Prévia do material em texto
17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 1/39 Objetivos Módulo 1 Semana de Arte Moderna Reconhecer as condições que levaram à realização da Semana de Arte Moderna. Acessar módulo Módulo 2 Antropofagia de Oswald de Andrade O Modernismo: a primeira geração Prof. Rodrigo Jorge Ribeiro Neves Descrição A primeira geração do Modernismo brasileiro a partir de eventos, como a Semana de Arte Moderna, e autores representativos, como Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Propósito Conhecer a contribuição literária e cultural do Modernismo brasileiro para ampliar a competência leitora e a compreensão da sociedade brasileira. Preparação Tenha em mãos um dicionário de literatura para compreender o vocabulário específico da área. Na internet você acessa gratuitamente o E-Dicionário de Termos Literários, de Carlos Ceia, e o Dicionário de Cultura Básica, de Salvatore D’Onofrio. Buscar Baixar conteúdo em PDF Vídeos Menu 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 2/39 Identificar o conceito de antropofagia em Oswald de Andrade. Acessar módulo Módulo 3 Macunaíma de Mário de Andrade Analisar a narrativa de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade. Acessar módulo Introdução O Modernismo no Brasil não foi apenas uma escola literária inscrita em um determinado momento histórico, com características e cronograma bem definidos. Foi um movimento cultural, pois surgiu como inquietação diante das transformações estruturais que o país atravessava e da necessidade de desvendar a natureza dessa sociedade para, assim, transformá-la e integrá-la no processo de desenvolvimento. Para o Modernismo, a cultura é a chave. Neste conteúdo, você vai conhecer as principais questões que contribuíram para o surgimento do Modernismo brasileiro. A primeira geração se consolida com a realização da Semana de Arte Moderna de 1922, que contou com uma série de antecedentes. Entre as figuras representativas dessa fase, iremos estudar dois nomes fundamentais para compreender os sentidos do Modernismo: Oswald de Andrade, com seu conceito de antropofagia, e Mário de Andrade, considerado líder do movimento e autor de uma das obras mais importantes da literatura brasileira: Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 3/39 1 Semana de Arte Moderna Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer as condições que levaram à realização da Semana de Arte Moderna. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 4/39 Antecedentes do Modernismo Para entender a Semana de Arte Moderna, em 1922, é preciso, antes, conhecer e analisar os seus antecedentes, ou seja, os episódios que anteciparam e permitiram a realização do evento. Afinal de contas, nenhum acontecimento histórico, como você bem sabe, simplesmente surge no instante em que é registrado na história. Até mesmo uma mera reunião entre amigos, bem despretensiosa, demanda planejamento e, antes disso, a existência de condições para que esse encontro ocorra. O caso da Semana é assim também. Mario de Andrade I, por Anita Malfatti (1922). Não há como estudar a Semana de 22 sem levar em conta a exposição de Anita Malfatti e a sua importância para a formação da primeira geração do Modernismo brasileiro, sendo considerada por um dos mais importantes historiadores do movimento, Mário da Silva Brito, como o seu “estopim” (BRITO, 1974, p. 40). Anita Malfatti era filha de um engenheiro italiano, que se naturalizou brasileiro e atuou como deputado na primeira assembleia legislativa estadual, no fim do século XIX. Sua estadia na então Academia Real de Artes (Königliche Academiem der Künste zu Berlin) em Berlim, na Alemanha, entre 1910 e 1914, será de grande influência em sua formação. É um período de grande efervescência da arte moderna alemã. Mas Anita encontra também a possibilidade de conhecer obras de importantes artistas pós-impressionistas, em Colônia, no sul do país da língua de Goethe e de David Friedrich. Lá, ela aprecia os quadros dos impressionistas Camille Pissarro e Auguste Renoir, e dos pós- impressionistas Paul Gauguin, Van Gogh e Paul Cézanne. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 5/39 No entanto, Anita se sente um pouco isolada na Alemanha. Volta para o Brasil, ficando pouco tempo. A próxima parada seria ainda mais preponderante em sua formação como artista moderna: a Escola Independente de Arte (Independence School of Art), de Nova York, nos Estados Unidos. Tomando as lições do artista e professor Homer Boss, Anita se descobriu entre telas, paisagens e corpos, refletindo a natureza e, portanto, a própria vida na forma e na cor. Era uma festa! A festa da forma e a festa da cor. (MALFATTI apud BRITO, 1974, p. 45) Além disso, nos Estados Unidos ela travou contato com outros artistas revolucionários e de diversos campos, como o pintor Marcel Duchamp e a bailarina Isadora Duncan. Ao chegar de Nova York, em 1917, Anita realiza um dos eventos mais emblemáticos da história da arte e da literatura modernas no Brasil: a sua exposição. Por insistência de artistas como Di Cavalcanti, ela reuniu 53 trabalhos e os expôs em um salão na rua Libero Badaró, 111, região central de São Paulo. Ali estavam suas experiências artística e humana vividas na Alemanha e nos Estados Unidos, que acabaram provocando um abalo na vida intelectual e cultural do país no início do século XX. Entre as obras, estavam: Curiosidade Nem a viagem que Malfatti fez à França, onde se deparou com o escultor Auguste Rodin, no Louvre, e outros artistas nos pequenos museus franceses, foi suficiente para diminuir o fascínio que obras vistas na Alemanha lhe tinham provocado. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 6/39 A estudante russa, 1915. 1 de 4 Essas obras causaram tanto surpresa quanto certo fascínio, já que se tratava de uma forma nova de representação, que ninguém tinha visto até então no Brasil. Mas nem todos curtiram a novidade. Monteiro Lobato escreveu um artigo arrasador sobre a exposição, tornando a artista mais conhecida, mas também traumatizando-a para sempre. O texto saiu no jornal O Estado de S. Paulo, de 20 de dezembro de 1917, com o título A propósito da Exposição Malfatti. Lobato começa sua crítica elegendo “duas espécies de artistas”. A primeira é feita daqueles que “veem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura”. Já a segunda, na qual se insere, segundo ele, a pintora paulista, “é formada pelos que veem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva” (LOBATO apud BRITO, 1974, p. 52). 