN).</p><p>Para mais comentários: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-964-stf.pdf</p><p>ITEM 11</p><p>Situação hipotética: órgão fracionário de determinado Tribunal Regional Federal, sem declarar a</p><p>inconstitucionalidade, afastou a aplicação de um Decreto Federal em um caso concreto sob o</p><p>fundamento de que havia violação ao princípio da livre concorrência.</p><p>Nesse caso, a decisão do Tribunal deve ser reformada por contrariar súmula vinculante do Supremo</p><p>Tribunal Federal.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Caso concreto: a 4ª Turma do TRF da 1ª Região, ou seja, um órgão fracionário do TRF1, ao</p><p>julgar apelação, permitiu que uma empresa comercializasse determinada espécie de cigarro mesmo</p><p>isso sendo contrário às regras do Decreto nº 7.212/2010.</p><p>Embora não tenha declarado expressamente a inconstitucionalidade do Decreto, a 4ª Turma</p><p>afirmou que ele seria contrário ao princípio da livre concorrência, que é previsto no art. 170, IV, da</p><p>CF/88.</p><p>Ao desobrigar a empresa de cumprir as regras do decreto afirmando que ele violaria o</p><p>princípio da livre iniciativa, o que a 4ª Turma fez foi julgar o decreto inconstitucional.</p><p>Ocorre que isso deveria ter sido feito respeitando-se a cláusula de reserva de plenário,</p><p>conforme explicitado na SV 10: Súmula vinculante 10-STF: Viola a cláusula de reserva de plenário</p><p>(CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a</p><p>inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou</p><p>em parte.</p><p>A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das</p><p>entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que</p><p>se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.</p><p>Importante destacar:</p><p>• os REQUISITOS (exigências, normas de regulação) para que a entidade goze da</p><p>imunidade tributária devem estar previstos em lei complementar;</p><p>• as REGRAS SOBRE O PROCEDIMENTO de habilitação dessas entidades nos órgãos da</p><p>Administração Pública poderão ser disciplinadas por meio de lei ordinária.</p><p>STF. Plenário. RE 566.622 ED/RS, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber,</p><p>j. 18/12/2019, Repercussão Geral: Tema 32 (Info 964).</p><p>O afastamento de norma legal por órgão fracionário, de modo a revelar o esvaziamento da</p><p>eficácia do preceito, implica contrariedade à cláusula de reserva de plenário e ao Enunciado</p><p>10 da Súmula Vinculante.</p><p>STF. 1ª Turma. RE 635.088 AgR-segundo/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 04/02/2020 (Info 965).</p><p>21</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/02/info-964-stf.pdf</p><p>ITEM 12</p><p>Procurador de Câmara Municipal não dispõe de legitimidade para interpor recurso extraordinário</p><p>contra acórdão de Tribunal de Justiça proferido em representação de inconstitucionalidade em</p><p>defesa de lei ou ato normativo estadual ou municipal.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Por ser uma decisão política, somente os legitimados no art. 103 da Constituição Federal</p><p>(CF) (1), ou, por simetria, os que previstos em constituição estadual, podem propor ações diretas de</p><p>inconstitucionalidade.</p><p>Ressaltou, entretanto, que os atos de natureza técnica, subsequentes ao ajuizamento da ação,</p><p>devem ser empreendidos pelos procuradores da parte legitimada.</p><p>ITEM 13</p><p>É possível que lei restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou</p><p>a ação penal.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O ministro Roberto Barroso apresentou duas regras para a ponderação dos valores em jogo</p><p>(princípio da presunção de inocência, liberdade profissional, ampla acessibilidade aos cargos</p><p>públicos r moralidade administrativa) e a determinação objetiva de idoneidade moral, quando</p><p>aplicável ao ingresso no serviço público mediante concurso.</p><p>A primeira, apta a estabelecer parâmetro pelo qual se pode recusar a alguém a inscrição em</p><p>concurso público, é a necessidade de condenação por órgão colegiado ou de condenação definitiva.</p><p>Há analogia com a Lei da “Ficha Limpa” (LC 135/2010), critério que já foi aplicado mesmo</p><p>fora da seara penal. A segunda regra é a necessidade de relação de incompatibilidade entre a</p><p>natureza do crime e as atribuições do cargo.</p><p>Nem toda condenação penal deve ter por consequência direta e imediata impedir alguém de</p><p>se candidatar a concurso público.