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17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 1/39
Objetivos
Módulo 1
Semana de Arte Moderna
Reconhecer as condições que levaram à realização da Semana
de Arte Moderna.
Acessar módulo
Módulo 2
Antropofagia de Oswald de Andrade
O Modernismo:
a primeira
geração
Prof. Rodrigo Jorge Ribeiro Neves
Descrição
A primeira geração do Modernismo brasileiro
a partir de eventos, como a Semana de Arte
Moderna, e autores representativos, como
Oswald de Andrade e Mário de Andrade.
Propósito
Conhecer a contribuição literária e cultural do
Modernismo brasileiro para ampliar a
competência leitora e a compreensão da
sociedade brasileira.
Preparação
Tenha em mãos um dicionário de literatura
para compreender o vocabulário específico
da área. Na internet você acessa
gratuitamente o E-Dicionário de Termos
Literários, de Carlos Ceia, e o Dicionário de
Cultura Básica, de Salvatore D’Onofrio.
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17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04395/index.html?brand=estacio# 2/39
Identificar o conceito de antropofagia em Oswald de Andrade.
Acessar módulo
Módulo 3
Macunaíma de Mário de Andrade
Analisar a narrativa de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter,
de Mário de Andrade.
Acessar módulo
Introdução
O Modernismo no Brasil não foi apenas uma escola literária
inscrita em um determinado momento histórico, com
características e cronograma bem definidos. Foi um movimento
cultural, pois surgiu como inquietação diante das transformações
estruturais que o país atravessava e da necessidade de
desvendar a natureza dessa sociedade para, assim, transformá-la
e integrá-la no processo de desenvolvimento. Para o Modernismo,
a cultura é a chave.
Neste conteúdo, você vai conhecer as principais questões que
contribuíram para o surgimento do Modernismo brasileiro. A
primeira geração se consolida com a realização da Semana de
Arte Moderna de 1922, que contou com uma série de
antecedentes.
Entre as figuras representativas dessa fase, iremos estudar dois
nomes fundamentais para compreender os sentidos do
Modernismo: Oswald de Andrade, com seu conceito de
antropofagia, e Mário de Andrade, considerado líder do
movimento e autor de uma das obras mais importantes da
literatura brasileira: Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.

17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração
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1
Semana de Arte Moderna
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer as condições que levaram à realização da Semana de Arte Moderna.
17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração
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Antecedentes do
Modernismo
Para entender a Semana de Arte Moderna, em 1922, é preciso, antes,
conhecer e analisar os seus antecedentes, ou seja, os episódios que
anteciparam e permitiram a realização do evento. Afinal de contas,
nenhum acontecimento histórico, como você bem sabe, simplesmente
surge no instante em que é registrado na história. Até mesmo uma mera
reunião entre amigos, bem despretensiosa, demanda planejamento e,
antes disso, a existência de condições para que esse encontro ocorra. O
caso da Semana é assim também.
Mario de Andrade I, por Anita Malfatti (1922).
Não há como estudar a Semana de 22 sem levar em conta a exposição
de Anita Malfatti e a sua importância para a formação da primeira
geração do Modernismo brasileiro, sendo considerada por um dos mais
importantes historiadores do movimento, Mário da Silva Brito, como o
seu “estopim” (BRITO, 1974, p. 40).
Anita Malfatti era filha de um engenheiro italiano, que se naturalizou
brasileiro e atuou como deputado na primeira assembleia legislativa
estadual, no fim do século XIX. Sua estadia na então Academia Real de
Artes (Königliche Academiem der Künste zu Berlin) em Berlim, na
Alemanha, entre 1910 e 1914, será de grande influência em sua
formação.
É um período de grande efervescência da arte moderna alemã. Mas
Anita encontra também a possibilidade de conhecer obras de
importantes artistas pós-impressionistas, em Colônia, no sul do país da
língua de Goethe e de David Friedrich. Lá, ela aprecia os quadros dos
impressionistas Camille Pissarro e Auguste Renoir, e dos pós-
impressionistas Paul Gauguin, Van Gogh e Paul Cézanne.
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No entanto, Anita se sente um pouco isolada na Alemanha. Volta para o
Brasil, ficando pouco tempo. A próxima parada seria ainda mais
preponderante em sua formação como artista moderna: a Escola
Independente de Arte (Independence School of Art), de Nova York, nos
Estados Unidos.
Tomando as lições do artista e professor Homer Boss, Anita se
descobriu entre telas, paisagens e corpos, refletindo a natureza e,
portanto, a própria vida na forma e na cor. Era uma festa!
A festa da forma e a
festa da cor.
(MALFATTI apud BRITO, 1974, p. 45)
Além disso, nos Estados Unidos ela travou contato com outros artistas
revolucionários e de diversos campos, como o pintor Marcel Duchamp e
a bailarina Isadora Duncan.
Ao chegar de Nova York, em 1917, Anita realiza um dos eventos mais
emblemáticos da história da arte e da literatura modernas no Brasil: a
sua exposição. Por insistência de artistas como Di Cavalcanti, ela reuniu
53 trabalhos e os expôs em um salão na rua Libero Badaró, 111, região
central de São Paulo. Ali estavam suas experiências artística e humana
vividas na Alemanha e nos Estados Unidos, que acabaram provocando
um abalo na vida intelectual e cultural do país no início do século XX.
Entre as obras, estavam:
Curiosidade
Nem a viagem que Malfatti fez à França,
onde se deparou com o escultor Auguste
Rodin, no Louvre, e outros artistas nos
pequenos museus franceses, foi suficiente
para diminuir o fascínio que obras vistas na
Alemanha lhe tinham provocado.

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A estudante russa, 1915.
 1 de 4 
Essas obras causaram tanto surpresa quanto certo fascínio, já que se
tratava de uma forma nova de representação, que ninguém tinha visto
até então no Brasil. Mas nem todos curtiram a novidade.
Monteiro Lobato escreveu um artigo arrasador sobre a exposição,
tornando a artista mais conhecida, mas também traumatizando-a para
sempre. O texto saiu no jornal O Estado de S. Paulo, de 20 de dezembro
de 1917, com o título A propósito da Exposição Malfatti.
Lobato começa sua crítica elegendo “duas espécies de artistas”. A
primeira é feita daqueles que “veem normalmente as coisas e em
consequência disso fazem arte pura”. Já a segunda, na qual se insere,
segundo ele, a pintora paulista, “é formada pelos que veem
anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras,
sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como
furúnculos da cultura excessiva” (LOBATO apud BRITO, 1974, p. 52).
 
