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<p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>2</p><p>GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ</p><p>Maria IZOLDA CELA de Arruda Coelho</p><p>GOVERNADORA DO ESTADO DO CEARÁ</p><p>SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL - SSPDS</p><p>SANDRO Luciano CARON de Moraes - DPF</p><p>SECRETÁRIO DA SSPDS</p><p>ACADEMIA ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA DO CEARÁ – AESP|CE</p><p>Antônio CLAIRTON Alves de Abreu – CEL PM</p><p>DIRETOR-GERAL DA AESP|CE</p><p>NARTAN da Costa Andrade - DPC</p><p>DIRETOR DE PLANEJAMENTO E GESTÃO INTERNA DA AESP|CE</p><p>HUMBERTO Rodrigues Dias – CEL BM</p><p>COORDENADOR DE ENSINO E INSTRUÇÃO DA AESP|CE</p><p>José ROBERTO de Moura Correia – TC PM</p><p>COORDENADOR ACADÊMICO PEDAGÓGICO DA AESP|CE</p><p>Francisca ADEIRLA Freitas da Silva – CAP PM</p><p>SECRETÁRIA ACADÊMICA DA AESP|CE</p><p>ALANA Dutra do Carmo</p><p>ORIENTADORA DA CÉLULA DE ENSINO A DISTÂNCIA DA AESP|CE</p><p>CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS POLICIAIS MILITARES - CFSD PM</p><p>DISICPLINA</p><p>Fundamentos da Inteligência Policial Militar</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Erivelton Rocha Gadelha</p><p>FORMATAÇÃO</p><p>JOELSON Pimentel da Silva – 1º SGT PM</p><p>• 2022 •</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>3</p><p>SUMÁRIO</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR.................................................................................................................... 4</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ........................................................................................................................................................... 4</p><p>2. FRAGMENTOS HISTÓRICOS E ORIGEM DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA NO BRASIL E O CEARÁ ............................................... 4</p><p>2.1 Origem e Evolução no Brasil ................................................................................................................................................. 5</p><p>2.2 O Sistema Brasileiro de Inteligência e a Agência Brasileira de Inteligência.......................................................................... 6</p><p>2.3 O Subsistema de Inteligência de Segurança Pública e o Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública ............... 6</p><p>2.4 O Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública e Defesa Social ........................................................................... 6</p><p>3. POLÍTICA E DOUTRINA DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA .......................................................................................... 8</p><p>3.1 Pressupostos da Atividade de Inteligência de Segurança Pública ........................................................................................ 8</p><p>3.2 Características da Doutrina de Inteligência ........................................................................................................................ 10</p><p>3.3 Sugestão da Estrutura Básica de uma Agência de Inteligência (DNISP) ............................................................................. 10</p><p>4. ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA E DE ISP ...................................................................................................................................... 10</p><p>4.1 Principais Ameaças da Inteligência de Segurança Pública ................................................................................................. 10</p><p>4.2 Finalidades da Atividade de ISP ......................................................................................................................................... 12</p><p>4.3 Características da Atividade de Inteligência ....................................................................................................................... 12</p><p>4.4 Princípios da Atividade de Inteligência .............................................................................................................................. 12</p><p>4.5 Valores da Atividade de Inteligência .................................................................................................................................. 13</p><p>5. ESPECIFICIDADES DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA .................................................................................................................. 13</p><p>5.1 Ciclo da Informação ........................................................................................................................................................... 13</p><p>5.2 Conhecimento .................................................................................................................................................................... 13</p><p>5.3 Estados da Mente ............................................................................................................................................................... 13</p><p>5.4 Graus de Complexidade dos Trabalhos intelectuais ........................................................................................................... 14</p><p>5.5 Tipos de Conhecimentos .................................................................................................................................................... 14</p><p>5.6 Julgamento da Fonte e do Conteúdo ................................................................................................................................. 14</p><p>5.7 Tipos de Fontes .................................................................................................................................................................. 15</p><p>5.8 Documentos de Inteligência mais Usuais ........................................................................................................................... 15</p><p>5.9 Ações de Inteligência ......................................................................................................................................................... 16</p><p>5.10 Meios de obtenção de dados: humanos e eletrônicos. ................................................................................................... 16</p><p>5.11 Conceitos específicos da Atividade de Inteligência .......................................................................................................... 16</p><p>5.12 Operações de Inteligência ................................................................................................................................................ 16</p><p>5.13 Ações de busca ................................................................................................................................................................. 17</p><p>5.14 – Técnicas Operacionais – TOI`s ....................................................................................................................................... 17</p><p>6. NOÇÕES ESPECÍFICAS DE CONTRAINTELIGÊNCIA ..................................................................................................................... 17</p><p>6.1 Conceitos Importantes ....................................................................................................................................................... 17</p><p>6.2 Medidas de salvaguarda .................................................................................................................................................... 18</p><p>6.3. Segurança Orgânica ........................................................................................................................................................... 18</p><p>7. DISTINÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E OUTROS INSTITUTOS ........................................................................................................ 18</p><p>8. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................................... 18</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................................................ 19</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA</p><p>e veículos no emprego</p><p>de outras TOI’s ou Ações de Buscas, como a Vigilância por</p><p>exemplo. A OMD, de maneira objetiva, se resume a</p><p>capacidade do agente de inteligência em observar um alvo</p><p>(cenário, veículo, documento, pessoas, etc.), memorizá-lo e,</p><p>oportunamente, descrevê-lo.</p><p>Estória-Cobertura: É uma identidade de proteção</p><p>para pessoas, instalações e organizações, com o fim de</p><p>dissimular e acobertar os verdadeiros propósitos a serem</p><p>desencadeados por meio da persecução da atividade de</p><p>inteligência. Doutrinariamente pode-se classificar a EC</p><p>quanto às bases de formulação e à capacidade de resistência,</p><p>podendo ser superficial ou profunda de acordo com essa</p><p>capacidade.</p><p>Disfarce: É a modificação dos traços fisionômicos de</p><p>uma pessoa – bem como de suas características pessoais –</p><p>com a finalidade de dificultar sua identificação, seja para</p><p>caracterizar ou descaracterizar o agente. Quando o agente –</p><p>normalmente em uma EC – necessita criar uma identidade</p><p>temporária, busca no disfarce a sua caracterização. Já</p><p>quando ele necessita modificar sua aparência física, para não</p><p>ser reconhecido em um determinado momento, ele utiliza-se</p><p>de sua descaracterização. O Disfarce ainda possui como</p><p>finalidades dificultar a identificação de uma pessoa e</p><p>reforçar a técnica operacional estória-cobertura.</p><p>São outras TOI’s:</p><p> Processo de Identificação de Pessoas;</p><p> Comunicações Sigilosas;</p><p> Leitura da Fala;</p><p> Análise de Veracidade;</p><p> Emprego de Meios Eletrônicos;</p><p> Foto-Interpretação.</p><p>6. NOÇÕES ESPECÍFICAS DE CONTRAINTELIGÊNCIA</p><p>Inicialmente cabe relembrar que se trata do ramo da</p><p>atividade de inteligência de segurança pública que objetiva</p><p>prevenir, detectar, obstruir e neutralizar atividades adversas</p><p>e ações de qualquer natureza que constituam ameaça à</p><p>salvaguarda de dados, informações e conhecimentos de</p><p>interesse da segurança da sociedade e do Estado, bem como</p><p>das áreas e dos meios que os retenham ou em que</p><p>transitem.</p><p>As noções fundamentais a seguir apresentadas e</p><p>desenvolvidas se ligam a termos essenciais da linguagem de</p><p>Inteligência, porém utilizados predominantemente nas ações</p><p>de salvaguarda.</p><p>6.1 Conceitos Importantes</p><p> Responsabilidade: Constituem condutas ilícitas</p><p>que ensejam responsabilidade do agente público</p><p>ou militares divulgar ou permitir que divulguem,</p><p>acessam ou permitir o acesso indevido às</p><p>informações classificadas como sigilosas. (Art. 31,</p><p>IV, da Lei 15.175/2012).</p><p> Acesso: Deriva necessariamente de uma</p><p>autorização superior, o acesso nada mais é do que</p><p>a possibilidade e/ou oportunidade de uma pessoa</p><p>obter conhecimentos e/ou dados sigilosos. Sob a</p><p>óptica da Doutrina de Inteligência, o termo acesso</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>18</p><p>denota não somente o ato de uma pessoa obter</p><p>conhecimentos e/ou dados, mas também a</p><p>condição para fazê-lo; A possibilidade de tais</p><p>circunstâncias derivarem ou de autorização oficial</p><p>emanada de autoridade competente, ou da</p><p>superação das medidas de salvaguarda aplicadas</p><p>aos conhecimentos ou dados sigilosos.