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710 CAPÍTULO 33 LEPIDOPTERA LINNAEUS, 1758 Eduardo Carneiro UFPR, Departamento de Zoologia, Curitiba, PR. https://orcid.org/0000-0002-4796-0020 Gláucia Marconato Alexandre Specht Embrapa Cerrados, Planaltina, DF. https://orcid.org/0000-0002-8921-0340 Marcelo Duarte USP, Museu de Zoologia, São Paulo, SP. https://orcid.org/0000-0002-9562-2974 Mirna M. Casagrande UFPR, Departamento de Zoologia, Curitiba, PR. https://orcid.org/0000-0002-6076-8463 Etimologia. Do grego lepis ou lepidos = escamas, pteron = asa. O nome refere-se às asas cobertas por escamas. Diagnose. São holometábolos ou endopterigotos. Adultos variam de 1 a 100 mm de comprimento e envergadura alar de 2 a 300 mm. Dois pares de asas membranosas, corpo e demais apêndices densamente cobertos por escamas. Peças bucais do tipo sugador; probóscide (gáleas modificadas) geralmente desenvolvida, raramente com peças bucais mastigadoras na fase adulta. São facilmente distinguidos de Trichoptera pelas antenas mais curtas e pela presença de uma densa camada de escamas protegendo todo seu corpo. Introdução. A Ordem Lepidoptera inclui as mariposas e borboletas. Estimativas sobre a diversidade dos lepidópteros em geral expressam números muito aquém da realidade. Acredita-se que, com novas ferramentas como análise molecular, uma intensificação de inventários faunísticos e revisões taxonômicas de famílias pouco estudadas, é possível que se encontre algo em torno de 500 mil espécies de Lepidoptera em todo mundo (Gaston 1991). Essa estimativa demonstra o quanto se desconhece sobre um dos principais grupos de insetos que, reconhecidamente, auxiliam na manutenção de vários ecossistemas. No Brasil, são conhecidas quase 26 mil espécies de lepidópteros, o que representa metade das espécies da região Neotropical (Heppner 1991); são estimadas entre 40 e 60 mil espécies para o país. Das 124 famílias reconhecidas por Heppner (1998), 78 ocorrem no Brasil. Os fósseis mais antigos conhecidos de Lepidoptera têm aproximadamente 193 milhões de anos (Mitter et al. 2017), embora estime-se através de metodologias moleculares que a ordem deve ter surgido há mais tempo, no fim do Carbonífero (aproxima- damente 299 milhões de anos). A correlação de sua origem com a origem das Angiospermas ainda é controversa (Beaulieu et al. 2015; Kawahara et al. 2019), mas a maior diversificação parece ter ocorrido junto com as principais radiações de plantas com flores, durante o Cretáceo Inferior, entre 100 a 130 milhões de anos atrás (Kristensen & Skalski 1998; Kawahara et al. 2019). Este capítulo apresenta informações atualizadas sobre a ordem, principalmente com relação a sua classificação. Até então, o principal compêndio sobre o tema eram os tomos quinto e sexto das obras de Costa Lima (1945, 1949). Morfologia (adultos). A cabeça consiste em uma cápsula subglobular hipognata, formada por poucos escleritos. O maior deles está na região anterior e corresponde ao frontoclípeo (=área frontal) (Figs 33.1–2), de forma quadrangular ou subtriangular, deli- mitado lateralmente pela sutura látero-facial (= sutura látero-frontal ou ocular), desde a base das antenas até as suturas subgenais. Entre as antenas, estão as suturas transfrontal (= sutura frontal) e epicranial na linha médio-dorsal da cabeça; em algumas espécies, a fronte e o clípeo estão distintamente separados pela sutura clipeal. Em geral, as bases das antenas são separadas pelo vértice. Em https://doi.org/10.61818/56330464c33 Como citar: Carneiro, E.; Marconato, G.; Specht, A.; Duarte, M.; Casagrande, M.M. 2024. Cap. 33, Lepidoptera Linnaeus, 1758, pp. 710-766. In: Rafael, J.A.; Melo, G.A.R.; Carvalho, C.J.B. de; Casari, S. & Constantino, R. (eds). Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. 2ª ed. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus. 880 pp. Nymphalidae: Morpho epistrophus Saturniidae: Copiopteryx semiramis Hedylidae: Macrosoma bahiataPapilionidae: Protesilaus glaucolaus Fo to : F .F. X av ie r F ilh o Fo to : J .A . R af ae l Fo to : F .F. X av ie r F ilh o Fo to : F .F. X av ie r F ilh o LEPIDOPTERA 711 algumas espécies, na porção inferior do esclerito frontoclipeal e junto às suturas subgenais estão os rudimentos mandibulares. Com exceção dos olhos, toda a superfície da cabeça é revestida por escamas, algumas distintamente alongadas e, por vezes, formando tufos no vértice e no frontoclípeo; entretanto, na maioria não formam tufos eriçados. Olhos compostos subglobulares, glabros ou cerdosos, com o maior diâmetro geralmente se estendendo dorso-ventralmente (Figs 33.2–10). Área paraocular (= esclerito ocular) separa os olhos do frontoclípeo; dorsalmente essa área termina na base da antena e ventralmente na região da subgena. Cada olho com- posto é formado por inúmeras facetas hexagonais denominadas Figuras 33.1–10. Morfologia externa da cabeça e apêndices. 1, Nymphalidae, vl; 2, vf; 3, vp; 4, Tineidae, vf; 5, Psychidae, vf; 6, Nepticulidae, vf; 7, Gracillariidae, vf; 8, Hesperiidae, vd; 9, Lycaenidae, vd; 10, Nymphalidae, vd. Figuras modificadas de Kristensen (1998), Duarte et al. (2001), Carneiro et al. (2012), Leite et al. (2013) LEPIDOPTERA 712 omatídios. Em alguns grupos, há um par de ocelos, posterior- mente à antena e relativamente próximo à margem lateral de cada olho composto. A perda do ocelo mediano é considerada uma autapomorfia da ordem. Segundo alguns autores, os ocelos laterais estão presentes em todos os lepidópteros, mas em alguns táxons, como os esfingídeos, saturniídeos e todas as borboletas, são internos, sendo reconhecidos somente em estudos histoló- gicos. Nas laterais do vértice e do frontoclípeo, também podem ser encontrados órgãos sensoriais de Jordan (= quetosemas), facilmente distinguíveis dentre as demais escamas da cabeça por formarem tufos de cerdas eretas e alongadas, frequentemente alocadas sobre uma protuberância na cabeça. Na face posterior (Fig. 33.3), o forâmen occipital é dividido em dois pela ponte tentorial. A porção superior tem diferentes formas: oval, retangular, trapezoidal e triangular são alguns exemplos; está delimitado dorsalmente pelo pós-occipício, lateralmente pela pós-gena e ventralmente pela ponte tentorial. A porção inferior tem a ponte tentorial, como limite dorsal, lateralmente a pós-gena e ventralmente a ponte pós-occiptal; em geral, tem formato triangular ou retangular. Nas extremidades da borda superior da ponte tentorial, encontram-se os côndilos occipitais, como duas estruturas proeminentes e semicirculares, onde se articulam os escleritos cervicais; na borda inferior, estão as fóveas posteriores do tentório, opostamente marcadas pelas fóveas anteriores. A face ventral da cabeça é caracterizada por uma acentuada depressão, a fossa proboscidial, onde se alojam o lábio no centro e, as maxilas lateralmente (Fig. 33.2). Em geral, a antena é longa, mas raramente excede o com- primento do corpo, como nos machos de Adelidae, tendo até três vezes o comprimento do corpo. A antena apresenta formas e tamanhos que podem variar entre os sexos de uma mesma espécie. O escapo é globular e robusto, às vezes com uma fileira de cerdas piliformes denominada pécten; o pedicelo é anelar e pouco variável e o flagelo é formado por vários flagelômeros, que podem ser filiformes, clavados ou pectinados (uni, bi, tri ou quadripectinado) (Figs 33.11–16), geralmente têm inúmeros sensores que funcionam como quimio, mecano e/ou termorre- ceptores. As peças bucais são do tipo sugador, com maxilas modificadas e relativamente alongadas, gáleas semi tubulares e distintamente unidas, formando um órgão tubuliforme denominado probós- cide ou espirotromba. A probóscide (Figs 33.1,7) teve origem única na história evolutiva dos lepidópteros e seu desenvolvimen- to ocorreu a partir de ancestrais com peças bucais mastigadoras, como aquelas encontradas em Micropterigidae, Agathiphagidae e Heterobathmiidae, grupos que não ocorrem no Brasil. Os palpos maxilare labial podem variar em tamanho e em número de palpômeros; ambos, no entanto, costumam ter uma densa cobertura de escamas. O palpo maxilar está ausente em 90% dos lepidópteros, quando presente, é curto, no máximo com cinco palpômeros; o labial geralmente é bem desenvolvido, constituído de três palpômeros (Figs 33.1, 4–7), raramente reduzidos a um ou a dois, como em algumas espécies de Hepialidae, Zygaenidae, Papilionidae e Noctuidae. A direção (ascendentes, porrectos ou pendentes) e a forma dos palpos labiais e dos órgãos sensoriais de Reuter e de vom Rath (Fig. 33.1), nos palpômeros proximal e distal, respectivamente, além do comprimento relativo dos ar- tículos mediano e distal, são importantes para o reconhecimento de alguns táxons. As demais peças bucais são pouco desenvolvidas ou vestigiais. O labro é um pequeno esclerito subtriangular entre a margem inferior do frontoclípeo e a base da probóscide, com lobos laterais cerdosos e relativamente pequenos, denominados pilíferos (Fig. 33.2). O tórax é formado pelo protórax, mesotórax e metatórax que contêm os três pares de pernas (Figs 33.17–25), os dois pares de asas membranosas e respectivas estruturas responsáveis pelo seu acoplamento (Figs 33.26–34) e, dependendo do grupo, podem abrigar estruturas timpânicas (Figs 33.35–42).O protórax (Figs 33.17–19) é o menor dos três segmentos torácicos, embora em alguns grupos basais ele possa ser tão desenvolvido quanto os demais segmentos. Possui um par de escleritos na porção anterior, os patágios, que em Papilionoidea, no entanto, são membrano- sos. Lateralmente, estão o pré-episterno e o episterno, este se projetando ventralmente até o discrimen I. O mesotórax (Figs 33.17–19) é o maior segmento torácico. O noto geralmente alargado na porção mediana, divide-se em pré-escuto, escuto e escutelo; com um par de escleritos móveis a cada lado, as tégulas, densamente revestidas de escamas, cuja função associada é a proteção da porção basal das asas. Alguns autores associam à tégula função semelhante à de um esclerito axilar, além de auxiliar no acoplamento das asas, por meio da pressão exercida sobre elas. Além disso, poderia também fun- cionar como sensor de ressonância do ar devido às ramificações do nervo tegular na região de maior contato com a asa anterior. Lateralmente, estão o episterno e o epímero, situados dorsal e ventralmente respectivamente; o primeiro desses escleritos é dividido em anepisterno e catepisterno. Ventralmente está o discrimen II. O metatórax (Figs 33.17–19) é o segundo maior segmento torácico, constituído por um escuto reduzido, se comparado com o segmento anterior. Essa redução é progressiva entre os táxons que compõem o clado Ditrysia; em Macrolepidoptera, essa redução é ainda mais acentuada pelo fato de o escutelo estar projetado anteriormente sobre o escuto. Em Noctuoidea, o metatórax constitui abrigo para os órgãos timpânicos (Figs 33.41–42), especificamente alojados a cada lado do respectivo segmento, entre o epímero e o posnoto, cuja função é captar as vibrações sonoras e, provavelmente, as vibrações do ar, funcio- nando como órgãos proprioceptivos. Os órgãos timpânicos em Noctuoidea são basicamente constituídos por um saco e uma membrana timpânica associados ao órgão cordotonal, formado por dois escolopídeos (Scoble 1995). Látero-ventralmente, o metatórax possui os mesmos escleritos que o mesotórax. Pernas e asas são importantes na caracterização e reconhe- cimento de grandes grupos. A coxa tem a forma de um cone truncado, aparentemente fundido à porção látero-ventral do tórax articulada com a pleura e, exceto pela perna anterior, as demais divididas em eucoxa e mero. O fêmur é o artículo mais robusto da perna, articulado com a tíbia, relativamente mais fina e com esporões frequentemente dispostos segundo as fórmulas 0–2–4 ou 0–2–2, porém, em alguns grupos como Hepialidae e Dalceridae, estão completamente ausentes. A tíbia anterior geralmente é mais curta que as demais, particularmente nas borboletas Nymphalidae, além disso, possui um apêndice tipi- camente laminado, a epífise (Fig. 33.21), utilizado na limpeza das antenas e da probóscide, sua ausência em algumas espécies LEPIDOPTERA 713 é considerada secundária. O tarso é dividido em até cinco tarsô- meros, essa redução parece ser secundária, já que os grupos basais possuem o número máximo. O primeiro tarsômero é sempre mais longo (Figs 33.21–23); o último, também denominado como distitarso, possui, na porção distal, um par de garras tarsais simples ou bífidas, um empódio ou arólio entre as garras e um pulvilo na lateral externa de cada garra (Figs 33.24–25). Modificações em vários elementos do distitarso são comuns em alguns grupos, como por exemplo, a redução do arólio e dos pulvilos em Papilionidae. As asas, dois pares, são membranosas com formas e ta- manhos variados. Em geral, a asa anterior é subtriangular e a posterior arredondada, menos desenvolvida que a anterior, mas ambas com uma área proximal ao corpo denominada base, um ângulo umeral, um ápice e um ângulo anal, além das margens costal, externa e interna (Figs 33.26–31), que podem ser retas ou curvas, às vezes, com saliências ou prolongamentos caudais na asa posterior, como os que são encontrados em Papilionidae e Lycaenidae. Nos grupos basais, como Nepticuloidea e Incur- varioidea, machos e fêmeas têm asas tipicamente lanceoladas, mais longas que largas. As asas de Alucitoidea e Pterophoroidea são distintas pelas divisões longitudinais em tiras plumosas. Em muitas espécies, o dimorfismo sexual é acentuado principalmente com relação ao tamanho e formato das asas. Em Geometridae e Psychidae, há espécies cujos machos são alados, enquanto as fêmeas podem ser ápteras ou braquípteras. A membrana alar geralmente é totalmente revestida de es- camas, embora sua ausência parcial seja característica de alguns grupos, como Sesiidae, Arctiinae (Erebidae) e Danainae (Nym- phalidae); nos grupos basais, além de escamas, encontram-se cerdas em forma de espinhos (acúleos ou microtríquias). O sistema de venação é relativamente simples, sendo constituído quase que exclusivamente de veias longitudinais, com algumas transversais, diferentemente dos grupos basais de Pterygota, em que a venação muito se assemelha àquela de Trichoptera, devido ao maior número de veias transversais. Há dois sistemas de venação entre os lepidópteros: a homo- neura e a heteroneura. No primeiro tipo (Figs 33.26–27), as asas anterior e posterior têm praticamente a mesma configuração de veias: Subcostal (Sc), com um ou dois ramos; Radial (R), com cinco ramos, às vezes seis; Média (M), com três ramos; Cubital Anterior (CuA), com dois ramos; Cubital Posterior (CuP), com um ramo e Anal (A), com dois ramos. Esse tipo ocorre em Micropterigidae, Agathiphagidae, Heterobathmiidae, Eriocraniidae, Acanthopteroctetidae, Lophocoronidae, Neop- seustidae, Mnesarchaeidae e Hepialidae. No segundo tipo (Figs 33.28–31), a asa posterior tem menor número de veias que a asa anterior, resultando em um sistema diferente. Ocorre nas demais superfamílias (clado Heteroneura). Nesse tipo de venação, há uma veia Radial com cinco ramos na asa anterior, um setor não ramificado (Rs) na asa posterior, sendo que a primeira radial (R1) geralmente funde-se a Sc; além disso, a porção basal de M é vestigial ou ausente, delimitando uma ampla célula no centro da asa, à qual se dá o nome de célula discal, limitada na porção superior pela R e suas ramificações e na inferior pela CuA; na porção distal desta célula estão as veias transversais discocelular superior (dcs), discocelular mediana (dcm), discocelular inferior (dci) e médio-cubital (m-cu) (Figs 33.30–31); na presença ou ausência destas, diz-se que a célula é fechada ou aberta, respec- Figuras 33.11–16. Antenas. 11, Nymphalidae; 12, Sesiidae; 13, Hesperiidae; 14 – 15, Cossidae; 16, Hedylidae. LEPIDOPTERA 714 tivamente. Além dessas veias transversais, na asaposterior ocorre a veia umeral, localizada no ângulo umeral, entre a margem costal e a Sc. Nos grupos com venação heteroneura, as veias podem estar fundidas de várias formas. A Sc da asa anterior origina-se inde- pendentemente da célula discal, logo abaixo da margem costal. Diferentemente, os ramos da R originam-se na célula discal, no limite superior ou no ângulo superior dessa célula; dependendo do grupo, terminam em diferentes pontos da margem costal, do ápice e da margem externa. Quando dois ou mais ramos da R estão fundidos além da origem na célula discal e possuem um pedúnculo comum, diz-se que essas veias são pedunculadas. Em algumas espécies, as radiais, mesmo depois de separadas, voltam a se fundir, formando as células acessórias, como as encontradas nos geometrídeos. Os três ramos da veia M geralmente partem da extremidade distal da célula discal, no entanto, M1 às vezes compartilha do mesmo pedúnculo que R5, como ocorre em muitos lasiocampídeos. A origem de M2 também é importante para distinção de alguns grupos: quando sua origem está no meio ou acima da extremidade distal da célula discal, a veia CuA1, que delimita a porção inferior dessa célula, parece trirramificada, como na maioria dos lepidópteros; quando M2 está mais próxi- ma de M3 que de M1, então a Cubital parece ter quatro ramos, como nos castniídeos. Com relação à venação da asa posterior, os caracteres uti- lizados na identificação dos grandes grupos referem-se à fusão entre o número de anais e o grau de desenvolvimento da CuP, isto é, quando presente, ela pode ser completa ou incompleta (em alguns trabalhos é indicada como sendo 1A de Comstock 1918). Em Bombycidae, por exemplo, a R está separada de Sc na base da asa e R1 surge como uma veia transversal entre Rs e Sc, originando-se a partir da célula discal. Contudo, na maioria dos lepidópteros, na asa posterior R1 está fundida à Sc, daí a indicação Sc + R1 nas ilustrações. Em muitas espécies, Sc e R1 estão fundidas na base ou fundem-se em algum ponto ao longo do limite superior da célula discal. O acoplamento das asas é feito de três maneiras. Em alguns grupos basais como Micropterigoidea e Hepialoidea, há um prolongamento basal, o lobo jugal ou jugo, na margem inter- na da asa anterior (Figs 33.26,32), e nele se encaixa a porção costal da asa posterior. Em Micropterigoidea, o acoplamento é reforçado pelas cerdas do ângulo umeral da asa posterior, que passam sob a asa anterior, alojando-se no lobo jugal. O segundo tipo compreende um frênulo e um retináculo (Figs 33.29, 33). Ocorre na maioria dos lepidópteros com venação heteroneura e em muitos com venação homoneura, já estando presente em Acanthopteroctetoidea. O frênulo pode ser composto por uma ou mais cerdas situadas no ângulo umeral da asa posterior. Nos Figuras 33.17–25. Morfologia externa do tórax e apêndices. 17, Nymphalidae, vl; 18, vd; 19, vv; 20, Riodinidae, perna protorácica; 21, Nymphalidae, perna protorácica; 22, mesotorácica; 23, metatorácica; 24, distitarso; 25, Pieridae, garra tarsal bífida. LEPIDOPTERA 715 machos, é formado por uma cerda, distintamente forte; nas fêmeas, por duas ou mais cerdas, embora em algumas famílias, como Sesiidae, possa ter uma cerda que geralmente é menos desenvolvida que a do macho. O retináculo é formado por um tufo de cerdas ou uma dobra na membrana ventral da asa ante- rior (Fig. 33.33), quase sempre localizada na base da veia Sc. O terceiro tipo de acoplamento, conhecido como amplexiforme, é encontrado nos grupos basais de Macrolepidoptera – Mimallo- noidea, Lasiocampoidea e Bombycoidea, exceto Sphingidae – e em todas as borboletas, exceto em Hedylidae e nos machos de Euschemon Doubleday (Hesperiidae). Este sistema é desprovido de prolongamento e cerdas para manter as asas acopladas e se caracteriza pela pressão do ângulo umeral, geralmente expandido, sob a porção basal da asa anterior (Figs 33.30–31). O abdômen tem a forma de um cilindro alongado, composto de dez segmentos. Nos machos (Fig. 33.43) os dois últimos segmentos modificaram-se para formar a genitália; nas fêmeas (Fig. 33.44) os três últimos. Os espiráculos estão presentes do primeiro ao oitavo segmento, às vezes ausentes neste último. Nas fêmeas, entre o oitavo e o nono segmentos, em geral, se notam tufos densos de cerdas piliformes, cuja função primária é auxiliar na dispersão de feromônios produzidos pelas respec- tivas glândulas encontradas no tegumento. Tufos semelhantes podem ser encontrados nos machos, principalmente na base ou no final do abdômen. Os segmentos abdominais proximais e os distais possuem modificações importantes relacionadas à articulação com o tórax, ao desenvolvimento de órgãos timpânicos em alguns grupos de mariposas e à formação das genitálias masculina e feminina. Entre as modificações mais evidentes ocorridas na região proximal, está o desaparecimento do primeiro esterno em Heteroneura e o desenvolvimento de apódemas e vênulas que podem ser visualizadas no exemplar dissecado. As vênulas formam um par de estrias longitudinais no esterno, sendo sua presença considerada plesiomórfica em Ditrysia. As vênulas são espessadas e contíguas à apódemas anteriores (Figs 33.45). Já em Apoditrysia, as apódemas são reduzidas, não são contíguas às vênulas, e a margem ântero-lateral dos esternos é normalmente projetada anteriormente (Figs 33.46–48). A genitália masculina (Fig. 33.49) é bastante variável. O tergo IX ou tegume geralmente é desenvolvido, com formato subtriangular ou trapezoidal; o tergo X ou unco é variável quanto ao formato, podendo ser vestigial ou ausente em alguns grupos; sob o unco, está alojado o tubo anal, que pode estar associado a uma placa dorsal, o escafio, e a uma placa ventral, o subescafio. O esterno IX ou saco tem forma de “U”. Seus braços dorsais unem-se aos braços ventrais do tergo IX (tegume), formando com este um anel esclerosado; esse esclerito também pode ter uma projeção mediana anterior denominada projeção anterior do saco, algumas vezes atingindo a proximidade do metatórax; posteriormente, articula-se com duas estruturas achatadas mé- dio-lateralmente, as valvas, derivadas dos lobos fálicos primá- rios, assim como o falo ou pênis. Cada lobo divide-se em um parâmero (parte externa) e um mesômero (parte interna). Os parâmeros deram origem às valvas, consideradas, por alguns au- tores, como estruturas homólogas aos telepoditos (ver Snodgrass Figuras 33.26–34. Venação e tipos de acoplamento de asas. 26–27, homoneura, Hepialidae; 28–29, heteroneura, Sphingidae; 30–31, heteroneura, Papilionidae; 32, jugo, asa anterior, Hepialidae; 33, frênulo e retináculo, asas anterior e posterior, Sphingidae; 34, dobras alares, asas anterior e posterior, Sesiidae (modificado de Heppner & Duckworth 1981); Para acoplamento amplexiforme vide figuras 30–31. LEPIDOPTERA 716 1935), com formas que variam da mais simples à mais complexa, consistindo de um número variável de partes ou regiões. Entre as mais facilmente observadas, estão costa, ampula, cuculo, válvula, harpe e sáculo. A fusão dos mesômeros deu origem a um tubo quitinizado, às vezes membranoso, como em Hepialidae, com ápice invaginado, denominado de endofalo ou vésica, que se comunica internamente com a porção caudal do duto ejacula- tório. A vésica é uma membrana eversível, algumas vezes com um ou mais espinhos, os cornutos, que durante a cópula, atuam prendendo o edeago na bolsa copuladora das fêmeas. O esterno X ou gnato articula-se à porção inferior do tegu- me, podendo ser simples, bífido, modificado de outra forma ou mesmo ausente. A porção posterior do abdômen é fechada por uma mem- brana, o diafragma, possivelmente derivada da membrana in- tersegmentar dos segmentos abdominais IX e X. No centro do diafragma, observa-se um forâmen com cone eversível, o anel, constituído de uma bainha formada por duas membranas, por onde passa o pênis, e somente a membrana mais interna recebe nome de manica. Algunsautores reconhecem duas regiões no diafragma com relação à posição do anel: uma dorsal e outra ventral, em muitos casos sem limites claros, diferentemente dos escleritos que se alojam nessas regiões, a fultura superior e a fultura inferior. A genitália feminina é igualmente variável, principalmente com relação ao arranjo interno de suas estruturas e à comunica- ção com o meio externo. Três tipos diferentes de sistemas relati- vamente simples podem ser encontrados: 1. Sistema sem abertura genital. A comunicação com o exterior é feita exclusivamente pela cloaca e pelo ânus (Fig. 33.50) ocorre em Micropterigidae, a família mais basal de Lepidoptera. 2. Sistema com uma ou duas aberturas genitais, sempre posteriores ou póstero-dorsais ao esterno VIII e muito próximas ao ânus. Ocorre nos demais clados, exceto Tineoidea. Em Eriocranioidea, Nepticuloidea e Incurvarioidea, existe uma abertura genital e esta é apenas para cópula; a oviposição, nesse caso, é feita pela cloaca e pelo ânus. Em Hepialoidea, existem duas aberturas genitais, uma dorsal, para oviposição, e outra, ventral, para cópula; em alguns He- pialidae, estes dutos genitais são interligados internamente por um pequeno duto, pelo qual passam os espermatozoides para fertilização dos ovos; nas espécies desprovidas dessa conexão, os espermatozoides são transferidos diretamente da abertura de cópula para a abertura de oviposição por um sulco relativamente profundo (Fig. 33.51). 3. Sistema com duas aberturas genitais amplamente separadas: uma nos segmentos IX+X, próxima ao ânus, que é a abertura de oviposição e a outra, correspondendo à abertura de cópula, no esterno VIII; em casos raros, pode deslocar-se para o centro do esterno VII (Fig. 33.52). Ocorre no clado Ditrysia, onde estão 99% dos lepidópteros conhecidos. Circundando o óstio da bolsa copuladora e o seio vaginal, nota-se grande número de estruturas complexas, para as quais alguns autores empregam o termo esterigma ou placa genital e, em trabalhos mais recentes, outros termos têm sido utilizados para nomear partes dessa placa, como lamela antevaginal para a porção ântero-ventral do óstio e lamela pós-vaginal para a porção póstero-dorsal. Os tergos VIII e IX+X possuem um par de apódemas ân- tero-laterais, que normalmente são alongados e denominados apófises anteriores no tergo VIII, e apófises posteriores, no tergo IX+X; no entanto, em algumas espécies, estão ausentes ou então podem ter um par ou ainda podem ser vestigiais. A porção final do abdômen é formada por um par de papilas anais, possivelmente derivadas dos tergos IX ou X, ou de ambos. Compreendem dois lobos relativamente flexíveis com inúmeras cerdas piliformes, entre os quais estão alojados o ânus e o oviporo. Imaturos. O ovo geralmente dura poucos dias, o tempo neces- sário para o desenvolvimento do embrião. Entretanto, algumas espécies podem iniciar diapausa nesse estágio, o que invariavel- mente leva a um prolongamento, de dias a meses, no ciclo de vida. Variam em forma, tamanho e coloração. Costumam ser cuidadosamente depositados um a um ou em grupos na face abaxial e/ou adaxial de folhas, ou em flores, galhos e troncos; em alguns grupos, as fêmeas ovipositam durante o voo, sendo literalmente largados sobre o substrato. O formato varia entre os mais diversos: esférico, hemisférico, elipsoide, fusiforme, achatado e cuboide. A textura do cório pode ser lisa, rugosa ou pontuada e, quanto à ornamentação, é comum ocorrerem estrias longitudinais ou reticulações. A região da micrópila, orifício do cório onde ocorre a fecundação, possui um padrão de estrias axiais e concêntricas, bastante úteis na taxonomia. A coloração também varia entre as espécies e ao longo da incubação ou desenvolvimento embrionário. Quando recém-depositado, a coloração difere daquela próxima à emergência da larva e, durante o desenvolvimento embrionário. Além da alteração da coloração geral, podem também ser ornamentado por manchas de diferentes tamanhos e cores. Do ovo, emerge a larva de primeiro ínstar, também co- nhecida como lagarta, geralmente com poucos milímetros de comprimento. O estágio larval constitui a fase de crescimento e, para tal, normalmente as larvas passam por cinco a sete ecdises, contando com cinco a oito ínstares. Geralmente, são fitófagas e sua atividade de herbivoria tem papel ecológico importante em seus ecossistemas. As larvas das borboletas e mariposas são majoritariamente do tipo eruciforme. O corpo tem formato cilíndrico, coberto ou não por espinhos ou cerdas que, em alguns grupos, podem ser extremamente urticantes, como os que são encontradas em Lonomia obliqua Walker (Saturniidae), por exemplo. Os casos de erucismo (acidentes causados por larvas) envolvendo essa espécie estão entre os mais citados na literatura especializada (Specht et al. 2008). As cerdas e os espinhos encontrados no corpo das larvas recebem nomes específicos, dependendo do formato e tamanho, com pináculo, calaza, escolo e verruga (Dias 2006). A cabeça ou cápsula cefálica é geralmente lisa, mas pode possuir escolos e espinhos, além de coloração e textura variáveis. Frontalmente, é demarcada pela presença da sutura epicranial, em forma de “Y” invertido. As larvas são mastigadoras e, suas peças bucais, particularmente as mandíbulas, estão adaptadas à raspagem e ao corte de tecido vegetal e animal. Atrás das mandíbulas, estão as maxilas e os palpos maxilares e, entre estes, a fiandeira, por onde saem os fios de seda que as larvas tecem para orientação no substrato, confecção de abrigos entre folhas e de casulos, como é o caso do bicho-da-seda, dentro dos quais empupam. LEPIDOPTERA 717 O tórax tem três segmentos – protórax (T1), mesotórax (T2) e metatórax (T3) –, cada um com um par de pernas articuladas. O primeiro segmento distingue-se dos demais principalmente pela presença de um par de espiráculos, e de uma placa dorsal esclerosada, a placa pronotal. O abdômen é constituído de dez segmentos (A1–A10), mas somente os oito primeiros possuem um par de espiráculos cada. Na maioria das famílias, os segmentos A3–A6 e A10 são ainda caracterizados pela presença de um par de pernas abdominais ou larvópodes (homólogos às pernas torácicas); há famílias, como Geometridae, com número reduzido de larvópodes, que, algumas vezes, estão modificadas em estruturas semelhantes a ventosas. Na extremidade de cada larvópode, há espinhos "cro- chets" em forma de ganchos cuja disposição é muito importante para a taxonomia dos grupos. Os larvópodes do último segmento abdominal são denominados larvópodes anais; são parcialmente recobertos por uma placa dorsal, a placa anal, que em muitos grupos é distintamente ornamentada. O estudo do arranjo, número e tipos de cerdas, pontuações e estruturas presentes no corpo de uma larva, especialmente a de primeiro ínstar, é ferramenta básica para identificação de diferentes grupos de lepi- dópteros. As cerdas são classificadas basicamente em primárias e secundárias; as primárias estão presentes do primeiro ao último ínstar e geralmente têm distribuição definida, diferentemente das secundárias, que estão ausentes no primeiro ínstar e não têm distribuição definida. Por esse motivo, o estudo das cerdas normalmente restringe-se à larva de primeiro ínstar. No final do último ínstar, a larva cessa a alimentação, vai perdendo mobilidade e seu corpo torna-se intumescido e pode até mudar a coloração, outras vezes ficam inquietas procurando avidamente um local para a formação da pupa. Muitos estudos relacionam este período como prépupal ou pré-pupa. Pupa é o estágio de transformação propriamente dito, no qual as estrutu- ras larvais são absorvidas por histólise, restando apenas os brotos imaginais que se diferenciam formando os tecidos do adulto. Nesse estágio, também pode ocorrer diapausa. As pupas de Lepidoptera, em sua maioria, são do tipo adéc- tica (com mandíbulas não-funcionais) e obtecta (com apêndices colados ao corpo).As pupas podem ficar expostas na natureza ou protegidas dentro de casulos, normalmente encontrados na vegetação, embaixo de folhiço ou enterrados no solo. As pupas expostas podem ser do tipo suspensa ou sucinta. Denominam-se suspensas aquelas que se prendem ao substrato pelo cremáster, mantendo-se penduradas de cabeça para baixo. Sucintas, quando se fixam ao substrato por meio de uma cinta de seda passando sobre o tórax, o cremáster está presente, mas, diferentemente das pupas suspensas, a cabeça fica voltada para cima. A pupa tem um tegumento bastante enrijecido que a pro- tege contra alguns predadores e contra dessecação; às vezes, é possível visualizar por transparência várias estruturas do adulto em formação, como, por exemplo, os olhos, antenas, probóscide e asas. Os segmentos torácicos são visíveis apenas dorsalmente, assim como os primeiros segmentos abdominais; ventralmente, eles estão total ou parcialmente encobertos pelas tecas alares. Em algumas pupas, os últimos segmentos podem ser móveis e possuir sulcos que marcam os futuros orifícios do ânus e das ge- nitálias masculina ou feminina, possibilitando a identificação do sexo antes mesmo da emergência do adulto. As ornamentações presentes nos olhos, espiráculos, tecas alares e cremáster são de reconhecida importância taxonômica. Informações complementares sobre a morfologia dos estágios imaturos estão disponíveis em Stehr (1987) e Dias (2006). Figuras 33.35–42. Órgãos timpânicos em diferentes famílias de Lepidoptera. 35–36, primeiro segmento abdominal, vav, Pyralidae; 37–38, Crambidae (modificado de Munroe & Solis 1998); 39, metatórax e três primeiros segmentos abdominais, vl, Geometridae; 40, primeiro segmento abdominal (modificado de Cook & Scoble 1992), va, Geometridae; 41, metatórax, vl, sem capuz timpânico evidenciando o primeiro espiráculo abdominal, Noctuoidea; 42, metatórax, vl, com capuz timpânico pós-espiracular, recobrindo o primeiro espiráculo abdominal, Noctuoidea. LEPIDOPTERA 718 Biologia. As larvas, em geral, são herbívoras, (consumindo preferencialmente folhas verdes, mas também casca, madeira, sementes, folhas secas, flores, frutos e raízes), enquanto os adultos se alimentam de néctar e pólen e, nesses casos, são polinizadores; há também os que se alimentam de líquidos de frutos fermenta- dos (frugívoros), os que vivem nas excretas animais ou em resinas vegetais (detritívoros) e os que se alimentam de sangue (hemató- fagos). Em vários grupos, especialmente entre as mariposas, os adultos não se alimentam e passam a vida adulta consumindo as reservas de energia acumuladas durante o estágio larval. Esses adultos geralmente têm o ciclo de vida mais curto que os que se alimentam. Os hábitos alimentares têm implicações diretas na ecologia desses insetos, regulando, por exemplo, a estratégia reprodutiva dos adultos, o hábito alimentar das larvas (mono- fagia vs. polifagia), a quantidade de ovos viáveis produzidos pelas fêmeas, a aprendizagem, a migração e a velocidade do voo. Em geral, os lepidópteros adaptam-se às condições locais de clima e vegetação. Dependendo das condições climáticas, que normalmente determinam se as espécies devem ou não entrar em diapausa, e da oferta limitada ou não da planta alimentícia, os lepidópteros podem ter uma, duas ou mais gerações ao longo do ano, sendo caracterizados como espécies uni, bi ou multivoltinas, respectivamente. As espécies univoltinas são previsíveis quanto à melhor época para serem encontradas em campo, seja como imaturos ou como adultos, pois o ciclo de vida é repetido na mesma época anualmente. São inúmeras as relações ecológicas dos lepidópteros com outros grupos de organismos. Estão envolvidos em diferentes teias alimentares. Como herbívoros, participam no controle de Figuras 33.43–48. Morfologia do abdômen. 