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A onda, Anita Malfatti, 1917.
Foi um choque. Porém, o tiro saiu pela culatra. A atitude de Lobato
contribuiu para que se reunisse em torno dela um grupo de artistas e
intelectuais, como Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Mário de Andrade,
Guilherme de Almeida, Agenor Barbosa e Ribeiro Couto, entre os quais,
alguns estariam à frente de uma segunda revolução artística, uma das
maiores da cultura brasileira: a Semana de Arte Moderna, em 1922.
A modernização do Rio e de
São Paulo
Brasil, 1922. Ano do centenário da Independência. O Rio de Janeiro era a
então capital federal e o principal polo de desenvolvimentosocial,
econômico e cultural do país. Após as reformas urbanas empreendidas
pelo prefeito Pereira Passos, entre 1902 e 1906, a cidade se
modernizava e reafirmava sua vocação internacional. No entanto, o
governo do presidente Epitácio Pessoa enfrentava resistências e
instabilidades.
E o que um governo faz quando dá sinais de fraqueza? Demonstra força!
E é por isso que a celebração dos 100 anos da Independência do Brasil
se mostrava também como uma oportunidade de exibir influência e
prestígio. Assim, o presidente confiou ao prefeito Carlos Sampaio a
preparação da Exposição Internacional da Independência do Brasil,
inaugurada no dia 7 de setembro de 1922, que contou com a
participação de vários países. Era a primeira exposição universal após a
Grande Guerra. E era também a chance que o país tinha de se firmar na
esteira das grandes nações do mundo moderno.
Ao contrário do Rio, São Paulo ainda era uma cidade provinciana e com
traços rurais, mas que já atravessava uma série de transformações na
vida urbana, provocando mudanças na vida social, política e cultural do
lugar.
Curiosidade
Para você ter uma noção da diferença entre
as duas cidades, segundo o IBGE, o Rio de
Janeiro, em 1920, contava com mais de 1,1
milhão de habitantes. E São Paulo? Quanto
você acha? Pouco menos de 600 mil
pessoas. Isso mesmo! E, acredite, já era um
número impressionante para a época, já que
São Paulo, diferentemente do Rio, vinha de
uma condição modesta de município
interiorano.

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Contudo, é justamente nesse período que os paulistanos percebem um
crescimento vertiginoso da cidade, que revelava também sua vocação
cosmopolita. A chegada de imigrantes de diversos países se
intensificou no início do século XX, até que, no decênio de 1920, já era
possível enxergar a influência dessas diferentes culturas na
configuração de uma nova identidade cultural, plural, fragmentada e
moderna.
Confira a descrição que o historiador e professor Nicolau Sevcenko fez
da São Paulo daquela época:
São Paulo não era uma cidade nem
de negros, nem de brancos e nem de
mestiços; nem de estrangeiros e
nem de brasileiros; nem americana,
nem europeia, nem nativa; nem era
industrial, apesar do volume
crescente das fábricas, nem
entreposto agrícola, apesar da
importância crucial do café; não era
tropical, nem subtropical; não era
ainda moderna, mas já não tinha
mais passado. Essa cidade que
brotou súbita e inexplicavelmente,
como um colossal cogumelo depois
da chuva, era um enigma para seus
próprios habitantes, perplexos,
tentando entendê-lo como podiam,
enquanto lutavam para não serem
devorados.
(SEVCENKO, 2009, p. 31)
Alguns dos empreendimentos da urbanização que alçou a cidade de São
Paulo ao palco da modernidade no século XX foram:
a criação de bairros;
a ampliação de vias férreas;
a fundação de parques; e
a construção de diversas edificações, como o Theatro Municipal.
O Theatro Municipal foi exatamente o palco do principal evento
realizado na cidade de São Paulo.
O impacto desse crescimento é tão importante que Mário de Andrade,
um dos principais nomes da Semana de Arte Moderna e de seus
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desdobramentos, vai expressá-lo no título de seu primeiro livro
modernista: Pauliceia desvairada (1922).
No primeiro poema do livro, intitulado Inspiração, o eu-lírico exalta a
pluralidade vertiginosa dessa cidade formada por outras mil:
São Paulo! comoção de minha
vida...
Os meus amores são flores feitas de
original!...
Arlequinal!... Traje de losangos...
Cinza e ouro...
Luz e bruma... Forno e inverno
morno...
Elegâncias sutis sem escândalos,
sem ciúmes...
Perfumes de Paris... Arys!
Bofetadas líricas no Trianon...
Algodoal!...
São Paulo! comoção de minha
vida...
Galicismo a berrar nos desertos da
América!
(ANDRADE, 1922, p. 43)
Como o Rio de Janeiro, que já era há tempos o centro político, cultural e
econômico do país, estava acostumado a ser um porto de novidades e
vitrine internacional, a chegada de mais uma não representaria grande
mudança. Afinal, seria apenas mais uma em sua história.
Já São Paulo surgia naquele momento, e com uma velocidade difícil até
de captar. Então, qualquer nova tendência exercia um impacto
proporcionalmente maior, já que era uma metrópole relativamente jovem
se expandindo e que, por isso, estava sedenta de novidades. Desse
modo, o Theatro Municipal de São Paulo era o palco ideal para um dos
seus maiores espetáculos, a Semana de Arte Moderna.
A Semana em cena
Sabemos que nenhuma peça se resume só ao que acontece no palco.
