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Aula 04
PC-SP (Papiloscopista Policial) Noções
de Criminologia - 2022 (Pré-Edital)
Autor:
Alexandre Herculano, Diego
Pureza
25 de Janeiro de 2022
02357944579 - DELBER OLIVEIRA ROLEMBERG SOARES
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Sumário 
1 - Etapas Evolutivas do Papel da Vítima no Direito Penal ......................................................................... 2 
1.1 - Vingança Privada ........................................................................................................................... 2 
1.2 - Vingança Pública ........................................................................................................................... 2 
1.3 - Período Humanista ......................................................................................................................... 3 
1.4 - Surgimento da Vitimologia, primeiros estudos no Brasil e tendências ............................................. 3 
2 – Vitimologia e Classificação das Vítimas ............................................................................................... 5 
2.1 - Processos de vitimização .............................................................................................................. 18 
3 - Teorias e Síndromes com enfoques nas vítimas .................................................................................. 22 
3.1 - Síndrome da Mulher de Potifar .................................................................................................... 22 
3.2 - Síndrome de Estocolmo .............................................................................................................. 24 
3.3 - Síndrome de Londres .................................................................................................................... 27 
3.4 - Teoria da Periculosidade Vitimal e as Vítimas Latentes (Potenciais) ............................................. 28 
Lista de Questões ................................................................................................................................... 29 
Gabarito .................................................................................................................................................. 39 
RESUMO ESTRATÉGICO ........................................................................................................................ 40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alexandre Herculano, Diego Pureza
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1 - ETAPAS EVOLUTIVAS DO PAPEL DA VÍTIMA NO DIREITO 
PENAL 
 
No estudo da Vitimologia trabalharemos com o enfoque da criminalidade sob a perspectiva da vítima. 
Nesse sentido, é importante invocar os marcos históricos mais importantes sobre o crime e o direito de 
punir, todavia, analisando como a vítima era tratada e o seu papel no sistema penal. 
Conforme analisaremos a seguir em breves linhas, a vítima já ocupou o papel de protagonista, já foi 
completamente esquecida, bem como alcançou papel de merecedora de compaixão e humanismo. 
Vejamos: 
 
1.1 - Vingança Privada 
 
Período também denominado de Protagonismo da Vítima ou Idade de Ouro, foi marcado pela Lei de 
Talião (“olho por olho, dente por dente”), de conotação puramente individualista em que a própria vítima 
ostentava o direito de punir (direito de autotutela). 
Sofrendo da conduta do criminoso, a vítima passava a ostentar o direito de punir o seu algoz, seja 
pagando na mesma moeda (exemplo: subtraindo o patrimônio do criminoso, no caso de furto), seja 
aplicando punições desproporcionais, diante da ausência de controle externo quanto ao limite e 
proporcionalidade na aplicação de sanções. 
Em alguns casos, ao exemplo de homicídio consumado, era transferido o direito de punir aos familiares da 
vítima, autorizados, portanto, a aplicar a pena de morte sobre o homicida. 
 
1.2 - Vingança Pública 
 
Com o surgimento do Estado, em especial na Justiça Criminal, o poder de punir foi deslocado da vítima 
para o Estado. 
A ideia de vingança permaneceu, porém, como o Estado passou a aplica-la, houve a incidência de 
princípios norteadores do poder punitivo, tais como a imparcialidade no julgamento, despersonalização da 
rivalidade, publicidade, etc. 
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A pena passa a ter também o caráter de prevenção geral, todavia, passa a abandonar a preocupação com a 
reparação do dano suportado pela vítima. 
Considerando o fato de que neste período a vítima passou a ser renegada pelo Estado, o período também 
é conhecido por Neutralização ou Neutralização do Poder da Vítima. 
 
1.3 - Período Humanista 
 
Com estudos da Escola Clássica (vide aula anterior), a preocupação com a vítima passou a ganhar 
relevância, porém, os estudos sobre o papel da vítima no cenário do crime só começou a ganhar corpo e 
sistematização a partir do momento em que se tornou objeto de estudo da Criminologia. 
Cuidado: A Vitimologia é um ramo pertencente à Criminologia (conforme já estudado, a 
vítima é um dos quatro objetos da Criminologia, ao lado do crime, criminoso e controle 
social). Todavia, há corrente minoritária (não seguida pelas bancas de concursos 
públicos) que defende a Vitimologia como ciência autônoma e independente. 
 A partir do século XX, especialmente com o fim da Segunda Guerra Mundial (com o enorme sofrimento 
dos judeus e de outros grupos vulneráveis), a vítima passa a receber importante atenção, sob uma ótica 
humanitária por parte do Estado, passando a ser merecedora de proteção sobre seus direitos e garantias, 
eis o motivo pelo qual tal período é também chamado de Redescobrimento da Vítima ou Revalorização 
do Papel da Vítima. 
Podemos destacar os seguintes marcos deste período: 
➢ Criação das Nações Unidas, em 1945; 
➢ Advento da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948. 
 
1.4 - Surgimento da Vitimologia, primeiros estudos no 
Brasil e tendências 
 
Logo após a Segunda Guerra Mundial, conforme acima, os estudos sobre a vítima ganharam contornos 
relevantes no estudo da criminalidade. 
A origem da Vitimologia é atribuída a Benjamin Mendelsohn, considerado o pai da Vitimologia, foi 
advogado em Jerusalém, que, como marcos históricos proferiu famosa conferência na Universidade de 
Bucareste, em 1947, denominada “Um Horizonte novo na ciência biopsicossocial: a vitimologia”, e, anos 
depois, publicou a obra “La Victimologie, Science Actuaelle” (1957). 
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Importante também registrar que os trabalhos de Hans Von Henting também causaram enorme impacto 
para a Vitimologia, em especial com a publicação do livro “The Criminal na his Victim”, em 1948, nos 
Estados Unidos. 
Cuidado: para alguns, Hans Von Henting teria sido o verdadeiro pai da Vitimologia, 
todavia, tal posição não é adotada pelas bancas de concursos públicos, em concursos 
fique com a posição mais segura: o pai da Vitimologia foi Benjamin Mendelsohn. 
No Brasil, por sua vez, com base nos registros oficiais, a Vitimologia surgiu com os estudos traduzidos e 
transcritos de Paul Cornil, entre os anos de 1958 e 1959 (Jornadas Criminológicas Holando-Belgas, 
traduzida e transcrita na Revista da Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Paraná, anos VI e 
VII, nºs 06 e 07). Todavia, o primeiro brasileiro a tratar do tema foi Edgard de Moura Bittencourt, com a 
publicação da obra “Vítima”, em 1971. 
Com base na atual Criminologia, é perceptível uma tendência de inserção da vítima no âmbito da 
persecução penal. Não há propriamente um protagonismo como havia na Era da VingançaPrivada, 
todavia, nota-se um papel de maior destaque visando a pacificação do conflito criminal que a vitimou. 
No Brasil, diante da enorme influência da chamada Justiça Restaurativa, é possível destacar alguns 
institutos jurídicos que evidenciam a participação ativa da vítima no sentido de se buscar o fim da 
persecução penal ante a restauração do conflito, bem como com institutos que visam proteger ou 
compensar o sofrimento suportado pela vítima. 
Trata-se de relação jurídica envolvendo a chamada Dupla Penal (Criminoso e Vítima). 
Nesse sentido, destacamos como exemplos: 
➢ A Lei dos Juizados Especial Criminais (Lei nº 9.099/95), visando estimular a Justiça Consensual 
(Restaurativa ou Pacificadora), apresenta a possibilidade de Composição Civil dos Danos (autor compensa 
a vítima por meio de acréscimo patrimonial) e Transação Penal (antecipação de penas restritivas de direito 
em troca do cumprimento de algumas condições); 
➢ Lei nº 9.807/99, criando instrumentos de proteção às testemunhas e vítimas; 
➢ Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha) com diversos mecanismos de proteção da vítima mulher 
(medidas protetivas), procedimentos céleres e impossibilidade de penas de caráter puramente pecuniário; 
➢ Lei nº 11.719/08, responsável por modificar o Código de Processo Penal no sentido de obrigar o juiz no 
momento da sentença penal condenatória a fixar valor mínimo de indenização visando a reparação dos 
danos sofridos pela vítima. 
Em síntese: 
 
Evolução
Histórica
Vingança Privada: vítima protagonista ostentando o direito de 
punir
Vingança Pública: Estado passa a deter o direito de punir, se 
esquecendo da vítima
Período Humanista: atenção especial à vítima sob a ótica 
humanitária por parte do Estado
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2 – VITIMOLOGIA E CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS 
Assunto que vem sendo bem cobrado nas provas de concursos públicos! 
A vitimologia, segundo Nestor Sampaio, é o terceiro componente da antiga tríade criminológica: 
criminoso, vítima e ato (fato crime). Ele acrescenta ainda os meios de contenção social. 
É, na verdade, um conceito evolutivo, passando do aspecto religioso (imolado ou sacrificado; evitar a ira 
dos deuses) para o jurídico. 
A vítima, que sofre um resultado infeliz dos próprios atos (suicida), das ações de outrem (homicídio) e do 
acaso (acidente), esteve relegada a plano inferior desde a Escola Clássica (preocupava-se com o crime), 
passando pela Escola Positiva (preocupava-se com o criminoso). 
Por conta de razões culturais e políticas, a sociedade sempre devotou muito mais ódio pelo transgressor 
do que piedade pelo ofendido. 
 
 
1. (2016 - MPE-SC - MPE-SC - Promotor de Justiça) Enquanto a criminologia pode ser identificada 
como a ciência que se dedica ao estudo do crime, do criminoso e dos fatores da criminalidade, a 
vitimologia tem por objeto o estudo da vítima e de suas peculiaridades, sendo considerada por alguns 
autores como ciência autônoma. 
Comentários: A assertiva está CORRETA. 
 