43, Nymphalidae, vl macho; 44, vl fêmea; (modificado de Mielke et al, 2005) 45–48: vv do segundo esterno abdominal (modificado de Kristensen 1998); 45, Psychidae; 46, Tineidae; 47, Carposinidae; 48, Epermeniidae. LEPIDOPTERA 719 várias espécies de plantas. Com o consumo da biomassa vegetal, participam ativamente na ciclagem de nutrientes em diferentes ecossistemas. Larvas da maioria das espécies alimentam-se de folhas verdes das plantas, cujos dejetos voltam ao ambiente na forma de nutrientes. Diversos grupos de lepidópteros espe cializaram-se em ali- mentar-se de restos vegetais, como alguns Lycaenidae e Erebi- dae (Herminiinae); outros ainda dependem exclusivamente de fungos e líquens. Alguns lepidópteros mantêm estreitas relações com suas plantas hospedeiras. Na América do Sul, destacam-se as relações entre heliconíneos e passifloráceas ou entre papi- lionídeos e aris toloquiáceas; outros são monofitófagos, como Cydia araucariae (Pastrana) (Tortricidae) e Dirphia araucariae Jones (Saturniidae) (Fig. 33.112), que dependem de Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze (Araucariaceae). A maioria das espécies nos estágios de ovo, larva ou pupa hospeda inimigos naturais, especialmente parasitoides (Diptera: Tachinidae e diversos grupos de Hyme noptera). Também são encontradas relações simbióticas, como a que ocorre entre Bradypodicola hahneli (Spuler) (Pyralidae), que se alimenta das fezes e dos pelos de bicho-preguiça. Podem ainda ser predados ou parasitados nos estágios de ovo, larva, pupa e adulto. Alguns micro-himenópte- ros parasitoides desenvolvem todo seu ciclo de vida dentro dos ovos de vários grupos de mariposas ou borboletas, embora o estágio larval seja o período em que os lepidópteros estão mais vulneráveis à predação e ao parasitismo. A maioria das espécies é parasitada por vespas ou moscas e predada por vespas, aves, aranhas, répteis e outros animais. As pupas podem ser parasitadas e/ou predadas pelos mesmos animais citados anteriormente. Os adultos costumam ser predados por outros insetos, como libélulas, moscas, louva-a-deus e também por aves, aranhas, anfíbios, morcegos e outros pequenos mamíferos. Lepidópteros são dotados de estruturas e estratégias de defesa contra seus inimigos naturais. Uma das estratégias mais peculiares é o uso de aleloquímicos tóxicos sequestrados das plantas hospedeiras pelas larvas e pelos adultos. A advertência dessa toxicidade normalmente é estabelecida pelo padrão de coloração aposemática. Outra estratégia de defesa relativamente comum em vários grupos de mariposas e borboletas é a camuflagem. Na natureza, muitas espécies passam despercebidas aos predadores graças aos aspectos crípticos que as deixam indistintas sobre o substrato em que vivem. Larvas e pupas de alguns geometrídeos e papilioní- deos, por exemplo, imitam pequenos galhos; pupas e adultos de alguns ninfalídeos imitam folhas verdes ou secas; algumas mariposas camuflam-se com cascas de árvores, imitando o padrão de líquens e musgos, como observado em alguns esfingídeos e em tantos outros grupos, que durante o dia repousam em troncos, pedras e embaixo de folhas. Os lepidópteros que se defendem por meio de cores aposemá- ticas em geral formam anéis miméticos relativamente complexos e, dependendo da estratégia que utilizam, podem ser classificados como miméticos müllerianos ou batesianos. No primeiro caso, as espécies miméticas são impalatáveis e aposemáticas em diferentes graus de intensidade em relação ao modelo. Esse fenômeno pa- rece vantajoso quando a densidade dos mímicos tende a reforçar a imagem de advertência aprendida pelo predador. No segundo caso, as espécies miméticas são palatáveis, mas seu modelo não. Se o predador teve uma experiência prévia desagradável com o modelo, dificilmente os mímicos serão atacados pelo mesmo predador em outras situações. Entretanto, o sucesso do mime- tismo batesiano como estratégia de sobrevivência depende da densidade dos mímicos palatáveis, pois se ela ultrapassa a do modelo impalatável, torna-se mais provável a perda da imagem aposemática pelo predador. Muitas vezes, a evolução de alguns grupos caminhouno sentido de munir uma mesma espécie com diferentes estratégias de defesa como, por exemplo, uma espécie pode ser críptica em repouso, com a face dorsal ou ventral com um padrão disruptivo e a outra face com cores aposemáticas ou ocelos grandes, que simulam olhos de vertebrados. Em borboletas, as cores aposemá- ticas da face dorsal, que não ficam expostas em repouso, podem estar ligadas ao reconhecimento intraespecífico e à seleção de parceiros para reprodução, principalmente nas espécies em que há dimorfismo sexual. A iridescência das escamas em Lepidoptera está diretamente associada aos fenômenos de camuflagem e advertência, à repro- dução e ao reconhecimento intraespecífico. É um fenômeno físico que confere cor e brilho a algumas espécies, como é o caso das borboletas Morpho Fabricius (Nymphalidae) e das mariposas Uraniidae. Muitos lepidópteros também utilizam a coloração e a iridescência para estabelecer e defender seus territórios; esse comportamento é bastante comum entre as espécies de borboletas frugívoras. Há espécies que são extremamente terri- torialistas, que podem realizar vôos rasantes e agressivos sobre qualquer intruso que tente ocupar a área patrulhada. Algumas espécies de Hamadryas Hübner (Nymphalidae: Biblidinae), por exemplo, podem produzir estalos nas asas, que servem para afugentar outros indivíduos de seu território. As estratégias de defesa podem ainda ser diferentes entre os sexos, o que faz com que um dos sexos, normalmente o macho, marque territórios para garantir recursos, sem que a fêmea também o faça. Os territórios podem existir apenas em determinadas épocas do ano e em diferentes estratos da mata, próximo ao chão, sobre o curso de riachos, no dossel e ainda no topo de colinas e morros dependendo da espécie. Em muitas espécies, o patrulhamento de territórios pode estar diretamente associado à reprodução. Uma vez que as fêmeas estejam em seu território, o macho pode responder com um com- portamento de corte que varia desde exibições de voo para que a fêmea o escolha, até a abordagem e subsequente perseguição em voo com acrobacias aéreas, próprias de cada espécie. Ao pousa- rem, se não houver rejeição por parte da fêmea, e isto é sinalizado por uma determinada postura de corpo, o acasalamento tem seu início, podendo ainda parte dele ser completado em voo com um dos parceiros, o maior e mais forte, conduzindo o outro. Os feromônios têm papel fundamental nesse comportamento reprodutivo. Feromônios podem sinalizar aos machos a recep- tividade das fêmeas, estimulando-os a iniciar o comportamento de corte. Quando a população é muito dispersa na natureza, são os feromônios da fêmea que indicam ao macho sua localização mesmo a uma grande distância. Esfingídeos são capazes de es- quadrinhar uma área muito grande durante a noite à procura de uma pista química de feromônio exalado por uma fêmea. Pela concentração de moléculas no ar, eles são capazes de avaliar se a fêmea está longe ou perto. Para muitas espécies, não há tempo LEPIDOPTERA 720 para o comportamento de corte e a fêmea ainda emergindo da pupa emite seu feromônio reprodutivo para atrair os machos. Estes aguardam até que ela saia da pupa e o acasalamento se dá antes mesmo que as asas estiquem e sequem. Isso pode ser observado em alguns Heliconiinae e Saturniidae, por exemplo. O voo das borboletas e mariposas pode ser muito variado. Há espécies que voam muito suave e lentamente, como os Ithomiini e Haeterini (Nymphalidae), diferentemente dos Charaxinae (Nymphalidae) e Sphingidae, por exemplo, que têm voo rápido e forte. Alguns grupos se especializaram em fazer manobras rápi- das dentro da mata para escapar de predadores. O vôo errático de algumas espécies de Papilionidae também é uma adaptação contra a predação. Mesmo com todas estas estratégias de defesa, há predadores especializados em caçar borboletas, como as gál- bulas, aves que deixam no chão da mata, abaixo do seu posto de pouso, um acúmulo de asas que foram recusadas na refeição. As borboletas Morpho Fabricius estão entre suas presas preferidas. A biologia dos lepidópteros, de forma geral, é complexa, diversas linhagens desenvolveram diferentes estratégias ecofisio- lógicas ao longo de sua evolução. No entanto, o conhecimento da biologia desses insetos pode auxiliar na compreensão de inúmeros processos como a polinização, por exemplo, que direta ou indiretamente, mantém a sobrevivência de tantos outros organismos, entre eles a espécie humana. Classificação. Adotou-se aqui a classificação de Van Nieukerken (2011) com atualizações pontuais para alguns relacionamentos e famílias (p. ex. Kristensen et al. 2015, Regier et al. 2015). Na atual classificação, omitiu-se o uso de categorias superiores às de superfamília (subordens, infraordens, divisões, seções, subseções e séries), cujo reconhecimento ainda é debatido na literatura. No seu lugar, foi dada preferência aos clados (p. ex. Heteroneura, Ditrysia, Apoditrysia, Obtectomera) cuja monofilia é recorren- temente corroborada. Salienta-se que a classificação abaixo segue os princípios da sistemática filogenética, a qual preconiza que as classificações biológicas devem refletir o conhecimento atual sobre as relações de parentesco entre os táxons de maneira pre- cisa (Amorim 2002). Famílias entre colchetes indicam provável ocorrência no Brasil, embora da sem registros na literatura. O número entre parênteses indica o número de espécies registradas para o Brasil. Figuras 33.49–52. Morfologia interna generalizada de segmentos abdominais com ênfase na genitália. 49, macho vl; 50, fêmea vl, Monotrysia; 51, fêmea vl, Exoporia; 52, fêmea vl, Ditrysia. LEPIDOPTERA 721 Micropterigoidea Micropterigidae Agathiphagoidea Agathiphagidae Heterobathmioidea Heterobathmiidae Clado Glossata Acanthopteroctetoidea Acanthopteroctetidae Eriocranioidea Eriocraniidae Hepialoidea (Exoporia) Anomosetidae Hepialidae (43) Mnesarchaeidae Neotheoridae (3) Palaeosetidae Prototheoridae Lophocoronoidea Lophocoronidae Neopseustoidea Aenigmatineidae Neopseustidae Clado Heteroneura Nepticuloidea Nepticulidae (2) Opostegidae (19) Clado Eulepidoptera Adeloidea Adelidae (7) Cecidosidae (5) Heliozelidae (5) [Incurvariidae] Prodoxidae Tridentaformidae Andesianoidea Andesianidae Palaephatoidea Palaephatidae Tischerioidea Tischeriidae (2) Clado Ditrysia Gracillarioidea Bucculatricidae Gracillariidae (39) Roeslerstammiidae Tineoidea Dryadaulidae (1) Eriocottidae (2) Meessiidae Psychidae (58) Tineidae (82) Yponomeutoidea Argyresthiidae Attevidae (4) Bedelliidae Glyphipterigidae (28) Heliodinidae (10) Lyonetiidae (13) Plutellidae (10) Praydidae Tonzidae Yponomeutidae Ypsolophidae Clado Apoditrysia Douglasiidae Prodidactidae Choreutoidea Choreutidae (29) Cossoidea Cossidae (47) Dudgeoneidae Galacticoidea Galacticidae Gelechioidea Autostichidae (9) Batrachedridae (2) Blastobasidae (12) Chimabachidae Coelopoetidae Coleophoridae (1) Cosmopterigidae (19) Depressariidae (440) Elachistidae (20) Epimarptidae Gelechiidae (200) Lecithoceridae Lypusidae Momphidae (11) Oecophoridae (40) Peleopodidae Pterolonchidae Schistonoeidae Scythrididae (2) Stathmopodidae (5) Syringopaidae Xyloryctidae Immoidea Immidae (17) Sesioidea Brachodidae (19) Castniidae (82) Sesiidae (111) Schreckensteinioidea Schreckensteiniidae Tortricoidea Tortricidae (597) Urodoidea Urodidae (20) Ustyurtiidae Zygaenoidea Aididae (5) Anomoeotidae Cyclotornidae Dalceridae (39) Epipyropidae (1) Heterogynidae Himantopteridae Lacturidae (1) Limacodidae (91) Megalopygidae (119) Somabrachyidae Zygaenidae (33) Clado Obtectomera Alucitoidea Alucitidae(7) Tineodidae Carposinoidea Carposinidae (1) Copromorphidae (2) Epermenioidea Epermeniidae (5) Hyblaeoidea Hyblaeidae (2) Pterophoroidea Pterophoridae (63) Pyraloidea Crambidae (553) Pyralidae (259) Simaethistoidea Simaethistidae Thyridoidea Thyrididae (66) Whalleyanoidea Whalleyanidae Clado Macroheterocera Bombycoidea Anthelidae Apatelodidae (68) Bombycidae (42) Brahmaeidae Carthaeidae Endromidae Eupterotidae Phiditiidae (7) Saturniidae (465) Sphingidae (195) Calliduloidea Callidulidae Drepanoidea Cimeliidae Doidae Drepanidae (3) Epicopeiidae Geometroidea Geometridae (1130) Pseudobistonidae Sematuridae (7) Uraniidae (42) Lasiocampoidea Lasiocampidae (261) Mimallonoidea Mimallonidae (146) Noctuoidea Erebidae (2616) Eutelidae (27) Noctuidae (668) Nolidae (46) Notodontidae (524) Oenosandridae Papilionoidea Hedylidae (23) Hesperiidae (1205) Lycaenidae (426) Nymphalidae (846) Papilionidae (67) Pieridae (72) Riodinidae (814) moleculares surgem, cada qual, com interpretações distintas sobre as relações entre estes clados basais (Regier et al. 2015, Kristensen et al. 2015, Bazinet et al. 2017). Curiosamente, a maioria das linhagens basais de Lepidoptera revela uma diversidade diminuta de espécies, frequentemente reduzida a um ou poucos gêneros compostos de poucas espé- cies. Micropterigoidea, Agathiphagoidea e Heterobathmioidea formam as primeiras destas linhagens, cujos adultos possuem aparelho bucal mastigador provido de mandíbulas e maxilas funcionais, compostas de lacínia, gálea e palpos maxilares tal qual um aparelho mastigador comum. Tanto as hipóteses morfológicas como moleculares recuperam Micropterigoidea (= subordem Zeugloptera) como a linhagem mais basal de Relações filogenéticas. Muitas das relações filogenéticas envolvendo as principais linhagens de Lepidoptera ainda são constantemente debatidas, entre elas as relações mais basais da ordem. Niels Kristensen e Ebbe S. Nielsen foram alguns dos pesquisadores que mais contribuíram para o conhecimento destes grupos e de suas relações evolutivas, propondo algumas das hipóteses que explicariam a diversificação de Lepidoptera (ver Kristensen & Skalski 1998). Nomes oferecidos a clados, como Agathiphagoidea, Heterobathmiina, Coelolepida e Myoglossata, foram propostos por eles para representar novas entidades evolu- tivas e/ou contextualizar sinapomorfias que estariam associadas à origem de linhagens dentro de Lepidoptera. Desde então, as mais recentes hipóteses filogenéticas baseadas em caracteres LEPIDOPTERA 722 Lepidoptera (Kristensen 1984; Wiegmann et al. 2002; Bazinet et al. 2017). Representada por uma família (Micropterigidae), 21 gêneros e 160 espécies, sua distribuição geográfica inclui todos os continentes do globo exceto Antartica, embora nunca tenha sido registrada no Brasil. Algumas hipóteses chegaram a propor a monofilia de Micropterigidae e Agatiphagidae (Regier et al. 2013, Kristensen et al. 2015), mas esse relacionamento foi contraposto com dados de transcriptoma (Bazinet et al. 2017) (Fig. 33. 53). Consequentemente, o clado irmão de Agatipha- goidea é hoje reconhecido como Angiospermivora. Ao contrá- rio dos demais lepidópteros, as espécies de Micropterigidae e Agatiphagidae não utilizam plantas fanerógamas como fonte de alimento de suas larvas. Enquanto os Micropterigidae utilizam briófitas hepáticas, as larvas de Agatiphagidae são minadoras de sementes Araucariaceae. A primeira ramificação de Angiospermivora resulta em uma linhagem representada por apenas três espécies, distribuição restrita ao sul do Chile e Argentina, denominado Heteroba- thmioidea. Os adultos desses microlepidópteros supostamente alimentam-se do pólen de Nothofagus Blume (Fagaceae), gênero endêmico de regiões de clima temperado do hemisfério sul. Ainda possuindo um aparelho bucal mastigador, os Heteroba- thmioidea se diferenciam do seu clado irmão Glossata por este apresentar uma grande redução das mandíbulas e das peças maxilares, com exceção da gálea. Este endito, forma o aparelho bucal sugador e tubuliforme, típico da grande maioria dos Figura 33.53. Filogenia das superfamílias de Lepidoptera. Esquema modificado de Kristensen (1998), atualizado com base nas recentes topologias obtidas por Bazinet et al. (2017) e Mitter et al. (2017). LEPIDOPTERA 723 lepidópteros, que os permite se alimentar de diferentes tipos de flores e compostos em decomposição, através de um aprimorado conjunto de músculos que lhe garantem maior flexibilidade (Krenn & Kristensen 2004). Além do adulto, os Glossata tam- bém compartilham de sinapomorfias larvais de grande relevância, como a presença de fiandeira. O registro fóssil mais antigo de uma larva Glossata também apresenta a mesma estrutura (Gri- maldi 1996), evidenciando o surgimento deste grupo ao menos no início do Cretáceo. Até hoje, os relacionamentos das principais linhagens de Glossata ainda são bastante controversos. Coelolepida, Myo- glossata e Neolepidoptera foram linhagens propostas com base em caracteres morfológicos que explicariam como determinadas novidades adaptativas estariam relacionadas à diversificação e sucesso evolutivo dos Glossata. Coelolepida, por exemplo, representaria a presença compartilhada de escamas perfuradas ou porosas (não sólidas), comuns aos Glossata exceto Eriocra- nioidea (Kristensen 1997). Tradicionalmente relacionadas à termorregulação e à aerodinâmica, as perfurações nas escamas exercem um papel fundamental na diversidade de padrões de coloração dos lepidópteros, incluindo efeitos estruturais como a iridescência. Myoglossata representa a linhagem contendo todos os Glossata exceto Eriocranioidea, Acanthopteroctetidae e Lophocoronoidea, cuja autapomorfia inclui a presença de músculos com origens e inserções dentro da própria probósci- de, oferecendo uma maior flexibilidade e controle da estrutura para melhor aproveitamento dos recursos alimentares (Krenn & Mühlberger 2002). Por fim, o clado Neolepidoptera repre- sentaria a monofilia de Heteroneura e Exoporia. Esta linhagem compartilharia o surgimento de ganchos nas pernas abdominais das larvas e fileiras de espinhos dorsais nas pupas adécticas e obtectas. Pernas abdominais com ganchos são tradicionalmente consideradas adaptações larvais para fixação nas plantas hos- pedeiras. No entanto, acredita-se que os ganchos abdominais teriam surgido originalmente para sustentação das larvas nos ca- minhos que constroem com fios de seda, comportamento típico dos neolepidópteros (Kristensen 1997). Embora Coelolepida, Myoglossata e Neolepidoptera sejam hipóteses reproduzidas em diversas referências da literatura de Lepidoptera (ver Kristensen 2003), alguns estudos mais recentes questionam essas topologias, evidenciando a necessidade de estudos mais aprofundados para elucidar as relações evolutivas mais basais de Glossata. Em contraposição, a monofilia de clados como Heteroneura, Eulepidoptera e Ditrysia vem sendo recuperada tanto com dados morfológicos quanto moleculares. Os Heteroneura se distinguem pela considerável redução do número de veias na asa posterior, resultando em padrões de venação muito dissimilares entre as asas anterior e posterior. Eulepidoptera também se destaca por apresentar novidades evolutivas em sua morfologia, como o surgimento do pilífero e o desenvolvimento do acoplamento das duas gáleas formando uma probóscide mais rigidamente unida (Regier et al. 2015). Já os Ditrysia compreendem 99% das espécies de lepidópteros conhecidos (Kristensen et al. 2007), distinguindo-se dos demais grupos pela genitália feminina com comunicação interna entre o duto copulatório e o oviduto, por onde passam os espermatozoides (Dugdale 1974). Outro evento importante na evolução de Ditrysia corresponde à mudança no hábito larval endofítico para o exofítico, emboraalguns grupos basais, como Tineoidea e Gracillarioidea, tenham ainda conser- vado a condição plesiomórfica de larvas minadoras em folhas. Minet (1983) reuniu no clado Apoditrysia todos os Ditrysia com apódemas modificados no esternito abdominal II. O clado é constituído por pelo menos cinco linhagens principais, com relações de parentesco pouco resolvidas, três das quais merecem destaque pela diversidade e abundância em ambientes naturais: Tortricoidea, Zygaenoidea (sensu lato) e Obtectomera. Nesta última estão incluídos os táxons mais diversos da ordem, como Noctuoidea, Geometroidea e Papilionoidea, além de outras 12 superfamílias que formam o clado piraloide: Whalleyanoidea, Immoidea, Copromorphoidea, Hyblaeoidea, Pyraloidea e Thyridoidea. Essas linhagens de Obtectomera distinguem-se das demais pelo fato das pupas não possuirem mobilidade nos segmentos abdominais I-IV. Além disso, os adultos possuem pul- vilos prétarsais especializados. É necessário, contudo, interpretar esses caracteres com cautela, pois muitas linhagens de Dytrisia também podem apresentar pupas obtectas (Kristensen 2003). No início do Terciário (há cerca de 65 milhões de anos), ocorreu uma das principais radiações de espécies dentro de Ob- tectomera e que deu surgimento às mais diversas e abundantes superfamílias de Lepidoptera encontradas até hoje (Heikkillä et al. 2011). Suas relações basais são hoje melhor conhecidas devido à ampla amostragem de terminais já utilizada em estu- dos moleculares, apesar de muitos dos relacionamentos entre as superfamílias, ou mesmo a monofilia de Drepanoidea ainda este- jam em debate. Os Macroheterocera, por exemplo, (Pyraloidea + Drepanoidea + Mimallonoidea + Geometroidea, Noctuoidea + Lasiocampoidea + Bombycoidea), têm sido frequentemente recuperados como um grupo monofilético, contradizendo a hipótese de que as borboletas (Papilionoidea) teriam surgido deste mesmo grupo (hipótese Macrolepidoptera). Esta linhagem inclui, em sua maioria, os lepidópteros com tímpanos toráci- co-abdominais, sugerindo que a presença deste órgão estaria envolvida no surgimento e grande diversificação desta linhagem. Desta forma, Mimallonoidea, Lasiocampoidea e Bombycoidea apresentariam a perda secundária desta estrutura. Já o clado de Obtectomera que inclui as borboletas (Papi- lionoidea) vem apresentando topologias muito contraditórias a cada nova proposta filogenética do grupo. Papilionoidea já foi recuperada como grupo irmão de Hyblaeoidea (Mutanen et al. 2010), Calliduloidea (Regier et al. 2009), e Pterophoroidea + Carposinoidea (Regier et al. 2013). Estes resultados, consi- deram Hedylidae como Papilionoidea, dada sua relação irmã com Hesperiidae (Heikkillä et al. 2011; Espeland et al. 2018). Consequentemente, a antiga reunião de borboletas em um clado denominado Rhopalocera não pode mais ser vista como monofilética, apesar das tradicionais famílias de borboletas compartilharem a presença de antenas clavadas e hábito de vida diurno dos adultos. Importância. Mariposas e borboletas são importantes em ecossistemas tropicais devido às interações com a vegetação e a fauna de artrópodes (Gilbert 1984). Depois de Chrysome- loidea e Curculionoidea (Coleoptera), representam a principal radiação de insetos fitófagos (Scoble 1995), tendo como plantas hospedeiras representantes de praticamente todas as ordens de gimnospermas e angiospermas, assim como de briófitas e pteri- LEPIDOPTERA 724 Figuras 33.54–73. Venação alar, asas anterior e posterior. 54, Heliozelidae; 55, Apatelodidae; 56, Saturniidae; 57, Sphingidae; 58, Cossidae; 59, Gelechiidae; 60, Oecophoridae; 61, Geometridae; 62, Gracillariidae (Gracillariinae); 63, Gracillariidae (Phyllocnistinae); 64, Lasiocampidae (Lasiocampinae); 65, Lasiocampidae (Macromphalinae); 66, Mimallonidae; 67, Nepticulidae; 68, Opostegidae; 69, Erebidae (Erebinae); 70, Hedylidae; 71, Hesperiidae (Eudaminae); 72, Hesperiidae (Hesperiinae); 73, Lycaenidae (Polyommatinae). dófitas (Kristensen & Skalski 1998). São indicadores biológicos para monitoramento da diversidade, integridade de paisagens e para o uso sustentável de recursos naturais (Sparrow et al. 1994). Adultos em sua maioria contribuem para a polinização de angiospermas que dependem dos insetos para se reproduzirem. Muitas plantas têm correlação de seus longos tubos da corola com o comprimento da probóscide de alguns lepidópteros, como alguns esfingídeos e, são polinizadas especificamente por essas mariposas. A facilidade de dispersão determina que os lepidóp- teros se destaquem como polinizadores. Simbioses complexas também estão envolvidas, como aquelas entre plantas Yucca Linnaeus (Agavaceae) e a mariposa Tegeticula LEPIDOPTERA 725 yuccasella (Riley) (Prodoxidae), com uma total interdependência entre autopolinização e disponibilização de recursos alimentares para a larva. Larvas de muitos lepidópteros constroem um casulo de seda dentro do qual se transformam em pupa. Especialmente em Bombycoidea, alguns grupos produzem casulos de diferen- tes formatos e composição, e há milênios são explorados pelo homem devido a sua seda, como de Bombyx mori Linnaeus (Bombycidae) (Fig. 33.109). Apesar dos tecidos sintéticos, ainda hoje a produção de seda de origem animal figura entre as atividades agrícolas de muitas localidades em todo o mundo, incluindo o Brasil. O desfolhamento intenso de plantas pelas larvas de lepidóp- teros pode ocasionalmente se tornar vantajoso no controle de plantas daninhas introduzidas em uma região. Um noctuídeo comum no Brasil, Neogalea sunia (Guenée) (Noctuidae), no estágio larval alimenta-se principalmente de Lantana camara Linnaeus (Verbenaceae), causando sérios danos em ajardina- mentos. Entretanto, sua especificidade fez com que tenha sido empregado com sucesso no controle biológico de L. camara em locais em que a planta se tornou praga, como na Austrália, Hawaii e Ilha Norfolk. Alguns lepidópteros são benéficos ao homem por se alimen- tarem de outros insetos. Os predadores facultativos incluem espécies de Tineidae, Psychidae, Gelechiidae, Pyralidae, Geome- tridae, Erebidae, Noctuidae; os predadores obrigatórios incluem Tineidae, Oecophoridae, Coleophoridae, Cosmopterigidae, Tor- tricidae, Pyralidae, Geometridae, Erebidae, Noctuidae e Lycae- Figuras 33.74–89. Venação alar, asas anterior e posterior. 74, Nymphalidae (Danainae); 75–77, Nymphalidae (Satyrinae); 78–79, Nymphalidae (Heliconiinae); 80, Nymphalidae (Nymphalinae); 81, Nymphalidae (Limenitidinae); 82, Papilionidae; 83, Pieridae (Coliadinae); 84, Pieridae (Dismorphiinae); 85, Riodinidae; 86, Pterophoridae; 87, Pyralidae (Phycitinae); 88, Pyralidae (Chrysauginae); 89, Crambidae (Crambinae). LEPIDOPTERA 726 nidae; entre os parasitos e ou parasitoides, estão Coleophoridae, Cyclotornidae, Epipyropidae, Erebidae, Noctuidae e Pyralidae. Entre os predados ou parasitados, destacam-se os hemípteros, especialmente cochonilhas, larvas de outros lepidópteros e até aranhas. Como um grupo a parte, destacam-se os licenídeos devido a suas interações com formigas (Hymenoptera). Entre Erebidae há grande número de espécies predadoras obrigatórias de hemípteros. Quanto ao parasitoidismo, são conhecidas larvas de Sthenobaea uniformis (Jordan) (Pyralidae) sobre larvas de último ínstar de Hylesia vindex Dyar (Saturniidae). As larvas parasitas ocorrem individualmente sobre cada hospedeiro, per- manecendo aneladas transversalmente, entre os escolos, sobre uma cinta de seda por elas elaborada. A alimentação consiste primeiramente dos escolos e, posteriormente, do tegumento, levando o hospedeiro à morte em poucos dias. Muitas espécies de borboletas e de mariposas possuem colo- ração vistosa e têm sido estudadas sob os mais diversos aspectos biológicos e morfológicos. A exuberante fauna brasileira, com espécies que ocorrem em grande parte do ano, faz com que a maioria das pessoas tenha contato visual frequente com esses insetos e os aprecie. Borboletárioscom fins didáticos e/ou cien- tíficos vêm sendo mantidos, especialmente por instituições de ensino e pesquisas ou em fazendas ou reservas, com fins didáticos e conservacionistas. Assim, a criação e o desenvolvimento de atividades relacionadas como forma de explorar comercialmente os lepidópteros é importante e pode levar à conservação de hábitats. Exemplos podem ser encontrados na Costa Rica Figuras 33.90–105. Venação alar, asas anterior e posterior. 90, Sesiidae; 91, Thyrididae; 92, Psychidae (Arrhenophaninae); 93, Psychidae (Oiketicinae); 94, Tineidae; 95, Tineidae (Acrolophinae); 96, Tischeriidae; 97, Tortricidae; 98, Urodidae; 99, Attevidae; 100, Glyphipterigidae; 101, Heliodinidae; 102, Lyonetiidae; 103, Plutellidae; 104, Dalceridae; 105, Megalopygidae. LEPIDOPTERA 727 e Papua Nova Guiné. No Brasil, algumas espécies têm sido coletadas e criadas com finalidades conservacionistas ou comerciais, atividades estas devidamente monitoradas pelos órgãos competentes. Algumas espécies têm sido criadas de forma massiva para o desenvolvimento de produtos ou patógenos com atividade biológica contra insetos. Em função da sua importância e com o intuito de padronizar os resultados, foram aprimoradas diversas metodologias de criação e desenvolvidas diversas dietas artificiais Devido à diversidade e susceptibilidade a mudanças nos ambientes onde são encontrados, os lepidópteros, que são facilmente amostrados com armadilhas luminosas, coletados com relativa precisão com redes entomológicas e bem estudados taxonomicamente, são particularmente úteis para o diagnósti- Figuras 33.106–125. Adultos, vista dorsal. 106, Cecidosidae, Cecidose eremita Curtis; 107, Alucitidae, Alucita Linnaeus; 108, Apatelodidae; Pantelodes Herbin. 109, Bombycidae, Bombyx mori (Linnaeus); 110–115, Saturniidae; 110, Hemileucinae, Lonomia obliqua Walker; 111, Ceratocampinae, Eacles ducalis Walker; 112, Hemileucinae, Dirphia araucaria Jones; 113, Arsenurinae, Loxolomia serpentina Maassen; 114, Saturniinae, Rothschildia aurota (Cramer); 115, Oxyteninae, Therinia lactucina (Cramer); 116–118, Sphingidae; 116, Macroglossinae, Xylophanes xylobotes Burmeister; 117, Smerinthinae, Adhemarius eurysthenes (R. Felder); 118, Sphinginae, Agrius cingulata (Fabricius); 119, Carposinidae, Carposina engalactis (Meyrick); 120, Copromorphidae, Ordrupia friserella Busck; 121, Choreutidae, Tortyra sporodelta Meyrick; 122, Cossidae, Morpheis Hübner; 123, Drepanidae, Thyatira mexicana Edwards; 124, Depressariidae (Depressariinae) Thioscelis geranomorpha Meyrick; 125, Depressariidae (Stenomatinae), Lethata Duckworth. LEPIDOPTERA 728 co de mudanças ambientais em sistemas agrícolas, florestais, naturais e urbanos. As larvas de importância econômica de maior destaque são as que ocasionam danos ou perda total das plantações, especialmente em lavouras anuais. Lepidópteros desfolhadores ocorrem na maioria das famílias, merecendo destaque as espé- cies pertencentes à Noctuidae, popularmente conhecidos como curuquerê-do-algodão - Alabama argillacea (Hübner), curuque- rê-do-milho - Mocis latipes (Guenée), lagarta-da-espiga-do-milho - Helicoverpa zea (Boddie), lagarta-da-soja - Anticarsia gemmatalis Hübner, lagarta-militar - Spodoptera frugiperda (J.E. Smith), lagarta-do-trigo - Mythimna sequax Franclemont, lagarta-rosca - Agrotis ipsilon (Hufnagel) e falsa-medideira-da-soja - Chrysodeixis includens (Walker). Algumas espécies cortam porções da área foliar e enrolam juntamente com seda, formando uma cela protetora, como é o caso de Urbanus proteus (Linnaeus) (Hesperiidae) (Fig. 33.171), Figuras 33.126–145. Adultos, vista dorsal. 126–127, Geometridae; 126, Ennominae, Glena bipennaria (Guenée); 127, Geometrinae, Tachyphyle olivia Schaus; 128, Sematuridae, Sematura Dalman; 129–130, Uraniidae; 129, Epipleminae, Epiplema incendiata (Guenée); 130, Uraniinae, Urania leilus (Linnaeus). 131, Hepialidae, Trichophassus giganteus (Herrich-Schäffer); 132, Hyblaeidae, Hyblaea puera (Cramer); 133, Immidae, Moca aphrodora (Meyrick); 134–135, Lasiocampidae; 134, Lasiocampinae, Prorifrons Barnes & McDunnough; 135, Macromphalinae, Euglyphis submarginalis Walker. 136, Mimallonidae, Mimallo amilia (Cramer); 137–145, Erebidae; 137, Arctiinae, Eurata herrickii Butler; 138, Boletobiinae, Isogona natatrix Guenée; 139, Boletobiinae, Eublemma minima (Guenée); 140, Boletobiinae, Phytometra heostrophis (Dyar); 141, Erebinae, Thysania agrippina (Cramer); 142, Herminiinae, Salia lysippusalis (Walker); 143, Hypeninae, Hypena castricalis (Schaus); 144, Hypocalinae, Hypocala andremona (Stoll); 145, Lymantriinae, Sarsina violascens Herrich-Schäffer. LEPIDOPTERA 729 Bonagota salubricola (Meyrick) (Tortricidae) e Omiodes indicata (Fabricius) (Pyralidae). Em geral, os microlepidópteros como Nepticulidae, Incur- variidae, Gracillariidae e Lyonetiidae têm larvas pequenas, que se alimentam em galerias entre a epiderme superior e a inferior das folhas, e alguns são de grande importância econômica, como o minador-do-café, Perileucoptera coffeella (Guérin-Menéville) (Lyonetiidae) (Fig. 33.215) e o minador-do-citrus, Phyllocnistis citrella Stainton (Gracillariidae). Há também espécies, por exemplo, Diatraea saccharalis (Fabricius) (Pyralidae) e Telchin licus (Drury) (Castniidae), que broqueiam hastes de plantas anuais, como a cana-de-açúcar, causando o tombamento do colmo e a perda de produtividade. Grandes quantias anuais são gastas em insumos agrícolas para conter o ataque de Azochis gripusalis Walker (Pyralidae) em pomares comerciais de figo. Ramos apicais e frutos de rosáceas, como pessegueiros e ameixeiras, são frequentemente atacados por Grapholita molesta (Busk) (Tortricidae) (Fig. 33.209). Algumas mariposas na fase larval, em particular os castnií- deos e hepialídeos, alimentam-se do xilema, causando danos a palmeiras produtoras de óleo comestível e a plantas frutíferas como a videira, respectivamente. Já a lagarta-da-maçã-do-algo- Figuras 33.146–165. Adultos, vista dorsal. 146, Erebidae, Arbostola heuritica Dyar; 147–148, Euteliidae; 147, Euteliinae, Eutelia abscondens (Walker); 148, Stictopterinae, Nagara fenestra (Guenée); 149–160, Noctuidae; 149, Acronictinae, Calymniodes conchylis (Guenée); 150, Amphipyrinae, Heterochroma hadenoides Guenée; 151, Bagisarinae, Bagisara repanda (Fabricius); 152, Condicinae, Condica stelligera (Guenée); 153, Dyopsinae, Litoprosopus futilis (Grote & Robinson); 154, (Eriopinae) Callopistria floridensis Guenée. 155, Eustrotiinae, Lithacodia mella Schaus; 156, Noctuinae, Agrotis ipsilon (Hüfnagel); 157, Noctuinae, Mythimna sequax (Franclemont); 158, Noctuinae, Spodoptera dolichos (Fabricius); 159, Noctuinae, Xanthopastis timais (Cramer); 160, Plusiinae, Rachiplusia nu Guenée; 160–161, Eutelidae; 161, Diphtherinae, Diphthera festiva (Fabricius); 162, Eligminae, Iscadia dukinfieldia Schaus. 