</p><p> Credencial de segurança: A credencial de</p><p>segurança é o certificado, concedido por</p><p>autoridade competente, que habilita uma pessoa</p><p>a ter acesso até determinado grau de sigilo, a</p><p>conhecimentos e/ou dados sigilosos. É a</p><p>materialização da autorização oficial para o</p><p>acesso. Exemplo: sistemas policiais oficiais.</p><p> Necessidade de conhecer: A necessidade de</p><p>conhecer é a condição indispensável inerente ao</p><p>exercício funcional, para que uma pessoa, com</p><p>credencial de segurança adequada, tenha acesso a</p><p>conhecimentos e/ou dados sigilosos classificados</p><p>com grau de sigilo igual ou inferior ao da</p><p>credencial de segurança. Dessa maneira, a</p><p>necessidade de conhecer constitui um fator</p><p>restritivo ao acesso e deve sempre guiar quem</p><p>trabalhar na Inteligência.</p><p> Compartimentação: A compartimentação é o</p><p>resultado eficaz de todas as medidas de</p><p>salvaguarda que visam a restringir o acesso das</p><p>pessoas à necessidade que tenham de conhecer.</p><p> Comprometimento: O comprometimento é a</p><p>perda de segurança resultante de acesso, por</p><p>pessoa não autorizada, a conhecimentos e/ou</p><p>dados sigilosos e também a inutilização desses</p><p>conhecimentos e/ou dados, através de</p><p>adulteração, destruição ou perda de</p><p>oportunidade. Entenda-se que o</p><p>comprometimento pode efetivar-se por ação</p><p>voluntária ou não, ou, ainda, em consequência de</p><p>fenômenos naturais. O comprometimento decorre</p><p>da insuficiência ou da inadequação das medidas</p><p>de salvaguarda aplicada aos conhecimentos e/ou</p><p>dados sigilosos.</p><p>6.2 Medidas de salvaguarda</p><p>A Contrainteligência se implementa através da adoção</p><p>de medidas voltadas para a prevenção, obstrução,</p><p>identificação e neutralização de ações adversas de qualquer</p><p>natureza, observando-se sempre os limites de competência</p><p>da atividade de Inteligência. As medidas de</p><p>Contrainteligência estão compreendidas em grupos que se</p><p>apoiam e se completam. Essas medidas são desenvolvidas</p><p>por meio da Proteção ao Conhecimento, Contraespionagem,</p><p>Contraterrorismo e Contrapropaganda.</p><p>6.3. Segurança Orgânica</p><p>A Segurança Orgânica - SEGOR compreende um</p><p>conjunto de medidas voltado para a prevenção e obstrução</p><p>de ações adversas de qualquer natureza. Para atingir os</p><p>objetivos de prevenir e obstruir, as medidas da SEGOR são</p><p>integradas e meticulosamente planejadas, destinadas a</p><p>proteger o Pessoal, a Documentação, as Instalações, o</p><p>Material, as Operações de Inteligência, as Comunicações e</p><p>Telemática, e a Informática.</p><p>7. DISTINÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E OUTROS INSTITUTOS</p><p>Apesar de ainda persistirem algumas críticas</p><p>infundadas e entendimentos equivocados de leigos</p><p>querendo entender a Inteligência como sinônimo de</p><p>Investigação, tais institutos são totalmente díspares e</p><p>carregam uma doutrina e regramento próprios, não se</p><p>confundindo. Por vezes estes se complementam e podem ser</p><p>utilizados como apoios mútuos. Não obstante, no decorrer</p><p>de uma Investigação em andamento poderão ser utilizadas</p><p>ferramentas de inteligência, e a Atividade de Inteligência</p><p>poderá se valer dos conhecimentos concebidos durante uma</p><p>investigação, porém existem diversas diferenças entre os</p><p>Institutos, conforme podemos verificar no quadro</p><p>comparativo que se segue:</p><p>De igual forma, persistem outras diferenças em</p><p>relação ao Sistema de Justiça e Disciplina:</p><p>8. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A atividade de inteligência vem se mostrando como</p><p>uma das melhores estratégias de atuação contra a</p><p>criminalidade e contra um dos maiores desafios atuais da</p><p>Segurança Pública, o crime organizado.</p><p>Ressalte-se que o Governo Federal vem pautando</p><p>fortemente suas ações com implementações na área de</p><p>inteligência. No caso do Estado do Ceará, o Governo também</p><p>sensível a atual problemática da criminalidade, através do</p><p>projeto governamental intitulado “Ceará Pacífico”, vem</p><p>recomendando a observância do tripé: aproximação com a</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>19</p><p>população; uso intensivo de informações com</p><p>aperfeiçoamento da Inteligência e da investigação; e, ações</p><p>de articulação e integração das Agências de Segurança</p><p>Pública e Justiça (CEARÁ, 2017). Umas das ações próximas</p><p>será a entrega do Centro Integrado de Inteligência, para</p><p>permitir uma atuação mais próxima e articulada entre as</p><p>Agências do Estado.</p><p>Outra consideração importante é o perfil do</p><p>profissional que deve atuar na Atividade de Inteligência.</p><p>Além de resguardar as características essenciais de ser</p><p>policial, agregando os valores de honestidade e sentimento</p><p>de servir ao próximo, deve ser leal à Corporação que serve e</p><p>ser um profissional abnegado e devotado.</p><p>Por fim, reforçamos as palavras do então Ministro</p><p>Miguel Reale Junior, quando em 2022 afirmou que:</p><p>“Segurança significa, antes de tudo, inteligência”.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRADE JÚNIOR. Raimundo Rocha de. O aprimoramento</p><p>da gestão de fontes humanas na inteligência de segurança</p><p>pública. Especialização em Altos Estudos de Segurança</p><p>Pública. AESP. Fortaleza, Ceará, 2019.</p><p>ARAÚJO, Raimundo Teixeira de. História Secreta dos Serviços</p><p>de Inteligência: origens, evolução e institucionalização. São</p><p>Luís: Ed. do autor, 2004. 204p.</p><p>BARRETO, Alessandro Gonçalves. Inteligência Digital: uma</p><p>análise das fontes abertas na produção de conhecimento e</p><p>de provas em investigações criminais e processos. Rio de</p><p>Janeiro: Brasport, 2013.</p><p>BÍBLIA, A. T. Números. In: BÍBLIA. Sagrada Bíblia Católica:</p><p>Antigo e Novo Testamentos. Tradução: José Simão. São</p><p>Paulo: Sociedade Bíblica de Aparecida, 1991.</p><p>BRASIL. Exército. Comando de Operações Terrestres.</p><p>Produção do Conhecimento de Inteligência. Brasília, 2019,</p><p>p. 2-18.</p><p>BRASIL. Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999. Institui o</p><p>Sistema Brasileiro de Inteligência, cria a Agência Brasileira</p><p>de Inteligência - ABIN, e dá outras providências. Brasília, DF:</p><p>Presidência da República. 1999. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9883.htm></p><p>Acesso em: 18 maio 2021.</p><p>BRASIL. Lei nº 12.850, de 02 de agosto de 2013. Define</p><p>organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal,</p><p>os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e</p><p>o procedimento criminal; (...). Brasília, DF: Presidência da</p><p>República. 2013. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-</p><p>2014/2013/lei/l12850.htm> Acesso em: 24 maio 2021.</p><p>BRASIL. Medida Provisória nº 813, de 1 de janeiro de 1995.</p><p>Dispõe sobre a organização da Presidência da República e</p><p>dos Ministérios, e dá outras providências. Brasília, DF:</p><p>Presidência da República. 1995. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/Antigas/813.htm</p><p>> Acesso em: 18 maio 2021.</p><p>CEARÁ. Lei nº 10.145, de 29 de novembro de 1977. Dispõe</p><p>sobre a Organização da Polícia Militar do Ceará e da outras</p><p>providencias. Fortaleza, Ceará. 1977. Disponível em:</p><p><https://sistemas.sspds.ce.gov.br/file_bd?sql=FILE_DOWNLO</p><p>AD_FIELD_ARQUIVO_DOWNLOAD&parametros=165&extFile</p><p>=pdf Acesso em: 18 maio 2021.</p><p>CEARÁ. Lei nº 14.282, de 23 de dezembro de 2008. Cria o</p><p>Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública e</p><p>Defesa Social do Estado do Ceará – SEISP, a gratificação por</p><p>exercício na atividade de inteligência – GEAI, e dá outras</p><p>providências. Fortaleza, Ceará. 2008. Disponível em:</p><p><https://www.al.ce.gov.br/legislativo/legislacao5/leis2008/14</p><p>282.htm> Acesso em: 18 maio 2021.</p><p>CEARÁ. Decreto Estadual nº 34.053, de 30 de abril de 2021.</p><p>Altera a estrutura organizacional e dispõe sobre os cargos</p><p>de provimento em comissão da polícia militar do Ceará</p><p>(PMCE). Série 3, Ano XIII nº 105, Fortaleza, Ceará. 2021. p.</p><p>01-04.</p><p>CEARÁ. Portaria nº 121/2020-GC, de 11 de ago. 2020. Aprova</p><p>o regimento interno do gabinete do Comando-Geral da</p><p>Polícia Militar do Ceará e dá outras providências. Fortaleza,</p><p>Ceará. 2020.</p><p>DOUTRINÁRIO Nacional de Inteligência de Segurança</p><p>Pública. DNISP. [s.l]. 2016. Disponível em:</p><p><https://www.novo.justica.gov.br/sua-seguranca-</p><p>2/seguranca-publica/analise-e-</p><p>pesquisa/download/outras_publicacoes_externas/pagina-</p><p>4/5estudo-exposicao-de-motivo-e-proposta-para-uma-</p><p>matriz-doutrinaria-a-ser-aplicada-aos-operadores-do-</p><p>subsistema-de-inteligencia-de-seguranca-publica-sisp_403-</p><p>511.pdf> Acesso em 24 maio 2021.</p><p>EXPERIÊNCIAS exitosas de enfrentamento à violência e à</p><p>criminalidade: Análise de Benchmarking. Ceará Pacífico.</p><p>Fortaleza, Ceará. 2017. Disponível em:</p><p><https://www.ceara.gov.br/wp-</p><p>content/uploads/2017/12/CP_Livro-1_Experie%CC%82ncias-</p><p>Exitosas-de-Enfrentamento-a%CC%80-Viole%CC%82ncia-e-</p><p>a%CC%80-Criminalidade.pdf> Acesso em: 03 mai. 2021.</p><p>FIGUEIREDO, Lucas. Ministério do silêncio: a história do</p><p>serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula (1927 –</p><p>2005). Rio de Janeiro: Record, 2005.</p><p>GONÇALVES, Joanisval Brito. Atividade de Inteligência e</p><p>legislação correlata 5. Ed. Niterói, RJ. IMPETUS, 2017.</p><p>HOLANDA, Alexandre Maciel. Revitalização do sistema de</p><p>inteligência da Polícia Militar do Ceará (SIMPO/CE). Curso</p><p>de aperfeiçoamento de Oficiais. AESP. Fortaleza, Ceará. 2009.</p><p>LOPES, Elizabeth Nunes; SAMPAIO, Sinval da Silveira. O</p><p>agente de inteligência Policial Militar e as situações de</p><p>flagrante delito. Curso Superior de Segurança Pública. AESP.</p><p>Fortaleza, Ceará, 2017.</p><p>SUN, Tzu. Século VI a.C. A Arte da Guerra: Por uma</p><p>Estratégia Perfeita/Sun Tzu; tradução Heloísa Sarzana</p><p>Pugliesi, Márcio Pugliesi. — São Paulo: Madras, 2005.</p><p>TORRES. Lúcio Ponte. Planejamento operacional integrado</p><p>da Polícia Civil direcionado ao combate à criminalidade</p><p>organizada no Ceará. Curso de especialização em altos</p><p>estudos de segurança pública. Fortaleza, Ceará, 2019.</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.883-1999?OpenDocument</p><p>POLICIAL MILITAR</p><p>4</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS</p><p>Preliminarmente gostaríamos de situar você, Policial</p><p>Militar, sobre concepções iniciais acerca do que significa a</p><p>atividade de inteligência. Tida como apanágio dos nobres</p><p>nos dizeres do Coronel Walther Nicolai, 1873/1934, Chefe do</p><p>Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck, é uma</p><p>atividade hoje muito difundida no meio empresarial como</p><p>uma ferramenta estratégica de atuação.</p><p>Logicamente que existem inúmeras diferenças entre o</p><p>emprego da Atividade de Inteligência, de acordo com o</p><p>cenário que é empregado, como no âmbito dos esportes, na</p><p>gestão de empresas e na execução das funções do Estado,</p><p>dentre outras vertentes.</p><p>Por certo, a apropriação da Inteligência como</p><p>estratégia tem o condão de permitir que a empresa consiga</p><p>o sucesso almejado de acordo com os objetivos e metas</p><p>traçadas. Quando nos referimos à Atividade de Inteligência</p><p>de Segurança Pública e mais especialmente à Inteligência</p><p>Policial Militar, temos que entender que o papel desta</p><p>atividade será o de contribuir para o sucesso da Segurança</p><p>Pública do Estado, de acordo com a competência legal do</p><p>Órgão.</p><p>No caso da Polícia Militar do Ceará a regulação mais</p><p>atualizada está inserta no Decreto nº 34.053/2021, situando a</p><p>Assessoria de Inteligência Policial Militar como Órgão de</p><p>Assessoramento Superior, vinculado diretamente ao</p><p>Comando-Geral da Corporação, tamanha a importância do</p><p>papel da Atividade de Inteligência para a PMCE.</p><p>Neste contexto, podemos relembrar a frase do</p><p>Ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres,</p><p>quando asseverou em uma entrevista para a Voz do Brasil e</p><p>divulgada em 30.12.2021 que o futuro da Segurança Pública</p><p>estava na Inteligência.</p><p>A Assessoria de Inteligência Policial Militar –</p><p>ASINT/PMCE é a Agência Central da PMCE, tendo como</p><p>vinculadas no cenário doutrinário e operacional às</p><p>Subagências de Inteligências dos Batalhões da Polícia Militar</p><p>(SAIs). Assim, temos em praticamente todos os rincões do</p><p>Estado policiais militares exercendo essa função tão cara e</p><p>precípua para a Corporação, produzindo conhecimentos nos</p><p>níveis operacional, tático, estratégico e político, a fim de que</p><p>os gestores tomem decisões mais assertivas de emprego do</p><p>policiamento e, por sua vez, este atue de forma mais</p><p>direcionada e qualificada.</p><p>2. FRAGMENTOS HISTÓRICOS E ORIGEM DA ATIVIDADE DE</p><p>INTELIGÊNCIA NO BRASIL E O CEARÁ</p><p>A percepção da necessidade de informações para</p><p>uma melhor tomada de decisão não é atual. O entendimento</p><p>sobre a necessidade de informações para a tomada de</p><p>decisão surgiu desde a época do homem primitivo, quando</p><p>este passou a viver em grupos e, de certa forma, disputar</p><p>recursos e territórios com outros grupos, em prol da</p><p>sobrevivência.</p><p>De forma rudimentar iniciaram o processo de análise</p><p>de dados para a produção do conhecimento. Embora não</p><p>dominassem a escrita, transmitiam as informações por via</p><p>oral. A necessidade de sobrevivência resultou nos seguintes</p><p>questionamentos:</p><p> Se a área por eles dominada tinham alimentos;</p><p> Se suas habitações (cavernas) eram seguras;</p><p> Quantos eram;</p><p> Se eram fortes ou fracos;</p><p> Se eram hábeis no emprego de armas; e</p><p> Se era possível vencê-los.</p><p>A concepção da existência da Inteligência resguarda</p><p>também uma origem mitológica, segundo a qual Argus, que</p><p>suplantou a hegemonia de Micenas, por volta do século XII</p><p>a.C, protegeu de diversas maneiras suas mensagens</p><p>enquanto vivo e criou uma rede eficaz de espiões, tornando-</p><p>se o Pai da Inteligência. Alguns vocábulos vindos de Argus</p><p>são comuns à Inteligência: arguto, argúcia, argumento,</p><p>argüir, etc.</p><p>No antigo Império Persa os Sátrapas (nome dado aos</p><p>governadores das províncias, chamadas satrapias) eram</p><p>nomeados pelo Rei e para evitar a corrupção, o Rei dos Reis</p><p>(Xá) possuía uma rede de espiões que foi chamada de "os</p><p>olhos e ouvidos do rei". Após a conquista de Alexandre, o</p><p>Grande esse sistema de administração foi mantido.</p><p>Um dos ícones da sabedoria milenar, General Chinês</p><p>Sun Tzu, autor do clássico “A Arte da Guerra”, obra elaborada</p><p>por volta de 500 a.C., já abordava de forma muito firme a</p><p>necessidade do emprego da Inteligência para o sucesso das</p><p>Batalhas a serem enfrentadas:</p><p>Os espiões são os elementos mais importantes de</p><p>uma guerra [...] Se você conhece o inimigo e</p><p>conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado</p><p>de cem batalhas. Se você se conhece, mas não</p><p>conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá</p><p>uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo</p><p>nem a si mesmo, perderá todas as batalhas [...]</p><p>Dessa maneira, apenas o governante esclarecido e o</p><p>general criterioso usarão as mais dotadas</p><p>Inteligências do exército para fins de Inteligência,</p><p>obtendo, dessa forma, grandes resultados. (SUN</p><p>TZU)</p><p>No mesmo tom, asseverou “o soberano esclarecido e</p><p>o comandante hábil, por serem capazes de atrair pessoas de</p><p>extrema inteligência para se tornarem seus espiões, estarão</p><p>destinados a grandes conquistas”. Podemos extrair deste</p><p>trecho a importância não somente da Atividade de</p><p>Inteligência desde os primórdios, mas também a necessidade</p><p>de boa capacidade intelectual dos profissionais que fazem</p><p>parte desta função, sendo um dos atributos essenciais para</p><p>que o conhecimento seja produzido com muita sabedoria e</p><p>assertividade, sob pena da decisão a ser tomada ser</p><p>equivocada e inábil para atingir os resultados pretendidos.</p><p>O livro mais famoso e lido do mundo, a Bíblia Sagrada,</p><p>em seu Antigo Testamento, também traz à tona a</p><p>preocupação em relação à necessidade de informações para</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>5</p><p>a tomada de decisões. Nas escrituras constam que Moisés,</p><p>no episódio em que espiões foram enviados à terra de Canaã</p><p>(Bíblia Sagrada, Livro dos Números – Cap.13, Versículos 17-</p><p>20), apontou instruções àqueles que poderiam ser hoje</p><p>considerados os doze “agentes de Inteligência”:</p><p>Tomem este caminho, e subam a montanha, e</p><p>vejam qual é a terra; e o povo que nela habita, se é</p><p>forte ou fraco, poucos ou muitos; e vejam o lugar</p><p>onde eles vivem, se é bom ou mau, e em que</p><p>cidades eles moram, se fortificadas ou não; e como</p><p>é a terra, se acidentada ou plana, se há florestas ou</p><p>não. (BIBLIA SAGRADA)</p><p>Os grandes reinos demonstraram a utilização de</p><p>estratégias ou órgãos de Inteligência no curso da história</p><p>como uma ferramenta poderosa de assessoria, dentre este</p><p>podemos citar: o Serviço Secreto da rainha Elizabeth I, o</p><p>Cabinet Noir do Rei Francês Luis IV (Rei Sol), a rede de</p><p>informantes do Napoleão Bonaparte e outros. Seguindo este</p><p>arcabouço histórico, podemos relembrar a utilização da</p><p>Inteligência nas duas Guerras Mundiais (Ex. Mata Hari na 1ª</p><p>Guerra e o Enigma na 2ª Guerra), até chegar nos órgãos</p><p>reconhecidos e atuantes no mundo todo, como FBI (EUA),</p><p>CIA (EUA), MOSSAD (Israel), MI6 (Inglaterra), SRV(KGB)</p><p>(Rússia) e MISS (China).</p><p>2.1 Origem e Evolução no Brasil</p><p>A origem da Atividade de Inteligência no Brasil</p><p>remonta de 1927, com a criação do Conselho de Defesa</p><p>Nacional – CDN, através do Decreto nº 17.999, de 29 de</p><p>novembro de 1927, no Governo Washington Luiz. Era</p><p>responsável pela coordenação das informações de ordem</p><p>financeira, econômica, bélica e moral relativas à defesa da</p><p>Pátria. Após isso decorreram várias modificações e criações</p><p>que foram institucionalizando a Atividade, conforme</p><p>veremos:</p><p> Em 1934 o Governo Getúlio Vargas ampliou as</p><p>atribuições do CDN e criou a Comissão de Estudos</p><p>de Defesa Nacional - CEDN, vinculada à Secretaria</p><p>Geral de Defesa Nacional. O então CDN foi</p><p>transformado em Conselho Superior de Segurança</p><p>Nacional – CSSN.</p><p> Em 1946 o Governo Eurico Dutra criou o Serviço</p><p>Federal de Informações e Contra Informações</p><p>(SFICI), normatizado pelos Decretos Lei nºs 9.775</p><p>e 9.775-A – Tinha a competência de superintender</p><p>e coordenar as atividades de informações de</p><p>interesse</p><p>da Segurança Nacional. As atividades</p><p>eram definidas por uma junta coordenadora.</p><p> Em 1949 o Governo Eurico Dutra criou o</p><p>Regulamento para a Salvaguarda e Assuntos</p><p>Sigilosos - RSAS - das Informações de interesse da</p><p>Segurança Nacional.</p><p> Em 1955 o Governo Nereu Ramos criou o Centro</p><p>de Informações da Marinha - CENIMAR.</p><p> Em 1958/59 o Governo Juscelino Kubitschek criou</p><p>a Junta Coordenadora de Informações (JCI), de</p><p>acordo com os Decretos 45.040, de 06 de junho</p><p>de 1958. As funções da JCI eram realizadas no</p><p>campo interno, no campo externo e na segurança</p><p>interna. No campo interno trabalhava com o</p><p>conhecimento das possibilidades e limitações do</p><p>Poder Nacional. No campo externo trabalhava</p><p>com as possibilidades e intenções de países</p><p>(ameaças à Segurança Nacional) e, na segurança</p><p>interna, trabalhava para identificar antagonismos</p><p>e ameaças à Segurança Nacional.</p><p> Em 1964 o Governo Castelo Branco criou o Serviço</p><p>Nacional de Informações (SNI), pelo Dec. Lei</p><p>4.341, de 13 de junho de 1964.</p><p> No ano de 1967 o Governo Costa e Silva criou o</p><p>Centro de Informações do Exército (CIE).</p><p> Em 1967 o Governo Costa e Silva criou as Divisões</p><p>de Segurança e Informações (DSI).</p><p> No ano de 1970 o Governo Médice criou o Centro</p><p>de Informações e Segurança da Aeronáutica</p><p>(CISA), instituiu o Plano Nacional de Informações</p><p>(PNI) e o Sistema Nacional de Informações (Sisni).</p><p>Em 1971 criou a Escola Nacional de Informações</p><p>(EsNI), pelo Decreto 68.448, de 31 de março de</p><p>1971.</p><p> Em 1990 o Governo Collor extinguiu o SNI (órgão</p><p>muito criticado por alguns e atribuído à Ditadura</p><p>Militar) e criou a Secretaria de Assuntos</p><p>Estratégicos (SAE), tendo atrelado o</p><p>Departamento de Inteligência, de acordo com a</p><p>Lei 8.028, de 12 de abril de 1990. Ressalte-se que</p><p>nesta ocasião o termo “Informações” é substituído</p><p>pelo termo “Inteligência”, denotando uma</p><p>necessidade pela produção de conhecimentos que</p><p>pudessem prospectar o futuro para servir de</p><p>esteio para tomadas de decisões mais assertivas.</p><p> Em 1992 o Governo Itamar Franco criou a</p><p>Subsecretaria de Inteligência (SSI/SAE).</p><p> Em 1995 o Governo Fernando Henrique criou a</p><p>Subsecretaria de Inteligência passando a vincular-</p><p>se à Secretaria-Geral da Presidência da República.</p><p>Em 1996 criou a Subsecretaria de Inteligência</p><p>passando a vincular-se a Casa Militar da</p><p>Presidência da República (CMPR) junto ao</p><p>Gabinete de Segurança Institucional da</p><p>Presidência da República (GSI/PR)</p><p> Em 1999 Fernando Henrique instituiu o Sistema</p><p>Brasileiro de Inteligência - SISBIN e criou a Agência</p><p>Brasileira de Inteligência - ABIN (Lei 9.883, de 07</p><p>de dezembro de 1999).</p><p> Em 2002 se deu a regulamentação da organização</p><p>e funcionamento do SISBIN (Dec. 4.376, de 13 de</p><p>setembro de 2002).</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>6</p><p>2.2 O Sistema Brasileiro de Inteligência e a Agência</p><p>Brasileira de Inteligência</p><p>Em 07 de dezembro de 1999, foi aprovada a Lei nº</p><p>9.883 que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência -</p><p>SISBIN e criou a Agência Brasileira de Inteligência - ABIN.