A Vitimologia pode ser definida como o estudo científico da extensão, natureza e causas da vitimização 
criminal, suas consequências para as pessoas envolvidas e as reações àquela pela sociedade, em particular 
pela polícia e pelo sistema de justiça criminal, assim como pelos trabalhadores voluntários e colaboradores 
profissionais. 
A Vitimologia, com a finalidade de estudar a relação vítima-criminoso no fenômeno da criminalidade, 
surgiu a partir de 1947. Benjamim Mendelsohn (considerado o pai da Vitimologia), advogado 
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israelense, e Hans Von Henting, professor alemão, quando exilado nos Estados Unidos, são 
considerados os pioneiros da Vitimologia. 
 
 
2. (VUNESP – PCSP - Investigador) É considerado o pai da Vitimologia: 
a) Cesare Lombroso. 
b) Raffaele Garofalo. 
c) Émile Durkheim. 
d) Benjamin Mendelsohn. 
e) Cesare Bonesana. 
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. 
 
3. (PCSP - VUNESP - 2014) Assinale a alternativa que contém os nomes dos precursores da vitimologia 
do século XX. 
a) Hans von Heting e Benjamin Mendelsohn. 
b) Cesare Bonesana e Raffaele Garofalo. 
c) Émile Durkheim e Cesare Lombroso. 
d) Francesco Carrara e Enrico Ferri. 
e) Michel Foucault e John Locke. 
Comentários: A alternativa A é o gabarito da questão. Benjamin Mendelsohn, advogado israelense e 
professor emérito de criminologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, foi pioneiro no estudo da 
Vitimologia juntamente com Hans Von Heting. Em conferência realizada em Bucareste em meados da 
década de 1950, consagrou-se patrono da vitimologia ao exaltar a indispensabilidade do estudo do 
comportamento consciente e inconsciente do sujeito passivo do crime (vítima), não devendo ser 
considerado tão somente um simples coadjuvante do delito, dentre outras sistematizações, classificações 
e propostas correlatas aos fatores de vulnerabilidade e vitimização. 
 
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Hans Von Henting já vinha aprofundando seu conhecimento com a problemática da vítima. Em 1941, 
publicou trabalho em que propôs uma concepção dinâmica e interacionista da vítima, não só como sujeito 
passivo do delito, mas também como sujeito ativo, que contribui para a gênese e execução do crime. “The 
Criminal and his victim”, escrito em 1948, em vez de falar em Vitimologia, usa o termo Vitimogênese. 
É com este estudo, portanto, que Von Henting desenvolve a relação criminoso-vítima, colocando esta 
última como elemento preponderante e decisivo na realização do delito, em que, consciente ou não, 
coopera, provoca ou conspira para a ocorrência do crime. A noção de vítima e Vitimologia de Mendelsohn 
supera a de Von Henting, embora não tenha ficado imune às críticas. 
Hans Von Henting com a obra “O criminoso e sua vítima”, deu passo importante no estudo da relação 
criminoso- vítima tomou grande impulso. 
Depois, com o 1º Simpósio Internacional de Vitimologia, de 1973, em Israel, sob a supervisão do famoso 
criminólogo chileno Israel Drapkin, impulsionaram-se os estudos e a atenção comportamentais, buscando 
traçar perfis de vítimas potenciais, com a interação do direito penal, da psicologia e da psiquiatria. 
 
 
Falando um pouco da visão histótica, os primeiros trabalhos sobre vítimas, segundo o professor Marlet 
(1995), foram de Hans Gross (1901). Somente a partir da década de 1940, com Von Hentig e Benjamim 
Mendelsohn, é que se começou a fazer um estudo sistemático das vítimas. 
Por mais de três séculos vivenciou-se um período de neutralização! A vítima era encarada como mero 
objeto, servindo apenas como testemunha do Estado na punição do infrator. Somente na década de 1950 
foi redescoberta com o surgimento da vitimologia fundada por Benjamin Mendelsohn, após duas grandes 
guerras mundiais e o extermínio dos judeus no famigerado holocausto. 
 
 
4. (PCSP - VUNESP) Os primeiros estudos sobre a vitimologia datam de 1901, tendo como, estudioso 
do assunto: 
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a) Hans Gross. 
b) Enrico Ferri. 
c) Francesco Carrara. 
d) Adolphe Quetelet. 
e) Cesare Bonesana. 
Comentários: A alternativa A é o gabarito da questão. Juntamente com outros pesquisadores como Hans 
Heting e Lola Anyar de Castro, Hans Gross colaborou, indubitavelmente,para o reconhecimento da 
vitimologia como uma nova fonte de pesquisa criminológica. Contudo, não foi consagrado patrono da 
disciplina mister que foi designado a Benjamin Mendelsohn. 
 
5. (PCSP - VUNESP) Os estudos de vitimologia são relativamente recentes em matéria criminológica. 
Embora seja possível citar referências históricas, tiveram grande impulso e ganharam corpo somente 
após: 
a) o extermínio de judeus na Segunda Grande Guerra. 
b) a abolição da escravatura na América do Sul. 
c) a independência tardia dos países africanos, ex-colônias europeias. 
d) a grande depressão iniciada nos Estados Unidos da América após a crise de 1929. 
e) a exposição das fragilidades humanitárias da Europa Oriental após a queda do Muro de Berlim. 
Comentários: A alternativa A é o gabarito da questão. 
 
 
Segundo especialistas, Hans Von Henting conclui a classificação das vítimas da seguinte forma: 
 
1. Vítima isolada. 
A vítima neste caso vive na solidão, não se relacionando com outras pessoas. Em decorrência desse meio 
de vida ela se coloca em situações de risco. 
 
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2. Vítima por proximidade. 
Este grupo de vítimas subdivide-se em: a) Vítima por proximidade espacial, que se torna vítima pelo fato 
de estar em proximidade excessiva do autor do delito em um determinado local, como ocorre nos casos de 
furto no interior de um ônibus; b) Vítima por proximidade familiar, a qual ocorre no núcleo familiar, como 
pode ser visto no caso do parricídio, em que o filho mata seu próprio genitor; c) Vítima por proximidade 
profissional, que geralmente ocorre no caso de atividades profissionais que requerem um estreitamento 
maior no relacionamento profissional, como no caso do Médico. 
 
3. Vítima com ânimo de lucro. 
São taxadas dessa forma as vítimas que pela cobiça, pelo anseio de se enriquecer de maneira rápida ou 
fácil, acabam sendo ludibriadas por estelionatários ou vigaristas. 
 
4. Vítima com ânsia de viver. 
Ocorre com o indivíduo que, com o fundamento de não ter aproveitado sua vida até o presente momento 
de uma forma mais eficaz, passa a experimentar situações de aventura até então não vividas, que o 
colocam em situações de risco ou perigo. 
 
5. Vítima agressiva. 
Neste caso a vítima se torna agressiva em decorrência da agressão que sofre do autor da violência, 
chegando a um nível de não suportar mais a agressão sofrida, ela irá rebater tal ato de modo hostil. 
 
6. Vítima sem valor. 
Trata-se da vítima que em decorrência de seus atos, não recomendáveis praticados perante a sociedade, 
acaba sendo indesejada ou repudiada no meio em que vive. Por praticar certos atos, este indivíduo vem a 
sofrer agressões físicas, verbais, ou até mesmo podendo ser morto. Um exemplo clássico desse tipo de 
vítima é o caso do estuprador ou assassino que é morto pela comunidade, pela polícia, ou por sua própria 
vítima. 
 
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7. Vítima pelo estado emocional. 
Essas vítimas são qualificadas desta forma em decorrência de seus sentimentos de obsessão, medo, ódio 
ou vingança que vem a sentir por outras pessoas. 
 
8. Vítima por mudança da fase de existência. 
O indivíduo passa por várias fases em sua vida, sendo que ao mudar para certa fase de sua existência, 
poderá se tornar vítima em conseqüência de alguma mudança comportamental relacionada com alguma 
das fases. 
 
9. Vítima perversa. 
Enquadram-se nesta modalidade de vítimas os psicopatas, pessoas que não possuem limite algum de 
respeito em relação às outras, tratando-as como se fossem objetos que podem ser manipulados. 
 
10. Vítima alcoólatra. 
O uso de bebidas alcoólicas é um dos fatores que mais leva pessoas a se tornar vítimas, sendo que na 
maioria dos casos acabam resultando em homicídios. 
 
11. Vítima depressiva. 
Ao atingir um determinado nível, a depressão poderá ocasionar a vitimização do indivíduo, pois poderá 
levar a pessoa à autodestruição. 
 
12. Vítima voluntária. 
São as pessoas que, por não oporem resistência à violência sofrida, acabam permitindo que o autor do 
delito o realize sem qualquer tipo de obstáculo. Casos que exemplificam esse tipo de vítima são os crimes 
sexuais ocorridos sem a utilização de violência. 
 
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13. Vítima indefesa. 
Denominam-se vítimas indefesas as que, sob o pretexto de que a persecução judicial lhes causaria maiores 
danos do que o próprio sofrimento resultante da ação criminosa, acabam deixando de processar o autor 
do delito. São vistos tais comportamentos geralmente nos roubos ocorridos nas ruas, nos crimes sexuais e 
nas chantagens. 
 
14. Vítima falsa. 
São taxadas de falsas vítimas as pessoas que, por sua livre e espontânea vontade, se auto vitimam para 
que possam se valer de benefícios. 
 