163–165, Notodontidae; 163, Cerurinae, Tecmessa splendens Jones; 164, Dioptinae, Phaeochlaena gyon (Fabricius); 165. Dudusinae, Crinodes besckei (Hübner). LEPIDOPTERA 730 doeiro, Pectinophora gossypiella (Saunders) (Gelechiidae), cuja detecção é muito difícil devido a poucas evidências externas da sua presença, ataca os botões florais e os frutos do algodoeiro, algumas vezes inviabilizando a cultura. Larvas de lepidópteros polífagos podem alimentar-se de frutos e sementes. A lagarta-da-espiga-do-milho, Helicoverpa zea (Boddie) (Noctuidae: Heliothinae), alimenta-se dos grãos de milho ainda em formação, também pode se alimentar de frutos como tomate, sendo chamada de broca-gigante-do-tomateiro. A maior parte das espécies comedoras de frutos e sementes per- tence a algumas famílias, especialmente de microlepidópteros, destacando-se: os tortricídeos Cydia pomonella (Linnaeus) (Fig. 33.210), que broqueiam os frutos de maçã e outras rosáceas; Cydia araucariae, que consome o pinhão, semente de Araucaria angustifolia; Grapholita molesta (Busk), que ataca ramos e frutos de rosáceas; Bonagotasalubricola (Meyrick), que é praga de di- versas frutíferas de clima temperado e, finalmente, Ecdytolopha aurantiana (Lima), popularmente conhecida como bicho-furão, atacando os frutos dos citros. Algumas espécies de Erebidae (Calpinae) têm a probóscide modificada, que lhes possibilita perfurar frutos. Além das injúrias mecânicas produzidas por esses lepidópteros, também são propa- gadas leveduras, que levam a uma rápida deterioração dos frutos. Inúmeras espécies que presumivelmente estavam adaptadas a alimentar-se de sementes caídas e de detritos de origem animal ou vegetal tornaram-se pragas de grãos armazenados (cletrófagos) e de produtos têxteis. Entre os mais nocivos e mundialmente distri- buídos, destaca-se Sitotroga cerealella (Oliver) (Gelechiidae), que é a segunda maior praga de grãos armazenados, perdendo apenas para os gorgulhos (Coleoptera). Em função da globalização da economia e comércio de grãos, hoje podem ser encontradas atacando sementes e derivados as espécies Nemapogon granella (Linnaeus) (Tineidae), Anagasta kuehniella (Zeller), Plodia in- terpunctella (Hübner) e Pyralis farinalis (Linnaeus) (Pyralidae). Hofmannophila pseudospretella (Stainton) (Oecophoridae) figura como uma das pragas mais comuns de casa, que se alimenta de materiais secos de origem vegetal e animal. Muito tineídeos (Tineidae) conhecidos como traças alimentam-se de roupas, peles e tapetes – a traça brasileira mais conhecida é Phereoeca uterella (Walsingham). Alguns lepidópteros são de importância médica, já que causam dermatites urticantes, periartrite falangeana e síndrome hemorrágica. A dermatite urticante é conhecida pelas queima- duras causadas pelo contato com diversas lagartas ou provocada pelas cerdas de mariposas fêmeas do gênero Hylesia (Saturniidae: Hemileucinae). Periartrite falangeana ou pararamose é provocada pela lagarta de Premolis semirufa (Walker) (Erebidae: Arctiinae), da região amazônica. A síndrome hemorrágica é causada por Lonomia obliqua Walker (Saturniidae: Hemileucinae) (Fig. 33.110), espécie muito comum no sul do Brasil. Coleta e fixação. O método de coleta para lepidópteros depende do estágio de desenvolvimento que se quer obter para estudo, sejam adultos ou imaturos. Para adultos, o método pode variar conforme o hábito de vida da espécie, se diurno ou noturno, se frugívoro ou polinizador, e principalmente da finalidade da coleta. Quando se objetiva a obtenção de adultos recém-emergidos, ovos, larvas ou pupas são coletados, criados em laboratório, aguardando-se a emergência dos adultos a partir das pupas. Logo após terminarem de distender as asas, os adultos são sacrificados por compressão toráxica, pressionando os dedos entre a base das asas, ou por congelamento ou na câmara mortífera com substância letal, como acetato de etila; posteriormente, devem ser conservados a seco, transpassados por alfinetes entomológi- cos, fixados em extensores apropriados até completa secagem, etiquetados e incluídos em coleção. Borboletas e mariposas podem ser amostradas de diferentes formas na natureza. Para lepidópteros diurnos, o método mais utilizado é a rede entomológica, fazendo uso da fácil visualização destes insetos na natureza, pousando sobre a vegetação, solo, ou visitando flores e restos de material orgânico em decompo- sição. Também é possível coletar lepidópteros com uso de iscas atrativas, geralmente frutas, carne em decomposição ou fezes. Normalmente, diferentes métodos de coleta são combinados. As espécies frugívoras, por exemplo, podem ser simplesmente atraídas com iscas, método passivo e, coletadas com rede en- tomológica, método ativo. O sacrifício dos indivíduos adultos coletados segue o método descrito acima para os indivíduos criados; posteriormente devem ser acondicionados em envelopes entomológicos, conservados até a montagem definitiva. Para os lepidópteros noturnos, o método mais utilizado é o de atração pela luz, podendo ser uma armadilha ou um pano branco esticado próximo a uma lâmpada. As lâmpadas devem ter frequências específicas de emissão de luz, tais como: mista de vapor de mercúrio, luz negra, ou a mais recente algumas com tecnologia LED desenvolvidas exclusivamente para atração de lepidoptera (Brehm 2017). As lâmpadas podem ser alimentadas por um gerador, rede elétrica ou por uma bateria, em locais altos ou clareiras da mata. Após a instalação da armadilha luminosa, espera-se a chegada das mariposas que pousam no pano. Para indivíduos de porte pequeno ou médio, utilizam-se câmaras mortíferas de vapor de acetato de etila para coleta e sacrifício. Indivíduos maiores, como alguns saturniídeos e esfingídeos, devem ser capturados manualmente e sacrificados com injeção de amônia no tórax. Chave para as superfamílias de Lepidoptera que ocorrem no Brasil 1. Rs da asa posterior com pelo menos 3–4 ramos. Asa anterior geralmente com jugo distintamente desenvolvido (Fig. 33.26- 27). Mariposas robustas, de médio a grande porte; probóscide e palpos maxilares pouco desenvolvidos .......... HEPIALOIDEA ― Rs da asa posterior não-ramificado. Asa anterior desprovida de jugo (Figs 33.26-31) .............................................. 2 2(1). Antenas clavadas ou filiformes. Se filiformes, com três carenas longitudinais ventrais (Figs 33.11-13) ...................... 3 ― Antenas filiformes ou pectinadas. Se filiformes, nunca com três carenas ventrais (Figs 33.14-16) ............................. 5 3(2). Acoplamento das asas sem frênulo e retináculo (Figs 33.30- 31) .......................... PAPILIONOIDEA (em parte) ― Acoplamento das asas com frênulo e retináculo, sendo o último variável (Figs 33.29, 33) ........................................ 4 4(2). Ocelos ausentes ............... BOMBYCOIDEA (em parte) ― Ocelos presentes ............................. SESIOIDEA (em parte) LEPIDOPTERA 731 5(2). Órgão timpânico no metatórax ou no abdômen (Figs 33.35–42) ...................................................................................... 6 ― Órgão timpânico ausente ..................................................... 9 6(5). Órgão timpânico localizado no metatórax (Figs 33.41–42) ....................................................... NOCTUOIDEA ― Órgão timpânico localizado no abdômen (Figs 33.35–40) ... 7 7(6). Probóscide com escamas imbricadas próximo à base ........ .............................................................. PYRALOIDEA ― Probóscide nua ............................................................... 8 8(7). Quetosema ausente ou inconspícuo. Primeiro tergo abdominal conectado ao segundo esterno abdominal por uma barra lateral (às vezes parte do tímpano) ... DREPANOIDEA ― Quetosema presente e desenvolvido, ou raramente reduzido à margem látero-posterior do vértice. Segundo tergo abdominal livre, não conectado ao segundo esterno abdominal por uma barra lateral ........................................ .......................................... GEOMETROIDEA (em parte) 9(5). Asa posterior fendida em duas ou mais plumas. Em alguns casos as fendas são reduzidas, formando múltiplos lobos terminais em ambas as asas (Fig. 33.86) ............................................. 10 ― Asa posterior não fendida ................................................... 11 10(9). Asa posterior dividida em três plumas (Fig. 33.196) ............ ....................................... PTEROPHOROIDEA (em parte) ― Asa posterior dividida em seis ou sete plumas (Fig. 33.107) ......................................................... ALUCITOIDEA 11(9). R2 e R3 da asa anterior distintamente sinuosas (Fig. 33.70) ....................................... PAPILIONOIDEA (em parte) ― R2 e R3 da asa anterior retas ........................................... 12 12(11). Asa anterior com 3A sinuosa, livre, sem alcançar a margem interna ou externa da asa. Tíbia metatorácica do macho com projeção apical truncada e com pincel de cerdas. Mariposas de tamanho médio e asas posterioresmarrons com manchas discais e apicais alaranjadas (Fig. 33.132) .... HYBLAEOIDEA ― Outra combinação de caracteres ............................ 13 13(12). Antenas filiformes com um leve espessamento pré-apical e ápice afilado. Mariposas de médio a grande porte, com asas posteriores geralmente possuindo projeção caudal ao longo das veias M2 e M3 (Fig. 33.130) .......................... ....................................GEOMETROIDEA (em parte) ― Antenas não filiformes, ou se assim sem espessamento pré-apical. Mariposas variadas ................................ 14 14(13). Cabeça distintamente revestida por escamas piliformes, veia M dentro da célula e CuP ausentes ................................. 15 ― Cabeça revestida por escamas lameladas misturadas às escamas piliformes. Se revestida apenas por escamas piliformes, as asas possuem veia M no interior da célula bem desenvolvida e/ou CuP .............................................. 16 15(14). Asa anterior com veias R2 e R3 pedunculadas; ramo comum, originando-se na célula discal (Figs 33.64-65) .............. ................................................. LASIOCAMPOIDEA ― Asa anterior com veias R2 e R3 conectadas independentemente ao ramo R; se pedunculadas, o ramo comum é curto, originando-se distalmente à célula discal ................... .................................. BOMBYCOIDEA (em parte) 16(14). Esterno II com apódemas anteriores. Superfície das asas desprovida de microtríquias (acúleos) ........................... 17 ― Esterno II retangular, sem apódemas anteriores ou projeções laterais. Superfície das asas com a presença de microtríquias (acúleos) ................................................... 38 17(16). Esterno II do tipo “tortricídeo”: ângulos ântero-laterais projetados anteriormente e apódemas curtos e truncados, frequentemente reduzidos ou ausentes (Fig. 33.47) .. ........................................................................... 18 ― Esterno II do tipo “tineídeo”: ângulos ântero-laterais truncados, não projetados anteriormente, apódemas finos e alongados (Fig. 33.46), frequentemente estendendo- se ventralmente sobre a placa esternal (vênulas) (Figs 33.45, 48) ............................................................. 35 18(17). Frênulo e retináculo pouco desenvolvidos ou ausentes ... .................................................................................. 19 ― Frênulo desenvolvido, retináculo variável ...................... 22 19(18). Asa posterior com veia Sc+R1 aproximando-se ou anastomosando-se a Rs próximo à célula discal (Fig. 33.91) ......................................................... THYRIDOIDEA ― Asa posterior com veia Sc + R1 quase sempre paralela a Rs quando próximo à célula discal ............................. 20 20(19). Asa anterior com R4+R5 quase tocando R2+R3, ou todas elas partindo de um pedúnculo .................................... ..................................... BOMBYCOIDEA (em parte) ― Asa anterior com radiais com outro padrão de ramificação ............................................................................... 21 21(20). Asa anterior com M2 mais próxima de M3 que de M1, dando um aspecto quadrifurcado à veia CuA (Fig. 33.65) .......... .....................................................LASIOCAMPOIDEA ― Asa anterior com M2 mais próxima de M1 que de M3 ou equidistante, dando um aspecto trifurcado a veia CuA (Fig. 33.66) ............................... MIMALLONOIDEA (em parte) 22(17). Margem posterior da asa anterior dobrada ventralmente, acoplando-se à dobra dorsal da margem anterior da asa posterior, auxiliando o já presente sistema de acoplamento frênulo-retináculo. Mariposas geralmente com asas estreitas e transparentes, miméticas a vespas ... (Fig. 33.34) .... ........................................... SESIOIDEA (em parte) ― Margem posterior da asa anterior dobrada e margem anterior da asa posterior sem dobras .......................................... 23 23(22). Asa anterior com tufos de escamas eriçadas localizadas na face dorsal ou em alguma região da superfície de asa. Mariposas de tamanho reduzido e asas estreitadas ........ ................................................................................ 24 ― Asa anterior desprovida de escamas eriçadas. Mariposas com outro aspecto ........................................................... 25 24(23). Tufos de escamas eriçadas restritas à margem costal. Margens costal e interna quase paralelas, dando a asa um formato quase retangular ........... EPERMENIOIDEA ― Tufos de escamas eriçadas distribuídas em outras partes da asa anterior. Margem costal não paralela à interna, dando a asa um formato quase triangular ..................... .......................... COPROMORPHOIDEA (em parte) 25(23). Ocelos ausentes .............................................................. 26 ― Ocelos presentes ............................................................. 31 26(25). Comprimento da asa anterior quatro vezes ou mais sua largura. Mariposas pequenas, com envergadura alar variando de 13 a 40 mm, e pernas alongadas ..................... .....................................................PTEROPHOROIDEA ― Comprimento da asa anterior menor que três vezes sua largura. Mariposas com outro aspecto .......................... 27 27(26). Asa posterior com Sc+R1 fortemente arqueada além da base da asa (Fig. 22.66) Esporões tibiais 0-2-2. Mariposas de médio porte, geralmente com asas de margens falcadas e/ou sinuosas ... MIMALLONOIDEA LEPIDOPTERA 732 ― Asa posterior com Sc+R1 retas ou levemente arqueada além da base da asa. Esporões tibiais 0-0-0, 0-2-2 ou 0-2-4 ... 28 28(27). Epífises protibiais ausentes .................. ZYGAENOIDEA ― Epífises protibiais presentes ......................................... 29 29(28). Probóscide desenvolvida. Asa anterior com veia corda ausente .............................................. IMMOIDEA ― Probóscide curta ou reduzida a um lobo triangular. Veia corda frequentemente presente .......................... 30 30(29). Asa anterior com veia M normalmente ausente dentro da célula discal. Mariposas de pequeno porte, asas anteriores ovaladas e antenas lameladas (machos) ou filiformes (fêmeas) ........................................... URODOIDEA ― Asa anterior com veia M normalmente presente na célula discal, bifurcada distalmente. Mariposas de pequeno porte, asas anteriores normalmente retangulares, e antenas pectinadas (machos) e filiformes (fêmeas) ... COSSOIDEA 31(25). Probóscide presente, com escamas imbricadas na base .............................................. CHOREUTOIDEA ― Probóscide reduzida ou ausente, se presente sem escamas imbricadas na base ....................................... 32 32(31). Quetosema presente ............................................... 33 ― Quetosema ausente ............................................... 34 33(32). Porção inferior do frontoclípeo com escamas voltadas para cima ................................ TORTRICOIDEA ― Porção inferior do frontoclípeo sem escamas voltadas para cima .................................. ZYGAENOIDEA 34(32). Probóscide reduzida a um pequeno lobo triangular, ou ausente .......................... COSSOIDEA (em parte) ― Probóscide desenvolvida ..... SESIOIDEA (em parte) 35(17). Probóscide com escamas imbricadas na base .......... 36 ― Probóscide nua, frequentemente reduzida .............. 37 36(35). Palpo labial longo, recurvado sobre a cabeça, em alguns casos o artículo distal ultrapassa o vértice da cabeça .... ..................................................... GELECHIOIDEA Palpos labiais voltados para frente ou reduzidos ....... ............................................ GRACILLARIOIDEA 37(35). Segmento abdominal VIII do macho com lobos pleurais proeminentes, cobrindo lateralmente a genitália ..... ........................................ YPONOMEUTOIDEA ― Segmento abdominal VIII do machodesprovido de lobos pleurais. ...................................... TINEOIDEA 38(16). Escapo expandido, cobrindo parte do olho, formando um antolho. Tíbia posterior com espinhos desenvolvidos (Fig. 33.6) ................................................. NEPTICULOIDEA ― Escapo não expandido. Tíbia posterior sem espinhos ...... 39 39(38). Probóscide com escamas imbricadas próximo à base. Palpo labial com cerdas laterais no artículo mediano ...................................................... ADELOIDEA ― Probóscide com ou sem escamas imbricadas próximo à base. Palpo labial sem cerdas laterais no artículo mediano ...................................... TISCHERIOIDEA ADELOIDEA. O monofiletismo do grupo é sustentado com base na morfologia das genitálias masculina e feminina. Este é o segundo maior grupo de microlepidópteros com uma abertura na genitália feminina. São conhecidas aproximadamente 600 espécies, das quais aproximadamente 50 ocorrem na região Neotropical. Embora a endofagia seja comum nessa superfa- mília, muitas espécies são exófagas ou detritívoras durante o estágio larval. 1. Asa posterior com veia transversal m-cu ................. 2 ― Asa posterior desprovida de m-cu (Fig. 33.54) ... Heliozelidae 2(1). Antena muito mais longa que o comprimento da asa anterior ..................................................... Adelidae ― Antena mais curta ou tão longa quanto o comprimento da asa anterior ................................................... 3 3(2). Sistema de acoplamento das asas tipo frênulo-retináculo ausente nos machos. Palpo maxilar ausente, vestigial ou com um a três palpômeros ...................Cecidosidae ― Sistema de acoplamento das asas tipo frênulo-retináculo presente nos machos. Palpo maxilar com cinco palpômeros ......................................................... [Incurvariidae] Adelidae. A família é dividida em Adelinae e Nematopogoninae, sendo esta última a única com representantes da fauna brasilei- ra, diferindo da outra principalmente pelo palpo maxilar com mais de três palpômeros. O único gênero que ocorre no Brasil é Ceromitia Zeller, que também está presente no sul da África; adultos são acinzentados e normalmente podem ser coletados à noite atraídos à luz. São microlepidópteros com asa anterior medindo até 12 mm de comprimento. A principal característica do grupo é a antena distintamente longa, que, nos machos, pode ser até três vezes o comprimento da asa anterior, enquanto, nas fêmeas, embora menores, sempre excede o ápice da asa. Espécies sul-americanas são conhecidas pelos hábitos crepusculares e noturnos, contrastantes com os hábitos essencialmente diurnos daquelas da região Paleártica, onde é comum ver enxameamen- tos próximos às flores. As larvas normalmente são detritívoras, com algumas espécies fitófagas, alimentando-se principalmente de plantas baixas. Referências: Pastrana (1961), Davis (1984, 1998) e Becker (2000). Cecidosidae. São conhecidas 21 espécies da família, distribuídas em oito gêneros, sendo seis sul-americanos – Andescecidium Moreira & Vargas, Cecidoses Curtis, Cecidonius Moreira & Gonçalves, Dicranoses Kieffer & Jörgensen, Eucecidoses Brèthes e Oliera Brèthes–, um sul-africano, Scyrothis Meyrick, e um para a Nova Zelândia, Xanadoses Hoare & Dugdale. Da fauna brasilei- ra, destaca-se o gênero Cecidoses, contando com a espécie-tipo, C. eremita Curtis (Fig. 33.106), cuja biologia é relativamente conhecida, e C. minutanus Brèthes, ainda pouco estudada. Suas larvas induzem galhas em suas plantas hospedeiras, uma característica rara entre os lepidópteros. Suas plantas hospedeiras (por exemplo, Schinus Linnaeus e Rhus Linnaeus) pertencem a Anacardiaceae. As cecídias de C. eremita são sésseis, de formato esférico e fechadas no polo superior por um opérculo circular destacável no momento da emergência do adulto. Referências: Nielsen & Davis (1985), Moreira et al. (2012, 2017). Heliozelidae. Inclui microlepidópteros diurnos e pequenos, com asa anterior com até 10 mm de comprimento. A fauna Neotropical é pouco conhecida, compreendendo sete gêneros, dos quais quatro são monotípicos na América do Sul: Copto- disca Walsingham, Lamprozela Meyrick, Monachozela Meyrick e Phanerozela Meyrick. As larvas são minadoras, exceto no úl- timo ínstar, quando constroem um tipo de casulo, geralmente ovalado e achatado, com pequenos pedaços da epiderme da folha minada, reunidos pelos fios de seda da própria larva. As LEPIDOPTERA 733 plantas hospedeiras citadas com mais frequência são Betulaceae, Cornaceae, Fagaceae e Vitaceae. Referências: Heppner (1984, 1998) e Davis (1998). [Incurvariidae]. Na região Neotropical, são conhecidas cinco espécies pertencentes a Basileura Nielsen & Davis e Simacauda Nielsen & Davis, ambos endêmicos do Chile e Argentina. Em- bora não exista nenhum registro formal desses microlepidópteros para o Brasil, espera-se que, com mais levantamentos nas áreas limítrofes com a Argentina, ao menos duas espécies sejam en- contradas em nosso país, Basileura elongata Nielsen & Davis e Simacauda virescens Nielsen & Davis. Larvas são minadoras no primeiro ínstar e, nos subsequentes, cortam e agregam pequenos pedaços circulares da planta alimentícia, formando um casulo que carregam junto ao corpo. As principais plantas hospedeiras pertencem a Myrtaceae, Proteaceae e Fabaceae. Referências: Nielsen & Davis (1985) e Davis (1998). ALUCITOIDEA. Compreende Tineodidae, endêmica da região Indo-australiana, com 19 espécies e 11 gêneros, além de Alucitidae, que é um grupo cosmopolita, com 186 espécies e nove gêneros. Adultos são caracterizados pela presença de fileiras transversais de espinhos em cada tergito abdominal e de uma vênula (= estrias esternais muito esclerosadas) em forma de “V” no esternito abdominal II. Às vezes é considerada como grupo-irmão de Pterophoroidea, no entanto, caracteres de imaturos a colocam mais próxima de Copromorphoidea e/ou de Epermenioidea que de Pterophoroidea. Alucitidae. Conhecidos como mariposas poliplumadas, possuem asas posteriores geralmente recortadas em seis ou sete plúmulas, raramente são inteiras (somente em espécies sul-americanas). Diferem das demais mariposas de “plumas” (Pterophoridae) pelo maior número de plúmulas (Fig. 33.107). Adultos são crepusculares ou noturnos, de corpo delgado, com envergadura alar variando de 10 a 20 mm. Atingem sua maior diversidade e riqueza nas regiões Afrotropical e Australiana. Somente uma espécie tem sido considerada como praga agrícola, Alucita coffeina (Viette), causando sérios danos ao plantio de café em Madagascar. A biologia dos alucitídeos tem sido pouco detalhada na literatura e a fauna brasileira é praticamente desconhecida. Sabe-se que as larvas costumam ser robustas e muito ágeis, vivendo como brocas de botões florais, sementes, folhas, raízes e galhos; algumas induzem a formação de galhas, onde às vezes permanecem até a emergência do adulto. As plantas hospedeiras incluiem membros de Bignonaceae, Caprifoliaceae e Rubiace- ae. Casulos contendo as pupas geralmente são encontrados na superfície do solo ou nele enterrados. Referências: Dugdale et al. (1998), Gielis (2003) e Moreira et al. (2018). BOMBYCOIDEA. São conhecidas cerca de 6.092 espécies de Bombycoidea, distribuídas em 520 gêneros. A monofilia é sustentada pelas seguintes sinapomorfias: coxas protorácicas do último ínstar larval fundidas anteriormente; A8 com cerda D1 implantada em um escolo médio-dorsal ou, às vezes, em uma protuberância cônica; asa anterior com R2+R3 paralela ou fusio- nada a R4+R5 (paralela em Carthaeidae e Sphingidae, fusionada nos demais Bombycoidea) (caráter compartilhado com Bomby- comorpha Felder, gênero de Lasiocampidae); genitália masculina com os músculos flexores das valvas originando-se no tegume. 1. Asa posterior com Sc+R1 quase tocando Rs na porção pós-discal (Fig. 33.57) ...................... Sphingidae ― Asa posterior com Sc+R1 distintamente separadade Rs na porção pós-discal (Fig. 33.56) ..................... 2 2(1). Frênulo ausente (Fig. 33.56) .................. Saturniidae ― Frênulo geralmente longo, às vezes tipicamente curto ..... 3 3(2). Perna posterior com um par de esporões tibiais ... Bombycidae ― Perna posterior com dois pares de esporões tibiais (Fig. 33.23) .... 4 4(3). Asa anterior com M2 equidistante de M1 e M3 ou, na base, mais próxima de M1 que de M3 (Fig. 33.55) .... Apatelodidae ― Asa anterior com M2, na base, mais próxima de M3 que de M1 ............................................... Phiditiidae Apatelodidae. Exclusivas da região Neotropical. Mariposas noturnas, de corpo robusto, com envergadura alar entre 30 e 50 mm (Fig. 33.108), pousam elevando o tórax e abdômen a uma posição vertical, deixando a cabeça para baixo. É especialmente representada pelo gênero Apatelodes Packard contendo 115 es- pécies, embora gêneros como Drepatelodes, Ephoria, Olceclostera e Pantelodes sejam também bastante comuns em armadilhas luminosas. Até o momento, 68 espécies foram registradas no Brasil. Seus imaturos são também muito pouco estudados, em- bora sejam conhecidas algumas plantas hospedeiras e o hábito de empupar no solo. Referências: Lemaire & Minet (1998), Zwick et al. (2011), Kitching et al. (2018). Bombycidae. Na região Neotropical são representados apenas pelos Epiinae e Bombyx mori (Linnaeus 1758), esta criada ex situ para produção de seda (Fig. 33.109). De hábito noturno, apresentam corpo relativamente delgado, com padrões de co- loração que variam entre diferentes tons de laranja, brancos ou com manchas esverdeadas. Colla, Epia e Quentalia são os gêneros mais comuns. Sabe-se pouco sobre seus estágios imaturos, especialmente das 35 espécies que ocorrem no Brasil. Referên- cias: Lemaire & Minet (1998), Zwick et al. (2011), Kitching et al. (2018). Phiditiidae. Família pouco numerosa, contendo apenas 23 espécies, todas Neotropicais. São mariposas noturnas de ta- manho médio, de corpo relativamente delgado. Quando em repouso, enrolam as asas longitudinalmente. Rolepa Walker, Sorocaba Moore e Tepilia Walker têm espécies registradas no Brasil, somando 7 no total. Seus imaturos são também pouco conhecidos. Sabe-se que se alimentam de Bignoniaceae e que as larvas apresentam uma pequena protuberância no segmento A8. Referências: Lemaire & Minet (1998), Zwick et al. (2011), Kitching et al. (2018). Saturniidae. Conhecidas cerca de 3.500 espécies em 180 gê- neros, que, embora cosmopolitas, se distribuem predominante- mente pelas regiões tropicais do Novo Mundo. Está dividida em nove subfamílias: Cercophaninae, Agliinae, Ludiinae, Salassinae, Arsenurinae, Oxyteninae (Fig. 33.115), Ceratocampinae (Fig. 33.111), Hemileucinae (Figs 33.110,112) e Saturniinae (Fig. 33.114). As cinco últimas estão representadas na fauna brasi- leira, reunindo 488 espécies. Muitas são noturnas e algumas poucas, principalmente entre os Saturniinae e Hemileucinae, são diurnas. Distinguem-se dos demais Bombycoidea principal- mente pela antena do adulto com flagelômero distal em forma de cone sensorial e pelo dimorfismo sexual da perna anterior: LEPIDOPTERA 734 as fêmeas têm um par de estruturas dentiformes na superfície látero-ventral do quarto tarsômero, ausentes em algumas poucas espécies de Coloradia Blake (Hemileucinae) e Meroleuca Packard (Hemileucinae), que não ocorrem no Brasil. A família inclui algumas das maiores mariposas do mundo, como Attacus atlas (Linnaeus), encontrada nas regiões Oriental e Australiana, com aproximadamente 300 mm de envergadura alar. No Brasil, também são encontradas espécies grandes e vistosas, como Ar- senura sylla (Cramer), Copiopteryx jehovah (Strecker), Loxolomia serpentina Maassen (Fig. 33.113) e Rothschildia aurota (Cramer) (Fig. 33.114). Em geral, o tamanho do corpo desses insetos é relativamente pequeno em relação ao tamanho de suas asas. Em Saturniidae, estão incluídas algumas espécies causadoras de erucismo e lepidopterismo, como são conhecidos os acidentes provocados pelos lepidópteros na fase larval e adulta, respecti- vamente. O contato com cerdas urticantes acarretam queimação imediata e inchaço local, com complicações clínicas, às vezes, fatais aos humanos, como é o caso de Lonomia obliqua Walker (Hemileucinae) (Fig. 33.110); também são conhecidos os acidentes provocados por algumas espécies de Hylesia Hübner (Hemileucinae), tanto na fase larval como na fase adulta – as fêmeas adultas possuem cerdas microscópicas no abdômen que, em contato com a pele humana, podem provocar reações inflamatórias papulosas e pruriginosas intensas, semelhantes às observadas em acidentes por cerdas de aranhas caranguejeiras. Entre as famílias de Bombycoidea assinaladas para o Brasil, Saturniidae é a que tem maior número de espécies com descrições disponíveis sobre seus estágios imaturos. Os ovos são grandes, arredondados ou elipsoides, achatados ou comprimidos. as larvas ocasionalmente são confundidas com as de algumas borboletas Nymphalidae (Papilionoidea) devido à presença de calazas e escolos, com espinhos ou cerdas laterais no tórax e abdômen. As pupas são do tipo adéctica obtecta, com ou sem cremáster. Algumas espécies de Saturniinae e Hemileucinae têm as pupas protegidas em casulos de seda. Machos voam rápido à procura das fêmeas, em geral mais pesadas e mais lentas; vários ovos são depositados de uma vez, minimizando, assim, contatos com inimigos naturais. Sugere-se que as manchas ocelares das asas de alguns gêneros servem como mecanismo de defesa para distrair ou afugentar predadores, conforme já observado em Automeris, onde as manchas encontram-se nas asas posteriores cobertas pelas anteriores, geralmente crípticas. Quando o animal é perturbado, as asas posteriores são rapidamente deixadas à mostra, o que faz destacar as manchas ocelares. Larvas podem ser solitárias ou gregárias, polífagas (muitos Ceratocampinae e Saturniinae) ou monófagas (Arsenurinae, Hemileucinae); ali- mentam-se de várias espécies de Anacardiaceae, Aquifoliaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Fagaceae, Loganiaceae, Malvaceae (incluindo Bombacaceae, Sterculiaceae e Tiliaceae), Moraceae, Myristicaceae, Oleaceae, Rosaceae, Rubiaceae, Rutaceae, Sali- caceae, Sapindaceae, Sapotaceae e Simaroubaceae, entre outras. Referências: Lemaire (1978, 1980, 1988, 1996), Stone (1991), D’Abrera (1995a, 1998), Lemaire & Minet (1998), Camargo et al. (2009) e Kitching et al. (2018). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Lemaire 1978; Lemaire & Minet 1998) 1. Nos machos, antena com escamas dorsais do primeiro ao último flagelômero; ramos (= pectinações) imbricados látero-ventralmente na base ................................... 2 ― Nos machos, antena sem escamas em todos ou quase todos flagelômeros; ramos (= pectinações) imbricados laterais ou látero-dorsalmente na base .................................... 3 2(1). Probóscide evidente. Esporões tibiais com a extremidade distal pouco pontiaguda ............................ Oxyteninae ― Probóscide vestigial ou ausente. Esporões tibiais com a extremidade distal em forma de gancho ................... .......................................... Hemileucinae (em parte) 3(1). Pilíferos ou margem anterior do clípeo com cerdas robustas ............................................................. Arsenurinae ― Pilíferos e margem anterior do clípeo desprovidos de cerdas ............................................................................. 4 4(3). Frontoclípeo com as laterais convexas ocultando as suturas laterais em vista anterior. Cones antenais simples .... Ceratocampinae ― Frontoclípeo com as laterais planas; se convexas, com cones antenais distintos .......................................... 5 5(4). Antena quadripectinada (bipectinada nas fêmeas de Copaxa Walker), com ramos (= pectinações) apicais de cada flagelômero separados dos ramos basais do flagelômero anterior ..................................................Saturniinae ― Antena quadripectinada ou não; se o são, ramos apicais de cada flagelômero adjacentes aos ramos basais do flagelômero anterior ...................................... Hemileucinae (em parte) Sphingidae. Com 1.602 espécies e 205 gêneros, estão distri- buídos em todo o mundo, exceto na Antártica e Groenlândia. Para a região Neotropical, são estimadas cerca de 400 espécies. De tamanho médio a grande, com envergadura alar entre 25 e 200 mm (Figs 33.116–118). Excelentes voadores e, em geral, as espécies brasileiras têm hábitos crepusculares e noturnos. Ali- mentam-se de néctar e pairam em frente às plantas alimentícias, como beija-flores, com batimentos das asas bastante rápidos. A monofilia de Sphingidae tem sido suportada com base em uma série de autapomorfias, entre as quais podem ser citadas: M2 originando-se ligeiramente mais próxima de M3 que de M1; margem externa da asa posterior com angulação na extremidade de 1A+2A; segmentos abdominais I–VII das larvas com faixas oblíquas nas laterais; nas pupas, superfície exposta da asa poste- rior não alcançando o segmento abdominal IV. Está dividida em Smerinthinae, Sphinginae e Macroglossinae. Smerinthinae, con- siderada a mais basal das três, compreende as tribos Smerinthini, Sphingulini e Ambulycini, das quais somente a última possui espécies da fauna brasileira, arroladas em Adhemarius Oiticica Filho (Fig. 33.117), Orecta Rothschild & Jordan e Protambulyx Rothschild & Jordan. Em Macroglossinae as tribos são facilmen- te amostradas em nossa fauna: Dilophonotini é a que possui o maior número de gêneros, entre eles, Erinnyis Hübner, um dos mais comuns da tribo; Macroglossini, com Hyles Hübner e Xylo- phanes Hübner (Fig. 33.116); e Philampelini, com Eumorpha Hübner. As espécies brasileiras pertencentes a Sphinginae estão arroladas em duas tribos: Acherontini e Sphingini; a primeira, com Agrius cingulata (Fabricius) (Fig. 33.118), a outra, com sete gêneros, incluindo Amphimoea Rothschild & Jordan e Neococy- tius Hodges, representados por uma espécie cada e indivíduos LEPIDOPTERA 735 com as probóscides mais longas do mundo. A probóscide de Amphimoea walkeri (Boisduval), quando completamente es- tendida, pode atingir até 280 mm de comprimento. Imaturos são relativamente fáceis de serem reconhecidos. Na internet, há um site com fotos de praticamente todos os esfingídeos da Área de Conservación Guanacaste, Costa Rica, (http://janzen.sas. upenn.edu/caterpillars/database.lasso). Nesse site, estão incluídas espécies assinaladas para a fauna brasileira, o que o torna uma ferramenta importante para a identificação de alguns represen- tantes da nossa fauna, pelo menos ao nível de gênero. Os ovos são relativamente grandes, medem entre um e três milímetros de diâmetro; arredondados ou elípticos, com eixo micropilar paralelo ao substrato; cório finamente reticulado. As larvas distin- guem-se dos demais bombicoides pelo número de ânulos, entre seis e oito, em cada segmento do corpo e pela projeção dorsal em forma de espora no segmento abdominal VIII. Pupas são do tipo adéctica obtecta; a maioria dos Sphinginae tem probóscide com bainha própria, destacada do restante do corpo, geralmente glabras, curtas e fusiformes; segmentos abdominais V a VII mó- veis; cremáster evidente. Esfingídeos são polinizadores de uma grande variedade de plantas com flores; possuem adaptações morfológicas que os auxiliam na polinização e na própria ali- mentação: probóscide relativamente longa e músculos torácicos fortes, garantindo o voo em ponto fixo. Voam longas distâncias e transportam pólen de uma planta a outra por mais de 400 m. As principais fontes de néctar dessas mariposas incluem espécies de Amaryllidaceae, Apocynaceae, Bignoniaceae, Bombacaceae, Cac- taceae, Convolvulaceae, Fabaceae, Gesneriaceae, Martyniaceae, Onagraceae, Orchidaceae, Rubiaceae e Solanaceae, entre outras. Fêmeas depositam os ovos isoladamente ou em grupos de dois ou três na superfície adaxial das folhas de algumas poucas espécies vegetais, geralmente pertencentes a uma família, diferindo-as, dessa forma, das fêmeas de saturnídeos. Uma das características mais peculiares das larvas de Sphingidae, que inclusive originou o nome do gênero-tipo da família, Sphinx Linnaeus, refere-se à postura de seu corpo quando molestadas: a cabeça fica retraída dentro do primeiro segmento torácico e a parte anterior do corpo levantada, lembrando a figura de uma esfinge egípcia. Pupas podem ser encontradas sob o solo, enroladas em folhas da própria planta hospedeira ou da serapilheira, ou enterradas no solo a uma profundidade de até 15 cm. Algumas espécies da fauna brasileira são de importância econômica, como é o caso de Erinnyis ello (Linnaeus) (Macroglossinae), cujas larvas, conhecidas como mandarová-da-mandioca, podem causar sérios danos às Euphorbiaceae, principalmente mandioca e seringueira. Inclui-se aqui um dos lepidópteros noturnos mais bem estudados do mundo, Manduca sexta (Linnaeus) (Sphinginae), cujas larvas são conhecidas pelos danos que causam em várias culturas de solanáceas (fumo, batatinha, tomateiro). Referências: Rothschild & Jordan (1903), D’Abrera (1986), Lemaire & Minet (1998), Kawahara et al. (2009), Camargo et al. (2018) e Haxaire & Mielke (2019). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Lemaire & Minet 1998) 1. Superfície lateral-interna do palpômero basal com microtríquias .................................... Macroglossinae ― Superfície lateral-interna do palpômero basal sem microtríquias ...................................................................... 2 2(1). Último flagelômero longo ........................................ 3 ― Último flagelômero relativamente curto ................ 4 3(2). Face dorsal da asa anterior sem listras longitudinais entre M3 e CuA2; ápice truncado ou falcado; margem interna côncava ....................... Smerinthinae (em parte) ― Outra combinação de caracteres; ápice nunca truncado ou falcado ...................... Sphinginae (em parte) 4(2). Asa anterior com margem externa convexa; margem interna retilínea a ligeiramente côncava; face dorsal geralmente com listras longitudinais entre as células M3–CuA1 e CuA1–CuA2. Esporões tibiais não raro curtos ...... Sphinginae (em parte) ― Outra combinação de caracteres. Esporões tibiais longos a curtos ...................................... Smerinthinae (em parte) CARPOSINOIDEA. As duas famílias incluídas neste grupo compartilham a presença de escamas eriçadas na superfície dorsal da asa anterior e um pécten cubital na asa posterior. São conhecidos 29 gêneros e 319 espécies, predominantemente de distribuição indo-australiana. Ausentes na região Paleártica. Na região Neotropical são conhecidas menos de 20 espécies. 1. Asa anterior com três médias (M1, M2 e M3) .................... ........................................................... Copromorphidae ― Asa anterior com menos de três médias (M2 sempre ausente e M1 eventualmente ausente) .............. Carposinidae Carposinidae. Com 24 gêneros e cerca de 300 espécies distri- buídas mundialmente, tem quase três quartos das espécies com distribuição indo-australiana. A fauna Neotropical encontra-se constituída por sete espécies em Carposina Herrich-Schäffer (Fig. 33.119) e Atoposea Davis. Somente uma espécie é conhecida para o Brasil, Carposina engalactis (Meyrick), descrita para o estado de Santa Catarina. Estimativas recentes, no entanto, sugerem que a fauna brasileira tenha uma riqueza dez vezes maior. Car- posinidae caracteriza-se pela ausência de M2 na asa posterior e M1 eventualmente ausente ou vestigial, pelas antenas com cerdas longas nos machos e curtas nas fêmeas, segundo esterno abdominal diferenciado (Fig. 33.47) e pela genitália masculina com ceco fálico alongado. Ovos são depositados individualmente nas plantas hospedeiras. Larvas são endofíticas, encontradas em folhas, flores, frutos, brotos e galhas.Alimentam-se principal- mente de dicotiledôneas, como Fagaceae, Ericaceae, Rosaceae, Myrtaceae, Proteaceae, Rutaceae, Campanulaceae e Asteraceae. Pupas desenvolvem-se nas galerias larvais ou protegidas em casulos, geralmente no solo. Nada se conhece sobre a biologia e os hábitos alimentares das espécies brasileiras. Referência: Davis (1969), Dugdale et al. (1998). Copromorphidae. Microlepidópteros noturnos, com enver- gadura alar variando de 12 a 37 mm. Com corpo robusto e coloração críptica, diferem dos táxons afins pela presença de M2 nas asas anteriores (Fig. 33.120). Até o momento, nenhum dano economicamente significativo tem sido atribuído às espé- cies brasileiras. Pouco se conhece sobre os imaturos. Referências bibliográficas apontam apenas duas espécies para o Brasil. Larvas muito pequenas, raramente com mais de 40 mm de compri- mento, vivendo na superfície externa das plantas hospedeiras ou em túneis construídos em flores, frutos e pequenos galhos http://janzen.sas.upenn.edu/caterpillars/database.lasso http://janzen.sas.upenn.edu/caterpillars/database.lasso LEPIDOPTERA 736 de Ericaceae; algumas espécies alimentam-se dentro de abrigos construídos com folhas de Berberidaceae e Moraceae, sendo pragas do figo na Índia. Pupas se desenvolvem nas galerias larvais ou em células de seda e os adultos geralmente pousam com as asas planas sobre o corpo. Referência: Heppner (1986). CHOREUTOIDEA Choreutidae. Previamente arrolada em Glyphipterigidae (Ypo- nomeutoidea), estudos de morfologia comparada demonstraram que Choreutidae e Glyphipterigidae apresentam adaptações convergentes quanto ao hábito diurno dos adultos, portanto pertencem a linhagens distintas. Os coreutídeos podem ser fa- cilmente distinguidos dos demais Apoditrysia não-Obtectomera pela presença de escamas na base da probóscide. Há 20 gêneros e 407 espécies, predominantemente das regiões Oriental e Austra- liana, pertencentes a duas subfamílias, sendo Millieriinae restrita à Europa, Flórida e ao Chile, e Choreutinae, cosmopolita. São microlepidópteros tipicamente diurnos, com envergadura alar entre 2 e 11 mm; não raro com cores vistosas e máculas metálicas na asa anterior (Fig. 33.121). Até o momento, nenhuma espécie brasileira foi registrada como tendo importância econômica. Praticamente todas as larvas vivem na superfície externa das plantas, alimentando-se de suas folhas; algumas poucas obtêm abrigo e alimento dentro de troncos ocos; outras são minadoras. Pouco se sabe sobre a biologia das espécies neotropicais. Registros de plantas hospedeiras incluem Aristolochiaceae, Betulaceae, Boraginaceae, Bromeliaceae, Asteraceae, Ericaceae, Fagaceae, Lamiaceae, Fabaceae, Moraceae, Arecaceae, Rosaceae, Salicaceae, Scrophulariaceae, Ulmaceae, Apiaceae e Urticaceae. Referências: Brock (1971) e Dugdale et al. (1998). COSSOIDEA. Tem cerca de 2 mil espécies distribuídas mun- dialmente, exceto Nova Zelândia. Dudgeoneidae distingue-se de Cossidae pela presença de órgãos timpânicos abdominais. No Brasil, todas as espécies conhecidas pertencem à família Cossidae. Adultos são robustos, de tamanho médio ou grande, com envergadura alar entre 9 e 236 mm e machos geralmente bem menores que as fêmeas. A maioria das espécies tem a veia M distintamente bifurcada no interior da célula discal em ambas as asas (Fig. 33.58), além de uma célula acessória na asa anterior e o abdômen prolongando-se muito além da asa posterior, quando aberta. As larvas em geral vivem como brocas em caules, galhos e raízes; muitas são consideradas pragas agrícolas, especificamente do café, noz-pecã, maçã, pêssego e ameixa. Cossidae. Inclui mariposas cujas asas em geral têm coloração de fundo variando do acinzentado ao castanho-escuro, não raro com tons mais claros de castanho, quase bege, normalmente com padrão de máculas reticulado (Fig. 33.122). A família está subdividida nas subfamílias Cossinae, Zeuzerinae, Cossulinae, Metarbelinae, Ratardinae e Hypoptinae, sendo que Metarbelinae é predominantemente afrotropical e Ratardinae, conhecida por dez espécies da região Oriental. Duas espécies são bem conheci- das da fauna brasileira pelos danos que causam a algumas plantas: Morpheis pyracmon (Cramer) e M. strigillatus (Felder), cujas larvas são respectivamente brocas de bracatinga e sansão-do-campo (Fabaceae), e do caule da laranjeira (Rutaceae). Referências: Edwards et al. (1998) e Davis et al. (2008). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Edwards et al. 1998) 1. Antena bipectinada somente na base; ápice serrilhado (Fig. 33.14). Esporões tibiais 0–2–2, curtos ..... Zeuzerinae ― Antena filiforme, uni ou bipectinada da base até o ápice (Fig. 33.15). Esporões tibiais 0–2–2, geralmente alongados ....... 2 2(1). Esporões tibiais assimétricos ...................... Cossulinae ― Esporões tibiais simétricos ........................................ 3 3(2). Tíbia e primeiro tarsômero protorácico dilatados. Em geral, mariposas acinzentadas, com padrão de máculas reticulado ................................................................... Cossinae ― Tíbia e primeiro tarsômero protorácico não dilatados. Com outro padrão de coloração ........ Hypoptinae DREPANOIDEA. Com duas famílias: Epicopeiidae (endêmi- ca da região Oriental) e Drepanidae. Mariposas de tamanho médio e aparência bastante distinta entre si: drepanídeos têm cores pardas, com as extremidades das asas falcadas ou não; epicopeídeos mimetizam alguns papilionídeos orientais, sendo normalmente negros, com manchas vermelhas, outros mime- tizam pierídeos, geometrídeos e arctiíneos diurnos. Diferem também em seus hábitos, adultos de drepanídeos sendo noturnos e de epicopeídeos, diurnos. O monofiletismo de Drepanoidea sustenta-se com base nos seguintes caracteres: presença de um esclerito pré-espiracular tergo-esternal completo conectando a parte anterior da extremidade do primeiro esternito abdominal com a barra lateral do tergito abdominal I; fêmur protorácico da pupa escondido ou pouco visível; presença de cerdas em uma área lateral achatada da mandíbula da larva; e pelo menos uma cerda secundária associada à cerda L3 nos segmentos A1–A8 da larva. No entanto, o caráter mais característico deste clado está no lábio larval, cuja fiandeira é menor que o premento na sua linha mediana. Drepanidae. Com 122 gêneros e 680 espécies, a família Drepa- nidae está dividida em três subfamílias: Thyatirinae, Cyclidiinae e Drepaninae, das quais apenas a primeira tem ocorrência no Bra- sil, com duas espécies apenas. Os Drepaninae são conhecidos por terem asas anteriores de ápice falcado, ao contrário dos Thyatiri- nae neotropicais, cujo formato é geralmente arredondado (Fig. 33.123) As espécies brasileiras brasileiras não possuem ocelos, quetosema ou epífases na tíbia anterior. A principal sinapomorfia da família refere-se a presença de um órgão timpânico presente na base do esternito abdominal II (o primeiro esternito visível), derivado de escleritos tergo-esternais, que conectam o tergito I ao esternito II. O tímpano está situado entre duas câmaras, uma maior e outra menor, associadas a escleritos tergo-esternais. Na genitália masculina, os braços do saco e as projeções ventrais do tegume nem sempre estão fundidos e o unco, quando presente, pode ser simples ou bífido. Na genitália feminina, os signos geralmente são pequenos, arredondados ou distintamente line- ares. Ovos achatados, ovais ou elípticos, normalmente postos em grupo. Larvas variam em suas características; algumas têm tubérculos e protuberâncias bifurcadas, durante o repouso po- dendo manter a extremidade posterior do abdômen levantada; normalmente se alimentam completamente expostas, mas há espécies que utilizam abrigos de folhas enroladas. Pupas geral- mente formadas dentro de casulos fabricados entre folhas. As LEPIDOPTERA 737 principais plantas hospedeiras assinaladas para os drepanídeos incluem Betulaceae, Caprifoliaceae,Cornaceae, Ebenaceae, Fagaceae, Juglandaceae, Rosaceae, Salicaceae, Anacardiaceae, Arecaceae, Daphniphyllaceae, Musaceae, Myrtaceae, Rubiaceae, Sapindaceae, Theaceae, Tiliaceae e Zingiberaceae. Referências: Minet (1983, 1991) e Minet & Scoble (1998). EPERMENIOIDEA Epermeniidae. Cosmopolita com cerca de 80 espécies, das quais nove estão assinaladas para a região Neotropical. Está fi- logeneticamente mais próxima de Alucitoidea e Pterophoroidea, compartilhando com elas a presença de escamas lamelares na franja da asa anterior. Segundo esterno abdominal característi- co (Fig. 33. 48). São microlepidópteros com envergadura alar variando entre 8 a 14 mm. Ovos de Epermeniidae são deposi- tados individualmente e as larvas vivem endofiticamente ou na superfície externa das plantas hospedeiras; algumas espécies são brocas de botões florais, frutos e sementes; outras minadoras nos ínstares iniciais, completando o desenvolvimento larval na superfície externa das folhas. Alimentam-se principalmente de Apiaceae (= Umbelliferae) e complementam a lista de plantas hospedeiras as famílias Araliaceae, Ammiaceae, Loranthaceae, Olacaceae e Santalaceae. Nada se conhece sobre os hábitos alimentares das espécies brasileiras. Adultos emergem dentro de casulos. Referências: Gaedike (1984, 1996), Minet (1991) e Dugdale et al. (1998). GELECHIOIDEA. Considerada uma das principais radiações dentre as linhagens de microlepidópteros, com cerca de 18,5 mil espécies reunidas em 1.478 gêneros. É também provavelmente o grupo de Lepidoptera de mais desconhecida diversidade. Sua monofilia é sustentada pela presença de escamas imbricadas na superfície dorsal da probóscide, estendendo-se da base até a metade de seu comprimento. Esse caráter é considerado universal para o grupo, embora também está presente em duas outras superfamílias: Choreutoidea e Pyraloidea. Além deste caráter, os Gelechioidea compartilham as antenas da pupa unidas próximo à metade de seu comprimento. A sistemática do grupo ainda é bastante controversa, recuperando diferentes topologias nos estudos mais recentes. Consequentemente, a delimitação de várias das famílias de Gelechioidea ainda requer maiores evidências e, portanto, deve mudar rapidamente nos próximos anos. Devido à ausência de chaves dicotômicas atualizadas para a superfamília, esta aqui proposta é uma primeira tentativa de contribuir para o reconhecimento das principais famílias de ocorrência no Brasil. Recomenda-se a dissecção de abdômen e genitália para a confirmação de caracteres. Referências: Heppner (1984), Heikillä et al. (2014) e Sohn et al. (2016). 1. Protórax com órgão corematal apendicular .... Batrachedridae ― Protórax sem órgão corematal apendicular ..................... 2 2(1). Tergo I com uma crista esclerosada interna, longitudinal, levemente recurvada .................................................. 3 ― Tergo I sem cristas esclerosadas internas ......................... 4 3(2). Pernas posteriores com tufo de cerdas especializadas; tergos abdominais com cerdas espiniformes apenas nas margens posteriores; asas anteriores com cores aposemáticas; valvas não divididas em dois grandes lobos ..................... Stathmopodidae ― Pernas posteriores sem tufo de cerdas especializadas; tergos abdominais com cerdas espiniformes, mas presentes em outras localidades do tergo; asas anteriores normalmente com cores crípticas; valvas divididas em lobos distintos ..................................................... Blastobasidae 4(2). Esterno VIII lobular, recobrindo a base das valvas, de alguma forma fundido ao braço do saco ............ 5 ― Esterno VIII de outra forma, não conectado à genitália masculina .............................................................. 6 5(4). Margem externa da asa posterior sinuosa; gnato presente ........................................................ Gelechiidae ― Margem externa da asa posterior reta ou arredondada; gnato ausente .................................. Cosmopterigidae 6(4). Asas posteriores com escamas acessórias ao frênulo, dispostas paralelamente ou sobre à veia Sc+R1; manica esclerosada; duto da bolsa copuladora distintamente afilada; mariposas pequenas, asas escuras com faixa ou mancha branca ............................................... Scythrididae ― Asas posteriores sem escamas acessórias ao frênulo; manica membranosa; duto da bolsa copuladora variável; mariposas de tamanhos e padrões de cores variáveis ......... 7 7(6). Mariposas com a seguinte combinação de caracteres: pecten antenal presente, pterostigma ausente, R5 terminando na margem costal da asa; valvas sem divisão ou reentrância na margem posterior ............................ Elachistidae ― Mariposas com outra combinação destes caracteres .... 8 8(7). Asas posteriores com Rs e M1 fusionadas ... Autostichidae ― Asas posteriores com Rs e M1 totalmente separadas ... 9 9(8). Asas posteriores com Rs recurvada em direção à Sc+R1, próximo ao ápice da célula discal; esterno II fracamente conectado ao tórax, sem vênulas e apódemas ............ ............................... Depressariidae (Stenomatinae) ― Asas posteriores com Rs paralela Sc+R1 ao longo de toda a extensão da célula discal; esterno II com vênula ou apódema em diferentes graus de desenvolvimento .... 10 10(9). Tergos abdominais com a presença de cerdas espiniformes organizadas em manchas. Mariposas de pequeno porte, asas anteriores lanceoladas e posteriores alongadas, com longas franjas ................................................... 11 ― Tergos abdominais sem cerdas espiniformes organizadas em manchas; se presentes mariposas com asas anteriores e posteriores ovaladas, com franjas reduzidas ................................. 12 11(10). Unco ausente, gnato fundido ao tegumen ..... Coleophoridae ― Unco presente, gnato ausente .................... Momphidae 12(10). Gnato livre, não fundido ao tegumen; asas largas, normalmente com a célula discal fechada ................... ............................... Depressariidae (Depressariinae) ― Gnato fundido ao tegumen; asas com formato variado ..................................................................... 13 13(12) Terceiro artículo dos palpos labiais muito longos, geralmente ultrapassando o comprimento do segundo. Duto da bolsa copuladora reto. Mariposas de coloração diversa, geralmente homogênea ou com combinação de cores aposemáticas ..................................... Oecophoridae ― Terceiro artículo dos palpos labiais geralmente menores que o comprimento do segundo. Duto da bolsa copuladora espiralado. Mariposas de coloração acinzentada, com manchas circulares ou faixas negras marcando as asas anteriores ......................... Depressariidae (Ethmiinae) LEPIDOPTERA 738 Autostichidae. Recuperada através de estudos moleculares, ainda se desconhece um caráter morfológico que caracterize a fa- mília, além de possuir larvas com hábitos saprófagos. É formada pelas subfamílias Deocloninae e Glyphidocerinae, anteriormente reconhecidas como famílias distintas. Os Deocloninae foram registrados em países vizinhos (p. ex. Guiana e Argentina), mas ainda não tem registros para o Brasil. Possuem antena pouco menor ou tão longa quanto a asa anterior, basalmente quase tocando o olho composto; na asa anterior a R5 termina na mar- gem costal; M1 e M2 são fusionadas; CuA1 e CuA2 separadas; CuP ausente; 1A e 2A em forquilha basal; asa posterior subtra- pezoidal, com ápice arredondado e margem externa retilínea ou ligeiramente convexa; fêmeas com duas cerdas frenulares; célula discal aberta, com Sc e R1 fusionadas desde a base da asa, porém separadas de Rs; Rs–M1 e M3–CuA1 pedunculadas; M1 e M2 separadas. Larvas alimentam-se de vegetais em decomposição, como, por exemplo, vagens secas de fabáceas e liliáceas, e frutos mumificados de rosáceas. Pupas são caracterizadas pela presença de protuberâncias estriadas no protórax. Os Glyphidocerinae possuema asa anterior com CuA1 e CuA2 fusionadas, curvada a partir do ângulo póstero-distal da célula; o ramo R5 da asa ante- rior termina na margem posterior. São conhecidos os imaturos de uma espécie americana, Glyphidocera juniperella Adamski, encontrada no sudeste dos Estados Unidos. Ovo elíptico, simples, com pequenas ondulações e aerópilas aleatoriamente distribuídas pelo córion. Larvas com cabeças hipognatas, com seis estemas de cada lado Larvas da única espécie criada até o momento alimentam-se de Juniperus spp. (Cupressaceae) e são consideradas importantes pragas dessa planta. No Brasil são registradas apenas 9 espécies dos gêneros Oecia, Glyphidocera e Symmoca. Referências: Hodges (1998) e Kaila (2004). Batrachedridae. A família tem distribuição mundial, possuindo um pouco mais de 100 espécies em 5 gêneros. No Brasil apenas duas espécies são registradas: Batrachedra nuciferae Hodges e Ifeda perobtusa (Meyrick). Em geral, são microlepidópteros de pequeno porte, nunca maiores que 20mm, ocelos ausentes, asas anteriores alongadas, com M1 e M2 fusionadas. Asa posterior com franjas longas, veia Rs e M1 independentes, M3 e CuA1 fundidas. Os tergos abdominais apresentam cerdas espinifor- mes em duas manchas submesais. A genitália masculina pode ser identificada pela combinação de três caracteres: gnatos fundidos, edeago alongado e valva inteira, sem divisões. Duas importantes sinapomorfias suportam sua monofilia: a presença de dois côndilos dorso-ventrais no abdômen da pupa e a pre- sença de um órgão corematal no protórax. As larvas de alguns Batrachedrinae são detritívoras ou predadoras, vivendo como inquilinos em galhas ou como comensais em ninhos de aranhas; muitas não confeccionam abrigos. Algumas espécies de Batra- chedra Herrich-Shcäffer podem ter importância agrícola. No Brasil, Batrachedra nuciferae Hodges se destaca pelos prejuízos causados em cultivos de coqueiros. As larvas polinívoras podem danificar quase a totalidade das flores masculinas do coqueiro, diminuindo a probabilidade de fecundação e consequentemente da frutificação da espécie. Referências: Bondar (1940), Hodges (1966, 1998) e Heppner (1984). Blastobasidae. A família tem distribuição cosmopolita, apre- sentando cerca de 300 espécies, grande parte concentrada nas Américas. No Brasil 12 espécies foram registradas até o momento, pertencentes aos gêneros Balstobasis Zeller, Auximo- basis Walsingham e Holcocera Clemens. Adultos são diminutos, entre 5–35mm, palpos maxilares com quatro artículos, e asas anteriores com um pterostigma entre Sc e R1. O primeiro tergo abdominal apresenta uma crista esclerosada ligando a corda e o ângulo látero-posterior do tergo. A metade posterior dos tergos abdominais apresentam cerdas espiniformes. Genitália masculina com valva profundamente dividida, com a costa desenvolvida como um lobo livre. As larvas são pouco conhecidas além de seu hábito detritívoro, necrófago, predadores oportunistas ou ali- mentando-se de frutos, flores e sementes de diferentes famílias de plantas. Referências: Heppner (1984), e Hodges (1978, 1998). Coleophoridae. A família tem distribuição mundial, mas, em número de espécies, está mais bem representada nas regiões Neártica e Paleártica. São microlepidópteros com envergadura alar entre 6 e 22 mm, de asas estreitas, lanceoladas e com franjas longas. No Brasil duas espécies são registradas: Coleophora lepyro- pis Meyrick, que apresenta coloração ocre-esbranquiçada, veias indistintas e faixas marrom-claras e, Coleophora cisoriella Landry, com asas anteriores longas, de ápice arredondado, coloração geral acinzentada e veias marcadas em branco. Os representantes de Coleophoridae possuem antenas normalmente estendida para frente quando em repouso; R2 originando-se próximo, ou antes, do ângulo superior da célula discal; R4 e R5 pedunculadas; R3 terminando na margem externa; pterostigma, quando presente, entre Sc e R1; CuA1 e CuA2 pedunculadas, dirigidas posterior- mente para a margem posterior; veias anais em forquilha. Os sete primeiros tergitos abdominais são cobertos por dois pequenos grupos de cerdas espiniformes, distribuídas longitudinalmente. Genitália masculina com valva profundamente dividida, com a costa desenvolvida como um lobo livre. Forrageiam com o corpo paralelo ao substrato e com as asas enroladas. Poucas espécies têm seus estágios imaturos conhecidos, em geral, somente as larvas costumam ser identificadas. Os ovos conhecidos são alongados e de cório finamente reticulado. Larvas com cabeça prognata, com os seis estemas distribuídos em semicírculo. Pupas em geral diferem dos demais grupos pelo palpo labial e fêmures proeminentes; normalmente são encontradas dentro de abrigos larvais. A maioria das espécies de Coleophora Hübner tem larvas minadoras somente no primeiro ínstar. Nos ínstares subsequentes, vivem na superfície externa das folhas, em abrigos construídos com materiais provenientes da própria alimentação. Algumas espécies podem ser minadoras durante todo o estágio larval, mas, nesse caso, somente a parte anterior do corpo da larva fica no interior da folha, a outra fica protegida pelo abrigo larval que normalmente se adere à superfície externa da folha. Referências: Meyrick (1916-1923), Patrana (1963), Hodges (1998), Kaila (2004) e Bucheli & Wenzel (2005). Cosmopterigidae. São encontrados em todas as partes do mundo, mas, das quase 1.700 espécies descritas para a família até o momento, menos de 150 ocorrem na região Neotropical. Das três subfamílias atualmente reconhecidas, Chrysopeleiinae e Cosmopteriginae ocorrem no Brasil. A envergadura alar varia entre 4 e 26 mm. Venação com grande variação: célula discal da asa posterior aberta nos Chrysopeleiinae; asas posteriores podem ter Rs e M1 pedunculadas ou independentes, e M3 e LEPIDOPTERA 739 CuA1 quase sempre independentes. Algumas espécies são pragas agrícolas, como a lagarta-rosada-do-algodoeiro, Sathrobrota rileyi (Walsingham), que não ocorre na América do Sul, cujos ganchos dos larvópodes são ordenados em círculo. Ovos são difíceis de ser encontrados na natureza; em geral, não excedem a 0,5 mm de diâmetro. As larvas são prognatas ou ligeiramente hipognatas, em geral minadoras foliares de monocotiledôneas, mas há também algumas espécies que se alimentam de parên- quima ou que vivem como brocas de caule e sementes de outros grupos vegetais, incluindo, por exemplo, espécies de Fabaceae, Moraceae e Urticaceae; outras são predadoras de cocoideos (Heteroptera: Sternorrhyncha). Pupas de algumas espécies são mantidas dentro de casulos, onde costumam ser encontradas as exúvias pupais após a emergência dos adultos. Adultos têm hábitos e comportamento pouco conhecidos e, geralmente são coletados à noite, com lençol branco e lâmpada de vapor de mercúrio, embora o gênero Cosmopteryx Hübner compreenda espécies diurnas e crepusculares. Referências: Heppner (1984), Hodges (1998) e Kaila (2004). Depressariidae. Estudos sistemáticos recuperam Depressarii- dae (Figs 33.124,125) como uma linhagem não monofilética, composta dos grupos antes considerados subfamílias de outras linhagens de Gelechioidea, como Ethmiinae, Hypertrophinae, Aeolanthinae, Oditinae, Acriinae e Stenomatinae. Destas Eth- miinae e Stenomatinae juntam-se a Depressariinae dentre as linhagens com ocorrência para o Brasil, sendo as duas últimas as mais representativas. Anteotricha Zeller e Stenoma Zeller são gêneros com grande número de espécies, cada qual com mais de 100 espécies registradas no Brasil. Algumas representam mariposas de porte médio chegando a ultrapassar 80 mm de envergadura. Com os recentes conhecimentos sobre a natureza evolutiva dos Depressariidae, poucos caracteres morfológicos são reconhecidos para o grupo como um todo, além da presença de côndilos laterais na pupa, também presente em Elachistidae. Aparentemente, grande parte das espécies compartilham um gnato lobular e espinhoso. Nos Ethmiinae os ocelos são ausen-tes; palpo maxilar varia desde um pequeno artículo diminuto até quatro artículos; asa posterior com Rs e M2 separadas na base; gnato normalmente largo e fusionado com o tegume; valva frequentemente com reentrância apical; duto da bolsa normalmente recurvado em espiral. Os Depressariinae têm o palpo maxilar normalmente quadrisegmentado; asa posterior com Rs e M1 separadas; e apresentam asas anterior e posterior largas. Já os Stenomatinae podem ser reconhecidos pela veia Rs da asa posterior, recurvada em direção à Sc, próximo ao ápice da célula discal. As espécies de importância econômica são as mais estudadas e conhecidas, como a broca-do-abacate, Stenoma catenifer Walsingham e a broca-da-graviola, Cerconota anonella (Sepp) (Stenomatinae). Pouco se conhece sobre os imaturos das espécies brasileiras, além de algumas espécies do cerrado brasi- leiro e do gênero Timocratica Meyrick que tem sido estudada nos últimos anos. Referências: Powell (1973), Hodges (1998), Heikillä et al. (2014) e Sohn et al. (2016). Elachistidae. A exemplo de Oecophoridae, a família Elachistidae também já abrigou algumas linhagens de grande diversidade de Gelechioidea, como Depressariinae e Stenomatinae. Este clado era suportado pela presença de côndilos laterais no abdômen da pupa. Entretanto, as filogenias mais recentes recuperam a linha- gem como um grupo derivado mais restrito, de relacionamento irmão aos Momphidae. Desta forma, Elachistidae é hoje compos- ta por três subfamílias. Agoxeninae é o grupo mais representado no Brasil, com cerca de 20 registros até o momento. As mariposas têm porte pequeno, entre 7–20 mm de envergadura, geralmente com padrão de cor esbranquiçadas, acinzentadas ou enegrecidas. Asas anteriores são alongadas, lanceoladas, enquanto as poste- riores são franjadas, normalmente acinzentadas. A biologia das espécies brasileiras é desconhecida. Em outras regiões, as larvas são brocadoras, minadoras ou consomem externamente as folhas de Arecaceae, Euphorbiaceae, Proteaceae, Rosaceae, Teacaceae e Tiliaceae. Referências: Heppner (1984), Hodges (1998), Kaila (2004) e Bucheli & Wenzel (2005). Gelechiidae. É uma das maiores famílias de “Microlepidotera”, com mais de 4.700 espécies e cerca de 500 gêneros descritos e distribuídos no mundo. Contudo, devido a grande dificuldade de identificação das espécies, somado à ausência de estudos e especialistas nas regiões tropicais, estima-se que pelo menos a mesma quantidade de espécies esteja para ser descrita. A região Neotropical abriga a segunda maior riqueza (depois da região Paleártica), com aproximadamente 860 espécies. Quatro das seis subfamílias reconhecidas no grupo ocorrem no Brasil: Gelechii- nae, Anacampsinae, Anomologinae e Apatetrinae; totalizando cerca de 200 espécies registradas no país. Algumas sinapomor- fias suportam a identidade da linhagem, dentre elas: superfície ventral da asa anterior das fêmeas com uma fileira de escamas estreitas sobre a veia radial; em vista ventral, porção mediana do gnato falciforme e curvada para baixo. Possuem coloração pouco vistosa, geralmente são amarelados ou acinzentados, com enver- gadura alar entre 7 e 25 mm. Asas anteriores com CuP ausente. Asas posteriores com Sc e Rs unidas próximo à base; facilmente reconhecidas pela margem externa sinuosa e ápice pontiagudo, lembrando o perfil da proa de um navio (Fig. 33.59). Quando em repouso, os adultos costumam manter a porção anterior do corpo erguida. Algumas espécies são de importância econômica, sendo bem conhecidos os danos causados: Sitotroga cerealella (Olivier) (Apatetrinae, Pexicopini), traça-do-milho, cujas lar- vas se desenvolvem em grãos, na espiga ou em armazenados; Pectinophora gossypiella (Saunders) (Apatetrinae, Pexicopini), lagarta-rosada-do-algodoeiro e do quiabeiro, identificadas pelos crochets larvais ordenados em penelipse mesial; Phthporimaea operculella (Zeller) (Gelechiinae), traça-da-batatinha, cujas larvas são brocas de solanáceas (batata, tomate, berinjela, tabaco); e Stegasta bosqueella (Chambers) (Gelechiinae), larva-do-pescoço- -vermelho, que ataca as pontas e axilas das folhas de amendoim. Imaturos de Gelechiidae são pouco mais conhecidos que os das demais famílias de Gelechioidea pelo fato de algumas espécies serem pragas agrícolas. Porém, mesmo para essas espécies, ainda faltam estudos morfológicos detalhados, fundamentais para com- plementar a sistemática do grupo. Os ovos são pequenos e variam de subcilíndricos a fusiformes. Larvas prognatas ou hipognatas; semelhantes às de Cosmopterigidae e Oecophoridae, às vezes de difícil distinção. No estágio larval, Gelechiidae compreende praticamente todos os tipos de hábitos alimentares conhecidos para Lepidoptera, incluindo uma grande diversidade de famílias de plantas. Não há registros de fungivoria e exofagia. Pupas LEPIDOPTERA 740 quase sempre protegidas em casulos; a exúvia pupal permanece no casulo mesmo após a emergência do adulto. A maioria das espécies da região Neártica é univoltina, porém populações de latitudes mais ao sul costumam ter duas ou mais gerações por ano. A hibernação pode ocorrer em qualquer um dos estágios imaturos. Adultos são crepusculares ou noturnos. Referências: Hodges (1998), Kaila (2004), Bucheli & Wenzel (2005), e Karsholt et al. (2013). Momphidae. Com distribuição concentrada na região Holártica, com poucos representantes Neotropicais e na Nova Zelândia. No Brasil, 11 espécies são registradas dos gêneros Mompha Hübner, Echinophrictis Meyrick e Palaeomystella Fletcher. São mariposas diminutas, geralmente entre 4–10 mm de enverga- dura, normalmente de cores crípticas. Pecten antenal presente; asas anteriores longas e lanceoladas, CuP pouco desenvolvida; veias anais em forquilha; asa posterior estreita e pontiaguda, com longas franjas, Sc+R1 e Rs fusionadas na base; CuP ausente ou pouco desenvolvido; genitália masculina com valva profunda- mente dividida, com a costa desenvolvida como um lobo livre; gnato ausente; signo da bolsa copuladora no formato de gancho. As larvas de Momphinae são minadoras, galhadoras, ou alimen- tam-se de folhas, caules e raízes, podendo migrar para diferentes tecidos vegetais ao longo de seu desenvolvimento. No Brasil, a biologia de algumas espécies de Palaeomystella já são conhecidas, incluindo seu comportamento galhador intimamente associado com Tibouchina (Melastomataceae). As larvas empupam no interior da galha, em casulos produzidos com seda. As pupas são alongadas e crípticas. Referências: Hodges (1998), Becker & Adamski (2008) e Luz et al. (2014). Oecophoridae. Abriga cerca de 3.400 espécies distribuídas