Ela é feita de atores, diretores, texto, ensaios, cenógrafos, iluminadores,
além da bilheteria e da plateia. Nada acontece se todos esses
elementos não atuarem coletivamente, ou seja, vários fatores
contribuem para a realização de um espetáculo. E a Semana de Arte
Moderna é um dos maiores que já aconteceram no país, não pela sua
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repercussão na época, que foi relativamente tímida, mas pelos
desdobramentos que ela provocou, sentidos até os dias atuais.
Se a exposição de Anita Malfatti causou burburinho na sociedade
paulista burguesa da época, a Semana de Arte Moderna vai escandalizar
essa sociedade ainda mais.
O Theatro Municipal de São Paulo, em foto tirada no início da década de 1920.
Com o fim da guerra, o desenvolvimento urbano acelerado das cidades e
o fluxo intenso de gente de todo canto, os intelectuais e artistas
envolvidos na ideia da Semana queriam um evento que pudesse
expressar o espírito daquele tempo, ou seja, que também apresentasse
a intensidade e o vigor das inovações no âmbito artístico-cultural, ou
seja, uma estética moderna e representativa desse país que estava em
transformação.
Não há um consenso entre os críticos e historiadores sobre de quem foi
a ideia para a realização daquele evento. Alguns atribuem à dona Olivia
Guedes Penteado, filha da aristocracia cafeeira e incentivadora do
Modernismo, mas o mais provável é que tenha vindo do pintor Emiliano
Di Cavalcanti, responsável também pela arte do cartaz de divulgação e
da programação do evento.
Entre as características desse grupo, podemos identificar:
A ruptura com o academicismo e as estéticas passadistas, como o
Parnasianismo e o Simbolismo.
A liberdade de expressão e experimentação.
A valorização do elemento local.
A aproximação da linguagem coloquial.
Os temas nacionalistas e cotidianos.
A Semana durou três dias, 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, contando
com diversas manifestações artísticas, como música, dança, recitais de
poesia e artes plásticas.
 Primeiro dia
O primeiro dia foi mais tranquilo. Graça Aranha,
escritor e membro da Academia Brasileira de
Letras, abriu o evento com a conferência A emoção
téti d t d A d fi
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Como vimos, os modernistas vieram com tudo. Claro que o evento só foi
possível, naquele período, porque contou com o apoio de figuras de
grande poder aquisitivo, como Paulo Prado, industrial do café e
descendente de uma das mais influentes famílias paulistas.
Não por acaso, em sua conferência O movimento modernista, em 1942,
Mário de Andrade chamará Paulo Prado de “fautor verdadeiro da
Semana de Arte Moderna”, ou seja, o seu principal apoiador. Nesse
sentido, é inegável, como o próprio poeta admite em sua palestra, que o
Modernismo, na qualidade de evento histórico, é um movimento de elite.
estética da arte moderna. A presença de uma figura
como Graça Aranha era uma forma de conferir
prestígio ao evento, mas depois ele rompeu com os
demais integrantesdo grupo por discordâncias
sobre a liderança do movimento que estava se
formando.
 Segundo dia
O segundo dia contou com a presença de outras
figuras fundamentais para o Modernismo dessa
fase, como Menotti del Picchia e Manuel Bandeira.
O poeta pernambucano, com seu poema Os sapos,
vai ser uma figura marcante para a realização do
evento, embora não tenha comparecido. Em seu
lugar, o diplomata e escritor Ronald de Carvalho fez
a leitura do texto poético, acompanhado pela
plateia entusiasmada, imitando o som dos anfíbios
durante a recitação. Aliás, Ronald teve um papel
importante também na construção das redes de
sociabilidade do Modernismo, ao apresentar, em
sua casa, no Rio de Janeiro, alguns de seus
principais nomes, como Mário de Andrade e Manuel
Bandeira, que se tornaram grandes amigos.
 Terceiro dia
Outra figura importante que marcou presença no
Theatro Municipal foi Heitor Villa-Lobos, que se
apresentou no terceiro dia. A renovação de Villa-
Lobos na música e cultura brasileiras vai exercer
uma profunda influência entre os demais artistas
do movimento, em especial Mário de Andrade. A
atenção aos aspectos regionais e da cultura
popular vai ser considerada elemento-chave para
compreender o país e construir uma identidade
nacional que integre as diversas camadas da
sociedade brasileira. Para pensar em um país
moderno, era preciso também refletir sobre os
aspectos sociais, políticos e culturais que o
constituem.
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Suas consequências na arte e cultura brasileiras expuseram as tensões
de um país que estava para ser redescoberto, em suas desigualdades e
conflitos, mas também em sua diversidade e potência. E dois nomes
foram decisivos para que esse processo ainda ocorra até hoje: Oswald
de Andrade e Mário de Andrade. Mas esse é um assunto para os
próximos módulos.
A Semana de 22
Confira um diálogo sobre os principais aspectos históricos, sociais e
culturais que resultam na Semana de 22, bem como acerca dos
impactos que o evento trouxe à arte brasileira, principalmente na
literatura.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
A desavença modernista: Malfatti e Lobato
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
A leitura de Os sapos: um poema
programático