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 7/39 A onda, Anita Malfatti, 1917. Foi um choque. Porém, o tiro saiu pela culatra. A atitude de Lobato contribuiu para que se reunisse em torno dela um grupo de artistas e intelectuais, como Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Agenor Barbosa e Ribeiro Couto, entre os quais, alguns estariam à frente de uma segunda revolução artística, uma das maiores da cultura brasileira: a Semana de Arte Moderna, em 1922. A modernização do Rio e de São Paulo Brasil, 1922. Ano do centenário da Independência. O Rio de Janeiro era a então capital federal e o principal polo de desenvolvimentosocial, econômico e cultural do país. Após as reformas urbanas empreendidas pelo prefeito Pereira Passos, entre 1902 e 1906, a cidade se modernizava e reafirmava sua vocação internacional. No entanto, o governo do presidente Epitácio Pessoa enfrentava resistências e instabilidades. E o que um governo faz quando dá sinais de fraqueza? Demonstra força! E é por isso que a celebração dos 100 anos da Independência do Brasil se mostrava também como uma oportunidade de exibir influência e prestígio. Assim, o presidente confiou ao prefeito Carlos Sampaio a preparação da Exposição Internacional da Independência do Brasil, inaugurada no dia 7 de setembro de 1922, que contou com a participação de vários países. Era a primeira exposição universal após a Grande Guerra. E era também a chance que o país tinha de se firmar na esteira das grandes nações do mundo moderno. Ao contrário do Rio, São Paulo ainda era uma cidade provinciana e com traços rurais, mas que já atravessava uma série de transformações na vida urbana, provocando mudanças na vida social, política e cultural do lugar. Curiosidade Para você ter uma noção da diferença entre as duas cidades, segundo o IBGE, o Rio de Janeiro, em 1920, contava com mais de 1,1 milhão de habitantes. E São Paulo? Quanto você acha? Pouco menos de 600 mil pessoas. Isso mesmo! E, acredite, já era um número impressionante para a época, já que São Paulo, diferentemente do Rio, vinha de uma condição modesta de município interiorano. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 8/39 Contudo, é justamente nesse período que os paulistanos percebem um crescimento vertiginoso da cidade, que revelava também sua vocação cosmopolita. A chegada de imigrantes de diversos países se intensificou no início do século XX, até que, no decênio de 1920, já era possível enxergar a influência dessas diferentes culturas na configuração de uma nova identidade cultural, plural, fragmentada e moderna. Confira a descrição que o historiador e professor Nicolau Sevcenko fez da São Paulo daquela época: São Paulo não era uma cidade nem de negros, nem de brancos e nem de mestiços; nem de estrangeiros e nem de brasileiros; nem americana, nem europeia, nem nativa; nem era industrial, apesar do volume crescente das fábricas, nem entreposto agrícola, apesar da importância crucial do café; não era tropical, nem subtropical; não era ainda moderna, mas já não tinha mais passado. Essa cidade que brotou súbita e inexplicavelmente, como um colossal cogumelo depois da chuva, era um enigma para seus próprios habitantes, perplexos, tentando entendê-lo como podiam, enquanto lutavam para não serem devorados. (SEVCENKO, 2009, p. 31) Alguns dos empreendimentos da urbanização que alçou a cidade de São Paulo ao palco da modernidade no século XX foram: a criação de bairros; a ampliação de vias férreas; a fundação de parques; e a construção de diversas edificações, como o Theatro Municipal. O Theatro Municipal foi exatamente o palco do principal evento realizado na cidade de São Paulo. O impacto desse crescimento é tão importante que Mário de Andrade, um dos principais nomes da Semana de Arte Moderna e de seus 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 9/39 desdobramentos, vai expressá-lo no título de seu primeiro livro modernista: Pauliceia desvairada (1922). No primeiro poema do livro, intitulado Inspiração, o eu-lírico exalta a pluralidade vertiginosa dessa cidade formada por outras mil: São Paulo! comoção de minha vida... Os meus amores são flores feitas de original!... Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro... Luz e bruma... Forno e inverno morno... Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes... Perfumes de Paris... Arys! Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!... São Paulo! comoção de minha vida... Galicismo a berrar nos desertos da América! (ANDRADE, 1922, p. 43) Como o Rio de Janeiro, que já era há tempos o centro político, cultural e econômico do país, estava acostumado a ser um porto de novidades e vitrine internacional, a chegada de mais uma não representaria grande mudança. Afinal, seria apenas mais uma em sua história. Já São Paulo surgia naquele momento, e com uma velocidade difícil até de captar. Então, qualquer nova tendência exercia um impacto proporcionalmente maior, já que era uma metrópole relativamente jovem se expandindo e que, por isso, estava sedenta de novidades. Desse modo, o Theatro Municipal de São Paulo era o palco ideal para um dos seus maiores espetáculos, a Semana de Arte Moderna. A Semana em cena Sabemos que nenhuma peça se resume só ao que acontece no palco. Ela é feita de atores, diretores, texto, ensaios, cenógrafos, iluminadores, além da bilheteria e da plateia. Nada acontece se todos esses elementos não atuarem coletivamente, ou seja, vários fatores contribuem para a realização de um espetáculo. E a Semana de Arte Moderna é um dos maiores que já aconteceram no país, não pela sua 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 10/39 repercussão na época, que foi relativamente tímida, mas pelos desdobramentos que ela provocou, sentidos até os dias atuais. Se a exposição de Anita Malfatti causou burburinho na sociedade paulista burguesa da época, a Semana de Arte Moderna vai escandalizar essa sociedade ainda mais. O Theatro Municipal de São Paulo, em foto tirada no início da década de 1920. Com o fim da guerra, o desenvolvimento urbano acelerado das cidades e o fluxo intenso de gente de todo canto, os intelectuais e artistas envolvidos na ideia da Semana queriam um evento que pudesse expressar o espírito daquele tempo, ou seja, que também apresentasse a intensidade e o vigor das inovações no âmbito artístico-cultural, ou seja, uma estética moderna e representativa desse país que estava em transformação. Não há um consenso entre os críticos e historiadores sobre de quem foi a ideia para a realização daquele evento. Alguns atribuem à dona Olivia Guedes Penteado, filha da aristocracia cafeeira e incentivadora do Modernismo, mas o mais provável é que tenha vindo do pintor Emiliano Di Cavalcanti, responsável também pela arte do cartaz de divulgação e da programação do evento. Entre