pelo mundo, mas interpretações anteriores tinham a família como um grupo mais abrangente de linhagens. Depressariinae, Ethmiinae, Stenomatinae e Stathmopodinae são exemplos de grupos anteriormente incluídos em Oecophoridae, mas que notadamente não formam um grupo monofilético. Por essa razão, a família é reconhecida atualmente por uma linhagem mais restrita, formada por duas subfamílias: Oecophorinae (cosmopolita) e Pleurotinae (sem ocorrência na América do Sul). Grande parte da diversidade do grupo se concentra na Austrália, enquanto no Brasil cerca de 40 espécies são registradas, grande parte delas pertencentes ao gênero Inga Busck. Os adultos são de pequeno a médio porte, com envergadura alar entre 3 e 30 mm, caracterizados pela asa anterior ligeiramente ovalada (Fig. 33.60), de duas a três vezes mais longa do que larga, ápice quase sempre arredondado; margem externa pouco definida, convexa ou reta; ângulo anal desenvolvido em algumas espécies. Asa posterior variável, geralmente larga, ovalada a lanceolada, mais curta ou aproximadamente do mesmo comprimento da anterior; margem costal arredondada; região anal às vezes bem definida; frênulo com duas ou três cerdas nas fêmeas; franja até duas vezes o comprimento da asa. Imaturos semelhantes aos de Gelechiidae e Cosmopterigidae. A maioria dos ecoforídeos no estágiolarval é fitófaga, sendo que algumas são detritívoras (Oecophorinae), atacando cereais armazenados, frutas secas, artigos de lã, peles de animais e carne seca, e outras podem estar associadas a fungos. Algumas espécies brasileiras têm sido assinaladas como pragas de plantas cultivadas, e outras do Cerrado foram registradas em várias plantas hospedeiras. Referências: Hodges (1974), Kaila (2004), Bucheli & Wenzel (2005), Diniz et al. (2007), Kim et al. (2016) e Sohn et al. (2016). Scythrididae. Com aproximadamente de 26 gêneros e mais de 700 espécies, a família está distribuída mundialmente, mas apenas o gênero tipo Scythris Hübner ocorre no Brasil, com duas espécies registradas. Outras dez espécies do gênero ocorrem em outros países da América do Sul (p. ex. Colômbia, Peru e Paraguai). Adultos medem em geral entre 10 a 12 mm de envergadura alar, e são caracterizados pelo pécten antenal e pelos ocelos, quando presentes, distintamente separados dos olhos. Asa anterior lanceolada, com um pterostigma adjacente à margem costal, entre Sc e R1; R1 originando-se na metade superior ou próximo à base da célula discal; R2 mais próxima de R3 que de R1; CuP indistinta ou ausente mesmo próximo à margem externa da asa; veias anais em forquilha na base. Asa posterior mais estreita que a anterior, com Sc+R1 e Rs fusionadas na base. As espécies de Scythris são reconhecidas pela presença de escamas frenulares acessórias, ou seja, dois conjuntos de escamas especializadas no acoplamento das asas. Tergitos abdominais com cerdas espiniformes distribuídas em bandas transversais. A genitália masculina apresenta uma grande diversidade de formas, incluindo assimetrias; o duto da bolsa da genitália feminina é distintamente mais fino que nas demais famílias de Gelechioidea. Não há nenhuma informação disponível sobre a biologia das espécies que ocorrem no Brasil. No entanto, para algumas espécies não neotropicais, sabe-se que as larvas são fitófagas e geralmente encontradas em folhas jovens e brotos; algumas vivem como minadores. As pupas são robustas e desprovidas de cremáster. No total, são registradas mais de 20 famílias de plantas hospedeiras, entre as quais citam-se: Apiaceae, Asteraceae, Cactaceae, Caryophyllaceae, Chenopodiaceae, Convolvulaceae, Fabaceae, Hydrophyllaceae, Lamiaceae, Malvaceae, Onagraceae, Poaceae, Polygonaceae, Portulacaceae e Solanaceae. Referências: Heppner (1984), Hodges (1998) e Kaila (2004). Stathmopodidae. Reconhecida como família, o grupo compre- ende cerca de 150 espécies distribuídas em 26 gêneros em todo o mundo. No Brasil apenas cinco espécies foram registradas até o momento, representadas pelos gêneros Arauzona Walker, Snelenia Walsingham e Tinaegeria Walker. Os adultos podem apresentar cores chamativas e hábitos diurnos. São facilmente reconhecidos na natureza pela sua postura, deixando as pernas posteriores erguidas quando em repouso. Estas pernas apresen- tam tufos de cerdas característicos, não encontrados em outros grupos de Gelechioidea. Outra autapomorfia refere-se aos tergos abdominais com uma mancha de cerdas espiniformes localizadas sobre a margem posterior. O primeiro tergo abdominal apresenta uma crista semelhante à descrita em Blastobasidae. As larvas apre- sentam hábitos diversificados, podendo alimentar-se de frutos, flores, esporângios de pteridófitas, tecidos vegetais mortos, ou até serem predadoras de Sternorrhyncha ou de ovos de aranhas. Referências: Heppner (1984) e Hodges (1998). GEOMETROIDEA Segunda superfamília mais diversa de Lepidoptera, abriga cerca de 1200 espécies regristradas no Brasil, número que ainda deve aumentar substancialmente. Caracterizado principalmente pela LEPIDOPTERA 741 forma típica do lábio larval, com fiandeira geralmente mais curta que o premento em sua linha mediana. Nos adultos, o órgão timpânico abdominal está presente em Geometridae e Uraniidae e a sua presença é uma plesiomorfia para a superfamília, já que Drepanidae (Drepanoidea) também possui um órgão timpânico abdominal supostamente homólogo; mesmo assim, a presença dessa estrutura constitui uma sinapomorfia para o grupo forma- do por Drepanoidea e Geometroidea, ainda que tenham ocorrido perdas secundárias nas duas superfamílias. 1. Órgão timpânico abdominal morfologicamente distinto (Fig. 33.39) ....................................... Geometridae ― Órgão timpânico abdominal ausente ou, se presente, localizado no segundo ou terceiro segmentos abdominais ... 2 2(1). Abdômen sem órgão timpânico. Olhos pilosos. Quetosema conspícuo, com cerdas longas (alcançando ou ultrapassando a borda do olho composto). Flagelômeros apicais normalmente espessados ......... Sematuridae ― Abdômen com órgão timpânico dimórficos. Nos machos os órgãos são presentes lateralmente no tergo II e III, enquanto nas fêmeas eocntra-se ventralmente no esterno II. Olhos glabros. Quetosema não conspícuo, com cerdas curtas. Antena sem espessamento apical ......................... Uraniidae Geometridae. Mariposas pequenas a grandes, com corpo robusto e envergadura alar variando de 5 a 50 mm. Coloração geral muito variável. Algumas espécies são totalmente brancas, amarelas, róseas, alaranjadas ou esverdeadas. Entre as asas, é comum ocorrer linhas transversais mais escuras, muitas vezes imitando nervuras de folhas. Em alguns grupos, ocorre bra- quipteria, micropteria e mesmo apteria. É a família com maior número de espécies dentro de Geometroidea e a segunda maior de Lepidoptera, com aproximadamente 21 mil espécies descritas. No Brasil, as mubfamílias mais comuns são: Desmobathrinae, Ennominae (Fig. 33.126), Geometrinae (Fig. 33.127), Sterrhi- nae, Larentiinae e Oenochrominae. Caracterizadas pela presença de órgãos timpânicos abdominais nos adultos (Figs 33.39,40) (Cook & Scoblee pela presença, nas larvas, de dois pares de lar- vópodes, um no segmento abdominal VI e outro no X. Devido ao número reduzido de larvópodes, as larvas locomovem-se de maneira bastante peculiar e são popularmente conhecidas como mede-palmos. O monofiletismo da família está sustentado pela estrutura dos órgãos timpânicos, que difere significativamente dos demais grupos com a mesma estrutura. Muitos geometrídeos possuem um padrão de linhas onduladas transversais nas asas, formando complexos sistemas de simetria. Asa anterior com uma ou duas aréolas, formadas pelas veias R1 e R2; R5 pedunculada com R3 e R4; M2 geralmente com a base mais próxima de M1 que de M3, mas também pode estar equidistante das duas ou raramente mais próxima de M3. Asa posterior caracterizada por Sc muito curvada na base, estendendo-se junto com a Rs ou fundindo-se a ela por curta distância, ou ainda, conecta-se à Rs pela R1 (Fig. 33.61). Os ovos são ornamentados ou lisos, achatados, alongados, circulares, elípticos ou ovais; em algumas espécies, as fêmeas ovipositam em linhas ou em anéis. Na maioria das vezes, os ovos são colados sobre o substrato, mas também podem ser inseridos em cavidades da casca das árvores ou, mais raramente, liberados durante o voo. A maioria é glabra, cilín- drica e alongada, não raro com modificações e ornamentações no tegumento que são importantes para a camuflagem. Larvas de Thyrintheina arnobia (Stoll), Macaria regulata (Fabricius), Hymenomima amberia (Schaus) e Glena unipennaria (Guenée) se assemelham a pequenos gravetos; as de Eois tegularia (Guenée) se assemelham às nervuras das folhas de Piper spp. Ao emergi- rem, as larvas de várias espécies são muito semelhantes entre si e em geral têm hábitos noturnos; durante o dia, permanecem imóveis ou escondidas em abrigos, como os que são utilizados por Sabulodes Guenée, que normalmente são confeccionados por duas folhas unidas pelos fios de seda produzidos pelas larvas, formando casulos simples ou bem elaborados. Larvas em geral fitófagas, mas algumas espécies carnívoras, com o hábito de emboscar pequenos insetos e aranhas. Poucas são minadoras, a maioria alimentando-se debulbos, flores e folhas. Poucas es- pécies são consideradas pragas de plantas cultivadas, ocorrendo eventualmente em monoculturas silvícolas. Pupas que constroem casulos usualmente têm cremáster com ganchos desenvolvidos. Em repouso, os adultos raramente dobram as asas sobre o ab- dômen, assumem uma posição típica da família, na qual as asas ficam abertas e justapostas ao substrato. Referência: McGuffin (1967), Minet & Scoble (1998), e Scoble (1999). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de McGuffin 1967; Minet & Scoble 1998) 1. M2 da asa posterior tubular .......................................... 2 ― M2 da asa posterior ausente ou fraca e não tubular ..................................................... Ennominae 2(1). Sc da asa posterior livre de Rs ou anastomosada com esta na base ................................................................. 3 ― Sc da asa posterior anastomosada com Rs por quase todo o comprimento da célula discal, raramente conectada a esta por R1 ................................................... Larentiinae 3(2). Mariposas geralmente verdes. Asa posterior com M2 equidistante de M1 e M3 ........................ Geometrinae ― Mariposas sem verde nas asas. Asa posterior com M2 geralmente mais próxima de M1 que de M3 ............................ 4 4(3). Corpo delicado, fino. Asas pálidas ou rosadas. Sc e Rs da asa posterior fundidas em menos de um quarto do comprimento da célula discal ou apenas em contato, após o que diverge imediatamente ................... Sterrhinae ― Corpo mais robusto. Asas cinzentas, pardas ou amareladas. Sc e Rs da asa posterior próximas, mas não fundidas ......... .............................................................. Oenochrominae Sematuridae. A monofilia da família é sustentada pelos seguintes caracteres: antena ligeiramente mais dilatada na extremidade apical, não visível em algumas espécies, antes de tornar-se afilada e recurvada na ponta, com escapo robusto; segmento abdominal I com tergito estreito e barras tergo pleurais largas, contíguas às expansões ântero-laterais do tergo II; genitália masculina com esterno IX parcialmente coberto por diminutos espinhos. Mariposas predominantemente noturnas, de corpo delgado e tamanho médio a grande, com envergadura alar de até 80 mm. Inclui 35 espécies e uma distribuição disjunta, com um gênero na África e o restante das espécies predominantemente neotro- picais. Apoprogoninae é monotípica e exclusivamente africana, e Sematurinae é predominantemente neotropical, com quatro gêneros endêmicos: Coronidia Westwood, Homidiana Strand, Sematura Dalman (Fig. 33.128) e Lonchotura Hampson e um gê- nero na região Neártica. Todas as espécies neotropicais têm olhos LEPIDOPTERA 742 pilosos. Os ovos têm estrias longitudinais bem marcadas e estrias transversais relativamente mais finas; em geral são postos com o eixo micropilar perpendicular ao substrato. Larvas de último ínstar não possuem cerdas secundárias. As plantas hospedeiras são pouco conhecidas, mas há registros de larvas de Sematura luna Linnaeus camuflando-se entre as flores de Mimosaceae e Myrtaceae. Referências: Minet (1986) e Minet & Scoble (1998). Uraniidae. Com 700 espécies, a família está distribuída mun- dialmente, dividida em quatro subfamílias: Auzeinae, Epiple- minae (Fig. 33.129), Microniinae e Uraniinae (Fig. 33.130). Pequenas ou de médio e grande porte, com envergadura alar entre 20 a 90 mm e cores pardas e esbranquiçadas, ou ainda caracterizadas pelas cores vistosas e pela iridescência das escamas; além disso, podem apresentar prolongamentos caudais nas asas posteriores (Fig. 33.130) entre M3 e CuA1. Órgãos timpânicos lo- calizados no segmento abdominal II, cuja posição é sexualmente dimórfica: nos machos, estão localizados póstero-lateralmente no tergo abdominal II, geralmente se estendendo para a porção ân- tero-lateral do tergo III, enquanto, nas fêmeas, estão na margem ântero-lateral do esterno abdominal II. Entre as espécies mais conhecidas, destaca-se Urania fulgens (Walker) pelo fato de ser migratória, voando do México até a Colômbia, incluindo parte da região amazônica brasileira. Populações de Urania spp. têm flutuações cíclicas que não estão diretamente ligadas à sazonali- dade, mas à toxicidade de sua planta hospedeira. Esse fenômeno é uma resposta ao grau de herbivoria que as plantas sofrem, com produção de compostos tóxicos desencadeados principalmente pela presença de ferimentos nas folhas, o que as torna mais tó- xicas em relação àquelas que não sofreram nenhum ataque por herbívoros. Consequentemente, as mariposas são obrigadas a migrar em busca de novos sítios de alimentação para as larvas. Os ovos são arredondados, com estrias reforçando o cório, sempre com o eixo micropilar perpendicular ao substrato. Larva com série completa de pernas abdominais, oito pares. A monofilia da família sustenta-se principalmente pelo compartilhamento de plantas hospedeiras de uma família – Euphorbiaceae. As larvas de Epipleminae são generalistas, incluindo em sua alimentação plantas das famílias Rubiaceae, Caprifoliaceae, Oleaceae, Daph- niphillaceae, Bignoniaceae e Verbenaceae. Referências: Minet (1982, 1983), Minet & Scoble (1998). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Minet & Scoble 1998) 1. Mariposas diurnas, grandes, semelhantes a borboletas, com cores iridescentes. Coloração das asas predominantemente preta e verde ............................................. Uraniinae ― Mariposas noturnas, pequenas, com cores pálidas .... ........................................................... Epipleminae GRACILLARIOIDEA. Em todo o mundo, são conhecidas cerca de 2.300 espécies, em pouco mais de 100 gêneros. Ca- racteriza-se pelas larvas minadoras ou brocadoras nos ínstares jovens e pelos ganchos dos larvópodes distribuídos em penelipse lateral, com ganchos dispersos internamente; na fase de pupa, pela extrusão parcial do casulo antes da emergência do adulto e pela presença de espinhos tergais no abdômen; na fase adulta, pelas escamas assentadas na fronte, palpo labial desprovido de cerdas laterais, gálea alongada e aproximada nas bases, ausência de células intercalares na asa anterior e de lobos pleurais no segmento abdominal VIII do macho. 1. Cabeça subtriangular em vista frontal, com tufo de cerdas piliformes no vértice. Escapo maior que a soma do pedicelo mais o primeiro flagelômero. Cada flagelômero com duas fileiras de escamas curtas e afiladas. Comprimento da probóscide até uma vez e meia o maior diâmetro do olho. Palpo labial com um palpômero ........................ [Bucculatricidae] ― Cabeça sub-retangular em vista frontal, sem tufo de escamas piliformes no vértice. Escapo menor que a soma do comprimento do pedicelo mais o primeiro flagelômero. Cada flagelômero com uma fileira de escamas. Comprimento da probóscide no mínimo o dobro do maior diâmetro do olho. Palpo labial com três palpômeros (Fig. 33.7) .... Gracillariidae [Bucculatricidae]. Seu posicionamento taxonômico é con- troverso. Incluída em Gracillarioidea por caracteres da pupa, posteriormente transferida para Yponomeutoidea e, em segui- da, para Tineoidea com base na ausência de lobos pleurais no segmento abdominal VIII dos machos. Atualmente foi incluída novamente em Gracillarioidea, mais proximamente relacionada aos Gracillariidae (cosmopolita) e Roeslerstammiidae (Velho Mundo). Compreende 250 espécies distribuídas no mundo, cerca de 40% das quais ocorrem na região Neártica. Na região Neotropical, encontramos Bucculatrix Zeller, com 10 espécies, facilmente distinguidas das demais espécies de microlepidóp- teros pelo formato subtriangular da cabeça em vista anterior, pela presença de escamas eriçadas no vértice, escapo expandido e primeiro flagelômero escavado nos machos. São mariposas pequenas, com comprimento da asa anterior variando entre 2,5 a 7,0 mm. São conhecidas as biologiasdas espécies de Bucculatrix Zeller encontradas ao norte do México, incluindo B. gossypiella Morril e B. thurberiella Busck, também registradas para a região Neotropical como importantes pragas do algodoeiro. Possuem modo de vida do tipo minador nos dois primeiros ínstares larvais e parte do terceiro; nos demais ínstares passam a alimentar-se da parte superficial das folhas de suas plantas hospedeiras. Referências: Mosher (1916), Braun (1963), Kyrbi (1984), Robinson (1988), Davis & Robinson (1998) e Kristensen & Skalski (1998). Gracillariidae. Considerada a principal linhagem de lepi- dópteros minadores, com cerca de 200 espécies Neotropicais. Gracillariidae é grupo-irmão de Roeslerstammiidae. Nessas duas famílias, a antena é geralmente longa ou quase tão longa quanto o comprimento da asa anterior e, além disso, o óstio da bolsa copuladora encontra-se no esternito VIII. Em Gracillarioidea, Gracillariidae e Roeslerstammiidae são as únicas famílias que pos- suem signos em forma de adaga. No entanto, essa característica parece pouco informativa, pois está presente em outros grupos, como Erechthiinae (Tineidae). Estão divididos em Gracillariinae, Lithocolletinae e Phyllocnistinae. Gracilariídeos são mariposas pequenas, com comprimento alar variando de 2 a 10 mm. Em repouso, mantém a porção anterior do corpo levantada, com as pontas das asas tocando a superfície onde estão pousadas. Há espécies de considerável importância econômica devido ao hábito minador das larvas, atacando principalmente as folhas e os frutos de árvores ou pequenos arbustos. No Brasil, desde que foi encontrada no Estado de São Paulo, Phyllocnistis citrella Stainton (Phyllocnistinae), originária da região Asiática, tem LEPIDOPTERA 743 causado sérios danos aos citros. Larvas causam danos diretos às brotações, destruindo-as completamente. Contudo, os danos indiretos podem ser os mais severos, porque o dano causado pelo inseto aumenta a infestação da bactéria do cancro cítrico, doença que pode reduzir e comprometer toda a produção em escala internacional. Referências: Davis & Robinson (1998), Prins & Prins (2005) e Prins et al. (2019). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil 1. Asa posterior com a base de Rs formando uma alça em direção à margem costal, quase tocando o ápice da Sc (Fig. 33.62) ............................................. Gracillariinae ― Asa posterior com a base de Rs paralela ou quase paralela à margem costal (Fig. 33.63) ....................... 2 2(1). Cabeça geralmente com tufos de cerdas piliformes na região occipital ............................ Lithocolletinae ― Cabeça sem tufos de cerdas piliformes na região occipital ............................................... Phyllocnistinae HEPIALOIDEA. Mariposas caracterizadas pelo arranjo peculiar da genitália feminina e pela ausência de um duto seminal livre. Em Hepialoidea e Mnesarchaeoidea (=Exoporia), esse duto é representado por um canal entre o óstio e o oviporo ou por um sistema no qual esses poros estão arranjados opostamente dentro de uma bolsa genital (Dugdale 1974). Os adultos são de tamanhos variados, geralmente com antenas curtas e probóscide vestigial. 1. Tíbia metatorácica com quatro esporões tibiais ......... ........................................................... Neotheoridae ― Tíbia metatorácica nunca com mais de dois esporões tibiais ................................................... Hepialidae Hepialidae. Cosmopolita, com mais de 50% das espécies distribuídas exclusivamente pelas regiões Neotropical e Austra- liana. Adultos variam quanto ao tamanho, a maior espécie da região Neotropical, Trichophassus giganteus (Herrich-Schäffer), tem cerca de 20 cm de envergadura alar e é uma das espécies mais bem conhecidas no Brasil (Fig. 33.131). A biologia dos hepialídeos difere em vários aspectos de outros lepidópteros. No estágio larval, podem ser brocas de raízes, caules e galhos de árvores; algumas espécies são micófagas durante todos os ínstares larvais, em outras a micofagia se estabelece nos primeiros ínstares, com substituição para a fitofagia nos demais. Não se alimentam na fase adulta, tendo a probóscide vestigial. São crepusculares ou noturnas e, em geral, os machos formam enxameamentos induzidos pela redução de luminosidade; nesse caso, as fêmeas são atraídas para a cópula por meio de estímulos químicos. Nas espécies cujos machos não possuem glândulas de cheiro nas tíbias metatorácias, são as fêmeas que os cortejam antes da cópula. Referências: Kristensen (1978, 1998), Nielsen & Robinson (1983), Nielsen et al. (2000) e C. Mielke & Grehan (2012). Neotheoridae. Com status de família ainda controverso na literatura (Kristensen 1998; Regier et al. 2015; Simonsen & Kristensen 2017), compreende atualmente 4 espécies, todas elas endêmicas do Brasil, reconhecidas em dois gêneros: Neotheora Kristensen e Paratheora Kristensen & Simonsen. As espécies são todas conhecidas por poucos exemplares, provavelmente devido à curta duração dos adultos na natureza e de seus hábitos críp- ticos (Simonsen & Kristensen 2017). São mariposas diminutas (cerca de 2cm de comprimento), asas castanhas, homogêneas, geralmente com ápice aculeado. O estágio larval é desconhecido. Referências: Kristensen (1978, 1984), Nielsen et al. (2000), Simonsen & Kristensen 2017. HYBLAEOIDEA Hyblaeidae. Inclui Erythrochrus Herrich-Schäffer, com duas espécies de distribuição Neotropical, e Hyblaea Fabricius, com 16 espécies de distribuição indo-australiana, exceto Hyblaea puera (Cramer) (Fig. 33.132), que foi introduzida em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, junto com o cultivo de Tectona gran- dis Linnaeus (Lamiaceae), popularmente conhecida como teca, espécie florestal originária da Índia, Tailândia, Burma, Camboja e Indonésia. Embora reconhecidamente homoplásticos, os carac- teres morfológicos larvais apontam para um possível parentesco com Pyraloidea. O fato de suas larvas, quando ameaçadas pelos predadores, regurgitarem e esguicharem o conteúdo estomacal, da mesma forma que se comportam as larvas de Thyridoidea, pode sustentar uma hipótese alternativa de parentesco para Hyblaeoidea, mas os detalhes da morfologia larval ainda não estão totalmente esclarecidos. Inclui mariposas com envergadura alar entre 25 e 40 mm. Assemelham-se a noctuídeos Catocalinae devido à asa anterior pardacenta e posterior enegrecida, com máculas amareladas ou alaranjadas. No Brasil, são conhecidas duas espécies, Erythrochrus bicolor Herrich-Schäffer e Hyblaea puera (Cramer) (Fig. 33.132). São caracterizadas pela perna posterior modificada no macho, com coxa escavada, onde se insere o pincel de cerdas da tíbia; pela superfície posterior dos tarsos com inúmeras cerdas espiniformes; pela furca metatorá- cica com braços secundários largos; pelas veias 1A e 2A da asa anterior livres, não-anastomosadas, e pela ausência de CuP na asa anterior. Das duas espécies que ocorrem no Brasil, somente os estágios imaturos de H. puera foram descritos. Larvas de últi- mo ínstar medem entre 25 e 35 mm de comprimento. Possuem corpo cilíndrico, robusto e desprovido de cerdas secundárias. Geralmente, alimentam-se dentro de galerias que constroem com as folhas das plantas hospedeiras e fios de seda. No Brasil, H. puera está associada à teca (Lamiaceae); em outras regiões, pode estar associada a outras famílias vegetais, principalmente Rhizophoraceae, Myrtaceae e Bignoniaceae. Adultos pousam com antenas voltadas para trás, assemelhando-se a algumas espécies de Tortricidae (Olethreutinae) e Pyralidae. Referência: Dugdale et al. (1998). IMMOIDEA Immidae. São conhecidas 36 espécies para a região Neotropical, a maioria distribuída em Moca Walker (Fig. 33.133), Imma Walker e Loxotrochis Meyrick. Mariposas de pequeno a médio porte, com envergadura alar variando entre 12 a 45 mm; ge- ralmente são noturnas, de corpo robusto e coloração críptica, assemelhando-se, em alguns aspectos,aos Tortricoidea. Embora abundantes na natureza em determinadas épocas do ano, esses microlepidópteros não causam danos economicamente signifi- cativos. Imaturos são praticamente desconhecidos. Durante o estágio larval, vivem na superfície externa das plantas hospedeiras que, além de coníferas, incluem várias famílias de dicotiledô- LEPIDOPTERA 744 neas. Quanto aos adultos, sabe-se somente que são noturnos. Referências: Heppner (1984) e Dugdale et al. (1998). LASIOCAMPOIDEA. Compreende apenas Lasiocampidae, de distribuição cosmopolita, com mais de 220 gêneros e 1.900 espécies na região Neotropical, com parte da diversidade de espécies concentra-se na subfamília Macromphalinae (Fig. 33.135), sobretudo nos gêneros Euglyphis Hübner, Tolype Hüb- ner e Titya Walker. Entretanto, a sistemática e biologia ainda são pouco conhecidas e provavelmente esses gêneros representam grupos monofiléticos. No Brasil estima-se cerca de 250 espé- cies de Macromphalinae e apenas três de Lasiocampinae (Fig. 33.134), todas do gênero Prorifrons Barnes & McDunnough, 1911. Mariposas pouco vistosas, em geral de coloração críptica e tons escuros (Figs 33.134,135), corpo robusto com muitas cerdas piliformes, não raro de aspecto lanuginoso. Adultos são reconhecidos pelos seguintes caracteres: pilíferos glabros; asa anterior com a porção distal da R muito próxima de Sc; aréolas ausentes; CuA2 na asa anterior originando-se mais próxima da base alar que de M3; sistema de acoplamento das asas do tipo amplexiforme. Ovos são ovais ou subcilíndricos e achatados dorsalmente, com eixo micropilar paralelo ou perpendicular ao substrato, cório liso ou distintamente ornamentado. Larvas de Lasiocampidae são frequentemente confundidas com larvas de Arctiinae (Erebidae) e Apatelodidae. Possuem corpo cilíndrico ou achatado, todo recoberto por escolos, alguns podendo ser urticantes. A pupa é do tipo adéctica obtecta, mantida em casulo confeccionado com seda e cerdas larvais. São escassas as informações sobre a biologia dos lasiocampídeos brasileiros. Não há registros de danos econômicos importantes causados à agricultura brasileira, mas em outras partes do mundo as espécies de Malacosoma Hübner, também conhecidas por “lagartas-de- tenda”, têm causado grandes estragos a muitas espécies vegetais de importância econômica, sendo reconhecidas pelas extensas teias que tecem sobre os ramos da planta hospedeira. Referências: Franclemont (1973), Heppner (1996), Lemaire & Minet (1998) e Specht et al. (2008). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Lemaire & Minet 1998) 1. Asa posterior com Sc+R1 geralmente separada de Rs (Fig. 33.65) ................................. Macromphalinae ― Asa posterior com Sc+R1 fusionada ou conectada de diferentes formas a Rs (Fig. 33.64) .......... Lasiocampinae MIMALLONOIDEA Mimallonidae. Tem cerca de 30 gêneros e 200 espécies endê- micas do Novo Mundo, predominantemente neotropicais, com quatro espécies, em três gêneros registradas para a região Neár- tica. Como autapomorfias, os mimalonídeos possuem: antenas bipectinadas com ramos apicais bastante curtos ou ausentes nos machos; probóscide pouco desenvolvida ou ausente; palpômero labial mediano curto, nunca excedendo o comprimento do basal; tíbia metatorácica com um par de esporões; asa posterior com Sc + R1 bastante arqueada além da base; pupa com reentrâncias dorsais ornadas com pequenos espinhos e paralelas às margens anteriores dos segmentos abdominais II a VII. Historicamente, foram classificados como grupos próximos à Bombycoidea, um relacionamento que não é corroborado em estudos filogenéticos recentes. De médio a grande porte, com comprimento alar variando entre 30 a 60 mm (Fig. 33.66) e de hábitos noturnos. Adultos possuem coloração pouco vistosa, geralmente de tons escuros, algumas espécies com linhas ou máculas sobressaindo nas asas anterior e posterior. Poucas espécies brasileiras têm os imaturos conhecidos e, em geral, suas descrições são sucintas, es- tando dispersas na literatura. Ovos com eixo micropilar paralelo ao substrato; cório forte, transparente ou translúcido, não raro ornamentado com inúmeras estrias longitudinais e transversais. As larvas são semelhantes às de outras famílias devido à ausência de cerdas secundárias e à presença de duas cerdas do grupo lateral no primeiro segmento torácico. Costumam ser encontradas em abrigos que elas próprias confeccionam utilizando folhas, bolotas fecais e fios de seda. Passam a maior parte do estágio larval dentro desses abrigos, deixando-os apenas para se alimentarem. Suas plantas hospedeiras compreendem espécies de Anacardiaceae, Clusiaceae, Combretaceae, Fagaceae, Melastomataceae, Myrta- ceae e Rubiaceae. A pupa é do tipo adéctica obtecta, mantida em casulos espessos de seda ou de seda com folhas e bolotas fecais aglutinadas. Algumas espécies são economicamente importan- tes do ponto de vista agrícola, como Mimallo amilia (Cramer) (Fig. 33.136), cujas larvas são pragas da goiabeira e de outras mirtáceas. Referências: Lemaire & Minet (1998), Regier et al. (2008) e St Laurent & Kawahara (2019). NEPTICULOIDEA. A monofilia da superfamília está sustenta- da em uma série de sinapomorfias dos estágios de larva, pupa e adulto. Entre elas, citam-se estemas larvais reduzidos a um par, ausência de ganchos nos larvópodes e escapo antenal tipicamen- te expandido nos adultos (reduzido em alguns Nepticulidae), semelhante a um antolho, encobrindo total ou parcialmente a porção dorsal do olho (Fig. 33.6). Tem ampla distribuição geográfica, excetuando a Antártica. Formado pelos menores lepidópteros conhecidos até o momento, com envergadura alar entre 2 e 16 mm. 1. Asa anterior com Radial ramificada (Fig. 33.67). Macho sem frênulo ....................................... Nepticulidae ― Asa anterior com Radial não ramificada (Fig. 33.68). Macho com frênulo .......................................... Opostegidae Nepticulidae. Possui a maior radiação de espécies entre as famílias cujas fêmeas são caracterizadas por uma abertura ge- nital. Das aproximadamente 900 espécies de Nepticulinae, a maior representatividade está nas latitudes de clima temperado, enquanto Pectinivalvinae tem distribuição restrita à região Aus- traliana. Adultos são caracterizados pela ausência de probóscide e pela asa anterior com escamas bem desenvolvidas em relação ao tamanho do corpo. Muitas vezes, com colorido típico na asa anterior que contrasta com a coloração pálida da asa posterior. As larvas são glabras, ápodes e incolores; a maioria é minadora de folhas, vivendo em mais de 30 famílias de angiospermas, como Betulaceae, Ericaceae, Fagaceae, Rhammaceae, Rosaceae e Salicaceae, entre as mais citadas na literatura. Como as larvas são pequenas e suas peças bucais não tão fortes, normalmente não conseguem construir suas galerias onde o parênquima é mais fibroso e resistente. Com isso, estão constantemente fazendo desvios irregulares, que são característicos de algumas espécies. Referências: Davis (1984, 1998) e Puplesis & Diškus (2003). LEPIDOPTERA 745 Opostegidae. Distribui-se mundialmente, com 87% das espécies conhecidas nos trópicos. São conhecidas 91 espécies em quatro gêneros, Pseudopostega Kozlov, Neopostega Davis & Stonis, Notiopostega Davis e Opostegoides Kozlov. Pseudopostega e Neopostega são os gêneros de ocorrência no Brasil, totalizando 18 espécies registrada no país. Alem destas, Neopostega longispina Davis & Stonis deve também ocorrer em território brasileiro pelo fato de sua localidade-tipo, Cerro de la Neblina (Venezuela), fazer parte do maciço do Pico da Neblina, na fronteira entre o Brasil e a Venezuela. A biologia do grupo é pouco conhecida. Apenas 11 das 196 espécies conhecidas mundialmente foram criadas até o momento, porém nenhuma da fauna americana. Larvas são minadoras de folhas, caules e cascas de árvores e os principais registros de plantas hospedeiras incluem Betulaceae,Boraginaceae, Fagaceae, Polygonaceae, Rutaceae e Saxifragaceae. Referência: Davis & Stonis (2007). NOCTUOIDEA. Cosmopolita, esta é a maior superfamília de Lepidoptera, concentra mais de 40% de todas as espécies descritas na ordem, o que perfaz um total de 70 mil espécies organizadas em 7.200 gêneros. Reúne táxons relativamente recentes, cujos registros fósseis mais antigos datam do Terciário Médio ao Superior. Há registros de ovos fósseis do Cretáceo supostamente de noctuídeos, porém a dubiedade dessas infor- mações ainda não permite inferir categoricamente a origem desses lepidópteros. A monofilia está sustentada pela presença do órgão timpânico metatorácico, estruturalmente distinto de todos os demais órgãos timpânicos encontrados em Lepidop- tera. Além de captar as vibrações produzidas pelo ultrassom de morcegos, o órgão timpânico pode estar envolvido na recepção dos sinais emitidos durante a cópula. Associados aos tímpanos, outras estruturas podem estar presentes e são importantes para identificação, como o esclerito timpânico, álula, capuz timpânico e as câmaras timpânicas (Figs 33.41,42). O histórico sistemático da superfamília é problemático e ainda é motivo de repetidas alterações em sua classificação (La- fontaine & Schmidt 2010; Minet et al. 2012; Zahiri et al. 2012a, b, 2013). Um exemplo disso é Arctiinae reconhecida como família no século XX, mas passou a ser recuperada como uma subfamília de Erebidae nos estudos com base em informações moleculares. Similarmente, Nolidae e Euteliidae foram erigidas ao status de família. Sobretudo, a grande modificação sistemática está concentrada na diferenciação e delimitação de Noctuidae e Erebidae. A história sistemática incluía estes dois grupos como Noctuidae, que por sua vez era dividida nas linhagens “trifinae” (cujo tronco da cubital aparenta ter três ramos) e “quadrifinae” (cujo tronco da cubital aparenta ter quatro ramos). Entretanto, o uso deste caráter se mostrou problemático desde que estudos mais aprofundados na morfologia dos Noctuidae demonstravam relações contraditórias à dicotomia “trifinae” vs. “quadrifinae” (ver Fibiger & Lafontaine 2005). Mais recentemente, diferentes estudos moleculares delimitando as famílias de Noctuoidea corroboram a ampla manifestação homoplásica da presença e localização da origem de M2 (Zahiri et al. 2012a, b, 2013). Ao passo que os estudos modernos de biologia molecular auxiliam na delimitação das famílias e subfamílias de Noc- tuoidea, grande parte destes grupos ainda não é suportada por sinapomorfias morfológicas, dificultando assim a produção de chaves de identificação. Além disso, as chaves de identificação disponíveis para Noctuoidea são focadas para a fauna neártica ou do Velho Mundo, negligenciando muitas linhagens estritamente neotropicais. Por essa razão, a presente chave de identificação é uma tentativa de facilitar a identificação das famílias de Noctuoidea, segundo os mais recentes estudos sistemáticos. Os caracteres utilizados são uma combinação daqueles citados por Kitching & Rawlins (1998), Fibiger & Lafontaine (2005), Minet et al. (2012), e de observações próprias de exemplares da fauna brasileira. Para tal, o usuário deve ter um bom conhecimento da complexa estrutura timpânica dos Noctuoidea e utilizar pincéis finos embebidos em xilol para facilitar a visualização dos caracteres taxonômicos. 