 
6. (PCSP - VUNESP) Do ponto de vista vitimológico, vítima falsa é aquela que: 
a) consente com a prática do delito. 
b) tolera a lesão sofrida pelo temor de perseguição por seu algoz. 
c) se autovitimiza para obter benefícios para si. 
d) detém predisposição permanente e inconsciente para se tornar vítima. 
e) deixa de comunicar o crime sofrido às autoridades competentes. 
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. É aquela que se autovitimiza para obter benefícios. 
Exemplo: fraude contra o seguro. 
 
15. Vítima imune. 
São consideradas dessa forma as pessoas que, em decorrência de seu cargo, função, ou algum tipo de 
prestígio na sociedade em que vive acham que não estão sujeitas a qualquer tipo de ação delituosa que 
possa transformá-las em vítimas. Um exemplo é o padre. 
 
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16. Vítima reincidente. 
Neste caso a pessoa já foi vítima de um determinado delito, mas mesmo após ter passado por tal episódio, 
não toma qualquer tipo de precaução para não voltar a ser vitimizada. 
 
17. Vítima que se converte em autor. 
Nesta hipótese ocorre a mudança de pólo da violência. A vítima que era atacada pelo autor da agressão se 
prepara para o contra-ataque. Um exemplo clássico é o crime de guerra. 
 
18. Vítima propensa. 
Ocorre com as pessoas que possuem uma tendência natural de se tornarem vítimas. Isso pode decorrer da 
personalidade deprimida, desenfreada, libertina ou aflita da pessoa, sendo que esses tipos de 
personalidade podem de algum modo contribuir com o criminoso. 
 
19. Vítima resistente. 
Por não aceitar ser agredida pelo autor, a vítima reage e passa a agredi-lo da mesma forma, sempre em 
sua defesa ou em defesa de outrem, ou também no caso de cumprimento do dever. Neste caso há sempre 
a disposição da vítima em lutar com o autor. 
 
20. Vítima da natureza. 
São pessoas que se tornam vítimas em decorrência de fenômenos da natureza, como no caso de uma 
enchente, um terremoto, etc. 
 
 
 
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7. (2018 - VUNESP - PC-SP - Auxiliar de Papiloscopista Policial) Assinale a alternativa correta no que 
diz respeito à classificação dos tipos de vítimas segundo Hans Von Henting. 
a) Vítima com ânsia de viver – denomina-se assim aquela que, sob opretexto de que a persecução judicial 
lhe causaria maiores danos do que o próprio sofrimento resultante da ação criminosa, acaba deixando de 
processar o autor do delito. São vistos tais comportamentos geralmente nos roubos ocorridos nas ruas, 
nos crimes sexuais e nas chantagens. 
b) Vítima imune – é considerada dessa forma a pessoa que, em decorrência de seu cargo, função, ou 
algum tipo de prestígio na sociedade em que vive, acredita que não está sujeita a qualquer tipo de ação 
delituosa que possa transformá-la em vítima. Um exemplo é o padre. 
c) Vítima falsa – é taxada dessa forma a vítima que, pela cobiça, pelo anseio de se enriquecer de maneira 
rápida ou fácil, acaba sendo ludibriada por estelionatários ou vigaristas. 
d) Vítima que se converte em autor – denomina-se assim a vítima que, por não aceitar ser agredida pelo 
autor, reage e passa a agredi-lo da mesma forma, sempre em sua defesa ou em defesa de outrem, ou 
também no caso de cumprimento do dever. Nessa situação, há sempre a disposição da vítima em lutar 
com o autor. 
e) Vítima da natureza – denomina-se assim a pessoa que possui uma tendência natural de se tornar vítima. 
Isso pode decorrer da personalidade deprimida, desenfreada, libertina ou aflita da pessoa, sendo que 
esses tipos de personalidade podem de algum modo contribuir com o criminoso. 
Comentários: A alternativa B é o gabarito da questão. 
 
A vitimologia é hoje um campo de estudo orientado para a ação ou formulação de políticas públicas. A 
vitimologia não deve ser definida em termos de direito penal, mas de direitos humanos. Assim, a 
vitimologia deveria ser o estudo das consequências dos abusos contra os direitos humanos, cometidos por 
cidadãos ou agentes do governo. 
As violações a direitos humanos são hoje consideradas questão central na vitimologia. A expressão 
"vítimas" significa pessoas que, individual ou coletivamente, sofreram dano, incluindo lesão física ou 
mental, sofrimento emocional, perda econômica ou restrição substancial dos seus direitos fundamentais, 
através de atos ou omissões que consistem em violação a normas penais, incluindo aquelas que 
proscrevem abuso de poder. 
A vitimologia vem, efetivamente, conferir novo status à vítima, contribuindo para redefinir suas relações 
com o delinquente; com o sistema jurídico; com autoridades, etc. 
A propósito, o próprio conceito de vítima precisou ser revisto, posto que já não corresponde apenas ao 
sujeito passivo (protagonista) do fato criminoso. Exemplo de modo amplo de compreender vítima é 
trazido por Sue Moody, ao mencionar como o principal documento definidor de política pública para 
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vítimas de delitos, na Escócia, trata a questão: Vítima é qualquer pessoa que tenha sido sujeita a qualquer 
tipo de crime, como também sua família ou aqueles que gozam de uma posição equivalente à de família. 
A vitimologia está a serviço do restabelecimento da paz social, pois tanto a vítima como a sociedade, em 
virtude da reparação do dano social provocado, sentem realizadas suas expectativas de reparação, bem 
como de uma eficaz ressocialização. 
Ao lado do conceito mais amplo de vítima, surgiu também o de vitimização, que examina tanto a 
propensão para ser vítima quanto os vários mecanismos de produção de danos diretos e indiretos sobre a 
vítima. 
Quanto ao comportamento da vítima, é relevante saber um pouco sobre a perigosidade vitimal, que é a 
etapa inicial da vitimização. Perigosidade ou periculosidade vitimal é um estado psíquico e 
comportamental em que a vítima se coloca estimulando a sua vitimização, ex., a mulher que usa roupas 
provocantes, estimulando a libido do estuprador no crime de estupro. 
A identificação de vulnerabilidade e de definibilidade da vítima são essenciais no processo. A 
vulnerabilidade da vítima decorre de diversos fatores (de ordem física, psicológica, econômica e outras), o 
que faz com que o risco de vitimização seja diferencial, para cada pessoa e delito. Nesse sentido, o exame 
dos recursos sociais efetivos da vítima também deve ser levados em conta. 
As classificações de Benjamín Mendelsohn, considerado o pai da Vitimologia, é muito importante para 
seus estudos, pois costumam ser cobradas. O vitimólogo israelita fundamenta sua classificação na 
correlação da culpabilidade entre a vítima e o infrator. 
E o único que chega a relacionar a pena com a atitude vitimal. Sustenta que há uma relação inversa entre a 
culpabilidade do agressor e a do ofendido, a maior culpabilidade de uma é menor que a culpabilidade do 
outro: 
✓ Vítima de culpabilidade menor ou vítima por Ignorância: neste caso se dá um certo 
impulso involuntário ao delito. O sujeito por certo grau de culpa ou por meio de um ato 
pouco reflexivo causa sua própria vitimização. Ex.: Mulher que provoca um aborto por 
meios impróprios pagando com sua vida, sua ignorância; 
✓ Vítima completamente inocente ou vítima ideal: é a vítima inconsciente que se colocaria 
em 0% absoluto da escala de Mendelsohn. E a que nada fez ou nada provocou para 
desencadear a situação criminal, pela qual se vê danificada. Ex.: incêndio; 
✓ Vítima tão culpável como o infrator ou vítima voluntária: aquelas que cometem suicídio 
jogando com a sorte. Ex. roleta russa, suicídio por adesão vítima que sofre de enfermidade 
incurável e que pede que a matem, não podendo mais suportar a dor (eutanásia) a 
companheira (o) que pactua um suicídio; os amantes desesperados; o esposo que mata a 
mulher doente e se suicida; 
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✓ Vítima mais culpável que o infrator: 
• Vítima provocadora: aquela que por sua própria conduta incita o infrator a 
cometer a infração. Tal incitação cria e favorece a explosão prévia á descarga 
que significa o crime; 
• Vítima por imprudência: é a que determina o acidente por falta de cuidados. Ex. 
quem deixa o automóvel mal fechado ou com as chaves no contato. 
✓ Vítima mais culpável ou unicamente culpável: 
• Vítima infratora: cometendo uma infração o agressor cai vítima exclusivamente 
culpável ou ideal, se trata do caso de legitima defesa, em que o acusado deve 
ser absolvido; 
• Vítima simuladora: o acusador que premedita e irresponsavelmente joga a 
culpa ao acusado, recorrendo a qualquer manobra com a intenção de fazer 
justiça num erro. 
 
 
8. (2018 - VUNESP - PC-SP - Agente de Polícia) Assinale a alternativa que apresenta corretamente 
tipos ou definições de vítimas, nos termos propostos por Benjamin Mendelsohn. 
a) Vítima depressiva, Vítima indefesa; Vítima falsa; Vítima imune; e Vítima reincidente. 
b) Vítima isolada; Vítima por proximidade; Vítima com ânimo de lucro; Vítima com ânsia de viver; e Vítima 
agressiva. 
c) Vítima sem valor; Vítima pelo estado emocional; Vítima perverse; Vítima alcoólatra; e Vítima por 
mudança da fase de existência. 
d) Vítima que se converte em autor; Vítima propensa; Vítima da natureza; Vítima resistente; e Vítima 
reincidente. 
e) Vítima completamente inocente ou vítima ideal; Vítima de culpabilidade menor ou por ignorância; 
Vítima voluntária ou tão culpada quanto o infrator; Vítima mais culpada que o infrator; e Vítima 
unicamente culpada. 
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. 
 
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9. (2018 - VUNESP - PC-SP - Agente de Telecomunicações e Eletricidade) Na classificação de 
Benjamin Mendelsohn, a vítima imaginária é considerada uma vítima 
a)mais culpada que o infrator. 
b) voluntária ou tão culpada quanto o infrator. 
c) completamente inocente ou ideal. 
d) unicamente culpada. 
e) de culpabilidade menor ou por ignorância. 
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. 
 
10. (VUNESP – PCSP) Um dos primeiros autores a classificar as vítimas de um crime foi Benjamin 
Mendelsohn, que levou em conta a participação das vítimas no delito. Segundo esse autor, as vítimas 
classificam-se em __________; vítimas menos culpadas que os criminosos; __________; vítimas mais 
culpadas que os criminosos e __________. 
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto. 
a) vítimas inocentes … vítimas inimputáveis … vítimas culpadas 
b) vítimas primárias … vítimas secundárias … vítimas terciárias 
c) vítimas ideais … vítimas tão culpadas quanto os criminosos … vítimas como únicas culpadas 
d) vítimas tão participativas quanto os criminosos … vítimas passivas … vítimas colaborativas quanto aos 
criminosos 
e) vítimas passivas em relação ao criminoso … vítimas prestativas … vítimas ativas em relação aos 
criminosos 
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. 
 
11. (PCSP - VUNESP) Para a Vitimologia, a vítima agressora, simuladora ou imaginária também é 
conhecida por 
a) vítima inocente. 
b) vítima menos culpada que o criminoso. 
c) vítima tão culpada quanto o criminoso. 
d) pseudovítima ou vítima totalmente culpada. 
e) vítima ideal. 
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. Segundo a doutrina, vítima simuladora ou mais 
culpada que o criminoso é aquela consciente de que não foi vítima de delito algum tampouco do indivíduo 
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a quem acusa, porém age dolosamente e com má-fé, geralmente por razões de vingança ou buscando 
obter alguma vantagem. 
 
Meldelsohn conclui que as vítimas podem ser classificadas em três grandes grupos para efeitos de 
aplicação da pena ao infrator: 
✓ Primeiro grupo: vítima inocente: não há provocação nem outra forma de participação no 
delito, mas sim puramente vitimal; 
✓ Segundo grupo: estas vítimas colaboraram na ação nociva e existe uma culpabilidade 
reciproca, pela qual a pena deve ser menor para o agente do delito (vítima provocadora); 
✓ Terceiro grupo: nestes casos são as vítimas as que cometem por si a ação nociva e o não 
culpado deve ser excluído de toda pena. 
 
 
12. (Criminologia – Polícia Civil – 2019 - adaptada) Julgue os itens com base na Criminologia. 
A Vitimologia é o estudo científico da extensão, natureza e causas da vitimização criminal. Hoje em 
dia é um campo de estudo orientado para a ação ou formulação de políticas públicas 
Comentários: A assertiva está CORRETA. 
 
13. (2018 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia) Sobre a Vitimologia, assinale a alternativa 
CORRETA. 
a) De acordo com a classificação das vítimas, formulada por Mendelsohn, a vítima simuladora é aquela que 
voluntária ou imprudentemente, colabora com o ânimo criminoso do agente. 
b) É denominada terciária a vitimização que corresponde aos danos causados à vítima em decorrência do 
crime. 
c) De acordo com a ONU, apenas são consideradas vítimas as pessoas que, individual ou coletivamente, 
tenham sofrido lesões físicas ou mentais, por atos ou omissões que representem violações às leis penais, 
incluídas as leis referentes ao abuso criminoso do poder. 
d) O surgimento da Vitimologia ocorreu no início do século XVIII, com os estudos pioneiros de Hans Von 
Hentig, seguido por Mendelsohn. 
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e) É denominada secundária a vitimização causada pelas instâncias formais de controle social, no decorrer 
do processo de registro e apuração do crime. 
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. 
 
2.1 - Processos de vitimização 
✓ vitimização primária: é aquela causada pelo cometimento do crime. Provoca danos 
materiais, físicos e psicológicos, e ocasiona mudanças de hábitos e alterações de conduta; 
✓ vitimização secundária (SobrevitimizaçãoRevitimização): é decorrente do tratamento 
dado pelas ações ou omissões das instâncias formais de controle social. Decorre do fato de 
ser a vítima, por vezes, tratada como suspeito. A vitimização secundária pode se 
apresentar mais grave que a primária, uma vez que, além dos danos causados à vítima, 
ocasiona a perda de credibilidade nas instâncias formais de controle. Assim, não esqueçam 
que é uma consequência das relações entre as vítimas primárias e o Estado, em face da 
burocratização de seu aparelho repressivo (Polícia, Ministério Público etc.); 
✓ vitimização terciária: decorre da falta de amparo dos órgãos públicos e da ausência de 
receptividade social em relação à vítima. É aquela decorrente de um excesso de 
sofrimento, que extrapola os limites da lei do país, quando a vítima é abandonada, em 
certos delitos 
 
 
Heterovitimização 
Consiste em um sentimento de culpa, de autorrecriminação, suportado pela vítima de um crime, por 
acreditar que com algum comportamento negligente acabou por dar causa à ocorrência do crime. 
Ou seja, a vítima deixa em segundo plano a responsabilidade pessoal do delinquente e passa a se culpar 
pelo evento criminoso sofrido, recriminando-se pelo fato de ter sido vítima. 
 
Vitimização Difusa 
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Esta espécie é comum em crimes que não apresentam vítimas certas e determinadas. 
Temos crimes em nosso ordenamento jurídico que destacam entes coletivos como sujeitos passivos (meio 
ambiente, relações de consumo, economia popular etc.). 
 
Revitimização, Heterovitimização Secundária e Autovitimização Secundária 
A doutrina apresenta uma classificação quanto ao processo de vitimização que merece alguns alertas. 
Subdivide-se em: 
•Heterovitimização Secundária: decorrente da relação com outras pessoas ou instituições estranhas ao 
evento criminoso; 
•Autovitimização Secundária: a própria vítima se vitimiza psicologicamente, recriminando-se pelos fatos, 
acreditando ser também responsável pelo crime (semelhante à heterovitimização). 
 
 
 
14. (2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Delegado de Polícia) A dor causada à vítima, ao ter que reviver a 
cena do crime, ao ter que declarar ao juiz o sentimento de humilhação experimentado, quando os 
advogados do acusado culpam a vítima, argumentando que foi ela própria que, com sua conduta, 
provocou o delito. Os traumas que podem ser causados pelo exame médico-forense, pelo 
interrogatório policial ou pelo reencontro com o agressor em juízo, e outros, são exemplos da 
chamada vitimização. 
A) indireta. 
B) secundária. 
C) primária. 
D) terciária. 
E) direta. 
Comentários: A alternativa B é o gabarito da questão. 
 
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15. (2019 - CESPE - DPE-DF - Defensor Público) A criminologia, diante do fenômeno do delito, na 
busca de conhecer fatores criminógenos, traça um paralelo entre vítima e criminoso. Partindo dessa 
premissa dual, chamada por Mendelsohn de “dupla-penal”, extraem-se importantes situações 
fenomenológicas. Acerca desses estudos, julgue o item seguinte. 
A criminologia classifica como vitimização secundária a coisificação, pelas esferas de controle formal 
do delito, da pessoa ofendida, ao tratá-lacomo mero objeto e com desdém durante a persecução 
criminal. 
Comentários: A assertiva está CORRETA. 
 
16. (2018 - VUNESP - PC-SP - Agente de Polícia) Assinale a alternativa correta no que diz respeito aos 
estudos desenvolvidos no âmbito da vitimologia. 
a) Os estudos, as teorias e as classificações desenvolvidos no âmbito da vitimologia demonstram que a 
conduta da vítima não pode ser indicada como fator que, de algum modo, contribui para a prática do 
crime. 
b) Uma das grandes contribuições do atual estágio de desenvolvimento da vitimologia foi demonstrar que 
o fênomeno da subnotificação é um mito e praticamente insignificante em termos quantitativos. 
c) O aumento do número de crimes investigados e processados pode ocasionar uma maior vitimização 
secundária. 
d) O preconceito posterior à prática do crime que recai sobre a vítima, em crimes sexuais, por parte da 
sociedade em geral e que contribui para a subnotificação deste tipo de crime é denominado de vitimização 
primária. 
e) Pesquisas de vitimização devem, paulatinamente, substituir os indicadores criminais baseados em 
registros de crimes. 
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. 
 
17. (2018 - VUNESP - PC-SP - Papiloscopista) Na questão, assinale a alternativa contendo a 
informação que preenche corretamente a lacuna. 
A _______ é a autorrecriminação da vítima pela ocorrência do crime contra si, buscando razões que, 
possivelmente, tornaram-na responsável pelo delito. 
a) sobrevitimização 
b) vitimização primária 
c) vitimização secundária 
d) vitimização terciária 
e) heterovitimização 
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Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. 
 
18. (2018 - VUNESP - PC-BA - Delegado de Polícia) No que diz respeito aos estudos desenvolvidos no 
âmbito da vitimologia, assinale a alternativa correta. 
a) O linchamento do autor de um crime por populares em uma rua pode ser classificado como uma 
vitimização secundária e terciária. 
b) A chamada da vítima na fase processual da persecução penal para ser ouvida sobre o crime, por 
inúmeras vezes, é denominada de vitimização secundária. 
c) A longa espera da vítima de um crime em uma delegacia de polícia para o registro do crime é 
denominada de vitimização terciária. 
d) A vítima só passa a ter um contorno sistemático em sua abordagem criminológica a partir do fim da 
primeira guerra mundial, na segunda década do século XX. 
e) As pesquisas de vitimização têm por objetivo principal mensurar a vitimização secundária. 
Comentários: A alternativa B é o gabarito da questão. 
 