as características desse grupo, podemos identificar: A ruptura com o academicismo e as estéticas passadistas, como o Parnasianismo e o Simbolismo. A liberdade de expressão e experimentação. A valorização do elemento local. A aproximação da linguagem coloquial. Os temas nacionalistas e cotidianos. A Semana durou três dias, 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, contando com diversas manifestações artísticas, como música, dança, recitais de poesia e artes plásticas. Primeiro dia O primeiro dia foi mais tranquilo. Graça Aranha, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, abriu o evento com a conferência A emoção téti d t d A d fi 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 11/39 Como vimos, os modernistas vieram com tudo. Claro que o evento só foi possível, naquele período, porque contou com o apoio de figuras de grande poder aquisitivo, como Paulo Prado, industrial do café e descendente de uma das mais influentes famílias paulistas. Não por acaso, em sua conferência O movimento modernista, em 1942, Mário de Andrade chamará Paulo Prado de “fautor verdadeiro da Semana de Arte Moderna”, ou seja, o seu principal apoiador. Nesse sentido, é inegável, como o próprio poeta admite em sua palestra, que o Modernismo, na qualidade de evento histórico, é um movimento de elite. estética da arte moderna. A presença de uma figura como Graça Aranha era uma forma de conferir prestígio ao evento, mas depois ele rompeu com os demais integrantesdo grupo por discordâncias sobre a liderança do movimento que estava se formando. Segundo dia O segundo dia contou com a presença de outras figuras fundamentais para o Modernismo dessa fase, como Menotti del Picchia e Manuel Bandeira. O poeta pernambucano, com seu poema Os sapos, vai ser uma figura marcante para a realização do evento, embora não tenha comparecido. Em seu lugar, o diplomata e escritor Ronald de Carvalho fez a leitura do texto poético, acompanhado pela plateia entusiasmada, imitando o som dos anfíbios durante a recitação. Aliás, Ronald teve um papel importante também na construção das redes de sociabilidade do Modernismo, ao apresentar, em sua casa, no Rio de Janeiro, alguns de seus principais nomes, como Mário de Andrade e Manuel Bandeira, que se tornaram grandes amigos. Terceiro dia Outra figura importante que marcou presença no Theatro Municipal foi Heitor Villa-Lobos, que se apresentou no terceiro dia. A renovação de Villa- Lobos na música e cultura brasileiras vai exercer uma profunda influência entre os demais artistas do movimento, em especial Mário de Andrade. A atenção aos aspectos regionais e da cultura popular vai ser considerada elemento-chave para compreender o país e construir uma identidade nacional que integre as diversas camadas da sociedade brasileira. Para pensar em um país moderno, era preciso também refletir sobre os aspectos sociais, políticos e culturais que o constituem. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 12/39 Suas consequências na arte e cultura brasileiras expuseram as tensões de um país que estava para ser redescoberto, em suas desigualdades e conflitos, mas também em sua diversidade e potência. E dois nomes foram decisivos para que esse processo ainda ocorra até hoje: Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Mas esse é um assunto para os próximos módulos. A Semana de 22 Confira um diálogo sobre os principais aspectos históricos, sociais e culturais que resultam na Semana de 22, bem como acerca dos impactos que o evento trouxe à arte brasileira, principalmente na literatura. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 1 - Vem que eu te explico! A desavença modernista: Malfatti e Lobato Módulo 1 - Vem que eu te explico! A leitura de Os sapos: um poema programático 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 13/39 Questão 1 A Semana de Arte Moderna, em 1922, reuniu um grupo de artistas e intelectuais de diversas formações e estilos, mas todos estavam de acordo com a necessidade de criar um evento que representasse, Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 14/39 no campo da cultura, a modernização que o país atravessava. Entre as características comuns do grupo, estavam Questão 2 As ideias mobilizadas para a criação da Semana de Arte Moderna já estavam sendo gestadas bem antes de 1922. A exposição de Anita Malfatti, em 1917, é considerada um dos antecedentes mais importantes da revolução artístico-cultural que chegaria na década seguinte. Marque a alternativa que justifique essa afirmação: A liberdade de criação, linguagem coloquial, nacionalismo e resistência ao academicismo. B linguagem coloquial, valorização da estética parnasiana, internacionalismo e cotidiano. C liberdade de criação, nacionalismo, oposição ao academicismo e fuga da realidade. D valorização da cultura brasileira, ruptura com a tradição, nacionalismo e renovação estética. E linguagem coloquial, indianismo, temas históricos e influência dos Estados Unidos. Responder A Inclusão de referências estrangeiras e temática de cunho político-partidário. B Ruptura com a estética anterior e inserção de tendências da arte moderna. C Ruptura com a arte figurativa e conflito com os aspectos regionais. D Nacionalismo exacerbado e atenção às desigualdades sociais. E Imitação das tendências da arte moderna e atualização do passado nacional. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 15/39 2 Antropofagia de Oswald de Andrade Ao final deste módulo, você será capaz de identificar o conceito de antropofagia em Oswald de Andrade. Responder 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 16/39 Quem foi Oswald de Andrade Todo mundo conhece alguém que, quando chega a uma festa, se torna o centro das atenções. Você já sabe que a pessoa chegou mesmo antes de ela entrar no recinto. Uma voz alta ao longe, as gargalhadas de uns e outros e o burburinho no lugar são indícios de que, sim, “Fulano” chegou! Se você não se identifica nessa cena que acabo de descrever, talvez seja você essa pessoa. Na vida cultural do Modernismo brasileiro, havia algumas figuras assim também, mas nenhuma encarnou tanto a irreverência, a ironia e a polêmica como Oswald de Andrade. Era a “figura da festa” entre os modernistas! Não por acaso, era motivo de ódios e paixões entre os que o conheciam. Oswald de Andrade Oswald era poeta, escritor e dramaturgo. Nasceu em São Paulo, em 11 de janeiro de 1890, e faleceu na mesma cidade, em 22 de outubro de 1954, ou seja, em um tempo de crescimento ainda mais explosivo de São Paulo, elevando-a à condição da megalópole que conhecemos hoje. Ele pertencia a uma família tradicional de classe média alta de São Paulo. Depois de se formar em Direito, entrou no jornalismo e começou a colaborar intensamente em jornais e revistas. Sua estreia literária se deu com a fundação do semanário O Pirralho, em 1911, que criou e dirigiu junto com Alcântara Machado e Juó Bananère. Por vir de uma condição econômica favorável, fez diversas viagens à Europa, principalmente a Paris, o que contribuiu para influenciar em sua formação como intelectual e escritor. Em 1917, depois de voltar de uma de suas viagens, respondeu ao artigo de Monteiro Lobato sobre a exposição de Anita Malfatti em sua coluna no Jornal do Commercio. Foi o único a defendê-la publicamente na ocasião. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 17/39 Sua participação ativa na realização da Semana de Arte Moderna, de 1922, também o destacaria ainda mais entre os intelectuais e artistas que estariam em busca de uma nova estética, rompendo com determinados segmentos do passado e se lançando para um futuro mais consciente da identidade e da cultura nacionais. Em sua obra, encontramos manifestos, poesia, prosa e dramaturgia. Em 1924, publica o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, mesmo ano do Manifesto surrealista, do escritor francês André Breton. Com o documento, Oswald e Tarsila do Amaral, com quem se casara na época, haviam iniciado um dos movimentos mais influentes do Modernismo brasileiro na primeira fase. A ideia era de busca por uma poesia ingênua, primitivista, nativista, ou seja, não influenciada por regras preestabelecidas, e que fosse de exportação, mas também considerando uma síntese da influência das vanguardas europeias, como o Cubismo e o Expressionismo. Em 1925, ele lança seu primeiro livro de poesia, Pau-Brasil, ilustrado por Tarsila e com prefácio de Paulo Prado. Dessa primeira fase, também merece destaque sua obra em prosa. Em 1922, publicou Os condenados, primeiro livro de sua Trilogia do exílio. Em 1924, sai um de seus romances mais importantes, que marca a experimentação da prosa modernista, Memórias sentimentais de João Miramar. Além disso, começa a escrever o romance Serafim Ponte Grande.Ainda em 1924, juntamente com Tarsila, Mário de Andrade, o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, dona Olívia Guedes Penteado, entre outros, Oswald integra a chamada Caravana Paulista, que viaja entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, experiência que teve influência essencial em sua concepção estética e política sobre a cultura brasileira. Oswald também escreveu peças de teatro, como O rei da vela, livros de memórias, como Um homem sem profissão: sob as ordens de mamãe e até mesmo uma tese para concorrer à vaga de professor titular da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo, o texto A crise da filosofia messiânica. Como você pode notar, Oswald foi provocativo e incansável. Sua natureza incandescente, claro, colecionou ao longo de sua trajetória algumas desavenças, como casamentos em crise, rompimento com amigos de longa data e um melancólico ostracismo nos últimos anos de vida. No entanto, sua obra não perdeu a força da primeira hora, influenciando gerações e sendo, até hoje, fonte de inspiração para pensar sobre os caminhos da construção e reconstrução da cultura brasileira. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 18/39 Tarsila, Oswald e o Abaporu Como vimos, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral se casaram nos anos 1920 e tiveram uma parceria também no campo artístico, já que havia afinidade entre as duas atividades do casal. Não entraremos aqui em detalhes dessa relação. O que nos importa é tentar entender como essa relação contribuiu para a concepção de um dos movimentos estéticos mais influentes da cultura brasileira no século XX: a antropofagia cultural. Antes de mais nada, é preciso conhecer o papel de Tarsila do Amaral na formulação dos pressupostos que deram origem à antropofagia, em geral associada apenas a Oswald por conta de seu manifesto. Mas a verdade é que a parceria com Tarsila foi determinante para isso. Foi, talvez, um dos primeiros momentos, na história da arte e da literatura brasileira, que as artes visuais vão influenciar a literatura. Veja bem, não estou dizendo que não havia antes diálogo entre essas duas expressões, mas que, nesse instante, o conceito surge, sobretudo a partir da pintura, depois vai para a literatura. E como isso se deu? Enquanto Anita havia sido influenciada pelos expressionistas alemães, Tarsila bebe dos grandes artistas do Cubismo, na França. Tarsila havia se formado na Europa, em 1920, mas uma segunda viagem, em 1923, será ainda mais importante para sua pintura. Ela frequentou os ateliês de grandes mestres, como André Lhote e Albert Gleizes, mas foi com o contato com Fernand Léger, um dos nomes mais importantes do Cubismo francês, que a obra de Tarsila ganha nova perspectiva. Em uma entrevista ao jornal Correio da Manhã, no fim daquele ano, ao retornar ao Brasil, a artista garante: Curiosidade Para você ter uma ideia da relação entre eles, o escritor Mário de Andrade às vezes se referia aos dois, em cartas, como “Tarsivaldo”. Uma forma afetuosa e lúdica de demonstrar que os temas ligados ao Modernismo, objetos de muitas dessas cartas, deveriam contar com a participação dos dois, de quem o autor de Macunaíma guardava profunda admiração, até romper a amizade com Oswald anos mais tarde. Bem, deixemos os bastidores e voltemos ao palco... 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 19/39 O Cubismo liberta, porque tem a vantagem de ser uma escola de invenção. (AMARAL, 1923 apud AMARAL, 2003, p. 419) Levando essa concepção visual para terras brasileiras, ela parte da paisagem e da cor local para inventar uma brasilidade luminosa, viva e cheia de frescor, principalmente depois de sua incursão junto à Caravana Paulista, em 1924. Quatro anos depois, ela pinta um quadro para dar de presente de aniversário a Oswald. O escritor fica fascinado pela pintura a óleo, com 85cm x 72cm. O também poeta modernista Raul Bopp, ao conhecer a obra, sugere que eles façam um movimento inspirado nele. Era preciso um nome. Feito! Abaporu (do tupi, “homem que come gente”). Curiosidade Atualmente, Abaporu é a pintura brasileira de maior valor no mercado internacional de artes e está no acervo do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, na Argentina, o que é pertinente, afinal, é uma obra fundamental não apenas da cultura brasileira, mas também da América Latina. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 20/39 Abaporu, Tarsila do Amaral, 1928. A fase antropofágica de Tarsila vai ser um dos pontos culminantes em sua carreira, como nos lembra uma de suas principais estudiosas, a crítica de arte e curadora Aracy Amaral (2003, p. 289). Por isso, Tarsila vai ser uma das principais influências para que Oswald lance, no mesmo ano, a Revista de Antropofagia. Nessa mesma revista, é publicado o Manifesto antropófago, um dos textos mais importantes da cultura nacional. Tupi or not tupi É bem provável que você já tenha visto um jogo de futebol na vida, ainda que não seja lá muito fã do esporte. Então, deve se lembrar de um momento em que os jogadores, ao final da partida, trocam as camisas entre si, em um gesto de cordialidade entre os times, afinal, são adversários, não inimigos, certo? Em uma dimensão simbólica, também podemos enxergar nessa prática a realização de uma espécie de ritual antropofágico, considerando que a camisa de um clube representa muito mais do que o jogador que a veste: ali estão a história, a torcida, a instituição, seus títulos e derrotas. A camisa de futebol é a síntese de tudo o que um clube é e quer se tornar, pois ele depende de jogadores vestindo aquela peça para jogar as partidas, buscar as vitórias, superar as derrotas e continuar construindo sua história. Não por acaso alguns a chamam de “manto sagrado”. Ao trocar as camisas, os jogadores estão se apropriando 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 21/39 dessa força, depois da batalha em campo, e fazendo do jogo uma celebração do que têm em comum. Oswald de Andrade não pensou propriamente em uma metáfora futebolística para desenvolver o seu conceito de antropofagia, mas sem dúvida compreendia a dimensão potencial e complexa da formação da nossa cultura e de tudo aquilo de que somos feitos, desde o “descobrimento” até o presente. Por isso, ao contrário da fase Pau-Brasil, em que propõe uma arte de exportação, voltada para a valorização da modernidade alcançada, na Antropofagia, Oswald cultiva as ideias novas que vêm de fora, ou seja, importa-as, para, assim como nos rituais indígenas dos antropófagos, devorá-las e aplicá-las à realidade social brasileira. O objetivo da Antropofagia era, então, assimilar outras culturas, e não as imitar. Dessa forma, o Brasil é redescoberto, em uma inversão cultural dos papéis em nosso processo de colonização. Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filoso�camente. (ANDRADE, 2017, p. 43) Essa é a frase que abre o Manifesto antropófago, publicado no primeiro número da Revista de Antropofagia, em 1º de maio de 1928. O periódico teve duas fases, ou “dentições”. A primeira é constituída de dez números, de maio de 1928 a fevereiro de 1929; a segunda, 15 edições, de março de 1929 a agosto do mesmo ano. O Manifesto é um texto que deve ser lido em relação às publicações de vanguarda no início do século XX, pois trata-se de um gênero literário muito particular, cujo objetivo não era criar um sistema filosófico ou comprovar dados historiográficos. Por que se publica um manifesto? Para romper, provocar ou questionar uma estrutura de poder vigente, com seus mecanismos, hábitos e costumes. Por isso, a linguagem tem um tom transgressore é recheada de palavras de ordem. Não é um ensaio filosófico, mas um chamamento à ação. Nessa tentativa de deglutir as qualidades do inimigo e incorporar às nacionais, Oswald propõe uma síntese dialética, ou seja, de uma relação a partir de dois pares opostos. Assim, a dependência cultural que caracterizou a história da arte e da literatura brasileira até então é solucionada por meio de um processo de transculturação, quer dizer, de 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 22/39 uma fusão atravessada de culturas diferentes, lidas agora em perspectiva completamente nossa. Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. (ANDRADE, 2017, p. 43) O interesse, como verbo, indica uma ação e uma projeção em direção ao objeto desejado. E apenas podemos desejar aquilo que é do outro. Tupi or not tupi: that is the question, a paródia ao solilóquio de Hamlet, o clássico ocidental de William Shakespeare, é, nesse sentido, reveladora da realização desse interesse e da síntese da devoração de outra cultura. Hamlet, para desmascarar o crime contra seu pai, no lugar de uma peça de teatro, aqui no Brasil faria samba e um desfile de carnaval. Antropofagia em Oswald de Andrade Assista agora ao vídeo em que se apresenta um diálogo sobre a biografia e a obra de Oswald de Andrade, destacando sua contribuição à cultura e à literatura brasileiras a partir do conceito de antropofagia. Vem que eu te explico! 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 23/39 Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 2 - Vem que eu te explico! Pintura e literatura na gênese da Antropofagia Módulo 2 - Vem que eu te explico! Tupi or not tupi como paródia de Hamlet 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 24/39 Questão 1 Um dos movimentos culturais mais influentes da cultura brasileira é a Antropofagia, inaugurada com a tela Abaporu, de Tarsila do Amaral, e o Manifesto antropófago, de Oswald de Andrade. É um momento da história da arte e da literatura brasileira em que a pintura vai influenciar a literatura, tendo desdobramentos até os dias atuais. Em relação às características do movimento antropofágico, marque a alternativa correta: Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. A A Antropofagia valoriza a cultura europeia e busca imitá-la. B O Manifesto antropófago tenta preservar a influência dos europeus na formação do Brasil. C O conceito de antropofagia cultural está ligado apenas ao contexto da Semana de 1922. D O Manifesto antropófago concebe a cultura brasileira em uma perspectiva sintética. E As vanguardas europeias surgiram como síntese da antropofagia cultural. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 25/39 Questão 2 As redes de sociabilidade construídas pelos modernistas, como Oswald de Andrade e Mário de Andrade, eram de grande importância para a consolidação do movimento e de suas ideias. Não apenas as viagens ao exterior, mas também as excursões pelo Brasil formaram boa parte das concepções estéticas das principais figuras do grupo e influenciaram de maneira decisiva a forma de pensar na construção de uma cultura nacional. Marque a alternativa que indique o nome como ficou conhecida uma dessas viagens e os respectivos estados por onde o grupo passou: 3 Macunaíma de Mário de Andrade Ao final deste módulo, você será capaz de analisar a narrativa de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade. Responder A A Caravana Paulista; Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. B O Grupo dos Cinco; Ceará, Piauí e Sergipe. C Os Antropófagos; São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. D A Caravana Nacional; Mato Grosso, Amazonas e Pará. E A Caravana Paulista; São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Responder 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 26/39 Quem foi Mário de Andrade Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cinquenta, Mas um dia a�nal me encontrarei comigo... (ANDRADE, 2013, p. 254) 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 27/39 Não é raro encontrar esses versos de Mário de Andrade em artigos, ensaios, perfis biográficos e outros textos que tratem do autor e sua obra. Em geral, o título do próprio poema, que é parte do estribilho do poema, Eu sou trezentos..., já é suficiente. Não por acaso, é título de um importante estudo biográfico sobre sua vida e obra, de autoria de Eduardo Jardim. Mas, afinal, por que estes versos são tão importantes? Eles são suficientes para definir Mário de Andrade? Claro que não! Aliás, seria até mesmo contraditório. Mas são versos que nos dão pistas sobre este que é um dos principais expoentes do Modernismo brasileiro e uma das figuras centrais no cenário cultural e intelectual das décadas de 1930 e 1940 no país. O número no poema é uma referência a uma das principais características de Mário de Andrade: a multiplicidade e os conflitos inerentes a um sujeito em conflito permanente consigo mesmo em face da dimensão fragmentária da experiência na modernidade. Como vimos anteriormente, o período era de intensas transformações na vida social e cultural brasileira no início do século XX, com urbanização, industrialização e crescimento demográfico, especialmente com a chegada de imigrantes de vários cantos do mundo. Mário de Andrade nasceu em São Paulo, em 9 de outubro de 1893, e faleceu na mesma cidade, em 25 de fevereiro de 1935. Diferentemente de Oswald, Mário era disciplinado, cordato, apegado à casa e pouco dado a improvisos. Essa multiplicidade se reflete nos gêneros literários a que se dedicou. Era musicólogo de formação, mas também se dedicou à poesia, ao conto, ao romance, à crônica e à crítica literária. Mas talvez nenhum desses tenha sido tão decisivo em seu projeto modernista que o gênero epistolar. As cartas de Mário de Andrade não são apenas bastidores da vida intelectual e artística daquele período, mas também ensaios da construção de um pensamento e de expressão da sensibilidade, bem como arquivos de seu processo criativo. Curiosidade Ele já revelou em algumas ocasiões que jamais conseguiria proferir um discurso em público se não o escrevesse. Não concebia a ideia de falar em público sem público. Por outro lado, era também um amante de viagens, de saídas com os amigos e do carnaval carioca (TÉRCIO, 2019). 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 28/39 De suas obras, Pauliceia desvairada é considerada o seu livro-manifesto, tendo em vista que ele o publica em um momento de ruptura e experimentação do Modernismo em sua fase vanguardista. Mas é por meio da ficção que Mário, ainda em uma perspectiva estética, desenvolve uma investigação profunda sobre a diversidade da formação cultural de nossa sociedade e, dessa maneira, busca uma identidade nacional que dê conta dessa natureza tão plural. Da esquerda para a direita: Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco, no Rio de Janeiro, em 1936. Seus estudos sobre música foram, portanto, fundamentais para isso. Não por acaso, sua obra de ficção mais importante, Macunaíma, é bastante influenciada por seus estudos no campo da música, como veremos um pouco mais adiante. Mas vamos falar um pouco mais sobre outro gênero que Mário praticou como poucos: a carta. Em tempos de redes sociais, aplicativos de mensagense outros recursos instantâneos, pode parecer uma realidade distante, mas, mesmo nesses recursos atuais, há uma estrutura discursiva que segue alguns dos princípios que deram origem ao gênero epistolar. A carta era um espaço também de investigação estética e de construção de uma rede de relações fundamental para a consolidação de uma ideia, de um programa, ou seja, de uma série de elementos que dão forma a um movimento. Atenção! Por meio de cartas, Mário não apenas se comunicava com seus correspondentes, mas discutia a criação de um poema, enviava fotos de quadros, recebia convites para dar conferências e para publicar artigos em diversos periódicos, combinava viagens, entre outros assuntos. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 29/39 Por isso, não é exagero dizer que o Modernismo brasileiro não seria o mesmo sem as cartas de Mário de Andrade. Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti estão entre alguns dos principais missivistas com quem Mário manteve intenso diálogo postal. Procure qualquer volume dessas cartas e dê uma espiada na conversa. Esta, sim, você pode espalhar por aí. Dar uma alma ao Brasil E já que falamos ainda há pouco de cartas, vamos dar uma conferida em uma delas? Depois da passagem da Caravana Paulista em Minas Gerais, em 1924, Mário tem contato com jovens em Belo Horizonte, que ficaram entusiasmados em conhecê-lo. Entre eles, estava um certo Carlos Drummond de Andrade. No mesmo ano, o jovem Drummond escreve para o escritor paulista, falando da importância de sua visita para o grupo mineiro e confessa a ansiedade para receber uma carta do novo amigo. Mário responde em 10 de novembro daquele ano, revelando seu desejo de “dar uma alma ao Brasil”: [...] é no Brasil que me acontece viver e agora só no Brasil eu penso e por ele tudo sacrifiquei. A língua que escrevo, as ilusões que prezo, os modernismos que faço são pro Brasil. E isso nem sei se tem mérito porque me dá felicidade, que é a minha razão de ser da vida. Foi preciso coragem, confesso, porque as vaidades são muitas. Mas a gente tem a propriedade de substituir uma vaidade por outra. Foi o que fiz. A minha vaidade hoje é de ser transitório. Estraçalho a minha obra. Escrevo língua imbecil, penso ingênuo, só pra chamar a atenção dos mais fortes do que eu pra este monstro mole e indeciso ainda que é o Brasil. (ANDRADE, 2015, p. 15) Mário de Andrade tinha mais do que um entusiasmo com as transformações que a modernidade trouxe para a sua Pauliceia. Ele possuía um projeto estético determinado a redescobrir o Brasil e compreender do que ele é feito. Para isso, era preciso também reinventá-lo. Só que o Brasil não é apenas São Paulo ou o Rio de Janeiro, embora sejam duas cidades que reúnem, naquele contexto, uma fusão vertiginosa e impressionante de influências oriundas de outras partes. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 30/39 Esse sentimento de incompletude, inacabamento e transitoriedade, na verdade, expõe um desejo de dar um sentido para “este monstro mole e indeciso”. Ou, como diz o outro verso do poema Eu sou trezentos, ele se confronta com a certeza de que um “dia quem sabe encontrarei comigo” (ANDRADE, 2013, p. 254). É apenas no trajeto da busca do indivíduo por si mesmo que ele encontra os vestígios daquilo de que é feito e do que está por fazer de si. Sabemos o quanto uma viagem nos marca. Mesmo um passeio em uma cidade próxima transforma algo em nós. Não apenas a viagem junto ao grupo da Caravana Paulista foi decisiva para a formulação do projeto estético de Mário de Andrade, mas também outras, como, ainda nos anos 1920, para o interior de São Paulo e para a Região Norte do Brasil. Ceia, Aleijadinho, 1795, no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (MG). Em 1924, Mário teve contato, em Minas, com a arte de Aleijadinho e as igrejas do período colonial, o que provocou um deslocamento em sua concepção sobre a nossa formação cultural. O passado lançava luz sobre o presente. A “descoberta” das obras do mestre mineiro e da arquitetura colonial levava-os a refletir sobre as raízes da cultura nacional, o que contribuiria para a constituição de nossa identidade. Poucos anos depois, Mário vai para a Amazônia, experiência que marca ainda mais profundamente a dimensão estética e, também, política de seu projeto modernista. E por que isso ocorre? Em que sentido? O contato com uma diversidade cultural tão rica e complexa leva Mário a pensar na brasilidade em uma perspectiva sincrética (diferente de Oswald, que a enxerga como “sintética”, lembra?), isto é, as várias manifestações culturais se entrecruzam e expressam, cada uma de forma autônoma, a sua natureza própria. Além disso, o contato com as culturas populares amazônicas e com grupos sociais historicamente marginalizados, como indígenas e ribeirinhos, contribuiu para que Mário refletisse sobre o caráter múltiplo de nossa identidade, não um bloco homogêneo, como querem as classes dominantes. A relação entre o popular e o erudito, então, se transforma na chave para interpretar esse país. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 31/39 Uma narrativa sem nenhum caráter Dessas experiências, resultaram obras fundamentais na trajetória artística e intelectual de Mário de Andrade: O relato de viagem O turista aprendiz, a partir das notas de 1927, mas só publicado postumamente. A poesia de Clã do jabuti, de 1927. Um dos romances mais importantes da literatura brasileira, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, lançado em 1928. Embora seja classificado como romance, Macunaíma é uma forma de difícil delimitação nos esquemas rígidos da narratologia, tendo em vista que ele é resultado da combinação de vários gêneros diferentes. Por essa razão, a obra é considerada uma narrativa de caráter experimental, já que ela joga com os limites da linguagem e da literatura a partir da fusão dos elementos estruturais de contos, lendas, crônicas, relatos de viagem e cartas, costurando o popular e o erudito de uma forma inovadora até então. Como você já deve ter lido a obra, deve ter notado que ela não tem nada de realista, ao menos não no sentido documental. Pode parecer, em um primeiro momento, um livro difícil de ler, seja pela quantidade de referências, especialmente das culturas indígenas e contos da tradição popular, seja pela sua natureza fragmentária e carregada de imprevistos. Por isso, é fundamental entender o contexto de sua concepção e de que modo ele se insere no projeto de Mário de Andrade. A primeira pista está no seu subtítulo: “o herói sem nenhum caráter”. Em um primeiro momento, pode parecer que ele está fazendo um juízo moral do personagem, ainda mais quando acompanhamos suas travessuras ao longo da narrativa. Atenção! O uso do termo “caráter” no subtítulo de Macunaíma é mais no sentido de “característica”, ou seja, traço distintivo de uma determinada identidade. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 32/39 Qual é basicamente o enredo do livro? É a trajetória de Macunaíma em busca da muiraquitã, a pedra mágica, que ele havia recebido de Ci, a Mãe do Mato. A pedra acaba parando nas mãos do gigante comedor de gentes Piaimã, que vivia em São Paulo como burguês. O final é melancólico. Derrotado de todas as maneiras, Macunaíma acaba virando uma constelação no céu. Muita coisa acontece até chegar aqui. Por isso, é importante que você tenha uma boa edição anotada do livro e o acompanhe com o Roteiro de Macunaíma, de Cavalcanti Proença, referência fundamental para seu estudo. Assim, as referências vão ficando mais claras. Índias, Portinari,1941. É importante pensar o que esse livro representa naquele momento. A ideia da narrativa surgiu depois que Mário leu Vom Roraïma zum Orinoco, do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg, um conjunto de relatos da tradição indígena do norte amazônico. Makaunaimã é uma divindade que faz parte da cosmologia de vários grupos indígenas da região, como os Macuxi e os Taurepang. Atualmente, há, inclusive, intensos debates sobre a utilização de uma figura que faz parte do sagrado desses povos. Nesse sentido, vale a pena conferir a peça teatral Makunaima: o mito através do tempo, de autoria coletiva, em que Mário de Andrade volta da morte, ficcionalmente, para ser questionado sobre a ficcionalização do deus Makunaima. No entanto, quando Mário cria o personagem, ele não estava pensando em fazer um tratado acadêmico. A ficção torna-se um espaço não apenas de criação, mas também de discussão sobre o caráter fragmentário e múltiplo da formação de nossa identidade. A busca da muiraquitã representa, para aquele momento, a busca pela identidade e a tentativa do sujeito, na sociedade moderna, de conciliar os conflitos de sua inserção no mundo, ainda mais em um contexto de mudanças no desenvolvimento econômico e urbano das 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 33/39 cidades, embora socialmente mantivessem uma estrutura bastante conservadora e presa a valores dos tempos coloniais. Por isso, Macunaíma se transforma ao longo do livro, de “preto retinto e filho do medo da noite”, homem branco de olhos azuis, menino, adulto, cachorro do mato, entre outras formas, até se tornar a constelação de Ursa Maior, no fim da história. É uma maneira de dar conta da rica e complexa formação da nossa sociedade e suas contradições. Macunaíma é uma narrativa mítica. E para que servem os mitos na modernidade? Como dizia Fernando Pessoa, em seu poema Ulisses: Este, que aqui aportou, Foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo E nos criou. Assim a lenda se escorre A entrar na realidade, E a fecundá-la decorre. Em baixo, a vida, metade De nada, morre. (PESSOA, 