1. Asa anterior com M2 originando-se equidistante de M1 e M3, dando um aspecto trifurcado à veia cubital (Fig. 33.70) ........................................... Notodontidae ― Asa anterior com M2 originando-se muito mais próxima de M3 do que de M1, dando um aspecto quadrifurcado à veia cubital (Fig. 33.69) .............................. 2 2(1). Esporões da metatíbia curtos, menores que 1/5 do comprimento da tíbia. Capuz timpânico pré-espiracular presente (Fig. 33.42) .................. Erebidae (Arctiinae) ― Esporões da metatíbia alongados, pelo menos 1/4 do comprimento da tíbia. Se menores, capuz timpânico ausente (Fig. 33.41) ................................................ 3 3(2). Esporões da metatíbia curtos, menores que 1/5 do comprimento da tíbia. Capuz timpânico ausente ............ ................................................... Noctuidae (Pantheinae) ― Esporões da metatíbia alongados, pelo menos 1/4 do comprimento da tíbia. Capuz timpânico normalmente presente .................................................................. 4 4(3). Asa posterior com M3 e CuA1 fusionadas até próximo à margem da asa. Ocelos ausentes ......................... Nolidae (Nolinae) ― Asa posterior com M3 e CuA1 livres ou fusionadas no máximo por uma distância curta além da célula discal ....... 5 5(4). Fronte com protuberância central ... Nolidae (Diphtherinae) ― Fronte sem protuberância central .................................. 6 6(5). Capuz timpânico pré-espiracular presente ................... ............................................. Erebidae (Herminiinae) ― Capuz timpânico ausente ou pós-espiracular .......... 7 7(6). Asa posterior com M2 ausente ou pouco desenvolvida. Se presente, sua origem ocorre na metade da altura da célula discal; e/ou esclerito timpânico nodular .............. ..................................... Noctuidae (várias subfamílias) ― Asa posterior com M2 bem desenvolvida, com origem inferior à metade da altura da célula discal. Esclerito timpânico nunca nodular ............................................ 8 8(7). Asa posterior com origem de M3 próximo a 1/3 da altura da célula discal ............................................... 9 ― Asa posterior com origem de M3 próximo a 1/4 da altura da célula discal ou conectada diretamente com a origem de CuA1 .................................................. 10 9(8). Porção inferior da fronte desprovida de escamas ........... ........................................ Erebidae (várias subfamílias) ― Porção inferior da fronte revestida por escamas ............... ........................................ Noctuidae (várias subfamílias) 10(8). Capuz timpânico lobular, ocultando a cavidade timpânica e parte da conjuntiva, normalmente acompanhado de uma bolsa pleural ............................................... 11 LEPIDOPTERA 746 ― Capuz timpânico pouco desenvolvido ou ausente, cavidade timpânica e conjuntiva expostas ................... 12 11(10). Porção inferior da fronte revestida por escamas. Mariposas normalmente apresentando pequenas manchas em forma de Y na asa anterior .......................................... ................................................ Noctuidae (Plusiinae) ― Porção inferior da fronte revestida por escamas. Mariposas com asas anteriores alongadas e triangulares, e asas posteriores com área central branca, às vezes levemente translúcida ......................... Euteliidae (Stictopterinae) 12(10). Artículo apical do palpo labial alongado, pelo menos do mesmo tamanho que o artículo mediano. Retináculo normalmente membranoso e alongado, mais longo que largo ............................... Nolidae (Eligminae) ― Artículo apical do palpo labial curto, menor que o artículo mediano. Retináculo formado por escamas oriundas da Sc ou da CuA; se membranoso mais largo que longo; ou ausente ....................................................... 13 13(12). Palpo labial curto e delgado. Se normal, escapo antenal com tufo de cerdas alongadas (“eyelash”) direcionadas ventralmente sobre os olhos compostos ........................ ................................................ Nolidae (Collomelinae) ― Palpo labial normal. Tufo de cerdas alongadas (“eyelash”) presentes ou ausentes ................................................. 14 14(13). Porção inferior da fronte totalmente nua ............ 15 ― Porção inferior da fronte revestida por escamas, pelo menos lateralmente ............................................ 16 15(14). Escapo antenal com um tufo de cerdas alongadas (“eyelash”)direcionadas ventralmente sobre os olhos compostos ................................. Euteliidae (Euteliinae) ― Escapo antenal sem um tufo de cerdas alongadas (“eyelash”) ................... Erebidae (várias subfamílias) 16(14). Escamas da porção inferior e superior da fronte da mesma cor e formato ....................... Erebidae (Hypocalinae) ― Escamas da porção inferior da fronte claramente distintas das demais, normalmente achatadas, de menor tamanho ou de cor diferente daquelas localizadas na porção superior ................... Noctuidae (Dyopsinae e Bagisarinae) Erebidae. Considerada uma das maiores mariposas do mundo, com envergadura alar de aproximadamente 300 mm. Atual- mente com as seguintes subfamílias registradas para o Brasil: Anobinae, Arctiinae (Fig. 33.137), Boletobiinae (Figs 33.138– 140), Calpinae, Erebinae, Eulepidoptinae, Herminiinae (Fig. 33.142), Hypeninae (Fig. 33.143), Hypocalinae (Fig. 33.144), Lymantriinae (Fig. 33.145), Pangraptinae, Phytometrinae, Rivulinae, Scolecocampinae e Scoliopteryginae. Podem ter asas largas e corpo tipicamente estreito (Fig. 33.146), semelhantes aos geometrídeos, podem mimetizar vespas (p. ex. Arctiinae), ou mesmo apresentar corpo robusto, com inúmeras cerdas piliformes, assemelhando-se a muitas espécies de Bombycidae (p. ex. Paracles). Caracterizada pela venação quadrífida da asa posterior, ver exceções em Noctuidae, atualmente a família é reconhecida apenas com base em caracteres moleculares. É cos- mopolita, embora bem mais representada nos trópicos. Hábito predominantemente noturno, facilmente atraídas por armadilhas luminosas, com exceção de certas linhagens (p. ex. alguns gêneros de Arctiinae) de coloração vistosa e que visitam flores. Em geral, com espirotromba desenvolvida, às vezes com modificações que servem para perfurar frutos de casca grossa (p. ex. Calpinae). A longevidade geralmente varia de duas a três semanas. Algumas espécies, no entanto, vivem até seis meses, como é o caso das gigantes Thysania spp. (Erebinae). Além da presença do órgão timpânico, muitos erebídeos possuem estruturas produtoras de sons, especialmente desenvolvidas entre os representantes de Arctiinae. Muitos possuem também estruturas relacionadas à liberação de feromônios, conhecidas como órgãos androconiais. Em geral, as fêmeas ovipositam diretamente nas plantas hospe- deiras e nas estruturas que serão utilizadas pelas larvas como alimento. Ovos esféricos ou sub esféricos, em algumas espécies podem ser cônicos ou irregulares. Larvas tipicamente erucifor- mes, com padrões de coloração, morfologia e comportamento variados. Podem ser fitófagas ou mesmo detritívoras, como as larvas de Herminiinae. Pupas glabras e de coloração castanha, com cremáster pouco desenvolvido; em algumas subfamílias, podem ser tipicamente opacas, escuras, revestidas como em Mocis latipes (Guenée) (Erebinae), ou não, por uma camada serosa esbranquiçada; eventualmente podem ter uma densa cobertura de cerdas secundárias (Lymantriinae). Em vários grupos, no entanto, as pupas são encontradas dentro de casulos epígeos, sendo que em algumas subfamílias, especialmente aquelas cujas larvas possui densa cobertura de cerdas secundárias (Arctiinae, Lymantriinae), os casulos costumam ser resistentes e em suas paredes podem ficar aderidas as cerdas do último ínstar larval. Referências: Kitching & Rawlins (1998), Yela & Kitching (1999), Lafontaine & Fibiger (2006) e Zahiri et al. (2012a). Euteliidae. Com duas subfamílias: Euteliinae (Fig. 33.147) e Stictopterinae (Fig. 33.148) formam um grupo monofi- lético, baseado em grande número de sinapomorfias como: frênulo feminino reduzido, sensilas basicônicas modificadas na probóscide, presença de uma pequena placa oval no ducto ejaculatório, papilas anais modificadas de modo que suas superfícies internas sejam direcionadas posteriormente, capuz contra-timpânico com uma estrutura dupla (Richards 1932; Holloway 1985; Kitching 1984; Kitching & Rawlins 1998). Em repouso as mariposas se caracterizam por manter as asas dobradas no sentido longitudinal, com corpo preso em um ângulo entre 45 – 90º ao abdômen, o qual é curvado dorsalmente ou dorso- -lateralmente. Nestas condições a aparência das mariposas é de uma folha seca dobrada ou um pequeno conjunto de ramos. As larvas são lisas, com os cinco pares de larvópodes desenvolvidos, a pupação ocorre em um casulo no solo ou em restos vegetais. A maior diversidade de Euteliidae ocorre nos trópicos, mas podem ser encontrados nas savanas, hábitats semiáridos e até subtrópicos. Apesar da grande diversidade de plantas hospedeiras de suas larvas destaca-se a família Anacardiaceae, onde algumas espécies podem, em determinadas situações, tornarem-se pragas de manga (Holloway 1985). Entre as espécies mais características e vistosas encontradas no Brasil encontra-se Eutelia abscondens (Walker) (Fig. 33.147) e Paectes devincta (Walker). Noctuidae. Cosmopolitas, muito abundantes nas áreas tropi- cais, subtropicais e temperadas do mundo todo. Suas espécies geralmente são noturnas, de corpo robusto e coloração parda ou castanho-acinzentada, embora grupos como Agaristinae possam apresentar hábitos diurnos e cores aposemáticas. Tamanho relati- vamente pequeno e pouco variável, geralmente compreendendo envergaduras de 25 a 50 mm. Em campo, podem ser reconhe- LEPIDOPTERA 747 cidos pelo posicionamento das asas anteriores, frequentemente escondendo as posteriores, posicionando-se como uma “tenda”, ou dispostas longitudinalmente uma sobre a outra. Esta disposi- ção alar se deve ao fato que a asa posterior apresenta apenas três veias partindo da célula discal da asa posterior, dobrando-se sobre si mesma. Neste caso, a veia M2 emerge aproximadamente um terço acima da porção inferior da célula discal. Em outros casos a veia M2 é reduzida ou vestigial, de forma que parece que a veia Cubital apresenta apenas três ramificações. Entretanto, grupos como Plusiinae, Bagisarinae e Dyopsinae apresentam M2 bem desenvolvida e algumas linhagens de Erebidae e Nolidae também apresentam, convergentemente, a redução da M2. Lafontaine & Fibiger (2006) identificaram uma fusão medial da base da bula timpânica no abdômen (Fibiger & Lafontaine 2005) e uma placa em forma de losango subapical nas apófises posteriores da genitália feminina como autapomorfias de Noctuidae. Outros caracteres são bastante comuns em Noctuidae, embora relativa- mente variáveis, como frontoclípeo com escamas, palpos labiais relativamente curtos, asas anteriores geralmente estreitas, e o par de lóbulos do fragma entre o primeiro e o segundo tergitos abdo- minais inconspícuos ou ausentes. A espirotromba é desenvolvida para alimentação de néctar e de outras soluções açucaradas, ou não funcional em alguns grupos, como Tripseuxoa Hampson. A longevidade dos adultos geralmente varia de duas a três sema- nas. Muitas espécies pragas têm hábito migratório e podem ser encontradas em dois ou mais continentes. Em geral, as fêmeas ovipositam diretamente nas plantas hospedeiras e nas estruturas que serão utilizadas pelas larvas como alimento. Algumas espécies de Heliothinae, por exemplo, são atraídas por néctar, alimen- tam-se e ovipositam um a dois ovos, que dão origem às larvas que se alimentarão das sementes, no caso da cultura do milho, ou dos frutos, no caso do tomate ou outras solanáceas. Grande parte das espécies oviposita grandes massas de ovos, geralmente podendo ser cobertas com escamas especiais do abdômen da própria fêmea; em Plusiinae, as fêmeas ovipositam poucos ovos, distribuídos em vários pontos da planta hospedeira. Os ovos são geralmente esféricos ou subesféricos, larvas tipicamente erucifor- mes, com padrões de coloração, morfologia e comportamento variados. Via de regra, são polífagas em nível de espécie, ou seja, se alimentam de diversas plantas onde as mariposas ovipositam; algumas são polífagas em nível de indivíduo, quando uma mesma larva pode se alimentar dediversas plantas hospedeiras, assim quando consomem toda uma planta hospedeira podem migrar para outras adjacentes. Nestes casos, em que as larvas procuram outras plantas “em marcha”, são conhecidas como lagartas mili- tares este comportamento é descrito para espécies pragas, como as dos gêneros Mythimna Ochsenheimer e Spodoptera Guenée. Alguns grupos, entretanto, apresentam alimentação mais restrita como os representantes de Callopistria floridensis (Guenée) cujas larvas se alimentam apenas de pteridófitas ou Neogalea sunia (Guenée) e Notioplusia illustrata (Guenée), cujas lagartas se ali- mentam exclusivamente de Lantana camara (Verbenaceae). As pupas são glabras e de coloração castanha, com cremáster pouco desenvolvido. A maioria dos noctuídeos tem pupas hipógeas, ou seja, ficam enterradas no solo, em casulos (câmaras pupais) relativamente frágeis construídos com pequenas partículas do próprio solo, entremeadas com fios de seda. Em vários grupos, no entanto, as pupas são encontradas dentro de casulos epígeos. Entretanto, em Plusiinae, os casulos são formados unicamente de seda hialina, que os sustentam entre as folhas das plantas hospedeiras; em Oncocnemidinae, os casulos são confeccionados com líquens ou restos vegetais, dando-lhes um aspecto camuflado em relação aos troncos onde são encontrados. Atualmente, 17 subfamílias têm registro para o Brasil: Acontiinae, Acronictinae (Fig. 33.149), Agaristinae, Amphipyrinae (Fig. 33.150), Bagi- sarinae (Fig. 33.151), Condicinae (Fig. 33.152), Cuculliinae, Dyopsinae (Fig. 33.153), Eriopinae (Fig. 33.154), Eustrotiinae (Fig. 33.155), Heliothinae, Metoponinae, Noctuinae (Figs 33. 156–159) Oncocnemidinae, Pantheinae, Plusiinae (Fig. 33.160) e Stiriinae, muitas destas necessitando melhor delineamento devido escassez de estudos sistemáticos, sobretudo sobre as linhagens Neotropicais. A família agrupa a maior parte das espécies de importância agrícola de todo o mundo e, no Brasil, especialmente com relação aos representantes das subfamílias Plusiinae, Heliothinae e Noctuinae. Em Plusiinae destacam-se a falsa-medideira-da-soja, Chrysodeixis includens (Walker), Rachiplusia nu (Guenée) (Fig. 33.217). Entre os Heliothinae, Helicoverpa armigera (Hübner), introduzida na América do Sul, e Helicoverpa zea (Boddie). Em Noctuinae é possível listar vários representantes dos gêneros Agrotis Ochsenheimer, Feltia Walker, Leucania Ochsenheimer, Mythimna Ochsenheimer, Peridroma Hübner e Spodoptera Guenée. Referências: Kitching & Rawlins (1998), Yela & Kitching (1999), Lafontaine & Fibiger (2006) e Zahiri et al. (2013). Nolidae. Constituída por mariposas de tamanho corporal variável, desde pequenos e delicados com cerca de 10mm (e.g. Nola Leach), até grupos de médio porte como Diphtera Ochse- nheimer e Lepidodes Guenée, geralmente com mais de 35mm. Atualmente com as seguintes subfamílias registradas para o Brasil: Afridinae, Chloephorinae, Collomelinae, Diphtherinae (Fig. 33.161), Eligminae (Fig. 33.162) e Nolinae. O histórico sistemático do grupo é de mudanças constantes em sua definição e constituição. Nas últimas décadas, alguns gêneros até então atribuídos a outras famílias de Noctuoidea têm sido transferidos para Nolidae, como o caso de Acanthodica Schaus (Minet et al. 2012), Concana Walker (Lafontaine & Schmidt 2010), Diph- tera e Lepidodes (Zahiri et al. 2012b). Algumas sinapomorfias morfológicas incluem a construção de um casulo em forma de canoa com uma saída vertical, anterior, em forma de fenda; o alongamento do retináculo anterior em forma de uma barra ou digitada; presença de uma capa contra-timpânica pós-espiracular; e presença de órgãos produtores de sons, estridulação, associados aos escleritos basais abdominais. Além disso, a produção de som também ocorre na fase de pupa. Poucos gêneros incluem pragas agrícolas, como ocorre com representantes de Earias Hübner, conhecidos como brocas espinhosas da maçã-do-algodoeiro, constituindo-se pragas-chave da cultura na África, Indo-austrália e Austrália. Surtos populacionais de Nola cereella (Bosc) ocasio- nalmente podem causar danos em sorgo nos Estados Unidos. No Brasil, a espécie mais conhecida é Diphtera festiva (Fabricius) (Fig. 33.161), Diphtherinae que ocorre em todo o continente americano, especialmente nas áreas mais quentes. Diphtherinae é considerada a linhagem irmã aos demais Nolidae, onde há a perda do par proximal de esporões metatibiais nos machos, substituídos por um tubérculo, presumivelmente associado a es- LEPIDOPTERA 748 tratégia derivada da emergência das mariposas do casulo. Outras espécies características incluem Meganola bifiliferata (Walker) e Iscadia dukinfieldia Schaus (Fig. 33.162). Referências: Holloway (1998), Yela & Kitching (1999), Lafontaine & Fibiger (2006) e Zahiri et al. (2012b). Notodontidae. Mariposas noturnas e diurnas (Dioptinae), de tamanho médio, raramente com mais de 60 mm de envergadura alar. São conhecidas aproximadamente 2.800 espécies, distri- buídas mundialmente, com exceção da Nova Zelândia e ilhas do Pacífico. A maior diversidade de Notodontidae, incluindo Dioptinae, é encontrada na região Neotropical, onde estão quase 60% das espécies descritas até o momento. São caracterizados pelo ápice dos esporões tibiais tipicamente esclerosados, com margens serreadas, tal como são os esporões tibiais de alguns noctuídeos, e pela presença de uma bula metescutal, exceto em alguns Dudusinae. Todas as larvas (exceto as de Dioptinae) podem ser reconhecidas pela presença de duas cerdas microdor- sais, MD1 e MD2, enquanto os demais noctuoides têm uma no primeiro segmento abdominal. Larvas com formas e cores variadas, porém muitas vezes possuem espinhos e projeções dor- sais. O corpo pode ser liso ou densamente coberto pelas cerdas secundárias. Frequentemente se alimentam de folhas de plantas arborescentes ou arbóreas; algumas espécies de Dioptinae, no entanto, se especializaram em ervas. Dependendo da espécie ou do ínstar, as larvas vivem agregadas ou solitárias e, apesar de serem cripticamente coloridas, muitas são capazes de pulverizar contra seus predadores ácido fórmico e cetonas provenientes da glândula cervical, como mecanismo de defesa. Algumas larvas também erguem e chicoteiam os larvópodes anais, com várias posturas defensivas; em geral, permanecem em repouso, com a cabeça e a região caudal levantadas e dobradas sobre o dorso. No Brasil estão presentes as subfamílias Cerurinae (Fig. 33.163), Dudusinae (Fig. 33.165), Hemiceratinae (Fig. 33.166), Heterocampinae (Figs 33.167,168), Nystaleinae (Fig. 33.169) e Dioptinae (Fig. 33.164), de acordo com a proposta de Regier et al. (2016). Muitas espécies são caracterizadas pela presença de grandes tufos de escamas no escapo antenal e a adoção de uma postura de repouso que faz lembrar pequenos galhos ou ramos. O uso de plantas tóxicas pelas larvas e o hábito diurno dos adultos contribuem para que a biologia de alguns notodon- tídeos se assemelhe muito mais à biologia das borboletas que a de qualquer outro grupo de mariposas. Referências: Kitching & Rawlins (1998), Lafontaine & Fibiger (2006), Miller (2009) e Becker (2014). PAPILIONOIDEA Em todo o mundo, são conhecidas aproximadamente 20 mil espécies dessa superfamília. Papilionoidea representava, até pouco tempo atrás, a origem monofilética das borboletas entre a grande diversidade de mariposas. Entretanto, estudos moleculares recentes vêm recorrentemente reconstruindo as relações filogenéticas de Papilionoidea, incluindo Hedylidae, uma família até então considerada próxima aos Geometroidea. Algumas hipóteses morfológicas pretéritas já previam esta rela- ção (Scoble 1986, 1998). As demais famílias de Papilionoidea apresentam hábitos predominantemente diurnos, uma ampla diversidade de padrões de coloração alar, e dois tipos básicos de alimentação dos adultos: nectarívoras e/ou polinívoras (aqui incluídas Papilionidae, Pieridae, Lycaenidae, Riodinidae e algu- mas subfamíliasde Nymphalidae, como Libytheinae, Danainae, Heliconiinae e Nymphalinae); e as frugívoras, que consomem frutos fermentados, excrementos, exudados de plantas e animais em decomposição, como os ninfalídeos da linhagem satiroide (aqui incluídas Satyrinae, Charaxinae, Biblidinae, além de alguns Nymphalinae). Os imaturos são predominantemente filófagos de Angiospermas e alguns grupos em particular apresentam relações mirmecófilas, como alguns Riodinidae e Lycaenidae. 1. Antenas filiformes ou pectinadas. R2 e R3 da asa anterior sinuosas. Insetos de hábito noturno e padrões alares crípticos .................................................................... Hedylidae ― Antenas clavadas. R2 e R3 da asa anterior normais. Insetos de hábito diurno ou crepuscular. Padrões alares variados ................................................................................ 2 2(1). Antenas largamente separadas na base (Fig. 33.8). Olhos compostos com um anel basal de omatídios reduzidos. Clava antenal normalmente retorcida em forma de taco de golfe, ou dobrada apicalmente e afilada na ponta (Fig. 33.13). Asa anterior com todas as veias partindo de pontos diferentes da célula discal (Figs 33.71,72) ................... Hesperiidae ― Antenas aproximadas na base (a uma distância menor que 1,5x a largura do escapo, Fig. 33.10). Olhos compostos sem anel de omatídios reduzidos. Asa anterior com no mínimo uma dicotomia, ou seja, uma veia partindo de outra e não diretamente da célula discal (Figs 33.28,30) .............................................................................. 3 3(2). Perna protorácica de tamanho proporcional às demais e funcional em ambos os sexos, com epífise ou com garra tarsal bífida .......................................................... 4 ― Perna protorácica menor que as demais, ao menos em um dos sexos, sem epífise e com garra tarsal simples, exceto em Manataria hercyna (Hübner) (Nymphalidae: Satyrinae), com garra bífida; nesse caso, as veias da asa anterior são pouco dilatadas na base ............................. 5 4(3). Asa anterior com duas veias Anais, uma terminando na margem externa e a outra na margem interna, próximo da base (Fig. 33.30). Perna anterior com epífises (Fig. 33.21). Garras tarsais simples ou, quando bífidas, somente as do metatarso .......... ..................................................................... Papilionidae ― Asa anterior com uma veia Anal, terminando na margem externa (Figs 33.83, 84). Perna anterior sem epífise. Todas as garras tarsais bífidas (Fig. 33.25) ........ Pieridae 5(3). Olhos emarginados na base da antena ou, no mínimo, olho e base da antena contíguos. Perna anterior do macho geralmente pouco desenvolvida, porém funcional; normal na fêmea ........ 6 ― Olhos não emarginados na base da antena (Fig. 33.10); olho e base da antena não contíguos. Perna anterior pouco desenvolvida em ambos os sexos, sem garra tarsal (exceto nas fêmeas de Libytheinae) ..................... Nymphalidae 6(5). Coxa protorácica do macho prolongada em forma de espinho após sua articulação com o trocanter (Fig. 33.20) ....................................................................... Riodinidae ― Coxa protorácica do macho não prolongada após a sua articulação com o trocanter ............................. Lycaenidae Hedylidae. Suas características morfológicas apontam para um relacionamento de parentesco com as borboletas e não com as mariposas, em particular com Geometridae, como era usualmente classificada. Estudos mais recentes indicam a LEPIDOPTERA 749 monofilia da família e sua origem entremeio às demais famí- lias de Papilionoidea com base nas seguintes sinapomorfias: primeiro tergito abdominal distintamente inflado, ovo com o maior eixo perpendicular ao substrato e pupa com uma fina cinta contornando-a na parte média do corpo. Compreende Macrosoma Hübner e 37 espécies restritas à região Neotropical, incluindo Cuba e as ilhas de Trinidad e Tobago. São de médio porte, com envergadura alar variando entre 15 a 30 mm. Têm corpo delgado e coloração pálida entre o castanho e o castanho- acinzentado, algumas espécies, no entanto, são predominantes ou completamente esbranquiçadas. As asas (Fig. 33.70) acoplam-se por meio de frênulo e retináculo, porém, nas fêmeas e às vezes nos machos, como em Macrosoma napiaria (Guenée), o retináculo está aparentemente ausente; além disso, nos machos de algumas espécies, o frênulo é curto e não funcional. M. tipulata Hübner (Fig. 33.170) é a única espécie da fauna brasileira com imaturos e biologia descritos na literatura até o momento. Essa espécie é considerada praga do cupuaçuzeiro, Theobroma grandiflorum (Wild. ex Spreng) K. Schum. (Sterculiaceae), nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia. Os ovos são caracterizados pela presença de várias estrias longitudinais e transversais, às vezes comparados aos ovos das borboletas Pieridae. Larvas com ou sem escolos cefálicos (ausentes no primeiro ínstar) e placa anal com dois prolongamentos caudais. Pupas obtectas adécticas, aderidas ao substrato por meio dos ganchos do cremáster e de um fio de seda que cobre o primeiro segmento abdominal, como em vários grupos de borboletas. Além de esterculiáceas, há também registros na literatura que incluem representantes de Euphorbiaceae, Malpighiaceae, Malvaceae e Tiliaceae como plantas hospedeiras. Referências: Scoble (1986, 1998). Hesperiidae. Com aproximadamente 4.000 mil espécies e distribuição mundial, estão ausentes apenas na Nova Zelândia e nos polos. É na região Neotropical onde se encontra mais bem representada, com 2.370 espécies. Reunida em treze subfamílias: Barcinae, Coeliadinae, Chamundinae, Eudami- nae, Euschemoninae, Hesperiinae, Heteropterinae, Katreinae, Malazinae, Pyrginae, Pyrrhopyginae, Tagiadinae e Trapezitinae. Destas, Eudaminae (Fig. 33.171), Hesperiinae (Fig. 33.172), Heteropterinae (Fig. 33.173), Pyrginae (Fig. 33.174), Pyr- rhopyginae (Fig. 33.175) e Tagiadinae estão representadas na região Neotropical e no Brasil. Relacionada ao grupo das demais borboletas, hipótese atualmente aceita, com base em caracte- rísticas genômicas, morfológicas e comportamentais bastante peculiares, sendo a maioria de hábitos diurnos, no entanto, há espécies crepusculares e mesmo noturnas. Diferenciam-se das demais borboletas pelas antenas separadas na base, no mínimo duas vezes a largura do escapo (Fig. 33.8), apicalmente dilatadas, afilando na extremidade e com a parte terminal, apículo (Fig. 33.13), normalmente presente, curva ou recurvada; pelas veias que partem das células discais de ambas as asas normalmente não anastomosadas (Figs 33.71,72); por um anel completo e distinto de pequenos omatídios na base dos olhos; pelo terceiro esclerito axilar da asa anterior em forma de Y; pela asa posterior com uma célula basal, estreita e fechada formada por R e Sc, estas permanecendo fundidas até a margem externa da asa e, finalmente, pelas larvas com o protórax distintamente mais estreito que a cabeça. Em geral são de pequeno a médio porte, com envergadura alar entre 1,5 cm e 7,8 cm, e corpo robusto. As larvas frequentemente constroem abrigos usando folhas da planta hospedeira ou parte delas dobradas ou enroladas sobre si mesmas e presas com fios de seda. A pupa é encontrada dentro do abrigo confeccionado pela larva de último ínstar. Como plantas hospedeiras, predominam os registros de Fabaceae, Piperaceae e Malvácea para Pyrrhopyginae, Eudaminae e Pyrginae, e Cypera- ceae e Poaceae, entre outras monocotiledôneas para Hesperiinae e Heteropterinae. Referências: Heppner (1998), Mielke (2001, 2005), Warren et al. (2009) e Li et al. (2019). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil 1. Asa anterior com M2 mais próxima de M1 do que de M3 ou equidistante ......................................................... 2 ― Asa anterior com M2 mais próxima de M3 do que de M1 ..... 5 2(1). Clava antenal totalmenterecurvada no macho e inteiramente curva na fêmea ........................................ Pyrrhopyginae ― Clava antenal com somente a parte distal, apículo, recurvada ou sem apículo .............................................................. 3 3(2). Asa anterior com a célula discal igual ou maior que 2/3 do comprimento da asa, se menor com veia recorrente dentro da célula .................................................. 4 ― Asa anterior com a célula discal menor que a metade do comprimento da asa e sem veia recorrente dentro da célula ......................................................... Pyrginae 4(3). Artículos distais dos palpos labiais divergentes, ou se paralelos, com as veias R5 e M1 aproximadas na base .. ............................................................. Eudaminae ― Artículos distais dos palpos labiais paralelos e com as veias R4 e R5 aproximadas na base, no Brasil somente o gênero Celaenorrhinus .....................................Tagiadinae 5(1). Antena com a massa terminal igualmente curva ............. .............................................................. Heteropterinae ― Antena com a ponta terminal, apículo, recurvada ou sem apículo ................................................. Hesperiinae Lycaenidae. A monofilia de Lycaenidae está estabelecida com base em evidências morfológicas e moleculares. Distinguidos das demais borboletas pelas seguintes características: olho composto emarginado na base da antena; presença de um lobo espatulado nas pernas abdominais da larva; ausência de glândula protorácica eversível na larva; e redução da teca alar metatorácica na pupa. Evidências morfológicas e moleculares têm corroborado a hipó- tese de parentesco entre Lycaenidae e Riodinidae, com o status de família para ambas. Estão divididos em oito subfamílias: Lip- teninae, Poritiinae, Liphyrinae, Miletinae, Curetinae, Theclinae, Lycaeninae e Polyommatinae. Destas, Theclinae (Fig. 33.177) e Polyommatinae (Fig. 33.176) ocorrem no Brasil. Possui a maior riqueza de espécies depois de Nymphalidae, geralmente representando cerca de um terço do total de espécies que com- põem uma comunidade de borboletas na região Neotropical. Existem mais de 5 mil espécies em todo o mundo. A gama de recursos que utilizam como alimento na fase larval difere de outras borboletas. Muitas larvas são fitófagas, como a maioria dos lepidópteros, com predileção para alguns grupos vegetais, como Fabaceae, Fagaceae e Loranthaceae. No entanto, são as espécies que se alimentam de fungos, algas, líquens, material em decomposição e as carnívoras que mais têm despertado atenção dos pesquisadores nas últimas duas décadas, por se LEPIDOPTERA 750 tratar de hábitos alimentares (afitofagia) pouco comuns entre as borboletas. Existem ainda larvas mirmecófilas, que vivem em contato íntimo com formigas; essas possuem estruturas especiais para interagir com as formigas, como órgãos estridulatórios e glândulas produtoras de substâncias apaziguadoras, ricas em aminoácidos. Esses aspectos da biologia larval dos licenídeos são pelo menos em parte responsáveis pela grande diversidade do grupo. Referências: Eliot (1973), Lamas et al. (1995), D’Abrera (1995b), Lamas (2004) e Duarte & Robbins (2010). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil 1. Asa anterior com veia Radial trirramificada; na face dorsal, muitas vezes com mancha odorífera (androcônia). Asa posterior geralmente com um ou dois prolongamentos caudais (Fig. 33.177) ..................................... Theclinae ― Asa anterior com Radial tetrarramificada, no mínimo com duas veias pedunculadas; face dorsal da asa anterior sem mancha odorífera (Fig. 33.176). Asa posterior sem prolongamentos caudais ............................. Polyommatinae Nymphalidae. A monofilia da família está sustentada pela presença de três carenas longitudinais na superfície ventral das antenas. Esse caráter é universal e exclusivo dos ninfalídeos. Estão divididos em 12 subfamílias: Libytheinae (Fig. 33.185), Danainae (Fig. 33.182), Limenitidinae (Fig. 33.186), Heli- coniinae (Figs 33.183,184), Pseudergolinae, Apaturinae (Fig. 33.178), Biblidinae (Fig. 33.179), Cyrestinae (Fig. 33.181), Nymphalinae (Fig. 33.187), Callinaginae, Charaxinae (Fig. 33.180) e Satyrinae (Figs 33.188–190). Dentre as subfamílias, somente Pseudergolinae e Callinaginae não ocorrem no Brasil. Libytheinae é considerada a subfamília mais basal de Nympha- lidae, principalmente porque, ao contrário das outras, as fêmeas têm pernas anteriores normais, não atrofiadas. A posição basal de Libytheinae é sustentada por similaridades plesiomórficas de seus imaturos com os de Pieridae. Ithomiinae que até então vinha se mantendo como um grupo independente dentro da família, atualmente figura como um clado subordinado a Danainae, grupo-irmão dos demais ninfalídeos; os caracteres morfológicos que sustentam a inclusão de Ithomiinae como tribo de Danainae, no entanto, são reconhecidamente homoplásticos. As demais subfamílias estão divididas em três clados: os “heliconiíneos”, com Limenitidinae e Heliconiinae; os “ninfalíneos”, com Pseudergolinae + ((Apaturinae + Biblidinae) + (Cyrestinae + Nymphalinae)); e os “satiríneos”, compreendendo Callinaginae + (Charaxinae + Satyrinae). Neste último grupo, estão as principais dúvidas com relação à taxonomia e sistemática dos ninfalídeos. Nymphalidae é o grupo mais diversificado dentro de Papilio- noidea. Com aproximadamente 7.200 espécies e distribuição mundial, nos mais variados tipos de ambientes, de geleiras a desertos, estão ausentes apenas nos polos. Mantêm inúmeras e complexas relações com as plantas hospedeiras. Estão entre as borboletas mais admiradas do público em geral e as mais bem estudadas pelos especialistas. Adultos têm padrão de coloração e formato de asas muito variáveis. Diferem, com raras exceções, dos demais grupos de borboletas pelas pernas protorácicas pouco desenvolvidas, em alguns casos verdadeiramente atrofiadas, em ambos os sexos. Na maioria dos ninfalídeos, o primeiro par de pernas não é utilizado na locomoção. Os ovos são globosos ou cônicos, depositados em grupos ou isoladamente. As larvas com formas e padrões de coloração variados. Entre as plantas hospedeiras mais frequentemente consumidas pelas larvas, es- tão representantes de Acanthaceae, Asteraceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Passifloraceae, Poaceae e Scrophulariaceae. Algumas pupas têm pontos ou todo o tegumento dourado, de onde vem o termo crisálida, e são suspensas pelo cremáster, mas nunca por uma cinta de seda, como nos papilionídeos e pierídeos. Referências: D’Abrera (1984, 1987a, b, 1988), Lamas et al. (1995), Freitas & Brown Jr. (2004), Lamas (2004), Wahlberg et al. (2005, 2009) e Kawahara (2009). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (baseada em Freitas & Brown Jr. 2004). 1. Palpo labial geralmente mais longo ou tão longo quanto o tórax, voltado para frente (Fig. 33.185) ...... Libytheinae ― Palpo labial mais curto que o tórax ............................ 2 2(1). Asa anterior com 3A livre na base, depois anastomosada com 2A (Figs 33. 74,182), sem veias dilatadas na base ............................................................. Danainae ― Asa anterior geralmente desprovida de 3A, às vezes vestigial, se desenvolvida, então sem anastomose com 2A ou com veias dilatadas na base ................................ 3 3(2). Asa anterior com R3 surgindo relativamente próxima da veia transversal dcm (Fig. 33.81) ........................... 4 ― Asa anterior com R3 surgindo relativamente distante da veia transversal dcm ....................................................... 5 4(3). Órgão de Vogel presente. Genitália masculina com saco estreito, comprimento maior que o dobro da largura........ 7 ― Órgão de Vogel ausente. Genitália masculina com saco largo, comprimento igual ou menor que o dobro da largura .... 8 5(3). Asa anteriorcom veia Sc ou CuA dilatada na base (Figs 33. 75–77)................................. Satyrinae (em parte) ― Asa anterior sem veias dilatadas na base ................... 6 6(5). Asa posterior com a veia transversal umeral dirigida nitidamente para a base da asa anterior, com célula discal sempre fechada por uma veia tubular proeminente. Asas normalmente alongadas (Fig. 33.78).... Heliconiinae (em parte) ― Asa posterior com a veia transversal umeral normalmente não dirigida para a base; se assim, então célula discal da asa anterior fechada por uma veia rudimentar. Asa posterior com célula discal aberta ou fechada por uma veia rudimentar. Asas normalmente subtriangulares (Fig. 33.80) ................................................... Nymphalinae (em parte) 7(4). Hipândrio presente (modificação do esternito VIII) ......... ........................................................................ Biblidinae ― Hipândrio ausente ....................................................... 9 8(4). Perna protorácica do macho com tarso mais curto que a metade do comprimento da tíbia ........... Cyrestinae Outra razão entre o comprimento do tarso e da tíbia .. ........................................................ Limenitidinae 9(7). Perna protorácica esverdeada .................. Apaturinae ― Perna protorácica não esverdeada; se esverdeada, R4 e R5 maiores que seu tronco comum ........................... 10 10(9). Asas anterior e posterior com célula discal fechada pela veia transversal dci (Fig. 33.76). Uma ou mais veias dilatadas na base da asa anterior ou com R1, na asa posterior, formando com Sc uma célula basilar da qual parte a veia umeral. Célula discal da asa posterior, se aberta, com um ramo acessório na base da cubital, quase tocando a Anal, LEPIDOPTERA 751 às vezes fundindo-se parcialmente a esta e daí em direção à margem externa .............................. Satyrinae (em parte) ― Asas anterior e posterior com célula discal aberta ou fechada; existindo célula umeral, asa posterior com célula discal aberta e veia transversal dci rudimentar. Ramo acessório na base da cubital da asa anterior, quando presente, sem tocar a Anal e geralmente pouco desenvolvido, voltado para a margem externa, com célula discal da asa posterior fechada ...... 11 11(10). Asa posterior com célula discal fechada por veia tubular proeminente e veia transversal umeral nitidamente curvada para a margem costal ...... Heliconiinae (em parte) ― Asa posterior com célula discal aberta ou fechada por veia rudimentar, quando por veia proeminente, veia umeral voltada para a base, algumas vezes bifurcada ......... 12 12(11). Asa posterior com veia transversal umeral nitidamente voltada para a base da célula discal, aberta ou fechada por veia tubular proeminente. Asa anterior com célula discal sempre fechada por veia tubular proeminente. Asas normalmente alongadas (Figs 33.78,79) ............................... Heliconiinae (em parte) ― Asa posterior com veia transversal umeral normalmente não voltada para a base; se assim, então célula discal da asa anterior fechada por veia rudimentar. Asa posterior com célula discal aberta ou fechada por veia rudimentar. Asas normalmente subtriangulares ...................................... 13 13(12). R4 e R5 maiores que seu tronco comum ou R4 curvada para baixo em seu término ................... Charaxinae ― R4 e R5 com características diferentes (Fig. 33.80) .... .......................................................... Nymphalinae Papilionidae. Com aproximadamente 600 espécies, em geral grandes e vistosas. Cosmopolita, está bem representada nas regi- ões tropicais do Velho Mundo. É um dos grupos mais estudados e conhecidos dentro de Papilionoidea. Sua taxonomia e siste- mática estão estáveis e o monofiletismo da família é sustentado em parte pela presença na larva de uma glândula epidérmica eversível e em forma de Y, localizada próximo à cabeça, deno- minada osmetério, que extroverte quando a larva é ameaçada por algum predador, em geral outros invertebrados. A secreção liberada pelo osmetério contém produtos voláteis repelentes cuja composição inclui uma diversidade de terpenoides com fortes aromas. Outras características que sustentam seu monofiletismo incluem asa anterior com 2A e 3A (Fig. 33.82), uma terminan- do na margem externa e outra na margem interna (em outros lepidópteros, 3A está aparentemente ausente ou fundida a 2A) e, terceiro esclerito axilar da asa anterior projetado anteriormente, quase tocando a base do tronco da Anal (em outros lepidópteros, o terceiro esclerito axilar é relativamente curto). Estão divididos em três subfamílias: Baroniinae, Parnassinae e Papilioninae. Somente a última ocorre no Brasil e é a maior subfamília, com cerca de 500 espécies. A maioria das espécies pode ser facilmente distinguida das demais borboletas pelo prolongamento da M3 na asa posterior, formando um tipo de cauda, de onde vem o nome popular, rabo-de-andorinha. A biologia e a etologia das espécies brasileiras são, em geral, conhecidas graças às espécies com alguma importância econômica para a agricultura, como é o caso de Heraclides thoas brasiliensis (Rothschild & Jordan) e H. anchisiades (Esper) (Fig. 33.191), duas espécies comuns em áreas urbanas, cujas larvas atacam folhas de Citrus spp. e de outras rutáceas, causando sérios danos às plantações quando as larvas ocorrem em grandes densidades. As pupas dessas espécies mimetizam pequenos gravetos suspensos por um fio de seda que passa pelo dorso e, por essa razão, são denominadas sucintas. Outras plantas hospedeiras frequentemente utilizadas incluem Annonaceae, Apiaceae, Aristolochiaceae, Cannelaceae, Her- nandiaceae, Lauraceae, Magnoliaceae, Moraceae e Piperaceae. Referências: Tyler et al. (1994), Lamas et al. (1995), Lamas (2004) e Wahlberg et al. (2005). Pieridae. A monofilia da família está sustentada em parte pelas garras tarsais bífidas dos adultos e pelo depósito de pteridinas nas escamas. Pigmentos pteridinas são considerados universais em Pieridae, responsáveis pela coloração amarelada e alaranjada dessas borboletas. A família está dividida em quatro subfamílias: Dismorphiinae (Fig. 33.193), Pseudopontiinae, Pierinae (Fig. 33.194) e Coliadinae (Fig. 33.192). Pseudopontiinae é endê- mica da África; as demais podem ser encontradas no Brasil. Compreende aproximadamente 1.200 espécies, distribuídas pelos diferentes domínios biogeográficos do mundo, exceto nos polos. No Brasil, são particularmente abundantes os gêneros Colias Fabricius, Eurema Hübner e Phoebis Hübner. Pierídeos são predominantemente brancos, amarelados ou alaranjados, outros são distintamente coloridos e participam de anéis miméticos com Troidini (Papilionidae: Papilioninae), Danainae e Heliconiinae (Nymphalidae). Variações sazonais e polimorfismos na coloração das asas são relativamente comuns. O dimorfismo sexual também pode ser marcante em algumas espécies, como em Colias lesbia (Fabricius) (Fig. 33.192) e Phoebis argante (Fabricius). Além da coloração, diferenciam-se das demais borboletas pelos três pares de pernas normais, não reduzidas, utilizadas para caminhar, pelas garras tarsais bífidas e pela venação, asa anterior com uma veia Anal. Muitas espécies têm comportamento migratório, como Glutophrissa drusilla (Cramer), Phoebis argante (Fabricius) e P. philea (Linnaeus), o que explica em parte a ampla distribuição dessas espécies, especialmente no Brasil. Os ovos são alongados, amarelados e com estrias longitudinais. As larvas são cilíndricas, lisas e desprovidas de escolos ou espinhos; podem ser solitárias ou gregárias. As plantas hospedeiras mais usadas pertencem às famílias Brassicaceae, Caesalpinaceae, Capparidaceae, Fabaceae, Leguminosae, Loranthaceae, Mimosaceae, Simaroubaceae e Tro- paeolaceae. As pupas são crípticas em relação a alguma parte da planta hospedeira ou a fezes de aves; geralmente com a porção anterior da cabeça fusiforme;repousam em posição horizontal ou são suspensas por um fio de seda que passa dorsalmente entre o tórax e o abdômen. Adultos alimentam-se principalmente de néctar, mas algumas espécies costumam visitar praias de rios para obtenção de sais minerais, formando grandes aglomerados de indivíduos. Referências: D’Abrera (1981), Lamas et al. (1995), Lamas (2004) e Braby et al. (2006). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil 1. Asa anterior com cinco ramos da R adial , todas pedunculadas. CuA aparentemente quadrirramificada (Fig. 33.84) ............................ Dismorphiinae ― Asa anterior com três a cinco ramos da Radial, pelo menos uma com origem na célula discal. CuA aparentemente trirramificada (Fig. 33.83) ..................................... 2 2(1). Patágios não esclerosados. Antena com clava bem evidenciada. Geralmente borboletas brancas ou negras .... ............................................................................ Pierinae LEPIDOPTERA 752 ― Patágios esclerosados. Antena com clava pouco evidenciada. Geralmente borboletas amarelas ou negras, raramente brancas ................................................................... Coliadinae Riodinidae. Atualmente com duas subfamílias: Nemeobiinae (Fig. 33.85) e Riodininae (Fig. 33.195). No Brasil, as coleções desse grupo são relativamente pequenas, com muitas espécies re- presentadas por poucos indivíduos. Distribuídos mundialmente, tem na região Neotropical mais de 93% de suas espécies – cerca de 1.300. Algumas são tipicamente coloridas, com linhas ou manchas metálicas. Muitos vivem em ambientes com vegetação densa e voam por curto período durante o dia. As populações são extremamente localizadas e costumam repousar na epiderme abaxial das folhas. Algumas espécies têm voo rápido e, não raro, Figuras 33.166–185. Adultos, vista dorsal. 166–169, Notodontidae; 166, Hemiceratinae, Hemiceras meona (Cramer); 167, Heterocampinae, Dognina bleura (Schaus); 168, Heterocampinae, Rosema demorsa R.Felder; 169, Nystaleinae, Nystalea aequipars Walker; 170, Hedylidae, Macrosoma tipulata Hübner; 171–175, Hesperiidae; 171, Eudaminae, Urbanus proteus (Linnaeus); 172, Hesperiinae, Aides aegita (Hewitson); 173, Heteropterinae, Dardarina amadryas Hayward; 174, Pyrginae, Pyrgus orcus (Stoll); 175, Pyrrhopyginae, Mimoniades versicolor (Latreille); 176–177, Lycaenidae; 176, Polyommatinae, Hemiargus hanno (Stoll); 177, Theclinae, Evenus regalis (Cramer); 178–185, Nymphalidae 178, Apaturinae, Doxocopa linda (C.Felder & R.Felder); 179, Biblidinae, Hamadryas februa (Hübner); 180, Charaxinae, Agrias claudina (Godart); Riodinidae, Mesosemia judicialis Butler; 181, Cyrestinae, Marpesia orsilochus (Fabricius); 182, Danainae, Lycorea halia (Hübner); 183, Heliconiinae, Actinote carycina Jordan; 184, Heliconiinae, Heliconius erato (Linnaeus); 185, Libytheinae, Libytheana carinenta (Cramer). LEPIDOPTERA 753 particularmente as fêmeas, voam muito alto. Morfologicamente são caracterizados pela antena com clava tipicamente afilada; perna anterior atrofiada nos machos, normal nas fêmeas; coxa protorácica do macho prolongada em forma de espinho após articulação com o trocanter; genitália masculina com o unco relativamente desenvolvido. Essas duas últimas características os distinguem dos licenídeos, com os quais foram reunidos na mesma família por alguns autores. Ovos esféricos, às vezes com ornamentações coriônicas distintas. Larvas onisciformes, com corpo coberto por muitas cerdas e padrão de coloração variável; como as larvas de licenídeos, mantêm importantes interações com formigas (larvas mirmecófilas). Registros de plantas hospe- deiras somam mais de 40 famílias de espermatófitas. Referências: D’Abrera (1994), Lamas et al. (1995), Lamas (2004), Espeland et al. (2015) e Seraphim et al. (2018). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil 1. Esporões meso e metatibiais presentes. Asa posterior com a parte basal da margem costal espessada...... Riodininae ― Esporões meso e metatibiais ausentes. Asa posterior com a parte basal da margem costal não espessada (Fig. 33.102) ....................................................... Nemeobiinae PTEROPHOROIDEA Pterophoridae. Com cerca de mil espécies distribuídas mun- dialmente, a região Neotropical tem pouco mais de 200 espécies conhecidas. A principal diversificação de espécies, em especial de Pterophorinae, encontra-se na região Paleártica. Semelhantes aos alucitídeos, as mariposas de plumas, como são popularmente conhecidas, possuem asas fendidas em lobos plumuliformes, exceto em Macropiratinae, Agdistinae e Ochyroticinae. Dife- rem dos alucitídeos pelo número reduzido de plúmulas – duas ou três na asa anterior e três na posterior. O monofiletismo de Pterophoroidea é sustentado por oito apomorfias, entre as quais citam-se: ausência de ocelos; fenestra média reduzida ou ausente (área membranosa do metatórax, em vista posterior); epímero III formando um ângulo agudo na extremidade posterior do subalar; tíbia posterior cerca de duas vezes o comprimento do fêmur; e tergitos do segundo e terceiro segmentos abdominais mais longos que largos. São microlepidópteros crepusculares ou noturnos, relativamente pequenos, com envergadura alar variando entre 13 a 40 mm (Figs 33.86, 196). Em repouso, diferem dos demais lepidópteros pelas asas estreitas completa- mente afastadas do corpo e perpendiculares a este, formando um “T”. Dividem-se em cinco subfamílias: Macropiratinae, com distribuição indo-australiana; Agdistinae, Holártica e Oriental; Ochyroticinae e Deuterocopinae, pantropicais; e Pterophorinae, cosmopolita. Nenhum dano economicamente importante tem sido atribuído às espécies brasileiras. Em outros países, são uti- lizados no controle biológico de plantas daninhas. Informações sobre o desenvolvimento dos imaturos encontram-se restritas a algumas espécies não registradas no Brasil. Larvas podem viver endofiticamente ou na superfície externa de suas plantas hospe- deiras; algumas espécies são enroladoras de folhas, com as quais constroem seus abrigos. Além das compostas, alimentam-se de outras famílias de arbustos e herbáceas, tais como Lamiaceae, Fabaceae, Plantaginaceae, Verbenaceae e Dipsacaceae. Adultos são frequentemente encontrados nas proximidades de suas plan- tas hospedeiras, com voo bastante lento. Referência: Dugdale et al. (1998), Gielis (2003). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Dugdale et al. 1998) 1. Asa anterior fendida (com plúmulas) .............................. 2 ― Asa anterior não-fendida (sem plúmulas) ... Ochyroticinae 2(1). Com uma fenda (Fig. 33.86) ..................... Pterophorinae ― Com duas ou três fendas ........................ Deuterocopinae PYRALOIDEA. Esta superfamília é uma das maiores da or- dem Lepidoptera, com cerca de 16 mil espécies em Pyralidae e Crambidae. São cosmopolitas e estão mais bem representadas nas regiões Neotropical e Australiana. 1. Cada câmara timpânica comunicando-se externamente por uma pequena abertura na margem anterior; sem extensão membranosa torácico-abdominal entre as câmaras ... Pyralidae ― Cada câmara timpânica comunicando-se externamente por abertura tomando toda margem anterior e parte da lateral interna; com extensão membranosa torácico-abdominal conspícua entre as câmaras ................. Crambidae Crambidae. Maior família de Pyraloidea, inclui 9.437 espécies de hábitos diurnos, crepusculares ou noturnos. A maioria dessas espécies têm entre 15 e 30 mm de envergadura alar (Fig. 33.197), porém há espécies que são tão robustas quanto alguns Macro- lepidoptera, como Myelobia smerintha (Hübner) (Crambinae) (Fig. 33.198), com até 120 mm de envergadura alar. Algumas espécies desenvolvem-se em plantas aquáticas ou semi aquáticas durante o estágio larval. Crambídeos diferem morfologicamente dos demais piraloides pela presença de uma ou duas cerdas do grupolateral no nono segmento abdominal das larvas e, nos adultos, pelos órgãos timpânicos abdominais com extensão membranosa entre as câmaras e com conjuntiva e tímpano dispostos em planos diferentes. Das 17 subfamílias atualmente reconhecidas, 10 ocorrem no Brasil e estão na chave abaixo. Ovos têm formas variadas, eixo micropilar paralelo ou perpendicular ao substrato e cório liso ou ornamentado. As larvas são pouco distintas de Pyralidae, diferenciadas pela quetotaxia do nono segmento abdominal e pelas brânquias presentes nas espécies de vida aquática ou semiaquática. Muitas espécies são fitófagas no estágio larval, vivendo na superfície externa de suas plantas hospedeiras, em túneis ou galerias de seda, ou como brocas de caules e raízes ou enroladoras de folhas, geralmente causando sérios danos à agricultura, como a broca-da-cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis (Fabricius) (Crambinae), considerada uma das principais pragas em países de clima quente do hemisfério ocidental. Os crambídeos compreendem as principais diversifi- cações de microlepidópteros cujas larvas (alguns Schoenobiinae e praticamente todos Acentropinae) se adaptaram a ambientes aquáticos, com águas paradas ou correntes, graças ao desenvol- vimento de brânquias filamentosas distribuídas simetricamente pelos metâmeros. Referências: Munroe & Solis (1998), Solis & Maes (2003) e Solis (2007). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Munroe & Solis 1998; Solis & Maes 2003) 1. Quetosema presente ................................................ 2 ― Quetosema ausente ................................................. 5 LEPIDOPTERA 754 2(1). Asa anterior com CuP ............................................ 3 ― Asa anterior sem CuP ............................................. 4 3(2). Probóscide geralmente desenvolvida. Asa anterior com R2 pedunculada à R3+4. Asa posterior desprovida de M2 ................................... Acentropinae (em parte) ― Probóscide curta. Asa anterior com R2 nitidamente separada de R3+4. Asa posterior com M2 .... Schoenobiinae 4(2). Asa anterior com R2 basalmente unida ou pedunculada a R3+4. Palpo labial recurvado; palpômero basal mais longo que o mediano ............... Acentropinae (em parte) ― Asa anterior (Fig. 33.89) com R2 nitidamente separada de R3+4. Palpo labial porrecto; palpômero basal mais curto que o mediano .......................... Crambinae 5(1). Palpo labial desenvolvido ...................................... 6 ― Palpo labial diminuto ............................... Linostinae 6(5). Palpo labial porrecto ................................................ 7 ― Palpo labial recurvado .............................................. 10 7(6). Margem externa da asa anterior com escamas alongadas ....................................................................... 8 ― Margem externa da asa anterior sem escamas alongadas .......................................................... Cybalomiinae 8(7). Porção da asa posterior entre CuA e a margem interna aparentemente sem cerdas filiformes ........................... 9 ― Porção da asa posterior entre CuA e a margem interna com cerdas filiformes evidentes ................ Glaphyriinae 9(8). Asa anterior com 2A curta e separada de 1A .................... ................................................................... Evergestinae ― Asa anterior com 2A formando forquilha com 1A ...... ............................................................... Pyraustinae 10(6). Extensão membranosa entre as câmaras timpânicas simples .................................................... Dichogaminae ― Extensão membranosa entre as câmaras timpânicas bilobada .............................................. Spilomelinae Pyralidae. Mariposas de porte variável, pouco vistosas, ge- ralmente de coloração pardacenta, com o comprimento alar variando de 13 a 40 mm. Com base na morfologia dos órgãos timpânicos abdominais e na presença ou ausência de uma extensão membranosa entre eles, Pyralidae é constituída por Galleriinae, Chrysauginae, Pyralinae, Epipaschiinae e Phy- citinae (Fig. 33.200). Tem cerca de 3 mil espécies no Brasil, representando pouco menos da metade dos piralídeos conhe- cidos mundialmente. Relacionamentos de parentesco entre as subfamílias, com base em evidências morfológicas, sustentam Epipaschiinae + Phycitinae como grupo monofilético ao qual se une Pyralinae. Devido a sua importância econômica, os imaturos são em geral mais estudados do que qualquer outra família abordada no presente capítulo. Contudo, poucas espécies brasileiras têm imaturos conhecidos e descritos na literatura. A maioria dos trabalhos trata de aspectos ligados ao manejo inte- grado de pragas. Ovos têm formas variadas, com eixo micropilar paralelo ou perpendicular ao substrato, cório liso ou ornamen- tado. As larvas são semelhantes às de Hyblaeidae e Thyrididae. Possuem corpo cilíndrico, robusto e geralmente desprovido de cerdas secundárias. Geralmente fitófagas, vivem na superfície externa das plantas hospedeiras ou como minadoras, brocas e enroladoras de folhas, causando danos significativos a diversas culturas, como a broca-do-colo, Elasmopalpus lignosellus (Zeller) (Phycitinae), e a broca-da-vagem, Etiella zincknella (Treitschke) (Phycitinae), pragas do arroz e do feijão, respectivamente. No Brasil, inúmeras espécies são consideradas pragas agrícolas e de produtos armazenados, como Pyralis farinalis Linnaeus (Pyrali- nae), Corcyra cephalonica (Stainton) (Galleriinae) e Elasmopalpus lignosellus (Zeller) (Phycitinae), entre outras. As principais fontes de alimento incluem Burseraceae, Erythroxylaceae, Legumino- sae, Rubiaceae e Vochysiaceae, entre outras. Alguns hábitos ali- mentares pouco comuns em Lepidoptera podem ser observados nessa família, como é o caso das larvas de Pyralis manihotalis Guenée (Pyralinae), alimentando-se em guano de morcego, e de algumas larvas de Chrysauginae, parasitando insetos, inclusive larvas de outros lepidópteros, principalmente Automeris Hübner (Saturniidae). Referências: Costa Lima (1949), Munroe & Solis (1998), Gallo et al. (2002) e Solis (2007). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Costa Lima 1949 e de Munroe & Solis 1998) 1. Asa posterior com CuA pectinada na face superior ..... 2 ― Asa posterior com CuA não pectinada na face superior .... 4 2(1). Asa anterior com R5 .......................................... 3 ― Asa anterior sem R5 (Fig. 33.87) ........... Phycitinae 3(2). Asa anterior com dobras costais e/ou câmara de ressonância (Fig. 33.88) .................................... Chrysauginae ― Asa anterior sem dobras costais e/ou câmara de ressonância ...... ............................................................. Galleriinae 4(1). Terceiro palpômero labial pontiagudo distalmente. Asa anterior com tufo de escamas eretas na célula discal ....... ............................................................... Epipaschiinae ― Terceiro palpômero labial obtuso distalmente. Asa anterior sem tufo de escamas na célula discal ............. Pyralinae SESIOIDEA. A relação de parentesco entre as famílias de Se- sioidea está bem estabelecida. Brachodidae é grupo-irmão do clado formado por Sesiidae e Castniidae, o qual, por sua vez, pode ser caracterizado pela antena dilatada na porção distal, com inúmeras cerdas piliformes no ápice. Larvas de Sesiidae e Castniidae são endofíticas, enquanto as de alguns Brachodidae se alimentam exclusivamente na superfície externa das folhas. 1. Asa anterior estreita e longa (Fig. 33.90), porém não lanceolada, de aspecto característico (miméticas a vespas); não raro com áreas relativamente extensas, desprovidas de escamas (áreas hialinas). Com um sistema único de acoplamento das asas (Fig. 33.34), auxiliado pela presença de frênulo e retináculo ......................................... Sesiidae ― Forma da asa diferente. Asas anteriore posterior acopladas exclusivamente por meio de frênulo e retináculo. Não miméticas a vespas ........................................................ 2 2(1). Antena filiforme ou clavada. Asas anterior e posterior bem desenvolvidas e coloridas ..................... Castniidae ― Antena filiforme, porém não dilatada no ápice. Asas anterior e posterior com padrão de coloração típico de mariposa (escuras) .......................... Brachodidae Brachodidae. Tem cerca de 100 espécies, a maioria do Velho Mundo, principalmente da região Indo-australiana. Somente 14 estão registradas para a região Neotropical. A classificação atual reconhece as subfamílias Brachodinae e Phycodinae, am- bas representadas no Brasil: a primeira, por Callatolmis Butler, LEPIDOPTERA 755 Sagalassa Walker (Fig. 33.201) e Polyphlebia Felder; a segunda, por Hoplophractis Meyrick. Os adultos são pequenos ou de tamanho médio, com envergadura alar entre 8 e 42 mm; em geral, voam no período diurno e raramente são atraídos à luz em coletas noturnas. Larvas de algumas espécies atacam raízes de gramíneas, construindo túneis de seda no solo; outras são brocas em troncos e galhos de palmeiras, às vezes, acarretando sérios danos econômicos aos plantios; há também as que se alimentam externamente e as que são enroladoras de folhas. Outras plantas hospedeiras incluem espécies de Bromeliaceae, Melastomataceae e Moraceae. Referências: Heppner (1995), Heppner & Duckworth (1981) e Edwards et al. (1998). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Heppner & Duckworth 1981) 1. Escamas do palpo labial e do tórax não diferindo em tamanho das demais escamas do corpo .... Brachodinae ― Escamas do palpo labial e tórax distintamente maiores que as demais escamas do corpo ............ Phycodinae Castniidae. Tem pouco mais de 150 espécies, distribuídas em Castniinae e Tascininae. Castniinae está dividida em Castniini e Gazerini, com 84 espécies desde o México até o Chile e Ar- gentina, além de Synemonini, endêmica da Austrália, com 43 espécies em um gênero, Synemon Doubleday. Em Tascininae, são conhecidas três espécies, todas em Tascina Westwood, com distribuição geográfica restrita à região Oriental. As espécies neotropicais de Castniinae têm hábitos diurnos, com atividades nos períodos mais quentes do dia, geralmente entre 10 e 14 horas. A principal característica é a antena clavada, geralmente estendida formando um apículo (Fig. 33.202). A maioria das espécies possui coloração críptica ou padrão disruptivo na asa anterior, enquanto a posterior é caracteristicamente colorida. Em geral, têm escamas iridescentes em diferentes regiões do corpo. Larvas são brocadoras de troncos e raízes, e forrageiam quase que exclusivamente sobre monocotiledôneas. Algumas espécies são economicamente importantes por serem pragas em cultivos de cana-de-açúcar, bananas, bromélias, palmeiras e orquídeas. Referência: Miller (1995). Sesiidae. Com cerca de 1.400 espécies em 149 gêneros, Sesiidae está dividida em duas subfamílias, Tinthiinae e Sesiinae. Ma- riposas de pequeno a médio porte, com envergadura alar entre 15 e 50 mm. Distribuídas mundialmente, em geral com hábitos diurnos. A semelhança com vespas e abelhas (Fig. 33.203) é um dos exemplos clássicos de mimetismo batesiano. Adultos são visitantes florais de várias famílias, porém poucos costumam ser facilmente observados na natureza; alguns voam muito rápido e nas horas mais quentes do dia. A fauna brasileira está representada por aproximadamente 150 espécies, a maioria em Sesiinae. Referências: Naumann (1971), Edwards et al. (1998) e Pühringer & Kallies (2004). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil 1. Quetosema presente .................................... Sesiinae ― Quetosema ausente ................................... Tinthiinae THYRIDOIDEA Thyrididae. Tem cerca de 760 espécies descritas, cosmopolita, mais bem representada nas regiões tropicais e subtropicais. Suas autapomorfias são a margem látero-ventral do primeiro tergito abdominal com lóbulos pós-espiraculares bem desenvolvidos nos adultos, pernas medianas, quando em repouso, não tocando o substrato e asa posterior com CuP fracamente desenvolvida. Além desses caracteres, as larvas possuem duas cerdas do grupo lateral (L1 e L2) nos segmentos meso e metatorácico– e não três cerdas– como nos demais lepidópteros. São mariposas de pequeno a grande porte, com envergadura alar entre 14 e 70 mm (Fig. 33.204). Asas anterior e posterior com diferentes formatos e padrões de coloração, variando do castanho ao cas- tanho-avermelhado, geralmente com máculas hialinas. Às vezes, assemelham-se a esfingídeos, geometrídeos e licenídeos. Asa posterior geralmente frenada, com duas ou três cerdas frenulares nas fêmeas; em algumas espécies, ângulo umeral desenvolvido e frênulo ausente, como em Belonoptera patercula (Guenée) e Draconia fenestratalis Costa Lima. A família está dividida em Striglininae, Thyridinae, Siculodinae e Charideinae, todas com representantes na fauna brasileira, exceto a última, endêmica da região Afrotropical. Tiridídeos são pouco abundantes na natureza e raros nas coleções científicas. Costumam ser distinguidos dos piraloides pela ausência de escamas na base da probóscide e de órgãos timpânicos abdominais. No Brasil, há espécies econo- micamente importantes sob o ponto de vista agrícola, como é o caso de Siculodes falcata Felder & Rogenhöfer (Siculodinae), cujas larvas são pragas da goiabeira no Estado da Paraíba. Poucas espécies brasileiras têm os imaturos conhecidos e descritos na literatura. Estudos disponíveis tratam quase que exclusivamente das espécies com alguma importância para a agricultura, como a praga do sapoti, Banisia myrsusalis (Walker) (Striglininae), para cujos imaturos (ovos e larvas) ainda faltam informações morfo- lógicas mais detalhadas. Os ovos são ovais, com eixo micropilar perpendicular ao substrato e exocório estriado. Podem ser brocas de caules e ramos, às vezes induzindo o desenvolvimento de galhas; outras se alimentam dentro de abrigos formados pela união das bordas de duas ou mais folhas de sua planta hospe- deira; utilizam principalmente Euphorbiaceae, Leguminosae, Sapotaceae, Myrtaceae, Dipterocarpaceae, Capparidaceae e Combretaceae. A pupa é do tipo adéctica e obtecta, sem espinhos dorsais, protegida em um casulo distinto, confeccionado com fios de seda produzidos pela larva. Thyrididae possui características morfológicas e comportamentais que lhe confere semelhanças muito precisas com folhas mortas, garantindo proteção contra predadores e adaptação a ecossistemas de florestas. Referências: Whalley (1971, 1976) e Dugdale et al. (1998). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Whalley 1971) 1. Asa posterior com áreas translúcidas desenvolvidas. Geralmente mariposas de corpo robusto .......... Thyridinae ― Asa posterior sem áreas translúcidas ........................ 2 2(1) Tarsômeros sem espinhos. Asa posterior com Sc+R1 e Rs livres (Fig. 33.91) ................................ Siculodinae ― Tarsômeros com um par de espinhos apicais ou com mais de uma fileira de espinhos. Sc+R1 e Rs anastomosadas por curta distância .................................. Striglininae LEPIDOPTERA 756 Figuras 33.186–205. Adultos, vista dorsal. 186–190, Nymphalidae; 186, Limenitidinae, Adelpha malea (C.Felder & R.Felder); 187, Nymphalinae, Colobura dirce (Linnaeus);188, Satyrinae, Caligo martia (Godart); 189, Satyrinae, Haetera piera (Linnaeus); 190, Satyrinae, Taygetis virgilia (Cramer); 191, Papilionidae, Heraclides anchisiades (Esper); 192–194, Pieridae; 192, Coliadinae, Colias lesbia (Fabricius); 193, Pieridae (Dismorphiinae) Enantia clarissa (Weymer); 194, Pierinae, Catasticta bithys (Hübner). 195; Riodinidae, Mesosemia judicialis Butler; 196, Pterophoridae, Platyptilia Hübner; 197–200, Crambidae; 197, Pyraustinae, Diaphanianitidalis (Cramer); 198, Crambinae, Myelobia smerintha (Hübner); 199, Acentropinae, Parapoynx restingalis Silva & Nessimian; 200, Pyralidae (Phycitinae) Hypsipyla grandella (Zeller); 201, Brachodidae, Sagalassa Walker.; 202, Castniidae, Telchin licus Drury; 203, Sesiidae, Carmenta Edwards ; 204, Thyrididae, Rhodoneura lunula (R. Felder & Rogenhofer); 205, Psychidae (Arrhenophaninae), Arrhenophanes perspicilla (Stoll). LEPIDOPTERA 757 TISCHERIOIDEA Tischeriidae. É a única família incluída e compreende somente Tischeria Zeller. Ocorre predominantemente na região Holártica, com mais da metade de suas espécies restrita à América do Norte; os demais registros de ocorrência incluem as regiões Neotropical, Afrotropical e Oriental. Até o momento, são conhecidas apenas duas espécies com ocorrência no Brasil. Compreende espécies com asa anterior lanceolada e pontiaguda (Fig. 33.96), geral- mente esbranquiçada, amarelada ou escura, com envergadura entre 2 e 11 mm. Asa posterior relativamente mais estreita, com venação reduzida e desprovida de célula discal. Larvas são mina- doras. Algumas espécies constroem um tipo de ninho circular, com fios de seda, onde ficam abrigadas quando perturbadas ou quando não estão se alimentando, não raro dando um aspecto empolado à parte lesada da folha. As principais plantas hospe- deiras incluem algumas espécies de Asteraceae, Combretaceae, Ericaceae, Fagaceae, Malvaceae, Rhamnaceae, Rosaceae, Stercu- liaceae e Tiliaceae. Nenhum dano economicamente importante tem sido atribuído às espécies brasileiras. Referências: Davis (1998) e Diškus & Puplesis (2003). TINEOIDEA. Constantemente citada com uma das linhagens mais basais de Ditrysia, Tineoidea tem sido recuperada como parafilética nos mais recentes estudos filogenéticos (Mutanen et al. 2010; Regier et al. 2013), embora ainda mantida no aguardo de novas evidências. Atualmente, os Tineidae incluem Acrolophi- nae, representada principalmente pelo gênero Acrolophus Poey, com 225 espécies no Novo Mundo. Similarmente, em Arrhe- nophaninae as espécies do gênero Arrhenophanes Walsingham são atualmente classificadas em Psychidae, ao invés de família própria. Os Tineoidea podem ser distinguidos dos demais grupos de Lepidoptera pelas escamas eriçadas na fronte e na lateral externa do palpo labial, pela gálea distintamente curta e desconectada e pelas características do segundo esterno abdominal (Figs 33. 