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SAÚDE ÚNICA AULA 6 Profª Adriane Brun Profª Ana Santos 2 CONVERSA INICIAL Nesta etapa, falaremos sobre política pública, atores sociais, demandas e ciclos para a sua organização. Nessa perspectiva, ampliaremos o nosso olhar para as políticas sociais, com base no Estado de Bem-Estar Social, surgido na Europa do século XX e marcado pelo movimento do proletariado com a burguesia em prol de melhores condições de trabalho e da garantia de alguns direitos sociais conquistados na Constituição cidadã. Considerando a importância da participação social na consolidação da cidadania, a etapa inclui um tema sobre os conselhos de direito como elemento fundamental de controle social com as políticas sociais e a relevância da trasnversalidade das politicas sociais como processo de cidadania, entendendo as demandas sociais, os sujeitos de direito e ampliando a interface com os temas contemporâneos transversais, tais como, saúde, educação alimentar e nutricional. E, por fim, a etapa abordará o trabalho em equipe multidisciplinar e interdisciplinar na articulação dos saberes específicos para que as demandas dos sujeitos sejam atendidas na sua integralidade física, emocional e social, garantindo acesso a informações, serviços e atendimentos que promovam o bem-estar, a saúde e a cidadania. TEMA 1 – POLÍTICA PÚBLICA Neste tópico, vamos falar um pouco sobre o que é uma política pública, entendendo que existem várias definições, mas todas abordam a relação do Estado, governo e ações para atender ou não à demanda da sociedade. Assim, faz-se necessário conhecer o significado do termo “política”. De origem grega, essa palavra estava intrinsecamente relacionada à polis, ou seja, a cidade e toda a sua dinâmica humana de relações sociais, pública e cidadã. Ainda nessa perspectiva do significado dessa palavra, se usarmos como base a língua inglesa, temos “polítcs”, ato de governar, ciência política e atividades ligadas à política, tais como a eleição e o voto, seguido de “polity”, que se refere à forma de governo, e “policy”, indicando um plano de ação do governo. A atividade política está relacionada à atividade do Estado. O termo “público” aqui empregado com a Política Pública não se restringe exclusivamente ao Estado. No latim, a palavra “república” vem de res (coisa) e 3 publica (de todos), ou seja, aquilo que é de todos, além do Estado, o que inclui a sociedade e sua representatividade. Trazendo para a contribuição de Hanna Arendt, citada por Pereira (2008, p. 88), A política trata da convivência entre diferentes. [...] Os homens e as mulheres se organizam politicamente para atingir objetivos comuns, e assim fugir do caos que se instalaria se cada um se entrincheirasse na defesa de seus interesses e objetivos particulares”. Nesse contexto, a política é um imperativo da convivência e das diferenças, seja de ideologias, crenças, cor ou sexo, seja de opiniões em que os sujeitos sociais estão situados de forma desigual na estrutura social (Pereira, 2008), de forma que os conflitos e as divergências ocorrem e devem ser debatidos de forma democrática para atender às demandas da sociedade, mas sob a possível eminencia do caos. A intervenção do Estado pode ocorrer de duas formas para manter a regulação social. • Coerção: inibe, coíbe e restringe e ameaça a participação social, esse modelo ocorre em sociedades ditatoriais e não coaduna com a sociedade democrática; • Política: “consiste em uma possibilidade de resolver conflitos sem a recíproca destruição dos conflitantes e com ganhos expressivos em termos de convivência” (Nogueira, 2011, p. 13-14). Assim, ao falamos de políticas públicas, estamos nos referindo a um conjunto de ações e decisões organizadas pelos governos (municipal, estadual e federal) para solucionar e dar respostas aos problemas de interesse público, ampliando os direitos e a cidadania, o que envolve planejamento, alocação de recursos e envolvimento dos atores sociais. Segundo Bucci (2002, p. 241), o conceito de política pública é o de “programas de ação governamental visando coordenar os meios à disposição do Estado e as atividades privadas, para a realização de objetivos socialmente relevantes e politicamente determinados”. Nesse momento em que estamos contextualizando os conceitos de política pública e suas formas de efetivação, não podemos deixar de explicitar os atores sociais. Podemos dizer que eles são sujeitos de ação fundamental para que os direitos sociais e a cidadania sejam consolidados em uma sociedade democrática, podendo nominá-los como atores formais e informais, individuais e coletivos e público e privado (Dias, 2012). 