</p><p>Nos termos do Artigo 1º do citado instrumento legal,</p><p>o SISBIN tem como objetivo integrar as ações de</p><p>planejamento e execução das atividades de Inteligência do</p><p>País, com a finalidade de fornecer subsídios ao Presidente da</p><p>República nos assuntos de interesse nacional.</p><p>O SISBIN tem como órgão central de inteligência, a</p><p>ABIN, que tem a seu cargo planejar, executar, coordenar,</p><p>supervisionar e controlar as atividades de inteligência no</p><p>País, obedecidas a política e as diretrizes traçadas pelo</p><p>Governo Federal.</p><p>Logomarca da ABIN (Site: Gov.br)</p><p>O Artigo 2º ressalta que fazem parte do SISBIN os</p><p>Órgãos e Entidades da Administração Pública Federal, que,</p><p>direta ou indiretamente, possam produzir conhecimentos de</p><p>interesse das atividades de inteligência, em especial aqueles</p><p>responsáveis pela defesa externa, segurança interna e</p><p>relações exteriores. Saliente-se que as Unidades da</p><p>Federação também podem constituir o SISBIN, mediante</p><p>instrumentos autorizadores.</p><p>Importante frisar que §2º do Artigo 1º dá luz ao que</p><p>se entende por Inteligência, conforme se observa:</p><p>§ 2</p><p>o</p><p>Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-</p><p>se como inteligência a atividade que objetiva a</p><p>obtenção, análise e disseminação de</p><p>conhecimentos dentro e fora do território nacional</p><p>sobre fatos e situações de imediata ou potencial</p><p>influência sobre o processo decisório e a ação</p><p>governamental e sobre a salvaguarda e a segurança</p><p>da sociedade e do Estado.</p><p>De igual forma traz à tona outro conceito importante</p><p>da Atividade de Inteligência que é a Contrainteligência,</p><p>conforme estudaremos mais amiúde, aduzindo:</p><p>§ 3</p><p>o</p><p>Entende-se como contrainteligência a atividade</p><p>que objetiva neutralizar a inteligência adversa.</p><p>2.3 O Subsistema de Inteligência de Segurança</p><p>Pública e o Sistema Estadual de Inteligência de</p><p>Segurança Pública</p><p>O Subsistema de Inteligência de Segurança Pública -</p><p>SISP - é um conjunto formado por órgãos Federais e</p><p>Estaduais que, de forma coordenada, exercem a atividade de</p><p>inteligência com o foco na Segurança Pública. O SISP foi</p><p>criado no âmbito do SISBIN, através do Decreto 3.695 de 21</p><p>de dezembro de 2000, estabelecendo a Secretaria Nacional</p><p>De Segurança Pública - SENASP - como Órgão Central do</p><p>Subsistema.</p><p>O SISP tem como finalidade coordenar e integrar as</p><p>Atividades de Inteligência de Segurança Pública em todo</p><p>País, bem como suprir os governos federal e estadual de</p><p>informações que subsidiem a tomada de decisões neste</p><p>campo.</p><p>Constitui o SISP, segundo o epigrafado Decreto:</p><p>I - como membros permanentes, com direito a voto:</p><p>a) o Secretário Nacional de Segurança Pública, que</p><p>o presidirá;</p><p>b) um representante do órgão de Inteligência do</p><p>Departamento de Polícia Federal e outro da área</p><p>operacional da Polícia Rodoviária Federal;</p><p>c) dois representantes do Ministério da Fazenda,</p><p>sendo um do Conselho de Controle de Atividades</p><p>Financeiras (COAF) e outro da Coordenação Geral</p><p>de Pesquisa e Investigação (COPEI) da Secretaria da</p><p>Receita Federal;</p><p>d) dois representantes do Ministério da Defesa;</p><p>e) um representante do Gabinete de Segurança</p><p>Institucional da Presidência da República;</p><p>f) um representante da Defesa Civil do Ministério da</p><p>Integração Nacional; e</p><p>g) um representante da Agência Brasileira de</p><p>Inteligência.</p><p>II - como membros eventuais, sem direito a voto,</p><p>um representante de cada um dos órgãos de</p><p>Inteligência de Segurança Pública dos Estados e do</p><p>Distrito Federal.</p><p>No caso, o Estado do Ceará foi um dos primeiros</p><p>estados da federação a manifestar o interesse em integrar o</p><p>SISP, formalizando através do Ofício GG nº 023/01, de 16</p><p>março de 2001.</p><p>2.4 O Sistema Estadual de Inteligência de Segurança</p><p>Pública e Defesa Social</p><p>Através dos Decretos 27.874, de 16 de agosto de</p><p>2005, 28.794, de 11 de julho de 2007, Art. 85 e da Lei</p><p>14.282, de 23 de dezembro de 2008 foi criado o Sistema</p><p>Estadual de Inteligência de Segurança Pública e Defesa Social</p><p>do Estado do Ceará – SEISP, conforme citação abaixo da</p><p>legislação especificada mais recente de criação:</p><p>Art.1º Fica criado, no âmbito do Governo do Estado</p><p>do Ceará, o Sistema Estadual de Inteligência de</p><p>Segurança Pública e Defesa Social – SEISP,</p><p>subordinado ao Secretário da Segurança Pública e</p><p>Defesa Social – SSPDS, tendo como órgão central a</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>7</p><p>Coordenadoria de Inteligência – COIN, com o</p><p>objetivo de coordenar e integrar as atividades de</p><p>Inteligência de Segurança Pública desenvolvidas em</p><p>nível estadual, visando assessorar o Secretário da</p><p>Segurança Pública e Defesa Social no processo</p><p>decisório pertinente à Segurança Pública e Defesa</p><p>Social e, quando for o caso, ao Governador do</p><p>Estado.</p><p>§1º Integram o Sistema Estadual de Inteligência de</p><p>Segurança Pública – SEISP,</p><p>a COIN e os órgãos</p><p>centrais de Inteligência da Polícia Civil, Polícia</p><p>Militar e Corpo de Bombeiros Militar.</p><p>§2º Podem também integrar o SEISP, órgãos da</p><p>Administração Estadual que possam contribuir</p><p>direta ou indiretamente, com dados relevantes para</p><p>a produção de conhecimentos de Segurança</p><p>Pública.</p><p>§ 3 º A COIN, como Núcleo de Gerenciamento do</p><p>Sistema Estadual de Inteligência de Segurança</p><p>Pública, exerce subordinação técnica e doutrinária</p><p>sobre os órgãos integrantes do SEISP, com o</p><p>objetivo de coordenar e integrar as ações de</p><p>Inteligência de Segurança Pública no Estado do</p><p>Ceará.</p><p>2.4.1 Inteligência Policia Militar</p><p>Conforme a Doutrina, o conceito da Atividade de</p><p>Inteligência Policial Militar se mostra em total acordo com o</p><p>munus público de competência da Corporação, buscando</p><p>alcançar a missão Constitucional das PMs, conforme</p><p>podemos observar:</p><p>A atividade de Inteligência Policial Militar é o</p><p>exercício permanente e sistemático de ações</p><p>especializadas para identificar, avaliar e</p><p>acompanhar ameaças reais ou potenciais na esfera</p><p>de segurança Pública, orientadas para a produção e</p><p>salvaguarda de conhecimentos necessários para</p><p>assessorar o processo decisório; para o</p><p>planejamento, execução e acompanhamento de</p><p>assuntos de Segurança Pública e da Polícia</p><p>Ostensiva, subsidiando ações para rever, prevenir e</p><p>neutralizar ilícitos e ameaças de qualquer natureza,</p><p>que possam afetar a ordem pública e a</p><p>incolumidade das pessoas e do patrimônio, sendo</p><p>exercida pelas Agências de Inteligência das Polícias</p><p>Militares.</p><p>No caso da PMCE, existe o Sistema de Inteligência</p><p>Policial Militar – SIPOM – que está em fase de construção e</p><p>consolidação, que norteia a atividade de acordo com os</p><p>demais regramentos, entendendo-se por SIPOM: o conjunto</p><p>de órgãos formados pelas agências de inteligências de todas</p><p>as unidades operacionais em nível de Batalhão, estruturado</p><p>e dotado de pessoal técnico e especializado para obter,</p><p>processar e difundir dados e conhecimentos.</p><p>Tem como Missão (SIPOM):</p><p> Executar a atividade de inteligência.</p><p> Produção de informações policiais militares.</p><p> Assessoramento aos diversos usuários.</p><p> Nortear as ações de assessoramento no que diz</p><p>respeito ao fortalecimento e proteção</p><p>institucional.</p><p>Assim, consoante já especificado a Inteligência da</p><p>PMCE é formada pela:</p><p>Agência Central (ASINT/PMCE): Assessoria de</p><p>Inteligência da PM responsável pelo assessoramento ao</p><p>Ccomando-Geral da Corporação em todos os níveis,</p><p>principalmente estratégico e político, centralizando e</p><p>produzindo conhecimento, exercendo o gerenciamento e a</p><p>coordenação doutrinária, técnica e operacional sobre as</p><p>Subagências de Inteligência pertencentes ao SIPOM.</p><p>Subagências Policiais Militares (SAIs): Agências de</p><p>Inteligência da PM que atuam em nível de Batalhão.</p><p>Entendendo o sistema, importante frisar que o</p><p>Policial Militar pode trabalhar na Atividade de Inteligência no</p><p>âmbito da Segurança Pública do Estado do Ceará em três</p><p>situações, a seguir especificadas:</p><p> À disposição da Coordenadoria de Inteligência</p><p>(COIN);</p><p> Lotado na Assessoria de Inteligência da PMCE</p><p>(ASINT);</p><p> Integrante de uma Subagência de Inteligência de</p><p>uma Unidade PM (SAI).</p><p>Em todos os cenários, irá passar por uma análise</p><p>criteriosa. No caso de ir trabalhar na COIN o próprio Órgão</p><p>Central do SEISP fará a análise. Em relação à ASINT ou uma</p><p>SAI, a análise é realizada pela ASINT e, se for para trabalhar</p><p>em uma Subagência, o policial militar será credenciado e,</p><p>somente após este credenciamento, poderá atuar na</p><p>Atividade de Inteligência junto a um Batalhão PM.</p><p>Logomarca da ASINT (Portaria nº 300/2019, publicada no BCG 198,</p><p>de 18.10.2019)</p><p>Ressalte-se que é possível também trabalhar no</p><p>Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública –</p><p>CIISPR-NE (Órgão vinculado o Ministério da Justiça e</p><p>Segurança Pública), mas será como integrante da COIN ou da</p><p>ASINT.</p><p>A presente estrutura, pela capilaridade e amplitude</p><p>da Atividade Policial Militar, permite a formação da maior</p><p>rede de Inteligência de Segurança Pública do Estado, sem</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>8</p><p>olvidar de que todo PM, mesmo não estando lotado na</p><p>Atividade de Inteligência, é potencialmente um agente, além</p><p>de ser um colaborador, tendo sempre uma equipe</p><p>trabalhando conjuntamente, no Batalhão de origem, em prol</p><p>da atividade de policiamento ostensivo e do cumprimento da</p><p>missão da PMCE. Segue um mapa ilustrativo onde hoje a</p><p>PMCE está atuando com a Atividade de Inteligência, sem</p><p>esquecer-se de citar que praticamente todas as Unidades</p><p>Especializadas também possuem SAIs ativas e apoiando os</p><p>PMs em função no Policiamento Ostensivo:</p><p>3. POLÍTICA E DOUTRINA DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA</p><p>PÚBLICA</p><p>A Política Nacional de Inteligência de Segurança</p><p>Pública – PNISP - foi editada através do Decreto 10.777, de</p><p>24 de agosto de 2021, situando melhor os meandros da</p><p>Atividade de Inteligência de Segurança Pública.</p><p>No anexo ao normativo podemos nos valer de</p><p>vários conceitos orientadores. Um dos mais importantes foi</p><p>sobre a própria concepção da Atividade de Inteligência de</p><p>Segurança Pública, conforme abaixo:</p><p>1.4 Para fins de implementação da PNISP, a</p><p>atividade de inteligência de segurança pública é</p><p>conceituada como o exercício permanente e</p><p>sistemático de ações especializadas destinadas à</p><p>identificação, à avaliação e ao acompanhamento de</p><p>ameaças reais e potenciais no âmbito da segurança</p><p>pública, orientadas para a produção e a salvaguarda</p><p>de conhecimentos necessários ao processo</p><p>decisório no curso do planejamento e da execução</p><p>da PNSPDS e das ações destinadas à prevenção, à</p><p>neutralização e à repressão de atos criminosos de</p><p>qualquer natureza que atentem contra a ordem</p><p>pública, a incolumidade das pessoas e do</p><p>patrimônio.