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Questão 1
A Semana de Arte Moderna, em 1922, reuniu um grupo de artistas e
intelectuais de diversas formações e estilos, mas todos estavam de
acordo com a necessidade de criar um evento que representasse,

Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco
para atingir
seus objetivos.
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no campo da cultura, a modernização que o país atravessava. Entre
as características comuns do grupo, estavam
Questão 2
As ideias mobilizadas para a criação da Semana de Arte Moderna já
estavam sendo gestadas bem antes de 1922. A exposição de Anita
Malfatti, em 1917, é considerada um dos antecedentes mais
importantes da revolução artístico-cultural que chegaria na década
seguinte.
Marque a alternativa que justifique essa afirmação:
A
liberdade de criação, linguagem coloquial,
nacionalismo e resistência ao academicismo.
B
linguagem coloquial, valorização da estética
parnasiana, internacionalismo e cotidiano.
C
liberdade de criação, nacionalismo, oposição ao
academicismo e fuga da realidade.
D
valorização da cultura brasileira, ruptura com a
tradição, nacionalismo e renovação estética.
E
linguagem coloquial, indianismo, temas históricos e
influência dos Estados Unidos.
Responder
A
Inclusão de referências estrangeiras e temática de
cunho político-partidário.
B
Ruptura com a estética anterior e inserção de
tendências da arte moderna.
C
Ruptura com a arte figurativa e conflito com os
aspectos regionais.
D
Nacionalismo exacerbado e atenção às desigualdades
sociais.
E
Imitação das tendências da arte moderna e
atualização do passado nacional.
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2
Antropofagia de Oswald de Andrade
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar o conceito de antropofagia em Oswald de Andrade.
Responder
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Quem foi Oswald de Andrade
Todo mundo conhece alguém que, quando chega a uma festa, se torna o
centro das atenções. Você já sabe que a pessoa chegou mesmo antes
de ela entrar no recinto. Uma voz alta ao longe, as gargalhadas de uns e
outros e o burburinho no lugar são indícios de que, sim, “Fulano” chegou!
Se você não se identifica nessa cena que acabo de descrever, talvez seja
você essa pessoa.
Na vida cultural do Modernismo brasileiro, havia algumas figuras assim
também, mas nenhuma encarnou tanto a irreverência, a ironia e a
polêmica como Oswald de Andrade. Era a “figura da festa” entre os
modernistas! Não por acaso, era motivo de ódios e paixões entre os que
o conheciam.
Oswald de Andrade
Oswald era poeta, escritor e dramaturgo. Nasceu em São Paulo, em 11
de janeiro de 1890, e faleceu na mesma cidade, em 22 de outubro de
1954, ou seja, em um tempo de crescimento ainda mais explosivo de
São Paulo, elevando-a à condição da megalópole que conhecemos hoje.
Ele pertencia a uma família tradicional de classe média alta de São
Paulo. Depois de se formar em Direito, entrou no jornalismo e começou
a colaborar intensamente em jornais e revistas. Sua estreia literária se
deu com a fundação do semanário O Pirralho, em 1911, que criou e
dirigiu junto com Alcântara Machado e Juó Bananère.
Por vir de uma condição econômica favorável, fez diversas viagens à
Europa, principalmente a Paris, o que contribuiu para influenciar em sua
formação como intelectual e escritor. Em 1917, depois de voltar de uma
de suas viagens, respondeu ao artigo de Monteiro Lobato sobre a
exposição de Anita Malfatti em sua coluna no Jornal do Commercio. Foi
o único a defendê-la publicamente na ocasião.
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Sua participação ativa na realização da Semana de Arte Moderna, de
1922, também o destacaria ainda mais entre os intelectuais e artistas
que estariam em busca de uma nova estética, rompendo com
determinados segmentos do passado e se lançando para um futuro
mais consciente da identidade e da cultura nacionais.
Em sua obra, encontramos manifestos, poesia, prosa e dramaturgia.
Em 1924, publica o Manifesto da Poesia Pau-Brasil,
mesmo ano do Manifesto surrealista, do escritor
francês André Breton. Com o documento, Oswald e
Tarsila do Amaral, com quem se casara na época,
haviam iniciado um dos movimentos mais influentes
do Modernismo brasileiro na primeira fase.
A ideia era de busca por uma poesia ingênua, primitivista, nativista, ou
seja, não influenciada por regras preestabelecidas, e que fosse de
exportação, mas também considerando uma síntese da influência das
vanguardas europeias, como o Cubismo e o Expressionismo.
Em 1925, ele lança seu primeiro livro de poesia, Pau-Brasil, ilustrado por
Tarsila e com prefácio de Paulo Prado.
Dessa primeira fase, também merece destaque sua obra em prosa. Em
1922, publicou Os condenados, primeiro livro de sua Trilogia do exílio.
Em 1924, sai um de seus romances mais importantes, que marca a
experimentação da prosa modernista, Memórias sentimentais de João
Miramar. Além disso, começa a escrever o romance Serafim Ponte
Grande.Ainda em 1924, juntamente com Tarsila, Mário de
Andrade, o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, dona
Olívia Guedes Penteado, entre outros, Oswald integra a
chamada Caravana Paulista, que viaja entre São Paulo,
Minas Gerais e Rio de Janeiro, experiência que teve
influência essencial em sua concepção estética e
política sobre a cultura brasileira.
Oswald também escreveu peças de teatro, como O rei da vela, livros de
memórias, como Um homem sem profissão: sob as ordens de mamãe e
até mesmo uma tese para concorrer à vaga de professor titular da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo,
o texto A crise da filosofia messiânica.
Como você pode notar, Oswald foi provocativo e incansável. Sua
natureza incandescente, claro, colecionou ao longo de sua trajetória
algumas desavenças, como casamentos em crise, rompimento com
amigos de longa data e um melancólico ostracismo nos últimos anos de
vida. No entanto, sua obra não perdeu a força da primeira hora,
influenciando gerações e sendo, até hoje, fonte de inspiração para
pensar sobre os caminhos da construção e reconstrução da cultura
brasileira.
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Tarsila, Oswald e o Abaporu
Como vimos, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral se casaram nos
anos 1920 e tiveram uma parceria também no campo artístico, já que
havia afinidade entre as duas atividades do casal. Não entraremos aqui
em detalhes dessa relação. O que nos importa é tentar entender como
essa relação contribuiu para a concepção de um dos movimentos
estéticos mais influentes da cultura brasileira no século XX: a
antropofagia cultural.
Antes de mais nada, é preciso conhecer o papel de Tarsila do Amaral na
formulação dos pressupostos que deram origem à antropofagia, em
geral associada apenas a Oswald por conta de seu manifesto. Mas a
verdade é que a parceria com Tarsila foi determinante para isso. Foi,
talvez, um dos primeiros momentos, na história da arte e da literatura
brasileira, que as artes visuais vão influenciar a literatura.
Veja bem, não estou dizendo que não havia antes diálogo entre essas
duas expressões, mas que, nesse instante, o conceito surge, sobretudo
a partir da pintura, depois vai para a literatura. E como isso se deu?
Enquanto Anita havia sido influenciada pelos expressionistas alemães,
Tarsila bebe dos grandes artistas do Cubismo, na França. Tarsila havia
se formado na Europa, em 1920, mas uma segunda viagem, em 1923,
será ainda mais importante para sua pintura.
Ela frequentou os ateliês de grandes mestres, como André Lhote e
Albert Gleizes, mas foi com o contato com Fernand Léger, um dos
nomes mais importantes do Cubismo francês, que a obra de Tarsila
ganha nova perspectiva. Em uma entrevista ao jornal Correio da Manhã,
no fim daquele ano, ao retornar ao Brasil, a artista garante:
Curiosidade
Para você ter uma ideia da relação entre eles,
o escritor Mário de Andrade às vezes se
referia aos dois, em cartas, como
“Tarsivaldo”. Uma forma afetuosa e lúdica de
demonstrar que os temas ligados ao
Modernismo, objetos de muitas dessas
cartas, deveriam contar com a participação
dos dois, de quem o autor de Macunaíma
guardava profunda admiração, até romper a
amizade com Oswald anos mais tarde. Bem,
deixemos os bastidores e voltemos ao
palco...

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O Cubismo liberta,
porque tem a vantagem
de ser uma escola de
invenção.
(AMARAL, 1923 apud AMARAL, 2003, p. 419)
Levando essa concepção visual para terras brasileiras, ela parte da
paisagem e da cor local para inventar uma brasilidade luminosa, viva e
cheia de frescor, principalmente depois de sua incursão junto à
Caravana Paulista, em 1924.
Quatro anos depois, ela pinta um quadro para dar de presente de
aniversário a Oswald. O escritor fica fascinado pela pintura a óleo, com
85cm x 72cm. O também poeta modernista Raul Bopp, ao conhecer a
obra, sugere que eles façam um movimento inspirado nele. Era preciso
um nome. Feito! Abaporu (do tupi, “homem que come gente”).
Curiosidade
Atualmente, Abaporu é a pintura brasileira de
maior valor no mercado internacional de
artes e está no acervo do Museu de Arte
Latino-Americana de Buenos Aires, na
Argentina, o que é pertinente, afinal, é uma
obra fundamental não apenas da cultura
brasileira, mas também da América Latina.