4 • Atores formais: são representados pelo presidente da república, pelos deputados, senadores, governadores e prefeitos. Também são considerados atores formais as equipes de governo e o poder judiciário; • Atores informais: não são regidos pela Constituição Federal, mas representam forte impacto na mobilização e implementação da política pública, como os movimentos sociais, as empresas, os sindicatos e os meios de comunicação; • Atores individuais: são pessoas que agem de forma individual para influenciar a implementação das políticas públicas, aqui representados pelos políticos, magistrados, jornalistas, artistas, influenciadores digitais, entre outros; • Atores coletivos: representados pelos grupos que exercem influências para a implementação das políticas públicas, como as organizações da sociedade civil e os movimentos sociais; • Atores públicos: “os atores públicos, portanto, compõem o sistema político, exercendo funções públicas; nessa classificação, devem ser incluídos todos os atores que ocupam postos no governo” (Dias, 2012, p. 43); • Atores privados: exercem poder de pressão com o governo para a implementação da política pública. Fazem parte desses atores os centros de pesquisa, as organizações do terceiro setor, a mídia, entre outros. Nesse sentido, é primordial compreender que os atores públicos representam os interesses dos atores coletivos, os quais devem organizar, planejar e implantar as etapas das políticas públicas de forma responsável, cabendo à sociedade civil a avaliação e o monitoramento das políticas sociais que abordaremos mais à frente no tema sobre participação social e conselhos de direitos. Até esse momento, estamos vendo a importância da política pública para a vida em sociedade, considerando os princípios democráticos e a participação dos diversos atores sociais. Agora, você pode estar se perguntando: como se estabelecem as prioridades, as metas e os objetivos a serem alcançados nas políticas públicas? Pois bem, somente conhecendo os problemas sociais, a realidade dos territórios, as reais necessidades das pessoas e ouvindo todos os setores envolvidos é que começam a ser delineadas as ações. 5 Podemos afirmar que a formulação de políticas públicas constitui-se num estágio em que os governos democráticos transformam seus propósitos e plataformas eleitorais em ações e programas que produzem resultados ou mudanças concretas no mundo real. Politicas públicas, primeiramente, são desenhadas e formuladas, em seguida, desdobram-se em planos, programas, projetos, base de dados ou sistema de informação e pesquisas, e “quando postas em ação, são implementadas, ficando daí ́ submetidas a sistemas de acompanhamento e avaliação” (Dias, 2012, p. 63) Outro aspecto importante que compreende a organização das ações para a implementação da política pública são as demandas da sociedade, que nem sempre o governo estabelece como prioridade e, assim, podemos classificá-las em: demandas novas, as quais surgem em detrimento de um novo problema ou uma nova situação e com novos atores políticos que atuam como ponto de pressão com o sistema público, por exemplo, a questão ambiental(aumento dos índices de desmatamento); demandas recorrentes, em que a ação do governo não foi eficaz e eficiente ou foi mal resolvido ou inacabado, por exemplo, a falta de saneamento básico na maioria das grandes metrópoles, o acesso a equipamentos de saúde, vagas nas escolas, transporte público, racismo, entre outras; e, por fim, as demandas reprimidas, que representam um conjunto de problemas que existem há muito tempo mas não chegam a incomodar e, consequentemente, não ocorre uma pressão por parte da sociedade, como a falta de pavimentação em bairros sem um número expressivo de moradores. Agora que apresentamos os principais elementos para que se compreenda o que são políticas públicas, seus atores e suas demandas, vamos apresentar os ciclos para a sua elaboração, que compõe o planejamento das ações. Temos vários autores abordando esse tema, mas o percursor foi Charles Jones, em 1970, adotando cinco fases: identificação de um problema, formulação de soluções, tomada de decisões, implementação e avaliação (Dias, 2012). Temos outros autores que propõem outras etapas para os ciclos. Para saber mais, recomendamos a leitura do capítulo 4, seção 4.2: Ciclos ou Processos de políticas públicas do livro Políticas públicas: princípios, propósitos e processos, de Reinaldo Dias e Fernanda Costa Matos. A compreensão sobre política pública elaborada neste primeiro tópico é fundamental para que possamos tratar do próximo, Política Social. 