</p><p>Dando continuidade, a PNISP conceitua os dois ramos</p><p>da Atividade de Inteligência de Segurança Pública, sendo</p><p>eles:</p><p>Inteligência de segurança pública - que visa à</p><p>produção e à difusão de conhecimentos para assessoramento</p><p>às autoridades de segurança pública competentes, de modo</p><p>a subsidiar o processo decisório no curso do planejamento e</p><p>da execução das políticas de segurança pública; e</p><p>Contrainteligência de segurança pública - que visa à</p><p>prevenção, à detecção, à neutralização e à obstrução de</p><p>ações e atividades que constituam ameaça à consecução</p><p>plena da atividade de inteligência de segurança pública e à</p><p>atuação livre dos órgãos de segurança pública e das suas</p><p>estruturas de inteligência, nas quais se incluem os dados e o</p><p>conhecimento sensíveis em poder do Estado.</p><p>Não obstante a PNISP ser bem atual, a Doutrina</p><p>Nacional de Inteligência em Segurança Pública – DNISP (em</p><p>fase de nova atualização) já existia e preconizava a Atividade</p><p>com muita profundidade. Saliente-se que o referido</p><p>documento é protegido com grau de sigilo e não pode ser</p><p>disponibilizado nesta Apostila.</p><p>Tanto a PNISP quanto a DNISP estão alicerçadas em</p><p>pressupostos éticos, normas, conceitos e valores, estando de</p><p>acordo com a Carta Magna de 1988 e tendo nos ideais e na</p><p>prática da Democracia suas mais nobres fontes de inspiração.</p><p>3.1 Pressupostos da Atividade de Inteligência de</p><p>Segurança Pública</p><p>Segundo a PNISP, são pressupostos da Atividade o</p><p>seguinte:</p><p>3.1.1 Obediência à Constituição e às leis</p><p>A inteligência de segurança pública desenvolve as</p><p>suas atividades em estrita obediência ao ordenamento</p><p>jurídico brasileiro, pautada pela fiel observância aos</p><p>princípios, aos direitos e às garantias fundamentais expressos</p><p>na Constituição, em prol da segurança pública, do bem-</p><p>comum e da defesa dos interesses da sociedade e do Estado</p><p>Democrático de Direito.</p><p>3.1.2 Atividade de Estado de caráter permanente</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública é</p><p>exclusiva de Estado, de caráter permanente, e constitui-se</p><p>como instrumento de assessoramento do</p><p>Sistema Único de</p><p>Segurança Pública - SUSP, indispensável à manutenção do</p><p>Estado Democrático de Direito e à defesa de suas</p><p>instituições; atende, precipuamente, aos interesses da</p><p>sociedade e não se coloca a serviço de grupos, ideologias e</p><p>objetivos mutáveis sujeitos, por exemplo, às conjunturas</p><p>externas, econômicas ou político-partidárias.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>9</p><p>3.1.3 Atividade de assessoramento oportuno</p><p>Cabe à inteligência de segurança pública contribuir</p><p>com as autoridades constituídas por meio do fornecimento</p><p>de informações oportunas, abrangentes e confiáveis,</p><p>necessárias ao exercício do processo decisório, para</p><p>preservação da ordem pública e da incolumidade das</p><p>pessoas e do patrimônio.</p><p>Cabe à atividade de inteligência de segurança pública</p><p>acompanhar e avaliar as conjunturas interna e externa com</p><p>vistas a identificar fatos ou situações que possam resultar em</p><p>ameaças ou riscos aos interesses da sociedade e do Estado</p><p>no âmbito da segurança pública; deve buscar suprimir ou</p><p>minimizar essas ameaças ou riscos, de modo a evitar ou</p><p>mitigar possíveis danos.</p><p>3.1.4 Atividade especializada</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública é</p><p>técnica e especializada, de natureza sigilosa, e tem o seu</p><p>exercício alicerçado em conjunto sólido de princípios e</p><p>valores profissionais com a utilização de metodologia própria</p><p>estabelecida em doutrina comum às agências de inteligência,</p><p>sem prejuízo da autonomia doutrinária conferida às</p><p>instituições de segurança pública. A atividade de inteligência</p><p>de segurança pública é realizada sob estrito amparo legal e</p><p>busca, por meio do emprego de técnicas especializadas, a</p><p>produção do conhecimento.</p><p>3.1.5 Conduta ética</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública</p><p>pauta-se pela conduta ética, que pressupõe conjunto de</p><p>princípios orientadores do comportamento humano em</p><p>sociedade. O comportamento dos profissionais de</p><p>inteligência deve se pautar pelo cuidado com a preservação</p><p>dos valores que determinam a primazia da verdade. Os</p><p>valores éticos devem balizar tanto os limites de ação de seus</p><p>profissionais quanto os usuários do conhecimento produzido.</p><p>3.1.6 Abrangência</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública deve</p><p>possuir abrangência que lhe possibilite prever, prevenir,</p><p>neutralizar e reprimir atos que possam representar ameaça à</p><p>ordem pública, à incolumidade das pessoas e do patrimônio</p><p>e ao meio ambiente.</p><p>Para aumentar a abrangência da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública, é importante a</p><p>participação colaborativa da sociedade, de forma a</p><p>potencializar a sua atuação e contribuir com o Estado na</p><p>construção e na execução da política de segurança pública.</p><p>3.1.7 Gestão estratégica</p><p>Para promover a efetividade da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública, é imprescindível a adoção</p><p>da gestão estratégica, desde o diagnóstico até o</p><p>monitoramento dos seus resultados por intermédio de</p><p>indicadores e metas, de forma a contribuir para o</p><p>direcionamento adequado e efetivo dos ativos operacionais.</p><p>Da mesma forma, a produção do conhecimento estratégico é</p><p>essencial para a consecução dos objetivos da PNSPDS.</p><p>3.1.8 Interação entre as agências de inteligência</p><p>É imperioso que haja, além de integração, a interação</p><p>entre as agências de inteligência e entre os integrantes da</p><p>comunidade de inteligência. A interação implica estabelecer,</p><p>estreitar e manter relações confiáveis e sistêmicas de</p><p>cooperação, com vistas a otimizar o emprego de esforços</p><p>para a consecução dos objetivos da atividade de inteligência</p><p>de segurança pública. A interação tem como princípios a</p><p>voluntariedade, a igualdade de direitos, a não ingerência em</p><p>assuntos internos, a vantagem mútua e a imparcialidade.</p><p>3.1.9 Coordenação e controle</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública</p><p>pressupõe coordenação e controle que, por meio de canal</p><p>técnico, conciliem interesses e conjuguem esforços para a</p><p>consecução de objetivos, tarefas, propósitos e missões, e</p><p>otimizem os meios disponíveis de modo a conferir mais</p><p>efetividade às ações executadas para a obtenção, a análise e</p><p>o processamento de dados, a produção e a difusão do</p><p>conhecimento estratégico, em observância aos ditames</p><p>legais e constitucionais.</p><p>3.1.10 Sigilo</p><p>O sigilo conferido à atividade de inteligência de</p><p>segurança pública visa a preservar os profissionais de</p><p>inteligência no exercício de suas atividades e os órgãos a que</p><p>estão vinculados.</p><p>Podemos asseverar que uma das marcas distingue a</p><p>Atividade de Inteligência de outras atividades é exatamente a</p><p>busca do dado negado, o que exige o emprego de métodos e</p><p>equipamentos especiais para o alcance do dado para a</p><p>produção do conhecimento. Para alguns, a verdadeira</p><p>Inteligência é e deve ser monopólio do Estado.</p><p>O mais importante papel da Inteligência, em última</p><p>análise, é de proporcionar conhecimentos antecipados e</p><p>suprir as necessidades do seu Usuário (gestor a quem está</p><p>subordinada a Agência de Inteligência. Exemplos: Usuário da</p><p>COIN é o Secretário da Segurança Pública e Defesa Social.</p><p>Usuário da PMCE é o Comandante-Geral da Corporação), a</p><p>fim de que mesmo possa direcionar as ações em prol da</p><p>sociedade de forma mais producente. Assim, o planejamento</p><p>e a direção da Atividade de Inteligência envolvem a</p><p>administração de todos os esforços visando identificar os</p><p>dados e informações necessárias ao processo decisório do</p><p>gestor.</p><p>A Doutrina de Inteligência de Segurança Pública é</p><p>formada por um conjunto de conceitos, características,</p><p>princípios, valores, normas, métodos, procedimentos, ações</p><p>e técnicas que orientam e disciplinam a atividade de</p><p>Inteligência de Segurança Pública - ISP. Propõe uma</p><p>linguagem especializada entre os profissionais da atividade</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>10</p><p>de ISP, de modo que as relações de comunicação essenciais</p><p>ao seu exercício ocorram sem distorções ou incompreensões.</p><p>Dentro dessa perspectiva, a doutrina se presta a padronizar a</p><p>atuação das agências que integram o Sistema de Inteligência</p><p>de Segurança Pública (SISP), visando maximizar os seus</p><p>padrões de eficácia e eficiência, convertendo-se em</p><p>importante instrumento de assessoria às políticas e ações</p><p>relacionadas à área de Segurança Pública. Os elementos que</p><p>compõem a definição de Doutrina de Inteligência são assim</p><p>entendidos:</p><p> Princípios - proposições diretoras gerais</p><p>destinadas a orientar o desenvolvimento do corpo</p><p>doutrinário.</p><p> Conceitos - homogeneizações sobre os objetos, os</p><p>fenômenos e as relações fundamentais previstas</p><p>pela Doutrina.</p><p> Normas - disposições que visam a fixar</p><p>estritamente as relações propostas pela Doutrina.</p><p> Métodos - orientações práticas e racionais,</p><p>consagradas pela Doutrina, para que se alcancem</p><p>objetivos desejados com o menor dispêndio de</p><p>meios, em menor tempo e com o melhor</p><p>resultado.</p><p> Processos - maneiras de realizar o que está</p><p>preconizado pelos métodos ou mesmo pelas</p><p>normas.</p><p> Valores - convicções positivas de conduta,</p><p>cultuadas pela sociedade nacional e,</p><p>necessariamente, respeitada pela doutrina.</p><p>3.2 Características da Doutrina de Inteligência</p><p> Normativa – uma vez que o seu conteúdo exprime</p><p>preceitos orientados do exercício da Atividade de</p><p>Inteligência.</p><p> Dinâmica – em razão do caráter evolutivo de seus</p><p>fundamentos.</p><p> Adogmática – uma vez que não está sujeita a</p><p>dogmas formulados e impostos e seus preceitos</p><p>derivam de fundamentos racionais e realísticos.</p><p> Consensual – pois a livre aceitação de seus</p><p>preceitos pela maioria dos profissionais de</p><p>inteligência resulta da convicção de sua</p><p>procedência e acerto.</p><p> Unitária – porque seus preceitos propiciam</p><p>unidade de pensamento, procedimento e</p><p>linguagem entre os profissionais de inteligência.</p><p>3.3 Sugestão da Estrutura Básica de uma Agência de</p><p>Inteligência (DNISP)</p><p>4. ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA E DE ISP</p><p>A Atividade de Inteligência é o exercício permanente</p><p>de ações especializadas e orientadas para a produção e</p><p>salvaguarda de conhecimentos que, por seu sentido velado e</p><p>seu alcance estratégico, configuram segredos de Estado,</p><p>dentro da rigorosa observância dos direitos fundamentais da</p><p>pessoa humana e dos princípios da República Federativa do</p><p>Brasil.</p><p>Num sentido mais amplo a Atividade de Inteligência é</p><p>o exercício permanente de ações direcionadas para:</p><p>a) a obtenção de dados e avaliação de situações que</p><p>impliquem ameaças, veladas ou dissimuladas, capazes de</p><p>dificultar ou impedir a consecução dos interesses</p><p>estratégicos do Brasil;</p><p>b) a obtenção de dados e a avaliação de situações que</p><p>representem oportunidades para a consecução dos</p><p>interesses estratégicos do país;</p><p>c) a identificação, avaliação e neutralização da</p><p>espionagem promovida por organismos ou pessoas,</p><p>vinculados ou não a governos;</p><p>d) a salvaguarda dos conhecimentos e dados que, no</p><p>interesses da segurança do Estado e da sociedade, devam ser</p><p>protegidos.</p><p>4.1 Principais Ameaças da Inteligência de Segurança</p><p>Pública</p><p>No caso da Atividade de inteligência se Segurança</p><p>Pública a própria PNISP traz á tona as principais ameaças e,</p><p>logicamente, que devem ser preocupações constantes das</p><p>Agências de Inteligência de Segurança Pública, de acordo</p><p>com as competências legais de cada Órgão, a seguir</p><p>especificadas:</p><p>Criminalidade violenta</p><p>Na sistemática do comportamento criminoso,</p><p>entende-se como criminalidade violenta os relacionamentos</p><p>que resultam em conflito, lesão física grave ou morte. A</p><p>criminalidade violenta exige especial atenção da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública, porque expõe a população</p><p>a riscos e danos e potencializa a sensação de insegurança.</p><p>Os Crimes Violentos Letais Intencionais – CVLIs – são</p><p>uma preocupação constante da Segurança Pública, tanto</p><p>pela gravidade do bem jurídico atacado (vida) quanto às</p><p>questões de potencialização da sensação de insegurança</p><p>pela população e os reflexos negativos decorrentes de um</p><p>alto índice.</p><p>Crime organizado</p><p>O crime organizado apresenta significativa</p><p>abrangência e projeta sua influência, direta ou</p><p>indiretamente, na sociedade.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>11</p><p>O alcance do crime organizado recai sobre delitos de</p><p>amplitude interestadual e transnacional, com vertentes no</p><p>sistema prisional, em dimensão tal que contribui para o</p><p>desenvolvimento de outros fenômenos criminais.</p><p>Trata-se de ameaça à segurança pública e ao sistema</p><p>de justiça, e exige combate enérgico e eficiente por parte das</p><p>agências de segurança pública, do sistema de justiça criminal</p><p>e da sociedade.</p><p>Seu enfrentamento demanda integração entre os</p><p>órgãos do Sisp, a fim de potencializar a identificação de redes</p><p>criminais, seus integrantes e suas relações e de possíveis</p><p>desdobramentos de sua atuação. Além disso, a produção de</p><p>conhecimento sobre as origens, as trajetórias e os efeitos do</p><p>crime organizado está entre as principais contribuições da</p><p>atividade de inteligência de segurança pública para o sistema</p><p>de segurança pública e defesa social.</p><p>É por demais importante entender todos os</p><p>meandros que envolvem a criminalidade organizada, a fim</p><p>de permitir a adoção de estratégias mais efetivas em relação</p><p>às facções criminosas.</p><p>4.1.3 Corrupção</p><p>A corrupção promovida por agentes públicos ou</p><p>privados, de forma passiva ou ativa, impacta negativamente</p><p>a administração pública e resulta no descrédito das</p><p>instituições do Estado perante a sociedade.</p><p>Entre os prejuízos causados pela corrupção,</p><p>destacam-se aqueles relacionados à lavagem de dinheiro,</p><p>que mantém estreita ligação com o crime organizado e cujas</p><p>consequências sociais e econômicas são de grande</p><p>relevância.</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública deve</p><p>subsidiar os órgãos de controle e fiscalização do Estado para</p><p>uma repressão qualificada da corrupção por meio da</p><p>produção de conhecimentos que auxiliem a sua identificação</p><p>e o seu enfrentamento.</p><p>Este papel da ISP é primordial, tendo em vista que a</p><p>corrupção de agentes públicos é um dos principais vetores</p><p>para o fortalecimento da criminalidade organizada. Sem esse</p><p>vínculo o enfraquecimento das facções se mostrará bem</p><p>mais evidente e contribuirá de forma significativa para uma</p><p>real pacificação social.</p><p>4.1.4 Lavagem de dinheiro e evasão de divisas</p><p>A lavagem de dinheiro constitui o principal</p><p>mecanismo de ocultação e dissimulação da natureza, da</p><p>origem, da localização, da disposição, da movimentação da</p><p>propriedade de bens, dos direitos ou dos valores provenientes</p><p>direta ou indiretamente de infrações penais.</p><p>De igual modo, a evasão de divisas compromete a</p><p>regularidade da política cambial com sérios impactos</p><p>econômicos e monetários, além de impedir a fiscalização do</p><p>registro adequado das operações financeiras internacionais.</p><p>Nesse contexto, a atividade de inteligência de</p><p>segurança pública deve se materializar em ações</p><p>coordenadas entre os integrantes do Sisp e os demais órgãos</p><p>especializados, tais como as unidades de inteligência</p><p>financeira, a fim de qualificar a prevenção e a repressão aos</p><p>delitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.</p><p>Tanto a Inteligência quanto à Investigação devem</p><p>buscar entender e alcançar a área financeira dos grupos</p><p>criminosos, a fim de permitirem um enfraquecimento destes</p><p>e uma reparação necessária pelos delitos praticados.</p><p>4.1.5 Ações contrárias à segurança pública no espaço</p><p>cibernético</p><p>São ações perpetradas por meio da utilização de</p><p>recursos tecnológicos em espaço cibernético, com potencial</p><p>de comprometer a ordem pública, a incolumidade das</p><p>pessoas e do patrimônio e o meio ambiente e de manipular a</p><p>opinião pública com vistas à obtenção de vantagens</p><p>indevidas em detrimento do bom funcionamento de</p><p>instituições públicas e privadas.</p><p>A utilização massiva de tecnologias da informação e</p><p>comunicação tem tornado vulneráveis todos os setores da</p><p>sociedade. Observa-se a ampliação e a migração de práticas</p><p>ilícitas para o espaço cibernético.</p><p>Tal cenário impõe desafios à preservação da ordem</p><p>pública, à repressão criminal tradicional e ao ordenamento</p><p>jurídico brasileiro, o que demonstra a relevância e a</p><p>imprescindibilidade de inserção, aprimoramento e atuação</p><p>integrada da atividade de inteligência de segurança pública</p><p>no contexto do uso massificado das novas tecnologias</p><p>virtuais emergentes.</p><p>A Rede Mundial de Computadores (Internet) e,</p><p>sobretudo, as Redes Sociais são cenário fértil para golpes que</p><p>trazem aflições graves diariamente para os cidadãos, sejam</p><p>estas orquestradas por facções ou mesmo por estelionatários</p><p>que buscam mediante fraudes e graves ameaças lesar o</p><p>cidadão. Este campo é vasto e necessita da Inteligência um</p><p>olhar amiúde para alcançar esta modalidade de delito tão</p><p>atual e constante.</p><p>4.1.6 Ações contrárias ao Estado Democrático de</p><p>Direito</p><p>Consideram-se ações contrárias ao Estado</p><p>Democrático de Direito aquelas que atentem contra o pacto</p><p>federativo, a preservação da ordem pública e da</p><p>incolumidade das pessoas e do patrimônio, os direitos e as</p><p>garantias fundamentais, a dignidade da pessoa humana, a</p><p>cidadania e o meio ambiente, além de outros atos ou</p><p>atividades que representem ou possam representar risco aos</p><p>preceitos constitucionais relacionados à integridade do</p><p>Estado.</p><p>A concretização de ações contrárias ao Estado</p><p>Democrático de Direito representa risco grave à segurança</p><p>pública e à harmonia da convivência social; portanto, deve</p><p>ser objeto de atenção efetiva e sistemática da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>12</p><p>4.1.7 Desastres de causas naturais ou tecnológicas</p><p>com impacto na segurança pública</p><p>Os desastres naturais e tecnológicos podem</p><p>ter</p><p>impactos consideráveis na segurança pública e implicar</p><p>ofensas à vida, à saúde, à liberdade, à propriedade, ao meio</p><p>ambiente, ao bom funcionamento dos serviços públicos e a</p><p>outros bens jurídicos penalmente tutelados.</p><p>4.1.8 Ações contrárias à segurança de infraestruturas</p><p>críticas com impacto na segurança pública</p><p>As ações que atentem contra as instalações, os</p><p>serviços, os bens e os sistemas cuja interrupção ou</p><p>destruição, total ou parcial, possa provocar sérios impactos</p><p>sociais, ambientais, econômicos, políticos e internacionais,</p><p>demandam medidas a fim de preservar a ordem pública, a</p><p>incolumidade das pessoas e do patrimônio.</p><p>4.2 Finalidades da Atividade de ISP</p><p>A Atividade de Inteligência de Segurança Pública tem</p><p>por finalidade:</p><p>a) realizar avaliação de situações de interesse da</p><p>Segurança Pública, subsidiando o processo decisório de seus</p><p>usuários;</p><p>b) subsidiar o planejamento estratégico das</p><p>organizações do Sistema de Segurança Pública;</p><p>c) dispor, quando possível, de informações relevantes</p><p>as atividades inerentes as Polícias Militar e Civil;</p><p>d) tentar antecipar fatos que causem crise ou grave</p><p>perturbação da ordem pública;</p><p>e) auxiliar a Polícia Judiciária na investigação de</p><p>delitos;</p><p>f) proteger o conhecimento produzido.</p><p>4.3 Características da Atividade de Inteligência</p><p>As características da Atividade de Inteligência</p><p>comungam com os pressupostos da PNISP, sendo elas:</p><p> Produção de conhecimento;</p><p> Assessoria;</p><p> Verdade com significado;</p><p> Busca de dados protegidos;</p><p> Ações especializadas;</p><p> Economia de meios;</p><p> Iniciativa;</p><p> Dinâmica;</p><p> Abrangência;</p><p> Segurança.</p><p>Sobre a Produção do Conhecimento, produto da</p><p>Atividade de Inteligência, oportuno relatar que o tratamento</p><p>de dados, por meio de técnicas próprias da atividade, pelo</p><p>profissional de inteligência se trata da rotina primordial de</p><p>um Analista de Inteligência. Para um entendimento mais</p><p>adequado, importante conceituar dado e conhecimento:</p><p>Dado:</p><p>- É toda e qualquer representação de fato, situação,</p><p>comunicação, notícia, documento, extrato de documento,</p><p>fotografia, gravação, relato, denúncia, dentre outros, ainda</p><p>não submetido pelo profissional de inteligência à</p><p>metodologia de produção de conhecimento.</p><p>Conhecimento:</p><p>- Conhecimento, por sua vez, é o resultado final que</p><p>pode ser expresso por escrito ou oralmente pelo profissional</p><p>de Inteligência, quando da utilização da Metodologia de</p><p>Produção de Conhecimento sobre dados, tornando-o assim</p><p>em um conhecimento trabalhado, significativo, útil e</p><p>oportuno.</p><p>4.4 Princípios da Atividade de Inteligência</p><p>A Atividade de Inteligência de Segurança Pública é</p><p>exercida em perfeita sintonia com as suas finalidades e sob a</p><p>égide de determinados princípios, de forma que a aplicação</p><p>de um deles não acarrete prejuízo no emprego dos demais.</p><p>Esses princípios são as proposições diretoras - as bases, os</p><p>fundamentos, os alicerces, os pilares - que orientam e</p><p>definem os caminhos da atividade.</p><p>Os princípios básicos que regem a atividade de</p><p>inteligência são:</p><p> Amplitude – Consiste na obtenção dos resultados</p><p>mais complexos possíveis diante dos trabalhos</p><p>desenvolvidos;</p><p> Interação – estabelecer sistema de cooperação</p><p>institucional, otimizando as atividades</p><p>desenvolvidas pela Agência de Inteligência;</p><p> Objetividade – consiste no cumprimento das</p><p>missões de forma direta e completa, seguindo</p><p>critérios de organização e planejamento em</p><p>sintonia com os objetivos;</p><p> Oportunidade – orienta a produção do</p><p>conhecimento dentro de prazos que possibilitem o</p><p>melhor aproveitamento das informações;</p><p> Permanência – tem a finalidade de garantir a</p><p>produção contínua do fluxo de conhecimento;</p><p> Precisão – voltado à veracidade da avaliação</p><p>tornando o conhecimento útil, complexo e com</p><p>significado;</p><p> Simplicidade – visa o planejamento das ações com</p><p>a utilização de meios que mitiguem os custos e</p><p>riscos operacionais, culminando em resultados</p><p>claros e concisos;</p><p> Segurança – utilização de medidas de salvaguarda</p><p>necessárias à proteção do agente, do órgão e dos</p><p>resultados obtidos;</p><p> Imparcialidade – conduz a atividade em</p><p>conformidade com preceitos de justiça, retidão,</p><p>neutralidade e imparcialidade, não permitindo dos</p><p>agentes juízos de valores que gerem distorções;</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>13</p><p> Compartimentação – decorrente do sigilo é</p><p>direcionada a permitir acesso somente aos</p><p>agentes que tenham a “necessidade de conhecer”,</p><p>em conformidade com a credencial de segurança;</p><p> Controle – determina o acompanhamento</p><p>sistemático das ações desenvolvidas, evitando a</p><p>interferência de variáveis que possam implicar em</p><p>prejuízo das ações;</p><p> Sigilo – visa preservar o órgão, fontes, atividades e</p><p>agentes envolvidos.</p><p>4.5 Valores da Atividade de Inteligência</p><p>A Atividade de Inteligência é constituída como um</p><p>serviço à causa pública, submetida aos princípios</p><p>constitucionais da moralidade, da impessoalidade, da</p><p>eficiência e da legalidade, e, em especial, tendo em vista a</p><p>observância da ética, dos direitos e garantias individuais e</p><p>sociais e o Estado Democrático de Direito.</p><p>A própria PNISP traz em seu bojo diretrizes</p><p>consistentes e alicerçadas com o ordenamento jurídico</p><p>pátrio, em especial no respeito aos direitos humanos, sendo</p><p>uma das diretrizes a promoção dos DDHH, conforme se</p><p>extrai:</p><p>8.5 Promover o respeito aos direitos humanos</p><p>Para que as ações desenvolvidas no âmbito da</p><p>atividade de inteligência de segurança pública</p><p>sejam plenas, há de se resguardar os direitos e as</p><p>garantias fundamentais, em defesa dos direitos</p><p>humanos. Nesse esteio, torna-se premente o</p><p>enfrentamento, em especial, à criminalidade</p><p>violenta, em que o bem a ser garantido, em última</p><p>análise, é a vida.</p><p>A defesa dos preceitos de direitos humanos vincula</p><p>a atividade de inteligência de segurança pública</p><p>também à proteção de minorias e de outros grupos</p><p>vulneráveis, com especial atenção à prevenção e à</p><p>repressão aos crimes de ódio ou intolerância.</p><p>Não se pode descuidar das legislações que</p><p>tangenciam a Atividade de Inteligência, especialmente a Lei</p><p>de Acesso à Informação - LAI - e a Lei Geral de Proteção de</p><p>Dados Pessoais – LGPD. Neste contexto, são prazos máximos</p><p>de restrição de acesso à informação.</p><p>a) Classificada como ultrassecreto: 25 (vinte e cinco)</p><p>anos;</p><p>b) Classificada como secreto: 15 (quinze) anos;</p><p>c) Classificada como reservada: 5 (cinco) anos.</p><p>d) informações pessoais: 100 (cem) a contar de sua</p><p>produção, independente da classificação de sigilo a elas</p><p>atribuída.</p><p>Além do Ministério Público, que exerce o Controle</p><p>Externo da Atividade Policial, existe a prescrição do Controle</p><p>Externo da Atividade de Inteligência. No caso, o controle e</p><p>fiscalização externa da atividade de inteligência serão</p><p>exercidos pelo Poder Legislativo, através de um órgão</p><p>integrado pelos Presidentes das Comissões de Relações</p><p>Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e do</p><p>Senado Federal, pelos líderes da maioria e da minoria na</p><p>Câmara dos Deputados e no Senado Federal, em</p><p>conformidade com o art. 6º da Lei que criou o SISBIN e a</p><p>ABIN (Lei 9.883/99).</p><p>5. ESPECIFICIDADES DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA</p><p>Conforme já discutido e especificado nas legislações</p><p>já citadas, de forma genérica, a Atividade de Inteligência tem</p><p>como objetivo a obtenção e análise de dados e informações,</p><p>visando à produção e difusão do conhecimento, através de</p><p>metodologia própria, com a finalidade de assessorar o</p><p>processo decisório.</p><p>5.1 Ciclo da Informação</p><p>A necessidade de informações está cada vez mais</p><p>latente e é muito importante que a Agência consiga produzir</p><p>conhecimentos com muita celeridade, mas sem descuidar da</p><p>responsabilidade necessária. Neste contexto algumas</p><p>preocupações são pertinentes, conforme reflexões que se</p><p>seguem:</p><p>Princípio da Oportunidade (Velocidade X Qualidade);</p><p>Informação urgente sempre será superficial, genérica,</p><p>passível de alterações não contraditórias;</p><p>Inteligência não tem prazo;</p><p>O conhecimento produzido é difundido ao cargo do</p><p>tomador de decisão levando em consideração a sua</p><p>necessidade de conhecer, sempre em razão da sua função.</p><p>5.2 Conhecimento</p><p>O conhecimento é admitido em duas acepções:</p><p>Processo e Produto. Como processo, o conhecimento é a</p><p>formação de uma imagem de um fato ou de uma situação na</p><p>mente humana, podendo ocorrer de diferentes modos.</p><p>Como produto, o conhecimento é a representação (oral ou</p><p>escrita) de fatos ou situações; é, assim, a exteriorização de</p><p>uma imagem sobre um fato ou uma situação, antes restrita</p><p>aos limites da mente humana.</p><p>No âmbito da Atividade de Inteligência, conforme já</p><p>especificado quando discutido sobre as características da</p><p>atividade, o conhecimento é a representação de um fato ou</p><p>de uma situação, reais ou hipotéticos, de interesse para a</p><p>Atividade de Inteligência, processada pelo profissional de</p><p>Inteligência.</p><p>Desse modo, qualquer representação de um fato ou</p><p>de uma situação que não decorra da produção intelectual do</p><p>profissional de Inteligência é considerada como dado na</p><p>linguagem da Inteligência.</p><p>5.3 Estados da Mente</p><p>A verdade, como contrária ao erro, consiste na</p><p>perfeita concordância do conteúdo do pensamento (sujeito)</p><p>com o fato ou as situações (objeto).</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>14</p><p>Em relação à verdade, a mente humana pode</p><p>encontrar-se em quatro diferentes estados: certeza, opinião,</p><p>dúvida, ignorância.</p><p> Certeza: consiste no acatamento integral, pela</p><p>mente, da imagem por ela mesma formada, como</p><p>correspondente a determinado fato e/ou situação.</p><p> Opinião: é um estado no qual a mente se define</p><p>por um objeto, considerando a possibilidade de</p><p>um equívoco. Por isso, o valor do estado de</p><p>opinião se expressa por meio de indicadores de</p><p>probabilidades.</p><p> Dúvida: é o estado em que a mente encontra,</p><p>metodicamente, em situação de equilíbrio, razões</p><p>para aceitar e negar que a imagem, por ela mesma</p><p>formada, esteja em conformidade com</p><p>determinado objeto.</p><p> Ignorância: é o estado em que a mente encontra-</p><p>se privada de qualquer imagem sobre uma</p><p>realidade específica.</p><p>5.4 Graus de Complexidade dos Trabalhos</p><p>intelectuais</p><p>O ser humano, para conhecer determinados fatos ou</p><p>situações, pode realizar três trabalhos intelectuais: conceber</p><p>idéias, formular juízos e elaborar raciocínios.</p><p> Ideia é a simples concepção, na mente, da</p><p>imagem de determinado objeto sem, contudo,</p><p>qualificá-lo.</p><p> Juízo é a operação pela qual a mente estabelece</p><p>uma relação entre idéias.</p><p> Raciocínio é a operação pela qual a mente, a</p><p>partir de dois ou mais juízos conhecidos, alcança</p><p>outro que deles decorre logicamente.</p><p>5.5 Tipos de Conhecimentos</p><p>A Doutrina de Inteligência de Segurança Pública</p><p>preconiza uma diferenciação dos conhecimentos produzidos.</p><p>Esta diferenciação resulta dos seguintes fatores:</p><p> Os diferentes estados em que a mente humana</p><p>pode situar-se em relação à verdade (certeza, opinião,</p><p>dúvida e ignorância);</p><p> Os diferentes graus de complexidade do trabalho</p><p>intelectual necessário à produção do conhecimento (ideia,</p><p>juízo e raciocínio);</p><p> A necessidade de elaborar, além de trabalhos</p><p>relacionados com fatos e/ou situações passadas e presentes,</p><p>outros voltados para o futuro.</p><p>As definições que se seguem dizem respeito aos tipos</p><p>de conhecimentos.</p><p> Informe: É o conhecimento resultante de juízo(s)</p><p>formulado(s) pelo profissional de Inteligência de</p><p>Segurança Pública e que expressa o seu estado de</p><p>certeza ou de opinião frente à verdade sobre fato</p><p>ou situação passados e/ou presente.</p><p> Informação: É o conhecimento resultante de</p><p>raciocínio(s) elaborado(s) pelo profissional de</p><p>Inteligência de Segurança Pública e que expressa o</p><p>seu estado de certeza frente à verdade sobre ou</p><p>situação passados e/ou presentes.</p><p> Apreciação: É o conhecimento resultante de</p><p>raciocínio(s) elaborado(s) pelo profissional de</p><p>Inteligência de Segurança Pública e que expressa o</p><p>seu estado de opinião frente à verdade sobre o</p><p>fato ou situação passados e/ou presentes.</p><p> Estimativa: É o conhecimento resultante de</p><p>raciocínio(s) elaborado(s) pelo profissional de</p><p>inteligência e que expressa a sua opinião sobre a</p><p>evolução futura de um fato ou de uma situação.</p><p>Importante frisar que existe uma discussão técnica e</p><p>doutrinária sobre a possibilidade de criação de um novo tipo</p><p>de conhecimento que será a Análise de Risco(s). No caso,</p><p>ainda está em fase de estudo pelo Ministério da Justiça e</p><p>Segurança Pública, pela SENASP e SEGEN e, caso seja</p><p>confirmado, virá especificado na nova versão da DNISP.</p><p>Segue quadro resumo que possibilita uma visão mais</p><p>geral e comparativa sobre o que foi estudado:</p><p>5.6 Julgamento da Fonte e do Conteúdo</p><p>No processo de julgamento da fonte, vários aspectos</p><p>devem ser apreciados pelo agente de inteligência, tais como,</p><p>nível de envolvimento da fonte com o fato, características e</p><p>interesse pessoais (motivação: ideológica ou financeira,</p><p>contribuições anteriores, antecedentes criminais). Segundo a</p><p>Doutrina os aspectos cruciais para análise são:</p><p> Autenticidade – verificação se o dado ou</p><p>conhecimento realmente provém da fonte de</p><p>origem ou de intermediários. A fonte é</p><p>considerada autêntica quando teve contato direto</p><p>com o fato ou a situação, sem intermediários e</p><p>teve a oportunidade de observar, perceber e</p><p>memorizar;</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>15</p><p> Confiança – São verificados diversos aspectos,</p><p>alguns subjetivos, a fim de qualificar uma fonte</p><p>como idônea ou não: antecedentes e</p><p>comportamento social, colaboração anterior</p><p>procedente, motivação de ordem ética ou</p><p>profissional, grau de instrução, valores,</p><p>convicções, maturidade, etc.;</p><p> Competência – Avaliação sobre a fonte ter</p><p>habilitação técnica, intelectual ou física, ou seja,</p><p>se reúne condições pessoais ou físicas de relatar o</p><p>fato da forma como foi apresentado ou se detinha</p><p>localização adequada para obter aquele dado</p><p>específico.</p><p>Com relação ao conteúdo é necessário analisar se o</p><p>dado é compatível ou contraditório com outros já existentes,</p><p>se demonstra ser coerente com o contexto geral, se</p><p>apresenta semelhança com o dado transmitido por outra</p><p>fonte. Neste sentido devem ser perquiridos os seguintes</p><p>quesitos:</p><p> Coerência: Verificação se o dado apresenta</p><p>contradições no conteúdo, no encadeamento</p><p>lógico e na harmonia interna (sequência lógica);</p><p> Compatibilidade: Análise sobre o grau de</p><p>harmonia com que o dado se relaciona com</p><p>outros já conhecidos;</p><p> Semelhança: Observação se há outro dado</p><p>semelhante, oriundo de outra fonte, que venha</p><p>confirmar o dado sob observação. Tem que se ter</p><p>o cuidado de não ser um dado replicado pela</p><p>mesma fonte, através de um colaborador.</p><p>A Técnica de Avaliação de Dados – TAD – permite a</p><p>junção das análises da fonte e do conteúdo, permitindo um</p><p>entendimento melhor sobre o contexto em análise e serve</p><p>de balizamento para o analista na produção do</p><p>conhecimento.</p><p>Analisando o quadro, a melhor hipótese é a A1 e as</p><p>piores são a E5 e o F6.</p><p>5.7 Tipos de Fontes</p><p>Doutrinariamente as fontes são divididas em abertas</p><p>e fechadas:</p><p>a) Abertas: Disponíveis ao público em geral sem</p><p>restrições ao acesso, constante em locais abertos ao acesso</p><p>público, murais, periódicos, livros, redes sociais e na internet</p><p>de um modo geral.</p><p>b) Fechadas: Obtidas em banco de dados de acesso</p><p>restrito, geralmente requer cadastro de login e senha não</p><p>disponíveis ao publico em geral, necessitando de uma</p><p>autorização específica de uma autoridade pública ou de uma</p><p>empresa. (Ex: Sistema de Informações Policiais da Secretaria</p><p>da Segurança Pública e Defesa Social – SIP).</p><p>5.8 Documentos</p><p>de Inteligência mais Usuais</p><p>a) Relatório de Inteligência (RELINT) – documento</p><p>padronizado e numerado onde são transmitidos</p><p>conhecimentos para o Usuário ou outras Agências de</p><p>Inteligência. A redação indicará a difusão e qual o tipo de</p><p>conhecimento está sendo produzido (Informe, Informação,</p><p>Apreciação ou Estimativa). Este documento deve ter</p><p>classificação de sigilo e não pode ser difundido sem</p><p>autorização do órgão que produziu, não se prestando a</p><p>fomentar um procedimento administrativo ou policial,</p><p>servindo apenas para o trâmite de conhecimentos no nível</p><p>de inteligência.</p><p>b) Relatório Técnico (RETEC) – documento, em tese</p><p>sem classificação de sigilo, destinado à transmissão de</p><p>conhecimentos que foram produzidos e quando foram</p><p>constituídas provas, servindo como base para instauração de</p><p>procedimentos administrativos e/ou policiais.</p><p>c) Ordem de Busca (OB) – documento padronizado</p><p>utilizado para determinar a efetivação de buscas pelo</p><p>elemento de operações da Agência.</p><p>d) Pedido de Busca (PB) – documento padronizado</p><p>utilizado para solicitar dados/ conhecimentos entre</p><p>Agências.</p><p>e) Relatório de Busca (RB) – documento elaborado</p><p>por uma Agência ou pelo agente de inteligência em resposta</p><p>ou cumprimento de uma OB ou um PB.</p><p>f) Relatório Interno (RI) – documento de iniciativa de</p><p>um agente para encaminhar para um conhecimento para a</p><p>Agência.</p><p>Ainda temos o Comunicado e o Sumário que são</p><p>menos usuais. Segue quadro que demonstra todos os</p><p>documentos utilizados, no âmbito interno e externo:</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>16</p><p>5.9 Ações de Inteligência</p><p>a) Coleta – obtenção de dados em fontes abertas.</p><p>Pode ser primária ou secundária. Coleta Primária – obtenção</p><p>de dados disponíveis em fontes abertas. Coleta Secundária –</p><p>acesso autorizado a banco de dados protegidos.</p><p>Normalmente realizada pelo analista.</p><p>b) Busca – procedimentos utilizados pelo setor de</p><p>operações de uma Agência de Inteligência de Segurança</p><p>Pública para obter dados negados ou protegidos.</p><p>5.10 Meios de obtenção de dados: humanos e</p><p>eletrônicos.</p><p>a) Meios humanos: Não obstante poder ser utilizado</p><p>equipamentos eletrônico como meio de obtenção dos</p><p>dados, essa fonte está centrada no esforço do homem;</p><p>b) Meios eletrônicos: Seu foco central está na</p><p>obtenção dos dados por meio de equipamentos eletrônicos,</p><p>sendo dividida em inteligência de sinais, de imagens e de</p><p>dígitos:</p><p> Sinais: Os dados são obtidos através da</p><p>decodificação de interceptações telefônicas, análise de</p><p>comunicações e decodificação de mensagens criptografadas;</p><p> Imagens: Obtenção de dados através da análise de</p><p>fotografias e vídeos, acessados através de operações de</p><p>campo ou na internet;</p><p> Dígitos: através da captura de dados de</p><p>informática e telemática.</p><p>5.11 Conceitos específicos da Atividade de</p><p>Inteligência</p><p> Ambiente operacional: É a área onde se</p><p>desenvolve a Operação de Inteligência de</p><p>Segurança Pública. Pode ser uma região, uma</p><p>cidade, um bairro, uma rua, uma praça ou uma</p><p>instalação.</p><p> Alvo: Objeto principal das ações de coleta ou de</p><p>busca. Pode ser um assunto, uma pessoa, um</p><p>local, uma organização ou um objeto.</p><p> Elemento de Operações (ELO): Setor ou agente de</p><p>uma Agência responsável pela obtenção do dado</p><p>negado em campo.</p><p> Analista: Agente que realiza coletas e produz o</p><p>conhecimento.</p><p> Agente: funcionário orgânico de uma Agência de</p><p>Inteligência que possui treinamento especializado.</p><p>Usualmente também conceituado como o ELO.</p><p>Obs.: No caso de você, como policial militar, pode ser</p><p>agente da COIN, da ASINT ou de uma SAI, como Analista ou</p><p>participante como ELO (“Agente”).</p><p> Colaborador: pessoa recrutada operacionalmente</p><p>ou não, sem treinamento especializado que por</p><p>suas ligações e conhecimentos cria facilidades</p><p>para a Agência. Normalmente não busca uma</p><p>vantagem direta. Enquanto policial militar não</p><p>atuando em um órgão de inteligência você pode e</p><p>deve atuar como um colaborador.</p><p> Informante – pessoa não-orgânica recrutada</p><p>operacionalmente para fornecer dados de</p><p>interesse da ISP, podendo receber treinamentos</p><p>visando facilitar a obtenção de dados de interesse.</p><p>Normalmente busca uma vantagem.</p><p> Rede: Conjunto de pessoas não-orgânicas</p><p>(colaboradores e informantes) controladas pela</p><p>Agência.</p><p> Controlador: Agente responsável pelo controle</p><p>dos componentes da rede.</p><p>5.12 Operações de Inteligência</p><p>É o conjunto de ações de busca, podendo envolver</p><p>eventualmente ações de coleta, executados com o objetivo</p><p>de obter dados negados ou protegidos de difícil acesso e que</p><p>exige emprego de pessoal, material e técnicas especializadas.</p><p>Podem ser:</p><p> Exploratórias: São Operações que buscam dados</p><p>específicos em um curto espaço de tempo,</p><p>visando atender à necessidade imediata de um</p><p>conhecimento específico a respeito de</p><p>determinado alvo ou situação. Pode-se citar o</p><p>reconhecimento operacional de uma determinada</p><p>área, a cobertura de um determinado evento,</p><p>entre outros.</p><p> Sistemáticas: São Operações de Inteligência que</p><p>buscam a obtenção constante de dados a respeito</p><p>de um fato ou situação que deva ser</p><p>acompanhado. São utilizadas, normalmente, para</p><p>acompanhar metodicamente as atividades de</p><p>pessoas, organizações, entidades e localidades.</p><p>Pode-se citar o acompanhamento de facções</p><p>criminosas, a neutralização de suas ações e a</p><p>identificação de seus integrantes, modus operandi</p><p>e trajetória de futuras ações. Visam atualizar e</p><p>aprofundar conhecimentos sobre suas estruturas,</p><p>atividades e ligações, por meio da produção de um</p><p>fluxo contínuo de dados.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>17</p><p>5.13 Ações de busca</p><p>Reconhecimento: É a obtenção de dados</p><p>operacionais com o objetivo de subsidiar o planejamento de</p><p>Operações de Inteligência. São os dados básicos necessários</p><p>à execução da maioria das Técnicas Operacionais. Implica em</p><p>um procedimento metódico e abrangente, para evitar que os</p><p>agentes designados para o reconhecimento tenham que</p><p>retornar ao local mais de uma vez e possam chamar a</p><p>atenção e prejudicar a operação, salvo quando se entenda</p><p>oportuno.</p><p> Vigilância: Ato de manter um alvo sob</p><p>observação.</p><p> Recrutamento Operacional É o ato de convencer</p><p>ou persuadir uma pessoa a trabalhar em benefício</p><p>do Órgão de Inteligência.</p><p> Infiltração: Colocação de uma pessoa junto ao</p><p>alvo. Importante frisar que no caso de uma</p><p>investigação ou de uma ação de inteligência para a</p><p>produção de provas, necessária uma autorização</p><p>judiciária prévia e o atendimentos dos demais</p><p>preceitos legais instituídos pela Lei nº 12.850/13,</p><p>permitindo uma proteção jurídica ao agente, pelos</p><p>riscos decorrentes. Tal ação é somente utilizada</p><p>em último recurso.</p><p> Desinformação: Fazer com que os alvos cometam</p><p>erros de apreciação ou executem um</p><p>comportamento pré-determinado.</p><p> Provocação: Ação com alto nível de especialização</p><p>que faz com que o alvo modifique sua conduta e</p><p>execute algo desejado pela Agência.</p><p> Entrevista: Conversação com fins definidos</p><p>(obtenção de dados) planejada pelo entrevistador.</p><p>Possibilidades de emprego de meios eletrônicos</p><p>(áudio/vídeo).</p><p> Entrada: Obtenção de dados em locais de acesso</p><p>restrito.</p><p> Interceptação de Sinais e Dados: Pode ser</p><p>utilizada pela Inteligência no curso oficial de uma</p><p>investigação, com a necessidade de autorização</p><p>judicial prévia (Lei 9.296/96).</p><p>5.14 – Técnicas Operacionais – TOI`s</p><p>São as habilidades nas quais os agentes de ISP devem</p><p>ser treinados, a fim de facilitar a sua atuação nas Ações de</p><p>Busca maximizando potencialidades, possibilidades e</p><p>operacionalidades. São técnicas de fundamental</p><p>importância para o emprego das Ações de Busca. Com elas, o</p><p>ELO consegue com maior eficiência e segurança na obtenção</p><p>do dado buscado.</p><p>OMD: é uma técnica muito utilizada para a</p><p>identificação e descrição de pessoas</p>

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