19. (2017 - FAPEMS - PC-MS - Delegado de Polícia) Dentro da criminologia, tem-se a vertente da 
vitimologia, que estuda de forma ampla os aspectos da vítima na criminalidade, e é dividida em 
primária, segundária e terciária. Da análise dessa divisão, pode-se afirmar que a vitimização terciária 
ocorre, quando 
a) a vítima tem três ou mais antecedentes. 
b) a vítima é parente em terceiro grau do ofensor. 
c) um terceiro participa da ação criminosa. 
d) a vítima é abandonada pelo estado e estigmatizada pela sociedade. 
e) duas ou mais pessoas cometem o crime. 
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. 
 
20. (VUNESP – PCSP) O comportamento inadequado da vítima que de certo modo facilita, instiga ou 
provoca a ação de seu verdugo é denominado 
a) vitimização terciária. 
b) vitimização secundária. 
c) periculosidade vitimal. 
d) vitimização primária. 
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e) vitimologia. 
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. Pessoal, verdugo é aquela pessoa cruel. Quanto ao 
comportamento da vítima, é relevante saber um pouco sobre a perigosidade vitimal, que é a etapa inicial 
da vitimização. Perigosidade ou periculosidade vitimal é um estado psíquico e comportamental em que a 
vítima se coloca estimulando a sua vitimização, ex., a mulher que usa roupas provocantes, estimulando a 
libido do estuprador no crime de estupro. 
 
3 - TEORIAS E SÍNDROMES COM ENFOQUES NAS VÍTIMAS 
 
3.1 - Síndrome da Mulher de Potifar 
Aqui é importante conhecer, ainda que resumidamente, a história de José, pois facilitará na compreensão 
deste estudo. 
 
 
José foi vendido por seus irmãos como escravo para servir no Egito. Ocorre que, com talentos e trabalhos, 
José foi galgando postos avançados naquele país, até se tornar “braço direito” de Potifar (capitão da 
guarda), sendo assim, José passou a cuidar dos bens e da casa de Potifar. A Bíblia narra que José “era 
atraente e de boa aparência”. Entretanto, Potifar era casado com uma mulher com comportamento 
lascivo (popularmente conhecida como pessoa assanhada), e em diversas ocasiões convidava José para se 
deitar com ela. 
Ocorre que em certa ocasião, a mulher de Potifar agarrou José e insistiu para que se deitasse com ela, 
momento em que José empreende fuga. Em momento seguinte, percebe ter deixado o manto na mão 
dela. É esse ponto da história que nos interessa. A mulher de Potifar, enfurecida por mais uma rejeição, 
resolve armar contra ele. 
A prática forense, em especial no âmbito criminal, nos revela que atitudes como a da mulher de Potifar são 
comuns. É mais comum sua aplicação em crimes contra a dignidade sexual. Como por exemplo no 
estupro. Em alguns casos, pode ocorrer de alguém, após rejeição, revestir-se de sentimento de vingança e 
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ódio. A acusação falsa por crime de estupro é comumente praticada por pessoas com tal índole e 
finalidade. 
Dessa forma, a síndrome da mulher de Potifar como o estado psicológico carregado de sentimento de 
vingança e ódio cuja finalidade é imputar a alguém falsamente um fato definido como crime, 
desencadeado por algum ato de rejeição ou desafeto. 
Em casos tais, as atenções também se voltam para o julgador. O juiz deverá ter enorme sensibilidade e 
cuidado necessários para apurar se os fatos relatados pela vítima são verdadeiros, ou seja, constatar a 
verossimilhança de sua palavra, haja vista que, em geral, contradiz com a negativa do agente. 
A falta de credibilidade da vítima poderá, portanto, conduzir à absolvição do acusado, ao passo que a 
verossimilhança de suas palavras será decisiva para um decreto condenatório. 
Ocorre que na prática, infelizmente o que se percebe, na melhor das hipóteses, são desertos absolutórios 
por falta de provas (em favor do inocente, felizmente), porém, sem a devida responsabilização do 
indivíduo que deu causa a todo transtorno e movimentação do sistema de justiça criminal de maneira 
inútil. 
 
 
Apesar de se tratar de síndrome que direcional a atenção para as mulheres, bem como por incidir 
especialmente em casos que envolvam supostamente crimes contra a dignidade sexual, é perfeitamente 
possível que o homem esteja prejudicando alguém com as características da Síndrome da Mulher de 
Potifar - ademais, após o advento da Lei nº 12.015/2009, passou a ser admitido homem como sujeito 
passivo de estupro ou de qualquer delito que lese a dignidade sexual. 
 
 
21. (MPE-GO - MPE-GO - Promotor de Justiça) O Procurador de Justiça Rogério Greco preconiza que 
“no que diz respeito às ciências criminais propriamente ditas, serve a criminologia como mais um 
instrumento de análise do comportamento delitivo, das suas origens, dos motivos pelos quais se 
delinque, quem determina o que se punir, quando punir, como punir, bem como se pretende, com 
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ela, buscar soluções que evitem ou mesmo diminuam o cometimento das infrações penais”. No 
contexto da seara criminológica, aponte a alternativa incorreta: 
a) Stalking é um termo que designa a forma de violência na qual o sujeito ativo invade repetidamente a 
esfera de privacidade da vítima, empregando táticas de perseguição e meios diversos de atuação, 
resultando dano à sua integridade psicológica e emocional, restrição à sua liberdade de locomoção ou 
lesão à sua reputação, configurando, deste modo, uma modalidade de assédio moral. 
b) A teoria de anomia, a teoria da associação diferencial e a escola de Chicago são consideras teorias de 
consenso. 
c) A figura criminológica conhecida como “síndrome da mulher de potifar” pode ser utilizada como técnica 
de aferição da credibilidade da palavra da vítima nos crimes de conotação sexual. 
d) A “síndrome de Londres” se evidencia quando a vítima, como instinto defensivo, passa a apresentar um 
comportamento excessivamente lamurioso, demasiadamente submisso e com pedido contínuo de 
misericórdia. 
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. 
 
3.2 - Síndrome de Estocolmo 
A Síndrome de Estocolmo consiste em: 
 “Um estado psicológico de autopreservação desenvolvido por algumas pessoas vitimadas em sequestros 
ou em qualquer outro crime limitador do direito de ir e vir capaz de gerar um ambiente de extremo 
estresse, passando a criar até mesmo laços de afeto e apreço com seu algoz”. 
Nas infrações penais em que ocorre a privação da liberdade das pessoas como, por exemplo, o sequestro, 
cárcere privado ou mesmo de extorsão mediante sequestro, de longa duração, é comum se estabelecer 
entre os criminosos e vítimas aquilo que se convencionou chamar de Síndrome de Estocolmo, dada a 
situação de crise que ocorreu na Suécia, durante um roubo no Banco de Créditos de Estocolmo. A seguir, 
descreveremos o episódio que originou esta síndrome, mas você perceberá que se trata de um sentimento 
muitas vezes desenvolvido inconscientemente como forma de autopreservação. 
 
Caso real - Estocolmo, Suécia (1973) 
Houve uma tentativa de roubo de um banco que fora frustrada pela chegada da polícia à 
agência. Naquela ocasião, o criminoso tomou como reféns três mulheres e um homem. 
Visando se proteger das investidas das polícia, fez com que todos entrassem no caixa-
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forte da agência bancária e exigiu, durante as negociações com a polícia, que fosse 
libertado e levado àquele local outro agente, antigo parceiro do crime, que se encontrava 
na prisão. 
A exigência foi atendida e os dois criminosos e os quatro reféns ficaram no interior do 
caixa-forte do banco por cinco dias. Ao final de todo o período, quando finalmente iriam 
se entregar, os reféns, voluntariamente, utilizaram os próprios corpos como escudo 
contra a polícia, com o claro objetivo de proteger os dois criminosos. 
Os pontos mais curiosos vêm a seguir: 
Pouco tempo depois, em entrevista, uma das jovens reféns declarou ter simpatia por um 
dos sequestradoras. Pior! Disse que o esperaria durante todo o período de cumprimento 
da pena para que pudesse se casar, causando espanto a toda a população que assistia, 
fazendo com que todos acreditassem que, naquele local, os dois tinham mantido algum 
tipo de contato sexual. 
Conforme relatos oficiais, ao contrário do que a população pensava: 
 “Por várias vezes, durante a crise, o suspeito exibia a referida moça, com uma arma sob 
o queixo, aos policiais. Soube-se também que, a certa altura, ao desconfiarem que a 
polícia pretendia jogar gás lacrimogêneo no interior do caixa-forte, os suspeitos 
amarraram os pescoços dos reféns aos puxadores das gavetas de aço ali existentes. Com 
isso, pretendiam eles responsabilizar a polícia de algum eventual enforcamento dos 
reféns, causado pelo pânico que adviria com o lançamento do gás no interior do caixa-
forte.” 
A Síndrome de Estocolmo não acometeu apenas a jovem que deu entrevista, mas 
também todos os demais reféns, isso porque durante toda a persecução penal os reféns 
recusaram-se a testemunhar contra os sequestradoras (ao contrário, os defendiam em 
depoimentos perante o público, iniciando até mesmo campanhas para angariar fundos 
suficiente para o custeio de defesa técnica dos criminosos). 
A expressão Síndrome de Estocolmo foi criada pelo psicólogo clínico Harvery Schlossberg, a partir desse 
evento ocorrido em Estocolmo, na Suécia, e tem sido definida como “uma perturbação de ordem 
psicológica, paralela à chamada ‘transferência’, que é o termo que a psicologia usa para se referir ao 
relacionamento que se desenvolve entre um paciente e o psiquiatra, e que permite que a terapia tenha 
sucesso. As pessoas, quando estão vivendo momentos cruciais, costumam se apegar a qualquer coisa que 
lhes indique a saída, e é exatamente isso que ocorre com os reféns e suspeitos. Por ocasião de um evento 
crítico, tanto uns como os outros estão sob forte tensão emocional”. É justamente por isso que os reféns 
acabam instintivamente desejando todo o sucesso aos criminosos (como instinto de autopreservação, 
buscam livrar-se sãos e salvos), e até mesmo torcendo para o fracasso das investidas policiais. 
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Especialistas no assunto aduzem que a Síndrome de Estocolmo pode levar de 15 a 45 minutos para se 
manifestar, e sua probabilidade cresce conforme o prolongamento do tempo de convivência entre os 
criminosos e as vítimas. 
Ressalta-se que na prática tal síndrome atrapalha - e muito! - na correta persecução e punição dos 
culpados, uma vez que os meios de provas (testemunhas) acabam sendo fragilizados e lançados ao 
descrédito inevitavelmente. 
 