</p><p>Entretanto, para concorrer a determinados cargos públicos, pela natureza deles, é possível,</p><p>por meio de lei, a exigência de qualificações mais restritas e rígidas ao candidato. Por exemplo, as</p><p>carreiras da magistratura, das funções essenciais à justiça — Ministério</p><p>Público, Advocacia Pública</p><p>e Defensoria Pública — e da segurança pública.</p><p>ITEM 14</p><p>Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição.</p><p>Gabarito: DIVERGÊNCIA (conta como nula)</p><p>Os Procuradores (do Estado, do Município, da ALE, da Câmara etc.) possuem legitimidade</p><p>para a interposição de recursos em ação direta de inconstitucionalidade.</p><p>STF. 2ª Turma. RE 1.126.828 AgR/SP, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Cármen</p><p>Lúcia, j. 04/02/2020 (Info 965).</p><p>Sem previsão constitucionalmente adequada e instituída por lei, não é legítima a cláusula de</p><p>edital de concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de</p><p>responder a inquérito ou a ação penal.</p><p>STF. Plenário. RE 560.900/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 05 e 06/02/2020, Repercussão Geral:</p><p>Tema 22 (Info 965).</p><p>Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição?</p><p>• SIM. É a posição atual da 1ª Turma do STF.</p><p>22</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 15</p><p>No que diz respeito ao art. 33, § 4º da Lei de drogas, há presunção de que o réu não se dedica a</p><p>atividades criminosas nem integra organização criminosa.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>A previsão da redução de pena contida no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 tem como</p><p>fundamento distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem</p><p>como do que se aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a</p><p>sua própria sobrevivência e/ou de sua família.</p><p>Assim, para legitimar a não aplicação do redutor é essencial a fundamentação corroborada</p><p>em elementos capazes de afastar um dos requisitos legais, sob pena de desrespeito ao princípio da</p><p>individualização da pena e de fundamentação das decisões judiciais. Desse modo, a habitualidade e</p><p>o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados, não valendo a simples</p><p>presunção.</p><p>Não havendo prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução de pena.</p><p>ITEM 16</p><p>O delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas pelos colaboradores que o</p><p>incriminem, ainda que não documentadas.</p><p>O acórdão confirmatório da sentença implica a interrupção da prescrição. No art. 117 do</p><p>Código Penal que deve ser interpretado de forma sistemática todas as causas interruptivas</p><p>da prescrição demonstram, em cada inciso, que o Estado não está inerte. Não obstante a</p><p>posição de parte da doutrina, o Código Penal não faz distinção entre acórdão condenatório</p><p>inicial e acórdão condenatório confirmatório da decisão. Não há, sistematicamente,</p><p>justificativa para tratamentos díspares. A ideia de prescrição está vinculada à inércia estatal</p><p>e o que existe na confirmação da condenação é a atuação do Tribunal. Consequentemente, se</p><p>o Estado não está inerte, há necessidade de se interromper a prescrição para o cumprimento</p><p>do devido processo legal.</p><p>STF. 1ª Turma. RE 1.237.572 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Alexandre</p><p>de Moraes, j. 26/11/2019.</p><p>STF. 1ª Turma. RE 1.241.683 AgR/RS, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.</p><p>Alexandre de Moraes, j. 04/02/2020 (Info 965).</p><p>• NÃO. É a posição da doutrina, do STJ e da 2ª Turma do STF.</p><p>O art. 117, IV do CP estabelece que o curso da prescrição interrompe-se pela publicação da</p><p>sentença ou acórdão condenatórios recorríveis. Se o acórdão apenas CONFIRMA a</p><p>condenação ou então REDUZ a pena do condenado, ele não terá o condão de interromper a</p><p>prescrição</p><p>STF. 2ª Turma. RE 1238121 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 06/12/2019.</p><p>STJ. Corte Especial. AgRg no RE nos EDcl no REsp 1.301.820/RJ, Rel. Min. Humberto Martins,</p><p>j. 16/11/2016.</p><p>Milita em favor do réu a presunção de que é primário e de bons antecedentes e de que não se</p><p>dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. O ônus de provar o</p><p>contrário é do Ministério Público.</p><p>STF. 2ª Turma. HC 154694 AgR/SP, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar</p><p>Mendes, j. 04/02/2020 (Info 965).</p><p>23</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>O terceiro delatado por corréu, em termo de colaboração premiada, tem direito de ter acesso</p><p>aos trechos nos quais citado, com fundamento no Enunciado 14 da Súmula Vinculante. À luz do</p><p>referido verbete, o acesso deve ser franqueado caso estejam presentes dois requisitos.</p><p>a) Requisito positivo: o acesso deve abranger somente documentos em que o requerente é de</p><p>fato mencionado como tendo praticado crime (o ato de colaboração deve apontar a responsabilidade</p><p>criminal do requerente); e</p><p>b) Requisito negativo: o ato de colaboração não se deve referir a diligência em andamento</p><p>(devem ser excluídos os atos investigativos e diligências que ainda se encontram em andamento e</p><p>não foram consubstanciados e relatados no inquérito ou na ação penal em tramitação).</p><p>Isso porque a leitura do § 2º do art. 7° da Lei 12.850/2013 determina que, antes mesmo da</p><p>retirada do sigilo, será assegurado ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos</p><p>elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de</p><p>autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento.</p><p>Com efeito, a jurisprudência da Segunda Turma garante o acesso a todos os elementos de</p><p>prova documentados nos autos dos acordos de colaboração, incluídas as gravações audiovisuais dos</p><p>atos de colaboração de corréus, com o escopo de confrontá-los, e não para impugnar os termos dos</p><p>acordos propriamente ditos (Rcl 21.258 AgR).</p><p>ITEM 17</p><p>Não há, por ora, previsão legal do direito à 'desaposentação' ou à ‘reaposentação’.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>Recomenda-se leitura integral do informativo comentado:</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/03/info-965-stf-1.pdf</p><p>ITEM 18</p><p>É inconstitucional lei estadual que obrigue a participação de representante da seccional da OAB em</p><p>órgão colegiado da Administração Pública estadual.</p><p>Gabarito: CERTO</p><p>O delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas pelos colaboradores que o</p><p>incriminem, desde que já documentadas e que não se refiram à diligência em andamento que</p><p>possa ser prejudicada.</p><p>STF. 2ª Turma. Rcl 30.742 AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 04/02/2020 (Info 965).</p><p>No âmbito do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios</p><p>e vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à</p><p>'desaposentação' ou à ‘reaposentação’, sendo constitucional a regra do art. 18, § 2º, da Lei nº</p><p>8.213/1991.</p><p>Por outro lado, o STF deu parcial provimento aos embargos declaratórios para:</p><p>• dizer que são irrepetíveis os valores alimentares recebidos de boa-fé por segurados</p><p>beneficiados com desaposentação ou reaposentação, até a proclamação do resultado.</p><p>• garantir o direito daqueles que usufruem de “desaposentação” ou de “reaposentação” em</p><p>decorrência de decisão transitada em julgado, até a proclamação do resultado do</p><p>julgamento dos embargos de declaração (06/02/2020).</p><p>STF. Plenário. RE 381.367 ED/RS e RE 827.833 ED/SC, Rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac.</p><p>Min. Alexandre de Moraes, j. 06/02/2020, Repercussão Geral: Tema 503 (Info 965).</p><p>24</p><p>https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2020/03/info-965-stf-1.pdf</p><p>Aduziu ser possível que chefe do Poder Executivo estadual convide, em consenso com a</p><p>OAB, representante desta para integrar órgão da Administração. Entretanto, embora a norma</p><p>questionada atenda a pleito da OAB/RJ, lei estadual não pode impor a presença de representante de</p><p>autarquia federal em órgão da Administração Pública local.</p><p>ITEM 19</p><p>Por versar sobre matéria de cunho constitucional, cabe recurso extraordinário para discutir a</p><p>possibilidade ou não de retenção de honorários advocatícios contratuais sobre crédito relativo a</p><p>diferenças do FUNDEF.</p><p>Gabarito: ERRADO</p><p>Sem comentários adicionais.</p><p>ITEM 20</p><p>Situação hipotética: João entrou em um pequeno comércio e subtraiu bens no valor de R$ 20,00</p><p>(vinte reais). Ao ser preso, foi levado à delegacia onde se verificou que ele possuía antecedentes</p><p>criminais por crimes patrimoniais.</p>