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Abaporu, Tarsila do Amaral, 1928.
A fase antropofágica de Tarsila vai ser um dos pontos culminantes em
sua carreira, como nos lembra uma de suas principais estudiosas, a
crítica de arte e curadora Aracy Amaral (2003, p. 289). Por isso, Tarsila
vai ser uma das principais influências para que Oswald lance, no mesmo
ano, a Revista de Antropofagia. Nessa mesma revista, é publicado o
Manifesto antropófago, um dos textos mais importantes da cultura
nacional.
Tupi or not tupi
É bem provável que você já tenha visto um jogo de futebol na vida, ainda
que não seja lá muito fã do esporte. Então, deve se lembrar de um
momento em que os jogadores, ao final da partida, trocam as camisas
entre si, em um gesto de cordialidade entre os times, afinal, são
adversários, não inimigos, certo?
Em uma dimensão simbólica, também podemos
enxergar nessa prática a realização de uma espécie de
ritual antropofágico, considerando que a camisa de um
clube representa muito mais do que o jogador que a
veste: ali estão a história, a torcida, a instituição, seus
títulos e derrotas.
A camisa de futebol é a síntese de tudo o que um clube é e quer se
tornar, pois ele depende de jogadores vestindo aquela peça para jogar
as partidas, buscar as vitórias, superar as derrotas e continuar
construindo sua história. Não por acaso alguns a chamam de “manto
sagrado”. Ao trocar as camisas, os jogadores estão se apropriando
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dessa força, depois da batalha em campo, e fazendo do jogo uma
celebração do que têm em comum.
Oswald de Andrade não pensou propriamente em uma metáfora
futebolística para desenvolver o seu conceito de antropofagia, mas sem
dúvida compreendia a dimensão potencial e complexa da formação da
nossa cultura e de tudo aquilo de que somos feitos, desde o
“descobrimento” até o presente.
Por isso, ao contrário da fase Pau-Brasil, em que propõe uma arte de
exportação, voltada para a valorização da modernidade alcançada, na
Antropofagia, Oswald cultiva as ideias novas que vêm de fora, ou seja,
importa-as, para, assim como nos rituais indígenas dos antropófagos,
devorá-las e aplicá-las à realidade social brasileira.
O objetivo da Antropofagia era, então, assimilar outras culturas, e não as
imitar. Dessa forma, o Brasil é redescoberto, em uma inversão cultural
dos papéis em nosso processo de colonização.
Só a antropofagia nos
une. Socialmente.
Economicamente.
Filoso�camente.
(ANDRADE, 2017, p. 43)
Essa é a frase que abre o Manifesto antropófago, publicado no primeiro
número da Revista de Antropofagia, em 1º de maio de 1928. O periódico
teve duas fases, ou “dentições”. A primeira é constituída de dez
números, de maio de 1928 a fevereiro de 1929; a segunda, 15 edições,
de março de 1929 a agosto do mesmo ano.
O Manifesto é um texto que deve ser lido em relação às publicações de
vanguarda no início do século XX, pois trata-se de um gênero literário
muito particular, cujo objetivo não era criar um sistema filosófico ou
comprovar dados historiográficos.
Por que se publica um manifesto? Para romper,
provocar ou questionar uma estrutura de poder vigente,
com seus mecanismos, hábitos e costumes. Por isso, a
linguagem tem um tom transgressore é recheada de
palavras de ordem. Não é um ensaio filosófico, mas um
chamamento à ação.
Nessa tentativa de deglutir as qualidades do inimigo e incorporar às
nacionais, Oswald propõe uma síntese dialética, ou seja, de uma relação
a partir de dois pares opostos. Assim, a dependência cultural que
caracterizou a história da arte e da literatura brasileira até então é
solucionada por meio de um processo de transculturação, quer dizer, de
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uma fusão atravessada de culturas diferentes, lidas agora em
perspectiva completamente nossa.
Só me interessa o que
não é meu. Lei do
homem. Lei do
antropófago.
(ANDRADE, 2017, p. 43)
O interesse, como verbo, indica uma ação e uma projeção em direção ao
objeto desejado. E apenas podemos desejar aquilo que é do outro.
Tupi or not tupi: that is the question, a paródia ao solilóquio de Hamlet, o
clássico ocidental de William Shakespeare, é, nesse sentido, reveladora
da realização desse interesse e da síntese da devoração de outra
cultura. Hamlet, para desmascarar o crime contra seu pai, no lugar de
uma peça de teatro, aqui no Brasil faria samba e um desfile de carnaval.
Antropofagia em Oswald de
Andrade
Assista agora ao vídeo em que se apresenta um diálogo sobre a
biografia e a obra de Oswald de Andrade, destacando sua contribuição à
cultura e à literatura brasileiras a partir do conceito de antropofagia.
Vem que eu te explico!


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Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Pintura e literatura na gênese da Antropofagia
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Tupi or not tupi como paródia de Hamlet
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Questão 1
Um dos movimentos culturais mais influentes da cultura brasileira é
a Antropofagia, inaugurada com a tela Abaporu, de Tarsila do
Amaral, e o Manifesto antropófago, de Oswald de Andrade. É um
momento da história da arte e da literatura brasileira em que a
pintura vai influenciar a literatura, tendo desdobramentos até os
dias atuais.
Em relação às características do movimento antropofágico, marque
a alternativa correta:

Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco
para atingir
seus objetivos.
A
A Antropofagia valoriza a cultura europeia e busca
imitá-la.
B
O Manifesto antropófago tenta preservar a influência
dos europeus na formação do Brasil.
C
O conceito de antropofagia cultural está ligado apenas
ao contexto da Semana de 1922.
D
O Manifesto antropófago concebe a cultura brasileira
em uma perspectiva sintética.
E
As vanguardas europeias surgiram como síntese da
antropofagia cultural.
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Questão 2
As redes de sociabilidade construídas pelos modernistas, como
Oswald de Andrade e Mário de Andrade, eram de grande
importância para a consolidação do movimento e de suas ideias.
Não apenas as viagens ao exterior, mas também as excursões pelo
Brasil formaram boa parte das concepções estéticas das principais
figuras do grupo e influenciaram de maneira decisiva a forma de
pensar na construção de uma cultura nacional.
Marque a alternativa que indique o nome como ficou conhecida
uma dessas viagens e os respectivos estados por onde o grupo
passou:
3
Macunaíma de Mário de Andrade
Ao final deste módulo, você será capaz de analisar a narrativa de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade.
Responder
A
A Caravana Paulista; Minas Gerais, Paraná e Santa
Catarina.
B O Grupo dos Cinco; Ceará, Piauí e Sergipe.
C
Os Antropófagos; São Paulo, Rio de Janeiro e Minas
Gerais.
D A Caravana Nacional; Mato Grosso, Amazonas e Pará.
E
A Caravana Paulista; São Paulo, Rio de Janeiro e
Minas Gerais.
Responder
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Quem foi Mário de Andrade
Eu sou trezentos, sou
trezentos-e-cinquenta,
Mas um dia a�nal me
encontrarei comigo...
(ANDRADE, 2013, p. 254)
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Não é raro encontrar esses versos de Mário de Andrade em artigos,
ensaios, perfis biográficos e outros textos que tratem do autor e sua
obra. Em geral, o título do próprio poema, que é parte do estribilho do
poema, Eu sou trezentos..., já é suficiente. Não por acaso, é título de um
importante estudo biográfico sobre sua vida e obra, de autoria de
Eduardo Jardim.
Mas, afinal, por que estes versos são tão importantes?
Eles são suficientes para definir Mário de Andrade?
Claro que não! Aliás, seria até mesmo contraditório. Mas são versos que
nos dão pistas sobre este que é um dos principais expoentes do
Modernismo brasileiro e uma das figuras centrais no cenário cultural e
intelectual das décadas de 1930 e 1940 no país.
O número no poema é uma referência a uma das principais
características de Mário de Andrade: a multiplicidade e os conflitos
inerentes a um sujeito em conflito permanente consigo mesmo em face
da dimensão fragmentária da experiência na modernidade.
Como vimos anteriormente, o período era de intensas transformações
na vida social e cultural brasileira no início do século XX, com
urbanização, industrialização e crescimento demográfico,
especialmente com a chegada de imigrantes de vários cantos do
mundo.
Mário de Andrade nasceu em São Paulo, em 9 de outubro de 1893, e
faleceu na mesma cidade, em 25 de fevereiro de 1935. Diferentemente
de Oswald, Mário era disciplinado, cordato, apegado à casa e pouco
dado a improvisos.
Essa multiplicidade se reflete nos gêneros literários a que se dedicou.
Era musicólogo de formação, mas também se dedicou à poesia, ao
conto, ao romance, à crônica e à crítica literária. Mas talvez nenhum
desses tenha sido tão decisivo em seu projeto modernista que o gênero
epistolar. As cartas de Mário de Andrade não são apenas bastidores da
vida intelectual e artística daquele período, mas também ensaios da
construção de um pensamento e de expressão da sensibilidade, bem
como arquivos de seu processo criativo.
Curiosidade
Ele já revelou em algumas ocasiões que
jamais conseguiria proferir um discurso em
público se não o escrevesse. Não concebia a
ideia de falar em público sem público. Por
outro lado, era também um amante de
viagens, de saídas com os amigos e do
carnaval carioca (TÉRCIO, 2019).

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De suas obras, Pauliceia desvairada é considerada o seu livro-manifesto,
tendo em vista que ele o publica em um momento de ruptura e
experimentação do Modernismo em sua fase vanguardista.
Mas é por meio da ficção que Mário, ainda em uma perspectiva estética,
desenvolve uma investigação profunda sobre a diversidade da formação
cultural de nossa sociedade e, dessa maneira, busca uma identidade
nacional que dê conta dessa natureza tão plural.
Da esquerda para a direita: Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo
Franco, no Rio de Janeiro, em 1936.
Seus estudos sobre música foram, portanto, fundamentais para isso.
Não por acaso, sua obra de ficção mais importante, Macunaíma, é
bastante influenciada por seus estudos no campo da música, como
veremos um pouco mais adiante.
Mas vamos falar um pouco mais sobre outro gênero que Mário praticou
como poucos: a carta. Em tempos de redes sociais, aplicativos de
mensagense outros recursos instantâneos, pode parecer uma realidade
distante, mas, mesmo nesses recursos atuais, há uma estrutura
discursiva que segue alguns dos princípios que deram origem ao gênero
epistolar.
A carta era um espaço também de investigação estética e de
construção de uma rede de relações fundamental para a consolidação
de uma ideia, de um programa, ou seja, de uma série de elementos que
dão forma a um movimento.
Atenção!
Por meio de cartas, Mário não apenas se
comunicava com seus correspondentes, mas
discutia a criação de um poema, enviava
fotos de quadros, recebia convites para dar
conferências e para publicar artigos em
diversos periódicos, combinava viagens,
entre outros assuntos.