 
22. (VUNESP - PC-SP- Investigador de Polícia Civil) Nos crimes de extorsão mediante sequestro, por 
exemplo, pode ocorrer a chamada Síndrome de Estocolmo, que consiste 
a) na doença que os sequestradores sofrem. 
b) na identificação afetiva da vítima com o criminoso, pelo próprio instinto de sobrevivência. 
c) em uma teoria que os órgão públicos utilizam para reduzir a criminalidade. 
d) no arrependimento do criminoso em razão do descontrole emocional 
e) no trauma que a vítima adquire em razão do sofrimento. 
Comentários: A alternativa B é o gabarito da questão. 
 
23. (VUNESP - PC-SP - Atendente de Necrotério Policial) O afeiçoamento da vítima em relação ao 
criminoso seques¬trador, interagindo com ele pelo próprio instinto de sobrevi¬vência, é chamado, 
pela Criminologia, de: 
a) complexo de Asperger. 
b) síndrome de Tourette. 
c) síndrome de Burnout. 
d) complexo de inferioridade. 
e) síndrome de Estocolmo. 
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. 
 
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3.3 - Síndrome de Londres 
A Síndrome de Londres apresenta características completamente opostas comparada com a síndrome 
anterior. Aqui, a vítima passa a desenvolver um sentimento de ódio, repulsa, extremo desconforto, com a 
presença do criminoso. 
O nome é referência ao episódio criminoso que ocorreu na Embaixada Iraniana em Londres, quando 6 
terroristas árabes iranianos iniciaram uma invasão mantendo como reféns 16 diplomatas (com 
funcionários iranianos), 3 britânicos e 1 libanês por 5 dias. 
Dentre os reféns, umse destacou: Abbas Lavasani, funcionário iraniano, pois durante o período travava 
forte discussões com os terroristas, afirmando que jamais seria dedicado ao Aiatolá e que estava 
compromissado com a justiça da revolução islâmica (valores contrários aos valores defendidos pelos 
terroristas). 
A tensão era cada vez pior, até que em dado momento, os terroristas entenderam que precisavam 
transmitir o recado às autoridades de que as ameaças eram verdadeiras e sérias. A medida eleita foi 
assassinar um dos reféns e a escolha foi óbvia: mataram Abbas Lavasani. 
Portanto, fácil constatar que na Síndrome de Londres há a incidência de um estado psicológico sobre a 
vítima de agressividade contra o seu algoz. Quase que um instinto de ataque, de inconformismo com a 
situação. 
 
 
24. (MPE-GO - MPE-GO - Promotor de Justiça) O Procurador de Justiça Rogério Greco preconiza que 
“no que diz respeito às ciências criminais propriamente ditas, serve a criminologia como mais um 
instrumento de análise do comportamento delitivo, das suas origens, dos motivos pelos quais se 
delinque, quem determina o que se punir, quando punir, como punir, bem como se pretende, com 
ela, buscar soluções que evitem ou mesmo diminuam o cometimento das infrações penais”. No 
contexto da seara criminológica, aponte a alternativa incorreta: 
A “síndrome de Londres” se evidencia quando a vítima, como instinto defensivo, passa a apresentar 
um comportamento excessivamente lamurioso, demasiadamente submisso e com pedido contínuo 
de misericórdia. 
Comentários: A assertiva está ERRADA. 
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3.4 - Teoria da Periculosidade Vitimal e as Vítimas 
Latentes (Potenciais) 
 
A Teoria da Periculosidade (ou Perigosidade) Vitimal sugere que há pessoas predispostas à 
condição de vítima diante de alguns fatores a saber: 
➢ Pessoas briguentas e encrenqueiras, causadoras de confusão. Pessoas assim são extremamente 
propensas a serem vitimadas em alguma discussão, briga ou confusão; 
➢ Pessoas que provocam certas pessoas entendidas como passivas acreditando que não haverá 
reações; 
➢ Pessoas descuidadas com os próprios pertences, ostentando objetos de valor chamativos em 
localidades sabidamente perigosas, etc. 
Perceba que segundo esta teoria, a vítima é responsável por desencadear o crime, fundindo sua conduta 
com a conduta do criminoso. 
Todavia, cuidado para não confundir a teoria acima com as chamadas vítimas latentes ou potenciais 
(“potencial de receptividade vitimal”). A ideia da existência de vítimas potenciais surge por meio de 
alguns resultados estatísticos que apontam que há certos grupos de indivíduos em situação de fragilidade, 
por características pessoais, de profissão ou personalidade, propensas a se tornarem vítimas de crimes. 
Neste crime, se enquadram as crianças, adolescentes, pessoas marginalizadas, idosos, imigrantes, 
indígenas, etc. 
Como forma de evitar a prática de crimes contra tais personagens, resultados de pesquisas sugerem a 
implementação por parte do Estado de programas de prevenção vitimaria, de caráter informativo 
visando conscientizar tais indivíduos como estímulo a se defenderem ou a buscarem ajuda. 
Ademais, o estudo moderno da Vitimologia, baseado em questões de política criminal valorizando a 
justiça pró vítima, dá ênfase a mecanismos que delegam à vítima certas escolhas para a efetivação de 
justiça, tais como a reparação dos danos, indenização dos prejuízos sofridos, direito de escolha na 
persecução penal em alguns crimes. 
 
 
 
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LISTA DE QUESTÕES 
 
1. (2016 - MPE-SC - MPE-SC - Promotor de Justiça) Enquanto a criminologia pode ser identificada 
como a ciência que se dedica ao estudo do crime, do criminoso e dos fatores da criminalidade, a 
vitimologia tem por objeto o estudo da vítima e de suas peculiaridades, sendo considerada por 
alguns autores como ciência autônoma. 
 
2. (VUNESP – PCSP - Investigador) É considerado o pai da Vitimologia: 
a) Cesare Lombroso. 
b) Raffaele Garofalo. 
c) Émile Durkheim. 
d) Benjamin Mendelsohn. 
e) Cesare Bonesana. 
 
3. (PCSP - VUNESP - 2014) Assinale a alternativa que contém os nomes dos precursores da 
vitimologia do século XX. 
a) Hans von Heting e Benjamin Mendelsohn. 
b) Cesare Bonesana e Raffaele Garofalo. 
c) Émile Durkheim e Cesare Lombroso. 
d) Francesco Carrara e Enrico Ferri. 
e) Michel Foucault e John Locke. 
 
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4. (PCSP - VUNESP) Os primeiros estudos sobre a vitimologia datam de 1901, tendo como, 
estudioso do assunto: 
a) Hans Gross. 
b) Enrico Ferri. 
c) Francesco Carrara. 
d) Adolphe Quetelet. 
e) Cesare Bonesana. 
 
5. (PCSP - VUNESP) Os estudos de vitimologia são relativamente recentes em matéria 
criminológica. Embora seja possível citar referências históricas, tiveram grande impulso e 
ganharam corpo somente após: 
a) o extermínio de judeus na Segunda Grande Guerra. 
b) a abolição da escravatura na América do Sul. 
c) a independência tardia dos países africanos, ex-colônias europeias. 
d) a grande depressão iniciada nos Estados Unidos da América após a crise de 1929. 
e) a exposição das fragilidades humanitárias da Europa Oriental após a queda do Muro de Berlim. 
 
6. (PCSP - VUNESP) Do ponto de vista vitimológico, vítima falsa é aquela que: 
a) consente com a prática do delito. 
b) tolera a lesão sofrida pelo temor de perseguição por seu algoz. 
c) se autovitimiza para obter benefícios para si. 
d) detém predisposição permanente e inconsciente para se tornar vítima. 
e) deixa de comunicar o crime sofrido às autoridades competentes. 
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7. (2018 - VUNESP - PC-SP - Auxiliar de Papiloscopista Policial) Assinale a alternativa correta no que 
diz respeito à classificação dos tipos de vítimas segundo Hans Von Henting. 
a) Vítima com ânsia de viver – denomina-se assim aquela que, sob o pretexto de que a persecução judicial 
lhe causaria maiores danos do que o próprio sofrimento resultante da ação criminosa, acaba deixando de 
processar o autor do delito. São vistos tais comportamentos geralmente nos roubos ocorridos nas ruas, 
nos crimes sexuais e nas chantagens. 
b) Vítima imune – é considerada dessa forma a pessoa que, em decorrência de seu cargo, função, ou 
algum tipo de prestígio na sociedade em que vive, acredita que não está sujeita a qualquer tipo de ação 
delituosa que possa transformá-la em vítima. Um exemplo é o padre. 
c) Vítima falsa – é taxada dessa forma a vítima que, pela cobiça, pelo anseio de se enriquecer de maneira 
rápida ou fácil, acaba sendo ludibriada por estelionatários ou vigaristas. 
d) Vítima que se converte em autor – denomina-se assim a vítima que, por não aceitar ser agredida pelo 
autor, reage e passa a agredi-lo da mesma forma, sempre em sua defesa ou em defesa de outrem, ou 
também no caso de cumprimento do dever. Nessa situação, há sempre a disposição da vítima em lutar 
com o autor. 
e) Vítima da natureza – denomina-se assim a pessoa que possui uma tendência natural de se tornar vítima. 
Isso pode decorrer da personalidade deprimida, desenfreada, libertina ou aflita da pessoa, sendo que 
esses tipos de personalidade podem de algum modo contribuir com o criminoso. 
 