45,46). 1. Mariposas diminutas (< 20 mm de envergadura); terceiro artículo do palpo labial espatulado; sutura transfrontal da cabeça em formato de "V" invertido .......................... ................................................................ Dryadaulidae ― Mariposas de tamanhos variados; terceiro artículo do palpo labial cilíndrico ou cônico; sutura transfrontal da cabeça nunca em formato de "V" invertido ........................ 2 2(1). Asa anterior com todos os ramos da Radial terminando antes ou no ápice (Fig. 33.94), com raras exceções; antena filiforme; palpo maxilar em geral com cinco palpômeros .................................................... Tineidae (em parte) ― Asa anterior com pelo menos um ramo da Radial terminando na margem externa (Fig. 33.95); antena bipectinada; palpo maxilar geralmente com quatro palpômeros ..... ............................................................................... 3 3(2). Antena com pécten; palpo maxilar com três a cinco palpômeros ........................................... Eriocottidae ― Antena sem pécten; palpo maxilar ausente ou diminuto, com até três palpômeros ......................................... 4 4(3). Asa anterior com todos os ramos da Radial livres (não pedunculadas) (Fig. 33.95) .... Tineidae (Acrolophinae) ― Asa anterior com pelo menos dois ramos da Radial pedunculados (Figs 33.92,93) ................................ ................ Psychidae (incluindo Arrhenophaninae) Dryadaulidae. Antes considerada subfamília de Tineidae, o clado é caracterizado por muitas autapomorfias, dentre as quais destacamos: sutura transfrontal da cabeça refletida dorsalmente, forma de “Y invertido”; palpo labial espatulado, sem cerdas api- cais; veia Sc da asa anterior deslocada anteriormente; asa posteror com veias M3 e 3A ausentes; segmentação abdominal muito reduzida, e genitália masculina assimétrica (Davis & Robinson 1998). São pequenas mariposas (7-13mm de envergadura) de cabeça revestida por densa camada de escamas piliformes, asas delicadas e oblongas. Pouco se sabe sobre seu comportamento larval, embora infere-se que sejam detritívoros, fungívoros ou liquenívoros como parte dos Tineoidea (Regier et al. 2015). No mundo são estimadas cerca de 50 espécies, dentre as quais Dryadaula discatella (Walker) é registrada para o Brasil (Yang & Li 2021). Outras cinco espécies são registradas para a Guiana e podem, possivelmente, ser registradas futuramente no Brasil. Eriocottidae. Esta família inclui cerca de 70 espécies em Eriocot- tinae e Compsocteninae. Eriocottinae é encontrada mais comu- mente no Velho Mundo, no sudeste da região Paleártica, Espanha e norte da África, até a Austrália, com um gênero, Crepidochares Meyrick. Há cinco espécies dessa subfamília assinaladas para a América do Sul, sendo C. subtigrina Meyrick a espécie-tipo do gênero e a única registrada até o momento para o Brasil. Uma segunda, C. neblinae Davis, conhecida apenas da localidade tipo, Cerro de La Neblina, Venezuela, talvez também ocorra no Brasil. Compsocteninae distribui-se do sudeste africano até Taiwan. Imaturos são desconhecidos. Sobre o comportamento dos adultos sabe-se que são atraídos por armadilhas luminosas e que também podem ser coletados durante o dia. Referência: Davis & Robinson (1998). Psychidae. Constituem 1.246 espécies (van Nieukerken et al. 2011). São conhecidos como bicho-do-cesto ou simplesmente bicho-cesto, em alusão às larvas que vivem dentro de cestos, construídos inicialmente com pedaços de folhas e/ou outros tipos de fragmentos. Curiosamente, alguns grupos possuem fêmeas braquípteras ou larviformes, que normalmente nunca deixam o cesto em que se criaram. Machos são sempre alados e, em geral, de coloração escura e corpo robusto, com asa anterior variando de 4 a 28 mm de comprimento. Costa Lima (1945) transcreve com detalhes a biologia de Oiketicus kirbyi Guilding (Fig. 33.206), praga do cafeeiro. Outra espécie relativamente comum em nossa fauna é O. geyeri Berg, conhecida como bi- cho-do-cigarro ou bicho-cigarreiro, alusivo ao formato alongado dos cestos onde vivem as larvas e as fêmeas larviformes. Pouca importância econômica tem sido atribuída a essa espécie. Arrhe- nophanes perspicilla (Stoll) (Fig. 33.205) é uma das espécies de Arrhenophaninae mais conhecidas e amplamente distribuídas pela região Neotropical, ocorrendo de Veracruz (México) até Missiones (Argentina) e Rio Grande do Sul, onde também é encontrada A. volcanica Walsingham. Aspectos da biologia e dos estágios imaturos de A. perspicilla são conhecidos e foram incluídos em estudo taxonômico e cladístico da família. Larvas vivem em fungos de Polyporus (Persoon) Gray (Polyporaceae), popularmente conhecidos como orelha-de-pau. Referências: Costa Lima (1945), Davis (1984, 2003, 2006) e Davis & Robinson (1998). LEPIDOPTERA 758 Tineidae. A classificação dos Tineidae foi extensamente mo- dificada na última década devido ao acréscimo de evidências moleculares suportando sua origem parafilética. Atualmente, a família inclui Acrolophinae e exclui Meesiidae e Dryadaulidae, recentemente elevados à categoria de famílias (Regier et al. 2015). Em todo o mundo, são conhecidas aproximadamente 2.200 mil espécies, distribuídas em 320 gêneros. Na fauna brasileira, são majoritariamente representados pelos Myrme- cozelinae, Scardiinae, Tineinae, Setomorphinae, Hapsiferinae, Hieroxestinae, Erechthiinae e Acrolophinae (Fig. 33.207). São pequenas mariposas que podem ser reconhecidas pela densa camada de escamaspilosas que recobre a fronte (Robinson 2009). Popularmente, são conhecidas como traças-das-roupas ou traças-das-paredes em alusão aos hábitos e hábitats das larvas. Em geral, não são fitófagas, alimentando-se de uma variedade de detritos, líquens e fungos. Quase todas as larvas locomovem- -se dentro de um tipo de casulo achatado e fusiforme, dentro do qual se abrigam quando não estão em atividade. Algumas espécies são de considerável importância econômica, principal- mente de produtos armazenados, como é o caso de Phereoeca uterella (Walsingham), conhecida pelos danos que pode causar em tecidos de origem animal. Entre os Acrolophinae, destaca-se o gênero Acrolophus, endêmico do continente americano com 245 espécies descritas. São mariposas pequenas ou de tamanho médio, com corpo robusto, maxilas reduzidas e palpos labiais longos contornando a cabeça (Fig. 33.207). No estágio larval, podem construir túneis subterrâneos, por onde alcançam as raízes de suas plantas hospedeiras, Poaceae. Algumas espécies são coprófagas, alimentando-se, por exemplo, de fezes de tartarugas e roedores. Referências: Davis (1984), Davis & Robinson (1998), Robinson (2009) e Regier et al. (2015). TORTRICOIDEA Tortricidae. Constituída pelas subfamílias Tortricinae (Fig. 33.97), Olethreutinae (Fig. 33.209) e Chlidanotinae. Somente Tortricinae (Fig. 33.208) não compreende um grupo natural. Trata-se de uma família homogênea e cosmopolita. Com cerca de 9.200 espécies, das quais aproximadamente 20% na região Figuras 33.206–221. Adultos, vista dorsal. 206–207 Psychidae, 206; Psychidae, Oiketicus kirbyi Guilding; 207, Tineidae (Acrolophinae), Acrolophus cossoides Felder & Rogenhofer; 208–210, Tortricidae; 208, Tortricinae, Polythora viridescens (Meyrick); 209, Olethreutinae, Grapholita molesta (Busck); 210, Olethreutinae, Cydia pomonella (Linnaeus); 211, Urodidae, Urodus venatella Busck; 212, Attevidae, Atteva pustulella (Fabricius); 213, Glyphipterigidae, Cotaena mediana Walker; 214, Heliodinidae, Heliodines Stainton; 215, Lyonetiidae, Perileucoptera coffeella (Guérin-Menéville); 216, Plutellidae, Plutella xylostella (Linnaeus); 217, Dalceridae, Dalcerina tijucana (Schaus); 218, Limacodidae, Phobetron hipparchia (Cramer), macho; 219, Limacodidae, Phobetron hipparchia (Cramer), fêmea; 220, Megalopygidae (Megalopyginae), Megalopyge lanata (Cramer); 221, Megalopygidae (Trosiinae), Trosia Hübner. LEPIDOPTERA 759 Neotropical. Mariposas de pequeno a médio porte, com en- vergadura alar entre 7 e 35 mm, raramente com mais de 60 mm (Tortricinae: Ceracini, da região Oriental). Diferem dos grupos afins pelo palpo labial porrecto e probóscide desprovida de escamas na base. Para o Brasil, são estimadas cerca de 800 espécies. Muitas são consideradas pragas agrícolas e os danos causados são bem conhecidos, como os de Grapholita molesta (Busck) (Olethreutinae) (Fig. 33.209), cujas larvas se alimentam das folhas e do fruto do pessegueiro; Cydia pomonella (Linnaeus) (Olethreutinae) (Fig. 33.210), principal praga da macieira; e Ecdytolopha aurantiana (Lima) (Olethreutinae), cujas larvas atacam frutos da laranjeira e de outras Rutaceae. Algumas es- pécies também são pragas florestais e de plantas ornamentais. Referências: Horak (1998) e Brown (2005). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil (modificada de Horak 1998) 1. Flagelômeros geralmente com duas fileiras anelares de escamas; se houver apenas uma fileira de escamas, flagelômeros distintamente cerdosos. Pécten cubital da asa posterior ausente (excepcionalmente presente) ....... 2 ― Flagelômeros com uma fileira anelar de escamas e cílios (= cerdas sensoriais) muito curtos. Pécten cubital quase sempre presente .................... Olethreutinae 2(1). Genitália masculina com valva invaginada dorso- longitudinalmente ............................... Chlidanotinae ― Genitália masculina com valva não invaginada dorso- longitudinalmente ................................ Tortricinae URODOIDEA Urodidae. Dos três gêneros atualmente reconhecidos para esta família, Urodus Herrich-Schäffer e Spiladarcha Meyrick são os que estão mais amplamente distribuídos pelo Novo Mundo; Wo- ckia Heinemann tem distribuição geográfica disjunta, com uma espécie conhecida para a América do Sul, W. pelotas Heppner, descrita a partir de uma fêmea coletada em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Tem pouco mais de 60 espécies, das quais 20 ocorrem no Brasil. São microlepidópteros em geral acinzentados ou castanhos, com reflexos azulados ou violáceos, pequenos ou de porte médio, com envergadura alar variando de 11 a 37 mm (Figs 33.98, 211). No Brasil, está representada por Urodus Her- rich-Schäffer e Wockia Heinemann; até o momento, nenhuma espécie é tida como praga de plantas cultivadas e somente duas espécies do Velho Mundo tiveram suas larvas descritas. A pupa tem poucos espinhos. Não há dados disponíveis sobre a biologia das espécies brasileiras. Referência: Dugdale et al. (1998). YPONOMEUTOIDEA. Formam um grupo bastante hetero- gêneo de mariposas, com hábitos diversificados de imaturos e adultos. Duas sinapomorfias foram propostas para suportar a monofilia dos Yponomeutoidea, embora ambas apresentem reversões em clados importantes. A primeira refere-se à presença de lobos pleurais no segmento abdominal VIII dos machos, sendo estes perdidos independentemente em Glyphipterigidae e Bedelliidae. A segunda é a presença de uma costa transversal, localizada logo atrás da margem anterior do primeiro esterno II. Esta estrutura não é encontrada em uma linhagem de Ypsolophi- dae e em alguns Lyonetiidae. Uma recente filogenia rearranja o grupo em 10 famílias, dentre as quais cinco com ocorrência para o Brasil. Estudos biogeográficos da superfamília ainda carecem de melhor representatividade de seus representantes Neotropi- cais. Chave para famílias modificada de Dugdale et al. (1998). 1. Ocelos presentes, às vezes rudimentar; neste caso, palpo maxilar com três ou quatro artículos voltados para frente .... 2 ― Ocelos ausentes ..................................................... 4 2(1). Palpo labial com padrão aternado de bandas claras e escuras. Laterais da genitália masculina não encobertas por lobos pleurais membranosos; asa anterior frequentemente com máculas metálicas ................... Glyphipterigidae ― Palpo labial sem o padrão alternado de bandas claras e escuras. Laterais da genitália masculina largamente encobertas por lobos pleurais membranosos. Asa anterior na maioria das espécies sem máculas metálicas ................ 3 3(2). Asa posterior com CuP vestigial; asa anterior geralmente com máculas metálicas (Fig. 33.101)............ Heliodinidae ― Asa posterior com CuP vestigial; margem anal da asa anterior dos machos com uma faixa castanho clara de bordas sinuosas (Fig. 33.103) ................ Plutellidae 4(2). Escamas do escapo cobrindo parcialmente o olho composto; asas posteriores lanceoladas com franjas longas; esporões metatibiais desenvolvidos; mariposas diminutas, geralmente com manchas metálicas no ápice da asa anterior (Fig. 33.102) ............................................... Lyonetiidae ― Escamas do escapo normais; asas posteriores largas de franjas ausentes ou diminutas; esporões metatibiais ausentes; mariposas de pequeno a médio porte, algumas com cores vistosas nas asas anteriores........ Attevidae Attevidae. Com distribuição pantropical, compreende um pouco mais de 50 espécies combinadas a um gênero, Atteva. No Brasil, apenas quatro espécies foram registradas até o momento. Em geral são mariposas de pequeno a médio porte, entre 20–35mm de envergadura alar. Asas anteriores alongadas, margem externa truncada (Fig. 33.99), geralmente com máculas de cores vistosas. Asas posteriores largas, brancas ou pardas. At- teva pustulella (Fabricius) (Fig. 33.212) é a espécie mais comum no Brasil, distribuída desde o Panamá até a Argentina. As larvas vivem sob a superfícieexterna de suas plantas hospedeiras, não raro, protegidas em abrigos construídos com folhas do próprio alimento. As espécies brasileiras são conhecidas por se alimen- tarem de Simaroubaceae, Lauraceae e Meliaceae. Referência: Dugdale et al. (1998), Becker (2009); e Sohn et al. (2013). Glyphipterigidae. Atualmente, a família inclui Acrolepiinae, Orthoteliinae e Glyphipteriginae, somando mais de 450 espécies. No Brasil são registradas apenas duas espécies de Acrolepiinae e 25 em Glyphipteriginae. As duas subfamílias diferem quanto aos hábitos diurnos e noturnos, respectivamente. São mariposas de pequeno porte, entre 4,5 e 30mm, não raro com máculas metálicas nas asas anteriores (Fig. 33.213). Asas anteriores e posteriores podem apresentar veias reduzidas ou anastomosadas (Fig. 33.100). As larvas de Acrolepiinae neotropicais são mina- doras de folhas de Asteraceae, Convolvulaceae e Solanaceae. A pupa é permanece fora da folha e pode apresentar casulos em forma de renda. Já dentre os Glyphipteriginae, as larvas podem ser brocas de sementes ou galhos, ou vivem dentro das axilas foliares; poucas são minadoras. Alimentam-se principalmente de monocotiledôneas como Juncaceae e Cyperaceae; outros registros de plantas hospedeiras incluem representantes de Poa- LEPIDOPTERA 760 ceae, Araceae, Piperaceae, Urticaceae e Crassulaceae. Empupam em suas próprias galerias. No Brasil, até o momento, nenhuma espécie com importância econômica foi registrada. Referências: Gaedike (1984), Kyrki (1984), Dugdale et al. (1998), Becker (2000) e Moreira et al. (2019). Heliodinidae. Formam uma família relativamente pequena de microlepidópteros, com pouco mais de 50 espécies descritas. A maioria delas encontra-se na região Neotropical, embora o Brasil tenha registro de apenas três até o momento: Copocentra porphyropis Meyrick, C. saltatoria Meyrick e Ecrectica fasciata Walker. Estima-se ainda um número significativo de táxons ainda não descritos. Os adultos (Fig. 33.214) forrageiam em flores ao longo do dia e são pouco atraídos à luz; suas atividades normalmente se restringem aos ambientes próximos às fontes de alimento. Se as flores não são inspecionadas com cuidado, passam despercebidos devido ao tamanho, que varia de 7 a 15 mm de comprimento. Muitas espécies são minadoras de folhas no estágio larval, algumas vivem como brocas em galhos e fru- tos, outras vivem em comunidades exofíticas; alimentam-se de dicotiledôneas pertencentes a Chenopodiaceae, Nytaginaceae, Araliaceae, Onagraceae e Aizoaceae. Referências: Kyrki (1984), Dugdale et al. (1998) e Hsu & Powell (2005). Lyonetiidae. Possui pouco mais de 200 espécies descritas ao redor do mundo, classificadas em duas subfamílias: Lyone- tiinae e Cemiostominae. No entanto, apenas Perileucoptera coffeella (Guérin-Menéville) (Cemiostominae) (Fig. 33.215) foi registrada até o momento para o Brasil. Outros gêneros como Hapalothyma Meyrick e Thomictis Meyrick, ocorrem em países fronteiriços. São pequenas mariposas, raramente excedendo 3 cm de envergadura alar; a maioria das espécies tem coloração clara e máculas metálicas nas asas. Em geral, têm hábitos noturnos; durante o dia, podem ser encontrados na superfície abaxial das folhas, onde normalmente as fêmeas realizam suas posturas, que podem ser externas, típicas de Cemiostominae, ou internas, típicas de Lyonetiinae. Perileucoptera coffeella, popularmente conhecida como bicho-mineiro, é a principal praga do cafeeiro. Essa espécie é originária do continente africano, mas com a extensão das plantações de café, se espalhou rapidamente pelo mundo. No Brasil, os danos causados pelas larvas começaram a ser constatados a partir de 1850. Nas espécies cujas posturas são externas, como é o caso de P. coffeella, as larvas, ao emer- girem, passam diretamente do ovo para o parênquima foliar, alimentando-se do tecido existente entre as duas epidermes. Outras espécies e gêneros do grupo produzem danos aos culti- vos de maçã ou outros frutos de Rosaceae. As larvas geralmente são minadoras de folhas, alimentando-se principalmente de dicotiledôneas como Betulaceae, Fabaceae e Rosaceae, além de monocotiledôneas como Liliaceae. Referências: Dugdale et al. (1998) e Sohn et al. (2013). Plutellidae. A família é pouco representada no Novo Mundo. A maioria das espécies neotropicais encontra-se registrada para Argentina e Chile. Plutella xylostella (Linnaeus) (Fig. 33.216), a traça-das-crucíferas, é o único registro da família no Brasil. Originária do Mediterrâneo, centro de diversidade das brássicas, espalhou-se rapidamente pelo mundo. Alimenta-se da parte externa ou interna das folhas, inutilizando-as para o consumo. Algumas das dificuldades observadas no seu controle devem-se ao fato das áreas de cultivo coexistirem durante o ano todo, com plantas de diferentes idades, proporcionando à praga quantidade abundante e contínua de alimento. Além disso, devido a seu há- bito alimentar, a fase larval na maioria das vezes encontra-se pro- tegida no interior da folha. Os plutelídeos alimentam-se também de outros grupos vegetais, como Caprifoliaceae, Celastraceae, Fagaceae, Juglandaceae, Oleaceae, Rutaceae e Ulmaceae. Refe- rências: Kyrki (1984), Heppner (1984) e Dugdale et al. (1998). ZYGAENOIDEA. Tanto a monofilia de Zygaenoidea quanto as relações filogenéticas entre suas famílias são ainda bastante controversas na literatura (Epstein 1996; Epstein et al. 1998). No Brasil o grupo é representado pelas famílias Dalceridae, Epipyropidae, Lacturidae, Limacodidae, Megalopygidae e Zygaenidae. Formam em geral mariposas de pequeno a médio porte, de coloração variável, e grande variação na presenta e desenvolvimento da gálea, ocelos e quetosema. Alguns grupos, como Megalopygidae e Limacodidae apresentam larvas de importância médica. 1. Ocelo presente ............................................ Zygaenidae ― Ocelo ausente ............................................................... 2 2(1). Quetosema presente ................................................. 3 ― Quetosema ausente ................................................... 5 3(2). Asa anterior com R2, R3, R4 e R5 com pedúnculo único partindo da célula discal (Fig. 33.105) ..... Megalopygidae ― Outra configuração ........................................................ 4 4(3). Asa anterior ovalada, ápice arredondado .......... Lacturidae ― Asa anterior triangular, ápice oblíquo ................... Aididae 5(2). R2+R3 e R4+R5 pedunculadas ou fusionadas (Fig. 33.104) ............................................................ Dalceridae ― R2 e R3 independentes (não pedunculadas) ............... 6 6(5). Asa anterior com todos os ramos da R livres, sem pedúnculo, quando pedunculadas, sempre a partir da extremidade distal da célula discal. M não bifurcada no interior da célula discal ........................... Epipyropidae ― Asa anterior raramente com todos os ramos de R livres, ramificando-se além da extremidade distal da célula discal. Veia M não raro bifurcando-se distalmente no interior da célula discal ............................. Limacodidae Aididae. Com base em caracteres morfológicos, está filoge- neticamente próxima do clado formado por Limacodidae e Dalceridae, porém se mantém como família independente. Composta por Aidos Hübner e Brachycodilla Dyar, contém as seguintes espécies: A. amanda (Stoll), Aidos alencari (Lourido), A. perfusa (Schaus), A. yamouna (Dognin), B. admirabilis (Schaus), B. carmen (Schaus) e B. osorius (Herrich-Schäffer). Destas, somente Aidos yamouna e Aidos perfusa ainda não pos- suem registros para o Brasil. São mariposas de corpo robusto, quase sempre com asa anterior acinzentada, contrastando com a posterior, avermelhada. Suas larvas são urticantes, como as de Megalopygidae. Apenas Aidos amanda e Aidos alencari pos- suem imaturos e biologia conhecidos. As larvas têm verrucas abdominais carregando cerdas urticantes dorsais e subdorsais. Como plantas hospedeiras,são citadas Annonaceae, Fabaceae e Rubiaceae. Referências: Epstein (1996), Epstein et al. (1998), Specht et al. (2008) e Lourido (2021). LEPIDOPTERA 761 Dalceridae. Com 11 gêneros predominantemente neotropi- cais, somente Dalcerides ingenita (Edwards) chega ao sul dos Estados Unidos. Fazem parte de um mesmo clado, com base na morfologia da pupa, com Limacodidae, Megalopygidae e Epipyropidae. Posteriormente tiveram indicação de relação de parentesco com Limacodidae com base em caracteres de larvas e de adultos (Figs 33.104,217). Larvas de Dalceridae locomo- vem-se muito lentamente, como as de Limacodidae e de alguns Megalopygidae, diferindo pela presença de tubérculos cônicos gelatinosos, parcialmente translúcidos, distribuídos pelo corpo (exceto na superfície ventral), os quais provavelmente servem de proteção contra seus predadores. Devido a essa característica, são vulgarmente conhecidas como lagarta-gelatina, lagarta-ge- latinosa ou lagarta-de-vidro. O voo dos dalcerídeos é descrito como errático e ondulante. São principalmente noturnos e oca- sionalmente atraídos à luz. Não se alimentam na fase adulta; em repouso, os dois pares de asas dobram-se sobre o abdômen como um telhado; as pernas anteriores e medianas mantêm-se esten- didas lateralmente e as antenas para cima. Mais de 20 famílias de plantas hospedeiras já foram associadas a esses lepidópteros que, mesmo sendo generalistas, causam danos leves a plantios economicamente importantes. Para o Brasil, estão registrados três gêneros e seis espécies com algum dano econômico: Acraga fiava (Walker), em goiabeira, A. elinda (Druce), em goiabeira e roseira, A. moorei Dyar e Dalcera abrasa (Herrich-Schäffer), em plantios de café, A. citrinopsis (Dyar), em mamoneira, e Dalcerina tijucana (Schaus), em laranjeira. Larvas empupam dentro de um casulo resistente e oval. Referências: Miller (1994) e Epstein (1996), Epstein et al. (1998) Epipyropidae. No estágio larval, são ectoparasitas de hemípteros Cicadomorpha (Cicadellidae e Cicadidae) e Fulgoromorpha (Fulgoroidea). Não se conhece outra família de Lepidoptera, exceto Cyclotornidae (Zygaenoidea), endêmica da Austrália, com hábitos larvais tão distintos. As larvas assemelham-se às de Limacodidae e Megalopygidae pela cápsula cefálica pouco desenvolvida e pelo corpo robusto, com pernas abdominais praticamente ausentes. Os adultos são pequenos e de coloração escura. Embora constituam um grupo cosmopolita, estão mais bem representados na região Oriental. O posicionamento ta- xonômico da família sempre foi controverso, em parte devido à venação alar pouco informativa, ausência de peças bucais nos adultos e genitália masculina pouco desenvolvida. Atualmente são conhecidas cerca de 40 espécies, porém somente Protacraga micans Hopp foi descrita para o Brasil. Estima-se que a fauna brasileira compreenda dez espécies, o mesmo número atual- mente assinalado para a região Neotropical. Fêmeas adultas fazem posturas em massa nas plantas em que são encontrados os hospedeiros das larvas. As larvas de primeiro ínstar são as que procuram ativamente pelos seus hospedeiros. Após esse encon- tro, tornam-se sésseis, permanecendo no mesmo hospedeiro até o último ínstar. Em geral, alimentam-se exclusivamente da hemolinfa dos hospedeiros por meio das mandíbulas modifi- cadas, que se assemelham a estiletes; às vezes, as larvas passam para o interior dos hospedeiros e consomem todos seus órgãos, levando-os à morte. Adultos têm voo rápido e errático, com frequência sendo atraídos à luz nas primeiras horas do período noturno. Referência: Epstein et al. (1998). Lacturidae. Cosmopolita, com maior diversidade concentrada nos trópicos. São mariposas pouco estudadas, aparentemente noturnas, mas com cores vistosas. Pelo pequeno porte e formato das asas, foram anteriormente incluídos em Yponomeutoidea. No entanto, caracteres como a presença de antenas filiformes, de uma veia corda na asa anterior, e a aparência de “lesmas” de suas larvas, seguramente suportam a família dentre os Zygaenoidea. Apenas um gênero ocorre no Novo Mundo, e uma espécie é re- gistrada no Brasil: Lactura quadrifrenis Meyrick. Outras espécies brasileiras aguardam descrição. Larvas de espécies americanas alimentam-se de folhas de Syderoxylum (Sapotaceae), podem ter cores chamativas e serem venenosas. As pupas são encontradas dentro de casulos revestidos por uma seda delicada, com uma abertura larga em forma de “boca-de-sapo”, similar às de Lima- codidae. Referências: Heppner (1984), Epstein et al. (1998) e Matson et al. (2019). Limacodidae. Entre as famílias de Zygaenoidea, esta é a que possui o maior número de espécies, agrupadas em duas subfa- mílias: Chrysopolominae, restrita à região Afrotropical, com 30 espécies; e Limacodinae, cosmopolita, com aproximadamente mil espécies, das quais 304 são do continente americano. A maioria das espécies tem hábito noturno, voo errático e rápido, sendo frequentemente atraídas pela luz; poucas espécies têm hábitos diurnos. Considerando apenas os táxons do continente americano, Dalceridae, Aididae e Megalopygidae são os grupos mais próximos de Limacodidae, compartilhando os seguintes caracteres: adulto desprovido de ocelos; larvas com os esternitos VIII e IX curtos em relação ao tergito abdominal I, placa anal pouco desenvolvida e encoberta por segmento abdominal IX; pupa com olho ornamentado e palpo labial tão largo quanto a tíbia. Limacodídeos têm corpo robusto, de aspecto piloso devido à grande quantidade de escamas longas e finas (cerdas piliformes). Coloração parda e tamanho médio, com enverga- dura alar entre 15 e 50 mm. Algumas espécies são tipicamente coloridas. O dimorfismo sexual pode ser bastante acentuado, como em Phobetron hipparchia (Cramer) (Figs 33.218,219), considerada uma das principais pragas de cajueiro, carvalho, goiabeira, palmeira e roseira. Em geral, pousam de forma carac- terística: o eixo longitudinal do corpo forma um ângulo agudo com o substrato e seu peso é sustentado pelas pernas estendidas e pelas asas comprimidas contra os flancos. Todos os estudos que tratam de Limacodidae salientam a grande diversidade de formas encontradas no estágio larval e os problemas causados pelas espécies urticantes. Entre as espécies cujas larvas não têm ação urticante, como em Semyra Hübner, tem sido reportada a secreção de substâncias defensivas pelos poros dorsais. Geralmente polífagas, estão entre as principais pragas de plantas cultivadas, como coqueiro, dendezeiro, bananeiras, chá-preto, café, cacau, arroz e cana-de-açúcar, entre outras de interesse econômico. São relativamente bem conhecidas as biologias das espécies que atacam plantações de bananas e palmeiras. Para algumas espécies que ocorrem no Brasil, também são igualmente conhecidos os predadores (Hemiptera: Pentatomidae) e os parasitoides (Diptera: Tachinidae, Hymenoptera: Braconidae, Ichneumonidae). Ao final do desenvolvimento, as larvas constroem casulos escuros, subesféricos e resistentes, com fios de seda bastante aderidos ao substrato. Algumas espécies, como LEPIDOPTERA 762 Acharia rufescens megasomoides (Walker), possuem casulos en- voltos por uma massa difusa de cerdas urticantes. Após a cons- trução do casulo, a larva faz uma incisão circular em uma das extremidades para a saída do adulto que só pode ser vista após a emergência. Referência: Epstein et al. (1998). Megalopygidae. Restrita ao continente americano, primaria- mente nos trópicos, tem suas espécies agrupadas em Megalo- pyginae (Fig. 33.220) e Trosiinae (Fig. 33.221), com 68 e 164 espécies, respectivamente. Compreendem mariposas de corpo robusto, geralmente de tamanho médio, com envergadura alar entre 5 e 8 cm, algumas são menores e medem até 2 cm; as de grande porte podem atingir 11 cm de envergadura. Inteiramente esbranquiçadas ou acinzentadas com máculas negras ou pardas, coloridas de róseo ou vermelho, geralmente de aspecto acetinado ou aveludado. Compartilham com afamília Aididae o meso- noto escavado ântero-medianamente e a presença de um par de esporões tibiais nas pernas meso e metatorácica. Além disso, as larvas de ambas são urticantes, com estemas distribuídos de forma semelhante. Alguns megalopigídeos são economicamente importantes, como Megalopyge lanata (Cramer) (Fig. 33.220), cujas larvas podem causar danos significativos em abieiro, algo- doeiro, algodoeiro-bravo, amendoeira-da-praia, assaçú, cajueiro, goiabeira, laranjeira-azeda, laranjeira-doce, mamoneira, pau-san- to, pessegueiro, roseira e videira. O ciclo de vida pode ser longo, com uma ou mais gerações por ano. Tem característica pouco comum entre os lepidópteros, que é a troca da planta alimen- tícia durante o desenvolvimento larval. Larvas possuem corpo revestido por cerdas densas, sendo a maioria das cerdas longas, sedosas e não-urticantes, porém entre elas há cerdas menores, pontiagudas, robustas e inoculadoras de substâncias urticantes, produzidas pelas glândulas de veneno localizadas na base de cada cerda. Praticamente toda a bibliografia de Megalopygidae refere-se à ação urticante de suas larvas, processo denominado erucismo. Larvas são frequentemente parasitadas por inimigos naturais, como moscas Tachinidae, vespas apócritas e nemató- deos. Referências: Heppner (1995), Epstein (1996), Epstein et al. (1998) e Specht et al. (2008). Chave de identificação para as subfamílias que ocorrem no Brasil 1. Probóscide curta, em geral menor que a largura da cabeça. Asa posterior com Sc+R1 e Rs fundidas pelo menos até metade do comprimento da célula discal ................ Trosiinae ― Probóscide ausente. Asa posterior com Sc+R1 e Rs fundidas até a extremidade distal da célula discal (fêmeas) ou livres (machos) (Fig. 33.105) ........................ Megalopyginae Zygaenidae. Constituída principalmente de mariposas de hábitos diurnos e coloração aposemática; algumas são capazes de produzir e liberar ácido cianídrico, entre outros compostos impalatáveis, a partir da hidrólise de dois glicosídeos cianogê- nicos, linamarina e lotoaustralina, sintetizados a partir de valina e isoleucina. Com o sucesso adaptativo dessa defesa química, algumas espécies formam complexos miméticos muito eficientes. Nesse aspecto, Zygaenidae e Heliconius Kluk (Nymphalidae: Heliconiinae) são muito semelhantes. Frequentemente são estudadas para elucidar questões sobre mimetismo, especiação e coevolução entre insetos e plantas. A sistemática de Zygaeni- dae permanece pouco resolvida. Considerada grupo-irmão dos demais Zygaenoidea, compreende as subfamílias Procridinae, Callizygaeninae, Chalcosiinae e Zygaeninae. As espécies bra- sileiras estão incluídas em Procridinae, a única subfamília de Zygaenidae encontrada em todos os domínios biogeográficos, incluindo Austrália, Tasmânia e regiões temperadas da América do Sul e África. Os adultos são pequenos ou de tamanho médio, com envergadura alar entre 10 e 30 mm. Larvas geralmente de cores vivas (amarelo e preto), com inúmeras verrugas, onde se inserem cerdas curtas. Vivem geralmente em plantas baixas. Referências: Epstein et al. (1998) e Niehuis et al. (2006). Agradecimentos. Aos inúmeros colegas brasileiros e estran- geiros que, direta ou indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento deste capítulo (disponibilizando referências, dados, espécimes, comentários, correções), em especial a Alfred Moser (São Leopoldo, RS), André V. L. Freitas (UNICAMP), Donald D. Davis (USNM, Washington, DC), Gilson R. Mo- reira (UFRGS), Manoel M. Dias Filho (UFSCar), Olaf H. H. Mielke (UFPR), Reinhard Gaedike (Deutsches Entomologis- ches Institut Eberswalde der BZA, Berlim), Robert K. Robbins (USNM, Washington, DC), Sibyl R. Bucheli (Sam Houston State University, Huntsville, TX) e Vitor O. Becker (Camacã, BA); Simeão S. Moraes (MZUSP), Fernando Maia Silva Dias (UEL), Carolina Cafiso (UFPR) pelo auxílio na confecção de alguns dos desenhos e fotos que ilustram o presente trabalho. Marcelo Duarte agradece à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo auxílio concedido (proc. no. 02/13898-0), no âmbito do Projeto de Jovem Pesquisador e à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo, pelos auxílios complementares (Projeto 1). Referências Bibliográficas Ackery, P.R.; R. De Jong & R.I. Vane-Wright 1998. The butterflies: Hedyloidea, Hesperioidea and Papilionoidea, pp. 263–300. In: N.P. Kristensen (ed.). Band/ Vol. IV Arthropoda: Insecta. Lepidoptera, moths and butterflies: evolution, systematics, and biogeography. Vol.1. In: M. Fischer (ed.). Handbuch der Zoologie. Handbook of Zoology. Berlin, Walter de Gruyter, 491 pp. Amorim, D.S. 2002. Fundamentos de Sistemática Filogenética. Ribeirão Preto, Holos Editora. 154 pp. Bazinet, A.L.; K.T. Mitter; D. Davis; E.J. Van Nieukerken; M.P. Cummings; C. Mitter 2017. Phylotranscriptomics resolves ancient divergences in the Lepidoptera. Systematic Entomology 42: 305-316. Beaulieu, J.M.; B.C. 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