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Curso de Especialização Medicina de Família e Comunidade UNB/UNASUS Módulo 3 – Princípios da Medicina de Família e Comunidade - VF Aluno: Jonas Brandão Pereira Desafio Avaliativo Um exemplo que pude detectar em relação a aplicação de uma das competências nucleares da MFC foi o da Abordagem Holística em uma paciente que veio a UBS encaminhada do Hospital devido a picos hipertensivos e com a orientação de iniciar medicamentos hipertensivos. Devido já conhecer a paciente e saber que ela havia perdido um parente próximo recentemente eu abordei questões psicológicas que poderiam estar influenciando em seu estado emocional e consequentemente na saúde física como a pressão arterial devida a estresse, cansaço e insônia decorrentes da situação. Realizei intervenção, encaminhei a psicologia e conversei com a enfermeira, psicóloga e ACS responsável sobre uma abordagem não só a paciente, mas também a família pra entender todo o contexto que todos estavam vivendo. Não foi necessário o uso de medicamentos hipertensivos e a paciente evoluiu bem. Tento sempre me manter atento ao relato dos pacientes. Sempre questionando sobre dúvidas, se há algo a mais os incomodando, dando espaço para eles falarem. Mesmo escrevendo em alguns momentos tento responder as perguntas e olhar para o paciente sempre que possível. Quando tenho dúvidas sobre algum diagnóstico, quando não sei algo sobre alguma dúvida dos pacientes ou penso na necessidade de complementar minha conduta para torná-la mais assertiva e abrangente, realizo anotações para consultar posteriormente. Geralmente meus pacientes me compreendem. Sempre pergunto se me entenderam e, quando percebo que usei alguma expressão mais técnica, tento convertê-la para uma linguagem mais popular. Não é uma dificuldade pra mim, pois vim de uma realidade social periférica e de raízes rurais. Na maioria das vezes compreendo o relato dos meus pacientes. Apesar de falarem muitas informações desnecessárias para o diagnóstico, tento me ater as informações mais relevantes e estimular através de perguntas para que os pacientes deem mais informações relacionadas a queixa principal. Na maioria das vezes tenho a impressão que meus pacientes compreendem minhas orientações e sempre reforço com as perguntas: O Sr. ou a Sra. tem alguma dúvida? Entendeu o que eu disse? Quer me perguntar mais alguma coisa? Com algumas poucas exceções como pacientes mais idosos ou com baixa escolaridade. Mas sempre que possível oriento também os acompanhantes ou repasso informações para as ACS. Quando há a necessidade de mudanças mais drásticas do cotidiano ou hábitos de vida, quando o tratamento requer longos prazos ou quando existe a possibilidade mais concreta de efeitos adversos de medicamentos, sempre tento construir planos terapêuticos em conjunto com os pacientes. No entanto, mesmo nos outros casos, sempre deixo claro que abordagem terapêutica ou diagnóstica vou utilizar, além de sua utilidade e função. Por sempre tentar abordar o paciente com um olhar atento para questões de saúde mental, tenho tido mudanças de comportamento de pacientes que passaram a se sentir mais à vontade para falar sobre questões mais pessoais e íntimas, se abrindo mais e, algumas vezes, solicitando meu ponto de vista sobre algumas questões, inclusive familiares. Procuro o máximo possível prestar atenção na comunicação não verbal entre mim e meus pacientes, pois para uma análise mais efetiva não só dos sinais e sintomas físicos é necessário estar atento a linguagem não verbal para a detecção de alterações também na saúde mental do paciente, para ser possível perceber algo a mais do relato oral, pois o paciente pode estar com receio de expor algo mais íntimo. Além de estar atento a minha forma de se expressar pra não intimidar ainda mais o paciente. Dar ouvidos ao paciente, fazê-lo se sentir notado e levar em consideração suas impressões sobre seu processo de adoecimento e suas expectativas e dúvidas sobre tratamento e cura são importantes para intensificar a relação médico-pessoa. Atos simples como sempre chamar pelo nome, se interessar sobre o que o paciente fala, mesmo que sobre sua vida pessoal e demonstrar empatia com uma expressão verbal e corporal de forma acolhedora também são importantes. Permitir que o paciente fale sobre suas mais diversas demandas e estimulá-los a falar sobre suas queixas, mas que se sintam seguros e acolhidos, diminui a possibilidade de finalizarmos a consulta e o paciente acrescentar demandas adicionais. Assim, é necessário ouvir mais, de forma eficiente e repassar as informações de forma clara e objetiva para que o paciente não saia da consulta com mais dúvidas do que quando a iniciou.