8. (2018 - VUNESP- PC-SP - Agente de Polícia) Assinale a alternativa que apresenta corretamente 
tipos ou definições de vítimas, nos termos propostos por Benjamin Mendelsohn. 
a) Vítima depressiva, Vítima indefesa; Vítima falsa; Vítima imune; e Vítima reincidente. 
b) Vítima isolada; Vítima por proximidade; Vítima com ânimo de lucro; Vítima com ânsia de viver; e Vítima 
agressiva. 
c) Vítima sem valor; Vítima pelo estado emocional; Vítima perverse; Vítima alcoólatra; e Vítima por 
mudança da fase de existência. 
d) Vítima que se converte em autor; Vítima propensa; Vítima da natureza; Vítima resistente; e Vítima 
reincidente. 
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e) Vítima completamente inocente ou vítima ideal; Vítima de culpabilidade menor ou por ignorância; 
Vítima voluntária ou tão culpada quanto o infrator; Vítima mais culpada que o infrator; e Vítima 
unicamente culpada. 
 
9. (2018 - VUNESP - PC-SP - Agente de Telecomunicações e Eletricidade) Na classificação de 
Benjamin Mendelsohn, a vítima imaginária é considerada uma vítima 
a) mais culpada que o infrator. 
b) voluntária ou tão culpada quanto o infrator. 
c) completamente inocente ou ideal. 
d) unicamente culpada. 
e) de culpabilidade menor ou por ignorância. 
 
10. (VUNESP – PCSP) Um dos primeiros autores a classificar as vítimas de um crime foi Benjamin 
Mendelsohn, que levou em conta a participação das vítimas no delito. Segundo esse autor, as 
vítimas classificam-se em __________; vítimas menos culpadas que os criminosos; __________; 
vítimas mais culpadas que os criminosos e __________. 
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto. 
a) vítimas inocentes … vítimas inimputáveis … vítimas culpadas 
b) vítimas primárias … vítimas secundárias … vítimas terciárias 
c) vítimas ideais … vítimas tão culpadas quanto os criminosos … vítimas como únicas culpadas 
d) vítimas tão participativas quanto os criminosos … vítimas passivas … vítimas colaborativas quanto aos 
criminosos 
e) vítimas passivas em relação ao criminoso … vítimas prestativas … vítimas ativas em relação aos 
criminosos 
 
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11. (PCSP - VUNESP) Para a Vitimologia, a vítima agressora, simuladora ou imaginária também é 
conhecida por 
a) vítima inocente. 
b) vítima menos culpada que o criminoso. 
c) vítima tão culpada quanto o criminoso. 
d) pseudovítima ou vítima totalmente culpada. 
e) vítima ideal. 
 
12. (Criminologia – Polícia Civil – 2019 - adaptada) Julgue os itens com base na Criminologia. 
A Vitimologia é o estudo científico da extensão, natureza e causas da vitimização criminal. Hoje 
em dia é um campo de estudo orientado para a ação ou formulação de políticas públicas 
 
 
13. (2018 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia) Sobre a Vitimologia, assinale a alternativa 
CORRETA. 
a) De acordo com a classificação das vítimas, formulada por Mendelsohn, a vítima simuladora é aquela que 
voluntária ou imprudentemente, colabora com o ânimo criminoso do agente. 
b) É denominada terciária a vitimização que corresponde aos danos causados à vítima em decorrência do 
crime. 
c) De acordo com a ONU, apenas são consideradas vítimas as pessoas que, individual ou coletivamente, 
tenham sofrido lesões físicas ou mentais, por atos ou omissões que representem violações às leis penais, 
incluídas as leis referentes ao abuso criminoso do poder. 
d) O surgimento da Vitimologia ocorreu no início do século XVIII, com os estudos pioneiros de Hans Von 
Hentig, seguido por Mendelsohn. 
e) É denominada secundária a vitimização causada pelas instâncias formais de controle social, no decorrer 
do processo de registro e apuração do crime. 
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14. (2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Delegado de Polícia) A dor causada à vítima, ao ter que reviver a 
cena do crime, ao ter que declarar ao juiz o sentimento de humilhação experimentado, quando os 
advogados do acusado culpam a vítima, argumentando que foi ela própria que, com sua conduta, 
provocou o delito. Os traumas que podem ser causados pelo exame médico-forense, pelo 
interrogatório policial ou pelo reencontro com o agressor em juízo, e outros, são exemplos da 
chamada vitimização. 
A) indireta. 
B) secundária. 
C) primária. 
D) terciária. 
E) direta. 
 
15. (2019 - CESPE - DPE-DF - Defensor Público) A criminologia, diante do fenômeno do delito, na 
busca de conhecer fatores criminógenos, traça um paralelo entre vítima e criminoso. Partindo 
dessa premissa dual, chamada por Mendelsohn de “dupla-penal”, extraem-se importantes 
situações fenomenológicas. Acerca desses estudos, julgue o item seguinte. 
A criminologia classifica como vitimização secundária a coisificação, pelas esferas de controle 
formal do delito, da pessoa ofendida, ao tratá-la como mero objeto e com desdém durante a 
persecução criminal. 
 
16. (2018 - VUNESP - PC-SP - Agente de Polícia) Assinale a alternativa correta no que diz respeito aos 
estudos desenvolvidos no âmbito da vitimologia. 
a) Os estudos, as teorias e as classificações desenvolvidos no âmbito da vitimologia demonstram que a 
conduta da vítima não pode ser indicada como fator que, de algum modo, contribui para a prática do 
crime. 
b) Uma das grandes contribuições do atual estágio de desenvolvimento da vitimologia foi demonstrar que 
o fênomeno da subnotificação é um mito e praticamente insignificante em termos quantitativos. 
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c) O aumento do número de crimes investigados e processados pode ocasionar uma maior vitimização 
secundária. 
d) O preconceito posterior à prática do crime que recai sobre a vítima, em crimes sexuais, por parte da 
sociedade em geral e que contribui para a subnotificação deste tipo de crime é denominado de vitimização 
primária. 
e) Pesquisas de vitimização devem, paulatinamente, substituir os indicadores criminais baseados em 
registros de crimes. 
 
17. (2018 - VUNESP - PC-SP - Papiloscopista) Na questão, assinale a alternativa contendo a 
informação que preenche corretamente a lacuna. 
A _______ é a autorrecriminação da vítima pela ocorrência do crime contra si, buscando razões 
que, possivelmente, tornaram-na responsável pelo delito. 
a) sobrevitimização 
b) vitimização primária 
c) vitimização secundária 
d) vitimização terciária 
e) heterovitimização 
 
18. (2018 - VUNESP - PC-BA - Delegado de Polícia) No que diz respeito aos estudos desenvolvidos no 
âmbito da vitimologia, assinale a alternativa correta. 
a) O linchamento do autor de um crime por populares em uma rua pode ser classificado como uma 
vitimização secundária e terciária. 
b) A chamada da vítima na fase processual da persecução penal para ser ouvida sobre o crime, por 
inúmeras vezes, é denominada de vitimização secundária. 
c) A longa espera da vítima de um crime em uma delegacia de polícia para o registro do crime é 
denominada de vitimização terciária. 
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d) A vítima só passa a ter um contorno sistemático em sua abordagem criminológica a partir do fim da 
primeira guerra mundial, nasegunda década do século XX. 
e) As pesquisas de vitimização têm por objetivo principal mensurar a vitimização secundária. 
 
19. (2017 - FAPEMS - PC-MS - Delegado de Polícia) Dentro da criminologia, tem-se a vertente da 
vitimologia, que estuda de forma ampla os aspectos da vítima na criminalidade, e é dividida em 
primária, segundária e terciária. Da análise dessa divisão, pode-se afirmar que a vitimização 
terciária ocorre, quando 
a) a vítima tem três ou mais antecedentes. 
b) a vítima é parente em terceiro grau do ofensor. 
c) um terceiro participa da ação criminosa. 
d) a vítima é abandonada pelo estado e estigmatizada pela sociedade. 
e) duas ou mais pessoas cometem o crime. 
 
20. (VUNESP – PCSP) O comportamento inadequado da vítima que de certo modo facilita, instiga ou 
provoca a ação de seu verdugo é denominado 
a) vitimização terciária. 
b) vitimização secundária. 
c) periculosidade vitimal. 
d) vitimização primária. 
e) vitimologia. 
 
21. (MPE-GO - MPE-GO - Promotor de Justiça) O Procurador de Justiça Rogério Greco preconiza que 
“no que diz respeito às ciências criminais propriamente ditas, serve a criminologia como mais um 
instrumento de análise do comportamento delitivo, das suas origens, dos motivos pelos quais se 
delinque, quem determina o que se punir, quando punir, como punir, bem como se pretende, com 
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ela, buscar soluções que evitem ou mesmo diminuam o cometimento das infrações penais”. No 
contexto da seara criminológica, aponte a alternativa incorreta: 
a) Stalking é um termo que designa a forma de violência na qual o sujeito ativo invade repetidamente a 
esfera de privacidade da vítima, empregando táticas de perseguição e meios diversos de atuação, 
resultando dano à sua integridade psicológica e emocional, restrição à sua liberdade de locomoção ou 
lesão à sua reputação, configurando, deste modo, uma modalidade de assédio moral. 
b) A teoria de anomia, a teoria da associação diferencial e a escola de Chicago são consideras teorias de 
consenso. 
c) A figura criminológica conhecida como “síndrome da mulher de potifar” pode ser utilizada como técnica 
de aferição da credibilidade da palavra da vítima nos crimes de conotação sexual. 
d) A “síndrome de Londres” se evidencia quando a vítima, como instinto defensivo, passa a apresentar um 
comportamento excessivamente lamurioso, demasiadamente submisso e com pedido contínuo de 
misericórdia. 
 