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Por isso, não é exagero dizer que o Modernismo brasileiro não seria o
mesmo sem as cartas de Mário de Andrade. Carlos Drummond de
Andrade, Manuel Bandeira, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti estão entre
alguns dos principais missivistas com quem Mário manteve intenso
diálogo postal. Procure qualquer volume dessas cartas e dê uma
espiada na conversa. Esta, sim, você pode espalhar por aí.
Dar uma alma ao Brasil
E já que falamos ainda há pouco de cartas, vamos dar uma conferida
em uma delas?
Depois da passagem da Caravana Paulista em Minas Gerais, em 1924,
Mário tem contato com jovens em Belo Horizonte, que ficaram
entusiasmados em conhecê-lo. Entre eles, estava um certo Carlos
Drummond de Andrade.
No mesmo ano, o jovem Drummond escreve para o escritor paulista,
falando da importância de sua visita para o grupo mineiro e confessa a
ansiedade para receber uma carta do novo amigo. Mário responde em
10 de novembro daquele ano, revelando seu desejo de “dar uma alma ao
Brasil”:
[...] é no Brasil que me acontece viver e agora
só no Brasil eu penso e por ele tudo
sacrifiquei. A língua que escrevo, as ilusões
que prezo, os modernismos que faço são pro
Brasil. E isso nem sei se tem mérito porque
me dá felicidade, que é a minha razão de ser
da vida. Foi preciso coragem, confesso,
porque as vaidades são muitas. Mas a gente
tem a propriedade de substituir uma vaidade
por outra. Foi o que fiz. A minha vaidade hoje
é de ser transitório. Estraçalho a minha obra.
Escrevo língua imbecil, penso ingênuo, só pra
chamar a atenção dos mais fortes do que eu
pra este monstro mole e indeciso ainda que é
o Brasil.
(ANDRADE, 2015, p. 15)
Mário de Andrade tinha mais do que um entusiasmo com as
transformações que a modernidade trouxe para a sua Pauliceia. Ele
possuía um projeto estético determinado a redescobrir o Brasil e
compreender do que ele é feito. Para isso, era preciso também
reinventá-lo. Só que o Brasil não é apenas São Paulo ou o Rio de Janeiro,
embora sejam duas cidades que reúnem, naquele contexto, uma fusão
vertiginosa e impressionante de influências oriundas de outras partes.
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Esse sentimento de incompletude, inacabamento e transitoriedade, na
verdade, expõe um desejo de dar um sentido para “este monstro mole e
indeciso”. Ou, como diz o outro verso do poema Eu sou trezentos, ele se
confronta com a certeza de que um “dia quem sabe encontrarei comigo”
(ANDRADE, 2013, p. 254). É apenas no trajeto da busca do indivíduo por
si mesmo que ele encontra os vestígios daquilo de que é feito e do que
está por fazer de si.
Sabemos o quanto uma viagem nos marca. Mesmo um passeio em uma
cidade próxima transforma algo em nós. Não apenas a viagem junto ao
grupo da Caravana Paulista foi decisiva para a formulação do projeto
estético de Mário de Andrade, mas também outras, como, ainda nos
anos 1920, para o interior de São Paulo e para a Região Norte do Brasil.
Ceia, Aleijadinho, 1795, no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (MG).
Em 1924, Mário teve contato, em Minas, com a arte de Aleijadinho e as
igrejas do período colonial, o que provocou um deslocamento em sua
concepção sobre a nossa formação cultural. O passado lançava luz
sobre o presente. A “descoberta” das obras do mestre mineiro e da
arquitetura colonial levava-os a refletir sobre as raízes da cultura
nacional, o que contribuiria para a constituição de nossa identidade.
Poucos anos depois, Mário vai para a Amazônia, experiência que marca
ainda mais profundamente a dimensão estética e, também, política de
seu projeto modernista.
E por que isso ocorre? Em que sentido?
O contato com uma diversidade cultural tão rica e complexa leva Mário
a pensar na brasilidade em uma perspectiva sincrética (diferente de
Oswald, que a enxerga como “sintética”, lembra?), isto é, as várias
manifestações culturais se entrecruzam e expressam, cada uma de
forma autônoma, a sua natureza própria.
Além disso, o contato com as culturas populares amazônicas e com
grupos sociais historicamente marginalizados, como indígenas e
ribeirinhos, contribuiu para que Mário refletisse sobre o caráter múltiplo
de nossa identidade, não um bloco homogêneo, como querem as
classes dominantes.
A relação entre o popular e o erudito, então, se transforma na chave para
interpretar esse país.
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Uma narrativa sem nenhum
caráter
Dessas experiências, resultaram obras fundamentais na trajetória
artística e intelectual de Mário de Andrade:
O relato de viagem O turista aprendiz, a partir das notas de 1927,
mas só publicado postumamente.
A poesia de Clã do jabuti, de 1927.
Um dos romances mais importantes da literatura brasileira,
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, lançado em 1928.
Embora seja classificado como romance, Macunaíma é uma forma de
difícil delimitação nos esquemas rígidos da narratologia, tendo em vista
que ele é resultado da combinação de vários gêneros diferentes.
Por essa razão, a obra é considerada uma narrativa de
caráter experimental, já que ela joga com os limites da
linguagem e da literatura a partir da fusão dos
elementos estruturais de contos, lendas, crônicas,
relatos de viagem e cartas, costurando o popular e o
erudito de uma forma inovadora até então.
Como você já deve ter lido a obra, deve ter notado que ela não tem nada
de realista, ao menos não no sentido documental. Pode parecer, em um
primeiro momento, um livro difícil de ler, seja pela quantidade de
referências, especialmente das culturas indígenas e contos da tradição
popular, seja pela sua natureza fragmentária e carregada de imprevistos.
Por isso, é fundamental entender o contexto de sua concepção e de que
modo ele se insere no projeto de Mário de Andrade.
A primeira pista está no seu subtítulo: “o herói sem nenhum caráter”. Em
um primeiro momento, pode parecer que ele está fazendo um juízo
moral do personagem, ainda mais quando acompanhamos suas
travessuras ao longo da narrativa.
Atenção!
O uso do termo “caráter” no subtítulo de
Macunaíma é mais no sentido de
“característica”, ou seja, traço distintivo de
uma determinada identidade.

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Qual é basicamente o enredo do livro?
É a trajetória de Macunaíma em busca da muiraquitã, a pedra mágica,
que ele havia recebido de Ci, a Mãe do Mato. A pedra acaba parando nas
mãos do gigante comedor de gentes Piaimã, que vivia em São Paulo
como burguês.
O final é melancólico. Derrotado de todas as maneiras, Macunaíma
acaba virando uma constelação no céu. Muita coisa acontece até
chegar aqui. Por isso, é importante que você tenha uma boa edição
anotada do livro e o acompanhe com o Roteiro de Macunaíma, de
Cavalcanti Proença, referência fundamental para seu estudo. Assim, as
referências vão ficando mais claras.
Índias, Portinari,1941.
É importante pensar o que esse livro representa naquele momento. A
ideia da narrativa surgiu depois que Mário leu Vom Roraïma zum
Orinoco, do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg, um conjunto de
relatos da tradição indígena do norte amazônico.
Makaunaimã é uma divindade que faz parte da cosmologia de vários
grupos indígenas da região, como os Macuxi e os Taurepang.
Atualmente, há, inclusive, intensos debates sobre a utilização de uma
figura que faz parte do sagrado desses povos.
Nesse sentido, vale a pena conferir a peça teatral Makunaima: o mito
através do tempo, de autoria coletiva, em que Mário de Andrade volta da
morte, ficcionalmente, para ser questionado sobre a ficcionalização do
deus Makunaima.
No entanto, quando Mário cria o personagem, ele não estava pensando
em fazer um tratado acadêmico. A ficção torna-se um espaço não
apenas de criação, mas também de discussão sobre o caráter
fragmentário e múltiplo da formação de nossa identidade.
A busca da muiraquitã representa, para aquele momento, a busca
pela identidade e a tentativa do sujeito, na sociedade moderna, de
conciliar os conflitos de sua inserção no mundo, ainda mais em um
contexto de mudanças no desenvolvimento econômico e urbano das
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cidades, embora socialmente mantivessem uma estrutura bastante
conservadora e presa a valores dos tempos coloniais.
Por isso, Macunaíma se transforma ao longo do livro, de “preto retinto e
filho do medo da noite”, homem branco de olhos azuis, menino, adulto,
cachorro do mato, entre outras formas, até se tornar a constelação de
Ursa Maior, no fim da história. É uma maneira de dar conta da rica e
complexa formação da nossa sociedade e suas contradições.
Macunaíma é uma narrativa mítica. E para que servem os mitos na
modernidade?
Como dizia Fernando Pessoa, em seu poema Ulisses:
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
(PESSOA, 1972, p. 25)
Uma narrativa mítica recria a nossa relação com a realidade. Portanto,
Mário de Andrade, ao trazer Macunaíma, fecundou a nossa cultura e nos
legou uma das obras mais impressionantes da literatura nacional.
Mário de Andrade e
Macunaíma
Veja um diálogo sobre a vida e a obra de Mário de Andrade, no contexto
do Modernismo, em que se destaca sua contribuição para se pensar a
cultura brasileira a partir da narrativa de Macunaíma, o herói sem
nenhum caráter.

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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
As andanças de Mário e sua visão de Brasil
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Macunaíma como narrativa mítica
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Questão 1
Mário de Andrade era um intelectual múltiplo. Dedicou-se a diversos
gêneros, como a poesia, o romance, o conto, além de ter se
dedicado ao estudo da música e da nossa tradição popular. Dessa
gama variada de interesses, surgiram obras que até hoje são
referências na história da literatura brasileira, como os poemas de
Clã do Jabuti e a narrativa Macunaíma.
Marque a alternativa que indique um fator decisivo para a atenção
que Mário de Andrade passa a dar à cultura popular na construção
da identidade nacional.

Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco
para atingir
seus objetivos.
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Questão 2
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter é a obra-prima de Mário de
Andrade. Por meio de uma narrativa complexa em termos
estruturais e diversa quanto às influências e referências que ela
mobiliza, o escritor constrói um livro experimental e único em nossa
literatura.
Marque a alternativa que contenha uma característica da obra que a
vincule ao modernismo brasileiro.
A
O carnaval carioca e as festas populares no interior de
São Paulo, principalmente em Lindoia e Araraquara.
B
A tradução de obras de autores alemães, que serviram
de base para seus estudos de folclore.
C
As viagens às cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro
e São Paulo, com a Caravana Paulista, em 1924, e à
região da Amazônia, em 1927.
D
As viagens a cidades mineiras e capixabas logo após
a Semana de Arte Moderna.
E
As pinturas de Tarsila do Amaral e os discursos
políticos de Rui Barbosa.
Responder
A Busca por uma identidade nacional
B Valorização das estéticas anteriores
C Luta por uma sociedade mais conservadora
D Preservação da língua e da cultura no Brasil
E Defesa dos direitos dos proprietários de terras
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17/04/2024, 11:11 O Modernismo: a primeira geração
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Considerações �nais
A complexidade e a importância do Modernismo são tamanhas que, até
hoje, ele exerce influência não apenas nos estudos que se dedicam a
analisá-lo, mas também em nossa maneira de tentar compreender a
formação da sociedade brasileira. A cultura é um dos instrumentos
essenciais para o conhecimento de nossa realidade e de investigação
das possibilidades de transformá-la.
O Modernismo no Brasil surgiu como esforço de ruptura com estruturas
arcaicas da nossa sensibilidade e do nosso desenvolvimento, propondo
novas formas de construção e percepção, de modo a estarmos atentos
ao presente e, também, ao que nos definiu no passado. A Semana de
Arte Moderna e seus antecedentes, como a exposição de Anita Malfatti,
foram expressões iniciais dessa inquietude, formando um grupo de
diversas tendências e formações.
Oswald de Andrade, por meio de seu conceito de antropofagia, partindo
da obra de Tarsila do Amaral, propõe a assimilação das culturas
importadas e a aplicação em nossa realidade, em uma perspectiva
sintética da cultura.
Mário de Andrade, com Macunaíma, busca a identidade nacional a partir
de seus elementos diversos, considerando as especificidades de cada
grupo e as relações que eles estabelecem entre si, em uma perspectiva
sincrética da cultura.
A Semana de 22 e o
modernismo literário
Para finalizar, ouça um debate sobre as polêmicas que
envolveram a realização da Semana de Arte Moderna,
destacando o choque nas artes e na literatura diante das
propostas libertárias e irreverentes dos modernistas, além das
consequências da obra de Oswald e Mário de Andrade na
cultura brasileira.
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Na página da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, hospedada no
portal da USP, você pode acessar diversas revistas e jornais importantes
de nossa cultura. Entre elas, estão as edições da Revista de
Antropofagia.
Outra página hospedada no portal da USP e que vale a pena ser
explorada sobre o tema é a Plataforma de estudos do primeiro
modernismo literário brasileiro. Lá você encontra informações sobre
vários dos autores representativos do Modernismo, como os dois que
acabamos de estudar: Oswald e Mário.
Procure, na internet, quadros de Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. Na
Enciclopédia Itaú Cultural, você pode acessar algumas de suas
principais obras.
Leia o Manifesto antropófago, deOswald de Andrade, e o romance
Macunaíma, de Mário de Andrade.
Assista ao documentário Semana de Arte Moderna, que aborda vários
aspectos históricos, culturais e literários da Semana de 22, com
depoimentos e leitura dramatizada de textos literários, disponível no
canal da TV Cultura no YouTube.
Referências
AMARAL, A. Tarsila: sua obra e seu tempo. São Paulo: Ed. 34; Edusp,
2003.
ANDRADE, M. de. A lição do amigo: cartas de Mário de Andrade a Carlos
Drummond de Andrade. Organização e notas de Carlos Drummond de
Andrade; posfácio de André Botelho. São Paulo: Companhia das Letras,
2015.
ANDRADE, M. de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2017.
ANDRADE, M. Pauliceia Desvairada. São Paulo: Casa Mayença, 1922.
Consultado na internet em: 15 jun. 2022.
ANDRADE, M. de. Poesias completas. Edição de texto apurado, anotada
e acrescida de documentos por Tatiana Longo Figueiredo e Telê Ancona
Lopez. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.
ANDRADE, O. Manifesto Antropófago e outros textos. Organização e
coordenação editorial de Jorge Schwartz e Gênese Andrade. São Paulo:
Penguin Classics - Companhia das Letras, 2017.
BRITO, M. da S. História do Modernismo brasileiro: antecedentes da
Semana de Arte Moderna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.
PESSOA, F. Mensagem. Lisboa: Ática, 1972.
SEVCENKO, N. O Orfeu Extático na Metrópole: São Paulo - sociedade e
cultura nos frementes anos 20. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
TÉRCIO, J. Em busca da alma brasileira: biografia de Mário de Andrade.
Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2019.
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