6 TEMA 2 – POLÍTICAS SOCIAIS Vamos agora falar sobre as políticas sociais, sendo essa um gênero de política pública. Mas por que é um gênero? Porque temos a tributária, a fiscal, a econômica e a social. Nada melhor para começar o nosso tópico do que a leitura conceito de Höfling (2001, p. 65), que situa historicamente as lutas dos trabalhadores durante o processo de industrialização para a garantia de direitos sociais. políticas sociais se referem a ações que determinam o padrão de proteção social implementado pelo Estado, voltadas, em princípio, para a redistribuição dos benefícios sociais visando a diminuição das desigualdades estruturais produzidas pelo desenvolvimento socioeconômico. As políticas sociais têm suas raízes nos movimentos populares do século XIX, voltadas aos conflitos surgidos entre capital e trabalho, no desenvolvimento das primeiras revoluções industriais. Os primeiros movimentos em prol de um sistema de proteção social que atendesse ao contingente de trabalhadores ocorreu na Alemanha, sendo conhecido como modelo Bismarkiano, entre os anos de 1883 e 1889, um modelo de seguridade social que atendia a uma camada de trabalhadores que contribuíam para as caixas de aposentadorias, caixas de seguro saúde e que assegurava seguro acidente de trabalho, seguro saúde e aposentadoria. Na Inglaterra, em 1942, temos o Plano Beveridge, de caráter unificado e universal, que atendia ao contingente de pessoas além dos trabalhadores, sendo um sistema de proteção social pautado no direito para a garantia das necessidades básicas. Esses modelos fazem parte do Estado de Bem-Estar Social ou Welfare State, ocorrido após a Segunda Guerra Mundial, tendo como principal marco o Estado com uma atuação voltada à ampliação dos serviços assistenciais como educação, saúde e seguridade social como um direito social. O Brasil adota no seu percurso histórico uma mescla dos modelos supracitados, ora seletivos, próprios dos modelos liberais, ora de práticas autoritárias, para dispersar os conflitos sociais e, por vezes, adotando medidas universais, não contributivas e distributivas próprias do regime social democrata. A organização da sociedade civil, dos trabalhadores dos grupos das categorias profissionais como os da saúde e educação, os partidos políticos, os estudantes, movimentos sociais e sindicatos foram fundamentais para a mobilização social em prol dos direitos sociais consolidados em outubro de 1988, com a promulgação da Constituição Federal do Brasil, conhecida como 7 Constituição Cidadã, a qual contou com ementas populares na sua organização e ampla discussão sobre os direitos sociais. E quando nos remetemos à Constituição de 1988, qual a primeira palavra que poderia caracterizá-la? Seu marco foram os direitos sociais fundamentais para a vida e para a dignidade da pessoa humana, no art. 6º, que trata dos direitos sociais. Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar, garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei, observada a legislação fiscal e orçamentária. (Brasil, 1988) Assim, podemos afirmar que as políticas sociais são fruto das demandas da sociedade para reivindicar equidade, justiça social e garantia de direitos sociais em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. Desse modo, os direitos sociais promulgados, conquistados e garantidos pela Constituição são materializados por leis e operacionalizados pelas políticas públicas e sociais, por meio de programas, projetos, serviços e equipamentos representados por um contingente de atores sociais ativos nos territórios. Entre os direitos sociais com maior evidência, temos os que compõem o sistema de proteção social, denominado seguridade social para a saúde1 universal e assistência social2 como não contributiva, sendo direito do cidadão e dever do Estado, passando do patamar da caridade e ajuda para um de direito de todos de que dela necessitem, e a previdência social de cunho contributivo para a classe trabalhadora. Outro marco importante de que trata a Constituição é o direito de participação da sociedade no controle social da gestão das políticas sociais por meio de sua representatividade garantida nos conselhos de direitos, a qual será abordada no próximo tópico. Com base nessa contextualização, deve ficar evidente que a política social não é do Estado, mas, sim, da sociedade, cabendo ao Estado garantir sua materialização para alcançar os objetivos e propostas das demandas da população em prol de uma nova sociabilidade. 1 Para saber mais, ler a Lei 8080/90 – Lei Orgânica da Saúde. 2 Para saber mais, ler a Lei 8742/93 – Lei Orgânica da Assistência Social. 8 a política pública de corte social é um tipo de política pública que se dá por meio de um conjunto de princípios, diretrizes, objetivos e normas, emanadas do poder público e que orientam a sua atuação em uma determinada área. Estabelece-se pelas lutas, pressões e conflitos de interesses entre camadas e classes sociais, porém as respostas demandadas pelo Estado para essas questões podem vir atender interesses de um segmento em detrimento do outro. (Corrêa, 2005) Nessa perspectiva, o autor nos chama a atenção para as agendas de governo que nem sempre estão alinhadas com as demandas da sociedade para atender à garantia dos direitos sociais, pois somente quando uma questão ou evento se torna um problema evidente é que a ação pública altera sua agenda. Segundo Souza (2006, p. 32), existem três mecanismos para chamar atenção do governo “a) divulgação de indicadores que desnudam a dimensão do problema; b) eventos tais como desastres ou repetição continuada do mesmo problema; c) feedback ou informações que mostram as falhas da política atual ou seus resultados medíocres”. Novamente, reafirmamos a importância da participação da sociedade como agente do processo que garanta a cidadania por meio de mecanismos de controle social. 2.1 Políticas Setoriais e Intersetoriais Alguma vez você já ouviu dizer que as políticas sociais são setoriais?O que define que uma política seja setorial e a sua relação e desenvolvimento dentro de um setor específico de maneira especializada, como a habitação, a educação, a saúde, entre outras? Ao mesmo tempo, precisamos compreender a importância da intersetorialidade das políticas públicas para romper com o caráter de verticalização, que compromete a eficiência e efetividade na sua execução. Existem vários conceitos na literatura que abordam o tema, mas vamos citar os mais relevantes. Segundo Inojosa (2001, p. 105), a intersetorialidade é “a articulação de saberes e experiências com vistas ao planejamento, para a realização e a avaliação de políticas, programas e projetos, com o objetivo de alcançar resultados sinérgicos em situações complexas”. Para Monnerat (2009, p. 204), “síntese de conhecimentos diversos [...] para atuar sobre problemas concretos” e “como uma articulação de ações de vários setores para alcançar melhores resultados”. 9 Para Pereira (2012, p. 1), a intersetorialidade é “uma nova lógica de gestão, que transcende um único ‘setor’ da política social e estratégia política de articulação entre ‘setores’ sociais diversos e especializados”. A intersetorialidade compreende o trabalho em rede, articulação e envolvimento com ações públicas e privadas, respeitando cada setor e seus processos, mas propondo um conjunto de ações que superem a fragmentação das políticas sociais e deem respostas para as múltiplas expressões da questão social, como a pobreza, o desemprego, a violação de direitos da criança e do adolescente, da pessoa idosa, da mulher, da pessoa com deficiência, da população em situação de rua, entre outros. 2.2 Políticas Sociais Afirmativas As políticas sociais de ações afirmativas são políticas voltadas para grupos específicos que sofrem algum tipo de discriminação, seja de raça, etnia, religiosa ou de gênero, tendo como objetivo diminuir a desigualdade social, política e econômica dessas populações em busca de uma maior equidade. Segundo Feres ( 2006), existem três argumentos que justificam as políticas de ação afirmativa no Brasil, a reparação, a diversidade e a justiça social. O debate sobre a origem das ações afirmativas ocorre nos anos 1960 nos Estados Unidos, marcados por reinvindicações democráticas oriundas principalmente do movimento negro em prol da igualdade e direitos civis e da eliminação das leis de segregação. É nesse contexto que se desenvolve a ideia de uma ação afirmativa, exigindo que o Estado, para além de garantir leis antissegregacionistas, viesse também a assumir uma postura ativa para a melhoria das condições da população negra. (Moehlecke, 2002, p.117) Assim, as ações afirmativas abrangem a dimensão socioeconômica de educação e renda, tais como vagas para programas habitacionais, cotas no ensino superior, em concursos públicos e também a dimensão política, principalmente na representatividade dos grupos nas esperas de poder, assim, podemos dar como exemplo de ações afirmativas a ampliação de vagas para o legislativo. Em uma sociedade que pactua com a democracia, a cidadania e a justiça social em prol do desenvolvimento humano, 10 As ações afirmativas desempenham importante papel no combate à desigualdade social e às segregações. Elas permitem que pessoas de origens distintas alcancem espaços de influência no âmbito educacional, político, econômico, socioprofissional e cultural. Não se trata de concessão de benefícios ou privilégios, mas da efetivação de direitos assegurados pela Constituição. (Rezende) No Brasil, podemos citar algumas das ações afirmativas reconhecidas socialmente, lembrando que as ações afirmativas não são ações restritas à gestão pública. • O Estatuto da Igualdade racial; • Lei n. 12.711/2012, a lei de cotas no ensino superior para pretos, pardos e indígenas; • Lei n. 8.213/1991, Lei das cotas para pessoas com deficiência (trabalho); • Ampliação da participação feminina na política – 30% do fundo partidário destinado às candidaturas femininas. TEMA 3 – PARTICIPAÇÃO SOCIAL A Constituição Federal de 1988 incluiu a democracia participativa como reconhecimento da participação social na construção dos direitos sociais e, consequentemente, na elaboração e efetivação das políticas públicas. Segundo Silva et al. (2005), as descrições a seguir expressam a relevância que passa a tomar a participação social pós-Constituição de 1988 relacionada aos direitos sociais, à proteção social e à democratização das instituições que lhes correspondem: a) a participação social promove transparência na deliberação e visibilidade das ações, democratizando o sistema decisório; b) a participação social permite maior expressão e visibilidade das demandas sociais, provocando um avanço na promoção da igualdade e da eqüidade nas políticas públicas; e c) a sociedade, por meio de inúmeros movimentos e formas de associativismo, permeia as ações estatais na defesa e alargamento de direitos, demanda ações e é capaz de executá-las no interesse público. (Silva et al., 2005, p. 375) A participação social assume o protagonismo com a esfera pública, tanto nos processos de decisão, elaboração, execução, formulação e avaliação das políticas sociais quanto na forma de consenso ou de debates e conflitos, garantindo voz e articulação de uma agenda política para atender às demandas sociais em seus diversos territórios. https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/desigualdade-social.htm 11 3.1 Cidadania O tema desta etapa será a participação social. Vamos iniciar falando um pouco sobre cidadania, considerando-a um processo sócio-histórico de lutas, reinvindicações e conquistas que se reconfiguram e estão em constante mudança em uma sociedade cada vez mais desigual. Do latim, civitas, cidade e a participação da comunidade. “A cidadania é um status concedido àqueles que são membros integrais de uma comunidade” (Marshall, 2002, p. 24). Existem vários conceitos de cidadania, mas vamos trazer a reflexão de Marshall (sociólogo britânico), com base em três elementos: civil, político e social. Os direitos civis estão ligados às liberdades individuais, como descrito no art. 5º da Constituição Federal de 1988: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. O direito político refere-se ao direito de participar no exercício do poder político, como eleito ou eleitor e sociais relacionados aos direitos sociais e às políticas públicas e sociais para sua efetivação. Nesse contexto, a cidadania pode ser compreendida como uma ação que compreende direitos e deveres, participação e ação coletiva de diversos atores sociais. Alguns autores ressaltam o processo de cidadania no Brasil marcado não por revoluções e lutas, mas por concessões do Estado com ações assistencialistas que concediam de forma pontual os direitos sociais, diferentemente de outros países (Carvalho, 2002). No Brasil pós-constituição de 1988, a cidadania é elemento central dos direitos sociais, sendo subsidiada pela Declaração de Direitos Humanos da ONU de 1948, pelo reconhecimento e pela defesa da dignidade da pessoa humana, bem como pela efetivação dos direitos fundamentais e sociais, atendendo à democracia participativa dos cidadãos, ou seja, percebendo-os como sujeitos ativos na sociedade. Assim, nesta breve contextualização sobre cidadania, reconhecer o papel do cidadão não somente como um sujeito individual, mas também como um sujeito coletivo, perpassa a construção de uma identidade social construída historicamente sobre a égide do Estado nas suas diversas formas de representação, tanto na relação de poder quanto na ajuda democrática de direito. 12 3.2 Controle Social A Constituição Federalde 1988 estabelece um importante marco na sociedade democrática de direito garantindo a participação popular na gestão e controle social das políticas públicas e instituindo instrumentos jurídicos para efetivá-las, tais como: plebiscito, iniciativa popular de lei, audiência pública, orçamento participativo, fóruns, conferências e conselhos. Assim, o controle social é o controle das ações do Estado por meio da sociedade civil, o qual pode participar das etapas da elaboração de uma política pública, na sua elaboração, implementação, execução e fiscalização por meio dos conselhos de direitos. Segundo Raichelis (2006, p. 11), Os conselhos, nos moldes definidos pela Constituição Federal de 1988, são espaços públicos com força legal para atuar nas políticas públicas, na definição de suas prioridades, de seus conteúdos e recursos orçamentários, de segmentos sociais a serem atendidos e na avaliação dos resultados. A composição plural e heterogênea, com representação da sociedade civil e do governo em diferentes formatos, caracteriza os conselhos como instâncias de negociação de conflitos entre diferentes grupos e interesses, portanto, como campo de disputas políticas, de conceitos e processos, de significados e resultados políticos. (2006, p. 11) A participação popular enquanto processo da gestão das políticas públicas deve ter caráter democrático e descentralizado, sendo um dos meios de participação os Conselhos de direitos das políticas sociais, o quais se caracterizam como órgãos colegiados, permanentes, representados por diversos seguimento da sociedade, e cada política social orienta a forma de organização dos Conselhos, que têm o encargo de formular, supervisionar e avaliar as políticas públicas nas esferas: federal, estadual e municipal. Lembrando que cada política pública estabelece a forma de organização dos conselhos. A fim de exemplificar o perfil da composição, representação e natureza dos conselhos, vamos apresentar o Conselho Nacional da Saúde (CNS), a Lei n. 8.142/1990, que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Assim, o CNS é uma instância colegiada, paritária, deliberativa e permanente do SUS nas três esferas do governo, federal, estadual e municipal. A composição de seus membros é paritária, representada em 50% de entidades e movimentos representativos dos usuários; 25% de entidades representativas 13 de trabalhadores da área de saúde e 25% de representação do governo e prestadores de serviços privados conveniados ou sem fins lucrativos. O conselho deve se reunir no mínimo uma vez ao mês, e as reuniões plenárias devem ser abertas ao público em horários compatíveis para a participação da sociedade. Para a efetividade dos conselhos, faz-se necessária a sistematização das discussões das pautas, no planejamento para elaboração de projetos que possam ser implantados atendendo ao plano anual, pactuando metas e objetivos. O exercício da cidadania faz-se por meio da ocupação dos espaços da participação popular definidos constitucionalmente, como os conselhos e as conferências, entre outros citados no início desta etapa, sendo esses espaços democráticos e envolvendo os atores sociais na perspectiva de garantir, monitorar, avaliar e ampliar as políticas sociais. A descentralização de poderes ampliou a participação das organizações locais e aumentou a possibilidade de controle social. TEMA 4 – TRANSVERSALIDADE DAS POLÍTICAS SOCIAIS O conceito de transversalidade é utilizado em variadas áreas de conhecimento e tem significados distintos, dependendo da abordagem utilizada. No cenário das políticas sociais, pode-se definir esse termo como o conjunto de concepções e práticas que atravessam as diferentes ações e instâncias, aumentando o grau de abertura da comunicação intra e intergrupos, ampliando as grupalidades e refletindo em mudanças nas práticas de saúde. Não somente, a transversalidade engloba a ideia de incluir temáticas que exigem articulação de saberes, apresentando-se como uma ideia de uso muito comum nas Ciências Humanas e Naturais (Marcondes; Farah, 2021). No que se refere às políticas públicas, a transversalidade originou-se na Europa, mais especificamente na década de 1990. Nesse período, as ações voltadas para a gestão pública buscavam incorporar um novo enfoque na solução de problemas, de modo a responder demandas urgentes sociais e políticas que envolviam questões de gênero, ambientais e de imigração, por exemplo (Mazzini et al., 2015). No Brasil, o uso do termo “transversalidade” surgiu na área da educação e era utilizado para explicar a possibilidade de se instituir, na prática educativa, uma analogia entre aprender conhecimentos sistematizados e as questões da 14 realidade. Com abordagem interdisciplinar, esse conceito auxiliou nas discussões dos movimentos de renovação pedagógica que apontavam a necessidade de se trabalhar temas transversais em um contexto que perpassa diversas disciplinas – sendo fortalecido pela implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pela definição dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a partir de 1996 (Galian, 2014). Quando aplicado a políticas para grupos populacionais específicos, por exemplo, o conceito compreende as ações que, tendo por objetivo lidar com determinada situação enfrentada por um ou mais destes grupos, articulam diversos órgãos setoriais, níveis da Federação ou mesmo setores da sociedade em sua formulação e/ou execução (IPEA, 2009, p. 665) Ainda, a transversalidade atua como um conceito e como um instrumento organizacional que possibilita que as instituições abordem algumas questões para as quais a organização clássica é inadequada, envolvendo a estrutura de governança e as estratégias de gestão, por meio de um objetivo comum. Por muitos anos, o conceito da transversalidade era compreendido somente como uma tradução literal de gender mainstreaming, ou seja, como transversalidade de gênero. Esta é definida como um processo de estruturação de políticas em que há a incorporação de perspectivas feministas no enquadramento de política pública, tanto na construção de problemas públicos quanto na definição do curso da ação pública. Deve-se ressaltar que esse conceito é composto por três dimensões: enquadramento das políticas por perspectivas feministas; condições institucionais para a transversalidade; e aderência às agendas políticas feministas (Marcondes; Farah, 2021). Nesse ponto, ressalta-se que a transversalidade no Brasil não se refere apenas às políticas de gênero, conforme relatado no parágrafo anterior, mas também se aplica às políticas de igualdade racial e aos temas que perpassam os direitos humanos. Como exemplo, pode-se citar que a transversalidade se conecta diretamente com a gestão do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que envolve a articulação dos setores escolares, da agricultura familiar, da nutrição e da saúde – inclusive, a Lei n. 13.666, de 16 de maio de 2018, inseriu o tema transversal da educação alimentar e nutricional no currículo escolar. O conceito de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras 15 necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambientais, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. Ainda, as políticas públicas voltadas para a alimentação são planejadas com prioridade para as famílias e pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional e contemplando também quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais, povos indígenas e assentadosda Reforma Agrária. O diálogo transversal entre a alimentação e a saúde interconecta-se à medida que a definição desta envolve, como condicionante, determinantes sociais. Assim, o conceito de direito à saúde transcende o seu setor ao se articular com a “[...] alimentação e nutrição, habitação, acesso à água limpa potável, condições sanitárias adequadas, condições de trabalho seguras e saudáveis e um meio ambiente saudável” com o intuito de reduzir iniquidades. (Varella; Martins, 2022, p. 5) Embora o discurso da transversalidade – seja ela voltada para o gênero, raça/etnia ou segurança alimentar – seja abordado em alguns Ministérios e Secretarias do país, na prática, ele ainda carece de maior estruturação e apoio. Assim, é necessário instituir programas educativos preventivos que garantam a aplicação das políticas de promoção da igualdade de oportunidades, além de estratégias e eliminação de conflitos ou punição de práticas discriminatórias comprovadas (Yannoulas; Soares, 2009). TEMA 5 – TRABALHO EM EQUIPE MULTIDISCIPLINAR E INTERDISCIPLINAR Para compreender este tema, é de suma importância diferenciar os conceitos de multidisciplinaridade e interdisciplinaridade. No que se refere ao primeiro, podemos exemplificar o termo pensando em uma equipe que tem como objetivo realizar o cuidado de uma determinada enfermidade – nesse caso, o cuidado pode ser efetuado por profissionais de diferentes áreas de atuação e não será preciso necessariamente que essas áreas se comuniquem entre si. As equipes multidisciplinares atuam de modo cooperativo e se configuram em uma relação recíproca das múltiplas intervenções técnicas e na interação dos agentes de diferentes áreas profissionais. Assim, cada profissional irá utilizar o seu conhecimento e a sua capacitação para realizar a assistência necessária (Costa, 2007). O trabalho multiprofissional consiste no estudo de um objeto por diferentes disciplinas, sem que haja convergência entre os conceitos e métodos. Este entendimento é corroborado por autor que afirma que o 16 objeto, no modelo multiprofissional, é resultante de uma soma de “olhares” e métodos provenientes de diferentes disciplinas ou práticas, quer normativas ou discursivas, colocadas pelos profissionais. (Gelbcke; Matos; Sallum, 2012, p. 5) Em relação à interdisciplinaridade, nesse caso, a equipe irá se comunicar obrigatoriamente para que, em conjunto, busque o melhor tratamento para a patologia em questão. Essa equipe irá comparar e incorporar os diferentes conhecimentos para estabelecer um consenso. Assim, pode-se afirmar que a principal diferença entre esses dois termos é a forma como os profissionais irão interagir e buscar soluções (Feriottti, 2009). No entanto, a interdisciplinaridade nas equipes de referência do SUAS é, muitas vezes, campo desconhecido ou não praticado pelos profissionais que atuam no sistema. Isso porque, muitas vezes, estão atuando mais na lógica multidisciplinar (Jafelice; Marcolan, 2018).Na prática interdisciplinar há uma integração das disciplinas ao nível de conceitos e métodos. No modelo interdisciplinar, certas subdisciplinas constituem novas disciplinas ou subdisciplinas, com métodos e conteúdos teóricos próprios. Há, portanto, uma interseção dos conhecimentos disciplinares. (Gelbcke; Matos; Sallum, 2012, p. 10) Há necessidade de unidade de ação, não apenas de entidades que representem os profissionais de saúde engajados nessa luta, mas também de aliança com a sociedade brasileira para que, muito além da correção em nosso sistema de saúde, possamos avançar com um controle social de qualidade do sistema, que garanta eficiência, eficácia e efetividade dos serviços para a população e o pleno direito à saúde. NA PRÁTICA Para aprimorar os conhecimentos teóricos adquiridos nesta etapa, sugerimos que você busque os conselhos de direito da sua localidade – também denominados conselhos de políticas públicas ou conselhos gestores de políticas setoriais – para verificar quais são as pautas e discussões atuais levantadas por esse órgão e de que forma ele atende às demandas da comunidade. Ainda, encorajamos a verificar a possibilidade de participar das futuras reuniões. Sendo assim, converse com os representantes do conselho para conhecer um pouco mais sobre a dinâmica do processo de participação social de modo a vivenciar a troca de conhecimentos na prática. 17 FINALIZANDO Após a leitura deste material e dos tópicos abordados, percebe-se a grandiosidade da área de políticas sociais e cidadania. Em relação aos temas aqui abordados, destaca-se a importância de compreender os principais conceitos de políticas públicas e de contextualizar corretamente cada um deles. O entendimento dos modelos elucidados pode permitir maior reflexão sobre o problema para o qual as políticas públicas são planejadas, as demandas atuais da sociedade, a trajetória seguida e o papel dos indivíduos, grupos e instituições que estão envolvidos na decisão. Além disso, conclui-se que, cada vez mais, tem se tornado necessária a formação de atores governamentais e não governamentais com vontade de contribuir para a análise dessas políticas. Por fim, esperamos que este material possa contribuir para a sua trajetória acadêmica e profissional. 18 REFERÊNCIAS BEGHIM, N.; JACCOUD, L.; SILVA, F. B. Políticas sociais no Brasil: participação social, conselhos e parcerias. In: JACCOUD, L.; SILVA, F. B. da.; BEGHIN, N. Questão social e políticas sociais no Brasil contemporâneo. Brasília: IPEA, 2005. Disponível em: <https://direito.mppr.mp.br/arquivos/File/politicassociais.pdf>. Acesso em: 16 fev. 2023. BRASIL. Brasil em desenvolvimento: estado, planejamento e políticas públicas. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Brasília: IPEA, 2009. BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil, o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. COSTA, R. P. Interdisciplinaridade e equipes de saúde: concepções. Revista Mental, v. 5, n. 8. jun. 2007. DIAS, R. Políticas públicas: princípios, propósitos e processos. São Paulo: Atlas, 2012. FERIOTTI, M. L. 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