22. (VUNESP - PC-SP- Investigador de Polícia Civil) Nos crimes de extorsão mediante sequestro, por 
exemplo, pode ocorrer a chamada Síndrome de Estocolmo, que consiste 
a) na doença que os sequestradores sofrem. 
b) na identificação afetiva da vítima com o criminoso, pelo próprio instinto de sobrevivência. 
c) em uma teoria que os órgão públicos utilizam para reduzir a criminalidade. 
d) no arrependimento do criminoso em razão do descontrole emocional 
e) no trauma que a vítima adquire em razão do sofrimento. 
 
23. (VUNESP - PC-SP - Atendente de Necrotério Policial) O afeiçoamento da vítima em relação ao 
criminoso seques¬trador, interagindo com ele pelo próprio instinto de sobrevi¬vência, é 
chamado, pela Criminologia, de: 
a) complexo de Asperger. 
b) síndrome de Tourette. 
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c) síndrome de Burnout. 
d) complexo de inferioridade. 
e) síndrome de Estocolmo. 
 
24. (MPE-GO - MPE-GO - Promotor de Justiça) O Procurador de Justiça Rogério Greco preconiza que 
“no que diz respeito às ciências criminais propriamente ditas, serve a criminologia como mais um 
instrumento de análise do comportamento delitivo, das suas origens, dos motivos pelos quais se 
delinque, quem determina o que se punir, quando punir, como punir, bem como se pretende, com 
ela, buscar soluções que evitem ou mesmo diminuam o cometimento das infrações penais”. No 
contexto da seara criminológica, aponte a alternativa incorreta: 
A “síndrome de Londres” se evidencia quando a vítima, como instinto defensivo, passa a 
apresentar um comportamento excessivamente lamurioso, demasiadamente submisso e com 
pedido contínuo de misericórdia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GABARITO 
 
1. C 
2. D 
3. A 
4. A 
5. A 
6. C 
7. B 
8. E 
9. D 
10. C 
11. D 
12. C 
13. E 
14. B 
15. C 
16. C 
17. E 
18. B 
19. D 
20. C 
21. D 
22. B 
23. E 
24. E 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RESUMO ESTRATÉGICO 
 
VITIMOLOGIA 
Etapas históricas 
Vingança privada/ 
Protagonismo da 
vítima/ 
Fase de Ouro 
A própria vítima ostentava o direito de punir (direito de autotutela). 
Vingança Pública 
Com o surgimento do Estado, em especial na Justiça Criminal, o poder de punir 
foi deslocado da vítima para o Estado. 
Período Humanista 
A vítima passa a receber importante atenção, sob uma ótica humanitária por 
parte do Estado, passando a ser merecedora de proteção sobre seus direitos e 
garantias, eis o motivo pelo qual tal período é também chamado de 
Redescobrimento da Vítima ou Revalorização do Papel da Vítima 
Surgimento da 
Vitimologia 
Pai da Vitimologia 
A origem da Vitimologia é atribuída a Benjamin Mendelsohn, considerado o 
pai da Vitimologia, foi advogado em Jerusalém, que, como marcos históricos 
proferiu famosa conferência na Universidade de Bucareste, em 1947, 
denominada “Um Horizonte novo na ciência biopsicossocial: a vitimologia”, e, 
anos depois, publicou a obra “La Victimologie, Science Actuaelle” (1957). 
Vitimologia no Brasil 
No Brasil, por sua vez, com base nos registros oficiais, a Vitimologia surgiu com 
os estudos traduzidos e transcritos de Paul Cornil, entre os anos de 1958 e 1959 
(Jornadas Criminológicas Holando-Belgas, traduzida e transcrita na Revista da 
Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Paraná, anos VI e VII, nºs 06 
e 07). Todavia, o primeiro brasileiro a tratar do tema foi Edgard de Moura 
Bittencourt, com a publicação da obra “Vítima”, em 1971. 
CONCEITO DE VITIMOLOGIA 
Conceito segundo 
Benjamin Mendelsohn 
“Vitimologia é a ciência que se ocupa da vítima e da vitimização, cujo objeto é a 
existência de menos vítimas na sociedade, quando esta tiver real interesse 
nisso”. 
Benjamin Mendelsohn 
Vitimodogmática 
Trata-se do estudo da contribuição da vítima na ocorrência de um crime, e a 
influência dessa participação na dosimetria da pena 
PROCESSOS DE VITIMIZAÇÃO 
Vitimização Primária 
(Direta) 
Trata-se do momento/etapa em que a vítima sofre diretamente os impactos da 
conduta do delinquente 
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==1abfb5==
41 
 
Vitimização 
Secundária / 
Sobrevitimização / 
Revitimização 
(Direta) 
Etapa que decorre do Sistema Criminal de Justiça. Trata-se do 
constrangimento suportado pela vítima diante dos procedimentos regulares 
(ou irregulares) das instâncias formais de controle social (polícias, ministério 
público, poder judiciário, etc.) 
Vitimização Terciária 
(Direta) 
A Vitimização Terciária decorre da omissão, de toda a falta de amparo, ou da 
humilhação por parte de órgãos estatais eaté de pessoas e grupos próximos da 
vítima, como a família, amigos, colegas de trabalho, de igreja, etc., em ajudá-
la. 
Vitimização Indireta 
Ao falarmos de Vitimização Indireta, passamos a olhar as demais pessoas 
relacionadas por meio de algum vínculo de afeto com a vítima do crime. 
Exemplo: pais que sofrem inconsolavelmente ao receberem a notícia de que 
sua filha fora vítima de crime de estupro. 
Heterovitimização 
Consiste em um sentimento de culpa, de autorrecriminação, suportado pela 
vítima de um crime, por acreditar que com algum comportamento negligente 
acabou por dar causa à ocorrência do crime. 
Vítimização Difusa 
Esta espécie é comum em crimes que não apresentam vítimas certas e 
determinadas. Temos crimes em nosso ordenamento jurídico que 
Tendência de 
“criminalização da 
vítima” 
Trata-se de verdadeiro e vexatório artifício utilizado pelo acusado durante o 
processo penal, visando sugerir a ideia de que a vítima teria contribuído ou 
seria a responsável pelo crime. 
CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS 
Classificação de 
Benjamin Mendelsohn 
- Vítima ideal / Vítima completamente inocente 
- Vítima menos culpada do que o delinquente / Vítima por ignorância 
- Vítima tão culpada quanto o delinquente 
- Vítima mais culpada que o delinquente / Vítima Provocadora 
- Vítima como única culpada / Vítima Simuladora / Vítima Agressora / Vítima 
Imaginária / Pseudovítima 
Classificação de 
Hans Von Henting 
- Grupos de Criminoso-vítima: Indivíduo Sucessivamente Criminoso-vítima-
criminoso; Indivíduo Simultaneamente Criminoso-vítima-criminoso; e, 
Criminoso-Vítima Imprevisível. 
- Grupos de Vítimas: Vítima resistente; e, Vítima coadjuvante ou cooperadora 
Classificação de 
Luís Jimenez de Asúa 
- Vítima indiferente 
- Vítima indefinida ou indeterminada 
- Vítima determinada 
Classificação de 
Elias Neuman 
- Vítimas individuais 
- Vítimas familiares 
- Vítimas coletivas 
- Vítimas da sociedade e do sistema social 
Alexandre Herculano, Diego Pureza
Aula 04
PC-SP (Papiloscopista Policial) Noções de Criminologia - 2022 (Pré-Edital)
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02357944579 - DELBER OLIVEIRA ROLEMBERG SOARES
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Classificação de 
Guglielmo Gulotta 
- Vítimas falsas 
- Vítimas reais 
TEORIAS E SÍNDROMES COM ENFOQUE NAS VÍTIMAS 
Teoria da 
Periculosidade Vitimal 
Sugere que há pessoas predispostas à condição de vítima diante de alguns 
fatores a saber. A vítima é responsável por desencadear o crime, fundindo sua 
conduta com a conduta do criminoso. 
Vítimas Latentes 
(Potenciais) 
A ideia da existência de vítimas potenciais surge por meio de alguns resultados 
estatísticos que apontam que há certos grupos de indivíduos em situação de 
fragilidade, por características pessoais, de profissão ou personalidade, 
propensas a se tornarem vítimas de crimes. Neste crime, se enquadram as 
crianças, adolescentes, pessoas marginalizadas, idosos, imigrantes, indígenas, 
etc. 
Síndrome da 
Mulher de Potifar 
Trata-se do estado psicológico carregado de sentimento de vingança e ódio 
cuja finalidade é imputar à alguém falsamente um fato definido como crime, 
desencadeado por algum ato de rejeição ou desafeto 
Síndrome de 
Estocolmo 
Trata-se do estado psicológico de autopreservação desenvolvido por algumas 
pessoas vitimadas em sequestros ou em qualquer outro crime limitador do 
direito de ir e vir capaz de gerar um ambiente de extremo estresse, passando a 
criar até mesmo laços de afeto e apreço com seu algoz 
Síndrome de Londres 
Trata-se do estado psicológico sobre a vítima de agressividade contra o seu 
algoz. Quase que um instinto de ataque, de inconformismo com a situação 
 
 
 
Alexandre Herculano, Diego Pureza
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