1972, p. 25) Uma narrativa mítica recria a nossa relação com a realidade. Portanto, Mário de Andrade, ao trazer Macunaíma, fecundou a nossa cultura e nos legou uma das obras mais impressionantes da literatura nacional. Mário de Andrade e Macunaíma Veja um diálogo sobre a vida e a obra de Mário de Andrade, no contexto do Modernismo, em que se destaca sua contribuição para se pensar a cultura brasileira a partir da narrativa de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 34/39 Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 3 - Vem que eu te explico! As andanças de Mário e sua visão de Brasil Módulo 3 - Vem que eu te explico! Macunaíma como narrativa mítica 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 35/39 Questão 1 Mário de Andrade era um intelectual múltiplo. Dedicou-se a diversos gêneros, como a poesia, o romance, o conto, além de ter se dedicado ao estudo da música e da nossa tradição popular. Dessa gama variada de interesses, surgiram obras que até hoje são referências na história da literatura brasileira, como os poemas de Clã do Jabuti e a narrativa Macunaíma. Marque a alternativa que indique um fator decisivo para a atenção que Mário de Andrade passa a dar à cultura popular na construção da identidade nacional. Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 36/39 Questão 2 Macunaíma, o herói sem nenhum caráter é a obra-prima de Mário de Andrade. Por meio de uma narrativa complexa em termos estruturais e diversa quanto às influências e referências que ela mobiliza, o escritor constrói um livro experimental e único em nossa literatura. Marque a alternativa que contenha uma característica da obra que a vincule ao modernismo brasileiro. A O carnaval carioca e as festas populares no interior de São Paulo, principalmente em Lindoia e Araraquara. B A tradução de obras de autores alemães, que serviram de base para seus estudos de folclore. C As viagens às cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com a Caravana Paulista, em 1924, e à região da Amazônia, em 1927. D As viagens a cidades mineiras e capixabas logo após a Semana de Arte Moderna. E As pinturas de Tarsila do Amaral e os discursos políticos de Rui Barbosa. Responder A Busca por uma identidade nacional B Valorização das estéticas anteriores C Luta por uma sociedade mais conservadora D Preservação da língua e da cultura no Brasil E Defesa dos direitos dos proprietários de terras Responder 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 37/39 Considerações �nais A complexidade e a importância do Modernismo são tamanhas que, até hoje, ele exerce influência não apenas nos estudos que se dedicam a analisá-lo, mas também em nossa maneira de tentar compreender a formação da sociedade brasileira. A cultura é um dos instrumentos essenciais para o conhecimento de nossa realidade e de investigação das possibilidades de transformá-la. O Modernismo no Brasil surgiu como esforço de ruptura com estruturas arcaicas da nossa sensibilidade e do nosso desenvolvimento, propondo novas formas de construção e percepção, de modo a estarmos atentos ao presente e, também, ao que nos definiu no passado. A Semana de Arte Moderna e seus antecedentes, como a exposição de Anita Malfatti, foram expressões iniciais dessa inquietude, formando um grupo de diversas tendências e formações. Oswald de Andrade, por meio de seu conceito de antropofagia, partindo da obra de Tarsila do Amaral, propõe a assimilação das culturas importadas e a aplicação em nossa realidade, em uma perspectiva sintética da cultura. Mário de Andrade, com Macunaíma, busca a identidade nacional a partir de seus elementos diversos, considerando as especificidades de cada grupo e as relações que eles estabelecem entre si, em uma perspectiva sincrética da cultura. A Semana de 22 e o modernismo literário Para finalizar, ouça um debate sobre as polêmicas que envolveram a realização da Semana de Arte Moderna, destacando o choque nas artes e na literatura diante das propostas libertárias e irreverentes dos modernistas, além das consequências da obra de Oswald e Mário de Andrade na cultura brasileira. 00:00 14:10 1x Explore + Confira as indicações que separamos para você! https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 38/39 Na página da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, hospedada no portal da USP, você pode acessar diversas revistas e jornais importantes de nossa cultura. Entre elas, estão as edições da Revista de Antropofagia. Outra página hospedada no portal da USP e que vale a pena ser explorada sobre o tema é a Plataforma de estudos do primeiro modernismo literário brasileiro. Lá você encontra informações sobre vários dos autores representativos do Modernismo, como os dois que acabamos de estudar: Oswald e Mário. Procure, na internet, quadros de Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. Na Enciclopédia Itaú Cultural, você pode acessar algumas de suas principais obras. Leia o Manifesto antropófago, deOswald de Andrade, e o romance Macunaíma, de Mário de Andrade. Assista ao documentário Semana de Arte Moderna, que aborda vários aspectos históricos, culturais e literários da Semana de 22, com depoimentos e leitura dramatizada de textos literários, disponível no canal da TV Cultura no YouTube. Referências AMARAL, A. Tarsila: sua obra e seu tempo. São Paulo: Ed. 34; Edusp, 2003. ANDRADE, M. de. A lição do amigo: cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade. Organização e notas de Carlos Drummond de Andrade; posfácio de André Botelho. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. ANDRADE, M. de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017. ANDRADE, M. Pauliceia Desvairada. São Paulo: Casa Mayença, 1922. Consultado na internet em: 15 jun. 2022. ANDRADE, M. de. Poesias completas. Edição de texto apurado, anotada e acrescida de documentos por Tatiana Longo Figueiredo e Telê Ancona Lopez. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013. ANDRADE, O. Manifesto Antropófago e outros textos. Organização e coordenação editorial de Jorge Schwartz e Gênese Andrade. São Paulo: Penguin Classics - Companhia das Letras, 2017. BRITO, M. da S. História do Modernismo brasileiro: antecedentes da Semana de Arte Moderna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. PESSOA, F. Mensagem. Lisboa: Ática, 1972. SEVCENKO, N. O Orfeu Extático na Metrópole: São Paulo - sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. TÉRCIO, J. Em busca da alma brasileira: biografia de Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2019. 17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 39/39 Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF()